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Savannah, menina rica e mimada, sempre teve um desejo por homens sensuais, um apetite para festas selvagens, e um flagrante desrespeito pelos outros. Quando se encontra grávida e sozinha depois de queimar todas as suas pontes, parece que receberá um gosto de seu próprio remédio. Teimosa e decidida, ela afasta a única pessoa que realmente se importa. Billy tem um objetivo, convencer Savannah que a esperança e a felicidade ainda estão dentro do alcance. Mas é preciso ceder em algumas coisas.

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Prólogo Savannah ficou imóvel. Seu pequeno coração de seis anos de idade batendo rápido demais em seu peito, fazendo a cabeça a doer. Mesmo com os olhos bem fechados, ela sabia que ele estava sobre ela. Ela sabia que ele viria a ela quando viu o carro de seus pais sair pouco antes de sua hora de dormir. Suas mãos tremiam quando os lençóis foram afastados de seu pequeno corpo. Ela não gritou até que suas mãos grandes alcançaram seu pequeno pescoço e apertou. Então ela recuou profundamente em sua mente e tudo ficou escuro. Quando acordou novamente, foi para gritar. Sua mãe estava sobre ela e gritou quando seu pai correu para o quarto. — Mamãe? — Ela resmungou. Sua garganta doía e quando tentou se mover, seu pequeno corpo gritava de dor. — Silêncio agora. — Sua mãe veio correndo para o lado dela. — Não se mova, doce bebê. Foi então que olhou para o rosto de seu pai. Ela nunca o viu assim antes. Quando seus olhos se encontraram, ele piscou algumas vezes e, em seguida, virou e saiu correndo do quarto. Sua mãe a recolheu em seus braços e esfregou seu longo cabelo loiro, acalmando todas as dores em seu corpo. Ela chorou nos braços de sua mãe até cair para trás para dormir. Quando acordou, desta vez, as luzes brilhavam em seus olhos e os fechou firmemente. Quando as mãos de alguém tocaram em seu braço, ela sacudiu e chutou, gritando, — Não! — Está tudo bem, baby — disse a mãe ao lado dela. Ela abriu os olhos e encontrou o rosto de sua mãe. — O médico só quer dar uma olhada em você. — A mãe sorriu e esfregou seu cabelo novamente. — Ele não te machucará.

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Savannah olhou para o velho senhor que ela conheceu toda a sua vida. Dr. Williams era seu médico por quanto tempo ela podia se lembrar. Ela baixou os braços e balançou a cabeça, viu o médico sorrir para ela. Então ele se inclinou para trás e acenou para a mãe. Sua mãe franziu a testa e abraçou-a com mais força. — Eu acho que Savannah gostaria de um banho quente agora — disse o médico, ele sorriu para ela e lhe afagou a mão. — Ruth, por que você não a leva e a ajuda. Quando sua mãe a levantou de sua cama, ela gritou um pouco quando seu corpo moveu. — Eu sinto muito, baby — sua mãe sussurrou, enterrando o rosto em seu cabelo. Enquanto passavam por seu pai, ela notou seu rosto novamente. Desta vez havia contusões escuras no lado esquerdo do rosto, o nariz dele parecia um pouco fora do lugar, e sangue escorria de um pequeno corte logo abaixo de sua bochecha esquerda. — Pai? — Ela estendeu a mão para ele quando sua mãe passou por ele. — Está tudo bem, baby. Eu estarei aqui quando você terminar com o seu banho. — Seu pai beijou sua testa. Quando sua mãe finalmente sentou-a no banho de espuma quente, ela deitou-se e fechou os olhos. — Vou à escola hoje? A mão de sua mãe se acalmou enquanto passava o pano macio sobre seus ombros. — Não, querida. — Ela viu quando uma lágrima escapou dos olhos de sua mãe. — Não, querida, você não precisa fazer nada que você não queira fazer nunca mais.

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01 Dez anos mais tarde... Aquelas palavras ficaram presas na mente de Savannah, e ela viveu por elas. Custaram a ela alguns amigos próximos de infância, mas outros ficaram com ela. Outros que não só a admiravam, mas quase a adoravam. Era seu décimo sexto aniversário e esta noite seria a maior e melhor festa que a pequena cidade de Fairplay já viu. Pouco depois daquela horrível noite, seu pai assinara a papelada que mudara para sempre as suas vidas. Agora, os Douglas nadavam em dinheiro, permitindolhes pagar a maior casa e as melhores roupas que poderiam comprar na cidade. Todos na cidade os respeitaram e davam a eles qualquer coisa que queriam. Ela sorriu quando aplicou um pouco mais de maquiagem nos olhos. O reflexo olhando para ela era quase perfeito. Pegando o tubo de brilho labial, aplicou a cor vermelha pesadamente em seus lábios e sorriu. Pronto. Sua nova blusa de cor creme que comprara na última vez que sua mãe a levou para Houston, parecia perfeita. Ela ganhara grandes seios mais cedo do que a maioria das outras estudantes. Ela franziu a testa um pouco quando olhou para seu peito grande. Na verdade, ainda crescia. Na última viagem para a cidade, ela teve que comprar um sutiã de tamanho maior. Ela olhou para seu reflexo novamente e sorriu. Os garotos da cidade, especialmente os mais bonitos, sempre olharam para seu peito. Seu longo cabelo loiro, seus traços perfeitos e seu corpo tonificado também chamavam a atenção, mas nada fazia os meninos virem correndo como quando mostrava seu peito em roupas apertadas. Levantando-se, olhou para seu reflexo no espelho de corpo inteiro no canto de seu quarto grande. A saia de seda azul escuro fluía enquanto caminhava em direção ao espelho, e ela observou como seus pés pareciam nos saltos que

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comprara. Gastou mais dinheiro do que sua mãe queria, mas eles eram perfeitos para a sua roupa, e seus pés pareceram menores de alguma forma. Virando-se, viu como sua curta saia levantava, mostrando parte de suas coxas superiores. Ela trabalhou duro na aula de ginástica para se certificar de ficar em forma. Mesmo seu professor sendo um completo idiota e quase nunca passar agachamentos, ela podia ver a pequena diferença em suas pernas desde que começou a fazê-los em casa nos últimos meses. — Savannah? — Sua mãe chamou do andar de baixo. — Vou descer em um minuto — ela gritou de volta e correu para pegar seu novo casaco de pele. Mesmo aos 21ºC hoje à noite, ela puxou a suavidade branca e sorriu novamente e, em seguida se pulverizou com seu novo perfume caro. Hoje à noite, todo mundo olharia para ela, e ela queria estar perfeita. Esta era a sua noite. Agarrando sua bolsa, ela deu uma última olhada no espelho e sorriu. Quando desceu as escadas, arrastando os dedos bem cuidados na madeira lisa, ela sorriu para seus pais que estavam na parte inferior. Sua mãe usava um vestido verde longo que ela ajudou a escolher apenas para a ocasião. Seu pai parecia tão bonito como sempre em seu terno e gravata. Ela não viu as linhas em seus rostos ou o fato de que o cabelo de seu pai começava a ficar grisalho. Ela só podia ver o amor que essas duas pessoas lhe deram. — Você está maravilhosa — disse sua mãe, sorrindo. Ela podia ver uma ligeira lágrima nos olhos de seu pai quando ele olhou para ela. — Eu não posso acreditar que minha menina tem dezesseis anos. Quando ela estava no final dos degraus, ela se esticou para beijar os dois. Seu pai tomou seus ombros. — Antes de ir até a cidade para sua festa, nós queremos dar o nosso presente. — Ele sorriu e continuou segurando-a. — Bem? — Ela franziu a testa um pouco quando ele não se mexeu, então estendeu as mãos. Ele riu. Ela sempre amou o som da risada de seu pai e sorriu de volta. — Papai, onde está meu presente? — Ela bateu o pé levemente e sorriu. — Em apenas um minuto. — Ele olhou para ela novamente e se inclinou para abraçá-la mais uma vez. Então se virou e pegou a mão de sua mãe e caminhou em direção a porta da frente.

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— Nós esperamos que você goste — disse sua mãe quando abriram a porta da frente. Lá fora, na entrada circular, estava um carro novo. Ela gritou e saiu correndo da casa. — É o mais novo BMW. Eu espero que você goste. — Seu pai levantou as chaves. Savannah não se importava que tipo de carro que era – era vermelho e um conversível. Ela seria a garota mais popular da escola quando todo mundo a visse entrando no estacionamento da escola nele. — Posso conduzi-lo até a cidade para minha festa? — Ela pegou as chaves de seu pai. Ele sorriu e balançou a cabeça. Então ela abraçou-os e saltou para o seu primeiro carro enquanto eles a observavam. — Nós estaremos bem atrás de você — disse ele. Ela adorava o cheiro do carro novo. O interior de couro era quente e rico sob a sua pele. Ela colocou a pequena bolsa de seda no assento ao lado dela e colocou a chave na ignição. Ela conseguiu a sua licença uns dias antes, no dia do seu aniversário, e conduziu sozinha algumas vezes nesta última semana. Mas este era o carro dela e ela ia para sua festa. Ela queria que esse momento durasse para sempre. — Veremos você na cidade. — Seu pai se inclinou na porta e beijou sua bochecha. — Dirija com cuidado. — Eu sempre dirijo, papai. — Ela acenou para a mãe dela e fechou a porta. Quando virou a chave, o carro ligou e ela sentiu uma onda de excitação correr através dela. Ela disse a verdade. Ela sempre dirigia com cuidado. Apenas no ano passado, vários alunos do ensino médio se envolveram em um acidente. Eles corriam com outro carro cheio de adolescentes e perderam o controle da caminhonete. Todo mundo na escola ouviu as histórias de horror quando os paramédicos tiveram de raspar vários deles do cimento. Não, Savannah não acabaria assim. Ela segurou o volante mais apertado e fez questão de sair de sua garagem lentamente. Levou apenas alguns minutos para chegar à cidade.

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Fairplay, Texas, sempre foi a sua casa. Mesmo que fosse pequena e uma cidade um pouco chata, ela ainda a amava. Ela pediu para ser levada a Houston ou Dallas para as compras, mas viver em uma cidade pequena como Fairplay tinha suas vantagens. Por um lado, sua família era a mais rica na cidade, graças ao acordo que seus pais fizeram com as companhias petrolíferas. O que fez dela a garota mais bem vestida e mais invejada da cidade. Ela tinha mais amigos e mais admiradores masculinos do que qualquer outra pessoa na escola. Quando estacionou fora do grande edifício da câmara municipal, ela não podia evitar, mas se sentia animada. Havia centenas de carros estacionados e ela levou alguns minutos para encontrar o local perfeito para estacionar o seu carro novo. Ela podia ouvir a música tocando lá dentro e quase pulou para fora do carro, esquecendo sua bolsa. Inclinando-se, agarrou-a do assento quando sentiu uma onda de medo saltar sobre sua pele. Ela sacudiu e se virou rapidamente para ver um homem de pé a poucos metros de distância. O estacionamento sombreava seu rosto, mas ela soube imediatamente quem era. — O que você quer? — Ela quase gritou. — Bem, bem. Olha quem cresceu. — Ele deu alguns passos mais perto dela, seus olhos correndo sobre sua parte superior, que foi exposta desde que o seu casaco de pele estava aberto para o ar à noite. Ela rapidamente puxou-o fechando, escondendo o peito grande de seus olhos. — Ouvi dizer que você teria uma festa. Pensei em vir e dar a minha querida sobrinha um presente. — Ela sentiu um arrepio pelo corpo dela com a palavra. — Especialmente agora que se tornou uma mulher. — Ele sorriu e parou a menos de um metro dela. As costas de Savannah estavam contra seu carro novo. A porta ainda estava aberta e assim que o cheiro de seu tio misturou com o cheiro de carro novo sujou o aroma maravilhoso para ela, fazendo seu estômago revirar ainda mais. — Você não está convidado — disse ela suavemente, colocando a bolsa entre eles e segurando seu casaco de pele bem fechado. Ela sentiu-se tremer e odiava estar perdendo o controle. Ela observou com desgosto quando seus olhos correram sobre ela. Seu tio Joe não era nada como seu pai. Mesmo que fossem irmãos, a vida de Joe tomara um rumo para o pior no início da vida. Ou então seu pai lhe disse.

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Nos últimos dez anos, Joe esteve dentro e fora da prisão mais vezes do que queria contar. E a maior parte foi graças a ela. — Se você não for embora, eu chamarei a polícia. — Ela tentou levantar o queixo. Ela era quase tão alta quanto ele agora e ele ainda a fez sentir como se tivesse seis anos de idade. Seus olhos escureceram. — Ligue para eles. Eu não estou fazendo nada de errado. Ela franziu a testa e sussurrou. — Você está vivo. Seus olhos escureceram e assim que as mãos dele estenderam para agarrála, o farol alto de um carro bateu neles. Ela ouviu pneus cantando quando a caminhonete de seu pai parou alguns metros deles. Em seguida, seu pai puxava Joe para longe dela, e ela assistiu com horror quando os punhos de seu pai bateram na cara do seu tio, repetidamente. Sua mãe correu para o lado dela e puxou-a para a caminhonete. — Você está bem? Ele tocou em você? — Perguntou sua mãe de novo e de novo. — Eu estou bem — disse ela, não percebendo que tremia. — Mamãe. — Ela parou sua mãe quando percebeu que ela tentava empurrá-la para dentro da caminhonete. — Pare papai. Ele vai matá-lo. — Ela assentiu com a cabeça em direção ao seu pai, que estava sentado em cima de Joe, ainda batendo seus punhos em sua face. — Eu chamei Stephen — disse ela, distraidamente. Stephen Miller era o xerife de Fairplay e a única pessoa na cidade, além de seus pais, que sabiam o que aconteceu com ela todos esses anos atrás. Ela assentiu com a cabeça, entrou na caminhonete e viu quando sua mãe correu para o pai dela e puxou seu braço até que ele parou de esmurrar seu irmão, agora inconsciente. Seus pais ficaram sobre o homem até que o carro do xerife parou. Quando Xerife Miller caminhou até ela, depois de carregar seu tio na parte de trás de seu carro, ela respondeu às suas perguntas e evitou olhar para ele. — Bem, com certeza seria uma vergonha para você perder a sua própria festa. — Ele olhou ao redor e ela percebeu que seus olhos estavam úmidos e rapidamente afastou as lágrimas. — Eu acho que ninguém viu essa bagunça. — Ele colocou a

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mão sobre a dela e esperou até ela olhar para ele. — Por que não se refresca e vá ter um bom tempo. Eu sei que cada estudante do ensino médio da cidade está na festa, esperando para desejar-lhe um feliz aniversário. Ela assentiu com a cabeça e quando ele se afastou, sua mãe se aproximou. — Se você preferir... — Não. — Ela endireitou os ombros. Esta era a sua noite. Ela não deixaria que nada nem ninguém tirassem isso dela. Ela era Savannah Douglas, a garota mais popular da escola. Ela limparia seu rosto e entraria em sua festa de aniversário de dezesseis anos e aproveitaria a sua vida. Dez minutos mais tarde, ela abriu as portas exteriores para o hall, respirou fundo e jurou que ninguém jamais a faria se sentir assim novamente. Ela seria a pessoa mais forte que poderia ser e nunca deixaria ninguém ver fraqueza nela, nunca mais. Ela odiava que um homem pudesse fazê-la sentir-se pequena, como se não estivesse no controle. Quando entrou em cena, a música parou e Parabéns para Você começou a tocar. Focos de luz atingiram seu rosto e ela sorriu e fez o papel de Savannah Douglas para toda a cidade ver. Ela escondeu seus medos e inseguranças tão bem de todos naquela noite que ninguém suspeitou de nada. Depois de dançar com cada menino que foi convidado e conversado e abraçado cada menina, ela abriu presentes e apagou suas velas enquanto todos os olhos estavam sobre ela. Ela riu, fofocou, e flertou até que sentiu sua energia começar a escorrer. Então ela puxou Travis, um menino cuja atenção morria de vontade de ter, em um canto escuro e se agarrou com ele. Ela chegou mais perto dele e sussurrou para ele levá-la em algum lugar privado. Travis estava na mesma série que ela, e era a estrela em quase todos os esportes da escola. Seu pai era o prefeito de Fairplay e, provavelmente, seria até que morresse. Travis era alto e de boa aparência, e ela determinou que permitiria que ele fosse seu primeiro. Ela sabia que não era realmente a primeira vez dela, mas assumiria o controle e forçaria sua mente a limpar o passado, tornando isso sua verdadeira primeira vez.

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— Ouvi dizer que você tem um carro novo. — Ele sorriu para ela. — Quais são as chances de você me deixar dirigi-lo? — Ele perguntou, enquanto caminhavam pela porta dos fundos e se dirigiram para o estacionamento. Ele acendeu um cigarro e entregou a ela. Ela nunca fumou, mas pegou o cigarro e deu uma tragada profunda, aproveitando a riqueza. Ela queria mais do que qualquer coisa deixar sua infância para trás esta noite, então não se importava com o ferrão na garganta ou o fato de que seus pulmões doíam e sentia vontade de tossir. Ela chupou outra baforada e seguiu-o no estacionamento. Ela pensou sobre a mistura de cheiro do carro novo e seu tio e estremeceu. — Claro, porque não. — Ela entregou-lhe as chaves e segurou sua mão enquanto caminhavam em direção ao seu carro. Quando se sentou no banco do passageiro, ela forçou cada gota de medo de sua mente e apenas focou em onde estava e com quem estava. Ela estava determinada a fazer o melhor de sua vida e isso significava superar seus medos da infância. Seu tio estava certo de uma maneira. Ela era uma mulher agora. E ela estava mais determinada do que nunca a não mostrar fraqueza. Afinal de contas, sua festa foi um enorme sucesso e que ela saboreou toda a atenção que recebeu. Ela amava cada olhar ciumento de todas as meninas e cada olhar luxurioso de todos os meninos e estava determinada a continuar recebendo cada grama de atenção que podia. Não se importava tanto que alguns amigos se afastaram dela; você não pode agradar a todos. Ela sorriu quando Travis a levou para o local de amassos e estacionou. Sim, esta noite ela se tornaria uma mulher completa. Uma mulher que estava cem por cento no controle de sua própria vida. E faria tudo em seu poder para garantir que nunca perdesse esse controle novamente.

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02 Dez anos mais tarde... Sua vida acabou. Ela franziu a testa enquanto olhava para o espelho de corpo inteiro que ainda estava no mesmo lugar no canto de seu quarto. Mesmo o mobiliário mudando um pouco, ainda era seu quarto de infância. Ela mudou estilos e teve o quarto pintado e decorado tantas vezes que não conseguia lembrar a maioria dos estilos, mas uma coisa ainda estava clara. Este ainda era seu espaço. Ela fechou os olhos e desejou mais do que qualquer coisa que não fosse a única a destruir sua vida. Suas conspirações saíram pela culatra. Ela não viu isso chegando. Ela franziu a testa e pensou em Billy. Fechando os olhos, tentou tirar seu rosto de sua mente. Alcançando seus cigarros, ela fechou os dedos sobre o pacote e engasgou. Sua mão afastou-se do pacote desejado. Os olhos dela se moveram para o espelho de corpo inteiro novamente e sentou-se na beira da cama. Ela sentiu vontade de chorar. Sua vida acabou. Ela repetiu isso mais e mais em sua mente. Tudo pelo que trabalhara tão duro nos últimos dez anos foi embora. Aqui estava ela, em seus vinte e poucos anos e estragara tudo sozinha. Ela

não

tinha

emprego. Nada. Recostando-se

nenhuma em

sua

educação cama,

suspirou

de e

verdade. Sem desejou

poder

refazer. Apenas uma noite. Menos de um mês atrás, em uma noite fria de primavera. Então seu celular tocou. Esticando sem abrir os olhos, ela atendeu. — Ei, você me dirá? — Ele parecia preocupado. — Sim — ela sussurrou. — Sim, você me dirá? Ou sim, sim? — Sim — ela repetiu. A linha ficou muda. — Eu estou chegando — ele disse rapidamente. — Não. — Ela abriu os olhos e sentou.

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— Por quê? — Eu... — ela não tinha desculpas reais para dar. — Eu estarei aí em dez minutos — disse ele, e desligou. O que ela fez? Ela olhou para seu novo iPhone e sentiu vontade de jogá-lo. O que ela fez? Ela abaixou o telefone, fechou os olhos novamente e sentiu uma onda de enjoo correr através dela. Quando abriu os olhos novamente, sentiu a sala girar e teve que correr para o banheiro e vomitar. No momento em que se limpou, ela ouviu um leve toque na janela de seu quarto e caminhou para deixar Billy entrar. Não era como se ela não gostasse dele. Afinal, Billy era um dos caras mais bonitos na escola. Mas eles saíram da escola a anos, e agora, Billy era como um monte de caras que ficaram na cidade depois da escola. Ele trabalhou um beco sem saída, bebia demais e corria ao redor com todas as meninas disponíveis que não eram casadas. Como ela ficou com ele? Ela o viu entrar em seu quarto e suspirou. Ele era impressionante. Mesmo sendo um fodido, ele era facilmente mais bonito do que qualquer outro homem em Fairplay. Seu cabelo escuro era um pouco longo e empurrado para trás de seu rosto cinzelado. Seus

olhos

escuros

eram

facilmente

uma

de

suas

melhores

características. Seu nariz era reto e levou os olhos até os lábios perfeitos que de alguma forma escapara da atenção dela por tantos anos. — Então — disse ele, enfiando as mãos nos seus jeans desgastados e olhando para ela. — Então. — Ela se aproximou e sentou em sua cama. — Você está bem? — Ele se sentou ao lado dela. — Sim. — Ela olhou para baixo enquanto suas mãos tomaram as dela. — Eu... — ele começou. Ela olhou para ele. — Eu não queria que isso... Ela riu. — É, nem eu. — Bem, já que aconteceu... — ela o viu engolir. — Você quer se casar comigo? Ela não podia parar a explosão de riso que construiu no peito. — Claro que não. — Ela levantou e se virou para ele. — Sério? Por que eu seguiria um erro estúpido com um ainda maior? — Ela se virou e começou a listar todas as razões

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pela qual era uma ideia muito ruim. No momento em que parou, ele balançava a cabeça e, lentamente, saía de sua cama. — Bem, se você precisar de alguma coisa. — Ele evitou olhar para ela, e ela sabia que o machucara. Neste ponto, ela não se importava. De forma nenhuma ela se casaria com Billy Jackson, mesmo que estivesse tendo seu bebê. Seis meses depois... Pouco depois, naquela noite, ela viajou para Las Vegas, após descobrir a partir de Billy que Travis, amigo de longa data de Billy, estava lá. Ela esperava tentar convencê-lo a voltar para a cidade, para ajudá-la a fazer as coisas direito, mas ao invés disso, ele a evitou e ela voltou para casa de mãos vazias e coração vazio. Não que estivesse apaixonada por Travis Nolan. Mas ele era a única pessoa em todos os anos que sempre esteve lá quando ela precisava de alguém. Mesmo quando ele foi noivo da sem graça Alexis West, ele esteve lá para ela. Ela adorava saber que estivera com Travis durante todo o tempo que ele enrolou Alex. Mas após a mãe dele enlouquecer, Travis deixou a cidade. Ela não o viu novamente, até Vegas. Agora, não havia como esconder o fato de que estava grávida. Até seus pais sabiam, mesmo que nunca tivessem realmente perguntado diretamente. Ela parou de fumar e ocasionalmente andava com um cigarro pendurado em sua boca, apenas para manter as fofocas distantes. Ela até fingiu beber cerveja e agiu um pouco bêbada na frente de seus amigos. Travis voltou para a cidade e na outra noite fez papel de idiota na varanda da frente dele. Ela sabia que estava sendo infantil, mas a irritou o fato dele dispensá-la tão facilmente. Naquela noite, ela ficou na frente do espelho nua e se perdera. Seu corpo era uma bagunça. Então, fez a única coisa que podia pensar – ela se vestiu tão sexy como pôde e se atirou no que assumiu ser uma coisa certa, apenas para ser jogada fora como um lenço de papel usado. Ela disse e fez algumas coisas nos últimos meses e não estava muito orgulhosa, mas não tinha controle sobre si mesma quando se tratava de rejeição.

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Ela odiava saber que Travis seguiu em frente com a leitora ávida, Holly Bridles, a qual quebrara o nariz de Savannah alguns meses atrás. Sua mãe a levou para Houston e eles fizeram uma pequena cirurgia para corrigi-lo o melhor que podiam. Ainda assim, ela pensou que depois que o bebê nascesse ela voaria para Los Angeles e teria um profissional fazendo um trabalho melhor nele. Para ser honesta com si mesma, neste momento em sua vida, ela duvidava que pudesse lidar com Travis. Seu pai acabou de falecer e deixou-o com uma confusão em torno da cidade. Todo mundo falava sobre todos os obstáculos que ele tinha que saltar apenas para ter suas mãos no dinheiro de sua família. Ela suspirou e recostou-se no assento de seu jipe. Ela sabia sobre a fofoca que acontecia na cidade sobre Travis e ela. Alguns alegaram que o bebê era dele, e ela deixou a fofoca continuar sem controle, pela única razão de simplesmente não ter a força para lutar contra uma cidade inteira neste momento. Ok, também pode ter sido pelo fato dela não querer que as pessoas soubessem que o filho era de Billy. Afinal, desde aquela noite quando ele descobriu, ele fez pouco para provar a ela que seria um homem e assumiria, com exceção de fazer uma proposta precipitada. Ele foi visto na cidade com seu amigo Corey, perseguindo cada menina disponível acima da idade de dezoito anos. Ela suspirou e desejou mais do que qualquer coisa morar em uma cidade em vez de uma pequena cidade que não tinha nada melhor para fazer do que fofocar sobre sua vida. Ela saltou quando ouviu uma batida na janela. Olhando para fora, viu que o Xerife Miller estava ao lado de seu jipe no meio-fio. Abaixando a janela, ela sorriu para ele. — Tudo bem, Savannah? — Ele se inclinou em sua porta e observou-a com atenção. — Sim, só descansando meus olhos por um momento. — Ela sorriu e colocou a mão sobre a dele. — Estamos todos preocupados com você, sabe. — Sim. — Ela franziu a testa um pouco e olhou para suas mãos. Stephen Miller era o único homem na cidade, além de seu pai, em quem ela podia confiar. — Eu estou bem, realmente.

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— Se você precisar de alguma coisa... — ele acenou para sua barriga crescendo e parou. Ela colocou a mão sobre a barriga e acenou com a cabeça. — Nós ficaremos bem. Eu prometo. Ele sorriu e, então, tirou o chapéu. — Bem, nos mantenha informados. Eu sei que você e Jamella brigaram no passado, mas ela realmente está preocupada com você também. Ela não duvidava dele. Ela realmente nunca se dera com a grande mulher negra que dirigia a lanchonete Mama’s (mas parecia pensar que ela gerenciava a pequena cidade), porém a respeitava. Você teria que ser estúpido para não respeitar. Afinal, a mulher pesava mais do que a maioria das pessoas na cidade e sabia da vida de todo mundo. Com tanto poder, as pessoas tendem a afastar-se de seu lado mau. — Obrigada. — Bem, noite. — Ele tirou o chapéu novamente. — Noite. — Ela se aproximou e ligou o motor do jipe. Enquanto dirigia pela cidade, ela pensou sobre suas opções. Ela podia se mudar para Tyler e ter o bebê lá. Ela poderia ter um apartamento e viver confortável o suficiente. Se alguém perguntasse, poderia dizer que o pai morreu no exterior nas forças armadas ou alguma outra história que pudesse explicar a falta de um homem em sua vida. Ela franziu a testa com esse pensamento. Ou poderia dar o bebê para adoção. Ela estremeceu e fechou sua mente para isso. Seus pais não gostariam de nenhum dos dois. Sua mãe agia tão animada com a possibilidade de ter o bebê por perto. Ela até mesmo foi nas suas duas últimas consultas médicas com ela. Ou poderia ter o bebê, manter sua cabeça erguida e criá-lo sozinha. Afinal de contas, era o século XXI. Mulheres fazem isso o tempo todo. Ela sorriu. Esse era o plano que ela tinha mais certeza. Ela tinha seus pais para ajudar. Quão ruim pode ser criar um filho sozinha? Ela podia imaginar isso. Sua mãe cuidaria do bebê quando ela quisesse sair com os amigos. Seu pai estragaria o bebê e daria grandes festas para isso. Ela riu lembrando como o seu pai a mimou e imaginava que ele faria o mesmo para seu bebê.

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Ela parou de sorrir enquanto seguia até a casa e viu a caminhonete de Billy estacionada em frente, ao lado dos veículos de seus pais.

Billy sentou-se no sofá dos Douglas sentindo-se muito desconfortável. Ele seguiu o conselho de Travis de vir, mas no segundo que deu um passo dentro de sua porta, ele desejou que não tivesse. Travis era seu melhor amigo desde a escola primária e ele sempre o admirou. Mas, neste momento, desejou bater no rosto do homem ao invés de sentar em um sofá desconfortável, com duas das pessoas mais ricas da cidade o encarando. Ele sabia o que eles viam. Ele estava em seus vinte e tantos anos. Graças à luta que tivera com Travis na outra noite, ele ostentava um olho roxo e lábio inchado. Mas, teve que admitir, levar um murro bateu algum sentido nele. Ele agia como uma criança desde que Savannah disse todas essas coisas a ele há alguns meses. Ele estava muito magoado por ela afastá-lo. Ele não podia culpá-la. Seus familiares não eram exatamente conhecidos por sua boa cidadania. Afinal, seu pai cumpria pena na prisão por matar um homem. A mente de Billy passou para a cena apenas algumas noites atrás, quando ele apareceu bêbado na porta Travis. — Eu não preciso de sua ajuda. Eu não preciso da ajuda de ninguém. Você acha que não ouvi o que todos dizem sobre mim? Aquele Billy Jackson, ele acabará matando a si mesmo ou alguma outra pessoa. Aquele Billy Jackson não será nada. Ele será como seu velho. — Billy, todo mundo pode mudar. Olhe para mim. — Disse Travis, olhando para seus pés. — Olhe para a minha família. Isso significa que eu acabarei como a minha mãe? Billy parou e olhou para ele e balançou a cabeça negativamente. — Você não é nada como a sua velha. — Era verdade; todos na cidade sabiam disso. Travis Nolan não era louco.

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— Por que você não entra e dorme. Eu tenho um pouco de torta de maçã da Jamella sobrando na geladeira. — Sério? — Billy olhou em direção a casa. — E ela? — Ele acenou com a cabeça em direção à garagem, onde a nova aventura de Travis estava. — Ela ficará no apartamento. Estou na casa grande agora. — As palavras de seu amigo o chocaram. Afinal, apenas algumas semanas atrás, ele e Corey destruíram o antigo apartamento de Travis, só para mostrar o que achavam de como ele os tratava. — Ah Merda. Realmente? — Billy olhou para a garagem e de volta para ele se sentindo um idiota. — Billy? — Travis deu um passo em direção a ele. — Nós pensamos. Isso é... Savannah disse... — lembrou-se da noite em que ele ligou e ela chorava. Ela alegou que Travis disse todos os tipos de coisas sobre ele e Corey. — O que você fez? — Ele pegou o braço do amigo. — Merda. — Billy puxou o braço para longe. — Foi você, não foi? Você invadiu o apartamento e destruiu as coisas de Holly? — Ele perguntou. — Nós não invadimos. Ainda tínhamos a chave que você nos deu. Além disso, foi tudo ideia de Savannah. Foi ela quem disse que você jogou-a para fora e fodia a mulher da livraria. — Ele apontou para Holly. Machucara que Savannah quisesse Travis mais do que ele. Esse conhecimento só o levara a destruir a maioria das coisas de Travis. — Por quê? — Foi Holly quem perguntou logo atrás dele. — Por que o destruiu? — Pensamos que Travis estava hospedado lá. — Ele franziu a testa para os punhos e percebeu que doeu mais devido a decisão de Savannah de escolher Travis em vez dele do que qualquer coisa que Travis tivesse feito. — Eu ouvi. Por que você invadiu e arruinou o que pensava ser do seu amigo? Billy encolheu os ombros e olhou para seus pés. — Parecia a coisa a fazer depois de Travis começar a agir como se fôssemos a escória. — Ele não queria admitir a verdade. — O quê? — Perguntou Travis, se aproximando. — Eu nunca tratei você como se fosse escória.

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— Claro que tratou. Você não saía com a gente. E cada vez que nos vimos, você tinha esse olhar engraçado em sua cara, como se cheirasse algo ruim. — Eu não tive a intenção de tratá-lo mal. É difícil para mim. — Ele deixou cair as mãos. — Eu não quero voltar a ser o bad boy Travis Nolan. Billy riu. — Você sempre será o bad boy Travis Nolan. Foi você quem nos ensinou a atirar, como fumar. Você me deu minha primeira cerveja. — Ele balançou a cabeça. — Inferno, toda a cidade viu sua bunda quando ganhamos o jogo do Homecoming no nosso último ano. — Billy riu, lembrando-se. Travis riu e bateu em seu amigo no ombro. — Bons velhos tempos. — Então ficou sério. — Mas para mim eles precisam estar no passado. Não quero ser o mesmo garoto que eu costumava ser. Billy olhou para seus pés. A palavra garoto tocou repetidamente em sua cabeça. — Inferno, eu sei que preciso melhorar. — Ele olhou para Travis e decidiu que era agora ou nunca. Ele tinha que dizer a alguém. — Eu tenho o meu próprio filho no caminho nas próximas semanas. — O quê? — Travis olhou para ele e sorriu. — Bem, inferno. Eu não sabia que você tinha um caso com alguém especial. Billy olhou para baixo novamente. — Eu queria te dizer. — Então olhou para cima e sentiu os dedos formigar quando disse as próximas palavras. — É claro que ela diz a todos na cidade que o bebê é seu. Ele viu quando reconhecimento cruzou os olhos de Travis, e em seguida, seu amigo engasgou. — Savannah? O bebê de Savannah? Billy sorriu e balançou a cabeça enquanto prendia a respiração. — Eu sei que vocês dois costumavam ter uma coisa. Mas, bem, depois que você deixou a cidade, nós meio que ficamos. Travis riu. — Claro que vocês ficaram. Bem, é claro que ele foi e escutou o conselho de seu amigo. Nos últimos dias passou quase todas as noites na casa de Travis, saindo com ele, conversando. O surpreendeu o quanto Travis enfrentou nos últimos anos, desde que deixou Fairplay.

