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“Deita o cabelo!”

CORRIDA | CICLISMO | TRIATLO Nº 1 | Janeiro-Fevereiro | 2014

Onde você treina?

Especialistas apontam prós e contras dos espaços usados para a prática da corrida

Na Elite

Emerson Iser Bem relembra o dia em que deixou Paul Tergat no chinelo

Acerte a magrela

A fim de começar a pedalar? Saiba qual é a bike ideal para você

Pirados por corrida

O piracicabano está cada vez mais apaixonado pelas corridas de rua; em quatro anos, número de provas dobrou

Carol Stolf


Corre! | 3

Editorial Informação com responsabilidade É com muita alegria e energia que “colocamos na pista” esta primeira edição da revista Corre!, uma publicação voltada exclusivamente a praticantes de corrida de rua, ciclismo e triatlo de Piracicaba. A expectativa é grande, assim como foi a batalha para se chegar até aqui. Piracicaba merecia há tempos uma publicação voltada ao tema. A corrida de rua, especialmente, teve um crescimento notório em nossa cidade. O número de participantes nas competições reflete esse cenário. Contudo cabe lembrarmos dos precursores desse novo momento da corrida, de uma geração de atletas que nos anos de 1960 e 1970 levou o nome de Piracicaba a tantas competições pelo país. Mais do que representar uma nova onda, a revista Corre! é uma reverência a todos aqueles que contribuiram para o crescimento do atletismo de nossa cidade. O desenvolvimento desta revista, da ideia inicial até este primeiro número, foi baseado na opinião de gente profundamente ligada ao esporte da cidade: profissionais de assessorias esportivas, médicos, professores de educação física, atletas amadores e profissionais. A cada um deles, deixamos aqui nosso sincero muito obrigado. Suas ideias e impressões tornaram ainda mais sólida nossa linha editorial, que segue uma regra fundamental: produzir informação com responsabilidade. Nesta edição, buscamos responder a uma pergunta simples: por que a corrida de rua em Piracicaba teve um crescimento tão expressivo nos últimos anos? Nas entrevistas, o juiz José Fernando Seifarth conta sobre seu dia-a-dia entre processos, a paixão pelo jazz e, claro, a corrida. Emerson Iser Bem, campeão da São Silvestre em 1997, conta como deixou Paul Tergat comendo poeira naquela edição, e Lauter Nogueira, comentarista de esportes da Rede Globo e do SportTV, prevê os pesadelos das Olimpíadas de 2016 no Rio. A largada foi dada. Convidamos você a ser nosso companheiro neste trajeto.

EXPEDIENTE

EDIÇÃO E PRODUÇÃO GRÁFICA Castel Design arte@revistacorre.com.br 19 99112-0021

Publicação bimestral RC3 Editora - Eireli – ME

CAPA Atleta: Carol Stolf Foto: Paulo Altafin

CNPJ: 19.032.568/0001-121 Rua Marechal Deodoro, 1.341 CEP 13416-580 - Piracicaba – SP

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REDAÇÃO Eleni Destro (MTb 41.152 – SP) eleni@revistacorre.com.br 19 3374-1297 Matheus Souza matheus@revistacorre.com.br

FOTOGRAFIA Rodrigo Gosser iefoto@hotmail.com COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Joílson Ferreira (Jabá) Daniela Mendes Tobaja Alan Schlossman John Willians

COMERCIAL Luis Castel comercial@revistacorre.com.br 19 3374-3673 Informes publicitários e anúncios são de inteira responsabilidade dos anunciantes. A revista Corre! apenas os reproduz em seus espaços publicitários. Artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. A opinião dos colaboradores e entrevistados não é, necessariamente, a opinião da revista.

TIRAGEM 3.000 exemplares DISTRIBUIÇÃO Gratuita, exclusiva e dirigida para Piracicaba e cidades vizinhas


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capa

Todos na rua:

corrida vira febre em Piracicaba Reportagem Eleni Destro Fotos Rodrigo Gosser

Provas da modalidade que mais conquista os piracicabanos dobraram em cinco anos; a busca pela qualidade de vida ĂŠ apenas um dos motivos que levam tanta gente Ă prĂĄtica


4ª Corrida Turística de Piracicaba, organizada pela Chelso

Foto: Antonio Estevam

Desafio, vício, saúde, paixão, realização, prazer,

O crescimento da modalidade é embasado por

diversão, vida. Essas foram as definições dos

números. Em Piracicaba, em 2008, 4 corridas

entrevistados nesta reportagem ao descreverem

faziam parte do calendário oficial. Hoje são 8.

a importância da corrida em suas vidas. Essa

Um aumento de 100% em cinco anos.

febre ganha cada vez mais adeptos, sem

Em 2010, no Estado de São Paulo, foram

distinção de idade ou sexo. O boom do esporte

registradas 374 provas contra 301 em 2009,

em Piracicaba é visível pelo número de inscritos

segundo a Federação Paulista de Atletismo

em cada prova. Tem até fila de espera!

(FPA), que regulamentou 287 delas.


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“As corridas são uma grande festa, onde todos se encontram, de bem com a vida, por isso virou paixão” Guilherme Celso - Chelso

Oficialmente, 416.210 corredores participaram dessas provas. Isso levou a corrida ao posto de segundo esporte mais praticado no país. A Chelso é responsável pela organização de três das oito provas do calendário oficial de Piracicaba. Para Guilherme Celso, um dos sócios da empresa Chelso, o crescimento se dá pelo fato do caráter democrático do esporte, já que pode ser praticado sozinho ou em grupo. “A cada ano, o que fica mais pautado na vida de cada um é a qualidade de vida e a corrida é o

A Corrida Ilumina, realizada no dia 10 de novembro de 2013, teve recorde de inscrições, com 1.500 atletas


Corre! | 7 pedem a realização de provas”, pontua. Para ele, o esporte é uma tendência, facilitada pelo baixo custo. “É o esporte mais barato que existe. É claro que dentro disso existe um investimento elitizado. Querem uma assessoria, kits, procuram provas internacionais”. Gabriela Pacífico, diretora da Gaia Esportes, conta que em 2009, na primeira edição da Corrida Ilumina organizada pela Gaia, participaram cerca de 500 corredores. Neste ano, na sexta edição, foram nada menos que 1.500 inscritos e mais de 200 vagas de reserva. “Muitos que caminhavam passaram a correr e pelos sobrenomes percebemos que levam marido, filho, esposa para as provas”, observou Gabriela. Realizada no dia 10 de novembro, a Corrida Ilumina, que tem o objetivo de alertar sobre a prevenção do câncer e a inclusão, foi um sucesso. Este ano a Gaia organizou cinco corridas na cidade e prepara uma prova especial e inédita em Piracicaba, com 12 horas de duração.

Foto: arquivo Gaia

esporte ideal para se conquistar isso. As corridas são uma grande festa, onde todos se encontram, de bem com a vida, por isso virou paixão”, afirmou. Um dos dinossauros da modalidade em Piracicaba é Nilton Cardoso, também sócio da Chelso. Ele começou a organizar provas há cerca de 15 anos, na raça, com a NC Promoc, que se fundiu à Goya, de Celso, e virou a Chelso. “Não são os organizadores que estão levando os atletas às corridas. Os atletas, pessoas normais,

POLO A exigência dos atletas é o grande desafio das empresas organizadoras, que precisam fazer com que a próxima corrida seja mais atraente que a anterior. Isso se dá na escolha de novos percursos e até na montagem dos kits, que viram itens de coleção para os corredores, além de ser vitrine para os patrocinadores, que também exigem perfeição para atrelar o nome de sua empresa às provas. E graças ao trabalho das empresas organizadoras, Piracicaba pode ser considerada hoje um polo da corrida de rua na região. “Piracicaba pode ser considerada um polo porque oferece corridas de qualidade que antes só em Campinas aconteciam”, conta Gabriela. Três cidades da região terão provas organizadas pela Gaia de Gabriela Pacífico em 2014. É experiência piracicabana na indústria da corrida exportada para a região.


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PROVAS DO CALENDÁRIO OFICIAL 2008 Corrida Cidade de Piracicaba Corrida Noturna da Pizzaria Micheluccio Corrida Ilumina Corrida São Nicolau

Fonte: Chelso

COM MODERAÇÃO “A palavra-chave é moderação”, alerta a personal trainer Luciana Maluf Chain de Oliveira. Luciana ressalta os benefícios da corrida, mas reforça que para que seja uma atividade física sustentável e duradoura, é preciso estar atento à maneira como ela está sendo desenvolvida e praticada. “Comparando o treinamento da corrida com uma construção, iniciamos os treinos desenvolvendo uma base sólida e resistente por meio do fortalecimento muscular. A cada treino, aplicam-se incrementos lentos de minutos de corrida, para que seu organismo (músculos, articulações e ligamentos) possa se adaptar àquele novo gesto mecânico”, observa.

2013 Maratona de Revezamento JP Corrida Jequitibá Corrida Turística de Piracicaba Corrida Cidade de Piracicaba Corrida Gazeta de Piracicaba Corrida Trifato e Shopping Piracicaba Corrida Special Run Corrida Ilumina

Foto: Shutterstock

CORAÇÃO Tá. Esporte democrático, com investimento pequeno, pode ser praticado em qualquer lugar etc etc. Mas se você também já se apaixonou pela corrida ao ler esta reportagem saiba que é preciso se informar muito bem antes de calçar os tênis. O cardiologista Luis Fernando Barone, da Clínica VittaCor, avisa que a avaliação física é essencial antes de sair correndo. Uma consulta médica e a realização de alguns exames, como o eletrocardiograma, são indicados. Na triagem para os exames são analisados os fatores de risco para as doenças do coração, entre eles idade, sexo, tabagismo, diabetes, colesterol, herança genética, obesidade. O teste cardiopulmonar da VittaCor é muito procurado pelos atletas amadores, para utilização de planilhas de treinamento individuais. Com ele, é possível obter informações importantes e, além de praticar a corrida com segurança, melhorar a performance. Barone é referência na área em Piracicaba porque dá o exemplo. Começou a correr há cerca de 15 anos e não parou mais. Hoje são sete maratonas no histórico, que deixam o doutor orgulhoso, entre elas a de Nova York, Chicago e Lisboa. “Escolhi a corrida porque poderia praticar em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer clima. Os benefícios são a curto prazo. Em três ou quatro meses já dá para sentir a melhora”. E os benefícios são muitos. Barone cita a redução de peso, da pressão arterial, glicemia, triglicérides e aumento do HDL, o tal do bom colesterol. “Há também a liberação de substâncias que dão bemestar, como a serotonina e a adrenalina”, observa Barone. “Também melhora a auto-estima, o sono e a vida sexual”.


Corre! | 9 A disciplina é essencial para a evolução e para a sustentação dos resultados obtidos. Ela também alerta que é bom evitar comparações com outras pessoas, até que se tenha atingido um bom volume de treino e tempo de corrida. “Nesta etapa, o pensamento não deve focar em participação em provas”, diz. Trabalhar velocidades e treinos intervalados deve ser o próximo passo, junto com o fortalecimento muscular e alongamento, para daí, sim, chegar às provas. O próximo passo é começar a “subir as paredes da construção”, trabalhando mais com velocidades e treinos intervalados, ao mesmo tempo com o trabalho de fortalecimento muscular e alongamentos. “A partir daí, a participação em provas de corrida de rua, na praia, com os amigos, torna-se interessante e motivadora”, afirmou Luciana.

