Grifo 27

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200 ANOS Nº 27 01-30 SET 2022

JORNAL DOS CARTUNISTAS DA GRAFAR

Nem independência, nem justiça PÁGINA 8

v

O ralo neoliberal Mansões milionárias, fome e desemprego.


Trapalhadas na caserna

A

capa desta edição, arte do brilhante Eugênio Neves, sintetiza a grande tragédia brasileira. Nestes tempos em que milhões de pessoas não têm trabalho nem renda para comer o necessário, nosso dinheiro é jogado no poço sem fundo das Emendas Orçamentárias secretas, no bolso de generais de pijama, nas malas de dinheiro vivo que pagam as mansões dos filhos e ex-esposas do Inominável. Nosso consolo é que falta pouco para o 1° de janeiro de 2023.

quem se aproximou demais do Coiso. Ao invés de tomarem o STF, o cabo e o soldado tiveram que empurrar o jipe. Os tanques enfumaçaram Brasília, a polícia encontrou coca em aviões da FAB, motoqueiros atropelaram-se diante do palácio, paraquedistas caíram em árvores, telhados e se esparramaram na aveBolsonarices A foto de um jipe militar encren- nida, atrapalhando o tráfego. Que bom que o Brasil não entra cado sendo empurrado na avenida em guerra contra ninguém... foi a alegoria da desmoralização de

O GRIFO da Francesca Zamborlin

O Grifo Jornal de humor e política, desde outubro de 2020. Eletrônico, quinzenal e gratuito. Publicação de cartunistas da Grafar (Grafistas Associados do RS) Editores: Celso Augusto Schröder e Paulo de Tarso Riccordi. Editor gráfico: Caco Bisol Mídias sociais: Lu Vieira Participam desta edição: Bahia: Hector Ceará: Cival Einstein Minas Gerais: +Nani e Quinho Pernambuco: Thiago Lucas Rio de Janeiro: Arnaldo Branco, Aroeira, Carol Cospe Fogo, Lafa, Máximo, Miguel Paiva, Nando Motta e Netto Rio Grande do Norte: Brum Rio Grande do Sul: Bier, Bierhals, Carlos Roberto Winckler, Edgar Vasques, Edu Oliveira, Elias Monteiro, Ernani Ssó, Eugênio Neves, Fabiane Langona, José Antônio Silva, Lu Vieira, Luiz Augusto Faria, Santiago, Schröder, Tarso e Uberti Santa Catarina: Celso Vicenzi São Paulo: Bira Dantas, Caco Bisol, Carlos Castelo, Céllus, Cláudia Carezzato, Jorge o Mau, Jota Camelo, Laerte, Luiz Hespanha e Mouzar Benedito E MAIS: Argentina: Mate-Matias Tejeda Cuba: Michel Moro Gomez Itália: Francesca Zamborlin Turquia: Musa Gümüş e Oguz Gurel

Expediente

| 2 | editorial

jornalgrifo@gmail.com

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CLIQUE AQUI E ENTRE NO GRUPO 1 CLIQUE AQUI E ENTRE NO GRUPO 2 CLIQUE AQUI E ENTRE NO GRUPO 3 Se o submundo do crime é essa degradação, imagina o sobremundo. Carlos Castelo


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| 3 | bolsonarices

O Brasil desgovernado Luiz Augusto Estrella Faria*

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m 2020 um Brasil com economia estagnada foi acometido pela Covid-19. Essa combinação de crises se deu sob o pior governo de nossa história. Seguindo seu mote de nada construir e tudo destruir, Bolsonaro abandonou a população ao contágio e à morte. Felizmente, pela forma descentralizada do SUS, prefeitos e governadores se empenharam no cuidado e na vacinação. Mesmo assim, a mortalidade no Brasil foi três vezes maior do que a média mundial. Cerca de 400 mil mortes poderiam ser evitadas. O inominável aboletado no Planalto não se conteve na terra arrasada da saúde. A educação, maior estrutura do serviço público no Brasil, foi outra área vitimada por seu projeto destruidor. Além da radical redução de verbas, uma verdadeira guerra ideológica contra professores e conteúdos científicos e culturais vem sendo travada, fazendo uso do assédio moral, da modificação de currículos e do abandono administrativo. O mesmo se passa na cultura e na ciência e tecnologia, no cuidado ambiental, na proteção às populações vulneráveis ou na segurança pública. O espelho dessa política de destruição é o grotesco das figuras escolhidas para seus postos dirigentes. Mas talvez o mais significativo esteja ocorrendo na economia, dirigida pelo indizível Guedes. Para além de suas limitações de formação e conhecimento do Brasil, o ministro que se gaba de ter lido Keynes em inglês, nada assimilou desse autor, pois só tem a oferecer desfazimentos e nenhum projeto. Cortar, vender, revogar, extinguir, liquidar são os únicos verbos conjugados em sua gestão. Não se sabe que prioridades para o investi-

