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Minhas Férias 2008 Brasília-Mundo Novo. 5 horas da manhã do sábado, 22 de dezembro de 2007, meu celular me acordou. Mesmo tendo ido dormir a uma e meia, batendo papo com meu amigo Raul, acordei disposto. Disposto a dormir um pouco mais...Mas como o Rosa, meu companheiro de viagem ficou de me acordar as 5 e meia, levantei logo, pois ele não me despertou confiança na noite anterior. Tava tarde e ele ainda tava mexendo na moto. Bem, levantei logo e fui cuidar da vida. O friozinho na barriga, desde a noite anterior, ainda não havia sumido. Chovia. Choveu a noite toda. Aquela chuvinha fina que não passa nunca. Passou às 6 da manhã. Bom sinal. Acabei de juntar a bagagem num canto só para não esquecer o que esqueci. E levei tudo pra moto. Uma obra de arte, paciência e perseverança. Acho que levava camisas demais. Duas jeans, um tênis, uma botinha de trilha, uma bota de borracha para chuva, um chinelo e o restante básico... O resto era pra moto: ferramentas, graxa...bem. Liguei pro Rosa depois do banho e... acordei-o. Safado. E eu preocupado dele aparecer de repente me cobrando "Anda logo que já tô pronto!!!". Beleza. Tinha mais alguns minutos pra ficar em cólicas de ansiedade pra viagem. Tudo na moto, vestido, e uma hora se passara desde que o sujeito disse que estava vindo. Calibrei os pneus. Ele chegou às 7h15, abastecemos e saímos vestidos com nossas roupas de chuva, botas de borracha e o escambáu. Logo após o Gerivá, tiramos tudo. O tempo estava bom para o sul. Em Goiãnia, calor. Ficamos pouco mais de uma hora pra um trato já programado na Concessionária Kasinski e simbora. Estrada de novo. A viagem correu ótimamente. A estrada está muito boa, embora com um calor intenso, roupas de couro e tal, víamos fortes nuvens à nossa frente, e com sinais combinados, já nos preparávamos para a roupa de chuva, o que não aconteceu, pois a danada, sempre que nos aproximávamos, ou mudava de direção ou já havia por alí passado. Resultado: chegamos em São José sequinhos por volta das 19h. O interessante é que cada vez que a gente achava que ia pegar chuva ( e estávamos precisando de uma "aguinha" ), a estrada se desviava dela e chagamos a passar entre duas chuvas sem uma gota em nós.


Em São José do Rio Preto, SP, paramos em uma lanchonete e fomos paparicados pela Bruna e pela Mabel. Aviso logo: Bruna não é filha da Mabel ( tá, Mabel?). As meninas nos indicaram hotéis e nos trataram maravilhosamente bem. São muito simpáticas e deixo aqui nossos agradecimentos pela paciência e explicações repetidas a dois viajantes cansados. Sassaricos pra lá e pra cá em busca do hotel ideal ( já tenho larga experiência na área, em janeiro de 2007 foi a mesma coisa), ficamos num bem confortável, ar, direção, trio-elétrico e garagem. Isso é fundamental pra não se ter que tirar toda a bagagem.

Corrente quebrada.

O andarilho-mendigo-vagabundo, era um motorista profissional, operador de colheitadeira e mecânico que estava sem emprego e caminhava para a próxima cidade tentar um emprego. Tinha filhos e irmãos por toda a redondeza e me informou as distâncias entre todas as cidades que nós iríamos passar, até Mundo Novo, MS. Um camarada capacidado, mas sem emprego por ter apenas a quarta série, que as empresas não aceitam mais. Dei-lhe minha garrafa dágua, pedi-lhe que aceitasse algum dinheiro como humilde contribuição e ele foi embora, otimista e perseverante, em sua jornada. Não era triste, rancoroso nem resignado. Tampouco infeliz. Segundo ele, estava vivo e com saúde. Alguns dentes a menos, e muitos km a caminhar, mas era um vencedor.

Banho tomado, lanchados, dormimos feito pedra. Dia seguinte, 23, domingo, saímos em torno das 8 horas e, já na estrada a corrente da moto do Rosa, quebrou. Um motociclista, Rodrigo, nos arrumou um mecânico chamado "Trincado", que nos tirou do apuro em pouco mais de uma hora. Consertou a corrente e seguimos viagem até minha gasolina acabar. Eu ainda não havia usado a reserva de minha moto, que deveria durar uns 50 km, mas não chegou a 30, deixando-nos na estrada. Um andarilho, mendigo, vagabundo, sei lá, nos informou de um posto a 5km dali. Enquanto o Rosa, que também estava na reserva, buscava gasolina pra mim, chamei o sujeito pra conversar.

A vida não conseguirá derrotá-lo. Boa sorte, Silvio.

Gasolina no tanque, comida no bucho, estrada novamente com apenas 100km rodados em 5 horas. Fomos para Assis, SP.


Rosa morou em Assis há 34 anos. Não reconheceu a cidade, claro, mas estava visivelmente emocionado ao desfilar por suas ruas. Procurando a parte antiga da cidade, foi reconhecido num bar ( onde mais?) por um colega da época. Nem saltara da moto ou removera o capacete, o senhor ja gritara seu nome de dentro do simples botequim. Seguiramse preciosos minutos de recordação entre ambos, enquanto eu aguardava compreensivamente, conversando com um freguês.

Recordações passadas, o futuro era Londrina. Euqueria ver uma amiga de Brasília, Isabel, que havia saído no mesmo dia que nós, de lá, mas de ônibus. Ela me diria, depois, que seu ônibus saíra às 16 horas e veio debaixo de chuva desde lá. E temporal. Às 18 horas, fomos lanchar na casa de sua mãe. Fomos recebidos com a tradicional recepção de família mineira, com queijadinhas (delícia), queijo (padrão, afinal a mãe é mineira), pãozinho de mel feito em casa (desmanchava na boca), café forte ( mastuguei uns três pedaços rsss) mas nenhum pão de queijo ( inadmissível! ). Uma esculhambação! Fui-me embora. Peguei as queijadinhas restantes( eu sou brabo mas não sou besta), enfiei-as num saco e seguimos para Maringá, PR. A tarde estava agradabilíssima. O passeio foi delicioso ( isso é meio que pleonástico quando se fala em moto, tá?), fresquinho, paisagens belas, pra variar. Em Maringá visitamos meu genrinho e seus pais. Foi conversa pra mais de metro e não queria acabar, apesar da hora. Adorei conhecê-los pessoalmente. Rimos muito, conversamos bastante e afinamos nossas idéias. Muito obrigado, gente. Vcs não maravilhosos. Um motociclista, Antônio, nos levou até um hotel bom, barato e nas imediações da saída da cidade. Como sempre, dormimos feito bebês.