Para correr bem e correr sempre • Estabeleça metas que tenha condição de cumprir, sem se desesperar • Não queira superar sempre seus limites de tempo e quilometragem: isso lhe trará prejuízos a longo prazo, como lesões • Não tenha pressa na evolução do seu treino. Os aumentos de intensidade e quilometragem devem ser introduzidos em doses baixas, sustentando cada etapa conquistada • Não inicie um programa de treino hoje, pensando que daqui a dois ou três meses estará participando de provas de 5 e 10km. Vá com calma! • Não deixe de fazer exercícios de fortalecimento muscular, principalmente para posteriores de coxa, glúteos e musculatura do core, os músculos internos do abdômem. Alongamentos pós-treinos também são essenciais • Desconfortos articular e muscular constantes podem ser sinal de alguma lesão se instalando. Cuide para que isso não evolua • Cuidado com treinos tirados de aplicativos e revistas. Nem sempre eles estão adaptados para seu organismo • Procure um profissional capacitado que possa lhe transmitir todas as informações e cuidados necessários para que a corrida faça parte da sua vida por muitos anos • Pense: você que hoje tem 30-40-50 anos e quer correr pelo menos até os 80, se abusar e se desgastar demais, não vai longe. Portanto, moderação! Fonte: Luciana Maluf Chain de Oliveira, personal trainer

SAMURAIS Um de seus alunos classificou seus treinos como “dignos de samurais”. Seriedade e disciplina são duas das principais características do personal trainer Rodrigo Murakami, especialista em fisiologia do exercício, que bota muita gente pra correr na cidade. O trabalho de Murakami consiste em “criar um ambiente de sucesso”, como ele define, para que o aluno alcance seus objetivos. Para isso, Murakami estuda a parte física do aluno, com análise da biomecânica e da condição muscular, para daí potencializar o tipo de treino. Mas não para por aí. Ele também recomenda nutricionista, observa os horários e local ideais para os treinos, as roupas adequadas (de acordo com o horário e local), o tipo de monitor cardíaco que vai atender àquele aluno, além de tênis adequado. A assessoria é completa. A visão romântica de que para correr basta calçar um par de tênis e sair em disparada cai por terra em poucos segundos de conversa com o treinador. A lista de recomendações de Murakami inclui, além de sua assessoria, consultas ao cardiologista e nutricionista, e investimento em monitor cardíaco e suplementos, entre outras, que chega a um valor de pouco mais de R$ 2.000, no


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início. “Para manter o treino será preciso investir na assessoria, suplementação e troca de tênis de seis em seis meses”, avisa.

Quer começar a correr?

Saiba qual será seu investimento inicial Assessoria de corrida – De R$ 150 a R$ 400 Consulta com cardiologista – De R$ 200 a R$ 400 Consulta com nutricionista – De R$ 150 a R$ 250 Monitor cardíaco – R$ 800 Suplementação – R$ 320 Fonte: Rodrigo Murakami – Atividade Física Personalizada

FOCO, FOCO! Empresários, executivos, estudantes com ensino superior, bem-sucedidos, disciplinados e com idade a partir de 35 anos. Esse é o perfil básico das pessoas que procuram sua assessoria esportiva para começar a correr. “Quem me procura quer um tempo para cuidar de si mesmo. É dedicado e foca 100% para ter o resultado”, completou. E os objetivos também são variados, que podem ser desde a busca pelo emagrecimento, para melhorar o tempo, realizar o sonho de correr10 km ou uma maratona. E o mestre dá o exemplo. Em três anos foram três maratonas: em 2013, no deserto do Atacama, Chile; em 2012 ficou em 3º lugar em sua categoria em prova em Assunção, Paraguai, e em 2011 alcançou a segunda colocação em Punta Del Este, Uruguai. EXEMPLO “Meu pai tem uma série de problemas cardíacos e quando descobriu essas doenças seus médicos recomendaram que ele praticasse esportes. Então durante anos via meu pai correr enlouquecidamente para se preparar e participar de provas e sempre achei interessante. Mas comecei a correr em 2000. No começo senti muita dificuldade, pois nunca tinha corrido

O personal Rodrigo Murakami e a aluna Maria Amorim

antes. Aliás, muito pelo contrário, sempre fui muito sedentária. Mas quando fui melhorando minha performance e participando de provas me apaixonei. Nos dias que corro fico mais calma e mais feliz. E com essa rotina de exercícios e um acompanhamento de uma nutricionista perdi 10 quilos e nunca estive tão saudável.” Maria Amorim Queen, 39, formada em sociologia

VIDA NOVA “Comecei a correr em 2012. Fiz um transplante renal em 2006 e fiquei praticamente seis anos preocupado com a saúde, medindo as ações para não ter rejeição do órgão. Em dezembro de 2011 vi uma reportagem de um atleta transplantado, Haroldo Costa, conversando com o Guga (Gustavo Kuerten, tenista). Na época ele fazia hemodiálise e assistia o Guga jogando. E começou a praticar tênis e a participar dos Jogos Mundiais dos Transplantados. Eu não


personas

Corre! | 11 EM FAMÍLIA “Comecei a correr em maio de 2010. Foi algo inusitado. Estava fazendo uma caminhada na Esalq quando um senhor de uns 70 anos passou correndo. Mal terminei a minha volta e ele me passou pela segunda vez.

Foto: Acervo pessoal

conhecia os jogos e disse: vou participar. Foi como criar uma meta, um sonho. Fui correr. Pensei: há outros objetivos, que é incentivar a doação de órgãos, mas eu quero ser competitivo também. Aí conheci o Rodrigo Murakami e comecei a praticar com acompanhamento específico em fevereiro de 2012. No período de um ano emagreci 15 quilos. Coloquei a meta de participar dos Jogos de 2013, na África dos Sul, e fomos trabalhando juntos. No fim de outubro, nos Jogos Latino Americanos dos Transplantados, participei de corridas de 200m, 400m, 800m, 1.500m e 5.000m e peguei dois segundos lugares. Nos países onde acontecem os Jogos Mundiais, aumenta em torno de 25% a 30% o número de pessoas que querem fazer a doação de órgãos. No final de julho tive a oportunidade de participar dos Jogos Mundiais da África,

Margato: torcida em família

Dinael Wolf

onde havia 2.000 pessoas. Tive interação com pessoas do mundo inteiro, que mostraram que é possível levar uma vida normal após o transplante. A corrida é uma oportunidade de celebrar a vida após o transplante e divulgar a importância da doação de órgãos.” Dinael Wolf, 42, engenheiro eletrônico

Aquilo mexeu comigo. Olhei para os lados para ver se ninguém estava me vendo e arrisquei os primeiros passos. Escolhi a corrida porque é um esporte desafiador e que depende somente de mim. O mais importante é curtir o envolvimento e ter o apoio da minha família. A partir do momento em que me dediquei completamente à corrida, toda a minha família passou a viver intensamente um novo estilo de vida, mais saudável e com muito mais Deus em suas mentes e corações. Não que antes era diferente, mas todos, inclusive eu, percebemos de uma forma real, que na vida são os momentos presentes e não uma linha de chegada ou um objetivo futuro que faz você ser mais feliz ou realizado.” Percival Margato Junior, empresário


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tudo, pressão, triglicérides. Comecei pedalando e depois passei para a caminhada e para a corrida. Não tinha noção nenhuma, mas por meio da assessoria comecei fazendo a coisa direito e nunca me machuquei. Hoje já corro distâncias bem longas. Fiz a Maratona do Rio, em julho. Programo viagem junto com as corridas e levo a família. Virou um prazer, um hobby”. Vanger da Rocha, 37, funcionário do Ministério Público Federal

AUTOCONHECIMENTO “Comecei a correr aos 19 anos, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, incentivada pelo meu namorado na época, que hoje é meu marido: Mestre Marcos... O via ouvindo música, trilhando caminhos novos, parecia se divertir muito. Foi quando parei de esperá-lo e resolvi acompanhá-lo! No começo andava e corria, e aos poucos fui melhorando e aumentando meu fôlego. Hoje tenho que conciliar meu trabalho, casa, filhos e tudo mais com os treinos e provas. Virou hábito, necessidade, aprendi a vencer desafios, conhecer meu corpo e aprender com os muitos amigos que conheci. Os troféus e o patrocínio da assessoria de corrida EPJ vieram sem que eu percebesse, mas foi tanta felicidade que resolvi treinar mais para ´vencer` e tornar a vida mais bonita em todos os sentidos!!!” Carol Stolf

Foto: Paulo Altafin

MAIS SAÚDE “Cheguei à corrida por causa da saúde mesmo. Era obeso, tinha colesterol alto, pressão alta. E meu cardiologista, que também corre, o doutor (Luís Fernando) Barone, me recomendou a corrida. Comecei a correr com assessoria. No começou foi por causa da saúde, mas aí gostei, viciei e comecei a fazer por prazer. Antes da corrida pesava mais de 100kg e hoje peso 75 kg. Perdi mais ou menos 30 kg correndo, em cerca de 1 ano e meio. Vanger da Rocha Para mim foi muito bom por questões de saúde e de prazer porque você acaba conhecendo muita gente. A corrida proporciona isso também: fazer novas amizades. Sempre fazia exames de rotina e em uma determinada época meus exames estavam todos alterados. Era sedentário. E meu cardiologista me alertou, me sugeriu o esporte para regular

Carol Stolf, 35, designer de acessórios


fica a dica

Cheia de encantos Correr junto aos cartõespostais de Piracicaba não tem preço; saiba as vantagens e desvantagens dos locais mais procurados para a prática do esporte

Sombra, beleza e ineditismo são algumas características apontadas por corredores sobre a Esalq; asfalto com inclinações laterais é ponto negativo

Reportagem Matheus Souza Fotos Rodrigo Gosser

Vai correr hoje? Calce os tênis, escolha seu lugar favorito e aproveite. Em Piracicaba, opções não faltam para quem deseja dar suas passadas, seja num treino de alto rendimento ou numa caminhada despretensiosa de fim de tarde. As ruas do campus da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), a área de lazer do Parque da Rua do Porto e a avenida Cruzeiro do Sul são alguns dos “picos” mais procurados para a prática da corrida e da caminhada em Piracicaba. Pistas localizadas na região do Piracicamirim, Estação da Paulista e Cecap, sem contar as avenidas Independência e Carlos Botelho, também reúnem todos os dias um público bastante diversificado. Cada um desses locais, porém, conta com características específicas, com detalhes que merecem ser considerados para se obter prazer na prática do exercício. Pensando nisso, a revista Corre! conversou com um especialista em treinamento e


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corredores, que passaram as suas impressões. “Em Piracicaba existem lugares que não acabam mais para se correr, mas é importante preocupar-se sempre com o piso para evitar lesões ao máximo”. Esse é o principal conselho de Alan Schmidt, professor de educação física e personal trainer da Bio Eco Esportes. “As pistas localizadas na área de lazer da Rua do Porto e na avenida Cruzeiro do Sul são locais que contam com marcações regulares das distâncias. O Parque da Rua do Porto, além das demarcações, conta também com um trajeto bastante plano. Já a Esalq possui pistas mais inclinadas em ambos os lados para o escoamento da água da chuva”, disse ele. ATENÇÃO COM AS LESÕES De acordo com Schmidt, deve-se tomar cuidado com alguns percursos realizados dentro do campus da universidade da USP. “É comum ouvir queixas relativas a dores nas panturrilhas, joelho, tornozelo ou quadril, causadas justamente por causa dessas inclinações de quem corre somente na Esalq, principalmente

na área do círculo central (em frente ao prédio principal)”, explicou, lembrando que outros locais da universidade contam com trechos bem mais planos. Alan indicou pistas como a do Piracicamirim e da Estação da Paulista também como boas opções para treinos. “É tudo uma questão de se pensar no tipo de treino que você vai aplicar no aluno. A pista do Piracicamirim conta com 500 metros demarcados. O trajeto da Estação da Paulista, além de ser demarcado, tem também um pouco de subida”, disse. PARA CORRER ALÉM DA CIDADE O técnico da Bio Eco Esportes também apontou trajetos localizados fora do eixo EsalqRua do Porto. “Eu gosto muito de algumas rampas-chave que existem na cidade, como as do bairro Monte Alegre. Lá existe um trajeto com muitas subidas. A própria rodovia Luiz de Queiroz (SP-308) também conta com um trecho de cerca de 3 km só de subida”, apontou Schmidt, sempre lembrando da questão do piso.

