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ÍNDICE APRESENTAÇÃO .......................................................................................................... 3 QUEM SOU EU ................................................................................................................... 4 AFINAL, O QUE É HIPNOSE? ..................................................................................... 5 TIPOS DE HIPNOSE ............................................................................................................ 6 MITOS ............................................................................................................................. 6 UTILIZAÇÃO DA HIPNOSE ........................................................................................ 8 TORNANDO-SE UM HIPNOTISTA!........................................................................... 9 O PRÍNCIPE E O MAGO.....................................................................................................10 PRIMEIROS PASSOS ....................................................................................................11 RAPPORT POSTURAL ........................................................................................................12 POSTURA GLOBAL ............................................................................................................12 MOVIMENTOS DA CABEÇA ...............................................................................................12 GESTOS ............................................................................................................................13 RESPIRAÇÃO .....................................................................................................................13 COMO DOMINAR O RAPPORT POSTURAL ..........................................................................13 RAPPORT TONAL ..............................................................................................................13 SOBRE CONDUZIR.............................................................................................................14 LOOP HIPNÓTICO ......................................................................................................15 SIM! SIM! SIM! ...............................................................................................................16 TESTES DE SUSCETIBILIDADE ...............................................................................17 DEDOS MAGNÉTICOS ......................................................................................................18 MÃOS MAGNÉTICAS .........................................................................................................20 MÃOS COLADAS ...............................................................................................................21 OLHOS COLADOS .............................................................................................................23 O TRANSE HIPNÓTICO .............................................................................................25 INDUÇÕES ....................................................................................................................27 ESPIRAL ............................................................................................................................27 INDUÇÃO DE DAVE ELMAN..............................................................................................28 APERTO DE MÃO FALSO DE BANDLER..............................................................................34 HAND DROP.....................................................................................................................35 ARM PULL ........................................................................................................................36 APROFUNDAMENTOS DO TRANSE .......................................................................37 CONTAGEM ......................................................................................................................37 ESCADA ............................................................................................................................38 FRACIONAMENTO DE VOGT.............................................................................................38 APLICANDO SUGESTÕES .........................................................................................40 SIGNO-SINAL................................................................................................................40 ALGUMAS DICAS DE SUGESTÕES DE ENTRETENIMENTO .............................41 COLA ................................................................................................................................41 GAGUEJAR ........................................................................................................................41 FALAR OUTRO IDIOMA .....................................................................................................41 PESSOA AO LADO FEDE ....................................................................................................41 SAPATO CELULAR .............................................................................................................41 SUGESTÕES TERAPÊUTICAS RÁPIDAS (HYPNOTIC GIFT) ..............................42


REMOÇÃO DE DORES ................................................................................................42 AB-REAÇÃO ..................................................................................................................46 AUTO HIPNOSE ...........................................................................................................47 AUTO SUGESTÕES ............................................................................................................48 DICAS DE LEITURA ....................................................................................................49 CANAIS NO YOUTUBE ...............................................................................................50


APRESENTAÇÃO Olá, Bem-vindo(a) a este curso prático de hipnose, onde você aprenderá os princípios e técnicas necessárias para dominar esta ferramenta incrível que lhe acrescentará em todas as áreas de sua vida, tanto pessoal quanto profissionalmente. Este é o seu primeiro passo dentro deste universo da hipnose, onde tanto existe para explorar, descobrir e desmitificar a seu respeito. Como todo assunto estudado, o aprendizado nunca deve parar então, após concluir este curso, sugiro que continue seus estudos independentes através de livros (indico alguns no final desta apostila) e novos cursos, nos quais você aprofundará seus conhecimentos e aprenderá novas técnicas. Espero que aproveite o curso e este material, que lhe servirá para futuras consultas e como um guia para tirar suas dúvidas. AVISO: Após este curso, você correrá o sério risco de querer sair hipnotizando todos à sua frente, em qualquer lugar que esteja. Faço minhas as palavras do saudoso Tio Ben:

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Quem sou eu Sou Ton Lucas, natural de Bragança Paulista, interior do Estado de São Paulo, residindo em Fortaleza-CE desde 1998. Iniciei minha carreira profissional a princípio em uma área bem diferente da atual: trabalhava como Instrutor de Mergulho e de Primeiros Socorros! Ao longo da vida, o interesse e fascínio pela psicologia sempre me acompanhou, até que resolvi deixar de lado as profundezas dos oceanos para me dedicar exclusivamente ao estudo das profundezas da mente humana. Após retornar de uma temporada de trabalho e mergulhos no Estado do RJ, ingressei na faculdade de psicologia. Logo no primeiro período da faculdade, houve a oportunidade de um contato mais próximo com a hipnose, área na qual já me interessava em estudar desde criança, ao ver as apresentações do mítico Fabio Puentes nos programas de TV. Atualmente, após vários cursos de formação e muitos livros estudados, atuo como hipnoterapeuta e hipnotista, realizando trabalho com hipnodontia em um consultório odontológico e em atendimentos particulares com hipnoterapia para pacientes que buscam na Hipnose Clínica e Terapêutica uma excelência na qualidade de vida. Além disso, apresento um vlog no YouTube chamado HIPNOTIME, onde exponho vídeos e curiosidades sobre hipnose com uma linguagem informal, onde qualquer interessado pelo assunto pode compreender, mesmo sem nenhum conhecimento prévio na área. Além de acadêmico de psicologia, possuo formações em Hipnose Clínica, Hipnoanálise, Street Hypnosis, Instant Hypnosis, Regressão Terapêutica, entre outros. Possuo certificados internacionais pelo Atlantic Hypnosis Institute (Sean Michael Andrews) e DEHI - Dave Elman Hypnosis Institute, um dos mais renomados institutos de hipnose do mundo, presidido por Larry Elman – filho de Dave Elman e maior divulgador de suas técnicas atualmente.

Para saber mais sobre meu trabalho, acesse: www.tonlucashipnose.com.br

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AFINAL, O QUE É HIPNOSE? “A hipnose é um modo natural de se induzir um estado de transe. E todos nós temos a habilidade de entrar em transe.” (Mestre Ariévlis) Quando se ouve a palavra "hipnose", normalmente esta é associada com alguma espécie de poder do hipnotizador sobre o hipnotizado, controle da mente e há, constantemente, uma aura e misticismo pelo fato desta estar associada a apresentações de ilusionismo e filmes que, muitas vezes, exageram e criam um sensacionalismo fictício a respeito deste fenômeno que não passa de algo natural que ocorre diariamente com todas as pessoas. O estado de transe hipnótico é frequentemente comparado ao estado de sono – daí vem o termo hypnos = sono – devido ao relaxamento profundo que ele provoca no sujeito hipnotizado. Porém, também existem estados hipnóticos em que este relaxamento não ocorre, fazendo com que o sujeito permaneça em estado de alerta e com total controle sobre sua musculatura. A Associação Americana de Psicologia define a hipnose como sendo um

procedimento durante o qual um profissional de saúde ou pesquisador sugere a um cliente, paciente, ou sujeito que vivencie mudanças em sensações, percepções, pensamentos ou comportamento. Este contexto é iniciado após um procedimento de indução, em que sujeito necessita seguir instruções simples e manter sua atenção e concentração voltada para a voz do hipnotista a fim de que as mudanças aconteçam e o sujeito vivencie uma experiência na qual terá acesso a novas formas de processamentos e acesso a informações, modulação de respostas sensoriais, dentre outras alterações derivadas do funcionamento cerebral em estado hipnótico. Quando o sujeito está em transe, acontece de o córtex préfrontal, responsável pelo julgamento crítico, reduzir seu funcionamento fazendo com que as sugestões dadas pelo hipnotista atinjam diretamente os níveis inconscientes provocando mudanças fisiológicas imediatas. Existem algumas discussões a respeito da definição exata sobre o que é e o que não é hipnose, inclusive algumas teorias que dizem que hipnose se trata de um estado alterado de consciência que precisa ser induzido por alguém, chamadas de Teorias de Estado, e outras que dizem se tratar apenas de um fenômeno natural em que a atenção fica concentrada, chamadas de Teorias de Não Estado.

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Tipos de hipnose Hoje em dia muito se fala em vários tipos e “sobrenomes” para a hipnose que, na verdade, é tudo a mesma coisa. O que podemos diferenciar é a forma como abordar as induções e sugestões, então temos a Hipnose Clássica ou Direta, tendo como seu principal representante Dave Elman (1900 – 1967), terapeuta americano que ficou famoso pelos seus métodos de indução e por treinar diversos médicos e dentistas, e a Hipnose Ericksoniana ou Indireta, tendo como representante Milton Hyland Erickson (1901 – 1980), psiquiatra norte americano que nunca se identificou com nenhuma abordagem psicoterapêutica da psicologia e se utilizava de sugestões e induções indiretas durante as sessões de terapia, pois acreditava que todo ser humano já possui dentro de si os recursos necessários para a resolução de seus problemas, e que o terapeuta seria apenas um catalisador deste processo.