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Por causa de seu amigo, ele parou de beber e começara a usar um adesivo de nicotina para que pudesse parar de fumar. O deixava um pouco nervoso, mas até agora ele estava se segurando. Agora ele desejava mais do que qualquer coisa um cigarro quando sentiu os pais de Savannah observando-o. — Então, você se importaria de nos dizer o que é isso tudo? — Perguntou o pai de Savannah, inclinando-se na cadeira. — Não, senhor. Eu acho que é melhor esperar por Savannah. — Ele engoliu em seco e desejou que ela se apressasse e chegasse em casa. Ele sabia que ela não tinha ideia de que ele viria aqui esta noite; foi uma das razões pela qual ele veio. Se ela soubesse, ela o convenceria a não vir. Ela tinha um jeito de convencê-lo a fazer exatamente o que queria. Bem, isso pararia. O primeiro passo para se tornar um homem era assumir seus erros. Ele sentiu alívio inundá-lo quando finalmente ouviu a porta da frente se abrir. Em seguida, ela entrou e se sentiu nervoso novamente. Ela ainda estava linda como sempre. Mesmo com o peso extra e a grande barriga saliente na frente dela. Ele não sabia a data exata do parto, já que ela não compartilhou esse conhecimento com ele, mas ela teria o neném a qualquer momento. Ele se levantou e caminhou em sua direção. — Billy. — Ele podia ouvir a tensão na voz dela e quando ele pegou a mão dela, ela puxou-a para longe. — Que diabos você faz aqui? — Ela sussurrou. — Estou aqui para acertar as coisas. — Ele pegou sua mão novamente e segurou-a apertado. Em seguida, ele se virou para seus pais. — Sr. e Sra. Douglas, eu tentei fazer as coisas direito com a sua filha, mas eu vim aqui esta noite para uma última chance. Eu sou o pai do bebê de Savannah. — Ele viu os olhos do Sr. Douglas esquentarem. Ele olhou para a mãe de Savannah e viu os olhos dela amolecerem. — Pedi a mão de Savannah, mas ela me negou. — Ele olhou para Savannah e viu os olhos dela esquentarem e sentiu sua mão tremer na dele. — Como ela não me quer, eu tenho um plano alternativo. Sr. Douglas ficou de pé, com os punhos ao seu lado. — Estou ouvindo. — John. — A Sra. Douglas levantou-se e pôs a mão no braço do marido. — Por que todos nós não sentamos e ouvimos o que William tem a dizer.

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Foi uma das primeiras vezes que alguém o chamou pelo seu nome completo, e ele respeitava a mãe de Savannah ainda mais por dar-lhe a chance. O pai de Savannah assentiu e relaxou os punhos enquanto se sentava novamente. — Papai — Savannah começou a dizer, mas parou quando seu pai balançou a cabeça negativamente. — Vamos ouvir o que William tem a dizer. Afinal de contas, você deixou muito claro que não está em seu juízo perfeito no momento. — Seu pai franziu a testa e fez sinal para eles voltarem a sentar. Ele puxou a mão de Savannah até que ela o seguiu até o sofá onde ele ajudoua a sentar-se. Ela estava muito maior do que ele pensava, e quando se sentou ao lado dela, se sentiu preocupado que ela estivesse desconfortável. Ela olhou para ele e ele percebeu então que ela queria matá-lo. Ele quase riu. — Eu sei que Savannah decidiu não se casar comigo. — Ele franziu a testa e olhou para suas mãos unidas. — Mas eu gostaria de manter essa opção em aberto. Acabei de conseguir um novo emprego. Eu trabalharei no gasoduto que vem do munícipio no próximo ano. — Ele sorriu. — Eles me contrataram como gerente. — Oh, William, isso é uma notícia maravilhosa — disse a Sra. Douglas, apertando o braço de seu marido e sorrindo para ele. — Claro que significará um monte de viagens para mim. Eu irei e voltarei de lá até a costa nos próximos anos. — Ele franziu a testa e olhou para Savannah. Ele não podia realmente ler o que estava em seu rosto, mas nunca foi capaz de dizer o que ela pensava. — Eu gostaria de ser uma parte da vida da criança, da vida de Savannah, se ela me quiser. Todo mundo esperou e olhou para Savannah. — Eu não posso prometer nada — disse ela, friamente. — É justo. — Ele balançou a cabeça, esperando. — Eu gostaria de, pelo menos, fazer parte da vida do bebê. A criança deve conhecer o seu pai. Ele esperou e quando Savannah assentiu com a cabeça, ele sentiu como se tivesse vencido a batalha.

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— Bom, então aqui está o que eu proponho. — Ele virou-se para seus pais. — Eu comprei uma casa nova. — Ele sorriu. — Xerife Miller me vendeu sua antiga casa em Magnolia. Eu gostaria que Savannah morasse comigo. Ele ouviu Savannah suspirar, e olhou para ela, mas não deu tempo para ela responder. — Nós moramos juntos até que eu vá, então, ela e o bebê podem ficar na casa até eu voltar para casa, o que será em torno de seis meses. — Ele odiava estar longe por tanto tempo, mas sabia que seria ser necessário para o futuro de Savannah

e

do

bebê. —

Depois

disso,

eu

estarei

em

um

horário

estranho. Trabalharei no mar por duas semanas seguidas, então volto para casa por outras duas semanas. — Você trabalhará em plataformas de petróleo no Golfo? — Perguntou o Sr. Douglas. Ele balançou a cabeça. — Depois que terminar de assentar as tubulações iniciais. — Ele se virou para Savannah novamente. — Você morará comigo? Ela balançou a cabeça, não, enquanto seu pai disse, — Sim. — Não, eu não vou. — Ela se virou para o pai dela. — Savannah. — Ele se levantou e olhou para ela. — Eu sei que é culpa minha e da sua mãe você encontrar-se nessa situação. Savannah riu. — Realmente, pai, você não teve nada a ver com isso — disse ela, sarcasticamente. — Quero dizer — ele continuou, — que você estar em seus vinte anos, sem emprego, sem educação, grávida e solteira. — Ele cruzou os braços sobre o peito. — Nós mimamos você. Tivemos as nossas razões. — Sra. Douglas levantou-se e pôs a mão no braço do marido e assentiu. — Mas acaba agora. Você tem idade suficiente para fazer suas próprias escolhas, mas isso não nos impede de ajudá-la a fazê-las. — O que você está dizendo? — Savannah tentou sair do sofá; Billy estendeu a mão e ajudou-a a ficar de pé. Ela tentou empurrar as mãos dele, mas quando quase caiu para trás, ela enterrou os dedos em seus braços e contou com ele para se levantar. — Você está me chutando para fora? — Sua voz se levantou. Seu pai olhou para ela e assentiu. — De certa maneira, sim. Sua mãe e eu discutimos isso há algum tempo. Nós pensamos que é hora de você começar a viver

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a sua própria vida. E desde que você já fez a sua escolha — ele acenou com a cabeça em direção Billy, — você precisa ficar por conta própria e fazer algo disso. Você pensou que sua mãe e eu criaríamos o seu bebê para você? Savannah deu um passo para trás e quase caiu no sofá. Billy passou os braços em volta dela para firmá-la. Seu estômago esbarrou nele e, por um momento, ele gostou da sensação de seu filho ao lado dele. Foi a experiência mais emocionante que já teve e, naquele momento, ele sabia que tomara a decisão certa. Mesmo que isso significasse que Savannah o odiaria o resto de sua vida.

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03 Ela observou Billy trazer a última das suas malas e sentiu vontade de jogar algo. Como seus pais puderam fazer isso com ela? Por que eles fariam? Ela inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Ela discutiu com o pai e a mãe até que se sentiu fraca. Eles não mudaram sua decisão. Sua mãe foi com ela no andar de cima para embalar suas coisas em suas malas naquela mesma noite. Agora, apenas algumas horas após dirigir até a sua casa, ela estava sentada na nova casa de Billy, em seu novo sofá e pensando em um milhão de maneiras de matar o pai de seu filho. Ele colocou a bolsa no chão logo que entrou pela porta da frente, se aproximou e sentou ao lado dela. — Sabe o que é? — Ele acenou com a cabeça em direção a sua barriga, parecendo querer estender a mão e tocá-la. Ela balançou a cabeça. — Eu não quis saber. — Ela colocou as mãos sobre sua barriga grande e odiou as emoções que viu nos olhos dele. — Por quê? — Ele estendeu a mão e colocou-a sobre seu grande estômago. Ela empurrou-se do sofá e ele colocou a mão na cintura dela para ajudá-la a levantar. Ela empurrou-o para longe quando finalmente se levantou. — Minha escolha. Agora, onde está o meu quarto? — Ela se virou para ele e olhou feio para ele. Ele riu. — O quarto está ali. — Ele acenou com a cabeça em direção ao pequeno corredor. Era tão estreito que duvidava ser capaz de caminhar até ele com o peso extra que ganhara nas últimas semanas. Mas desde que não queria mostrar qualquer fraqueza, ela se abaixou e pegou a mais leve das duas malas e começou a caminhar em direção ao quarto nos fundos. Billy arrancou a mala das mãos dela no meio da sala. — Isso é muito pesado para você. — Ele franziu a testa. — Você não deveria carregar. — Ele se inclinou e pegou a outra mala facilmente. Ela viu o esforço dos

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músculos de seus braços e queria estender a mão para passar os dedos sobre eles, mas se manteve parada em seu lugar. — Eu posso cuidar de mim. — Ela cruzou os braços sobre o peito e viu seus olhos se concentrarem em seus grandes seios. Era a ruína de sua existência. Ela sabia que havia rumores por aí de que fez diversas melhorias, mas a verdade era que ela era apenas muito grande. Ainda mais agora, grávida. Na verdade, antes de descobrir que estava grávida, ela pensava em fazer uma redução. Suas costas doíam alguns dias, tanto que começou a ver um quiroprático e um fisioterapeuta duas vezes por semana. Seus pais até compraram um colchão ortopédico para ajudar. Duvidava que Billy tivesse algo parecido no que seria sem dúvida um quarto muito pequeno, e ela queria desesperadamente voltar para casa. — Eu nunca duvidei disso — Billy disse sorrindo. Ele levou as duas malas para ela e facilmente caminhou pelo corredor estreito, deixando-a sozinha na pequena sala de estar. Ela franziu a testa para o lugar. Era muito pequeno. O que ele espera que ela faça em um lugar tão pequeno? Ela olhou em volta. Ela não admitiria isso para ninguém, mas sempre gostou da pequena casa verde, de estilo clássico na qual o xerife sempre viveu. Ela só não imaginava que fosse tão pequena por dentro. Talvez ela só estivesse sendo má. Afinal, cada lugar parecia pequeno em comparação com casa de sua família. Ela franziu a testa. Mesmo a grande casa em que as irmãs West cresceram não era nada em comparação à sua casa. Mas quando seguiu Billy pelo corredor e entrou no pequeno quarto, sentiu que desmaiaria. Ela viveria aqui. Com ele. Por sabe-se lá quanto tempo. Billy estava ao lado de uma cama queen-size, suas duas malas a seus pés, enquanto sorria para ela. — Bem. — Ele sorriu. — O que você acha? — Eu acho que matarei você — ela resmungou. — Por que você fez isso? — Ela cruzou os braços sobre o peito. — O quê? — Ele olhou para ela com seus grandes olhos castanhos. — Você sabe o que. Eu ia bem sozinha. Por que você teve que falar para os meus pais? — Ela encostou-se à parede, não querendo que ele visse que suas

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costas doíam, para não mencionar seus pés, os quais estavam tão inchados que pareciam à beira de arrebentar seus sapatos. — Vamos, Savvy. — Ele sorriu para ela, o charme escoando por todos os poros de seu corpo. Ele sabia que ela odiava quando ele a chamava assim. Ninguém mais teve a coragem de usá-lo. Ela sentiu vontade de jogar algo nele. Ela colocou os dedos em torno de um pequeno relógio que estava sobre a cômoda ao lado dela e jogou-o na cabeça dele. Ele bateu na parede logo acima de sua cabeça, e ele riu e abaixou para o próximo item que ela jogou nele. Então, ele correu na direção dela, envolvendo-a em seus braços. Por apenas um momento, ela gostou da sensação de ser segurada. Em seguida, ela o empurrou e bateu-lhe no peito. Sentindo sua mão saltar em seus músculos duros, ela o odiava ainda mais. — Deixe-me sozinha — ela gritou e empurrou-o. — Oh, vamos lá. — Ele se afastou e colocou a mão sobre o estômago dela, fazendo com que ela ficasse bem parada. — Eu só quero fazer o que é certo. — Ele franziu a testa, em seguida, sorriu quando sentiu seu estômago chutá-lo de volta. — Veja, até o bebê te odeia. — Ela tentou afastar suas mãos de sua barriga, mas ele facilmente empurrou as mãos dela de lado e colocou a outra mão sobre a barriga. Seus olhos escuros se arregalaram quando seu filho chutou ainda mais. — Incrível. — Ele olhou para ela. — Dói? — Ele perguntou, dando um passo mais perto dela. Sua boca estava seca. Como ela nunca percebeu o quão bonito ele era antes? Ela piscou algumas vezes e balançou a cabeça negativamente. — Você já pensou em nomes? — Ele sorriu de novo quando a criança dentro dela tentou dar um soco fora de sua pele. Ela gemeu um pouco quando sentiu a pressão sobre a bexiga. Mais uma vez, ela balançou a cabeça, mas desta vez ela mentia. — Eu... — ela piscou algumas vezes. — Eu preciso ir ao banheiro. — Ela se virou e começou a caminhar em direção a uma porta aberta, rezando para que fosse um banheiro.

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Quando entrou no espaçoso banheiro principal, ela suspirou e fechou a porta atrás dela. Ela não percebeu que chorava até as lágrimas escorrerem pelo seu pescoço. Podia ouvi-lo se movendo no quarto ao lado, e quando abriu os olhos, olhou para seu reflexo no espelho grande e franziu a testa. Ela estava enorme e gorda. Por que Billy a tratava assim? Ela não se sentia mais atraente. Seu rosto estava muito gordo agora. Até mesmo as mãos e os pés estavam tão inchados que ela não era capaz de usar joias ou sapatos bonitos há meses. Ela franziu o cenho para o par de rasteiras que usava nas últimas semanas. Foram os únicos sapatos que ela pôde calçar e que não exigiam que se abaixasse para amarrá-los. Andando mais perto do espelho, ela passou as mãos sobre a barriga e sentiu a criança chutar novamente. Correndo para o banheiro, ela esvaziou a bexiga que ele ou ela empurrava. Quando se aproximou e lavou as mãos, ela não conseguia impedir as lágrimas de caírem. Como ela deixou a sua vida tomar um rumo tão drástico? Ela inclinou a cabeça contra o espelho gelado e voltou a pensar naquela noite quase oito meses atrás, e se perguntou por que sempre foi uma otária quando se tratava de um homem sexy em jeans apertados.

Billy terminou de desembalar as malas de Savannah e limpar o vidro dos três itens que ela jogou em sua cabeça. Ele não podia deixar de rir de sua fraca tentativa. Ele era apenas grato que ela estava muito cansada para fazer qualquer dano real. Ele viu toda a fuga de energia dela depois que ela voltou com sua mãe atrás dela e os duas grandes malas. Seu pai prometeu entregar mais alguns itens até o final da semana, mas ele não sabia onde colocaria tudo.

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A pequena casa veio mobiliada, então ele não precisou comprar um monte de coisas, mas, até agora, ele gostava de tudo que estava nela e planejara mantêlo. Neste ponto, porém, ele estava disposto a deixá-la redecorar como quisesse. Ele bateu na porta do banheiro quando ela ficou muito quieta no quarto ao lado. — Você está bem? — Ele perguntou. — Eu... eu vou tomar um banho. Você traria minha bolsa pequena para a porta? — Ela disse de volta. Ele se aproximou e pegou a pequena bolsa que continha toda a maquiagem e frascos. — Eu peguei — ele gritou. Quando ela abriu a porta, uma pequena fresta, ele empurrou-a até que ela se afastou e olhou para ele. — Você está bem? — Ele colocou a bolsa na bancada e olhou para ela. Ele poderia dizer que ela chorou e imediatamente se sentiu mal. Ele deu alguns passos em direção a ela, e ela balançou a cabeça e colocou as mãos sobre o peito dele. — Não — disse ela, olhando para as mãos. — Eu só quero ficar sozinha. — Então ela olhou para ele e viu seus olhos endurecerem. — Só porque eu estou aqui, não significa que eu quero estar, ou que nós seremos uma espécie de casal. Ele deu um passo para trás e acenou com a cabeça. Ele esperava isso dela. — Eu sei. Ela assentiu com a cabeça. — Bom. Então você não terá quaisquer problemas em dormir no sofá. — Ela elevou o queixo. Ele sorriu. — Há um quarto de hóspedes. — Bom. — Ela assentiu com a cabeça. — Então você me perdoará por ir dormir. Estou muito cansada. — Ela andou até a porta do quarto e esperou até ele sair. Ele parou apenas no final da porta e pôs a mão na porta para impedi-la de fechá-la em seu rosto. — Só porque você decidiu me odiar, não significa que eu desistirei de tentar. — Ele estendeu a mão e passou um dedo pelo seu rosto e observou os olhos dela ficarem macios por uma fração de segundo. — Boa noite, Savvy. — Ele sorriu e saiu pela porta. Ele riu quando ela bateu em seu rosto.

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Quando entrou na sala de estar, não pôde deixar de sorrir quando percebeu que seu plano funcionava. Sentou-se no sofá e cruzou os braços sobre o peito. Ele ficou ferido quando ela se afastou dele. Afinal, ele tinha uma coisa secreta por Savannah por tanto tempo quanto podia se lembrar. Mas o código amigo o forçou a mantê-lo escondido por anos. Savannah e Travis foram uma coisa de vai e volta por anos. Mesmo quando Travis era noivo de Alexis West, ele manteve a distância de Savannah. Fechando os olhos, ele se lembrou da primeira noite em que realmente sentiu algo por ela. Foi há muito tempo, mas a memória ainda estava fresca. Assim como a dor que veio quando ela entrou no carro dela com Travis naquela noite em vez dele. Ela entrou na sala parecendo uma mulher, não uma menina de dezesseis anos de idade, como tantas outras meninas em torno dele. Ela manteve a cabeça erguida e exigiu a atenção de todos na sala e seu coração adolescente pulou. Ela ainda o fazia pular quando olhava de certa maneira. Sua beleza exterior era definitivamente algo para os olhos, mas era seu brilho interior e força que ele sempre admirou mais. As palavras dela machucaram tanto naquela noite, quando o recusou, que ele se voltou para seus velhos hábitos. Havia um pouco de seu pai nele depois de tudo. Tentara por tantos anos negar o fato de que era como seu pai, mas quanto mais afastaram-se, mas semelhante era. Ele estivera em um lento caminho para a destruição antes daquela noite que Travis colocou algum sentido nele. Foi divertido; Travis sempre foi o instigador, mas agora ele era a pessoa que tinha mais controle de sua vida. Balançando a cabeça, ele riu. Se alguém dissesse que um dia isso aconteceria, eles os espancariam. Apoiando os pés na mesa de café, ele afastou-se, lembrando os bons velhos tempos que costumavam ter. Quando acordou, havia um dedo em seu peito. — Você está bem? — Disse Savannah sobre ele. Seus olhos se abriram e piscou algumas vezes. Por um momento, ele não conseguia se lembrar de onde estava. — Claro — disse ele depois de usar as mãos para enxugar o suor que acumulara no rosto durante a noite.

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— Você gritava. — Ela franziu a testa para ele. — Não, eu não gritei. — Ela franziu a testa e sentou-se ao lado dele. Ela vestia uma camiseta e calça de moletom grande, que eram muito grandes para ela. — Sim, você gritava. — Ela cruzou os braços sobre o peito. Ele fechou os olhos e balançou a cabeça. Claro que ele gritou. — Desculpe, — ele resmungou. — Eu não queria te acordar. — Você não acordou — disse ela, fazendo seus olhos abrirem e irem para ela. Ela encolheu os ombros. — A criança brinca de apertar com a minha bexiga. Acordo, pelo menos, quatro vezes por noite. Ele olhou para sua grande barriga e acenou com a cabeça. — Por que você não dormiu no quarto de hóspedes? — Eu acho que adormeci aqui. — Ele baixou os pés no chão e passou as mãos suadas sobre seus jeans. — Bem — disse ela, olhando para ele e inclinando a cabeça. — Aqui. — Ele se levantou e a ajudou a se levantar do sofá. Mantendo as mãos em seus quadris um pouco mais do que o necessário, ele sorriu quando viu os olhos dela amolecerem. — Sinto muito — disse ela, olhando para as mãos em seus ombros. — Eu sei que estou grande. — Ela franziu a testa. Ele riu. — Eu não me importo. — Ele colocou o dedo sob o queixo dela e puxou até ela olhar para ele. — Isso me mostra que você está cuidando bem do júnior aí. — Ele colocou a mão sobre a barriga. Ela assentiu com a cabeça e deu um passo para trás. — Bem, boa noite. — Ela começou a sair da sala. — Savvy? — Ele sorriu quando ela se virou e seus olhos acalorados. — Bons sonhos. — Ela assentiu com a cabeça e caminhou pelo corredor em direção ao seu quarto.

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04 Ao longo das próximas semanas, ela ficou fora do caminho de Billy, tanto quanto possível. Ele começou seu novo trabalho e ela só o viu por algumas horas todas as noites. Durante os fins de semana, ela fez questão de estar fora da casa ou trancada em seu quarto dormindo. Ela assistiu com horror como a barriga ficou mais e mais alta quando ela chegou mais perto de sua data de parto. Não importa o quanto tentasse, não conseguia não comer tudo à vista. Ainda encontrou-se esgueirando até a cozinha no meio da noite para pegar o que podia sem acordar Billy. Suas consultas médicas foram agora agendadas para uma vez por semana. Billy tentou ir às consultas, mas com seu novo trabalho, ele terminou apenas perguntando sobre elas quando finalmente chegava em casa à noite. Ele queria saber todos os detalhes e às vezes fazia mais perguntas que o médico. Agora todos na cidade sabiam que Billy era o pai e que eles viviam juntos na pequena casa verde. Toda vez que saiu da casa, parecia que alguém acenava para ela ou queria conversar com ela. Ela estava cansada demais para lutar contra a fofoca ou para realmente se preocupar com isso. Ela começou a ficar dentro de casa, tanto quanto podia e odiava sair ou ver alguém. Vários de seus amigos tentaram fazer um chá de bebê, mas ela rapidamente e silenciosamente recusou, alegando que teria um após o bebê nascer e eles soubessem o sexo. Sua mãe passara um dia e entregara vários itens e caixas maiores, incluindo um berço e um carrinho de criança. Ela não tinha dúvidas de que eram da mais alta qualidade e das lojas mais famosas, mas estava tão cansada de tudo isso neste momento. Ela queria o garoto fora dela para que pudesse começar a sua vida de novo. Ela desempacotou algumas caixas de presentes de familiares e amigos que sua mãe entregara. Realmente não focou no que fazia ou os itens que

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guardava. Metade de seu armário agora era a roupa do bebê e a outra metade eram roupas que já não serviam. Ela achou tudo tão cômico que nem sequer se importou mais. A maioria dos dias, ela apenas ficou deitada em sua cama desconfortável e olhou para o teto, sonhando que estava em outro lugar. Outra pessoa. Quando entrou na loja um dia para comprar leite, ela ouviu alguns estudantes do ensino médio falando sobre ela. Ela parou no final do corredor e ouviu enquanto falavam sobre como Billy provavelmente tinha um temperamento como o do pai dele e acabaria batendo nela. — Isso é provavelmente o motivo dela não sair mais — uma delas disse. — É uma vergonha. Quando eu casar, nunca deixarei meu marido levantar a mão para mim. Savannah

sentiu

vontade

de

rir. Billy? Bater

nela? Ela

balançou

a

cabeça. Não poderia haver nada mais longe da verdade. Na verdade, desde que se mudou para a casa, ele fez tudo o que podia para se certificar de que ela estava confortável, rápido na entrega do seu colchão king-size. Ele afirmou que o quarto era muito pequeno para uma cama maior e que ela teria que aguentar até que ele pudesse se dar ao luxo de comprar algo mais novo. Mas enquanto caminhava a quadra e meia de volta para casa, ela não pôde deixar de se sentir culpada pela fofoca. Ela era uma reclusa depois de tudo, aquilo foi alimentando todas as fofocas sobre eles. Ela supôs que não prejudicaria a ser vista mais. Então, olhou para a barriga e franziu a testa. Ela realmente se preocupava com o que as crianças do ensino médio diziam sobre ela e Billy, afinal? O mês de dezembro foi um borrão e, antes que percebesse, eles iam à casa de seus pais para o jantar de Natal. Ela não dormiu muito bem na noite anterior, e se vestir levou o dobro do tempo habitual. Suas costas e pernas doíam mais do que nunca e ela queria desesperadamente que o garoto se apressasse para que pudesse ter seu corpo de volta. Enquanto dirigiam até a casa dos seus pais, ela fechou os olhos enquanto Billy deu a volta no carro para abrir a porta. Ela queria tanto sua cama, mas sabia que a mãe ficaria desapontada se não passasse a noite com eles. Saindo, ela tentou ignorar o quão bom era ter alguém a ajudando a sair do carro. Na verdade, Billy foi nada mais que doce e útil desde que se mudou para a

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casa verde. Ela esfregou a mão sobre a parte inferior das costas e sorriu um pouco enquanto ele a ajudava a subir os poucos degraus em sua antiga casa. Depois do enorme jantar, o qual ela só mordiscou, sentaram-se ao redor da sala de estar falando sobre o trabalho de Billy. Ela realmente não prestava atenção à conversa, já que sua parte inferior das costas começaram a irradiar dor por suas pernas. Então ela sentiu o jorro de água descendo em suas leggings verdes e engasgou. Sua mãe pulou rapidamente e correu para o lado dela, fazendo um milhão de perguntas. Antes que pudesse responder a qualquer uma, dor atravessou seu corpo inteiro, desta vez não havia como negar as dores do parto. Ela fechou os olhos enquanto tentava controlar sua respiração, então sentiu seu corpo sendo levantado em braços fortes. O ar fresco da noite atingiu seu rosto e abriu os olhos. Ela olhou para Billy quando ele a levou para fora para sua caminhonete. — Segure-se. — Seus olhos escuros estavam nos dela, e, em seguida, seu sorriso vacilou quando viu a dor nos olhos dela. — Eu levarei você para o hospital rapidamente. Ela assentiu com a cabeça justo quando outra dor bateu nela. Ela tentou rolar seu corpo em uma bola, mas a dor era demais para se mover. Sentiu como se tudo estivesse sendo rasgado. Suas costas, bruços, tudo isso estava em chamas. Ela ouviu vagamente seus pais dizerem a Billy que o encontrariam na clínica, mas ela estava muito focada na dor. Ela sentiu os braços dele envolver em torno dela enquanto ele afivelava o cinto de segurança, mas, então, outro tipo de dor bateu nela. Pressão. Ela tentou empurrar o cinto de segurança quando uma onda de urgência bater nela. — Não — gritou. — Muito perto — disse ela entre os dentes cerrados. — Muito cedo — ela tentou dizer a ele, agarrando suas mãos. — O quê? — Disse ele, olhando em direção ao carro de seus pais quando eles aceleraram para fora da garagem. — O bebê está vindo agora. — Ela empurrou as leggings de Natal por suas pernas. — Billy, agora! — Ela gritou. — Isso não pode acontecer tão rápido. — Seu rosto empalideceu enquanto a olhava com horror.

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— Agora! — Ela gritou. Ela tirou o cinto de segurança, agarrou sua mão, e colocou as pernas para cima no painel. Ela respirou fundo e fechou os olhos quando outra onda de dor a atingiu. — Oh... meu... Deus — ela o ouviu dizer, colocando espaços longos entre cada palavra. Então, sentiu as mãos dele sobre as coxas enquanto a ajudava a manter as pernas para cima. — Aqui vem. — Ela ouviu sua voz vacilar. Quando abriu os olhos, ela notou que ele tirou o casaco novo de Natal e segurava sob ela, pronto para levar o bebê. Ela inclinou a cabeça para trás e gemeu com outra dor aguda. — Billy? — Ela estendeu a mão e pegou a mão dele. — Eu estou com medo. — Ela olhou em seus olhos profundos e viu seu medo lá também. Ele balançou a cabeça e tentou sorrir. Então ouviu um carro parar, e fechou os olhos quando ouviu seus pais correndo de volta para eles. — O que... — seu pai parou alguns metros de distância. — Agora — disse Billy. — Está acontecendo agora. Ajuda. — Ele olhou para sua mãe, que só ficou lá, sorrindo. — Você pode fazer isso — disse sua mãe, ansiosa. Ela os chocou por subir no lado de Savannah na caminhonete em vez de tomar o lugar de Billy. A mãe sorriu para ela. — Ambos vocês podem fazer isso. — Ela acenou para Billy, que olhou de volta para a pequena cabeça que saía quando Savannah empurrou mais uma vez. — Eu a tenho — disse Billy, rindo. — É uma menina. — Ele riu de novo enquanto embrulhava o bebê manchado de branco e vermelho em seu novo casaco de lã de duzentos dólares. — Ela é linda. — Ele sorriu para ela. — Aqui. — Seu pai se adiantou e entregou-lhe um grampo e uma faca. — Para cortar o cordão. — Ele deu de ombros. — É tudo que eu poderia encontrar rapidamente. — Ele sorriu e olhou para a pequena trouxa nos braços de Billy. — Segure-a. — Ele estendeu a mão e entregou o pacote a Savannah. No início, Savannah queria empurrar a criança para longe, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele colocou o pacote em seu colo enquanto usava o grampo e a faca para cortar o cordão.

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Savannah olhou para a bagunça molhada que era sua filha e, em seguida, a menina abriu os olhos escuros e ela sentiu algo mudar dentro dela. Sentiu algo que não sabia que era possível. Amor puro. Amor à primeira vista.

Billy andou na sala de espera e caminhou rapidamente para trás e para frente. Ele foi ao banheiro e limpou o máximo que podia. Sua camisa e calça estavam completamente arruinadas, mas não se importava. Ele passou as mãos pelo seu cabelo mais uma vez. Os pais de Savannah desistiram de tentar acalmá-lo. Ele não se sentiria calmo até que pudesse ver suas meninas novamente. Ouvindo as portas da clínica abrir, ele sorriu quando Travis e Holly entraram. — Bem? — Perguntou o amigo, apertando a mão dele e batendo-lhe no ombro. — É uma menina. — Ele sorriu e riu quando seu amigo o puxou para perto e abraçou-o ali mesmo, na frente de todos na sala de espera. — Parabéns. — Travis riu. — Ouvi dizer que ela ganhou no carro. — Ele balançou a cabeça e riu. — Sim, Maggie não podia esperar. — Maggie? — Perguntou Holly. — Sim, Maggie Elizabeth Jackson. — Ele sorriu. — Bom nome. — Holly sorriu. — Você escolheu ou Savannah? Ele riu. — Eu não falei com ela ainda. — Ele se virou e olhou para as portas giratórias que levaram pelo corredor em direção às salas privadas. — Se eles me deixarem voltar lá em breve, eu vou. Só então Melissa West saiu da parte de trás, usando o uniforme dela. — Billy? — Ela caminhou em direção a ele enquanto Sr. e Sra. Douglas se levantavam. — Você pode ir agora. Quarto três. — Ela sorriu e, em seguida, olhou para os pais de Savannah. — O quarto é pequeno demais para todos de uma vez. — Tudo bem — disse a mãe de Savannah. — Nós vamos esperar.

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Billy virou-se para Travis. — Você vai esperar? Talvez eles me deixem trazêla e exibi-la. — Travis assentiu. Quando Billy entrou no quarto três, ele piscou algumas vezes para deixar os seus olhos ajustar ao ambiente mais escuro. Ele podia ver Savannah sentada na cama, segurando um pequeno pacote. — Hey — disse ele, caminhando em direção a ela. Ela olhou para cima e sorriu. — Ela está tendo sua primeira refeição. — Ela assentiu com a cabeça para baixo para a cabeça escura que estava em seu peito. Ele se aproximou e sentou-se na cama ao lado dela e olhou com espanto para sua filha. — Você está bem? — Ele perguntou, olhando para Savannah. — Claro. — Ela não levantou os olhou do bebê. — O médico nos checou e estamos limpas e prontas para ir para casa amanhã. — Isso é bom. — Ele franziu a testa um pouco. — Então, eu pensei em nomes. Ela olhou para ele. — Eu sei. Margaret. — Ela assentiu com a cabeça. — Maggie. Eu sei — ela repetiu e depois sorriu. — Eu gosto. Ele riu. — Eu acho que falei um pouco alto demais lá fora. — Ele acenou com a cabeça em direção a sala de espera. Ela riu e balançou a cabeça. — Não, eu vi o papel de rascunho onde escreveu uma lista de nomes, no outro dia na cozinha. — Ela olhou de volta para o bebê. — Maggie é perfeito. — Sim. — Ele sorriu. — Sim, ela é.

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05 Ao longo das próximas semanas, Savannah desejou embalar uma pequena bolsa, ir embora sozinha, e nunca olhar para trás. Quem disse que ser uma nova mãe era fácil estava mentindo. Não só seu corpo doía, mas agora se esperava que vivesse com apenas algumas horas de sono a cada noite. E ela teve que trocar mais fraldas do que queria mencionar. Não era como se ela não tivesse trocado as fraldas de um bebê antes, apenas nunca tantas assim. Parecia que cada vez que se virava, Maggie estava molhada ou suja novamente. Comer, dormir, chorar e sujar as fraldas parecia ser tudo que seu bebê fazia. Billy, por sua vez, ficou longe dela desde que ela o mastigara sobre comprar fraldas do tamanho errado. Quando a ajudava com Maggie, ele sempre era muito gentil com o bebê e nunca parou de sorrir. Ela achou muito chato desde que ela estava mal-humorada e cansada o tempo todo. Talvez fosse porque seus seios, que quase duplicara de tamanho durante a gravidez, agora estavam ainda maiores devido ao leite. Ela quase desistiu completamente de amamentar, mas a pequena Maggie era uma campeã e normalmente o chupava até secar e ainda queria mais. Quando não lidava com Maggie, ela dormia. Ela teve mais cochilos durante o dia do que poderia se lembrar de ter quando criança. Suas emoções balançavam em todo o lugar e, às vezes, ela se viu chorando sem nenhuma razão. Mas toda vez que pensava sobre toda a dificuldade que enfrentava, tudo o que tinha a fazer era segurar a menina e seu coração derretia um pouco. Desde Billy que tirara algumas semanas de folga, ele fez algumas reformas em torno da casa que precisavam ser consertadas. Ele substituiu a máquina de lavar louça por uma nova, consertou uma janela que vazou água durante a última chuva, e até mesmo trouxe um colchão novo para Savannah e Maggie. Ela teve que admitir que estava grata quando ele retornou para o trabalho. Ele sempre estava tão excessivamente feliz com tudo e a deixava nervosa.