O personal trainer Alan Schmidt destaca o trajeto plano da pista do Parque da Rua do Porto


Corre! | 15 Opinião de corredor Área de Lazer (Parque da Rua do Porto) “A passarela cimentada e a trilha na grama oferecem um ótimo local de treino. Estacionamento fácil (menos aos domingos), sombra, diversos pontos com água e uma relativa sensação de segurança (conta com uma base da Guarda Civil). É bastante arborizado e tem ainda um lago muito bonito, que em dias muito secos ajuda os corredores mantendo a umidade do ar mais alta no local.” Nilson César de Souza, 36, publicitário, treina 3 vezes por semana

Pista do Piracicamirim tem 500 metros bem demarcados

BOM, PERO NO MUCHO Apesar de avaliar de forma positiva uma boa parcela das áreas para a prática da corrida, Alan apontou algumas questões que ainda deixam bastante a desejar em Piracicaba. Desrespeito por parte de motoristas, calçadas irregulares e asfalto em péssimas condições em algumas vias ainda indicam um longo caminho de modernizações e uma maior tomada de consciência por parte dos cidadãos. “Isso não é relativo apenas para quem corre, mas também para quem pedala. Não existe um favorecimento a quem quer correr ou pedalar pela cidade. Não vemos respeito por parte de motoristas. Temos tantas pessoas aqui na cidade que desejariam se deslocar de casa ao trabalho, ou vice-versa, correndo ou pedalando, mas que por conta da estrutura viária atual simplesmente não podem. Muitas ruas estão sem as mínimas condições de qualidade do asfalto, cheias de buracos e ondulações. Para quem corre, por exemplo, as calçadas são completamente irregulares, sem qualquer tipo de padrão. Imagine isso para os cadeirantes? Uma pessoa que usa cadeira de rodas, por exemplo, simplesmente não pode praticar corrida em Piracicaba. É praticamente impossível com a estrutura viária que temos hoje”, disse Schmidt.

Campus da Esalq “Para mim, a Esalq é um dos lugares mais gostosos para se correr em Piracicaba. Gosto da paisagem, da brisa fresca e dos lugares diferentes. São muitos os trajetos alternativos, não fica um treino repetitivo. Para correr 10 km na Esalq você não precisa passar pelo mesmo lugar, como é o caso da Área de Lazer, por exemplo. Sem contar que as ruas da Esalq são amplas, o pessoal que caminha não atrapalha quem corre e vice-versa.” Márcio Mendes, 43, administrador, treina 4 vezes por semana

Avenida Cruzeiro do Sul (Nova Piracicaba) “Lá existe uma pista de terra, mais exigente pela falta de tração, e que absorve os impactos. É bem servida de bebedouros, seu percurso é plano e com bastante sombra. Só fica uma ressalva para alguns casos de assaltos em horários de pouca circulação e para a presença de pedras e raízes pelo trajeto que podem causar acidentes”. Marcos Borges, engenheiro mecânico, treina 3 vezes por semana

Pista da Estação da Paulista “Moro há cinco meses em Piracicaba, e gosto bastante do lugar por ser próximo à minha casa e também por ter um clima tranquilo, bem família mesmo, com um piso adequado, plano. Acho que poderia apenas melhorar um pouco na questão da segurança. Não vejo muitos guardas pelo local”. Edson Bruno Oliveira Menezes, 27, professor de educação física Na Estação da Paulista, a subida favorece treinos mais específicos


personal Foto: Rodrigo Gosser

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O personal e os treinos de corrida As pessoas estão cada vez mais tomando consciência da importância de se realizar exercícios físicos regularmente na busca por uma boa qualidade de vida, e não somente para obter melhorias em sua aparência. Sou frequentador dos parques de Piracicaba, em especial a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP), e tenho constatado o crescente número de pessoas de todas as idades praticando caminhada ou corrida, o que mostra que esse esporte tem

“Um personal trainer certamente deixará seus treinos mais prazerosos, produtivos e seguros.”

se destacado. Mas quais as vantagens de se praticar corrida? Eu digo que muitas são as vantagens, como a queima de gordura, a aceleração do metabolismo, a melhora da memória e atividades cognitivas, a melhora na quantidade e qualidade do sono, o fortalecimento do sistema imunológico e do coração. Mas acima de tudo, ressalto a realização pessoal, o prazer e a sensação de liberdade que a corrida lhe dá. Além desses benefícios diretos, ressalto que quando uma pessoa se compromete a participar de uma corrida de rua e inicia seus treinos, inevitavelmente, ela melhorará seus hábitos alimentares, sua vida social e seu comprometimento com as atividades físicas, tudo para atingir seu objetivo: terminar a corrida, comemorar e começar a pensar no seu próximo desafio. Os 5 km que antes pareciam impossíveis são superados. Os 10 km chegam e são superados, e quando menos se espera, uma maratona é vencida!

Mas fique atento: para desfrutar de todos esses benefícios e atingir seus objetivos pessoais sem sofrer lesões, não se esqueça de buscar a orientação de um profissional que saiba trabalhar e respeitar a sua individualidade: o personal trainer. O personal trainer irá desenvolver um programa de treinamento que buscará a manutenção do equilíbrio físico, psíquico, mental, emocional e social, contribuindo com a sua qualidade de vida. Esse profissional irá conduzi-lo no caminho da educação para a saúde. Uma grande vantagem de se ter um personal trainer é que ele poderá programar seus treinos de corrida ao ar livre, em academias ou em sua própria casa, caso você possua uma esteira. Dessa forma, dias de chuva e frio não serão mais empecilhos ao seu treino. Além disso, o profissional certamente lhe indicará treinamentos complementares como musculação e ciclismo, visando melhorar o seu desempenho nas corridas. Portanto, independentemente de seu objetivo, corridas de 5 km e 10 km, meiamaratona, maratona, ultramaratona, a orientação de um personal trainer certamente deixará seus treinos mais prazerosos, produtivos e seguros. O personal tem formação e competência suficientes para que você confie em seu trabalho para desenvolver um treinamento individualizado e produtivo. Joilson da Silva Ferreira, o Jabá, é professor de educação física, pós-graduado em exercícios físicos para reabilitação cardíaca e grupos específicos


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internacional

Gringo na

pista

Reportagem Eleni Destro Fotos Rodrigo Gosser


Corre! | 19 Piracicaba recebeu a visita do treinador

O treinador e preparador

americano John Baker Williams duas vezes

físico norte-americano John

neste ano. A fera do treinamento esportivo

Williams fala à Corre! sobre

esteve na cidade em julho, para ministrar um

seu trabalho com atletas de Piracicaba

workshop na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), e em outubro, para acompanhar de perto a performance dos atletas da Noiva da Colina nos 77º Jogos Abertos, em Mogi das Cruzes. A cidade ficou em terceiro lugar na competição. John mantém em Atlanta, EUA, o centro de treinamento Unlocked Fitness, onde faz um trabalho de alto rendimento e reabilitação de atletas amadores e profissionais, no qual se aplicam conceitos inovadores para promover melhoras significativas em força, velocidade, agilidade e flexibilidade. Nos Abertos, ele deu suporte, principalmente, ao atletismo piracicabano. John veio ao Brasil a convite da triatleta Nise Lanna, também uma super incentivadora do atletismo piracicabano. E essa parceria, que também envolve a Prefeitura de Piracicaba, por meio da Selam (Secretaria Municipal de Lazer, Esportes e Atividades Motoras), deve render bons frutos: “A ideia é criar um intercâmbio entre Brasil e EUA. Conseguir patrocínio para levar nossos atletas para lá e trazer atletas americanos para Piracicaba”, contou Nise. Em entrevista exclusiva à revista Corre!, John falou sobre seu trabalho, que privilegia o ser humano em primeiro lugar, a confiança em si mesmo em busca de altos rendimentos. Confira os principais trechos. Nesta edição você também encontra um artigo em que John fala

O treinador americano John Williams e atletas da Selam na pista do Sesi Piracicaba

de suas impressões sobre o que viu e viveu por aqui. Boa leitura!


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O meu trabalho é baseado em melhorar a performance humana.

Corre! - Fale pra gente sobre o trabalho que você desenvolveu em Piracicaba. John Wiliams - Um dos objetivos principais foi trazer uma tecnologia de treino para Piracicaba e para o país. O que eu encontrei no Brasil da primeira vez que vim, em julho, foi uma receptividade muito grande às novas técnicas, novas tecnologias e métodos de treino. Em julho, fiz um workshop na Unimep e visitei centros de treinamento em São Paulo, Campinas e na região de Piracicaba. Fiquei muito animado com o que vi. Piracicaba e o Brasil estão prontos para dar um novo passo no esporte profissional. C! – Como é esse treinamento que visa melhorar força, agilidade, flexibilidade e velocidade com risco mínimo? JW - Cada uma dessas qualidades requer habilidades e técnicas específicas de treino para serem alcançadas. O trabalho é baseado primeiramente em uma organização de como o atleta deve fazer para adquirir cada

uma delas. Se você puder manter essas qualidades em um atleta, obviamente a performance dele vai aumentar. Ao mesmo tempo faço um trabalho para evitar lesões.

C! – Quais atletas conhecidos você já treinou? JW - Entre os grandes nomes que treinei estão o atleta de salto em distância Dwight Phillips (medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e campeão mundial por quatro vezes, que está se aposentando este ano); Carina Moreno, atleta olímpica de boxe, da Califórnia; Mike Hazle, lançador de dardo; a tenista Naiara Junior e Nicole Davis, que está se preparando para as Olimpíadas (Nicole acompanhou John na viagem a Piracicaba). C! – Qual a diferença entre treinar um corredor e um tenista, por exemplo? JW – O meu trabalho é baseado em melhorar a performance humana. Nesse sentido, cada esporte vai requerer habilidades diferentes e técnicas diferentes, mas ainda assim estou trabalhando com performance.

Apesar dos aspectos técnicos não recaírem sobre mim, mas sobre cada indivíduo, trabalhar muito bem e conhecer o atleta é um dos requisitos para conquistar a melhoria da performance. Infelizmente, nos EUA muitos treinadores de elite não veem esse trabalho como uma parceria, mas como competição. Acredito que é muito importante estar próximo do seu atleta, identificando as deficiências dele e trazendo um trabalho de diagnóstico dessas deficiências e a solução de cada uma delas. Existem esses dois polos que devem ser considerados: aquele profissional que vai fornecer para o atleta os aspectos técnicos e aquele que fornece o bem-estar e a saúde. Na minha concepção, esses dois polos deveriam estar contidos em um único trabalho, que é o que venho tentando fazer. Uma coisa que me deixou muito feliz em Piracicaba é que percebi o quão abertos os treinadores estão para entender essa concepção e procurar praticar isso no seu trabalho.


