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Informações da série


Sinopse Eu estou me afogando na dormência. Isso está me puxando para baixo e não consigo ver a superfície. É mais fácil fingir que não posso sentir. E quanto mais tempo finjo, mais fácil é de acreditar. Mas ele quer me salvar. Só que ele não pode. Eu tenho que salvar a mim mesma... E eu não sei se quero.

A vida de Rowan Sinclair não tem sido nada fácil. Com uma mãe alcoólatra e um padrasto desprezível, tem sido sua a responsabilidade em criar seus irmãos mais novos. Aos vinte e um, está acorrentada a uma vida que ela não quer, mas não vê alternativa. Afinal, o que aconteceria com seu irmão e irmã se ela fosse embora? Trenton Wentworth vê a dor atrás dos olhos de Rowan e não quer nada mais do que fazê-la desaparecer. Segurá-la. Amá-la. Exceto, que Rowan mantém todos a uma distância segura. Mas, se há alguém que pode derrubar as paredes que Rowan construiu em torno de si, é Trent. Então, ela o evita a todo custo. Mas Trent não é um ser facilmente contornado. Ele é teimoso e determinado. Ele vai salvar a garota, mesmo que isso lhe custe tudo. Amor, mentiras e enganos. Esse é o nome do jogo quando você estiver tentando Rowan.


Prólogo Eu fico olhando para o reflexo no espelho, não reconhecendo a garota que eu vejo. O vestido, os sapatos, o cabelo, é uma fantasia, nada disso sou eu. Mas, se tirar isso, eu ainda não me reconheço. Quem sou eu? Eu não sei. Eu não sei, então, ninguém faz. Eu olho para a menina no espelho, e a odeio. O ódio me consome e me assisto, impotente, enquanto meu punho voa para frente conectando-se com o vidro. Ele quebra em torno de mim, desintegrando-se no chão, assim como a minha vida. A dor irradia da minha mão pelo meu braço. Eu olho para baixo e tudo o que vejo é sangue e tudo o que eu sinto é dor. Por um momento eu lembro que estou viva e me congratulo com a dor. Mas não é o suficiente. Não vai demorar muito até que a dormência me consuma e me engula toda. É tudo o que sei. É tudo o que sou. Uma casca.


Um fantasma. Eu não existo. Eu costumava ficar bem com isso, mas eu não sei se fico mais, e é isso que me assusta.


Capítulo Um — Hey — minha melhor amiga, Tatum, cutucou meu lado. — Hey — ela sussurrou um pouco mais alto. Quando eu ainda a ignorei, ela exclamou — HEY! — Shhhh! — silenciou um cara com o nariz enterrado em um livro didático. — O quê? — Eu olhei para ela, com raiva que ela estava perturbando a paz na biblioteca. Quero dizer, honestamente, eu pensei que ela poderia pelo menos respeitar a necessidade óbvia de ficar quieta na biblioteca. Aparentemente não. — Lá — Ela balançou a cabeça em alguma coisa sobre o meu ombro. — É Trenton Wentworth, e seus olhos estão em cima de você — ela sussurrou, sorrindo animadamente. Eu não estava surpresa que ela sabia quem Trent era. Nessa cidade, Wentworth é praticamente famoso. Com o tipo de riqueza que eles têm, era surpreendente que eles ainda viviam nesta pequena cidade. — O quê? — Desta vez eu ofeguei a palavra — Não Suas palavras tinham derramado um balde de água gelada em mim. Era como se eu não pudesse escapar do cara. Não importa onde eu me esconda, ele sempre aparece.


Recusei-me a virar e olhar, mas eu senti seus olhos perfurando minhas costas. Aqueles olhos azuis já haviam torcido o meu estômago em nós, e com um balançar de seus cílios eu teria vindo correndo. Mesmo as meninas como eu, não eram imunes aos encantos de um cara como o Trent. — Eu tenho que ir — eu estava, apressadamente, pegando meus livros, e empurrando meus óculos mais no meu nariz. Eu não me importava se eu tinha mais duas horas pagas para estudar e nunca seria capaz de fazer em casa. Meu desespero para fugir de Trent era mais poderoso do que a minha necessidade de estudar... E isso dizia alguma coisa. Eu tropecei em volta da cadeira, e Tatum ficou me olhando com uma expressão pasma. A cadeira que bati caiu no chão. — Desculpa — eu murmurei, sem me preocupar em parar e pegá-la. Eu nunca tinha contado a ninguém sobre aquela noite. A noite que eu me entreguei aos meus desejos. A noite que eu deixei Trent pegar um pedaço de mim. A noite que eu fui com ele. A noite que minha vida mudou irrevogavelmente.


Eu tropecei em direção à saída e na minha pressa um dos meus livros deslizou dos meus braços, caindo no chão. Fiquei tentada a deixá-lo, mas olhando para o livro traiçoeiro,

uma

mão

bronzeada

foi

serpenteando para fora e o pegou. A pessoa colocou de volta na pilha em meus braços e eu engoli em seco, recusando-me a olhar para cima. Eu senti seu olhar e sabia que era Trent em pé diante de mim. Lentamente, eu olhei para cima e meus olhos castanhos conectaram com o seu. Olhei para ele e foi como tomar um soco no intestino, me deixando sem fôlego e com uma dor que eu não conseguia entender. — Rowan — ele sorriu, e a maneira como ele disse meu nome me fez contorcer... E não no mau caminho. Mas, oh, como eu gostaria de não gostar de ouvir meu nome sair de seus lábios beijáveis. Coloquei um pedaço de cabelo castanho claro atrás da minha orelha. — Trenton — eu olhei para os sapatos. Eram botas de motoqueiro pretas com fivelas de prata pesada. Gostaria de saber se eram botas de motociclista real ou feitas com esse designer apenas para mostrar. — Meu rosto é aqui — ele disse com aquela voz rouca e profunda, com um leve sorriso.


Eu forcei minha cabeça para cima e encontrei os olhos dele. Seu cabelo escuro estava maior em cima e mais curto nas laterais. Seu queixo estava salpicado com um pouquinho de barba por fazer, como se tivesse se esquecido de fazer a barba esta manhã. Sob a jaqueta de couro, ele usava uma camiseta azul marinho e calça jeans que pareciam bem desgastadas, mesmo sabendo que ele poderia pagar por novas. — O que você está fazendo aqui? — Eu gaguejei, olhando ao redor por um meio de fuga. Eu precisava ficar longe dele antes que eu fizesse algo estúpido... Como ceder à tentação de Trenton. Pergunta Brilhante, Rowan. Eu me repreendi quando eu percebi o que havia lhe perguntado. Às vezes, as palavras parecem voar da minha boca, sem que eu pense o que estou prestes a dizer. Eu realmente precisava trabalhar nisso. Ele riu, molhando os lábios com a ponta da sua língua. — É uma biblioteca. Geralmente há apenas um motivo para estar aqui. — Geralmente? — Eu questionei com uma sobrancelha levantada. Que outra razão tem uma pessoa para vir à biblioteca? Seu sorriso se alargou.


— Bem — ele se inclinou para mim, seus

lábios

pousando

próximo

ao

meu

ouvido — Se você está realmente tranquila, sempre pode ter relações sexuais. — Ele se afastou, rindo da minha expressão de olhos arregalados. — Eu sempre tive uma fantasia de bibliotecária impertinente. — Ele me olhou de cima a baixo e um rubor manchou meu rosto com uma tonalidade que não fazia jus ao vermelho. Meu cabelo estava amarrado para trás, meus óculos de tartaruga estavam empoleirados na ponta do meu nariz já que minhas lentes de contato estavam me incomodando hoje, e eu estava usando uma saia lápis e top baixo de botão. Não estava impertinente, mas estava vestida como uma bibliotecária desde que eu trabalhei aqui depois das aulas e estava estudando antes de ir para casa. — Eu realmente preciso ir — eu expliquei, percebendo que eu ainda estava em pé na frente dele como uma idiota. Eu tentei passar por ele, mas meus esforços foram impedidos pela sua mão no meu braço. Sua camisa estava enrolada, exibindo as tatuagens que cobriam seu braço. Tatuagens que eu estive, muito intimamente, familiarizada uma vez. Eu me perguntei se ele ainda se lembrava. — Como eu poderia esquecer? — Ele perguntou. Oh, não. Eu disse isso em voz alta?


— Você não disse — ele respondeu à minha pergunta silenciosa. — Eu podia ver nos seus olhos que você estava pensando sobre aquela noite. Engoli em seco, meu coração batendo a mil por hora. — Você foi à única que me deixou — sua voz tinha um tom de irritação. — Você nunca me deu uma chance de provar a mim mesmo para você. — Seu polegar esfregou círculos no meu braço, ainda se recusando a me deixar ir, como se ele pensasse que eu era um animal que pudesse acalmar com um toque suave. — Você não precisava — Eu puxei meu braço de suas mãos e olhei para ele. — Eu sei o que caras como você querem de uma garota como eu. É isso aí, ok? Não há necessidade de manter a farsa de um bom rapaz. Ele olhou para mim com um olhar de choque. Sua boca se abriu e fechou, escancarado como um peixe. Ele estava sem palavras e Trenton não era o tipo de cara que ficava sem palavras. Aproveitei a oportunidade para correr para fora das portas da biblioteca. Eu tinha que ficar longe dele. Se eu ficasse ali mais um segundo eu não seria capaz de resistir a ele. A partir do momento em que coloquei os olhos em Trent, quando me mudei


para Winchester no meu primeiro ano do ensino médio, eu tinha estado sob o seu feitiço. — Rowan!".

Ele me chamou, mas eu

continuei andando como se eu não tivesse ouvido. — Você é a única pessoa a agir como uma jogadora! Então, o que?! Eu era bom o suficiente para foder uma vez, mas eu não sou bom o suficiente para dar uma chance?! — Aquelas palavras me atingiram como um tapa na cara. Não porque era verdade, mas porque eram muito erradas. Trent não sabia o meu verdadeiro eu. Ninguém sabe. Se ele descobrisse sobre mim, sobre o que eu tinha feito, ele não iria querer ter nada a ver comigo. Eu sabia disso, então eu só estava tentando poupálo. Fazia cinco anos que nós perdemos a virgindade um com o outro em um acampamento escolar no nosso segundo ano. Pensei que agora, ele teria esquecido de mim, mas Trent não era como a maioria dos caras. Ele realmente se importava. Ele era verdadeiro. E ele foi perfeito. Eu não merecia ele, francamente, ninguém merece. Mas por alguma razão, ele pensou que eu era alguém que valia a pena se preocupar. Mas se ele conhecesse o tipo de pessoa que eu realmente era, ele correria tão longe de mim quanto seus pés o levassem. Cheguei à calçada e me virei para vê-lo em pé nos degraus olhando para mim. — Responda-me — sua voz se levantou, mas não com raiva. Ele parecia magoado e isso partiu meu coração, porque eu


era a única a causar-lhe dor. Se ele me deixasse em paz, ele não teria que se sentir assim. Mas Trent não era o tipo de cara que desiste. Sempre que nós nos esbarrávamos era como ... Se ele ainda se importasse comigo, e eu não conseguia entender. Eu corri para longe dele depois que tivemos sexo e o ignorei o resto da escola. Nas raras ocasiões em que eu era obrigada a interagir com ele, eu era menos do que amigável. Ele precisava ficar longe. Eu não podia me dar ao luxo de deixá-lo chegar perto. — As meninas como eu não acabam com caras como você — eu disse a ele e ele recuou como se eu o tivesse esbofeteado. — Caras como eu, hein? — Sua mandíbula flexionada. — Engraçado — ele desceu os degraus restantes e parou na minha frente. Ele olhou para mim por um momento, a raiva e a tristeza invadiram seus olhos. — Porque de alguma forma, nessa situação — ele apontou para ele e então para mim — Parece que eu sou o único que foi usado. Não você. Olhei para a calçada coberta de goma. Era muito mais fácil de olhar, do que para o rosto machucado de Trent. Eu nunca quis magoá-lo, mas era o que eu estava fazendo. Eu queria mantê-lo seguro do mundo cruel que eu chamava de lar. Ele não merece ter sua visão de vida manchada. — Eu só queria uma noite. Era isso. E eu não quis dizer da maneira que você entendeu. — Eu expliquei com um suspiro derrotado.


Ele agarrou meu queixo e forçou o meu olhar para o dele. — Então explique o que quis dizer! — Seus intensos olhos azuis me mantendo cativa. Eu engoli em seco, oprimida por sua demanda. Engoli em seco. — Olhe para você! — Minha voz se ergueu quando a minha raiva aumentou e lágrimas ameaçavam vazar nos meus olhos. — Você é o -ugh- perfeito e eu sou — apontei para a minha roupa de bibliotecária, cabelo castanho claro e óculos — Ninguém Sua mandíbula se apertou quando ele olhou para mim. — Você não é ninguém? Para alguém que é tão inteligente, você é incrivelmente estúpida — ele cuspiu, empurrando os punhos em nos bolsos de seu jeans. — Seja o que for — Ele deu de ombros, virando e indo embora. Ele balançou a cabeça para trás e pra frente, murmurando baixinho. Eu sabia que ele estava chateado e uma parte de mim queria correr atrás dele e dizerlhe tudo, para ele entender por que nós não poderíamos ficar juntos. Em vez disso, eu o deixei ir, como eu sempre fiz. Eu olhei até que ele virou a esquina e soltei um suspiro profundo que eu estava segurando. Ele tinha ido embora... Por agora. Mas eu conhecia Trent por tempo suficiente para saber que ele não tinha terminado comigo. Ele apareceria novamente, e com base nessa conversa, eu diria que, seria mais cedo ou mais tarde.


Um momento depois, as portas da biblioteca

se

abriram

e

Tatum

desceu

correndo as escadas com minha mochila apertada em suas mãos. Eu tinha esquecido completamente sobre isso. Ela parou, olhando rapidamente para a esquerda, para a direita, e para mim. Quando ela me viu, ela correu até mim e entregou minha mochila. — Onde está Trenton? — Ela olhou atrás de mim, como se talvez ele estivesse escondido lá. — Ele já foi — Eu olhei para o último lugar que o vi. Uma motocicleta rugiu para a vida em algum lugar, o único som na cidade tranquila. — Ele já foi... Pacificamente? Ou você o fez ir? — Ela perguntou, inclinando a cabeça para me estudar. Revirei os olhos. — Você me faz soar como uma cadela. — Quando você chega em torno de Trent, com certeza você age como uma. Por que você o odeia tanto? — Eu não o odeio — eu sussurrei, olhando as nuvens um pouco sem fôlego no ar frio. Eu desejava odiá-lo. Tornaria as coisas muito mais fáceis.


— Sério? — Ela inclinou a cabeça, empurrando seu cabelo loiro dos olhos. — Tenha certeza de agir como tal. Gostaria de matar para ter Trenton olhando para mim como ele olha para você. Heck, eu gostaria que todo indivíduo olhasse para mim desse jeito. Dei de ombros, evitando os olhos. — Ele não olha para mim de qualquer forma particular. Ela bufou. — Você está cega, porra? Ele olha para você como se quisesse lamber todas as fendas de seu corpo. Meus olhos se arregalaram. — Isso é... — Eu não tinha palavras. Ela deu um passo para trás. — Eu amo você, Rowan. Eu realmente amo. Mas às vezes eu sinto como se eu realmente não a conhecesse totalmente. Você é tão estranha às vezes. Suas palavras não feriram meus sentimentos. Ninguém conhecia o meu verdadeiro eu... Nem eu mesma. Se eu fosse uma pessoa de fora observando a mim mesmo, eu me acharia estranha também.


— Minha mãe vai estar aqui em poucos minutos para me pegar desde meu carro ainda está sendo consertado, assim você não precisa me dar carona. — ela afastou-se ainda mais. — Vejo você amanhã. Acenei fracamente, vendo quando ela desapareceu pelas portas da biblioteca. Eu ajustei meus livros para que eu pudesse colocar a mochila sobre meus ombros e me dirigi ao meu carro. Normalmente,

depois

que

eu

concluo

o

trabalho

na

biblioteca, eu fico após o fechamento para estudar. Eles me conheciam e não se importavam com isso. Mas Trent tinha mexido com os meus planos. Isso também significava que eu não tinha tido a chance de mudar minhas roupas de trabalho. Eu sempre mudo para a minha roupa de escola uma vez que o turno acaba para ficar mais confortável. Eu sabia que minha mãe não teria feito qualquer coisa para os meus irmãos. Tudo sempre caiu sobre mim. Eu era como Cinderela, só que o príncipe encantado nunca iria colocar um sapatinho de cristal no meu pé e me levar embora para o seu castelo. Abri a porta do antigo Honda Civic prata. Era um pedaço de merda, mas funcionava, de modo que era bom o suficiente para mim. Joguei minha bolsa e livros na parte de trás e deslizei para o banco do motorista. Sentei-me ali por um momento, contando


minha respiração e batimentos cardíacos. Isso me acalmava por algum motivo. Eu coloquei minhas mãos no volante, mas não saí. Eu não queria ir para casa... Eu nunca queria. Mas isso não me impediu de fazê-lo de qualquer maneira. Talvez eu pudesse ter deixado... Ter ido embora... Ter uma vida diferente. Mas eu não iria sair. Eu estava acorrentada a essa casa e a uma vida que eu não queria. Eu estava presa, e estava sendo sufocada lentamente por tudo isso. Mais cedo ou mais tarde tudo iria me alcançar e eu voluntariamente deixaria isso me consumir. X-X-X — Oi, mãe — eu disse quando eu entrei em casa. Fechei e tranquei a porta atrás de mim. Virei, olhando para sua forma desmaiada. Todos os dias da minha vida era a mesma rotina. Eu estava sempre conversando com o equivalente a um cadáver. Ela estava aqui em corpo, só isso. Mesmo acordada, ela estava bêbada. — Row! Row! — Eu deixei minhas malas para baixo quando meus irmãos pequenos vieram correndo para mim.


— Hey — Abri os braços, abraçando-os firmemente. Eles eram as únicas duas coisas neste mundo que me mantinham. —Como foi a escola? — Perguntei-lhes, alisando meus dedos pelo cabelo castanho claro de Ivy e despenteando Tristan. — Foi tudo bem — os lábios rosa pálido de Ivy viraram-se em uma carranca. — Eu tenho uma estrela de ouro — Tristan apontou orgulhosamente para o adesivo adornando seu peito. — Impressionante! — Eu dei-lhe um high five1. — O que você fez para conseguir isso? — Eu fazia cócegas em seu estômago levemente, fazendo-o rir. — Eu ganhei um A no meu teste de ortografia! — Bem, Tristan — Eu o abracei novamente, inalando o cheiro de seu shampoo, — Você é o kindergartener2 mais inteligente que eu conheço. Vocês já comeram? — Eu perguntei, embora eu já soubesse a resposta. Eles balançaram a cabeça, dizendo não e eu suspirei em desgosto. Se minha mãe não tivesse a mim... Eu temia o que aconteceria com Ivy e Tristan. — Vamos então — eu estava tomando cada uma de suas mãos. — Vou fazer o jantar. Vocês podem me ajudar.

1 2

Toca Aqui – Um comprimento Uma criança que frequenta um jardim de infância


— Eu gosto de ajudar — Tristan sorriu para mim. Seu sorriso sempre conseguiu quebrar meu coração. — Eu sei que sim — eu levantei-o sobre o balcão e, em seguida, fiz o mesmo com Ivy. Ela tinha apenas três anos a mais do que Tristan, e estava ficando um pouco grande demais para que eu a levantasse, mas eu não me importava. Na maioria dos dias, eu me senti mais como sua mãe do que sua irmã. Eu os alimentava. Eu banhava. Arrumava seus almoços. Eu cuidava deles. Eu os amava. Era mais do que a minha mãe nunca tinha feito para eles ou para mim. Não havia muita comida em casa, e nossas opções para o jantar eram limitadas. — O que acham de macarrão? — Peguei uma caixa de macarrão em forma de Bob Esponja e balancei a caixa. — Yay! — Eles aplaudiram. Eu tinha sorte que eles eram tão fáceis de agradar. Eu coloquei água para ferver e cruzei os braços sobre o peito enquanto eu encostava no balcão. — Quem é que vai despejar o macarrão na panela? — Eu perguntei. Tristan levantou a mão entusiasmado.


— É a vez de Tristan — Ivy concordou com um triste aceno de cabeça. — Eu fiz isso da última vez. — Isso é bom, Ivy — Eu sorri para a menina. — Você pode agitar o queijo. Você gostaria? Ela se iluminou, sorrindo amplamente. Vários dos seus dentes de bebê tinham caído, fazendo-a adoravelmente estranha ao olhar. — Eu sou uma boa agitadora. — Sim, você é — eu me inclinei, beijando o topo de sua cabeça. — Row! Row! A água! — Tristan apontou com entusiasmo quando a água começou a ferver. Abri a caixa de macarrão e retirei o pacote de queijo em pó. Entreguei-lhe a caixa e levantei-o no meu quadril para que ele pudesse colocar o macarrão na água. Ele observou fascinado quando as bolhas esconderam o macarrão de vista. — Quanto tempo até que ele fique pronto? Eu estou com fome — ele fez beicinho quando o sentei de volta no balcão.


— Não muito — eu assegurei a ele. — Vamos comer e depois eu vou te dar um banho e você pode tomar um banho, Ivy. — Eu não quero — Tristan gemeu. — Banhos molham. — Você não quer ficar sujo, não é? — Eu belisquei seu nariz. — Eu prefiro estar sujo do que molhado — ele resmungou, cruzando os braços sobre o peito pequeno. Sua camisa pequena demais subia, expondo seu estômago. Eu teria que começar a pegar algumas roupas novas para ele quando tivesse um pouco de dinheiro extra. — Pare de choramingar, Tristan. Você sabe que isso não funciona comigo — Eu avisei-o com um olhar de aço. Seus braços baixaram e ele soltou um suspiro reprimido. — Tudo bem. Vai me ler uma história hoje à noite? — Não leio uma história todas as noites? — Eu respondi com uma sobrancelha levantada. — Sim, mas às vezes você cai no sono — ele riu. — Desculpe por isso — Baixei a cabeça vergonhosamente. Eu tentava o meu melhor para ser um pai para os meus irmãos, mas era difícil. Eu tinha a escola e o trabalho. Quando chegava em casa já era tarde e eu estava exausta. Eu gostaria de poder


pagar uma babá para vê-los, mas eu não tinha o dinheiro... Não se eu quisesse comprar comida. Já tinha que pagar para Tristan ser cuidado depois da escola, uma vez que ele estava lá apenas por meio dia. Meu padrasto era tão ruim, se não pior do que a minha mãe. Ele não bebia, mas ele sempre fumou na casa,

tinha

um

péssimo

trabalho,

e

era

simplesmente

assustador. — Está tudo bem, Row — Tristan abriu os braços para um abraço. Segurei-o perto. Espantava-me que duas crianças que não tinham nada, poderiam ser tão doces, como Tristan e Ivy. Eu o deixei ir mexer o macarrão. Quando foi feito, me esforcei a colocá-lo em uma tigela. Joguei os ingredientes na tigela e entreguei uma colher para Ivy. — Aqui, querida. Ela misturou tanto quanto pôde, mas no final eu tive que ajudá-la. — Ivy, por que você não pega três pratos? — Eu balancei a cabeça para o armário que os abrigava. — Claro — ela sorriu, ansiosa para me agradar.


Ela pegou três pratos, pulou o balcão e correu até a mesa de jogos que servia como nossa única superfície para comer. Ajudei Tristan a descer do balcão e levei o pote até a mesa onde eu coloquei nossos pratos com macarrão. — Lavem as mãos antes de comer — Eu os avisei. Com a cabeça baixa, eles fizeram o que eu disse. Eu limpei a panela e lavei as mãos antes de me juntar a eles na mesa. — Está bom, Row — Tristan sorriu para mim com olhos confiantes. Quebrava meu coração cada vez que eu via aquele olhar

em

seus

olhos.

Ele

e

Ivy

confiavam

em

mim

completamente... Para amá-los... Para protegê-los... Mas como eu poderia fazer essas coisas quando eu não era uma pessoa inteira? Eu estava quebrada... Quebrada... Era sem importância. — Obrigada, Tristan. — Eu baguncei seu cabelo, esperando que o menino inocente não pudesse ver a escuridão dentro de mim. — Você é a melhor irmã — ele se inclinou para o meu toque, como um cão implorando para ser acariciado. — Dificilmente — Eu ri. Eles me ajudaram a lavar os pratos e então era hora de dar a Tristan o seu banho. Depois de um monte de resmungos eu


finalmente

consegui

o

colocar

na

água

quente. Eu realmente queria que eu tivesse tido tempo para trocar de roupa. Dar banho em Tristan em uma saia lápis não era prático. Droga Trenton Wentworth. Deixei Tristan mergulhar por alguns minutos antes de lavar seu cabelo. — Retire a rolha da banheira — Eu apontei para a rolha. Ele puxou-a e a água começou a jorrar para fora. Ele se levantou e eu o ajudei. Enrolei uma toalha em torno de seu pequeno corpo, secando-o e então seu cabelo que ficou parecendo penas de pássaro ao redor de sua cabeça. Levei-o pelo corredor até o quarto que dividia com Ivy. Ivy estava reclinada em sua cama, brincando com suas bonecas. — Chuveiro, Ivy. — Eu quero brincar — ela lamentou. — Ivy. Chuveiro. Agora. — Eu falei. — Eu estou cansada e não tenho a energia para discutir com você. — Tudo bem — ela deslizou para fora da cama, agarrando o pijama para levar com ela ao banheiro. — Volte depressa e eu vou ler uma história — Eu disse em um tom mais suave. Eu odiava brigar com as crianças, sabendo


que eles já tinham o suficiente de nossa mãe nas raras ocasiões em que ela e meu padrasto estavam acordados. — Ok — eu a ouvi dizer quando a porta do banheiro foi fechada. Eu agarrei a loção e esfreguei-a no corpo de Tristan. — Que pijama você quer vestir? — Os dinossauros! Eu balancei minha cabeça. Eu deveria saber. Tirei o pijama com diferentes dinossauros coloridos sobre eles. — Levante os braços — eu instruí. Uma vez que ele estava de pijama, subiu em sua cama. — Qual história você quer hoje? É a sua vez de escolher. — Eu esfreguei meus olhos. — Um... — Ele pensou, colocando um dedo pequeno contra seus lábios. — O Rei Leão! Peguei o livro da Disney e subi em sua cama, deixando espaço para Ivy do meu outro lado. Ela entrou no quarto alguns minutos depois.


— Ivy — eu gemi para as mechas molhadas e embaraçadas de seu cabelo que emolduravam

seu

rosto.

Você

não

escovou o seu cabelo! — Mas dói! — Ela argumentou. Eu suspirei, escorregando para fora da cama, mesmo necessitando tanto descansar meu corpo cansado. Peguei o creme desembaraçador e um pente do banheiro. Sentei no chão do quarto, fiz um gesto com a mão para Ivy para se sentar na minha frente. Após um momento de hesitação, ela relutantemente veio até mim. — Você tem que escovar o cabelo ou ele só vai ficar mais embaraçado — Eu disse a ela, pulverizando o cabelo molhado com a solução de desembaraçar. — Odeio escovar meu cabelo também — Eu trabalhei o pente através das extremidades. — Você odeia? — Ela parecia surpresa. — Mas seu cabelo é tão bonito e longo, Row. — Eu gosto dele longo — Eu dei de ombros, tentando não puxar seu cabelo — Mas a escovação é uma dor. — Ow! — Ela agarrou a cabeça quando eu escovei um fio embaraçado.


— Desculpa — Eu disse a ela, beijando o local como um pedido de desculpas. — Melhor agora? — Um pouco. — Pronto — Eu bati em suas costas quando eu estava feito. — Veja, não foi tão ruim, foi? — Não — Ela admitiu relutantemente. Guardei o pente e o desembaraçador em seus lugares no banheiro, antes de subir de volta para a cama para ler sua história. Quando eu terminei de ler a história, Tristan olhou para mim com os olhos arregalados e Ivy se aconchegou ao meu lado. — Row — Começou Tristan — Eu queria que você fosse minha mãe. Suas palavras viraram meu estômago do avesso. Tanto ele quanto Ivy mereciam mais do que a minha mãe caloteira, mas também merecia mais do que eu. — Por quê? — Eu perguntei, minha voz quase um sussurro. — Porque — Ele encolheu os ombros pequenos — Você faz tudo por mim. Mesmo com cinco anos de idade, Tristan estava ciente de que a nossa mãe não fazia nada. Quebrou meu coração que ele


e Ivy tivessem que crescer com isso. Mas eu tinha demais, e eu não tinha ninguém para cuidar de mim. É por isso que eu fazia o que podia por eles. — Eu te amo, Tristan — Eu beijei sua testa. — Amo você Ivy — Eu beijei a dela também. — Boa noite. — Noite, Row — Ivy correu até sua cama, do outro lado do quarto. Abracei Tristan e escorreguei para fora da cama. Abracei Ivy também e fechei a porta do quarto atrás de mim. Eu inclinei minha cabeça contra a porta fechada. Eu estava tão exausta, mas eu precisava tomar banho e eu tinha lição de casa para fazer já que não tinha feito na biblioteca. Trent havia arruinado toda a minha noite. Por que não podia me deixar em paz? Optei por não desperdiçar minha energia me detendo sobre esse assunto, me empurrei para frente e para o meu quarto. Ele não era muito um quarto para ser honesta. Era mais como um armário. Minha cama de casal ocupava a maior parte do espaço e a porta do armário estava sempre aberta, porque era impossível fechar. As paredes eram pintadas de um azul brilhante e a colcha era roxa. Não era nada especial, mas era meu e isso é o que importava para mim. Peguei um par de calças de moletom e uma camisa solta de dormir.


Tomei banho o mais rápido que pude, mas levou mais tempo do que eu queria, porque a água quente era muito boa em meus músculos tensos. Eu nunca parecia relaxar. Antes de ir ao meu quarto para a noite eu verifiquei minha mãe. Ela ainda estava desmaiada no sofá. Eu a odiava tanto, mas ela era minha mãe, e nada poderia mudar isso. Observei-a por alguns minutos, observando o constante aumento e queda de seu peito. Perguntei-me como alguém que bebeu tanto era capaz de respirar como uma pessoa normal. Parecia que sua respiração devia vacilar ou algo assim. Eu queria gritar e gritar para levantar sua bunda preguiçosa e ser mãe. Mas eu sabia que era inútil. Eu gritava e gritava com ela mais vezes do que eu poderia contar e ela nunca fez nada. Geralmente resultava em um tapa no meu rosto. Com uma careta, eu me empurrei para longe da parede. Fechei a porta do quarto, trancando-a atrás de mim. Eu deslizei debaixo das cobertas, olhando para o livro deitado na cama. Eu queria terminar o meu dever de casa até amanhã, mas iria ocupar meu tempo e resultar em sono ainda mais perdido. Puxei o livro para o meu colo e comecei a ler as páginas atribuídas.


Trinta minutos mais tarde, quando eu terminei de ler, eu tive que escrever um pequeno texto para resumir o que eu tinha lido.

Sinceramente,

você

acha

que

os

professores teriam coisas melhores para fazer do que ler deveres estúpidos como este. Não deveríamos escrever isso, mas eu não tenho um computador, então eu tinha que entregar escrito. Eu sempre fiz meus trabalhos digitados na biblioteca antes de ir para casa. Espero que eu tenha tempo para escrever isso amanhã, mas amanhã também significava ainda mais lição de casa. Era um ciclo vicioso. Uma vez que o pequeno artigo foi escrito, eu dobrei-o nas páginas do livro e deixei cair ao lado da minha cama na fina tira de espaço no chão do meu quarto. Estendi a mão e apaguei a luz, banhando o quarto na escuridão. Deitei na cama, incapaz de dormir, mesmo estando tão exausta. Ouvi a porta da frente bater fechada e pulei. Meu padrasto Jim estava em casa.


Eu odiava Jim com todas as fibras do meu ser, talvez até mais do que eu odiava minha mãe. Eu

escutei

seus

passos

pesados

ecoarem pela casa pequena. Quando eles começaram a descer o corredor, eu fechei os olhos por um momento. Voltando ao meu lado, eu forcei-os abertos, olhando para a sombra que estava parada na minha porta. Prendi a respiração, contando na minha cabeça. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Jim me deu um tapa, mas nada muito ruim. O que eu não poderia lidar era quando seus olhos percorriam meu corpo de cima a baixo como se eu fosse pedaço de carne que ele queria devorar. Ainda pior do que isso era quando ele me tocava. Às vezes, quando eu estava vestindo uma saia, se eu passava por ele enquanto estava sentada, a mão dele deslizava sob o tecido até minha coxa. Outras vezes, seus dedos roçavam minha bunda ou os meus seios. Ele gostava de brincar com o meu cabelo também. Eu tinha pensado em cortá-lo mais de uma vez, mas meu cabelo era a única coisa que eu gostava em mim e me recusei a deixá-lo tomar essa parte de mim.


Prendi a respiração, esperando ele sair. Quando ele finalmente saiu, eu estava com o rosto vermelho e pontos pretos flutuavam em meus olhos. Eu me perguntava por quanto tempo ele se manteria satisfeito com simples toques e do lado de fora da minha porta. Eu rolei para o meu lado, longe da porta, e esmaguei meus olhos fechados. Por trás de minhas pálpebras, a imagem de Trent encheu minha mente. Eu não podia fugir dele, não importa o quanto eu tentasse. Ele estava sempre lá. Pressionando as palmas das minhas mãos nos meus olhos eu deixei escapar um gemido. Por que não podia me deixar em paz? Será que ele não vê que eu não sou boa para ele? Eu nunca serei capaz de amá-lo quando eu não consigo nem me amar.


Capítulo Dois

Naquela noite, eu tive o mesmo sonho que pelo menos uma vez no mês, eu tenho desde que fiz dezesseis anos. Os galhos quebram debaixo dos meus pés descalços e meu coração dispara em meu peito enquanto eu tento não fazer um som. É inútil. Minha respiração está pesada e pode dedurar minha

localização

aos

professores.

Se

eles

me

pegarem

esgueirando até às tendas dos meninos, eles vão me mandar para casa, e em casa é o último lugar que eu quero estar agora. Por uma noite eu quero ser uma adolescente normal. Eu não quero ter que cuidar de Ivy.


Eu empurro todos os pensamentos de minha vida de merda em casa para longe, pelo menos por esta noite, e na tenda que eu sei que é de Trent. Eu engoli grosso, contando até dez. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. E, em seguida continuei. Eu sei que por trás da porta da barraca, Trent está esperando por mim. Molhando os meus lábios com um movimento da minha língua, eu estendi a mão, agarrando o zíper entre o polegar e o dedo indicador. Eu lentamente puxei-o para cima, abrindo o zíper. Tenho certeza que o meu coração está prestes a bater fora do meu peito. Conto suas batidas, mas nem mesmo a contagem pode me acalmar esta noite. Quando há um buraco grande o suficiente para eu passar, eu deslizo para dentro. Uma mão alcança e agarra meu braço. Eu grito quando eu começo a cair, mas a mão que segurava meu braço me libera e se tampa a minha boca para abafar o som. — Shhh, Row — Sussurra Trent e o som de sua voz me faz tremer.


— Desculpa — Eu digo quando ele move sua mão da minha boca. Ele alivia o peso de cima de mim e fecha a barraca. — Eu não achava que você viria — Admite ele, mordendo os lábios adoravelmente. Seus dentes são um pouco tortos e há um espaço entre os da frente, mas acho que isso só o torna mais bonito. Eu nunca tinha me sentido atraída por um homem antes de colocar os olhos em Trenton. Ele transformou meu interior em mingau, mas mais do que isso, ele era meu melhor amigo. Quando me mudei para cá no início deste ano, eu estava tão assustada. Eu nunca tinha sido a garota nova antes e eu era tímida. Fazer amigos nunca tinha sido fácil para mim. Mas Trent tinha me levado debaixo da asa. Eu questionei seus motivos em primeiro lugar. Afinal, por que um cara tão lindo como Trent quer ser meu amigo? Eu rapidamente aprendi, porém, ele não tinha nenhum amigo. Ele era um solitário... Um pária como eu... E nós nos encaixamos. Desde que eu fui transferida para esta escola secundária em novembro, havíamos nos unido. Nossa amizade

florescendo

cada

vez

mais...

Ele

não

era

meu

namorado... Era uma palavra muito simples. Ele era o meu tudo... Meu ar... Minha gravidade... Ele me manteve centrada. Era primavera agora e com o desabrochar das primeiras flores, nós decidimos levar nossa relação para o próximo nível.


Sua casa não era uma opção para o que tínhamos planejado e nem a minha. Na verdade, eu só tinha ido a sua casa uma vez, ele nunca foi a minha. Eu não queria que ninguém soubesse o que eu tinha que lidar em casa. Algumas coisas eram melhor deixar no escuro. — Row — Ele passa rapidamente o dedo contra a ponta do meu nariz — O que você está pensando? — Você — Eu sussurro. — Eu? — Ele sorri torto. — As coisas boas, eu espero. — Seus olhos azuis brilham quando ele fala. Gosto que ele está sempre tão animado. Ele não é como os outros caras que tentam esconder seus sentimentos. Ele é real. — Sempre — Eu me estico, colocando seu rosto em minhas mãos. Um pouquinho de palha cobre suas bochechas. — Você está com medo? — Pergunta. — Sim — Eu admito. Não tenho segredos com Trent. — Nós não temos — Ele me assegurou, afastando-se. — Eu sei disso — Eu agarro a sua camisa azul, segurando forte. — Eu quero. Eu prometo. Ele olha para mim, sem saber se eu estou mentindo ou não.


— Se você quiser que eu pare o que estou fazendo, a qualquer momento — Ele fecha os olhos como se

suas palavras

doessem nele — Diga-me e eu vou parar Row. Quero dizer. Eu não quero pressionála. — Eu quero isso — Digo-lhe, perguntando quantas vezes eu vou ter que lhe dizer antes que ele acredite em mim. Ele engole duramente quando um sorriso lento se espalha em seu rosto. Normalmente, a escuridão tornaria difícil vê-lo, mas seu rosto está tão perto do meu que eu consigo vê-lo perfeitamente. — Aqui — Ele pega um travesseiro e levanta minha cabeça para colocá-lo debaixo de mim. — Está melhor? — Eu estava bem antes — Eu ri baixinho de nervosismo. — Eu quero que isso seja perfeito para você, Row. — Vai ser perfeito — Eu agarro seus braços — Porque eu estou com você. Eu não gostaria de fazer isso com mais ninguém. Antes que eu possa me convencer do contrário, eu chego e desfaço o zíper de sua jaqueta. Seus olhos se fecham quando a respiração vacila.


Uma vez que o casaco é aberto, eu os empurro para fora de seus ombros largos. Ele ficou em uma camiseta preta fina e meus dedos

avidamente

traçam

as

linhas

da

tatuagem em seu braço. Eu o vi sem camisa, então eu sei que ela começa em seu ombro e para no cotovelo. Se você a ver de longe, parece um oceano, mas de perto você verá que ela tem diferentes tons de azul em um projeto da cor da água, de modo que parece que está pingando seu braço. Eu acho que é bonita, assim como ele. — Row — Seus olhos abertos e sua voz trêmula. — Sim? — Eu olho para ele. — Você é linda — Ele traça um dedo sobre minha bochecha rosada. Eu sorrio, sabendo que eu estava pensando a mesma coisa sobre ele. Eu empurro minhas mãos por baixo da borda de sua camiseta e coloco minhas mãos espalmadas contra seu estômago quente. Ele é muscular, mas sem exagero. Eu alivio minhas mãos para trás e agarro o tecido em minhas mãos, puxando-o sobre a sua cabeça. Seu boné de beisebol cai da cabeça e nós dois rimos. — Eu sinto que você está animada para me ver nu — Ele ri.


— Talvez — Eu me contorço em seu olhar. Eu odeio estar sendo observada. — Eu quero te beijar — Avisa, com a boca baixando. — Então faça isso — Eu desafio. Um gemido silencioso me escapa quando seus lábios macios tocam a minha boca. Tenho certeza de que nenhum outro cara lá fora é tão bom em um beijo como Trent é. Não é apenas possível. Sua língua pressiona contra a minha boca fechada e eu abro para deixá-lo mergulhar dentro. Meus dedos puxam seus cabelos, puxando-o para mais perto, quando todo o seu corpo é pressionado contra o meu. Calor percorre pelo meu corpo com seu toque e meus quadris sobem ao encontro do seu. Eu suspiro de surpresa ao sentir

seu

grande

comprimento

pressionado

contra

mim.

Sinceramente, não sei por que estou tão surpresa. É por isso que eu vim aqui. Assim, poderíamos perder a virgindade juntos. — Trent — Eu suspiro seu nome. — Eu preciso... — O que você precisa Row? Diga-me. Eu vou te dar o que você quiser — Ele morde meu pescoço. — Você. — Você me tem, Row. Você sempre terá a mim — Ele promete e eu sei que ele quis dizer isso.


Eu tiro minha camiseta e fico no meu sutiã e jeans. — Deus, Rowan — O calor em seus olhos quando ele olha para os meus seios. — Quem sabia o que você estava escondendo sob todos aqueles super-heróis em camisetas folgadas? — Eu gosto dessas camisas — Eu me defendo. — Eu também — Ele pisca o olho, me beijando novamente. Sua língua serpenteia dentro da minha boca, batendo contra a minha própria. Meu coração acelera ainda mais do que antes em meu peito, se é que isso é possível. Sua grande mão segura meu seio direito e eu suspiro. Preciso de mais. Eu preciso dele para me fazer sentir viva. Eu preciso dele para me dar a minha liberdade. Sua mão move sobre minha barriga, parando quando ele sente o meu piercing no umbigo. — Você está perfurada? — Seus olhos estão arregalados, enquanto olha para mim. — Por que você está surpreso? Você tem tatuagens e alargadores — Eu comento. — Eu não sei — Ele sorri torto. — Eu pensei que você fosse uma boa garota, Row. —Estou longe de ser uma boa menina — Eu admito.


— Eu gosto disso — Ele desliza para baixo no meu corpo, sacudindo-o com a língua. Minhas costas se curvam fora da terra em resposta. Sua respiração quente contra o meu estômago vazio e arrepios começam a percorrer minha pele. Seus dedos encontram o botão do meu jeans e ele o abre. Com seus olhos nos meus, ele facilita o zíper para baixo e puxaos de cima de mim. — Deus, você está fodidamente incrível — Ele olha minhas longas pernas. — Eu quero estar dentro de você tão ruim. — Então se apresse — Eu lamento. — Eu não quero te machucar — Ele morde o lábio. — Eu sou virgem — Afirmo. — Isso vai doer — Deus, os meninos poderiam ser tão burros. — Ainda assim — Ele diz enrugando a testa. — Eu não quero te causar dor. — Ela não pode ser evitada — Eu envolvo minhas pernas em volta de sua cintura e puxo-o contra mim. — Eu quero isso com você, Trent. Ele engole grosso com as minhas palavras. — Talvez tenha sido uma má ideia-


— Não é. Esta é a melhor ideia que já tivemos.

Você

é

meu

melhor

amigo,

Trenton. Quero esta experiência de estar juntos pela primeira vez. — Eu me estico, colocando

seu

rosto

em

minha

mão

e

esfregando o polegar sobre seu lábio inferior gordo. Ele morde de brincadeira meu dedo e eu sorrio em resposta. Isso parece chegar até ele. — Juntos — Ele repete. Ele chuta seu jeans fora e remove o resto das minhas roupas.

Estou

um

pouco

envergonhada,

por

estar

completamente nua na frente dele, mas isso não me incomoda tanto quanto eu pensei que seria. Ele olha para mim por 116 segundos - Contei - antes que ele finalmente tira as boxers e coloca o preservativo. — Você tem certeza que quer continuar? — Ele pede uma última vez, sua mandíbula apertada e os braços rígidos quando ele segura-se de volta. — Sim. Ele facilita lentamente dentro de mim. Meus olhos cerram e eu aperto os dentes com a sensação de aperto e invasão. Dói... Muito... Mas eu sei que não posso fazer um som, por medo dos


professores nos descobrindo. Além disso, Trent pararia se ele soubesse que estava me machucando tanto. — Quase lá, Row — ele me beija quando ele empurra para dentro o resto do caminho. Eu acho que ele sabia que ele ia precisar abafar meu pequeno grito. Ele mantém-se acima de mim, sem se mover, dando-me a oportunidade de ajustar-se ao sentimento estranho. — Você está bem? — Pergunta ele. Eu estou segurando minha respiração, por isso não posso responder à primeira vista, mas eu assenti lentamente. — Diga-me quando eu puder me mover. — Ainda não — Eu imploro, minhas unhas cavando em seus braços. — Ainda não — Ele concorda, beijando-me lentamente para aliviar a minha ansiedade. Meu corpo começa a relaxar e prazer substitui dor. Meus quadris mexem e ele geme. — Row — Ele adverte, a testa pressionada contra a minha. — Estou pronta. Você pode mover-se. Ele engole em seco.


— Diga-me se isso dói e eu vou parar. Concordo com a cabeça, mordendo meu lábio quando ele alivia um pouco e, em seguida, de volta. É tão bom estar conectado com ele assim. Eu nunca quero que isso acabe. O suor umedece nossa pele, fazendo-nos ficar juntos. Eu assisto os músculos de seu estômago se apertar quando ele empurra para dentro e fora de mim. Sua respiração acelera e eu sei que ele está perto. Eu estou muito, embora, minha mãe sempre me disse para nunca esperar qualquer prazer na minha primeira vez. Eu sinto, entretanto. É a única coisa que ela é boa em... Bem, ela é boa em se embebedar. — Row — Ele suspira, o polegar pressionando contra o meu clitóris pulsante. Ele esfrega-o em círculos e meus músculos se contraem. — Trent. Trent. Trent. — Eu digo o seu nome uma e outra vez. Quando eu gozo, a sua boca silencia meus gritos. Um momento depois, ele se contorce dentro de mim e eu sei que acabou. Eu não sou mais virgem. Ele pressiona beijos no meu pescoço antes de cair para o lado. Ele envolve o seu corpo úmido ao redor do meu e eu fecho


meus

olhos,

sorrindo.

É

tão

bom

que

aconteceu assim. Ele escova meu cabelo comprido para longe do meu pescoço. —

Eu

te

amo

Ele

respira,

pressionando beijos carinhosos na pele atrás da minha orelha. Essas três palavras banham meu corpo em gelo. É um choque para o meu sistema e só há uma coisa que eu sei fazer. Fugir. Sento-me, agarrando em qualquer coisa que poderia ser a minha roupa. — Row? — Ele questiona e recuso-me a olhar para ele. Eu não posso ver seus olhos agora. Eu não vou ser capaz de sair, se eu olhar para ele. — Row? O que eu fiz? — Ele aperta a mão contra a minha pele nua. — Você não tem que dizer isso, mas eu penso que deveria saber. Eu não disse nada quando eu coloquei as minhas roupas de volta. — Row, onde você está indo? — Ele pergunta quando eu começo a abrir a tenda. Faço uma pausa.


— Eu não posso ficar aqui à noite. Os professores vão me encontrar e vamos ficar em apuros. Vejo você na parte da manhã." Mas nós dois sabemos que é mentira. A partir deste momento, eu me comprometo a fazer o que for preciso para me apagar de sua vida. Sentei-me na cama, agarrando o meu peito enquanto eu lutava para respirar. Minha pele estava úmida de suor e meu cabelo ficou preso na minha testa. A memória do sonho, sempre faz isso comigo. Eu me pergunto se algum dia haverá um tempo que isso não me afetará. Eu empurro as cobertas e puxo meus joelhos no meu peito. Por que eu não poderia escapar dele? Mesmo quando ele não estava por perto, ele ainda conseguiu dominar seu caminho em meu subconsciente. Droga Wentworth. Eu comecei a contar, era a única coisa que parecia me acalmar. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. A parte de trás do meu pescoço estava pegajosa de suor, como o resto do meu corpo, e eu levantei meu cabelo para me refrescar.


Eu olho para o relógio e gemo. Só era cinco da manhã, mas eu era o tipo de pessoa que uma vez acordada, não posso voltar a dormir. Liguei a luz, piscando rapidamente com o brilho repentino. — Ugh — Eu gemi, esfregando minhas têmporas. Eu senti uma dor de cabeça chegando e essa foi a última coisa que eu precisava. Eu tinha uma receita para minhas dores de cabeça, então eu puxei a garrafa da minha gaveta de cabeceira, colocando uma das pílulas na minha língua. Com a água que eu trouxe para a cama comigo eu o engoli. Eu coloco minha cabeça em minhas mãos, deixando meu cabelo longo cair em torno de mim. Eu era uma bagunça. Não havia outra palavra para me descrever. Eu queria chorar, mas as lágrimas não vinham. Doeu demais pensar em Trent. Tudo tinha sido perfeito até que ele disse essas três palavras e arruinou tudo. Por que não conseguia manter a boca fechada? Eu sabia que era errado culpar ele. Ele não entendia que aquelas palavras não significam a mesma coisa para mim como para todos os outros. Qualquer um que já tinha me dito que me amava estava sendo enganoso. Minha mãe. Meus avós. Todos.


Foi tudo uma mentira. Ninguém me amou. Eu não era nada, mas um fardo. Eu queria dar a Ivy e Tristan um café da manhã decente, mas não havia quase nenhuma comida na geladeira ou na pequena despensa. Eu tenho o meu salário da biblioteca

hoje

e

eu

vou

usá-lo

para

comprar

alguns

mantimentos que eu possa usar para fazer uma refeição decente. — Desculpa, gente — Eu fiz uma careta. — Parece que é torrada com manteiga no café da manhã. — Eu quero sucrilhos — Gritou Ivy. — Nós não temos nenhum — eu suspirei, escovando meu cabelo dos meus olhos. — Tudo bem — Ela murmurou — Torrada é bom. — Ela fez beicinho por um momento, mas não durou muito tempo. Infelizmente, todos os três de nós estavam acostumados a não ter refeições adequadas e muitas vezes passando fome. Quebrou meu coração que eu não poderia fazer mais. Mas o meu salário não era grande, desde que eu passava a maior parte do meu tempo na faculdade tentando construir uma vida melhor para nós. Ninguém sabia, mas minha esperança era conseguir um

emprego

estável,

economizar

dinheiro

suficiente

para


comprar uma casa e um carro melhor, em seguida,

lutar

pela

custódia

dos

meus

irmãos. Eu não iria deixá-los neste buraco. Entreguei a cada uma das crianças um pedaço

de

torrada

com

manteiga.

Eles

comeram como se fosse a coisa mais deliciosa que já passaram por seus lábios. Eu verifiquei se tinha tudo em suas mochilas. Quando eu tive certeza de que não estava faltando nada, eu as coloquei em cima da mesa. — Ivy, você precisa escovar o cabelo — Eu disse com firmeza. Ela abriu a boca para argumentar, mas eu pressionei um dedo contra seus lábios. — Não, Ivy. Revirando os olhos para mim ela enfiou o último pedaço da torrada na boca e caminhou para fora da cozinha. Eu temia a adolescência com ela. — Row, você pode escovar os dentes para mim? — perguntou Tristan, enxugando as mãos em um guardanapo de papel. — Claro — Eu baguncei seu cabelo. Criar Ivy e Tristan tem sido uma responsabilidade muito grande, mas eles valem a pena. Eu não entendia como alguém podia abandonar seus filhos do jeito que minha mãe fez. Mas o álcool sempre foi a coisa mais importante para ela.


Depois que ajudei Tristan a escovar os dentes, era hora de levá-los no carro e conduzi-los para a escola. Desde que eu estava ou na sala de aula ou no trabalho eu nunca fui capaz de pegá-los, mas eu senti que era importante que eu, pelo menos, os levasse até lá. — Ooh! Ooh! À volta por cima, Row! Eu amo essa música! — Ivy gritava, saltando no banco de trás. Suspirei e aumentei o volume. Royals de Lorde começou a tocar e eu estava tentada a tampar meus ouvidos. Eles tocavam essa música o tempo todo e estava chato. Por que as estações de rádio insistem em tocar as mesmas músicas várias e várias vezes? Quero dizer, realmente? — E nós nunca seremos membros da realeza — Ivy cantou junto com a música. Eu tive que concordar com as letras embora. Eu não vejo como nós poderíamos chegar a ser outra coisa senão uma classe mais baixa, não importa o quão duro eu poderia estar tentando chegar ao topo. Puxei no estacionamento da escola e circulei em torno da linha de estacionamento. — Tenha um bom dia! — Forcei um tom alegre quando eles saíram do carro.


Eles se despediram e então eu estava me afastando e dirigindo toda a cidade para o

campus

universitário.

extravagante, certamente

mas

bastante

Não

suficiente caro.

Eu

era

nada

e

era

tinha

os

empréstimos da escola para provar isso. Eu estava tendo aulas que poderiam me ajudar a entrar em seu programa de enfermagem. Eu estava apostando em ser aceita. Se eu não for, bem, eu prefiro não pensar nisso. Eu estacionei no meu lugar habitual na parte de trás do parque de estacionamento. Eu gostava da caminhada. Permitiame limpar a minha cabeça. — Hey! Virei-me e me encontrei sorrindo enquanto Jude correu em minha direção. Eu não sabia como tínhamos acabado amigos, mas de alguma forma aconteceu. Ele era alto, com olhos castanhos e barba rala que pontilham sua mandíbula. Seus cabelos castanhos lisos caiam desordenadamente sobre a testa de uma maneira que era sexy sem nenhum esforço. A camisa verde de mangas compridas abraçava seu peito musculoso e jeans pendurado perigosamente baixa nos quadris. Eu estaria mentindo se eu dissesse que não estava atraída por Jude, mas o que eu sentia por Trent era muito mais, mesmo que eu insistisse em negar.


Jude passou os braços musculosos em volta do meu tronco e me levantou. — Ponha-me para baixo! — Eu gritei, batendo no peito sólido com minhas mãos cobertas pela luva. — Eu senti sua falta, Row — Ele sorriu torto e deu um beijo na minha bochecha. — Você me viu ontem — Eu respondi, correndo os dedos pelo meu cabelo depois que ele me colocou no chão. — Então? Ainda assim eu senti — Ele sorriu, caminhando ao meu lado. — Eu não sinto sua falta — Eu olhei para ele, lutando contra um sorriso. — O quê? — Ele suspirou, colocando a mão em seu peito. — Como poderia não sentir minha falta? A maioria das mulheres desejaria que eu sentisse falta delas e aqui está você me ferindo por

professar meus sentimentos.

Obrigada,

Rowan.

Muito

obrigada. — Oh, por favor — Eu ri, ajustando as correias da mochila enquanto atravessávamos a partir do estacionamento para a calçada. — Nós dois sabemos que você estava batendo os miolos de algumas meninas na noite passada. — É verdade — Ele piscou. — Poderia ter sido você — Ele riu.


Fingi mordaça. — Não, obrigada. — Você é lésbica ou algo assim? — Brincou. — Eu nunca conheci uma mulher que não quisesse pegar isso e fazer um passeio — Ele parou de andar e revirou os quadris de uma forma vulgar. — Não sou lésbica — Eu balancei minha cabeça — Apenas não gosto de homens prostitutos. — Baby, por você eu mudo meu jeito — Ele jogou um braço sobre meu ombro e me abraçou contra ele. Uma menina passou por nós e olhou para mim. Ela tinha que ser uma das muitas conquistas de Jude. — E arruinar a nossa amizade maravilhosa? Acho que não — Eu removi o braço dos meus ombros. — Isso é verdade — Ele coçou o queixo mal barbeado. — Eu realmente valorizo a nossa amizade. — Claro que sim — Eu revirei os olhos, indo para dentro do prédio. — Eu faço — Ele me assegurou, sua voz subitamente séria. Nós fomos para a mesma sala de aula e ele sentou-se no banco

ao

meu

lado.

Espantava-me

que

Jude

mulherengo/playboy, estava estudando para ser enfermeiro. Eu


imaginei que ele seria muito egoísta para isso. Mas, enquanto eu poderia brincar com seus caminhos de sacanagem, Jude era um cara legal... Pelo menos para mim. Ele também era atencioso e compassivo. Uma vez, quando estava trabalhando em um hospital, eu o vi passar uma hora conversando com uma das senhoras mais velhas. Jude colocou os pés sobre a cadeira vazia à sua frente, cruzando as pernas na altura do tornozelo. Nossas salas de aula eram em estilo auditório, e eu odiava, porque isso significava que a tabela anexa à minha cadeira era menor do que espaço de trabalho adequado. — Professor Hamilton vai ficar puto se ele vem aqui e vê os seus sapatos no banco — Eu avisei. — Eu não dou a mínima — Ele deu de ombros, olhando para uma das meninas na sala de aula. Quando ela pegou o seu olhar ele lambeu os lábios sugestivamente. Eu chutei as pernas de sua cadeira e ele olhou para mim. — Que porra é essa, Rowan? — Desculpe, eu não consegui me controlar — Eu dei de ombros inocentemente. — Eu tenho espasmos musculares. — Sim, claro — Ele revirou os olhos e deixou cair os pés no chão. — Você perturbou meu charme.


— O seu charme? — Eu levantei uma sobrancelha. — Yeah — Ele sorriu. — Você está com ciúmes ou algo assim? — Dificilmente — Apoiei minha cabeça na minha mão, desejando que o professor se apressasse e chegasse aqui já — Eu estava tentando não vomitar. Ele recostou-se na cadeira, com os olhos brilhando de riso mal contido. — Você me diverte. — É por isso que me mantém por perto? — Eu respondi. Eu estava acostumada com esta brincadeira com Jude. É como a nossa amizade estranha funcionou. — Eu a mantenho por perto porque você é gostosa e faz outros caras pensarem que eu não estou verificando suas namoradas — Diz ele com uma cara séria e eu sabia que ele estava falando sério. — Obrigada, isso me faz sentir muito bem — Eu balancei a cabeça, tentando não rir. — Aw, Row — Ele escovou meu cabelo comprido por cima do meu ombro — Você sabe que eu te amo. — Eu sei — Eu sorri para ele.


— Bom — Ele se inclinou para frente, batendo os dedos na mesa. Jude era o tipo de pessoa que não podia ficar parado para se salvar. Às vezes, isso realmente me irritava desde que eu era uma pessoa calma por natureza. Sinceramente, não entendo como nós nos tornamos amigos. Nos conhecemos no nosso primeiro ano na universidade. Ele sentou-se ao meu lado, flertando descaradamente, e eu, claro, impedindo seus avanços. Daquele momento em diante, ele se tornou meu único outro amigo além de Tatum. — Devemos sair hoje à noite — Ele sugeriu. Eu olhei, por isso, acrescentou — Como amigos, é claro. — Eu não posso. Estou trabalhando, você sabe disso — Eu suspirei. — Você está sempre trabalhando — Ele murmurou — Quando você tem tempo para apenas... Se divertir? — Nunca — Respondi sem hesitar. — Essa porra é uma merda — Ele esfregou as mãos sobre o rosto e reprimiu um bocejo. — É chamado de vida. — Você merece uma pausa, todo mundo faz — Comentou ele.


— Eu não tenho tempo para pausas — Eu dei de ombros, puxando um lápis da minha mochila e um notebook. — É o que é. Ele abriu a boca para argumentar, mas o professor decidiu finalmente fazer sua aparição, dez minutos atrasado eu poderia acrescentar. Afastei-me de Jude e comecei a tomar notas. Eu estava atrasada e eu odiava estar atrasada, mas eu tinha ficado presa no trânsito graças a um trem que passava pela cidade. Corri para o banheiro da biblioteca e me tranquei no Box para pessoas com cadeira de rodas. Eu troquei de roupas, tirando as que eu tinha usado para a aula e colocando minhas roupas de trabalho. Guardei minha calça jeans e blusa em minha mochila para que eu pudesse mudar para eles novamente depois que meu turno terminasse. Abri a porta do box, lavei as mãos e corri pelo corredor até a sala dos fundos onde guardávamos nossas coisas. Corri de volta para frente sem fôlego neste momento e parei na frente de Maria, a bibliotecária chefe. Ela era uma senhora, na casa dos sessenta, com o cabelo grisalho. Ela era uma das pessoas mais amáveis que eu conhecia, mas eu odiava desapontá-la por estar atrasada, especialmente desde que ela era a pessoa que me tinha contratado.


— Eu sinto muito, estou atrasada — Gaguejei. Ela me olhou por um momento e seus olhos foram para o relógio em cima da mesa. — Está com dois minutos de atraso — Afirmou. — Eu sei, e estou realmente— Shhh, criança — Ela baixou os óculos de leitura — Eu quase não percebi que vocês estava atrasada, além disso, você geralmente chega mais cedo. Não se preocupe com isso. — MasEla arqueou uma sobrancelha e o olhar em seus olhos me silenciou. — Você não tem nada que se desculpar, Rowan. Agora pare de desperdiçar meu tempo com suas desculpas e coloque os livros de volta nas prateleiras — Ela apontou para um carrinho cheio de livros. — Estou trabalhando nisso — Eu assegurei a ela, pegando o carro para pegar o primeiro livro. — E Rowan? — Ela chamou antes que eu ficasse fora do alcance de sua voz. — Sim? — Eu me virei para olhar para ela.


— Se você chegar atrasada mais uma vez, não se desculpe. Basta começar a trabalhar — Ela sorriu gentilmente. — Com certeza. Comecei o trabalho sem sentido de substituir os livros nas prateleiras. Eu adorava estar rodeada de livros. Eles eram a única coisa na minha vida que sempre conseguiu me fazer feliz. A leitura me permitia escapar da minha vida de merda, mesmo que fosse apenas por algumas horas. Era bom... Desaparecer por um tempo. Antes que eu percebesse, o carro estava vazio. Eu voltei para trás e havia outro esperando por mim. No momento em que eu terminei a biblioteca estava fechada. — Você vai ficar para estudar? — Maria perguntou, entregando-me o envelope com o cheque na mesma. Tecnicamente eu não tinha permissão para ficar após o horário, mas Maria confiou em mim e não me importo. — Não — Eu balancei a cabeça, franzindo a testa. Eu realmente precisava estudar e concluir o meu trabalho desde que eu tinha dificuldade para fazê-lo em casa, mas eu precisava parar no supermercado e comprar comida. Eu sabia que minha mãe não se preocuparia em fazer nada para comer para Tristan


e Ivy, e mesmo que ela tentasse não havia comida em casa. —Eu tenho que ir para a loja. — Oh, ok — Em seguida, Mary sorriu e deu um tapinha no meu braço quando ela desligou a luz em cima da mesa. — Eu vou me trocar — Eu disse a ela, já indo em direção a sala dos fundos para pegar minha bolsa. — Eu vou esperar por você, querida — Ela encolheu os ombros em seu casaco de inverno. — Não, não, você vai em frente — Eu assegurei-lhe com um aceno de mão. — Não seja tola — Ela vestiu luvas. — Maria — Eu parei com a mão na porta. — Fico aqui sozinha muitas noites. Você não precisa se preocupar comigo. — Não seja teimosa agora, mocinha — Maria advertiu. — Tudo bem — Eu suspirei — Me dê um minuto. Mudei minhas roupas em velocidade recorde e encontrei Maria na frente. Ela fechou as grandes portas da biblioteca atrás de nós e as trancou. A biblioteca ficava localizada em uma parte histórica da cidade e abriu pela primeira vez as suas portas em 1913. Era enorme e um dos mais belos edifícios que eu já vi.


Maria e eu caminhamos pela calçada e fomos para o estacionamento. Eu disse adeus e fiquei atrás do volante do meu antigo, mas confiável, Honda Civic. Eu estava exausta, mas meu dia estava longe de terminar. Eu ainda precisava passar pelo Wal-Mart local para obter mantimentos antes de ir para casa. A Primeira coisa que eu teria que fazer na parte da manha seria depositar meu cheque, para que minha conta não estourasse. Isso seria péssimo. O estacionamento estava lotado, mesmo às seis da tarde. Acabei por ter de estacionar todo o caminho na parte de trás do estacionamento e estava tão frio lá fora que meu casaco fez pouco para me proteger das rajadas de vento e neve frias. Minhas pernas longas me levaram rapidamente para a loja. Peguei um carrinho de compras e puxei a lista de compras do meu bolso. Minha primeira parada foi para obter lasanha congelada. Eu preferia comprar os ingredientes para fazer uma caseira, mas era

muito

caro.

Eu estava

acostumado

a

viver

em

um

orçamento. Eu continuei e peguei um pacote de peru antes de ir para o balcão do pão. Olhei para os preços, olhando para o que era mais barato. Ivy e Tristan tinham aprendido desde cedo que não podíamos dar ao luxo de ser exigente. O que quer que fosse que tivesse menor preço era o que comeríamos.


Abaixei-me

e

examinei

a

prateleira

mais baixa. — Aha — Eu murmurei sob a minha respiração quando eu encontrei o que eu queria. — Eu nunca soube que pão era tão interessante. Os cabelos na minha coluna ficaram em pé. Não. Caralho. Não. Levantei devagar, o saco plástico que continha o pão estava apertado com força na minha mão. Virei-me, tremendo um pouco e meus olhos se conectaram com Trent. — Boa noite, Row — Ele sorriu arrogantemente, inclinando a cabeça. Ele estava vestido casualmente com jeans e uma jaqueta de couro preto com um boné de beisebol empoleirado em sua cabeça. — O que você está fazendo aqui? Merda. Eu disse exatamente a mesma coisa quando ele apareceu na biblioteca. Eu realmente precisava parar de falar ao seu redor. — Conseguir pão, obviamente. — Olhando para mim, ele estendeu a mão e pegou um saco aleatório de pão. Vários outros pães caiu no chão, mas nenhum de nós se mexeu para pegá-los.


— Obviamente — Eu sussurrei, em uma perda para palavras. Olhei para trás, na esperança de um meio de fuga, mas fugir de novo teria sido infantil. — Se importa se eu andar com você? — Ele perguntou, com um sorriso torto. Meu estômago deu uma cambalhota. Por que ele tem que me afetar assim, mesmo depois de todos esses anos? — Eu não acho que seria uma boa ideia. — Por que não? — Ele se aproximou de mim, tão perto que eu podia sentir claramente o cheiro de sua colônia. — Porque... Eu hesitei. Usando minha hesitação em seu proveito, ele me contornou e começou a empurrar o carrinho de compras. — Hey! — Eu chamei por ele. Ele totalmente roubou meu carrinho

de

compras,

onde

minha

bolsa

atualmente

se

encontrava, como se não fosse grande coisa. Ugh. Eu queria dar um soco no pequeno ladrão de carrinho. — Vamos, Row — Torceu seus lábios. — O que você precisa agora? — Ele acenou para a minha lista. — Massa de macarrão — Eu encontrei-me dizendo quando eu parei atrás dele. Trent sorriu e virou para o corredor correto.


Eu deveria ter tomado o carinho dele e lhe dito para ir embora, mas eu não podia fazer ou formar as palavras. Em vez disso, eu caminhava ao seu lado, segurando a lista de compras com tanta força na minha mão que começou a rasgar. — Como você está, Row? — Ele perguntou parando no meio do corredor de massas, não se importando que ele estivesse bloqueando as pessoas. Eu engoli em seco. — Você me segui para me perguntar isso? — Eu retruquei. — Você me seguiu? — Ele riu, olhando para mim com aqueles olhos azuis que enviava inundações de calor através do meu corpo. — Isso implica que eu queria encontrá-la. — Virei o rosto na direção oposta para que ele não pudesse ver o calor infundindo nas minhas bochechas. — Hey — Trent parou e agarrou meu braço. — Eu estava brincando, Row. Eu não queria ferir seus sentimentos. — Você não fez isso — Eu disse rapidamente. — Mentirosa — Ele me olhou, sua mandíbula definida. — O que você está fazendo aqui? — Eu perguntei, tentando desviar a conversa de mim mesmo. — Você não está fora da UVA? — É o feriado de Ação de Graças — Ele sorriu.


Oh.

Como

eu

pude

estar

completamente alheia ao fato de que a ação de graças era esta semana? Eu não tinha ideia do que eu ia fazer para as crianças... Eu precisava fazer alguma coisa. Certamente eu poderia encontrar um peru barato? Ou talvez Maria iria me ajudar? Ela amava as crianças, e enquanto ela não sabia os detalhes da minha vida em casa, ela sabia que não era o maior. — Row? Rowan? —O

quê?

Eu

balancei

a

cabeça,

limpando

meus

pensamentos. — Aonde você vai? — Ele perguntou. — O que você quer dizer? —

Você

estava

completamente

perdida

em

seus

pensamentos. Você não conseguia nem me ouvir — Ele franziu a testa. — Eu tenho muito em que pensar — Eu cruzei os braços sobre o peito e olhei para os meus sapatos gastos. Trent balançou a cabeça e empurrou o carrinho de compras para a frente. — Que tipo de massa que você precisa? — Ele perguntou, mudando de assunto, e eu estava incrivelmente grata. Trent era


bom assim. Ele me empurrava mais do que eu gostava, mas ele sempre sabia quando recuar. Talvez seja isso que me assustou mais sobre Trenton. Ele me conhecia melhor do que eu me conhecia. — Tudo o que é mais barato — Eu murmurei sob a minha respiração. Eu sabia que Trent nunca teve que viver em um orçamento. Sua família era de bilhões, mas eles certamente não agiam como pessoas ricas arrogantes e assim você tinha que dar-lhes crédito por isso. Na verdade, eles eram as pessoas mais legais que eu já conheci, mesmo que eu só os conheci brevemente anos atrás. Anos. Engraçado, parecia toda a vida. Trenton me surpreendeu ao alcançar o macarrão espaguete da marca Wal-Mart macarrão colocando-o no carrinho. Continuamos através da loja, realizando a compra de mantimentos juntos. Eu lia algo da lista e Trent movia o carrinho na direção que precisávamos ir. Eu odiava admitir, mas apesar do fato de que mal falava, eu estava gostando muito sua companhia. — Então — Eu comecei, nervosamente brincando com os botões do meu casaco — O que você está fazendo aqui? Isso não é exatamente o lugar mais fascinante. — Eu girava meu dedo no ar para dar ênfase.


— Eu precisava de um pouco de comida para

furão

empurrando

— o

Ele

deu

carrinho

de

para

ombros, frente

e

chegando a empurrar a aba do boné de beisebol dos olhos. — Comida de furão? — Eu questionei em descrença. — Sim — Ele encolheu os ombros. — Eu tenho um furão e ele tem que comer. — Será que eles possuem comida de furão aqui? Há um Pet-Shop à direita na estrada, por que você não vai lá? — Tantas perguntas, Row — Ele suspirou, agarrando um recipiente de suco de laranja e indo para os ovos. — Sim, eles tem comida de furão aqui. Eu não fui ao Pet-Shop porque se eu fizesse isso, então iria querer trazer para casa cada criatura peluda que eu visse enquanto eu estivesse lá. — É sério que você tem um furão? — Eu continuei a perguntar. — Sim, é sério que eu tenho um furão. O nome dele é Bartolomeu e ele é realmente bonito. Você deve vir e brincar com ele algum dia. Ele precisa de amigos — Trent sorriu para mim. — Como são estes? — Ele levantou uma caixa de ovos.