mento e o gasto públicos tem, que planos e projetos estão sendo implementados para superar a crise e promover o desenvolvimento. Fazer qualquer coisa ou nada, tanto faz. O estado, na verdade, só serve para facilitar negócios para seus amigos financistas com as privatizações e a dívida pública. O resultado é trágico: o desemprego atinge 10 milhões de trabalhadores e o perfil do emprego piorou, com predomínio da ocupação informal, 39 milhões de pessoas, mais do que os 35,7 milhões com carteira assinada. Como resultado, a remuneração média que vinha crescendo, caiu em termos reais 13,9% desde o começo desse governo. A inflação e a carestia voltaram, tendo o INPC atingido 10,1% ao ano em julho. 66,8 milhões de pessoas têm dívidas atrasadas e mais de 70% das famílias estão endividadas. As iniciativas do governo são um improviso de redução de impostos, manipulação de

preços de combustíveis e transferências compensatórias. Pior, a fome que atingia 17 milhões de brasileiros em 2004 e fora reduzida até o país sair do mapa da ONU em 2015 é hoje o flagelo de 33 milhões de pessoas. Os programas de redução da pobreza e assistência alimentar estão completamente desarticulados, trocados que foram por auxílios inventados sem nenhum critério de público-alvo ou valor, apenas o balcão de apoios no Parlamento. A credibilidade que viria da austeridade fiscal e, num passe de mágica, traria o crescimento, foi trocada pelo orçamento secreto que pode satisfazer a voracidade de parlamentares do “centrão”, mas não obedece a nenhuma forma de planejamento. Fazer nada ou qualquer coisa, tanto faz. O Brasil é hoje uma nau sem rumo, com leme quebrado e motor avariado. Professor Titular de Economia e Relações Internacionais da UFRGS. *

Ciro é um incendiário de pontes que, no final, precisa pegar o avião. Schröder


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| 4 | bolsonarices

Pés, ossos, imóveis e anéis Luiz Hespanha

O

s horários da vida e da esperança eleitoral mostram a eficácia da política de combate à fome do governo Bolsonaro. Nunca antes mercados, mercadinhos e bodegas venderam tanto pé e pele de frango. Quer maior sinal de pujança da economia? Quem em sã indecência, vã indulgência e plena excrescência não se emociona com a venda de osso de qualidade atestado pelo governador de MT, Mauro Mendes, bolsonarista candidato à reeleição no estado que tem o maior rebanho do país? Pés, ossos e peles são os símbolos da inclusão desse governo. O osso, por exemplo, é tão bom que tem gente disputando a iguaria até nos carros da limpeza urbana. O nascer quadrado do Sol e o anoitecer retangular das fases da lua apavora a familícia. Os ataques ao STF são jogos de cena para incitar milicianos digitais. Resta a esperança verde-oliva das tropas listradas dos ”pijamais”, digo generais, Heleno, Braga Neto e o topete jovem guarda de guarita do ministro-general Paulo Sérgio. Falta um detalhe para o golpe dar certo: combinar com os russos, no caso oficiais e soldadesca das três armas. Alguém aí acha que o oficialato, sargentos, cabos e soldados que não fizeram implantes penianos ou receberam o Bolsa-Viagra têm tesão por um golpe sem apoio dos EUA e do baronato da mídia, sistema financeiro, indústria e agronegócio? Sergio Moro está duelando com o Podemos, o partido que um dia o levaria à Presidência. Agora um chama o outro de corrupto. Sei que essa verdadeira floresta amazônica

