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S

outhpointe High é o último lugar que Lucy queria para encerrar seu último ano de escola. Até tropeçar em Jude Ryder, um cara cujo nome se tornou seu próprio

verbo, e sinônimo de problemas. Ele tem uma ficha criminal maior que uma tese, teve seu nome suspirado, gritado, e amaldiçoado por mais mulheres do que Lucy se atreve a perguntar, e vive em uma casa cheia de meninos. Local onde ‘perturbado’ parece ser o status apropriado para os moradores. Lucy tinha uma vida estável, na melhor das hipóteses, sutil nas piores, educação. Ela vive para desgastar o cetim de baixo em seus sapatos de ballet, tem seus olhos focados em Juilliard, e teve o cuidado de manter problemas para fora de sua vida. Até agora. Jude é tudo o que ela precisa ficar longe se ela quer separar o passado do futuro. Ficar longe, ela está prestes a descobrir, que é a única coisa que é incapaz de fazer.

Para Lucy Larson e Jude Ryder, o amor está prestes a se tornar à única coisa que pode mantê-los separados.

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Capítulo Um

V

erões me transformavam em uma pateta. É por isso que euestava contente que este estava quase acabando.

Todos os anos, desde a puberdade, desdeos meados de

junho até o início de setembro, eu tinha certeza de que iria encontrar o Príncipe Encantado do mundo real. Chame-me de antiquada, me chame de irremediavelmente romântica, você pode até me chamar de idiota, mas seja o que for, eu sabia o resultado final, eu era uma pateta. Até o momento, eu nunca tinha encontrado um cara que fosse digno de estar na sombra do Príncipe Encantado. Não foi surpresa nenhuma descobrir mais e mais depois de cada verão, que os caras sinônimo de problemas. Mas aqui, trabalhando no meu bronzeado na praia pública de Sapphire Lake, apenas aalgumas semanas antes de estar com tudo pronto para começar meu último ano numa nova escola,eu tinha acabado de encontrar um Príncipe malditamente Sexy. Ele chegou com uma enorme quantidade de gente, lançando uma bola de futebol de um lado para outro, e espécimes como este confirmam que existe algum tipo de regra divina no universo, porque nenhum processo de seleção

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natural estava à altura de criar algo parecido com ele. Esta foi, de alguma forma, uma obra única de Deus. Ele era alto, seus ombros largos, e ele tinha olhos escuros com cílios pretos que tinham o poder de desfazer as melhores intenções de uma mulher. Assim, em termos nãoingênuos, ele era meu tipo. Junto com cada mulher que falava inglês no hemisfério norte. Minha raspadinha de framboesa azul, que estava se tornando mais mingau do que neve derretida a cada encarada lasciva, não poderia sequer competir por minha atenção. Eu não sabia o nome dele, não sabia se ele tinha uma namorada, não sabia se ele queria uma, mas eu sabia que estava em apuros. No entanto, foi quando seu esquivar, avançar e correr1parou, quando ele olhou em minha direção, que eu sabia que estava em

grandes apuros.

O olhar foi imensuravelmente mais longo do que cada outro olhar compartilhado com um estranho, mas o que foi transmitido neste curto espaço de conexão atravessou-me, deixando alguma parte deste estranho,trabalhar seu caminho para dentro de mim. Eu tinha experimentado isso antes algumas vezes em minha vida, mas nunca teve essa emoção por trás de um olhar preso com um estranho, não desse jeito. Por alguma razão, foi como se eu sentisse minha alma

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“Dodging and tackling and sprinting” é movimento do Futebol Americano.


emergir

de

um

tufão,

me

implorando

para

tomar

conhecimento e seguir depois daquele momento de sorte. Até hoje, eu nunca segui, mas a última vez que deixei um destes momentos passarfoi no ano passado quando um rapaz, que trabalha em um restaurante que minha família visitou durante as férias, entregou uma pizza na nossa mesa. Ele tinha deixado a pizza sobre a mesa, disse-nos para desfrutar, e então, bem, quando ele estava saindo da mesa, ele olhou para mim. Meu coração fez “boom-boom”, minha cabeça ficou nebulosa, e eu senti aquela dor dentro de mim quando ele se virou e foi embora, como se estivéssemos ligados por uma corda fixa. Eu tinha deixado quatro desses tufões de alma passar inexplorados, mas eu tinha feito um pacto sacramental comigo mesma de que não deixaria um quinto ir pelo mesmo tipo de caminho. Nunca tive certeza se a pessoa do outro lado do olhar sentia o mesmo tipo de intensidade que eu sentia, por isso, quando o Príncipe malditamente Sexy virou-se, encarando alguém na areia, eu sabia que corria o risco de ele pensar que eu era uma daquelas garotas que transformavam uma caça aos garotos bonitos que não estavam nem aí, em uma verdadeira modalidade artística.Eu não me importava, não deixaria mais um desses momentos passarem. A vida é curta e eu tinha sido uma firme adepta a‗aproveitar o momento‘na maior parte da minha vida. Então, ele parou outra vez, como se meu olhar estivesse congelando-o no lugar, antes de olhar para trás.

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Desta vez não foi um piscar de olhos. Foi uma encarada de uns bons cinco segundos, onde seus olhos fizeram aquela expressão aturdida para mim. Seu sorriso estava apenas começando sua jornada para a posição final, quando uma bola de futebol passou zunindo direto pelo lado do seu rosto. Foi um daqueles momentos que a gente vêem filmes: Menino de olhos arregalados olhando para a menina, os dois alheios ao mundo em torno deles até que as amarras de uma bola de futebol bateram na testa dele. — Pare de encarar, Jude! — O garoto que tinha jogado a bola chamou. — Ela é sexy demais, até mesmo para você. E uma vez que ela tem um livro, provavelmente sabe ler, então ela é inteligente o suficiente para saber que deve evitar caras como você. Eu deslizei meus óculos de volta no lugar conforme o garoto do acaso perseguia o baixinho provocador e voltei minha atenção para o livro esparramado em mim, não mais preocupada em ter que persegui-lo a fundo para explorar se poderia haver algo mais entre nós do que um olhar carregado. Eu vi a reciprocidade em seus olhos, isso e muito mais. Era apenas uma questão de tempo, até que ele se cansasse do joguinho e viesse até mim. Eu tinha o dia todo. Isso era o que eu garanti a mim mesma enquanto ele jogava o menino preso em seus ombros e corria para dentro do lago, molhando de cima a baixo até que o menino estava

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gritando com risadas. Assegurei-me de novo quando ele e o garoto arrastaram-se da água e retornaram para o grupo de meninos jogando futebol, à direita onde ele parou, não lançando um único olhar na minha direção. Tentei me distrair com o livro, mas quando me encontrei lendo o mesmo parágrafo, pela sexta vez, eu desisti. Ainda sem outro olhar em minha direção, como se eu fosse invisível. Quando uma segunda hora passou da mesma forma, eu decidi que era hora de resolver o assunto com minhas próprias mãos. Se ele não estava vindo até mim e eu não estava completamente pronta para ir até ele, eu só tinha que fazê-lo vim. Já tinha descoberto que os rapazes eram criaturas bastante simples de se desvendar, pelo menos em um nível primário — em matéria de mentalidade, coração e alma, eles eram tão confusos para mim como dinâmica térmica, — e desde que ‗primário‘ era apenas um bom termo para

‗hormônios

em

fúria‘,

eu

decidi

usar

a

sua

superabundância nos adolescentes a meu favor. Pegando um litro de água da minha bolsa de praia, levantei-me, tornando cada movimento lento e deliberado. Pelo menos, sem parecer ridícula. Mesmo assim, seus olhos não estavam em mim enquanto eu me levantava e ajustava meu biquíni, mas um outro grupo de garotos estava. Bom sinal de que eu estava fazendo a coisa certa, mas um mau sinalde que ele não estava me notando, uma vez que esta estratégia toda foi arquitetada para ele.

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Puxando o grampo da minha massa de cabelo, ele caiu nas minhas costas, e eu balancei-o em posição, para que ficassem bonitos. Eu praticamente amaldiçoei sob a minha respiração quando arrisquei outro olhar em sua direção, para encontrá-lo totalmente alheio. O que uma garota tem que fazer para chamar a atenção de um menino hoje em dia? Voltei para a mesa de piquenique onde a mais recente adição à nossa família, do tipo peludo, ainda estava sorrindo através de seu arfar. — Aí está um bom menino. — eu disse, ajoelhada ao lado de onde ele estava usando a sombra da mesa a seu favor. — Já que você é do mesmo sexo, embora eu ache que sua espécie seja mais atraente em tantas maneiras, você tem alguma sugestão de como fazer aquele garoto ser meu? — perguntei, jogando um pouco mais de água em sua tigela enquanto eu observava Jude erguer uma bola de futebol no ar. O garoto jogou o melhor jogo de futebol de praia que eu já tive o prazer de assistir. Meu amigo peludo ofereceu algumas lambidas no meu braço antes de seu nariz molhado cutucar minha perna. Eu poderia ter lido um pouco de encorajamento na cutucada, mas quando seus olhos de cãozinho rastrearam até Jude, e seu sorriso de cãozinho esticou mais, eu ri.— Sim, sim. Eu sei que esse é um mundo das mulheres e tal, mas ainda há algumas coisas que gosto à moda antiga. — eu disse, coçando atrás de suas orelhas emaranhadas, — Como o cara chegar na garota, por exemplo. Não ligue para o movimento

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feminista e me dedure ou então, sem bife para você hoje à noite. Dei um tapinha na cabeça enquanto ele latia seu voto de silêncio antes de voltar para a minha manta seca no sol. Eu mantive minha cabeça para frente, mas os meus olhos estavam tão longe nos cantos quanto eles poderiam ir, vendo quando ele jogou a bola de futebol para o outro menino. Se ficar em pé, alongamentos, e arrumar o biquini não estavam funcionando, com o jantar nem mesmo à uma hora de distância, eu teria que recorrer a medidas drásticas, ou desesperadas. Eu era tão teimosa quanto era uma idiota, e já que tinha esperado ele vir por tanto tempo, eu não estava desistindo agora. Desistir não estava no meu sangue. Estendi minha manta, barriga para baixo, torcendo os braços atrás de mim para puxar o cordão livre de suas amarras. Na minha experiência como uma menina de 17 anos de idade, sete desses anos com peitos que exigiam um sutiã, desamarrando esse pequeno nó no centro de suas costas tinha cerca de uma taxa de precisão de 95% de atrair qualquer homem dentro de um raio de cinco toalhas de praia. Jude poderia estar a cerca de cinco ou seis metros, mas isso era tudo que me restava. Meu último truque na manga. Eu fiz um travesseiro de meu vestido e fingi não estar me preocupando com nada mais que não fosse minimizar a linha do meu bronzeado, mas quando peguei um vislumbre

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da área, todos os olhos do sexo masculino dentro de cinco toalhas de praia estavam olhando. Exceto ele. Alguns

assobios

até

soavam

dos

lábios

de

seu

companheiro de futebol, o qual eu ignorei, mas ainda sem o menor dos olhares na minha direção. Um dos meus amigos da minha antiga escola tinha uma vez me dito que se alguma vez chegasse um dia em que nossos pretendidos alvos masculinos não rumassem para nosso caminho após este último esforço, seria hora de enviar a notícia ao papa de que um milagre precisava ser examinado. Coloque Roma no telefone, porque um milagre estava acontecendo na minha frente, enquanto o único garoto que eu queria que notasse era o único que não notava. Malditos sejam, o acaso e os tufões da alma. Eu daria a ele mais cinco minutos antes de me forçar a engolir meu orgulho e fazer um movimento. Eu sabia que se tivesse que chegar nele, provavelmente levaria um fora, mas eu não ia deixar mais um desses passar por mim. Carpe Diem2, baby. Notei algo zunindo por cima de mim com o canto do meu olho, mas não parecia de muita importância, até que um certo corpo que eu estava desejando agarrou a coisa no ar, bem antes de cair de volta para a terra de seu incrível puloaero.Ou pelo menos, caindo bem em cima de mim. 2

Para quem não conhece, a famosa frase Carpe Diem = Aproveite o momento.

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Ele não colidiu em mim duramente, levando-me a crer que foi intencional, mas eu ainda consegui gritar como uma menininha. Eu amarrei minha parte de cima nas costas no lugar enquanto ele lutava para reposicionar-se. — O nome é Jude Ryder, já que você está praticamente salivando como um cão raivoso para saber, eu não tenho namoradas,

relacionamentos,

flores,

ou

telefonemas

regulares. Se isso funciona para você, eu acho que nós poderíamos trabalhar em algo especial. Então este é o afortunado momento pelo qual eu venho esperando por grande parte daquela tarde gloriosa de verão? Que desperdício. Não havia nada mais do outro lado desse olhar carregado do que uma oportunidade de... Bem, uma aventura de verão. Senhor me ajude, eu estava indo me tornar uma freira se meu radar para machos não começasse a rastrear caras que não pensam sócom a cabeça de baixo. — E eu te daria meu nome, se eu realmente quisesseter algo mais com você do que lhe dizer para sair de cima de mim. — falei, virando uma vez que estava confiante de que tudo na frente estava coberto. No entanto, se foi o meu movimento de torção ou o estranho senso de interesse próprio dele, a perna dele prendeu meu quadril enquanto o rodou e o seguiu a toda volta. Ótimo, o garoto ficou agorasentado com as pernas abertas em mim e, apesar de estar com raiva, eu senti meu coração batendo no meu peito como nunca esteve antes.

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Ele sorriu para mim. Na verdade, foi mais que um sorriso. Foi um sorriso cheio de atitude e ego. Foi um pouco sexy, e poderia ter sido muito sexy, se eu já não tivesse decidido a não cair nas armadilhas deste garoto. — Eu estava me perguntando quanto tempo levaria para conseguir você na horizontal. — ele disse, os olhos varrendo para baixo do meu umbigo. — Embora eu não seja realmente seu tipo de garoto. O que restava das minhas noções românticas de cavalheirismo masculino e amor à primeira vista estava apagado. Eu nunca tinha admitido ser romântica, esse era um dos muitos segredos que guardei para mim mesma, mas esse era um ideal especial e o cara pegou o último pedaço que eu agarrava. Empurrando seu peito, o que foi como tentar mover um tanque, tirei meus óculos de sol para que ele pudesse ver o meu olhar. — Isso é porque exigiria uma mulher real, vivendo, respirando, não uma imaginária ou inflável, para fazer sexo com você? Ele riu disso, como se eu tivesse acabado de dizer algo bonito como uma gatinha. — Não, o abastecimento de meninas nunca foi um problema. Mas se são elas que vêm bater na minha porta, por que eu deveria ser o único a fazer todo o trabalho?

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Aquele sabor desagradável na minha boca poderia ter sido apenas um pouco de vômito. — Você é um porco. — eu disse, empurrando-o novamente. Mais forte, de modo que minhas mãos bateram no seu peito, mas era como se nada mais do que uma rajada de vento tivesse chegado para ele. — Nunca disse ser qualquer coisa além disso. — ele respondeu, levantando as mãos em sinal de rendição, quando cheguei nele de novo com minhas palmas. — Eu também sabia que você não ia parar o seu olhar até que aprendesse a verdade dura e fria. Então se considere avisada. Eu posso não ser o tipo de cara que lê livros na praia. — ele disse, olhando para trás para o meu livro aberto, — Mas sou inteligente o suficiente para saber que garotas como você devem ficar longe de caras como eu. Portanto, fique longe. Meu olhar era agora oficialmente um olhar furioso. — Isso não será um problema uma vez que você parar de me manter pressionada. — eu disse, esperando ele se mover. Ele o fez, mas ainda estava com aquele sorriso arrogante. Eu odiava aquele tipo de sorriso. — E pode se considerar avisado de que você está invadindo a minha propriedade pessoal. — peguei minha toalha de praia rosa explicando conforme uma erupção de latidos soou atrás de mim. Eu sabia que aquele cão era uma alma gêmea, — E cuidado com o cão. — eu sorri desdenhosamente para ele

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enquanto ficava ao meu lado, ainda em uma posição de pernas abertas. — Você pode ir agora. Isso varreu o sorriso de seu rosto. — O quê? — ele perguntou as linhas de sua testa puxando seu gorro cinza mais para baixo. E que tipo de pessoa usava um gorro de algodão na praia em um dia escaldante? Os mentalmente perturbados que eu preciso ficar longe, esse é o tipo. — Saia. — eu disse, acenando para ele sair. — Eu terminei de desperdiçar meus últimos minutos preciosos de uma linda tarde de verão com você. Obrigada pela doce distração, mas eu posso ver que não é nada mais do que isso. Ah, e por falar nisso, seu bumbum não é tão impressionante de perto como é à distância. Eu não tive tempo para amaldiçoar-me pelo meu último ataque verbal precipitado, porque sua boca abriu por um segundo. Foi exatamente a reação que eu estava esperando. — Vocês meninas falam uma língua que eu nunca vou entender, mas você está dizendo o que eu acho que está? — Se isso envolve você se levantando e saindo do meu sol e da minha vida daqui até o fim dos tempos, então estamos na mesma sintonia. — respondi, deslizando mais para baixo na minha toalha para realinhar o meu rosto ao sol, tentando fingir que seu rosto não era a coisa que fez meus pensamentos impertinentes. Exceto por uma longa

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cicatriz que corria na diagonal da sua bochecha esquerda, que poderia ter sido classificada como perfeitamente sexy. Perfeitamente, não meu tipo. Eu tinha que me lembrar disso. E me convencer também. Suas sobrancelhas estavam ainda espremidas juntas, como se tivesse tentando resolver o mais enigmático dos enigmas. — O que é esse olhar embabascado? — eu perguntei. — Porque eu ainda tenho de me deparar com a menina que me esteve me enviandoolhares. — ele disse, olhando-me com algo novo em seus olhos. —

Desculpe-me

por

derrubar

seu

mundo

de

desrespeito pelas mulheres, mas parece que meu trabalho aqui está feito. — Sentei-me, arrastando meu livro na minha bolsa. — Que tipo de cachorro é esse? — ele perguntou abruptamente, tomando um lugar na areia ao meu lado. As notas baixas foram embora de sua voz. Olhei para ele enquanto continuei jogando os meus itens obrigatórios de dia de praia para a bolsa, avaliando para ver se ele estava falando sério. Ele tinha apenas ido de praticamente montando em mim na praia para uma conversa casual.

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— Ele tem um monte de raças nele. — eu comecei lentamente, olhando-o pelo canto do meu olho para ver se esta era uma nova armadilha. — Então ele é um vira-lata. — ele disse. — Não. — eu disse, olhando para o pacote desgrenhado ainda mostrando os dentes em direção a Jude. — Ele tem suas qualidades. — acrescentei. — Bem, essa é a melhor tentativa que eu já ouvi, de fazer um monte de merda parecer menos merda. — ele disse, girando a bola de futebol em seu dedo. — Não, essa é a minha maneira de ver algo pelo que ele realmente é. — eu disse certa de que parecia mais defensiva do que pretendia. — Esse ―pedaço de merda‖, você deveria saber, foi golpeado, chutado, ficou desnutrido, e seus proprietários

anteriores

atearam fogo

nele, e

então

o

deixaram no abrigo quando ele teve a coragem de devorar um sanduíche de atum sem supervisão. Esse ―pedaço de merda‖ estava programado para ser sacrificado hoje apenas para acabar com tudo de desagradável em sua vida. Jude olhou para longe de mim, de volta para o cachorro. — Você só pegou esse cara hoje? — ele perguntou, fazendo uma careta. — De todos os cães que podiaescolher, você escolheu o que era a imitação mais triste de um cachorro que eu já vi.

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— Não podia deixá-lo ser morto porque a sujeira da terra o arruinou, poderia? — perguntei, estremecendo enquanto me perguntava o que meus pais diriam.— Quero dizer, olhe para ele. Ele tem sido brutalizado por seres humanos e a única coisa com que está preocupado agora é proteger-me. Como eu não poderia salvá-lo? — Porque ele é o cão mais feio que eu já vi. — Jude disse. — Ele está praticamente sem pêlos e, eu não quero ficar mais perto porque tenho medo que poderia rasgar minhas bolas fora, mas eu tenho certeza que esse cheiro pútrido está vindo dele. A menos que... — ele se inclinou para mim, movendo meu cabelo atrás do meu ombro enquanto seu nariz praticamente se conectava com o meu pescoço. Minha reação imediata foi estremecer, este garoto sabia o que estava fazendo e como o leve roçar de dedos apenas nos pontos certos de pele ou uma respiração quente sobre o ponto certo do pescoço, pode praticamente esmagar uma menina das mais virtuosas intenções, mas eu combati o tremor para longe. Eu não ia ser uma das meninas que estremecem em sua presença. Ele não precisa de outro impulso para inchar seu ego. — Não, só senti cheiro doce e inocente vindo daqui. — ele praticamente sussurrou contra meu pescoço antes de olhar para o cão. Ele sorriu para mim, sabendo exatamente o que estava fazendo e sabendo exatamente o que eu estava tentando não fazer. — Eu sugeriria levar esse saco de pulgas à um pet shop para o banho, às vezes. — ele riu quando o

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cachorro começou a latir novamente por causada minha proximidade com Jude, mas ele se afastou de mim de novo. — O que seus pais pensaram quando você trouxe o Cujo3 para casa? Desta vez eu fiz uma careta. — Aah, deixe-me preencher os espaços em branco, já que estou muito familiarizado com este olhar. Eles não sabem que sua preciosa filha escapou por trás de suas costas e trouxe o animal com um passado questionável em sua vida. Minha careta se aprofundou quando ele verbalizou o que eu gostei de enfeitar. — E já que estou enrolado aqui, deixe-me encher os espaços em branco da reação deles. — ele bateu no queixo, olhando para o céu. — Eles vão mandar você deixar essa coisa, como se fosse hábito ruim, e mandá-lo de volta para onde você o encontrou. Eu soltei uma lufada de ar. — Provavelmente. — eu disse, tentando formular uma réplica que seria convincente com meus pais. Já sabia que papai toparia só para me acompanhar, mas mamãe era outra história e meu pai tinha aprendido anos atrás que a vida não era agradável se ele não estava no mesmo navio da paternidade como mamãe. — Então por que você fez isso? — ele perguntou, ainda olhando para o cão como se fosse um quebra-cabeça, — 3

No inglês quando não há nome/identificação também é Cujo.

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Porque você não me parece o tipo de garota que se rebela contra o que os pais dizem. — Eu não o faço. — respondi. — Mas fizemos uma espécie de grande mudança de vida e não fui capaz de desistir disso. — Mudança de vida? Desistir disso? — ele repetiu. — Tudo bem, meu interesse estava no pico quando você me dispensou, agora eu estou absolutamente encantado desde que transformou adoção de cachorros em um vício. — ele sorriu para mim de canto, e eu jurei que podia sentir meu estômago revirando. — Então o que é essa grande mudança de vida que você está passando com esses lindos olhinhos azuis? Deslizei meus óculos de sol de volta para a posição original. Se ele estava tentando encontrar uma forma de ser condescendente sobre os meus olhos, ele não os olharia. — Vendemos a casa que eu cresci e mudamo-nos para a nossa casa do lago. — eu comecei, tentando soar tão despreocupada quanto pude sobre o assunto, — E a comunidade em que vivemos tem as mais ridículas cláusulas restritivas que não permitem qualquer tipo de muro ao redor da propriedade, assim apenas faz sentido que aqueles idiotas não vão permitir um cão sem coleira, certo? — estava ficando excitada só de pensar nisso, enquanto as minhas mãos flutuavam com a explicação. — Nós não temos um canil, eu não posso mantêlo dentro de casa porque o papai é alérgico, e se você tentar colocar uma coleira neste carinha, ele praticamente se

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transforma no diabo da Tasmânia. — Voltei a olhar para o cão, ele ainda estava olhando para Jude cautelosamente. — É como se a ideia de estar preso a algo o levasse ao limite. — Eu conheço o sentimento. — ele disse, olhando para o cão com algo novo em seus olhos. Camaradagem, era isso? — Sim, sim. — eu disse, pegando minha raspadinha derretida. — Já peguei a lenga lenga sobre você não ser de se amarrar a coisas como namoradas. Não há necessidade de um replay instantâneo. Enquanto tomei um longo e último gole de xarope de framboesa azul, Jude nivelou-me com um olhar que possuía emoção demais para um homem de seu caráter superficial. — Há outras maneiras de se prender a alguma coisa que não seja uma mulher. Na verdade, eu diria que estou preso a quase tudo, exceto a uma mulher. Ok, eu não estava esperando esse momento de vulnerabilidade escapar de um cara que provavelmente pensava que um bom primeiro encontro incluia uma visita ao banco de trás do seu carro. — Importa-se em elaborar? — eu perguntei, pondo o copo vazio na areia. — Nem um pouco. — ele respondeu, olhando para a água. — Mas obrigado por perguntar. — Jude! — Alguém gritou para a praia.

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Olhando por cima, para o gritalhão, um homem de meia idade que era rechonchudo, grosseiramente obeso na verdade, Jude acenou com a mão. — Estou indo, tio Joe. — Esse é seu tio? — Meus olhos se moveram para trás e para frente entre Jude e tio Joe, não encontrando outra semelhança além do sexo. Jude assentiu uma vez. — Tio Joe. — E esses são seus primos? — mais uma vez, eu examinei

o

punhado

de

garotos

na

faixa

etária,

provavelmente, do jardim de infância ao ensino médio, não encontrando nenhuma característica definitiva que os ligue um ao outro. Outro aceno de Jude. — Será que eles todos tem mães diferentes? — perguntei, apenas provocando em parte. Isso o fez rir um riso que eu senti todo o caminho até meus dedos dos pés. — Eu acho que você pode ter descoberto algo. Aceitando que o fim estava perto, eu decidi cortar o laço cedo. — Bem, foi... — procurei pela palavra certa, chegando a nada. — Alguma coisa, conhecer você, Jude. — eu disse, conforme aquele sorriso dele angulava com a minha escolha de palavras. — Tenha uma boa vida.

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— Você também... — ele disse, suas sobrancelhas se unindo como se ele procurasse em mim por alguma coisa. — Lucy. — eu ofereci, não sei por quê. Disse meu nome um milhão de vezes e maneiras diferentes, mas dizer a ele parecia estranhamente íntimo. — Lucy. — ele repetiu, saboreando a palavra em sua boca. Disparando-me outro sorriso inclinado, ele se virou e se dirigiu para a trilha de meninos deixando a praia. — Oh Deus, Lucy. — eu dissea mim mesma, jogandome na minha toalha de praia. — O que você estava pensando? Mesmo quando disse as palavras, com tanta convicção quanto poderia mostrar, meus olhos não foram capazes de desviar para longe dele enquanto caminhava pela praia, girando a bola de futebol entre os dedos. Parando de

repente, ele

virou-se, aquele

sorriso

melhorado quando ele encontrou meu olhar sobre ele. — Então, Lucy... — ele gritou, colocando a bola debaixo do braço, — Quão longe você vai até me dar o seu número de telefone? O que quer que eu tenha pressentido sobre Jude e coração partido andando de mãos dadas, voou para fora da janela.No entanto, eu ainda tinha um pouco de dignidade em nome de todas as mulheres e não poderia fazer isso fácil para ele.

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— Quão longe você acha que o fim do mundo é? — gritei de volta, rolando para o meu lado. Jude balançou a cabeça, rindo silenciosamente. — Você está se fazendo de difícil, Lucy? —

Não,

Jude.

eu

respondi,

arqueando

uma

sobrancelha. — Sou impossível de conseguir. Mentira deslavada, mas ele não precisava saber disso. — Jude! — tio Joe gritou novamente, desta vez soando um tom especial de chateação. — Agora! Jude ficou tenso, o sorriso vacilante. — Estou indo! — gritou por cima do ombro antes de andar a passos largos na minha direção. Ajoelhando ao meu lado, com os olhos presos nos meus. — Número? — Não. — eu estava tão perto de quebrar se ele perguntasse de novo, eu sabia que eu desistiria. — Por quê? — Porque você tem que se esforçar mais do que uma tentativa fraca para tê-lo. — respondi, ao ouvir minha consciência perguntando o que diabos eu estava fazendo. Este tipo de cara tinha ‗ruim‘, ‗mau‘ e ‗errado‘ escrito em sua pele, mas havia algo mais ali, algo que eu tinha visto naquele flash de vulnerabilidade que me absorveu. Inclinando-se tão perto que seu nariz estava quase tocando o meu, ele perguntou: — Quanto mais?

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Suguei uma respiração lenta, esperando que a minha resposta

não

fosse

fazer

parecer

que

eu

estava

hiperventilando. — Use seu cérebro, desde que você deixou claro que não o usa para a escola. Ele esperou alguns segundos, talvez esperando que eu retirasse a parte do ―difícil de conseguir‖. Selei meus lábios mais apertados. — Eu vou pensar em algo bom. — ele disse, finalmente, deslizando meus óculos de volta para a posição, — Muito bom. — Se você pensar em algo tão bom assim... — eu disse, contente que meus olhos estavam cobertos para que não pudesse ver a festa em minhas pupilas — Eu não vou apenas dar-lhe meu número, eu vou deixar você me levar para um encontro. — senti a parte desinibida de mim,que fiz o meu melhor para reprimir. A parte de mim que eu tentei me convencer que era ruim, má, errada, e assim por diante, mas parte de mim sentia como se estivesse lutando contra uma corrente quando eu fui contra isso. — O que te faz pensar que eu quero ir a um encontro com você? — seu rosto estava mais sério do que um adolescente deve ser capaz de fazer. Amaldiçoei sob a minha respiração, querendo jorrar outra série delas quando a expressão de Jude ficou congelada. Eu estava prestes a não responder, ou pegar a minha toalha de praia e bolsa e fugir daqui com o rabo entre as pernas, quando um sorriso

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rompeu o rosto de Jude pela metade, — Você é meio bonita quando está sendo torturada, sabia disso? — ele riu, dando uma girada na bola de futebol. — Infernos, sim, eu quero te levar para sair. Apesar de encontros não serem realmente a minha praia, eu acho que posso fazer uma exceção para uma menina que resgata vermes. — pegando a sugestão, um rosnado soou sob o banco de piquenique. — Uma que lê Física Quântica na praia. — eu poderia ter-lhe corrigido, dizendo que estava estudando Biologia, não física quântica já que eu estava pegando Biologia Avançada no outono, mas eu não acho que ele teria se importado, ou que soubesse a diferença. — E uma que adere ao modo europeu, para não mencionar o meu favorito, bronzeamento por topless. — o sorriso de Jude aumentou, dando-me um aumento sagaz de seu queixo. — Para alguém que prefere a coisa de sem top, você não deve aderir a essa política pessoalmente. — eu respondi, deslizando meus olhos para baixo, a camiseta estava agarrada ao seu peito de suor ou água ou uma combinação de ambos. Aparentemente sol a pino e 35 graus de calor não justificavam o derramar das camadas da própria opinião de Jude. Ele deu de ombros. — Há uma obra de arte, uma verdadeira obra-prima, escondida sob essa camisa. — seus músculos rolaram e se esticaram para mostrar seu ponto de vista. Não que eu precisasse ser convencida. — Eu não posso deixar tudo isso ser exibido gratuitamente para o público.

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Se já não houvesse cerca de três dezenas de avisos vermelhos para explicar porquê eu deveria evitar o garoto sorridente, flexionando a cabeça enrolada aos pés com fita ATENÇÃO na minha frente, aqui estava três dezenas e um. Então, o que eu fiz? Exatamente o que eu sabia que não deveria. — Então, qual é o preço do ingresso para o Museu do Jude? Seu sorriso desapareceu do nada, seus olhos fazendo o mesmo. — Para as meninas como você, com futuro de o mundo-é-seu... — ele disse, virando na areia, — É caro. Muito caro. Outro flash de vulnerabilidade. Eu não sabia se ele tinha um caso ruim de alterações de humor ou, no fundo, era um cara sensível batendo contra as paredes para se libertar. Mas

eu

queria

descobrir.

Isso

foi

você

apenas,

inadvertidamente, me dizendo para ficar longe de você? — Não. — ele respondeu, encontrando meus olhos. — Isso era eu dizendo, diretamente, a você para ouvir seu interior e o que ele está gritando para você agora. — O que faz você pensar que sabe o que meu interior está me dizendo? — Gritando. — ele corrigiu. — É experiência.

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Se Jude pensou que experiência lhe tinha dado o manual de instruções de Lucy Larson, ele nunca esteve tão errado. — Então, eu vou vê-lo por ai? Balançando

sua

cabeça,

seu

novamente. — Eu te vejo por aí, então.

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sorriso

quebrou


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Capítulo Dois

D

epois de implorar aos Darcys, para quem eu costumava ser babá do outro lado do lago, para ficarem com o cachorro por uma noite

enquanto eu descobria o que ia fazer com ele, a mensagem do meu interior tinha finalmente criado raízes e se espalhado por todo o caminho para os pedaços descuidados, de livres espíritos da minha consciência. Jude Ryder não era só um problema, ele era um problema com um lado de perigo e um coração partico como sobremesa. Eu não falava a língua dos estereótipos, mas eu sabia que o caminho que Jude estava, e o que eu estava, nunca se cruzariam, a menos que um de nós fosse privado de nossas peculiaridades para se juntar ao outro. Eu trabalhei muito duro, por muito tempo, para permitir que a minha personalidade morresse. Mesmo quando eu desviei da Sunrise Drive para cair na estrada de terra esburacada, para a nossa uma vez segunda casa, mas que agora era a primeira e única, as razões pelo qual eu deveria apagar Jude da minha mente continuaram a se acumular em uma montanha que eu era incapaz de escalar. Eu sabia por que não deveria ter nada a

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ver com ele e que tudo fazia sentido, mas algo que não fazia nenhum sentido dentro de mim não deu a mínima para o que eu sabia. Alguma coisa estava revidando, dizendo ao meu interior para fazer uma caminhada. Algo queria ter Jude Ryder na minha

vida,

não

importando

as

consequências

ou

o

resultado. E o que quer que fosse isso, eu gostei. Eu desliguei o pequeno motor do meu Mazda4fora da garagem, uma vez que estava cheia até o teto com caixas e peças de mobiliário de nossa antiga casa, que era cerca de quatro vezes maior. Houve um tempo que nós nunca nos preocupamos com dinheiro, mas após o império empresarial de meu pai cair, a poupança secou e coisas como segundas residências e férias na Europa tornaram-se luxos do passado. O trabalho de mamãe como uma arquiteta, paga apenas o suficiente para manter uma família de três pessoas vivas, mas não prosperando. Mesmo se ainda tivéssemos todo o dinheiro que já tivemos,nada descreveria a unidade familiar dos Larson. E não houve nenhuma melhora nos últimos cinco anos. Deslizando meu macacão sobre meu traje de banho para não ter que ouvir a sempre esperada e tão criativa palestra de desaprovação de minha mãe sobre dar o leite

4

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Modelo de carro.


antes de alguém comprar a vaca, corri acima dos instáveis degraus da frente da nossa varanda. — Ei, pai. — eu disse enquanto puxei a porta de tela. Após cinco anos, eu tinha parado de olhar por cima na poltrona azul gasta para confirmar que ele estava ali, hipnotizado pela televisão ou por um jogo de palavras cruzadas. Ele sempre estava lá, se era qualquer momento antes das sete horas da noite. Depois das sete, ele se transforma em um chef gourmet batendo claras, fazendo algum prato francês com tanta autoridade que você nunca teria imaginado que ele era Norueguês. — Olá, my Lucy in the sky5. — foi a resposta esperada, como tinha sido há anos. Meu pai nada mais era se não um fã dos Beatles, e seu segundo filho tinha sido nomeado por sua canção favorita de todos os tempos, para a mortificação de minha mãe. Ela era, se existe tal coisa, uma anti-Beatle. Eu não sei como o meu pai conseguiu não um, mas dois filhos nomeados em homenagem à banda que ‗criou uma geração‘, nas palavras do meu pai, mas havia muitas coisas que não faziam sentido quando se tratava do relacionamento dos meus pais. — Como foi seu dia? — perguntei, só por hábito. Os dias do meu pai eram sempre os mesmo, agora. A única variação era qual a cor de camisa que ele usava e que tipo de molho ele preparava para o jantar. 5

Foi mantido no orginal por ser de uma música dos Beatles, ‘Lucy in the sky with diamonds’.

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Ele estava apenas abrindo a boca quando as primeiras notas da musiquinha doJeopardy6 soaram e, como um relógio, ele estava fora de sua cadeira e caminhando para a cozinha como se tivesse acabado de declarar-lhe guerra. — O jantar estará pronto em 30 minutos — ele anunciou, apertando seu avental cerimoniosamente. — Tudo bem. — eu disse, perguntando-me por que, depois de todo esse tempo, eu ainda lamentava o que meu pai e eu tínhamos sido. — Vou tomar banho e vou estar aqui em baixo para arrumar a mesa. — Eu investi contra a escada no momento em que ouvi o barulho de saltos batendo no cascalho, mas era tarde demais. — Lucille. — A porta de tela guinchou aberta, deixando entrar uma frente fria inevitável, também conhecida como mamãe. — Para onde você está correndo? — O circo. — foi minha resposta. A rainha do gelo ficou subpolar.— A julgar pela forma como você está vestida, ou quase, e dado à queda do seu GPA7 nos últimos anos, eu diria que uma carreira como artista de trapézio não é tão absurda. Suas palavras nem sequer me machucam mais, não mais do que uma ferida superficial. — É bom saber que estou vivendo além das suas expectativas. — eu disparo de volta. —

6

Um quiz show americano, com participantes disputando jogos. Média de notas, utilizada para ingresso nas faculdades.

7

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Eu vou ter a certeza de enviar um postal quandoestiver vivendo meus grandes momentos com o Cirque du Soleil. Sempre querendo ter a última palavra, virei-me e voei até as escadas antes de nós realmente nos ferirmos. No entanto,

eu

estava

apenas

adiando

o

inevitável.

Nós

continuaríamos exatamente de onde paramos daqui a trinta minutos, quando o papai soasse o sino. O jantar seria interessante. Batendo minha porta fechada, encostei-me à porta, forçando-me a respirar fundo. Isso nunca realmente me acalmou como era suposto que os exercícios de respiração profunda deveriam, mas me segurava na borda o suficiente para eu poder continuar com a próxima coisa na vida, espero que com algo que não envolva mamãe. Eu estou bem ciente que a maioria das meninas adolescentes acreditam que suas mães as odeiam e estão ali para arruinar suas vidas. A coisa sobre a minha mãe é que ela realmente faz. Odeia-me, isto é, deseja que minha vida um dia seja arruinada da maneira que eu arruinei a dela. Ela não foi sempre assim, o modelo de mulher sexa, que tem aversão à filha, uma mulher de carreira. De fato, o dia que meu pai se tornou um incerto confinado com alguns problemas sérios, eu

perdi

a

mulher

que

costumava

deixar

notas

de

guardanapo na minha lancheira. Recadinhos que diziam, „com meu coração, mamãe‟.

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Esta pessoa nunca voltaria, mas eu ainda me encontrei desejando que ela voltasse todas as vezes que deslizava para a fila do lanche, pegando um punhado de guardanapos.

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Capítulo Três

A

lgumas

pessoas

tinham

galos.

Outras

tinham despertadores. Eu tinha os Beatles.

Meu pai era tão rápido quanto previsível, e esta manhã ―Come Together” estava tocando em três quartos de volume, o que significava que eram sete horas da manhã. Para um adolescente em férias de verão, os Beatles eram tão bem vindos como um sopro de alarme de incêndio no meu ouvido no romper da aurora. Gemendo em meu caminho para fora da cama, eu deslizei para o primeiro par combinado de sandálias que eu pude localizar. Um espalhar de gloss e uma rápida ajeitada em meu cabelo com os dedos e eu estava pronta para a manhã. A invenção de calças para yoga e a combinação de usá-las com um top qualquer, aparecia na minha lista top 10 de invenções que mais mudaram minha vida. O par flexível servia como roupa de dormir, roupa para malhar, roupa confortável de dia-a-dia e a roupa perfeita para uma manhã no estúdio de dança. Havia um monte de coisas que eu poderia ficar sem. Shampoo, milho doce, unhas do pé vermelhas, dormir...

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Inferno, até meninos, mas nunca pude ficar sem dança. Balé, para ser específica, mas não exclusivamente. Toda e qualquer oportunidade que eu tinha, eu estava dançando. Eu tinha dançado Break8, hip-hop, valsa, tango e dado piruetas no meu caminho pela vida desde os três anos. Quando foi anunciado que estaríamos simplificando— também conhecido como ‗diminuindo o padrão de vida‘ porque estávamos ficando sem dinheiro,—nossas vidas, eu tinha feito um pedido. Na verdade, foi mais como uma exigência. Minhas aulas de dança na Academia de Dança da Madame Fontaine prosseguiriam ininterruptas. Nem seriam canceladas devido à insuficiência de dinheiro. Eu não me importava se já não ia mais vestir as roupas de marca, e tinha de fazer compras nos dias de promoção na popular da cidade, ou se meu carro foi substituído pelo transporte público, ou até mesmo se nós tínhamos um teto sobre nossas cabeças. Eu tinha que continuar dançando. Essa foi a única coisa que manteve minha cabeça acima da água quando senti que estava me afogando. A única coisa que me atraiu nos dias escuros. A única coisa que parecia ainda me receber de braços quentes, que me amava mutuamente. A única coisa que não mudou na minha vida.

8

Modalidade de dança de rua. As pessoas praticantes dessa dança são conhecidas como b-boys ou bgirls.

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Jogando minhas sapatilhas de balé sobre um ombro e minha bolsa sobre o outro, eu abri uma fresta da porta do quarto. A casa era um lugar frágil e velho, com muita personalidade, como meus pais gostavam de contar quando o tinham comprado há dez anos, o que tinha sido apenas uma boa maneira de dizer que era um pedaço de lixo que teve a sorte de ainda estar de pé, mas eu tinha aprendido a dois verões atrás que, passar óleo nas dobradiças e aplicar a quantidade certa de pressão sobre a maçaneta da porta, era o que bastava para conseguir abrir a idosa porta de cinquenta anos silenciosamente. Eu esperei, ouvindo os sons e ruídos além da música “Come Together”. Somente quando um minuto inteiro tinha passado sem um estalo de saltos ou trio de suspiros sendo emitido, eu me dei a luz verde. Mamãe estava, ou a caminho ou já no trabalho, de modo que o meu caminho estava livre. Depois do jantar de ontem à noite, na verdade, depois dos últimos cinco anos de jantares, evitar a minha mãe era uma prioridade, logo abaixo da dança. Pulando as escadas, uma imagem surgiu à mente. Uma imagem que eu tinha tentado apagar. Uma imagem que minhas melhores intenções haviam sido inúteis contra. Jude Ryder, agachando-se na areia uma respiração longe de mim, sorrindo para mim como se ele soubesse cada segredo

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escuro

meu

e

isso

me

deixou

nervosa

pra


caramba.Jude Ryder, bronzeadopor causa de um verão na areia, os olhos de prata líquida, pilhas de músculos puxando sua camisa... Meu dedo do pé prendeu no penúltimo degrau e, se eu não tivesse sido agraciada com uma quantidade razoável de leveza pelos anos de dança, eu tenho certeza que teria plantado o rosto no chão, e só Deus sabia o que se escondia entre as fendasdessechão de madeira. Endireitando-me, e garantindo que os sapatos, bolsa e orgulho ainda estavam intactos, obriguei-me a fazer um juramento sagrado de que eu nunca mais iria me permitir sonhar, pensar, refletir, questionar, ou cobiçar Jude Ryder novamente. Eu não precisava de um abaixo-assinado a partir das inúmeras mulheres que ele seduziu e deixou plantada para saber que ele era um bilhete de ida a uma gravidez indesejada, na pior das hipóteses, ou um coração quebrado, na melhor das hipóteses. — Até mais tarde, papai. — gritei, pegando uma maçã da fruteira. — Eu estou saindo para praticar dança e eu estarei em casa em alguma hora antes do jantar. — pegando uma garrafa de água na geladeira, eu estava fora da porta dois batimentos cardíacos mais tarde. Não importava quanto tempo eu demorasse ao redor, não haveria nenhuma resposta do meu pai. Nem mesmo um aceno de reconhecimento. Ele poderia ter sido um manequim

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em sua cadeira, olhando distraidamente para fora da janela, para o nada. Eu poderia ter estado transando com metade da população do mundo sobre o balcão da cozinha e ele não teria se importado. Ou mesmo notado. Tentei lembrar a mim mesma que as coisas fodidas na minha família não tinham a menor chance de conserto, então tentei virei meus pensamentos para outra coisa, qualquer outra coisa, que não se relacionasse com a minha família. E para onde minha mente levou meus pensamentos? Jude Ryder. Eu estava com algum tipo de doença autodestrutiva, pensei sucessivamente. Indo em direção ao Mazda, algo chamou minha atenção. Algo que se destacou por causa da maneira como pegou o sol da manhã. Algo que não tinha estado lá ontem. Voltando-me em direção à praia, eu vi o que era o responsável por me parar no meu caminho, às sete e duas da manhã. Foi um ciclone de materiais e cercas, um retângulo perfeito, contendo uma casa em miniatura, dois recipientes de plástico, e uma corda amarrada no interior do mesmo. Um canil.

