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Aviso aos incautos

FICHE TECHNIQUE

SIÈGE SOCIAL RÉDACTION ET DÉPARTEMENT COMMERCIALE Concessionário em França LSMC - Media et Communication, SARL 10, avenue de Paris 77164 FERRIÈRES EN BRIE Propriedade José Gomes de Sá - cont. nº 128275863 DIRECTION Directeur de la publication

Lídia Sales lidiasales@gmail.com REDACTION

Diana Bernardo Micael Cruz Tatiana Gonçalves

crónica da direcção

Une publication de

A 2ª Gala dos Portugueses de Valor 2012 superou as minhas expectativas. O objectivo é premiar os portugueses que mais se destacaram na sociedade e proporcionar aos convidados uma noite inesquecível em termos de gastronomia, diversão e convívio, e tudo isso foi conseguido. Aproveito para agradecer a todos que partilharam com a equipa Lusopress este momento, tendo muitos deles manifestado já o seu agrado. Os meios de transportes que nos levam até Portugal nas férias são variados e os que tomam a decisão de partir em autocarro ou avião minimizam o problema que lhes poderá acontecer se o fizerem com viatura própria, isto no caso de não terem nenhum carro de matrícula estrangeira na garagem para se movimentarem em Portugal, porque aí também praticam uma ilegalidade. Parece estranho mas a lei no nosso país também o é. Quem viajar com viatura de matricula estrangeira e que tenha nacionalidade portuguesa deve, ao entrar no país dirigir-se à alfândega (se for de noite, tem de aguardar até de manhã que abra) para receber uma autorização de estadia de 60 dias, com provas documentais que vive no exterior e aviso, o cartão de cidadão não é suficiente, nem a carta de condução estrangeira; mas não ficamos por aqui, se a viatura for propriedade duma empresa é necessá-

REPORTAGE Reporter / Journaliste Gomes de Sá Tél. 0033 6 18 44 74 55

rio o KBIS para provar que o condutor é o gerente da empresa. E caro leitor, não

REALISATION

a multa é elevada.

pode ter uma viatura guardada numa garagem em Portugal. Parece complexo mas aconselho a viajarem com o maior número de provas documentais porque

João Cazenave

COMMERCIAL Direction du marketing Ana Luísa (Fr) Tél. 0033 06 24 19 16 65 Inês Madeira Tél. 00351 927 796 455 IMPRESSION

Jorge Fernandes, Lda Rua Quinta Conde de Mascarenhas, n.º9 Vale Fetal - 2820-259 Charneca da Caparica Tel: +351 212 548 320 ISSN: 1968-6366 I.N.P.I - Nº NATIONAL - 08/3550245 ERC 126 147 PVP - Europe 1€ · USA $1,50

Estou já a imaginar as centenas de carros que chegam de vários países da Europa,

Lídia Sales — lidiasales@gmail.com

joao@cazenave.pt

com os portugueses ansiosos de se juntarem à família e a dirigirem-se à alfândega, é simplesmente utópico e ridículo. Será que não nos querem lá? Querem-nos mandar de férias para Espanha? Considero que cartas anónimas não merecem resposta pois não sabemos a quem a devemos dirigir, mas aproveitando este espaço e porque acho que quem as escreve é um ser cobarde quero deixar algumas notas a propósito. A Lusopress de tempos a tempos recebe cartas sem remetente cujo destino é o lixo, mas a última recebida reflecte a pobreza de espírito, cobardia e falta de educação de quem a enviou. Desde o envelope às várias anotações tudo foi manuscrito a vermelho, a educação passa ao lado do autor(a) que me parece estar indignado (a) com algumas nomeações ou talvez por não ter sido nomeado(a). Se acha que a Lusopress não tem os conteúdos que lhe interessam ou se não tem qualidade, não leia. Se acha que uns merecem mais que os outros tenha iniciativa e organize-se. O mundo é enorme e não há exclusivos. Faça obra,, não seja cobarde, não se esconda e

Tiragem: 27 500 exemplares

se não gosta da Lusopress NÃO LEIA!!!! E Sr(a). cobarde a sua anotação no final da

lsmcmedia94@gmail.com lusopress@gmail.com

minha crónica da Lusopress nº 30, em que me chama “coitadinha” não se aplica,

www.lusopress.tv

porque graças a Deus tenho trabalho, marido, filhos, netos e amigos o que provavelmente não acontece consigo. Para todos os leitores, até mesmo para os cobardes, desejo umas óptimas férias. LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012

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sumário 2

01 crónica da direcção

30 reportagem

Aviso aos incautos

o fim-de-semana mais português do ano

04 reportagem

2012

Iniciativa Portugueses de Valor 2012 termina em festa

34 reportagem Europe Fers et Metaux

40 solidariedade Nos EUA motards mobilizam-se por causa social

42 entrevista Tony Batista cinturão negro e professor de karaté

20 entrevista Rui Soares, Director-Geral da Caixa Geral de Depósitos em França

46 entrevista Paulo Matos

68 20 à conversa com... Carlos Matos empresário português em França

24 reportagem LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012

Festa dos Santos Populares da Radio Alfa

Gala anual da Academia do Bacalhau de Paris

78 reportagem 10 de junho Embaixada abriu portas à comunidade

88 reportagem Móveis Elmo comemoram 25 anos

96 breves 100 opinião 104 horóscopo


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veja reportagem em lusopress.tv

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2012

Foi a segunda vez que a Lusopress organizou a iniciativa Portugueses de Valor. Ao longo do ano passado, cem portugueses foram sendo nomeados por se terem distinguido nas mais variadas áreas de actividade. A iniciativa de 2012 terminou, tal como no ano anterior, com uma festa para a qual foram convidados todos os nomeados e onde foram entregues os prémios aos dez vencedores da edição deste ano.

Os vencedores do troféu 2012

Iniciativa Portugueses de Valor 2012 termina com festa LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012

Madalena Sá da Bandeira do BES e Pedroso Leal, Presidente do júri

Gomes de Sá


Antónia Gonçalves, António Fernandes, Armando Rio, Durval Marques, Joaquim Sousa, Luís Malta, Manuel Lopes, Odete Lopes, Primitivo Marques e Ramiro Jorge foram os portugueses distinguidos na iniciativa Portugueses de Valor 2012. O processo de escolha dos dez vencedores foi baseado em respostas que os nomeados deram num questionário e também nos seus percursos profissional, social e associativo. O júri foi constituído por dois elementos da Lusopress, uma representante do BES, outro do Santander/Totta e presidido pelo Dr. Pedroso Leal.

Embaixatriz Virginia Seixas da Costa, Embaixador Francisco Seixas da Costa, Cônsul Pedro Lourtie, Pedroso Leal, Paulo Pisco, António Silva, Lidia e Gomes de Sá

A inspiração para o formato do projecto vem, segundo o seu mentor, Gomes de Sá, dos Óscares de Hollywood. Tal como em Hollywood o impacto é global, também a iniciativa dos Portugueses de Valor abrangeu portugueses espalhados por vários países. Portugal, evidentemente, mas também França, Bélgica, Suíça, África do Sul, Brasil e Estados Unidos, por exemplo. A festa aconteceu a 9 de Junho, véspera do Dia de Portugal, na Sala Vasco da Gama, em Créteil. Num ambiente descontraído mas glamoroso, os cerca de 300 convidados degustaram um jantar ao som de música portuguesa. O Duo Paris Lisboa e a fadista Diamantina Rodrigues foram os responsáveis pelas actuações musicais da noite.

Antónia Gonçalves, uma das premiadasa

Armando e Odete Lopes

Embaixador felicita os premiados

A festa proporcionou momentos de convívio entre os vários nomeados, pessoas residentes em diferentes países e com áreas profissionais diversas. Contribuiu assim para a missão da Lusopress, que é a de unir os portugueses. Para a realização deste evento, a Lusopress contou com o patrocínio do Banco Espírito Santo e com o apoio da Primland, Rádio Alfa, Cafés Delta, Groupe Saint-Germain, Alimentar, Queijos Anastácio, Pastelaria Canelas, TAP, Gresilva, Quinta do Sanguinhal e Grupo Pestana.

Joaquim Sousa

A iniciativa Portugueses de Valor continua­rá no próximo ano, com algumas alterações. Serão nomeados 100 portugueses mas 40 serão de Portugal, 40 da Europa e 20 do resto do mundo. A festa essa, também já tem local e data marcados: será em Lisboa nos dias 7, 8 e 9 de Junho.

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2012 3

1 - António Fernandes, um dos premiados 2 - Primitivo Marques também recebeu o troféu 3 - Armando Rio recebe das mãos de Victor Gil o troféu 4 - Ramiro Jorge, premiado 5 - Inês Pereira e André Saraiva 6 - José Delgado, Luis Malta e José Stuart 7 - Aníbal Gamito e mulher 8 - Afonso Galvão e mulher 9 - Lidia e Guilherme Gomes de Sá

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13 10 - A comoção de Odete Lopes ao receber das mãos do marido o troféu

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11 - A apresentadora da Gala, Antónia Barradas e duas amigas 12 - Lidia e Gomes de Sá foram surpreendidos pelos filhos Bruno e Guilherme e pela equipa da Lusopress 13 -Luis Malta com o troféu 14 - Victor e Lurdes Gil, Irene, Manuel Oliveira e familiares 15 - Amélia e Virgilio dos Santos 16 - Joaquim Machado e mulher com a filha Elisabeth 17 - Isabelle e Benjamin Duarte

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1 - José Vara e mulher 2 - José Mota acompanhado da mulher de Sousa Santos

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3 - José Costa e mulher 4 -Gomes de Sá e Guilherme 5 - José Afonso, mulher e amigos 6 - José Stuart, Durval Matos e António Fernandes 7 - José Roxo, Sandra Gonçalves, Élia Bemposta e Victor Ferreira 8 - Lidia Sales com os amigos Armando Rio e Françoise


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1 - Amélia Teixeira, Odete Lopes e Isabelle Duarte

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2 - Lidia e Gomes de Sá comentam a Gala 3 - Mulher de Manuel Soares, Durval Marques, Manuel Soares, Carlos Ferreira e José Roxo 4 - Aspecto da sala 5 - Valdemar Francisco e mulher 6 - Fernanda Fernandes e Josefina Rodrigues 7 - Fernando Lopes e mulher 8 - Jacinto Lopes e mulher

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Antónia e André LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012


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1 - Luis Gonçalves, Maria Gonçalves e Lidia Sales 2 - José Correia, Rogério Vieira, Victor Gil, Carlos Matos, Mapril Baptista, Benjamin Duarte, Armando Lopes, sete dos dez premiados da 1ª edição dos Portugueses de Valor 3 - Guilherme Gomes de Sá, Lidia Sales, André Saraiva e Antónia Barradas 4 - Diamantina Rodrigues em entrevista à Lusopress.tv 5 - Rui Pina 6 - Manuel Soares e mulher ladeiam Durval Marques 7 - Ramiro Jorge e mulher 8 - Isabel, France, Lidia e Fernando

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1 - A mulher de Carlos Ferreira a receber o prémio do Grupo Pestana 2 - Outro contemplado com o prémio do Grupo Pestana

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3 - Carlos Valverde 4 - Luis Rodrigues 5 - Um dos contemplados com o voucher oferecido pelo Grupo Pestana 6 - Carlos João Fonseca vai usufruir de um fim de semana no Grupo Pestana 7 - Aurélio Pinto também ganhou um prémio do Grupo Pestana 8 - Fernando Rio também foi contemplado com o voucher do Grupo Pestana

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2012 9 - A bem disposta e profissional equipa da Primland que serviu o jantar 10 - José Gaspar da Primland que gentilmente serviu o jantar 11 - Sousa Santos e mulher de José Mota 12 - Isidro Brazão e amigos 13 - Actuação da banda de Jazz 14 - O fado na voz de Diamantina 15 - Actuação do Grupo Paris Lisboa