MITOS “O hipnotismo é uma ciência fascinante. Aos olhos da grande maioria, o hipnotista ainda se apresenta como o homem que faz dormir e que impõe a sua vontade à vontade dos outros. É o homem que tem força. E uma força toda especial, universalmente ambicionada.” (Karl Weissmann) A hipnose ainda é vista pelo senso comum com um certo preconceito, devido a ideias erradas a respeito deste fenômeno. Como hipnotista, você também terá como dever desmitificar e tirar as dúvidas das pessoas que lhe procurarem. A seguir, alguns dos principais mitos1: 1. Hipnose é sono? Não. Apesar de a maioria dos hipnotistas usar a palavra “durma” e “sono” durante o processo, isto são apenas metáforas para que o sujeito entenda que deve relaxar profundamente, COMO SE FOSSE dormir. A atividade cerebral de uma pessoa hipnotizada é tão alta quanto alguém que se encontra em vigília. 1

Em meu vlog HIPNOTIME, tenho um vídeo em que falo sobre alguns mitos. Procure no YouTube

por “HipnoTime #V – 5 Mitos sobre Hipnose”

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2. Na hipnose, eu perco a consciência? Não. Durante a hipnose as pessoas estão conscientes do que está acontecendo no meio ambiente em torno, e com a atenção concentrada no hipnotista e na sua voz. 3. Hipnose é considerada uma técnica esotérica? Não. Hipnose é um fenômeno neurofisiológico legítimo, onde o funcionamento do cérebro possui características muito especiais. Tais características, únicas, podem ser verificadas por alterações em eletroencefalograma no decorrer de todo estado hipnótico e visivelmente por manifestações não presentes em outros estados de consciência, como rigidez muscular completa, anestesia, hipermnésia (reforço da memória) e determinados tipos de alterações de percepção. A hipnoterapia usa as vantagens de trabalhar com o cérebro neste estado para ajudar as pessoas. 4. Todos são hipnotizáveis? Sim, todos. Considerando que a hipnose ocorre na vida diária, todas as pessoas são hipnotizáveis em algum momento, em alguma situação e em certas circunstâncias. Porém, existem pessoas que são naturalmente mais sensíveis do que outras. 5. Existe pessoas que não podem ser hipnotizadas? Sim. Sujeitos com transtornos mentais psicóticos e epiléticos devem ser evitadas. Isto não significa que não possam ser hipnotizados, porém exige habilidades mais avançadas do hipnotista, que não serão abordadas neste curso. 6. Uma pessoa pode “não voltar” do transe? Voltar de onde? O sujeito não vai para lugar nenhum! Não existe nenhum relato de alguém que ficou preso no transe e nunca mais saiu. 7. Segredos podem ser revelados? Durante o transe, a mente possui um mecanismo de vigilância que preserva a integridade do sujeito e não permite que seja revelado algo que ele não esteja disposto a falar durante a sessão.

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UTILIZAÇÃO DA HIPNOSE A hipnose é uma ferramenta que pode ser empregada em infinitas áreas da vida cotidiana, até mesmo para quem não tem interesse em se profissionalizar no assunto. Por se tratar de uma comunicação aprimorada, ela pode ser usada em vendas, apresentação de seminários, palestras, etc. Para quem se interessa na parte de entretenimento, ela é bastante utilizada por mágicos em suas apresentações para incorporar um elemento a mais ao show, em que a plateia participa de forma ativa e pode ter a chance de experienciar um fenômeno mental totalmente real e ainda se beneficiar disso, caso o hipnotista dê um “presente hipnótico” ao final da apresentação. Alberto Dell’Isola fala sobre as apresentações de palco em seu livro “Mentes Fantásticas”, de 2014: “A grande mídia televisiva jamais teria interesse em abordar o tema hipnose caso os shows não existissem. Após o show, o hipnotista terá a oportunidade de apresentar as outras aplicações da hipnose, como por exemplo na inibição da dor ou como ferramenta psicoterápica.” Há também quem goste de fazer demonstrações de hipnose nas ruas, na modalidade conhecida como Street Hypnosis, em que pessoas desconhecidas são abordadas aleatoriamente e, com o devido consentimento, são hipnotizadas e surpreendem-se com o próprio poder de suas mentes. Para aprender técnicas de rapport rápido, induções rápidas e instantâneas e rotinas aplicadas para hipnose de rua, sugiro que procure um curso específico. Agora, sem dúvida alguma, as áreas em que a hipnose é aplicada com resultados incríveis e surpreendentes, são nas abordagens clínica, médica e terapêutica. Os conselhos de Psicologia, Medicina, Odontologia e Fisioterapia reconhecem a hipnose como ferramenta de auxílio em procedimentos. Vale ressaltar que hipnose em si não é uma terapia! Na psicologia, ela é usada em qualquer abordagem psicoterápica como uma catalisadora de processos, os quais sem ela demorariam bem mais tempo para se resolverem. Para saber mais sobre hipnose clínica e hipnoterapia, procure um curso de formação na área. Na medicina, odontologia e fisioterapia, ela pode ser utilizada para diversos fins, tais como:

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a)

Alívio de dores, produzindo analgesia ou anestesia;

b)

Nos diferentes setores da clínica e cirurgia, notadamente em obstetrícia;

c)

Como tranquilização para o alívio dos estados de ansiedade a apreensão,

qualquer que seja a sua causa; d)

Em qualquer condição na qual a psicoterapia possa ser útil;

e)

No controle de alguns hábitos (ex.: tabagismo e alcoolismo);

f)

Auxílio no emagrecimento;

g)

Experimentalmente em qualquer pesquisa, no campo psicológico e/ou

neurofisiológico, e outros.

TORNANDO-SE UM HIPNOTISTA! “Conheci um homem que não acreditava em magia até descobrir que ele próprio era um mago.” (Augusto Branco) Para que você se torne um bom hipnotista, seja atuando em qualquer área, tenha sempre algo em mente: hipnose não é infalível! Por se tratar de um fenômeno psíquico, é de extrema importância que o sujeito se envolva ativamente no processo e o hipnotista esteja seguro do que vai fazer, caso contrário se tornará mais difícil que algo aconteça. Seja numa apresentação de palco, demonstração na rua ou na clínica, é importante que o hipnotista saiba contornar uma situação que não saiu como o esperado e reverter para que se obtenha sucesso. Vários fatores podem contribuir para a “falha”: fatores ambientais, falta de concentração do sujeito, falta de confiança no hipnotista, estado emocional do sujeito naquele momento, dentre outros. Para isso, é necessário que se conheça e domine várias técnicas, pois a indução que é eficaz para uma pessoa pode não surtir nenhum efeito em outra, e vice-versa. Quando se tem apenas um martelo na mão, todo problema em sua frente será visto como prego, e as coisas não são bem assim. Tenha sempre um conjunto de ferramentas à sua disposição! Em minha experiência nos caminhos da hipnose, houve algo que aprendi e que fez toda a diferença em minhas apresentações e atendimentos: vestir sempre a roupa do mago! Esta metáfora reproduzida no livro “A Estrutura da Magia – Um Livro sobre Linguagem e

Terapia”, de Richard Bandler e John Grinder, extraído originalmente de “The Magus”, de

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John Fowles, me foi apresentada por Alberto Dell’Isola e desde então a utilizo para aumentar a auto confiança e fazer com que a magia da hipnose aconteça:

O Príncipe e o Mago Era uma vez um jovem príncipe, que acreditava em tudo, exceto em três coisas. Não acreditava em princesas, não acreditava em ilhas, não acreditava em Deus. Seu pai, o rei, disse-lhe que tais coisas não existiam. Como não havia princesas ou ilhas nos domínios de seu pai, e nenhum sinal de Deus, o príncipe acreditou no pai. Um dia, porém, o príncipe fugiu do palácio e dirigiu-se ao país vizinho. Lá, para seu espanto, viu ilhas por toda a costa, e nessas ilhas viu criaturas estranhas e perturbadoras, às quais não se atreveu a dar nome. Quando estava procurando um barco, um homem vestido de noite dele se aproximou na beira da praia. - Estas ilhas são de verdade? – perguntou o jovem príncipe. - Claro que são ilhas verdadeiras – disse o homem vestido de noite. - E aquelas estranhas e perturbadoras criaturas? - São todas autênticas e genuínas princesas. - Então, também Deus deve existir! – bradou o príncipe. - Eu sou Deus – replicou o homem vestido de noite, com uma reverência. O jovem príncipe retornou a casa tão depressa quanto pôde. - Então, estais de volta – disse o pai, o rei. - Vi ilhas, vi princesas, vi Deus – disse o príncipe num tom reprovador. O rei não se abalou. - Não existem ilhas de verdade, nem princesas de verdade, nem um Deus de verdade. - Eu os vi! - Diga-me como Deus estava vestido. - Deus estava todo vestido de noite. - As mangas de sua túnica estavam arregaçadas? - O príncipe lembrou-se que estavam. O rei sorriu. - Isso é o uniforme de um mago. Você foi enganado. Com isso, o príncipe retornou ao país vizinho e foi para a mesma praia, onde mais uma vez encontrou o homem todo vestido de noite. - Meu pai, o rei, contou-me quem és – disse o príncipe indignado. – Tu me enganaste da última vez, mas não o farás novamente. Agora sei que estas não são ilhas de verdade, nem aquelas criaturas são princesas de verdade, porque tu és um mago.