Dia seguinte, rumo a Mundo Novo, MS. Manhã fresca, paissagens lindas ( eu já disse isso? Rá, vou repetir muito mais...) Uma delicia de passeio ( também vou repetir). Em Umuarama, conhecemos Tonico, que nos indicou um tapeceiro para cortar o banco da moto do Rosa para ficar igual ao meu, e um outro rapaz, cujo nome não vem ao caso, dono de fábricas de cigarro no Paraguai e outros países da redondeza. Papeamos alguns minutos à sombra da loja de conveniência do posto no qual abastecemos.


Estrada de novo, e, finalmente chegamos ao destino. Família, fofocas, saudades, mas isso é outra história.

Mundo Novo - Bal. Camboriú Dia 24. Bem, as festas em família são, digamos, em família. Sabe como é, muita animação e alguma confusão. Teve disso tudo. Mas isso é coisa entre família e pronto. Ademais, muita animação, confraternização e muita saudade assassinada. Fói ótimo rever os familiares e conhecer os novos membros e novos sobrinhos. Cantorias, amigo-oculto, muita comida gostosa, muitos novos amigos agregados à festa.

Dia 25 era dia de descanso pra uns e de batalha pra outros. No caso, outras. As meninas trabalhavam de sol a sol, praticamente. Deus me livre voltar mulher na outra encarnação. Era só comer, beber e domir pra esperar o dia 26 chegar pra visitar o Paraguai. Ponto alto do evento. Dia 26, visita ao estrangeiro. Lojas e mais lojas a preços módicos. Não comprei nada, e ainda assim, saí com um iPod 160 GB. Coisa da minha irmã Ju. Ela comprou o bendito, mas queria um de apenas 8gb e acabei ficando com ele ( e a dívida em dólar, claro). E eu achando o HD de 120 GB do meu laptop novinho, grande! Agora tenho mais 160GB pra usar. Um desacato, como diria uma amiga. Dia 27 saímos pra Curitiba. Rosa foi direto pra SP. Eu e Rodrigo, meu primo, fomos juntos. Escapamos das chuvas por pouco, mas pegamos alguma garôa o suficiente para sentirmos algum frio.


O passeio foi muito gostoso e fiquei satisfeito por ele ter gostado. Dormimos em Palmeiras e chegamos cedo pra encontrar nossos parentes na casa de Dona Darcy. À tarde fomos passear, olhar lojas de motos, tirar fotos no Jardim Botânico e passear pela cidade. Um shoppingzinho básico e a noite, encontrar amigos.

Reencontrei minha amiga Lúcia um ano após nosso primeiro encontro. Ela estava mudada e muito bonita. Conversamos por horas no Babilônia, de novo. Foi bom matar saudades.

Dia 29 resolvi tocar pra Camboriú. Arrumei tudo na moto e saí às 2h20. A tarde estava quente e sem a menor previsão de chuva. A moto estava confortável. Foi um passeio muito agradável pela estrada excelente. Transito tranquilo até há alguns km de Garuva, onde um congestionamento monstro se formou. Mas, corredor existe pra isso e as motos todas o utilizaram. Depois de Garuva, estrada limpa. Uma delícia. Paisagens lindas.

A tarde foi ficando mais fresca e agradável, apesar da roupa de couro. Cheguei as 17h na casa de meus pais, junto com minha filhota, que chegava com sua mãe para ser gerenciada por mim, a partir de então. Agora é descansar e aproveitar as comemorações de anonovo e as férias regadas a sol, mar e passeios de moto.


Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Festas de final de ano são duas grandes oportunidades de encontrar os parentes. Cada vez mais me interesso por isso, hoje em dia. Já não é mais chato. Além de necessário, é muito legal. Revi primos que não via desde pequenos, suas lindas esposas e/ou namoradas, seus adoráveis filhos. Minha família está cada vez melhor (e o bom é que só se vê uma ou duas vezes por ano. Dá pra aguentar rssss).

Ano novo, padrão: “Fatiou, passou”. Comidinha feita por experientes mestres-cucas (titia, vovó, mamãe). O melhor, normalmente vem depois. Passeios, almoços e jantares juntos, horas e horas de conversas e fofocas. As reuniões familiares são os momentos em que se descobre que nunca vão deixar vc crescer. Pode ter 50 ou 60 anos, tuas tias sempre te tratarão como criança. Teu pai insiste em querer te transformar num homem e tua avó não te deixa crescer. “Deíco” pra cá, “Lindinho da vovó” pra cá...Rá. Que homem que nada! Eu tô é com saudades de ser criança e corro pra proteção dos braços da vovó e colo das tias rssss. Volto homem na outra encarnação, talvez!

Fogos na praia, champanhe e apresentação básica das meninas sob o som funkeiro de um carro nas imediações. Foi lindo. Até minha filha participou. Só as cachorras. Ao redor, os seguranças, claro! Cara amarrada, braços cruzados pra afastar os indesejáveis. Ah, e os paparazzi.

Final de um, começo de outro, almoço dos restos na tia, à noite encontro com os mais jovens, alguns em restaurantes, outros na balada e eis que surge um sombrero!