moral que é o senador Álvaro Dias não concorda comigo, mas Moro é um ingrato. Como pode brigar com o partido que pode levá-lo à 3ª suplência de vereador em Maringá em 2024? E mais: essa briga pode tirar a 17ª suplência de deputada federal da Conja, que sabemos ser paulista de coração, cognição e dicção desde criancinha. Jair Renan, o 04, disse ao Metrópoles que pode ser o novo Elon Musk. Um amigo, trotskista-kardecista-pós-Leminskyano do 2º decanato com ascendente em Aquário, horoscopista junguiano influenciado pelas luas de Saturno, me garantiu que isso pode acontecer em alguma reencarnação. Segundo ele, o rapaz tem talento, o que pode faltar é reencarnação. Ciro perdeu o bonde do 2º turno. Bastaria ter usado os ataques a Lula e ao PT para fechar com Bolsonaro e tentar ser vice ou até cabeça de chapa. O cavalo da história passou e ofereceu, no mínimo, a garupa. Seduzido pelos próprios re-

linchos, Ciro vacilou. Resultado: fim de carreira ruminando entre dores de cabeça e cotovelos a cada entrevista e debate. Já o senador Renan Calheiros acha que Ciro pode chegar ao 2º turno. Basta virar mesário. Já imaginou ser presidente de seção na Embaixada em Paris? O Conselho Federal de Corretores Imobiliários deveria realizar o Seminário ”Nossas Casas, Vidas e Sigilos” com Bolsonaro&Familícia. O ZeroZero, demais zeros, esposas e ex-esposas, poderiam dar aulas de empreendedorismo a quem não tem casa própria. Agora sim, o país tem Política Habitacional Familiar. Quem não conseguiu comprar sequer uma barraca de lona pelo BNH pode agora ter 1, 2, 3 ou 50 imóveis em menos de 5 anos, pagando em dinheiro vivo. E o Lula? E o Lulinha? Ainda não provaram como viraram latifundiários em Urano e Plutão. E mais: com que dinheiro Lula comprou os anéis de Saturno que deu de presente à Janja?

O patrimônio da famiglia tchuthuca foi comprada sem nota fiscal. Caco Bisol


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brum

| 5 | misererenobis


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musa gümüş, turquia:

| 6 | misererenobis


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| 7 | misererenobis

arnaldo branco

oguz gurel, turquia

mate-matias tejeda, argentina


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| 8 | 200anos

Independência, realidade e sequestro

Carlos Roberto Winckler

A

s comemorações do Sesquicentenário da Independência, em 1972, no auge da ditadura civil-militar, procuraram reforçar a tutela das Forças Armadas sobre a sociedade brasileira, no chamado “milagre econômico”, entre 1969-1974. O gesto de devolução dos despojos de D. Pedro I por Portugal (à época um Estado ditatorial de longa data) e o desfile em carro aberto dos despojos em todos estados e territórios federais foram parte desse enredo. A proclamação da Independência, em setembro de 1822, foi uma forma de controlar pelo alto um possível curto-circuito no sistema de dominação oligárquica escravocrata, ameaçado por revoltas com inspiração republicana, federalista e antiescravista em Pernambuco e Bahia. O fantasma da Revolução Haitiana e das lutas antico-

loniais na América Latina, que resultaram na abolição do trabalho escravo, assombravam as classes proprietárias locais e os burocratas privilegiados do Estado português que permaneceram no país. As comemorações ao menos simulavam certa respeitabilidade, apesar do tacão ditatorial. Os militares ainda tutelam, parecem satisfeitos com privilégios conquistados como classe média fardada. Temem perdê-los. Os sonhos de Brasil Potência se transmutaram em submissão ao império estadunidense em declínio. A cena patética de Bolsonaro prestando continência à bandeira imperial dá a medida do servilismo. A versão fardada de projeto para o país é a submissão ao neoliberalismo com adaptações pragmáticas às mudanças geopolíticas em curso, apesar dos arroubos de um anticomunismo retrô. A rigor, nada que os afaste substancialmente do projeto ultraliberal

“Uma ponte para o futuro”, posto em prática após o golpe de 2016, quando se aprofunda a destruição de tudo que foi construído pós-Revolução de 1930 - momento que inaugurou a modernização do País para além do padrão oligárquico rural herdado do Império. Modernização truncada, em que a industrialização se realiza sem reforma agrária, nas últimas décadas associada ao capital estrangeiro e com limites de financiamento. Nesse quadro, o processo de democratização se dá aos trancos. A queda de Vargas, a campanha da Legalidade, o golpe de 64, a luta pela democratização no final dos anos 70 e anos 80, que resultou na Constituição Cidadã de 88, os anos democrático-populares, entre 2003 e 2014, o golpe de 2016, são momentos cruciais da luta pela redistribuição de renda, soberania nacional e aprofundamento da participação popular. Chega-se à comemoração dos 200 anos da Independência com ameaças enfraquecidas de golpe, onde se combinam métodos mafiosos-milicianos, com previsíveis declarações castrenses de respeito à Constituição e benções de traficantes da fé. O desfile militar e de tratores em Brasília sintetiza a simbiose entre o poder político real e o peso econômico de setores do agrobusiness em ambiente de desindustrialização desde a crise dos anos 80. A face trágico-cômica do sequestro simbólico em Copacabana. O capital financeiro se dá ao luxo de assinar documentos genéricos de respeito à democracia. São discretos desde todo sempre. O arco de oposição ao protofascismo neocolonial, sob liderança à esquerda, enfrentará um quadro mais complexo que o enfrentado pelo bloco de oposição, liderado por liberais democratas, à ditadura civil-militar na década de 80. Avizinham-se anos decisivos.