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O homem da praia sorriu. - És tu que estás enganado, meu rapaz. No reino de teu pai existem muitas ilhas e muitas princesas. Mas tu estás sob o encanto de teu pai, logo não podes vê-las. O príncipe, cabisbaixo, voltou para casa. Quando viu o pai, fitou-o nos olhos. - Pai, é verdade que tu não és um rei de verdade, mas apenas um mago? O rei sorriu e arregaçou as mangas. - Sim, meu filho, sou apenas um mago. - Então o homem da praia era Deus. - O homem da outra praia era outro mago. - Tenho de saber a verdade, a verdade além da magia. - Não há verdade além da magia – disse o rei. O príncipe ficou profundamente triste. - Eu me matarei – disse ele. O rei, pela magia, fez a morte aparecer. A morte ficou junto à porta e acenou para o príncipe. O príncipe estremeceu. Lembrou-se das ilhas belas mas irreais e das princesas belas mas irreais. - Muito bem – disse ele – eu aguento com isto. - Vê, meu filho – disse o rei – tu, também, agora começas a ser um mago.

PRIMEIROS PASSOS Rapport

“Rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentir que você o entende e que vocês têm um forte laço em comum. É a capacidade de ir totalmente do seu mapa do mundo para o mapa do mundo dele. É a essência da comunicação bem-sucedida.” (Anthony Robbins) Com quem você se sente mais confortável ao conversar, com alguém completamente diferente de você ou com alguém que parece lhe compreender, movimenta-se de forma parecida, usa o mesmo tom de voz, vocabulário e parece sentir exatamente o que você está sentindo naquele momento? Acredito que seja a segunda opção!

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Estabelecer rapport é justamente esse ato de fazer com que a outra pessoa se sinta segura com o hipnotista pois, sem isso, dificilmente ela se entregará ao processo de forma eficaz. Para isso acontecer, nos dispomos de algumas técnicas valiosas:

Rapport postural * Retirado do livro “Os Segredos da Hipnose Conversacional”, de Luiz Souza. Primeiramente você vai espelhar (copiar) os movimentos do corpo, de forma muito sutil. Fazendo isso você estará “acompanhando” a pessoa. Você vai observar e sincronizar os seguintes aspectos:

Postura global 

De pé ou sentado;

Peito aberto ou ombros caídos;

Encolhido ou “espaçoso”. Tome cuidado para não parecer uma caricatura. Se você fizer os movimentos de

forma brusca, a outra pessoa pode perceber e achar que você a está desrespeitando. Quando a outra pessoa mudar a posição, você pode esperar por um tempo antes de sincronizar. Uma boa forma de observar os movimentos das outras pessoas é usar a sua visão periférica.

Movimentos da cabeça Agora que você está habituado a movimentar a postura global, você fará o mesmo com os movimentos da cabeça. Se a pessoa tende a ficar com a cabeça inclinada, sincronize. Se ela costuma fazer movimentos para o lado enquanto fala, faça o mesmo. Se ela fica com a cabeça parada meio de lado, copie. Acompanhe!

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Gestos Chegou a hora de espelharmos os gestos. Se a pessoa mantém os braços quase parados, faça o mesmo. Se ela gesticula fazendo movimentos bem abertos, sincronize. Observe os gestos, eles são longos ou curtos?

Respiração Observe a respiração do seu interlocutor, ela é alta (no peito) ou profunda (na barriga)?

Como dominar o rapport postural Depois de cumprir cada item da lista, você poderá combinar dois itens de cada vez para treinar, por exemplo: Postura Global e Movimentos da Cabeça. Exercite isso até dominar todos os itens da lista. Depois que você se tornar um especialista em Rapport postural, poderá passar para o Rapport Tonal...

Rapport tonal Outra coisa que você deverá espelhar é a voz do seu interlocutor. São quatro itens para observar e espelhar durante a conversa. São estes os aspectos da voz: • Tom de voz: a pessoa fala alto ou baixo? • Velocidade da voz: a pessoa fala rápido ou devagar? • Profundidade da voz: ela respira fundo antes de falar? • Ritmo da fala: ela fala mecanicamente ou quase cantando?

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Sobre conduzir Depois de estabelecer rapport, você poderá mudar seus movimentos e vai perceber que o seu interlocutor irá segui-lo. Isso mesmo, num nível inconsciente, você estará conduzindo a outra pessoa e ela vai espelhar você. Não é incrível? Acompanhe-o e, em seu tempo, conduza-o de acordo com seu ritmo.

Toque não sexual “Não é novidade alguma dizer que utilizamos de nossos cinco sentidos para compreender o mundo a nossa volta. No entanto, frequentemente usamos apenas dois desses sentidos: a visão e a audição. O tato, olfação e gustação são frequentemente esquecidos – apesar de também serem importantes em nosso dia-a-dia. O que poucos percebem é que a importância do tato vai bem além da mera identificação de pessoas e objetos. Pesquisas indicam que até mesmo o mais leve toque no braço de outra pessoa pode ser lucrativo, tornar as pessoas mais solícitas ou até mesmo tornar as pessoas mais propensas a responder a um chato questionário de uma pesquisa. [...]” (DELL’ISOLA, 2014) Para utilizarmos este conhecimento a nosso favor e melhorar o estabelecimento do rapport, é recomendado que, ao iniciar a conversa com o sujeito ou abordar um desconhecido na rua, se aplique um leve toque com dois dedos em seu pulso, cotovelo ou ombro. Isto faz com que o sujeito, inconscientemente, se abra melhor às suas ideias e colabore melhor com o processo hipnótico.

Pré-Talk Pré-talk ou Conversa Prévia é o momento em que você irá preparar seu sujeito para o processo hipnótico, fazendo com que ele crie um contexto mental adequado e gere a expectativa de que ele será hipnotizado. Neste ponto, é importante que você explique rapidamente sobre o que é a hipnose e fale sobre alguns dos mitos mais comuns que possa causar algum receio. Falar que ele não perderá o controle, não fará nada que seja contra

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sua vontade (apesar de sabermos que isso é possível em algum nível, JAMAIS REVELE isso aos seus sujeitos, pois você quer hipnotiza-lo, e não ensinar sobre hipnose!), não revelará segredos e nem ficará hipnotizado para sempre geralmente são o suficiente para tranquilizar e aumentar a receptividade do sujeito. Durante o pré-talk é o momento em que você deve mostrar que realmente entende do assunto, domina todas as técnicas necessárias e que vai hipnotizá-lo com segurança, pois isso já faz parte de seu cotidiano. Também deixe explícito que a experiência a qual ele passará será inesquecível e trará benefícios a ele. Igor Ledochowski ensina que é importante termos sempre um pensamento em mente: “queremos proporcionar algo PARA o sujeito, e não queremos algo DELE.” Se mesmo depois de ter tudo esclarecido, o sujeito demonstrar que realmente não deseja passar pela experiência, não insista. Lembre-se que você está usando sua roupa do mago!

LOOP HIPNÓTICO James Tripp, em seu artigo “Hypnosis Beyond the Trance Myth”, fala sobre o loop hipnótico, um mecanismo fundamental no fenômeno hipnótico. Ele se trata de um loop perpétuo que ocorre naturalmente no processo cognitivo, e como hipnotista você deve aproveitar isso e usar para levar o sujeito até a realidade alterada que deseja que ele entre, seja em um contexto de entretenimento ou na clínica. O loop é composto por 4 elementos: CRENÇA, IMAGINAÇÃO, FISIOLOGIA (na verdade, é neurofisiologia) e EXPERIÊNCIA. E ainda existe um outro elemento fundamental para alimentar o loop: EXPECTATIVA. Quando se gera a expectativa de

CRENÇA

EXPERIÊNCIA

IMAGINAÇÃO

FISIOLOGIA

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que algo diferente vai acontecer, conseguimos catalisar os processos e torna-los mais fortes no momento em que os fenômenos acontecerem. Levando em consideração que hipnose não se trata de CONTROLE mental, e sim de INFLUÊNCIA mental, podemos inserir o sujeito nesse loop em qualquer um dos 4 pontos. Por exemplo, quando fazemos a rotina da mão colada e damos a sugestão de que estamos passando uma cola muito forte entre seus dedos, estimulamos sua imaginação e nos utilizamos do fator fisiológico que naturalmente mantém as mãos presas devido à posição em que se encontram. Consequentemente, o sujeito vive uma experiência de que as mãos estão realmente coladas e aumenta sua crença de aquilo que está acontecendo é real. Esse ciclo se repete durante todo o processo e devemos manter o sujeito sempre dentro deste loop para que as experiências sejam ainda melhores.

SIM! SIM! SIM! * Retirado do livro “Mentes Fantásticas”, de Alberto Dell’Isola.

