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Biocultura # 1 | Fevereiro 2012 | André Glória | Júlia Baidek | Luis Félix

O Sistema Imunitário


Introdução

No âmbito da disciplina de Biologia 12ºAno, a pedido da professora Marta Fernandes, e como forma de finalizarmos a terceira unidade do projecto curricular da disciplina, Imunidade e Controlo de Doenças, realizamos este trabalho sobre Mecanismos de Defesa Não-Especificas, focando apenas no Sistema de Complemento; e também sobre Mecanismos de Defesa Especificos, focando a Formação dos Linfócitos B e T, Imunidade Humoral, Classes de Imunoglobulinas e Actuação de anticorpos com vista à inactivação dos antigénios, sendo que no final conseguimos identificar as vantagens de todos os mecanismos e entender que na base da nossa imunidade está um grupo de células muito diversificadas e inteligentes- os linfócitos. Descobrimos como se formam, quais as suas funções, como cooperam entre si e porque são tão essenciais ao nosso corpo.

Biocultura # 1 | Fevereiro 2012 | André Glória | Júlia Baidek | Luis Félix

O Sistema Imunitário Edição 1

Capa Fevereiro 2012 O Sistema Imunitário

Autores André Glória nº 1 12º A

Júlia Baidek nº 13 12º A

Luis Félix nº 14 12º A

ESCOLA BÁSICA E SECUNDÁRIA AMÉLIA REY COLAÇO DISCIPLINA Biologia 12º Ano

PROFESSORA Marta Fernandes ANO LECTIVO 2011/2012

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ÍNDICE

Sistema de complemento Tipos de Imunoglobulinas Entrevista Mecanismos de defesa imunitária Imunidade humoral Anticorpos Actuação de anticorpos

Biocultura | 4

6

11

12 14 17 19 20


Sistema de complemento p.6

Imunidade humoral p.17

Entrevista p.12

Anticorpos p.19

Mecanismos de defesa imunitária p.14

Actuação de anticorpos p.20

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SISTEMA DE

COMPLEMENTO Por vezes a interacção dos anticorpos com antigénios é eficiente por si só. Por exemplo: • Quando revestem um vírus ou bactéria prevenindo assim a invasão de células hospedeiras malignas; • Quando se liga a uma toxina (ex: tétano) impedindo assim a entrada da toxina na célula, fazendo com que esta seja neutralizada.

O

Mas, grande parte das vezes, apenas a ligação entre os anticorpos e antigénios não é suficiente, fazendo com que seja necessário um mecanismo efectivo para activar essas funções.

sistema complemento, assim como os anticorpos, é um sistema complexo de proteínas constituído por cerca de 20 proteínas produzidas no fígado e que circulam livremente no sangue, cuja principal função é a defesa contra infecções e a sua eliminação do organismo. Assim o sistema de complemento é um dos mecanismos mais importantes para a resposta imune do organismo. Ele causa a destruição das células

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e sinaliza aos fagócitos que uma célula precisa ser removida. Há milhões de anticorpos diferentes na corrente sanguínea, cada um sensível a um antigénio específico. As proteínas deste sistema são activadas pelos anticorpos e trabalham em complemento com eles, daí o nome de sitema de complemento. Essas proteínas reagem entre elas para opsonizar os patógenos e induzir uma série de respostas inflamatórias que auxiliam no combate à infecção.