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entrevista 16

Rui Soares Director Geral da Caixa Geral de Depósitos em França

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Rui Soares é o novo Director Geral da CGD em França. Antes de chegar a Paris exerceu funções como Presidente do Conselho de Administração da CGD em Espanha. Elogia a equipa que o rodeia e afirma pretender solidificar a relação de confiança e de proximidade com os clientes da Caixa. Como tem sido a sua adaptação entre o mercado espanhol e o mercado francês? Tem sido muito interessante. Primeiro porque a equipa da CGD em França acolheu-me muitíssimo bem, é uma equipa muito capaz e extremamente simpática. O segundo aspecto: são dois mercados bem distintos, em fazes de evolução também muito distintas. A economia espanhola está num processo de recessão razoavelmente forte, com problemas económicos significativos. Enquanto que em França a situação económica está mais estável, ainda. E eu espero que o “ainda” seja por muito tempo, porque de facto a realidade é que numa crise económica internacional é normal que todos os mercados sejam tocados. O mercado francês tem vindo a suportar bem esta crise internacional e esperemos que consiga manter os níveis de performance que tem mantido até hoje. Que estratégias é que a CGD tem adoptado para combater a crise? Como grupo a CGD está presente em 23 mercados, 23 países di-

ferentes. Portanto é essa diversidade que lhe permite, hoje em dia, ter também níveis de performance melhores, pelo facto de estarmos presentes em mercados que não estão em fase de instabilidade, ou mesmo de recessão. A CGD está em Angola, no Brasil, em Moçambique, na China. Todos estes são países estão em franco desenvolvimento e o crescimento é possível através destes mercados. Também o facto de ter uma presença internacional muito diversificada lhe permite criar oportunidades de negócio para os seus clientes de forma mais atractiva. Alguém que quer estar presente em mercados internacionais tem o seu banco presente também nesses mercados, o que lhe permite apoiá-lo na sua actividade. Quais são os principais mercados de acção da CGD? Estamos presentes em Macau e em Xangai. Obviamente que os mercados de expressão portuguesa são mercados fortes para a Caixa. Mas não só: estamos em Londres, Nova Iorque, Alemanha, Bélgica e em muitos outros países que não são de expressão portuguesa. Mas também está em mercados como Macau, Timor, An-


veja reportagem em lusopress.tv

gola, Moçambique, etc. Há um denominador comum em muitos destes países que é a língua portuguesa. Os outros são países de referência, importantes do ponto de vista da economia mundial: Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha. Que são países de referência e por isso é importante estarmos presentes para sermos capazes de responder às exigências dos nossos clientes. Em França qual é a dimensão da CGD? Em França a Caixa é uma sucursal. Tem a dimensão de um banco, porque temos 46 agências. No entanto operamos de acordo com uma figura jurídica que é a figura de sucursal. A CGD tem décadas de existência em França, acompanhou toda a evolução da comunidade portuguesa. É um banco mais centrado na comunidade portuguesa ou também há uma abertura da CGD no sentido de trabalhar com clientes franceses? A maioria dos nossos clientes são portugueses, ou de origem portuguesa. O tal denominador comum que é a referência a Portugal. Temos clientes que já são de segunda e de terceira geração. Que já nasceram e cresceram na realidade francesa. Temos também um número crescente e significativo de clientes franceses e até de outras comunidades, quer ao nível individual, que ao nível empresarial. O que é que a CGD tem a oferecer? A CGD em França é um banco universal que presta serviços quer a particulares, quer a empresas. Quer captando depósitos e todas as necessidades ligadas à poupança, quer ligados à parte da capacidade de investimento dos seus clientes (compra de casa, crédito ao consumo). Aquilo que nos diferencia em relação aos bancos franceses com maior dimensão é a nossa capacidade de relação com os nossos clientes. Um serviço mais personalizado, de proximidade (tentamos estar naqueles que são os principais pólos de localização da comunidade portuguesa) e uma proximidade também de relação, porque falamos a mesma língua. A CGD pode-se definir como um banco mais focado em empresas ou particulares? A CGD em França começou por ser um banco muito orientado para particulares. Crescentemente tem vindo a ter uma relação com empresas e desenvolveu produtos muito específicos para responder às necessidades das empresas. Hoje em dia temos uma carteira muito significativa de clientes no meio empresarial. A Caixa participa em várias acções no meio associativo da comunidade. Essa é uma forma de se ligar cada vez mais à comunidade portuguesa? Um banco que queira estar junto da comunidade portuguesa tem que estar junto dos seus interesses económicos, sociais, culturais. Tem que estar próximo. Quando estamos nas festas de PontaultCombault, na festa da Rádio Alfa, em associações locais são elementos de proximidade na relação com os clientes. Projectos da CGD em França. Estamos sempre a avançar com novos produtos. Este verão vamos ter campanhas activas que têm que ver com a poupança. Produtos que consideramos muito atractivos para os nossos clientes,

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entrevista

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precisamente respondendo às necessidades e à evolução do mercado. Temos também projectos de abertura de novos balcões, mas ainda não posso divulgar localizações. Existem produtos mais direccionados para os clientes que sejam clientes da Caixa em França e em Portugal? Temos produtos em termos de complementaridade. O normal é haver um processo de integração. Numa nova vaga de emigração é normal que haja um período em que estamos ainda um pouco “perdidos” e temos uma ligação forte com o país de origem, mas essa ligação vai-se atenuando e vai-se marcando a relação que existe com o banco local. Em situações de investimento em Portugal a Caixa acompanha o cliente em todo o percurso. Em função das características dos nossos clientes e dos mercados onde estamos inseridos, assim desenvolvemos os nossos produtos. Temos produtos, por exemplo, para uma empresa francesa, sediada em França, que queira exportar para Angola. Quais são as perspectivas para os próximos anos à frente da CGD em França? Espero essencialmente ser capaz de potenciar a actuação da

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A Revista Lusopress Magazine é transportada pela MRTI

CGD em França numa lógica de crescimento sustentável, que permita reforçar a relação de confiança que existe entre os nossos clientes, actuais e potenciais e a CGD. Principalmente que o serviço que nós prestamos seja percepcionado como um serviço de muita qualidade e personalizado. Somos um banco não de quantidade, mas de qualidade. Pretendo reforçar esta situação. A Caixa é indiscutivelmente o banco português com maior solidez a actuar em França.


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à conversa com... veja reportagem em lusopress.tv

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Carlos Matos

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empresário português em França Carlos Matos é o PDG de uma das maiores empresas de promoção imobiliária na região parisiense, o Groupe Saint-Germain. Há cerca de 30 anos que está em França nas não deixa de se preocupar com o seu país de origem e com os seus compatriotas. A Lusopress esteve à conversa com o empresário, que partilha aqui alguns dos seus pensamentos com os nossos leitores.

Tem apoiado várias empresas portuguesas que se instalam em França. Porquê? Para ajudar as empresas em Portugal, que estão em dificuldade. Penso que o governo português não soube fazer a ligação que devia ter feito entre as empresas portuguesas no mundo. Hoje, isto está tão mau que as firmas que lá estão, e que nunca nos auxiliaram, vêm para cá, mas nós aqui estamos dispostos a ajudá-los. Se o governo em vez de criar impostos, criasse hipóteses de trabalho aos portugueses, seria melhor. À força de aumentar impostos, o governo acaba com as empresas e aumenta o fundo de desemprego. Que tipo de auxílio é que a sua empresa, o Groupe Saint-Germain, presta a essas empresas? Para dar uma ideia, quando temos uma obra, em empreitadas separadas, dá mais

“Considero que sou português até morrer” ou menos 19 empresas. Dessas 19, 80% são empresas portuguesas. Algumas que já conheço há muitos anos e outras que acabaram de chegar. Sabendo que não fazemos benefícios maiores, mas a ligação entre portugueses é mantida, algo que eu defendo há muitos anos. Considero que sou português até morrer. Considera que os governos do pós-25 de Abril têm sabido apoiar os portugueses da diáspora? Penso que aquilo que o governo português quer é que o emigrante esteja desligado do que se passa em Portugal, é melhor para eles. Considero-me como um filho que foi abandonado pela pátria, essa pátria que só quer recolher e que


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à conversa com...

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nada dá em troca. Dá o Sol, porque não é dela, senão também isso estragava. Acha que Portugal tem ainda algo para oferecer em termos de investimento? Muito pouca coisa. Só se se criarem estruturas viradas para o turismo, para a reforma. Há muitas falhas. Quando entrámos na Europa, pagaram-nos para desistirmos da nossa indústria e sermos dependentes do consumo, sabendo que o dinheiro que foi investido na altura foi recuperado porque Portugal passou a importar tudo. Falta um incentivo grande para por a economia funcionar. A grande aposta é o turismo, porque em termos de produção industrial já não podemos competir com a Europa, já é tarde de mais.

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Um dos grandes projecto do Groupe Saint-Germain, é a criação de centros de apoio para doentes de Alzheimer. O que nos pode dizer acerca disso? Já funciona muito bem em França há mais de 30 anos. Em Portugal, tenho o projecto de criar clínicas de apoio aos doentes de Alzheimer, com pessoal treinado para apoiar essas pessoas, que podem ter um maior apoio e passar os seus últimos anos dignamente. Ao contrário do que existe hoje, com enfermeiras e médicos sem formação específica, num hospital que não tem condições para acolher estes doentes.

Que outros projectos futuros o Groupe Saint-Germain tem para desenvolver? De há um ano para cá temos um projecto, para criar 5 mil empregos, numa zona perto do aeroporto Charles de Gaulle. Trata-se de um grande Mercado para a exportação Europa-China. Ligado à alta tecnologia, roupas, sapatos, produtos portugueses e franceses, que podem ser mais facilmente exportados para a China. O equivalente ao mercado de Rungis, aberto a comerciantes, mas não a clientes particulares. Está tudo bem encaminhado. Temos o apoio da Embaixada da China, o que vai mesmo facilitar o processo de exportação. Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores? Penso que devíamos ser mais unidos e solidários. Ajudando os outros ajudamo-nos a nós mesmos. As empresas portuguesas em França devem ser mais solidárias e devem ajudar o povo português para este ter mais hipóteses cá e lá. Devíamos criar um site de apoio, uma rede de apoio, para empresas portuguesas que vêm para França. A CCIFP em Paris, da qual faço parte, por exemplo, devia preencher essa função. Espero não ser muito agressivo no que disse, não quero ferir susceptibilidades, tenho carinho pelo nosso povo. O povo português que não é emigrante, mas um único no mundo inteiro.


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reportagem veja reportagem em lusopress.tv

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Festa dos Santos Populares da Rádio Alfa No passado dia 17 de Junho, Créteil recebeu pela 24ª vez a Festa dos Santos Populares da Rádio Alfa. Aqui juntam-se todos os anos milhares de portugueses residentes em França, vindos de todos os pontos do país. É uma das maiores festas da comunidade portuguesa e também uma das mais antigas.

A instalação do recinto para a festa começou na terça-feira que antecedeu o evento, sendo que a preparação dos Santos Populares da Rádio Alfa começa a ser pensada, todos os anos, no dia a seguir ao evento. Durante o ano as infra-estruturas são pensadas para que tudo esteja a postos no grande dia. O plano da festa cumpriu a tradição abrindo com uma missa, dada pelo padre Vítor Melícias pelo segundo ano consecutivo. Comendador Armando Lopes

Depois da missa foi a vez dos bombos e dos ranchos subirem ao palco. Na tenda VIP, como já é habitual, a organização e as entidades oficiais participaram num almoço oferecido pela Mairie de Créteil. O Maire de Créteil, Laurent Cathala, aproveita a ocasião para afirmar que «é sempre um prazer, através desta festa, descobrir um pouco da cultura portuguesa. Ao longo dos anos estabelecemos laços de amizade com as instituições portuguesas na região de Paris, com os presidentes das associações e, particularmente, com Armando Lopes. É uma bela festa e desejo que possa perdurar por muito mais tempo». Estiveram também presentes o Embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, o Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie e o Presidente da

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Discursos antes dos artistas actuarem

Padre Milicias na homilia


Cônsul Geral de Portugal, Pedro Lourtie dando as suas impressões

Câmara Municipal de Leiria, Raúl Castro, que considera que se deve «acentuar a relação que deve ser feita com a comunidade emigrante. Em Portugal há ainda quem não perceba a importância dos emigrantes», sublinhou Raúl Castro. À tarde os músicos fizeram a festa: Nelson Richie, Luís Manuel, Mariza, Lucenzo e Tony Carreira subiram ao palco para animar os milhares de portugueses presentes em Créteil.