Em hipnose, é importante que o sujeito tenha engajamento e conformidade em relação aos comandos que você irá dirigir ao sujeito. Uma das formas de se conseguir isso é por meio de algo conhecido como “yes set”. Em português, seria algo como “conjunto de sim”. O princípio por trás do “yes set” é bem simples. Você faz perguntas óbvias cuja resposta certamente será um “sim”. Além disso, pode simplesmente dar pequenos comandos. Ao obedece-los, ela está automaticamente dizendo um “sim” aos seus comandos. O ideal é que, antes de qualquer teste de suscetibilidade, o sujeito já tenha tido “sim” ou obedecido a algum de seus comandos por no mínimo quatro vezes. Esse é o motivo pelo qual os hipnotistas geralmente iniciam a hipnose pedindo para os sujeitos deixarem os pés juntos no chão (primeiro sim), juntarem as mãos (segundo sim), esticarem os braços (terceiro sim) e assim por diante. Quando estou hipnotizando alguém, frequentemente peço para o sujeito mudar de lugar: “Venha para cá”. Esse costuma ser o primeiro dos meus “sim”.

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TESTES DE SUSCETIBILIDADE Depois de você estar de posse de sua roupa do mago, ter estabelecido um rapport com seu sujeito e feito um pré-talk adequado, está na hora de começar o processo hipnótico propriamente dito. O primeiro passo é aconselhável que se teste a suscetibilidade de seu sujeito, e existem algumas técnicas para isso, que detalharei em seguida. Tenha em mente que caso seu sujeito não passe no primeiro teste ou em nenhum consecutivo, isso não significa que ele não pode ou não tem capacidade de ser hipnotizado, talvez o contexto em que vocês se encontram não seja o mais adequado naquele momento, pois existem pessoas que não se sentem à vontade na frente de outras ou em determinados tipos de locais. Deixe isso esclarecido para que ele não saia com uma falsa crença limitante.

IMPORTANTE: Jamais fale ao seu sujeito que irá fazer um “teste” com ele, pois existem pessoas que não se dão bem com esta palavra e se colocam de modo como se corressem o risco de serem reprovadas. Já outras pessoas se sentem desafiadas ao perceberem que estão sendo testadas, e isso não é bom. Um termo que gosto muito de utilizar é exercício (ou brincadeira) de imaginação e concentração, pois isso já o coloca dentro do loop. DICA: Quando estiver executando qualquer rotina que envolva a perda de controle de alguma parte do corpo (colar as mãos, colar os olhos, braço rígido, etc.), se refira ao membro de forma distanciada e dissociada, de modo que o sujeito assimile que não tem mais o controle sobre ele. Por exemplo: invés de dizer “SUAS mãos estão ficando coladas”, diga “ESTAS mãos estão ficando coladas”, pois quando se diz que as mãos são dele, significa que ele tem o controle sobre elas, e isso pode levar à falha da rotina.

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Dedos Magnéticos Peça ao sujeito que estique os dois braços, conforme a foto,

em seguida, peça que junte as mãos e entrelace os dedos bem firmes [é importante que os dedos fiquem bem juntos e firmes] ...

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Dobre os braços...

Agora, peça que o sujeito estique os dois dedos indicadores formando um espaço de aproximadamente 2cm e se concentre neste espaço, enquanto dispara a sugestão de que, em algum momento, esses dedos irão se tocar, como se possuíssem 2 ímãs se atraindo. Dê a sugestão sincronizada e no tempo correto, pois o elemento fisiológico fará com que os dedos se toquem rapidamente, e a rotina pode perder a efetividade caso isso aconteça antes de você falar o que vai acontecer.

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OBS: esta rotina também pode ser utilizada com a sugestão de que existe um parafuso entre os dedos e, quanto mais você aperta, mais os dedos se juntam. Para fechar, a fisiologia sempre ajuda, mas se você sugerir que agora vai abrir o parafuso e os dedos se abrirem, o sujeito já está respondendo a comandos puramente hipnóticos e provavelmente já se encontra em transe.

Mãos magnéticas Peça ao sujeito que estique os braços com as palmas das mãos viradas para dentro, como a imagem abaixo:

Diga que imagine dois ímãs em suas mãos, um positivo de um lado e um negativo em outro, e dispare sugestões de que esses ímãs vão ganhando cada vez mais força e as mãos vão se aproximando involuntariamente cada vez mais e, em algum momento, elas se tocarão. Estimule a imaginação sempre.

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Mãos Coladas Este teste é bastante utilizado por hipnotistas de palco e em apresentações de TV para testar coletivamente o público antes de chamar os mais suscetíveis para participar da apresentação. Por possuir um elemento fisiológico forte devido a posição inicial das mãos e braços, ela se torna bem eficaz para que o sujeito entre no loop.

Peça ao sujeito para entrelaçar os dedos das duas mãos, manter os braços esticados, e fixar o olhar em um ponto determinado, conforme a foto abaixo:

Diga que irá passar entre os dedos uma cola bem forte de secagem instantânea, como uma Super Bonder e irá fazer uma contagem de 1 a 10 e, somente no 10, ele irá tentar soltar as mãos e não vai conseguir. Utilize o script abaixo como guia: “Muito bem, agora farei uma contagem de 1 a 10 e, somente no 10, você irá tentar soltar as mãos e não vai conseguir, pois a cola estará completamente seca e esses dedos completamente colados. 1... eu vou passando a cola... 2... ainda mais cola... 3... quanto mais eu conto, mais colado fica... 4... completamente colados... 5 e a cola vai secando cada vez mais e esses dedos já estão cada vez mais colados... 6... 7... a cola já está completamente

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seca e os dedos já estão colados... 8... completamente colados... 9... se imagine tentando soltar e não conseguindo, e quanto mais força faz, mais colado fica... 10! TENTA SOLTAR E NÃO CONSEGUE! TENTA SOLTAR E NÃO CONSEGUE! QUANTO MAIS FORÇA FAZ, MAIS COLADO FICA!” Quando o sujeito afirmar que as mãos estão mesmo coladas, solte-as hora que quiser, dizendo que vai fazer uma contagem de 1 a 3 e, no 3, elas se soltam. DICA: Se perceber que o sujeito está soltando as mãos, mande-o parar e pergunte se está difícil (provavelmente ele dirá que sim), então reafirme que essa dificuldade é devido a cola e faça a contagem de 1 a 3 para soltar. Isso o faz crer que realmente colou e só soltou devido a seu comando, realimentando o loop hipnótico.

Existe uma outra forma de colar as mãos em que a fisiologia atua bem menos na sugestão, portanto se as mãos colarem nesta posição, certamente o sujeito já se encontra em transe. Segue o roteiro: Peça ao sujeito que estique as mãos, entrelace os dedos e fixe o olhar num ponto determinado, como na foto abaixo:

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Diga que irá passar entre os dedos uma cola bem forte de secagem instantânea, como uma Super Bonder e irá fazer uma contagem de 1 a 10 e, somente no 10, ele irá tentar soltar as mãos e não vai conseguir. Utilize o script abaixo como guia: “Muito bem, agora farei uma contagem de 1 a 10 e, somente no 10, você irá tentar soltar as mãos e não vai conseguir, pois a cola estará completamente seca e esses dedos completamente colados. 1... eu vou passando a cola... 2... ainda mais cola... 3... quanto mais eu conto, mais colado fica... 4... completamente colados... 5 e a cola vai secando cada vez mais e esses dedos já estão cada vez mais colados... 6... 7... a cola já está completamente seca e os dedos já estão colados... 8... completamente colados... 9... se imagine tentando soltar e não conseguindo, e quanto mais força faz, mais colado fica... 10! TENTA SOLTAR E NÃO CONSEGUE! TENTA SOLTAR E NÃO CONSEGUE! QUANTO MAIS FORÇA FAZ, MAIS COLADO FICA!” Quando o sujeito afirmar que as mãos estão mesmo coladas, solte-as hora que quiser, dizendo que vai fazer uma contagem de 1 a 3 e, no 3, elas se soltam.

Olhos colados Peça ao sujeito que esfregue os dedos indicadores e polegares de ambas as mãos e sinta-os esquentar, como na foto abaixo:

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No momento em que sentir os dedos quentes, peça para que feche os olhos, esfregue os dedos sobre as pálpebras e mantenha-os fechados. Neste momento, diga “esqueci de lhe dizer, mas em seus dedos havia uma cola muito poderosa e você acabou de passar em seus olhos, e agora eles estão completamente colados” (se já tiver feito a rotina da mão colada anteriormente, pode dizer que é a mesma cola que estava nas mãos). Enquanto diz a frase, levante as sobrancelhas do sujeito com seus dedos, como na figura:

Continue alimentando a sugestão dizendo “TENTA ABRIR OS OLHOS, MAS NÃO CONSEGUE! QUANTO MAIS FORÇA FAZ, MAIS COLADO FICA!” Quando você perceber que o sujeito está fazendo uma força além do comum para abrir os olhos e não consegue, faça uma contagem de 1 a 3 e, no 3, diga que pode abrir.