— Esses são ótimos — Eu respondi a sua pergunta. — Você sabe, eu poderia vê-lo com uma cobra ou um lagarto, mas não um furão. Trent estremeceu. — Não diga a ninguém, porque vai arruinar minha imagem na rua, mas eu odeio répteis. Eu não estou dizendo que eu vou sair e matar uma cobra, porque eu odeio elas, eu sou todo para salvar qualquer pequena criatura, eu só não quero uma vida na minha casa. Eu abri um sorriso para isso. — Você é um cara interessante, Trenton. Ele olhou para mim, estudando minhas características. Eu encontrei-me contorcendo no olhar intrusivo. — Por que você parou de falar comigo? Merda. Eu passei por ele e segurei a alça do carrinho de compras. Eu andei o mais rápido que minhas pernas poderiam me levar, mas Trent correu atrás de mim. — Ei, ei, ei — Ele estendeu a mão, levando o carrinho a um impasse. — Você não vai fugir tão facilmente. Você não quer


responder à pergunta? Tudo bem — Ele deu de ombros como se não fosse grande coisa — Mas eu não vou a lugar nenhum. — É claro que você não vai — Eu resmunguei baixinho. Trent iria ficar por aqui e apodrecer debaixo da minha pele. Ele gostaria de encontrar um caminho em meu coração, e quando ele fizesse eu teria que dizer-lhe todos os meus segredos. E quando ele descobrisse o que eu tinha feito... Ele iria me odiar e eu não o culparia. — Eu sou um Wentworth — Ele me bateu de lado com o quadril e assumiu o carrinho de compras, — E nós somos incrivelmente teimosos, então se acostume com isso. — Acredite em mim, eu estou bem familiarizada com a sua teimosia — Eu resmunguei baixinho. Trent olhou para mim por cima do ombro, sorrindo como o gato que comeu o canário. Uh-oh. O que eu disse? — Eu gosto que você está admitindo o quão bem você me conhece. Isso pode não ser tão difícil quanto eu pensava. — O que pode não ser difícil? — Eu enterrei meus dentes. Eu juro, só Trent parecia saber que botões apertar para me irritar. — Levá-la a ver que somos perfeitos um para o outro. — Ele empurrou o carrinho para frente, e eu tive que forçar o meu


olhar para o chão para que eu não estudasse a maneira como seus ombros flexionavam sob sua jaqueta de couro. — Não somos perfeitos um para o outro — Eu disse com veemência. — Então pare de desperdiçar seu tempo. — Está tudo bem em lutar contra o que temos, Rowan. Eu gosto da sua coragem. — Ele piscou. Ugh. — Por que agora? — Perguntei. Depois que fizemos a viagem de acampamento da escola, eu tinha evitado Trent. Sim, ele tentou me perseguir, mas, eventualmente, ele desistiu e seguiu em frente. Quando voltamos para o nosso último ano do ensino médio nós dois mudamos muito e ele me deixou sozinha. Mas, no último ano ou assim, sempre que Trent vinha para casa da faculdade, ele estava constantemente aparecendo quando eu menos esperava. Era um talento que ele tinha. —Agora é o nosso momento. Nós não fomos feitos para ficar juntos no colégio, mas agora nós dois estamos mais velhos e prontos. — Ele parou no corredor central e estendeu a mão para acariciar meu rosto. Eu odiava o quão bom era ser tocada por ele. Eu não queria admitir, mas eu tinha saudades dele. — Trent... — Eu poderia fazer-me dizer que ele estava errado. Estar com Trent sempre foi fácil. Ele tinha sido meu


melhor amigo e eu sabia que se eu o deixasse ele facilmente voltaria ao seu papel de amigo... Bem como amante... Mas eu não tinha certeza de que eu poderia deixá-lo. Nós dois terminaríamos quebrados no final. — Eu não me importo. Ele sorriu torto. — Estou tão feliz de ver as coisas do meu jeito. — Seja como for — Revirei os olhos. Discutir com Trent era inútil. — O que resta na lista? — Ele acenou para o pedaço de papel ainda apertado em minhas mãos. Eu soltei a minha mão e olhei para o papel amassado. Eu mal podia ler a minha própria caligrafia depois de amassar tanto o papel. — Preciso de casacos para Ivy e Tristan — Eu murmurei. Trent levantou uma sobrancelha. — Meus irmãos — Eu murmurei, lançando os olhos para o chão. — Sim, eu me lembro de Ivy. Mas Tristan? — Ele questionou.


Eu chutei a ponta do meu sapato gasto contra o piso de cerâmica linóleo. — Sim, ele é meu irmão. Ele tem apenas cinco. Aparentemente, minha mãe nunca

ouviu

falar

de

preservativos

ou

controle de natalidade. — Meu rosto colorido. — Huh — Ele estalou a língua. — Então, deixe-me adivinhar, você é a única a cuidar deles? — Ding, ding, ding, temos um vencedor — Eu disse com uma voz plana. Eu tinha, anos atrás, confessado para Trent que a minha mãe era alcoólatra. Eu não tinha certeza se ele sabia o quão ruim ela era, que ela esteve, basicamente, em coma desde Tristan nasceu e que, quando ela estava acordada, ela ficava violenta. — Deus, Row, você não é a sua mãe. Você tem escola, e um trabalho... Como você faz isso? — Ele olhou para mim como se ele estivesse me vendo realmente pela primeira vez. — Você faz o que tem que fazer para sobreviver. Minha mãe não cuida deles, então eu faço. Seu olhar era penetrante e eu encontrei-me contorcendo em seu escrutínio. Ele balançou a cabeça e os músculos em sua mandíbula marcaram, mas ele preferiu não dizer nada.


Ele empurrou o carrinho para a seção roupas de garoto e começou a procurar prateleiras de casacos. — Que tal isso? — Ele levantou um casaco azul com dinossauros verdes nele. Sorri para o seu esforço. — Tristan gosta de dinossauros, é perfeito. Trent sorriu para isso. Trenton realmente gostava de ajudar as pessoas, particularmente me parecia. Peguei um casaco no tamanho certo e joguei no carrinho. Eu encontrei um casaco roxo para Ivy e considerei esta viagem de compras completa. — Tudo bem, eu estou pronta — Eu forcei um pequeno sorriso para Trent. — Você precisa ir pegar o alimento para o furão? — Quem falou em comida de furão? — Ele piscou, indo em direção à saída. Eu gemi, inclinando a cabeça para trás para olhar para o teto. — Você, pequeno mentiroso. Você ainda tem um furão?


— Sim, ele simplesmente não precisa de nenhum alimento neste momento — Trent deu de ombros, olhando para uma linha que não estava muito longe. — Então por que você me disse que estava aqui para comprar alimentos para o furão? — Eu continuei a disparar perguntas para ele. — Seria assustador se eu dissesse que eu vim aqui porque eu vi o seu carro. Comida para o furão parecia uma boa desculpa — Ele riu. — Você é ridículo — Eu balancei a cabeça, deixando meu cabelo comprido esconder meu rosto. — Ei, eu passei um tempo com você, e você passou um tempo comigo. Então, eu diria que foi uma situação ganhaganha, você não diria? — Ele levantou uma sobrancelha quando ele chegou no carrinho para começar a colocar itens na esteira do caixa. — Quem disse que eu queria passar mais tempo com você? — Eu bati. Os olhos dele viraram pra mim e mágoa brilhou brevemente nas profundezas azuis antes de ser substituído por maldade. — Você não tem que dizer isso, Row. Seu corpo todo fala, e seu corpo é atraído para o meu.


— Continue sonhando — Eu murmurei, passando os braços protetoramente em meu torso. — Oh, eu não preciso — Seus lábios se curvaram em um sorriso, — Não vai demorar muito até que você veja as coisas do meu jeito. Já me disseram que sou muito persuasivo. — Eu estou supondo que você nunca teve um “não” quando criança. — Eu brinquei. — Oh, me disseram não muitas vezes. Todo mundo sabe que o meu irmão é o favorito. Pessoalmente, eu não entendo. Ele se veste como se estive indo para floresta cortar árvores, e fala as coisas mais estranhas, ele é um pé no saco. — Dando de ombros, ele acrescentou — Não se preocupe, porém, a falta de atenção não arruinou minha infância. Estou perfeitamente bem — ele abriu os braços. — Não há nenhuma necessidade de sentir pena de mim, mas se você quiser me beijar e fazer tudo melhor, não vou reclamar. Revirei os olhos. — Eu não vou te beijar. — Você me beijou antes — Ele sorriu. Inclinando-se, seus lábios roçaram minha orelha, ele sussurrou — Na verdade, nós fizemos muito mais do que beijar.


Minhas bochechas inflamaram

e

eu

coloquei as minhas duas mãos contra o peito musculoso, dando-lhe um empurrão. Ele riu. — Você não pode negar os fatos, Row. Eu escolhi ignorá-lo, empurrando o carrinho para frente para que eu pudesse começar a carregar os sacos de plástico. O caixa anunciou o valor total das compras e eu peguei minha carteira, mas Trent já estava tirando um cartão de crédito. — Não, de jeito nenhum, guarde essa coisa — Eu avisei. Eu não iria deixar Trent pagar minhas compras. Eu não preciso de sua caridade. — Row, não seja difícil — Ele foi para pegar o cartão dele. — Nem pense em passar esse cartão, Trenton. — Minha voz estava gelada. Eu estava chateada. —

Você

quer

dizer

isso?

Ele

piscou

os

olhos

inocentemente e passou o cartão. — Cancele isso! — Eu apontei para o caixa. Ela olhou para mim como se eu tivesse perdido minha mente... Talvez eu tivesse. — Uh... — Ela olhou de mim para Trent e vice-versa.


— Não dê ouvidos a ela — Trent acenou com a mão com desdém. — Minha namorada gosta

de

afirmar

sua

independência,

comprando os mantimentos. Mas eu sou um homem, e esse é o meu trabalho. Ela realmente precisa parar de fazer isso. Meu queixo caiu quando o caixa lhe entregou o recibo. — Eu não sou sua namorada. — Eu não sei por que essas foram as primeiras palavras que saíram minha boca. — Oh, querida, você sempre diz essas coisas dolorosas quando você está no seu período. Eu deveria ter pegado um brownie — Ele sorriu, lançando um sorriso por cima do ombro no caixa. Temos certeza que nós lhe demos uma noite divertida. Trent me empurrou para o lado e rolou o carrinho para a noite. Ele foi direto para onde o meu carro estava estacionado e eu não fiquei surpresa ao ver o carro preto brilhante ao lado dele. — Abra o porta-malas — Ele disse, já agarrando sacos. — Eu não preciso de sua ajuda. Ele olhou para mim particularmente. — Eu nunca disse que você precisava da minha ajuda, mas eu quero ajudá-la e há uma grande diferença. Além disso, Row, aceitar ajuda não te faz menos independente. Eu sei que você é


tudo para poder fazer as coisas por si mesmo, mas não há problema em deixar alguém intervir e cuidar de você. Eu engoli em seco, olhando para o chão para que ele não pudesse ver as lágrimas nos meus olhos. Eu abri o porta-malas e dei um passo para trás, esperando que ele não visse como eu estava chateada. Ninguém tinha cuidado de mim. Eu estava cuidando de Ivy, Tristan e eu. Ninguém se importava comigo e se eu deixar Trent fazer, eu vou ficar acostumada em tê-lo, então ele iria embora e eu ficaria ainda mais quebrada do que eu estava agora. Ele colocou todas as compras no porta-malas e estendeu a mão para fechar. Meu hálito embaçou o ar frio como eu me forcei a agradecer-lhe. — Obrigada — Eu finalmente guinchei após um silêncio constrangedor. Ele riu e oh meu Deus como eu amava seu riso, era rouca e masculina, e perfeita como ele. — Realmente te matou dizer isso, não é? Dei de ombros.


— Ninguém nunca me ajuda, então eu não

estou

acostumada

a

agradecer

as

pessoas. — Isso é muito triste — Ele franziu a testa. — É verdade — Eu empurrei o meu cabelo dos meus olhos, indo para a porta do motorista. — Eu vou te ver... Algum dia. — Row? — Sim? — Eu virei para trás e ele estava ali . Ele estendeu a mão, me enjaulou entre seus braços, as mãos apoiadas sobre o capô do meu carro enferrujado. — Boa noite — Ele sussurrou com voz rouca e então ele me beijou. Não era realmente um beijo, mais um pincel de lábios, mas foi o suficiente para acender um fogo em meu corpo. Eu encontrei-me inclinando-me, querendo mais, mas ele já tinha ido embora. Abri os olhos, que eu não percebi que tinha fechado, e o vi entrar em seu carro com um sorriso orgulhoso. Ele foi embora e eu ainda estava lá no frio. Eu estava atordoada, chocada com a sua desfaçatez e o quanto eu tinha gostado do toque de nossos lábios. Meu coração disparou contra meu peito e eu estendi a mão para colocar os dedos trêmulos contra os meus lábios. Eu estava tão ferrada.


Capítulo Três Meu carro não pegava. Estava completamente morto. Sem luzes. Não ligava. Nada. Eu tinha parado na farmácia perto de escola antes de ir para a aula para pegar algumas coisas e agora eu estava presa no estacionamento. Se eu precisasse eu poderia caminhar para o campus a partir daqui, mas era um dia particularmente ventoso e minha mochila pesava 50 kg. Tentei me consolar com o fato de que hoje era um dia de revisão, mas eu ainda odiava perder uma classe. Eu me orgulhava de ter frequência perfeita e notas. Peguei meu telefone, ligando para a companhia de seguros para que eles pudessem enviar um reboque. Disseram-me para esperar com o meu carro, que um caminhão de reboque chegaria no prazo de trinta minutos a uma hora. Grande. Estava muito frio para ficar no meu carro, então eu peguei minha mochila e me dirigi para dentro da drogaria. Falei com o caixa, explicando a situação, e perguntei se ela se importava se eu trabalhasse em algum trabalho de casa, enquanto eu


esperava.

Ele

disse

que

não

era

um

problema, então eu escolhi um local perto da porta, assim eu veria o caminhão, quando chegasse, mas ficaria longe o suficiente para que eu não fosse congelar toda vez que a porta se abrisse. Eu tinha quase todo o meu trabalho de casa feito, de forma que tinha apenas uma folha de avaliação para preencher, o que não me levou muito tempo. Puxei o livro que estava lendo na minha bolsa e apoiei nos joelhos. Uma das vantagens de trabalhar na biblioteca era a conveniência de obter um novo livro para ler. Eu não podia comprar um novo livro o tempo todo, e eu lia rápido, por isso era bom ser capaz de ler sempre que eu queria. Cada vez que lia uma página, eu olhava para cima na esperança de que o caminhão de reboque tinha chegado. Mas não estava aqui ainda, e eu estava sentada aqui há quase uma hora. Seria a minha sorte se levasse próximo há duas horas para chegar. Só

quando

eu

estava

começando

a

ficar

realmente

chateada, o caminhão entrou no estacionamento. Enfiei minhas coisas na minha mochila e atirei-a sobre meus ombros. Parei quando as portas automáticas foram abertas. Você tem que estar brincando comigo.


— Wentworth Wheels — Li o nome na lateral do caminhão. Minha companhia de seguros iria pegar a oficina de reparos do irmão mais velho de Trent. Eu respirei fundo e me forcei a sair e encarar como uma menina grande. — Eu acredito que eu sei quem é você — Disse Trace quando ele saiu do caminhão. Trace era irmão mais velho de Trenton. Ambos se pareciam tanto com seu cabelo escuro, e ambos sempre pareciam esquecer de fazer a barba. A grande diferença entre os dois era que Trent tinha olhos azuis e Trace tinha verde. — Eu não te vi em muito tempo. Rowan, certo? Eu balancei a cabeça, enfiando um pedaço de cabelo atrás da minha orelha. — Ei, Trent! — Ele falou. — Venha aqui! É Rowan! Meus olhos ameaçaram pular da minha cabeça quando Trent saiu na frente do caminhão. Mesmo quando ele não estava tentando me descobrir ele estava lá. Eu não poderia escapar dele, e quem eu estava enganando? Eu meio que gostava de vêlo. Ele sorriu um sorriso fácil, casualmente encostado na lateral do caminhão. Ele não se aproximou de mim como o esperado. Em vez disso, ele ficou para trás, como se estivesse esperando


por mim para fazer o primeiro movimento. Eu tenho notícias pra ele, ele teria que continuar esperando. — Parece que você está precisando de alguma ajuda, Row — Trent acenou para o meu carro morto. — Sim — Eu resmunguei. — Felizmente — Trent deu alguns passos para frente —Meu irmão aqui sabe exatamente o que está fazendo, então você está em boas mãos. — Ele bateu em Trace no ombro. Trace estendeu a mão para empurrar o cabelo de seus olhos e um anel de casamento brilhava na mão esquerda. Gostaria de saber quando tinha acontecido. — Não se preocupe. Nós vamos deixar você parada em nenhum momento. Os irmãos Wentworth sabem exatamente o que estão fazendo. — Algo sobre a maneira como ele disse isso me fez pensar que ele não estava falando apenas de carros. — Você trabalha em carros também? — Eu perguntei a Trent. Ele balançou a cabeça, um sorriso torto. — Só quando eu estou em casa nos intervalos e durante o verão.


— Eu não sabia disso. Trent se adiantou até que estávamos tão perto que, quando o vento soprava meu cabelo escovava seu peito. Ele pegou um pedaço de meu cabelo voando e esfregou-a entre os dedos, em seguida, estendeu a mão para colocá-la atrás da minha orelha. — Lembre-se Rowan, há muita coisa que você não sabe sobre mim. — Eu sei muito — Eu rebati, dando um passo para trás para me distanciar dele. O aroma de seu perfume estava me deixando tonta com lembranças de ontem à noite, seus lábios tão ternamente piscavam através dos meus pensamentos. Eu queria negar ter curtido o beijo, mas eu tinha. Depois que fui para casa, tinha sido tudo que eu conseguia pensar. — Ah — Ele estendeu a mão, rodando a parte de trás de seus dedos ao longo do meu rosto — Mas uma pessoa faz uma série de mudanças em cinco anos. — Você pode ter mudado, Trent — Eu puxei o meu cabelo para trás para que ele não soprasse em seu rosto — Mas eu também não sou a garota que você se lembra da High School. Ela morreu há muito tempo. Trent franziu a testa, uma ruga aparecendo. — Eu não me importo quem você era ou quem você se tornou. Você ainda é você.


Eu balancei minha cabeça. — Eu não sei mais quem eu sou, assim como você espera saber sempre o meu verdadeiro eu? — Eu vou encontrá-la — Disse ele, triunfante — Eu sempre gostei de um desafio. — Você não vê? Eu não quero ser um desafio para você, algo para conquistar e se gabar. — Meus olhos dispararam para o chão quando eu passei meus braços em volta do meu corpo para proteger do vento abrasador. — Eu nunca disse que queria conquistar você — Ele balançou a cabeça. — Como você sempre consegue interpretar mal o que eu digo? Dei de ombros, chutando uma pedra com a ponta do meu sapato gasto. — É um talento. Ele deu um passo para frente novamente, agarrando meu pulso, então eu não podia fugir. — Eu não me importo com o que você diz, eu sei que você sente o que nós temos. Não pense por um minuto que eu não tenha notado a forma como sua respiração vacila quando eu chego muito perto ou como seus olhos piscam com o desejo. Eu definitivamente não consigo esquecer o jeito que você me


respondeu na noite passada — Sua voz baixou para um sussurro rouco que fez desejo encher minha barriga. — Você não pode negar que você gostou quando eu te beijei. Ele estava certo. Eu não poderia refutálo. Eu tinha gostado de beijá-lo. — Isso não significa que vai acontecer de novo — Rebateu. — Por que você insiste em negar o que temos? É você realmente teimosa? — Ele estreitou os olhos. — Eu sei que você sente isso — Ele sussurrou, passando tão perto de mim que meu nariz estava pressionado contra seu peito e seu calor me envolveu como um cobertor aconchegante. Sua mão encontrou a minha, entrelaçando nossos dedos. — Não lute contra isso. Eu empurrei para trás, arrancando minha mão da dele. Nojo revestiu minha língua como um xarope pegajoso. — Eu não posso fazer isso, Trenton. — O que exatamente você acha que não pode fazer? — Ele seguiu em frente. Ele não ia me deixar escapar. Desejei que Trace chegasse e me resgatasse, mas ele estava ocupado olhando meu carro. Eu engoli em seco, meu pulso pulando.


— Eu não acho que você sabe o que eu passei — Minha voz foi silenciada com vergonha. — Eu sou... Incapaz de amar. Não apenas

você,

mas

qualquer pessoa.

As

únicas pessoas que eu amo é meu irmão e irmã. É como se uma peça fundamental de mim estivesse faltando — Eu falei ferozmente, ficando com raiva. — Eu. Não. Sou. Inteira. Ele pegou meu rosto entre suas duas grandes mãos, olhando para mim com um brilho determinado em seus olhos azuis. Eu engoli em seco, meu pulso vibrando na minha garganta. Eu tinha certeza que ele ia me beijar, mas ele não o fez. — Então deixe-me fazer-lhe inteira. Fui salva de responder por seu irmão chamando-nos de novo. Graças a Deus eu não tinha que responder. Eu não sei o que eu teria dito, provavelmente algo não muito agradável. — Más notícias, não é a bateria — Trace franziu o cenho, cruzando os braços sobre o peito. — Sua partida estragou. Vai ser de cerca de duas centenas de dólares para tê-lo consertada. Lágrimas ardiam meus olhos e eu prontamente fechei-os para que nenhum dos irmãos visse como eu estava chateada. Contei até dez, respirei profundamente. Quando eu me tinha sob controle novamente eu abri meus olhos e disse


— Faça. Ele tem que ser consertado. Eu não tenho outra escolha. — Row —

Eu

estou

bem

Eu

respondi,

cortando Trent fora. — Está ótimo. Ele apareceu cético, mas não disse nada. Voltei para dentro da loja, enquanto os irmãos colocavam meu carro preso na parte de trás. Eu não poderia ajudar e eu estava congelando de qualquer maneira. Quando eles tinham terminado fui obrigado a entrar no caminhão com eles. Sentei-me no meio, enjaulada, e eu comecei a me sentir extremamente claustrofóbica. — Você pode me deixar na universidade? — Perguntei. — Claro — Trace encolheu os ombros. — Será que você tem uma carona para casa? — Sim — Eu sabia que poderia obter que Tatum ou Jude me levassem para o trabalho e me pegasse. — Vou tentar ter isto feito amanhã. Eu tenho tudo o que preciso para corrigi-lo, é só uma questão de quanto tempo eu tenho — Explicou.


— Se você pudesse tê-lo feito hoje seria tão útil. Eu sempre levo meu irmão e irmã para a escola no período da manhã, e não temos um carro reserva — Eu divagava. — Vai ser feito hoje — Trent asseguroume, inclinando-se no olho de seu irmão. — Hoje — repetiu ele. Trace não disse nada, ele apenas inclinou seu cotovelo contra a janela, e um pequeno sorriso brincava em seus lábios. Claramente, seu irmão se divertia. Trace entrou no estacionamento e dirigiu-se para onde eu precisava ser deixada. Trent pulou para fora do caminhão e estendeu a mão para me ajudar a descer. Uma parte de mim não queria aceitar a sua mão, mas eu não tinha muita escolha se eu queria sair do caminhão mamute sem quebrar o tornozelo. Eu finalmente coloquei minha mão na sua, depois de uma hesitação estranha. Obriguei-me a ignorar os pequenos arrepios que percorriam meu corpo com seu toque. Eu pulei para baixo, tropeçando para o lado. — Uau — Ele agarrou minha cintura para me firmar. — Você está bem? Eu balancei a cabeça, minhas bochechas enchendo-se de constrangimento.


Ele alcançou minha mochila dentro do caminhão e me entregou. — Eu vou ter certeza que ele faça hoje. Mesmo se eu tiver que segurar uma arma apontada para sua cabeça — Ele piscou. — Obrigada — Eu forcei um sorriso, jogando minha bolsa no meu ombro. — Eu realmente tenho que ir. Eu já estou atrasada. — É claro — Ele subiu de volta no caminhão. — Até logo. — Vejo você mais tarde — Eu sussurrei, ali de pé e olhando o caminhão desaparecer. O carro de Tatum ainda estava sendo consertado, por isso, felizmente, Jude foi bom o suficiente para ser meu motorista para o dia. Ele puxou para o estacionamento de “Wentworth Wheels”, e eu respirei fundo enquanto me preparava para ver Trent novamente. Isso muitas vezes em poucos dias estava começando a ser um pouco demais, especialmente desde que eu odiava o quanto eu gostava de vê-lo. — Vou sair — Disse Jude, já colocando o carro em sentido inverso — Se por algum motivo ele não estiver pronto, é só me chamar e eu volto. — Obrigada — Eu disse a ele, deslizando para fora do carro. Eu fui até a loja pela porta da garagem aberta.


— Olá? — Gritei, olhando ao redor. O lugar

parecia

deserto.

Olá?

Eu

aventurei mais na loja. — Hey! — Trent chamou de algum lugar na minha frente. — Eu estarei ai em um segundo! Parei onde estava e esperei por ele. Olhei em volta e encontrei a garagem estranhamente limpa e arrumada. Não me interpretem mal, era uma loja de conserto por isso havia abundância de ferramentas e manchas de graxa ocasionais no chão, mas parecia melhor do que a maioria. Trace tinha feito um bom trabalho com o lugar. Lembrei-me de como se parecia antes. — Aqui estão suas chaves — Trent sorriu, aparecendo na frente de mim. Ele balançou-as na frente do meu rosto, mas quando eu fui para agarrá-las, levantou-lhes muito alto para meu alcance. — Não tão rápido — Ele mexeu um dedo na frente do meu rosto. — O que você quer? — Revirei os olhos, um suspiro de desgosto voando pelos meus lábios. — Bem — Ele agarrou as chaves do carro em seu punho, — Desde que eu sou um bom rapaz e fiquei sobre meu irmão todo o dia para ter certeza que ele tivesse esse problema solucionado para você, eu acho que eu mereço ser recompensado.


— Recompensado, huh? — Eu levantei uma sobrancelha em descrença. — Mhmm — Ele balançou a cabeça, um sorriso torto. — Venha jantar comigo. — Sim, um, não. Eu não tenho tempo. Eu tenho que chegar em casa para cuidar de Tristan e Ivy, o que significa que não há tempo para o jantar. Agora, por favor, dême as minhas chaves — Eu estendi minha mão. — Tudo bem. Diga não. Esmague os meus sonhos — Ele enxugou uma lágrima de mentira. — Eu acho que você vai viver — Eu revirei os olhos de novo, tomando as chaves dele. — Como é que você não o consertou? — Eu questionei. Ele sorriu. — Eu teria, mas meus talentos são mais úteis em outro lugar. — Talentos? — Ele deu de ombros. — Ok, isso é uma mentira. Eu não sou muito talentoso, pelo menos quando se trata de carros, Trace me bate lá. Tudo que posso fazer é trocar o óleo e os pneus. Porém, lhe garanto que sou extremamente talentoso em muitas outras maneiras e se você quiser que eu mostre eu ficaria mais do que feliz. — Ele sorriu, sua língua passando rapidamente para umedecer os lábios.


— Uh... não, obrigada — Eu balancei minha cabeça. — Eu não preciso de uma demonstração. — Ah, muito ruim — Ele mordeu o lábio inferior. Eu balancei minha cabeça. Eu realmente precisava parar de ser distraída por Trenton. — Quanto devo a Trace? — Eu já paguei a ele — Trent enfiou as mãos nos bolsos. — Por que você faria isso? — Eu perguntei com os dentes cerrados. — Porque eu queria — Ele respondeu simplesmente. — Você pensou por um segundo que talvez eu não queira sua ajuda? — Minha temperatura foi subindo quando a raiva cresceu. — Eu não preciso de você para cuidar de mim. — Pense nisso como um amigo a fazer um favor a outro amigo — Ele deu de ombros casualmente. — Não se preocupe com isso. Eu não acho que Trent entendia como eu me sentia culpada. Eu sabia que ele tinha dinheiro para explodir, mas isso não importa para mim. Eu não gostava de ser vista como uma donzela em perigo. Esta princesa podia cuidar de si mesma.


Eu não tinha tempo para ficar lá e discutir com ele, então eu me vi dizendo: — Tudo bem, mas não faça novamente. Ele sorriu triunfante. — Seu carro está estacionado em frente à direita. — Disse ele, afastando-se. Eu não poderia dizer se ele estava com raiva ou o quê. — E Rowan? — Sim? — Eu me virei para encará-lo. — Isso ainda não acabou. Não por um longo tempo.

Capítulo Quatro Coloquei Tristan e Ivy na cama, beijando cada um em suas testas. Fechei a porta atrás de mim e comecei a limpar a


cozinha. Era para eu pegar Tatum em 30 minutos,

para

que

pudéssemos

fazer

trabalho de casa juntas. Eu não sabia o que se passava na casa de Tatum, mas eu tenho a impressão de que seu pai não se da bem em tudo. Eu odiava deixar as crianças, uma vez que cheguei em casa, mas elas estaria dormindo e nunca saberiam que eu tinha saído. Se eles acordassem e precisassem de mim, eu não estaria aqui e isso me preocupava. Só a minha mãe estava em casa, e atualmente estava desmaiada em sua cama, o chão cheio de várias garrafas de álcool. Eu não tinha idéia de onde Jim estava, ou se ele estava mesmo voltando para casa. Uma vez que a cozinha foi limpa e os pratos lavados, eu verifiquei se as crianças tinham dormido. Ambos estavam cochilando pacificamente e eu sabia que eu poderia fazer a minha fuga. Tanto quanto eu odiava deixá-los, eu precisava sair de casa mais. Minha mãe tinha sido insuportável quando eu cheguei em casa e não calou a boca até que desmaiou. Eu precisava ficar longe deste ambiente tóxico por um tempo. Ele estava me matando, mas eu não estava pronta para fugir ainda. Peguei minha mochila e bolsa do meu quarto. Rabisquei uma nota explicando onde eu estava e empurrei-a com a porta do quarto das crianças, caso eles acordassem.


Quando eu parei em frente à casa de Tatum ela já estava esperando lá fora. Ela pulou os degraus da escada e correu para o meu carro. — Está muito frio — Ela estremeceu. — Então por que você estava esperando lá fora? — Eu questionei quando me afastei. — Eu não podia sair daquela casa tão rápido — Ela resmungou baixinho, olhando para fora da janela. — Eu odeio aquilo lá. Eu só quero ir embora. Eu não me incomodei pedindo a ela sobre seus problemas domésticos. Não era o meu negócio e, além disso, eu sabia tudo sobre como era fácil tornar-se presa. Eu dirigi a um café local que ficava aberto toda a noite e que tínhamos usado frequentemente para as noites fora de casa antes. Eu pedi um café com leite e um muffin. Eu normalmente não compro tais coisas frívolas, mas desde que Trent tinha comprado os mantimentos para mim na outra noite eu tinha o dinheiro extra para comprar. Eu sentei-me à mesa do canto e Tatum a mesma coisa. Eu puxei meus livros da minha mochila, suspirando pesadamente com a quantidade de trabalho que eu tinha que fazer. Nunca parecia terminar. Pela primeira vez, eu queria ser como todo mundo. Eu queria ser capaz de dormir e sair com os amigos. Eu


queria deixar-me estar com alguém. Mas eu não podia fazer essas coisas. Eu tinha que me concentrar em terminar a escola e obter notas altas o suficiente para que eu fosse aceita no programa de enfermagem. Eu tinha que ser capaz de cuidar de Ivy e Tristan. Minha mãe e meu padrasto não o fazem agora. Estava tudo sobre os meus ombros, e eu estava começando a me curvar à pressão. Eu era só uma pessoa e eu só consigo segurar o suficiente. Tirei a tampa do meu café para que ele pudesse esfriar. Tatum voltou, puxando seus cabelos loiros em um rabo de cavalo. Ela parecia exausta, com contusão como sombras sob os olhos. Uma parte de mim queria perguntar-lhe se estava tudo bem, mas eu sabia o quanto eu odiava que me perguntasse então eu mantive minha boca fechada. Eu abri um dos meus livros, lançando para a página correta. Eu me sentia muito cansada para fazer lição de casa, mas eu não tinha escolha. Eu só esperava que conseguisse terminar em duas horas. Eu precisava dormir um pouco antes da aula amanhã. Era o nosso último dia antes das férias e como nós não estávamos começando nada novo, eu tinha certeza de que iria nos dar muito que fazer nos poucos dias sem aulas. Eu tinha aprendido desde cedo que não havia tal coisa como uma pausa. Eu tomei um gole pequeno de café, em uma tentativa de não escaldar minha boca. Mas a temperatura estava perfeita.


Griffin, o proprietário do café, mas que era realmente um café-shop, restaurante e um espaço para os músicos locais realizarem suas perfomance. Eu realmente nunca tinha falado com o cara, ele era mais velho e sempre fingia ser ranzinza, mas ele parecia um cara legal. Ele manteve o lugar aberto o dia todo. Ele e sua esposa, com a ajuda de alguns funcionários, fizeram um bom negócio com todos os jovens universitários locais. Uma hora depois, eu tinha terminado meu café, tinha comido todo o meu muffin e pensei que se eu lesse mais uma palavra eu poderia cair. — Estou pegando mais café — Disse a Tatum. Ela assentiu com a cabeça em reconhecimento de minhas palavras, mas não desviou o olhar de seu laptop. — É a mesma coisa? — Griffin perguntou quando me aproximei do balcão. Eu balancei a cabeça. — Não, bolinho desta vez, mas estava delicioso. Ele pegou meu café direto da máquina e me deu. — Sim, minha esposa os faz do zero. Melhor muffins em todo o mundo.


Entreguei-lhe o dinheiro e peguei a minha xícara de café. Quando eu estava voltando esbarrei em alguém. — Merda — Amaldiçoei, fazendo uma dancinha para evitar derramar meu café quente sobre a pessoa. Alguns respingos no chão, mas consegui não acertar o cara. — Estou tão - você tem que estar brincando comigo — Eu gemi. — Você tem um dispositivo de rastreamento em mim ou algo assim? Isso não é tão legal. Trent sorriu, inclinando a cabeça enquanto ele me estudava com aqueles olhos azuis penetrantes. — Talvez seja você que está me seguindo. — Eu estava aqui primeiro — Eu respondi, encolhendo-se com as minhas palavras. Eu parecia uma criança chorona. — De qualquer forma — Eu o contornei, recuando em direção à mesa — Desculpe por ter quase derramado o café em você. — Desculpas aceitas — Ele sorriu, com os olhos brilhando. Ele se dirigiu para Griffin para fazer seu pedido e uma vez que ele não estava olhando, eu corri para a minha mesa, caindo em meu lugar.


— Que diabos? — Tatum exclamou, surpreso com a minha chegada abrupta. — Não há mais café para você se isso te faz superativa. — Não é o café — Eu sussurrei, deixando meu cabelo cair para frente para me proteger. — Então, seja o que for — Ela olhou por cima do ombro para ver o que eu estava olhando. Ela sorriu. — Ah, eu vejo agora — Ela riu. — Eu não sei por que você não encara os fatos, vocês querem um ao outro, então acaba com isso já. Eu cuspi meu café, surpresa com suas palavras. Ela abaixou-se para evitar o spray, mas alguns ainda pousaram em sua camisa. — Eu não posso acreditar que você disse isso — Eu peguei um guardanapo, limpando as gotas de café. — Hey — Ela deu de ombros — Vocês dois são os únicos que fazem sexo com seus olhos. — Quem está fazendo sexo? Fechei meus olhos, meu corpo inteiro com um rubor de vergonha. Trent pegou uma cadeira e puxou-a para a mesa.


— Por favor, não pare de falar por minha

causa.

Parecia

que

você

estava

chegando na melhor parte. Tatum sentou a frente, apoiando a cabeça na mão. — Eu estava dizendo que claramente vocês estão atraídos um pelo outro — Ela apontou de mim para Trent — Então você pode muito bem fazê-lo e acabar com isso. Vai acontecer eventualmente. — Tatum! — Eu gritei. —

É

verdade!

Ela

exclamou,

jogando

as

mãos

dramaticamente no ar. — Bem — Trent inclinou a cadeira para trás sobre duas pernas com um sorriso enfeitando seus lábios cheios — Fico feliz em ouvir que eu tenho alguém do meu lado. Não que eu só queira fazer isso com a linda Rowan — Ele balançou a cabeça em minha direção — Eu quero muito mais que isso. Revirei os olhos. — Oh, por favor. — O quê? — Ele levantou uma sobrancelha. — Não é possível que um cara possa querer mais do que sexo? Vamos, Row, você sabe que eu não sou um jogador


tentando entrar em suas calças por uma noite. — Ele me olhou, me desafiando a refutá-lo, mas eu não podia. Eu conhecia Trent, e eu sabia que ele queria muito mais de mim do que o sexo, e é isso que me assustava mais. Trenton queria tudo de mim, especificamente o meu coração, e não era algo que eu poderia dar. Entretanto, eu não podia negar minha atração por ele. Eu anseio por ele, mas ele queria mais do que eu estava disposta a dar. — Venha a um encontro comigo — Suplicou ele. — Você, eu, e um delicioso jantar. Eu não estou pedindo qualquer outra coisa. Tatum chutou minha canela por debaixo da mesa, me exigindo que dissesse sim. — Não Trent se levantou, colocando a cadeira que ele sentou de volta na mesa a que ela pertencia, e pegou sua xícara de café. Apontando o dedo para mim, ele disse: — Eu sabia que você ia dizer isso. Mas isso não vai me impedir de perguntar de novo e de novo, até que um dia você diga sim. Vejo você mais tarde, Rowan.


Com isso, ele se virou bruscamente e saiu pela porta. O sino apitou acima da porta, sinalizando a sua partida. — Por que você não vai a um encontro com ele? — Perguntou Tatum, boca aberta com o choque. — Ele é quente e ele é bom, uma combinação vencedora no meu livro. — Eu não namoro — Eu disse sem rodeios. — Eu não tenho tempo para um relacionamento. Não seria justo. — Desculpas, desculpas — Tatum balançou a cabeça, alguns fios de cabelo loiro escapavam de seu rabo de cavalo para emoldurar o rosto. — Eu sei que você está ocupada com a escola e com cuidar de seu irmão e irmã, mas você tem que encontrar tempo para fazer algo para si mesma. O que há de tão errado em se divertir um pouco? — É complicado. — Eu não vejo nada de complicado nisso. Você gosta dele. Ele gosta de você. Vá em frente. Viva um pouco — Ela sorriu quando ela começou a arrumar suas coisas. Viva um pouco. Eu ponderei essas palavras, me perguntando se eu poderia fazê-lo, se eu pudesse sair e me deixar ceder aos meus desejos.


Capítulo Cinco Jude e eu fomos ao estacionamento e andamos até nossos carros. Hoje foi o último dia de aula antes de nossa pequena pausa. Infelizmente os professores não tinham tido a amabilidade de nos soltar um pouco, então eu tinha muito trabalho de casa para ocupar o meu tempo, o que eu já tinha certeza que iria acontecer. — Quer pegar algo para comer antes de ir para o trabalho? — Jude me perguntou. — Estou morrendo de fome e eu realmente gostaria de ter uma menina bonita que junto comigo. — Jude — Resmunguei — Eu realmente não tenho tempo. — Você tem uma hora antes de precisar estar lá — Ele bateu no meu ombro quando paramos ao lado do meu carro. Olhei para ele.


— O fato de que você sabe o meu horário de trabalho é levemente perturbador. Você não tem mais o que fazer para ocupar o seu tempo do que me levar para jantar? — Isso seria um não — Ele sorriu, ajustando o gorro que ele usava. — Vamos, Row. Eu vou até comprar a sua refeição. Eu estava com fome, e enquanto eu estava planejando usar a minha hora de folga para estudar, eu decidi que merecia ter um pouco de diversão de vez em quando. — Ok — Eu concordei. Jude parecia surpreso. — Desculpe-me, você pode repetir? Eu não acho que eu ouvi direito. — Ele virou seu ouvido para mim. — Eu disse que tudo bem — Eu dei de ombros. — É um milagre pessoal — Jude começou a bater palmas como se tivéssemos uma audiência. Revirei os olhos. — Você é ridículo. — E você está sempre me recusando. Este é um momento que deve ser documentado na história. — Oh, o que for. Você sabe que eu estou ocupada — Eu disse a ele. Eu me sinto mal, porque eu tendia a ignorar os meus amigos, mas eu tinha tanta coisa acontecendo e eles nem sequer sabem da missa a metade.


— Sim, eu sei — Ele estendeu a mão e tirou o gorro, torcendo-o em suas mãos — Mas às vezes você precisa ser uma pessoa normal de 21 anos de idade. Caso contrário você pode ficar louca. — Ele beliscou meu nariz. Eu empurrei a sua mão de cima de mim, olhando para ele. — Nós sequer jantamos e eu já estou lamentando a minha decisão de dizer sim. — Oh, Row, direto para o coração — ele colocou a mão no peito dele, agindo de forma dramática como se tivesse levado um tiro. As pessoas estavam começando a olhar. — Pare com isso, Jude — Eu resmunguei baixinho, não gostando da atenção indesejada. — Ah, vamos lá, Row, não fique tão excitada — Ele passou o braço sobre meus ombros. Dei de ombros o braço dele. — Será que vamos comer ou não? Eu tenho que começar a trabalhar — Eu avisei a ele, agarrando um clipe da minha bolsa e usando-a para puxar o meu cabelo da minha cara. — Mandona. Vamos comer alguma coisa. Você fica malhumorada quando está com fome — Ele sorriu. — Eu vou segui-lo — Eu abri a porta do motorista do meu carro. — Eu sabia que você gostava de olhar para o meu bumbum, Row — Ele piscou, passeando longe.


— Seu caminhão! Vou seguir o seu caminhão! Quem falou que eu estaria olhando para o seu bumbum? — Eu chamei por ele. Ele jogou a cabeça para trás e riu, me ignorando completamente. Ugh. Jude podia ser tão irritante às vezes. Eu entrei no meu carro, jogando minha bolsa e mochila no banco do passageiro. Eu segui o seu caminhão pelo tráfego e pela cidade. Ele estacionou e eu tive a sorte de pegar um lugar não muito longe dele. Ele correu até onde eu estava, um sopro de ar em suas mãos. — Foda-se, está frio — Ele gemeu. — Não está tão ruim — Eu dei de ombros. — Não há nem mesmo neve. Ele revirou os olhos, pulando no lugar. — Está frio — Afirmou. — Você está louca se não sente nada. Optei por ignorar a sua declaração. — Mostre o caminho. Eu não sei para onde estamos indo. Jude enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans e olhou para os dois lados antes de correr na rua. Eu fiz o mesmo, deixando minhas pernas longas me levar para a calçada. Ele me levou até a parte de trás do restaurante. Passamos por uma sala de jantar formal e banheiros, antes dele nos levar até um grande bar. Eu vi uma porta que dava para um terraço e um pátio ao ar livre, mas é claro que não estava aberto nos meses de inverno.


Jude pegou uma mesa no canto de trás. Peguei o assento em frente a ele, olhando ao redor. — Você nunca esteve aqui? — Ele perguntou. — Não — Eu dei de ombros, correndo o dedo ao longo da mesa laqueada brilhante. — Eu não tenho dinheiro extra para sair para comer em lugares agradáveis como este. — Row... Olhei para cima e me encolhi quando vi a piedade em seu olhar. Eu deveria ter mantido minha boca fechada. Eu não tinha vergonha de ser pobre. Muitas pessoas tinham. Mas eu odiava quando as pessoas olhavam para mim como se eu estivesse perdendo coisas por causa da minha falta de dinheiro. Eu já sabia o que eu estava perdendo e não precisava ver o lembrete em seus olhos. — Só vocês dois? — Uma garçonete apareceu ao lado de nossa mesa, olhando para Jude. Nossa, eu não poderia ir a qualquer lugar com esse cara. Ele tivesse dormido com todo mundo? — Sim, só nós dois — Jude respondeu, recostando-se na cabine com um sorriso fácil. Ela deixou cair os menus em cima da mesa e o plástico fez um som quando ele bateu na mesa. — O que eu posso pegar para beber, então? — Água — Eu respondi. — O mesmo — Jude respondeu, sorrindo para a garçonete.


Ela revirou os olhos e bruscamente em seu calcanhar.

virou-se

— Ela vai cuspir na minha bebida — Eu resmunguei. Jude riu, tirou o gorro e correu os dedos pelos cabelos. — Não, ela não vai incomodá-la. Sou eu que vou estar bebendo sua saliva. — Ew — Eu franzi o nariz. — De qualquer forma — Peguei o menu — O que é bom aqui? — Tudo — Respondeu ele. — Isso é realmente útil, Jude. — Hey, é a verdade — Ele riu, coçando o queixo mal barbeado. Desde que eu estava morrendo de fome e correndo contra o tempo antes que eu tivesse que começar a trabalhar, eu pedi um sanduíche de peru. Jude ordenou o mesmo, mais queijo e batata frita como aperitivo. — Uh... Rowan? — Ele se inclinou para a frente com as duas mãos sobre a mesa, olhando para algo sobre o meu ombro. — Sim? — Eu respondi, inspecionando a minha água para quaisquer substâncias estranhas. — Você tem um namorado? — Deus não, Jude! Você sabe disso! E não, eu não vou namorar você!


— Hey — defesa — Eu interessada em somos amigos. olhando para arrancar minhas

Ele levantou as mãos em sei que você não está mim, é por isso que nós Mas aquele cara ali está mim como se quisesse bolas do meu corpo.

— Obrigada por isso, Jude — Eu gemi. Olhei por cima do ombro para ver quem estava se preparando para um ataque, mas não consegui ver nada, porque a parte superior da cabine bloqueou a minha linha de visão. — Ele saiu? — Eu perguntei. — Não — Jude pegou seu guardanapo e começou a brincar com isso — Ele ainda está olhando. Acho que ele está planejando me matar e tentando descobrir o melhor lugar para esconder o meu corpo para que ninguém me encontre. — Ele estendeu a mão sobre a mesa e pegou a minha. — Se eu não conseguir sair dessa vivo, por favor, diga a minha mãe que eu a amo. — Você tem certeza que não está estudando para ser ator? — Eu puxei minha mão de seu alcance. — Oh, foda-se — Jude empalideceu, sentando-se em linha reta — Ele está vindo para cá. Acho que ele está chateado que eu segurei a sua mão. — Olá, Rowan. — Ambas as palavras foram ditas por entre os dentes, me dizendo que a pessoa que falou estava além de louco. Um arrepio percorreu minha espinha quando eu reconheci a voz.


— Oi, Trenton. tom leve sem estar o meu corpo estar agradáveis pela sua

— Eu tentei manter meu afetado, apesar de todo zumbindo com arrepios proximidade.

— Você conhece esse cara? — Jude me perguntou, sua boca se abrindo em estado de choque, e eu poderia possivelmente imaginar que ele não possuía um pênis. Eu assenti. Não havia nenhuma maneira que eu poderia negá-lo e eu não queria que Trent causasse uma cena. Bem, uma cena ainda maior. — Oh, ela me conhece melhor do que eu tenho certeza que ela conheça você — Trent sorriu, não havia nada agradável em seu sorriso, quando ele deslizou para dentro da cabine ao meu lado. — Quem é você? — Você não tem que dizer nada — Eu avisei Jude, tomando um gole de água. Trent olhou para mim. Jude engoliu em seco, parecendo um cervo diante de faróis. — Sou Jude. — E você está em um encontro com a minha amiga aqui? — Trent inclinou a cabeça para mim. — No-oo — A voz de Jude falhou como um gato assustado. — Estamos apenas pegando algo para comer. — Jude era um cara duro, e eu achei hilário o fato dele estar com medo de Trent. Tenho certeza que a forma como Jude ficou em torno dele, demonstra que ele corre muito de namorados ciumentos, e teve que lutar contra a sua vontade de sair dessa situação


complicada, mas algo sobre Trent tinha ele tremendo em suas botas. — Sim, e eu aposto que você está tentando descobrir como você vai fazer com que ela fique com você, não é? Aposto que ela é apenas mais uma conquista para alguém como você. Conheço o seu tipo. Você está sempre à procura de uma foda fácil. Então, eu sugiro que você procure outro lugar. Meus olhos se arregalaram e meu queixo caiu com as palavras de Trent. Eu soquei o seu braço tão duro quanto eu podia, forçando-o a reconhecer a minha presença. Eu poderia dizer que Jude estava chateado demais, e abriu a boca para dizer alguma coisa para Trent, mas eu não preciso de Jude para lutar minhas batalhas. — Eu não posso acreditar que você acabou de dizer isso para ele — Eu cuspi para Trent, mantendo minha voz baixa, para não perturbar as outras pessoas no restaurante. — Sim, bem — Trent estendeu a mão e passou os dedos nervosamente pelos cabelos, obviamente, envergonhado de seu comportamento — Estou um pouco chateado que você me mantém à distancia, mas sai com esse cara. Você me negou sair para jantar na noite passada, mas aqui está você com ele — E apontou um dedo forte para Jude. — Esse cara — Jude apontou para si mesmo — Tem um nome, e é Jude. JUDE — Eu pareço me importar? — Trent olhou, suas narinas infladas de raiva.


— Eu não estou em um encontro, então pare de ser rude com ele — Disse a Trent. Fiquei tentada a chutá-lo, mas uma vez que ele estava ao meu lado, seria muito difícil. — Então o que você está fazendo? — Trent olhou de mim para Jude. — Por que eu deveria dizer? Você é o único que veio para cá como um cachorro para mijar no seu território — Eu fervi. — Oh, isso é bom — Jude riu. Eu me virei na direção dele para vê-lo empurrando batata frita com queijo na boca. — Por favor, continue. Ignorei Jude e voltei meu olhar para Trent. Eu estava envergonhada por seu comportamento e eu sabia que teria muito o que explicar, porque Jude iria querer saber o que estava acontecendo entre Trent e eu e eu faria o meu melhor para evitar essa conversa pelo maior tempo possível . Eu não quero entrar em detalhes com Jude sobre o meu passado com Trenton. — E você é a única que age como se me odiasse, então eu te beijo, e fica óbvio que você me quer — Trent respondeu, referindo-se à noite em compramos mantimentos. — Você pode continuar negando isso, mas você quer, e enquanto seu corpo continuar reagindo a mim, eu vou continuar voltando. — Você o beijou? — Perguntou Jude, mergulhando três batatas fritas no queijo. Naturalmente, de tudo que foi dito, Jude somente notou a parte em que ele disse que nós nos beijamos. — Ele beijou-me — Eu argumentei, olhando furiosamente para os dois rapazes. — E quase não foi um beijo de verdade. —Tudo o que você precisa dizer a si mesmo para se sentir melhor — Trent sorriu na minha direção. — Posso ter uma


dessas? — Ele perguntou a Jude, apontando para as batatas fritas. — Claro, contanto que você prometa que não vai me matar e me cortar em pedacinhos — Jude encolheu os ombros, deslizando a tigela mais perto de onde Trent e eu estávamos, e eu soube que eles eram melhores amigos para sempre agora, graças ao vínculo mágico de queijo com batatas fritas. — Agora, me fale sobre esse beijo — Jude perguntou, sondando Trent por respostas. — Não há nada para dizer — Eu falei antes que Trent pudesse abrir a boca grande e gorda. — Foi um simples beijo de boa noite — Trent deu de ombros, pegando uma batata frita enquanto ele falava sobre mim. — Você, menina impertinente. Eu não posso acreditar que você não me disse — Jude piscou. — Por que eu iria dizer? — Eu murmurei sob a minha respiração. — Você é um cara. Além disso, não valia a pena falar. — Burn — Jude tossiu, olhando Trent com cautela no caso de ele decidir pular sobre a mesa e estrangulá-lo. — Bem, então — Trenton se virou para mim, um desafio brilhando em seus olhos azuis — Eu acho que eu vou ter que lhe dar alguma coisa para falar, então. — Huh? Como um relâmpago, em um movimento rápido, ele pegou meu rosto entre suas mãos grandes e apertou seus lábios contra os meus. O beijo foi exigente e contundente, mas de alguma


forma ainda apaixonado. Era o tipo de beijo que girava o mundo. Eu encontrei o meu corpo traidor respondendo à sensação de sua língua contra os meus lábios. Eu me sentia insegura e sem saber o que fazer. Eu não tinha estado com ninguém desde Trenton e isso tinha sido há cinco anos, então eu estava claramente fora de forma. Descobri que meu corpo parecia saber o que fazer, porém, apesar da minha falta de conhecimento. Agarrei sua camiseta entre meus dedos, enrolando o tecido em meu punho. Sua língua moveu contra a minha e um suave gemido me escapou. Minha mente tinha ficado completamente em branco e tudo que eu podia fazer era sentir. Meus lábios seguiram os seus em uma dança sensual. Água fria jorrou contra o meu rosto e eu me afastei de Trent. Nós dois enxugamos o rosto e olhamos na direção que a água tinha vindo. Jude sentou-se ali, sorrindo, enxugando as mãos em um guardanapo. — Vocês pareciam que precisavam de um banho frio. Vendo como estamos um longe de chuveiros, no momento — Ele olhou ao redor do restaurante — Eu pensei que isso seria suficiente — Ele apontou para o copo de água. Minhas bochechas inflamaram. Eu não podia acreditar que eu tinha acabado de deixar Trent me beijar como se estivéssemos fazendo um filme pornô no meio de um restaurante. Eu empurrei os ombros de Trent e ele olhou para mim. — O quê? — Saia — Eu o empurrei com mais força.


— Eu não vou embora. — Ele se recusou a ceder e ele não era um cara pequeno, então eu não estava fazendo nenhum progresso com meus esforços para jogá-lo no chão. — Eu preciso ir ao banheiro. Isto o levou a se mover. Assim que eu estava livre, corri para o banheiro. Eu não queria que nenhum deles me visse chateada. Virei à água, espirrando levemente no meu rosto. Contei até dez na minha cabeça, mas isso não fez nada para me acalmar. Trenton era a única pessoa que tinha a capacidade de mexer com as minhas emoções. Normalmente, eu era calma e tranquila. Trenton Wentworth me transformava em uma menina chorosa e fraca. Eu me orgulhava de ser forte e não precisar de ninguém. Mas, quando em torno de Trent, eu me questionava como seria ter alguém. Bem, não alguém. A única pessoa que eu poderia me ver, era Trent. Eu sabia que seria injusto deixar-me estar com ele, mesmo que fosse só por um tempinho. Uma vez, ele me disse que me amava, e eu sabia que nunca poderia devolver aquele sentimento. As únicas pessoas que eu amava eram Tristan e Ivy. Eu sabia que eles nunca me deixariam, mas Trent? Ele iria, eventualmente. Como todos os outros caras, ele se cansaria e passaria para outro brinquedo. Eu não podia me permitir ficar ligada a ele. Oh, quem eu estava enganando? Eu já estava ligada. Eu pertencia a Trenton desde que eu tinha 16 anos de idade. A porta do banheiro se abriu e eu olhei para cima. No espelho, meus olhos se conectaram com Trent. Meu coração disparou em meu peito, batendo duramente contra a minha caixa torácica. Eu não queria, mas eu me importava com ele. Talvez fosse alguma paixão adolescente boba ainda persistente,


ou talvez fosse apenas Trent, mas eu sabia que se continuasse pendurada em volta, eu não seria capaz de ignorar a tentação. Ele era perigoso para mim, como uma droga inebriantemente doce e eu era burra demais para dizer-lhe para sair, não que ele fosse sair de qualquer maneira. Eu estava doente e cansada de lutar contra o meu desejo primordial de possuí-lo. Eu mantive negando a mim mesma que eu o queria, e oh, como eu queria Trent. Durante muito tempo, eu coloquei todos os outros antes de mim, não era tempo de fazer algo que eu queria? Lambi meus lábios, minha respiração ecoando nas paredes de azulejos. Nenhum de nós disse nada. Nós simplesmente nos olhamos, peitos arfando, esperando que o outro desse o primeiro passo. Eu engoli em seco e me forcei a virar e encará-lo. Meus olhos se conectaram com os seus mais uma vez e borboletas passaram a residir no meu estômago. Eu abri minha boca para falar, mas nada saiu. Limpei a garganta e tentei de novo, sabendo que estas palavras poderiam mudar a minha vida. — Eu quero você. Seus olhos brilharam com desejo e ele caminhou em minha direção. Eu encontrei-me encostada no balcão do banheiro. Ele agarrou meus quadris em suas mãos grandes e olhou para mim. — Você não tem ideia de quanto tempo eu estive esperando para ouvi-la dizer isso. Uma mão ficou plantada no meu quadril, enquanto a outra enrolou no meu cabelo, puxando meu rosto para o dele. Seus


lábios estavam contra os meus novamente, pela segunda vez, em questão de minutos. Mas isso não era nada como o beijo que nós tínhamos compartilhado anteriormente. Enquanto aquele tinha sido quente e exigente, enquanto tentava provar um ponto, este era uma fervura lenta, fervendo em minhas veias. Eu embrulhei minhas pernas na cintura dele e de repente fui pressionada contra a parede de azulejos e os meus dedos se enrolaram em torno dos fios sedosos de seu cabelo escuro. Sua língua enroscou com a minha em um dueto sensual. Ele gemeu baixo em sua garganta e o som enviou um arrepio na espinha. Minhas pernas embrulharam apertadas em torno de sua cintura e sua excitação pressionou contra mim. Puta merda. Ele beliscou meus lábios, puxando-o entre os dentes e soltando com um pop. Juro que a minha temperatura subiu dez graus. O suor começou a percorrer toda a minha pele com o calor que estávamos criando. Ele pontilhou beijos no meu pescoço e desceu, trancando seus lábios nos meus. Eu sabia que não estava sendo beijada, estava sendo devorada e eu estaria mentindo se eu dissesse que não estava gostando. Sendo beijada desse jeito me consumia por inteira. Eu não conseguia pensar em nada a não ser a sensação de seus lábios nos meus e seu corpo pressionado contra mim. Ele se afastou, ofegante, e descansou a cabeça contra a curva do meu pescoço. Ele ficou onde estava, segurando-me contra a parede, com as minhas pernas ainda em volta da sua cintura. — Foda-se — Ele respirou.


— Por que você parou? — Eu ofeguei, meus dedos se curvando em seu cabelo. Ele puxou sua cabeça para longe do meu pescoço para olhar para mim. — Eu acho que é bastante óbvio que eu quero você — Ele pressionou seus quadris em mim e eu ofeguei — Mas não aqui e não desse jeito. Você merece mais do que um banheiro público e eu... — Ele engoliu em seco, seus olhos fechando brevemente. — Eu mereço saber que você realmente me quer. Eu não vou ser capaz de lidar com isso se você me disser que me quer e no dia seguinte, voltar a me ignorar. Bateu-me, então, que Trent era realmente um cara muito sensível. O que eu tinha feito para ele e o que eu estava fazendo, o tinha ferido. Mas eu tinha sido muito ferida e meu coração estava quebrado além da possibilidade de reparo. No entanto, eu o queria. Isso era verdade. Eu não acho que eu poderia dar-me a ele por completo. Eu tinha a esperança de que o que eu tinha a oferecer seria o suficiente para nós dois, pelo menos por agora, porque eu sabia que Trent acabaria por encontrar alguém mais adequada para ele do que eu. Além disso, eu nunca seria capaz de deixá-lo saber tudo sobre mim. Eu não poderia dizer-lhe tudo. Era errado da minha parte querer ele apenas pelo tempo que poderíamos ter. Nós dois estaríamos melhor se eu falasse a ele que eu não poderia fazer isso, que eu tinha mentido e não queria ele. Mas eu não podia fazer-me formar essas palavras. Em vez disso — Eu faço. Eu quero isso. Eu quero você — Ele veio de encontro com a minha boca. Um enorme sorriso levantou seus lábios e ele me beijou novamente.


Pavor começou a encher meu estômago. Eu sabia que tinha acabado de assinar a nossa sentença de morte, porque não havia nenhuma maneira de manter meus segredos enterrados, e quando viesse à tona, explodiria como uma bomba. Depois disso, seria o fim de Trent e eu. Sem brincadeira, não precisaria fugir dele, não haveria nenhum beijo, nem nada, porque eu nunca iria vê-lo novamente. Ele se afastaria da minha vida e tudo estaria acabado. Apesar de eu tentar dizer a mim mesma, que eu gostava desses momentos aleatórios com Trent. Vê-lo me faz sentir viva, mesmo estando morta por dentro. Sem esses breves momentos de vivacidade eu me tornaria nada. Eu já era nada, mas eu deixaria de existir por completo. Era tarde demais agora. Eu não poderia ter de volta as minhas palavras. Eu tinha selado o nosso destino e tudo o que eu podia fazer era desfrutar deste passeio emocionante, até que chegasse a um fim explosivo.


Capítulo Seis A porta da biblioteca se fechou atrás de mim. Já era tarde e eu sabia que Tristan e Ivy estavam morrendo de fome. Eu precisava chegar em casa e dar-lhes o jantar. Eu esperava que ambos tivessem o dever de casa feito, então eu não teria que me preocupar com isso. Eu comecei a descer as escadas quando uma sombra escura à minha direita me chamou a atenção. Eu estava começando a ficar com medo quando a pessoa entrou plenamente em minha linha de visão.


— Jesus, Trent! — Eu coloquei a mão no meu coração acelerado. — O que está fazendo se esgueirando por aqui à noite? Ele mordeu o lábio, as mãos enfiadas nos bolsos de seu casaco. Sua respiração formou nuvens de nevoeiro no ar frio. — Me desculpe por aparecer aqui assim... Eu pensei que você gostaria disso — Ele riu, mordendo o lábio inferior gordo como ele me olhou timidamente. — Eu precisava vê-la. — Você me viu no restaurante — Comentei. Eu ainda estava chocada que eu disse a ele que eu o queria. Quando tínhamos voltado para a mesa, ele tinha um sorriso orgulhoso e foi o mais feliz que eu já tinha visto em muito tempo. Eu ainda não tinha certeza se era a melhor idéia explorar tudo o que existia entre nós. Sentia que os dois acabam feridos no final. — Eu precisava vê-la novamente — Repetiu ele, respirando fundo com os olhos brevemente fechado. — Você está bem? — Eu questionei, meu olhar deslizou cuidadosamente pelo seu corpo para me certificar de que ele não estivesse prejudicado. — Aconteceu alguma coisa? — Tudo está bem — Ele me assegurou. — Eu precisava... Eu precisava te ver antes de ir para a cama. Eu tenho que ter certeza que você está bem com isso... O que quer que isso seja — Ele passou os dedos pelo cabelo. — Eu não vou ser capaz de lidar com isso, se eu acordar amanhã e você voltar a fingir que eu não existo. Esperei cinco anos para tê-la de novo. Eu não posso... — Ele parou, rangendo os dentes como se ele não tivesse certeza se ele queria continuar com o que ele tinha a dizer. — Eu não posso lidar com isso, se tudo que você está fazendo é brincar comigo.


— Trenton... Eu... Não tenho a pretensão de saber tudo e eu certamente não tenho ideia de onde isso vai dar — Engoli em seco — Mas eu sou sua. Seus olhos azuis brilharam com as minhas palavras. Eu não acho que ele entendia o quanto ele me possuía. Mesmo com 16 anos de idade ele tinha me arruinado para qualquer outra pessoa. Ele era tudo o que eu sabia e tudo que eu queria. Ninguém mais poderia comparar. Eu tinha passado por muita coisa ao longo dos anos, e mesmo assim eu sabia que eu não era digna do seu amor. Eu nunca poderia dizer as palavras de volta para ele. Eu não sabia o que era amar alguém que não era da família. De qualquer maneira, isso não impediu a minha atração. Embora, muitas vezes eu queria impedir. Mesmo após a noite na tenda, quando eu comecei a ignorá-lo, cada vez que eu o via, eu era atacada por um grande caso de borboletas. Ao longo dos anos esse sentimento nunca foi embora. Trenton era o único homem capaz de me seduzir. Ele era como uma droga inebriante que eu não poderia obter o suficiente. Eu tentei ficar longe dele, porque ele não pode saber, o quanto eu era ruim para ele, mas como qualquer viciado, eu só poderia ficar longe por um tempo. Eu queria algo bom. E o que eu queria era Trent. Ele, obviamente, me queria muito, então por que negar-me mais? Acabaria, eu sabia disso, mas pelo menos eu teria experimentado o que era realmente estar com Trent e eu seria capaz de olhar para trás , para essas lembranças, com carinho. — Diga isso de novo — Ele respirou, chegando a correr o polegar sobre meu lábio inferior.


— Eu sou sua — Eu sussurrei. — Agora e para sempre. Estou farta de correr. Estou cansada de lutar contra o que eu sinto — Falei com paixão. — Eu estou fazendo isso por mim. — E o que é isso que estamos fazendo? — Trent Pergunta com voz rouca, inclinando-se tão perto de mim que se eu me mexesse um centímetro, meus lábios colariam nos dele. — O que nós somos? — Eu não sei — Eu respondi honestamente — Porque é que precisamos de uma definição? Por que não podemos apenas ser... Nós? — Só nós — Ele meditou. — Eu gosto do som disso — Ele sorriu torto. Eu gostei do som também, quase demais, mas eu não estava dizendo isso a ele. — Por mais que eu goste de ficar aqui e conversar, eu realmente tenho que ir — Eu disse a ele, já indo embora. Ele foi rápido em me alcançar, juntando seus passos com o meu. — Podemos andar e falar — O que você quer falar? — Eu ajustei a alça da minha bolsa no meu ombro. — Que tal descobrir onde estamos indo no nosso primeiro encontro oficial? — Ele sugeriu movimentando-se na minha frente e virando o rosto para mim enquanto ele andava para trás.


— Surpreenda-me — Eu revirei os olhos quando ele começou a equilibrar na beira da calçada. — Hmm — Ele fez uma pequena volta, voltando para o meu lado e jogando um braço sobre os meus ombros — Eu faço surpresas de amor. O que você quer que eu faça? — Nada muito louco, por favor? — Eu implorei. — E não me arraste para outro estado. Eu tenho que estar em casa. — Eu acho que posso chegar a algo nesses parâmetros — Ele riu pegando a minha mão. Eu derrapei para fora do caminho e fingi estar mexendo com o meu cabelo. Trenton levantou uma sobrancelha, intrigado. — Você não quer segurar minha mão — Afirmou. Eu engoli em seco e assenti. Não havia sentido em negar. Acho algo estranhamente íntimo em segurar a mão de uma pessoa, você se conecta, entrelaça... E isso me assusta. — Por quê? — Ele questionou. — Eu não sei — Eu menti, continuando em frente. O estacionamento estava à vista e eu pude fazer a minha fuga desta conversa desconfortável — Eu só não faço. — Oookay — Trent tirou a palavra, suas pernas indo rapidamente de volta para o meu lado — Nada de mãos dadas. Eu ainda estou autorizado a beijá-la, certo?


— Desde quando você pede permissão? — Eu suspirei, parando ao lado do meu carro. —

Bom

ponto

Ele

sussurrou

asperamente, dando um passo tão perto de mim que nossos corpos se alinharam. Ele segurou a minha nuca em uma de suas grandes mãos e puxou meu rosto para o dele. — Este sou eu, não pedindo permissão. Meus olhos fecharam no primeiro toque de seus lábios macios. Meu corpo se derreteu contra ele e agarrei seus braços para apoio. Eu sempre me orgulhei de ter pouca ou nenhuma reação às coisas que me cercam, estava fechada e orgulhosa, mas Trent conseguiu me fazer sentir. Ele destruiu as paredes de concreto que eu tinha construído em volta de mim. Ele nunca conseguiria meu coração, que estava muito bem guardado, mas eu sabia que ele ia tentar. Obriguei-me a parar de pensar tanto e desfrutar da sensação de estar em seus braços. Ele me apoiou contra o carro, elevando-se acima de mim. Eu não era baixa, mas nos braços de Trenton eu me senti pequena e delicada. Seus braços fortes em volta de mim me protegiam do vento frio. Eu o beijei de volta com fervor. Se eu estava fazendo isso, o que quer que isso fosse com certeza eu estava indo para me divertir.


Minha pele começou a se aquecer e eu me forcei a me afastar. Ele descansou sua testa

contra

a

minha

e

nós

dois

respirávamos como se tivéssemos corrido uma maratona. — Eu realmente tenho que ir — Eu disse a ele relutantemente. Por um momento, enquanto ele estava me beijando, eu tinha esquecido tudo o que eu era. Eu tinha deixado de ser Rowan Sinclair. Eu não tenho todas essas cordas me amarrando para baixo. No momento em que seus lábios se levantaram dos meus, porém, a realidade caiu de volta. Eu não era uma garota normal. Eu não podia sair com os amigos e passar tempo com o meu namorado, se você poderia até chamar Trent de meu namorado. Eu tenho filhos que dependem de mim e um futuro em que pensar. Eu odiava. Eu não queria nada mais do que ficar aqui em seus braços nessa bolha quente que ele tinha criado, mas eu não podia. — Ainda não — Ele respirou — Por favor, não ainda. — Eu tenho que ir — Eu olhei para seu rosto bonito. Ele balançou a cabeça e deu um passo para trás. — Quais são os seus planos para amanhã? — Uh... — Fiz uma pausa, pensando. As crianças estavam em casa depois da escola e eu tinha que trabalhar à noite, então eu tinha planejado passar um tempo com eles. — Estou ocupada. — E o dia seguinte?


— Será ação de graças — Eu suspirei. Esta coisa entre nós, ia ser impossível. Eu podia ver isso, e ainda assim eu não estava saindo, ou dizendo-lhe que não ia dar certo. Claramente, havia algo de errado comigo. Acho que eu estava me tornando uma masoquista. — Sexta-feira, então? Mordi o lábio, pensando sobre isso. Eu não tinha qualquer coisa que eu tivesse que fazer, mas eu teria que encontrar alguém para cuidar das crianças. Eu não estava deixando-os à sós com minha mãe bêbada. — Sexta deve funcionar — Eu balancei a cabeça. Trent se iluminou. — Eu acho que é melhor vir com algo para impressionar você, então. — Eu não preciso ser impressionada — Eu balancei minha cabeça. — Sim — Ele segurou meu rosto — Você precisa. — Ele lentamente se afastou de mim, seus olhos nunca deixando os meus. — Sexta-feira. — Afirmou. — Nem pense em fugir de mim. Eu vou te caçar, se você fizer — Ele piscou, sorrindo em tom de brincadeira. — Eu não tenho dúvidas de suas habilidades de caçador — Eu disse para ele depois que eu abri a porta do carro. Eu deslizei para dentro e agarrei o volante. Eu não me afastei. Eu sentei lá


pensando. Senti uma.... Vibração pelo meu corpo. Era uma sensação que eu não sentia desde... Bem, desde a noite que Trent e eu estávamos juntos na tenda. Flocos de neve começaram a cair no para-brisa e eu sabia que não podia mais ficar aqui. Eu tinha que voltar para casa... De volta à realidade.

— Row! Posso ter isso? — Tristan apontou entusiasmado para uma barra de chocolate Hershey, enquanto estávamos na fila do caixa no supermercado. Desde que eu tinha esquecido do feriado de Ação de Graças, eu não tinha pego qualquer coisa para fazer uma refeição enquanto eu estava aqui com Trent. Fazer compras com Ivy e Tristan era exaustivo. Eles queriam tudo. — Tristan, você sabe qual é a resposta, então por que você continua perguntando? O menino franziu a testa, abaixando a cabeça. Eu odiava ser sempre "o cara mau" dizendo que não, mas eu sabia que não podia pagar mimos especiais. Caramba, eu teria amado um pouco de bolinho de arroz Krispie Treats, mas era um luxo, que nós não poderíamos ter. Olhar para o rosto triste de Tristan, quando ele não disse nada, ameaçou quebrar a minha decisão, mas eu me mantive forte. Eu precisava guardar tanto dinheiro quanto podia, porque eu esperava que em um ano


eu pudesse lutar pela custódia das crianças. Eu precisava mostrar ao tribunal que eu era responsável. Fizemos o check-out e fomos para o carro. O ar frio atravessou o tecido do meu casaco. Se este tempo mantivesse dessa forma, teríamos um inverno excepcionalmente rigoroso. — Nós temos que ir para casa? — Ivy reclamou da parte de trás do carro. Eu fiz uma careta. Rapaz, eu sabia o sentimento de não querer estar em casa. Não importa o quão duro eu tentei fazer parecer um lugar confortável, as crianças ainda não queriam estar lá. Quando minha mãe e meu padrasto estavam em casa, eu sentia um arrepio gelado, como se eles nos quisessem fora do seu caminho. — Uh... — Eu ponderei. Estava frio, então eu não podia levá-los ao parque infantil e não havia muito mais o que fazer. — Você quer ir para a biblioteca e pegar alguns livros novos? Vai estar quente e Maria deve estar lá. — Sim! — Ivy sorriu largamente em emoção. — Será que ela vai ter os cookies? Maria sempre fez os melhores biscoitos e muitas vezes trazia para o trabalho para que todos nós pudéssemos ter um pouco. Os "cookies" Tristan exclamou, pulando para cima e para baixo em seu assento de carro.