Funções do sistema de complemento


Modo de actuação:

Quando um microrganismo penetra no organismo, normalmente provoca a activação do complemento. Noutras ocasiões é a ligação anticorpo antigénio que pode também desencadear a activação do complemento. A activação da primeira proteína do sistema desencadeia uma cascata de reacções na qual cada proteína do complemento actua sobre a seguinte, activando-a. Como resultado da sua activação e amplificação, alguns componentes do complemento depositam-se sobre a superfície do patogénico responsável pela activação, o que determina uma sequência de resposta imunitária produzindo acções não especificas, tais como:

• Recobrimento dos agentes patogénicos, dificultando a sua mobilidade e permitindo que os fagócitos actuem mais facilmente;

• Destruição das bactérias (as proteínas do complemento fixam-se na membrana das bactérias, criando poros que conduzem ao extravasamento do conteúdo celular bacteriano e consequentemente à sua morte);

• Ligação de receptores específicos das células do sistema imunitário, estimulando determinadas acções, como, por exemplo a produção de moléculas reguladoras e o desencadear da resposta inflamatória.

• Atracção de leucócitos para os locais da infecção (quimiotaxia);

Algumas acções do sistema de complemento

Nota:

Opsonização, em imunologia, é o processo que facilita a acção do sistema imunológico por fixar opsoninas ou fragmentos do complemento na superfície bacteriana, permitindo a fagocitose. Em termos de comparação, este processo seria como barrar um ladrão com mel e colocá-lo num quarto fechado cheio de ursos. Neste caso os ursos seriam os macrófagos e granulócitos e o ladrão o invasor do organismo.

Para que o sistema complemento expresse a sua actividade é necessária a sua activação prévia. As actividades mais importantes de defesa do hospedeiro são efectuadas pelas proteínas C3 e C5, que têm uma estrutura semelhante. A clivagem de tais proteínas é feita por proteases altamente específicas, as convertases, sendo que existem três C3 convertases (C4b2a, C3(H20)Bb, C3bBb) e duas C5 convertases (C4b2a3b, C3bBb3b), organizadas durante a activação das vias do complemento, sendo que existem três vias de actuação do sistema de complemento: clássica, lectina e alternativa. Biocultura | 7


Via Clássica

Nesta via a montagem e a organização das convertases são habitualmente iniciadas por anticorpos da classe IgG ou IgM formando complexos com o antigénio. Várias outras substâncias, tais como os complexos da proteína Creactiva (PCR), determinados vírus e bactérias Gram-negativas, também podem activar esta via.

Via da Lectina

A via da lectina utiliza uma proteína similar a C1q para activar a cascata do complemento, a lectina ligadora de manose (MBL). A MBL ligase a resíduos de manose e outros açúcares, organizados em padrão, que recobrem superficialmente muitos patógenios.

Manose é um açúcar, constituído por seis carbonos. A manose entra na corrente do metabolismo dos hidratos de carbono pela fosforilação e conversão da frutose-6-fosfato.

Curiosidade:

As pessoas deficientes em MBL têm maior suscetibilidade a infecções na infância, o que mostra a importância da via da lectina na defesa do hospedeiro. Esta via participa da resposta imune inata, uma vez que não é mediada por anticorpos.

Via Alternativa

Esta via foi denominada alternativa por razões históricas, por ter sido descoberta após a via clássica. A activação desta via inicia-se a partir da hidrólise espontânea tiol-éster localizada na cadeia alfa do componente C3, gerando o C3(H20).

Controle da Activação do Complemento

Activação do complemento

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A multiplicidade e a potência das actividades biológicas geradas quando o complemento é activado, e, em particular, a capacidade do complemento de mediar as reacções inflamatórias agudas e de produzir lesões letais nas membranas celulares constituem uma ameaça não apenas para os patógenios invasores mas também às células e aos tecidos do hospedeiro. Esse potencial de autolesão da ativação do complemento é normalmente mantido sob controle efetivo por diversos inibidores e inactivadores que atuam em pontos de amplificação enzimática, bem como em nível das moléculas efectoras.


