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revista

Braziliense Revista Braziliense  •  Ano 1  •  Edição 1  •  nº 003

A Construção de Brasília

Ensaio fotográfico de Alberto Ferreira registra a inauguração da nova capital

Cinema:

será a emergência de um cinema novo?

Entrevista com Pelé O centroavante da Seleção Brasileira fala sobre a conquista na Copa do Mundo

Outubro, 1960

Cr$ 10,00


Cartas Olá, revista Braziliense! Queria parabenizá-los pela última edição da revista! Ela estava muito completa e com um conteúdo ótimo. A entrevista com Vinícius de Moraes estava excelente! Parabéns! Maria Clara – Belo Horizonte, MG. Editores da revista, interessantíssima a reportagem sobre os seis anos da morte de Getúlio Vargas, que foi apresentada na última edição. Ele foi uma figura muito importante para o nosso país e eu o admirava muito! Parabéns. Rui Santana – Porto Alegre, RS. Gostaria de fazer uma sugestão de reportagem para a revista. O Cinema Novo está em constante destaque no cenário cultural brasileiro, então nada mais justo do que uma reportagem sobre ele! Agradeço o espaço. Heitor Lacerda – Rio de Janeiro, RJ. Boa tarde, revista Braziliense! Ficaria bastante satisfeita se vocês falassem um pouco mais sobre Brasília e a sua inauguração. Tenho bastante interesse em saber mais sobre a nova capital federal. Obrigada. Vanda Prado – Salvador, BA. Parabéns pela revista que vocês produzem e pelas reportagens interessantes. Tenho um comentário, estejam mais atentos a alguns erros de diagramação que são encontrados na revista de vez em quando. Essa situação afeta a qualidade. Obrigado. Luís José – São Paulo, SP.

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Braziliense

Revista mensal de cultura, arte e entretenimento Redação: Ana Claudia de Almeida (matrícula 120025906), Bruno Bortoleto (matrícula 10/0066941), César Carvalho (matrícula 10/0096603), Lucas Pucci (matrícula 12/0045389), Luísa Noleto ( matrícula 12/0017288).

Carta do Editor

Em setembro de 1956, o projeto de lei que permite a construção de Brasília é aprovado no Congresso. O presidente, Juscelino, comemorou a vitória e começou as obras a todo o vapor no meio do cerrado brasileiro. 43 meses depois, no dia 21 de abril de 1960, a capital federal foi inaugurada em um dia de festa para o país. Há quem diga, que o projeto só foi aprovado no Congresso, porque a oposição tinha certeza que JK não conseguiria cumprir com o prometido. Logo, sairia desmoralHIS - Cultura Brasileira Profª. Eloísa Pereira izado e sua carreira política profundamente prejudicada. Barroso Entretanto, a situação foi a contrária e Juscelino saiu aclamado e admirado pela população, principalmente, Universidade de Brasília aquela que se mudou para capital para construí-la. Interessante pensar porque Brasília se tornou a principal meta do governo de JK, sendo que ela foi a última, depois de 30 metas já estabelecidas. Tem-se duas explicações para esse fato, a primeira é que a mudança da capital federal já estava prevista desde a Constituição republicana de 1891, logo, JK só teria cumprido com a lei; a segunda é que foi obra do acaso, segundo palavras do presidente. Independentemente de qual seja a explicação, a decisão de construir uma cidade no meio do Centro-Oeste, começando do zero, é extremamente ambiciosa e corajosa. JK estava realmente disposto a isso, porém, gerou diversas dificuldades econômicas para a nossa nação. Os investimentos necessários para erguê-la foram monumentais e os gastos públicos cresceram absurdamente. O presidente justificou que o crescimento rápido proveniente do aumento de investimentos, produziria novo eqüilíbrio da economia, num patamar mais alto. Além disso, a moeda e as finanças públicas se estabilizariam. Brasília já foi inaugurada, já é a nova capital do Brasil, mas será que ela vai trazer tantos benefícios econômicos como Juscelino promete? A cidade não está totalmente estruturada e carece ainda de recursos, para que a população viva da melhor maneira possível. Isso significa que muito ainda deve ser investido na cidade, o que é mais despesas e endividamento para o país. Além disso, estamos às vésperas de novas eleições, será que o próximo presidente terá tamanha afinco pela estruturação da capital como JK? Será que as aspirações de modernidade e inovação também estarão presentes nas relações sociais, sendo uma cidade menos desigual? Deixaremos o tempo responder, mas esperamos que todo esse investimento não tenha sido jogado fora. Equipe Revista Braziliense