— Eu quero biscoitos! — Não fiquem muito animados — Eu avisei — Ela pode não ter nenhum. — Espero que ela tenha — Ivy lambeu os lábios — Eu amo cookies. — Eu também! — Tristan reforçou. Eu balancei minha cabeça e saí do estacionamento em direção à biblioteca. Eu não estava preocupada com as compras já que eu não tinha nada que iria derreter... Não que isso aconteceria com o frio que estava fazendo. Estacionei e ajudei Tristan sair de seu assento. Ivy saltou animadamente sobre seus pés. Quando ela estava hiperativa como hoje, eu não tinha certeza se ela precisava de mais algum cookie. — Temos que dar as mãos quando atravessar a rua — Eu avisei os dois. Tristan já estava na idade em que ele não queria segurar minha mão, mas eu não estava prestes a deixá-los sair correndo pela rua. Atravessamos a rua e subimos os degraus. No interior, Tristan olhou em volta com admiração. — Estamos em um muzum? Eu ri. — Eu acho que você quer dizer um museu — Eu baguncei seu cabelo cor de areia — E não, esta é a biblioteca. — Oh. Eu sabia que era — Ele sorriu para mim. "Eu esqueci."


— Já passou um longo tempo desde que você esteve aqui — Eu me abaixei, ajudando-o a tirar seu casaco volumoso que Trent tinha escolhido. Eu envolvi o casaco por cima do meu braço e levantei-me em linha reta. — Vamos lá, vamos encontrar Maria e depois vamos para a seção de crianças. — Cookies? — Os olhos de Tristan brilharam, sua pequena mão soltando das minhas. — Talvez — Eu dei de ombros. Ivy já estava no balcão de informações, perseguindo Maria. — Ivy" Eu repreendi — Maneiras. — Desculpe, Sra. Maria — Ela deu um passo atrás do balcão — Mas você tem alguns cookies? Eu realmente gostaria de um — Eu olhei para ela e ela acrescentou: — Por favor. Maria se inclinou sobre o balcão, fingindo pensar. — Eu poderia ter alguns biscoitos por aqui. — Ela se abaixou atrás do balcão e remexeu. — Aha! — Ela colocou uma grande lata de metal em cima do balcão. — Aqui estão os cookies, que são de manteiga de amendoim. — Eu amo manteiga de amendoim! — Exclamou Tristan. — Shh — Eu abafei ele. — Estamos em uma biblioteca que significa que você tem que ser muito tranquilo — Eu sussurrei. — Oops — Tristan olhou em volta. — Decupa. — É, desculpa — Eu corrigi. — Use o S e o L. — Desculpa? — Ele inclinou a cabeça. — Eu disse certo né?


— Sim, você disse. — Isso significa que eu posso ter um cookie agora? — Ele questionou. — Sim, você pode ter um biscoito — Eu sorri para ele. — Yay! — Ele disse em um sussurro, agitando os braços em emoção. — Obrigada — Eu disse a Maria. — Você é bem-vinda — Ela colocou a tampa de volta na lata depois que cada criança tinha dois biscoitos em suas mãos. Sussurrando, ela disse: — Pegue esta lata para você. Eu fiz muitas formas e não preciso de todas. — Eu não posso levar os seus cookies — Eu balancei minha cabeça. — Ação de graças é amanhã, querida, minha casa vai estar cheia de doces. Eu não preciso deles. — Bem, obrigada. — Você sabe que é bem-vinda para trazer as crianças e vir para a minha casa no dia de Ação de Graças — Ela ofereceu. Maria era uma das pessoas mais legais que eu já conheci e ela sempre quis ajudar. — Obrigada pela oferta, Maria, mas eu vou fazer o jantar para eles. Ela sorriu, olhando para as crianças que estavam sentadas em uma das mesas mastigando seus cookies.


— O que você faz para eles... É notável, Rowan. — Dificilmente — Eu dei de ombros, sacudindo seu comentário. — Não, realmente é — Ela continuou. — A maioria das pessoas da sua idade... Elas teriam abandonado eles, dizendo que eles têm os pais para cuidar deles, mas não você. Você ficou. — Eu tenho minhas razões — Eu murmurei, olhando para o espaço. —

Independentemente

Ela

acenou

com

a

mão,

desfazendo da minha declaração — Eu estou orgulhosa de você. Eu olhei para ela com surpresa. Orgulhosa de mim? Ninguém jamais me disse que estavam orgulhosos de mim antes. Eu sempre era chamada de inútil, e uma dor na bunda. Nunca fui chamada de coisas agradáveis, e, infelizmente, eu estava acostumada a isso. A bondade não era algo que eu tinha experimentado muitas vezes, e quando eu fiz eu me agarrei a ela com dedos fortes. Deixei as palavras dela me aquecer por inteiro. Eu não sabia que poderia me sentir tão bem em ouvir alguém dizer que estavam orgulhosos de mim. Parece uma coisa tão simples de se dizer, mas tem um efeito tão profundo. — Eu... obrigada — Eu finalmente disse. — Por quê? — Ela inclinou a cabeça. — Nada — Eu murmurei. Eu não poderia explicar a Maria o quanto suas palavras tinha significado para mim.


Sentei-me à mesa com Ivy e Tristan ao terminarem

seus

cookies.

Limpei

suas

migalhas e os levei a seção infantil. — Há tantos livros, Row — Tristan olhou com admiração. — Não são tantos livros — eu corrigi. — Como você espera que eu escolha apenas um? — Ele franziu a testa. — Eu quero todos eles — Ele colocou as mãos nos quadris pequenos. — Bem — Eu me abaixei, mantendo um olho em Ivy — Você pega um agora, lemos, e então trazemos de volta e você começa a escolher outro. Seu lábio inferior se projetava. — Posso ter dois? Por favor? — Sim, você pode ter dois. — Ele tinha sido relativamente fácil ao ter sido negado uma barra de chocolate, mas um livro? De jeito nenhum eu diria ao garoto que ele não podia ter dois livros. — Yay! Eu te amo, irmã — Ele passou os braços minúsculos em volta do meu pescoço. Apertei-o com força, sentindo o perfume do seu xampu. Eu desejei que ele pudesse ficar para sempre neste mundo infantil, separado de todo o mal. — Você é a melhor das melhores irmãs mais velhas — Ele beijou minha bochecha.


Vamos

escolher

seus

livros.

A

biblioteca está fechando mais cedo — Eu disse a ele, puxando sua camisa para baixo para cobrir seu estômago. Deixei as crianças pegarem cada uma dois livros e os coloquei na área das crianças para um tempo de leitura.

Sentei-me

contra

uma

prateleira

com

as

pernas

levantadas. Eu abracei meus joelhos. Eu os assisti brincar, ler e falar sobre os seus livros, com o meu coração cheio de orgulho. Eu não entendia como alguém como a minha mãe poderia ter uma criança e não se preocupar com eles. Eu sabia que havia muitos outros pais exatamente como minha mãe, e meu coração se partia por elas. Uma criança merece ser amada, e sem esse amor, elas vão murchar, eu acho que é o que aconteceu comigo. Sem o amor de minha mãe ou qualquer outra figura paternal, eu tinha deixado de desenvolver alguns sentimentos fundamentais. Eu estava fechada e sem emoção. Eu sabia, e ainda assim eu não podia fazer nada para mudar. Talvez um dia eu pudesse aprender a sentir, mas eu não vejo isso acontecendo tão cedo. Eu vi o relógio, dando Tristan e Ivy um aviso de cinco minutos para sair. Não estavam prontos para voltar para casa. Assim como eu, eles encontraram consolo na biblioteca pacífica. — Tudo bem, pessoal — Eu estava de pé, espanando fiapos de meu jeans — Nós temos que ir. Nem deu muito protesto, mas eles franziram a testa, a cabeça ligeiramente inclinada.


Eu deixei-os entregar seus livros a Maria

para

que

ela

registrasse

seu

empréstimo. Ela entregou-os de volta e me entregou a lata de biscoitos, para que eu não esquecesse. — Tenha um bom dia de ação de graças — Ela sorriu agradavelmente — E minha oferta ainda está em aberto, se você quiser vir para a minha casa... — Obrigada — Eu disse a ela pegando a mão de Tristan. — Nós vamos ficar bem apesar de tudo. Nós fomos direto para casa e eu me arrepiei quando vi o caminhão do meu padrasto estacionado na calçada. A última coisa que eu precisava era de lidar com ele. As crianças me ajudaram a transportar as compras para dentro. Quando passei, Jim disparou sua mão passando ao lado da minha bunda. Eu me encolhi e bile subiu na minha garganta. Eu queria que ele saisse da minha vida, ele e minha mãe. Eu queria apagar tudo de ruim. — Você foi ao supermercado? — Ele perguntou, cuspindo em uma lata e coçando a barriga de cerveja. Mordi minha língua para não corrigir a sua gramática. — Obviamente — Eu disse ao invés disso, meu tom curto e frio. Ele inclinou a cabeça, as sobrancelhas peludas franzindo.


— Não seja insolente — Alertou. — Você sabe como me sinto sobre isso — Disse ele em seu forte sotaque sulista arrastado. Eu acho que Jim era de Alabama. Eu realmente não sei, e, francamente, não me importo. Eu não disse nada, indo para a cozinha e colocando as compras sobre o balcão. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Respirei fundo e sai, tentando me acalmar. Eu senti como se estivesse sufocando sob o stress de ficar presa em casa. Eu queria sair. Eu queria quebrar as paredes e fugir para nunca mais voltar. Mas isso não era tão fácil, nada nunca foi. Eu não parava de tentar fugir. Meus olhos pousaram em Tristan e Ivy. Eles mereciam mais do que esta casa de merda e vida. Eles mereciam ter brinquedos como as outras crianças, e barras de chocolate, mas o mais importante que eles mereciam, era um futuro que a minha mãe nunca poderia lhes dar. Eu não quero que eles tenham que trabalhar tão duro quanto eu. Eu queria que eles tivessem a chance de serem crianças e adolescentes normais. —

Row?

Eu

balancei

a

cabeça limpa dos

meus

pensamentos e olhei para baixo para ver Tristan puxando meu suéter. — O quê? — Perguntei. — Você fez isso de novo — Ele sussurrou, como se estivesse me contando um segredo.


— Fiz o que? — Eu perguntei intrigado. — Você me deixou... — Ele encolheu os ombros pequenos. — Às vezes você sai, e eu tenho medo que você não vai voltar. — Mas eu não quero sair — Eu abaixei, passando os braços ao redor dele — Eu nunca deixaria você, Tristan. — Ele está falando sobre quando você se fecha em pensamentos — Ivy explicou, tirando uma caixa de dentro de um dos sacos plásticos. — Você faz muito isso — Tristan assentiu. — Eu não gosto disto. — Sinto muito. Eu não sabia que eu estava fazendo isso — segurei seu pequeno rosto entre as minhas mãos, olhando em seus olhos azuis. — Eu vou tentar não fazer isso de novo — Eu assegurei a ele com um leve beijo na ponta do nariz. — Pare de mimar o menino — Disse Jim alto ao entrar na cozinha. — Se você quer que ele cresça e se torne um homem você tem que tratá-lo como um. — Ele enfiou a mão na geladeira pegando uma cerveja. Ele tomou vários goles longos e soltou um arroto desagradável. — Eu não preciso de seus conselhos — Eu atirei. — Eu certamente não quero que ele seja como você. Os olhos de Jim brilharam com raiva. — Eu posso não ser o pai do menino, mas tratar ele como a porra de uma princesa de contos de fada não ajuda ele. Mordi minha língua para não dizer nada mais. Eu sabia que se eu abrisse minha boca, só serviria para me causar problemas mais tarde. Com a cerveja na mão, Jim voltou para a sala e para sua amada cadeira. Minha mãe já estava desmaiada no sofá. Um dia desses ela não estaria acordando, eu tinha certeza disso, e eu não me importava. Eu não sei o que pensar sobre mim. Com a ajuda de Ivy eu guardei todos os mantimentos.


— Posso ajudá-la a fazer o jantar amanhã? — Ela perguntou, timidamente olhando para o chão. — É claro — Eu disse alegremente — Eu adoraria sua ajuda. — Posso ajudar também? — Tristan pediu. — Sim — eu levemente cocei sua barriga, fazendo-o rir. — Eu gosto quando vocês me ajudam. Vocês são os melhores ajudantes que eu conheço. — Somos? — Tristan perguntou com seus olhos redondos e brilhantes. Eu balancei a cabeça. — Os melhores. Seus pequenos lábios viraram para baixo em uma careta. — Não deveríamos ter uma etiqueta? Meu professor sempre me dá um adesivo quando eu sou um bom ajudante. Isso me fez rir. — Desculpe, eu não dou adesivo, mas eu dou beijos. — Agarrei-o antes que ele pudesse fugir e bati meus lábios contra sua bochecha. — Eca, Row! Você deixou batom em mim! — Ele tentou limpar a marca rosa que deixei em seu rosto redondo e gordinho. — Fica bem em você — Brinquei.


— É nojento. — Ele me mandou o olhar mais malvado que conseguiu reunir, que não era muito. Eu não acho que Tristan tinha um osso maldoso em seu corpo. — Tudo bem então, eu vou limpá-lo — Levantei-me e levei-o até a pia. Molhei um pano de prato e limpei o batom de sua bochecha. — Saiu tudo. — Eu quero que você se cale! — Jim gritou. — Eu não consigo ouvir a maldita TV! Tristan olhou para mim com os olhos arregalados. — Ele disse uma palavra ruim. Ele tem que lavar a boca com sabão — Ele sussurrou. Eu não poderia deixar de abrir um sorriso. — Desde que Jim está irritado, por que não vamos fazer algo no seu quarto — Sugeri. — Eu posso jogar um jogo com vocês — Eu olhei para Ivy, para que ela soubesse que eu não estava falando só com Tristan. — Podemos construir um forte? — Perguntou Tristan animadamente. — Eu amo fortes! — Nós podemos construir um forte — Eu respondi, sorrindo por sua alegria. As crianças pequenas, eu tinha aprendido, não precisavam de muito para serem felizes. Alguns pais achavam que eles iriam ser felizes com um novo brinquedo brilhante. Isso não era verdade. Tudo o que uma criança quer é alguém que os ame, brinque com eles, que os faça sentirem-se especiais. Eu sabia disso, assistindo TV com Ivy e Tristan. Eu também aprendi com a minha própria experiência. Quando criança, tudo o que eu queria era que minha mãe me notasse, para deixar de ser apenas um incômodo. Entretanto, isso nunca aconteceu. Eu estava sempre no seu caminho. Isso é o que me fez determinada


a fazer da infância de Tristan e Ivy, melhor que a minha. Eu não quero que eles não se sintam amados. Eu queria que eles soubessem que eram especiais, porque era verdade. Toda criança é especial. Um presente. Tristan estendeu sua pequena mão e me levou para o quarto que dividia com Ivy. Passei horas fazendo fortes e brincando com dinossauros. Eu entendi o apelo para a construção de um forte. Você pode fingir que você vive em um mundo diferente, um mundo onde nada poderia tocá-lo, não existe bandido. Os cobertores serviam como um casulo, protegendo-o de todo o mal. Mas você não se mantem escondida para sempre, eventualmente, os bandidos vão encontrá-lo. Eles sempre fazem. — Este jantar parece saboroso — Jim deu um tapinha no estômago redondo quando eu me inclinei para colocar o peru na mesa. Conforme eu me levantei seus dedos roçaram os meus seios. Estremeci em resposta, repulsa agarrado a mim como tentáculos de uma videira. Comecei a contar na minha cabeça para que eu não fizesse ou disse algo que iria me meter em encrenca. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Depois que os números passaram pela minha cabeça, eu me senti mais calma e centrada. Desde que tínhamos uma mesa de jogo como mesa de jantar, eu escolhi ficar em pé encostada no balcão depois que ajudei Ivy e Tristan com o jantar deles. Além disso, eu não queria estar perto de Jim, ou... A minha mãe. Fiquei surpresa


que ela estava, na verdade, alguma coisa e não desmaiada.

comendo

Todos nós comemos em silêncio. Nós não temos nada para falar, então não havia nenhum ponto em conversar fiado. Mesmo Ivy e Tristan não disseram nada. O garfo da minha mãe caiu no chão. — Foda-se! — Ela exclamou, seu rosto ficando vermelho de raiva. Ela sempre ficou tão irritada com as coisas mais estúpidas. — Rowan! Pegue isso! Eu suspirei, me abaixando para pegar. Eu queria dizer a ela para pegar ela mesma, mas eu preferi evitar uma discussão. Coloquei-me nas minhas mãos e joelhos, rastejando por baixo da mesa para recuperar o garfo que estava no chão bem ao lado do seu pé. Peguei o garfo e comecei a recuar. Meus movimentos foram momentaneamente interrompidos quando a mão de Jim pousou firmemente na minha bunda, apertando. Oh, o inferno não. Fiquei tentada a furar o pé descalço com o garfo que estava na minha mão. — Ew! Jim tem a mão na bunda da Row! — Exclamou Tristan. Eu rapidamente deslizei todo o caminho fora da mesa, levantando-me me pé, jogando o garfo sujo na pia e pegando um novo para a minha mãe. Ela pegou-o da minha mão com tanta rapidez que os dentes arranharam minha pele. — Você putinha — Ela fervia — Sempre seduzindo os homens, mesmo o meu marido. — Seus olhos castanhos cheios de ódio. É claro que ela considera Jim tocar minha bunda minha culpa, em vez de ver que o cara era um babaca. Seu raciocínio


era tão deturpado. Eu preferia quando ela estava bêbada demais para causar problemas. Ela era ridícula. Eu sabia que não devia dizer nada. Isso serviria apenas para irritá-la, e eu não tinha vontade de ouvir os seus comentários de ódio de mim. Se ela ficasse muito brava, seus punhos iriam começar a voar, e eu não queria que as crianças vissem isso. Ela nunca bateu em Ivy ou Tristan, só em mim, ocasionalmente. Se ela pusesse a mão em uma daquelas crianças... Eu não sei o que eu poderia fazer. Fosse o que fosse, provavelmente iria levar minha bunda direto para cadeia. — Eu não sei por que diabos você ainda mora aqui? — Ela continuou, tirando um cigarro e acendendo-o. Ela deu uma longa tragada e continuou: — Você não tem dezoito agora? Eu não deveria ter que sustentar a sua bunda. A raiva ferveu em minhas veias com o comentário, e eu não poderia ficar de boca fechada. — Para começar, eu tenho vinte e um anos, e mãe — Eu disse em um tom condescendente — Você não sustenta a minha 'bunda' há um longo tempo. Você não trabalha, e mal consegue dinheiro suficiente para comprar um pão. Então, de quem é o dinheiro que mantém esse teto sobre sua cabeça? — Eu olhei para ela, o ódio pela mulher que me deu a luz cresceu dentro de mim. — Eu — Apontei para o meu peito — Eu pago por isso. Tudo para que você possa explodir de tanto beber e fumar. Portanto, não pregue sobre valores para mim e, certamente, não me chame de uma prostituta. — Eu deixei escapar um suspiro longo. Ela negou com raiva, o cabelo loiro pegajoso caindo em seus olhos. Parecia que ela não o lavava em uma semana, o que


provavelmente era o caso. Eu sabia que não deveria ter jorrado tudo para fora do jeito que eu tinha. Isso não ia ser bonito. Ela soltou um grito estrondoso e bateu seu prato no chão. O vidro quebrou e a comida espirrou contra as paredes. — Não fale assim comigo! — Ela gritou. — Não se esqueça de tudo que eu fiz por você! Eu engoli em seco, raiva crescendo dentro de mim. — O que você fez para mim? — Eu gritei de volta. Eu odiava que as crianças estivessem vendo isso, mas eu não conseguia manter-me quieta por mais tempo. Eu tinha recuado para as sombras, sem nunca dizer nada, por toda a minha vida e, finalmente, algo dentro de mim tinha estourado. — O que você fez para mim é arruinar a minha vida! Você tirou tudo de mim! — Você não passa de uma puta ingrata — Ela cuspiu, empurrando a mesa. Ela tombou e comida caiu por toda parte. Ivy e Tristan começaram a chorar. Eu não podia fazer nada para confortá-los neste momento. Minha mãe caminhou em minha direção, com a mão levantada para me bater. Ela não fez embora. — Graças a mim você tem uma vida. Eu balancei minha cabeça. — Você está errada. A vida que eu tinha, graças a você, foi destruída há muito tempo. — Minha voz não estava com raiva... Estava, principalmente, derrotada. — Você me odeia, não é, Rowan? — Ela olhou para mim, eu era pelo menos uma cabeça mais alta do que ela.


— Acho que eu te amei uma vez, como todas as crianças amam seus pais, mas eu perdi o respeito por você há muito tempo. E depois de tudo o que você disse e fez para mim... — Fiz uma pausa, levantando os ombros em um pequeno encolher de ombros — Eu acho que eu odeio você. Como eu não poderia? Seus lábios se contraíram em um sorriso. Um sorriso maldito. Deus, ela era estranha. — Pelo menos você admite. — Eu sou o que sou. Eu sinto o que eu sinto. Não há nenhum sentido em negar isso — Afirmei. — Você realmente é a minha filha. — Seus lábios se espalharam em um largo sorriso, revelando seus dentes podres. Ouvir a palavra filha sair de sua boca, me causou repulsa. Eu não pertencia a ela, e eu não gostava dela me reivindicando — Eu não sou nada igual a você. Algo sobre essas palavras a fez piscar os olhos. Sua mão disparou, batendo fortemente contra a minha bochecha, girando minha cabeça para o lado. Eu levantei a mão apertando a minha bochecha ardendo. Tristan e Ivy gritaram mais alto. — Tente fazer isso de novo — Eu avisei com os dentes cerrados — E você não vai gostar do que vai acontecer. Eu disse, — Eu levo as crianças, vamos embora e você vai perder tudo isso — Eu abri meus braços para abranger a casa. — Não me empurre, mãe.


Suas narinas abriram e seus olhos cerraram. Ela sabia que sem mim ela não tinha nada. O que ela não sabia era que eu não estava nem perto de estar pronta para sair. Esse lugar era um lixo e o aluguel era alto. Eu não podia pagar um bom lugar ainda e eu sabia que legalmente eu não podia levar as crianças. Eu acabaria presa por tentativa de sequestro. Mas ela era burra e não sabia disso. Por agora, as ameaças eram a minha única arma real e eu planejava usá-las para minha vantagem. Finalmente, ela virou-se bruscamente em seus calcanhares e saiu da cozinha. A porta da frente bateu fechada atrás dela. — Foda-se — Jim gemeu, puxando o pouco cabelo que lhe restava. — Ronda — Ele pulou, correndo atrás de minha mãe. Eu não sabia que ele podia se mover tão rápido. Imaginei que ele sabia que precisava fazer o controle de danos por ter apalpado minha bunda. Eu suspirei, olhei para a bagunça de alimentos cobrindo o chão, as paredes, e as crianças. Isso não ia ser divertido para limpar. Abaixei-me no chão para iniciar o processo de limpeza, mas não fui muito longe. Tristan se lançou em meus braços e envolveu meu pescoço. — Você e mamãe lutaram. Eu não gosto quando você luta. Ela disse palavrões. Eu não gosto de palavrões — Ele olhou para mim com grandes olhos azuis inocentes. — Ela bateu em você. Ela não é legal. Eu não gosto dela. Por que ela tem que ser a minha mamãe? Por que você não pode ser minha mãe? — Meus olhos se fecharam em suas palavras, o meu aperto na garganta. Sua pequena mão suavemente esfregou minha bochecha dolorida. — Fique quieta, vou beijar para ficar melhor.


Meu estômago se apertou dolorosamente com as palavras de Tristan. Eu o segurei em meus braços enquanto seus låbios macios tocavam minha bochecha tentando tirar a minha dor. Se seus beijinhos doces pudessem fazer tudo melhor, o mundo certamente seria um lugar muito diferente.


Capítulo Sete Hey. Eu olhei para a mensagem de texto piscando na tela do meu telefone. Era de um número que eu não conhecia e eu não tinha certeza se eu deveria responder ou não. É Trent. O texto veio um minuto depois da primeira. Como você conseguiu meu numero? Digitei de volta. Eu sabia que não tinha dado a ele, e eu estava curiosa para saber quem tinha. Corri para o meu novo melhor amigo, Jude. Cara legal. Ainda bem que eu não tive que lutar com ele por você. Mas eu teria se precisasse. Revirei os olhos; um pouco chateada que Jude tinha dado a Trent meu número. Não era infração a algum tipo de código de amigo ou algo assim? Quero dizer, eu tinha sido abordada por mais de uma das conquistas de Jude me pedindo seu celular e eu nunca dei. Eu era boa assim. Aparentemente, Jude não retornou o mesmo favor.


Não seja machista. Digitei de volta . Você passou por todo este problema para obter o meu numero, então o que vc quer? Meu telefone começou a zumbir na minha mão e eu levantei-o ao meu ouvido. — Eu me sinto ridículo em digitar no teclado por muito tempo. Ele muda tudo o que eu escrevo, então eu tenho que checar isso antes de clicar em Enviar, porque eu não digo pênis quando eu quero dizer canetas — Ele divagava sem fôlego — Você escreve muitos textos sobre canetas? — Eu gosto de canetas — Afirmou, e eu sabia que ele estava sorrindo aquele sorriso torto que faz meu interior se contorcer. — De qualquer forma, eu não liguei para discutir os méritos de uma boa mensagem. Eu queria discutir nosso encontro... Que deve acontecer em três horas... Se você ainda não desistiu de mim — Sua voz ficou um pouco triste. — Eu não me esqueci — Eu murmurei, olhando para as roupas espalhadas sobre o meu quarto. Eu nunca tinha me importado como eu me vestia antes. Mesmo quando tínhamos um encontro na escola, eu não tinha me importado com o que Trenton pensava sobre as minhas roupas. De repente, porém, eu queria ser digna de ser vista com ele. Patético, eu sei. Durante a noite eu tinha me transformado em uma dessas meninas. Irritada comigo mesmo eu liguei o telefone no viva-voz e peguei um par de leggings pretas, dançando para vesti-las. — Eu vou buscá-la na sua casa. — Não — Eu protestei, segurando um suéter solto em minhas mãos. Trent bufou exasperado.


— Eu fui na sua casa antes. Eu sei as regras, ficar no carro, e não ir para dentro. Eu vou ser um bom menino. Eu engoli em seco. — Ok — Eu concordei com relutância. — Vejo você depois. — Com isso, a linha ficou muda. Eu cai na minha cama. Por que diabos eu tinha concordado com isso? Trent estúpido e seu jeito irritante de ser persistente. Por que não podia ter me deixado sozinha? Ele sabia que, mesmo depois de todos esses anos, eu ainda tinha sentimentos por ele, era bastante óbvio na maneira como meu corpo respondia a ele e ao fato de que eu sempre fugi dele como uma criança. Eu sabia que nunca iríamos funcionar como um casal. Nós éramos muito diferentes e havia muito que ele não sabia, e que eu não podia dizer a ele. Manter distância tinha sido o único caminho, mas ele tinha que aparecer constantemente, e desbastar o escudo de gelo que bloqueava as minhas emoções. Eu sabia que era errado, mas eu tinha acordado, e eu não conseguia parar agora. Eu queria Trenton, enquanto eu pudesse tê-lo. Especialmente porque ninguém mais poderia substituí-lo. Apesar de nossas diferenças, nossa conexão era profunda, era o tipo de conexão que a maioria das pessoas nunca experimentou. Nós entendemos um ao outro melhor do que ninguém faz. Trenton sempre tinha sido capaz de ler as minhas emoções quando mais ninguém podia. Eu cobri o rosto com as mãos e soltei um grito silencioso, então eu não me preocupei as crianças. Eu tinha me metido em uma situação complicada e não havia maneira de sair, não até que nós dois quebrássemos completamente.


Obriguei-me a sair da cama e puxei minha blusa e botas. Peguei a bagunça de roupas espalhadas sobre o meu pequeno quarto e coloquei onde eles pertenciam. Eu passei um pouco de gloss rosa e um pouco de rímel, é tudo que eu normalmente usava. Abri a porta do quarto e saltei para trás quando vi Tristan ali de pé, olhando para mim com curiosidade brilhando em seus olhos azuis. — Você ficou lá por um tempo loooooooongooo. Com quem você estava falando? — Eu estava me vestindo — Eu disse a ele, puxando a parte inferior da minha camisa, me sentindo como se eu estivesse prestes a entrar em apuros, o que era algo engraçado, considerando que ele tinha cinco anos. Ele inclinou a cabeça pequena, pensando em minhas palavras. Por fim, ele deu de ombros. — Tudo bem. — Na sua idade, ele não precisa de mais de uma explicação, e ele provavelmente já esqueceu que ele me ouviu falando com alguém. — O que você quer para o almoço? — Eu perguntei a ele, fechando a porta do quarto atrás de mim. — Sanduíche! — Exclamou animadamente, correndo em direção à cozinha tão rápido quanto seus pés podem levá-lo. — Que tipo de sanduíche? — Eu perguntei quando cheguei à geladeira. — Você quer um sanduíche, Ivy?


— Mhmm — Respondeu ela de onde estava sentada à mesa com um desenho. — De peru, por favor. Eu comecei a fazer os sanduíches, e fiz um para mim também. Eu não sabia se Trent estaria me levando para uma almoço mais tarde, por isso era melhor comer. Sentei-me à mesa com as crianças. Tristan começou a falar sobre seus carros de brinquedo e Ivy ouviu pacientemente a tudo o que ele tinha a dizer. Olhei para o espaço, meus olhos se concentraram em uma mancha na parede Eu não tinha sido capaz de retirar após o desastroso jantar de Ação de Graças ontem. Jim tinha ido depois de minha mãe e não havia retornado ontem à noite ou hoje pela manhã. Minha mãe tinha voltado, e estava atualmente desmaiada em seu quarto, uma lata de lixo cheia de vômito ao lado dela. Eu não entendia como alguém poderia viver assim? Imaginei que podia, porém, você não estava realmente vivendo. As crianças terminaram de comer e eu olhei para baixo para ver que eu só tinha comido metade do meu sanduíche. Eu não estava com muita fome. Limpei a mesa, e olhei para o relógio. Eu ainda tinha umas boas duas horas para matar antes de Trent chegar. Eu precisava levar as crianças para a babá, mas eu não teria que fazer isso para outra hora e meia. O tempo tornou-se o meu maior inimigo. Se eu permitisse, eu ia acabar pulando foram desse encontro... Ou o que fosse. Eu decidi matar a hora limpando. Ao contrário da maioria das pessoas, eu realmente gostava de fazer as tarefas domésticas. Permitia me manter ocupada. Toda a casa estava impecável e eu olhei o relógio novamente. Tive tempo suficiente para levar as crianças para a Sra. Colleen, uma simpática senhora mais velha que, ocasionalmente, cuidava das crianças para mim quando eu estava ocupada. Ela tinha visto a minha mãe em ação e


concordou comigo que as crianças não devem ser deixadas com ela. Infelizmente, não havia nada que eu pudesse fazer no tempo depois da escola quando eles ficavam presos com a minha mãe. Ela geralmente passava por esse tempo e não os incomodava. Eu não sei quanto tempo eu iria ficar fora com Trent, e não achei que estaria tudo bem deixálos em casa, basicamente, sozinhos. Arrumei um pequeno saco com brinquedos e lanches. Ivy tinha um livro debaixo do braço e esperou na porta por mim. Eu coloquei Tristan em seu assento no carro e dirigi uma quadra até a casa de Colleen. Ela abriu a porta, quando ouviu os cascalhos soarem ao estacionar. Tristan pulou fora e me deu um grande abraço antes de correr para a casa de Colleen. Ivy me abraçou, os olhos tristes. Eu sabia que a noite passada havia realmente aborrecido ela, e ela ainda não tinha superado. — Obrigado por fazer isso — Disse a Colleen, entregandolhe a bolsa. — Eu não tenho certeza em quanto tempo vou estar de volta — Eu fiz uma careta. — Eu te ligo quando eu souber alguma coisa. — Sem pressa, querida — Ela pegou a bolsa de minhas mãos e colocou para dentro, usando o pé para segurar a porta, falou–me através do vidro aberto — Eu sei que você não sai muito. Divirta-se! Era muito triste que todos pareciam perceber que eu raramente saia. O que havia de errado com isso? Eu gostava de estar em casa com meus irmãos. Eu não estava perdendo nada. — Obrigada — Eu forcei um sorriso, e recuei nos degraus da varanda.


Eu dirigi a curta distância de casa e estava saindo do meu carro quando o carro preto de Trent veio correndo pela rua. Ele não parou na entrada; ele estacionou na rua, como ele fazia quando éramos adolescentes. Uma parte de mim perdeu esses dias, quando eu era jovem e ingênua. Trent tinha sido a melhor coisa que já aconteceu para mim, mas também a pior. Como uma idiota, lá estava eu, de volta para mais. Ele abriu a janela do passageiro e levantou os negros Ray Bans de seus olhos. — Entre. — As palavras foram um pouco exigentes e seu tom, como se ele tivesse medo que eu fugisse e precisava ser mandão. Mas logo suavizou o tom, com um sorriso fácil. Pendurei minha bolsa sobre meu ombro e fechei o zíper da minha jaqueta. Hoje não estava tão frio como tinha estado nos últimos dias, o céu era estava um azul claro brilhante. Abri a porta do carro e deslizei para dentro. Meu pobre coração batia tão rápido que eu pensei que poderia desmaiar. Mas eu não ia deixar Trent saber que eu estava nervosa, apesar de tudo. Eu agiria como se eu estivesse perfeitamente bem. — Para onde vamos? — Eu perguntei, afivelando o cinto de segurança quando ele se afastou. — Por ai — Foi sua resposta vaga. — Isso é tudo que vou saber? Ele deu um sorriso torto. — Sim, isso é tudo que você vai saber.


Eu olhei pela janela observando as árvores e casas. Me encontrei diante de vistas familiares e me virei para ele. — Sério? — Eu questionei. — Nós estamos indo para a biblioteca? Eles está fechada. Trent sorriu. — Oh, como você duvida de mim. — Ele coçou o queixo ligeiramente mal barbeado. — NÃO estamos indo à biblioteca — com ênfase na não. — Nós vamos estar nas imediações — Disse ele, voltando-se por uma rua e em um estacionamento. — Então — Eu tirei a palavra — Você não vai me dizer onde vamos ainda? Ele pulou para fora do carro sem uma resposta. Segui-o até onde ele estava, abrindo o porta-malas. Ele tirou um pequeno saco preto e atirou-a transversalmente sobre seu corpo. — Isso é uma bolsa? — Eu questionei. Trent soltou uma risada alta que ecoou pelo estacionamento. — A bolsa? Oh, isso é bom... — Ele continuou a rir quando ele bateu na bolsa fechada. — Se não é uma bolsa, o que é? — Eu perguntei, andando ao lado dele enquanto nos dirigíamos para a saída. — Bem, vendo como este é o nosso primeiro encontro de verdade... Como adultos — Ele piscou — Eu queria fazer algo diferente. — E por diferente, Você quer dizer? — Eu sondado.


— Eu pensei em apresentá-la a um dos meus hobbies — Ele parou na calçada, inclinando a cabeça para deixar os raios de sol atingir sua pele. — Você está sendo propositalmente vago para me irritar? Eu sempre posso ir embora — Eu bufei, jogando o meu dedo sobre o meu ombro na direção oposta. — Oh, como eu amo a sua boca atrevida — Ele sorriu os olhos brilhando de alegria. — Eu amo-o ainda mais quando minha boca está na sua. — Tão, poético — Eu rosnei. — Isso me faz querer arrancar a minha calcinha. — Ei, o que for preciso — Ele encolheu os ombros com indiferença, abrindo o saco preto na cintura. Olhei de perto para ver o que ele estava pegando. — Uma câmera? — Eu questionei. — O que você está fazendo com uma câmera? — Uh- não é tão óbvio? — Ele apontou para o meu rosto e havia um som de clique. — Você seriamente acabou de tirar uma foto minha? — Eu fiz — Ele sorriu infantilmente. — Eu estou tão confusa. O que uma câmera tem a ver com este encontro? — Eu perguntei, empurrando meu cabelo dos meus olhos, quando um leve vento o despenteou. Ele segurou a câmera de novo, tirando outra foto enquanto ele falava.


— Eu queria fazer algo diferente no nosso encontro. Almoço ou jantar, isso é muito básico. Karts é para adolescentes, e além disso estão fechadas a esta época do ano — Ele divagava enquanto ele continuava a tirar fotos de mim. Eu resisti à vontade de proteger meu rosto, deixando-o pular fora. — Eu estava prestes a perder a esperança quando eu estava brincando com Bartolomeu - meu furão caso você tenha esquecido - e fiquei impressionado com um pensamento genial. — Uma sessão de fotos! — Ele sorriu, claramente satisfeito com a sua chamada idéia brilhante. Eu tinha que lhe dar crédito, era definitivamente um conceito de encontro diferente. — Eu iria passar mais tempo com você, teria o seu retrato você é bonita, e faz uma excelente modelo e poderíamos sair... — Sua expressão era de repente vulnerável, e eu odiava que eu era a razão de deixá-lo assim. Minhas rejeições constantes haviam realmente ferido seus sentimentos, então por que ele não tinha desistido de mim? — É uma ótima ideia, Trenton — Sorri, um pequeno sorriso, mas pelo menos era um real. — Você tem certeza? — Ele perguntou, segurando a câmera ao seu lado. "De repente parece meio bobo — Ele franziu a testa. Ele fez como se estivesse indo para colocar sua câmera longe e eu me aproximei dele, estendendo a mão e agarrando seu braço para parar seus movimentos. Minha mão formigava onde toquei sua pele. Como uma pessoa poderia fazer o meu corpo se sente tão... Trêmulo? Ninguém mais, e eu quero dizer ninguém, me deu esses mesmos sentimentos. — Não guarde—


Eu implorei baixinho. — É realmente uma boa ideia. Muito melhor do que ir ao kart. Trent ainda parecia inseguro de sua ideia. Isso era algo que eu gostava em Trenton. Uma hora ele parecia o cara mais confiante que nunca, e no próximo ele não tinha medo de mostrar suas inseguranças. — Posso? — Eu perguntei, deslizando minha mão pelo seu braço para agarrar a câmera. Ele engoliu em seco, observando com surpresos, quanto ele deu a câmera para mim.

olhos

azuis

Eu tomei dele, olhando para a câmera. Sabia pouco de câmeras, além do conhecimento básico, mas eu finalmente localizei o botão correto. Comecei a tirar fotos e senti-me começar a me soltar agora que eu não era a única sob o escrutínio da lente. — Sorria, Trent — Eu persuadi — Você deve ser o cara mais feliz do mundo, desde que você está em um encontro comigo. Ele riu, e eu tirei uma foto. Eu olhei para a tela grande onde a foto brilhou por um instante. Eu gostava de vê-lo assim, tão despreocupado e feliz, principalmente sabendo que era por causa de mim. — Rowan Sinclair, você fez uma piada? — Ele sorriu, brincando com seus óculos de sol enquanto eu continuava a tirar suas fotos. — Eu acredito que eu fiz, Sr. Wentworth — Eu sorri. Isto estava realmente muito divertido. Quem teria pensado? Ele estendeu a mão para a câmera, mas eu não estava pronta para desistir. Comecei a fugir, mas eu não consegui ir


longe. O braço musculoso de Trent se jogou a minha volta, me pegando pelo meio. Ele me virou e eu não pude deixar de rir ao movimento. Senti-me leve e livre. Nenhuma das minhas indiscrições se agarrou a mim. Eu não era ninguém, era uma menina se divertindo com um cara. Eu não tinha percebido até este momento o quanto eu ansiava essa normalidade, e Trent era a única pessoa que poderia me dar isso. Ele sempre conseguiu revelar o meu verdadeiro eu, o que normalmente era estranho para mim. Ele era bastante surpreendente. Ele continuou me dando voltas até que eu encontrei-me presa contra a parede de pedra de uma das muitas lojas que se localizavam no antigo centro da cidade. Ele pendurou a alça da câmera sobre seu ombro, olhando nos meus olhos. Meus braços foram para seu pescoço como se tivesse uma mente própria. Uma de suas mãos se aventurou na minha cintura, me segurando um pouco acima da curva do meu bumbum. Meu corpo arqueou contra o dele. Sua outra mão encontrou a minha nuca e puxou lentamente o meu rosto para ele. Ele me deu muito tempo para afastar, era sua maneira de deixar-me saber que eu estava no controle. Quando eu não afastei, seus lábios lentamente pressionaram contra o meu. Eu não tinha percebido isso, mas uma parte de mim estava morrendo por beijá-lo, realmente beijá-lo, sem me sentir surpresa, ou tentada a provar alguma coisa. Isso era tudo sobre nós, e como nós realmente nos sentimos. Seus lábios deslizaram sobre os meus como se ele tivesse feito isso um milhão de vezes. Eu me rendi aos sentimentos carnais que sempre me dominavam quando eu estava perto de Trenton. Nossa química sexual era fora do comum e não podíamos negar. Um fogo


acendeu na boca do meu ventre quando seus beijos desceram pelo meu pescoço. Meus olhos estavam fechados e suspiros ofegantes me escaparam. Eu não tinha pensado no fato de que qualquer um poderia estar nos observando. Quando Trent me beijava, eu não conseguia pensar em nada, eu só podia sentir. Eu precisava beijá-lo com mais frequência. Seus lábios reivindicaram minha boca mais uma vez e meus braços apertaram em torno de seu pescoço. — Row — Ele suspirou, o som do meu nome deixando seus lábios agitaram minhas entranhas. — Apenas me beije — Eu tomei seu rosto entre as mãos, pressionando para frente. Estávamos entrelaçados e eu não tinha certeza de onde eu terminava e ele começava. Deixei-me ir e não me preocupei com qualquer outra coisa. Por enquanto, era apenas Trent e Eu. Seus lábios se separaram dos meus e ele recuou dois passos de mim. Seu peito subia e descia pesadamente a cada respiração. Ele puxou as pontas do seu cabelo e olhou para o chão. De repente, senti muito insegura de mim mesmo. — Eu fiz alguma coisa errada? — Expressei minhas preocupações. Meus lábios formigavam e meu corpo ainda estava cantarolando o beijo, mas poderia ter sido possível que ele achou horrível? Ele balançou a cabeça para trás e para frente, forçando os olhos para encontrar os meus. — Não, nem um pouco.


— Então por que você parou? — Eu odiava que a minha voz chiava e eu parecia uma menina insegura. Eu precisava dele para responder a minha pergunta. — Porque — Ele disse, com as mãos nos quadris estreitos, — Se eu não parar agora, eu não conseguiria parar depois, e eu não estou preparado para ir tão longe com você de novo ainda. Nós dois precisamos estar prontos para isso — Disse ele de forma significativa — E quando isso acontecer, porque vai — Ele expressou com muita confiança —Você vai estar na minha casa e na minha cama. Não pressionada contra uma parede em um local público. Minha respiração vacilou quando desejo inundou o meu corpo. Com essas poucas palavras de Trent, eu tinha nos imaginado juntos mais uma vez. Algo me disse que da próxima vez seria ainda melhor que da primeira. Nós dois estávamos mais velhos agora e com a nossa química sexual... Seria explosivo. Inferno já era explosivo sem sexo envolvido. — Eu- — Eu não sabia o que dizer. Ele deu um passo para frente novamente, cobrindo meu rosto com uma das mãos roçando seu polegar em meu lábio inferior ligeiramente inchado. — Será que as minhas palavras te assustam? — Não — Eu respondi honestamente e sem hesitação. — Bom — Ele sorriu, levemente pousando seus lábios sobre os meus. Foi tão rápido que eu nem tinha certeza de que poderia ser chamado de um beijo. Independentemente disso, o simples toque enviou um arrepio que patinou na minha espinha.


Cinco anos evitando Trenton, só me fez desejar-lhe mais. Agora que eu tinha liberado meus desejos, não havia como voltar atrás. — Por mais que eu goste de ficar aqui e te beijar o dia todo — Seu olhar foi até meus lábios — É melhor voltarmos para o nosso encontro. — Sim, acho que sim. — Eu forcei meu corpo para longe da parede, que era atualmente a única coisa que me segurava em pé. — Então... — Eu me afastei — Estamos apenas tirando fotos neste encontro? Trent sorriu torto. — Isso é apenas uma parte dele, o jantar envolve beijos. Definitivamente mais beijos. Eu ri, girando em torno dele tirando fotos. — Eu achei que o beijo era perigoso para nós? — Oh, ele é. Felizmente para você, eu sou um homem que pode se controlar. Eu não vou violentar você até que nós dois estejamos prontos para implorar por isso — Disse ele com voz rouca, escondendo o rosto por trás da lente da câmera. Eu engoli em seco com suas palavras, o prazer rolou pelo meu corpo. Eu odiava admitir isso, mas eu não achei que seria muito tempo até que eu estivesse pedindo-lhe para me devorar. — Ei, vamos lá — Trent agarrou meu braço e correu através da rua. — Encoste-se aqui — Ele apontou para uma parede de tijolos com pichações intrincadas cobrindo sua superfície. — Olhe para baixo um pouco... Sim, assim... Cruze os braços sobre o peito... Perfeito.


De repente, Trent tinha se transformado, do modo descontraído, para o modo negócios. Foi bem legal vê-lo em ação. Eu não sabia que ele era interessado em fotografia. No colegial seus hobbies incluíam jogos e mais jogos de vídeo. — Quando você se interessou por fotografia? — Eu perguntei, virando a cabeça em um ângulo diferente, quando ele quebrou a distância. — Uh... — Ele parecia hesitante em responder. Depois de tirar mais algumas fotos, ele disse — Depois do que aconteceu com a gente... Eu precisava de algo para distrair minha mente. Patético, eu sei — Ele baixou a câmera, dando-me um vislumbre de seu rosto vulnerável. — Você me machucou. Essas três palavras foram como uma bofetada. Eu estava apenas começando a perceber o quanto eu o tinha machucado. Quando eu saí... Eu assumi que ele seria como qualquer outro cara no planeta e seguiria em frente em um milésimo de segundo. Não. Trent não. Ele era diferente. — Sinto muito — Eu sussurrei depois de um longo silêncio. — Eu estava com medo — Eu admiti, mordiscando meu lábio inferior. — Você não... — Você não entende como me sinto sobre o amor. — Foi há muito tempo — Ele encolheu os ombros. — Eu superei. Você não me deve uma explicação. Eu não queria ter ido embora, mas eu não sabia como eu poderia fazer Trent entender que eu sentia como se não houvesse tal coisa como o amor real. Ele tinha uma maravilhosa mãe e amorosos avós. Seu pai já havia falecido quando eu o conheci. Alguém que tinha crescido rodeado de tanto calor, não


podia entender por que meu coração estava congelado para sempre em uma tundra gelada que nunca seria conquistada. Eu simplesmente assenti com a cabeça, pegando a abertura que ele me deu. Às vezes, era melhor não tentar se explicar. Eu só acabava soando como uma pessoa louca. — De qualquer forma — Ele levantou a câmera mais uma vez e eu ajustei minha pose, inclinando-me ligeiramente para frente quando meu cabelo comprido caiu — A fotografia tornouse um refúgio para mim. Permitiu-me olhar para o mundo de uma forma diferente. — É isso que você está estudando na faculdade? Ele acenou com a cabeça. — A fotografia e design gráfico. Acho que nenhum irmão Wentworth vai assumir os negócios da família — Ele baixou a câmera de modo que eu não podia perder sua piscadela. — Eu não posso imaginar estar acorrentado a uma mesa todos os dias. Eu acho que eu me mataria só para ter algo para fazer. — O que vai acontecer com o negócio, então? — Perguntei. A família de Trenton tinha começado um grande negócio muito tempo atrás. O negócio tinha crescido e hoje a família tinha bilhões. Trent deu de ombros. — Eu tenho certeza que vamos mantê-lo, contratando um CEO ou algo assim. Minha mãe está trabalhando agora. Quando ela estiver prestes a se aposentar, vamos pensar em alguma coisa — Ele suspirou. — Por enquanto, não é problema meu.


Eu fiz uma careta, um pouco surpresa com a nitidez de suas palavras. Elas eram tão diferentes de Trent. Normalmente, ele era o cara que vem com uma solução, não com murmúrios de que este não seja o seu problema. Imaginei que a preocupação estava tão longe no caminho que ele não via o ponto em pensar nisso, mas... Deus pensei muito. — Incline a cabeça um pouco — Ele voltou-se para a tarefa em suas mãos. Fiz o que ele pediu, o meu olhar correu em direção a ele. Ele olhou para a tela da câmera e um sorriso formou em seu rosto. — Oh, isso é bom. Nós nos mudamos para outro local, onde ele me fez sentar em uma meia parede em ruínas. Eu tinha medo de cair, mas Trent me garantiu que se eu começasse a cair, ia me pegar. Eu reclinei para trás, deixando meus cabelos longos em torno de mim serem levados pelo vento leve. Eu estava ficando com frio, mas estava me divertindo muito para lhe dizer para parar. Eu pensei que era bobo no começo, mas foi realmente muito divertido. Pela primeira vez em cinco anos, eu estava me divertindo. Eu me inclinei para trás, fechei os olhos, e deixei os raios do sol no meu rosto. Um pequeno sorriso levantou meus lábios enquanto eu me alegrava com uma emoção que eu sentia tão raramente. Felicidade. Trent parou na frente da minha casa. Nós tínhamos ficado fora por horas, e, infelizmente, eu não estava pronta para dizer adeus, mas eu tinha que fazer. O Tempo de Cinderela no baile acabou e a realidade retornou.


— Obrigada por hoje — Ele virou-se para mim, os olhos no meu rosto. — Eu tive um grande momento — Disse ele, minhas palavras soando bobas para os meus ouvidos. — Bom — Ele sorriu. Seus olhos azuis se escureceram enquanto me observava. — Eu não quero deixála — Ele sussurrou tão baixo que eu não tinha certeza se eu ouvi direito. — Estou com medo — Ele engoliu em seco, olhando para baixo — Eu tenho medo que quando eu voltar, você vai me ignorar de novo. — Voltar? Você está indo embora? Ele acenou com a cabeça. — Eu tenho que voltar para a escola. Eu tenho mais algumas semanas de aulas antes do início da pausa de inverno. Semanas. Eu teria que ir de algumas semanas sem ver Trenton. Agora que eu tinha concordado com essa relação, eu odiava pensar que eu tinha que esperar semanas antes que eu o visse. Trent era a única pessoa que me fazia feliz. Ter ele por perto me trouxe para fora do espaço escuro que eu tinha vivido por tanto tempo. Sem ele aqui, eu temia que eu voltasse para dentro do meu buraco escuro que havia se tornado, um local sufocante. Na verdade, eu já podia sentir meu corpo e minha mente desligarem. Eu não queria me esconder dentro de mim mesma mais. Eu queria ser a menina que Trenton acreditava que eu era. — Esse é um tempo — Eu murmurei, pegando em um fio solto na minha camisa. Trenton pegou meu queixo entre o polegar e o indicador.


— Eu sei — Sua voz era profunda com tristeza — Mas eu vou estar de volta. Eu não vou deixar você, Rowan. Fechei os olhos, absorvendo suas palavras. Há uma semana que eu estava evitando ele e agora eu estava lutando para me despedir. Eu não quero ser a garota que dependia de outra para ser feliz. É por isso que eu sabia que, no final, nunca funciona. Eu estava muito confusa. Eu estava quebrada... Estilhaçada e fraturada além do reparo. Eu não entendia por que Trenton não podia ver que tentar me consertar era inútil. Uma vez que tanto dano tem sido feito, não há nada que você pode fazer para apagá-lo. — Rowan — Ele repetiu o meu nome, escovando os dedos sobre minha bochecha — Tudo vai ficar bem. Eu vou chamá-la... e enquanto eu estiver fora, eu vou estar planejando algo espetacular para o nosso próximo encontro, porque haverá um segundo e um terceiro e um... Bem, você começa a pensar. — Ele sorriu e eu não pude deixar de sorrir em resposta. — Não entre em pânico agora. — Eu não estou em pânico. — Você está definitivamente pensando em ficar então — Ele bateu na minha testa. — Pensar só vai fazê-la ficar desesperada, por isso não, me sinta — Sua voz caiu para um tom profundo e seu rosto estava tão perto do meu que eu poderia ter contado todos os cílios se eu quisesse. Sua respiração se espalhou sobre meus lábios. Eu sabia que ele estava me esperando para dar o primeiro passo neste momento. Eu estava tentando decidir se eu queria ou não. Quero dizer, eu estava muda, é claro que eu queria, mas eu não tinha certeza se era realmente a melhor ideia. Beijar sempre parecia vir a ser um território perigoso para nós. Mas eu fiz isso. Inclinei-me e descansei meus lábios contra os dele. Nenhum de nós se moveu no início, depois Trenton


rosnou baixo em sua garganta, os dedos enrolados no meu cabelo. Ambas as mãos baixaram a minha cintura e um pequeno grito escapou-me quando ele me puxou para o seu colo. Inclinou-se para o banco e eu deitei contra seu peito sólido. Através de todo esse movimento, nossos lábios nunca quebraram o contato. Agarrei o tecido de sua camisa com força em minhas mãos, a necessidade de agarrar-se a algo que iria me manter aterrada. Sua língua pressionada contra meus lábios e minha boca se abriu em resposta. Maldição, o homem poderia beijar, e eu realmente não queria pensar sobre a razão por que ele era tão bom. Eu não era ingênua, mas eu não quero me torturar com imagens de Trenton com outras meninas também. Suas mãos se aventuraram sob a borda da minha blusa, por cima do meu estômago, até meus seios. Engoli em seco. Admiravelmente, sob a cobertura do céu noturno, eu o deixei levantar a minha camisa sobre a minha cabeça, então eu fiquei sem nada, apenas meu sutiã. Sim, nós não devíamos nos beijar. Ele sempre acabava indo longe demais, mas naquele momento eu não me importei. Meu centro pressionou contra ele e calor inundou o meu corpo. Sua barba rala adornando seu queixo raspava a pele das minhas bochechas, mas eu não me importava. — Trent. — Meu suspiro encheu os limites do carro. Eu agarrei a camisa preta dele, desesperada para removê-la para que não ficasse nada entre nós. Uma semana atrás eu estava fugindo dele, com muito medo de admitir que eu tivesse sentimentos por ele, mas agora eu estava pronta para assumir o que eu queria pelo tempo que ele me deixasse. Eu sabia que não era digna dele, e que eu só iria acabar ferida no final, mas


algumas coisas valem a pena quebrar e enfrentar. Eu já estava destruída, por isso quanto dano poderia causar mais? Ele rasgou a camisa e jogou-a em algum lugar atrás dele. Minhas mãos abertas sobre a pele quente de seu peito musculoso, o coração batendo de forma constante sob a palma da minha mão. Minhas mãos se aventuraram mais baixo, mergulhando nas curvas de seu abdômen e diabos, que esse homem tinha uns “abs” de babar. Ele certamente não era assim quando tinha dezesseis anos. Seus lábios desceram pelo meu pescoço e no meu ombro, dando beijinhos e fazendo meu corpo “hum” agradavelmente bem. Ele empurrou de lado uma alça do meu sutiã e seus lábios desceram sua respiração quente fazendo com que meu corpo arqueasse. — Trenton, por favor — Eu gemi, meus dedos em seus cabelos, puxando-o para perto. — Foda-se — Ele gemeu, seus quadris pressionando contra mim. Senti que ele e eu sabíamos o que eu precisava para aliviar a pressão crescendo em meu corpo. Meus dedos desajeitadamente se atrapalharam com seu cinto. Suas mãos deixaram o que estavam fazendo para segurar minhas mãos em meu corpo. —Pare — ele suspirou, sem fôlego. — Pare — repetiu ele, e eu não tinha certeza se a palavra era para ele ou para mim. — Nós não podemos fazer isso, não aqui assim. Eu já disse a você


— Ele olhou nos meus olhos, então eu vi que ele não estava louco — Nós não estamos prontos para isso. Corajosamente, eu pressionei meu corpo em cima dele para que ele soubesse que eu estava muito consciente do tesão que ele estava naquele momento. — Você parece pronto para mim. Ele soltou minhas mãos e agarrou meus quadris firmemente em suas mãos. Ele fechou os olhos e sacudiu a cabeça para trás e para frente. — Eu não posso. Ainda não. Esperei anos para ter você de volta — Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha que tinha caído para frente para esconder o rosto de sua visão, — Eu não vou estragar isso, apressando as coisas. Eu provei como é fazer de forma paciente, e eu lhe asseguro, eu vou fazer amor com você, porque, sim, será fazer amor, não porra ou qualquer coisa assim, até eu saber que você não vai fugir de mim no dia seguinte. Como eu poderia discutir com isso? Olhando em seus olhos, eu sabia que uma parte dele, uma grande, acredita que eu terei ido embora quando ele voltar para a pausa de inverno. Eu teria que provar que ele estava errado.


Capítulo Oito Já tinha passado uma semana inteira sem que eu visse Trenton. Pensei que poderia ficar aliviada por ele ter ido, mas ao invés disso eu me senti um pouco vazia por dentro e eu... Eu sentia falta dele. Ohhhh homem, era difícil de admitir, até para mim mesmo. Perdi o jeito que ele sempre costumava aparecer quando eu menos o esperava e como seu sorriso fazia borboletas vibrarem na minha barriga. Eu me assustei quando o braço de alguém caiu sobre meus ombros enquanto eu andava pelo campus. Por um segundo me atrevi a ter esperança que era Trent, mas quando virei era Jude me olhando sorrindo. — Eu te assustei?


— Você sabe que você fez — Eu encolhi os ombros de seu abraço. — Isso não foi legal — Eu apertei os meus livros com força contra o meu peito enquanto eu fui pelo campus em direção a minha última aula do dia. — Você tem certeza que eu realmente assustei você ou você estava esperando que eu fosse outra pessoa? — Ele levantou uma sobrancelha quando caiu em passo ao meu lado. Eu fiz uma careta, olhando para minhas sapatilhas pretas. — Eu sabia! — Ele jogou um soco no ar. — Você realmente gosta dele! E aqui eu estava começando a pensar que nenhum homem jamais fez você fantasiar por ele. Estou aliviado por saber que seus ovários, de fato, funcionam. Revirei os olhos, chegando a ajustar a toca na minha cabeça que estava me protegendo do ar gelado. — Confie em mim, os meus ovários funcionam muito bem. Jude correu na minha frente e agarrou a porta, mantendo-a aberta para mim. Eu pisei no interior do edifício quente. — Obrigada... Foi bastante cavalheiresco de você — Eu disse, desenrolando o meu cachecol do meu pescoço. — Esse sou eu, Jude o Cavalheiro — Ele sorriu facilmente quando nós fomos para a aula juntos. Uma vez que ambos foram estudar a mesma coisa, nós compartilhamos a maioria de nossas classes. Sentado ao meu lado, Jude perguntou: — Você está estudando esta noite? Eu dei a ele um olhar 'duh'.


Ele riu, esfregando o queixo. — Na biblioteca? Eu balancei a cabeça. — O que é com todas as perguntas? Ele deu de ombros. — Eu estava me perguntando se eu poderia acompanhá-la. Meu companheiro de quarto sempre joga essa merda de heavy metal e eu não consigo pensar direito. Além disso, você é inteligente, e poderá me ajudar. Revirei os olhos. — Jude, nós dois sabemos que você é muito mais esperto do que eu, então bajulação não levará a lugar nenhum. Mas se você quiser se juntar a mim, tudo bem. Ele sorriu amplamente. — Obrigado. — O que você está fazendo? — Eu estreitei os olhos para ele. — Nada — Ele sorriu inocentemente, cruzando os braços atrás da cabeça. — Jude — Eu avisei. Ele sorriu. — Eu vi algumas meninas muito quentes na biblioteca. Eu estava pensando em ampliar os horizontes. — Você já bateu todas as vadias que você poderia manipular? E agora vai passar para as boas meninas? — Eu


zombava. — Eu tenho notícias para você, meninas inteligentes não vão se apaixonar por seus encantos. Parece que você pode ter que desistir, a menos que você queira foder à mesma garota duas vezes — Eu dei um tapinha em seu ombro com falsa simpatia. Jude riu de minhas palavras. — Oh, Row, você não me conhece. Eu tenho um charme que eu posso colocar qualquer garota que eu queira para fora de suas calças. — Eu não — Eu disse, procurando minha bolsa para um lápis e minhas anotações. — Confie em mim, eu poderia se eu quisesse — Ele me assegurou. — Eu nunca lancei meus poderes em você. Eu olhei para ele com ar de dúvida. — Isso é para ferir meus sentimentos? Ou eu deveria estar orgulhosa de que você gosta de mim o suficiente para não estragar a nossa amizade com o sexo? — Orgulhosa — Ele balançou a cabeça, lutando contra um sorriso — Definitivamente orgulhosa. Revirei os olhos, concentrando-me no professor quando ele entrou na sala e começou a aula. Agora não era o momento de pensar sobre a vida sexual de Jude. Eu puxei meu cabelo para trás, prendendo-o com um laço de cabelo, e empurrei o livro para longe de mim. Eu estava lendo a mesma frase pelos últimos 30 minutos. Eu sabia qual era meu problema. Fiquei esperando sentir os arrepios familiares que anunciavam a presença de Trent. Mas eles não estavam vindo. Ele estava na escola e eu tinha pelo menos mais duas


semanas antes de vê-lo. Trent tinha conseguido invadir todos os meus pensamentos, exatamente como ele tinha feito quando estávamos no colégio. Depois a nossa amizade acabou. Eu nunca parei de pensar nele ou desejar coisas que eu sabia que nunca iriam se tornar realidade. Então, foi fácil eu me apaixonar por ele, ele já roubou meu coração há muito tempo, e eu nunca o consegui de volta. Acho que era parte da razão que eu tendia a me sentir tão vazia por dentro. — Você está bem? — A voz de Tatum rompeu os meus pensamentos. — Sim — Eu forcei um pequeno sorriso — Eu estou bem. Ela revirou os olhos. — Você não é boa mentirosa. Sou sua amiga, fale comigo — ela implorou. Eu desejei que eu pudesse, mas eu não sabia como me abrir. Expressar meus sentimentos não vem naturalmente para mim. Minha mãe me fez sentir como um pedaço inútil de merda sempre querendo que eu fosse invisível e nunca mais falasse. Eu nem sequer sei como colocar em palavras o que eu estava sentindo. — Não é nada — Eu dei de ombros, relutantemente, deslizando o livro para que eu pudesse continuar estudando. Tatum balançou a cabeça, seu lindo cabelo loiro balançando em seus os ombros. — Às murmurou.

vezes,

eu

simplesmente

não

entendo

Ela


Eu vacilei em seu tom de voz, sabendo que eu deveria dizer a ela que eu perdi Trent, mas não foi tão fácil para mim. Eu me senti ridícula, por perder um cara; e expressar essas palavras em voz alta... Isso me faz sentir fraca, como se eu estivesse admitindo que eu precisava dele... E eu não precisava. Eu estava perfeitamente bem sozinha. Eu não iria me permitir ser dependente de outra pessoa para a minha felicidade, eu só ia acabar decepcionada no final. Eu sabia que deveria dizer algo para Tatum, pedir desculpas por minha incapacidade de falar com ela, mas eu não podia. Voltei aos meus estudos e só vacilei quando um pouco mais tarde Tate murmurou baixinho: — Você tem que estar brincando comigo. Eu nunca tinha ouvido Tatum xingar antes, assim que meus olhos se arregalaram e se surpreenderam. Eu coloquei o livro de lado para ver o que tinha deixado ela tão venenosa de repente, quando me encontrei com o olhar de Jude. — Vocês dois se conhecem? — Eu questionei. Os olhos de Tatum eram assassinos. — Você sabe dele? — Ela respondeu. — Ele é meu amigo? — Eu não sei por que minhas palavras soaram como uma pergunta. — Bem, se não é Tatum — Jude sorriu, seus olhos demorando em seu peito, que estava escondido por uma camiseta preta, antes de finalmente, se aventurar a fazer contato visual.


— Jude — Ela cuspiu a palavra como se fosse algo azedo na boca. — Eu vejo que você não mudou desde o colegial. Ele riu, dando de ombros tirando sua mochila e soltando-a sobre a mesa. Ele puxou uma cadeira e se sentou em frente a Tatum. — E eu vejo que você ainda tem a mesma atitude de fogo — Ele se inclinou para frente. — Não pense que eu não vou chutar suas bolas novamente — Alertou. — Já foi o suficiente — Ele sorriu torto, olhando-a com malícia em seus olhos — Eu lhe asseguro que estou curado, e estou em perfeitas condições de funcionamento, se você quiser dar uma olhada. Ela revirou os olhos. — Você é um porco. — E você — Ele se inclinou para frente, segurando seus dedos — É só provocação. Eu assisti olhando para um e depois para o outro como se estivesse em uma partida de tênis. Fiquei fascinada e revoltada ao mesmo tempo. — Eu não acho que seja uma provocação, se você está apenas tentando evitar contrair alguma doença desagradável — ela zombou, recolhendo seus livros. — Você nunca poderia lidar com a rejeição. — O que posso dizer? Eu não estou acostumado com isso — Ele sorriu arrogantemente, cruzando os braços atrás da cabeça


enquanto a olhava de pé enquanto colocava sua mochila por cima de seu ombro. — Não se preocupe gosto muito de uma perseguição e esta, está apenas começando — Ele piscou. — Ugh — Ela revirou os olhos antes de estabilizá-lo com um olhar — Eu pensaria que quatro anos inteiros de rejeição teriam sido suficientes para você. Não perca seu tempo comigo — Ela apontou o dedo para ele — Porque você nunca estará recebendo estes — ela levantou dramaticamente a parte inferior de sua camisa e estendeu a mão para ligar o polegar através do topo de sua calcinha. Ela jogou o cabelo sobre o ombro, furtivamente mostrando– lhe o dedo do meio, em seguida, deu a volta e foi embora dramaticamente. Jude usava um sorriso engraçado, que eu não conseguia identificar, então ele olhou para mim. — Ela não sabe ainda, mas eu vou me casar com ela. Eu bufei. — Sua confiança me surpreende. — É verdade — Ele deu de ombros, olhando por cima do ombro, enquanto sua forma desaparecia na esquina — Aquela menina... Há algo sobre ela. Eu não poderia ajudá-lo; Eu quebrei rindo da situação absurda. — Importa-se de explicar melhor? — Não há muito a dizer — Ele abriu seu livro, olhos baixos.


— Há sempre alguma coisa para dizer — Eu pressionei, minha curiosidade obtendo o melhor de mim. Ele olhou para cima, sacudindo seu cabelo escuro em linha reta fora de seus olhos. — Bem, você vê, quando eu estava no primeiro ano, eu meio que acabei dormindo com a namorada de seu irmão. Ele descobriu e acabou comigo, mas não foi mais longe do que isso. Até que Tatum descobriu. Eu não sabia quem ela era naquele momento — Ele sorriu melancolicamente — Ela escorregou até mim nos corredores um dia, em seguida, me chutou nas bolas. Ela começou a gritar sobre seu irmão e eu descobri quem ela era muito rápido. Eu gostei da coragem dela — Ele encolheu os ombros. — Daquele dia em diante, eu não consegui tirá-la da minha cabeça. Olhei para ele, perplexa. — E ainda assim você dorme por ai. — Hey, enquanto eu estou esperando ela acordar e ver que nós vamos fazer bebês um dia, eu não vejo o ponto em não ter um pouco de diversão. Rapazes. — Isso não faz sentido algum — Eu balancei minha cabeça. — Não tem — Ele encolheu os ombros, franzindo as sobrancelhas enquanto ele lia. Eu deixei o assunto, tentando não rir do ridículo. Tatum e Jude se conheciam. Quais eram as probabilidades? E Tatum tinha um irmão? Ela nunca mencionou um irmão para mim. Ela


não me disse muito, assim como eu não lhe disse muito. Imaginei que nos duas tínhamos segredos. Trinta minutos mais tarde, eu olhei para o tempo e amaldiçoei sob a minha respiração. Eu precisava mudar de relógio. Expliquei a Jude para onde eu estava correndo, e ele levantou a cabeça em reconhecimento. Corri para o banheiro, puxando a minha muda de roupa da minha mochila. Eu tirei minha calça e puxei minha saia lápis preta. Minha camisa foi substituída por uma blusa branca de botão, que eu enfiei por dentro da saia. Coloquei minhas roupas escolares dentro da mochila e corri contra o tempo. Eu sabia que Maria e nenhum dos outros se importaria se eu chegasse um pouco tarde, especialmente depois da conversa que tive com Maria da ultima vez que me atrasei. Além disso, eles já sabiam que eu estava aqui estudando. Maria balançou a cabeça para mim, quando eu apareci no balcão. — Menina boba — Ela murmurou, antes de me repassar minhas tarefas. Relaxei na monotonia tranquila de substituir os livros nas prateleiras. Ocasionalmente, alguém me pedia ajuda para localizar um determinado livro e eu estava feliz por ajudar. Fezme triste que a biblioteca não era tão movimentada como era antes. Com computadores e Kindles, a maioria das pessoas não vê a necessidade de vir à biblioteca. Horas se passaram e logo estava na hora de fechar. Eu mudei de volta para a minha roupa da escola, substituí minhas


lentes de contato pelos meus óculos, e sentei-me numa mesa vazia para continuar a estudar. Os professores estavam indo fácil para nós, com a pausa de inverno mais próxima, mas eu não queria ficar para trás. Eu precisava ficar à frente dos meus estudos. Uma vez que a biblioteca normalmente fechava mais cedo, eu tinha uma boa hora de estudo antes de precisar ir embora para casa para alimentar meus irmãos e colocá-los na cama. Os momentos em que eu ficava até mais tarde como este, eu era a única a ficar. A biblioteca tem um lado assustador quando você se encontra sozinha. Eu tinha desligado a maior parte das luzes, exceto aquelas na seção que eu estava ocupando, e havia alguma coisa estranha sobre as grandes sombras negras fundidas pelas estantes. Eu nunca tive medo, apesar de tudo. Este lugar... Era o único lugar em que eu realmente me sentia em casa. Era acolhedor e era fácil me perder no cheiro das páginas dos livros. Eu terminei de estudar, mas permaneci por mais alguns minutos, deixando meus dedos deslizarem ao longo das lombadas dos livros quando eu passei por eles. No minuto em que saía destas portas, eu estava de volta à realidade, e eu queria sentir esse conforto por um pouco mais de tempo. Idiota? Definitivamente. No entanto, eu não me importava. Minha viagem para casa foi silenciosa. Eu não tinha vontade de ouvir o rádio. Eu sabia que quando eu entrasse pela porta, eu seria assaltada pelas conversas intermináveis de Tristan e Ivy. Eu não me importava. Na verdade, eu gostava de falar com as crianças. Agora, porém, eu precisava de silêncio e cabeça limpa. Meu padrasto estava de volta em casa, e minha mãe tinha sido


uma cadela ainda maior na última semana do que ela normalmente era. Eu me perguntei se ela tinha me visto praticamente engolindo Trent com a minha boca e mãos ávidas em seu carro. Se ela viu, ela não disse nada. Alguma coisa estava errada com ela. Bem, ela estava sempre de mau humor, mas muito mais do que o habitual. Ela era uma pessoa confusa. Eu nunca entendi por que ela afogava suas mágoas em álcool. Agora, muito dano tinha sido feito, eu sempre tentei descobrir. Eu não entendia a atração da garrafa. Eu não era do tipo de desistir. Eu lutei. Talvez tenha sido algo que herdei de meu pai, um homem que eu nem sabia o nome. Minha mãe nunca falou sobre ele. Supostamente ele tinha sumido antes de eu nascer. Com as mentiras que contava, porém, o meu palpite é que não era mesmo verdade. Ela fazia tanta merda ruim que eu não podia acreditar em qualquer coisa que saia da sua boca. Ela era a única pessoa que eu deveria ter sido capaz de confiar e acreditar, mas eu não podia. A única vez que eu fiz... Bem, isso era uma história para outro momento. Sentei-me no carro, estacionado na garagem, minhas mãos apertando o volante. Quando é que a minha vida se tornou tão fodida? Será que foi assim desde que nasci? Ou houve uma época em que eu era uma garota normal que amava sua mãe? Eu não sabia. Eu nunca sei. Por enquanto eu conseguia me lembrar que eu tinha me levantado. Em seguida, Ivy e finalmente, Tristan. Eu não podia me lembrar de ser uma


criança, brincar com bonecas, tendo festas do pijama. Tudo o que eu já tive foi esse inferno. Eu empurrei meu corpo para fora do carro, pegando minhas coisas e fui para dentro. Mudei-me mecanicamente. As crianças me cumprimentaram e me abaixei para abraçar e beijar os dois, mantendo-os em meus braços mais que o normal, me embebedando em seu conforto. — Você está me apertando muito forte, Row — Tristan contorceu seu pequeno corpo para fora dos meus braços. — Desculpa — Eu disse a ele. — Row? — Ele inclinou a cabeça interrogativamente. — Você vai chorar? Eu nem tinha percebido que meus olhos estavam cheios de lágrimas. As lágrimas não transbordaram e eu nem sabia por que estavam ali, em primeiro lugar, talvez por tudo que eu tinha perdido e estava trabalhando tão duro para que meus irmãos não tivessem que experimentar. Eu tinha uma suspeita de que essas lágrimas eram por causa de Trenton também. Ele entrou de novo na minha vida, fazendo-me sentir de novo, e minhas emoções irromperam como a água de uma represa. — Não querido, eu não vou chorar — Eu forcei um sorriso quando ele agarrou meu rosto entre suas duas pequenas mãos, olhando para mim com fascínio. — Eu não quero que você fique triste — Seus lábios fizeram uma careta.