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O TRANSE HIPNÓTICO Você já esteve assistindo a um filme e se desligou de tudo que acontecia ao seu redor? E, enquanto assistia a esse filme, sentiu mudanças fisiológicas ocorrendo, como suar frio, taquicardia ou se emocionar com a estória? Se suas respostas a essas perguntas foram positivas, você já vivenciou um estado natural de transe! Quando fazemos uma indução formal, nosso objetivo é levar o sujeito a este estado de consciência para que possamos aplicar as sugestões sem a interferência do fator crítico, fazendo com que a aceitação das mesmas seja mais intensa pela mente inconsciente do hipnotizado. Seja para fins de entretenimento ou terapêutico, é importante que o hipnotista ou hipnoterapeuta saiba reconhecer quando o sujeito se encontra realmente em transe e não está assumindo algum comportamento apenas para “agradar”. A escala Lecron – Bordeaux, classifica os níveis de transe em Hipnoidal, Leve, Médio e Profundo ou Sonambúlico. Abaixo, segue uma tabela com estes diferentes estágios e suas respectivas mudanças fisiológicas:

HIPNOIDAL •Relaxamento Físico •Aparente sonolência •Tremor das pálpebras •Fechamento dos olhos •Relaxamento mental e letargia mental parcial •Membros pesados LEVE •Catalepsia ocular •Catalepsia parcial dos membros •Inibição de pequenos grupos musculares •Respiração mais lenta e mais profunda •Lassidão acentuada (pouca inclinação a se mover, pensar, agir) •Contrações espasmódicas da boca e do maxilar durante a indução •Rapport entre o sujeito e o operador •Simples sugestões pós-hipnóticas •Contrações oculares ao despertar •Mudanças de personalidade •Sensação de peso no corpo inteiro •Sensação de alheamento parcial

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MÉDIO •O paciente reconhece estar no transe, e sente, embora não o descreva •Inibição muscular completa •Amnésia parcial •Anestesia de luva (da mão) •Ilusões cinestéticas •Ilusões do gosto •Alucinações olfativas •Hiperacuidade das condições atmosféricas •Catalepsia geral dos membros e do corpo inteiro PROFUNDO OU SONAMBÚLICO •O paciente pode abrir os olhos sem afetar o transe •Olhar fixo, esgaseado e pupilas dilatadas •Sonambulismo •Amnésia completa •Amnésia pós-hipnótica sistematizada •Anestesia completa •Anestesia pós-hipnótica •Sugestões pós-hipnóticas bizarras •Movimentos descontrolados do globo ocular, movimentos descoordenados •Sensações de leveza, estar flutuando, inchando e alheamento •Rigidez e inibição nos movimentos •O desaparecimento e a aproximação da voz do operador. •Controle das funções orgânicas, pulsação do coração, pressão sanguínea, digestão, etc. •Hipermnésia (lembrar coisas esquecidas) •Regressão de idade •Alucinações visuais positivas pós-hipnóticas •Alucinações visuais negativas pós-hipnóticas •Alucinações auditivas positivas pós-hipnóticas •Alucinações auditivas negativas pós-hipnóticas •Estimulação de sonhos (em transe ou pós hipnoticamente no sono normal) •Hiperestesias •Sensações cromáticas (cores) •Condição de estupor inibindo todas as atividades espontâneas. Pode sugerir-se o sonambulismo para esse efeito.

Dentro desse esquema tem de se levar em conta as variantes das reações individuais, pois algumas pessoas apresentam sintomas do transe profundo já no transe leve, ou podem deixar de apresentar em qualquer uma das fases.

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INDUÇÕES “Qualquer estado singular de atenção altamente focalizada é de fato um transe.” (Stephen Paul Adler) Aqui, vamos ver como fazer a aplicação de algumas das induções que eu particularmente gosto de utilizar e tem se mostrado bastante eficazes. Lembre-se que antes de qualquer indução é de extrema importância que você já tenha estabelecido rapport adequadamente com o sujeito a ser hipnotizado.

Espiral Esta indução é bastante conhecida no Brasil devido a seu uso por Fabio Puentes nos programas de TV. Se trata de uma fixação ocular e pode ser seguida de uma quebra de padrão. Se coloque diante do sujeito, estique a ponta de seu dedo indicador a uma distância de aproximadamente 50cm e peça para que se concentre apenas nela...

Enquanto gira o dedo em forma de espiral, vá aproximando lentamente do rosto do sujeito, enquanto dispara as sugestões:

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“Apenas com o olhar, sem mover a cabeça, observe o dedo girando em forma de espiral... Enquanto ele se aproxima, seus olhos vão ficando cansados... pesados... cada vez mais pesados... A vontade de piscar vai aumentando e o sono é bem profundo...” Quando perceber que a vista do sujeito está desfocada e o pestanejamento estiver eminente, cubra seus olhos e dê o comando “DURMA!”.

Indução de Dave Elman * Roteiro retirado do livro Mentes Fantásticas, de Alberto Dell’Isola.

[Essa rotina deve ser realizada com o sujeito assentado] Por favor, assente-se nessa cadeira. [Após ele assentar-se] Muito bem. Agora, descanse seus braços e suas mãos sobre suas coxas. [Oriente o sujeito para ficar na posição indicada na foto abaixo. Essa rotina envolverá alguns toques no pulso, ombro e testa do sujeito. Lembre-se de alertá-lo quanto a isso]

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Inspire profundamente e segure o ar... [aguarde cerca de dois segundos] Isso... Enquanto solta o ar, feche os olhos e relaxe. Eu quero que você relaxe todos os pequenos músculos e nervos e em torno de seus olhos. Eu quero que você relaxe-os a ponto de que, enquanto o relaxamento continuar, eles simplesmente mantenham-se fechados... Quando achar que seu relaxamento já chegou a esse ponto, faça um pequeno teste e verifique que seus olhos realmente não abrem devido a todo esse relaxamento...

[Aguarde a testagem. Se o sujeito abrir os olhos, não se preocupe. Basta que você reaja normalmente e diga] Muito bem. Você se lembra quando eu disse que hipnose é um processo inteiramente consciente? Você quis abrir seus olhos e eles se abriram. Agora, quero que você faça um teste diferente. No primeiro teste, você os testou para ver se eles abririam. Agora, quero que você realize um segundo teste, um teste de que eles não vão funcionar. E no momento em que você tiver certeza que eles não abrirão, prove para si mesmo que você é capaz de tentar e não abri-los. Tente mais uma vez e prove para si mesmo que eles não abrirão.

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[Alguns sujeitos abrirão os olhos ainda mais uma vez. Nesse caso, você pode simplesmente encaixar outra rotina de indução completamente diferente. Após verificar uma tentativa frustrada de abrir os olhos (geralmente ela é caracterizada pelo levantar das sobrancelhas ou vibração das pálpebras), faça uma pausa de cerca de dois segundos e continue] Muito bom. Não precisa mais testar... e relaxe-os novamente... E permita que todo o relaxamento que seus olhos estão sentindo vá em direção a pontas dos seus pés... Como uma onda bem quente de relaxamento... Muito bom... Em instantes, vou pedir para você abrir seus olhos... e fechá-los novamente... Quando fechá-los novamente, você entrará em um relaxamento dez vezes maior do que o que você está sentindo agora... [Antes de dar o comando para o sujeito abrir os olhos, coloque sua mão com a palma aberta e os dedos cerrados, tapando o olhar do sujeito. Ao tapar o olhar do sujeito, você dificulta o sujeito a ajustar o foco do olhar, favorecendo o relaxamento. Além disso, você evita que o sujeito se distraia com algo da sala. Enquanto o sujeito mantiver os olhos abertos, continue tapando sua visão com a palma da sua mão. Veja na figura abaixo]

Abra os olhos... [Aguarde dois segundos]

Feche os olhos novamente... e dez vezes mais relaxado... Bom...

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Em instantes, vou pedir para você abrir seus olhos mais uma vez... e fechá-los novamente... Quando fechá-los novamente, você entrará em um relaxamento duas vezes maior do que o que você está sentindo agora... [Antes de dar o comando para o sujeito abrir os olhos tape novamente o olhar do sujeito.] Abra os olhos... [Aguarde dois segundos] Feche os olhos novamente... e duas vezes mais relaxado... Bom... Em instantes, vou pedir para você abrir seus olhos mais uma vez... e fechá-los novamente... Quando fechá-los novamente, você entrará em um relaxamento ainda mais profundo do que o que você está sentindo agora... [Antes de dar o comando para o sujeito abrir os olhos tape novamente o olhar do sujeito.] Abra os olhos... [Aguarde dois segundos] Feche os olhos novamente... ainda mais profundo, ainda mais relaxado... Isso... Escute apenas o som da minha voz... E o som da minha voz permite que você aprofunde ainda mais... Ainda mais profundo e mais relaxado... Talvez, você esteja escutando algum outro som, pessoas conversando, carros passando ou até mesmo uma sirene de polícia ou ambulância... Não importa... Nenhum desses barulhos vai lhe incomodar ou atrapalhar... Na verdade, qualquer outro barulho que você ouvir vai apenas lhe auxiliar a relaxar ainda mais... Cada vez mais profundo, cada vez mais relaxado... Muito bom... Daqui a pouco, pegarei esse braço pelo pulso. [toque levemente o pulso do sujeito enquanto avisa sobre o toque] Se você tiver seguido corretamente todas as instruções, esse braço vai estar muito mole e relaxado... Pegarei esse braço pelo pulso e o levantarei alguns centímetros e o soltarei... e quando eu fizer isso, você entrará em um estado de relaxamento dez vezes ainda maior do que esse.