O cantor romântico fechou a festa

Mariza adiantou à Lusopress que regressa «com o coração cheio». Considerou ainda que se trata de «uma festa maravilhosa Lucenzo

Fernando Lopes, Director da Rádio Alfa

Cerca de 25 mil pessoas no recinto da festa

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reportagem

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Maire Laurent Cathala

Padre Victor Milicia em entrevista à lusopress.tv

Mapril Baptista e Mário Martins

entrevista à lusopress.tv dada pelo embaixador Francisco Seixas da Costa

Micael Cruz subiu à grua para dar uma perspectiva da multidão que assistia aos espectáculos

que relembra tudo aquilo que é o nosso Portugal».

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Lucenzo cantou com a multidão o seu êxito que levou a língua portuguesa a ser cantada pelo mundo fora. O cantor confessa que «é um grande orgulho poder actuar no mundo inteiro graças a este tema. E sinto-me muito contente e muito orgulhoso de estar aqui e poder actuar à frente da nossa comunidade».

Miss França/Portugal com o cheque ganho


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reportagem

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Mariza em entrevista

Tony Carreira diz que ainda é aqui que tem os seus grandes amigos, e por isso é sempre um prazer voltar a França. «Há uma ligação eterna, uma ligação emocional muito grande», revela Tony Carreira. A selecção dos artistas a actuar em palco é feita através de uma sondagem no site da Rádio Alfa, para que sejam os próprios ouvintes a escolher o cartaz da festa.

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O Comendador, Armando Lopes, adiantou à Lusopress que para o ano a Festa dos Santos Populares da Rádio Alfa tem já a data marcada para o dia 16 de Junho.

Lonni Martins ao volante do seu Porsche Carrera

Tony Carreira actuou mais uma vez na festa da Rádio Alfa


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festas

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Festa franco-portuguesa de Pontault-Combault,

o fim-de-semana mais português do ano

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No fim de semana de 26 e 27 de Maio celebrou-se a 37ª edição da Festa Franco-Portuguesa de Pontault-Combault. Um dos acontecimentos anuais mais importantes da comunidade portuguesa, o evento junta todos os anos dezenas de milhares de pessoas no parque do hotel de ville da cidade francesa que o acolhe.

Mário Castilho, presidente da APCS

Organizada pela APCS (associação portuguesa cultural e social) de Pontault-Combault e pela Mairie da Cidade, a festa atrai cada vez mais um público diversificado e é um bom exemplo do trabalho de cooperação realizado entre associações e autarquias locais.


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Várias personalidades conhecidas da comunidade portuguesa fizeram questão de marcar também a sua presença, entre as quais o Embaixador de Portugal em França e o Cônsul-Geral de Portugal em Paris. O fim-de-semana foi cheio de sol e de música portuguesa. André Sardet, La Harissa, Ronda dos quatro caminhos, Sons do Minho, Johnny e Sidney Roc foram alguns dos músicos que animaram o evento. Um cartaz bem composto e para todos os gostos. “Penso que a comunidade portuguesa já está habituada a esperar por esta grande festa”, avaliou Mário Castilho, em declarações à Lusopress, “O nosso objectivo já foi cumprido”, remata.

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António Castro e o Cônsul Luis Ferraz


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Europe Fers et Metaux A sociedade Europe Fers et Metaux é hoje em dia líder europeu na reciclagem industrial. Situada em Villeneuve-la-Garenne e dirigida por Manuel e António Nunes, o grupo tem mais de 30 anos de experiência na área da demolição industrial. Actualmente, é composto por várias empresas num total de 105 colaboradores.

Manuel Nunes

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Vista geral

“É um ramo de negócio que eu adoro e que conheço. Que nos faz ter garra e querer ir para a frente”, diz Manuel Nunes. Há cerca de um ano, a sociedade deu um grande passo, ao instalar em LongueuilSainte-Marie, perto de Compiègne, uma unidade de tratamento de cabos eléctricos em cobre, que no total representou um investimento de 6 milhões de euros. Esta máquina de produção alemã é a primeira

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a operar na Europa e a mais avançada em termos tecnológicos. Para Manuel Nunes, este foi um grande investimento, mas que acabou por assegurar o desenvolvimento da empresa no futuro.

O Processo de reciclagem A primeira etapa do processo de reciclagem, passa pela recolha dos cabos eléctricos (foto 1). Os cabos são tratados numa

unidade em Breteuil e depois transportados para Compiègne. São triturados à cisalha (foto 2) e triados à mão numa cabine preparada para o efeito (foto 3). Os materiais passam então por uma nova trituração, para facilitar o seu tratamento.

Uma recuperação optimizada Este processo permite a eliminação de


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2 - cabos

5 - tapete cobre 7 - peneiras

3 - cabine de triagem

6 - peneiras

4 - tapete plástico

materiais impuros e a separação do plástico (foto 4) e do cobre (foto 5), feita com o auxílio de peneiras, que isolam o cobre e o recuperam (fotos 6 e 7). Uma segunda máquina, faz a recuperação de 3 a 4% do cobre fino que os resíduos de plástico contêm, para que não haja desperdício. O cobre é em seguida pesado e colocado em sacos de cerca de duas toneladas, para armazenamento (foto 8). Neste processo de reciclagem industrial de grande escala, tudo é aproveitado. Os resíduos de plástico são cedidos gratuitamente (foto 9) e o cobre é revendido à tonelada (foto 10).

O factor ambiente

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Com esta aposta, Manuel Nunes dá também um grande passo no desenvolvimento sustentável. Esta unidade de tratamento é a que tem o maior ritmo de produção, mas é também a mais amiga do ambiente. “Para o ambiente não há melhor. Não há fugas, nem poluição. Hoje em dia, é preciso


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passar por este meio. Quem não tem uma unidade destas tem que dirigir-se a mim, ou a outro que tenha uma”, avalia Manuel Nunes.

Europe Fers et Métaux em números

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A unidade de tratamento da Europe Fers et Métaux produz cerca de 25 toneladas de cobre por dia, revendidas a 170 mil euros. Por mês, são 1500 toneladas de cabos, que, depois de reciclados, equivalem a cerca de 700 toneladas de cobre. O “chifre d’affaires” da sociedade está previsto para 100 milhões de euros este ano. Um valor seguro que permite a Manuel Nunes projectar a construção de novas instalações e melhorar as que já tem. Passar para o processo de reciclagem do Alumínio, é mais um projecto que tem em mente. “Antes era eu que procurava o cliente, hoje é o cliente que me procura a mim!” Confessa Manuel Nunes. Com a primeira unidade de tratamento deste género na Europa, a sociedade Europe Fers et Metaux afirma-se como pioneira na reciclagem industrial. Fortalecendo cada vez mais a sua posição no mercado.

8 - balança

10 - cobre - produto final

9 - resíduos de plástico


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solidariedade

Motards mobilizam-se por causa social

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Cerca de 3000 motards solidários desfilaram nas ruas de Newark, em New Jersey, EUA, no passado dia 20 de Junho. A grande concentração de motards, pela sua maioria polícias e bombeiros, conduzindo

motos da marca Harley Davidson, deu-se na Ferry Street, uma das ruas principais da cidade, e que acolhe, todos os anos, os grandes festejos do dia de Portugal, a 10 de Junho.

As receitas geradas pelo evento verterão a favor de uma jovem portadora de um tumor em fase terminal, com o objectivo de lhe prestar uma melhor assistência e cuidados médicos.


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entrevista 42

Tony Batista cinturão negro e professor de karaté

Há quanto tempo é cinturão negro de karaté? Há cerca de vinte anos. Tony Batista

Tony Batista sempre gostou de karaté. Há mais de vinte anos que é cinturão negro e actualmente dá aulas na Little Dragon Karate School, em New Jersey, Estados Unidos. A Lusopress foi conhecer o desportista e a modalidade.

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aula de karaté

Porquê o culto desta arte marcial? É uma arte que sempre tive na mente desde pequeno, embora só tenha começado a praticar mais tarde. Os filmes de Bruce Lee e outros chamaram-me a atenção e sempre tive curiosidade de aprender porque acho que é uma arte bonita e uma boa disciplina.

O facto de ser cinturão negro tem-lhe trazido problemas em termos de confrontações físicas com alguém? Não, pelo contrário. Permite ter mais confiança e segurança. Um mestre de artes marciais não pode incutir violência nos seus alunos, antes pelo contrário... Claro. O karaté é uma arte que evita a violência. Só em caso extremo, em que a pessoa não tenha outra possibilidade, é que tem que se defender. Mas, caso contrário, não somos agressivos. Quanto tempo demora uma aula e quantos anos demora a formação de karaté? Normalmente as aulas decorrem três vezes por semana, com a duração de uma hora cada. Para atingir o cinturão preto, depende do empenho da pessoa mas, normalmente,


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entrevista

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mês. No primeiro mês são 200 dólares mas já vem o quimono incluído. Acontece o aluno ser mais forte que o professor? Sim, às vezes acontece. Mas há sempre uma arma para ele!

são cinco ou seis anos. A mim demorou-me cinco anos e meio a ter o meu cinturão preto.

eu tive um acidente, praticamente eliminei isso. Por agora...

Lembra-se do seu primeiro mestre? Sim. Aprendi muito com ele, estive cinco anos com ele aqui em Newark. Depois fui para o Estado de Nova Iorque e agora a graduação de primeiro, segundo, terceiro e quarto grau tem sido com ele.

Há quantos anos dá aulas de karaté? Desde 1984.

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Tem estado em torneios de karaté? Desde o meu acidente que parámos. Antes íamos a muitos torneios. Mas desde que

Os seus alunos costumam aceitar bem a sua filosofia? Sim. Quando não aceitam acabam por se ir embora! É muito caro ter aulas de karaté? Não, normalmente são 100 dólares por

Vocês dão a formação a jovens mas também a adultos? Sim. Qual é o aluno mais novo e o mais velho que tem, neste momento? O mais velho tem 35 anos e o mais novo quatro anos. O que tem a dizer aos jovens que vão ver esta reportagem? Tenho a dizer que as artes marciais são algo bom porque, normalmente, aprendemos a ser melhores e a respeitar os outros. Pelo menos, a mim tem-me ajudado bastante.


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entrevista

Paulo Matos

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Paulo Matos nasceu em Portugal mas ainda jovem cruzou o Atlântico e chegou à costa leste dos Estados Unidos. Vivendo aí desde então, divide o tempo entre o trabalho, a família e os hobbies: a caça, as motorizadas e carros antigos.

Quando veio para os Estados Unidos? Vim em 1978, com 17 anos de idade. É de que região de Portugal? Concelho de Alenquer, freguesia de Vila Verde dos Francos. Costuma ir a Portugal? Vou três ou quatro vezes por ano.

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Arrepende-se de ter vindo para os Estados Unidos? Nunca! Adoro este país! Como adoro Portugal. Se não vivesse nos Estados Unidos, onde viveria? Em Portugal. Nunca poderia conseguir o que consegui mas de alguma maneira havia de viver. Quando vai agora a Portugal, o que sente de diferente em relação a antigamente? Vejo que as coisas estão mais difíceis para quem lá vive, inclusivamente para quem vai daqui porque o câmbio da moeda está diferente do que era antigamente. Mas quem quiser trabalhar e poupar um pouquinho vive em qualquer lado.

Qual é a sua área profissional? Construção civil e obras públicas. Tem tido dificuldade em angariar pessoal qualificado para a sua actividade profissional? Depende do que se quer pagar. Se se pagar bem, arranja-se gente boa, que é o que eu faço. Se se pagar menos que o normal, é difícil.

Os seus trabalhadores são maioritariamente portugueses? Há portugueses, americanos e hispânicos. Costuma querer que as pessoas que trabalham para si sejam iguais a si ou dá-lhes uma margem? As duas coisas. Quando uma pessoa erra, dá-se um desconto. Na segunda vez chama-se à atenção e na terceira vai embora.


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entrevista

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Qual é o seu volume de negócios? Agora baixou devido à economia. Mas tem sido uma média de 20 a 24 milhões de dólares por ano. Quais são as suas expectativas para o futuro? Este ano vai ser um ano fraco. Costumávamos ter cerca de 60 empregados, estamos com 30 agora. Para o ano, espero que as coisas melhorem.