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Ela simplesmente não conseguia deixar a menina no berço que ficava em um pequeno local na frente da sua cama. Em vez disso, à noite, ela deitava a menina ao lado dela e adormecia segurando-a. Ela sabia que todo mundo dissera a ela que não era um bom hábito, mas simplesmente não conseguia dormir sem sentir o pequeno coração de Maggie bater ao lado do dela. Antes que percebesse, ela caiu em um padrão e esqueceu completamente a vida que costumava viver. Seus amigos pararam de ligar e perguntar se ela queria sair. As únicas pessoas que viu do lado de fora de sua pequena casa eram sua família. Quando assistiu o carro de Billy sair da cidade para o trabalho, ela sentiu um pouco de tristeza sabendo que ele ficaria fora nos próximos meses. Um dia, algumas semanas depois dele sair, ela foi a Grocery Stop e encontrou várias meninas do ensino médio. Ela não conseguia lembrar seus nomes, mas sabia que uma delas era a capitã das líderes de torcida deste ano. Ela a viu praticando a última vez que foi a escola para ajudar com uma arrecadação de fundos. Ela pensou em voltar e percebeu que passara quase um ano desde que fizera algo parecido. Ela costumava estar no topo de cada evento que acontecia na cidade e era a pessoa que mais apoiava eventos em Fairplay até poucos meses antes de Maggie nascer. Agora ela se moveu para o lado e se desculpou com o par, certificando-se de puxar Maggie mais perto de seu peito no envoltório de algodão que estava pendurado em sua frente. Ela continuou a empurrar o carrinho quase cheio e procurar nos corredores o que precisava. Quando chegou ao final do corredor, ouviu as meninas rindo e se virou bem a tempo de ouvir a morena alta dizer alto o suficiente para ela ouvir. — É ela. Eu ouvi que o pai do bebê foi embora logo depois que nasceu. Eu acho que ele não poderia aguentar ter ambas sob o mesmo teto. A menina loira olhou para Savannah e sorriu enquanto seus olhos corriam para cima e para baixo dela, e então riu. — Você não pode culpá-lo. Quero dizer, olhe para ela. A morena assentiu com a cabeça e riu junto quando saíram da loja sem comprar nada.

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Savannah tentou não se incomodar e continuou sua compra. Ela estava acostumada a ser fofoca, especialmente em sua própria cidade natal. Além disso, disse a si mesma que não importa o que um par de meninas idiotas do ensino médio pensava dela de qualquer maneira. Mas quando foi para o corredor de congelados e pegou meio galão de seu novo favorito Blue Bunny1, Cookies e Cream, ela viu seu reflexo no vidro e engasgou. Olhando para si mesma, ela sentiu as lágrimas acumular atrás de seus olhos. Fazia quase dois meses que Maggie nasceu e não perdeu uma única grama do peso que ganhara. Bom, tudo bem, ela provavelmente perdeu uma grama, mas para ser honesta, não teve a coragem de subir na velha balança que estava em seu banheiro. Seu cabelo estava uma bagunça e não foi pintado ou cortado por mais de seis meses, por isso naturalmente, seus sedosos cabelos loiros estavam sem vida e bagunçados. Sem falar que ela saiu de casa sem sequer secar os cabelos, de modo que foi amarrado em um grande coque no topo da cabeça dela. Ela olhou mais de perto para seu reflexo e franziu a testa. Ela não usava nenhuma maquiagem. Ela nunca saiu de casa sem maquiagem antes. Nunca. Ela deixou o carrinho cheio no corredor de congelados, e caminhou em direção à frente da Grocery Stop. Mas quando passou em torno dos carrinhos de caixa, a caixa, Carmen, uma menina com quem Savannah estudou, a deteve. — Está tudo bem? — Ela andou na frente dela. Carmen era um pouco mais alta do que Savannah. Seus longos cabelos escuros estavam trançados e pendurados sobre o ombro. Seus ricos olhos castanhos estavam cheios de preocupação. Savannah sentiu seus olhos começarem a encher de água e queria o ar frio do lado de fora. Ela não chorava muitas vezes, mas quando chorava, fazia em privacidade. Ela assentiu com a cabeça e tentou passar por Carmen, que apenas colocou a mão em seus ombros. — Savannah, há algo que eu possa ajudar?

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Só de ouvir essas palavras fez com que as malditas paredes rachassem e antes que percebesse, ela tagarelava e lamentava com esta desconhecida, em pé na frente da Grocery Stop, para todos ouvirem. Maggie ainda estava presa ao carrinho de criança na frente dela. Carmen pegou nos ombros dela e levou-a até uma pequena sala na frente da loja. Ela entregou-lhe uma caixa de lenços. — Eu sei o quão ruim pode ser hormônios. Eu tenho um menino e uma menina. — Carmen sorriu e acenou para uma foto emoldurada de duas crianças pequenas. — Essas meninas falaram algo para fazer isso tudo sair? Savannah sacudiu a cabeça. — O que eu me importo com o que algumas crianças idiotas do ensino médio pensam. — Savannah fungou novamente. Carmen riu. — Isso soa como a velha Savannah que eu conheço. Ela olhou para ela e franziu a testa. — Você me conhece? Carmen riu. — Minha vida inteira. Agora, te darei um conselho que alguém me deu uma vez há muito tempo. Ouça o que os outros dizem sobre você... — ela ergueu a mão e impediu Savannah de falar, — Ouça, mas não leve ao coração. Se o que eles dizem é verdade, e você concorda com elas e tem em seu poder para mudar, então mude. Savannah franziu a testa para ela e soluçou. — Esse é um conselho realmente terrível. Carmen sorriu e acenou com a cabeça. — Funciona muito bem quando a coisa que você mudará for o par de jeans que seus pais compraram para você, mas não tão bem com todas as outras questões. — Eu lhe dei esse conselho, não é? Carmen riu ainda mais e assentiu. — Sim. Você pensou que eu deveria usar jeans skinny em vez de boot cut. — Ela encolheu os ombros e deu um tapinha em suas calças capri. — Então, mudei para algo que eu me sentia confortável. Savannah riu e imediatamente se sentiu melhor. — Obrigada. — Ela assoou o nariz novamente. — Por? — Carmen franziu a testa um pouco. Savannah deu de ombros. — Eu não falei com ninguém por um tempo. Assim. — Ela suspirou.

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Carmen riu. — Bem, eu estou aqui, cinco dias por semana. — Em seguida, ela suspirou e Savannah observou quando tristeza penetrou em seus olhos. — Talvez começando seis ou sete dias em breve. Quando chegou em casa, ela gentilmente colocou Maggie em seu berço, entrou no banheiro e ficou na frente do espelho. Ela ainda vestia suas roupas de grávida, então elas não eram nada elegantes. Sem mencionar que eram enormes. Ela suspirou. Ela ainda estava enorme. Removendo suas roupas, ela ficou diante do espelho novamente. Seu corpo era uma bagunça. Havia marcas de estria nos lados internos das coxas. Ela ainda tinha uma pochete em sua barriga e quando seus olhos se moveram até seus seios, ela suspirou. Eles não diminuirão? A gota d'água em toda essa confusão era o fato de que seu longo cabelo loiro bonito caía. Não apenas alguns fios aqui e ali, mas um punhado que saía cada vez que tomava banho. Ela teve vontade de gritar. Mas em vez disso, ficou no banheiro e olhou para si mesma por um longo tempo. — Se componha, Savannah — disse ela e viu seu reflexo. — Você pode fazer isso. — Ela levantou os braços e sentiu o estômago rolar quando assistiu com horror quando a pele sob eles balançavam. Nesse momento, ela decidiu que era hora de acordar. Adorava malhar. Afinal de contas, ela queria ter certeza que todo mundo que olhava para ela gostavam do que viram. Ela sabia que só dependia dela. Ela perguntou sobre o exercício em sua última consulta médica, e disseram que poderia voltar para sua rotina normal. Então, por que não começou? Ela começou a esticar. Seus músculos estavam doloridos no início, mas foi muito bom usá-los novamente. Ao longo dos próximos dias, ela limpou a pequena cozinha de junk food. Quando foi as compras, desta vez, ela se concentrou em comprar apenas vegetais frescos. Em um determinado momento foi vegetariana, e agora, enquanto caminhava até a caixa, ela percebeu que não comprara qualquer carne e não se importava. A última vez que parou de comer carne, perdeu algumas gramas na primeira semana. Não poderia machucar.

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Ela ainda pegou um DVD de treino que viu no estande do caixa e começou a malhar com ele na sala de estar enquanto Maggie estava no pequeno berço ao lado dela. Ela gostava de cozinhar os ingredientes frescos e procurou em seu laptop por novas receitas que desfrutaria. Ela foi com Maggie até Tyler e comprou um par roupas de treino e um novo par de tênis. Precisou experimentar um pouco para encontrar o tamanho certo e ficou chocada quando viu o tamanho G que agora usava; ela sempre foi tamanho P antes. Para distrair sua mente, ela seguiu para a seção do bebê e comprou para Maggie algumas coisas, que a animaram instantaneamente. Algumas semanas mais tarde, uma vez que sentiu sua energia crescer, ela pegou o carrinho de criança que seus pais compraram para ela e começou a fazer longas caminhadas com Maggie. Ela embalou a menina firmemente enquanto caminhava no clima frio. Maggie parecia desfrutar. Um dia, ela estava atrasada para sair para sua caminhada e Maggie começou a se agitar. Quando a sentou no carrinho, finalmente, ela aquietou e começou a sorrir e chutar seus pés animadamente. — Ai está minha menina. — Ela sorriu. — Você gosta de malhar com a mamãe? — Ela riu quando deu uma ligeira corrida. Ela pensou em ir até a cidade e comprar um daqueles carrinhos que podia correr atrás. Este, ela só podia correr devagar e caminhar. Ela não podia realmente dizer se seu corpo mudou, apenas que se sentia mais equilibrada e com mais energia quando malhava. Toda vez que foi ao supermercado, ela visitava Carmen, que trabalhava lá quase todos os dias. Engraçado, ela realmente não lembrava muito de Carmen na escola, apenas que ela era baixa, um pouco tímida, e não popular o suficiente para justificar um convite para a maioria das festas de Savannah. Mas, agora, cada vez que a via, elas acabavam conversando mais e mais. Carmen era mãe de dois filhos, um menino e uma menina, ambos na escola primária. Ela passava por um divórcio desagradável e seu marido tentava sair sem pagar-lhe qualquer coisa, mesmo sendo o responsável por convencê-la a desistir de uma bolsa integral na Stephen F. Austin University para criar as crianças. Agora, ela vivia com seus pais e trabalhava na Grocery Stop, apenas para pagar às despesas.

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Ouvir a história de Carmen realmente a ajudou a ver que não era só ela que recebeu um golpe. Para outras pessoas realmente era pior. Savannah se encontrou parando na Grocery Stop com mais frequência apenas para conversar com Carmen. Fazia quase dois meses desde que Billy saiu da cidade para o trabalho. Ele ligou quase todas as noites e ela encheu-o com tudo sobre Maggie. Ela tirou fotos delas em seu telefone e enviou-as para o celular dele quando solicitado. Ele enviava fotos engraçadas de si mesmo de volta e ela as mostrava a Maggie enquanto ele falava com a menina no viva-voz. Ela sentiu-se ficando mais afeiçoada dele com o passar do tempo. Eles muitas vezes passaram um tempo conversando um com o outro, e ela gostava muito de ouvir a voz dele todas as noites. Ela sentiu falta de suas ligações quando ele não foi capaz de fazê-las, e inclusive tocou algumas mensagens de voz para Maggie quando a menina ficava agitada. Elas sempre pareciam acalmar a bebê e ajudou a acalmar a mente dela também. Ela não disse nada a ele sobre seus exercícios, sentindo-se como se fosse de alguma forma ultrapassar a linha pessoal que ela desenhara meses atrás. Ele conversava com ela sobre seu trabalho e os homens a quem comandava. Na maioria das vezes ela achou chato, mas ele costumava entretê-la com uma história engraçada dos homens jogando conversa fora. Ela se perguntou se ele saía com os outros homens nos fins de semana. Ela sabia que ele saiu com várias outras mulheres na cidade após descobrir que ela estava grávida. Toda vez que Billy e Corey saíam, notícias se espalhavam rapidamente na pequena cidade, principalmente porque geralmente eles estavam em apuros. Mas de alguma forma duvidava que ele tivesse continuado seus caminhos agora que estava no comando da equipe de trabalho. E agora que era pai. Ela caiu em um padrão. Na maior parte, ela ficou sozinha na pequena casa, só ela e Maggie. Seus pais passavam e davam quase toda a sua atenção para a pequena bebê. Ela não se importava, uma vez que lhe permitia relaxar um pouco. Sua mãe continuava trazendo presentes para Maggie e o quarto da menina foi rapidamente enchendo de muita coisa. Ela pensou em organizar tudo e talvez até decorá-lo, mas simplesmente não conseguia acreditar que viveriam na pequena casa por muito tempo.

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Ela realmente começou a desfrutar de seus passeios diários. Mesmo o tempo a obrigando a fazê-los cedo ou no final do dia por causa do calor, ela saía todas às vezes com um sorriso no rosto e desfrutava como o movimentar limpava a sua cabeça. Ela gostava de pegar as estradas secundárias fora da cidade mais do que andar pelas ruas movimentadas de casas geminadas e pessoas. A ponte da estrada velha sempre era um de seus lugares favoritos para ir. A estrada velha não era mais usada e a ponte velha passava sobre um córrego em movimento lento. Havia abundância de peixes e tartarugas na água e ela simplesmente adorava vê-los se movimentar na água clara. Em várias ocasiões durante a noite, ela se deparava com a mesma moça sentada na ponte. No início, Savannah apenas assentiu enquanto caminhava, mas uma noite, percebeu que a menina chorava. Seu rosto estava vermelho e seus olhos encharcados. Quando percebeu Savannah, ela freneticamente limpou o nariz e os olhos na manga dentro de sua camisa. — Você está bem, querida? — Savannah parou e deu uma boa olhada para a garota pela primeira vez. Ela estava muito magra e pálida. Usava aparelho e seu cabelo castanho estava emaranhado e puxado para trás em um rabo de cavalo frouxo. Suas roupas eram largas e fora de moda. Quando a jovem olhou para ela e acenou com a cabeça, o primeiro pensamento de Savannah era que ela teria instantaneamente feito piada da menina se tivesse estudado com ela. Então olhou mais atentamente e notou que seus grandes olhos azuis estavam tristes. Muito tristes. Não importam quais eram seus pensamentos iniciais, Savannah se lembrava de ter visto o mesmo olhar em seus próprios olhos apenas alguns meses atrás. Puxando o carrinho de Maggie ao redor, ela parou perto de onde a jovem estava sentada ao longo das velhas tábuas de madeira. Seus pés balançavam para fora da borda da ponte. Savannah se agachou e sentou ao lado dela. — É um local bonito que você tem aqui. — Ela olhou para fora da água que fluía lentamente abaixo delas. Algumas tartarugas pularam na água rapidamente. Quando a menina permaneceu em silêncio, ela olhou para ela. — Sou Savannah Douglas.

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Ela assistiu o assentimento menina. — Todo mundo sabe quem você é. — Sua voz era apenas um sussurro. Savannah riu. — Não acredite na metade das coisas que ouve sobre mim. — Ela inclinou-se para a jovem e percebeu que era um pouco mais velha do que ela primeiro pensou. — Por exemplo, estes... — ela apontou para o peito e sorriu, — são reais. A mandíbula da menina caiu e quando Savannah sorriu para ela de novo, a menina riu um pouco. — Sério? — Yup. — Savannah não podia segurar o riso, mas, então, ela franziu a testa um pouco. — Mas eu recentemente fiz uma plástica no nariz. — Ela estendeu a mão e tocou a ponta de seu nariz, recordando o incidente. — Mas isso foi apenas porque alguém me deu um soco na cara. — Ela riu quando percebeu que merecia. — E você? — Ela olhou para a menina que fungou e olhou em direção à água. — As crianças na escola tiram sarro de mim. Da forma como me visto, de como eu pareço. Eles me chamam de... — ela fez uma pausa e fechou os olhos. — Greasy Tracy. — Esse é o seu nome? — Ela rapidamente acrescentou, — Tracy? — A menina acenou com a cabeça, sem abrir os olhos. — Sabe, as crianças podem ser muito estúpidas. — Ela suspirou. — Eu sei bem. Eu costumava ser uma delas. E até recentemente, eu realmente nunca pensei sobre como feria a alguém. — Ela balançou a cabeça. — Eu não ouviria muito atentamente o que alguém diz sobre você. — Sim, bem... — Tracy levantou-se e tirou o pó de seu jeans. — O que você sabe; você nunca esteve no meu lugar. — A garota começou a ir embora e o coração de Savannah afundou um pouco. — Tracy. — A menina parou. — Neste momento estou do seu lado das coisas. Eu não tenho amigos. — Ela encolheu os ombros. — A cidade inteira fofoca sobre mim, dizendo coisas ruins e prejudiciais, a ponto de passar a maior parte dos meus dias sozinha em uma pequena casa com a única pessoa que me ama. — Ela assentiu para a filha dormindo em seu carrinho. — E isso é, provavelmente, só porque ela não sabe nada ainda. — Ela deu um meio sorriso para o jovem. — Mas olhe para mim. — Ela apontou para si mesma. — Eu ainda me levanto todos os

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dias, faço uma caminhada e aproveito a vida. Eu ouço o que as pessoas dizem sobre mim e se o que dizem é verdade e não gosto dessas coisas sobre mim, eu as mudo. Se o que dizem não é verdade — ela sorriu e olhou para o seu grande seio, — então eu simplesmente os ignoro e mantenho minha cabeça erguida e os deixo pensarem o que quiserem. Tracy olhou para ela por mais tempo. — É melhor eu voltar para casa. — Ela olhou para seus pés e chutou uma pedra na água abaixo. Savannah sentiu seu coração cair e percebeu que não alcançara a menina. — Você estará aqui amanhã? — A menina olhou para cima através de uma mecha grossa de cabelo escuro. O sorriso de Savannah foi rápido quando ela balançou a cabeça. — Eu costumo fazer minhas caminhadas nessas horas. Eu posso estar aqui, se você quiser. Tracy deu alguns passos na direção oposta. — Sim, eu acho que seria legal. Ela se virou e começou a ir embora sem dizer mais nada. Ao longo das próximas semanas, Savannah e Tracy passaram tempo na ponte algumas vezes. Em todas às vezes Savannah tentou quebrar seu escudo e chegar até ela. Ela não sabia se o que dizia ajudava ou prejudicava, mas sabia que lentamente fazia uma amiga, e esperava que de alguma forma ela pudesse reverter alguns dos danos que fez em sua juventude ao falar com a menina. Um dia, durante a sua caminhada, ela empurrava o carrinho de Maggie passando pela livraria quando Holly saiu correndo da porta da frente e correu em direção a ela. — Savannah — ela a chamou correndo em direção a ela. Quando a alcançou, a ruiva esbelta estava quase sem fôlego. — Uau, você anda rápido. — Ela sorriu para ela. Savannah assentiu um pouco. Ela conhecia Holly toda a sua vida, mas nunca realmente prestara muita atenção para a dona da livraria. O fato de que ela era a pessoa que quebrara o nariz dela somente no ano passado ainda não caiu bem com ela. Ela se esticou um pouco quando a mulher parou ao lado dela. — Estou tentando queimar um pouco da gordura da gravidez. — Bem, você certamente conseguiu. — Holly sorriu e Savannah teve que admitir, a mulher ficara bonita, apesar de como era quando criança. — Você está

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maravilhosa — disse Holly, inclinando-se para baixo e olhando para Maggie. — Eu não posso acreditar o quão rápido ela cresceu. — Ela passou a mão pelo cabelo de Maggie. — Seu cabelo tem clareado. Ela se parece muito com você. — Holly sorriu para ela. — Mas, eu acho que ela tem os olhos escuros de seu pai. — Ela balbuciou e deixou Maggie pegar seu dedo em sua mão gordinha. — Sério? — Savannah caminhou até a frente do carrinho e olhou para a filha. Ela não notara isso, mas era verdade. O cabelo de Maggie clareou muito desde seu nascimento. Agora, ela pode ver algo de si mesma nas bochechas rechonchudas e sorriu. — Sim, eu notei que ela tinha os olhos de Billy imediatamente. — Holly disse, sorrindo para Maggie, e Savannah sentiu um choque de orgulho passar sobre ela. — Gostaria de entrar? — Holly apontou para sua loja. O negócio de Holly era uma livraria, cafeteria, e vinho bar local, tudo em um. Savannah entrou algumas vezes desde que Holly e Travis abriram novamente após uma reforma completa do edifício, mas nunca esteve lá quando eles estavam na loja. Em vez disso, ela sempre se certificou de que uma das funcionárias, April ou Karlene, trabalhavam em seu lugar. Agora, enquanto olhava para o prédio alto, que estava a apenas alguns quarteirões de sua casa, ela podia ver que o lugar estava cheio de pessoas. Ela deu um passo para trás. — Bem... — ela tentou pensar em uma desculpa. Qualquer desculpa. — Oh, por favor. Eu realmente sinto muito sobre quebrar seu nariz — ela deixou escapar. Savannah olhou para ela e percebeu que a mulher era tão sincera quanto podia. Savannah assentiu, mas lembrou-se da dor e constrangimento. Ela sabia agora que provavelmente merecia. Holly suspirou e olhou em direção à livraria. — Maggie adoraria ver as outras crianças. Além disso, estamos prestes a começar o momento de leitura. — Holly sorriu. — Momento de leitura? — Claro, vamos dar tempo a cada semana para ler para as crianças mais jovens. Você não pensaria olhando para a nossa cidade, mas há um monte de

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crianças pequenas aqui. — Ela sorriu. — Temos dias de leitura, dias de artesanato, e até mesmo dias de momento de descanso da mamãe. — Ela sorriu. — Dias de momento de descanso da mamãe? — Ela andou para trás do carrinho de criança e pensou em recuar. — Claro, mamães precisam de uma pausa. Todas as manhãs de quinta-feira, das nove ao meio-dia, ficamos com as crianças para que as mamães possam ter algumas horas para si mesmas. — Ela sorriu e começou a voltar para o prédio. — Você vai gostar. Além disso, Maggie precisa ser apresentada a algumas das outras crianças da cidade. Savannah franziu a testa. Holly tinha um ponto. Até agora, Maggie não esteve perto de quaisquer outras crianças. Ela afastava sua filha? Ela pensou em Tracy e como ela tentou incentivar a menina. Talvez ela devesse pegar um pouco de seu próprio conselho e sair mais. Balançando a cabeça, ela seguiu Holly em direção ao prédio. Ela daria à filha uma vida social, mesmo que isso significasse que ela precisasse ser simpática com os outros pais no processo. Sua filha valia a pena o embaraço de ter de lidar com as pessoas fofocando sobre ela e olhando engraçado para ela da maneira como sempre fizeram. Quando entraram no prédio, todas as mães pararam de falar e olharam para elas. Ela endireitou os ombros e tentou colocar seu sorriso social. — Todo mundo, esta é Maggie — disse Holly puxando delicadamente o bebê do carrinho de criança. Todo mundo disse, — Oh, — em uníssono, e, em seguida, várias mulheres correram em direção a elas, e Maggie foi levada nos braços de outras mães. — Estou feliz que você veio. — Savannah virou e viu Lauren West de pé ao lado dela, um menino gordinho de quase dois anos em seu quadril. Ela sabia que era filho de sua irmã Alexis, Gavin. Alex e ela nunca se deram bem, mas em um momento, no primário, Lauren e Savannah foram melhores amigas. Ela colocou o menino no chão e ele cambaleou em direção a uma pilha de brinquedos que estava no meio de um grupo de crianças. — Que tal uma xícara de chá e alguma migalha de bolo? — Ela puxou a mão de Savannah até que ela seguiu para a área de bar. — Você conheceu April?

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Savannah acenou para a mulher loira que tinha listras cor de rosa em seu cabelo. — Eu vi você correr pela janela quase todos os dias. — April sorriu. — Mas nunca pensei em correr atrás de você. — Ela sorriu. — Parecia que Holly a perseguiria e atacaria você para fazê-la parar. — Ela riu e colocou uma xícara de chá quente na frente dela. Savannah afastou o chá. — Estou amamentando. — Está tudo bem, querida, é sem cafeína. — Piscou April. — Bebi caminhões deste material enquanto cuidava de meus filhos. Savannah assentiu com a cabeça e pegou o copo. Ela franziu a testa quando Lauren colocou uma grande fatia de bolo cranberry crocante na frente dela. — Oh, eu não acho... — ela começou. — Silêncio agora. Você pode não ver, mas está mais magra agora do que nunca. — Lauren sorriu. — É sempre difícil se recuperar depois de um bebê, mas de alguma forma você conseguiu fazer em apenas alguns meses, e aposto que, sem ir a academia uma única vez. — Ela balançou a cabeça e franziu a testa um pouco. — Tipo que me deixa doente. — Então ela riu. Savannah olhou para si mesma. Ela estava muito orgulhosa do progresso que fez. Ela estava de volta nas roupas que usara antes de engravidar e algumas delas estavam um pouco folgadas nela. — Além disso, você merece uma pausa. — Ela se inclinou sobre o bar. — Olhe para ela. — Ela sorriu. — Ela está se divertindo. Savannah deu uma pequena mordida no bolo e se virou para ver sua filha sorrindo enquanto era segurada por Haley, irmã mais nova de Lauren. Havia meninos gêmeos em pé ao lado dela fazendo caretas para Maggie, que sorria como Savannah nunca ouvira antes. O som trouxe uma lágrima em seus olhos. — Oh, querida. — Lauren pegou pelo braço. — Está tudo bem? Savannah olhou para ela e assentiu. — Eu acho que estou apenas hormonal. — Ela usou o guardanapo que Lauren lhe dera para secar seus olhos. Lauren sorriu. — Vem com o trabalho. — Ela riu. — Agora, vamos sentar-se antes que a história comece. Savannah assentiu com a cabeça e pegou o bolo e uma xícara de chá e seguiu Lauren para uma mesa pequena perto das crianças.

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06 Enquanto Billy ouvia Savannah falar sobre Tracy e o tempo da história com Holly, ele desejava mais do que qualquer coisa voltar para casa. Ele nunca deveria ter

conseguido

este

trabalho. As

horas

eram

longas

e

o

trabalho

era

exaustivo. Mesmo sendo um supervisor, ele ainda entrava em seu quarto de hotel a cada noite com dores. A maioria dos homens eram trabalhadores duros, mas alguns deles eram simplesmente estúpidos. Na verdade, alguns deles o lembraram de si mesmo apenas alguns meses atrás. Ele sentia falta de suas meninas. Mesmo que eles falassem no Skype todas as noites, ele sentia falta de segurar sua filha, cheirar seus cabelos após o banho. Ela crescia tão rápido. Em cada imagem enviada de Savannah, ele podia ver as mudanças sutis em seu rosto. Ele chorou depois de desligar uma noite após Maggie rir e murmurar para ele. Ele desejava desesperadamente estar lá em pessoa para ver. Seus pequenos olhos brilhavam, e ela chutava as mãos e os pés agora, fazendo parecer que ela queria que ele para a segurasse. Só faltava mais três meses até que pudesse ir para casa e ter em um horário mais normal. Poucos dias depois, ele recebeu uma ligação que provocou arrepios em seus ossos. Ele pegou o telefone depois de ser chamado ao escritório principal. — Aqui é William Jackson. — Bem, bem. Você é um homem difícil de rastrear, William Jackson, Jr. — Só de ouvir a voz lhe deu calafrios. — O que você quer? — Ele perguntou, se esticando e fechando a porta do escritório para que ninguém mais ouvisse a conversa. — Ouvi dizer que você está muito bem. Morando com a garota Douglas. — Seu pai riu e um milhão de memórias inundaram sua mente. Nenhuma delas era agradável. — Eu vou repetir a minha pergunta. O que você quer?

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— Dinheiro — disse seu pai, simplesmente. — Você não precisa de dinheiro na prisão. — Ele quase desligou na cara dele. — Eu não estou na cadeia mais. — Seu pai riu. — Na verdade, eu pensei em voltar a Fairplay. Talvez ver a minha neta bonita. — Se você pisar em Fairplay... eu vou... — O quê? — Seu pai interrompeu. — Eu cumpri meu tempo. Estou fora por bom comportamento. — Ele ouviu seu pai tomar um copo de alguma coisa e sabia, sem dúvida, que era uma dose de Jim Beam. — Quanto? — Perguntou ele e fechou os olhos. — Quanto você quer para ficar longe? — Dez mil — disse seu pai rapidamente. — Isso deve manter-me ocupado por um tempo. — Ele riu novamente e Billy sentiu sua pele arrepiar. — Tudo bem, diga-me onde. — Ele anotou a informação rapidamente quando seu pai a deu. — Eu transferirei amanhã. — Ele desligou antes que seu pai pudesse fazer mais exigências. Sentando-se atrás de sua mesa, ele esfregou a testa e sentiu uma dor de cabeça começar atrás de seus olhos. Dois meses não passariam rápido o suficiente.

Savannah olhou-se no espelho uma última vez. Ela não podia explicar por que estava nervosa, mas estava. Ela deve ter mudado de roupa meia dúzia de vezes. Ela trocou Maggie muitas vezes, mas por razões diferentes. Maggie molhou a primeira, e vomitou um pouco no segundo vestido que ela escolheu. Agora, ela se inclinou para frente e aplicou apenas um pouco de gloss claro nos lábios e sorriu. — Pronto. Perfeito. Ela mudou muito nos últimos meses. Viver sozinha com apenas Maggie como companhia a fez olhar para dentro. Ela não gostou da pessoa que ela se tornou e não apenas perder alguns quilos, ela decidiu perder algumas tendências que tinha. E ela devia tudo a Maggie.

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Ela olhou para a garotinha sorrindo e tentando agarrar os sapos distorcidos que pairavam sobre sua cabeça em seu móbile. — Vamos pegar o seu pai? Maggie gritou a palavra, — Papai — como ela sempre fez. Savannah riu e pegou a transportadora. Maggie estava tão pesada, que levou ambos os braços para abraçá-la e a transportadora agora. Ela colocou a transportadora no carrinho, pegou sua bolsa e trancou a casa. — Bom dia, Savannah — ela ouviu antes de chegar ao final de sua caminhada. — Como Maggie está hoje? — Sra. Cole correu de seu quintal tão rápido quanto suas pernas de oitenta anos de idade podiam levá-la e começou a arrulhar em Maggie. — Ela com certeza cresce tão rápido. Eu acredito que ela cresceu outro centímetro desde que a vi ontem. Savannah riu. — Sra. Cole, eu acho que é hora de você checar a sua visão. — Elas riram. — Indo pegar Billy na estação de ônibus hoje? Savannah assentiu. — Bem, não será maravilhoso ter seu pai de volta na cidade — disse a Sra. Cole para Maggie. — Bem, é melhor vocês duas irem. Eu pensei ver o ônibus passar alguns minutos atrás. Savannah olhou para a rua com preocupação. — Obrigada. Te vejo mais tarde. — Ela empurrou o carrinho de criança rapidamente pela calçada e esperava não ter deixado Billy esperando muito tempo. Na metade do quarteirão seguinte, ela o viu caminhar em direção a elas. Ele parecia um pouco mais magro e um pouco mais alto, se isso era possível. — Billy — ela gritou, e ele levantou os olhos do chão para elas. Então, ele sorria e corria em direção a elas. Ele correu um pouco e encontrou com ela no meio. — Hey. — Ele sorriu para ela e deixou cair as malas. De repente, um surto de constrangimento correu sobre ela. Ela não sabia se devia abraçá-lo ou não. Ele tomou a decisão por ela e puxou-a em seus braços e beijou-a ali mesmo na rua. Ela sentiu seu coração saltar e seu pulso pular. Então ele a soltou e se ajoelhou para puxar Maggie de seu carrinho. Ela usou esse tempo para controlar sua respiração. Ela nunca reagiu a ele assim antes. Para falar a verdade, ela nunca reagiu a ninguém assim antes.

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— Eu não posso acreditar quão grande ela está. — Ele tentou segurar Maggie como ele fez quando ela era um bebê, mas Maggie não aceitava e continuou a tentar sentar-se em seus braços. Savannah riu. — Ela gosta de ser segurada assim. — Ela se aproximou e ajudou a girá-la. — Pronto, agora ela pode ver você. As mãozinhas de Maggie se aproximaram e descansaram em seu queixo enquanto ele sorria para ela. Ele riu quando ela esticou e colocou o queixo dele em sua boca. — Desculpe — Savannah riu. — O médico diz que é a dentição. — O quê? — Ele riu e olhou para ela. — Tão cedo? — Ela tem pouco mais de seis meses de idade. — Ela sorriu e acenou para alguém que buzinou quando passaram. Seus olhos estavam sobre ela e ela o viu sorrindo para ela. — O quê? — Perguntou ela, sentindo-se autoconsciente. — Olhe para você. — Seus olhos corriam sobre ela e ele franziu a testa um pouco. — O quê? — Ela franziu a testa de volta e olhou para si mesma. — Maggie melou esta camisa também? Ele balançou a cabeça e segurou Maggie mais apertada. — Não, você está bem. — Sua voz se suavizou e baixou, fazendo seu rosto corar enquanto ela sorria. — Temos uma surpresa para você. — Ela sorriu. — Mas primeiro teremos que deixar suas malas. — Ela acenou para as mochilas descartadas na calçada. Ele balançou a cabeça e abaixou-se para pegar a bolsa maior. — Coloque aquela no carrinho dela? Eu quero segurar a minha menina por um tempo. — Ele sorriu e beijou o rosto de Maggie. Savannah pegou a bolsa e colocou no carrinho e, então, caminhou ao lado dele quando ele começou a descer a rua. — Como foi a viagem de volta? — Perguntou ela, sem saber o que falar com ele. Por que se sentia nervosa? Afinal, era apenas Billy. Ela o conhecia toda a sua vida. Eles dormiram juntos, fizeram um bebê juntos e viviam juntos. Por que se sentia nervosa perto dele, como se não o conhecesse?