Cantorias mexicanas embaladas pelos Mariacchis e eis que surge a Macarena ( alguém resiste? ) Sem fotos, please! Nem dava. Até os paparazzi da família estavam se rebolando. E assim foi, entre passeios aqui, encontros ali, e muitos e muitos km de caminhadas entre a casa de um e de outro, milhas e milhas frente as lojas de Bal. Camboriú que fomos passando os dias. Comecei a correi na praia, mas já parei. Isso é castigo pra corno. Comecei a fazer academia. Cara, como alguém aguenta isso? Se Deus me deu uma barriga, que sou eu pra contrariá-lo. Nisso os fiéis não pensam. Mas nem eu to me aguentando. Ela tá chegando primeiro que eu. Já a cumprimentam antes mesmo de eu chegar. Tá, vamos levando a academia e as caminhadas. Agora: sol já é demais! A barriga vá lá contrariar a vontade divina, afinal eu cumi feito padre ( não foi boa a comparação para a argumentação, mas vá lá pra não perder a graça), mas a cútis ariana é legítima! Pra que marquinha de calção? Eu sou branco-fosforescente, nem precisava usar adesivo refletivo no capacete. Mas o problema do sol nem é o sol em si, mas o calorão que me deixa como que saído de um pote de mel. Doce eu já sou, mas gudento, melado, ah...não guento. Aí me falam, “ é só entrar no mar!!” Geeeeente! Se eu tenho um chuveiro quentinho em casa, vou entrar nesse treco gelado e salgado pra ter que entrar no chuveiro depois????? Vou logo pro chuveiro. Alguém inventou isso por uma boa razão. E eu apóio boas idéias. Cabou-se. Ai ai. Mas vocês, hein. Ninguém me entende! Mas, então... Deixei minha moto na concessionária para um trato. Regulagem dos balancins do virabrequim, talvez corrente de comando ou tuchos hidráulicos das válvulas ( sorry, meninas: volante, buzina, espelhinho. É tudo que vcs precisam saber). Uns dias sem moto, passeio de carro. Fui à Serra do Rio do Rastro. Desta vez com tempo bom. Já havia passado lá ano passado, de moto com o Carlos Rosa. A gente nem se via de tanta neblina, que dirá a Serra. Mas eu queria mostrar pra minha família antes de minha irmã e filha irem embora. A família foi desistindo, me abandonando e só me sobrou minha filha (e seu namorado!) que me fizeram companhia por alguns minutos em que ficaram acordados, nas 9 horas que durou o passeio.


Brincadeira...não chegaram a ser minutos...estou exagerando...

Bem. Já cansei de falar que o passeio pelas serras catarinense são imperdíveis. Não vá ao exterior, França, Egito, antes de conhecer isso aqui. Vc tá perdendo um mundo de beleza.

A Serra é fenomenal. Melhor ainda a subida ou a descida, como foi o caso. Descemos bem lentamente e os acordados foram filmando e fotografando. Acreditem: eles gostaram. Foram ótimas compahias. Pretendo ficar junto deles mais vezes, talvez o dia todo, principalmente às noites de férias que lhes restam...vão adorar!

Minha filha voltará pra casa dia 18 e eu ficarei livre leve e solto pra continuar meus planos de viagem, que com a impossibilidade do PeU ( amigão meu ) ir comigo ao Chile, estão meio desplanejados. Talvez volte por Mundo Novo, de novo e passe por Campo Grande pra rever parentes e amigos. Talvez passe por São Paulo pra ver parentes e amigos. Talvez passe no Rio pra ver parentes e amigos ou talvez vá a Salvador pra ver parentes e amigos. Quero fazer tudo isso, mas vou ver quais são as possibilidades. Meus queridos parentes e amigos. Estou com saudades de todos vocês e quero muito vê-los. Farei disso meu projeto para os próximos anos. Acostumem-se com a idéia. Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Rumo à Bahia ( ou Férias até Debaixo D'água ) Bem, algumas semanas de descanso na casa de meus pais quase me tiraram de minha meta nessas férias: passear de moto. Resolvi visitar minhas primas Rosemar, Rosane e familia. Nada a favor da Bahia, ela não me atrai tanto assim, mas não nos vemos desde criança. A oportunidade é essa, a hora é agora e o momento é já. Vou lá. Quem sabe encontro meu amigo PeU, que deve estar triste por não podermos fazer nossa viagem ao Chile e talvez minha visinha (com "S" de visita, mesmo pois não pára em casa ), que ficou com a chave pra cuidar de meu AP e desertou-se pro Nordeste. Vou lhe dar um puxão de orelha. 2600 km de estrada. Numa média de 700 km por dia levo quatro dias pra chegar. Uma etenidade. Que bom ! É disso que estou precisando. Dias e dias morgando na mãe vão me deixar barrigudo. A corrida na praia dançou. A academia, acabou. Nem minha moto rodou, pois ficou vários dias na autorizada, num monta e desmonta até conseguirem fazer tudo direitinho. A idéia cresce e a


necessidade de planejar tudo direitinho urge. Não consigo planejar como devido. Essa moleza tá me matando. Faço uns planos “marrom”, afinal todo mundo sabe onde é a Bahia. Quero aproveitar e visitar uns amigos pelo caminho em Caraguatatuba, SP e em Vitória, ES. Mas o convite de meu amigo de há mais de 30 anos que está vindo de Belém é mais um prazer para repartir os dias das férias que faltam. Mas não quero correrias. Não quero passar pelas serras de SP nem seguir pelo Rio. As chuvas, as estradas, os desmoronamentos me desanimam: vou direto pra Bahia e passo o carnaval em Sta Mª da Vitória, BA, na volta pra casa, com meu amigo e família. Viu? Tudo planejado. Tudo redondinho. Com a partida de minha filha, de volta para casa, as coisas perderam a cor. Fiquei tristinho. Piorou quando vi o monte de tralhas pra selecionar e colocar na moto: fiquei tristão. Era um quebra-cabeça lascasdo, mas fui organizando devagar e de repente tudo ficou certo. Resolvi colocar tudo na moto pra ver como ficava. Certin. Cabeu tudo. Beleza. O ânimo voltou. Entrei no meu estado TPV, no qual fico quieto, calmo, quase zen. Pra ficar zen só faltava ficar zen, pois eu tava calmo de tão nervoso e ansioso. A partida para dois dias depois foi antecipada. Já tava tudo na moto! Ficar fazendo o quê no domingo, lá, que eu já não tivesse feito? Ah, simbora, meu! Domingo, 20, acordei às 7 planejando sair às 9. Faltavam 5 minutos e eu já estava na rua após despedidas amorosas e sinceras, com as habituais lágrimas da mamãe. O tempo estava fresco e nublado. Perfeito! Coloquei meu iPod nas zoreia e segui pra onde meu nariz apontava ( sempre quis dizer isso. Um ícone da liberdade! ).