Via clรกssica

Via alternativa

Via da lectina

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Deficiências do Complemento

Já foram descritos casos de deficiências do complemento para quase todos os componentes deste sistema. Normalmente esses indivíduos sofrem infecções frequentes e/ou doenças ligadas ao complexo imunitário. Estas deficiências são transmissíveis como carácter autossómico recessivo, sendo que os indivíduos heterozigóticos são fáceis de identificar porque o seu soro contém aproximadamente metade dos níveis normais do componente em questão. ⦿

Curiosidade: A única excepção a este modelo é o défice de C1-Inh, que é herdado por um mo-

delo autossómico dominante. Em geral, a situação clínica dos pacientes com défices genéticos do complemento reflete o papel biológico e a importância de seus distintos componentes in vivo. Surpreendentemente, alguns indivíduos toleram as deficiências do complemento muito melhor que outros. Biocultura | 10


Tipos de Imunoglobulinas I

munoglobulinas (Ig) são proteínas com actividade anticórpica, pertencentes às globulinas do sangue e derivadas de células do sistema lifático, que fazem parte do mecanismo de defesa do organismo. São constituídas por dois tipos de cadeias polipeptídicas, pesadas (de massa molecular entre 50 mil e 70 mil) e leves (23 mil) e cada molécula é constituída por duas de cada, que se prendem umas às outras. A maior parte da antigenicidade está nas cadeias pesadas. Uma produção anormal ou deficiente de Ig leva a uma redução da resistência do corpo a infecções. Isto pode dever-se a uma perturbação hereditária ou então pode ser adquirida, como quando existe proliferação desordenada das células produtoras e estas se tornam incapazes de sintetizar a imunoglobina, fenómeno que acontece em casos de leucemia.

Os vários tipos de imunoglobulinas

Diferentes aminoácidos codificam diferentes proteínas, por isso, devido à variação destes, existem diversos tipos de imunoglobulinas. Estas dividem-se por 5 classes, designadas por IgG, IgA, IgM, IgD e IgE.

A imunoglobulina IgG (gamaglobulina) é a única que atravessa a barreira da placenta e por isso confere imunidade aos recém-nascidos. Esta compreende 70 a 80% dos anticorpos nos humanos e é quase totalmente responsável pelos anticorpos contra vírus, toxinas e bactérias; A IgM compreende 5 a 10% dos anticorpos no Homem e é o primeiro anticorpo a surgir após a exposição a um antigénio. Sendo constituído por cinco unidades, é muito eficaz no combate inicial aos microrganismos.

É normalmente activa contra antigénios lipopolissacarídeos; A IgA compreendem 10 a 20% das imunoglobulinas e confere protecção contra os agentes patogénicos nos locais de entrada no organismo; A IgE está relacionada com as doenças alérgicas dos pulmões, uma vez que medeia a libertação de substâncias, como a histamina, que podem desencadear reacções alérgicas e a IgD estimula os produção de linfócitos B à produção de outros tipos de anticorpos. ⦿

