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A2 CORREIO POPULAR Campinas, quinta-feira, 1º de novembro de 2018

Coordenação: Marcelo Pereira marcelop@rac.com.br

Opinião

Correio do Leitor leitor@rac.com.br

“A reforma da Previdência é a mais importante e a mais rápida”

opiniao@rac.com.br

Paulo Guedes, assessor econômico de Bolsonaro e indicado ao ministério, após reunião de transição de governo

charge

zeza amaral Os números não mentem Apesar do clima de polarização, as eleições para presidente terminaram sem grandes problemas. E Jair Bolsonaro é o novo presidente da República, beneficiado por uma significante divisão das urnas. Mas é fato que pouco mais de um terço do eleitorado brasileiro (30,87%) não se sentiu representado por Bolsonaro e tampouco por Haddad. O Brasil possui 147.305.825 eleitores. Bolsonaro obteve 55,13% dos votos válidos. Ou seja: 57.797.423. No geral, ele teve menos do que a metade dos votos dos eleitores aptos a votar. Quanto a Haddad, os seus 47.040.574 votos significam apenas 31,93% dos ditos eleitores aptos a votarem. O que isso quer dizer? Ora, que nem situação nem oposição está com essa bola toda. Votos brancos e nulos somaram 9,57% no segundo turno, o que significa 11.094674 de brasileiros que também não se sentiram representados pelos candidatos. Um contingente maior que a diferença de votos de Bolsonaro para Haddad: 10.756.849. Quanto aos brasileiros que sequer compareceram às urnas (21,3%), eles chegaram a 31.371.267. Somando, 42.465.941de cidadãos honestos, que pagam seus impostos em dia, que trabalham ou estão desempregados, apenas aguardam, sem esperança, por dias melhores. Longe de ser massa de manobra eleitoreira, é uma sociedade silenciosa que, a qualquer momento, se enrola em uma bandeira e vai para as ruas, praças e avenidas. Jair Bolsonaro está eleito presidente e espero que ele tenha consciência que cerca de 89.506.515 — somando os votos brancos, nulos, abstenções e os votos de Haddad — de não votaram nele. O que eu quero dizer é que ele terá de governar também para essa grande massa de oposição. E aí pergunto, como já peguntei muitas vezes aqui neste espaço: como ele negociará com os senhores senadores e deputados do Congresso Nacional? Não sei e

acho que ninguém sabe. A não ser os tais “engenheiros de obra pronta”, o que não é o meu caso. E o recado serve também para o PT: votos brancos, nulos e abstenções (42.465.9410) chegou perto dos 47.040.574 obtidos pelo seu candidato. Ou seja: ninguém está com essa bola toda. Vou torcer para que o governo Bolsonaro erre o menos possível e acerte o máximo que puder. E que a oposição seja corresponsável para os tais acertos e que não contribua para os erros – naquela onda do quanto pior melhor, coisa muito própria do esquerdismo de botequim. Fato. Lula e Bolsonaro são políticos da mesma moeda: populistas. Um de uma falsa esquerda e outro de uma falsa direita. E ambos se retroalimentaram para chegar ao segundo turno das eleições presidenciais. E a vitória do bolsonarismo não significa em absoluto a derrocada do petismo — que será a segunda força de oposição na Câmara Federal. Quem realmente saiu escorraçado do pleito foi o PSDB, que mais parece um balaio de gatos igualmente soberbos e arrogantes. E Lula — não o PT — se enterrou também na sua própria soberba. Poderia ter apoiado o Ciro Gomes, mas viu nele a possibilidade de perder o seu prestígio político e tentou eleger um mamulengo. Não conseguiu uma coisa nem outra e resta claro que ele não é infalível e tampouco o grande político que os petistas – e também seus oposicionistas – acreditavam. O raro leitor que me perdoe por encher de números a presente coluna, mas foi um jeito de tentar explicar para muita gente que me pede o que eu penso sobre o desfecho das eleições presidenciais. Como não tenho bola de cristal, usei apenas a calculadora e um pouco que ainda me resta de memória política. Tudo muito simples como um cinzeiro. Bom dia. I I Zeza Amaral é jornalista, escritor e músico