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A solução de um dos problemas intermináveis que saturaram minha vida. Uma resposta para uma oração silenciosa. Caminhando para a praia, mordendo o lábio para conter o início de lágrimas que pensava em se formar, notei que havia um laço vermelho amarrado à sua porta cadeada, com uma nota dobrada debaixo disso. Suponho que para noventa e nove por cento dos adolescentes, um canil como presente classificava-se apenas acima de um dia de cabelo ruim na noite do baile, mas para mim, uma garota que não tem se encaixado no molde do normal, mesmo que ela tentasse todos os dias, foi como encontrar o mais recente galã de Hollywood embrulhado sob a árvore de Natal, com uma etiqueta que dizia: Aproveite. Sorrindo como uma colegial, revirei meus olhos, eu arranquei a nota do cadeado, nem mesmo me importando com quem tinha construído o canil. Isso significava que o mini-Cujo poderia ficar comigo até eu pudesse reabilitá-lo para ser adotado por outra família. Meu sorriso, que parecia que não ia se desfazer, fez exatamente isso, abruptamente, assim que li as palavras. Então. E sobre aquele tal encontro?

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Estava assinado com nada mais do que um J, mas eu não precisava da pontuação perfeita ou das três seguintes letras para saber quem o havia deixado. Apenas o homem que eu precisava, mas não conseguia parar de pensar. Apenas o homem que eu não precisava ver novamente. Apenas o homem que eu queria ver agora. Se o meu histórico de relacionamentos fracassados já não provou isso, este o fez. Eu estava indo terminar como uma velha, malévola bruxa. Tomando uma análise rápida da área, não havia nenhum sinal de um homem cujo rosto, corpo e sorriso afastavam os deuses. Eu estava irritada comigo mesma por estar desapontada. Um cara seguro como Jude sabia exatamente o que estava fazendo e qual ia ser sua próxima jogada, eu lanço mais um sorriso para o canil antes de correr ao Mazda. As paredes de espelhos e piso de madeira estavam acenando para mim e, como eu já tinha admitido, dança vinha antes dos meninos. Com exceção, talvez, de um. Balançando a cabeça e colocando uma tampa pesada na minha irresponsável gêmea do mal interior, eu virei à chave na ignição e amúsica explodiu pelos alto-falantes. Parecia que eles estavam prestes a explodir.

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Eu ainda não conseguia apagar Jude Ryder da minha mente.

Eu estava destruída. Cai tão duro sobre minha bunda que isso bateu o vento para fora de mim. A última vez que eu tinha tomado uma queda de qualquer tipo foi quando tinha dez anos e no segundo dia do meu pointes9. Eu fiquei furiosa, a queda tinha rasgado o meu short de treino. Estava mais furiosa com Becky Sanderson, quem tinha estado se gabando que era a favorita para Julliard desde que estávamos na escola, vivia dizendo que o assento dela na primeira fila já estava reservado. Estava mais zangada por ter um hematoma do tamanho de Cape Cod10 no meu traseiro até o inverno acabar, porque eu tinha estado pensando em um certo alguém que eu certamente não devia ter estado pensando. Seja o que for e Deus sabe o porquê, Jude tinha detonado uma granada em minha vida, que foi dizimando até mesmo as peças mais sagradas, em menos de 24 horas. Eu queria amaldiçoar o Criador por não completar o modelo feminino com um botão de ‗excluir‘ e‗cortar‘, quando se tratava de homens, mas eu era muito supersticiosa. Eu estava convencida de que xingar o Divino seria seguido por 9

Movimento do ballet. Baía de Cape Cod, localizada no extremo leste do estado de Massachusetts

10

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um bilhete de ida para o inferno. E não o outro mundo, Satanás e demônios habitando o inferno. O inferno na terra. Vamos encarar, eu já estava tão perto que eu precisava estar no meu melhor comportamento a cada segundo do dia. Conduzindo para a entrada da garagem, eu bati minha cabeça no volante, tentando imaginar a equação certa das viagens no tempo, para que eu pudesse avançar a minha vida em um ano. E só porque os cães eram as criaturas mais sensíveis nesta terra, uma língua quente e úmida deslizou até minha bochecha. — Por que você não pode ser um adolescente, Rambo? — eu perguntei, arranhando-o atrás das orelhas. Um latido e um sorriso de cãozinho foi sua resposta. Meu

mais

novo

projeto

de

estimação,

enfatizando

o

trocadilho, recebeu até mesmo um nome na noite passada na casa dos Darcy. Aparentemente, uma maratona de Rambo passou durante toda a noite e sempre que o Mr. Darcy tentou desligar a TV, o filhotinho ficava insano, então ele o deixou e, ao amanhecer, o macho castrado, sem raça definida, previsto para a eutanásia no mesmo dia que eu o adotei, teve um novo nome. — Ok, garoto. — eu disse, franzindo a testa para a casa de praia. — Vamos acabar com isso. — pegando todos os nove quilos de Rambo, eu fui direto para o canil, como se

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aquele fosse um local seguro. Como se estivesse querendo provar que já que eu o tinha, eu poderia ficar com ele. — Aqui está a sua nova casa, Rambo. — sussurrei enquanto eu o colocava para dentro. — Seja um bom menino e não cave, nem lata, ou rasgue sua casinha de cachorro em pedaços, ok? Ele começou imediatamente a inspecionar o canil, rosnando nos cantos onde eu imaginei que um determinado par de mãos tinha passado muito tempo fixando porcas e parafusos juntos. — Você não é um grande fã de Jude, não é? — eu disse, ajoelhando-me diante da porta do canil. — Por que isso? — Provavelmente porque os cães têm grande intuição. Eu estava tão assustada com a voz atrás de mim e sua proximidade com o meu pescoço que eu tropecei para trás, caindo em minha bunda. E essa foi a segunda vez naquele mesmo dia. Nesse ritmo, eu me tornaria a primeira bailarina mais desajeitada de todos os tempos. — Droga, Jude. — eu disse conforme Rambo rompia em um discurso inflamado. — Há essas ótimas pequenas palavras, conhecidas como ‗saudações‘, que foram inventadas para que uma pessoa, — fiz um gesto para ele, — Possa alertar outra pessoa antes de...

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Cairemde

bunda

no

chão?

ele

terminou,

oferecendo-me aquele mesmo sorriso que tinha sido minha ruína ontem e, como a torção no meu interior estava provando, hoje também. — Assustá-los. —terminei, prestes a empurrar-me do chão quando ele pegou minha mão e me puxou. Eu disse a mim mesma que o aconchego, o calor, que escorria em minhas veias ao seu toque, tinha tudo a ver com o calor do inferno que fazia neste dia de verão. Mesmo na minha voz mais autoritária, eu não estava muito convincente. Seu sorriso aumentou. Seus olhos brilharam. Ele sabia exatamente o que seu toque estava fazendo em mim. E eu odiava que ele soubesse. — Desculpe-me assustar você. — ele disse, soltando as minhas mãos. — Desculpe, porque você me fez cair de bunda, você quer dizer? — eu sorri para ele, desejando quenão olhasse para mim como se pudesse ver e ouvir tudo o que ocorre abaixo da minha pele. Seus olhos rolaram para o céu. — Sinto muito por todas as infrações anteriores, atuais e futuras que eu venha a cometer na sua presença. Por trás, eu ouvi Rambo começar a lamber a água de sua bacia. — Deixando todas as piadas e brincadeiras de

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lado, — eu disse, — Obrigada. Esta é possivelmente a coisa mais bonita que alguém já fez por mim. Enfiando as mãos nos bolsos, ele olhou para mim. — Isso não foi grande coisa. — Sim, foi. — eu disse, não iria deixá-lo rejeitar isto, como se não fosse uma grande coisa. — Embora eu esteja curiosa para saber como você conseguiu construir essa coisa sem ninguém ouvir ou perceber. — Ajuda o fato de eu ser um ninja fazendo cercas. — ele disse, dando-me um sorriso torcido, — E também o fato de que eu vivo aqui ao lado. — apontando o queixo para a cabana ao lado, ele arqueou uma sobrancelha para mim e esperou. — Foi a sua família que comprou o lugar dos Chadwicks no outono passado? — perguntei, olhando para a porta da próxima cabana, triangular, em formato de um ‗A‘. Eu tinha ficado com a impressão de que ainda estava vaga. — Sim, com certeza. — Você é meu vizinho? — era o sonho americano de cada adolescente ter um vizinho como Jude, então por que o meu estômago se sentiu como se eu tivesse acabado de engolir um tijolo? — Não. — ele disse, esfregando a mão sobre sua boca, tentando mascarar seu sorriso, — Você é minha vizinha.

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— Bem. — suspirei, — Lá se vai a boa vizinhança. Ele acenou com a cabeça uma vez, aqueles seus olhos cinza tão leves hoje que eram da cor de moedas. — Lá se vai. Três palavras. Três palavras acompanhadas por aquele olhar, realizado por aqueles olhos, emitidas a partir daquele homem. Eu tive sorte, que meus joelhos não se curvaram sob o peso daquele arrebatamento. — Então vizinha, — Jude me examinou. — Como sexta feira à noite lhe soa? — Soa como sexta feira à noite. — eu atirei de volta, agradecida que os muitos pedaços que se partiram em mim, estavam voltando a se juntar. Nenhum homem, num curto nível de divindade ou não, me renderia um suspiro, bater de cílios ou amor maníaco e doentio. — Fraca, Luce. — ele disse, estalando a língua. — Nós vamos ter que trabalhar na velocidade e nitidez de suas repostas, se você vai passar muito tempo comigo. Eu sou difícil de acompanhar. — Há uma solução fácil para isso então. — eu disse, cruzando os braços e inclinando-me de volta para o canil. — Não vou passar muito tempo em torno de você. — Então você decidiu ficar esperta e manter distância? — ele perguntou, sua voz mais tranquila.

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— Lucy, esperta? — uma voz que revestia muito gelo em torno das palavras, principalmente comparado ao calor que

estava

fazendo,

tomou

um

determinado

nível de

habilidade e disciplina. — Isso é tão provável quanto eu conseguir tirar uns três dias de férias a qualquer momento na próxima década. Juro que se eu fosse um cachorro, meus pelos do pescoço teriam estado arrepiados ou meu rabo teria estado entre as minhas pernas. Com a minha mãe, eu não sabia se revidar ou acovardar era a melhor opção. — Eu não sei sobre isso, minha senhora. — Jude disse, caminhando para o meu lado, onde eu assumi que minha mãe estava perto de mim. — Luce parece ser uma das mais inteligentes. Uma das que tem a cabeça no lugar. Mamãe estalou a língua três vezes. — Bajulação não é considerada uma virtude, meu jovem. Especialmente quando se está nesta fase do jogo da vida, é apenas utilizada por garotos que esperam alcançar seu caminho para as calças de uma menina. — Mãe. — eu assobiei, girando. — Quem é o seu novo amigo, Lucy? — ela perguntou, olhando-o da cabeça aos pés como se ele fosse como todos os dias e muito menos útil do que o poliéster11.

11

51

Ela que dizer que a mãe o está avaliando como se ele fosse um pano barato.


— Jude. — quando ela estava agindo assim, eu mantenho minhas respostas em uma palavra. — E eu diria que Jude, — ela disse, assim como se estivesse afundando seus dentes em uma fatia de limão, — Tem um sobrenome. — Ryder. — ele ofereceu, estendendo a mão, que ela olhou como se fosse uma carga extraviada de um de seus projetos. — Ryder. — ela repetiu, embora vê-la anunciá-lo assim soou mais como se a atormentasse. — É claro que é12. Inacreditável. Minha mãe tinha que ser a primeira mulher que olhou para o rosto de Jude e não sentiu algo bater em algum lugar dentro de si. Mesmo um cara, um cara hétero, teria ficado mais impressionado com Jude do que mamãe estava. — Outro cachorro. — mamãe suspirou, girando e avaliando o canil e tudo em torno dele, como se ele devesse ser enviado para longe no próximo trem para fora da cidade. — Tanto para aprender. Quando é que você vai perceber que não pode salvar o mundo de uma alma perdida por vez? — ela disse, a dureza se esgotando de sua voz, deixando para trás nada além de tristeza, do que realmente era a minha mãe.

12

Aqui há um trocadilho. A mãe pronuncia a palavra como se estivesse dizendo ‘ride her’, que traduzindo literalmente quer dizer ‘montá-la’.

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Ela não esperava uma resposta dessa pergunta, mas, embora estivesse a meio caminho da porta da cabana e fora do alcance auditivo, eu ainda ofereci uma. — Até que não existam mais almas perdidas para salvar. — Parece como uma grande dama. — Jude disse por trás. Eu podia sentir que o sorriso em seu rosto estava forte. — Você não tem ideia. — eu virei para ele, desejando que cada vez que eu olhasse para ele, não sentisse como se estivesse caindo num abismo. — Então você acha que eu sou inteligente, hein? — Só porque você decidiu manter distância de mim. Olhando para o canil, imaginando o tempo, dinheiro e planejamento furtivo que deve ter levado para construí-lo sem ser notado, eu não precisava saber dos detalhes que compunham Jude Ryder. — Quem disse que eu decidi manter distância? — Você disse. — ele disse, enfiando as mãos nos bolsos da calça jeans desgastadas. — Não, eu não disse. — rebati. — E se fiz, eu me reservo no direito de mudar de ideia a qualquer momento. — Se for esse o caso, então eu me reservo no direito de retirar o meu comentário anterior. — Você faz tantos deles, exatamente qual comentário você está se referindo? — perguntei.

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Estendendo a mão, ele correu os dedos para baixo nos cadarços das minhas sapatilhas amarrados sobre meu ombro, como se ele fosse capaz de quebrá-los se ele não fosse cuidadoso. — Aquele sobre você ser inteligente. Ele poderia ter estado a ponto de dizer mais alguma coisa, ele poderia ter estado a ponto de fazer outra coisa, mas isso teria que permanecer um mistério, porque, naquele momento,―Eight Days a Week”, dos Beatles, soou através das janelas. O jantar seria em 30 minutos. — Você está com fome? Acariciando as fitas cor de rosa uma última vez, as mãos mais cuidadosas do que pareciam ser capazes, ele olhou para a cabana. — Talvez. — Talvez? — eu repeti, atirando-lhe um olhar. — Você é um adolescente, e é muito grande. Você deve sempre estar com fome. Ele fez uma pausa, o conflito interno tão forte que estava alinhando em seu rosto. — Vamos. — eu insisti, agarrando sua mão e dando-lhe um puxão. — Meu pai é o melhor cozinheiro de todos e você acabou de conhecer minha mãe. Não me faça ir lá sozinha. Exalando, seus olhos se voltaram para os meus. — Você tem certeza?

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Absolutamente,

positivamente,

impossivelmente,

certamente, — levantei uma sobrancelha para ele. — Atrevome a continuar? — Faça isso parar. — ele disse, pressionando as mãos sobre os ouvidos. — Vamos, Drama-sauro Rex. — eu disse, dando adeus a Rambo, que estava feliz como um molusco roendo o osso, e levei Jude até o caminho de pedra. — Outra tentativa fraca de humor, Luce. — ele disse, enrolando os dedos nos meus. — Tão fraca. — Perdoe-me, oh deus santificado da comédia. Cutucando-me enquanto nós subíamos os degraus, ele sorriu aquele sorriso maroto que me fez sentir meu coração na minha boca. — É bom ver que você está pronta para admitir que eu sou um deus. — Oh, Deus. — suspirei, balançando a cabeça. — Exatamente. — ele disse,como se parecesse ter toda razão. — Apenas o jeito que você deve se referir a mim. Atirando-lhe o olhar mais introvertido que eu consegui, eu empurrei a tela aberta. O inevitável seria apenas esperar tanto tempo. Sentar para um jantar em família estava lá embaixo na minha lista de prioridades, especialmente considerando os jantares quando a tarde tinha sido marcada pelo silêncio e

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mais silêncio. A menos que você conte o olhar que mamãe disparou como uma bola de pingue-pongue, entre papai e eu. Mas sentando-me para um jantar em família com Jude, um cara que eu conhecia muito pouco, e que eu estava perigosamente

cativada

por

ele

e

que,

pelo

menos

superficialmente, ele era um cara que nenhum pai sensato iria querer sua filha adolescente passando o seu tempo, este jantar, eu estava certa, tinha o potencial para ser épico. Um desastre épico. — Algo cheira malditamente bem. — Jude disse para mim, farejando o ar que estava coberto com aromas de limão e manteiga. Suas palavras não só foram ouvidas por mim, como atestadas por ambos meus pais que jogaram suas cabeças para trás para olhar para ele. Lançando um soco duplo, as sobrancelhas da minha mãe levantaram-se ao mesmo tempo em que franziu os lábios. Meu pai sorriu. Você vê, onde minha mãe via o mal em tudo, o maldito na vida, o meu pai via o bom. Ou pelo menos habituado, e ainda era sete para as nove da noite. Jude

escolheu

tratar

com

mamãe

primeiro.

Desculpe-me pela linguagem, senhora. — ele enfiou as mãos nos bolsos. — Eu fui criado em uma casa onde praguejar era como uma segunda língua. Vem tão naturalmente que eu nem sequer percebo isso. Mas eu prometo tentar filtrar a mim mesmo enquanto estou em sua casa.

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Inclinando-se para trás em sua cadeira, ela cruzou os braços. — Eu sempre achei palavrões substitutos da inteligência. Meu queixo caiu. Mesmopara minha mãe, isso cruzou em um novo nível de crueldade. A expressão de Jude não se alterou. — No meu caso, eu tenho que concordar com você. Meus boletins tem sido uma coisa de pesadelos dos pais. — E a partir do sorriso em seu rosto, eu deduzo que você está orgulho disso? E agora, para completar minha boca caindo no chão, eu queria cavar um buraco e me esconder. O que quer que estivesse escondido entre as camadas que compõem uma pessoa como Jude, sem segredos, crimes, ou ofensas, não mereciam este grau de maldade. Olhando mais para Jude, achei seu rosto tão calmo como se estivesse fazendoooom‟em seu caminho através do yoga. — Não, senhora. — ele respondeu, encolhendo os ombros. — Não,do tipo você está orgulhoso ou não, você não está orgulhoso?

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Deslizando sua mão da minha, Jude olhou em frente e respondeu: — Não,eu me orgulho de poucas coisas na minha vida. Mamãe não teve uma resposta imediata para isso. Mesmo em seu mundo negro, este tipo de honestidade fez com que ela desse uma pausa. — Parece como precisamente o tipo empreendedor que eu quero passando um tempo com minha filha. — Mãe. — eu assobiei em minha voz de advertência. Não que isso a afetou de alguma forma. — Isso é o que eu disse a ela. — Jude disse — Mas a coisa que eu aprendi sobre Lucy nas poucas horas que passamos juntos, é que ela é o tipo de pessoa que não deixa ninguém decidir por ela. O celular de mamãe, que estava sempre a uma distância de um braço, zumbiu chamando a atenção. Pela primeira vez, em quem sabe quanto tempo, ela apertou em ignorar. — E o que mais você aprendeu sobre Lucy? Já que você é o especialista. Tomando minha mão de volta na sua, ele deslizou-me um sorriso — Ela é inteligente, exceto quando ela não é. Zumbindo novamente, mamãe levantou o telefone no ouvido. — Que revelação. — ela disse para Jude antes de se levantar e marchar para fora da cozinha, oferecendo à parte

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do outro lado uma saudação suprimida seguida por três segundo de um longo suspiro. — Desculpe. — eu murmurei para ele. — Pelo quê? — ele disse em voz baixa. — Você não pode controlar as ações da sua mãe mais do que ela pode fazer com as suas. — Meu Deus. — eu disse puxando-o para frente. Um dos pais derrubado, mais um para enfrentar. — Não estamos perspicazes hoje? — Esse é um termo que ninguém nunca usou para me descrever antes. — ele disse, puxando seu gorro de modo que pousou logo acima das sobrancelhas. Por todas as mangas compridas, gorros e botas de combate que ele usava, eu estava começando a me perguntar se ele tinha a circulação de uma mulher de 80 anos de idade. — Pai. — eu chamei, batendo em seu ombro. Ele não desviou o olhar de seus potes e panelas chiando e fervendo no fogão a gás. — Olá, my Lucy in the Sky... — Este é Jude. —eu interrompi, não querendo que Jude me visse ainda mais garotinha do que eu já me sentia em sua presença. Levantando um dedo, o papai deu ao molho de manteiga e limão uma mexida final e desligou todas as bocas

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de gás. Eu não tinha certeza de como ele conseguia concluir uma refeição inteira no mesmo segundo, mas eu tinha certeza de que este era um fenômeno que pulou uma geração quando veio para mim. Virando-se, ele limpou as mãos no avental... Oh Deus, como eu tinha esquecido o avental? Os olhos de

Jude

se

arregalaram,

mas

ele

se

recuperou

tão

rapidamente que eu estava certa que meu pai ainda não tinha notado. Não que ele teria se importado se tivesse. O avental tinha sido um presente da Itália, Roma, para ser exata, e mostrava a escultura de David em sua glória, em toda a sua glória, pendurado em locais anatomicamente corretos. — Hey, Jude. — cumprimentou papai, parecendo bastante satisfeito13 com todo o procedimento. — Sr. Larson. — Jude cumprimentou, estendendo a mão. — Avental legal. Transferindo a espátula para sua outra mão, papai balançou a mão de Jude. — Eu já gosto de você. — ele disse, enxugando um traço de farinha de sua bochecha. — Grande nome, gosto requintado em trajes de culinária, — continuou, antes de baixar seu olhar, onde a mão de Jude envolvia a minha ainda. — E você gosta da minha filha.Você é um homem inteligente, Jude. — Piscando o olho, papai girou de

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Trocadilho com outra música dos Beatles, por isso ele ficou satisfeito com o nome, ‘Hey, Jude’.


volta para o fogão, desencadeando um frenesi de bater, lançar e mexer. — Não é difícil reconhecer algo especial quando a vida está jogando muita porcaria em seu caminho. — Jude disse. — Vou levantar minhas mãos para o céu com isso. — papai disse enquanto eu trabalhava em confirmar que meus pés estavam plantados no chão. Algo sobre o modo como seus olhos foram todos suaves quando ele olhou para mim e disse que estava fazendo um trabalho especial em mim. — Lucy in the sky, — ele disse, sobre seu ombro. — Por que você não passa algumas faixas no disco e vamos tocar para Jude aqui, a sua música-tema dos Beatles? — Não. — Jude disse abruptamente. Papai e eu paramos, olhando para ele. — Minha mãe adorava os Beatles, daí o nome. — ele disse, a tensão desapareceu de sua voz. — Eu ouvi essa música vezes o suficiente para durar três vidas. Papai estudou Jude mais algum tempo antes de encolher os ombros. — Bem, eu não vou te torturar com ela mais, então. — ele disse. — Mas é uma ótima música para ser nomeado.Possivelmente a segunda melhor. — olhando para mim, ele sorriu. — logo após de Lucy in the Sky with Dimonds. — É uma canção sobre deixar as drogas mascarar a dor da vida. — Jude disse. — Eu acho que mamãe ainda estava tonta pelo parto quando me nomeou.

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Papai estudou Jude novamente, como se ele estivesse tentando colocar seu dedo em algo que ele não conseguia identificar. — É também uma canção sobre o amor, — ele disse — Esobre deixar o amor dentro quando nós mais precisamos dele. Jude fez uma pausa, algo tão forte passando por sua mente que era visível nos planos de seu rosto. Finalmente, ele encolheu os ombros. — Bem, o que quer que seja, é apenas um nome. — Um bom nome. — papai disse, acenando com uma espátula para ele. — Qual é o seu sobrenome, Jude? — papai olhou para cima enquanto cobriu a galinha. — Ryder, senhor. — Hmm. — a testa de papai enrugou. — O nome não é familiar, mas você tem um rosto que eu tenho certeza que eu vi antes. A mão de Jude ficou tensa em torno da minha. — Eu causo muito isso. — Você cresceu por aqui? — Eu cresci em todos os lugares — Jude respondeu sua mão apertando mais apertado. — A família de Jude comprou a casa dos Chadwicks. — eu interrompi, não tinha certeza se era mais para benefício de

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Jude ou da minha mão. — Talvez seja por isso que você o reconheceu. Papai refletiu sobre isso enquanto espalhou molho sobre os pratos. — Talvez. — ele disse a si mesmo. — Talvez não. — Posso ajudar você, papai? — eu perguntei, puxando Jude comigo. Eu tinha certeza que se deixasse sua mão ir, poderia ser a última vez que a teria na minha novamente. — Estes dois estão prontos para ser servidos. — ele disse quando terminou temperando os outros dois. — Uma coisa é certa, filho. — papai disse, acariciando o rosto de Jude. — Já tendo te visto ou não, essa é uma boa cara para olhar. Eu estava acostumada a ficar envergonhada pelos meus pais, um tipo de padrão vem quando seu pai estava do lado ruim da loucura e sua mãe era a mulher exemplo de rainha do gelo, mas isto foi bater o auge. Papai, nada mais que acariciando o rosto de Jude, dançando em torno da cozinha, vestindo o busto nu de uma estátua antiga, sorrido como se ele fosse um louco, como o chapeleiro14. Se Jude ainda quisesse me ver amanhã depois do suplício de hoje à noite, ele poderia lidar com qualquer coisa que eu jogasse nele. Eu esperava.

14

Do filme, ‘A fantástica fábrica de chocolates’.

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Erguendo os olhos para Jude, o encontrei olhando para mim como se não pudesse evitar. Talvez seja porque eu poderia ter atualizado minha herança caucasiana de tomate vermelho. Espreitando

para

a

porta,

olhei

para

ele

com

expectativa. Eu não o teria culpado se ele quisesse isso também. Como um parente de sangue desta família, eu queria fugir pela porta mais de uma dúzia de vezes por dia. Balançando a cabeça uma vez, ele inclinou a cabeça para baixo até que eu pude sentir sua respiração quente contra o meu pescoço. — Você não pode se livrar de mim assim tão fácil. Eu estava lutando com um caso ruim de arrepios para fora do meu corpo inteiro, mas consegui rapidamente. — Droga. — Mags! — Papai gritou sobre as escadas, conseguindo sacudir o inferno fora de mim e sacudir a cristaleira, ao mesmo tempo. — O jantar está pronto. — Ele parou no fim das escadas esperando uma resposta que eu sabia há muito tempo que nunca receberia. O único ser humano na terra que minha mãe negligenciava mais do que eu, era meu pai. Outro segundo passou antes que ele se virasse e se dirigisse para a mesa onde Jude e eu estávamos tomando nossos lugares. — Eu espero que você goste — papai disse quando ele colocou o frango piccata na frente de Jude.

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Olhando para mim, seus olhos cheios de ideias novamente, Jude respondeu: — Eu jå gosto.

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Capítulo Quatro

E

u sempre amei uma fogueira. Mas uma fogueira

à

noite,

partilhando

um

cobertor com Jude aconchegado ao meu

lado, com meus pais prestes a irem para a cama, era além do amor. Esta era a fogueira top de todas as fogueiras. — Boa noite, crianças. — papai disse, se esticando quando ele entrava. O jantar tinha sido um evento agradável, graças a minha mãe ficar trancada em seu escritório, dando a alguém uma surra de palavras através de seu celular. Papai, estranho como ele era, era agradável estar ao redor se você pudesse passar o fato de que a realidade lhe escapou. Eu consegui aceitar isso como um fato da vida, e Jude não pareceu ter um problema com isso também. — Boa noite, papai. — Meu coração já estava correndo. Eu sabia que, uma vez que estivéssemos sozinhos, algo estava para acontecer. A tensão tinha sido tão espessa entre nós horas atrás, com olhares expectantes, as mãos tocando, pernas escovando pernas, e as palavras não ditas entre nós soltas pelo ar. — Boa noite, Sr. Larson. Obrigado mais uma vez pelo jantar.— Jude disse ao meu pai, com a mão fixa acima do

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meu joelho, — Eu gosto de seu pai.— ele disse enquanto seu polegar circulava dentro da minha perna. Era impossível oferecer qualquer outra resposta além de um sorriso e um aceno de cabeça. — O veredicto é o mesmo para sua mãe. — ele disse, rindo. Outro aceno e um sorriso. — E eu gosto de você. — ele disse, em voz baixa. —Na verdade, eu realmente gosto de você. — Levando a mão da minha perna, ele levantou-a para o meu rosto. E, em seguida, aoutra. Ele me segurou tão firme que eu não podia olhar para qualquer lugar, exceto para ele, mas com cuidado suficiente para que, se tentasse, ele teria me soltado. — Eu gosto de você, também. Ele levantou uma sobrancelha, e esperou. — Eu realmente gosto de você. — acrescentei, sentindo como se eu pudesse entrar em combustão a qualquer momento. Sorrindo, o polegar se mudou para a minha boca. Escovando a linha do meu lábio inferior, ele me olhou como se eu fosse algo que ele pudesse possuir. Eu tinha tudo o que uma bailarina poderia querer, mas agora, com apenas um toque, eu queria ser possuída em todos os sentidos que outra pessoa poderia te possuir.

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Quando eu tive a certeza de que mais de um minuto se passou, sabendo que tinha perdido a noção do tempo, eu abri meus olhos. Os seus eram mais leves, de um tom de cinza que eu não tinha visto ainda. — Você pode me beijar, Jude. Eu esperava qualquer outra coisa, só não o seu franzir de testa e o modo como seus olhos escureceram. — Eu sei que posso, — ele disse, sua voz firme. — Eu apenas não estoucerto se deveria. A dor originada no meu âmago começou a se espalhar. Houve apenas uma forma de aliviá-la. — Você deve me beijar, Jude. Seus olhos foram para outro tom mais escuro, mas nunca olhou para longe dos meus. — Eu não deveria. — ele disse,

deslizando

uma

mão

por

trás

do

meu

pescoço,deslizando o dedo por baixo da gola da minha camisa. — Mas agora, eu não dou à mínima. Suas palavras não tinham se estabelecido em mim antes que seus lábios fizeram. Eles eram tão potentes quanto às mãos, mas suaves ao mesmo tempo. Partindo de seus lábios,seu gemido retumbou contra o meu peito, e antes que eu tivesse tempo de processar se eu deveria ou não, eu balancei a minha perna sobre seu colo, porque, além detoda razão racional, eu não poderia estar perto o suficiente dele. Sua língua contra a minha, o seu peito pressionado ao meu, suas mãos segurando-me como se estivessem tão famintas como as minhas estavam, eu me perguntei se esse

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seria um momento em que as pessoas olhassem para trás em seus piores dias, e sorri seguindo adiante. Eu não apenas sorriria, eu guardaria essamemória até o dia em que morresse. Minhas mãos deslizaram sob sua camisa, deslocandose até seu estômago, não havia nenhum lugar para ir, exceto para baixo. — Luce. — ele respirou, quando os meus dedos enrolaram em seu cinto. — Pare. — Suas mãos agarraram meus quadris com firmeza, mas a boca manteve o ritmo com a minhanovamente. — Eu vou parar quando você parar. — sussurrei contra sua boca. — Droga. — ele suspirou, empurrando-me com as mãos, mas continuando a me receber com os lábios. — Quando você acabar com ela, pode ser a minha vez?— Uma voz de repente gritou para nós, vinda da praia. — Merda. — ele sussurrou, me levantando em um movimento contínuo. — O quê? — sussurrei, passando meus dedos pelo meu cabelo conferindo se ele não estava bagunçado. — Vá para dentro, Luce. — ele disse, ficando na minha frente. — Agora.

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— Por quê? — Eu não ia a lugar nenhum. Não com um homem que poderia fazer aquilo comigo bem aqui fora. — Quem são eles? — perguntei quando algumas figuras escuras caminharam da praia para nós. Virando para mim, seus olhos estavam tão perturbados que eu não poderia determinar se eles eram mais frenéticos ou maníacos. — Não me questione, Lucy Larson. Coloquesua bunda dentro dessa casa agora. — agarrando meus ombros, ele me virou então me empurrou na direção da cabana. — Malditamente agora. Ele tinha temperamento, o que não era uma coisa boa. Porque eu tinha um também. Girando para ele de novo, eu o olhei furiosa. — Você nunca me empurre de novo! — Gritei. — E não me diga o que fazer. Expressão de Judemudouquase beirando o desespero. — Por favor, Luce. Basta ir lá dentro. Seu apelo era tão cru, seus olhos tão indefesos, que eu quase fiz. Mas, então, as três figuras estavam em cima de nós. — Você não lhe falou sobre nós, Jude? — Disse um deles, passando pela fogueira. Ele não era tão alto como Jude, mas era atarracado. E estava correndo os olhos por mim como seestivesse retirando minhas roupas enquanto

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fazia o movimento, ele disse, — Você arruma uma gatinha e não têm a decênciade compartilhar com seus irmãos? — Irmãos? — sussurrei desta vez, deixando que Jude desse um passo na minha frente e permanecesse lá. — Metaforicamente, baby — respondeu o menino atarracado. — E os irmãos compartilham tudo.— As costas largas de Judeforamà única coisa que me salvou de outro olhar estuprador do menino atarracado. — Tudo. — ele repetiu, contando uma história grosseira com apenas uma palavra. — Vince. — Jude disse, com uma voz assassina. — Dê o fora daqui antes que eu faça você ir. Vince riu. — Eu sei que você gosta de uma boa bunda, quer seja para chutá-la ou fodê-la, mas eu duvido que você será capaz de derrubar nós os três antes de nós te derrubarmos. — Os outros dois rapazes, que deviam ser gêmeos e que tinham uma higiene muito comprometida, entraram no círculo. — Logo antes de nos divertirmos com a sua garota. Cada um de nós. Eu deveria ter ficado apavorada. Cada instinto de sobrevivência dentro de mim deveria ter disparado em alta velocidade. Adolescentes tinham pesadelos comsituações como esta. Mas eu não estava. Se eram os punhos apertados de Jude, ou a fúria rolando para fora dele, ou o fato de que

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meus instintos de sobrevivência estavam em pausa, eu me sentiatão calmaquanto poderia estar. — Vamos descobrir então o que vai acontecer com você. — Jude disse, travando a sua mandíbula. — Vamos lá, venham seus merdas. Qual de vocês vai ser o primeiro a chegar até mim? — apontando o dedo para cada um deles, ele esperou. Esperamos por um tempo. Ninguém, muito menos os gêmeos fedorentos, pareciamter a possibilidade de sairem vivos, muito menos andando, se viessempara cima de Jude. Dos olhares que estavam atirando nele, você teria pensado que ele estava carregando a morte com um par de punhos que continha um soco potente. — Vamos deixá-lo em paz. — Vince disse por fim. — Vamos deixar você terminar o que veio fazer aqui.A última trepada do verão. Jude fez um barulho que parecia mais animal do que humano. — Essa é uma jogada inteligente, mas não vai salvar você de levar um chute no traseiroda próxima vez que eu te pegar. — Como sempre, Jude, foi um prazer. — Vince disse, seguindo os gêmeos que já estavam no meio da praia. — E umconselho para você, garota, — ele disse, dando um passo para o lado para que ele pudesse olhar para mim. Quando o fez, um sorriso que foi desagradável em toda a definição da palavra,se formou em seus lábios. — Certifique-se de que ele

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use um preservativo. Você não quer pegar o que esse safado tem crescendo lá em baixo. O corpo inteiro Jude sacudiu para frente, ele queria perseguir esses caras e Deus sabe o queiria fazer com eles, mas ele parou. Olhandopara mim, seus ombros caíram e então seus braços relaxaram em seus lados. O homem tinha sido insultado em tantas maneiras que um homem pode ser ameaçado e insultado, e agora ele estava aqui. Um pé na minha frente. Um homem, que eu não duvidava, poderia terminar com todos os três em 10 segundos, a julgar pela raiva e confiança que eu tinha testemunhado em seus olhos. E ele ficou comigo. Querendo me proteger no caso de os três patetas fazerem uma viagem de retorno ou de me pegarem ainda do lado de fora, eu não tinha certeza. E eu não me importava. — Ei, pintos podres! — gritei para todo e qualquer membro do trio que ainda estivessena praia. Não sendo capaz de ver qualquer detalhe, achando que eles poderiam parar e pensar em fazer o caminho de volta. Fiz questão de entrar na luz do fogo para que eles pudessem enxergar a minha mensagem completa. Levantando o dedo do meio, eu gritei — Há muito disso para compartilhar! — O que diabos você está fazendo, Luce? — Jude gritou, me puxando para trás novamente. Eu não achei que

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Jude fosse o tipo cavalheiresco, mas eu gosteimais do que qualquer mulher do século XXI deveria. — Nem mesmo uma fração do que eu gostaria. — respondi, e em vez de apenas me responder, o queos três me deram foi um coro de gargalhadas. — Escute, eu gostei da sua coragem, e também por não ter tomado nenhuma atitude precipitada. — Jude dissese virando para mim — Mas você nãoquer mexer com pessoas como estas. — Pessoas como estas, ou irmãos como estes? — eu disse muita energia nervosa saltando para fora de mim, alcançando desde os níveis mais baixos até o pico, pelos últimos 10minutos eeu não sabia o que fazer com ela. Jude suspirou. — Esses são os seus irmãos? — realmente fiz uma rápida oração para que não fosse verdade. — De certa maneira. — ele respondeu, fechando os olhos. — De que maneira? Abrindo os olhos, pegou minha mão. — De uma maneira que não interessa. — Então, eles que se fodam.— eu disse deixando-o tomar minha mão, quando eu sabia que não deveria fazer, antes de ter alguns esclarecimentos a respeito de quem ele é,

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ou o que elefoi. — Eu deveria ter enfrentado eles. Eles são todos sem moral. — Não. — ele disse com firmeza. — Por favor, Luce. Estes são o tipo de bastardos que não têm moral. Eles afundariam seus dentes em você, sem qualquer droga de aviso. — Agarrando meus braços, ele me puxou para perto, olhando para mim como se ele pudesse me forçar a absorver suas palavras. — Não mexa com eles. Se você os vir vindo pela calçada, atravesse a rua. Isto ganhou um rolar de olhos de mim. Certamente ele estava exagerando. Eu não duvido que os trigêmeos imbecis tenham usado todas as suas cotas de maconha e depredação de propriedades públicas, mas eles não foram corajosos o suficiente para fazer as coisas que iriam fazer entrá-los em problemas se eles fossem capturados. A palavra covarde estava estampada a cada uma de suas testas. — Luce... Merda. — Jude disse, cruzando os braços atrás do pescoço e girando em direção à praia. — Esta é exatamente a razão pela qual eu disse para ficar longe. Então você não ia se encontrarcom os olhos pregados na minha vida de merda. Agora, suas palavras de cautela estavam começando a fazer sentido. Por que ele disse que eu deveria ficar longe dele, se eu fosse inteligente. O problema era, se ficar longe dele me fizesseser inteligente, eu nunca quero ser esperta novamente.

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— Jude. — eu disse, colocando meus dedos através de seu cinto. Se virando, ele olhou para mim com os olhos cansados. — Sim? — Beije-me. E, depois de um momento de pausa, ele fez.

Eu não tinha a menor ideia de que horas eram quando Jude e eu finalmente conseguimos nos erguer um para longe do outro, mas quando fui para cama naquela noite, eu sabia que o sol estaria fazendo sua estreia em no máximo algumas horas. Isso significava que eu teria que passar porum treino de balé assassino de três horas com somente duas horas de sono. Eu não me importava. Cada minuto de sono perdido foi gasto me perdendo nos braços de Jude. Forçando-me a fechar os olhos e desligar minha mente superaquecida, eu os abri um segundo depois. Rambo saiu como um furacão sem aviso. Pulei para fora da cama e corri para a janela. Rambo não

era

um

desses

cachorros

que

fica

latindo,

ele

resmungava, sorria e dava um latido ocasional, mas eu

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nunca o ouvi sair assim. Parecia que ele estava prestes a estrangular alguém muito próximo a ele. Eu não poderia ver muito mais do que o brilho de seu canil e o que poderia ser sombras sinuosas do vento ou pessoas se deslocando pelo perímetro. Levantando a janela para ver melhor, uma parede de chamas explodiu acima e ao redor do canil de Rambo. Não era algo que eu pensaria. Foi puramente uma decisão instintiva. Rastejando para fora da janela, eu deslizei para baixo do telhado. A única coisaem minha mente era salvar o Rambo de outro fogo. Um que eu realmente poderia salvá-lo. Como e quem tinha começado o fogo não importava ainda, eu só tinha que chegar até ele. Para salvá-lo. Balançando as pernas sobre a borda do telhado, meus pés pousaram na grade da varanda, e então foi um salto simples para o chão. Eu tinha feito isso uma dúzia de vezes diferentes, mas acho que este caso não qualificou como uma fugida para fora da casa. Rambo tinha parado o latido do início das chamas, e eu não tinha certeza se isso era porque ele estava com muito medo ou morto. Parecia errado esperar a primeira hipótese. Agarrando a mangueira que estava ao redor da casa, eu a dobreie corri para baixo do quintal. A centenas de metros da praia, onde ocanil levou uma eternidade para aparecer.

