GRIFO 20

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LUIZ ESTRELLA FARIA

Nº 23 01-31 MAI 2022

A dura tarefa de reconstruir o país PÁGINA 5

JORNAL DOS CARTUNISTAS DA GRAFAR

CARLOS ROBERTO WINCKLER

O inferno é aqui! PÁGINA 3

O crime organizado incendeia o país

A soberania ameaçada da América Latina PÁGINA 13

QUADRANTE

Moacir Martins apresenta "O Filho da Dor" PÁGINA 27


Arrependei-vos. Há tempo. O

s constituintes de 1988 tiveram a intenção de “purificar” as polícias, historicamente viciadas na truculência e autorizadas à barbárie pela ditadura de 21 anos. Supuseram que elevando os salários (e vinculando-os aos da Justiça) atrairiam pessoas melhores, com escolarização universitária, em substituição aos torturadores e espancadores. Foi o que aconteceu. Entraram jovens, mulheres, bacharéis, falou-se em inteligência policial, polícia de paz, formação em direitos humanos. E a maior participação do renovado e bem pago Ministério Público, também juvenilizado. Mas o projeto derramou-se, justamente a partir do Rio de Janeiro, onde o secretário de Segurança, delegado federal José Mariano Beltrame, implantou as Unidades de Polícia Pacificadora, tomou centros de tráfico de drogas, desarticulou vários braços das máfias. Temporariamente funcionou. Mas ainda durante seu mandato de oito anos, a “banda podre” da polícia carioca e as milícias paramilitares retomaram seus espaços, reestabeleceram a violência, assassinatos e infiltração do tráfico. Então, uma família relacionada com milicianos assumiu a Presidência da República. E firmou suas bases dentro das polícias estaduais, imprimindo uma extralegalidade, tratando de armar a população, liberando mais armas para os “clubes de tiro” e dando a ideia de que dispõe de falanges necessárias para sustentá-lo pelas armas. O resultado: as polícias e as milícias sentem-se liberadas e voltaram a acontecer, continuamente, execuções e massacres em todo o país. O assassinato do motoqueiro sem capacete Genivaldo de Jesus numa viatura da PRF por asfixia com gás revolta. Mas é comum e destacou-se porque foi filmada. Bolsonaro soltou a coleira da polícia, para acossar Lula e assustar a classe média. A crescente ilegalidade das polícias responde à liberação do Presidente. É necessário um novo governo que trave essa escalada ao fascismo e a destruição do país, institucional, econômica, social, detonada pelo ultraneoliberalismo tardio de Paulo Guedes.

Grifo, jornal de humor Desde outubro de 2020. Eletrônico, mensal e gratuito. Editores: Celso Augusto Schröder e Paulo de Tarso Riccordi. Editor gráfico: Caco Bisol Mídias sociais: Lu Vieira Participam desta edição: Bahia: Bruno Aziz. Ceará: Cival Einstein. Espírito Santo: Vaccari. Minas Gerais: Lor. Pernambuco: Thiago Lucas. Rio de Janeiro: Carol Cospe Fogo, Lafa, Miguel Paiva, Nando Motta, Roberto Netto. Rio Grande do Sul: Alisson Affonso, Bier, Carlos Roberto Winckler, Dóro, Edgar Vasques, Edu Oliveira, Ernani Ssó, Eugênio Neves, Juska, Kayser, Luiz Augusto Faria, Marco Villalobos, Moisés Mendes, Óscar Fuchs, Santiago, Schröder, Tarso, TunikoK, Uberti, Wagner Passos. Santa Catarina: Celso Vicenzi. São Paulo: Bira Dantas, Caco Bisol, Carlos Castelo, Céllus, Gilmar Machado, Jota Camelo, Laerte, Luiz Hespanha, Mouzar Benedito. E MAIS: Alemanha: Frank Hoppmann. Colômbia: Elena Ospina. Cuba: Brady Izquierdo, Michel Moro Gomez. França: Christophe Clement. Itália: Lu Vieira. México: Angel Boligán. Turquia: Musa Gümüş.

Expediente

editorial

grafar.hq@gmail.com

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O GRIFO do Eugênio Neves

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assassinatosemsérie

Liberou geral O

que dizer do terror, dos gritos e da morte de Genivaldo de Jesus Santos? Quantas páginas, fotos, cartuns, horas de rádio e TV serão necessários para tirar da letargia um país entorpecido pela barbárie, enquanto balas, gases, golpes de artes marciais e tortura matam nossos vizinhos, amigos, desconhecidos? Já foram ditas todas palavras, criadas todas as metáforas, não há mais neologismos a serem inventados para despertar o que resta de humano em nós.

Lor

Porém, vamos continuar dizendo.

Quando o inominável for recebido por Hitler no inferno, ouvirá: - Aquele povinho reagiu? Quem diria! Mas parabéns, rapaz. Bem que você tentou. ccc

A estranha invenção da PRF virou moda: câmara de gás nas viaturas. Caco Bisol


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Matai-vos uns aos outros! Sobretudo os diferentes! Caco Bisol