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— Foi tudo bem. O ônibus furou um pneu logo que saímos de Dallas. — Ele balançou a cabeça e colocou outro beijo na bochecha de Maggie, fazendo sua filha gritar com alegria. — Eu espero que você não se importe, mas o xerife passou um dia e sugeriu que eu pintasse a casa, então eu contratei Corey para colocar uma nova camada sobre o lugar. — Ela assentiu com a cabeça para a casa. Corey, amigo de Billy, fez um trabalho fantástico, e ele colocaria uma nova camada de tinta no interior, também. — O lugar parece bom. Corey me mandou uma mensagem e me contou. — Ele sorriu. — Quem poderia imaginar que ele tivesse o talento e paciência para fazer isso. — Ele riu. Ela usou sua chave e abriu a porta da frente. — Ele também fez alguns trabalhos no interior. — Ela entrou e colocou o carrinho no canto. — Eu espero que você não se importe, mas mudei algumas coisas ao redor. — Ela assentiu com a cabeça para o quarto. Ele sorriu. — Savvy, eu disse a você que poderia fazer o que quisesse com o lugar. — Ele colocou sua bolsa no chão. — Bom, porque eu li este livro sobre paternidade, e bem, Maggie precisa de seu próprio quarto — ela deixou escapar. Ele se virou para ela, suas sobrancelhas escuras subindo lentamente. — Oh? — Seu sorriso se espalhou um pouco. Ela ignorou seu sorriso e passou por ele. — Sim, bem, eu acho que você vai gostar. Maggie adora — ela disse nervosamente enquanto abria o quarto da sua filha. Ele entrou com Maggie em seu quadril e sorriu. — Sapos? — Ele riu. — Sim, bem, parece que sua filha tem uma coisa para a Princesa e o Sapo. — Ela franziu a testa um pouco. — Ela tem, não é? — Ele riu. Ela odiou fazer, mas pintar o quarto de sua filha em um tom claro de verde parecia fazer Maggie feliz. Toda vez que segurava a amostra de cor rosa na frente do rosto de sua filha, ela se aproximava do verde. Quando Savannah segurava uma imagem de Cinderela, o personagem favorito de Savannah, Maggie chorava e alcançava a Princesa e o Sapo, ao invés.

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Há dois grandes adesivos de parede de rãs na parede ao lado de seu berço e um mobile de sapo que pairava sobre sua filha e tocava doces tons enquanto ela dormia. — Eu gosto. — Ele sorriu. — Se faz minhas meninas felizes. — Ele se aproximou e sentou Maggie no chão e, em seguida, sentou-se ao lado dela e entregou-lhe um sapo de pelúcia. — Eu não posso acreditar quão grande ela está. — Ele olhou para Savannah e sorriu. — E quão magra você está. — Seus olhos correram sobre ela e sentiu uma onda de calor inundar seu corpo inteiro. — Você parece bem. — Ele se levantou e começou a andar em direção a ela. — Muito bem. As mãos dele agarraram seus quadris e a puxaram para mais perto dele. Fazia muito tempo desde que alguém a tocara. Muito tempo. Ela não podia se impedir de derreter em seus braços. Ele sorriu para ela e ela percebeu que ele parecia mais alto. Seu pescoço esticou quando olhou para ele. Em seguida, ele baixou a cabeça e seus lábios se tocaram levemente. O beijo foi diferente do que o que ele dera na rua. Era diferente de qualquer beijo que ele lhe dera antes. Eles eram adultos. Sua mente se concentrou nesse pensamento. Tudo o que fizeram antes disso, eles fizeram como crianças. Pela primeira vez em sua vida, ela se sentiu como uma mulher de verdade. Seus braços em volta do pescoço dele e ela o puxou para mais perto, sentindo o calor do corpo dele. Então o celular dela tocou e ela o afastou. — Oh — ela disse, olhando para a tela. — Eu quase me esqueci. — Ela afastou os cabelos dos olhos. — Nós vamos nos atrasar para a sua surpresa. — Ela sorriu e se aproximou para pegar Maggie. Ele gemeu. — Você não pode apenas me dar minha surpresa aqui? — Ele perguntou, estendendo a mão para ela. Ela riu e se afastou.

Billy tentou manter sua mente em outra coisa e não em quão sexy Savannah parecia caminhando ao lado dele. Mesmo enquanto segurava sua filha em seus braços, seus olhos continuavam correndo de volta para o corpo dela. Ela usava

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calças pretas apertadas com uma camisa cinza longa e esvoaçante. Ela usava sexy botas cinza até o tornozelo, que fez suas pernas parecerem ainda maiores do que ele se lembrava. Ele sentiu uma gota de suor escorrer entre as omoplatas. Ele duvidava que tinha alguma coisa a ver com o clima de quase 32ºC. Ele ficava imaginando o que ela usava por baixo, mas, em seguida, sua mente ia para o fato de que eles andavam na rua no meio da cidade. — Aqui estamos nós. — Ela sorriu e acenou com a cabeça em direção ao café. Holly’s estava à direita na esquina, em frente do restaurante da Mama, o único lugar na cidade para obter uma boa refeição. Ele não esteve no Holly’s desde que reformaram há alguns meses, mas ouviu que o local era um enorme sucesso. Ele também ouviu que Travis e Holly estavam noivos. — O que estamos fazendo aqui? — Ele estendeu a mão e pegou a mão dela para detê-la. Ela olhou para ele e sorriu. — Você verá. Quando ele olhou para o rosto dela, percebeu o quanto ela mudara. Ela perdeu todo o peso que ganhou quando estava grávida. Na verdade, parecia ter emagrecido ainda mais, e ele franziu a testa um pouco ao ver quão magra ela realmente estava. Ela cortou o cabelo um pouco mais curto do que a última vez que a viu, e o escureceu um pouco. Ele gostava mais desse estilo e cor do que seus antigos cabelos loiros platinados. O estilo a fez parecer mais madura, mais feminina. — Savvy — ele sussurrou, — eu prefiro levá-la de volta... — ele a puxou para perto e ali mesmo no meio do centro de Fairplay, beijou-a para toda a cidade para ver. Ele se afastou e riu quando as pequenas mãos de Maggie vieram entre eles. Sorrindo, ele olhou para Savannah e notou que seus olhos azuis estavam nublados e sem foco, o que o fez sorrir ainda mais. — Vamos, vamos ter logo esta surpresa para que eu possa levar minhas duas garotas de volta para casa. — Ela piscou algumas vezes e, então, virou-se e começou a caminhar na direção de Holly’s. Quando entrou pela porta da frente do lugar recentemente reformado, ele ficou surpreso ao ver quão bom o lugar ficou. Se não soubesse de nada, ele teria pensado que acabara de entrar em um café no centro de Nova Iorque.

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Havia alguns clientes sentados nas mesas da frente bebendo o café e desfrutando dos assados. — Aqui — ela disse e puxou-o para o canto mais distante, perto da lareira. Ele notou um grupo de pessoas, incluindo Travis e Holly e algumas outras pessoas que ele conhecia. Quando se aproximaram, Travis se levantou e apertou sua mão. — É bom ter você de volta. — Ele deu um tapinha no braço e, em seguida, Corey apertou sua mão, seguido por alguns de seus outros amigos íntimos. Maggie foi tirada de seus braços e uma cerveja foi empurrada em suas mãos. Quando finalmente se sentou ao lado de Savannah, ele colocou sua intocada cerveja na mesa e estendeu a mão para sua filha novamente. — Obrigado. — Ele sorriu para ela. Ela inclinou a cabeça e olhou para ele com a questão. — Pelo quê? Ele riu. — Por isso. É bom ver todo mundo novamente. — Ele acenou para o grupo de pessoas que eram facilmente o grupo mais barulhento no lugar. Ela franziu a testa um pouco. — Não me agradeça. Eu mencionei que você voltava para casa no outro dia, quando estávamos aqui para o momento de brincar, e a próxima coisa que eu sei, Holly organizara tudo — ela sussurrou enquanto se inclinava para mais perto dele. Ele teve um rápido aroma de seu perfume e instantaneamente o desejo por ela voltou com força total. — Você acha que eles se importariam se saíssemos agora? — Ele sorriu e afastou uma mecha de seu cabelo de seu rosto. Ele não esperava vê-la franzir a testa e morder o lábio inferior. — Billy — ela começou a dizer, mas foi interrompida por Travis. — Então, conte-nos sobre o seu trabalho. — Travis inclinou-se para eles. — Ouvimos dizer que você teve um grupo de manifestantes lá em cima em certo ponto. Billy suspirou e se afastou de Savannah. — Sim, engraçado, a notícia disse que eram pacíficos, mas atirar algumas dezenas de buracos em nossos geradores e destruir alguns milhares de dólares em equipamentos não parece pacífico para mim. Todo mundo ouviu quando ele falou sobre os últimos seis meses. Então, ele virou a mesa e sorriu para Travis. — Ouvi dizer que você fez o grande pedido. — Ele apontou para Holly.

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Travis riu. — Sim, nós decidimos nos casar neste outono, quando a mãe dela estará na cidade. Billy balançou a cabeça. — Caindo como moscas por aqui. Travis riu. — Todos, exceto Corey. — Ele acenou para seu amigo que estava ocupado flertando com April de trás do bar. — Corey? — Billy sorriu para o amigo. — Corey é um paquerador nato. Precisará de um milagre para levá-lo a se acalmar. Ele sorriu largamente quando seu amigo começou a voltar para a mesa. — Além disso — ele disse um pouco mais alto, — quem iria querer alguém tão feio. Corey riu. — Você não deve falar de si mesmo assim. Além disso, todo mundo sabe que você já arrumou para si uma mulher. — Então ele riu. — Bem, duas agora. — Ele acenou para a bebê dormindo que Holly segurava. Seu sorriso vacilou um pouco quando olhou para Savannah, que parecia preferir estar em qualquer lugar, menos sentada nesta sala cheia de velhos amigos.

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07 Savannah tentou não deixar seus nervos aparecerem. Todo mundo estava muito ocupado conversando e brincando uns com os outros para prestar qualquer atenção real. Nos últimos seis meses, ela pensou bastante e fez um exame de consciência. Ela gostava do tempo que passava com Tracy e Carmen, mesmo que ainda não as considerassem amigas íntimas. Ela pensou que suas amizades não só a ajudavam, mas a elas também. Mas neste momento em sua vida, tudo o que ela sabia com certeza era que ninguém ficaria entre ela e Maggie. Enquanto observava Billy com seus amigos, ela se perguntava como chegara em toda esta bagunça em primeiro lugar. Claro, Billy era um bom amigo. Na verdade, ele foi um dos únicos caras na cidade que ela sempre considerou apenas um amigo. Ele esteve lá durante seu longo relacionamento vai e volta com Travis. Ela olhou para Travis agora e o viu chegar debaixo da mesa e pegar a mão de Holly por conta própria. Ela teve que admitir, eles ficavam bem juntos, como se fossem realmente apaixonados. Era estranho. Ela nunca teria atrelado Holly com o tipo de Travis. Mas ela começou a conhecer e compreender Holly ao longo dos últimos meses e pode ver por que os dois eram bons um para o outro. Ela supôs que Billy não era realmente seu tipo também, mas acabaram dormindo juntos. Ela olhou ao seu lado e tentou esconder o fato de que o estudava. Mas não era como se estivessem juntos, juntos. Ela teve que admitir, ele sempre foi muito sexy. Ele tinha um perfil agradável. Seu nariz era reto e ele tinha um queixo de aparência forte. Mas o que realmente o destacava eram seus olhos escuros e cabelos negros. Ela sabia que era rico e grosso sob seus dedos, e ela amava passar as mãos nele.

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Balançando a cabeça, ela piscou e tentou se concentrar nas conversas em torno dela. Maggie adormecera nos braços de Holly e ela queria desesperadamente sua filha como escudo no colo. Então, Billy se aproximou e pegou a mão dela e ela esqueceu todo o resto. Suas mãos eram quentes e fortes. Havia algumas manchas ásperas ao longo de sua palma da mão, mas ela não se importava. Ela não conseguia se lembrar de como elas se sentiram contra sua pele. Honestamente, não podia realmente lembrar muito sobre as poucas vezes que ficaram juntos. Olhando para ele, ela franziu a testa um pouco quando ele sorriu para ela. Ela sabia que a maioria das pessoas na cidade esperava que eles ficassem juntos uma vez que ele voltou para a cidade, mas, honestamente, ela não sabia o que aconteceria. Só que vivia na casa dele e não estava disposta a desistir de qualquer tempo com sua filha, nem um minuto. Ela tinha alguns amigos na escola, cujos pais se divorciaram. Ela sabia que eles passaram sua infância sendo levados de um dos pais para o outro. Ela olhou para sua filha novamente. Não importa o quê, ela não iria querer isso para sua filha. Mas não tinha certeza se queria ficar com Billy em tempo integral. Afinal de contas, ela realmente não o conhecia. No momento em que todo mundo começava a sair, seu estômago estava em nós. Ela desejou que a decisão fosse retirada de suas mãos. Os pais dela não foram de grande ajuda nos últimos meses. Tudo o que falavam com ela era sobre quão bem Billy ia e como seria bom para ele retornar. — Tudo bem? — Billy perguntou quando tocou o corpo adormecido de Maggie em seus braços. Ela olhou para ele e tentou sorrir. — Claro. — Ela quase perdeu um passo enquanto caminhavam de volta para a casa. Ele riu. — Sério? Porque parece que você está prestes a saltar de sua pele. Ela franziu a testa para ele. Uma coisa da qual sempre se orgulhou era o fato de poder esconder bem suas emoções. Ela foi o assunto da cidade durante tanto tempo, e desde sua festa de dezesseis anos ela escondeu o que estava dentro dela de todo mundo.

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Empurrando os ombros para trás, ela colou o sorriso está tudo bem e assentiu. — Eu só pensava em outra coisa. — Ela empurrou o cabelo atrás da orelha e começou a andar mais rápido. Billy pegou a mão dela e a deteve, a girando. — Eu sei que isso provavelmente não é o que você planejou. — Ela esperou e o observou. — Você sabe, entre nós. Seus olhos corriam ao redor. Este não era o lugar que ela queria ter essa conversa, nem o momento. Encolhendo os ombros, ela começou a andar novamente, desta vez de forma mais rápida. — É engraçado como a vida muda. — Ela olhou por cima do ombro e ficou feliz quando percebeu que ele a seguia. — Às vezes, as coisas não funcionam do jeito que você planejou. Se você não consegue se adaptar, então a vida será uma merda. — Ela sorriu e esperava que fosse o fim da conversa. Ele ficou em silêncio o resto da caminhada para a pequena casa. Ela abriu a porta e ele desapareceu no quarto de Maggie, sem dúvida a deitando para que ela pudesse terminar seu cochilo. Savannah sabia que não duraria muito mais tempo e sorriu quando a ouviu começar a mexer no quarto ao lado. Entrando, ela o viu em pé ao lado da janela, balançando Maggie em seus braços. Quando a ouviu, ele se virou e sorriu. — Parece que ela não gosta de ser colocada no berço. — Ela provavelmente está molhada. — Ela se aproximou e estendeu os braços, mas ele a chocou por balançar a cabeça. — Não, eu cuidarei disso. — Ele andou até a mesa de troca e a deitou. Isso seria interessante. Lembrou-se da primeira vez que ele trocou as fraldas de Maggie e se encolheu. Caminhando, ela sentou na cadeira de balanço e assistiu ao show. Maggie, por sua vez, fez tudo o possível para fazer a situação ir mal, até mesmo fazendo xixi em Billy quando ele finalmente conseguiu limpá-la e por talco. Savannah riu quando Billy xingou baixinho e começou todo o processo novamente. — Você não está tornando isso mais fácil — disse ele sobre seu ombro. — Oh, eu deveria? — Ela sorriu e o assistiu se atrapalhar com as tiras adesivas das fraldas. Ele não respondeu, pois estava muito ocupado tentando segurar a agitada Maggie.

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— Ela gosta de ficar nua. — Ela riu quando sua filha virou novamente. Ele olhou por cima do ombro enquanto sua mão segurava Maggie sobre a mesa. — Se bem me lembro, o mesmo acontece com a sua mãe. — Seu sorriso provocou um aumento de sua frequência cardíaca. Ele nunca fez isso antes. Ela franziu a testa em suas costas enquanto ele continuava a se atrapalhar com sua filha. Seus olhos correram sobre os ombros largos e ela sentiu algo mexer dentro dela. Seus quadris eram estreitos e sua bunda parecia absolutamente deliciosa em seus jeans desgastados. Suas botas castanhas de trabalho estavam empoeiradas e até mesmo sua camisa azul desbotada o fazia parecer forte e sexy, algo que ela nunca diria sobre Billy antes. Então, novamente, ela estava a mais de um ano sem sexo, e a última pessoa com quem ela realmente dormiu estava em pé no quarto, na frente dela. Só o pensamento fez seu coração saltar uma batida. Ela sentiu suas mãos tremerem e rapidamente empurrou-as sob suas pernas. Seus olhos observavam cada movimento dele quando vestia com cuidado sua filha novamente. Ele conversava com ela sobre todos os tipos de coisas e ela ainda não tinha realmente prestado atenção ao que ele dizia. Fechando os olhos, tentou desesperadamente recuperar o controle de suas emoções. Ela odiava que a gravidez provocasse tantas emoções ao ponto de inundar a superfície. Ela simplesmente não conseguia entender por que estava tão nervosa perto dele, de repente. — Se você está cansada, pode ir deitar. Eu pegarei esse turno. — Quando ela abriu os olhos, Billy estava de pé perto dela com Maggie em seu quadril. Maggie corria suas pequenas mãos pelo queixo dele e tagarelava. Ela sorriu e balançou a cabeça. — Não, eu só pensava. — Ela se moveu para ficar de pé. — Você gostaria de jantar? Ele deu um passo para trás para que ela pudesse ficar ao lado dele e assentiu. — Eu não tive uma refeição caseira em meses — disse ele, seguindo-a para fora do quarto. — Você não cozinhava enquanto estava fora? — Ela perguntou, pegando seu avental do gancho e o envolvendo em torno de sua cintura.

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— Claro, mas não sou muito bom nisso. — Ele sorriu e trocou Maggie de posição. Eles pareciam bem juntos. O cabelo de Maggie clareou bastante, tendo algumas mechas loiras. Eles tinham olhos e sorrisos iguais, e quando Maggie riu, ela podia ouvir a risada de Billy coincidir com a dela. Ela se perguntou se ele voltar seria uma coisa boa. Afinal, Maggie e ela se acostumaram a ficar sozinhas na pequena casa. Ela sabia que fofoca ainda corria pela cidade sobre Billy e ela, especialmente com o público jovem. A maioria das pessoas de sua idade e os mais velhos sabiam sobre o seu trabalho, e que ele estava de volta à cidade. Ela olhou para Billy e Maggie novamente e sorriu quando viu que ele puxou a menina até seu rosto e dava-lhe beijos em sua barriga. Seus lábios fizeram barulhos estranhos quando Maggie riu e puxou seu cabelo. Sua mente brilhou com uma imagem de seus lábios correndo abaixo de suas costelas, em direção a parte baixa da barriga, os dedos agarrando seu cabelo enquanto lhe dava prazer. Ele olhou para ela e quando seus olhos se encontraram, ela sentiu seu rosto corar com seus pensamentos internos. Ele se acalmou e seu sorriso cresceu quando olhou para ela. Ela podia ver o calor inundando seus olhos e, do outro lado do pequeno cômodo, ela sentiu-se aquecer ainda mais. Virando-se, ela bloqueou os pensamentos de Billy tocando-a de sua mente enquanto tirava os ingredientes para frango frito. Ela tentou ocupar-se, mas cada vez que olhava, ele estava olhando para ela.

Billy não poderia afastar seus olhos de Savannah. Não era apenas a emocionante dança do cozinhar, o pequeno avental branco que ela amarrara ao redor da cintura fazendo sua roupa abraçar suas curvas. Ela ganhou sua sexy figura de ampulheta de volta e ele não conseguia parar de assistir seu traseiro quando ela deixou cair o frango em óleo quente.

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— Ouch. — Ela pulou para trás um pouco e segurou seu dedo. Ele colocou Maggie no cercadinho que estava na sala e correu para pegar a mão de Savannah. Ela colocou a mão esquerda debaixo da água fria na pia, e ele puxou a mão para olhar para ela. Um desagradável vergão branco apareceu na parte traseira de dois dedos. — Aqui. — Ele levantou a mão. — Deixe-me ver. — Ele a puxou para mais perto da janela da cozinha para que a luz batesse sobre a sua mão. Então usou o pano de prato para começar a limpar suavemente a água das feridas. Estendendo a mão para trás, ele pegou um creme para queimadura do armário de remédios. — Eu posso... — ela começou, apenas para ser silenciada por ele enquanto abria o tubo e esfregava o creme branco nas queimaduras. — O meu frango está queimando. — Ela franziu a testa para ele. Ele estendeu a mão, ainda segurando a mão dela, e tirou a panela do fogo. Em seguida, ele voltou a esfregar suavemente o creme sobre seus dois dedos. — Você deve usar luvas quando fritar alimentos. — Ele franziu a testa para a ferida e sabia que formariam bolhas e poderiam deixar cicatrizes minúsculas. Ela balançou a cabeça. — Eu não costumo deixar cair o frango tão rapidamente. Mas você me distraía. — Ela franziu a testa quando ele pegou uma caixa de band-aids. — Eu posso fazer isso sozinha — disse ela, ainda franzindo a testa para ele. Ele balançou a cabeça. — Eu não me importo. — Ele tirou dois band-aids e cuidadosamente os colocou em seus dedos. — Não. — Ele sorriu para ela. — Agora, o que é isso de eu distrair você? — Ele fez questão de mantê-la perto e notou o calor nos olhos dela quando a apoiou no armário. Sua respiração acelerou e ele viu o movimento de seu bonito peito com cada respiração ofegante. — Eu... — ela disse, mas então seus olhos se moveram para os lábios e ela balançou a cabeça um pouco. Sua língua saiu para lamber o lábio inferior e ele sentia vontade de gemer. Ela usava um suave brilho labial rosa, algo que ele nunca a viu usar antes. Seu estilo usual era batom escuro. Ele gostou da aparência mais suave e se perguntou se seus lábios tinham gosto tão bom como pareciam.

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Usando apenas seus dedos, ele cutucou até que seus quadris estavam contra os dele. Ele observou os olhos abrirem em choque quando ela sentiu seu desejo ao lado de seu estômago. Ele não poderia evitar; ele sorriu um pouco mais. Quando lentamente abaixou a cabeça para um gosto, ele observou os olhos para qualquer sinal de negação, mas tudo o que viu foi o calor e incerteza. Quando seus lábios se tocaram, ele gemeu. Eles eram mais macios do que pareciam, e ele não podia deixar de explorar a sua suavidade. Ela tinha gosto de morangos e creme. Suas mãos se moveram para seus cabelos macios e inclinou a cabeça dela para que pudesse ter um sabor melhor. Os dedos dela agarraram sua camisa e quando a puxou para mais perto, eles foram para seus ombros e o segurou enquanto tomava sua boca mais rapidamente. Ele não planejou empurrar assim rapidamente, mas depois de apenas um gosto, ele precisava ter mais. Içando-a para a borda da bancada, ele se moveu entre suas pernas, seu núcleo ao lado de seu desejo, que empurrava para cima contra o zíper da calça jeans querendo sair. Querendo a suavidade que ele sabia que estaria quente e pronta para ele. Quando os dedos dela entram em seu cabelo, ele sentiu-a estremecer com a dor da queimadura. Ele se inclinou para trás com preocupação em seus olhos. — Você está bem? — Ele olhou em seus olhos suaves e assistiu ela piscar algumas vezes até clarearem. Ela assentiu com a cabeça e lambeu os lábios novamente e ele fechou os olhos. Descansando sua testa contra a dela, ele percebeu que Maggie chorava no fundo. — Mais tarde. — Ele se afastou e olhou nos olhos dela até que ela finalmente concordou. Em seguida, ele a ajudou a descer da bancada e fez com que estivesse firme em seus pés. — Seja mais cuidadosa ao colocar o frango. Ela assentiu com a cabeça novamente. — Eu cuidarei de Maggie. — Ele sorriu quando ela apenas balançou a cabeça novamente. Ele gostava de saber que poderia deixá-la sem palavras. Ele entrou na sala e olhou para sua filha, que estava em pé dentro de seu berço, chorando. Quando o viu, as lágrimas pararam e ela segurou as mãozinhas para cima para ele pegá-la.

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Ele sorriu. — Oh, não. — Ele balançou a cabeça. — Eu só posso estragar uma das minhas meninas de cada vez. — Ele se sentou ao lado do berço e pegou o sapo de pelúcia que ela deixara cair fora de seu berço. — Além disso, eu ouvi dizer que se eu ceder agora, você associará chorar com conseguir o que quer. — Ele riu quando ela fez beicinho percebendo que ele não a pegaria. Ele podia ouvir Savannah cozinhar na cozinha novamente e pensou sobre como ele queria mimá-la mais tarde naquela noite. Em seguida, balançando a cabeça para limpá-la, ele distraiu Maggie, fazendo a rã dançar ao redor até que Savannah chamou-o para jantar.

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08 Savannah tomou seu tempo alimentando Maggie. Billy foi para o quarto alegando que precisava de um banho. Ela podia ouvir a água correr no quarto ao lado e sentiu seus nervos saltarem. Maggie estendeu a mão com seus pequenos dedos e tocou seu rosto enquanto mamava. Ela gostava de leite materno e nunca pensou que um ato tão simples poderia uni-las tanto. Ela tinha mamadeiras, bombas e até mesmo a receita, mas não tiraria um momento do tempo que passava todo dia segurando sua filha, sabendo que o que dava a ela era o melhor para ela. — O que você acha do seu pai? — Ela sussurrou, afastando o cabelo macio de Maggie do seu rosto gordinho. Os olhos da filha abriram e olharam em volta, quando ouviu a palavra papai, fazendo com que Savannah sorrisse. — Sim, eu estou alegre que ele esteja de volta, também. — Ela viu os olhos de sua filha fechar novamente e sabia que desta vez sua filha ficaria dormindo. Inclinando a cabeça para trás, fechou os olhos e pensou no que esperava por ela no quarto ao lado. Ela estava nervosa. As mudanças em seu corpo eram parte da causa, mas as mudanças entre Billy e ela eram parte também. Era engraçado. Sexo era algo que ela costumava fazer muito e sempre gostou. Mas agora, depois de mais de um ano de não ter alguém a tocando, ela se sentiu como uma virgem de novo. Não, isso não era certo. Mesmo quando ela estava intocada por alguém ela queria tocá-la, mas nunca se sentiu assim antes. Nunca. Ela ouviu um barulho e abriu os olhos para ver Billy de pé na porta, olhando para ela. Ela olhou para baixo e viu que a pequena a cabeça de Maggie caíra longe de seu peito durante o sono. Ela moveu a camisa de volta no lugar e começou a levantar sua filha dormindo.

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— Aqui — ele disse baixinho e correu para pegar delicadamente o bebê. — Vou levá-la. Ela assentiu com a cabeça e observou-o levar Maggie para o berço. Ele estava lá, segurando sua menina dormindo por um momento. Em seguida, olhou por cima do ombro para ela. — Devo colocá-la de barriga para baixo ou algo assim? — Ele franziu a testa. Ela sorriu e se aproximou para lhe mostrar como Maggie gostava de dormir. Ela bateu algumas vezes na parte de trás de sua filha, até que, no sono, ela arrotou e se aquietou com seu cobertor de sapo e um sorriso nos lábios. — Sapos? — Ele balançou a cabeça e sorriu. Ela sorriu enquanto olhavam o bebê dormir. — Sapos. Ele passou um braço em volta dos ombros dela e puxou-a para perto. — Ela é perfeita, não é? — Ele deu um beijo no topo de sua cabeça e ela sentiu seu coração pular. Sua garganta se fechou de novo e tudo o que podia fazer era acenar com a cabeça. Em seguida, ele a puxou com ele enquanto saía do quarto. Segurando a mão dela, ele a virou do lado de fora de sua porta e puxou-a contra a parede. Sua boca estava sobre a dela rapidamente, e ela sentiu o acelerar da respiração enquanto as mãos dele passavam por seus lados. — Eu esperei. — Ele balançou a cabeça e se afastou um pouco. — Esperei muito tempo. — Seus olhos fecharam quando descansou sua testa na dela. — Não me faça esperar mais, Savvy. — Ela ouviu sua voz falhar. Balançando a cabeça, ela disse: — Não, não precisa mais esperar. — Então ela puxou sua cabeça de volta para a dela até que seus lábios tomaram os dela e todos os seus nervos derreteram com os lábios quentes. Quando suas mãos começaram a puxar sua camisa, ela endureceu por um momento até que sua boca viajou para baixo de seu pescoço. Ela descansou a cabeça contra a porta e fechou os olhos para o puro prazer de ser tocada novamente. Então, ela puxou e tirou a camisa dele andando para trás no pequeno quarto. Ele a seguiu e fechou a porta com o pé enquanto a ajudava a puxar sua camisa.

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Quando ela viu os ombros e estômago bronzeados finalmente expostos, ela derreteu ainda mais. Por que não notara durante suas sessões de Skype que ele ficou tão musculoso nos últimos seis meses? Ela correu os dedos lentamente sobre sua firme pele e sorriu quando ele flexionou sob seu toque leve. — Alguém mais tem malhado. — Ela sorriu e colocou os braços ao redor de seus ombros. Ele balançou a cabeça e sorriu. — E agora que eu mostrei o meu... — seus dedos brincavam sob sua camisa e começou a levantá-la lentamente. Seu sorriso vacilou por uma fração de segundo antes dela fechar os olhos e deixar que ele levantasse e tirasse sobre a cabeça. Ele ouviu o falhar da respiração dele e seus olhos se abriram para ver o fogo quando ele olhou para ela. — Linda — ele sussurrou enquanto corria o dedo sobre sua clavícula, em seguida, para baixo, sobre seus seios. Ela suspirou e se inclinou, deixando a cabeça cair para trás mais uma vez. — Eu sonhava em tocar você de novo — disse ele, pouco antes de sua boca continuar a trilha para baixo de seu pescoço enquanto seus dedos brincavam sobre sua pele aquecida. — Sonhava em provar você. — Ele usou os dedos e puxou o sutiã de amamentação de lado. Por uma fração de segundo, ela congelou, lembrando que vestia a branca coisa feia em vez de algo rendado e sexy. — Não — disse, percebendo o seu pensamento. — É perfeito. Você é perfeita. — Ele puxou o material de lado e a expôs. Então seu sorriso cresceu. — Perfeita — ele disse de novo. Quando seus dedos e lábios voltaram para a pele dela, ela esqueceu tudo sobre suas feias roupas de baixo. Em vez disso, se viu puxando sua calça jeans e desejando que ele fosse mais rápido. — Calma — ele riu. — Esperei muito tempo para tê-la assim novamente. — Ele se afastou e ela desejou rosnar. Balançando a cabeça, ela mordeu o lábio inferior. — Eu preciso agora. — Seus olhos viajaram acima e abaixo dele. Ele ficou na frente dela sem nada, apenas suas boxes agora, e ela pensou que ele se parecia com os anúncios de roupas íntimas que viu nas capas das revistas na Grocery Stop. Sua pele bronzeada era firme sobre cada músculo que corria ao longo de suas costelas, seu estômago, seus braços. Tudo era melhor do que se lembrava. A

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sensação da pele quente sobre o músculo duro. O sabor de sua boca na dela. O cheiro de homem. Ela sentiu falta de tudo. Como se deixou ficar este tempo sem ele? Por que ela fez isso? Em seguida, os dedos dele tocaram seus lados e ela se lembrou das longas marcas brancas de estrias que corriam ao longo desse caminho. Ela estendeu a mão e apagou as luzes, deixando o quarto na escuridão total. Ela o ouviu rir, então as luzes inundaram o quarto novamente. — Você não sairá tão fácil. — Ele sorriu. Ela franziu a testa e apertou o botão novamente. Ela o ouviu rir mais uma vez, e, em seguida, ele deixou seu lado. As mãos dela caíram ao seu lado, e ela ficou no escuro imaginando o que ele fazia. A luz ao lado da cama acendeu e ela o viu parado do outro lado do quarto. Ela começou a pensar em como poderia convencêlo a apagá-la também. Ele cruzou os braços sobre o peito e balançou a cabeça quando ela começou a se mover em direção à luz. — Ela permanece acesa. — Algo lhe dizia que beicinho não funcionaria com ele neste momento. Ela perdera todo o controle da situação e, pela primeira vez em sua vida, ela sabia, sem dúvida, que desfrutaria de cada segundo do resto da noite.

Billy não conseguia parar de sorrir enquanto Savannah ficava do outro lado do quarto sem nada, a não ser um sutiã de algodão branco e suas leggins pretas. Ela tirara as botas sensuais na porta da frente e ele achou as unhas dos pés na cor rosa brilhante mais sexy do que o inferno. Só de estar tão perto de uma mulher novamente acelerava seu corpo. Sabendo que era Savannah, a mãe de sua filha, a mulher por quem foi apaixonado por tanto tempo quanto podia se lembrar, era como uma adição de nitroglicerina em seu sistema, empurrando seu corpo para querê-la mais rapidamente.

