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NOAH BY ELIZABETH REYES

SÉRIE 5TH STREET LIVRO 01

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Equipe Pégasus Lançamentos Envio: Soryu 1º Tradução: Cartaxo 2º Tradução: R, Onuma; Ntahy Calassa; Dre Santos; Dynha; Meredith; Vicky V; Ju Ferreira Revisão Inicial: Katerina Petrova; AshShadow; Lucy in the Sky; Petra Rin; Dani; C. Ribeiro; Giu; MeG B. ; Jessica M. Revisão Final: Milena Calegari Leitura Final: Lola Formatação: Lola e Katerina Petrova

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SINOPSE Verônica Cruz foi ao inferno e voltou. Depois de se desligar do mundo por dois anos para estar ao lado de sua mãe que estava morrendo de câncer, ela está sozinha, desempregada, com excesso de peso, e se sentindo uma década mais velha do que seus 28 anos. Quando sua melhor amiga a convence a ir à frequentar a academia local para abandonar sua depressão e emagrecer, ela conhece Noah. Atribuído para ajudar Verônica a perder peso, Noah é tudo o que

ela

esperava

que

um

jovem

treinador

fosse:

corpo

perfeitamente esculpido, solidário e motivador. Além disso tudo, incrivelmente sexy. Ele é tudo que ela procurava em um homem. O que ela menos esperava era que ele fosse se apaixonar por ela, mas ele se apaixonou. Há apenas um problema gritante: Noah é oito anos mais jovem. Noah Quintanilla está de olho em um título de boxe. Afastado por alguns meses com uma lesão, seu salário como garoto da manutenção na 5th Street Gym não ajudava muito. Ele finalmente tinha a oportunidade de ser treinador. A pegadinha? Sua aluna era uma mulher fora de forma com um passe de uma semana grátis. Assumindo o desafio, Noah deu de cara em uma das amizades mais próximas que ele já teve, e antes que percebesse, estava apaixonado. Mas Verônica deixa claro que a diferença de idade era demais. Seu relacionamento platônico significa ter que vê-la namorar outros homens, algo que iria deixá-lo louco. Acreditando que ele é o homem para ela, Noah se propõe a provar que a idade é apenas uma ilusão, e nada mais do que apenas um número.

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SINOPSE Verônica Cruz foi ao inferno e voltou. Depois de se desligar do mundo há dois anos para estar ao lado de sua mãe enquanto ela morria de câncer, ela está sozinha, desempregada, gorda e sentindo-se uma década mais velha que seus vinte e oito anos. Quando sua melhor amiga a convence a frequentar a academia local para abandonar sua depressão e emagrecer, ela conhece Noah. Atribuído para ajudar Verônica a perder peso, Noah era tudo o que ela esperava de um jovem treinador – corpo perfeitamente esculpido, solidário e motivador. Além disso tudo, incrivelmente sexy. Ele é tudo o que ela procurava em um homem. O que ela menos esperava era que ele se apaixonasse por ela, mas aconteceu. Há apenas um detalhe: Noah é oito anos mais jovem. Noah Quintanilla está de olho em um título de boxe. Afastado há alguns meses por causa de uma lesão, seu salário como garoto da manutenção na Academia da ‘5th Street’ não ajudava muito. Então ele finalmente teve a oportunidade de virar treinador. A pegadinha? Sua aluna era uma mulher totalmente fora de forma com um cupom de uma semana grátis. Assumindo o desafio, Noah se deparou em uma das amizades mais próximas que ele já teve, e antes que percebesse estava apaixonado. Mas Verônica deixa

claro

que

a

diferença

de

idade

era

demais.

Seu

relacionamento platônico significa ter que vê-la namorar outros homens, algo que iria deixá-lo louco. Acreditando que ele é o homem para ela, Noah se propõe a provar que a idade é apenas uma ilusão, apenas um número.

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CAPÍTULO 01 A noite que Verônica Cruz rezou para que sua mãe morresse, não imaginava que sua mãe não fosse acordar na manhã seguinte. Mas ela não acordou. Ela morreu dormindo. Na mesma casa em que Verônica estava agora, destinada a passar o resto de sua vida sozinha. Isso foi há seis meses. Desde então, a existência amaldiçoada de Verônica consistia em acordar numa casa silenciosa e vagar sem rumo, de sua cama para o sofá na sala da frente, depois para a mesa da cozinha, até que fosse hora de rastejar de volta na cama e começar tudo de novo. Sua mãe havia deixado uma herança substancial com a condição de que a casa nunca fosse vendida. A casa que tinha estado na família há gerações, tinha que ficar na família por pelo menos mais cem anos ou até que não houvesse mais ninguém na família para passá-la. A menos que ela vivesse mais de cem anos isso não iria acontecer. Dado que ter filhos implicava em companhia masculina e conhecer um homem exigia que saísse de casa para mais do que apenas compras de supermercado. Ainda assim, ela tinha prometido a sua mãe no leito de morte que ela nunca iria vender a casa. Como ela era filha única, a casa que agora estava paga era dela. O parente mais próximo que ela tinha era uma tia, com quem sua mãe só tinha falado algumas vezes. Ela nunca conheceu seu pai, então não tinha ideia se teria alguma família do lado paterno. Com vinte e oito anos, Verônica se sentia como uma solteirona. Claro, a maioria iria considerá-la relativamente jovem para uma solteirona, mas os anos que antecederam a morte de 8


sua mãe, a tinham envelhecido de muitas formas. Quando Verônica descobriu sobre o câncer e quão pouco tempo sua mãe tinha, ela largou tudo. Ela tirou uma licença de seu trabalho como diretora de recursos humanos da faculdade, um local de trabalho que ela amava, para cuidar da mãe em tempo integral. Sua vida social tornou-se inexistente há mais de dois anos. Quando sua mãe morreu, Verônica estava com dezoito quilos a mais e completamente drenada de energia para voltar ao mundo real. Ela não tinha nenhuma vontade de voltar a trabalhar de tão cansada e tão fora de forma. Sentindo-se como se tivesse envelhecido dez anos e mais gorda do que já tinha estado em sua vida, de jeito nenhum ela iria aparecer no trabalho novamente. Não só a morte da mãe a drenou fisicamente, ela também tinha levado o seu espírito. Ela não era mais a jovem vibrante, cheia de objetivos e ambições que tinha sido uma vez. Perder a mãe dela do jeito que ela tinha perdido, observandoa definhar irremediavelmente, com tanta dor com nenhuma maneira de ajudá-la, a tinha marcado para sempre. Ela estava zangada com Deus e não via nenhuma razão sequer para tentar ser um membro contribuinte da sociedade. Que bem que isso faz de qualquer maneira, quando você poderia ser levado embora tão subitamente? Uma batida forte na porta da frente sacudiu Verônica fora de seus pensamentos sombrios. Ela já sabia quem era e ela revirou os olhos, arrastando-se para fora do sofá para atender a porta. Sua melhor amiga Nellie sorriu largamente assim que Verônica abriu a porta. — Adivinhe o que eu tenho para nós? — Ela levantou o que pareciam tickets de algum tipo.

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— Eu já falei — Verônica disse, já voltando para seu lugar favorito no sofá. — Eu não irei a filmes ou concertos ou qualquer evento que envolva estar perto de outras pessoas. Eu estou gorda que nem uma vaca, Nellie. Eu nem tenho roupas que me caibam mais. — Você tem moletons? — Isso é tudo que eu tenho. — Ela puxou o material sobre as calças que estava usando. — Eu não comprei qualquer outra coisa em meses. É tudo em que minha bunda gorda cabe e me recuso a ir às compras para qualquer outra coisa neste tamanho embaraçoso. — Isso é perfeito, então — disse Nellie. — Porque estes cupons são para uma semana na academia na Fifth Street. Verônica olhou boquiaberta. — Academia? — Ela não estava nem mesmo ciente de que havia uma academia na Fifth Street. — Sim, uma academia. Levante-se. Nós estamos indo. — Nellie agarrou a mão dela e puxou. — Estou cansada de você usar o seu peso como uma desculpa para enterrar-se do mundo. Vamos juntas. Verônica gemeu quando se levantou do sofá. — Eu não sabia que havia uma academia na Fifth Street. Você tem certeza? — Ela pegou os bilhetes de Nellie. Eles eram muito amadores; impresso em papel comum até mesmo cortado um pouco irregularmente. — Onde você conseguiu isso? — Não importa. Eu sabia que você não gostaria de ir para uma academia lotada em cima do shopping cheio de todas aquelas pessoas que você está tão decidida a ficar longe. — Ela empurrou Verônica em direção à porta da frente. — Esta é uma

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pequena academia da comunidade, mas eles ainda são bons o suficiente para oferecer passes gratuitos por uma semana. Nós vamos fazer uma semana e, em seguida, dependendo de como você se sentir pode se inscrever para mais. Verônica tentou protestar sobre não ter uma bolsa de academia, mas, como de costume, Nellie estava um passo à frente dela. — Eu tenho tudo o que precisamos no carro. Basta pegar suas chaves e carteira. Sem desculpas. Durante meses, Nellie tinha feito o seu melhor para tentar arrancar Verônica de seus medos, e Verônica odiava soar tão ingrata. Ela na realidade duvidava que pudesse fazer até um polichinelo sem perder o fôlego, mas ela tinha que agradar a amiga desta vez. A verdade era que ela realmente precisava perder peso. No caminho, Nellie contou sobre a academia. Seu marido era agora um membro da grande academia do shopping, mas uma vez ele treinou kickboxing na Fifth Street. Ele disse que era pequena

o suficiente para

que Verônica

não se sentisse

sobrecarregada. Ótimo. Nellie tinha dito a seu marido que ela tinha se tornado uma eremita patética e gorda. — Então, quando o cara do supermercado me deu os cupons eu achei que seria perfeito. Verônica nem sequer tentou estar tão animada quanto Nellie parecia estar, embora suspeitasse que era um pouco de encenação. Elas eram melhores amigas desde que eram crianças e ela tinha feito de tudo para tentar animá-la depois que sua mãe morreu. Uma coisa Verônica sabia sobre Nellie era que ela odiava se exercitar. Então, como de costume, este era um ato

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completamente altruísta da parte dela. Tudo para tirar Verônica fora da caverna que ela chamava de casa. Apenas um dos motivos que levava Verônica a amar e apreciar a sua melhor amiga ainda mais. Quando elas chegaram, ambas estavam surpresas ao ver que não haviam outras mulheres. Verônica olhou para o bilhete que tinha na mão. — Tem certeza que isso não é uma academia masculina? Nellie não parecia ter certeza, mas rapidamente discordou. —Isso é bobagem. Eu nunca ouvi falar de uma academia apenas para o sexo masculino. — Eu já. — Por que o cara me ofereceria os cupons se fosse somente para homens? Verônica olhou ao seu redor. O lugar estava muito distante da academia no shopping isso era verdade. Para começar, o lugar precisava urgentemente de uma pintura nova. Haviam algumas esteiras e escadas alpinistas em uma extremidade da academia. Quatro bancos de peso e pesos na outra extremidade. A máquina de remo, os sacos de socos e um grande ringue de boxe no centro da

academia.

Esta

era

definitivamente uma

academia

de

boxeador. Ela seguiu Nellie até um homem com uma prancheta que estava perto dos sacos de pancada e mostrou-lhe os cupons. — Estamos aqui para a semana de treino gratuita. Ele era um cara mais velho de cabelos grisalhos. Ele olhou para as duas e sorriu. — Vocês nunca treinaram antes?

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Verônica tentou encolher a barriga e endireitou a postura. Uma vida inteira atrás, ela realmente fazia parte da equipe de tênis da faculdade. E antes de sua mãe adoecer ela se reunia com alguns colegas e jogava regularmente. Agora ela temia o que um pouco de treino poderia fazer com ela. — Não, não realmente, mas nós estamos aqui para começar. — Disse Nellie, com o queixo para cima. O homem olhou para uma porta aberta onde alguns rapazes estavam olhando em sua direção. Assim que os viu olhando, eles sumiram de vista. Verônica podia ouvi-los rir. Maravilhoso. Elas já estavam sendo ridicularizadas e ela não tinha sequer começado a sacudir sua flacidez. Isso ia ser pior do que ela imaginava. Verônica trocou olhares com Nellie, antes que as duas se virassem para o cara na frente delas. O homem inclinou-se em uma caixa ao lado e pegou duas pranchetas com pequenos cartões anexados sobre elas. — Leiam e assinem. Deixem-me ver o que posso fazer. — Ele se afastou em direção à porta onde os caras estavam rindo. Verônica puxou o braço de Nellie, que já tinha começado a ler o que parecia ser um termo de responsabilidade. — Eu não acho que isso seja uma boa ideia, afinal. — Pare — O tom de Nellie era firme. — Nós vamos fazer isso por pelo menos uma semana. Você não pode ficar enfiada naquela casa para sempre, Roni. Eu não vou deixar. A ideia de ter um daqueles caras jovens, que estavam, obviamente, as ridicularizando, ficar em cima dela e treiná-la, enquanto

ela

quase

desmaiaria

por

fazer

um

par

agachamentos, fazia ela realmente começar a entrar em pânico.

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de


— Talvez eu e você pudéssemos simplesmente ir caminhar a noite. Você sabe, no parque. Nós podemos fazer nossa própria malhação. Nellie arqueou uma sobrancelha. — Não, você não vai sair desta. É apenas uma semana. Depois disso, vamos decidir o que fazer. Mas, por enquanto nós estamos fazendo isso. Verônica suspirou, derrotada. Nellie não ia ceder. Verônica sabia como ela poderia ser cabeça dura uma vez que sua decisão já estivesse tomada. Assim, quando ela terminou de assinar o termo de compromisso, olhou para cima para ver mais dois rapazes entrarem na mesma sala que o homem, em seguida, ouviu mais risadas. Seu estômago se apertou ainda mais agora. Ela sabia que deixar o conforto de sua casa era um erro.

Determinado a convencer Jack de que ele estava pronto para começar a treinar, Noah entrou no escritório da academia com um propósito. Assim que ele e Gio entraram, os caras já começaram a rir. Noah franziu a testa. — O que é tão engraçado? Nenhum deles disse nada. Abel sorriu caminhando para fora do escritório. Hector mal podia se conter. Jack era o único que não ria. Ele segurava uma prancheta e entregou a ele. — Você quer treinar, Quintanilla? Seu dia de sorte é hoje. Eu tenho duas lá fora, que entraram com passes gratuitos de uma semana. Você tem uma semana para me provar que pode fazer isso.

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Noah mal podia acreditar. Por quase um ano agora, ele tinha tentado convencer Jack que ele poderia fazer treinamento como os treinadores que Jack tão meticulosamente escolhia a mão. Primeiro, Jack disse que iria dar-lhe uma chance quando ele fizesse dezenove anos, então quando completou dezenove quase um ano atrás, tinha tido uma desculpa atrás da outra. Jack tinha contratado ele anos atrás, como um menino de manutenção. O salário não era muito, mas ele também começou a trabalhar na academia

e

treinar

com

alguns

dos

outros

boxeadores

gratuitamente. Em troca, ele mantinha o equipamento, ajudava a manter o lugar limpo, jogava as toalhas na máquina de lavar, em seguida, secava roupas, e limpava as máquinas fazendo o básico. Depois de assistir a outros treinadores por anos, ele sabia que poderia treinar e o salário era muito melhor do que a sua posição de manutenção. Desde que a sua lesão no ombro havia colocado seu boxe em espera por pelo menos mais três meses, chegar ao profissional ou mesmo semiprofissional, onde ele tinha o potencial de realmente fazer algum dinheiro lutando, seria adiado ainda mais. Ele precisava desse dinheiro agora. Noah jogou sua bolsa de ginástica no chão e olhou para a área de transferência, ainda sorrindo. — Elas são iniciantes. — Disse Jack. — Então, você terá menos trabalho. — Elas estão treinando para lutar box? — Noah olhou para Hector, que segurava seu punho contra sua boca abafando uma risada. — O que há com você? — Nada — ele quase chiou a palavra, antes de correr para fora do escritório.

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Gio saiu do banheiro. Ele tinha ido direto para lá assim que eles chegaram, então ele tinha perdido tudo. — Pronto para malhar? — Perguntou. — Não — Noah sorriu, levantando a prancheta para ele. — Eu estarei treinando hoje. A testa de Gio subiu. — Realmente? — Elas estão esperando — disse Jack. — Vá encontra-las. Noah piscou para Gio, que ainda parecia surpreso, mas sorriu. Se alguém sabia o quanto Noah queria tornar-se um treinador, era Gio. Não só ele sabia o quanto queria, mas o quanto precisava do aumento. Desde que completou dezoito anos ele vinha pagando a seus pais adotivos para que ele pudesse continuar ficando com eles. Eles insistiram que não tinha que pagá-los, mas não se sentia bem. Assim que completou dezoito anos, o Estado deixou de pagarlhes para mantê-lo lá e com outros quatro filhos adotivos e dois próprios ele sabia que precisavam do dinheiro. Ele até se mudou para sua garagem para abrir espaço para o novo garoto que eles apanharam

uma

vez

que

eles

não

estavam

mais

sendo

compensados por ele, mas o que realmente queria era conseguir seu próprio lugar. Isso não ia acontecer com seu pagamento de garoto da manutenção. A academia estava ocupada, como de costume, e hoje à noite ele notou duas mulheres lá quando entrou. Isso era raro. Embora não fosse uma academia totalmente voltada para o sexo masculino, era conhecida principalmente como uma academia de boxe. Mulheres entravam de vez em quando, mas a maior parte do tempo eram com outros motivos, elas estavam ali à espreita. A

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maioria das mulheres, como a maioria das garotas com quem ele saiu, preferia a academia mais extravagante no shopping. Ele olhou ao redor quando saiu do escritório, em busca de suas

futuras

aprendizes.

Ele

viu

um

casal

de

rapazes

desconhecidos perfurarem um saco. Estando lá quase que diariamente ele conhecia cada um dos membros, assim ele imaginou que esses dois novos rostos eram novatos. Inclinandose de volta para o escritório, ele perguntou: — Será que vou treinar os dois rapazes dos sacos de pancada? — Não — disse Jack, saindo e ficando em pé ao lado dele. — aquelas é de quem você vai ser o treinador. — Ele apontou para as duas mulheres que tinha visto quando entrou. De repente, Noah sabia por que os caras estavam rindo. Ele se voltou para Jack, perguntando se isso era uma piada. Jack ergueu um ombro. — Elas estão aqui para serem treinadas. Então vá treiná-las. — Para boxe? Noah sabia que as meninas não se encaixavam, mas para ele, olhando estas duas mulheres, não estavam em qualquer forma. Elas não estavam sequer vestidas adequadamente. Moletons largos não seriam confortáveis no ringue. — Não sei. Elas não disseram. Vá descobrir. Noah olhou para Jack. Se essa era a ideia de Jack de uma piada, ele ia ficar puto. — O quê? — Perguntou Jack. — Eu realmente estava pensando em lhe dar uma chance como treinador esta semana. Estas duas, simplesmente apareceram hoje e eu não tenho mais

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ninguém disponível. Então elas são mulheres. Qual é o problema? — Ele sorriu. — Você pode até marcar uns pontos. Noah ainda olhou para ele. — Ha, ha — Ambas têm idade suficiente para serem casadas durante anos. — Elas provavelmente estão aqui para perder peso desde a última criança que tiveram. Finalmente movendo seu olhar longe de Jack, ele olhou para as mulheres que estavam desajeitadamente perto da porta. A mais gordinha parecia estar avançando ainda mais perto da porta. — Vá para lá antes que elas corram. Relutantemente, ele se afastou de Jack e foi para as duas mulheres. Quando ele chegou até elas, a mais baixa parecendo tímida sorriu largamente enquanto a mais pesada ficou um pouco cautelosamente atrás dela, não fazendo nenhuma tentativa de esconder seu desconforto. Ele estendeu a mão para a tímida. — Ei, eu sou Noah. Ouvi dizer que vocês estão aqui para treinar. Ela apertou sua mão. — Sou Nellie — disse ela, em seguida, virou-se para a amiga. — Esta é minha amiga Ron- — Ela parou quando sua amiga lhe deu um olhar. — Uh, Verônica. Verônica estendeu a mão, mal fazendo contato visual com ele antes de olhar para longe. — Nós estamos querendo entrar em forma. Nenhuma de nós tem malhado por um tempo, então você vai ter que pegar leve conosco. — Disse Nellie, entregando-lhe as pranchetas com suas fichas assinadas. Noah as pegou, rindo.

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— Não há tal coisa. — Ele notou os grandes olhos de Verônica crescerem ainda mais, mas ele não iria mentir. Se esta era sua chance de provar a si mesmo para Jack, começando com estas duas mulheres fora-de-forma mesmo que as treinasse ligeiramente seria uma grande façanha. — Pode levar mais de uma semana, mas as taxas de Jack são mais do que razoável. Não só isso, ele é conhecido por estender o período grátis para algumas semanas se você pedir com jeitinho. Ambas as mulheres olharam para ele, então olharam uma para a outra. Nellie deu de ombros. — Parece bom para mim. — Tudo bem. — Ele sorriu, tentando parecer mais firme sobre isso do que se sentia. — Vamos começar. Me sigam. Ele começou a preencher as folhas de treino, escrevendo seus nomes no topo de cada folha. Quando chegaram à balança virouse para enfrentar um rosto de olhos arregalados de Nellie e Verônica que tinha ficado branca. — Há algum problema? — Você irá nos pesar? — Nellie, que neste momento parecia ser a porta-voz das duas, perguntou. — Bem, sim. De que outra forma saberemos até o final da semana se você perdeu algum peso? Verônica balançou a cabeça muito ligeiramente, mas ela finalmente falou. — Eu não quero ser pesada. Se estiver tudo bem com você, Noah. Foi só então que Noah percebeu que era a primeira vez que ele a ouvia falar. Sua voz era profunda e rouca e um pouco demasiada firme. Ele sorriu ao perceber outra coisa sobre ela pela

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primeira vez. Mesmo que ela fosse quase da mesma altura que Nellie, ela era tudo, menos tímida. Não era só porque ela era mais pesada também. Suas sobrancelhas altamente arqueadas davamlhe uma aparência muito confiante, quase demasiada confiante. Embora, no momento, ele tivesse a certeza de que suas sobrancelhas arqueadas não tinham nada a ver com confiança. Ela estava tentando escapar de se pesar. Isso não iria acontecer. Se ele fosse fazer isso, ele faria do jeito certo. — Na verdade, não está tudo certo, Verônica. É parte do treinamento; eu tenho que manter o controle de seu progresso. Ela cruzou os braços, deslocando seu peso e incrivelmente a sobrancelha ficou ainda mais alta. — Eu não irei subir nessa balança. — Oh, vamos lá, Roni — disse Nellie, tirando seus sapatos. — Qual é o grande problema? Eu vou primeiro. Roni? Noah ignorou o nome, mas ele teve de sorrir ao ver a expressão exasperada de Verônica. Ele deu um passo mais perto para ajustar os pesos na balança e anotou o peso de Nellie. Aproximadamente o que ele pensou por sua altura e tamanho do corpo - 63 quilos. — Oh meu Deus. Eu realmente perdi alguns quilos. — Ela se virou para Noah seu sorriso dissolvendo quando viu que ele não estava impressionado. — Sim, eu sei que eu preciso perder mais. — É uma coisa boa você estar aqui — disse Noah, voltando a zerar o peso. Ele se virou para Verônica. — Sua vez. — Eu não vou subir nessa coisa. — Olha. — Ele encostou a prancheta na perna. — Eu posso muito bem adivinhar quanto você pesa só de olhar para você. Por que não começar com o número exato?

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— Porque eu não vou subir nessa coisa. Então adivinhe tudo o que você quiser. Noah olhou para os lábios teimosos, agora pressionados firmemente. — Bem - 72 quilos. O

queixo

dela

caiu

momentaneamente

e

ela

parecia

genuinamente escandalizada. Mas se recompôs rapidamente. — Vocês duas sabem como alongar, certo? — Nellie assentiu, Verônica não iria sequer olhar para ele. — Ótimo. Comecem a alongar em pé. Eu vou pegar alguns tapetes para que vocês possam se alongar no chão, também. Ele olhou novamente para Verônica, que estava, obviamente, ainda chateada com o seu palpite sobre seu peso. Ela deveria estar agradecida. Ele tinha sido gentil. Embora ele dissesse 72 kg, escreveu

75

kg.

Caminhando

de

volta

para

a

sala

de

equipamentos para puxar alguns tapetes, Jack amaldiçoou baixinho. Essa ia ser uma longa semana.

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CAPÍTULO 02 Assim que Noah estava fora de vista, Verônica pulou na balança. Como ele se atreve! Ela nunca tinha estado perto de 72 em sua vida inteira. Ela engasgou quando o peso continuou se movendo. Ele finalmente parou um pouco mais de 76 kg. Trazendo a mão à boca, ela sentiu o nó se formando em sua garganta, em seguida, ela empurrou os pesos de volta para baixo antes que Nellie pudesse ver o quanto ela pesava. — Ele estava certo? — Nellie deve ter visto sua expressão de quase-lágrimas porque acrescentou: — Bem, é por isso que estamos aqui, não é? Verônica sentia vontade de vomitar agora. Ela mal podia acreditar o quanto ela tinha engordado em apenas dois anos! — Podemos sair, Nellie? Por favor? — Não. — Nellie ficou na frente dela e tomou as mãos de Verônica na dela. — Eu não vou deixar você adicionar mais uma razão para estar deprimida e se trancar longe do mundo. Se o excesso de peso é o que tem deixado você tão deprimida, então aqui é exatamente onde nós devemos ficar. Onde devemos ficar. Verônica teve de sorrir. O que ela faria sem Nellie? — Você nem precisa perder peso. — Ela bufou, se curvando para pegar uma garrafa de água do saco pequeno de academia que Nellie tinha trazido. Que continha apenas duas garrafas de água médias, a carteira de Nellie e sua bombinha. — Sim! Mesmo que eu tenha perdido alguns quilos eu ainda não estou no meu peso ideal! Você viu como ele olhou para mim quando eu disse que tinha perdido alguns quilos? Como se ele estivesse pensando, “perderá um pouco mais!” 22


Verônica segurou o ruído em sua garganta. — Tenho certeza que você vai perder tudo aquilo que você precisa perder hoje. É provavelmente tudo peso de água. — Ela tomou um gole de água, em seguida, virou-se para olhar para Nellie. — A sua asma atacou de novo? Nellie deu de ombros. — Não realmente, mas eu percebi que desde que eu não tenho malhado há muito tempo, melhor prevenir do que remediar. Verônica franziu a testa, lembrando como no passado houve momentos em que Nellie teve que ser hospitalizada por causa de sua asma. Do canto do olho, viu que Noah estava voltando e supostamente deveriam estar alongadas. O mais próximo que elas foram era Verônica curvando-se para pegar a água. — Aí vem ele. — Disse Nellie, separando seus pés e estendendo a mão para o chão. — Então, o que você acha do nosso treinador? Verônica olhou para ela de onde estava dobrando. — Huh? —

Ele

é

sexy!

Nellie

sussurrou

enquanto

ele

se

aproximava. — Nellie, ele é um garoto. No meio do caminho para elas, Noah soltou as esteiras e voltou. Nellie e Verônica o observaram por trás. Sua camisa e músculo não deixavam nada para a imaginação. Não havia um músculo perfeitamente definido que você não pudesse ver. E ele tinha um monte deles. Típico treinador. Sem um pingo de gordura e todo enorme.

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— Oh, vamos lá, onde está seu senso de escapismo? Eu sou uma mulher casada e estou apreciando à vista. Quem se importa se ele é jovem? Nada de errado com fantasiar, além de quantos filhos você tem visto com um corpo como esse? Ele tem que ter, pelo menos, vinte e três, vinte e quatro. — Vinte e quatro? De jeito nenhum. — Verônica disse, se inclinando novamente. — Você só está dizendo isso porque ele é grande. Mas ele tem um rosto de bebê. — Uma das mandíbulas mais fortes que eu já vi em um bebê. — Nellie riu. — E você viu aqueles lábios? Umm umm. Fale sobre os lábios chupáveis. Verônica teve de rir agora. — Quer parar? O cara não pode ter mais do que vinte e um anos e estou sendo generosa. — Ela tinha estado em torno de alunos o suficiente, quando ela trabalhava na faculdade para ser capaz de adivinhar sua idade com bastante precisão. — Vamos perguntar a ele. — Não! —Verônica se levantou. — Não se atreva. Nellie riu. — Por que não? — Porque não é da nossa conta. É melhor não. Nellie balançou a cabeça, o rosto ainda cheio de humor. — Tudo bem, tudo bem. Você não é mais divertida. A velha Roni já teria flertado com ele. Verônica revirou os olhos se abaixando para alongar mais uma vez. — Sim, bem a velha eu não pesava 76 loucos quilos! — Ela gemeu com nojo de si mesma. Como ela pode se deixar ficar

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assim? Ela tinha ganhado mais do que os 18 quilos que ela pensou. Nellie estava certa sobre uma coisa. Ela tinha quase esquecido o que poderia ser um flerte. Mas ela estava errada sobre a outra. De maneira nenhuma ela pensaria em sair com alguém muito mais jovem que ela. Era difícil o suficiente encontrar um cara maduro da sua idade, ela certamente não iria tentar com os mais jovens. Noah jogou um tapete na frente de cada uma delas e, em seguida, um na frente de si mesmo. — Tudo bem, senhoras. Sentem. Depois que se alongou por cerca de 10 minutos, Verônica já estava suando. Suando! E eles não tinham sequer começado o treino de verdade. Isto seria humilhante. Depois de terem alongado-se até Noah ficar satisfeito, foram para as esteiras. O que ele chamou de ‘leve’ deixou Verônica encharcada em poucos minutos. Enquanto elas se aqueciam, antes do exercício começar para valer, bom senhor isso ia matá-la, ele conversou com elas sobre seu plano de treino. Como Verônica precisava perder muito mais do que Nellie, seus treinos seriam um pouco diferentes. O que Verônica traduziu: eles iriam trabalhar até que ela estivesse em lágrimas. Oh sim, claro que ela voltaria para mais dessa porcaria. Se ela conseguisse sair daqui viva essa noite, Nellie teria a sorte de convencê-la até mesmo a dar aquele passeio no parque, que ela falou antes, muito menos voltar aqui. Quando o exercício começou de verdade, Verônica tinha vontade de vomitar. Ela lamentou estar vestindo um moletom agora. Ela estava assando, mas tirá-lo e revelar a camiseta que

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provavelmente agora se agarrava ao seu corpo encharcado de suor estava fora de questão. Assim, como ela poderia observar cada músculo cinzelado no corpo de Noah, ele poderia ver cada dobra rolando no dela. Não, obrigada. Ela desmaiaria de exaustão pelo calor antes que isso acontecesse. Felizmente, Noah se foi porque ele tinha uma ligação no escritório. Ele pediu desculpas, mas lhes disse para continuar. — Vocês têm mais dez minutos de qualquer maneira. Estarei de volta antes disso. Mantenham o ritmo. — Ele levantou uma sobrancelha para Verônica e ela quase rosnou em resposta. Tão logo ele ficou fora da vista, tanto ela quanto Nellie abrandaram os exercícios. As garrafas de água que Nellie tinha embalado, estavam muito longe e suas bocas estavam secas. Logo, Nellie saiu da esteira dela e pegou a mochila de academia, retirando seu inalador. Depois de dois hits, ela estava de volta na máquina. — Eu não posso... — Verônica começou a dizer, mas achou que ela mal conseguia falar — Acreditar... Que eu deixei você me convencer... A isso. Nellie estava respirando com dificuldade. — Mas você não está animada? — Ela parou para recuperar o fôlego. — Você vai perder muito peso. Dois estrondos altos trouxeram a sua atenção em direção à porta do escritório, onde Noah estava com o telefone ao ouvido, com a mão na parede que ele aparentemente acertou e sua expressão parecia ameaçadora, mas ao mesmo tempo sexy como pra caralho. Lhe surpreendeu, que em um momento como esse ela pensasse assim.

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Ele apontou o dedo para cima com força, como para “pegar o ritmo”. Tanto Nellie e Verônica gemeram e mudaram a velocidade em suas esteiras de novo, mas Verônica não voltou para a velocidade que ele tinha deixado, não podia. Ela já se sentia pronta para largar. Meia hora depois, e uma das saídas do treino mais excruciante que ela já tinha suportado, Verônica e Nellie sentaram no chão com suas costas contra a parede enquanto Noah entregava-lhes uma dieta sugerida. Nellie teve mais um par de bombeadas de seu inalador, sacudindo-o depois de cada vez. — Vejam bem, não é obrigatório que vocês sigam esta dieta especial, mas sugiro que façam se quiserem obter o máximo de seu treinamento e perder peso tão rapidamente quanto possível. Verônica observou o que Nellie chamou de lábios chupáveis, enquanto ele falava e tinha que admitir que eram. Provavelmente os mais chupáveis que ela já tinha visto. Pena que ela não voltaria a vê-los novamente, porque se ele pensou que ela voltaria para mais desta tortura amanhã, ele estava louco. Felizmente, depois do treino de hoje, ela tinha certeza de que Nellie não estaria ansiosa para voltar também. Amanhã!

Apenas

o

pensamento

era

ridículo.

Ela

provavelmente estaria muito dolorida até mesmo para ficar de pé. Uma vez que Noah terminou com o resumo da programação da semana, elas finalmente podiam sair de lá. Elas começaram a caminhar muito lentamente para a porta enquanto Noah pegava as esteiras do chão. — Verônica. Verônica se virou para ele, seu corpo já dolorido. — Você foi bem. Estou orgulhoso de você.

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Seu sorriso foi o suficiente para aquecer seu interior e ela imediatamente se sentiu envergonhada. Em primeiro lugar, por julgar improcedente o próximo treino tão rapidamente, mas, em seguida, pelos pensamentos escandalosos que se seguiram sobre ela e seu jovem treinador. — Obrigada. — disse ela, olhando para Nellie. Assim que elas estavam fora da porta, sabia que Nellie teria algo a dizer e ela o fez com um sorriso. — Ele não me disse que eu fui bem, ou que eu o deixei orgulhoso. Verônica revirou os olhos. — Isso é provavelmente porque ele esperava que você fosse bem. Obviamente, ele não estava esperando muito de mim. Ela gemeu quando se sentou no carro de Nellie. — Deus, eu preciso de um banho quente e uma taça de vinho. — Ela olhou para a lista de alimentos em sua dieta sugerida e franziu a testa. Não seria surpresa que o vinho não estivesse nela. Ela sentou-se e jogou o papel no banco de trás. Ela ouviu Nellie chiar, quando ela tomou outra respiração de seu maldito inalador. — Porra, acabou. — Você tem outro? Nellie franziu a testa. — Em casa. — Ela deve ter visto o olhar preocupado no rosto de Verônica, porque ela sorriu, ao ligar o carro. — Eu vou ficar bem. Isso só serve para mostrar quão fora de forma que eu estou. Mesmo enquanto ela dirigia, Verônica podia ouvir o chiado na respiração baixa de Nellie. Ela viu Nellie pegar o telefone no suporte de copo.

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— Não mande mensagem e dirija, Nellie. — Verônica advertiu. — Não, eu estou checando meu correio de voz. — Ela bateu um par de botões e colocou o telefone de volta no porta-copos, enquanto suas mensagens de voz começaram no alto-falante. — Nellie, eu tenho notícias para você. Não são boas. Ligue-me assim que você receber essa mensagem. — A irmã mais nova de Nellie, Courtney não parecia muito feliz e Verônica e Nellie trocaram um olhar preocupado. O rosto de Nellie estava mais do que preocupado, quase como se ela já soubesse o que poderia ser. Quando

a

segunda

mensagem

começou

era

Courtney

novamente. — Nellie, Rick está jantando com ela agora. Você precisa me ligar. Eu sei que você não quer que eu faça qualquer coisa, mas eu mal posso suportar isso. Verônica começou a entender a situação. Rick era o marido de Nellie e sua respiração ofegante de repente disse tudo. Com quem quer que ele estivesse jantando não era alguém aprovado por Nellie. A terceira mensagem começou e Nellie puxou para ouvi-la. Courtney falava mais alto e parecia furiosa. — Nellie, segui-os quando eles deixaram o restaurante. Ele estava em um quarto de hotel com a cadela e suas mãos estavam em cima um do outro. Eu sei que você disse para chamá-la primeiro, se eu encontrasse outra coisa, mas eu não posso esperar para que você possa me ligar de volta. Vou enfrentar o bastardo! A linha clicou e Nellie estava agora sibilando fora de controle. — Querida você está bem? — Perguntou Verônica, em pânico completo.

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Nellie fez um gesto para o porta-luvas, sua mão em seu peito tentando desesperadamente recuperar o fôlego. Verônica abriu-a, orando por outro inalador. Não havia nenhum. Ela tentou relaxar, lembrando a pior coisa que podia fazer para Nellie era entrar em pânico. Quanto mais lenta a respiração que ela tomasse, melhor. Ela agarrou as mãos de Nellie e falou calmamente. — Respire fundo, Nel. Relaxe. Os olhos arregalados de Nellie estavam apavorados. Verônica pegou o telefone, mas continuou abraçando Nellie com calma. — Respirações lentas. Você consegue. Seu próprio coração sentiu como se estivesse prestes a explodir para fora do peito, mas ela conseguiu manter-se o mais calma possível, enquanto ela explicou a situação para o operador do 911. O chiado de Nellie só foi piorando e seus lábios estavam começando a escurecer, lembrando Verônica, do ataque que Nellie teve quando elas eram crianças que quase a matou. — Por favor, depressa! — Sua calma estava agora quase completamente desaparecida, mas ela teve mantê-la, pelo amor a Nellie. Os quatro minutos que levou para os paramédicos chegarem, tinham que ser os mais longos da vida de Verônica. Nellie estava quase inconsciente quando chegaram e neste momento Verônica estava histérica. Eles disseram a Verônica para qual hospital a ambulância estava levando Nellie, mas os paramédicos se recusaram a deixar Verônica conduzir até que seus sinais vitais fossem verificados, para certificarem de que ela não estava entrando em choque.

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Quando foi determinado que ela não estava, finalmente a deixaram ir. Quase no hospital, ela ficou histérica novamente. Ela lembrou-se de ouvir um dos paramédicos requisitando uma equipe em espera fora da sala de emergência para Nellie. Isso era ruim. O que ela faria da vida sem Nellie? Ela era tudo o que Verônica tinha agora. Sobreviver a morte de sua mãe foi difícil, mas era esperado. Ela teve anos para contemplar e aceitar o que estava por vir. Mas Verônica tinha certeza que ela nunca iria sobreviver a perda de Nellie.

— Como foi? — Jack perguntou quando Noah fechou a sala de abastecimento. — Foi bom. — Ele sorriu. — Eu peguei leve com elas, sendo que foi o primeiro dia. Eu quero ter certeza de que elas voltem. — Bem pensado. Muitas vezes estes iniciantes vêem aqui entusiasmados, mas se chicotear suas bundas, nunca mais voltarão. Noah assentiu. Isso era exatamente o que ele estava pensando. Especialmente sobre Verônica por razões óbvias, o treino pareceu muito mais difícil para ela. É por isso que ele fez questão de dizer que ela foi bem. — Então, elas voltarão amanhã? — Isso é o que elas disseram. — Noah realmente esperava que voltassem. Ele precisava desse dinheiro e se algo não mudasse em breve, ele teria que procurar um emprego em outro lugar. Ele realmente não queria ter que deixar a academia. Tinha

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sido sua segunda casa durante anos. Sentia-se mais confortável lá, do que na garagem onde ele morava. Ele até tomava banho aqui em vez de usar o banheiro de seus pais adotivos. Um monte de seus pertences estava aqui em seu armário também. — Noah, eu queria falar com você — disse Jack, coçando a parte de trás de sua cabeça e parecendo um pouco nervoso. — Eu já falei um pouco com Gio sobre isso. Vocês, rapazes, são tudo o que tenho. Não é que eu não ache que você não seja capaz de treinar. Eu espero que você saiba disso. Eu só queria esperar até que soubesse que você estava pronto. Eu estou contando com vocês, para tomarem conta daqui quando minha bunda cansada ficar mais velha. Noah balançou a cabeça. — Não, você ainda tem mais algumas lutas — Noah brincou. — E não se preocupe. Você sempre pode contar conosco, Jack. Jack tinha feito tanto por eles já. Ele nunca tinha se casado e não teve filhos. A 5th Street e as pessoas que ele conheceu eram sua vida. Gio disse à Noah que, quando seu pai morreu Jack tomou-o sob sua asa e ensinou tudo o que sabia sobre boxe e ser um homem. Quando Gio os apresentou e Jack descobriu que ele era órfão, criado em orfanato toda a sua vida, ele tinha feito o mesmo com ele. Noah rebateu. — E cara, obrigado por me dar a oportunidade de treinar. Eu vou fazer você se sentir orgulhoso. Eu prometo. Jack sorriu, e com isso, a conversa estava terminada. Noah se dirigiu para o estacionamento. Ele subiu em sua motocicleta e foi para casa. Sua moto estalou lembrando-lhe a outra razão pela qual precisava de mais dinheiro. O motor precisava de uma

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grande revisão. De jeito nenhum ele podia se dar ao luxo de comprar uma nova. Ele não queria uma de qualquer maneira. Esta era outra de suas zonas de conforto. Ele e sua Ninja estavam juntos há mais de dois anos. Mesmo que ele pudesse pagar uma mais nova e melhor, nunca venderia esta. Ele viu o pessoal, logo que virou a esquina da First Street. Abel já estava rindo. Hector sorriu, mas Gio não pareceu estar tão divertido como os outros. Eles estavam encostados na velha picape de Abel. Ele estava sempre trabalhando nela. Noah desacelerou quando chegou até eles. — Assim, como foi com as gatinhas? — Abel riu. Claramente, isso era hilariante para ele. Hector, irmão mais novo de Abel acrescentou: — Então você trabalhou muito nelas, Noah? Noah ignorou o caráter sugestivo do tom de Hector, colocando o pé no chão quando ele parou e tirou seu capacete. — Eu tomei conta dos negócios. Uma vez que nenhum de vocês maricas pôde — ele disse como se isso o irritasse. Mas quanto mais pensava, mais ele não tinha nenhum prazer nisso. Os fundos provenientes de um cheque ridículo que o estado forneceu estavam acabando. Isso não poderia ter acontecido em melhor hora. Hector fez uma careta. — Perda de tempo. Essas duas velhas não irão voltar. Noah olhou para Hector. Aos dezesseis anos, ele pensaria que aquelas mulheres eram velhas. Mas depois de dar um olhar mais atento, Noah percebeu que nem eram tão velhas quanto ele pensava. Fora de forma, sim, mas velhas não. Elas não poderiam ser mais do que alguns anos mais velhas que ele e Gio.

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— Não, elas voltarão — disse Gio. Como de costume, ele era o único que Noah podia contar para um pouco de apoio. — Você não trabalhou muito duro com elas, não é? — Não — em seguida, lembrou o quão cansada ambas pareciam, depois ficou um pouco preocupado. — Eu acho que não, de qualquer maneira. — Pois elas deveriam. — Gio deu de ombros. — Elas provavelmente vão parar, mas eu duvido que elas saiam depois de apenas um treino. Até então, Jack irá saber que você está pronto para seguir em frente. Noah não iria falar para eles o quanto ele estava contando com isso, mas já tinha começado a procurar emprego usando o computador da biblioteca, ele estava ficando desesperado. Gio, que tinha estado apoiado em sua própria moto, disse. — Pare na minha casa antes de ir para a sua. Tenho uma coisa para você. — Eu vou te seguir, então — disse Noah, colocando seu capacete. —Eu tenho um dia longo amanhã e não estava pensando em ficar por aqui por muito tempo. Ao contrário de meninas, nenhum dos dois jamais disse, mas Gio era seu melhor amigo desde que ele se mudou de sua última casa de acolhimento para a casa de Fuentes quatro anos atrás. Ele viveu até na rua, mas não foi assim que o conheceu. Eles se conheceram numa loja de automóveis, na escola, no segundo ano. Quando Gio descobriu sobre o amor de Noah por motos e que ele estava trabalhando para fazer sua Ninja funcionar, ele convidou-o para ver a moto em que ele estava trabalhando. Uma velha GXXR que seu tio lhe dera.

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Gio apresentou-o a todo mundo na First Street, incluindo a academia Fifth Street onde todos eles estavam, Noah descobriu sua paixão pelo boxe, e o resto era história. Ele tinha sido parte do grupo desde então, mas sua ligação com Gio era mais forte. Eles entraram no quintal de Gio, e estacionaram suas motos em frente da garagem. — O que você tem para mim? — Spaghetti, mamãe me fez prometer que eu lhe traria para jantar. Noah riu. A mãe de Gio sabia que seu spaghetti era o seu favorito. Ele disse isso a ela, quando experimentou pela primeira vez. Ela chamava de spaghetti, mas era mais como uma lasanha, porque ela usava tudo o que tinha de massas disponíveis. Em seguida, ela misturava tudo com queijo extra e assava. Mas eram sempre incríveis e ela fazia o melhor pão de alho para acompanhar. O estômago de Noah rosnou só de pensar nisso. — Porra, isso vai ser perfeito. Estou faminto. Não querendo ser um fardo demasiado para seus antigos pais adotivos,

que ele

sabia

que não estavam

indo tão bem

financeiramente, ele começou a comer cada vez menos em casa. Há meses, ele dizia a eles que já tinha comido pelo menos quatro vezes fora na semana. Hoje à noite ia ser uma daquelas noites. Normalmente, uma mortadela ou apenas um sanduíche de queijo, se ele estivesse fora. Esta noite teria sido sanduíche de queijo, mas graças a Sra. Bravo ele estaria festejando. Ele sorriu, esperando que amanhã fosse um dia tão bom como este tinha sido.

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CAPÍTULO 03 A sala de espera estava quieta agora, mas poucas horas antes tinha estado um puro caos. Verônica chamou Courtney para avisá-la do ataque de asma de sua irmã. Courtney comunicou o resto da família e eles estavam todos lá, dentro de minutos. Eles já estavam chateados com o ataque de Nellie, mas foi quando Rick chegou que as coisas ficaram feias. Courtney teve que ser parada, ela se recusou a deixar Rick ver Nellie. Ela o culpava pelo estado de Nellie no hospital em primeiro lugar. Em seguida, o irmão de Nellie, Raymond, chegou e quando entendeu porque Courtney estava tão chateada, ele teve o próprio ataque. Eventualmente, Rick saiu e as coisas começaram a se acalmar. Durante as horas que passaram, Courtney contou a Verônica sobre o que Nellie tinha suspeitado por meses. Meses. E ela não mencionou isso para Verônica nem uma vez. Ela não tinha certeza do porquê, mas tinha uma ideia. Desde a morte de sua mãe, Nellie estava fazendo tudo que podia para tentar animar Verônica. Verônica estava muito presa em sua própria depressão até mesmo para perceber que Nellie poderia estar tendo problemas conjugais. Nellie nunca sequer tinha deixado escapar. A culpa era mais do que Verônica podia suportar. Os pais de Nellie finalmente saíram de seu quarto de hospital, permitindo que Verônica entrasse. Pelo que os médicos tinham dito Nellie estava melhor, mas ela ficaria no hospital por pelo menos alguns dias. Eles queriam fazer mais alguns testes e chamar um especialista antes que ela fosse liberada. Quando Verônica entrou, Nellie sorriu. A máscara de oxigênio no rosto e os tubos em seu braço a fizeram parecer incrivelmente 36


impotente. Verônica sentiu o caroço começar a se formar em sua garganta novamente. Ela caminhou até o lado da cama e pegou a mão de Nellie na dela. — Como está se sentindo? — Ela sussurrou. Nellie assentiu com a cabeça e sorriu. — Eu deveria saber que não posso deixar meu Albuterol 1 ficar tão baixo. Verônica tinha que saber, se talvez Nellie vinha usando mais do que o habitual ultimamente por causa de Rick. Ela apertou a mão dela. — Por que você não me disse, Nel? Nellie apertou de volta. — Oh, querida, como eu poderia? Você estava passando por coisas demais. Verônica sentiu uma lágrima deslizando pelo seu rosto. — Mas eu deveria ter estado lá para você. — Eu tive Courtney. Ela era a única que sabia das minhas suspeitas. —Nellie tentou um sorriso fraco. — E ela é uma detetive muito boa, essa menina. — Então ela riu. — Ouvi dizer que ela quase chutou a bunda dele na sala de espera. Verônica riu baixinho, enxugando as lágrimas. — Sim, ela teve de ser contida. Uma coisa sobre o relacionamento de Nellie e Courtney, era que sempre tinha sido tenso. Crescendo, Courtney era a muito extrovertida e popular irmã mais nova de Nellie, enquanto Nellie tinha sido sempre a estudiosa, a irmã menos emocionante do lado de fora. Mesmo que Nellie nunca admitisse isso porque seu coração era muito grande, ser a popular, bonita, não era o

1 Remédio para Asma, normalmente conhecido como bombinha

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suficiente para Courtney. Ela ainda estava com ciúmes da relação próxima de Nellie com seu pai. Nellie era obviamente a favorita. Claro, seu pai nunca declarou isso, mas Nellie nunca ficou em apuros. Ela tinha boas notas durante toda a escola primária e no ensino médio, e nunca foi promíscua. Courtney, por outro lado, era o oposto, mas foi mais do que isso. Assim como Nellie ajudou Verônica a passar por sua fase difícil, colocando seus problemas de lado, para que ela realmente se dedicasse a Verônica, Nellie tinha sido assim para qualquer um que amava em sua vida. Seu pai viu isso. Courtney nunca foi assim, é por isso que surpreendeu Verônica, que ela reagisse daquele jeito à traição de Rick. Ainda assim, Verônica sabia que ela deveria ter estado lá por Nellie. — Bem, eu sei agora. — Ela apertou a mão de Nellie. — Então, eu espero que você venha a mim, não importa o que aconteça. Devo-lhe, Nel. Não é justo que eu não estivesse lá para você. Nellie acenou com a cabeça, concordando e começou a contar a ela sobre o caso de Rick. Ela suspeitava que as coisas tinham mudado entre os dois há mais de um ano. Quando ela confiou em Courtney, sua irmã tinha tomado para si a investigação. No início, não havia nada mais do que becos sem saída, mas havia um monte de coisas que não se somavam. Ela admitiu não ter contado todos os detalhes a Courtney, porque no fundo ela esperava que estivesse errada. Havia as noites até tarde no trabalho, que aconteciam com muito mais frequência. E ela o pegou em algumas mentiras que, eventualmente, pareciam fazer sentido, mas em retrospectiva, ela

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soube que Rick era apenas muito bom em encobrir seus rastros. Isso e o fato de que ela não queria ver as coisas como elas realmente eram. — Agora que você sabe, o que você vai fazer? As lágrimas vieram no meio da sua conversa e Verônica chorou com sua amiga, segurando a mão dela o tempo todo. — Eu ainda o amo. Verônica assentiu com a cabeça totalmente compreensiva. Ela pensou no único relacionamento sério que teve, com Derek. Eles tinham até começado a falar dela morar com ele. Em seguida, sua mãe recebeu a notícia de seu câncer. No começo, ele tinha sido paciente, mas quando a doença de sua mãe piorou e ela começou a ter cada vez menos tempo ou energia para ele ou seu relacionamento, eles começaram a se afastar. Ao contrário de Rick, ele pelo menos teve a decência de dizer a ela que conheceu outra pessoa. Ele até sugeriu que eles fizessem uma pausa e talvez tentassem novamente mais tarde, quando ela tivesse tempo, em outras palavras, quando sua mãe morresse. Ela estava tão magoada e com raiva e, na época lhe disse que não queria nada com ele. Mesmo que ela pensasse que o que Rick tinha feito para Nellie fosse desprezível; ela entendeu completamente o que Nellie estava sentindo. Houve momentos desde que sua mãe tinha morrido em que ela tinha estado tentada a chamar Derek. E seu relacionamento com ele nem sequer se comparava com o casamento de Nellie. Nellie e Rick tinham estado casados por quatro anos e ele tinha sido seu primeiro amor real. Apesar de seus sentimentos por Derek terem morrido quase no momento em que ele admitiu ter conhecido outra pessoa, ela

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nunca o amou como Nellie amava Derek. Na verdade, ela se perguntava agora se alguma vez amou Derek. Nellie respirou fundo e enxugou as lágrimas. — Eu não posso ficar casada com ele agora. Eu nem sei se ele iria querer. Eu conheço Rick. Ele nunca faria algo parecido a menos que ele estivesse apaixonado por ela. Eu só desejaria que eu o tivesse confrontado no momento em que percebi a mudança nele. Talvez ele não estivesse se apaixonado ainda. — Ela ergueu um ombro. — Eu vou sobreviver. Você passou por pior e olhe para você. — Por favor, não olhe para mim como inspiração sobre como lidar com a depressão. Deus, eu tenho estado uma bagunça. — Mas você está fazendo algo sobre isso agora. Lembra-se? Verônica olhou para ela não tendo certeza se agora era um bom momento para dizer que ela não ia voltar para a academia, mas ela não precisava. Sua amiga a conhecia muito bem. Imediatamente ela levantou uma sobrancelha. — Você vai voltar amanhã, Verônica. — Eu não posso — ela sussurrou, sabendo que ela soou tal como uma covarde. — Você tem — disse Nellie, em seguida, soltou a bomba. — Seria uma coisa a menos que eu teria que me preocupar, querida. Você não tem ideia de como eu estive preocupada com você. Eu prometo a você, assim que eu puder, eu vou acompanhá-la novamente. De repente, Verônica se sentia como a chorona mais patética do

mundo.

Nellie

tinha

que

lidar

com

seu

casamento

desmoronando. Tinha estado lidando com tudo sozinha e o que Verônica tinha que fazer para seu próprio bem era o treino. Nada

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de ruim poderia vir disso, exceto talvez alguns músculos doloridos, mas ela começaria a perder aqueles 18 quilos e talvez começasse a sentir-se como um ser humano novamente. — Você não tem que me acompanhar, Nellie. Eu sei o quanto você odeia malhar e nós duas sabemos que você não precisa perder peso. — Verônica não diria isso, porque ela não queria fazê-la sentir-se pior, mas Nellie sempre perdia peso quando estava estressada. Nellie já tinha sido surpreendida hoje à noite por descobrir que tinha perdido peso. Verônica sabia o por que agora e algo lhe dizia que o peso de Nellie certamente despencaria ainda mais depois disso. — Eu vou voltar e prometo que vou tentar o meu melhor para perder peso tão rápido quanto eu puder. Eu preciso sair dessa, porque agora é a minha vez de estar aqui para você. Elas conversaram um pouco mais antes que Verônica fosse para casa e tomasse uma ducha muito necessária e tivesse um copo de vinho que, apesar de sua noite movimentada, ajudou-a a dormir como um bebê.

Noah tinha que admitir que ficou surpreso ao ver que, não só Verônica tinha voltado sozinha no dia seguinte, mas que duas semanas depois ela ainda estava muito comprometida com seus treinos. Ela até se pesou no final da primeira semana, confessou que se pesou no primeiro dia e disse a ele o seu peso real. Ela também explicou porque Nellie não tinha voltado, mas o mais importante, ele via uma energia renovada nela. Ela pediu para treinar tão duro quanto ele podia. Então ela ficou vermelho 41


sangue quando ele sorriu ao dizer-lhe que nunca tinha tido uma mulher colocando tanta pressão sobre ele. O que tinha finalmente arrancado um sorriso dela, um sorriso muito doce. No final da segunda semana, quando chegou a hora de pesar, ela estava nervosa. Ela tinha perdido 2 quilos e meio na primeira semana e estava em êxtase. — Pronto? — Perguntou. Ele via a diferença em seu rosto. Suas bochechas estavam se tornando mais definidas e seu moletom estava ainda mais largo do que quando ele a viu pela primeira vez. Ela respirou fundo antes de pisar em cima da balança. Sua cabeça caiu para trás, e ficou nessa posição, obviamente não querendo ver o seu peso. Noah mudou os pesos na balança, ajustando-os até que a barra estava equilibrada. Verônica não olhou para baixo. — Quanto? — Ela perguntou. Mesmo depois de duas semanas, ele ainda não tinha se acostumado à sua voz rouca. Ele só tinha ouvido vozes como essa no cinema e na televisão. Era muito sexy e, às vezes, ele se esforçava para manter o foco quando ela falava com ele. Eles haviam começado a falar um pouco mais agora, tornaram-se mais íntimos. Quando ele viu o quanto ela tinha perdido ele sorriu. — Quanto você acha? — Eu não sei — disse ela. — Mas eu vou ficar louca se for zero. Ouvi dizer que poderia acontecer. — 2,8 quilos, baby! Virou seu rosto para baixo e seu queixo caiu, em seguida, virou-se para ele, com os olhos bem abertos. Ela jogou os braços

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em volta do pescoço, pegando-o de surpresa. Antes que ele pudesse reagir ou até mesmo ter a chance de colocar um braço ao redor dela, ela puxou os braços de volta. — Eu sinto muito. — As mãos dela voaram para sua boca, mas ela não conseguia esconder o sorriso. — Não por isso. — Ele sorriu, um pouco irritado consigo mesmo que ele não pensou rápido o suficiente. Ele teria amado ter sentido o que estava sob todas aquelas camisas soltas que ela sempre usava. — Eu não posso acreditar! 5 quilos em duas semanas. Eu tinha certeza de que ia perder menos esta semana que na primeira. — Por quê? Você treinou tanto quanto, se não mais. — Eu sei. Eu sei. Mas eu ainda estava com medo que eu não conseguiria. Seu sorriso brilhante o fez sorrir ainda mais, também. — Você está conseguindo, Verônica. Eu vou ter que admitir uma coisa. Na primeira noite que você esteve aqui, eu estava com medo que você não fosse voltar. Ela mordeu o lábio inferior e ele odiava como algo tão pequeno poderia distraí-lo. — Eu quase não voltei — ela admitiu timidamente. — Na verdade — o sorriso dela de repente se dissolveu — se Nellie não tivesse tido o ataque de asma eu poderia não ter voltado. Ela foi a única que me empurrou e eu não podia dizer não. Noah se sentiu culpado por estar grato pelo ataque de Nellie. Não só era um treinador em tempo integral agora, treinando alguns outros boxeadores além de Verônica, que pagavam bem realmente por seus serviços, ele estava realmente começando a

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desfrutar de suas sessões de treinamento com ela. Ela realmente ouvia quando ele falava sobre o trabalho que ele tinha feito em sua moto e seus planos para tentar se tornar um boxeador dos meio-pesados, uma vez que ele se recuperasse de sua lesão no ombro. A maioria das meninas teriam os olhos vidrados depois de alguns minutos de qualquer assunto, mas Verônica ouviu atentamente, até fez um monte de perguntas. — Como é que Nellie está? — Oh, muito melhor. — Aquele sorriso estava de volta. — Mas ela sempre odiou malhar. Eu sabia que no dia em que começou ela estava realmente apenas fazendo isso por mim. — E você? — Ele sorriu. — Você não odeia malhar? Naquele primeiro dia com certeza parecia que você odiava. Ela riu. — Bem, eu não malhava há anos. Você quase me matou. — Ela pegou sua bolsa de ginástica e sorriu para ele. — Mas eu estou feliz. Eu precisava disso. — Estou feliz que você voltou. Mesmo que eu sinta muito que Nellie tenha tido que ter um ataque de asma para você voltar aqui. Ela jogou a bolsa de ginástica por cima do ombro. —

Bem,

como

eles

dizem:

Deus

trabalha

de

formas

misteriosas. Precisou de um ataque para eu fazer o que absolutamente tinha que fazer. Você nem sabe da missa a metade. — Então me conte — O sorriso dela se dissolveu novamente e ele apertou os dentes em arrependimento. — Apenas se você quiser. Eu sei que não é da minha conta. Ela balançou a cabeça.

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— É apenas um monte de porcaria deprimente. Você não gostaria de ouvir sobre isso. Confie em mim. — Eu confio em você. Se é pessoal e você prefere não dizer, eu entendo, mas se quiaser, eu não me importo de ouvir sobre isso. Ela inclinou a cabeça. — Eu prefiro não agora, mas eu não me importaria de sair para tomar uma bebida comemorativa se não for contra isso. — Eu não... — Ok, pare a palestra. — Ela levantou a mão, sorrindo. — O álcool não é uma parte da minha dieta, mas eu tenho sido muito boa em mantê-la em apenas um ou dois copos de vinho por semana desde que eu comecei a treinar. E hoje à noite seria a noite. Eu não bebi qualquer coisa por toda a semana. Ela realmente pediu para sair com ela? Ele passou a apreciar a companhia dela nessas duas semanas, mas ele nunca a tinha visto sem moletons, rabo de cavalo ou maquiada. Ele sabia tão pouco sobre ela, exceto que ela estava mais determinada do que a maioria das meninas de seu tamanho para tentar voltar a estar em forma. E ela era inteligente. Isso ele sabia. — Eu não tenho vinte e um. Pela segunda vez naquela noite, seu queixo caiu, só que desta vez não se sentia bem. — Você não tem? — Não é como se eu nunca tivesse bebido. — O inferno ele e os rapazes tinham bebido durante anos — Eu simplesmente não posso entrar em um bar e beber... Ainda. Seus olhos estavam ainda maiores e muito preocupados. — Quantos anos você tem?

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Ele sabia que ela não poderia ter mais do que vinte e um ou vinte e dois. Ele se elevou sobre ela e às vezes ela parecia tão pequena e delicada ao lado de sua estatura de 1.89m. — Vou fazer vinte em breve. — Disse ele com confiança. — Oh meu Deus. — Sua reação absolutamente chocada não era o que ele estava esperando — Eu sinto muito. Eu não tinha... Ele teve de rir. — O quê? Está tudo certo! — Eu sei. — disse ela, apressando o passo em direção à saída da academia — Eu não fazia ideia. Peço desculpas. — Mais uma vez, pelo quê? — Eu só não sabia. — Então eu não tenho vinte e um. Quantos anos você tem? Vinte e um, vinte e dois? Ela olhou para ele, seus olhos ainda iluminados com perplexidade. Desde que ela não estava abrandando, ele deu um passo em frente a ela para fazê-la parar. — Quantos anos você tem? Ela se virou e hesitou por um momento antes de responder. Finalmente, ela olhou para ele levantando uma sobrancelha. — Eu tenho vinte e oito anos, Noah. Isso veio como uma surpresa. Ela não olhou para ele, mas a maneira como ela estava agindo você pensaria que ela tinha quarenta anos. — Tudo bem, então você tem vinte e oito. Você não parece. — Ela não parecia. Especialmente agora que ela tinha perdido alguns quilos. Ela tentou passar por ele, mas ele se movia com ela. — Não fique toda estranha comigo, Verônica. Se há uma coisa que eu aprendi a minha vida toda, o tempo e a idade são

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apenas uma ilusão. — O vinco que, de repente fez uma aparição entre os olhos de novo o fez sorrir. — Vou fazer vinte em uma semana, por sinal. Você perdeu 5 kg em duas semanas por minha causa, seu treinador de 19 anos de idade. Ela olhou para ele por um momento, em seguida, o vinco desapareceu com seu sorriso forçado. — Eu sei. E você nunca vai saber o quanto eu aprecio isso. Vejo você segunda-feira, ok? Ela caminhou ao redor dele e estava quase fora da porta, mas ele tinha que perguntar. — Por que não? Olhando para trás, ela levou um momento para responder. — Quero dizer, eu nunca vou ser capaz de lhe agradecer o suficiente. — Ela encolheu os ombros antes de acenar para ele e sair pela porta. Noah tomava banho na academia antes de sair, pensando sobre Verônica o tempo todo e com vinte e oito anos. Ela nunca mencionou um marido ou namorado. Mas suas conversas nunca tinham chegado a esse lado pessoal. Agora que ela sabia exatamente quantos anos ele realmente tinha, ele teve a sensação de que nunca o faria. De uma forma estranha isso o incomodava. Talvez ele tivesse acabado de garantir que as coisas não se alterariam. Afinal, ele quis dizer o que ele disse. A idade era apenas uma ilusão.

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CAPÍTULO 04 Quando Verônica voltou à academia, ela fez questão de agir naturalmente. Ela não tinha ideia do que estava pensando quando perguntou se ele queria sair para uma bebida. Ela estava tão animada sobre a perda de peso que não estava pensando. Deus, ela era uma idiota. O quão jovem era Noah tinha sido realmente um choque, para dizer o mínimo, e ela estava mais do que feliz que teve um dia longe dele para superar. Ele parecia contente que não tinha havido nenhuma estranheza e que tinham voltado a sua rotina. Verônica teve a certeza de que nunca houvesse mais qualquer conversa deles socializarem fora da academia. Nellie havia se separado de Rick por mais de um mês agora, e estava melhor, mas ela ainda tinha seus dias ruins. Rick realmente queria que eles tentassem resolver as coisas. Ele jurou, que o dia que Courtney o seguiu para o hotel, tinha sido a única vez que ele tinha sequer considerado, ter relação com outra mulher a esse nível. Por causa do confronto de Courtney, isso nunca aconteceu. Mas Nellie não sabia se poderia confiar nele novamente. A mulher era uma estagiária que vinha trabalhando no estúdio, onde trabalhou por meses. Ele disse que a estava orientando. Nellie disse que realmente tinha falado dela quando ela começou. Ela já não estava trabalhando em seu escritório e depois do que aconteceu, ela não ia voltar. Verônica fez tudo o que podia para tentar estar lá para Nellie. Ela ainda era consumida pela culpa de não ter estado lá, enquanto tudo isso tinha se desdobrado. A culpa que sentia era

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canalizada para seus treinos. Isso fez seu foco se estreitar ainda mais. Seis semanas depois, ela agora tinha perdido quase 14 quilos. Sentindo-se muito melhor consigo mesma, ela até mesmo trocado seus moletons largos para roupas de ginástica mais apertadas. O primeiro dia que ela entrou vestindo uma das roupas novas, ela notou Noah evitando os olhos dela em primeiro lugar, e depois o pegou verificando-a algumas vezes. Ela disse a si mesma que não era nada mais do que a novidade e o choque de não a ver em seus desleixados moletons e nada mais. Era domingo de novo e ela se sentou em seu sofá, os dedos digitando em seu laptop. Ela tinha começado a pesquisar para voltar a trabalhar. Quando ela se demitiu, sua supervisora disse que ela poderia ter todo o tempo que fosse necessário e um trabalho ainda estaria esperando por ela quando estivesse pronta para voltar. Ainda que não fosse na mesma posição. Ela precisava voltar a sentir-se normal de novo. Perder peso era apenas o primeiro passo, mas ela precisava voltar a jogar tênis, sair. Ela precisava ter sua vida de volta. Depois de atualizar seu currículo, ela pensou em ir ao cinema e ligou para Nellie. Desapontada que sua chamada foi para o correio de voz, ela deixou uma mensagem rápida e passeou pelos canais da TV. Ela jogou o controle remoto no sofá e olhou para seu telefone pateticamente por alguns minutos, esperando que Nellie ligasse. Por um segundo, ela estava tentada a chamar Derek. Ele tinha realmente deixado algumas mensagens nos últimos meses perguntando como ela estava e disse que sentia falta dela.

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Verônica não sentia falta dele e ela sabia disso. Ela estava apenas se sentindo só. A maioria de seus dias foram gastos em limpeza ou trabalhando em casa, e ela tinha ressuscitado seu hobby de fotografia. Um hobby que ela tinha amado uma vez, mas como tudo na sua vida, uma vez que sua mãe ficou doente ela empurrou de lado, esquecendo-se completamente. Agora a maioria das coisas que ela fazia eram digitais, mas ainda mantinha a sua câmara escura. Havia algo tão agradável esteticamente e terapêutico sobre passar horas lá, e ver uma imagem aparecer magicamente no papel. Sem mencionar as memórias que ela tinha de passar o tempo lá desenvolvendo fotos com a mãe. Ela conseguiu se manter ocupada durante toda a semana até domingo. Era o único dia em que ela não podia treinar. Alguns domingos, ela tinha ido caminhar no parque com sua câmera à mão. Em seguida, ela voltava para casa e passava horas em sua câmara escura desenvolvendo qualquer obra-prima que tinha capturado, mas hoje estava chovendo. Era uma das piores tempestades dos últimos tempos. E parecia que haveria muito mais. O dia finalmente acabou e Verônica foi para a cama ansiosa pelo seu treino no dia seguinte. Algo que ela odiava admitir era que ansiava um pouco demais. Mas foi por causa da excitação de todo o peso que ela estava perdendo, só isso. No dia seguinte, ela olhou duas vezes para o relógio quando chegou na academia, porque Noah não estava lá ainda. Ela estava realmente tão ansiosa que chegou antes dele? Ele sempre estava lá primeiro. Ela tinha apenas começado a alongar-se, quando Jack veio para informá-la que Noah não viria.

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— Você deve ligar, pelo o resto da semana antes de vir, porque eu não sei quanto tempo ele estará fora. Sentindo-se

mais

do

que

um

pouco

preocupada,

ela

perguntou: — Ele está bem? Aconteceu alguma coisa? — Ele está bem — disse Jack, coçando a cabeça. — Parece que o teto que não está bom. Parece que esta tempestade, está realmente dando-lhe uma surra e ele tem estado ocupado embalando e encobrindo as coisas. Ele pode ter que ficar aqui por algumas semanas até que possam começar a fixar o teto. Mas primeiro ele tem que pegar suas coisas de lá. — Ele vai ficar aqui? Na academia? — Sim, bem, ele praticamente vive aqui. — Jack sorriu. — Temos uma geladeira lá e ele já toma banho aqui. Eu tenho uma porção de colchões que ele pode pegar emprestado. Ele vai ficar bem. É só por algumas semanas. Eu não tenho certeza de quando ele estará de volta. Será que ele tem o seu número? Eu posso pedir para ele ligar e informar, para que você não perca uma viagem. Todo esse tempo não tinha havido nenhuma razão para dar seu número a Noah, embora ela tivesse escrito em sua ficha, quando ela se matriculou em sua primeira semana grátis. Obviamente, ele não tinha anotado ou ele teria ligado para ela hoje para deixá-la saber. Ela havia estado ansiosa desde sábado à noite. Ela estremeceu ao pensar no que este fim de semana deve ter sido para ele. Ela deu seu número a Jack, mas decidiu que desde que ela já estava lá ela poderia também malhar. Mesmo que ela não pegasse tão duro como fazia quando Noah estava lá, simplesmente não

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era o mesmo. Havia esse estranho vazio e ela saiu sentindo-se menos entusiasmada que o normal. No dia seguinte, ela ansiou todo o dia novamente e tinha certeza de que ele não estaria novamente. Ela não reconheceu o número quando o viu na tela do seu telefone, mas o telefone tocou tão pouco ultimamente que ela sabia que tinha que ser ele. Ela pegou o telefone, se sentindo nervosa e com borboletas no estômago. — Olá? — Verônica? — As borboletas foram à loucura. Sua voz era tão profunda e ressonante que ela teve que engolir antes de responder. — Sim, sou eu. — Hey, é Noah. Desculpe por ontem, eu estava tão ocupado que esqueci completamente de ligar para qualquer um dos meus alunos. — Está bem. Você tinha motivo. Como está o seu telhado? — Não está bom. Eu não vou à academia dar aulas de novo hoje à noite. Talvez não irei pelos próximos dois dias, exceto para dormir. Sairei de lá na parte da manhã. É uma bosta tentar remendar este teto, principalmente na chuva. Retratando Noah sozinho em um colchão de ar em uma grande academia fria a encheu de culpa. Ela pensou sobre os dois quartos extras em sua casa desde que Jack tinha mencionado isso, mas ela não tinha ideia se Noah poderia pensar que seria muito

estranho.