Tchutchuca do centrão ou da corte, bozo da corte, do centrão, pode escolher. Estamos numa democracia. Caco Bisol


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| 9 | independências

lu vieira

elias ramiro monteiro

cival einstein

Quando um general esquece o juramento, dificilmente é por amnésia ou Alzheimer. Bier


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| 10 | minhamansãominhavida


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| 11 | minhamansãominhavida


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| 12 | ereçõesimbrocháveis

jota camelo

Bolsonaro quer decidir a ereção no Primeiro Coturno. Luiz Hespanha


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O

| 13 | querquedesenhe? | schröder

Corrupção, a carapuça que só cabe nos outros

debate é, de novo, entre ideologia e realidade. Temos um cenário em que a fantasia e a mentira teceram suas teias do engano e que os agentes da verdade, imprensa e ciência abdicaram de suas funções ou foram tolhidas e asfixiadas. A imprensa brasileira, que viabilizou a Lava Jato, inflou as jornadas de junho, bancou o golpe e a posterior prisão de Lula oscila entre a condenação do Bolsonaro misógino, homofóbico e racista e a exaltação do bolsonarismo neoliberal que, afinal de contas, interessa aos capitalistas de araque brasileiros. Isto é perfeitamente perceptível na Rede Globo que exerce o anti-bolsonarismo na questão comportamental localizada nos seus departamentos de novelas, séries e humor, mas que banca no jornalismo ainda a Lava Jato com seu viés liberal que destruiu a economia nacional e se prepara para vender a quinquilharia que sobrou. Esta aparente ambiguidade é exercida com maestria, por exemplo, nos debates e entrevistas dos candidatos majoritários. A Globo bateu com aparente volúpia no Bolsonaro nas questões sociais e comportamentais, mas o poupou no quesito pessoal e econômico. Lula foi relativamente preservado na entrevista da Globo,

mas enfrentou um time articulado na Band que o acuou com Bolsonaro o chamando de presidiário e os e as repórteres repercutindo o bordão. Na Band ficou clara a articulação quando, após o repórter da casa dar o sinal, as candidatas atacam Bolsonaro que, longe de reagir, pareceu se deliciar na condição de machista. Não era para menos, para além do provável desvio de personalidade do atual Presidente, estava ali se consolidando a tática da mídia com o apoio do próprio Bolsonaro e dos outros candidatos. As chamadas de jornais e a repercussão na radiodifusão no outro dia salientavam que Bolsonaro era machista e Lula era corrupto. Bolsonaro não perdeu nada porque ninguém mais no mundo ignora o seu machismo, mas retomava uma adjetivação para Lula que já tinha sido fatal para ele e para o PT. A suposta corrupção, criada milimetricamente pelas edições do Jornal Nacional estava sendo realimentada, mesmo com todas as absolvições e, inclusive, condenação dos acusadores. O debate da Band foi a senha para a elite que contrabandeou madeira e vacinas, que trocou ouro por bíblias retomar a única campanha que conhecem: chamar os outros de corruptos.

querqueescreva?

Pixs Mais um pouco e não votar na Ana Amélia será machismo, não votar no Mourão será racismo e optar por um governador que não seja o Leite será homofobia. Houve um tempo em que havia a burguesia e o proletariado. Sou deste tempo. Não faço parte do timaço escolhido para homenagear o Ziraldo nos seus 90 anos, mas como sou metido e fã do mineiro, não me segurei.