Cara!, pensa numa coisa perfeita e não chega nem perto do que foi o trajeto até Curitiba. A moto tava gostosa e confortável. O dia muito gostoso. Eu estava...assim...fit...na moto. Encaixado, perfeito. Eu e ela, ela e eu e o mundo chegando sob nossas rodas. Pra completar, meu Ipod resolveu tocar músicas deliciosas, Maravilha de Benjor, All of Me, de Sinatra, Mulher, de Martinho da Vila. Cantei-as todas e chorei. Chorei, chorei, chorei em cada uma delas. Se a vida fosse justa, Deus tinha me levado naquela hora perfeita de minha vida. A felicidade suprema tinha se instalado em mim. Mas quem disse que a vida é justa?


Entrei na Régis, a estrada entre Curitiba e São Paulo. Um inferno! Chuva e buracos a maior parte do tempo. Uma falta de respeito com a vida de todos que por ali passam. Inadmissível nossos administradores permitirem aquela fábrica de defuntos. Encontrei 4 caminhões tombados pelo caminho. Acidente com carros, nenhum, mas engarrafamentos, trânsito lento, um inferno de estrada. Um dia vamos aprender a cobrar desses camaradas. A chuva nem incomodou, só me impediu de tirar fotos. Coloquei a capa e o capacete fechado logo no início e não tirei mais. Inicialmente a tocada estava boa, o ritmo ótimo, uns 100-110. A viagem rendendo. Numa curva na Régis, um líquido branco cobria parte da pista. Senti cheiro de tinta. Será que escorrega? Sem, pânico, sem pânico. Apruma a moto e sai pela tangente, vai reto. Não toca no freio, tira o pé ( no caso a mão), ergue o corpo pra tentar controlar a moto se ela escorregar e se prepara pra cair. Cabeça fria, coração disparado, tenta fazer a curva... fatiou, passou. Taquiupariu!!! Como deixam um treco desses sem ao menos um aviso, cacete!!! Os pneus dos carros jogavam o spray da coisa branca pra cima, de forma que eu fiquei branquinho. Aliás, nós ficamos, mas a chuva limpou depois. Não sei bem se foi pela coisa branca, mas senti uma rabeada leve da traseira numa curva. Tentei noutra, me pareceu instável. Numa terceira, uma rabeada mais forte me deixou preocupado. Podia ser pneu furado ( as customs não arriam pneu. Eles têm bordas grossas pra não murcharem totalmente, mas ficam instáveis.) Passei nuns sinalizadores da estrada com as rodas e tuc tuc. As duas pareciam estar bem. Não eram barulhos de pneus murchos. Talvez um parafuso da roda ou da balança? Parei olhei e tudo em ordem. Sei lá. Fui. Mas vcs não tem noção de o que é perder a confiança na moto. Fazer curva. Fazer curva no molhado. Fazer curva no molhado a 100 por hora. Não dá pra explicar o antes e o depois. Numa dessas, vc começa a fazer curvas com tanto medo que parece estar com rodinhas laterias dessas de bicicleta. As curva ficam mais longas, mais abertas, vc fica mais tenso, cansa, e, é claro faz muito mais devagar. Mas foi bom. Os próximos trechos da Régis não permitiriam erros. E aceitei todos.... ...Todos os buracos que podia. Ainda bem que não foi nenhum grande, mas foi uma bosta. Mas ainda assim, gente, acredite: “ I Love It !” Depois que acabou, foi uma delícia. Chegando em SP, pra variar me perdi. O-D-E-I-O São Paulo. Entrei na Raposo Tavares confundindo com a Fernão Dias e fui parar em Sorocaba. Quando vi a placa Votorantin (uma cidade) eu lembrei que havia passado por ali no ano passado quando estava descendo pro sul, mas ela era do outro lado...não to entendendo... A roupa de chuva vai sobre a de couro mais as underware (cuecão para os ígnobes), mais luva de borracha e luva de couro, mais capacete. Toda hora que se pára, é uma complicação, um procedimento para despir e vestir, mesmo que parcialmente, o que torna o parar, indesejável. Eu tava com frio. Não muito, mas o suficiente pra ficar lerdo pra outras coisas que não a estrada, o trânsito e tal. Quando a ficha caiu eu pensei...merda! To indo pro outro lado! Fui verificar numa Polícia Rodoviária e eu estava certo:eu estava errado! Tava indo pro outro lado. Mas sem grandes prejuízos. Um erro de 200km, mas o que me importava era passar de SP e verificar o quanto eu poderia rodar no total. A caminho de Campinas, parei num hotelzinho sonho-de-consumo meu e do Rosa: baratim, 35 pp e direitinho. Tudibom. Foi ótimo tomar o banho pelando, mas eu não estava cansado apesar do dia intenso. Estava satisfeito, pronto pra outra. Dia 21 E a outra começou as 5h15, quando acordei. Banho pelando pra acordar mesmo, arrumei tudo, café da manhã, tranqueiras na moto e saída às 7 horas. Tinha que ir a Campinas, 35km pegar a D Pedro I até Atibaia e entrar na Fernão Dias (lembre-se, não é Raposo Tavares !!!).