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Empurrando

o

meu

polegar

sobre

a

extremidade

da

mangueira, eu abri a porta do canil, esperando para apagar as chamaslá para que eu pudesse abri-lo e livrar Rambo. Eu não podia vê-lo através do fogo, mas eu tinha que acreditar que ele estava bem. Eu não poderia dizer se o riso atrás de mim tinha acabado de começar, ou vinha acontecendo há algum tempo, mas quando começou a bater palmas, eu finalmente tomei conhecimento. Mantendo a mangueira virada para o canil, eu olhei por cima do ombro para encontrar Vince e os gêmeos rindo para mim. Sem Jude formidavelmente me bloqueando, eles e os olhares ameaçadores em seus rostos me aterrorizavam. — Então nos encontramos de novo.— Vince disse se separando dos outros dois. Senti como se eu pudesse vomitar, mas eu não deixei que isso me impedisse de responder. — Eu estava esperando que vocêfizesse, já que eu não tinha certeza se conseguiu entender bem a minha mensagem de despedida. — Virei um lado da mangueira, e lhe dei o dedo do meio novamente. Eu sabia que era infantil, eu sabia que estava fora do lugar, e eu sabia que era inútil contra três homens e que eles estavam vindo me pegar, mas me senti tão bem na hora. A cara de Vince caiu, como se não pudesse acreditar que eu estava lhe dando o dedo do meio, quando muito

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provavelmente eles tinham colocado fogo na casa do meu cachorro, o perturbado estava olhando para mim como se eu fosse apróxima em sua subida para a escalada do crime. — Eu vou assistir você queimar, sua vagabunda. — ele disse, cuspindo para o lado. — Agarre essa prostituta para que possamos lhe ensinar boas maneiras. Eu devia ter gritado, deveria ter corrido, eu deveria ter, pelo menos, deixadoa mangueira cair de modo que eu teria o uso de ambas às mãos quando os gêmeos vieram emmim, mas nunca fuia menina que faz o que deve fazer. Mantendo a mangueira atirando no canil, Olhei para casa de Jude, esperando que ele viesse perfurando a porta a qualquer momentopara me salvar. Dois conjuntos de braços me agarraram com força, me torcendo ao redor com tal força a mangueira caiu de minhas mãos. — É melhor vocês me deixarem ir agora! — gritei para os dois, lutando contra seus apertos. — A menos que vocês queiram um dente quebradoou um soco em suas caras. — outro olhar sobre o meu ombro não revelou qualquer sinal de Jude, nem mesmo uma pitada de luz em sua casa. — Ele não está vindo em seu socorro querida.— Vince disse, avançando. — Jude não é o tipo de cara que gosta de bancar o herói. Ele é maisdo tipo anti-herói, se você me entende. Isto ganhou um par de risadados caras ao meu lado.

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— Haha.— bufei, — Isso vindo da pessoa que ateou fogo em um cão indefeso para atrair uma garota para fora da cama, para que ele pudesse tentarintimidá-la. Isso soa como alguém que reconhece um herói quando vê um? — minha mãe me dizia desde quando eu tinha três anos, que a minha boca ia ser a minha morte e pelo flash de assassinato que apareceu no rosto de Vince, ela estava certa. — Então, do quê exatamente você está me chamando? Estreitando os olhos, afundei os calcanhares no chão. — Decovarde. Não parecia fisicamente possível que um cara daquele tamanhopudesse se mover tão rápido como ele fez. — Eu estava querendo deixá-la viver.— ele assobiou ao lado da minha orelha, enquanto seus dedos agarraram meu pescoço, — mas isso foi antes do seu comentário.— Seus dedos deixaram meu pescoço e foram para a minha cabeça. Eu já sabia o que ele estava se preparando para fazer, então eu me preparei para isso, mas quando ele puxou meu cabelo a dor foi tão forte que eu tinha certeza que ele tinha arrancado metade deles. — Você tem muito cabelo.— ele disse, como um som vagamente familiar vindo de trás. — Espero que você tenha gostado.

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O cheiro forte foi instantâneo, mais imediato que a minha mente processando e aceitando que esse cara estava incendiando o meu cabelo. Finalmente, eu gritei. — Cubra a boca dela, Zeke — Vince ordenou, empurrando um dos gêmeos. — Merda. Vocês dois são inúteis. Até agora, eu podia sentir o calor do fogo rastejando para mim, incinerando meu cabelo em sua jornada. Eu sabia que não ia sair dessacom o meu cabelo, mas ainda havia uma chance, remota que se eu saísse, poderia lutar para sair disso com a minha vida. Isso é o que eu me agarrei quando mordio interior do dedo de Zeke, tanto, que o gosto de sangue veio na minha boca, e isso é o que eu acreditava quando pisei para baixo com tudo com meu pé, atingindo um ou ambos os gêmeos. Isso é o que eu esperava quando percebi que as mãos não estavam mais ligadas a mim e um trio de suspiros e grunhidos cantarolava ao meu redor. Sentio fogo lambendo meu pescoço, e agora, em vez de cheiro de cabelo queimado perfumando o ar, algo que cheirava muito com o que eu imagino que seja carne estava empesteando o ar. Eu corri para o lago. Eu sabia que deitar e rolar eram o método preferido para a extinção de incêndios, eu sabia que em algum lugar meu rosto estaria enrugado com a matéria cinzenta, mas, quando você está realmente pegando fogo e

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existe a possibilidade de água fria a menos de vinte metros de distância, você não acha. Você correcomo o inferno e se atira na água, preferindo um afogamento frio ao invés de morte pelo fogo, se você tiver que escolher. A água bateu de forma eufórica e dolorosa. Não sei quanto tempo fiquei submersa, mas eu queria ficar com mais tempo. Havia uma pazcalma e tranquilidade e sem cheiros desagradáveis no meu nariz sob a água. Foi um alívio, flutuando,me deixando tão livre, que eu pensei para mim mesma,que se afogar não pode ser uma forma ruim para ir. Até que um par de mãos agarraram meu pescoço e apertaram. O lago deixou de ser um lugar de refúgio para virar um inimigo com seus dentes à mostra. Minhaúltima respiração estava borbulhando para a superfície quando Vince me puxou para cima, com as mãos ainda apertadas em volta do meu pescoço. — Se eu fosse umbom rapaz, eu só iria te afogar. — ele disse, me arrastando para fora da água. — Mas eu não sou um cara bom. — Eu tropecei pela praia, os olhos mudando de o canil tragado pelo fogo, a casa silenciosa de Jude. — Você se queimará, sua cadela. Foi neste momento que tudo parecia profundamente real. Como se, de alguma forma, eu tivesse me convencido que até esse ponto tudo era apenas um pesadelo, mas agora eu tinha acordado e sabia que só tinha mais alguns minutos de vida.

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— Colton, pegue a gasolina. — Vince disse, puxando algo do bolso. Era uma tira de tecido, um pedaço úmido de tecido, que ele amarrou apertado. — Não quero acordar os vizinhos.— Ele me amordaçou tão rapidamente e com força, era óbvio que esta não foi a primeira vez, segunda, ou décima vez que tinha feito isso. Ele havia se tornado um especialista em algum lugar ao longo do caminho. Jude estava certo, estes delinquentes eram reais. Lágrimas começaram então. Eu odiava a chorar. Na verdade, eu detestava com paixão. Mas saber que estava prestes a me tornar uma garota-tocha com apenas 17 anos, eu não tinha chegado nem à minha maioridade, então eu tinha que chorar. Meus olhos freneticamente procuraram a casa de Jude novamente, desesperada para encontrá-lo fumegante em frente à praia, para salvar o dia. — Ele não está vindo, querida.— Vince disse, pegando o gás das mãos de Colton. — Você é... Alias, deixa eu me corrigir...— ele disse levantando seu dedo, — Você era só um pedaço de bunda para ele. Um pedaço de bunda que não deu em nada. Jude está fora,fazendo alguma outra menina gritar, então pare de ficar olhando como se o Superman fosse vir do céu e salvar o dia. Virando a garrafa, Vince levantou-a sobre a cabeça e começou a derramar a gasolina, deixando-a escorrer em cima de mim até criar uma pequena piscina ao meu lado. Eu

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vomitei. Como se a minha atual situação não pudesse ficar pior. A coisa infeliz sobre a vomitar quando você está amordaçado é que, o único lugar em que ela pode ir é voltar para baixo novamente. Pela primeira vez na minha vida, eu estava pronta para morrer. Na verdade, eu queria que ele se apressasse e me pegasse de uma vez. O destino tinha finalmente me alcançado, e estava pronto parame fazer pagar o preço que eu me esquivei anos atrás. Sacudindo um isqueiro da vida, Vince sorriu para mim. — Algo me diz que vai ser um caixão fechado — ele disse se afastando porque, a julgar pelo galão de gasolina que ele derramou

sobre

mim,

eu

estava

indo

inflamar

tão

brilhantemente quanto um satélite. Fechei os olhos e sussurrei uma oração que eu fazia toda noite quando era uma criança antes de irpara cama, e então, quando eu esperava ouvir ogrito de fogo subindo pelo meu corpo, eu ouvi outro tipo de grito. Um que estava tão desesperado e furioso ao mesmo tempo. Sooucomo se o próprio diabo houvesse decidido fazer uma visita ao lago. Abrindo os olhos, a primeira coisa que vi foi o rosto de Vince tremendo, antes mesmo de algo pequeno acertar diretamente entre seus olhos. Ele cambaleou para trás, agarrando a sua cabeça, bem antes de cair de costas. O isqueiro apagado caiu livre de sua mão. E então Jude foi para cima dele, aparentemente saindo do nada,outro punho

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acertou seu rosto, e depois socou Vince em qualquer parte que ele pudesse chegar. — Você vai ter que me amarrar melhor da próxima vez, seu doente filho de uma puta! — cada palavra era seguida por um soco, e cada soco era como um trovão. Fiquei ali, ainda em choque por quase ter morrido, em primeiro lugar, e agora, também emchoque, assistindo Jude bater em outro homem com tanto ódio que ele não parecia se importar seiria matar Vince ou não. Eu não tinha certeza se devia estar aliviada que ele estava do meu lado, ou com medo de que houvesse outra pessoa igual a ele em algum lugar. Parando, de repente, Jude olhou para mim. — Luce,— ele disse, sua voz mesmo, não mostrando qualquer um dos sinais de estar sem fôlego, como era esperado que ele estivesse —Vai para dentro e ligue para a polícia. Quando eu fiquei congelada no lugar, acrescentou,— Eu tenho tudo sob controle. Não vou deixar que te machuquem. — só então, os gêmeosencolhidosdecidiram unir forças e chegar a Jude. Ou até mim, eu não tinha certeza. — Vá, Luce. — ele pediu, apontando de volta para a cabana. — Eu vou te proteger. Desta vez, quando tentei colocar um pé na frente do outro, eu fui capaz de fazê-lo. Caminhando até a praia, senti como se eu tivesse tentado correr uma maratona em menos

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de uma hora, os meus pulmões e corpo estavam tão cansados, mas continuei, olhando para trás durante todos os outros

passos

para

me

certificar

de

que

Judeestava

segurando sua própria fúria contra o trio. Segurando sua própria fúria teria sido o termo modesto para dizer que ele não estava matando ninguém. Como e onde o homem tinha aprendidoa lutar assim, eu não queria saber, mas eu não poderia deixar de ser grata por isso esta noite. Eu estava cambaleando no canto da cabana quando notei as luzes vermelhas e azuis, seguido pelo policial olhando com uma lanterna para meu rosto. — Estamos respondendo a um relatório de alguém do outro lado do lago que reparou um grande incêndio nesta área em geral.— ele disse, caminhando para mim como seu parceiro caminhando por trás dele. — Você viu qualquer coisa, senhorita? — Aqui. — eu disse, respirando pesadamente da minha corrida até a praia. — O fogo está aqui. — Apontando para a praia, o policial olhou para mim novamente, desta vez realmente me vendo. Seus olhos se arregalaram. — Senhorita, você está necessitando de cuidados médicos? — ele perguntou, caminhando lentamente para mim como se eu estivesse mentalmente instável, e, neste momento,não estava muito longe disso.

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— Talvez.— respondi, não tenho certeza. A adrenalina ainda estava disparando através de mim tão intensamente que eu não conseguia sentir nenhuma das minhas lesões, ou mesmo verificar se eu tinhaalguma. — Hal, ligue para um paramédico. Seu parceiro concordou e correu de volta para o carro. — Ok, vamos lá.— ele disse, parando na minha frente, — Eu sou o oficial Murphy. Qual é o seu nome? — Lucy.— eu disse, limpando a garganta. — Lucy Larson. — Bom, senhorita Larson, — o oficial Murphy disse, seus olhos correndo em cima de mim tentando, sem sucesso, olhar para mim como se não estivesse notando algo muito errado, — Tem mais alguém aí? — Sim. — eu disse, agarrando seu braço e puxando-o em direção à praia. — Há outros quatro e meu cachorro. — Embora se Rambo ainda estivesse vivo com seu sorriso ofegante, eu iriaacreditar que milagres eram reais e eu já havia aprendido da maneira mais difícil, que crer em milagres era coisa dos tolos. — Quais são os seus nomes? — Murphy perguntou, caminhando à minha frente com pressa. — Eu só sei os primeiros nomes de três deles. — Três primeiros nomes que eu não tinha certeza de que íamos

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encontrar vivos, e os primeiros nomes que me queriam morta por nenhuma boa razão. — E o quarto?— Murphy parou, olhando de volta para mim. Engoli. — Jude — eu disse. — Jude Ryder. — Espere.— Murphy disse, seu rosto mudando. — Jude Ryder está lá embaixo? Balancei a cabeça, que já estava começando a doer. — Merda.— ele disse em voz baixa antes de pegar seu radio do bolso. — Hal,— ele suspirou para — Ligue para conseguir apoio. Jude Ryder está aqui. Hal murmurou outra maldição antes de responder, — Copiado. Estou ligando para o apoio agora.

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Capítulo Cinco

U

m dos meus lugares favoritos na cabana era a grade de proteção na varanda.

Isso tinha mudado hoje. Algo sobre assistir o cara que você esperava que fosse roubar o juízo de você todas as noites para sempre, ser empurrado para longe e algemado, seguido por mais três caras que estavam mais tropeçando do que andando, graças à obra de Jude, tudo isso enquanto o que restou do canil e os restos mortais de um cachorro que ardeu no fogo, tinha uma maneira de mudar toda a sua visão do mundo a sua volta. Os paramédicos tinham me deixado, porque, além de um punhado de bolhas de calor na parte de trás do meu pescoço, não havia nada em seu arsenal que poderia consertar

cabelo

chamuscado.

Meus

pais

finalmente

acordaram, uma vez que mais três pelotões com sirenes ligadas chegaram. Mamãe ainda estava de ressaca de sua dose dupla de comprimidos para dormir e meu pai tinha ficado em ruínas quando descobriu o que aconteceu, tiveram que dar tranquilizantes para ele. Então, agora, ambos meus pais

sentaram

tão

distantes

quanto

podiam

no

sofá

destruído, com os olhos vidrados, olhando entre a praia, eu e

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os carros de polícia, como se estivessem tentando decidir se era tudo real. — Sr. e Sra. Larson? — O agente Murphy bateu uma vez na porta de tela antes de entrar pela varanda. — Nós estamos terminando tudo por aqui. Aqui está o meu cartão se você tiver alguma dúvida. Ele deslizou na mão da minha mãe, olhando para nós três como se nós fossemos a coisa mais triste que ele tinha visto esta noite. Ele pode estar certo. — Caso contrário, eu vou mantê-los atualizados. Agora, Lucy. — ele disse, virando-se para mim. — Eu preciso que você venha até a delegacia e dê o seu depoimento na primeira hora da manhã. Você vai precisar de uma viatura para buscá-la, ou pode chegar lá por conta própria? — Eu posso dirigir. — respondi, dando-lhe um pequeno sorriso. Espelhando o meu sorriso, ele se agachou ao meu lado. — Está tudo bem, Lucy? — Ele perguntou, descansando a mão no meu braço. — Posso lhe arranjar alguma coisa? — Ele apertou o meu braço, lançando um olhar para meus pais, como se não pudesse entenderporquê eles estavam lá, enquanto eu estava aqui. — Sim. — eu disse, tentando não olhar para trás para a terceira viatura na frente, onde a cabeça curvada usando um gorro era visível. — Eu estou bem. — Ok. — ele disse, levantando-se. — Eu vejo você de manhã.

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— Policial? — mamãe limpou a garganta, parecendo um pouco agradável. Devem ter sido as pílulas para dormir. — Só para ficar claro, o Sr. Ryder não vive na casa ao lado? — Não, Sra. Larson. — ele disse. — A menos que você conte usurpação da garagem de barcos sem ser convidado, por algumas noites. — Usurpação? — ela repetiu como se ela nunca tivesse ouvido a palavra. — Também conhecido como invasão de domicílio na minha linha de trabalho. — explicou. — Também conhecido como uma ocorrência normal se você é Jude Ryder. — Esta não é a primeira vez que ele é preso? — Mamãe perguntou, olhando para mim enquanto falava. Policial Murphy riu. — Nem perto disso. — ele disse. — Nós conhecemos Jude e os outros três delinquentes desde que eram estudantes do ensino fundamental. Ovos podres, cada um deles. — Ele disse, olhando para mim como se estivesse tentando me passar uma mensagem. — Esses meninos fazem o tipo que os pais rezam para que suas filhas nunca tenham a infelicidade de conhecer. Estes são o tipo de garotos que viram homens que passam a vida em prisões. Mamãe suspirou, balançando a cabeça enquanto papai aproveitava os benefícios de um lugar fora da realidade. — Mas Jude me salvou dos outros três. — eu disse, não tendo certeza do porquê de estar defendendo-o. Como o

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esperado, eu não sabia nada sobre Jude. Eu me senti traída e enganada também. Mas de alguma forma, mesmo com tudo inclinado contra ele, eu ainda sentia a necessidade de defendê-lo. — Eles teriam me matado se ele não tivesse intervindo. — fiz questão de fazer contato visual com minha mãe, deixando claro que Jude foi o único capaz de me salvar desde que os meus pais tinham tido o sono induzido por calmantes e soníferos por horas. — Não contestando o que você está dizendo, Lucy, mas em todos os meus anos lidando com Jude Ryder, nunca antes eu soube dele se importar com alguém além de si mesmo. — Policial Murphy me disse, com um sorriso simpático. — Os meninos assim são incapazes de se importar com alguém além de si mesmo. — Eu não acredito nisso. — disse, ignorando a fitada de minha mãe. — Eu sei, Lucy. Eu sei que você não acredita. — Murphy respondeu, abrindo a porta de tela. — Jude não seria um criminoso tão capaz e bem sucedido se ele não fosse charmoso e manipulador, mas eu te digo. Quando Jude for liberado nas próximas três semanas, e eu espero pelo menos que ele fique até lá, mas o mais provável alguns é que fique só alguns dias, deixe-me saber se vir-lo, ok? Se ele te ligar para pedir desculpas e implorar seu perdão, ou diabos, mesmo que ligue só para dizer oi, me avise, e eu vou retirar a minha declaração sobre ele não se importar com ninguém,

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além a si mesmo. Mas se não o fizer, você vai me fazer um favor e esquecer que já conheceu Jude Ryder? Eu não tinha certeza se balancei ou assenti com a cabeça, mas policial Murphy estava certo sobre uma coisa. Eu nunca precisei chamá-lo alguns dias ou algumas semanas depois.

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Capítulo Seis

P

rimeiro dia de aula. Nova Escola. Último ano. Essas pessoas que dizem que o inferno

não existe estão tão erradas. South Pointe High é tudo que eu acreditava que só acontecia em um reality show. As meninas eram duas vezes tão bonitas do que a média das adolescentes, os meninos podiam passar por estudantes universitários, os chamados nerds eram arremessados em latas de lixo ou empurrados em armários, várias professoras deram encaradas óbivas em estudantes do sexo masculino enquanto passavam, e eu testemunhei, pelo menos, uma dúzia de tráfico de drogas diferentes que ocorreram entre os períodos. E não era nem mesmo hora do almoço ainda. O professor estava apenas repassando o plano de estudos do semestre, que incluia a leitura e revisão de livros que eu havia lido na sétima série, quando o sino tocou como se fosse um alerta de ataque de bombas. Sendo a garota novata, quando todos me conduziram para a cadeira mais

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próxima da porta, mal percebi que também era o mais próximo do boom sônico que era o sino. Como os três períodos anteriores, o quarto ganhou montes de risadinhas e encaradas enquanto todos me observavam, praticamente saltando na minha pele. Eu estava indo comprar um estoque de ibuprofeno15 porque teria que tomá-lo a cada quatro horas, de agora até a formatura, 3 de Junho. E sim, eu já tinha uma contagem regressiva acontecendo. — Então você é a nova garota que os caras já estão apostando quem vai pegar primeiro. — uma garota que era tão atraente, tão linda, que tinha que ser uma aparição, disse. — Como é? — eu estava toda amigável, especialmente quando eu não tinha um único amigo aqui, mas não estava disposta a apenas inclinar o pescoço e expor minha garganta. A garota-aparição compreendeu rapidamente que eu não iria ser o seu capacho pessoal, nem que limparia a lama em seus Valentinos, porque ela sorriu, acenando para o ar. — Não deixe nada do que a espécie masculina diz ou faz por aqui perturbar você. Eu sei que o consenso geral é que eles supostamente evoluem dos macacos, mas isso é apenas um insulto aos macacos,na minha opinião. — Ceeerto. — eu murmurei, deslizando minha mochila sobre meu ombro. 15

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É um anti inflamatório, também usado como analgésico.


— Eu sou Taylor. — ela disse, jogando seu cabelo enquanto um cara passou empurrando-a, dando-lhe um olhar que deveria ser estritamente reservado para um quarto. — Eu sou Lucy. — respondi, não tendo certeza se isso poderia resultar em minha primeira amizade nesse inferno de escola, ou se ela era alguém que tinha o lema de manter seus amigos próximos e seus inimigos mais próximo ainda. — Tem algum plano para o almoço, Lucy? — Taylor perguntou, colocando seu braço no meu e me puxando pela porta. Eu não tive a chance de responder. — Você tem de sentar comigo e com minha gangue. Eu não aceito não como resposta. — ela disse, levando-me ao fundo do corredor, como se ele fosse a puta dela. Eu juro que todas as cabeças viraram enquanto ela deslizava pelo corredor a baixo. Os rapazes piscaram, assobiaram, e encararam. Muitos encararam. As meninas fingiam ignorá-la, mas cravavam seus olhos, ou invejavam. — Obrigada? — eu disse, sem saber se deveria estar grata. — As primeiras impressões são tudo e segundas impressões são nada. — ela disse à medida que entrou na cafeteria. Mesma reação aqui como tinha sido no corredor. O que quer que Taylor tivesse aqui, era uma coisa poderosa. — Agora só vamos ter um pouco de controle de danos para

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minimizar a situação, mas acho que vamos ficar bem, se jogarmos direito. Minha cabeça estava girando. — E por controle de danos,

você

está

se

referindoaos

carasque

estão

espalhando rumores sobre quem vai transar comigo primeiro, ou mais rápido, ou mais duro, ouqualquer diabos que seja? — quão iludida eu era por pensar que aquela escola era, antes de tudo, um lugar para aprender? Eu estava tendo minhas suposições anteriores entregues a mim em um prato. — Os caras? É claro que não. — Taylor disse, acenando de volta para uma mesa no canto. — Essa é a maior forma de elogio nos livros deles. São as meninas, mais especificamente as namoradas dos caras, que pegam a aposta da novata. Além disso, seu garda-roupa não está exatamente disputando a imagem de vagabunda. Meu nariz enrugou. Esta garota falava uma língua que eu não estava familiarizada e ela estava ofendendo meu guarda-roupa. Minha saia era um pouquinho curta, sim, mas eu estava com um casaco de lã e sapatos baixos para tentar disfarçar tudo, pelo amor de Deus. — Eles têm algo ofensivo, algo potente. — E isso seria? — perguntei, querendo saber se pelo menos algumas das fitadas e olhares invejosos eram destinados a mim. Na verdade, a menina de cabelos escuros que não sabia o significado de que menos é mais quando se trata de rímel e, estava definitivamente mirando seu olhar

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invejoso no meu caminho, enquanto envolvia o braço sobre o cara ao lado dela. — Eles estão rotulando você como uma vagabunda. — Taylor disse com um encolher de ombros. — Já vi isso escrito nos dois espelhos do banheiro, e foram escritos por batons tããão cafonas! Etambém ouvi uns cochichos, pelo menos umas cinquenta vezes, nos corredores. Seria possível odiar a escola ainda mais? Sim, a resposta é sempre sim. — Fantástico. — eu disse, segurando meus ombros no alto. — E o que foi que eu fiz ou não fiz para merecer os idiotas da South Pointe High assumindo apostas de transar comigo e as meninas que namoram eles me rotularem como uma vadia? É claro que eu sabia que o mundo não era justo, nem tudo fazia sentido ou seguia um caminho lógico, harmonioso, mas pelo menos eu queria uma razão para o mundo ser mau, se houvesse alguma. — Isso. — Taylor me parou, girando-me ao redor de modo que estávamos olhando para a fila do almoço. Minha respiração prendeu em meus pulmões, e um caso ruim de vertigem me seguiu. — É a razão. Sua bandeja deslizou até parar enquanto seus ombros ficaram tensos. A parte traseira do gorro cinza na cabeça virou e ele olhou para mim como se soubesse exatamente

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onde eu estava. Os olhos de Jude passaram de carvão vegetal para prata derretida no espaço de uma respiração. Um sorriso que era pequeno, mas verdadeiro,apareceu e eu senti meu mundo começando a sair do controle novamente. — Agora com esse sorriso bobo no seu rosto, acredito que os rumores são verdadeiros. —Taylor disse, tentando conduzir-me para longe, mas eu não estava me movendo. Francamente, eu não podia me mover enquanto Jude estivesse olhando para mim da maneira como estava agora, — Mas aqui está a regra número um do South Pointe High, se você quiser manter uma reputação moderamente limpa, você não olha, fala, ou Deus me proteja, sai com rapazes como Jude Ryder. Deixando a bandeja oscilando na frente de uma bandeja de substância verde gelatinosa, ele se dirigiu ao meu caminho, esculpindo uma linha através do refeitório lotado. Qualquer pessoa que o via chegando saia, e aqueles que não o viam, eram puxados por amigos próximos ou empurrados para fora do caminho por Jude. — Ele está vindo para cá? — Taylor disse, soando como se estivesse derrubando suas teorias e crenças sociais. — Sim? — Não parece que a terra estava despedaçando em mim. Taylor balançou a cabeça, como se não houvesse esperanças para mim, — Nunca, em uma centena de milhões

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de anos, Jude perseguiu uma mulher. Ele é o perseguido, não o perseguidor. Desta vez, foi a minha vez de dar de ombros. — Ele está só de passagem para dizer oi. — Exatamente, Jude não vem e diz ‗oi‘ para ninguém. — disse ela, impaciente. — Eu vou repetir, ele é o perseguido. Parecia que todos os olhos na lanchonete passaram de Jude para mim. A fofoca quente da escola seria o drama que estava se desenrolando aqui.— Eu pensei que você apenas disse que se uma garota preocupava-se com sua reputação, ela não passaria tempo com os garotos como Jude. Não é por isso que eu sou tida como uma vagabundaaos olhos da justa e imparcial South Pointe High, que não dá a ninguém o benefício da dúvida? — Sim, eu disse isso. — Taylor disse, olhando Jude de uma maneira que me fez sentir toda territorial, — Mas você não percebeu que com caras como Jude, uma garota não se preocupa com sua reputação? Não parecia ser uma resposta apropriada para isso, então eu avancei fora de seu controle e me dirigi até ele. — O que está fazendo? — Taylor disse atrás de mim. — Indo dizer oi. — Você não pode fazer isso. — ela sussurrou, correndo para frente e agarrando o meu braço.

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Eu não tinha certeza se essa menina estava usando drogas

ou

se esqueceu de

tomá-las, mas ela estava

começando a me irritar. — Ouça, Taylor, — eu disse, girando para ela. — Se a minha reputação consegue ficar ainda mais suja por dizer ‗oi‘ a alguém, então, bem, que seja. — puxando meu braço, eu peguei o começo de seu olhar ferido lançado no meu caminho. Que legal fazer amigos. — Ei, Luce. Se eu ainda tivesse algum lá atrás, o cabelo no meu pescoço estaria em pé. — Hey, Jude. — tentando me recompor da melhor maneira possível, eu me virei. Ele ainda estava sorrindo como se esta tivesse sido a melhor coisa que lhe aconteceu durante toda a semana e, além da cicatriz recente em sua sobrancelha, ele parecia exatamente o mesmo: roupas escuras, gorro escuro, segredos escuros. — Não esperava vê-la aqui. — ele disse, enfiando as mãos nos bolsos. — Sério? — eu disse tentando agir como se não estivesse em um palco com testemunhas. — Eu não esperava vê-lo aqui também, especialmente quando a última vez que te vi, você estava sendo transportado em um carro da polícia. Sua expressão retorceu, ele esfregou a parte de trás do seu pescoço. — Pois é, sobre isso... Acho que tenho umas coisas para explicar.

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— Algumas? — perguntei, — Eu diria que você tem uma montanhasde coisas para explicar. — Eu sei. — ele disse, com o rosto sombreado. — Eu sei. — alcançando meu ombro, seus dedos torcidos no meu cabelo. — Seu cabelo está bonito. — Ele puxou suavemente o final do mesmo, onde agora mal passava dos meus ombros. Eu fui sortuda por ainda ter qualquer cabelo, e também por conhecer a cabelereira Annie Sullivan, mas eu perdi o longo cabelo que tive um dia. Toda vez que ia lavá-lo, ainda colocava shampoo a mais na minha mãoe, cada vez eu tentava amarrá-lo para trás em um rabo de cavalo, toda vez que eu procurava por algo a girar em volta do meu dedo, ele não estava todo lá. Era uma coisa superficial e até mesmo vã para lamentar, mas ainda assim, eu lamentava. — Está péssimo. — respondi, tentando dizer a mim mesma que a tontura que eu estava sentindo era por causa do meu estômago vazio, não por que seus dedos deslizaram pelo meu cabelo. — Mas pelo menos não estou careca. Jude riu,o tipo de risada que encheu a cafeteria. — Se alguém pudesse ficar arrasadora com a cabeça careca, seria você, Luce. — Então, quando você saiu? — perguntei em voz baixa, olhando ao redor. — Está tudo bem. Todo mundo aqui já sabe... — Jude gritou. —...Que grande porra louca e FILHO DA PUTA EU SOU! — sua voz trovejou contra as paredes da cafeteria,

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seguido por um coro de colheres ruidosas sobre bandejas. — Eu saí há algumas semanas. — ele disse em uma voz normal, levantando um ombro. Tentei não agir desconcertada. — E você não pôde me ligar? — É claro que eu poderia ter ligado, Luce. — Jude disse, com a voz firme. — Então você não quisme ligar. — Você precisa de uma resposta para isso ou está apenas procurando uma maneira de me fazer sentir mais merda do que eu já me sinto? — Você se sente um merda? — Eu disse, dando um passo a frente. — Você se sente um merda? — repeti apenas para me sentir bem. — Eu estava quase queimando até a morte por causa de uma dupla de conhecidos seus que nunca teria tido achance de conhecer, se não fosse por você. Meu cachorro foi queimado até a morte. Eu tinha quarenta centímetros de cabelo em chamas, fui sufocada, amordaçada e molhada de gasolina, graças aos seus amigos. Eu sou oficialmente uma vagabunda honorária do South Pointe High porque, de alguma forma, todos sabem que eu te conheço, de modo que isso deve significar que eu dormi com você em seis posições

diferentes.

Eu

estava

dando

ao

público

exatamente o que eles queriam, uma droga de show, e eles não estavam perdendo um minuto quente dele.

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— Aí, essa é a sua resposta. —Judedisse, sua mandíbula estalando. — É por isso que eu não liguei. É por isso que não apareci na sua porta no segundo que fui liberado da prisão, como eu queria. Eu sou um câncer, Luce. E não do tipo que você pode matar com radioterapia, sou do tipo

que

te

mata,

no

fim

das

contas.

aquela

vulnerabilidade que eu vislumbrei antes estava lá novamente, afogando-se em seus olhos. Eu estava muito chateada, ou muito ferida, para deixar aqueles olhos me afetarem. — Bem, obrigada por nada. Tenha uma boa vida. Muito possivelmente, a coisa mais difícil que eu fiz até hoje foi virar as costas para ele na frente de uma lanchonete com os olhos arregalados e ir embora. Eu não sabia para onde ir, mas não podia marchar em círculos raivosos em torno do refeitório, a menos que quisesse acrescentar ‗mentalmente instável‘ ao meu rol de títulos. Então, engolindo meu orgulho e minha opinião de que Taylor poderia ser a mulher mais manipuladora que já caminhou sobre a Terra, marchei minha bunda de volta para sua mesa. — Eu não esperava ver você novamente. —Taylor disse, mastigando uma cenoura e dando-me um olhar que teria achatado uma mulher menor. — Por que? — eu disse tão indiferente quanto podia. — Eu disse que só queria dizer olá a um velho amigo.

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— Esse foi um inferno de um ‗olá‘. —Taylordisse, toda sarcástica, antes de tomar um gole de refrigerante diet. O grupo

de

garotas

sentadas

em

volta

dela,

não

tão

geneticamente abençoadas quanto ela, mas boas o suficiente para virar seus narizes cirurgicamente moldados para mim, riram em suas próprias latas de refri diet. — O que isso foi Taylor, — eu disse, puxando uma cadeira e sentando. Eu não precisava de um convite, se elas não iriam fazer um. — Foi um inferno de um adeus. — Não parece isso. — ela disse, olhando por cima do meu ombro. Virando-me na cadeira, encontrei Jude de pé, no mesmo lugar que eu tinha deixado ele, me olhando com uma intensidade que eu nunca tinha experimentado antes, olhando para mim como se ele não desse a mínima para o que pensavam dele por fazer isso. Virando-me novamente, tentei não olhar para ele outra vez. — Ah, Taylor, eu não sei. Tenho certeza de que todas as pessoas sabem que as aparências enganam. — puxando uma maça da minha bolsa, afundei meus dentes nela e lhe dei um sorriso desafiador. — O que isso significa? — ela disse, inclinando-se. Estava irritando a pessoa errada, eu sabia disso, mas eu tinha passado o suficiente na vida para reconhecer uma besteira insignificante quando eu via uma, e essa garota era a

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rainha do insignificante. — Vamos pegar você, para exemplo. Alguém como você, bonita em um tipo convencional, cirúrgico, — uma inalação profunda e combinada se espalhou ao redor da mesa — Deixando mais claro,vamos parar de tentar esconder o sol com a peneira. — eu estava fazendo sons de rodas acelerando em meu interior, e estava deixando que ela soubesse disso, — Bem, alguém que você não esperaria ser como uma insuportável, desagradável, b... — Olá, senhoritas. — um recém-chegado interrompeu, espantando um par de meninas que estavam com a boca aberta, antes de parar atrás da cadeira ao meu lado. — Esta cadeira está ocupada? Eu balancei a cabeça, dando a ele uma olhada antes de puxar uma garrafa de água da minha bolsa. Sorriso muito brilhante, cabelo loiro demais, bronzeado muito falso, camisa passada a ferro também. Ele poderia ser considerado como atraente para a maioria das garotas, mas definitivamente não para o meu estilo. — Então você deve ser a garota que todo mundo está falando. — ele disse, tomando o lugar. Risinhos circularam em volta da mesa. Seu rosto ficou vermelho, percebendo o seu erro. — Quero dizer, todo mundo está falando no sentido de que você é a garota nova. — Ele esclareceu,o que fez nada mais do que ganhar mais uma rodada de risos da mesa.

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— É claro que é isso o que você quis dizer. —Taylor disse sob sua respiração. Ele lhe atirou um olhar ‗dê-me-um-tempo‘ antes de virar em seu assento para mim — Eu sou Sawyer. — Ele disse, sorrindo aquele sorriso artificial branco. — Sawyer Diamond. Oh, merda. Até mesmo o nome dele também era... Irritante. Se papai descobrisse que eu ia para a escola com um cara cujo sobrenome era Diamond, ele tentaria enfiar um casamento arranjado na minha garganta. Sua Lucy in the sky... EDiamond. — Lucy. — eu disse, tomando um gole da minha água, lembrando-me de que tomar decisões precipitadas, no calor da raiva, sempre era uma má ideia. Da próxima vez que eu me visse marchando para longe de alguém, eu marcharia um milhão

de

círculos

antes

de

me

sentar

nesta

mesa

novamente. — Lucy. — ele disse, puxando um sanduíche de sua sacola. — Um nome bonito para uma menina bonita. Estava no meio de um rolar de olhos quando eu senti uma figura sinistra pairando acima de mim. — Você está no meu lugar, Diamond. Eu não olhei para trás. Não precisava. Eu reconheceria essa voz se a ouvisse na minha próxima vida também.

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— Eu não sabia que esse lugar estava ocupado. — Sawyer torceu em seu lugar, enquadrando seus ombros. — Seu erro. — Jude disse, segurando o encosto da cadeira de Sawyer. — Você faz um monte desses, não é? Sawyer levantou-se, virando-se para Jude. Ele não era tão alto quanto ele, mas quase, e ele estava longe de ser tão malhado como Jude. — Importa-se em explicar isso, Ryder? — ele disse, cruzando os braços. — Não realmente. — Jude disse, olhando para Sawyer propositadamente. — Você e eu sabemos do que estou falando. Eu tive uma premonição de que estava prestes a adicionar uma briga no refeitório para a minha lista de coisas que só devem acontecer em reality shows, e mesmo estando irremediavelmente suportar

vê-lo

irritada

sendo

com

Jude,

arrastado

para

eu

não

longe

poderia algemado

novamente. Levantando-me, eu deslizei entre os dois. — Eu estou saindo. Você pode ter o meu lugar se quiser. — não o olhei nos olhos. Não queria uma lembrança do que eu estava virando as costas. Sem outra palavra, eu me afastei, saindo do refeitório com um ritmo tímido de uma corrida.

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Eu não tinha certeza do que era necessário para a educação em casa, mas eu tomaria dez horas por dia, sete dias por semana, sem intervalos para banheiro ou almoço, se isso significasse nunca mais retornar a esta horrível fossa novamente. Esquivando-me em torno dos estudantes, eu não parei até que encontrei um salão vazio. Mergulhando no armário mais próximo, deslizei em um canto, enrolando minha cabeça em minhas pernas. Eu queria chorar tanto naquele momento, queria que todas as lágrimas que eu retive por anos tivessem seu momento, mas algo não as deixava se formar. Algum bloqueio mental dentro de mim não permitia a liberação que eu precisava tanto. — Droga. — murmurei, fechando o meu punho em um armário. — Luce? Isso não era o que eu precisava agora. Mas então, eraexatamente o que eu precisava agora. Por que ele tinha que ser tudo o que eu precisava e tudo o que eu não precisava em um momento? — Como você me encontrou? — perguntei, mantendo minha cabeça baixa. — Foi fácil. — ele disse, tomando um lugar ao meu lado. — Tudo o que eu fiz foi seguir as maldições.

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Eu ri. Forte. Eu sempre fui emocionalmente instável nestes tipos de momentos em que eu precisava chorar e não conseguia. Eu era um desastre emocional ao lado de um homem que significava destruição e que, se eu deixasse entrar na minha vida, iria me transformar no mesmo. Ele chegou perto de mim, atrelando seu braço em volta do meu pescoço, e me puxou para ele. Eu deveria ter resistido, pelo menos, ter lutado um pouco, já que eu ainda não sabia nada do passado, presente, e futuro de Jude, mas não o fiz. — Então? — ele disse sua voz abafada pelo que foi deixado do meu cabelo. — Então. — eu disse, enquanto uma manada de meninos arrastou-se por nós. Eles não disseram nada enquanto estavam na vista de Jude, mas foram acotovelando uns aos outros com tanta força pelo corredor que eu podia ouvi-los. Sentada aqui sozinha, aconchegada em Jude, faria maravilhas à minha reputação intocada. — Hora da explicação. — ele disse, como se não houvesse uma escolha. — Hora da explicação. — agora era melhor do que mais tarde, embora mais cedo teria sido melhor do que agora. Oh, bem, eu pegaria o que poderia conseguir, quando o assunto era Jude. — Estou pronto, quando você estiver. — ele disse.

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Então, de repente eu estava em um jogo de perguntas e respostas com Jude, no entanto, minha mente estava em branco. Como se nenhuma pergunta ou resposta pudesse interferir em algum sentimento que eu tinha por ele. E isso era a coisa mais insana para uma garota concluir, quando isso vinha de alguém como Jude. Se eu tinha dúvidas antes, agora foi confirmado, eu tinha um parafuso solto. — Vamos. — ele me cutucou. — Você pode me perguntar qualquer coisa e eu vou responder ou não vou. — Quão comunicativo você é. — eu disse, sorrindo em sua camisa. — Nós só temos alguns minutos antes do sino tocar, então é melhor você começar. Eu não sou o tipo de aluno que se importa em se atrasar, mas estou supondo que você é do tipo que se importa. Na verdade, eu tive a minha cota de atrasos. Na minha escola-certinha de sangue azul, privada, eu tinha sido uma espécie de rebelde, porque não tinha medo de usar mini-saia, ou aplicar uma camada extra de batom, ou matar aula de vezem quando. No entanto, aqui, noSelvagemHigh, minha rebeldia estava virando santidade. Oh, espere, esqueci que já tinha sido marcada como uma vagabunda pela população estudantil.

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Jude me cutucou novamente, então eu ataquei, não facilitando no questionamento. — Você foi para a cadeia antes. — Não era uma pergunta, eu já sabia, mas acho que precisava dele para confirmar isso. — Sim. — foi a sua resposta cortada. — Quantas vezes? — Onze ou doze. Perdi a conta. Eu sabia que Jude era bem conhecido na polícia, mas tinha subestimado o quão bem. — Pelo que? — perguntei, trabalhando para manter minha voz a mesma. Minha cabeça levantou quando Jude encolheu os ombros. — Principalmente por entrar em brigas, e uma vez por ter drogas comigo. Minha nossa. — Que tipo de drogas? Ele

não

pausou

dando

sua

resposta.

Metanfetamina16. Puta merda. — Você estava usando? — seria errado rezar que ele estivesse dando para outra pessoa? — Nah. — ele disse. — Eu estava tentando vendê-la. Eu era um idiota e ganancioso filho da puta aos 13 anos. Não 16

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Droga que estimula o Sistema Nervoso Central, é viciante e seu uso trás graves efeitos colaterais.


funcionou bem para mim, então eu parei. Não vendo drogas há quatro anos. — E você conhece aqueles três garotos porque todos vivem na mesma casa? — diferente daquela primeira manhã depois da noite de caos, eu não tinha falado deles. Tentei não pensar neles, mas eu estava disposta a abrir aquela porta trancada para revelar quem Jude era verdadeiramente. Pela primeira vez durante nossa sessão de perguntas e respostas, ele endureceu. — Sim. — ele disse, trazendo seu gorro mais para baixo. ��� E o Tio Joe trabalha lá? Jude riu uma nota baixa. — Se você chama descansar sua bunda gorda no sofá, enquanto algumas dúzias de filhos o enlouquecem, então sim, ele trabalha. — Por quanto tempo você viveu lá? — sentei ereta, olhei para ele, e ele estava em outro lugar. Em algum lugar escuro. Como se um interruptor tivesse sido ligado, ele se retraiu. Dando uma sacudida rápida em sua cabeça, ele limpou a garganta. — Os policiais não lhe deram nenhuma informação? — ele disse, trabalhando sua mandíbula, — Eles estão geralmente muito animados em divulgar o quão fodido eu sou. Esse era um território de campo minado em que eu estava na ponta dos pés e, eu não tinha certeza quanto mais

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longe chegaria antes de isso tudo explodir. — Fiquei esperando ouvir isso de você. Mas alguém parece ter esquecido o meu número de telefone. E meu endereço. — Eu sorri para ele, e, finalmente, ele suavizou. — Cinco anos. — disse ele. — Você gosta? — eu perguntei. — É ok. — outro corte,nada a escrever sobre a sua resposta, o que significa, eu pensei, que existiam um milhão de segredos escuros escondidos debaixo daquela rocha. — Por que você acabou lá? — eu tinha estado tão desesperada por fazer todas essas perguntas, que agora eu estava praticamente me contorcendo ao fazê-las. — Minha mãe fugiu. Meu pai foi para a cadeia. — Sinto muito. — sussurrei. Deus, eu me senti o tipo mais horrível de pessoa por ter pensado coisas ruins sobre ele. — Seu pai está saindo em breve? — Não. — pelo jeito que ele ficou olhando para o corredor, eu olhei em volta esperando vê-lo em chamas. — O que ele fez para ir para a cadeia? — O tipo de crime pelo qual as cadeias foram inventadas. Um calafrio fez cócegas na minha espinha — E sua mãe? Por que ela fugiu?