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Ele balançou a cabeça e deixou cair os braços ao seu lado. Os olhos dela viajavam em cima dele, e ele podia ver o calor neles enquanto ela gostava do que via. Trabalhar no gasoduto era um trabalho árduo, mas durante suas horas de folga, ele levantou algum peso que os caras tinham no trailer. Não que ele fosse vaidoso, mas ele ganhou alguns quilinhos a mais desde a graduação da escola secundária. Ele também começou a ter uma barriga de cerveja, como a que sempre odiou em seu pai. Olhando para si mesmo, ele sorriu um pouco. Foi-se a barriga de cerveja e em seu lugar estava um bem tonificado tanquinho. Não era tão impressionante como os abdomens de alguns dos caras que trabalhavam em sua equipe, mas sentiu que poderia conseguir e sabia o quão duro trabalhou para isso. — Então? — Ele olhou de volta para ela. Os olhos dela correram para os dele em questionamento. — Você virá aqui e me deixará desfrutar de cada polegada de seu corpo? O rosto dela corou, e depois os ombros foram para trás em um clássico movimento Savannah, e ela atravessou o quarto. Ele teria rido se vê-la vindo para ele não o excitasse mais. Quando ela chegou a ele, ela tomou sua cabeça em suas mãos e inclinou-se para beijá-lo, mas ele se afastou e colocou as mãos em seus ombros. — Deixe-me. — Ele sorriu quando a viu franzir a testa. — Savvy. Eu quero desfrutar olhar para você. — Quando sua carranca aumentou, ele riu. — Você tem um corpo bonito. — Ele correu as costas de seus dedos para baixo em suas costelas e a respiração dela ficou presa. — Tão bonito. Seus olhos estavam fechados agora e ela balançou a cabeça de um lado para o outro. — Eu tenho estrias. — Saiu como um sussurro. Estendendo a mão, ele colocou um dedo sob o queixo dela até que ela abriu os olhos e olhou bem dentro dele. — Se tem, confie em mim, eu não as vi ou me importo. Tudo o que vejo é perfeição. Seu olhar severo vacilou, então continuou a dizer-lhe exatamente o que ele viu. Seus seios eram perfeitos, cheios e maleáveis. Perfeito para sua boca. Ele

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chegou por trás e soltou o sutiã e, lentamente, puxou-o para baixo e fora de seus ombros. Ela tentou se afastar e cobrir-se, mas ele tomou suas mãos e segurou-as de lado. — Perfeição — ele sussurrou enquanto olhava para ela. — Eles são perfeitos para alimentar nossa bebê e perfeito para isso. — Ele inclinou a cabeça para baixo e começou a correr a boca sobre sua pele exposta. — Eles são suaves, mas fortes o suficiente para enfrentar as mamadas diárias de uma criança de seis meses de idade. — Ele olhou para ela e notou que seus olhos estavam desfocados quando ela olhou para ele, então continuou a sua exploração. Ele correu um dedo levemente sobre seu estômago plano. Ele notou pequenas estrias brancas, mas só podia ver a beleza em si. — É incrível como seu corpo cresceu e manteve a nossa filha aqui, nutrindo e protegendo-a. E agora você está tão magra, tão perfeita. — Ele correu sua boca sobre cada polegada suave de sua pele. Os dedos dela estavam em seus cabelos, puxando e empurrando enquanto ela desfrutava de seus movimentos. Ele gostava dos sons que ela fazia quando ele desfrutava dela. Suas mãos foram para os quadris e ele moveu lentamente o algodão preto sobre seus quadris estreitos. — Mas eu acho que a minha parte favorita é essa. — Ele pegou seus quadris nus em suas mãos e puxoua para mais perto dele. — O fato de que seus quadris estão agora menores do que nunca. — Ele sorriu e colocou a cabeça contra seu estômago enquanto corria as mãos para cima e para baixo de seus quadris e coxas. — Eu sempre fui um homem de bunda. — Ele riu com ela quando suas mãos agarraram seu traseiro. — Eu sei, eu sei. Cada homem na cidade pensa que eu sou louco. — Ele olhou para ela enquanto ela balançava a cabeça. — Você está me matando. — Sua carranca desapareceu. — Leve-me para a cama. Ele riu. — Eu gosto de te torturar. — Ele virou a cabeça em sua suavidade novamente e correu a boca sobre seus quadris planos até chegar ao macio algodão branco que a protegia de sua exploração. Mergulhando o dedo por baixo, ele puxou o algodão para baixo de suas pernas lisas e correu as mãos para cima e para baixo dos músculos tonificados em cada perna. Seus

olhos

foram

para

seu

sexo

e

sua

boca

realmente

encheu

d’água. Quando estava livre de todas as roupas, ela tentou voltar para a cama e

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estendeu a mão para a luz. Ele riu e tomou-lhe as mãos, mantendo-a imóvel. Ela gemeu e tentou lutar um pouco, e ele agarrou ambas as mãos atrás das costas dela com uma das suas. — Não — ele rosnou. — Eu terei você do meu jeito. — Ele se ajoelhou entre suas pernas e com a mão livre abriu mais as pernas dela. Ele a ouviu o xingando quando sua boca tomou seu sexo. Ele usou sua língua sobre ela até que suas maldições foram substituídas por gemidos e respiração ofegante. Ela puxou as mãos atrás das costas e então ele as soltou. Elas se moveram e cavaram fundo em seu cabelo e puxaram sua cabeça para mais perto dela enquanto a agradava. Ela moveu uma de suas pernas até a beirada da cama, expondo-se mais para ele. Seus dedos cravaram em seus quadris enquanto ele desfrutava dela, e quando sentiu que não podia segurar mais, ele empurrou-a de volta na cama e moveu-se para cima dela. — Eu não posso acreditar o quanto eu quero você. — Ele choveu beijos ao longo de sua mandíbula enquanto deslizava dentro dela devagar, e sabia, sem dúvida que estava onde pertencia. Que foram feitos um para o outro. Quando olhou para seu cabelo macio espalhado em suas fronhas, ele se sentiu tão emocionado diante dela. Ela estava mais bonita do que se lembrava, do que jamais imaginou em suas memórias. — Savvy — ele gemeu quando seus olhos azuis se abriram e olharam para ele com desejo. Suas unhas cravaram em seus ombros enquanto o puxava para mais perto. Quando os ombros dela se moveram para fora do colchão, ele passou os braços em torno dela, segurando até que pensou que poderia cortar o suprimento de ar. — Billy, mais rápido — ela gemia e ele era um escravo de seus desejos. Afastando, ele usou seus quadris e viu quando ela jogou a cabeça para trás e fechou os olhos com força. Ele sempre gostava de vê-la perder-se, mas desta vez foi diferente. Desta vez, ele sabia que era a primeira de muitas. Quando ficaram juntos no passado, ele nunca pensou que poderia experimentá-la novamente.

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Ele sorriu para ela quando a sentiu sossegar debaixo dele. Ele garantiria que esta fosse apenas a primeira de uma vida de prazeres que ele traria para ela. — Billy? — Ela olhou para ele, sacudindo-o de seus pensamentos profundos, e ele percebeu que ainda precisava ter a sua liberação. Balançando a cabeça e rindo levemente, ele se inclinou e começou a beijá-la. — Logo. — Ele aprofundou os beijos e a sentiu construir novamente debaixo dele. Suas pernas ao redor de seus quadris e seus quadris se movendo com o seu. — Mais — ele rosnou, sentindo-se ficando mais alto. Então ela o chocou, empurrando em seu ombro até reverter suas posições. Ela sorriu para ele e afastou os cabelos dos olhos. — Eu acho que é hora de você me deixar tomar as rédeas. — O sorriso dela cresceu quando seus quadris começaram a rodar. Ele tentou manter os olhos colados à sua beleza, pairando sobre ele, mas o prazer que ela provocava era tão grande e ele sentiu o brilho do que o consumia. Fechando os olhos, ele enfiou os dedos em seus suaves quadris e gritou seu nome enquanto ela levou tudo o que ele já segurara por ela, velozmente.

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09 Ela ficou deitada lá e ouviu a batida do coração de Billy abrandar. Ela nunca imaginou que seria assim. Seu peito realmente doía. Em todos os seus anos, ela nunca se permitiu chegar tão perto de alguém antes. Nem mesmo Travis, com quem ela esteve por mais tempo. Verdade, ela ficou brava com ele quando ele pediu Alexis West em casamento, mas sabia que não duraria. Afinal, na semana após ficar noivo dela, ele se arrastou através de sua janela. Agora, enquanto estava aqui e ouvia Billy dormir levemente abaixo dela, duvidava que Travis traísse Holly. Nem Savannah permitiria que ele engatinhasse em sua janela mais. Ele era diferente. Ela era diferente. Suspirando, ela se aconchegou mais perto do peito quente de Billy. Ela não sabia se queria ficar com Billy para o resto de sua vida, mas pelo menos ele foi gentil com ela e Maggie, e isso era a coisa mais importante para ela agora. Sem mencionar que ela realmente gostou do sexo que acabara de ter. Ela sorriu em seu peito e fechou os olhos. Adormeceu ao som de seu coração e com a memória de quanto prazer ela teve a partir dele. Ela acordou cerca de uma hora depois e ouviu pelo monitor na mesa de cabeceira Maggie chorando. Ela poderia dizer a partir da pressão no peito que era hora de amamentar outra vez. Estava no meio do quarto quando percebeu que ainda estava muito nua. Agarrando o roupão do gancho na parte de trás da porta, ela envolveu-o em torno de si mesma e olhou para a cama. Billy sentou-se na cama, sorrindo para ela. — Eu queria saber se você andaria pela casa daquela forma. Não que eu estivesse reclamando. — Seu sorriso cresceu. Seus olhos se estreitaram quando ela assistiu ele sair da cama, gloriosamente nu. Ela precisou piscar algumas vezes seus olhos para finalmente concentrar-se em seu rosto. Seu sorriso era enorme.

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— Eu vou buscá-la. — Ele começou a puxar sua cueca. Ela balançou a cabeça. — Não, eu preciso alimentá-la. Ele franziu a testa um pouco. — Que tal uma mamadeira? Ela riu. — Confie em mim. Desta vez, é só comigo. — Ela virou, apenas para ser parada pela mão em seu ombro. — Savvy, eu quero ajudar. — Ele franziu a testa para ela. Suas sobrancelhas se ergueram. — Não é isso. — Ela suspirou, sentindo-se um pouco envergonhada. Ela podia sentir seu corpo reagindo ao choro do bebê e se ele não a deixasse ir logo para sua filha, a frente de seu roupão estaria encharcada. — Eu preciso alimentá-la. — Ela estendeu a palavra, esperando que ele entendesse seu significado. Quando ele apenas olhou para ela sem expressão, ela suspirou e fechou os olhos. — Billy, se não me deixar ir, eu vou estourar com leite. Ela sentiu as mãos apertarem brevemente sobre seus ombros, e então elas se afastaram. — Desculpe — ele murmurou e ela rapidamente se virou e saiu correndo. Recolhendo Maggie, ela se acomodou enquanto a menina começava a chupar avidamente. Ela ficou chocada ao ouvir Billy caminhar para o quarto do bebê. — Ela a acorda todas as noites? Ela olhou para ele e balançou a cabeça. Sua carranca cresceu. — E se cortasse aos poucos, você sabe, com a mamadeira. Ela encolheu os ombros. — Eu não me importo. — Você não precisa de mais sono? — Ele andou até ela e observou sua filha enquanto ela comia. Savannah deu de ombros. — Ela voltará a dormir por mais algumas horas. — Ela bocejou e olhou para o relógio de sapo na parede. — Então estará pronta por volta das seis. — Ela sorriu. — Isso é quando normalmente temos a nossa caminhada matinal. Antes que fique muito quente. Suas sobrancelhas se ergueram. — Eu vou com você. — Ele se ajoelhou ao lado dela. A pequena não de Maggie estendeu e tomou a dele quando ele afastou o cabelo do seu rosto.

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Ele riu. — Ela tem uma boa aderência. — Então seus olhos se suavizaram ao vê-la mamar. — E apetite. Savannah riu. Quando voltaram para a cama, Maggie dormia novamente. — Ela mama na mamadeira de vez em quando? — Ele perguntou, tirando seus shorts e rastejando na cama. Ela estava tão sem fôlego ao vê-lo nu que quase esqueceu o que ele perguntou. — Sim. — Saiu como um sussurro. — Eu bombeio às vezes, e às vezes eu dou sua fórmula. Ele balançou a cabeça. — Você vai rastejar de volta aqui? Ou será que está pensando em dormir em pé? — Ele sorriu enquanto segurava o cobertor levantado para ela rastejar. Ela estava em pé ao lado da cama, seu roupão fechado firmemente em torno dela. Ela pensou rapidamente em agarrar um pijama, mas ele balançou a cabeça quando viu seus olhos irem para a cômoda. — Savvy, volte para a cama. — Sua voz era baixa e ela sentiu uma onda de calor correr através de seu corpo. Ela desfez o nó de seu roupão e os olhos dele viajaram para cima e para baixo de seu corpo quando ela puxou o algodão dos ombros. Ela parou por um momento ao lado da cama, congelando sob seu olhar. Então ele estendeu a mão para ela e ela foi para ele, sabendo que não conseguiria algumas horas extras de sono e sabendo que não se importava.

Billy acenou para algumas pessoas em frente enquanto empurrava o carrinho de Maggie pela calçada. O sol já estava de pé, uma vez que levantaram mais tarde esta manhã. Fazia quase uma semana desde que voltara para casa, e já se acomodara na nova programação. Ele gostou das caminhadas diárias que tomavam como uma família, mesmo que geralmente a primeira fosse antes do nascer do sol. Ele sempre dormiu tarde. Quando o trabalho exigia que se levantasse mais cedo, geralmente

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tomava algumas xícaras de café antes de se sentir vivo. Mas agora tudo o que precisava era ouvir os risos de sua filha logo de manhã. Ele olhou para Maggie, sentada em seu carrinho. Seus olhos escuros, que quase combinavam perfeitamente com o seu, viajavam por toda parte, observando tudo. — Ela é inteligente — ele deixou escapar e estremeceu quando percebeu quão estúpido ele soou. Savannah olhou para ele e balançou a cabeça. Ela vestia uma jaqueta de corrida azul clara com apertadas calças de yoga azul escuros. O top branco que usava por baixo da jaqueta agarrou-se a ela e desejou que ela não tivesse abotoado o casaco completamente. — Sim, eu tenho notado isso também. Ela observa tudo. Ele sorriu. — Exatamente. — Ele balançou a cabeça e continuou a olhar para sua filha. — Eu assistia os outros garotos ontem no parque e nenhuma das outras crianças olhava em volta como ela faz. — Como se tentasse entender tudo. — Savannah sorriu. — Eu pensei que era só eu. Sabe, todo mundo diz que os pais pensam o melhor de seus filhos, mas neste caso... — Sim. — Ele suspirou. — Que tal sair uma noite comigo? — Ele deixou escapar. Savannah parou de andar e ele teve que parar rapidamente o carrinho. Ele olhou por cima do ombro para Savannah em questionamento. Sua cabeça estava inclinada e ela mordia o lábio inferior. — Como um encontro? Ele pensou sobre isso. — Bem, com certeza. Eu pensei em irmos jantar em Tyler. Talvez um show. Ela piscou algumas vezes e ele começou a se sentir um pouco estranho em pé na calçada esperando por uma resposta. — Eu acho que meus pais podem cuidar de Maggie por algumas horas. Seu sorriso foi rápido. — Que tal sexta-feira? Ela começou a andar lentamente novamente. — Eu vou ligar para eles. — Você ficará bem? Estar longe dela assim. — Ele apontou para o peito, fazendo-a franzir a testa.

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— Eu precisarei bombear antes. — Ela franziu a testa um pouco. — Desde que não fiquemos fora até muito tarde. — Ela sorriu. Enquanto caminhavam o resto dos dois quilômetros e meio de volta para sua casa, sua mente correu com opções. Ele nunca levou uma menina em um encontro antes. Houve muitas garotas antes, mas nunca levou nenhuma em um encontro de verdade. Seus passos vacilaram quando percebeu que não conhecia um bom lugar em Tyler para levar uma mulher. Ele sabia de mais de duas dezenas de bares e botecos de dança, mas nada veio à mente que seria adequado para uma noite fora com a mãe de sua filha. Quando virou a última curva e a casa verde surgiu, ele percebeu que sabia exatamente a quem perguntar. Ele estava bem surpreendido ao ver sua velha caminhonete estacionada na frente da lanchonete no final do quarteirão. — Uh... — ele parou e esperou que Savannah se virasse para ele. — Eu preciso parar na lanchonete por um momento. — Ele empurrou o carrinho de Maggie um pouco até Savannah pegar. — Eu já volto. Então, podemos tomar o café da manhã. — Por que não podemos ir com você e tomar o café da manhã no Mama? Ele parou. — Você está autorizada a voltar lá? — Ele tossiu quando ela olhou feio para ele. — Quero dizer, com certeza. Isso seria ótimo. — Como falaria com Alex sozinho para perguntar a ela sobre um bom lugar para ir em Tyler? — Maggie gosta do Mama’s. — Savannah conversou enquanto caminhavam uma quadra e meia para o restaurante. Quando entraram, ele esperava que a sala lotada parasse de falar quando notasse Savannah entrar, mas em vez disso, as pessoas acenaram e disseram Olá para eles. A última vez em que esteve na cidade, ela estava proibida de ir ao Mama’s devido a um ligeiro mal-entendido entre Jamella e ela. Mas, enquanto eles caminhavam pela grande sala, que foi recentemente reformada, ele ficou surpreso ao ver a proprietária correr pelo restaurante e arrancar Maggie de seu carrinho. — Aí está minha menina. — Jamella beijou as bochechas rechonchudas de sua filha para deleite de Maggie. O alto guincho e riso da filha encheu a sala. Várias

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pessoas olharam e riram. — Bem, já era hora de você aparecer novamente. — Jamella sorriu para ele, movendo Maggie para seu quadril. — Sim, senhora. É bom estar de volta. — Ele largou o menu. Jamella assentiu. — Você está de volta por um tempo? Ele balançou a cabeça. — Eu começo o meu turno de duas semanas em três semanas. Ela assentiu com a cabeça e olhou para Maggie. — Eu estou roubando sua criança por um tempo. — Ela riu quando Maggie agarrou seu grande colar. — Tenho que mostrar minha afilhada. — Ela olhou para eles e olhou feio um pouco. — Isso se vocês dois decidirem oficial... — ela soltou um humf e, em seguida, saiu com sua filha. Ele se inclinou sobre a cabine e sussurrou, uma vez que todos na cidade sabiam que Jamella tinha um ouvido como um elefante. — O que foi aquilo? Savannah deu de ombros. — Ela e o xerife da cidade pensam que devem ser padrinhos de Maggie. Ele sorriu. — Eu não vejo por que não. Afinal de contas, não são seus? Ela olhou para ele. — Xerife Miller é meu padrinho, sim. Ele balançou a cabeça. — E uma vez que o xerife e Jamella são um casal... Ela deu de ombros e olhou de volta para o seu menu, mas viu seus olhos correrem por toda a sala onde Jamella mostrava Maggie a todos que podia. Ele observou um pequeno sorriso formar em seus lábios e não pôde deixar de sorrir. — Então está resolvido. — Ele colocou seu cardápio sobre a mesa. — O quê? — Ela abaixou o cardápio e se endireitou quando Alex se aproximou e colocou dois copos de água na frente deles. — Não posso acreditar quão rápido ela está crescendo. — Alex sorriu, olhando em direção Jamella e Maggie. Ele observou o rosto de Savannah para qualquer sinal de desagrado, o que viu todas as vezes que ela lidou com Alex antes. Mas desta vez, a única coisa em seu rosto era um olhar questionador sobre a sua declaração anterior. Quando Alex olhou novamente para eles, ela balançou a cabeça. — Eu darei aos dois algum tempo para pensar sobre o que querem. Ele teve uma sensação estranha e ela compreendeu que eles queriam ser deixados sozinhos por um momento.

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— O que está resolvido? — Savannah franziu a testa. Ele estendeu a mão e pegou a mão dela. — Jamella e o xerife serão padrinhos de Maggie. Ela franziu a testa ainda mais. — Mas... — ela balançou a cabeça, em seguida, inclinou-se e sussurrou. — Nós não somos casados. Ele riu. — Por que não? Ela se sentou de volta, sua carranca crescendo. — Por que não, o quê? — Por que não nos casamos? — Ele disse claramente. Ela empurrou a mão dele e franziu a testa. Balançando a cabeça, ela pegou o menu novamente e ele amaldiçoou os novos menus maiores do Mama’s, uma vez que não podia ver os olhos por cima dele. Esticando, ele puxou para baixo o menu. — Este não é o momento. — Ela olhou em volta e viu que várias pessoas próximas a eles ouviram a conversa e assistiam, esperando por sua resposta. — Ou o lugar para discutir algo como isto — ela assobiou baixinho. Sentia-se como um idiota de repente. Ela estava certa. Olhando ao redor da lanchonete, ele percebeu que uma sala cheia de pessoas que sabiam tão bem do passado de ambos não era o lugar certo. Mas não tinha nenhum problema com o tempo. Afinal de contas, eles tiveram um filho juntos e se davam maravilhosamente bem desde que voltou para casa. Ele desfrutou o tempo que passou com ela durante o dia, mas o tempo que passava a noite na cama era melhor. Ele assentiu com a cabeça e pegou o menu novamente, assim que Jamella voltou com Maggie. — É melhor eu voltar. — Ela suspirou e entregou-lhe sua filha, mas não antes de colocar vários beijos na bochecha dela. — Agora, é hora de você dois terem uma noite fora. — Ela franziu a testa para eles. — Afinal de contas, se você só irá para a cidade para outra semana ou assim. — Ela balançou a cabeça. — Duas semanas aqui, duas fora. — Ela virou para Alex que caminhava em direção a eles para pegar o pedido. — Garota, onde você disse que aquele seu homem a levou da última vez? Alex parou e olhou para Jamella. — Onde? Oh, Antonio Bistro. Uma das melhores comidas italiana no Texas. É logo após o shopping, não tem como errar.

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Billy se perguntou se os seus pensamentos estavam escritos em algum lugar em seu rosto. Então Jamella sorriu. — Se precisarem de uma babá... — ela sorriu, depois riu quando Maggie puxou o rosto de Billy e levou toda a sua atenção pelos próximos minutos enquanto ele tentava pedir seu café da manhã.

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10 Savannah tentou não transparecer sua raiva durante o resto do café da manhã. Ela colou um de seus sorrisos, está tudo bem, embora ela estivesse fervendo por dentro. Como

Billy

se

atreve

a

envergonhá-la

assim. Especialmente

no

Mama’s. Passara apenas alguns meses desde que o xerife insinuara que Jamella permitiria que ela voltasse para o lugar. E agora Billy fazia uma grande cena para todo mundo ouvir. Ele não podia acreditar que deixou escapar sobre o casamento, e ela tinha estufado durante todo o café da manhã. Agora, enquanto eles voltavam para a casa, ela permaneceu em silêncio e desejou mais do que qualquer coisa voltar em casa para que pudesse trancar-se em seu quarto o resto do dia ao invés de ter o golpe que ela sabia que construía. Quando entraram pela porta, ela agarrou Maggie, que parecia mais cansada do

que

normalmente

estaria

após

as

suas

caminhadas

matinais. Era,

provavelmente, devido a toda emoção no restaurante que fez sua filha cochilar enquanto a colocava em seu berço. Ela queria desesperadamente um motivo para ficar no quarto de sua filha, mas sabia que precisava dormir. Fechando a porta silenciosamente, caminhou até a cozinha para pegar um copo de água. Depois de encher um copo, ela se virou e bateu em algo sólido, derramando água em toda a sua camisa de malhação. — Desculpe. — Billy riu e pegou uma toalha de mão. Quando começou a limpar sua camisa, ela puxou dele e caminhou até a pia para limpar sua camisa ela mesma. Mesmo estando de costas para ele, ela poderia dizer que ele sabia que ela não estava feliz com ele. — Sinto muito sobre a água. Eu não sabia que você viraria — disse ele, e ela podia ouvir que ele estava bem atrás dela.

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Ela rangeu os dentes e se voltou contra ele. — Este lugar é pequeno demais para nós três. Quero dizer, toda vez que eu me viro... — ela fez um gesto em direção a ele enquanto ele estava a um metro de distancia dela. Ela fechou os olhos em frustração. Ele deu alguns passos para trás até os ombros baterem no batente da porta. Ele cruzou os braços sobre o peito, enquanto a observava. — Sinto muito — disse ele novamente. — Pare de dizer isso. — Saiu como um grito. Ela marchou para a sala da frente, sabendo que era o mais distante que eles poderiam ficar do quarto de Maggie. Ela não ficou surpresa quando se virou para ver Billy parado na porta olhando para ela. Ela rosnou e levantou as mãos. — Eu preciso de algum tempo para mim. Como conseguirei isso em um lugar tão pequeno? — Ela sentiu o cômodo se fechando sobre ela e colocou a mão na parte de trás do sofá para se firmar. — Savvy... — Não me venha com Savvy — disse ela em voz alta. — Você acabou de me pedir em casamento no Mama’s! — Ela sentiu o engate respiração. — No Mama’s! — Ela gritou. Ele balançou a cabeça. — Eu... — ela levantou a mão para detê-lo. — Não! Eu não quero ouvir. Ele começou a caminhar em direção a ela com as mãos estendidas, mas ela rapidamente pegou a pequena tigela de vidro na qual sempre colocava as chaves dentro e jogou-a na cabeça dele. Ele abaixou-se facilmente, e quando ela quebrou contra a parede de trás da sala, ela ouviu Maggie começar a chorar. Ela gemeu e levantou as mãos. Então se virou, pegou o casaco de novo e gritou por cima do ombro enquanto saía. — Eu sairei para uma caminhada. Ela bateu a porta atrás dela, respirou fundo, e descansou a cabeça contra a porta. Ela ouviu um barulho e abriu os olhos. Ela ficou horrorizada ao ver três pessoas em pé na calçada em frente de sua casa. Sr. e Sra. Cole conversavam com o Xerife Miller, que rapidamente começou a caminhar em sua direção. Ela gemeu e desejou poder voltar para dentro, mas não queria enfrentar Billy ainda.

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Rangendo os dentes de trás, ela endireitou os ombros e começou a marchar pela calçada. — Tudo bem? — O xerife olhou entre ela e a casa. — Está tudo bem — ela disse rapidamente e continuou a andar. — Bem, é só que... — o xerife manteve-se com ela. Quando ela olhou, Sr. e Sra. Cole olhavam para ela da garagem, a preocupação em seus olhos. — Eu conversava com Phil e Alice — ele acenou para os vizinhos dela... — quando ouvimos gritos e um estrondo. Ela parou e se virou para ele. — Nada além de uma simples briga — ela deixou escapar. O que fazia? Ela nunca admitiria nada parecido antes. Vidas privadas eram privadas. Ela empurrou os ombros mais para trás e virou sobre os calcanhares. — Agora, se todo mundo acabou de meter seus narizes em minha vida pessoal, eu farei uma longa caminhada. — Ela virou e dirigiu-se para longe do restaurante e da pequena casa verde o mais rápido que pôde. Alimentada por raiva, mágoa e vergonha, seus pés a levavam até os arredores da cidade. Ela virou na estrada velha e parou sobre a antiga ponte frágil que deveria ter sido demolida uma dúzia de anos atrás. Ela ainda parecia forte, mas a maioria de suas tábuas era frágil demais para suportar um veículo. Ela veio aqui um milhão de vezes ao longo dos anos. Ainda mais recentemente para suas visitas com Tracy. Sentando-se no lado da ponte, ela deixou suas pernas penduradas na borda enquanto jogava pedrinhas da ponte na calma água abaixo dela. Ela sabia que foi infantil com Billy. Fechando os olhos, descansou a testa na viga de aço enferrujado, assim como Tracy sempre fazia. O calor do dia a atingiu, e ela sentiu o suor escorrendo pelas costas. Seus seios doíam e ela sabia que se aproximava rapidamente da hora de alimentar Maggie. Logo, não importa o que fizesse, eles se tornariam terrivelmente doloridos e ela precisaria de sua filha. Mas continuou sentada na ponte, olhando sobre a borda na água. Ela era Savannah Douglas. Ela tinha tantos planos para sua vida. Ela encontraria o homem mais rico do Texas e se casaria com ele. Ele a levaria em um jato particular para a Itália ou Paris e a pediria em casamento em um restaurante

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chique, ficaria de joelho no terno mais caro que o dinheiro pudesse comprar, com o maior anel, mais caro que ele poderia encontrar estendido para sua aprovação. Revirando os ombros, ela olhou para cima quando ouviu um pássaro piar em um galho de árvore a poucos passos de distância da costa calma da água. Era vermelho brilhante e dançou ao redor ao lado de um pássaro marrom que parecia bastante aborrecido com um bico vermelho. Ela assistiu a dança quando o cardeal masculino chiou e saltou para provar seu valor para o sexo feminino. Rindo alto, ela assistiu um par de pássaros voarem para os arbustos juntos. — Pelo menos ele dançou para você — ela gritou para o casal feliz. — Qual o problema? Aquele meu filho não lhe deu um bom momento? Ela saltou e engasgou enquanto sua mão voou para o peito. Ela sentiu os dedos formigarem de medo quando o Sr. Billy Jackson caminhou em sua direção. As placas de madeira velhas rangeram sob seu peso. A última vez que o viu, ela ainda estava na escola. Foi uma semana antes dele ir a Houston e entrar em uma briga de bar que o prendera para o resto da vida, ou assim ela pensava. Balançando a cabeça, ela piscou algumas vezes. Deve estar imaginando ele. Afinal, ele recebeu prisão perpétua. Certo? Então, ouviu-o rir. — Não, docinho, sou realmente eu. — Ele sorriu e, por um momento, ela podia ver Billy. Em seguida, seu sorriso se transformou em algo mais sombrio. Ela rapidamente se levantou e deu alguns passos para trás, olhando ao seu redor. Ela desejou não ter caminhado para um lugar tão remoto. — O que você quer? — Ela pensou em correr. Ele riu. — Oh, docinho, há muita coisa que eu quero. — Ele sorriu novamente e parou a poucos passos dela. Seus olhos viajaram para cima e para baixo dela e, pela primeira vez desde que perdeu todo o peso da gravidez, ela desejou pesar mais, para que não o sentisse despi-la com os olhos. Seu estômago começou a revirar. Ela podia ver muito do Billy em sua aparência – seu cabelo escuro, olhos escuros, mandíbula forte – mas o mal que se encontra debaixo de sua pele lhe fez tremer de medo. Ela sempre se sentiu dessa maneira perto dele. Ela sempre poderia sentir o calafrio em uma sala, provavelmente por causa de sua experiência com o seu tio. Ela endireitou os ombros e cruzou os braços sobre o peito.

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— Por que você está aqui? — Ela deu um passo para trás e se odiou pela fraqueza. Ele notou seu movimento e sorriu. — Ora, para ver a minha neta. — Ela não está aqui. — Ela olhou em volta e fez um gesto com as mãos. — Por que você me seguiu até aqui? Ele riu. — Eu sempre soube que você era esperta. Como seu velho. — Ele inclinou seu chapéu de palha gasto para trás em sua cabeça e suspirou. — Eu achei que você poderia ajudar seu querido e velho sogro, visto que acabei de sair da prisão por bom comportamento. — Ele riu novamente. — O que você quer? — Ela disse novamente, rangendo os dentes de trás novamente. — Dinheiro. Puro e simples. Dinheiro. Imaginei que dez mil me entreteria por um tempo. — Ele piscou para ela. Ela engasgou. — Você está brincando? Ele balançou a cabeça e seu sorriso desapareceu. — Eu sei que sua família tem dinheiro. — Então, seu sorriso estava de volta. — Além disso, me manteria muito ocupado para aparecer naquela bonita casinha verde de vocês algum dia, não deixando nada me impedir de ver a minha neta. Seu significado estava claro e ela sentiu todo o seu sangue gelar. — Eu... — sua boca ficou seca. — Eu não tenho o talão de cheques comigo. Ele riu. — Bem, eu acho que é uma coisa boa. Não abri uma conta corrente para descontar um cheque ainda. — Ele piscou para ela novamente. — Eu disse em dinheiro. Ela assentiu com a cabeça. — Eu... — ela não podia pensar. — Bem, tudo bem, eu entendo. — Ele tirou a poeira de seus cotovelos de onde se encostara à ponte velha. — Achei que você precisaria ir ao banco. Eu estarei na cidade outro dia. Por que nós não apenas nos encontramos aqui novamente amanhã. — Ele olhou para o relógio e acenou com a cabeça. — Mesmo horário? Ela olhou para o relógio e viu que era um 10h15min. Antes que pudesse pensar sobre isso, ela balançou a cabeça. Ela ficou aliviada quando ele balançou a cabeça e tirou o chapéu para ela.

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— Vejo você amanhã. — Ele começou a se afastar, então se virou e disse por cima do ombro: — E Savannah, não se atrase. — Seus olhos eram maus e ela se sentiu tremer no calor do dia. Ela esperou até que ele voltou para a caminhonete velha na outra extremidade da ponte – como não o ouviu chegar mais cedo? – antes de começar a caminhar rapidamente de volta para casa. Quando chegou, já era 11h10min. Ela estava coberta de suor e contente por Billy estar no quarto de Maggie. Podia ouvi-lo conversando com sua filha suavemente enquanto lia um livro. Ela caminhou até o banheiro, trancou a porta atrás dela e tirou suas roupas suadas. Colocou o chuveiro no frio, entrou e deixou a água esfriar seu corpo para que pudesse limpar sua mente.

Billy ouviu Savannah entrar na casa, mas desde que ele acabara de finalmente acalmar Maggie, ele não se mexeu. Levara uma hora e meia após Savannah sair – e um curso intensivo em fazer uma mamadeira – para levá-la a se acalmar. Era óbvio que ela estava cansada, mas estava muito irritada com ele até que encontrou um livro sobre a princesa e o sapo e começou a ler. Agora, ele continuou lendo para sua filha, em voz baixa, até que sentiu sua pequena cabeça descansar contra seu peito, e teve certeza de que ela dormiu. Quando se moveu para deitá-la, no entanto, ela sacudiu para trás e olhou para ele. Então, para seu horror, ela começou a gritar novamente. — Está tudo bem; papai falará com a mamãe. — Ele a deitou e ela colocou o pequeno lábio em um beicinho. — Não, não. — Ele começou a chegar para ela. — Não chore. Ele deu mais um passo em direção a ela e ouviu a porta do quarto abrir. — Se você pegá-la constantemente, ela ficará mimada — Savannah disse da porta. Ela parecia fresca em um par de jeans desbotados e uma limpa camisa branca de botão. Seu cabelo ainda estava molhado e não usava nenhuma

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maquiagem. Ele a viu sem maquiagem antes, mas agora ela tinha um leve bronzeado e sua pele brilhava, deixando-a mais atraente. — O quê? — Ele se virou em direção a ela. Ela encostou-se à porta e franziu o cenho. Mais cedo, ele não sabia o que havia acontecido com ela. Então ela mencionou o pedido e ele finalmente entendeu. Agora, se sentia como um completo idiota por mencionar o casamento na lanchonete. — Se sempre pegá-la quando ela está chorando, ela ficará mimada e sempre chorará para conseguir o que quer. — Ela se virou e começou a sair do quarto. Ele seguiu atrás dela e ficou perto da porta de Maggie, vendo sua filha espernear mais do que Savannah anteriormente. — Sim, mas... — ele se virou para Savannah, que se aproximou dele e fechou a porta, abafando os gritos de sua filha. — Espere. — Ela levantou seu dedo e contou até cinco silenciosamente. Ele não sabia como ela sabia que isso aconteceria, mas em torno de quatro, os gritos de sua filha se transformaram em silêncio. Savannah pegou sua mão e acompanhou-o até a cozinha, onde pegou mais um copo do armário. Uma coisa que você pode dizer sobre Billy, ele aprendia rápido. Então, ele ficou do outro lado da sala enquanto ela bebia a água e colocava o copo na pia. — Eu fui visitada pelo seu pai. — Ela se virou e olhou para ele. — O quê? — As palavras o atingiram como um tijolo. Ele correu através da pequena sala em direção a ela. — Você está bem? — Ele pegou seus ombros em suas mãos. Ela deu de ombros, mas ele a manteve imóvel e olhou em seus olhos para ver se poderia julgar a reação dela. — Estou bem. Eu posso me cuidar. — Ela se aproximou e sentou-se à pequena mesa da cozinha. Ele seguiu seu exemplo e, lentamente, sentou-se à mesa. As mãos dele em punhos na madeira brilhante. — O que aconteceu? — Ele disse entre dentes cerrados. Ela suspirou e disse-lhe como seu pai a seguiu na antiga ponte e, basicamente, ameaçara a sua filha se ela não lhe desse dez mil.