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Conteúdo 7 | Entrevista com Pelé

Capa

13 | Crítica cinematográfica

A emergência de uma perspectiva cinematográfica diferente: será um cinema “novo”?

9 | A Construção de Brasília 15 | Teatro: Revolução na América do sul

x | Bossa Nova: Grande Movimento

Cinema Novo

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Esportes

Esportes

Entrevista com Pelé Em comemoração ao aniversário de dois anos da conquista da Copa do Mundo (1958), o editorial da revista Braziliense foi ao encontro da revelação do torneio: Edson Arantes do Nascimento. Popularmente conhecido como Pelé, o jovem centroavante que fez história em Estocolmo ao marcar dois gols na goleada brasileira fala abertamente sobre temas que se encaixam perfeitamente nesse marcante ano de 1960. Hoje com singelos 19 anos de idade, Pelé nos concedeu uma belíssima entrevista, diferente de todas aquelas já veiculadas até então.

P

rimeiramente, venho por toda equipe da Braziliense agradecer pela contribuição na Copa, você jogou demais! Eu particularmente fiquei arrepiado ao ouvir a narração pelo rádio, foi melhor que o final de muita radionovela. Meus parabéns rapaz (risos). O prazer é todo meu amigo, foi uma honra representar a seleção canarinho.

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Tirando as condolências de lado, o que mais lhe chamou atenção na Suécia em 1958? Quando eu estava na Copa, estranhava o fato de só ter jogador negro na Seleção Brasileira. Só depois que o Brasil foi campeão com o Pelé (risos) as outras seleções passaram a escalar negros. Os jovens têm de saber o valor que o Brasil tem e que o Pelé tem. Nós, brasileiros, por educação ou cultura, não damos valor ao que é nosso, mas isso está começando a mudar com esse presidente, Juscelino o

nome dele não é?!

no teatro só brasileiro, e no cinema também. Aqui tá fazendo até fusca! (risos). No futebol então, nem se fala não é? Como andam cantando naquela música: com brasileiro, não há quem possa!

Exatamente! Falando disso, o que você acha do turbilhão de mudanças no Brasil trazidas com o governo JK? Eu “tô” achando muito boa essa fase do país. Digo em geral, não é só com a Fico muito feliz com sua gente do futebol que a coi- resposta Pelé, fizemos essa sa está dando certo. Na mú- pergunta justamente porsica só tá dando brasileiro, que sem Juscelino não teria

Fotografia tirada hoje pela manhã, durante o ensaio feito pela Braziliensa na Vila Belmiro

Brasília e, consequentemente não teríamos nosso emprego! (risos). Você já foi a Brasília? Gostou desse projeto? Tá certo! Sempre que posso também falo bem do meu treinador (brinca). Já fui a Brasília por duas vezes, inclusive gostei muito da comida do restaurante ROMA! Eles têm um bolinho lá que é brincadeira, entende?! Achei uma cidade muito bonita e organizada, como tem que ser. Só senti falta de algum time de futebol, mas isso com o tempo melhora.

