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Pinturas & Pintores

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LUÍS ALTURAS

Pinturas & Pintores Fascículo 12

EDIÇÕES CASEIRAS Lisboa 2013 Título: Pinturas & Pintores

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Autor: Luís Alturas ©Luís Alturas 2013 Todos os direitos, para a publicação desta obra, reservados por Edições Caseiras, Lda. Rua do lá vai um, porta não tem e número ficou lá... Telefone: +351 (etecetera) Lisboa

Pesquisa e Documentação: O autor Revisão: O falível corretor ortográfico do Word Capa: Dario Ortiz (LA PELIROJA 2008) Composição: O autor, em caracteres Book Antiqua, corpo 14 Edição: Janeiro de 2013 – Edição Ilimitada Depósito Legal nº: Qual depósito, qual carapuça… LUÍS ALTURAS

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Preâmbulo Pinturas & Pintores consiste num novo projecto da minha autoria (por isso, tão tolo ou mais que os anteriores…), que tem como objectivo dar a conhecer ao leitor alguns dos grandes pintores da humanidade (como se eu desse a conhecer alguma coisa a alguém...). Artistas tão sui generis que tem à sua mercê o modelo mais fascinante de todos quantos há na natureza: o maravilhoso e escultural corpo de uma mulher. A ideia surgiu graças ao (bom...) hábito que tenho de assistir ao canal Pure Screens Museum todos os Sábados antes de fazer uma sesta. Adoro adormecer a assistir a esse canal, sobretudo a observar as mulheres nuas que por aí vão surgindo… magistralmente retratadas na tela. Ponho-me a imaginar coisas… Farto de recalcar a minha fértil imaginação, decidi que estava na altura de pô-la a divagar... mas, desta feita, para o papel. Assim, lembrei-me de pôr os pintores a falarem na primeira pessoa, dando a conhecer ao leitor como, quando e porquê pintaram um determinado quadro. Francis-Marie Martinez Picabia representa o número 12 de uma série de fascículos – que publicarei todas as 4ª feiras (via Facebook) – sobre o fascinante mundo da (minha...) pintura. Devo informar que nada do que consta nos textos tem alguma relação de afinidade com a realidade e que o mesmo é da exclusiva responsabilidade (delirante…) do autor. Como se costuma dizer: “ Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência”.

NOTA DE AUTOR: Este projecto está devidamente assinalado com uma bolinha vermelha no canto superior direito e será restrito apenas aos meus “amigos” com uma idade superior a 18 anos.

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FrancisFrancis-Marie Picabia Paris, 28 Jan. 1879 – id., 30 Nov. 1953

AutoAuto-retrato, 1946

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esta décima segunda narrativa o autor recorreu-se do pintor Francis Picabia para ir buscar mais um quadro - “Femme au Bull-Dog” (1940 – 1942) - onde duas mulheres se entretinham completamente nuas...mas, desta feita, na companhia de um cão… Sim, de um cão?!

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“No amor, um mais um é igual a um” Jean Paul Sartre (1905 – 1980)

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Femme au BullBull-Dog

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evo começar por vos dizer que sou um fã incondicional do malogrado Monsieur Courbet. Posso mesmo afirmar que é a ele que devo tudo LUÍS ALTURAS

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aquilo que sou hoje. O seu trabalho inspirou-me desde os meus tempos de adolescência – quando os meus olhos tiveram a sublime oportunidade de o ver (ao trabalho, não ao Courbet… que infelizmente, por essa altura, já apenas servia para fazer tijolo…). Fiquei imediatamente rendido àquilo que vi – não só a qualidade técnica dos seus quadros que pintara como com as cenas que havia escolhido e a forma como as havia retratado. De tal maneira que a certa altura do meu percurso artístico quis saber tudo sobre a sua vida: o que pintara, como pintara, onde pintara e porque pintara. E foi quando me debrucei sobre um quadro, em particular, que o caricato aconteceu. Uma história extraordinária e repleta de peripécias que, contada, ninguém acredita! Mas que mesmo assim me arrisco, agora a reproduzi-la, expondo o ónus da sua veracidade ao vosso douto escrutínio.