— Às vezes, você tem que ser triste — Eu disse a ele, minha voz trêmula. Tristan passou os braços em volta do meu pescoço e agarrou-se a mim com força. Tivemos um especial vínculo e um que eu não compartilhava com Ivy. Eu o peguei para levá-lo para a cozinha quando minha mãe abriu os olhos turvos de onde ela estava deitada no sofá. — Ele não é um bebe. — Seja como for — Revirei os olhos enquanto ela desmaiou mais uma vez. Eu estava cansada e nem sequer pensei em ferver o macarrão, então me contentei em sanduíches de manteiga de amendoim que nós três mergulhamos no leite e comemos. — Isso é gostoso — Tristan sorriu, sorrindo para mim. Ivy balançou a cabeça em concordância com as suas palavras. Observando os dois, minha garganta se apertou. Eles mereciam mais do que sanduíches de manteiga de amendoim em uma mesa de jogo. Eu não entendia como um pai não poderia desejar o melhor para seus filhos. Mas minha mãe, ela nos fazia sofrer enquanto ela procurava fugir de si mesma como uma covarde. Ivy me ajudou a limpar depois do jantar, então eu dei um banho em Tristan, e li uma história. Adormeci na cama de Tristan, meu corpo envolvido em torno dele, com Ivy ao meu lado.


O vento soprava meu cabelo na minha cara, vários fios longos ficaram presos no gloss que revestia meus lábios. Eu puxei o meu cabelo, levantando minha cabeça abaixada. Quando olhei para cima, meus passos vacilaram. Eu não podia acreditar no que estava vendo. Isto tinha de ser uma miragem ou algo assim. Trenton estava em frente a mim, ele estava de volta, encostado em um poste de luz, com uma xícara de café e outra coisa em sua mão. Eu estava tão confusa. Ele ainda devia estar na escola, o que ele estava fazendo aqui? Ele olhou para cima, em seguida, um sorriso se espalhou por seu rosto bonito quando ele me viu. Ele estava vestido muito bem em um par de jeans e um longo casaco de botão preto. Seu cabelo escuro estava escovado para fora de seus olhos. Para mim, parecia que ele deveria estar na pista, não em um campus frio. Ele parecia tão sofisticado e fora do meu alcance. Ele não desceu os degraus. Ele esperou por mim para encontrá-lo. Caminhei lentamente para ele, borboletas agredindo meu estômago. — Oi... O que você está fazendo aqui? Eu falei, mesmo quando eu não estava tentando, ainda soava como uma cadela. Havia algo seriamente errado comigo. Ele riu, lambendo seu lábio inferior. — Eu te trouxe café — Ele levantou o copo de papel.


— Eu posso ver isso, mas por que você está aqui no meu campus — Eu assobiei. — Você não deveria estar na escola? Ele encolheu os ombros musculosos. — Eu terminei o meu trabalho da escola mais cedo e decidi vir para casa. Não havia nenhum ponto em ficar lá quando eu poderia estar em casa. — Com você, as palavras ficaram lá no ar, sem serem ditas. — Bem — Eu cheguei para o café — Obrigada por isso. — É caramelo — Ele me assegurou, antes que eu tomasse um gole. — Ainda é o seu favorito? — Ele perguntou hesitante. — É — Eu balancei a cabeça. — Eu não posso acreditar que você se lembrou — Eu sussurrei em reverência, tomando um gole do líquido quente. Ele me deu uma dose de cafeína necessária e calor. — Eu me lembro de tudo sobre você — Ele sussurrou. — Oh, aqui está o presente. Minha garganta se fechou quando olhei para brilhante em suas mãos. Peguei dele os bolinhos dele.

sacola

— Você realmente lembra de tudo — Eu engasguei. Ele riu. — Yep. Seu nome do meio é Elise e você odeia isso, porque você acha que isso soa antiquado. Eu, por outro lado, adoro isso. Sua cor favorita é o verde. Bolinho de arroz Krispie Treats é seu doce favorito — Ele acenou para minha mão — Você gosta de ler tudo e qualquer coisa, e... Devo continuar? — Ele levantou uma sobrancelha, esperando pela minha resposta.


Olhei para ele com admiração. Eu pensei que após todos esses anos, teríamos que nos conhecer novamente, mas ele não tinha esquecido nada sobre mim. Eu certamente não tinha esquecido nada sobre dele também. — Não — Eu disse enquanto caminhávamos lado a lado. Eu tive que começar a minha última aula do dia. Trent andou ao meu lado, nós dois em silêncio. Parei na porta do prédio que levava a minha próxima aula. — Eu tenho que ir, eu não posso me atrasar — Eu murmurei. Trent assentiu. — Eu sei. Eu vou... Te vejo mais tarde — Ele sorriu, inclinando-se para me dar um beijo suave que deixou todo o meu corpo zumbindo. — Obrigada por isso — Eu segurava o café e bolinho de arroz Krispie no alto. Ele balançou a cabeça, inclinando a cabeça para mim enquanto se afastava. — Vermelho — Eu disse para ele enquanto recuava. Ele se virou, parando no meio do caminho com uma sobrancelha levantada. — Sua cor favorita é vermelho — Eu respirei. — Lembro-me de coisas também, Trent.


Capítulo Nove Mesmo horas depois, eu ainda estava chocada com a visita surpresa de Trenton e do gesto doce do café e bolinhos de arroz Krispie Treat. Eu avidamente tomei todo o café, achando que fosse a coisa mais deliciosa que eu já provei. Por alguma razão, no entanto, eu tinha sido incapaz de devorar o deleite açucarado atualmente residindo em minha mochila. Como uma criança, eu queria segurá-lo e valorizá-lo pelo que significava. Cinco anos. 1.826 dias. Foi um longo tempo. No entanto, era como se não tivesse passado nenhum dia para nós. Nenhum de nós nunca tinha sido capaz de esquecer o outro. Lembrava-me de coisas sobre Trenton que eu desejava conseguir esquecer. Seria muito mais fácil se o ignorasse. Mas nós tivemos um passado, um passado que se recusou a deixar qualquer um de nós. Fomos amarrados juntos e nossa ligação era indestrutível. Meus anos ignorando-o tinham provado o quão eterno era, porque aqui ele estava praticamente onde sempre esteve é como se nunca tivesse ido. Conexão como a nossa, - eu me recusei a pensar nisso como o amor, o amor era apenas um conto de fadas - não era facilmente quebrada. Estendia-se, se desgastava, mas não se quebrava.


Olhei para o tempo no meu telefone, xingando baixinho. Eu tinha que chegar em casa, as crianças provavelmente estavam morrendo de fome, e meu "tempo de estudo" tinha sido praticamente inexistente. Arrumei minhas coisas e tranquei a biblioteca. Eu não poderia chegar em casa rápido o suficiente. Eu me senti horrível que eu tinha esquecido completamente o tempo. Eu poderia ter que parar de ficar até mais tarde na biblioteca, mas isso significava que eu nunca obteria qualquer trabalho escolar feito. Tecnicamente, porém, eu não deveria ter que me preocupar em correr para casa. Eles eram responsabilidade da minha mãe, mas a mulher não podia fazer nada. Quando entrei pela porta, eu encontrei as crianças jogando em seu quarto. — Hey — Eu parei na porta, um pouco sem fôlego. — Vocês estão com fome? Eles balançaram a cabeça. — Ivy me fez um sanduíche — Tristan sorriu para mim, de onde ele brincava no chão com pequenos carros de brinquedo. Eu fiz uma careta. — Oh. Ok. Eu sabia que na idade de Ivy, ela era perfeitamente capaz de fazer um sanduíche, mas eu não queria que ela tivesse que fazer isso. Eu queria que ela fosse uma criança, saiba que eu


sempre estaria lá para fazer tudo melhor. Eu não queria que ela tivesse que ser... Como eu. Sorri na direção de Ivy, e ela franziu a testa, sentindo-se como se tivesse feito algo errado. — Isso foi muito legal da sua parte, Ivy — Apressei-me a acrescentar. — Se vocês dois estão bem sem mim por um tempo, eu vou tomar banho. Ivy concordou. — Nós vamos ficar bem. Ela não sabe, mas essas três palavras feriram. Isso me fez pensar se eles ficariam muito bem sem mim. Talvez eu estivesse sendo egoísta por pensar que precisavam de mim. Peguei um par de calças de moletom e uma camisa solta do meu quarto, me tranquei no banheiro. Encostei-me à porta, perguntando-me porque um sanduíche estúpido me fez ficar chateada. Não era o sanduíche, mas o que ele representava. A vida continuou sem mim por perto. Eu afundei no chão, descansando minha cabeça em meus joelhos. Um pensamento ficou na minha mente. Ninguém precisa de mim. Eu não estava surpresa ao ver Trenton esperando ao lado do meu carro quando eu saí da escola. Eu tinha vindo a esperar que ele aparecesse. — Oi — Eu disse hesitante. Após meu colapso ontem à noite, minhas emoções estavam em carne viva e eu não estava


pronta para vê-lo. Eu sabia que Trent iria ver que algo estava errado e outro dia para acalmar minha mente teria sido bem-vindo. — Café, bolinho de arroz Krispie treat — Ele me entregou. Apesar dos meus esforços, eu sorri, pegando os itens dele. — Será que isso vai se tornar uma ocorrência diária? — Eu questionei. Ele sorriu, tirando seu cabelo preto dos olhos. — Claro. Isso me dá uma desculpa para vê-la até que eu volte para a escola. Não vamos falar sobre isso, no entanto — Ele pareceu sentir o meu desconforto com a menção de ele estar ausente na escola. — Você está bem? Eu balancei a cabeça. — Tudo bem. — Eu trouxe a xícara de café aos lábios e tentei não deixar cair meu bolo de arroz Krispie Treat. Eu estava determinada a comer meu presente. Como não era um dia muito frio eu pulei em cima do meu carro e bati no espaço vazio ao meu lado. Trent rapidamente tomou o lugar ao meu lado, o carro saltando. Uma pequena risada escapou de mim. Ele chutou as pernas para fora, e pela primeira vez parecia sem saber o que dizer. — Hoje foi o último dia de aulas? — Ele perguntou quando eu definir a xícara de café entre nós e rasguei a embalagem do bolinho. Eu balancei a cabeça, dando uma mordida e oh meu Deus, era a melhor coisa que eu já provei. Eu não tinha tido um deles


por tanto tempo. Eu estava começando a me arrepender de não comer o de ontem. — Eu nunca perguntei o que você está estudando — Ele me sondou por respostas. — Enfermagem — Eu respondi com a boca cheia de comida, usando a mão para esconder a minha boca. Seus olhos se arregalaram de surpresa. — Eu não esperava por isso. — Por que não? — Eu perguntei, terminando o último pedaço do bolinho e lambendo meus dedos limpo. — Eu não sei — Ele deu de ombros, olhando para mim com o canto do olho. — Isso simplesmente não parece muito... Você. Sua declaração não me ofendeu. Quando eu o conheci eu fui convencida que estava destinada a coisas maiores e melhores. Eu tinha estado interessada em atuar... Oh, como os sonhos mudam quando a vida fica no caminho. — E eu pareço com que? — Respondi, pegando a xícara de café mais uma vez e segurando-a entre as mãos. Ele olhou pra mim pensativo. — Professora... Sim, eu poderia vê-la como professora. Você é boa com as crianças. Lembro-me de ver você com a sua irmã uma vez, Ivy, certo? — Quando eu balancei a cabeça, ele continuou. — Eu pensei que eu nunca tinha visto ninguém lidar com uma criança tão bem antes. Você vai fazer uma ótima mãe um dia, Row — Ele me olhou melancolicamente. Eu olhei para longe e para fora do estacionamento. Eu não quero falar sobre isso.


Eu trouxe a tampa do copo de café para os meus lábios e deixei o calor líquido aquecer meu corpo de repente me sentindo fria. — Eu disse algo errado? Eu me virei para olhar para ele e balancei a cabeça. — Você não parece bem — Ele sussurrou. — Você está...? — Ele deixou a questão pendente. — Arrependida? Não — Eu esfreguei os meus olhos cansados — Foi apenas uma noite difícil. — Depois da minha mini crise de muitas lágrimas enquanto tomava banho, subi na cama com Tristan. Eu precisava me cercar com o conforto das crianças. Se eu me fechasse no meu quarto, eu acho que eu teria enlouquecido. — Bem — Ele começou, e eu jurei uma leve cor-de-rosa manchou seu rosto — Permita-me fazer desta noite não tão difícil. Eu levantei meu olhar. — Venha jantar comigo... Por favor — Ele pediu, como se pensasse que o "por favor" me faria desistir. — Você sabe que eu não posso — Eu fiz uma careta. — Ivy e— Posso providenciar um grande jantar, assim você vai ter sobras para levar para casa para eles. Ou você pode trazê-los com você. Eu não me importaria. Seria limitar meu tempo de beijar você — Ele piscou — Mas eu estou disposto a fazer o sacrifício.


— Eu preciso ir para casa e me trocar, mas eu posso estar lá em duas horas. — Isso me daria tempo de sobra para tomar banho, me trocar e me dar uma conversa de vitalidade, porque eu ia estar no lugar de Trenton... Só nós dois... Oh, Deus. O sorriso de Trent era tão grande que aparecia rugas nos cantos dos olhos. Ele pulou do meu carro e começou a se afastar. — Eu acho que é melhor eu providenciar o jantar. — Eu pensei que você já tinha um plano — Retorci. Ele deu de ombros. — Achei que você ia dizer não. Com isso, ele virou-se e correu até onde seu carro preto estava estacionado. Eu continuei sentada no porta-malas do meu carro, bebendo o café caramelo delicioso, e perguntando o que diabos eu tinha feito. Meu cabelo estava limpo e seco, pendurado liso e longo nas minhas costas. Eu usava uma calça jeans, um suéter preto que pendia solta um pouco fora do meu ombro e um velho par de botas que certamente tinha visto melhores dias, mas eram tão confortáveis que eu me recusava a livrar delas. Eu escovei os dentes, pela quarta vez desde que eu tinha estado em casa e forcei os dedos pelo meu cabelo. Meu coração estava disparado no meu peito, com a possibilidade do que poderia estar prestes a acontecer entre Trent e eu. Eu meio que me senti como um cara arrogante, assumindo que sexo estava


no cardápio, mas depois do beijo no carro... Eu estaria mentindo se dissesse que não queria mais. Isso não significava que eu não estava com medo. Eu não tinha feito sexo, exceto uma vez há muito tempo. Eu tinha certeza que Trent tinha muita prática e sabia exatamente o que estava fazendo. Eu, por outro lado, era muito sem noção. Uma vez não me fez mestre. Claro, houve momentos ao longo dos anos, quando os caras tinham manifestado interesse em mim, mas eu não poderia nem mesmo beijá-los, quanto mais fazer sexo. No fundo da minha mente, havia sempre... Bem, havia sempre Trent. — Pare com isso, Rowan — Eu olhei para o meu reflexo no espelho. — Pare com isso agora. É apenas jantar. Isso é tudo. Oh, Deus. Agora eu estava falando comigo mesmo no espelho. Eu estava destinada ao hospício. Merda. Obriguei-me a sair do banheiro, coloquei meu casaco e peguei minha bolsa. Eu estava quase para fora da porta, quando eu olhei para trás e vi minha mãe desmaiada no sofá. Revirei os olhos, e caminhei de volta para dentro, agarrando a lixeira e colocando-o ao seu lado. Eu não queria voltar para casa e ter que limpar seu vômito. Eu acho que o som da lixeira sendo colocado perto dela a acordou, porque seus olhos castanhos grogues se abriram para encontrar os meus. — Que porra você está fazendo inclinando-se sobre mim desse jeito?


Eu apontei para a lixeira. Eu não lhe devo uma explicação. Eu não lhe devo nada. — Você é um inútil pedaço de merda! Você sabe disso! — Ela me chamou. Virei-me, e falei. — Só porque eu sou sua filha — Eu cuspi. — Então, você sabe. — Sua putinha — Ela rosnou, seu cabelo gorduroso pendurado frouxamente em seus olhos enquanto ela lutava para sair do sofá e vir para mim. Bati a porta e corri para o meu carro, acelerando para longe antes que ela pudesse vir para fora. Uma parte de mim esperava que ela viesse para fora e estivesse tão bêbada que se esquecesse de como voltar para dentro, então talvez ela congelasse até a morte. Foda-se. Eu era uma pessoa horrível. Que tipo de pessoa em sã consciência deseja a morte de sua mãe? O tipo doente. Eu estava indo para o inferno. Trent tinha me mandado uma mensagem com as direções para o seu lugar, pois ele já não morava na mansão de sua família. Tão grande quanto aquele lugar era eu estava surpresa que ele não tinha ficado. Certamente ele tinha muita privacidade lá. Eu dirigi pela cidade e entrei em um bairro agradável repleto de sobrados de três andares. Minha boca estava aberta. Que tipo de cara de 21 anos de idade precisava de um lugar como este? Puxei ao longo da estrada e verifiquei meu telefone para me certificar de que eu me lembrava do número da casa direito. Quando eu tive certeza que eu estava no lugar correto, eu dirigi


para frente e parei na calçada. Sentei-me por um momento, um pouco com medo de sair e bater na porta. — Você não tem nada a temer, Rowan — Eu murmurei para mim mesma. Ótimo, não só eu falava para mim mesmo no espelho, mas agora eu fiz isso no carro também. Eu saí e tranquei meu carro, embora, neste bairro agradável, eu duvidava que alguém iria querer entrar neste calhambeque. Subi os degraus e cheguei até a porta da frente. Estendi a mão e hesitante bati na porta. Nenhum som me cumprimentou, e quando mais de trinta segundos haviam se passado sem Trent aparecer, eu empurrei a campainha. Ouvi Trent falando, mas ninguém respondeu então eu estava um pouco confusa sobre o que estava acontecendo. — Fique longe de lá, Dean! — Ele gritou quando a porta se abriu. — Oi — eu disse, mas ele não estava olhando para mim, mas por cima do ombro. Foi quando eu vi o bebê. Puta merda. Trent tinha um filho. Uma porra de um bebê. Minha garganta fechou. Ele teve um filho com uma garota que era provavelmente muito mais bonita e mais agradável do que eu era. Eu me perguntei por que ele não estava com ela e por que ele estava perdendo tempo comigo. Eu nem percebi que eu estava fazendo isso, mas eu me virei e corri em direção ao meu carro. Trent me chamou, mas eu não parei. Eu fui para desbloquear o meu carro, mas eu não conseguia encontrar as chaves. Onde diabos estavam as minhas chaves? Bati em meus bolsos, olhei na minha bolsa, e eles não estavam lá. Tanto para a minha fuga rápida.


A porta de sua casa estava abrindo de novo e eu me virei para vê-lo descendo as escadas com o pequeno monstro babando em seus braços. Normalmente, eu gostava de bebes, mas o filho que Trent teve com uma puta, me deixava com tanta raiva que eu não conseguia enxergar direito. — Fique longe de mim! — Eu fervi, pronta para socá-lo no nariz se ele desse um passo mais perto. — Row, eu não sei por que você está pirando. Me desculpe, eu não te contei sobre Dean. Esqueci-me que eu deveria vê-lo. — O bebê - que era realmente uma criança - soprou e cuspiu bolhas para mim e acenou. Eu odiava a admitir, mas ele era muito bonito. — Você deveria ter me dito que tinha um filho! — Exclamei, apontando para a criança em seus braços. — Eu merecia saber! As sobrancelhas de Trent franziram em confusão. — Você acha que Dean é meu filho? Eu dei a ele um olhar 'duh', e cruzou os braços sobre o peito. — Eu não sou burra, Trenton. — Não, não é — Ele riu — Mas tira conclusões precipitadas que podem deixar você em apuros. Dean não é meu filho. — Ele não é? — Eu odiava o fato de que aquelas palavras me fizeram respirar mais fácil. — Não — Trent riu. — Ele é meu sobrinho. — Sobrinho...? Oh. — Eu sou um idiota colossal e só fiz papel de boba.


— Sim, este é Dean — Ele apontou para o bebê, equipado em um jumper xadrez vermelho — O filho de Trace. Corei profusamente, envergonhada pela minha reação exagerada. — Ah... Eu sinto muito... Eu pensei... — Eu sei o que você pensou — Ele riu, claramente divertido com a minha humilhação. — De qualquer forma, quando eu te convidei para jantar, eu tinha esquecido que eu disse a Trace que cuidaria dele para ele e Olivia pudessem ter uma noite fora. Eu espero que você não se importe... — Ele parou, coçando a parte de trás de sua cabeça. Dean começou a fazer um zumbido com os lábios. — Não, eu não me importo. Posso... Posso segurá-lo? — Eu abri meus braços. Meu comportamento tinha mudado completamente uma vez que eu sabia que o filho não era dele. Trent rapidamente depositou o bebê em meus braços. — Talvez eu possa cozinhar agora. Este pequeno gremlin — ele deu um tapa bunda de Dean — Continua tentando tirar o Bartolomeu de dentro da gaiola ". Eu ri. — O furão? — Sim — Trent balançou a cabeça, voltando para dentro, assumindo que eu estava seguindo, e é claro que eu fiz. A casa era muito bonita, com piso de madeira e paredes brilhantes de luz azul. Era arejada e acolhedora. Havia uma sala de estar formal à minha direita, mas estava vazia. Segui Trent para a parte traseira da casa, passando por um conjunto de


escadas, que se abria para uma cozinha, sala de jantar e sala da família. A mobília era escura e viril, mas tudo estava surpreendentemente limpo e arrumado. Não havia nada que não deveria estar lá. Eu não sei por que eu esperava uma bagunça. — Então... Onde está Bartolomeu? — Perguntei. Neste ponto, uma parte de mim ainda não acreditava que ele tinha um furão de estimação. Ele apontou para uma gaiola no canto, que foi obscurecido pela grande centro de entretenimento. — Eu mantenho-o lá quando eu estou aqui embaixo, e ele tem uma gaiola no meu quarto. — Ele fica sozinho? — Eu ri. — Eu fico sozinho — Disse ele com uma cara séria. — Você não acreditaria como bom companheiro um furão é. — Você é um cara estranho — Eu continuei a rir enquanto Dean se contorcia em meus braços. Eu finalmente fui obrigada a soltá-lo. Ele imediatamente correu para a gaiola de Bartolomeu e tentou desfazer a trava. Trent não estava mentindo, o garoto realmente queria o furão fora. — Agora que você está aqui — Disse Trent enquanto olhava através da geladeira — Você pode tirar o Bartolomeu da gaiola e se você quiser e deixar Dean acariciá-lo. — Uh... — Eu não sei por que, mas eu me senti um pouco assustada com a criatura marrom e branca olhando preguiçosamente para mim de dentro de sua gaiola. — Oh, vamos lá, Row — Trent me incitou, enquanto fechava a porta da geladeira, os itens colocados sobre o balcão de granito — Não me diga que você está com medo dele. Ele não vai morder... Se você for boa.


Eu respirei fundo e dei um passo adiante. Coloquei Dean atrás de mim e abri à gaiola. A criatura peluda pulou para fora da rede e correu para a porta aberta. Agarrei-o antes que ele pudesse saltar. Ele era surpreendentemente leve e sua pele era macia. Eu olhei para o rosto dele, e ele era realmente muito bonito. — Vamos, Dean — Eu olhei para a criança quando me sentei no sofá. Segurei Bartolomeu em uma mão e estendi a outra para ajudar Dean. — Mew Mew — Dean sorriu para mim, exibindo pequenos dentes brancos quando ele apontou para a criatura se contorcendo em minhas mãos. — Ele não pode dizer Bartolomeu — Trent disse — Apenas tenta dizer. Revirei os olhos e não respondi. Será que ele realmente acha que eu não conseguia descobrir o que o garoto queria dizer com Mew Mew? — Sente. — Dean acariciou Bartolomeu com uma surpreendente delicadeza. — Beijo. — Ele abaixou a cabeça e beijou o bicho peludo em cima de sua cabeça pequena. Bartolomeu parecia fascinado pela atenção e não se mexeu. Ele se acalmou nos meus braços e eu pensei que ele poderia ter caído no sono. Quando eu acordei esta manhã não tinha imaginado como seria meu dia. Quero dizer, quem espera se abraçar com um furão? Eu ainda me sentia um pouco mal por saltar para a conclusão de que Dean era filho de Trent sem fazer perguntas. Eles pareciam tão parecidos. Dean tinha cabelos escuros e seu sorriso tinha Wentworth escrito tudo sobre ele. Imaginei que


Trace e Trent tinha alguns genes fortes. Não havia nada sobre Dean, que não se parecia com um Wentworth... Exceto, talvez, o nariz ligeiramente arrebitado. Ele era um garoto bonito com expressivos olhos verdes... Ele parecia babar muito embora.

continuou gordinha.

a

Dean se arrastou para o meu colo e acariciar Bartolomeu com sua pequena mão

— Mew Mew — ele sussurrou novamente. Olhando para mim, perguntou: — Quem é? Dean pareceu perceber pela primeira vez que eu era uma estranha. Ele ainda estava deitado em meu peito, porém, e parecia não ter planos para sair. Diferentemente da maioria dos garotos, ele obviamente não tinha medo de ficar aconchegante com um estranho. — Meu nome é Row — Respondi-lhe. — Row? — Ele repetiu, olhando para mim com grandes olhos verdes. — É isso mesmo — Sorri, fazendo leves cócegas em seu estômago e fazendo-o rir. Olhei para cima e meu olhar conectou com Trent. Ele estava me olhando melancolicamente, e meu coração disparou no meu peito por saber o que ele estava vendo e provavelmente imaginando. Eu rapidamente desviei o olhar. — Eu, Dean — Dean apontou para o peito. — Você, Row — Ele cutucou meu peito. Definitivamente um Wentworth. —


Aquele, Mew Mew, e tio! — Ele torceu para apontar com entusiasmo em Trenton. Trent riu, balançando a cabeça enquanto cobria uma espécie de peixe com um tempero. — Bom trabalho, Dean. Obrigado por fazer as apresentações. — Bem-vinda — Dean sorriu, virando-se para mim. O menino se acalmou e voltou a acariciar Bartolomeu. Estiquei as pernas sobre a poltrona, ajustando meu aperto em torno do furão e da criança, já que parecia que ela estava a segundos de distância de cair no sono. Quando eu olhei Trent com o canto do olho, eu o vi ocupado com o que ele estava fazendo. Ele estava lendo algo em seu telefone. A receita, talvez? Ele continuou sacudindo a cabeça para manter o cabelo escuro de seus olhos. Seu polegar deslocando a tela em seu telefone e sua língua presa um pouco fora de sua boca enquanto ele se concentrava. Ele murmurou baixinho e começou a abrir os armários enquanto procurava alguma coisa. Ele finalmente localizou e acrescentou em uma tigela. Enquanto ele trabalhava, ele cantarolava baixinho. Eu não reconheci a música e não tinha certeza de que era realmente uma canção, ou apenas algo que ele estava inventando à medida que avançava. Ele ligou duas bocas do fogão a gás e colocou alguma coisa nele... Parecia que ele iria grelhar o peixe... Pelo menos eu pensei que era peixe. Sentindo-me como uma espiã por espioná-lo enquanto ele cozinhava, eu olhei de volta para baixo, e vi os dois pacotes quentes em meus braços. Tanto o furão quanto Dean estavam


dormindo. E não parecia que estariam se movendo tão cedo. Pela primeira vez, eu estava bem com isso. Eu não senti a necessidade de fazer nada. Eu estava realmente me divertindo, e eu nem estava realmente saindo com Trent. Mas eu estava aqui, em sua casa, e eu não tinha vontade de sair. Eu estava... Confortável. — Você está bem? — Trent perguntou enquanto algo chiava no fogão. — Mhmm — Eu cantarolava: — Eu estou bem. Trent virou para me olhar por cima do ombro, e no seu sorriso, eu não pude deixar de sorrir em resposta. — Bom — Ele disse, seus olhos me devorando como seu eu fosse seu chocolate favorito. Arrepios percorreram minha pele, enquanto ele olhava para mim. Aquele olhar... Ele revirou meu interior em completa desordem. Senti-me bem por sentir, desejar. Com uma piscadela Trent voltou-se para o que estava fazendo. Eu me perguntei se ele estava ciente das deliciosas sensações que percorriam meu corpo a partir de um único olhar. O menino era bom, e ele nem sequer tentava. Era um talento que ele tinha. Devo ter cochilado também, porque, algum tempo depois, fui acordada por Trent agitando meu ombro. Bartolomeu tinha ido embora, e eu comecei a entrar em pânico, mas eu imediatamente vislumbrei ele cochilando em sua rede. Dean ainda estava enrolado em meus braços, seu corpo fornecendo calor ao meu. Seus pequenos lábios estavam franzidos no sono. — O jantar está pronto — Trent me disse.


Eu balancei a cabeça, abafando um bocejo. Trenton pegou Dean de cima do meu colo e o menino despertou com um sobressalto. — Rent? — Ele perguntou intrigado, olhando para Trent com olhos sonolentos. — É o tio Trent — Assegurou a criança, levando-o para uma cadeira da mesa de jantar. — Você tem uma cadeira para ele? — Inclinei a cabeça, vendo Trenton e Deand. — Bem, eu comprei — Ele riu. — Eu cuido de Dean, tanto quanto eu posso quando estou em casa. Trace trabalha muito e Olivia fica em casa com ele o tempo todo — Ele carinhosamente beijou o rosto de Dean, fazendo um som alto com os lábios. — Às vezes, eles precisam de uma pausa, e eu estou feliz em ajudar. Eu gosto de crianças — Ele encolheu os ombros. — Eu até tenho um conjunto de jogos para quando temos festas do pijama — Ele piscou, bagunçando o cabelo da criança, e passeando na cozinha. Sentei-me à mesa na frente de um prato fumegante de delícias. Meu estômago roncou quando eu inalei os aromas de alecrim e alho. Era oficial, o homem podia fazer tudo, ele era perfeito. — Você bebe vinho? — Ele perguntou, olhando para mim por cima do ombro. — Eu estou bem como você bebendo, se é isso que você está perguntando, mas não, eu nunca bebi... — Depois do que eu vi em casa, como eu poderia querer? Eu não queria ser minha mãe.


— Este é realmente bom com o nosso jantar — Ele pegou uma garrafa no alto. — Você gostaria de experimentar? Eu fiz uma careta, preparada para dizer não a ele, mas ele já estava derramando um copo. Eu não vejo como um copo poderia me transformar em uma alcoólatra em fúria. Além disso, se eu odiasse isso, eu não teria que beber. Trent arrumou nossos copos e voltou para a cozinha, trazendo um prato de comida para Dean. Ele sentou-se ao lado da cadeira e alimentou Dean com uma colher de purê de batatas. — Se eu deixá-lo se alimentar, ele joga a comida em mim — explicou Trent. — Eu realmente sinto muito por isso — Ele inclinou a cabeça para Dean, que estava fazendo um zumbido enquanto comia uma colher de purê de batatas. — Isso não era nada do que eu tinha planejado para hoje à noite. — E o que você planejou? — Eu aventurei a dar uma mordida no salmão grelhado, que merda se não era a melhor coisa que eu já tinha experimentado. — O jantar — Ele acenou para nossos pratos — Falando... Beijando... — Sempre o beijo — Eu ri, o som me surpreendendo. Eu estava rindo, e se eu lembrava corretamente, houve outros momentos em que Trent tinha me feito rir... Uma verdadeira risada verdadeira, não a que eu tive que forçar. O homem tinha superpoderes. — Eu gosto de beijar você — Ele piscou, alimentando Dean com um pedaço de frango assado.


— Você tem alguma coisa planejada? — Eu questionei quando eu tomei um gole de vinho hesitante. Era realmente muito bom e ficava bem com o peixe. — Não. — Malícia dançou em seus olhos quando ele olhou para mim. — Sério? — Eu levantei uma sobrancelha. Ele assentiu, finalmente levando uma mordida de sua própria comida. Constrangimento inundou meu rosto em uma máscara que vermelha, porque eu tinha imaginado mais. Muito mais. O que havia de errado comigo? Eu deveria saber que Trent não era esse tipo de cara. Uma parte de mim ficou desapontada. Eu senti como se talvez ele estivesse fazendo isso de propósito, me provocando até que ele soubesse que eu estava tão desesperada que eu pularia em seus ossos. Não, não seria Trent. Ele não pensaria dessa forma. Mais do que provável, ele queria que eu tivesse certeza que eu quisesse realmente fazer isso. Agora, porém, eu não quero que ele seja um cavalheiro. Não havia nada que eu pudesse fazer. Dean estava aqui, e eu não podia exatamente puxar Trent longe para ter o meu mau caminho com ele. Ele estava bem, embora. Claramente, agora não era o momento certo para a nossa relação se mover nessa direção. Depois de cinco anos, porém, eu sentia como se estivesse prestes a explodir. Valeria a pena à


espera. Trent valeu a pena esperar... Eu só esperava que quando finalmente admitir que eu tinha sentimentos por ele não iria explodir na minha cara. Quem eu estava enganando? Seria. Uma vez que todas as minhas mentiras e enganos viessem à tona, ele me odiaria. Eu tinha que dizer a ele o que eu tinha feito. Eu deveria abrir a boca e deixar sair tudo para fora. Mas eu não podia, e eu era egoísta de qualquer maneira, querendo passar mais tempo com ele antes de não têlo mais. — Como está sua mãe? — Eu perguntei a ele. Eu só vi Lily uma vez, mas ela era uma mulher linda e tinha cuidado bem dos seus filhos... Especialmente depois da morte do pai deles. Ela era o tipo de mulher que eu admirava. Ela era linda, mas forte e independente. Ela não levava desaforo de ninguém. — Seus avós? — A mãe está bem — Ele encolheu os ombros. — Ela está muito ocupada agora, cuidando dos negócios e tudo, mas temos jantar de família uma vez por semana. Eu sempre volto para casa para eles. — Seus olhos ficaram tristes, e ele acrescentou: — Vovô morreu alguns anos atrás... Câncer. Tem sido difícil perdê-lo. Ele se tornou como um pai para Trace e eu. A morte de vovô tem sido mais difícil para Traze do que para mim, mas eu sinto falta dele todos os dias. Meu coração se partiu ao ver a dor em seus olhos. Dois anos depois, era obvio que a perda do seu avô ainda era um ferimento que ainda não tinha cicatrizado, e provavelmente nunca se curaria totalmente. Eu só vi Warren uma vez, mas ele era um bom homem, e saiu do seu caminho para me fazer sentir confortável. — Eu sinto muito, Trenton — Eu sussurrei.


Ele deu de ombros, seus lábios se viraram para baixo em uma careta. — Era a sua hora. — Isso pode ser verdade, mas isso não faz a sua perda mais fácil. Trent assentiu, olhando para Dean. Eu sabia que ele realmente não queria falar sobre seu avô, e estava tudo bem. Eu sabia o que era não querer falar sobre as coisas. Eu não o forcei. Nós mudamos a conversa para tópicos mais confortáveis, como a escola e os amigos. Eu ri e sorri com facilidade, algo que parecia apenas fácil fazer em torno de Trenton. Ele tinha algum tipo de feitiço sobre mim que derretia meu exterior gelado. Ele recusou-se a deixar-me ajudar a limpar depois do jantar, e em vez disso me colocou cuidando de Dean. O menino tinha uma energia renovada depois do jantar e eu tive que persegui-lo. Ele era uma coisinha rápida. — Você precisa ir? — Ele perguntou, colocando os alimentos em recipientes de plástico. Eu balancei minha cabeça. — Eu ainda tenho tempo. — Quer colocar um filme? — Ele perguntou, empilhando os recipientes um em cima do outro. — Isso está bom para mim — Eu agarrei Dean em meus braços antes que ele pudesse rastejar — Mas eu provavelmente não seria capaz de ficar para assistir até o final.


— Qualquer tempo extra que eu ficar com você, eu vou levar — Ele sorriu. Apontando para os recipientes, ele disse: — Estes são para o seu irmão e irmã. Eu imaginei que eles não gostam de peixe, então eu dei-lhes o frango que fiz para Dean. Lágrimas picaram meus olhos. Eu não tinha acreditado nele quando ele disse que ia ter comida para Ivy e Tristan. Mas ele fez. Ele era notável. Afastei-me dele para ele não ver a umidade se formando nos meus olhos e fingi estar brincando com Dean. — Você pode escolher o filme. — Eu pulei quando sua mão pressionou contra minha cintura. — Oh bem , certo — Eu gaguejei. Ele pegou Dean dos meus braços e me levou para a sala de TV. Ele mostrou a TV e disse: — Procure até encontrar algo que você queira ver. Eu fiquei boquiaberta. Eu nunca tinha visto uma televisão tão grande. Parecia de sonhos. Era como uma nave espacial. Eu era uma boa aprendiz; por isso não me levou muito tempo para descobrir como trabalhar o controle remoto. — Thor? — Ele riu, quando eu fiz a minha seleção. — Eu sempre tive uma coisa para super-heróis musculosos — Eu pisquei. Meu Deus. Eu estava flertando? Eu estava totalmente flertando. Trent riu.


— Eu me lembro de todas aquelas camisas de super-heróis que você costumava usar. Você ainda tem elas? — Eu durmo nelas. Ele fez um barulho no fundo da sua garganta, fazendo com que o calor a subisse para o meu rosto. — Eu gosto dessas camisas. Um monte. — Eu também — Gritei. Jesus Cristo, o homem estava me deixando quente e incomodada apenas por falar sobre minhas velhas e maltrapilhas camisetas de super-herói. O filme começou e Trent apagou as luzes. — Você quer um pouco de pipoca? — Ele perguntou antes de se sentar. — Não, obrigada. Ele pegou Dean e se sentou ao meu lado, depositando o menino no colo. O sofá mergulhou com seu peso e eu deslizei em direção a ele, parando quando meu lado esquerdo estava firmemente pressionado contra o seu lado direito. Eu então não queria mais assistir a um filme. Obriguei-me a concentrar na tela, e não sobre a forma como o seu calor me fazia sentir, ou como eu realmente queria inclinar minha cabeça para cima e beijar seu queixo, em seguida, seus lábios, então... Você sabe que tem uma queda, quando até mesmo a visão de Chris Hemsworth não poderia distraí-la.


Eu encontrei meus olhos ficando pesados, e minha cabeça caiu no ombro de Trent. Eu não estava dormindo. estava. Ok, eu estava totalmente.

Eu

não

Mas ele era tão bom, e ele continuou a cantarolar, o som me acalmou. Eventualmente, eu não pude resistir por mais tempo, e dormi com a minha cabeça descansando em seu ombro, e um pequeno sorriso nos lábios. Eu estava sendo acordada, de uma forma bastante grosseira eu poderia acrescentar. Pisquei os olhos abertos para encontrar o irmão de Trent pairando sobre nós. — Trace, pare com isso, isso não é bom — Uma voz feminina disse. — Cara, acorda — Ele bateu no rosto de Trent. Trent acordou com um sobressalto. — O que — Tsk, tsk — Trace balançou um dedo na frente do rosto de Trent, segurando Dean — Dormir no trabalho de cuidar do bebê do irmão, isso não é permitido. — Desculpe — Trent estava levantando os braços acima da cabeça para esticar. Sua camisa subiu expondo sua barriga lisa e tonificada. Eu ansiava por pegar e ter aquela pele nas minhas mãos. Trace abraçou Dean em seus braços, a criança completamente intacta, com os olhos ainda fechados e seu pequeno dedo na sua boca.


A mulher, que não pareceu ser muito mais velha do que eu, olhou ao redor de Trace. — Oi, eu sou Olivia — Ela estendeu a mão para apertar a minha. Sua voz era leve e agradável, e havia algo tão doce com ela... Ela era o tipo de pessoa que você não poderia deixar de gostar instantaneamente. Ela também estava além de linda com longos cabelos escuros ondulados castanhos, lábios carnudos e um nariz arrebitado adoravelmente. Era óbvio que essa era a esposa de Trace, e mãe de Dean. — Rowan — Eu respondi, pegando sua mão e sacudindo-a. — Oooh — Ela tirou a palavra, seus olhos passando por Trace. — Eu ouvi sobre você. — Por que não estou surpreso? — Trent resmungou baixinho. Corei com as palavras de Olívia. Eles falaram sobre mim? Isso foi constrangedor. Olivia olhou Trace, que parecia estar na frente dela como um guarda-costas, para ver Trent. — Nós vamos sair de seu caminho. — Você não fez sexo na frente do meu filho não é? Isso seria traumatizante para ele — Trace perguntou a Trent. Eu sabia que ele estava brincando, mas eu não podia deixar de ficar mais vermelha. — Porra, não. — Ah, então você só xinga na frente dele? Bom saber. Tio do Ano bem aqui — Trace apontou para o irmão.


— Saia da minha casa — Trent resmungou, descendo para pegar o controle remoto e desligou a TV. — Quem paga as contas? “Oh, eu, o que torna a minha casa — Retrucou Trace. Olivia revirou os olhos e olhou para mim. — Eles argumentam o tempo todo. Eu acho que eles acham que é divertido. Eu realmente não sei o que dizer a ela. Ela era uma estranha, e eu não era do tipo que faz amigos com facilidade. — Vamos lá, Trace — Ela colocou a mão em seu braço musculoso e levemente puxou. — Vamos para casa. Estou cansada. — É melhor você não estar muito cansada — Ele sorriu, deixando-a levá-lo em direção à porta da frente — Eu não terminei com você ainda. — Trace! — Ela repreendeu, olhando para Trent e eu com um sorriso envergonhado. — Vejo vocês depois — Ela acenou, empurrando Trace para fora da porta. Assim que a porta estava fechada e os faróis de seu carro se espalharam pela janela da frente, Trent assobiou, dando-me um sorriso engraçado. Com as mãos enfiadas nos bolsos de sua calça jeans, ele disse: — Isso foi estranho. Eu não pude deixar de rir. — Você poderia dizer isso de novo.


— Isso foi maliciosamente.

estranho

Observando careta.

o

tempo,

eu

Ele

fiz

sorriu

uma

— Eu tenho que ir. — Eu sei — Ele se dirigiu para a cozinha, agarrando os recipientes de plástico. — Eu vou levá-la para fora. Ele não se incomodou de colocar um casaco, e assim que o ar frio nos cumprimentou arrepios estouraram em sua pele. Ele saltou para cima e para baixo tentando manter seu corpo em movimento. Abri meu carro e ele me entregou a comida. Inclinei-me para dentro para ajustá-la no banco do passageiro. Quando me endireitei, eu podia jurar que seus olhos estavam colados na minha bunda. Eu levantei uma sobrancelha para ele e ele sorriu, nem um pouco envergonhado por ter sido pego. — Vejo você em breve — Disse ele, inclinando-se para pressionar seus lábios nos meus. Ele terminou o beijo rapidamente, antes que as coisas pudessem evoluir para um nível perigoso, mas eu não estava menos afetada. Eu entrei no meu carro e vi-o correr de volta para sua casa. Com um aceno de cabeça, eu me forcei a voltar para fora da garagem e voltar à realidade.


Capítulo Dez Acordei cedo, determinada a fazer às crianças um pequeno almoço saudável e passar algum tempo com eles. Eu fiz ovos mexidos e alguns pedaços de bacon de microondas. Peguei três fatias de pão na torradeira e reuni nos pratos. Depois que eu tinha colocado tudo na mesa eu olhei para cima para encontrar Tristan parado ali esfregando os olhos. — Bom dia — Eu disse a ele alegremente. — Isso cheira bem — Ele apontou para um prato. — Eu espero que o gosto esteja tão bom — Eu inclinei, beijando o topo de sua cabeça. Eu passei meus braços em torno dele e abracei-o. Tristan e Ivy eram as únicas pessoas que eu nunca amei verdadeiramente. Algo me disse, porém, que, se eu me deixasse, eu poderia amar Trent também, mas eu não sabia se eu estava pronta para isso. Eu liberei Tristan e ele subiu na cadeira. Ivy saiu do quarto ao lado, farejando o ar. — Mmm — Ela cantarolou. Com base em suas reações, eu estava feliz por ter tomado um tempo para fazer-lhes um café da manhã decente. Quase todas as manhãs, ou eu não tenho tempo, ou não tem os ingredientes. Sentei-me, tomando tempo para falar com eles. Tristan estava animado sobre a aprendizagem do alfabeto, e Ivy


mencionou o nome de um menino. Eu ia ter as mãos cheias com essa. Eu adorava esses momentos que tinha com eles onde nós éramos como uma família. Eu realmente esperava que eu não tivesse que esperar muito mais tempo antes que eu pudesse assumir a custódia deles longe da minha mãe. Como se conjurada pelos meus pensamentos, ela apareceu na porta da cozinha. Seu cabelo preso descontroladamente em volta da cabeça e havia bolsas sob os olhos. — Dá-me isso! Fiquei de boca aberta quando ela pegou o prato meio comido de Tristan. Que tipo de mãe leva a comida de seu filho? O lábio inferior de Tristan começou a tremer com a ameaça de lágrimas. Levantei devagar, olhando para a minha mãe. — Dê. Isso de volta. — O quê? — Ela engasgou, não porque ela não tivesse me ouvido, mas porque ela não podia acreditar que eu tinha falado. — Você me ouviu. Um pedaço de ovo agarrou-se a seu lábio inferior. Tudo sobre a mulher era nojento, não podia acreditar que eu era uma parte dela. Sua mancha ficou em mim, e isso era algo que eu nunca seria capaz de tirar e mudar. Ela colocou o prato no balcão, não na frente de Tristan.


— Esta é a minha casa — Ela fervia, o cheiro de sua respiração ameaçando me derrubar — E os alimentos me pertencem. Eu vou comer o que eu quiser. — Eu comprei aquela comida elas são minhas — Apontei para o meu peito. — Você não tem direito Minha cabeça foi para o lado com o impacto de sua mão no meu rosto. Meus dentes bateram no lábio inferior da minha boca com o impacto e eu senti gosto de sangue. Tristan começou a chorar, e quando eu olhei para Ivy sua boca estava aberta em estado de choque. — Você pirralha ingrata! — Ela gritou para mim, ódio enchendo seus olhos. Eu não ia deixá-la pensar que um tapa iria me calar mais. Eu já fui muito passiva. Minha boca cheia de sangue e eu me perguntava se seria preciso pontos. Eu realmente rezei para que não precisasse. — Você tirou tudo de mim! — Eu não conseguia parar de gritar. — Eu não sou sua cadelinha mais! Eu não vou sentar e deixar você me governar! Acabou! Ela parecia chocada com o meu retorno. Eu sempre aceitei seus tapas e nunca lutei de volta, mas ela tinha feito muitas coisas para mim no passado, e eu tinha finalmente estalado. Ela não parecia ter um retorno, então ela pegou o prato de comida, olhando para mim, e marchou de volta para seu quarto. Ela bateu a porta com força suficiente para sacudir a casa inteira. — Tristan — Eu sussurrei, inclinando-me para tomar o seu pequeno rosto em minhas mãos. Suas bochechas estavam


molhadas de lágrimas e eu odiava que eu tinha sido parte da causa delas. — Está tudo bem, Tristan. — Você, você, você — ele soluçou — Maldita. Cheguei até a minha boca e meus dedos ficaram com uma leve marca vermelha. Não estava ruim, mas para Tristan parecia o fim do mundo. — Eu estou bem — Eu assegurei a ele. Ele balançou a cabeça, seu cabelo loiro caindo em seus olhos. — Não está bem. Você está sangrando. Levei-o em meus braços, balançando-o para trás e para a frente enquanto ele chorava. Nenhuma criança deve ter de testemunhar o que se passou entre minha mãe e Eu. Tristan provavelmente estava querendo saber quando ela ia bater nele e quando eu gritaria com ele. Eu tinha que tirá-los daqui. Eu só tinha que fazer isso. Quando os gritos de Tristan tinham parado, eu deslizei meu prato para ele. — Aqui, come o meu. Ele estava hesitante no início, mas, eventualmente, a fome venceu e ele começou a comer o que restava da minha comida. Agora que a adrenalina estava deixando as minhas bochechas, dentro da minha boca estava latejando. Eu precisava de Advil.


Fui até a pia e enche um copo com água. Usei-o para enxaguar o sangue persistente que revestia minha boca. O dia mal havia começado, e eu já desejava que terminasse. Vamos para Griffin. Vou buscá-la em uma hora. O texto era de Trent. Uma parte de mim queria responder a ele dizendo que não podia. Meu rosto e boca ainda estavam doloridos, e eu tinha uma dor de cabeça que parecia não querer deixar-me, que nem mesmo o meu medicamento pode aliviar. Depois que eu levasse as crianças para a escola, eu queria voltar para casa e me trancar no meu quarto com as cortinas fechadas. Eu queria bloquear o mundo. Deixei Trent tornar isso impossível. OK. Digitei de volta. Um momento depois, ele enviou um rosto sorridente. Eu não tinha feito nada após o confronto com a minha mãe, então eu sabia que estava horrível. Peguei o chuveiro mais rápido da minha vida, sequei meu cabelo com a toalha, e apliquei mais maquiagem do que eu normalmente faria para esconder a marca vermelha no meu rosto. Ele disse que ia me pegar em 30 minutos, então eu puxei um par de jeans desgastados e uma blusa cinza. Ele parecia um jeans adolescente, então peguei meu casaco mais quente, luvas pretas, e meu cachecol infinito com as palavras BAM! e POW! nele com desenhos de super-heróis. Eu sabia Trent gostaria. A porta do quarto de minha mãe estava fechada. Eu não me incomodei dizendo a ela onde estava indo ou verificando ela. Eu não me importava. Eu tinha parado de me importar muito tempo atrás.


Quando cheguei à frente da casa e olhei para fora das janelas, o carro preto de Trent estava estacionado perto da caixa de correio. Corri para fora para ele, excitação enchendo minha barriga. Um curto período de tempo cercada por Trent já estava me transformando em uma pessoa completamente diferente. Abri a porta do carro e deslizei para o assento de couro quente. Quando eu olhei para ele e vi-o me olhando, meu coração bateu mais forte, assim como eles sempre falam nos livros de romance. O som de minha respiração encheu o carro e eu não podia me envergonhar mais. Nossos olhos se encontraram e nenhum de nós se moveu. O silêncio girava em torno de nós e eu me vi desesperada para quebrá-lo. — Por que estamos indo para Griffin? Jesus, Rowan, de todas as coisas que você poderia perguntar a ele, isso é o que sai da sua boca? Brilhante. Ele sorriu, seus olhos enrugando nos cantos com diversão. — Eu não estou dizendo. Você verá em breve. Ele ligou o rádio e Glenn Morrison soava pelos alto-falantes. Nós realmente não falamos ao longo do caminho. Nós não precisamos. Isso era outra coisa que eu gostava sobre estar com Trent. Não tinha silêncio constrangedor, apenas conforto. Ele estacionou em frente a Griffin e pulou para colocar moedas no parquímetro. Ele abriu a porta para mim e estendeu a mão para me levar. Olhei para ele com inquietação.


— É apenas uma mão, Row — Ele disse — Você pode soltá-la, logo que você sair se quiser. Não há nenhuma obrigação para você segurar a minha mão. Eu coloquei minha mão na sua e ele fechou os dedos sobre os meus. Ele me ajudou no meio-fio, e foi para liberar a minha mão, mas eu apertei para que ele esperasse. Ele olhou para mim com surpresa. Eu sorri para ele e ele sorriu em resposta, uma covinha pulando para fora em sua bochecha. Eu gostava dessa covinha. Um monte. Eu coçava pra ficar na ponta dos pés e pressionar os meus lábios nelas, mas não o fiz. Eu não era corajosa o suficiente ainda. Eu ia levar um passo de cada vez, começando com dar as mãos. Esperamos os carros passarem enquanto estávamos na faixa de pedestres. Eu coçava por puxar minha mão da dele, mas eu me forcei a mantê-la onde estava. Não havia nada de errado com isso. Quando os carros pararam e era nossa vez, corremos pela rua e nossa respiração soltava ar quente no ar frio. O céu estava cinza, com a promessa de neve. Trent segurou a porta aberta para o Griffin para mim e eu entrei. Estava lotado e fiquei surpresa por todas as pessoas. — Vamos lá — Trent pegou minha mão novamente, chegando a ajustar o gorro colorido marrom com o outro — Por aqui. — Ele empurrou através da multidão e eu não sei como ele conseguiu passar seu corpo por esses pequenos espaços. Na área de trás da Griffin tinha um pequeno palco que os músicos poderiam utilizar. Alguém estava lá em cima agora. Uma mão disparou, acenando-nos para uma mesa. Eu estava presa atrás de Trenton e não podia ver quem era. Ele acabou por ser Trace e Olivia. Trace estava sorrindo de orelha a orelha, e Olivia estava com Dean no colo. — Eu estou tão feliz que vocês puderam vir — Ela sorriu, o rosto corou em um tom rosado. Havia um nervosismo em seu


comportamento quando ela mordeu o lábio inferior e olhou nervosamente para Trace. — Você está bem? — Eu perguntei a ela, tirando minhas luvas pretas e tirando o meu casaco. Ela assentiu com a cabeça. — Eu sempre fico nervosa antes de cantar. — Ela começou a mastigar do lado da sua unha. Trace agarrou a mão dela, puxando-a para longe de sua boca, e entrelaçando os dedos com os dela. Ele olhou para ela com tanto amor que até mesmo eu não poderia deixar de ser afetada... especialmente quando eu tinha visto Trent olhar para mim de uma maneira similar. — Você canta? — Eu perguntei a ela, um pouco surpresa. — Nós vamos cantar juntos — Trace esclareceu quando Olivia colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, em seguida, passou a cobrir o topo da cabeça de Dean com beijos. Parecia que ela ia ficar doente, pobre menina. — Você canta? — Eu virei para Trent, que tinha tomado o assento ao meu lado. — Não — Ele respondeu rapidamente. — Vou deixar o canto e música aos dois. — É tão ruim assim? — Perguntei. Suas sobrancelhas franziram juntas. — Eu não sei. Na verdade eu nunca tentei cantar. — Talvez você devesse tentar — Eu apontei para o palco. — Hum, sim, não. Se eu alguma vez cantar, pela primeira vez, não será em um palco na frente de um monte de gente — Ele balançou a cabeça rapidamente. — De jeito nenhum.


Eu não pude deixar de rir com a reação dele. — Será que vocês se importariam de cuidar de Dean enquanto cantamos? — Perguntou Olivia, segurando firmemente a criança. — Não é por isso que você me pediu para vir? — Trent respondeu. — Bem, sim — Olivia deu de ombros. — Nós tivemos que chamá-lo. Dean não gosta de ficar com mais ninguém, além de você. Nem mesmo sua mãe ou a minha mãe. — Isso é porque Dean tem bom gosto nas pessoas — Trent brincou. Griffin apareceu na nossa mesa, perguntando se queríamos pedir alguma coisa. Trent pediu uma cerveja, e eu pedi água. Esta era seriamente a casa de café mais estranha ao redor. Quero dizer, que cafés têm menus, como um restaurante ou um palco, e quais servem cerveja? Acho que Griffin se esforçou para inovar e ser único. — Eles estão chamando nossos nomes. Oh Deus — Murmurou Olivia, parecendo que ela iria vomitar. — Vai ficar tudo bem — Trace assegurou. — Você vai ficar bem — Reforçou, tomando seu rosto entre as mãos e dando-lhe um beijo que não deveria ser legal em público. Eu me afastei, sentindo como se estivesse presenciando algo que era melhor ser mantido em sigilo. Trace ficou em pé, assim como Olivia, que relutantemente entregou Dean para Trent enquanto se dirigiam para o palco.


— Row? — Perguntou Dean, finalmente me avistando. Seus braços estenderam a mão para mim, enquanto tentava sair do aperto de Trent. Peguei o bebê em meus braços e ele sorriu para mim. Segurei Dean em meus braços enquanto eu olhava para o palco. Trace pegou uma guitarra e se sentou em um banquinho, realizando manobras no microfone em direção a ele. Olivia pegou outro banquinho e sentou-se. Seus olhos estavam fechados e ela estava respirando fundo. Trace disse algo no microfone, sem dúvida encantando a multidão, mas eu não conseguia prestar atenção porque Dean tinha agarrado uma mecha do meu cabelo e estava atualmente puxando ele enquanto tentava enfiá-lo na boca. Trent percebeu e começou a rir, mas ele foi rápido para ajudar a desembaraçar-me do aperto. Tenho certeza de que Dean arrancou alguns cabelos. — Isso não é bom — Trent repreendeu, batendo Dean no nariz. Meu coração disparou com uma emoção que eu não poderia começar a descrever. Vendo Trent com Dean... Era incrível e comovente, tudo ao mesmo tempo. Dean estendeu os braços para Trent e então começou a arrancar o gorro de Trent tirando de sua cabeça. — Ele está prestes a bater os terríveis dois anos — Explicou Trent. — Trace e Olivia estão bem com este monstro — Ele fez cócegas no estômago de Dean. Eu ri, bagunçando o cabelo do bebê.


Meus ouvidos finalmente pareceram registrar Trace e Olivia estavam cantando. Ambas as suas vozes eram incríveis, mas juntos eles soaram fenomenal. Fiquei de boca aberta em surpresa quando eles cantaram Everything Has Changed de Taylor Swift e Ed Sheeran. — Wow — Eu engasguei. — Eles são incríveis. — Eu sei, certo — Trent sorriu, segurando Dean que se contorcia. Ouvi atentamente a música e assisti suas interações, enquanto eles cantavam um para o outro e não para a multidão. Era uma coisa bonita de se ver. Eu estava em êxtase, e eu não estava com medo de mostrá-lo. Quando eles terminaram e sentaram-se em frente a nós, mais uma vez, eu mordi minha língua para não falar. Eu não queria constrangê-los. Trace pegou Dean e depositou a criança se contorcendo no colo. Eu comecei a rir quando eu percebi que pai e filho estavam usando correspondentes camisas xadrez azul. Eu me perguntei como ele conseguiu comprar uma camisa infantil para corresponder a dele. — Mew Mew — Dean protestou, alcançando Trent. — Isso é o tio Trent. Mew Mew não está aqui — Trace disse a seu filho. — Eles não deixam tapetes tubarões correr em restaurantes. Eu cuspi minha água. Graças a Deus nada disso pousou em Olivia. Ele apenas salpicou sobre a mesa. — Tapete tubarão? — Eu perguntei.


— Isso é como ele chama de Bartolomeu — Explicou Trent. — Ele acha que é tão inteligente. — Eu sou inteligente — Trace sorriu — Entre outras coisas, como o beijo mais incrível do universo, e o melhor sexo que você nunca vai ter. Corei, mas a mancha no meu rosto em nada comparava com a infusão de Olivia. — Ow — Trace gemeu e eu percebi que Olivia lhe deu um soco na perna. — Nós vamos sair agora — disse Olivia, de pé e puxando seu colorido casaco de couro. — Agora que o meu marido me fez sentir completamente desconfortável, essa é a sugestão de que é hora de ir para casa. — Merda — Trace murmurou. — Eu estou em apuros. — Oh, sim, você está — Olivia olhou para baixo. Foi engraçado, porém, porque, apesar de sua mortificação óbvia, eu não acreditei que ela estava realmente brava com ele, ela estava mais dando um show para assustá-lo para nunca fazer novamente. Agarraram as suas coisas e desapareceram na multidão, mas não antes de dizer adeus. Eu realmente gostei dos dois, e eles eram fofos juntos. Também senti que em algum momento eu poderia acabar sendo amiga de Olivia. — Você quer ficar? Ou sair? — Perguntou Trent. Pensei por um momento.


— Eu estou pronta para ir embora, mas eu não quero ir para casa ainda. Ele sorriu com as minhas palavras, claramente satisfeito com elas. Ele terminou sua cerveja e bateu algumas notas sobre a mesa. — Vamos. Levei um momento para pegar meu casaco abotoado e puxar minhas luvas. Trent pegou minha mão novamente e fizemos o nosso caminho para fora. Estava quente no Griffin´s e o ar frio que senti quando saímos, correu contra a minha pele aquecida. — Está nevando! — Exclamei, sorrindo para os grandes flocos de neve caindo do céu. Eu abri meus braços bem abertos e coloquei minha língua para fora na esperança de pegar um. — Rowan, o que você está fazendo? — Trent riu quando ele me viu agir como uma criança. Eu continuei a girar ao redor, maravilhada com o som me escapando. Eu estava rindo. Eu não sei se eu já ri na minha vida inteira. — Eu estou vivendo — Eu finalmente respondi enquanto a neve rodopiava em torno de nós. Eu nunca tinha me permitido deixar ir e ser tão livre. Eu estava achando que eu realmente gostava. Eu senti como se um peso estava sendo tirado dos meus ombros enquanto eu dançava na rua, a neve caindo no meu cabelo e aderindo a minha roupa. O frio não me tocou. Eu estava estranhamente quente, o olhar de Trenton aquecendo meu corpo.


Eu não estava prestando atenção no que eu estava fazendo e eu de repente comecei a cair à direita na rua, em linha reta para os carros. Trent se lançou para frente, envolvendo uma mão sólida em torno de meu braço e me puxando contra seu peito antes que eu pudesse cair. Meu corpo bateu contra o seu com o impacto e caiu para trás. — Whoa — Disse ele, com uma mão na minha cintura, tentando nos equilibrar e nos impedir de cair. Eu apertei o tecido macio de seu casaco em minhas mãos. Olhei em seus olhos e eu fui tomada pela emoção que eu Lutei tanto para manter dormente, desejo. — Row Eu não pensei. Eu não hesitei. Eu peguei o que eu queria. Eu era alta, mas Trenton era mais alto, por isso trouxe-me à ponta dos pés e lancei meus lábios contra os dele. Meu coração disparou em meu peito com a intensidade. A mão que estava na minha cintura veio até a minha nuca, seus dedos recolhendo meu cabelo comprido em seu aperto. Ele mordeu levemente meu lábio inferior e rosnou contra meus lábios — Eu não posso negar isso por muito tempo. Quero suas pernas em volta da minha cintura, e eu quero me enterrar profundamente dentro de você. Eu engasguei com as palavras inclinei-me e sussurrei em seu ouvido:

dele.

Corajosamente,

— Então faça isso. — Foda-se — Ele gemeu, seus dedos cavando em meu quadril. Seus olhos examinaram meu rosto, procurando por algo.


Um arrepio passou por seu corpo e ele fechou os olhos. Abriu novamente, mordeu o lábio, e tinha que ser a coisa mais sexy que eu já tinha visto. — Você tem certeza? — Você precisa perguntar? — Engoli em seco, olhando para ele com flocos de neve presos aos meus cílios. Ele não respondeu. Em vez disso, ele pegou meu rosto entre suas duas grandes mãos e beijou-me até que me esqueci de tudo, exceto ele. Minhas bochechas aqueceram com o calor de suas mãos e meus lábios se moviam contra eles como se tivessem uma mente própria. Era isso. Este foi o nosso momento. Eu pensei que talvez Trent fosse ficar na calçada e me beijar na neve o dia todo. Finalmente, porém, ele rasgou os lábios longe dos meus e pressionou sua testa contra a minha. Seu peito subia e descia com respirações instáveis. Beijou a ponta do meu nariz, e perguntou: — Venha para casa comigo? Eu não tinha hesitado em tomar o que eu queria e disse que sim. Ele abriu a porta da garagem, dentro da garagem tinha um amplo espaço e uma motocicleta. Assim que eu estava fora de seu carro eu encontrei minhas costas pressionadas contra ele com seus lábios firmes contra os meus. Minhas pernas envolveram sua cintura e ele me agarrou logo abaixo da minha bunda. Seus quadris pressionaram contra


os meus e os meus lábios foram arrancados do seu quando eu engasguei. Ele me levou da garagem, apertando um botão para fechar a porta. Ele se atrapalhou com as chaves para abrir a porta que dava para sua casa. Eu coloquei minha mão sobre a dele para firmá-lo. Ele finalmente abriu a porta e nós explodimos dentro. Ele chutou a porta fechada com o pé. Minha boca nunca saiu da dele enquanto ele me levava por dois lances de escadas e para o quarto principal. Durante todo o tempo estávamos tirando os casacos um do outro. Ele se sentou na ponta da cama comigo montando seu colo. Suas bochechas esfregaram contra as palmas das minhas mãos. Beijei-o profundamente com toda a paixão que possuía meu corpo. Eu tinha que mostrar a ele com minhas ações como eu me sentia, porque as palavras nunca poderiam se comparar. Meu cabelo estava um pouco úmido por causa do derretimento de neve nele e ele escovou os fios longe do meu rosto chovendo beijos no meu pescoço arqueado. Eu tinha certeza de que, mesmo com apenas uma ligeira pressão de seus lábios, ele tinha que sentir o quão rápido meu coração estava batendo. Ele puxou minha blusa fora e jogou-a atrás de mim. Deitouse mais para trás na cama, me puxando com ele. Eu coloquei minhas mãos espalmadas no peito dele e lhe dei um leve empurrão. Ele caiu de costas e eu abaixei sobre ele, beijando-o profundamente quando meu cabelo caiu para frente para criar um escudo.


Sua língua brincava com a minha e um suave gemido me escapou. Eu pensei que eu queria Trent aos dezesseis anos de idade, mas os meus sentimentos, em nada se comparavam com o que eu sentia agora. Suas mãos estavam em cima de mim, assim como as minhas estavam nele. Nós dois estávamos sentindo e explorando o corpo um do outro. Eu não me sentia tímida ou hesitante como eu pensei que estaria. Minhas mãos percorreram seu peito, empurrando para cima a camisa que ele usava, até que ele se sentou para arrancá-la. Ele virou e então estava em cima de mim, beijando minha barriga nua. Suas mãos encontraram o botão da minha calça jeans e ele parou. Ele olhou para mim e seus olhos azuis encontraram os meus. Ele se preparou em cima de mim, seus olhos passando rapidamente pelos meus lábios e de volta para os meus olhos enquanto seus dedos levantavam meu queixo. — Você tem certeza? — Ele perguntou, seus olhos fechando como se a pergunta o afligisse. — Você tem certeza que quer isso? — Ele engoliu em seco. — Diga a palavra, e nós vamos parar. Mas se isto for muito mais longe... Eu não sei se vou ser capaz de parar. Eu preciso de você para me parar agora, se você não estiver bem com isso. — Você tem me tentado até aqui, por que parar agora? Isso foi o suficiente para ele. Seus lábios desceram para tocar os meus enquanto seus dedos encontraram facilmente o botão da minha calça jeans.


Ele puxou para baixo das minhas coxas e eu ajudei chutando-a. — Você. É. Tão. Bonita. — Ele enunciou cada palavra enquanto olhava para uma parte diferente do meu corpo. Meus lábios, meus seios e, finalmente, a pele que espreita para fora acima do topo da minha calcinha. Quando ele olhou para mim, eu acreditei nele, na verdade, eu teria acreditado em qualquer coisa que ele me dissesse naquele momento. — Eu quero amá-la de muitas maneiras — Confessou ele, beijando seu caminho pelo meu estômago. Eu não conseguia controlar o tremor que abalou meu corpo. — Mas eu estou com medo de acabar te afastando. — Seus olhos azuis levantaram para encontrar os meus, roubando meu ar, meu coração, minha alma. — Eu não posso sobreviver se te perder — Admitiu ele, e eu podia ver o quanto o matou confessar essas palavras. — Você não é a única que se manteve afastada. Você não é a única. Não foi até que as palavras saíram de seus lábios que eu entendi o quanto eu precisava ouvi-las. Uma parte de mim que eu lutei muito em silêncio, se perguntava se isso é tudo o que eu era – a única que tinha fugido. Ele me disse que eu não era a única. Um peso foi tirado de mim, um peso que eu nem percebi que eu estava carregando, e eu podia respirar. Ele olhou para mim, como se estivesse esperando que eu dissesse alguma coisa, mas eu não sabia o quê. Estendi a mão e meus dedos se enredaram no cabelo da sua nunca. — Mostre-me o quanto você me ama — Eu engoli em seco, chocada por ter dito a palavra com “A”. Mas nenhum de nós estava declarando nada, estávamos simplesmente mostrando, e havia uma diferença, certo?


Os olhos de Trent se fecharam e quando abriram... O que eu vi lá me assustou. O tipo de olhar... Que te consome, que te muda, que te leva a ruínas. Oh sim, eu definitivamente estava arruinada. — Beije-me — Eu implorei. Uma parte de mim odiava que minha voz soava tão ofegante de desejo, mas a parte maior não se importava. Eu queria ele, e eu não tinha nada para me envergonhar. Ele estava mais do que feliz em se dar pra mim. Ele me beijou. Ele me tocou. Ele me amou. Ele não tinha que dizer as palavras, mas eu sabia como ele se sentia. Eu podia ver claramente em seus olhos. Ao contrário da maioria das meninas, eu não quero ouvir essas três palavraselas me fariam correr novamente. Em minha opinião, havia algo muito mais... Mágico, em se ver o amor, ao invés de ouvi-lo. As palavras podem ser mentirosas, mas ações são verdadeiras. Ele beijou-me completamente, seus lábios explorando todas as fendas do meu corpo, e, eventualmente, a última das nossas roupas caiu no chão. Apenas quando eu pensei que eu ia explodir de desejo, ele parou. — Trent? — Eu engasguei seu nome, mendicância. Eita, desde quando eu imploro?

à

beira

da


— Não há como voltar atrás agora — Ele rosnou baixo em sua garganta, os dentes levemente mordendo a pele do meu pescoço. — Chegamos ao ponto em que não há retorno — Eu respirei, fechando os olhos quando ele se inclinou sobre mim, pegando uma camisinha da gaveta de seu criado-mudo. Ele colocou e, em seguida pressionou em mim. Um suspiro escapou dos meus lábios entreabertos e minhas mãos procuraram algo para segurar, fixando-se nos lençóis. — Porra, você está apertada — Ele cerrou os dentes. Com um sorriso brincando, ele pegou meu rosto em sua mão — Se eu não soubesse melhor, diria que você é virgem. Ele apoiou as mãos em cada lado da minha cabeça, facilitando para mim um pouco mais. Tentei não fazer uma careta, mas eu não poderia ajudá-lo. — Rowan... — Ele fez uma pausa, sem saber se ele devia continuar com a sua pergunta. Depois de uma breve hesitação, ele encontrou coragem. — Quanto tempo tem sido para você? — Cinco anos — Eu admiti. — Quer dizer...? Eu balancei a cabeça. — Você não tem ideia de como isso me deixa feliz — Ele abaixou a cabeça, beijando-me tão profundamente que eu não conseguia pensar em outra coisa, quando ele avançou o resto do caminho dentro de mim.


Seus dedos entrelaçaram com os meus e ele prendeu meus braços acima da minha cabeça enquanto suavemente embalava para dentro e para fora. Não havia nada apressado sobre seus movimentos. Tudo era lento, doce e sensual. Foi perfeito. De alguma forma, ainda mais perfeito do que na tenda há cinco anos. Ele não me faz sentir como se eu fosse apenas mais uma garota embaixo dele. Ele me fez sentir como se eu fosse à garota que ele adorava. — Você é minha, Rowan — Ele respirou contra a pele do meu pescoço — Um dia você vai ver isso. — Eu já sei — Gaguejei, meus quadris levantando para encontrar o seu. — Bom — Seus lábios se encontraram com o meu, segurando um longo gemido que saiu de mim. Seus lábios deixaram os meus, deixando beijos pelo meu corpo, sua boca fechando-se sobre o meu peito. Suas mãos ainda entrelaçadas na minha, enquanto ele continuava a balançar lentamente em meu corpo, minhas pernas se abrindo. Sua expressão me assustou e me deixou eufórica ao mesmo tempo. — Eu sinto que eu estive esperando uma eternidade por isso — Confessou Trenton, seus lábios roçando contra os meus. — Por favor, não fuja de mim desta vez. Naquele momento ele estava tão... Vulnerável. E vulnerável não era certamente uma das palavras que me vieram à mente quando pensava em Trenton.