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[Sempre avise ao sujeito quando você estiver prestes a tocá-lo. Além de elevar a expectativa gerada, você evita que o sujeito se assuste e perca o foco na indução. Levante o pulso do sujeito, conforme a figura abaixo]

[Pegue o pulso do sujeito. Após pegar o pulso do sujeito, balance-o levemente, de forma avaliar o relaxamento do pulso. Alguns sujeitos não relaxam o braço, deixando-o muito rígido. Suponha que o braço do sujeito esteja tenso. Nesse caso, balance-o levemente e dê o comando] Mais relaxado... Ainda mais relaxado... Ainda mais...

[quando estiver relaxado suficientemente, diga] Isso. [Após verificar que o pulso está realmente mole, aguarde cerca de dois segundos e solte-o. É importante que você tenha controle sobre o local onde a mão cairá. O ideal é que a mão do sujeito caia sobre o braço da poltrona ou sobre suas coxas. O impacto da queda é um importante recurso fisiológico dessa rotina. Logo após o impacto da mão sobre o braço da poltrona ou sua coxa, diga]

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Dez vezes mais relaxado... Muito bom... Você está indo muito bem... Agora que seu corpo já está completamente relaxado, é hora de relaxarmos sua mente também. Em instantes, lhe pedirei para realizar, em voz alta, uma contagem de 100 até 1, de trás para frente... Permita que à cada número dito, você aprofunde ainda mais no seu relaxamento mental... Quando eu disser o número “98”, ou até mesmo antes, permita que esses números simplesmente desapareçam da sua mente... Comece a imaginar como isso acontecerá... e você conseguirá fazer isso... Agora, comece a contagem de trás para frente, bem lentamente, iniciando pelo número 100. [Aguarde que o sujeito diga o número 100 em voz alta. Após ouvir o número 100, diga]

Muito bom... Dobre esse relaxamento mental... [Aguarde que o sujeito diga o número 99] Dobre seu relaxamento. Prepare-se para que os números desapareçam... [Aguarde que o sujeito diga o número 98] Permita que os números simplesmente sumam da sua mente... Muito bem... Eles já sumiram completamente?

[Aguarde a confirmação do sujeito. Caso ele responda negativamente, simplesmente retome o processo de relaxamento e os comandos para o desaparecimento dos números. Após o sujeito confirmar que os números desapareceram (geralmente, apenas consentem com a cabeça mas também podem responder verbalmente, com tom de voz mais baixo)] Muito bem... Como você seguiu corretamente todas as instruções, elas estão entrando diretamente em seu inconsciente. [faça o aprofundamento, se necessário. Nos tempos de Elman, essa rotina era muito utilizada para induzir anestesias, já que os sujeitos entravam em transe muito profundamente].

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Aperto de mão falso de Bandler Esta é uma indução por quebra de padrão, em que o hipnotista simula um aperto de mão, porém interrompe o ritual e inicia a indução. Comece perguntando se o sujeito é canhoto ou destro (a resposta não faz a menor importância, porém gera uma expectativa). Quando ele responder, simule que vá apertar a mão dele e pergunte: “posso pegar esta mão?” e pegue-a, elevando-a acima da linha dos olhos, como na figura abaixo:

Diga: “olhe para esta mão, olhe para as linhas e fixe num ponto” (isto serve para afunilar a atenção do sujeito). Dê um leve empurrão na mão do sujeito em direção ao próprio rosto e diga “quanto mais esta mão vai se aproximando de seu rosto, a vista vai mudando o foco e você vai

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relaxando cada vez mais... no momento em que essa mão tocar seu rosto, durma profundamente”. No momento em que a mão tocar rosto, dê o comando “DURMA!”.

Hand Drop Esta é uma das mais utilizadas induções de choque, por conseguir levar o sujeito a um transe profundo de forma muito rápida. Esta rotina é recomendada que se faça com o sujeito sentado! Primeiro, se coloque à frente do sujeito e peça-o que coloque uma das mãos sobre a sua, como mostra a figura abaixo:

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Peça-o que olhe fixamente para seus olhos e pressione sua mão para baixo com bastante força. Estimule-o a colocar mais força ainda. No momento em que perceber que os olhos do sujeito estão vidrados, ele estiver fazendo muita força e concentrado, retire sua mão de forma brusca e diga “DURMA!”. Dica: caso o sujeito tenha mais força que você, invés de pedi-lo para colocar a mão sobre a sua, peça que coloque apenas dois ou três dedos.

Arm Pull Arm Pull é a indução instantânea de choque mais famosa, e uma das mais utilizadas por Sean Michael Andrews, conhecido como o hipnotista mais rápido do mundo. Esta indução é melhor quando feita com o sujeito em pé à sua frente. Segure a mão do sujeito como um aperto de mão normal e, com a outra, apoie em sua nuca, como mostra a figura:

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Peça para que o sujeito junte os pés e mantenha-os bem firmes ao chão (este comando é importantíssimo, pois facilita na perda do equilíbrio, proporcionando o choque e faz com que ele não caia no chão e se machuque), olhe fixamente para seus olhos e que relaxe o braço (você pode dar algumas balançadas leves para ajudar no relaxamento). No momento que perceber os olhos vidrados e a atenção focada, dê um LEVE puxão no braço e diga “DURMA!”. Ampare a cabeça do sujeito em um de seus ombros. Nota: Esta indução, vista de fora, aparenta ser bastante agressiva devido ao puxão no braço e a forma que os sujeitos costumam cair para frente, mas isto não passa de impressão, pois o puxão no braço deve ser feito de forma leve, e a mão na nuca serve apenas para amparar a cabeça durante a vinda para frente, e não para puxá-la, como parece.

APROFUNDAMENTOS DO TRANSE Após o processo de indução, independente da forma utilizada, é necessário que se estabilize o estado de seu sujeito e o faça ter uma experiência mais intensa. Para isso, logo após o sujeito entrar em transe, comece imediatamente alguma rotina de aprofundamento. Nota: Na indução de Dave Elman, o aprofundamento não é tão necessário, pois na própria rotina de indução já está incluída várias testagens e aprofundamentos.

Contagem Logo após a indução, diga que fará uma contagem de 1 a 5 e, no 5, o sono será 10 vezes mais profundo: “1... relaxando cada vez mais... 2... descendo e aprofundando.... 3... afundando ainda mais... 4... 10 vezes mais profundo e relaxado... 5... relaxe 10 vezes mais!

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Escada Este aprofundamento é bastante utilizado na clínica, antes de se iniciar as sugestões terapêuticas. Com o sujeito em transe, peça-o que se imagine no topo de uma escada de 10 de degraus. Diga que irá fazer uma contagem de 1 a 10 e, a cada contagem, peça que se imagine descendo um dos degraus e que vá se aprofundando no transe a cada degrau descido: “1... desça o primeiro degrau e comece a relaxar mais... 2... indo cada vez mais fundo... 3... mais um degrau... 4... completamente relaxado... 5... quanto mais desce, mais profundo vai... 6... ainda mais profundo... 7... descendo mais um degrau... 8... você está chegando em nível profundo... 9... quando descer este último degrau, relaxe 20 vezes mais... 10!” Uma variação deste aprofundamento envolve uma escada rolante, em que você sugestiona que o sujeito se encontra no topo de uma escada rolante muito longa e que quanto mais os degraus vão descendo, mais ele vai se aprofundando nesse estado de relaxamento. Uma contagem de 1 a 10 também pode ser feita.

Fracionamento de Vogt Este método foi criado pelo hipnotista alemão Oskar Vogt, no final do século XIX. Ele consiste em fazer uma contagem de aprofundamento, porém, quando estiver chegando ao final, retorna a números menores e recomeça a contagem. Isto faz com que o sujeito retorne a estados menos profundos e depois acesse um estado mais profundo do que estava quando a contagem volta ao ponto em que parou. Por exemplo:

“1... seu corpo está completamente relaxado... todos os músculos estão soltos e moles... 2... mais e mais profundo... a cada número, você vai aprofundando em dez vez o estado anterior... 3... aprofundando ainda mais... Cada vez mais longe do estado anterior, mais e mais relaxado... 4... indo cada vez mais fundo... 4... a cada contagem, o sono é ainda mais profundo... 2... ainda mais profundo... Você continua indo cada vez mais fundo... 3...

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completamente profundo e relaxando ainda mais... 4... Dez vezes mais profundo... e cada vez mais relaxado... 5... A cada inspiração, você aprofunda mais e mais nesse estado... Inspire... expire... 6... dez vezes mais profundo... 3... cada vez mais profundo... 4... dez vezes mais profundo...”

Estas são apenas algumas das infinitas formas de se gerar um estado mais profundo de transe, use sua imaginação e crie metáforas que auxiliem no processo. Mas e se você fez rapport, um bom pré-talk, induziu ao transe e, na hora de aprofundar, não lhe vem nada complexo em mente? Calma, não se desespere! Aqui, as coisas mais simples tendem a funcionar perfeitamente. Você pode dizer apenas “quanto mais relaxa, mais se sente bem... e quanto mais se sente bem, mais relaxa... quanto mais relaxa, mais se sente bem...” e assim sucessivamente, criando um loop de feedback e aprofundando da mesma forma.

MAIS SE SENTE BEM

MAIS RELAXA

Ainda está complicado? Então simplificarei ainda mais! Se a intenção é aprofundar o transe, então por que não usar esta sugestão direta? Após o “durma”, diga apenas “mais profundo, mais profundo, mais profundo...” e está feito!