Era

mesmo

uma

sugestão

apropriada,

especialmente dada a forma como o coração dela não tinha parado de bater desde que ela atendeu a sua ligação? Como ela

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ficaria sabendo que ele estaria dormindo apenas a um par de portas de distância dela? — Então você está hospedado na academia? — Sim, eu dormi lá na noite passada. Não é muito ruim, exceto por não ter aquecedor. Eu só vou levar cobertores extras esta noite. Isso apertou seu coração ainda mais. Algumas vezes, ele mencionava pais adotivos, mas ao contrário de quando ele falou sobre estar trabalhando em seu treinamento e sobre boxe onde seus olhos se iluminaram, ela sentia que era um assunto que não deveria perguntar muito. Então ela nunca perguntou. O que ele disse sobre eles, era sempre muito vago, quase como se tivesse escapado acidentalmente e ele geralmente mudava para outro assunto rapidamente. Ela só podia imaginar como sua situação deveria estar se uma tempestade tinha feito isso. Com as palavras em seus lábios, Noah falou novamente. — Ouça, eu tenho que ir, mas eu vou ligar novamente amanhã e deixar você saber se eu vou voltar. — Noah? — Sim? Ela fechou os olhos, segurando a respiração, mas as palavras que saíram não eram o que ela queria dizer. — Tenha cuidado. — OK. Você também. Fique fora da chuva. Está ruim lá fora. Ela desligou sentindo-se como a maior covarde e quando a temperatura abaixou ainda, ela ligou para Nellie. —

Hey

Nellie

estava

soando

ultimamente.

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mais

e

mais

alegre


Ela e Rick estavam falando mais agora. Embora ela ainda não tinha decidido o que ia fazer com o casamento, não estava tão deprimida como tinha estado quando aconteceu pela primeira vez. Depois de perguntar a ela sobre como ela estava se saindo e Nellie enchendo-a sobre a sua recente conversa com Rick, que não oferecia nada de novo, ela chegou a sua verdadeira razão para ligar. Ela já tinha contado a ela sobre a maneira desajeitada que descobriu o quanto mais jovem Noah era. Nellie não pareceu estar de acordo com Verônica sobre como inadequado seria fazer qualquer coisa social com ele fora da academia. — Verônica, você age como se nunca tivesse saído para um almoço ou um filme com um amigo do sexo masculino — tinha sido a resposta de Nellie, para a mortificação de Verônica por ter convidado um garoto de dezenove anos de idade para tomar uma bebida com ela. Desde que Nellie tinha garantido e tranquilizado Verônica que continuar seus treinos com ele era perfeitamente aceitável. Apenas Nellie não podia saber por que Verônica ainda tinha que admitir até para si mesma que ela gostava de seu ficar perto de Noah um pouco demais. Ela tinha certeza que era nada mais do que a solidão e agora, ele tinha em mãos a melhor e única companhia que podia contar, todas as noites. Sem mais nada acontecendo em sua vida como ela poderia não estar ansiosa para vê-lo? — Eu não treinei hoje. — Por quê? — Nellie sabia que ela não tinha perdido um dia desde que tinha voltado e estava mais do que entusiasmada com a quantidade de peso que Verônica já havia perdido.

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— Noah não estava lá ontem e ele me ligou para dizer que não estaria hoje novamente. Eu teria ido de qualquer maneira, mas a tempestade está tão ruim que percebi por que arriscar? Talvez eu vá treinar um pouco aqui em casa. — Por que ele não esteve lá? Verônica sabia que ela ia pergunatr isso. — Seu telhado está todo enrolado e ele passou os últimos dias trabalhando nisso. Ele está dormindo na academia até que seu telhado seja consertado, mas com a tempestade pode levar algum tempo. — Na academia? — Nellie soou incrédula quando ouviu pela primeira vez sobre o assunto. — Sim, eu acho que ele não tem outro lugar para ficar. — É aquecido esse lugar? Estava congelando estas últimas noites. Verônica sentiu o nó em seu estômago enquanto caminhava por um dos quartos extras em sua casa aquecida com a cama confortável. — Não é não. Mas ele disse que ia levar cobertores extras. — Oh cara, deve ser terrível. Pobre rapaz. — Eu sei, certo? — Sim, ele não tem família com quem ele possa ficar? E o nó cresceu ainda mais, fazendo Verônica mastigar a unha na indecisão. — Não, eu não acho que ele tenha. Ele mencionou ter pais adotivos uma vez, mas eu estou supondo que ele é velho demais para ter qualquer um no momento. Nel... — Deus, ela não poderia mesmo levar-se a dizê-lo. — O quê?

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— Eu uh... Estava pensando em lhe perguntar se ele gostaria de ficar em um dos quartos extras aqui na minha casa... Você sabe exatamente até seu telhado ser fixado. Você acha que seria muito estranho? Nellie ficou em silêncio por um momento, e Verônica quase desejou que ela dissesse que sim. Isso iria fazê-la se sentir muito melhor, do que ela estava nesta grande casa acolhedora, com quartos extras, mas que seria apenas muito inadequado para ela até mesmo oferecer. — Eu não acho isso, Verônica. Eles dizem que deve ficar ainda mais frio na próxima semana. Quero dizer, se ele achar que é estranho, ele pode simplesmente dizer não, certo? Não é como se você estivesse oferecendo a sua cama, ele teria seu próprio quarto. Apenas com o pensamento dela oferecendo-lhe sua cama aquecida, seu rosto aqueceu. — É muito tarde essa noite. Talvez eu vá mencioná-lo amanhã, quando ele ligar. Ele deve ligar para me avisar se vai treinar na academia ou não. Nellie concordou e estava resolvido. Ela iria falar com ele da próxima vez em que se falassem. Naquela noite, ela quase não dormiu. Cada relâmpago que iluminou o quarto, seguido pelo trovão que sacudia as janelas, fazia sentir-se pior e pior. Mesmo com seu aquecedor em um timer, houve momentos em que ela tremeu sob seus cobertores. No dia seguinte, ela se repreendeu durante todo o dia. Não havia forma de ela recuar de levantar-se naquela noite, quando ele ligou. A pior coisa que poderia acontecer (e talvez seria uma boa coisa) era ele rejeitar sua oferta. Mas, pelo menos, ela teria a

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consciência limpa e ela seria capaz de dormir. Bocejando a maior parte do dia por causa da falta de sono, deu-lhe mais uma razão para ela, pelo menos, fazer a oferta. Ela não passaria por outra noite como a noite passada novamente. Quando o telefone finalmente tocou cedo naquela noite, seu coração pulou na garganta. Ela respirou fundo antes de responder e sentiu a alvoroço familiar na sua barriga quando ela ouviu sua voz novamente. — Verônica? — Sim? — Eu vou estar lá hoje à noite. Sentindo um pouco de decepção, ela perguntou: — Oh, você conseguiu consertar o seu teto? — Não. Decidi apenas esperar até passar estas tempestades. Supostamente deve terminar até o final da semana, mas há uma outra prevista para a próxima semana. Eu só vou ter que esperar. Mesmo quando as tempestades passarem isto vai levar um tempo antes que eu possa voltar para lá. Então eu acho que posso muito bem continuar a trabalhar. Deus sabe que eu vou precisar do dinheiro. — Oh. Isso mudava as coisas. Quando ela considerava primeiro tê-lo ficando em sua casa, pensou que seria por apenas algumas noites. Só isso já era de destruir nervos, mas agora ele estava falando de uma semana, talvez mais. — Ok, então eu poderia chegar um pouco mais tarde. Eu não achei que você iria. Eu preciso me arrumar. Ela esperava que ele não colocasse muito pensamento no fato de que ela não tinha planejado ir a menos que ele estivesse lá.

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Esta noite era chuvosa, como a segunda-feira tinha sido e ela alegremente foi lá na chuva e tudo para treinar com ele. Pensando que ele não estaria lá hoje à noite ela simplesmente não tinha vontade de ir. Por mais que ela não quisesse admitir, estava começando a sentir-se perigosamente caidinha pelo seu muito mais jovem treinador, apenas mais um motivo pelo qual ela realmente deveria pensar antes de oferecer a sua casa a ele. Imediatamente depois de desligar, ela ligou para Nellie. Ela explicou como a situação tinha mudado e novamente esperou por Nellie para dissuadi-la de fazê-lo. Claro, ela fez exatamente o oposto. — Uau. Eu me sinto tão mal por ele. Consertar um teto ruim não é tarefa fácil e isso é apenas o começo do inverno. Talvez você possa oferecer alugar o quarto para ele, já que é possível que ele vá estar aí por algum tempo. Sentindo

suas

entranhas apertarem,

Verônica

respirou

fundo. — Eu não sei sobre tudo isso, Nellie. Eu não estava à procura de um companheiro de quarto. Eu me senti mal por ele. — Você deve se sentir mal por ele. O inverno apenas começou e ele está sem-teto. Deixe para Nellie fazer soar tão terrível. — Bem, quando você coloca assim, Nel. Caramba. Ela ouviu a risadinha de Nellie. — Pense. Você vai ter um novo colega de quarto a tempo para os feriados. Verônica revirou os olhos. — Ele não disse que sim ainda.

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— Oh, eu acho que ele vai. — Nellie soava muito satisfeita. Se Verônica achou que ela provavelmente estaria aliviada que apenas talvez Verônica não estivesse sozinha durante a primeira temporada de férias desde que sua mãe morreu. Não que no ano passado tivesse sido muito agradável com sua mãe muito doente. Ela já tinha estado tão incrivelmente nervosa sobre fazer a sua oferta para Noah através do telefone. Agora, não só estaria lhe oferecendo um lugar para ficar em seu momento de necessidade, ela estava praticamente lhe pedindo cara a cara para morar com ela. Viva!

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CAPÍTULO 05 Havia algo em Verônica essa noite. Noah não poderia dizer o quê, mas ela estava agindo um pouco diferente. Depois de todo esse tempo a treinando, eles finalmente encontraram um meio termo. Os primeiros dias após a revelação de sua idade tinham sido um pouco estranho, mas eles tinham conseguido passar por isso. Ele ainda não conseguia superar quão gostosa ela soava no telefone. Ele foi atingido por sua voz desde o primeiro dia, mas ouvi-la ao telefone tinha sido outra coisa. Quando ela entrou essa noite, seu coração acelerou. Era uma loucura. Tinham sido apenas dois dias desde que ele a vira pela última vez, mas ele realmente achava que poderia estar sentindo saudades dela. Se ele não tivesse estado tão ocupado tirando todas as suas coisas encharcadas da garagem e tentando consertar o telhado na chuva talvez ele tivesse prestado mais atenção. Essa noite ela estava um pouco pensativa. Algumas vezes, ele teve que repetir a mesma pergunta a ela duas vezes, porque ela estava muito preocupada. Terminando sua corrida na esteira ela ficou de lado para beber sua água. Este tornou-se um de seus momentos favoritos no treino. A forma como ela sugava direto da garrafa, com tanta sede poderia fazer um homem crescido corar. Ele assistiu até que ela tivesse terminado. Ela tinha perdido cerca de 16 kg agora e eles começaram a trabalhar em tonificar seus braços e pernas. Sua barriga estava quase plana e ela logo estaria ostentando um belo abdominal, se ela continuasse nesse ritmo. Ele realmente esperava que ela não perdesse muito mais que isso. As curvas dela foram uma das 60


primeiras coisas que ele mais havia notado quando finalmente apareceu vestindo algo que lhe permitiu ver o que ela tinha escondido debaixo de todas aquelas camadas de moletons. Ele mal tinha sido capaz de conter-se e tinha certeza de que ela o pegou encarando-a algumas vezes. Ele tinha aprendido desde então a ser mais discreto, mas tinha havido muitas vezes, especialmente quando ela inclinava para se esticar, que havia despertado certas partes de seu corpo e, ele teve que se desculpar para se refrescar. Enquanto olhar Verônica beber a água na garrafa era uma de suas partes favoritas do seu exercício, também era uma coisa ruim. Isso significava que eles terminariam a noite. Treiná-la tornou-se lentamente a parte mais importante de seu dia. Ele nem sequer percebeu até que perdeu a sua sessão de treino na noite passada. Ele tinha planejado cancelar toda a semana, mas depois que seu dia acabou na noite passada e ele estava deitado no colchão de ar, em vez de pensar sobre o caos acontecendo em sua vida tudo o que podia pensar era em ouvir a voz de Verônica ao telefone e quanto ele lamentou ter perdido seu treino. As luzes piscaram na academia, em seguida, o trovão explodiu, sacudindo as janelas do velho edifício. Os olhos de Verônica disseram tudo. Ela não gostava do trovão. — Você tem medo de trovão, Verônica? — Ele sorriu. Ela se virou para ele, balançando a cabeça, mas parecia preocupada. — Noah, me desculpe eu não ter feito a oferta na noite passada. Eu só não tinha certeza de como você a levaria. Eu ainda não sei, mas preciso fazer. — Ela fez uma pausa e olhou para longe, deslocando seu peso de uma perna para outra. — Eu

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tenho dois quartos vagos em minha casa. Você é mais que bemvindo para ficar até que conserte seu telhado. Noah estava sem palavras, mas tinha certeza de que ela não percebeu como ele ficou chocado sobre sua oferta. Ele se lembrava de como ela ficou horrorizada quando descobriu que idade tinha. Ele ainda não tinha ideia se ela dividia a casa e se ela não falou com mais ninguém. Desde sua saída embaraçosa, depois de descobrir sua idade, ele percebeu que quando conversavam evitou qualquer coisa muito pessoal. O máximo que ele tinha conseguido tirar dela foi que não era casada e nunca tinha sido. Isso foi só porque ele perguntou, mas ela mudou de assunto abruptamente para que ele não pressionasse ainda mais sobre seu status de relacionamento. Agora ele não estava tão certo de como se sentiria sobre vê-la com um namorado se de fato tivesse um, mas o colchão de ar que Jack emprestou-lhe estava furado e suas costas estavam sentindo os efeitos dele até agora. Uma cama com certeza parecia bom. — Uau, Verônica. Eu não sei o que dizer. — Ela ainda parecia muito apreensiva. Ele não tinha certeza do que fazer. Mas pensou em sua declaração. — Eu não acho que é estranho. Eu entendi, você está apenas sendo gentil e… — Eu só me sinto mal que eu tenha esses dois quartos extras e você está aqui e… — Não, eu sei, eu sei e aprecio isso, mas hum... Eu não tenho certeza quando eu vou ser capaz de me mudar de volta para minha casa. Pode ser que leve um tempo. — Está bem. — Eu poderia lhe pagar o aluguel.

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— Não, você não precisa. — Eu insisto, Verônica. Você entende que isso poderia ser por meses, certo? — Ele viu seus olhos se arregalarem e agora rezou para que ela não retirasse sua oferta. — Claro que eu poderia sair a qualquer momento, se não funcionar. Ele sabia que essa última afirmação carregava o peso de dez elefantes, mas sua mente estava a mil por hora. Desde o alívio de que ele poderia ter uma cama para dormir esta noite até o frio em sua barriga, pois ele poderia ver um pouco como era a vida dela fora da academia, algo que ela estava escondendo desde que revelou a sua idade. Isso poderia ser uma coisa boa, ou muito ruim. — Nós vamos dar um jeito. Ninguém está usando meus quartos extras então não tem pressa. Ele decidiu naquele instante,

olhando em

seus olhos

confiantes de que pegaria suas chances. Ele sorriu, estava morrendo de vontade desde o momento em que ouviu a sua oferta. — Aquele colchão de ar realmente é uma droga. Ele pensou que iria fazê-la sorrir, em vez disso, ela franziu a testa. — Eu sinto muito, eu deveria ter dito alguma coisa ontem à noite quando você me ligou. — Não, não se desculpe. Mas estou feliz que você tenha dito hoje. Eu não estava ansioso para mais uma noite aqui. O prédio tremeu com outra onda de trovões e o som da chuva batendo contra o teto e as janelas. O olhar aflito de Verônica o fez querer tranquilizá-la de que estaria bem, mas então ela o surpreendeu novamente.

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— Eu não acho que você deva ir com sua moto esta noite. É muito perigoso. Podemos ir no meu carro. Isso o fez sorrir. Ele não conseguia sequer lembrar-se da última vez que alguém se preocupou com ele. — Tudo bem, vamos em seu carro. Ela esperou enquanto ele pegava uma bolsa da academia com suas coisas para os próximos dias, então eles foram no carro dela. Ela conduziu até uma grande casa antiga apenas do outro lado de seu trajeto habitual e contou até três antes de saltar para fora do carro e correr através da chuva chegando à sua varanda. Mesmo que ambos tivessem corrido tão rápido quanto podiam, eles estavam encharcados quando chegaram à porta da frente. Verônica riu quando ela se atrapalhou com as chaves, tentando abrir a porta. — Jesus, você poderia melhorar o tempo um pouco. Choveu sem parar até agora. Ela abriu a porta e Noah a seguiu. Ele tentou não ser muito óbvio, mas olhou tudo assim que entrou, procurando alguma dica de um outro companheiro de quarto. Digitalizando os quadros nas paredes e nas estantes na sala da frente, ele não viu nada que indicasse que ela estava em qualquer tipo de relacionamento. Havia uma tonelada de fotos. Montes de fotos de bebê e fotos em preto e branco do que parecia ser membros mais velhos da família que adornavam as paredes e as bancadas do mobiliário. — Você pode escolher qual dos dois quartos vai querer. Ambos estão totalmente mobiliados com camas de casal, por isso é realmente apenas uma questão de qual você preferir.

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Ele continuou a segui-la através de uma sala de jantar com um armário chinês que novamente transbordava com não apenas pratos antigos, mas mais fotos e toalhinhas de renda, lembrandoo de uma de suas primeiras casas de acolhimento com um dos mais doces pais adotivos que ele já teve. Uma mulher mais velha que tinha morrido poucos dias antes de seu sétimo aniversário. — Está ótimo. Eu com certeza não serei exigente. Verônica fechou uma das portas no pequeno corredor que atravessavam. — Este é o meu quarto. — Ela olhou para ele, parecendo um pouco envergonhada. — Eu não tive tempo de arrumá-lo hoje. — Ela apontou para a porta em frente de seu quarto. — Este é um dos quartos. — Então ela deu mais alguns passos pelo corredor até chegar ao próximo quarto e apontou para ele. — E este é o outro. Noah enfiou a cabeça no primeiro quarto. Bastante simples e com tudo o que precisava. Um quarto com uma cama, um armário e um par de aparadores, montes e mais montes de toalhinhas de renda e retratos antigos de família. Ele nem sequer precisava ver o segundo quarto. Ele decidiu no momento em que viu a proximidade de seu quarto com o primeiro, mas em um esforço para esconder sua excitação sobre o quão próximo ele estaria dormindo dela caminhou até o segundo e espiou. — Vou ficar com aquele. — Ele apontou para o primeiro tentando soar tão casual quanto possível. Mas incapaz de estar perto dela mais um minuto sem saber, ele tinha que perguntar. — Então você vive aqui nesta casa grande sozinha? Ela assentiu com a cabeça e o enorme alívio que ele sentiu surpreendeu. Ele sabia que ainda não queria dizer nada. Só

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porque seu namorado não morava com ela, não significava que ela não tivesse um, mas pelo menos por agora ele não teria que se preocupar sobre como viver com ela e seu namorado. Ele se perguntava agora se escolher o quarto mais próximo ao dela tinha sido a melhor ideia. E se ela tivesse um namorado e ele passasse a noite? Só de pensar na possibilidade o fez questionar se morar com ela seria uma boa ideia. Já que ele estava sentindo coisas, que ele nunca tinha sentido antes. Ele viu quando ela passou por ele de volta na direção do quarto que tinha escolhido. Assim, muitas mais perguntas vieram à sua mente, como onde estavam seus pais ou todas essas outras pessoas nessas fotos. Por que diabos ela ainda estava solteira? Lembrou-se então, ele não sabia da verdade, ainda. Ele teria que chegar à questão muito rapidamente. A resposta para isso iria determinar quanto tempo ele iria ficar aqui. Apenas o aroma sutil de seu shampoo e sua feminilidade quando ela passou por ele no corredor fechado havia começado a fazer coisas nele. Ela entrou em seu quarto e ele a seguiu de perto. — Os armários estão vazios, exceto por talvez algumas coisas, mas você pode mover tudo para uma gaveta se quiser, assim todas as outras estarão vazias para você. — Ela abriu a porta do armário e puxou a corda de luz. Ele também estava quase vazio, exceto por alguns cobertores que ela tirou da prateleira de cima. — Aqui estão mais cobertores no caso de você ficar com frio. Há mais lá em cima se você precisar deles. — Verônica — ele disse deixando cair a bolsa da academia encharcada no chão. Ele não ia perguntar até mais tarde, mas a curiosidade levou a melhor sobre ele. — Eu espero que você não

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se importe de eu perguntar, mas por que você vive aqui neste casarão sozinha? Ela lhe deu um sorriso fraco e ergueu um ombro. — Costumava ser eu e minha mãe, até que ela faleceu no início desse ano. Normalmente, ele teria lamentado ter trazido um assunto tão doloroso, mas de uma forma estranha estava contente de saber um pouco mais sobre ela, especialmente algo tão pessoal. — Eu sinto muito em ouvir isso. — Ela esteve doente por um tempo. Portanto, não foi súbito ou inesperado. Embora ela parecesse estar tentando não parecer afetada, ele viu a dor em seus olhos. Isto tocou-lhe. Ela estava sozinha... também. — E o seu pai ou irmãos? Ela balançou a cabeça, e ele sabia com certeza que agora tinha atingido um nervo. — Nada. — Ela voltou para o armário e apagou a luz. — Eu estou exausta. — Ela evitou seus olhos agora. — Seus exercícios costumam fazer isso comigo. Fique à vontade para pegar qualquer coisa na geladeira e despensa. Eu vou tomar um banho e, em seguida, vou dormir. — Ela parou um pouco antes de sair pela porta e com os olhos sombrios olhou os seus. — O chuveiro é todo

seu,

quando

eu

terminar.

Desculpe,

mas

vamos

compartilhá-lo, há apenas um banheiro nesta casa velha. Noah sorriu. Compartilhar um chuveiro com ela não era o que ele iria considerar um sacrifício. — Tudo bem, nada bate o banho na academia onde a água quente acaba após os primeiros cinco minutos.

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Ele viu o flash de irritação, agora familiar, através de seus olhos. — Eu deveria ter oferecido mais cedo. — Não. — Ele sentou-se na cama que parecia o céu em comparação com o velho colchão no qual ele estava dormindo por mais de um ano. — Não se preocupe com isso. Estou feliz que você decidiu que não era muito estranho perguntar. Eu não posso agradecer o suficiente. Ela sorriu. — De nada. Boa noite. Ele estava deitado de costas na cama, perguntando se deveria estar se sentindo tão feliz sobre isso como estava, ou deveria estar um pouco preocupado. Depois de alguns minutos de silêncio, ele ouviu a água correr no chuveiro. Houve vida imediata em suas calças imaginando o corpo nu de Verônica a apenas alguns metros de seu novo quarto dançando em sua cabeça. Ele fechou os olhos, mas não importava o quanto tentasse, não havia afastado a imagem da Verônica ensaboando cada polegada de seu corpo. Sua ereção pressionando contra suas calças já dizia tudo. Isso ia ser um desafio.

O som de martelar da cozinha acordou Verônica na manhã seguinte. Grogue, ela olhou para o relógio na sua mesa de cabeceira e viu que passava apenas um pouco das sete. Levantou-se da cama e pegou o roupão que tinha jogado na cadeira perto da porta. Ela vestiu-o, calçou seus chinelos, e abriu a porta do quarto.

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O aroma inebriante de café imediatamente infiltrou seu nariz e ela respirou ainda mais fundo, gostando. O martelar parou quando ela entrou e viu Noah de joelhos ao lado da janela do canto da mesa de café. Ele tinha uma expressão divertida. — Bom dia, Roni. Verônica não estava certa sobre o que pensar. Obviamente, ele tinha prestado atenção em algumas de suas coisas, se ele sabia o apelido que sua mãe deu a ela. Felizmente, antes que ela pudesse acusá-lo de qualquer coisa ele apontou para um quadro na parede. — Levei um minuto para descobrir que era você naquela foto de formatura, uma vez que dizia “formatura de Roni Cruz”. Então me lembrei de sua amiga chamando você de Roni em seu primeiro dia na academia. Não só isso, reconheci o seu sorriso também. A ênfase em seu sorriso e a forma como o seu rosto parecia iluminar apenas depois que ele disse deixou seu rosto quente. — Roni... — Mais uma vez com a mesma expressão enervante. — Que bonitinho. Eu gosto disso. Verônica tentou fingir como se a maneira quando ele disse não fizesse as coisas mais estranhas ao seu interior. Ela desviou o olhar e caminhou em direção ao café. Ela precisava de café, agora. Ela encolheu os ombros. — Sim, é como a minha mãe me chamava... e alguns dos meus amigos na escola. — Será que alguém mais a chama assim? — Ele deu alguns passos em direção a ela e para seu alívio, ele parou quando chegou ao balcão, onde havia uma xícara de café e sentou-se a pegando e olhando para ela.

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— Só Nellie faz às vezes. — Ela não iria mencionar Derek, especialmente porque a única vez que ele fez foi quando estava insinuando que ele estava de bom humor, por Deus, parecia há muito tempo. O pensamento de ficar de bom humor com Derek ou qualquer homem não tinha nem passado pela sua mente até que... — Bom, então você não se importa de eu chamá-la assim também, certo? Eu acho que combina com você. — Antes que ela pudesse responder a isso, ele tomou um gole de café, em seguida, virou-se para a janela. — Desculpe se eu te acordei. Só para você saber, no caso de ouvir alguém na porta de manhã cedo, eu corro todos os dias. Ele a tinha acordado, mas ela não queria que ele se desculpasse sobre isso. Lembrando-se que esta era apenas a sua primeira manhã juntos e ele podia estar aqui por um tempo, ela tentou controlar o nervosismo ridículo. — Tudo bem, eu costumo me levantar próximo desse horário de qualquer maneira. O que está fazendo? — Você tem alguns vazamentos em volta de algumas das janelas. Eu não tinha certeza de onde você guardava todas as suas ferramentas, mas consegui consertar. Eu vou pegar minhas ferramentas quando eu for buscar minhas coisas depois. — Ele apontou para o canto de uma das outras janelas. — Esse era o pior, mas eu acho que o consertei. Verônica tentou concentrar-se em suas palavras, mas a forma como o músculo em seus braços flexionava, enquanto apontava o martelo era incrivelmente perturbador. Ela tinha visto ele em suas camisas de musculação muitas vezes, mas vê-lo na primeira parte da manhã em sua cozinha era outra coisa. Ele era

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tão grande e musculoso, mas ela tinha que estar consciente de que este homem que estava em sua cozinha tinha apenas vinte anos era oito anos mais jovem do que ela. Então, como ele mesmo tinha dito, ele era um adulto. Era uma diferença significativa de idade e ela deveria ter vergonha de si mesma por alguns dos pensamentos que entraram em sua cabeça naquele momento. — Eu poderia chamar alguém para consertá-los. Você não deveria ter se incomodado com isso. — Ela se inclinou contra o balcão

tentando

focar

no

café

revigorante

que

aqueceu

instantaneamente suas entranhas. — Não é um incômodo. Com as ferramentas certas, é realmente um reparo fácil. Vou verificar todas as outras janelas. Esta casa é antiga, provavelmente precisa de um monte de reparo. Sua boca involuntariamente puxou para o lado. — Eu tenho certeza que ela precisa, mas não se atreva a pensar que você vai consertar tudo. É muito trabalho. Eu nem sonharia em... — Roni. Ela se virou para vê-lo olhando para ela com as sobrancelhas levantadas. Jesus, era o seu apelido, sua mãe e alguns amigos a chamaram assim durante anos. Então, por que ouvir ele dizer fazia seu coração pular? — Não me importo realmente. Só de você me deixar ficar aqui, é o mínimo que posso fazer. — Mas… — Nenhum “mas”. Na verdade, eu gosto de fazer esse tipo de coisa.

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Verônica deixou pra lá depois que ele sorriu e voltou a trabalhar na janela. Ela olhou para a “engenhoca” no balcão. Ela estava tão fora de si quando se tratava de melhores e mais recentes aparelhos que não era mesmo engraçado. Até mesmo seu equipamento de fotografia era extremamente desatualizado. Embora não a impedisse de criar obras-primas. — Esse iPod é seu? Noah olhou para trás por um segundo para ver ao que ela estava se referindo. — Perto. Meu iPhone. É uma das primeiras coisas que comprei com meus primeiros cheques como treinador. Ela levantou, quase envergonhada que ela não sabia nem mesmo como fazer uma chamada em um desses telefones. Totalmente antigos, seus colegas de trabalho tinham chamado seu telefone de “telefone mudo” em oposição a seus smartphones e que já tinham mais de dois anos. Ela que tinha um com teclado, mas ele ainda era considerado um dos telefones mais simples lá fora. — Eu não entendo por que as pessoas precisam de tais telefones extravagantes apenas para fazer uma chamada ou enviar um texto. Noah se levantou e caminhou em direção a ela. — Você está brincando? Há tanta coisa que você pode fazer hoje em dia com esses telefones que você ficaria espantada. Tenho todos os aplicativos que me ajudam a acompanhar meu progresso de formação, funcionamento, contagem de calorias, o nome dele... Mas há muito mais que eu nem sequer toquei. Eu ainda estou aprendendo.

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Verônica tentou parecer impressionada, mas ele podia muito bem estar falando outra língua. Apps? Em um esforço para não se envergonhar dizendo algo estúpido ela decidiu mudar de assunto. — Você está com fome? Estou morrendo de fome. — Sim, eu poderia comer algo. Ela abriu sua despensa. Ela estava morrendo por uma pilha de panquecas, mas tecnicamente, ela ainda estava de dieta. Ela dava suas escorregadas aqui e ali, mas com ele vivendo aqui, agora ia ser quase impossível. Em vez de pegar a caixa de mistura de panqueca, ela agarrou o saco de bagels em grãos inteiros e pegou a torradeira. Eles comeram juntos sentados à mesa da cozinha. Quando estavam quase terminando, ele perguntou se ela poderia lhe dar uma carona de volta para a academia para pegar sua moto. — Meu amigo tem uma caminhonete e ele vai me ajudar a trazer algumas das minhas coisas enquanto moro aqui. — Ele deve ter confundido a mudança brusca em sua expressão porque ele acrescentou rapidamente. — Não se preocupe, eu não tenho muitas coisas. — Oh, não é isso que eu estava pensando. É só que ainda é tão perigoso estar pilotando sua moto e sair nesse frio. Talvez eu pudesse deixá-lo na casa do seu amigo. — O segundo em que ela percebeu o quão maternal soou, ela desviou o olhar lambendo o creme de queijo de seu lábio inferior. Quando ela voltou, ele estava olhando para seus lábios. Ela imediatamente parou de lamber e seus olhos se encontraram. Ele sorriu.

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— Claro que é realmente mais perto se você me deixar em sua casa. Ele está bem na First Street. Ela limpou a garganta e pegou seu copo, levantando-se. — A que horas você quer ir? — Assim que estiver pronta. Parece que a pausa na chuva será apenas por um par de horas antes de começar de novo. Ela colocou a xícara na pia, em seguida, se virou quase lhe dando um ataque de coração quando sua mão roçou seu braço. — Eu sinto muito. — Ele moveu a xícara longe dela e deu um passo para trás — Eu não queria... — Não, está tudo bem. — Ela poderia ser mais pudica? Tudo o que ele fez foi lhe tocar, pelo amor de deus! Ela levou a mão à testa — Eu só estava… — Eu não esperava que você se virasse tão rápido. Eu não deveria ter... — Não, não — Deus, por favor faça isso parar. Ela podia sentir seu rosto queimar e tinha certeza de que ele podia ver. — Não se desculpe. Eu só não a vi. Ela passou por ele o mais rápido que pôde. — Eu vou me vestir, assim eu poderei lhe dar a carona. Correndo em direção a seu quarto, ela rezou para que ele não dissesse outra palavra. Felizmente ele não o fez. Quando ela chegou em seu quarto, fechou a porta e se apoiou contra ela, amaldiçoando-se interiormente. Supostamente ela era a mais velha, mais madura dos dois. Como ela poderia se transformar em uma idiota desastrada só a partir de um toque? Isao mal poderia ser contado como um toque. Nossa, o que ele já devia estar pensando dela. E ainda tinha meses disso pela frente? Bom Deus.

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CAPÍTULO 06 Após o pequeno acidente na cozinha naquela manhã, Noah decidiu que seria mais cuidadoso sobre as coisas que dizia e fazia em torno de Verônica. Obviamente, ela ainda tinha reservas. A última coisa que ele queria era não a ter a vontade novamente e tê-la mudando de ideia sobre o seu arranjo. A verdade era que seus longos cachos macios o tinham tomado de surpresa. Normalmente, ela usava o cabelo em um rabo de cavalo e ele nunca tinha notado os cachos como ele fez esta manhã. Então, quando ele estava perto o suficiente para sentir o cheiro de seu cabelo, ele avidamente tinha se inclinado para ter um cheiro ainda mais perto quando ela se virou. Para seu enorme alívio ele teve certeza que ela não o tinha pegado cheirando-a. A viagem até Abel foi um pouco tranquila, mas ele conseguiu fazer algumas pequenas falas. Principalmente sobre o clima, em seguida, um pouco sobre o caminhão de Abel, mas agora ele estava ansioso para levá-la de volta para a academia onde sabia que ela estaria em sua zona de conforto novamente. Mais do que isso, ele estava ansioso para saber por que uma mulher da idade dela ainda estava sozinha. Ela estava com excesso de peso quando começou a treinar, mas ela disse-lhe que só ganhou o peso no ano passado ou assim. Claramente a partir do que ele viu agora e em todas as fotos por toda a casa ela tinha sido atraente até que começou a se desleixar. Mesmo assim, quando ele a conheceu não a achou pouco atraente, apenas fora de forma e visivelmente autoconsciente sobre isso. Para ele, ela estava no peso ideal agora. Mas a julgar pelo seu café da manhã acanhado ela não estava satisfeita ainda. Com 75


base em sua reação mesmo ao tocá-lo era a forma como ela ainda permanecia longe de assuntos pessoais, ele pensou que ela parecia perfeita até agora e para saber mais sobre sua vida pessoal teria que esperar. Ele teria que levá-la bem devagar se não quisesse que ela se trancasse no quarto novamente. Abel e os caras estavam esperando do lado de fora da casa de seus pais adotivos quando ele e Verônica chegaram. Além de Abel, seu irmão mais novo Hector, e Gio todos iriam ajudá-lo a tirar suas coisas. Abel, que provavelmente estaria lutando como um peso pesado em breve, tão grande como ele estava ficando, cruzou os braços na frente dele, inclinando-se contra sua caminhonete. — Eles são todos pugilistas como você? — Verônica olhou para eles quando estacionava ao lado da caminhonete de Abel. — Sim, até mesmo o mais novo. — Qual deles é o mais novo? Eles todos parecem tão jovens. Isso fez uma carranca em Noah. — Dos dois mais altos, Gio é da minha idade e Abel é um ano mais novo. Hector é o irmão mais novo de Abel. Ela assentiu com a cabeça, em seguida, virou-se para ele quando parou o carro. — Bem, chegamos. — Ela então olhou para o céu. — Parece que vai começar chover em breve. Eu vou parar no mercado na volta, alguma coisa em particular que você queira que eu pegue para você? Era estranho sentir como se alguém estivesse cuidando dele, mas um estranho bom. Noah colocou a mão no bolso. Eles teriam que descobrir alguma coisa em breve, mas por agora, ele tinha

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que dar algum dinheiro a ela. Ele puxou um par de vinte, entregando-lhes a ela. — Basta pegar as coisas habituais que você normalmente compra. E caixas de ovos. Ela olhou para as duas notas de vinte apreensivas. — Você precisa de mais? — Perguntou ele chegando no bolso novamente. — Não! É só que... Bem... — Pegue. — Ele balançou as notas para ela. — Nós vamos discutir tudo isso, dinheiro de supermercado, aluguel e coisas úteis mais tarde. — Em seguida, seus olhos se encontraram. — Hoje à noite durante o jantar. Ele percebeu como isso soou. Só porque ele estava alugando um

quarto

em

sua

casa

não

significava

que

estaria

compartilhando refeições ou passando um tempo juntos. Ele inadvertidamente definiu um encontro para eles jantarem esta noite, assumindo que ela não tinha outros planos. Prendeu a respiração e esperou para ver como ela reagiria. Para sua surpresa, ela pegou o dinheiro, sua expressão impassível dando nada de graça. — Ok. — Ela olhou por cima do ombro, em seguida, de volta para ele. — Será que seus amigos ficarão para o jantar, também? Noah olhou para seus amigos que estavam descaradamente olhando para eles. De jeito nenhum. — Não. — Ele se virou para ela. — Eu só vou comprar-lhes uma pizza para o almoço ou algo assim. Desde que ela não recusou a sua sugestão de jantar, agora ele estava ansioso por isso. De jeito nenhum ele o arruinaria trazendo esse bando com ele.

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Verônica mal tinha saído quando, como esperado, Hector foi o primeiro a falar. — Então você está realmente indo morar com aquela garota? — Estou alugando um quarto em sua casa. Eu não estou indo morar com ela. — E você não está... — ele fez um gesto obsceno com a mão bombeando para frente e para trás e assobiou de acordo com o ritmo da sua mão —... Com ela? Enquanto Abel ria e Gio sorria, Noah franziu a testa balançando a cabeça. — Não seja idiota, ela é uma aluna. Ela ouviu falar sobre meus problemas com o telhado e tinha quartos extras e se ofereceu para me deixar alugar um. — Ah — disse Abel. — Então, você já estava trabalhando com ela. — Então ele parou, trazendo seu punho à boca sorridente. — Espera. Ela é a única que você está treinando certo? Ela é uma daquelas duas senhoras que entraram naquela noite? — Sim, ela era uma delas. — Disse Noah, tentando soar tão indiferente quanto possível. — Uma das velhinhas? — Hector perguntou, em seguida, fez uma careta. — Ela não parecia velha hoje. — Isso é porque ela não é. — Disse Noah, caminhando em direção a garagem, começando a se aborrecer. — Mas ela é mais velha? — A expressão de Hector estava um pouco desgostosa. — Muito ruim. Porque ela não é muito feia. — Muito feia? — Noah perguntou um pouco irritado por deixar que o irmão de dezesseis anos de idade, de seu amigo o provocasse com esta conversa idiota.

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— Eu só estou dizendo, você e ela sozinhos naquele tipo de clima assustador, ficando quente e aconchegante em frente à lareira. — Ele agitou as sobrancelhas com um sorriso estúpido. — Poderia ser divertido se ela fosse... Você sabe, mais jovem. Ele decidiu parar com mais qualquer conversa sobre Roni, já que ele estava ainda mais irritado que esse garoto acrescentou outro visual para a imaginação já excessivamente ativa de Noah. Ele mudou de assunto quando abriu a porta para a garagem. — Então, é principalmente algumas sacolas, e alguns dos meus pesos. Eu vou jogar este colchão fora. — Ele levantou o colchão molhado com cheiro de mofo. Ele só tinha partido deste lugar um par de dias e já não tinha vontade de voltar nunca mais. Gio deu a volta e ficou ao lado dele, examinando a garagem úmida e todas as coisas encharcadas de Noah. — Cara, eu sinto muito não termos tirado tudo isso fora daqui mais cedo. Noah sabia que Gio se sentia terrível sobre sua mãe não querer que ele ficasse em sua casa. Ela era um pouco antiquada e com Gio tendo três irmãs loucas todas apenas alguns anos mais jovens do que Noah. E não havia jeito dele ficar com Abel, Hector e sua mãe. Eles já tinham que dividir um quarto porque a sua mãe estava alugando o terceiro quarto em sua casa e eles sempre tinham um ou dois parentes do México se hospedando em seus sofás. Mesmo Jack pediu desculpas por não ser capaz de oferecerlhe um lugar para ficar, mas o proprietário de seu já apertado apartamento minúsculo não permitia companheiros de quarto.

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Gio e todos os garotos se sentiram mal quando souberam que ele iria ficar na academia, mas Noah compreendia. Se houvesse alguma maneira que eles pudessem ter ajudado eles teriam. Como hoje e os dias chuvosos, quando ele tentou, em vão, consertar o telhado. Eles todos estiveram lá ficando encharcados com ele. Nenhum deles tinha dado um segundo pensamento quando perguntou se poderiam ajudar. Ele nunca sequer perguntou a Hector. Se Abel estava vindo, poderia ter certeza, como dois mais dois, que Hector estaria lá. — Não, está tudo bem. Eu tenho coisas importantes que retirei rápido o suficiente. — Ele nunca tinha mantido as coisas realmente importantes aqui, para começar, seu equipamento para boxe. Todas as coisas tinham sido mantidas sempre no conforto e na segurança da academia. Abel entrou na garagem. — Então, quais bolsas são suas e quais as que pertencem ao Fuentes? Noah apontou as coisas que eram dele e os quatro trabalhando

juntos,

colocaram

todas

as

suas

coisas

na

caminhonete de Abel assim que começou a trovejar. Eles correram para cobrir tudo com uma lona. — Merda, vai começar a chover em breve. — Disse Abel, amarrando a lona em uma extremidade. — É melhor a gente ir. — Todos nós vamos caber em sua caminhonete? — Noah contornou a velha caminhonete. — Hector não irá — disse Abel caminhando para a cabine. — Ei! Por que eu? — Hector contornou a caminhonete em direção a Abel. — Eu também ajudei. Eu quero conferir a nova casa de Noah!

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— Então, suba na carroceria se você quer ser intrometido. — Abel abriu a porta do lado do motorista. — Porque você não cabe na frente. Hector pensou sobre isso por um momento, em seguida, a contragosto pulou na carroceria. Ótimo. Noah estava esperando que ele tomasse um possível banho se a chuva caísse como parecia estar ameaçando a qualquer minuto. Nenhum de seus amigos eram conhecidos por serem reservados ou tímidos com as mulheres,

mas

Hector

sendo

o

mais

jovem

e

imaturo

especialmente era conhecido por ser o mais espalhafatoso. A última coisa que queria era que ele dissesse qualquer coisa que deixasse Verônica ainda mais desconfortável sobre seu acordo do que ele suspeitava que já estava. Felizmente, para Hector, as nuvens tiveram misericórdia dele. Embora parecessem que estavam prestes a explodir, eles foram para a casa de Roni sem um pingo. Roni saiu até a varanda, quando eles saíram do caminhão. — Precisa que eu abra a garagem para você? Noah olhou para cima e o resto dos caras olharam também. Ela havia colocado um par de jeans e uma camiseta rosa suave e usava botas cor de rosa combinando. De jeito nenhum ela parecia ter vinte e oito anos. Ela caminhou até o final do alpendre, parando na grade e se inclinou sobre ela. — Sim, na verdade. Vou colocar a maior parte das minhas coisas lá por enquanto. Eu posso movê-las mais tarde quando a chuva não estiver ameaçando cair como agora. — Noah se forçou a desviar o olhar dela e olhar para as nuvens escuras. Habituarse a vê-la fora de suas roupas de ginástica era uma coisa, mas esse cabelo. A umidade o deixou mais cacheado do que esta

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manhã.

Longos cachos escuros

emoldurando seu rosto e

contrastando com sua pele pálida, fazendo aquele sorriso dela ainda mais doce agora. Isso deu a Noah ainda mais razões para questionar se morar com ela era uma boa ideia. — Eu vou abri-la para você, então. — Ela caminhou ao redor da casa. — Uau. — Disse Abel. — Essa não pode ser a mesma senhora da academia, Noah. A mandíbula de Noah apertou enquanto ele caminhava em direção a parte de trás da caminhonete. — Sim, é. Quando ele olhou para Abel, ele parecia estar ainda em estado de choque. — Diga-me você está ficando com ela. Porque se você não estiver eu poderia… Noah jogou a corda que tinha desatado para ele. — Cara! — Ele olhou para trás para se certificar de que Roni não estava mais perto suficiente para ouvir. — Quer calar a boca! E não vá dizer nada estúpido na frente dela também. Roni é do tipo reservada e ela é minha companheira de quarto agora, você conseguiria ser legal? Abel riu. — Relaxe. Estou apenas me divertindo um pouco. Gio estava olhando para Noah agora. — Roni? — Verônica — Noah disse rapidamente. — Mas você chamou-a de Roni — disse Hector.

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— É Verônica. — Noah retrucou, sua paciência diluindo a cada segundo. — Agora, pare de se preocupar com ela e agarre alguma coisa, sim? Está prestes a começar a chover. Eles foram capazes de colocar tudo na garagem e algumas bolsas que Noah precisaria imediatamente na casa antes que a chuva realmente começasse a cair. Eles pararam na garagem para conversar. O plano original de Noah tinha sido comprar para esses caras um almoço como agradecimento por tê-lo ajudado na mudança, mas com a chuva caindo como estava agora significaria que se Hector fosse iria ficar encharcado por ter pegado carona na carroceria da caminhonete de Abel. Não parecia justo quando Noah poderia simplesmente ficar em casa e deixá-lo ocupar o seu lugar na cabine. A porta dos fundos da casa se abriu e Roni colocou a cabeça para fora. — Vocês meninos querem algo para beber? Eu poderia fazer café ou chocolate quente. Abel riu. Noah sabia o que ele estava pensando. Café ou chocolate quente era provavelmente a última escolha de bebida para qualquer um deles... Todos eles poderiam tomar uma cerveja agora, mesmo Hector. Portanto, antes que qualquer um deles pudesse dizer qualquer coisa, Noah falou. — Não, eles já estavam indo embora. — Eles todos se viraram e olharam para ele então ele puxou uma nota de vinte e cinco do bolso e entregou-a Abel. —Obrigado por me ajudar hoje. Aqui, vá e compre uma pizza e um fardo de cerveja. Divirtam-se por mim. Os olhos perscrutadores de Gio não passaram despercebidos. Pela maneira como Noah estava agindo, eles estariam todos em

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cima dele em breve, mas Gio provavelmente já estava pensando isso. Ele o conhecia melhor do que ninguém. — O quê? Você não vem? — Abel perguntou levando o dinheiro. Noah balançou a cabeça. — Eu tenho muito que desembalar. Depois ainda tenho que ir para a academia esta noite. — Ele flexionou seu braço. — Chova ou faça sol, baby. Não posso parar de treinar. Muito em breve eu estarei de volta no ringue. Abel sorriu ignorando seus comentários sobre o treinamento e estar de volta no ringue em breve. — Então, quantos anos ela tem? — Ele levantou o queixo em direção à porta dos fundos, Verônica tinha acabado de fechar. — Ela não pode ser muito mais velha do que nós, certo? Ela não parece quase tão velha quanto eu pensei que fosse naquele primeiro dia na academia e ela é com certeza muito mais bonita do que eu me lembro. Essa voz é muito sexy, também. Quanto, ela tem vinte e um anos? Vinte e dois? O mal-estar que sentiu foi inesperado. O próprio Noah não chegou a reconhecer o que tinha começado a sentir quando estava ao redor de Verônica. O que era ainda mais difícil de entender quão territorial se sentiu de repente. Estes eram seus bons amigos e ela era apenas sua companheira de quarto, sua aluna. Mas ele não gostou de como eles a olharam na varanda da frente e ele certamente não gostou de Abel ter pensamentos sobre ela. Mais velha do que nós? Foi exatamente por isso que ele decidiu que a pizza não podia ser entregue lá. Ele nem sequer percebeu que estava gritando até que Abel riu.

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— O que há com você hoje? Essa coisa toda de mudança deve realmente estar mexendo contigo. Vontade de relaxar? Parece que você está muito bem instalado aqui. As tentativas de Noah para tentar não ser tão óbvio foram fracas e ele deu de ombros. — Não é muito inteligente perguntar a idade para uma garota, então eu não sei. — Ele olhou para Gio que levantou uma sobrancelha, mas não disse nada. Com Hector declarando que estava morrendo de fome, Noah iria se livrar deles em questão de minutos e ele finalmente poderia melhorar. Só depois é que ele percebeu quão nervoso tinha ficado.

Nellie insistiu que Verônica estava sendo boba. — Então ele é um pouco mais jovem do que você, Roni. Ele só vai ser seu companheiro de quarto por algumas semanas, você não vai se casar com o cara. E se ele tivesse sessenta? Você estaria se sentindo estranha, então? Verônica espiou pela janela da cozinha o grupo de rapazes conversando em sua garagem. À primeira vista, todos pareciam muito jovens quando ela o deixou hoje. Olhando melhor para eles agora, com o grande braço musculoso de Noah escorado contra a parede ele mal parecia um menino. Seu amigo maior era um homem em todos os sentidos da palavra. Mesmo o mais jovem era grande. Talvez fosse isso o que estava começando a incomodá-la. Por que ela não tinha pensado melhor nisso antes de tomar uma decisão tão grande? Este homem estava morando com ela agora. E ele estaria dormindo no quarto em frente ao dela.

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A pior parte era que ele não era um homem qualquer. Ele era seu treinador sexy. Aquele com que ela já tinha fantasiado muitas vezes e o mais importante, com corpo de homem ou não, o fato de que ela era quase uma década mais velha que ele ainda permanecia. Isso por si só era o maior NÃO. Relacionamentos sérios eram provavelmente a coisa mais distante de sua mente e na sua idade a última coisa em sua mente era uma aventura. — Eu não sei. Este é o tipo de grande passo que as pessoas dão, não é? Mesmo que fosse uma menina vivendo comigo, eu tenho que viver com alguém agora. A única pessoa com quem eu já vivi foi minha mãe. E se as coisas não derem certo? Ele se tornou uma espécie de amigo agora. E se isso mudar as coisas? Ela não faria Nellie se sentir culpada, dizendo-lhe que ela começou a confiar em suas sessões de treinamento agora para compensar a solidão que estava sentindo desde que Nellie tinha se envolvido em suas sessões de terapia de casal e tentando resolver as coisas com Rick. Secretamente Verônica não podia acreditar que Nellie estava lhe dando outra chance. Mas preferiu não comentar. — Por que você apenas não diz a ele que está se sentindo um pouco nervosa, porque nunca realmente viveu com qualquer outra pessoa, e para ficar ciente sobre a possibilidade de que isso pode não funcionar? Desta forma, ele não fica muito à vontade. Pessoalmente, eu acho que você está se preocupando por nada. Sim, Nellie não sabia sobre nenhuma das fantasias de Verônica. Claro que Verônica não estava prestes a contar a ela também. Ela não iria admitir isso a ninguém, nunca. Ela observou quando seus amigos saíram da garagem e foram em direção

a

caminhonete,

em

seguida,

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admirou

os

grandes


músculos de Noah enquanto ele fechava a garagem de novo. Mesmo em uma camisa, era impressionante. — Ele está vindo. Eu ligo para você amanhã. — Ok, e pare de se preocupar. Desfrute da companhia enquanto a tem. Verônica franziu a testa, odiando quão patética soou. Ela desligou, assim que a porta da cozinha se abriu e Noah entrou sacudindo a água da chuva de seu cabelo com sua mão. — Eu pensei que você iria almoçar com seus amigos? — Não — disse ele passando por ela para chegar a pia. — Só há espaço para três na cabine da caminhonete de Abel, então decidi poupar Hector de um banho e ficar aqui para que ele pudesse ir na frente. — Ele lavou as mãos, em seguida, virou-se para Verônica. — Mas eu poderia comer. O que conseguiu de bom no mercado? — Uh-huh. — Ela andou até a despensa e pegou um pedaço de pão. — Eu tenho frios para sanduíches e há coisas para salada. Eu ia assar um peixe mais tarde para esta noite. Mas eu poderia… — Um sanduíche está bom. — Ele caminhou até a geladeira e pegou os ingredientes para o sanduíche. — Você vai comer, também? Verônica mostrou o pão sobre o balcão. — Bem, sim. Acho que poderia ter um sanduíche, também. Isso

iria

definitivamente

levar

algum

tempo

para

se

acostumar. Ela estava tão acostumada a ficar sozinha. Ter alguém para compartilhar as refeições e sair permanentemente ia ser diferente.

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— Então acho que nós começamos a falar sobre este acordo mais cedo do que eu pensava. — Noah nem sequer olhou para cima de seu sanduíche enquanto falava. — Eu e meu amigo Gio tínhamos falado sobre conseguir um lugar para dividir alguns meses atrás. Então eu meio que tinha uma ideia de como as coisas

iriam

funcionar.

Talvez

seja

algo

que

podemos

implementar no nosso caso. Depois de fazer seus sanduíches, cada um deles sentou-se à mesa em frente um do outro. Verônica escutava Noah tentando não ficar muito presa em seus intensos olhos escuros enquanto ele falava. Ela realmente teve que desviar o olhar algumas vezes, preocupada que ele percebesse como estava tomada por ele. No momento em que terminou o almoço, ela concordou com tudo, exceto a quantidade de dinheiro que ele estava se oferecendo para pagar-lhe. Era demais. Com a casa paga, ela nem sequer tinha uma hipoteca ou aluguel a pagar. As despesas eram tudo o que ela queria dividir e talvez uma pequena parte do que ela gastava mensalmente com os impostos sobre a propriedade pagos por ela duas vezes por ano. Mas não mais. — Eu não posso ficar aqui sem pagar aluguel, Roni. Verônica limpou a boca querendo saber quanto tempo iria levar para se acostumar a ouvi-lo chamá-la assim. Ela estava sendo ridícula. A verdade era que ela tinha realmente começado a se sentir próxima de Noah, e sua amizade. Uma amizade que ela não iria estragar por pensar nele de qualquer outra forma que não apenas isso: um amigo-irmão mais novo. Sim, ela podia olhar para ele dessa forma. Seria mais fácil pensar nele assim do que apenas um rapaz que vivia com ela.

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— Por que não? Eu digo. A hipoteca está paga, por isso não há necessidade de eu cobrar aluguel, mas todas as outras coisas que falamos estou de acordo. Noah franziu a testa, mas a contragosto concordou. — Tudo bem, mas eu consertarei tudo o que precisa ser consertado por aqui, incluindo o seu carro. Eu notei que vaza. O que me lembra. Se você vai insistir em me levar por aí com esse tempo, então eu vou insistir em lhe dar o dinheiro da gasolina. — Ela começou a protestar, mas ele levantou a mão. — Não rejeite, Roni. Você tem o que queria. Eu não vou ceder a isso. Verônica olhou para ele e sorriu. — Ok. Estava resolvido e com a recém-descoberta de como ela iria lidar com isso, tinha certeza que agora poderia funcionar sem lhe causar sofrimento. Era quase enlouquecedor que ela não tivesse pensado nisso antes. Ela era a mais velha e sábia certo? A partir desse momento, ela decidiu seguir o conselho de Nellie sobre essa súbita mudança em sua vida e abraçá-la.

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CAPÍTULO 07 Apenas duas semanas depois de ir morar com Roni, Noah estava realmente começando a se sentir em casa. Este era um novo sentimento para ele já que nunca realmente sentia-se que estava em casa em qualquer lugar, mesmo quando morava com os Fuentes. Apesar de que tinha sido sua permanência mais longa de todos os lares adotivos em que viveu, ele sempre soube que era apenas uma questão de tempo antes que tivesse que sair. Mesmo agora, com Roni, ele sabia que não deveria estar se sentindo dessa forma. Isto acabaria por chegar a um fim, também. O acordo era que ele ia ficar lá até que fosse capaz de consertar o telhado da garagem dos Fuentes. Mas a longa temporada de frio estava apenas começando. Ele ainda tinha meses pela frente para viver com ela e não se preocuparia com isso até então. Noah entrou pela porta dos fundos. Suas mãos todas sujas de óleo. Ele esteve trabalhando no carro de Verônica pela maior parte da manhã. Roni estava em seu telefone na sala da frente. — Eu sei que é sua família Nellie, mas vou me sentir estranha sem você lá. Eu estou dizendo que eu vou ficar bem. Eu nunca soube, porque dar tanta importância à Ação de Graças de qualquer maneira. Eu posso conseguir um peru para jantar e uma fatia de torta no Denny e não ter uma bagunça para limpar depois. Noah ouviu enquanto ele lavava as mãos. Roni tinha mencionado que teria a um jantar de Ação de Graças com Nellie e sua família. Ele iria passar com Gio. A mãe e as tias de Gio ficavam loucas cozinhando mesmo quando não havia um feriado que justificasse isso. Assim, a Ação de Graças em sua casa era o 90


lugar para se estar, sempre tinha sido. Os Fuentes nunca festejavam nos feriados. — Eu não sei por que você está tendo todo esse trabalho. Eu prometo que vou ficar bem. Você vai para seu retiro e desfrute. OK? Estou feliz que as coisas realmente parecem estar dando certo para vocês dois. Noah encostou-se ao balcão da cozinha secando as mãos. Roni entrou uma vez que tinha de desligar o telefone. Ela parecia um pouco para baixo, mas sorriu. — Então você consertou o vazamento? — Sim, foi dificil, mas acho que finalmente o vazamento está controlado. Seu sorriso desapareceu rápido e Noah esperou que ela mencionasse o dia de Ação de Graças. Ele odiava pensar nela passando sua primeira Ação de Graças sem a mãe sozinha. Ele tinha certeza de que Gio não se importaria se ele a convidasse, mas dado a que ela aparentemente nem sequer se sentiria confortável com a família de Nellie a menos que Nellie estivesse lá, ela provavelmente iria recusar o seu convite. Ele a observou se servir de um copo de suco e comer um queijo de corda da geladeira. — Está tudo bem? Ela olhou para ele, sua expressão um pouco surpresa. — Sim, por quê? Ele deu de ombros. — Você parece um pouco para baixo. Eu não pude deixar de ouvir sua conversa. Nellie não vai estar aqui para o dia de Ação de Graças?

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— Oh, isso. — Ela assentiu com a cabeça. — Sim ela e seu marido estão indo para algum retiro de casais. Eles tiveram alguns problemas este ano e estão tentando resolvê-los de modo que o pastor da igreja sugeriu que experimentassem isso. Eles ficarão durante todo o fim de semana do feriado Sentou-se na mesa pequena e começou a puxar os fiapos de queijo. Ela abriu a boca e balançou um fio em frente dela, e começou a brincar com a sua língua no fio, fazendo Noah engolir em seco. Ele quase esqueceu o que estavam falando quando ele finalmente voltou a si e limpou a garganta. — Então, onde você vai passar o dia de Ação de Graças? Ela ergueu um ombro, mas continuou sua brincadeira com o queijo de corda. Noah fez uma nota mental para comprar mais queijo numa frequência muito maior. — Eu provavelmente vou ficar aqui. Talvez alugar alguns filmes ou algo assim. Não é grande coisa. — Sozinha? Ela finalmente olhou para ele e se afastou de seu queijo. — Sim, sozinha. — Ela sorriu fracamente. — Eu tenho estado sozinha por mais de oito meses. Bem... até que você se mudou para cá. Mas eu estou acostumada com isso. — Mas é um feriado. — Ele caminhou até a mesa e sentou-se em frente a ela. — Um que você deveria gastar com a família ou amigos. Imediatamente ele se sentiu tão estúpido por dizer, porque aqueles olhos que pareciam um pouco tristes quando ela entrou pela na cozinha agora estavam inegavelmente tristes embora ela ainda tentasse esconder.

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— Eu nunca tive muita família e a única amiga que eu já tive realmente é Nellie. Então, eu estou imune a esses tipos de coisas. Elas não me afetam como fariam com outras pessoas. Noah não estava comprando essa merda nem por um minuto. Ele estendeu a mão e tocou a sua. — Você tem a mim, agora. Ela parou de mastigar e olhou para ele. Ele viu um pouco do que tinha visto em seus olhos na noite em que ele disse a ela quantos anos tinha. —Noah, eu... — Quero dizer, nós somos amigos, certo? Não apenas colegas de quarto. Então você pode me incluir agora como um de seus amigos. — Ele endireitou-se em pânico que o olhar nos olhos dela ainda estivesse lá. — Por que você não vem comigo para a casa de Gio na Ação de Graças? Tenho certeza que ele não se importaria de... — Oh não, eu não poderia. — Ela balançou a cabeça com firmeza. — Por que não? — Eu mal o conheço. — Ela se levantou e Noah se levantou com ela. — Realmente. Eu vou ficar bem. — Então eu vou ficar com você. Ela se virou para ele com os olhos ainda mais arregalados. — Não! Deus, ela era fofa quando estava sendo teimosa. — Por que diabos não? Olhe você é minha amiga agora. Eu não quero que fique sozinha. — Noah, você está sendo bobo. Eu vou ficar bem. Você deve estar com seus amigos. Você disse que é onde você sempre passa

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o dia de Ação de Graças. Você estava ansioso por isso. — Ela cruzou os braços na frente dela. — Eu não irei te atrapalhar. Noah podia ver que ela não ia ceder a isso, mas ele estaria condenado se a deixasse passar o feriado sozinha. Ele sabia como era e não queria. — Tudo bem. Ela parecia um pouco surpresa que ele tinha cedido tão facilmente, mas satisfeita. — Bom. Eu aprecio você oferecer, mas prometo que vou ficar bem. Noah não pode evitar e sorriu. Sim, ela ficaria bem. Ele tinha certeza disso. — Bem, talvez você não planeje comer muito esta semana, mas eu sim, então eu digo que nós encontremos uma boa malhação hoje á noite. Aquele sorriso dela era de tirar o fôlego e Noah lutou para puxar os olhos longe dele. — Ok, então. Eu vou me arrumar. Ele não podia deixar de se sentir um pouco irritado consigo mesmo por olhar para ela quando ela caminhou para fora da sala. Ele tinha que parar com todos os pensamentos que teve com ela recentemente. Eles eram amigos agora e nada iria estragar uma amizade mais rápido do que fazer algumas das coisas que ele só poderia sonhar em fazer com ela. A tensão que sentiu ao longo de todo o seu corpo era irreal. A comida não tinha nada a ver com o porquê de ele querer malhar duro hoje à noite. Entre observá-la fazer amor com o maldito queijo de corda e, em seguida, olhar para seus lábios enquanto ela explicava por que ele não deveria ficar em casa com ela na

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Ação de Graças, um treino duro era exatamente o que ele precisava.

Na manhã de Ação de Graças Verônica acordou com o aroma familiar. Ela não o tinha cheirado na casa nos últimos anos. Ela não estava completamente certa, mas enquanto caminhava pelo corredor em direção à cozinha o cheiro era inconfundível. Presunto com mel e cheirava deliciosamente. Ela entrou para ver Noah na cozinha vestindo um avental descascando batatas. A mesa de jantar estava posta para dois, a peça central e tudo e havia tortas na ilha central. — O que você pensa que está fazendo? Noah olhou para ela com um sorriso. — Eu estou fazendo o jantar de Ação de Graças para nós. — Não, você não está. Você vai para a casa de Gio. Você disse que estava realmente ansioso por isso. Ele levantou uma sobrancelha sorrindo enormemente. — Mas percebi que toda a minha vida passei sem que eu preparasse uma refeição de Ação de Graças. Quando ela não voltou a sorrir seu sorriso se transformou em um beicinho. — Sistema de adoção por toda a minha vida, lembra-se? Como ele ousava usar isso para ela não ficar brava com ele. Ela deveria ter percebido quando ele tinha cedido tão facilmente no outro dia. Quando seu sorriso maroto voltou, ela não pôde deixar de sorrir. Ela caminhou em direção a ele tentando parecer ainda com raiva, mas secretamente estava um pouco animada. Embora realmente não fosse um grande negócio que ela estaria 95


passando a Ação de Graças sozinha, ela não estava exatamente ansiosa por isso. — Eu não posso acreditar. Quando você fez tudo isso? Ele parecia aliviado que ela estava mais curiosa do que chateada. — Bem, eu nunca realmente preparei uma refeição como esta, então eu tipo que fiz batata. O presunto já estava preparado e temperado. Tudo que eu tinha que fazer era colocá-lo no forno e percebi que um peru seria demais só para nós dois, então, eu comprei um peito de peru recheado, tudo o que eu tive que fazer foi colocar lá dentro. — Ele apontou para o forno — Eu não sou, tipo, um confeiteiro então eu comprei tortas já feitas, mas quero preparar algo e estava esperando que você me ajudasse. Poderíamos ter uma espécie de... Você sabe... Fazer isso juntos. Então, estou fazendo o purê de batatas e comprei alguns feijões de corda para que possamos fazer uma caçarola de feijão de corda. — Ele apontou para um saco sobre o balcão da geladeira. — E de acordo com a tradição mexicana eu comprei alguns tamales2 da senhora que vendia no estacionamento. Verônica riu trazendo a mão à boca. Ela não queria que ele percebesse quão tonta ela estava começando a se sentir. Isto era completamente inesperado e ela não tinha tido uma festa de Ação de Graças como está em anos. — Então, o que você diz? Você vai me ajudar com isso ou o quê? — Claro que vou ajudar. — Você quer fazer as batatas ou os feijões verdes?

2 Típica comida mexicana

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Lembrando-se da receita fácil que sua mãe havia lhe ensinado, ela escolheu o feijão verde e começou a trabalhar. Ela observou como Noah apertou alguns botões em seu telefone, em seguida, colocou-o sobre a mesa do lado que parecia ser o altofalante e logo começou a tocar músicas natalinas. — Bem, isso é legal. — Ela teve que admitir. Noah riu. — É uma das coisas mais fáceis que você pode fazer com este telefone. Quanto mais eu brinco com ele, mais incrível eu acho que é. — Ainda muito extravagante para mim. Eu vou ficar com o meu telefone de tecla muito obrigada. Noah prometeu convencê-la sobre isso e ainda disse que iria encontrar um aplicativo apenas para ela que iria fazê-la mudar de ideia e comprar um iPhone para si mesma. A conversa a fez se sentir como uma velha e inflexível com medo da mudança como os que ela costumava trabalhar, até mesmo seu programa de computador era antiquado. Ela decidiu mudar de assunto ao cantar junto com a música. Para sua surpresa Noah cantou com ela. Verônica riu de quão seriamente intenso ele pareceu em determinadas partes das músicas, então corou e parou de cantar quando ele disse a ela que ele amava sua voz. — Não, não pare. Essa é a melhor parte. Eu estava esperando para ouvi-la cantar. Ela polvilhou a cebola frita sobre a caçarola e sorriu mordendo o lábio inferior. Seu rosto estava pegando fogo agora e ela se recusou a olhar para ele. Era apenas um elogio. Caramba. Quantos anos ela tinha, afinal? No momento ela se sentia como se tivesse cinco anos no meio de seu pátio da escola elementar e

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alguém tinha acabado de declarar seu amor por ela na frente do resto do corpo docente rindo. — Deixa eu ver? Ela sabia o que ele queria dizer. Ele queria que ela olhasse para cima, mas ela balançou a cabeça. Podia senti-lo olhando-a. — Olhe para mim, Roni. Virando de modo que ela não estava nem mesmo de frente para ele, ela tomou seu tempo colocando a panela no forno. A música ainda tocava ao fundo. Quando ela finalmente se virou para ele seu sorriso era tão genuíno e foi tudo para fazer seu coração acelerar. — Deus, você é adorável quando está envergonhada. — Ok, então pare de me envergonhar — disse ela, sentindo o calor de seu rosto rapidamente descer em seu pescoço e nas costas. Ela limpou o balcão e limpou a garganta. — É isso? Terminamos? O sorriso estava sempre presente e ela fez tudo o que podia para tentar não olhar para aqueles lábios chupáveis e como seus olhos quase normalmente intensos brilhavam agora. — Bem olha, você terminou, mas eu não. Você quer me dar uma mão com essas batatas? Ela se aproximou e ajudou-o a descascar e cortar mais batatas. Poucos minutos depois Baby it’s Cold Outside3 começou a tocar. Era uma de suas músicas favoritas, ela cedeu e cantou junto. Noah sorriu e para surpresa dela, ele sabia a letra toda e cantou a parte masculina. Ela alegremente se inclinou para ele cantando. E ele se inclinou para trás quando era a vez dele. Ela

3 Música do Ray Charles em parceria com Betty Carter

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notou seu olhar ficar mais pesado com a letra mais graciosa, mas ela continuou cantando. — So nice and warm. Ele olhou para a janela, surpreendentemente não perdeu uma única letra. — Look out that window, man that's hard. Ela engoliu em seco sabendo o que estava por vir. — My sister will be suspicious. Seus olhos estavam em seus lábios agora. — Man, your lips look so delicious 4. Verônica fingiu não perceber como sua voz mudou muito ligeiramente com a última linha. — My brother will be there at the door. Seus olhos ainda estavam em seus lábios. — Waves upon a tropical shore. Cedendo à tentação, ela olhou para os lábios enquanto lambia-os. — My maiden aunt’s mind is vicious. Ele parou de cantar e falou a próxima linha. — Gosh, your lips look delicious. Sentindo um calor súbito, ela forçou os olhos longe de seus lábios e olhou para a batata em sua mão. — Eu acho que isso é o suficiente de batatas. Ele ficou quieto e nem sequer se moveu por um momento. Ela estava quase com medo de olhar para ele. Quando olhou, sua expressão brincalhona tinha se tornado dura e ele limpou a garganta. — Sim, isso deve ser suficiente.

4 Traduzindo esse trecho da música Ray Charles diz “Deus, seus lábios parecem deliciosos”.

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Ela arrastou-se para o outro lado da cozinha e pegou uma vasilha dos armários próximos aos seus joelhos. — Você pode usar isso — disse ela entregando-lhe o pote. Sua expressão parecia quase tão chocada quanto a dela. — Então é isso. Acho que vou tomar banho agora e prepararme para a nossa festa. Parece que vamos comer o dia todo. Balançando a cabeça, ele olhou para ela, seus olhos fazendo uma parada em seus lábios novamente antes de voltar para o pote na mão. — Ok, eu vou colocar estas para ferver e fazer o mesmo quando você tiver terminado com o chuveiro. Afastando o pensamento do seu corpo bem trabalhado debaixo do chuveiro, ela se afastou rapidamente para o banheiro. Uma vez em segurança atrás da porta fechada do banheiro ela se permitiu deixar sair o fôlego que havia segurado quando tinha estado tão perto dele naquela cozinha. Isso tinha que parar e ela iria ter certeza de que nada disso aconteceria novamente. Na idade de Noah sexo estava provavelmente sempre em sua mente, e ela tinha certeza de tudo o que ele estava pensando quando olhava para ela do jeito que fazia às vezes. Tão jovem como era, mas um adulto de corpo e mente. Ele sabia o que estava fazendo, mas se as coisas progredissem, e não desse certo entre eles ela tinha a certeza de que ele ficaria bem. Na verdade, ela odiava admitir, mas isso era exatamente com o que ela estava preocupada. Não só que ele ficaria bem com isso, o mais provável era que ele preferiria assim. E por que não? Por que diabos um cara de sua idade, procuraria uma maneira para se estabelecer? Seria egoísta da parte dela se esperasse isso dele. Ela balançou a cabeça.

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— Não, não, não. — Ela sussurrou ligando o chuveiro. Ela não queria nem sequer pensar nisso. Além disso, ela finalmente tinha encontrado outro amigo e um maravilhoso o suficiente para deixar tudo de lado e planejar uma festa para eles de Ação de Graças. Por que ela seria estúpida o suficiente para arruinar isso? — Feito. — disse ela puxando o pijama sobre sua cabeça. Era isso. Ele estava fora de questão e ela estava decidida a parar de pensar nisso. Ela tomaria um banho, vestira-se e desfrutaria da refeição muito especial que seu companheiro de quarto, personal e agora bom amigo Noah tinha planejado. Ela fechou os olhos por um momento, respirando fundo antes de entrar no chuveiro.