62. Você pensa em sair do Brasil? Existem propostas para você defender clubes estrangeiros? Olha, se eu disser que não existem eu estarei mentindo. O assédio foi grande depois da conquista do mundial, porém eu planejo permanecer no Santos aqui

Pelé, o que você tem a dizer sobre Mané Garrincha? Seu companheiro de seleção e uma das figuras mais polêmicas dessa década. Não tenho muito a declarar sobre o Garrincha, ele é indiscutivelmente um gênio, porém suas atitudes fora do campo atrapalham muito sua carreira, ele deveria tomar cuidado. Ainda falando sobre a seleção, como estão os preparativos para a próxima copa do mundo? Andam muito bem, estou trabalhando duro no Santos e tenho certeza que isso será refletido na seleção junto com o esforço dos meus companheiros. Estamos muito empolgados depois dessa primeira conquista entende?! Que venha o Bi em

no Brasil. Aqui tenho meus amigos, minha família e vejo um futuro enorme para esse país, ainda não planejo ir embora. Quanto a vida amorosa Pelé, você está solteiro, namorando...? Estou saindo com uma moça (risos).

O que você costuma fazer quando está longe dos campos? Ultimamente tenho acompanhado os outros esportes, ouvindo bons sambas no rádio e quando sobra tempo eu assisto aos programas da TV aqui de São Paulo. Já que você disse que acompanha os outros esportes, você viu o desempenho de Éder Jofre no Boxe? O que ganhou o cinturão dos pesos-galo não é?! Vi sim, e ele luta demais, diga-se de passagem. Um monstro dentro e fora dos ringues, eu tive a oportunidade de conhecê-lo recentemente e me encantei por sua figura entende?! Como eu disse, os brasileiros estão dominando o mundo! Para terminar Pelé, qual recado você deixaria para os leitores da Braziliense? Olha Lucas, gostaria de agradecer a oportunidade que vocês me deram e dizer para todos os brasileiros persistirem, pois sei que estamos no caminho certo, primeiro ganhando no futebol para depois ganhar em todos os outros sentidos. Sem dúvida esses próximos anos serão anos dourados para os brasileiros, muito obrigado. Por Lucas Pucci

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Capa

Capa

A Construção de Brasília

Pelas lentes de Alberto Ferreira

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Braziliense reuniu uma série de fotografias realizadas por Alberto Ferreira. As imagens retra-

tam a inauguração da nova Ferreira captou a recémcapital, Brasília, que acon- -nascida cidade com muita teceu em 21 de abril desse leveza e sensibilidade, conano. tracenando os projetos do Freiras dançam em frente ao Congresso Nacional, na inauguração da nova capital

Mulheres observam a nova capital de dentro do Palácio do Planalto (nova sede do executivo)

arquiteto Oscar Niemeyer à figuras que agora têm suas vidas vinculadas a esse ambicioso projeto. o ensaio, dessa forma , retrata dois lados da consturção da capital, ao mostrar ora os políticos e as festividades, ora os trabalhadores que migraram para o cerrado e construíram Brasília sobre o seu suor. A cidade planejada levou três anos para ser construída. Sendo a nova sede do governo, possui uma praça central que abriga o Congresso, o Palácio da Planalto (casa do Executivo, substituindo o Palácio do Cadete) e o Supremo Tribunal Federal. Demonstração artística durante as comemorações da inauguração, na Praça dos Três Poderes

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Capa

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Cinema

Cinema

Crítica Cinematográfica

A emergência de uma perspectiva cinematográfica diferente: será um cinema “novo”? “No Brasil, o Cinema Novo é uma questão de verdade e não de fotografismo. Para nós, a câmera é um olho sobre o mundo, o ‘travelling’ é um instrumento de conhecimento, a montagem não é demagogia, mas a pontuação do nosso ambicioso discurso sobre a realidade humana e social do Brasil” (Glauber Rocha). Aparentemente, desde meados da década de 1950 tem ocorrido uma renovação estética no cinema brasileiro. Assim como no teatro e na música, uma mudança de ordem política evidencia-se: o cinema tem buscado uma nova linguagem e uma temática popular. De fato, abordar a cultura popular nas telas está em alta nas produções cinematográficas dos dias atuais. Além desses jovens produtores idealistas, que se denominam membros de um Cinema Novo, também