Saudades daquele tempo em que os textões tinham 140 caracteres. As mulheres que chamaram Bolsonaro de machista são as que chamaram Lula de corrupto. Este é o script escrito pela mídia. Cortázar foi um companheiro de juventude que além de me encantar com Buenos Aires e Paris me apresentou uma literatura moderna, cosmopolita, profunda e rápida. Não segui as regras propostas pelo autor para ler O Jogo de Amarelinha. Nunca senti necessidade do truque de alternar capítulos para mergulhar na fragmentação estrutural do romance. E a morte de Rocamadour ainda é uma das passagens mais impactantes da literatura, para mim. Além do mais Cortazar provocou, estimulou e garantiu a amizade com Ernani Ssó, um cronópio em permanente luta contra sua condição de fama, como eu. Lê-lo em espanhol foi desafio que se revelou fundamental.


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| 14 | cultura

Don Mujica na estrada José Antônio Silva

Lá vai Don Mujica pela estrada longa da vida em seu fusca azulado Que digo? Lá vai o Presidente Mujica conduzindo a vida pela mão esquerda e não esconde o lado. Lá vai O Doutor Honoris Causa em velocidade moderada que sua causa humanista é cheia de honra mas com curvas de risco na estrada.

Lá vai - de fusca – o sábio pobre ultrapassando devagar e sempre lanterna da esperança acesa a urgência fatal da riqueza. Lá vai Don Mujica cumprindo sua sina na estrada da justiça que nunca termina. Novembro 2017


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PALAVRAS DA SALVAÇÃO Tá agendado: em 2 de outubro vou inaugurar uma agência de vinganças. Últimas palavras do xirú que foi homem-bomba no Afeganistão: - Buenas e me espalho! Não se preocupe: depois do coração de D. Pedro I vem aí a xereca de Carlota Joaquina.

| 15 | diaborosa | bier

POEMINHA DA CUECA Triste sinal de pobreza é o cara reclamando que não encontra cueca lá no brechó da igreja. DO TANQUE AO TAMBORIM

Coisa lamentável é o cara botar a mão no bolso furado da calça em busca de dinheiro e só conseguir coçar as bolas.

O desfile militar em Copacabana não vai sair.

Endoscopia, raio X, colonoscopia, cateterismo, tomografia... Cada vez me conheço melhor.

Melhor assim, vamos esperar o da Sapucaí.

Geralmente há muito dinheiro vivo por trás de político que se faz de morto. LEI DOS VASOS COMUNICANTES É quando o vizinho do andar de cima dá descarga e o cagalhão dele aparece no meu vaso. Orangotango é aquele macaco descoberto por um cantor argentino. Caiu em si e foi hospitalizado em estado gravíssimo.

O MALA Fiquei Bom tempo Na seção De achados E perdidos. Muito mais Perdido Do que achado.

BAR DO NEREU quele não era exatamente um

Aestabelecimento que primasse

pelas normas de higiene. O banheiro, que ficava nos fundos, tinha um buraco enorme no chão, ao lado da pia. De dia, dava para ver, uns três metros abaixo, o verde macegal. Mas, à noite, aquilo era uma mancha indefinida sob uma lâmpada de 40 velas. Vaso sem tampa, torneira enguiçada, jornais pelo chão, nada de papel higiênico, daquele jeito. O estranho é nunca se soube de problemas com a Saúde Pública. Talvez porque os fiscais sumissem pelo buraco durante a batida. Dizia-se que não havia baratas e ratos, porque pesteavam e morriam na insalubridade. Mas o tamanhão do gato do Nereu poderia dar outras explicações. Imagino que sua dieta insólita e a boa vida justificassem aquele sobrepeso. (Alguém falou em cruza com jaguatirica.) Atravessava o bar com a majestade de um Gengis Khan nas muralhas de Samarcanda. Geralmente sentava-se a um canto da porta da frente e ali ficava, observando e impondo respeito na casa. E tanto, que, quando um cachorro vinha pela sua calçada e o enxergava, atravessava a rua correndo.