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CAPÍTULO 08 Noah seriamente teria que sair e ficar com alguém em breve. Ele não podia acreditar que tinha conseguido chegar até aqui, mas o desejo de querer estar em casa com Roni tinha ganhado sempre que teve a oportunidade nestas últimas semanas. O que ele tinha feito no chuveiro hoje vinha acontecendo com muita frequência, agora que estava perto dela. Não ia ter o suficiente em breve, mesmo que ele visualizasse Roni o tempo todo. Só o fazia ansiar a coisa mais real, especialmente se as coisas como o que aconteceu na cozinha mais cedo continuassem acontecendo. Era estranho para dizer o mínimo. Quando ele a conheceu, fora de forma, em moletons folgados a última coisa que teria imaginado

era

que

ela

fosse

uma

menina.

Em

seguida,

observando-a malhar semana após semana sem um traço de maquiagem e seu cabelo puxado para trás em um rabo de cavalo bagunçado, ele assumiu que estava certo. Tinha treinado com as meninas antes, mas suada ou não, havia sempre um sinal revelador de feminilidade - as unhas feitas, brincos bonitos, ou roupas de ginástica perfeitamente combinando. Roni não tinha nenhuma dessas coisas. Mesmo quando ela começou a usar roupas de ginástica mais reveladoras, estava longe de bonitinha e vestia cores simples, preto ou cinza. Não que seus novos trajes não o tivessem deixado louco de qualquer maneira, especialmente quando ele notava alguns dos outros caras na academia olhando para ela. Ele abertamente olhava para baixo,

especialmente

quando

eles

ficavam

boquiabertos

e

silenciosamente enviava uma advertência - não clara para sequer pensarem merda sobre isso. 102


A primeira vez que ele tinha entrado em seu banheiro esperava encontrar lotes de cremes e perfumes, talvez até mesmo velas perfumadas. Mas o que ele tinha suspeitado ao longo de tudo estava correto. Roni não era uma menina enfeites. Na verdade, ele ainda tinha de vê-la enfeitada. Foi quando ela estava em suas roupas confortáveis soltas e pijamas difusos que ela parecia mais em seu elemento. Noah sempre tinha estado com enfeites. Ele gostava de mexer com seus cabelos e adorava assisti-las aplicar a maquiagem, especialmente o batom. Roni nem sequer usava qualquer um, mas algo exalava sobre sua feminilidade. Ela não tinha que fazer todas essas coisas. E ela não precisava de maquiagem ou loções perfumadas. Era tudo natural com ela. Era o que ele simplesmente amava sobre ela. Quando estavam na cozinha, ele tinha sido capaz de se conter. Ele tinha estado tão perto de puxá-la para ele e beijá-la. A única coisa que o deteve foi o medo de arruinar este dia que ele tão cuidadosamente planejou. Ele sabia que Verônica era reservada e de forma, isso também era parte da atração. Seus dias no ring haviam sido de curta duração por causa de sua lesão, mas ele tinha estado em torno de Abel e Gio o suficiente para saber tudo sobre as groupies. Nem ele nem nenhum dos seus amigos eram famosos, mas mesmo a este nível, haviam groupies. Não havia como negar que algumas delas eram mais quentes do que o inferno. E é claro que ele se divertiu com muitas. Ele era um homem afinal de contas. Mas havia algo refrescante em uma garota como Roni. Ele tinha há muito tempo deixado de olhar para ela como mais velha que ele. De todas as garotas que já conheceu ele nunca se sentiu tão confortável em torno de qualquer uma delas

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como se sentia com ela. Ele sempre pensava nisso, mas não tinha dúvidas agora. Idade não tinha nada a ver com amizades ou qualquer tipo de relacionamento. Ele soube disso toda a sua vida. Alguns de seus relacionamentos mais próximos, homens ou mulheres, tinham sido com pessoas décadas mais velhas do que ele. Verônica não era diferente. No dia em que ela lhe disse que estava tudo bem em ficar sozinha no feriado, ele tinha conseguido ver através dos seus olhos uma tristeza e novamente ele viu esta manhã quando ela entrou na cozinha tentando fingir que estava chateada com ele por não ir ficar com Gio. Não havia como esconder a alegria em seus lindos olhos. De certa forma, ele sentiu que era mais jovem do que ele. Ela não tinha dito a ele muito ainda. A julgar pelo fato de que alguém tinha pensado com antecedência em se certificar de que ela tomasse conta da casa e todos os retratos de família pelos quais ele tinha estado tão consumido desde que se mudou, ele tinha certeza que ela se tinha escondido maioria da vida dela. Ele terminou de se vestir e se preparou para encontrar Verônica na cozinha. Ela já estava cantando e a voz dela poderia silenciar uma multidão. Não por causa de suas habilidades de canto. Isso era melhor que a média, mas a rouca suavidade de sua voz que quase poderia colocá-lo em um transe. Ele franziu a testa lembrando que até mesmo Abel tinha notado isso. Mas Noah teve que admitir que era difícil não notar. Havia algo tão único, fascinante sobre isso. Gio ligou exatamente quando ele estava se preparando para sair de seu quarto e Noah estremeceu lembrando que tinha esquecido de ligar para ele.

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— Hey, Gio o que está acontecendo? — Noah podia ouvir o ruído de fundo. Mesmo tão cedo Gio provavelmente já tinha uma casa cheia. — Não muito. Que horas você vem? Rita está aqui e estava perguntando sobre você. Merda. Rita era a prima do norte de Gio. Eles tinham uma espécie de compromisso do feriado. Desde que ela vivia ao norte e só vinha realmente para as festas, então um relacionamento estava fora de questão. Não que Noah tivesse se sentido inclinado a ter um com ela, mas ela era muito divertida e muito generosa debaixo dos lençóis. Assim, algumas vezes por ano, Ação de Graças, Natal e Páscoa: eles se reuniam. Apesar de que seus encontros eram tudo, menos santos. Era perfeito porque ela admitiu abertamente que não estava se estabelecendo de modo que ela nunca tinha sido pegajosa. Quando ela voltava para casa, ele raramente ouvia falar dela exceto talvez por texto, lhe desejando boa sorte antes de uma luta ou uma pergunta aleatória aqui e ali. Ela era uma garota legal e quente o suficiente, mas o mais importante, ele nunca teve de se preocupar com ela desligando na cara dele. — Eu queria ter ligado pra você mais cedo, cara. Eu não irei esse ano. — O quê? O que você quer dizer? Onde você vai estar? Gio sabia melhor do que ninguém que a menos que Noah estivesse passando um tempo com uma garota ou estivesse na academia, ele realmente não tinha outro lugar para estar. E desde que a família de Gio era a coisa mais próxima que Noah tinha de família ele não iria deixar de passar o feriado com eles por uma noite de luxúria. Mas isso era diferente. Tão frio quanto

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o banho tinha sido que ele, mais cedo, foi forçado a tomar, isto não era sobre luxúria. — Eu vou jantar aqui em casa. No segundo em que as palavras saíram, a realidade lhe bateu. Ele nunca tinha usado a palavra casa em relação onde ele morava. Era sempre a “casa dos Fuentes” ou qualquer lugar do outro pai adotivo em que ele estava hospedado. O pensamento quase o sufocou, ele estava ficando muito sugado por essa coisa toda. Ele tinha que ter em mente que isto também era apenas temporário. Assim como todas as outras casas em que viveu ao longo da sua vida, essa não era mais sua casa do que qualquer uma dessas tinha sido. Então, por que diabos ele estava se referindo a ela como isso? O silêncio na outra extremidade foi um pouco longo demais. — Você ainda está aí? — Sim, eu estou aqui. — Disse Gio, limpando a garganta. — Então, uh, sim. Avise sua mãe. — Noah, o que você está fazendo? — O que você quer dizer? — Noah fechou os olhos, sabendo exatamente onde Gio queria chegar. Várias vezes ao longo dos últimos quinze dias, ele tinha conseguido olhares estranhos de Gio, especialmente quando ele escorregava e se referia a Verônica como Roni na frente dele. Gio já sabia o que Noah não tinha sequer admitido para si mesmo ainda. — Você está se apaixonando por essa garota? O primeiro pensamento de Noah foi se fazer de bobo. O ato estava sendo ridículo, mas ele sabia que era inútil. Então, em vez disso, ele se sentou em sua cama, inclinou a cabeça para trás e não disse nada.

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— Cara, eu não estou dizendo que há algo de errado com ela, ou que isso não poderia funcionar. Eu só espero que você não esteja ficando muito achegado, no caso disso não acontecer. Você é meu amigo, e sabe tudo o que passou... Eu não quero ver você magoado, isso é tudo. Noah queria sorrir, mas não conseguiu. As coisas não estavam nem perto do que Gio deveria estar imaginando. — Não é assim com a gente, cara. Então, se você alguma vez estiver ao lado dela não diga algo que a faça pensar que fui eu quem disse. Ela só... ela não tem ninguém. Eu sei o que é se sentir assim e como ela ia ficar sozinha esta noite, então decidi ficar e fazer-lhe companhia. Isso é tudo. Noah sabia que Gio nunca compraria isso, mas ele também sabia que ele ia deixá-lo em paz. Ele ouviu seu amigo exalar e, em seguida, ele falou de novo. — Ok. Bem, eu vou dizer a Rita, e você vai perder, mano. Aproveite o seu dia com Roni. — Ele riu. — Nós vamos ter uma abundância de sobras entrando por esse fim de semana afora. Você conhece minha mãe. Ela vai ficar desapontada por você não vir esta noite, terá que fazer as pazes com ela. Noah riu. — Entendi. Eu vou fazer minhas rondas neste fim de semana. Obrigado. Ele desligou e deu uma última olhada no espelho antes de sair do quarto. Enquanto caminhava pelo corredor, Verônica apareceu. Ela agitou uma xícara de café e, em seguida, tomou um gole. Ele respirou com dificuldade quando ela olhou para cima e sorriu para ele. Como era possível que ela tivesse deixado de ter um aspecto normal, quando ele a conheceu, mesmo depois que

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ela perdeu o peso, ele a achou um pouco atraente, mas agora ela estava linda. Não havia mudado muito em sua aparência, mas tudo sobre ela agora parecia brilhar, os cachos, os olhos, os lábios. Ela levantou a xícara para ele. — Você pensou em tudo, creme sabor abóbora. Eu amo isso. Noah sorriu, tentando esconder o fato de que, tendo a agradado por algo tão simples como escolher o creme certo o fez se sentir muito bem. — Eu pensei que combinaria com a ocasião. — Eu também vi o champanhe na geladeira. Como você conseguiu isso? Será que eles não pediram um documento seu? Respirando fundo e irritado ele entrou na cozinha, o cheiro de seu cabelo recém-lavado, com um toque de algo mais, perfume talvez, muito sutil, oprimiu seus sentidos enquanto passava por ela. Ele quase se esqueceu sobre a questão irritante. Ele tinha uma falsa I.D. há mais de um ano agora, não que fosse usada com muita frequência. Como essa manhã, a funcionária olhou para ele e apenas lhe pediu a data de seu aniversário. Ele deu a ela o ano falso e ela apenas aceitou. — Eu também tenho cerveja. E não, eles não me pediram a I.D. — Ele esperava que saísse presunçoso, mas suas palavras soaram mais defensivas do que qualquer coisa. Se ela notou, não deixou transparecer. Em vez disso, ela mal olhou para ele antes que seus olhos estivessem no forno atrás dele. — Já é hora do almoço. Passamos tanto tempo preparando a comida que não tomamos café da manhã. — Você está com fome? — Morrendo de fome.

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— Bem, vamos fazer isso. Com tudo pronto, eles levaram a comida para a mesa de jantar e sentaram se preparado para comer. Assim como ele a viu escavando com o garfo no purê de batatas, ele teve que perguntar. — Não deveríamos agradecer primeiro? Com uma carranca Verônica deu de ombros e abaixou o garfo. — Você pode, se quiser. Deus e eu não temos estado exatamente em condições de falar por um tempo. Ah. Com isso em mente Noah foi curto e direto ao ponto, em seguida, eles comeram. Noah olhou para ela depois de alguns minutos de silêncio arrebatador. Ela não estava brincando quando disse que estava morrendo de fome e ele não tinha percebido seu apetite enquanto estava ocupado, trabalhando em uma manhã movimentada. — Então, sua mãe era realmente a única família que você já teve? Ela assentiu com a cabeça e, felizmente, não parecia desconfortável com o assunto. — Minha mãe mencionou ter uma irmã muito mais velha que ela, mas realmente nunca a conheci. Meus avós eram mais velhos quando eles tiveram a minha mãe. Ela foi uma surpresa inesperada, mas agradável. — Ela se derretia como manteiga enquanto falava, aparentemente bem em compartilhar essa parte de sua vida com ele. Ela contou-lhe tudo sobre a irmã muito mais velha que sua mãe teve, que fugiu quando tinha dezoito anos e nunca mais voltou, por isso, ela sabia que tinha uma tia em algum lugar que ela nunca conheceu.

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— E o seu pai? — A julgar por sua súbita mudança de expressão, isso, obviamente, não era uma pergunta tão fácil como a primeira. Preocupado que isso pudesse mudar seu humor, ele acrescentou — Nós não temos que falar sobre isso, se você não quiser. — Não. Isso não é nada demais. Eu nunca o conheci. Minha mãe se apaixonou por um conhecido da família que veio do México para uma visita de semanas. Ele fez todos os tipos de promessas, especialmente depois que se tornou íntimo e quando ele

voltasse

para

o

México

iam

escrever

um

ao

outro

constantemente. Quando ela lhe escreveu para lhe dizer que estava grávida ele nunca escreveu de volta. — Sua expressão endureceu. — Mais tarde, ela descobriu que ele era casado. Suas visitas aqui foram para ganhar dinheiro para mandar a sua esposa e filhos. Ela ficou arrasada, mas meus avós já velhos a ajudaram a criar-me já que eu era muito jovem quando eles morreram e desde então fomos só eu e ela. Ela espetou seu garfo em suas batatas e deu uma mordida. Sentindo-se mal que ele tivesse desenterrado um assunto tão dolorido Noah sentiu-se compelido a dizer alguma coisa e, em seguida, esperou mudar de assunto. — Bem, eu sinto muito sobre seu pai, mas, pelo menos, seus avós ajudaram sua mãe. Eu sei que a geração mais velha tende a ser muito severa sobre esse tipo de coisa. Seu sorriso o fez se sentir melhor. — Não. Meus avós eram maravilhosos. — Ela olhou em volta. — Esta casa era deles. Eles a deixaram para mim e minha mãe. — Seus olhos se encontraram com os dele e, de repente cheios de compaixão. — E não se arrependeram. Pelo menos eu tinha a

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minha mãe. Você esteve realmente em lares adotivos toda a sua vida? Noah queria mudar de assunto, mas isso certamente não era a direção que ele tinha em mente. Ele continuou a comer tentando dizer como se não fosse grande coisa. — Eu honestamente não sei nada sobre meu pai e eu mal me lembro da minha mãe. Tudo o que sei é que vivíamos em uma casa aqui em Los Angeles. Nós a compartilhávamos com várias outras famílias. Eu ia para a escola, voltava para casa, ia para o nosso quarto e esperava por ela chegar em casa do trabalho. — Ele tomou um gole de seu café surpreendido que falar sobre isso ainda o entristecia. — Um dia, quando eu tinha seis anos, ela não voltou mais para casa. As outras mulheres que lá viviam vieram dizendo que a imigração a tinha levado da fábrica na qual trabalhava e a haviam mandado de volta para o México, mas ela estaria de volta por mim. Em seguida, semanas mais tarde, recebemos a notícia de que ela tinha sido morta quando o caminhão no qual ela e cerca de trinta outros imigrantes estavam sendo contrabandeados tombou pouco antes de cruzar

a

fronteira. Então, fui colocado em um orfanato e foi dito que era apenas até que um dos membros da família de minha mãe viesse me buscar. — Ele moveu a comida ao redor de seu prato. Fazia anos desde que ele contou essa história para alguém, e ficou surpreso agora que estivesse dizendo isso. A única pessoa para quem ele já tinha compartilhado era Gio. Ele olhou para ela e ela estava olhando fixamente, com os olhos cheios de compaixão. — Ninguém nunca veio. Fim da história. Ela assentiu com a cabeça como se entendesse e não perguntaria nada. Estranhamente, ele queria. Por mais difícil que

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fosse revivê-la, era bom contar a alguém. Ele só contou partes a Gio ao longo dos anos e geralmente quando estava bêbado. — Eu sinto muito em ouvir isso, Noah. Alguma vez você já tentou encontrar alguém da família de sua mãe? Noah balançou a cabeça quase irritado, não com ela, mas com a ideia de ele tentar se reconectar com as pessoas que, obviamente, não davam a mínima para ele. Ao longo dos anos ele teria chegado à conclusão de que, se ele e sua mãe estavam sozinhos dividindo a casa com estranhos então ninguém de sua família dava a mínima para ela também. — Para quê? Se eles tivessem qualquer interesse, teriam vindo me procurar. Eu era um garoto. — Talvez eles não soubessem sobre você. Noah riu amargamente. — Alguém sabia. Eles sabiam o suficiente para contar sobre a minha mãe estar morta. — Ele olhou para os olhos, que agora pareciam procurar mais nos seus. — Você sabe o que quer dizer “sangue é mais grosso do que a água? — Ela assentiu com a cabeça. — Isso é besteira. Crescendo eu tive que passar por um monte de famílias diferentes e sempre me surpreendeu como fodida algumas dessas famílias eram. Noah mordeu a língua antes de prosseguir. Tão boa quanto era a sensação de colocar tudo para fora, hoje não era o dia para isso. Hoje era para ser divertido. Ele balançou a cabeça e espetou um pedaço de peito de peru com o garfo. — De qualquer forma, alguns dos relacionamentos que desenvolvi ao longo dos anos com os amigos, eu nunca sonharia em negociá-los com alguém só porque não temos o mesmo

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sangue correndo em nossas veias. Isso é tudo o que vou dizer. Eu não tive a intenção de despejar tudo isso sobre você. Ele enfiou o peru em sua boca e se levantou. — Você está pronta para um pouco de champanhe? — Seus olhos pensativos estavam ainda colados a ele, mesmo quando olhou para ela. — Eu sei que é cedo, mas que se dane? É um feriado. Sua expressão finalmente relaxou, em seguida, ela sorriu. — Sim, eu vou querer. Todos os músculos de suas costas e braços pareciam estar tensos com essa última conversa. Ele precisava de algo para derrubá-lo. Ajudá-lo a relaxar para que pudesse aproveitar o resto do dia e noite com ela. O seu próprio pensamento tirou-o imediatamente do seu humor nervoso e ele sorriu quando tirou a garrafa de espumante da geladeira.

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CAPÍTULO 09 Depois de apenas uma taça de champanhe, Noah mudou para cerveja. Ele disse que não era muito de beber champanhe e só tomava um copo ou dois, quando estava em clima de comemoração. As entranhas de Verônica tinham se aquecido quando disse que hoje ele estava comemorando sua nova amizade. Dado o pequeno discurso que ele tinha feito sobre como se sentia sobre seus amigos, isto foi ainda mais emocionante agora que ele a considerava uma amiga. Isso, claro, só fez seu raciocínio ainda mais pertinente sobre por que ela não devia ser pega em qualquer coisa como o que aconteceu naquela manhã. Eles agora estavam sentados em sua varanda. Tinha havido uma pausa no tempo e o sol tinha, na verdade, feito uma aparição para que eles fossem para fora apreciar a beleza dos raios que cortavam através das nuvens. Embora estivesse frio, o champanhe ajudou Verônica a se aquecer. Ela se sentou na cadeira de balanço enquanto Noah sentou na escada da varanda inclinando-se para trás, apoiando os cotovelos em ambos os lados enquanto ele olhava para as nuvens. — Essa pausa não vai durar. Aí estão algumas nuvens de novo. — Tudo bem. — Verônica olhou para os raios brilhantes do sol que pareciam lutar contra o tempo. — Tão bonito quanto, isso é, eu gosto da chuva. — Você gosta? Ela continuou a admirar a luz do sol, mas acenou com a cabeça. — Alguma coisa sobre isso. É acolhedor, temperamental e romântico. 114


— Romântico, uh? Ela finalmente afastou o olhar dos raios e sorriu. — Sim, você não acha? Noah se endireitou depois se mudou para o topo da escada, encostando na grade da varanda quando ele a enfrentou. — Acho que pode ser romântico. — Seu sorriso era provocador — O tempo frio é sempre uma boa desculpa para se aconchegar. Verônica riu, se sentindo um pouco nervosa sobre onde isso estava indo, mas depois decidiu que eles eram amigos. Se ela queria, de fato, mantê-lo como um bom amigo e vê-lo como havia se decidido no início, um irmão mais novo. Eles deviam ser capazes de falar sobre qualquer coisa sem isto ficar estranho. — Eu duvido que você já tenha precisado de uma desculpa para ficar aconchegado com alguém. Você provavelmente tem, as meninas fazendo fila. Um riso nervoso e estúpido lhe escapou novamente quando aqueles lábios chupáveis se curvaram em um dos sorrisos mais sexy que ela já tinha visto. Não é embaraçoso. Não é embaraçoso. — Não diria fila, mas estou lisonjeado que você pense assim. Dessa vez, sua risada era mais sarcástica do que nervosa. — Oh, por favor. Com um corpo como o seu e, você é um boxeador para começar. Eu não duvido que você já não tenha um fã clube. Ele franziu o cenho. — As groupies não contam. Elas só estão atraídas por três coisas: fama, status e dinheiro. Na ocasião, talvez elas estejam apenas à procura de um bom tempo para elas poderem se gabar

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depois. Gostoso talvez. Mas romântico? De jeito nenhum. Isso não é o que eu estou procurando. Verônica estava apenas levando-se em quão familiar ele parecia estar com o que inspirava as groupies e principalmente que, embora o pensamento de groupies não parecesse excitá-lo, ele as considerava quentes. Ela estava certa agora de que ele teve sua cota. Em seguida, ele trouxe de volta a ela o assunto. — Então como é que você não está casada? Ela nem percebeu que seu sorriso havia desaparecido até que ele falou novamente erguendo a garrafa de cerveja. — Eu culpo a cerveja, mas eu só bebi duas. Me desculpe se eu estou ficando muito intrometido. Amigos, se recordou. Ela poderia fazer isso, ela devia, ela limpou sua voz e sentou-se novamente um pouco mais reta. — Não, está tudo bem. Eu não tenho nada a esconder. Eu só não o conheci ainda. Bem... — Ela fez uma pausa pensando se deveria sequer mencioná-lo. Ele parecia estar interessado em cada palavra dela. — Eu estive num relacionamento sério por um tempo. Estávamos até falando de morar juntos. Mas então minha mãe ficou doente e... Ela desviou o olhar sentindo um nó inacreditável na garganta. — E o quê? Quando ela olhou para ele, seu comportamento lúdico era agora substituído por um olhar de preocupação ou... Nojo. Ela limpou a garganta novamente tomando um gole de champanhe para engolir a emoção.

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— Eu uh... Fiquei muito ocupada com a minha mãe e foi um momento muito difícil para mim, então... Derek disse que talvez devêssemos dar um tempo. Ela só tinha visto a expressão que ele usava agora algumas vezes na academia e mesmo assim ela nunca soube exatamente o que fazer com ela. Do nada, ela tinha olhado para ele algumas vezes e ele parecia distraído, mas a expressão era a mesma que ele usava agora, duro e quase ameaçador. — Então ele foi embora quando as coisas ficaram difíceis, quando você mais precisava dele? Um idiota. Quanto tempo você ficou com Derek? Ela nunca tinha ouvido o nome de Derek, ou nenhum outro que importasse, soar tão imundo. Como o caroço já tinha saído, ela quase riu. Em vez disso, ela levantou e abaixou o seu ombro. — Eu realmente não o culpo. Eu absolutamente não estava nenhum pouco diver... — Roni, você estava passando por alguns momentos difíceis. Ele esperava que você largasse tudo para entretê-lo? O que ele deveria ter feito era ajudá-la a passar por isso, ajudar tornar sua vida mais fácil. É o que eu teria feito. Verônica sorriu, sentindo uma ternura recém-descoberta por Noah. Neste dia de Ação de Graças, ela estava absolutamente grata por seu novo amigo. E apesar de suas circunstâncias serem um pouco não convencionais, ela realmente esperava agora que sua amizade fosse duradoura. Uma que continuaria, mesmo muito tempo depois que ele saísse de casa. O próprio pensamento de repente matou o momento de terno e fofo. Levaria algumas semanas, mas ela já estava acostumada a esse arranjo agora. Ela gostava de ter ele por perto. Apenas na noite em que ela pensava

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no dia à sua frente com um pouco mais de medo do que admitiu para si mesma, um dia ele estaria fora o dia todo. Como ela ia se sentir quando ele saísse? Ela olhou para ele e mesmo que ele ainda usasse aquele olhar feroz de nojo, ela sorriu. — Eu não quero falar sobre Derek mais. — Ela se levantou e segurou a taça de champanhe para cima. — Eu preciso repor. Como mágica, sua expressão feroz transformou em um sorriso incrível e ele se levantou. — Sim, eu estou pronto para outra, também. Ele era muito mais alto do que ela e sua masculinidade era tão potente que ela não sabia se ele queria ou poderia intimidá-la. — Além disso — disse ela enquanto caminhavam pela porta da frente. — Com tudo o que aconteceu no ano passado e eu tentando voltar a uma vida normal, a última coisa que eu preciso na minha vida agora é a distração de um relacionamento. Eu preciso pensar em mim em primeiro lugar, você sabe? Passos de bebê. Ela olhou para ele e viu que a estudava. — Então, qual é o próximo passo? — Voltar ao trabalho — disse ela surpreendendo-se com a forma definitiva que as palavras dela saíram. Ela tinha pensado sobre isso e atualizado seu currículo, mas realmente não tinha estado completamente certa até agora. — Estou esperando voltar, no início do novo ano. — Ela acrescentou com um sorriso. — Bem, bom para você — ele disse e seu próprio sorriso era tão grande quanto o dela. Eles caminharam juntos até a cozinha. — Ooh! — Disse Noah como se tivesse acabado de se lembrar. — Eu poderia comer uma torta, também.

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Verônica teve de rir. — Realmente? Cerveja e torta? — Sim — Noah sorriu, puxando uma cerveja da geladeira, colocando o creme debaixo do braço e, em seguida, agarrou a garrafa de champanhe com a mão livre. — Esta é a melhor. Na verdade, a torta de abóbora é uma daquelas sobremesas universais que vão bem com quase qualquer coisa. Eu nunca tentei, mas provavelmente vai ser deliciosa com champanhe também. Ele estava certo. Acontece que a torta era deliciosa, com champanhe. Eles sentaram-se à mesa comendo sua torta. Verônica observava, arregalando os olhos quando ele pulverizou uma dose muito pesada de creme em sua segunda fatia de torta. — Isso é muito, uh? — Oh sim — disse ele colocando a lata para baixo e espetando o garfo na torta. — Tudo fica melhor com cobertura de creme. Havia algo pecaminosamente malvado em seu sorriso, pouco antes de ele enfiar a garfada na boca. Isso a fez se contorcer na cadeira

e

ela

teve que

se virar.

Então

ouviu

a

risada,

acrescentando aborrecimento na lista de emoções que passaram por ela apenas hoje. Ele estava gostando disso, mas se esse é quem ele era, então, teria que se acostumar já que ela decidiu que dois podiam jogar este jogo. Amigos poderiam brincar, certo? Ela tomou um gole de champanhe, olhando para ele. Ele ainda estava sorrindo mesmo mastigando. — Oh sim — disse ela à voz um pouco baixa. — Eu sei tudo sobre provar o melhor creme.

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Seus olhos se arregalaram e ele parou de mastigar, mas o sorriso ainda estava lá. — Isso está bem? — Claro? — O que estava fazendo? Não estavam brincando, estavam

flertando,

algo

que

ela

sempre

tinha

feito

tão

naturalmente. Ela precisava parar. — Mesmo as coisas salgadas? — Especialmente as coisas salgadas. — Muito mesmo! Demais! Isso limpou o sorriso do rosto e seus olhos escuros olhavam para ela agora. Então ela trocou de pensamentos tão rápido quanto pôde, se levantando e indo em direção à sala de estar. — Não há vários filmes bons hoje á noite? Devemos assistir a um. Oh, certo. Aconchegar-se no sofá juntos logo após ela mencionar que gostava de seu creme nas coisas salgadas. Ela colocou o copo de champanhe no balcão apenas antes de sair da cozinha. Ela já tinha tomado o suficiente. Isso estava trazendo a idiota nela. Agarrando o controle remoto da mesa de centro, ela ligou a televisão e fez questão de ter um assento na cadeira onde cabia apenas um. Ela não queria que ele pensasse que ela estava sugerindo nada. Ela poderia chutar-se agora por flertar com ele. Como Nellie tinha mencionado no primeiro dia na academia, a velha Verônica era um flerte. O champanhe parecia tê-la permitido ressurgir. Ela fez uma nota mental para manter o consumo de álcool a um mínimo, enquanto Noah estivesse perto, especialmente

sozinha.

era

difícil

não

notar

o

quão

incrivelmente sexy ele poderia ser até mesmo quando ela estava

120


completamente

sóbria.

Adicionar

álcool

na

mistura

era

simplesmente estúpido. Ela deveria ter visto isso vindo. Noah valsou pela sala, olhando um pouco presunçoso. Verônica deu-lhe um olhar rápido, em seguida, desviou os olhos para a televisão. — Polar Express! Meu favorito. E ele acabou de começou. — Ela pulou da cadeira. — Eu vou fazer pipoca. No meio do caminho para a cozinha, ouviu Noah chamar. — Você vai colocar creme sobre isso? Em seguida, ela ouviu a risada. Ela mordeu a língua segurando de volta o que ela realmente queria dizer. Esse não é o tipo de coisa salgada que eu estava falando. Em vez disso, ela disse, — Hã. Não. Isso seria muito confuso. — A bagunça não é parte da diversão? Ela virou seu rosto esquentando não só por causa das suas palavras, mas porque o som de sua voz estava tão perto das suas costas. Ele estava a um passo dela, com um toque de humor nos seus olhos ardentes. Limpando a garganta, ela se voltou para a despensa e pegou um saco de pipoca sabor natural e levemente salgada. A melhor coisa a fazer era ignorar a sua pergunta e mudar de assunto. — Você sabe que eu costumava não só comprar pipoca amanteigada, mas às vezes eu realmente adicionava mais manteiga? A confissão embaraçosa de como sua bunda gorda era, a envergonhou mais do que falar de creme. Felizmente ela se afastou de seus penetrantes olhos brincalhões quando foi até o micro-ondas.

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— A depressão faz isso com você. A comida é reconfortante. Muitas pessoas voltam para mais depois de ceder a ela, apenas como outros recorrem ao álcool ou drogas para ajudá-los a lidar. Você tinha todo o direito de estar para baixo, Roni. Seus olhos se encontraram e os olhos dele geralmente intensos agora se uniram com compaixão por ela. Algo que ela sempre teve apenas de Nellie. Haviam duas forças poderosas que lutavam uma contra a outra agora. Enquanto seus olhos ardentes antes tinham começado a observá-la, fazendo-a considerar que talvez se permitisse ceder a algo emocionante e assim contra seu melhor julgamento pela primeira vez em sua vida não era uma coisa tão ruim, então ele dizia coisas como esta. A genuína bondade em sua voz era inegável e lembrou-lhe o quão estúpido ela seria de arruinar uma amizade com um cara tão maravilhoso. O micro-ondas apitou apenas

a tempo para que ela

recuperasse o fôlego e se afastasse novamente. — Bem — ela disse quando pegou o saco de pipoca e agarrou uma tigela. — A mais saborosa veio com suas consequências. — Ela se virou para ele e sorriu. — Você foi testemunha disso em primeira mão. Sem manteiga extra mais para mim. Aquele sorriso de novo, tão suave, mas ao contrário de quando Nellie sorria assim para ela, a tocava de uma maneira que não conseguia entender. — Estou orgulhoso de você. Você conseguiu dar a volta por cima desse palco escuro de sua vida e olhe para você agora. — Por um momento, a ternura em seus olhos desapareceu quando ele a olhou de cima para baixo, fazendo com que ficasse com a respiração entrecortada, em seguida, ele estava de volta e sorriu

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novamente. — Não é uma coisa fácil de fazer você sabe. Você fez bem, Roni. Você deveria estar orgulhosa. Ela respirou lentamente esperando que ele não percebesse como algumas palavras e seu olhar sedutor a afetava. — Estou orgulhosa. — Pegando a tigela de pipoca, ela começou a ir para a sala de estar sentindo sua presença bem atrás dela. Ela agora lamentava não estar agarrando outra tigela porque sentar sozinha na cadeira seria rude desde que iriam compartilhar a pipoca. Sentando no sofá, Verônica decidiu que iria parar de se preocupar

sobre seu relacionamento

com

Noah

e apenas

desfrutaria o resto de sua noite de Ação de Graças. Ela nem sequer pestanejou quando ele se sentou um pouco mais perto do que ela esperava e depois de várias vezes de seus dedos se tocarem acidentalmente, pois ambos alcançavam a pipoca, ao mesmo tempo, seu coração descompassava. Pelo amor de Deus, eles eram dois adultos não crianças do ensino médio. Eles

conseguiram

que

a

noite

terminasse

sem

mais

momentos desconfortáveis ou inadequados e Verônica concluiu que esse era o início do que ela esperava ser uma amizade maravilhosa a longo prazo.

As visões de Roni e algumas das coisas más que Noah imaginou-a fazendo com ele com uma lata de creme, o levaram para um banho extra longo na manhã seguinte. Tornava-se cada vez mais difícil estar perto dela e não deixar transparecer o que ele estava sentindo. Embora ele se perguntasse se deveria sequer tentar. Se ela não fosse tão difícil de ler talvez ele soubesse ou 123


não o esconderia. Ela enviou sinais mistos mais do que um treinador de beisebol. Um minuto flertava escandalosamente e olhava descaradamente em seus lábios, em seguida, ao mesmo tempo, saia da sala rapidamente. Mas foi muito bom. Mesmo que fosse mais do que divertido ter Roni debaixo dele e reconhecidamente no início era tudo sobre o que ele pensava. Quanto mais ele passava tempo com ela e começava a conhecê-la, mais tinha medo de que não fosse suficiente. Se ele chegasse ir tão longe com ela, quisesse mais e ela deixasse claro que não estava pronta para qualquer coisa assim. Perder a única família que tinha conhecido tinha que ser duro. Sem falar quanto tempo iria levar para ficar pronta. Ele teve que empurrar o pensamento fora de sua mente e ser grato porque ele tinha a amizade dela. Por enquanto, ele teria que se contentar. Roni o deixou na academia naquela manhã. Com a chuva dando uma trégua, mesmo que fosse previsto só por um dia, ele finalmente estaria de novo com a sua moto. Noah foi passar algumas horas hoje na casa de Gio. Ele odiava admitir, mas se ele já não tivesse falado com Gio naquela manhã e concordado em vir, ele teria acompanhado Roni com prazer ao parque. Ela disse a ele depois que ele tinha conseguido desligar o telefone a Gio que estava indo para lá por algumas horas para tirar fotos, disse que era algo que costumava fazer muito até que a mãe ficou doente e só recentemente começou a fazer isso novamente. Ela até deu-lhe uma rápida visita em sua pequena câmara escura. Ele teve que ver algumas das fotografias que ela fez ao longo dos anos. Para sua surpresa, ela tinha muito mais talento do que deixava transparecer. Mas ainda mais surpreendente era como

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ele se sentia vendo as fotos que ainda mantinha dela e de Derek com nomes esculpido em uma árvore com um coração em torno dele que parecia ter dado muito trabalho. Ele não ia perguntar no começo, mas depois de ver o casal, as palavras tinham acabado por voar para fora e o desprezo em suas palavras quase não tinha sido mascarado. Por que você ainda tem isto? Sua resposta foi insatisfatória para dizer o mínimo. Ela encolheu os ombros dizendo que ela quase nunca jogava fora qualquer foto que tirou, mas essas imagens estavam exibidas mais proeminentes e literalmente o deixavam mal. Ele tinha estado tão perto de perguntar se ela ainda tinha sentimentos. Mas percebeu que estava ficando um pouco pessoal demais. O mais importante o alarme soou quando ele olhou para a foto novamente e foi inundado com uma raiva que ele nunca havia sentido antes. Certo de que qualquer questionamento mais sairia mais como uma exigência injustificável do que uma simples pergunta, ele se desculpou e saiu da sala escura confuso pra caralho com a própria reação. Mesmo

agora,

enquanto

ele

andava

de

moto,

que

normalmente o acalmava, pensando sobre as malditas fotos e se perguntando se ela ainda sentia alguma coisa pelo otário o tinha involuntariamente segurando o guidão mais forte do que ele faria normalmente. Ele dirigiu sua moto até a para a parte de trás da garagem de Gio. Como esperado, Gio, Abel, Hector e algumas das irmãs de Gio estavam todos La atrás enquanto Gio trabalhava em sua Moto. O que ele não esperava era que Rita ainda estivesse lá. Seus olhos brilharam quando ele tirou o capacete.

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— Você que perdeu na noite passada. — Ela sorriu provocativamente. — O que o manteve? Ou devo dizer o que você manteve? Abel sorriu, mas de outra forma não parecia saber de nada. Hector não estava sequer prestando atenção. Ele estava muito ocupado conversando com as irmãs de Gio. Noah olhou para Gio, cuja expressão não dava nada de graça, mas Noah sabia que não havia nenhuma maneira que Gio fosse contar a alguém o seu negócio. — Eu só tinha outros planos para este ano, mas estou aqui agora para compensar isso. — Ooh, parece promissor — disse ela, caminhando até sua moto. — Eu tenho um carro este ano, o Honda na frente. Você viu? Noah não tinha notado nada enquanto ele dirigia. Sua mente estava tão confusa por todo o caminho, tudo o que podia pensar era em Roni e Derek. — Não, eu não o vi. — Ele deu um passo fora de sua moto pendurando seu capacete no guidão. A mão de Rita estava imediatamente na sua. Ela nunca fez segredo de sua atração por ele e ela não tinha escrúpulos e todos sabiam sobre a sua compreensão. — Vamos lá eu vou mostrar para você. É por isso que eu ainda estou aqui. Estou saindo mais tarde hoje, mas talvez possamos dar uma volta, primeiro. Ela sorriu e o brilho em seus olhos era muito revelador sobre o que ela tinha em mente. Algo que Noah normalmente não deixaria passar a chance e poderia realmente culpar o jeito que ele vinha se sentindo ultimamente. Ele não podia acreditar o

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quão irritado ele ainda se sentia. Voltando-se para os caras, viu Abel desfazer-se em sorrisos e revirou os olhos. — Eu já volto. Rita voltou para eles também, levantando uma sobrancelha. — Talvez não volte. — Dois minutos? — Perguntou Abel rindo. Noah não se incomodou em responder, mas uma risada escapou dele. Pela primeira vez desde que viu as imagens na sala escura de Roni, ele sentiu muito ligeiramente a tensão se dissipar. Rita acionou o chaveiro e ela segurou as chaves de seu carro enquanto eles caminhavam para a frente da casa de Gio. Era um Honda Accord modelo mais antigo, mas ainda em muito bom estado. — Eu amo a cor — disse ela enquanto se aproximavam do sedan prata. Uma vez nele, Noah tinha acabado de fechar a porta quando ela se inclinou e deu um beijo molhado e profundo nele, deixando muito pouco para antecipar. Sua língua estava em sua boca, ansiosamente percorrendo toda a sua boca. Ela gemeu contra seus lábios, chupando o inferior. — Deus, eu amo seus lábios — disse ela sem fôlego. — Vamos sair daqui. Ela sentou-se lambendo os lábios e virou-se no carro. À medida que ela saiu em disparada atualizando-o sobre tudo o que ela tinha feito desde que ela o vira pela última vez. Noah não sabia o porquê, mas a cabeça girava tentando chegar a uma razão pela qual eles não deviam fazer o que ele sabia que ela tinha em mente.

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Eles chegaram a uma garagem isolada não muito longe da casa de Gio. Era um lugar que tinham frequentado no passado pela mesma razão. Rita não perdeu tempo. Seus lábios estavam nos seus no momento em que ela tirou as chaves da ignição. Alguma coisa havia mudado desde a última vez que tinha estado com Rita. Noah não sabia o que era, mas ele não sentia o mesmo entusiasmo carnal que ele normalmente sentia quando estava com ela ou qualquer outra garota. Talvez fosse o fato de que ele ainda não tinha conseguido tirar de sua mente, Roni e aquelas malditas fotos. De alguma forma, ele não achava que iria adiantar alguma coisa se as tirasse da sua mente agora. As mãos de Rita se atrapalharam em seu zíper puxando-o para baixo, em seguida, chegou em sua cueca. Ela colocou as mãos em torno de sua ereção instantânea, em seguida, sorriu para ele. Sem perder tempo, ela puxou um preservativo para fora do porta-luvas com a outra mão e em segundos estava sobre ele. Em seguida, com um movimento tão rápido que um ninja teria inveja ela estava em seu colo, sua saia puxada até suas coxas e ela escorregou nele. A cabeça de Noah caiu para trás aceitando o incrível prazer dela, segurando-a pela cintura. Ele levantou os quadris no ritmo dela empurrando o mais profundamente possível. Seus gemidos só intensificaram sua excitação. Ok, talvez nada poderia aliviar o incômodo que sentia sobre as fotos, mas fechando os olhos, imaginando que está era Roni, o fez empurrar ainda mais forte, definitivamente ajudou.

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CAPÍTULO 10 O ombro machucado de Noah tinha curado bem e ele estava treinando no ringue novamente. Com a sua lista de clientes aumentando ele estava mais ocupado do que nunca. Passava dias inteiros na academia agora. Treinando outros na parte da manhã, para logo trabalhar em seu próprio treinamento durante toda a tarde. Desde que Abel (que era tão bom como promotor quanto como lutador) já tinha agendado uma luta para Noah antes do final do ano, o treinamento estava muito mais intenso. Depois de trabalhar nos sacos de pancada por umas duas horas, ele treinava no ringue com Abel, que era um monstro comparado a ele, ou Gio, que era mais próximo do seu nível de peso, e algumas vezes com Hector, que era um peso pena. Era nesse ponto do dia que ele se tornava um pouco distraído olhando para Roni, que chegava para se exercitar à noite. Nas últimas semanas vivendo com ela seus sentimentos estavam além da atração física, mesmo que ele tentasse mentir até para si mesmo. Ele ansiava falar com ela agora, contar sobre seus treinos e os novos clientes que tinha conseguido. Ela estava tão animada sobre sua primeira luta quanto ele, embora ela admitisse estar um pouco nervosa sobre vê-lo lutar. Mas prometeu que estaria ao lado do ringue mesmo se tivesse que cobrir os olhos. Não só isso, ele adorava ouvi-la falar sobre as fotos que ela tinha tirado e o que ela mostrava a ele sobre como tudo se desenvolvia e o processo de impressão. Ela removeu as fotos ofensivas de seu laboratório. Noah não perguntou o porquê. Ele apenas estava feliz por vê-las irem embora.

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Seu entusiasmo sobre a fotografia finalmente tinha feito ela se interessar pelo celular. Ele mostrou-lhe alguns dos muitos aplicativos disponíveis para o

aprimoramento de fotos.

O

equipamento em seu quarto escuro parecia muito caro para ele, mas ela admitiu que havia várias coisas que o celular tornava possíveis. Ele pedia para ela enviar algumas fotos que ela tirava, e agora era habitual que ela sentasse no sofá brincando com seu telefone, espantada com as coisas que ela poderia fazer com suas fotografias. Ele amava como ela ficava focada no celular, na maior parte das vezes ela não percebia como ele estava lá sentado, apenas olhando para ela o tempo todo. E nas vezes em que ela o pegava ele facilmente distraiu-a, fingindo que ele estava apenas tentando descobrir o que ela estava fazendo. Mal sabia ele, quando ele comprou seu telefone, que poderia usá-lo como um meio de ficar mais perto dela. Era um pouco alarmante agora o quanto ele ansiava seus momentos a sós. A parte mais assustadora era que ele também adorava que agora ela era a última pessoa que ele via e falava antes de ir para a cama a cada noite, e a primeira que ele via todas as manhãs. Isso não seria para sempre e ele nem sequer gostava de pensar sobre isso, mas com o passar das semanas a realidade se tornava mais sombria em sua mente. Todos na academia incluindo Abel, Hector e Gio tinham percebido o comportamento territorial de Noah quando se tratava de Roni, exceto ela mesma. Ele nem sequer tinha que dizer nada, estava implícito. Os rapazes que se babavam por ela abertamente depois paravam, quando seus olhos se encontravam com o olhar assassino de Noah. Isso era inédito, mas Noah estava feliz com o resultado

de

seus

esforços.

Ninguém

130

estava

tendo

ideias


engraçadas sobre tentar ser amigável com Roni. Não enquanto ele estava por perto. E ele estava sempre por perto. Agora, se ele só pudesse descobrir como sair da friend zone que Roni tinha definido... Além dela dizendo que precisava recomeçar sua vida em primeiro lugar, ele sabia que sua idade seria outro obstáculo a superar. Então, ele estava determinado a provar que ele estava acima da média dos garotos de vinte anos. Ela já sabia o suficiente para entender que, algumas das coisas por quais ele tinha passado crescendo sozinho, o colocavam além dos outros jovens de vinte anos que ainda viviam em casa vadiando brigando com seus pais. Mas se ela precisasse de mais ele daria a ela. O que fosse preciso.

A noite da luta chegou mais rápido do que Noah esperava. O local era a própria academia, contra um outro zé ninguém, assim como ele. Eles não estavam cobrando, então tinha uma boa quantidade de pessoas. Abel disse que não seria uma luta difícil. Seu adversário era realmente novo no boxe e esta era uma de suas primeiras lutas. No entanto, Abel disse que era bom treinar para as coisas maiores que estavam por vir. Gio fez uma verificação de último minuto nas luvas de Noah, enquanto Abel aplicava mais vaselina em seu rosto. Jack ficou do lado do ringue dando-lhe conselhos finais. — Não fique confiante demais lá. Esse cara é novo, o que pode funcionar a seu favor. Ele provavelmente sabe muito mais sobre você do que você sabe sobre ele. Se ele for esperto ele fez a lição de casa. Assim que você o encurralar fique sobre ele e acabe 131


com isso o mais rápido possível. — Noah ouviu o tempo todo observando enquanto Roni se virava em seu assento, puxando conversa com o cara sentado atrás dela. Ela agora se sentava de frente para a fileira. — Você está me ouvindo? Noah se forçou olhar para longe do cara falando com Roni e trouxe sua atenção de volta para Jack balançando a cabeça. — Não tome de ânimo leve esta luta, Noah. A última coisa que você quer é ter por certo que você já ganhou e se machucar novamente. — Eu não vou. — Noah prometeu. Gio bateu as luvas. — Você é bom — disse ele então pulou para fora do ringue quando o árbitro avisou que faltava um minuto. Abel terminou com a vaselina, em seguida, olhou para ele muito sério. —Mantenha sua cabeça na luta. Você me escutou? Eu nunca vi você lutar com esse tipo de distração lá fora. — Sua cabeça fez um gesto na direção de Roni, mas ele nunca tirou os olhos de Noah. — Você precisa se concentrar ou isso vai te custar. Basta usar o seu punho esquerdo e você deve estar bem. A única coisa que esse cara tem é a velocidade. O sinal de alerta tocou e Abel saltou para fora do ringue. Noah se levantou, olhando na direção de Roni. Ela estava de frente para o ringue agora, mas o cara ainda estava inclinado para a frente falando com ela por trás. Foco, caramba. O árbitro deu no último segundo os lembretes sobre as regras e o que não fazer. Eles tocaram as luvas, o sino tocou e eles estavam lutando. Abel estava certo, o cara era rápido. Fazer

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entrar o soco de esquerda não ia ser muito fácil, mas certamente não era impossível. A adrenalina adicionada, sabendo que havia um cara um pouco interessado em Roni na plateia, poderia realmente trabalhar a seu favor. Outro olhar nessa direção fez querer socar alguém e ele acertou um gancho na mandíbula de seu adversário, fazendo-o tropeçar, mas ele ficou em pé. — Lá vai você! — Abel gritou de seu assento na primeira fila. — Você o tem, Noah. — Gio gritou. Noah saltou em torno do ringue se esforçando para se concentrar na luta. Ele desembarcou mais alguns golpes do corpo antes da campainha tocar terminando o primeiro round. Gio e Abel foram imediatamente para o ringue. Abel fez a contagem regressiva de dez antes de deixá-lo sentar-se, em seguida, secou-o e aplicou mais vaselina, enquanto Gio lhe dava água. — Por que você diminuiu a velocidade? — Perguntou Abel. — Você poderia ter terminado isto na primeira rodada. Ele quase caiu com o primeiro soco. Os olhos de Noah foram para Roni novamente quando ela se virou para falar com aquele mesmo cara. Abel deu um tapinha no queixo de Noah duas vezes. O segundo tempo seria mais difícil que o primeiro. — Concentre-se! — Ele apontou seus dois dedos em seus olhos. — Eu preciso de você aqui agora. Não foda isto, Noah. Isto devia ser moleza para você. Esse cara deveria ter caído já. Noah assentiu enquanto o sino tocava novamente e Abel e Gio saltaram para fora do ringue. Abel bateu com o punho no chão do ringue. — Vamos fazer isso agora!

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Roni estava de frente para o ringue novamente, mas o idiota atrás dela ainda se inclinava para frente e sussurrava algo em seu ouvido. O soco na sua testa veio do nada. Noah tropeçou para o lado, vendo estrelas. — Puta que pariu, Noah! — Abel gritou. Depois de agitar-se sentindo uma onda de adrenalina súbita, Noah se moveu em rapidamente aplicando um gancho de esquerda no nariz do oponente e, em seguida, outro em sua mandíbula. Só assim o cara caiu. O juiz correu entre eles e começou a contagem regressiva. Todo mundo estava de pé agora incluindo Roni. Ela estava de cabelo solto, os cachos caindo suavemente abaixo dos ombros. Ela estava linda. Seus olhos se encontraram e ele sorriu para ela. Ela sorriu de volta, mas ainda torcia as mãos nervosamente. Ela admitiu estar muito nervosa sobre vê-lo lutar. Seus olhos, em seguida, focaram atrás de Roni onde o cara estava aplaudindo e sorrindo também, só que agora Noah não estava sorrindo. Seus olhos fixos no cara. Ele deu-lhe aquele olhar reservado exclusivamente para o ringue quando ele encarava seu oponente logo antes da luta, para que eles soubessem que iam cair. Noah só podia esperar que o súbito desaparecimento do entendeu

a

sorriso

mensagem

do

rapaz

claramente.

significasse que ele

Ele

olhou

para

Roni

novamente, suavizando sua expressão de volta a um sorriso antes do árbitro levantar o braço e declará-lo vencedor por nocaute.

Alívio nem sequer começava a descrever o que Verônica estava sentindo. Ela finalmente admitiu a Noah lá na academia que ela estava muito nervosa sobre vê-lo lutar. Mas ela não 134


contou o quanto desesperada ela realmente estava. A última coisa que ela queria era que ele pensasse que ela não tinha fé nele. Ela ouviu de seus amigos e outras pessoas na academia que ele era bom, mas não podia deixar de se preocupar. Verônica tinha apenas assistido lutas na televisão, mas nunca foi uma fã, assim, mesmo quando via nunca prestava atenção. O marido de Nellie era um fã e muitas vezes a convidava pata assistir grandes lutas no pay-per-view na sua casa. Essas foram as únicas vezes que ela assistiu a uma luta inteira. Ela nunca imaginou que estaria assistindo uma pessoalmente e, certamente, nunca pensou que um de seus queridos amigos estaria no ringue, correndo o risco de se machucar. Quando ela ouviu o cara atrás dela falando sobre ter visto Noah lutar várias vezes no passado, ela não pôde deixar de perguntar a ele sobre isso. Havia algumas coisas que ela começou a perguntar quando se sentou lá esperando que a luta começasse, por exemplo, se ele foi nocauteado alguma vez, algo que ela não tinha perguntado a Noah. Ajudou que o cara fosse um orador e um admirador óbvio de Noah, exaltando os pontos fortes de Noah. Tal como o seu gancho de esquerda, lembrando-a após a luta que ele disse isso a ela quando Noah o usou para nocautear o outro lutador. Para Verônica foi um prazer que tudo acabou tão rápido e ele não tinha sido ferido. Ela tinha certeza se já tinha se acostumado a vê-lo lutar, mas agora que eles eram amigos disse a si mesma que era melhor se acostumar com isso. Ela nunca o via mais animado do que quando ele falava de suas lutas. Este era apenas o começo. Como ele estava lentamente se tornando um amigo querido, ela pretendia estar em tantas das suas lutas quanto

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possível. O que a lembrou que ela não falava com Nellie há quase uma semana. Elas trocaram algumas mensagens de textos nos últimos dias, mas não realmente se falaram. Teria que ligar em breve. Ela estava perto da saída da academia tentando não pensar sobre o que Noah havia dito sobre groupies. Havia quatro meninas escassamente vestidas fora da porta em que Noah e o outro lutador sairiam assim que terminassem de se trocar. Quando

o

outro

lutador

saiu,

duas

delas

foram

imediatamente ao seu lado. O que significava apenas uma coisa, as outras duas estavam esperando Noah. Elas eram tão óbvias, era ridículo. Verônica queria sentir pena delas. Elas eram jovens e claramente suas autoestimas estavam na sarjeta se isso era o quão pouco elas pensavam em si mesmas. Mas, em vez disso ela se sentia- irritada? Verônica engoliu em seco, imaginando se Noah sequer precisaria de uma carona para casa agora. Eles vieram aqui juntos

em

seu

carro,

mas

agora

essas

duas

beldades

provavelmente estariam mais do que felizes em levá-lo para casa. Abel e Gio saíram primeiro, as meninas os abraçando imediatamente. Então Noah saiu e uma das meninas colocou os braços ao redor dele. Verônica se virou quando viu seu grande braço envolver em torno da cintura da moça. Surpresa

que a irritação que sentira antes agora se

transformou completamente em raiva explosiva, ela caminhou para fora. Não faça isso. Correndo para seu carro mais furiosa consigo mesma do que qualquer coisa, Verônica se repreendeu em voz baixa. Ela sabia muito bem que o que estava sentindo não era apenas raiva. Estava absoluta e irracionalmente, fervendo de

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ciúmes. Ela não tinha nenhum direito de estar zangada com ele, mas ela estava o que só a deixou mais furiosa. — Roni! Respirando fundo antes que ela se virasse para ele, Verônica tentou desesperadamente esconder sua súbita mudança de humor. — Aonde você vai? Ela se virou para vê-lo andando pelo estacionamento em sua direção, sozinho. — Eu... Uh pensei que talvez você já tivesse uma carona. — Ela ergueu o queixo em direção à academia. Noah olhou para trás, em seguida, seus olhos estavam sobre ela novamente. — Não. Bem, nós vamos comer pizza mais tarde para comemorar. Mas eu não estava afim de chuveiro frio, então eu disse que iria para casa primeiro para tomar banho e encontro com eles mais tarde. Seu coração começou a subir novamente. Eles? Junto com as garotas? — Você quer vir? Seus olhos devem ter denunciado como ela se sentia escandalizada, porque ele riu. Riu! — O que é esse olhar? — Ir com você? — Ela perguntou, incrédula. — Sim, por conta de Abel. Você pode abrir o porta-malas? — Ele disse quando chegou ao seu carro. Ela o fez e ele continuou falando enquanto colocava sua bolsa da academia e luvas de boxe no porta-malas. — E o lugar em que vamos não pede identidade. Então você não vai ser a única capaz de beber cerveja.

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Pela maneira que ele estava sorrindo, ela agora estava certa de que “eles” significava Abel e os outros caras. Mas mesmo assim ela não se sentiria confortável sozinha com ele e seus amigos. — Não. Eu vou passar, mas obrigada. — Por quê? — A decepção em sua voz a esquentou. — Porque é uma coisa de caras certo? Eu não gostaria... — Não, vai haver outras meninas lá. Seu estômago doeu e ela teve uma súbita percepção. Se não esta noite, isso iria acontecer eventualmente. Ser amiga de Noah significava, inevitavelmente, ter de ouvir falar ou vê-lo com outras garotas, ou mesmo namorada. Ela poderia realmente fazer isso? Tendo em conta que ela estava pronta para gritar mais cedo só de pensar nele e as groupies, ela poderia realmente ver ele com elas? — Oh? — Sim, a qualquer hora que estamos juntos após as lutas é uma grande multidão. Abel estará pagando somente para nós. Mas há sempre outras meninas lá também. Até Jack está indo. — Ele caminhou ao redor do carro, mantendo seus olhos sobre ela o tempo todo — Você vai, Roni. Eu vou ficar magoado se você não for comemorar comigo. Ele abriu a porta do carro e entrou. Verônica exalou incapaz de chegar a uma única razão pela qual ela não poderia ir, e ele estava certo. Ela deveria estar lá para comemorar com ele. Isso foi ótimo. Sua primeira vez de volta ao ringue e ele derrubou o cara no segundo round. Se sentindo um pouco culpada por não querer estar lá hoje à noite ela entrou e começou a colocar o cinto de segurança.

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— Então, quem era o cara com quem estava falando durante a luta? Ele era um amigo seu? Verônica olhou para ele quando ligou o carro e pensou por um segundo. — Oh, você quer dizer o cara atrás de mim? — Ela saiu do estacionamento. — Não. Eu o conheci esta noite. — É mesmo? — Disse ele olhando pela janela. — Você fez um novo amigo, Roni? — Na verdade, não. Ele é um fã seu, eu acho. — Ela sorriu de novo, lembrando o entusiasmo do rapaz. — Ele repetia o tempo todo que você tem um grande potencial. — Isso chamou a atenção de Noah e ele se virou para ela. —Antes da luta sequer começar, ele disse que você provavelmente derrubaria o cara rápido e seria mais provável de ser com seu gancho de esquerda. — O que mais ele disse? Verônica riu. Ela não tinha ideia de qual é a sensação de ter um fã, mas deve ser boa. Ela não o culpava por querer ouvir mais. — Ele falou comigo, enquanto você estava lutando dando-me tintim por tintim do que você estava fazendo lá em cima. Era quase fofo como ele estava na sua. — Ela se virou para Noah, mas ele não parecia tão feliz como ela poderia imaginar, considerando o que ela tinha acabado de lhe dizer. — Fofo? — Sim — ela riu. — Ah, e ele até disse que você parecia um pouco distraído no segundo antes do cara te acertar. Eu quase perdi o nocaute, porque eu cobri o rosto quando você foi atingido.

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Ela estremeceu pensando em como seu coração tinha ido para a sua garganta quando o viu levar o golpe e não podia suportar ver mais. — Isso é o que acontece — disse ele olhando para a frente. — Quando você se distrai por um momento. — O que distraiu você? Ele olhou pela janela novamente e deu de ombros. — Eu não me lembro. Eu só sei que perdi o foco por um segundo e quase me custou a luta. Eles chegaram a sua casa e Verônica se refrescou enquanto Noah tomou um banho. Na frente de seu espelho, ela analisou sua aparência. Nellie estava certa; ela não parecia ter vinte e oito anos, desde que ela tinha perdido peso e continuou indo para a academia se sentia mais em forma do que nunca. Não disse a Noah, mas o cara sentado atrás dela tinha perguntado se ela era a garota de Noah. Ela corou, dizendo-lhe que ela era apenas uma amiga, mas ele lhe deu um olhar compreensivo como se tivesse entendido. Fisicamente, ela poderia passar pela mesma idade de Noah. Ela balançou a cabeça franzindo a testa para si mesma no espelho. — Nem pense nisso. A vida de Noah estava apenas começando. Havia tanta coisa que ele ainda não tinha experimentado e ela tinha certeza de que ele estava ansioso por isso tudo. As casas noturnas onde ele poderia encontrar uma tonelada de meninas, por exemplo. E a maneira como o cara na luta falou de Noah, quem sabe? Quando ele tivesse vinte e um ele poderia até ter status VIP em todos

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esses clubes. Se ele tinha groupies agora imagine o que sua vida seria então. Verônica não sabia muito sobre boxe, mas uma coisa era certa, ele parecia muito bom lá em cima, mais do que bom. Como o cara disse, ele tinha grande potencial e ele definitivamente tinha o coração. Seu futuro reservava muitas promessas. Ela respirou fundo. Depois de testemunhar em primeira mão hoje a sua reação ao ver Noah perto de outras meninas, e eles nem sequer estavam romanticamente envolvidos, ela sabia, sem sombra de dúvida, que um relacionamento romântico estava fora de questão. E se ela quisesse manter sua amizade intacta, só seria uma aventura.

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CAPÍTULO 11 Ter Roni ao redor de seus amigos o fez se sentir bem, muito bem. Os caras não tinham estranhado quando os viram chegar juntos. Pelo menos não disseram nada. As pizzas e canecas de cerveja já estavam lá quando eles se sentaram à mesa. Roni parecia desconfortável no início, mas com o passar do tempo, ela relaxou. Noah tomou nota de quão incrivelmente devagar ela tomava a cerveja. Ele lembrava dela bebendo seu champanhe um pouco mais rápido na Ação de Graças. Talvez a cerveja não fosse a sua praia. Jack estava falando sobre como boxe não era o único esporte no qual ele era bom antigamente. Noah tinha ouvido a história antes, mas era uma boa que ele não se importasse de ouvi-la novamente. No tempo que Jack jogava basquete na escola ganhou o campeonato estadual. Jack sempre contava esses tipos de histórias e as manipulava para incluir um toque de inspiração que iria ajudá-los no ringue. — Virei uma bola de basquete no meu dedo por mais de 15 minutos apenas algumas semanas atrás. — Disse Hector, mordendo uma fatia de pizza como se isso ainda chegasse perto de ganhar um campeonato estadual. — Quando foi isso? — Noah riu. Hector estava sempre embelezando sobre suas realizações. — O que você quer dizer? Você estava lá! — Disse Hector. — O dia depois de Ação de Graças. — Então ele parou e sorriu. — Oh espere eu esqueci. Foi quando Rita o levou para um passeio. Ou devo dizer que você passeou nela? Ele riu, e dois guardanapos bateram na sua cabeça em ambos os lados. Um de Abel e o outro de Gio. 142


— Ela é a minha prima, imbecil! — Gio jogou outro guardanapo enrolado para ele. — Não repita essas merdas. — Sim — Abel deu-lhe um olhar duro. — É assim que boatos começam, idiota. — Boatos? — Ele se virou para Gio. — Foi sua irmã que me contou. — Hector balançou a cabeça incrivelmente não se tocando — Além disso todo mundo sabe que Noah cuida do negócio sempre que Rita está na cidade. Isso não é nenhum segredo, hein Noah? — Ele saltou as sobrancelhas. — Falta apenas uma semana para o Natal. Ho ho ho! — Ele riu, mas parou de rir quando ninguém mais o fez. — O quê? Roni pegou outro pedaço de pizza e Abel aproveitou sua distração momentânea para dar um tapa na parte de trás da cabeça de Hector e dizer “Cale a boca!” Ele ficou quieto, e muito rápido, porque se ele tivesse dito mais alguma coisa sobre ele e Rita, Noah iria saltar sobre a mesa e estrangulá-lo. Nenhum

deles

sabia

qual

era

a

extensão

de

seu

relacionamento com Roni, mas sabiam que alguma coisa estava acontecendo entre eles. Noah gostava assim. Não importava se fossem apenas colegas de quarto com benefícios ou estivessem em um relacionamento. Mas eles sabiam a coisa mais importante, Roni era dele. Infelizmente, todos, menos o idiota do Hector sabiam que qualquer conversa sobre Noah com outras meninas perto de Roni era inaceitável. Abel mudou de assunto e voltou a falar sobre a próxima luta que ele tinha agendado para Noah em fevereiro. Noah olhou para Roni. Ela assentiu com a cabeça ao ouvir Abel com interesse. E quase o incomodava que ela parecesse tão imperturbável pelos

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comentários de Hector. Claro, ele não ousara olhar para ela quando Hector ainda estava falando sobre isso. Assim, ele não podia saber ao certo qual foi sua reação inicial para isso, mas se ela tivesse estado incomodada, do jeito que ele sabia que ele teria estado se as posições fossem invertidas, ela superou isso rápido demais. Ela sabia agora. Sabia que apenas algumas semanas atrás, no mesmo dia depois que eles passaram a Ação de Graças especial juntos, ele tinha saído e transado. O que era pior é que Rita estaria de volta em uma semana e agora Roni sabia disso também. Será que ela se importava? Ele tentou não ser muito óbvio enquanto ele observava ela escutar Abel e Jack falando de estratégia e sobre como Noah deveria lidar melhor com o próximo lutador. Ela tomou um gole de cerveja como se não tivesse uma única preocupação no mundo. Por um momento, a menina que se sentou ao lado de Gio a distraiu. Roni a olhou de cima para baixo sem saber que Noah observava cada movimento dela. Sua sobrancelha se arqueou ligeiramente e os lábios franziram. Agora ela parecia incomodada? Noah tirou os olhos de cima dela apenas por tempo suficiente para ver a menina, uma das que estavam esperando do lado de fora das portas do chuveiro na academia, alisando a perna de Gio. Gio sempre tinha sido o menino bonito de seu bando. Mesmo com todas as lutas que ele tinha estado o rosto ainda permanecia intacto. No colegial, ele tinha sido o galã. A aparência de Noah era áspera em comparação com as sobrancelhas naturalmente arqueadas de Gio, cílios e brilhantes olhos verdes.

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Abel tinha implicado com Gio muitas vezes acusando-o de não se esforçar o bastante quando lutavam, dizendo que Gio estava contando com uma carreira de modelo, se o boxe não desse certo. Nem uma única vez em todos os anos em que ele tinha conhecido

Gio,

Noah

tinha

sentido

qualquer

tipo

de

ressentimento por ele ser tão bonito, mas agora ele pensou que poderia se aborrecer com seu amigo. O que realmente poderia ser isso? Roni estava interessada em Gio? Ela só tinha estado perto dele algumas vezes e Noah arruinou seu cérebro tentando lembrar se ela já tinha agido estranhamente em torno dele antes. Se isso fosse verdade, então sua teoria sobre ela querendo permanecer estritamente amigos por causa da diferença de idade apenas voou porta a fora. Ela os encarou tempo suficiente e Noah não pôde aguentar mais. — Qual o problema? Ela se encolheu, assustada com sua voz e suas sobrancelhas comprimidas. — Nada. Por quê? Ele olhou para Gio, em seguida, de volta para ela. —

Você

parecia

chateada

por

um

minuto.

Algo

te

incomodando? — Não! — Seus olhos se arregalaram quando seu próprio tom a surpreendeu. Ela estava chateada. — Relaxe, eu só estava perguntando. — Bem, eu não estou. — Havia algo mais em seus olhos agora. Algo ainda mais alarmante, ela estava mais do que

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chateada. Ela se virou, seus olhos indo de volta para Gio e a menina — Podemos sair? Mesmo? Tão mal assim? — Você tem certeza que está bem? Ela nem sequer tirou os olhos longe de Gio e agora deixou Noah louco. — Estou bem. Eu só estou cansada. Noah estava querendo nada mais do que dar o fora de lá. Levar Roni para longe de Gio. — Vamos lá. Sua expressão se suavizou um pouco agora. — Ou, se você acha que pode pegar uma carona com um de seus amigos eu posso ir sozinha. Você não tem que sair por minha causa. Não foi tão fácil para Noah esconder o que estava sentindo. — Não, eu estou cansado, também. — Ele se virou para Abel que já estava olhando para ele interrogativamente — Nós estamos saindo. — Já? — Sim, foi um longo dia, mas eu vou estar aqui amanhã cedo. Obrigado pela pizza e pela cerveja. Eles se despediram e saíram. Noah pensou que poderia esperar até chegar em casa, mas iria matá-lo. Amigo ou não, não havia nenhuma maneira. De jeito nenhum ele seria capaz de lidar com qualquer coisa acontecendo entre ela e Gio. — Você quer me dizer com o que você estava chateada? Ela tinha estado procurando suas chaves na bolsa e seu rosto se ergueu com sua pergunta. Ele ficou na frente dela fazendo-a parar. Os olhos dela disseram tudo. Ela ainda estava

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chateada e estava atordoada que ele não tivesse deixado passar. Para sua surpresa, ela não negou imediatamente. Só olhou para ele por muito tempo. Finalmente ela levantou uma sobrancelha. — Eu não sei do que você está falando. — Basta dizer, Roni. — Ele não estava certo se ele queria saber. Será que ele realmente queria ouvi-la dizer que ela tinha sentimentos por Gio? De jeito nenhum! Mas ele precisava saber, precisava saber se ele deveria correr agora. Correr saindo de sua vida e nunca olhar para trás antes que fosse tarde demais. — Dizer-te o que? Sobre o que é que você acha que eu estou chateada, Noah? Agora ele olhou para ela completamente assustado com a súbita mudança de comportamento. Ela não só estava chateada, ela estava muito chateada. — Eu não sei. Isso é o que estou tentando descobrir. Ela puxou as chaves de sua bolsa e caminhou em volta dele para o seu carro. Noah a seguiu. — Eu te disse. Estou cansada. Noah lutou contra o impulso incrível de girá-la pelo braço e puxá-la para ele. Em vez disso, ele caminhou ao redor de seu carro e esperou ela abrir a porta.

Irritante é o que era. Verônica respirou fundo antes de bater no botão de destrancar em seu carro. Ela sabia que vir com Noah essa noite seria um erro. Ela nunca deveria ter feito isso. E se ele esperava que ela admitisse que estava chateada, mais do que chateada, com o fato de que ele tinha dado a prima de Gio um passeio forte e longo no dia de Ação de Graças, ele estava louco. 147


Ela voltou a pensar nesse dia agora quando empurrou a chave na ignição. O dia que ele parecia desapontado por que não podia ir com ela no parque para tirar suas fotos estúpidas. Sim, ela tinha certeza agora que ele era sincero. Um dia no parque olhando ela tirar fotos de caracóis e pingos de chuva em folhas ou um dia de sexo com a prostituta de férias. Hmm, escolha difícil. Mas, novamente, ela lembrou a si mesma, não era da sua conta. Noah estava livre para fazer o que quisesse. Ele não lhe devia nenhuma explicação e ela não estava pedindo a ele uma, então por que diabos ele estava empurrando isso agora? Ele queria envergonhá-la?

Era divertido

para ele

saber

que

a

tinha

incomodado mais do que ela teria imaginado, mas ele queria que ela dissesse isso? Ela preferia morrer. Ele terminou de colocar o cinto de segurança no momento em que ela começou a dar a ré. — Você é bastante óbvia, Roni. Eu não sei por que você apenas não me diz. — Ela se virou para ele esperando algum tipo de sorriso presunçoso ou brilho nos olhos. Em vez disso, ele estava olhando para ela. — Você sente uma coisa por Gio? Ela

piscou,

parou

o

carro

ali

mesmo,

no

meio

do

estacionamento, e olhou para ele. — O quê? — Eu vi o jeito que você olhou para ele com aquela garota. Admita. Você estava com ciúmes. Ela balançou a cabeça lentamente tentando fazer sentido do que ele tinha acabado de dizer. Era a isso a que ele estava se referindo todo esse tempo? Ele pensou que ela estava com ciúmes de Gio e essa groupie?