Eu não disse nada, porque eu não tinha certeza de que poderia fazer essa promessa. Inclinei a cabeça para cima e beijei-o, esperando que fosse o suficiente. Ele me beijou de volta, sua língua roçando meus lábios abertos antes de acariciar a minha língua. Ele soltou minhas mãos e elas percorreram meu corpo, me fazendo tremer. Seu polegar encontrou meu clitóris e eu apertava em torno dele. — Trent — Gaguejei, arranhando suas costas como um animal selvagem. Seus olhos estavam escuros com prazer enquanto me observava. — Você é a mulher mais linda que eu já vi. Um rubor pontilhou meu peito, correndo até o meu pescoço, e sobre minhas bochechas. — Seu cabelo solto em torno de você — Ele pegou um longo fio — O desejo em seus olhos, esses lábios beijáveis — Seu polegar roçou meu lábio inferior e seu aperto abriu levemente minha boca. — Eu nunca quero deixá-la ir embora. Fechou-se em seguida, beijando-me profundamente, quando seu polegar desceu para aquele ponto especial novamente. Engoli em seco debaixo dele, meus quadris empurrando. — Trent, estou... — Minhas palavras terminaram com um suspiro, e os meus braços em volta dele, segurando-o com força, como se eu estivesse com medo de afundar e ele fosse a


única coisa que me mantinha ancorada. Meus músculos estavam enrolados apertados, mas eu também nunca me senti tão relaxada. Trent bombeou mais algumas vezes e, em seguida, soltou sua libertação. Ele beijou-me profundamente, sugando meu lábio inferior. Ele soltou-o com um “pop” e capotou. Eu não acho que eu poderia me mexer, mas eu não queria. Fechei os olhos, lutando contra um sorriso. Isso tinha sido... Incrível. Eu não esperava que ele fosse tão doce e terno. Eu deveria saber, porém, era Trent afinal... Não era como se ele fosse áspero, embora algo me dizia que ele poderia ser quando ele quisesse, e isso me animou. A cama rangeu e eu soube que Trent tinha se levantado. Ele voltou novamente um minuto depois, e me puxou contra seu corpo. Com a outra mão ele puxou as cobertas sobre nós. Ele afastou meu cabelo longe do meu pescoço, pressionando beijos na área entre meu pescoço e meus ombros. — Eu não mereço você — Eu sussurrei tão baixo que eu tinha certeza que ele não poderia ter ouvido. — Por que você diz isso? Todas as minhas mentiras se agarraram a mim como um pecador. Era como uma segunda pele suja que não adiantava lavar, não importa o quanto eu tentasse. Trent não podia ver, mas uma vez que ele fizesse, ele nunca mais olharia para mim.


Eu tinha vivido essa mentira por tanto tempo que parecia que era verdade. Ela não ia embora. E uma vez que viesse a tona, nenhuma de nossas vidas jamais seria a mesma. — Não há razão — Eu finalmente disse, deixando seu corpo me dar calor em cima de mim. — Você é bom demais para mim. — É aí que você está errada — Disse ele, os lábios deslizando sobre meu ombro. — Você é incapaz de ver a bondade que reside aqui — Ele colocou a mão sobre meu coração e ele acelerou ao seu toque — Você é uma das pessoas mais amáveis que conheço. Eu gostaria que você pudesse ver isso. Até que você faça, eu vou ter que lembrá-la todos os dias — As suas palavras foram pontuadas por beijos em todo meu braço. — Eu deveria ir — Eu murmurei, tentando sair de seus braços. — Você não vai a lugar nenhum — Ele apertou seus braços. — Você vai ficar aqui até o último segundo possível. — Fechei os olhos, apertando as mãos debaixo da minha cabeça. — Você está mandão, você sabe disso, certo? — Não estou mandão — Ele se aconchegou mais perto, enterrando a cabeça na curva do meu pescoço, sua respiração fazendo cócegas em minha pele agradavelmente. — Eu só sei o que quero. — Rolei, por isso ficamos cara a cara. Eu levemente tracei o dedo sobre sua bochecha e lábios. Havia tantas coisas que eu queria dizer a ele, mas quando eu abri a minha boca não saiu nenhum som. Ele enfiou a minha cabeça debaixo do seu queixo e eu decidi que não era hora de dizer qualquer uma


dessas coisas. Infelizmente, provavelmente nunca seria um bom momento.


Capítulo Onze Eu fechei a porta da biblioteca e olhei para a pilha de livros que eu ainda tinha que arrumar. Eu tinha estado extraordinariamente lenta no trabalho hoje, minha mente distraída com um milhão de pensamentos. Eu não tinha visto Trenton em três dias. Nós conversamos por telefone e mandávamos mensagem, mas as crianças e o feriado de Natal que começou, tornaram quase impossível fugir. Eu não queria deixá-los em casa com a minha mãe se eu não precisasse, e eu não podia deixá-los com Colleen todos os dias. Eu odiava admitir isso, mas eu sentia falta dele. Droga Wentworth. Era impossível não sucumbir. Ele era tão... Trent. Eu me troquei vestindo meu suéter cinza solto favorito e jeans, antes que eu pegasse o carrinho de livros e começasse a colocá-los em seu lugar. Como estávamos em férias, eu, obviamente, não tenho trabalho de casa, mas eu tinha a esperança de conseguir algum tempo de leitura pessoal. Mas acho que isso não iria acontecer agora. Eu cantarolava uma música que eu tinha ouvido no rádio, esta manhã, inserindo uma palavra aqui e ali. Alguém riu, o que me fez saltar para fora da minha pele. Todo mundo tinha ido embora e eu não tinha ouvido ninguém chegar. Virei-me bruscamente, agarrando um livro no meu peito no caso de eu precisar usá-lo como uma arma.


— Trent — Gaguejei, incapaz de esconder meu sorriso. Eu raramente sorria, mas Trent parecia ser sempre capaz de me fazer feliz. — Como você entrou aqui? — Algum idiota deixou destrancada — Ele me olhou.

a

porta

— Merda — Amaldiçoei. — Eu normalmente a fecho. Eu esqueci — Eu dei de ombros, ainda segurando firmemente para o livro por algum motivo. — Eu estava planejando enviar um texto para você me deixar entrar, mas uma vez que a porta estava destrancada convenientemente — Ele caminhou em minha direção, abaixando a cabeça — Não havia necessidade. — Seus lábios roçaram minha mandíbula. — Parece uma eternidade desde que eu vi você — Ele colocou a mão no meu pescoço e sorriu torto quando sentiu meu pulso rápido. — Então... Você pensou em parar? — Meus dedos agarraram sua jaqueta de couro, puxando-o para mais perto. — Mhmm — Ele balançou a cabeça, seus olhos cerrados. — Para falar...? — Eu só queria te ver — Disse ele com voz rouca, sua respiração fazendo cócegas no meu pescoço. — Mas agora que eu estou aqui — Seus dedos cravaram em meus quadris — Eu quero fazer muito mais. Meu coração pulou uma batida. — Você quer dizer... Ele não esperou que eu terminasse. Ele pegou meus lábios com os seus, afirmando o seu domínio e controle. Ele me


levantou, embrulhou minhas pernas na cintura dele, e apoiou uma das mãos contra a estante nas minhas costas me pressionando contra ela. Certamente não era a posição mais confortável, mas era quente como o inferno, e, francamente, eu não me importava. Era tão bom estar em seus braços novamente. — Eu quero levá-la aqui — Ele rosnou, mordiscando minha orelha. — Faça isso — Eu implorei, desejo enchendo meu corpo com as suas palavras. Ele não precisou que eu disse duas vezes. Em um minuto ele nos despiu e colocou um preservativo. Meu corpo já estava cheio de desejo e necessidade. Ele me levantou de novo e eu afundei nele, nós dois gemendo em resposta. Peguei seu rosto entre as mãos e abaixou minha boca para a dele. Eu nunca teria pensado que eu faria algo como isso, mas a espontaneidade tinha me deixado muito quente. Pela primeira vez, eu não estava pensando. Eu estava me deixando ir e fazendo o que eu queria, não o que eu sentia que deveria fazer. Estar nos braços de Trent me fazia sentir melhor do que eu queria. Eu tentei tão duro proteger o meu coração todos esses anos, mas não havia nada que eu pudesse fazer para evitar Trenton e sua reivindicação. Eu pertencia a ele. Ele pressionou minhas costas contra as prateleiras e os livros começaram a chacoalhar. Eu poderia ter rido se não tivesse me divertindo muito.


Esta vez foi definitivamente... Mais áspera que no outro dia, mas com Trent havia sempre uma doçura subjacente. Ele acelerou suas estocadas e... — Oh meu Deus! — Minha cabeça caiu para trás quando um grito suave me escapou. — Trent! Trent me olhou com os olhos cheios de luxúria, sorrindo pelo que ele estava fazendo comigo. — Eu gosto quando você grita o meu nome — Ele sussurrou, mordendo de leve meu pescoço antes de colocar um beijo lá. — Você não tem ideia do que ver você assim faz para mim. — Seus olhos estavam dilatados, apenas um fino anel de exibição azul. — Eu acho que tenho uma ideia. — Minha voz era irregular quando eu mexi meus quadris, meus dedos encontrando os fios macios do cabelo dele. — Oh, foda-se, você é tão boa — Trent engasgou, suas mãos na minha enquanto ele me movia para cima e para baixo. Meus olhos fechados enquanto eu me deixava sucumbir ao prazer correndo por minhas veias. Trenton me segurou quando encheu cada parte de mim, nossos olhos raramente desviando um do outro, mantendo-nos dentro de uma bolha íntima. Ele agarrou minhas coxas em suas mãos, e disse: — Espere um pouco.


Segurei com força seus musculosos quando ele me levou, e encontrei deitada em uma mesa. A se fez bem em minha pele úmida de

ombros logo me madeira suor.

Trent empurrou para dentro de mim e eu ofeguei, minhas unhas cavando em seus braços. — Eu machuquei você? — Ele parou. Eu balancei minha cabeça. — Não, isso é muito bom. Faça novamente. Ele fez, e minhas costas arquearam para fora da mesa quando ele se abaixou e pegou meus seios com as mãos. — Você não tem ideia de como isso me faz feliz — Ele olhou para o meu corpo — Não foi visto por ninguém além de mim. Eu não respondi, porque eu não tenho nada a dizer, exceto, você me possui, e não havia nenhuma maneira que eu estava dizendo isso em voz alta. — Não quero que ninguém te veja assim, espalhada embaixo deles — Continuou ele. — Eu quero que você pertença a mim e só a mim — Ele rosnou, baixando seus lábios nos meus enquanto ele apostava sua reivindicação. Ele não precisava reivindicar. Eu tinha sido sua a partir do momento em que o conheci. Havia muitas outras circunstâncias que estão em nosso caminho, impedindo-nos de ter uma vida feliz juntos. Eu tinha cometido tantos erros e meus arrependimentos continuavam a se acumular, lentamente me sufocando de dentro para fora. — O que há de errado? — Ele perguntou, olhando para mim com uma expressão confusa. — Você está chateada.


Eu balancei minha cabeça, abraçando seu pescoço. — Rowan... — Ele apertou. — Faça-me esquecer — Eu sussurrei em seu ouvido. — Esquecer o que? — Ele perguntou, olhando para mim preocupado. — Tudo. Trent definitivamente tinha sido capaz de me fazer esquecer. Após a mesa, que tinha deslizado para o chão e começado todo o processo novamente. Agora, estava espalhada pelo chão, ainda nua, e meu corpo estava enrolado em volta dele. Eu não queria sair, porque uma vez que fizesse, eu teria que voltar para a minha vida desarrumada. Seus lábios pressionaram contra a minha testa. — Eu tenho algo que eu quero perguntar a você... E por favor, não fique brava, me escute. — Tudo bem... — Eu aventurei hesitante. — Normalmente, quando alguém diz “não fique bravo” é porque você vai ficar louco. Ele engoliu em seco, olhando para o teto da biblioteca. — Venha para Nova York comigo. Eu não estava esperando que isso saísse de sua boca. — Trent, você sabe...


— Eu sei você tem que cuidar de seus irmãos. Mas você não pode encontrar alguém por uma semana? Nós poderíamos ir no Natal — Ele colocou meu cabelo atrás da minha orelha — E voltar a tempo de ir a festa anual de Ano Novo da minha família, então eu relutantemente a levarei para casa — Ele riu. Mordi o lábio, mastigando nervosamente. Desde que eu tinha sido capaz de dirigir, eu estava pensando em levar as crianças para casa da nossa avó para passar uma semana de férias. Isso é o que eu estava planejando fazer este ano, mas... Eu sempre poderia deixá-los e ficar com Trent. Eu sabia que eles estariam em boas mãos com ela. Eu não teria que me preocupar, e eu poderia me divertir. Eu merecia fazer algo para mim, certo? — Eu... Eu preciso pensar sobre isso — Eu sussurrei, traçando meu dedo ao longo de seu peito e para baixo em seus “abs” — Bem — Ele suspirou — Pensar sobre é certamente melhor do que um não. Eu realmente queria fazê-lo, mesmo que o pensamento de estar sozinha com Trent por uma semana inteira me assustava. Eu sabia que as férias de inverno iriam acabar em breve e que ele estaria fora por um tempo. Sua universidade estava a apenas duas horas de distância, mas quando você tem aulas e trabalhos de casa, pode ser difícil encontrar tempo para visitar. Eu certamente não quero ser uma daquelas meninas pegajosas implorando-lhe para voltar para casa todo fim de semana. Eu sentiria falta dele, porém, eu queria passar o máximo de tempo com ele quanto eu poderia. — Por que Nova York? — Eu perguntei, realmente curioso.


— Nós temos um lugar na cidade, e é espetacular nesta época do ano. Além disso, eu gostaria de passar mais tempo com você, e Nova York parecia ser um bom lugar. Estamos longe o suficiente para você relaxar e se divertir sem se preocupar com seu irmão e irmã, mas perto o suficiente para voltar rapidamente se for necessário. — Você realmente pensou em tudo. — Olhei para ele quando ele girou uma mecha do meu cabelo em torno de seu dedo. Ele balançou a cabeça com um sorriso. — Eu entendo se você não puder... Ou mesmo se você não quiser. — Eu não disse que eu não queria — Sentei-me um pouco para olhar para ele, meu cabelo caindo para frente escondendo meus seios. — Eu preciso pensar sobre isso ainda... Ok? — Leve o seu tempo, mas se nós vamos fazer isso, vamos sair em quatro dias — Ele levantou quatro dedos como se eu não pudesse contar. Meu coração já estava batendo violentamente com o pensamento de passar uma semana inteira sozinha com Trenton. Eu não tinha certeza de que era a melhor coisa para nós, neste momento, eu não queria me deixar mais... Ligada, mas se eu não fosse, eu sempre me perguntaria o que teria acontecido. — Eu preciso ver se está tudo para meus avós ficarem com Tristan e Ivy tanto tempo. Geralmente nós três passamos o Natal com eles, e voltamos pra casa alguns dias antes do Ano Novo — Meus olhos estudaram a única tatuagem em seu braço,


— Por isso preciso falar com eles sobre ficar com eles mais tempo do que o normal... — Não se preocupe sobre me decepcionar — Ele estendeu a mão, cobrindo meu rosto. — Eu quero ir — Eu assegurei a ele, colocando a mão fechada sobre a dele. — Se você não puder ir, talvez... Talvez você pudesse vir até a casa da minha família, e trazer seus irmãos? — Ele sugeriu mordendo o lábio e me dando um olhar que não me fez pensar sobre o que ele acabou de dizer. Baixei a cabeça e pressionei meus lábios nos dele. Seus dedos se enredaram no meu cabelo quando ele me beijou de volta. — O que foi isso? — Ele perguntou um pouco ofegante. — Você parecia tão beijável que eu não pude resistir — Eu admiti, olhando timidamente. Eu não era de falar dos meus sentimentos ou a admiti-los. — Eu gosto deste lado seu — Trent comentou, me olhando de forma constante. — Que lado? — Eu questionei com uma sobrancelha levantada. — Livre — Seu polegar esfregava o meu lábio inferior. — Você está sempre tão fechada, mas ultimamente você foi se abrindo mais... Rindo, sorrindo, sendo livre... — Repetiu ele. — Eu já passei por muita coisa — Eu sussurrei, vergonha me fazendo levar meu olhar para o chão acarpetado.


— Eu sei que você tem — Ele agarrou meu queixo, forçando-me a olhar para ele — E eu espero que um dia, você vai confiar em mim o suficiente para me contar tudo. Até então, eu não vou empurrá-la, mas eu estarei aqui para você. Eu vou sempre estar aqui. Fechei os olhos, desejando que suas palavras fossem verdadeiras. Eu sabia que ele as queria dizer, neste momento, pelo menos, mas se ele soubesse a verdade do que eu tinha feito, ele iria embora e nunca mais iria voltar.

Eu terminei a limpeza do café da manhã me preparar. Antes de sair ontem à noite, oferecido mais horas de hoje. Mais horas dinheiro, e eu precisava de todo o dinheiro receber.

e corri tentando Maria tinha me significava mais que eu poderia

Vesti uma jaqueta de botão vermelha para iluminar minha saia preta e top branco. Eu abri a porta do quarto das crianças e beijei-os em cima de suas cabeças. — Eu tenho que ir trabalhar, mas vou estar em casa mais cedo hoje. Sejam bons. Tristan se agarrou ao meu pescoço. — Não vá, Row. — Eu tenho que ir — Eu disse a ele, desenrolando os braços de seu domínio. Na idade de Tristan ele não conseguia entender


que eu estava fazendo isso para ele, para eles, na esperança de dar-lhes uma vida melhor. Eu estava fazendo o melhor que podia, mas a maioria das vezes parecia que eu não estava tentando nada. Beijei sua mão pequena e baguncei o cabelo dele. — Eu estarei em casa antes que você perceba. Seu rosto triste me tornou difícil empurrar-me para fora da porta, mas eu tinha que fazer. Lá fora, o ar frio me atacou, soprando meu cabelo na minha cara. Eu empurrei os fios fora e entrei no meu carro, esfregando as mãos para me aquecer enquanto eu esperava que o calor diminuísse o frio. Saí da calçada, perguntando onde meu padrasto estava. Ele tinha ido embora mais e mais ultimamente, e eu tinha certeza de que mais um divórcio estava no futuro da minha mãe. Estacionei e corri para dentro da biblioteca, pronta para sair do frio. Eu estava indo para me trocar, quando Maria gritou para mim. — Sim? — Eu me virei, procurando a mulher mais velha. Quando a vi, ela entortou o dedo, me fazendo sinal para ela. — Sim? — Eu perguntei, quando eu parei na frente dela. O jeito que ela estava olhando para mim me fez quebrar em um suor nervoso.


— Querida, eu tenho uma má notícia — Ela deu um tapinha no meu braço. Era óbvio que ela não queria continuar a falar mais, mas tinha que fazer. — Temos que dispensála. — O quê? — Eu engasguei, tropeçando para trás. Eu precisava deste emprego. Sem ele, eu estava ferrada. — Por quê? — Eu não conseguia entender. Era uma piada cruel? Eu era uma trabalhadora e nunca causei problemas. — Querida — Sua voz foi baixa — Havia algo... Nas fitas de segurança. Fechei os olhos. Aquilo não podia estar acontecendo. — Nós não podemos ter alguém que trabalha aqui que faria algo como isso — Ela olhou para mim, infelizmente, não com repulsa, o que me surpreendeu. Eu balancei a cabeça. — Eu entendo. — Eu me encolhi com o fato de que Maria, alguém que eu respeitava, tinha me visto daquele jeito. Eu não tinha certeza que eu seria capaz de olhá-la novamente. Afastei-me dela e sai pela porta, direto para o meu carro. Minha postura era rígida e eu estava completamente atordoada com o que tinha acontecido. Eu não conseguia processar o fato de que eu tinha acabado de ser demitida. Eu sabia que o que Trent e eu tínhamos feito na biblioteca estava errado, e eu tinha que pagar as consequências. Eu inclinei minha cabeça contra o encosto de cabeça. Ao contrário da maioria das pessoas, eu estava mais chateada por ter perdido o meu trabalho do que sobre eles


terem assistido Trent e eu fazendo sexo. Sem um trabalho, eu estava ferrada. Simples como isso. Peguei meu celular, meus desajeitados com a minha raiva.

dedos

— Olá? — Respondeu Trent e ele parecia meio adormecido. — Eu fui demitida — Eu gritei com raiva. — Eu preciso do meu trabalho, Trent! Eu não sei o que eu vou fazer! — Whoa, desacelere — Ele parecia um pouco mais alerta, — Por que você foi demitida? Eu fiz uma careta, olhando para o teto do meu carro. — Eles nos viram, Trent... Nas fitas de segurança. — A biblioteca tem câmeras? — Ele perguntou incrédulo. — Sim — Eu disse lentamente, com raiva de mim mesma. — Eu tenho que ter um emprego, Trent. — Minha cabeça caiu contra o volante, tocando a buzina. — Você acabou de tocar a sua buzina do carro? — Ele riu. — Foi um acidente — Eu murmurei. — Então... Eles têm seriamente em fita? — Ele limpou a garganta. — Nós dois tendo relações sexuais? — Não, eles me demitiram porque eu deixei um coelho solto em torno da biblioteca! — Eu estava ficando chateada agora. — É claro que eles têm na fita! — Acha que eles me deixariam comprá-la? — Sua voz era grave.


— Trent! — Exclamei. — O quê? Eu não disse que eu ia vê-la — Disse ele, e foi sussurrando no fundo. — Mas eu odiaria que algo assim ficasse solto por ai. Eu posso dizer que você está chateada. Deixe-me corrigir isso. — Eu não me importo sobre o vídeo de sexo! Tudo que me importa é o fato de que eu estou desempregada! Trent riu. — Você é uma mulher tão incomum. Quanto ao seu problema "sem emprego", eu acho que tenho uma solução para isso. — Você tem? — Pela primeira vez desde que Maria havia dito que teria que me deixar ir, eu poderia respirar novamente. — Sim — Ele murmurou e não havia mais nenhum sinal de sono. — Encontre-me no Trace. — Uh... Eu não sei onde ele mora. Ele riu. — Eu quis dizer em sua loja. — Oh, ok. Estou muito perto — Eu murmurei, já me retirando do estacionamento. — Basta esperar em seu carro até eu chegar lá — Ele me disse. — Eu posso fazer isso — Eu respirei alívio inundando meu corpo.


Wentworth Wheels estava apenas cerca de cinco minutos da biblioteca. Eu estacionei na rua, em vez do estacionamento. Eu não queria Trace saindo e me perguntando por que eu estava lá antes de Trent chegar. Eu fiquei alerta, olhando para o carro preto do Trent. Quando ele entrou no estacionamento do outro lado da rua, eu saí do meu carro, enfrentando o frio. Ele já estava fora de seu carro e sorrindo enquanto eu corria na rua. — Eu não posso acreditar que os bibliotecários nos observaram ter relações sexuais — Ele riu com um sorriso. — Pare de falar sobre isso — Eu disse — E não se atreva a dizer nada a seu irmão sobre isso — Apontei um dedo de advertência para ele. — Confie em mim, eu não vou — Ele levantou as mãos em sinal de rendição. — Eu nunca deixaria de ouvi-lo falando sobre isso. Vamos lá — Trent fez sinal para que eu o seguisse até a garagem. Na minha saia e blusa de botão, me senti extremamente descoberta. Além disso, minhas pernas estavam frias. — Trace? — Trent gritou. — Onde você está? Algo de metal ressoou no chão, e então ouvimos: — Por aqui — Vindo do nosso direito. — O que vocês estão fazendo aqui? — Perguntou Trace, deslizando para fora de debaixo de um carro e me assustando até a morte.


— Eu tenho uma solução para o seu problema — Trent sorriu, enfiando as mãos nos bolsos enquanto ele se balançava sobre seus calcanhares. — Que problema? — Trace deslizou para fora ainda mais para que ele pudesse se sentar. — Aquele que fica sempre tocando e você tem que parar de trabalhar para atendê-lo. Do telefone — O sorriso de Trent aumentou ainda mais como se isso fosse mesmo possível. — E como você resolveu isso? — Trace empurrou o cabelo escuro de seus olhos antes de envolver os braços em torno dos joelhos. — Rowan — Ele apontou para mim. — Eu? — Eu engasguei. — Ela precisa de um emprego. Você precisa de alguém para atender o telefone e verificar o inventário. É um ganha-ganha — Trent deu de ombros. — Sinta-se livre para me agradecer e cuidar–me com seus agradecimentos. — Ele disse drasticamente. — Por que você gosta desse cara? — Trace olhou para mim. — Ele é realmente estúpido. — Lembre-se — Trent encostou-se ao lado do carro em que Trace estava trabalhando — Que ambos viemos do mesmo espermatozoide e óvulo. — E isso me faz infeliz — Trace pulou e bagunçou o cabelo de Trent — Eu tenho todas as melhores características que você. Trent balançou a cabeça.


— Tudo o que você precisa dizer a si mesmo para se sentir melhor. Ignorando seu irmão mais novo, Trace me olhou. — Você pode atender o telefone e cuidar de minha agenda de compromissos, além de manter o controle sobre os pedidos de peças? — Havia um desafio em seus olhos, como se ele não achasse que eu poderia realmente fazer isso. — Isso é fácil — Disse. Eu era o tipo de pessoa que sempre aceitou o desafio, e este não era exceção. Trace deu um sorriso torto. — Bem-vinda ao Wentworth Wheels — Ele estendeu a mão para me levar. — Só não tenha sexo no escritório e estamos bem. Meus olhos ameaçaram saltar da minha cabeça. Como ele sabia? Ele estava fazendo uma piada sobre Trent e eu na biblioteca, certo? — Eu estou brincando, Rowan. Relaxe — Ele riu facilmente, — Tenha todo o sexo que você quiser, contanto que eu não tenha que ver. Isso aconteceu demasiadas vezes com Avery e Luca, e deixe-me dizer-lhe, isso é algo que ninguém quer ver. Com isso, Trace sentou-se e entrou debaixo do carro. — Você pode começar amanhã? — Ele deslizou para baixo do carro e colocou apenas a cabeça para fora. — Absolutamente. Em seguida, ele foi embora de novo.


Trent e eu andamos para fora. — O que foi com o comentário de sexo? — Eu perguntei a ele. — Disse-lhe o que aconteceu na biblioteca? — Eu pensei que ele não teria tempo de falar para Trace antes de chegar, mas ele parecia estar ciente de algo quando fez esse tipo de comentário. Eu tinha cerca de dez segundos de distância de ficar chateada se ele tivesse dito a seu irmão que aconteceu. Eu nunca mais seria capaz de olhar para Trace. — O quê? Não, claro que não — Ele parou de andar. — Por que você acha isso? — Ele perguntou, suas sobrancelhas grossas franzindo juntos. — Um, porque do nada ele fez o comentário de sexo no escritório — Eu joguei meu polegar sobre meu ombro, apontando para a garagem. — Oh, isso é por causa de Luca e Avery — Ele encolheu os ombros enquanto ele começou a caminhar em direção ao seu carro. — Eles são pessoas reais? — Sim — Ele riu, parando na frente do seu carro e cruzando os braços sobre o peito. — Luca é o melhor amigo do Trace, que eu realmente não entendo uma vez que o cara mal fala, e Avery é sua noiva... Esposa — Ele balançou a cabeça, repreendendo-se pelo erro. — Eles saíram em sua lua de mel agora. — E ambos trabalham aqui e tem relações sexuais no escritório? Eu estava tão confusa.


Trent mim.

riu,

claramente

divertido

por

— Luca faz. Ele ajuda a Trace. Avery é apenas muito excitante e o cara não podia deixá-la sozinha. — Isso não é muito agradável de você dizer — Eu fiz uma careta. Trent balançou a cabeça, dando-me um pequeno sorriso. — Depois de conhecer Avery, você verá o que quero dizer. Eu não tinha tanta certeza de que eu queria conhecer essa Avery. Ela soava como se ela fosse me dar nos nervos. — Eu te vejo mais tarde. — Eu não tinha certeza se eu deveria beijá-lo, ou abraçá-lo, ou eu não sei o que, então eu me virei e fui embora. Essa parecia ser a opção mais segura. — Espere! — Ele veio a mim correndo, cascalho esmagado por suas botas. — Por que não vamos para o almoço? — Eu realmente deveria ir para casa — Eu murmurei. — Mas se você estivesse trabalhando não estaria em casa — Ele olhou para mim. Ele estava certo. — Tudo bem — Eu abandonei sem qualquer luta. — Eu vou segui-lo. Dez minutos depois, encontrei-me sentada na mesma cabine, no mesmo restaurante que eu pensei que Trent poderia matar Jude. Eu não pude deixar de sentir um pouco nostálgica quando eu pensei sobre isso, e o que tinha acontecido depois no banheiro.


Eu também não podia acreditar que eu tinha acabado de ser despedida. Eu não poderia me importar menos sobre a fita de sexo como Trent continuou chamando-a. Será que realmente fazem uma fita de sexo quando filmam com uma câmera de segurança? Provavelmente. — Eu vou ter o sanduíche club — Disse ao garçom, entregando o cardápio. Trent fez seu pedido e me olhou por cima do copo de água. — Você não comeu isso da última vez? — Eu fiz — Eu balancei a cabeça — E foi delicioso. É por isso que eu tenho isso de novo. — Por que não tentar algo novo? — Ele sugeriu com um sorriso amplo, mostrando sua covinha na bochecha que eu achava adorável. Eu apertei o copo com água antes de tomar um gole. — Se eu gosto de alguma coisa, eu não vejo a necessidade de tentar outra coisa. Trent pigarreou e mexeu em seu assento, como se não tinha certeza se deveria perguntar algo. — É por isso que... Uh... Não têm ficado com qualquer outra pessoa... Desde que ficou comigo? — Sua voz baixa para que ninguém no restaurante nos ouvisse. Eu passei os meus dedos sobre algumas palavras gravadas no cardápio. — Eu acho que você poderia dizer isso — Eu dei de ombros.


— Se você... Tinha sentimentos por mim todos esses anos — Ele se aventurou — Por que você ficou longe? — Seus olhos eram verdadeiramente curiosos e eu sabia que ele realmente não entendia por que eu o tinha evitado. — Eu tive minhas razões — Eu respondi vagamente. — Sua mãe? — Ele me pressionou por mais informações. — Ela era parte dela — Eu suspirei, girando o dedo em torno de um brilhante desenho na mesa embaixo do meu copo de água. — Você pode me falar sobre ela, Rowan. Eu olhei para ele e seus olhos me imploraram para me abrir para ele. Eu não poderia fazê-lo. Eu não era o tipo de garota para confessar meus sentimentos e buscar conforto nos braços de outra pessoa. Preferia lutar contra meus demônios sozinha. Eu não precisava de Trent para matar meus dragões e ser meu cavaleiro de armadura brilhante. Eu poderia me salvar... Eu apenas não sabia se eu queria me salvar. — Rowan? — Ele repetiu o meu nome quando eu não disse nada. Com um suspiro, eu disse: — Eu sei que eu posso, mas eu não quero. Não é algo que eu gostaria de falar. — Eu olhava para o meu copo de água e longe de seus olhos que sempre viam muito. — Tudo bem — Ele sentou-se — Eu não vou empurrá-la. — Batendo com o dedo ao longo da parte de trás da cabine, ele


perguntou: — Você já pensou em ir para Nova York comigo? — Ele questionou. — Você me perguntou ontem à noite! Esta manhã eu perdi meu emprego! Então, não, eu não pensei sobre isso — Retruquei. — Desculpe — Ele riu. — Eu realmente quero que você vá. — Eu também quero ir — Eu admiti, cruzando os braços sobre o peito — Mas eu tenho que resolver as coisas com as crianças. — Eu entendo — Ele acenou com a cabeça. — Não, você não — Eu murmurei. — Você não entende nada. — Por que você está em mau estado de espírito hoje? — Ele me olhou. — Isso é uma coisa TPM ou algo assim? — Não, ele isso se chama “você está sendo chato” estado de espírito — Retruquei, olhando ao redor do restaurante. Comecei a me sentir mal. Eu não deveria ter deixado a minha raiva sobre ele. — Eu sinto muito — Eu me desculpei. — Eu não consegui dormir muito, e ser demitida foi a cereja no topo do bolo para este dia catastrófico. Trent sorriu. — Por que você está sorrindo? — Eu perguntei. — Porque, eu não acho que eu já ouvi você dizer que sente muito. — Bem, há uma primeira vez para tudo. — Eu me endireitei.


— Há certamente há — Ele sorriu.


Capítulo Doze

— Eu não quero ir para a casa da avó sem você! — Tristan protestou, batendo o pé. — Você ama a avó — Eu me ajoelhei no chão para que conversássemos ao nível dos olhos. — Você vai se divertir muito e assar biscoitos para o Natal! — Eu quero você para me ajudar — Ele fez beicinho. — Eu sinto muito, Tristan — Corri meus dedos pelos cabelos de areia — Mas eu preciso fazer isso. Observando as lágrimas em seus olhos estava me destruindo. Talvez eu pudesse dizer a Trent que eu tinha mudado minha mente. Eu sabia que ele iria entender. — Ok — Tristan finalmente concordou quando ele me abraçou. Assim, quando eu estava começando a me convencer do contrário, ele finalmente concordou. Ele era uma criança calma, e tão fácil de amar. Eu beijei seu rosto e ele se contorcia. — Eca, Row! Não me beije! — Entre no carro — Disse a ele. — Vovó está esperando por nós. Eu verifiquei o carro novamente para ter certeza que eu tinha todas as suas coisas e os presentes de Papai Noel que eu tinha cuidadosamente escondido. Os meus avós viviam há mais de uma hora de distância, em um bairro muito melhor do que o nosso. Nós não visitávamos


muito. Minha mãe não gostava que eles nos ajudassem. Eu estava trazendo Tristan e Ivy à sua casa para o Natal desde que eu pude dirigir, e nossa mãe sempre ficou para trás. Eu sabia que Ivy ainda se lembrava dos Natais anteriores que tivemos com nossa mãe, e que nunca terminava bem. Tristan teve a sorte de nunca ter experimentado. Eu parei na entrada da bela casa de dois andares. Eu não fiquei surpresa quando a porta se abriu e minha avó apareceu, seus braços abertos para receber Tristan e Ivy em seu abraço. Peguei suas malas, observando o papo feliz entre eles. Eu não tinha uma relação muito boa com meus avós. Não era nada como o que eu tive com a minha mãe, mas eu realmente não os conheço. Eu nunca me permiti. Minha mãe me fez desconfiar de outras pessoas, e por causa disso eu desligava minhas emoções. Se você não sentisse, as coisas que as pessoas fizessem para você, nunca poderia machucá-la. Como minha mãe piorou, eu tinha chegado aos meus avós por causa de Ivy e Tristan. Eu gostava de estar aqui, porém, era tranquilo, e eu não tinha que me preocupar com meu padrasto bruto ou minha mãe bêbada. Empurrei as malas até o caminho, o saco com os presentes pendurados por cima do meu ombro. Tristan e Ivy tinham ido lá dentro, mas a minha avó esperou, segurando a porta aberta para mim. — Estou triste que você não vai ficar — Ela sorriu gentilmente, seus olhos enrugando nos cantos. — Eu estava ansiosa para passar um tempo com todos vocês. — Me desculpe, eu não posso ficar. — Eu coloquei as malas e o saco com os presentes, empurrando as mãos nos bolsos de


trás da minha calça jeans. A casa estava limpa, quente e acolhedora. O cheiro de canela pairava no ar. — Você está assando alguma coisa? Ela assentiu com a cabeça. — Cookies. Gostaria de um pouco? Eu comecei a dizer não, mas em vez disso eu me vi balançando. — Vamos então — Ela fechou a porta e fez sinal para eu segui-la pelo corredor até a cozinha. Corri meus dedos ao longo das bancadas de mármore, sorrindo para as crianças e como eles devoravam os cookies. Estar em casa, e vendo como agradáveis meus avós eram, me fez questionar como minha mãe tinha se tornado um monstro. — Aqui — Ela estendeu um saco cheio de biscoitos. Aceiteios com prazer quando ela bateu no meu rosto. — Você cresceu em uma jovem mulher tão bonita. Eu gostaria que você viesse mais vezes. Todos vocês — Ela sorriu para Tristan e Ivy. — Por favor, não deixe que sua mãe os mantenha longe de nós. Eu fiz uma careta. Não era a minha mãe que me manteve longe, era o meu medo do abandono. Mantendo a uma distância segura significava que você não poderia ficar decepcionado com as ações de alguém. Eu tinha dado a Trenton uma chance, porém, por que não a eles? — Vamos tentar visitar mais vezes — Sorri. — Eu tenho que ir — Eu olhei para Ivy e Tristan. — Dá-me um abraço.


Eles mergulhavam para mim, caindo migalhas dos bolinhos em toda a minha camisa e no chão. — Sinto muito — Eu abaixei, esticando o braço para pegar as migalhas. — Não se preocupe com isso — Minha avó se abaixou, agarrando o meu braço e me ajudando a levantar. Pedaços soltos de cabelo cinza caíram em seu rosto. — Posso... Posso dar um abraço de adeus? — Sim, claro — Eu murmurei, enquanto abraçava a mulher. Eu era uma pessoa tão horrível que a minha avó sentia como se tivesse que pedir minha permissão para me abraçar? — Eu amo você, Rowan — Ela sorriu quando ela me levou de volta para a porta da frente. Amor. Houve essa palavra de novo, a palavra que me fez estremecer e sentir minhas que minhas entranhas estavam ondulando por dentro. O amor não passava de uma mentira na minha mente. — Mhmm — Eu murmurei. Apontando para o saco que eu tinha deixado cair no chão antes, eu disse: — Seus presentes estão lá. Certifique-se de escondê-lo. — Eu vou — Ela me assegurou em pé na porta enquanto me dirigia para o meu carro. — Divirta-se! Acenei minha mão e entrei no meu carro. Sentei-me ali por um momento, olhando para a casa e a imagem feliz que se fez. Quando eu tinha ficado tão confusa? Quando tive a minha inocência infantil me transformado nesta concha endurecida de uma pessoa? Será que vou ser capaz de me libertar de mim mesma?


De volta para casa, eu ainda tinha uma hora antes de Trent ir me buscar para o nosso voo à noite. Eu não tinha embalado ainda. Eu olhei para o meu closet, esperando que as minhas roupas voassem magicamente para minha mala aberta, mas até agora isso não estava funcionando. Tudo que eu tinha não parecia ser bom o suficiente, mas teria que servir. Eu não tenho dinheiro para sair e comprar um guardaroupa totalmente novo. Arrumei o que eu tinha que eu achava que seria aceitável para uma cidade como Manhattan e fechei a bagagem. — Onde você vai? Eu pulei no som da voz de meu padrasto. Eu não tinha ouvido falar dele voltando para casa. Acho que desde que ele tinha ido embora há alguns dias, eu esperava que ele não voltasse. — Estou saindo por uma semana — Eu respondi. — Não foi isso que eu lhe perguntei — Ele deu um passo mais para o meu quarto e eu senti como se as paredes estivessem fechando em torno de mim. — Eu não vejo que seja da sua conta aonde eu vou — levantei-me reta. Eu não seria intimidada e eu não agiria com medo. Eu era uma mulher forte e eu não iria deixar este pedaço insignificante de merda me assustar. Jim caçava os fracos, e eu certamente não era isso. Ele estendeu a mão, envolvendo uma mecha do meu cabelo em torno de seu dedo e puxando duro. Meus dentes rangeram enquanto eu lutava para controlar o estremecimento que tão desesperadamente queria torcer meu rosto.


— Não. Me. Toque. As palavras foram assobiadas entre os meus dentes e mal parecia humano. Eu estava cansada de ter medo na minha própria casa. Jim estalou a língua. — Você não pode falar assim comigo. Ele empurrou-me para a minha cama, e todo o ar deixou meus pulmões quando seu corpo caiu sobre o meu, me apertando no colchão. Pânico sacudiu meu corpo. Eu não conseguia respirar. Eu não podia me mover. Eu não conseguia pensar. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. A contagem me acalmou e ajudou a limpar a minha cabeça. Jim prendeu meus pulsos e apesar do fato de que ele era um homem magro ele ainda era forte. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Contei novamente e novamente. Seus lábios estavam chupando meu pescoço quando ele apertou os quadris em mim. Eu sabia que era inútil gritar. Minha mãe estava desmaiada bêbada na cama, e os vizinhos nunca ouviriam. Eu estava sozinha no meu próprio mundo. — Pare — Tentei esquivar meus braços livres. — Pare com isso! — Shh, eu sei que você quer — Ele continuou a sugar meu pescoço. Eu ia vomitar.


— Seu idiota, última vez que verifiquei “pare” não traduz alguém querendo alguma coisa! — Eu me contorci um pouco mais, mas o seu aperto não diminuiu. — Deixe-me ir! Eu tinha dado a ele a oportunidade perfeita para isso. Tristan e Ivy tinham ido embora, e ele sabia que minha mãe nunca iria acordar. Se ao menos eu já tivesse ido embora. Uma parte de mim antecipou que algo como isso iria acontecer algum dia. Perturbador, eu sei, mas o cara era um canalha. Meu celular vibrou no meu bolso e eu rezava que fosse um texto de Trent, dizendo que ele estava aqui. Contando com Trent estar à espera lá fora, eu dei uma joelhada em Jim no intestino. Ele resmungou, soltando meus pulsos. Seu rosto estava vermelho de raiva. Ele puxou seu braço de volta para me dar um soco, mas dei-lhe uma cabeçada na cara pela primeira vez. O sangue jorrou em todos os lugares, e ele caiu no chão, segurando o nariz quebrado. — Puta! — Ele cuspiu. Meu coração acelerou, peguei minha mala e corri para fora de casa. Trent não estava estacionado em frente, como eu esperava. Eu me senti começando a entrar em pânico. Eu me virei, olhando atrás de mim para ver se Jim estava vindo atrás de mim. Ele não estava. Eu sabia que ele não iria, mas eu ainda estava com medo. Eu estava a céu aberto, onde qualquer um dos vizinhos iria vê-lo me atacar, e Jim não era estúpido.


Minha cabeça latejava dolorosamente onde eu bati contra seu nariz, e eu sabia que eu ia acabar com uma dor de cabeça assassina. Quando eu pressionei minha mão contra minha cabeça, aconteceu de eu olhar para baixo e ver seu sangue na minha camisa. Meu pânico aumentou, fazendo meu coração disparar dolorosamente em meu peito. Eu precisava tirá-la. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Eu caí de joelhos, minhas mãos trêmulas enquanto eu puxava a minha camisa e jogava-a em algum lugar coberto de neve. Eu não me importei se um dos vizinhos olhou para fora e viu-me no quintal em apenas meu sutiã. Eu tinha que me livrar dessa camisa. Abri a mala e tirei outra camisa, puxando-a. Eu tinha acabado de fechar a mala fechada quando eu olhei para cima para ver o carro preto de Trent descendo a rua. Graças a Deus. Empurrei minha mala até o final do caminho. Trent foi rápido para pular para fora e levá-la de mim, colocando-o no porta-malas. — Você está bem? — Ele perguntou, quando ele entrou no carro e olhou para mim. Meu joelho estava saltando inquieto e eu não conseguia parar minhas mãos de torcer juntos. Eu sabia que não poderia jogar fingir que não era nada. Este não era o meu comportamento normal e Trent não era estúpido. — Apenas dirija. Eu quero sair daqui.


— Row — Por favor, Trenton — Eu implorei meu lábio inferior tremendo com a ameaça de lágrimas, as lágrimas que eu estava determinada a nunca deixar transbordar. Ele acenou com a cabeça e não disse nada enquanto ele colocava o carro em andamento. Deixei escapar um suspiro de alívio, relaxando contra o banco quando saímos da minha casa e deixamos as pessoas horríveis que nela habitam, para trás. Alguns minutos se passaram antes de Trent falar. — Agora que estamos a uma distância segura de sua casa, você pode me dizer o que aconteceu? Esfreguei as palmas das minhas mãos sobre o tecido da minha calça jeans rasgada. Eu sabia que tinha que lhe dizer algo, mas eu não sabia o quê. Se eu me abrisse e falasse sobre o que Jim tinha feito, eu sabia que Trent iria virar e voltar para a minha casa, o mais provável matar o homem. Trent acabaria na prisão por causa de mim, não era algo que eu estava disposta a deixar que acontecesse. — Não foi nada — Eu acenei minha mão com desdém. — Eu entrei em uma briga com meu padrasto. Ele olhou para mim com o canto do olho, antes de virar para a interestadual. O músculo em sua mandíbula marcou e eu sabia que ele estava pensando o que dizer em seguida. — Será que ele... Te machucou?


— Não foi nada que eu não pude resolver — Eu murmurei, apoiando minha cabeça em minha mão e olhando para fora da janela. — Rowan — Suas mãos pousaram no meu joelho — Você pode me dizer. — Não foi nada — Eu repeti mais uma vez. Talvez se eu dissesse as palavras o suficiente eu ia começar a acreditar nelas. Ele suspirou, coçando o queixo. — Eu sei que você não está me dizendo algo. Eu não sou burro, Row, mas eu não vou empurrá-la para obter informações também. — Eu quero que você se abra para mim, porque você confia em mim, não porque eu estou pressionando você. — Ele suspirou, ligando a música no carro. Fechei os olhos, inclinando a cabeça contra o vidro frio. Eu não poderia amar. Eu não podia confiar. E sem esses dois fatores muito importantes, como eu poderia viver? — Rowan? Abri os olhos e levantei a cabeça para olhar para ele. — Sim? — Quero que a gente se divirta nesta viagem, ok? — Ele esperou que eu acenasse antes de continuar. — Eu entendo que há coisas que você não quer me dizer, e eu vou respeitar isso... Por agora — Ele me olhou. — O que aconteceu com o seu padrasto, vamos colocar isso para trás.


Eu queria beijá-lo. Foi assim que eu fiquei grata por saber que ele estava deixando pra lá. Eu sabia Trent estava louco para me perguntar mais, mas por uma questão de não me pressionar demais, ele estava indo para deixá-lo ir. — Obrigada — Eu sorri para ele com gratidão, pegando sua mão. Seus olhos brilharam olhando para nossos dedos entrelaçados juntos. Eu sabia que ele estava um pouco chocado com o gesto, já que eu não era a maior fã de dar as mãos. Ele deu a minha mão um leve aperto, seus olhos voltando para a estrada à nossa frente. — Você já esteve em um avião antes? — Ele perguntou. Não pude conter o riso em sua tentativa muito pobre de mudar de assunto. — Nunca — Eu respondi, optando por não falar mais nada. — Então, eu vou aceitar que você não saiu da cidade, saiu? — Não — Eu balancei a cabeça, olhando para fora da janela lateral na terra correndo por nós. — Isso vai ser divertido — Ele riu, soando como um menino animado. — Algo me diz que eu deveria ter medo de sua emoção. — Eu não pude deixar de sorrir. Agora que tantas milhas estavam entre a minha casa e nós, eu estava me sentindo mais solta... Mais livre. E ajudou o fato de que Trent não estava me pressionando para obter informações. Fiquei feliz que, pelo menos por agora, ele estava respeitando minha privacidade.


— Eu prometo que você não tem nada a temer — Ele piscou. — Mhmm — Eu murmurei, em dúvida. — Nós vamos fazer alguns passeios, mas com toda a honestidade, eu realmente não estou interessado em mostrar-lhe a cidade — Ele sorriu. — Ah, é mesmo... E o que é que você está tão animado para me mostrar, então? — A cama. — A cama? Eu ri. Ele assentiu animadamente. — É uma grande cama. Com almofadas macias. — E nós estamos indo para fazer o que nesta cama? — Hmm — Ele fingiu pensar — Eu poderia beijá-la... Se você for boa para mim. — É isso? — Eu sorri, gostando deste jogo. — Se você aprecia meus beijos, e você for realmente boa para mim, eu poderia tirar a roupa. — Ele bateu com os dedos no volante. — E as suas roupas? — Eu retruquei. — Oh, elas vão sair com o tempo, se você estiver sendo realmente, realmente muito boa para mim. Eu tenho que fazer você trabalhar para isso — Ele riu. — Isso — Ele levou a mão livre do volante por um momento para acenar para seu corpo —


É uma obra de arte, e somente pessoas especiais podem deleitar os olhos sobre a sua magnificência. — Então, o que acontece quando estamos nus? — Mordi o lábio para abafar o meu riso. Ele mordeu o lábio. — Eu poderia te tocar, mas apenas isso — Se eu for realmente, realmente, realmente, agradável? — Eu o interrompi. — Você está pegando — Ele piscou. Ele soltou minha mão, descendo pela minha coxa e descansando perigosamente perto de onde eu mais precisava dele. — Eu realmente gostaria de tocar aqui — Ele sussurrou com voz rouca, seus dedos deslizando sobre a costura da minha calça jeans e fazendo-me contorcer. Minhas pernas agarradas juntas e ele riu. — Abra suas pernas. Lentamente, eu fiz o que ele pediu. Seus dedos roçaram lá novamente e meus olhos se fecharam quando minha respiração vacilou. Depois de mais um acidente vascular cerebral, seus dedos tinham ido embora. Abri os olhos e olhei para ele. Ele usava um sorriso de satisfação. — Não se preocupe, há mais de onde veio isso, mas você vai ter que esperar. Os Wentworth tinham um avião particular. Quero dizer, é claro que tinham um avião particular.


Mas eu não esperava isso. Eu estava nervosa para o voo, nunca estive em um avião antes. Trent era uma excelente distração, entretanto. Bem, seus lábios eram. Saímos do avião e um carro preto lustroso estava esperando por nós. Eu senti como se tivesse entrado em um sonho ou algo assim. Certamente esta não era a vida real. Um homem colocou a bagagem no porta-malas do carro, enquanto o motorista saiu do carro para abrir a porta. Trent deslizou para dentro e eu o segui. Olhei ao redor do interior escuro do carro como se fosse a coisa mais legal que eu já tinha visto. Trent me observava um sorriso brincando em seus lábios que ele tentou esconder atrás de sua mão. — Para a cobertura Wentworth? — Perguntou o motorista, dirigindo em direção à saída. — Sim — Trent sorriu da minha expressão de olhos arregalados. Cobertura. Isso foi demais. Eu não pertencia a este tipo de mundo de casas de luxo e carros. Eu estava certamente ficando maravilhada com o luxo que me cercava, mas também me serviu como um lembrete de como éramos diferentes. Fiquei de boca aberta, quando nos dirigimos para a cidade.


Os arranha-céus, as luzes, pessoas... Tudo isso não parecia real.

as

— Uau — Gaguejei, girando em meu lugar para ver melhor. — Você está feliz por ter vindo? — Trent perguntou, escovando meu cabelo do meu ombro. Eu balancei a cabeça. — Obrigada... Isso é incrível. — Não me agradeça ainda — Ele sorriu, torcendo a pulseira de couro em torno de seu pulso — A diversão ainda nem começou. O motorista fez uma manobra brusca e de repente estávamos descendo na escuridão. Eu nem tinha notado a garagem porque estava tão absorvida por todo o resto. O motorista estacionou ao lado de um elevador e pulou para fora para abrir a porta para nós. Ele me estendeu a mão e me ajudou a sair. — Eu vou ter alguém trazendo suas malas Sr. Wentworth — O homem disse, alisando os dedos na gravata verde esmeralda. Ele parecia estar em seus cinquenta anos com cabelos grisalhos e olhos castanhos gentis. — Obrigado, John — Disse Trent, apertando a mão do homem. Eu não tinha certeza, mas eu tinha certeza que eu vi Trent escorregar um pouco de dinheiro na sua mão. — Vamos, Row — Sua mão tocou a minha cintura, me guiando para o elevador. — Vamos nos instalar antes de eu mostrar-lhe a cidade.


Ele apertou o botão do elevador e eu olhei por cima do meu ombro para ver John se afastando. As portas do elevador se abriram e meu queixo caiu. Eu nunca soube que um elevador poderia ser tão extravagante. Os pisos estavam cobertos de mármore e as paredes e o teto estavam cobertos de um revestimento em madeira escura. — Com base em como a fantasia é — Comentei, olhando ao redor do elevador com admiração quando entramos no seu interior — Eu estou com um pouco de medo de ver como a cobertura se parece. Trent riu, a inserção de uma chave em uma fechadura para abri-la e, em seguida, apertar um botão. O elevador começou a subir e com cada andar, meu coração disparava mais rápido. Ele finalmente parou no andar mais alto e eu prendi a respiração quando as portas se abriram. Deixei escapar um suspiro quando Trent pegou minha mão, me levando para dentro. O hall de entrada possuía piso de mármore, semelhante ao que estava no elevador, uma mesa redonda estava no meio com um grande arranjo de flores. Ele me puxou através de um arco e eu engasguei com a vista. A janela cobria toda a parede do fundo, e parecia que os arranha-céus estavam dentro do quarto.


— Isso é impressionante. — Fui até as janelas, colocando a palma da mão contra o vidro. Tinha um pequeno terraço com uma mesa de fantasia e cadeiras. — Então, você gostou? — Perguntou Trent, dando um passo para o meu lado. Seus olhos estavam sobre o ponto de vista, bem como, as mãos enfiadas nos bolsos de sua calça jeans. — Como eu poderia não gostar? Ele riu. — Você não é como as outras garotas — Ele encolheu os ombros largos. — Eu achei que você poderia odiá-lo. — Este ponto de vista é incrível. — Meus olhos percorreram todos os carros e as pessoas agitadas lá embaixo, tentando chegar a algum lugar. — É a minha parte favorita sobre este lugar. Olhei para descobrir que ele tinha os braços apoiados sobre a cabeça, inclinando-se contra o vidro. Um mês atrás, eu nunca teria pensado que eu estaria aqui com Trenton, mas agora não havia nenhum lugar que eu preferiria estar. Pela primeira vez desde que tinha entrado, eu olhei a decoração. Eu estava tão distraída com a vista espetacular da cidade, que eu tinha sido incapaz de apreciar a beleza interior. Não era branco e estéril como eu esperava. Havia um sofá confortável, com mesas de madeira pesadas e um pufe de couro. Tinham várias prateleiras de madeira com toneladas de livros que cobriam cada superfície disponível. Claro, há também uma


grande TV. O chão era de uma madeira escura, levando para a cozinha surpreendentemente grande, com armários pretos e bancadas brancas brilhantes. Tudo era lindo, mas não emitem a vibe de olhe, mas não toque. Os dedos de Trent roçaram meu rosto, me trazendo de volta à realidade. — Estou tão feliz que você está aqui — Ele respirou. — Eu também — Eu sussurrei, meus olhos se fecharam enquanto seu polegar roçou meu lábio inferior. Era difícil para mim admitir o quão bom era estar aqui com ele. Estar com Trenton era fácil, tão fácil quanto respirar e se me deixar, eu nunca quero deixá-lo ir. Seus lábios roçaram levemente contra o meu. O toque tão suave que eu não tinha certeza de que poderia até mesmo ser considerado um beijo. — Eu realmente quero te mostrar o meu quarto agora. — Sua voz estava rouca de desejo e eu deixei um gemido silencioso escapar da minha garganta quando ele empurrou a gola da minha camiseta, para que ele pudesse beijar a pele nua do meu ombro. — Eu gostaria de vê-lo. — Eu parecia sem fôlego, como se eu tivesse acabado de correr uma milha, mas era simplesmente o poder dos lábios de Trent sobre mim. — Deixe-me mostrar-lhe então. Ele me pegou, me carregando como um noivo iria levar sua noiva.


Ele abriu a terceira porta no corredor e chutou a porta fechada atrás dele. Ele me deitou na superfície macia de uma cama enorme. — Eu vou lhe mostrar o quarto mais tarde — Ele rosnou contra a pele do meu pescoço — Por agora, eu gostaria de familiarizá-la com a minha cama. Seus dedos encontraram os meus quadris e ele avançou lentamente minha camisa para cima, expondo o meu estômago, e depois os meus seios escondidos atrás de um sutiã preto liso. Sentei-me e levantei os braços no ar para que ele pudesse puxar a peça de cima de mim. — Eu nunca poderia me cansar de olhar para você, Rowan — confessou ele, seus olhos azuis cheios com uma emoção que eu me recusei a definir. Eu engoli em seco. — Eu Eu silenciei suas próximas palavras, agarrando-o pelo pescoço e beijando-o. Eu sabia o que ele ia dizer e eu não podia ouvi-lo. Eu não estava pronta. Eu nunca estaria pronta. Ele me beijou de volta, suas grandes mãos me agarrando ao redor dos meus lados. Uma mão deslizou até a pele das minhas costas e tirou a alça do meu sutiã. Com um movimento de seus dedos ele tinha aberto e estava deslizando pelos meus braços. Seus olhos se banqueteavam com os meus seios nus e eu me recusei a ficar constrangida. Eu deslizei para longe dele, apoiando para trás em meus cotovelos e dando-lhe um olhar.


— Sua vez. Ele riu, o som baixo e rouco, fazendo meu corpo encher de prazer com a promessa do que estava por vir. Ele enfiou os polegares na parte de trás de sua camisa de manga longa e puxou-a sobre a cabeça, bagunçando seu cabelo. Minha língua sacudiu para fora para umedecer meus lábios enquanto eu olhava avidamente a visão de seu peito definido e o punhado de cabelos escuros que desapareciam abaixo da cintura, segurando a calça jeans para cima. — Feliz? — Ele perguntou. — Não é bem assim — Sorri sedutoramente. Eu não era tão tímida agora no departamento de sexo, e eu não ia deixar que ele ficasse completamente no controle dessa vez. — Eu posso te fazer muito feliz — Seus olhos se estreitaram, o azul se tornando quase preto de desejo. — Então faça isso. Ele sorriu para o desafio no meu tom. Eu gritei quando ele agarrou meus quadris, me puxando pela cama até chegar a ele. Em questão de segundos, ele tinha minhas calças jeans e calcinha. Seus olhos pousaram em minha parte inferior do corpo e eu contei até dez na minha cabeça, esperando que o gesto pudesse me impedir de corar. — Eu vou tocar em você, Rowan, e beijá-la, e você vai gostar — Ele rosnou baixo em sua garganta. Deixei escapar um pequeno som quando seus dedos traçaram a minha vagina.


— Trent — Eu soluçava. — Shhh — Ele silenciou. — O melhor ainda está por vir. Engoli em seco quando seus dedos mergulharam dentro de mim. — Oh. Meu. Deus. Meus olhos se fecharam e meus punhos agarraram a colcha branca macia. Sua mão livre pousou no meu estômago, me segurando para baixo, para que meus quadris não se mexessem. — Fique quieta — Ele ordenou, e algo em seu tom mandão só serviu para me ligar mais. Seus dedos bombearam dentro de mim enquanto ele mantinha o polegar pressionado contra o meu clitóris. Quando eu estava prestes a gozar, ele tirou o polegar e... — Puta merda. Sua língua estava em mim e eu nunca tinha sentido nada parecido. Eu solu��ava com a pressão que estava construindo em meu corpo. Sua língua moveu contra mim e eu pensei que eu poderia explodir em lágrimas por me sentir tão bem. Seus dedos continuaram a brincar comigo enquanto ele chupava e não demorou muito para o prazer rugir pelas minhas veias. Ele ficou em cima de mim, sorrindo para o que ele tinha feito. Em seguida, ele estendeu o polegar. — Chupe.


— O- O que? — Engoli em seco, meu peito subindo e descendo bruscamente. — Chupe — Ele repetiu, seu polegar escovou meu contra o meu lábio inferior. Eu finalmente entendi o que ele queria, e abri minha boca. Ele enfiou o dedo na minha boca e meus lábios fecharam em torno dele, a minha língua girando em torno. Eu senti meu gosto no dedo dele. Ele tirou o dedo da minha boca, seus olhos escuros de desejo. — Foda-se — Ele sussurrou. Sentei-me devagar, estendendo a mão para os seus jeans. — Minha vez. Eu desfiz o cinto e tive seu jeans antes que ele percebesse o que eu pretendia fazer. — Uau, você não precisa fazer isso — Ele empurrou gentilmente em meus ombros, tentando me parar. — Eu sei — Eu sorri para ele. — Mas eu quero. Ele engoliu em seco, seus olhos fechando brevemente. — Estou falando sério. Eu não espero que você retorne o favor. — Eu sei — Eu repetia enquanto ficava de joelhos. Eu olhei para ele, de repente me sentindo tímida. — Você tem que me dizer se eu fizer isso errado. Eu nunca... Eu nunca fiz isso. — Confie em mim, Row, eu não acho que você nunca poderia fazer nada de errado.


Eu odiava quando ele dizia essas coisas. Trenton me colocava em um pedestal como se eu fosse essa grande pessoa que nunca fez nada de errado. Ele não tinha ideia de quão equivocado estava. Eu olhei para o seu comprimento e espessura, cuidadosamente escondido atrás de sua cueca boxer preta e engoli em seco. Eu poderia fazer isso. Eu queria fazer isso. Eu puxei o tecido para baixo e engasguei quando ele saltou livre. Eu nunca tinha estado tão perto antes, e ele era tão bonito aqui, como era em todo o resto. Levei-o na minha mão, acariciando lentamente. — Porra, Row — Ele gemeu, jogando a cabeça para trás, — Você não tem que fazer nada, mas se fizer eu vou ser um homem feliz. — Eu duvido — Eu sorri, em seguida, tomei-o em minha boca. Eu me senti desconfortável em primeiro lugar com a minha falta de conhecimento em situações como esta. Eu rodeei minha língua em torno da ponta e, em seguida, levei-o mais profundo em minha boca. Ele soltou um grunhido, seus dedos apertaram no meu cabelo quando ele segurou longe do meu rosto. Senti seus olhos em mim. — Você não tem ideia do quão quente porra você olha agora — Ele murmurou. Meus olhos foram para olhar ele me observando. — É tão bom — Ele sussurrou, fechando os olhos brevemente enquanto ele engoliu em seco.


Isso me agradou, eu parecia estar fazendo a coisa certa. Eu acariciei e ele jogou a cabeça para trás. — Se você continuar fazendo isso com a mão e sua boca, eu não vou durar muito tempo, e eu realmente quero gozar dentro de você. Eu me afastei e subi na cama. Deitei-me, meu cabelo se espalhando ao redor de mim. — Então faça isso — Eu repeti as minhas palavras de mais cedo. Seus olhos percorriam meu corpo como se estivesse memorizando como se parecia. — Com prazer — Ele sorriu torto com um fogo que iluminou seus olhos. Ele pegou um preservativo, enrolou-o, em seguida, agarrou meus quadris novamente. Ele me puxou até que meu traseiro estava pendurado para fora da cama e ele estava segurando em mim. — Você não vem aqui? — Perguntei. Ele balançou a cabeça. — Não, eu acho que vou ficar aqui — Ele piscou. Ele empurrou para dentro de mim e eu engasguei quando ele me encheu. Ele deslizou para fora e para trás rapidamente. Agora eu entendi por que ele estava de pé.


Ele revirou os quadris contra o meu e eu mordi meu lábio para abafar o grito que ameaçava me escapar. — Mais forte — Eu implorei. — Você quer uma vida difícil? — Uma sobrancelha levantou-se em descrença. Eu balancei a cabeça, tentando não gemer. — Bem, então... Eu não poderia acalmar meus gritos depois disso. Suas estocadas foram rápidas e poderosas, sacudindo a cama. As veias em seus braços se destacaram e seus dedos cravaram em minha pele. — certeza mesmo sentido

Trent! — Eu gritei o nome dele quando gozei. Eu tenho que eu gritei algumas outras coisas também, e talvez até em outra língua, porque nada do que eu disse fez para os meus próprios ouvidos.

Trent rosnou e eu senti ele se contrair dentro de mim com a sua libertação. Ele caiu em cima de mim, o cuidado de manter o seu peso de cima de mim. Ele pressionou beijos doces no meu rosto, pescoço e no topo dos meus seios. — Isso foi foda incrível — Ele murmurou, passando os braços em volta de mim e enterrando seu rosto na curva do meu pescoço. Eu balancei a cabeça em concordância. Eu não tinha palavras.


— Eu prometo que não te trouxe aqui para o sexo — Continuou ele — Mas eu estaria mentindo se eu não dissesse que valeu a pena. — Ele riu, beijando o canto da minha boca. — Rowan? — Ele fez uma pausa. — Você está bem? Eu balancei a cabeça. — Você pode falar...? Eu balancei a cabeça. — Rowan? — Dê-me um minuto — Eu finalmente consegui forçar palavras dos meus lábios. Ele riu. — Foi bom? Bom era o eufemismo do século. Isso tinha Alucinante.

sido...

— Podemos fazer isso de novo? — Eu perguntei, virando a cabeça para olhar para ele. Eu estava respirando pesadamente e meu corpo estava coberto de suor, mas eu não me importei. Ele riu. — Nós certamente podemos. Apenas me dê mais cinco minutos. — Você não precisa de mais tempo? — Eu questionei. Ele riu.


— Com você? Não. Confie em mim, não vai demorar muito até eu estar pronto de novo — Ele mexeu os quadris e eu ofeguei, percebendo que ele ainda estava dentro de mim. — Especialmente se eu não sair. Eu envolvi minhas mãos em volta do pescoço, entrelaçando os dedos juntos. — Não se mova, então. — Confie em mim, se você me dissesse para eu nunca sair, nunca sairia. — Disse ele a sério, escovando meu cabelo longe dos meus olhos. — Eu não quero nada mais do que ficar aqui com você para sempre. — E por aqui, quer dizer dentro de mim? — Eu brinquei. Ele riu muito. — Eu não iria reclamar sobre isso. Olhei para os nossos corpos unidos. — Eu acho que você está pronto — Eu sussurrei. — Que tal isso? — Ele riu. — Eu disse que não iria demorar muito. Agora, deite-se e deixe-me te amar. E ele fez. Mais uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez.


Capítulo Treze Meu corpo todo doía, mas da melhor maneira possível. Eu estiquei meus dedos, apontando-os para baixo, em seguida, levantei os braços acima da minha cabeça. A luz do sol entrava no quarto pelas janelas do chão ao teto. Ontem à noite eu estava ocupada com coisas mais importantes e não tinha notado quaisquer detalhes sobre o ambiente. Foi pintado de uma cor cinza médio e todo o mobiliário era negro. A roupa de cama era branca e fofa. Era tão suave que eu não tinha certeza de como eu me sentiria sobre o retorno aos meus próprios lençóis. — Isso faz com que seus surpreendentes do que o habitual.

seios

pareçam

mais

Eu me assustei, baixando os braços, quando eu olhei para ver Trent em pé na porta. Um par de calças de moletom azul marinho pendiam fora de seus quadris estreitos e seu cabelo estava bagunçado com jeito de sexo e sono. Ele tinha duas xícaras de café nas mãos. Ele veio pelo outro lado do quarto e subiu na cama alta. — Aqui — Ele me entregou o café. Eu tomei um gole, incapaz de conter o meu gemido. — Está delicioso.


— É caramelo — Ele piscou. Ele encostou-se na montanha de travesseiros, olhando para fora das janelas. Seu olhar era pensativo e eu sabia que ele estava pensando em alguma coisa. — Seja o que for, só cuspa — Disse a ele. Ele riu, abaixando a cabeça. — Eu sou tão previsível? — Ele sorriu e mostrou sua covinha. — Eu conheço você — Eu dei de ombros. — Você não tem que ser previsível em sua linguagem corporal. Agora, fale. — Eu explodi no café quente, olhando-o por cima da borda. — Posso tirar uma foto sua? — Ele perguntou. Eu ri. — Trenton, eu tenho certeza que você já tem uma abundância de imagens minhas. — Não, não assim — ele balançou a cabeça, seu cabelo escuro caindo em seus olhos. — Assim como...? — Você, nua, na minha cama — Ele mordeu o lábio. — E então eu quero tirar uma foto sua depois de fazer amor com você. Eu tremia em seu tom. — Você pode dizer que não, se você não quiser — Ele me assegurou: — Mas eu realmente gostaria.


— Eu... — Eu segurei meus joelhos até meu peito, contemplando-o. Finalmente, encontrei o seu olhar firme. — Ok. — Tudo bem? — Ele repetiu, sorrindo lentamente como se tivesse medo que a qualquer segundo eu gritasse que só estava brincando. Eu balancei a cabeça. — Está tudo bem comigo. Ele colocou a xícara de café sobre a mesa e, em seguida, estendeu a mão para a minha. — Você quer começar agora? relutantemente entregando o copo.

Eu

perguntei,

Ele assentiu com um pequeno sorriso. — Eu penso que é melhor começar antes de você mudar de ideia. — Eu não vou. — Eu não me importo — Ele riu, pegando sua câmera. Percebi que nossas malas estavam agora no quarto. Alguém deve ter deixado na noite passada e ele trouxe nesta manhã. Ele apontou a câmera e começou a fotografar. — Deite-se — Disse ele com voz rouca. Fiz o que ele pediu. Antes de tirar outra foto, ele estendeu a mão e espalhou o meu cabelo ao redor, em seguida, levantou um dos meus braços acima da minha cabeça.


— Não se mova — Ele me avisou, como se falasse com uma criança. Meu coração estava batendo tão rápido no meu peito que eu tinha certeza que ele podia ouvir suas batidas. — Estas estão bonitas — Ele sussurrou, olhando para a tela da sua câmera. Ele me colocou em uma posição diferente e tirou uma foto minha de novo. Ele continuou assim durante uns bons 30 minutos. — Agora — Ele abaixou, levando meu lábio inferior entre os dentes e depois o liberando — Eu vou fazer amor com você. Ele soltou a câmera e tirou sua calça de moletom. Ele estava duro e completamente pronto para mim. Ele deslizou a camisinha e subiu na cama. Seus dedos encontraram-me e quando ele sentiu que eu estava molhada, ele sorriu. — Estou feliz que você ligou, tanto quanto me fez. — Como não ficar? — Eu respirei. — Bom ponto. — Ele me beijou, quando tomou conta de seu comprimento e deslizou lentamente dentro de mim. Eu me contorci, deixando escapar um pequeno grito de dor por ontem. — Você está bem? — Sua testa franzida de preocupação. — Preciso parar? Você sabe que eu vou — Ele me assegurou. — Basta ir devagar — Eu avisei. — Eu - eu estou ferida lá embaixo. — Confie em mim — Ele beijou-me profundamente, fazendo minha cabeça girar — Isso vai ser lento, e você vai adorar cada segundo dele.


Meu coração acelerou ainda mais com seu tom promissor. Ele avançou dentro de mim bem devagar, e quando ele foi todo o caminho ele parou, tirando uma foto. Eu tinha esquecido completamente sobre a câmera, mas vê-la em sua mão enquanto ele estava parado em cima de mim me fez animada. — Você pode mover-se — Eu sussurrei. — Ainda não. — Ele pegou outra foto. Ele lentamente avançou para fora, tirando uma foto minha de novo quando a minha boca se abriu em um O. Ele balançou os quadris dentro e fora em um ritmo que de alguma forma conseguiu dirigir-me mais louca do que o que tinha feito na noite passada. Eu também achei que havia algo extremamente erótico sobre tê-lo em cima de mim, tirando minha foto enquanto fazia amor comigo. Eu não conseguia esconder minhas emoções. Elas eram simples para ele e para a câmera para ver. Eu estava descobrindo minha alma para ele, e eu esperava que ele soubesse disso, e entendesse o presente que eu estava dando a ele. Eu estava deixando-o me ver. O suor umedeceu meu corpo quando eu me aproximei mais perto desse precipício. Eu estava desesperada por cair. — Venha para mim — Ele respirou, sua voz quase um sussurro. — Deixe-me vê-la. Ele dirigia em mim com estocadas rasas e eu arranhava os cobertores quando eu senti meu orgasmo começar a tomar conta. Todo o tempo, ele tirou uma foto minha.