Bem, a essas alturas eu já estava de capa e botas de chuva, e assim segui até BH. A estrada, boa, mas molhada, proporcionou vários acidentes. Muitas curvas, serras e velocidades excessivas. Vi um ônibus interestadual recém entrado no mato, logo após uma curva. As pessoas ainda saindo e se abraçando, agradecendo a sorte. E sorte, mesmo, foi não ter nenhum barranco perto. A estrada estava chata, frio, chuva, me arrependi algumas vezes em não estar com meu carrinho. Em BH, também não foi agradável. Perdi muito tempo no trânsito e nas traseiras de caminhões nos quebra-molas. Apesar de tudo, a estrada no estado de Minas tem mais vida que as em SP. As paradas, os postos, os restaurantes são mais personalizados. Senti que o mineiro, é um paulista feito-em-casa. Na estrada rumo a Vitória, entrei João Molenvade rumo a estrada pra Atibaia. Daí pra frente a estrada ganhou cor seu bom estado com curvas longas e rápidas e com as paisagens lindas. Tornou-se, novamente, uma delícia pilotar. Eu andava rápido, a estrada permitia, o trânsito, também, apesar de algum movimento de caminhões. Mas a chuva sempre me rondando e peguei algumas. Toquei até chegar em Governador Valadares no início da noite. 900Km no dia. Abasteci e uma simpática frentista sem sotaque me indicou alguns hotéis e me sugeriu um motel no qual ela já trabalhara. Uma tristeza! Mesmo a noite, via-se que não estava bem cuidado por fora. Mas o preço, 30 reais e a simpatiada atendente me informando que não era tão ruim como parecia, me fez verificá-lo por dentro. Realmente, limpim, direitim, garagem pra moto, beleza. A atendente, Joseane, era muitíssimo simpática e conversadeira contumaz. Conversei bastante com ela. Padrão da mulher brasileira: raladora e se vira nos 30, como ela diz. Trabalha lá como complementação temporária ao salão, da qual é esteticista ou coisa parecida. Há três anos separada tem 3 adolescentes pra cuidar. E sozinha. A arte está em manter o bom humor, a simpatia e a vontade de viver. Tinha a voz e a delicadeza de uma professorinha de jardim. Gentil, dividiu comigo seu jantar que recebia em quantidade muito superior a sua necessidade. Eu nem tive coragem de me oferecer para pagar-lhe por isso. Preferi passar por mal educado que por grosseiro Dia 22 A lua afastou as nuvens e pensei que teria tempo bom no dia seguinte: ledo engano: amanheceu nublado e a chuva me acompanhou algum tempo. A estrada não parava de subir e ora frio, ora chuva, mas sempre boa, salvo um ou outro trecho em reforma. As paisagens começavam a ficar interessantes e os restaurantes mantinham o estilo mineiro. As cidades e pequenos vilarejos significaram, muitas vezes, atraso pelos quebra-molas e a lentidão dos caminhões em passá-los. .


Entrei na Bahia e meus medos de estrada mal cuidada se evadiram. Tava tudo nos conformes. Mas elas não paravam de subir. Morros e serras e as nuvens sempre me rondando. Alguns momentos a paisagem me pareceu meio seca, sinal que não chovia muito por ali...rsss mas EU tava por ali. As retas eram enormes e convidativas. Mesmo as curvas eram ótimas para dirigir, pois não eram muito fechadas. Tendo saído cedo, já havia rodado bem e uma placa me avisou que faltavam uns 600km pra Salvador. Fiz as contas e achei que dava. Apertado, mas dava...e apertei. Depois de Vitória da Conquista, surgiram formações rochosas muito bonitas e retas maiores ainda. A moto rendia muito bem, apesar dos fortes ventos laterais que me chacoalhavam e faziam uma zoeira danada dentro do capacete. Lindo, lindo, lindo.


Estas estradas são lindas, boas e a paisagem fantástica. Interessante que a gente quer ir a lugares para ver coisas bonitas...Gramado, Canela, Paris. Mas o ir, muitas vezes é a melhor parte da viagem, afinal o objetivo é encantar nossos olhos com belezas. Tanta coisa se perde nesse nosso imediatismo. Vamos a Florianópolis, mas relegamos as serras, as paisagens. Vamos de avião. Devíamos ir a pé. E tem gente que quer conhecer a europa mas nem reparou a paisagem até sua padaria.

Cheguei a Feira de Santana anoitecendo e resolvi chegar no mesmo dia a meu destino. A estrada a noite não é confiável pra motos, pois um buraco pode acabar com sua viagem, no mínimo, mas resolvi seguir os carros. Realmente verifiquei ser um risco. Nada aconteceu, mas poderia ter acontecido. Não recomendo. Cheguei as 21 horas e me perdi, mas minha priminha Liliane ( e alguns baianos adicionais) me orientaram a chegar a sua casa. E lá fiquei dois dias que pareceram uma semana, tamanha foi a intesidade de relacionamentos. Além da família da minha prima Rosane, conheci a da prima Rosemar e, inclusive seus outros irmão e pai. Todos os irmão cantam Gospel e se entrosam perfeitamente num mundo carinhoso e brincalhão. Rose tem a voz macia e afinadíssima quando canta. A música os integra mais. Os filhos de Rosane, em cuja casa fui hospedado, são uns amores e carinhosos e as meninas são lindas e muito graciosas. Seu filho, Isaías foi meu GPS particular, me levando pra cima e pra baixo, em Salvador, com uma habilidade e disposição difícil de achar num moleque de 12 anos. Agradeço a acolhida muito gentil de todos, especialmente ao Dedé, seu marido. Ao shrek, deixo esta foto tirada como uma pérola: linda no meio de tanta coisa feia rss


Dia 25 Aliás, este seria um resumo de minha viagem até Recife: uma ou outra vista bonita. A paisagem definitivamente não vale a pena e tudo fede. Fui pela Rodovia do Sol até Sergipe. Ótima estrada e opções de cidades, mas na estrada, mesmo, nada. Depois, BR 101. Um desastre. Está sendo reformada e isso só vai fazer aumentar o número de buraco tapados e retalhos pra agoniar as motos. Motos gostam de andar em tapetes, remendos são uma droga. Não vi nada que valesse registro. Plantações de cana adubadas cheirando a azeitona. Uma droga. Estrada estreita, fedorenta e esburacada. Desse jeito é melhor ir a Paris, mesmo. As imediações de Recife me trouxeram cheiros mais agradáveis: uma hora ajurava ser de batata frita do MaC Donalds, outra um cheiro adocicado.Mais lá perto eu vi uma fábrica de biscoitos. Era isso. A viagem não parecia render. Eu rodava uma hora e o hodômetro não se animava. O tempo custava a passar, mas conversei com algumas pessoas nas paradas. Um menino que viajava na boléia com o pai, dois motociclistas que estavam indo pra Maceió, e um controlador de tráfego de obras na estrada que me falou da importância da posição na estrada em obras, da placa "pare-siga". Resolvi não deixar a noite chegar dessa vez. Estou em meu horário de verão, mas da Bahia pra cima, não. Mais uma vez me hospedei num motel, aqui chamado de hotel, não sei porquê, ainda. É mais prático, rápido, não tem que preencher fichas, a moto fica ao meu lado, é grande, limpo. Tem muito mais vantagens que um hotel convencional, na maioria das vezes e a decoração mais interessante. Dia 26 Saí cedo, ou muito cedo, nunca sei. Tinha o dia todo pra chegar a Natal. Essa parte eu queria fazer bem devagar, apreciar a paisagem, relaxar e ver o consumo da moto em baixa velocidade. Nem calculei, ainda, mas a reserva entrava com 260km rodados e abasteci com 350 sem usá-la. A estrada está em reforma, como disse. Um saco! Obras pra todo lado. Até o exército tá na empreita. E não está boa. Porém, por mais devagar que eu rodasse, o ritmo andava, ao contrário do trecho anterior. Nao sei o que acontecia, quanto mais eu andava devagar, mais a viagem rendia e assim sendo, cheguei cedo em Natal. Dez e pouco tava lá. Dei alguns telefonemas pruns amigos mas não consegui contactá-los. Beleza, sem problemas. Eu ia curtir Natal sozinho, mesmo. Melhor assim. Passaria um dia ou dois e, vazava pra estrada de novo. Aí, liguei pra uma amiga e liguei pra ela...minino, pra quê? Rhady, Juan, e Rose me aprontaram a melhor parte de minhas férias...Foram três dias que pareceram uma semana!