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— Você parecia enojada quando ela se sentou ao lado dele. Foi quando eu percebi que você estava chateada e então de repente você queria ir embora? A mente de Roni trabalhava, seu pé pisou no acelerador e eles estavam em movimento novamente. Estava feliz agora que o restaurante ficava a apenas alguns quarteirões de distância de sua casa. Ela não queria nada mais do que terminar essa noite. O comentário de Hector havia batido nela como um tapa e ela passou o tempo todo depois tentando e, aparentemente, falhando miseravelmente para se recuperar. Ver Gio com essa groupie serviu apenas como mais um lembrete de que esse era o mundo de Noah e ela não tinha absolutamente nenhum direito de estar julgando-o. Era jovem e merecia estar semeando sua veia selvagem. Mas não havia como escapar do ciúme purulento que ela sentiu sabendo que ele dormiu com a prima de Gio e aparentemente iria fazê-lo novamente em apenas uma semana. Ela teria que se preocupar com suas emoções contraditórias e irritantes mais tarde. Por agora, havia a esperança de que ele tinha interpretado mal seus ciúmes. Em vez disso, ele estava com a impressão ridícula de que ela estava com ciúmes de Gio. — Tudo bem, você me pegou. — Você gosta dele? — Sua voz era um sussurro agora. — Não. — Ela se virou para ele. Ele estava olhando para frente, mas ele se virou para encará-la quando ela atendeu — Não seja ridículo. Ele tem a sua idade lembra? Mas você me pegou sobre a groupie. Eu lembrei o que você disse sobre elas antes e acho que fiquei com um pouco de nojo. Mas eu não estava chateada.

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— Então você está dizendo que não podia estar com ele por causa de sua idade? Ficou feliz que eles tinham conseguido passar pelo assunto de estar ciumenta sobre qualquer coisa que ela balançou a cabeça em alívio. — Bem, sim. Ele tem vinte como você? — Mas o que isso tem a ver? Verônica revirou os olhos. — Tem tudo a ver com isso. Por que um cara de sua idade estaria interessado em uma mulher da minha idade? — É exatamente isso. Se ele tivesse, ele não estaria pensando sobre sua idade. Ele estaria interessado em você. Você está presa a um número, Roni. O quê? Será que é porque você acha que um cara de vinte anos de idade não é maduro o suficiente para você? Verônica estacionou na garagem se sentindo um pouco desconfortável sobre onde está conversa estava indo. Ela teve a nítida sensação de que eles não estavam falando mais sobre Gio. — Não. Eu estou pensando sobre a experiência. — Disse ela saindo do carro. — Oh é isso? Você quer um cara experiente? Roni franziu a testa. — Isso não é o que quero dizer. Estou falando de sua experiência de vida contra a minha. Ainda há muito que um cara da sua idade, necessita experimentar e seria injusto para mim ou para qualquer mulher mais velha vir e esperar que ele ou qualquer cara na idade dele simplesmente ignore essas coisas para alcançá-la. Ele

estava

um

pouco

perto

demais

dela

quando

ela

destrancou a porta da frente e isso a enervava. Ela podia sentir

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seu perfume almiscarado e tão perto, sentir o calor do seu corpo, mesmo que eles ainda estivessem a polegadas de distância. — Você já trocou a fralda de um bebê, Roni? Ela olhou para ele confuso quando empurrou a porta aberta. — Não. — Eu troquei. — O que é isso... — Eu ajudei a criar crianças durante anos, quando eu era o mais velho no meu lar adotivo e meus pais adotivos não estavam por perto. O que acontecia muito. Havia outras quatro crianças em casa. Um deles era um bebê de oito meses de idade. Havia duas crianças pequenas e um pré-adolescente espertinho que achava que sabia de tudo e eu ficava sozinho com eles o tempo todo. Eu os alimentava, dava banho, ajudava com a lição de casa, e os colocava na cama à noite. Em seguida, tinha a certeza que se levantassem pela manhã e fossem para a escola a tempo. E eles contavam comigo, com quinze anos de idade para ser o adulto. Não seus pais, que deveriam ser os verdadeiros adultos. Eles estavam na sala de estar agora e Verônica se deteve a meio caminho ao ouvi-lo. Ela olhou para ele com um nó na garganta, mantendo-a refém das palavras. Limpando a garganta, ela finalmente falou. — Onde estavam seus pais adotivos? Ele franziu a testa, puxou a carteira do bolso e jogou-a sobre a mesa de café. — Eles simplesmente não estavam por perto. Meu ponto é, na minha idade eu tenho mais experiência de criar filhos ou ser um pai do que um monte de gente com trinta anos de idade tem.

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Verônica engoliu em seco, trazendo a mão para seu pescoço como se isso fosse afastar a mão invisível que se apoderou dela. — Eu estou falando sobre outras experiências, Noah. As pessoas podem se tornar pais em todas as idades da vida. Não é justo, mas é um fato da vida. Minha mãe e meus avós são exemplos perfeitos. — Então do que você está falando? — Ele cruzou os braços na frente e esperou que ela respondesse. Ela colocou sua bolsa no sofá e começou a tirar as camadas de roupas que ela usava começando com a jaqueta. — Eu só estou dizendo que as pessoas da minha idade estão em um estágio diferente de sua vida. — Ela pensou em Noah e a prima de Gio. Batendo como um flash quente ela apertou os lábios — Eu não estou procurando por caras jovens que não estão de forma alguma prontos para se estabelecer. E eu nunca seria egoísta o suficiente ou ingênua o suficiente para pensar que caras de vinte anos de idade estão, especialmente aqueles com groupies prontas para saltar num estalar de seus dedos. — Eu acho que lhe disse como me sinto sobre groupies. — Sim, eu me lembro, elas são quentes. Ele olhou para ela agora. — Eu também disse que não eram para mim. — Oh sim? Então, você gosta apenas daquelas que curtem as férias? Ela engoliu em seco forte tentando conter a emoção que a afligia agora. A conversa tinha tomado um rumo e Noah olhava para ela sem palavras. A ideia de uma garota montando-o quase a sufocou. Enquanto eles estavam colocando para fora, ela lhe diria

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exatamente por que ela nunca considerou um relacionamento com um homem prostituto imaturo. — Eu preciso de estabilidade, Noah. Não alguém que seja de encontros

de

uma

noite

e

sim

os

interessados

em

um

relacionamento sério. Alguém com quem eu possa contar. — Como Derek você quer dizer? O cara da sua idade, que saiu quando você mais precisava dele? O tapa na cara era totalmente humilhante. Ela segurou as lágrimas muito tempo. Ela não tinha certeza de quanto tempo mais ela poderia segurar. Sentindo o ar sugado para fora dela, tinha certeza que iria desmoronar ali mesmo, assim, girou e correu para seu quarto. — Roni, eu sinto muito. — Ele gritou. O segundo em que ela fechou a porta atrás dela, ela trancou, em seguida, se recostou e deslizou lentamente para baixo até que se sentou no chão. Ela tomou uma respiração trêmula longa, enxugando as lágrimas de raiva. Que droga ela tinha feito? Houve uma batida suave na porta. — Roni? Está bem? Ela engoliu em seco limpando a garganta. A última coisa que ela queria era que ele soubesse como ela estava se sentindo miserável. — Estou bem. — Sinto muito. Eu não deveria ter dito isso. — Eu só tive um longo dia. Isso é tudo. Nós dois tivemos. Devia ir para a cama. É o que eu vou fazer. — Você tem certeza que está bem? Ela fechou os olhos; as lágrimas corriam ainda mais agora e ela balançou a cabeça.

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— Uh-huh. — Por mais que ela tentasse sua voz falhou e ela tinha certeza se ele a tinha ouvido falar, mas ele não disse nada. Por alguns momentos, houve silêncio, finalmente, ela ouviu seus passos. Houve um estrondo na parede em frente ao hall, em seguida, o som de sua porta se fechando. Por mais que ela gostaria de dizer a si mesma essas lágrimas estavam ali por Derek, não tinham nada a ver com ele e ela sabia disso. O fato de que em uma semana a partir de agora Noah estaria com a prima de Gio novamente e ela não teria nada para distraí-la

de

seus

pensamentos

sobre

ele

quando

tivesse

desaparecido é o que realmente a matou. Ela já sabia que ia deixá-la louca. A pior parte era que ela estaria lá esperando por ele quando ele fosse para casa sabendo exatamente o que ele tinha acabado de fazer. Deus, ela tinha que começar a ter uma vida.

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CAPÍTULO 12 Na manhã seguinte a porta do quarto de Roni estava trancada quando Noah entrou no chuveiro, mas quando ele saiu ela já tinha ido. Era quase como se ela tivesse esperado para que ele entrasse no chuveiro para evitá-lo. Mas pelo menos ela tinha pensado em deixar-lhe uma nota sobre o balcão.

Caso você esteja se perguntando, eu vou encontrar com Nellie para tomar café da manhã, mas eu te fiz café. Vejo você hoje à noite na academia.  Ela assinou com uma cara feliz e parecia alegre o suficiente, mas Noah tinha que saber se ela estava realmente recuperada sobre sua pequena discussão a noite passada. Ele se sentiu como um idiota depois, especialmente quando percebeu que a fez chorar. De jeito nenhum ele ficaria o dia inteiro sem falar com ela. Ele daria a ela algumas horas. A deixaria terminar o seu café da manhã com sua amiga, em depois, iria ligar. A pior parte era que agora ele estava certo de que Roni ainda tinha sentimentos por Derek. Por que mais ela estaria tão chateada com o seu comentário? Seu comentário sobre suas “férias divertidas” tinha ecoado a maior parte da noite. A revelação estúpida de Hector realmente tinha descarrilhado todos os seus esforços para provar que ele não era como a maioria dos caras de vinte anos de idade? Ela tinha deixado muito claro sobre o tipo de cara com quem ela

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nunca iria se envolver e a julgar pelo seu tom era exatamente o tipo de cara que ela agora achava que ele era. Porra! Ele recebeu uma mensagem de seu cliente da manhã assim que ele desceu da moto no estacionamento da academia. Ele estava cancelando. Ótimo. Agora Noah tinha uma hora para matar antes que seu próximo cliente chegasse. Abel e Gio já estavam no escritório quando ele entrou. Abel estava lendo o jornal. Gio estava ao lado dele com a escova de dentes ainda na boca. O cara estava sempre escovando os dentes. Ambos olharam para cima. — Tudo bem? — Perguntou Abel. Noah apertou as sobrancelhas em uma tentativa de parecer alheio ao seu significado. — Sim, por que não estaria? Abel deu de ombros. — Espero que o meu irmão imbecil não tenha causado quaisquer problemas. Noah fingiu pensar sobre isso quando ele nem se lembrava do que então promoveu o ato, abrindo os olhos arregalados. — Oh, ontem à noite? Não mesmo. Imediatamente, a expressão de Abel suavizou e ele deixou quieto. Noah sabia que ele faria. Ele nunca tinha sido um bisbilhoteiro. Sempre tranquilo sobre sua vida pessoal, ele ficou fora de todos os outros o máximo que podia. Gio era outra coisa. — Veja isto. — Abel levantou o jornal que estava lendo. — Felix vai tentar o título. — Sanchez? Não acredito nessa merda. — Noah estava aliviado que Abel tinha deixado o assunto de lado. Ele jogou a

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bolsa de ginástica no chão, e se aproximou para dar uma olhada no jornal. Felix foi o primeiro pugilista da 5th Street Gym a se tornar grande em mais de uma década. A maioria dos pugilistas com qualquer potencial real de ganhar um título geralmente deixava a 5th Street pelas maiores e melhores academias com treinadores que estavam habituados a trabalhar com ascendente do boxe, mas não Felix. Ele permaneceu leal à academia em que tinha começado. Não só isso, era um amigo próximo de todos e nunca esqueceu suas raízes. Mesmo depois que ele começou a lutar e vencer as lutas maiores, mais famosas ele voltava algumas vezes por ano para visitar. Ele tinha até mesmo adquirido o hábito de terminar as entrevistas com um recado para a academia. Jack disse que notou um aumento de adesões desde que Felix começou a fazer isso e cada vez que Felix ganhava mais uma rodada e se referia a academia na entrevista pós-luta havia uma onda de adesões. — É a garota dele? — Noah apontou para a mulher alta, que parecia uma modelo, ao lado dele na foto. — Essa semana. — Gio disse, terminando a sua escovação e caminhando de volta para o banheiro. — Sim — Abel disse com um sorriso. —Eu tenho certeza que essa não é a que eu vi na TV algumas semanas atrás. Abel contou os detalhes da luta pelo campeonato. Se Felix ganhasse essa poderia significar grandes coisas para 5th Street. A imprensa havia vindo algumas vezes e entrevistado Jack sobre o ex-aluno da academia que tinha feito nome no mundo do boxe. Felix era parte da razão pela qual os clientes de Noah estavam dispostos a pagar tanto. Ele colocou no currículo que foi um dos

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caras que ajudou nos treinos de Felix, isso fazia seu currículo de treinador ter um certo brilho. Noah não teve tanto contato com Felix em comparação aos outros caras. Quando se mudou para a casa dos Fuentes, Felix já estava no caminho do estrelato. Então Noah chegou a treinar com ele por apenas alguns meses antes de Felix sair da cidade e cair para a estrada. Ele mudou a mãe e os irmãos para um bairro melhor e eles o viram novamente uma vez quando ele apareceu na 5th Street. Gio tinha sido o mais próximo dele. De certa forma, era por isso que Noah e Gio tinham ficado tão próximos. Era quase como se Noah tomasse o lugar de Felix na vida de Gio. Gio saiu do banheiro, sorrindo. — Me deixe ver de novo? — Abel entregou-lhe o jornal e Gio riu. — Sim, essa é uma garota diferente. Ele provavelmente tem uma diferente em cada cidade. Deve ser legal. Noah franziu a testa, e pegou sua bolsa de ginástica. Ele tinha que admitir que o estilo de vida de Felix agora o fazia ter um pouco de inveja. Quem não gostaria? O cara tinha uma verdadeira chance com o título e, do que ele tinha ouvido falar sobre o gordo contrato que tinha assinado com seu promotor, dinheiro não seria mais um problema para ele, se ele conseguisse o título, isso só o tornaria mais atrativo. Ele estaria garantido pelo resto da vida. Mas sobre essa parte de garota-diferente-emcada-cidade Noah não tinha tanta certeza. Ele foi ao vestiário, sentindo-se ainda mais tenso agora do que quando saiu de casa de manhã. O que o incomodava sobre sua nova maneira de pensar era que ele sabia que tinha tudo a ver com Roni. Há alguns meses atrás, antes que ele a tivesse conhecido, ele teria concordado com Gio completamente. Que

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cara no seu perfeito juízo não concordaria? Noah, porém, já não estava em seu juízo perfeito. Não desde que ele deixou Roni invadir todos os seus pensamentos. E a coisa mais irritante sobre isso era que, devido à grande boca de Hector, se ela não estivesse convencida antes de que ele era igual a todos os outros caras da sua idade, galinhas e imaturos que não estavam de modo algum interessados ou prontos para um relacionamento, monogâmico sério, ela estava agora. Havia alguns caras lá dentro, e Gio andava olhando para ele com um sorriso que Noah tinha a sensação de que tinha a ver com Roni. Ele não precisava ouvir isso agora. — O quê? — Eu não disse nada. — Gio riu. — Seja o que for, cara, eu não estou no clima para isso hoje. — Por quê? Você está na casa do cachorro por causa do Hector? Noah não iria sequer olhar para ele. Em vez disso, abriu seu armário tentando não franzir a testa. — Como eu disse, no caso de você não ter me ouvido lá atrás, não. Eu já disse que não. Somos apenas colegas de quarto. — Noah, vamos lá. Quem você está enganando? A maneira como você age quando ela aparece aqui todas as noites. Ninguém vai pensar que ela é apenas sua companheira de quarto. E você sabe que é o que você quer. Ainda se recusando a se virar e encará-lo, Noah começou a enrolar as mãos. Gio estava certo que era o que ele queria, mas admitir isso em voz alta seria outra coisa. — Ei, eu não posso fazer nada com o que as pessoas pensam.

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— Verdade? Então é por isso que seu rosto ficou branco ontem, quando Hector falou sobre Rita? Noah apertou a mandíbula. Ele esperava que ninguém tivesse notado que ele sentiu quase um desmaio quando Hector começou. Ele ainda estava pensando em como responder, quando Gio acertou-o com outra observação surpreendente. — Mas a reação dela foi pior que a sua. Isso foi mais do que suficiente para convencer Noah a voltar e encarar o seu melhor amigo. — O que você quer dizer? Gio montou o banco de madeira entre os armários e apoiou as costas contra a parede. — Parecia chocada primeiro e eu tenho certeza que ela estava tentando

esconder.

E então...

Não sei...

Machucada?

Ela

definitivamente não estava feliz com isso. Por que você acha que eu joguei o guardanapo em Hector e tentei fazer parecer que ele estava inventando essa merda. Claro que seu cérebro imbecil não pegou a dica até que fosse tarde demais. Abel viu também, homem. Ele arrasou Hector depois que você saiu. Noah olhou para ele. Lembrou-se da mudança no tom dela ontem à noite quando ela mencionou sua “diversão” com Rita. Poderia ser possível que era a causa de ela estar chateada? Quando Hector tocou nesse assunto, seu medo não foi de que ela estivesse chateada, mas que iria confirmar o que ela estava pensando o tempo todo. Que ele era muito jovem e imaturo e de forma alguma alguém que ela poderia considerar se envolver. Ele ainda não sabia com certeza, até recentemente, se ele queria se envolver com alguém. Ele estava realmente pronto para um relacionamento sério, para sossegar? Uma coisa que ele sabia

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com certeza era que não a queria namorando ninguém. Imaginar ela se estabelecendo com um cara enquanto ele ainda estava vivendo na mesma casa era uma tortura. A mente de Noah novamente repetiu a conversa de ontem à noite, franzindo a testa quando se lembrou de que ela não pareceu chateada até que ele falou de Derek. Era realmente um assunto tão delicado para ela ainda? No dia de Ação de Graças, ela mudou de assunto admitindo que ela não queria falar sobre ele. Depois da noite passada, ele não tinha certeza se seria capaz de conversar sobre isso novamente sem tornar as coisas desconfortáveis. Ela chorou. Ele estava quase certo que tinha ouvido em sua voz. Ela poderia ter chorado por causa da Rita? Não fazia sentido. Isso significaria que ela tinha sentimentos por ele, e realmente considerou que um relacionamento era uma possibilidade. Mas ficou claro na noite passada que não era o caso. Então as lágrimas eram por Derek? Apertando a mandíbula, ele voltou a enrolar o tecido nas mãos. — Ela nem mencionou Rita, então não sei o que te dizer sobre ela parecer chateada. Talvez ela tenha sido pega de surpresa pelo idiota do Hector dizer uma coisa assim na frente dela. Noah não iria mencionar o comentário que ela fez sobre isso, porque então teria que explicar que ela tinha falado só depois que ele a acusou de estar com ciúmes de Gio e a groupie. Isso por si só iria confirmar o que Gio já estava insistindo. Que Noah pensava nela como mais do que apenas sua companheira de quarto. Caso contrário, por que ele se importaria?

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— Oh, ela ficou surpresa. Nisso você está certo. Mas havia mais do que isso. Pergunte a Abel se você não acredita em mim. Ele mesmo disse que não ficaria surpreso se você acabasse dormindo aqui ontem à noite. Noah olhou para ele novamente. Por mais que ele estivesse tentando parecer indiferente sobre as observações de seu amigo intrometido, Gio estava tornando isso muito difícil. Ele sabia que Gio não estava apenas sendo intrometido. Ele estava preocupado e Noah sabia o porquê. A única vez que Noah tinha colocado suas esperanças em uma garota seu coração tinha sido esmagado. Ele era mais jovem e um pouco mais ingênuo, mas verdade seja dita, Noah nunca tinha sido realmente jovem em sua vida. Com a idade de oito anos, ele havia passado por mais merda do que alguns adultos que conhecia. Mas, como Jack lhe tinha dito uma vez, “o coração é para sempre inexperiente”. Talvez esse fosse o problema. Ironicamente, Tessa, a moça que o tinha esmagado, também era mais velha e mesmo que a diferença de idade não fosse tão grande como a que existia entre ele e Roni, a diferença entre um virgem, de dezesseis anos de idade e uma garota de dezenove anos altamente experiente era enorme. Ele sempre foi um rapaz grande para sua idade, e assim, tanto Tessa como Roni acharam que ele era mais velho quando se conheceram. Quando ela descobriu que ele não era só três anos mais novo que ela, mas também era virgem ela confessou que ser sua primeira seria uma experiência emocionante. Estar com uma garota de dezenove anos de idade, que professava ser muito experiente era além de qualquer fantasia que Noah teve sobre sua primeira vez. Ele nunca imaginou o poder que qualquer sexo

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teria, muito menos que sexo alucinante poderia acontecer a um garoto de dezesseis anos de idade, cheio de hormônios. Depois que eles começaram ele foi um cachorrinho doente de amor à sua volta, fazendo o que ela pedia, mesmo que ela não pedisse com educação. Os

caras

o

chamavam

de

escravo

de

boceta

e

em

retrospectiva, era exatamente o que era, mas ele não conseguia o suficiente. Ela era como uma droga. Ele precisava dela e ele confundiu essa necessidade com amor. Quando ela deu um chute na sua bunda para ficar com um cara mais velho ele ficou devastado. Assim como agora, naquela época ele não admitiu o que realmente sentia. Gio era o único até hoje que sabia que Noah tinha realmente chorado pela cadela. Ele tinha quebrado e finalmente teve dizer a alguém o que estava passando. Noah não foi ele mesmo por meses depois disso. Ele procurou por problemas e foi a única vez em sua vida que ele tinha experimentado drogas. Fumar maconha e ficar bêbado era as únicas coisas que ajudavam a atenuar a dor. Entre Abel, e Gio tentando traze-lo de volta a realidade e depois Jack ameaçando tira-lo e não o deixar treinar na academia mais foi o que ajudou a tirar a sua mente dela, ele parou de fumar maconha e se concentrou no treinamento. Mesmo com todos os momentos ruins que tinham marcado sua vida, esse veio em uma idade quando a magnitude da emoção boa ou má era dez vezes maior, isso ficou pesando nele e em Gio por um longo tempo. Mas agora era diferente. Ele não tinha sequer tocado em Roni e neste ponto parecia como se ele nunca fosse. E apesar de ser uma situação muito parecida com a de Tessa, pois Roni era tudo sobre o que ele pensava ultimamente, havia muito mais

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sentimentos dessa vez. Tessa tinha sido a fantasia que todo garoto de dezesseis anos de idade teria na vida. Mas exceto pelo sexo não havia nada nem remotamente profundo sobre seu relacionamento. Além da conversa inesquecível que teve com ela quando ela admitiu que ser sua primeira seria excitante, ele não conseguia se lembrar de outra conversa. Com Roni o relacionamento era tudo que ele tinha. Um relacionamento que estava crescendo e ficando mais forte e mais profundo do que qualquer outro que já tinha compartilhado com alguém. Por mais que ele quisesse mais com ela do que ele tinha, admitia que o pensamento de arruinar o que eles tinham agora o assustou. Noah deu de ombros voltando sua atenção para a preparação das suas mãos. — Ela estava bem com isso. Ela vai vir a noite para se exercitar, como sempre. Você vai ver. Gio se levantou. — Tudo bem, que seja. Mas se eu fosse você não iria deixar Hector sozinho com ela. Porque você sabe que no momento que ele tiver chance, ele estará abrindo a boca novamente. Deixe que Abel diga a ele para ficar quieto mesmo que as coisas não sejam como

nós

estamos

pensando,

porque

essa

merda

foi

desconfortável na noite passada. Noah assentiu, mas se recusou a comentar mais. Ele sabia que Gio não iria mencionar isso se ele não acreditasse no que ele tinha visto. Que Roni tinha estado chateada com Rita. Isto simplesmente não fazia sentido. Em seguida, houve essa nota alegre essa manhã.

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Gio saiu do vestiário e Noah terminou de envolver as mãos. Ele teria que esperar e ver se ela traria esse assunto novamente. Ou talvez ele iria. Ele decidiu que gastaria a hora extra no saco de velocidade, mas ele nunca seria capaz de se concentrar até que falasse com Roni. Ele queria ter certeza de que ela não estava chateada ainda com ele por qualquer motivo. Tinha que saber que eles estavam bem. Ele ligou antes de sair do vestiário, mas foi para o correio de voz. Ele quase não deixou uma mensagem, mas decidiu deixar uma no último segundo. — Hey, Roni. É Noah. Ouça, eu queria falar com você sobre a noite passada. Eu espero que você não esteja com raiva de mim ainda. Você pode me ligar quando puder? Eu me sentiria melhor se nós nos falássemos. Finalizando, ele olhou para o telefone por um momento antes de deixá-lo cair em sua bolsa de ginástica. Ele empurrou tudo em seu armário e trancou. O treinamento descontraído que Noah tinha planejado fazer com o saco de velocidade acabou por ser mais cansativo do que o esperado após o treinamento com Abel lá fora. Abel disse que havia algumas coisas que ele viu Noah fazendo durante a luta que ele queria trabalhar. Ele segurou o saco pesado para Noah, enquanto Noah trabalhou duro em seu soco mais baixo. Abel achava que Noah deveria ter sido capaz acabar com o cara ainda mais cedo se tivesse acertado melhores jabs. Noah sabia exatamente por que sua cabeça não tinha estado completamente na luta, mas ele não quis mencioná-lo, ao invés disso ele foi junto e trabalhou pesado.

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O treino serviu para tirar Roni de sua mente, e ele não pensou sobre ela até que entrou no vestiário novamente. Ansioso para verificar seu telefone tirou as luvas tão rápido quanto podia. — Ei, cara. — Noah se virou no momento em que tinha começado inserir a combinação na fechadura do armário e viu Hector andando até ele. — Sinto muito sobre a noite passada. Não sabia que as coisas eram assim entre você e Verônica. Espero que eu não tenha estragado tudo. Lembrando o que Gio disse, Noah decidiu não confirmar nem negar nada. Ele com certeza não queria Hector abrindo a boca grande novamente queimando

qualquer

último vestígio de

esperança que ele pudesse ter de convencer Roni que era maduro o suficiente para estar com ela. — Não, esta tudo bem. Não se preocupe com isso. — Tem certeza? Porque eu poderia falar com ela. Você sabe, dizer a ela... — Não! Não diga nada a ela. Apenas não traga Rita à tona novamente. Noah abriu o armário e enfiou a mão no saco para o seu telefone. Ele franziu a testa. A decepção de não ter quaisquer chamadas perdidas foi um pouco demais. Ele teve que lutar contra a vontade de chamá-la novamente. Ele a veria em breve. — Tudo bem — disse Hector. — Mas se você precisar de mim para dizer qualquer coisa eu digo. Noah jogou o telefone de volta em sua bolsa e fechou a porta. — Basta manter a boca fechada em torno dela e tudo certo. Eles caminharam de volta para a academia. Noah estava determinado a passar do resto do dia sem ficar obcecado por Roni.

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CAPÍTULO 13 Desde que Verônica tinha começado a treinar na 5th Street a academia parecia ter aceitado mais membros. O lugar estava muito mais agitado ultimamente. Ela várias vezes teve que estacionar

na

rua,

como

essa

noite,

porque

o

pequeno

estacionamento estava sempre cheio. Noah disse que tinha tudo a ver com o seu amigo boxeador que uma vez treinou aqui. Ele estava

recebendo

um

monte

de

ligações

na

academia

ultimamente, para entrevistas de televisão e rádio. Ela chegou um pouco mais cedo do que o habitual. Antes da noite passada, ela ainda não tinha decidido comprar uma árvore de Natal, mas depois resolveu que precisava voltar ao seu antigo eu, ter uma árvore parecia a coisa certa a fazer. Algo que ela normalmente teria feito há semanas. Antes de sua mãe ficar doente, as férias tinham sido a melhor época do ano para ela. Então estava decidido. Ela estava determinada a voltar ao normal. Portanto, esta noite, ela ia ter um treino curto e sair mais cedo para comprar uma árvore. Seu coração acelerou quando seus olhos se encontraram com Noah quando ela entrou. Ele sorriu, mas havia algo cauteloso em seu sorriso. Ela pensou sobre a sua ligação. Ele provavelmente ainda estava preocupado sobre a noite passada. Ela quase ligou de volta, mas decidiu que estaria dando muita importância a sua pequena discussão e isso era a última coisa que ela queria. — Hey, — disse Noah, ainda usando as luvas de boxe — Você chegou cedo. — Sim, eu preciso sair mais cedo essa noite. Ele começou a tirar as luvas, mas parou e olhou para ela. — Oh sim? Você tem planos para essa noite? 167


Ela deixou cair o saco de academia no chão e começou a se alongar. — Sim. Ela sabia que ele estava provavelmente pensando em algo social não em uma patética viagem sozinha ao shopping para comprar uma árvore, o deixou pensar em vez de admitir a verdade. Infelizmente, ele continuou. — Com quem? Ela surgiu a partir de sua posição dobrada e puxou a perna para trás dela segurando o pé com uma mão. — Eu tenho um encontro. — Ela sorriu. Não surpreendentemente, seus olhos se arregalaram. É claro que ele ficaria chocado, mas ele descobriria a verdade breve o suficiente, então com um encolher de ombros ela disse: — Com uma árvore. Sua expressão de choque se transformou em uma confusa. — Uma árvore? — Sim — ela balançou a cabeça sorrindo. — Eu estou comprando minha árvore de Natal essa noite. Eu quero ter tempo suficiente para chegar em casa e decorá-la ainda hoje. O Natal está próximo. Noah começou a trabalhar na remoção de suas luvas novamente, mas seus olhos permaneceram nela. — Oh... Sozinha? Ela baixou a perna e pegou a outra. — Uh-huh — Ela sorriu grande tentando parecer mais animada do que ela realmente estava. A verdade era que ela não estava ansiosa por isso. Ela sempre tinha tido alguém para ir com ela. Antes da mãe dela morrer, elas iam juntas e demoravam

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muito para escolher uma perfeita. Quando sua mãe ficou doente Nellie tomou seu lugar e Rick a ajudava levá-la para sua casa. O pensamento de Noah acompanhá-la tinha cruzado sua mente, mas depois de ontem à noite, ela não tinha certeza se deveria

passar

tanto

tempo

com

ele.

Obviamente,

seus

sentimentos por ele tinham crescido muito além da amizade. Ela precisava recuar e retomar o controle da situação. O Natal estava chegando e em breve e ela teria que lidar com ele e Rita. — Eu posso ir com você. Ela balançou a cabeça um pouco rápido demais, de modo que se conteve e tentou ser um pouco mais sutil sobre isso. — Não, está tudo bem. Você não precisa. Suas sobrancelhas beliscaram quando ele colocou a luva debaixo do braço e puxou sua mão para fora. — Olha, Roni sobre ontem à noite... — Podemos simplesmente esquecer a noite passada? — Ela encolheu os ombros. — Eles disseram que seria difícil meu primeiro fim de ano sem a minha mãe e eu acho que apenas estou um pouco estranha. Ela odiava usar a mãe como desculpa, mas lhe dizer a verdade, que ouvir sobre ele e Rita tinha fez tanto estrago que ela se revirou na cama durante a noite toda não era uma opção. Tinha sido ridículo e se ela tinha qualquer intenção de aferrar-se ao seu único amigo nestes dias, então, ela precisava começar a se acostumar a ouvir coisas desse tipo. — Tudo bem — disse ele puxando a segunda luva. — Mas eu quero ir com você hoje à noite para comprar a árvore. Se estiver tudo bem para você.

— Ele ergueu as sobrancelhas de

brincadeira. — Nunca escolhi minha própria árvore também e já

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que eu moro lá agora, vai ser como se fosse minha árvore de Natal também. Eu vou até pagar por isso. — Não, você não vai. — Por que não? — Ele terminou de amarrar as cordas em suas luvas, em seguida, jogou-as sobre o ombro. — Vou pagar metade então. Estou pensando em decorá-la também, para você saber. Eu quero tirar o máximo de proveito disso. Quem sabe onde eu vou estar no próximo ano. Seus olhos se encontraram. Essa última afirmação colocou um peso na conversa. Eles estavam, obviamente, pensando a mesma coisa. Esse arranjo não era para sempre. Algo que ela nunca imaginou que seria tão difícil de lidar. Por uma fração de segundo, ela pensou sobre a possibilidade de lhe dizer que ele poderia ficar para sempre se não quisesse voltar a viver em uma garagem. Ela não se importava em ter um companheiro de quarto agora. Mas ela sacudiu o pensamento longe. A possibilidade de ele inevitavelmente estar perto de outras mulheres, trazendo elas para o quarto dele era algo que ela agora sabia que não seria capaz de lidar. Ela teria que superar isso e ser grata se seu coração ainda estivesse em uma única peça, quando chegasse a hora dele ir embora. — Você pode vir comigo, se quiser. Mas você não vai pagar pela árvore. Noah franziu a testa, mas concordou, dizendo que ele estaria de volta para o seu exercício, assim que ele guardasse suas coisas. O café da manhã de Verônica com Nellie não tinha saído como o planejado. Ela ia contar a Nellie sobre como ela se sentiu na noite anterior, quando ouviu falar sobre Rita, mas se sentia

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tão estúpida que não conseguiu. Ela não tinha absolutamente nenhum direito de se sentir com raiva, ou traída, e era embaraçoso admitir que ela sentia. Ela culpou o dia de Ação de Graças. Por mais que se lembrasse várias vezes que só estaria sujeita a um sofrimento inevitável se ela ficasse com um rapaz tão jovem. O dia de Ação de Graças tinha sido tão maravilhoso. Sentiu uma proximidade que nunca tinha sentido com mais ninguém. Ela pensou que talvez, apenas talvez ele sentisse isso também. E agora ela descobriu que no dia seguinte ele dormiu com alguém. Ela suspirou enquanto se concentrava em alongar até que ela foi interrompida por um cara suado segurando uma corda de pular. Ela começou a familiarizar-se com a maioria dos membros, mas alguns eram muitos novos, e ela ainda não conhecia. Esse cara era um deles. — Olá. — Ele acenou para ela. — Meu nome é Edward. Eu apertaria sua mão, mas a minha está um pouco suada agora. — Oi — ela disse, e parou de alongar um pouco curiosa. — Eu só comecei a treinar aqui há pouco mais de uma semana. Eu notei você imediatamente e vim me apresentar. Verônica ficou nervosa imediatamente. Esse cara estava perto da idade de Noah talvez um pouco mais velho, mas, como Noah, ele era um cara grande, e isso a tinha enganado sua sobre a idade. Fazia muito tempo desde alguém a notava. — Você veio um pouco mais cedo, hoje, não é? Ele tinha notado as horas que ela treinava? Uau. Ele realmente devia estar prestando atenção. — Sim, eu vou sair mais cedo hoje, então pensei que iria compensar chegando antes. Meu nome é Verônica.

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Ela observou quando Noah se aproximou por trás de Edward com aquele olhar duro que ele tantas vezes tinha quando treinava. — Ouça, parte da razão que eu não tinha me aproximado antes foi porque você está sempre com aquele cara. Você e ele... — Sim, estamos. — Disse Noah, ficando um pouco no rosto de Edward. Edward

recuou

com

um

sorriso.

Verônica

observava

boquiaberta. Abel e Gio caminharam na direção deles com cautela. Edward ergueu as mãos acenando com a cabeça, mas o sorriso ainda estava lá. — Eu tive a sensação de que era o caso. Estou contente por ter perguntado. Nenhum dano, certo? Não se pode culpar um cara por tentar. — Ele se virou e piscou para Verônica. — Prazer em conhecê-la, Verônica. Noah não disse mais uma palavra. Ele simplesmente olhou para Edward até que ele se afastou, em seguida, se virou para Verônica. — Pronta para treinar? A boca de Verônica realmente se abriu agora. Ela balançou a cabeça e piscou. — Primeiro, você pode explicar o que foi isso? — O que você quer dizer? Ela olhou para ele sem acreditar. — Eu e você é o quê? — Parceiros de treino certo? Não é o que ele estava perguntando? — Noah passou por ela, mas ela não perdeu o

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canto do lábio levantado. — Devemos fazer desse um bom, já que vai ser curto. — Não era isso que ele estava perguntando e você sabe. — Verônica seguiu se sentindo secretamente emocionada. Noah tinha realmente dado a entender a outro possível pretendente que ela e ele eram... Ela não teria sequer pensado nisso. Talvez ele estivesse apenas brincando, apesar de que não era isso que sua linguagem corporal dizia. Ele parou tão rápido que ela quase colidiu com ele. — Por quê? O que você acha que ele estava perguntando? Ela olhou para os olhos que estavam duros novamente, como quando ele falava com Edward. — Bem, baseado no que ele disse antes de você chegar. — O que ele disse para você? — Suas sobrancelhas franzidas enquanto ele olhava ao redor da academia, depois se virou para ela olhando em seus olhos. Ótimo, agora ela se sentia como uma fanfarrona. Ela deu de ombros tentando fazer como se não importasse e de repente se sentindo estúpida. — Só que ele começou a treinar aqui há uma semana, mas ele disse que me notou imediatamente. — É mesmo? — Ela viu sua mandíbula endurecer enquanto ele olhava ao redor da academia novamente. Se ela não soubesse de nada, seus instintos incrivelmente teriam razão. Noah estava com ciúmes. Seus olhos voltaram para os dela e ele olhou duro. — E daí? Você está interessada? — Não, mas...

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— Bom. Porque ele parecia um idiota. — Ele começou a caminhar para a esteira novamente e ela seguiu olhando ao redor. Edward não parecia um idiota para ela. Mas seus instintos mais uma vez disseram que era melhor deixar para lá. Era razoável que, como ela, Noah tinha começado a sentir que havia um pouco mais que amizade. Ela não conseguia decidir se isso era necessariamente uma coisa boa. Isso poderia ser ruim. Verônica tinha toda a intenção, especialmente depois de ontem à noite, de voltar a trabalhar a partir do Ano Novo. Seu antigo supervisor já tinha dito a ela para apenas entrar em contato e eles acertariam as formalidades. Ela planejava dar a sua vida social um empurrão novamente. A última coisa que ela precisava era Noah, de alguma forma tendo a ideia que estava tudo bem fazer papel de amigo/colega de quarto super-protetor. Ela já tinha visto o que ele era capaz de fazer no ringue. Incidentes como o de hoje poderiam sair do controle muito rapidamente.

Noah teria que começar a se controlar quando ele visse Roni com outros caras. Ele sabia disso. Todo mundo tinha notado sua possessividade e agora ele estava certo de que ela percebeu também. Ele não tinha certeza se isso importava mais. Quando viu o cara falando com ela e chegou perto o suficiente para ouvir o que ele estava perguntando, ele decidiu que não se importava se ele fosse óbvio.

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Se ela tivesse insistido um pouco mais ele teria contado a verdade. A realidade era essa, se ele visse outro cara tentando chegar nela de novo, principalmente na sua academia, era assim que ele iria reagir. Ele poderia mentir para si mesmo e dizer que não iria acontecer. Que ele poderia manter a calma. Mas depois de hoje ele sabia que não havia jeito. O modo como ele chegou perto do rosto do cara assegurava a quaisquer

um

dos

outros

novos

membros

que

estivesse

assistindo, que não tentassem nada estúpido com Roni, agora eles sabiam o que estaria por vir. A primeira coisa que Gio disse quando ele entrou no vestiário depois do treino de Roni foi: — Você ainda vai se apegar aquela história de que não há nada de mais acontecendo entre você e Roni? Até ela deve saber que você estava pronto para bater naquele cara por causa dela. Noah apenas deu de ombros, e não ofereceu uma explicação. Suas ações falaram por si. Ainda que o incomodasse mais, era que suas ações não significam nada se ela ainda não queria nada com ele. Tinha que pensar em uma maneira de convencê-la e fazê-lo rápido, porque estava ficando fora de controle. Ele mal tinha segurado a mão dela e seus instintos carnais já estavam reivindicando-a como sua. Agora, mais convencido do que nunca, ele ia ter que pensar em uma maneira de ter uma chance com ela. Ele precisava. Se ele não o fizesse a única outra opção era permanecerem amigos, mas agora sabia que nunca iria funcionar. Ele explodiria na primeira vez em que ele a visse com outra pessoa e não seria nada bonito. De jeito nenhum poderia suportar uma amizade ou algo assim e ele não iria ficar por perto para vê-la com outros caras. O jogo

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tinha mudado de repente e Noah sentiu a urgência. Ou ele encontrava uma maneira de fazê-la sua, ou ele teria que terminar com tudo. Não poderia haver nada entre eles. Eles deixaram sua moto na casa dela, tomaram banho e em seguida, dirigiram-se ao shopping de carro. Ela não mencionou o cara da academia novamente e Noah ficou aliviado. Ele precisava de mais tempo para provar a si mesmo a ela antes que contasse como realmente se sentia. Eles caminharam ao redor e Noah viu como ela examinou cada árvore, antes de decidir que não era boa o suficiente e seguir em frente. Ele se perguntou se isso era metaforicamente como ela escolhia os caras com quem ela saia. Tudo tinha de ser perfeito. Não apenas a aparência, mas o cheiro, e toque também. Ela disse que estava procurando por algo especial e que saberia quando visse. Após a sexta ou a sétima, ele tinha perdido a conta, ele teve que rir. — O que é exatamente que você está procurando? — Eu não posso explicar — disse ela em pé de volta ao próximo lote olhando de cima para baixo. — É algo sobre a maneira como a árvore vai fazer eu me sentir quando eu passar por ela todos os dias na minha sala de estar. Minha mãe sempre disse que eu saberia quando visse. — E se não for neste lote? Como você sabe que está procurando no lugar certo? — Ah não. Este é o lote. Este é o mesmo lote onde eu sempre encontro a perfeita. — Bem, talvez esse é o seu problema. O perfeito para você poderia estar em outro lugar este ano. Em algum lugar que você nunca deu uma chance.

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Ele olhou fixamente nos olhos dela por um momento, esperando que ela entendesse dica. Ela respirou fundo antes de caminhar ao redor do grupo de árvores que ela tinha acabado analisar cuidadosamente. — É essa — ela anunciou apontando para uma árvore que não parecia especial para ele. — De verdade? Até que foi rápido. Você tem certeza? Ela assentiu, mas não desviou o olhar da árvore. De alguma forma, ele esperava que ela ficasse mais animada depois de finalmente encontrar a “perfeita”. Ela procurou por tempo. — Tudo bem. — Ele caminhou até a árvore e pegou. — Tudo certo aí? — Perguntou ela, enquanto caminhava por ele. — Tem certeza que não precisa de ajuda? — Não. Deixa comigo. Ela pagou enquanto ele amarrava a árvore em cima do teto do carro. No caminho para casa, ele contou sobre sua próxima luta. — É no próximo mês. Você vai estar lá? Ela fez uma careta, mas assentiu. — Eu odeio a ideia de ver você se machucar. Mas é claro que eu estarei lá. Desde de que seja à noite, porque eu vou voltar a trabalhar. Lembrou-se de mencionar. Ele tentou não franzir a testa com o pensamento de ela estar em torno de um bando de rapazes universitários. — Então, é oficial? Eu sei que você disse que queria, mas é uma coisa certa agora? — Sim. Começo na segunda. As aulas só começam na semana seguinte, mas a equipe administrativa retorna primeiro, depois do Ano Novo. Eu não tenho ideia do que estarei fazendo.

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Mas sei que o início do ano é uma época muito ocupada para nós, então tenho certeza que eles vão encontrar algo para mim. Noah olhou Roni quando parou em um sinal vermelho. Como dirigir com uma árvore no teto deixava Roni nervosa, ele estava dirigindo. Seus olhos tinham aquele brilho neles, que ele só via quando ela ficava animada ou feliz. — Estou feliz por finalmente voltar a viver. Eu sou muito grata a Nellie. Se não fosse por ela me empurrando, eu provavelmente nunca teria pisado na academia. — Eu sou grato a ela também. — Seus olhos se encontraram e aquele brilho se transformou em outra coisa. Algo como desconforto, ou pior, medo. — Quer dizer, se você nunca tivesse ido para a academia eu nunca teria te conhecido certo? Eu tenho uma nova grande amiga e até mesmo um lugar para ficar. Você pode apostar que eu sou grato. Ela sorriu e ele pisou no acelerador. O resto da viagem para a casa dela foi tranquila. Noah respirou fundo. Ele ia ter que ter cuidado a partir de agora sobre as coisas que dizia a ela, especialmente sobre seus sentimentos por ela.

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CAPÍTULO 14 Noah tirou a árvore de cima do carro e a levou para casa, permitindo que Verônica o ajudasse um pouco. Eles a colocaram em sua sala de estar. Noah ligou o rádio e eles começaram a decorar. Verônica tentou não ser tão óbvia sobre quão nervosa ela de repente estava se sentindo por estar perto de Noah. Ele parecia um pouco satisfeito esta noite. Havia quase um brilho em seus olhos, mas depois de algumas canções, ela se forçou a tirar isso da mente e gostou de sua noite de decoração. — Ooh e agora a minha parte favorita. — Ela trouxe um pequeno banquinho de madeira da cozinha para a sala de estar e o colocou ao lado da árvore. Noah sorriu curiosamente enquanto ela tirava de uma caixa um pequeno pacote de papel de seda, desembrulhando com cuidado. A bonita e muito delicada estrela de cristal para colocar no topo da árvore estava como sempre lembrava. — Chique — disse Noah, admirando-a. — Está na família há gerações. Noah afastou as mãos. — Então eu não vou tocá-la. Eu poderia quebrá-la. Verônica riu. — Você não vai. Tem sido o meu trabalho colocá-la no topo da árvore de Natal desde que eu tinha cinco anos. Eu faço isso todos os anos. Minha avó disse que a tradição é passada para o mais novo membro da família, mas já que não nasceu ninguém depois de mim na família, eu fui a única a fazer isso desde então. Ela subiu no banco e começou a colocar cuidadosamente a estrela no topo da árvore. Levou algumas tentativas antes que ela 179


chegasse ao local certo. Quando ela puxou o braço lentamente certificando-se de que não derrubaria a árvore, o banco balançou um pouco. —

Cuidado!

Noah

lhe

estendeu

a

mão,

mas,

instintivamente, e um pouco em pânico, ela se afastou antes que seus dedos a tocassem. — Eu estou bem. — Só que ela empurrou de volta tão rápido que o movimento repentino a fez oscilar ainda mais e ela foi para baixo, direto em seus braços. O banco caiu, mas Noah segurou ela com segurança. Com seus corpos se tocando, agora a realidade caiu rapidamente, ela estava nos grandes braços fortes de Noah. Ela podia sentir seu coração começar a bater contra ela própria. — Você está bem? Verônica acenou com a cabeça, os olhos a traindo, indo lentamente de seus olhos para os lábios, e mesmo sabendo que deveria, ela não podia se afastar. Ele lambeu seu lábio inferior e ela olhou, imaginando como seus lindos lábios se sentiriam contra os dela. Seu abraço sobre ela apertou um pouco. Estava realmente acontecendo? Ela deixaria ele beijá-la? Incapaz de se controlar, seu corpo tremeu e ela fechou os olhos, apertando-os quando ela empurrou para longe o desejo incrível do momento. — O que foi isso? — Noah. — Ela finalmente encontrou a força para se afastar suavemente. — Qual o problema? — A preocupação em sua voz era genuinamente suave.

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— O que aconteceu hoje na academia... Eu sinto que... — Ela olhou para longe dele focando a estrela sobre a árvore — Eu só não quero que você tenha uma ideia errada sobre nós. Eu gosto como as coisas estão entre nós. — Eu amo isso. Ela se virou para ele. Deus, ela esperava que ele entendesse. — Eu amo também, Noah. E é exatamente por isso que temos de mantê-la dessa maneira. Se as coisas mudarem... — Ok. — Disse Noah um pouco rápido demais e Verônica pegou o alarme em seus olhos. — Eu não pretendia fazer você se sentir desconfortável. — Eu não estou. É só que a sua amizade significa o mundo para mim agora. Quero ter certeza de que você está ciente disso. Ele olhou para ela. — Eu estou ciente disso e não se preocupe, eu me sinto da mesma maneira. Finalmente, a ansiedade que ela tinha começado a sentir desde que ele tinha visto o rosto de Edward na academia aliviou um pouco. — Bom. — Na esperança de aliviar o momento, ela olhou de volta para a estrela na árvore novamente e sorriu. — Parece bom não é? — É perfeita. — disse ele em um murmúrio próximo. Ela continuou a admirar a árvore, tentando se concentrar nas memórias de decorá-la com sua mãe e avós. Em vez disso, tudo o que pôde fazer foi ficar obcecada sobre o que estariam fazendo naquele exato momento se ela tivesse cedido à tentação. Teria ido mais longe do que um beijo? Ela se virou para ele e sorriu quando as imagens o despindo se tornaram muito vívidas.

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— Eu trabalhei e estou com fome. E você? — Na verdade comida soa muito bem agora. — Noah sorriu seguindo-a para fora da sala de estar. Expulsando toda a ansiedade, Verônica seguiu para a cozinha. Ela realmente não estava com muita fome. Ela só precisava de algo que mudasse o assunto e o ânimo rapidamente. — Então, o que você vai pedir ao Papai Noel esse ano, Noah? — Eu já tenho tudo que eu preciso. Verônica se virou para ele na geladeira. — Sério? — Ela não queria que ele achasse que estava sondando, mas queria lhe comprar algo e ela não tinha ideia do que seria apropriado. Ela estava esperando por alguma pista para algo simples e divertido. Ela se virou e olhou para a geladeira tentando soar casual. — Nenhum biscoito especial ou aparelhos que o satisfizesse? Ele balançou a cabeça. — Não. E quanto a você? — Eu costumo ir às compras após os feriados quando tudo está em oferta. — Mas você tem que abrir algo na manhã de Natal. — Noah insistiu. Verônica tirou alguns pastramis 5 e começou a desembrulhálos. — Don Roberto do outro lado da rua me trouxe algo. Cem por cento de certeza que é engordativo. Ele tem uma árvore de ameixa e a cada ano embala frascos para o Natal. Mas ele os envolve em um saco bonito para que eu possa abrir. — Verônica sorriu — E

5 É uma carne magra curada e muito temperada, que se popularizou nos Estados Unidos

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Nellie deixou seu presente mais cedo já que ela estará em um cruzeiro durante toda a semana. Ela olhou para cima a tempo de vê-lo franzir a testa. — Então, ela irá novamente. Como você vai passar o Natal? — Como sempre faço. Em meus pijamas o dia todo assistindo maratonas cinematográficas de férias. — Ela agitou o pastrami na panela. As instruções diziam forno, mas ela gostava crocante. — Eu não possuo pijamas, mas posso assistir com você em minhas camisetas. Verônica não olhou por cima da panela. Ela odiava se sentir emocionada por ele querer passar o dia inteiro com ela assistindo filmes, mas ela não podia admitir. Antes que ela pudesse responder, ele falou de novo. — Falando de Natal, Jack fará o jantar anual de Natal dos empregados da academia nesse fim de semana. Você deveria vir comigo. Verônica se virou para ele enquanto mexia o pastrami na panela, o mal-estar rastejando novamente. Ele estava convidando ela para um encontro? — Um jantar de Natal? — Sim, não é formal nem nada. Assim que ele fecha, nós escolhemos sempre entre dois lugares. Rio’s, a pizzaria que fomos na outra noite, ou Chente’s, um buraco mexicano de frutos do mar, em Evergreen. — Eu fui no Chente’s. Eles têm boa comida. Noah sorriu. — Bem, é onde será esse ano. É completamente informal, mas é divertido. — Não será apenas para os funcionários?

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— Você está brincando comigo? Jack vai pagar apenas para nós, mas todos comparecem. Como após a luta na outra noite. As irmãs de Gio geralmente vão também. Verônica ergueu um ombro. Se ela quisesse que as coisas entre ela e Noah sempre parecessem normais, ela teria que parar de dar o fora em tudo o que fazia e dizia. — Eu já não vou ao Chente há algum tempo. Eu adoro as suas fajitas de camarão. — Maldição que isso soa bem. Nós vamos pedir isso no sábado. E assim foi resolvido. Verônica iria ao jantar de Natal com ele. Mas não com ele, como ela disse a si mesma. Apenas com ele.

O treino de sábado foi curto novamente. Roni queria sair mais cedo para tomar banho e preparar-se para o jantar. A maioria dos outros caras estavam apenas fazendo hora na academia e foram direto para lá. No passado, Noah teria feito o mesmo. Ele não estava brincando quando disse que era completamente informal. Mas essa noite se sentia diferente. Desde que ele tinha segurado Roni tão perto algumas noites antes, ele ainda não tinha superado a corrente elétrica que tinha atravessado seu corpo. Ele nunca tinha sentido nada parecido, mas mais memorável e que ele não tinha deixado de pensar que ela sentiu algo também. Era inegável. Embora ela lutasse, Noah viu em seus olhos, sentiu-o em seu corpo trêmulo. Deu-lhe esperança. Esperava que, se ela estivesse sentindo por ele o que ele não iria sequer tentar negar que sentia por ela mais, então

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talvez de alguma forma, ele conseguisse convencê-la de que as coisas poderiam funcionar entre eles. Noah entendia seu medo de arruinar sua amizade. Ele temia isso também, mais do que temia. Ele nem sequer gostava de pensar nos dois de alguma maneira separados. Mas isso só aconteceria se as coisas não dessem certo e ele não via como eles não poderiam. Eles se davam tão bem. Ela era a garota perfeita para ele, tanto quanto ele estava interessado. Foda-se a diferença de idade. Isso não significava merda nenhuma para ele. Agora que ela colocou para fora que seu maior medo era arruinar o que eles tinham, ele estava ainda mais esperançoso de que a coisa da idade estava se tornando um problema menor para ela. Essa noite era o início da “Operação faça ela ver o que nós significamos um para o outro”. Após o banho, ele espirrou um pouco de loção pós-barba. Ela havia mencionado antes que gostava. Houve uma batida na porta de seu quarto, assim que ele vestiu seu jeans. Subiu o ziper e fechou o botão. — Entre. A porta se abriu parcialmente e de imediato viu seus olhos se arregalarem. — Me desculpe, eu não quis... — Está tudo bem — ele riu quando colocou sua camisa. Sua reação ao vê-lo sem camisa foi divertida pra caralho. — Estou quase pronto. Você está pronta para ir? Ela abriu a porta um pouco mais. — Eu sei que você disse que é muito informal, mas não acha que isso é muito informal?

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Ele não podia acreditar na sua sorte. Ele tinha o seu aval completamente. Algo que ele fazia muitas vezes, mas apenas quando ela não estava olhando. Ela ainda levantou os braços ao lado do corpo. Obrigado Jesus. Ele olhou ela lentamente de cima para baixo e, em seguida, voltou novamente. Ela usava jeans e as botas cinzas com um tipo de pele que ele adorava ver nela. Sua camisa de gola V combinando com suas botas e aqueles adoráveis cachos escuros soltos, pendendo ao redor do rosto. Ele engoliu em seco e percebeu que tinha feito muito mais do que apenas medi-la. Seus olhos simplesmente a tinham violado. — Você está... Você está ótima. — Ele se conteve antes de dizer o que ele realmente queria: que ela estava bonita, lembrando quão assustada seu quase-beijo a deixou. Por um momento, depois de ter caído em seus braços, ele pensou que ela poderia fugir para o quarto como ela fez antes. Quase o machucou soltá-la. Ela enrugou o nariz fazendo-o sorrir. — Eu não estou muito casual? Quer dizer, eu sei que o lugar é totalmente casual, mas este é um jantar de Natal. — Confie em mim. A maioria dos caras vão para lá direto da academia. Jack provavelmente vai, também. E você viu como ele se veste. Sua expressão relaxou. — Ok, bem, então, acho que estou pronta quando quiser. Noah terminou de colocar seus sapatos e eles estavam a caminho. Quando ele virou na rua estreita do restaurante, ele viu quantos carros já estavam no estacionamento do restaurante. Todos os anos, este pequeno jantar de Natal ficava maior. Eles teriam que procurar um novo lugar no próximo ano ou escolher o

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Rio’s. Ele não mencionou a Roni que uma das razões por ser neste lugar ou na Rio’s era porque estes eram os dois únicos lugares que eles sabiam que não pediam documento. Ela não precisava de outro lembrete de que ela era muito jovem para qualquer maldita coisa. Seu estômago caiu quando ele percebeu o Honda de Rita. Tinha esquecido que no ano passado ela veio poucos dias antes do Natal também. Ele não precisava se preocupar com os caras dizendo nada mais sobre o seu pós-Ação de Graças com ela. E se Rita o visse caminhar com outra garota, ela não era do tipo que dizia ou fazia nada estúpido. Gio não tinha sequer avisado. Ela simplesmente não era assim. Mas agora Roni lembraria dos comentários de Hector sobre Rita. Um lembrete do porque ela pensou que ele era jovem, imaturo, e em “diversão”. Para não mencionar que gostaria de lhe lembrar que ele tinha saído e feito isso apenas depois de ter passado um dia maravilhoso com ela. Que tudo vá pro inferno! Eles estacionaram e saíram do carro. Noah nem percebeu que estava franzindo a testa até que olhou para Roni enquanto andavam pelo estacionamento. Ela estava olhando para ele estranhamente. — Algo errado? Ele tentou aliviar a tensão que sentia aumentando. — Não. Nem um pouco. — Então ele forçou um sorriso. O restaurante era em um edifício que claramente foi um velho cortiço uma vez. As entradas eram pequenas. Noah segurou a porta para ela e a deixo andar na frente, uma vez que era impossível caminhar através da porta juntos. A campainha da porta tilintou e a música espanhola de Natal tocando no jukebox

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se espalhou. Os caras já estavam todos lá. Espalhados em todas as mesas, mas Abel e Gio guardaram assentos. Gio tinha, obviamente, antecipado o que Noah poderia estar sentindo sobre Rita estar lá, porque os assentos que tinha guardado para eles eram os mais distantes de onde Rita se sentou com suas irmãs na extremidade oposta da mesa. Atravessaram o restaurante lotado e acenaram para todos enquanto passavam por eles para chegar aos seus assentos. Eles se sentaram entre Jack e Gio. — Todo mundo já pediu, mas disse que serviriam assim que vocês dois chegassem aqui. Peçam o que quiser. — Jack sorriu para Roni. — Você também, senhorita. Noah respirou se sentindo um pouco melhor que não só Rita estava sentada na outra extremidade da mesa, com Hector, e, aparentemente, já que ele acenou dando a todos um genérico olá, ele não teria que apresentá-la a Roni. Outra coisa que o fez sorrir agora foi quão perfeito se sentiu andando com ela. Todo mundo aqui estava sob o pressuposto de que agora eles eram um casal e ninguém pareceu achar estranho. Eles pediram as porções de camarão e Roni ainda não tinha hesitado quando a garçonete perguntou se eles queriam o prato para dois. Eles estavam dividindo um prato apenas como um casal de verdade faria e de jeito nenhum ele iria dizer a ela quão animado algo tão trivial o deixou. Não só o fazia se sentir totalmente imaturo, ele tinha certeza que era algo com o qual só um maldito adolescente iria ficar animado! Tudo estava indo bem até que os pratos começaram a sair. Uma das coisas que o Chente’s era famoso era por seus pratos

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serem enormes. Cada prato que foi colocado sobre a mesa foi comentado. A garçonete colocou o prato de Rita na frente dela. Era essa montanha enorme vermelha. As irmãs de Gio deram uma risadinha quando os olhos de Rita cresceram olhando para ele. — Maldição! — Disse Abel rindo. — Rita, o que é essa coisa? Noah congelou. A atenção de Roni já tinha ido para essa extremidade da mesa, mas Noah olhou para ela após a menção do nome de Rita e seus olhos foram do burrito para o rosto de Rita. — É um burrito. — disse Rita rindo. — Ninguém me disse que seria tão grande! As irmãs de Gio riram ainda mais alto como se tivessem contado uma piada. Era realmente grande. Isso tinha que ser o maior burrito que ele tinha visto em sua vida. Se não tivesse sido por seu estômago revirando ele teria rido muito, como todo mundo. Em vez disso, ele ficou olhando para Roni cujos olhos estavam grudados em Rita por um minuto, pelo menos. Felizmente, sua bandeja de fajita flamejante foi servida e toda a atenção estava sobre eles agora. — Porra, parece bom! — Disse Gio. Se os pratos de todos os demais eram de grandes dimensões, o deles era ridículo, uma vez que foi feito para dois. — Nós nunca vamos terminar isso. — disse Roni seus olhos tão arregalados e sorriu, para alívio de Noah. — Não se preocupe — disse Noah pegando uma tortilla. — Eu pulei o almoço, então eu estou morrendo de fome. Todos estavam comendo e o nome de Rita não foi mencionado novamente. Pelo menos não em seu lado da mesa e não alto o suficiente para que ele ou Roni ouvissem. Mas ele notou Roni

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olhando em direção a Rita várias vezes. Ela era sutil sobre isso, mas Noah era tão malditamente paranóico sobre toda a coisa que a pegou a cada vez. Noah tinha começado a finalmente relaxar quando as pessoas começaram a terminar o seu jantar e se moveram em torno da mesa para falar com aqueles que não puderam antes, durante o jantar. Ele endireitou-se um pouco quando viu a irmã mais nova de Gio, Pria e Rita caminhando em direção a sua extremidade da mesa. — O que vocês pediram? — Elas passaram por eles e terminaram na cabeceira da mesa, de frente para eles. — Oh meu Deus, Gio. — Pria riu. — Sopa de verdade? — Era sopa dos sete mares. Você deveria ter visto o quanto de frutos do mar havia nela. — Bem, merda — Abel riu. — A tigela é grande o suficiente para banhar um bebê dentro! Todos riram. Noah riu nervosamente, rezando para que nada estúpido fosse dito sobre ele e Rita. Ele confiava em seus amigos e até mesmo Hector sabia sobre não falar disso, mas não podia deixar de se preocupar. — Como estavam suas fajitas, Noah? — Perguntou Rita. — Elas cheiravam celestialmente, quando ela passou por nós. Mas bom Deus, o prato era enorme. — Elas estavam boas — disse Noah, odiando que ele agora tinha que apresentá-la a Roni. — E sim, era para dois. Nós compartilhamos — disse ele apontando para Roni. — Esta é Ronuh Verônica, minha companheira de quarto. — Apenas diga Roni, cara. — disse Hector, chegando e de pé atrás da cadeira de Abel — É como você a chama.

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Noah apertou os lábios e ignorou Hector. — Verônica essa é a prima do Gio, Rita. Rita sorriu muito genuinamente. — Prazer em conhecê-la, Verônica. — Prazer em conhecê-la também. — respondeu Roni. Noah

não

podia

acreditar

no

quão

incrivelmente

desconfortável ele estava. Eles conversaram principalmente sobre a comida, em seguida, mudaram para falar sobre os jogos que fariam na véspera de Natal na casa de Gio. De repente, eles estavam todos rindo relembrando do ano anterior. — Se lembram de seu tio e a caixa de tecido com a bola — disse Abel rindo. Todos riram ao mesmo tempo. Mesmo Noah não pôde deixar de rir. — Caixa com a bola? — Perguntou Roni. Para surpresa de Noah, Rita foi a única que pulou para explicar enquanto ela continuava a rir. — Jogamos esse jogo onde eles amarravam uma caixa de tecido vazio com uma bola de pingue-pongue dentro. — Ela parou de rir, balançando a cabeça, com a mão sobre sua boca. — E você deveria apertar sua bunda, saltar, agitar, o que fosse preciso até que a bola saísse do buraco. Quem fizesse mais rápido ganhava. Todos fizeram até que foi a vez do meu pai e quando a música começou e todos os olhos estavam sobre ele, ele começou a balançar seus quadris de forma sexy. — Foi divertido! — Disse Pria. — Nós sempre jogamos todos os tipos de jogos bobos como esse. É muito divertido. Você deve vir com Noah esse ano.

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— Sim, leve ela, Noah. — Rita acrescentou — Você vai rir muito — ela disse para Roni. — E — ela revirou os olhos — geralmente tem as tolas travessuras do meu pai. Mas é tudo brincadeira. — Eu... Uh. — Roni olhou para Noah. Sabendo que ela não tinha outro lugar para estar no dia vinte e quatro e muito provavelmente no dia de Natal, ele respondeu por ela antes que ela pudesse pensar em uma desculpa. — Eu vou levá-la. Provavelmente porque todos estavam olhando, Roni apenas sorriu e acenou com a cabeça. — Claro, parece divertido. Noah sorriu satisfeito, mas só podia esperar que ela não estivesse brava que ele iria levá-la a um local como aquele. Com todo mundo olhando para ela como ela poderia dizer não? É uma loucura como as coisas funcionam algumas vezes. Noah tinha começado a noite temendo que Roni e Rita estivessem na mesma sala e, parcialmente devido a Rita, ele agora estaria passando sua Véspera de Natal com Roni. Ele esperava que Rita fosse agradável e ao contrário da maioria das meninas que ele conhecia, ela não seria maliciosa sobre vê-lo com outra garota. Isso só não era ela. O que ele não esperava era a mudança no humor de Roni quando ela percebeu que Rita estava lá. Claro, ela concordou em ir na véspera de Natal, mas mesmo agora, enquanto caminhavam até o carro, Noah teve a estranha sensação de que ela iria voltar atrás.

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CAPÍTULO 15 Não diga isso. Não vá por aí. — Então essa é a Rita uh? Ugh! Ela era tão fraca! No segundo em que Verônica ouviu o nome de Rita e percebeu que era a garota com quem Noah tinha saído muito recentemente e provavelmente saíria novamente em breve, suas entranhas estavam em chamas. Ela nunca tinha sido aquele tipo de garota, mas por mais que tentasse, ela não conseguia parar de olhar para ela. Ela quase perdeu o apetite de uma só vez e teve de se forçar a comer, enquanto tentava não olhar fixamente para Rita. — Hum, sim. — Noah se moveu no banco do passageiro. Verônica tinha percebido o seu desconforto no restaurante também. — Ela parece legal. — Ela realmente era muito legal. — Ela é — disse Noah, olhando para fora da janela. — Ela é bonita. — Se você gostasse do tipo com tetas enormes. Verônica

quase

podia

imaginar

essas

enormes

coisas

saltando por cima de Noah enquanto Rita o rodeava com força. Dessa vez, foi Verônica que olhou pela janela rangendo os dentes e fechando os olhos com força. Pare. — Eu acho. Noah, obviamente, não ia contribuir voluntariamente para essa conversa, mas, por algum motivo estúpido, Verônica não poderia deixá-la terminar. Ela deveria. Ela realmente deveria, especialmente

depois

de

chegar

à

conclusão

de

que

os

sentimentos de Noah por ela estavam passando a linha da amizade e ela tinha de colocar um fim a isso. Ela já tinha tomado uma decisão consciente de começar a se afastar. Mas suas 193


entranhas ainda estavam fervendo só de pensar nele e Rita e onde ele poderia estar passando seu tempo livre agora que ela estava na cidade. — Então acho que vocês dois vão voltar a sair, agora que ela está aqui para os feriados, certo? — E continuou sua estupidez. Noah mudou de novo em seu assento e limpou a garganta. — Eu não sei. Nós não falamos sobre isso ou qualquer coisa. Provavelmente não. Verônica riu. E soou um pouco mais sarcástica e mais alto do que ela esperava. — O quê? — Perguntou Noah se voltando para ela. Verônica recuou se sentindo como uma idiota. Ela encolheu os ombros. — Nada. — Isso não soa como nada. Ela olhou para frente não querendo olhar para ele. Deixe passar. Diga que você estava pensando em outra coisa. — É só que bem... Você sabe. Depois do que Hector disse no outro dia. Tenho certeza que você vai querer fazer o tempo todo. — Por que ela nunca ouvia aquela pequena voz da razão? — Assim que você começar a conhecer Hector um pouco melhor, você saberá que metade das coisas que sai da sua boca é besteira. Finalmente, ela se forçou a fazer a coisa certa e mudou de assunto, mas não antes de rolar os olhos. — Ouça, sobre a Véspera de Natal... — A menos que tenha outros planos, você vai, Roni. Eu não quero você em casa sozinha. — Mas...

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— Se você não for, eu vou ficar em casa com você. Verônica franziu a testa enquanto estacionava em sua garagem. Ela concordou em ir, mas tinha toda a intenção de sair disso. Noah e Rita não tinham conseguido um momento a sós no jantar muito menos feito alguma coisa cozy, mas Verônica sabia agora, sem dúvida, não era algo que ela gostaria de ser testemunha.

Haveria

provavelmente

bebidas

envolvidas

na

véspera de Natal e uma atmosfera que poderia permitir uma maior interação entre eles, mas ela não poderia ficar em casa por causa dela. Ambos saíram do carro e se dirigiram para a porta da frente. — Noah, você não pode fazer isso. É só que eu me sentiria mais confortável se ficasse em casa. Esses são os seus amigos. Só porque eu sou sua colega de quarto… — Você é minha amiga, também, lembra? E, tanto quanto eu sei, nós somos mais do que amigos agora. Verônica congelou quando ela empurrou a porta da frente e olhou para ele. Seus olhos se encontraram e, em seguida, ele acrescentou, — Nós somos como uma família agora. Ela soltou uma respiração lenta nos degraus da porta com Noah atrás dela. — Quero dizer que faz sentido, certo? Você não tem ninguém e eu também não, mas nós temos um ao outro. Se você quer ficar em casa na véspera de Natal então vamos ficar em casa, mas eu não vou deixá-la sozinha. Ela suspirou enquanto caminhava em direção a sala de jantar. Ele não ia lhe dar uma escolha. Ficar em casa não era uma opção. Ela não iria impedi-lo de outra de suas tradições de

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feriado. Ela teria que fazer um sacrifício, mais cedo ou mais tarde.

Se

eles

fossem

continuar

sendo

companheiros

de

quarto/amigos, então ela poderia muito bem acabar com isso. Vêlo com outras mulheres era inevitável e gostasse ou não, algo que ela iria ter que se acostumar. Colocando sua bolsa sobre a mesa, ela lhe deu um pequeno sorriso. — Vou ter que fazer alguma coisa para levar. Não irei de mãos vazias. Ele sorriu para ela satisfeito. — Eu vou ajudá-la a fazer. Você não estará recebendo todo o crédito. Seu sorriso foi um pouco mais genuíno dessa vez, embora a ideia de estar em torno de Noah e Rita a deixava mais ansiosa do que ela jamais admitiria. Um par de coisas tinha sido confirmado esta noite. Primeiro, Noah tinha essa coisa de amigos-com-benefícios como uma arte. Ninguém admitia que alguma coisa estava acontecendo entre Verônica e Noah. Rita ainda não parecia incomodada com isto. Uma coisa que Verônica sabia que nunca poderia fazer. No início, ela pensou que era uma coisa da idade, mas Verônica estava certa que, mesmo com vinte anos, ela não teria sido capaz de lidar com ver o cara com quem dormiu há apenas algumas semanas antes, andando com outra garota e ser tão amigável sobre isto. Ela tinha uma certa personalidade e Verônica não tinha. Em segundo lugar, a maioria dos caras lá nem sequer fizeram um esforço para serem discretos sobre a forma como eles ficaram de boca aberta com o busto de Rita. Eles eram tão óbvios, era

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quase engraçado. A teoria delirante de Verônica era que Noah era apenas protetor com seus amigos, especialmente as meninas e foi por isso que ele agiu daquela maneira com Edward na academia. Verônica tinha assistido como os caras abertamente flertaram com Rita e Noah não fez nada a não ser se encolher. Ele não parecia incomodado com isso, no mínimo. Levando-a á sua confirmação final, que ela suspeitava, há semanas. Jovem e impressionável, Noah tinha começado a se apaixonar por ela e no processo estava se tornando territorial. Algo que ela realmente precisava desencorajar. No entanto, toda vez que ela dizia que o faria, ela dava um passo para trás. Possivelmente, encorajando-o ainda mais. Em primeiro lugar, o seu jantar de Natal dos funcionários. Agora, a véspera de Natal novamente com seus amigos que ele considerava mais próximos do que a família. Um grande retrocesso.