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Para além do trabalho, tem um hobby, os carros antigos e as motorizadas. Esteve recentemente em Portugal numa concentração. Quer falar-nos sobre isso? Estive em duas, uma em Ponte de Lima e

Paulo Matos junto ao seu Hummer

outra em Guimarães. E agora estou a pensar fazer uma no sítio onde pertenço. Em Ponte de Lima havia 20 motorizadas antigas, com mais de 30 anos. Quer falar-nos de alguns dos seus carros? Tenho um Hummer de 2006 que comprei com a intenção de dar as minhas voltas na caça porque é um carro grande, cabem seis pessoas, tem um motor muito potente

e dá para engatar o atrelado atrás com os cães. Às vezes vamos até quase ao Canadá, já fomos a Maine, que fica a 14 horas de distância. Tem uma estabilidade boa, força, mas também consome muita gasolina. Tenho um Trans-Am de 1977. Quando cheguei aos Estados Unidos via muito estes carros mas enquanto estive solteiro nunca tive oportunidade de comprar um. Mas sempre tive na ideia comprar quando pudesse. É raro usá-lo, uma ou duas vezes


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entrevista

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Dodge SRT 8

Para além dos carros antigos também tem o hobby da caça. O que sente quando está a matar um animal? Às vezes é um prazer e outras vezes dá pena, depende de como é o tiro. O que é que a caça significa para si? Faz-me eliminar o stress. Há pessoas que gostam do golfe, de jogar às cartas... Eu gosto de caça. Qual é a ideia que tem dos portugueses? É boa. Acho que os portugueses estão bem vistos em qualquer parte do mundo. Quer deixar uma mensagem aos portugueses? Aos portugueses desejo muita saúde, sorte e que nunca desanimem!

ao ano. Às vezes o meu filho também anda com ele. Também tenho um Corvette de 1979, com 8 cilindros, um Thunderbird de 1973, um Dodge SRT8, um Volkswagen de 1960, e outros.

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Qual é a reacção das pessoas quando anda com estes carros na rua? Como se sente com isso? As pessoas olham e dizem adeus. Sinto-me orgulhoso, fico contente por andar com estes carros na estrada.


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solidariedade 54

Lions Club de Montfermeil Coubron

recolhe fundos para associação de crianças autistas Un Pas Vers la Vie recebeu o cheque do Lions Club de Montfermeil Coubron

mo, a associação chama a atenção para a importância do financiamento através de iniciativas como esta, que tornam possível a utilização de métodos específicos no tratamento do autismo, que são financiados nos Estados Unidos há 30 anos, mas só agora começam a ser utilizados e financiados em França. O Maire de Montfermeil, Xavier Lemoine, realça a ligação local com o Lions Club e considera que a cidade deve muitas das suas obras ao Club. Acrescenta ainda que a comunidade portuguesa de Montfermeil funciona como um motor na economia local. O Lions Club é uma associação internacional criada em 1917, que se propõe a ajudar causas de qualquer parte do mundo.

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A Associação Lions Club de Montfermeil Coubron organizou um jantar com o objectivo de recolher fundos para a associação Un Pas Vers la Vie, de crianças autistas. A associção Un Pas Vers La Vie é presidida pela apresentadora francesa Églantine Éméyé que pediu ajuda ao Lions Club para esta causa. A Un Pas Vers la Vie já conseguiu realizar inúmeros projectos que vieram melhorar a qualidade de vida de muitas famílias que convivem diariamente com esta realidade. Foi inaugurada uma escola para crianças dos 6 aos 12 anos. No entranto, continuaram a faltar condições para as crianças a partir dos 12 anos. Uma vez que a ajuda governamental não chega para todos os projectos a associação recorreu ao Lions Club de Montfermeil Coubron.

Os membros da Un Pas Vers La Vie estão gratos ao Lions Club e consideram que esta ajuda irá contribuir de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das suas crianças. Numa altura em que verificam que a mentalidade francesa está a mudar na forma como vê o autis-

Os donativos efectuados neste jantar reverteram para a criação de um centro para crianças autistas a partir dos 12 anos. Em 2010 o Lions Club de Montfermeil Coubron angariou 30 mil euros que ajudaram a recuperar a Ilha da Madeira depois da catástrofe natural que ocorreu naquele ano.

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reportagem

Conflans Sainte-Honorine

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Rotary Club em visita a Portugal Mário Sousa

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A Quinta Sousa, em Vidago, propriedade de Mário de Sousa e família, foi o destino escolhido pelo Rotary Club de Conflans Sainte-Honrine para realizar o Repas du President, evento enquadrado numa visita que esta associação fez a Portugal no final do mês de Maio. Todos os anos é nomeado um novo presidente em cada Rotary Club e é feita uma viagem com um destino escolhido pelo presidente. Christine Paulet, presidente actual do Rotary Club de Sainte-Honorine,

Chistine Paulet

escolheu Portugal, mais especificamente o Porto e a região envolvente. Mário de Sousa não é rotário mas a família é amiga de longa data da presidente. Daí ter acolhido o grupo de cerca de 40 pessoas na sua propriedade. “É difícil descrever, não há palavras! É magnífica, mesmo. Acho que é difícil encontrar algo equivalente em França”, disse Christine Paulet, referindo-se à Quinta Sousa.


contrastes

Tatiana Gonçalves

A vontade de hoje, o futuro de amanhã Portugal dos descobridores, dos aventureiros, dos acomodados, dos resignados. Portugal cheio de sol, de boa comida e de boa disposição. Portugal das praias a perder de vista, das paisagens verdes. O pequeno país que outrora conquistara meio mundo vê-se hoje empobrecido, em contas e em espírito. Um país desanimado, triste. Os mais velhos relembram o “depois do 25 de Abril”. Tempos da liberdade conquistada pelo Povo, pela voz das Forças Armadas. De esquerda ou de direita, todos sabiam que viviam tempos de mudança e que dependia de cada um lutar pelos seus ideais. Havia força, determinação e ambição em cada rosto, para que o futuro que viesse trouxesse tempos de bonança. E hoje? A liberdade deu à “geração à rasca” a oportunidade de dizer, escrever e parti-

lhar tudo aquilo que bem lhe apetece. Nas redes sociais leem-se gritos silenciosos de revolta. Porque não passarão do silêncio enquanto permanecerem meros desabafos pessoais. Onde está a força de um povo que já navegou por mares nunca antes navegados, que saiu do seu canto recatado à beira mar plantado rumo ao desconhecido? E as mulheres? Corajosas ficaram, lutaram e esperaram pelos seus heróis sem pestanejar. A força, a garra, a coragem que nos levaram a alcançar feitos heróicos, onde estão? Talvez se tenham perdido ao longo dos tempos. Quando tudo começou a ficar mais fácil e a acontecer com pouco esforço. Quando todos começaram a ter acesso à formação a que os seus pais e avós não tiveram acesso. Porque “naquele tempo” - diz a minha

avó - “só os filhos dos ricos é que conseguiam ir à escola”. Agora é tão mais fácil. E talvez o problema seja mesmo esse. É toda uma geração que não está habituada a lutar. Porque os que de facto insistem e persistem, acredito, acabam por alcançar os seus objectivos. Se é fácil? De todo. Se acabamos uma licenciatura com emprego garantido, longe de estágios não remunerados, longe de portas fechadas, de procuras desenfreadas? Não, não nos livramos disso. Não nos livramos de lutar. É certo que se vivem tempos complicados, não só em Portugal, não só na Europa. No entanto, expressões como: crise, austeridade, recessão, divida pública... não podem continuar a servir de desculpa para a inércia em que o país se encontra. siga-nos também no facebook.com/lusopress.tv

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reportagem

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Dos cerca de 40 convivas, 35 eram membros do Rotary Club de Conflans SainteHonorine e 5 do Rotary Club de HammamLif, na Tunísia, geminado com o francês.

Jantar na Quinta da Boucinha, em Gaia No dia anterior ao almoço na Quinta Sousa, o grupo participou naquele que foi o primeiro jantar no mundo que juntou o Rotary Club e a Academia do Bacalhau. O evento aconteceu na Quinta da Boucinha, em Vila Nova de Gaia, e foi organizado por José Stuart (presidente da Academia do Bacalhau de Rouen), César Pina (presidente

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José Cancela Moura, César Pina e José Stuart

da Academia do Bacalhau do Porto) e José Cancela Moura (presidente do Rotary Club de Gaia Sul), a pedido de Mário de Sousa.

Apesar de serem instituições distintas, o Rotary Club e a Academia do Bacalhau têm pontos em comum. “Estão as duas espalhadas por todo o mundo”, esclareceu César Pina. “E as duas instituições pretendem fomentar a amizade, a portugalidade e a solidariedade”. A solidariedade foi, aliás, um dos temas centrais do evento. A organização pediu aos participantes que levassem produtos alimentares que foram depois distribuídos por famílias carenciadas do distrito do Porto. César Pina deixou o apelo a que “esta seja uma ideia pedagógica, que arraste outras instituições, para que todas façam o mesmo”.

2-


cabos

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negócios 60

Oliveira Rodrigues Granitos de Pedras Salgadas aposta na exportação Se há uma empresa que seguiu a máxima de que “momentos de crise são momentos de oportunidade” foi a Oliveira Rodrigues – Granitos de Pedras Salgadas. A empresa tem combatido a crise financeira em Portugal e em Espanha (aquele que foi, desde sempre, um dos seus principais países compradores) com a exploração de outros mercados, nomeadamente o francês e o americano.

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Apesar de comercializar produtos pesados e de grande dimensão, a empresa consegue fazer chegar as encomendas rápida e facilmente em qualquer parte do mundo. A seu favor tem o facto de vender um tipo de granito único no mundo – o granito de Pedras Salgadas, onde as pedreiras da empresa ficam situadas. Este é um tipo de granito de elevada qualidade. Segundo José Oliveira Rodrigues, proprietário da empresa, “a pedra tem um brilho único quando é polida. E as características químicas são muito boas, o que permite acabamentos bons e duráveis. Dificilmente se tem problemas com estas pedras”. Apesar da empresa ter apenas pedreiras de granitos de Pedras Salgadas e de granitos amarelos de Vila Real, comercializa qualquer tipo de pedra que o cliente

Ramiro Fernandes

precise. Vende também diversos tipos de acabamentos, como cubos, perpeanhos, lancis, blocos e semi-blocos. A Oliveira Rodrigues alia a experiência de 60 anos de existência à inovação e dinamismo trazidos por José Oliveira Rodrigues, que tomou conta da empresa


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negócios

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há duas décadas. “Antigamente fazia-se o que se podia porque era tudo feito à mão. Hoje extraem-se blocos enormes e fazem-se produtos e acabamentos que não se faziam. E fazemos muito mais quantidade do que antes”. Para conhecer mais sobre a empresa, a melhor forma é consultar o site www.or-granitos.com. Para entrar em contacto com a empresa, pode fazê-lo através do e-mail orgpslda@gmail.com ou do telefone 259 434 106.


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reportagem 64

Aveleda

lança marca de vinhos brancos A história da Aveleda perde-se no tempo e confunde-se com a história da família Guedes. Em 1870, Manoel Pedro Guedes começou a dedicar-se à Quinta da Aveleda, em Penafiel. Data desse mesmo ano a venda das primeiras garrafas de vinho. Em 1888, já os vinhos da Aveleda arrebatavam prémios internacionais (Berlim) e, no ano seguinte, em Paris.