Corre! | 21 C! – A reportagem da Corre! imaginava que você fosse um cara mais velho, mais experiente. Conte um pouco sobre sua carreira e o que o levou a se tornar um treinador ainda tão jovem. JW – Estou muito feliz em desapontá-los pela questão da idade (risos). Tenho 41 anos agora. Estive envolvido com o atletismo por muitos anos da minha vida e depois com basquete, futebol americano, caratê, taekwondo, aikido e motociclismo, profissionalmente. Afastei-me da carreira de atleta profissional quando decidi me dedicar aos outros, ajudar os atletas em início de carreira a serem bemsucedidos. Conviver com todos os esportes, conhecer as características de cada um trouxe essa consciência de que melhorar cada componente individualmente vai melhorar o conjunto. Os jovens treinadores deveriam, sim, criar controvérsias dentro do que é a performance humana. Chegamos a um patamar no qual as pessoas estão usando muito suplemento para conquistar músculo, performance, rendimento, coisas funcionais. Acho que não é preciso. No momento em que um jovem treinador, com cabeça aberta, começa a tomar para si o desafio, ir a fundo para ver o que há dentro do atleta, ele pode explorar um universo inteiro. C! – A corrida está virando uma febre. No Brasil, em Piracicaba... Isso é uma tendência mundial? JW – Este não é um fenômeno novo. É um fenômeno que está voltando. Nos anos 1970 houve uma febre muito grande, quando a Nike deu um salto quântico por causa da corrida. É um esporte acessível à maioria das pessoas e não requer um alto nível de conhecimento técnico. É socialmente bacana porque não requer muito dinheiro para praticar, poucos equipamentos e não precisa de academia. Onde você estiver você pode praticar.


nutrição Foto: Rodrigo Gosser

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“No dia da prova, faça um bom e completo café da manhã duas ou três horas antes.”

Dicas para entender seu corpo A participação em corridas de rua vem aumentando significativamente nos últimos anos. Além dos benefícios para a saúde, a prática desse esporte não requer altos custos, o que a torna atraente para muitos praticantes. As provas variam de 5, 10, 21 e 42 quilômetros e todas elas requerem um cuidado extra com a alimentação e orientações mais específicas. Comer adequadamente nos dias que antecedem a prova é muito importante, porém, não é determinante para um bom rendimento esportivo, mas sim para o estado nutricional do nosso corpo. Alguns exemplos simples, no dia a dia, podem lhe ajudar a saber se sua alimentação está adequada ou não para seu corpo. A presença de um ou mais sintomas pode ser uma provável deficiência alimentar. Entre os exemplos estão câimbras, urina noturna, diarreia ou fezes sem formato uniforme e manchas brancas nas unhas. Em contrapartida, muitas vezes a alimentação está correta, porém, a absorção não está sendo adequada por algum motivo ou o gasto de determinado nutriente está aumentado. Isso pode ocorrer em casos de estresse; pouco sono ou sono leve; em casos de rinite, sinusite, dermatites, amigdalite entre outras manifestações do sistema imunológico; presença de luzes no cabelo e o uso de medicamentos (inclusive anticoncepcionais). O nosso corpo é muito complexo e não se resume em macronutrientes: carboidrato, proteína e gordura. Não se resume em apenas se alimentar. Temos que ingerir, digerir, absorver e utilizar. Além disso, somos diferentes uns dos outros, portanto, com necessidades únicas. Um alimento que faz bem para um, não necessariamente fará bem para o outro. De uma forma geral, nos dias que antecedem a prova consuma muitas frutas, verduras, carboidratos integrais e lembre-se sempre de tomar água, mesmo quando não estiver com sede. No dia da prova, faça um bom e completo café da manhã duas ou três horas antes, consumindo, além de frutas e carboidratos integrais, proteínas de rápida absorção. Nunca teste nenhum alimento ou suplemento no dia da prova. Ingira mais um pouco de carboidrato entre 30 e 40 minutos antes da prova se sentir que está ansioso. Durante a prova, mesmo nas consideradas curtas (até uma hora) é muito importante repor líquidos. Isotônicos ou carboidratos são mais recomendados após uma hora ou para atletas de alto rendimento. Logo após a prova, a hidratação continua sendo primordial e uma sugestão é a água de coco. Um pouco depois procure fazer uma refeição completa. Lembre-se que a sua recuperação é feita nas próximas quatro horas, portanto, não coma e depois fique um longo período em jejum. E não é porque seu gasto calórico foi alto que você está liberado para comer açúcar, frituras ou refrigerantes. Neste momento o seu corpo, que foi muito exigido, precisa da sua ajuda para se recuperar e não somar mais deficiências nutricionais. Boa prova! Daniela Mendes Tobaja é nutricionista esportiva e funcional


24 | Corre!

Foto: Shutterstock

Pra

Reportagem Matheus Souza Ilustração Tomás Simoni


Corre! | 25

dentro ou pra fora? A escolha de um tênis adequado ao tipo de pisada é tarefa costumeira para muitos corredores. Identificar o tipo de pisada é algo tão importante atualmente quanto saber o tamanho do calçado. As marcas, por sua vez, nunca investiram tanto em tecnologia (e marketing) dos seus produtos. Mas até que ponto eles ajudam na melhora do desempenho e do conforto? O especialista em medicina esportiva e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), Ivan Pacheco, analisa o tema com cautela. “As pessoas possuem pisadas diferentes e este universo é tão grande que seria impossível fabricar tênis para cada uma. Mas, basicamente, foram reunidos pela indústria em três grandes grupos - neutro, pronado e supinado. Já foi um grande avanço, essa especificidade ajudou imensamente. O problema é o exagero e os erros de interpretação que estão causando”, disse ele. Para o fisioterapeuta Lucas Vitorino, de Piracicaba, a discussão vai além de se identificar se o pé é neutro, pronado ou supinado. Para ele, a análise isolada da pisada pode causar impactos em outras áreas do organismo. “É preciso saber se esse pé, biomecanicamente, possui harmonia com outras estruturas do corpo. Deve-se avaliar o organismo como um todo para observar se a pisada influencia a postura”, explicou. “Há casos onde um pé é supinado e o outro neutro. Ou ainda, um pé pode ser mais pronado que o outro. Se apenas a pisada é corrigida, podem

Os tênis indicados para cada pisada são a bola da vez. Até onde eles ajudam? ocorrer lesões nos joelhos, quadril ou coluna”, disse. O diretor da SBMEE concorda em parte com a questão. “Corrigir algo que está errado, e feito cuidadosamente, não é para trazer problemas. Mas isto ocorre porque há um exagero na busca destas correções, até um exagero mercadológico. Estatisticamente, nem todas as pisadas estão dentro da linha mediana e nem por isso devemos considerar como anormal”, disse. “Um pequeno desvio de um hálux (osso que compõe o dedão do pé), por exemplo, pode causar dor em um corredor, e não trazer nenhum problema em outro. Estamos esquecendo a individualidade biológica de cada um”, concluiu Pacheco. ATENÇÃO NA HORA DA COMPRA Coloridos, com sistemas de amortecimento em gel, com ar, com placas de plástico ou mesmo os minimalistas, sem qualquer tipo de amortecimento. Opções de tênis hoje não faltam para quem deseja “soltar a chinela” nos treinos. Porém, a atenção a detalhes básicos é muitas vezes passada despercebida – e não apenas pelo consumidor-corredor. “Muitas pessoas que giram ao redor de um corredor não foram treinadas para entender estas diferenças, desde alguns médicos e treinadores, passando pelos próprios corredores, até alguns vendedores”, explica Pacheco. “Já atendi no consultório pessoas que possuíam pés pronados e que tinham comprado tênis para pés supinados. Há uma necessidade de um maior treinamento nesta área”. Proprietária de uma loja especializada em tênis para corrida de Piracicaba, Ariane Belardin


26 | Corre!

“Nós conduzimos nossas pesquisas baseados em dados de biomecânica, anatomia, materiais e pela própria experiência e pontos de vista dos corredores” Tomoyuki Yonekawa, gerente global da Mizuno

destaca a mudança no perfil dos consumidores com o passar dos anos. “O relacionamento com os tênis era uma coisa mais ligada às academias. Muitos clientes chegavam até aqui e se impressionavam com a variedade de tênis coloridos. Hoje esse cenário mudou, e a corrida talvez seja o principal fator. O público hoje está muito mais informado”, disse ela.

Pronada Há uma rotação interna excessiva do pé e do tornozelo. Desta forma, mais tensão é posta na estrutura do pé, o que pode desalinhar o tornozelo, os joelhos e os quadris.

CONCORRÊNCIA SAUDÁVEL

Supinada É o oposto da pronação e descreve uma situação em que o pé rola para o lado de fora. As forças durante o ciclo da pisada não são distribuídas igualmente pelo pé, que possui o arco alto e não tem sua mobilidade afetada.

O médico Ivan Pacheco destaca a preocupação da indústria em produzir tênis tecnologicamente perfeitos. Revista Corre! - A partir de quais necessidades as fabricantes de tênis passaram a desenvolver calçados específicos para cada pisada? Ivan Pacheco - A partir do momento em que o esporte se tornou mais exigente, o número de praticantes aumentou significativamente e a biomecânica foi introduzida na indústria. Nenhum dos fabricantes gostaria de ter sua marca associada a um aumento de problemas musculoesqueléticos e concorrência trouxe esse benefício. Hoje as indústrias gastam fortunas em pesquisas e isso nos beneficia.

Neutra

a

A pisada neutra é o tipo ideal de pisada, já que equilibra pronação e supinação e cria uma absorção de choque eficiente na fase de apoio da pisada. O arco do pé tem altura média e o calcanhar permanece em posição vertical com relação ao solo.


Corre! | 27

Fotos: Divulgação

C! - Um tênis pode corrigir a pisada de um corredor? IP – Pode, sim. Uma pessoa que possui um pé plano valgo (pronado), por exemplo, irá melhorar com um tênis com suporte do arco medial do pé, um contraforte firme e uma elevação da borda interna do calcâneo. Esta é a proposta do tênis para pé pronado. Isso pode ser corrigido também com a confecção de palmilhas. C! - O que um corredor deveria considerar na compra de um tênis? IP - Procurar determinar primeiramente que tipo de uso vai fazer do seu

tênis. Se for para caminhar e não tiver problemas musculoesqueléticos, não precisa de um “supertênis” com a melhor absorção de impacto. O impacto da caminhada é fisiológico e não precisa ser absorvido. Se ele possui histórico de dores articulares, artroses, ou desvio de eixos nos membros inferiores, já é outra questão e a compra do tênis deve ser combinada com um ortopedista. Já para corrida, o tênis deve ter mais absorção de impacto. Ainda existem regras para seguir na hora da compra de um calçado e que serve para um tênis também, por

MERCADO DE TÊNIS O mercado de tênis de corrida vai muito bem, obrigado. Uma pesquisa divulgada este ano pelo instituto de pesquisas alemão GfK sobre a venda de calçados esportivos no Brasil aponta que as corridas de rua movimentam cerca de R$ 3 bilhões ao ano no país, com uma taxa de crescimento médio de 20% ao ano. No Brasil, 67% das vendas de tênis em 2012 foram compreendidas pelas marcas consideradas globais. Em 2011, esse percentual equivalia a 64,5%.

exemplo, sempre experimentar os dois pés (como disse, os nossos pés não são iguais), comprar no final do dia, que é quando os nossos pés estão inchados entre outras. C! - A questão da quantidade de quilômetros “rodados” por um tênis é fator preponderante para determinar sua durabilidade? IP - Sim, um tênis pode estar em muito bom estado, aparentemente, mas a capacidade de absorção de choque do solado pode ter diminuído enormemente. Os materiais vão entrando em um desgaste na sua propriedade mecânica e isto deve ser considerado. Com aproximadamente 500 km o solado de um tênis pode ter perdido em torno de 50% da sua capacidade de absorção de impacto e estar perfeito visualmente. Isto varia de tênis para tênis e também depende do uso que foi feito com ele.


28 | Corre! COM A PALAVRA,

dos corredores”, disse ele.

personalização, onde o calçado

AS FABRICANTES

Sobre os tênis direcionados a

é dimensionado a partir de um

cada tipo de pisada, Yonekawa

molde sobre o pé do corredor.