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— Porque ela odiou ser uma esposa e odiou ainda mais ser mãe. — ele disse,o canto dos seus olhos curvando, — Porque ela era egoísta e queria sua liberdade e não tinha nenhum senso de lealdade. Eu levantei minhas mãos e entrelacei meus dedos através dos seus.— Você acha que ela vai voltar? Jude bufou. — Não. Mamãe já se foi há muito tempo. — ele disse. — Embora eu tenha esse adorável presente de despedida que ela deixou para mim e eu carrego no bolso. — disse ele, deslizando um pedaço de papel velho amassado do bolso de trás. — Bem, isso e o velho chapéu surrado na minha cabeça, ela fez tricô ou crochê ou alguma merda para mim. Eu não tinha certeza se queria lê-lo, na verdade, tinha certeza de que não queria, mas não podia dizer não quando Jude o entregou para mim. Eu não podia dizer não quando uma pessoa estava me entregando a única coisa que alguém que amava tinha deixado para ele. Tomei uma respiração e o desdobrei. — Essa é a letra de ‗Hey,Jude‘. — eu disse perplexa. — Você está certa. — ele disse, sua voz firme. — Isto é o que sua mãe lhe deu antes de partir? — Bem, ela não me deu, ela deixou na minha cabeceira antes de antes de fugir no meio da noite, mas sim, ela foi inteligente o bastante para escrever a letra de uma música

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miserável.

Nem

mesmo,

um

eu

‗EuTe

Amo‟ou

um„Verdadeiramente sua, Mamãe‟17. Legal, né? Dobrando-o de volta, entreguei a ele. — Por que você o carrega com você? A tensão em sua mandíbula subiu um grau. — Para me lembrar o que pode acontecer quando você se deixa amar alguém. — Colocando o papel de volta no bolso, ele bateu a parte de trás de sua cabeça no armário atrás de nós. Até o momento, aquilo foi provavelmente a coisa mais triste que eu já ouvi. — E o gorro? — agora eu entendi porque ele era tão gasto e surrado...Ele tinha usado todos os dias durante os últimos cinco anos. — Pela mesma razão. — ele respondeu, deslizando-o sobre as sobrancelhas. — Bem, isso tudo é um pouco deprimente. — eu disse, tentando pensar em alguma maneira de conduzir a conversa para outra direção. — Você tem irmãos ou irmãs? — Senhor, eu esperava que não fosse nenhuma resposta de partir o coração para esta. Jude balançou a cabeça. — Só eu. Graças a Deus que os queridos mamãe e papai pararam em um. — ele disse, olhando para mim. — E você?

17

‘Yours Truly’, é uma frase comum emfinais de cartas.

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Eu congelei. Aquele não era o beco escuro que eu queria que a conversa fosse. — Eu tinha um irmão mais velho. — Tinha? Fechei os meus olhos, tentando discutir isso tão neutra quanto poderia. — Ele morreu há alguns anos. Jude fez uma pausa. — O que aconteceu? Mordi o lábio, olhando para ele. — Eu não estou pronta para mergulhar nisso ainda. — eu disse, tentando não parecer tão triste como me sentia, — Especialmente tendo em conta toda essa coisa de ‗sua-mãe-te-deixou-e-seu-pai-estána-prisão‘. Minha tolerância a depressão foi oficialmente alcançada. — eu tentei um sorriso, mas não se encaixava. — Desculpe, Luce. A vida é uma merda, às vezes. — ele disse,me dando um aperto. — Tenho certeza de que ele era um grande cara. — O melhor. — eu disse, estudando-o. — Sabe? Às vezes, você me faz lembrar dele. Ele sorriu aquele sorriso honesto. — Ele deve ter sido um cara fenomenal, então. Tentei outro sorriso, e este funcionou. — Ele era. — Agora que nós temos nosso passado de merda fora do caminho, tem alguma coisa que você está morrendo de vontade de me perguntar? — havia um tom de esperança em

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sua voz, esperando que eu tivesse acabado com a mais provável inquisição. Não teve sorte. — Diga-me a razão real pela qual você não me ligou. — eu disse, brincando com a barra da minha saia. — Você tem namorada? — eu não sabia quem ela era ou poderia ser, mas já a odiava. O alívio de Jude na mudança de assunto nas perguntas foi visível em todas as partes de seu rosto. Sorrindo para mim, ele disse: — Infernos, não. — Você não quer uma. — eu disse, lembrando a nossa primeira conversa. — Isso costumava ser o meu modo de agir. — ele começou, olhando tanto tempo para os meus lábios que eu os senti começar a tremer. — Mas agora eu não tenho tanta certeza. — Ok, então você não me ligou, e não foi porque você tem uma namorada. — disse, riscando fora o número um das prováveis explicações, passando a número dois. — Então, você decidiu que eu não valia a pena? — engoli, me preparando para qualquer resposta que saísse de sua boca. — Luce, para uma espécie tão inteligente, vocês mulheres podem ser realmente estúpidas, às vezes. — ele riu, levantando o dedo indicador para o meu queixo e virando-o a ele, — Não te liguei porque eu disse a você, não vai dar em

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nada bom sair comigo. Eu não poderia dizer o que acontece, mas as coisas acontecem e, de um jeito, todas as merdas vêm para mim. — Porque você é um câncer. — eu disse, repetindo suas palavras, mas não acreditando nelas. — Exatamente. Soltei um suspiro de pura frustração — Quem lhe disse isso? Outro olhar distante. — Alguém que costumava ser importante. Parecia que todas essas respostas deveriam estar eliminando perguntas da minha mente, mas em vez disso, elas faziam com que aparecessem outras mais. — Aqui está a coisa, Jude, todo mundo já acha que eu sou uma vagabunda por sua causa, então o quanto piorisso pode ficar se nós continuarmos a sair juntos? — Muito pior. — ele murmurou antes de sua cabeça se voltar para mim. Aquele olhar de raiva desenfreada estava de volta em seus olhos, — Espere. Você está me dizendo que eles estão te chamando de vagabunda? —

Hum...

eu

parei,

familiarizada

com

o

temperamento de pavio curto de Jude. — Aparentemente. Jude deu um soco no armário mais próximo tão forte que o metal cedeu sob o seu punho. — Julgadores bastardos.

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— ele sussurrou, pulando para cima. — Eu vou encontrar com você em breve, Luce. — ele olhou para mim. — Preciso fazer uma coisa. — Jude. — eu chamei, — Não vale à pena. — porque isso realmente não valia. Eu nunca tinha deixado o que os outros pensavam de mim ditasse o que eu era e, certamente não ia começar agora. — Para o inferno que isso não vale. — ele respondeu, já caminhando pelo corredor. Um par de garotos cumprimentou-o de passagem. Sua resposta foi que outro punho acertou em um armário.

Eu tive Educação Física no quinto período e fui próxima ao êxtase quando o treinador Ramstein nos disse que nós não precisávamos nos vestir porque havia algum tipo de palestra de primeiro escolar acontecendo. Meu humor elevado deu um mergulho de nariz assim que pisei no chão brilhante do ginásio. Eu sabia que não estavam me olhando, mas me senti assim. Fileira após fileiras abarrotadas, deparei-me com olhares que diziam „eu sei o que você é‟ e sorrisos. Alguns eram descarados o suficiente para sussurrar a palavra com ―V‖ apenas alto o suficiente para que eu pudesse ouvi-lo.

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Droga, agora eu estava ficando irritada. Eu não queria transformar todo mundo aqui no South Pointe em meu inimigo,

mas

não

descartaria

essa

hipótese

se

não

começassem a parar com essas piadinhas. Não me parecia justo ter ganhado esse título sem que eu nem tivesse aproveitado do prazer de realmente fazer por merecer. Eu andei até o fim do ginásio e sentei-me na linha de baixo da última seção da arquibancada. Eu tinha o banco inteiro para mim. Endireitando as costas, olhei para cima, fazendo um ponto para atender cada único olhar apontado em meu caminho. — Atenção, por favor! — uma voz cansada falou através de um microfone. A julgar pelo terno de uma década de idade e as sombras sob seus olhos, ele deveria ser o diretor. O rugido do ginásio não baixou um decibel. — Atenção, por favor! — ele repetiu em uma voz ainda mais cansada. Este pobre homem ia ter um ano difícil, se já estava esgotado no primeiro dia. Eu parecia ser a única aluna a prestar atenção, é por isso que, quando alguém de repente apareceu por trás do diretor e arrancou o microfone de sua mão, eu tive tempo de murmurar uma seleção de palavrões sob a minha respiração antes de todo mundo perceber o que estava acontecendo. — Calem-se, seus filhos da puta! — a voz de Jude vibrou no ginásio e todos fizeram assim como solicitado.

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O diretor tentou recuperar o microfone, mas Jude ergueu-o sobre a sua cabeça, que se ele elevava uns bons três pés acima do pobre homem de rosto vermelho. Jude sacudiu a cabeça e ergueu a sobrancelha. Quaisquer que foram as palavras silenciosas que o diretor pegou daquele olhar, foram suficientes para ele se afastar. Baixando

o

microfone,

Jude

olhou

para

mim,

novamente, sabendo exatamente onde eu estava numa multidão demil pessoas. Seu olhar permaneceu em mim por um segundo antes de voltar sua atenção para outro lugar. — Eu aguento vocês, bando de bastardos, porque não dou a mínima para o que vocês pensam de mim. — ele começou, andando em torno do palco. — Mas eu não vou, nem por um segundo, suportar vocês tentando arruinar a reputação de uma menina inocente. Eu queria olhar ao redor da sala, para experimentar os rostos de olhos arregalados e bocas abertas, mas não conseguia tirar os olhos de Jude. Ele estava defendendo minha honra e, se estava fazendo isso da maneira certa ou errada, eu não me importava. Isso era a droga da coisa mais sexy e mais romântica que já tinha me acontecido. — Lucy Larson é uma amiga. Uma amiga cujo as costas eu tenho, e acho que todo mundo sabe que se ela fosse uma menina aleatória que eu transei, eu não estaria aqui agora. — Ele fez uma pausa, esperando ou ameaçando alguém de se levantar e dizer o contrário.

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Eu vou ser honesta, avaliando a expressão no rosto de Jude, eu temia quem quer que tivesse se levantado para objetar, estaria deixando a assembléia de hoje em um saco. — Se eu sequer ouvir um pensamento sobre ela ser uma vagabunda... — o punho de Jude apertou, enquanto ele parecia fazer contato visual com todos os alunos da South Pointe High. — Eu vou supor que vocês não gostam de suas pernas, porque vou quebrá-las. Agora, para combinar com todo mundo, meu queixo caiu. — Se alguém precisar de qualquer esclarecimento adicional

sobre

o

assunto,

pode

levá-lo

até

mim

no

estacionamento. — ele deixou aquele não-tão-sutil aviso pairar no ar um minuto antes de segurar o microfone para o diretor. O diretor fez sinal para outro administrador assumir antes de olhar com expectativa para Jude. Rindo, Jude seguiu o diretor nas escadas do auditório. — Não seria um primeiro dia de escola, se eu não te visse em meu escritório antes do final do quinto período, Mr. Ryder. — o diretor suspirou. — Sim, mas isso foi uma causa digna, diretor Rudolph. — Jude respondeu, piscando para mim antes de sair do ginásio ainda em silêncio.

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127


Capítulo Sete

O

carro da minha mãe estava aqui. Essa foi à primeira coisa que notei quando cheguei até a cabana, depois da escola. Ela nunca

estava em casa tão cedo, era como um pecado mortal para ela sair do escritório antes das cinco. Então, é claro, ela escolheria o pior dia que eu tive em anos para quebrar essa regra. Eu colocaria o Mazda do avesso, se ela não tivesse me observando da janela da cozinha. Ela estava esperando por mim. Justamente quando você pensa que não há nenhum lugar para ir, exceto para cima. Desafivelando o cinto, peguei minha mochila e fui ao encontro do inevitável. Abrindo a porta de tela, eu inalei e entrei. Mamãe estava sentada à mesa, dois copos de chá fumegante na frente dela. O maior sorriso que minha mãe era capaz de formar deslizou na posição. — Como foi seu primeiro dia? Epicamente horrível. Pior primeiro dia de aula na história do mundo. Humilhante. — Muito bom. — respondi, pegando a xícara de chá que ela estendeu.

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Nenhuma

coisa

especial

aconteceu?

ela

perguntou, parecendo interessada. Eu fui nomeada a puta da escola antesdo final do primeiro período. — Na verdade, não. — disse com um encolher de ombros. — Você fez amigos? — ela tomou um gole de chá, ainda olhando para mim com aquele fantasma de um sorriso. Eu fiz um monte de amigos. — Uns poucos. — mentir não deveria vir tão fácil. — Você viu alguns rostos conhecidos? Meus pais eram praticamente o anti-fã de Jude. Se soubessem, eles considerariam seriamente me tirar de South Pointe e me transportar para outro distrito escolar ou vender os seus órgãos internos no mercado negro para me mandar de volta para a escola privada, apenas para garantir que eu não tivesse que passar por ele em um corredor. Enquanto cada outra parte de South Pointe partiu, uma parte muito grande não. Claro, eu não tinha, nem provavelmente teria amigos lá, ensinavam coisas que eu tinha começado a aprender no ensino fundamental, e o lugar era tão velho que cada corredor, cada sala e parede, cheiravam como uma bolsa de ginástica velha. Mas Jude estava lá. E de alguma forma, nada mais importava, exceto isso.

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— Não. — minha voz quebrou, de imediato, alertando minha mãe. Ok, então mentir não era tão fácil. — Quero dizer, é uma grande escola. Tenho certeza que vai haver algumas pessoas que eu reconheço, eventualmente. — Hmm. — ela murmurou em seu chá. Ela estava planejando algo. Eu não sei o que, mas quando qualquer mãe planeja algo nunca foi algo bom. — Eu poderia jurar que vi um ônibus de South Pointe parar naLast Chance Boys18 no meu caminho. Eu não ia deixá-la arruinar minha única luz do sol naquele inferno — Esta é a parte onde você está esperando eu lhe assegurar que realmente não me importo,e que na verdade, provavelmente foi a melhor coisa que fizeram, me tirar de uma escola particular no meu último ano porque nós estamos falidos e que eu fui jogada em alguma mega escola que tem detectores de metais em todas as entradas? — eu disse, batendo o meu chá sobre a mesa. — Porque talvez nós possamos pular a mentira e, por uma vez, sermos honestas uma com a outra. Ela baixou seu chá, estendendo suas têmporas. Esta foi a primeira vez que minha mãe tinha baixado suas paredes há muito tempo,e eu não sabia como lidar com isso. — Você já conseguiu uma resposta da Julliard? — ela perguntou, parecendo cansada.

18

130

É onde o Jude mora com seus ‘irmãos adotivos’.


Eu suspirei, desejando que nunca tivesse requerido isso em primeiro lugar. Minha auto-confiança realmente não precisa de mais rejeição. — Não. — respondi, tentando fazer parecer que eu não me importava, mas droga, eu me importava. Eu queria ir para a Julliard antes que eu pudesse soletrar isso. Eu era uma dançarina, isso tinha definido minha vida desde que eu podia colocar meu próprio tutu19. Eu não poderia imaginar uma vida melhor do que dançar em um palco na frente de uma plateia até a velhice, ou pernas cansadas me pararem, e Julliard me daria essa oportunidade. — Ainda é cedo, Lucy. — ela assegurou, vendo direto através do meu ato blasé. Eu levantei um ombro. — Vamos ver. — também tinha me inscrito em algumas faculdades de outros estados, como uma rede de segurança, mas elas eram apenas isso. Apenas configuradas para me pegar se eu falhasse na minha meta. Tendo o suficiente de conversa francas por um dia, eu me virei para as escadas. — Lucy? — Parei no primeiro degrau, olhando para trás. Mamãe estava olhando para onde meu cabelo cortado enrolado sobre meus ombros. — Como você está? Depois de cinco anos, ela tinha que trabalhar mais do que uma xícara de chá excessivamente instantânea e 19

131

Saia franzida de bailarina.


algumas perguntas marginalmente interessadas para ganhar a resposta honesta a essa pergunta. — Bem. — eu disse, encontrando seus olhos. — De verdade? É claro que não é verdade. Eu tinha perdido toda a minha família no espaço de um dia e nunca tinha conseguido eles de volta. E isso foi apenas o primeiro elo da cadeia. — De verdade. — eu subi as escadas mais rápido, mas não rápido o bastante. — Você sabe, Lucy, se você precisar de alguém para conversar... — a voz de mamãe arrastou escada acima. — Eu sei que eu provavelmente estaria em último nessa lista, mas estou aqui se precisar de mim. Eu não poderia ter estado mais chocada se tivesse olhado

para

baixo

para

encontrar

minhas

pernas

transformadas em um rabo de sereia. — Uh — eu gaguejei, procurando as palavras certas. — Obrigada, mãe. — muito bem, isso funcionou. Antes que qualquer outra transação sobrenatural pudesse acontecer, eu corri pelo resto da escada e deslizei sob minhas cobertas até que eu estava sonhando com um menino de belos olhos e um passado feio.

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Andando pelos detectores de metal no segundo dia pareceu menos estranho, e os olhares dos alunos que caíam sobre

mim

transformaram-se

em

sorrisos,

alguns

até

acenaram. Ao final do primeiro período, eu fiquei me perguntando se esses eram os mesmos alunos. Todo mundo me

cumprimentou

nos

corredores,

cinco

pessoas

se

ofereceram para me emprestar uma caneta em Trigonometria quando eu pedi, e umas das seguidoras de Taylor me elogiou por minha escolha de roupa. Isso foi igual a um giro de 180 graus desde ontem, ou todo o corpo estudantil tinha sido lobotomizado20, ou Jude era um jogador poderoso no South Pointe. Um jogador muito poderoso. Eu tive a minha resposta no final do terceiro período, quando peguei um vislumbre de Jude andando pelo corredor um caminho na minha frente. O corredor estava lotado, ombro a ombro, mas onde quer que ele andasse, a multidão se afastava, como a água quebrando contra uma ilha. Eu estava tão hipnotizada olhando ele partir os mares, que eu não percebi quandoum certo alguém que eu estava tentando evitar toda a manhã, cutucou-me. —

Ei, linda. —

Sawyer disse, jogando-me uma

piscadela. Oh, meu Deus. Será que os caras ainda fazem sexo com esta lábia velha e cansada? Se assim for, eu iria estapear 20

133

Retirado uma parte do cérebro.


cada última menina que caiu nessa, até colocar algum sentido nelas. — Sawyer? — eu disse, olhando por cima. Seu máximo sorriso atingiu o pico mais alto. — Corte esse papo, tá? É uma merda. Seu rosto caiu durante o mais breve instante, antes que o sorriso estava de volta em toda glória de Sawyer. — Aquela foi uma super palestra, a de ontem.Estou certo de que vai entrar para a história de South Pointe, com certeza. — ele disse, mantendo o ritmo comigo enquanto eu acelerava. Eu conheci caras como Sawyer, tinha aos montes na minha velha escola, e o que não funcionava para mim era que eles eram mais meninos do que homens, mais conversa do que ação. Eu era um homem de ação em um corpo de garota. — Sim, o solo de trombone realmente arrebentou. — Eu disse, fazendo-me de boba, porque não me importava e isso era mais divertido. Sawyer fez uma pausa. Eu podia vê-lo coçando sua cabeça internamente. — Então, você e Ryder, hein? Sawyer tinha bolas maiores do que eu tinha lhe dado crédito. Ele foi o primeiro a sugerir que Jude e eu éramos um casal na minha presença. Corajoso, dado às ameaças de morte ontem. — Nós somos amigos — eu disse, tentando colocar um pouco de ar entre nós, assim seu ombro não estava acariciando o meu a cada passo.

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— Amigos? — ele disse. — Pareceu mais do que isso. Pareceu como alguma coisa. Mordi o lábio antes de dizer a primeira coisa que me veio à mente. Só porque eu tinha uma tendência à raiva não significava que tinha que deixar o meu temperamento governar a minha vida, embora agora fosse um daqueles momentos que eu gostaria de ter deixado ele fora de sua coleira. — Não é nada. — eu disse, esquivando-me entre alguns alunos para chegar ao meu armário. Sawyer deslizou ao meu lado. — Bom. — ele disse, inclinando-se para o armário ao lado. — Isso vai facilitar as coisas quando eu levá-la para o Baile de Boas Vindas. Não sei quantas voltas eu girei a combinação no meu armário, mas mais de 10 e menos de dez segundos. A única coisa pior do que não ter um par para o baile, seria ter Sawyer como par. Ele era o tipo de cara que aluga um quarto de hotel antes de escolher um buquê e que provavelmente igualaria um jantar com lagosta com a mesma dedicação que ao sexo, a noite toda. — Vamos dizer que eu te pego às oito? Eu não sabia que o dia do baile era, mas sabia que eu não queria ir com ele. Eu sabia que queria dizer um não, e que não queria usar a linguagem apropriada de uma dama,

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mas não sabia como colocar a minha negação de uma boa forma. Sofisticação nunca tinha sido um ponto forte meu. Desistindo

da

minha

combinação,

eu

inalei.

Sawyer... — comecei, virando-me para encará-lo. Seu rosto estava tão malditamente confiante que eu estava tentada a ir com minha versão de ‗apenas-dê-o-fora‘. — Luce já tem um par para o baile.—Jude caminhou até nós e endireitou-se na frente de Sawyer, — Vá encontrar outra menina, Diamond. Esta está fora do mercado e é inteligente o suficiente para ver através de sua merda, mesmo se ela não seja uma. O sorriso de cem dólares de Sawyer foi para muito longe. Empurrando-se fora do armário, ele ficou frente a frente com Jude. — Eu pensei que vocês eram apenas amigos. — Bem, você estava errado. — É o que estou vendo. —Sawyer disse, não virando e correndo como a maioria das pessoas fazia quando se encontravam contra Jude. — Você não é o tipo de cara que mantém meninas como amigas. Perdoe-me por confundir Lucy como disponível. Eu não sabia que vocês tinham uma coisa, tipo, amizade com benefícios acontecendo. Sem aviso, Jude empurrou Sawyer tão forte que ele caiu de costas para a manada de alunos fazendo o seu caminho para a aula.

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— Jude. — eu larguei a minha bolsa e agarrei seu braço, tentando puxá-lo de volta, que teria funcionado, se eu pudesse levantar um caminhão. — Luce. — ele respirou, olhando para os meus dedos que circulavam seu braço. — Me solta. Eu estou bem. Só porque eu teria sido inútil se eles quisesse transformar o rosto de Sawyer em um saco de pancadas, eu fiz o que ele pediu. Avançando até Sawyer, que estava lutando para endireitar-se. Jude estava sobre ele, suas veias salientes na testa. — Ouça-me, seu pequeno pomposo babaca, se manda, e ouça muito bem. Você nunca, — ele cuspiu — NUNCA! Sequer desrespeite Luce dessa forma de novo, esse será o segundo da última respiração que você tomará, pois, que Deus me ajude, eu vou estar tão quente em cima de você, que você não vai saber o que está vindo até o diabo estar verificando o seu nome na folha de chamada. — todo mundo tinha parado para olhar nós três, mas a única coisa em que eu estava focada era Jude. Sua raiva era tão intensa, que estava estremecendo cada parte dele, mas ele conseguiu contê-la. Para impedi-lo de fazer o que faz de melhor. Machucar as coisas. — Agora, deixe-me esclarecer isso para você, desde que você é o mais idiota de merda que ainda tenho que encontrar. Luce e eu somos amigos. E eu estou levando ela ao baile. E você não vai insinuar, verbalizar, ou até mesmo pensar

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alguma coisa sobre ela que seja menos do que honrosa, Você me entendeu? — o rosto de Jude estava vermelho, um centímetro acima de Sawyer, e as veias estavam inchadas a ponto de estourar. Sawyer estava sendo um idiota, sim, mas você teria pensado que ele tinha acabado de cometer um assassinato de primeiro grau pela reação de Jude. Eu tinha que admitir, tanto quanto eu confiava em Jude, isso me assustava. Empurrando-se do chão, Sawyer encontrou o olhar de Jude. — Eu entendi você. — Isso mesmo, pequena cadela. — Jude disse, dando tapinhas na bochecha de Sawyer. — Agora dê o fora daqui. Não é hora do tapa na bunda no vestiário para você e seus namorados? Os dois olharam com raiva um para o outro por um segundo antes de Sawyer olhar para mim, onde eu ainda estava colada ao meu armário. — Encontro com você mais tarde, Lucy. — Não se eu pegar você primeiro. — Jude resmungou atrás dele, observando Sawyer até que ele desapareceu em torno de uma esquina. Os olhares estavam se dispersando, embora alguns continuassem parados, esperando por alguma ação.

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— Vazem. — Jude ordenou, acenando com as mãos para os retardatários. Eu não tinha visto nem atletas se mover tão rápido. — Então você está me levando ao Baile? — Eu disse, conseguindo um armário aberto em um recorde mundial de tempo mais lento. — Você está certa. — ele disse, girando sobre os calcanhares. Seus olhos brilhavam e seu rosto estava cada pedaço confiante. Ele estava extremamente sexy, mas ele não poderia saber que eu pensei nisso. — Você não acha que precisa me perguntar, em primeiro lugar? — eu me concentrei em trocar os livros do terceiro período para os do quarto, embora os cantos dos meus olhos estivessem queimando de observá-lo. Ele caminhou até mim, ficando tão perto que eu senti o seu calor pulsando. — Luce, você vai ao baile comigo? — sua voz era suave, baixa. E isso me fez sentir coisas que eu não precisava, se queria fazer do quarto período, um momento livre de agitação emocional. — Pensei que você queria manter toda essa fachada de amizade. — eu não estava me fazendo de difícil, estava me certificando de que ele realmente sabia o que queria. Este era um cara que mantinha uma nota de sua mãe no bolso de trás para lembrá-lo o que aconteceu quando você se deixa amar alguém.

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— Eu não dou a mínima para fachadas. Eu dou a mínima para as pessoas lhe mostrando um pouco de respeito. — Ele disse, o calor ardendo em suas palavras. — Vamos, vá comigo. — Pensei que você não fazia toda essa coisa de flores, encontro, namorada. — fechando minha mochila, bati meu armário e me virei para ele. — Eu não faço. — ele disseme dando aquele sorriso que só poderia significar que ele viu através de mim. — Mas acho que você pode ter mudado a minha opinião sobre tudo isso. Meu coração parou e estava fazendo uma cambalhota na próxima batida. — Isso é um elogio? Seu olhar se desviou para o teto. — Você pode levar isso como quiser, se você for comigo. — Jude. — eu revirei meus olhos. Ele sabia que estava me derretendo e nesta fase, eu estava com um sorriso torto. E ele tirou vantagem disso. Pressionando-se contra mim, sua mão encontrou meu quadril. Empurrando-me contra a parede perto dos armários, a outra mão vagou pelo meu braço até estar moldada em torno do meu pescoço. Eu fui de ser uma ligeiramenteinocente menina que gostava de dançar para uma mulher obcecada por sexo. Meu corpo todo doía e, quando seus lábios apenas roçaram nos meus, parecia que a dor estava prestes a explodir.

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— Vá comigo. — ele sussurrou, sugando meu lábio inferior. Ele podia estar me pedindo meu baço e eu teria concordado com a mesma rapidez. — Tudo bem. — eu balancei a cabeça, parecendo tão instável quanto me sentia. Inclinando-se para trás, seu rosto vitorioso. — Então isso é um sim? — Jude. — eu disse entre tentando recuperar o fôlego. — Isso foi a porra de um sim. Escovando um rápido beijo em minha bochecha, ele saiu para o corredor. — Vai ser uma grande noite, Luce. Estou feliz que vou passá-la com você. Baile de Boas Vindas com o Jude Ryder. Havia tanta coisa de errado sobre isso, que tinha que estar certo.

141


142


Capítulo Oito

O

resto da semana foi surpreendentemente suave

e

um

padrão

diário

emergiu.

Chegava à escola, Jude estava esperando

por mim. Atravessava os detectores de metal, Jude me levava para a aula. Eu tentei fazer com que as aulas ficassem interessantes para mim, mas Jude conseguia fazer os cinco minutos andando entre uma sala e outra, os minutos mais estimulantes. Almocei com Taylor e seus amigos depois que ela derramou sobre mim uns 101 pedidos de desculpas e mais desculpas, mas minha atenção estava focada em Jude, que às vezes falava mais no seu silêncio do que com suas palavras. Ele não tentou me beijar de novo, mas eu podia sentir quando

ele

queria,

e

eu

praticamente

sempre

estava

querendo também, mas ele parecia insistentesobre manter alguma distância entre nós. Eu não tinha certeza se isso era apenas um show para South Pointe ou se ele decidiu que eu servia mais para amiga do quenamorada. Gostaria de ter Jude de qualquer maneira que eu pudesse tê-lo, mas preferia a opção onde eu poderia beijá-lo sempre que quisesse. —

Você

acredita

nesse

tempo?

Jude

me

cumprimentou, depois de enxotar o estudante que estava ao meu lado para fora das arquibancadas. Olhando para mim,

143


seus olhos aumentaram antes de, de repente,olhar para longe. — Não. — eu respondi. — Alguém poderia dizer que o clima ainda é de verão? — a chuva havia começado primeiro, depois o vento, e depois a temperatura a 20 graus. Nesta parte do país, era como 50 abaixo de zero. A multidão gritou de raiva abruptamente, jogando pipoca e recipientes de bebidas vazias no campo de futebol. O Time deSouth Pointe estava jogando novamente em casa e dizer que iríamos perder era como uma ofensa para a maioria dos alunos. A gente não tinha nem aparecido no placar ainda, enquanto a outra equipe já fazia uma diferença de 42 pontos. E esse era só o começo do segundo quarto de tempo. — Mas está gostando? — Jude perguntou, envolvendo um braço em volta de mim e me puxando contra ele. Por alguma razão, o calor vibrou em cada partede mim. — Este é o tempo bom. Olhei para o tempo suficiente para atirar-lhe um olhar rápido. — Diz o homem que não possui uma peça de roupa a menos que seja cinza. — Você está insinuando alguma coisa, Luce? — ele perguntou, esfregando o meu braço com força. — Quem, eu? — Eu bati os meus cílios com inocência. — Mas por que cinza? Por que não preto? Eu acho que seria

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mais a sua cara, do tipo, ‗posso-chutar-sua-bunda-atésemana-que-vem‘. Ele mordeu o lábio, tentando provavelmente não rir. — O preto absorve todas as cores, ele as aceita e elas o define. Cinza não estáligado a nada além de si mesmo. Ele não absorve nada além de si mesmo. Isto era claramente algo que ele tinha pensado. Ele não usava cinza porque era sua cor favorita, ele usava por uma profunda razão filosófica. Como eu tinha descoberto esta semana, Jude era todo o tipo de mistério que uma mulher realmente poderia nunca desvendar. Ele era puro enigma, e eu queria decifrá-lo. Então, uma rajada de vento desagradável jogou areia em meu rosto, cortando meus pensamentos curtos. Eu enterrei minha cabeça no peito de Jude, amaldiçoando otempo sob a minha respiração. —Você não verificou a previsão do tempo? — Jude gritou sobre o vento. Eu ri. — Está tão obvio assim? — Eu estava usando sandálias de tiras, e uma camiseta. Uma camiseta com um sutiã branco... — Ainda bem que eu olhei. — Jude disse ao meu lado, colocando um cobertor velho em torno de mim. Suspirei de alívio e constrangimento, ao mesmo tempo. Eu tinha sido estúpida o suficiente para não lembrar

145


queestava usando branco em uma chuva torrencial. Agora, todos os sorrisos largos ao meu redor de meus colegas do sexo masculino faziam sentido. — Obrigada. — eu suspirei, me aconchegando debaixo do braço dele novamente quando ele me transformou em uma múmia coberta. — Eu poderia dizer o mesmo. — ele respondeu me dando um sorriso de orelha a orelha. Eu lhe dei uma cotovelada, segurando seu abraço. No entanto, isso não funcionou, ele só me segurou mais apertado. — Eu estou brincando, Luce. — ele disse, por meio de sua risada. — Mas vamos lá, você está cercada por um bando de punheteiros que só têm uma coisa em suas mentes em todos os momentos. Continuar vendo você assim. — ele disse, olhando para baixo do meu pescoço,— E isso não é bom para o coração ou hormônios. Não sei como eu estava, mas com certeza meu rosto já estava vermelho. — E por punheteiros, você está se incluindo ou excluindo-se nessa categoria? — Depois de ver você assim, — ele disse, as gotas de água

escorrendo

pelo

seu

rosto

vindo

de

seu

gorro

encharcado. — Estou definitivamente me incluindo na categoria de ir me masturbar agora.

146


Tentei lhe dar cotoveladas através do cobertor, mas ele me prendia tão apertado que eu não podia me mover. Eu era impotente ao lado dele. — A realeza não deveria estar sentada na frente? Eu fiz uma carranca para baixo, onde oito rapazes e sete meninas sentaram-se em cadeiras de crepe com papeis decorados, vestindo coroas e segurando varinhas ou bastões, ou algo bizarro assim. Quando Taylor tinha vindo saltando para cima de mim, depois de anunciar que eu tinha sido eleita uma das duas rainhasdo baile dos alunos do último ano, eu não tinha certeza se choque, ou mortificação, foi minha primeira resposta. Primeiro, porque eu tinha quase certeza que Jude tinha ameaçado arrancar os membros de todos os que não votaram em mim, e, segundo, porque eu era totalmente contra qualquer tipo de votação que aumentasse ainda mais a popularidade de alguém já popular o suficiente. Ser da realeza, virar rei e rainha do baile, ou até mesmo princesa, a mais bonita do baile, arrrrrght... Coloqueo dedo na minha boca agora21. Esses títulos nunca pertenciam a alguém que já não fosse popular, em primeiro lugar, e que já não tivesse herdado esses mesmos títulos de suas mães, avós e por aí vai.E sempre foi assim, até hoje. Eu não um popular e, dada a minha opinião sobre o assunto, ter que usar uma coroa ridícula na minha cabeça e uma varinha cheia de fitinhas no bolso de trás, me fez sentir mal. 21

Como se estivesse provocando o vômito.

147


— Eu sabia que você tinha algo a ver com isso, Jude Ryder. — Virei meu olhar mais poderoso para ele, — E não espere que isso sejaalgo que eu possa perdoar ou esquecer. Ele estava lutando uma batalha perdida para manter seu sorriso contido. — Eu não sei do que você está falando. Não posso fazer nada se a elite de South Pointete elegeu sua mais nova'it-girl'22. Eu estava tentado arrancar a coroa quebrá-la em duas na frente dele, quando Taylor acenou de volta para mim, sua própria coroa, com orgulho,brilhando em cima de seu cabelo, que a deixava parecendo um poodle penteado. — Seu Pinóquio. — eu disse, inspecionando seu rosto. — Seu nariz só cresceu uns cinco centímetros. — Seja como for, princesa. Voltando um olhar furiosamente impressionante sobre ele, a multidão jogou outra sequência de maldições e lixos para baixo no campo. Em seguida, alguém com algum objetivo — ou uma péssima mira, — atrás de nós jogou uma garrafa meio vazia de refrigerante de laranja, bem na minhacabeça. O que me surpreendeu mais do que qualquer coisa, foi à cara que Jude fez, aquela coisa tipo Mr. Hyde23. Suas veias já

22

estavam

esbugalhadas

quando

ele

girou

sobre

Ele está querendo dizer como a mais nova garota quente, ou popular. Mister Hyde é um vilão do Universo Marvel, inimigo do Thor, Demolidor e do Homem Aranha,

23

148

a


arquibancada,

olhando

de

cima

para

baixo

das

arquibancadas diante de seus olhos travados em alguém. — Ei, idiota! — Ele gritou, empurrando através da fileira de trás. — Onde você pensa que está indo? Balançando a cabeça, voltei minha atenção de volta para o jogo, tentando abafar as maldições a ameaças de Jude enquanto ele gritava paraa multidão. Logo em seguida, o zagueiro caiu, e a bola saiu voando para as mãos da equipe adversária. Outro touchdown24, e o nosso zagueiro não estava se levantando. A multidão ficou em silêncio, quando um caravestindo uma calça folgada correu para o campo. Ele se agachou ao lado dele, movendo e girando algumas coisas até que ele se sentou. O jogador lesionado puxou seu capacete antes atirar um braço sobre o ombro do cara. Era Sawyer. Mais como, é claro queera Sawyer. Ele era um zagueiro estereotipado. Eu quase tive vontade de torcer pelo outro time até que ele começou a mancar em campo, utilizando o cara ao lado dele como muletas. Eu disse a mim mesma para ser agradável, afinal ele estava machucado.

24

Uma jogada do futebol americano

149


— OMG25, Lucy. — Taylor gritou, aparecendo do nada ao meu lado. Sua roupa vermelha e dourada de líder de torcida, agitando os pompons. — Por favor, Taylor, pelo amor do deus das siglas...— sorri angelicalmente para ela. — Nunca mais diga OMG de novo. Passando a mão pelo rosto após meu pedido, ela repetiu — OMG, Sawyer está fora. Possivelmente, fora da temporada foi o que o treinador Arcadia disse para Jason, que disse a Jackson, que me disse. — Espere — eu disse, agarrando seus braços. — Treinador Arcadia? Tipo, Bill Arcadia? — De costas, eu não poderia ver quem era o treinador à margem do campo, mas não acho provável que houvesse outro Arcadia que treinasse futebol na área. — Sim, eu acho que esse é o primeiro nome dele. — Taylor respondeu, olhando para mim como se estivesse esperando alguma notícia escandalosa a seguir. — Ele foi transferido alguns anos atrás de alguma escola privada. Aparentemente

alguma

razão

suculenta

para

não

conhecermos o motivo ainda. Você o conhece? Eu suspirei de novo. Esse parecia ser a resposta adequada sempre que Taylor estava por perto. — Ele era o treinador na minha antiga escola. Aconteceram algumas coisas que eu não fiquei sabendo. — eu expliquei, mas isso é 25

150

Sigla para ‘Oh my God’, Oh Meu Deus, foi mantida assim ao longo do livro.


tudo o que explicaria sobre o que aconteceu. Taylor e eu éramos amigas casuais, mas eu nunca poderia confiar a ela um pedaço de informação que não fosse legal, por que ai toda a escola iria descobrir sobre. — Você era de uma escola privada? — Ela me avaliou como se fosse positivamente impossível. — Era. — E você foi transferida para South Pointe por quê? Mantendo uma cara séria, eu respondi: — Pela escola26. Não pegando a ironia nisso, ou talvez Jude estivesse certo e eu fosse realmente péssima nesse departamento de humor negro, ela agarroumeu braço novamente, franzindo a testa para baixo. — Com Sawyer fora do jogo e Lucas fazendo estágio acadêmico, estamos ferrados Eu olhei para o placar. —

Nós estamos

ferrados

ainda

mais.

Taylor

respondeu, fazendo uma careta para o placar. Olhando por cima do meu ombro, eu realmente desejei que Jude tivesse terminado sua caçada e viesse me resgatar de Taylor, porque ela estava falando sem parar. Eu o encontrei marchando às escadas de concreto acima, mirando uma garrafa de água vazia em um rapaz que 26

No original está ‘for the academics’, que tem duplo sentido; ‘pela grade curricular’ ou ‘pelos alunos’.

151


estava lutando tão rápido quanto ele poderia para subir as escadas. Jude arqueou o braço para trás e em espiral que e a garrafa foi direto para a parte de trás da cabeça do cara. De uns bons 30 metros de distância. Eu tinha uma resposta para os problemas de todos. — Desculpe-me, Taylor. — eu disse, andando em volta dela. — Eu tenho que fazer uma coisa. — Não demore! — ela gritou comigo. — As Rainhas vão fazer sua entrada durante o intervalo. Eu lhe atirei um polegar para cima e corri escada abaixo. O jogo ainda ia demorar um pouco, enquanto o técnico da South Pointe se esforçava para descobrir alguém para ser um zagueiro quando eu pulei a cerca. Empurrando o meu caminho através do bancoatrás da cabeça dos jogadores, eu parei atrás do treinador e bati em seu ombro. Ele

não

se

virou

de

primeira,

ele

estava

concentradotomando uma decisão intensa com o resto de sua comissão técnica. Então eu lhe toquei novamente. — Treinador A.! — Eu gritei por cima do barulho. — O quê? — Ele gritou, girando. O olhar de irritação em seu rosto se derreteu, logo que ele me viu. — Lucy? — Ei, treinador. — eu o cumprimentei, me sentindo como se eu devesselhe dar um abraço, exceto que só iria começar um novo rumor sobre eu ser uma espécie de

152


sedutora de professor ou alguma merda louca assim. Ele tinha sido o treinador de futebol do meu irmão desde a sétima série, então ele era como um membro não oficial da família. — Lucy. — ele disse de novo, olhando para mim como se eu não pudesse estar aqui. — O que você está fazendo aqui? — Eu sou uma estudante. — respondi, sentindo a cicatriz que eu gostava de manter fechada com sutura rasgar novamente. —Eu fui transferida este ano. — Isso é ótimo. — ele disse, recusando um de seus assistentes técnicos. —Mas eu queria dizer, o que você está fazendo aqui? — Ele apontou para o futebol. Olhei para o campo. — Oh.— eu disse, olhando para Sawyer, que tinha seu pé elevado. Ele estava me observando, com seu típico sorriso Sawyer, e acenou. Eu não retribuí, ele estando lesionado ou não. — Eu tenho uma solução para a sua falta de quarterback. O treinador sorriu abertamente. — É claro que você tem, Lucy. Ainda tentando salvar o mundo? — Sempre. — eu disse — E caso você não tenha notado, está funcionando. O mundo ainda está aqui.

153


Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo. — Então, qual é a sua solução para o meu problema de quarterback? —

Você

conhece

Jude

Ryder?

olhei

para

a

arquibancada, onde Jude estava de volta ao nosso lugar e olhandode volta para mim. — Todo mundo o conhece. — ele respondeu, me examinando como se eu tivesse ficado maluca. — Como é que Jude Ryder pode resolver meus problemas? Eu nem sequer dei uma pausa. — Deixe-o jogar de quarterback. — falei. Eu não deixei o treinador, que estava sufocando em sua própria respiração, me parar. — Ele é mais forte do que os seusdois melhores caras juntos, ele tem um braço que Manning27 teria inveja, e ele é certeiro como um franco-atirador. A expressão treinador não mudou. — Eu o vi jogar, treinador. Ele é muito bom. Ele ficou quieto por um tempo, me avaliando. Ele sabia por experiência própria eu não era uma avoada, quando se tratava de futebol. Eu tinha ido a pelo menos20 jogos por ano desde que eu era uma criança, e essa não era a parte que estava lutando contra. Era a parte de Jude, o treinador certamente conhecia a fama dele.

27

Peyton Manning Williams (nascido em 24 de marco de 1976) é um jogador de futebol americano quarterback dos Denver Broncos, da National Football League.

