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Vício da leitura envolve paixão Histórias de quem é apaixonado por livros e tem neles os seus melhores amigos

Luiza Adorna, acadêmica de Jornalismo na Universidade de Santa Cruz do Sul

De todos os estilos, de 100 a 800 páginas. Não importa o tamanho e muito menos o estilo do livro. Ler é a única exigência do coração daqueles chamados viciados em histórias, no sentido de ficarem concentrados ao mundo das letras, linhas, páginas e pontos-finais. E sentir satisfação ao fazer isso. Acompanhar do começo ao fim, algo criado por alguém desconhecido, é ter a oportunidade de conhecer mais a vida e os gostos das pessoas. E existem várias delas que pensam assim. Para leitores compulsivos como Andressa Bandeira, acadêmica do curso de Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), “ler proporciona uma sensação única e maravilhosa”. Estudante do 4º semestre de Jornalismo, ela diz ter começado a gostar aos 11 anos, quando sua mãe se tornou sua professora de literatura. “Ela tinha uma biblioteca, na verdade era um armário repleto de livros, onde os alunos podiam escolher os que quisessem. E aí, era só alegria!”. Andressa explica: “Quando comecei a ler Harry Potter, não larguei mais a companhia dos livros.” Entre as diversas histórias proporcionadas por seu hábito, a arroio-tigrense lembra uma ocasião na feira de Sobradinho. “Eu estava maluca atrás de uma publicação, desatenta para todo o resto. Mas, como na Feira tinha duas livrarias expondo, fui à maior e, mesmo depois de revirála, não a encontrei”. Desanimada, Andressa ainda saiu de lá com outras obras. Com sugestão de sua mãe, foi na segunda livraria e começou a procurar. “Rata de biblioteca é assim.” Foi, então, que observou atrás da coleção Jovem Sherlock Holmes - sua grande paixão – o que tanto desejava. “Todos sabem o quanto gosto de tudo que envolva Holmes. Fiquei impressionada ao encontrar o que tanto queria, atrás de algo que tanto amo. Saí de lá feliz e realizada.” Apaixonada pelas histórias do detetive, Andressa tem como livro de cabeceira as coletâneas de Sherlock Holmes. “Eu queria ter escrito esse personagem. Pode parecer raso na primeira leitura, mas é, na verdade, cheio de nuances e detalhes. Ele poderia tranquilamente ter existido. Sem contar que se eu pudesse entrevistar o Sir Arthur Conan Doyle, autor da série, passaríamos um bom tempo falando do senhor Holmes, com certeza.” Ter escolhido jornalismo deve-se, também, ao hábito adquirido. “Sempre gostei de escrever, antes mesmo de incorporar a leitura em minha vida. Mas, com a paixão por ela, minha vontade de contar histórias, aprender e descobrir aumentaram. Foi como uma bolinha de neve, uma coisa levou a outra.”


Ângela Cristina Bartmann, agente administrativa da Prefeitura de Paraíso do Sul, assim como Andressa, lê desde criança. “O primeiro livro que ganhei foi uma Bíblia infantil com gravuras. Tinha 7 anos quando recebi o presente de minha prima Lizete.” Além disso, sempre teve acesso a revistas. “Comecei a ler e não parei mais”. Graduada em Gestão Pública, Ângela não tem preferência específica. “Gosto de ler, simplesmente: de Luis Fernando Veríssimo, Gabriel Garcia Márquez até Agatha Christie.” Para a agente administrativa, não existe regra. “Leio também livros de gestão pública, elaboração de projetos, sustentabilidade e contabilidade pública.” Como livro de cabeceira, ela elege Heróis de Verdade, de Roberto Shinyashiki. “Perdi as contas de quantas vezes o li.” De George R.R. Marin, o livro A Guerra dos Tronos é seu companheiro atual. “A leitura estimula o modo de falar das pessoas. E escrever também faz parte desse processo.” Ângela, apaixonada, já esteve presente em feiras nas cidades de Porto Alegre, Agudo, Santa Maria assim como em Paraíso do Sul, cidade onde reside. Martha Medeiros já dizia: “Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros. É como se fosse habitada por pessoas sem imaginação, que não tem histórias pra contar.”. E pelo jeito, esse pensamento não é apenas da escritora gaúcha.


Reportagem - Luiza Adorna