Aliás, uma semana foi pra achar ela. Uma confusão de endereços e locais que apelei: tô em tal lugar, vem me encontrar! Ela veio. Disse-lhe que queria ficar numa pousada longe da cidade, numa praia bonita pra acordar cedim, caminhar, ficar de bobeira olhando pro bonito do mar. Bem, taí as fotos de sua indicação, em Búzios. Pousadinha direitinha, lindo visual, espaçosa, várias camas, limpinha e baratinha com café da manhã e sopinha à noite. Noventinha por dia. Considerando que rodando eu gasto mais com combustível, tava tudo dentro do planejado, mas, mais almoço e jantar, os gastos diários chegam perto dos duzentos reais, bem diferente da casinha da mamãe. Na maré alta, o mar chegava até as escadas da pousada, na baixa formavam-se piscinas melhores que Porto de Galinhas. Aliás, Búzios dá de 10 em Porto. Fiquei horas sentado n'água conversando e brincando, caminhando pela praia. Isso no domingo, pois no sábado à noite, dia da minha chegada, eles me levaram a um Show do Biquini Cavadão pra comemorar o níver do Juan e eu não podia deixar de ir, final de contas, né? Depois do pânico inicial de ver tamanha multidão jovem e heterogênea (cês me entendem), entramos no local fechado do evento e tudo se acalmei rsss. Foi ótimo! Lá dentro era tudo calmo, com bastante espaço e a galera em paz, dançando e azarando todo mundo. Primeiro uma banda de axé com suas bailarinas duvidosas e todo mundo dançando. Menos eu, claro! Ou no melhor estilo Hitch(?). Depois, bem tarde, o show principal: acreditem preferi o axé. O Biquini tava muito ruim. Bem, acabamos virando a noite. Nem tava cansado, foi muito legal. Senti falta do meu celular, ou o roubaram ou o perdi em algum lugar pelas andanças pela cidade. Bem, nada a fazer agora. Depois, deixar todo mundo em casa no carro da Rhady, fui dormir as seis e meia com o sol já lá em cima. Droga, pensei, lá se foi meu domingo, pois achei que só iria acordar a tardinha, mas velho tem suas vantagens, dez e meia já estava de pé e disposto. Levantei, fui a praia, tirei umas fotos de maré cheia, caminhei e voltei pra almoçar. Depois encontrei o pessoal pra brincar na praia com maré baixa. Olha ê vidinha marrom. Fiquei triste em pensar em ir embora. Na segunda, burocracias sobre o celular, comprei um chip pré, passeio básico em shopping, pizza e caminha. Mudei da pousada prum motel na cidade, cineminha e dia seguinte, estrada de novo. Vou morrer de saudades. Meu coração ficou lá. Comigo apenas alguns pedaços, uns frangalhos. Beijos, abraços, lágrimas. Foi difícil, vai ser difícil. Mas eu volto lá. Da próxima vez, de TAM, pra aproveitar mais dias.

De Natal para Santa Maria, BA Utilizei a manhã do dia 29 pra ajeitar a moto pra viagem. Abastecimento, troca de óleo, lâmpada queimada, tirar dinheiro, essas coisas. Saí em torno do meio dia. Tava sol, mas não calor, quer dizer, bem , eu tava de roupa de couro tá sempre calor quando parado. Fui com alguma tristeza no coração. É uma coisa estar sozinho em um lugar com parentes ou


amigos antigos, vc está sempre amparado, seguro. Em Natal eu tava sozinho mesmo, pois não achei meus amigos antigos nem tinha parentes. Estava com os amiigos novos que me deixaram muito seguro e à vontade. Então. A estrada, a mesma coisa, Pernambuco uma droga. Rodei até começar a escurecer a dormi numa pousada à 90km de Maceió, em Novo Lino, fronteira com PE. Nova, limpa, mas muito básica. É pra viajantes, mesmo. Dona Rosa me preparou um jantar com frango frito delicioso. De manhã, cafezinho e só. Estrada. Em Sergipe passei por Cristinópolis com uma doce sensação de Dejavú. Mas já passei por aki mesmo, há algumas dezenas de anos.