as chanchadas, produzidas pela grande produtora Vera Cruz, abordam aspectos da cultura nacional. Contudo, há uma grande

diferença entre as chanchadas e esses novos longas e curtas metragens produzidos, basicamente, por jovens cineastas, centralizados no Rio, com focos em Salvador e João Pessoa. Enquanto as chanchadas são muito falantes (verbalistas)

e exageradas, a produção emergente tem se mostrado mais próxima a conceitos de mise-em-scène1 (posicionamento de cena) e uma linha narrativa contínua. Nas chanchadas, como afirmou Neves, membro dessa vanguarda do cinema, “grita não se fala”. No Cinema Novo, por sua vez, busca-se ressaltar o espaçamento de corpos e as coisas em cena. A fala é substituída por imagens. E não são imagens esdrúxulas ou paródias como nas chanchadas, mas sim, imagens reais, do cotidiano e dos problemas sociais do Brasil. Assim, destaca-se a utilização de longas sequências que procuravam um registro da realidade tal como ela se apresentava. Observa-se, por fim, a progressiva valorização da figura do diretor, que passa a planejar de forma global a colocação do drama no espaço cênico. Recentemente, Nelson

1 Mise-en-scène no cinema significa enquadramento, gesto, entonação da voz, luz, movimento no espaço. Define-se na figura do sujeito que se oferece à câmera na situação de tomada, interagindo com outrem que, por trás da câmera, lhe lança o olhar e dirige sua ação.

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Pereira dos Santos lançou dois filmes, “Rio, Quarenta Graus” (1955) e “Rio Zona Norte” (1957), e tem sido considerado o precursor de um movimento que parece crescer a cada dia. Glauber Rocha, em Salvador, também tem produzido algumas curtas metragens, como “Pátio” (1958) e Cruz na Praça “1959) e um longa metragem que promete lançar ainda esse ano: “Barravento”. Além deles tem-se observado a produção de Paulo Cézar Saraceni, Roberto Farias, Ruy Guerra, Alex Viany, entre outros. É interessante notar que são produções pequenas, dotadas de baixos orçamentos e de caráter autoral. Ao contrário do cinema industrial, como Holywood. Por isso a qualidade da imagem não pode ser algo comparável a grandes produções internacionais, apesar de seu conteúdo ser elogiado por críticos internacionais, como se observou no último Festival de Cannes. O que esses produtores tem buscado é uma abordagem humanista da realidade e da cultura nacional, retomando, por conseguinte, a perspectiva do Neorrealismo italiano e do Nouvelle Vague (Nova Onda) francês – cujo expoente é Godard, o qual produziu “O Acossado” (1960).

Essa estética e temática co a essas novas produções, diferenciada do cinema que demostrando certo desinparece dar luz a novo cin- teresse e repulsa. ema brasileiro, engajado. Parece que Glauber estava Por Bruno Bortoleto certo quando saudou recentemente no Suplemento Literário do Jornal do Brasil uma nova geração de cineastas. O desafio agora é o diálogo com o público, o qual não vem sendo tão simpáti-

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Teatro

Revolução na América do Sul Grupo Teatro Arena

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e roteiro de Augusto Boal e direção de José Renato, Revolução na América do Sul é irrecusável. O grupo Arena tem, sem dúvida, contribuído muito com o teatro brasileiro, com suas peças inteligentes e bem estruturadas, e Revolução não é exceção. A narrativa acompanha a trajetória e as desventuras de José da Silva (Flávio Migliaccio), um operário explorado de todas as formas possíveis pelo capitalismo de multinacionais. Falando primeiramente em termos técnicos, a forma inovadora da peça é admirável. Boal traz, com maestria, a teoria brechtiana para Revolução, inovando com um verdadeiro épico à moda brasileira. Mais surpreendente, porém, que a audaciosa gestão dos elementos, é a perfeição com que o aspecto formal da peça se adéqua e impulsiona o conteúdo. Como se pode observar pelos trabalhos anteriores do Arena, o grupo debruça-se sobre um teatro engajado social e politicamente, e assim o é esta peça, tratando dos temas recorrentes do proletariado, do capitalismo e do imperialismo. Em Revo-