Sediada na cidade japonesa

concorda com a questão

de Osaka, a Mizuno passou a

das particularidades de cada

Para a também japonesa

direcionar o desenvolvimento

corredor, porém, não deixa

Asics, as particularidades de

de tênis específicos para

de salientar que determinadas

cada pessoa são encaradas

cada tipo de pisada a partir

padronizações são necessárias.

como um ponto-chave para

de 2001. De acordo com o

“Para conduzir um negócio,

o desenvolvimento de seus

gerente global de calçados

é preciso estabelecer alguns

produtos. “Os calçados

voltados à corrida, Tomoyuki

padrões. Estamos sempre

desenvolvidos para cada tipo

Yonekawa, os tênis da marca

em busca da criação de

de pisada atendem à maioria

japonesa são desenvolvidos

calçados que trabalhem com o

das pessoas, que de alguma

a partir de diversos estudos.

máximo de harmonia possível

maneira estão inseridas nestes

“Nós conduzimos nossas

com o corpo e os esportes

três grupos. Por isso sempre

pesquisas baseados em dados

de alta performance”. Para

recomendamos que o corredor

de biomecânica, anatomia,

produtos muito específicos,

procure um médico antes

materiais e pela própria

a Mizuno conta, apenas no

de iniciar a prática”, disse a

experiência e pontos de vista

Japão, com um serviço de

marca.


Solidariedade

no pódio

As provas de rua são marcadas pelo altoastral, gente bonita, garra e espírito de equipe. A Corrida Ilumina, que teve sua 6ª edição em novembro passado, tem tudo isso

O largo dos Pescadores foi o ponto de largada da 6ª Corrida Ilumina, no dia 10 de novembro,

e outros atrativos que a tornam diferente: a solidariedade – é 100% beneficente - e o compromisso com a inclusão. A prova bateu recorde de inscritos, com 1.500 corredores, e

que carrega a bandeira da

foi organizada pela Gaia Esportes.

prevenção ao câncer

A Associação Ilumina faz um trabalho voluntário muito bacana para a prevenção do câncer e o tratamento de pacientes com a

Reportagem Eleni Destro Fotos Rodrigo Gosser

doença em Piracicaba. Vestindo camisas nas cores rosa e azul, para


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pegar carona nas campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, a galera partiu do Largo dos Pescadores para cumprir as distâncias de 5km e 10km. Gabriela Pacífico, diretora da Gaia, contou que foram 15 equipes participantes, entre assessorias, academias e empresas. Vale destacar que o trabalho da Gaia é voluntário e envolveu uma equipe de 20 pessoas. “É muito gratificante poder fazer o que mais gostamos para uma associação cujo trabalho é sério, reconhecido e formado por pessoas que realmente se

Corrida promove a inclusão de pessoas cegas

preocupam com o próximo, como é a Associação Ilumina”, disse Gabriela. BLIND RUNNER No histórico da Corrida Ilumina está a missão de chamar a atenção para a prevenção ao câncer. Mas a coisa tomou proporções maiores e a prova hoje é uma grande festa voltada, também, à inclusão de deficientes visuais e físicos. O modelo foi copiado – e adaptado - pelo médico Rodrigo Reis, atual presidente da associação, após participar de provas na São Silvestre e

no Rio de Janeiro. “Como não tínhamos cegos suficientes, tivemos a ideia de recrutar corredores, que passaram a usar vendas nos olhos. Chamo a técnica de Blind Runner. Quem sabe Piracicaba não está criando uma nova modalidade de corrida?”, empolga-se. Para a diretora clínica da Ilumina, a médica Adriana Brasil, o exercício físico é benéfico para todos, inclusive para os pacientes com câncer. “É uma bandeira que carregamos há seis anos”. Tanto Reis quanto Adriana dão o exemplo: deixam seus

José Moacir Martim


jalecos, calçam seus tênis e estão em todas as provas! EXEMPLO O aposentado José Moacir Martim, que é atendido pela Ilumina, faz a caminhada desde a primeira edição da corrida e é um exemplo para quem ainda não começou a praticar uma atividade física: passou por três cirurgias, mas não perdeu o pique. Ele teve câncer na laringe, que comprometeu parte de sua língua e epiglote, dificultando sua fala e deglutição. Agora ele está bem e faz acompanhamento, com

exames a cada seis meses. “Convido todos a praticar esportes e conhecer o trabalho da Ilumina, que é maravilhoso”, diz. A ASSOCIAÇÃO A Ilumina tem quatro médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e fonoaudiólogos, que fazem trabalho voluntário. Em 2012 foram mais de 1.300 consultas realizadas. A sede da Associação Ilumina fica na avenida Independência, 171, próximo do Teatro Dr. Losso Netto, telefone 33750140. Site: www.ilumina.org.br.

6ª Corrida Ilumina Resultados 5 km - Masculino 1º lugar – Gustavo Pereira (Triaction Assessoria) – 15`37`` 2º lugar – Adelmo da Silva (Tridici Academia) – 16`30`` 3º lugar – Marcos Pavan (Academia Bioritmo) – 16`55`` 5 km - Feminino 1º lugar – Juliana de Campos Moura (Fit Me) – 20`16`` 2º lugar – Cecilia Buck (Core Esportes) – 22`08`` 3º lugar – Carol Stolf (EPJ Corrida) – 23`16´´ 10 km - Masculino 1º lugar – Leonardo Genu (Core Esportes) – 32`37`` 2º lugar – André Roberto de Souza – (Acad. Bioritmo) – 34`47`` 3º lugar – Miguel Magdaleno (Bombeiros) – 36`22`` 10 km - Feminino 1º lugar – Corina Godoy Bonfanti (Pink Cheeks) – 44`19`` 2º lugar – Kátia Lira (CCC Piracicaba) – 45`52`` 3º lugar – Renata Schmidt Machado - 47`34``


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perfil

Processos,

jazz e pé na estrada Reportagem Eleni Destro Foto Rodrigo Gosser

Um juiz apaixonado por jazz, que adora ouvir country music quando vai correr. José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da 3ª Vara da Família de Piracicaba e músico do Hot Club de Piracicaba e do Hot Jazz Club, adotou a música e o esporte como meios para fugir do estresse da profissão e já acumula uma maratona em seu currículo. Mas o caminho para chegar até aqui não foi nada fácil. Foi preciso um conselho médico para dar a largada a uma nova vida. “Me formei em Direito


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O juiz José Fernando Seifarth de Freitas se divide entre a profissão e suas duas paixões: a música e a corrida

Foto: acervo

em 1991 e ingressei na magistratura em 1993. Depois disso, infelizmente, me tornei uma pessoa sedentária. Fiquei mais ou menos dois anos sem praticar esporte”. O juiz, natural de São Paulo, iniciou a carreira em Pirassununga. O resultado? Quilos e quilos a mais e dificuldade José Fernando Seifarth tem no currículo a maratona de Chicago para dormir. Procurou um acupunturista, que Sul, Parque da Rua do Porto... Fazer maratona recomendou imediatamente a volta ao esporte e sem treinar é um risco à saúde muito sério. à música. Já em Piracicaba, conheceu a personal trainer Luciana Chain, que o introduziu na corrida. Comecei a treinar um ano antes”, conta. E na retaguarda, além do personal Eduardo Furlan, Zé “Foi graças a Luciana que entrei nesse mundo Fernando, como é conhecido, teve orientação de das maratonas. Ela treinou uma equipe que saiu uma nutricionista, fisioterapeuta e fez pilates. do zero para fazer uma prova de revezamento, “Vejo que todo mundo quer começar que foi a do Pão de Açúcar, e depois para fazer a meia maratona de Se eu corro a correr. É uma mania saudável. Mas Buenos Aires. Me lembro como se logo cedo sinto algumas pessoas têm a preocupação fosse hoje, o primeiro dia em que fui que meu dia tem de procurar um treinador, uma na academia, caminhei 10 minutos um rendimento academia, outros simplesmente compram os tênis e saem correndo e comecei a passar mal. Depois muito maior na rua. É importante ter um fui treinando e comecei a fazer as profissional”, alerta. provas”, orgulha-se. O ingresso na corrida aconteceu há oito anos e, já de cara, Zé Fernando deu adeus a nada mais DESAFIO nada menos que 15 quilos e ao estresse comum Um dos grandes desafios foi treinar para a à profissão. “Se eu faço atividade física logo maratona de Chicago, uma das medalhas de sua cedo, meu dia é diferente. Se eu corro logo cedo coleção que ele mais se orgulha em mostrar. eu sinto que meu dia tem um rendimento muito “Tinha etapas de treinamento de 30 km. Tive de maior do que o dia que eu não corro. Hoje não achar 30 km em Piracicaba, na Esalq, avenida me imagino mais vivendo sem corrida.” Independência, Dr. Paulo de Moraes, Cruzeiro do


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na elite

“Não te entregue nem que te caia as calças, tchê!” Reportagem Matheus Souza Fotos Rodrigo Gosser

Em Piracicaba para ministrar palestra no Sesc, Emerson Iser Bem falou à

Corre! sobre sua carreira no atletismo e também da emblemática vitória em cima de Paul Tergat na São Silvestre de 1997

Nascido na pequena Santo Antônio do Sudoeste, na divisa do Paraná com a Argentina, Emerson Iser Bem, 40, pertence a uma das mais brilhantes gerações do atletismo brasileiro. Durante os anos 90, Iser Bem destacou-se em provas na Europa e na Ásia, onde conquistou o recorde brasileiro juvenil nos 5.000 metros em 1992, na Coréia do Sul. O auge veio em 1997, quando venceu a Corrida Internacional de São Silvestre e juntou-se a um seleto grupo de brasileiros que conquistaram o título da prova Marílson Gomes dos Santos (2010, 2005 e 2003), Franck Caldeira (2006) e Ronaldo da Costa (1994). Na ocasião, Iser Bem bateu, em plena subida da avenida Brigadeiro Luís Antônio, nada mais nada menos do que o queniano Paul Tergat, maior campeão da prova com cinco títulos. Nesta entrevista, realizada durante uma palestra para corredores no Sesc Piracicaba, em outubro, Iser Bem falou à Revista Corre! sobre a carreira, a corrida de rua no Brasil e sua filosofia de trabalho como atleta. Corre! - Como você começou a praticar corrida? Iser Bem - Em Santo Antônio existe uma corrida que vai até a cidade vizinha, na Argentina, e volta. É uma corrida internacional e que tem 7 km de distância (risos). Um dia fui até a cidade vender a produção do sítio e vi a corrida. Pensei: “nossa, que legal, ano que vem vou participar também”. Isso foi em 1987. Disse para meu professor na escola que eu gostaria de participar. Ele me deu umas dicas e passei a treinar. Fiquei um ano nisso. C! - E como foi a experiência de sua primeira competição? IB - Na época, o Paraná tinha alguns dos melhores corredores


Emerson Iser Bem: “Correr na rua hoje é diferente da minha época, que era uma coisa exótica. Você ia correr na rua e era motivo de piada”

do Brasil, como o Osvaldo de Jesus e Gentil Custódio. Eu saí na largada com eles, consegui acompanhá-los até a divisa com a Argentina, depois não aguentei mais. Quando eu fui levantar para ir embora... meu Deus do céu! Durante uma semana parecia que eu não tinha joelho, fiquei cheio de dores, todo duro. C! - E você não desistiu após sua primeira

prova... IB - No ano seguinte, eles fizeram uma categoria diferente, de corredores mais jovens, que saía da Argentina. Deu a largada e eu saí correndo como um boi desembestado. Tinha um amigo que foi ao meu lado de moto o tempo inteiro, e eu liderando a prova. Vez ou outra encostava um, e eu esticava. Esse meu amigo ficava do meu lado dizendo “não te entregue, não entregue nem que