As obras a todo vapor e a todo incômodo. Filas, trânsito, mas sem engarrafamentos. Muitos remendos até ali, depois melhora. Sem buracos. A paisagem começou a melhorar depois que segui para Estância, rumo a Feira de Santana, onde pernoitei. Hotel Acalando, com internet. Daria preferência por um motel, pelo preço cobrado, 70 reais, mas estava precisando de uma internet pra me atualizar com o mundo. Feira é uma cidade boa, movimentada, agradável. Em todos os trechos peguei chuvisco ou chuva. Algumas vezes tive que colocar a capa, noutras, não. Se dá pra ver a extensão da nuvem ou da chuva, dá pra seguir na boa. O que não dá é deixar a roupa de couro molhar demais, pois aí passa frio. Aquelas chuvinhas molha-bobo, molha se demorar demais a passar. Melhor botar a capa se vir que vai demorar. Aí, nessas situações, eu colocava a capa e a chuva passava rapidim. Era a melhor maneira da chuva passar. Mas chuva mesmo peguei a partir de Feira. A estrada é noventa por cento reta e se tem uma chuva na tua frente, no horizonte longínquo, vc vai pegá-la, ao contrário das estradas normais, como aconteceu na primeira postagem, que há esperança de uma curva nos desviar dela. Então vc já vai sofrendo com antecedência quilométrica e analizando o tamanho da nuvem, da extensão da chuva e tal. Foi assim que passei pela primeira: olhei o tamanho da encrenca ( aquela nuvem carregada, comprida lateralmente, com uma parte de chuva forte e outra mais fraquinha pro lado da estrada, mas como ela estava inclinada pra este lado, o vento poderia trazer o forte da chuva pra cima de mim. Observei os caminhões pra ver se as lonas estava muito ou pouco molhadas, indicativo da quantidade de chuva, e fui pensando no que fazer. Resolvi encarar. Me agachei atrás do parabrisas, de capacete aberto (os pingos dóem feito pedras na cara), e encarei. Alguns minutos de chuva intermediária, e tudo bem, mas a boa, mesmo veio mais tarde. Começou com uma chuvinha básica que fui encarando devagar até ver que não ia parar. Parei, abasteci antes do previsto, um pouco antes de Seabra, botei a capa e segui. A chuva passou, como previsto e segui assim mesmo. Um pouco mais a frente, o mundo mudou...pra pior!


Aliás, este é um parentese que quero fazer: a paisagem muda completamente com uma curva. É como se fosse a descoberta de um mundo perdido. De repente, ao final de uma retona sem fim, uma curva e um mundo de paisagens, morros, esculturas naturais encantadoras. Eu vinha numa retona logo após Feira e dessas fotos, quando lá no fundo uma cor cinza surgia no horizonte. E formou-se uma barreira como uma muralha (lembra da minissérie?). Eu pensei:"Meu Deus! Eu vou ter que subir isso???!!!" Mas aí, uma curva, e tudo sumiu. Voltou o cerrado. A muralha sumira. Impressionante! E isso conteceu várias vezes: do nada enormes formações rochosas. Mas voltando ao parágrafo anterior. Olhei pra o horizonte e o mundo estava fechado, escuro e tenebroso nos morros. E fui entrando pensando seriamente em parar pra esperar, mas não tinha onde e a curiosidade matou o gato, a previdência tocou o alerta, mas não tinha jeito, eu tava de capa, tudo amarrado e protegido em sacos e quem tá na moto é pra se molhar. Entrei e o fim do mundo se manifestou. A água caiu, as paisagens sumiram, visibilidade de uns 50 metros, nem 100. A pista estava boa, sem trânsito, capacete fechado, mandei ver. Trovoadas, clarões, um túnel do tempo por alguns minutos. De repente, abriu. Passei. Á frente, promessa de sol, atrás o fim do mundo pelos retrovisores. Esperei a roupa secar e parei para tirá-la. Segui para Ibotirama. Abasteci. 200km até Santa Maria, 3 horas da tarde, dá pra chegar, e segui pra Bom Jesus da Lapa com promessa de estrada marrom, com buracos tapados. Não gostei, mas já tava na chuva... Estrada de asfalto sobre terra. Muito cuidado com buracos e trepidação mesmo quando não os tinha. Mas Mirage é Mirage. Forte, robusta, resistente. Chuvisco, muitos cães pela pista, estrada pequena de interior. Quando menos se esperava aparecia um buraco ou um trecho ruim, mas o cabo tava torcido. Eu rodava a uns 100 por hora nos bons trechos já antecipando os ruins. 65 km até Paratinga, passou, 70 até Bom Jesus da Lapa, custou mas passou. Neste trecho parei pra botar a capa. Os chuviscos não passavam e comecei a sentir frio. Passaram. Mas voltaram e em Bom Jesus tinha acabado de passar um temporal que alagou a cidade. Passei com água até a metade da moto. Vi uma formação rochosa linda e tive a impressão de já ter passado por ali. Será? Me era familiar. Impossível! Deve ser outro lugar. Mas até a ponte se encaixava. Sei lá. Passei a ponte e o inferno finalmente se fez presente: NÃO HAVIA ESTRADA! Só buracos e lama. Faltavam 87 km pra Santa Maria uma hora de sol. Lascou-se! O odômetro parcial marcava 150. 90 km numa estrada dessas am levar umas 3 horas, no mínimo e isso, à noite, seria o inferno.


Esta seria a minha aventura. Uma coisa feita sem noção. Se tiver que parar por causa da noite eu dormiria no mato, na chuva, no chão. Fui. Alguns trechos estavam melhores, dava pra andar entre os buracos. Os carros fazem suas trilhas de buracos na qual as motos podem andar entre. Mas às vezes, nem isso. Por sorte alguns trechos dava pra acelerar, e eu acelerava. Ainda bem que a moto tem freios bons, pois eles foram usados. Muitos remendos, trepidação, e eu tomando tempo, querendo a pole. Ê moto boa. Aprendi que tudo acaba um dia, sejam as coisas boas ou as ruins, e acabou. Cheguei Em Santa Maria no lusco fusco. Achei a casa de Marta, irmã de Bernadete, aliás, xerox da distinta, eu a reconheceria como parente no meio da multidão. Fui recebido por ela e por sua filhota, Carolina, de 14. Hiper simpática, amável, educada e bonita, apesar do aparelho. Moreninha, pra fugir da falta de criatividade genética da família. Seu irmão, Guto, tbm. Muito simpáticos. Agora, é aguardar meus dias aki, com a chegada do Luis e sua família e de um carnaval a ser aguardado na cidade. Parece que Brasília e Goiânia descem pra cá, nessa época.

