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A Web 2.0 e a BE 2.0

 

    Palavras‐chave  Web 2.0  A Web como plataforma  Inteligência coletiva   Biblioteca 2.0 

A Web 2.0  e a BE 2.0

Nota prévia: Ao longo do texto irá deparar com inúmeros termos  técnicos, muitos dos quais provavelmente desconhece. Não se  preocupe, tente apenas apreender os conceitos, e se desejar  aprofundar o tema coloque as suas dúvidas no fórum. 

A Web 2.0    Web 2.0 é um termo cunhado em 2003 pela empresa norte‐americana O’Reilly Media  para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na  plataforma Web, como wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais.  Embora o termo sugira a existência uma nova versão da Web, ele não se refere tanto à  atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma mudança na forma como a Internet é encarada por utilizadores e desenvolvedores. (in wikipedia).  Um filme muito popular no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=NJsacDCsiPg)  sobre a Web 2.0 afirma que a máquina somos nós.  Traduzindo o entusiasmo  despertado pela Web 2.0, a revista Time elegeu‐nos (You) como personalidade do ano  2006 (http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1569514,00.html)     Que estranho fenómeno será então este que coloca o sujeito no centro da atual   (r)evolução tecnológica em curso? De que forma as escolas, e em particular as  bibliotecas, poderão/deverão conduzir o seu plano de ação tendo em conta os novos  serviços e funcionalidades que fazem do utilizador um participante ativo na   construção do conhecimento? 

 


A Web 2.0 e a BE 2.0

Figura 1 –  A Web 1.0 versus Web 2.0. 

 

    A expressão Web 2.0, nas palavras de Tim O’Reilly, não tem fronteiras bem definidas,  mas sim, um núcleo gravitacional, onde orbitam vários conceitos e recomendações das  quais se destacam:   

A Web como plataforma  Pode‐se visualizar a Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que interligam  uma  rede  de  sítios  e  serviços  com  os  quais  os  utilizadores  interagem  e  aos  quais  acrescentam  valor.  Se  antes  a  web  era  estruturada  por  meio  de  sítios  que  disponibilizavam  conteúdo  on‐line,  de  maneira estática,  sem  oferecer a  possibilidade  de  interacção  aos  internautas,  agora  é  possível  criar  uma  conexão  por  meio  das  comunidades  de  utilizadores  com  interesses  em  comum.  Muitos  destes  sítios  tornaram‐se  verdadeiros  aplicativos  (ex.  Google,  que  disponibiliza  processador  de  texto, gestor de correio, folha de cálculo, apresentação eletrónica, agenda, agregador  de conteúdos, etc.). As suas funcionalidades, a maioria das quais de acesso gratuito e  “user  friendly”,  possuem  a  sofisticação  de  softwares  que  antes  apenas  tínhamos  no  disco rígido do computador.    

Inteligência colectiva   Na base da Web 2.0 está a participação dos utilizadores: eles acrescentam valor à rede,  o  serviço  melhora  quanto  mais  pessoas  o  usam,  qualquer  utilizador  pode  criar  conteúdos e avaliar os que encontra (rating).  

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A Web 2.0 e a BE 2.0 À  medida  que  os  utilizadores  adicionam  conteúdo  e  sítios  novos,  esses  passam  a  integrar a estrutura da rede sempre que outros utilizadores descobrem o conteúdo e  se  ligam  a  ele.  Do  mesmo  modo  que  se  formam  sinapses  no  cérebro  –  com  as  associações  fortalecendo‐se  em  função  da  repetição  ou  da  intensidade  –  a  rede  de  conexões  cresce  organicamente,  como  resultado  da  actividade  coleciva de todos os utilizadores da rede – transformando a web numa espécie de cérebro global.   

   

  Figura 2 – Mapa de noções de Web 2.0 desenvolvido durante uma sessão de brainstorming durante a  FOO Camp, uma conferência na O’Reilly Media. 