Monómero IgD, IgE, IgG

Dímero IgA

Pentâmero IgM Biocultura | 11


Imunologista Entrevista com uma

Quais as principais terapias para o tratamento de imunodeficiências primárias? E como fun- «PARA QUE CONSIGAMOS FORTIcionam, em geral? FICAR NATURALMENTE O NOSSO O tratamento deve ser instituído assim que o diagSISTEMA IMUNOLóGICO, É NEnóstico for confirmado, evitando-se possíveis compliCESSáRIO PRATICAR HáBITOS cações. A abordagem multidisciplinar é essencial, devendo envolver especialmente imunologistas, pneuALIMENTARES SAUDáVEIS.» mologistas, infectologistas, reumatologistas, endocrinomedula óssea ou de células progenitoras hematopoiélogistas, gastroenterologistas e oncohematologistas, ticas. Outro tratamento é realizado com imunomodulacomo também nutricionistas, assistentes sociais,etc. O dores estimulantes, que são citocinas de grande tratamento pode ser dividido em geral e específico. aplicabilidade clínica em algumas imunodeficiências, As medidas terapêuticas gerais compreendem desde realizado, por exemplo, no caso da doença granulomapadrões de higiene ambiental e corporal rigorosos, in- tosa crónica e em neutropenias congénitas. Existem formação a pacientes e familiares sobre a doença, uma ainda a terapia de reposição enzimática, que é utilizada dieta adequada – sem alimentos crus e mal cozidos, com sucesso numa forma de imunodeficiência combipor exemplo –, evitar multidões e espaços fechados, nada grave, denominada deficiência de adenosina deevitar vacinas possuidoras de agentes vivos atenuados saminase (ADA), e a terapia génica, que representa como a febre-amarela e a varicela, e, finalmente, reali- neste momento o procedimento mais promissor para a zar tratamento agressivo e precoce das infecções, e maioria das imunodeficiências primárias graves. Por das comorbilidades (diagnóstico duplo) e suas compli- fim, existe a reposição de imunoglobulinas, cujas indicações. cações são para imunodeficiências consequentes de Já o tratamento específico inclui cinco formas de com- uma deficiência quantitativa de IgG, acompanhadas de bate à imunodeficiência. O de escolha para as imuno- infecções recorrentes e historial de complicações a deficiências celulares e combinadas graves é, geral e longo prazo, como a síndrome de hiper IgM e imunoBiocultura | 12


mentos como a cenoura, abóbora, batata doce, fígado, melão, brócolos, etc. No entanto, a reposição que referi pode tratar síndromes com IgG normal ou próximo dos valores normais A vitamina C é antioxidante e estimula a resistênpara a idade, com deficiência de anticorpos específicos cia a infecções, bem como a actividade fagocitácomprovada, além de história de infecções recorrentes ria dos leucócitos. Ela aumenta a produção moderadas ou severas, como a síndrome de Di George dessas células de defesa, que tem efeito directo sobre bactérias e vírus. Os alimentos ricos em vie deficiência de subclasses de IgG. Como se dá a reposição e qual o objectivo es- tamina C são os citrinos, a papaia, morangos, kiwi e o caju. Tomates, alfaces, couves e pimenpecífico da mesma? tos verdes crus são boas fontes desta vitamina, A reposição dá-se por via endovenosa, sendo admique é facilmente destruída pela luz e pelo calor. nistrada com cuidado e com ajustamento da velocidade, infusões que contêm anticorpos neutralizantes Em interacção com essas está a vitamina E, agindo que actuam contra uma grande variedade de agentes como antioxidante. Assim, ela protege as membranas bacterianos e virais, reflectindo também na memória celulares contra substâncias tóxicas, radiações e contra imunológica dos doadores. As primeiras infusões os radicais livres, podendo até de algum modo retardar devem ser iniciadas com 1 mg IgG/kg/min, e a cada 30 o processo de envelhecimento, e pode ser-lhe evenminutos pode ser aumentado para 2, 3 e 4 mg de tualmente atribuído algum potencial anticancerígeno. IgG/kg/min. Já o objectivo do tratamento é diminuir a Alimentos que a possuem são o gérmen de trigo, óleos frequência e severidade das infecções e a necessidade de soja, arroz, milho e girassol, amêndoas, gema de de uso de antibióticos, reduzir o número e tempo de in- ovo e nozes. ternamento e prevenir o desenvolvimento de complica- O ácido fólico é essencial para a formação de leucócitos ções, para que o paciente possa levar uma vida e glóbulos brancos, estando presente em alimentos completamente normal. como o fígado, feijões e vegetais de folha verde, como Qual a importância dos alimentos no ganho de o espinafre. imunidade do nosso organismo? E quais são os O zinco actua na reparação de tecidos e contribui para mais "protectores" do sistema imunitário? a cicatrização. Uma deficiência de zinco resulta em diPara que consigamos fortificar naturalmente o nosso versas doenças imunológicas, e a deficiência grave sistema imunológico, é necessário praticar hábitos ali- causa linfopenia (grande diminuição do número de linmentares saudáveis. Tomar sempre o pequeno-almoço fócitos). As carnes, os peixes e crustáceos, aves, leite e não saltar refeições, beber muita água ou comer ali- e cereais integrais são ricos em zinco. mentos com alto índice vitamínico e mineral são algu- O selénio tem uma muita grande capacidade antioximas das principais recomendações. dante, e está presente em alimentos de origem marinha -deficiência combinada grave.