Noah conseguiu fazer Verônica aceitar. A qualquer lugar que fossem juntos agora, ela o fazia dirigir para que ela pudesse brincar com o seu telefone. — Eu disse que iria lhe vender. — disse ele com aquele sorriso lindo dele. Então, a única coisa que ainda não tinha conseguido, aconteceu com seu telefone. Um texto chegou e ela apertou algo que apareceu bem aberto para ler. Ela odiava que ele pensasse que ela estava sendo intrometida, mas era impossível não ler o texto antes que ela pudesse perceber o que aconteceu.

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Oh!

Você

recebeu

uma

mensagem

disse

ela,

empurrando-o em sua direção para que ele soubesse que ela não estava tentando lê-lo embora ela já tivesse feito. Era de Gio dizendo que era melhor ele não se atrasar esta noite. Noah o leu quando parou no sinal vermelho e sorriu. Ele apertou alguma coisa, então falou ao telefone. — Estou virando a esquina. Verônica riu sobre a loucura dele. —

Realmente?

Você

não

precisa

responder

mais

á

mensagem? — Não. — Disse ele entregando-o de volta para ela. Ela brincou com ele novamente, até que outra mensagem apareceu e ela tentou não ler, mas ela pegou algo sobre apostas que os caras fizeram se ele iria aparecer ou não. Verônica franziu a testa sabendo que ela era a razão que eles estavam apostando que ele não iria aparecer. Ela colocou o telefone para baixo à medida que parou em frente de uma casa excessivamente decorada. O tipo onde as decorações não tinham nenhuma rima ou razão e havia grande iluminação, pequenas, multi-coloridas e brancas acontecendo. Como se eles apenas jogassem todas as decorações que recolheram nos últimos 20 anos no gramado da frente. — Essa é a sua casa? Noah riu e saiu do carro. — Sim. Esse é o famoso fiasco Bravo Natal. Fica pior... Uh melhor a cada ano. Eles não tinham brincado sobre a Noite de Natal na casa de Gio. Para começar, sua família era enorme. Noah contou a Verônica sobre a morte do pai de Gio há alguns anos atrás, mas

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que o seu lado da família, a metade do México ainda estava muito em contato e muitos deles estavam aqui essa noite. Mas então havia o lado da família de sua mãe – o lado italiano, que pareciam estar todos ali esta noite, e o lugar estava lotado. Entre o lado da família do pai de Gio trazendo todos os tamales6 e um monte de outros pratos mexicanos, e o lado de sua mãe, que Noah havia mencionado várias vezes antes que eram conhecidos por fazerem muita comida mesmo quando não era um feriado, havia uma quantidade infinita de comida. Os dois pães de abobrinha que Noah e Verônica tinham assados juntos foram rapidamente perdidos na mesa do buffet, onde eles foram orientados a colocá-los. A maioria do grupo de mais jovens - primos e amigos em torno da mesma idade de Gio passaram a maior parte da noite no quintal de trás. Parecia que havia três gerações principais aqui. A geração mais velha nos seus quarenta e poucos, tios, tias, avós etc. Então havia os jovens adultos como Gio e os adolescentes mais velhos, alguns em seus primeiros vinte anos com suas jovens namoradas ou namorados que apareciam na parte de trás com drinques e ouvindo música. O grupo de Verônica deveria estar no meio do grupo de primos mais velhos. Os jovens casais que lidavam com jovens crianças e grávidas falando de gestações, Papai Noel e de compras para brinquedos. Depois de um tempo de obsessão sobre coisas como essa e casualmente olhando Rita para detectar quaisquer sinais de ciúme ou ressentimento e não os encontrando, Verônica decidiu apenas relaxar e se divertir.

6 É um prato tradicional da culinária mesoamericana, feito de uma massa normalmente feita à base de milho, que pode ser cozida a vapor e podem conter carnes, queijos, ou qualquer outra preparação consoante o gosto pretendido (doce ou salgado).

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Inacreditavelmente, foi persuadida a jogar alguns dos jogos bobos e até ganhou um prêmio, embora ela estivesse certa de que era um presente por piedade. Ela nunca sequer chegou perto de ganhar qualquer um dos jogos. Verônica estava envergonhada quando ela conheceu a mãe de Gio. A única coisa que sabia sobre a mulher é que ela era italiana e cozinhava muito. Com isso em mente, Verônica tinha mantido o estereótipo e imaginado a mãe de Gio tão pequena e pesada. Para surpresa de Verônica, a mulher tinha um corpo de vinte anos de idade invejável e ela era muito jovem para sua idade. E Gio tinha, obviamente, conseguido seus impressionantes olhos verdes, dela. Já que Gio tinha vinte, Verônica presumiu que sua mãe estava perto de seus quarenta e poucos anos, pelo menos, ainda assim ela poderia passar por menos de trinta anos. Até o final da noite, Verônica estava completamente cheia e exausta. A noite tinha começado com ela temerosa e agora estava muito feliz que tivesse ido. Ela realmente teve um tempo agradável e tinha que admitir, melhor que ficar em casa sozinha. Quando chegaram à festa, ela avisou a Noah que poderia sair mais cedo, mas que ele deveria ficar o tempo que quisesse. Claro que sua resposta tinha sido, — Nós vamos sair quando estiver pronta. Tão doce quanto aquilo era, também era preocupante. Noah estava se tornando muito dedicado à sua amizade. Por mais que ela apreciasse a sua lealdade como um amigo, ela agora sabia que ele não a via como tal. Por enquanto, ela não tinha nada para se preocupar. Não havia ninguém mais em sua vida. Mas, assim como ela nunca sonharia em pedir a Noah para fechar essa porta em sua vida, ela

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não estava fechando a dela também. A julgar pela forma como ele agiu com Edward, se ela não tivesse controle sobre isso agora, as coisas poderiam ficar feias depois.

Depois de correr seus 8 km na manhã de Natal, Noah voltou para casa para encontrar Roni ainda dormindo. Perfeito. Ele fez um bule de café antes de correr para tomar um banho rápido. A porta ainda estava fechada quando ele saiu do chuveiro. Ele trocou por um par de moletons soltos e uma camiseta, pegou o saco de presentes do armário e trouxe-o para a sala da frente, colocando-o sob a árvore. Ele estava nervoso pra caralho. Era algo que ele tinha pensado em fazer antes, mas tinha medo que ela pensaria que ele era brega. A maçaneta da porta do quarto dela balançou. Ela saiu. Os olhos de Noah dispararam de volta para o saco debaixo da árvore; ainda havia tempo. Ele poderia pegá-lo antes que ela o visse. Mas ele respirou fundo e entrou na cozinha em vez disso. — Feliz Natal. O som de sua voz o fez sorrir instantaneamente. Ele se virou de onde se servia de uma xícara de café e sorriu para ela. — Feliz Natal. Ele pegou outro copo do armário e lhe serviu um pouco de café. — Eu não sei sobre você, mas eu poderia ter algumas panquecas de mirtilo. — Parece bom — disse Noah. 201


De todas as manhãs de Natal que já teve até mesmo quando criança, ele não conseguia se lembrar de um sentimento mais satisfatório do que o que sentia naquele momento. Café e panquecas com Roni e a promessa de que ele a teria toda para si mesmo o dia inteiro. Ele não conseguia pensar em um presente melhor. Bem, ele poderia pensar em uma coisa que poderia tornar isso ainda melhor, mas ele não iria pressioná-la. Noah andou com a caneca de Roni até onde ela estava junto ao fogão e ofereceu para ela. — Precisa de ajuda? — Não — ela disse alegremente. — Mas você pode ligar a música de Natal. Ele fez exatamente isso e voltou a se inclinar contra o balcão. Ele tentou não olhar para seu perfil, mas nesse momento, ela era a garota mais bonita que ele já tinha visto. Mesmo agora de manhã. Especialmente agora de manhã, porque essa visão: seu cabelo desgrenhado, seu pijama e chinelos grandes difusos, estavam reservados para ele. Ninguém mais poderia vê-la assim, só ele. Ela olhou para cima e o pegou olhando para ela como um cachorrinho doente de amor. Quanto mais ele estava perto dela, menor esforço ele fazia para esconder o que sentia por ela. Embora ele tenha tomado um gole de café antes que ele a assustasse e a tirasse de seu estado de espírito alegre. — O ano está quase no fim, Noah. Alguma resolução para o Ano Novo? — Não, eu não faço resoluções. O que eu acho que faço, eu chamo de metas e não espero o Ano Novo para ir em direção a elas.

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Ela se virou para ele, sua sobrancelha arqueada. — Você tem um ponto. Por que esperar? — E você? — Noah perguntou genuinamente curioso. — Não é realmente uma meta, mas eu quero minha vida de volta. Eu só estou esperando que ao voltar a trabalhar e me colocando com meus velhos amigos, eu possa voltar ao jeito como as coisas costumavam ser. Você sabe, antes que eu me deixasse cair nesse buraco negro em que eu estive por tanto tempo. Sentindo-se um pouco irritado por essa última afirmação Noah perguntou. — Mas você não tem estado nele ultimamente certo? Ela já tinha uma pilha de panquecas prontas e ela virou a última para o topo da pilha adicionando um pedaço de manteiga em cima como ela fez com todas as outras. Ela pegou a bandeja com a pilha e virou-se para ele. —Não. Eu não tenho e eu devo agradecer a você e Nellie por isso. Se sentaram e comeram enquanto ela contava a ele mais sobre

seus

planos

para

o

próximo

ano,

irritantemente

acrescentando que ela também estaria trabalhando lentamente em ter sua vida social de volta. — O que significa isso? — Perguntou Noah cavando seu garfo em suas panquecas. Ele percebeu que ela parou de cortar suas panquecas um segundo antes de responder. — Eu costumava fazer coisas com as minhas colegas de trabalho. Você sabe, sair para jantar, shows. Acredite ou não, eu costumava jogar tênis um par de vezes por semana. Eu não faço nada disso há muito tempo. Eu só me enterrei longe de tudo e de

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todos. Estou ansiosa para voltar a ser o que eu era. Me sentir normal de novo. — Você deveria ter dito alguma coisa; nós poderíamos ter ido para um show ou jogado tênis. Mais uma vez, ele teve que morder a língua para não dizer mais. Ele sabia que ela tinha todo o direito de voltar a se sentir normal.

Ela

deveria,

mas

o

pensamento

dela

voltar

a

possivelmente sair com rapazes, o fez engolir a comida como rochas pontiagudas. Ela olhou para ele por um momento e depois sorriu. — Isso é verdade. Nós poderíamos. Mas eu ainda estou ansiosa para voltar a trabalhar e ter minha antiga vida de volta. Noah terminou suas panquecas e viu que ela estava quase acabando. O que ele estava preocupado era com todo o assunto se revelando repentinamente. — Pronta para abrir seus presentes? Suas sobrancelhas beliscaram juntas. — Presentes? Ela lambeu o xarope do lábio inferior e foi tudo o que podia fazer para não se inclinar e ajudá-la a lamber tudo. Ele conseguiu parar de olhar para os lábios tempo o suficiente para se levantar e levar o seu prato para a pia. Limpando a garganta, ele disse: — Sim, você disse que seu vizinho trouxe algo mais, certo? E Nellie? A expressão dela aliviou e ela balançou a cabeça em concordância. — E eu comprei uma coisinha para você. Ela parou de mastigar e olhou para ele. — Você comprou?

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— Sim, eu espero que você não se importe. Eu apenas pensei... É Natal e nós somos companheiros de quarto e amigos agora, então... — Eu não me importo. — Ela levantou-se e sorriu. — Espere. Me deixe ir buscar o que eu tenho para você. O estômago de Noah caiu ao vê-la correr de volta para seu quarto. Ela lhe comprou um presente? Ele levou a mão à testa em pânico. E se ela lhe comprou algo caro? Puta merda. Ele nunca tinha parado para pensar que ela iria lhe comprar algo. Ela caminhou de volta para a sala da frente com um grande sorriso enquanto ele ia em direção à árvore. Roni se ajoelhou ao lado da árvore e entregou-lhe o saco do presente. — Você tem que abrir o seu primeiro. Ele se ajoelhou na frente dela. — Eu tenho? Por quê? — Você vai ver. — Ela sorriu tão brilhantemente que o fez sorrir. — Apenas abra. Noah pegou o pacote e tirou o tecido lentamente. Para seu alívio eram roupas. Ele tirou as roupas uma peça de cada vez. Duas calças de pijama: uma com o logotipo dos Raiders, a outra com os Dodgers. Noah riu. — Eu tentei muito encontrar algum lugar que tivesse luvas de boxe ou qualquer coisa que tivesse a ver com o boxe, mas eles não tinham nada. — Ela fez beicinho adoravelmente. — E eu lembrei de você e os caras na academia conversando sobre os Raiders e os Dodgers. — Isso é legal. — Ele sorriu puxando duas camisas escuras de manga longa e gola redonda e dois pares de meias térmicas com borracha sobre as solas — Antiderrapagem?

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Ela sorriu. — Claro, nós não queremos que você caia! Noah abaixou tudo e se inclinou para abraçá-la. — Obrigado — disse ele enquanto sentia seu aroma e a sensação suave de seu cabelo roçando seu rosto. Sentir o braço em suas costas o fez fechar os olhos e respirar o profundo e puro cheiro refrescante de Roni. Essa era a primeira vez desde o dia em que ela tinha caído do banco que ele tinha sido capaz de abraçá-la. Era muito bom, mas ele sabia que tinha que terminar, então ele se afastou lentamente,

encontrando seus

olhos

apreensivos. — Você tem que colocar um deles. É por isso que você tinha que os abrir primeiro. Lembre-se, no Natal é dia de pijama por aqui. — Eu irei. Assim que você abrir o seu. Ele puxou o pacote de debaixo da árvore e entregou a ela. Ela o pegou um pouco devagar demais, quase como se estivesse com medo do que poderia ser. O alívio surgiu em seu rosto quando ela tirou os chinelos de coelhinho e deu uma risadinha. — Eu imaginei que os seus estavam ficando um pouco esfarrapados. — O quê? — Seus olhos foram para seus chinelos e então ela riu e teve de concordar. Um dos olhos de seus chinelos de coelhinho estava faltando. — Eu acho que é hora de jogá-los fora. Ela tirou os chinelos e começou a colocar os novos. Noah engoliu em seco à espera do momento em que ela notaria. Ela enfiou o pé até metade do caminho do primeiro, em seguida, ele viu a confusão em seu rosto e ela olhou para ele. Noah deu de

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ombros. Lentamente, ela retirou o chinelo e com a mão puxou para fora algo embrulhado em papel de seda vermelho. Mais uma vez, ela olhou para ele cheia de perguntas. — Abra-o. Ela o fez e levou um momento para desvendar e ver que eram medalhas. O tipo de medalha que os atletas ganham na competição. — Leia o que diz. Ela olhou para ele, em seguida, leu. — Campeã. — O outro lado também — disse Noah. Ela virou de ponta cabeça. — 18 quilos. Você fez isso, Roni. Eu sabia que você podia. Eu estou muito orgulhoso de você. Noah. Ele sentiu um pouco de pânico quando parecia que talvez ela estivesse rasgando. — Eu quis lhe dizer muitas vezes o quanto eu estava orgulhoso de você. — Você disse. — Eu sei, mas já que você é a minha primeira aluna, eu queria fazer mais. Jack me deu a minha primeira chance quando você e Nellie entraram. — Ele parou por um segundo, quando ela puxou a medalha sobre sua cabeça. Então ele viu quando ela puxou os cachos de debaixo da fita para que pendurasse em seu pescoço. — Eu não tinha ideia de como isso iria, mas você era uma lutadora. Após o primeiro treino... — ele parou quando a viu ficar em seus joelhos e vir em direção a ele. Ele ficou imediatamente de joelhos, também — Eu não tinha certeza de que estaria de volta.

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Quando ela estava perto o suficiente, ela colocou os braços ao redor de seu pescoço e ele colocou o seu ao redor da sua cintura pequena enterrando seu rosto em seus cachos. Eles se abraçaram por um longo tempo. — Estou tão feliz que você voltou. — Ele sussurrou. Ela se afastou e segurou seu rosto com as mãos, em seguida, beijou-o suavemente na bochecha, mas tão perto de sua boca, que ela pegou o canto dos lábios e não se afastou. Ele sentiu sua respiração acelerar, em seguida, ele a beijou de volta no mesmo lugar. Finalmente, ela respirou fundo e se afastou apenas o suficiente para apoiar a testa contra a dele e sorriu. — Estou feliz que voltei também. Obrigada por isso. Significa muito para mim. — Noah olhou para ela mal conseguindo respirar e não querendo que esse momento chegasse ao fim — Feliz Natal, Noah. — ela sussurrou. — Feliz Natal, Roni — ele sussurrou de volta. Ela olhou para ele por um longo momento e depois sorriu. — Agora vá colocar seu pijama. Temos uma maratona para assistir.

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CAPÍTULO 16 Me desculpe, eu não a ouvi sobre os feriados. Espero que eles tenham sido bons. Eu realmente espero que você esteja melhor. Estou aqui por você. Você sabe disso. Tenha um feliz Ano Novo.

Verônica leu a mensagem de Derek novamente. Ela sabia o que ele estava pensando. Que ela estava chafurdando na autopiedade com os feriados, sozinha e patética. Ele mandou tantas mensagens nas últimas semanas para que ela soubesse sobre sua consciência culpada. Ela não respondeu sequer uma vez. Talvez ela devesse. Bastava deixá-lo fora do gancho. Deixe-o saber que, enquanto ele pensava que ela estava enterrada em dor e comendo até a morte, ela teve não só o melhor dia de Ação de Graças, mas o melhor Natal que ela poderia se lembrar em anos – se alguma vez teve. Depois de quase ceder a seus desejos no dia de Natal e, possivelmente, arruinar tudo, ela tinha conseguido virar o jogo e eles

tiveram

o

dia

mais

perfeito

assistindo

filmes.

Eles

conversaram e riram todo o dia. Em outros natais, ás vezes ela e sua mãe faziam a mesma coisa, mas este foi o melhor dia de Natal. Ela tinha usado sua medalha todo o dia. Mesmo quando Noah tinha brincado com ela e lhe disse que ela não tinha que usar, ela se recusou a tirá-la. Ela olhou para o telefone por mais um momento, em seguida, decidiu não responder, jogando-o em sua cama. O dia a esperava. Ela já tinha avisado a Noah que ela poderia não ir treinar esta noite. O shopping depois do Natal estaria pior do que nas semanas anteriores. Cada loja estava tendo liquidações e Verônica precisava renovar seu guarda-roupa para o trabalho. 209


Seria outro dia chuvoso, mas isso não podia esperar. Se ela ia recomeçar, então, ela precisava de roupas para isso. Ela pegou sua caneca e saiu pela porta traseira. Noah tinha substituído os limpadores do vidro dianteiro no dia anterior, quando ela lhe contou sobre seu dia de compras. Ele sabia que o resto da semana seria miserável. Ela sorriu lembrando-se de suas palavras. — Eu não quero ter que me preocupar. Ele era tão querido. Ela suspirou. Se ao menos ele fosse alguns anos mais velho, caramba. Ela entrou em seu carro colocando as chaves na ignição. O carro fez um barulho entrecortado seguido por um som chiado, mas não ligou. Seus ombros caíram. — Nããão! Ela tentou novamente, e novamente os ruídos, mas não ligou. Sua cabeça caiu contra o volante e ela deu-lhe um minuto. Rezando silenciosamente, ela tentou fazê-lo pegar novamente. Nada. — Droga! — Ela bateu no volante, então isso a atingiu. Esta era a pior hora para seu carro quebrar. Seu primeiro dia de trabalho seria em menos de uma semana. Endireitando-se, ela pensou rápido. O que fazer? Ela se inclinou rapidamente e pegou sua bolsa, em seguida, puxou as chaves da ignição. Dentro de minutos, ela estava no telefone falando com a empresa de guincho. Seria, pelo menos, meia hora até do caminhão de reboque estar lá para buscá-lo. Seu dia de compras foi arruinado. Ela tentou ligar para Nellie. Talvez por algum milagre ela estivesse

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livre. Elas não se falavam desde alguns dias antes do Natal, quando ela viajou em seu cruzeiro. Para sua surpresa, ela respondeu. — Ei estranha. Sem nenhum lugar para ir, Verônica estatelou-se no sofá. — Como você está? Como foi o cruzeiro? — Foi maravilhoso. Como foi o seu Natal? Verônica quase disse que foi maravilhoso também, mas ela pensou melhor. — Quieto. Nós assistimos a uma maratona de filmes a maior parte do dia. — Ah bom. Eu estava preocupada que talvez você tivesse passado o dia sozinha. Noah estava com você? Verônica revirou os olhos se esforçando para não se sentir ressentida. Nellie estava em casa há alguns dias depois de seu cruzeiro e não se preocupou em ligar. Verônica teve de se lembrar de todo o esforço abnegado que Nellie tinha feito para recuperá-la a se sentir humana novamente. — Sim, ele ficou aqui. Foi legal. — O que você está fazendo agora? — Sentada aqui esperando pelo caminhão de reboque. Meu carro estúpido não está funcionando e eu começo a trabalhar na próxima

semana.

Eu

preciso

ter

certeza

de

que

esteja

funcionando até lá. — Bem, isso fede. Mas pelo menos você tem alguns dias para ir buscá-lo certo? Verônica franziu a testa. Ela pensou por um momento antes de mencionar. Ela esperava com toda sua força que Nellie fosse se oferecer para buscá-la.

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— A pior coisa é que eu pretendia ir comprar roupas de trabalho hoje. Eu estava com tudo pronto para ir e o carro não ligou. — Ela esperou, com os dedos cruzados. — Oh cara. Bem, talvez você consiga ir antes disso — ela fez uma pausa e Verônica a ouviu suspirar — Querida, eu me ofereceria para levá-la, mas desde que voltamos dos feriados, estamos revezando essa semana. Rick carregou o carro agora. Nós estamos indo para o norte hoje para ficar com sua irmã por alguns dias. Caso contrário, você sabe que eu estaria aí. Por alguma razão estúpida trouxe lágrimas quentes para os olhos de Verônica. Além de Nellie tudo que ela tinha era Noah e algo profundo dentro dela sabia que era apenas uma questão de tempo antes que ele se fosse, também. — Eu sei que você faria. — Disse ela disposta a não quebrar voz. — Eu não voltarei até depois do Ano Novo, querida, mas vamos fazer um encontro e ir às compras, em seguida, ok? Verônica assentiu com a cabeça e desejou-lhe uma viagem segura. Ela se sentou lá se sentindo tão lamentável como sempre. Ela se levantou se lembrando que em breve ela estaria de volta ao trabalho e com todos os que ela tinha perdido o contato nos últimos dois anos. Ela tinha mais amigos. Eles simplesmente pararam de ligar quando ela nunca retornou as suas chamadas. O telefone dela tinha um controle deslizante e ela deslizou para cima e para baixo, de novo e de novo, olhando para ele enquanto estava no balcão da cozinha. Ela deslizou para abrir novamente e rolou para baixo para a última mensagem de Derek.

Feliz Ano Novo para você também.

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Seu polegar brincou sobre o botão enviar algumas vezes antes de ela acertar. Quase num acesso de raiva, ela colocou o telefone no balcão, foi até o fogão e tirou uma panela do gabinete. Isso era ridículo, era apenas uma mensagem simples. Ela pegou o chocolate quente Abuelita da despensa. Ela estava trabalhando em quebrar as partes de chocolate quando ela ouviu o sinal de seu telefone. Seus dedos continuaram a quebrar os pedaços, mas sua mente estava em seu telefone, então ela colocou o chocolate para baixo e caminhou até o balcão e o pegou.

Ei, é bom finalmente ouvir você. Como você está?

Coisas estranhas estavam acontecendo em seu estômago, mas

não

era

por

uma

boa

razão.

Ela

tinha

um

mau

pressentimento sobre isso a partir do momento que ela tinha considerado responder. Coisas dessa natureza eram a razão pela qual ela temia que Noah não estaria em sua vida por muito tempo. Apenas o pensamento de mencionar que ela tinha entrado em contato com Derek voltou a colocar um enorme nó no estômago, mas a realidade era que ela não lhe devia nenhuma explicação. Na verdade, se ele fosse realmente seu amigo ela deveria ser capaz de falar com ele sobre isso certo? Então, por que ela estava pensando seriamente em não responder a Derek? Com uma respiração profunda, ela balançou a cabeça. Bobagem. Ela era uma mulher solteira.

Eu estou bem. Obrigada por perguntar. Tenho estado ocupada. Volto ao trabalho na próxima semana.

Seu polegar bateu contra a tela de seu telefone enquanto esperava por uma resposta. O telefone tocou de repente e ela 213


quase o deixou cair. Era um número 0-800 e ela atendeu sabendo que seria do auto clube. O representante do serviço informou que o caminhão de reboque estava na frente. Verônica saiu correndo pela porta da frente e viu o caminhão fazer recuo em sua garagem. Ela apontou para deixar o motorista saber que o carro estava na parte de trás. Ela colocou o telefone no bolso enquanto explicava ao motorista onde ele deveria pegar o carro e assinou os documentos de liberação. Finalmente, ela puxou seu telefone do bolso e viu que havia duas mensagens de Derek. O primeiro dizia: Isso é ótimo. Estou feliz em ouvir isso. E eu estou feliz que você esteja ocupada.

O segundo: Então, o que você tem feito?

Ela tirou uma foto de seu carro sendo rebocado pelo caminhão de reboque e riu baixinho enquanto ela enviava para ele sem legenda. Sempre que aconteciam coisas que não poderiam ser resolvidas sua mãe costumava dizer, Você só tem que rir. O que mais você vai fazer? Chutar e gritar?

Sua resposta foi imediata. O que aconteceu? Você está bem?

Ela lhe explicou sobre seu carro e seu dia de compras ser arruinado. Ela ia de lá para cá por um tempo enquanto o motorista do caminhão terminava de rebocar seu carro. Uma vez dentro da casa, ela estava pensando sobre a tolice das mensagens de texto. Todo esse tempo ela poderia ter falado com ele, mas havia algo escondido por trás da segurança de um texto que parecia muito mais fácil. Ela não tinha certeza se estava pronta

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para falar com ele. Fazia quase um ano. E então o telefone tocou. Era Derek. Merda. Não havia maneira de sair dessa. Ela tinha acabado de enviar um texto para que ele soubesse que ela estava perto de seu telefone. O nó no estômago ficou apertado e ela atendeu. — Ei. — Verônica, é bom ouvir a sua voz. — Sua voz era exatamente como ela se lembrava. Ela trouxe de volta memórias dolorosas, mas de uma maneira estranha, ela estava contente de ouvi-lo novamente. — É bom ouvir você, também. — Então você está encalhada nesse dia? — Sim, parece. —Eu ia dizer, uma vez que seus planos foram frustrados o que você acha de tomarmos um café juntos? De jeito nenhum ela o estava convidando para um café. — Eu uh... Eu não sei. — Não temos que ficar fora o dia todo, apenas uma hora ou mais. Podemos pegar uma xícara de café e conferir a mais recente exposição na galeria de fotos que você gosta no centro. Quando foi a última vez que você fez isso? Verônica sorriu correndo o dedo sobre o rejunte entre as placas em seu balcão. — Faz muito tempo. — Foi o que imaginei. Vamos Roni, pelos velhos tempos. Eu posso buscá-la em dez minutos, trazer você de volta antes do meio-dia. Ouvi-lo chamar daquele jeito, fez seu estômago se virar. Ela sabia que era irracional pensar que não deveria ir, porque Noah

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poderia...

Inferno...

A

quem

ela

estava

enganando...

Ele

definitivamente estranharia isso. Lembrou-se de como a mera menção de seu trabalho e sua vida social o tinha deixado nervoso. Talvez isto fosse exatamente o que ela precisava fazer. Ir tomar um café com um amigo e quebrar o gelo. Ela teria que seguir com sua vida e, eventualmente, ele teria que se acostumar com isso certo? — Apenas uma hora? — Eu estarei aí em dez minutos. — Ela quase podia ouvir o sorriso em sua voz. No momento em que ela desligou, ela sentiu o desejo de chamá-lo de volta e cancelar. O que ela estava pensando? Ela andou para frente e para trás na cozinha por alguns minutos mordendo seu polegar. Duas vezes ela pegou o telefone para ligar para ele de volta, em seguida, colocou-o novamente. Deus ela precisava de Nellie. Derek estava lá em menos de dez minutos. Ela praticamente correu para fora da porta não querendo lhe dar uma chance de esperar para ser convidado a entrar. Ela se debruçou na janela de seu carro e sorriu antes de abrir a porta. — Uau, você está bem — disse ele. — Você perdeu muito peso. O que você fez? Ela encolheu os ombros. — Eu tenho treinado. Tenho que agradecer a Nellie. Ela me arrastou para a academia. Derek parecia o mesmo. Barbeado, mas com uma sombra. Ser reitor numa das mais difíceis escolas secundárias em Los Angeles tinha feito isso com ele. Ele contou a ela algumas das histórias. Ele teve que desarmar os alunos com facas e até

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mesmo de uma arma uma vez. As crianças tinham que pensar nele e vê-lo como um mauzão sem compaixão. Se ele não colocasse desse jeito, ele estaria frito. Verônica tinha de admitir que a cara de durão a fez se mexer um pouco. Ele era sábio. O obstinado olhar de morte era o melhor. Isso a lembrou de seu próprio reitor na escola. Ele silenciava um corredor inteiro quando passava. Agora ela se perguntava se ele teria sido tão suave como Derek, mas representando um ato também. Eles fizeram pequenos comentários até chegarem a cafeteria na galeria. Foi um milagre ele não ter de dar voltas no quarteirão vinte vezes antes de encontrar um espaço para estacionar, mas era a semana de feriado e era próximo ao distrito do tribunal. A maioria dos escritórios nesta área ainda estavam fechados para os feriados. Eles compraram o seu café e caminharam meio quarteirão até a galeria. — Você realmente parece bem, Roni. Estou muito contente de vê-la. Eu estava preocupado com você. Verônica sorriu, por alguma razão a enervava ele usar o seu apelido. Ele só a chamava assim antes, quando ele estava sendo bonzinho. Esta era a primeira vez que o tinha visto em quase um ano e ele sentiu que poderia chamá-la assim? Lá no fundo ela sabia a verdadeira razão que a incomodava, mas ela a afastou. — Então você ainda está vendo a mulher que você conheceu? — Não que ela se importasse, mas ela estava curiosa. Ela realmente não achava que ele teria enviado mensagens se ele estivesse. A expressão dele caiu e ele limpou a garganta quando entraram na galeria.

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— Não, eu não estou. As coisas não deram certo. — Oh — ela disse, feliz que tivesse entrado na frente dele para que ele não visse o sorriso. — Sinto muito por ouvir isso. — É claro que ela não sentia, mas realmente não se importava de qualquer maneira. Ela só tinha que admitir que era um pouco gratificante. — Faz muito tempo? — Ela virou-se quando ele não respondeu. — Verônica, eu sinto muito. Eu cometi um erro. Um erro enorme. Provavelmente o maior erro da minha vida. — Eles se afastaram da passarela para que as pessoas pudessem passar. — Eu não sei de que outra forma lidar com isso. Parece que tudo o que fiz ou disse foi errado. Chegou a um ponto em que eu estava com medo de falar com você. Na época parecia que a melhor coisa a fazer era me afastar e sair de cena. Verônica olhou para ele por um momento tentando fazer sentido de como alguém poderia pensar que, a melhor coisa a fazer quando alguém com quem você se preocupa está passando por um dos momentos mais difíceis da sua vida, era sair de cena? Ela poderia pensar em um milhão de coisas para lhe dizer agora. O quanto ela o odiou. Como ela nunca teria se afastado se fosse ela em seu lugar, mas não o fez. Esse navio tinha navegado. Em vez disso, ela sorriu. — Está tudo bem. Eu superei. Sua expressão permaneceu tensa. — Eu nunca duvidei de você. Ouça. — Ele enfiou as mãos nos bolsos e olhou em volta, nervosamente. — Eu sei que isso provavelmente não importa mais, mas quero que você saiba. Angela... A mulher que eu comecei a ver durante esse tempo. Ela nem sequer durou um mês. Eu simplesmente não conseguia

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parar de pensar em você. —Ele olhou para ela, mas não conseguiu fazer contato visual por muito tempo. Verônica nunca o tinha visto tão nervoso. — Eu não consigo dizer quantas vezes eu queria parar e dizer olá, ver como você estava indo. E então eu perdia minha coragem. Fiquei tão aliviado quando você me mandou uma mensagem de volta hoje. Pensei que você me odiava. — Eu não odeio você, Derek. — Não que ela não achasse que odiou por um longo tempo. Mas ela sabia agora que, para que ela o odiasse teria que amá-lo primeiro. Ela não tinha certeza do por que ou como, mas ela estava certa agora, que ela nunca o amou. — E você pode parar de bater em si mesmo. Estou bem agora. Mais do que bem. Já não querendo essa conversa desconfortável Verônica começou a andar. Derek caminhou ao lado dela. A placa fora da galeria ostentava os nomes dos novos artistas sendo apresentados esta semana. Verônica nunca tinha ouvido falar de nenhum deles. Ela costumava se manter atualizada com todos os novos talentos no mundo da fotografia. Já era tempo de voltar para as coisas que ela amava. Derek pareceu entender que ela realmente não queria falar sobre nada pesado, assim mantiveram a conversa leve. Eles caminharam ao longo da galeria comentando sobre as diferentes fotografias e ele perguntou a ela sobre sua fotografia. Eles caminharam por quase uma hora e, em seguida, a conversa tomou outro rumo. — Como estão as coisas agora que... você está sozinha?

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Verônica parou e olhou para a fotografia em preto e branco de uma mulher idosa fumando em um banco de parque, usando salto agulha. — Eu tenho um colega de quarto agora. — Você tem? Ela estudou a imagem se perguntando o que significava. Será que os saltos representavam o passado dessa mulher? — Roni? Com seus pensamentos interrompidos, ela se virou para Derek. —Novo colega de quarto? — Oh sim. Ele é um cara da vizinhança. Meu personal na verdade. — Ela sorriu para ele — Foi ele quem me ajudou a perder todo o peso. — Ela começou a andar novamente. — Ele teve alguns problemas com a sua casa, então ele está alugando um dos quartos na minha casa temporariamente. — Temporariamente. Não era uma pergunta, mais como uma declaração. Verônica poderia dizer que ele estava especulando, mas ela não se importava. Apenas pensar em Noah a fez olhar para o relógio. — É melhor eu ir. Sem outra palavra, ele balançou a cabeça e se dirigiram para o carro. A volta foi um pouco tranquila, até que chegaram em sua casa. Assim que começou a sair, ela sentiu a mão em seu braço. — Roni — Ela parou e virou-se para encará-lo. — Foi muito bom vê-la novamente. Você está maravilhosa. Ela sorriu e acenou com a cabeça se sentindo um pouco desconfortável. — Obrigada. Foi bom vê-lo, também.

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— Talvez eu possa ligar novamente? Nós podemos jantar ou algo assim? Com um sorriso fraco ela balançou a cabeça não tendo certeza de que outra forma responder. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela saiu, lhe agradeceu o café e deu adeus correndo até sua passagem. O bater no peito foi o testemunho do quanto ela tinha permitido Noah entrar em sua cabeça, porque tudo o que podia pensar era como ele reagiria quando lhe dissesse que tinha passado a manhã com Derek.

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CAPÍTULO 17 Essa era a primeira vez desde que Roni tinha começado a trabalhar

que

ela

não

tinha

aparecido.

Sua

mensagem

simplesmente dizia que ela não iria e que o veria esta noite. A ansiedade começou conforme ele enfiava as coisas em seu armário. Noah ouviu os caras andarem ruidosamente até o vestiário. — Não é a sua casa, Hector — disse Abel. — É sim. Ele está pagando aluguel certo? Noah olhou para eles deslizando o braço em sua jaqueta. Hector e Abel caminhavam lado a lado em direção a ele, Gio estava logo atrás deles. — Ei, Noah. — Hector sorriu. — O que você diz de termos a véspera de Ano Novo em sua casa? Noah riu. — Não é a minha casa... — Eu disse a você — disse Abel balançando a cabeça. — Você paga aluguel, não é? — Hector insistiu. — Sim, de um quarto. A ideia não era de todo ruim. Noah tinha uma Roni sentindo que estaria mais uma vez voando sozinha na Véspera de Ano Novo. Pelo menos ele esperava que ela estivesse e, mais uma vez, ele tinha toda a intenção de estar lá para lhe fazer companhia. Diabos ele não conseguia pensar em nenhum outro lugar que ele preferia estar. Mas ter os caras na comemoração parecia divertido. Roni tinha gostado da véspera de Natal com eles, ela poderia concordar com algo como isso, mas ele não estava disposto a se voluntariar com sua casa antes de ter certeza.

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— Bem, você não pode pedir para a Roni? — Perguntou Hector. Noah franziu o cenho. Ouvir Hector dizer isso o fez dizer. — Vamos ver. — Ele pegou o capacete e as chaves. — Estou indo. Vejo vocês amanhã. — Nos deixe saber o mais rápido possível. Precisamos planejar algo. Faltam apenas alguns dias. Noah virou-se e voltou. — Eu vou perguntar, mas é melhor você não ser um idiota sobre isso. Se ela concordar, não vai ser alguma merda grande com todos os seus amigos estúpidos da escola. O rosto de Hector caiu. — Eu nem sequer saio com alguém da escola. Noah se virou. — Eu aviso você. A caminho de casa Noah chegou perto do limite de velocidade ansioso para ver Roni. Ele só podia sonhar com o dia em que ele entraria e a levaria em seus braços. Todo o seu corpo doía com o desejo de fazê-lo, mas ele tinha que ser paciente. Era uma tortura, mas quanto mais ele estava perto dela mais ele estava certo de que valeria a pena esperar. Passar o dia de Natal com ela tinha sido mais do que ele jamais poderia sonhar. Em uma hora, ela encostou a cabeça em seu ombro enquanto eles viam “Uma História de Natal ”. Nada nunca havia sido tão perfeito como estar lá com ela durante todo o dia. Ele dirigiu para a parte de trás, abrindo a porta da garagem com a chave extra que Roni lhe dera. Ele se sentiu para baixo no

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instante em que a porta se abriu e ele viu que seu carro não estava lá ainda. Sem nenhuma pressa agora, ele lentamente tirou seu equipamento da motocicleta e pendurou-os nos ganchos da garagem. A porta dos fundos da casa abriu e Roni saiu. — Hey — Ela sorriu. — Você está com fome? Eu fiz o jantar. Bastou vê-la e seu humor iluminou e sorriu gentilmente. — Sim, eu estou morrendo de fome. — Ele se virou para onde o carro deveria estar estacionado. — Onde está seu carro? Ela franziu a testa abraçando-se e esfregou os braços enquanto caminhava em direção a ele. Ele apontou para a casa. — Vamos conversar lá dentro estou congelando aqui fora. — Eu tive que o rebocar. — disse ela enquanto caminhavam de volta para a casa juntos. — Ele não ligou. — O quê? Você deveria ter me ligado. Eles entraram e o cheiro de algo delicioso o acertou instantaneamente. — Não, você estava trabalhando. — Baby. — ele se conteve rapidamente quando a seguiu até a cozinha. — Roni, da próxima vez me chame. Eles vão lhe cobrar um braço e uma perna e tenho certeza que não era nada que eu não pudesse resolver. Mesmo que eu não pudesse, Abel poderia. Se ela pegou o baby não disse nada. Noah mal podia acreditar como isso tinha escapado. Ela teve de explicar a ele exatamente o que o carro fez. Ele não pôde deixar de rir de sua tentativa de imitar o som que o carro tinha feito. Ela riu com ele. — Isso é como soou! Droga, ele queria beijá-la. — Então, você ficou presa em casa o dia todo?

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Se seus olhos não estivessem colados ao rosto sorridente ele poderia ter perdido o jeito que sua expressão lentamente se tornou desconfortável. Ela se virou de costas para ele e mexeu a panela no fogão. — Qual o problema? Ele caminhou atrás dela. Ela usava o cabelo com um grampo. Alguns cachos suaves caíam em torno de seu pescoço, mas a maior parte estava exposta. Custou pouco para que ele não deslizasse seus braços ao redor da cintura dela e beijasse seu pescoço. Em vez disso, ele se obrigou a dar os poucos passos e encostar no balcão de frente para ela. Ela olhou para a panela pequena enquanto ela lentamente mexia. Noah se inclinou para espreitar o que parecia e cheirava como ensopado de mariscos. Em seguida, ele trouxe sua atenção de volta para ela novamente. — Qual o problema? Seus olhos se encontraram por um momento, ela pareceu perturbada. — Eu uh... Ele procurou seus olhos, esperando. Ele nunca tinha visto ela assim e não gostou. — Eu só fiquei chateada por não ter ido às compras. — O lado de seus lábios levantados em uma tentativa fraca para sorrir — Há apenas mais alguns dias até eu voltar a trabalhar e eu não sei quando vou pegar meu carro de volta. Noah não tinha sequer percebido que ele tinha ficado tenso até que sentiu os músculos relaxarem. Ele sorriu se sentindo estranhamente aliviado.

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— É com isso que você está preocupada? Eles provavelmente não fizeram nada ainda. — Não, não o fariam a menos que ele estivesse arrumado e ninguém me ligou hoje. — Perfeito. — ele disse agarrando um dos rolos de pão no balcão. — Eu vou ligar será a primeira coisa que farei na parte da manhã. Eu e Abel vamos buscá-lo e trabalharemos nele nós mesmos. Eu vou consertá-lo rapidinho pra você. Só

assim,

seus

problemas

pareceram

se

desvanecer,

mulheres e as suas compras. Ela pegou um par de luvas e abriu o forno retirando dois pãezinhos redondos muito grandes para serem rolos de jantar. Ela olhou para ele e riu. Sua expressão deveria ter estado tão confusa como se sentia. Noah estava tentando descobrir para que eles serviam. — Eu vou escavá-los e despejar a sopa. — Ah — ele disse se sentindo um pouco estúpido. Ele ajudou a servir as bebidas. Tudo o que faziam juntos agora parecia tão perfeito. Noah não podia sequer se imaginando ir embora. Ela devia estar tão faminta como ele, porque ambos se sentaram devorando a sopa em silêncio por alguns minutos. Então ele se lembrou. — Então você tem algum plano para o Ano Novo? Ela balançou a cabeça tomando outra colherada de sopa e levantou uma sobrancelha quando o viu sorrir. — Então, aqui está à coisa, você não tem que dizer sim, se você não quiser está bem? — Ela assentiu com a cabeça. — O que você acha sobre um pequeno encontro aqui em sua casa na véspera de Ano Novo? — Ela olhou para ele enquanto tomava

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mais uma colherada de sopa de novo — Apenas os rapazes e alguns outros amigos da vizinhança, provavelmente, as irmãs de Gio. — Ela congelou ante a menção das irmãs de Gio e Noah teve uma sensação do porquê — Rita foi embora, mas pode haver algumas outras garotas que você conhece, amigas dos caras. Os caras. Ele queria isso perfeitamente claro. Se houvesse quaisquer meninas lá elas seriam amigas dos caras não dele. Havia apenas uma garota com a qual ele estava interessado em passar o tempo e ela entenderia perfeitamente de uma forma ou de outra. — Então o que acontece em um desses encontros? A brincadeira com aquela voz rouca dela o aliviou, mas também o deixou louco. — Nós curtimos, ouvimos música. Você não terá que cozinhar ou nada. Vamos encomendar pizzas. E é claro que vai haver bebidas, mas eu vou garantir que as coisas fiquem sob controle. — Ele se virou e olhou para a porta dos fundos. — Nós nem sequer temos que ter todos aqui. Nós podemos manter todos fora. Se chover, podemos ficar na garagem. — Ele a viu pensando sobre isso, então acrescentou. — Nós geralmente temos muitas pesoas quando fazemos na casa de Gio, mas eu vou certificar-me de dizer-lhes que este ano será diferente. Não se preocupe, vamos pegar leve. Roni sorriu então riu. — Deus, Noah você não tem que fazer uma festa de velho por minha causa. Noah se endireitou, seu comentário atingindo-o como um tiro do nada. — Não, eu não quis dizer...

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Ela riu agora. — Eu estou brincando. Eu só queria dizer que eu não me importo com um pouco de música. Claro porque não? A festa... Uh encontro parece divertido, na verdade. Noah sorriu, empurrando seu comentário velho de lado. — Bom, eu vou avisar os caras. — Lembrou-se de outra coisa. Por alguma razão quando Jack deu a notícia a todos eles, hoje, a primeira coisa que pensou foi que não podia esperar para contar a Roni. — Ah, e adivinhe? Em janeiro, a 5th Street vai cediar a Friday Night Fight. É uma coisa muito grande. A estação de rádio local noticiou durante toda a semana; então, eles transmitem da academia todos os dias durante a Friday. Abel participará primeiro na próxima semana. E então eu estarei na semana seguinte. — Oh! Já ouvi essa notícia antes. — Roni disse soando tão animada quanto Noah sabia que ela estaria. — Não, você também terá de ir na rádio? Eu já ouvi-os entrevistar os lutadores antes no programa de rádio de manhã. Noah se levantou para servir mais a sopa em sua tigela de pão. — Isso acontece geralmente quando é uma grande luta, o que a minha pode ser considerada, já que é uma revanche. Eu lutei contra esse cara no ano passado e deu empate. Como podem chamá-lo de empate quando eu o derrubei no segundo round? — Ele balançou a cabeça em desgosto. — Isso não seria um nocaute? — Roni se virou para ele enquanto caminhava de volta para a mesa. — Não porque ele se levantou e ficou de pé até o fim. A única razão que eu não pude nocautear ele foi porque essa foi a luta em

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que machuquei meu ombro. — Ele sorriu, amando o jeito que Roni se pendurava em cada palavra sua. — Ele sentiu um dos momentos em que eu estava me preparando para derrubá-lo e ele acertou o meu ombro. Eu lutei o resto da luta com uma dor excruciante. Jack e Abel queriam parar, mas eu me recusei e eles chamaram de empate. — Então, desta vez você acha que vai nocauteá-lo? Noah sorriu piscando para ela enquanto se sentava. Ele não tinha nenhuma dúvida sobre isso, especialmente se ela estivesse lá. Mas ele manteria essa ultima parte para si mesmo. — Sim, eu tenho certeza que eu posso. O resto do jantar, eles falaram sobre a Friday Night Fight. Eles iriam em janeiro e dependendo de como as coisas corressem bem eles poderiam até mesmo estender para os meses seguintes. Felix deveria aparecer em uma das lutas. O mais provável é que ele estaria lá para ver a luta de Gio desde que ele sempre esteve mais próximo de Gio. Seria tudo bom, desde que a notícia se espalhasse. Jack certamente poderia usar o dinheiro extra das lutas para trazê-lo com certeza. A academia estava precisando muito de algumas reformas. Noah ajudou Roni a limpar a cozinha, em seguida, eles assistiram televisão juntos por um tempo antes que Roni anunciasse que estava pronta para a cama. Naquela noite, Noah deitou na cama incapaz de adormecer. Ele não sabia quanto tempo mais ele poderia estar perto de Roni sem dizer a ela como se sentia. Podia ser que ela já soubesse. Ele mal conseguia manter os olhos dela agora e sua reação ao babaca na academia há poucos dias tinha sido propositalmente óbvia. Ele poderia ser capaz de impedir de revelar seus verdadeiros

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sentimentos por ela um pouco mais, mas havia certas coisas que ele nem sequer tentava fingir. O que ele sentia em relação aos outros caras que a rodeavam era um deles. A mensagem não tinha sido apenas para o cara, mas para Roni também. Noah não tinha controle sobre isso. Amigos ou não, não havia muito que pudesse fazer sobre isso agora. Era como ele reagiria daqui em diante.

Covarde, nenhuma outra palavra poderia descrever o que ela era. Não havia nenhuma razão, absolutamente nenhum porquê de Verônica não ter simplesmente dito a Noah sobre sua tarde com Derek no outro dia e ela teve várias oportunidades, desde então, para dizer-lhe sobre isso. Mas o que ela fez? Cada vez ela veio com outra mentira estúpida ou alguma maneira de mudar o assunto. Ela viu os caras mencionados no quintal da janela da cozinha. Um de seus amigos tinha um sistema de som que estaria usando e eles estavam colocando os alto-falantes em sua garagem. Por mais que ela tentasse não se sentir fora de lugar, não podia deixar de pensar sobre a última vez que ela tinha ido a uma festa de quintal. Ela tinha a idade de Noah. Verônica tinha tentado chamar Nellie anteriormente. Sua esperança era de que Nellie fosse convencê-la a apenas ir com ele e desfrutar de sua noite com esses caras jovens ou confirmar que ela não estava sendo boba para se sentir como uma dama de companhia, em vez de a anfitriã da festa de ano novo. Ainda em seu roupão e completamente perdida sobre o que vestir, Verônica saiu da cozinha e voltou para seu quarto. Depois 230


de vasculhar seu armário e algumas das coisas novas que comprara depois que Noah consertou o carro dela, ela finalmente decidiu, por um par de jeans skinny preto e um casaco de lã prata brilhante que caía fora de seu ombro. Ela realmente bisbilhotou com um par de meninas no dia das compras. Se não fosse por elas, ela teria muito provavelmente usado sua legging preta com a roupa, mas as duas meninas tinham concordado que as longas botas de salto alto ficariam melhor de usar com jeans. Ela agora olhou para as botas que tinha comprado naquele dia. Uma parte dela ainda estava em negação. A única razão pela qual ela tinha comprado era porque depois de provar, ela tinha que concordar que elas realmente vestiam o jeans muito bem e enquanto elas eram altas, não eram demasiado elevadas para vestir

para

trabalhar.

Derek

tinha

continuado

a

enviar

mensagens de texto a ela nos últimos dias e chegou a sugerir novamente que uma vez que ela estava de volta ao trabalho eles poderiam se reunir depois para jantar ou algo assim. Elas seriam agradáveis de se usar em um encontro para jantar. Lentamente, ela levantou as longas botas fora da caixa. Oh, quem estava enganando? O próprio pensamento de todas os jovens, possivelmente groupies desde que eram “amigas dos caras”, que estariam na festa de hoje à noite tinha sido toda a inspiração que precisava para comprar as botas sexy para inicio de conversa. Mas ela tinha que lembrar a si mesma que não precisava de muita ajuda nessa área. Da forma que Noah tinha estado olhando para ela ultimamente ela tinha certeza que atraílo era um negócio certo. Então, por que diabos ela estava ainda ansiosa para ver a expressão em seu rosto quando ele a visse vestida? Ela estava errada.

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Ela terminou de se vestir e ficou na frente do espelho de corpo inteiro na porta do seu armário. Ela parecia bem. Mais do que bem, tão bem que ela quase se sentiu culpada. O que estava fazendo? Seu quintal estaria cheio de crianças em breve e ela estaria lá fora, se misturando como se fosse uma deles como se ela pertencesse a essa multidão. Ela se olhou mais um momento no espelho. No lado de fora, ela poderia facilmente passar por uma das meninas que pendiam na multidão de Noah. Por um lado, ela disse a si mesma que estava tudo bem e era perfeitamente normal querer sentir-se jovem e sexy novamente. Ela tinha estado para baixo por muito tempo e ela precisava disso. Mas, por outro ela sabia que estava brincando com fogo, e se alguém estava sempre a par de suas verdadeiras intenções que poderiam muito bem ser interpretadas como uma provocação. Uma coisa era certa. Noah não fazia segredo de sua política de fora dos limites quando se tratava de qualquer um dos outros caras na academia fazendo avanços em direção a ela. No início, ela pensou que tinha imaginado, mas estava bastante claro agora. De modo que apenas fez tudo mais óbvio que ela estivesse vestida para impressionar esta noite. Estranhamente

ela

sabia

que

era

errado

para

Noah

simplesmente assumir seu comportamento, uma pequena parte achava

aceitável,

uma

parte

muito

pequena

dela

estava

emocionada por isso. Ela odiava admitir, mas deu-lhe esperança de que talvez isso significasse que era justo com os dois lados. Se ela estava fora dos limites, então talvez ele estivesse também. Ela balançou a cabeça de repente sentindo um calor dentro dela. Olhando para trás, ela percebeu que seu comportamento estranho vinha de antes do dia de Ação de Graças e ainda assim

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ele terminou alegremente com Rita no outro dia. Foi exatamente por isso que ela não podia permitir-se ser pega em algo como isto. Não importava o quanto tentasse, ela sabia que nunca seria capaz de lidar com o sexo casual do jeito que Noah faz. Apenas o pensamento dele com Rita a fez se sentir pronta para jogar alguma coisa. Dando uma última olhada no espelho, ela decidiu naquele momento que iria apenas aproveitar sua noite e de quem ela tivesse a atenção de Noah ou qualquer outra pessoa. Mas qualquer pensamento sobre ela e Noah seria extinto a partir de agora antes que eles sequer começassem. Era necessário parar e encarar os fatos. Qualquer coisa entre ela e Noah simplesmente não iria acabar bem. Ela finalmente saiu de uma depressão maior. Envolver-se com um cara jovem, maravilhoso e sexy como Noah seria apenas pedir por uma mágoa inevitável, mais do que ela poderia suportar.

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CAPÍTULO 18 Por mais que Noah tentasse afastar a ansiedade sobre esta noite ele não conseguiu, ficou tenso até o momento em que viu Roni entrar na sala da frente. Vê-la tinha quase o deixado sem ar. Sua maquiagem estava um pouco mais pesada do que o normal, os cachos pareciam ainda mais encaracolados do que ela usava e foi o suficiente para ter todos os caras lá olhando para ela agora, com ameaça ou sem ameaça. Noah olhou para Hector, que foi o mais descarado e o cutucou. — Leve isso para fora — Noah disse asperamente e empurrou as seis caixas de cerveja que ele estava segurando quando Roni fez sua entrada. Gio e Abel foram mais discretos, mas Noah não tinha perdido o olhar que deram a Roni de cima a baixo. Noah abafou um rosnado. — Tem mais alguém aqui ainda? — Roni perguntou esticando o pescoço para olhar pela janela da cozinha enquanto passava por

Noah

chocando

seus

sentidos.

Inacreditavelmente

ela

cheirava melhor do que parecia. Era completamente inebriante e Noah teve que fechar os olhos por um momento em reação. — O cara do som e sua equipe estão aqui — disse Abel, — e eu vi alguns carros passando devagar. Eu acho que eles estavam procurando um lugar para estacionar. Gio de repente sorriu e abriu a porta dos fundos. — As meninas estão aqui. — Ele saiu antes que Noah ou Abel pudessem mesmo responder a isso. Abel foi atrás dele e saiu deixando Noah sozinho com Roni. Ele estava pronto segurando seus sentimentos por ela. Ela se virou para ele e ele sorriu. 234


— Você está maravilhosa. Ela sorriu levantando seu ombro deliciosamente exposto. — Graças a você eu fui capaz de ir às compras. Ele deu alguns passos em direção a ela, inalando o cheiro de seu perfume cítrico com um toque frutado que cheirava a melancia, talvez? — Não é apenas a roupa, Roni. É você. Você está linda. Ela olhou para ele por um momento, o sorriso que ela usava apenas um segundo mais cedo murchou até uma expressão um tanto desconcertada. Em seguida, seus olhos estavam em seus lábios. — Obrigada, Noah. Você está bem também. Mesmo que o sorriso tivesse ido embora, Noah notou sua respiração entrecortada. Ela queria seus lábios nos dela tanto quanto ele queria. Ele se inclinou para ela e ela não se moveu, em vez disso ela olhou para ele. Seus olhos falaram mil palavras. Ele não estava sozinho nesta luta. Ela estava se esforçando tanto quanto ele para se segurar. A porta da cozinha se abriu e Hector entrou com um cara que Noah não reconheceu. Segurando um grunhido primitivo que quase lhe escapou desta vez, Noah se virou e olhou para eles. Só então Abel entrou atrás deles. —Hector, quem diabos são todas essas pessoas que vieram? Eu não disse para você não dizer nada sobre isso em sua escola? — As crianças da escola? — Perguntou Roni. Saber o que ela estava pensando provavelmente, com o quintal cheio de crianças seria impossível e Noah odiava isso, mas ele se afastou de Roni e foi em direção da janela da cozinha. O quintal estava meio cheio, mas enchendo-se rapidamente.

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— Eles não são da minha escola. Alguém na academia ouviu falar sobre a festa e uma vez que você e Noah vão estar lutando nas próximas semanas, há um grupo de dança que estava esperando que talvez eles pudessem ter algum tempo no ringue para mostrar seus movimentos antes ou mesmo após as lutas. Então eles decidiram vir aqui esta noite. Como um tipo de audição para vocês e acho que eles espalharam a notícia, mas eu não disse nada. — Ele bateu o cara ao lado dele. — Este é Little Robo . Seu irmão mais velho é o chefe da equipe de dança. Ele queria vir aqui e pedir permissão para fazer um show de três minutos um pouco mais tarde. Noah virou-se para olhar para a cara de preto, exceto por seu gorro e sapatos vermelhos. — Little Robo? Os braços do cara caíram planos contra seu lado, em seguida, vieram devagar e pararam bruscamente quando todo o seu corpo entrou em um movimento robótico, em seguida, ele congelou apontando para Noah. — Meu irmão é Robô. — Sua mão serpenteou de volta para ele novamente em um movimento de vibração. — Ele me ensinou tudo o que sei. Antes

que

Noah

pudesse

responder,

a

voz

de

Roni

praticamente tocou. — Isso é tão legal. E vocês vão fazer um show aqui esta noite? O cara sorriu grande e satisfeito. — Sim, se estiver tudo bem pra você. Você é Roni? — Quem quer saber? — Noah latiu. O cara olhou para Hector então de volta para Noah com cautela.

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— Bem, ele disse que a dona da casa era Roni e nós teríamos que checar com ela. — Sim, eu estou bem com isso. — Seus olhos se encontraram com Noah. — Isso não deve ser um problema certo? Noah franziu a testa e trocou olhares com Abel. — Quantas pessoas estão lá fora? — Um monte — foi a única resposta de Abel, mas ele parecia tão inseguro sobre isto como, Noah. — Eu não quero que as coisas fiquem fora de controle. — Noah caminhou até a porta de trás e abriu-a. — Uma multidão deste tamanho pode causar isso, Roni. — Nós dançamos para multidões maiores e nunca tivemos problemas — disse Little Robo. — E uma vez que fizermos, temos mais alguns lugares para dançar e qualquer pessoa que tenha vindo com a gente vai sair com a gente. — E os caras que parecem encrenqueiros? Perguntou Abel. — Com as bandanas e tudo? Little Robo balançou a cabeça levantando as mãos na frente dele. — Eu não sei sobre eles. Eles não fazem parte da nossa equipe. — Que caras? — Noah começou a perguntar depois parou. — Não importa que eu os veja. — Ele contou rapidamente os cinco. Ele se voltou para Hector. — Você os conhece? — Eu vi um deles perto da escola, mas acho que o resto são mais velhos. — Bem, eles podem ficar para o show, mas assim que terminarem será melhor eles saírem ou eles vão ser convidados a se retirar.

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— Parece bom para mim — disse Abel passando por Noah e para fora da porta. Noah disse ao dançarino para juntar sua equipe e iniciar a apresentação o mais rápido que pudesse. Todos eles saíram e, como esperado Roni virou sua cabeça imediatamente. Noah deslizou sua mão na dela enquanto caminhavam pelos cinco encrenqueiros. Ela olhou para ele, mas não protestou ou puxou a mão. Noah tinha visto os gostos desses tipos de caras muitas vezes. Eles achavam que podiam entrar nas festas onde não conhecia ninguém e beber qualquer coisa que fosse de graça que eles pudessem ter em suas mãos. Ele fez questão de encarar, um a um, chamando-os para fora. Mas, como esperado, assim como os covardes que a maioria desses encrenqueiros geralmente acabava por ser, nenhum deles mordeu a isca. O grupo de dança demorou muito para conseguir se reunir, mas quando eles finalmente conseguiram fizeram seu show Noah teve que admitir, que eles eram foda. A multidão foi à loucura. Mesmo Roni aplaudiu ruidosamente. Eles até mesmo fizeram uma

pequena

dança

bis

para

a

multidão

cantando.

O

entretenimento acrescentou um elemento legal para a festa, mas Noah ficou aliviado quando viu a multidão começar a debandar quando o grupo de dança fez a sua saída. Tão divertido quanto tinha estado Noah, em muitas festas de quintal em East LA sabendo que tudo o que teriam era um bêbado idiota para que as coisas azedassem rapidamente. O menor número de estranhos em uma festa era melhor. Isto não era o que ele tinha em mente quando decidiu pedir a Roni para ter o Ano Novo aqui.

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Abel que estava na calçada observando e fez um sinal para Noah ir. Gio já estava com ele. Noah hesitou por um segundo, em seguida, virou-se para Roni. — Eu vou estar de volta. — Ele olhou para as irmãs de Gio e seus amigos. — Basta ficar com eles até que possamos fazer com que todos aqueles que não conhecemos saiam daqui ok? Ele correu em direção a Abel, mas não antes de olhar para trás, os encrenqueiros ainda estavam no mesmo canto que tinham estado de pé a noite inteira. O maior cara era do tamanho de Noah e ele sorriu. Noah estava certo o álcool estava o estava deixando valente agora, porque antes, quando Noah tinha encarado ele, ele havia desviado o olhar. Desta vez, ele não só sorriu, ele, obviamente, se virou muito para olhar para Roni e disse algo para o cara ao lado dele que riu também. Noah parou em seu caminho, suas entranhas acendendo imediatamente. — Noah! Ainda ocupado olhando para o idiota que estava rindo ofensivamente agora, Noah ignorou Abel. — Vamos cara — Gio puxou seu braço. — Esses filhos da puta são os próximos. Mas nós temos que limpar a frente antes que alguém chame a polícia. — Noah se forçou a parar de olhar para o cara cujo rosto ele logo estaria em cima. — Essas crianças estão parando em todos os jardins de seus vizinhos e se exibindo. Temos que fazê-los sair a menos que queiramos que a nossa festa encerre mais cedo. Noah começou a descer a calçada com Gio e Abel em ambos os lados. Hector preso a eles se ofereceu para ajudar. Eles fizeram o seu caminho em torno das casas vizinhas contando a todos grupos que estavam na festa que tinham de sair. Quando eles

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finalmente limparam, caminharam de volta até a calçada em direção ao quintal novamente. O grupo de encrenqueiros ainda estava lá menos o idiota que estava cobiçando Roni. Roni não estava com as irmãs de Gio também. Noah examinou o quintal rapidamente e parou frio quando viu Roni pela porta dos fundos. O encrenqueiro imbecil estava lá com a mão na porta. A postura defensiva do Roni fez Noah quase saltar quando ele correu em direção a eles. — Então, o que eu devo fazer, mijar em seus arbustos? — Disse o cara para Roni com uma risada estúpida. — Vamos lá, querida. Eu só vou estar dentro e fora... a menos que você queira me pendurar em torno com você. Os olhos de Roni reconheceram Noah. Suas mãos já estavam em punhos e prontas a bater no cara quando os olhos de Roni se arregalaram e ela começou a gritar alguma coisa. Algo lhe bateu no lado do rosto com tanta força, antes mesmo que ele tivesse a chance de levantar o braço em defesa tudo ficou escuro.

Ver Noah ser pego de surpresa e ficar inconsciente foi, provavelmente, uma das imagens mais horríveis que Verônica já havia testemunhado. Tudo o que se seguiu foi um borrão. Tudo o que ela conseguia pensar até mesmo quando Abel reduziu o cara que fez isso a uma polpa e o resto dos caras brigavam com seus amigos, era que Noah estava em casa e fora de perigo. Ela sabia o suficiente por ter feito aulas de primeiros socorros e CPR na faculdade para virar ele de lado para que ele não se engasgasse

com

sua

própria

língua. 240

Ele

se

recuperaria


rapidamente, mas estava totalmente fora de si. Ela conseguiu que alguns dos caras que estavam lá com a equipe de som a ajudassem a levantá-lo e levá-lo para sua cama. Verônica nem sequer percebeu a quão nervosa estava até que ela tentou correr os dedos pelo cabelo e sua mão tremia incontrolavelmente. Os minutos que se passaram enquanto Noah deslizava dentro e fora da consciência foram os piores. Ela ficava imaginando se ela devia ligar para o 911. Mas cada vez que ela estava prestes ele acordava. Os caras vieram depois que eles colocaram todos os encrenqueiros para fora de seu quintal. — Como está se sentindo? — Gio perguntou a Noah, entregando-lhe um par de aspirinas. Verônica franziu a testa, ela não tinha sequer pensado em trazer quaisquer analgésicos. Ela levantou o saco de gelo para longe de seu rosto. Noah sentou-se sobre seu cotovelo fazendo caretas quando ele trouxe uma mão para o nódulo no lado de seu rosto. — O que aconteceu? — O amigo otário do imbecil socou você — murmurou Abel. — Eu estava bem atrás de você e eu nem sequer vi ele chegar. — Eu vi isso — acrescentou Verônica. Sua garganta doía quando sentiu uma lágrima quente correndo pelo seu rosto. — Mas não rápido o suficiente. Abel gentilmente tocou seu ombro. — O cara sabia o que estava fazendo, Roni. Ele não estava disposto a dar a ninguém a chance para avisar Noah. Covarde do caralho. Noah estendeu a mão para Verônica e ela o segurou.

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— Você quer ir para o hospital? Ele balançou a cabeça e apertou os olhos. — Não, eu estou bem. Eu só espero que estas aspirinas ajam em breve. — Ele tentou se sentar, mas imediatamente ficou tonto. — Não se levante, cara. — Disse Gio. — Você só precisa descansar. — Ele se virou para Verônica. — Nós podemos ficar com ele se você quiser, Roni. Eu vou ficar a noite de qualquer maneira. — Não — Roni sacudiu a cabeça. Ela tentou puxar a mão, mas Noah a segurava. —Vocês podem ficar. — Ela se virou para Noah que estava olhando para ela. — Mas eu acho que Noah terminou. — Sim, você está acabado para a noite. Eu nem sequer tentaria te levantar, a menos que você tente. — Disse Abel. — Não se preocupe homem. Aquele idiota está com uma dor muito maior do que a sua agora. Tenho certeza disso. Abel não estava brincando; a última olhada que Verônica conseguiu do cara, ela não poderia ver as suas feições, pois ele estava sangrando muito. E seus amigos covardes tinham que defender a si mesmos quando eles viram o que eles estavam enfrentando. Noah agradeceu um por um os seus amigos e saíram do quarto. Verônica começou a subir de onde ela estava sentada na beira da cama, mas Noah puxou sua mão. — Fica comigo, por favor? Ela sorriu tocando seu rosto suavemente. O nódulo em sua cabeça

ainda

estava

muito

quente,

mas

ela

checou sua

temperatura e já sabia que ele não estava com febre. — Eu só ia fechar a porta. Eu não vou a lugar nenhum.

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Noah teve que soltar sua mão e ela levantou-se para fechar a porta. — Você vai desligar a luz, também? Meus olhos doem. O abajur seria melhor. Verônica virou a pequena lâmpada primeiro antes de ligar o interruptor de luz. Ela veio e sentou ao lado dele. Ele arredou mais e deu um tapinha no colchão ao lado dele. Seu coração acelerou a partir do momento em que ele pediu a ela para ficar. Isso fez com que batesse um pouco mais selvagem. Ela só estava confortando-o. O golpe que levou foi horrível e ela só podia imaginar a dor que ele deveria estar sentindo, ela se deitou ao lado dele descansando a cabeça em seu travesseiro de frente para ele. — Eu estava tão preocupada — ela sussurrou. Ele estendeu a mão e tocou o cabelo dela, girando um anelzinho de cabelo em torno de seu dedo e sorriu, mas não disse nada. — Você ainda vai ser capaz de lutar em duas semanas? Ele balançou a cabeça olhando para ela, mas não como ele tinha feito no passado. Não havia luxúria em seus olhos, não tinha o desejo que ela tinha visto mais cedo na cozinha. O que ela viu em seus olhos agora era pura honestidade. Tudo o que ele tinha escondido naqueles olhos todo este tempo não estava escondendo mais. Era como se ele de repente se decidisse a colocar tudo para fora. Colocar para fora o que ela suspeitava há semanas. Ele havia se apaixonado por ela. — Eu sei que disse isso antes, mas tenho que dizê-lo novamente. Você é linda, Roni.

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Assim como antes, algo profundo dentro dela alertou que ela deveria parar com isso. Detê-lo antes que ele dissesse algo que mudaria para sempre e iria colocá-los em um lugar diferente do que estavam agora e não haveria como voltar atrás. Mas, assim como antes, ela foi incapaz de fazê-lo. Ela sentiu-se perdida em seus olhos, mas se sentia tão bem que não queria detê-lo. Em vez de pará-lo, ela se inclinou e beijou o nódulo no lado de seu rosto. Sentiu que ele inspirou profundamente quando seu cabelo roçou seu rosto, em seguida, sua mão estava em seu rosto e ela virou apenas o suficiente para que seus lábios estivessem a menos de uma polegada de distância. — Você é tão linda — ele sussurrou enquanto seus olhos desceram para os lábios e beijou-os suavemente. Sua cabeça gritava que isso era um erro quando ele a beijou novamente apenas mais longa e profundamente, mas seu coração argumentou o contrário. Ela descansou a mão em seu ombro duro e apertou um pouco quando se permitiu fazer o que ela tinha sonhado desde o primeiro dia e chupou seu lábio inferior. Ele soltou um gemido suave lembrando-lhe que ela deveria desacelerar isso. Ela deitou a cabeça no travesseiro quando ele se levantou sobre o cotovelo e parou para olhar em seus olhos. — Eu estou muito louco por você, Roni. Pare ele! Com base simplesmente na maneira como ele a beijou com tanta emoção ousada, ela sabia onde isso poderia estar indo e se o fizesse, ela iria estragar tudo. Decidiu egoisticamente que a melhor maneira de fazê-lo parar de falar era beijá-lo novamente, ela levou a mão ao redor da parte de trás do seu pescoço e

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mergulhou. Sua língua era mágica. Era quase engraçado agora como ela realmente pensou que sua idade o faria menos experiente do que alguns dos homens mais velhos com quem ela tinha estado. Mas nenhum homem nunca a tinha feito sentir assim. Ele não tentou qualquer outra coisa e ela estava feliz sobre isso, porque um toque no lugar certo deixaria Noah saber o quanto seu corpo o queria. Ela estava quente e úmida em lugares que ela só tinha estado ultimamente quando ela pensava nele. Sua boca se moveu a partir dela e seus lábios descendo pelo queixo beijando-a por todo o caminho até o ponto fraco no seu pescoço. Ele chupou suavemente no início e, em seguida, um pouco mais duro quando a sua respiração se tornou acelerada. Ela sabia que era provavelmente forte o suficiente para deixar uma marca, mas ela não se importava se sentiu bem, bem demais. — Noah — sua voz soava rouca aos seus ouvidos e ela sabia que não havia nenhuma maneira que ele pudesse perder o desejo em suas palavras. Isso só o fez chupar mais forte fazendo-a formigar no mais privado dos lugares. Suas costas arquearam, instintivamente, enquanto suas mãos finalmente desceram sob o seu casaco de lã. Seu toque era tão suave e lento que a levou à loucura. Ela queria dizer a ele para parar, ela sabia que deveria, mas a sensação de sua mão contra a carne queimada de seu abdômen tornou impossível. — Minha — ele sussurrou entre chupar seu pescoço e ela silenciou-o antes dele começar a falar novamente. — Minha Roni.