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te caia as calças, tchê!” (risos). Com isso conquistei minha primeira vitória. C! - E como sua carreira se desenvolveu a partir daí? IB - Uma mudança significativa na minha vida ocorreu após minha participação nos Jogos da Juventude do Paraná. Para os que se destacavam, o governo do estado concedia uma bolsa de meio salário mínimo. Chegamos nos Jogos, mas nem eu nem meu professor entendíamos de competições. A gente chegou, passamos a ver os caras correr na pista e ficamos com várias dúvidas. Fui conversar com um fiscal, o Martinho (Martinho Nobre dos Santos), que hoje é superintendente da Confederação Brasileira de Atletismo, e perguntei se os 5 mil metros eram disputados na pista. Ele me respondeu que sim. “E por que os caras dos 800 metros estão deixando os outros passarem?”, perguntei pra ele. “Ah, hoje não vale, o que vale é só amanhã”, ele me respondeu. Então eu corri os 5 mil e venci a prova, e depois da chegada eu me virei para o Everaldo de Jesus, filho do Osvaldo de Jesus - ele era o melhor corredor do Paraná naquela época - e perguntei pra ele: “Viu, mas que horas é a final, amanhã?” (risos)... Ele sempre achou que eu era arrogante, mas na verdade

eu era caipira mesmo, não entendia nada daquelas provas. C! - Como você analisa hoje a sua geração de corredores? IB - Nos anos 90 o atletismo brasileiro de fundo foi excepcional. A prova disso está nos rankings. Se pegar o ranking de 10 mil metros tem o Marílson (Gomes da Costa), que na minha opinião foi ou ainda é o melhor brasileiro que já existiu na modalidade. Ele é o primeiro no ranking. Agora, quantas marcas foram feitas após o ano 2000? Você vê que são pouquíssimas, pouquíssima gente fez marcas para entrar nas 20 melhores de todos os tempos no Brasil depois do ano 2000. C! - A corrida de rua no Brasil, por outro lado, é a bola da vez. Como você enxerga esse crescimento? IB - A mídia contribui muito com esse tema abordando cada vez mais a questão da importância de se fazer uma atividade física. Esse é um ponto. Correr na rua hoje é diferente da minha época, que era uma coisa exótica. Você ia correr na rua e era motivo de piada. Hoje não, correr é “uma coisa legal”. A corrida cresce pela praticidade, ela pode ser encaixada em diferentes horários. Tem gente que não suporta ficar olhando para

o fundo de uma piscina ou trancado em uma academia. A corrida você pode fazer ao ar livre. Do ponto de vista fisiológico ela também favorece. A corrida parece ter uma resposta fisiológica melhor. E aí você tem outra coisa que é a questão é dos eventos, que é a coisa de participar de um encontro social, de participar de uma corrida junto a um monte de gente. C! - Você foi campeão da São Silvestre em 1997. Como foi aquela prova? IB - A São Silvestre é uma prova que só vale a pena se você estiver entre os cinco primeiros. Naquele ano havia 18 quenianos, entre eles o Paul Tergat, o sul-africano Hendrick Raamala e o Silvio Guerra, que talvez tenha sido o que mais subiu no pódio da SS, e o próprio Vanderlei. Eu morava aqui em Piracicaba na época, e eu precisava de dinheiro, aluguel dois meses atrasado, essas coisas. Em 1995 participei pela primeira vez, e fui 50º. Em 1996 eu parei no quinto quilômetro e em 1997 eu simplesmente queria ver em qual colocação eu chegaria, queria ficar pelo menos entre os dez. Foi assim que eu fui pra lá. Estava tão tranquilo, tão relaxado em relação ao compromisso com a prova... deixávamos os carros


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C! - A definição da prova aconteceu na subida da Brigadeiro, não foi? IB - Aconteceu uma coisa curiosa no decorrer da prova. Eu treinava junto com o Vanderlei (Cordeiro de Lima), em Campos do Jordão, e isso só tinha acontecido uma única vez, que foi a de ganhar do Vanderlei numa subida durante um dos treinos. Quando a gente chegou na subida da Brigadeiro, começamos a “dar uma esticada” do restante do grupo. O Tergat liderava um pouco mais à frente, eu estava junto com o Raamala e o Vanderlei tinha ficado um pouco para trás. O Tergat, uma hora, deu uma esticada e fugiu. Eu pensei: ‘Bom, do Tergat eu não ganho mesmo, mas para o resto que está aqui sou páreo’. No começo da subida o Raamala de uma paulada. Fui com ele, não deixei soltar. Ele diminuiu, eu acompanhei, e ele deu a segunda paulada. Foi aí que entrou a cabeça. Pensei: ‘Ele vai soltar de novo, mas eu não’. Com 13 km de prova eu já estava arrebentado. No meio daquela paulada, ele soltou de novo, aí eu não soltei

mais e passei para a segunda colocação. C! - Só faltava o Paul Tergat... IB - Minha meta já tinha sido atingida. Só que o primeiro brasileiro ganhava um carro. E eu pensei: ´Vou ganhar do Vanderlei’. Fiquei preocupado com ele. Eu fazendo contagem regressiva, contando os minutos para o fim da prova. Num dado momento, vi que eu não podia soltar mais. E fui nessa, até que cheguei no Paul Tergat, já perto da Iser Bem no pódio da SS

estacionados no subsolo do Sesi e eu dobrei um papelão ao lado do carro e dormi profundamente. Só acordei a tempo de ver a final da prova feminina em uma televisão do guarda do prédio.

(avenida) Paulista. Imaginei que ao entrar na Paulista ele iria dar uma pancada. Pensei: ‘Se ele der uma pancada eu também dou, vou sair na foto com ele na chegada’. Na virada da Paulista eu acelerei o meu máximo. Isso vem de uma filosofia que eu tinha. Será que no ano seguinte eu estaria tão bem que voltaria a correr a SS disputando o título no final? E a maioria das minhas marcas e das minhas vitórias eu obtive com esse pensamento. Aquele

era um momento único, não podia amarelar. A história era agora, depois o que passou, passou. Talvez não tivesse outra oportunidade como aquela. E dei aquele tiro. Só acreditei que estava ganhando de fato quando cruzei a linha de chegada. C! - Você parou de correr em 2005. Como convive com todo esse legado? IB - Eu parei relativamente cedo, com 34, 35 anos, e convivo muito bem com meu passado de atleta. Não fico naquelas de ‘poxa, mas eu poderia ter feito uma marca melhor nos 10 mil de pista’. Não me incomoda isso. Minhas marcas de 5 mil foram muito boas, meia-maratonas também, provas de cross country sempre corri super bem. Acho que fui o único brasileiro a ganhar uma prova de um GP de Cross Country (em Amendoeiras, Portugal, em 1996). Convivo muito bem com isso, pois quando eu tive as oportunidades eu não deixei passar. De onde vim para o que eu consegui fazer, foi ótimo. Quando as pessoas me viam competir (na São Silvestre em 1997) na avenida Paulista, eu não era um cara conhecido. As pessoas não gritavam ‘vai Emerson’, mas ‘vai Brasil’. A minha adrenalina foi outra. Naquela hora, não me senti o Emerson. Me senti o Brasil.


saúde Foto: Matheus Souza

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Longe das lesões

“A dor geralmente é o primeiro sinal e sintoma de que algo está errado”

Vamos começar nosso bate-papo tentando de forma simples orientar e tirar dúvidas, tanto de atletas iniciantes quanto dos mais avançados, sobre os principais cuidados que devemos ter no início dos treinamentos, início de temporadas ou quando mudamos o foco e tentamos evoluir e melhorar nosso desempenho, evitando assim as dores e lesões que tão forçadamente nos afastam dos nossos treinos. Tendinites, canelites, síndrome do trato iliotibial, fascite plantar, fratura de estresse, distensão muscular, ruptura muscular, mialgias, câimbras, síndrome do piriforme... quem nunca ouviu falar nestas e tantas outras “ites”, ou já não teve que parar de treinar para tratar de alguma delas? Neste primeiro artigo gostaria de focar que mais importante do que conhecermos as principais lesões que podemos ter quando nos exercitamos é sabermos como agir, em especial na prevenção, e se necessário, na busca por tratamento. A prevenção é o principal foco. Realizar um treinamento assistido por um educador físico, com progressividade, realizar alongamentos e fortalecimento dos grupos musculares que serão exigidos, sempre realizar uma avaliação cardiológica prétreinos, ter os materiais esportivos em ordem (tênis correto, bicicleta com bike fit, roupas adequadas), respeitar as planilhas e descansos previstos, cuidados com sobrepeso e atividade com carga axial excessiva, são os pontos mais importantes para se evitar qualquer tipo de lesão. E nunca ignorar os avisos que nosso organismo nos dá. A dor geralmente é o primeiro sinal e sintoma de que algo está errado, a partir daí fica o medo e a incerteza de todo atleta, o conhecido será que? Lógico, temos muitas variáveis daí pra frente, mas o essencial é nos atermos inicialmente ao bom senso. A dor é persistente? Ao final da atividade ela some? Continua nas atividades diárias? É suportável ou não? Essa avaliação pessoal (individual) é necessária para se saber quando procurar ajuda. Futuramente vamos aprofundar os assuntos um pouco mais. Bons treinos!

Alan Schlossman é ortopedista


na elite 2

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Em entrevista à Corre!, Lauter Nogueira falou, sem papas na língua, sobre os rumos do esporte no Brasil e seus dirigentes

Lauter,

o crítico

Reportagem Matheus Souza Fotos Rodrigo Gosser

Ele optou pela engenharia, mas logo após concluir o curso viu que aquela não era a sua praia e se matriculou em uma faculdade de educação física. A escolha deu certo. Aos 55 anos, 30 deles dedicados ao esporte, o carioquíssimo Lauter Nogueira é uma das principais referências em treinamento esportivo no Brasil. Comentarista e consultor técnico de esportes da Rede Globo e do Canal Sportv, Lauter já foi diretor técnico da Confederação

Lauter Nogueira ministrou a Clínica Vecol para Corredores, nos dias 23 e 24 de novembro

Brasileira de Triatlo e hoje é consultor da Adidas no Brasil. Lauter esteve em Piracicaba nos dias 23 e 24 de novembro, onde ministrou a Clínica Vecol para Corredores. O alto nível do público, elogiado pelo palestrante, reuniu treinadores de academias, assessorias esportivas de Piracicaba e até de outros Estados. A evolução da corrida no Brasil e aspectos do treinamento desportivo permearam as discussões, que foram marcadas pela intensa troca de ideias entre palestrante e espectadores. A iniciativa foi da MBM, Vecol e Chelso Sports & Business. A revista Corre! esteve por lá e conversou com Lauter sobre corrida e corredores, a atual situação do atletismo brasileiro e os rumos da organização dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016.


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A clínica reuniu treinadores de academias, assessorias esportivas de Piracicaba e até de outros Estados

Corre! - Durante sua clínica, você mencionou algumas vezes a questão do novo corredor. Como você o define? Lauter Nogueira - Nós estamos na quinta onda da corrida hoje, desde a primeira, no final dos anos 70. A partir da terceira onda levamos um susto. Começou a brotar corredores do chão. Entre a quarta e a quinta onda já eram mais de quatro milhões de pessoas que corriam. Hoje, perto de cinco milhões. O novo corredor é um ser completamente diferente do antigo corredor, a ponto deles, quando se encontram, se acharem pitorescos reciprocamente. O antigo corredor era da classe C, com um pouco da classe B. A classe média alta passou a se apaixonar pela corrida no início da década de 80. O corredor

classe média alta era a minoria da minoria, e de repente agora nós vemos aí a classe B. A classe C entrou depois nessa onda da corrida, talvez por conta dessa efêmera melhora econômica, essa entrada no mundo consumista. C! - Essa mudança no perfil provocou mudanças no esporte? LN - Mudou um pouco o jeito de correr. Mais gente corre com menos qualidade. O novo corredor, quase 80% dos novos corredores, não gosta de correr. Ele gosta de comunicar que corre, gosta de se passar por corredor e do ambiente de corrida. Gosta de passar para o mundo a seguinte informação: eu sou vigoroso, elétrico, moderno, gosto muito da minha saúde e sou corredor.