Incluir probióticos (organismos vivos presentes, por exemplo, no iogurte e leite fermentado) na alimentação é também uma boa opção, já que esses estimulam, entre outros processos, a formação de linfócitos. De um modo geral pode dizer-se que uma alimentação equilibrada e variada proporciona ao nosso organismo nutrientes adequados para o seu bom funcionamento e consequentemente para o bom funcionamento do sistema imunológico.

e nas carnes vermelha e branca.

Além dos alimentos já citados são geralmente os benéficios do alho, de alguns tipos de cogumelos, do gengibre, do azeite, dos frutos secos, entre outros, sendo que o mais correcto será consumi-los em conjunto, diariamente, e na dose recomendada. ⦿

As vitaminas e minerais principais no papel de estimuladores do sistema imunológico são as vitaminas A, C e E, o ácido fólico, o zinco e o selénio.

Quais são os seus papéis? E onde os podemos encontrar? A vitamina A tem um papel importante na manutenção da integridade das membranas mucosas, e a sua deficiência provoca uma redução do número de linfócitos T circulantes, aumentando a probabilidade de infecções. Está presente em ali-

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mecanismos DE DEFESA imunitária

O sistema imunitário engloba o conjunto de defesas contra microrganismos e células estranhas ao nosso organismo, prevenindo ou limitando o avanço de infecções por esses estranhos. É, por sua vez, constituído por duas linhas de defesa: a não específica e a específica.

O

s mecanismos de defesa não específica promovem uma protecção geral, realizada por vários tipos de leucócitos e proteínas do sangue contra agentes infecciosos, para além de activarem o processo de imunidade adquirida. Esse tipo de mecanismo é, no entanto, também denominado de resposta imunitária

Existem dois tipos de imunidade adquirida: a activa e a passiva; a activa é induzida após exposição a substâncias estranhas, à qual o nosso sistema imunológico responde com anticorpos e activação de linfócitos, enquanto que a passiva baseia-se na utilização de anticorpos pré-formados recebidos, por exemplo, pela alimentação.

A resposta imunitária adquirida agrupa-se em dois grupos: a humoral e a mediada celular. A essas estão associados os linfócitos B e os linfócitos T, respectivamente. Os linfócitos são células de porte pequeno (6-10µm de diâmetro) que fazem parte dos elementos sanguíneos e linfáticos dos vertebrados, constituindo uma população heterogénea tanto em tamanho como em longevidade.

inata, visto que é uma resistência existente no nosso organismo, previamente à exposição de qualquer agente patogénico (por exemplo, secreção de mucosas e lágrimas).

Formação de Linfócitos

Uma molécula que seja capaz de desencadear uma resposta específica de um linfócito designase antigénio, podendo essas moléculas serem pertencentes a vírus, bactérias, protozoários ou O mecanismo de defesa específica, por outro serem estranhas ao organismo, como por exemlado, desenvolve uma resposta imunitária adqui- plo as de células de tecidos transplantados. rida – essa ocorre após a exposição a um agente agressor e é aumentada sob exposição, caracte- As células (ou linfócitos) B e as T são produzidas, rizando-se por apresentar um reconhecimento a partir de células estaminais, na medula óssea específico. É então desencadeada para combater (ou no fígado, no período fetal), sofrendo postemacromoléculas específicas associadas a cada riormente um processo de maturação e diferenpatogene, e assenta sobretudo na acção de lin- ciação que, por sua vez, produzirá linfócitos com fócitos. diferentes funções imunitárias. Biocultura | 14