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Guerra made in Brazil

Celso Vicenzi

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Brasil também está em guerra. Somos especialistas em matar, especial­ mente o povo, sob diferentes formas e pretextos – até mesmo de fome. Nossa história é marcada por várias revoltas resolvidas à bala. E enquanto sobra solidariedade para guerras distantes (nada contra), a maioria dos brasileiros não parece demonstrar a mesma indignação com o morticínio lento e contínuo de boa parte da população. Indígenas, negros, mu­ lheres, pobres, gays – entre outros. Entre 2009 e 2019, foram assassinados 2.074 indígenas. Mas o extermínio não usa apenas armas de fogo. A população indígena é dizimada pelo descaso – e até estímulo – de um governo que permite a ocupação das reservas pelo garimpo, por madeireiros, pecuaristas, agricultores e outros invasores. No mesmo período de 10 anos, segundo pesquisa do Ipea e Fórum Brasi­ leiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto José dos Santos Neves, foram assassinadas 623.439 pessoas. Mais do que muitas guerras. E o alvo principal tem cor: 77% das vítimas de homicídios no Brasil são negras. Na mesma década, houve o assassinato de 50.056 mulheres. Em 2019, 67% das vítimas desses homicídios eram mulheres negras. Mais de 100 pessoas são assassinadas por armas de fogo diariamente no Brasil. Em 10 anos, 439.160 pessoas – 53% das vítimas de homicídio são adolescentes e jovens (15 a 29 anos). Relatório da Anistia Internacional em 2015 apontou a força policial brasileira como a que mais mata no mundo. Número de mortos pela po­ lícia em 2020 bateu recorde, em plena pandemia. Houve 6.416 pessoas mortas pelas forças de segurança no País – o maior número registrado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, desde que os dados passa­ ram a ser coletados, em 2013. Não bastasse tudo isso, uma guerra civil parece estar sendo engendrada com estímulo governamental. O Brasil triplicou o registro de armas durante o governo Bolsonaro. Entre 2016 e 2018, houve uma média anual de 153 mil novas armas, um aumento de 225% em relação ao triênio anterior.

Houve também um aumento de 33% na importação de armas em 2021. A compra de revólveres e pis­ tolas cresceu 12% e – atenção! – a aquisição de fuzis, carabinas, metra­ lhadoras e submetralhadoras au­ mentou 574%. Armas compradas por coleciona­ dores, caçadores e atiradores – não há por que estranhar – acabam em mãos de gangues e milicianos. Um estudo das Forças Armadas informa que mais de 2 mil armas de colecio­ nadores foram encontradas com cri­ minosos nos últimos 12 anos. Colecionadores, que antes do go­ verno Bolsonaro só podiam ter um fuzil de cada modelo, agora podem ter até cinco. Caçadores podiam comprar um fuzil, agora podem ter 15 deles. E atiradores que não tinham acesso a fuzis, atualmente podem ter até 30 armas desse tipo. É a senha para um futuro mas­ sacre da população civil, por motivos políticos, ideológicos, religiosos, de gênero, de classe, de etnias – tanto faz. Bolsonaro já iniciou essa guerra. Com a conivência de boa parte das instituições brasileiras. Matar brasileiros, afinal, é quase uma tradição nacional. De longa data.


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A reconstrução do Brasil

Luiz Augusto Estrella Faria

O

governo a ser empossado em primeiro de janeiro de 2023 enfrentará as dificuldades dos trabalhos de Hércules. O neofascismo, que se espera será derrotado em outubro, deixará ruínas de um desastre sem precedente em nossa história. Todos os instrumentos de planejamento, gestão e implementação de políticas foram desconjuntados ou corrompidos, tomados por oportunistas, mal-intencionados e incompetentes. A estrutura administrativa do Estado foi desmontada em diversas instâncias, principalmente os organismos de fiscalização, controle e coordenação. Seus investimentos foram comprimidos a um nível de irrelevância. A gestão do gasto público vem sendo feita sem nenhum critério ou planejamento, ao sabor de pressões e arranjos de interesse privados e clientelismo. Programas descentralizados como o Bolsa Família tiveram ou seu controle decisório concentrado no Planalto ou foram abandonados à própria sorte como o SUS. As empresas estatais estão sendo desmembradas e vendidas aos pedaços. Além disso, e por todas as esferas da administração,

o assédio moral, a perseguição política, o aparelhamento e a corrupção tornaram um inferno a vida dos profissionais zelosos e dedicados ao serviço público. A superação desse quadro desesperador vai requerer iniciativa, vontade e, principalmente, virtude daquele que for eleito em outubro. Há um relativo consenso sobre o caminho para uma retomada do desenvolvimento do Brasil, que passa pela recuperação e ampliação do parque industrial; pela realização de um conjunto de investimentos que precisa ser, pelo menos, enorme; pelo alargamento e criação de novos setores da estrutura produtiva de conteúdo tecnológico de ponta e ambientalmente sustentáveis; pelo desenvolvimento da infraestrutura urbana de moradia, saneamento e transporte; pelo crescimento dos salários e, assim, junto com a ampliação do emprego, a retomada de um mercado interno de massas e pelo fomento ao empreendedorismo e cooperativismo de iniciativas populares. Se um planejamento bem articulado é imprescindível para que sejam definidas metas e objetivos para os planos e programas que, em larga medida já existem envolvendo toda essa complexidade de iniciativas, para que tudo possa “sair do papel” será necessário recuperar a capacidade de agir do Estado, tarefa para o primeiro dia do novo governo. Uma das primeiras iniciativas deve ser recompor a capacidade de fiscalização e coordenação administrativa, retomando as atividades normais de órgãos como o Ibama, Ministério do Trabalho ou a Polícia Federal. A extinção de condicionantes que restringem a ação da administração, como os limites de gastos e o custo excessivo das dívidas será imprescindível, eliminando algumas, como as dos estados, e reduzindo seus juros. O objetivo estratégico será a retomada do crescimento econômico e do emprego, necessariamente impulsionada pela ampliação do investimento público, de 2% do PIB para pelo menos 6% já em 2024 e crescendo na sequência. Os setores prioritários devem ser energia, petróleo e petroquímica, transportes – em especial ferroviário e navegação –, comunicações, habitação, infraestrutura urbana de saneamento, transporte público e urbanização. A reorganização de programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o das cisternas para abastecimento e irrigação vai contribuir para a ampliação do emprego e do mercado interno de consumo. O investimento privado também terá de aumentar, o que exigirá financiamento a juros baixos, função que os bancos precisarão reaprender. Além da direita raivosa, o sistema financeiro será contrariado. Mal-acostumado ao rentismo sem risco que drena valor da sociedade e encarece a produção, o consumo e os serviços públicos, terá de se contentar com ganhos menores. Essa será “a mãe de todas as batalhas”. Luiz Augusto Estrella Faria é Professor Titular de Economia e Relações Internacionais da UFRGS. Autor de, entre outros, A Chave do tamanho: desenvolvimento econômico e perspectivas do Mercosul Editora UFRGS e, com José Ricardo Tauile, O Capitalismo em Transformação: reflexões sobre o Brasil e o mundo contemporâneo a partir de Marx Editora CRV.