MAIS PROFUNDO

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APLICANDO SUGESTÕES Quando o sujeito se encontrar em transe, pode-se dizer que ele está pronto para receber as sugestões do hipnotista, sejam elas terapêuticas ou não-terapêuticas (de entretenimento). Dependendo do contexto, você poderá utilizar de formas diretas ou indiretas de aplicar as sugestões. As formas indiretas, derivadas de Milton Erickson, normalmente são mais utilizadas clinicamente durante sessões de terapia que tem a hipnose como ferramenta. As sugestões diretas, ao estilo Dave Elman, são as mais usadas por hipnotistas de palco e rua, e também bastante usadas terapeuticamente. Vale ressaltar que uma não concorre com a outra, e ambas podem ser utilizadas concomitantemente, seja em apresentações ou em terapia. Para que o sujeito aceite melhor uma determinada sugestão, é importante que se crie um contexto dentro do transe antes de aplicar a sugestão. Por exemplo: se você quer sugerir que existe uma nuvem de mosquitos em volta da cabeça da pessoa, primeiro diga que ele está andando em meio a uma floresta, onde é normal a ocorrência de mosquitos. Este tipo de contextualização serve para qualquer tipo de sugestão.

SIGNO-SINAL Quando um sujeito já está em transe, você pode tirá-lo e, facilmente, fazê-lo retornar ao estado instalando um signo-sinal, através de uma sugestão pós-hipnótica. Para fazer isso é muito simples, bastando você criar um sinal, gesto ou toque que o fará acessar o estado de transe imediatamente, e dizer isso em forma de sugestão durante o transe. Por exemplo: “quando eu, apenas eu, puxar a sua orelha direita, você entrará em transe imediatamente.” e, no momento em que o sujeito estiver acordado, basta que você dê uma puxada na orelha direita e pronto, ele entrará em transe novamente. Importante: na instalação do signo-sinal, é extremamente importante que você diga “quando APENAS EU, falar (ou fazer) tal coisa, você entrará em transe”, pois imagine que você instale um signo-sinal de que toda vez que ele ouvir o próprio nome entrará em transe e você esqueça de remover a sugestão. Pode acontecer de um amigo o chamar no meio da rua e ele entrar em transe, o colocando em sério risco.

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ALGUMAS DICAS DE SUGESTÕES DE ENTRETENIMENTO

Cola É sempre divertido usar a sugestão de existe uma cola muito poderosa para deixar o sujeito colado em qualquer lugar: no chão, na cadeira, a mão colada na parede, etc. Use sua criatividade.

Gaguejar O sujeito só consegue falar gaguejando, e quanto mais ele tenta falar normal, mais gagueja. Pode usar esta mesma ideia para o sujeito falar apenas cantando.

Falar outro idioma Diga que a partir deste momento, ele não consegue mais falar português, apenas em outro idioma (japonês, chinês, alemão, marciano, etc.). Se tiver outro sujeito participando, coloque-o para ser o intérprete ou para eles conversarem nesse outro idioma.

Pessoa ao lado fede Diga que a pessoa que está ao seu lado está fedendo muito e é insuportável ficar próximo. Peça para essa pessoa se aproximar do sujeito e tentar abraça-lo e se divirta com as reações.

Sapato celular Contextualize que o sujeito está aguardando a ligação de alguém que ele gostaria muito de conversar naquele momento e que, quando você disser a palavra “hipnose” (ou

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qualquer outra), ele irá atender o próprio sapato, como se fosse um celular e irá conversar com essa pessoa. Estas são apenas algumas das infinitas possibilidades de rotinas de entretenimento a serem usadas. Use sua criatividade e imaginação para elaborar sua própria apresentação, mas lembre-se: use sempre do BOM SENSO e ÉTICA em suas sugestões, nunca exponha ninguém ao ridículo e nem a algo perigoso, pois o sucesso de suas próximas apresentações dependerá de como seu público o enxergar.

SUGESTÕES TERAPÊUTICAS RÁPIDAS (HYPNOTIC GIFT) Após a finalização de uma demonstração de hipnose, é interessante que o sujeito, principal responsável pelo ato, seja beneficiado de alguma forma e carregue este benefício consigo. Claro que você não fará uma sessão completa de terapia, mas pode ajuda-lo dando sugestões simples que o farão muito bem. Uma que eu gosto muito de usar, principalmente quando faço demonstrações de rua, é pedir para o participante, ainda em transe, mentalizar uma meta a qual deseja muito alcançar, e então que se imagine com aquela meta já realizada, como se estivesse no futuro, se sentindo muito bem e feliz. Então dou algumas sugestões de acordar do transe se sentindo muito bem, realizado e usando toda a capacidade mental para enfrentar todos os obstáculos do cotidiano. Estes, conhecidos internacionalmente por “hypnotic gifts”, são roteiros que fazem com que a pessoa sinta na prática o bem estar provocado pela hipnose, os encoraja de procurar uma hipnoterapia caso haja necessidade e os incentiva a participar mais vezes de demonstrações como essas.

REMOÇÃO DE DORES A dor é uma sensação fisiológica que, apesar de incômoda, é extremamente necessária e de alto valor adaptativo, pois é ela que nos indica quando algo está errado em nosso organismo e, sem ela, qualquer lesão ou inflamação nos passaria despercebida fazendo com que não procurássemos solução para a ameaça iminente e a situação se agravasse. Diante disso, a partir do momento que se sabe o agente etiológico da dor e se tem a solução para o problema, ela passa a ser um desconforto desnecessário e a fim de

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interrompê-la a hipnose vem como uma alternativa completamente natural para que essa sensação desapareça sem a necessidade de qualquer substância química. Então, antes de utilizar a técnica descrita abaixo, analise se esta atitude não trará prejuízos futuros à pessoa. * Roteiro retirado do livro “Mentes Fantásticas”, de Alberto Dell’Isola [Ao contrário dos procedimentos anteriores, esse roteiro se inicia antes mesmo da indução propriamente dita. Antes da indução ao transe, peça para o sujeito classificar sua dor por meio de três variáveis: forma, cor e intensidade. No exemplo a seguir, suponha que o sujeito tenha uma queixa em relação a uma forte dor de cabeça] Onde dói?

[Espere que o sujeito aponte para a área dolorida] Dentre as formas geométricas que você conhece, qual delas mais se assemelha ao formato dessa dor? [Alguns sujeitos podem ser um pouco relutantes a dar esse tipo de informação. No entanto, ainda que ele conheça poucas figuras geométricas, é essencial que ele indique alguma figura geométrica. Suponha que ele responda que sua dor se assemelha a um quadrado] Imagine que você possui uma escala de cores que mostrem todas as diversas dores que você já sentiu na vida. Qual seria a cor referente à dor máxima e qual cor indicaria ausência de dor? [Frequentemente, a cor mais utilizada para indicar o máximo e o mínimo de dor são as cores vermelha e branca, respectivamente. No entanto, isso não importa tanto assim. O importante é identificarmos a escala de cores a ser utilizada pelo sujeito. Suponha que ele indique a cor vermelha como o valor máximo e a branca como mínimo] Ótimo! Agora, em uma escala de um a dez, onde o um se refere a um leve incomodo e o dez a maior dor que você já experimentou, qual o valor da dor que você sente nesse momento?

[Suponha que o sujeito responda que sua dor tem valor igual a seis]

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Na sua escala de cores, qual seria a cor referente a dor que você sente agora? [Suponha que o sujeito responda que a cor é alaranjada. Geralmente, os sujeitos irão escolher alguma cor intermediária da escala criada anteriormente. No entanto, isso não importa tanto assim: alguns sujeitos escolhem cores completamente aleatórias e isso não compromete em nada o processo de dissociação. O importante é criar uma representação visual para a dor do sujeito. Em nosso exemplo, trata-se de uma dor no formato de um quadrado, de cor alaranjada e intensidade igual a seis.] [Realize a indução. Se a dor for razoavelmente tolerável ou tratar-se da gravação de um roteiro de auto hipnose, utilize-se de alguma indução que se baseie em visualizações agradáveis. Esses roteiros costumam favorecer a desatenção em relação a dor. No entanto, em contexto clínico, podem surgir dores fortíssimas como queimaduras que irão requerer alguma indução rápida. Alguns sujeitos mais resistentes podem requerer o uso de rotinas de aprofundamento do transe. Nesses casos, realize a rotina de aprofundamento mais adequada ao roteiro escolhido pela indução. Após a indução e o eventual aprofundamento, siga com o procedimento para controlar a dor] Visualize aquele quadrado alaranjado nessa região da sua cabeça. [aponte para a região onde o sujeito identificou a dor]

Esse quadrado alaranjado possui um número seis estampado em seu exterior. Imagine esse quadrado sofrendo uma lenta metamorfose, até transformar-se em um triângulo amarelo. Esse triângulo é menor que o quadrado e possui o número cinco estampado em seu exterior. [Se o sujeito escolher uma figura geométrica com muitos lados, como por exemplo um hexágono, você pode transformar a figura inicial em alguma figura com menos lados. No entanto, muitas vezes, isso não irá acontecer, bastando que o sujeito visualize outras figuras geométricas em tamanho menor]

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Veja esse triângulo amarelo. Em determinado momento, ele começa a sofrer uma lenta metamorfose e transforma-se em um círculo da cor bege, bem menor que o triângulo. Esse círculo possui o número três estampado em seu exterior. Veja esse círculo bege. Em determinado momento, ele começa a sofrer mais uma transformação. Aos poucos, ele transforma-se em um quadrado cinza e de tamanho bem menor que o círculo anterior. Esse quadrado cinza é realmente muito pequeno e possui o número dois impresso em seu exterior.