    Mais  do  que  uma  tecnologia,  a  Web  2.0  pode  então  ser  definida  como  uma  nova  atitude e como uma nova forma de as pessoas se relacionarem com a Internet: a rede  deixa  de  ligar  apenas  máquinas,  passa  a  unir  pessoas,  um  processo  com  implicações  sociais  profundas.  As  escolas,  talvez  a  instituição  onde  as  mudanças  ocorrem  mais  lentamente,  acordam  lentamente  para  a  nova  realidade  da  Web,  e  são  os  jovens  (fundamentalmente mediante as redes sociais, por ex. hi5, com todos os perigos que  representam) quem primeiro traz a Web 2.0 para os computadores da escola.     Entretanto, como acontece com a sucessivas versões de software às quais a Web 2.0  foi  buscar  a  analogia  do  número,  novas  webs  se  anunciam  (3.0,  4.0,…),  com  o  desenvolvimento da Web semântica e de novas linguagens de programação.     

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A Web 2.0 – Potencialidades para as Bibliotecas Escolares

  Figura 3 – Mapa de evolução da Web. 

    Biblioteca 2.0    A partir de 2005, começaram a surgir os primeiros estudos internacionais sobre Web  2.0 envolvendo bibliotecas, bibliotecários e ferramentas tecnológicas, originando o  conceito de Biblioteca 2.0.    O termo Biblioteca 2.0 (Library 2.0) foi concebido por Michael Casey no seu blogue  LibrayCrunch (http://www.librarycrunch.com) em 2005.     Maness (2006) (http://www.webology.ir/2006/v3n2/a25.html) aponta 4  características que definem a Biblioteca 2.0:   • • • •

Centrada no utilizador. O utilizador participa na criação de conteúdos e  serviços disponibilizados na Web pela biblioteca.  Disponibiliza uma experiência multimédia. Tanto as colecções como os  serviços da biblioteca 2.0 contêm componentes, vídeo, áudio, realidade virtual.   Socialmente rica. Interage com os utilizadores quer de forma síncrona (por ex.  IM – mensagens instantâneas) quer de forma assíncrona (por ex. wikis).   Inovadora ao serviço da comunidade. Procura constantemente a inovação e  acompanha as mudanças que ocorrem na comunidade, adaptando os seus  serviços para permitir aos utilizadores procurar, encontrar e utilizar a  informação. 

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A Web 2.0 e a BE 2.0

Biblioteca 1.0   Desenvolvimento da coleção   Indexação local 

Biblioteca 2.0   Caixa de sugestões on-line 

 Serviços no local 

 Tagging (etiquetagem pelos  utilizadores)   Acesso remoto 

 Catálogo “read only” 

 Catálogo comentado  

 Newsletter 

 Blogue 

 Informação como produto 

 Informação como processo 

 Aplicações estáticas, imutáveis   Centrada nos recursos 

 Aplicações modulares e  interoperáveis   Centrada nos utilizadores 

 Livro 

 Hipertexto 

 Avaliação formal de recursos 

 Rating 

  Figura 3 – Biblioteca 1.0 versus Biblioteca 2.0. 

  Podemos  assim  considerar  que  os  objectivos  da  biblioteca  2.0  respondem  aos  seguintes enunciados:  o o o o o o

Melhorar  os  serviços  actuais  para  que  respondam  às  autênticas  necessidades dos utilizadores;  Oferecer  novos  serviços  que  dêem suporte  em larga escala,  aos  novos  utilizadores;  Implicar o utilizador;   Envolvimento com comunidade;  Introdução de áudio e vídeo na página Web;   …  

Para  conseguir  que  uma  biblioteca  responda  a  estes  objetivos,   David  Lee  King,  bibliotecário de Topeka & Shawnee County Public Library, apresentou em meados do  ano passado um texto a que chamou “as ondas da biblioteca 2.0”. King baseou‐se nas  ondas  que  uma  pedra  cria  ao  cair  num  lago  e  explicava  desta  forma  gráfica  a  transformação de uma biblioteca tradicional numa biblioteca 2.0: 

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A Web 2.0 e a BE 2.0

  Figura 4 – As «ondas» da biblioteca 2.0. 