A Quinta da Aveleda tem-se mantido nas mãos da família desde então, que continua empenhada em manter o legado familiar, acrescentandolhe um cunho de modernidade, sem nunca comprometer a qualidade. Neste momento, a marca está a sofrer uma reestruturação. Depois de perceberem que os consumidores identificavam o nome “Aveleda” com vinho branco, os responsáveis da empresa decidiram aproveitar essa identificação e colocar todos os vinhos brancos sob a alçada da marca Aveleda. São cinco vinhos de três regiões diferentes: Aveleda Vinho Verde, Aveleda Douro, Quinta da Aveleda, Aveleda Alvarinho e Aveleda Reserva da Família. Para relançar a marca, a Aveleda organizou um evento na quinta de família, em Penafiel, no dia 24 de Maio. Foram convidados clientes e parcei-

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António Guedes, presidente da Aveleda

Francisco Guedes Almeida

ros de negócio que, partindo da Estação de São Bento, no Porto, puderam assistir a uma recriação histórica desde os primórdios da empresa até à actualidade – que chegou com a chegada à quinta. No ambiente calmo e acolhedor da Quinta da Aveleda, os convidados foram provando os diversos vinhos, sempre acompanhados de uma pequena iguaria gastronómica (incluindo carne, peixe e sobremesa) provando-se, assim, que se tratam de vinhos versáteis. Histórica produtora de vinhos brancos, a Aveleda pretende posi-


cionar-se no mercado como responsável pela criação de “brancos com saber”. “Queremos assumirmo-nos como a marca de vinhos brancos em Portugal”, declara António Mendonça, director comercial. Mas a Aveleda não produz só vinhos brancos. Nos tintos tem a gama de vinhos Follies e um vinho do Douro. Tem ainda a aguardente Adega Velha. E não se pode esquecer o campeão de vendas – e mais antigo vinho da quinta – Casal Garcia, que é o vinho verde mais vendido no mundo. Presente em mais de 70 países, a Aveleda exporta cerca de dois terços da sua produção. Em França, é parceira do Portugal des Saveurs, que tem conseguido distribuir os vinhos Aveleda não só na comunidade portuguesa mas também no exigente mercado francês. Com a história e tradição que carrega consigo a Aveleda não podia deixar de se assumir como um negócio familiar, com toda a carga que isso acarreta. “Isso tem implicações, é aglutinador, agregador. Fazemos as coisas com amizade entre todos”, diz Francisco Guedes Almeida, responsável de comunicação, do mercado americano e do enoturismo. Aliás, o enoturismo é outra das vertentes que a Aveleda põe à disposição dos seus clientes. A quinta pode ser visitada, para que aí

se aprecie a beleza dos seus bosques, alamedas, jardins e recantos. Se não tiver oportunidade de ir a Penafiel, encontrará certamente o sabor desse encontro com a Natureza em cada garrafa Aveleda. Recriação histórica no comboio para Penafiel

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crónica 66

Diana Bernardo

Vive-se Melhor no Portugal Lá de Fora

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Recentemente, tive a oportunidade de ir uns dias a Paris por ocasião da festa dos Portugueses de Valor da Lusopress. Como qualquer alteração na rotina quotidiana, permitiu-me distanciar-me um pouco da realidade do dia-a-dia e ganhar perspectiva sobre as coisas que acontecem em Portugal e que eu –como grande parte dos portugueses – já tomamos como a “normalidade”. Não foi preciso muito tempo para se sentir uma diferença clara entre o estado de espírito em Portugal e em França. Há meses que não ouvia as pessoas falarem com entusiasmo sobre a vida, o trabalho, os projectos, os sonhos, o futuro. Há meses que não ouvia os jovens fazer planos que não fossem o de aguentar até a crise passar. Há meses que não ouvia alguém dizer “eu não me prostituo para trabalhar”. E há meses também que não testemunhava orgulho em ser-se português. Neste momento, neste lado da fronteira, é difícil olhar-se o país com bons olhos. Acho que se vai vivendo melhor no Portugal lá de fora, nesse que está espalhado pelos quatro cantos do mundo, nesse que se celebra com força, alegria e orgulho em manifestações como

a festa da Rádio Alfa. Uma festa como essa seria impensável em Portugal, sobretudo nesta altura. Aqui as notícias são derrotistas, consequência do estado de espírito geral (ou será ao contrário?...). Os cafés não se enchem como em Paris, os supermercados ficam a abarrotar de gente mas só quando fazem promoções absurdas e até mesmo as farmácias perderam clientela. Aqui, ter um trabalho é ser privilegiado e ter ambição de chegar mais longe é visto ora como um desrespeito aos demais ora como estupidez. Talvez esteja a exagerar um pouco. Mas isto é apenas a visão cansada de alguém que está farta de ver o país no mesmo marasmo há anos. Será demais pedir que a crise não domine todos os movimentos, decisões e conversas que o povo português tem? Que as pessoas possam viver não com o mínimo de condições mas em condições minimamente confortáveis? Que os jovens consigam acreditar que há algo melhor, que há esperança e que o futuro não tem que ser uma continuação desta depressão que se vive? Que os pais e mães consigam apoiar os seus filhos quando es-

tes se vêem sem saídas e que não estejam, também eles, no limite? Será demais pedir que os idosos consigam ter condições de vida respeitosas, que reflictam o contributo que deram para o país? Em Portugal, a resposta que nos dão é “sim”. Sim, é demais pedir isso. A minha experiência de vida em França é muito limitada e agora estive só mesmo de passagem. Mas a ideia que trago é a ideia que já tinha antes: que ali (como certamente noutros países) o indivíduo pode projectar-se no futuro, pode criar, pode crescer, pode trabalhar e esforçar-se porque há-de ser recompensado por isso. Há oportunidades reais. Para quem luta e dá o seu melhor, evidentemente. No Verão, quando voltarem às vossas terras, tragam a experiência da vida lá fora e partilhem-na. Façam ver aos que cá estão que há mais mundo e mais vida para além desta. Não para que os de cá emigrem também mas para que apliquem esse espírito de emigrante em Portugal. É que, às vezes, o problema do país não é só financeiro nem económico. É, parece-me a mim, também, um problema de motivação e falta de horizontes.


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reportagem 68

Gala Anual da Academia do Bacalhau de Paris

Durval Marques, Presidente fundador das Academias do Bacalhau

A Gala anual de Academia do Bacalhau de Paris realizou-se no passado dia 8 de Junho. Este ano a Academia aliou a moda ao glamour das mais belas paisagens da cidade e fez o seu jantar num barco que navegou ao longo do Sena. A moda esteve presente através de dois criadores luso-descendentes, Eli e Vasco Maurício, que apresentaram a sua marca Scovandeli neste desfile inaugural. O presidente da Academia, António Fernandes, agradeceu a presença do presidente fundador da primeira Academia do Bacalhau, assim como a presença do Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie. Esta é uma Academia com cada vez mais presenças femininas. Josefina Rodrigues juntou-se oficialmente à Academia neste dia, depois de muitos anos a acompanhar o marido nas reuniões da Academia do Bacalhau de Paris. O fundador da primeira Academia, Durval Marques, destacou a importância do caris social da organização, que no ano passado angariou na sua gala anual 12 mil euros. As Academias do Bacalhau juntam-se ao longo do mundo com o objectivo de melhorar a vida de quem precisa de ajuda e assim pressistem até hoje.

António Fernandes, Presidente da Academia do Bacalhau de Paris

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Eli e Vasco Maurício


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reportagem 70

Jantar anual da Academia

do Bacalhau de Rouen texto enviado peko nosso leitor Rui Pina

No passado dia 19 de maio em Rouen pelas 19h30, a jovem Academia do Bacalhau de Rouen levou a efeito o jantar anual de Gala.

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A Academia teve a honra de contar com a presença dos Presidentes das respectiva Academias, Paris, Porto, Madeira tal como uma representação de Porto Santo. A noite foi animada pelo nosso amigo e compadre Tony do Porto e Gabriel Marques, assim como a brilhante banda filarmónica Portuguesa de Paris, tendo esta terminado a sua actuação com o “emocionante” Hino Nacional.

Na mais deslumbrante sala da cidade de Rouen, os convidados de honra foram: O menino Bernardo vindo especialmente de Portugal, ele foi uma das crianças a quem a nossa Academia auxiliou ao suportar os custos de uma intervenção cirúrgica. O outro, foi o nosso amigo e compadre Dr. Victor Gil a quem com uma breve alocução, o Presidente da Academia


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reportagem

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de Rouen José Staurt relatou algumas das inúmeras passagens da vida deste diplomata que por esse Mundo fora, e ao serviço da comunidade Portuguesa, serviu, ajudou e acompanhou os nossos compatriotas. A ementa esteve ao cargo da casa CANELAS, que como é habito esteve à altura do acontecimento. Os vinhos branco e tinto, foram graciosamente e de maneira espontânea, oferecidos pelo Monte da Ravasqueira. O já famoso espumante Scorpio, vinho do Porto e sumo de fruta, foram oferecidos pela Stuart Distribution.

Na noite de Gala contámos com a presença do famoso artista pintor, Reynald Lemaire, que durante o jantar pintou um quadro que viria a ser oferecido ao compadre Victor Gil. Salientamos ainda alguns gestos de solidariedade, o Sr. Reynaldo, que ao vender ofereceu 50% do produto da venda de 4 quadros, assim como um Solex, oferecido para sorteio pelo compadre Joaquim Monteiro, o premiado vendeu o solex e o dinheiro da venda foi oferecido ao menino Bernardo. Momento de emoção, quando à meia-noite esteve de parabéns ao festejar

nesta data memorável, o seu septuagésimo terceiro ano do Presidente da Academia do Porto, compadre César Pina, acompanhado pela sua esposa. Surpreendido e muito comovido, teve que assoprar as velas. Enfim linda noite, aonde a jovem Academia fez a entrega dos primeiros diplomas às comadres e compadres. Os nossos sinceros agradecimentos a todas e a todos aqueles que nos honraram sua pela presença. Até breve no próximo jantar da Academia do Bacalhau de Rouen, previsto (ainda por confirmar) para o sábado dia 30 de junho.


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reportagem 74

VB GAZ participa em acção de intercâmbio profissional A VB GAZ, empresa especialista em instalação e manutenção de caldeiras a Gás, recebeu a visita de vários profissionais do mesmo sector vindos do Brasil. O encontro serviu como uma acção de intercâmbio entre as várias empresas.

Virgilio dos Santos

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Benjamin Duarte

Uma forma de dar a conhecer o modo de funcionamento das diferentes empresas, abordando áreas que vão desde as competências técnicas ao desenvolvimento tecnológico, passando pela relação com os clientes. Depois de uma visita às instalações da ELMLeblanc, empresa do grupo BOSCH e organizador da iniciativa, o grupo de 25 profissionais brasileiros dirigiu-se às instalações da V.B. GAZ em Vitrysur-Seine. A participação da VB Gaz no encontro deveu-se ao facto desta ser a maior empresa independente no seu ramo a operar na região parisiense e por ser dirigida, também,

por dois portugueses, Benjamin Duarte e Virgílio dos Santos, facilitando assim a comunicação entre as partes. Para o futuro, a VB GAZ pretende apresentar-se, como habitualmente, em algumas mostras ao público geral. De destacar ainda a inauguração das novas instalações da empresa, em Créteil, para o próximo ano.


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reportagem

BCP inaugura nova

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agência na Avenue de l’Opéra No dia 22 de Maio foi inaugurada a nova agência do BCP na Avenue de l’Opéra. O banco deu início a uma renovação ao nível da imagem que tem como objectivo transmitir cada vez mais confiança e proximidade aos seus clientes.

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Apesar de estar ainda muito centrado na comunidade portuguesa residente em França, o BCP começa, cada vez mais, a abrir portas para as empresas francesas próximas das agências Com as renovações que tem vindo a fazer o BCP pretende transmitir uma imagem de confiança, não só aos seus clientes habituais e de origem portuguesa, como também para os seus actuais e futuros clien-

tes de origem francesa. O novo balcão do BCP é uma fusão entre duas agências que existiam na Place de l’Opéra, nas quais se dividia o atendimento ao público em geral e ao mercado empresarial. Esta é uma mudança de imagem que tem como principal objectivo facilitar a vida dos seus clientes, com uma política de proximidade, não só através das dependências do banco, mas contando também com as novas tecnologias. O presidente da direcção do BCP em França, Jean-Philippe Diehl, realça a importância da comodidade no acesso dos clientes à sua conta através da internet, no seu computador pessoal ou contando com as aplicações do banco para smartphones e tablets. Uma mudança de imagem que pretende continuar a servir, com os mesmos valores de confiança e profissionalismo, os seus clientes habituais e aproximar o banco da população francesa, tanto ao nível empresarial como particular.