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Enquanto ouvia a história, ele tornou-se ainda mais agitado e se levantou para andar pela sala pequena. — Bastardo — ele rosnou quando ela terminou de falar, fazendo-a saltar um pouco. Então se virou para ela. — Eu lidarei com ele. — Ele se virou para sair e ela levantou e agarrou seu braço. — Espere. — Ela puxou seu braço até ele parar. — O que exatamente você fará? Pagá-lo? Ele parou e olhou para ela. Ela provavelmente poderia ver a raiva em seus olhos, mas ele não se importava neste momento. — De jeito nenhum. Ele não terá outro centavo do meu dinheiro — ele rosnou. Ela deixou cair o braço e olhou para ele como se tivesse levado um tapa. — Outro? Ele deu de ombros. — Ele contatou-me há algumas semanas e tirou dez mil de mim. — Ele balançou a cabeça. — Mas o jogo para aqui. — Ele se virou para sair novamente. Ela correu e deu um passo em frente. — O que você planeja fazer? Ele olhou para ela. — Ele é meu pai. Eu cuidarei disso. — Ele percebeu a raiva nos olhos dela, mas sua mente estava muito focada para registrá-la. Em vez disso, ele estendeu a mão para a porta e saiu, pensando apenas em como seu pai ameaçara sua família. Ele pulou em sua caminhonete e dirigiu ao redor da cidade até encontrar o melhor amigo de seu pai, Matt Coby. Em seguida, ele exigiu a merda do velho até que ele finalmente cedeu e disse onde seu pai estava hospedado. Enquanto dirigia até velha cabana de caça de Coby, ele pensou em um milhão de maneiras de matar seu pai.

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11 Savannah andou para frente e para trás e sentiu vontade de gritar. Mas podia ouvir Maggie brincar em seu berço em silêncio e sabia que não poderia lidar com um bebê chorando no momento. Uma hora depois de Billy sair pela porta da frente, ela pegou o telefone e ligou para a única pessoa que sabia que poderia ajudar. Quando Xerife Miller bateu em sua porta menos de dez minutos depois, ela puxou-o para dentro de casa e rapidamente disse-lhe toda a história. Antes de dizer qualquer coisa para ela, ele pegou o telefone e fez uma ligação. Ela ficou lá, tentando não roer as unhas em frustração. Ela estava mais irritada com Billy do que jamais estivera. Sua mente mostrou como ele parecia quando disse a ele o que seu pai dissera. Pela primeira vez desde que o conhecia, ele olhou duro, mau de alguma forma. Sua mandíbula se apertou e uma pequena veia latejou na têmpora esquerda. Por que ele deixou seu pai intimidá-lo para pagar-lhe? Ela aprendeu uma lição cedo na vida. Uma vez que você deixa um valentão entrar, eles nunca mais param. Nunca. Ela sabia que não tinha nenhum direito, desde que dizia respeito a Billy, mas ela pensou que ao longo dos últimos seis meses eles chegaram a entender um ao outro. Ela sentiu que se tornaram mais próximos, amigos, pelo menos. Por que ele não mencionou a ela que seu pai saíra da prisão? Ela fechou os olhos e ouviu o xerife conversando com Wes Tanner, um de seus oficiais, no telefone. Quando ouviu o xerife colocando um APB2 em Billy, seus olhos se abriram. — O que você está fazendo? — Ela correu para ele. — Você não prenderá Billy, não é? — Ela tomou seu braço e puxou-o. Ele disse a Wes para esperar um minuto e depois afastou o telefone.

2 Alerta de Busca

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— Claro que não. Ele é Jr. Esse é Sr... — ele parou a declaração. — Eu acho que depende do que ele fez desde que saiu. Se ele não fez o check-in com o seu agente de condicional... — ele começou a sair. — Mas os meus rapazes estão à procura de Billy Jr., também. Eu percebi que ele teve tempo suficiente para recuperar o atraso com o seu velho por agora. — Ele tirou o chapéu e sacudiu a cabeça. — A maçã caiu longe da árvore. — Ele riu. Então, ele olhou em direção ao quarto dos fundos. — Aquela pequena de vocês, está ok? — Ele balançou a cabeça quando Maggie começou a chorar. — Sim. — Ela caminhou em direção ao quarto para pegá-la e sorriu quando o xerife a seguiu. — Você com certeza transformou este lugar em uma casa — disse ele atrás dela. Ela olhou por cima do ombro enquanto pegava Maggie. — Quero dizer — ele tossiu, — claro, quando eu morava aqui era uma casa, mas... — ele balançou a cabeça e sorriu enquanto olhava para o quarto de Maggie. — Nada como isso. — Ele riu. Ela assentiu com a cabeça. — Maggie parece gostar de sapos. — Se bem me lembro, você tinha uma coisa para coelhos quando tinha a idade dela. — Coelhos? — Ela franziu a testa um pouco quando uma memória inundou em sua mente. — Claro, eu te dei um pequeno de pelúcia um dia... — ele parou, e quando ela olhou para ele, ele parecia desconfortável. — Está tudo bem. — Ela assentiu com a cabeça. — Eu me lembro agora. — Ela sorriu. Ele se aproximou e passou o dorso dos dedos suavemente sobre o rosto de Maggie, secando as lágrimas que estavam lá quando ela se aconchegou no ombro de Savannah. — Eu farei o Sr. Jackson ficar longe deste lugar. — Ele se virou para ir embora. — Xerife? — Ela esperou até que ele se virou. — Eu nunca agradeci por tudo que fez por mim. Naquela época. — Os olhos dele se arregalaram, e, em seguida, uma ligeira carranca se formou em seus lábios. — Não precisa. — Ele balançou a cabeça e saiu da casa dela.

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Ela sentou na cadeira de balanço e balançou Maggie enquanto a alimentava. Billy estava certo. Os dentes de Maggie nasciam, e a última vez que foi ao médico, ele mencionou que Maggie poderia começar a ter mais comida para bebê e menos leite materno. Ela pegou seu celular e tentou o número de Billy novamente. Quando foi para o seu correio de voz, ela desligou e fechou os olhos enquanto inclinava a cabeça para trás. Ela estava realmente preocupada com ele, sobre o que ele faria. Ela sabia que ele protegeria sua filha, mas não esperou ver tanta raiva em seus olhos quando contou a ele sobre seu pai. Sua mente saltou de volta para seu tio. Pela primeira vez ela percebeu quão parecidos Billy e ela realmente eram.

Quando Billy dirigia de volta para a cidade, ele franziu a testa quando viu as luzes piscando atrás de sua caminhonete. Porra, apenas o que ele precisava agora. Uma multa por excesso de velocidade. Ele franziu a testa quando olhou para seu velocímetro e percebeu que estava abaixo do limite de velocidade. Parando, ele suspirou, sabendo que era obra de Savannah. Ele observou enquanto Wes Tanner saiu de seu carro e caminhou até o lado de sua caminhonete. — Hey, Billy — disse ele, levantando seu chapéu para trás e encostado em sua caminhonete. — Hey, Wes. Savannah os fizeram fazer isto? Wes assentiu. — O xerife quer que eu me certifique que você chegue em segurança em casa. Billy riu. — Não, o bom xerife quer que você se certifique de que eu não procure meu pai e o mate por ameaçar a minha família. Wes assentiu. — Isso também. Eu vou segui-lo de volta para a sua casa. — Pode também. Eu não encontrei o filho da puta. — Ele franziu a testa e teve vontade de bater os punhos contra o volante.

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— Bem, faremos isso por você. Parece que ele não fez check-in com o seu agente de condicional esta semana. — Bom. — Billy sorriu um pouco. — Então ele voltará de novo. — Pode ser, nunca se sabe. — Wes balançou a cabeça e bateu na caminhonete. — Eu vou segui-lo. Billy assentiu com a cabeça e esperou Wes voltar ao seu carro, e então dirigiu de volta para a cidade. Pela primeira vez em quase um ano, ele desejava desesperadamente uma cerveja. Quando se dirigiram para a pequena casa, Savannah estava em pé na varanda da frente com Maggie em seus braços, parecendo preocupada. Wes buzinou e continuou a passar pela rua. Billy acenou para ele e trancou a caminhonete e, então, caminhou até os poucos degraus e abraçou suas duas meninas. — Sinto muito — ele sussurrou no cabelo de Savannah. Ele sentiu um pouco da tensão deixar seu corpo enquanto ela relaxava contra ele. — Sinto muito — ele repetiu e deu um beijo suave no topo de sua cabeça. — Vamos entrar. — Ele olhou por cima do ombro quando um carro passava pela rua. Ela assentiu com a cabeça e deu um passo atrás dele. Ele podia ver que havia preocupação em seus olhos, em vez da raiva que viu quando saiu de casa há meia hora. Ele a seguiu para dentro e ela colocou Maggie em seu cercadinho. Maggie começou a mexer, mas Savannah entregou-lhe um sapo de pelúcia e o bebê se estabeleceu feliz, chupando sua chupeta. Ele se aproximou e sentou no sofá, sentindo-se drenado de repente. — Você o encontrou? — Ela se virou para ele, com os braços cruzados em seu belo peito. Ele balançou a cabeça negativamente. — Ele está hospedado na velha cabana de caça de Matt Coby. — Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás. — O que o xerife disse? Ouviu-a caminhar em direção a ele. — Não muito, só que eles verificariam para ver se ele fez check-in com o seu agente de condicional. — Ele abriu os olhos quando ela se sentou ao lado dele.

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— Ele não fez. — Quando ela continuou a olhar para ele, ele terminou. — Wes me disse. — Ela assentiu com a cabeça. — Isso não quer dizer muito, apenas que eles têm uma razão para detê-lo. Sinto muito — disse ele novamente. — Por? — Ela olhou para ele sem expressão. — Por sair? Ou por seu pai? — Por meu velho. — Ele sentia vontade de bater o punho em algo, mas em vez disso fechou os olhos e descansou a cabeça para trás no sofá. — Não sinta. — Ele pensou ter ouvido a raiva em sua voz, e ele abriu os olhos de novo. — Você ainda está com raiva de mim? Ela não disse nada por um tempo e depois balançou a cabeça lentamente. — Por quê? Pelo restaurante? — Ela balançou a cabeça negativamente e esfregou a testa com os dedos. — Pelo meu pai? — Novamente, ela balançou a cabeça negativamente. — Droga, Savvy, fale comigo. Ela riu de forma rápida e, em seguida, levantou-se e começou a andar na frente dele. — Eu acho que é verdade o que minha mãe sempre me disse. Ele se inclinou para frente e apoiou os cotovelos sobre os joelhos e esperou. — Os homens são estúpidos. — Ela riu novamente. Ela se virou para ele. — Ok, eu soletrarei para você. — Ela levantou a mão e começou a assinalar os itens em seus dedos. — Primeiro, você não me disse que seu pai estava fora da prisão. — Ela ergueu a mão para impedi-lo de interromper. Ele queria dizer a ela que não pensou nisso, mas ao invés disso, se inclinou para trás e esperou ela terminar. — Em segundo lugar, você não me disse que ele nos ameaçou e que você o pagou. — Ela enumerou outro dedo. — Em terceiro lugar, quando eu disse que o que aconteceu anteriormente, a primeira coisa que atravessou a sua cabeça grande, gorda... — ela olhou para o cercadinho rapidamente e fez uma careta quando viu Maggie observá-los de perto, em seguida, mudou de tom, para a mais doce voz que ele já a ouviu falar, — saiu para perseguir seu pai em vez de ficar aqui com a gente. — Os olhos dela estavam grudados em sua filha enquanto sorria para a menina. Quando suas palavras finalmente afundaram, ele sentiu uma sensação de formigamento começar no peito e irradiar por todo seu corpo, fazendo a cabeça ficar leve. — Eu não pensei que você estivesse em perigo. Eu não quis apenas deixar vocês duas aqui. — Ele sentiu-se gaguejar e apertou sua mandíbula.

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— Claro que você não queria — disse ela rapidamente. — Não é isso. — Ela se afastou dele e olhou para fora da janela da sala da frente. — Então o quê? — Ele se levantou e caminhou atrás dela, colocando as mãos no ombro dela e girando-a em direção a ele. — Eu apenas pensei... — ele sentiu os ombros endurecer. — Eu pensei que resolveríamos o problema juntos. Ele continuou a olhar para ela, sem entender. — Quero dizer, eu sei que não estamos... juntos. — Cor inundou seu rosto. — Mas, Billy, quando algo como isto nos afeta... — ela olhou por cima do ombro em direção Maggie, — Eu apenas pensei... Então entendeu. Pela primeira vez desde que voltou para casa, ele percebeu o que a deixava com raiva dele. Deixando cair os braços para o lado dele, ele sentiu uma nova onda de aversão correr através dele. Ali estava ele, querendo agir como se fossem uma família, e foi ele quem a deixara de fora. Ele percebeu que esteve apenas ali olhando para ela, então a puxou para perto dele. — Sinto muito por afastá-la. Por não te incluir no que acontecia — disse ele suavemente contra seu cabelo. — Eu não pensei... — ele balançou a cabeça. Ela se afastou e olhou para ele. — Isso era óbvio — disse ela quando um lento sorriso encheu seu rosto. Ela olhava para ele, e ele gostava da maneira como o lado de sua boca virou para cima. Seus olhos se iluminaram quando ela sorriu, algo que ele nunca notou antes. Quem ele enganava? Havia muito nela que ele não notou antes. Mesmo sendo apaixonado por ela durante anos, ele nunca viu esse lado de Savannah antes. Nem alguma vez pensou que existisse. Em todos os anos que a conhecia, ela sempre tentava ficar à frente da multidão, obter algo de alguém ou rebaixar alguém. Nunca viu o seu lado engraçado. Mas ele gostava e queria fazer tudo o que podia para vê-lo mais vezes. Ele riu e disse, — Eu estou pensando agora. — Ele esperou até que ela finalmente apanhou seu estado de espírito. Seus olhos azuis ficaram calorosos e cor inundou seu rosto novamente. Ela enrolou seus braços ao redor de seus ombros quando puxou seus quadris em direção ao dele. Ele sentiu outra corrida sacudir seu corpo; desta vez era o calor e desejo.

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Então olhou para Maggie, que ainda os observava chupando sua chupeta e abraçando o sapo de pelúcia. — Ela ficará bem? Savannah olhou para o berço e, em seguida, de volta para ele e balançou a cabeça. — Bom, porque como eu planejei fazer as pazes com você... — ele se inclinou e colocou seus lábios contra os macios dela. O gosto dela era perfeição. Ele não conseguia explicar, mas algo apenas o chamou para explorar sua boca ainda mais. Seus dedos flexionados nos quadris e ele desejava mais do que qualquer coisa poder despi-la lentamente e fazer amor com ela no resto do dia. Seus dedos avançaram até que sentiu a pele macia debaixo de sua camisa, e em seguida ele foi mais longe, até que ela gemia contra a sua boca, ofegando com desejo. Os dedos dela cavaram em seus braços e ombros, puxando-o mais perto, implorando por mais. Quando começou a direcioná-la para o quarto, a campainha tocou. Suspirando, ele deu um beijo suave em seus lábios, fechou os olhos e tentou baixar sua libido. — É provavelmente o xerife. — Ele gemeu. — Raiva do meu pai por causar essa confusão — disse ele em voz baixa. Quando abriu a porta, ele ficou chocado ao ver os pais de Savannah do lado de fora, parecendo muito preocupados. Quando viram Savannah, correram e começaram a falar sem parar, fazendo um milhão de perguntas, e ele sabia que seria um longo tempo antes de Savannah e ele poderem ficar sozinhos novamente.

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12 Mesmo estando feliz em ver seus pais e ter um pouco mais de atenção, ela queria desesperadamente que eles fossem embora. Ela continuou esgueirando olhares para Billy do outro lado da sala enquanto seus pais continuaram a fazerlhe perguntas, e os olhares aquecidos que ele deu a ela lhe disse que ele a queria tanto quanto ela o queria. Sua mãe correu e pegou Maggie rapidamente, dando tanta atenção quanto podia para o bebê enquanto seu pai inundava Billy e ela com um milhão de perguntas sobre o que aconteceu. — Por que não sabíamos que ele saíra? Não existe algum tipo de lei dizendo que você precisava ser notificado? — Ele franziu a testa enquanto bebia seu chá gelado. Os três – Billy, seu pai e ela mesma – se retiraram para a cozinha, enquanto sua mãe brincava com Maggie na sala. Ela deu ao seu pai um copo de chá e sentouse pacientemente respondendo a todas as suas perguntas. — Não, eu não penso assim. — Billy franziu a testa. — Não sou o único que ele machucou. Tenho certeza de que a família do homem que ele matou foi notificada. — Ele franziu a testa de novo e ela poderia dizer que ele se lembrava do fato de que seu pai realmente matara alguém uma vez. Ela estendeu a mão sobre a mesa e pegou a mão dele. Ao ver sua carranca diminuir um pouco, ela sorriu para ele e desejou poder saber o que acontecia em sua cabeça. Ele apertou a mão dela e respondeu as perguntas seguintes de seu pai, enquanto ainda segurava a mão dela na sua. Quando a hora do jantar chegou, seu pai e Billy ainda conversavam, então ela puxou uma fôrma de lasanha congelada do congelador e aqueceu no forno. Entrando na sala, ela parou e sorriu, observando sua mãe ler para Maggie. Os pequenos olhos castanhos de Maggie estavam colados ao rosto de sua mãe enquanto ela lia a história em uma voz engraçada. Inclinando-se contra a

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porta, ela viu o par por um tempo antes de perguntar se eles queriam ficar para o jantar. — Oh, querida, claro. — A mãe sorriu e pegou Maggie. — Se precisar de alguma ajuda...? — Não, é apenas uma lasanha congelada que eu fiz na semana passada. Acho mais fácil fazer as coisas e congelá-las para as noites que Maggie não me deixa cozinhar. — Ela pegou sua filha de sua mãe. Maggie agarrou o rosto entre as mãos e começou a mastigar seu queixo. — Ela está em dentição — disse a mãe. — Sabe, quando você estava em dentição, eu costumava passar um pouco de bourbon em suas gengivas. — Ela sorriu para ela. — Eu já ouvi falar disso. — Ela franziu a testa. Apenas o pensamento de dar a sua filha algo que ela costumava beber muito há um pouco mais de um ano a fez estremecer. — Eu acho que ficarei com os anéis congelados que o médico me deu. — Ela caminhou até a cozinha e pegou um deles e deu a coisa macia para Maggie, que começou a chupá-lo. Colocou-a em sua cadeira ao lado de Billy, que ajudou a colocar suas pequenas pernas chutando nos lugares certos. — Papai, você quer mais chá? — Seu pai sacudiu a cabeça, assim que a campainha tocou novamente. Quando olhou para Billy, ele se levantou. — Eu vou atender. — Ela o viu caminhar para fora da sala e desejou mais do que qualquer coisa estar a sós com ele novamente. Era Lauren e seu marido passando para ver se poderiam ajudar de alguma forma. Eles ficaram por pouco tempo, mas saíram quando a lasanha foi retirada do forno. Lauren abraçou Savannah, e disse que a veria amanhã durante o momento de leitura. Mas depois que fechou a porta, Billy levou-a pelos ombros e puxou-a para o corredor. — Eu não acho que é sábio você ir ao momento de leitura amanhã. Pelo menos até encontrarmos o meu pai. — Ele franziu a testa para ela. Ela suspirou. — É menos de um quarteirão de distância. Além disso, é em um lugar muito público. O que poderia dar errado? Ela cruzou os braços sobre o peito, esperando.

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— Savvy, por favor. Acho que nos próximos dias devemos apenas ficarmos tranquilos. — Ele sorriu e puxou-a para mais perto. — Sabe, ficar em casa e entreter a nós mesmos. — Ele falou em um tom baixo assim seus pais não ouviriam. Ela olhou em seus olhos escuros e derretidos, pensando em todas as possibilidades. — Eu acho que poderíamos nos manter ocupado por alguns dias. — Ela suspirou quando a puxou para mais perto e a beijou suavemente. Seus pais ficaram até ela colocar Maggie na cama. Foi maravilhoso o quanto eles gostaram de estar perto de Billy. Ela nunca pensou que seu pai gostaria dele, mas quando se sentaram na sala de estar assistindo esportes, ela não podia imaginá-los não se dando bem. Eles torciam pelas mesmas equipes e se entusiasmavam com os mesmos jogadores. — Homens e futebol no Texas — disse sua mãe, balançando a cabeça enquanto trocava Maggie e a deixava pronta para dormir. Maggie assentiu. Seu pai sempre amou o esporte. Em um ponto na sua infância, ela pensou que seu pai estava desapontado por ter uma filha usando uma tiara em vez de um filho jogando futebol. — Mãe? — Ela esperou até sua mãe pegar sua filha e se virar para ela. — Você acha que eu sou uma boa pessoa? — Claro que você é, querida. — Sua mãe olhou para ela. — O que causou isso? Savannah sacudiu a cabeça. — Eu sei o que as pessoas falavam sobre mim no passado. — Ela se aproximou e sentou-se na cadeira de balanço. — Oh, querida, todos nós passamos por dores de crescimento. — A mãe sorriu para ela quando entregou Maggie para ela. — Sim, mas... — ela começou a amamentar sua filha e sentiu seu corpo inteiro relaxar com o conforto do bebê em seus braços. — Mas eu disse e fiz coisas das quais estou envergonhada. — Ela fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás. — Essa é a coisa maravilhosa sobre as pessoas por aqui; elas facilmente esquecem e perdoam. Ela abriu os olhos, olhou para sua mãe e sacudiu a cabeça. — Eu não acho que todo mundo pode esquecer algumas das coisas que eu fiz.

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Sua mãe riu, puxou o banquinho e sentou-se na frente dela. — Savannah Marie Douglas, eu não te criei como uma idiota. Claro, você teve seus tempos selvagens. O Senhor sabe que eu tenho o cabelo grisalho para provar quão selvagem você era. Mas tudo que alguém teria que fazer é olhar para você agora. O jeito que você é com sua filha, a forma como você está com Billy. — A mãe sorriu. — Quem teria pensado que tudo o que precisaria era ter um bom homem e uma linda filha para transformá-la na mulher que sempre soube que você seria. Ela não percebeu que chorava até que sua mãe se inclinou para frente e enxugou uma lágrima de seu rosto. Sua mãe se inclinou para trás. — O que é tudo isso? Ela encolheu os ombros. — Com tudo o que está acontecendo – você sabe, o pai de Billy – me fez pensar e lembrar o que as pessoas diziam sobre mim no passado. Eu sei que o tio... — ela balançou a cabeça. — O irmão do meu pai — ela ainda não conseguia dizer o nome dele, — sempre foi visto como um santo, então... A mãe interrompeu. — Você pode não lembrar, mas eu fui para a escola tanto com Joe e seu pai. Os dois meninos eram tão diferentes quanto a noite e o dia. — Sua mãe se inclinou para trás e balançou a cabeça. — Mas eu nunca esperei nada parecido com aquilo... — ela fechou os olhos e desta vez foi o rosto da mãe que estava molhado. — Eu nunca imaginei. Nenhum de nós imaginou. O pai de Billy se mudou para Fairplay logo depois que se formou, e ele era alguns anos mais jovem do que nós, mas eu sei o que as pessoas disseram quando eles se mudaram para a cidade. Eles sabiam que ele era um problema, assim como Joe. Eu acho que em um ponto, eles eram mesmo amigos. — Ela balançou a cabeça. — Ter uma maçã podre na família não faz automaticamente você ruim, ou significa que será passado adiante. — Ela se inclinou para frente e roçou um dedo pelo cabelo de Maggie. — Agora, não se preocupe com o que as pessoas dizem ou pensam sobre você. Eu sei que durante a escola você sempre foi tão competitiva sobre tudo. — Ela sorriu. — Mas agora você tem uma família maravilhosa e uma bela casa. O que está no passado está feito e quem tira um momento para olhar para você sabe que você cresceu e mudou. — Ela sorriu e acariciou a mão dela. Savannah sorriu e olhou para a filha. — Obrigada, mãe.

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— Finalmente — Billy disse, fechando a porta e voltando para Savannah, que estava atrás dele. — Não que eu não goste de jantar e assistir jogos com seus pais, mas estou feliz que eles se foram. — Ele se virou para ela e ela deu alguns passos para trás, sorrindo. — Agora, onde estávamos? Ele começou a caminhar lentamente em direção a ela e riu quando ela disparou de volta para seu quarto, rindo. Algumas horas mais tarde, quando ele estava deitado na cama, segurando Savannah, ele olhou para o teto escuro e ouvia os sons da noite, tentando desligar a sua mente. Ele tinha menos de uma semana e meia antes ir para o sul. Estar longe de sua família por duas semanas seria um inferno. De forma nenhuma ele deixaria Savannah e Maggie, a menos que seu pai estivesse de volta atrás das grades. Savannah se contraiu no sono e ele a puxou para mais perto, não querendo se afastar da sua pele suave e quente. Ele não planejou se apaixonar por ela, mas muito mudou no último ano. Ele mudou. Ele quase riu em voz alta, mas se conteve por medo de acordá-la. Ele nunca imaginaria a um ano que seria um pai, muito menos estaria aqui assim, com Savannah. Ele passou a mão sobre seu ombro e sorriu quando ela gemeu. Ela era tão diferente da menina com quem cresceu. Ainda era muito forte e bonita, ainda mais agora, em sua opinião. Mas, no ano passado, ele viu um lado dela que nunca teria imaginado que ela tinha. E ela era realmente uma mãe fantástica. Ele escovou o cabelo macio, fechou os olhos e desfrutou a sensação dela ao lado dele enquanto adormecia. Quando acordou, viu sua filha sentada em seu peito e Savannah rindo. — Eu pensei que você nunca acordaria. — Ela sorriu, segurando Maggie para evitar que caísse de seu peito. Os braços dele levantaram e as puxaram para baixo na cama enquanto elas riram. Ele enterrou seu rosto em suas meninas e gostou do cheiro de pó de bebê misturado com o cheiro sexy de Savannah.

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— Por que você n��o cuida dela enquanto eu tomo um banho — Savannah disse um pouco depois. Ele balançou a cabeça e roubou um beijo, fazendo-a rir no início, em seguida, gemer e puxá-lo para mais perto até que ambos estavam sem fôlego. Quando ela desapareceu no banheiro, ele içou Maggie em seu quadril e entrou na cozinha. Colocando-a em sua cadeira alta, ele despejou um punhado de Cheerios na frente dela e a observou atacá-los com seus pequenos dedos. Não era sempre que ele cozinhava, mas quando o fazia, era geralmente comida de café da manhã. Assim, enquanto Savannah tomava banho, ele arrumou um grupo de uma das únicas coisas que poderia fazer bem: panquecas de mirtilo com ovos mexidos e bacon ao lado. No momento em que Savannah entrou na sala, parecendo sexy e fresca, a comida estava pronta. — Algo cheira maravilhoso aqui. — Ela entrou e ele parou o que fazia. Ela usava um par de calças capri creme e uma camisa de seda colorida. Usava saltos finos de tiras amarradas e seu cabelo estava enrolado como ele sempre gostou. — Você está maravilhosa — disse ele, dando um passo em direção a ela. Então ficou claro para ele. Ela estava vestida para sair. Ele congelou e cruzou os braços sobre o peito. — Eu pensei que nós tivéssemos conversado sobre isso. Ela sorriu e caminhou ao redor dele, pegando um prato. — Conversamos sobre o quê? — Que ficaríamos parados nos próximos dias. Pelo menos até que encontrem o meu pai. Ela encolheu os ombros. — Se você se lembra, eu nunca concordei com isso. — Ela pegou duas panquecas e começou a pegar alguns ovos mexidos. — Savvy. — Ele pegou seus ombros em suas mãos e virou-a para longe da comida. — Estou falando sério. Vocês duas ficarão em casa nos próximos dias. Ela colocou o prato na mesa e cruzou os braços sobre o peito. — Se você está tão preocupado com isso, por que não vem conosco? Ele olhou para ela e piscou algumas vezes. — Para o momento de leitura da mamãe? — Ela assentiu com a cabeça. — Não é apenas para as mães? — Sim, mas eu tenho certeza que todo mundo entenderá devido às circunstâncias.

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Ele pensou sobre isso e acenou com a cabeça. — Tudo bem, mas precisarei de um banho primeiro. Ela assentiu com a cabeça e voltou-se para a comida. — Isso realmente cheira maravilhosamente. — Ela olhou para ele e ele se perguntou se alguma vez em sua vida não daria a ela tudo o que ela sempre quis.

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13 Ela não podia evitar, mas ria de Billy. Ele estava sentado no que deveria ser a menor cadeira na loja de Holly com Maggie em seu colo, e tinha uma tiara amarrada em sua cabeça. Havia três meninas correndo em volta dele com varinhas, todas tentando transformá-lo em um sapo. E ele levava tudo na esportiva. Todas as outras mães se reuniram na área do bar, enquanto as crianças brincavam no quarto dos fundos. Ela sentou-se no bar e tomou um gole de chá e assistiu Billy. — Então, você já ouviu falar alguma coisa? — Lauren sentou ao lado dela. Savannah sacudiu a cabeça. — Nada até agora. — Ela olhou para fora das grandes janelas dianteiras e mordeu o lábio inferior. — Não se preocupe. Tenho certeza que nada acontecerá. Afinal, metade da cidade está mantendo os olhos abertos para ele. — Desta vez foi Alex quem falou. Uma vez que elas nunca se deram bem, deixou Savannah surpresa. Ela não podia dizer nada em resposta, então apenas balançou a cabeça. O engraçado era que acreditava que Alex foi cem por cento sincera. Ela olhava para fora das janelas da frente, como se estivesse preocupada também. Savannah suspirou e olhou para Billy, que se esforçava para acalmar as crianças para que April pudesse começar a ler o livro escolhido no dia. — Eu acho que é melhor irmos ajudar. — Ela empurrou sua xícara de chá de lado, caminhou até o fundo da sala e pegou Maggie do colo de Billy. Ela tentou aproveitar o tempo lendo, mas sua mente estava muito ocupada com tudo o que acontecia, e desejou não ter insistido em vir hoje. Quando a história terminou, ela deu alguma desculpa e puxou a mão de Billy. Eles saíram pelas portas da frente menos de cinco minutos após o momento de leitura acabar. Maggie se agitou um pouco quando a colocou no carrinho, e assim Billy a pegou e a carregou.

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— O que você diz de parar na Grocery Stop e comprar alguns suprimentos?— Ele acenou com a cabeça para baixo da rua em direção à única mercearia em Fairplay. Ela encolheu os ombros e seguiu-o enquanto caminhava em direção ao velho edifício. — Haley me perguntou se já matriculamos Maggie na pré-escola. — Ele olhou para ela com um olhar preocupado. — Matriculamos? Ela balançou a cabeça negativamente. — Ainda não. Ela tem apenas sete meses de idade. — Ela parou. — É muito cedo, certo? Ele riu de forma rápida e balançou a cabeça. — Eu não sei. Quer dizer, eu pensei que você soubesse. Ela suspirou e começou a andar novamente. — Eu acho que descobrirei. Ele puxou a mão dela até ela parar e olhar para trás. — Eu posso descobrir. Eu só estava vendo se você sabia. Ela assentiu com a cabeça. — Eu não me importo, realmente. — Então ela riu alto até seus lados quase doer. — O quê? — Ele puxou o braço dela até ela parar. — O quê? — Ela parou de rir quando viu a preocupação em seus olhos. — Você. Eu. Nós. Aqui. — Ela fez sinal ao seu redor. — Caminhando para a Mercearia, falando sobre matricular nossa filha na pré-escola. A nossa filha. — Ela tentou enfatizar o absurdo que tudo era. — Alguma vez você imaginou isso? Suas sobrancelhas se uniram e ele olhava de forma engraçada para ela. Então ela balançou a cabeça e começou a andar novamente. — Espere — disse ele, parando ela. — Não, não, eu nunca imaginei nada parecido com isso. Eu nunca imaginei que eu teria a sorte de viver além da idade de vinte anos, e muito menos ter alguém como você ou ter uma linda filha, uma boa casa. Eu nunca imaginei que você estaria com alguém como eu. — Ele deu um passo mais perto dela e, com Maggie ainda em seus braços, puxou-a mais perto que pôde. Ela podia ver as emoções inundarem seus olhos escuros e estava tão obcecada por eles que não notou tempo ou lugar. — Eu nunca imaginei que eu seria tão sortudo. Ela não conseguia se conter. Estendendo a mão, ela pegou seu rosto em suas mãos e puxou-o para baixo com ela até que seus lábios se encontraram. Ela pensou

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ouvir uma buzina e um uivo de alguém passando, mas não se importava. Tudo que sabia era que seu coração deu uma cambalhota enquanto ele fazia seu pequeno discurso. Ela nunca foi dada a poesia. Nunca foi tratada como algo a ser valorizado antes. Ela sabia que parte disso era culpa dela. Ela afastava as pessoas, exceto quando queria alguma coisa delas. Agora, porém, se perguntava por que protegeu a si mesma por tanto tempo. Quando finalmente se afastou, ela olhou em seus olhos e sorriu para ele. — Agora — ela suspirou, — que tal adicionarmos um pouco de sorvete Oreo a essa lista. Eu me sinto com vontade de comemorar. Ele riu e, em seguida, balançou a cabeça e puxou-a novamente. Quando entraram no Grocery Stop, Savannah congelou quando viu Carmen de pé atrás do balcão, chorando. Correndo até ela, ela foi para trás do balcão e pegou os ombros da amiga. — O que está errado? Carmen olhou para ela e limpou o nariz. — Ele ganhou. — Ela soluçou. — Quem ganhou? — Tom, meu ex. Ele não me pagará um centavo, e levará as crianças. — Ela começou a chorar novamente. — O que você quer dizer? — Savannah sacudiu os ombros da amiga. Carmen enxugou as lágrimas mais uma vez e respirou fundo. — Ele simplesmente me ligou para dizer que entrará com uma apelação. O que significa mais dinheiro que terei que gastar com um advogado lutando com ele. O que significa mais tempo longe de meus filhos, porque terei que arranjar outro emprego em Tyler. — Ela começou a chorar. — Você não pode simplesmente trabalhar mais horas aqui? — Perguntou Savannah, batendo nos ombros de Carmen. Carmen balançou a cabeça negativamente. — Eles não podem pagar. Além disso, existem outros três funcionários que precisam das horas. — Ela suspirou. — Na última vez, a minha conta com o advogado era de cinco mil dólares. Levei um ano inteiro para pagá-lo. — Ela fechou os olhos e suspirou. — Bem, isso é apenas ridículo — Savannah disse, puxando a bolsa do carrinho de Maggie. — O quê? — Carmen começou a dizer. — O que você está fazendo?