— Deus, você é tão fodidamente bonita e você nem sabe disso — Ele rosnou. Eu desejei acreditar nele. Eu nunca tinha sido uma pessoa preocupada com a minha aparência, mas eu sabia que por dentro eu era feia... Cheia de cicatrizes... Desfigurada. Eu estava doente. Veneno, conhecido como mentiras, corria pelas minhas veias, me sufocando. — Rowan? — Ele perguntou, notando o olhar de desgosto no rosto. — O que há de errado? — Seus movimentos se acalmaram quando ele olhou para mim interrogativamente. — O que eu fiz? O que eu disse? — Não é nada — Minha voz falhou. — Row — Ele segurou meu rosto com a mão. — Eu machuquei você? São as fotos? Você tem que me dizer o que está errado para que eu possa corrigi-lo. — Seus olhos me imploraram para falar, para dizer-lhe o que se passava na minha cabeça, mas era tão difícil. — Você não me machuca — Eu assegurei a ele. — Mas eu não sou bonita, Trent. — Sim, você é — Disse ele severamente. Eu balancei minha cabeça. — Eu não estou falando sobre a minha aparência — Falei com ferocidade. — Eu estou falando sobre o que está aqui — Eu coloquei a mão sobre o meu coração. — Se você soubesse quem eu sou, o que eu fiz — Eu resmunguei — você saberia que eu não sou bonita. — Não diga coisas tão horríveis sobre si mesmas — Ele sussurrou, traçando os dedos sobre os lábios. — Eu não sei quem plantou essas mentiras em sua cabeça — Ele bateu na minha testa — Mas eles estão errados.


— Ninguém me disse qualquer coisa — Eu sussurrei com uma careta. — Eu posso ver a minha própria escuridão. — Row... Eu sabia que ele não sabia o que dizer para mim, e estava perfeitamente bem. Eu não precisava ouvi-lo tentar me convencer de que eu era boa. Ele não sabia o que eu tinha feito, por isso em seus olhos eu era boa. Eventualmente, eu teria que dizer a ele, ele merecia saber e então ele veria como eu era ruim. Eu não conseguiria esconder o mal que reside em meu coração para sempre. Empurrei seus ombros, rolando-o de costas, de modo que eu estava no topo. — Pegue suas fotos. — Peguei seu queixo em minhas mãos, pressionando meus lábios contra os dele, selando-nos juntos. Porque em breve, essas imagens vão ser tudo que você terá de mim.

— E esta é a Times Square — Trenton disse, como se eu já não tivesse percebido isso. Eu girei, meu queixo caído com admiração. As luzes, os sons, as pessoas... Nada disso parecia com nossa casa. Foi fácil para mim acreditar que Trent e eu estávamos em um mundo totalmente novo. Um onde só nós dois existíamos.


Alguém esbarrou em mim, me impulsionando em Trenton. Ele passou os braços em volta de mim para me impedir de cair na calçada. — Bem, isso foi rude — Eu olhei para o homem que tinha me empurrado. — Isso é Nova York — Trent riu. — Acostume-se com isso. Ele não me liberou, mas me apertou em seus braços. O ar estava frio e havia um vento leve. Eu estava grata por meu casaco pesado preto, lenço amarelo, e toca. Trent estava vestido da mesma forma, apenas o seu lenço e toca eram vermelho. — Vamos tirar uma foto — Ele me implorou. Neste ponto, eu estava acostumada a Trenton e suas fotos, por isso obrigado. Ele me posicionou na frente do telão e ficou ao meu lado. Ele estendeu o braço com a câmera. — Sorria — Ele me avisou. Eu passei meus braços em volta do pescoço e dei a câmara o maior sorriso que eu poderia reunir. Então eu beijei sua bochecha. Na última foto que ele tirou, ele me beijou em cheio na boca, sua língua encontrando seu caminho pelos meus lábios. Peguei seu rosto em minhas mãos, a nuca esfregando contra o algodão macio de minhas luvas. Ele beliscou meu lábio inferior e eu não pude deixar de rir. Ele beijou a ponta do meu nariz, com a respira��ão instável. — Eu sei que eu queria mostrar-lhe a cidade, mas eu estou começando a pensar que deixar a cobertura foi uma ideia muito ruim.


— Que tal isso — Eu agarrei a gola do casaco — Me leve para ver a árvore de Natal no Rockefeller Center, então podemos voltar para lá e tomar um longo banho... Juntos. — Isso é realmente uma boa ideia — Ele sorriu. — Eu gostaria de ter pensado nisso. — Vamos — Peguei a mão dele. — Quanto mais cedo conseguir um táxi, mais cedo nós vemos a árvore, e quanto mais cedo nós vemos a árvore... — Eu parei, deixando-o terminar o meu pensamento. — Mais cedo eu posso ter você molhada e presa contra a parede do chuveiro — Ele piscou. — Eu amo fazer amor em chuveiros. — E com câmeras — Eu murmurei. Ele riu. — Imagens valem mais que mil palavras, mas aquelas... Algo me diz que eles valem um milhão. Um táxi finalmente parou e eu deslizei para dentro. Trent disse ao homem onde queríamos ir e eu sufoquei minha tosse. O táxi cheirava a fumaça de cigarro. Eu apertei meu nariz com o cheiro desagradável. Eu nunca tinha entendido o apelo ao tabagismo. Quero dizer, quem quer chupar um pau que mata? Obviamente nosso motorista de táxi. Ele nos deixou e Trent entregou-lhe dinheiro. — Obrigado — Trent disse e o taxista simplesmente grunhiu em resposta.


— Como um belo rapaz — Eu brinquei. — Eu acho que ele quer ser seu novo melhor amigo. O braço de Trent enrolou ao redor da minha cintura. — Dificilmente. A multidão ao redor da árvore era grande, mas não tão ruim como Times Square tinha sido. Eu não acho que seria capaz de ficar muito perto da árvore, mas eu estava bem com isso. Ela estava iluminada com muitas luzes coloridas e os enfeites eram enormes. Fiquei imaginando o quão alto a coisa era. Eu tinha de virar meu pescoço para trás para ver o início da mesma. — Desculpe-me — Disse Trent, parando um homem passando. — Você se importaria de conseguir uma foto de mim e minha namorada? Meu coração parou. Namorada. Trent havia me chamado de namorada. Nós nunca tínhamos definido o que éramos, mas, obviamente, Trent tinha sua própria ideia, e eu gostei do som dele me chamando sua "namorada" um pouco demais. Eu deveria ter dito a ele que eu não estava bem com ele me chamar assim, mas teria sido uma mentira. Eu queria ser sua namorada. Na verdade, eu queria ser mais do que isso. Mas eu sabia que nunca iria durar então eu não vejo sentido em definir o que nós éramos uns aos outros. O cara parecia chateado que Trent o tinha parado, mas concordou. Trent entregou-lhe a câmera e me trouxe perto ao seu lado.


O cara segurou a câmera para cima e eu sorri. — Obrigado — Trent balançou a cabeça, pegando a câmera dele. Sem uma palavra, o homem saiu. — apontando para a câmera.

Posso

ver?

Eu

perguntei,

Trent assentiu, entregando-o. Na tela era a imagem com a árvore brilhando atrás de nós. Eu sorri para a câmera, mas Trent estava sorrindo para mim como se... Como se eu fosse todo o seu mundo. Era uma bela imagem, uma que eu gostaria de imprimir para que eu pudesse olhar para trás daqui a alguns anos e me lembrar como ele se sentia. Eu entreguei a câmera de volta, engolindo o repentino nó que se instalara em minha garganta. — Você está pronta para ir? — Perguntou Trent. — Ou você quer ficar mais um pouco? Já tínhamos saído da cobertura por um tempo, eu estava gelada, e enquanto a árvore era bonita, eu não via mais sentido em olhar para ela por mais tempo. — Estou pronta para voltar — Eu respondi, balançando meus dedos gelados. As luvas pretas fizeram pouco para aquecê-las, então eu empurrei-as nas profundezas do bolso do meu casaco. Trent acenou para um táxi e voltamos para o apartamento. Ele nos deixou na frente do edifício e entramos. Eu não tinha visto o lobby ainda, e eu estava atordoada. Tudo era tão


brilhante e caro. Eu não quero saber o quanto sua cobertura deve custar. — Você tem um pouco de baba lá — Brincou Trent, limpando meu lábio afetado. — Este lugar é tão incrível — Gaguejei, virando-se e tentando absorver tudo. — Eu gosto daqui — Trent deu de ombros. — A vibração da cidade sempre me agradou, mas eu teria um tempo difícil se fosse para morar aqui. É bom ter esse lugar para fugir, no entanto. — Quantos outros lugares você tem questionei, enquanto esperávamos o elevador.

assim?

Eu

— Alguns — Ele respondeu vagamente. — Algo me diz que é mais do que alguns — Eu ri, entrando no elevador. Ele pegou a chave novamente, inserindo-o na fechadura e torcendo. — Então, talvez seja mais do que alguns — Ele deu de ombros casualmente. — Eu não posso te dizer o que são, porque eu tenho que ter alguma coisa para mantê-la interessada. — Você sabe que eu não me importo com o seu dinheiro, Trent — Eu disse a sério — Ou quantos carros e casas que você possui. Nada disso importa para mim. — Eu sei — Ele segurou meu rosto, abaixando a boca para a minha. — É uma das razões pelas quais eu... As portas do elevador se abriram para a cobertura e eu agarrei sua mão, puxando-o atrás de mim.


— Sobre o chuveiro? — Sorri sedutoramente, para que o que ele estava prestes a dizer ficasse esquecido. Havia uma biblioteca na cobertura. Cada parede foi coberta com prateleiras cheias de livros de todos os gêneros. Numa das paredes havia uma janela com um banco embutido coberto por uma almofada branca macia e travesseiros. Eu tinha pegado um cobertor da sala de família e coloquei sobre as minhas pernas enquanto eu olhava para fora da janela, escovando os fios molhados de meus cabelos. Trent estava nos fazendo o jantar. Eu ofereci para ajudar, mas ele se recusou, dizendo-me para relaxar. Como eu não tinha feito um passeio pela cobertura ontem, eu resolvi olhar hoje. Quando eu vi este quarto, eu fiquei encantada. Eu sempre encontrei conforto em uma biblioteca. Fez-me triste saber que eu não estaria trabalhando na biblioteca mais. Eu provavelmente não seria bem-vinda lá para estudar também. Parecia que eu ia ser presa se fosse estudar na biblioteca da Universidade. Eu teria que pensar em algo criativo para dizer a Tatum a respeito do porque eu fui demitida. Ela era minha amiga, mas eu não seria capaz de dizer-lhe a verdade. Felizmente, eu tinha conseguido alguns dias de trabalho na loja de carro de Trace antes de Trent me deixar. Certamente não era a biblioteca, mas era bom. Ele era fácil de trabalhar e ele pagava bem, então eu não tinha nada a reclamar. Os caras que trabalhavam para ele na loja poderiam ficar um pouco turbulentos, mas ele foi rápido para fechá-los e ordená-los de volta ao trabalho. Por ser tão jovem, Trace estava lidando em ser um empresário muito bem.


Bati meus dedos em cima dos meus joelhos e coloquei a escova de cabelo de lado, deixando os fios úmidos longo caírem nas minhas costas. Fui tomada por uma súbita tristeza, sabendo que em questão de dias, teríamos de voltar para casa e esta bolha iria estourar. Estar aqui sozinha com Trent fez tudo muito fácil para mim, a esperança de um futuro com ele, um futuro que eu sabia que nunca poderia existir. Jurei que quando voltarmos para casa eu terminaria as coisas. Eu iria embora antes que ficasse confuso. Quando ele me deixasse, eu mentiria e lhe diria que esta semana me mostrou que o meu interesse não estava lá. Eu mentiria, porque era mais fácil. Eles sempre dizem que a verdade pode libertá-lo. No meu caso, a verdade era a minha prisão. Um dia, quando eu fosse mais velha e mais sábia, gostaria de encontrá-lo e explicar-lhe por que nunca teria dado certo. Não era esse dia ainda, porém, e por enquanto, eu me divertiria. Um tamborilar na porta da biblioteca aberta me despertou. Trent ficou na porta, seu cabelo escuro tinha secado do nosso chuveiro e ele estava sem camisa, apenas os mesmos moletons pendurados baixos em seus quadris. — Por que não estou surpreso de encontrá-la aqui? — Ele sorriu torto, cruzando os braços sobre o peito enquanto ele se inclinava contra a porta. — Eu gosto deste lugar — Eu forcei um sorriso, passando os braços em volta dos meus joelhos. — É... Pacífico. Acho que é tão fácil de buscar conforto em livros — Eu murmurei, olhando em volta para as prateleiras embalados — Os livros... Eles não podem me machucar não da maneira que as pessoas podem.


Trent franziu a testa com as minhas palavras. — Rowan — Ele sussurrou meu nome quando ele deu um passo para dentro do quarto — Eu sei que há muita coisa que você não está me dizendo. — Ele se agachou na minha frente, olhando nos meus olhos. — Eu entendo o que é não querer falar sobre certas coisas, por isso eu tenho respeitado o seu espaço, mas eu quero que você saiba que eu estou aqui a qualquer hora que você precisar falar com alguém. — Eu sei. Havia tanta coisa que eu queria contar a Trent, mas eu sabia que quando eu me abrisse eu teria que contar-lhe tudo, e eu não podia dizer-lhe todos os meus segredos sujos ainda. — O jantar está pronto — Disse ele, e eu estava grata pela mudança de assunto. Eu sabia que Trent estava curioso sobre os demônios que me assombravam, mas ele me respeitava o suficiente para não forçar os meus segredos. Aquilo me mostrou o quanto ele gostava de mim, mais do que eu queria acreditar que ele fizesse. — Eu não estou com muita fome — Eu murmurei, colocando minha cabeça em meus joelhos. — Você precisa comer — Ele olhou para mim com olhos preocupados. — Você está ficando doente? Não, a não ser que você pudesse ficar doente com mentiras. — Eu me sinto bem — Eu assegurei a ele. — Apenas cansada. Ele franziu o cenho.


— A culpa é minha. Sinto muito. — Ele se levantou, estendendo a mão para mim. — Coma algum jantar e vamos para a cama. Por favor? Eu balancei a cabeça, colocando a mão na palma da mão estendida. Não havia nenhuma razão para discutir com ele. Ele pegou o cobertor, segurando-o no braço. Fora da sala de estar e vi a cozinha aberta, vi que ele tinha diminuído as luzes e posto à mesa. Ele até acendeu velas. Foi lindo. Ele não me levou para a mesa embora. Ele me guiou até o sofá e me disse para sentar. Ele passou o cobertor sobre minha metade inferior e apertou um botão em um controle remoto, o que acendeu uma lareira. Eu não tinha notado a lareira ontem. Ele fez o lugar ficar aconchegante. Ele empurrou outro botão, que fechou as grandes cortinas blackout. Ele apagou as velas e trouxe os nossos pratos de comida e copos de vinho para o sofá. Ele ergueu o copo para um brinde, então eu imitei. — Para nós — Ele sorriu. — Para nós — Repetiu. Para nossa morte, pensei.


— Trent, onde você está me levando? — Eu gemi quando ele segurou minha mão, correndo pela rua. Ele pegou uma porta, me puxando para uma loja de luxo extravagante. — Compras — Ele sorriu como um menino pequeno, um pouco de sua emoção passando para mim. Meu queixo caiu quando eu olhei para as roupas. — Não — Arranquei minha mão da de Trenton — Este lugar é muito caro, eu não quero nem olhar em qualquer coisa para me divertir. — Rowan — Disse Trent meu nome em um tom calmante — Eu quero lhe comprar um vestido. — Um vestido? Por que você quer me comprar um vestido? — Eu perguntei, meus olhos circulando em torno de mim, vendo todas as pessoas vestidas com roupas extravagantes. Eu não pertenço aqui em minhas calças e suéter cinza. Eu parecia uma vagabunda, e Trent queria me comprar um vestido? Ele estava louco? — Lembra-se da festa de Ano Novo que eu mencionei? — Quando eu balancei a cabeça, ele continuou — Bem, é formal, então você precisa de um vestido. — Eu tenho um vestido — Eu murmurei, mesmo que eu não tivesse um vestido formal. Eu não tinha ido ao baile.


— Rowan — Ele advertiu — Eu vou comprar um vestido, um vestido novo, e você não vai dizer nada sobre isso. — Você resmunguei.

é

tão

mandão

Eu

— É a única maneira que eu posso fazer alguma coisa pra você — Ele riu. — Agora, por favor, não faça isso difícil. Eu fiz uma careta. Eu não queria Trent gastando seu dinheiro comigo, mas eu conhecia aquele brilho determinado em seus olhos muito bem, e não havia nenhuma maneira que eu iria sair dessa. — Tudo bem — Eu relutantemente concordei. Ele sorriu, satisfeito por ter chegado ao seu caminho. Ele não pegou minha mão, provavelmente com medo que eu o golpeasse, e acenou com a cabeça para eu o seguir. Era óbvio que Trent tinha vindo aqui muitas vezes antes. Ele me levou até a seção das senhoras, ou eles chamam de outra coisa nas lojas de fantasia como esta? Uma mulher cumprimentou-o e eles apertaram as mãos. — Row, este é Sherri. Sherri, esta é a minha namorada, Rowan, e ela precisa de um vestido para uma festa. Sherri apertou minha mão, seus olhos começaram a meu percorrer desde os meus pés até o meu corpo enquanto ela me avaliava. — Hmm — ela resmungou. Eu pensei que ela não me achava boa o suficiente para Trenton. Isso fez duas de nós.


— Que tipo de festa? — Ela perguntou a Trent. Sua voz estava com uma estranha sonoridade nasal, como se ela tivesse um resfriado. — A festa de Ano Novo. Minha família tem uma a cada ano e é muito formal. Sherri bateu o queixo pensando. Ela era uma mulher pequena, com cabelos cor de fogo que não era de forma natural e óculos coloridos. Seus lábios eram macios e brilhavam com um brilho vermelho cereja. Suas roupas eram agradáveis e provavelmente custavam mais do que o que eu pago de aluguel em seis meses, e ela trabalhava aqui. — Eu acho que tem algumas coisas que podem funcionar. Não escapou à minha atenção que ela se dirigiu Trent, não a mim, como se eu não fosse nada. Ela virou-se bruscamente em seu calcanhar, sacudindo a mão sobre seu ombro para nós seguirmos. — Eu não acho que ela gosta de mim — Eu murmurei sob a minha respiração para Trent. — Eu não sei se ela gosta de alguém — Ele respondeu com um encolher de ombros. — Ela gosta de você! — Exclamei em um sussurro. — Eu não posso ajudá-la que eu sou tão encantador — Ele piscou, seus olhos examinando as prateleiras de roupas com cautela. — Eu sei que isso foi ideia minha, mas eu espero que isso não leve muito tempo. Shopping não é coisa minha. — Não é minha coisa também — Eu assegurei a ele.


— Espere aqui — Sherri apontou para um sofá de fantasia que estava coberto de veludo cor de ametista. Trent e eu tomamos um assento enquanto ela foi pegar alguns vestidos. Eu olhei para cima, observando um lustre de cristal intrincada pendurado acima de nós. Eu não tinha certeza de que loja ele me arrastou, e olhando ao redor para toda a fantasia do vestuário e acabamento, eu tinha certeza que eu não queria saber. Meu estômago já estava agitado com o pensamento de quanto este vestido custaria, e eu tenho que deixá-lo comprá-lo. Eu certamente não estaria gastando o dinheiro que está em minha conta poupança, em um vestido que o dinheiro iria ser usado para tirar a mim e as crianças longe da minha mãe e padrasto. Sherri voltou com um rack de vestidos. Eram todos em diferentes estilos e comprimentos, mas a maioria era brilhante. Ela curvou um dedo para mim e eu fiquei para inspecionar os vestidos que ela tinha puxado. — Você vê alguma que você gosta? — Ela perguntou, sua voz cheia de falsa doçura. Alguém tinha acordado do lado errado da cama. Estendi a mão para um longo vestido de noite preto que estava sem alças. Tinha detalhes em jóias na parte superior e na parte inferior. Era simples. — Eu gosto deste — Eu disse. — Tudo bem então, experimente-o — Ela me levou por um corredor e abriu uma porta para um quarto de vestir.


Ela fechou a porta, assim ela ficou junto comigo na pequena sala comigo. — Uh... — Eu olhei para ela com cautela. — Eu não preciso de ajuda. Estou bem sozinha. — Tudo bem — Ela balançou a cabeça, deixando-me sozinha. Tirei minhas roupas e coloquei o vestido preto. Uma vez que estava vestida eu decidi que eu não gostei tanto quanto eu tinha gostado no cabide, mas eu sabia Trent gostaria de ver. Então, eu me forcei a deixar para trás o conforto do camarim e me aventurei para a sala de espera. Trent endireitou-se quando me viu. — Eu não gosto disso — Eu declarei rapidamente — Mas eu sabia que você ia querer ver. — Eu me virei, escovando meu cabelo sobre meu ombro para que ele pudesse ver o vestido em todos os ângulos. — É bonito, mas não é você — Ele comentou. — Tente este — Sherri puxou um vestido fora do rack e entregou-me. Ela nem sequer olhou para ele, talvez ela sabia o que ela tinha puxado, ou talvez ela não se importava de me ajudar. Independentemente disso, eu realmente não gosto da mulher. Eu segurei o vestido novo em uma mão, e levantei a bainha do que eu estava usando com a outra. Eu não gosto deste vestido também. Era firme e prata. Não era eu em tudo. Quando eu mostrei a Trent ele foi rápido para balançar a cabeça em sinal de desaprovação.


Folheei os vestidos que Sherri tinha escolhido, demorando-me em um vestido colorido curto champanhe. Ele estava coberto de lantejoulas, que normalmente não seriam algo que eu gostaria, mas funcionou. Eu também gostava que o pescoço subisse mais alto e tinha mangas três quartos, por isso, apesar da curta duração eu não senti que eu estava nua. Peguei o vestido e assim que eu olhei para o meu reflexo eu sabia que tinha encontrado o certo. Era apertado, mas não colado a mim como o outro vestido tinha estado, e eu me senti confortável nele. Quando Trent viu, ele sentou-se, com um sorriso que iluminou seu rosto. — Esse é o único. — Eu amo isso — Eu disse, incapaz de manter o tom um pouco tonto da minha voz. Trent ficou de pé, suas mãos caindo para a minha cintura. — É perfeito. Eu sorri, satisfeita que ele gostou tanto quanto eu. — Nós vamos levá-lo — Disse a Sherri, sem sequer olhar em sua direção. — Enquanto você está vestida, experimente uns sapatos que combine. Sherri me perguntou o tamanho que eu usava e eu disse a ela. — Eu vou mudar e então nós podemos sair daqui — Eu disse a Trent. — Eu estou pronta para o almoço.


Não sei se foi o fato de que não poderíamos manter as mãos longes um do outro, ou o que, mas eu estava com fome o tempo todo. Fechei a porta do camarim atrás de mim e comecei a desfazer o zíper. Quando o vestido começou a cair pelos meus ombros eu olhei no espelho e ofeguei ao ver Trenton em pé atrás de mim. — Trent, o que você está fazendo? Ele não usou palavras para me responder. Ele me pegou e abriu minhas pernas em volta de sua cintura magra. Ele me apoiou contra a parede, usando-o para me apoiar quando seus lábios arrebataram o meu. — Você está fodidamente linda neste vestido e eu queria ser o único a te tirar isso — Ele rosnou contra meus lábios. Ele chupou meu pescoço e um suspiro escapou-me. — Trent — Eu respirei, empurrando os ombros — Não podemos fazer isso aqui. — Sim, nós podemos — Ele beijou o seu caminho ao longo da minha clavícula e para o outro lado do meu pescoço — Mas você vai ter que ser muito tranquila. — E se alguém nos encontrar? — Eu protestei. — E daí? — Ele respondeu, cobrindo meus lábios com os seus e efetivamente cortando quaisquer novos protestos. Ele desfez a fivela do cinto e empurrou sua calça jeans para baixo, com cuidado para me segurar. — Isto vai ser duro e rápido — Alertou. — Você está bem com isso? — Ele segurou meu rosto com ternura em sua mão.


Eu sabia que se eu lhe dissesse para parar, que não estava bem, ele iria, mas eu não disse isso. Eu balancei a cabeça, dandolhe permissão, incapaz de ignorar a descarga de adrenalina correndo em minhas veias. Eu sabia que poderia ser pega a qualquer momento, mas isso só aumentava a emoção. — Segure-se firme — Wle riu, empurrando o vestido para cima e arrancando minha calcinha. Tipo, ele literalmente rasgoua. Eu não sabia que isso poderia ser feito na vida real. Era uma espécie de hot. Uma vez que ele tinha fixado uma camisinha, ele estava dentro de mim, em um duro golpe suave e eu engasguei. Estendi a mão, cobrindo minha boca para abafar qualquer som que eu fizesse. Ele não estava brincando quando ele avisou que isso ia ser duro e rápido. Eu mantive uma mão sobre a minha boca, e me agarrei a ele com a outra. Sabendo que poderia ser pego a qualquer momento aumentou minha excitação. Prendi a respiração quando meu orgasmo se aproximou, era tão difícil não fazer nenhum som, mas havia algo de inebriante sobre isso também. O olhar de Trent encontrou os meus e eu sabia que ele estava perto demais. Olhando em seus olhos, eu me deixei cair para a borda, sabendo que ele estaria lá para me pegar. Ele veio também, seus dedos cavando em meus quadris para me impedir de cair. Lentamente, ele trouxe a cabeça para


cima, beijando-me profundamente, e apoiou uma mão ao lado de minha cabeça. — Você é a única que eu quero — Ele sussurrou, mordiscando meu queixo. Meus olhos engoli em seco.

fecharam

E a única que você nunca poderá ter.

enquanto

eu


Capítulo Quatorze Beijos foram carinhosamente pressionados contra a pele do meu pescoço, sobre os meus seios, em seguida, uma mão aliviou minha camisa e até mais beijos foram pressionados contra o meu estômago. — Trenton — Eu gemi, tentando rolar, agarrando-me às almofadas macias. Eu estava dormindo tão bem e eu não queria acordar, mesmo com tais doces beijos. — Estou cansada. Ele beliscou minha cintura e puxou meu corpo de volta para a beira da cama. — Precisamos ir — Ele sussurrou em meu ouvido. — Nós vamos perder o nosso voo. Voo. Merda. Eu tinha esquecido completamente que estávamos indo para casa hoje. Meu coração parou no meu peito por um segundo antes de retomar seu ritmo em um ritmo frenético. Se estávamos indo para casa, isso significava que esta noite era véspera de Ano Novo, e amanhã eu tenho que lhe dizer que estava tudo acabado entre nós. Eu não poderia continuar fazendo isso com Ele e comigo, ele criou uma falsa esperança de um futuro que nunca poderia ter. De repente eu não queria sair de Nova York, porque enquanto nós ficássemos eu poderia fingir que o mundo lá fora não existia mais.


— Eu não quero ir para casa — Eu murmurei, enterrando meu rosto no travesseiro. Eu não vejo como eu poderia forçar-me sair desta cama para ficar pronta e ter que agir normal. Eu tinha menos de vinte e quatro horas com ele, e eu sabia que eu precisava fazer valer cada momento, mas eu não tinha certeza se eu poderia fazê-lo. Era mais fácil antes, no passado, quando eu bloqueava as coisas que me incomodavam. Emoção. Quebrada. Eu respirei fundo e rolei de costas, abrindo os olhos. Trent estava sorrindo em cima de mim. — Nós temos uma hora para chegar ao aeroporto. Uma hora era tempo suficiente para mim. Eu não era uma daquelas meninas que tinham que fazer seu cabelo e maquiagem. Eu não ligava para como eu me parecia. Trenton saiu do quarto e eu fui deixada sozinha. Forcei-me a ficar de pé, relutante em deixar para trás a cama confortável, e eu odiava tirar a camiseta emprestada de Trento que eu estava vestindo. Eu bocejei, esticando os braços acima da minha cabeça. Esta tinha sido a melhor semana da minha vida, mas também a pior. Isso me deu um gosto de como a vida com Trent seria, e eu gostei um pouco demais. Estar com ele era tão fácil. Ele estava bem ciente das minhas falhas e ele podia ver além delas. Ele tirou o melhor de mim, algo que ninguém nunca tinha sido capaz de fazer. Sem ele na minha vida, eu me tornava mal humorada. Simplesmente atravessando os movimentos de forma diária, como eu tinha feito antes dele voltar para a minha vida pela segunda vez.


Eu caminhei até o banheiro, escovei os dentes e cabelos, e coloquei meus utensílios de higiene na embalagem. Eu puxei meu cabelo em um coque no alto da cabeça e prendi com um laço de cabelo. Tomei um banho rápido, lavando meu corpo com loção perfumada. Larguei a camisa de Trenton que eu estava usando em cima de sua bolsa. Eu vesti casualmente para a viagem de avião em leggings e camiseta. Deslizei meus pés em um par de botas e verifiquei o quarto para me certificar de que eu tinha embalado tudo antes de fechar a mala. Desde que Trenton não havia retornado eu levei um tempo para arrumar sua mala também e levá-las até o foyer. Trent estava na cozinha fazendo-nos o pequeno-almoço. Eu sorri, sentando-me em uma das banquetas. — Você sabe — Sorri, tomando um gole de suco de laranja espremido na hora a partir do vidro que ele tinha deixado à minha espera — Uma garota poderia se acostumar com isso. — Bem — Ele sorriu me entregando um prato com ovos mexidos e torradas: — Se eu tivesse meu caminho, você o faria. Culpa ameaçou me sufocar. Lá estava eu, sorrindo e brincando com ele sobre um futuro que eu estava bem consciente de que estava prestes a extinguir. Após esse pensamento me bater, eu achei quase impossível comer o meu café da manhã.


— Hey — Trent bateu no meu ombro com o dele — Você está bem? Senti que ele estava sempre me perguntando se eu estava bem, e eu quase nunca estava. — Só cansada — Eu respondi, usando o garfo para empurrar os ovos mexidos em torno do prato. — Eu acho que é minha culpa — Ele piscou, levando uma mordida. Além do sexo quase constante, Trent tinha me mostrado diferentes lugares ao redor da cidade quase todos os dias. Ele estava familiarizado com a cidade, que ele não perdia muito tempo com as coisas turísticas, mas me mostrava àquilo que tinha no coração. Ele também tinha me levado para um ou dois restaurantes diferentes todos os dias. Eu tinha certeza que eu tinha provavelmente ganhado um kilo na última semana, mas eu não me importava. Eu tinha me divertido muito para lamentar um momento sequer. Trent terminou de comer, e quando ele viu que eu não ia forçar mais na minha garganta ele limpou o meu prato também. — Eu quero avisá-la — Disse ele, suas palavras fazendo instantaneamente os cabelos na parte de trás do meu pescoço se levantar — Que esta festa pode ser um pouco... Abafada... Se você sabe o que quero dizer. Basta ficar comigo, ok? Eu balancei a cabeça, muito aliviada ao saber que sua advertência tinha sido sobre a festa e não qualquer outra coisa. — Trace e Olivia vão estar lá com Dean, então é claro que você já os conhece — Ele encolheu os ombros, apoiando as mãos sobre os contadores. Eu não conseguia manter meus olhos longe da forma como seus músculos dos braços flexionavam com o


movimento. — Mas se começar demais, você pode me dizer, Row.

a

ser

Row. Eu adorava quando ele me chamava pelo meu apelido, valorizando a maneira que soava deixando seus lábios. — Eu sei — Eu respondi, deslizando da banqueta. Eu não sei o que me fez fazer isso, mas eu encontreime passando os braços em torno de seu meio e abraçando-o. Ele parecia chocado no início, mas os braços eventualmente fecharam-se em torno de mim também. Senti seus lábios pressionarem ternamente contra o topo da minha cabeça. Ele agarrou meus braços para que eu não pudesse me afastar, e olhou para mim, estudando meu rosto como se estivesse procurando algo. Finalmente, ele disse: — Eu sinto que há algo que você não está me dizendo. Havia tudo que eu não estava lhe dizendo. — Você deve estar imaginando coisas — Eu ri, fechando meus sentimentos em uma máscara que, mesmo que ele não podia ver através. Eu odiava mentir para ele, eu realmente odiava, mas eu não tinha escolha. Um dia, eu esperava que ele entendesse isso. Trent balançou a cabeça, e era óbvio que ele não acreditava em mim, mas ele queria. Ele olhou para o relógio de prata adornando-lhe o pulso e murmurou: — Temos que sair ou vamos perder o nosso voo. — Você pode realmente perder um voo, quando você possui o avião? — Eu brinquei, esperando distraí-lo.


— Bom ponto — Ele riu, indo para o hall de entrada, e passando as mãos nervosamente pelo cabelo escuro. — Nós vamos simplesmente ter nossa saída adiada. Ele colocou as malas para dentro do elevador e eu olhei ao redor da cobertura pela última vez. Eu não voltaria, eu sabia disso, e eu queria aproveitar este momento para lembrar tudo. — Row, vamos lá — Trent chamou o braço mantendo a porta do elevador de deslizar fechada. Eu respirei fundo e dei um passo ao lado dele. As portas se fecharam e eu fui tomada pela tristeza quando a cobertura desapareceu da minha vista. Eu tinha criado algumas grandes memórias naquele lugar. Memórias que durariam uma vida. Quando as portas se abriram, a garagem inferior apareceu e o mesmo carro e motorista que tinha nos deixado, estava esperando. O motorista abriu a porta do carro para nós e, em seguida, depositou nossas malas no porta-malas. Eu inclinei minha cabeça contra o assento de couro, desejando que eu não sentisse tudo. Eu não estava falando sobre o toque físico. Não, eu estava me referindo às emoções que sentia no momento. Eu tinha tantas emoções que rolavam pelo meu corpo que eu me senti tonta. Parecia impossível sentir-me tão feliz, triste, irritada, e um bilhão de outras coisas ao mesmo tempo. — Você está ficando doente? — Perguntou Trenton e eu me virei para olhar para ele. Eu sabia que precisava melhorar ou ele não iria me deixar sozinha.


— Como eu disse, eu estou cansada. — Eu descansei minha cabeça contra a janela de vidro frio quando o motorista puxou para fora da garagem e para o tráfego. Trent e eu não falamos no caminho para o aeroporto. Eu fingia estar dormindo e ele leu algo em seu telefone. O voo de volta foi quase tranquilo. Eu sabia que deveria fazer uso de todos os momentos que eu tinha passado com ele, mas isso só me lembrava, que o nosso fim estava próximo. Depois da meia-noite, e quando o ano novo começasse, eu teria que dizer adeus. Droga. Eu realmente era como Cinderela. Apenas, em vez de duas meias-irmãs malvadas, eu tinha as mais amáveis e mais doces crianças me esperando em casa. Elas me manteriam unida através da minha dor. Não entenderiam o que tinha me chateado, mas estariam lá para me oferecer o seu conforto tranquilo. Quando saí do avião um dos tripulantes carregou nossas malas no carro de Trent. Eu não conseguia me acostumar com o fato de que Trent tinha outras pessoas para fazer essas tarefas simples. Eu sentia como se devesse ajudar o homem com a minha mala, mas eu sabia que só iria ofendê-lo, e eu não queria isso. — Tem alguma coisa errada com você — Trent afirmou uma vez que estávamos voltando para casa. Sua mandíbula estava rígida e os nós dos dedos estavam brancos quando ele agarrou o volante.


Eu abri minha boca para assegurar-lhe que eu estava bem, mas ele falou sobre mim. — Não ouse ousar dizer que está tudo bem — Ele estendeu a mão, ajeitando os óculos de sol. — Eu conheço você, e você não pode mentir para mim. Você está escondendo algo de mim. Eu gostaria que você pudesse ver que você pode confiar em mim. Eu nunca te trai, Row, nunca — Ele bateu com o punho contra o volante. — Eu posso sentir você se afastando de mim novamente, e eu lutei tanto para ter você de volta. Não, caralho, você não vai fazer isso comigo de novo — Ele implorou. Eu não sabia o que dizer quando ele vociferou. Eu não acho que há alguma coisa que eu poderia dizer. Se eu abrisse a minha boca, só mentira se derramariam para fora, e já havia um oceano delas entre nós. — Eu sei que você não quer me ouvir dizendo isso, Rowan, mas eu te amo. Você está me ouvindo? — Ele olhou para mim. — Eu te amo! Eu te amo! Eu. Amo. você. O que quer que esteja acontecendo com você, você pode me dizer e vamos trabalhar com isso juntos. Nada poderia mudar meus sentimentos por você. Eu engoli em seco, engasgando com o repentino nó que tinha se alojado na minha garganta. — Eu sei que você acha isso agora, mas existem algumas verdades sobre mim que você não quer saber. — Lágrimas encheram meus olhos, mas elas não transbordaram. A boca de Trent se abriu em choque quando ele notou o brilho cintilante nos meus olhos. Ele me conhecia bem o suficiente para saber que eu nunca chorei, e raramente cheguei perto disso.


— Eu quero saber tudo sobre você, porra! — Ele bateu a mão contra o volante. — O bom, o mau, tudo. Nada disso vai mudar o que sinto por você. — É aí que você está errado — Eu sussurrei, olhando para as minhas mãos trêmulas. Ele enfiou os dedos pelos cabelos, fazendo-a virar-se em direções incontroláveis. — Apenas me diga. Seja o que for, diga-me — Ele me implorou, mas foi em vão. — Eu não posso! — Eu gritei. — Você entende o que estou dizendo? Eu não posso! Eu não disse e eu não vou, eu disse que não posso — Minha voz baixou para um tom mais suave, mas minha respiração se acelerou, minha respiração era o único som no carro. — O que... — Ele fez uma pausa. — O que isso significa? — Quer dizer — Eu cruzei os braços sobre o peito, olhando para o lado de seu rosto enquanto dirigia — Que eu era uma criança ingênua e eu coloquei minha confiança na porra da pessoa errada — Eu rosnei, e ele endureceu com meu uso de linguagem chula. Eu não era de xingar, ao menos em voz alta, e eu nunca falei isso com paixão. — Eu assinei a porra da minha vida fora, Trenton! — Meu lábio inferior tremeu com a ameaça de lágrimas, lágrimas que eu recusei a chorar por cinco anos. — Eu desisti de tudo sem razão! Estou legalmente obrigada ao meu silêncio! Eu desisti de toda a minha vida para nada! — Minha respiração estava saindo em suspiros rasos e curtos. — Pare — Eu agarrei a maçaneta da porta com força no meu punho. — Estacione!


Ele fez, me olhando com choque em seu rosto quando eu quebrei. Assim que o carro parou eu estava fora, andando pela beira da estrada movimentada. Eu não podia acreditar que eu tinha dito a ele tudo isso. Eu nunca deveria ter aberto a boca. Oh. Meu. Deus. Eu afundei até os joelhos, cascalho cavando o algodão fino das minhas leggings, e deixei minha cabeça cair para frente em minhas mãos. Nenhumas das minhas lágrimas caíram, mesmo que eu quisesse. Agarrei minha barriga, deixando minha cabeça cair para a frente quando um grito rasgou minha garganta. Eu não poderia fazer isso. Esta mentira estava me sufocando. Ele ia me matar. E eu ia deixá-lo, porque eu não tinha escolha. Todo mundo acha que eles têm uma escolha na vida. Não eu. Todas as minhas escolhas foram tirados de mim aos 16 anos de idade. Gostaria de ter sido forte o suficiente para pará-la, para impedi-la de se levantar sobre mim, mas eu não tinha. A única


pessoa que eu deveria ter sido capaz de confiar, levou meus poderes e minhas escolhas longe de mim. Gostaria de ter feito as coisas de forma diferente, mas eu não fiz, e agora eu tenho que passar toda a minha vida sofrendo por uma decisão errada. — Rowan? — Deixe-me em paz! — Eu gritei para ele. — Me deixe em paz! Uma parte de mim queria levantar e correr para os seus braços, para ele me confortar, mas ele era a última pessoa que eu merecia receber conforto. Eu inclinei minha cabeça para trás, olhando para o céu azul, desejando que eu pudesse desaparecer nas nuvens, então eu não teria que lidar com essa dor. — Rowan — Ele disse meu nome baixinho, colocando a mão no meu ombro — Por favor, volte para o carro. — Eu não posso — Minha voz falhou. Eu não mereço. Eu não mereço você. — Sim, você pode. — Ele estava tão calmo comigo. Não havia raiva em seu tom de voz, somente preocupação. Se ele soubesse o que eu tinha feito, ele não estaria falando tão docemente para mim. Ele me deixaria aqui para que meus pecados me comessem vivo. — Por favor, volte para o carro — Ele suplicou como se estivesse falando com alguém que estava prestes a pular de um prédio para a morte. Eu inalei o ar frio, deixando-o cauterizar meus pulmões.


Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. — Ok. Recusei-me a olhar para Trenton ou até mesmo falar com ele quando nos dirigimos para a casa de sua família. Quando ele perguntou se eu queria ir para casa e pular a festa, eu balancei a cabeça negativamente. Era egoísta da minha parte, mas eu queria esta última noite com ele. Eu precisava dela para me manter pelo resto da minha existência solitária. Meus dedos entrelaçaram com os dele quando ele se virou pela estrada marcada que levava para a mansão de sua família. — Rowan? — Ele disse o meu nome, hesitante, como se estivesse com medo que eu começasse a gritar novamente. Tinha uma boa noticia para ele, eu estava cansada demais para gritar e gritar. Minha quebra tinha me drenado toda a energia. Eu balancei a cabeça, deixando-o saber que ele poderia continuar com o que ele tinha a dizer. — O que aconteceu com você, podemos corrigi-lo — Ele sussurrou, olhando para mim com o canto do olho. — Não há como. — Eu olhava para frente, mordendo a minha língua. — Isso não é algo que só pode ser desfeito, Trenton. — Eu não sei o que é! — Ele ergueu a voz. — Você se recusa a me dizer o que é então eu não tenho nenhuma maneira de saber o que posso fazer!


As árvores desapareceram e eu vi a mansão à frente, seu grande gramado coberto de neve, mas a calçada limpa. — Deixa para lá, Trenton — Eu avisei. — Eu Quero dizer isso. Ele soltou um suspiro, apertando a ponte de seu nariz quando ele apertou um botão e puxou o carro para a garagem. — Como é que você espera que a gente tenha um relacionamento duradouro se você está mantendo segredos? Eu não espero. Eu não disse nada. Eu simplesmente abri a porta do carro e sai. Eu passei meus braços protetoramente em volta do meu peito. Trent saiu também, batendo a porta do carro fechado. Ele cruzou os braços e encostou sobre o capô do carro. Ele me olhou com cuidado, sem dizer uma palavra. Com um suspiro, ele balançou a cabeça, olhando para longe de mim. Ele pegou nossas malas e levou até a porta. — Vamos lá — Ele acenou com a mão para que eu o seguisse. Eu podia senti-lo afastar-se, e isso machucava. Eu sabia que era o melhor. Eu já estava planejando terminar as coisas. Mas a última coisa que eu queria era que Trenton me odiasse. Imaginei que eu estava delirando, porque é claro que ele me odiaria. — Hey mãe! — Ele gritou e eu acalmei.


Eu não tinha visto Lily Wentworth desde que eu era adolescente. — Trenton — Ela sorriu para o filho. Ela era linda, com cabelo curto e escuro. — Olá, Rowan — Ela me cumprimentou alegremente, e me surpreendeu, abrindo os braços para um abraço. — Você gostou de New York? — Ela me perguntou. Eu balancei a cabeça. — Foi lindo. Por que diabos eu soei tão formal? Deve ter sido a mansão dando-me a impressão de que eu precisava ser mais adequada. — Estou feliz que você tenha gostado mesmo — Ela sorriu, afastando-se. — Bem, eu tenho muito o que fazer antes da festa, então eu vou deixar vocês dois sozinhos. Seus saltos clicaram nos pisos brilhantes quando ela desapareceu em um dos muitos salões da mansão. Sério, como é que ninguém se perde aqui? Ou talvez eles fizeram... E nunca se ouviu falar deles. Trent pegou nossas malas e começou a subir os degraus. Eu sabia que a bagagem estava pesada, mas ele agiu como se não pesasse nada. — Você quer ficar pronto em outro quarto, ou o meu quarto? — Ele perguntou, caminhando à frente de mim. — Seu quarto está bom — Eu dei de ombros, olhando ao redor. — Quero dizer, depois da semana passada, eu não acho que nenhum de nós tem que ficar tímido um com o outro. Ele riu e o som da risada dele me aliviou.


— Eu acho que você está certa sobre isso. Ele bateu o ombro contra a porta, e murmurou: — Este é o meu quarto. A única vez que eu tinha estado aqui antes, eu não tinha visto o seu quarto. As paredes eram vermelhas, um forte contraste com as paredes amarelas em seu quarto na cobertura, mas eu sabia que essa era a sua cor favorita. A colcha era de um cinza carvão e todo o mobiliário era negro. Cartazes diferentes rebocavam as paredes. Era definitivamente adequado ao Trenton adolescente que eu me lembrava. — Então... — Ele se sentou na ponta da cama dele, fazendo-a saltar — Esta é a casa. — Eu gosto disso — Sorri. Ele deu de ombros, olhando ao redor do quarto. — Está tudo bem. Eu prefiro o meu lugar, este quarto parece que está preso em uma cápsula do tempo, mas é bom ainda ter um lugar em casa — Ele riu. — Isso me faz sentir assim, não importa o que aconteça, eu sempre terei esse lugar. — Eu tenho certeza que você vai — Eu olhei ao redor, notando uma estante no canto, havia uma foto lá e algo sobre isso me fez me aproximar. Eu estendi a mão, passando a mão em torno do quadro. Engoli em seco quando eu reconheci as pessoas na foto. Era Trent e eu na nossa viagem de escola, aquela em que nós perdemos a virgindade. Nós dois estávamos sentados em um


tronco. Eu estava sorrindo e ele estava rindo de algo que eu tinha dito. Era cru e belo, e completamente inesperado. Estudei meu rosto, a felicidade brilhando lá. Aquele dia foi o último dia que eu tinha sentido a verdadeira felicidade. — Eu não posso acreditar que você tem isso — Eu engasguei. — Quem tirou? — Um dos professores — Ele deu um passo atrás de mim, seu corpo quase tocando o meu. — Mr. Jones, eu acho. Ele deume, ele achava que eu gostaria de tê-la. — E você guardou por tanto tempo... — Eu respirei. — Trent... Eu coloquei a mão trêmula à boca. Ele pegou o porta retrato da minha mão e o colocou na prateleira. — É claro que eu guardei. Só porque você parou de falar comigo não significa que eu parei de ter sentimentos por você. As emoções não são algo que você pode ligar e desligar, Row. Embora, eu desejei muitas vezes que pudesse. Fechei os olhos, incapaz de olhar para ele e ver a dor em seus olhos. Eu odiava que eu o tinha machucado, mas eu fiz o que tinha que fazer. No início, era porque ele me disse que me amava o que assustou a merda fora de mim. Ainda assusta. Mas, em seguida, outras coisas aconteceram e eu empurrei-me ainda mais longe dele. — Trent — Eu engoli em seco — Eu sei que você provavelmente não acredita em mim, mas eu sinto muito por como eu te tratei. — Está tudo bem. — Ele pegou uma mecha do meu cabelo, esfregando-o entre os dedos. — Nós éramos jovens e loucos, e


eu assustei-a com as minhas palavras. Mas eu quis dizer-lhes, no entanto — Ele mordeu o lábio — E eu quero dizer agora. Eu tomei uma respiração trêmula. — Eu não mereço seu amor. Eu não queria acreditar no amor. Inferno, eu passei a maior parte da minha vida não acreditando. Eu já tinha visto o lado ruim o que tornava difícil ver o lado bom. Mas eu amava Tristan e Ivy. Eu também sabia que só havia uma palavra para descrever o olhar nos olhos de Trent, e isso era amor. O amor, a mesma coisa que eu tinha sentido cinco anos atrás, quando eu deixei aquela barraca estúpida. Agora que eu estava pronta para aceitar o amor, a deixarme ser livre, eu sabia que tinha que terminar as coisas. Trent pensaria que eu estava correndo novamente. Talvez eu estivesse. Mas eu tinha que fazer. — Eu não sei por que você acha que ninguém poderia amar você — Ele sussurrou, tomando meu rosto na palma da sua mão e acariciando meus lábios com a ponta do polegar. Eu coloquei minha mão sobre a dele. — Minha mãe não me ama, se ela não pode, por que qualquer outra pessoa poderia? Seus olhos se encheram de tristeza. — Todos devem sentir-se amados.


Dei de ombros. — Eu queria... Eu queria. Seus olhos se fecharam e dor cintilou em seu rosto. — Isso parte meu coração — Seus olhos azuis brilhavam com lágrimas. Seus braços me enjaularam contra a estante, enquanto olhava sem hesitação para mim. — Eu quero que você saiba que você é amada. Eu sei que seu irmão e irmã devem te amar muito. Você é a única mãe que eles conheceram e seu coração é tão bom e puro como poderiam não amar? — Ele encostou a testa na minha, sua respiração fazendo cócegas no meu rosto enquanto falava. — E eu te amo, Row. Mais do que a minha próxima respiração. Eu abri um sorriso. — Isso é muito brega. Ele sorriu. — Esse sou eu, uma bola de queijo gigante — Ele riu. Apertando os lábios com ternura na minha testa, os olhos fechados e ele disse: — Eu quis dizer, apesar de tudo. Agarrei o tecido macio de seu moletom azul em minhas mãos. — Não temos uma festa para nos preparar? — Sim, sim temos. Horas mais tarde, eu estava no topo da escadaria, segurando o cotovelo de Trent.


Eu tinha lavado meu cabelo, e o domado. Eu tinha colocado mais maquiagem do que o normal, mas nada excessivamente dramático. — Pronta? — Perguntou Trent, inclinando a cabeça para olhar para mim. Eu balancei a cabeça, desejando que meu coração abrandasse o seu ritmo frenético. Eu estava além de nervosa. Eu estava absolutamente aterrorizada. Isto estava totalmente fora da minha zona de conforto, e sabendo que amanhã eu teria que cortar todos os laços com Trenton deixava um gosto amargo na minha boca. — Respire — Advertiu Trent enquanto descíamos as escadas e fizemos o nosso caminho para o salão de baile. Sim, um salão de baile legítimo. Que tipo de casa tem um salão de festas? Aparentemente este. As portas estavam abertas e eu engasguei quando vislumbrei minha primeira vista do espaço. Tudo parecia brilhar e brilhar com a luz dos candelabros. Havia uma banda tocando orquestra de música ao vivo no canto, e muitos casais dançavam, enquanto mais se sentavam em uma das inúmeras mesas redondas que ocupavam o espaço. Os garçons traziam alimentos e risos enchiam o ar. Fiquei de boca aberta em choque. Parecia ter saído de um filme. — Você gostaria de dançar? — Perguntou Trent. Eu balancei a cabeça. Ele me levou para a pista de dança, e me deu um pouco de rotação, antes de me segurar em seus braços. Ele levou-me


facilmente, como um bom dançarino, então eu não parecia uma idiota incompetente. — Eu não sabia que você podia dançar assim — Eu comentei. Ele riu, timidamente olhando para o chão por um momento e, em seguida, encontrou o meu olhar. — Meus pais nos fizeram aprender quando éramos meninos. Isso não impede que Trace dance como um idiota — Ele piscou, balançando a cabeça na direção de seu irmão. Olhei para onde ele indicou e não pude conter minha risada quando eu vi Trace sacudindo os quadris em um círculo selvagem e agitando os braços acima da cabeça. Dean riu quando ele imitou seu pai, e Olivia simplesmente balançou a cabeça, obviamente ela estava acostumada com esse comportamento. Lily assistiu com horror, envergonhada pelos atos do filho mais velho. Ela finalmente acenou com a mão e foi falar com alguém. Meu coração vacilou em meu peito quando uma realização me abalou. Eu amava essa família. Mais importante, eu amava Trent. De alguma forma, Trenton tinha me mostrado como amar. O amor não era para vir com cordas; era livre e descomplicado tão fácil quanto respirar. Isso é o que nós tivemos, e eu tentei tanto lutar contra meus verdadeiros sentimentos, mas eles estavam lá. Ele me ensinou a amar, e agora eu não sabia como eu iria sobreviver quebrando nossos corações pela segunda vez.


— O que há de errado? — Ele perguntou, caindo fora do ritmo para agarrar meu queixo e me forçar a olhar para ele. Ele estava tão em sintonia comigo e com o meu corpo que ele sempre sabia quando algo estava errado. Eu desejei que eu fosse capaz de esconder minhas emoções dele como se conseguia fazer de todos os outros. — Não há nada de errado — Eu menti. Sabendo que não seria suficiente com ele, apressei em acrescentar: — É só que... Sua família... Eles são incríveis Trent. Ele sorriu. — Sim, eles são. Eu tenho sorte. Ele não tinha ideia de quão sortudo ele era. A maioria das pessoas não tem família como a dele. Eu esperava que, quando eu quebrasse seu coração mais uma vez, eles estivessem lá para ajudá-lo a se curar. Por mais que me matasse pensar em Trent com outra garota, eu esperava que ele seguisse em frente, se apaixonasse, e construísse sua própria família incrível algum dia. Dançamos mais uma música, então ele me levou para mesa de Trace e Olivia. Dean estava tentando subir até os ombros de Trace e arrancar seu cabelo. — Dean — Trace repreendeu — Puxar o cabelo não é bom. — Ele segurou o pequeno punho do menino e removeu de seu cabelo. Dean então começou a bater no rosto de Trace. Esses dois definitivamente tinham as mãos cheias com aquele garoto. Lily veio até a mesa e sentou-se quando um garçom veio com uma bandeja de comida, depositando pratos na frente de todos nós.


Todos falavam e facilmente um com o outro.

conversavam

Exceto eu. Eu estava em retirada para dentro de mim mais uma vez, e eu me sentia como uma estranha. Eu não pertenço aqui. Eu gostava de todos eles, eu realmente gostava, mas eles eram tão diferentes de mim. — Você está bem? — Trent se inclinou para perguntar. — Sim — Eu respondi com um pequeno encolher de ombros, tentando descobrir como comer a lagosta que havia sido colocada na minha frente. — Já que estamos todos aqui — Trace tomou um gole do seu copo de vinho, acenando com a mão em sua família reunida à mesa — Há algo que eu gostaria de dizer a todos vocês. Todos nós nos animamos com o interesse em tudo o que o irmão mais velho Wentworth tinha para nos dizer. — Estou tão feliz em dizer a vocês que Olivia mais uma vez deixou-me plantar meu esperma dentro dela e temos a alegria de ver mais um bebê crescer. — Trace — Olivia exclamou, o rosto de um vermelho brilhante. — Parabéns — Trent ergueu o copo, quando sua mãe e avó gritaram de alegria. — Outro bebê vai ser emocionante... Especialmente se for algo parecido com o pequeno diabinho — Ele apontou para um sorridente Dean, que estava batendo as mãos e soprando bolhas de saliva.


— Eu estou tão envergonhada — Olivia murmurou, escondendo o rosto atrás de um guardanapo. Lily enxugou uma lágrima de seu rosto. — Eu não posso esperar por outro neto — Ela fungou. — Oh merda — Trent murmurou sob sua respiração. Virando-se para mim, ele sorriu torto — Em seguida, ela vai esperar que eu te engravide. Eu cuspi o gole de vinho que eu tinha acabado de tomar e gotículas marrom coloriram e mancharam a toalha branca e imaculada. — Eu só estava brincando, Row — Ele riu, batendo nas minhas costas enquanto eu lutava para respirar. Eu consegui recuperar a tempo de ver a avó de Trace abraçando-o e, em seguida, Olivia. Eu não conseguia lembrar o nome dela embora. — Esta é vovó — Disse Trent, apontando para a mulher mais velha. Era como se ele pudesse ler minha mente ou algo assim. — O nome dela é Ellie, mas ela vai preferir que você a chame de Vovó. Sobre esse tempo, eu ouvi alguém atrás de nós chamar: — Ei, mãe! Os olhos de Olivia se arregalaram e seu rosto ficou ainda mais vermelho do que tinham sido. Pobre menina. — E isso — Disse Trent sem se virar — É Avery.


A mulher apareceu na nossa mesa, estendida sobre um cara musculoso e alto. Ela tinha o cabelo muito vermelho, em ondas, e seu vestido vermelho era bonito. Fiquei surpresa que os peitos dela não cairam. O homem ao lado dela, Luca, presumi, era alto, com ombros largos e cabelos loiros desgrenhados que caíam sobre a testa. — Como foi a lua de mel? — Olivia perguntou quando o casal puxou duas cadeiras para a mesa já lotada. — Eu não sabia que você estava voltando hoje. — Foi linda! — Avery exclamou alto o suficiente para que as pessoas em outras mesas ouvissem. — Eu não quero voltar para casa! Foi tão bom estar na praia, e agora estamos de volta para casa para esta neve — ela franziu a testa. Eu notei que ela se inclinou sobre a mesa e levantou uma sobrancelha — Quem diabos é você? Olivia soltou um suspiro. — Avery — Ela murmurou — Maneiras. — Está tudo bem — Eu sorri para Olivia. — Sou Rowan. Quem diabos é você? — Eu imitei suas palavras e tom de voz. Ela sorriu. — Sou Avery, a esposa de um presente, por isso não tenha nenhuma ideia — ela agarrar ombro de Luca em uma mão, e deixar a outra territorialmente sobre a área de sua virilha. Ew. Luca, que estava sentado ao meu lado, me deu um sorriso de desculpas, mas não falou. — Eu não estava planejando isso — Assegurei.


— Bom. Podemos ser amigas, então — Ela jogou o cabelo para que ele caísse em cascata sobre seu peito, e voltou a falar com Olivia. — Desculpe por ela — Trent murmurou. — Isso é apenas como ela é. Não tome isso pessoalmente. — Eu não. — Este é Luca — Trent apontou para o homem ao meu lado, que eu já tinha descoberto a identidade. — Ele não fala muito, por isso não espere que ele se apresente. Eu acho que eu só ouvi o cara falar um total de vinte palavras desde que ele e Trace se tornaram amigos. — Uh... — Isso foi estranho e eu não tinha comentários. Eu deslizei minha cadeira um pouco mais perto de Trent e ele riu. Todos eles continuaram a conversar sem esforço, e enquanto Trent tentou me envolver na conversa, eu não estava sentindo isso. Eu me senti tão desconectada e fora do lugar. — Onde é o banheiro? — interrompendo o que ele tinha dito.

Eu

perguntei

a

Trent,

Ele me deu as direções e eu murmurei — Obrigada — Quando eu empurrei minha cadeira para longe da mesa. Eu andei rapidamente para fora do salão e no corredor. Por sorte, o banheiro que ele me deu instruções para ir estava vazio.


Fechei a porta atrás de mim e comecei a contar. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. A contagem não me acalmou como normalmente fazia. Então, eu contei de novo e de novo e de novo, até que eu pensei que eu poderia enlouquecer. Andei pelo comprimento da casa de banho, murmurando baixinho. Finalmente, eu parei, agarrando a pia pedestal em minhas mãos. Eu olhei para o meu reflexo. Eu não reconheci a garota que eu vi lá. O vestido. O cabelo. Os sapatos. Nada disso era eu. Eu era uma impostora. Eu não pertenço aqui. Esta vida não era minha. Eu não merecia estar cercada por essas pessoas, rindo e sorrindo com Trent. Eu estava contaminada.


Eu continuei olhando fixamente para a menina no espelho. Eu a odiava. Eu me odiava. Antes que eu pudesse me parar, meu punho inclinou para trás, e voou para o espelho. Ele quebrou em todos os lugares, cortando meus dedos dolorosamente e fazendo-me gritar. Eu desmoronei no chão, alguns dos fragmentos de espelho quebrado caíram na pele nua das minhas pernas. Meus dedos estavam em fogo e sangue escorria de meus dedos para o chão. Oh Deus. O que eu fiz? — Rowan! — Trent bateu na porta. É claro que ele viria me verificar. Alguém provavelmente tinha ouvido o espelho quebrar e meu grito. — Rowan! Abra a maldita porta! Eu não podia me mover, mesmo se eu quisesse. Sentei-me ali, segurando minha mão machucada na outra. — Estou indo para quebrar essa maldita porta se você não abrir! Eu balancei minha cabeça, apesar do fato de que ninguém podia me ver, minha garganta estava em uma constrição dolorosa.


Ele bateu na porta e, em seguida, fezse silêncio. Fiquei olhando para o sangue escorrendo de meus dedos para baixo. A dor me encheu de uma estranha sensação de satisfação. A dor física abafou o que eu sentia por dentro. Eu gostei. A porta se abriu, estilhaçando das dobradiças. Trent ficou ali, segurando o ombro, o peito subindo fortemente a cada respiração. Sua boca se abriu quando ele avistou os cacos de espelho espalhados no chão em mosaico preto e branco e minha mão sangrando. — Row — Ele suspirou, deixando cair no chão e estendendo a mão para a minha mão. Eu soluçava ensanguentados.

enquanto

ele

inspecionava

meus

dedos

— Precisamos levá-la a um hospital. Eu balancei a cabeça rapidamente. — Não. Nenhum hospital. Por favor. — Minhas palavras saíram curtas e frias quando eu estremeci com a dor pungente na minha mão. — Você pode precisar de pontos. Você deve ir para o hospital — Ele implorou. — Eu não vou. — Eu puxei minha mão de seu controle e embalei-a mais uma vez. Ele suspirou, chegando a correr os dedos pelo cabelo e depois pelo seu ombro.


— Tudo bem — Ele desistiu — Mas, pelo menos, deixe-me limpá-la. Depois de pensar sobre isso por um momento, eu balancei a cabeça concordando. — Ok. Ele agarrou meus braços e me arrastou. Ele olhou para a bagunça no chão e, em seguida, minha mão. — O que você estava pensando? Que eu me odiava. — Eu não sei — Eu disse ao invés. Ele passou um braço em volta dos meus ombros e me ajudou a tropeçar para fora do banheiro. Minhas pernas tremiam da adrenalina. Nós fizemos nosso caminho lentamente, subindo os degraus enquanto alguns convidados remanescentes na sala e hall de entrada nos olhavam com curiosidade. Uma vez em seu quarto, ele apontou para a cama. — Sente-se. — O tom de sua voz me disse para não discutir com ele. Ele tirou o paletó e jogou-o em uma cadeira no canto, em seguida, começou a desfazer os três primeiros botões da camisa branca. Ele olhou para a minha mão, que tinha parado de sangrar, e uma carranca desfigurou seu rosto. Ele murmurou algo sob sua respiração e caminhou para seu banheiro. Ouvi-o remexendo uma gaveta e quando ele encontrou o que estava procurando, ele voltou para o quarto, de joelhos na


minha frente. Ele abriu o kit de primeiros socorros, retirando um conjunto de pinças, e colocando uma toalha para o lado. — Eu preciso tirar os cacos de sua pele antes de limpá-lo — Ele murmurou, segurando a minha mão para cima e torcendo-a a luz para que ele pudesse procurar os pedaços pequenos. Estremeci quando ele começou a escolhê-los. Minha pele estava ferida e o metal da pinça fira mais quando pegava os cacos. — Eu não entendo — Ele sussurrou. — Você não entende o que? — Eu perguntei, minha voz rouca como se tivesse chorado. — Por que você faria isso — Respondeu ele. Eu olhei para baixo, deixando os cabelos caírem soltos escondendo meu rosto. — Eu acho que você não me conhece tão bem quanto você pensa que você faz. Um músculo em sua mandíbula apertou. — Por que eu sinto que eu estou perdendo você? — Os olhos dele encontraram os meus e os belos olhos azuis me fizeram olhar para o chão. — Você pode perder algo que você nunca realmente teve? Seus dentes esmagaram juntos. — Não diga isso.


— É verdade — Eu sussurrei enquanto ele deixava as pinças de lado. Ele pegou o álcool e embebedou a bola de algodão antes de limpar meus dedos. Estremeci com a sensação de queimação. — Por que você está tão foda com medo de nós? — Ele apontou para o seu peito e depois pra mim. — Nós estamos bem juntos, estamos felizes. Por que você iria correr disso? Eu estava com medo na noite que saí da barraca, mas essa não era a minha razão para correr agora. — Eu não estou fugindo, Trent — Eu balancei minha cabeça enquanto limpava o sangue da minha mão. — Isso é exatamente o que você está fazendo — Ele cuspiu, colocando a gaze em fita ao redor da minha ferida. Com a mão que não estava ferida, peguei seu rosto, esfregando os dedos contra a ligeira barba em seu rosto. — Eu não estou correndo — Eu repeti. — Eu estou te protegendo. — Me protegendo? — Ele riu, mas não havia humor nele. — Do que? — De mim. — Eu tenho certeza que eu posso lidar com você, Row — Ele carinhosamente levantou a minha mão, para colocar a gaze no lugar. — Não se trata de lidar comigo — Repliquei. — Eu acho que você sabe depois do que eu disse hoje, que há muito que eu não posso te dizer. Eu não posso permitir que você... — Meu instinto


apertou dolorosamente. — Eu não posso permitir que você me ame com estes segredos entre nós. — Minha voz falhou dolorosamente. Eu odiava fazer isso com ele novamente. Eu sentia como se minhas entranhas estavam ondulando em si mesmas. — Porque você não pode me dizer? — Ele olhou para mim, desejando que eu derramasse meus segredos para ele. — Será que realmente importa se você faz? Fechei os olhos. Eu queria dizer a ele. Teve várias vezes que eu tinha chegado perto de derramar toda a história, mas eu sempre me parei, porque eu estava protegendo-o das consequências dos meus pecados. Tinha sido egoísta ceder aos meus desejos. Não importa o quanto eu queria esse tempo com ele, não era justo para nenhum de nós. Eu estava arruinada para qualquer outra pessoa e ele nunca entenderia por que eu tinha que fazer isso. — Sim, é verdade — eu finalmente respondi. — Eu queria que não, mas não importa. Um dia — Eu esfreguei seu rosto suavemente — Eu vou ser capaz de dizer-lhe, mas, até então, eu não posso dizer nada. Eu gostaria de poder. — Foda-se — Ele gemeu seus olhos se fechando quando ele engoliu dolorosamente — Você assinou algum contrato ou algo assim? Eu balancei a cabeça. Seus olhos se arregalaram de surpresa por ter acertado. — No que diabos você se meteu?


— Eu não matei ninguém — Eu brinquei lamentavelmente, — E eu não estou no programa de proteção a testemunhas. — Eu não entendo — Seus olhos me imploraram para falar a verdade. — Bom — Eu respondi. Baixei a cabeça ao nível dele, onde ele estava dobrado, e o beijei ternamente. Tristeza agarrou-se a nós dois, porque nós dois sabíamos que este era um adeus. Ele me conhecia tão bem que eu nem precisava dizer a ele. Trent me beijou de volta ferozmente quando ele subiu na cama. — Eu não estou bem com isso — Ele sussurrou seus lábios acariciando a pele do meu rosto enquanto ele falava — Mas porque eu te amo, eu vou te libertar. Um soluço ameaçou me escapar em suas palavras. Ele me beijou, enquanto suas mãos encontraram o zíper na parte de trás do meu vestido. O ar frio atingiu minhas costas quando ficaram expostas e ele se afastou de mim quando ele puxou as mangas fora de meus braços e depois o vestido para baixo dos meus quadris. Uma vez que estava fora eu fui deixada com nada além de um par de calcinhas pretas rendadas e um sutiã. Seus olhos se banqueteavam com fome no meu corpo. — Se esta é a nossa última noite juntos — Ele murmurou, puxando delicadamente meu lábio inferior com os dentes — Então eu vou fazer valer cada segundo. Meu coração se apertou dolorosamente. Uma parte de mim estava feliz que ele havia aceitado que era isso, que não poderia haver nada mais entre nós, mas outra parte de mim estava imensamente triste. Trenton Wentworth tinha me arruinado para


todos os outros homens. Ele me pertencia, coração, corpo e alma. Eu o amava, eu amava. Eu sabia agora. Mas eu não podia dizer a ele, ou ele nunca pararia de lutar por mim, e eu precisava que ele me deixasse ir. Ele tomou seu tempo me beijando toda e despindo o resto do meu corpo. Meus dedos tremeram quando eu desabotoei sua camisa e empurrei fora de seus ombros magros. Seus braços em volta de mim me protegiam com o seu calor e segurança. — Eu te amo — Ele sussurrou entre beijos — Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. — Eu me perguntei se ele achava que por dizer aquelas palavras poderia me fazer mudar de idéia. Eu queria que fosse assim tão fácil. Ele rolou em um preservativo e calmamente entrou dentro de mim. Nossos dedos entrelaçaram, e ele descansou sua testa contra a minha, e olhou nos meus olhos e em linha reta até a minha alma, quando ele fez amor comigo. Seus lábios colocaram beijos carinhosos ao longo do meu rosto, no meu pescoço, e sobre meus ombros e seios. Tudo era tão doce e terno. Era o adeus perfeito. Se apenas adeus durasse para sempre...


Capítulo Quinze Quando acordei os braços de Trent estavam ao meu redor e as pernas estavam entrelaçadas. Era como se em seu sono, ele pensou que eu poderia escapar e ele precisava me prender a ele. Seu rosto estava pressionado na curva do meu pescoço e a testa enrugada como se estivesse sonhando com algo desagradável. Eu o assisti dormir, estudando suas feições, o arco elegante do nariz, os lábios carnudos, a cicatriz quase invisível em seu rosto, até mesmo as sardas leves no nariz que você não podia ver a menos que estivesse perto dele como eu estava. Eram coisas simples, mas eram uma parte dele. O que eu mais amava sobre Trenton, porém, não era o que aparecia, era o coração dele, ele era a pessoa mais gentil que eu conhecia. Ele se importava tão profundamente, era uma raridade ver um homem como ele. E eu sabia por ter visto todos os homens que minha mãe tinha trazido em torno de mim enquanto eu crescia. Apesar da distância em nossas classes sociais, Trenton me entendia. Numa época em que eu tinha sido a nova garota assustada, ele me levou sob sua asa e me fez sentir confortável. Ele tinha sido meu melhor amigo. Eu tinha confiado nele mais do que eu alguma vez confiei em alguém. Ele tentou reclamar o meu amor antes que eu estivesse pronta para dar-lhe, e ele me fez correr. Por causa disso, eu tinha tomado algumas decisões horríveis que eu nunca poderia voltar atrás. Arrependimento é engraçado e ele faz coisas terríveis para você. Ele rouba-lhe a felicidade.


Como se sentisse que eu estava o observando, seus olhos se abriram e ele sorriu sonolento. Seu sorriso logo se transformou em uma carranca, quando as lembranças da noite passada inundaram. — Eu estou pronta para ir para casa — Eu sussurrei, infelizmente. Eu tive que me forçar a dizer as palavras. Eu realmente não queria voltar para aquele lugar. De volta para a minha mãe e meu padrasto de merda. Eu queria ficar aqui com Trent. No entanto, eu sabia que se eu me deixasse permanecer por muito mais tempo, a dor que eu me sentiria mais tarde seria ainda pior. Quanto mais cedo eu fosse embora, mais cedo eu poderia lamentar esta perda e seguir em frente. Bem eu nunca conseguiria seguir em frente. Todo dia eu iria me lembrar do que eu tinha feito, e o que eu tinha perdido por causa disso. Trent engoliu em seco e assentiu. Ele claramente não queria me deixar ir, mas sabia que não tinha escolha. Ele tirou seu corpo do meu e se levantou, puxando sua cueca boxer e remexendo sua mala por um par de jeans. — Eu vou te era por causa do sabia. Eu segurei seu quarto para a

levar para casa. — Sua voz estava grossa, se sono ou sua luta contra as emoções, eu não meu peito e me sentei, olhando em volta de minha própria mala.

Ele olhou por cima do ombro e viu o que eu estava procurando. Ele pegou a minha mala, que estava escondida da minha vista pela montanha de cobertores na cama, e depositoua na minha frente.