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reportagem 78

10 de Junho

Embaixada abriu portas à comunidade

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No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado a 10 de Junho, a Embaixada de Portugal em França abriu portas à comunidade, tendo convidado algumas figuras destacadas da vida portuguesa neste país. A iniciativa repete-se já há vários anos, substituindo a anterior maneira mais formal de comemorar o 10 de Junho na Embaixada.

Francisco Seixas da Costa, Embaixador de Portugal em França


Odete Lopes e Virginia Seixas da Costa

“Decidimos mudar o formato desta festa nacional portuguesa e concentrá-la, essencialmente, nos portugueses. Decidimos tirar-lhe o carácter diplomático e torná-la uma festa 100% portuguesa”, declarou à Lusopress Francisco Seixas da Costa, Embaixador de Portugal em França. Francisco Seixas da Costa, e a Embaixatriz, Virgínia Seixas da Costa, anfitriões, receberam os convidados à chegada. Fizeram-no acompanhados por Pedro Lourtie, Cônsul de Portugal em Paris, e pelo adido militar da Embaixada. “Sinto-me muito feliz porque é uma das funções e do Embaixador e da Embaixatriz receberem os portugueses em casa e é uma oportunidade única de ter uma quantidade maior de portugueses aqui”, disse a Embaixatriz à Lusopress. Dezenas de pessoas reuniram-se na “casa de todos os portugueses” para um cocktail. “Venho sempre com muito gosto, acho muito importante para a nossa comunidade ver esta casa cheia”, disse um dos convidados, José Costa. Também Odete Lopes esteve presente no evento e declarou que “todos os Embaixadores que nos têm recebido têm posto em honra o nosso país, como devem. E quero aproveitar para dar os parabéns à senhora Embaixatriz por tudo o que tem feito pelos portugueses desde que cá está”. Com o país a atravessar um momento conturbado, o Embaixador deixou uma mensagem de confiança e um apelo à união. “Os dias não estão fáceis em Portugal mas já tivemos períodos muito mais complicados e soubemos ultrapassá-los, portanto acho que temos que ter um grande optimismo, grande força de vontade, e saber trabalhar em conjunto, com rigor e seriedade. Praticamente, saber trabalhar como os portugueses aqui em França souberam trabalhar desde sempre”. Este foi o último Dia de Portugal que contou com Francisco Seixas da Costa como Embaixador de Portugal em França. Para o ano, ao alcançar os 65 anos de idade, regressará a Portugal, terminando assim uma carreira diplomática de quase 40 anos.

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reportagem veja reportagem em lusopress.tv

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Leiria e Saint Maur-des-fossés comemoram 30 anos de geminação

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A Câmara Municipal de Leiria e a Mairie de Saint Maur-des-Fossés comemoraram no dia 27 de Maio trinta anos de geminação entre as duas cidades. Saint Maur e Leiria unem-se pela presença dos portugueses que há mais de quarenta anos começaram a chegar a França A geminação entre as cidades foi impulsionada pelo Comendador Armando Lopes, um dos primeiros emigrantes provenientes de Leiria a chegar a Saint Maur há cinquenta e um anos. O empresário construiu um percurso profissional reconhecido por toda a comunidade. O Maire de Saint Maur, Henri Plagnol, considera esta geminação um símbolo da amizade entre Portugal e França e realça a importância da comunidade portuguesa em Saint

Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria

Comendador Armando Lopes


Maur que começou a chegar à cidade nos anos cinquenta. «Homens e mulheres que não chegaram com muita coisa (...), mas que conseguiram vencer à custa do seu trabalho», revela o Maire. Esta geminação tem vindo a unir as duas cidades ao longo dos anos, com inúmeras ocasiões culturais e desportivas, quer em Leiria, quer em Saint Maur, num intercâmbio que pretende dar a conhecer as suas culturas mutuamente. O Presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro, fez questão de comparecer ao evento que mais do que comemorar a geminação teve também como objectivo a assinatura de mais trinta anos de partilha entre as duas cidades. Nesta data Fernando Lopes segue as pegadas do pai ao fomentar a assinatura da geminação que unirá Saint Maur e Leiria por mais trinta anos.

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restaurante 82

Restaurante português faz noite de fados todos os domingos

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Todos os domingos o restaurante português l’Arganier abre as portas ao Fado. O passado dia 24 de Junho teve um convidado especial. Vítor Marceneiro veio a Paris para levar os filhos à Disney, mas não conseguiu passar pela Cidade da Luz sem dar o ar da sua graça. Neto de Alfredo Marceneiro, o consagrado Rei do Fado e filho de Alfredo

Duarte Júnior, o fadista bailarino, sente na pele a responsabilidade das gerações passadas. Perdeu a mãe aos cinco anos e foi criado pelo avô que lhe incutiu o gosto pelo fado. Vítor Duarte, como foi baptizado, herdou o Marceneiro do nome artístico do avô. O antigo realizador ainda hoje confessa “o fado para mim é um estado d’alma!”

Aqui canta se o Fado como em Lisboa e com a ajuda dos melhores petiscos nacionais. Cada prato sabe a Portugal, até porque é de lá que vem o azeite, as batatas e tudo o que conseguirem, para que os pratos tenho um sabor muito português. A partir de agora a gastronomia alia-se à música, com Fado todos os domingos, a partir das 21h.


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Bruxelas dá 1º passo para a criação de uma Academia do Bacalhau

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Há mais de 50 Academias do Bacalhau no mundo, espalhadas por quatro continentes. A Bélgica está a tentar criar a primeira no país, em Bruxelas. Depois de uma conversa com Durval Marques, um dos fundadores da Academia-Mãe, José Roxo iniciou o processo de criação de mais uma academia, depois de também já ter estado na origem da Academia do Bacalhau de Paris. No dia 14 de Junho realizou-se no supermercado Ibérico de Bruxelas (propriedade de José Roxo), o primeiro jantar do grupo de pessoas que serão os futuros compadres e comadres da Academia do Bacalhau de Bruxelas. “O processo é longo. Inicia-se com um jantar como este em que as pessoas são informadas sobre a essência e os objectivos da Academia do Bacalhau. Depois, temos que ficar com a responsabilidade de nos reunirmos, pelo menos, uma vez por mês e ao fim de um ano apresentamos a nossa candidatura à Academia-Mãe de Joanesburgo. E ai, eventualmente, seremos Academia do Bacalhau de Bruxelas oficialmente.

No primeiro jantar estiveram presentes cerca de 40 pessoas, unidas em torno dos valores da instituição: portugalidade, amizade e solidariedade. “Acho a ideia excelente e apoio esta iniciativa porque penso que é necessária e que pode apoiar causas importantes e interessantes. A nossa comunidade tem uma falta clara de convivência e de solidariedade, por isso temos um papel

importante a desempenhar”, considerou Pedro Miranda, um dos futuros compadres desta academia. O processo de criação desta nova academia ainda vai no início mas os compadres antevêem um futuro promissor para o projecto. “Somos aproximadamente 40 pessoas no primeiro jantar, por isso estou com todo o entusiasmo porque, provavelmente, vai ser uma grande academia e vai defender bem os valores das Academias do Bacalhau”, disse José Roxo. Entre os membros presentes neste primeiro jantar, contaram-se também mulheres (que só recentemente puderam passar a ser comadres oficialmente) e cidadãos belgas. O jantar servido aos convidados consistiu numa entrada de bacalhau, prato principal de bacalhau com caril e sobremesa de café gourmand. Durante o primeiro ano, José Roxo será o Presidente de Honra, Manuel Raposo o secretário e Alexandre Roxo o tesoureiro da Academia do Bacalhau de Bruxelas.


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Soirée “Mémoire Bidonville de Champigny“

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António de Sousa teve a ideia de organizar esta tarde em memória do bidonville de Champigny no seguimento do seu livro “Excellence d’un Immigré Intégré”. Juntou um colectivo de autores e organizou este evento em memória do maior bidonville francês, no restaurante Canto de Saudades, que está situado exactamente onde existiu, há cerca de 40 anos, o bidonville de Champigny. Esta é uma parte da história de Portugal que acabou por ser escondida e que agora está a ser descoberta, para que não se tenha vergonha de tudo o que os portugueses passaram até aos dias de hoje. Ao contrário do que se possa pensar os bairros de lata continuam a crescer na actualidade, ao mesmo tempo que cresce a crise. O Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie, sugere que se olhe para a história como exemplo, e que aprendamos com as gerações passadas.


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reportagem 88

Móveis Elmo comemoram 25 anos A primeira loja Móveis Elmo abriu em Paris em 1987. Vinte cinco anos depois o proprietário, Joaquim Machado, comemora o aniversário da empresa ao lado de amigos e falimiares.

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Joaquim Machado era técnico comercial de máquinas para fabrico de móveis. Carpinteiro-marceneiro de profissão, cansado de percorrer o país inteiro como comercial, decidiu abrir uma loja de móveis portugueses em Paris. O empresário conta que aproximadamente um ano antes de abrir a primeira loja começou a fazer prospecção de mercado e percebeu que ainda não existia muita concorrência nesta área. A empresa foi uma das pioneiras no mercado mobiliário com assinatura portuguesa, e ainda hoje cerca de 90 % da mercadoria vem de Portugal. Ao longo dos anos a empresa evoluiu adquirindo um armazém destinado ao serviço pós-venda, onde também estão instalados os escritórios Móveis Elmo. Neste momento a empresa já se encontra também online em meubles-elmo.fr. Em relação ao futuro Joaquim Machado adianta que em breve abrirá uma nova loja.

Joaquim Machado acompanhado da familia

Ao fim de vinte-cinco anos os Móveis Elmo contam com cerca de trinta mil clientes que procuram a empresa para mobilar as suas casas em Portugal e em França.


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Jantar da Agência para o desenvolvimento económico de Coignières

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José Roxo, proprietário da Ibérico e Henri Pailleux, Maire de Coignières

Ramiro Fernandes

No passado dia 20 de Junho realizou-se no armazém Ibérico, em Coignières, o jantar que ocorre regularmente ao longo do ano com o objectivo de reunir todos os comerciantes de Coignières e arredores, num convivio que visa estabelecer contactos e apresentar novos projectos. Esta foi a vez de José Roxo receber o jantar da agência, uma vez que foi recentemente eleito membro da direcção da Agence pour la Promotion et le Développement Economique de Coignières (APDEC). Neste encontro esteve presente o Maire de Coignières, Henri Pailleux, que é também presidente da APDEC e membro fundador da associação que foi criada em 1990.


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pensamentos

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Micael Cruz

Meu querido mês de Agosto Gostava de te escrever uma canção bonita como a do Dino Meira, de te fazer um filme, como o do Miguel Gomes. De te escrever uma ode triunfal, ou mesmo marítima. Como não posso fazer nada disso, quedo-me assim, impaciente, eu, também, desejoso de que chegues, e que contigo, chegue a hora de voltar. Lá para lá, lá de onde eu sou. Não daqui, que gosto muito, mas que, como já te devem ter dito, não é a mesma coisa. Dizem que o povo português tem uma relação particular contigo, que és mais nosso do que dos outros. Eu concordo. Porque és a fascinação sublimada pela ausência permanente. Porque és o retorno à raiz. Porque és um ritual de purificação, e em ti mergulha uma nação mais inteira do que aquela que jaz espalhada pelo mundo, nos outros meses do ano. Talvez quem mora fora perceba isto melhor.

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Em ti vejo as horas daquele Sol pelo qual anseio todo o ano, o da

infância. É que aqui, não te descuides!, já nem sei o que são dois dias seguidos de Sol... Até parece que o mundo perdeu um pouco da cor que tinha. Espero que Portugal tenha guardado bem as suas cores e espero que tu lhes faças jus. Mesmo com a crise, e todo esse negócio meio obscuro e traficado. Espero não ser demasiado exigente. É que uma pessoa trabalha o ano inteiro para te ver, e então dá-se uns ares de ditador. Coisas da espera prolongada, com certeza... Bem, posto isto, só tenho mais uma coisa a pedir-te: por favor, chega depressa, e dura para sempre. Vemo-nos lá, na nossa terra, Do teu, Micael Cruz


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cultura

Mendes.come no Olympia

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Fernando Mendes em entrevista exclusiva à lusopress.tv

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Fernando Mendes esteve em Paris no passado dia 19 de Maio. À cena da mítica sala Olympia, o actor e apresentador trouxe o seu espectáculo Mendes.come, pleno de boa disposição. Duas horas de riso, música, dança e algu-

mas surpresas. Fernando Mendes encheu as medidas do público português radicado em França. “Estou muito feliz por pisar um palco destes”, confessou Fernando à Lusopress em entrevista exclusiva, dizendo-se igualmente

satisfeito com a recepção calorosa que o público lhe dedicou. 30 e um anos de carreira volvidos, Fernando planeja continuar com o Preço Certo e tem alguns novos projectos na manga, sempre fiel a uma das suas grandes paixões: a revista.