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Savannah olhou para a amiga. — Dando-lhe um cheque para que você possa contratar um advogado para lutar contra aquele bastardo. Você trabalhou excessivamente pelo seu dinheiro e você merece cada centavo, não ele. — Ela arrancou o cheque e estendeu-o para Carmen, que balançou a cabeça e colocou as mãos atrás das costas. — Eu... eu não posso. — Ela olhou para o cheque. Billy se aproximou por trás delas e uniu o braço de Savannah no dele. — Savvy? — Silêncio, agora, este é o meu dinheiro, e farei o que eu quiser com ele. Além disso, seus dois bebês pertencem a Fairplay, não a alguma cidade grande, sentados sozinhos em casa enquanto seu pai está correndo perseguindo saias. — Ela estendeu ainda mais o cheque. — Por favor. — Carmen balançou a cabeça negativamente. Savannah deu um passo mais perto. — Carmen, eu te conheço há quanto tempo? Carmen engoliu e pensou sobre isso. — Estávamos na mesma classe do jardim de infância. Savannah sorriu. — Veja, eu nem sabia disso. Meu ponto é, até poucos meses atrás, eu nem sequer dei-lhe um segundo pensamento. Então, um dia, quando eu precisei de alguém para conversar, você estava lá, sem perguntas, sem querer nada de mim. Você me ouviu chorar abundantemente e continuou ao meu lado desde então. Você se tornou uma das minhas amigas mais próximas. Agora, se eu não posso te dar a mesma ajuda em troca, então eu tenho que questionar a nossa amizade. Carmen riu e acenou com a cabeça, e, então, estendeu a mão para o cheque. — Mas eu te pagarei. — Parece bastante justo. Basta levar o seu tempo está bem? Carmen concordou e surpreendeu agarrando-a e dando-lhe um grande abraço.

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Billy estava calado no curto passeio para casa. O carrinho era empurrado com um galão de sorvete, várias caixas de seu cereal favorito e um saco de cookies. Quando entrou na casa, ele assistiu ela entrar na cozinha para guardar o sorvete. Maggie adormeceu, e em vez de levantá-la do carrinho, ele a deixou continuar a dormir confortavelmente na sala de estar. Quando Savannah terminou de guardar os deleites congelados, ela se virou e bateu solidamente nele. Ele se posicionara exatamente assim. As mãos dele foram para os ombros dela enquanto observava aborrecimento cruzar seus olhos azuis. — Este lugar é muito pequeno para que você possa espreitar em cima de mim desse jeito — disse ela, e ele assistiu seu rosto corar. Ele sorriu um pouco. — Você me impressiona. O queixo dela caiu. — Eu o quê? — Ela tentou dar um passo atrás, então ele a seguiu e a colocou contra a geladeira. — Você me ouviu — ele sussurrou. Ela balançou a cabeça e seus olhos foram para seus lábios. Ele sorriu um pouco quando deu mais um passo em direção a ela, imobilizando-a completamente na frente da geladeira. Sua respiração engatou quando sentiu sua dureza contra seu estômago macio. Seus seios empurraram contra seu peito. Ele fechou os olhos e gemeu com a suavidade deles. — Bill... Ele se inclinou e reivindicou a boca dela antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa. Ela provou ser melhor do que qualquer doce. Suas mãos apertaram, puxando sua camisa e tirando-a rapidamente. Em seguida, ele segurou os seios gostosos e inclinou a cabeça para ter um gosto. Na parte de trás de seus pensamentos, ele a ouviu gemer seu nome, mas estava muito longe para perceber ou se importar por quão ruidosa ela era. Ele empurrou o sutiã de lado, tomou o mamilo na boca e desfrutou ao vê-lo enrijecer para ele. Ele empurrou para baixo as leggings até segurar seu sexo úmido quente com a mão. Quando ela gritou, ele voltou e tomou sua boca com a dele, abafando os ruídos sensuais. Suas unhas cravaram em seus ombros. Quando empurrou primeiro um, em seguida, outro dedo profundamente em seu núcleo, ela puxou a calça dele até que caiu pelos tornozelos. Então o segurou e envolveu os longos dedos ao redor de seu pênis até que ele sentiu que gozaria em sua mão.

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Usando suas coxas, ele empurrou-lhe as pernas e em um movimento rápido, tomou-a ali mesmo, contra a geladeira. Ela tirou os sapatos e leggings, então envolveu aquelas longas pernas dela ao redor de seus quadris, e ele montou duro e rápido. Ele sentiu seus músculos internos apertarem contra ele e sentiu o corpo dela tenso com a sua libertação, mas ele queria mais. Ele tinha que ter mais dela. Correndo a boca pelo pescoço, ele tomou seu mamilo profundamente em sua boca e chupou enquanto continuava a bombear seus quadris mais e mais rápido até que sentiu as unhas dela cavarem em seus ombros nus sob a camisa. Tudo em que podia se concentrar era em seus doces gemidos e como soava sexy, parecia sexy e preparada para ele fazer o que quisesse. Então, quando achava que não podia segurar mais, ela chegou ao redor e deu um forte tapa na nádega esquerda, fazendo uma leve picada se espalhar. Uma gargalhada saltou de seu peito quando gozou profundamente dentro dela. Descansando a cabeça contra a porta gelada da geladeira, ele percebeu que não haveria qualquer outra mulher. Mais tarde, depois de tomar um banho rápido e colocar Maggie em seu cercadinho, comeram sorvete e biscoito recheado enquanto assistiam a um filme muito ruim que alugaram. Quando chegou a hora de amamentar e dar banho em Maggie, eles fizeram uma pausa e desfrutaram da tarefa juntos. Ele adorava assistir como Savannah era com sua filha. Ela era como uma pessoa completamente diferente, como a que ele viu ajudando aquela mulher na Grocery Stop. Era engraçado que ela dera de bom grado cinco mil dólares a uma estranha, mas bateu o pé para pagar a chantagem do pai dele. Só mais uma razão pela qual ele rapidamente se apaixonava por ela profundamente. Sem mencionar o quente sexo na cozinha e esse corpo sexy dela. Ele sorriu ao vê-la curvar-se e pegar um dos brinquedos de Maggie que ela jogou no chão. — Mmm mmm, mmm — ele disse, balançando a cabeça e fazendo-a virar e olhar para ele. — O quê? — Ela franziu a testa para ele.

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Ele riu. — Essa bunda sua. — Ele balançou a cabeça, fazendo-a franzir mais a testa e virar para tentar olhar a sua bunda. — O quê? — Disse ela novamente. Desta vez, ele podia ouvir um pouco mais de urgência em seu tom. Ele se levantou e caminhou até ela, colocando os braços em volta dela. — Nós temos que fazer algo sobre como ela me controla — disse ele pouco antes de tomar sua boca novamente. Sentiu-a relaxar um pouco quando seus braços foram ao redor de seus ombros. Quando tentou aprofundar o beijo, ela se afastou e balançou a cabeça. — Oh não. É hora de brincar. — Ela sorriu para Maggie, que olhava para eles com um olhar engraçado em seu rosto. — Ela é muito jovem para saber o que estamos fazendo — disse ele, tentando voltar para outro beijo. Savannah riu e evitou-o. — Ela pode ser, mas eu saberia. Além disso, eu tenho que fazer alguma coisa depois de comer todos os doces. Ele balançou a cabeça e pôde sentir todo o bombeamento de açúcar passar por ele também. Sua ideia de gastá-lo e a dela eram completamente diferentes. Franzindo o cenho para sua filha, ele se aproximou e pegou-a. — O que acha de outra caminhada? — Ele olhou para Savannah. — Apenas uma curta. Em volta do quarteirão. Enquanto caminhavam à noite em volta do quarteirão, ele avistou o carro de patrulha segui-los lentamente novamente. Ele notou que houve um antes, mas duvidava que Savannah tivesse notado. Se ela notou, ela não mencionou. Sabendo que ainda estava lá atrás lhe assegurou que não encontraram seu pai ainda. Outra coisa para ele se preocupar. Ele tentou não franzir a testa enquanto pensava nisso, desde que Savannah o observava de perto. — Eu perguntei a Carmen sobre a pré-escola — ela disse, envolvendo seu braço no dele. — E? — Ele olhou para ela. Ela suspirou. — Não precisamos nos preocupar com isso por mais dois anos. — Ela sorriu. — Até então, Carmen e algumas mães sugeriram creche. — Ela franziu a testa, depois parou e olhou para ele. — Você acha que eu deveria arrumar um emprego?

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Ele riu rapidamente, e quando viu o flash de raiva em seus olhos, desejou que ele não tivesse. — Não é que eu não ache que você possa encontrar trabalho, é só que... — ele fechou os olhos e desejou um relógio mágico para voltar a um minuto atrás e bater nele. — Não, eu não acho que você deveria conseguir um emprego. Eu tinha esperança... — ele parou quando o carro da polícia ligou as luzes e bradou passando-os rapidamente. Uma conscientização imediata passou por ele quando Maggie começou a chorar por causa do som alto. — Vamos, vamos voltar para a casa — disse ele, os olhos correndo por toda parte. Ele duvidava que seu pai estivesse por perto, mas não queria arriscar. Quando voltaram para casa, sua mente girava. Isso significa que ele foi encontrado? Ou foram chamados para outra coisa? Isso o incomodou enquanto eles voltavam para casa, e esqueceu completamente de sua conversa anterior. Ele observou pela janela da frente para qualquer sinal e teve certeza que seu celular estava escondido em sua calça jeans. Savannah ocupou-se com alimentar Maggie e vestir a roupa para dormir. Quando voltou e ficou ao lado dele, ele passou o braço em torno do ombro dela e a sentiu enrijecer ao lado dele. — Se quiser trabalhar, trabalhe. Eu esperava que você fosse querer ficar em casa e estar com as crianças. — Seus olhos focaram quando observou o carro do xerife parar em frente da casa. — Crianças? — Disse Savannah calmamente. Ele se virou e olhou para ela. — Mais tarde — ele prometeu e se inclinou para dar um beijo em seus lábios. — Nós vamos conversar. — Ela assentiu com a cabeça e ele pensou ter visto um pouco da raiva deixar seus olhos. Andando mais, ele abriu a porta da frente, assim que o xerife levantou a mão para bater. — Noite. — Ele tirou o chapéu e acenou para Savannah. — Noite. Vamos entrar. — Ele fez um gesto para o homem entrar. — Alguma notícia? — Ele perguntou depois que o xerife entrou. Ele observou o homem mais velho acenar e, em seguida balançar a cabeça. — Eu odeio dizer isso. — Ele suspirou. — Nós encontramos Bill na propriedade de Matt Coby. — Ele balançou a cabeça. — Eu sinto muito, Billy, mas ele está morto.

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14 Savannah se aproximou de Billy e colocou os braços ao redor da cintura dele quando o xerife explicou como Matt o encontrou. — Agora, não descartamos nada ainda, então precisarei de uma agenda detalhada de onde esteve desde a última vez que o vi. — Ele tirou seu bloco de notas e franziu a testa. — Desculpe por isso. — Ele olhou para ela com um aceno de cabeça. Ela caminhou Billy para o sofá e empurrou em seu ombro até que ele se sentou. Seu rosto estava um pouco pálido, então ela correu para a cozinha e pegou um copo de água. Quando entregou a ele, ele tomou um grande gole e acenou para ela, e, em seguida, abaixou o copo. — Eu não sabia que ele estava na cidade até Savannah me contar. Eu encontrei Coby e o importunei até ele me dizer que meu pai estava hospedado na sua cabana de aluguel. Quando dirigi até lá... — ele balançou a cabeça e fechou os olhos, — o lugar estava vazio. A porta da frente estava trancada e não havia um veículo. Então voltei, pensando que ele tinha ido para a cidade. Eu encontrei Wes no caminho de volta para a cidade. — Ele abriu os olhos e passou as mãos pelo cabelo e no rosto. — Quando foi a última vez que o viu? Ele balançou a cabeça. — O dia em que o condenaram. As sobrancelhas de prata do xerife levantaram-se. — Savannah me disse que pagou a ele algum dinheiro um tempo atrás. Billy assentiu. — Transferi dez mil. O xerife assentiu. — Mas você não o viu? Billy balançou a cabeça negativamente. — Ok. — O xerife franziu a testa e levantou-se. — Eu deixarei você saber como vai a nossa investigação. Billy levantou rapidamente. — Isso significa que ele foi assassinado?

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O xerife não respondeu por um momento. — Eu deixarei você saber o que eu posso, quando eu puder. Savannah correu e tomou seu braço, impedindo-o de sair. — Steve? — Ela olhou para ele e ele balançou a cabeça. — Desculpe, Savannah. Eu não posso te dizer mais nada durante uma investigação em curso. — Como? — Ela perguntou em voz baixa. Ele suspirou. — Ele levou um tiro na cabeça. Ela suspirou e se virou para ver Billy correr para fora da sala, indo para o quarto de Maggie. — Obrigada. — Ela virou e se inclinando deu um beijou o rosto do xerife. Ele balançou a cabeça. — Entre você e eu, eu não acho que ele tenha algo a ver com isso, mas você sabe como é. Ela assentiu com a cabeça. — Obrigada. Ele olhou para a parte traseira e franziu a testa. — Mantenha-o na cidade nos próximos dias. — Ele não sairá para o trabalho até a próxima terça-feira. Então ficará fora por duas semanas. — Bem. Deveremos ter mais respostas até então. — Ele se virou, colocou o chapéu de volta e caminhou até seu carro. Savannah trancou a porta da frente e descansou a cabeça contra a madeira gelada por apenas um momento. Ela sabia como se sentiu após ouvir seus pais conversando sobre seu tio e como ele foi encontrado morto a facadas em sua cela – aliviada. Mas havia uma tristeza subjacente para seu pai, já que era seu único irmão. Ela não sabia como Billy levaria a notícia. Ela foi para o quarto e lentamente abriu a porta de Maggie, só um pouco. Billy estava sentado na cadeira de balanço, segurando Maggie e balançandoa. Lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto olhava para sua filha. — Billy? — Ela abriu a porta ainda mais. Ele olhou para ela e balançou a cabeça. — Eu estou bem. — Ele sorriu um pouco. — Um pouco aliviado, eu suponho. — Ele se levantou e caminhou até ela,

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então, colocou seu braço ao redor dela enquanto segurava Maggie. — Nós não precisaremos nos preocupar com ele vindo mais — disse ele em seu cabelo. Nos próximos dias eles tiveram mais visitantes e não sabiam o que fazer. Para começar, a casa era pequena demais para caber todo mundo que veio para prestar seus respeitos a Billy. Algumas pessoas simplesmente passaram para garantir que todos estavam bem, geralmente deixando um prato de comida caseira ou doces. A fofoca viajou rápido em Fairplay, e ela poderia dizer que todos já sabiam que o xerife questionara Billy. Lauren disse a ela que havia um boato por aí que Billy matara seu pai porque ele a agrediu na ponte. Era estranho já que no passado, ela foi o tipo de pessoa que espalhava esse tipo de mentiras. O Xerife passou apenas outra vez desde aquela primeira noite. Ele vestia seu melhor terno e Jamella estava em seu braço. Jamella trouxe uma enorme panela de seu frango recheado e uma torta caseira de pecã. Eles se sentaram no canto da pequena sala e conversaram com algumas outras pessoas que apareceram ao mesmo tempo. Quando Savannah fez algumas perguntas ao xerife, ele apenas balançou a cabeça e disse que não estava lá em missão oficial, mas sim para mostrar seu apoio para eles durante o seu tempo de perda. Finalmente, a casa esvaziou. Ela estava na cozinha limpando quando sentiu os braços de Billy a envolverem. — Tanto para uma noite de encontro — ele sussurrou em seu cabelo. — Hmm? — Ela virou depois de secar as mãos. — É sexta feira. Lembra-se? Íamos para Tyler. Ela assentiu com a cabeça. — Da próxima vez. — Ela sorriu e colocou os braços em volta do pescoço dele. Ele fechou os olhos e descansou sua testa contra a dela. — Por que parece que a vida continua a ficar entre nós? Ela escovou os lábios contra os dele e assentiu. — Nós teremos muito tempo. Ele abriu os olhos e olhou para ela. — Teremos? — Seus braços caíram quando começou a andar para trás e para frente no pequeno cômodo. — Quero dizer, até agora não fizemos nenhum comprometimento um ao outro.

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Ele se virou e olhou para ela. Ela estava sem palavras. Ele estava certo. Ele a pediu em casamento duas vezes agora, e cada vez ela não só o recusara, mas ficara brava com ele. — Temos uma filha juntos — disse ela, tentando aliviar sua mente. Ele riu. — Um monte de pessoas têm filhos juntos. Isso não significa que eles estão comprometidos um com o outro. Ela encostou-se a pia e esfregou a testa. — O que você quer? — Você sabe o que eu quero — ele colocou para fora, em seguida, fechou os olhos e respirou fundo. — Eu não posso dar a você algo que não tenho — disse ela, sentindo-se cansada. — O quê? — Ele estava do outro lado da pequena sala e esperou. — Eu não posso amar — ela deixou escapar. Ele olhou para ela por um momento e, em seguida, explodiu em gargalhadas. Ela ficou lá e colocou os braços em torno de si mesma, se sentindo cansada e gelada. — Claro que você pode. Tudo que alguém teria que fazer é ver você com Maggie durante um minuto para saber disso. Ela balançou a cabeça e fechou os olhos. — Eu não posso amar os homens. Ela abriu os olhos novamente quando sentiu as mãos dele em seus ombros. — Eu não entendo. Ela suspirou. — Eu estou quebrada. Eu estou quebrada desde os seis anos. — Ela fechou os olhos de novo e sabia que precisava dizer a ele. Então, ele entenderia e deixaria de exigir algo que ela não podia dar, jamais daria a qualquer homem. Jamais. — Savvy? — Só de ouvir a suavidade de sua voz lágrimas rolaram de seus olhos. — Eu fui abusada — disse ela rapidamente. — Quando eu tinha seis anos, pelo meu tio. Durou pouco mais de um ano. Eu perdi essa parte de mim, a parte que eu tinha de amar um homem. Ela se foi. — Ela se afastou e começou a sair da cozinha. Ela chegou a sala antes dele a girar e envolvê-la em um abraço que disse mais do que qualquer palavra jamais poderia. Ela ficou na sua minúscula sala de

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estar na pequena casa verde e segurou Billy enquanto ele chorava por sua inocência perdida.

— Você está errada, sabe — disse ele mais tarde, enquanto estavam deitados na escuridão. — Hmmm? — Perguntou ela contra seu peito. — Não se perde simplesmente a capacidade de amar. — Ele passou a mão pelo cabelo, apreciando a suavidade dele, dela. Ela balançou a cabeça e empurrou para trás para olhar para ela. — Está lá dentro, em algum lugar. — Ele afastou o cabelo do seu rosto. — E espero um dia ver. — Ele roçou seus lábios contra os dela, e então aprofundou o beijo quando a sentiu amolecer em seus braços. Em seguida, o ardor do seu desejo bateu nele e ele a puxou para debaixo dele, estabelecendo-se entre suas doces pernas. Ele choveu beijos sobre cada polegada dela enquanto puxava de sua pele macia a seda com a qual viera para a cama, polegada por polegada. Finalmente, quando eles estavam lá, sem quaisquer barreiras, ele levou o seu tempo e explorou cada polegada dela, apreciando a sensação, o sabor de sua pele contra a dele. Quando empurrou as pernas abertas dela e explorou os lábios inferiores com a boca, ela arqueou-se e gritou o nome dele, puxando seu cabelo enquanto a agradava. — Mais, dá-me mais — ele rosnou enquanto a lambia. Ele empurrou um dedo em seu calor e rodou seu doce creme quando ela gritou. Quando a sentiu derivar de volta para o colchão, ele mudou-se por cima dela e deslizou lentamente nela, apreciando a suavidade que o acolheu. — Você está errada — repetiu ele. Ele sabia que estava certo quando a sentiu apertar em torno dele novamente, quando ela deixou-se ir para ele. Na manhã seguinte, ele acordou com o martelar, virou-se e puxou o travesseiro sobre a cabeça para abafar o ruído. Quando o barulho parou, ele começou a dormir novamente. Savannah entrou e sentou-se ao lado dele. — O xerife está aqui. — Por um momento, ele

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pensou que sonhara. Em seguida, ela colocou a mão em seu ombro. Jogando o travesseiro de lado, ele sentou-se. Ela já estava vestida. Apenas a visão dela deu água na boca. Passando as mãos sobre os olhos, ele tentou se concentrar em outra coisa, qualquer coisa do que o que ela disse a ele ontem à noite. Se seu tio não estivesse já morto, ele o teria caçado e... — Billy? — Ela balançou a ombro novamente, levando-o a concentrar-se novamente. — Sim, eu já vou. Ela assentiu com a cabeça e saiu, fechando a porta atrás dela. Ele não queria nada mais do que cair na cama e dormir o dia inteiro, mas ao invés disso, ele se levantou, caminhou até o banheiro e jogou água fria em seu rosto. Quando olhou para si mesmo no espelho, ele franziu a testa. Seus olhos estavam vermelhos brilhantes e ele parecia um pouco mais pálido do que o normal. Tomando duas aspirinas, ele vestiu roupas limpas e saiu para ver o xerife em pé no forno virando panquecas, enquanto Savannah sentou-se à mesa da cozinha dando bananas amassadas a Maggie. — Bom dia — o xerife disse por cima do ombro. — Bom dia. — Billy se aproximou e deu um beijo no rosto de Savannah e Maggie. — O que tem para o café da manhã, querida? — Ele riu quando se aproximou e ficou ao lado do xerife. — Ha ha. — Ele tirou a panela do forno, virou a última panqueca no prato, em seguida, virou-se para ele. — Eu apenas pensei que você gostaria de saber que acusaremos formalmente Albert Rothschild pelo assassinato de seu pai. — Rothschild? — O nome soava familiar, mas não poderia identificar. Então, seu sangue gelou e sua visão escureceu um pouco. — Rothschild? O xerife assentiu. — O filho do homem que o seu pai matou naquele bar em Houston. O carro de Rothschild foi visto na área alguns dias antes do assassinato de seu pai. O garoto ainda postou material em sites de mídia social sobre como faria. — Ele balançou a cabeça e cruzou os braços sobre o peito, parecendo confortável no pequeno espaço. Billy lembrou que o homem viveu aqui, nesta casa, mais de vinte anos.

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— Quantos anos ele tem? — Perguntou Savannah. — Vinte e dois. Ele era apenas uma criança quando seu pai morreu. Pelo o que dizem, ele estava melhor sem o homem, mas, desde então, ficou obcecado com seu pai recebendo o troco. Billy balançou a cabeça. — Tão jovem. O que acontecerá com ele? — Bem, ele será julgado. Provavelmente colocado de lado por alguns anos. Você sabe como é. Vida é igual a dez a vinte. — Ele balançou a cabeça. — Obrigada. — Savannah se levantou e caminhou até colocar um beijo na bochecha do homem mais velho. — Por tudo. Billy observou o xerife corar um pouco e acenar. — Sabe, você não precisa me agradecer. Ela sorriu e acenou com a cabeça. Após o xerife sair, sentaram-se a mesa pequena e comeram seu café da manhã em silêncio. — Você está errada, sabe — disse ele, fazendo-a olhar para ele, as sobrancelhas erguidas em questionamento. — Você pode amar um homem. Você ama seu pai e... — ele acenou com a cabeça em direção à porta que o xerife saíra apenas alguns minutos antes. — Você o ama. — Ele balançou a cabeça. — Bastardos de sorte. — Ele quis dizer isso para aliviar o clima, mas ela apenas continuou a franzir a testa para ele. — Escute... — ele pegou a mão dela. — Não. — Ela levantou-se de repente. — Eu... eu sinto muito, eu preciso... — Ela olhou em volta e, sem dizer uma palavra, saiu da cozinha. Ele ouviu a porta da frente abrir e fechar e suspirou quando olhou através da mesa para Maggie, que apenas olhou para ele e amassou a banana entre os dedos e, em seguida, sorriu e riu. Ele riu. — Eu acho que sua mãe precisa de algum tempo para pensar sobre as coisas. — Coisas. — Maggie repetiu, fazendo-o parar e olhar para ela. — Coisas — ele repetiu e ficou encantado quando ela o imitava. Durante a hora seguinte, ele tentou centenas de palavras e ficou decepcionado quando a única palavra que ela dizia era coisas. Nem mesmo o padrão, Mama e Dada, as palavras habituais que os bebês em desenvolvimento aprendiam primeiro, não estava no vocabulário de Maggie.

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15 A cabeça de Savannah doía. Ela andou em um ritmo rápido e não parou até que chegou a ponte. Era muito cedo pela manhã para alguém estar fora, então se encostou à grade e relaxou. Por quase 20 anos, ela acreditava em algo sobre si mesma sem motivo real. Ela empurrou-se do corrimão e começou a andar através da ponte pensando sobre isso. Primeiro, houve Travis. Ela não o amara. Ela gostou do seu tempo juntos, mas ele só foi um meio para superar seu medo de homens, de ser tocada. Ele ajudou por ensiná-la a se tornar a mulher que ela era hoje. Houve outros homens em sua vida. Menos do que a maioria das pessoas na cidade pensavam, mas ela não podia negar que aprendera alguma coisa com cada um deles, inclusive Billy. Ela parou congelada e fechou os olhos enquanto se sentia balançar. Ela não o amava. Ela não poderia amá-lo. Ele era Billy Jackson. Billy! Ela deveria se casar com um homem rico, um homem dono de lugares. Que a levaria para fora de Fairplay, Texas. Ela caminhou até o lado da ponte e olhou para a água. Ela não percebeu que chorava até que assistiu a uma lágrima cair na água calma abaixo dela. Claro, ela amava o pai. Ela nunca questionou isso. E ela tinha um profundo respeito pelo xerife; ele sempre esteve lá em sua vida. Por que Billy empurrava o cartão de amor tão forte? Por que não podia aceitar o fato de que ela não seria isso para ele? Eles só tinham mais alguns dias antes dele ficar fora por duas semanas. Então, ela teria tempo para limpar a cabeça e olhar para as coisas de uma forma mais sensata. Quando ele estava por perto, sua mente ficava nebulosa e tendia a se concentrar em uma coisa. Ela balançou a cabeça e enxugou as lágrimas do rosto. Tomando seu tempo para voltar para casa, ela veio com um plano de ação para saber como lidar com

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ele. Ela não pararia de ter seus prazeres, mas isso não significava que precisasse brigar com ele no lado emocional. Com seus ombros puxados para trás, e sua cabeça um pouco mais clara, ela entrou na casa e ouviu pela primeira vez sua filha falar. — Coisas — Maggie disse uma e outra vez quando Billy gravou em seu telefone. Savannah correu para sua filha. — Ela... ela falou? — Excitação correu através dela enquanto assistia sua filha rir e bater palmas, repetindo a palavra. Savannah abraçou-a e, em seguida, olhou para Billy. — Quando isso começou? Ele riu. — Cinco segundos depois que você saiu. — Ele franziu a testa um pouco. — Eu não posso fazê-la dizer qualquer outra coisa, no entanto. O resto do dia foi gasto na tentativa de Maggie dizer qualquer outra coisa. Mas a menina estava muito determinada e obstinada até mesmo para tentar. Ela apenas sorria e repetia a palavra. — Eu acho que ela é apenas igual a mãe. — Billy riu quando caminharam à noite. — Oh? — Ela olhou para ele, grata que o dia foi desviado das conversas daquela manhã. Ele balançou a cabeça, sorriu e ela sentiu seu coração saltar um pouco com quão bonito ele era. — Ela adora coisas. — Ele riu quando ela deu um tapa no ombro dele de brincadeira. Maggie repetiu a palavra e eles riram novamente. Naquela noite Savannah deitou silenciosamente na cama, fingindo dormir. Ela nunca viveu com ninguém antes, e se perguntou por que era tão fácil com Billy. Ele não deixava a roupa ao redor, nem deixava a tampa do vaso levantada como os outros homens com quem esteve. Ele ajudava com Maggie e, ela tinha que ser honesta, ela gostava muito dessa parte. Não que Maggie era um peso, mas ela gostava de ter um pouco mais de tempo para si mesma. Quando Billy veio para a cama, ela manteve os olhos fechados e estava agradecida quando ele apagou a luz e se deitou. Então ele rolou e puxou-a para perto dele e suspirou.

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— Noite — disse ele em seu cabelo, fazendo arrepios subirem por toda a sua pele. Ela assentiu com a cabeça e suspirou. Se sentia bem ser segurada. O cheiro doce de sua pele limpa encheu seus sentidos e ela fechou os olhos para o desejo. — Eu posso ouvi-la pensando. — Ele riu. Ela virou em direção a ele, passando as mãos sobre o peito nu dele. Aproveitando o tremer dos músculos dele, ela continuou a correr os dedos sobre cada polegada dele enquanto olhava em seus olhos escuros. Quando a mão dela escorregou mais baixo, ele fechou os olhos e gemeu. Envolvendo seus dedos ao redor do comprimento dele, foi a vez dela fechar os olhos e gemer. Ele era impressionante. A primeira vez que o viu, ela se perguntou como ele era tão perfeito. — Você está me matando — ele rosnou, enquanto sua mão acariciava lentamente. Então ele estendeu a mão para ela, e ela não podia se mover rápido o suficiente. Empurrando em seus ombros, ela se moveu sobre ele e montou seus quadris tirando suas roupas. Então, ela estava acima dele, posicionando seu pênis para que pudesse deslizar para baixo lentamente. As mãos dele agarraram seus quadris enquanto ela se movia para baixo e se empalou totalmente. A cabeça dela rolou para trás enquanto os dedos dele apertavam seus quadris, e então ele empurrava e puxavaa para que ela pudesse se mover sobre ele. Quando ela olhou para ele, deixou seu corpo se mover até que se sentiu construindo. Quando sua libertação finalmente chegou, ela estava feliz em ouvi-lo segui-la apenas alguns segundos mais tarde. Descansando sua bochecha contra seu peito, seus olhos se fecharam quando seus corações bateram rapidamente em uníssono. Ela afastou-se ao som de seus batimentos cardíacos e sabia que não podia negar mais nada. Ela deixou sua guarda deslizar pela primeira vez em sua vida e a assustou muito para pensar.

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Os próximos dias foram ocupados. Eles finalmente liberaram o corpo de seu pai, e Savannah ajudou a fazer os arranjos para seu enterro. Mesmo que ele tenha passado uma boa parte de sua vida sendo envergonhado pelo homem, não poderia negar-lhe seus últimos desejos. Ele foi enterrado no lote ao lado da mãe de Billy no cemitério local, fora da cidade. O caixão simples custou quase tanto quanto seu pai exigira na chantagem. Savannah deve ter percebido que ele ficava frustrado em lidar com tudo isso, porque entrou em cena e assumiu. Fazendo o resto dos arranjos, ela até mesmo arrumou as flores e a lápide. Levou dois dias inteiros para que tudo fosse completamente arranjado. Agora ele estava de pé no calor do verão, na frente do prédio da prefeitura local, em seu melhor terno e com Maggie em seus braços. Ele cumprimentou alguns convidados e amigos que apareceram para o pequeno serviço. Ele ficou surpreso com quantas pessoas apareceram para mostrar seu apoio. Foi bom que as pessoas soubessem que poderiam colocar o que seu pai fizera de lado, mesmo que ele ainda estivesse tendo dificuldade. Claro que, quando fechou as portas exteriores e entrou, ele percebeu que a sala estava apenas meio cheia. Tomando o seu lugar ao lado de Savannah, ele se sentou e ouviu o curto sermão do pregador da cidade. O grupo seguiu o carro da frente ao cemitério. A mão de Billy foi apertada mais vezes do que poderia contar. Ele estava agradecido que a família de Savannah estava lá e que ela não saiu seu lado o tempo todo. Quando ela saiu do banheiro naquela manhã em sua saia e blusa escura, ele pensava em um milhão de coisas que preferia fazer com ela a assistir ao funeral de seu pai. Seu cabelo estava amarrado em um coque na base de seu pescoço em uma aparência sofisticada. Com Maggie em seu quadril, ela parecia mais madura do que ele alguma vez a viu antes. Mais respeitável de alguma forma. Ele observou todos que pararam e falaram com ela. Ela poderia não saber, mas aos olhos da cidade, ela mudou. Agora, ela era a mulher que ele sempre imaginou que ela seria.

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Ele descobriu que era difícil não observá-la a cada chance que podia. Ele sabia que ela lutava com seus sentimentos por ele. Descobrir o que aconteceu no passado quando era uma criança, o rasgou, mas sabia que alguém tão forte como ela podia vencer. Ela fez isso por toda a sua vida. Ela se encarregara de sua vida e ainda fazia isso agora. Não era como se ele quisesse controlá-la, apenas amá-la. Depois de abaixarem o caixão de seu pai no chão, ele suspirou e olhou-a mais uma vez enquanto ele falava com Travis. — Savannah planejou uma pequena reunião para mais tarde esta noite. — Ele olhou para Travis. — Nós adoraríamos se vocês passassem. Travis assentiu. — Devemos levar alguma coisa? Ele balançou a cabeça negativamente. — Ela e sua mãe cozinharam nos últimos dois dias. Tudo está cuidado. Travis assentiu com a cabeça e pegou a mão de Holly. Billy viu seus amigos andarem e suspirou de novo, pensando em Savannah. Quando olhou para ela, desta vez, ela sorria para ele enquanto segurava Maggie. Viu-a caminhar pela grama em direção a ele e não podia deixar de admirar a maneira como seus quadris balançavam a cada passo. Ela sempre soube como excitar um homem. Quando ele chegou em casa, ela parecia mais intimidada perto dele, mas a medida que se aproximaram mais fisicamente, ela tornou-se mais segura perto dele. Ela parou bem na frente dele, um sorriso enorme no rosto. — Maggie aprendeu outra palavra hoje. Ele se aproximou e pegou sua filha, um sorriso enorme no rosto. — Oh? — Dada — disse Maggie e tomou seu rosto em suas mãos e começou a beijar seu queixo. Savannah riu quando ele sorriu. — Essa é minha garota. — Ele sentiu lágrimas começando por trás de seus olhos, mas piscou-as e cobriu o rosto com o cabelo loiro de sua filha. Quando as pessoas começaram a chegar a casa, o calor do dia já diminuíra para um caloroso trinta graus. Eles retiraram todas as cadeiras que podiam e colocaram mesas dobráveis no quintal, onde o pai de Savannah estava junto à grelha, assando hambúrgueres.