Durante o processo de maturação, os linfócitos sofrem mudanças no seu genoma e adquirem receptores de antigénios, que os reconhecerão posteriormente e que por isso passam a ser capazes de participar na resposta imunitária, como tal são designados de imunocompetentes. Os receptores, para além de distinguirem o que é estranho ao organismo e participar no seu combate, também fazem com que os linfócitos que apresentarem nas suas membranas receptores para antigénios próprios sejam eliminados, prevenindo assim uma acção do sistema imunitário contra o próprio organismo.

vel pela sua mais importante função: a produção de grande número de anticorpos. Produz-se ainda células B de memória, sendo essas formadas durante a resposta imune primária e por isso capazes de reconhecer um tipo de antigénio que já tenha atacado o organismo em questão, fazendo com que a resposta a esse ataque seja mais rápida após transmitir a mensagem específica de qual antigénio a combater.

Os linfócitos T são as células de defesa imunológica, pertencentes ao grupo de glóbulos brancos, que migram da medula óssea para sofrerem maturação no timo; aí adquirem, tal como os B, reSão as células linfáticas, que permanecem na ceptores designados TCR, constituídos por medula óssea e aí sofrem maturação, que dão anticorpos (imunoglobulinas). A diferenciação das origem aos linfócitos B (do inglês bone marrow). células T dá origem a 4 tipos de linfócitos diferentes.

«DURANTE O PROCESSO DE MATURAçãO, OS LINFóCITOS SOFREM MUDANçAS NO SEU GENOMA E ADQUIREM RECEPTORES DE ANTIGÉNIOS»

Um desses são os T auxiliares (CD4+), possuindo esses a função de coordenar a defesa imunológica, principalmente através da produção e liberação de substâncias chamadas de citocinas – mediadores químicos que estimulam outras células do sistema imunológico. Contudo, também estimulam o crescimento e proliferação de A principal função destas células é a produção de outros linfócitos (T citotóxicos e T supressores), anticorpos que agem contra antigénios, mas essa activam macrófagos e estimulam o seu próprio varia, já que a sua maturação (nos órgãos linfói- crescimento e proliferação. des secundários) dará origem a dois tipos diferentes de células – os plasmócitos e as células B Por outro lado, as células T citotóxicas (CD8+) de memória. Após a maturação, as células B ad- atacam células que se tornam anormais; geralquirem receptores (superficiais) chamados de mente tumorais ou infestadas por vírus, segreBCR, que contém proteínas chamadas de imuno- gando também substâncias tóxicas. globulinas (Ig) que constituem um anticorpo, permitindo a ligação de um antigénio específico, ou Sobre as células T supressoras, apesar de a inseja, têm um papel importante na activação e dis- formação sobre as mesmas ser pouca, sabe-se tinção dessas células. Se ocorrer algum erro no «OS LINFóCITOS QUE SE processo de maturação, a célula B mutante irá sofrer com selecção negativa e morrer por apopMATURAM NA MEDULA tose.

óSSEA DESIGNAM-SE DE CÉLULAS B; OS QUE SOFREM ESSA MATURAçãO NO TIMO SERãO CÉLULAS T»

Como a activação das células B depende da natureza dos antigénios, pode-se designar T-dependente (só ocorre após contacto das células T) ou T-independente (não necessita do contacto dessas, não havendo formação de células de memó- que se encarregam de inactivar os linfócitos T auxiliares e os citotóxicos após a reacção imune já ria). ter sido eficazmente realizada, para que neApós a activação, formam-se, a partir dos linfóci- nhuma célula exerça a sua função excessivatos B, plasmócitos. Esses são células de maior mente.Para além disso, realizam uma função porte que as progenitoras, e que possuem um existente também nos sistemas das células B – grande retículo endoplasmático rugoso, reponsá- a destruição dos linfócitos B auto-imunes. Biocultura | 15


Após a sua maturação as células linfáticas migram para diferentes órgãos,chamados de órgãos linfóides, como o baço, os gânglios linfáticos e as amígdalas.