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— As palavras foram engasgadas e ele chupou seu pescoço ainda mais forte agora. Ela engoliu em seco tentando não pensar muito no que ele tinha acabado de dizer. Seu corpo inteiro estava em chamas agora sentindo seus lábios e língua chupando o pescoço. Ele trouxe sua boca de volta aos lábios e beijou-a tão profundamente que ela estava se afogando em seu gosto e ela adorou. Seu corpo deslizou sobre o dela. Não havia como esconder o quanto ele a queria também. Isso só fez seu coração bater ainda mais difícil. O único pingo de esperança a que Verônica se agarrou de que isso não iria mais longe, foi o fato de que eles ainda estavam completamente vestidos e que a porta não estava trancada. Certamente, ele não iria ter a chance de alguém andando sobre eles. Essas foram as únicas coisas que ela poderia contar, neste ponto, porque a sensação de seu corpo duro contra o dela, o gosto de sua boca, o cheiro de sua masculinidade misturado com a água de colônia, que quase a fez delirar quando ela cheirou ele mais cedo tornou impossível para ela juntar duas palavras muito menos vir com alguma razão para que ela não devesse pedir-lhe para fazer com ela o que ela tinha sonhado há meses. Suas mãos percorriam suas grandes costas forte e descontroladamente. Ela estava bêbada com a antecipação de senti-lo dentro dela. Ele diminuiu seus beijos e se afastou para olhar para ela quando o DJ começou a contagem regressiva para o Ano Novo sobre o microfone. Quando eles chegaram a um e ouviram os aplausos, Noah sorriu e Verônica sorriu de volta ainda mal sendo capaz de recuperar o fôlego. Ela não conseguia pensar em uma maneira mais perfeita para passar o Ano Novo.

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— Feliz Ano Novo — ele sussurrou e sem lhe dar tempo para responder, ele beijou Verônica muito lentamente prolongando-o quando ficou mais e mais profundo que a deixava absolutamente louca. Então ele parou para olhar para ela por um momento. — Eu te amo. Essas três palavras a paralisaram instantaneamente, e ela rezou para que ele não sentisse a mudança de ritmo errático que o seu coração tomou de repente. Ok, talvez ela pudesse pensar em uma razão por que eles não devessem fazer isso. A mesma razão que ela tinha tido o tempo todo. Nada além de dor de cabeça poderia vir disso. Mas por mais tempo que ela tivesse estado preocupada com seu próprio sofrimento não o dele. Inacreditavelmente, ela tinha ainda mais certeza agora que isso seria um erro enorme.

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CAPÍTULO 19 Noah realmente ouviu Roni engolir em seco e sentiu seu próprio estômago se contorcer. Porra! Cedo demais! Talvez fosse muito cedo, mas não havia nenhuma maneira que ele poderia ficar calado por mais tempo. Ele tinha que dizer a ela. — Noah. — ela colocou a palma da mão aberta no peito dele e pela primeira vez desde que tinha começado a beija-la, sentiu ela se afastar. — Eu acho que talvez você esteja confundindo as coisas. Agora era Noah, quem se afastou. — O quê? — Eu também estou tendo sentimentos. — disse ela sentando-se ligeiramente. — Mas temos que ser realistas eu não quero que você confunda seus sentimentos por mim como os de uma boa amiga com qualquer outra coisa a mais. Eu sinto muito. — disse ela acrescentando, quando começou a se mover para fora da cama. — Espere. — Ele estendeu a mão e segurou o braço dela, sentindo o pulsar em sua cabeça começar de novo. — Antes de tudo, não se arrependa de nada ou qualquer coisa que você fez, não tente apagar ou fingir que não aconteceu nada entre nós. — Eu não estou fingindo que nada aconteceu. Só estou dizendo que talvez você esteja confundindo tudo isso... — Eu não estou confundindo coisa nenhuma. — Noah se endireitou muito rapidamente e imediatamente se arrependeu quando a tontura o atingiu. — Você está bem? — Roni se aproximou dele novamente e ele passou os braços ao redor da sua cintura.

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— Não faça isso, Roni. Não diminua o que nós temos. Você sente isso também. Não tente negar. Seus olhos arregalados piscaram algumas vezes, mas ela não se afastou. — Eu não vou negar que estou sentindo alguma coisa. Eu teria que estar morta para não sentir. O que estou dizendo é que se fizermos isso, tudo vai mudar. — Eu quero isso. — Não conseguindo se segurar por mais tempo beijou seus lábios novamente de forma suave. — Você não? — Não! Você não vê? Você já está dizendo coisas que vão arruinar a nossa amizade. Você não está apaixonado por mim, Noah, você pode pensar isso neste momento. — Olha — disse ele tentando desesperadamente não parecer tão irritado com sua última declaração. — Talvez você não sinta o mesmo ainda. Talvez você nunca sinta o mesmo, mas me faça um favor não diga o que eu estou sentindo, certo? Porque eu realmente sei o que eu sinto e posso dizer que eu estou apaixonado por você. Ela tentou se afastar, mas ele a segurou firmemente. — Eu não quero perder você, Noah. — Você não vai — ele sussurrou, encostando a testa contra a dela. — Como podemos continuar sendo amigos se você está apaixonado por mim? — Por que não podemos? — A cabeça dele não era a única coisa que doía agora, o mesmo acontecia com o seu coração. Suas palavras foram sugando a vida dele e ele não entendia o porquê

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ela estava com tanto medo. — Os casais devem ser amigos em primeiro lugar. Ela balançou a cabeça em negativa, adicionando mais medo na sua boca do estômago que continuava crescendo. — Estamos em duas etapas completamente diferentes de nossas vidas e sempre será assim. Eu não sonharia em te pedir para largar tudo só porque eu já larguei. — Ela se afastou e olhou diretamente nos olhos dele. — Eu quero que sejamos amigos, mas se continuarmos a fazer isso existe algumas coisas que estou certa de que não seríamos capazes de lidar. — Que coisas? — Ele estaria disposto a lidar com qualquer coisa desde que isso significasse que seria capaz de continuar a abraçá-la e beijá-la do jeito que tinha feito esta noite. Inferno, não achava que poderia ficar muito tempo sem fazer isso agora que tinha experimentado o gosto. — O que acontece se qualquer um de nós começa a sair com outra pessoa? Instintivamente, seu corpo ficou tenso. O pensamento disso fez o latejar em sua cabeça se tornar brutal. — Nós vamos lidar com isso — disse ele através de seus dentes. Noah sabia que ele estava ferrado. Ela estava certa. Não havia nenhuma maneira plausível de que ele lidaria em vê-la com outra pessoa, mas no momento ele diria qualquer coisa para impedi-la de sair de seu quarto. Ele levou a mão à cabeça e a preocupação apareceu imediatamente em seus olhos. — Você está tonto? — Um pouco.

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— Deite-se. — Ela afofou o travesseiro para ele. Ele deitou, mas não soltou sua mão. — Deita comigo, por favor? Ela deitou e ele passou os braços em volta dela, logo que o corpo dela estava ao lado dele e ele sentiu que aquilo era perfeito. Aqui era exatamente onde deveria estar todas as noites. — Roni — ele sussurrou em seu ouvido. — Hmm? — Você vai ficar aqui comigo esta noite? Prometo que não vou fazer nada além de dormir. Ele a sentiu ficar rígida e depois, lentamente, quando ele entrelaçou seus dedos com os dela e enterrou o rosto em seu pescoço, inalando o cheiro delicioso de Roni e ela relaxou. — OK. Dizer que a amava novamente estava na ponta da língua. Ele não se importava com o que ela dissesse. Não havia nenhuma dúvida sobre isso, ele estava completamente apaixonado por ela e depois de sentir a reação sincera que ela não foi capaz de esconder ao seu toque e seus beijos, ele estava convencido agora que ela sentia o mesmo por ele. Uma coisa que ele sentiu alto e claro esta noite foi o medo. O medo de dar seu coração. Ele teria que descobrir como poderia convencê-la de que seria bom, não importando em de qual estágio na vida cada um deles estava. O que ambos estavam sentindo era maior do que qualquer coisa. Ele podia não saber muito sobre o amor, mas Jack estava certo sobre uma coisa. O coração era para sempre inexperiente. Roni provou isso esta noite. Apesar da diferença de idade e independentemente da fase em que Roni pensava que estava, não importava quanto ela tentou lutar contra

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isso, os corações deles estavam no mesmo e exato lugar agora e isso era tudo o que importava.

— Chupões? — Verônica afastou-se do espelho e olhou para Noah que agora estava sentado na beira da cama, sorrindo para ela presunçosamente. — Você me deu chupões? — Eu sou um pouco levado. — Ele riu. — O que posso dizer? Você me deixa louco. Ela se virou para o espelho. Não um, nem dois, mas três chupões quase roxos estavam de seu pescoço. Nem mesmo na escola quando as meninas se exibiam com chupões ela achava legal, e achava muito menos agora na sua idade. Especialmente quando ela estava se preparando para voltar ao trabalho no dia seguinte. Ela ergueu o cabelo para encontrar uma quarta menor do que as da frente de seu pescoço, logo abaixo da orelha. — Como é que eu vou aparecer para trabalhar amanhã com isto? Ele se levantou e veio por trás dela e sorriu para o espelho. — Oh wow. Eles são enormes. — Ela estremeceu com o toque de seus dedos contra a parte de trás de seu pescoço. Ele escovou o cabelo afastando suavemente e beijou sua nuca. — Parece que eu perdi a hora de parar. Seu corpo foi imediatamente despertado pela sensação de sua língua contra seu pescoço e ela se afastou.

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— Pare Noah. Estou falando sério. — Ela sufocou um suspiro tentando não pensar muito no fato de que ele estava obviamente pensando em continuar o que começaram ontem à noite. — Eu estava muito tonto — disse ele trazendo seus braços ao redor da cintura dela. Ela colocou as mãos sobre sua barriga e assisti-o no espelho quando ele beijou o lado do seu rosto. — Noah, eu pensei que nós dissemos que não íamos fazer isso. — Não. — Ele beijou a bochecha dela e lhe deu um abraço com mais força. —Você disse que não poderia lidar com isso. Eu disse que iria trabalhar em algo. Ela se virou para ele com pronta para quebrar o seu argumento, em seguida, fez uma careta quando viu que o lado de seu rosto ainda estava inchado. Colocou os dedos suavemente sobre a área irregular, e começou a perguntar se ainda doía quando de repente os lábios dele estavam sobre os dela novamente

e

ela

foi

jogada

em

outro

de

seus

beijos

surpreendentemente maravilhosos. Quando tinha finalmente acabado após longos minutos de beijos profundos, suas pernas eram tão firmes como dois macarrões molhados. Ela literalmente teve que agarrar-se em seus grandes braços para se apoiar. Ele encostou a testa contra a dela recuperando o fôlego, seus olhos ardentes olharam para os dela. — Se você não quer fazer isso, me diga e eu vou respeitar os seus desejos. Mas ao menos que você diga que não quer isso eu não vou parar.

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Ela tinha que pensar em alguma coisa, algum tipo de compromisso. Tanto quanto seu cérebro insistia, ela não tinha coragem de dizer às palavras que sabia que deveria estar dizendo. Isso precisava parar antes que fosse tarde demais. Mas ela não podia, por isso ela disse a próxima melhor coisa que conseguiu. — Eu acho que deveríamos pelo menos ir devagar. Somos amigos lembra? Eu não quero que as coisas mudem. Com as palavras ditas, como agora, ela percebeu o que isso realmente era. Ela tinha um medo enorme que as coisas iriam mudar e ela iria perdê-lo. Ela não podia nem suportar o pensamento. Ele respirou fundo, a luxúria em seus olhos substituída por frustração. — O que você acha que vai mudar Roni? — Tudo. — Ela se afastou gentilmente, um pouco surpresa com a decepção que sentiu. — Eu vou voltar para o trabalho. Preciso me concentrar nisso. Vou voltar para a maneira como eu costumava ser. Isto — ela disse passando o dedo até seu antebraço duro. — Isso vai complicar tudo. Tem tanta coisa acontecendo agora e odeio soar egoísta, mas preciso de sua amizade, agora mais do que nunca. Se continuarmos a fazer isso e as coisas mudarem... — ela respirou fundo esperando que ele não percebesse quão emocional ela estava com isso. — Eu tenho medo que vamos perder o que temos. Ele a puxou novamente, abraçando-a com força. — Nada vai mudar. Eu prometo a você. Mas se ir devagar vai fazer você se sentir melhor, então eu vou tentar me controlar quando estiver ao seu redor. — Ele se afastou para encará-la novamente. — Eu não estou dizendo que não vou ter deslizes, ok?

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Porque eu provavelmente vou e muitas vezes. Mas prometo que vou fazer um esforço. — Ele ergueu o queixo ligeiramente para cima com os dedos, examinando seu pescoço e sorriu. — Eu não sei do que você está reclamando. Eu acho que eles ficam bem em você. Verônica olhou para ele sem acreditar. Ela suspeitou disso anteriormente, mas agora tinha certeza. Os chupões não eram um erro. Suas palavras de ontem à noite vieram à mente. “Minha Roni”. Isto era tão parecido com ele. Ela deveria ter sabido no momento em que os viu. — Sim, ainda bem que eles estão saindo. Ele sorriu ainda mais e beijou seu nariz. — OK. Qualquer coisa que você me diga. Uma hora mais tarde e depois de irritantemente ter pesquisado no google “Como remover um chupão?” Verônica sabia por que Noah tinha estado tão pacifico e agradável sobre ela removê-los. Eles eram basicamente impossíveis de remover em um dia ou demoravam até alguns dias de tão escuros quando eram tão escuros quanto os dela estavam. Embora houvesse muitas sugestões sobre como aliviá-los, ela aprendeu algumas coisas naquela manhã. Um era que um chupão era uma dilatação dos vasos sanguíneos sob a pele. Apesar de ser uma maneira muito mais agradável de obter uma contusão ainda era uma contusão. E a única forma realista de se livrar dela era escondêla. Grata por ser inverno e que ela tinha comprado uma blusa de gola alta, quando comprou roupas para trabalhar ela só teria que ser criativa na primeira semana de trabalho. Ela ficou na frente de seu espelho examinando os pontos de obscuridades sobre seu

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pescoço. O pensamento da boca de Noah sobre ela e o quão bom era sentir a sua língua quente e seus lábios enquanto sugavam a sua pele a fez fechar os olhos e respirar fundo. Era loucura a rapidez, apenas de pensar nos quadris dele juntos dos dela e no seu corpo duro pressionado contra o dela, era suficiente para que sua calcinha trabalhasse dobrado para absorver a unidade entre minhas pernas, assim como ontem a noite. Ela soltou o ar lentamente, o corpo tremendo com as imagens dela e Noah. Decidiu que um longo banho era o que ela precisava, pegou suas coisas e se dirigiu ao banheiro. Isto poderia ajudá-la a colocar seus pensamentos em ordem. Antes de ontem à noite ela já estava antecipando que esta semana seria uma montanha russa emocional. O rumo que as coisas tinham tomado com Noah só iria intensificar tudo. E quase a deixou maluca. Ela tinha estado ansiosa por seu novo começo. Este era para ser um recomeço emocionante e refrescante e não um ofuscado com pensamentos sobre ela e Noah. Ela quis dizer isso quando disse que estava com medo de perdê-lo. Como é que ela realmente pensou em recomeçar a ter uma vida social sem causar algum desacordo? A vida que ela conhecia eram os brunches com amigos e seus cocktails nas noites de sexta-feira com as meninas do trabalho em um restaurante agradável, não eram festas de quintal com equipes de dança e briga de adolescentes. Embora precisou admitir que até aquele idiota começou a dar em cima nela enquanto Noah estava fora de vista, ela estava se divertindo.

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Ela olhou no espelho pouco antes de entrar no chuveiro. Os chupões ridículos pareciam que eram dolorosos, embora tivesse sido tudo menos isso. Ela suspirou balançando a cabeça ironicamente. Isso era algo que um garoto do ensino médio iria fazer para marcar seu território. E ainda por cima, Noah pensou que era engraçado. Será que ele não se deu conta de que não estava ganhando pontos aqui? Verônica só podia esperar que seu banho fosse ajudá-la a relaxar, porque sabia que as próximas semanas iriam ser um desafio.

Por ser Ano Novo, um dos poucos feriados pelo qual Jack fechava a academia, Noah não tinha feito quaisquer planos para sair de casa hoje. Isso foi até Gio ligar para perguntar como ele estava se sentindo e mencionou que estava indo para a casa de seu tio para ajudá-lo a arrumar mais sacos de areia. Ele disse que o quintal de seu tio sempre inundava e já estava uma bagunça das recentes tempestades. Desde que Gio estava sempre pronto para vir ajudar quando for precisso para Noah, Noah se ofereceu imediatamente para ajudar. Primeiro Gio rejeitou a ideia dizendo que Noah deveria ficar em casa e descansar desde que ele foi ferido, mas Noah lembrou-lhe que ele era um boxeador e sabia como levar um soco. O cara não tinha sequer acertado tão forte. Noah foi até Roni no corredor quando ela estava indo do banheiro ate seu quarto usando seu roupão. Ele sabia que tinha prometido se controlar, mas Roni deveria que saber que ia ser quase impossível agora. 257


Fingindo sair do caminho aproveitou assim que ela tentou passar por ele e se inclinou para ela contra a parede. — Você cheira bem — ele sussurrou contra seu rosto, inalando o sabonete em sua pele ainda úmida. Em seguida, ele beijou o queixo. — Vamos ver? — Ele levantou o queixo e sorriu. — O que aconteceu? Eu pensei que eles estavam desaparecendo? Ela o empurrou de brincadeira e olhou para ele. —

Você

sabia

muito

bem

que

eles

não

estavam

desaparecendo tão facilmente. Ele arregalou os olhos fingindo espanto quando ela deslizou para longe dele. — Realmente? Você tentou? — Oh, pare — disse ela abrindo a porta do quarto. Ele riu. — Escute, eu tenho que ir ajudar Gio com algumas coisas. Será que você precisa de mim aqui hoje? — Ele deu um passo para frente e sorriu. — Para qualquer coisa? Porque se você precisar sempre posso ligar de volta e dizer que eu não posso ir. Ela revirou os olhos e sorriu maliciosamente. — Oh, você faria isso por mim, Noah Quintanilla? Ele deu um passo para frente deixando-a saber que ele tiraria o robe dela em segundos se ela sequer insinuasse que o queria também. —Absolutamente. O sorriso mal desapareceu quando ela apertou a frente de seu robe fechando-o com as mãos. — Obrigado, mas eu vou ficar bem. Tenho um milhão de coisas para fazer e para me preparar para o meu primeiro dia de

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trabalho amanhã. — Ela começou a recuar em seu quarto com um aceno. A decepção chegou, mas a emoção de saber que ele estava muito mais cheio em sua virilha, o aperto que estava sentindo foi suficiente para mantê-lo sorrindo. Ele esperou até que ela desaparecesse atrás de sua porta para ajustar suas calças e se afastar. Porra, isso ia ser mais difícil do que ele pensava. Não foi uma surpresa quando ele chegou à casa do tio de Gio e sua filha Rita estava la. Desde que ela vivia ao norte, a possibilidade de ela estar na casa de seu pai ainda não tinha passado pela sua cabeça. Ele quase continuou dirigindo quando percebeu que era seu carro estacionado em frente, mas Abel e Hector tinham apenas aparecido e viu quando eles desceram do caminhão de Abel. Ela saiu para cumprimentá-los e lhes agradeceu por ter vindo ajudar. Ela também explicou que estava hospedada até que tivesse que voltar para escola que começaria em uma semana. Noah conseguiu não ficar sozinho com ela todo o tempo, mesmo depois que ela os convidou para um almoço que ela preparou. Não foi até que ele se desculpou agradecendo-lhe o almoço e começou a caminhar para fora quando ela o seguiu. — Ei, Noah — ela gritou atrás dele enquanto ele se aproximava de sua moto. Ele se virou e sorriu. Todo o tempo em que ele esteve lá ele manteve qualquer conversa com ela muito genérica. Eles falaram do tempo e como seu pai precisava conseguir resolver essa coisa de

inundações

de

forma

permanente.

Ela

expressou

sua

preocupação sobre o pai dela viver sozinho antes, mas agora ela sorriu aquele sorriso que ela reservava para apenas ele. Ela era

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sexy como o inferno, ele tinha que confessar. E ela sempre usava tops que acentuavam seus dois maiores troféis como agora. Noah nem sequer se preocupou em esconder o fato de que ele estava lhe checando. Ele sabia o que ela queria, então ele sempre fez isso abertamente, até agora. Ele não queria ela tendo as ideias erradas. — Então é isso? Você está fora do mercado agora? Noah sorriu. Boa. Ela estava fazendo isso fácil para ele. Gio já brincou com ele sobre isso ontem à noite, enquanto ele dormia profundamente com Roni em seus braços. Não havia como esconder o fato de que, por enquanto eles não eram formalmente um par ainda, mas, Noah não tinha nenhuma intenção de esconder o fato de que havia definitivamente algo acontecendo entre ele e Roni. — Sim, algo assim. Ela sorriu chegando mais perto quando ele pulou em sua moto. — Bem, o que é isso? Ou você está ou você não está. Você me conhece. — Ela correu os dedos sobre a contusão do lado de seu rosto. Eles já tinham falado sobre o incidente de ontem à noite durante o almoço. Esfregando os seios contra seu peito enquanto ela se inclinava perto o suficiente para beijá-lo. — Eu não me importo de compartilhar. Mesmo que ele não soubesse que isso era um fato, ele tinha certeza que pelos comentários anteriores de Roni sobre o tipo de caras com quem ela não ficava, ele sabia que ela não compartilhava. E, embora ele deixasse perfeitamente claro que gostaria disso também, algo lhe daria um pouco de tempo para se acostumar com a mudança antes que eles tivessem fixado as

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regras exatas de como este arranjo iria funcionar exatamente, uma

coisa

era

malditamente

certeza,

ele

não

estava

compartilhando. Ele não faria rodeios. Não havia nenhuma maneira que Rita soubesse os detalhes sobre ele e Roni, mas, mesmo assim estava prestes a dizer que ele estava definitivamente fora do mercado quando Abel, Gio e Hector saíram pela porta dos fundos. As sobrancelhas de Gio levantaram, mas ele não disse nada. Hector, claro, foi o primeiro a comentar com um sorriso. — Vocês dois parecem confortáveis. — Parecemos mesmo não é? — Rita virou e sorriu em sua direção. — Oh, e isso me lembra. Eu tirei fotos de nós a cada ano. — Ela então deu a Noah um olhar malicioso. — Só este ano eu não tive uma chance. — Ela puxou o telefone do bolso de sua jaqueta e entregou a Hector quando todos foram até a moto de Noah. Tão rápido como tinha se movido no dia de Ação de Graças em seu carro, ela estava montada na parte traseira da moto de Noah com seus braços e pernas ao redor de sua cintura em um instante. — Tire uma foto de nós — disse ela com os braços percorrendo seu peito sedutoramente, causando respirações difíceis em Noah. Hector, o idiota, tirou mais de uma foto. Noah nunca tinha visto uma menina que se movia tão rápido. Antes que ele percebesse, ela trouxe as pernas para o lado de sua moto novamente, mas suas mãos estavam agora para baixo com as palmas abertas entre as coxas, como se estivesse segurando sua preciosa vida. Claro, Hector tirou outra foto.

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Tão rapidamente como ela subiu na sua moto, ela pulou e pegou o telefone de Hector. — Então você vai voltar de novo esta semana? Era louco como a apenas um ano atrás, ele de bom grado teria voltado para ver Rita todas as noites até que ela se fosse, mas hoje ele balançou a cabeça. — Provavelmente não. Eu tenho muita coisa acontecendo e estarei lutando em duas semanas. Eu preciso treinar. — Oh, verdade. Eu vou aparecer para a luta de Gio. Talvez eu possa vir para a sua também. Sim, isso seria ótimo. Depois de um pouco mais de conversa fiada Noah finalmente saiu de lá. Qualquer pensamento de Rita foi rapidamente esmagado quando a memória de beijar, segurar e chupar a deliciosa pele de Roni voltou para ele. Engraçado como ter os seios de Rita contra ele e seus pés firmemente enrolados na cintura não tinham feito nada além de irritá-lo e aqui apenas o pensamento

de

beijar

Roni

novamente

desconfortável para sentar.

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foi

deixando-o


CAPÍTULO 20 À noite quando Noah voltou de ajudar Gio e seu tio, ele e Roni chegaram a um acordo. A amizade deles permaneceria apenas isso, uma amizade, exceto que Noah negociou um beijo de boa noite... Todas as noites. Verônica não tinha discutido muito e disse que seria estritamente um beijo amigável, mas ela sabia que seria tudo menos amigável. O que começou como um rápido beijinho de boa noite tinha se transformado em um beijo que quase deixou sua respiração ofegante e em uma necessidade rápida de uma mudança de calcinha. As noites seguintes eles ficaram ainda mais longos. Nos seus primeiros dias de volta ao trabalho ela mal conseguia ficar acordada. Entre suas noites sem dormir após o uso incrível da língua de Noah e seu trabalho dolorosamente chato de assistir a vídeos de treinamento após quase dois anos, era difícil manter os olhos abertos. Sua chefe, Leslie, ainda tinha que dizer a ela onde ela ia atuar uma vez que terminou o treinamento, mas parecia bastante otimista de que ela ainda tinha muito tempo para descobrir isso, uma vez que seria provavelmente semanas antes de Verônica fazer todos os simulados dos treinamentos. Realmente? Era para isso que ela gastou centenas de dólares em um novo guardaroupa? Derek tinha mandado uma mensagem para ela duas vezes naquela semana e chamou-a uma vez deixando uma mensagem de voz dizendo que ele estava ansioso para se encontrar com ela novamente em breve. A forma como as coisas estavam indo com Noah, que agora, apesar do fato de que ele concordou que eles 263


continuariam amigos, agia como um namorado possessivo em torno de outros caras, ela viu que isso nunca ia acontecer. E o fato era que depois de uma semana de ser completamente incapaz de lutar contra desejar Noah, Verônica tinha começado agora a considerar as possibilidades. Ela estava indo jantar hoje à noite com Nellie e estava esperando que sua melhor amiga pudesse ajudá-la a descobrir isso. Nellie tinha ligado alguns dias atrás, admitindo que estava se sentindo extremamente culpada sobre o quanto tinha negligenciado a sua amizade no último par de meses. Verônica

disse

que

ela

não

precisava,

mas

estava

secretamente feliz ao ouvir Nellie dizer que se encontraria com Verônica mais frequentemente a partir daqui. Lá no fundo ela não gostou do fato de que ela tinha se tornado tão dependente de Noah para lhe fazer companhia e ser seu único amigo. Ela precisava sentir que havia mais coisas acontecendo em sua vida do que apenas ele. Vários dos seus amigos do trabalho também fizeram menção de se encontrar e conversar, mas até então, foi apenas mencionado. Ninguém tinha realmente planejado nada. Apenas um pouco mais de uma semana depois do Ano Novo, Verônica tinha facilmente se convencido de que talvez Noah fosse maduro o suficiente para ela se envolver com ele. Ele levava sua carreira no boxe e treinamento muito a sério. E mesmo que sua escolha de carreira fosse um pouco não convencional, ele tinha muitos objetivos e aspirações, mas mais admirável era a sua disciplina. Ele poderia facilmente relaxar e tirar um dia de folga do treinamento ou desviar de sua dieta especial e recuperar quando estava treinando para uma luta, mas ele nunca fez isso.

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Ela teve que admitir que conhecia homens muito mais velhos do que ele, que não tinham a menor ideia do que queriam da vida. Mesmo que ela ainda tivesse suas dúvidas sobre Noah estar disposto e ser capaz de se comprometer com um relacionamento sério em uma idade tão jovem, ele parecia convencido de que algo assim poderia funcionar. Verônica enviou à Noah um texto lembrando-lhe que ela estaria perderia seu treino hoje à noite e que estaria em casa um pouco mais tarde, porque estaria jantando com Nellie. Não parecia estranho que ela estivesse se explicando para ele. Ele começou a fazer o mesmo com ela também. Desde a manhã após a sua pequena discussão que terminou com ela em lágrimas e ela deixou essa nota para que ele soubesse onde ela estava, ele agradeceu-lhe

e

ela

sabia

que

ele

estava

genuinamente

preocupado com ela. Ela não via isso como um check-in, apenas lhe dava a cortesia para que seu amigo não me preocupasse. Nellie tinha concordado em encontrá-la em um restaurante cubano, um dos seus locais favoritos. Ela parecia animada com a proximidade de Verônica. Ela propositalmente deu-lhe mais detalhes de suas férias com Noah, não deixando nada para fora até que ela chegou a véspera de Ano Novo. A mandíbula de Nellie caiu quando Verônica disse a ela sobre o que fez com ele. — Eu não sei. Foi apenas algo que vinha crescendo há semanas e eu me deixei ir. — Ela sorriu sentindo como se estivesse de volta na escola novamente. — Nellie, ele é incrível e não estava apenas beijando. Isto ficou muito intenso. Quero dizer... — ela levou as mãos ao pescoço dela. — Os chupões

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finalmente desapareceram completamente há apenas alguns dias atrás. Ela mal tinha começado a sentença quando Nellie cuspiu para cima sua bebida e agarrou o guardanapo. Verônica riu. Ela sabia o quão ridículo soou, mas ela estava tão aliviada por estar contando a alguém sobre isso que não se importava. — Chupões? Quantos anos você tem, treze? Verônica riu ainda mais agora. Deus, ela tinha sentido falta de Nellie. Quando ambas tinham acabado com seu festival de risadinhas Verônica mordeu o lábio inferior e disse às palavras que ela não tinha permissão para até mesmo pensar a sério. — Ele disse que está apaixonado por mim. Disse-me na véspera de Ano Novo. Verônica não pensou que Nellie podia parecer mais atordoada do que ela parecia apenas alguns minutos antes. — Eu sei, certo? — Perguntou Verônica não tendo certeza se deveria rir de novo ou vomitar. — Nós só nos conhecemos há alguns meses e na sua idade, ele provavelmente nem sequer sabe o que é amor. — Ele não é uma criança, Roni. — Nellie tinha aquele tom que sempre tinha quando estava sendo muito séria. — Ok, então ele é mais novo do que você, mas um homem de 20 anos de idade é capaz de saber a diferença entre o desejo e o amor. Se ele diz que está apaixonado, eu acredito nele. — Sério? — Verônica se inclinou mais perto sussurrando, como se as pessoas na mesa ao lado pudessem ouvir e pensar nela como ridícula assim como ela se sentia.

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— O que é tão louco por ele estar apaixonado por você? Você é uma pessoa maravilhosa e ele obviamente pegou isso, para não mencionar que você é deslumbrante. Olhe para você. Como de costume, Nellie fez o que sempre fazia de melhor destruindo todas as dúvidas que Roni tão facilmente abrigava, mas havia mais do que apenas isso. — Então, eu estou louca por mesmo considerar isso? Nellie agitou sua bebida e olhou para Verônica muito séria. — O que é que você está pensando exatamente? Verônica encolheu os ombros de repente se sentindo completamente insegura do que ela tinha certeza mais cedo. — No começo eu estava completamente contra a ideia de qualquer coisa entre mim e ele, mas agora... Eu não sei. Não parece tão fora de questão. — O que você tem em mente? Quero dizer, se ele está dizendo que ele está apaixonado por você, você realmente tem que ter cuidado com o que decidir fazer a partir aqui. Você está procurando um relacionamento com ele ou estamos falando apenas de ceder a seus desejos? Verônica riu nervosamente. Dizer isso em voz alta fez soar tão irreal quanto ela pensava inicialmente. — Ele é muito mais maduro do que eu imaginei no começo. — Ela tomou um gole de seu refrigerante pensando se deveria trazer seus medos reais. — Ele é muito doce e sua lealdade é tão admirável. Seus amigos significam tudo para ele. — Ela realmente admirava sua lealdade. Ela nunca conheceu alguém como ele e seus amigos. Abel parecia pronto para matar o cara que pegou Noah de surpresa. Ele poderia ter matado se não tivessem puxado ele. — Leal é igual a confiável?

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— É isso que você está preocupada? Se você pode confiar nele? Verônica concordou, mas acrescentou rapidamente. — Não é como se ele estivesse me dando alguma razão para pensar que ele não poderia ser confiável. E esse tempo todo em que ele está morando comigo tudo o que ele faz é ir para o trabalho e vir direto para casa. Exceto no tempo que ele está passando com seus amigos... — Ela parou de contar a ela sobre seu passeio com Rita, mas é claro Nellie estava um passo à frente dela, como de costume. — E o que ele faz quando vai lá? — Nada, ele simplesmente sai. — Ela encontrou os olhos de Nellie por um segundo, em seguida, decidiu que poderia muito bem contar a ela. Ela já tinha jorrado sobre como maravilhoso a Ação de Graças tinha sido. — Okay o dia de Ação de Graças, ele foi até a casa de seu amigo Gio. Ele disse que estava saindo. Mesmo agora, eu não espero explicações dele sobre qualquer coisa. E as coisas progrediram significativamente desde então, nessa época ele me devia ainda menos. — Ela franziu a testa, a emoção que sentira na noite em que descobriu sobre Rita estava voltando para ela, mas ela segurou-a de volta. — Eu descobri mais tarde que ele tinha dormido com a prima de Gio naquele dia. Nellie olhou para ela, mas não disse nada. Ela podia sentir Nellie esperando por ela se soltar, mas a voz dela tinha sumido. Ela não queria que Nellie visse como algo errado o que Noah fez mais de um mês atrás, quando eles não eram mais do que colegas de quarto que ainda não tinham se tocado e ainda doía.

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Finalmente, Nellie sentou-se um pouco mais reta. Verônica esperava que ela entrasse em algum tipo de palestra sobre como isso era o que se devia esperar de um cara com a idade de Noah. Ela estava quase esperando por isso. Se alguém poderia dar algum sentido a ela, seria Nellie, mas em vez disso ela estendeu a mão sobre a mesa e pegou a mão dela. — Querida, eu sinto muito que não estive aqui para você. Obviamente, tanto vem acontecendo com você e não tinha ninguém para compartilhar isso... Verônica balançou a cabeça rapidamente. — Não. Eu tive a minha chance. Na manha em que comemos waffles eu queria te dizer. Eu tinha descoberto uma noite antes mas decidi não contar porque sabia que estava sendo estúpida, digo, ele era apenas meu colega de quarto e... — Você passou um feriado maravilhoso com ele apenas vocês dois. Você disse que teve momentos. É, obviamente, significou muito para você e posso totalmente compreender por que seria devastador. Se fosse você, teria ficado ferida também. Você não estava sendo estúpida; você estava sendo humana. — Ela apertou a mão dela. — Olha, a única coisa que Rick e eu temos ouvido por semanas em todos estes retiros e sessões de aconselhamento é que a confiança é o fundamento absoluto de um relacionamento. Sem ela, não temos nada. O que Noah tem a dizer sobre dormir com a garota? Verônica balançou a cabeça. — Eu nunca perguntei a ele sobre isso e é claro que ele nunca ofereceu uma explicação. Mas a garota voltou para o Natal e seu amigo disse que ela é basicamente a sua prostituta durante os feriados. Perguntei-lhe se ele estaria passando o tempo com ela

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e ele disse que não. Em vez disso, ele passou o feriado comigo. Ele esteve ao meu lado tanto na véspera do Natal quanto no Natal, em seguida, a véspera de Ano Novo aconteceu. — Mas você ainda tem suas dúvidas? — Não é só ela, Nellie. Ela nem sequer vive nas proximidades. É que ele é muito mais jovem e você o viu. O cara pode ter qualquer menina gostosa que ele escolher. E há muitas que querem, como as groupies em suas lutas. Quanto tempo vai levar até que está velha senhora aqui comece a deixa-lo entediado? — Oh, para com isso. — Nellie empurrou a mão dela parecendo genuinamente irritada. — Nem mesmo comece com essa porcaria. Você está maravilhosa e Noah certamente parece concordar. Além disso não tem mais nada a ver com idade ou aparência. O cara é apaixonado por você. Você vai ficar bonita para ele agora, não importa o quê. — Sim, mas... — Ela odiava trazer um assunto tão dolorido, mas Nellie já tinha feito isso de uma maneira e Verônica de repente tinha que saber. —Será que Rick nunca explicou por que ele quase a traiu? Em vez de olhar surpresa como Verônica tinha esperado, a expressão de Nellie passou de irritada para satisfeita. — Estou feliz que você tocou nesse assunto. Eu estava pensando em compartilhar isso com você de qualquer maneira. Nellie contou a ela sobre as muitas sessões de terapia que ela e Rick tinham participado. E enquanto ela em nada se culpava pelas indiscrições de Rick, ela tinha culpa parcialmente pelo fato de que ela tinha dado para que o terapeuta se referiu como “casamentos com arte de negação” Levando ao que ela agora chamava de “quase acidente de Rick”

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— Para colocá-lo simplesmente, é uma forma de regressão. E começa muito cedo nos relacionamentos. A maioria das pessoas nem sequer nota-o, uma vez que começa tão sutilmente. Isto realmente se sente bem quando está no início, mas ele constrói. No meu caso, eu sabia que algo estava acontecendo com Rick desde o início e eu escolhi ignorá-lo. Era desconfortável falar ou até mesmo pensar sobre isso. Eu decidi que nosso casamento e amor eram fortes e o suficiente além de que eu podia confiar em Rick para fazer a coisa certa. Acontece que ele estava fazendo coisas porque ele secretamente queria ser pego. E o que foi que eu fiz? Eu mantive os olhos fechados, recusando-me a reconhecer que havia algo seriamente errado. Nellie contou a ela sobre como durante meses antes da estagiária mesmo começar a trabalhar com Rick, sua vida sexual não era o que costumava ser. Ela estava cansada e estressada do trabalho o tempo todo e apenas nunca estava no clima. Eles passavam dias, em seguida, semanas sem sexo e claro, nenhum deles falou sobre isso. — Pelo o que você me disse ate agora, acho que isso não vai ser um problema para vocês dois. — Nellie riu fazendo Verônica corar. —Meu ponto é que eu conheço você, Roni. Se você está realmente pensando em fazer isso com esse cara, as suas dúvidas não vão embora durante a noite. Na verdade, quanto mais você se apaixonar por ele, mais suas dúvidas vão aumentar. Faça o que fizer, não deixe seu orgulho ditar suas ações. Se há algo que você precisa saber ou algo que vai resolver seus nervos ou qualquer escrúpulo que você possa ter, pergunte a ele. Pergunte não importa o quão desconfortável seja.

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Verônica franziu a testa, a primeira coisa que veio à mente foi Rita. Ela odiava que ainda estivesse presa a isso. — Confie em mim, Roni. Se eu aprendi alguma coisa com o que aconteceu entre mim e Rick é que eu nunca mais vou segurar. Qualquer suspeita que tenha, não importa quão minúscula ou quaisquer incertezas que tenho sobre o nosso casamento ficará às claras. Claro, você não quer falar sobre tudo e joga-lo contra a parede, mas Noah vai ter que entender uma coisa. Eu te conheço melhor do que ninguém. Se você fizer isso você vai estar sacrificando completamente a sua zona de conforto. Verônica assentiu. Ela com certeza estaria. Isto era, portanto, o que ela não gostava. Ela ainda mal podia acreditar que estava realmente dando-lhe uma consideração séria. — Ele vai ter que entender isso. Do nada, uma pequena risada escapou de Verônica e ela cobriu a boca com o guardanapo. — Isso é uma coisa que eu não acho que Noah vai ter muito problema. Eu te disse como que ele é. Nellie sorriu. — Normalmente eu diria que ter um namorado tao sem limites pode ser um problema, mas no seu caso isto só poderia trabalhar a seu favor. Ele não pode se queixar de você ter suas dúvidas se ele já chegou a mijar em sua perna para marcar seu território. Verônica riu de todo o coração agora. Sentia-se muito melhor. Ela sabia que se sentiria. Nellie sempre tinha sido capaz de convencê-la para a se animar ou ficar chateada qualquer que fosse a situação.

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A excitação ficou ao longo de todo o caminho de carro até sua casa. Noah saiu para encontrá-la quando ela saiu de seu carro na garagem. — Como foi? Como sempre ultimamente, ele estava perto demais, ela podia sentir seu fôlego e ele olhou para ela com os olhos ardentes que a deixava

louca.

Ele

obviamente

escovou

os

dentes

muito

recentemente porque ela ainda podia sentir o cheiro de creme dental em seu hálito. — Correu tudo bem. — Ela sorriu. — Eu não percebi o quanto eu senti falta de Nellie até que eu a vi hoje. — Eu vejo que se vestiu para a ocasião. — Sua mão pegou a dela e ele levantou o braço para cima, dando um passo para trás para observar sua roupa. — Muito bom. Ela realmente tinha se vestido bem, mas ela ainda estava lisonjeada que Noah tivesse notado. Ela tinha estado um pouco nervosa sobre vestir algo que poderia ter considerado jovem demais para ela. Mas a camisa longa, calças justas pretas e suas botas novas haviam lhe rendido além de elogios no trabalho, incluindo um muito animado de Nellie. Isso era parte de seu grande plano para a nova Verônica. Ela ainda não podia acreditar o quão longe ela tinha afundado nos dois anos que antecederam a morte de sua mãe. — Obrigado. É uma das minhas roupas novas. Seus pensamentos estavam de volta para Noah e aquela coisa desconfortável que ela queria perguntar. Ela faria isso uma vez e depois nunca mais. Mas ela precisava saber. Noah deu um passo adiante como sempre testando seus limites. Neste ponto, ela normalmente teria uma mão entre eles

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lembrando-o de seu estado de amizade e seu acordo de que qualquer beijo seria apenas sob a forma de um beijo amigável e inocente de boa noite. Hoje à noite, no entanto, ela deixaria ele se aproximar dela. Claro, ele não perdeu tempo. Em poucos segundos, ela estava derretendo em seus braços fortes enquanto ele colocava sua língua em sua boca da melhor maneira que ele poderia fazer. Após sua saudação deliciosa que ela poderia muito bem se acostumar e com certeza gostaria de considerar trabalhar para isso, veio à tona para respirar. — Eu senti sua falta esta noite — ele sussurrou contra seus lábios antes de beijá-la novamente. — Também senti sua falta. Parecia que era apenas a resposta óbvia, mas ela realmente sentiu. Tinha sido bom passar um tempo com Nellie e a clareza que tinha vindo com a conversa tinha sido inestimável. No entanto, ela tinha que admitir o pensamento de que poderia estar em casa com Noah lhe deu tristeza algumas vezes durante o jantar. O que a trouxe para seu próximo pensamento. Seguindo o conselho de Nellie de que ela não devia segurar isso por mais tempo. A julgar pelo cumprimento de Noah, sabia como esta noite iria acabar e isso era algo que ela precisava saber antes que ela tomasse todas as decisões. Ela encostou-se ao carro com Noah se pressionando contra ela. — Posso te perguntar algo? É do tipo pessoal. Ele recuou um pouco e criando um vinco em sua testa. — Sim, você pode me perguntar qualquer coisa.

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— Como exatamente é o seu relacionamento com Rita? Mesmo que Noah fizesse um grande esforço para parecer indiferente à sua pergunta, foi evidente que atingiu um nervo. Seu corpo já tenso ficou completamente duro imediatamente à simples menção do nome de Rita, o envio de uma vibração muito má que fez Verônica quase se arrepender de perguntar.

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CAPÍTULO 21 Em um teste, era como Noah se sentia. Ela o tinha deixado beijá-la e, em seguida, deixou a pergunta cair em cima dele como um tijolo. Ele procurou a resposta perfeita, mas não tinha como fugir disso. Rita era exatamente o que Roni chamaria de “diversão”. Uma conveniência. Eu tinha estado com Rita muito mais do que uma vez. Ele tentou manter a calma enquanto os olhos de Roni procuravam algo nos seus. — Ela é apenas alguém com quem eu saí por algum tempo. — ele emendou rapidamente. — Isso é passado. Acabou. — Ele deu de ombros, fazendo parecer insignificante. — Nós não estávamos saindo com

ninguém

na

época

e não procurávamos um

relacionamento. — Por que acabou? O fato de ela até mesmo perguntar isso me irritou. — Porque agora eu tenho você. — Mas até o dia de Ação de Graças estava tudo bem sair com ela? Deus, ele poderia matar Hector. — Isso não foi planejado, Roni. Na verdade, nada com ela foi. Nos últimos anos eu e ela... — Anos? Merda! Puta que pariu, eu e minha boca. — Sim, mas ela só vem uma vez por ano. Ela colocou a bolsa no ombro e se afastou um pouco. — Então vocês são amigos com benefícios? Esse é o tipo de relacionamento entre vocês? — Costumava ser. Não mais. E, não era um relacionamento. 276


Roni olhava para qualquer lugar, menos para mim. Ela estremeceu começando a sentir frio depois de se afastar de mim. — Mas ela é prima de Gio; você nunca fala com ela ou entra em contato quando ela vai embora? — Vamos entrar, Roni. — disse ele pegando sua mão. — Você está congelando aqui fora. Eles andaram em direção à porta dos fundos. — Sabe de uma coisa? Deixa prá lá. — ela disse quando chegamos à porta dos fundos. —Não é da minha conta de qualquer maneira. — Sim, é — disse Noah sentindo um pouco de pânico pela súbita mudança no humor de Roni. — Não é não. O que você faz com sua vida pessoal... — Você faz parte da minha vida pessoal. — Noah parou em frente a ela. —Eu disse que estou apaixonado por você e eu quis dizer isso. Eu concordei em seguir suas regras. Eu estou indo tão devagar quanto você precisa, e se você quiser saber sobre a minha vida pessoal, nós vamos falar. — Ele queria deixar isso perfeitamente claro, porque com certeza, queria saber sobre a vida pessoal dela. Ele não podia exigir nada ainda, mas ele daria o primeiro passo. — Rita era conveniente ok? Isso é tudo o que ela simplesmente foi. Nós nunca fizemos quaisquer planos. Ela nunca sequer ligou para me dizer que estava na cidade. Eu não fazia ideia de que ela estaria lá no dia de Ação de Graças. — Por que você não sabia? Ela sempre vem nessa época, não vem? — Mas ela geralmente vai embora imediatamente, assim eu fui pego desprevenido e o que aconteceu naquele dia... — Ele estava falando demais e sabia disso, mas seu tom acusatório o fez

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entrar em pânico. — Não fui até casa do Gio por causa dela, se é isso o que você está insinuando, mas naquela época eu não achava que teria uma chance com você, Roni. Você fazia tudo parecer tão impossível. As coisas são diferentes agora. Tudo mudou depois do Ano Novo. Merda, meus sentimentos mudaram semanas antes disso. Foi por isso que passei os feriados com você. No dia de Ação de Graças, quando eu a vi, eu não queria que acontecesse nada, eu juro. Mas aconteceu. Ela balançou a cabeça e colocou sua bolsa e as chaves no balcão da cozinha. — Eu estou confusa — ela murmurou. — Com o que? — Ele perguntou, seguindo-a como um cachorrinho. — Como algo assim simplesmente acontece? O que ela fez? Do nada ela pulou no seu colo? Noah ficou sem saber o que dizer. Ela estava certa, como explicar uma coisa dessas? Ela virou para encará-lo e quando ele não respondeu, revirou os olhos em desgosto. — Ugh! — O ponto aqui é que, essa foi à última vez. Essa é uma das melhores coisas sobre ela. Eu nunca tive que me preocupar com ela sendo pegajosa ou querendo algo mais. No momento em que ele acabou de falar, sabia que tinha fodido tudo. — É esse tipo de mulher que você procura Noah? Mulheres que não vão cobrar nada de você? — Eu nunca estive com ninguém por quem eu sentisse o que eu sinto por você Roni. — Ele se aproximou dela. — Eu nunca

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prometi nada a elas. Rita sabia o que esperar de mim. Foi isso que eu quis dizer, nada, além disso. Para meu alívio sua expressão suavizou um pouco. — E você só se encontrava com ela nas férias? Ele conseguiu esconder um sorriso, sabendo que ela não gostaria e confirmou com um gesto de cabeça. Ele queria que ela fizesse perguntas, só assim ele poderia esclarecer tudo e resolver as coisas entre eles. Sua expressão era curiosa. Ela cruzou os braços e olhou para mim. — Então você está me dizendo, que vocês só se encontravam nas férias. Vocês não se falavam por telefone, nem e-mail? Nunca? — Não. — O tom arrogante ainda estava lá, especialmente quando falou sobre os encontros de férias, mas ele balançou a cabeça novamente se sentindo um pouco melhor sabendo que esta conversa poderia ter sido muito pior. — Nenhum contato. Seu olhar curioso agora estava acompanhado com suspeita, mas a pequena sombra de um sorriso deu-lhe esperança de que eles podiam passar por isso. — Sério? Então, depois da Ação de Graças, você só a encontrou na véspera e no jantar de natal? Só isso? Jesus. Ela vai acabar comigo. Minha demora em responder fez com que ela me encarasse e com certeza perceber que tinha algo mais. A curva de seus lábios tinha desaparecido e eu vi o temor em seus olhos, mas logo depois ela desviou o olhar. — Só uma vez e novamente não foi planejado. Os olhos de Roni encontraram os dele novamente. Sua expressão era fechada agora.

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— O que não foi planejado? — Vê-la. — Quando? — Ele pode perceber que Roni estava tentando disfarçar seu ciúme, e isso deu um pouco de satisfação. Ele queria que ela exigisse respostas, que ela soubesse que tinha todo o direito de perguntar, isso deixaria a porta aberta para que ele fizesse o mesmo com ela. — No dia de Ano Novo. — No segundo em que disse, ele percebeu o que ela estava pensando. Ele estava tão feliz com ela se comportando como uma namorada ciumenta, que demorou a perceber como aquilo soava, mas quando viu em seu olhar que ela não estava apenas sentida, mas sim machucada. — O tio de Gio é seu pai — disse ele, se aproximando, mas ela o afastou, visivelmente chateada agora. — Você a viu no dia seguinte... — Ela estava lá na casa dele no dia em que fui ajudar Gio. Eu não tinha ideia de que ela estaria lá, mas nada aconteceu, Roni. Eu juro para você. — Roni recuou recusando-se a fazer contato visual com ele, algo que ele tinha notado agora, que ela só fazia quando não estava em total controle de suas emoções. — Ela ficou o tempo todo cozinhando. Nós almoçamos depois de trabalharmos no estaleiro por horas, então eu saí. Ela balançou a cabeça e Noah não tinha certeza do que fazer com isso. Ela estava dizendo que não acreditava nele? Então, ela falou enquanto saía da cozinha. — Você não me deve nenhuma explicação. Claro que ele devia. Ele correu até ela segurando-a pelo braço e a encostou no balcão antes que ela pudesse protestar.

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— Sim, eu devo — disse ele pegando seu rosto, fazendo com que ela olhasse para ele. — Eu devo. — Ele sussurrou novamente antes de beijá-la suavemente. — Ela estava lá, mas não aconteceu nada e essa foi à última vez que eu a vi ou ouvi falar dela, ok? Prometo que se eu a ver ou falar com ela novamente, você será a primeira, a saber. Ela começou a sacudir a cabeça em sinal de protesto. — Você não precisa fazer isso. — Pare de dizer isso. Eu quero. — Rita era a única coisa neste ponto que poderia lançar alguma dúvida na cabeça de Roni sobre eles. Ele sentiu isso. Ela finalmente começava a aceitar todo o resto e ele seria condenado se deixasse alguém tão insignificante como Rita arruinar tudo. — Eu quero e eu vou. Ele finalmente viu um traço do sorriso bonito que ele tanto amava. —Ok — ela sussurrou em seguida, respirou fundo. — Eu preciso de um banho. O que ele viu em seu rosto naquele momento era a mesma coisa que ele estava sentindo. Alívio. Essa conversa sobre Rita tinha que acontecer, e ele sabia que seria muito desconfortável, mas tinha que acontecer, e agora que acabou, ele se sentia leve. Ele soube que Roni era importante para ele no dia em que tinha saído para um passeio com Rita e sentiu que estava traindo a Roni. Ele e Roni tinham feito uma conexão no dia de Ação de Graças. Ele não foi o único que sentiu isso, porque embora ela não tivesse dito, isso a machucou. Tudo fazia sentido agora. Gio e Abel não disseram que ela parecia chateada na noite em que Hector trouxe o assunto.

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Noah a abraçou lembrando-se da noite novamente e o fato de que ela havia chorado. Eles ainda não estavam oficialmente juntos e ele já tinha magoado ela. Ele a abraçou mais apertado esperando que ela pudesse sentir o quanto que ele sentia sobre tudo isso. Por mais que ele quisesse pedir desculpas, ele não queria trazer o assunto de volta. Ela afastou-se suavemente e sorriu. — Você me encontra no corredor depois que eu tomar banho? Essa era a intenção dele desde o início, mas ouvi-la perguntar isso o deixou muito feliz, e ele não se importava que seu rosto mostrasse isso, fazendo-a rir. — Nada me faria perder esse encontro. Sua tentativa de roubar mais um beijo falhou quando ela escapou por debaixo de seu braço, e saiu correndo com uma risadinha. Ele observou enquanto ela se afastava, usando aquelas botas de salto alto que o tinha deixado louco na véspera de Ano Novo. Por um instante, ele teve uma fantasia de vê-la nelas e nada mais. Paciência era uma virtude, mas uma merda se não fosse também um tormento ter que esperar por seu encontro no corredor.

Uma semana depois Roni ainda não sabia o que fazer em relação à Noah. Sua admissão sobre como e por que as coisas haviam acontecido no dia de Ação de Graças e o fato de que ele lhe deu o sinal verde para interrogá-lo, a insistência de que ela tinha direito a explicações sobre sua vida pessoal deveria ter sido um fator decisivo. Mas, ironicamente isso a assustou ainda mais.

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Os sentimentos que tinha por Noah a deixava vulnerável. A primeira vez que ele a fez se sentir assim foi na noite após a luta, quando ela foi forçada a vê-lo com uma groupie , em seguida, mais tarde naquela mesma noite, quando ela descobriu sobre Rita. Mas ouvir que ele tinha visto Rita um dia depois que ela finalmente aceitou seu desejo por ele, o mesmo dia em que ele admitiu estar apaixonado por ela a deixou arrasada. Era um sentimento que ele nunca tinha conhecido, e mesmo depois que eles conversaram e Noah tinha explicado tudo, o sentimento ainda estava gravado em sua mente, e ela tinha pavor de sentir isso novamente. A conversa que sobre Rita a fez ver que ela estava certa sobre levar essa coisa entre eles com calma, ter certeza que tudo isso era bom para os dois, era evidente que estavam mais próximos. Nada tão grande, mas significativo. Como sentar abraçados em frente a televisão após o jantar. Ou quando ele passava e beijava o seu pescoço quando ela cozinhava ou mesmo quando eles estavam em seu quarto escuro dizendo que queria aprender como revelar fotos. Ele nunca a empurrou, sempre foi doce e gentil. As únicas vezes em que as coisas ficaram pesadas eram com os beijos de boa noite, mas ela conseguia lutar contra o impulso de apenas puxá-lo para seu quarto e fazer o que ela realmente queria fazer com ele. Por mais que ela quisesse ceder ao seu desejo, tinha alguma coisa que a segurava, estava se tornando muito dependente dele. Enquanto ele tinha seu boxe, seus estudos e seus amigos, ela não tinha nada em que se segurar se isso acabasse mal. Ela sabia que se não fosse por Noah ela teria tido as férias mais patéticas e solitárias de sua vida.

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Antes da doença de sua mãe ela era uma pessoa diferente. Ela tinha muitos amigos e colegas. Sua fotografia era uma grande parte de sua vida. Ela ainda tinha um blog especificamente para suas fotos que tinha começado a fazer algum dinheiro. Fazia anos desde a última vez em que ela atualizou seu blog e ainda mais tempo desde que ela tinha carregado quaisquer novas fotografias. O fato de Derek ter se afastado quando ela ficou tão ocupada com sua mãe, que não tinha tempo para se concentrar em alguém ou alguma coisa foi um enorme lembrete de um mau hábito

que

ela

sempre

teve.

Quando

havia

algo

grande

acontecendo em sua vida, ela tendia a ficar obcecada com isso a ponto de negligenciar tudo e todos no processo. Claro que a doença da mãe deveria ter sido uma exceção compreensível, mas ainda era um lembrete perfeito de como ela deixava uma ocorrência controlar totalmente todos os outros aspectos de sua vida. Ela precisava aprender a se equilibrar agora, antes que ela cometesse o mesmo erro. Claro, agora tudo estava acontecendo de uma vez. Ela tinha voltado a trabalhar, recuperando velhas amizades, passatempos antigos e agora Noah era uma distração colossal no meio de tudo isso. Ela precisava fazer isso direito e devagar. Mesmo Nellie que havia desaparecido por alguns meses estava de volta, elas tinham feito um pacto para se reunir pelo menos uma vez por semana. Ela estava determinada não só a manter esse compromisso, mas desfrutar dele, ainda que fosse uma pequena mudança em sua vida. Hoje era uma dessas noites. Elas iriam se reunir para jantar. Em vez de saírem, Nellie tinha feito o jantar para elas. Rick estava fora da cidade a negócios e elas tinham a casa para si.

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Desde que Roni tinha monopolizado a conversa na semana passada com suas preocupações sobre Noah, ela tinha toda a intenção de deixar Nellie falar e derramar suas entranhas hoje à noite. No meio do jantar Roni estava em conflito com sua consciência, Nellie era o tipo de pessoa que te apoiaria em qualquer momento, mas também era a pessoa que lhe dizia o que pensava mesmo sabendo que poderia te magoar. E era assim que tinha que ser entre amigas. Mas isso era diferente. Nellie estava, obviamente,

muito

empenhada

em

fazer

seu

casamento

funcionar, como poderia Roni dizer que ela odiava Rick por fazer o que ele tinha feito com ela? Que ela nunca achou que Rick fosse bom o bastante para ela, mesmo quando tinham começado a namorar? Ele sempre pareceu um idiota pomposo. Como se ele acreditasse que Nellie tinha que se ajoelhar e agradecer por ele estar namorando ela. Ele, um bonito locutor esportivo de rádio e bem-sucedido. Resumindo, ele era um idiota. Nellie parecia achar isso engraçado e agia como se ele estivesse

apenas

sendo

espirituoso

quando

Rick

flertava

abertamente com Roni e até mesmo com a irmã de Nellie, Courtney. Para Roni era assustador, mas ela não protestou desde que Nellie parecia estar tão bem com ele. No momento em que elas tinham acabado de jantar, Verônica tinha ouvido o suficiente sobre como Rick estava realmente se esforçando para fazer o relacionamento funcionar. Ele deveria estar. Ele era o único que tinha estragado as coisas e Verônica não conseguia entender como Nellie podia simplesmente acreditar em sua palavra de que a noite em que ele foi pego foi à única vez que ele já tinha pensado em fazer algo parecido. Que coincidência

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incrível, e Nellie tinha essa mentalidade de “tudo acontece por uma razão”. À noite no hospital quando Nellie contou o que tinha acontecido, Verônica se sentia tão culpada que ela não tinha dado muita atenção. Desde então ela teve mais tempo para pensar sobre isso e quanto mais ela pensava, mais acreditava que Nellie tinha aceitado muito facilmente as desculpas de Rick. Ela sabia que Nellie sempre foi apaixonada por ele ao ponto da obsessão e Verônica dizer algo contra Rick não levaria a nada. Não tinha passado muito tempo de sua traição, e ao invés de estar aqui compensando sua mulher pelo seu erro, ele estava fora em uma viagem de negócios, o que soava um pouco suspeito para Verônica. O jantar de hoje à noite tinha sido mais frustrante do que divertido, ao contrário de seu último jantar. Nellie caminhou com Verônica para fora e elas estavam paradas no topo da escada. — Não precisa ir lá para baixo, Nellie. Eu estou bem. — Ela virou-se para abraçar a amiga. — Eu vou vê-la novamente na próxima semana? — Com certeza — Nellie apertou-lhe antes de se afastar. — Só vamos sair para algum lugar novamente. Rick vai estar em casa na próxima semana. — O que ele esta fazendo em Tahoe? — Campeonato de golfe das celebridades. Verônica assentiu. — Ele está transmitindo? — Não, — ela disse com aquele mesmo sorriso que ela deu durante todo o jantar, quando falou de todo o progresso que ele

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tinha feito nos últimos meses. — É apenas por prazer. Ele vai todos os anos. — Então porque você não foi com ele? O sorriso perdeu um pouco de seu brilho. — Eu estou trabalhando. — Era só tirar alguns dias de folga. Quero dizer, Nellie, você não está nem um pouquinho preocupada com isso? — Roni? — Assim como Verônica suspeitava que ela faria, Nellie descartou sua pergunta. — É uma viagem anual que ele vem fazendo há anos. E eu tenho que confiar nele. — Por quê? —Verônica não quis que suas palavras saíssem tão exasperadas, mas era a coisa mais estúpida que já tinha ouvido. O homem a tinha traído apenas alguns meses atrás. — Porque ele é meu marido e em algum momento eu tenho que... — Em algum ponto, mas só se passaram alguns meses. — Verônica sabia que estava empurrando-a agora, mas mesmo quando Nellie havia contado como Courtney pegou Rick com aquela mulher no hotel, Nellie tinha tentado amenizar a situação. Ela odiava pensar que sua melhor amiga estivesse aceitando as mentiras de Rick por medo de perder este bastardo que nem sequer a merecia. — Ele tinha que saber que este ano as coisas deveriam ser diferentes. Este ano, talvez ele devesse ter levado você. — De repente, todas as viagens individuais que Rick tinha feito no passado com Nellie ficando para trás tornaram-se suspeitas. — Nellie, como você sabe que esta foi a primeira e única vez Rick fez isso? Nellie se endireitou. Seus lábios franzidos. Verônica sabia que ela tinha atingido um ponto dolorido.

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— Porque ele disse, e eu acredito nele. — Mas... — Verônica, eu tomei a decisão de tentar resolver isso com Rick. Se você tivesse alguma ideia do que eu passei nesses últimos meses talvez você entendesse por que eu tenho que, pelo menos, tentar fazer com que isso dê certo, as sessões de aconselhamento e retiros que fizemos está nos ajudando. Precisamos confiar um no outro. Eu não poderia conviver comigo mesma se eu tivesse que estar ao lado dele a cada momento em que ele respirar. — Ela cruzou os braços. — E para sua informação, ele me pediu para ir, até mesmo disse que eu deveria pegar um vôo e encontrá-lo lá. Um súbito lampejo se abateu sob Verônica. Esta não foi a primeira vez que ela ouviu isso. Toda vez que Verônica tinha perguntado a Nellie sobre as viagens de negócios de Rick ela inadvertidamente atingiu um nervo e Nellie, dizia que Rick tinha pedido a ela para encontrá-lo em sua viagem, mas Nellie nunca foi. — Por que você não foi? — Nellie começou a voltar para a casa e Verônica foi atrás dela. — Por que, Nellie? Por que você não foi e se encontrou com ele? Nellie parou na porta e olhou para ela, mas não havia mais dor em seus olhos, apenas raiva. — Eu te disse. Eu tenho trabalho. — Sempre? — Verônica empurrou sabendo que já tinha ido longe demais e odiando Rick ainda mais a cada minuto. Como ele ousava fazer isso com a doce Nellie? — Será que é porque você está com medo de com quem você vai encontrá-lo?

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Nellie ficou encarando a porta e os olhos marejados dela acabou com Verônica. — Você deve ir. — Sinto muito! —Verônica gritou. — Por favor, não fique com raiva de mim. — Apenas vá. — Nellie fechou a porta assim que as lágrimas deslizaram por sua face. Verônica se inclinou contra a porta e bateu suavemente. — Nellie, me desculpe. Por favor, fale comigo. — Depois de minutos sem resposta, ela bateu novamente quando suas próprias lágrimas deslizaram por sua face. —Chame-me se você precisar de alguma coisa, ok? Eu te amo. Ela enxugou as lágrimas enquanto descia as escadas. Ela começou a pensar em Noah. Todo esse tempo ela tinha visto ele como uma pessoa não confiável e imatura por causa de sua idade. Rick tinha quase trinta anos, tinha aparentemente se comprometido com o casamento e ainda assim ele era o maior idiota mentiroso que ela já tinha conhecido, ela se sentia tão culpada agora. Desta vez por colocar Noah na mesma categoria de Rick, baseada unicamente em sua idade.

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CAPÍTULO 22 Os caras vieram no domingo e ficaram o dia todo. Fazia um tempo que eles tinham tido uma luta de boxe virtual como nos velhos tempos. Noah perguntou a Roni antes de permitir que Hector trouxesse seu PLAYSTATION3. Eles trocaram o óleo do carro de Roni na parte da manhã, e em seguida, entraram para jogar. Noah disse a Roni que não precisava, mas ela insistiu em fazer-lhes lanches e em seguida, o almoço. Ela fez sanduíches que cortou ao meio e empilhou em uma bandeja. Apesar de todos os caras dizerem que não estavam com fome à pilha de sanduíches foi consumida em poucos minutos. Sua agitação sobre eles tinha realmente ajudado a distraí-la e conseguiu desviar seus pensamentos do que a tinha estado deprimindo por dias. Ela e Nellie ainda não estavam se falando e Roni estava fora de si com a culpa por ter ferido os sentimentos de Nellie. Noah tentou dizer que ela estava certa ao dizer a Nellie como se sentia, especialmente tendo em conta o fato de que Roni disse que Nellie teria feito à mesma coisa se fosse o contrário. Ainda assim, tanto quanto ela tentou fingir que nada estava errado, não havia como esconder. Ela estava triste e ele odiava vê-la assim. Naquela tarde, Roni manteve-se ocupada na cozinha e mais tarde em seu quarto escuro. Ela tinha acabado de sair de lá e Noah ficou contente de vê-la sorrindo. Alguém bateu na porta e Roni atravessou a sala para abri-la. Eles haviam pedido pizza, mas era muito cedo para chegar. Desde que Noah estava morando com ela, às únicas pessoas que vieram

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vê-la eram advogados. Nenhum dos visitantes era conhecido dela. Mesmo Nellie ainda não tinha estado lá. Tinham mudado do jogo de boxe para Call of Duty, um jogo tipo militar, onde eles jogavam em equipe. — Noah, o que você está fazendo? — Abel o cutucou com o joelho. — Você deveria me apoiar, ele quase me pegou. Hector riu, jogando bombas e aproveitando para fugir de Noah. Noah fez algumas manobras colocando seu homem no jogo, mas os seus olhos estavam de volta na porta onde Roni sorriu quando cumprimentou quem quer que fosse. Ela olhou para Noah com uma expressão que ele não conseguiu decifrar antes que ela saísse para a varanda e fechasse a porta de tela atrás dela. — Cara, você poderia prestar atenção, porra? — Noah olhou para a tela a tempo de ver seu homem explodir. — Viu? — Abel o cutucou novamente. A tela mudou e Noah perdeu uma vida. Ele só tinha duas vidas, mas ele não se importava. Ele prestou mais atenção agora, mas ainda olhava para a porta repetidamente. Pela janela que estava parcialmente coberta com cortinas finas, ele podia ver um homem encostado na grade da varanda, mas não podia ver Roni. Ela provavelmente estava encostada na parede. Poderia ser qualquer pessoa, um advogado, um vizinho, mas seu instinto estava lhe dizendo outra coisa. Desde que Roni tinha voltado a trabalhar, ela tinha mencionado que tinha encontrado velhos amigos. Aquele olhar que ela lhe deu quando saiu, o deixou em modo defensivo. Noah conseguiu jogar por mais quinze minutos até que ele e um Abel muito irritado foram aniquilados. Ele durou tempo

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demais, para alguém que não estava prestando atenção ao que estava fazendo. Noah levantou-se jogando o controle no sofá. — Deixe-o desligado, Hector. O jogo vai começar se já não começou. — Oh sim. Os playoffs são hoje — disse Hector, tirando o PS3 e ligando a televisão. Gio, que sempre foi o primeiro a perceber o que se passava na cabeça de Noah, não perdeu uma batida perguntando em tom curioso, mas cauteloso. — Quem é que está lá fora, com Roni? Noah deu de ombros, indo para a porta, ele não sabia, mas ele estava prestes a descobrir. Ele abriu a porta inclinando a parte superior do corpo para fora. Como suspeitava, Roni estava encostada na parede do lado de fora. Noah reconheceu o cara imediatamente e sorriu sentindo um alívio imediato. De maneira nenhuma Roni seria amiga desse imbecil, embora ele se perguntou o que o Kratz estava fazendo aqui. — Caramba, que mundo pequeno — Noah estendeu a mão para apertar a do reitor. Roni se deslocou nervosamente. — Você conhece Derek? Como uma chama que foi apagada com água gelada o alívio que Noah sentiu apenas momentos antes, se foi em um instante. — Derek? Derek apertou a mão dele calorosamente com um sorriso. — Bem, ele provavelmente se lembra de mim apenas como Dean Kratz, mas sim, eu conheço o Noah. Como diabos você está?

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Noah assentiu com a cabeça de repente em uma perda de palavras. O reitor era ex de Roni? — Vocês dois estão juntos? — O reitor perguntou com um sorriso curioso. — Não, uh — Roni olhou para Noah, e voltou seus olhos para Derek. — Noah é meu companheiro de quarto. Isso tirou o sorriso do rosto do reitor. — Realmente? — Sim, realmente. — Noah disse, olhando-o nos olhos. Noah observou Dean de cima a baixo. Ele não tinha mudado muito desde que ele o viu pela última vez. Ainda alto, bem construído para a sua idade e ainda carregava o ar pomposo sobre ele, mas algo tinha ido embora agora. Talvez fosse porque Noah não estava mais sob suas ordens ou talvez porque Noah o achasse um idiota por ter deixado Roni ir, mas ele já não era tão intimidante como ele foi uma vez. — Roni mencionou que seu colega de quarto era um boxeador, mas eu nunca teria feito à ligação. Eu lembro de você estar envolvido com o boxe quando ainda estava na escola. — O reitor jogou seu punho. — Qual sua categoria? Peso leve? Noah pegou o jab duplo e riu. O cara era grande, mas não tão grande como ele, obviamente, pensava que ele era. Ele saiu para a varanda para que o idiota pudesse dar uma boa olhada em seu “Peso Leve”. — Meio-pesado na verdade. Derek ergueu as sobrancelhas quando Noah cruzou os braços na frente dele. Um carro parou na calçada pegando sua atenção. O motorista se inclinou no banco de trás e pulou para fora do carro com caixas de pizza.

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— Oh, deixe-me pegar minha bolsa — disse Roni, afastandose da parede. — Eu pago — disse Noah, enfiando a mão no bolso. — Tem certeza? — Perguntou Roni. Noah assentiu quando Gio saiu pela porta da frente tirando dinheiro do bolso. Ele entregou a Noah 20 pratas. — Esta é a minha parte e de Abel. Noah pegou o dinheiro e passou por Derek. O homem que uma vez se ergueu ameaçadoramente sobre ele era exatamente de sua altura agora. Depois de pagar o entregador ele olhou para Roni que segurou a porta aberta para ele. Gio já tinha voltado para dentro. — Os pratos de papel estão na despensa. Já vou entrar— disse Roni quando Noah foi em direção a ela. — Eu só vou acompanhar Derek até seu carro. A expressão de Derek parecia mais relaxada pela súbita admissão de que Roni queria mais um minuto a sós com o babaca. Ele descaradamente sorriu para Derek, em seguida, virou-se para Roni. — Eu vou esperar por você para comer — disse Noah encontrando os olhos de Roni e para seu alívio, ela acenou com a cabeça. O sorriso presunçoso que ele deu a Derek quando Roni confirmou que não demoraria era todo o adeus que o cara iria receber de Noah. Sua hipocrisia só ia até esse ponto. Por mais que ele odiasse deixar Roni lá fora, com Derek, ele não ia deixar o cara saber, mas fingir que ele tinha gostado de encontrar com ele de novo foi o máximo que ele conseguiu fingir.