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fez-senews

moisés mendes

O manual do golpe B

olsonaro está insatisfeito com os planos que recebeu de auxiliares para a preparação do golpe. Chama civis, militares e milicianos para uma reunião. Vão fazer o Manual do Golpe, com um passo a passo, para que nada dê errado. O gabinete está cheio de gente do núcleo duro e de parte do núcleo meio mole. Um general aparece na reunião de farda, apesar de estar na reserva, e diz que o plano deve ter um manual escrito e um vídeo com um tutorial. Esse general é quem entrega a Bolsonaro um exemplar de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, mas Bolsonaro não gosta. – Chinês não me ensina a dar golpe. – Mas guerra é guerra – rebate um miliciano. – Mas isso não é guerra, é um golpe, imbecil – grita Bolsonaro. ­Estão debatendo se iriam ou não adotar os ensinamentos do livro, quando um cabo fardado entra na sala. – Sou o cabo aquele do jipe citado pelo Dudu. Ouve-se um uau no gabinete, e Bolsonaro larga o livro de Sun Tzu e pede que o cabo fale. O cabo fala: – Posso mostrar no manual como entrar pelos fundos do Supremo, sem a necessidade de um jipe. – Vocês vão chegar a pé? – pergunta um general. – Vamos num Chevette. Outro general faz cara de não sei não, e Dudu, que está na sala, diz que o cabo e o soldado podem segurar as pontas e tomar o Supremo. Bolsonaro passa o livro de Sun Tzu a Ciro Nogueira, que passa para o Queiroz, que abre o livro numa página do meio e finge que lê. O cabo retoma a fala e aponta o dedo para um soldado, que mexe num celular num canto da sala dedicado ao Gabinete do Ódio. – Ele vai desviar a atenção pintando o meio-fio dos fundos do Supremo.

Bolsonaro ergue a sobrancelha esquerda e movimenta a cabeça em sinal de contrariedade. O cabo chama o soldado, que vai para o meio da sala com um galão de tinta branca e uma brocha. – Mostre – diz o cabo. O soldado começa a pintar o rodapé da sala diante do espanto geral de civis, militares e milicianos. Vai pintando todo o contorno da sala, meio agachado, e o que se vê é uma lambuzeira de tinta, com respingos para todo lado. – Vocês enlouqueceram – disse um general, este de pijama, mas com um quepe de general. Bolsonaro grita para que o soldado pare e o rapaz se assusta e joga a lata de tinta no colo do Queiroz, que leva um susto e joga o livro de Sun Tzu para o alto, e o livro cai dentro da lata. Dudu, que é o chefe do cabo e do soldado, diz que é preciso ensaiar melhor, e Bolsonaro grita: – Vamos desistir do golpe. – E fazer o quê? – pergunta um miliciano. – Vamos ganhar a eleição no voto. Foi um ohhh na sala; Augusto Heleno dá um pulo – de susto, de felicidade, de espanto ou de incredulidade – e enfia o pé na lata de tinta e cai sobre Queiroz. Tentam desentalar o pé, que está prensado com o livro, e alguém consegue puxar a lata. A lata vira no chão e a tinta se esparrama. O gabinete vira um pântano branco. Bolsonaro diz que assim não tem como aplicar um golpe e sai porta afora gritando: – Não vai ter golpe, não vai ter golpe.

O doido fala em “liberdade de expressão”, querendo dizer “liberdade de opressão”. Mouzar Benedito


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Atrás de um homem bem sucedido – e de mal sucedido também – sempre tem uma bunda. Mouzar Benedito


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O fim está próximo! Elon Musk interessado em ajudar a cuidar da Amazônia é o sinal. Celso Vicenzi


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Quem disse que o Brasil não tem tradição, e a traição? Carlos Castelo


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A dupla Bolsonaro/Guedes acha que fomentar a economia é fazer que os brasileiros fiquem esfomeados. Mouzar Benedito


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ciranhas

Octógonos, culturas, tesão e influencers

Luiz Hespanha

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entrada de Augusto Aras no oc­ tógono do MPF provocou um terremoto no MMA/UFC. Zé Aldo e Anderson Silva tremeram na base. Ninguém sabia da agilidade e diver­ sidade de golpes daquele que já está sendo chamado de Iron Aras pelos sucupiranos de New Jersey. O im­ pacto da performance de Aras foi tão grande que aos 90 anos o empresá­ rio Don King está disposto a voltar ao balcão e contratar Aras e seu treina­ dor Kid Bolsomarra. Os massacres nos EUA deveriam ser divulgados pelos defensores da compra e uso de armas no Brasil. A questão merece fazer parte dos ensi­ nos teórico e prático em Clubes de Tiro, associações de latifundiários e Clubes de Mães. Questão de coerência e jus­ tiça. É preciso fazer valer o direito à li­ berdade de amar a morte do próximo. O direito de matar tem que ser política de Estado. As chacinas no Jacarezinho, Vila Cruzeiro e “circun’matanças” são exemplos de Pê Pê Pês/Políticas Pú­ blicas Profiláticas. A aula magna po­ deria ser ministrada pelo governador