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O roteiro de Revolução na América do Sul é Augusto Boal

lução, no entanto, Boal constrói personagens, sobretudo o protagonista, com subjetividade difusa, ou seja, objetivadas. Dessa forma, quem se materializa no palco não é o José da Silva, com seus anseios e sentimentos, mas o próprio povo. E a apatia e a omissão não pertencem a José, mas a toda a sua classe. Zé da Silva, encarnando o povo, é extorquido pagando royaltes sobre tudo o que consome – até mesmo sobre o ar que respira – e permanece indiferente. O prólogo já adianta: “um homem que morreu sem conhecer o inimigo, o inimigo o cercou e até as calças roubou”. Há ainda uma outra crítica que permeia a peça, à inação da burguesia, dedicada

antes aos seus interesses capitalistas. Assim, Boal forma uma tríade a ser criticada: o imperialismo, a apatia do povo e os interesses implícitos da burguesia, formando a contra-revolução. Esses três fatores constituem um movimento velado que nos afasta de transformações necessárias. A Revolução é tão impactante justamente porque, ao desejar que Zé da Silva abrisse seus olhos, percebemos que também devemos abrir os nossos. Boal quer nos conduzir à realidade social e econômica de nosso país, revelando-nos injustiças que se aprofundam às custas da nossa inércia. Por Ana Almeida

Assista à Peça Local: Teatro de Arena Rua Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque - Centro, São Paulo • Horários: De quinta-feira a sábado, às 21h Até o início de novembro

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Música

Música

Bossa Nova: Grande Movimento Música como expressão da vontade da população ou instrumento político para impulsionar o Plano de Metas do Presidente JK? A Bossa Nova, há cinco anos, não tinha a intenção de se transformar em um objeto político, e isso vêm acontecendo, pois seu título ganha um maior uso comercial e publicitário nesse ano de 1960. Como percebemos, ao longo desse, a construção de Brasília e o auge da música de alto nível brasileira no exterior, assumidos como um objeto urbano referencial de modernidade para nosso país. O Presidente JK poderia ser categorizado futuramente como o autor de um período de endividamento alto, se não fosse pela repercussão internacional da música brasileira nesses novos moldes, que o ajudam a pregar uma imagem mais nacionalista e desenvolvimentista do país. A Bossa Nova renova as harmonias e os arranjos, sendo uma nova vertente da nossa música, capaz de competir no mercado internacional. Todo esse embelezamento rítmico pode ser considerado, sobretudo, conse-

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quência de um processo de americanização vivido na América Latina após a Guerra, atendendo aos anseios das classes mais altas por temáticas próximas do

leva esperar grandes resultados desse envolvimento internacional com nossa produção musical, ou uma perda de identidade brasileira influenciada pela in-

Nova trouxe então o Diplomata e compositor Vinicius de Moraes junto com o intelectual e músico Tom Jobim que escreveu a dois anos atrás a “Sinfonia da Alvorada”. No quarto ato, O Trabalho e a Construção, narra tudo que foi preciso para essa grande obra.