… Seja o que Deus quiser...

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endo certo dia, por um mero acaso, ouvido falar – a partir da “boca de trapos” do sobrinho de uma tal de Madame Grégoire, que por essa altura já tinha ido ter com o “Criador” (paz à sua alma…) – da história mirabolante que havia levado Monsieur Courbet a pintar as duas mulheres dormindo, quis saber se a mesma corresponderia à verdade, ou se tal não passava apenas de um devaneio saído da cabeça de um lunático qualquer. A ser verdade, seria certamente emocionante perceber os passos que o haviam levado a retratar aquela cena – que tanto tinha dado que LUÍS ALTURAS

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falar por toda essa Europa fora. Assim, naquele dia, decidi agarrar nas minhas perninhas (que é como quem diz, chamar uma charrettete…) e deslocar-me até à pensão onde ele havia, supostamente, retratado tão-somente a cena mais escabrosa e lésbica de que há memória até aos dias de hoje.

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chiar das rodas da charrette no empedrado encharcado da Rue du Temple assinalava a chegada ao meu destino. Por entre as gotas de água que ziguezagueavam pelo vidro embaciado da janela da carruagem, erame dado a observar um edifício velho, de dois andares, mal pintado de azul-marinho onde, num letreiro sobre a porta principal, se podia ler: Pension du Lévêque et Bailly. É aqui! Com grande excitação, lesto apeei-me daquela confortável charrette. Paguei generosamente o serviço ao condutor – a quem acabei por não conseguir vislumbrar o rosto, pois o mesmo resguardava-o da borrasca que se fazia sentir com um enorme cachecol negro – e dirigiFrancis Picabia, Roofs of Paris, 1900 me em passo de corrida, por entre as gotas de chuva, até à porta de entrada. Não havendo nenhuma campainha que me permitisse fazer anunciar, rodei a ruidosa maçaneta da porta que, com a ajuda da ventania, se escancarou de par-em-par convidando-me a entrar. Decidido, fi-lo com a mesma rapidez do relâmpago que, agora, parecia querer abater-se sobre a minha cabeça. O mesmo já não aconteceu quando pretendi fechá-la. Aí demorei-me mais um pouco, LUÍS ALTURAS

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pois vi-me obrigado a fazer um braço de ferro hercúleo com as rajadas de vento que me embaraçavam. Chiça... Logo que entrei no esconso e escuro átrio daquela pensão, o meu olfacto foi assaltado por um cheiro de tal forma violento que o meu corpo se imobilizou hirto “como uma barra de ferro”. Uma mistura de refogado, regado com uma boa quantidade de chulé e umas pitadas de líquenes ocupavam o espaço que deveria ser ocupado por ar. O cheiro era de tal ordem nauseabundo que me fez pensar duas vezes se não seria melhor dar meia volta e volver. Se não seria mais sensato ir lá numa outra altura em que o ar estivesse mais respirável. O cheiro entranhava-se de tal forma no meu cérebro que, me dificultava, inclusive de tomar a decisão mais acertada. Ainda mais preocupado (e com maior vontade de fugir…) fiquei quando percebi que uma enorme ratazana, da mesma cor das nuvens que naquele dia pairavam sobre os plúmbeos céus de Paris, se atravessava veloz à minha frente e se escondia sorrateiramente por detrás de um tocador de carvalho que decorava, solitário, aquele espaço. Aquela cena repugnou-me. E repugnou-me de tal maneira que, por momentos, apeteceu-me vomitar... No entanto, a muito custo, resisti ao asco.