C! - Por quais motivos ele começa a correr? LN - O cara começa a correr pelos mais variados motivos, menos pelo motivo de gostar de correr. Ele começa a correr por conta da saúde, para emagrecer, para engordar, para fugir da solidão, para correr atrás de uma nova mulher ou de um novo homem, fugir da antiga mulher ou do antigo homem, se aproximar do patrão que corre, para cultivar relacionamento pessoal ou profissional. Por que a corrida é uma festa. Só que aí, lá na frente, o cara acorda um dia e fala “olha só, eu gosto disso mesmo!”. O fato de ele não conseguir viver sem aquilo não significa que ele goste. Correr gera uma liberação maior de serotonina, uma substância responsável pelo prazer. E o


Corre! | 41 cara acaba se viciando nisso. Ele não corre pelo prazer, pelo gostar de correr. C! - Como você analisa a atual situação do atletismo brasileiro? Parece que não tivemos uma renovação de nossos atletas de fundo... LN - É isso mesmo. Os nossos jovens fundistas saem rapidamente da pista e vão para a rua. Se você quiser ser um grande maratonista você deve ser um grande fundista antes. Eles saem precocemente da pista. O Marílson, último campeão da São Silvestre (2010), por exemplo, é fora de série, é único. Mas ele nunca abriu mão das pistas, é recordista sul-americano dos 10 mil e dos 5 mil metros. C! - E como isso influi nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016? LN - A nossa realidade de agora vai ser exatamente a realidade de 2016. Acabou. São necessários de oito a onze anos para se fazer um atleta olímpico. Para você ter um finalista olímpico você precisa ter 50 atletas olímpicos da mesma modalidade. Para ter um medalhista, você precisa ter pelo menos dez finalistas naquela mesma modalidade. C! - Como você vê a realização dos Jogos aqui no Brasil? LN - Existem muitas

discussões, pena que será um pesadelo. São os Jogos Olímpicos mais caros de todos os tempos. São R$ 100 bilhões de nossa conta a pagar. Cem bilhões que nós vamos pagar. Você quer ver dados mais interessantes? O Brasil vai gastar nesse quadriênio olímpico de 20122016 algo em torno de R$ 7,9 bilhões em treinamento com as nossas equipes olímpicas. A Grã-Bretanha vai gastar metade disso. C! - Qual é a mágica? LN - A mágica é competência, menos roubo. O custo Brasil continua cada vez maior. No ciclo olímpico 2009-2012 o Brasil gastou com suas equipes R$ 2,8 bilhões. A Grã-Bretanha, que se tornou a terceira potência do esporte no mundo, gastou menos da metade, R$ 980 milhões. Não há necessidade de se gastar mais dinheiro com esporte. Gente, espera aí, as pessoas continuam morrendo nas filas dos hospitais públicos! O que se gasta com educação no Brasil é muito pouco e ainda se gasta mal, nós nos damos ao luxo de gastarmos mal. É ridículo. Essa palhaçada de “precisamos de mais verba para o esporte”... Não precisamos. Temos que devolver dinheiro para um governo competente gastar em outras áreas. O Comitê Olímpico Brasileiro, com

aquela sede suntuosa que mais parece uma Igreja Universal do Reino de Deus na Barra da Tijuca, que conta com aquele nefasto senhor presidente do COB (Carlos Arthur Nuzman), perenizado no cargo... C! - Sem contar os dirigentes que há muito tempo ocupam os mesmos cargos... LN - No Prêmio Brasil Olímpico, há uns três anos, (eu estava) numa roda de dirigentes esportivos, todos com pelo menos três mandatos nas costas, e o Nuzman me perguntou: vem cá, o que você acha do andamento do esporte brasileiro nas mãos de gente tão competente? Eu respondi: olha, podem até ser competentes. Mas acho que dirigente esportivo tinha que ser igual fralda de bebê. Trocado constantemente e normalmente pelo mesmo motivo das fraldas. Agora, com uma lei negociada a duras penas, vão deixar (os dirigentes) mais um mandato para depois alguém chegar e dizer “gente, um abraço”. Lá tem gente com cinco mandatos. C! - O próprio presidente da Confederação Brasileira de Atletismo... LN - O Gesta (Roberto Gesta de Melo, presidente da CBAt de 1987 até março deste ano). Era presidente desde 1980 e poucos. O Gesta virou indigesta.


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bike A rodovia que liga Piracicaba a Limeira

Na pista

de Limeira

ĂŠ destino de muitos ciclistas da cidade, de amadores a profissionais

Reportagem Matheus Souza Fotos Rodrigo Gosser


Corre! | 43 A rodovia SP-147, que liga Piracicaba a Limeira, é praticamente o “quintal” de muitos ciclistas de Piracicaba. Com cerca de 30 quilômetros de extensão, a via oferece diversas possibilidades para a prática do esporte. O personal trainer Alexandre Biral, praticante de ciclismo de estrada e de mountain bike desde 2007, apontou algumas particularidades do local. “É uma pista de fácil acesso. O trajeto tem muitos pontos de retorno e é relativamente bem conservado. A partir dela podemos chegar na rodovia dos Bandeirantes, que é a melhor pista da região para pedalar”, completou Biral. Ciclista profissional com participações nos Jogos Panamericanos de Santo Domingo (2003) e do Rio de Janeiro (2007), representando a Seleção Brasileira de Ciclismo, o piracicabano Marcos Novello, da equipe Memorial Santos, também usa a rodovia como local para seus treinos. “Mesmo não sendo uma estrada difícil quanto ao relevo, ela oferece boas possibilidades para treinamento, pois muito do desempenho deve-se à intensidade e não só a variação topográfica”, disse ele. Ele, no entanto, aponta algumas mudanças (negativas) em relação aos riscos existentes ao se pedalar por lá. “O movimento de veículos aumentou devido à implantação

Marcos Novello, ciclista piracicabano, tem dois Jogos Panamericanos no currículo

de condomínios, empresas e faculdades. A qualidade do asfalto, que já não é mais a mesma depois de tantas recapagens e o excesso de sujeira no acostamento fizeram também com que ela perdesse muito de suas qualidades iniciais”, completou. Os pontos positivos do traçado da pista são quase que uma unanimidade entre ciclistas ouvidos pela Corre!. Para o triatleta Felipe Sgrignero, 29, no entanto, além da sujeira, o problema também está relacionado à segurança – e não necessariamente aquela ligada ao perigo dos veículos. “Um atleta da assessoria esportiva em que trabalho quase teve sua bicicleta roubada. Chegou a levar pauladas de um dos ladrões, mas conseguiu escapar”, disse ele, se referindo ao trecho próximo à Isca Faculdades, em Limeira.

A CONCESSIONÁRIA A Intervias, que administra a SP-147, disse que “não tem poder” para oferecer mais segurança aos ciclistas que diariamente passam pelo local. “É uma prática não recomendada por nenhuma concessionária de rodovia, inclusive a Intervias, pois as rodovias são feitas para veículos automotores”, disse a companhia, por meio de nota. “Não é possível coibir esta prática, embora todos saibam dos riscos e que o acostamento das rodovias deve ser utilizado apenas em situações de emergência”. O QUE DIZ A LEI Embora a circulação de veículos pelo acostamento seja prática proibida, restrita apenas a situações de emergência, o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) não proíbe a circulação de bicicletas por esses locais mesmo sem a presença do acostamento. Em seu artigo 58, a lei especifica que “nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla (entendase rodovias), a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.


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Reportagem Matheus Souza Fotos Rodrigo Gosser e Divulgação

Acerte na magrela

O mercado conta hoje com diversas opções de bicicletas, com modelos para todos os gostos – e bolsos. Seja ele voltado para a cidade, pistas ou estradas de terra, cada modelo conta com características próprias. A escolha do modelo correto, adequado ao tamanho do ciclista e ao tipo de atividade, faz a diferença a quem deseja manter “um casamento duradouro” com a bicicleta. Willians Bressan, da Espaço da Bike

O conselho é de Willians Bressan, que há cinco anos está à frente da Espaço da Bike, em Piracicaba. “Quando a pessoa decide entrar no ciclismo, é importante definir acima de tudo qual é o seu perfil, o que ela pretende com a bicicleta, se pedalar na estrada ou na terra”, diz ele. Outro ponto importantíssimo – e muitas vezes

ignorado – é buscar uma bike que se ajusta perfeitamente à altura do futuro ciclista. “É super importante saber o tamanho do quadro. Às vezes a pessoa chega muito preocupada em relação ao grupo de peças, configurações, mas o tamanho do quadro é essencial para ter uma pedalada com conforto”, afirma. “Costumo associar isso com o tênis. Existe o número certo para você calçar e a bicicleta tem o número certo do quadro para se pedalar”, completou. Para Willians, a questão da falta de uma “cultura da bicicleta” no Brasil pesa para quem deseja iniciar no esporte. “A pessoa que não está envolvida com o ciclismo imagina um modelo daqueles de magazines, de R$ 200, R$ 300”, aponta. O empresário Gustavo Briones, 37, fazia parte do time dos “ciclistas de fim de semana” antes de entrar de vez no mundo da bicicleta. “Para se ter uma idéia, eu saía para pedalar sem uma câmara de reserva, nem remendo em caso de pneu furado”, contou ele. Há dois anos, Briones conheceu um grupo de ciclistas, e resolveu encarar o desafio, contando com as dicas de integrantes mais velhos desde o primeiro dia de pedal. “Foi paixão imediata. Desse dia em diante não parei mais”. A bicicleta de Gustavo do início dos pedais foi trocada por uma de passeio logo de cara. Apesar


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Qual é a sua? Escolha uma bicicleta adequada à sua atividade A compra da primeira bicicleta é fundamental para garantir uma relação duradoura com o esporte. Saiba quais

Mountain bike (ou MTBs)

são os principais pontos que devem ser considerados na hora de adquirir a sua de mais adequada aos passeios, ele ainda percebeu que faltava “um algo a mais” em suas pedaladas. “O problema é que eu queria terra! Quando eu comprei a bike correta para terra, os pedais começaram a ficar mais longos e os passeios mais radicais”, disse ele. Após um ano junto ao grupo, os pedais ficaram tão frequentes que hoje ele percorre sem dificuldades 70 quilômetros na terra em apenas um dia. Não demorou muito e a bike aro 26 foi trocada por uma 29. “A mudança do pedal é muito grande, é uma bike muito mais agressiva. Hoje, eu e minha esposa aproveitamos muito mais os pedais, podendo fazer trilhas de diferentes graus de dificuldade, sem a preocupação com o equipamento”. Foto: acervo pessoal Gustavo Briones demorou para acertar o modelo correto de bike, quando conseguiu, pedalar ficou muito mais prazeroso

As mountain bikes são projetadas para uso em estradas de terra. Uma MTB robusta agüenta trancos e barrancos com facilidade em incursões fora de estrada, apesar de seu uso ser comum na cidade.

Speed

Bicicletas de estrada, as speeds têm apenas um destino: vias pavimentadas. O pneu estreito garante uma rodagem fluida, o que requer atenção no trânsito. Seu uso pode gerar certo desconforto em iniciantes pela posição mais deitada do ciclista.

Touring

Basicamente, são um misto de MTBs e speeds. A posição de pilotagem é mais elevada, oferecendo maior conforto. Os pneus, porém, são mais estreitos para garantir uma rodagem mais eficiente do que os pneus cravudos das mountain bikes.