As piores pendências nunca estão penduradas. Dizem que, quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. Mas por que no 15° andar? O MINISTÉRIO DA ECONOMIA ADVERTE A principal causa da explosão demográfica é a maternidade. A traição é um prato que se come pela bunda. Como Red Bull me dá asas, eu carrego no desodorante Véio da Havan diz que foi tratado como bandido. Ele queria ser tratado como? Bier


| Carlos Castelo e Bier

Laerte

MORGANA, A BRUXINHA Celso Schröder

RANGO Edgar Vasques

| 16 | tiras


| BLAU Bier

BIOMA PAMPA Celso Schröder

Fabiane Langona

Lu Vieira

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tiras


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A teoria quântica tá virando quase uma religião, citada até por quem não a entende. Não demora e vira livro de uma nova Bíblia: o quântico dos quânticos. Celso Vicenzi Histórias infantis adaptadas aos novos tempos: Branca de Neve, CEO de uma grande empresa, dormia quando um príncipe a beijou sem o seu consentimento. Ao acordar e ser informada sobre o que acontecera, processou-o por assédio de vulnerável. Celso Vicenzi Não sou especialista em teoria da evolução, mas desconfio que quando o ser humano passou a caminhar apenas sobre dois membros, começou a pôr os pés pelas mãos. Celso Vicenzi A era em que vivemos pode ser chamada de Já Era. Emprego? Já era. Decência política? Já era. Sistema educacional? Já era. Apoio à cultura? Já era. Lei? Já era. Saúde pública? Já era. Previdência? Já era... Mouzar Benedito O único lugar onde pobre entra sem ser incomodado é no cheque especial. Carlos Castelo A inflação está tão alta que os 10 Mandamentos subiram para 17. Carlos Castelo A única saída, em meio a essa crise, é pedir exílio a um banco suíço. Carlos Castelo

| 18 | entrevero

Michele Bolsonaro ora com um fervor tão grande que muitos julgam-na capaz de abrir as águas do Paranoá.

Meliantes empresários golpistas cabem numa viatura da PRF. Caco Bisol

Luiz Hespanha

Entenda quem vota no coiso: para a cabra, fedor de bode é perfume. Mouzar Benedito

Cuidado, premêra dama, hoje tô cum o demonho. Caco Bisol

Até que idade um escaravelho pode ser considerado novo? Celso Vicenzi

Numa pregação proféticoperformática Michelle disse que o Espírito Santo está com Bolsonaro, mas as pesquisas mostram que ele perde em Vitória e em várias cidades do estado. Luiz Hespanha

E na corrida eleitoral, vai ter antidoping? Celso Vicenzi

Faz tempo que Luciano Hang desistiu de dar um golpe no Brasil. Seu projeto agora é tomar a Disneylândia. Mickey e Pateta já foram avisados. Luiz Hespanha

Imposto único, estado mínimo. Caco Bisol

E o véi da Van, hem? Vai pra viatura ou não vai? Caco Bisol

“Onde come um, comem dois”, dizem. Foi assim, desconfio, que começou o ménage à trois. Celso Vicenzi No tempo em que fui brasileiro, isso aqui era uma beleza. Carlos Castelo Antes, a gente comia e a comida descia. Agora, a gente não come e a comida sobe. Carlos Castelo

O Brasil está só pele de frango e osso de boi. Carlos Castelo

Afinal de contas, a Familícia tem uma imobiliária ou uma lavanderia? Luiz Hespanha Na Imobiliária Familícia os imóveis se multiplicam em ordem bolsométrica. Luiz Hespanha


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| 19 | entrevero DICIONARIO

Saíram os números do DataCercadinho e do DataCurral: Bolsonaro saltou de 99% para 117% dos votos. Vai ser no 1º coturno. Luiz Hespanha

CASTELO DA LÍNGUA PORTUGUESA Por Carlos Castelo

CARESTIA, s. Tia da penúria, mãe da desgraça, irmã do miserê.

Que mimimi é esse? Desde quando precisa de arma pra votar? Caco Bisol

Temos 30 milhões de microempreendedores passando fome. Caco Bisol

Deputado com tornozeleira eleva o tom, mas avisa que vai se atrasar um pouco. Caco Bisol

CLASSE MÉDIA, s. Pouca comida no carrinho do supermercado, muita dívida na prestação do carrão. "Hoje estarei parcelando esta unidade de tomate em 5x no cartão."

Acho que estou mais ou menos na meia idade. Afinal, é meia... quatro. Celso Vicenzi

A coisa está tão ruim que nem reza mais a lenda. Carlos Castelo

Lady Tebet disse que todo jovem do ensino médio vai receber R$ 5 mil. O espírito franciscano da família é conhecido sobretudo pelos guaranis kayowaas do Mato Grosso. Luiz Hespanha

O desemprego é tão grande que nem se emprega mais o termo emprego. Carlos Castelo

7 de setembro. 200 anos de Dependência do Brasil. Carlos Castelo

Onde tem fumaça... tem não fumante reclamando.