154


— Dê uma chance a ele. — eu disse, praticamente implorando, — Não é como você pudesse perder mais do que já está. O treinador murmurou algo sob sua respiração. — Eu vou perder a minha licença por causa disso, mas que diabos? — Ele disse, deslizando seu boné. Olhando para mim, levantou uma sobrancelha. — Então, onde está o mais novo quarterback de South Pointe? Atirei-lhe um sorriso, que ele compartilhou. — Certo. — eu comecei a me virar para as arquibancadas. No entanto, um peito largo estava bloqueando a minha visão. — Aqui. — eu

terminei,

aquele

sentimento

morno,

me

pegando

exatamente onde parou. — Eu viro as costas para você por dois segundos e você some. — Jude disse, com o cenho franzido. — Como posso cuidar de você se não sei onde você está? — Cuidar de mim? Jude, estamos em um jogo de futebol da escola. — essa coisa toda de proteção tinha acabado de entrar em um nível totalmente novo. — Exatamente. Há pelo menos mil maneiras de uma garota como você se machucar em uma dessas coisas. Se você quiser ir para outro lugar, da próxima vez é só esperar por mim e eu vou com você. — seu rosto estava tomado de preocupação, o que me preocupava. Este tipo de coisa era um pouco demais. Eu era toda romântica sobre essa coisa de

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proteger sua mulher e tudo mais, mas eu não curtia essa coisa de „você não pode sair por aí, ou fazer qualquer coisa, ou pensar seus próprios pensamentos sem a minha aprovação‟. — Jude. — eu peguei o lado de seu braço — Quieto. Eu só estava conversando com o treinador A. — Agora, provavelmente, não é o momento de estar papeando com o treinador Arcadia, Luce. — Jude disse, olhando para Sawyer, que ainda estava nos observando. Jude sorriu como o diabo para onde Sawyer estava encostado no banco. — Parece que o homem tem que cuidar de alguns problemas. — Seus problemas estão resolvidos agora. — eu disse, cruzando os braços um sobre o outro. O técnico olhou para cima de sua prancheta, avaliando Jude e aprovando para julgar sua decisão. — Vá se trocar, filho. — ele ordenou, acenando para os vestiários. — Acho que posso parar os juízes mais alguns minutos, mas não muito mais do que isso. Eles querem ir para casa e se secar tanto quanto o resto de nós. — Espere, treinador. — Jude levantou a mão. — Por que você está me mandando ir trocar de roupa? Eu não sou um dos seus jogadores, os tapeadores de bunda28. O técnico olhou para mim. — Você é agora. Jude foi rápido. — Luce? 28

156

Ele está se referindo aos tapinhas na bunda que os garotos se dão no vestiário, como um incentivo.


Uma palavra que poderia muito conter uma dúzia de perguntas. O homem havia dominado a arte de inflexão. Arqueando uma sobrancelha, eu acenei um pom-pom imaginário. — Vai, South Pointe.

157


158


Capítulo Nove

N

ão havia nada além de uma polegada e meia de espaço livre na primeira arquibancada. Isso funcionaria. Não

havia nenhuma maneira que eu iria perder Jude correndo para fora desse vestiário. Se ele corresse. Eu não tinha certeza do quão chateado ele estava comigo pela minha última luta para resolver os problemas do mundo, mas se eu tivesse que adivinhar, diria que estaria em algum lugar entre zombando de mim e um rosnado raivoso.Espremendo-me entre dois caras com peitos nus escrito ―Vai Spartans” pintados em vermelho sangue em seus estômagos, eu suguei todo o ar que poderia ser sugado e esperei que eu pudesse segurar minha respiração por mais ou menos mais duas horas. — Lucy! — Uma voz gritou para mim. — Lucy. — e de novo. Por mais que tentasse, não consegui escapar da névoa sufocante que era Taylor Donovan. — Venha aqui. — ela fez sinal para mim, acenando para um espaço onde ela e suas seguidoras estavam batendo palmas, chutando e gritando. Estar na frente e no centro em um sanduíche de líderes de torcida não era minha primeira escolha, mas era melhor

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do que a minha situação atual. O garoto meio nú da minha direita jogou os braços para o ar, gritando ―Vai Spartans!”. E ficou imediatamente claro que ele não acreditava, ou mesmousava, desodorante suficiente. Mesmo se eu me pintasse de vermelho e dourado e gritasse‗Vai, Lute, Vença‟, eu não conseguiria chegar à essas líderes de torcida rápido o suficiente. — O que você estava fazendo lá prensada entre Débi e Loid? — Taylor perguntou, tecendo seu braço com o meu. — Você percebe que provavelmente só fez a noite deles, porque tenho certeza de que foi a primeira vez que qualquer um deles havia chegado em qualquer lugar perto de te roubar um toque. — Eca. — estremeci. — Taylor, por favor, verifique as imagens na porta. Eu estou totalmente rastejando para fora agora. — Bem, você tem sorte que eu te salvei. — ela disse, apontando para algumas outras líderes de torcida. Sem grande surpresa, eram as meninas que estavam sentadas à nossa mesa do almoço, mas os únicos nomes que eu poderia lembrar eram Lexie e Samantha. — Além disso, uma menina como você pertence aqui. Eu vi suas cambalhotas rotineiras no ginásio esta semana e você obviamente já fez isso antes. É claro que Taylor seria a única pessoa a ter um vislumbre da minha rotina de dança improvisada nas esteiras enquanto eu estava esperando por todos os outros se

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vestirem. — Eu era uma líder de torcida na minha antiga escola. — falei, — Mas só porque eles não tinham uma equipe de dança. — Bem, nós temos uma equipe de dança aqui, mas ela é apenas para onde as meninas que são muito gordas ou feias para animar, vão. — nem mesmo um pouquinho de remorso em sua entrega, — Você não quer fazer parte da equipe de dança. Você pertence a nós. Algumas das outras meninas circularam em torno de nós e acenaram com a cabeça. — Já que Holly não voltou este ano, temos um uniforme extra e nós não podemos formar uma pirâmide adequada sem uma décima companheira de equipe. — Obrigada pela oferta, Taylor, mas na verdade, eu sou mais o tipo de menina de equipe de dança. Além disso, eu ouvi que South Pointe ganhou algum campeonato estadual e... Ela levantou a mão para me cortar. — Você é material para líder de torcida. Você é linda, tem experiência, e 90% do sexo masculino do corpo discente já está batendo punheta para você. — outra imagem que eu realmente poderia ter ficado sem. — Os outros 10% ainda não se declararam no departamento de sexualidade. — ela sussurrou. — São realmente várias razões que eu deveria me juntar a vocês, se há alguma boa aí pelo meio. — eu murmurei, me perguntando se eu estava melhor cheirando

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axilas fedorentas ou sendo ―acidentalmente‖ tocada a noite toda. E foi aí que Jude veio correndo para o campo. Esquecime de Taylor, e axilas, e todo o maldito mundo. Não havia nada além dele. E elastano dourado moldando sobre suas partes, que flexionando, estendendo e puxando, me faziam esquecer até como piscar. — Quem, em toda terra verde graciosa de Deus — Taylor perguntou, inclinando-se sobre a cerca — É esse? Só então, ele olhou, encontrando meus olhos, e o sorriso que quebrou em seu rosto não podia ser disfarçado pela guarda do capacete de rosto. Estendendo o braço, ele apontou para mim todo o caminho para onde o resto da equipe de futebol do South Pointe estava amontoada na linha de 20 jardas. — Esse, Taylor... — eu disse, tecendo meus dedos por cima da cerca. — É Jude Ryder. — Eu sabia que havia um Deus. — ela respirava. —

Sim. —

concordei, sorrindo enquanto ele se

contorcia em seu uniforme. — Certamente existe. — Então vocês estão... — Taylor — eu avisei, girando para ela.

162


— O quê? — ela disse, ajustando a coroa em sua cabeça. — Algo está definitivamente acontecendo com vocês dois, e a única coisa que eu tenho mais certeza, é que não é apenas uma relação de amizade. — Nós somos amigos. — Eu disse, porque não tinha nenhum outro título para nós. Nós tínhamos nos beijado de uma forma que era ilegal em 49 estados, gastamos todos os momentos livres na escola juntos, ele cuidava de mim, eu cuidavadele, mas nós não estávamos, até onde eu sabia, de modo algum exclusivos. Eu não tive um pedido dele, embora eu quisesse isso. Mas ele queria a mesma coisa? — Querida, uma menina não pode manter um homem como esse como um amigo. Ele é um amante ou um examante, mas nunca um amigo. Homens como ele não foram criados para serem amigos de uma mulher, eles foram criados para fazer uma mulher atingir um grande orgasmo três vezes seguidas. Outro olhar brilhante de Taylor Donovan, embora este eu não me importei tanto. — Desculpe, Taylor. Não sei o que te dizer. Eu me preocupo com ele. Ele se preocupa comigo. Se isso não nos faz amigos no seu livro, vá em frente e nos rotule como quiser. Suas sobrancelhas subiram. — Exceto desse jeito. — Eu esclareci.

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A campainha soou e as duas equipes se alinharam, Jude no local do quarterbackparecendo um gigante jogando um jogo com um monte de bebezinhos. Pegando um pompom de Taylor, eu o levantei no ar e sacudi o inferno fora dele. — Vai, Spartans! — Eu gritei. — Vamos, Ryder! Vamos ver o que você tem! Era uma grande distância daqui, e ele estava agachado em posição, mas eu teria apostado minha sapatilha gasta que um sorriso de satisfação apareceu. — Hut. Hut. Hike!29 — o meio campo gritou, atirando a bola para Jude. Você podia sentir a respiração coletiva que cada torcedor do South Pointe nas arquibancadastomou. Jude

pegou

facilmente

e,

em

vez

de

jogá-la

a

respeitáveis 25 jardas para nos levar ao primeiro ponto, ele embalou aquela bola de futebol no seu lado e correu. Na verdade, ele correu rápido, tão correu rápido como se estivesse fugindo da polícia. Eu sorri, percebendo que seu trabalho de velocidade provavelmente tinha algo a ver com fugir da polícia. Foi um tiro no escuro, esperando para deslizar a bola de futebol na zona final, quando estávamos a 80 jardas para trás, mas a única pessoa que não parecia preocupada com isso era Jude. Ele correu como se ele não pudesse não terminar na zona final. Ele correu como se ninguém pudesse detê-lo. 29

Jogada do Futebol Americano.

164


E ninguém podia. Jogador após jogador do Cascade High tentou bloqueálo ou enfrentá-lo, alguns até tentaram passar uma rasteira ou derrubá-lo, agarrando sua máscara protetora. Nenhum deles foi bem sucedido. Os que erraram o braço duro de Jude foram apenas golpeados para fora, como se eles não fossem jogadores de futebol do time de ensino médio. Nas 50 jardas, a multidão prendeu um rugido. Todo mundo estava vaiando e gritando e balançando seus braços na direção da zona final. Desafiando todas as leis da física, o ritmo de Jude aumentou. No momento que ele atingiu as 20 jardas, não havia mais jogadores do Cascade High para detê-lo. Eles todos decoravam a grama sintética como uma caixa de palitos de dentes caídos. Jude dançou as últimas jardas até a zona final, balançando e remexendo naquelas calças de elastano douradas, provocando um aumento nos gritos femininos. Uma vez na zona final, ele cravou a bola e, em seguida, virou-se para a multidão. Todo mundo estava ficando louco, como se tivessem acabado de testemunhar o nascimento de Jesus e a invenção da eletricidade ao mesmo tempo. Jude era um astro do rock, o salvador deles, e eles estavam prestandolhe homenagem. Não levando alguns momentos para se deleitar na glória da corrida de 80 jardas e mil pessoas gritando seu nome, ele andou a passos largos até à margem. Passou por

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um treinador que ainda estava congelado no lugar, passou por seus jogadores na lateral segurando as mãos deles, e em seguida, por cima da cerca em um movimento contínuo. Ele não parou até que ele estava suando e sorrindo em frente a mim. — Hey. — ele respirou, deslizando o capacete de sua cabeça. A chuva entrando em contato com a sua testa suada fumegava o ar. — Hey. — eu respondi, fingindo que não éramos o centro das atenções de todos. — Você gostou daquela pequena corrida lá no campo? Sorri quando ele deslizou seu gorro ao redor até que ficou no local exato. Era como um maldito manto de segurança. — Foi legal. — eu subestimei, levantando um ombro. —

Legal?

— ele perguntou, aproximando-se. Na

verdade, nossos corpos tão próximos que não poderiam ter estado mais a menos que estivéssemos totalmente nus. — Aquela

foi

uma

jogada

muito

inteligente,

Luce.

Voluntariando-me para a equipe de punheteiros para se vingar de mim por colocar você na votação de princesa oficial deSouth Pointe. — ele disse, sacudindo minha coroa. — Isso foi inteligente, não foi? — Isso foi uma das boas jogadas, eu vou te ceder isso. — ele disse, esfregando a parte de trás do seu pescoço. —

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Mas que diabos, Luce, eu nunca, nunca deixei alguém ter a palavra final. — Por favor. — eu disse, fazendo uma careta. — O que você vai fazer? Me colocaria no meio do campo e chutaria minha bunda, como se eu fosse a bola? — Não. — ele disse, baixando as mãos para meus quadris. Minha garganta ficou seca. — Eu vou fazer algo muito melhor do que isso. — Ah, é? — eu disse, observando seu redemoinho prata nos olhos. — E o que é? Levantando-me acima dele, ele piscou. — Isso. — ele disse, se abaixando para os meus lábios caírem bem nos dele. E se era o seu ou o meu movimento que começou primeiro, não importa, porque era evidente que não terminaria em breve. Chuva. Jude. Eu. Beijando. Crave um garfo em mim, porque eu estava acabada. — Sr. Ryder! — uma voz entorpecida cortou através do ruído alto explodindo ao nosso redor. — Sr. Ryder! Jude gemeu contra meus lábios, não me deixando ir quando ele se virou para o treinador. — Você acha que acabou por aí? — o treinador perguntou, sorrindo. — Temos um jogo para ganhar.

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— Eu acho que nunca vou acabar por aqui, treinador. — ele gritou de volta, ganhando alguns risos da arquibancada e me fazendo corar até os meus dedos. — Nesse caso, apenas encerre e traga seu traseiro de volta para cá. — ele gritou. — Quarterbacks iniciais não dão amassos nas suas namoradas quando eles têm 40 pontos a compensar. — Este faz. — Jude sussurrou, levantando-me na ponta dos pés e me beijando novamente. — Espere por mim após o jogo. Eu tenho alguns negócios inacabados com você. — posicionando-me no chão, puxou o manto apertado em torno de mim de novo antes de pular a cerca e voltar correndo para o campo. Eu não sei como ele foi capaz de saltar e correr assim, porque eu não podia me mover. O que diabos tinha acontecido? Fosse o que fosse, eu queria lavar e repetir até que eu pegasse meu último suspiro. — Que. Porra. Foi. Essa. Exatamente os meus sentimentos. Taylor marchou até mim, de braços cruzados, e encarou penetrantemente. — Amigos, não é? — A amizade é um elemento fundamental do nosso relacionamento. — ainda estava ofegante, mas pelo menos eu poderia formar palavras.

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— Sim, mas não o elemento definidor. Obviamente. — Por alguma razão, Taylor parecia chateada. Eu acho que ela estava indo revogar meus privilégios de pom-pom. —

Como?

eu

estava

de

volta

a

respostas

monossilábicas. — Jude Ryder apenas beijou você na frente de um zilhão de pessoas e ele não contestou quando o treinador Arcadia chamou você de sua namorada. Agora que os efeitos posteriores do beijo estavam passando, eu poderia formar e pensar uma sequencia lógica de pensamentos, e o que Taylor estava dizendo era verdade. Jude poderia muito bem ter publicado nosso momento de amassos na internet, visto o número de pessoas que teriam e veriam isso, e ele quase não se encolheu quando o treinador A. usou a palavra com ―N‖. — Eu sou sua namorada? — era para ser uma pergunta para mim mesma, mas Taylor não podia deixar passar sem resposta. — Você é a primeira. — ela disse, olhando para mim como se eu fosse um quebra-cabeça. — Sua puta sortuda.

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Capítulo Dez

I

sso era tudo que eu podia pensar na noite seguinte quando eu iria precisar de todo o meu foco em ser e aprimeira namorada que

Jude levaria ao baile. Primeira namorada, era um título que eu

tinha

pensado

loucamente,

mas

depois

que

eu

cuidadosamente agonizei sobre ele a noite inteira, como qualquer garota adolescente que se preze faria, eu não tinha certeza de como me sentia sendo a primeira namorada de Jude. Namorada, simplesmente isso. Um garoto como ele, com uma reputação dessas, provavelmente tinha ficado com dezenas de garotas. Então nenhuma delas foi namorada dele, grande coisa, elas foram tão íntimas dele de um jeito que eu me recusava a ficar pensando, sabendo que não seria a primeira ou a décima ou sinta os calafrios, – a centésima garota, meio que estragaria o sentimento especial de ser a primeira namorada de Jude. Eu não era ingênua a ponto de esperar que meu namorado não tivesse um histórico. Inferno, até eu tinha um histórico que não me classificaria exatamente como brilhante e nova, mas a reputação de ‗usa e joga fora‘ de Jude era bem conhecida em três estados e uma divisa.

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Agora, eu era totalmente a favor de segundas chances. Eu era a campeã das segundas chances, e não tinha a ver com isso. A minha preocupação era passar por cada mulher solteira que desse um sorriso sugestivo a ele e ficar me perguntando se essa foi uma das conquistas de Jude, no passado. Ele estava permitido a ter arrependimentos e erros, mas eu poderia conviver com eles e as suas consequências? Deixando o último rolo quente cair do meu cabelo, eu percebi que só há uma forma de descobrir. A única forma de descobrir se eu podia lidar com tudo que vinha com Jude, seu passado, a sua aparente incapacidade de conversar sobre algo pessoal, ou sua total incapacidade de pensar sobre o futuro, era viver um dia de cada vez. A única forma de saber se Jude iria partir o meu coração no final das contas, era abri-lo para ele. Essa epifania deveria ser mais aterrorizante do que já era. Inferno ou um coração partido. Mas eu iria tentar. Eu tentaria salvar o mundo, como eu gostava de dizer, porque essa era a única maneira de garantir que esse relacionamento teria uma chance de sobreviver. Verificando o meu telefone, suspirei de alívio. Eu ainda tinha quinze minutos para terminar minha maquiagem, colocar o meu vestido, e coletar o meu juízo, ele precisaria estar presente já que eu passaria a noite toda pressionada contra Jude. E isso foi quando a campainha tocou.

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Me permiti ter um segundo de pânico antes de descer correndo as escadas lutando com o meu roupão. Papai e mamãe estavam fora em um encontro, graças a mim. Eu tinha comprado um cartão presente do Café Francês favorito deles no lago e dois ingressos para o cinema que ficava a vinte minutos daqui. Eu até mesmo tinha feito as reservas para garantir que eles não estariam aqui quando Jude chegasse. Foi traiçoeiro, e eu não queria que Jude pensasse que eu estava com vergonha dele, mas os meus pais eram pessoas complicadas que não permitiam segundas chances. E mais, eles eram pais de uma adolescente. Meu pai me disse uma vez na ‗conversa‘, com a cara em um tom vermelho, que com um filho, tudo o que ele tinha que se preocupar era com um pênis, mas com uma filha, ele tinha que se preocupar com vários. Aquela pérola ficou gravada na minha memória, provavelmente porque eu tinha doze anos, e não consegui ouvir a palavra pênis sem explodir em gargalhas. Eu sabia que se eu e Jude continuássemos nesse ritmo, não conseguiria manter esse segredo, mas esta noite, essa era a melhor solução para a situação que é Jude. Puxando a porta aberta, tentei não ficar de boca aberta, mas era a única coisa que parecia apropriado com Jude Ryder em pé sob a luz da minha varanda da frente, vestido em um smoking, com uma caixa de corsage30 na mão. — Eu estou adiantado. — ele começou — Então eu deveria 30

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Uma daquelas pulseiras com flores que os americanos dão aos seus encontros.


dizer que perdi a noção do tempo, mas só não podia esperar para chegar aqui. Pare de encarar, Lucy. Pare de encarar, Lucy, era o meu mantra, mas não estava funcionando. — Okay, então não me leve a mal, porque eu estou aproveitando a vista. — ele começou, desviando os olhos para o teto, — Eu realmente estou aproveitando a vista, mas prometi a mim mesmo que seria um daqueles cavalheiros a noite toda e você não está facilitando. Minha cabeça estava nebulosa e ainda era incapaz de falar, mas eu pelo menos poderia expressar minha confusão. —

Ah,

inferno,

Luce.

Jude

amaldiçoou,

estremecendo quando ele olhou rapidamente para mim. — Você esqueceu-se de amarrar a porra do seu roupão. Olhando para baixo, confirmei. Nada além de um sutiã sem alças, que combinava calcinha, e um inferno de um monte de pele estava em plena exibição. Um erro honesto? Talvez. Deslize proposital? Com certeza. — Sinto muito. — eu disse virando de costas para me cobrir adequadamente. Ouvi seus passos quando ele veio para trás de mim. Afastando o meu cabelo para longe do meu pescoço, sua boca se movendo logo abaixo da minha mandíbula. — Eu não sinto. — ele sussurrou, sugando a pele macia.

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Um toque, um beijo, e eu viraria uma bagunça. Naquele momento, eu não queria nada mais do que me virar, arrancar as nossas roupas e não deixar nada para a imaginação naquela noite. Era inebriante e irresistível, E alguma parte, lá no fundo, sabia que não era saudável. — Vá colocar o seu vestido para que eu possa me exibir com você. — ele disse, pressionando um último beijo no meu pescoço antes afastar-se. — Por que nós não pulamos o baile? — Eu me virei para encará-lo, brincando com o laço do meu roupão. — Droga, Lucy. — ele gemeu, usando o meu nome verdadeiro, pela primeira vez em muito tempo. — É preciso toda a minha força de vontade para me impedir de jogar você na mesa e fazer tudo o que imaginei pelo menos mil vezes. — ele disse, acenando com as mãos para a mesa. — Mas você é melhor que isso. Você merece mais que isso. Você não merece ser uma daquelas garotas que foram fodidas na mesa da cozinha dos pais. Você merece muito mais do que isso — ele disse, me desafiando com os olhos. — Então feche o seu roupão e não me tente novamente. Eu me sentia envergonhada e rejeitada, mas especial e lisonjeada ao mesmo tempo. Era uma mistura de emoções muito confusa. — Sinto muito. — eu disse de novo, atirandolhe um sorriso desajeitado enquanto começava a subir as escadas.

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— Hey. — ele pegou a minha mão — Não se desculpe. Eu quero você de todas as maneiras que um homem pode desejar uma mulher. Só não quero estragar isso, okay? — Okay. — Estou em território desconhecido aqui, Luce. Preciso de um pouco de ajuda. — seus dedos se entrelaçaram aos meus. — Eu também. — respondi. — Yeah, suponho que você está. — ele apertou minha mão antes de solta-la, — Então eu vou ajudá-la, também. Agora vá pegar o aquele vestido sexy para que eu possa dançar com você a noite toda. — Ok, Sr. Mandão. — eu disse, fazendo o meu caminho até as escadas. — Sinta-se em casa. Vou descer em cinco minutos. — Oh, e Luce... — ele gritou, estalando os dedos. Eu olhei para ele do alto da escada. — Quando se trata de escolher roupa íntima, — seus olhos estavam brilhando — Você tira um dez. Como se eu precisasse de outra confirmação, os homens eram criaturas impossíveis. Sorrindo firmemente para ele, apertei o nó do meu roupão. — E quando se trata de remover roupa intima, você é um bundão.

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— Uau, Luce. — ele disse, agarrando o corrimão — Agora essa foi boa. Sair comigo melhorou bastante o seu senso de humor. Acho que você aprendeu por osmose, eu suponho. Coloquei uma mão no quadril. — Como pode alguém saber o que é osmose e estar reprovando em todas as matérias? — Jude não era burro, mas suas notas mostravam o contrário. — Um inequívoco talento, baby. — ele respondeu, sorrindo como o diabo — Um inequívoco talento.

Eu havia acabado de colocar o meu último brinco, quando ouvi o som familiar de pneus esmagando o asfalto. — Luce, — a voz de Jude veio das escadas — Você está esperando companhia? Agarrando o meu casaco vintage da cama, eu corri para fora do meu quarto, ouvindo, agora, o som familiar da porta da garagem abrindo. — São os meus pais. — eu disse, correndo nas escadas.

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Jude franziu o cenho. — E eles sabem que sou eu quem está levando você para o baile? Parando no final da escada, neguei com a cabeça. — E já que eu sou tão bom em adivinhar, eu diria que eles nem mesmo sabem que nós estudamos na mesma escola, não é? — ele perguntou, tentando agir como se não fosse nada, mas para mim, parecia que era o pior tipo de traição. Neguei com a cabeça de novo, não sendo capaz de olhálo. — Tudo bem, qual é a minha estratégia de saída? — ele perguntou, olhando ao redor da sala. — Porta da frente, porta de trás, ou janela? — ele não estava sorrindo, ele estava sério. Algo se partiu no meu coração. — Nenhuma estratégia de saída. — eu disse, pegando sua mão e caminhando pela sala de estar, — Eu gostaria de apresentar o meu namorado para os meus pais. — Isso vai ser bom. — Sim. — eu disse com sarcasmo, — Vai ser um estouro. — Algum conselho? — ele perguntou, ficando ao meu lado na porta da cozinha. — Sim. — eu disse, assistindo a porta da garagem se abrir. — Coloque o cinto de segurança.

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— De quem diabos é o carro que está no... — mamãe parou abruptamente na porta. Tão abruptamente que papai esbarrou nela. — Pai, Mãe. — limpei minha garganta, fazendo uma cara que dizia que estava tudo normal, — Vocês chegaram em casa cedo. — Seu pai não estava se sentindo bem. — ela disse em um tom cortante, acompanhado de um olhar. Eu limpei minha garganta. — Vocês se lembram do Jude? Entrando na cozinha, ela deu a Jude aquele olhar. O mesmo que lhe tinha dado no primeiro dia que o conheceu. Aquele que dizia ‗volte para qualquer buraco que você tenha saído‘. — É difícil esquecer o rosto de um criminoso que foi levado para fora de sua propriedade em algemas. Ela estava tentando se manter calma, mas estava a ponto de explodir. — O que você está fazendo aqui? Jude deu um passo à frente. — Levando Luce ao baile. — Não. — ela disse — Você certamente não está. A propósito, onde estão seus amigos? — ela continuou, olhando por cima do ombro como se esperasse encontrá-los relaxando na sala de estar. — Eles estão no banco de trás, esperando, esperando para queimar o resto do cabelo da minha filha? Ou

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eles estão esperando no estacionamento, prontos para jogar um galão de gasolina nela novamente? Jude estremeceu, olhando para baixo. — Mãe, — eu avisei — Aqueles caras não eram amigos de Jude. E pode ir parando de se preocupar como uma mãe zelosa, agora é um pouco tarde demais. — Não ouse falar comigo dessa forma, Lucille! — Mamãe gritou, apontando para mim. — Você está de castigo até segunda ordem, sem sair desta casa por mentir para seu pai e eu. — Ela poderia realmente usar seu dedo indicador como uma arma. — E sim, eles eram, — ela olhou para ele, — Ainda são seus amigos. Você escolheu não olhar para os relatórios policiais que eu já vi. Aqueles meninos e Jude cometeram seu primeiro crime juntos anos atrás. Tráfico de drogas, não foi? — ela disse, não como uma questão a ser confirmada ou negada. — Jude e o resto daqueles marginais que estão na cadeia precisam estar presos e ter a chave jogada fora. Eles não merecem levar garotas boas e com um bom futuro, para bailes. Eu avancei, algo maldoso e barulhento estava na ponta da minha língua, quando Jude me puxou de volta. — Eu nunca disse que merecia. — Jude disse, encontrando os olhos da minha mãe.

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Eu podia dizer que vários vasos sanguíneos estouram em seus olhos, que ele estava seriamente irritando-a, por ele não ter ficado calado e abaixado o olhar. — E aqueles caras nunca foram e nunca serão meus amigos. Se eles algum dia encontrarem caminho para fora da prisão e eu achá-los, vou retribuir cada ferida que eles fizeram em Luce. — Que interessante. O criminoso sugerindo retribuir violência com violência. — Algumas vezes essa é a única resposta. — Jude disse, flexionando os dedos na minha mão. O rosto da minha mãe ficou sombrio. — E, às vezes, isso faz com que as pessoas que você mais ama sejam mortas. Uma figura se moveu atrás da mamãe. Eu nem tinha notado que ele estava aqui, sua presença era tão ausente. O rosto do papai estava tão sombrio quanto ao da mamãe. Ele bateu no meu ombro enquanto passava. — Boa noite a todos. Isso deveria estar ficando velho, lamentar sobre a pessoa que meu pai foi uma vez e, às vezes, odiar a casca de um ser humano que ele se tornou, mas eu não podia fazer nada. Ele tinha aproveitado cada faceta da vida, mas no fim, deixou a loucura e compulsão tomar conta de seus poucos

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momentos de lucidez. Mamãe cobriu o rosto com as suas mãos. — Lucy, é hora de dizer boa noite. Agarrei o braço de Jude, dirigindo-o para a porta da frente. Eu não podia esperar para sair desta casa louca. — Boa noite, mãe. — Lucille Roslyn Larson! — ela gritou atrás de nós. — Suba a merda das escadas agora mesmo. E você, Sr. Ryder, saia da merda da minha propriedade antes que eu chame a polícia. — sua voz estava menos irritada e mais desesperada agora. — Não, mãe. — eu gritei, perdendo a paciência. — Eu vou para o baile e vou com Jude, porque estou com ele e ele está comigo e se você não consegue lidar com isso, então diga adeus para a sua única filha! Eu tinha tocado no ponto fraco, e isso foi registrado imediatamente em seu rosto. — Você quase morreu por causa desse garoto, Lucy. — ela disse, sua voz em um sussurro. Eu ainda estava muito zangada, então minha voz não estava nem perto de um sussurro. — Este homem também salvou a minha vida! — empurrando a porta para abri-la, eu praticamente pulei os degraus da escada com a mão de Jude na minha. — Lucy. — ela implorou da sala de estar. — Eu vou estar em casa à uma da manhã. — falei sobre o meu ombro, a raiva virando um leve aborrecimento

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agora que eu sabia que havia vencido a batalha. Mas tinha certeza que não havia vencido a guerra. Eu iria pagar muito caro amanhã de manhã, então eu me certificaria que a noite valesse à pena. — Tudo vai ficar bem, — enfatizei antes de virar a esquina para a garagem. — Quando você diz coloque o cinto de segurança, — Jude disse, puxando um conjunto de chaves do bolso — Você quis dizer prepare-se para o maldito apocalipse. — Basicamente. — eu disse, enrugando o meu nariz. — Desculpe por aquilo. Jude acenou, mas ele não podia esconder de mim o quanto as palavras da minha mãe o tinham machucado. Exatamente do jeito que ela tinha esperado que acontecesse. — Não, aquelas foram coisas horríveis de se dizer a outro ser humano — eu disse. — Meus pais, eles são pessoas complicadas. —disse suavemente, não tendo certeza quando, ou se, eu conseguiria explicar a confusão que era a família Larson. — Luce. — Jude disse, me parando. — Eu entendo o pedaço de merda que eu sou, e não é horrível ou injusto ou incorreto as pessoas me chamarem do que sou. Mas gostaria de pensar que uma pessoa pode mudar, e eu juro que vou tentar deixar o meu pedaço de merdisse para trás. — seus olhos estavam tão sérios, você teria pensado que ele estava prestes a se ajoelhar.

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— Merdisse? — repeti, cutucando-o. — Essa palavra eu nunca vi no dicionário. — Não. — ele disse, — essa foi tirada diretamente do dicionário urbano de Jude Ryder. — Boa. — eu ri, andando na ponta dos pés para que o meu sapato alto com salto de sete centímetros e meio, não ficasse preso entre as pedras. — E no livro de merdisse de Lucy Larson, você não está em nenhuma lista. — Essa pode ser a coisa mais romântica que alguém já me disse. — ele disse, fazendo cócegas em meus braços, — Algo sobre uma mulher sexy em um maldito vestido, que me faz querer arrancá-lo com os dentes, falando que eu não sou um pedaço de merda… — Fico feliz de ser tão... — E então eu notei o carro estacionado na garagem. — O que é isso? Eu não falava a linguagem dos meninos, mas eu sabia que o cupê31 prata reluzente era rápido, caro e atrairia todos os policiais dentro de um raio de milhas. — É um carro. — Jude disse, abrindo a porta para mim. — Não me trate como uma das suas garotas de uma noite. — eu disse, olhando para ele.

31

Coupé ou cupê é um estilo de carroceria de automóveis, mais alongada como um carro sedan, mas só tem assento para duas pessoas.

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— Meu Deus, mulher. — ele disse, se inclinando sobre a porta do carro, — O que um homem tem que fazer para obter um passe livre com você? — Eu não acredito em passes livres. — respondi. — Acredito

em

honestidade.

Sou

à

moda

antiga

nessas

condições. — É um Chevelle '66. — ele disse, fechando a porta antes que eu pudesse fazer mais perguntas. — É seu? — perguntei enquanto ele sentava no banco do motorista. — Não. — Ele girou a chave e o motor voltou à vida. — Pertence a um amigo meu. — Um amigo que está no xadrez? — eu sabia que essa pergunta estava deixando-o tenso, como sua mandíbula atestava, mas não conseguia entender o porquê. — Você está querendo dizer que nenhum de nós pode ter uma família que se importe com a gente, ou que não podemos ter empregos decentes e nem nada parecido, para que pudéssemos pagar um carro assim? — colocando o braço atrás do meu assento, ele olhou por cima do ombro e saiu da garagem. Mamãe estava olhando para nós através da janela da sala, pela primeira vez, parecendo tão perdida quanto o meu pai. Senti algo pesado no meu estômago, algo como culpa.

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— Defensivo. — murmurei, olhando pela janela lateral. — Seus pais praticamente me chamaram de chiclete grudado no sapato. Você esqueceu de mencionar, ou mais provavelmente optou por não mencionar, para eles que eu era o seu encontro hoje à noite. — uma vez que estávamos na Sunrise Drive, ele ligou o Chevelle. — Eu sou o bad boy perseguindo a boa menina. Então sim, eu estou um pouco na defensiva agora. Não fazia nem meia hora que estávamos em nosso primeiro encontro de verdade e já estávamos discutindo. Estávamos

criando

um

precedente

maravilhoso

para

qualquer estrada que o nosso relacionamento estava indo. Lutando para não tomar uma reação impensada, respirei lentamente, e depois virei no meu lugar. — Escute, eu sinto muito, não ter contado aos meus pais sobre você. Sério. — acrescentei quando ele fez uma careta, — Eu não contei a eles não por causa de quem você é, mas por causa do que eles são. — Por causa de quem eles são? — ele repetiu. Não soou como se ele estivesse acreditando, mas era a verdade. — Sim. — E o que são eles exatamente, Luce? — ele perguntou, dirigindo até parar no sinal vermelho.

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— Tristes, pessoas assustadas que perderam muito na vida e estão com medo de perder mais — eu disse, brincando com as alças da bolsa. Pendurando a mão no volante, ele olhou para mim. — E o que aconteceu em sua vida perfeita que os tornaram tão triste e com tanto medo? — Ele estava zombando de nós, zombando deles, mas ele não entendia, e eu nunca estava com vontade de fazer alguém entender o que eu mesma não entendo. — A vida. — era a única explicação que eu tinha para ele. Ele bufou. — Nossa, que resposta abrangente. Eu estava realmente tendo que trabalhar duro para manter o meu medidor de temperamento frio. — Aprendi observando você. — amaldiçoando as lágrimas que estavam se formando. Eu havia me tornado uma bagunça chorona desde que conheci esse garoto. O

sinal

ficou

verde,

mas

Jude

continuou

me

encarando. Levando o polegar para o canto do meu olho, ele deixou as lágrimas escorrerem pela sua mão. — Merda. Eu sou tão idiota. — ele disse enquanto um carro explodia em buzinas atrás de nós. Erguendo a mão na janela de trás, Jude largou o volante. — Sinto muito, Luce. Eu queria que esta noite fosse excelente e não consigo fazer ou dizer qualquer coisa certa. Eu não estou bravo com você, nem de longe. Estou bravo comigo mesmo. Eu entendo porque os

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seus pais não gostam de mim e entendo porque você não contou a eles sobre mim. Eu entendo tudo isso. — ele disse, batendo no painel do carro. — Entendo que essa é a realidade, eu só queria que a realidade tirasse férias, entende? Outra explosão de buzinas, desta vez não tão educada. Socando o painel do carro novamente, Jude empurrou a porta do carro. — Me dê licença por um segundo. — ele disse, olhando para mim enquanto ele se arrastava para fora do seu assento. Eu me mexi no meu lugar, não tendo certeza do que estava vendo acontecer. Jude avançou para a picape atrás de nós e começou a bater na janela de vidro com película. — Ei, babaca. Abra a porta e resolveremos isso como homens! — alcançando a maçaneta, Jude tentou abrir a porta, mas o motorista foi esperto o suficiente para trancá-la. — O quê? Você acha que é o fodão porque pode buzinar para um cara que está tentando ter uma conversa séria com sua garota? — ele estava gritando, e o tráfego em sentido contrário estava parando para ver

que diabos estava

acontecendo. Eu me encolhi no banco, perguntando-me pela milésima vez o que tinha acontecido na vida de Jude para fazê-lo desta forma. Tão irritado, tão fechado. — Da próxima vez que você pensar sobre apertar a sua buzina, é melhor você estar pronto para colocar seu dinheiro no mesmo lugar onde está sua boca agora e tentar ser um

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homem de verdade. — Jude gritou, balançando os seus braços no ar. — Entendeu, covarde? Girando, ele começou a andar de volta para o carro. Um punhado de passageiros colocou a cabeça para fora das janelas. Eu me encolhi ainda mais. Sentando-se no banco, Jude fechou a porta com força e, olhando para os dois lados em primeiro lugar, ultrapassou o sinal vermelho mais uma vez. Respirando fundo, ele olhou para mim, com o seu rosto calmo. Como se não tivesse virado o Hulk no cruzamento. — Você pode me perguntar o que quiser, Luce. Eu não posso prometer que vai gostar da resposta, mas você sempre pode perguntar. Meu primeiro pensamento foi de que ele deve usar em alguns remédios pesados e se esqueceu de tomar a sua dose diária, mas então reconheci esse pequeno hábito de fingir que nada aconteceu. Eu estava tão familiarizada com este jeito de lidar com as coisas, que eu poderia ter escrito o livro de psicologia. — Que porra foi essa? Virando no estacionamento da escola. Ele pegou a última vaga no canto. Olhando pela janela, ele suspirou. — Isso foi eu perdendo a merda da minha paciência. Acontece bastante, Luce. Não é a minha intenção, e nem quero que

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aconteça, mas noventa por cento das vezes, eu não posso controlar. Lá estava, aquela janela de vulnerabilidade, aquela resposta tão honesta e dolorosa que me lembrava porque eu estava aqui, agora, com Jude Ryder. — Eu quero ser um homem melhor, mas não sei se consigo ser. — ele continuou, inclinando a cabeça para trás no assento. — Você precisa saber disso se nós vamos deixar o que aconteceu para trás, porque... E então eu fiz algo que, dependendo do ponto de vista de certas pessoas, era ou muito imprudente e errado, ou muito apropriado. Em um movimento perfeito, graças a minha década e meia de elegância bailarina, eu envolvi minhas pernas na cintura dele e, antes que eu fosse capaz de pensar duas vezes em minhas ações, pressionei a minha boca contra a dele. — Luce. — Jude conseguiu murmurar contra a minha boca inflexível. — Cala a boca, Ryder. — eu respondi, mordendo o seu lábio inferior. Eu sabia que estava sendo arrogante, mas suas mãos deslizaram para baixo da minha cintura, fixando-se em minhas costas. — Calando a boca. — ele respirou, voltando a ficar todo inflexível e arrogante.

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Capitulo Onze

-M

eu Deus, mulher. — sua respiração estava tão difícil que isso já não soou

realmente

como

ele.

Misericórdia de mim.

— Eu não acredito em misericórdia. — respondi, arrastando meus lábios por seu pescoço. — Certo, eu não estou prestes a foder você no banco da frente do carro, e se você continuar fazendo isso. — ele disse, tentado se arquear para longe de meus lábios. O que foi uma tentativa falha. — A minha força de vontade está acabando, então é hora de uma mudança de cenário. A porta se abriu, trazendo uma lufada de ar fresco e o barulho da música dançante clichê do ensino médio. Eu gemi. Ele riu enquanto me manobrava para fora de seu colo e para fora do carro fumegante. — E eu pensei que nós, os homens, éramos os bastardos com tesão. Ajustando meu suéter, corri meus dedos através do meu cabelo. — Também pensei. — impliquei. — Seu corsage. — Ele disse, e dessa forma, toda a meia hora de amassos foi arquivada no fundo da sua mente. Eu

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ainda estava respirando como um cachorro no calor. Recuperando a caixa de plástico no banco de trás, ele saiu do carro. — Desde que o seu vestido é preto, eu pedi à senhora para colocar algumas fitas pretas e pratas entre as rosas. — ele disse, deslizando o corsage pelo meu pulso como se fosse um dos momentos de maior orgulho de sua vida. — Você gosta? — Esse... — Eu disse, sorrindo para o corsage. Ele deve ter gasto uma fortuna nele. Rosas vermelhas fluíam até a metade do meu antebraço. — É um corsage. Muito bom, Sr. Ryder. Ele sorriu — Bem, obrigado Srta. Larson. — Oferecendo o braço. Ele olhou para o ginásio. — Podemos? Eu suspirei — Já que você não me deixa escolha. Cobrindo minha mão com a sua, ele beijou o topo da minha cabeça. — Não que eu me importe, nem que esteja reclamando, mas o que foi aquilo lá atrás? — Eu podia ouvir o sorriso bobo em sua voz. — Desde quando caras precisam de uma explicação para chegar à segunda base com uma garota? — Desde que essa garota é você. — ele disse, seu olhar fixo me prendendo como se eu fosse algo que ele fosse perder se olhasse para longe. Eu nunca havia sido olhada dessa

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forma. Minha vida toda eu estive esperando por isso, e aqui estava, com dezessete anos de idade, no estacionamento do ensino médio da minha escola nova, com um garoto chamado Jude Ryder. Isso, bem aqui, era uma coisa poderosa. Empurrando a porta do ginásio, ele me conduziu para dentro. Alguma musica de hip hop que foi criada e posta para tocar apenas para dar aos garotos uma desculpa para se esfregarem nas garotas como malditos cachorros estava explodindo, e o ginásio inteiro parecia como se tivesse sido metralhado com Pepto-Bismal32. Todo o arco-íris do rosa estava presente: fúcsia nos balões, tulipa no papel crepom, pastel nos corações de papelão, magenta nas serpentinas em espiral que giravam para baixo do teto. Esse terreno encharcado em rosa era um pedaço do meu pior pesadelo. — Oh. Meu... — Rosa. — ele acrescentou, fazendo careta enquanto entrava no ginásio. Através da sala, apoiada sobre algum cara como um pedaço de Velcro, Taylor agitou os braços para mim. Eu quase estremeci novamente quando notei seu vestido longo rosa florescente e com muitos paetês. Alguém liga para os fanáticos dos anos 80, porque essa vadia apenas roubou um 32

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Um remédio para estômago de cor rosa.


de seus vestidos. Meu longo vestido com um corpete de espartilho era pouca merda em comparação com cada vestido aqui dentro. — Ok, se apresse e dance comigo antes que eu fuja. — falei, puxando seu paletó. — Com prazer. — ele respondeu, entregando nossos ingressos. Ele me levou até a pista de dança, olhou para baixo em seus pés e depois para mim. — Certo, aqui está outro pequeno detalhe sobre mim, já que você diz que não sou um tipo muito aberto. Levantei minhas sobrancelhas e esperei. — Eu não sou um bom dançarino. — ele disse, coçando a parte de trás do pescoço. — Tipo, ‗você não consegue dançar‘ ou tipo, ‗você não gosta de dançar‘? — eu estava familiarizada com ambos os tipos. — Mais como em ‗eu nunca dancei‘. — Sério? — perguntei — Sério. Essa era a primeira vez que eu tinha visto ele inseguro. — Então sorte a sua que você trouxe uma garota que dançava antes mesmo de andar.