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Noah desacelerou enquanto passava por Roni, dando-lhe um olhar compreensivo. Ela pode não ter lhe dado o aval para questionar sua vida pessoal como ele tinha dado a ela, mas ela tinha que saber que isso era algo que seria discutido, logo que ele tivesse um momento a sós com ela. Não era apenas o fato de ela estar conversando com um exnamorado, isso era o suficiente para fazer o estômago de Noah embrulhar, mas esse cara era a escória, o pouco que ele conhecia dele, ele não gostava. Noah achava que ele era um total otário, ele deixou Roni sozinha em um momento de sua vida que ela mais precisava dele. Por que ela iria querer a amizade dele? Ele não merecia sua amizade. Gio olhou para ele enquanto Noah seguia para a cozinha. Os todos caras seguiram parando ao redor do balcão, onde ele colocou as caixas da pizza. — Deixe-me pegar os pratos de papel — disse Noah quando Hector pegou uma fatia. — Então, o que Dean Imbecil está fazendo aqui? Não me diga que ele e Roni são amigos. — Disse Hector enquanto mastigava. — Ele é um velho amigo. — Disse Noah colocando os pratos de papel sobre o balcão. Ele caminhou até à janela da cozinha onde podia ver Roni e Derek falando em frente ao seu carro, mas eles não podiam vê-lo. A linguagem corporal do reitor tão gravada na memoria, na posição

vertical

e

cheia

de

autoridade.

Noah

não

tinha

perguntado a Roni muito sobre seu relacionamento, quando ela tinha mencionado Derek antes, mas agora Noah tinha muitas perguntas, especialmente porque ela obviamente tinha padrões duplos. Esse cara era muito mais velho que ela.

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— Uau — disse Derek enquanto desciam os degraus da varanda. — Eu não vi esse garoto em anos. Estou surpreso que ele não esteja na cadeia. Roni se virou para ele, com os braços cruzados na frente dela. — O que te faz dizer isso? Derek riu. — Aquele garoto esteve sentado do lado de fora do meu escritório mais do que minha recepcionista. Ela não tinha certeza, mas fazia sentido Derek tentar desacreditar Noah. Ela tinha visto sua expressão quando lhe disse que Noah era seu colega de quarto. Só o fato de que ela tivesse mencionado anteriormente que o seu novo companheiro de quarto era um cara, ela tinha certeza de que ele já tinha começado a especular. E aparecer aqui sem aviso prévio, não foi por impulso como ele tinha dito que era. Derek não fazia nada por impulso. Mas ela decidiu morder a isca de qualquer maneira. — Por que ele estava em seu escritório com tanta frequência? — Problemático típico. Será que você fez uma verificação de antecedentes sobre esse cara antes de deixá-lo morar com você? O pensamento nunca tinha ocorrido a Roni. — Não, porque ele é um amigo. O que quer dizer com Problemático? Que tipo de problema? Derek deu de ombros, encostado em seu carro, obviamente, não tinha pressa para sair. — Faltas, luta, tráfico de drogas. 296


— Tráfico de drogas? — Sim, eu estou dizendo a você o garoto é problema com P maiúsculo. — Ele franziu a testa olhando para sua casa. — Me diga, esse cara treina você e você apenas o convida para morar com você? — Não. — Ela hesitou, tateando para encontrar a melhor resposta. — Ele teve problemas. Derek zombou. — Sim, eu aposto. — Problemas com a sua casa — acrescentou Roni, o aborrecimento cresceu em um segundo. Ela sabia que Derek teria algo a dizer sobre isso, e sua ênfase referindo-se a Noah como um adolescente não tinha passado despercebido. — As tempestades fizeram um estrago em seu teto. — Ela não iria falar que o telhado era sobre uma garagem. Derek adoraria isso. — Eu tinha os quartos extras então me ofereci para lhe alugar um. — Conveniente. Eu pegaria o dinheiro antecipadamente se eu fosse você. Roni revirou os olhos. — Eu tenho que ir, Derek. — Ela começou a se afastar. — Ei escute, Verônica. — O tom condescendente de Derek tinha de repente se suavizado — Sinto muito. Eu sei que você disse que ele é seu amigo. É só que eu gostaria de pensar que eu e você ainda poderíamos ser amigos, também... pelo menos. E eu ainda me importo com você, então não posso ajudar, mas me sinto um pouco preocupado. Quem sabe talvez ele tenha mudado. Já faz alguns anos. Tudo o que eu estou dizendo é que o que sei sobre ele não é bom. Então, basta ter cuidado. OK?

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Roni se virou para ele com um sorriso fraco. — Não precisa se preocupar. Ele é um grande cara. Como esperado, seu último comentário levantou questões. Ela viu isso em seus olhos, mas ele não perguntou mais nada. Em vez disso, ele passou a um tópico que esperava evitar. Pelo menos por enquanto. — Então, quando você se estabelecer no trabalho acha que podemos sair? Ela usou a desculpa de estar muito ocupada se ajustando no trabalho por não ter atendido ou retornar suas mensagens. Foi uma desculpa esfarrapada e ela esperava que ele pegasse a dica. Ela não achava que poderia sair com ele. Noah, sem dúvida, tinha problemas com ele. Cada momento que passava com Noah, cada um de seus beijos à noite, fazia com que ela quisesse ceder a ele, ela queria correr esse risco. Todo esse tempo ela esteve dizendo a si mesma que ele era muito jovem e não queria compromisso, que ele gostaria de estar lá fora jogando. No entanto, ele estava livre para fazer isso e, mesmo assim ele passava todo o seu tempo livre com ela. Isso tinha que contar para alguma coisa. Um sorriso e um aceno de cabeça foram à única resposta que ela ofereceu a Derek, então acrescentou: — Mande uma mensagem para mim — antes de se afastar. Ela tinha pelo menos fingido considerá-lo. Ela disse a si mesma que uma vez que ela se sentiu completamente confortável por estar de volta ao trabalho e sua vida voltasse ao normal, ela iria querer mergulhar e dar o próximo passo com Noah mas, considerando a velocidade com que seu relacionamento estava

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progredindo, mergulhar poderia vir muito mais cedo do que o planejado. Uma coisa era certa, se ela fizesse isso com Noah, ela estaria entrando de cabeça sem manter seu relacionamento discreto ou mantê-lo em segredo de pessoas como Derek. Ela já tinha visto a desaprovação dele e ele só pensava em Noah como seu colega de quarto. Tinha certeza de que ele não seria o único que estaria falando

sobre

seu

relacionamento.

Inferno,

até

muito

recentemente ela tinha os mesmos pensamentos que ele. Mas ela não se importava. Esta era mais uma razão pela qual ela tinha que estar absolutamente certa sobre isso, porque uma vez que ela fizesse isso, não teria como voltar atrás. O relacionamento deles seria a céu aberto para que todos soubessem. Além disso, ela estava certa de que Noah não queria de nenhuma outra maneira. Até então, ela tinha que adiar dando a Derek uma razão sólida por que ela não poderia sair com ele. Dizer que seu companheiro de quarto “a criança problema” não iria gostar, parecia um pouco bobo. Mas dizendo que seu noivo não iria gostar, teria muito mais peso. Como

prometido,

mesmo

que

os

caras

tivessem,

aparentemente, acabado com duas das pizzas, Noah esperou por ela para comer. Não a surpreendeu que ele quisesse falar antes que ele comesse. Os caras estavam na sala ainda mastigando pizza enquanto assistiam a um jogo de futebol. Noah encostou-se no balcão enquanto Roni colocava uma fatia de pizza em um prato de papel. — Então Dean Kratz é Derek? — Sim. — Ela olhou para ele quando enfiou um pedaço de pepperoni em sua boca. — Como você mesmo disse: “mundo

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pequeno”. Estou surpresa que ele se lembre de você de todas as crianças que ele já abordou ao longo dos anos. Ela sorriu esperando que fosse provocar alguma conversa de seus dias problemáticos. Ela teve que admitir que estava curiosa sobre o comentário de tráfico de drogas. Noah era um bebedor ocasional, e ela sabia que o uso de drogas não era permitido nem mesmo no boxe amador. Noah estava beirando o tipo “meu corpo é meu templo”. Embora, obviamente, ele não levasse muito a sério. Ela simplesmente não podia vê-lo usando ou muito menos traficando drogas. Noah ignorou completamente a observação e foi direto ao ponto. — Então, o que ele quer? — Dizer Oi. — Ela caminhou até a geladeira e pegou uma lata de refrigerante. — Você quer um? — Perguntou ela, segurando a lata. — Não, eu estou bem. Você sabia que ele viria? — Não. — Ela abriu o refrigerante e tomou um gole antes de colocá-lo no balcão. — Ele disse que tinha pensado em passar aqui, há algum tempo já. Ela não iria incentivar um interrogatório, oferecendo muita informação, mas ela podia entender sua preocupação. Como ele lhe permitiu fazer perguntas sobre Rita, ela permitiria que ele perguntasse mais, mas ela manteria suas respostas curtas e diretas ao ponto. — Então vocês dois são amigos novamente ou há algo mais que eu deveria saber?

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Ela não tinha sequer percebido que seus olhos tinham estado colados ao seu pedaço de pizza até que a mudança em seu tom à fez olhar para ele. — Deveria saber? — Sim, como se você está pensando em retomar de onde pararam? — Não, claro que não. — Um simples não teria bastado. Ele olhou para ela com um sorriso no rosto, sabendo o que minha resposta significava. Ele sabia que eu tinha me decidido, mesmo que eu ainda não estivesse ponta para dizer a ele. Não que isso fosse algo que ela não estivesse perto de fazer, mas estava tudo indo muito rápido. Esta era uma enorme decisão na minha vida, que poderia acabar uma das melhores amizades que tinha feito desde Nellie. Ela precisava de mais tempo para pensar sobre isso. — Então você respondeu a ele a outra a pergunta? — Ele não perguntou — disse ela. — Eu simplesmente não tenho qualquer interesse em voltar de onde paramos. E essa era a verdade, certo? Essa era a razão pela qual ela tinha tão rapidamente e veementemente vetado qualquer ideia de que ela consideraria mesmo se reconciliar com Derek. Poderia haver uma razão maior em breve, mas por agora ela queria fazer isso absolutamente claro. Noah finalmente se afastou do balcão no qual tinha estado apoiado. — Então, se ele aparecer de novo... — disse ele pegando uma fatia de pizza. — Eu posso chutar a bunda geriátrica dele para o meio-fio? Ela teve que rir.

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— Geriátrica? — Sim, ele tem que estar perto dos cinquenta certo? Havia uma diferença de idade entre ela e Derek, mas ele não era muito mais velho. Ela sabia para onde estava indo com isso. — Ele tem trinta e seis e não, você não vai chutar ninguém em qualquer lugar. — Interessante. — Ele mastigou sua pizza quando olhou para ela por um momento. Embora o humor estivesse em seus olhos ainda havia que pouco da intensidade crua que ela viu antes, quando ela entrou. — Então ele é oito anos mais velho do que você? Ela assentiu com a cabeça. — Sim. — E Noah era oito anos mais jovem que ela, não uma grande diferença para ele, ela tinha certeza, mas havia realmente. — Mas é diferente. Seus olhos se arregalaram. — Realmente? Uau, isso deve ser bom. — Ele deu outra mordida na pizza, então limpou a boca. Houve um ligeiro retrocesso em seu tom agora. — Diga-me como você estar namorando um cara oito anos mais velho é diferente de eu namorar uma mulher oito anos mais velha? — Não é a quantidade de anos no meio, é onde as duas pessoas estão em suas vidas quando elas se encontram. — Ela nem sabia por que estava discutindo. Qualquer argumento que ela fizesse agora seria negado em breve. — Quando Derek e eu nos encontramos nós estávamos em um lugar onde nós dois sabíamos o que queríamos. — Então, isso era certo? — Não. Nada é uma coisa certa.

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— Exatamente. — Ele sorriu, mas ainda havia algum fogo por trás desse sorriso. Ele ganhou o argumento, mas ele ainda estava irritado. — E para registro — ele inclinou-se perto o suficiente para beijá-la. — Não está escrito em nenhum lugar a idade traz maturidade e responsabilidade. Parece-me que Derek e o marido de sua amiga Nellie são exemplos disso. — Ele se inclinou mais perto e beijou-a suavemente nos lábios. — Então você não quer mais

nada

com

ele

certo?

Suas

palavras

eram

auto

asseguradas, mas ela ainda podia ver a incerteza em seus olhos enquanto esperava sua resposta. Ela assentiu com a cabeça espantada com a rapidez com que ela tinha cedido a ele. Ele sorriu satisfeito e a beijou mais uma vez antes de se afastar. — Então você vai ter que ser um pouco mais específica sobre o que eu posso e não posso fazer da próxima vez que a sua bunda aparecer. Porque eu tendo a ter audição seletiva e vou dizer-lhe agora a única parte que vou lembrar é que você não quer nada com ele. — Ele sorriu antes de pegar outra fatia. — Eu já bloqueei a parte não-chutar-nenhuma-bunda. Antes de reafirmar sua regra de “não-chutar-bundas”, Hector interrompeu seus pensamentos. — Yo, Noah! — Ele chamou da sala, segurando um controle. — Vamos jogar, está no intervalo. Abel diz que eu tive sorte. Deixe-me chutar seu rabo mais uma vez. Noah sorriu para ela, encolhendo os ombros quando começou a se afastar. — Essa conversa não acabou, Noah — ela advertiu.

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Ele colocou a mão na orelha, como se não tivesse ouvido, zombando dela com aquele sorriso sexy, antes de dar as costas para ela indo para a sala. — Pelo amor de Deus você pode prestar atenção? —, Ela ouviu Abel murmurar quando Noah pegou o controle e sentou-se no chão. Gio e Hector riram e o som da televisão foi subitamente crescendo com tiros de metralhadora e bombas. Hector gritou algo sobre não ser justo, enquanto os outros riam. Abel jogou um travesseiro nele. Ele bateu em Gio que protestou em voz alta. No meio do caos Noah, de repente virou-se e olhou para ela. Ele sorriu com tanta ternura que o coração dela se virou e ela jurou que sentiu inchar. Quem teria pensado apenas alguns meses atrás, quando ela estava deprimida e sozinha nesta casa silenciosa, se sentindo gorda e completamente sem inspiração que ela estaria aqui com todos esses novos amigos. Este dia poderia ter sido de forma inteiramente diferente se não fosse por Noah e os caras. Ela ainda não tinha ouvido falar de Nellie desde o dia que ela deixou sua casa em lágrimas e sua ansiedade sobre o que estava realmente acontecendo com ela. Noah e os caras, mas principalmente Noah tinha realmente chegado ao seu coração. Por um instante, o medo estava de volta em seu coração, temia que um movimento errado, uma decisão precipitada pudesse fazer isso tudo ir embora. Então todos riram em voz alta novamente e ela decidiu deixar os medos irem por agora, já se preocupando com o beijo amigável desta noite.

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CAPÍTULO 23 O beijo de ontem à noite foi longo. Noah podia ver que estava fazendo progresso em quebrar as defesas de Roni. Ele entendia o porquê dela ainda estar hesitante em ir mais longe, ele também se preocupava. A possibilidade de algo dar errado era muito real, no entanto, não havia como não tentar. Era um risco enorme, mas que ele sentia que absolutamente valeria a pena, poderia dar tudo certo e ele estava certo de que daria. Por enquanto ele aceitaria o que ela lhe dava, sabendo que, de alguma forma, entraram em um acordo silencioso. Retomar sua vida era importante para ela e ele respeitava isso. Ela disse que queria lidar com isso antes de fazer quaisquer mudanças significativas em sua vida. Assim, ele estava contente em saber que ela não estava pensando em qualquer outra pessoa e além disso, e mais importante ainda, ela resolveu lidar com Kratz, e ele não seria mais um pé no saco, já que ele não apareceria de novo, ela disse que não estava interessada em se reconciliar com o cara, nem mesmo em termos de amizade. A luta na sexta à noite seria em quatro dias, ao invés de pensar nela, ele se concentraria nisso. Na semana passada, a luta de Abel tinha sido um enorme sucesso. A casa estava cheia e Abel disse que realmente tinha se segurado um pouco antes de nocautear seu adversário, só para dar aos espectadores, que tinham esperado por horas, um show mais longo. Mas ele alertou Noah para nem sequer pensar na possibilidade de fazer a mesma coisa, já que não era apenas uma revanche, ele também precisava enviar uma mensagem para o próximo adversário que era um cara muito mais fodão.

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Noah esperou no ringue por Abel, que saiu para atender uma chamada, e se virou para checar Roni. Tinha feito um trabalho um bom em impressioná-la com seu telefone, que poderia ter saído

pela

culatra.

Todas

essas

noites

que

ela

passou

aconchegada a ele no sofá, enquanto brincava com seu telefone, poderiam não existir. Ela dizia que assim que fizesse uma atualização em seu plano de telefonia, devolveria o seu. Nesse meio tempo, ela usava seu celular durante os treinos, o que veio a calhar esta semana já que com a proximidade da luta, ele estava treinando ainda mais, o que significava que tinha menos tempo para treinar com ela. Não que que ela ainda precisasse dele. A maioria de seus exercícios consistia em fazer uma hora na esteira, em seguida, alguns pesos para tonificar. Mas ela dizia que escutar música na hora da esteira fazia o tempo passar mais rápido. A maior parte do dia ele treinava metodicamente, sem sair do ringue. Mas quando Roni ficava lá durante a noite, era outra história, ela tinha estado um pouco para baixo por causa de tudo com Nellie. Ele a assistiu, tentando desconcentrá-la. Abel espetou-lhe com força nas costelas, fazendo Noah vacilar. Ele ainda não tinha percebido sua volta ao ringue. — Posso fazer um comentário sem que você fique todo estúpido comigo? — Abel olhou para Roni depois de volta para Noah. Se era sobre ela, ele não prometeria merda nenhuma. — O quê? — Espero você não faça a merda que fez na última luta, algumas semanas atrás.

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Noah bateu suas luvas juntas e franziu a testa, sabia exatamente onde Abel queria chegar, mas contorceu seu pescoço enquanto caminhava em torno do ringue e perguntou de qualquer maneira. — Que seria? — Ficar de olho nela e perder o foco na luta. — Eu não vou. — Cara, cada vez que ela aqui, toda noite, podemos perceber. Você a olha exatamente como fez agora. Ontem você mal podia se concentrar, quando ela caminhava pelo espaço. Você não pode fazer isso na noite da luta, Noah. Lembra do que aconteceu da última vez? — Abel desviou o olhar e olhou ao redor, sem focar em nada em particular. — Talvez seja melhor se.... Noah olhou para ele. — Se o que? — Se ela não estiver lá, sexta-feira. — Não! — Noah reteve o que ele realmente queria dizer. Que ele precisava dela lá. Tão louco quanto isso soava, mesmo que tivesse ficado chateado e distraído com o cara falando com ela durante a luta, tinha sido tão reconfortante ela estar lá. Mesmo antes, ele se sentiu muito mais em paz do que jamais esteve antes de qualquer luta. E agora, depois de tudo o que tinha acontecido entre eles, ele sabia que o sentimento seria ainda mais forte. — Não se preocupe com isso. — Ele socou Abel de brincadeira, suas palavras um pouco mais calmas. — Vou me concentrar. Eu prometo. Ele

podia

ver

que

Abel

não

convencido com suas promessas.

307

ficou

impressionado

ou


— É? Prove. Quanto tempo? Vinte minutos? Vamos ver quanto tempo você pode ficar sem olhar em sua direção. Mostreme agora! — Ele bateu forte no ombro de Noah. — Vamos, Lover boy. Vamos nessa! Noah se ressentiu por ter que forçar-se a manter sua atenção longe de Roni, mas sabia que Abel estava certo. Ainda assim, decidiu usar a irritação como vantagem e bateu duramente em Abel, não acertando seu queixo por pouco. Abel riu, agora pulando no lugar. — Aí está! Concentre-se. Talvez da próxima vez você vá acertar. — Babaca — Noah murmurou, enquanto atacava novamente mais determinado, mas Abel bloqueou. Ele atacou de novo, desta vez atingiu um dos lados de Abel. Abel riu outra vez, imperturbável pelo soco firme de Noah. — Me chame de louco, Noah, mas acho que essa merda de foco realmente funciona para você! Eles treinaram por um tempo, antes de Abel declarar o treino encerrado. A primeira coisa que Noah fez foi olhar na direção de Roni, ela estava junto à esteira, bebendo na garrafa de água e quando terminou, enxugou a testa com uma toalha. Ela olhou para ele e sorriu quando o viu olhando. — Nossa, ela está tão mal quanto você. — Abel cutucou Noah antes de sair do ringue. Noah riu, mas não disse o que ele estava pensando. Ele com certeza esperava que sim.

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Mesmo que a rotina tivesse mudado esta semana por causa do treinamento extra de Noah, uma vez que estavam em casa, tudo era felizmente o mesmo. Noah trocava os canais enquanto Verônica se deitava no sofá com a cabeça apoiada em seu colo, jogando em seu telefone. Ela ainda não conseguia acreditar na quantidade de coisas que poderia fazer com ele. Noah tinha lhe mostrado um app que ela poderia usar para ligar seu carro. Era irreal. Ela aumentava a foto dos rapazes que tinha tirado naquele fim de semana, enquanto eles estavam completamente absortos no seu jogo. Era tão bonito; parecia que suas vidas dependiam do que estavam tão concentradamente fazendo. O aplicativo que estava mexendo permitia

colocar pensamentos sobre suas

cabeças. Estava adicionando um pensamento acima da cabeça de Noah, quando bateu em alguma coisa e a tela mudou para um texto de Rita. O estômago de Verônica fez aquela coisa esquisita que fazia quando mencionavam Rita. A mesma coisa aconteceu quando viu Noah abraçar as groupies depois de sua luta. O texto era ruim o suficiente.

Desculpe, eu não vou na sua luta esta sexta-feira, minha semana vai ser louca. Mas antes que eu esqueça, queria desejar-lhe boa sorte, embora eu saiba que você não vai precisar dela. Acabe com ele, baby MUUAH!

Isso por si só foi o suficiente para acender uma fogueira dentro de Verônica. Noah tinha lhe pedido para ir vê-lo lutar? Ele disse que não tinham contato desde que ela partira. Mas foi a foto que anexada ao texto que a fez sentar-se lentamente, era uma foto de Rita e Noah em sua moto, seus

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braços em volta dele e suas mãos estrategicamente colocadas em suas coxas bem perto sua área de sua virilha. Mesmo que o sorriso de Noah mal estivesse lá, o corpo dela estava grudado ao dele e o sorriso sedutor que ela usava era o de uma mulher que tinha acabado de fazer alguma coisa ou estava prestes a fazer. O texto sob a imagem era simples: nós não somos bonitos? E a data era do dia de Ano-Novo. Um dia depois dele dizer a Verônica que a amava. No mesmo dia em que ele tinha jurado que Rita tinha passado o tempo todo dentro e que nada acontecera entre eles. — Muito bonito — ela murmurou atirando o telefone em Noah. Noah se retraiu em surpresa, mas conseguiu pegá-lo quando ela se levantou. — O quê? Ela não respondeu. Não podia. O nó preso em sua garganta a impediu de falar. Ela não tinha nada a dizer a ele, de qualquer maneira. Isso era sua culpa, quantas vezes coisas como esta tinham que acontecer antes que ela aprendesse a confiar em seu instinto. Isso causaria uma rachadura entre eles. A mesma coisa que ela tinha tido tanto medo, desde o início. Noah, obviamente, demorou para entender a conexão entre seu celular e a súbita mudança de humor. — Qual o problema? Ela caminhou até o banheiro, fechando a porta atrás dela com segurança. Mas em vez de chorar, que era o plano original, Verônica respirou fundo e enxaguou seu rosto. Não tinha dormido com ele ainda, algo em sua intuição a tinha feito resistir todo esse

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tempo e ela estava extremamente grata. Havia ainda tempo de sair e fazer algum controle de danos à sua amizade. Por mais desagradável que fosse o pensamento de estar perto de Noah com outras garotas, ou até mesmo o de ter que ouvi-lo falar sobre outras garotas, era algo que ela teria que considerar se quisesse mantê-lo em sua vida. Isso não iria funcionar. Verônica tinha acabado de afastar as lágrimas quando Noah bateu na porta. — Você está bem? Sua

voz

era

suficiente

para

fazê-la

engolir

em

seco

novamente. — Estou bem. — O que aconteceu? Você se sentiu mal de repente? — Sim, foi isso. — Essa era uma maneira de colocá-lo. — Estou bem agora. Ela ligou o chuveiro na esperança de que ele fosse se afastar, não seria capaz de falar por muito mais tempo sem que ele percebesse a tensão em sua voz. Felizmente Noah a deixou e ela pôde tomar banho em paz. O banho que ela tomou teve o efeito oposto ao que esperava. Em vez de acalmá-la, teve mais tempo para avaliar os fatos. Primeiro de tudo, Noah tinha mentido. Ela não podia ter certeza de que ele realmente dormiu com Rita no dia de Ano Novo, mas a linguagem corporal de Rita na foto fazia uma coisa bem clara: Sua visita naquele dia não tinha sido tão inocente quanto ele havia feito parecer. Em segundo lugar, Rita estava obviamente com a impressão de que Noah estava com Verônica agora. Eles viviam juntos, pelo amor de Deus! A puta falsa teve a ousadia de se oferecer para ele

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e ainda por cima mandar uma mensagem com aquela porra de foto? Ela tinha que saber que a possibilidade de Verônica ver aquilo era boa. Verônica pensou que ela tinha sido muito legal, um pouco legal demais em aceitar o fato de que o cara que ela tinha acabado de transar algumas semanas atrás, agora estava dando sua atenção para outra mulher. Talvez esta fosse sua maneira de provocá-la. A não ser, é claro, pelo fato de que Noah ficou muito impressionado porque Rita não era do tipo pegajosa, ela provavelmente não se importava de ser sua prostituta. Verônica estava tão agitada quando saiu do chuveiro, que teve que lutar contra a vontade de confrontá-lo sobre isso. Se fizesse isso se sentindo como estava agora, sabia sem sombra de dúvida que a conversa acabaria com ela gritando para ele sair de sua casa. Isso é exatamente o que não queria que acontecesse nunca. Por mais que odiasse admiti-lo, o pensamento de Noah deixar de viver com ela era algo que não estava pronta para aceitar. Ela não estava pronta para pensar sobre isso. Ainda não. Talvez com o tempo. Talvez quando voltasse para sua vida, tivesse uma vida, sem ele. Talvez, então, isto não pareça tão insuportável. Por enquanto, ela tinha que começar devagar. Dar alguns passos para trás. E, este pensamento a fez engasgar, parar com os beijos de boa noite.

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Noah ouviu a porta do banheiro se abrir e Roni caminhar para seu quarto, fechando a porta atrás dela. Levou um tempo, mas ele finalmente encontrou alguns saquinhos de chá na despensa. Camomila, perfeito. Não importava o motivo, nada melhorava uma dor de estômago como camomila. Jack jurou, e isto sempre ajudou Noah quando estava se sentindo mal. Também curava ressacas, pelo menos a parte azeda do estômago. Ele serviu a Roni uma xícara e esperou que ela saísse de seu quarto, mas ela não saiu. Depois de meia hora zapeando os canais, esperando ouvi-la, bateu em sua porta. — Está se sentindo melhor? — Ele perguntou baixinho, caso ela já estivesse dormindo. — Não muito. — disse ela com a voz soando tão estranha que o deixava nervoso. — Eu posso fazer alguma coisa? Levá-la ao médico ou algo assim? — Não, nada. Eu tomei um comprimido para dormir e está fazendo efeito. Embora o pensamento de ir para a cama sem o gosto dela em seus lábios fosse decepcionante, sua preocupação ultrapassou qualquer outra coisa naquele momento. — Talvez você não devesse ir trabalhar amanhã. — Não, tenho que ir. Vou ficar bem! Não se preocupe. Depois de dizer boa noite, ele andou com a xícara de chá para a cozinha e despejou seu conteúdo na pia. Ele limpou tudo o que tinha deixado na cozinha do jantar, algo que costumavam fazer juntos. Mesmo assistir TV sem Roni não era mais o mesmo. Noah ainda estava deitado na cama, acordado, quando o telefone tocou. Ele raramente recebia chamadas à noite, mas foi

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ainda mais estranho vinda de Hector, então ele sentou-se um pouco preocupado. — O que há, Hector? — Roni e aquele idiota do Kratz realmente saíram? A chamada por si só era anormal, mas a pergunta era ainda mais estranha. — Por quê? O telefone ficou um pouco abafado e Noah ouviu um rangido de uma porta sendo fechada. Hector baixou a voz. — Bem, você tem que prometer em primeiro lugar que não vai dizer nada para Abel. — Sobre o que? — Sobre eu estar no escritório do Deans... de novo. Noah riu. Ele sabia em primeira mão tudo sobre estar no escritório do Deans. Kratz era um idiota tão grande que fazia sentido total que o sabichão do Hector estivesse em sua lista negra. — Eu não vou. — Tudo bem, então eu estive lá algumas vezes, ultimamente, mas hoje eu notei uma foto dele com uma garota. Você sabe, um casal na neve. Eu tive que olhar mais de perto para ver quem diabos estaria com o imbecil do Kratz. — Ele riu, mas Noah já estava se sentindo muito irritado para rir. Ele sabia onde Hector queria chegar. — Eu não a reconheci no início, porque ela está usando um gorro, mas ela parecia familiar, em seguida, logo atrás havia outra foto e lá estava ela, Roni e Kratz de mãos dadas na frente da Medieval Times.

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— Sim, eles foram lá uns anos atrás, eu acho. — A irritação que sentira havia se manifestado, estava oficialmente puto. — Ele tem as fotos em sua mesa? Que porra de brincadeira caralho. Eles não tinham saído em mais de um ano e o patético ainda tinha as fotos deles? — Não, elas estavam em uma estante atrás de sua mesa. A única razão pela qual eu me levantei para ver mais de perto, era porque ele saira da sala por um segundo. Então, não é merda nenhuma? Ela realmente saiu com esse babaca? Você sabe que quanto mais eu estou perto dela, mais jovem ela parece, portanto, vê-la naquela foto com ele foi uma merda muito assustadora. —

Isso

é

porque

é.

Noah

desejava

que

pudesse

acrescentar: E é por isso que ela chutou sua bunda, mas ele podia. Essa foi a pior coisa sobre ela ter namorado um idiota. Não só tinha sido atraída por ele o namorou por vários anos, terminar não tinha sido sua escolha. Tinha sido dele. E agora estava ciscando ao redor de novo e ainda exibindo fotos deles? Isso não desceu para Noah. Ele poderia ter concordado com a regra de não-violência com Roni, mas deixou claro que não estava prometendo nada. Toda a merda que esse desgraçado o tinha feito passar na escola eram águas passadas agora. Olhando pra trás, Noah provavelmente mereceu um pouco daquilo, mas isso mudava tudo. Ele tinha feito Roni admitir uma coisa. Ela não queria nada com Kratz agora. Se o filho da puta pensava em voltar para sua vida agora, teria que passar por Noah. E Noah não poderia pensar em um jeito melhor de libertar toda a tensão que acumulara nas últimas

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semanas em torno de Roni, do que bater em alguĂŠm que quisesse tentar ficar entre eles.

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CAPÍTULO 24 Na manhã seguinte, Verônica fez questão de sair mais cedo do que o normal. Noah geralmente estava de pé mesmo antes dela, mesmo agora que tinha voltado ao trabalho, por causa de suas primeiras corridas matinais. Mas, hoje, Verônica queria passar menos tempo com ele quanto possível. Ela estava enchendo sua caneca com café quando ele entrou pela porta dos fundos. Noah usava a camiseta cinza escura com capuz que ele costumava usar todas as manhãs, e parou de repente quando a viu, tirando seu fone de ouvido e puxando o capuz para trás. — Hey. — Seu sorriso era tão sincero que aqueceu seu interior. — Você acordou. Como se sente? Ela devolveu o sorriso, tentando fazer o que tinha decidido depois de uma longa noite de reflexão e discussão mental com aquela pequena voz da razão que tantas vezes venceu, mas não tinha triunfado recentemente. Noah foi uma das melhores coisas que já tinham acontecido em sua vida. Sua mãe sempre falava de pessoas que são trazidas para a sua vida por uma razão, e ele esteve por perto quando ela mais precisou dele, mas Roni confundiu as coisas. Os sentimentos que finalmente admitiu ter por Noah tinham lhe permitido ignorar a impraticabilidade de tudo. Só porque Noah disse que a amava, não queria dizer que as coisas iriam funcionar automaticamente. Mesmo que ela tivesse a nítida sensação de que Noah pensasse que sim. Verônica sabia agora, mais do que nunca, que as relações eram uma luta. Noah não tinha a menor ideia e ela não deveria esperar que ele tivesse. Até onde sabia, ele nunca esteve em um relacionamento sério e para a sua idade era normal. Como ela, 317


Noah tinha outras coisas para, obviamente, fazer em primeiro lugar. Ela não estava mais brava por ele ter o corpo de Rita enrolado em torno dele um dia depois de dizer que a amava. Quanto tempo ela achou que ele esperaria até que ela tomasse sua decisão? Esse cara era jovem, com o desejo sexual de um garanhão, ela tinha testemunhado como o torturara a cada noite com seus beijos, o desejo era uma coisa viva nele. Ela quase se sentiu culpada por colocá-lo na posição que colocara, e então se sentiu chateada por ele ser incapaz de reprimir seu desejo quando alguém se oferecia tão facilmente. Verônica estava furiosa consigo mesma por mais uma vez não fazer o que disse que faria. Ela continuou falando sobre a necessidade de ter uma vida, ser independente, ainda que tivesse feito pouco ou nenhum esforço para isso. Em vez disso, mais uma vez lá estava ela, sentindo-se completamente perdida e sozinha, porque mesmo depois de voltar a trabalhar, tudo o que tinha feito até agora era esperar por seus treinos com Noah e passar todos os momentos livres que tinha com ele. Então, onde estava a decisão que ela tinha tomado? Ir devagar com Noah, começando com os beijos de boa noite e começar sua vida. Começando hoje. Tão rápido quanto podia, ela respondeu a Noah como estava se sentindo muito melhor e que tinha, mas não porquê, que estar no trabalho mais cedo nos próximos dias, entretanto, que estaria na academia, no mesmo horário, como sempre. Assim, quando passou por ele para chegar até a porta, ele segurou uma de suas mãos.

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— Eu senti sua falta noite passada. Sei que não estava se sentindo bem e entendo por que foi para a cama cedo, mas queria que você soubesse de qualquer maneira. Mesmo que ele tivesse acabado de voltar de sua corrida e sua camiseta e os cabelos estivessem molhados de suor, ele cheirava como fresco. Com os resquícios do banho da noite anterior, mas também como Noah. Este perfume masculino que ela só poderia descrever como o que agora sabia era o cheiro encantador de sua pele quente com uma pitada do desodorante que ele mantinha no banheiro. O desodorante que ela inalou algumas vezes, amando como isso a fazia lembrar-se dele. Incapaz de fazer o que sabia que deveria e dizer algo completamente seguro e neutro, ela simplesmente disse a verdade. — Também senti sua falta. Porém, soltou sua mão e continuou a caminhar até a porta, se ficasse lá por mais um segundo sequer, sabia o que iria acontecer. Ele tentaria beijá-la e ela deixaria, mesmo com toda sua elaborada estratégia de cuidado, seu plano já estava condenado e o dia ainda não tinha começado. — Te vejo a noite — disse ela rapidamente quanto saiu pela porta. Para sua surpresa Nellie atendeu ao telefone. Como ainda era cedo, ela estacionou o carro para que pudesse se concentrar na conversa. Nellie soava um pouco grogue e Verônica se sentiu um pouco mal por acordá-la, mas estava tão aliviada de ouvir sua voz que não estava chateada.

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— Eu prometo que vou manter meu nariz fora dos seus negócios de Rick daqui em diante. É apenas...— Não, eu preciso ouvir a verdade mesmo que doa, Roni. — Nelliie fez uma pausa, mas Verônica poderia dizer que ela tinha mais a dizer sobre isso. — Ele se foi novamente em uma viagem de negócios, disse que foi era uma mudança de última hora na sua escala, mas eu chequei os extratos bancários. Seu quarto e sua passagem aérea foram pagos semanas atrás. — Verônica prendeu a respiração silenciosamente amaldiçoando Rick e esperando Nellie continuar. — Como de costume, ele disse que eu deveria tentar e ficar com ele pelo menos um dia. A viagem é durante a semana e ele pensou que eu não iria pegar uma folga do trabalho, mas eu peguei. Estou voando para Denver amanhã. Elas falaram mais alguns minutos, com Nellie admitindo que Verônica tinha acertado em cheio. Nellie estava com medo do que poderia encontrar se surpreendesse Rick, mas estava cheia de enganar a si mesma. Ela tinha um sentimento muito ruim sobre isso e Verônica não podia culpá-la. Por qual outro motivo o filho da puta teria mentido de última hora? Depois de lhe assegurar que ela estava fazendo a coisa certa e prometendo que a manteria atualizada, Verônica desligou e continuou a trabalhar. Foi como se um enorme peso tivesse sido tirado de cima dela e ela estivesse, de repente, se sentindo muito melhor e ainda mais determinada a continuar com seu plano. Durante a tarde ela teve que forçar-se a parar de ficar obcecada com a foto de Noah e Rita. Ela perguntava quanto tempo levaria antes de ele ver o texto e perceber de repente o porquê ela se sentiu doente. Obviamente, ele ainda não tinha visto, porque ela tinha certeza que ele teria mencionado. Ela nem

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sequer queria ouvir uma explicação dele neste momento. Não importava mais. Noah era livre para fazer o que quisesse, assim como ela. Se Rita era o que queria, então que assim fosse. A menina era uma tentação ambulante, de qualquer maneira. Como de costume, Derek enviou uma mensagem perto do fim do expediente para perguntar se ela queria jantar após o trabalho e, como de costume, ela quase não respondeu. Ela falava sobre recomeçar sua vida e precisar de mais amigos, e lá estava ela fazendo isso de novo. Embora soubesse, com certeza, que nunca sobreviveria sendo “apenas amiga” de Noah, ela stava bastante certa de que podia fazer isso com Derek. É claro que teria que deixar isso muito claro desde o início. O que ela mais queria era começar a reconstruir seu círculo de amigos, tinha Nellie de volta agora e Derek faria uma boa adição. Ele sempre tinha sido bom em ouvi-la e ajudá-la a resolver quaisquer problemas que a incomodassem, apenas de que ela não tinha intenções de falar com ele sobre Noah, seu maior problema no momento, mas precisava começar a sentir-se menos dependente. Se o que ela previa realmente acontecesse ela não teria escolha a não ser se distanciar de Noah. Seria muito menos devastador se não se sentisse tão sozinha, pelo menos é o que dizia a si mesma. Ela respondeu a mensagem de Derek, concordando em se encontrar com ele em uma lanchonete. Normalmente, ela ia direto para casa depois do trabalho para pegar alguma coisa para comer, se trocar e conseguir fazer algumas coisas antes de ir para a academia, mas hoje ela poderia pular isso. Iria comer com Derek, depois voltaria para casa e se prepararia para a academia.

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Mudanças – elas já estavam acontecendo e Verônica se sentia inspirada. Primeiro Nellie, agora isso. O dia estava sendo ainda melhor do que esperava. Por mais tentada que estivesse por fazer Derek falar mais sobre o “tráfico de drogas” de Noah, não queria fazer isso com ele. Estava fazendo isso em parte para se libertar do que parecia ser um domínio de Noah sobre ela O jantar correu muito bem, com Derek insistindo que deveriam fazer isso mais vezes. Verônica concordou e Derek disse que enviaria uma mensagem novamente em breve. Eles nunca tocaram no assunto de seu remanescente relacionamento virar amizade, mas ela pretendia trazê-lo à tona quando não houvesse qualquer intenção romântica. Seria muito estranho tocar no assunto em seu primeiro jantar. Ela foi para casa, se trocou e foi para a 5th Street, como fazia ultimamente, ela estacionou na rua, porque o estacionamento estava cheio. Ela caminhou pelo estacionamento sentindo-se mais tensa a cada passo. Assim como no dia anterior, Noah estava no ringue com Abel quando ela entrou. Seu coração literalmente acelerou com a simples visão dele. Isto era loucura, o que ela tinha considerado um bom dia em sua busca por fazer mudanças e começar uma vida própria, que não girasse em torno de Noah, tinha acabado de voar para fora da porta. Seu corpo estava dizendo a ela o que sua mente tinha bloqueado durante todo o dia. Que o dia todo, aquela era a parte que mais ansiava. Saltar as escadas de sua varanda, quando tinha chegado em casa depois do jantar, e correr para se preparar para a academia deveria ter sido sua primeira pista, maldição.

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Noah sorriu enquanto ela caminhava pelo ringue em direção ao espaço para se alongar e, em seguida, apontou para o escritório. Verônica sabia o que isso significava, que ele tinha deixado seu telefone lá para ela usar enquanto treinava. Ela acenou murmurando as palavras “não hoje” e continuou andando. Ela, com certeza, não teria força de vontade suficiente para não dar uma espiada em suas mensagens e ver o que ele respondeu a Rita. Ela já tinha tido uma noite emocional, não poderia ter outra como essa. Depois de seu treino Noah a surpreendeu vindo abraça-la. Foi tão bom que ela se viu agarrada nele, retribuindo o abraço fortemente. Ele até deixou escapar um pequeno gemido quando a soltou. — Por que me senti como se não a tivesse te visto por um longo tempo? Ela sorriu e ergueu os ombros, fingindo não saber, mas sabia por que incrivelmente se sentiu da mesma maneira. Uma pequena parte dela criou esperança, talvez, não fosse tão ruim, se ele estava se sentindo da mesma maneira. Talvez não fosse tão ruim que não conseguisse parar de pensar nele ultimamente, como nesta noite, quando o tempo todo que esteve com Derek não conseguiu manter a atenção na conversa, seus pensamentos estavam em Noah. Então se lembrou da foto e estava de volta à estaca zero. Já era ruim e ela precisava sair dessa. Sua noite foi como de costume, eles comeram e assistiram televisão juntos, só que nesta noite Verônica não pediu para usar o telefone. Então ela tomou banho e Noah ficou esperando no corredor quando ela saiu do banheiro, vestindo apenas o roupão e toalha na cabeça.

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O sorriso dele era pura maldade, geralmente ele esperava que ela se vestisse, em seguida, ia dizer boa noite. Hoje à noite Verônica mal chegou à sua porta antes que o grande corpo dele já estivesse contra o dela, aumentando sua frequência cardíaca em um instante. Antes que pudesse protestar, como se não tivesse vontade, seus lábios estavam nos dela. Depois da noite passada e de um dia se convencendo de que deveria desacelerar isso, ela deveria ter tentado empurrá-lo ou, pelo menos, colocar a mão entre eles para que Noah não estivesse tão perto. Porém, ao contrário, ela o beijou de volta vorazmente, sugando sua língua até que ele gemesse em resposta. A coxa dele estava pressionada contra uma área que agora estava em chamas, ela tinha certeza de que ele podia sentir o calor até mesmo através de seu roupão de banho. Ela finalmente reuniu um pingo de força de vontade e se afastou com a respiração ofegante. — Noah — ela esforçou-se a sussurrar. — Mmm — disse ele continuando a beijar seu queixo, em seguida, seu pescoço. — Temos que ir devagar. — disse ela, se contorcendo na deliciosa sensação de sua língua em seu pescoço. — Tudo bem. — disse ele, antes de chupar o pescoço dela. Como era possível que ela sentisse isso entre suas pernas? Seu corpo arqueou em reação. Foi mágico, mas então ela se lembrou e se afastou. — Noah, sem chupões! Ele sorriu, lambendo os lábios. — Ok — Noah murmurou, enquanto enterrava sua língua em sua boca novamente. Até o momento em que ela foi capaz de pôr

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um fim ao beijo, este já havia se tornado um dos mais longos “boa noite” que já tiveram. Eles estiveram do lado de fora do seu quarto por pelo menos uns 20 minutos e seu beijo de boa noite tinha se intensificado, resultando em gemidos mal disfarçados por dela. Tanto para ir mais devagar... Ela ficou de pé dentro de seu quarto, com as costas contra a porta ainda tentando recuperar o fôlego. Balançando a cabeça, Verônica caminhou até a penteadeira e olhou para sua imagem no espelho, o tesão que a deixava desgrenhada era óbvio, até perdeu a toalha que envolvia seus cabelos. Então franziu a testa. Merda, como ele era rápido. Outro chupão. Bem no meio do pescoço, escuro o suficiente para ser muito perceptível se não aplicasse maquiagem o suficiente. Não é de se admirar que ele tenha

sorrido tão pecaminosamente quando finalmente se

afastou. Esse dia tinha se mostrado maravilhoso. Talvez tivesse perdido tentando colocar distância entre ela e Noah – e criar sua independência. Ao invés disso, ficou ali, seu corpo ainda tremendo

todo

e

se

contorcendo

em

lugares

que

doíam

desesperadamente por mais. Mesmo quando sua voz interior advertiu-a por fazer isso hoje à noite, seu corpo já estava ansioso por amanhã.

O resto da semana, continuou com Verônica determinada a seguir em frente com seu plano. De uma forma ou de outra, ela iria superar sua obsessão. Assim que tivesse a chance, falaria com Nellie sobre isso. Sua amiga era sempre tão maravilhosa em ajudar a ver as coisas sobre uma nova perspectiva. 325


Decidindo que o tempo entre o fim do trabalho e ir para academia seria seu tempo, ela organizou uma atividade para cada dia da semana. Terça-feira jantou sushi com sua colega de trabalho, Sylvia, que havia falado mais de uma vez sobre o novo lugar aberto recentemente. Então Verônica convidou e Sylvia concordou em ir depois do trabalho. Naquela noite, ela conseguiu cortar o beijo de boa noite pela metade, mas ainda foi super quente. Quarta e quinta passou seu tempo com Derek, mas não havia planejado dessa maneira. Quarta-feira concordou em encontrá-lo para uma pizza depois do trabalho, e estava indo bem até que ele perguntou

sobre

o

chupão,

o

qual

ela

tinha

esquecido

completamente, só que Derek não se referiu a isso como um chupão, apenas perguntou se era uma mordida de amor. Mortificada, negou, mas estava certa de que ele não acreditou na sua explicação.

Não sei o que é isso, talvez tenha sido o cinto de segurança roçando no meu pescoço.

Mesmo depois que mudou de assunto, ela notou que seus olhos viajavam para o mesmo lugar várias vezes. Uma das vezes seus olhos se encontraram e, embora estivesse contando sobre não ter conversado com Nellie por um tempo, ele perguntou: — Então, como estão as coisas entre você e Noah? Verônica ficou tão perplexa que se manteve em silêncio. Ela e Noah? Suas palavras eram uma sugestão, ele sabia. Ele era como Noah, tentando descobrir algo com a menor das pistas. Sentindo-se um pouco defensiva, ela disse que as coisas estavam bem, mudou de assunto e disse que tinha que ir.

326


Então, quinta-feira, depois de não conseguir falar com Nellie de novo e não ter outras ideias em mente e, não querer passar dois

dias

seguidos

com

Derek,

especialmente

agora

que

suspeitava que ele sabia mais do que deveria, ela lhe disse que ia estar ocupada com sua câmera no parque. Derek sabia exatamente qual parque ela adorava ir para fotografar, tinham passado muitos bons momentos por lá, muito tempo atrás. Ele apareceu com burritos e refrigerantes e se sentaram em uma mesa de piquenique para comer e conversar, até que ela notou que ele se distraiu por um grupo de adolescentes na mesa atrás dela. — Malditos arruaceiros! Eu sei que eles não tem boas intenções. Verônica virou, tentando ser discreta. Ela nem sequer reconheceu-os, não até que seus olhos se encontraram que percebeu que Hector estava entre os bagunceiros. Sorriu para ele, embora sentisse o ar sendo sugado dela. Os cantos dos lábios dele se levantaram um pouco, mas viu o jeito que ele olhou para Derek com curiosidade. Ver que o diretor da escola estava sentado a apenas uma mesa de distância provavelmente os deteve, fazendo com que lentamente começassem a sair, certamente com medo de tomar uma suspensão. — Algo errado? Verônica sabia que provavelmente seu rosto estava branco, pois sentiu o sangue se esvair no momento em que viu Hector. Não fazia sentido para ela se sentir como se tivesse fazendo algo por trás das costas de Noah durante toda a semana, mas de certa forma, sabia que tinha.

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Ela não havia mencionado a Noah sobre o seu “novo tempo”. Nem mesmo quando tinha ido comer sushi com Sylvia. Ela não queria que ele ficasse curioso sobre o que mais tinha feito e com quem, porque mesmo que dissesse a si mesma que tinha todo o direito de fazer o que quisesse e encontrar com quem quisesse, ela não queria que ele soubesse sobre Derek. Era apenas um daqueles assuntos que ela sabia que seriam extremamente desconfortáveis, especialmente agora que seus beijos de boa noite tinham se tornado muito mais íntimos. Ela não planejava esconder isso dele para sempre, mas imaginou que tocaria no assunto eventualmente. Ela também usou a luta dele como uma desculpa, poderia atrapalhar sua concentração ou algo assim. Noah tinha comentado no início da semana que Abel e Gio queriam que ele ficasse completamente focado e não se distrair com qualquer outra coisa essa semana. Ela sabia que isso seria, definitivamente, uma distração. Embora inicialmente o plano não tenha sido sair com Derek três dias da semana! — Não, nada de errado — disse, dando outra mordida em seu burrito. Derek deu-lhe aquele famoso incômodo olhar fixo “eu-seiquando-está-mentindo-não-sei-porque-ainda-tenta” dele. Sendo diretor, interrogar e saber exatamente quando algo está errado na era um talento seu. Ele se apegava aos menores sinais, e ela odiava isso. Não que mentir para Derek tivesse sido uma prática comum, mas mesmo pequenas mentiras, como dizer-lhe que ainda não tinha comprado o seu presente de aniversário, fracassavam. — Algumas dessas crianças são pugilistas, também. Noah os conhece por acaso?

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Sua intuição poderia ser inconveniente. Como agora, por exemplo, ela sabia onde ele queria chegar. — Na verdade, um deles era. Derek sorriu. — Eu pensei que poderia ser o caso. Então, o que assustou você? — Nada. Ele estava certo. Por que ela sequer tentava? E então, ela sabia: não era nada da conta dele, é por isso. Ela sentou um pouco mais ereta. — Roni? — O quê? — Seu tom arrogante disparou alto e claro. — Há algo acontecendo entre você e Noah? — Não! Ela respondera rápido demais. Ele a tinha pego mentindo e sabia, mas ela não admitiria qualquer coisa para ele. — Bom, porque como eu disse antes, ele só traz problemas. Se ainda está se relacionado com esses punks, então eu diria que não mudou nada. Uma vez perdedor sempre perdedor. — ele realmente falou isso. — Você pode, por favor, parar de dizer isso sobre ele? Não só Noah é meu companheiro de quarto como também é meu bom amigo e agora eu sei que, de fato, ele não é um perdedor. E como eu falei antes, ele é um grande cara. — Verônica colocou o que restava de seu burrito no saco que Derek tinha trazido — Obrigado pela comida. Eu tenho que ir. Derek ficou em pé imediatamente.

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— Peço desculpas. Você está certa. Você provavelmente o conhece melhor do que eu agora. Mas é certo que se você soubesse o que sei sobre Noah, você poderia mudar de ideia. Verônica revirou os olhos enquanto jogava a alça da câmera sobre seu ombro e pegava sua bolsa e casaco que estavam sobre o banco. — Ele engravidou uma garota, abandonou a escola e desapareceu com ela. — Verônica congelou por um segundo antes de olhar para Derek. — Acho que ele nunca disse isso para você. Verônica balançou a cabeça lentamente tentando fazer sentido. Por que Noah, que conhecia em primeira mão os que era não ter pais, viraria as costas para seu próprio filho? Não fazia sentido. — Será que ela teve o bebê? — Eu não sei. Eu não estava diretamente envolvido, mas o caso chamou minha atenção quando a mãe da menina veio solicitar informações sobre o paradeiro de Noah. Foi dito que ela precisava de uma ordem judicial para que a escola fornecesse as informações e ela nunca mais voltou. Logo depois a menina foi transferida e Noah desapareceu. — Verônica procurou no rosto de Derek quaisquer sinais de que ele estivesse mentindo, mas não havia nada mais do que preocupação e pelo que sabia, ele não era um mentiroso. — O ponto é, Roni, você parece tão convencida de que ele é um cara legal, mas eu o conheço melhor. Não estou tentando depreciar seus amigos, ok? Só estou tentando dar-lhe um pouco de conhecimento para que tipo de pessoa você abriu sua casa e pedir, por favor, que tenha cuidado. — Ele fez um gesto em direção à Hector e seus amigos. — Esses caras não são

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nada além de problemas. Eu lido com essa merda quase diariamente. E você sabe o que dizem: Farinha do mesmo saco… Verônica deve ter parecido tão surpresa quanto se sentia, porque Derek perguntou se estava bem. Ela assegurou-lhe que estava, agradeceu a informação e novamente lhe disse que tinha que sair. Noah era uma das pessoas mais leais e responsáveis que ela conhecia. Era uma das coisas que mais amava nele. A decepção foi tão grande que teve que lutar contra as lágrimas.

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CAPÍTULO 25 Noah começou seus rituais habituais para a luta de sextafeira. Pulando sua corrida matinal, teve um café da manhã saudável, litros de água durante todo o dia. Desde que a academia estaria um caos com a transmissão de rádio durante todo o dia como na semana passada, ficou em casa o dia todo. Ele nunca realmente ficava nervoso antes de uma luta e não estava muito preocupado com a luta de hoje à noite. Jack e Abel nunca gostaram de muita confiança, mas Gio parecia estar com Noah

neste

assunto.

Ele

estava

confiante

de

que

Noah

conseguiria. Com a transmissão de rádio acontecendo na academia, seus amigos não estariam passando o dia todo lá. Ambos passariam na casa de Noah na hora do almoço, o que significava que Noah teria que triplicar a massa que estava pensando em fazer. Ele tinha acabado de prepará-la quando eles chegaram. — Cheira bem — Gio disse quando se acomodou na mesa. Noah fez a coisa de anfitrião e serviu seus amigos, enquanto eles repassavam a estratégia. Abel lembrou a ele pela centésima vez das coisas que ele realmente gostaria e que precisava se concentrar. Não surpreendentemente falando em focar, trouxe o assunto de Roni. — Que horas Roni chegará lá? — Perguntou Abel. Noah sabia que Abel ainda não estava convencido de que Roni não seria uma distração e pelo que ele conhecia, Abel não estava feliz com sua resposta, mas ele não se importava. — Quando eu chegar lá. Ambos, Abel e Gio, pararam de comer e olharam para ele. — Você tem que se aquecer. — Abel lembrou. 332


— Sim, eu sei. Eu vou chegar cedo. — Ela vai estar lá enquanto você se aquece? — Desta vez somente Gio perguntou. Noah franziu a testa. — Sim, e daí? — Ele encolheu os ombros, sem se importar que seus dois amigos estivessem olhando para ele como se fosse louco. — Eu quero que ela esteja. Ontem à noite, durante o seu longo beijo de boa noite, ele a fez prometer que estaria ali com ele o tempo todo. Ela começou a dizer-lhe que poderia chegar um pouco mais tarde, mas depois de alguns beijos persuasivos ela realmente concordou em deixar o trabalho mais cedo. — Então, você não nos disse. O que Kratz estava fazendo aqui na semana passada? — Gio perguntou surpreendendo Noah pela súbita mudança de assunto. Noah olhou para cima a tempo de ver Abel lançar um olhar a Gio. Noah olhou para Gio então de volta para Abel. — Por quê? Abel deu de ombros como se ele tivesse feito a pergunta, para começar. — Curiosidade, só isso. Abel nunca tinha sido curioso sobre a vida privada de alguém, e ele era tão discreto quanto era intrometido. Noah o pegou tentando dar uma olhada novamente a Gio. Não sabia o que fazer com isso, mas ele parecia irritado ou algo assim. — Eles costumavam sair — foi tudo o que Noah disse. — Será que ela vai começar a sair com ele de novo? — Perguntou Gio.

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Abel jogou seu guardanapo na mesa e sentou em sua cadeira, obviamente muito irritado agora. Assim, tanto irritado quanto confuso com a reação de Abel, Noah virou-se para Gio. — Claro que não, ela não vai. — Em seguida, virou-se para Abel. — E o que há com você? — Nada — Abel disse balançando a cabeça, em seguida, olhou para Gio. — Eu só acho que falar sobre isso antes de sua luta é uma má ideia. Você tem uma parada difícil o suficiente para focar agora que ela está por perto, e pensar nela e na porra do reitor não vai ajudar. Noah não podia deixar de se sentir um pouco chateado que seus amigos iriam pensar que ela estava ainda interessada em qualquer coisa com seu ex, quando as coisas entre Noah e ela obviamente

tinham

progredido.

Mas

nenhum

deles

tinha

qualquer forma de saber o quanto sua relação tinha progredido, e ele sabia que tinham boas intenções. — Sim, bem, não há nada acontecendo com ela e a porra do decano, então não há nada para eu pensar, tudo bem? — Ele levantou da mesa e levou seu prato para a pia. — Será que vocês dois podem apenas relaxar? Isso vai ser bom. Eu consigo. Confiem em mim. Ele os viu trocarem olhares e, em seguida, Gio assentiu. — Ok, não falarei mais sobre isso antes da luta. — Obrigado. — Abel acrescentou, mais uma vez a sua atitude sobre a coisa toda pareceu um pouco estranha, mas Noah decidiu apenas deixar quieto.

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— Ou depois. — Disse Noah sentindo-se ainda mais irritado agora. — Roni não quer ter nada a ver com esse otário, então não há nada para falar. Gio não disse nada, apenas olhou para Noah e balançou a cabeça, em seguida, olhou para Abel, que estava olhando firme para ele. Foi tudo muito estranho, mas Noah se isolou até a luta. Abel estava preocupado com a concentração de Noah, e era verdade, Roni era uma distração. Mas ele mostraria a todos eles hoje à noite que poderia fazer isso mesmo com ela lá o tempo todo. Ele conseguiria. Não os queria sempre tentando convencê-lo de que tê-la lá da próxima vez seria uma distração. Isso não aconteceria. Eles terminaram de comer e Abel e Gio saíram. Noah juntou suas coisas e sentou no sofá para esperar por Roni. Pela primeira vez naquela semana, ele finalmente teve um momento para recuperar o atraso na leitura dos e-mails e textos. Toda a semana, ele praticamente ignorou tudo do lado de fora da academia, exceto Roni. É o que ele sempre fazia em semana de luta. Ele clicou através dos vários e-mails sem abrir e textos que ele tinha recebido naquela semana, surpreso ao ver o nome de Rita perto do topo de suas últimas mensagens, uma vez que ela não tinha enviado a ele qualquer coisa em meses. Mas ele não tinha nada de novo para ela. Não querendo o seu nome lá em cima, ele clicou nele para apagar tudo o que tinha dela. O que viu o fez sentar-se ereto. — Que porra é essa? Ele rolou para baixo, em seguida, viu a data. Levou um minuto para descobrir o dia em que o texto tinha sido enviado, mas mais preocupante foi o fato de que tinha sido aberto. A única

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pessoa que alguma vez usou seu telefone foi Roni. E se ela tivesse visto essa merda? Esta semana inteira tinha estado um pouco estranha, mas ele pensou que era apenas por causa da luta e a mudança na programação de Roni. Ele notou sua atuação um pouco diferente no início da semana, mas não tinha pensado muito nisso desde que ela não estava se sentindo bem. Em seguida, houve o fato de que ela e Nellie estavam se falando novamente e ele pensou que ela deixou seu humor estranho, mas olhando para trás, notou agora que a estranha vibração tinha estado lá toda a semana. Poderia ser isso? Ele ainda estava sentado lá tentando descobrir isso, quando, como prometido Roni chegou em casa mais cedo. — Deixe-me pegar meu casaco mais leve. — Ela correu para o armário da frente. — Você está nervoso? — Ela se virou para Noah sorrindo muito, mas ele viu a preocupação que ela tentou esconder em seus olhos. — Nem um pouco. — Não sobre a luta de qualquer maneira, mas outra coisa o estava incomodando agora. Noah não estava prestes a entrar no ringue com isto em sua mente, então ele decidiu simplesmente perguntar a ela. Ele se levantou e deu alguns passos em direção a ela, quando ela pendurou o casaco pesado em um cabide, em seguida, colocou-o no armário. Ela tirou seu casaco leve. — Roni — Ele não hesitou, tendo a certeza que seria como abrir uma lata de vermes. Nos últimos dias ele decidiu que, mesmo se não tivesse sido dito, ele e Roni estavam em um relacionamento. Não importava o que ela disse ou o quanto ela faria isso oficial, o que estava acontecendo entre eles agora era

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muito real. Ele sentia isso todas as noites quando dizia boa noite e sabia que ela também sentia. Não havia como negar isso, e como ele havia dito antes, se tivesse visto a foto de Rita abraçada com ele, ela merecia uma explicação. Ela estava olhando para ele agora um pouco confusa, mas o sorriso nervoso ainda estava lá. — O que foi? — Você uh... você por acaso viu a foto que Rita me mandou em

uma

mensagem

esta

semana?

O

sorriso

se

foi

instantaneamente e ele sabia que ela tinha visto. Ele correu para ela. — Por que você não me contou? Eu já expliquei. Ela balançou a cabeça evitando seus olhos, mas ele viu a expressão de dor no rosto e então ele pegou a mão dela. — Olha, ela pulou na minha moto quando eu estava saindo da casa do tio de Gio. Ela disse a Hector para tirar a foto, mas foi só isso. Então ela saiu e eu fui embora. Ele a puxou para mais perto e ela finalmente olhou para ele. — Você disse que vocês dois não tinham um relacionamento fora das férias. — Nós não temos — disse ele, em seguida, acrescentou com firmeza: — E nós não temos mais durante as férias também. — Será que você pediu a ela para vir ver sua luta? — Ela estava com raiva e ele podia ouvir em suas perguntas, ver em seu olhar, mas ele estava feliz. Isso significava que ela sentia que tinha o direito de estar. — Não, eu não pedi. É por isso que você tem estado tão estranha durante toda a semana? — Ele acariciou seu rosto e ela fechou os olhos ao seu toque, mas não respondeu. — Você deveria ter dito alguma coisa, Roni. Quando você viu isso?

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— Domingo — ela sussurrou. — Quando nós estávamos assistindo TV à noite. Eu não queria, isto só apareceu e.... — Foi por isso que foi para a cama cedo? Quando você disse que estava de repente se sentindo mal? Ela assentiu com a cabeça e ele passou os braços em torno dela se sentindo um lixo. — Sinto muito. Mas eu juro que nada aconteceu. — Ele se afastou para olhar para ela, de repente preocupado. — Você acredita em mim, certo? Pensamentos de ver a foto em sua câmara escura vieram até ele. Bastou ver seu nome em conexão com outro cara para virar seu estômago, e nada tinha ainda acontecido entre ele e Roni naquele ponto. Não só fazia desta foto dele e Rita muito pior, mas circunstâncias eram totalmente diferentes agora. Ele prendeu a respiração enquanto esperava pela resposta dela. — Eu sei que ela é prima de Gio e sua amiga, mas eu não gosto mais dela. Não era exatamente a resposta que ele estava esperando, mas entendeu completamente. Ele iria manter o comentário de Rita sobre não ter um problema em dividi-lo, mas ele sabia que era onde o pensamento de Roni estava. — Eu sei que não somos... — Somos. — Noah corrigiu. — Talvez não oficialmente, não até que você esteja pronta, e você pode levar todo o tempo que quiser, mas aqui mesmo. — Ele bateu em seu coração. — Eu já sinto isso. Roni sorriu, então sua expressão ficou séria de novo.

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— E ela acha que estamos juntos? Então, por que é que ela ainda está fazendo coisas assim? — Eu não sei, mas vou cuidar dela. — Seu telefone tocou em sua mão e ele o olhou. Era Abel. — Isso não vai acontecer novamente. Nem com ela. Nem com qualquer outra pessoa. Eu prometo. — Antes que ele fosse para o texto de Abel que era, provavelmente, apenas querendo saber onde ele estava, Noah sabia que estava ficando tarde, havia algo que ele precisava deixar claro com Roni primeiro. — Você acredita em mim certo? Este era provavelmente o maior obstáculo que teve que superar com ela. Com todo o resto de lado, ele sabia que esse era o maior obstáculo para ela. Que ele não estava pronto para ser sério. Não estava pronto para desistir de todas as outras atenções do sexo feminino devido à sua idade, mas ele nunca se sentiu tão pronto para qualquer coisa em sua vida. A única atenção, a única pessoa que queria agora era ela. E ele precisava que ela acreditasse nisso. Ela olhou para ele por um momento, e depois assentiu com um leve levantar do canto dos lábios. O alívio foi tão grande, e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, seus lábios estavam nos dela. Noah beijou-a longa e profundamente como ele tinha feito toda a semana. Ele sentiu toda a semana e ele sentiu isso agora. Este negócio de beijo somente à noite não ia durar muito mais tempo. Ele queria ser capaz de fazer isso com ela quando e onde ele quisesse. Toda vez que ele a beijava agora, podia senti-la cedendo mais e mais para a ideia. Tão animado quanto isto o deixou, ele finalmente teve que parar de beijá-la quando seu telefone tocou em sua mão novamente.

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— Tenho que ir — ele sussurrou contra seus lábios. Ela lambeu os lábios e enrugou o nariz. — Está tudo bem em admitir que estou ainda mais nervosa dessa vez do que da última? Ele sorriu, esperando que fosse porque ela se preocupava mais com ele agora do que antes. As coisas definitivamente mudaram muito desde então. — Sim, está tudo bem. Mas não se preocupe, eu vou ficar bem. Beijou-a uma última vez antes de relutantemente ter que soltá-la e pegar suas coisas no carro.

QUINTANILLA VS MACHADO Só o banner já era suficiente para deixá-la nervosa, quando alcançaram a 5th Street. Roni sentiu no momento em que entrou na academia com Noah. Ele pegou a mão dela enquanto caminhavam por entre a multidão já se reunindo. Um rebanho de pretensas groupies a encararam enquanto caminhavam por elas e todas elas alegremente desejaram sorte a Noah. Roni olhou de volta para todas elas e sorriu docemente. Noah estava fazendo uma declaração e agora ela também. A decisão sobre ir em frente em seu relacionamento com Noah foi se tornando mais clara. Nada a fazia mais feliz do que estar com ele, e o que importava se ela não tinha um milhão de amigos ou outras coisas acontecendo. Quem disse que ela tinha que ter tudo definido antes de ir a diante com Noah? Ela podia fazer as duas coisas ao

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mesmo tempo. Havia apenas algumas coisas que queria acertar com ele. Ela tinha ficado tentada a responder aos textos de Derek durante todo o dia, mas não conseguiu. Ele pediu desculpas novamente por ter despejado um monte de merda nela sobre Noah. Já que ela não tinha respondido a qualquer um dos seus textos, ele parecia convencido de que ela estava chateada com ele, e tinha até mesmo ligado e deixado um longo correio de voz sobre como ele ainda se preocupava com ela e estava apenas cuidando dela. Sua sincera preocupação era o que a deixava nervosa. Por mais que ela soubesse sobre Noah, ainda havia muito que não sabia. Como por que ele tinha abandonado a escola. Ele teria alguma vez voltado para pegar o seu diploma? Mas, o mais importante, é que ele realmente tinha um filho por aí, e por que ele não queria ser uma parte de sua vida? E sobre o tráfico de drogas? Era tão diferente dele, mas ele também era diferente de Derek para fazer algo como isso. O que mais ela não sabia sobre ele? Abel, Gio e Jack preparavam Noah no vestiário. Parecia estranho estar no vestiário dos homens, mas desde que havia luta hoje à noite, foi fechado para uso, apenas para os dois lutadores. Havia duas áreas separadas para os lutadores e para mais ninguém, mas o grupo de Noah estava em sua área. Verônica tentou ficar fora do caminho. Ela tinha a nítida sensação de que ninguém mais estava confortável com ela lá, apenas Noah. Mas ele deixou claro que a queria por perto. Ela se sentou em um banquinho perto da mesa onde Noah sentou, enquanto Abel enfaixava suas mãos. No momento em que Hector

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entrou, uma tensão inegável encheu a sala. Uma tensão que apenas Noah e talvez Jack ignoravam. Hector deu a Verônica um aceno de cabeça, mas era tão diferente da maneira lúdica de costume, com a qual ele a cumprimentou recentemente. O olhar de advertência que Abel lhe deu também não passou desapercebido. Certo, então ela sabia. Todos sabiam sobre Hector vê-la com Derek no parque. Assim como ela, eles estavam provavelmente esperando até depois da luta para dizer a Noah, porque ele obviamente não sabia ainda. Ela pensou em contar a ele na noite em que chegou em casa do parque. Queria tanto perguntar a ele sobre as coisas que Derek lhe contara, mas dizer-lhe sobre o parque significaria ter de contar também sobre vê-lo as outras duas vezes naquela semana também. Ela conhecia Noah agora suficientemente bem para saber que não iria mais além, e ela realmente esperava que pudesse adiar até depois da luta para contar-lhe. Agora, estava agradecida que os caras tinham o mesmo pensamento, mas depois de sua conversa sobre Rita antes, ela estava ainda mais preocupada com isso agora. Admitindo que ela tinha tido uma semana longa, decidindo se distanciar de Noah apenas para voltar para casa todas as noites para ficar ainda mais perto dele do que ela jamais tinha feito antes, não ia fazer nenhum sentido. Isso soava ridículo até mesmo para ela. Ela explicaria da única maneira que poderia. Não importava quão duro a cabeça tentasse ditar o que devia fazer, conseguir uma vida que não girasse em torno de Noah, o coração e a reação de seu corpo quando ela estava perto dele sempre vencia.

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Justificativa não tinha mais a menor chance. Seu corpo agora só fazia o que realmente queria. Ele a tinha sob controle e, neste ponto, mesmo ele tinha que saber disso. Ela só esperava que ele pudesse entender por que ela tentou combatê-lo em primeiro lugar. Noah terminou o aquecimento e o radialista anunciou que estava quase na hora da luta. A multidão começou a aplaudir quando ele se levantou. Verônica se levantou, pronta para ir encontrar perto do ringue o assento onde tinha certeza que Noah tinha reservado para ela. — Espere, Roni. Noah estava de volta na mesa onde Abel tinha estado preparando seu rosto com vaselina. Ele estendeu uma luva para ela e fez sinal para que ela fosse até ele. Ela foi, e quando estava perto o suficiente, viu a vaselina acentuando o pequeno nódulo que ainda restava do soco que ele tomou na véspera do Ano Novo. Ela tocou o nódulo com os dedos. A única coisa que Noah teimosamente se recusou foi ser verificado por um médico, dizendo que o inchaço era normal, e com o tempo desapareceria completamente do rosto. — Tem certeza que está tudo bem você lutar com essa coisa ainda aqui? — Sim, tenho certeza. — Ele sorriu, abraçando sua cintura e puxando-a para si. Seu coração acelerou, porque, exceto outro dia, quando ele a abraçou abertamente na academia, ele nunca tinha feito isso na frente dos caras. — Me deseja sorte? — Claro. — Ela sorriu de volta e, em seguida, fez o que disse que

ia

fazer

daqui

em

diante,

profundamente.