Um ontem está valendo dois hoje. Carlos Castelo

Quem tem boca vaia Brasília. Carlos Castelo

Mouzar Benedito

Antigamente dizia-se: jornal do dia anterior só serve para embrulhar peixe. Hoje dá pra dizer: muitos jornais do dia só servem pra embrulhar analfabeto político. Celso Vicenzi Um Estado que defende tanto as armas, a mortandade, e não mata a fome. Carlos Castelo Campanha avalia que Bolsonaro não deve participar mais de debates. Muitos aliados consideram o candidato sinônimo, homônimo, heterônimo e hipônimo de desastre. Luiz Hespanha

Saco vazio não para em pé, mas nem por isso venha me encher o saco! Mouzar Benedito

Sempre que alguém concorda comigo eu acho que a pessoa tem toda razão. Celso Vicenzi

CORRUPÇÃO, s. Emprego de meios ilegais em benefício próprio que sempre ocorre num governo anterior e nunca no atual. DINHEIRO, s. Meio de troca na forma de moedas, cédulas e golpes do PIX no WhatsApp. ELITE, s. Nata da escória, escumalha e do vulgacho; altaroda da baixeza. ENTREGUISMO, s. Entregar a rapadura ao vizinho e deixar sua casa entregue às moscas. EX- PRESIDIÁRIO, adj. Status do atual presidente da república no ano de 2052. FILÉ-MIGNON, s. Deus primitivo, em forma da região lombar de um bovino, com o qual as classes sociais desprovidas de recursos materiais têm sonhos delirantes e rezam para que Ele, um dia, os alimente. INFLAÇÃO, s. Crescimento desproporcional da circulação da moeda em relação ao volume de bens para compra. No Brasil, a do tipo galopante, foi inspirada nos ideais econômicos de Marx: Groucho Marx. LIRISMO, s. No passado, significava dom da poesia. Hoje, significa dom da velhacaria. MULHER, s. Indivíduo do sexo feminino menosprezado pelos altos escalões governamentais. OLAVO DE CARVALHO, np. Exfilósofo, atual astrólogo de Lúcifer.


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| 20 | entrevero Tempos intolerantes! Tenho saudade com ânsia Das casas de tolerância.

Debate da BandAgronegocio. Que cheiro de chiqueiro bolsonarista! Caco Bisol Vc votaria num canalha com algumas ideias progressistas ? Caco Bisol Ciro e PDT são auxiliares da campanha do bozo da corte. Caco Bisol Nos pampas não tem cavalo pampa às pampas. Mouzar Benedito

Caco Bisol

Só tenho apreço por tudo que não tem preço. Celso Vicenzi

Poemeto Nosso amor tem os pixels dessa tela Afora isso, é o imponderável, os algoritmos.

Fui ao Ipiranga e nenhum rio vi: Gritei pensando em dom Pedro: “Cadê o rio que tava aqui?”.

O brasileiro só engole desaforo porque é uma forma de se alimentar. Carlos Castelo

Todo mundo precisa de um Deus. Mas, no momento, eu necessito de um empréstimo. Carlos Castelo

Deus, fé, imóveis, PGR, AGU e alguns ministros do STF. Tudo soa como propriedade da familícia. Luiz Hespanha

Quem toma dos pobres empresta a Messias. Carlos Castelo

Do jeito que o mundo está chato, não dá pra viver sem vício. Mouzar Benedito

Adorava todo tipo de coco, Mas passou a odiar um Quando pegou o gonococo. Craque no bordado e no crochê, Diz que sabe todos os pontos Mas não conhece o ponto G. Que político mais funesto! Rouba, rouba e rouba mais E faz discurso de honesto. Comissão ao político em cada projeto? O espertão pensou em algo diferente: Que tal uma comissão permanente? Ele quis eleger-se de novo E me preparei pra ovacionar: O que não falta em casa é ovo. Ainda acredita nele? Sugestão para você: Saúde-o gritando anauê! Forense! Quê que é isso? Concluí quase agora: É juiz dando bola fora. Combatem A corrupção? Corruptos são. Viu só, dona Cristina? O Brasil já tá exportando Bolsomínium pra Argentina! Teste das urnas, resultado perfeito. Falta agora ver se eleitores babacas São capazes de tomar jeito!