do RJ, Cláudio Castro. Em sua “administração” já ocorreram 39 chacinas e 178 mortes (até agora, tá?). Este mês a cultura brasileira teve debates frutíferos. Primeiro foi a falta de respeito com Gustavo Lima. Receber apenas R$ 800 mil de uma prefeitura de uma cidade de 8 mil habitantes em Roraima é uma agressão ao talento de um artista como ele. Mais ainda sendo Lima um adversário dos privilégios que Chicos&Cae­ tanos tiveram com a Lei Rouanet. Outro míssil foi a declaração de voto do cantor Christyan no, segundo ele, honesto e competente Bolsonaro. Jamais alguém en­ controu uma maneira tão bombástica de encerrar uma carreira da qual nem ele se lembrava. Também bombaram as declarações do cantor Zé Neto sobre Anitta. Milhões foram ao Google saber quem foi, é, seria ou será Zé Neto. O Brasil pode ganhar o Oscar de melhor filme de animação. O espetacular “Ci­ ranha”, que mostra a saga de Ciro Gomes rumo a uma vitória avassaladora no 1º turno, é considerado a barbada das barbadas. Tim Burton e Spielberg assistiram e declararam publicamente seus votos no W Post, no NY Times e no Sobral 24h. Nos bastidores e exteriores da candidatura Simone Tebet ninguém se lem­ bra que ela apoiou o golpe contra Dilma; que fez campanha e somou em gênero, número, grau, mingau e degrau com Bolsonaro até anteontem. Todos apostam que ela vencerá o 2º turno contra Ciro Gomes. O direito de ser reacionário teve no genial Nelson Rodrigues um defensor in­ cansável, mas o direito de fazer o país avançar rumo a 1925, como pretende o gal. Villas Boas e iguais no tal “Projeto de Nação” coraria Nelson e o marechal Floriano Peixoto. Eu estaria mais preocupado com a revolta em curso nas FFAA. Recrutas, cabos e sargentos estão reivindicando o direito ao “Bolsa Tesão”, ao acesso a im­ plantes penianos, Viagras, gel lubrificante, botox e artefatos sexuais infláveis. Influencers de todos os sexos da esquerda andam dizendo que não vão de Lula no 1º turno por causa do Alckmin e que vão pensar muito sobre o 2º turno, se houver. Adoro comuna-raiz que consegue por seus méritos esquerdistas virar garoto/a propaganda de multinacional e garantir permutas socialistas. A meritocracia comunista é justa, fraterna, identitária e igualitária. Todo comuna, raiz ou não, pode chegar lá, basta querer.

Coisa de louco: Bolsonaro veta psiquiatra Nise da Silveira do livro de Heróis da Pátria. Caco Bisol


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nósoutros

América Latina, soberania e crise internacional Carlos Roberto Winckler

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pesar da heterogeneidade dos processos politicos na América Latina, abrem-se alternativas de unidade de ação às politicas de ajuste, aos acordos de livre comércio que fragilizam a autonomia continental, às políticas econômicas, que reforçam o neoextrativismo, com ampla hegemonia do capital financeiro. Chile, Peru, Colômbia são exemplos recentes. No Chile após décadas de mornos governos de centro-esquerda e centro revezando-se com a direita, esgotou-se o modelo neoliberal regulado pela remendada constituição pinochetista de 1980. A insurreição popular de 2019 levou a uma assembleia constituinte com ampla maioria de esquerda e de independentes e à vitória de Boric para a presidência. Na Câmara o campo progressista tem maioria apertada. A nova constituição será submetida a referendum, em setembro, sob intensa pressão da mídia e da extrema direita que defende o não. No Peru, o presidente Castillo eleito pelo partido Pátria Libre de esquerda, resistiu a duas tentativas de impeachment e a quatro mudanças de gabinete facilitadas pelo regime semipresidencial da Constituição fujimorista de 1993. A direita se opõe à consulta popular para instalação de processo constituinte. As eleições em primeiro turno para a presidência na Colômbia foram vencidas pelo candidato Gustavo Petro, do Pacto Histórico, coalizão da esquerda e centro-esquerda. O segundo colocado, outsider de direita, é o milionário Rodolfo Hernandez, da Liga de Governantes Anticorrupção. Vitória

facilitada pela divisão da direita. O segundo turno será disputadíssimo. Vitorioso, Petro será o primeiro presidente de esquerda eleito na Colômbia, um país com tradição de assassinato de candidatos presidenciais fora da dominação oligárquica tradicional. A presença de bases militares na Colômbia é decisiva aos interesses estadunidenses. Presença justificada pela guerra contra o narcotráfico e a guerrilha. Hoje o propósito real é o cerco militar somado à sanções econômicas ao governo nacionalista da Venezuela, país que possui imensas reservas de petróleo. Mas isso, de certo modo, balança. O governo de Maduro tem a perspectiva de venda de petróleo para os EUA, que autorizaram negociações de empresas estadunidenses com o governo venezuelano. A guerra na Ucrânia e o boicote ao gás e petróleo russos obrigou a busca de fontes alternativas. Ao que tudo indica a negociação só será levada a bom termo se os EUA levantarem as sanções. O cenário internacional pode favorecer a América Latina, apesar de resistências internas. A provável abertura de mais frentes militares (por procuração) pelos EUA no embate com a Rússia e, em última instância, com a China, pode levar o Império a efetivar concessões no continente. Por ora, com certa ambiguidade, insinua aceitar processos democráticos, enquanto o Comando Sul alerta para o perigo da presença chinesa. A provável vitória de Lula nas eleições presidenciais somará no reforço às instituições de integração regional como a Unasul e a Celac e à possibilidade de criação do Sur, moeda que mediará as relações econômicas da América do Sul.