1 – Começando pelo centro, temos a biblioteca “tradicional”, o ponto de partida.   2  –  Enriquecendo  a  biblioteca  tradicional:  as  bibliotecas  dão‐se  conta  de  que  os  motores  de  busca,  as  bases  de  dados  online  e  a  referência  através  do  correio  eletrónico  podem   melhorar  os  seus  serviços  tradicionais,  pois  ainda  não  se  deram  conta de que estas ferramentas podem constituir serviços por si mesmos, em lugar de  estarem simplesmente a ser melhorados.   3 – Mudança de horizonte: as bibliotecas dão‐se conta que os serviços do século XXI  podem  manter‐se  por  si  próprios.  As  bibliotecas  começam  a  ver  novas  tendências  e  percebem que para responder às procuras atuais  e futuras têm de mudar.   4 – Projetos‐piloto:  a biblioteca experimenta com estas ferramentas, aprende acerca  da  biblioteca  2.0,  começa  a  editar  blogues.  Aos  utilizadores  é  permitido  “interagir”  com estas tecnologias e aplicações, manter conversas digitais, experimentar os vídeos,  podcasting, média, etc.   5  –  Participação  do  utilizador:  a  biblioteca  começa  a  desenvolver  a  sua  página  web  como complemento digital da biblioteca. Oferece aos utilizadores participação em vez  de somente informação. Esta participação pode ser feita de uma forma muito variada,  e a biblioteca dá‐se conta de que esta mudança é um progresso.   6 – Envolvimento da comunidade: este é o objetivo, a biblioteca e a sua comunidade local criam uma comunidade digital através da sua sucursal digital.  

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A Web 2.0 e a BE 2.0 Em síntese:    Perspetivar a  biblioteca escolar face aos desafios colocados pela Web 2.0 é, antes de  tudo, entendê‐la no contexto da sua missão e objetivos,  no contexto da escola e dos  diferentes sistemas com os quais interage.     É ainda necessário entendê‐la no contexto da Sociedade do Conhecimento, um novo  paradigma  que  confrontou  a  escola  com  diferentes  modelos  de  aprendizagem/  construção do conhecimento. Este novo paradigma exige o alargamento das literacias  implicadas no acesso à informação e à construção do conhecimento, numa sociedade  em  rede  e  onde  a  informação,  não  validada  por  critérios  editoriais,  se  encontra  à  distância de um rato.      À  biblioteca  escolar,  mais  do  que  criar  repositórios  de  informação  com  ligações  à  leitura, ao entretenimento ou aos vários domínios curriculares e das interacções que  no âmbito da Web consiga estabelecer com os utilizadores, cabe uma enorme tarefa: a  de  preparar  os  seus  públicos  para  as  literacias  necessárias  ao  acesso  e  uso  da  informação em ambientes digitais. Literacias de natureza operacional, mas também e  acima de tudo de natureza crítica.    Trata‐se  de  um  domínio  onde  os  desafios  são  enormes  porque  se  alicerçam  num  conjunto  de  mudanças  e  numa  inovação  sem  precedentes.  Estão  aqui  implicadas  problemáticas de diferente natureza acerca das quais é necessário refletir:     • A  necessária  infra‐estrutura  –  tecnológica  e  em  termos  de  recursos  humanos  qualificados – com que temos que contar;  • A  complexificação  do  acto  de  gestão  e  das  competências  do  professor  bibliotecário  ,  que  exigem  agora  a  definição  de  políticas  e  a  criação  de  novas  ferramentas/ novos ambientes de disponibilização da informação e de contacto  com os utilizadores;  • O  alargamento  da  coleção  a   novos  formatos  e  a  transformação  da  BE  num  ponto de acesso a documentos fora de portas.  • As implicações inerentes à nova information landscape    À biblioteca escolar cabe uma tarefa determinante: incentivar e acompanhar/ apoiar a  escola na mudança. Necessária, mas sempre tão difícil! 

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A Web 2.0 e a BE 2.0

Principais referências bibliográficas    KING, David Lee, Library 2.0 Ripples – Another Go at the Graph [em linha]. 2007  [Consult. em 4/10/2008] Disponível em  http://www.davidleeking.com/2007/08/24/library‐20‐ripples‐another‐go‐at‐the‐graph       MANESS, Jack M., Library 2.0 Theory: Web 2.0 and Its Implications for Libraries [em  linha]. 2006 [Consult. em 4/10/2008] Disponível em  http://www.webology.ir/2006/v3n2/a25.html    O'REILLY Tim, What Is Web 2.0 – Design Patterns and Business Models for the Next  Generation of Software [em linha]. 2005 [Consult. em 4/10/2008] Disponível em  http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what‐is‐web‐20.html      

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