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Ele não esperava que tantas pessoas aparecessem; havia mais pessoas lá do que no serviço, incluindo o xerife e Jamella. Maggie foi levada por uma das irmãs West anteriormente. Um grande grupo de crianças brincava no quarto de Maggie, e ele sabia que ela estaria sendo observada. Savannah correu ao redor para que todos tivessem bebidas ou pratos. Depois de um tempo, sua mãe disse a ela para se sentar, já que ela estava um pouco cansada. Ela sentou ao lado dele e tomou um gole de uma garrafa de água. Pela primeira vez em quase um ano, ele segurava uma cerveja. Ele só bebia porque alguém a entregou, e não queria se levantar para caçar um copo de chá gelado em vez disso. — Obrigado. — Ele estendeu a mão e pegou a mão de Savannah na sua. — Por? — Ela inclinou a cabeça e seus brincos de prata brilharam na luz que morria. — Por tudo isso. — Ele olhou ao redor e ouviu o riso vindo de dentro da casa. Balançando a cabeça, ele olhou para ela. — Você pensou alguma vez que poderíamos ter tantas pessoas neste lugar ao mesmo tempo? Ela riu e balançou a cabeça. — Ou que tanta gente sairia para nos mostrar o quanto se importam? Seu riso parou quando ela olhou ao redor do quintal. Ela balançou a cabeça. — Eles estão aqui por você — Billy disse a ela. Ela deixou cair sua mão e se levantou. — Eu preciso ir ver Maggie. — Ele a deixou ir e observou-a entrar, parecendo um pouco perdida e assustada. O pai de Savannah sentou-se ao lado dele e suspirou. — O que você disse para colocar esse olhar assustado no rosto dela? Ele riu. — Nada de mais. — Ele balançou a cabeça. — Apenas que todos estavam aqui por causa dela. Seu pai sacudiu a cabeça. — Um ano atrás, ela saborearia a atenção. Agora... ela mudou muito. Billy assentiu. — Nós a mimávamos. Tivemos as nossas razões, e eu duvido que eu alteraria uma coisa, mas estou contente de ver que ela está mudada.

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Ele olhou para o homem. Ele podia ver o grisalho em seu cabelo ao longo de sua têmpora. Havia linhas na testa do homem e perto de seus olhos, mas ele ainda parecia jovem. Foi difícil para Billy para imaginar com o que este homem lidou, sabendo que seu irmão destruiu sua família há tantos anos. — Savvy me contou o que aconteceu — disse ele, olhando para sua cerveja e desejando um chá gelado em vez disso. Quando John não disse nada, ele olhou de volta para ele. Ele podia ver a tristeza nos olhos do homem enquanto ele observava um grupo de crianças mais velhas perseguirem uns aos outros no pequeno quintal. — Já é hora dela deixar alguém entrar. — Ele tomou um gole de sua bebida e olhou para ele. — Ela acha que não pode amar ninguém. — Ele balançou a cabeça e observou-a sair pela porta dos fundos com Maggie em seus braços. — Bem, isso é apenas besteira — disse seu pai, fazendo-o rir. — Nisso estamos de acordo.

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16 Levou dois dias inteiros para ter a casa limpa e organizá-la como era antes. Ainda havia mesas e cadeiras dobráveis no quintal que seu pai e Billy precisavam levar de volta para a prefeitura. Eles tinham muitas sobras na geladeira e freezer e ela não sabia o que fazer. Ela fez canja de galinha caseira com a sobra de frango e enviara um pote para casa com seus pais. Ela entregou duas tortas inteiras para o Holly’s na esperança de não vê-las em casa e ganhasse todo o peso de volta. Ela até mesmo entregou um vale refeição para Carmen e seus dois filhos. Ela gostava de visitá-la, e Carmen a informou sobre a contratação do advogado dela novamente. Ela disse que o advogado argumentou possuir fortes indícios contra seu ex e assegurou-lhe que ele não conseguiria a custódia total de seus filhos. — Bem, é claro que você tem. — Savannah sorriu para as duas crianças que brincavam tranquilamente com o Lego no chão. — Espero que sim. Mataria-me se eu não puder ver as suas caretas a cada dia. — Carmen sorriu para seus dois filhos. — E você? Você e Billy terão mais filhos? Savannah quase engasgou, mas depois pensou sobre isso. Ela sempre quis muitas crianças. Ela odiava ser filha única. Mas ainda não se comprometeu completamente em seu relacionamento. É verdade, ela não podia imaginar criar Maggie longe de Billy, ou – seu sangue esfriou – ele tirar Maggie dela. Balançando a cabeça, ela descartou o pensamento. Billy nunca faria algo assim. Ele não tem a maldade nele como seu pai tinha. — Nós... nós não falamos sobre isso — ela disse a Carmen e, em seguida, se desculpou, dizendo a Carmen que era hora de colocar Maggie para uma sesta. Na curta caminhada de volta para casa, ela empurrou o carrinho de Maggie lentamente e pensou sobre a conversa. Ela e Billy não falaram sobre o seu futuro. Oh, com certeza, ele propôs a ela, duas vezes já. Mas a primeira vez foi

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porque acabaram de descobrir que ela estava grávida. A segunda... Por que ele propôs na segunda vez? Ela parou de andar e voltou a pensar naquele dia na lanchonete. O que eles falavam? Ela realmente não podia lembrar. Tudo o que lembrava era de estar envergonhada e chateada por ele pedir a ela no Mama’s. Ela começou a empurrar o carrinho novamente e pensou sobre seu relacionamento, sobre o futuro deles. Sobre seu futuro. O que ela queria? Ela sabia que todos os sonhos que tinha quando criança foram embora e olhando para seu bebê dormindo, ela percebeu que não se importava mais com as mesmas coisas que importavam há um ano. O que pesava sobre ela agora era a questão do que vem depois. O que ela queria agora? Billy estava programado para sair em dois dias e ela ainda não sabia como se sentia sobre isso. Seria apenas por duas semanas desta vez, mas as coisas mudaram tanto entre eles. Ela ainda não sabia o que pensar sobre tudo o que aconteceu entre eles. Enquanto caminhava pelo estabelecimento de Holly, ela acenou para uma das irmãs que trabalhava atrás do alto balcão do bar. Ela gostava tanto delas, o que era engraçado, porque elas viviam em Fairplay há alguns anos e Savannah nunca diria isso sobre elas mais de um ano atrás. Elas simplesmente não andavam nos mesmos círculos que ela. Agora, ela estava agradecida de não andar nesses círculos mais. Várias de suas amigas se mudaram da cidade pouco depois que ela descobriu que estava grávida. Ela ouviu que duas delas viviam em Houston, mas diferente disso, ela não sabia o que faziam. Elas não ligaram ou mandaram uma mensagem para ela, e ela se esqueceu delas com tudo o que vinha acontecendo em sua própria vida. Ela se lembrou de quanto doeu que elas pararam de ligar, mas agora, ela sabia que foi o melhor. Logo depois que descobriu que estava grávida, ela tentou manter suas amizades e isso foi desgastante. Eles gostavam de sair para dançar e beber pelo menos três vezes por semana. Além disso, eles ainda fumavam e ela não queria Maggie em torno de alguém que fumava. Ela parou novamente no meio da calçada e fechou os olhos, lembrando-se das poucas vezes que fingiu fumar enquanto estava grávida. Graças a Deus o médico afastou quaisquer preocupações que ela tinha sobre os efeitos colaterais. Ela era tão estúpida naquela época. Balançando a cabeça, ela

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começou a andar de novo e olhou para cima para ver Billy sentado nos degraus da frente da casa, observando-a. — Decidindo se voltaria para casa? — Ele perguntou quando ela estava a poucos passos de distância dele. — Hmm? — Ela parou o carrinho na frente deles e mudou-se para sentar-se ao lado de Billy. Ele riu um pouco e assentiu. — A maneira como você parou lá atrás. Ficou olhando como se tentasse decidir se queria voltar para casa ou não. Ela balançou a cabeça. — Não, eu só pensava em quão estúpida eu costumava ser. — Ela suspirou e descansou o cotovelo nos joelhos. — Eu não posso acreditar que continuei fumando durante as primeiras semanas de gravidez. Ele olhou para ela e assentiu. — Eu sei o que você quer dizer. — Balançando a cabeça. — Eu não posso acreditar o quanto eu costumava beber. Bastou um gole de cerveja no outro dia, e queria um copo de chá no lugar. Ela riu. — Eu não posso acreditar que eu costumava ter a energia para ir dançar três noites por semana. Ele riu, depois ficou sério e tomou sua mão. — Você sente falta? Ela pensou por um momento. — Se isso significa desistir de Maggie, não. — Ela sorriu. — E quanto a você? Ele balançou a cabeça. — Se isso significa desistir de vocês duas, não. — Ele a puxou para perto e a beijou suavemente nos lábios e ela sentiu algo mudar dentro dela. Algo que ela tentou esconder toda a sua vida.

Billy sorriu para a tela de computador e desejou mais do que qualquer coisa estar em casa. Ele estava há dois dias em seu turno de catorze dias e sentia muita falta de suas meninas. Ele preencheu sua pequena área de dormir com fotos das duas, mas simplesmente não preenchia o vazio ou substituía a sensação de segurar qualquer uma delas a cada noite que ia para a cama. Até agora, ele se deu muito bem com o resto da tripulação. Levava um pouco de tempo para se acostumar a viver e trabalhar a trinta metros acima da água, mas

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pensou que poderia pegar o jeito. Felizmente, não balançava e sacudia com as ondas. Foi informado a ele que se movia um pouco na presença de ventos fortes, mas nada grave. O trabalho era quente e sujo e durava um total de 14 horas de cada dia. Quando se arrastava até sua cama durante a noite, ele estava quase desmaiando de cansaço para conversar com Savannah. Quase. Ele gostava do fato de que ela sempre se arrumava para vê-lo no Skype. Mesmo Maggie geralmente vestia um vestido ou um conjunto bonito, com laços em seu cabelo loiro. — Ela disse alguma coisa? — Perguntou ele, mantendo os olhos grudados na tela. — Não. — Ela suspirou e franziu a testa um pouco. — Eu continuo tentando ensiná-la mama, mas ela simplesmente não diz. Ele franziu a testa um pouco. — Eu sinto falta de vocês — disse ele em voz baixa. Ele sabia que Mark, seu companheiro de quarto, dormia no beliche abaixo dele, e não queria que a conversa o acordasse. Ela assentiu com a cabeça e, então, colocou Maggie em seu cercadinho. Em seguida, ela voltou para o computador e colocou o laptop no colo. — Eu acordei esta manhã e procurei por você. — Ela franziu a testa. Ele sorriu, sabendo que era a sua maneira de dizer que sentiu falta dele, também. — Duas semanas é muito tempo — disse ele, observando seus olhos suavizarem quando balançou a cabeça. — É melhor eu dormir um pouco. O turno da manhã começa bem cedo. — Ele sorriu. — Billy? — Ela puxou o computador mais perto. — Eu sinto falta de você também — ela disse rapidamente e depois desligou. Ele não conseguia parar de sorrir quando adormeceu. Nos próximos dias ele aprendeu muito sobre como trabalhar e viver com um grupo de cinquenta homens adultos quando preso em um edifício de quarenta andares de altura a um quilometro e meio de distância de qualquer lugar. Havia metragem quadrada o suficiente para que todos tivessem seu próprio espaço, mas isso não impedia que os ânimos subissem quando o trabalho era exigente o suficiente. Especialmente

quando

vidas

estavam

em

jogo. Ele

descobriu

rapidamente que havia alguns funcionários com quem deveria tomar cuidado.

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Desde que foi contratado como gerente, ele trabalhou dentro da sala de controle na maioria das vezes. A sala de controle era uma sala de cento e quarenta e oito metros quadrados que tinha mais monitores de computador que ele já viu. Seu trabalho nesses dias era manter o nível da plataforma. Ele era uma gloriosa babá; apertava os botões que moviam a água dentro e fora dos compridos cascos fazendo a plataforma se mover, se necessário. Ele sabia que havia telas idênticas na costa e alguém se sentava em um prédio de escritórios observando as mesmas informações aparecerem. Mas ele estava no controle de nivelamento e, em sua maior parte, era um trabalho chato que exigia que ele não tirasse os olhos da tela toda a vez que se sentava na cadeira grande. Ele gostava dos dias em que trabalhava fora. Ele andava no local com uma lista de verificação e se certificava que tudo estava em ordem. Ele gostava de sujar as mãos e realmente desfrutava o ar fresco de sal. Ao final de cada dia, se passou dentro ou fora, seu corpo doía e seus olhos estavam secos. Ele sabia que teria duas semanas inteiras para descansar e passar com sua família, mas não podia evitar, a não ser desejar poder ter um trabalho normal na cidade. Algo que garantiria que pudesse passar o dia com suas meninas. Mas seria difícil de igualar com a remuneração atual. Ele sabia que essa era a única maneira de mantê-los na pequena casa e dar a sua família o que elas precisavam. Finalmente, chegou o dia, quando empacotou seus pertences e esperou o helicóptero para a costa. Ele não podia esperar para segurar suas meninas em seus braços, e enquanto dirigia de Houston, ele ligou para Savannah. — Ei, estou saindo de Houston. Devo estar aí em pouco menos de duas horas. — Bom, temos uma surpresa para você. — Ele podia ouvi-la rir. — Oh? — Disse ele, mantendo os olhos na estrada. — Sim, mas não direi até você chegar em casa. Ele suspirou e desejou que o limite de velocidade fosse muito maior do que setenta. — Estarei aí o mais rápido que eu puder. — Dirija com segurança — disse ela antes de desligar.

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Savannah estava nervosa novamente. Por que parecia não poder ter um controle sobre si mesma quando se tratava de Billy? As duas últimas semanas foram bem. Apenas bem. Não emocionante, não espetacular, nada mais do que bem. Ela realmente sentia falta dele. Seu sorriso, o riso, a forma como ele era com Maggie. Mas acima de tudo, ela sentia falta dele segurando-a a noite. Ela não sabia quando se tornou viciada nele, mas aconteceu. Cuidar de Maggie e ir a suas caminhadas diárias simplesmente não era tão divertido mais. A única vez que ela desfrutava de si mesma era quando visitava Carmen ou se deparava com Tracy na ponte, o que começou a acontecer com mais frequência. Ela até viu ela e seus pais uma vez, quando almoçava no Mama’s com Lauren e Holly. A menina parecia ainda menor sentada ao lado de seus pais. Ela teria pensado que eles pareciam uma família bonita se não soubesse que a menina estava sendo completamente torturada por um grupo de crianças na escola. Ela até mesmo considerou ir para seus pais e falar com eles em um momento, mas ela mesma se convenceu a não ir. Ela esteve tão ocupada ontem deixando a casa pronta para o retorno de Billy que Maggie e ela perderam sua caminhada à noite. Era estranho; ela sentiu mais falta de Billy nas últimas duas semanas do que sentiu nos seis meses que ele esteve fora anteriormente. Com a casa completamente pronta, ela verificou duas vezes no espelho uma última vez e se dirigia para a sala para ver Maggie, que dormia em seu berço, quando a campainha tocou. Ela franziu a testa enquanto caminhava em direção a ela. Billy não tocaria a campainha; ele apenas entraria. Abrindo a porta, ela viu uma mulher pequena que parecia muito cansada. Imediatamente ela reconheceu como a mãe de Tracy. — Olá? — Ela percebeu que o rosto da mulher estava cheio de preocupação. — Oi, hum, eu sou Leslie Chaves, mãe de Tracy. — Sim, eu sei, por favor. — Ela fez sinal para ela entrar.

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— Oh bem. Eu só me perguntava... — a mulher balançou a cabeça e ficou na varanda da frente. — Eu queria saber se você viu Tracy. Ela saiu de seu quarto cedo ontem à noite e não voltou. Ela nos disse que saía com você às vezes. Savannah assentiu. — Sim, eu faço passeios à noite com a minha filha e a encontro algumas vezes. — A preocupação preencheu instantaneamente os pensamentos de Savannah. — Normalmente nós nos encontramos na ponte da estrada velha. Você verificou lá? Sua mãe assentiu com a cabeça. — É que... — foi então que Savannah notou a nota que a mãe de Tracy agarrava ao seu peito. — É só que ela deixou isso. — As lágrimas encheram seus olhos enquanto entregava a nota. Savannah pegou e leu a pequena letra, silenciosamente. Se você não gosta de algo sobre si mesmo, mude. — O que significa isso? — Perguntou Leslie. Savannah sacudiu a cabeça. — Eu realmente não sei. — Ela franziu a testa e olhou para cima quando o carro de Billy estacionou na frente da casa. Ela observou-o caminhar até a casa. O sorriso desapareceu de sua boca logo que viu seu rosto. — O que há de errado? — Ele correu para ela e tomou seus ombros. — Tracy está desaparecida. — Ela entregou a nota para ele. — Eu acho que é tudo culpa minha. — Ela não percebeu que lágrimas escorriam pelo seu rosto. Billy leu a nota e se virou para Leslie. — Você ligou para o xerife? Ela assentiu com a cabeça. — Na noite passada. — Ela olhou para a nota que Billy ainda segurava. — Ele tem todo mundo procurando por ela, mas eles não encontraram nada ainda. — Nós vamos dirigir ao redor e procurar por ela — disse Savannah, entrando em casa para pegar Maggie. — Oh, isso é... — Leslie começou a dizer. — Se você anotar o seu número de celular, mandaremos uma mensagem para você se a encontrarmos — disse Billy. — Sim, bem. Savannah pegou Maggie tão delicadamente quanto podia e colocou-a em seu veículo. Felizmente, ela não se mexeu.

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Quando ela saiu da frente, Billy estava ao volante novamente. — Onde? — Perguntou ele depois que ela colocou o transportador no lugar. — A ponte velha. Ele balançou a cabeça e saiu da garagem. — O que significa a nota? — Perguntou ele enquanto saíam da cidade. Seus olhos estavam grudados às ruas, à procura de qualquer sinal de Tracy. Ela balançou a cabeça. — Eu não tenho certeza. Quero dizer, ela me contou que algumas crianças tiravam sarro dela, mas nós nunca realmente conversamos sobre nada específico. Não de verdade. — Ela é aquela menina de cabelos castanhos com aparelho, certo? Ela assentiu com a cabeça e disse, — Sim — ao mesmo tempo. — Sua mãe disse que deu falta da sua jaqueta verde. Savannah assentiu com a cabeça novamente. — Ela a usa nas noites que fica frio. Eles alcançaram a ponte velha e ele parou o carro nas barreiras. — Você não atravessa essa coisa, não é? — Ele se virou para ela com uma careta. — Claro que atravesso. É perfeitamente segura.

17 Billy franziu a testa para a ponte frágil. — Eles deveriam ter a derrubado após o tornado. — Ele saiu do carro. — Você fica aqui com Maggie. — Ele parou Savannah antes que ela pudesse sair, mas ela apenas balançou a cabeça negativamente. — Ela ficará bem, ela está dormindo. Além disso, nós vamos demorar apenas um minuto. — Ela saiu rapidamente e caminhou em torno das barreiras.

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— Tracy — ela chamou uma e outra vez. Ele a seguiu, olhando ao redor. Ele rapidamente se aproximou e pegou a mão de Savannah, não confiando em qualquer uma das tábuas quando seguiram em frente. Ele sentiu um par delas deslocar debaixo de seus pés e imediatamente desejou que ela voltasse para o carro, mas ele sabia que não deveria pedir. — Billy. — Savannah parou e seus olhos abriram grandemente. — Há uma tábua faltando. — Ela apontou alguns metros de distância e a cor deixou seu rosto. — Volte para o carro e chame o xerife. Meu celular está no console. — Ele a empurrou levemente até que ela se movia. Quando ela finalmente chegou a segurança do carro, ele começou a caminhar em direção as pranchas quebradas. — Tracy? — Ele chamou, ficando mais perto da borda para que pudesse espiar por cima. Ele não conseguia ver nada, então se aproximou. Sentindo a madeira apodrecida debaixo dele, ele agarrou a grade de aço e avançou para mais perto. Ele estava mais perto do outro lado da ponte agora. Esse lado era menos acentuado do que o seu lado, o qual era uma parede de pedras empilhadas em cima umas das outras. Ele rapidamente pensou em correr abaixo do banco raso para verificar. Quando chegou mais perto da prancha quebrada, ele notou um pedaço de algodão verde pendurado em um prego enferrujado. — Eu vou para o outro lado — ele gritou para Savannah, que estava em pé na frente do carro, segurando o telefone em sua orelha. Ela assentiu com a cabeça e começou a andar para frente. — Fique aí — ele gritou. — Não é seguro. — Ela parou e acenou com a cabeça novamente, em seguida, voltou para o carro, onde podia ouvir Maggie chorando. Ele enviou uma oração silenciosa por sua filha impedir Savannah de segui-lo. Ele avançou através da ponte e estava grato quando seus pés tocaram terra firme novamente. Em seguida, ele correu para o lado da colina em direção à água. Ele foi um pouco rápido demais e acabou caindo para trás, raspando os cotovelos e costas. Sua camisa levantou e cascalho e terra bateram em sua pele exposta.

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— Maldição. — Ele se impediu de cair na água, agarrando um galho de árvore. Olhando em volta, ele franziu a testa quando olhou para o buraco na ponte. Se a menina caíra pela abertura, ela cairia na água. Ele examinou ambas as linhas costeiras e quando viu algo um pouco verde, ele correu para baixo da margem do rio. Ajoelhando, ele estendeu a mão com dedos trêmulos e sentiu o pescoço da garota em busca de um pulsar. Ela estava pálida, muito pálida. Ele percebeu que sua perna esquerda e braço estavam torcidos em uma posição estranha. Ela estava fria ao toque e ele fechou os olhos e rezou para que houvesse pulso. Suspirando, ele sentiu um pulso fraco e rapidamente tirou a jaqueta para cobrir a menina. Ele sabia que não deveria movê-la, mas ela precisava permanecer aquecida. — Aqui — ele gritou. — Eu a encontrei. Ela está viva. Ela precisa de uma ambulância — ele gritou. Quando não ouviu Savannah responder de volta, ele ficou preocupado. Apressando-se à beira do rio, ele continuou gritando e parou quando finalmente a ouviu responder. — Eles estão a caminho. Fique com ela, a mantenha aquecida — ela gritou. Ele podia ouvir a preocupação em sua voz. Ele voltou para Tracy e ajoelhou-se ao lado dela. Ele tirou a camisa, enroloua

e

colocou-a

em

torno

de

sua

cabeça

como

uma

almofada.

Ele esfregou o braço bom e tentou obter algum calor dentro dela. Ele não sabia quanto tempo levou para o xerife e Wes aparecer, mas pareceu uma eternidade. A cada segundo, ele imaginou a temperatura de Tracy ficando mais baixa. — Como ela está? — O xerife perguntou quando deslizou para baixo da colina em direção a ele. — Não tão bem. Ela está muito fria. Tem uma perna e braço quebrados. — Ele ergueu a jaqueta e mostrou o xerife. Wes assumiu e começou os primeiros socorros. — Quanto tempo você acha que ela ficou aqui em baixo? — Savannah disse que elas normalmente se encontravam durante os seus passeios em torno das seis. — Seis de ontem à noite? — Perguntou Wes, sem tirar os olhos da menina.

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— Sim. — Ele franziu a testa. — Ela estava muito ocupada se preparando para o meu regresso para caminhar na noite passada. — Ele ficou para trás e viu outros homens chegarem e se sentiu estar no caminho. — Eu posso ir... — ele começou a voltar em direção à ponte. — Nós precisamos de sua ajuda para levá-la até a colina — disse Wes, entregando-lhe a camisa. Ele enrolou a menina em cobertores térmicos e colocaram talas em seu braço quebrado e perna para mantê-los estáveis à medida que a moviam. Levou quase 15 minutos para chegar a gaiola de aço com a menina dentro até o lado da colina rochosa. Ele tinha alguns novos cortes e contusões nos joelhos e mãos quando finalmente chegaram ao topo. Ele ficou surpreso ao ver uma enorme multidão em pé no topo, torcendo para eles. Savannah correu até ele e o abraçou com força. — Você está sangrando — disse ela enquanto enxugava uma lágrima de seus olhos. Ele balançou a cabeça e olhou em volta, notando que ela mudara o carro para este lado da ponte. Ele sabia que eram um cinco minutos de carro até a nova ponte e sorriu para ela. — Onde está minha outra menina? — Ele olhou para o carro. — Aqui — disse Holly, andando no meio da multidão. — Eu a tenho. — Dada — Maggie disse em voz alta quando a tomou em seus braços e envolveu um em torno de Savannah. Eles observaram os paramédicos colocarem Tracy na parte de trás da ambulância, e em seguida Savannah se voltou para ele. — Eu gostaria de ir e esperar até que ouçamos alguma coisa. — Ele balançou a cabeça. Enquanto seguiam a sequência de carros da ponte velha para a clínica no centro, ele descansou a cabeça para trás e tentou não pensar no que poderia ter acontecido se Savannah e Maggie fossem ao passeio ontem à noite. Se fossem elas na parte inferior de uma ravina, quebradas. Quando ela parou o carro, ele olhou para cima. — Por que estamos em casa? Ela olhou para ele. — Eu pensei que você iria querer se limpar primeiro. Além disso, vai demorar um pouco para eles checá-la.

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Ele olhou para suas roupas e percebeu que estava coberto de sujeira e seu próprio sangue. Ele balançou a cabeça e saiu. — Eu serei rápido. Menos de meia hora depois, eles caminharam até a clínica. Ele ainda tinha pedras e sujeira incorporadas a sua pele, mas pelo menos vestia roupas limpas e já não tinha sujeira em seu cabelo. — Como ela está? — Savannah perguntou a Leslie. — Ela está estável. Eles arrumaram sua perna e braço e ela está acordada. — Ela sorriu, enquanto uma lágrima escorria pelo rosto. — Pensamos... — ela parou e balançou a cabeça. Seu marido se aproximou e colocou seu braço ao redor de seus ombros. — Nós pensamos que ela havia se suicidado, — disse ele, franzindo o cenho para sua esposa. — Ela esteve tão deprimida no ano passado. Nós sabíamos sobre o assédio moral, mas não sabíamos o que fazer. — Eu fui à escola uma dúzia de vezes, mas Tracy nunca nos dizia quem mexia com ela. Nenhum dos professores sabia também. Savannah deu um passo adiante. — Christy e Stephany. — Ela balançou a cabeça. — Eu não sei seus sobrenomes. Leslie assentiu. — Obrigada. — Eu... — Savannah começou depois sacudiu a cabeça. — Eu deveria ter dito a você. Ou ido a escola. — Está tudo bem — disse Leslie, estendendo a mão e pegando a mão de Savannah. — Nós vimos uma mudança enorme nela desde que começou a falar com você. Eu acho que é por isso que continuamos a deixá-la encontrá-la. — Ela sorriu. — Ela até começou a cuidar melhor de si mesma. Sabe, ela fez aquele novo corte de cabelo. Savannah sorriu. — Ela trouxe uma revista e me pediu para ajudá-la a escolher um. — Nós pensamos... quando ela não voltou para casa, que ela tinha ido embora... — Leslie fechou os olhos e encostou-se a seu marido. — Quando a conheci, eu pensei que ela estava sobre a ponte para fazer a mesma coisa. — Savannah fechou os olhos. — Mas agora. — Ela balançou a cabeça. — Eu não me preocupo com isso mais.

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— É por causa de você — disse Leslie. — Nós não podemos agradecer o suficiente. — Ela se aproximou e tomou Savannah em um abraço bem ali, na pequena sala de espera da clínica, para todo mundo ver.

Sentaram-se e conversaram com todos que vieram à clínica para checar Tracy. A história foi por toda a cidade e quando as portas da clínica fecharam a noite, todos em Fairplay falavam sobre como Savannah ajudou Tracy. Para não mencionar a história de Billy resgatar a pobre moça do lado do rio. Savannah viu todas as sujeiras e arranhões nas costas de Billy e sabia que ele sofria. Quando chegaram em casa, ela viu quando ele colocou Maggie na cama. Quando ele fechou a porta, ela puxou sua mão e ele a seguiu até o banheiro. Quando ela fechou a porta, ele sorriu e começou a tirar a camisa, apenas para estremecer. Ela abriu o chuveiro para um banho quente. — Entre. — Ela apontou para o banho. Ele sorriu novamente. — Sim, senhora. Ela riu. — Não pense que vou rastejar lá com você. — Ela cruzou os braços sobre o peito. — Eu preciso limpar toda a sujeira de suas costas. Ele franziu a testa e fez uma careta enquanto ela tirava o antisséptico do armário. Antes que ela percebesse, ele caminhou até ela e passou os braços em volta dela. — Poderia ter sido você — disse ele em seu cabelo. — Você e Maggie. Ela balançou a cabeça, sem entendê-lo. Ele se afastou e olhou em seus olhos. — Se você tivesse ido a sua caminhada na noite passada. Você ou Maggie poderiam ter caído da ponte. Poderiam ter sido vocês duas lá embaixo. Teria me matado saber que eu nunca consegui mostrar o quanto eu te amo. Ela fechou os olhos e balançou um pouco. Apenas ouvir as palavras fez seu coração pular.

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Ele tomou seus ombros em suas mãos. — Você disse algo sobre esfregar minhas costas? — Ela sabia que ele tentava aliviar o clima. Ela riu e o assistiu se despir e entrar na banheira quente. Ele assobiou um pouco quando a água atingiu suas costas. Sua pele estava enrugada e vermelha e vários pontos estavam escuros com sangue fresco. — Isso pode doer. — Ela pegou uma toalha de mão e as pinças e começou a trabalhar suavemente para remover todos os seixos de sua pele. Quando sua pele estava limpa, ela usou um pano macio e limpou suas costas mais uma vez. Ele se inclinou para trás e fechou os olhos, descansando a cabeça na parte de trás da banheira. — Por que eu? — Ela olhou para ele até que ele abriu os olhos. Ele olhou para ela em questionamento. Então se inclinou e passou a mão úmida sobre o rosto dela. — Eu acho que eu me vi em você. — Ele se levantou e enrolou uma toalha em torno de sua cintura. Ela tentou muito duramente não apreciar o seu corpo tonificado quando ele vestiu uma camisa e short. Então, ele caminhou até ela e envolveu-a em seus braços. — Nós somos os mesmos, você e eu. Eu acho que nós dois corríamos de nossos demônios. Você de seu tio, eu do meu pai. — Ele balançou a cabeça e sorriu um pouco. — A sua força, o seu carinho. Eu não conseguia me impedir de me apaixonar por você. — Ele se inclinou e deu um beijo suave em seus lábios. — Eu também te amo — disse ela, olhando em seus olhos escuros. — Eu diria a você na sobremesa. — Ela riu e balançou a cabeça. — Eu acho que às vezes você apenas aceita como acontece. — Ela estendeu a mão e tomou seu rosto em suas mãos. — Eu achei que jamais me sentiria desta maneira sobre alguém. Eu achei que não poderia. — Ela balançou a cabeça. — Mas, quando te vi levantando Tracy na colina... — ela balançou a cabeça e fechou os olhos rapidamente, então olhou novamente para ele. — Eu sabia. Eu sabia que mudei o suficiente para merecer o amor. Ele balançou a cabeça. — Você sempre mereceu o amor, e você tem o meu há algum tempo. Ela sorriu. — Mostre-me. — Ela começou a puxá-lo para mais perto, mas ele recuou um passo e balançou a cabeça.

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— Não, há mais uma coisa que está no nosso caminho. — Ele a surpreendeu por ficar de joelhos ali mesmo no banheiro de sua pequena casa verde. — Savannah Douglas, eu te amo. Eu quero criar nossa filha e talvez mais algumas crianças como uma família. Você quer se casar comigo? Ela olhou para ele em seus shorts cortados, camiseta branca de algodão e cabelo molhado. Ele não tem um terno chique, ou uma caixa chique com um anel caro, mas pela primeira vez em sua vida, ela percebeu que foi com isso que sonhou toda a sua vida. Sorrindo, ela balançou a cabeça. — Sim, Billy, eu me casarei com você.

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Epílogo Savannah estava em pé na beira da pista de dança e sorriu através da sala para Billy. Toda a cidade de Fairplay apareceu para o seu casamento. Ela ficou extremamente feliz por Tracy aceitar ser sua única dama de honra. Mesmo tendo que se apoiar em muletas, a jovem sorriu o tempo todo. Holly apareceu cedo na igreja e fez o cabelo e maquiagem de Tracy. Savannah teve que admitir, ela parecia completamente bonita e feliz no vestido prata de dama de honra. Cada assento na grande igreja no centro estava cheio, e teve até um grupo de pessoas que estavam ao longo das paredes traseiras. Todo mundo riu quando Maggie interrompeu o beijo com, — Papai beija mamãe. Agora, enquanto esperava a última dança em sua recepção na Câmara Municipal, ela olhou para a mãe e o pai, que seriam babá de Maggie na próxima semana. Ela não sabia para onde Billy a levaria na sua lua de mel, já que ele decidiu que seria uma surpresa. Ela nem se importava para onde eles iam, desde que fossem juntos. — Pronta para sair, senhora Jackson? — Ele sorriu para ela. — Só se você for, marido. — Ela sorriu quando ele a puxou para perto e beijou-a exatamente na pista de dança, enquanto eles balançavam ao som da música suave. Palmas entraram em erupção, levando-os a se afastar e rir. — Eu digo que não há tempo como o presente. — Ele pegou sua mão e correu para a saída. Mas todo mundo estava preparado e os bombardearam com arroz quando saíram. Ela estava um pouco sem fôlego quando finalmente chegou ao carro. — Quem diria que Holly poderia correr tão rápido. — Ela riu quando olhou para fora da parte de trás do carro. — E Tracy, mesmo com essas muletas. — Ele sorriu.

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Billy deixara a parte superior abaixada em seu conversível e assim eles continuaram a ser atacados enquanto se afastavam. Holly correu ao lado do carro e continuou a jogar arroz neles, até que conseguiu sair do estacionamento. Ele riu e balançou a cabeça enquanto observava Holly. — Travis tem malhado com ela. Ela riu. — Acho que é uma coisa boa que eu acabei com você. — Ela colocou uma mecha de seu cabelo escuro em torno de seu dedo. — Oh? — Ele olhou para ela. Ela assentiu com a cabeça. — Sim, eu gosto de caminhadas lentas e... — ela inclinou-se e sussurrou em sua orelha, — sexo rápido. Ele piscou algumas vezes e, então, apenas na periferia da cidade, parou o carro em um estacionamento vazio. Ela aproveitou a oportunidade para levantar sua saia. — Você está me matando aqui. — Ele olhou ao redor do estacionamento. — Todos na cidade ainda estão apreciando o bar gratuito e comida na festa, — ela sussurrou em seu ouvido, puxando seu rosto para o dela. Então pegou suas mãos e as colocou em seus quadris quando começou a se mover sobre ele. — Segurem-se em mim. — Ela sorriu para ele, um brilho perverso em seus olhos azuis. — Este será um passeio selvagem.

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Wild Bride vol. 7 (revisado) - Jill Sanders