Refinaria da Petrobras vendida a 45% do valor. Quem embolsou com os outros 55%?. Caco Bisol


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mundovastomundo

Os Estados Unidos alcançaram o auge da terceirização com a guerra na Ucrânia. Celso Vicenzi


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querquedesenhe?

schröder

O fim pode não estar próximo H

á algumas décadas que o principal inimigo do jornalismo é ele mesmo. Claro que ainda temos presidentes sociopatas agredindo jornalistas contidos dentro de um cercadinho, claro que ainda temos mecanismos financeiros e jurídicos perversos que inviabilizam, muitas vezes, a vida de profissionais, claro que temos uma cuidadosa desregulamentação tecnológica e de mercado que reduziu o jornalismo à sua caricatura, mas a gente tem dado uma mãozinha. Por exemplo quando não checamos as matéria de maneira suficiente porque aceitamos a tese de que a verificação agora não é mais função do jornalista e sim de um terceiro, o fact cheking. Ajudamos o não jornalismo quando confundimos a investigação necessária e imprescindível com jornalismo de dossiês, quase sempre oriundo de interesses escusos. Contribuímos com a crise do jornalismo quando transferimos responsabilidades para chefetes ou donos das empresas de comunicação. Somos cúmplices do assassinato do jornalismo quando não nos dedicamos na medida que a sociedade merece. Estamos juntos com os cavadores do túmulo do jornalismo quando permitimos ou contribuímos para que este jornalismo, decisivo para a democracia, se transforme em publicidade, política partidária ou arremedo de literatura de quinta categoria. O paradoxo é de que o seu fim aparentemente inevitável se dá no mesmo momento em a sociedade mais precisa dele para sobreviver ao obscurantismo, ao culto ao absurdo e à mentira. Talvez, só talvez, por isso o seu fim pode ser adiado permanentemente.

querqueescreva?

Pixs A “nova” marca do Banrisul erra em tudo. Da redução da colmeia concreta a uns fios bidimensionais tímidos e pobres às cores, que são fios em tons de azul e lilás sobre… fundo azul. Parece ser uma marca para não ser vista. Talvez os que acreditem que ela é uma especie de réquiem para o banco estatal estejam certos. Moisés Mendes tem razão: as lideranças empresariais gaúchas são lideranças de facção que não querem a justiça nem a lei. Ao rechaçar a vinda de Fux, logo ele, os “empreendedores” gauchos se alinharam aos criminosos comuns. Devem se sentir em casa acertando j“cancelamento de CPFs” com milicianos, assaltantes e trambiqueiros em geral. Não há dúvidas de que a polícia militar brasileira é a mais letal do mundo. Talvez a menos eficiente nas suas funções originais de proteção e ordem há muito tempo assumiu contorno de quadrilha que não deixa sobreviventes em seus embates. Dos trinta baleados que chegaram no hospital, 21 chegaram mortos, praticamente não há feridos quando, em todos os conflitos, os feridos são sempre em maior número. Nem em Hollywood se acertava assim. Pensem positivamente. Imaginem se o miliciano não fosse oligofrênico. O BRASIL SEQUESTRADO O crime organizado tomou conta do país. O crime como política A política da morte


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cartuns premiados

Chovem troféus N

estas últimas semanas, vários colaboradores do Grifo foram premiados em importantes salões de humor, mundo a fora. O mexicano-cubano Angel Boligán recebeu o primeiro lugar no Salão Internacional de Humor de Bullseye, na Bélgica, para o qual foram selecionados ainda Ares, Dálcio, Elena Ospina, Mahnaz Yazdani e Musa Gümüs. Boligán também levou o segundo lugar na categoria charge no World Press Cartoon, em Portugal, onde o cubano Michel Moro Gomez obteve o primeiro lugar na categoria cartum.

O também cubano Brady Izquierdo recebeu o prêmio especial do World Press Freedom International Contest, no Canadá. Brady também papou cinco prêmios no Salão de Humor La Humoranga, em Cuba: Gran Premio pelo conjunto da obra, primeiro prêmio em quadrinhos e em charge política, menção honrosa em cartum e em caricatura.

O turco Musa Gümüs venceu o Salão Internacional de Humor de Limeira-SP e levou o segundo lugar no Concurso Inernacional de Cartuns sobre Ecologia, em Büyükçekmece, na Turquia (ver p. 17).


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Musa Gümüs é cartunista e professor de arte em Istambul, Turquia. É membro da Associação de Cartunistas Turcos. Formou-se em Administração e Gestão de Empresas na Universidade de Marmara, mas aos 23 já iniciara sua carreira de cartunista, caricaturista e ilustrador em revistas. Obras de Musa Gümüs foram exibidas na exposição “Neighbours” em Estrasburgo, patrocinada pelo Parlamento da União Europeia, iniciando sua projeção internacional, através de exposições e concursos de cartuns. Suas obras conquistaram 134 prêmios em vários concursos nacionais e internacionais.

musa gümüs


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PALAVRAS DA SALVAÇÃO

diaborosa

bier

Não haveria agronegócio sem a semeadura da cizânia.

POEMINHA CHEIROSO

- O que você perdeu no quartel? - Cabelo comprido e namorada, nesta ordem.

Ai, bota aqui Ai, bota ali O teu pezinho

Depois do chá de fralda da neta, a véia foi pro chá de fraldão com as migas.

O teu pezinho Bem juntinho Do meu pé

Se tem um bicho irritante na Zona da Mata, esse bicho é o chato! A população estaria pela metade se todas as mães tivessem pontaria com o chinelo. De ONAN a OTAN: o que é a degeneração da raça humana! - Qual é o alemão que tá pegando? Alzheimer? - Não, idiota! Karl Marx! No começo, Deus era o verbo. Hoje, o verbo é um Deus-nos-acuda.

E depois Não vá dizer Que esta dança Não é a dança Do chulé

Humilhado pela derrota, o samurai poeta que fazia haikai passou a escrever kaiku. Serviço militar obrigatório é quando um país inteiro é obrigado a trabalhar pra obedecer general.