Por fim, existem também linfócitos T de memória, com função semelhante aos B; executar uma resposta mais rápida e intensa a um antigénio ao qual o organismo já foi exposto.

Complexidade do sistema imunitário

Para além dos linfócitos referidos existem ainda os NK, sendo logo postos em acção após a sua formação na medula (não necessitam de maturação), tendo como alvo principal as células tumorais e alguns micróbios mais resistentes, e induzindo-as à apoptose antes que tenham de se replicar.

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O nosso sistema imunitário funciona graças à acção cooperada e coordenada desses diversos linfócitos, presentes em diferentes sítios do nosso organismo, que trabalham para tornar o nosso corpo o mais resistente possível a agentes que o possam danificar. Contudo, por vezes a nossa imunidade sofre devido a comportamentos não saudáveis ou a deficiências genéticas que a levam a diminuir e tornam o nosso organismo mais susceptível a doenças que podem ser até letais. ⦿


Os anticorpos quando dissolvidos no sangue e na linfa eram designados, no passado, de “humores”, daí a designação de “imunidade humoral”.

IMUNIDADE

HUMORAL

I

munidade humoral é uma subdivisão da imunidade adquirida, sendo o tipo de defesa imunológica que actua no líquido extracelular usando proteínas , como os anticorpos, produzidas pelos linfócitos B, fazendo com que seja importante no combate a organismos celulares.

O sistema constituído pelas células B reconhece uma enorme variedade de diferentes antigénios específicos, sendo efectivo, nomeadamente, contra bactérias, vírus e moléculas solúveis. O reconhecimento de antigénios pelos linfócitos B é devido à existência de receptores específicos na respectiva membrana que, neste caso, são proteínas complexas com a estrutura dos anticorpos. Estes receptores são anteriores a qualquer contacto com o antigénio.

A imunidade humoral depende da capacidade dos linfócitos B reconhecerem antigénios específicos, iniciando uma resposta para proteger o organismo contra os agressores. A importância da resposta imune humoral é combater patógenios extracelulares, ou seja, que não estão dentro das células, que estão nos líquidos externos e também produzir anticorpos.

Os anticorpos são importantes por combaterem patógenios impedindo-os de penetrar no tecido conjuntivo, sendo que os linfócitos B lançam os anticorpos na circulação e nos líquidos das mucosas para que os microrganismos e toxinas sejam neutralizados e destruídos ainda no meio extracelular, combatendo assim as infecções.

Os anticorpos não tem acesso aos microrganismos que vivem dentro das células infectadas, a imunidade celular é

Acções da imunidade humoral

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responsável por combater estes microrganismos. Na resposta imune humoral, o linfócito B reconhece como antigénio qualquer substância química, seja hidrato de carbono, proteína ou lípido.

com aqueles que possuem receptores específicos para esses antigénios. Após o estabelecimento desta ligação complementar antigénio-receptor, verifica-se a activação dos linfócitos que possuem este tipo de receptores, conApesar da grande diversidade de linfó- duzindo assim às diferentes fases de cito B e T existentes no organismo, os multiplicação das células: selecção clocorpos estranhos interagem apenas nal, proliferação clonal e diferenciação.

