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MANUEL  DA  LUZ   Meu caro Luís Carito,

Confesso que tenho seguido, à distância, a campanha para as eleições à Concelhia de Portimão, através da leitura de vários documentos que, como militante activo e com quotas em dia, me têm sido enviados. Sobre a forma, os eventos, os acontecimentos, as redes sociais desta campanha – permitam-me que me abstenha de comentar. Como sabem, já fui presidente da Concelhia do PS de Portimão, sou autarca eleito pelo Partido Socialista há mais de 18 anos; tenho, portanto, uma noção muito clara sobre a importância da concelhia do PS num município como o de Portimão, onde somos poder desde que há eleições democráticas. Trata-se de uma eleição importante e com consequências futuras para o PS, em geral, e muito em particular no nosso concelho. E é verdade que tenho estima e consideração por todos os candidatos que se apresentam a votos. Por isso, apeteceu-me escrever esta carta porque não é todos os dias que 2 militantes, com a vossa experiência política e perfil, resolvem candidatar-se a uma estrutura de base do nosso partido. E em que contexto? Num quadro de dificuldades nacionais evidentes e, também, numa altura em que os partidos políticos portugueses – e o nosso não é excepção – necessitam de se renovar e de se abrir à sociedade, que hoje é bem mais complexa e diversificada do que na altura da sua constituição. Há perguntas e anseios incontornáveis para melhorar a qualidade da nossa democracia, o que não se fará sem uma forte renovação partidária, sem novas formas de fazer política. Posto tudo isto, e passado o tempo necessário para uma boa reflexão sem ruído que distraia do essencial, gostaria de apelar aos militantes do PS em Portimão para considerarem algumas reflexões que aqui proponho sob forma interrogativa: Como – e é uma questão sempre actual! - dar vitalidade ao partido na procura de melhores mecanismos de participação e de abertura à sociedade envolvente? Como dar substância efectiva e actual a uma Comissão Política Concelhia, onde é fundamental a capacidade de ouvir e respeitar as bases, a capacidade


MANUEL  DA  LUZ   de organizar e gerir para objectivos do PS local, a capacidade de gerir um permanente clima de diálogo, respeitando as competências, entre o Partido e os órgãos autárquicos? Não será que o tempo de votar é tempo de responsabilidade pessoal, onde não contam amizades e cumplicidades mas a consciência de cada militante na avaliação do que está em causa? Não é verdade que o voto é livre? Não é verdade que o PS sempre foi e é um Partido que respeita a liberdade de voto sem qualquer constrangimento ou pressão de quem quer que seja? Não é verdade que não há, nem nunca houve, medo em Portimão, sendo, por isso, esse um tema que não faz sentido no acto de votar ? Todas estas questões – e muitas outras, com certeza – me preocupam e sei que qualquer um de vós não se cansará, no âmbito da vossa candidatura, em tentar encontrar-lhe soluções e o melhor encaminhamento. É por tudo isto que vos desejo felicidades para a eleição do dia 1 de Junho. Mas é por tudo isto que esta é também uma carta de esperança! Camarada Carito e Camarada Castelão, Depois deste acto eleitoral é absolutamente desejável que a normalidade se instale na vida do Partido. Outros combates bem mais importantes se avizinham, onde os adversários estão no exterior do PS. Ganhe quem ganhar, após o acto eleitoral não pode haver lugar a revanchismos, a garrafas de champanhe, a manifestações de vitória que deixem ferida na UNIDADE do Partido porque todos vamos ser necessários para os próximos combates. Deixei escritas as razões pelas quais resolvi escrever-lhes esta carta a que poderão dar o uso que entenderem.

Saudações Socialistas do Manuel da Luz

Portimão, 28 de Maio de 2012


Carta Manuel da Luz