Vesti-me o mais rápido possível e puxei meu cabelo para trás em um rabo de cavalo bagunçado. Meus olhos estavam me incomodando por ter adormecido com minhas lentes de contato, então eu fui para o banheiro e as removi, empoleirando os óculos na ponta do meu nariz. Minha mão doía como uma cadela esta manhã, mas o seu pulsar constante ajudou a difundir a outra dor dentro de mim. Eu olhei para o meu reflexo cansado por um momento. Meus olhos estavam afundados com olheiras e minha boca estava em uma carranca que eu não podia forçar um sorriso, não importa o quanto eu tentasse. Ontem foi um dia diferente pra mim. Eu ainda não podia acreditar que eu tinha tido uma crise no carro, e depois novamente no banheiro. Não era eu, mas tudo estava tão a for da pele que eu não sabia como processar os meus sentimentos. Eu terminei no banheiro e encontrei Trent esperando na porta de seu quarto com as nossas malas. — Vamos — Ele murmurou, sem olhar para mim. Ele me matou por não ter coragem de olhar para mim. Mas isso tinha que ser feito. Nós tínhamos que terminar. Ele não podia descobrir o que eu tinha feito e eu não podia dizê-lo. Alguns segredos têm de ser mantidos escondidos como o meu. Ele carregou as malas para a garagem. Durante todo o tempo sem dizer uma palavra para mim. Eu queria que ele olhasse para mim, e dissesse alguma coisa... Qualquer coisa. Silêncio, por fim, era melhor assim. Ele me levou para casa, sua mandíbula apertada com raiva, mas de tristeza também.


Eu sabia que ele ia me odiar por isso, por quebrar seu coração uma segunda vez. Mas é melhor ele me odiar por isso do que pela verdade. Ele estacionou na garagem, não na rua, e saiu para pegar minha mala. Eu sabia que não adiantava discutir quando ele girou a minha mala até a porta da frente. Eu andei um pouco na frente dele e saltei de surpresa quando a porta se abriu. Eu esperava que fosse minha mãe ou padrasto, uma vez que deveriam ser os únicos em casa, mas em vez disso foi Tristan. — Row! — Ele gritou meu nome com alegria quando ele veio correndo para os meus braços. Meu coração vacilou em meu peito. Eles não deveriam estar em casa ainda! Era para eu buscálas amanhã! Tristan não deveria estar aqui! — Oi — Tristan lançou seu domínio sobre mim e virou-se para cumprimentar Trenton. A boca de Trent se abriu em choque quando seus olhos pousaram sobre o menino. Seus olhos se estreitaram em confusão, então se viraram para mim, e de volta para Tristan novamente. Reconhecimento iluminou seus olhos e minha garganta se fechou. Ele sabia. Não há como negar a semelhança. — Olá — Trenton finalmente respondeu, com a voz um pouco estridente quando ele olhou para Tristan.


Eu sabia o que ele viu. Ele se via todos os dias. Tristan tinha o mesmo tom colorido nos cabelos que ele tinha quando criança, e tudo nele tinha Trenton Wentworth escrito, principalmente seus olhos azuis vívidas. — Você precisa entrar agora. — Eu dei um leve empurrão em Tristan. Ele não precisava estar aqui para testemunhar isso. — Por quê? — Ele olhou para mim com curiosidade. — Entre agora — Eu disse, minha voz mais dura do que como eu normalmente falava com ele. Ele franziu a testa, mas finalmente voltou para dentro, acenando para Trent antes de fechar a porta. — Esse é o meu filho — Trenton afirmou, com os olhos cheios de raiva. Seu rosto estava ficando vermelho. Eu balancei a cabeça. Eu não poderia refutá-lo. — Esse é o meu filho — Repetiu ele, esfregando o queixo. Seu rosto estava encoberto com descrença. — Meu filho — Sua voz ficou suave com o choque. — Por que diabos você nunca me contou?! — De repente, ele gritou, apontando um dedo acusador na minha cara. Seus olhos estavam cheios de ódio por mim. Apesar de saber que se ele descobrisse ele me odiaria, ainda doía ver aquele olhar em seus olhos. Minha voz parecia ter parado de funcionar. Eu abri minha boca para falar, mas nenhum som saiu. Meu pior pesadelo estava acontecendo diante de mim e eu estava impotente para impedir. Isto era exatamente o que eu estava tentando evitar nos últimos cinco anos. Eu sabia que deixar Trent voltar à minha vida, não importava o quão breve, teria consequências duradouras.


— Eu tenho um filho — Sua voz estava cheia de admiração quando ele olhou para a porta fechada. — Qual o nome dele? — Seus olhos ficaram colados à porta, como se ele estivesse disposto a pegar o menino de volta. — T-Tristan — Eu gaguejei, finalmente encontrando a minha voz. — Você deu a ele um nome com T — Ele sussurrou baixinho, tão baixo que eu não tinha certeza que eu tinha ouvido direito. Ele olhou para a porta fechada, sua mandíbula apertou, e suas mãos fecharam ao seu lado. Ele parecia estar lutando uma guerra interna. — Eu não entendo por que você não me contou! — Ele torceu para trás para me encarar, e eu vacilei em seu tom áspero. Eu não gostava dele gritando comigo, mas eu entendi. Isso era um choque para ele. Ele tinha todo o direito de estar com raiva e ódio de mim. — Eu não poderia te dizer — Eu chorei baixinho, ansiosa para chegar e tocá-lo, mas sabendo que era a última coisa que ele queria agora. Eu sabia que havia a possibilidade de que ele pudesse descobrir sobre Tristan, que era uma pequena cidade depois de tudo, mas eu esperava evitar isso. Eu tinha sido forçada a manter isso em segredo, e isso tinha me matado lentamente por dentro por ficar em silêncio, mas eu não tinha escolha. Eu não estava autorizada a dizer qualquer coisa para Tristan até os dezoito anos, o que significava que Trent não podia saber, até então, qualquer um dos dois. Eu sempre tinha planejado contar a ele, sabendo que ele iria me odiar quando ele descobrisse, mas


tê-lo vendo Tristan e descobrindo a verdade desta forma foi horrível. Eu sabia que ele não iria entender por que fiz isso. — Com o inferno! — Ele cuspiu, empurrando os dedos com força pelo cabelo. — Eu não posso acreditar que você, Rowan! Isto... — Ele apontou para a porta fechada — É o que você estava escondendo de mim! Esta é a razão que você queria acabar com isso! Você não achou que eu tinha o direito de saber ?! — É claro! — Estendi a mão para seu braço, mas ele recuou, afastando-me. — Eu não poderia te dizer, Trent — Eu implorei para que ele entendesse. — Eu queria, tão ruim, mas eu não podia. — Eu não posso nem olhar para você — Ele murmurou, sua voz cada vez mais tranquila, mais uma vez. — Eu tenho que ir. — Trenton! Por favor, deixe-me explicar! — Eu gritei quando ele correu passando por mim, correndo para seu carro. — Trent! — Eu implorei. Eu precisava dele para ficar e me escutar. Eu tinha que fazê-lo entender. Eu sabia que ele não queria ter nada a ver comigo depois disso, mas eu merecia me explicar. — Eu não quero ouvir isso! — Ele gritou, virando-se para apontar um dedo acusador para mim. — Eu estou tão bravo agora mesmo! Adivinha o quê? — Ele abriu os braços. — Você conseguiu o que queria! A partir deste momento, eu estou fora da sua vida! Ele subiu em seu carro, bateu a porta e fugiu. Eu afundei no chão, a neve se infiltrando em minha calça e me esfriando. Um soluço escapou de mim, e depois rasgou.


Estendi a mão, sentindo a umidade com os dedos tímidos. Eu não tinha chorado em cinco anos, desde que descobri que estava grávida e meu mundo desabou ao meu redor. Eu pensei que eu tinha sido quebrada antes... E eu estava... Mas Trenton tinha conseguido juntar cada pedaço meu com cuidado, junto cada caco de mim. Agora, eu estava quebrando tudo de novo, e desta vez eu sabia que as peças seriam pequenas demais que nunca seriam remendadas.

Minha mão tremia quando meu olhar caiu para o pau branco fino na minha mão. Eu deslizei para o chão, minhas costas contra a porta do banheiro. Grávida. Puta merda. Como é que eu vou criar uma criança? Eu já cuidava de Ivy, eu não vejo como eu posso cuidar da minha irmã e de um filho meu. Lágrimas caíram pelas minhas bochechas. Eu queria mudar o teste para negativo, mas é claro que isso não aconteceria. Eu estou indo ter um bebê. O bebê de Trent.


Após o quão horrível eu o tratei, eu não via como eu poderia dizer a ele. Eu já disse tantas coisas para ele nas últimas semanas. Coisas que eu nunca serei capaz de pegar de volta. Tenho certeza que ele já me odeia, e por que ele iria querer um bebê? Temos dezesseis anos, nem de longe estamos prontos para ser pais. Nós dois somos filhos de nós mesmos. Sentei-me e atirei o pau no lixo. Lavei as mãos e respinguei meu rosto com água. Eu tenho que dizer a minha mãe. Ela me odeia. Mas ela é minha mãe. Ela vai estar lá para mim... Certo? Ela vai fazer isso melhor. Com certeza ela vai saber o que fazer. Ela tem que saber. Eu abro a porta do banheiro e me aventuro até a sala. Ivy está dormindo, mas minha mãe não deve ter bebido ainda. Ela não começa a beber até tarde... Apesar de que nas últimas semanas ela estava começando cada vez mais cedo. Eu não estou surpresa de encontrá-la sentada no sofá bebendo uma cerveja enquanto ela fala com o seu mais recente amigo de foda. Eu nem lembro o nome dele. John? James? Jim? Eu acho que é Jim. — Mãe — Minhas voz falha. Ela olha para mim, a raiva fazendo-a rosnar.


— O que você quer pirralha? Eu não gosto quando ela me chama assim. Faz-me sentir como se eu fosse nada, é como se eu não fizesse nada bom o suficiente, e eu tento tão difícil fazer com que ela me ame. Eu sei que ela vai ficar com raiva quando eu falar que estou grávida. Mas ela me teve quando ela era jovem, então eu acho que ela vai entender. Talvez isso vai nos unir. — Eu preciso falar com você — Eu sussurrei — Sozinha — Eu adicionei quando meus olhos foram em direção ao homem na poltrona. — Tudo o que você precisa dizer para mim você pode dizer na frente de Jim — Ela disse, tomando um grande gole de cerveja. — Rápido. Eu não tenho o dia todo. Meus olhos espremeram fechados. Agora eu estava desejando que eu tivesse esperado para lhe dizer, para deixá-la se acostumar mais, então eu poderia processá-lo. Eu não fiz, porém, e se eu não lhe dissesse alguma coisa, ela vai ficar com mais raiva e me bater. Era uma tolice da minha parte pensar que ela iria me levar em seus braços e cuidar de mim. Ela não se importava com Ivy ou eu. Éramos nada para ela, apenas um fardo. Decidi contar-lhe a verdade. Afinal de contas, é por isso que eu vim para cá em primeiro lugar. — Estou grávida — Digo, escolhendo não adoçar as palavras. Sua boca cai aberta.


— Eu sempre soube que você viria a ser nada mais que uma puta — Ela olha para mim de cima a baixo. Suas palavras doem, mas eu aprendi a manter meu rosto vazio de emoção. — Vou levá-la à clínica e nós vamos cuidar disso — Ela aponta para o meu estômago. — O quê? — Eu tropeço para trás, protegendo minha barriga e o bebê que residia lá. — Para um aborto — Diz ela desnecessariamente. — Não — Eu suspiro. — Eu não quero isso. Eu quero mantê-lo. — Eu estou chocada que ela iria até sugerir uma coisa dessas. — Querida — Ela se inclina para trás no sofá — Eu só estou tentando salvá-la do meu erro. Eu recuei. Ela está falando de mim. Ela está basicamente dizendo que ela queria que alguém estivesse lá para dizer-lhe para fazer um aborto. — Eu não vou fazer isso — Eu digo ferozmente. Vou fugir antes de eu deixá-la matar o meu filho. — Você poderia colocá-lo para adoção — Ela sugere, com um ligeiro sorriso. Divertindo-se que eu tinha cometido um erro tão colossal. — Não. Eu não vou fazer isso. — Que diabos você vai fazer com uma criança, Rowan? — Ela inclinou a cabeça. — Huh?


Eu não sei. Mas eu sei que eu prefiro lutar e ter o meu bebê do que matá-lo ou entregá-lo a estranhos. Talvez seja egoísta da minha parte, a adoção seria dar ao bebê uma melhor chance de uma vida feliz, mas eu quero mantê-lo. De repente eu sinto que eu deveria ter fugido e ido para Trent. Mas as próximas palavras da minha mãe silenciam esses pensamentos. — A forma como eu vejo — Ela se inclina para frente — Você tem duas opções. O aborto ou adoção. Não há nenhuma maneira que você pode criar um filho, você é burra demais para isso. — Eu quero discordar dela e dizer que eu, basicamente, cuido de Ivy, mas eu sei que ela só vai ter um bom argumento para isso. — De jeito nenhum o pai do bebê vai ajudá-la. Adolescentes não tem compromisso, Rowan. E um bebê? Essa é uma sentença de prisão perpétua que nenhum rapaz quer. Ela estava certa? Ela parecia que estava falando por experiência própria, e eu basicamente tinha deduzido o mesmo. Trent não gostaria de ser pai, e eu tinha a escola em que pensar, e com um bebê, eu precisaria conseguir um emprego para comprar coisas, e a faculdade? Eu queria sair daqui. Um bebê iria manter-me presa em uma vida assim, uma vida assim como da minha mãe. — Pensando sobre isso — Ela sorriu, e eu soltei um suspiro de alívio que ela estava indo para me ajudar — Eu vou adotar esse bebê. Dessa forma, você pode ir e viver os seus sonhos, sem um bebê amarrando você para baixo. Eu estou fazendo um favor aqui, menina, é pegar ou largar. Eu pensei sobre isso por alguns segundos. — Eu concordo.


Limpei meu rosto livre de lágrimas quando a memória evaporou. Eu tinha sido tão boba e ingênua pensando que minha mãe poderia consertar a bagunça que eu tinha feito. Eu queria acreditar que ela estava me ajudando. Ela não estava. Ela estava simplesmente me manipulando. Eu tinha assinado a minha vida quando eu coloquei minha assinatura nos documentos de adoção. Ela acrescentou um contrato. Basicamente, ela me queria criando o bebê, mas ele nunca poderia saber que eu era sua mãe e eu não estava autorizada a falar uma palavra para o pai. Pergunto-me agora, se ela soubesse que Trent era pai de Tristan, se ela teria agido diferente por causa do dinheiro que tinham. Conhecendo-a, ela poderia ter tentado vender o bebê a eles. Eu nunca deveria ter assinado os papéis. Eu soube assim que eu tinha assinado que eu tinha cometido o maior erro da minha vida. O contrato estipulava que eu não podia revelar a Tristan que eu era sua mãe até os dezoito anos, a menos que circunstâncias atenuantes permitissem. Assim, ele se tornou meu irmão, e, eventualmente, eu comecei a acreditar que era verdade. Assim, Tristan não sabia que eu era sua mãe, em seguida Trent, não poderia saber de sua existência.


Se eu falasse a Tristan que eu era sua mãe antes de completar dezoito anos, eu não teria permissão para vê-lo. Se eu tivesse ido para Trent, no início, nada disso teria acontecido. Retrospectiva era um pé no saco. Eu acreditava que Trent seria como qualquer outro rapaz adolescente e não queria ter nada a ver comigo ou com o bebê. Eu sabia que não era verdade agora. Trent não era como os outros rapazes, vendo-o com o seu sobrinho provou isso. Ele já sabia de nosso erro... E Deus, matou-me pensar em Tristan como um erro. Eu amava aquele menino com tudo que eu tinha. Agora, eu valorizava Tristan muito para lhe dizer a verdade. Eu não poderia imaginar não ver meu filho todos os dias, então fiquei quieta, recusando-me a violar o contrato, deixando a minha culpa e miséria me comer viva. Eu tinha tantos arrependimentos, mas o meu maior era não ter dito a Trent que estava grávida antes de assinar o contrato. Eu acreditei que ele já me odiava depois da forma como eu o empurrei, e era crível pensar que um cara de dezesseis anos de idade, não gostaria de ter um bebê. — Rowan? Eu me virei para olhar para trás e vi Ivy e Tristan em pé na porta. — Está frio — Ivy franziu a testa — E você está ficando molhada. Vamos para dentro. Ela parecia tão madura e sábia além de seus anos. Isso quebrou meu coração e me rasgou por dentro. Eu já havia tentado tão difícil dar-lhe uma infância, mas crescer com uma mãe como a nossa tornava isso impossível.


Obriguei-me a levantar em meus pés, secando os olhos com a manga da minha blusa. A minha mala ainda estava do lado de fora, onde Trent havia deixado. Agarrei-a, levando-a junto atrás de mim. — Eu fiz um pouco de chocolate quente — Ivy sorriu, mas seus olhos estavam cheios de preocupação. — Gostaria de um pouco? Eu balancei a cabeça, deixando minha irmã de oito anos de idade, cuidar de mim. A porta do quarto de minha mãe estava fechada e os sons dela tendo relações sexuais com Jim ou um cara qualquer que ela tinha pego, enchiam o ar. Eu odiava que Tristan e Ivy estivessem em casa ouvindo isso. Eu deixei minha mala pela porta do meu armário e subi debaixo das cobertas. Tristan correu ao meu lado, com os braços serpenteando ao redor do meu pescoço. Ivy entrou no meu quarto alguns minutos depois com o chocolate quente. — O que há de errado com você? — Ela perguntou em voz baixa. — Você está doente? Eu sabia que devia ter sido um choque para eles olhar para fora e ver-me daquele jeito. Eles nunca tinham me visto chorar e eu tinha certeza de que eles estavam assustados. — Eu estou bem — Eu sussurrei, beijando o topo da cabeça de Tristan e deslizando nossos corpos para o outro lado da cama, para que Ivy pudesse se juntar a nós. — Por que vocês estão em casa? — Eu finalmente perguntei.


— Mamãe nos queria em casa — Ivy deu de ombros. — Eu não sei porque. Aquela mulher. Eu a odiava. Eu realmente odiava. Ela só queria que eles viessem para casa para me punir por ter deixado. — Há quanto tempo você estão aqui? — Desde ontem à noite — lado de Tristan.

Ivy subiu na minha cama ao

— Me desculpe, eu não estava aqui — Eu sussurrei. — Está tudo bem. — Ivy pegou minha mão. — Eu amo você, Rowan. Eu queria que você fosse minha mãe. — Eu queria que você fosse minha mãe também — Tristan disse. E então eu comecei a chorar novamente.


Capítulo Dezesseis Era para eu trabalhar hoje. Vendo como Trace era meu chefe agora, eu não tinha certeza se eu seria bem-vinda de volta ao Wentworth Wheels. Eu tinha certeza de que Trent havia dito a sua família agora. Eles estavam perto, então por que não ele? Todos eles provavelmente me odiavam e eu não podia culpá-los. Lutei com o que fazer, sem saber o que seria a coisa certa. No final, eu me fiz ficar pronta e levei as crianças para a escola. Eu nunca me perdoaria se eu não aparecesse e Trace esperasse que eu fosse lá, e eu já tinha material suficiente para ficar com raiva de mim mesmo sem acrescentar mais alguma coisa. Eu levei as crianças e dirigi para o trabalho. Durante todo o tempo, mastigando nervosamente meu lábio inferior. Estava dolorido na hora que eu cheguei. Quando eu coloquei o meu carro no estacionamento, meu coração estava disparado no meu peito. Eu esperava que Trace ouvisse o som do meu carro e viesse correndo para fora, gritando que eu não era bem-vinda aqui novamente. Isso não aconteceu então eu fui forçada a sair do carro. Eu não vi Trace quando entrei no prédio. Liguei para ele, mas não ouvi nenhuma resposta.


Virei-me para sair, pensando que ele estava me ignorando, mas a porta do escritório se abriu em seguida e ele acenou. — Não saia — Disse ele, observando que eu tinha virado em meus calcanhares para fugir. Eu me preparei para o que ele tinha a dizer. Eu me preparei para ele gritar e me dizer como eu era horrível, mas isso não aconteceu. — Você está bem? — Ele perguntou. Eu estava confusa. Por que ele estava perguntando se eu estava bem? — Eu não sei o que você quer dizer. — Bem — Ele cruzou os braços e as pernas, encostado na porta aberta — Estou assumindo depois do que meu irmão descobriu no outro dia, que ele disse algumas coisas não muito agradáveis, e assim, eu vou pedir para você de novo... —Você está bem? Eu balancei a cabeça. — Não minta. — Eu estou miserável — Eu murmurei. — Isso é o que eu pensava — Ele acenou com a cabeça. Empurrando o cabelo dos seus olhos, ele acrescentou: — Então, ele está. Eu vacilei. Eu não quero ouvir sobre Trent, sobre o que o meu segredo havia feito com ele.


— Eu não entendo por que você fez isso — Trace afastou-se da porta e caminhou em minha direção — Mas eu tenho certeza que você teve um belo motivo. Eu não tinha uma boa razão, não em todos. — Eu não podia dizer a ele — Eu sussurrei. — Tristan ainda não sabe que eu sou sua mãe. Ele não pode saber. — Mordi o lábio enquanto lágrimas brotaram dos meus olhos. Eu não ia chorar na frente de Trace. — Eu só vou sair agora... — Eu murmurei, virando-me para sair. — Ei, ei, ei, — Trace disse, pegando meu braço. — Eu nunca disse nada sobre você sair. — O que mais você tem a dizer? — Eu bati. — Nada — ele deu de ombros — Mas eu estou pagando para trabalhar para mim. — Você quer dizer... Eu ainda tenho um emprego? — Eu perguntei surpresa, a esperança inundando meu corpo. Eu tinha certeza que Trace estava a segundos de distância de me dizer para sair de sua propriedade e nunca mais voltar. — Claro que sim — As sobrancelhas franzidas juntas. — Estou chateado porque você não disse a meu irmão que ele é um pai? Sim, eu estou. Mas eu ofereci-lhe um emprego, você é boa no que faz, e não vejo nenhuma razão real para demiti-la — Ele encolheu os ombros, curvando-se para pegar algo do chão. — Você é da família agora, Rowan. Você não vai a lugar nenhum. — Obrigada — Eu engasguei, jogando meus braços em torno dele e nos surpreendendo com o gesto. Ele acariciou minhas costas, sem jeito.


Quando soltei, ele sorriu e disse: — Vai para o trabalho. Eu sorri, satisfeita que eu ainda tinha meu trabalho, mas meu coração doeu no meu peito com o conhecimento que Trenton estava sofrendo. Fui em direção a parte de trás do prédio onde o escritório estava localizado e Trace me chamou — Sim? — Eu parei, virando-me para encará-lo. — Trent está realmente chateado agora... Mas dentro de algumas semanas, quando ele esfriar, eu acho que você deve visitá-lo e explicar as coisas. Faça-o entender. — Eu vou. — E eu, mesmo que me mataria enfrentá-lo e explicar tudo para ele, eu sabia que tinha que fazer. Agora, tudo o que sabia era que ele tinha um filho que eu nunca tinha contado a ele sobre. Ele precisava saber por que eu não poderia dizer-lhe, e entender o quanto eu tinha sofrido por causa da minha decisão. Eu vou me arrepender do que fiz todos os dias para o resto da minha vida, e eu sei que quando eu morrer, eu irei queimar no inferno por isso também.

Eu assisti Tristan perto.


Eu o via com olhos diferentes agora que Trent sabia a verdade. Eu podia me permitir ver realmente as coisas sobre o meu filho, que foram tão claramente herdadas do seu pai. Como seus olhos, eles eram no mesmo tom exato de azul que os olhos de Trent. E às vezes, quando Tristan estava se concentrando em algo seu nariz se dobrava, e eu muitas vezes tinha visto Trent fazer a mesma coisa. Era surpreendente que Tristan nunca tinha sequer conhecido Trent e atuava como ele. A maioria das coisas realmente era herdada. Eu sempre tentei me forçar a não perceber as semelhanças entre Tristan, seu pai e eu. Matava-me por dentro ver essas semelhanças tão claras, quando Tristan não souber a verdade. Tinha sido mais fácil me fazer acreditar que ele era meu irmão. Diminuia a dor. — Rawn! — Tristan gritou, brincando com os dinossauros de brinquedo, com um ataque do outro. Ele brincou por mais alguns minutos, antes de colocar os brinquedos de lado. — Row? — Ele olhou para mim com grande questionamento em seus olhos azuis. — Mhmm — Eu balancei a cabeça para ele continuar. — Quem era aquele cara? — Que cara? — Eu perguntei, pegando uma sujeira no chão acarpetado.


— O cara que disse oi para mim? — Ele questionou. Eu fiz responder.

uma

careta,

não

querendo

— Ninguém. Não era ninguém. — Mas eu o vi — Gritou Tristan. — Eu sei que você fez — Eu disse suavemente para acalmálo — Mas ele não é importante. — Oh — Tristan franziu a testa. — Por que você estava perguntando sobre ele? — Eu pressionei, perguntando por que a mente do menino tinha se aventurado a pensar em Trenton. — Eu pensei que ele poderia gostar de brincar de dinossauros comigo — Tristan franziu a testa. — Carros ou — Ele apontou para a cesta de carrinhos Match box. — Eu acho que eu gosto de carros mais do que dinossauros agora. Eu ri. — Por que? — Os dinossauros sempre comem uns aos outros — Reclamou ele. — Então por que você faz eles comerem uns aos outros? — Perguntei com um pequeno sorriso quando cruzei as pernas. — Eles são dinossauros — ele olhou para mim como se eu fosse burra — É o que eles fazem. Verdadeiro riso explodiu de mim diante das palavras de Tristan. Deixe o menino ser o único a me fazer sentir melhor.


— Por que você está rindo? — Ele perguntou, jogando a cesta de carros em toda parte. — Porque você é engraçado — Estendi a mão e apertei a bochecha dele. — Não faça isso — Ele esfregou o rosto — Eu não sou mais um bebê. Não, ele definitivamente não era, e Trent não tinha sido capaz de ver o nosso filho crescer como eu fui. Ele não sabia como Tristan era quando nasceu. Ele ficou de fora em tudo, Tristan engatinhando, andando, falando. Tudo isso. A culpa foi minha. Eu não poderia ter de volta aqueles anos que tinha perdido com seu filho. Mas eu poderia tentar dar-lhe um vislumbre. Eu sabia que ainda precisava dar-lhe mais tempo antes que o visse, no entanto. Mas eu tinha que fazê-lo entender. Eu estava preparada para aceitar o fato de que ele me odiava, mas eu não queria que ele odiasse Tristan. Eu queria que ele visse o garoto incrível que o nosso filho era. Como mesmo nesta idade, ele era sábio como seu pai, e curioso como eu tinha sido quando criança. Ele era um pedacinho de nós dois que sempre nos uniria. — Quer brincar? — Perguntou Tristan, segurando um carro para mim. — Claro — Eu a tomei dele. Ele se sentou no chão, dirigindo seu carro ao redor.


— Vroom! Vroom! Vroom! Olhei distraidamente para o chão, empurrando sem entusiasmo o carro de brinquedo. — Row Row...! Olhei para cima para encontrar Tristan me interrompendo. — Assim, Row — Ele correu o carro em torno de um círculo, tanto quanto seus bracinhos poderiam alcançar. — Vroom! Eu ri, fazendo barulho com ele enquanto eu dirigia o carro ao redor da sala. — O que você está fazendo? — Ivy apareceu na porta. — Brincando com carros — Respondeu Tristan. Ele colocou o carro para o lado e pegou um da pilha. — Aqui, você brinca com esse. Ivy pegou o carro e sentou-se no chão para se juntar a nós no jogo. Me rasgava em pedaços que Tristan não sabia que eu era a mãe dele.

— O que você ainda está fazendo aqui? — Perguntou Trace, entrando no escritório com uma garrafa de água nos lábios. — Eu pensei que você já tinha ido embora.


Eu balancei minha cabeça. — Estou tentando organizar sua agenda para chamadas em nomes e certificando que deixei os pedidos de emergência — Eu apontei para a agenda que estava rabiscando. — Eu não sei o que eu fiz antes de você vir junto — Admitiu ele, pulando em cima da outra mesa no canto, com as pernas balançando. Ele se inclinou, abrindo a gaveta de cima, e pegou um saco de batatas fritas com sabor de ketchup. — Quer um pouco? — Ele perguntou, segurando o saco para mim. Eu balancei minha cabeça, enrugando meu nariz em desgosto. Fritas com sabor de Ketchup? Hum, bruto. — Fique à vontade — ele deu de ombros, mastigando uma das batatas fritas crocantes. — Elas são deliciosas. Nós caímos em um silêncio constrangedor, e eu me vi abrindo a boca e fazendo algo que não deveria. — Como está o Trent? — Meus olhos levantaram para olhar brevemente Trace antes de cair para o papel na minha frente mais uma vez. — Honestamente? — Ele perguntou. — Eu não sei. Ele não falou com qualquer um de nós desde que ele voltou para a escola. Ele está ignorando nossas chamadas também. Minha mãe estava pensando em ir até sua escola para vê-lo, mas eu falei para não ir. Ele só precisa de tempo — Ele mastigou outro chip. — Ele virá por aí. — Não, ele não vai — Minha voz estava cheia de tristeza. — Confie em mim — Girei na cadeira para me forçar a olhar para Trace: — Eu aceitei há muito tempo atrás que quando Trenton


descobrisse a verdade ele me odiaria. Eu tive cinco anos para me preparar. Você não precisa tentar me fazer sentir melhor me jogando mentiras. — Eu não estava mentindo para você — Trace definiu o saco de chips de lado, esfregando os dedos salgados em sua calça jeans já sujas. — Ele virá por aí, e ele vai te perdoar, porque ele te ama. Agora, ele está machucado, e ele não consegue pensar direito. — Ele não pode me amar depois do que eu fiz — Eu sussurrei, dor apertando meu interior. — O que eu fiz foi horrível e eu sei que ele deve me odiar. Trace balançou a cabeça. — Tenho certeza que ele deseja odiar, mas ele não faz. — Como você pode ter tanta certeza? — Eu questionei. — Porque, o amor faz coisas loucas para você. Eu amo Olivia mais do que eu jamais pensei que fosse possível amar outra pessoa, e se ela fizesse algo assim para mim, eu definitivamente ficaria com raiva no início, realmente bravo. Mas eu superaria isso, e eu deixaria ela me explicar, e nós seguiríamos em frente com isso. O amor torna fácil o perdão. — Perdão nunca é fácil — Eu sussurrei — Especialmente quando não é merecido. Trace saltou da mesa e deu um tapinha no meu ombro enquanto ele passava. — Eu sinto muito que você pense assim, mas meu irmão vai provar que você está errada. Definitivamente, não hoje ou amanhã. Um dia, no entanto.


— E se um dia não vir em breve? — Eu perguntei a ele. — Então isso é perda de Trent — Ele encolheu os ombros, batendo a porta. — Vá para casa. Está tarde. Eu balancei a cabeça, fechando o livro e ficando de pé. Eu empurrei a cadeira para dentro e peguei minha bolsa. Trace acendeu a luz de fora do escritório e fechou a porta. Ele trancou-a, e depois fomos para embora, quando ele fechou as portas da garagem e trancou isso também. Quando ele começou a ir em direção ao seu carro, de repente ele parou e olhou para mim. — Dê-lhe mais uma semana. — Então o quê? — Perguntei. — Então você se explica, e espera o melhor. Na minha vida, eu aprendi que o melhor nunca veio, e eu não esperava que isso fosse diferente.


Capítulo dezessete Sentei-me

com

as

minhas

mãos

apertando o volante. Eu passei os últimos 30 minutos sentada no meu carro incapaz de sair para fora na calçada. Fazia quase um mês que Trent tinha ido embora e eu sabia que era hora de eu enfrentar meus medos, de encará-lo e tirar tudo do meu peito. Eu sabia que qualquer possibilidade de uma relação entre nós tinha sido queimada. Eu também sabia que eu lhe devia uma explicação. Eu tinha pedido a Trace para obter informações do dormitório de Trent e onde era melhor esperar por ele na semana passada. Trace não tinha me empurrado para ir atrás de seu irmão, mas ele queria que eu viesse. Ele estava otimista que Trent iria superar isso, e varrer-me em seus braços, mas isso era apenas um sonho. — Você pode fazer isso, Rowan — Comecei a dar-me uma conversa de encorajamento ridícula — Não há nada a temer. É apenas Trent. Ele odeia você, mas você tem que se explicar. Ele merece uma explicação. Eu deixei minha cabeça cair contra o volante. — Eu sou uma idiota — Eu disse. Olhando para o painel escuro, já que eu não tinha saído do carro, eu contei. A contagem me acalmou e me deu algo para me concentrar além dos pensamentos em minha cabeça.


— Você pode fazer isso — Eu disse, sem me importar se eu parecia uma idiota sentada no meu carro falando sozinha. Eu liguei o carro, e o rádio, deixando–o explodir alto, e fiz a viagem de duas horas para o campus de Trent. Meus dedos batiam sem descanso contra o volante. Eu estava com medo de enfrentá-lo, agora que a verdade estava entre nós, mas eu tinha que fazer. Eu definitivamente estava com medo de que ele se recusasse a falar comigo, ou até mesmo olhasse para mim. Mas eu tinha que tentar, embora, ele me esmagasse. Eu fui até o campus e estacionei meu carro. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Eu respirei fundo e me forcei a abrir a porta do carro e sair para o ar de inverno gelado. Cheguei de volta para dentro do carro e coloquei minhas luvas, touca, e peguei o livro que eu trouxe comigo para dar-lhe. Eu deslizei minhas mãos nas luvas quentes enquanto eu caminhava pelo campus, murmurando instruções de Trace sob a minha respiração. Tenho certeza de que para os transeuntes eu parecia uma louca. Talvez eu fosse. Eu encontrei um banco fora do dormitório que Trace disse ser o de Trent. Trace tinha escrito sua agenda e dado para mim, então eu sabia que Trent estaria saindo do dormitório a qualquer minuto. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Preparei-me para vê-lo. Eu não tinha certeza se eu estava pronta. Mas isso tinha que ser feito.


Sentei-me no banco, meus olhos se recusando a desviar-se da porta do dormitório. Eu não podia perder ele. — Hey. Eu pulei, assustada com a voz. Olhei para cima para ver um cara de pé na minha frente. Ele tinha cabelo loiro desgrenhado e ele era alto, com ombros largos. Parecia um jogador de futebol ou algo assim. Ele era bonito, claro, mas havia apenas um cara para mim. — Oi — Eu respondi, sabendo que eu tinha que responder. — Eu sou Bem — Ele se apresentou. — Mhmm — Eu murmurei, olhando à sua volta no dormitório. — Você não vai me dar o seu nome? — Ele questionou. — Não Ele riu. — Então, você quer que eu trabalhe para consegui-lo? — Não, eu quero que você vá embora — Eu rebati, olhando para ele. — Você está procurando alguém? — Ele virou-se para olhar para trás. — Sim — Eu disse, meu tom cortante. — Se importa se eu te fizer companhia? — Ele perguntou, sorrindo arrogantemente. Ele pensava claramente que se eu passasse alguns minutos com ele, ia esquecer completamente a pessoa que eu estava procurando.


Eu olhei para ele quando ele se sentou ao meu lado, não esperando por minha resposta a sua pergunta. Deus, o cara não poderia se tocar. Felizmente, naquele momento, eu vi Trent começar a passar pelas portas do dormitório... Mas ele não estava sozinho. Havia uma garota com ele. Ela era linda, com cabelos coloridos, pele morena, e olhos escuros. Ela era o completo oposto de mim. Ele estava sorrindo para ela enquanto ela obviamente, absorto em tudo o que ela estava dizendo.

falava,

Lágrimas arderam em meus olhos. Ele tinha seguido em frente. Eu sabia que devia ter esperado, mas quando eu soube que não haveria ninguém para mim, mas Trent doía ver que ele tinha sido capaz de seguir em frente em apenas um mês. — Eu tenho que ir — Eu murmurei para Ben. Eu comecei a correr para longe, mas não consegui muito. — Hey! Menina bonita! — Ben chamou. Parei meus passos. — O que ?! — Eu gritei, alto o suficiente para chamar a atenção para mim mesmo. — Você não pode me deixar em paz, porra?! Eu não estou interessada! — Você deixou isso — Ele respondeu com um sorriso, nem um pouco incomodado com a minha explosão. Ele correu até mim com o livro debaixo do braço.


Eu tomei dele e murmurei — Obrigada. Curvando a cabeça, virei-me para sair e bati no peito de alguém. — Ow — Cheguei até esfregar a testa onde tinha batido contra o queixo da pessoa. — Rowan, o que diabos você está fazendo aqui? — Trent rosnou, agarrando meu cotovelo quando tropecei. Gelo deslizou pela minha espinha. — Nada — eu arranquei meu braço de seu aperto. — Eu estava de saída. Volte para a sua nova namorada — Eu cuspi, meu tom de voz cheia de veneno não pude conter. — Rowan! — Ele pediu, mas eu fugi. Passos bateram atrás de mim, e então eu estava sendo virada com força. — Não fuja de mim — Ele olhou para mim. — Você deve ter vindo aqui por uma razão, então diga. — Deixe-me ir! — Eu torci meu braço fora de seu alcance. Meu peito arfava com respirações irritadas e lágrimas brotaram dos meus olhos. Fiquei envergonhada e com raiva de mim mesmo por vir aqui. O que eu estava pensando? Eu não estava pronta para ter esse confronto, e é claro que ele não estava pronto para me ver também. Ele levantou as mãos em sinal de rendição. — Você é a única que apareceu no meu campus — Ele fervia, os olhos tão cheios de ódio que me fez sentir como se eu estivesse passando mal. — Eu acho que tenho o direito de saber


por que você está aqui. Vamos acabar logo com isso — Ele cruzou os braços sobre o peito, seu pé batendo impacientemente contra o chão. — Não aqui — Eu sussurrei quando a necessidade de lutar me deixou. Meus olhos timidamente dispararam para a calçada de concreto sob os meus pés. Eu sabia que tinha uma multidão em torno de nós, e não havia nenhuma maneira que eu estava tendo essa conversa aqui. — Tudo bem — Ele rosnou. Ele agarrou meu braço mais uma vez e me arrastou atrás de si ao seu dormitório. Ele tirou um cartão de acesso e bateu nele. Forçou a abertura da porta, ele praticamente me empurrou para dentro. O músculo em sua mandíbula marcado, me lembrando mais uma vez que ele não estava feliz em me ver. Eu esperava isso, mas ainda doía pior do que um tapa da minha mãe. — Siga-me — Ele passou por mim, suas botas pesadas batendo contra o chão de azulejos. Eu viria este momento, por isso não havia como voltar atrás. Eu relutantemente segui atrás dele quando eu contei na minha cabeça. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Ele parou na frente de uma porta e esperou por mim. Ele abriu a porta e acenou para eu entrar primeiro. Acho que ele pensou que eu poderia tentar sair. — Sente-se — Ele apontou para a cama coberta com uma colcha azul-marinho. Eu achava que era o seu lado da cama no


dormitório, desde que a outra estava coberta de roupas sujas e outras porcarias. Trent não era tão bagunçado. Eu empoleirei respirando fundo.

na

ponta

da

cama,

Ele puxou a cadeira de sua mesa e sentou-se nela para trás. — Fale. Aparentemente, ele estava tão irritado que ele só poderia falar comigo em frases curtas. — Eu não sei por onde começar — Eu sussurrei, me forçando a olhar para ele. — Eu não sei — Ele passou a mão sobre o rosto — Que tal no início. — Eu notei que seus olhos estavam cansados, como se não tivesse tido muito sono. Suas bochechas estavam fundas e seu cabelo estava maior nas extremidades. — Bem — Mordi o lábio — Eu fiquei grávida. — Sim, eu descobri essa parte — Ele revirou os olhos, batendo os dedos nervosamente na parte superior da cadeira. — Quem-quem era ela? — Forcei as palavras da minha boca. Eu precisava saber quem era a garota que ele tinha estado antes de continuar. — Ela é sua namorada? — Huh? — Suas sobrancelhas franziram juntos. — Quem? Oh... — Seu rosto se iluminou com o reconhecimento. — Era Kelsey — Seu tom de voz era suave, não duro como tinha sido. — Ela vive no corredor. Somos amigos. Isso é tudo.


Meus olhos se fecharam quando alívio inundou meu corpo. Ela tinha rasgado meu interior pensando que ele tinha seguido em frente tão rapidamente. — Eu não deveria ter perguntado — Eu sussurrei, meus olhos relutantemente olhando para ele — Mas eu precisava saber. — Rowan — Ele disse meu nome devagar — Eu posso estar com raiva de você agora, mas eu não sou esse tipo de cara. Eu balancei a cabeça. — Então... Eu acho que é melhor eu... Uh... Explicar." — É por isso que você veio aqui, não é? — Ele questionou, sarcasmo em seu tom. Eu queria que o doce Trent voltasse por um momento. — Bem — Eu esfregava as palmas das mãos suadas sobre o tecido da minha calça jeans — Quando eu descobri que estava grávida — Eu engoli em seco. — Eu já tinha empurrado você para longe. Eu me assustei e fiquei fora de mim quando você disse que me amava — Eu admiti. — Eu sabia que você quis dizer o que você disse, mas eu não acredito no amor. Minha mãe, que deve me amar, só me odiou. Eu pensei que se você me amasse você só iria me machucar no final também. Eu estava com medo e eu queria evitar isso. — Eu respirei fundo, olhando para o teto por um momento enquanto eu juntava meus pensamentos. Havia uma mancha de água lá e eu olhei para ela quando eu contei. — Quando eu descobri que estava grávida... Eu nunca estive tão assustada na minha vida inteira. Eu era apenas uma menina, Trent, nós dois éramos! — Exclamei furiosamente. — Eu já estava cuidando sozinha da minha irmãzinha. Eu não conseguia ver como eu poderia cuidar de um bebê também. — Vermelho revestiu minhas bochechas. Eu


nunca tinha contado a ninguém isso, e foi libertador finalmente dizer a verdade. — Eu tinha sido tão má com você, depois do que fizemos que eu pensei que você me odiava. Além disso, você era um cara de 16 anos de idade, por que diabos você iria querer um bebê? — Eu ri, mas não havia humor no som. — Eu me senti tão sozinha. Então, sozinha... — Minha voz falhou. — Meu relacionamento com a minha mãe já era praticamente inexistente, mas uma parte de mim acreditava que podia fazer tudo melhor. Rapaz, eu estava errada. Os olhos de Trent nunca vacilaram do meu rosto enquanto eu me purgava dos meus pecados. — Ela queria que eu fizesse um aborto — Eu admiti, olhando para o chão de azulejos. — Eu não poderia fazer isso, Trent. Eu não podia matar o bebê. — Lágrimas ardiam meus olhos, mas eu as segurei de volta. As lágrimas eram um sinal de fraqueza, e a última coisa que eu precisava era ser vulnerável na frente dele. — Então, ela sugeriu que ela adotasse o bebê. Eu pensei que era a melhor opção. Eu levei um momento para recuperar o fôlego, contando até dez em minha cabeça antes de continuar. — Eu estava tão, tão errada — Eu balancei a cabeça, torcendo os dedos juntos. — Tristan não sabe que eu sou sua mãe. Mamãe. Eu era a sua mãe. Eu nunca tinha me permitido referir-me a mim como sua mãe antes, mas eu estava fazendo isso agora.


— O contrato que eu assinei para a adoção — Fiz uma pausa, momentaneamente superada pela tristeza — Ele não pode saber nada até que tenha dezoito anos. Uma vez que eu assinei isso, eu sabia que não havia nenhuma maneira que eu poderia te dizer. — Por que não? — Ele rosnou. — Eu lutaria por ele! Eu teria conseguido o nosso filho de volta! — Ele gritou, com o peito arfando. — Eu não teria deixado sofrer com aquela mulher miserável! Eu posso não conhecer sua mãe, mas eu sei o suficiente para entender que ela é a última pessoa que deve ter a custódia de nosso filho! — Eu sei que, agora — Eu respirei. — Eu lamento muito. — Eu não pude conter meu soluço. — Todos os dias durante os últimos cinco anos, eu tive que viver com o que eu fiz. E matoume viver com isso. Você não sabe como tem sido! — Todo o meu corpo tremia com a força das minhas emoções. — Claro que não — Ele arrancou com raiva seu cabelo — Porque eu não sabia porra! — Eu não posso ter de volta o que eu fiz Trent — Eu sussurrei, incapaz de olhar para ele. — O que está feito está feito, e eu tenho que sofrer por minha decisão para o resto da minha vida. — Como você escondeu isso? — Ele perguntou. — Huh? — Eu estava confusa de seu significado. — Nós fomos para a escola juntos. Eu te vi cinco dias por semana e eu nunca soube que estava grávida. Eu nem sequer suspeitei disso. Como você se escondeu? — Ele repetiu a pergunta, olhando diretamente para mim, me desafiando a desviar o olhar.


— Eu sempre usava largas camisas, e eu não tive uma barriga grande. Então, era fácil de esconder — Gaguejei, minhas mãos torcendo junto com nervosismo. — Quando você ficou fora uns dois meses, foi quando você o teve, não é? — Eu balancei a cabeça, mordendo meu lábio inferior. — Será que ninguém, exceto sua mãe, sabia que estava grávida? — Ele continuou a disparar perguntas para mim. Eu já esperava por isso, mas elas ainda eram difíceis de responder. — Só minha mãe e Jim, meu padrasto — Eu dei de ombros. — E Ivy, minha irmã, mas ela era muito pequena para lembrar. — Alguma vez pensou em me dizer? — Ele perguntou, esfregando o rosto, e sua voz de repente parecia exausta. — Claro — Eu engasguei, ofendida que ele pensou que eu levaria esse segredo para o túmulo. — Eu tinha que esperar até Tristan completar dezoito anos, mas eu ia dizer. Por favor, nunca duvide disso, Trenton. — Eu só... Eu não sei o que pensar de você — Ele passou a mão em seu rosto cansado. — Eu não posso acreditar que você não confiou em mim o suficiente para me dizer quando você descobriu. Eu disse que eu te amava! Eu teria amado o nosso filho também! Foda-se — Ele gemeu, enterrando seu rosto nas mãos: — Eu já o amo e eu nem sequer conheço. Eu só o vi uma vez — Sua voz ficou suaves, seus olhos longe. — Eu quero vê-lo novamente — Seu olhar encontrou o meu com uma determinação de aço. — Não — Eu balancei minha cabeça. — Não, eu sinto muito, mas eu não posso deixar você vê-lo. Seu rosto ficou vermelho.


— Ele é meu filho, eu mereço vê-lo! — Ele explodiu de raiva e fiquei surpreso que ele não saltou para cima da cadeira e fez uma tempestade em todo o espaço pequeno perto de mim. — Ele não pode saber. Oh Deus, ele não pode saber — Eu repeti, lutando por uma fuga sem sentido, ou seja, eu tinha cerca de dez segundos para correr porta a fora. — Jesus Cristo, Rowan! — Exclamou, fazendo-me saltar. — Eu não estou pedindo que você diga a ele que eu sou seu pai! Eu só quero vê-lo! Eu quero falar com ele, por favor — Seu tom de voz suavizou enquanto ele implorava. — Quando eu o vi... Tudo foi um choque tão grande que eu nem me lembro como ele se parece. — Eu não sei — Eu sussurrei, minhas mãos tremendo. — Minha mãe... — Você pode me dizer quando ela não estiver, eu posso vir depois — Ele me interrompeu. — Eu sei que você está... — Ele parou. — De qualquer forma, ela não tem que estar por perto. — Ela nunca sai — Eu murmurei, pegando na minha unha, então eu não tinha que olhar para ele. Eu olhei para ele o tanto que eu podia suportar. Doeu muito vê-lo. Eu tinha sofrido bastante dor, eu não preciso adicionar mais. — Então me encontre em algum lugar com ele. Por favor — Implorou seus olhos suplicando-me a ceder. — Eu não sei se eu posso — Mordi o lábio. — Tristan pode dizer alguma coisa, e se ele contar a minha mãe... — Coisas ruins aconteceriam. Coisas que Trent não podia, e não teria como impedir.


— Tudo bem — Ele grunhiu entre dentes. — Não me deixe vê-lo. Ele se levantou, empurrando a cadeira para trás contra sua mesa com uma calma que eu sabia que ele realmente não possuía. — Eu acho que você deveria sair agora — Ele sussurrou, de costas para mim. Eu balancei a cabeça, mesmo que ele não podia me ver. Eu estava de pé, deixando o livro sobre a cama. — Isso é... Isso é para você — Eu disse lentamente, quando ele espiou para mim. Ele engoliu em seco, virando-se totalmente, e seus olhos pousaram no álbum de fotos. — Eu estava fazendo isso pra você — Eu rangia. — É... São fotos de Tristan desde quando ele nasceu, até agora. Eu estava indo para preenchê-lo até que ele tivesse dezoito anos e soubesse a verdade, e depois eu o daria a você. Mas vendo que você sabe a verdade agora — Eu levantei meus ombros em um pequeno encolher de ombros — Eu não vejo o ponto em mantêlo. Ele não disse nada, mas eu não poderia confundir o brilho revelador de lágrimas em seus olhos. Eu odiava que eu o tinha machucado. Eu tinha sido uma criança ingênua, e coloquei minha confiança em uma mulher que nunca tinha me dado uma razão para confiar nela antes. Eu tinha sido tola. Eu não poderia tomar de volta a decisão fatídica, e eu estava presa para viver com as consequências. Eu sempre soube que se Trent visse Tristan ele veria a semelhança, por isso nunca houve qualquer chance de nós termos um relacionamento. Eu tinha me deixardo


perder nele de novo, porque eu não poderia me ajudar quando se tratava de Trent. Eu respirei fundo e me forcei a colocar um pé na frente do outro para que eu pudesse sair. Parei com a mão na maçaneta da porta, incapaz de me fazer torcer. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Recusei-me a virar e olhar para Trent, mas eu tinha que tirar isso do meu peito. Ele merecia saber meus verdadeiros sentimentos, mesmo que fosse tarde demais para nós. Mordi o lábio até que eu sentisse gosto de sangue. Nossa respiração era o único som no quarto. O Tempo pareceu ficar parado enquanto eu me preparava para dizer três palavras muito importantes. Eu engoli em seco e não me preocupei em olhar para ele. Eu não podia suportar olhar para o rosto dele com raiva, quando eu finalmente dissesse estas palavras em voz alta. Meus olhos se fecharam, e eu murmurei — Eu te amo, Trent. Ele engasgou. E com isso, eu abri a porta, com lágrimas caindo dos meus olhos enquanto eu corria para longe de tudo.


Capítulo Dezoito — Rowan, você está bem? — Perguntou Tatum, seu cabelo loiro caindo para frente, enquanto ela se inclinou sobre a mesa para olhar para a minha cara. Eu não lhe respondi. Eu estava bem? Sim. Não. Eu suponho. Eu não sei. Que importava se eu estava bem ou não? — Acho que ela está em coma — Jude disse, estalando os dedos na frente do meu rosto. Eu não pisquei. — Devo chamar alguém? — Tatum sussurrou para Jude, mas eu a ouvi. Devo ter parecido ruim se os dois estavam falando civilizadamente um com o outro. Eles brigavam como um casal de velhos. Bem, Tatum fazia. Jude geralmente apenas sorria para ela quando ela fazia seu discurso inflamado sobre como um homem prostituto ele era.


— Eu não sei — Jude deu de ombros, inclinando a cabeça. — Você é o único que está estudando para ser enfermeiro — Ela deu um tapa no seu ombro. — Você deve saber se é preciso ligar para alguém. Jude sorriu. — Agrada-me que você sabe o que eu estou estudando. — Oh, pobre garoto — Ela murmurou, cruzando os braços sobre o peito — Pare de afofar as penas de pavão malditas. Eu só sei o que você está estudando, porque é o mesmo que Rowan. Jude revirou os olhos. — Mentirosa. Você vai para casa e me persegue no Facebook. Eu aposto que você lambe a tela do computador quando você vê fotos minhas sem camisa — Ele lambeu os lábios sugestivamente. — Ai! — Exclamou, esfregando a parte de trás de sua cabeça, onde Tatum lhe deu um tapa. — Foco — Tatum assobiou. — Estou muito preocupada com ela. Eu fiz uma careta. Eu odiava que eu estava preocupando, mas eu não tinha nada a dizer. — Olha — Tatum apontou para mim — Você viu isso? Ela moveu seu rosto. Jude revirou os olhos. — Ela não está morta Tate, é claro que ela pode mover seu rosto.


— Nunca mais me chame de Tate — Ela fervia alto o suficiente para que várias pessoas na biblioteca a fizesse calar. Jude levantou as mãos em sinal de rendição simulada. — Desculpe — Ele murmurou. — Eu não sabia que não podia. — Apenas meus amigos — Enfatizou — Podem me chamar de Tate. — Ah, então nós não somos amigos? — Ele sorriu, apoiando a cabeça na mão e empurrando o gorro que ele usava. — Nós não somos nada — Ela respondeu, olhando para ele. — Nós vamos ver isso — Ele riu baixinho. Observando os dois discutirem era como assistir a uma partida de tênis realmente competitiva. — Vocês vão calar a boca? — Eu bati. — Finalmente! — Jude jogou as mãos dramaticamente no ar. — Ela fala! Revirei os olhos. — Eu não sou muda — Eu murmurei. — O que está acontecendo com você? — Perguntou Tatum, seus lábios transformando-se em uma carranca. — Você não tem sido a mesmo nesses dois meses. Quero dizer, não é como você normalmente é, uma pessoa vivaz, você não está presente... Está deprimida.


— Eu tive muita coisa acontecendo — Eu murmurei, olhando para o livro que eu deveria ler. — Rowan — Tatum continuou — Nós somos seus amigos. — Eu queria rir de como ela relutantemente disse, nós somos. Ela não gostava que Jude era meu amigo também. — Você pode falar com a gente. — Não há nada para falar — Eu suspirei. — Honestamente. — Aconteceu alguma coisa com Trent? — Ela questionou, recusando-se a deixar ir. Eu vacilei. Mesmo ouvir seu nome era doloroso. Eu não tinha ouvido falar dele desde o dia em que o deixei em seu apartamento há um mês. Eu disse a ele que o amava, e ele não fez nada. Não é que eu estava esperando que ele corresse atrás de mim, me beijasse apaixonadamente, e me levasse de volta. Eu sabia que era bobagem, mas egoisticamente eu esperava alguma coisa. Uma chamada, um texto, alguma coisa. Mas eu não tive nada. Ele não se importa comigo. Uma vez que ele descobriu sobre Tristan, quebrou qualquer coisa que existia ou poderia existir. Eu sabia que seria assim, mas isso não me impediu de sofrer. — Ele fez! — Tatum bateu palmas. — Por que você está batendo palmas? — Jude a cutucou. — Obviamente algo de ruim aconteceu, ou ela não estaria deprimida como esta. — Oh. — Ceeeeerrtooo.

Tatum

deixou

seus

ombros

cairem.


Revirei os olhos e me levantei, arrumando meus livros. — Isto tem sido... Divertido, mas eu vou para casa. — Não, não vá — Tate implorou. — Está tarde. Eu preciso chegar em casa de qualquer jeito — Eu murmurei, levantando minha mochila pesada em um ombro e depois o outro. — Vejo você amanhã, então — Disse Tatum, infelizmente. Eu não respondi. Eu precisava sair de lá. Eu não queria ouvir ou falar sobre Trent. Eu queria manter todas as minhas lembranças dele em uma caixa e só acessá-la quando eu precisasse lembrar de meu amor por ele. Eu não estava pronta para isso ainda. Por agora, era mais fácil fingir que ele não existia. Eu entrei no meu carro, deixando escapar um suspiro trêmulo. Eu sentia falta dele. Matou-me admitir para mim mesma, mas eu fiz. Eu perdi seu sorriso. Sua risada. Seu calor. Tudo. Eu precisava seguir em frente, apesar de tudo. Eu não poderia viver no passado para sempre, e isso é tudo o que ele era para mim. Eu sabia que nunca iria amar alguém, e eu não conseguia me ver com outro homem, mas eu precisava seguir em frente, de alguma forma. Seria bom se eu pudesse me concentrar na escola e nas crianças, mas era impossível. Não importa o quanto eu tentasse, eu não conseguia bloquear Trenton dos meus


pensamentos. Pensamentos dele sempre apareciam quando eu menos esperava. Fui para casa, mantendo o rádio em silêncio. Eu não conseguia me lembrar da última vez que ouvi música, porque até mesmo uma canção poderia desencadear uma memória dolorosa que eu estava tentando desesperadamente evitar. Quando parei na calçada, a casa estava escura, a única luz era a única que brilhava na janela do quarto das crianças. Peguei minha mochila, fechando o meu carro. Entrei na casa e encontrei Ivy e Tristan esperando por mim. Estavam na sala escura ao lado da porta, esperando por mim. — Uh... O que está acontecendo? — Eu perguntei, facilitando a porta fechada. Eu estava irritada com seu comportamento estranho. — Mamãe está fria — Ivy sussurrou. — O que você quer dizer? — Eu perguntei, tateando no escuro para a luz. — Ela está fria — Ivy repetiu. — Eu acho que ela está doente. Ela não vai acordar. Oh, merda. Eu finalmente consegui a luz e corri para o sofá que minha mãe sempre ocupada. Ivy estava certa, ela estava fria. Muito fria. Sua pele tinha virado em uma cor cinza azul nojenta e seus olhos estavam fechados, dando a impressão de que ela estava dormindo. Eu sabia melhor. Não demorou nenhum treinamento


médico para descobrir que ela estava morta. Eu ainda sentia o pulso, mas nenhuma vibração nos meus dedos. — Ivy, traga-me o telefone — Eu mantive meu tom tão calmo quanto eu poderia. — Está na minha bolsa. — Tem alguma coisa errada com a mamãe? — Tristan perguntou, suas palavras irreconhecíveis em suas lágrimas. — Ela não está se sentindo bem — Eu expliquei, não sei como dizer-lhe que ela estava morta. Ivy me deu meu telefone. Eu disquei 911 e apertei o telefone no meu ouvido. — Ivy — Eu levei a menina em meus braços, abraçando-a, — Eu quero que você tome Tristan para o seu quarto e brinque lá por um tempo, ok? Ela assentiu com a cabeça. — Ela está morta... Não é? — Ivy sussurrou em meu ouvido. Eu balancei a cabeça. Não havia nenhum ponto em mentir para ela. Ela estendeu a mão para Tristan e falou-lhe docemente quando ela persuadiu-o para fora da sala. — 911, qual é a sua emergência? — Uh... — Que diabos eu deveria dizer? — Minha senhora, qual é a sua emergência? — Perguntou de novo o operador.


— Eu-uh-a minha mãe, ela está morta. Uma overdose, eu acho — Eu murmurei, sentindo-me tão exausta. E eu não deveria ficar triste? Ou arrependida? Algo? A mulher que era minha mãe estava morta e eu nem sinto vontade de chorar. Eu tinha parado de me preocupar com ela há muito tempo e depois de tudo que ela fez para mim eu não senti nada além de alívio em sua passagem. — Qual é o seu endereço? Eu disse. — Estou enviando uma ambulância e um oficial da polícia à sua casa. Eles devem estar lá em 10 minutos — Disse a mulher. — Tudo bem — Eu disse lentamente, minha voz soando tão morta quanto a mulher deitada no sofá. Eu estava em choque. Eu desliguei o telefone, deixando cair no chão e rastejei pelo chão até o outro lado da sala onde eu fiquei sentada com as pernas para o meu peito e meus braços em torno deles. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Eu não conseguia tirar os olhos de seu corpo caido no sofá. Garrafas vazias deitadas ao lado dela. Ela já não podia ser um pé no saco, ou bater-me ao redor, ou manter aqueles documentos legais miseráveis sobre a minha cabeça. Eu estava livre para dizer a Tristan que ele era meu filho... Mas na sua idade, era a coisa certa a fazer? Ele estava pronto para a verdade? Eu não acho que eu poderia viver com esse segredo, e agora que ela se foi, eu não preciso. — Row?


Eu olhei para cima para ver Tristan em pé ao lado do sofá com Ivy atrás dele, olhando da minha mãe para mim. — Nós ouvimos as sirenes — Ivy sussurrou, como se tivesse medo que eu ficaria louca por sair do quarto. Eu balancei minha cabeça, vindo lentamente para os meus pés. Sirenes? Obriguei-me a concentrar, e eu poderia realmente ouvir as sirenes na distância. — Preciso de vocês para ficar no quarto — Eu lentamente me levantei. — Esperem lá por mim, ok? Tristan correu para frente, envolvendo os braços em volta da minha perna. — Eu não quero deixá-la, Row. Agachei-me para que eu ficasse no nível dos seus olhos. — Eu sei que não, mas eu preciso que você seja um grande garoto e faça isso por mim. — Corri meus dedos pelos cabelos de areia. — Você pode ser um grande garoto? Depois de um minuto, ele relutantemente concordou. — Bom — Eu beijei seu rosto, desviando-o de volta para Ivy. Eles voltaram para seu quarto e ouvi a porta fechada. Naquele momento, houve uma batida na porta, anunciando a presença dos paramédicos e policiais.


Abri a porta, deixando-os dentro. Não demorou pronuncia-la morta.

para

os

paramédicos

A polícia veio dentro, olhando ao redor, e me fez perguntas. Eu sabia que era o procedimento padrão, mas ainda me incomodava. Eu não era uma criminosa, e eu certamente não era uma assassina, então eu não vejo por que eles achavam que precisavam me entrevistar. Quando finalmente terminou seu interrogatório, era além de tarde. Eu não queria nada mais do que chegar na cama, e acabar com o dia de hoje. Eu ainda estava insensível ao fato de que eu voltei para casa para encontrar minha mãe morta. Não parecia real, e eu me sentia como uma pessoa desprezível por me sentir feliz por ela ter morrido. Ela tinha feito coisas horríveis para mim, e eu não tinha um pingo de amor ou mesmo gratidão pela mulher. Ela tinha destruído todas as coisas boas que eu tinha na vida. — Nós vamos fazer uma autópsia — Disse o policial, dirigindo-se para a porta. — Nós não podemos descartar o jogo sujo ainda. Em outras palavras, eu era uma das suspeitas e eu não deveria deixar o estado. Bom saber. Eu balancei a cabeça. — Ok — Eu forcei a palavra da minha boca, quando os dois policiais desceram os degraus da frente. Fechei a porta, trancando-a. Virei-me, minhas costas contra a porta, e bílis subiu na minha garganta. Eu não conseguia tirar os olhos do sofá onde ela tinha morrido. Corri para o banheiro, caindo na frente do box


esvaziando meu conteúdo do estômago. Levantei, incapaz de respirar, e lágrimas brotaram dos meus olhos. Eu dei descarga na privada e me encostei na pia, precisando do apoio, eu escovei os dentes, e depois espirrei água fria no meu rosto. Eu precisava sair desse lugar e encontrar um lugar para vivermos. Nós não poderíamos ficar aqui. Eu não poderia ficar aqui. Ele tinha tantas lembranças desagradáveis, e sabendo que ela tinha morrido aqui me assustava ainda mais. Mas era quase meia-noite agora, então não havia nenhuma maneira que eu poderia encontrar-nos um lugar para alugar esta tarde, e um hotel era muito caro. Eu não tenho aula amanhã, mas eu tinha que trabalhar. Talvez Trace me deixasse sair mais cedo para ir a procura de uma casa. Eu não acho que ele se importaria, especialmente quando eu o informasse da situação. Peguei uma toalha de mão, usando-a para secar meu rosto. Olhei no espelho e encontrei meus olhos injetados de sangue, meu cabelo caindo molemente em meu rosto magro. Eu não parecia bem em tudo. Os policiais provavelmente pensaram que eu era uma viciada em drogas e matei a minha mãe, por algum motivo imbecil. Não era drogas que me tinha deixado desta maneira. Era meu coração partido, porque eu tinha sido tola o suficiente para me apaixonar. Eu nunca cometeria esse erro novamente. Eu coloquei a toalha de lado e caminhei pelo corredor até o quarto de crianças. Abri a porta e os dois correram para o meu peito.


Eu passei meus braços em torno deles, segurando com força, e me perguntando como alguém poderia não amar seu filho. Eu não acreditava que era possível cair no amor, mas eu sempre amei a minha irmã e filho. Era um tipo de amor diferente do que o que eu sentia por Trenton, mas mesmo assim, era amor. — O que está acontecendo? — Perguntou Tristan. — Digame, Row! — Ele gritou, com lágrimas escorrendo pelo rosto e pingando de seu queixo. Peguei seu pequeno rosto entre as mãos. — Tristan — eu sussurrei seu nome — A mamãe está morta. Seu rostinho amassou e ele apertou os braços firmemente em volta do meu pescoço. — Isso quer dizer que você é a nossa mãe agora? — Ele perguntou, embebendo as lágrimas da minha camisa. Fiquei calada, porque eu não sabia o que dizer. — Podemos dormir na sua cama hoje à noite, juntos? — Perguntou Ivy. — Eu não quero dormir sozinha — Ela sussurrou. — Claro — Respondi, meus olhos se conectaram com o dela enquanto eu abraçava Tristan. Ambos estavam já em seus pijamas assim que eu os coloquei na cama, e comecei a fazer-lhes algo para comer. Eu não estava com fome depois de tudo o que aconteceu esta noite, e eles provavelmente não estavam também, mas eu queria que eles, pelo menos, tentassem comer.


Eu encontrei alguns nuggets de frango de microondas e as batatas fritas que levei ao forno. Como o alimento cozido, eu carreguei garrafas de água de volta para o meu quarto. Sorri quando vi Ivy falar com Tristan, seu braço envolvia protetoramente sobre seu ombro. Eu queria desesperadamente dizer a Tristan que eu era a mãe dele, mas eu não tinha certeza de que era a melhor coisa. Seria melhor deixá-lo ficar mais velho antes de eu lhe dizer? Ou agora estava tudo bem? Não havia um procedimento adequado para isso, e eu me sentia tão sem noção. Eu queria que alguém me dissesse o que fazer. Eu estava doente e cansada de sempre ser a pessoa que tinha que descobrir as coisas. Sua comida terminou de cozinhar e eu as coloquei nos pratos. Cheirava bem, e eu encontrei o meu estômago roncando, então o que sobrou eu coloquei em um terceiro prato para mim. — Estamos fazendo um piquenique na cama de Row! — Tristan bateu palmas. Eu ri, balançando a cabeça. O horror de nossa mãe ter morrido na sala já havia deixado Tristan. A mulher tinha sido horrível, e as crianças processavam as coisas de forma diferente dos adultos. Eu não tinha uma TV no meu quarto, para que nós três assistíssemos juntos na minha cama comendo nossa comida, e assim preenchemos o silêncio com a nossa conversa. Uma vez que os oficiais da ambulância e da polícia tinham saído, um peso foi tirado dos meus ombros. Eu não tenho que


mentir mais ou me preocupar em irritar minha mãe. Eu estava começando a sentir o primeiro sinal de liberdade e eu queria agarra-lo e nunca deixar ir. Eu não estaria presa mais. — O que vai acontecer com a gente, Row? — Ivy sussurrou uma vez que as luzes estavam apagadas e tínhamos ido dormir. — Eles vão nos levar para longe de você? Eu alcancei o corpo de Tristan, já que ele estava aconchegado entre nós, e segurei a mão de Ivy. — Eu nunca deixarei ninguém tirar vocês de mim — Eu falei com ferocidade. — Eu prometo. — Eu te amo — Ela fungou, e eu sabia que ela estava chorando. — Eu também te amo.


Capítulo Dezenove Depois que eu levei as crianças para a escola, eu arrumei tudo o que pertencia a nós, o que não era muito. Eu não tinha planos de dormir aqui esta noite. Eu sabia que seria praticamente impossível encontrar um lugar para alugar em tão pouco tempo, mas se não conseguisse, eu sabia que Colleen ficaria feliz de nos deixar ficar com ela. Minha avó morava muito longe para que fosse uma opção, por causa de Tristan e Ivy estarem na escola. Arrumei o que pude no meu carro, tendo que deixar algumas coisas para trás, porque não havia espaço. Uma vez que eu encontrasse um lugar para ficar, eu levaria apenas mais uma viagem de volta aqui para ter tudo. Mesmo que eu tenha tomado banho, eu me sentia suja por ter estado naquela casa. Sua maldade se agarrou a mim e eu queria tirá-la, mas isso não aconteceria até que eu tivesse ido embora e nunca precisasse voltar. Eu estava grata que eu só tinha que trabalhar hoje e não tinha aulas. Eu não precisava de mais stress do que eu já estava lidando. Minha mãe estava morta, este pensamento solitário jogava repetidamente em minha mente. Eu acho que uma parte de mim ainda estava chocada. Eu acreditava que alguém tão vil e desprezível como ela nunca morreria. Eu sentia que ela iria ficar por aí, sempre lembrando-me dos meus pecados, e do que eu perdi.


Mas ela se foi, e eu estava livre dos meus vínculos. Eu poderia ser a mãe de Tristan. Eu não tenho que mentir, ou desaparecer de sua vida, quando ele soubesse que eu era sua mãe. Agora que Trenton sabia a verdade, e Tristan saberia em breve, eu senti-me... Em paz. No momento em que eu assinei os papéis, eu perdi a minha liberdade. Agora, graças a um golpe de sorte, eu tinha-a de volta. Eu tinha estado presa em uma prisão por tanto tempo, que eu não sabia o que fazer comigo mesma. Eu não tinha que trabalhar duro agora, e esconder o dinheiro, porque eu não tinha que lutar pela custódia. Tudo foi se encaixando. Bem, quase tudo. Eu tinha perdido Trenton, e eu nunca estaria recebendo-o de volta, por isso, sempre haveria dano ao meu coração. Isso estava tudo bem também, porque eu já não tinha que viver uma mentira. A verdade estava lá fora e eu não tinha que esconder-me. Não demorou muito tempo para chegar ao trabalho. Trace já estava lá, as botas saindo de debaixo do carro que ele estava trabalhando. Eu inalei o cheiro de óleo de motor, algo que se tornou familiar para mim, no pouco tempo que eu estava trabalhando aqui. — Posso te perguntar uma coisa? — Minha voz estava hesitante quando parei ao lado do carro.


— Claro — Ele deslizou para fora, me assustando até a morte com a rapidez com que ele fez isso. — O que está acontecendo? — Ele sorriu, correndo os dedos pelos cabelos rebeldes. Trace sempre foi assim... Extraordinariamente enérgico. Será que o cara nunca fica bravo? — Minha mãe morreu ontem à noite — As palavras saíram da minha boca. Isso não era o que eu estava planejando a dizer. — Oh, eu sinto muito — Ele deu um pulo, enrolando os braços em volta de mim antes que eu soubesse o que estava fazendo. Eu não poderia fazer-me abraçá-lo de volta, eu estava tão em choque com o gesto. — Não se desculpe — Eu murmurei. — Sério — Eu olhei para o chão, franzindo a testa. — Oh... — Ele fez uma pausa. — Ela... Não era uma boa mãe era? — Eu ri de sua pergunta embaraçosa. — Você poderia dizer isso. — Você precisa de um dia de folga? — Ele perguntou. — Você poderia ter me ligado. Você não precisava vir aqui. — Eu sei — Eu dei de ombros, ainda olhando para o chão. — Eu queria vir. Trabalho vai ajudar a levar a minha mente fora das coisas — Forcei um sorriso. — Eu estava me perguntando se eu poderia sair mais cedo embora? Eu preciso encontrar um lugar para vivermos. Eu não posso ficar naquela casa. — Olhos de Trace ficaram cheios de simpatia e compaixão. — É claro — Ele disse-me sem qualquer hesitação. — Espera... — Ele fez uma pausa e por um momento eu pensei que ele tinha mudado de idéia e meu estômago caiu de preocupação. — Eu poderia ter uma solução para o seu problema?


— Sério? — Eu estava um pouco receosa quanto ao que sua solução era. Não havia nenhuma maneira que eu estava hospedada com sua mãe e avó na mansão ou na moradia do Trent. Mesmo que ele estivesse na escola, estaria além de estranho. — Siga-me — Ele deu a volta em mim, caminhando para fora da garagem. Ele não olhou para trás para ver se eu estava vindo, ele sabia que eu faria. Ele me levou ao redor do lado do edifício em um conjunto de passos para o andar de cima da loja. Eu não sabia o que estava acontecendo aqui e nunca me preocupei em perguntar. Ele cavou uma chave do bolso e abriu a porta. Ele enfiou a mão dentro, sacudindo uma luz acesa e, em seguida estendeu a mão e agarrou meu braço para me puxar para dentro. Eu tropecei, e ele apertou seus braços para que eu não caísse. Era um pequeno apartamento. A cozinha era surpreendentemente agradável e limpa. Eu vi um quarto e um banheiro a minha direita e a sala de estar era em frente. — Vocês podem ficar aqui — Ele sorriu, suas mãos descansando em seus quadris. — Eu sei que há apenas um quarto, mas para uma coisa temporária, vai funcionar. Eu posso obter alguns beliches para sua irmã e Tristan, e eles podem ficar aqui — Ele apontou para o espaço onde uma mesa de jantar tinha provavelmente estado. — Este é o lugar onde eu morava — Ele sorriu, olhando ao redor do lugar com um olhar carinhoso em seus olhos. — Eu gosto disso. Uma vez que Olivia ficou grávida, porém, não era adequado para um recém-nascido — Ele encolheu os ombros. — Quanto? — Eu perguntei. — Huh? — Suas sobrancelhas franziram juntas. — O que você quer dizer?