RECURSOS HUMANOS

‘Brain drain’ RUBENS MENIN

Usei deliberadamente a expressão inglesa no título desse depoimento, em substituição à equivalente “drenagem de cérebros” da nossa bela língua portuguesa, porque é com ela que o fenômeno tem sido reconhecido e interpretado neste mundo globalizado atual. O Brasil, de forma muito mais marcante do que qualquer outro país de características e dimensões semelhantes, está assistindo, atônito, um movimento sem precedentes de fuga de cérebros para o exterior, entendidos estes como a identificação de indivíduos mais qualificados e melhor educados, ainda nos estágios iniciais de sua vida produtiva. Alguns tentam minimizar as dimensões e os efeitos danosos dessa evasão de cérebros apontando a existência de outros exemplos históricos que podem parecer semelhantes à primeira vista, como a densa emigração da elite indiana para a Inglaterra ou a mais recente invasão de chineses nas universidades e nos melhores postos de trabalho dos EUA e da Europa. Mas, não são fluxos comparáveis aos originários do Brasil. Como brasileiro enraizado que sou — daqueles que nunca se imaginaram deixando o nosso país — tenho refletido muito sobre isso, para constatar as diferenças das situações que se tenta equivocadamente comparar. Os indianos antes e os chineses mais recentemente buscavam as universidades e a experiência no mercado de trabalho de países mais desenvolvidos não com o propósito de imigração permanente ou

de integração definitiva às comunidades que os recebiam. Preponderantemente, esses contingentes, citados como exemplo de comparações equivocadas, buscavam experiências, treinamento e capacitação superiores para aplicá-los em seu próprio país de origem, após o seu retorno. Tanto assim, que a maioria desses fluxos foi estimulada oficialmente ou até custeada pelos respectivos governos. A evasão de cérebros brasileiros tem características muito diferentes na maioria dos casos. Estes, não buscam um aprendizado temporário e nem costumam programar o seu retorno. Um grande número deles já parte disposto a se integrar aos países para onde vão, abertos à constituição de famílias por lá e admitindo, frequentemente, a aquisição de nova nacionalidade. Observo esse movimento com muita preocupação, não só pelas causas que associo ao êxodo, como também, e princi-

Geração ‘Nem-Nem’: soluções A Prefeitura de Campinas deu um importante passo no sentido de fortalecer uma política municipal de valorização do primeiro emprego e da aprendizagem profissional. Por meio de parceria firmada entre as secretarias municipais de Trabalho e Renda, Educação e a Fumec, viabilizada pela lei que instituiu o programa Primeiro Emprego Aprendiz

Campinas, foi criado um programa específico para a formação de aprendizes para atuarem em postos de combustíveis. A primeira turma, com 23 jovens com idades entre 18 e 23 anos, iniciou suas atividades no dia 1º de outubro. O projeto foi desenvolvido a partir de uma solicitação feita pelo Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região) para que seus associados possam cumprir de forma adequada o que determina a legislação federal referente à aprendizagem profissio-

nal. Isso demonstra a importância cada vez maior de parcerias entre o poder público e entidades privadas na busca de soluções para os graves problemas sociais que atingem nossa cidade e o País. O programa terá a duração de um ano, e envolve atividades teóricas, que serão realizadas pelo Ceprocamp (Centro de Educação Profissional de Campinas Prefeito Antônio da Costa Santos), e práticas, nos próprios postos de combustíveis. Com essa iniciativa garantimos um ingresso qualificado desses jovens no mercado de