Fases da multiplicação celular

Selecção clonal:

O antigénio estimula uma pequena fracção dos linfócitos B que possuem os receptores específicos;

Proliferação clonal:

Após a activação dos linfócitos B, estes experimentam uma rápida divisão, originando clones com o mesmo tipo de receptores;

Diferenciação:

Estes clones dividem-se em dois grupos. Uma parte das células do clone diferencia-se em plasmócitos. Esta células possuem um retículo endoplasmático muito desenvolvido, sendo capazes de produzir os anticorpos. A restante parte dos clones origina células de memória que, embora não actuem durante esta resposta, ficam inactivas durante um longo período de tempo, estando sempre prontas a responder rapidamente caso o antigénio venha a reaparecer no organismo. Biocultura | 18

Tipos de Imunidade Humoral Activa natural:

adquirida através de doença clínica ou sub-clínica;

Activa artificial: adquirida por meio de vacinas;

Passiva natural: passagem de IgG por meio da placenta (congénita);

Passiva artificial: passagem de anticorpos prontos (Ex. soro antitetânico).


ANTICORPOS

Os anticorpos são cadeias polipeptídicas designados, geralmente, imunoglobulinas.

A

produção de anticorpos é específica e estes são libertados no sangue ou na linfa, circulando até ao local da infecção. Os epítopos, também conhecidos como determinantes antigénicos, são regiões localizadas na superfície do antigénio que são reconhecidas pelos anticorpos. Um antigénio pode ter vários epítopos, logo, uma molécula antigénica pode estimular a produção de vários anticorpos.

Complexo antigénio-anticorpo

Estrutura do anticorpo

É o complexo formado pelo antigénio e anticorpo, cuja ligação é feita entre um anticorpo que contém a sequência particular de aminoácidos na zona variável, que o permite reconhecer o antigénio.

• São representadas em forma de Y e compostos por quatro cadeias polipeptídicas interligadas duas as duas; • As duas cadeias mais longas chamam-se cadeias pesadas ou H;

• As duas cadeias mais curtas chamamse cadeias leves ou L;

Nos dois tipos de cadeias existem regiões variáveis de anticorpo para anticorpo, enquanto que outras são constantes.

Os anticorpos contêm sítios de ligação que se situam nas regiões variáveis onde a sequência de aminoácidos é singular e própria para cada tipo de anticorpo e onde se liga a um antigénio especifico. O elevado grau de especificidade dos anticorpos resulta de:

• Estrutura dos sítios de ligação ser complementar ao à estrutura do antigénio; • Nesse local toda a estrutura química favorece o estabelecimento de forças electrostáticas, de ligações de hidrogénio ou de outro tipo de ligação entre antigénio e anticorpo.

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Actuação de anticorpos O

com vista à inactivação de antigénios s anticorpos têm duas formas de protecção do corpo contra agentes nocivos: ataque directo e motivação do sistema complemento, este que também tem vários meios para destruir os antigénios.

Os anticorpos podem inactivar os antigénios por múltiplos mecanismos, sendo eles Aglutinação, em que os antigénios, com anticorpos ligados a si, formam um aglomerado, que é rapidamente fagocitado por macrófagos; Precipitação de antigénios solúveis, processo semelhante à algutinação, que se realiza com moléculas dissolvidas Biocultura | 20

nos fluidos corporais, como as toxinas. Os anticorpos são tão grandes, tornando-se insolúveis e formam um precipitado que vai ser removido por fagócitos; Neutralização directa de bactérias e vírus, no qual os anticorpos cobrem os antigénios, neutralizando-os. A neutralização resulta da ligação dos anticorpos às moléculas que permi-


tem aos vírus infectar as células. No caso das bactérias, os anticorpos cobrem a sua superfície, sendo estas eliminadas por células fagocitárias; Estimulação da fagocitose, em que os macrófagos possuem receptores que reconhecem os anticorpos (principalmente a IgG) ligados aos antigénios, levando os macrófagos a realizar fagocitose. A Activação do sistema de complemento funciona pela activação, por parte do complexo antigénio-anticorpo, da primeira proteína do complemento, dando início a uma série de reacções sucessivas de activação. Algumas proteínas produzem poros na membrana das bactérias que levam à sua lise. Outras, também do complemento, desencadeiam outros processos, como a vasodilatação e a quimiotaxia. ⦿

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Bibliografia

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Webgrafia

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