… (homem que é homem resiste a tudo…)

… Enchi o meu peito (de tudo, menos de ar…) e continuei estoicamente a penetrar cada vez mais profundo naquele espaço tão mísero e decadente. Quando me abeirei do pequeno e maltratado balcão da recepção – onde era suposto haver alguém para me receber muito expedita e educadamente (como era habitual em qualquer pensão parisiense que se prezasse…) – não havia vivalma. Parecia que toda a gente havia fugido dali, para fora – certamente para evitar a morte certa por inalação de vapores letais. Só eu (e não por uma questão de necessidade premente mas antes por um estúpido e mórbido capricho) continuava ali a arriscar o meu “pêlo”. Toquei à campainha que jazia, cheia de verdete, sobre o balcão e aguardei que alguém me respondesse ao apelo. Nesse hiato de tempo (que me pareceu ser uma eternidade…), dois fulanos muito maltrapilhos e com ar muito comprometido, desceriam – mais LUÍS ALTURAS

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discretos que a ratazana que vivia atrás do tocador – a escadaria estreita que dava acesso ao piso superior. Percebi que o faziam muito discretamente – pé ante pé – para evitarem o ranger das tábuas de madeira que se detinham apodrecidas pela humidade que ali parecia se ter refugiado para todo o sempre. Logo que se viram sobre o mudo mármore do átrio, sem dizerem um “ai” que fosse, sairiam mais rápidos do que a velocidade a que havia viajado o som do “plim” fanhoso da campainha que ainda ressoava nos meus ouvidos. É só gente estranha, pensei... Ainda eu olhava para o rasto daquelas duas figuras - que haviam saído sem pagar (sabia-o…) – e já uma porta, traseira à recepção, se abria com um estrondo inusitado. De dentro daquilo que me parecia ser uma copa (a avaliar por uma pilha de pratos sujos, sobre uma bancada de mármore; e por um fogão com um grande tacho ao lume que conseguia vislumbrar…), uma jovem muito desgadelhada e com ar “de muito poucos amigos” surgiria à minha frente de maçã em riste – verde, a avaliar pelo esgar de repulsa que fazia enquanto a mastigava. - Oui… – Disse-me, olhando de esguelha, desconfiada, para a porta de entrada que havia ficado entreaberta deixando entrar um pouco de ar fresco (thank God!).

-

Bonjour, ma petite Mademoiselle! – Cumprimentei-a com afago, omitindo-lhe aquilo a que acabara de assistir (já que tal não era da minha conta…). Sem retribuir o cumprimento, depois de fechar a porta de entrada e acabar de ruminar o conteúdo da maçã que tinha dentro da boca, a suposta recepcionista (aquela miúda era tudo menos recepcionista…) perguntou-me com brusquidão: - O que deseja?! Quer um quarto, C’est ça?! Por momentos fiquei sem palavras. Não esperava, nem tãopouco estava habituado, uma recepção tão brusca e tão pouco polida como aquela. Não sabia como (ou mesmo, se devia…) iniciar conversa com aquela rapariga. Primeiro, porque provavelmente era LUÍS ALTURAS

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jovem demais para saber responder àquilo que pretendia. Segundo, porque mesmo que o soubesse, antipática como era, poderia simplesmente ignorar o meu pedido e virar-me costas. Terceiro, porque o cheiro teimava em ocupar-me o pensamento dificultandome o raciocínio... - Non! O que me trouxe aqui foi... – Comecei, titubeantemente. –...gostava de saber se… por acaso, a menina não me sabe dizer… em que quarto esteve hospedado Monsieur Courbet… – Continuei, enquanto ela voltava a levar a maçã à boca. –...quando aqui viveu (há muitos anos atrás, portanto...)!? – Rematei. Nessa altura o comportamento da rapariga alterou-se por completo. Do dia para a noite. Parecia que tinha ouvido falar no diabo retendo a dentada na pobre da maçã que jazia dentro da sua boca. - Courbet?! – Ainda a ouvi dizer, com uma expressão de horror estampada no rosto. Sem me dar resposta, virou-me costas e voltou a entrar pela mesma porta de onde havia saído.