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

De Volta Pro Meu Aconchego! Rapaz, que povinho animado! Pela minha recusa em tomar mais que três copos de cerveja, Marta e Edy, amiga da família, disseram que iriam me colocar algemas cor de rosa (Marta é da polícia civil). Eu falei que tá, mas desde que o fizessem com cuidado pra não estragar minhas unhas. Edy é uma baiana muito animada (redundancia, né?), ri o tempo todo. Representa a Schin na região (!). Sentados à varanda, o grupo passou horas comendo e bebendo numa conversa muito animada. Esqueceram até do almoço. Esqueceram, mas eu não. Uma desconsideração fazer isso com o guisado de carneiro que nos esperava. Comer carneiro é bom, mas dá dor nas costas...não podia faltar a piadinha. Na sexta, 01 fomos tomar chuva no primeiro dia de carnaval na cidade. Conheci o Lula, capitão da PM, primo deles. Lula faz parte de um grupo que desbrava sertões de moto de trilha com apoio, GPS e o escambáu. Coisa de profissionais-amadores, que são, juntamente com Prudente, o prefeito e outros. Fiquei de ganhar um DVD de suas aventuras, o qual aguardo com ansiedade a oportunidade de assistir, mas não acredito, não, haviam muitas garrafas sobre a mesa rssss.


Eu estava cansado e não muito animado pra aventuras, passeios e tal, mas um churrasquinho na chácara do prefeito foi inevitável, porém muito prazeroso. Lula estava sem farda...mellhor, à paisana e mostrou-se um camarada muito alegre e brincalhão. Amistoso, mesmo. Me deu uma garrafa de dois litros de uma cachaça super especial, feita artezanalmente, depois de tentar me embriagar com ela (santa incompetência, Batman, logo eu que fico bêbado com água com gás...). Aleguei imunidade por minha algema rosa e me deixaram em paz. Prudente também foi muito simpático, tanto quanto seus convidados, com os quais conversei um bocado, não sem me gabar de minha viagem,claro. A região tem muito potencial turístico e eles estão se preparando para desenvolvê-lo. A conversa ia e vinha, voltando sempre para esses planos. A chácara é atravessada por um rio muito lindo, que, aliás corta a cidade. Ele é um dos pólos turisticos aproveitado com um dia anual de brincadeira com bóias pelas suas correntezas. Dispensei as demais noites de carnaval para um retiro espiritual, na casa de Martha, na cama de guto. Eu estava super cansado e já estressado pra voltar pra casa. Permiti-me superar isso tudo e pedi pra minha hospedeira me mostrar a cidade, pois ainda não havia feito um tour. Foi um passeio lindo e muito gostoso com direito a vista do rio ao entardecer e como teve a sagrada parada pra cervejinha, não nos foi possível estendê-lo a todos os pontos da cidade. Quem sabe na próxima e com o equipamento adequado pra paralelepípedos? Uma moto trail !!! Bem, no dia 4 vazei pra casa. Saí as 10 horas de lá e cheguei as 5 daqui. Vim acompanhando uma GS500, do Túlio, que chega a 210 km por hora ( a minha não passa de 140, em descida, com vento a favor e com o dono louco pra chegar em casa !). Coitado, teve que vir devagarinho rssss Em casa: HOME SWEET HOME !!! Estava cumprindo os prazeres de praxe, visitando e encontrando alguns amigos e amigas (que não leram o blog) pra contar como foi (e filar uma bóia), e ainda tive o o prazer de assistir, rapidamente, a uma apresentação do Batala, um lindo e ótimo grupo feminino de percurssão aqui de Bsb, para finalizar meu carnaval. E quando eu pensava que minhas férias já haviam se acabado, afinal já trabalhava há três dias, e até já tendo minha básica depressãozinha pósférias - até por não ter tido tempo de ajeitar minhas coisas, minha casa me chega o Luis com uma surpresinha: fomos passear de veleiro com amigos no lago. E foi sensacional. Muito relaxante! Nem tão calmo, assim, com muitas atividades tipo puxa-cabo, solta-cabo, sobe genoa, desce genoa ( "quem é esse Agenor?"....GENOA, Fred!!!...Ah...ninguém explica!!!). Jacques foi um ótimo comandante e professor. Pacientemente


explicava tudo enquanto comandava o barco. Aliás, aquele é um cargo muito bom pra mulheres: manda o tempo todo! Iara, uma simpatia, como dizer? Assim, carioca, né? - Desculpa, somos assim mesmo, alegres, comunicativos, falantes, amistosos, fazer o quê? Iara colocava sua luva e controlava a genoa, da popa, enquanto Saulo, na proa, atuava de proeiro. Proeiro é o sujeito que ajuda fazendo tudo o que tem que fazer na proa. Precisa de mais explicações? Não tem como. A cada momento essas tarefas mudam. Se venta, se não venta, se tá sol, se tá chuva. Eu, já me tornei um doutor em puxar e enrolar cabos. Luis e João Vítor, seu filho (apresentei, não? Um galeguinho de óculos escuros que tá numa foto mais acima comigo e Carolina, filha da Martha, irmã de Bernadete, esposa de Luis, pai, também, de Nicole.) cuidavam do que sabiam e tratavam de aprender o que não sabiam. Eles têm um catamarã em Belém e já navegam. Olha, foi uma tarde pra fazer amigos, ver a ponte nova de outro ângulo, e chegar mais perto de sonhos antigos e planos, nem tanto. Um veleiro já está me meus planos ocultos com meu amigo PeU. A gente não fala, não comenta, mas pensa. Dois anos, no máximo, se tanto. Não será uma moto pra viagem nacional, mas um recreio para finais de semana. Mas vamos consolidar, navegar mais, aprender mais sobre navegação, nós, cabos, velas e um cursinho de arrais amador. Ah, magina meu filho no timão e minha filha de óculos escuros deitada no deck com os ventos soprando seus cabelos? NAAASSSSsssa Senhora! Lindimais! Bem, mas meus sonhos são meus, a vida já cansou de me ensinar isso. E eles estão indo muito bem, obrigado. Obrigado aos meus pais, irmãs e meus parentes queridos e amados. E a todos os vellho e novos amigos que tornaram tão prazerosa estas minhas férias. Cada um de vcs teve uma forte participação na minha vida e sua filosofia, que com ela evolui. Muito obrigado a todos vcs.

Nossa! Olhando daki dá pra ver como tudo foi muito legal!

Ferias2008  

Uma viagem pelo Brasil.