seu dia-a-dia, divergente da realidade dos morros retratada no samba carioca. Grandes artistas internacionais começam a demonstrar interesse pelo novo ritmo musical, Frank Sinatra e Dick Farney expressam suas admirações, o que nos

ternacionalização da nossa criatividade. Milhares de trabalhadores foram levados ao sonho de erguer Brasília, desbravaram o interior de nosso país assim como os Bandeirantes em busca do ouro. A Bossa

zia no rosto a antiga determinação dos bandeirantes, // mas já não eram o ouro e os diamantes o objeto de sua cobiça. (...) Seus pés plantaram-se na terra vermelha do altiplano. Seu olhar descortinou as grandes extensões sem mágoa/no círculo infinito do horizonte. // Seu peito encheu-se do ar puro do cer“Sim, era o homem. // rado. // Sim ele plantaria no Era finalmente e definitiva- deserto uma cidade muito mente, o homem. // Viera branca e muito pura...”. para ficar. // Tinha nos olhos a força de um propósito: perNo entanto, Vinicius de manecer, vencer as solidões // Moraes e Tom Jobim, em E nos horizontes, desbravar e sua Sinfonia conseguiu criar, fundar e erguer. // Suas ajudar o Presidente, no esmãos já não traziam outras plendor de um grande esforarmas que as do trabalho em ço da população que foi levpaz. /Sim, era finalmente o ada a acreditar que ir para o Homem: o Fundador. // Tra- planalto central em meio ao

clima desértico, seria a coisa mais sábia a se fazer para melhorar de vida e desenvolver o país. Uma música bela e inebriante veio que nem uma dose de vinho deixando a população ébria, que não consegue enxergar as consequências dessa americanização e desse endividamento exacerbado do nosso governo. A Bossa Nova se torna nesse momento, grande publicitária do Brasil no exterior, mas também a porta de entrada para os EUA acabarem nos fazendo uma reprimarização da nossa indústria e das nossas relações comerciais com o exterior. E os brasileiros são levados a acreditar que tudo é natural assim como na expressão da música de Tom Jobim e Newton Mendonça, “Desafi-

nado”: “Isto é bossa nova, isto é muito natural”. E se contrapondo ao modelo de que a Bossa Nova era uma modernização e uma vertente musical apenas para as classes mais altas,

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Música ela começa transcender as ruas do nosso país, e o povo que antes eram marginalizados culturalmente, hoje participam de toda essa manifestação cultural. Percebemos que nesse ultimo triênio a bossa nova, começa delinear outro caminho ao futuro, Juca Chaves em sua composição, “Presidente

dente // Desta terra descoberta por Cabral. /Para tanto basta ser tão simplesmente: // Simpático, risonho, original. // Depois desfrutar da maravilha // De ser presidente do Brasil, // Voar da Velha - Cap pra Brasília // Ver o Alvorada e voar de Volta ao Rio. // Voar, voar, voar. // Voar, voar pra bem distante // Até

nova / Bossa mesmo, // bossanova...”. (Presidente Bossa Nova, Juca Chaves). A Redação, demonstra, o formato que enxergamos a bossa nova, modernizadora, construtora de um plano de pensamento crítico-musical de linhagem nacional-popular. O que hoje o presidente JK usa como aparato precursor do desenvolvimentismo alienado do nosso país, poderá ser usado pela classe média e pelas camadas mais baixas insatisfeitas com a elitização dos seus programas de governo, no qual enxerga apenas o desenvolvimento dos mais poderosos. Por César Carvalho

Bossa Nova”, nos mostra a imagem do presidente Juscelino Kubitscheck e o valor que temos a partir de agora em nossa cultura musical. Conseguimos observar agora, a Bossa como um projeto mais cultural e se tornando uma interlocutora política, “Presidente Bossa Nova”:

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Versalhes onde duas mineirinhas, // Valsinhas dançam como debutantes. // Interessante... // Mandar parente a jato pro dentista, // Almoçar com tenista campeã. // Também poder ser um bom artista exclusivista, // Tomando com Dilermando // Umas aulinhas de violão. // Isto é viver como se aprova, “Bossa nova é ser presi- // é ser um presidente bossa


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