… Mas o que é isto?! Mas onde é que eu me fui meter! Isto é tudo gente maluca…

… Já pensava em desistir do meu intuito quando uma senhora já muito velha, munida de um muito amolgado funil de alumínio espetado na sua orelha direita, me abordou com uma exclamação interrogativa (ou uma interrogação exclamativa… nem sei!) - Courbet?! - Oui Madame! – Confirmei, ainda a processar a figura daquela mulher que agora se perfilava encarquilhada à minha frente. - Esse maluco… Esse pintor, que me aparecia aqui sempre bêbado… Esse malandro, que teve o descaramento de me ficar a dever um bom dinheiro… – balbuciava, com uma encruzilhada de vincos a rodearem-lhe a pequena e desdentada boca (fazendo sobressair uma verruga nojenta sobre a qual uma série de pêlos despontavam agressivos na ponta do seu nariz…). – Ainda tenho por aqui a conta desse malandro… – Continuou, danada, enquanto rebuscava numa gaveta por debaixo do balcão por um pequeno bloco de notas. LUÍS ALTURAS

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Naquela altura não tive coragem de abrir a boca. Percebi que as relações comerciais entre Monsieur Courbet e aquela senhora não tinham sido as melhores, nem, tão-pouco, haviam ficado saldadas. Comecei a achar que o melhor que tinha a fazer era despedirme muito educadamente e voltar para casa, enquanto era tempo. Mas foi precisamente quando a velha pôs o amarfanhado bloco de notas sobre o balcão, escarrapachando-me “a conta” que supostamente havia ficado por pagar, que a minha curiosidade se exacerbou aos píncaros. No topo da página a identificação “Courbet – Chambre 14” fezme querer continuar. - Está a ver… Está a ver… Esse caloteiro ficou a dever-me uma grande maquia! – Ripostou. Como já tinha suportado tanto e estava, agora, cada vez mais perto de alcançar o meu objectivo, ofereci-me de imediato para pagar aquilo que havia ficado em dívida – que, diga-se de passagem, não era nada do outro mundo (pouco mais de metade daquilo que havia pago ao condutor que ali me havia levado…). Sem mais delongas, fiz-lhe a seguinte proposta: - Madame, se mo permitir eu saldaria a conta do Monsieur Courbet… – comecei. -… Mas com uma condição! Neste momento a boca daquela velha carrancuda escancarouse e os seus olhos abriram-se de uma forma que nunca julgara ser fosse possível. - Vai deixar-me subir e ver o quarto onde Monsieur Courbet viveu… – rematei, peremptório. Sabia que a mulher não haveria de pôr qualquer objecção ao meu pedido. Afinal de contas, percebia que o que ela queria era que lhe passasse uns quantos francos para a mão. - Certainement… Il n'y a pas de problème! – Respondeu-me, estendendo-me a mão.

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epois de pousar o funil sobre o balcão – e fazendo humedecer amiúde a ponta do dedo indicador na sua língua retalhada – a velha contou por duas vezes consecutivas (certificando-se que não a enganava...) o dinheiro que lhe havia depositado sobre a mão. Já com um esboço de sorriso nos lábios (que a deixava com um ar ainda mais sinistro...) abriu o chaveiro, que se encontrava atrás de si, donde retirou a chave cujo penduricalho que a suportava indicava: Chambre 14. Voilà! Enquanto ma entregava apontava-me para a escadaria que deveria subir e concluiria: -...terceira porta à direita. - Merci, Madame! Com muito cuidado, para não pôr o pé em rama verde (que é como quem diz: num qualquer buraco daquela decrépita escadaria armadilhada pela humidade...) subi até ao piso superior. O último degrau desembocava num esconso e sinistro corredor onde, também aí, se fazia sentir um odor nauseabundo mas, desta feita, a urina. Ao chegar à porta cuja ombreira sinalizava – com uma placa tombada, periclitantemente segura por um enferrujado prego – o nº 14, pus a chave à fechadura… mas nem precisei de a rodar. Só com o impulso de pôr a chave à porta esta abrir-se-ia sozinha! Nessa altura fiquei deveras surpreso e algo assustado. Quando os meus olhos se fixaram no interior do espaço onde Courbet havia pintado duas mulheres dormindo, estavam agora, sobre a mesma cama, duas mulheres… mas, desta feita, bem acordadas! Também completamente nuas, estas acariciavam, nem mais nem menos, do que um enorme Bull-Dog de pelagem integralmente branca (não fossem as duas manchas negras que, por caprichos genéticos, lhe marcavam a orelha esquerda e o sobrolho do mesmo lado) que, ao ver-me invadir o seu território, me olhou como ar pouco amigável – confirmado, instantes mais tarde, por um crescente e temível rosnar. - Bellini... Quieto! – Ordenou-lhe a figura loura, continuando a afagar-lhe o dorso. LUÍS ALTURAS