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breves 96

CCIFP inaugurou nova sede Foi no passado dia 18 de Junho que a Câmara do Comércio e da Indústria Franco-Portuguesa inaugurou a sua nova sede, situada nos números 1 a 7 da Avenue de la Porte de Vanves, no 14ème, em Paris. A ocasião contou com a presença de Paulo Portas, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Portas declarou que “não podia deixar de sinalizar uma iniciativa nascida da comunidade portuPaulo Portas, ministro dos Negócios guesa em França” até porque “é Estrangeiros de Portugal muito importante não apenas a relação cultural entre Portugal e França, a protecção e o desenvolvimento da comunidade portuguesa em França, como o con- Carlos Vinhas Pereira a discursar na nova sede tributo que iniciativas como esta podem dar para melhorar a situação económica em Portugal”. Paulo Portas lembrou também que a França é o terceiro país para onde Portugal mais exporta e que as relações económicas bilaterais precisam de entidades que facilitem os contactos, como é o caso da CCIFP. A CCIFP começou com 18 sócios e, actualmente, conta com 320. “Vamos ter outras condições de trabalho, vamos poder ter ferramentas para trabalhar em conjunto com os empresários e também coma diáspora portuguesa”, disse Carlos Vinhas Pereira, presidente do organismo. O novo edifício serve de sede não só à CCIFP mas também a outras entidades portuguesas, Hermano Sanches, conselheiro de Paris nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia, a Cap Magellan, a CCPF e a CCIFP Éditions. “O grau de desenvolvimento de uma comunidade mede-se pela existência de estruturas nacionais mas também pela capacidade que essas estruturas têm de trabalhar em conjunto”, declarou Hermano Sanches, português e conselheiro de Paris. Na inauguração estiveram também presentes entidades oficiais francesas, como o Maire do 14ème e um dos vereadores executivos do Presidente da Câmara de Paris. À inauguração seguiu-se um jantar no restaurante do Senado, em Paris, que contou com a presença de Paulo Portas e de diversos membros da Câmara do Comércio e da Indústria Franco-Portuguesa.

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BCP parceiro da festa Saint-Jean em Clermont-Ferrand Muito implicado e activo na vida associativa da comunidade portuguesa, o Banco BCP mais uma vez acompanhou este ano a associação “Os Camponeses Minhotos” por ocasião da festa Saint-Jean em ClermontFerrand. Esta 26ª edição oferecia aos 12 000 participantes vindos dos quatro departamentos Auvergne, avant-goût dos feriados com o bom odor dos grelhados, mais que nunca a festa estava ao encontro dos ritmos “lusitanos”! Entre as personalidades podia nomeadamente ver-se: o Presidente da Câmara municipal de Clermont-Ferrand, Serge Godard, Cônsul de Portugal em Lyon, António Barroso, o Presidente da Associação “Os camponeses Minhotos”, João Veloso. Sobre a tribuna do Banco BCP, todos os colaboradores da agência de Clermont Ferrand e a animação comercial do

Banco BCP eram orgulhosos de participar neste acontecimento. Pierre Vieira, Director da agência de Clermont Ferrand sublinhou: “Há mais de 3 anos que o Banco BCP se associa a esta manifestação de grande envergadura na região, e continua com um enorme prazer por participarmos nesta festa que reúne uma concentração impressionante da comunidade portuguesa lusodescendente”.


Tróia Resort é apresentado na Embaixada de Portugal em França A Câmara do Comércio (CCIFP) organizou no passado dia 7 de Junho a apresentação do Tróia Resort, um empreendimento turístico do grupo Sonae, na Embaixada Portuguesa em Paris. O Tróia Resort está localizado a menos de uma hora de Lisboa, na Península de Tróia, entre a Reserva Natural do Estuário do Sado e o Parque Natural da Arrábida. Um local criado a par com a natureza, de olhos postos no mar. O director geral do Tróia Resort, João Madeira, considera este um destino vencedor. As vantagens são inúmeras: um local à beiramar onde o contacto com a natureza é privilegiado e a menos de uma hora da capital portuguesa. O Tróia Resort está a apostar este ano no mercado internacional. Assim como Paris, os Estados Unidos, Canadá e Luxemburgo recebem a apresentação do resort português. O CCIFP considera esta iniciativa do grupo Sonae da maior importância na divulgação do turismo português. O clima, a diversidade de paisagens, a riqueza cultural e a cultura em relação ao mar são aspectos que em tudo contribuem para o sucesso do turismo português. Um complexo turístico de luxo com cerca de 486 hectares à beira-mar e perto de Lisba, é o que o Tróia Resort veio apresentar na Embaixada de Portugal em Paris.

14ª Festa das Tradições Populares

A 14ª Festa das Tradições Populares, realizou-se no passado dia 1 de Julho, como já reza a tradição, na Quinta do Vieux Pays, em Aulnay-Sous-Bois. A Associação Cultura Portuguesa de Aulnay-SousBois, com o seu grupo Rosa dos Ventos, organiza este evento todos os anos, com o objectivo de “preparar as férias em Portugal”, explica Paulo Marques, presidente da Associação. Em destaque estão a música e o folclore portugueses, mas também algumas regiões específicas de Portugal, que se fazem representar no evento. Todos os anos destacam-se regiões diferentes, e em 2012, o Minho, o Ribatejo e a Madeira não faltaram ao encontro. A Associação prepara já os festejos dos seus 40 anos de criação, revelou Paulo Marques à Lusopress, que vão contar com muita animação em 2013.

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“A Fórmula de Deus” traduzida em Francês José Rodrigues dos Santos esteve em Paris, nos passados dias 5 e 6 de Junho para apresentar a edição francesa do seu livro A Fórmula de Deus. Já traduzido em 18 línguas, o jornalista, escritor e professor universitário traz a França aquele que foi editado como o primeiro volume da Saga Tomás Noronha, personagem que protagoniza muitas das obras do autor. A fórmula de Deus é um romance que aborda temas prementes da sociedade actual, e que pretende, através de uma narrativa policial tratar a questão da existência de Deus de uma perspectiva científica. Segundo o autor, o livro tenta dar resposta a questões profundamente ontológicas e é dotado, por isso mesmo, de uma dimensão universal. “Queria que esta edição fosse uma edição internacional. Um pouco mais que ‘literatura étnica’ “, explicou o autor à Lusopress, em entrevista exclusiva. Para além da Fórmula de Deus, a tradução de outras obras da série Tomás Noronha estão já previstas pela editora francesa. A livro está actualmente disponível nas edições HC.

O Cônsul Pedro Lourtie, Ana Nave e José Rodrigo dos Santos

Lançamento do livro A Pátria e os Outros Portugueses, de José Rebelo Coelho

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Carlos Pereira, director do Luso jornal, José Rebelo Coelho, autor e o Cônsul Pedro Lourtie

O Consulado-Geral de Portugal em Paris recebeu, no passado dia 1 de Junho, a apresentação do livro de José Rebelo Coelho, A Pátria e os Outros Portugueses. O autor exerceu funções de conselheiro social nas embaixadas de Portugal na Alemanha, Bélgica e Suiça e foi também Cônsul-Geral em Liège e em Antuérpia. Depois da sua carreira diplomática José Rebelo Coelho analisa por escrito o papel dos portugueses residentes no estrangeiro e a sua relação com a Pátria sobre dois aspectos fundamentais: «uma análise da forma como os portugueses no estrangeiro mantêm o seu laço afectivo com a Pátria (...) e como essa Pátria

trata esses seus filhos que estão no estrangeiro», revela o autor. A propósito da obra, o actual Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie, realça a importância das comunidades portuguesas como elo de ligação entre os portugueses residentes dentro e fora do país. O Cônsul recomenda a obra que considera «uma reflexão feita com a experiência de quem vive e acompanha as comunidades portuguesas há muitos anos». A obra foi apresentada por Carlos Pereira, director do Luso jornal, e lançada pela editora Orpheu, integrada numa colecção dedicada a trabalhos de índole social.


Festival de Montreuil e 1º aniversário da R.L. TV

Ranchos folclóricos e artistas portugueses juntaram-se no Festival de Montreuil, no dia 3 de Junho. Nesta data comemorou-se também o primeiro aniversário da R.L. TV. Os ranchos folclóricos presentes no Festival caracterizam várias regiões do país. Os participantes são de todas as idades, tendo muitos dos mais novos nascido já em França. O Presidente da Association Convergence, uma das associações presentes no evento, António Correia da Silva, vive em França há mais de 40 anos, mas não esquece as origens e realça a importância deste tipo de manifestações culturais, para que a tradição não se perca, mesmo a milhares de quilómetros de distância. As gerações mais novas, como é o caso dos músicos Nelson Costa e Carlos Pires, que também actuaram no Festival, herdaram dos pais o gosto por aquilo que é mais português. E apesar de terem nascido em França cantam em língua portuguesa e trazem de Portugal a saudade que transmitem à comunidade portuguesa através da música. No Festival de Montreuil comemorou-se o primeiro aniversário da R.L. TV, fundada por Joaquim Pereira, numa tarde na qual se homenageou o locutor que dedicou a vida a dar voz à comunidade.

Rádio RGB de Cergy-Pontoise celebra 30º aniversário

A RGB comemorou 30 anos de existência no passado dia 24 de Junho. Há mais de 20 anos que esta rádio associativa acolhe na sua antena um espaço dedicado à comunidade portuguesa e à lusofonia. Actualmente, todos os Domingos, entre as 10h e as 13h, “O Café Central”, junta actores da comunidade à volta dos temas que interessam aos auditores de expressão portuguesa, mas não só, visto que a emissão é toda realizada em francês. Tudo em prol do lema da rádio: liberdade, diversidade e proximidade.

Festa da Música no Consulado-Geral de Portugal em Paris com Parfumes de Lisbonne A Festa da Música tem lugar em França a todos os dias 21 de Junho de cada ano, desde 1981. Todos os anos, no primeiro dia de Verão, comemora-se ao longo do país a dádiva da música. O Consulado-Geral de Portugal em Paris não quis ficar fora do evento e convidou a companhia de teatro portuguesa Cá e Lá, com o seu projecto Perfumes de Lisbonne, para dar música aos portugueses que se apresentassem no Consulado. O projecto Perfumes de Lisbonne é um festival de cruzadas urbanas. Ora em Lisboa, ora em Paris, a companhia divide-se pelas duas cidades com vários eventos culturais. Esta foi a vez do Consulado. A ideia era de não fazer um evento numa sala do Consulado, para a qual o público teria de se dirigir para assistir, mas levar a música directamente ao público, nas salas de espera. Os artistas da companhia percorreram várias salas de espera do Consulado-Geral de Portugal em Paris a cantar para quem esperava pela sua vez. LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012