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Ele passou os braços em volta de mim e me puxou para perto. — Que sorte a minha. — Certo, eu vou deixar isso simples. — falei, deslizando minhas mãos por sobre seus ombros. — Basta me seguir e você vai ficar bem. — então, como a dançarina profissional que eu era, ele pareceu aceitar a minha liderança. — Talvez eu tenha aprendido essa coisa de dança apesar de tudo. — ele disse, puxando-me mais apertado contra ele. — Eu vou ser a juíza disso. — sussurrei, pressionando meus lábios nos dele e, apenas com isso, nós éramos as únicas pessoas na pista de dança. As únicas pessoas no universo. Jude era a doença da qual eu não queria me curar. Ele era o intoxicante do qual eu nunca queria ficar sóbria. Suas mãos agarraram meu rosto e ele me beijou mais forte. Eu queria engarrafar aquele beijo e ter um pouco dele a cada hora, de cada dia. — Luce? — ele disse, arrastando seu polegar pelo meu pescoço. — Sim? — perguntei, enterrando minha cabeça sob seu queixo. — Seus sapatos de salto alto estão perfurando os meus pés como o inferno. Olhando abaixo, vi que meus pés estavam, de fato,

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cobrindo os seus. Recuando, coloquei meu salto alto de volta no chão. — Ops. Ele apenas riu — Que dançarina você é. — Desculpa, eu não tenho muita experiência em tentar ensinar alguém a dançar no mesmo momento em que ele está beijando o juízo para fora de mim. — Beijando o juízo para fora de você, é? — ele disse, colocando meu cabelo atrás da minha orelha. — Como se não estivesse absolutamente radiante com isso. Uma música terminou e outra começou. Jude e eu fizemos careta ao mesmo tempo. — Essa música é uma merda. — ele disse, pegando minha mão. — E você parece precisar de um ponche. — Não sei sobre o ponche, mas eu preciso de algo. — disse, levantando minhas sobrancelhas. — Você... — ele me puxou para mais perto, falando em minha orelha. — Está tornando extremamente difícil, para mim, estar no meu melhor comportamento. Olhando para frente, tentei fingir que seu toque não estava me desfazendo. — Não é problema meu. Enrolando o braço ao meu redor, ele me puxou mais perto. — Está prestes a ser.

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— Jude Ryder. — as palavras foram mais arrastadas do que foram ditas atrás de nós. — Se não estivesse tão malditamente quente aqui, eu teria pensado que o inferno congelou. Jude Eu-não-me-comprometo-nem-telefono-e-nemtomo-café-da-manhã Ryder, em um baile do colégio. Virando-se, Jude me manteve perto dele. — Allie. — ele disse, soando como se tivesse emitido um anti-cumprimento. — Oh, e a propósito, não foi tão difícil para mim. Já que eu sei que você está se preocupando sem parar sobre isso, — ela disse, apoiando uma mão em seu quadril. — Eu consegui uma carona para casa. Ela tão classicamente se encaixava no molde do que os caras procuram para uma noite só, eu quase me senti mal por ela. O quase terminou quando ela enrolou seus dedos ao redor da lapela do casaco de Jude. Minhas garras proverbiais apareceram. — O que você quer, Allie? — Ele estava perdendo a paciência e eu estava muito familiarizada com o quão rápido as faixas passavam, uma vez que ele começasse a descer por essa estrada. — Agora essa é uma pergunta bem carregada, se eu ouvi uma. — ela disse, jogando o cabelo vermelho com mechas loiras por sobre o ombro. — Certo, já marquei minha presença aqui nesse lucar cheio de malucos e eu estou saindo agora. — disse ele,

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levando-me para longe. — Qual é, eu estou brincando. — ela riu, agarrando seu braço. — Eu só queria conhecer sua nova amiga. — ela sorriu para mim toda inocente, mas eu conhecia seu jogo e não ia ser o seu peão. — Essa é Luce. — ele disse, inclinando meu queixo para cima com o dedo e pressionando o beijo mais doce que já foi dado em meus lábios. — Ela tem que ser, se você está com ela33. Aquele beijo doce foi tudo, mas depois foi ofuscado por um comentário desagradável. Os olhos de Jude flamejaram enquanto ele virava para ela.

— Se você não fosse uma mulher, eu iria te ensinar

algum respeito, Allie. — Sua voz estava oscilando com raiva, ele estava tão perto de transbordar. — Jude, pare. — pedi, pisando na frente dele e o puxando para trás. — Ela não sabe o que está falando, ela está bêbada. — Cuidado com quem você esta chamando de bêbada, vadia. — Ellie falou com desprezo. Eu queria tanto me virar e estapear seu pequeno rosto de maquiagem que minha mão estava formigando, mas ao menos uma vez na minha vida, eu não era a cabeça quente. 33

199

Luce = Luz.


Estava tentando detê-lo enquanto ele se arremetia para frente de novo. — Não, ela não está bêbada. — Jude disse, avançando. — Dessa vez. Como essa coisa toda de sobriedade está funcionando com você, Al? Ela falou com raiva. — Como se você se importasse. Não importava para você se eu estava bêbada, ou chapada, ou sóbria. Desde que eu estivesse na horizontal e topando tudo. Agora essa garota estava me aborrecendo. Havia sido ruim o suficiente ela insinuar que eu era uma vadia, mas agora, sabendo que ela tinha estado íntima de Jude, de uma forma que eu não estive, me fez querer bater bem forte em algo. A coisa mais próxima, além de Jude, era o rosto magricelo e zombador dela. Tomando fôlego, olhei para longe dela, para Jude. — Vamos, vamos só sair daqui. Ela não vale à pena. — E nem você vai valer quando amanhecer, docinho. Eu balancei minha cabeça para ele, mas ele não pegou meu não-tão-sutil aviso. Virando-se, ele deu à Allie um sorriso torto. — Há dois tipos de garotas no mundo, Al. — ele disse, falando tão alto que metade do ginásio podia ouvi-lo, — O tipo que você fode e o tipo que você casa. Essa é apenas a maneira na qual o mundo foi feito, então não desconte sobre Luce por que você

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é um tipo e ela é outro. O rosto de Allie estava se ruborizando, ficando da cor do vestido dela, e não o tipo ‗embaraçado‘ de vermelho, o lívido, eu-iria-te-matar-agora-mesmo-se-não-fosse-ilegal tipo de vermelho. — Agora corre para longe e encontre para si mesma algum outro cara para foder, assim você pode assombrar ele a cada minuto, ao invés de mim. — Jude. — sussurrei, olhando para ele. Aquele sorriso torto continuava em seu rosto, mas seus olhos estavam escuros. Eu não tinha conhecimento de que ele era capaz de falar tais palavras tão cruéis, e se Allie não tivesse cuspido aquele monte de besteira, poderia ter me sentido mal por ela. — Vamos. — Eu disse, puxando-o para longe de uma examante bêbada e de algumas dezenas de espectadores, — Vamos para algum lugar quieto. Eu não soltei seu pulso até que estivéssemos fora do ginásio e percorrido metade de um corredor escuro, não confiando de que ele não iria voltar para ter outros 50 rounds com Allie. Quando nós estávamos longe o suficiente no corredor e podíamos nos ouvir conversando acima da música, eu parei. Não pude pôr minha primeira palavra para fora antes que ele fizesse.

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— Luce, eu sei que disse algumas coisas lá atrás que provavelmente não deveria ter dito, e eu não tratei uma mulher da forma que um homem deveria, mas não posso e não vou tolerar que alguém, homem ou mulher, fale da minha garota dessa forma. — ele me encarou, seus olhos tanto pedindo por perdão quanto não pedindo. Eu só ouvi duas palavras. — Sua garota? — repeti porque precisava da confirmação. Pegando meu rosto, ele descansou sua testa contra a minha. — Minha garota. — E a data de vencimento do título, quando seria? — perguntei por que eu tinha que fazer. Ele era Jude Ryder. Leite deixado no balcão não expira tão rapidamente quanto as meninas de Jude. — Que tal vivermos um dia de cada vez? — ele respondeu, a respiração quente enevoando minha mente novamente. Eu queria tanto beijá-lo que tive que lutar contra cada impulso e instinto primordial para me impedir de seguir meu desejo de me entregar, porque eu precisava de algum esclarecimento. Precisava de respostas. — Pensei que uma menina como eu, o tipo para casar, — eu comecei, dando-lhe um olhar, — Teria direito a mais que apenas um dia de cada vez. — Você tem. — ele disse, soltando meu rosto e

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recuando até que ele estava encostado na parede oposta. — Mas eu não. Processar pensamentos lógicos era mais fácil com ele a quatro metros de distância. — Esse é um de seus caminhos para quando uma garota pede por algo mais do que 24 horas com Jude? Batendo na parte de trás da parede com o seu calcanhar, ele olhou para o corredor. — Não, isso é o que eu respondo quando uma garota por quem eu estou fortemente apaixonado, a única garota por quem eu já estive fortemente apaixonado, quer estar em um relacionamento com alguém como eu. E nós estávamos de volta à linha de partida. Toda essa coisa de Jude-nao-merece-nada-mas-apenas-pilhas-e-pilhasde-merda estava usando meu último nervo. — Sabe, Jude, você é metade do durão que pensa que é, — eu disse. — E duas vezes tão agradável quanto você espera não ser. Então não tente me vender essa coisa toda de 'eu-sou-um-câncer' de novo porque eu não estou comprando. Seus olhos estavam brilhando quando eles me olharam de volta, — Você não está, huh? — Não. Tenho tudo planejado, Jude Ryder, e eu espero que alguém como você dê para alguém como eu, mais do que apenas um dia de cada vez.

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— E então o quê? Você quer que eu faça algum comentário bobo sobre como vamos ficar juntos para sempre? Que vamos tomar nossa última respiração juntos, um ao lado do outro na cama? — ele disse, sua voz suave. — Eu sou uma realista. — falei, — Mentir e fazer promessas sobre o para sempre é quase tão ruim quanto um dia de cada vez. — Então o quê, minha doce, bela e complicada Luce, você quer de mim? Eu estava procurando por isso, mas não estava certa se poderia ter. Não tinha certeza se uma pessoa como Jude poderia ser reivindicado. — Isso sou eu quem deve saber e você quem deve descobrir. — Oh, Luce. — ele disse, fazendo uma careta, — Logo depois que pensei que estava ficando melhor, você entrega uma linha como essa. — Ryder. — eu avisei, — Boa tentativa de tentar desviar o trem, mas eu estou ao volante e este aqui vai permanecer nos trilhos até você responder a minha pergunta. Ele bateu a parte de trás da sua cabeça contra a parede algumas vezes. — Certo, então algo entre ‗um dia de cada vez‘ e ‗o para sempre‘. — ele disse, olhando para o teto, pensando em alguma resposta que fosse me acalmar. — Mas você também quer uma resposta honesta, certo?

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— Você só tem que esclarecer isso. — eu gemi. Ele assentiu uma vez, encontrando meus olhos. — Que tal... — ele disse, tornando-me idiota com o olhar em seus olhos, — Eu estarei aqui, cada dia e todos os dias, desde que você queira que eu esteja? Eu finalmente consegui me acalmar e fazer meu coração bater novamente. — E essa é a responta honesta? Jude

cruzou

os

dedos

sobre

seu

peito.

Sinceramente. — Ela é malditamente boa, Ryder. — eu disse, andando até ele. Foi um momento de intimidade e vulnerabilidade, e a paixão certamente estava lá também, mas tudo o que eu queria era estar em seus braços. Bocas unidas, mãos explorando, nada mais poderia ter feito o momento mais consumidor do que já era. Aconchegando-me

perto

dele,

seus

braços

me

seguraram como se fossem incapazes de me deixar ir. — Essa é uma resposta malditamente boa também, Luce. Eu ri em sua camisa, me perguntando como um menino com a sua reputação poderia cheirar como sabonete e sol, e poderia dizer as coisas mais doces que eu já tinha ouvido. Foi quando, como se estivesse se tornando um padrão da Escola South Pointe, tive uma revelação. Nossas reputações não eram quem nós realmente éramos, elas eram

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o que as pessoas nos disseram que éramos. Alguns de nós caímos nessa armadilha, enquanto outros lutaram por toda a sua vida para libertar-se delas. Jude não era mais um garoto mau com um futuro como um beco sem saída, do que eu era a puta repugnante que falaram que eu era. A diferença entre nossas reputações era que Jude aceitara a sua como se fosse a penitência para alguns delitos. — Então, você acha que já me conhece bem? — ele perguntou depois de alguns minutos de silêncio. — Bastante. A cabeça de Jude assentiu acima da minha. — Tudo bem. Então, quando é meu aniversário? Não faço ideia. — Qual é o meu nome do meio? — questionou. — Qual era o nome do meu primeiro animal de estimação? Qual é o meu GPA? Quantos pontos eu já fiz? Qual o tamanho dos sapatos que eu uso? — ele continuou, lançando um fluxo interminável de perguntas, nenhuma das quais eu sabia e todas foram impessoais, com respostas de uma palavra. — Talvez a gente precise ter outro dia de perguntas e respostas, ou algo assim para deixar todos os detalhes fora do caminho. — respondi, me perguntando como eu podia saber tão pouco sobre ele, e ainda assim continuar sentindo

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como se nunca tivesse conhecido ninguém tão bem. — Mas eu sei o suficiente para ter certeza de que nada do que você me diga sobre si mesmo pode mudar isso. — Você não sabe o quanto eu desejo que isso seja verdade. — ele disse contra a minha cabeça, correndo os dedos para cima e para baixo pelas minhas costas. Enquanto eu estava debatendo sobre responder ou simplesmente deixar pairando no ar, alguns casais vieram correndo pelo corredor. — Ryder, cara. — o cara na frente chamou, balançando as sobrancelhas para nós dois pressionados contra a parede, — Eu pensei que o vestiário era mais o seu domínio. — Continue correndo, seu idiota. — Jude rosnou, batendo no ar atrás de sua cabeça. — Morrison. — Jude disse, pegando o segundo cara que corria por nós, — Qual é o problema? Seus encontros estão te perseguindo com um anel de casamento ou algo assim? — Há uma porrada de policiais que acabaram de aparecer. Eles estão examinando o ginásio inteiro e nós temos algo como um problema. — ele disse, batendo no bolso da jaqueta. — Você poderia querer tomar o caminho da saída se tem o mesmo problema. Os braços de Jude ficaram tensos ao meu redor. — Merda. — ele amaldiçoou sob sua respiração. Empurrando para longe da parede, ele agarrou minha mão e começou a

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correr pelo corredor. — Vamos, Luce. Temos que sair daqui. Meu estômago caiu. Nenhum homem inocente corria dos policiais da maneira que ele correu agora. Eu não podia acreditar que eram drogas, porque eu tinha testemunhado drogados o suficiente no pátio entre as classes da minha última escola para reconhecer os sintomas e Jude não mostrava qualquer um deles, mas não tive a coragem de acreditar que ele estava correndo por causa de algo pior. Apenas o deixei me puxar junto porque correr da polícia com ele era melhor do que ser deixada para trás. Jude virou pro outro corredor, assim que as portas no fundo do corredor, por onde o primeiro grupo de garotos passou correndo, estourou aberta com um fluxo de flashes e gritos. — Porra. — Jude sibilou, puxando-me mais rápido pelo corredor. Eu merecia algum tipo de medalha ou prêmio por alcançar a velocidade em que eu, e estava usando salto alto. — Se importa de me dizer o que está acontecendo? — gritei para ele enquanto ele empurrava a porta de metal. Estávamos do lado de fora, perto do estacionamento. Girando, o rosto de Jude parecia torturado. Eu nunca o tinha visto tão perdido. — Eu tenho que ir, Luce. E eu posso levar você comigo. Tantas palavras quiseram sair, mas nenhuma o fez. A melhor resposta que eu pude dar era — Eles estão

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aqui por você. Ele assentiu, olhando entre mim e a porta por cima do meu ombro. — E se você estiver comigo, eles vão levá-la também. Eu mordi o lábio, percebendo que estava prestes a ser abandonada na calçada. — Tudo bem. — Droga, Luce, sinto muito. Eu fiz algo realmente, realmente estúpido. — ele disse, agarrando meus braços Prometi a mim mesma que não iria chorar. Forcei-me a olhar para ele; encarar aquele rosto era uma façanha impossível. — Então é melhor você ir. — Luce. — ele disse, implorando para mim algo que eu não estava pronta para dar. —

Só vai, Jude. — sussurrei, olhando para o

estacionamento. Ele se inclinou para frente, querendo me beijar ou me abraçar, mas eu não estava pronta para ser consolada. — Não. — eu disse, pisando para trás. — Vá. Seu rosto quebrou, seus olhos obscureceram quase que instantaneamente. Afastando-se, ele manteve seus olhos em mim por mais um momento antes de virar e correr como se o diabo tivesse acabado de chegar à South Point High.

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Capítulo Doze

J

ude

e

o

Chevelle

tinham

cerca

de

10

segundos de vantagem antes de uma linha gritante

de

carros

de

polícia

gritar

do

estacionamento depois dele. Eu só fiquei lá, congelada como um gnomo de gramado, vendo a coisa toda como se não fosse realidade. O

homem

que

eu

pensei

que

eu

estava

me

apaixonando, derrapando para fora do estacionamento, batendo nos redutores de velocidade tão forte que o Chevelle pegou ar, enquanto um esquadrão de polícia estava muito perto, não podia ser real. Eu peguei o menor vislumbre dele antes que ele girasse para fora do estacionamento e seu rosto estava estranhamente calmo. A única forma de uma pessoa poderia estar calma em uma situação como esta, era porque ele tinha estado em muitas como essa, isso era como acordar e colocar a calça em uma perna de cada vez. Uma grande quantidade de policiais paasando pela porta que nós tínhamos acabado de sair e correram direto por mim, não tendo nenhuma ideia de que eu tinha acabado de estar com, ou estava associada com, Jude.

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— Suspeito de veículo roubado está se dirigindo ao norte de Hemlock Ave. — a voz do outro lado do walkie disse enquanto o último policial passou correndo por mim. Roubo. Roubo de carro. Esta última informação foi a gota d‘água. Eu caí no chão, passando os braços em volta das minhas pernas, e fechei os olhos, rezando para acordar. — Então você nem mesmo saiu dessa durante a noite. — uma voz arrastadacomo um flash de tecido vermelho metálico veio à tona. — Deixe-me adivinhar. — Allie disse, olhando para mim — No armário do zelador? Eu, no entanto, não preciso dessa merda agora. — Não? Então no vestiário das meninas, certo? Esse é um dos favoritos de Jude. Eu era uma garota durona, mas esta noite foi além de resistente. Eu não tinha que precisar passar por esta montanha de lixo. — Ok, então no sofá da sala do diretor. — Dê o fora daqui. — eu disse, dentro dos meus braços cruzados. — Como se sente? Sendo deixada na calçada como o pedaço de lixo que você é. — ela disse, ajoelhando-se ao meu lado. — Pelo menos quando ele terminava de me foder, eu tinha alguns minutos de carinho e uma cama quente.

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— Allie! — uma voz gritou lá de trás. — A festa no Morrison está apenas começando. Você não quer se atrasar. — Bem, se não é Sawyer Diamond montado em seu cavalo branco. — Allie riu. Sawyer parou ao meu redor, sua jaqueta atirada sobre um ombro. — Está esperando para transar com os restos de Jude? Porque eu apostaria que ela está perfeita para um sexo de consolo agora mesmo. — Droga, Allie. — Sawyer disse, agarrando-lhe o cotovelo e conduzindo-a para longe, mancando em seu tornozelo ruim. — Você é muito mais fácil de estar perto quandoestá arrasada, então leve seus socos para longe daqui. — Você não é divertido! — ela disse, tentando tirar seu cotovelo fora do alcance dele. — Conner! — Sawyer gritou para um cara subindo em uma caminhonete cuja caçamba estava transbordando com alunos. — Tem espaço para mais uma? — Isso parece com o que eu faço, Diamond? — Conner gritou de volta, acelerando o motor. — Há apenas espaço sentado no colo. — Isso é perfeito. — respondeu ele, entregando Allie para outro cara na caçamba da caminhonete que a girou para cima. Nenhum dos dois parecia se importar com o arranjo do colo.

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— Vejo você no Morrison? — Conner gritou na janela, quando

o

circo

humano

dirigiu-se

para

fora

do

estacionamento. — Talvez mais tarde. — disse Sawyer, batendo na caçamba enquanto eles passavam. Aproximando-se de mim, ele agachou-se ao meu lado, pendurando seu casaco sobre meus ombros curvados. — Lucy? Você está bem? Decidir com quem eu preferiria estar trancada em um armário agora, Sawyer ou Allie, era como escolher o menor entre dois males. — Eu estou fantástica. — respondi, minha cabeça ainda enrolada nos meus joelhos. — Você poderia me dar algum espaço, Sawyer? — Não. — ele disse, correndo ao meu lado. — Isso não vai acontecer. — Ok, eu perguntei uma vez educadamente, mas não vou fazer uma segunda vez. — eu disse, o calor escorrendo na minha corrente sanguínea. — Vá. Embora. — Talvez você não enha me ouvido na primeira vez. Não. Todas as outras coisas tinham ido para o inferno esta noite, por que não esperar que Sawyer tivesse ido com o fluxo?

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— Se você está esperando por sexo, pode parar de esperar agora. — eu comecei. — Se você está oferecendo-se para ser um ombro para chorar, eu não choro. Se você está buscando me dizer ‗eu te disse‘, ou me convencer de que Jude é um perdedor, salve sua respiração. Se... — Na verdade, — Sawyer interrompeu — Eu só queria ter certeza de que você chegariaem casa a salvo. Total. Silêncio. — Sawyer, eu sinto muito. — eu disse, sentindo-me como um ser humano terrível. — Estou irritada e joguei tudo em você porque você é o único aqui para se jogar isso. — Eu tenho três irmãs mais velhas. — ele disse, me cutucando. — Estou acostumado à irritação. Virando a cabeça, olhei para ele. Ele estava sorrindo aquele sorriso, olhando para mim como se fôssemos bons amigos. Eu precisava de um bom amigo. — Sua acompanhante não vai se importar se você me levar para casa? — perguntei, olhando ao redor, procurando por alguma pobre solitária pairando à distância. — Eu vim sozinho. — disse ele, estalando os ombros. — Oh. — disse, sentando-me. Eu não sabia muitosobre Sawyer Diamond, com exceção de que ele não era o tipo de cara que ia aos bailes sozinho por necessidade. — É mesmo?

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— Estava realmente esperando levar uma garota — ele disse, olhando para mim — Mas ela acabou indo com outro cara. Eu exalei, olhando para o lugar vazio na parte de trás do estacionamento. — O outro cara que abandonou ela, porque os policiais estavam atrás dele? — Algo assim. — ele disse, levantando-se. — Vamos lá, deixe-me te levar para casa, assim você pode colocar um fim a esta noite. — Ele estendeu sua mão para eu pegar, e me pareceu natural aceitar. Como se eu não estivesse lutando com cada força da natureza neste universo e no próximo para manter um aperto nisso. Em pé, eu espanei-me e alisei as rugas do meu vestido. — Estou tão aliviada que você veio e tomou conta da situação de Allie, que eu poderia beijá-lo agora. — falei antes mesmo de perceber o que eu disse e para quem eu disse. É claro que ele não podia simplesmente rir ou fingir que não tinha ouvido completamente. — E eu ficaria muito bem com isso. Tentei rir dessa reação desligada, mas a entrega foi toda errada. Parecia mais como a histeria embaraçosa perpetuamente. Mais alguns segundos de riso digno de assustar e Sawyer inclinou a cabeça. — Eu estou apenas aqui. — ele

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disse,

pegando

a

minha

mão

e

me

levando

para

o

estacionamento. Sua mão estava quente e forte, mas um pouco mole para um cara. Olhando para nossas mãos entrelaçadas, a minha parecia se encaixar perfeitamente na sua, mas me senti mal. Deslizando até um elegante carro branco, ele abriu a porta do passageiro. Levantei minhas sobrancelhas. — Eu sou antiquado. — explicou. — Não diga nada. — Além disso, você tem três irmãs mais velhas. — deslizei para o banco, olhando para ele. — Exatamente. — ele disse antes de fechar a porta. — Onde estou indo? — ele perguntou enquanto se arrastou para o banco do motorista e girou a chave. — Eu moro do outro lado do lago, em Sunrise Shores — disse, tentando não pensar sobre o que eu tinha feito uma hora atrás, neste mesmo estacionamento. Tentei engolir o caroço sufocando minha garganta enquanto Sawyer saiu do estacionamento, deixando para trás algumaspoucas boas recordações e muitas outras ruins.

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— Vou tomar um sundae de chocolate com calda extra e duas cerejas no topo. — Sawyer olhou do assento para mim, levantando as sobrancelhas. — Isso vai ser R$ 3,58, na primeira janela. — o altofalante estalou de volta. — Realmente, eu não estou com fome. — disse, enquanto Sawyer andou com o carro para frente. Eu não poderia me imaginar comendo agora. — Você não tem que estar com fome para apreciar as qualidades de cura de um monte de sorvete e um rio de chocolate. — ele disse, puxando a carteira do bolso de trás. Ele entregou ao caixa uma nota de cem e ela olhou para ele como se não houvesse maior ofensa na terra do fast food. — E aqui estava eu, acreditando que o sorvete fazia apenas engordar. — falei, tentando fingir que o meu coração estava caindo no que Sawyer estava fazendo para me animar. Nada, nem mesmo um passe VIP para a Disneylândia, poderia saltar sobre esse obstáculo. — Bobagem. — ele disse, entregando um sundae do tamanho de um balde. — Sorvete faz qualquer situação, especialmente este tipo, pelo menos 50% melhor. — O caixa entregou-lhe uma colher, que ele cravou na montanha de chantilly, esperandopor mim. Carros estavam alinhados atrás de nós, mas ele obviamente não estava se movendo até que eu dei uma mordida.

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Revirei os olhos e finquei o pé. Isso foi apenas uma colherada de chantilly, com um pouco de chocolate, mas Sawyer estava certo. Eu me senti melhor, não saltei para fora do seu banco e levantei as mãos para os céus, mas o suficiente para que isso contasse. — Melhor? — questionou. Eu balancei a cabeça lentamente. — Melhor. — Bem, a minha missão está feita aqui. — Com isso, Sawyer socou o carro na marcha e acelerou para fora do drive-in em que estávamos cruzando Rodeo Drive. Esculpindo uma colher de sorvete, eu olhei para ele. Ele notou. — O que está em sua mente, Larson? — ele perguntou, tentando soar como se estivesse falando com um de seus amigos, mas ele não estava olhando para mim como um de seus amigos. — Você não quer saber. — eu respondi com a boca cheia de sorvete. — Claro que eu quero. Dei outra mordida para que eu pudesse chegar a algo discreto para dizer. Sim, nada vinha à mente. — O que eu quis dizer por ‗você não quer saber‘ é que eu não quero dizer. — por que eu tenho que ser tão cruamente honesta?

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— Oh. — ele disse, virando para a Sunrise Drive. — Seguindo em frente, então. Ele ficou em silêncio por um quilômetro ou mais, não pressionando qualquer coisa. Qualquer estudante da escola secundária teria pressionado por todos os detalhes do drama da festa de hoje à noite. Outro ponto para Sawyer. Ele marcou muitos deles hoje à noite, e eu comecei a perceber que eu tinha sido rápida em julgá-lo, como todos os outros tinham feito comigo. Ele não era o clichê de atleta prepotente. Quero dizer, ele pratica esportes e veste um monte de pólos de marca, mas ele era também atencioso e gentil, e ajudou uma garota quando ninguém mais o faria. Sawyer Diamond estava em perigo de ser rotulado como um cara bom no meu livro. Entramos na minha garagem um minuto mais tarde e fiquei surpresa ao descobrir que eu tinha terminado quase metade do balde de sorvete. Eu estaria dançando pra caramba amanhã de manhã. Literalmente. — Obrigada pela carona, Sawyer. — eu disse, virandome no meu lugar. — Tenho certeza que existem cerca de mil outras coisas que você preferiria estar fazendo na noite do baile, mas isso significa muito para mim. — Agoramesmo, — ele disse, desafivelando o cinto de segurança e inclinando-se para mim — Não há outro lugar onde eu gostaria de estar.

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Eu me forcei a não rolar os olhos para essa frase. Um ponto para frente, um ponto para trás para o Sr. Diamond. — Boa noite. — eu disse, estendendo a mão para a maçaneta. — Espere, Lucy. — a mão de Sawyer pegou a minha. — Eu fui indo e vindo o disco todo aqui sobre se devo ou não dizer nada a você, mas não seria um bom amigo se eu não dissesse. — ele tomou o balde de sundae derretido de mim e colocou-o no chão do banco traseiro, — Eu sei que você gosta de Jude, e talvez seja no passado depois de hoje à noite. Aquele buraco no meu estômago voltou, o sorvete que se dane. — Sawyer... — comecei, querendo impedi-lo, porque eu não tinha certeza se queria saber tudo o que Jude era, porque então eu não poderia ter nenhuma desculpa para ficar com ele. — Ele não é o cara certo para você, Lucy. — ele começou, mas algo sobre o olhar que dei a ele, ou a raiva começando a irradiar de mim, o deteve. — Eu vou decidir quem é e quem não é adequado para mim, Sawyer. — falei, tomando outro impulso para a porta. Ele não soltou a minha mão. — Não, espere, não me deixe assim, Lucy. — ele disse, respirando fundo. — Você está certa. Não é da minha conta lhe dizer o que fazer ou de quem ficar longe.

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Malditamente correto, minha voz interior respondeu. — Mas me faça esse favor. Da próxima vez, se houver umapróxima vez, que você ver Ryder, — Sawyer fez uma pausa, parecendo que ele estava lutando uma batalha que ele estava prestes a perder — Pergunte-lhe sobre Holly. Aquela sensação espinhosa deixou meus pelos do pescoço em pé. — Holly, quem? — Essa é a história de Jude para falar, não minha. E as mulheres deveria ser as criaturas irritantes? Era a hora de outro censo. — Então por que você a trouxe? — Porque você tem o direito de saber no que está se metendo. Eu sabia que tinha o direito, mas não tinha certeza se era um que eu queria reclamar. Não havia mais nada a dizer. — Boa noite de novo. — disse, saindo do carro. Ele me deixou ir. — Obrigada novamente pela carona. Ele sorriu para mim. — Obrigado por me deixar te dar uma carona. — ele disse. — Te vejo na segunda-feira? Eu deslizei para meu suéter. — A menos que a costa oeste caia no oceano. — Então, todos os desastres naturais, pessoais e econômicos de lado, eu te vejo na seguda-feira? — Seu sorriso de menino estava me fazendo sorrir, foi impossível resistir.

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— Basta dar o fora daqui, Diamond. — eu disse, cobrindo o meu sorriso enquanto fechava a porta. Lançando uma saudação, Sawyer virou na entrada da garagem e acenou enquanto ele saiu. Eu assisti o carro ir até que suas luzes traseiras foram comidas pela noite, tentando decidir o que sentia por Sawyer. Por causa de sua aparência, ele era uma escolha certa para o prêmio de jovem do ano, mas algo mais, algo que eu ainda não podia identificar, fazia o cabelo na parte de trás do meu pescoço ficar um pouco em pé, quando ele estava por perto. Não era nada mais do que um instinto, mas era algo que eu não podia ignorar. Querendo saber por que eu estava de pé no meio da calçada contemplando o nada sobre Sawyer Diamond à meianoite, eu dei uma boa clareada balançando a minha cabeça e me virei para ir para dentro. Uma luz ainda acesa na sala de estar. Eu estremeci quando eu abri a porta da frente. É claro que seria mamãe, curvada sobre a mesa em seu laptop. Seu ombros levantaram quando a porta de tela fechou atrás de mim. — Ei, mãe. — eu disse, porque quanto mais rápido iniciasse, mais rápido isso poderia terminar. Girando em sua cadeira, ela tirou os óculos e olhou para mim. Realmente me olhou, como se não tivesse me visto

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em anos e estava tentando memorizar cada linha e plano da Lucy de 17 anos de idade. — Esse que deixou você era um menino diferente do que o que te pegou? — não havia raiva, nem gelo em sua voz, só questionamento. Confirmei com a cabeça, deslizando para fora dos meus saltos e chutando-os para o lado. — E a razão para isso é...? Eu não tinha uma resposta. Não para ela, nem para mim, mas ela esperou. — Eu não acho que eu mesma sei o porquê ainda. — respondi, olhando para as escadas. Não queria nada mais do que me jogar em um pijama e abafar esta noite inteira com um pouco de sono. Mamãe mordeu o lábio, fazendo algo como uma cara de debate. — Ele te machucou? — Cuspiu para fora, parecendo quase tão assustada com a pergunta como estava pela minha resposta. Mais uma vez, nenhuma resposta fácil para isso, mas eu sabia o que ela queria dizer exatamente. — Claro que não. — respondi, indo em direção as escadas. — Lucy. — ela disse, em pé. — Mãe, eu sei que estou em enormes apuros. — eu disse, descansando minha mão no corrimão. — Sei que eu

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estou de castigo até os 18 por mentir para você e fugir essa noite, mas agora eu só quero ir para a cama e esquecer que esta noite aconteceu. Ok? — Pela terceira vez nesta noite, eu me senti à beira das lágrimas. Isso era inaceitável. — Tudo bem. — ela disse sentando-se de volta. — Mas eu falei sério aquela hora, Lucy. Você pode falar comigo se precisar. — Sim, ok. Obrigada. — respondi, subindo as escadas. — E Lucy? — ela me chamou. — Você está de castigo sim, mas só até o final de semana. Pela primeira vez em muito tempo, eu senti como se minha mãe e eu tivéssemos acabado de ter uma conversa construtiva.

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Capítulo Treze

E

u temi pisar nos corredores da South Pointe na segunda-feira de manhã, que

os

boatos

tivessem

seintensificado no fim de semana, que verdades foram confirmadas e que uma nova reputação estava me esperando. Essa pode ser a razão que eu fiquei trancada no Mazda depois que estacionei na minha vaga. Eu me convenci de que eu não estava encolhida, só estava apreciando as últimas poucas músicas do meu CD novo, mas o fato de que eu tinha colocado o meu óculos de sol olho-de-gato preto e fiquei curava para baixo parecendo tão encolhida quanto possível. Eu sabia que o primeiro sinal ia tocar em breve, porque o estacionamento já estava cheio de carros e vazio de alunos, mas ainda não podia erguer-me da segurança do meu carro. Eu tinha me preparado um dia inteiro para este momento, saindo na frente de todos que sabiam o que aconteceu no sábado à noite, de cabeça erguida e muita confiança, mas não estava funcionando. Pensei de novo nos benefícios de estudar em casa e liguei o carro novamente, concluindo que hoje estava qualificado como um dia de folga. Eu não conseguia pensar em um momento que eu senti mais para baixo que o tempo.

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Verificando meu retrovisor, coloquei o Mazda em sentido inverso, encontrando-me com a esperança de ter um vislumbre de alguém que eu não deveria. Então, alguma coisa passou pela minha visão periférica, enquanto uma batida na minha janela seguiu. Lá estava Sawyer Diamond, sorrindo para mim como se fosse qualquer segunda-feira, segurando um buquê de flores. Ele acenou. — Onde você pensa que está indo? Eu baixei minha janela — Em qualquer lugar, menos aqui. — Qual a razão? — ele perguntou, entregando as flores para mim pela janela. Era um buquê misto embrulhado com papel pardo e barbante comprado em uma dessas lojas sofisticadas, sem dúvidas. Elas eram lindas, mas eu não tinha certeza se estava pronta para aceitar flores de Sawyer, ou para encarar o que aceitar essas flores significaria. — Estou pensando em mandar tudo para o inferno e abandonar o ensino médio. — eu disse, olhando para a escola. — Ouvi dizer que há uma ótima e bonita escola no centro. Sawyer riu, inclinando-se em minha porta. — Existe, na verdade, mas essa é para as garotas que engravidam, ou não sabem dizer se estão olhando para a capa ou para a traseira de seus livros de pré-algebra.

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— Parece perfeito. — eu disse, segurando o volante, tentando fingir que um casal de meninas correndo por nós não estavamsussurrando uma à outra sobre mim. Não foi fácil, dado que elas atiraram pelo menos quatro olhares para o meu lado antes de estarem fora de vista. — Vamos lá. —Sawyer disse, inclinando-se em meu colo e pegando as chaves para fora da ignição. — Hora de ir para a aula. — Dê-me elas. — eu pedi, tentando agarrá-las fora de suas mãos. — Você pode tê-las de volta depois do sexto período. — ele disse calmamente, embolsando-as. Pelo brilho em seus olhos, eu não podia dizer se ele estava mais entusiasmado com a possibilidade de eu chegar nelas ou sobre me segurar como refém aqui o dia todo. — Sawyer. — eu gemi, calculando o tempo que me levaria para caminhar para casa. — Não preciso disso agora. — Sim, você meio que precisa. — ele disse, balançando a minha porta aberta. — Eu já assisti a vida de muitas garotas descarrilarem graças a um cidadão honrado...— olhei com raiva para ele através dos meus olhos-de-gato — Que não deve ser nomeado... — ele editou, estendendo a mão. — Eu não quero ver outra. — Todo mundo vai estar falando sobre mim e me olhando e sussurrando durante toda a aula sobre mim. Eu

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preciso estar em melhor estado mental de espírito para lidar com esse tipo de ridículo. Ele agarrou minha mão e apertou. — Não, eles não vão. — prometeu. — Eu não vou deixar. — Você não vai deixá-los? — repeti, olhando para baixo, onde sua mão enrolou na minha, — O que é você, o padrinho da máfia South Pointe? — Meus antepassados eram tipo os Menonitas34 ou algo assim, por isso não é grande coisa toda essa coisa de máfia. — ele disse, chegando em meu colo e agarrando minha bolsa. — Mas me dê um pouco de crédito. Eu construí um monte de influência nesta escola ao longo dos anos. — Dando a minha mão um puxão, ele fez um gesto à escola. — Deixe-me adivinhar, graças a sua aparência de bom menino e sorriso. — eu disse, deslizando para fora do meu assento e batendo a porta. Eu não podia acreditar que estava sendo coagida a frequentar as aulas por Sawyer. Ele sorriu para mim. — Minha família é dona de um bom lugar abaixo à beira do lago e eu dei umas festas de arromba ao longo dos anos. —

Ah.

eu

disse,

enquanto

alguns

caras

cumprimentavam Sawyer através do pátio. Ele acenou, continuando. — Nada como a tentação do álcool e nenhum

34

Os Menonitas (ou Mennonitas) são um grupo de denominações cristã.

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adulto por perto para lhe fazer um deus no mundo dos adolescentes. — Exatamente. — ele riu, puxando a porta aberta para mim. Depois de passar através dos detectores de metais, Sawyer permaneceu comigo, voltando pelo corredor. — Pensei que você tinha ASB no primeiro período. — eu disse, enquanto alguns estudantes passaram por nós, cumprimentando Sawyer e mal tomando nota de mim. Era como se ele fosse algum dispositivo de camuflagem pessoal. — Eu tenho. — Então por que está vindo comigo para Literatura? — Porque eu quero. — disse ele, sem pausa. Era um pouco estranho, Sawyer aderindo a mim como cola, me trazendo florese tudo mais, mas eu me senti mais firme com ele ao meu lado, mais segura. E eu precisava me sentir segura para passar um dia como este. — E o Sr. Peters vai ser legal com você passeando na sala de aula e saindo como se fosse o dono do lugar? — Sawyer tinha influência, mas não tanta. — Eu não acho que ele vai se importar. — Sério? — eu disse, parando fora da sala de aula.

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Ele me deu um sorriso tímido. — Meu pai está no conselho escolar. Meu avô estava antes. Minha família cavou seis pés de profundidade nesta escola. Inacreditável. — Bem, então. — eu disse, varrendo a minha mão pela porta. — Depois de você. Deslizando através da entrada, ele arrancou minha mão do meu lado e rebocou-me para dentro. Todos na classe olharam para cima, olhando entre nós dois como se não tivessem certeza do que estava acontecendo, mas você podia ver

quase

a

metade

da

classe

dando

de

ombros

imediatamente e a outra metade olhou um segundo e voltou a puxar os seus livros didáticos para fora. Que diabos de influência que Sawyer tem aqui emSouth Pointe e como eu poderia reproduzir esse elixir? — Hey, Sr. Peters. — ele cumprimentou enquanto nos levou a um par de cadeiras na parte de trás da sala. — Eu vou assistir a sua aulaesta manhã. Os olhos do Mr. Peter caíram sobre mim de uma forma que eu reconheci, mesmo ele sabia o que havia acontecido no baile, antes de assentir para Sawyer. — Espero que você desfrute os melhores pontos da literatura, Sr. Diamond. — ele disse, virando-se para o quadro. Ele olhou para mim, seus olhos iluminados. — Oh, eu vou, Sr. Peter. — ele disse. — Eu vou.

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Os próximos três períodos foram da mesma forma, embora eu disse ‗de jeito nenhum‘ para Sawyer, quando ele tentou vir comigo. Não foi porque eu não estava grata por tudo que ele fez, como ele suavizou o que deveria ter sido um dia infernal, mas eu não podia levá-lo ao redor como um cobertor de segurança durante todo o ano. Ele me deu o brilho de confiança que eu precisava para passar o resto do dia. Eu não estava totalmente imune a olhares laterais ou vozes abafadas, mas eram uma fração do que eu esperava e eu sabia que tinha a ver com Sawyer. Eu estava em dívida com ele, mas não sabia se isso era um lugar que queria estar. Taylor parecia como se sua cabeça estivesse prestes a explodir na hora que eu serpenteei para a nossa mesa no refeitório. Depois de ignorar suas primeiras cinco chamadas no domingo de manhã, eu desliguei o telefone. Eu não seria capaz de evitar a pergunta mais. — Você derrubou seu telefone no banheiro ou algo assim? — ela perguntou antes mesmo de eu sentar. — Minha bateria acabou e não consegui encontrar o meu carregador. — falei, sorrindo toda inocente para ela. Ainda era considerado mentir se foi feito para manter bocas indiscretas como a de Taylor no escuro?

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Seu rosto mudou, ela realmente comprou essa. — Tadinha. — disse Taylor, descansando a mão no meu braço. — Como se o seu fim de semana precisasse ficar pior. Eu murmurei um „hmm‟ através do gole de suco de laranja. — Tudo bem, por onde é que vamos começar? — ela disse,

inclinando-se

mais

perto.

Lexie

e

Samantha

derrubaram seus aipos e se inclinaram sobre a mesa. Eu só queria acabar logo com isso. Elas não iriam ceder até que me sugassem todas as informações, e eu sabia que se não desse a elas o que elas queriam, mentiras seriam criadas para preencher as lacunas. — Por onde você quer começar? — perguntei, estalando na parte de cima do fim do meu suco de laranja. — Você sabia que ele tinha roubado o carro? — Taylor sussurrou, olhando conspiratória ao redor da mesa. — Claro que não. — respondi ofendida, até que percebi que estavam decepcionadas com a minha resposta. Nos livros dessas meninas, eu seria pelo menos um ou dois tons mais descolada se estivesse sabendo, ou ido junto com toda a coisa de roubo veicular. — Você já falou com ele desde então? Doeu pensar nele, doeu ainda mais admitir que eu não tinha ouvido falar dele.