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O cão obedecer-lhe-ia à ordem mas continuaria, mesmo assim, a olhar-me com um ar muito desconfiado. Sem saber o que dizer, a minha boca abriu-se apenas para lamentar a minha inadvertida intrusão: - Pardon... Mesdame... Quando já voltava costas, para abandonar o quarto, vi-me confrontado com o convite mais indiscreto e ousado que alguma vez me havia sido feito. - Por quem é, Monsieur?! Não se acanhe... Entre! – Dir-me-ia a figura morena, com um sorriso de malícia estampado nos lábios, ao mesmo tempo que envolvia o seu pescoço com uma écharpe de penas (de ganso preto...). - Bellini está de rastos...e nós ainda não estamos satisfeitas... Se é que me faço entender, Monsieur! – Remataria a loura. Nessa altura fiquei sem saber se haveria de entrar ou se seria melhor sair. Se por um lado o convite era tentador, por outro o cão não me inspirava confiança. - E o cão?! – Questionei. - Não se preocupe com Bellini... Ele não é tão feroz como parece...”.

… Será?!

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epois de terem posto o canídeo (com nome de célebre e virtuoso pintor renascentista – Bellini…) para fora do quarto (já que este apesar de não morder ladrava que “a Deus dará”…), as duas mulheres fechariam a porta à chave e não mais me largariam a braguilha (de tão fascinadas que ficaram com o meu robusto e generoso... fecho éclaire!).

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… Se Courbet ali havia estado a representar duas mulheres dormindo porque não fazê-lo também!? Mas para que tal pudesse acontecer teria primeiro que as “amansar”. Pas de problème... Era bom nisso e não me escusava a uma rambóia tão exquis! Ainda, por cima, se já tinha pago à velha carrancuda um bom dinheiro?!

… E assim foi. Depois de uma inesquecível mènage à trois (com o cão sempre a raspar com as patas dianteiras a madeira do outro lado da porta...) aquelas duas acabariam por adormecer enroscadas felizes e contentes. Nessa altura, respeitando aquele momento tão lésbico, fiquei a observá-las recostado num sofá a fumar um belo de um charuto. E foi nessa altura que decidi que não as haveria de retratar assim. Que seria muito mais ousado do que fora Courbet...

TO BE CONTINUED...

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Luís Alturas

nasceu

na

freguesia de

Carcavelos há 42 anos. Licenciado em Educação Especial e Reabilitação, pela Faculdade

de

Motricidade

Humana,

lecciona Natação Pura há mais de 20 anos. Há cerca de 2 anos a esta parte começou a ter a mania que era escritor. Tendo sido sempre um aluno mediano a Língua Portuguesa (bem como em todas as outras matérias…) passou a “matar” a sua cabeça a escrever parvoíces (que ninguém lê…) nos seus poucos tempos livres. Há gente que é feliz assim! Podia-lhe ter dado para bem pior…

“Tentador, Sublime e Provocante…” NEW JERSEY TIMES

“Arrebatador, Delicioso e Fogoso…” NATIONAL INQUISITOR

“Excitante, Brilhante…” WEDNESDAY EXPRESS

“Uma história do caraças...” CORREIO DE AMANHÃ

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1879 1953 Picabia