BAR DO NEREU lugar era um pé-sujo

O consagrado por vasta fauna

ali na Rua Fernando Machado, no Centro Histórico, onde hoje funciona uma almondegaria. Jornalistas e publicitários dividiam as cinco mesas e um balcão de fórmica com o resto do mundo. Isso foi há mais de dez anos. Certa feita, o assunto discutido era viadagem. Até o gato do Nereu já tava bêbado. Aquela algaravia de conceitos e empulhações teve seu ponto máximo com a chegada esvoaçante do Genecy, notório entubador de bracholas, sendo ele saudado com uma algazarra muito cor-de-rosa. Sentindo o vento em popa, Genecy içou velas e fez-se ao largo com a seguinte deferência: - Se Deus me fazeu ansin, quem sou eu pra desobedecer, né? O bar veio abaixo.


21 DR. ROBALO Kayser

BIOMA PAMPA Celso Schröder

THE GUITAR MAN Óscar Fuchs

Lu Vieira

tiras


22 Carlos Castelo e Bier

Laerte

MORGANA, A BRUXINHA Celso Schröder

RANGO Edgar Vasques

tiras


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causídico

Gordinho saboroso Paulo de Tarso Riccordi

João Ritter Riccordi

Zeq (4 anos) estava conversando com a mãe pelo waths. - A mamãe tá com saudades de ti. Quando eu te encontrar, vou te amassar. Ele ri. - Vou te fazer cócegas. Ele ri. - Vou morder tuas bochechas. Ele ri. - Vou morder tua barriga. Ele ri. - Então traz pro vô o tôli. - Vou morder tu bunda. Ele sai do quarto pisando duro. - Nããão! Tem cocô! Ouço o arrastar de um banco, na sala. Daí a pouco ele volta e mostra ao avô burro, o tôli peto da NET e o Paulo de Tarso Riccordi tôli banco da TV. Agora ele já resolveu seu probleÀ tardinha, me encostei para ma sozinho e não precisa que eu leassistir a um filme. Daí a pouco vante e vá pegar controles de tevê no aparece o Zeq no quarto, falando alto do armário . qualquer coisa que soou como “tôli banco i tôli peto”. - O quê? Paulo de Tarso Riccordi - Tôli banco i tôli peto. No final do século passado meus Olhei pra ele, enquanto aguardava que meu HD processasse e filhos voltaram da escola sabendo separasse palavras com sonoridade as vogais, que aplicavam às estrofes assesemelhada a “tôli banco e tôli desta música. Iam pro pátio cantar e rir muito: peto”. Nada parecido surgiu. - Desculpa, mas o vô não tá enA pata não lava o pé. Não lava tendendo. porque não quer. Incomodado, ele ergue as mãoA pata não lava o pé, não lava o zinhas e repete: pé porque não quer. - Tô-li-ban-co-i-tô-li-peeeeto! E pete ne leve e pé. Ne leve per- É, não sei o que é isso. que ne quer. Aí é demais! O piá fica brabo e E pete ne leve e pé, ne lave e pé aponta para o estojo de meu tablet perque ne quer. e explica: I piti ni livi i pi... - Peto! O poto no lovo o pó... - E sacode meu par de meias U putu nu luvo u pu, nu luvu brancas e explica: purqu nu qu. - Banco! Me esforço para manter a seriedade: Marco Villalobos - Ah, agora entendi! E o que Um repórter gaúcho de projeção mais é branco e preto? É demais para a paciência dele! nacional participou de um episódio bíblico, que poderia ter mudado para - O TÔLI! Fico pensando numa saída hon- sempre a história do Cristianismo. Ele acompanhava todo o sofrimento rosa:

O tôli do vô tolo

Português é fácil

Surra bíblica

de Jesus na tradicional procissão do Morro da Cruz, em Porto Alegre, na Sexta-Feira Santa. Pelas imagens brutas da reportagem, a gente já notava que havia dois pais na mesma cena. Acima, Deus, o Pai a quem Jesus dirigia suas palavras, embaixo, o Pai do Trago, um centurião que tropeçava mais do que o próprio Cristo, que a gente não pode esquecer estava muito prejudicado, pois literalmente carregava uma cruz, subindo aquele lombão. O severo soldado exagerava no realismo. Chicoteava com tanta força que o ator que interpretava o Messias nem precisava representar nada, ele simplesmente berrava de dor a cada lambada. Acho que além daquela vez em que expulsou os vendilhões do templo, este foi outro momento em que Cristo ficou realmente muito puto da cara. A doçura do Salvador se transformou em um olhar de raiva, mas ele, mesmo apanhando até o final da Paixão, conseguiu segurar a vontade de sair no soco com o romano, o que convenhamos, seria uma nova versão bem diferente e até estapafúrdia da Bíblia. Eis que volta à cena nosso repórter, de certa forma, correndo riscos. Não satisfeito em dar um pau no pobre homem que carregava a cruz, o tresloucado centurião colocou o jornalista em sua alça de mira, no caso, o couro do relho. Com um olhar raivoso, babando e, pior, cheirando a cachaça, veio com chicote em punho para cima de meu colega, talvez imaginando que ele poderia fazer parte da cavalaria que chegaria para salvar Jesus. Enquanto a procissão da Paixão subia o morro, o repórter desceu, correndo, sentindo o arzinho da chibata se aproximando, certamente rezando para não levar uma surra. Nunca uma cavalaria bateu em retirada tão rápida na história da humanidade. Não foi desta vez que salvaram o pobre do Jesus.