Tamanho do quadro: equivale basicamente à medida

do tubo que liga o movimento central ao selim. Geralmente, as mountain bikes têm essa medida expressa em polegadas (54’’, 56’’, 58’’) e as voltadas para ciclismo de estrada por letras (M, L, LX).

Não saia a pé: seja na ciclovia da avenida Alidor Pecorari ou no Deserto do Atacama, não importa, leve consigo uma câmara de ar reserva, um kit de remendo para furos, espátula para remover o pneu e uma bomba de ar. Nada é mais frustrante que um pneu furado sem conserto – principalmente se você estiver sozinho, a quilômetros de casa.

Use capacete, use capacete e use capacete: o ciclismo é considerado um dos esportes mais perigosos do mundo (sim!). Portanto, não vacile. Use o capacete, seja em pedais longos ou curtos.


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Sem barreiras Reportagem Eleni Destro Fotos Rodrigo Gosser

Nada pode atrapalhar seu treino, então, se não puder ir para a rua, para o parque, se jogue na esteira, divirta-se e perca muitas calorias na corrida indoor

É possível perder até 1.000 calorias em uma aula de corrida

Nem chuva, sol forte ou insegurança. Nada desses fatores vão atrapalhar seu treino se você se tornar adepto da corrida indoor, modalidade que vem fazendo sucesso nas academias. Ok. Muita gente acha que é chato correr na esteira, olhando sempre para a mesma paisagem, mas a prática tem muitas vantagens. Uma delas é o risco menor de ter uma lesão. E essa palavra dá arrepios nos corredores viciadões. É também uma opção para quem quer começar no esporte antes de ganhar as ruas. Na academia Bio Ritmo, a modalidade ganhou o nome de Bio Running. O professor Jefferson Aragão destaca que o piso de borracha da esteira é um dos mais seguros. Em primeiro lugar na escala de perigo está o de concreto e, além do de borracha, a grama e o saibro também são opções seguras. Outro ponto positivo destacado pelo também professor da Bio Ritmo Ramac Poppin, é o acompanhamento dos profissionais que ficam de olho em cada movimento do aluno. “Nós acompanhamos e orientamos para corrigir a passada, por exemplo. Damos o suporte correto”, avisa.


ADEUS, CALORIAS! A busca pela corrida indoor tem finalidades diversas, como garantir condicionamento físico para a prática de outros esportes, como o futebol, por exemplo, e preparar para as provas de rua e emagrecer. Acredite: o aluno pode perder de 400 a 1.000 calorias por aula, que dura entre 45 minutos e uma hora! Cada aula é diferente da outra, garantem os professores, então o corredor indoor pode ficar tranqüilo se o medo for o tédio. “Baseado na frequência cardíaca de cada um, os profissionais dão o estímulo e a pessoa tem a percepção ideal para aquele estímulo”, afirma Poppin. “Enquanto na rua você utiliza apenas uma capacidade, na corrida indoor você tem várias capacidades estimuladas e tem sensações diferentes”, explica. Poppin e Aragão aconselham, no início, a praticar a corrida indoor três vezes por semana, depois, dia sim dia não. “O corpo é adaptável e você pode praticar a corrida todo dia, sempre variando”, observa Aragão. VICIADOS O eletricista Ivan Ricardo Regonha, 34, experimentou a corrida indoor a primeira vez e nunca mais parou. Ele frequenta as aulas de Bio Running desde o começo. “O incentivo do profissional ajuda muito e o tempo passa rápido!”, garante o atleta.

Aula de Bio Running na Bio Ritmo

A aposentada Nederli Teresinha Zulini Tessecino, 54, corre nas ruas e também nas esteiras e vê vantagens nas duas modalidades. Ela corre ao menos duas vezes por semana na esteira e também participa de competições de rua. “Correr elimina o estresse, dá disposição”, enumera.

suporte nas competições de rua para seus atletas em tendas, com suplementação, exercícios de alongamento e dicas de estratégia. A Bio também tem uma equipe de corredores profissionais.

A CAMPO Os alunos da Bio correm nas esteiras, mas não dispensam uma boa corrida de rua e toda a sua movimentação. Dessa forma, a academia oferece

Nederli Tessecino é adepta da esteira e das provas de rua

Ivan Ricardo Regonha só corre na esteira: sem tédio

Na Bio Ritmo as aulas de Bio Running acontecem de segunda e quarta, às 21h, e sexta, às 20h; às terças e quintas, às 9h. A academia fica na rua Visconde do Rio Branco, 583, Bairro Alto, tel.: (19) 3375-7003. www.bioritmo.com.br.


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moda Top Vestem

Em cirrê, este top tem o desenho cruzado nas costas, o que oferece maior conforto e segurança na hora dos exercícios. (mundonutrifit.com.br/loja)

Top Rosa Neon Em suplex, fio de poliamida, que dá um toque natural à peça, proporciona fácil transpiração, não encolhe e não amassa. (facebook.com/ Body.Sport.boutique)

Que você corre atrás de qualidade de vida isso a gente já sabe. Mas já que vai correr, é melhor ir linda. Confira dicas de roupas criadas com tecidos inteligentes e design diferenciado.

Saia Caju Brasil Em suplex light, tecido mais leve, proporciona design moderno. A elasticidade é equilibrada com maciez única, conforto térmico e propriedade easy care. (facebook. com/Body.Sport.boutique)

Saia New Border Nike Feita para praticar tênis, esta saia caiu no gosto das meninas para academia e corrida. O short de compressão evita o suor e garante a liberdade de movimento e apoio. (nike.com/br)

Short Alto Giro Glam O tecido em suplex tem proteção contra raios ultravioletas, ideal para quem corre até mesmo sob altas temperaturas. O bolso ajuda na hora de guardar pequenos objetos. (mundonutrifit.


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Camiseta Live! Em poliamida, tecido tecnológico que facilita a transpiração. O modelo batinha deixa a atleta sempre elegante e confortável. (mundonutrifit.com.br/loja)

Top Cruzado Supernova Este top ajuda a manter o foco e o conforto na hora do treino ou durante as provas mais longas. Com ventilação Climacool, que mantém o corpo seco e confortável. (adidas.com.br)

Camiseta Nike Blockstripe

Regata Caju Brasil

Feita em tecido leve com estampa moderna, esta peça confere um estilo atlético e um ajuste extremamente confortável. O ajusteacinturado contorna o corpo. (nike.com/br)

Calça Rola Moça O tecido emana tem propriedades terapêuticas para tratar celulite, gordura localizada e combater a fadiga muscular. Modelo dá sustentação e a cintura alta disfarça as gordurinhas. (facebook.com/ Body.Sport.boutique)

Shorts aSMC Perf Run Prt Também da Adidas by Stella McCartney, este short tem fivelas ajustáveis nas laterais para cobertura personalizada. Bolso com zíper protege pequenos objetos. (adidas.com.br)

Shorts Nike Vintage Fleece Tempo Em algodão francês, o shorts é confortável e clássico. Com cintura elástica com cordão para ajuste firme é perfeito para treinar e correr provas. (nike.com/br)

Saia Labellamafia Em suplex, esta saia vem com shortinho embutido e bolso com zíper. O corte em bico confere charme ao modelo, que pode ser usado durante as corridas ou na academia. (mundonutrifit. com.br/loja)

Em malha Menegotti, esta regata tem um tapabumbum que garante o conforto na hora de realizar os exercícios e dar aquela corridinha. (facebook.com/Body. Sport.boutique)


coach Um país diferente Quando fui convidado a participar dos Jogos Abertos junto com a equipe de Piracicaba fiquei emocionado. Devo admitir que, apesar de ter sido chamado para treinar, apoiar ou simplesmente assistir a muitas das competições, percebi claramente que estava vivendo algo diferente. No primeiro dia de minha participação nos Jogos fiquei durante todo o tempo junto ao alojamento dos atletas de Piracicaba em Mogi. As treinadoras Maria Teresa Ferreira e Mazé montaram uma equipe de atletas motivados, com “fome” de competir.

“Passei a me usar, como um trunfo para a equipe tirar proveito do meu envolvimento.”

Como eu só tinha conhecido alguns integrantes da equipe anteriormente, eu não tinha certeza do que dizer a eles. Tornou-se evidente, porém, que apesar de tudo o que eles queriam alcançar – e muitos expressavam a esperança de um dia tornarem-se profissionais – não existia ali um alto nível de intensidade como aquele que nos acostumamos a ver em atletas de elite. Quando você possui um olhar crítico sobre isso você pode injetar uma pressão a mais no atleta, e tenho certeza que eles entenderam que eu estava lá para ajudar. Passei a me usar como um trunfo para a equipe tirar proveito do meu envolvimento. Nas conversas que tive com os atletas, perguntei a eles sobre seus sonhos, questionei seus comportamentos e, enfim, perguntei a eles qual era o seu desejo. Os diálogos foram bem recebidos e as respostas foram ótimas. Tivemos um grande caminho a percorrer, e percebi que eles estavam na direção para boas performances. Também pude observar o trabalho de fisioterapia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) nos Jogos para auxiliar os competidores de Piracicaba. O líder da equipe, o professor de fisioterapia (e muito gente boa) Sérgio Borin me convidou para conhecer os integrantes do grupo de fisioterapeutas e mostrar-lhes algumas das técnicas avançadas de recuperação física que uso em meus atletas. Passei um dia inteiro no local das competições de atletismo, ajudando os atletas a se recuperar entre uma prova e outra. Fiquei muito satisfeito com o resultado em todos os dias. Gostei das atuações que a equipe foi capaz de produzir, mas não pude deixar de notar a falta de algumas coisas básicas e, aparentemente, simples que nos acostumamos a ver em competições aqui nos EUA, como água prontamente disponível aos competidores, por exemplo, durante as provas. Foi uma surpresa, mas aprendi há muitos anos que qualquer mudança, seja ela grande ou pequena, leva tempo, e o melhor caminho é ajudar a oferecer soluções, e não apenas reclamar.

A equipe de atletismo teve uma grande evolução no último dia de competições e faturou quatro medalhas de ouro, 10 de prata e outras seis de bronze. Na verdade, percebi que o atletismo de Piracicaba foi tão bem durante as competições que acabou gerando até mesmo certa polêmica entre concorrentes de outras cidades. Pelo que eu pude conversar com vários integrantes do atletismo, os resultados foram a resposta obtida por meio de mudanças feitas nos programas de treinamento ocorridas no último ano. Em resumo, todo o evento foi, para mim, uma oportunidade fantástica de ter contato com as maravilhosas pessoas do Brasil. Para finalizar, gostaria de dizer que sou muito grato a todos que me acolheram e ofereceram seu apoio. Foi um período excelente e uma experiência enriquecedora. Deixo aqui também meu obrigado à Revista Corre! pela oportunidade de compartilhar minhas experiências. Até a próxima! John Williams vive em Atlanta, EUA, onde é treinador e preparador físico


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1. Equipe EPJ (Corrida Ilumina); 2. Ana Paula Galvão, Luciana Stolf e Ariane Belardin (3a Special Run); 3. Marcos, Carol Stolf e filhos (Corrida Ilumina); 4. Allan Schimidt, Luana e Angel Cursio; 5. Murakami Team (Corrida Ilumina); 6. Pódio Feminino Geral 10K Special Run ; 7. Equipe Bio Eco Esportes; 8. João Hellmeister, Dra. Adriana Brasil e filhos; 9. Equipe Corpo & Vida; 10. José Fernando e Legal; 11. Equipe Corpore e 12. Reinaldo Belardin e Rodrigo Santos. (Fotos da Corrida Ilumina: Rodrigo Gosser e Eleni Destro / Fotos 2,6 e 12: Arquivo InterTennis)


Corre! 1  

Revista Corre! edição nº 1 - Corrida. ciclismo e triatlo

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