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opinião 100

Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro acusa

Ministro Paulo Portas recusa diálogo com a Comunidade Paulo Portas, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, esteve em Paris, fez inaugurações, proferiu discursos e participou num jantar de gala, mas não quis um encontro com o Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro, que oportunamente lho tinha solicitado. Anunciada a vinda a Paris do Ministro Paulo Portas, o Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro contactou, em 8 de junho passado, por correio electrónico, o seu gabinete para solicitar um encontro a fim de poder “expor-lhe, de viva voz, as nossas preocupações, as nossas dúvidas e também o nosso desacordo em relação à “reestruturação” do EPE (Ensino do Português no Estrangeiro) que o Ministério que tutela tem vindo a promover”. Na mesma mensagem, o Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro acrescentava que “este encontro, a acontecer, será uma oportunidade única do Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros tomar contacto, in loco e longe dos gabinetes lisboetas, com a realidade e os problemas quotidianos que afectam a diáspora portuguesa no que diz respeito ao ensino da

língua portuguesa no estrangeiro”. Na ausência de uma resposta, na manhã do dia 14 de junho, Raul Lopes, porta-voz do Coletivo, contactou telefonicamente o Palácio das Necessidades, tendo chegado à fala com a secretária do Ministro, Ana Charters. Esta, amável e solícita, informou-o de que provavelmente o pedido do Coletivo não teria sido lido e, por isso, pediu-lhe que o reexpedisse para o seu próprio endereço electrónico, o que foi feito imediatamente. No dia seguinte, 24 horas passadas, continuando a manter-se um completo mutismo por parte do gabinete do Ministro dos Negócios Estrangeiros, o porta-voz do Coletivo contactou novamente a secretária do Ministro, a qual o informou que tinha transmitido a mensagem ao chefe de gabinete e, estranhando a falta de resposta, a iria enviar ao adjunto do Ministro, que o acompanhava na sua deslocação ao estrangeiro, primeiro a Luanda e depois a Paris. O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, esteve em Paris e já partiu, continuando o Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro a aguardar a desejada resposta ao seu pedido de encontro. Fica assim, mais uma vez, demonstrada a discrepância existente entre o discurso e a prática dos responsáveis governamentais em Portugal em relação às Comunidades Portuguesas. De que valem as repetidas afirmações de que as Comunidades são uma das prioridades do Governo quando, na prática, os seus titulares revelam um profundo desprezo pelos interesses e aspirações dos seus compatriotas residentes no estrangeiro? O Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro reafirma a sua disposição de continuar a bater-se em defesa dos direitos constitucionais dos portugueses da Diáspora, contra a propina de 120 euros, por um ensino público, gratuito, de qualidade e com continuidade nas Comunidades Portuguesas. Paris, 17 de junho de 2012 O Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro

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Direito de resposta

Opiniões sobre Opiniões Eu, Luís Gonçalves, quero, com estas palavras simples, ditas à minha maneira, sem xixi nem caca, responder a um ataque de que fui alvo e manifestar o nojo que me provoca todo o português que vomita veneno e injúrias sobre outros portugueses. Sobretudo quando esse português, neste caso uma portuguesa, consegue ser admitida « apadrinhada » como membro da Academia do Bacalhau de Paris , cujos valores são, Amizade, Confraternidade e Solidariedade. É que, infelizmente, há pessoas que logo que metem o pé numa organização com a qual nada têm a ver, a primeira coisa que fazem é entrar no jogo dos mandões e atacar alguém, de preferência alguém que quando o entende necessário manifesta a sua opinião sobre o que de bem ou de mal se passa num grupo ao na sociedade. É a democracia. É a uma “peixeira” de Valor , que escreveu, na Luso Press Magazine um artigo com termos injuriosos indignos e difamantes, que me estou a dirigir. Saiba, senhora intrometida, que eu estive para não lhe responder, mas foram os compadres e amigos, que nesse jantar estavam sentados na “sua mesa” e que insistiram para que lhe respondesse publicamente. Disse-me um deles: deves dizer as quatro verdades àquela fala-barato, questão de a ensinares a comportar-se como deve quando encontra pessoas normais, pessoas dignas respeitadas e humildes. Dizia-me ele, o tal bacalhoeiro amigo: se ninguém a põe no sítio, vamos ter que aturar as suas tagarelices toda a vida. E agora, que a puseram como comadre, tenho medo que ela venha a ser a “representante “ da Raposa no galinheiro! Saiba, minha senhora, que a sua fama de tagarela Bling-Bling e de oportunista já é de muitos conhecida, mas também quero que saiba que a maior parte dos compadres já estão prevenidos do jeito que você tem para semear discórdia. São numerosos os que dizem que se alguém que valha dois tostões lhe passa pela frente você não deixa passar sem tentar “pendurar-se”, à boleia. Dizem, até, que se o tal “dois tostões” estiver ligado à política se agarra com unhas e dentes. Ou pensa que as suas tentativas e meios, para entrar num partido político não são conhecidas? Toda a gente sabe que você tentou entrar como conselheira numa autarquia através duma lista cujo cabecilha se deixou levar pelo seu paleio e também se sabe que entrou na lista armada em milagreira e a exigir posições mais para cima. Dizia a srª que consigo iam ganhar a eleição com uma perna às costas. Pensava mesmo isso? Se calhar, mas o resultado foi ficarem atrás dos que perderam. Pobre lista, fez menos que nada! O que poderia ser um trunfo...sem a senhora,.. saiu um naufràgio! Você tem vindo a agir como alguém que quer mostrar o que não é nem nunca chegará a ser. A não ser fazer vãs tentativas de se pendurar em importantes, que fez você de bem pela comunidade????....Já entrou em algum movimento de solidariedade?... Já organizou algum evento para ajudar necessitados da comunidade?...já andou a distribuir a sopa popular aos sem abrigo? Sabe, eu, ao contrário da senhora, sempre que falo de mim e dos meus, faço-o sem manias, humildemente e com a verdade. Uma verdade que se resume a falar da pobreza em que fui criado e da

seriedade de meus pais, que, apesar de pobrezinhos, eram muito respeitadores e respeitados. Por ter aprendido com meus pais, tenho a mesma cartilha que eles sempre tiveram. Sigo os caminhos que eles me ensinaram a seguir, respeitando para ser respeitado. Mas o facto de ser respeitador não me impedirá nunca de manifestar o meu desagrado com situações que saiam das normas. Não, o facto de ser respeitador não me obriga a deixar passar sem reagir se alguma má língua como a sua. Você, dona Importância, chegou há academia e deu imediatamente razão aos que desconfiavam do seu comportamento em grupo. Porque é que em vez de me criticar não segue o meu exemplo?... aconselhava-a ! Acredite que seria mais bem vista… apreciada. A senhora veio à ABP e, sem dela nada conhecer, já se pôs a criticar. Para quê? Olhe minha senhora que a Academia do bacalhau não está à venda. Eu não sei o que a senhora vale em termos de finanças, nem me importa, mas sei que por muito que tenha o dinheiro não pode comprar tudo. Você pode comprar muitas coisas com essa, pelo menos por si apregoada, opulência como ouro, champagne, cromados, entrevistas nos jornais e até máscaras, aquelas máscaras que dão a quem as usa aspecto de gente. Enfim pode mesmo comprar posições em listas políticas, mas há uma coisa que nunca poderá comprar: ao saber viver, a humildade que lhe falta para que possamos tratá-la por senhora, merecidamente e não por dinheiro. Você pensa que o facto de partilharmos um fim-de-semana há dez anos juntamente com uns vinte casais, que de repente já me conhece? Para me criticar, vomitando sobre mim injúrias que nem sabe o que significam? E para Duvidar dos meus valores? Ainda eu não descrevo outras, que me enviou por via mail! O que conheço de si, chega-me para perceber que o que você vomitou, talvez sobre influência da “Raposa” foi para que falem de si, para lhe darem Importância. Adivinhei? Termino, dizendo-lhe...não mudarei, e não temo as raposas!!!... serei sempre vigilante e reativo.. Nunca deixarei que individuos do seu género, tragam para a Academia do Bacalhau, valores baseados na impostura, mentira, ódio, arrogância, opulência... e sobretudo no PARECER e não no SER... Ponto Final Luis de Carvalho Gonçalves Fiel e vigilante compadre da ABP de Paris LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012

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necrologia 102

A família Senra de Oliveira agradece o pesar manifestado por todos aquando do falecimento do familiar Carlos Alberto SENRA DE OLIVEIRA que nasceu no dia 21 de Outubro de 1952 e faleceu no dia 19 de Maio de 2012 em Creteil A Família de Abel DA SILVA MARQUES DA COSTA, nascido 8 fevereiro de 1942 na Mealhada e falecido a 13 de Maio em Paris 14 éme, agradece a todos que os acompanharam neste momento doloroso

A família de Fernando Antonio GOMES FERNANDES agradece a quem acompanhou no momento doloroso do falecimento do seu ente querido a 8 de Maio de 2012 em Paris 15éme nascido a 29 de Outubro de 1979 em Mirandela

A Família de Preciosa GONÇALVES JORGE PINHEIRO, nascida 13 de Abril de 1938 em Marinhais e falecida a 8 de Maio em Paris 13 éme, agradece a todos o pesar manifestado neste momento doloroso

A Família de Felicidade Maria FERNANDES MONTEIRO GONÇALVES, nascida a 23 de Março de 1968 em Bustelo (Chaves) e falecida a 20 de Maio em Villejuif, agradece a todos que os acompanharam neste momento doloroso

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este mĂŞs recomendamos

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horóscopo Julho/Agosto 104

CARNEIRO

LEÃO

SAGITÁRIO

(21/3 a 20/4 ) Pode ser um mês turbulento para si. Por um lado, muitas coisas não vão dar certo, por outro vai encontrar-se em situações difíceis graças àqueles ao seu redor. Não desespere. Em vez disso, tente recuperar a sua paz interior.

(21/7 a 22/8 ) Sua vitalidade foi reforçada por sua constituição física. Use sua capacidade de tomar decisões claras para realizar seus planos. Se se sentir muito bem e permanecer muito passivo, não vai conseguir muita coisa! Agora você tem a capacidade de se conduzir adequadamente em todas as situações.

(22/11 a 21/12 ) Parece que não existe problema que você não possa resolver. Seu bom humor e otimismo fazem com que que olhe confiantemente para o futuro. Simplesmente relaxe e deixe de lado o stress do dia-a-dia.

TOURO ( 21/4 a 20/5 ) O sol permite que trabalhe de forma especialmente construtiva em uma equipe. Isto significa que pode fazer que até as ideias mais complicadas apareçam. Tanto no trabalho quanto na vida pessoal, receberá um apoio especial.

GÊMEOS (21/5 a 20/6 ) Devido à influência do sol não vai encontrar qualquer interferência ruim na sua relação com os outros. Novos relacionamentos serão conseguidos rapidamente e sem esforço. Se tomar consciência disso, amizades gratificantes podem ser desenvolvidas a longo prazo.

CARANGUEJO (21/6 a 20/7 ) Seja corajoso e compartilhe suas esperanças e desejos com outras pessoas. Você vai receber muitas reações positivas, que lhe darão uma motivação extra para realizar seus sonhos.

VIRGEM (23/8 a 22/9 ) Neste momento, é capaz de se mover sem atrito dentro dos grupos, sem ter que assumir muitos compromissos; existe uma harmonia natural. Pode usar essa energia para ocasiões sociais ou para mudar um pouco as coisas no trabalho, para que a vida lá se torne mais produtiva.

BALANÇA (23/9 a 22/10 ) Organize seu tempo para que consiga cumprir os compromisso. Colegas podem falar de si pelas costas, mas trate-os com educação. Mantenha o foco em seu trabalho e não vai precisar se impor, pois a sua produtividade falará por si.

ESCORPIÃO (23/10 a 21/11 ) A fim de fortalecer as relações, deixe que os outros também sintam o quanto você gosta deles. Pode ser também que você encontre o amor da sua vida, então fique de olhos abertos!

SUPERMARCHÉ – SUPERMERCADO OUVERTURE ESSONNE 91

CAPRICÓRNIO (22/12 a 20/1 ) Rapidamente atrairá novos simpatizantes. Mesmo no ambiente de trabalho, outros ouvirão suas ideias. Não fique indiferente a conselhos e críticas, pois eles poderão complementar e aprimorar seus planos.

AQUÁRIO (21/1 a 19/2 ) Sua maneira habitual de agir não funcionou desta vez, e entrou numa situação desagradável. Sua estratégia habitual de solução de problemas não melhora a situação, não importa o quanto você tente.

PEIXES (20/2 a 20/3 ) No trabalho, é a influência calmante. Seus colegas vêm até si para pedir conselhos e ajuda. Isso é ótimo para a sua autoconfiança e fé em si mesmo! Neste momento, você pode enfrentar qualquer situação sem problemas. Sua condição física é excelente, mas poderia ser melhorada ainda mais com atividades desportivas.

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LUSOPRESS magazine | n.º 33 | julho / agosto 2012

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