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entrevero

Viver é evitar golpes de internet. Carlos Castelo Bangu ou Papuda, onde apitará o ex-juiz? Luiz Hespanha Policial morre após dormir em motel com 11 mulheres. Visor Notícias Descansa em paz, guerreiro. Agora sabemos que o limite é dez. Hanz Hoffmann O fim está próximo! Arrependeivos dos pecados, como os de eleger Bolsonaro, anular o voto ou ter votado em branco. Celso Vicenzi Tem gente nascida no extremooriente que é extremamente desorientada. Mouzar Benedito

Atual a célebre frase de Pedro Aleixo na assinatura do AI-5:

“Não tenho medo dos generais, tenho medo do guarda de esquina que é a ignorância vestida de prepotência”. Citado por Bubi Alles

A vida é um processo biológico que termina em processo falimentar. Carlos Castelo

Se a vida te der limões, procure imediatamente um psiquiatra. Carlos Castelo

Eduardo Cunha, ele mesmo, declarou seu apoio a Bolsonaro nas eleições. A coerência de Cunha deveria servir de exemplo a muita gente de todos os voos e vias. Luiz Hespanha

Emburrecemos. Embrutecemos. Enlouquecemos. Celso Vicenzi

Quando vi o inútil príncipe Charles, da Inglaterra, com uniforme militar e o peito cheio de medalhas - apesar de jamais ter lutado em qualquer guerra, ou mesmo trabalhado até hoje - entendi pra que servem as condecorações em tempos de paz. Tarso O PSDB morreu e João Dória disse “não fui eu, foi o Aécio”, que respondeu: “não matei ninguém, só abri a cova”. Luiz Hespanha

Leite foi fatal para o PSDB. Ele próprio nem para iogurte serve mais. Schröder Eu tenho autoconfiança. Só não tenho coragem de usá-la. Carlos Castelo

O mundo, dizem, começou com o Big-Bang. E no planeta Terra vai terminar num Big Bang-Bang. Celso Vicenzi

Os únicos golpes que eu apoio são o golpe de sorte e o golpe de vista. Celso Vicenzi

Caiu na malha fina, é peixe pequeno. Carlos Castelo

Paulatino era como chamavam piroca de romano. Mouzar Benedito

O Ocidente que se oriente (porque a geopolítica está mudando). Celso Vicenzi

Ciro Gomes é o José Serra ressuscitado. O mesmo pode ser dito sobre Aldo Rebelo, reencarnação de Roberto Freire. Pode soar cruel e de mau gosto, mas rima. Luiz Hespanha Desde 1500, uma coisa não muda: o cidadão comum não deixa de ser comum. Carlos Castelo Combustão é mulher peituda. Mouzar Benedito Em Davos o capitalismo mundial declarou guerra à Rússia. Talvez Wall Street esteja refundando a URSS. Schröder


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entrevero

Cada um vota em quem quiser e é responsável pela escolha entre civilização e estupidez. Agora, chamar Ratinho e Latino de “artistas” é demais, né não? Luiz Hespanha

Um cara que largou o cargo eleito um ano antes do seu fim, para dar uma voltinha, pode se candidatar ao mesmo cargo? Não estou falando só de vergonha na cara Schröder

Não tenho medo de trabalho, só evito passar muito perto. Carlos Castelo

Com o juiz Moro aprendi o significado da palavra forense: o que dá bola fora. Mouzar Benedito

Ciro criou o personagem Ciranha, mistura de Ciro e Homem Aranha. Tem lógica. Como não sobe nas pesquisas, quer subir pelas paredes. Celso Vicenzi O mundo passou pelo Oligoceno, Mioceno e Holoceno, até chegar no período em que estamos, Obsceno. Mouzar Benedito Tão tacanho que era analfabeto até em linguagem corporal. Carlos Castelo No Brasil nenhum escândalo dura muito. Nem o das próteses e viagras. Não podemos amolecer!!! Celso Vicenzi Conheço um puxa-saco antes dele lamber uma bota. Carlos Castelo Não há perigo de retrocesso. No máximo haverá uma “meia volta, volver!” Celso Vicenzi João Bidu, absolutamente ninguém se atreve a prever o futuro de João Dória. Luiz Hespanha O mundo já foi dos excelsos, dos experts e, agora, é dos espertos. Carlos Castelo

No frigir dos ovos, estamos fritos. Carlos Castelo

Teremos um novo dicionário Inglês-Português. A obra será escrita a seis mãos: as do Conje, da Conja e da “uáife do rosband” da Casa de Vidro, a linguista Michele Bolsonaro. Luiz Hespanha Cínico: indivíduo que tem amigos reacionários e progressistas. Carlos Castelo Tive um patrão que era mesmo uma figura de proa: uma carranca horrorosa. Mouzar Benedito

DICIONARIO

CASTELO DA LÍNGUA PORTUGUESA Por Carlos Castelo

Artista Pessoa que se inscreve em editais. Brasil Decepção de 8.511.000 km2. Burguês Pessoa que se queixa de empregados domésticos. Cinema brasileiro Conjunto de filmes-catástrofe. Coluna social O quarto de despejo do jornalismo. Dicionário Livro em que o protagonista é a nossa ignorância. Ensaio Texto no qual um autor ensaia, experimenta, testa e não conclui nada. IPVA IPTU que anda. Livro Suporte, em forma impressa, que encalha. Meditabunda Pessoa que não usa o cérebro para pensar. Mentira Verdade que entrou para a política. Miliciano Free lancer do crime. Ministro do STF Pessoa que chama mentira de inverdade. Reticências Ponto final mais democrático. Vida Ação de marketing de Deus.