[Observe que não existe problema algum se alguma figura geométrica repetir-se. Além disso, é importante ressaltar que não existe realmente muito problema em termos escolhido a cor cinza para representar o quadrado. Ainda que a cor cinza não tenha muita relação com a cor bege anteriormente apresentada, ela é parecida com a cor que representa a dor de menor intensidade: a cor branca. Ainda que essa proximidade não seja essencial, é bom quando conseguimos atingi-la.] Veja esse quadrado cinza. Em determinado momento, ele começa a sofrer mais uma transformação. Aos poucos, ele transforma-se em um triângulo branco e de tamanho ainda menor, quase imperceptível. Esse triângulo branco é minúsculo e possui o número um impresso em seu exterior. Observe atentamente esse triângulo branco. Aos poucos, ele começa a ficar transparente... Cada vez mais transparente... e começa a sumir... e vai sumindo... até que desaparece. [Se você quiser, pode estalar os dedos quando disser a palavra “desaparece”. Finalize o transe de uma forma compatível com a indução inicial. Após o despertar do sujeito, peça que ele avalie a dor em uma escala de um até dez. Devido aos elementos de distração e dissociação da dor, provavelmente, ele a avaliará com um valor bem menor. É importante ressaltar que o mesmo roteiro também poderá ser utilizado em uma sessão de auto hipnose, seja ela verdadeira ou falsa, bastando que, previamente, você já identifique todas as figuras geométricas, cores e números a serem utilizados]

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AB-REAÇÃO Para algumas pessoas a hipnose é uma experiência que pode facilitar a associação a experiências traumáticas do passado, com revivescência dos traumas passados. Algumas vezes pode ocorrer “ab-reação”, que é a expressão de emoções reprimidas. Durante a hipnose uma sugestão verbal, extra verbal, tátil, ou uma determinada imagem visualizada pode fazer uma associação a algum acontecimento da vida passada do sujeito, brotando emoções de medo, dor, temor, raiva, mágoa, etc. Este quadro é bem raro de se acontecer, principalmente em apresentações públicas. Até mesmo na clínica, onde mais acontece, ainda assim é raro uma ocorrência de ab-reação espontânea (existem técnicas em que o próprio terapeuta as provoca a fim do paciente vivencia-las durante a terapia). Mesmo sendo um evento raro, é uma boa ideia saber o que fazer caso ocorra quando você estiver hipnotizando alguém. 1) Mantenha a calma: Se há alguém enlouquecendo na relação, não é uma boa ideia que seja você! 2) Não toque no sujeito: em hipótese alguma toque o sujeito ou permita que alguém o faça, pois ele estará super sensível a estímulos, e qualquer toque pode ancorar este estado.

3) “A cena se enfraquece”: comece a falar, calmamente e com autoridade, que a cena está se enfraquecendo e vai sumindo, desaparecendo. Fique atento às reações emocionais e perceba as mudanças na fisiologia de quando o sujeito estiver mais calmo. 4) “Sinta sua respiração e sinta-se seguro”: dando esta sugestão, você criará um loop de feedback baseado na respiração, fazendo com que ele associe a própria respiração à sensação de segurança. Também pode ser substituído por “sinta seus pés no chão” ou qualquer outro estímulo físico que ele já esteja vivenciando. 5) Amnésia: é comum que o sujeito após uma ab-reação não se lembre direito ou não se lembre de nada que ocorreu durante o transe, e não será você quem vai

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lembra-lo! Após a retirada do transe, apenas pergunte afirmativamente se o sujeito está bem, como por exemplo: “está tudo bem, né? Você parece estar ótimo, não é mesmo?”. 6) Encerre: após certificar de que o sujeito está bem e tranquilo, apenas agradeça-o pela participação e não o hipnotize mais neste dia. Procure não tocar no assunto sobre o que aconteceu para não gerar um trauma desnecessário de hipnose.

AUTO HIPNOSE “Se formos livres por dentro, nada nos aprisionará por fora” (Augusto Cury) Se, através de um operador, a mente pode se abrir a sugestões, gerando tranquilidade, relaxamento e bem estar, por que não fazer isso sozinho? Através da auto hipnose, é possível acalmar os nervos, ressignificar questões pessoais, parar de fumar ou até mesmo controlar dores, entre outras coisas. Vale dizer que a auto hipnose, em muitos casos, não substitui a terapia com um hipnoterapeuta, psicólogo ou qualquer outro profissional da saúde. Ela pode ser utilizada como ferramenta extra durante o tratamento e fazer com que o paciente possa se sentir melhor sem precisar de ninguém próximo. O primeiro passo para se iniciar na prática da auto hipnose é buscar um lugar onde você não seja incomodado. Sentado ou deitado de modo confortável, procure eliminar qualquer distração e relaxe. Está é uma condição inicial ideal para utilizar a técnica, porém com o tempo, você poderá realizá-la em qualquer local. Então, feche os olhos e relaxe. Imagine/sinta que ondas de relaxamento percorrem todo o seu corpo eliminando todas as tensões, a partir de sua cabeça. Esteja conectado a sua respiração enquanto as ondas percorrem da cabeça aos pés, relaxando todos os músculos de seu corpo. Sinta os músculos de seu corpo se relaxando cada vez mais. Algumas outras técnicas podem ser utilizadas, como por exemplo, a fixação do olhar em um ponto da parede ou, imaginar-se descendo uma escada ou um elevador num enorme edifício cujos andares inferiores conduzem lentamente a um estado de

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relaxamento e sonolência. O método para a autoindução escolhido por você se torna mais eficaz quanto mais você pratica. O próximo passo é usar a auto sugestão para aprofundar o estado de relaxamento. Fale repetidamente a você mesmo frases do tipo: “estou me sentindo cada vez mais relaxado e confortável”, “enquanto respiro, aprofundo mais e mais neste estado”. Uma vez que você se sinta completamente relaxado, se encontrará num estado ideal de auto hipnose. Você poderá aproveitar este estado particular e sugestivo para se instalar um signo sinal, lhe permitindo acessar este estado no momento em que desejar.

Auto Sugestões Antes de se conduzir ao processo de auto hipnose, é útil que você pense nas sugestões que deseja determinar a si mesmo. As sugestões podem ser afirmações simples com o propósito de desfazer os danos feitos pelo semeio constante em nossas vidas de pensamentos negativos, ou pode ser usado para fazer ajustes psicológicos elevando a auto confiança e motivação para ajudá-lo a alcançar as metas que estabeleceu. O uso efetivo da auto sugestão pode:

Elevar a autoconfiança e auto estima;

Reforçar mentalmente os seus propósitos;

Reduzir as tensões;

Elevar a motivação;

Aliviar dores.

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DICAS DE LEITURA

O HIPNOTISMO – PSICOLOGIA, TÉCNICA E APLICAÇÃO AUTOR: KARL WEISSMANN

OS SEGREDOS DA HIPNOSE CONVERSACIONAL AUTOR: LUIZ SOUZA

MANUAL BRASILEIRO DE HIPNOSE CLÍNICA AUTOR: MARLUS VINICIUS COSTA FERREIRA

HIPNOSE NA PRÁTICA CLÍNICA AUTOR: MARLUS VINICIUS COSTA FERREIRA

MENTES BRILHANTES AUTOR: ALBERTO DELL’ISOLA

MENTES GENIAIS AUTOR: ALBERTO DELL’ISOLA

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MANUAL DE HIPNOTERAPIA ERICKSONIANA AUTORA: SOFIA BAUER

HIPNOSE NÃO EXISTE? AUTORES: STEVEN HELLER E TERRY LEE STEELE

STREET HYPNOSIS SEM SEGREDOS AUTOR: MICHAEL ARRUDA

CANAIS NO YOUTUBE HIPNOTIME – www.youtube.com/tonlucas Demonstra como a hipnose pode ser usada em diversos contextos, tanto clínicos quanto em entretenimento de forma divertida e interessante, através de vídeos muito bem produzidos. SUPERMEMÓRIA – www.youtube.com/supermemoria Atualmente o maior canal do Brasil de vídeos didáticos sobre hipnose, com tutoriais e rotinas ensinados por Alberto Dell’Isola. MESTRE DA HIPNOSE - www.youtube.com/MestredaHipnose Assista os ensinamentos dos mestres da hipnose de todo mundo, legendados em português. O objetivo do canal é trazer conteúdo inovador e de qualidade sobre hipnose. WORLD’S FASTEST HYPNOTIST - www.youtube.com/glenelg1 Apresentado por Sean Michael Andrews, conhecido como o Hipnotista Mais Rápido do Mundo, mostra vídeos didáticos retirados de seus cursos ministrados ao redor do mundo e rotinas de hipnose de rua.

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Apostila ton lucas  

hipnose pratica

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