— Quanto você quer para alugá-lo? — Eu esclareci. Ele olhou para mim como se eu tivesse perdido a cabeça. — Eu não quero nada. — Trace — Eu gemi, sabendo que eu ia ter que lutar com ele sobre isso — Eu tenho que pagar alguma coisa. Eu não vou me sentir bem se eu não fizer. — Rowan — Ele disse meu nome devagar, me olhando com inabaláveis olhos verdes — Este lugar está vazio e eu não estou fazendo nenhum dinheiro com isso. Você não está me pagando. — Eu tenho que pagá-lo — Eu sussurrei, cruzando os braços sobre o peito. — Eu não vou me sentir bem se eu não fizer. Você já me deixou manter o meu trabalho, e depois de tudo o que aconteceu comigo e seu irmão, não vou me sentir bem se eu não pagar. Ele balançou a cabeça para trás e para frente com muita força, como uma criança faria. — Não. — Ele fez não quando ele se balançou sobre seus calcanhares. — Bem — Eu me virei para sair — Eu vou encontrar outro lugar. — Espere! — Ele estendeu a mão, agarrando o meu braço. — Tristan é meu sobrinho, por favor, me ajude. — Seus olhos me imploraram para desistir. — Eu quero saber que você está a salvo. Não só ele, mas você e sua irmã também. Quando ele colocou dessa maneira eu não vi como eu poderia dizer não. Eu tinha sido forçada a manter Tristan dele e


de sua família por muito tempo. Eu não precisava mais fazer isso. — Tudo bem — Eu desisti. — Mas se você mudar de ideia e quiser que eu pague, é só dizer. — Eu não vou mudar minha mente — Ele piscou, jogando o braço sobre os meus ombros como se fôssemos velhos amigos, enquanto caminhávamos para fora da porta. — Luca vai chegar a qualquer minuto. Eu vou deixá-lo aqui, e nós vamos pegar suas coisas e mudar. — Eu já arrumei tudo — Eu admiti, encolhendo os ombros de seu braço enquanto descia as escadas. — A maior parte já está no meu carro, eu não poderia trazer tudo, mas não há muito. — Era realmente muito triste o pouco que nós três tínhamos. — Ótimo — Ele esfregou as mãos. — Vamos descarregar seu carro e você pode ir buscar o resto das suas coisas. — Obrigada — Eu disse a ele, finalmente, permitindo-me suspirar de alívio. Eu tinha um lugar para ficar com as crianças. Nós não tinhamos que passar mais uma noite naquela casa. Nós poderíamos começar tudo de novo. — Você não precisa me agradecer — Ele sorriu, caminhando em direção ao meu carro estacionado. — Sim, eu preciso acredite em mim — Eu murmurei sob a minha respiração. Trace não entendia o quanto seus atos simples de bondade tinham significado para mim. — Ele está aberto — Eu disse a ele, já que ele estava ao lado do meu carro esperando. Eu não tinha dado ao trabalho de trancar a porcaria quando cheguei ao trabalho. Ele abriu a porta de trás, agarrando


uma das caixas de plástico transparente que eu tinha usado para embalar nossas coisas. Eu não tinha caixas. — Estes são pesados — Disse ele, desnecessariamente, vendo como eu carreguei para fora do carro e sabiam o quanto pesava — Então deixe-me levá-los. É um longo caminho até o apartamento. Ele estava certo, mas eu odiava ser inútil. Assim que ele estava de costas, peguei uma. Eu sabia que não iria fazê-lo subir os degraus sem deixá-la cair e derramar o conteúdo, então eu deixei-a na parte inferior da escada. Pelo menos ele não teria que andar tão longe para pegá-la. Já era de alguma ajuda. Eu descarreguei o resto e encontrei Trace esperando por mim, olhando para as caixas quando ele balançou a cabeça. — Eu não disse que você não precisava ajudar? — Ele me olhou, um sorriso brincando em seus lábios. Lábios tão semelhantes aos que eu perdi. Forcei um sorriso, colocando meu cabelo atrás das orelhas. — Eu não sou o tipo de sentar e não fazer nada. Eu tenho que ajudar. — Eu percebi isso — Ele riu, molhando os lábios. — Eu vou pegar estes e trazer para dentro, por que não vai para sua casa e pega o resto? — Eu posso fazê-lo mais tarde — Eu empurrei minhas mãos nos bolsos de trás. — Eu preciso trabalhar. Ele balançou a cabeça, seu cabelo escuro caindo em seus olhos.


— Tire o dia de folga. Pegue suas coisas, volte, e arrume tudo. Faça uma casa para o meu sobrinho — Ele sorriu. Como eu poderia discutir com isso? O homem sabia como me fazer mudar de ideia.

Eu balancei a cabeça. — Não vai demorar muito. — Leve o seu tempo — Ele encolheu os ombros, batendo com os dedos no corrimão da escada. — Nós vamos ficar bem aqui. Eu não respondi. Fiquei impressionada com a generosidade de Trace, especialmente considerando que eu tinha mantido Tristan em segredo. Trace era um bom cara, ele não guarda rancor. Queria que Trenton fosse da mesma maneira. Eu não esperava, ou merecia perdão pelo que eu tinha feito, ainda assim, eu teria amado ter notícias dele, alguma coisa... Qualquer coisa. Inferno, eu teria ficado feliz com um telefonema zangado neste momento. Eu queria que ele reconhecesse a minha existência. Egoísta, eu sei, considerando o que eu tinha feito. Mas o amor te fazia assim. Mesmo se a outra pessoa te odiasse, você ainda a queria. Arrumei a última das nossas coisas. Jim não estava em casa, e eu não tinha ideia de onde ele estava, nem me importava. Ele era um pedaço de merda, e eu estava feliz que eu poderia livrar-me dele e minha mãe. Esta era a minha chance de manter-me limpa. Uma nova Rowan Sinclair estava surgindo.


Eu não tenho que mentir e enganar mais e era uma sensação muito boa. Eu carreguei o último de nossas coisas e não me incomodei em olhar para trás na casa quando saí. Eu estava fechando este capítulo da minha vida, e iniciando um totalmente novo... Eu só esperava que ele ficasse melhor. — Esta é a nossa nova casa? — Tristan perguntou quando eu abri a porta do apartamento. Ele apertou o dinossauro de pelúcia com força na mão, os olhos tomando o novo espaço. Ivy olhou em volta, da mesma maneira, uma boneca Barbie em suas mãos. Depois de tudo que havia acontecido na noite passada, eu decidi obter um brinquedo novo e, em seguida, sair para jantar em um bom restaurante. — Sim — Eu acendi a luz — Esta é a nossa nova casa. Engoli em seco quando vi a beliche. Trace não estava brincando. Lágrimas picaram meus olhos em sua bondade. Enquanto eu tinha ido, ele tinha comprado uma cama e colocou para as crianças. Uau. Dizer que estava tocada sequer poderia mostrar a maneira que eu me senti. — São aqueles para nós? — Os olhos de Tristan se iluminaram quando ele viu a cama de beliche. Ele dançou animadamente sobre seus pés, enquanto apontava para ela. — Com certeza é — Sorri. Tristan riu, correndo para a cama. — Fico em cima! — Ele gritou.


Eu sabia que Ivy iria querer a cama de baixo de qualquer maneira, já que ela tinha medo de altura. Eu peguei os mantimentos comecei a guardá-los. Eu não tinha comprado muito, por isso não me levou muito tempo para arrumar tudo. Uma vez que a comida estava em seu devido lugar eu procurei os lençóis das crianças para colocá-los em sua cama. Eu finalmente encontrei e obriguei-os a abandonar a cama. Tristan fez beicinho, chateado por ter sido expulso do seu novo lugar favorito. — Você não quer seus lençóis na cama? — Eu perguntei quando ele ficou olhando para mim com os olhos tristes enquanto eu arrumava a cama de Ivy. Ele acenou com a cabeça. — Acho que sim — Seus dedos apertados ao redor de seu dinossauro verde e laranja. Minha respiração ficou presa por um momento enquanto eu olhava para ele. Eu desesperadamente queria dizer a ele a verdade, então por que não hoje? Que diferença faria esperar fazer? Não era como se a mulher que ele acreditava ser sua mãe tinha algum dia agido como tal. Entretanto, eu estava com medo de dizer a ele. Ele era uma criança, e elas poderiam ser tão incrivelmente frágeis. Eu não queria causar-lhe dor. Eu só queria protegê-lo, o que levou-me a permitir a adoção, em primeiro lugar. Isso tinha sido uma grande asneira, então eu não queria que a mesma coisa acontecesse novamente. Senti que esperar até que ele fosse mais velho só traria mais desgosto. Havia


muitas mentiras, e eu tinha mentido por tanto tempo. Eu estava terminando esta noite. A nova Rowan Sinclair não iria ficar quieta. Eu terminei de fazer suas camas e liguei a TV que tinha sido deixada por Trace em seu apartamento quando ele morava aqui. Havia também um sofá e uma cama no quarto. Assim que me sentei, Ivy me abraçou de um lado, e Tristan enterrou seu corpo contra meu outro lado. Imaginei que ficar em sua cama de beliche nova não era mais uma prioridade. Corri meus dedos pelos cabelos claros e beijei o topo de sua cabeça. Eu o amava muito e o amor levoume a tomar a pior decisão da minha vida. Eu pensei que estava fazendo a coisa certa embora. — Tristan — Eu engoli em seco quando seus olhos azuis, iguais aos de Trent levantaram para encontrar os meus. — Há algo que eu preciso dizer a você — Eu sussurrei minha voz embargada enquanto eu falava. Deus, isso era difícil. Ivy sentouse também, me olhando com curiosidade. Ela sabia pelo meu tom de voz que eu tinha algo importante a dizer. Eu não sabia bem como abordar isso. Merda. Eu deveria ter pesquisado isso ou lido um livro sobre o assunto. Estava muito despreparada para ter essa conversa profunda com o meu filho. Finalmente, eu estendi a mão, carinhosamente acariciando seu rosto. — Há muito tempo atrás, eu tive um bebê — Eu respirei fundo, fechando os olhos — um menino. — Você teve um bebê? — Ivy suspirou. — Bebê? Onde? — Tristan olhou por cima do ombro como se em um passe de mágica o bebe fosse aparecer. — Aqui — Eu bati em seu peito. — Dentro de mim? O bebê? — Suas enrugaram juntas, parecendo uma lagarta difusa.

sobrancelhas


— Não, bobo — Eu não pude deixar de rir — Você é o bebê. — Eu sou o bebê? Eu não sou um bebê, Row. — Ele balançou a cabeça em desgosto por eu sugerir uma coisa dessas. — Não agora, mas uma vez você foi um bebê. Meu bebê. Eu carreguei na minha barriga — Eu toquei meu estômago. Tristan estendeu a mão, seus pequenos dedos tocando meu estômago agora plano através do algodão macio da minha camisa. — Eu estava lá? — Ele inclinou a cabeça. — Mhmm — Eu balancei a cabeça. — Eu era uma menina — Eu escovei o cabelo dos seus olhos — E não achei que eu poderia cuidar de você. Então, minha mãe tornou-se sua mãe. Ela adotou você. — Huh? — Ele questionou. Eu balancei minha cabeça. Na sua idade, não havia necessidade de entrar em detalhes. Ele não entenderia. — O que eu estou tentando dizer, Tristan, é que eu sou sua mãe. — Eu não conseguia segurar o meu soluço. Quando eu tinha me transformado em uma bagunça chorona? Eu não gosto deste novo desenvolvimento. Tristan sorriu, mostrando seus dentes brancos pequenos ligeiramente tortos. — Eu sempre soube que você era a minha verdadeira mãe. — Ele me surpreendeu ao voar para mim com os braços abertos.


Eu passei meus braços ao redor dele, segurando firme. Eu nunca quis deixá-lo ir. Eu queria agarrar a ele para sempre. — Isso quer dizer que você é minha mãe também? — A voz suave de Ivy falou. Olhei para ela, não liberando o meu filho, e encontrei-a chorando. Eu fiz uma careta, querendo chorar ainda mais para a minha irmã. — Não, querida. Seu rosto amassou. — Eu quero que você seja minha mãe também! Eu deixei Tristan com uma mão, e envolvi em torno dela, puxando-a para um abraço em grupo. — Eu sou, Ivy. De todas as maneiras que contam, eu sou sua mãe. Não é o sangue que faz com que alguém seja uma mãe, é como eles se preocupam com você — Eu pontilhei beijos por todo o topo de sua cabeça Nós três continuamos chorando, agarrando um ao outro. Eu estava feliz por Tristan saber a verdade. Agora, seria fácil de seguir em frente... Eu esperava.


Capítulo Vinte — Por que temos que ir? — Tristan firmou seus pés enquanto eu tentava colocá-lo em suas roupas. Eu estava perdendo a minha paciência com ele. Eu estava tentando arrumá-lo para o funeral da minha mãe durante os últimos vinte minutos e ele estava sendo impossível. — Porque, ela é minha mãe e sua avó. Seria errado não ir — Eu expliquei, tentando colocar suas calças, mas ele estava balançando muito. — Ela era má! Eu não quero ir! — Tristan — Eu avisei. Alguém bateu na porta e Tristan saiu correndo, cortesia da minha distração. Eu gemi, subindo para os meus pés, e caminhando pela apartamento pequeno para ver quem estava lá. Eu não fiquei surpreso ao encontrar Trace de pé lá em um par de calças pretas e uma camisa branca. — Hey — Corri meus dedos pelo meu cabelo para obter os longos fios para fora da minha linha de visão. — Nós não estamos completamente prontos ainda — Eu apontei sobre meu ombro para Tristan gritando, que estava correndo em nada além de um par de cuecas de robô. — Tio Trace! — Ele gritou, correndo em direção à porta.


— Ei, amigo — Trace abaixou-se, pegando Tristan em seus braços. — Cara — Ele fez cócegas no estômago do meu filho — Por que você está nu? — Eu não estou pelado, bobo — Tristan riu — Eu tenho a minha cueca. — Isso você faz — Trace riu, entrando no apartamento. — Eu queria que Dean usasse essas. — Mas Dean é um bebê! — Tristan gritou exuberantemente. — Eu ainda gostaria que ele não fizesse cocô em si mesmo — Trace gemeu, girando Tristan no ar antes de cair com ele no sofá, para a alegria do menino. — Mamãe! Tio Trace disse cocô! Abaixei minha cabeça em minhas mãos. Eu não acho Trace aparecendo ia facilitar as coisas. — Sim, sim — Trace gemeu, alcançando as roupas no chão que eu estava tentando fazer Tristan vestir. — É hora de levá-lo vestido. — Eu não quero! — Tristan tentou passar por cima do encosto do sofá, mas Trace o agarrou. — Você não quer se vestir todo fantasiado como eu? — Perguntou Trace. Os lábios de Tristan franziram em pensamentos enquanto observava seu tio. — Bem, tudo bem. — Isso é o que eu pensei — Trace riu, ajudando Tristan em suas roupas.


Eu já estava vestida e pronta para ir. E Ivy também. Ela estava lutando com o fato de que eu era realmente a mãe de Tristan, mas não dela. Vendo como eu continuava a tratá-los exatamente do mesmo jeito que eu sempre fiz, fez com que ela continuasse se mantendo perto. Trace finalmente vestiu Tristan e depois tivemos de ir. Depois que o médico legista tinha realizado uma autópsia, e tinha descoberto que a minha mãe morreu de uma mistura letal de álcool e drogas. Eu, obviamente, tinha sido descartada como suspeita. A família de Trace estava pagando o seu funeral, já que eu não podia pagar, e isso me doeu. Eu não queria que eles se sentissem obrigados a me ajudar, especialmente com algo assim, mas eu não tinha escolha a não ser deixá-los. Lá fora, Olivia esperava em seu Land Rover, acenando com entusiasmo quando nos viu sair do apartamento. Eu vi Dean na parte de trás, batendo a mão contra a janela e deixando impressões borradas. — Obrigada por fazer isso — Eu sussurrei para Trace — E obrigada por ter vindo aqui, assim não temos que ir sozinhos. — Nós estamos aqui para você — Trace me puxou para um abraço. — Nós somos a sua família. Nunca duvide disso. — Eu não sei o que eu faria sem você — Eu confessei. Desde que as coisas explodiram com Trent e depois novamente com a minha mãe, Trace havia se tornado o meu salvador. Ele olhou para as crianças e para mim. Significava muito para mim, mais do que eu poderia expressar,


especialmente desde que eu não era do tipo que aprecia ajuda. Trace tinha uma maneira de convencer você a ser ajudada. Eu podia ver por que Olivia se apaixonou por ele. — Vamos ver você lá — Trace sorriu, ficando no Land Rover. Eu dobrei Tristan em seu assento e Ivy subiu no lugar ao lado dele, afivelando o cinto de segurança. Fechei a porta de trás e fiquei fora por um momento. Eu inalei o cheiro fresco da primavera, grata que este final de março estava surpreendentemente quente. Eu precisava do calor em um dia como hoje para me cobrir com conforto. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Eu poderia fazer isso. Não havia nada a temer. Nós estávamos enterrando ela hoje. Era isso. Nada de ruim estava para acontecer. Ela tinha ido embora. Era o fim. Era mais; Repeti o pensamento. Eu queria gritar de alegria. Hoje realmente marcava o primeiro dia do resto da minha vida. Eu entrei no carro, sorrindo para Tristan e Ivy quando olhei para eles pelo espelho retrovisor. — Tudo vai ficar bem — Eu sussurrei. — Eu prometo.


— Eu sei — Ivy sorriu. Falei com meus filhos sobre coisas aleatórias enquanto eu dirigia para o cemitério. Eu queria distraí-los do que estávamos prestes a enfrentar. Eles nunca tiveram que lidar com a morte antes, e enquanto nenhum deles sentia a perda da mulher que nós todos chamávamos de mãe, eu sabia que ia ser uma experiência difícil cheia de perguntas curiosas. Eu esperava que eu estivesse preparada. Eu estacionei atrás de Trace e sai com as crianças em todo o gramado do cemitério para onde eu sabia que o caixão estaria esperando. Trace e Olivia já estavam lá. Fiquei chocada ao ver Ellie avó de Trace e Trent, bem como a sua mãe Lily. Lily segurava um Dean se contorcendo, enquanto Trace e Olivia estava a poucos metros de distância. Eu não pude deixar de sorrir enquanto eu observava Trace olhar para sua esposa com amor, seus dedos acariciando sua pequena barriga inchada. Fiquei comovida com o gesto de todos eles estarem lá. Trace estava certo. Eles eram a minha família, e eu precisava parar de agir como uma forasteira. Tristan seria para sempre uma parte de suas vidas, o que significava que eu seria também. Meu queixo caiu quando desgosto entupiu minha garganta. Jim estava lá, vestido com calças pretas manchadas e uma tshirt branca. Não havia nada remotamente agradável sobre ele que me importava, mas eu não podia acreditar que ele estava se atrevendo a mostrar a cara aqui depois do que ele tentou fazer comigo. Além disso, eu não acho que ele já amou minha mãe. Eles se usavam por diferentes razões, razões que eu não queria sequer pensar.


Quando eu cheguei ao grupo, eu me recusei a olhar ou reconhecer Jim. Ele era escória e não merecia o meu tempo. Só de olhar para ele estava me dando arrepios. Depois de hoje eu nunca teria que ver esse homem novamente. Sentei-me, o que, infelizmente, foi ao lado de Jim, e estabeleci as crianças. Os outros sentaram-se nas cadeiras atrás de nós. Ouvi vozes, e por um breve momento a esperança acendeu e eu acreditava que Trent tinha ouvido falar sobre a minha mãe e aparecido. Não era ele, no entanto. Era Jude e Tatum, fazendo o seu caminho através da grama orvalhada. O sapato de Tatum ficou preso e Jude agarrou-a segurando-lhe o braço para evitar que caísse. Ela nivelou-o com um olhar, gritando algo sobre não precisar de sua ajuda. Aqueles dois eram ridículos. — Estou feliz que vocês estão aqui — Me levantei para cumprimentá-los, abraçando cada um deles. Fui tomado por um sentimento de... completude. Trace e Olivia estavam aqui, assim como Ellie e Lily, e agora com Jude e Tatum se juntando a nós, eu percebi que eu não estava tão sozinha como eu sempre acreditei. Eu estava tão cega pelo ódio da minha mãe por mim, que eu não achei que alguém mais poderia cuidar de mim. Eu estava errada. Após cerca de dez minutos, chegou minha avô, e era hora de começar a cerimônia. Não demorou muito tempo. Não havia muito a ser dito, e eu não poderia trazer-me a dizer mentiras para o bem de não falar mal dos mortos. A mulher deitada naquele caixão poderia ter me feito nascer, mas ela não era nada para mim. Você tem que ganhar o amor e ela nunca se preocupou em tentar. Eu


tinha sido nada além de um estorvo para ela, e em seguida, Tristan tinha se tornado uma maneira para ela me prender em uma armadilha. Ela não podia mais fazer isso. Era duro dizer, mas ela conseguiu o que estava vindo para ela. Ficamos para colocar flores em seu caixão, um por vez. — Mamãe — Tristan puxou a saia do meu vestido. Ele aqueceu meu coração por não hesitar em chamar-me de mãe, em vez de Row, desde que eu disse a ele a verdade. O menino não tinha sequer piscado um olho. — O que foi baby? — Eu perguntei, olhando para ele. — Esse homem continua olhando para mim — Ele apontou para uma árvore atrás de nós, distante o suficiente, que era difícil de ver, mas não havia dúvida de que era. Minha boca se abriu com um suspiro. Trenton. Ele sabia, e ele estava aqui. Me atrevi a ter esperança de que uma parte dele ainda se importava comigo. Na realidade, porém, ele foi, provavelmente, só aqui por causa de Tristan. — Está tudo bem — Eu sorri para Tristan. — Esse é o seu pai. Os olhos azuis de Tristan se arregalaram de surpresa. — Esse é o meu pai? — Ele repetiu as minhas palavras de volta para mim.


— Sim — minha voz era suave enquanto eu brincava com os fios sedosos de seu cabelo quase loiro. — Uau — Tristan engasgou. Era hora de eu colocar a minha flor no caixão, de modo que a nossa conversa foi interrompida. Quando eu dei um passo na frente da minha cadeira engoli em seco quando a mão de Jim encontrou o meu bumbum. Seu fodido sujo. Trace pigarreou, colocando a mão no ombro de Jim. — Tire as mãos de cima dela agora. — Seu tom falou sobre consequências terríveis se Jim não cumprisse. A mão de Jim caiu de minha bunda e ele olhou em frente como se nada tivesse acontecido. Quando eu olhei de volta para onde Trent estava de pé, eu vi sua forma recuar, de cabeça baixa. Imaginei que ele não poderia estar a olhar para mim por mais tempo. Eu tinha que ficar bem. Eu sabia que isso iria acontecer e agora que a verdade estava lá fora, não havia nada que eu pudesse fazer. Ele sabia de Tristan e ele sabia que eu o amava. Eu não podia continuar a lutar por algo que nunca iria acontecer. Era inútil. — Mamãe? — Perguntou Tristan. — Onde o homem vai? Eu pensei que você disse que ele era meu pai? Será que ele não queria dizer oi para mim?


As palavras de Tristan partiram meu coração que já estava quebrado em pedaços e se assemelhavam mais a poeira do que cacos. Inclinei-me então eu estava ao seu nível, eu sempre odiei elevar acima dele, quando eu falava. — Eu sei que ele quer dizer oi para você — Eu esfreguei o rosto, observando as lágrimas brilhando em seus olhos azuis, — Mas não pode agora. Ok? Tristan assentiu. — Será que ele vai morar com a gente? — Não, querido — Eu beijei a testa. — Ele não vai. Um dia, quando você for mais velho, você vai entender isso melhor. Tristan inclinou a cabeça, encolhendo os ombros pequenos. As crianças podem deixar as coisas rolarem para fora melhor do que os adultos podiam. Eles não entendiam o aguilhão duro da rejeição. — Vamos lá, Tristan — Trace pegou o menino. — Quer um passeio nas costas? — Yay! — Tristan gritou em delírio quando Trace içou-o as suas costas. Deveria ter sido Trent a fazer isso, não Trace, mas eu ainda estava agradecido pelo gesto. A mão de Ivy segurou na minha e olhei para ela. Ela parecia muito mais velha do que uma criança de oito anos, mais como uma adolescente. Seu cabelo era longo, curvando pelas costas, e seus olhos castanhos estavam arregalados e expressivos. Ela parecia uma versão em miniatura de mim. Eu sabia que nós duas tínhamos diferentes pais, mas ambas


pareciam com nossa mãe. Eu tinha visto fotos de minha mãe quando ela era mais jovem, e ela tinha sido bonita, mas a sua atitude e estilo de vida tinham a transformou em uma pessoa feia. Trace correu para os carros, com os braços de Tristan em volta do seu pescoço em um estrangulamento. A risadinha de Tristan estava sendo trazida para nós com a brisa. Isso me fez sorrir assistindo Tristan interagir com seu tio. Ivy olhou para mim como se me procurasse para ficar junto. Olivia estava ao nosso lado com Dean apoiado em seu quadril. Ivy não disse nada, mas eu poderia dizer que ela estava pensando muito duro sobre algo. Ela era muito parecida comigo dessa maneira. Éramos duas pensadoras que raramente falava nossos pensamentos em voz alta. Ela parou de andar e eu parei com ela. Ela mordeu o lábio, olhando em volta, e eu sabia que ela estava nervosa para perguntar o que estava em sua mente. — O que foi, Ivy? — Eu cutuco. — Você pode me perguntar qualquer coisa, você sabe disso. Ela assentiu com a cabeça, mas ainda não disse nada. Depois de um momento de reflexão, ela olhou para mim. — Você realmente vai ser capaz de me manter? — Ela guinchou. — Tristan é seu filho, mas eu não sou — Ela franziu a testa. — Eu não quero que eles me tirem de você — Lágrimas picavam seus olhos castanhos. — Eu não quero ser uma criança adotiva.


— Oh, Ivy — Eu a esmaguei contra o meu peito — Eu nunca vou deixar ninguém tirar você de mim — Prometi. Eu sabia que desde a noite que minha mãe morreu, este era um pensamento pesando na mente de Ivy. — Você não tem nada com que se preocupar — Eu assegurei a ela, alisando meus dedos por seu cabelo macio. Ela assentiu com a cabeça, mas o olhar em seus olhos me disse que ela não chegou a acreditar em mim. Isso estava tudo bem, porém, porque em breve eu seria capaz de provar que ela estava errada. Eu não ia deixar ninguém levar as crianças de mim, não que eu pensei que iam tentar. Eu era uma adulta, eu tinha um teto sobre suas cabeças, e eu tinha dinheiro suficiente para apoiá-los. O tribunal não tinha motivos para achar alguém melhor que eu. Trace desenrolou os braços de Tristan de seu pescoço e baixou o menino no chão. Tristan correu para mim, pulando para cima e para baixo com entusiasmo, perguntando se ele poderia ir no carro de Trace. Ele estava completamente não afetado pelo fato de que tínhamos estado em um enterro. — Uh... — Eu olhei para Trace. — Está tudo bem — Ele sorriu torto. — Por que todos nós não vamos para a casa de minha mãe para um jantar? Seus avós, Jude e Tatum podem vir também. — Ele encostou-se ao lado de seu grande SUV preto, com os braços cruzados sobre o peito.


Eu pensei sobre isso por um momento. Eu odiava ser um fardo, mas eu realmente não queria ficar sozinha agora. Além disso, ele estendeu um convite. — Claro — Eu respondi. — Yay! — Tristan gritou, correndo para os braços de seu tio. Espantava-me a rapidez com que Tristan tinha abraçado Trace, mas na sua idade, o garoto nunca conheceu um estranho. Tirei o assento de Tristan do meu carro e coloquei no de Trace. Eu o coloquei no assento próximo a Dean. Ivy já tinha chegado no meu carro. Deixei Jude e Tatum saber o que estávamos fazendo e que eles eram bem-vindos para se juntar a nós. Ambos pareciam não ter certeza se eles deveriam ir ou não. Eles sabiam a verdade sobre Tristan agora. Nem tinha dito muito para mim sobre isso, mas eu sabia que os chocou. Meus avós tinham ficado atordoados quando eu lhes disse a verdade sobre Tristan. Notei que já tinham ido. Eu sabia que eles estavam mal que eu não tinha confiado neles sobre o meu filho e quão horrível minha mãe era. Eles sabiam que ela bebia, mas não que ela me batia. Enquanto eu estava sentado atrás do banco do motorista e me preparava para sair, meus olhos pousaram no estacionamento do outro lado da funerária. Um carro preto muito familiar estava estacionado lá e um arrepio percorreu minha espinha. Mesmo que ele estava tão longe, e eu não podia vê-lo através dos vidros fumados, senti seus olhos em mim. Era como se o seu olhar por si só fosse uma carícia. — Row, eles estão saindo — Ivy avisou, me tirando de volta à realidade.


Coloquei o carro na estrada, o grande SUV preto de Trace seguiu para a mansão. Meu corpo cantarolava com uma energia nervosa, querendo saber se Trent iria aparecer. Uma parte de mim esperava que ele fizesse, e outra parte esperava que ele não o fizesse. Eu não estava pronta para enfrentá-lo, no entanto, depois que eu disse a ele que eu o amava e ele não fez nada. Na verdade, eu não acho que eu já estaria pronta para enfrentá-lo. Eu senti como se tudo tivesse sido dito entre nós e não tivesse mais nada a dizer. — Você parece triste — Ivy comentou do banco traseiro. — É por causa da mãe? — Não — Eu respondi, provavelmente muito rapidamente considerando que era a minha mãe que estava morta e eu deveria me sentir um pouco triste. — Então o que é? — Ela perguntou. Ivy estava muito atenta para seu próprio bem. — Não é nada — Eu respondi. Eu não preciso entrar em detalhes com ela sobre as merdas da minha vida. Os lábios rosados e roliços de Ivy viraram-se em uma carranca e seus dedos entrelaçaram quando eu a vi brevemente no retrovisor. Seu olhar me deixou e ela apoiou a cabeça em uma das mãos, enquanto olhava para fora da janela. Eu sabia que ela estava louca que eu não estava dizendo a ela o que havia de errado comigo. Mas ela tinha oito anos. Não é que eu não quero dizer a ela, mas era mais a minha necessidade de mantê-la longe dos meus problemas, como a uma filha. Eu cresci muito rápido, e eu não queria o mesmo destino para ela. Infelizmente, eu estava com medo que já tinha acontecido.


A menos que você tenha experimentado isso, você não entende o que crescer em uma família como a nossa faz para uma criança. Você sempre tem que viver com medo de fazer ou dizer a coisa errada. Minha mãe até onde eu sabia, nunca pôs a mão em Ivy ou Tristan, mas ela me bateu na frente deles em mais de uma ocasião. Se eu tivesse deixado, o que teria impedido de tomar sua raiva pra cima deles? Quando chegamos à mansão, Ivy endireitou-se. — Onde estamos? — Este é o lugar onde Trace e seu irmão cresceram — Eu respondi. — Por que você nunca diz o nome de seu irmão? — Ela comentou, olhando em torno do assento para mim. — Será que é porque ele é o pai de Tristan? Desde que Trace estava constantemente em volta, e queria ser parte da vida de Tristan, eu tinha sido forçada a dizer as crianças sobre Trenton. Tinha sido difícil, especialmente porque Tristan não entendia. — Você sente falta dele, não é? — Ela continuou quando eu não respondi. Engoli o repentino nó em minha garganta. — Sim — Eu rangia. Ela assentiu com a cabeça, batendo os dedos contra a janela de vidro. — Por que você não diz isso a ele?


— É complicado — Eu disse entre dentes, não com raiva dela, mas de mim, porque eu ainda me importava. — Quando você ama alguém, não deve ser tão complicado — Seus olhos castanhos encontraram os meus no espelho retrovisor. Deixe isso para uma criança de oito anos para ser mais sábio do que a maioria dos adultos. — Whoa! — Ela saltou animadamente em seu assento quando a mansão apareceu. — Esta é uma casa?! — Ela exclamou os olhos arregalados de espanto. — Sim — Eu respondi, estacionando o carro. — Parece coisa de filme! Eu não pude deixar de rir, mas ela estava certa. A casa grande não parecia que poderia ser real, e uma vez que você entra, parecia ainda mais verdadeiro. Era tão fácil se perder lá dentro. Enquanto seguíamos dentro da mansão Wentworth, Tristan e Ivy olharam ao redor com suas bocas abertas. — Uau — Tristan engasgou. — Podemos viver aqui? Eu ri, bagunçando seu cabelo quando entramos no foyer, indo para a sala de jantar. — Nós temos uma casa. — Eu gosto mais desta — Ele fez beicinho. — Você pode visitar sempre que quiser — Trace disse. — Nós temos uma piscina... duas, na verdade.


— Duas piscinas? — Ivy exclamou, em seguida, bateu a mão sobre sua boca. — Desculpe — Ela murmurou, olhando nervosamente para os pisos brilhantes. Ivy tinha sido muito tímida em torno de Trace e sua família, ela era uma pessoa tão cautelosa que sua explosão claramente envergonhou ela. — Sim! — Trace bateu palmas, antes de abrir a porta para a sala de jantar. — Elas são ótimas! O sorriso de Ivy era pequeno quando ela tentou se esconder atrás de mim. Acho que a exuberância de Trace sempre assustava. Ela não estava acostumada com alguém como ele. Sentamo-nos à mesa, e eu não fiquei surpresa quando Tristan roubou o lugar ao lado de Trace. Tristan pensou que ele era a pessoa mais incrível de sempre. Se ele soubesse sobre pai. Eu duvidava que Trent ia chegar a mim, mas com a minha mãe fora, eu sabia que eu deveria entrar em contato com ele e deixálo ver Tristan. Eu estava com medo que ele tinha mudado de ideia e não queria ter nada a ver com o nosso filho. Então, eu não tinha feito nada. Alguém que eu não conhecia trouxe uma refeição que já tinha sido preparada em antecipação a nossa chegada. Meus olhos se arregalaram com o delicioso sanduíche de frango grelhado. Meu estômago roncou. Eu nem tinha percebido que eu estava com fome até que o alimento foi colocado em frente a mim. — Isso parece gostoso — Ivy sorriu timidamente para as pessoas sentadas em torno de nós.


— Espero que você ache que tem o gosto tão bom quanto parece — Lily sorriu de volta. Me surpreendeu como Lily, a mãe de Trent, tinha abraçado Ivy, Tristan e eu. Eu pensei que ela iria me odiar pelo que fiz, mas ela nunca me olhou como se isso importasse. Ela sempre foi agradável e saiu do seu caminho para cuidar de nós. Apesar do fato de que Ivy era de nenhuma relação com ela, ela parecia realmente querer conhecê-la e fazê-la se sentir confortável. Os Wentworth eram realmente as melhores pessoas que já conheci. Eles não deixaram a sua riqueza afetá-los, e era uma coisa bonita de se ver. Eu levei uma mordida no sanduíche e os fechei os olhos. Isso tinha que ser a melhor coisa que eu tinha experimentado. Eu gostaria de poder cozinhar muito bem. — É tão bom quanto parece — Disse Ivy depois de ter tomado uma mordida, fazendo todos nós rirmos. Suas bochechas inflamaram de rosa e eu sussurrei em sua orelha — Está tudo bem, Ivy. Você não disse nada de errado. Foi bonito. Ela assentiu com a cabeça, mas não voltou a falar o restante da refeição. Fiquei esperando que Trenton aparecesse, mas ele nunca o fez. Eu não tinha certeza se eu deveria ficar aliviada ou decepcionada. Imaginei que não importava.


Capítulo Vinte e Um Horas mais tarde eu tive Tristan e Ivy engatinhando em suas camas sozinhos. Eu estava exausta depois de hoje. O funeral e depois ver Trent, tinha realmente tomado todo meu fôlego. Eu tentei não demonstrar isso, mas agora que eu estava sozinha, eu deixei meu rosto cair. Eu não chorei, mas eu me permiti sofrer o que contava para alguma coisa. Por muito tempo eu tinha guardado os meus sentimentos com rédea curta, não me permitindo sentir nenhuma emoção. Eu tinha me mantido morta por dentro. Quando éramos adolescentes, Trent tinha me acordado e derrubado todas as minhas paredes cuidadosamente construídas. Ele não queria, mas ele me ensinou que estava tudo bem em sentir. Nós éramos humanos. Não há problema em ser feliz, triste ou ter raiva. É uma parte da vida. Eu tinha permitido a minha mãe me fazer uma pessoa mal humorada, sempre passando por cima dos sentimentos, onde nada poderia me machucar. Eu estava errada em deixá-la fazer isso, mas esse tinha sido o meu mecanismo de enfrentamento. Seria fácil, quase fácil demais, para permitir-me a cair de volta para esse padrão destrutivo de não sentir. Eu estava lutando. Eu estava realmente tentando me deixar sentir – e doía. Mas eu estava percebendo que as emoções não eram uma coisa má. Paixão não é errada. O que está errado é quando você deixa esses sentimentos se acumularem. Eu sempre pensei que, se eu me deixasse sentir


muito eu ia acabar como minha mãe. Eu nunca quis machucar ninguém do jeito que ela me machucou. Suas palavras doíam mais do que cortar os punhos. Eu queria ser uma pessoa melhor. Uma batida viciosa me acordou. Eu despertei rapidamente, o sono se esvaindo como um cobertor solto ao redor dos meus ombros. Um rápido olhar para o relógio me disse que era depois de uma da manhã. Eu não tinha ideia de que tipo de pessoa louca poderia estar na porta a esta hora da noite. Peguei meu telefone para que eu pudesse marcar 911 se eu precisasse. Ivy e Tristan foram despertados pelo barulho e me olharam, olhos turvos enquanto eles esfregavam seus olhos. — Que barulho é esse? — Perguntou Tristan. — Por que tem alguém na porta? — Ivy perguntou, abafando um bocejo. — Eu não sei — Eu fiz uma careta. — Fique aqui — Eu avisei, segurando a minha mão em um gesto para ela não sair da cama — E mantenha a calma. Eu digitei 911 no meu telefone e segurei meu dedo sobre o botão de discagem. Não tinha olho mágico, então eu seria obrigada a abrir a porta para ver quem estava lá. De repente eu gostaria de ter um spray de pimenta ou uma arma. Eu estava completamente indefesa e à mercê da pessoa do outro lado da porta. — Rowan! Abra a porta! Eu conhecia aquela voz.


Eu abri a porta. — Trace — Engoli em seco quando alívio inundou meus pulmões ao ouvir a sua voz e, em seguida, vê-lo — O que você está fazendo aqui? — Nós temos que ir — Ele falou rapidamente, os olhos correndo ao redor. — Pegue as crianças, nós temos que ir agora — Seu corpo cantarolava com uma energia nervosa. — O que está acontecendo? — Eu o perfurei quando ele empurrou-me para o apartamento. Ele me ignorou. — Vamos lá, crianças — Ele estendeu a mão para Tristan no beliche superior — Nós temos que ir. Pegue alguns brinquedos. Rowan — Ele me chamou — Você pode querer se vestir. — Onde você está nos levando? — Eu perguntei, pânico em meu tom. Ele estava tão frenético, não gosto de Trace desse jeito, e eu não poderia começar a entender o porquê. Ele agia como se o lugar estivesse prestes a explodir ou algo assim. Ele finalmente parou, e foi quando eu vi as lágrimas em seus olhos. — O que está acontecendo? — Eu repeti em um tom suave, afastando, minhas mãos presas e protetoras na minha frente. Algo me disse que eu não ia gostar do que ele tinha a dizer. — É Trent — Ele suspirou , com a voz embargada. — Ele está bem? — Eu perguntei, minha respiração presa enquanto meu coração apertou dolorosamente atrás da minha caixa torácica. Oh Deus, algo de ruim tinha acontecido. Eu sabia.


Eu podia sentir Trent escorregar por entre meus dedos como um punhado de areia. — Vista-se e depois a gente conversa — Ele se afastou de mim, agarrando-se alguns dos brinquedos infantis. Corri para o quarto, vesti o mais rápido que pude. Tendo certeza de que as minhas meias não combinavam. Quando saí do quarto, o apartamento estava vazio. Corri para fora, meus dedos tateando quando eu tranquei a porta. Trace estava esperando no Land Rover, ele bateu a buzina, me pedindo para se apressar. Desci as escadas e entrei no banco do passageiro vazio. Olivia não estava com ele. — Por favor, me diga o que aconteceu — Eu implorei enquanto eu tateava com o cinto de segurança. — É ruim, não é? Ele acenou com a cabeça, o músculo em sua mandíbula visivelmente fechado. — Ele confrontou seu padrasto e ele atirou em Trent. — Oh, Deus. — Eu não esperava que Trace fosse tão brusco com o que ele disse, mas eu deveria saber, era Trace, não um doce de açúcar. Eu dobrei, meu estômago apertando dolorosamente. — Eu acho que vou ficar doente — Eu murmurei, suor caindo na minha testa quando bile subiu na minha garganta. Eu esperava algo como Trent tinha sofrido um acidente de carro, não que ele tinha sido baleado .


— É não é bom — Continuou Trace, o corpo tenso — Minha mãe recebeu a chamada, então é claro que ela me ligou, e eu vim para te pegar. Ele está em cirurgia por várias horas — Ele esfregou o queixo mal barbeado, com raiva. —

E

eles

chamaram?

Eu

engasguei. Trent, meu Trent, ele tinha estado sozinho todo esse tempo, lutando por sua vida? Isso não estava certo! Trace assentiu. — Ele não tinha o telefone dele, só a carteira, por isso levou um tempo para nos rastrear. Nossos números não são exatamente de conhecimento público. — Será que ele vai sair da cirurgia? — Forcei as palavras da minha boca, com medo da resposta que ele poderia me dar. — Honestamente? — Perguntou Trace, seus olhos se aventuraram em mim antes de voltar para a estrada à frente. — Eles disseram que era uma chance de cinquenta/cinquenta. A bala quase acertou uma artéria vital no seu coração, e ele perdeu muito sangue. — A respiração de Trace ficou instável. — Saberemos mais quando chegarmos lá. Na parte de trás do carro, as crianças estavam fungando enquanto choravam, mas eu não conseguia me fazer confortálos. Eu estava paralisada mais uma vez, me afogando em um oceano de dor e solidão. Eu ia perdê-lo, eu já tinha, mas era pior, porque agora era para sempre.


Tudo era um borrão quando chegamos na entrada de emergência do hospital. Obriguei-me a manter a calma e seguir Trace. Lá dentro, ele pediu ao balcão de informações sobre seu irmão e eles nos dirigiram para o andar onde ficava a unidade de terapia intensiva. Minhas mãos tremiam com pânico. Eu não poderia imaginar um mundo em que Trenton Wentworth não existia. Pensamentos do seu sorriso, sua risada, a primeira vez que ele falou comigo, cada memória passou pela minha mente em rápida sucessão. Corremos através das amplas salas brancas, os sapatos rangendo no piso de cerâmica. Ivy e Tristan segurando minhas mãos, e eu os arrastei junto. Nós surgimos no meio de conjunto de portas duplas e no principal corredor de cuidados intensivos. — Trace — Sua mãe respirou de alívio quando ela nos viu. Seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar. Ela parecia horrível, e isso me assustou. Se ela tivesse uma má notícia? Ele tinha morrido? chegamos muito tarde? Eu soltei as mãos das crianças e corri para o banheiro que avistei à minha direita. A porta se fechou de repente atrás de mim quando eu caí de joelhos e esvaziei o conteúdo do meu estômago. Lágrimas ardiam meus olhos, caindo pela minha bochecha e no meu queixo.


Eu senti como se todo o meu mundo estava desmoronando em torno de mim. Eu sempre me orgulhei de ser durona. Eu sempre tinha sido capaz de lidar com as coisas ruins, mas isso era algo que eu não estava preparada para lidar. Eu dei descarga na privada e me limpei, limpando meu rosto livre de lágrimas. Continuei fazendo um estranho som ofegante enquanto eu tentava segurar mais lágrimas. Não podia respirar, porra. Agarrei o tecido da minha camisa na minha mão quando eu me forcei a me acalmar. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Acalme-se, Rowan, eu falava. Você precisa ser forte. Mas a última coisa que eu poderia estar neste momento era forte. Eu pensei que eu tinha escapado do porão da minha mãe e Jim, mas tudo tinha sido uma fachada. Eu nunca poderia escapar deles. Jim tinha conseguido tirar alguma coisa que importava para mim. Trent podia não me amar mais, mas eu me confortava em saber que ele estava lá fora em algum lugar próspero. Se ele não estivesse... Eu tinha a maldita certeza que ele levaria um pedaço da minha alma com ele. Eu o amava. Deus, eu o amava tanto que parecia que meu coração estava sendo arrancado do meu peito e pisoteado. Cheguei para mais toalhas de papel, secando meu rosto ainda úmido. Eu não conseguia parar as lágrimas. Eu sabia que precisava me controlar antes de deixar o santuário do banheiro. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Eu não estava bem.


Isso não estava bem. Nada sobre o fato de que Trent estava aqui, lutando por sua vida, estava bem. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Respirei fundo, inalando pela minha boca e soltando pelo nariz. Eu precisava juntar minhas coisas e ser forte. Quebrando assim não ia ajudar Trent. Virei à água, espirrando o líquido frio no meu rosto. Meus olhos estavam inchados e vermelhos de tanto chorar. Eu não me importava. Eu não via mais as lágrimas como um sinal de fraqueza, mas de força. Eu levei mais algumas respirações calmantes para me certificar de que estava pronta para enfrentar isso. Eu abri a porta do banheiro e olhei para o corredor. Trace estava esperando por mim e ele me acenou. Com a cabeça baixa, como uma criança em apuros, eu parei hesitante na frente dele. — As crianças estão com a minha mãe — Ele apontou por cima do ombro para a sala de espera antes de continuar — Ele está fora de cirurgia agora. — Trace hesitou, os olhos cheios de dor. Eu só tinha visto o cara feliz e sorrindo, então vê-lo assim era chocante. — Ele não está acordado ainda. Ainda há muito o que poderia dar errado. — Ele não vai fazer isso, não é? — Forcei-me a perguntar, meu lábio inferior tremendo. — Eu não penso assim — A voz de Trace rachou e as lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Ele olhou para o


teto, odiando claramente que eu estava vendo ele quebrar assim. Eu encontrei-me indo até ele e passando os braços ao redor de seu torso. Minha orelha estava pressionada contra seu peito, onde eu podia ouvir seu coração acelerado com pânico e raiva ante a ideia de perder seu irmão. Minhas lágrimas embeberam o tecido de sua camisa quando ele levantou os braços para envolvê-los em torno de mim. — Isso dói tanto — Eu confessei, minha voz grossa com minhas lágrimas. Eu fungava, tentando segurá-las, mas era inútil. — Eu sei — Sua voz tremeu. — Eu quase perdi Olivia uma vez, então eu sei exatamente como você se sente agora, e é o pior sentimento do mundo inteiro. Eu não sabia disso, mas agora não era o momento de fazer perguntas sobre Olivia e seu passado. Neste momento, nosso foco precisava ser Trent. — Eu odeio este hospital — Trace gemeu, sua voz abafada pelo meu cabelo. — Por quê? — Perguntei. — Este é o lugar onde eles trouxeram Olivia, então Vovô... mas o velho teimoso obrigou-os a liberá-lo para que pudesse morrer em casa — Senti Trace quebrar um pequeno sorriso, mas rapidamente se desintegrou — E agora Trent está aqui, lutando por sua vida. Se não fosse pelo fato de que Dean nasceu aqui — Disse ele, afastando-se e eu deixei meus braços caírem ao meu lado — Este lugar só iria me trazer más lembranças.


— Sua família tem realmente má sorte — Comentei, tentando trazer um pouco de luz para a situação, mas foi inútil. Eu sabia que ambos estávamos desmoronando. — Sim, algo assim — Ele murmurou, olhando para o chão em mosaico. Nós ficamos ali mais alguns momentos antes de entrar para a mãe e as crianças na sala de espera. Eu senti como se eu não merecia estar lá. Depois do que eu tinha feito eles deveriam ter me odiado, não me abraçado como uma família. Tristan sentou no colo de Lily e ela falou com ele, forçando um sorriso aqui e ali para seu benefício. Eu estabeleci-me na cadeira plástica desconfortável, imaginando que estaria esperando por algum tempo antes de termo notícias. Trace tomou o assento ao meu lado, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, com a cabeça entre as mãos. Ivy estava sentada na outra cadeira ao meu lado e deitou a cabeça no meu ombro. — Vai ficar tudo bem, Row — Ela olhou para mim com olhos castanhos inocentes — O amor vence tudo, certo? Mesmo a morte? Deus, eu queria que fosse verdade. Eu balancei a cabeça em seu benefício quando eu inclinei minha cabeça contra a parede e fechei os olhos. Se eu dormisse, talvez eu pudesse me convencer de que tudo isso era apenas um pesadelo.


Horas mais tarde, sem sono, o médico finalmente apareceu na porta. — Ele está acordado agora... Se você quiser vê-lo. A hesitação em sua voz destruiu o que restava de esperança dentro de mim. Seu tom de voz disse, você pode querer dizer adeus agora. — Mamãe vamos primeiro — Trace sussurrou, agarrando os braços da cadeira e usando para levantar-se a seus pés. Ele esticou os braços acima da cabeça, quebrando suas costas. Ele estendeu a mão para a mãe dele, passando o braço em volta dos ombros enquanto seguiam o médico. Tristan se arrastou para o meu colo, enterrando a cabeça debaixo do meu pescoço. — O que está acontecendo, mamãe? — Ele perguntou, carinhosamente acariciando meu cabelo. Mesmo com cinco anos de idade ele podia sentir a tensão no meu corpo e estava tentando aliviá-la. — Trent, seu pai foi ferido — Eu sussurrei. Doía-me dizer essas palavras. — Será que ele vai ficar bem? Posso dizer oi? — Tristan olhou para mim com os olhos arregalados. — Eu não sei — Eu respondi, beijando o topo de sua cabeça, seu cabelo macio contra os meus lábios. Eu passei meus braços firmemente em torno dele, fechando os olhos quando eu descansei minha cabeça em cima da sua. Todos os meus arrependimentos foram se acumulando em cima de mim neste momento e eu senti como se estivesse sufocando. Por causa do que eu tinha feito, Trent tinha perdido a chance de


ser uma parte da vida de Tristan, e agora Tristan poderia nunca conhecer o pai. Eu tinha sido horrível e egoísta ao tomar minha decisão sem contar a Trent. Eu era tão jovem e estúpida. Agora, eu estava sofrendo as consequências. Eu deveria estar lá lutando pela minha vida, não Trent. Eu não queria perder ele. Mesmo que ele não pertencesse a mim, e eu tinha que vêlo amar alguém, eventualmente, eu preferiria lidar com essa dor. Eu cantarolava baixinho, balançando Tristan em meus braços. Tristan pegou um pedaço de meu cabelo e torceu-o em torno de seu dedo. — Vai ficar tudo bem, mamãe — Ele sussurrou com sua voz doce. — Eu espero que sim. — Senti as lágrimas picarem os meus olhos mais uma vez. Eu não sei como alguém pode se manter e chorar assim. Eventualmente, você tem que ficar sem lágrimas, certo? Trace e sua mãe voltaram dez minutos mais tarde, com os rostos pálidos. — Ele quer falar com você — Trace disse, seus olhos se recusaram a me olhar. Meu estômago revirou com náuseas mais uma vez. — Eu já volto — Disse a Tristan, levantando-o do meu colo. Ele foi correndo até Trace, fazendo-lhe um monte de perguntas.


— Tristan — Eu avisei — Deixe o tio Trace sozinho agora. Ele está chateado. Talvez você pudesse dar-lhe um abraço e fazê-lo se sentir melhor? — Eu sugeri, sabendo que Tristan gostaria que eu lhe desse uma tarefa para realizar. Tristan balançou a cabeça, passando os braços ao redor das pernas de Trace. Trace se abaixou e pegou ele, e seus gritos me doeram. Eu não tinha certeza que eu poderia fazer isso. Se o Trace estiver quebrando assim, as coisas não estavam nada boas. O médico estava esperando para me levar de volta. Seu rosto estava sério, então eu deixei meus olhos seguirem as linhas do azulejo quando ele me levou para Trent. Ele abriu a porta e acenou com a cabeça para eu ir para dentro. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Eu respirei pelo nariz e expirei pela boca. Eu sabia que uma vez que eu tivesse um olhar para Trent, minha culpa faria o que restou de mim finalmente se quebrar completamente. Eu era aquele vaso quebrado que foi sendo fixado em vão, apenas para cair fora da mesa e quebrar novamente. Eventualmente, as peças foram se tornando tão irregulares que não se juntavam mais. Dei um passo para dentro do quarto, depois outro, até que eu estava ao lado da cama de Trent.


Seus olhos estavam fechados e sua pele tinha uma cor cinza. Na frente da sua roupa de hospital, vi uma bandagem branca sobre seu coração. Mordi minha mão para abafar os meus soluços. Isto era minha culpa. Tudo por causa do meu estúpido padrasto, eu ia perder o amor da minha vida. Meu corpo estava tão cheio de ódio por aquele homem que eu pensei que poderia me destruir. Os olhos de Trent lentamente se abriram e eu passei meus braços em torno de mim para que eu não tentasse tocá-lo. Ele não era meu e eu sabia que a última coisa que ele queria era que eu estivesse aqui. — Não faça isso. — Ele engoliu em seco, estremecendo com a secura na garganta. —Chorar. — Eu não posso ajudá-lo — Eu limpei as lágrimas, olhando para fora das janelas onde o sol estava começando a aparecer. Doía-me vê-lo ali tão... Agredido. Trent tinha sido sempre cheio de vida, e vendo isso ser arrancado era desolador. Eu não tinha feito nada, mas arruinar a sua vida a partir do momento em que entrei ali. Ele teria sido muito mais feliz se ele nunca tivesse me conhecido. — O-olhe para mim — Ele gaguejou. Incapaz de negar-lhe o pedido, eu fiz. Olhamos um para o outro, nenhum de nós disse uma palavra.


— Venha. Aqui. — Ele forçou as palavras para fora, tentando me dar espaço na cama. — Não — Eu peguei sua mão. — Não se machuque. Ele fechou os olhos com cansaço e seu pomo de Adão balançou quando ele engoliu dolorosamente. Me rasgou em pedaços vê-lo, doía tanto. Eu me senti tão impotente. Eu não tinha ideia do que fazer ou dizer para fazer isso melhor. — Eu sou um idiota — Ele forçou as palavras. — Porque você levou um tiro? Sim, você é um idiota — Eu me fiz rir para aliviar a situação. — Não — Ele balançou a cabeça, fazendo uma careta de dor — Por deixá-la ir. Minha respiração ficou presa e eu não sabia o que dizer. — Eu deveria ter ido atrás de você naquele dia. — Sua testa enrugou com esforço enquanto ele falava. — Trent — Eu implorei — Não fale. Por favor, não force a si mesmo. — Eu preciso dizer isso — Continuou ele, seus olhos azuis se conectaram com o meu. Eles pareciam tão alerta e vivo, não como se ele estivesse lutando por sua vida. Ele olhou para mim e eu não podia ajudar, mas senti como se estivesse fazendo alguma confissão no leito de morte. — Eu amo você, Rowan — Ele molhou os lábios. — Eu tentei tanto te odiar, mas eu não posso. Porra, eu não posso. Toda vez que eu fecho meus olhos eu vejo você — Sua mão deu um aperto na minha, e não me escapou o quão fraco era o aperto dele. — Eu vejo o nosso filho. Eu vejo a vida que poderíamos ter juntos. Você é isso para mim,


Row. Sei que temos uma tonelada de merda e problemas para trabalhar fora, mas tudo bem. Nós somos uma família. — Trenton — Eu balancei minha cabeça, lágrimas reunindo em meus olhos — Você não quis dizer isso. São apenas as drogas falando. — Eu sabia que tinha que ser em alguns dos principais analgésicos e eles claramente o fez maluco. — Não é - — Ele disse em dor. — Não são as drogas. Eu estava vindo para vê-la esta noite, mas hum — ele olhou para o peito e as bandagens piscando para nós. — Eu meio que levei um tiro. Só Trenton poderia fazer piadas depois de um ferimento a bala. — Você tem certeza? — Eu sussurrei, ousando esperar que ele me amava o suficiente para que pudéssemos avançar além disso, e deixando-me acreditar que ele ia ficar bem. Ele acenou com a cabeça. — Eu te amei desde que eu tinha dezesseis anos e nada pode me fazer parar. Uma vez que você roubou meu coração, ele pertence a você e somente você. — Você é como uma bola de queijo — Eu abri um sorriso, um autêntico quando eu me lembrei dele dizendo algo similar a meses atrás. — Sou eu, eu gosto de queijo — Brincou, sorrindo sem entusiasmo. — Agora — Ele começou a deslizar sobre — Desde que eu levei um tiro para proteger sua honra e tudo, eu acho que você me deve.


— Eu não vou fazer sexo com você em um hospital — Gaguejei, chocada que ele iria sugerir uma coisa dessas depois de tudo o que tinha passado. — Especialmente depois que você acabou de passar por uma cirurgia! Você não está apto no momento, Trent — Minha voz falhou dolorosamente. Ele revirou os olhos para mim. — Quem disse alguma coisa sobre sexo, Row? Estou cansado, mas eu não quero que você vá. Deite comigo, por favor — Implorou, e quando ele olhou para mim eu fui incapaz de resistir à tentação. Eu subi na cama ao lado dele, descansando minha cabeça em seu ombro. Fiquei esperando que uma das enfermeiras me tirasse daqui, mas ninguém veio. Ele estendeu a mão, estremecendo com o esforço, e colocou a mão na minha barriga. Eu estava prestes a perguntar o que ele estava fazendo quando os belos olhos azuis levantaram para atender o meu olhar. — Eu deveria ter estado lá para você. Eu deveria ter sido capaz de ver o meu filho crescer dentro de você e cuidar de vocês dois. — A tristeza permanecia em seus olhos pelo que ele tinha perdido. — Eu sei — Eu disse. — Eu entendo por que você fez isso — Seus olhos nunca se afastaram do meu — E eu estou pronto para perdoá-la. Eu estou pronto para continuar. Eu balancei a cabeça. Eu não queria nada mais do que isso, mas eu estava com medo do amanhã nunca vir para nós. Ele estava deitado aqui morrendo. Eu sabia que ele era um lutador,


então eu tinha que acreditar que ele faria isso por mim, para a nossa família. — Por que diabos você foi atrás do meu padrasto, Trent? — Eu questionei, olhando para o teto branco enrugado. Tudo aqui era branco e estéril. Trent tossiu, sua respiração ofegante com o esforço. — Eu vi ele tocar em você — Ele admitiu, girando lentamente a cabeça para olhar para mim. Senti seus olhos em mim, mas eu não conseguia parar de olhar para o teto. — Ele é um p-pedaço de merda de merda e eu não estava indo para deixá-lo fugir com isso — Suas palavras terminaram com outra tosse estrangulada. Obriguei-me a olhar para ele, em seguida, minha testa franziu em preocupação. — Você está bem? Ele acenou com a cabeça, a mão sobre sua boca enquanto ele abafou a tosse. — Você sabe o que aconteceu ao meu padrasto? — Eu perguntei em voz baixa, estendendo a mão para acariciar seu rosto. Seus olhos se fecharam em resposta e ele fez um zumbido satisfeito no fundo de sua garganta. — Será que a polícia o pegou? Ele não está solto está? — Depois que ele atirou em mim, ele saiu correndo e essa é a última coisa que me lembro — Disse Trent sonolento. — Não se preocupe, porém. Trace vai cuidar de tudo. — Sim — Eu bocejei, com sono também — Ele é bom assim.


— Eu deveria estar preocupado que você está caindo para o meu irmão? — Os lábios de Trent roçaram minha testa. — Você sabe que ele é casado. Eu ri. — Não — Eu beijei seu rosto — Não há na minha mente outro irmão Wentworth, para mim somente o que está aqui. — Bom — Trent murmurou. — Eu te amo. — Eu te amo, Trent — Eu sussurrei, beijando sua mandíbula. — Obrigada por me ensinar que o amor não é um mito. É real e nós o temos. Fui acordada por um barulho estridente. Ele perfurou meus tímpanos, fazendo-me estremecer. Que diabos foi isso? Sentei-me, piscando o sono dos meus olhos quando o quarto de hospital veio à tona. As portas da sala se abriram e alguém me puxou da cama. — Ele está tendo uma parada cardiorrespiratória! — Foi tudo que eu ouvi, quando médicos e enfermeiros se movimentavam como uma enxurrada dentro do quarto. Eu olhei com horror para o corpo sem vida deitado na cama. Minha mão subiu para cobrir a minha boca quando soluços explodiram meu corpo. — Trent! — Eu gritei quando uma enfermeira tentou me puxar para fora da sala. — Trent! — Eu gritei seu nome uma e outra vez. — Volte para mim! Trenton! Por favor! Você não pode me deixar! Trent!


Mas a linha permanecia estável. A enfermeira me empurrou para fora da porta e a bateu na minha cara. Bati na pequena janela de vidro da porta, que estava coberta de papel preto para que ninguém pudesse ver. Continuei a gritar seu nome até que eu perdi a minha voz e me senti como se eu não pudesse respirar. Eventualmente eu saí, incapaz de ficar lá e continuar a ouvir o grito estridente de seu coração que não batia. Eu não consegui voltar para a sala de espera. Acho que meus pés decidiram parar de trabalhar. Eu afundei no chão, minhas costas contra a parede. Meus gritos encheram os corredores. Eu não me importava que me ouvissem ou que me vissem. Eu não podia detê-los. Eu precisava deixar tudo para fora. Eu não poderia manter essa dor engarrafada dentro de mim, eu estava atormentada com o pensamento... Todo mundo me deixa. Eu puxei o meu cabelo, chutando meus pés contra o chão. Meus gritos começaram a chamar a atenção. Eu vi Trace sair da sala de espera para investigar o barulho, e quando seus olhos pousaram em mim sua boca se abriu em horror. Eu balancei minha cabeça, minha garganta obstruída com lágrimas, para lhe dizer que Trent não tinha sobrevivido. Lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ele empurrou os dedos pelos cabelos, fazendo-o aderir-se descontroladamente em torno de sua cabeça.


Ele olhou de volta para a sala de espera e depois para mim. Eu vi quando ele andou um pouco pelo corredor até mim. Ele empinou a mão para trás e disparou para frente, socando a parede repetidamente. Sua raiva e tristeza era palpável. Um enfermeiro veio correndo na direção dele e conteve Trace para que ele não fizesse mais danos. Eles levaram-no, sem dúvida, para limpá-lo, e talvez até mesmo costurar a ferida fechada. Isso me fez pensar nos prejuízo que fiz as minhas mãos quando Trent tinha tomado tanta ternura em cuidar de mim no Ano Novo. Tinha sido a nossa última noite juntos. Foi doce e perfeito, mais muito breve. Lá estávamos nós, quatro meses mais tarde. Ele descobriu a verdade e agora ele estava morto. Foda-se. Morto. Ele se foi. Como, realmente se foi. Como em nunca mais voltar. Meu coração sofria e minha alma sentia-se incompleta. Como na Terra eu poderia esperar viver o resto da minha vida sem ele? Eu teria. Eu ia ter que tomar todos os dias um passo de cada vez. Eu viveria e amar muito mais difícil, porque Trenton não podia. Ele sempre viveria em nosso filho.


E no meu coração.


Epílogo Três meses depois... A brisa quente de verão fez cócegas na minha cara e eu não pude deixar de sorrir quando eu fechei os olhos, deitada na grama alta. Ela arranhou minha pele, fazendome coçar, mas o sol me fez me sentir tão bem, que eu me recusava a mover. Eu me senti tão em paz, algo que tinha sido raro nos últimos meses. Eu estendi a mão, sorrindo enquanto puxava uma pequena sujeira. — Row! — Ivy gritou e eu me sentei ao vê-la correndo em minha direção. Ela caiu nos meus braços e, em seguida, caiu no chão de rir. — O que você está fazendo, menina boba? — Eu perguntei a ela. — Onde está o Tristan? — Ele está bem — Ela encolheu os ombros, olhando ao redor. — Eu gosto daqui. É bonito. — Mhmm — Eu cantarolava. — É como um pequeno oásis. Como se ela não me ouvisse, sorriu largamente, apontando para as flores que nos cercam. — Você pode me fazer uma daquelas corinhas trançada com flores? — Eu vou tentar — Eu sorri, pegando as flores que nos cercam. — Tem sido um longo tempo desde que fiz um desses.


Ivy sentou-se ao meu lado, cruzando as pernas enquanto observava meus movimentos. Eu terminei a coroa e coloquei delicadamente em cima de sua cabeça. — Agora, você é uma princesa real, Ivy — Eu passei os dedos pelo cabelo ondulado longo. Ela sorriu com as minhas palavras. Desde que minha mãe morreu, Ivy tinha realmente saído da sua concha. Ela sempre estava tão feliz e sorridente. Ela prosperou em palavras de louvor e eu tentei dar tudo a ela o mais rápido que eu podia. — Agora, você precisa de um, Row — Ela levantou-se, pulando em torno para reunir mais flores. — Então você pode ser uma rainha! Eu ri, ajustando a saia do meu vestido. Uma vez que ela colheu flores suficientes, sentou-se mais uma vez. — Eu posso ajudar a fazer isso? — Ela perguntou. — É claro — Eu cuidadosamente mostrei-lhe como trançar os caules juntos. Em um momento ela tinha dominado e eu a deixei terminar. Quando estava pronto, ela colocou na minha cabeça, da mesma maneira que eu tinha feito com ela. — Salve Rainha Rowan! — Ela gritou, pulando para cima e correndo em círculos em volta de mim. Eu ri, virando a cabeça para vê-la correr.


Fiquei maravilhada com o quanto alguns meses de não estar em um ambiente tóxico a tinha mudado. Ela não estava tão tímida mais. Ela estava florescendo, e assim eu também. Pela primeira vez em toda a minha vida eu finalmente me senti como... Eu. Eu já não era um fantasma, vagando pelas sombras. Trent havia me dado esse dom, e eu estava grata por isso todos os dias. Eu tinha mudado muito desde o ano novo quando Trent descobriu sobre Tristan. Com a perda da minha mãe, tinha sido fácil eu me tornar a pessoa que sempre fui destinada a ser. Ela não podia me incomodar mais, e Jim estava servindo prisão perpétua pelo que tinha feito para Trent. A vida não foi perfeita para mim, e não por um longo tempo, mas estava chegando lá. Ivy continuou pelo campo, colhendo flores silvestres e organizando-os em dois ramos. Quando ela considerou que estava perfeito, ela voltou para o meu lado, me entregando um. — Para você, minha rainha — Ela riu, suas bochechas rosadas com felicidade. — Obrigada, Princesa — Eu tomei as flores dela, inalando seu perfume, então tentando não espirrar. Ela girou um pouco mais, seu vestido desdobrando-se em torno de suas pernas. — Oh, olhe! — Ela apontou para a parte traseira da mansão Wentworth. — Lá vem o Rei e o Príncipe agora!


Eu sorri, desfrutando de seu joguinho. Tudo o que eu queria há tanto tempo era, que ela e Tristan tivessem a oportunidade de serem crianças. Eu finalmente tinha conseguido meu desejo. — Mamãe! — Tristan gritou, correndo em linha reta para mim, assim como Ivy tinha feito quando ela me encontrou me escondendo aqui. Eu gostava da sombra e privacidade que as ervas altas forneciam. Quando eu estava aqui, neste ponto, eu sentia como se estivesse em um lugar novo. Havia algo de mágico sobre este lugar. Uma vez que o tempo tinha aquecido eu tinha reivindicado esta área como minha desde que eu passava tanto tempo com os Wentworth. Lily e eu tinhamos crescido mais perto, e ela estava começando a se sentir como a mãe que eu nunca tive. Tristan caiu no chão ao meu lado, com o peito arfando com cada respiração ofegante. — O que é que você tem aí? — Eu apontei para o livro encadernado de couro em sua pequena mão. — Papai me disse para dar para você — Ele sorriu com orgulho, segurando o livro para mim. Meus olhos levantaram, e se conectaram com Trent enquanto ele se aproximava. Deus, ele era lindo. Ele usava um par de calças compridas cor de bronze, e uma camiseta branca. Ele sorriu quando ele me pegou olhando para ele. Olhei para ele um monte. Eu quase o perdi naquele dia no hospital. Eu sempre tinha que me lembrar que ele estava aqui e ele estava vivo. Trent chegou até nós e sentou-se ao meu lado. Ele passou o braço por cima do ombro, beijando minha bochecha. Peguei o livro da mão estendida de Tristan.


Ivy chegou para ele, e os dois saíram correndo pelo campo, o riso dançando pelo ar. — Abra-o — Trent murmurou, seus lábios passando próximo o meu ouvido. Estremeci ao seu toque, meu corpo zumbindo. Abri o livro na página marcada, a respiração escapando dos meus lábios. A fita verde esmeralda que tinha sido usada como um marcador tinha um anel amarrado em torno dele, e escrito na página, com a escrita rabiscada de Trenton estava: Você quer se casar comigo? — Trent — Gaguejei, minha mão voando para cobrir meus lábios. Fiquei chocada, para dizer o mínimo, mas eu deveria ter visto isso chegando. Depois que Trenton foi liberado do hospital, que tínhamos falado sobre as coisas, e remendado nossos corações de volta juntos. Não levou muito tempo para nos tornarmos uma família. Trent e eu já nos amávamos e depois de incontáveis horas conversando, de contar-lhe tudo o que tinha passado desde que eu era uma criança, eu tinha sido capaz de deixar para trás o que eu tinha feito, mantendo Tristan em segredo. As coisas tinham se resolvido normalmente entre nós nos últimos meses e parecia que sempre tínhamos sido uma família. Trent cuidava de Tristan e Ivy com amor e carinho de um pai, mesmo que Ivy não fosse dele. Ele era o maior homem que já existiu, eu tinha certeza disso. Depois de ter sido baleado, as coisas tinham ficado paradas por algumas semanas, mas ele tinha curado. Ele teve de


abandonar a faculdade, pois ele não estava apto para voltar. Ele disse que não precisava de seu diploma; ele tinha escolaridade suficiente para abrir seu próprio estúdio de fotografia e trabalhar. — Rowan — Sua voz era hesitante. — Diga alguma coisa, por favor. — Sim — Eu ofeguei, meu rosto corado de felicidade. — Sim, sim, sim! Deixei o livro cair do meu colo, e passei meus braços ao redor de seu pescoço, beijando-o apaixonadamente. Sua língua encontrou a abertura de meus lábios, escorregando para dentro. Eu gemi de prazer quando meus dedos agarraram os fios macios do cabelo dele. — Eca! — Exclamou Tristan. — Isso é nojento! Bleh — Ele fez uma cara de nojo — O beijo é nojento! Com uma risada, Trent se afastou, deslizando o dedo sobre os lábios. Ele estendeu a mão, desatando o anel de noivado de diamante. Eu estendi minha mão para ele e ele colocou o anel em mim. Seus olhos se encheram de satisfação, enquanto olhava para o anel brilhando no meu dedo. Seus dedos se enredaram em meu cabelo, na parte de trás do meu pescoço enquanto puxava meus lábios nos dele, me beijando docemente. Respirando rapidamente, ele descansou sua testa contra a minha enquanto olhava diretamente nos meus olhos, tornando impossível desviar o olhar.


— Você é minha agora, Rowan Sinclair — Sua voz era rouca e seus olhos brilhavam com malícia. Eu trouxe a minha mão contra a sua, quando ele segurou meu rosto. — Sempre. Fim


Tempting Rowan vol. 3 (revisado) - Micalea Smeltzer