343

se

inclinou

e

beijou-o


Ela se afastou lentamente e Noah finalmente a deixou ir, enquanto a multidão do lado de fora ficava mais barulhenta. Noah saiu da mesa e todos eles saíram juntos. A luta começou bem o suficiente. Noah parecia estar muito mais focado e no controle do que na última luta. A multidão era muito maior e mais barulhenta desta vez, o que parecia alimentar a adrenalina de Noah. Verônica se sentou na borda do seu assento, com as mãos indo para seu rosto cada vez que o adversário de Noah conseguia um soco, o que, para seu alívio, não era frequente. Noah parecia estar fazendo a maior parte. Em seguida, seu adversário encaixou uma boa direita que pegou no local no qual Verônica estava preocupada. O caroço no lado de seu rosto. Ver Noah balançar fez a multidão ficar louca. Todo mundo estava em pé, incluindo Verônica, cujo coração estava em sua garganta enquanto observava Noah tentar se estabilizar. — Volte para lá, Noah! Agora! — Abel gritou. Noah fez exatamente isso, e desembarcou dois bons golpes. A multidão gritou e Noah jogou o seu adversário nas cordas. Ele desembarcou outro soco sólido no intestino do homem, pouco antes do sino soar e o árbitro intervir para separá-los. Esta era definitivamente uma parte da vida de Noah que ia levar algum tempo para se acostumar, por Deus se ela não já estava à beira das lágrimas. Vê-lo ser nocauteado de forma tão inesperada no Ano Novo tinha sido horrível o suficiente, mas observar e esperar sabendo que poderia acontecer novamente era pior. A próxima rodada foi muito melhor, e mesmo depois de Noah conseguir um duplo que quase levou seu adversário à lona,

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estava começando a se parecer com a luta que poderia vir a ser uma

decisão.

Então Noah

conseguiu

um

soco

sólido

na

mandíbula do cara e ele finalmente caiu, segundos antes da campainha soar. Noah foi mais uma vez declarado vencedor por nocaute. A coisa toda era agridoce, e Verônica tinha a sensação de que era assim que sempre seria. Ela observou e enquanto todos em torno dele sorriam e aplaudiam, ela se concentrava na expressão. Mesmo que ele sorrisse para ela, e sorriu de novo quando levantou seu braço anunciando que foi o vencedor, ela podia ver que ele estava com dor. Já no vestiário, ele admitiu ter uma puta dor de cabeça, mas disse a ela para não se preocupar, que era normal. Jack deu-lhe alguns analgésicos com codeína e sua noite proposta para celebrar foi oficialmente adiada. Gio anunciou imediatamente que daria um churrasco no dia seguinte em sua casa. No momento em que chegaram em casa, Noah já estava se sentindo

sonolento.

Verônica

pensou

que

eles

poderiam

realmente pular seu beijo de boa noite, mas quando eles chegaram à porta do quarto Noah puxou-a para si. — Fique comigo esta noite, por favor? Eu prometo que vou ser bom. — Ele sorriu, mesmo através de uma careta de dor. — Inferno, com essas pílulas, se eu tiver sorte, vou ficar acordado mais alguns minutos ainda. Não havia maneira de Verônica dizer agora. Se não fosse pelas pílulas, ela provavelmente teria dito não a qualquer outra coisa. Depois de vestir suas calças de pijama e uma camiseta, subiu na cama com ele, e ele imediatamente passou os braços em

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volta dela, de conchinha. Era tĂŁo perfeito que ela se perguntou se conseguiria alguma vez voltar a dormir sozinha novamente.

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CAPÍTULO 26 Noah ignorou sua corrida na manhã seguinte. Estava se sentindo melhor, a dor de cabeça se foi, mas a decisão de sair da cama mais cedo, ou ficar na cama na qual estava com Roni, estava fora de questão. Ele virou o alarme interno e caiu no sono com Roni em seus braços. Eles dormiram tão convenientemente que já estava perto das dez quando percebeu que Roni não estava mais na cama. A porta do banheiro se abriu enquanto ele caminhava para o corredor para investigar onde ela tinha ido. Ela saiu e sorriu. Bastou vê-la sozinha para respirar profundamente. Ele a puxou para si após encontrá-la a meio caminho no corredor. — Como está se sentindo? — Perguntou ela tocando o lado de seu rosto suavemente com os dedos. — Bem melhor. Não tenho mais dor de cabeça. — Ele lhe deu um selinho em sua boca, degustando a pasta de dentes nos lábios. — Você se levantou agora? — Na verdade, eu estava pensando em ficar na cama. — Seu sorriso malicioso com o brilho nos olhos dela fez seu coração acelerar. — Te encontro lá em dois minutos. — Ele praticamente correu para o banheiro, ouvindo-a rir atrás dele. Depois de cuidar dos negócios, ele escovou os dentes e estava de volta no quarto em menos de dois minutos, como prometeu. Ela já estava em sua cama mexendo em seu telefone quando ele entrou. — Eu não posso esperar para atualizar essa coisa — disse ela, colocando-o na mesa de cabeceira ao lado da cama. 347


Ele se arrastou ao lado dela deslizando a mão em sua barriga. — Quando é que o seu contrato termina? — Na próxima semana. — Ela sorriu grande. — Na próxima semana? — Perguntou ele contra seu ouvido, fazendo-a se contorcer. — Então você pode fazer agora. — Ele beijou abaixo da orelha passando a perna por cima dela. — Eles geralmente permitem que você atualize alguns meses antes do final do contrato. Sua mão vagou livremente por sua barriga e fez o seu caminho até sua camiseta de algodão, desacelerando apenas quando chegou ao seu seio. Sentindo o seu coração bater mais forte e sua própria respiração acelerar, ele parou e olhou em seus olhos por qualquer objeção. Uma coisa estava clara, qualquer conversa sobre telefones era a coisa mais distante de sua mente agora. Ela colocou os braços em volta em seu pescoço e puxou-o para mais perto. Beijou-a profundamente, a mão acariciando seu peito, e ela gemeu baixinho contra seus lábios. Era um som que tinha ouvido várias vezes na semana passada, e adorou. Ele estava tão pronto para fazer amor com ela, mas havia uma coisa que o estava deixando louco, o pensamento sobre o caso de ela não estar pronta para isso ainda. — Eu quero provar você — disse ele em sua boca, parando quando sentiu seu corpo congelar. Seus olhos arregalados ficaram ainda mais largos quando ele acrescentou, — em todos os lugares. Ela engoliu audível, o fazendo sorrir. — Alguma vez você já teve um orgasmo através do sexo oral?

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Ela balançou a cabeça lentamente o fazendo sorrir ainda mais. — Bom, vou ser o primeiro. Sua resposta meio que o surpreendeu, especialmente na idade dela, mas, em seguida, ela havia dito que Kratz tinha sido seu único relacionamento sério e de alguma forma ele duvidava que na sua idade fosse idiota para isso. Para Noah, desde Tessa, tornou-se seu fetiche. Um que ele tinha aperfeiçoado ao longo dos anos. Ele foi até o pescoço dela, sugando ligeiramente depois de beijar sua pele macia. — Sem chupões — disse ela se contorcendo. Oh, não, haveria mais chupões vindo em sua direção. Colocar sua marca nela tinha se tornado mais um de seus fetiches. Nada tinha sido mais agradável do que ver suas marcas inconfundíveis no pescoço após seus exercícios, quando a maquiagem que ela tinha usado anteriormente para encobri-los tinha saído. Levantando a camiseta dela, trouxe os lábios para seu peito. Ouvindo-a gemer enquanto chupava seu mamilo o deixou mais quente do que o inferno, e ele chupou ainda mais forte. Ele finalmente começou a trilhar seu caminho para baixo, quando notou a marca que deixou em seu peito. O porque isso o excitou tanto, ele não sabia, mas se sentia pronto para explodir. Ele beijou a marca uma última vez antes de iniciar sua trilha de beijos para baixo em sua barriga. Seu corpo tremia quando seu dedo foi para o cós macio de sua calça de pijama. Puxando para baixo em seus quadris, ela ergueu-se para tirá-la e teve que parar para recuperar o fôlego quando viu que ela estava depilada. Sua respiração travou por

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um momento, quando pensava em todos os outros lugares que ele poderia deixar a sua marca. Começando com sua coxa suave, ele beijou e chupou, amando como seu corpo reagia a sua língua, seus lábios. Lentamente, ele desceu para o seu mais privado lugar, parando novamente para recuperar o fôlego, tentando acalmar seu coração, impedindo-se de explodir ali mesmo. Ficando o mais calmo possível, ele mergulhou para o primeiro gosto. Era tão bom quanto ele pensou que seria e ele lutava para se segurar para não devorá-la, quando a degustação dela o fez se sentir como um animal selvagem. Ele queria que a primeira vez dela fosse tão longa quanto possível, mas ela já estava gemendo e seu corpo tremia quando cada uma de suas lambidas ficou ainda mais forte. Ele trabalhou nela gradualmente, meticulosamente curtindo cada resposta e solavanco que seu corpo fez com a sua língua o acariciando. Não havia outra maneira de descrevê-lo, apenas como o céu. Ele sabia que fazer isso para Roni seria uma experiência diferente de qualquer outra que ele já tinha tido, mas foi incrível. Ele poderia continuar por dias e não ter o suficiente. Incapaz de segurar mais a necessidade, seus lábios e língua foram para matar. Suas costas se arquearam e ela ergueu os quadris levemente, estremecendo novamente e novamente até que gritou em delírio. Sua língua continuou mesmo quando ela começou a implorar para ele parar, que ela não podia aguentar mais. Satisfeito e quase lá, ele a beijou uma última vez antes de deitar ao lado dela com o corpo ainda estremecendo.

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Em algum lugar à distância, até mesmo antes, quando ele sentiu como se nada mais existisse em torno dele, pensou ter ouvido o telefone tocar. Agora que todos os seus sentidos estavam voltando, ele sabia que estava. O telefone de Roni tocou no criado-mudo, mas ela não respondeu. Ela ainda estava deitada ali com a mão sobre o peito, tentando recuperar o fôlego. — Eu acho que aproveitei mais do que você. — Ele se deitou ao lado dela, puxando seu corpo agora nu para ele. — Isso não pode ser possível. Ele podia sentir seu coração agora. Rápido e forte contra o peito. — Oh, acredite em mim. É muito possível. — Ele beijou sua bochecha. — Eu já não posso esperar para fazer novamente. Ela se virou para ele com os olhos tão grandes como quando ele lhe disse que queria saboreá-la. — Eu não acho que meu coração possa ter mais nada. Ele riu, assim que o telefone tocou de novo. Desta vez, ela estendeu a mão para ele olhando para a tela. Ela sentou-se tão rapidamente que o surpreendeu, e atendeu. — Margaret, o que é? Suas pernas estavam ao lado da cama em um instante e ela agarrou sua camisa segurando-a na frente dela em uma tentativa de encobrir-se novamente, mas parecia chateada. — Não, eu tenho ligado para ela durante toda a semana, mas ela não respondeu ou retornou minha ligação. — Noah esperou, preocupado com o pânico na voz de Roni. — Eu vou para aí. Assim que ela desligou, levantou-se e jogou a camisa sobre a cabeça.

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— O que há de errado? — Noah chegou à beira da cama e se levantou. Roni balbuciou algo sobre Nellie finalmente confrontar o marido bastardo traidor e encontrou-o com outra mulher. Margaret era a mãe de Nellie e apenas ver o nome dela em seu identificador de chamadas tinha apertado o botão de pânico de Roni, já que ela nunca ligava. Ela pediu-lhe para vir para casa e ajudar colocar algum sentido em Nellie, porque, aparentemente, Nellie tomou um mar de pílulas para dormir nos últimos dias, não respondeu a nenhuma de suas chamadas e nenhum deles sabia o que estava acontecendo, até que pararam em sua casa sem aviso prévio. — Quer que eu vá com você? — Perguntou, a seguindo em seu quarto. — Não, pode ser que eu fique lá o dia todo. — Ela parou, uma careta lamentável substituindo a preocupação selvagem em seu rosto. — Eu provavelmente vou perder o seu churrasco. Noah acenou. — Não se preocupe com isso. Acalme-se antes de dirigir — disse ele, andando alguns passos em direção a ela e a abraçou. — Relaxe, está bem? — Ele beijou sua testa. — Ela vai ficar bem agora que você estará lá. Ela sorriu, e ele esperava que ela soubesse que ele realmente quis dizer isso. Ter Roni por perto fazia tudo muito melhor. Ele não tinha certeza de como explicar isso. Tudo parecia mais brilhante e melhor. Ele a fez prometer que iria checá-la e deixá-lo saber como iam as coisas e prometeu que tudo daria certo.

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Sentindo-se um pouco culpado sobre o quão quente seu beijo de adeus foi para ela, ele teve de se desculpar timidamente. Sabia que ela estava preocupada com sua amiga e ele estava sendo insensível, mas não poderia evitar. Provar sua boca e sugar seus lábios lhe dava memórias vívidas do que ele tinha feito com ela antes, trazia para fora o animal selvagem nele novamente. Depois que ela saiu, ele tomou banho e foi para Gio. Uma vez que este churrasco era para ele, e uma vez que estar em casa sem Roni seria apenas chato, decidiu chegar cedo e dar uma ajuda para arrumar as coisas, fazer uma corrida para o mercado com ele e comprar qualquer alimento que ele tivesse a mão. Não era de surpreender que Abel e Hector tiveram o mesmo pensamento. Eles já estavam lá quando ele chegou. Eles tinham Hector com a mangueira lavando o chão de cimento e entre Noah, Abel e Gio, eles trouxeram as mesas dobráveis da garagem. — Droga. Quantas pessoas você convidou, Gio? — Não muitas, mas uma vez que é o aniversário de Pria em poucos dias, minha mãe pensou que ela teria um bolo e acabou convidando alguns familiares. Todas as irmãs de Gio eram mais jovens, mas Pria era a mais jovem e irascível. Noah compartilharia seu churrasco com qualquer uma delas, mas estava especialmente feliz por ter sido ela. Embora desejasse que soubesse mais cedo; ele poderia ter conseguido alguma coisa. Eles terminaram de arrumar as coisas e as pessoas começaram a chegar. Descobriu que a mãe de Gio tinha ido ao mercado naquela manhã para comprar todo o material e não pegou um centavo de Noah quando ele se ofereceu para pagar.

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Uma coisa que ele insistiu com Gio era que estava dando dinheiro para a bebida. Havia muita e sabia que estaria tomando alguma. Não foi até mais tarde naquele dia que Noah recebeu a mensagem de Roni confirmando o que ele já tinha pressentido. Ela não iria ao churrasco. As coisas estavam muito ruins e ela disse que explicaria mais tarde, mas queria ficar com Nellie mais tempo. Sentindo-se um pouco desapontado, especialmente porque já sentia falta dela, Noah disse para não se preocupar e que a veria em casa mais tarde. Noah ficou lá por mais algumas horas, ficando um pouco tonto, depois lembrou-se que iria para casa em sua moto então era melhor parar. Já estava escuro e ele estava especialmente vulnerável. Pois ele estaria invisível para a maioria dos motoristas no escuro, além de não ter os reflexos mais rápidos adicionados ao perigo. Ele parou de beber e pegou uma água. Roni mandou uma mensagem a ele para dizer que estava em casa agora, como ele pediu a ela para fazer mais cedo, mas disse que estava muito tarde para sair. Mesmo que ela lhe assegurasse que estaria bem com ele ficando o tempo que quisesse, o animal selvagem de Noah já estava revivendo e ele não conseguia pensar em nada melhor do que dizer que estaria chegando em casa em breve. Ele deixou de fora a parte sobre ter mais um pouco água antes de pegar sua Moto. Gio estava olhando para ele quando terminou de enviar o texto. — Será que era Roni? Noah assentiu.

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— Sim, ela acabou de chegar da casa da sua amiga e disse que está cansada demais para descer. — Que amiga? — Gio perguntou quando Abel entregou-lhe uma cerveja e em seguida, tentou entregar uma a Noah. Noah balançou a cabeça mostrando a Abel sua água, em seguida, sorriu perguntando por que fazia diferença para Gio com que amiga Roni estava, mas respondeu de qualquer maneira. — Sua amiga Nellie. Gio e Abel trocaram olhares. Os mesmos malditos olhares que eles trocaram no dia da luta. Então ele teve que perguntar: — O que? — Você disse que ela não quer ter nada a ver com Kratz, certo? — Gio perguntou tomando um gole de sua cerveja. — Sim, foi o que ela me disse. — Noah respondeu com confiança, mas incomodou que eles estivessem trazendo essa merda à tona de novo. — Como, eles não são mesmo amigos ou qualquer outra coisa? — Perguntou Abel. Noah respondeu com um aceno de cabeça, mas não disse mais nada. Em vez disso, tomou um gole de água. — Mas ele apareceu na casa dela? — Gio levantou uma sobrancelha. —Isso não é um pouco contraditório? Contraditório? A palavra só o irritava ainda mais. Será que ele estava dizendo que Roni estava mentindo? — Ela não o convidou e ela não o tinha visto em anos. Sua bunda simplesmente apareceu do nada. Abel e Gio trocaram outro olhar. — Que porra é essa? Onde vocês estão querendo chegar?

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Abel deu de ombros e chamou Hector. Noah ficou ainda mais confuso agora, e viu quando Hector parou na mesa do lanche. Isso o irritou ainda mais. Ele desejava que eles parassem de falar. — Pode não ser nada — disse Abel, quando Hector fazia seu maldito caminho até a mesa de lanche. — É só que ela saiu com ele antes de ela dizer que não quer nada mais com ele, só faz o que Hector viu parecer ainda mais estranho. — Parece que está ficando sério... pelo menos você está — acrescentou Gio. — Nós apenas queremos ter certeza que você sabe onde está se metendo, Noah. Isso é tudo. Como Abel disse, isso pode não ser nada. — O que poderia não ser nada? — Sua irritação se desviou um pouco para nervosismo. Que diabos Hector tinha visto? A bunda de Hector finalmente chegou até onde eles estavam. — Diga a ele o que você me disse quinta-feira à noite. — Abel acenou com a cabeça na direção de Noah. Hector virou para Noah parecendo um pouco inseguro, então ele parecia que ia acertá-lo. — Oh sim, eu vi a sua menina no parque com seu ex, Kratz. Apenas momentos atrás Noah tinha desejado que tivessem parado de falar, mas ouvir Hector dizer isso quase o atordoou. — O quê? — Roni — disse Hector tão simplesmente, como se ele não tivesse acabado de jogar a porra de uma bomba em Noah. — Ela e Kratz estavam no parque ontem à tarde em um piquenique ou algo assim. Ela te contou sobre isso? Noah olhou para ele, em seguida, olhou para os rostos de Abel e Gio. Ele nunca tinha visto um olhar tão sério. Noah se

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voltou para Hector, que estava mastigando sem um cuidado no mundo um prato de nachos. — Um piquenique? — Sim, eu vi o casal em uma mesa próxima, onde estávamos saindo. Eles estavam lá fazia tempo, mas não tinha percebido quem eram até um dos rapazes apontar que Kratz e sua senhora estavam lá. A mente de Noah disparou. Quinta-feira? Ele lembrou que a noite tinha sido um dos seus “boas noites” mais pesados. Ela não tinha mencionado nada sobre Kratz desde o dia em que ele apareceu. — E você tem certeza que era ela? — Sim, ela até sorriu para mim. De alguma forma, isso pareceu melhor. Se ela soubesse que Hector a viu e não estava preocupada sobre isso, então tinha que haver uma explicação razoável. Ainda assim, era confuso pra caramba. — E eles estavam tendo um piquenique? A palavra piquenique tinha uma conotação romântica para ele e o irritou muito. Por que ela iria se encontrar com ele em um parque quando disse que não queria nada com ele? Ele podia ver por que Abel e Gio estariam pensando o pior. Hector riu. — Eles não tinham uma cesta de piquenique ou nada, mas eles estavam comendo. — Ela está com sua amiga o dia todo? — Gio perguntou casualmente o suficiente, mas Noah pegou a sugestão alta e clara.

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A saída conturbada de Roni naquela manhã não foi nenhuma atuação. Ele não tinha dúvidas de que ela tinha passado o dia com Nellie. Ele assentiu com a cabeça e pegou o telefone. Tinha que haver uma explicação simples e, antes que ele começasse a se precipitar, colocaria suas preocupações e as suspeitas de seus amigos para descansar.

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CAPÍTULO 27 A ligação da mãe de Nellie, Margaret, naquela manhã, tinha sido alarmante o suficiente. Nellie tinha pego Rick em flagrante e agora estava em tal estado de depressão que a mãe se recusou a deixá-la sozinha, temendo que Nellie poderia ter uma overdose de pílulas para dormir que ela estava tomando. Isso por si só era suficiente para enviar Verônica correndo para o lado dela, mas nada a preparou para a chocante notícia que a esperava quando ela chegou lá. Sua mãe tinha apenas dito que Nellie tinha confirmado suas suspeitas sobre Rick estar em férias com sua amante, mas quando ela perguntou a Nellie os detalhes do que ela tinha encontrado, ela explodiu. O pai de Nellie estava sentado do lado de fora do condomínio de Nellie quando Verônica se apressou a subir as escadas. Ele estava fumando, um hábito que Nellie tinha dito a ela que ele havia parado há muito tempo. Verônica não o tinha visto em mais de um ano, e nesse tempo ele parecia ter envelhecido muito. No momento, ele parecia cansado e havia um sentimento de derrota na forma como ele se sentava, com as costas contra a cadeira, ombros desenhados e limpos. Antes que Verônica pudesse perguntar-lhe qualquer coisa ele começou a falar, mas não estava realmente falando com Verônica, porque estava olhando para o nada. — Você faz o seu melhor para criar seus filhos para serem honestos, leais, e tementes a Deus. Nenhum pai deveria jamais sentir nojo ou aversão por qualquer um de seus filhos. Margaret veio até a porta naquele momento. Verônica virouse para ela se sentindo ainda mais chateada. Por que o pai de 359


Nellie estaria falando sobre ela ou detestando, estava revoltado? Tudo o que ela tinha feito devido à reação ao encontrar Rick com outra mulher teria de ser justificado. Ela não estava na cadeia por ter matado o bastardo. Margaret fez sinal para ela entrar. Verônica o fez, superada pela súbita sensação de pavor. — Ela está em seu quarto, mas antes de ir vê-la há algo que você deveria saber. Os olhos da mãe estavam cheios de dor e preocupação, mas Verônica viu mais neles. — Este é um momento muito difícil para todos nós. Toda a família está dividida agora e provavelmente nunca será a mesma novamente, mas agora a nossa principal preocupação é Nellie. Toda a família? — Você tem que entender que, como mãe, o meu coração está completamente partido em ter que admitir isso para alguém, mas em breve todo mundo vai saber de qualquer maneira. Verônica olhou para os olhos cansados de Margaret. Ela obviamente tinha estado chorando também. O que no mundo Nellie havia feito? — O que é isso? O que aconteceu? — Nellie encontrou Rick em Denver... Com Courtney. O coração de Verônica tinha praticamente chegado a um impasse, a própria irmã de Nellie? Então Margaret continuou, um golpe após o outro, fazendo-a se sentir como um dos adversários de Noah no ringue. — Eles aparentemente estavam tendo um caso por anos. Courtney disse que tentou várias vezes terminá-lo, mas estavam apaixonados e simplesmente não conseguiam. Depois, só quando

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eles decidiram que era apenas algo que eles poderiam continuar, Courtney ficou ciente da outra mulher de Rick. Isso foi o porquê ela o confrontou e enviou Nellie para o hospital. — Margaret fez uma pausa para tomar uma respiração profunda e enxugar uma lágrima, antes de vir com o nocaute. — Courtney descobriu algumas semanas mais tarde que ela estava grávida de Rick. Isso foi durante o tempo em que Rick e Nellie estavam realmente se dando uma chance de as coisas funcionarem. Verônica ficou furiosa e de coração partido, tudo ao mesmo tempo. Como Courtney podia fazer isso com Nellie? Então se lembrou que esta era a forma como ela sempre tinha sido, desde que eram crianças. Não importava a Courtney que ela tivesse muito mais do que Nellie, ela nunca estava satisfeita, até que tomasse o pouco que Nellie tinha também. Margaret balançou a cabeça e sentou-se no sofá de Nellie, enxugando os olhos com um lenço de papel. — Depois de toda a dor que causou a sua irmã e a vergonha que ela trouxe para a família, Courtney disse que ela e Rick vão se casar assim que seu divórcio com Nellie for finalizado. Era tudo demais para suportar. Verônica só podia imaginar o que a pobre Nellie estava sentindo. Ela nem sequer queria ouvir mais nada. Ela tinha ouvido o suficiente. — Eu preciso estar com Nellie. Ela correu para o quarto de Nellie. Nellie estava sentada em sua cama olhando para a televisão, mas sem volume. Seu rosto se desintegrou quando viu sua melhor amiga, e Verônica correu para sua cama ao lado dela e segurou-a enquanto ela chorava. As lágrimas se prolongaram por vários minutos, até que ela finalmente se recompôs o suficiente para falar.

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— Eu decidi que não vou desperdiçar minha energia, indignada com Rick. Ele não vale sequer minha respiração, muito menos qualquer lágrima. Estou incrivelmente magoada com a traição de Courtney. — Ela deu um suspiro trêmulo. — A coisa estúpida é que eu sempre tive minhas suspeitas. Me incomodou quando Rick flertou com ela. Ele flertou com você também, mas eu sabia que não tinha nada para me preocupar. Eu nunca confiei em minha irmã completamente. Ou como eles pareciam estar ao redor um do outro. Nellie disse que não tinha certeza agora, o que ela tinha mais medo era encarar o fato de que Rick a estava traindo, ou a perspectiva de estar sozinha. Verônica sabia em primeira mão o que ela sentia ao estar sozinha e compreendia o medo muito bem, embora nunca tivesse ficado com um homem que a traíra. Isso não era algo que ela diria a sua amiga frágil, no entanto. Não faria nenhum bem agora. Depois de horas de relembrar tudo, Verônica a colocou para comer um pouco e até mesmo rir algumas vezes. Ela não tinha planejado falar com ela sobre Noah, isto deveria ser sobre Nellie, não ela, mas Nellie insistiu. A mudança de assunto acabou por ser uma coisa boa. Nellie estava satisfeita com a forma como as coisas estavam indo para Verônica e assegurou-lhe que tudo daria certo. Ela concordou com Verônica que ela deveria perguntar a Noah sobre o bebê que ele poderia ter, mas lembrou a ela para não o julgar por coisas que tinha feito no passado. Todo mundo tinha esqueletos no seu armário, mas ela instigou-a para se certificar de que ele não estava envolvido em nada perigoso.

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À noite Nellie estava pronta para tomar um longo banho e, em seguida, tentar dormir um pouco o sono não-induzido por qualquer medicação. Ela prometeu a Verônica que pararia de tomar os comprimidos e Verônica advertiu que ela estaria de volta para vê-la muitas vezes antes de sair. Verônica só tinha estado em casa alguns minutos. Ela tinha acabado de enviar uma mensagem a Noah para dizer que ela não iria para Gio quando ouviu a batida na porta. Ela espiou pela janela cautelosamente e viu Derek. Ela tinha que saber se talvez ele tivesse estado estacionado na rua, esperando por ela chegar em casa. Ele deixou duas mensagens em seu telefone naquele dia e ela não tinha tido a chance de ouvir. Um pouco irritada que ele aparentemente pensou que seria bom apenas aparecer assim, pela segunda vez, ela abriu a porta. — Hey — ela disse, mas fez questão de não sorrir muito. Ela não queria que ele pensasse que tomou isso como uma agradável surpresa. — Hey. — Ele passou a mão pelo cabelo. O reitor geralmente intimidante pareceu um pouco emocionalmente exposto. — Eu uh, estava esperando que pudéssemos conversar. Tentei ligar, mas você não estava respondendo. Eu espero que você não esteja chateada comigo sobre o outro dia. Ela hesitou por um momento, não tendo certeza se deveria sair ou convidá-lo. Contra seu melhor juízo, ela abriu a porta de tela e deixou-o entrar. O pensamento de Noah chegar com ele ainda estando lá e as coisas possivelmente ficando feias era muito real. Mas se ela tivesse que fazer uma escolha entre as coisas ficando altas ou feias dentro da privacidade de sua própria casa

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ou fora em sua varanda para todos os seus vizinhos ouvirem e verem, ela faria isso lá dentro. Além disso, seu plano era fazer ele ir embora rapidamente. Ela o viu olhar ao redor quando entrou, tentando ter uma ideia de quanto as coisas tinham mudado desde que ele tinha estado lá. Talvez pegando mais pistas sobre seu relacionamento com Noah. Foi rude quando Verônica não lhe ofereceu algo para beber. Ela queria que ele fosse embora o mais rápido possível. Ele começou a se desculpar novamente sobre o outro dia, mas ela o deteve. — Eu não estou chateada com você, Derek, por isso não se preocupe com isso. Eu estava um pouco surpresa é tudo. — Você já falou com ele sobre isso? — Não, eu não tive a chance. — Eles ficaram apenas no interior da porta e foi estranho, mas ela se recusou a pedir-lhe para se sentar. Estava mantendo essa conversa curta e direta ao ponto. — Eu não vou dizer mais nada negativo sobre ele. Mas vou dizer isso, Roni. Como seu amigo, estou preocupado com você. Eu não acho que percebe isso, mas você ainda está em um estado muito vulnerável. Não se passou sequer um ano desde que sua mãe morreu e esse cara apareceu no momento perfeito quando você precisava de alguém, mesmo que fosse esse garoto em sua vida. Você nem sequer fez uma verificação dos antecedentes dele. — Eu te disse. Ele é meu amigo. — Mas por quanto tempo? — Mais de um mês — dizer isso fez o seu ponto ainda mais válido. — Quase dois — acrescentou a dúvida de repente

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rastejando. Teria ela realmente só se permitido se envolver com alguém que ela não teria em circunstâncias normais, porque estava com medo de ficar sozinha de novo? O que Nellie disse anteriormente voltou para ela. Você faz coisas fora de sua natureza quando está com medo. Por causa desse mesmo medo, Nellie tinha continuado a olhar para o outro lado, ignorando as suspeitas válidas de que sua própria irmã poderia estar fazendo o impensável com o seu marido. Derek inclinou a cabeça e seus olhos se encontraram. — Posso te perguntar algo? Ele nem sequer tinha que perguntar a ela. Ela já sabia exatamente o que ele estava pensando. Como de costume, ele tinha imaginado a coisa toda. Que Noah tinha se mudado num momento em que ela precisava dele, é claro que ela tinha caído ainda mais facilmente por ele. Mas havia muito mais para seu relacionamento do que ela apenas precisar dele. Seu telefone tocou antes que ela pudesse responder, e ela aproveitou para dar-se um momento para pensar e respirar. Ela puxou o telefone da bolsa e viu que era Noah. Perfeito. Exatamente o que ela precisava. Ouvir a sua voz foi apenas um lembrete de por que ele era muito mais do que apenas uma necessidade. — Eu tenho que atender — disse ela e respondeu. Derek fez sinal de que ele estava indo usar seu banheiro e Verônica assentiu, feliz com a privacidade. Ela entrou em sua cozinha, onde ela teria ainda mais.

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Bebericando suas cervejas, os caras o observavam, Hector ainda mastigando seus nachos, enquanto Noah esperava Roni atender a seu telefone. Noah estava certo de que ele iria em breve ter a explicação simples. Tão confiante como estava, uma parte muito pequena dele se preocupava que Roni ainda pudesse ter sentimentos por Kratz, especialmente considerando as fotos que ela não só tirou, mas as mantinha no centro da primeira fila em sua câmara escura. Ele sacudiu suas inseguranças. Ela disse que não queria nada com ele e depois da semana que eles tiveram, para não mencionar a sua manhã, Roni saberia que ele teria um problema com ela saindo com seu ex. Isso tinha que ser algum tipo de acaso. Ela atendeu no segundo toque. — Ei. — Hey, Roni. — Você não tem que sair, Noah. Não é por isso que eu mandei uma mensagem para você. Você me pediu para deixar você saber quando eu estivesse em casa. — Sim, eu sei. Mas eu ainda vou sair daqui em breve. Eu só queria te perguntar uma coisa bem rápido. — Ele olhou para seus amigos. Eles estavam todos olhando para ele. Ele quase riu. — Encontrou com Kratz esta semana? — Seu humor deu um mergulho quando ela não respondeu. — Roni? — Sim eu encontrei. Algumas vezes na verdade. Isso literalmente o sacudiu. Na verdade, ele endireitou-se em reação. — Algumas vezes?

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— Eu ia te dizer, mas estava esperando depois de sua luta e, em seguida, esta manhã recebi o telefonema sobre Nellie. Seu estômago se encolheu. — Dizer-me o que? — Sobre as poucas vezes que me reuni com ele depois do trabalho. Noah nem sequer se importava mais que seus amigos fossem vê-lo ficar louco se ela dissesse que tinha feito alguma coisa com o cara. Sentia-se como o maior idiota. Ele estava prestes a perguntar por que diabos ela tinha se reunido com ele quando ele ouviu a voz de Kratz alta e clara no fundo. Noah ouviu-a dizer-lhe que ela estaria com ele em um segundo. Ele apertou o telefone sentindo a adrenalina que geralmente sentia apenas no ringue quando estava prestes a nocautear. — Você está com ele agora? — Ele apareceu novamente — disse ela com a voz abafada agora. — Mas... — Ele está em casa com você agora? — Noah estava de pé em um instante, com o coração acelerado enquanto espreitava a sua moto, cada passo levando menos tempo do que o último. — Sim, mas ele não ficará aqui por muito tempo. — Que porra que ele quer? — Ele pulou em sua moto, mas antes que ela pudesse responder, ele perguntou o que realmente queria saber. —Você ainda tem sentimentos por este cara, Roni? — Não! — Você ainda quer ele vindo assim? Ela exalou alto. — Não.

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— Bom, eu estou a caminho. — Ele desligou e colocou seu capacete. Abel e os caras já estavam em seu caminhão enquanto ele corria em sua moto passando o final da rua. Por anos na escola ele teve visões de esmurrar a cara de Kratz. Quem sabia que ele teria, na verdade, a chance de seguir adiante.

Mais preocupada com o fato de que Noah não poderia ter nenhuma maneira de saber que Derek carregava uma arma, Verônica não estava disposta a esperar e ver se ele seria provocado em usá-la. — Você tem que ir — disse ela enquanto corria para a sala da frente, onde Derek agora se sentava. — Por quê? O que aconteceu? — Eu vou explicar mais tarde, Derek, mas agora você tem que ir — Ela abriu a porta de tela e segurou-a aberta para ele. Derek se levantou, mas não se moveu. Ele olhou para Verônica em causa. — Qual o problema com você? — Nada! — Seu coração batia mais rápido a cada segundo que passava e Derek ainda estava em sua casa. Ele finalmente deu alguns passos em direção a ela, mas, obviamente, não partilhou a sua urgência para sair. — Verônica, olhe para você. Você está uma bagunça. Deixeme adivinhar. Era Noah e ele está a caminho de casa. O quê? Você não está autorizada a ter qualquer um aqui ou é apenas eu que ele não quer aqui?

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Verônica não sabia por que ele estava fingindo que já não tinha entendido tudo. Ela ficou surpresa que ele não tinha apontado o brilho que ela tinha usado durante todo o dia de sua manhã com Noah. Ele era muito bom em perceber as coisas mais ínfimas. — Derek, se você já sabe, por que você quer problemas? — Você não pode estar falando sério sobre isso. Você e aquele garoto? — Ele não é um garoto. — Você chamou-lhe assim mesmo quando me contou sobre seu novo companheiro de quarto. — Você quer me dizer o que mudou desde então? —Sua sobrancelha levantou lentamente, ele já sabia a resposta para isso, também. — Ele tem a mesma idade, não é? Verônica respirou fundo e se manteve firme. — Eu acho que você já sabe o porquê? Não é da sua conta. Você precisa sair agora, Derek. Estou falando sério. Eu não quero nenhum problema. Ele não se moveu, e seu coração quase saltou para fora do peito quando viu a moto de Noah estacionar na entrada de automóveis e o caminhão de Abel atrás dele. Noah tirou o capacete e saltou fora de sua moto. Verônica fechou a porta de tela atrás dela e correu para encontrá-lo nas escadas. — Ele ainda está aqui? — Perguntou Noah. — Sim, mas ele está saindo. Os caras saíram do caminhão, mas ficaram perto dele mantendo um olho vigilante. — Onde ele está? — Noah perguntou.

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— Eu estou bem aqui, Noah. — Derek abriu a porta de tela e saiu para a varanda. — Você tem algo a dizer para mim? Verônica segurou o grande braço de Noah e ela o olhou com olhos suplicantes. — Basta deixá-lo sair, Noah. Por favor. — Não se preocupe com isso, Roni. Vou sair pacificamente. Mas pensei seriamente sobre o que falamos no outro dia. — O que foi isso? — Perguntou Noah, e para a decepção de Verônica, cedeu a atração óbvia de Derek. — Oh, eu só disse a ela algumas coisas que eu pensei que ela deveria saber. — Disse Derek numa caminhada por eles descendo as escadas. Noah escarneceu virando-se para encarar Derek, que agora tinha passado por ele. — Sobre mim? Como se ela acreditasse em sua besteira. — Eu não preciso fazer qualquer coisa, Noah. Nós dois sabemos que você tem um passado bastante colorido. Talvez até mesmo o presente. —Derek olhou para Verônica. — E eu diria que ela está compreensivelmente preocupada. Noah se voltou para Verônica. Irritantemente, Derek parecia tentar sacudir tudo o que Noah tinha trabalhado. Ela podia ver isso em seus olhos curiosos. — Não preocupada — explicou ela. — Curiosa. — Sobre o que? Agora que os caras viram Derek em seu caminho para seu carro, permaneceram impassíveis perto do caminhão de Abel, dando-lhes a sua privacidade. — Vamos entrar — ela estendeu a mão para ele. Noah recuou.

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— Não primeiro responda à pergunta. Que besteira e mentiras ele ficou te contando? E, enquanto faz isso, você quer explicar por que se reuniu várias vezes com a porra do seu ex esta semana e não mencionou isso para mim? Abel virou em seu caminhão e acenou quando saiu da garagem. Verônica mal levantou a mão para acenar de volta. Noah nem sequer se incomodou, seus olhos estavam de volta em Verônica e eles estavam pegando fogo agora. — Eu estava confusa. — Sobre o que? — Eu vi o texto de Rita no domingo e não sabia o que pensar. Sua expressão se suavizou um pouco. — Você deveria ter perguntado. — Sim, bem, eu não perguntei? Eu pensei que talvez fosse hora de eu dar a minha vida social um impulso e decidi aceitar a sua oferta. Seus olhos se abriram. — Realmente, e que oferta seria essa? — Era nós termos um jantar depois do trabalho. — E o que mais? — É isso aí. Tivemos jantares duas vezes e, em seguida, quinta-feira, eu não estava indo me encontrar com ele, mas ele me encontrou no parque onde disse que estaria tirando fotos. — Então, o que esse cara que você alegou não querer ter mais nada a ver, disser sobre mim que você está tão preocupada? Ela podia ver que ele estava se exaltando novamente. — Eu disse curiosa. Ele cruzou os braços na frente do peito. — Tudo bem, então o que é?

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— Ele disse que você saiu da escola e sumiu quando você engravidou uma garota. — Ela rezou para que Derek estivesse errado sobre isso. Ela realmente esperava que Noah não tivesse feito algo assim. Prendendo a respiração enquanto esperava pela resposta dele, tentou desesperadamente pegar uma dica do que ele estava pensando, mas sua expressão estava em branco.

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CAPÍTULO 28 O fato de que Roni acreditava em tal coisa sobre ele dizia o suficiente. Era tão típico de Kratz fazer seu passado parecer pior do que ele realmente era. Mas, a pior parte, foi que Roni estava muito disposta a acreditar nele. — Então, deixe-me ver se eu entendi direito. Este idiota volta do nada, depois de se afastar de você quando sua mãe estava morrendo, sabendo que ele deixaria você sozinha. Supostamente, você não está mais interessada nele, mesmo assim, meses depois que terminaram você ainda tinha aquelas malditas fotos? Quanto mais ele pensava nisso, mais peso no peito sentia. Ele não tinha certeza do que doía mais – o fato dela ter mentido ou dela ter comprado a história de um cara que, obviamente, não tinha dado a mínima para ela. — Você me diz que não quer nada com ele, mas no momento em que decide que precisa ampliar sua vida social, ele é o primeiro que você chama? — Ele sabia que eram as palavras mais duras que ele já havia dito a ela, mas ele não pôde se controlar. Doía demais descobrir que ela, obviamente, se importava o suficiente com esse cara para comprar esta versão de merda da verdade: a verdade sobre ele, mesmo depois do que o imbecíl tinha feito para ela. — Que outra besteira ele lhe disse sobre mim? Ela deu de ombros, parecendo prestes a chorar, mas ela não estava negando nada disso. — Conte-me! — Isso de você usar ou traficar drogas. — Noah riu, mas parou quando ela perguntou. — Você fez? Ela não poderia estar falando sério. 373


— O que você acha? A resposta para isso estava na incerteza dos seus olhos. Ela acreditou nisso, também. — Uau — disse ele dando alguns passos para trás. — Eu não tinha ideia que havia deixado uma impressão tão insignificante pra você, a ponto de pensar tão pouco de mim. — Eu não… — Eu sou a porra de um órfão, Roni! Ou você se esqueceu? — Ele nunca se sentiu tão prestes a explodir em sua vida. Nem mesmo a caminho de lá, quando não conseguia pensar em nada mais do que chegar lá e rasgar Kratz em pedaços. Até então, ele só estava chateado e furioso pelo ciúme. O que ele estava sentindo agora era muito pior. Isso o machucou como se ele nunca tivesse se machucado antes. — Eu sei, em primeira mão, o que é ser descartado pela família. É por isso que eu não viro as costas para os meus amigos ou pessoas de quem eu gosto. É ele. — Ele apontou um dedo no ar, na direção o filho da puta que tinha começado isso. — Ele que faz essa merda, não eu. Mas, aparentemente, isso não conta para qualquer coisa onde você está envolvida, não é? Porque você está muito disposta a acreditar em algo assim sobre mim, só porque foi ele que disse. Suas mãos agora estavam em sua boca, e ela começou a descer as escadas para se aproximar dele, conforme ele recuava ainda mais. — Eu nunca disse que acreditava nele, eu disse que estava curiosa. Eu não sabia o que pensar. Ele disse que foi há muito tempo. As pessoas fazem coisas das quais se arrependem, eu

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estava disposta a lhe dar o benefício da dúvida. Mesmo que isso fosse verdade, não teria importância. Nada disso importa. Isso confirmou. Ela acreditava em todas essas coisas sobre ele, mesmo depois do que tinha acabado de dizer a ela. — Eu apenas disse... — Ele começou a articular, em seguida, virou-se; ele não podia ficar lá nem mais um minuto. — Você sabe o que? Acredite em qualquer merda que você quiser. Que tal isso? Eu não dou mais a mínima. — Ele estava cansado de tentar convencê-la de que ele era digno de ser parte de sua vida. — Noah, me desculpe. Se você diz que não fez, então eu acredito em você. Fantástico, agora ela ia agradá-lo. Ele pulou em sua moto e colocou seu capacete, satisfeito de ter abafado o discurso dela, porque ele não podia suportar ouvir mais uma palavra. Se ele se parecesse, de alguma maneira, com o tipo de jovem rebelde e imaturo que ela claramente pensou que ele fosse, consideraria afastá-la, ao invés disso, tudo o que conseguia pensar enquanto saía da garagem era em como diabos ele iria fazer para esquecêla? Ele se sentia um milhão de vezes pior do que no seu rompimento com Tessa. Ele dirigiu estupidamente rápido ao redor por um tempo, antes de decidir sobre um destino. Ele não queria estar perto de ninguém. Era uma loucura o efeito que Roni tinha sobre ele. Emocionalmente ele estava destroçado. Ela só estava em sua vida há alguns meses e o pensamento de não a ter mais era insuportável. Vinte minutos depois, ele se sentou à beira do ringue de boxe na academia. Ele não se incomodou em acender as luzes quando chegou lá. A única luz era a da lua brilhante que entrava pelas

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janelas e da rua do lado de fora da porta da frente, que penetrava através das portas de vidro. Ele percebeu que não teria explodido do jeito que ele fez, se ele já não tivesse estado tão agitado. Ouvir sobre Roni passar um tempo com o ex, pelo qual ela provavelmente ainda tinha sentimentos, realmente era demais pra ele. Ele nunca tinha se sentido tão chateado e magoado ao mesmo tempo, em toda sua vida. Toda a maldita semana havia sido planejada intensamente, até que ele desmoronou. Talvez, se ele tivesse explicado a Roni sobre o que realmente aconteceu na escola com a garota que ele engravidou, ao invés de sair correndo, ela teria compreendido. Ele poderia até mesmo tê-la convencido de que ele estava tentando todo esse tempo. Que ele era maduro o suficiente para lidar com as coisas como um adulto, e tinha sido o mesmo naquela época. A

abertura

da

porta

da

frente

o

arrancou

de

seus

pensamentos. Ele estava tão malditamente perturbado quando entrou no meio da noite, que ele não tinha pensado em travar a porta, e esse não era o melhor dos bairros. Ele pulou de onde estava sentado, esperando ter que acolher um ou dois sem-teto, quando ouviu Roni. — Noah, é você? Ela apareceu quando virou o corredor, e podia muito bem ter sido um anjo, porque a visão dela pareceu uma bênção pra ele. Ela parou quando o viu. — Eu acredito em você, Noah. Eu acredito em você. Ele respirou fundo, incrivelmente pronto para perdoar e esquecer tudo o que tinha acontecido mais cedo e só correr para ela, mas primeiro ele tinha que dizer uma coisa pra ela.

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— Eu larguei a escola para conseguir um emprego em tempo integral quando eu descobri que ela estava grávida. A sombra sobre seu rosto o impediu de ver sua expressão de forma clara. Mas ela ficou imóvel por um momento, enquanto ele prendia a respiração, se preparando para a resposta dela.

Com medo de dizer a coisa errada Verônica escolheu cuidadosamente suas palavras. Ela odiou vê-lo tão ferido e ela não diria algo que iria machucá-lo novamente. Ela começou a andar para ele. — Então, você é pai? Ele balançou a cabeça. — Não. Quando ela me contou, eu fiquei apavorado. Mas então, quanto mais eu pensava sobre isso, mais isto me afetava. Eu ia ter um filho. Minha própria carne e sangue. Ela disse que não queria tê-lo. Ela era muito nova. Foi quando eu deixei a escola. Eu disse a ela que tinha conseguido um emprego e criaria a criança sozinho. Foi ela que desapareceu, não eu. Seus pais procuraram por mim, certos de que ela havia fugido comigo, mas eu também não tinha ideia de onde ela estava. Depois, quando eu a vi, ela já tinha feito o aborto e em seguida, ela e sua família se mudaram. Verônica não achou que seu coração pudesse quebrar mais por ele do que já tinha quebrado. — Você a amava? —Ela perguntou quando se aproximou dele, tocando seu rosto.

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Ele balançou a cabeça novamente, trazendo sua mão sobre a dela, depois, levou-a até a boca e a beijou. — A única pessoa por quem eu já estive apaixonado é você. Tomada pela emoção, Verônica o abraçou forte, furiosa consigo mesma por sempre questionar o que ou por que ela se apaixonou por ele. — Eu também te amo — ela se afastou para olhá-lo nos olhos. — Me desculpe, eu nunca duvidei de você. Seus olhos estavam arregalados e quase selvagens, mas não da forma horrível que tinham estado antes, quando ele estava tão irritado. Agora, ele estava sorrindo. — Você me ama? — Sim! — Ela o abraçou novamente. — E eu sinto muito sobre duvidar de você. — Não sinta. Kratz não sabe o que aconteceu. Ninguém na escola sabe e depois que ela abortou eu estava tão deprimido e irritado, que eu não me preocupei em voltar para a escola. Eu fiz um teste, peguei meu certificado e continuei trabalhando. Cansei de todo o drama colegial do caralho. Mas ele sabia a verdade sobre aquela besteira de tráfico de drogas. — Os olhos de Noah estavam duros novamente. — Ele podia ter explicado isso para você. Ele explicou a ela sobre a garota que tinha quebrado o seu coração e como ele saiu do controle por um tempo. Como foi a única vez que ele tinha fumado maconha em sua vida e que aquilo foi apenas para anestesiar a dor. — Eu compartilhava um armário com Abel e Gio, porque o meu estava em um edifício temporário. Eu deixei o cara que me vendeu a erva usar o armário que eu não estava usando. Eu não

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achei que ele seria estúpido o suficiente para esconder aquela merda nele. A cada poucos meses eles faziam uma incursão. Trouxeram os cães e tudo, e encontraram seu esconderijo. Uma vez que o armário estava no meu nome, eu fui arrastado, mas todos sabiam que eu nunca tinha usado esse armário. — Ele balançou a cabeça. — Eu tinha me metido em tantos problemas que conduziam a isso, que Kratz não acreditava mais em qualquer coisa que eu dissesse. Mas, no final, eles tiveram depoimentos suficientes de pessoas que puderam atestar quem realmente usou o maldito armário, e eles nunca tiveram provas suficientes

para

sustentar

as

acusações.

Então,

eu

fui

inocentado. Ele sabia disso. Sua expressão mudou de repente e seus olhos estavam agora cheios de preocupação. — Roni, eu não acho que posso lidar com você sendo amiga desse cara. Eu o odiava tanto naquela época e agora tenho ainda mais motivos para odiá-lo. Verônica tocou seus lábios com o dedo. — Eu não quero ser mais amiga dele. Você está certo. Eu preciso de lealdade e amigos que eu possa contar, mas, o mais importante, eu não quero ninguém na minha vida que não acredite em nós. E, obviamente, ele não o faz. — Nós? Ela sorriu balançando a cabeça. — Eu estou pronta para nós. Eu amo você, Noah e eu quero que o mundo inteiro saiba disso. O brilho em seus olhos naquele momento era algo que ela não tinha visto antes. Ele tinha sido tão emocional mais cedo, mas isso, isso a deixou sem fôlego. Ele a beijou tão suave e tão

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ternamente que ela suspirou contra seus lábios. Noah era exatamente o que ela precisava em sua vida. Ela não tinha mais medo de admitir isso. Quem não gostaria de sentir o que ela estava sentindo naquele momento? E não tinha nada a ver com estar com medo de ficar sozinha. Ela poderia facilmente ter a companhia de Derek se ela quisesse e Nellie definitivamente estaria mais presente agora. Verônica percebeu uma coisa mais cedo, no momento em que percebeu que talvez Noah não fosse voltar hoje à noite. Ela estava apaixonada por ele e não era medo de ficar sozinha, ela estava com medo de ficar sem ele. O beijo de Noah ficou mais pesado e mais profundo, e apenas quando ela pensou que não poderia se sentir mais contente do que ela estava se sentindo naquele momento, ele quase rosnou em seguida, sussurrando com a mesma voz tensa que ela tinha ouvido naquela manhã, — Eu quero provar você. Quando ele disse isso naquela manhã, ela não tinha estado inteiramente certa do que ele queria dizer, mas ela tinha um pressentimento e foi o suficiente para acelerar seu coração. Era algo que ela só tinha lido e só podia imaginar como deveria se sentir. Agora não só ela sabia exatamente o que ele quis dizer, mas ela também queria, com as pernas bambas. — Eu quero agora — acrescentou ele, quando ele chupou seu lábio inferior. — Aqui? — Ela engasgou, se afastando. A chama iluminando seus olhos era toda a resposta que precisava. — Espere aqui.

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Ele correu para a porta da frente, deixando-a em pé vacilante, quando ele trancou as portas. Ela o observou caminhar para onde as esteiras de alongamento estavam empilhadas na parede e pegou uma. Ele pegou algumas toalhas, seus olhos fixos nos dela, um sorriso em seu rosto magro. Seu corpo já tinha começado a tremer em antecipação. O formigamento que tinha começado naquela manhã, quando ele beijou seu peito, começou a enlouquecer no momento em que ouviu seu pedido escandaloso. Se esforçando para acalmar sua respiração enquanto ele se aproximava dela, ela o assistiu jogar a esteira para o ringue de boxe atrás dela, junto com a toalha, em seguida ele estendeu a mão para ela e de uma só vez ela estava em seus braços novamente, enquanto ele a beijava loucamente. No segundo seguinte suas mãos estavam sobre ela por trás e ele apertou conforme ele a pegou. Nunca soube que ela poderia até mesmo sentir esse nível de excitação, mas ela se sentia tão selvagem como um animal indomado, segurando o rosto com as mãos enquanto ela beijava e chupava aqueles lindos lábios dele. No momento em que ele a colocou à beira do ringue de boxe, ela subiu sob as cordas e estava no ringue. Eles tombaram quando ele saltou atrás dela e se aproximou, continuando seu beijo frenético, quando ele a colocou no tapete. Ela pensou que talvez ele fosse desfrutar das preliminares, como ele tinha feito naquela manhã, mas em vez disso, suas mãos foram direto pra sua calça, que ele puxou para baixo ao lado de seus quadris. Sua calcinha desceu com ela e antes que ela soubesse estava nua da cintura para baixo.

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Ao contrário daquela manhã, Noah não estava tomando seu tempo. Seus dedos já estavam nela, fazendo-a gemer alto. Isso só o excitou ainda mais e ele gemeu em sua boca, em seguida, se afastou. — Eu não posso esperar mais. Ele se moveu para baixo, abrindo suas pernas. Verônica levou a mão trêmula, em punho, à boca, logo antes de sentir sua boca quente sobre a dela, sugando, sua língua provocando. A sensação era tão incrível que mal podia suportá-la. Como naquela manhã ele foi lento, agora deixando-a louca quando o prazer cresceu mais rápido desta vez. Ela se contorceu enquanto sua língua foi mais fundo, se movendo mais rápido, em um movimento tão perfeito que seu corpo inteiro tremeu em resposta. Seus quadris se levantaram por sua própria vontade e incrivelmente sentiu sua língua ir ainda mais funda. O que ele fazia com a língua tão perfeitamente - conduzindo-a lentamente, em seguida, mais rápido em um frenesi completo era como nada que ela jamais poderia imaginar. Era além do prazer. Ela revirou os olhos enquanto ela engolia em seco, arqueando as costas em resposta a sua língua. Seus dedos se espalharam e sua boca se fechou sobre o ponto perfeito fazendo-a gemer alto, descaradamente. Ela tinha perdido todo o senso de controle e nem se importava. Ela ofegava desenfreadamente enquanto um orgasmo explosivo começava. Tornou-se mais forte quando a ponta de sua língua lambeu tão rápido, que praticamente pulsou e ela gritou com o prazer incrível que isso proporcionou. Ela estava se afogando em um abismo de espasmos.

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— Não mais, por favor— ela implorou. Ela não podia aguentar nem mais um movimento de sua língua. Beijou-a uma última vez antes de vir para se colocar ao lado dela como ele esteve, naquela manhã, olhando em seus olhos muito satisfeitos enquanto tentava recuperar o fôlego. — Eu queria — disse ela, em seguida, parando para recuperar o fôlego. — Eu gostaria de poder colocar em palavras como isso foi incrível. Sua mão estendeu para seu rosto e ele tomou na sua, então beijou-a novamente. — Não. Eu prefiro sentir como é incrível para você. Não há nada que eu goste mais do que ouvir você enlouquecer. Louca nem sequer começava a descrevê-la, e então, ela teve um pensamento. Era uma coisa para ele fazer, exatamente o que ele havia feito ali no ringue, mas quão longe ele estava disposto a ir? — Faça amor comigo

ela

sussurrou,

seu coração

acelerando novamente. Seus olhos se arregalaram. — Aqui mesmo? Eu pensei que talvez pudéssemos ir para casa para isso, e eu poderia tomar meu tempo com você a noite toda. Verônica riu e se inclinou para beijá-lo. O pensamento deles fazendo lá era tão travesso e tão perfeito. — Oh, vamos fazer isso também, mas eu quero que o nosso primeiro tempo seja aqui. — Ela beijou-o ainda mais profundo, o próprio pensamento deixando-a quente mais uma vez. — Basta pensar, vai ser nosso segredinho cada vez que caminharmos por este ringue.

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Noah já estava se movendo de joelhos. — Você não tem que me convencer, Roni. — Ele tirou a carteira do bolso de trás e tirou um preservativo, encarando-a firmemente. — Tire tudo. Eu quero você nua. Ela olhou para ele por um momento, piscando, quando ela pensou sobre o que ela tinha acabado de começar. A ironia era quase engraçada. Quando eles se encontraram pela primeira vez no que parecia ser uma outra vida, ela nunca sequer pensou em fazer isso, muito menos sugeri-lo. Não só por causa da diferença de idade ou porque eles estavam no meio de uma academia, muito menos em um ringue de boxe, mas porque na época ela não teria se despido para qualquer um, do jeito que ela estava fazendo, especialmente não seu jovem treinador esculpido. Sem outra palavra ou pensamento, ela sentou-se, desabotoando a blusa lentamente, em seguida, desenganchou o fecho do sutiã. Ela

prendeu

a

respiração

enquanto

observava

Noah

desembalar, abaixar as calças, sua cueca boxer indo com elas. Verônica

perguntou

se

ele

a

tinha

ouvido

engolir

ruidosamente quando ela olhou para seu corpo impecável. A queimação

em

seus

olhos,

que

tinham

se

tornado

tão

condicionados ultimamente, com seus beijos de boa noite, estavam de volta. Ele sorriu para ela, suas grandes mãos deslizando os braços, puxando-a de volta para o tapete. Ele deitou-se sobre ela e olhou em seus olhos. — Pronta? Ela assentiu com a cabeça sentindo-se hipnotizada por seu pesado olhar. Uma vez que ele já tinha lhe dado prazer, tinha a certeza de que ele iria direto a isto, mas ao invés disso ele a beijou longa e profundamente, em seguida, chupou seu pescoço e

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ela nem sequer protestou sobre chupões desta vez. Obviamente, era algo que o excitava. Eles trabalhariam em algum tipo de compromisso mais tarde, por agora se permitiu desfrutar da sensação constrangedora da sua boca em sua pele. Sentir o seu corpo nu, duro sobre o dela, a deixava louca. Ela o queria dentro dela. — Foda-me, Noah. — As palavras tensas que escaparam dela a fizeram ofegar. Ela nunca disse isso a ninguém. Nem mesmo Derek, com quem esteve por quase dois anos. Mas ela queria tanto Noah agora. Ela sonhou com isso muitas vezes. Ela não podia esperar mais um minuto e ele não a faria esperar. Noah gemeu em resposta, obviamente, não tendo qualquer objeção à sua escolha de palavras. Delicadamente, ele abriu as pernas, posicionou-se e entrou lentamente. Verônica tinha quase esquecido quanto tempo se passou, mas sentindo o alongamento enquanto ele empurrava ainda mais, lembrou-lhe que tinha sido muito longo. Ela se agarrou a seus ombros grandes, quando ele puxou sua perna para cima, para ir mais fundo. Houve um leve desconforto no início, mas quando ele chegou até o final com um grunhido, ela se sentiu tão bem, que gritou. Ela nunca admitiria a comparação, mas com Derek, quando chegavam a esta parte, era tudo muito rápido. Por isso ficou surpresa com quanto tempo Noah continuou. Ele, em seguida, acelerou lentamente, fazendo durar ainda mais tempo, deixandoa absolutamente louca. Ele olhou fixamente em seus olhos, aumentando a intimidade entre eles quando ele deslizou dentro e fora, e o prazer surpreendentemente começou a se construir de novo. Verônica

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mal podia acreditar que ela iria gozar uma segunda vez com mais intensidade do que a primeira, mas estava acontecendo e ela acolheu-o, gritando de novo, enquanto ele seguia uma última vez, levantando a perna ainda mais, para a máxima penetração. Mantendo a posição durante o que pareceu um tempo muito longo, ela observou Noah, com os olhos fechados com força, o vinco profundo em sua testa, testemunhando o que ele estava sentindo, e ela adorou que ele estivesse sentindo isso por causa dela. Ela o segurou apertado, desfrutando o baque de seu batimento cardíaco contra ela própria. — Eu amo você, Roni. — Eu amo você, Noah. Ele beijou sua testa, sua respiração não tinha se estabilizado ainda, assim, suas palavras a surpreenderam. — Eu mal posso esperar para chegar em casa e fazer isso com você a noite toda. Verônica teve que rir. Ele não poderia estar falando sério. Mas ele estava, e ele fez, a noite toda.

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EPILOGO Mesmo que no ano passado, eles tivessem passado as férias juntos e que tivesse sido maravilhoso, tecnicamente, este era seu primeiro Natal juntos. Noah disse que Verônica o tornou extra especial, mas ela tinha uma razão ainda maior. Escolher a árvore este ano tinha sido muito mais fácil do que todos os outros anos. De alguma forma, ela sabia que não importava qual árvore ela pegasse, seria maravilhosa porque era sua árvore. Eles passaram o dia decorando a casa, cantando canções de Natal como eles tinham feito no ano passado. Eles estavam terminando com os últimos toques da árvore e Verônica tirou a caixa com o topo especial para a árvore. — Ah o toque final — disse Noah com um sorriso. — Eu vou pegar o banco para você. — Não, não há necessidade — Verônica disse, puxando a estrela de cristal. — Por quê? — Noah deslizou o braço em volta da cintura. — Devo apenas levantá-la? — Não, porque você começará a fazer as honras este ano — A expressão de pânico de Noah a fez rir. — O quê? — Eu? — Uh huh. — Ela assentiu com a cabeça. — Lembre-se da tradição é o mais novo membro da família que assume o dever até que outro chegue? — Mas eu não sou da família. — Noah levantou uma sobrancelha.

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— Você é para mim agora, Noah. E uma vez que você está vivendo oficialmente aqui, agora permanentemente. — Ela beijouo e acrescentou: — Você não vai a lugar nenhum agora, senhor! — Eu não sonharia com isso. — Ele a beijou de volta. — Bom — ela disse com um grande sorriso de satisfação. — Então está resolvido. Você coloca a estrela na árvore de agora em diante. Tão nervoso quanto ele parecia, ele ainda levou o topo da caixa e sem a necessidade de um banco passou a levantá-lo, mas Verônica parou. — Espere! — A expressão irritada de Noah a fez rir novamente. — Me desculpe, eu quero tirar uma foto disso. — Ela agarrou seu iPhone, e focou-o em Noah. — Ok, vá. Ela estalou várias fotos, rindo de quão extremamente cuidadoso Noah era sobre ter certeza que ele ficaria lá em cima, de forma segura. — Bom? — Ele perguntou, olhando para ela. — Perfeito — disse ela dando uma última imagem. Olhando para o pequeno saco de presentes sob a árvore, Verônica teve que lutar contra o desejo de dá-lo a Noah, mas ela esperaria até mais tarde esta noite, quando os caras saíssem. Eles estariam lá a qualquer minuto. Eles estavam vindo para discutir a próxima luta de Gio. Era em janeiro, mas o cara com o qual ele lutaria era um negócio muito grande e Gio era o primeiro lutador invicto que já havia assumido. Verônica ocupou-se em seu quarto escuro revelando suas últimas fotos em lote da sua viagem e de Noah na neve na semana passada. Ela quase deu-lhe o seu presente então, mas decidiu esperar um pouco mais. Ela disse que esperaria até o

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Natal, mas de jeito nenhum ela ia esperar tanto tempo, então, ela decidiu que essa noite seria a noite. Quando os caras finalmente saíram, a emoção se arrastou. Ela se esgueirou até a árvore, no caminho para se sentar com Noah no sofá e agarrou a bolsa pequena. Noah sorriu quando a notou escondendo algo atrás das costas. — O que você está escondendo? — Um presente de Natal antecipado. Depois de tomar a decisão de começar este relacionamento com Noah e levá-lo cem por cento a sério no início daquele ano, Verônica fez questão de cortar as coisas completamente com Derek. Ela queria evitar quaisquer discussões com Noah a todo custo, mas naquele verão ela descobriu que evitar discussões em um relacionamento, era impossível. Ainda havia um outro assunto delicado que ela agora teria o cuidado de não incitar. Noah tinha mencionado, de brincadeira, que ele não podia esperar para Verônica ter seu bebê. Ela também respondeu brincando que eles não eram nem mesmo casados, em seguida, cometeu o erro de apontar que ele era muito jovem para ser pai de qualquer maneira. Noah tinha respondido furiosamente, como ele havia feito meses atrás, quando ela lhe disse que ele não estava apaixonado. Ele argumentou que ele estava mais pronto do que alguns dos supostos

“homens

crescidos

idiotas”

que

não

sabiam

absolutamente nada sobre ser um pai responsável. O ex-marido de Nellie agora servia como exemplo perfeito, porque quando Courtney estava apenas com cinco meses de gravidez, ele lhe disse que não estava pronto para uma família e terminou tudo.

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A discussão evoluiu de ele sair, pra depois acusá-la de ser a única que não estava pronta. O que, mais uma vez, provou seu argumento de que a idade era apenas uma ilusão. Ele estava de volta algumas horas mais tarde, mais calmo, pedindo desculpas por perder a cabeça. Verônica pediu desculpas também e ambos concordaram que, obviamente, ela não sabia o que estava falando, naquele momento. Era ela que não estava pronta. Noah disse respeitar isso e a deixou saber que, quando ela se sentisse pronta, bastava dizer, porque agora que eles estavam juntos sentia-se mais pronto do que nunca. Verônica entregou o saco pequeno a Noah, sentindo uma excitação na boca do estômago. — Roni, querida. Eu não sabia que iríamos trocar presentes de Natal antecipado. — Claro que você não sabia, é uma surpresa. — Ela se sentou ao lado dele, nervosa sobre o que ele diria ou pensaria. Ele tentou parecer com raiva, mas o sorriso o entregou. Então ele começou a puxar o presente. Verônica o tinha envolvido em papel de seda e ela riu, nervosamente, para sua expressão perplexa quando viu o pequeno pacote em forma de octógono na caixa de plástico. —

Abra-o

ela

disse,

quando

ele

olhou

para

ela

completamente perdido. Assim que ele o fez, tirou a única coisa de dentro dele: um pequeno papel dobrado. Ele desdobrou e leu as duas palavras sobre ele. — Eu estou pronta. — Ele ainda parecia confuso. — Você está pronta?

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Ela assentiu com a cabeça e sorriu, esperando que ele entendesse, mas sua expressão ainda estava em branco, ela lhe deu outra dica. — Isso é a caixa da pílula de controle de natalidade do mês passado. Eu não comprei outra quando eu terminei essa. Ele arregalou os olhos. — Você está… — Não. Ainda não, mas eu estou pronta, caso aconteça... Ele a agarrou antes que ela pudesse terminar e ela riu alto. Ela sabia que ele ficaria contente, mas ela estava muito feliz que ele estivesse tão animado sobre isso. — Não vai só acontecer, Roni — ele disse, devorando sua boca instantaneamente, excitando-a. — Você não pegou a ironia da vida até agora? As coisas só acontecem quando você não está pronta. Quando está pronta, você começa a tentar, e porra... eu sinto que devemos tentar agora. Ela se sentiu boba apenas por perguntar, mas ela não queria a emoção nublando seu pensamento, de modo que ela tinha que esclarecer. Ela espalmou a mão dela contra sua camisa. — E você tem certeza, certo? Ele se afastou, mas pegou sua mão, levantando-se. Ela se levantou

cautelosamente,

esperando

que

ele

não

tivesse

entendido a pergunta da maneira errada. Ela gritou assustada quando, de repente, ele a levantou, e no segundo seguinte, a teve embalada em seus braços. — Deixa eu mostrar quanta certeza eu tenho. Verônica colocou os braços ao redor de seu pescoço e o beijou. Ela não iria dizer a ele que poderia muito bem já estar grávida, desde que ela parou de tomar suas pílulas na última

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semana de novembro – preferiu deixar ele pensar que ainda tinha que tentar mais intensamente.

FIM

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Gostou de Noah? A 5th Street tem mais...

GIO Quando a tragédia o atinge no ringue, Giovanni Bravo cai em uma profunda depressão, afastando-o do seu sonho de boxear, em vez disso, aceita ser um treinador. Aceita um trabalho de dois meses ajudando treinar Félix Sánchez, seu melhor amigo da escola e agora, campeão do mundo de peso leve. Quando chega ao luxuoso complexo de boxe de Felix, ele encontra com Bianca Rubio, alguém que ele apenas se recorda como a garota dos inocentes olhos de cordeiro do ensino médio. Seu comportamento reconfortante e alegre não só mantém a mente de Gio fora de sua consciência perturbada, como ele se apaixona por ela loucamente e rápido. Mas há um problema, Bianca é a namorada de Félix. Ter um namorado sexy e famoso tem suas vantagens, mas ele vem com um preço. Bianca não só tem de lidar com as constantes fofocas sobre seu namorado estar saindo com outras mulheres, mas também com suas constantes ausências quando ele está viajando. Portanto, agora que Félix estará na cidade durante dois meses para treinar para sua próxima grande luta, Bianca fica animada. Ele até mesmo pediu que se mudasse para a sua casa enquanto ele estivesse lá. Mas quando ele precisa se ausentar por dias para divulgar sua luta, Bianca passa o tempo conhecendo o magnífico novo treinador e bom amigo de Félix, Gio. Cada vez mais atraída por seu doce sorriso e ardentes olhos verdes, encontra-se dizendo e fazendo coisas que normalmente não faria. Quando se torna mais e mais difícil resistir um ao outro, Gio cruza a linha entre eles. Ele espera que um beijo alivie a tentação irresistível, mas faz exatamente o contrário. Sua tentação, de repente, se converte em 393


uma obsessão, uma obsessão que rapidamente obriga Gio a perceber que isto é mais que um simples desejo. Ele está se apaixonando loucamente e para a sua satisfação, ela também. Agora, ele está sendo obrigado a tomar a decisão mais difícil de sua vida. O risco de perder o seu amigo de toda a vida ou afastarse da única garota que ele amou.

Aguarde...

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SOBRE A AUTORA “Eu escrevo porque eu devo. Não é uma escolha ou um passatempo, é um chamado inflexível e minha paixão.” Elizabeth Reyes Sobre mim? Bem, eu nasci e fui criada e continuo a viver no ensolarado sul da Califórnia. Sou casada e tenho dois adolescentes maravilhosos. Meu amor pela escrita começou quando eu era apenas uma garota, porém, eu nunca tive sonhos ou aspirações de fazê-lo para a vida. Ao longo do tempo veio os eReaders e com ele a publicação indie e eu vi uma oportunidade de começar minha escrita para fora para o mundo a ler sem saltar através de aros e conseguir passar a fita vermelha de tentar ser tradicionalmente publicado. A série The Moreno Brothers literalmente mudou minha vida. Agora eu acordar para ir trabalhar algumas jardas da minha cama. 5th Street é a minha segunda série. Há também a série spin-off de The Moreno Brothers, Fate withe Fate e Breaking Brandon fora e mais dois para vir. Acabei de colocar para fora o meu primeiro livro tradicionalmente publicados e pela primeira vez em minha próxima série Desert Heat. Mas eu tenho muito mais para vir. Verifique frequentemente. Eu amo ouvir de meus leitores e sempre tentar responder o mais rápido que eu puder, mas se há certa questão que se coloca, uma e outra vez de respondê-la 20 vezes vou postar na minha página de FAQ de modo que deve verificar lá muitas vezes! Estive superocupada então, por favor, tenha paciência comigo se eu não sou rápido em responder às suas mensagens/comentários! ELIZABETH REYES ELIZABETHREYES.COM

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Noah vol. 1 (revisado) - Elizabeth Reyes