Mouzar Benedito


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H

| 21 | borracheiro&exorcista | ernani ssó

A salvação pela estupidez

á cinco anos, um rapaz me disse que devia se inventar um jeito de transformar em energia a estupidez estocada nas caixas de comentários. Se na época a ideia era brilhante, o que dizer dela hoje, quando a estupidez transbordou das caixas, invadiu as ruas, as instituições, os mais altos postos da, vá lá, República? Se, é claro, não esteve sempre por aí, apenas mais silenciosa. Somente a estupidez produzida pela famíglia Bolsonaro poderia resolver o problema da eletricidade. Se somássemos a produção de ministros e assessores, adeus gás, adeus gasolina. Talvez pudéssemos até vender energia para países de população inteligente. Muito mais lucrativo que rachadinha, taoquei? Os militares, com suas mentes afiadas em escolas que ensinam a cagar na cabeça dos subordinados e ser cagado pelos superiores, poderiam vender estupidez para fabricação de combustível de foguete e assim abandonarem o posto de carrapatos da pátria amada. Imagina, a conquista de Marte garantida por entrevistas do Mourão e do Heleno. Cuide-se, NASA. Temos muitos outros luminares como eles. Os bispos evangélicos, apenas com interpretações da Bíblia, ganhariam tanto dinheiro que poderiam enriquecer os fiéis, em vez de os depenarem. Enfim, que perigo!, Jesus seria amor e caridade. Isso mesmo, energia limpa e barata. Adeus petróleo, adeus carvão. Enfim sendo úteis, os estúpidos se sentiriam importantes e deixariam de encher a internet, os jornais, as universidades e as tribunas com o besteirol de sempre. Apenas

arnaldo branco

quem tem o que dizer e que sabe como dizer estaria por aí dando opinião. As manadas de economistas, desempregadas, poderiam abrir postos de produção de estupidez canalizados direto para as siderúrgicas. Não passariam fome e deixariam de passar vergonha na defesa da escravidão. Mais: seria um alívio no Judiciário. Pense bem, meu caro: aquelas interpretações esdrúxulas e empoladas da Constituição se tornando luz, gás e gasolina, não condenações seletivas. Ou estou sonhando?

Vai ver, seria necessário também descobrir um modo de transformar a canalhice em energia limpa. O fato é que o Bolsonaro poderia entrar como herói na História. Se canalizasse a estupidez que representa com tanto esplendor, se canalizasse a estupidez sem fronteiras de seus seguidores, em meses poderia acabar com a toxidade do Bananão, tornando-o um país rico ainda por cima. É isso mesmo. Bolsonaro tem tudo pra salvar o Bananão. O Bananão? O mundo, porra!

Como é mesmo o nome da mulher do imbrochável bobo da corte? E o da conja do conje? TSc, esqueci... Caco Bisol


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| 22 | exumação

Futuro fértil

Se vivo fosse(!), D. Pedro I completaria 224 anos por estes dias. Não imagino o que alguém, tão folgazão quanto libidinoso, faria com essa idade. Há muito tempo sem poder de mando sobre seus próprios restos, D. Pedro, coitado, no sesquicentenário da independência já teve seu caixão arrastado pelos ditadores pelo Brasil inteiro. Passava o ataúde de S.M.I. e, da calçada, o povo gritava: - Viva Dom Pedro! Mas D. Pedro há muito tempo já não vivia.

Paulo de Tarso Riccordi

Cinquenta anos depois, de novo um desgoverno militar, com sua vocação para o mau gosto, agora passeia com o coração imperial boiando num caldo de formol. Não consigo imaginar quem possa se comover à vista do Altíssimo Imo. Melhor efeito teriam se percorressem o país louvando o operoso pênis de Sua Majestade. A Imperial Verga, esta sim, seria capaz de emular a "jovem nação", apontando, em riste, para um futuro de prazer e felicidade, como nunca antes na história deste país.

Necrofilia: coração do colonizador exposto no 7 de setembro pelos colonizados. Caco Bisol


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| 23 | 20setembro | santiago

Pra iluminar o caminho

Às vezes nos falta pilha Tem sombra e escuridão Nesta terra farroupilha O gaúcho perde o rumo E o cavalo desencilha Até o mate fica amargo Como desgosto de filha. Depois do coração de d. Pedro I, o tchutchuca vai acolher o imbrochável pênis de Napoleão. Caco Bisol


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| 24 | artesdrásticas | hals

Hals, Leandro Bierhals, eterno presidente da GRAFAR, artista gráfico-plástico com uma trajetória consistente nas artes gráficas do RS, organizou e participou de inúmeros eventos e exposições com seus pares e editou várias publicações de humor e grafismo.

corvo, litogravura

peixe mutante