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Tem cara de preguiça Luiza Adorna, acadêmica de Jornalismo na Universidade de Santa Cruz do Sul

Pediram para que eu respondesse "qual a cara da política?". Pensei por cinco minutos e não conseguia definir. Então fui para casa, tentando encontrar uma face que correspondesse um pouco com esse termo tão discutido. Entrei em um ônibus com quase todos os lugares vazios. Me escorei na janela e comecei a observar a paisagem que via através dos vidros embaçados. Até que enxergue as centenas de placas indicando candidatos, seus números e os partidos políticos. Mas, espera aí, as eleições não passaram? Além de aguentar por meses, toda essa poluição visual das faixas, cavaletes e catazes colados nos postes nas rodovias e cidades, preciso passar por isso depois do período eleitoral? Engraçado. Político promete mais organização, limpeza e outros quinhentos serviços positivos para a sociedade, mas não tem a capacidade de retirar o que colou? Se ganhou ou não, todos deveriam ter a consciência de limpar a cidade. Retirar de cada muro, as fotos de seus rostos já estragados pelo vento. Deixar as árvores, que serviram de cabide, livres de toda a sujeita pregada em suas raízes. Divulgar suas candidaturas não é errado, pecado é fazer do espaço público um lugar para guardar os restos de um período que passou. Acabou! Tirem seus cartazes com cores chamativas do meu campo de visão, limpem a área, não por mim, mas por todos. Não repudio a política, não. Aliás, às vezes discuto nas rodas de amigos, defendendo opiniões, com muito gosto. Só fico indignada com essa moleza do povo, de deixar tudo como está. É, encontrei a definição que precisava, logo nas primeiras linhas deste texto. Política tem a cara da preguiça.


Texto Opinativo - Luiza Adorna