de-se o esforço nacional aplicado na caríssima educação de boa parte deles. Esse investimento produzirá benefícios no Exterior e, quase sempre, pelo longo período produtivo esperado daqueles que ainda terão uma vida inteira pela frente. Essa conta deixa, dentro das nossas fronteiras, um déficit irrecuperável. Mas, o prejuízo maior é que esses cérebros que se evadem representam, justamente, o fator necessário para que a nossa fragilizada economia volte a se recuperar e alcance padrões superiores de produtividade e desenvolvimento. Lamentável isso. Quero concluir esse depoimento com a constatação que faço acerca de um fenômeno subsidiário, mas extremamente importante na minha visão. Identifico como causa básica para o sentimento de desalento desses cérebros fujões, a inexistência de um “propósito nacional”, ou seja, de um objetivo comum capaz de empolgar todos os brasileiros ou a sua expressiva maioria, como uma força motivadora que possa unir harmonicamente os diversos estratos nacionais, neste país tão polarizado e dividido. Para deter essa evasão, temos que, antes de qualquer outra providência, buscar a convergência de propósitos e interesses, no campo político e doutrinário. E passarmos a considerar, novamente, o nosso país como sendo a terra de oportunidades para uma vida próspera e feliz, situação a ser perseguida como propósito principal de todos os brasileiros unidos em fraternal harmonia. Não há receita alternativa. I I Rubens Menin é fundador e presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia

EMPREGO E RENDA

LUIZ YABIKU

palmente, pelos efeitos que ele produz na nossa própria economia. Identifico na raiz do problema e na motivação desse movimento, certo sentimento de desalento entre os jovens brasileiros ou mesmo entre alguns mais maduros e melhor qualificados. Para estes, o sentimento dominante é de que, permanecendo no Brasil seriam subaproveitados, perderiam as melhores oportunidades profissionais ou teriam pior qualidade de vida, para si e para os seus filhos. Muito desse desalento teria sido potencializado pela longa crise econômica que atravessamos e pela falta de perspectiva imediata de superação harmoniosa das dificuldades dela decorrentes. Mais graves ainda são os efeitos desse fluxo. A evasão de cérebros complica mais ainda o nosso já crítico panorama econômico. De um lado, porque, junto com os cérebros evadem-se também os grandes investimentos feitos na sua formação, ou seja, per-

trabalho e ainda atendemos a necessidade de um segmento econômico importante de nossa cidade. Os jovens encaminhados foram selecionados a partir do cadastro do Sine (Sistema Nacional de Emprego) Municipal, vinculado ao CPAT (Centro Público de Apoio ao Trabalhador). Os aprendizes cumprirão uma carga horária de 30 horas semanais, sendo 20 horas na empresa e 10 para a formação teórica. Procuramos abranger áreas do conhecimento que envolvam desde o conhecimento

das matérias-primas utilizadas nos postos até conceitos de atendimento e vendas. Entre as disciplinas do curso criado pelo Ceprocamp, que tem a autorização do Ministério do Trabalho, estão Saúde e Segurança do Trabalho 1, Gestão Ambiental, Informática Básica, Ética, Cidadania e Direitos Humanos, Máquinas e Equipamentos — Postos de Combustíveis, Saúde e Segurança do Trabalho 2, Gestão de Negócios e de Pessoas, Atendimento ao Cliente, Combustíveis e Óleos Lubrificantes, Matemática Básica e Estatística Aplicada, Comunicação e Expressão e Direito e Legislação. Os vencimentos desses jovens são calculados com base no valor de um salário mínimo hora e eles ainda terão di-

reito a todas os direitos trabalhistas previstos em lei. De acordo com a legislação federal, empresas de médio e grande porte são obrigadas a cumprir uma cota que varia entre 5% e 15% de seu total de funcionários com a contratação de aprendizes com idades entre 14 e 24 anos. Segundo dados do IBGE, atualmente cerca de 11 milhões de jovens brasileiros estão ao mesmo tempo fora da escola e do mercado, de trabalho, situação que passou a ser caracterizada como a “geração Nem-Nem”. Nesse contexto, ações que envolvam paralelamente a qualificação profissional e a empregabilidade ganham particular importância. I I Luis Yabiku é secretário municipal de Trabalho e Renda de Campinas

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Artigo: Geração "Nem-Nem": soluções  

Artigo publicado no jornal Correio Popular, edição de 1º de novembro de 2018, do secretário municipal de Trabalho e Renda, Luis Yabiku, sobr...

Artigo: Geração "Nem-Nem": soluções  

Artigo publicado no jornal Correio Popular, edição de 1º de novembro de 2018, do secretário municipal de Trabalho e Renda, Luis Yabiku, sobr...

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