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— Não. Taylor e suas seguidoras pareciam desapontadas novamente. — O burburinho em torno daqui é que ele fugiu de uns cem carros de polícia, devolveu o carro para seu dono, então caminhou para a delegacia do centro e se entregou. — Taylor jorrou, acenou e balançou as mãos tão neuroticamente que eu deslizei alguns centímetros para trás. — O que você ouviu, Lucy? — Tudo de nada. — eu respondi, já exausta da grande inquisição e nós estávamos em apenas 3 minutos de uma hora de almoço. Nós estávamos apenas começando. — Então, é verdade que ele apenas, tipo, deixou você para trás? — Lexie perguntou, mastigando a ponta de uma cenoura. Essas meninas comiam mais vegetais crus malditos do que uma família de coelhos. — Sim. — eu disse, olhando por cima do ombro, orando por algum tipo de distração. — Foi trágico. — Como você chegou em casa? — Lexie disse, acenando com a cenoura. Estava prestes a responder „De carro‟,quando Taylor sorriu para mim, arqueando uma sobrancelha. — Ouvi dizer que você pegou carona no banco da frente de uma certa BMW 325i. — Eu nem sei o que isso significa. — falei, olhando atrás de mim novamente. Ainda ninguém vindo em meu

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socorro. Infernos, neste ponto do questionamento, eu não teria me importado se fosse um louco mascarado carregando uma motosserra sobre sua cabeça. — Sawyer levou você para casa? — A cenoura meio comida caiu da mão de Lexie. — Sim? Atirando-se em sua cadeira, Lexie olhou para mim. — Porque Lucy Larson tem certamente feito sucesso em torno South Pointe, não tem? Etudo isso só em uma semana. — Afiando seu olhar para mim, ela girou e saiu da lanchonete. — Não se preocupe, ela vai superar isso. —Taylor disse, acenando com a mão no ar. — Ela e Sawyer saíram um par de anos e tiveram um rompimento desagradável, poucas semanas antes do início das aulas. — Dois anos? — eu disse, com novo respeito por Sawyer. Um compromisso de dois anos com o gênio que era Lexie Hamilton deve ter garantido-lhe um lugar entre os deuses. — Ela me odeia. Ela vai me odiar por um longo, longo tempo. Enrolando o dedo para mim, Taylor se inclinou. Eu não me movi para mais perto. — Lexie odeia todo mundo. Só não diga a ela que eu disse isso. — Que bom para ela. — eu disse.

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— Uau, Lucy Larson. — Taylor disse, puxando um compacto de sua bolsa. — Você de alguma maneira consegue domar o indomável Jude Ryder, por uma curta duração, então se move direto para o solteiro mais cobiçado de South Pointe, cobiçado a ser o marido perfeito. Você é oficialmente minha heroína. Samantha riu. — Você está pegando alguma aprendiz neste momento? — Somente as moralmente prejudicadas. — murmurei, enquanto Taylor passava pó no nariz e Samantha bebia sua bebida diet de um canudo. Eu estava rodeada por um conjunto de suéter, pêssegos e creme, futuras esposas de Stepford35. O que diabos eu estava fazendo? — Sawyer Maldito Diamond. — Taylor falou, sacudindo a cabeça. — Inacreditável. — Eu sou, não sou? Eu não sei qual de nós três saltou mais, mas o pó de Taylor quebrou quando atingiu o chão, de modo que ela ganhou algum tipo de prêmio. — Deus, Sawyer. — Taylor disse, pegando os triângulos quebrados de pó. — Nunca ataque sorrateiramente um monte de garotas em uma reunião a menos que você deseja ter um cotovelo em suas bolas.

35

The Stepford Wives é um romance de 1972 escrito por Ira Levin, baseados no qual foram lançados dois filmes homônimos: em 1975 e em 2004.

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Ele bateu na sua cabeça. — Anotado. — O que você quer? — Taylor perguntou, derretendo um pouco sob seu sorriso. — Eu vim para pegar Lucy emprestada. — Suas mãos repousaram sobre os meus ombros. — Vocês não se importam, não é? — Isso depende. —Taylor disse, observando as mãos de Sawyer em mim. — Do quê? Taylor escorregou-me um olhar carregado. — Do por que você veio pegar Lucy emprestada. — Os negócios de um homem são só dele. — ele respondeu, puxando minha cadeira. — Exceto quando não é. —Taylor disse sob sua respiração, antes de fazer um túnel de suas mãos e sussurrar no meu ouvido — Eu espero um relatório completo. Levantando, acenei para Taylor e Samantha e virei-me para Sawyer. — Tire-me daqui. — eu murmurei. Ele agarrou minha mão e me levou para fora da lanchonete. — Vamos. Se isso é o que sentimos, tendo cada cabeça virada para mim, olhando com os olhos escandalizados, nunca mais

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quero concorrer a esse cargo Eu não entendi qual foi o grande negócio com Sawyer e eu andando juntos, mas eles acharam uma grande coisa. Provavelmente tinha algo a ver com ele segurando minha mão, a qual eu deveria ter me afastado, e os rumores que foram formados e escritos no livro dos fatos depois do baile. Uma vez que estávamos livres do refeitório, eu exalei. — Obrigada. — Você parecia como se estivesse com uma dor física lá atrás. — ele disse, levando-me por um corredor silencioso. — Eu tinha que salvá-la daquilo. — Estou feliz que você me salvou. — disse, olhando ao redor. Ninguém estava por perto e eu sabia que se alguém passasse, Sawyer e eu acampados em um corredor silencioso iria iniciar uma nova rodada de rumores. — Por que você o fez? Inclinando-se em uma parede de armários, Sawyer enfiou as mãos nos bolsos de sua calça. — Eu queria pedir desculpas. — começou ele, surpreendendo-me. — Eu não deveria dizer nada para você, bom ou mau, sobre Jude. Qualquer que seja a relação de vocês dois não é da minha conta. Sinto muito que tentei fazer ser da minha conta. O pedido de desculpas me surpreendeu, mas ouvir o nome de Jude me afetou mais. Toda vez que eu ouvia, outro punhal era torcido no meu coração. Isso estava se tornando rapidamente uma almofada de alfinetes.

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— Eu não tenho certeza se é que já houve um relacionamento — admiti, deixando minha cabeça cair para trás contra a parede. — E se houve, não há mais. Deve ser porque ele tinha roubado um carro, ou ele havia sido preso mais vezes do que eu poderia contar com as duas mãos, ou porque ele personificava tudo o que as meninas eram ensinadas a ficar longe desde que éramos estudantes do ensino fundamental. Mas não era qualquer uma dessas razões. Eu sabia que Jude e eu não tínhamos um relacionamento, porque se ele tinha realmente se entregado, ele não se preocupou em me ligar primeiro. Para verificar se eu tinha chegado em casa segura ou para explicar o que diabos tinha acontecido na noite de sábado. Se tivesse alguma coisa de um relacionamento, Jude teria se importado o suficiente para entrar em contato comigo, mas ele não tinha. — Sinto muito, Lucy. — Sawyer disse, virando a cabeça e olhando para mim. — Não, você não sente. — eu disse, rindo sobre o fato de que Sawyer era o único que eu tinha me aberto sobre Jude, mas sabia que tinha algo a ver com a forma como seu rosto estava sempre suave e os seus olhos nunca julgadores. — Eu sinto muito por você e a dor que isso causou. — ele disse. — Mas não sinto pena de Ryder. Ele pode beijar minha bunda na próxima vez que eu ver ele.

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Outro punhal direto através do ventrículo esquerdo. — Eu gostaria de ver isso. — Fique atenta. — ele disse, olhando para longe. — Talvez você veja. Jude Ryder pode finalmente obter uma dose de seu próprio remédio antes de todos nós partirmos para a faculdade e ele ficar para trás, como um desperdício de espaço condenado.

241


242


Capítulo Quatorze

A

segunda semana de escola passou dez vezes

menos dramáticaque na primeira semana. Na verdade, senti como se estabelecesse em um

padrão normal enquanto eu trabalhava o meu caminho através de detectores de metal na manhã de sexta. Eu estava ficando calada em todas as minhas aulas, e só falava quando me perguntavam alguma coisa. Eu não sabia o que estava acontecendo esse ano. Também entrei para a equipe de dança, ignorando os avisos de Taylor de que minha popularidade iria cair em pelo menos 50%, e me juntei ao clube Ambiental, e ela disse que isso tomaria o restande daqueles 50% que haviam sobrado. Eu já estava zero por cento popular. Também consegui colocar alguns limites entre srta. Taylor e seus amigos, que, na maioria dos dias, tentaram me tratar com respeito já que aparentemente eu estava formando outro casal e ele era amável. A vida não tinha sido normal em anos, e eu lutei muito para ser normal por tanto tempo,que agora quedeveria estarme deleitandocom isso, eu não estava. Eu sabia quetinha algo a ver com certo alguém que eu ainda não tinha ouvido falar, e certo alguém que eu deveria evitar daqui até o

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túmulo, mas como aprendi da maneira mais difícil, o coração quer o que o coração quer. E ele queria Jude. Mas eu não iria deixá-lo tê-lo, como um pai que não iria deixar uma criança ter um segundo pedaço de bolo, porque sabe que não é o melhor para o seu dente-de-leite, amor impulsivo. Eu não podia deixar meu coração ter o que mais queria, porque eu sabia que ia levar a destruição do mesmo. — Bom dia, linda. Eu dei uma cotovelada em Sawyer como estabelecido em nossa rotina matinal. — Vá embora, seu feio, e não volte até que você venha com uma fala melhor. — Espere, eu tenho trabalhado em algumas e acho que você vai ficar bastante impressionada na próxima segundafeira. — ele respondeu, entregando meu café matinal que ele começou a trazer alguns dias atrás. — Improvável. — eu disse. — Você me chamando de feio todas as manhãs poderia realmente machucar meu ego delicado se eu não tivesse certeza de que você está apenas brincando. — ele disse, acenando com a cabeça a um par de companheiros seus de futebol quando eles passaram. — Ou, se você não fosse positivamente certo que não era feio.

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— Você está dizendo que acha que eu sou sexy? — ele perguntou, com um sorriso maligno para mim. — Se é isso que você ouviu, você precisa de um par de aparelhos auditivos. — eu disse, tomando um gole de café. — Eu estava apenas confirmando que você não é de fato, feio. — Acho que esse é o pior elogio que já recebi. — ele disse, jogando um braço em volta de mim e me puxando para perto. E o Sawyer-de-relacionamento-fácil-e-tranquilo que eu navegava a maior parte do tempo apenas terminou, como sempre fazia, quando ele tentava me puxar para algum abraço estranho ou me tocar com um certo olhar em seus olhos. — Como está o tornozelo, Diamond? — uma voz gritou atrás de nós. Uma voz que congelou meus pés no chão, mas me derreteu em todos os outros lugares. Vindo ao nosso redor, Jude cruzou os braços, olhando para o braço de Sawyer pendurado em torno de mim antes de olhar para mim. Eu nunca tinha sido encarada com tal mistura de emoções. Eu nunca tinha sido olhada de uma forma que fez a minha respiração irregular e dolorosa ao mesmo tempo. Levantando um ombro, Sawyer olhou para o tornozelo enfaixado. — Ele vai se curar bem.

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Os olhos de Jude não deixaram os meus. — Eu estava falando sobre seu outro tornozelo. Sawyer fez uma pausa, claramente jogado fora de guarda. —Está tudo bem. — ele respondeu. — Você quer que ele permaneça dessa maneira? — Jude perguntou, dando um passo para frente, ainda me olhando. Além de uma contusão roxa na maçã do rosto, ele parecia o mesmo. Não sei o que eu esperava, mas achava que uma pessoa que tinha passado quase uma semana na prisão iria sair com um olhar diferente, e talvez eles saíssem, mas para alguém que tinha sido preso um total de 13 vezes agora, era apenas mais um dia no parque. — Você está com o seu braço em algo meu. — Jude disse, seus olhos brilhando quando ele olhou para Sawyer. —

Eu

acredito

que

a

propriedade

mudou

de

proprietário quando você a deixou sozinha na calçada. — Sawyer tentou me aproximar, mas não antes de eu sair de debaixo do seu braço. Afastando-me dele, eu lhe dei um olhar não muito gentil antes de girar ao redor, dando o mesmo olhar para Jude. Eu não tinha trabalhado pra caramba pelas notas que eu tinha, ou trabalhado incansáveis dias de verão servindo mesas, ou fazendo meu caminho como uma mulher forte, para ser reduzida a um objeto de dois meninos possessivos, eu poderia lutar por mais.

246


— Não sou um pedaço de propriedade. — disse, levantando o dedo para Sawyer. — Eu não sou sua. — disse, antes de me virar e encontrar os olhos de Jude. — E eu não sou sua. Dizer a primeira vez foi infinitamente mais fácil, mas toda aquela conversa de eu-sei-o que é melhor-para-você me deixava puta da vida. — Agora, me deixem em paz. Empurrei Sawyer, empurrando a parte de trás da mocha em sua mão. Eu não a queria mais, antes de caminhar através do salão lotado, tentando acalmar meu coração. Pela primeira vez esta semana, ele estava quente. E eu não queria aceitar o motivo porque eu podia sentir seus olhos em mim toda a viagem até o fundo do corredor, e mesmo depois que eu dobrei a esquina, ainda podia sentir o seu olhar vigilante sobre mim. Eu estava tentada a pular primeiro período, eu estava mais tentada a pular o dia inteiro, mas não fiz. Apeguei-me aos meus próprios esforços e me lembrei que eu não ia deixar que dois meninos, principalmente, um menino, me reduzir a uma daquelas meninas que jogam sua vida no vaso sanitário. Eu era forte, eu sabia como superar, e caramba, eu era melhor do que isso. No entanto, para onde minha mente estava, eu poderia muito bem ter pulado primeiro período. Até o momento em

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que a maldita sirene explodiu, eu não tinha arranhado por uma única linha sobre Oliver Twist. Oh, bem, eu tinha lido há dois anos e tirado um A no meu resumo. Então. Quando juntei meus livros, observei todos os outros estudantes olhando de volta para mim enquanto se dirigiam para a porta. Foi o suficiente para me colocar em alerta e mais do que suficiente para não querer saber o que me esperava no outro lado da porta. A sala de aula tinha esvaziado, até mesmo a Sra. Peters tinha saído, antes que eu tivesse tido a coragem de pegar minha volta e finalmente sair da sala. — Ei, Luce. — Jude tomou alguns passos dentro da sala, fechando a porta atrás de si. Eu me odiava por querer que ele viesse envolver seus braços em volta de mim e me dizer que estava tudo bem, que não havia nada que não pudesse ser superado, e que na semana passada tinha sido algum terrível mal-entendido. Eu era uma sonhadora. — Eu não estou falando com você — respondi, tentando passar por ele, mas ele ficou na frente da porta. — E por que isso? Olhando para ele, eu cruzei os braços. — Você não pode fingir que nada aconteceu. Você sabe porque não estou

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falando com você agora, ou porque eu não vou falar com você nunca mais. — Ham, Luce... — ele disse, se inclinando contra a porta — Você, tipo, meio que está falando comigo agora. Eu não estava no clima para brincadeiras, nem mesmo por Jude. — Eu não estou falando, estou a uma nota abaixo de gritando, e eu estou apenas não-gritando-muito com você por tempo suficiente para que saiba que estou acabando com o que quer que foi a coisa que tivemos. — eu disse, não tendo nenhuma designação para atribuir o que tinha sido nosso. — Acabou para mim. Olhando para baixo, ele procurou o chão, enrolando. — Acabou para você? — Sim. — eu disse, tentando soar como se não pudesse me importar menos. — Será que isso tem algo a ver com Diamond? — Fúria gravou o seu caminho até seu rosto. — Não. — eu disse, tentando empurrá-lo para longe da porta. — Isso tem a ver com você. — Deixe-me explicar. — ele disse, segurando meus braços. Eu fui longe dele. — Você poderia se explicar até que sua cara esteja pintada de azul porque não há nada que possa dizer que me faria mudar de ideia.

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Os músculos de seu pescoço apertaram e se abriram. — Então, você finalmente decidiu tomar o meu conselho e se manter bem longe de mim? — Finalmente. — eu disse, minha garganta fechando em torno da palavra. Ele acenou com a cabeça, deslizando o gorro para baixo sobre as sobrancelhas. — Bom. — ele disse. — Isso é o melhor de qualquer maneira. Logo quando eu estava começando a acreditar que o meu mal não poderia doer mais. — Então eu acho que não há mais nada a dizer. — eu disse, fazendo sinal para ele sair da porta. Ele não se moveu. — Sim. Sim, existe. — ele disse, olhando para mim, seus olhos da cor do estanho, — Eu ainda lhe devo uma explicação. — Obrigada, mas não, obrigada. — eu disse, tentando deslizar por ele. — Tenho que fazer algumas coisas. A mão de Jude apertou sobre a maçaneta da porta. — Não antes de eu explicar o que aconteceu no sábado. Eu estava perto de quebrar, perto de deixá-lo me abraçar, e eu não tinha certeza se isso tinha algo a ver com a maneira como seus olhos pareciam perdidos e vazios. Eu me senti perdida, mas tinha certeza de que não podia voltar atrás.

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— Não preciso de uma explicação, Jude — falei gritando para ele. — Eu estava lá. Vi tudo o que aconteceu. Tanto quanto sei o que você fez, o que quer que tenha acontecido entre nós... Eu já cansei de falar, cansei de gritar e cansei de ouvir você, então economize suas palavras porque eu não vou mais gastar nenhuma com você. — desta vez, quando o empurrei passando pela porta, ele não me fez parar. E ainda, uma parte de mim queria que ele fizesse. Jude me seguiu o dia todo, o que significava que todos olhavam como se eu fosse alguma aberração de circo e todos se afastaram de mim. Ele não disse nada, mas ficou claro que ele queria e também ficou claro que ele estava esperando que eu fizesse o primeiro movimento. E eu achava que ele estava disposto a esperar a vida toda. Eu escapei da sexta aula alguns minutos mais cedo, correndo para o meu carro, exalando um suspiro quando estava fora do estacionamento e nenhuma sombra imponente apareceu

no

meu

espelho

retrovisor.

Uma

montanha

impossível de coisas necessárias para ser resolvidas, exigindo minha atenção para que eu pudesse acordar amanhã com um plano, mas eu não poderia classificar isso ainda. Só uma coisa era capaz de afogar tudo da minha mente e, para minha sorte, o estúdio de dança estava vazio quando cheguei. Ele era o mesmo local onde eu aprendi a dançar. Eu tinha ido de uma criança de tutu girando a uma dançarina competente com os olhos postos na Juilliard, todas graças à ética de trabalho que eu peguei do meu pai, misturada com a

251


graça que eu recebi do lado da família da minha mãe, e da santa paciência de Madame Fontaine. Ela abriu o estúdio há trinta anos, transformando um prédio condenado no bairro histórico, no estúdio mais famoso da região. Ele não era nada extravagante, nem ela assumia um monte de alunos, mas Madame Fontaine tinha dançado em todo o Leste Europeu. Ela era uma lenda no mundo da dança, conhecida por seu ‗usar e depois jogar fora‘, mas para mim, ela era uma santa. Ela era a única pessoa com quem eu poderia falar durante um tempo em minha vida, quando ninguém mais era. Ela me ajudou a encontrar a luz no escuro e me ameaçou com a vida e a integridade física, quando eu lhe disse que estava pensando em parar de dançar. Só porque eu temia que ela estivesse falando sério, continuei a trabalhar com a dor, e a dança logo se tornou algo que eu fazia não apenas mascarar a dor, mas para curá-la. A dança, à sua maneira, me salvou dos meus pais, dos médicos e até mesmo de mim. Desde que a dança se tornou meu céu, Madame Fontaine se tornou meu anjo. Coloquei a minha cabeça no escritório, eu encontrei como o resto do estúdio, escuro e vazio. Uma bandeja de biscoitos de aveia estavam envolvidos em um plástico sobre sua mesa, completado por breve bilhete rosa pálido sobre ele, que dizia ‗Lucy‘.

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Deslizando um cookie sob o plástico, eu peguei a nota.

Já que eu sei que você se esqueça de comer, aqui está uma tentativa de nutrição. Não diga a qualquer pessoa que eu tenha ficado mole na minha velhice. Trabalhe duro e dance mais. E lá estava a Matilda Fontaine, a que era uma lenda. Coloquei os cookies em cima de uma mesa e fui alongar os dedos dos pés. Esses biscoitos eram uma obra prima. Trabalhando meus dedos, pés, pernas e mente, até que eles estavam exaustos era exatamente o que eu precisava. Eu não me preocupei em trocar de roupa, minhas calças e túnica de caxemira, eu só prendi meu cabelo para trás e amarrei na minha nuca. Deslizando Tchaikovsky36 no estéreo, acionei o volume e me concentrei. Fiz um grande jete37 antes de a primeira nota vibrar nos espelhos do estúdio. Como regra, para você não se ferrar, os dançarinos sempre pré aqueciam antes, mas meu coração estava aquecido desde as nove horas da manhã. E não só estava aquecida, eu estava pegando fogo. Dancei até o pôr do sol e o escurecer do céu. Dancei até o mesmo CD tocar três vezes. Dancei até eu ficar ofegante e beber dois litros de água. Mas não importava o quão duro eu dançava, 36 37

253

ou

como

me

concentrava

intensamente

Piotr Ilitch Tchaikovsky é um compositor Russo, famoso por escrever balés. Passos de balé.

no


aperfeiçoamento de cada movimento, eu nunca parei de pensar sobre Jude. A sala ficou em silêncio pela quarta vez com o final de Tchaikovsky. E O Lago dos Cisnes chegou ao fim. Eu estava encharcada, sem fôlego, e dolorida do meu pescoço aos pés. Foi um bom dia para dançar. Alcançando outro litro de água, um assobio ecoou em toda a sala. Mesmo em um apito, eu sabia que era a sua voz. — Deus, você é linda. — ele disse quando me virei para encará-lo. — Um homem pode viver uma vida plena assistindo você dançar assim. — Estava me perguntando quanto tempo você levaria para me encontrar. — eu disse quando Jude saiu das sombras do escritório. Ele tinha envelhecido uma década em seis horas. As olheiras debaixo de seus olhos eram de um tom tímido de preto, sua pele morena tinha ficado pálida, mas foram seus olhos que tinha envelhecido mais. — Só o tempo que você levou para andar da escola até aqui. — ele respondeu, abrangendo a porta. — Eu estive aqui por umas boas seis horas. — tomei um gole, então me deixei cair no chão, ficando de costas contra a parede espelhada. — Estou aqui há quase tanto tempo. — ele disse, apontando para trás, onde escritório de Madame Fontaine ficava, e olhou para o estacionamento. — Mas eu não queria

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interrompê-la, por isso eu fiz apenas como um bom menino e olhei para fora através da janela. —Ele sorriu, saindo da porta. — Além disso, eu estava um pouco assustado sobre o que você poderia dizer ou fazer, se eu ousasse interrompe-la. — Ah. — eu disse, dobrando minha metade superior em minhas pernas para esticar os músculos que estavam prestes a estalar. — Aí está a verdade. Finalmente. — murmurei apenas alto o suficiente para que ele pudesse me ouvir. — Eu preciso muitas outras verdades, Luce. — ele disse, me olhando mais perdido do que eu já o vi algum dia. Aquele olhar apelou para o Jude amigável, o que ainda estava no meu coração, e antes que eu soubesse o que eu estava fazendo, dei um tapinha no pedaço de madeira ao meu lado. — Preciso me esticar e você parece que precisa falar. — eu disse, me forçando a esticar minhas pernas, que pareciam estar prestes a se quebrar. — Vamos acabar com isso. Ele atravessou a sala, seu corpo parecendo aliviado, mas seu rosto parecia cauteloso. — Eu quis dizer o que disse. Essa foi a coisa mais linda que eu já vi. — ele disse, deslizando ao meu lado. — Eu não sabia que você era tão talentosa. Você vai ser a estrela de alguns balés. Grandes perucas, produções onde milionários pagam mil dólares por um lugar na primeira fila. — ele disse, enquanto eu tentava não sorrir em sua ignorância óbvia sobre o Balé. — Ou alguma merda assim.

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Eu ri enquanto me endireitei e cruzei meu braço esquerdo na minha frente, me alongando. — Acho que você está certo. Tenho certeza que minha vida está destinada a ser uma abundância de merda. — fiz uma careta, acotovelando-o com meu outro braço. — Você vai brilhar, garota. — ele disse, inclinando a cabeça para cima. — Mas pra mim, no futuro, você vai ser apenas um sonho. Seu nome vai acabar em luzes e o meu vai ser substituído por um número na lista de algum diretor. Estiquei o outro braço, inalei, tentando reunir toda a raiva que eu tinha por ele, poucas horas atrás. Eu não poderia fazer isso. — Você nunca ouviu o ditado que o seu passado não tem que ditar o seu futuro? Sua testa se enrugou quando ele escutou a resposta filosófica. Ele abriu a boca; não saiu nada, então ele a fechou novamente. Ver Jude sem palavras me fez sorrir, o que de alguma forma o fez menos intimidante. Finalmente, ele disse. — Essa realmente é uma merda inteligente para se dizer. — ele disse, colocando os braços sobre os joelhos. — Quem disse isso? Dobrar uma perna sobre a outra, dei de ombros. — Eu disse. — Você é muito esperta señorita, você sabe mais o que, Luce? — ele disse, me avaliando com os olhos quentes. — Não é só o seu nome que vai brilhar, você vai ter, tipo, três

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siglas após o seu nome: Lucy Larson, MD38, PhD., e alguns outros preenchimentos inteligentes no D. em branco — Chega com os elogios, Ryder. — eu disse, enxugando a testa com as costas do meu braço. — Você tem algumas explicações a dar. Algumas explicações honestas a fazer — ditei. — Sim, eu sei — ele disse, batendo a cabeça contra o espelho. — Por que a verdade é tão difícil de admitir? — Porque é honesto. — eu disse. — Tão malditamente inteligente. — ele disse em voz baixa, olhando para mim. Este homem era o papa, presidente, e Deus em se esquivar do assunto. Muito ruim para ele, que estivava lidando com a rainha, mãe, santa, e imperatriz em ver através da parede de merda de um homem. — Ryder. — virei o seu rosto para o meu. Nivelando o meu olhar com o dele. — Explicação. — Inclinei-me, erguendo as sobrancelhas. — Agora. — Mandona, também. — ele murmurou. Desde que jogar limpo não estava me rendendo nada, eu lhe dei uma cotovelada nas costelas e decidi começar de vez essa conversa. — Então, você roubou um carro? — Como

38

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Em inglês, ‘MD’ é como ‘Dr.’ para os médicos aqui no Brasil.


eu poderia soar tão casual falando sobre isso? Apenas uma resposta para esse enigma. Jude Ryder. — Prefiro o termo ‗emprestado‘. — ele disse, apertando as mãos. — Acho que a maioria dos criminosos prefere. — eu disse, mordendo minha língua duas palavras muito tarde. — Não, você está certa. — ele disse, tentando me consolar depois do meu ataque de nervos. — Eu sou um criminoso. Um criminoso que repete os crimes. E se eu tivesse dezoito anos, teria ficado trancado por pelo menos um mês, e não apenas algumas noites. E agora vai estar no meu registro como roubo de carros, mas eu pensei, na minha mente naquela noite, que eu iria apenas pegar o carro emprestado. Eu inalei uma dose de paciência. Esse era um território novo para mim e eu estava com pouca simpatia. — Expliqueme por que, em seus olhos, você pegou um carro emprestado ou roubado. Ele se mexeu na cadeira. — O Chevelle estava estacionado na garagem de um amigo meu. Damon é alguns anos mais velho que eu, ele se formou South Pointe, mas saiu após seu primeiro ano e abriu sua própria garagem. Ele é especialista em reconstrução de carros antigos, tipo, ele pega um carro que chega lá como merdas reais, e os transforma em belezas que médicos e advogados pagam cem mil dólares para ter. — ele disse, ficando todo animado. — Você já deve

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ter visto isso em algum programa. Um carro que era um pedaço de lixo, nem mesmo bom o suficiente para a sucata, e Damon... — Jude. — eu o parei. — Emociona-me ver que você tem uma paixão na vida além de mulheres, e de ser o presidente de honra da Bad Boys Club da América, mas eu tenho cerca de 15 minutos antes dos meus pais começarem a encher meu celular, se eu não estiver casa. — Desculpe. — ele disse, virando seu pescoço. — Então, eu faço alguns trabalhos para Damon, de tempos em tempos. Tenho um talento especial para ficar debaixo do capô de uma máquina de traseira sexy e fazê-la ronronar. Mordi o lábio para não rir. — Eu aposto que você tem. — Ah, Luce. — ele disse, enrolando o nariz para mim. — Você tem uma mente doente, muito doente. Você sabia? — Aprendi com o melhor. — Ouch. — ele disse. — Mas eu mereci. — Muito. — acrescentei. — Então, alguém tinha acabado de deixar o Chevelle na oficina semana passada para trocar algumas peças e refazer a pintura. Damon deixou a cidade no fim de semana para visitar sua garota no lado leste do estado, então ele me deixou no comando da garagem.

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Este é o lugar onde eu comecei a estremecer porque comecei a ver a imagem que estava chegando para mim. — Sábado chegou e Damon tinha ido embora, o proprietário não estava esperando a volta de carro até segunda-feira, e as chaves ainda estavam na ignição. — ele disse, tomando um fôlego. — E eu, sendo o idiota moralmente corrupto que eu sou, vi uma oportunidade que não podia deixar passar. — Se Damon estava no lado oposto do estado, e o proprietário não estava pensando em pegá-la por alguns dias, como é que os policiais descobriram que você pegou? — Eu perguntei, sentindo simpatia escorrendo de volta para o meu coração. — Porque eu não segui a minha regra de sempre, esperar pelo pior. — Ele suspirou, esfregando os braços. — A garota de Damon escolheu sábado à noite para meter o pé em sua bunda, então, quando ele voltou para a garagem e viu que o Chevelle estava faltando, ele assumiu que tinha sido roubado e chamou a polícia. —

Espere.

eu

disse,

sentindo-se

um

pouco

entorpecida. — Por que Damon iria para a garagem, às dez horas em um sábado à noite? — parecia um trabalho de 24horas, 7 dias por semana. — Há um loft um pouco acima da garagem em que ele vive — Jude respondeu, olhando para frente.

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— E os policiais encontraram o carro, e então eles te acharam e você... E você foi preso. — simplificando o pior, mas eu não era capaz de nada mais complicado no momento. — Basicamente isso. — Mas você não contou o seu lado da história? — perguntei, tomando o meu tempo para tirar a sapatilha, porque eu precisava de algo mais para focar. — Eles não entendem que tudo era apenas um erro honesto? — Peguei um carro que não era meu, Luce — Jude disse, com sua voz calma. — De onde os policiais estão, isso não é um erro honesto. Além disso, eles chamaram o proprietário, e ele está tão irritado, que está ameaçando processar Damon. Por nada mais do que alguns quilômetros a mais em um de seus vários carros que ele nunca teria percebido, se Damon não tivesse voltado. — Se abaixando, ele bateu no chão com o punho. — Se eu não tivesse levado o carro em primeiro lugar. — Deus, Jude. — mais uma vez, eu não tinha outras palavras. — Eu sei. Eu sei. — ele disse. — Portanto, não só comprometi o negócio de um amigo que trabalhou duro para se transformar em alguma coisa, eu adicionei outra marca no meu arquivo de duas páginas e provavelmente vou precisar de outro trabalho também.

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Eu não sabia como resolver qualquer um desses problemas, e eu era o mestre em resolver problemas. Jogueme um problema e eu vou lhe devolver uma solução, mas estava chegando a um monte de nada. — Você não pode conseguir um novo emprego? — perguntei, finalmente, uma fraca tentativa de resolver os problemas de Jude. Ele riu uma nota baixa. — Vivo em um abrigo de garotos, e alguns de nós temos a ficha de um criminoso experiente. Eu não posso nem mesmo ser contratado para trabalhar em uma lanchonete. Trabalhei sem registro para Damon, porque eu não passei na verificação de antecedentes do estado, e pela lei, o abrigo prevê todas as nossas necessidades,

por

isso,

não

é

tecnicamente

permitido

conseguir emprego com renda até nos sairmos. — pegando uma de minhas sapatilhas de balé, ele admirava as fitas pálidas, passando-as através de seus dedos. — Se você precisar de alguma coisa, algum dinheiro para comprar alguma coisa... — eu disse, limpando a garganta.

Eu

tenho

algum

dinheiro

guardado

dos

trabalhos que arrumei durante os verões. Você poderia ter algum sempre que precisar. Jude levantou a mão. — Luce, obrigado, mas não, obrigado — ele disse, fechando os olhos. — Isso é doce como o inferno, você me oferecer, mas eu não estou tomando dinheiro de ninguém, pelo menos não de você. Não sou um caso de caridade e não posso aceitar.

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— Eu nunca disse que era. — Não, você não disse. — ele disse, abrindo os olhos e olhando diretamente nos meus. — Mas todo mundo diz. Isso colocou uma bola na minha garganta eu não conseguia engolir. Limpando a garganta de novo, disse: — Por que você precisa do dinheiro? Você está economizando para faculdade, ou um carro, ou algo assim? Ele revirou os olhos sobre a faculdade. — Ou você está querendo comprar chiclete? — perguntei, me inclinando para ele. — Isso é mais o meu estilo, mas não. Eu tenho responsabilidades, sabe? Coisas que precisam de cuidados. Eu não sabia, mas não tinha certeza se estava pronta para saber quais eram as responsabilidades de Jude. — Coisas que eu preciso cuidar e, antes de trabalhar para Damon, o único trabalho que fui capaz de fazer foi para o tráfico de drogas. — ele olhou para mim, observando a minha reação. Por fora, não lhe dei nada. Por dentro, eu estava caindo aos pedaços. Jude tinha muito possivelmente o maior coração que eu tinha encontrado em um homem. Ele também tinha a ficha mais longa de problemas, e eu ainda tinha que encontrar uma solução. Ele era o exemplo clássico de tomar boas intenções e entregá-las para o mal. Ele tinha tantos problemas que pesavam sobre seus ombros e eu não

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tinha uma forma de resolvê-los para ele. Isso me fez mais indefesa do que já me senti em cinco anos. Inclinei minha testa em meus joelhos dobrados. — Por que você pegou o carro, Jude? — não foi algo que eu quis dizer em voz alta, apenas uma voz interna que sussurrava por-que-o-universo tão desleal? — Qual é, Luce. — ele disse, os espelhos jogando com as sombras de seu rosto quando ele me olhou. — Eu não podia aparecer na sua porta da frente com nada mais do que meus dois pés para nos levar para o baile. — Por que não poderíamos ter ido caminhando como qualquer outro casal? — perguntei, esfregando os dedos dos pés doloridos. — Ou por que não poderíamos ter levado o meu carro? Eu teria até deixado você dirigir. — estava agora ainda mais chateada com toda a situação. Uma má escolha feita com boas intenções, seguido por uma série de eventos infelizes que caiu em torno dele como dominós. — Porque eu estou cansado de ser uma sanguessuga na sociedade, em todos a minha volta. Porque eu estou cansado de precisar de ajuda. Mas, realmente, mais do que tudo, porque a garota que eu estava levando merecia o melhor. — ele disse deslizando para baixo e puxando o pé para fora de minhas mãos. — Deixe-me fazer isso. — ele disse com as mãos engolindo meu pé, o massageando gentilmente trabalhando os músculos para fora.

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— Jude, eu não sou a garota que quer ou precisa do melhor. Eu estaria no final do arco íris ou um pouco acima da média das expectativas, o cara que eu tinha era o melhor. Concentrado em meus pés, tratou-os como se ele fosse capaz de quebrá-los ao meio. — Agora você fez um bom discurso. Fiquei calada, porque não tinha certeza que se eu abrisse a minha boca, não falaria tudo que eu ainda sentia por ele, apesar de saber que não deveria. Uma parte de mim queria Jude como se eu nunca quis nada antes, e outra parte me assegurou que se seguisse esse desejo, minha vida iria descer escada abaixo, eu seria deixada em mais pedaços do que estava quando comecei. — E para o registro, eu sei que os idiotas estão todos dizendo que a deixei para trás porque nós transamos, ou eu não queria você me atrasando, ou pelo menos uma dúzia de outras explicações, o fato é que eu deixei você porque não queria você comigo se eu fosse capturado. — ele disse, seus ombros tensos sob sua blusa cinza. — Eu não queria que eles tentassem rotular você como um cúmplice ou coisa parecida. — ele olhou para mim com aquela sua expressão fervorosa. — Então é isso, essa é a verdade. Não deixe que os idiotas tentem distorcê-las para te fazer sentir mal, ok? Eu deveria ter me sentido melhor, sabendo que ele não havia me abandonado como lixo da semana passada, mas não consegui, sabendo que eu tinha sido uma das que

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comprou isso, na teoria. Jude merecia ter pelo menos uma pessoa ao seu lado, e essa pessoa deveria ter sido eu. — Ei, Luce. — ele disse, torcendo as mãos sobre meu outro pé. — Tudo bem? Fechei os olhos, porque essa foi a minha última defesa contra as lágrimas. — Ok. — LUCE? — Ele disse, sua voz uma nota alta. — Merda, não chore. Eu não valho a pena, não vale a pena sequer você pensar em chorar. Eu tomei respirações lentas antes de abrir meus olhos. — Não estou chorando — falei, tentando convencer a nós dois. — Eu só estou frustrada. E fico com os olhos lacrimejantes, quando fico frustrada. Ele me estudou outro momento antes de voltar sua atenção de volta para os meus pés. — Por que você está frustrada? — Escolha um assunto, qualquer tema, e há uma boa chance de eu ser frustrada com algum elemento do mesmo. — Isso foi uma tentativa agradável para ser vaga. — ele disse, levantando um lado de sua boca, — Mas por que você está frustrada, em particular, agora? Responder a isso com honestidade exigiria uma explicação longa e detalhada que iria me deixar transparente e exposta em cada forma que uma menina mais temia. Então

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fui para a resposta menos complicada, a mais verdadeira que eu poderia dar a ele agora. — Estou frustrada desde as 12 horas do último sábado. O dia inteirinho e tudo o que poderia ter dado errado, deu errado. — eu comecei, tentando colocar uma rolha na explosão verbal. — Estou frustrada porquê eu não entendo porquê tudo que poderia dar errado deu, e estou frustrada porquê não entendo você ter pegado o carro em primeiro lugar. — Eu peguei o carro. — ele disse, sendo a rolha que eu precisava, — E faria por mais cem vezes, porque mesmo que você diga que não quer o melhor, eu quero lhe dar o melhor. — Por que, Jude? Por que você está tão malditamente determinado de que eu preciso ter o melhor? — perguntei, me inclinando para frente. Ele ergueu um ombro, seus olhos estavam baixos. — É apenas isso, Luce. Porque você é a pessoa mais importante na minha vida. E esse foi o ponto de inflexão. Eu não conseguia segurar as malditas lágrimas. Uma pessoa que ele tinha conhecido há algumas semanas, uma pessoa que tinha virado suas costas para ele quando ele mais precisou de um amigo, uma pessoa que teve, e ainda estava tentando se convencer, de que ele não era o homem por quem ela deveria se apaixonar.

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E essa pessoa era a mais importante para ele. — Eu não mereço esse título. — disse, brincando com a manga da minha túnica. — Por quê? — ele perguntou, erguendo o meu queixo até que eu estava olhando para ele. — Porque você finalmente aceitou que eu sou um câncer? Meus olhos brilharam. — Não. — Então, por quê? — perguntou, nada antagonizando em sua voz, apenas uma curiosidade. — Porque você e eu temos muita história ruim para construirmos um bom futuro. — lá estava eu de novo no terreno perigoso. Eu não tinha que falar sobre o fogo, ou os rumores, ou o carro roubado, pois tudo estava lá entre as linhas. — Merda, Luce. — sua testa se enrugou, — Não foi você que disse que o seu passado não tem que ditar o seu futuro? Nunca me senti como uma hipócrita. Meus ombros caíram de pura exaustão física e mental. — Ou será que isso serve para tudo, menos pra mim? A vida de Jude havia sido preenchida com bastante merda, ele não precisa mais de mim, mas eu não podia fazer isso. Eu sabia que, com absoluta certeza, eu iria sair pior do

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que tinha entrado se deixasse Jude entrar em minha vida do jeito que ele queria. — Jude. — comecei, mordendo o lábio. — Eu simplesmente não posso. Não posso fazer isso. Sua expressão escureceu. — Eu sei que não mereço uma segunda, ou terceira, ou o que diabos seja essa chance, mas você e eu temos algo especial, Luce, e você sabe disso. Me de outra chance, mais uma chance, e eu vou andar na linha reta que até as pessoas vão pensar que eu fui possuído. — Deus, eu queria olhar para longe dos seus olhos, mas eu simplesmente não conseguia. Eles eram impossíveis de ignorar. — Mais uma chance. Não porque eu mereço, mas porque nós merecemos uma. Se as lágrimas de crocodilo que eu tinha chorado em anos fosse qualquer indicação do nosso futuro juntos, isso deveria fazer a minha decisão mais fácil. — Eu não posso. — sussurrei. — Por quê? Porque você não pode ou não quer? Uma mentira ia ser a única esperança que eu tinha de convencê-lo de que não estava lutando com cada desejo para estar com ele. — Porque eu não quero estar com você, Jude. — as palavras inflamadas na minha garganta. Seu rosto caiu por apenas um segundo antes de voltar a ficar afiado. — Mentira. — ele disse, balançando a cabeça para mim. — Eu estou tão acostumado a lidar com

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mentirosos. Sei quando uma mentira vai vir antes de uma pessoa abrir a sua boca. Eu

era

a

pior

mentirosa

ao

redor

de

Jude,

considerando que ele era o melhor mentiroso que poderia existir eu sabia que não iria conseguir sair tão facilmente daqui. Bancar a mentirosa para Jude nunca iria funcionar. — Eu não faço parte do seu roll de pessoas, Jude. Não sou uma ladra, ou revendedora. Eu não minto através dos meus dentes, de modo que você pode querer recalibrar o detector de mentiras. Seus olhos ficaram treinados em mim, sem piscar. — Tudo bem. Convença-me então. Convença-me que você não me quer como eu quero você. Ele não ia deixar isso pra lá, ele não ia me deixar ir tão facilmente. Foi tão romântico quanto irritante. — Eu já disse tudo. — Fodam-se as palavras. — ele interrompeu. — Não acredito no que você disse. Convença-me através de ações. Essa coisa toda respiração estava ficando difícil de fazer de novo. — Eu quero saber o que isso significa? Então, sem aviso, ele puxou minhas pernas me deslizando no chão em direção a ele. Inclinando-se para mim, os olhos deslocados para baixo. — Beije-me. — ele disse, sua boca tão perto da minha que elas quase se tocavam. —

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Convença-me que eu não sou nada, só algum algum garoto aleatório que você deixou no passado. Eu não tinha mais nenhuma força em mim, e então eu era um brinde. — Não é uma boa ideia. — falei, minha voz trêmula. Sua

mandíbula

se

esticou

quando

seus

braços

enrolado ao redor de mim. — Me beije, Luce. Assim, eu fiz, e no momento que meus lábios tocaram dele, essa dor fez todo o caminho até os meus ossos à semana passada evaporou. Só isso. Pressionando em mim, Jude me colocou novamente para o chão, com os lábios nunca deixando os meus. Seu peso descansou sobre o meu, me protegendo, impedindo-me de despedaçar. Isso só me fez beijá-lo mais difícil. — Merda, Luce. — ele respirou, quando minhas mãos deslizaram por sua camisa, segurando em suas costas. E então sua mão estava sob meu suéter, levantando-o, explorando as partes de mim que eu precisava dele. Sentando-me apenas o suficiente, eu levantei meus braços no ar, esperando por ele para tirá-lo. Ele conseguiu removê-lo com uma mão, um segundo antes de me prender ao chão novamente. Estávamos perto, uma palavra minha e ele iria fazer todo o caminho. Ele estava pronto, e eu estava pronta desde o dia que o vi pela primeira vez. Eu não estava pensando sobre

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o nosso passado, quando sua mão deslizou por baixo do meu sutiã, e não estava pensando em nosso futuro quando sua boca tomou o seu lugar, eu nem estava pensando sobre o presente, eu estava vivendo. Sua boca se moveu para o meu pescoço enquanto suas mãos viajaram sob o elástico das minhas leggings, puxandoos para baixo. Eu levantei meus quadris para fazer o trabalho mais fácil. — Você tem certeza? — Ele perguntou, beijando os meus cabelos. Eu nunca tinha tido mais certeza sobre o que ele estava perguntando, mas um toque de realidade fez o seu caminho em meu sub inconsciente e, como eu não precisasse de um lembrete, a realidade me sugou novamente. — Espere. — eu disse entre respirações, querendo colocar um pedaço de fita adesiva na minha boca um segundo depois. Seu corpo ficou tenso sobre o meu, suas mãos pararam imediatamente. Mas sua boca tomou um pouco mais. Finalmente, movendo seu rosto sobre o meu, ele sorriu torturado. — Tudo bem. — ele disse. — Eu espero. — eu podia ouvir as suas perguntas silenciosas, elas estavam escritas de modo expressivamente em seu rosto. Por quê? E por quanto tempo?