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entrevero Quem diria: Contra o coiso, Até a CIA! No STF, tem um careca Levado da breca. Faz o Bozo sujar a cueca. A lira do Nero, meu caro, Era só instrumento de cordas. Lyra ruim é o do Bolsonaro! Mundo, mundo... Vasto mundo, Está moribundo. Em Pindorama Já funcionou Um tal de Ibama Fim da corrupção, que cascata! No discurso, pureza exemplar, Na prática, a maior mamata. Na política, haja surpresa: O que era um picolé Agora é chuchu-beleza

Deus deixou tudo explicado na natureza. Menos Ele. Carlos Castelo

Alcoolizaram a República brasileira: até 1930 ela era do café com leite, agora é um porre. Mouzar Benedito A Equatorial, que se esconde atrás da consagrada CEEE, não consegue sequer dar conta dos serviços assumidos quando ganhou a estatal do amigo Leite. As novas façanhas do estado já são visíveis em todo mundo. Schröder

Com essa impressionante caricatura do inominável, o alemão Frank Hoppmann obteve o segundo prêmio na categoria, no prestigioso 17° World Press Cartoon, em Portugal. A disputa entre Folha, Estadão, GloboNews, Jovem Klan, Veja e a plêiade de colunistas e amestrados pelo direito de usar o cotovelo como logomarca pode parar nos tribunais. Luiz Hespanha Até quem tem vida dupla, um dia morre. Carlos Castelo Alô, algoritmos: manda o chefe de vcs tomar no cu. Caco Bisol

Serão os algoritmos os capitães do mato do capitalismo online? Caco Bisol

Eleições, sabemos: Desunidos, Perderemos! Doria, Doria... Sua candidatura Foi transitória! Golpistas tucanos Se ferraram Em poucos anos. Foi patético O tiro no pé Dado pelo aético. Para gente chata, Só tenho a dizer: Vai plantar batata!

Mouzar Benedito


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borracheiro&exorcista

ernani ssó

Borracheiro e exorcista - a exegese B

orracheiro & exorcista, aqui em casa, é sinônimo de faz-tudo ou de pessoa com interesses diversos, como eu mesmo. Está implícito que esse projeto de Da Vinci provavelmente não lida bem com os pneus nem com o diabo, como também é o meu caso, vítima de macacos, chaves de boca e tentações em geral. De modo que me parece natural chamar esta coluna de Borracheiro & Exorcista, onde um escritor obscuro pretende exercitar a franca atiração, saçaricando entre assuntos tão diferentes como a neurociência e a pesca de truta com isca artificial. Bom notar ainda que haverá variação no tom dos textos, dependendo das condições meteorológicas ou do funcionamento hepático do ilustre acadêmico.

Pegando Deus pela palavra A Bíblia é a palavra de Deus, confere? E Deus é o Único, o Verdadeiro – o resto não passa de empulhação de selvagens, d’accord Damares? Numa palavra: pagãos.

Então por que Sua palavra precisa de tradução? Por que Sua santíssima linguagem envelheceu tanto que apenas especialistas são capazes de entender inteiramente? Se Deus é quem dizem que é, a Bíblia deveria ser lida por todos, em qualquer época, independentemente da língua e da escolaridade, de forma límpida, como se o texto se formasse na mente do fiel. Digamos logo: inclusive os analfabetos poderiam abrir a Bíblia e entender cada linha mais fácil do que frases do tipo Ivo viu a uva. É pouco? Até os infiéis poderiam ler a Bíblia e, no caso de ser mesmo a palavra de Deus e de Deus estar com essa bola toda, se converter na terceira linha. Isso sim seria leitura dinâmica. Se Deus precisa de tantos intermediários – que, é sempre bom lembrar, enriquecem nessa atividade –, convenhamos, a credibilidade Dele não vale uma hóstia de papel machê.

Sobre o saco dos leitores A trama de Sobre os ossos dos mortos – de Olga Tokarczuk, editora Todavia –, é digna de um ativista ecológico de doze anos não muito dotado. Os pensamentos de Janina, a velhota narradora, que enchem páginas e páginas, têm o mesmo brilho da filosofia desse ativista de doze anos não muito dotado. O texto está no mesmo nível. Tem, porém, uma ótima cena: um dentista de aldeia atendendo os clientes na rua. Mas não será muito pouco pra uma ganhadora do Nobel? Pros elogios de todos os grandes jornais do ocidente?

Aula de lógica Josias de Souza, no UOL, disse que Lula está numa situação inusitada: se livrou dos processos sem ser absolvido. Não será mais inusitado ser condenado sem provas? Vade retro. Não vingou pra presidente. Agora querem nos empurrar Moro governador de São Paulo.Caco Bisol


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moacir martins

O Filho da Dor

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oacir Martins (Triunfo/RS,1971) é um dos grandes ilustra­ dores gaúchos, talento que aparece em várias incursões nos quadrinhos, tanto solo quanto em parceria com outros roteiristas. Comparece na Quadrante com parte de uma hq ainda não con­ cluída. Batizada de "O Filho da Dor", (uma das acepções do nome tupi Moa-acyr), relata as aventuras de um garoto negro, em tom semi-autobiográfico. O roteiro coloca o leitor junto do protago­ nista, expondo ações e locais pela visão do menino, conseguindo assim induzir no espectador as sensações que Moacir vivencia (curiosidade, medo, expectativa, etc). E a ilustração constrói com precisão o clima necessário, com o uso adequado do claro/escuro nos cenários sombrios, e a linha poderosa do nanquim aplicado a pincel, recurso usual do artista, além de eventuais meio-tons em aguada. O domínio firme de todos os elementos (ambientes, figu­ ras e objetos) atestam a maturidade do trabalho do autor. Atual­ mente, Moacir colabora ilustrando roteiros do editor Rodinério da Rosa para "Brett", uma série de hq western." Edgar Vasques


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Christophe Clement

Christophe Clement é francês. Frequentou por três anos uma escola de artes gráficas. Desde então trabalhou em agência de comunicação e freelance como designer gráfico e ilustrador. A personagem Tata nasceu em 2019 e "me ajudou a passar mais tranquilo pelo confinamento" da pandemia.