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Créditos para Lucy Larson por ser capaz de deixar Jude Rider abobado. — Não é porque não quero... Porque eu quero. — eu disse, meu coração ainda estava batendo disparado. — Eu realmente quero, mas não quero que nossa primeira vez seja em um chão de madeira quando estou fedida, suada e vestindo roupas íntimas vergonhosamente simples. — é por isso que você nunca deve sair de casa sem alguma calcinha de tirar o fôlego dos homens. Sorrindo para mim, ele beijou meu nariz. — Alguma outra hora. — ele disse, colocando minhas leggings de volta ao redor da minha cintura. — Em qualquer outro momento. — eu enfatizei, convencida de que o sexo suado e fedido com Jude no chão onde eu dançava há 15 anos, era melhor do que a falta de sexo. Estava prestes a lhe dizer isso quando ele sentou-se, me puxando com ele. — A propósito, você falhou no teste de me convencer. — ele agarrou minha camisa e a puxou sobre a minha cabeça. — Isso foi antes ou depois que eu tirei minha camisa? — perguntei, terminando de arrumar a camisa. Ele me deu um olhar fresco. — Antes. — Só verificando. — eu disse, puxando as mangas sobre meus cotovelos, porque dar uns amassos em Jude

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Ryder me deixa com todos os tipos de calor, principalmente a temperatura corporal, — Essa foi a primeira? — Eu vou pedir mais esclarecimentos sobre isso antes de amarrar minha própria corda envolta do meu pescoço por respondê-la. — ele disse, seus olhos ainda dilatados, ainda animados. — Essa foi a sua primeira vez com uma menina em um estúdio de balé... — comecei, — E que ela te rejeitou? — sorri, tomando um gole de água. — Essa foi a primeira. — ele disse, me puxando para seu colo. — Pelo menos eu tenho uma dessas primeiras vezes. — provoquei, passando meus braços ao redor dele. Levantando a mão ao meu queixo se inclinando. Ele não falou até que eu encontrei seus olhos. — Você tem todos os meus primeiros. — ele disse. — Todos os que importam. Dei um beijo em sua boca. — Mas, Luce, preciso que você me prometa alguma coisa. — ele disse, seu rosto preocupado, — Se eu bagunçar as coisas de novo, mesmo sendo um mal-entendido, ou apenas azar, ou eu fazendo o que fui criado para fazer e estragando tudo... — ele fez uma pausa, expirando. — Eu quero que você me prometa que vai sair. Deixe-me cair, como um mau hábito, e não olhe para trás, porque Deus sabe, eu nunca vou me perdoar se te machucar de alguma forma.

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Hey realidade, se você estiver ouvindo isso, vá se foder. — Você não vai. — eu disse, querendo ou desejando que fosse verdade, provavelmente ambos. — Eu sei. Mas me sentiria melhor se você prometesse. — ele disse, colocando a parte de trás da sua mão no meu rosto. — Isso me motivaria a não fazer mais asneiras. — Ok. — eu disse, já lamentando as palavras antes de falar. — Eu prometo.

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Capítulo Quinze sei,

-V

mas

algosobre

ocê vai ficar em apuros?— sussurrei através do assento. Por que eu estava sussurrando no meu carro, eu não a

casa

escurae

utilitária

que

nósparamosem frente,me fez falar em voz baixa. — Vocês não têm algum tipo de toque de recolher? — Você não? — Jude brincou, inclinando-se sobre o console e fazendo cócegas na minha cintura. — Sim, tenho. — respondi, me sacudindo para longe dele. — E já passei da minha hora. Além disso, estou de castigo e realmente não me importo com as regras ou sobre estar de castigo. Então, eu apenas estou em um super castigo. — Você estava em seu estúdio de dança. — ele disse, limpando a garganta — Aperfeiçoando seus movimentos. Como os seus pais podem puni-la por isso? — Você tem o dom de distorcer a história. — eu disse, empurrando seu braço antes de olhar de volta parao Boys Last Chance. Nada sobre ela parecia acolhedora, ou quente, ou propícia para transformar meninos em homens. Ela parecia o tipo de lugar que você convence seus amigos para ir até lá no Halloween e tocar a campainha. — Você tem certeza

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que não vai ficar em apuros? — olhei para a hora no painel do carro; não é bem meia-noite,mas é perto o suficiente para contar como se fosse. — Não enquanto se eu usar a janela de trás e não ser pego. — ele disse, estendendo a mão para a porta. — Jude. — eu disse, enrolando meus dedos em torno do volante, procurando as palavras certas. — Sim? — Ele soltou a porta e se virou para mim. — Só porque quero realmente tentar fazer isso dar certo e essa coisa toda... — Eu também. — ele acrescentou. — Eu só quero colocar tudo sobre a mesa agora, antes de ir mais longe. — estava nervosa, e quando ficava nervosa, minha voz ficava elevada. — O que você quer saber? — perguntou, supondo que eu não estava querendo uma história de vida, mas querendo algo específico. Ele estava certo. Tomando um fôlego, eu pressionei. — Há alguém do seu passado que poderia surgir entre nós? — perguntei, olhando para ele. — Qualquer pessoa em sua vida que eu preciso saber? Jude inclinou a cabeça, parecendo intrigado. — Você está falando de uma menina?

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— Não especificamente, porque não sei e nem quero saber sobre as meninas do seu passado, eu só preciso saber se há alguma que você ainda tenha alguma espécie de laços. — eu tinha tentado limpar o nome de Holly do meu cérebro durante toda a semana, mas eu era uma mulher, e nós não esquecemos o nome da ex do nosso homem. — Hey. — ele disse, baixando a cabeça até que seu rosto estava no mesmo nível que o meu. — Não. É você, Luce. Só você. E não deixe que ninguém, nem você mesma, te convencer de outra forma. Tudo dentro de mim suspirou com alívio. — Ok, obrigada. — eu disse, desenrolando os dedos da roda. — Algo mais para ser colocado sobre a mesa? Olhando para ele, molhei meus lábios. — Nada além de mim. Seus olhos se arregalaram de surpresa, antes que ele pudesse se recuperar. Rindo, ele disse, — A qualquer momento, Luce. Nomeie o tempo e lugar. E eu estarei na mesa. — Certifique-se de limpar seu amiguinho lá embaixo primeiro. — gritei para ele, depois que abriu a porta. — Eu não quero que ninguém, além de nós dois, esteja nessa mesa também. Parando com a mão na porta, ele de repente virou-se e se atirou de volta no carro. Sua boca estava na minha antes

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do meu coração poder reagir e, em seguida, uma vez que meu coração estava disparado, sua boca deixou a minha. — Só você, Luce. Ninguém mais. Nunca houve. — Isso soa como um caso prático de memória seletiva. — eu disse, desejando que ele voltasse e terminasse o que tinha começado. — Eu tento apenas manter as memórias felizes — ele disse, saindo do carro. — Se é isso que você chama de memória seletiva, eu estou bem com isso. — Eu também. — respondi depois que ele deixou, vendo-o desaparecer no escuro ou entrando no abrigo de meninos, eu não podia ter certeza.

Estava virando uma visão familiar. Uma luz acesa em uma janela à noite, com a silhueta da minha mãe por trás dela. Ou eu estava na merda, ou na mais profunda merda por chegar em casa tão tarde da noite na segunda última noite da minha sentença de castigo. Pegando minha bolsa, eu saio do Mazda e marcho até as escadas, nem mesmo tento mascarar meus passos. Não tinha certeza do que esperar quando entrei pela porta da frente, saber o que esperar da mamãe era como jogar uma moeda. Na parte da manhã, ela pode ser fria, rígida, e agir como se eu fosse a ruína da humanidade, e à

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noite, ela poderia trazer biscoitos perguntando se eu tinha aprendido alguma coisa interessante na escola naquele dia. Durante anos, eu tinha sido capaz de prevê-la, eu sempre

sabia

o

que

esperar,

e

poderia

assim

consequentemente adaptar a minha vida em torno disso. Agora, Eu não consigo. Para uma adolescente que prosperou em manipular as rotinas e regimes de seus pais, para que eles pudessem fugir de todas as formas de hedonismo, eu deveria estar devastada além do reparo. Mas eu não estava. Vendo as peças de minha mãe, a da minha infância, voltarem juntas, me fez sentir como se talvez houvesse esperança para a nossa família depois de tudo. Talvez nunca pudéssemos voltar ao que éramos, mas tentaríamos seguir em frente. Era um desejo infantil, mas eu o segurei. Abrindo a porta, parei, esperando a mamãe chegar em cima de mim, não tendo certeza se ela estava indo repreender ou sorrir para mim. Mas ela não fez nem uma coisa, nem outra. Sua atenção estava focada em seu laptop e nada mais. — Ei, mãe. — eu a cumprimentei, largando minha bolsa em uma cadeira próxima. — Estou indo para a cama. — Lucy. — ela disse, parecendo confusa. Girando em sua cadeira, ela olhou para mim e, em seguida, o relógio na parede atrás de mim. Seus olhos incharam. — Você está chegando em casa só agora?

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Ótimo. Ela tinha acabado de se transformar no meu pai. Não tenho a menor ideia do que estava acontecendo em sua casa, mas era cordial suficiente para não levantar a voz. — Sim. — eu disse, pegando uma maçã no balcão. — Estava no estúdio de dança praticando uma nova rotina. E eu perdi o tempo. Desculpe. — estava envergonhada o suficiente para abaixar minha cabeça. Mentir não era algo que eu queria colocar na lista como uma habilidade no meu currículo. — Oh, eu vejo. — a mãe disse, empurrando os óculos para cima de sua cabeça. — Está tudo bem, é só ligar na próxima vez que você for estar em casa tão tarde, ok? — Sim, claro. — concordei, pegando um par de biscoitos do frasco porque eu estava, pela primeira vez em uma semana, com fome. — Boa noite, mãe. — falei, indo para as escadas. — Lucy, espere. — ela disse, pegando algo de sua mesa e cruzando a sala. — Isso chegou mais cedo hoje. — Ela estava rindo, rindo. Minha mãe tinha sorrido antes, mas eu não conseguia me lembrar de uma ocasião que ela riu. Olhando para o envelope pardo recheado que estava segurando, eu entendi o porquê. Meus joelhos se dobraram bem antes de eu desabar sobre as escadas. — Juilliard. — ela disse, segurando-o para mim com ambas as mãos como se fosse uma oferenda.

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Eu estava esperando por isso desde o ano passado. Bem, eu estive esperando por isso desde o dia que aprendi o que era Juilliard. O papel estava nas mãos da minha mãe, o papel que iria decidir o meu futuro, o futuro que eu gostaria de viver. Saber que um pedaço de papel tinha a palavra final em me deixar viver o sonho que eu sempre quis era paralisante. — Esta coisa é muito grossa. — mamãe disse, estendendo-o mais perto, — E minhas habilidades psíquicas estão me dizendo que este é um pacote de boas-vindas. Então vamos abrir o envelope e comemorar. Juilliard. Dançar. Sonhos. Futuro. Estava tudo lá, ou não, um envelope aberto. Mas eu não estava pronta para isso. — Obrigado, mãe. — eu disse, pegando o pacote e subindo as escadas. — Você não vai abrir? — ela perguntou, olhando para mim como se eu tivesse em um sórdido caso de loucura. — Não agora. — respondi bocejando. — Estou exausta e

provavelmente

adormecerei

antes de

ler

o

primeiro

parágrafo. Vou dar uma olhada amanhã. — Lucy? — sua voz era apertada, preocupada. — Estou bem, mãe. — eu disse, olhando para ela do topo da escada. — Eu juro. Estou apenas cansada. Prometo

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que você vai ser a primeira a saber, quando eu abrir este bebê. — acenei o pacote para ela. — Tudo bem. — ela disse, me olhando confusamente. — Às vezes eu não consigo entender você. — Então somos duas. — murmurei, correndo todo o caminho para o meu quarto.

O pacote ficou me assombrando da minha mesa por todo o longo fim de semana. Mamãe não tocou no problema e eu simplesmente não conseguia encontrar a coragem para abrir a maldita carta. Eu nem sequer falei com Jude quando ele me ligou sábado bem cedinho. Eu queria ficar junto com ele naquela noite novamente, talvez jantar e um filme, ou talvez recomeçar bem onde paramos no estúdio de balé, mas, aparentemente, além dever de casa, as funções de fim de semana na no abrigo dos meninos eram sinônimo de trabalho. Então, lutando uma batalha interna no meu quarto, tomei uma respiração, cerrei os dentes e dancei, ignorando a dor que vinha sentindo desde sexta à noite. Segunda feira não poderia chegar rápido o suficiente. Estacionei o Mazda e tudo ficou claro através dos detectores de metais 10 minutos antes da aula começar. Os corredores estavam vazios para guardar alguns poucos

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alunos e professores de olhos cansados. Eu sabia melhor do que ninguém que Jude não iria estar na escola tão cedo, mas isso não me impediu de parar no seu armário para ter certeza. Minha carranca estava formando na frente de seu armário vazio quando uma mão forte agarrou minha e começou a me levar pelo corredor. Eu não precisei identificar à camisa cinza ou o gorro usado para saber qual mão segurou a minha. Jude não disse nada, ele nem sequer olhou para mim, ele só caminhou, me empurrando em um quarto escuro no final do corredor. — Bom dia para você tamb... — mas minhas palavras foram interrompidas quando ele me empurrou contra a parede, as mãos descendo para a minha cintura, a boca sobre a minha, como se ele tivesse ficado faminto durante todo o fim de semana. Eu o beijei de volta, enrolando meus braços em volta de seu pescoço. E então, perto não era o suficiente, eu usei a minha força, a flexibilidade de dançarina e pulei, enrolando as duas pernas ao redor de seus quadris. Ele gemia, me pressionando mais contra a parede, sua boca se movendo sobre a minha com tanta fúria que eu não conseguia respirar. Eu não me importava. Na verdade, beijar Jude Ryder me deixava totalmente sem fôlego. Bem quando eu estava certa de que essa era a hora e o local que iríamos percorrer todo o caminho, seu beijo

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diminuiu de intensidade, ao mesmo tempo ele me abaixou para o chão. Agora não era o momento da velocidade diminuir, não quando tudo em mim estava acelerado, prestes a explodir se ele não continuasse. Eu gemi quando ele pressionou um beijo final na minha boca. — Bom dia. — ele disse, sorrindo como um idiota. Eu gemi de novo quando ele deu um passo para trás. — Também senti sua falta. Tentei olhar para ele, mas, aparentemente, era uma impossibilidade física quando a pessoa que tinha acabado de tirar todo o seu fôlego, estava sorrindo na sua frente. — Você é mau. — Eu sei. — ele disse, escovando meu cabelo para trás — Mas pensei e sonhei com você durante todo o fim de semana. Eu precisava disso. — Você pensou em mim durante todo o fim de semana? — meu estômago deu um flip-flop. — Isso era tudo o que eu pensava. Outro flip-flop duplo. — Será que eu atendi às suas expectativas? — Superou. — ele disse, se inclinando para perto. — Mas nos meus sonhos você estava vestindo uma saia de

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colegial curta sem nada embaixo. — senti seu sorriso crescer no lugar que ele beijou meu pescoço. — Amanhã é outro dia. — eu respirei, apertando minhas pernas juntas em agonia. — Continue sonhando alto. — Posso tentar. — ele sussurrou em meu ouvido antes de afundar seus dentes na minha orelha. — Não engula o meu brinco. — eu disse, minha respiração irregular novamente. — Acho que prata esterlina pode realmente chatear seu estômago. — Não tem nenhum brinco aqui. — ele disse, dando outra mordida suave em minha orelha. Eu gemi de novo, mas desta vez foi o tipo de frustração. — Ele deve ter caído quando você me jogou contra a parede — falei, lhe enviando um olhar de ‗você deixou meu brinco cair no chão‘, passando minhas mãos ao longo do tapete. — Tem certeza de que estava usando um brinco? — ele perguntou, olhando pelo chão. — Eu não me lembro de ter visto um. — Acho que você pulou através dos quatro sentidos esta manhã e colocou tudo no toque. — olhei para ele, levantando meus joelhos para absorver mais do tapete. A aula estava prestes a começar a qualquer minuto e eu ia isolar o quarto inteiro antes de deixar minha prata favorita para trás.

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Andando mais perto, ele continuou a procurar pelo chão comigo. — Acontece que esse é o meu sentido favorito. — Não! Está brincando? — eu disse sarcasticamente, pronta para ir para o corredor e inspecionar o piso um centímetro de cada vez. — Oww! — uivei, ficando de joelhos, esperando um pedaço de cabelo não tinha acabado de ser arrancado. — Luce, espera. Não se mova — Jude disse, segurando minha cabeça no lugar. — Seu cabelo está preso em alguma coisa. tentei puxar na direção oposta, mas um punhado do meu cabelo foi arrancado. — Ele está preso em seu fecho. — eu disse, o destino deveria estar relutante em permitir que um cabelo curto fosse pego em um pedaço de metal tão pequeno. — Pare de se mover — ele disse, segurando minha cabeça no lugar. — Você só está fazendo isso ficar pior. Afastei-me de novo, fazendo uma careta de dor. — Pare de me dizer o que fazer e comece a desembaraçar isso logo. Ele riu, tentando tirar um pedaço, mas ele não podia parar. — Você está gostando disso, não é? — perguntei, olhando para ele através de um emaranhado de cabelo.

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— Eu gostaria de poder dizer que não, mas eu estaria mentindo. — ele disse, entre o riso. — Você é tão desagradável. — eu disse, agarrando seus quadris e me preparando para a extração do cabelo. Eu estava rangendo os dentes, prestes a puxar minha cabeça para trás e, a porta se abriu, as luzes do teto piscando logo depois. — Cara. — uma voz disse, parando na porta. Outro menino colocou a cabeça sobre o ombro do primeiro. Ele levantou um celular e apontou onde eu estava ajoelhada na frente de Jude, com as mãos em seus quadris, suas mãos sobre minha cabeça e um flash disparou. — Isto vai para a internet.

Quando tudo foi dito, feito e o cabelo desembaraçado, a minha foto e a de Jude já era viral, cerca de dez mil acessos, tudo antes do sino do almoço tocar. Dois alunos do segundo ano tiveram seus telefones partidos ao meio e nunca mais ousariam passar por Jude sozinhos em um corredor de novo, mas de outra forma Jude conseguiu o impensável e manteve seu temperamento infernal enjaulado. Eu estava tão surpresa e impressionada que isso não conseguiu me deixar tão nervosa, eu consegui ficar muito zen

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com toda South Pointe, e também com toda a parte ocidental do país recebendo uma cópia da nossa sessão de fotos. Na verdade, nem sequer senti o desejo de nos defender ou explicar o que realmente aconteceu antes que eu acabasse de joelhos, com as mãos em seus quadris, a cabeça em seu zíper, porque, bem... Ninguém em sã consciência iria acreditar na verdade. Então eu suportei outra onda de olhares e cochichos, as meninas olhando para mim como se eu fosse a puta que trouxe o diabo para dizimar o mundo, e os caras me olhando com os olhos dilatados e sorrisos tortos, como se estivessem imaginando-me de joelhos na frente deles. As meninas que eu conhecia pareciam estar me evitando, será que elas iam falar para seus namorados me evitar no laboratório de biologia? Eu estava sendo ignorada, porque eu era uma menina. No entanto, os caras podiam fazer de tudo, tudo o que queriam. Alguns dos meninos abriram espaço para alguém passar. — Hey, Morrison! — Jude deslizou para perto de mim, gritando para o cara e algumas pessoas na minha frente que estavam me olhando de uma forma familiar. — Vire seus olhos a menos que queira perdê-los. Morrison inclinou o queixo para Jude. — Ryder, você é um sortudo filho da puta.

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Um impulso que era quase impossível resistir surgiu, me ordenando a jogar o meu prato de gelatina vermelha coberta por um montão de chantilly diretamente no rosto presunçoso de Morrison. Ponto em branco. Jude ficou na minha frente, me pressionando atrás dele com o antebraço. — Se você está se referindo ao fato de que minha namorada é inteligente, elegante e uma menina muito doce, você pode estar certo. — ele disse se virando para Morrison — Mas se você está se referindo a algo menos do que honrosamente, então você pode querer fazer alguns ajustes para aplicações da sua faculdade, porque eu não acho que a Estadual do Arizona vai te querer se não puder correr atrás da bola. Morrison deu a Jude uma saudação e virou-se, enquanto uma rodada de riso passou por seu trio de amigos na fila do almoço. — Lace e seu bando de bastardos. — Jude murmurou, olhando para a parte de trás de suas cabeças. — Se eu ouvir que eles correram a boca ou seus olhos sobre você de novo, vou mostrar a eles como fazemos as coisas na minha casa. Caminhando para frente, eu virei para ele. — Isso soa como alguém que está comprometido a ficar do lado bom da lei? — perguntei, arrastando um pedaço de pizza na minha bandeja. — Isso soa como alguém que prometeu a sua... — Namorada. — ele encheu o espaço em branco, enrolando seus braços em volta de mim.

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— Sua namorada, que não faria nada para mexer com isso? Porque ir para a cadeia por tentativa de homicídio pode ser considerado crime por algumas pessoas. — Mulher. — ele exalou, descansando sua bochecha contra a minha, — Você está arrebentando minhas bolas. Em todos os sentidos. — Qual foi a promessa que estava prestes a me fazer de não tocar em Morrison e seu grupo de merdas? — Eu disse, pagando a senhora do almoço que não estava nem mesmo tentando mascarar o julgamento em seus olhos. Alguém tinha visto nossa foto. — Tudo bem. — ele cedeu, me levando para o pátio. Ou ele estava lendo a minha mente, ou estava sentindo a mesma coisa

que

eu:

cansado

dos

olhares

sugestivos,

e

se

esquivando de perguntas. — Eu não vou tocar nos gays enrustidos. — agarrando a maçaneta da porta, girou-a aberta para mim. — Mas não posso prometer que não vou pagar alguém para tocá-los. — ele acrescentou, quando passei. Eu o cutuquei no estômago. — Encontrei o seu brinco. — ele disse, puxando meu aro de prata do bolso. — Onde estava? — perguntei, o pegando e deslizando de volta no lugar. — Situado dentro da minha cueca.

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— Como diabos ele foi parar lá? — perguntei, tendo todo o tipo de pensamento suave sobre suas boxers. — Não sei. — ele disse caminhando pelo jardim quase vazio, — Mas vamos apenas dizer que eu estava perto de se ser perfurado. Nas minhas partes baixas. Eu ri, dando o brinco faltando um tapinha. Ele teve uma manhã melhor do que a minha. Ninguém olhou para nós quando caminhamos pelo gramado até uma mesa vazia. Era um dia frio, do tipo em que você desejaria estar com um suéter, mas com Jude pendurado em torno de mim, eu me encontrei esperando que nunca mais tivesse que arrumar um suéter na minha vida. — Namorada, hein? — Eu disse, colocando a pizza na frente dele. — Namorada. — afirmou. — Mais alguma pergunta? Sorri para minha bandeja. — Qual número isso faz de mim? Ele suspirou. — Um. E só. Eu lhe disse antes, Luce. Você é minha primeira e, se Deus quiser eu não estragarei tudo. Foi uma coisa boa que eu não tinha afundado os dentes na maçã, porque eu teria engasgado. Ele deveria ter me assustado como o inferno, meu namorado, que tinha sido preso o triplo de vezes do que nós já fomos para um encontro, está trazendo o ‗ para sempre‘ para uma conversa normal,

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mas isso pra mim não era uma conversa normal. Ele não estava propondo casamento amanhã e um bebê no dia seguinte, ele estava dizendo, um dia, talvez. E ‗um dia, talvez‘ soou atraente para mim de maneiras que uma menina de 17 anos de idade, com o sonho de um futuro brilhante, não deveria achar. — Com quantas meninas você esteve Jude? — perguntei, fazendo a pior pergunta que uma menina deve perguntar a um cara como Jude. Eu estava esperando um número inferior a 50. Ele abaixou a fatia de pizza antes de dar uma mordida. — O suficiente para saber quando se tem algo especial. — E se você fosse quantificar o suficiente, esse número seria... — deixei minha maçã também. Com este tipo de conversa

circulando, diminuição apetite era um

efeito

colateral esperado. — Luce, eu não quero mais falar sobre o meu passado. Eu não quero ficar falando de novo e de novo sobre quantas vezes eu estraguei as coisas. — ele disse, com as mãos apertando os punhos. — Sei que as meninas têm algum fascínio doente de saber o nome, o tempo, e como nós conhecemos as meninas antes de vocês, mas eu não estou dando isso a você. É muito, provavelmente até muito mais do que o número que você tem na sua cabeça. — meu estômago se apertou — Mas eu não amei nenhuma delas, e nenhuma delas me amava também.

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— Parece romântico. — murmurei, empurrando minha bandeja para longe. — Foi você que quis saber. — ele disse, ocupando o banco para me enfrentar. — Ouça, não se faz essa pergunta para um cara como eu, vocês não querem saber as respostas, Luce, porque eu vou fazer o meu melhor para ser honesto com você. Não vou mergulhar em meu passado, a menos você queira sair do meu futuro. Eu já aprendi isso um tempo atrás, mas como ter um relacionamento com alguém que você não saiba nada sobre algum passado, presente ou futuro em algum nível? — Então, se você não gostou de nenhuma delas e nenhuma delas gostava de você, por que você fez... — sada palavra saltando da minha boca, — Por que você fez? — Você quer saber isso? — perguntou, me desafiando com os olhos. — Realmente quer saber esse tipo de coisa? Balancei a cabeça uma vez, porque eu era uma garota estúpida. O aceno Jude ecoou o meu. — Para mim, era uma fuga. Uma maneira de esquecer que a minha vida era um abismo de merda por pouco tempo. E para as meninas... — ele disse, levantando os ombros — Elas estavam olhando para mim para irritar seus pais médicos e militares, quando descobrissem que suas preciosas filhas estavam se agarrando com o menino ruim. Isso, ou elas só me achavam realmente sexy e queriam saber como eu era na cama. — seu sorriso

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apareceu em um lado, que eu coloquei um fim rápido quando meu cotovelo conectado com seu estômago. — Isso não é engraçado. — eu o repreendi, segurando à mesa de piquenique, porque era impossível a carranca em meu rosto. — Desculpe, desculpe. — ele riu, esfregando os braços. — Às vezes, a única maneira que eu posso tentar relembrar a minha vida de merda é através do humor. — ele disse, virando meu rosto para cima. — Mas a verdade, sem humor honesto, é que eu não me importava com elas, e elas não se importavam comigo. Ele olhou fixamente para os meus olhos, e ele não podia olhar para mim do jeito que estava olhando agora e não ser honesto. — Ok. — eu disse, aliviada este tópico estava oficialmente enterrado agora. — E se isso ajuda você saber disso, o sexo era insatisfatório. — Isso não ajuda, mas obrigado pela nota de rodapé. — eu disse, pegando minha maçã de volta. — Você sabe, parece que você e eu estamos nos beijando, ou fazendo coisas aparentemente erradas, ou discutindo assuntos que são melhores mantidos em túmulos em que eles já foram enterrados. — ele disse, mastigando

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uma fatia de pizza. — Por que não podemos simplesmente ter uma conversa normal, todos os dias? Pensei sobre isso enquanto eu mastigava minha maçã. — Você está certo. — eu disse. — Como você pode ser meu namorado se eu não sei o seu ponto de vista político, ou o que você pensa sobre o tempo, ou o que achou do último filme que viu no cinema? — É um bom ponto. — ele riu, bebendo uma lata inteira de refrigerante em cinco segundos. — Vamos parar de nos meter em problemas. E também largar aquelas coisas enterrads. Basta apenas me beijar, ou fazer qualquer outra coisa que você possa ter em mente. — ele disse, meneando suas sobrancelhas, — Até que eu esteja suficientemente louco e meu cérebro tão embaraçado que eu não possa mais falar diretamente. — Isso soa como um relacionamento satisfatório. — eu disse, me virando e ocupando o banco para encará-lo. Ele estava certo sobre uma coisa, eu estava cheia dessa coisa toda de falar nesta hora de almoço. A pizza escorregou de suas mãos e caiu no chão. — Eu vou lhe mostrar como fazer. — ele disse, olhando para a minha boca. Sua boca estava tão perto de tocar minha, eu já podia sentir o gosto quando uma mochila bateu na mesa em frente a nós.

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— Ei, Lucy. — Senhor, me ajuda. As frases de Jude e Sawyer se sobrepõem uma à outra à medida que ambos olham um para o outro. — Ryder. — Sawyer diz, estendendo a mão. Ela ficou estendida um tempo antes de Sawyer colocá-la no bolso. — Como vai? — Eu estava indo fantasticamente... Cutuquei sua perna em um aviso. Até agora, Sawyer estava sendo justo. — É claro. — Sawyer disse, olhando entre nós dois. — Desculpe interromper vocês dois. Eu só queria dizer uma coisa e então vou embora. — Bem. — Jude disse, colocando seus braços em volta de mim. Tão territorial. — Diga a coisa. Sawyer sorriu. — Não quero que você tenha a ideia errada, se você ouviu sobre eu levando Lucy para casa depois do baile. Eu vi um amigo que precisava de ajuda e a ajudei. Sei que ela é sua garota, Jude. — Então isso significa que você vai parar de olhar para ela cada vez que você a vê no corredor? — Jude perguntou, olhando para Sawyer.

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— Vou tentar. — ele disse, esticando o pescoço. — Ela é uma menina bonita, Ryder. Você é um homem de sorte. — Não me diga o que eu tenho, como eu não soubesse disso. — Jude disse, com seus braços enrijecendo. — Jude. — eu avisei. — Nossa, cara, fica tranquilo. — Sawyer disse, levantando as mãos e andando para trás. — Eu não tive a intenção de ofendê-lo, só queria dizer que não tem nada demais acontecendo. — o lhando para mim, o seu sorriso se tornou superior. — Vejo você no quinto período, Lucy. Eu lhe atirei um olhar quando ele se virou e empurrou a porta. — Acho que eu não poderia odiar essa merda mais do que já odeio, mas eu deveria saber que um idiota desse grau não tem limite de ódio. — Jude olhou para a porta. Sawyer já tinha entrado. — Alguém já mencionou que você pode ter problemas de raiva? — eu disse, olhando para ele. A partir do olhar de ódio nos olhos de Jude, você teria pensado que ele nunca tinha odiado ninguém mais. O rosto de Jude se suavizou um pouco. — Apenas algumas dezenas de vezes por ano desde a puberdade. Enrolando meus dedos através dele, dei outra mordida da maçã. — O que Sawyer fez para você ficar chateado cada

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vez que o vê? — perguntei, mastigando pedaços de maçã. — Porque, apesar de ele ter um senso inflado de si e um sorriso tão branco que não registra na paleta de cores, ele não parece ser um cara tão ruim. Jude virou em cima de mim, com os olhos arregalados. — Sawyer Diamond é o que acontece quando Deus vira a cabeça por um segundo. Um cara que não merece uma segunda

chance,

ou

misericórdia,

ou

compreensão,

especialmente de uma garota como você, Luce, porque ele vai torcer para que aconteça algo que possa usar para manipulála. — suas mãos estavam apoiadas em meus braços, segurando-me firmemente. — Eu quero que você fique longe dele, Luce. Não fale com ele, ou olhe para ele, ou o reconheça de qualquer forma. Você me entendeu? Porque ele pode negar tudo o que ele quiser e fingir que é um líder de torcida para você e para mim, mas ele te quer tanto que provavelmente está no banheiro batendo uma punheta agora. — Eca, Jude. — eu disse, fazendo uma careta. — Nojento. — Basta ficar longe dele, Luce. — ele disse. — Eu conheço aquele babaca há dez anos e agora posso dizer quando ele está tramando algo. E ele está tramando alguma coisa. O sino do almoço tocou. Nós dois gememos, jogando nossos almoços meio comidos no lixo. — Tenho três classes

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com o cara, que eu deveria ficar longe. — eu falei, enquanto Jude pegava sua mochila e jogava sobre suas costas. — Eu quero que o chute no saco toda vez que você vêlo. — ele disse, sem um traço de brincadeira em sua voz — E depois de alguns desses, ele vai ficar longe de você. — Agora, por que não pensei nisso antes? — Eu disse, batendo a palma da minha mão contra a minha testa. — Porque você é doce e inocente e não sabe sobre coisas sinistras e sobre babacas desavisados. — ele disse, abrindo a porta do pátio para mim. — Deixe o trabalho sujo para mim, Luce. Você fica como a menina doce. — E chutar as bolas de Sawyer não é considerado trabalho sujo em seu mundo? — Se é das bolas de Sawyer Diamond que estamos falando de chutar... — ele disse, sorrindo para si mesmo — É apenas muito divertido.

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Capítulo Dezesseis

A

lgumas semanas se passaram, e a foto fezo seu caminho para o fundo da pilha dramática quando o assunto da cidade deslocou-se para

South Pointe e o seu mais novo quarterback. Jude amaldiçoado

sozinho na

levou

competição

um ao

time topo

historicamente do

ranking

na

conferência. Estávamos em quatro e um, e a última derrota aconteceu durante o primeiro jogo da temporada, antes de eu começar a namorar Jude. Eu disse a ele que eu queria metade de seus ganhos quando ele fosse um grande quarterback da NFL39. Ele disse que eu poderia ter o ganho todo. O irônico foi que um dia depois de ter dito isso, o treinador veio avisar que um olheiro estaria no próximo jogo de sexta-feira. Todos os carasna equipe ficaram comentando sobre isso, e sugeriram para suas namoradas e pais que aqule era um passeio completo para a liga profissional, mas todossabiam que a única razão pela qual uma dúzia de olheiros iria estar presente em um jogo daSouth pointeera devido a um certoJude Ryder. — Você é uma visão de lantejoulas de ouro e spandex vermelho. — uma voz que eu tinha evitado por semanas disse atrás de mim. 39

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Liga profissional de futebol americano.


Eu exalei, olhando para Jude. Ele se elevou sobre um amontoado de, aparentemente, pequenos meninos do ensino médio, exatamente na hora. Então respondi: — Oi, Sawyer. — eu poderia ter soado mais entusiasmada, mas evitei fazê-lo por uma razão. Se Jude disse que ele era alguém para se evitar, claro que significava que ele era alguém para se evitar. — O quê? — ele disse, deslizando para perto de mim. — Isso foi uma resposta verbal de verdade? Não pode ser. — Você está me lembrando porque eu fui verbalmente ausente em torno de você? — perguntei, esticando o meu uniforme da equipe de dança. Como eu era a mais alta, ele ficava um pouco colado, eu não achava ele curto de mais, até os olhos de Sawyer deslizarem sobre mim. — Desculpe. — ele disse, se afastando. Dei um passo para o lado. — O humor é a minha arma quando meu ego é ferido. — Ele cruzou os braços, procurando uma posição melhor. Dei mais um passo para o lado, no caso Jude olhar para cima antes de eu sair. Porque eu sabia que ele iria levantar e arrumar uma baita confusão se visse Sawyer se esgueirando para o meu lado. — Como Jude está? — ele questionou firmemente. Olhei para ele, olhando propositadamente para sua camisa dobrada em seu jeans. Então para onde ele estava no banco, — Chutando umas bundas.

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Sawyer riu, olhando para o placar. — Eu posso ver isso. Desde a aparição dele, se ele continuar aniquilando o resto do jogo, ele vai receber cerca de 20 bolsas de estudo de futebol

amanhã

de

manhã.

olhando

para

as

arquibancadas, ele se concentrou na moita de viseira vestida com cor da escola representando batedores. Uma dúzia tinha se transformado em duas dezenas e cada um deles não tinha tirado os olhos de Jude esta noite. Estavam babando por ele, e eu estava muito orgulhosa disso, eu tinha feito planos especiais para esta noite. Para minha grande consternação, Jude tinha insistido para levarmos as coisas devagar nas últimas semanas, mas com a lingerie que eu escolhi e o que eu tinha em mente, ele poderia jogar o devagar pela janela. Esqueci que Sawyer estava lá até que ele limpou a garganta. — Senti sua falta, Lucy. Porra, eu não preciso disso agora. O esquadrão de dança estava se preparando para entrar em campo para o show do intervalo e eu tinha certeza de que Jude tinha apenas um vislumbre de Sawyer ao meu lado. Eu caminhei mais para dentro do grupo dos meus companheiros de dança. —

Por

que

você

está

me

evitando?

Sawyer

perguntou, deslizando até ao meu lado novamente. — O que Ryder lhe disse para fazer você virar anti-Sawyer Diamond? Eu tinha resistido por três semanas, mas estava chegando muito perto de seguir o conselho de Jude e chutálo nas bolas.

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— Estou evitando você, porque Jude me disse para fazer, porque ele disse que você não é alguém em que eu deva confiar. — respondi, sem sentir necessidade de me explicar para ele, mas foi bom apenas para gritar um pouco com ele. — Você faz tudo que Ryder diz para fazer? Ok, agora eu estava em ebulição. Implicando ou não, ele estava me aborrecendo e a citação sobre meu namorado me fez perder o restante da paciência. Girando sobre ele, eu dei um passo para ele e depois outro, até que ele estava apoiado contra o muro. — Ouça-me, você é um idiota arrogante. — eu disse, descansando as mãos nos quadris porque eu não iria bater nele. — Estou te evitando porque não gosto de você. Eu não gosto do jeito que me olha, ou a maneira como você sorri para mim, ou a forma como você tem esse sentimento de direito sobre mim. Eu não gosto do jeito que você anda pelos corredores da escola como se você fosse o dono do lugar, e eu realmente não gosto da maneira como você joga os grãos de milho na mesa da banda a cada dia. Você é pretensioso, e traiçoeiro, e rude... — eu disse pronta para disparar apenas cerca de uma centena de mais insultos quando ouvi a sirene anunciar o fim do trimestre. — E feio. — acrescentei, sabendo que isto era o único que poderia realmente acertar um cara como Sawyer. — Você ainda não perguntou a ele sobre Holly? — Sawyer disse de repente, saindo de cima do muro e vindo na minha direção.

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Dei um passo para trás. — Eu não preciso disso. — disse. — CZonfio nele. Confiança, Sawyer. Você pode querer olhar no dicionário e descobrir o que é, algum dia. — E talvez você e sua confiança devesse segui-lo algum dia para um trailer abandonado no Valley View Park. — ele disse, caminhando de volta para o banco. — Você deveria saber que Jude é o único que precisa olhar o significado de confiança no dicionário. Esperei até que Sawyer virasse antes de pular sobre a grama. Eu não conseguia respirar. Eu não podia me mover. E tive que dançar com as minhas pernas pesando um chumbo a nova rotina de três minutos. Estava chateada comigo mesma por deixar Sawyer chegar a mim, e estava ainda mais chateada comigo mesma por deixá-lo colocar sementes de dúvida em minha mente de novo. Eu poderia confiar Jude. Eu não confiava nele. Então, por que eu sinto meu coração na minha garganta? Por que meu estômago parece como se fosse explodir? Por que eu odeio o nome de Holly. Uma pessoa que eu nem conheço? A equipe de dança estava fazendo um círculo em volta de mim, todos ajoelhados em torno de mim, perguntando se eu precisava de um pouco de água. Eu balancei a cabeça, olhando para onde Jude estava liderando a equipe de fora do campo. Eu podia confiar nesse homem. O homem que eu estava me apaixonando era honesto comigo.

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Como se ele pudesse ler os meus pensamentos, olhou então, seus olhos caindo sobre mim, um sorriso já na posição até que ele deu uma boa olhada no meu rosto. Ele parou abruptamente quando uma onda de jogadores passou por ele. O sorriso sumiu de seu rosto enquanto ele corria por todo o campo para mim. Agora não, agora não, eu disse a mim mesma. Não quando ele tinha 20 dos melhores treinadores do país aqui o assistindo não era o momento para trazer Holly. Mais tarde, após o jogo, eu iria colocar o fantasma que me assombrava para descansar. — Luce. — ele disse, tirando o capacete. — Você está bem? — Levantando as mãos, correu-lhes sobre o meu rosto. Não foi a resposta honesta, mas, sim, foi à resposta que eu precisava dar. Talvez eu precisasse rever os melhores pontos de confiança também. — Eu estou bem. — respondi, descansando minha bochecha na sua mão. — Só um pouco cansada. Esqueci de comer o jantar de novo. — disse, revirando os olhos como se eu fosse sem esperança. — Alguém me dá um pouco de água! — Jude gritou. — E uma barra de granola ou algo assim! — Voltando-se para mim, ele me beijou suavemente. — Droga, mulher, você significa muito para mim. Coma, ok?

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Balancei a cabeça, pegando o copo de isopor das mãos de alguém. — Eu tenho uma linha defensiva que precisa de uma surra de língua40, então é melhor eu ir. — ele beijou meu rosto e se levantou. — E uma dúzia de olheiros para impressionar — acrescentei, tomando mais um gole. — Já cuidamos disso. — ele disse, colocando o capacete de volta. Eu sorri. — Tudo bem, seu arrogante, corra. Vou esperar por você após o jogo. Eu tenho algo planejado — disse, levantando as sobrancelhas. Ele parou, olhando para trás, seu rosto ilegível. — Ei, pode ir embora sem mim hoje, ok? Estou dolorido como o inferno e vou ter sorte se conseguir chegar em casa essa noite. Amanhã à noite? Essa sensação no estômago de explosão atingiu o pico. — Você não precisa de uma carona? — Meyers ofereceu para me levar para casa. — ele disse, olhando para o campo. — Dessa forma, você não terá que esperar por mim e ouvir um bebê grande chorando por gelo e analgésicos. Eu não podia falar. 40

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Ele quer dizer que eles precisam de instruções.


— Tenho que ir, Luce. — ele disse, correndo para trás. — Eu ligo para você amanhã. — virando-se, ele se dirigiu para o túnel da equipe de South Pointe, — Sua vez de chutar alguns traseiros dançando naquele campo, Luce. — ele gritou por cima do ombro. — Não me deixe desapontado. Baixei a cabeça sobre os joelhos. — Você também não.

310


311


Capítulo Dezessete

E

u estava encenando para o meu próprio

namorado.

Mais

pela

confiança que eu tinha nele um par

de horas atrás.

South Pointe, como previsto, eliminou a equipe, indo para o topo da tabela, tornando o South Pointe, pela primeira vez em sua história,o número um. Jude voltou do intervalo liderando com 24 pontos, ampliando essa lacuna por outro 21 pontos. Foicomo assistir a uma equipe de deuses jogarcontra uma equipe de mortais, Jude fazendo o papel de Zeus. Eu tinha conseguido engolir isso e dançar para caramba durante o intervalo antes de correr para o armário das meninas e me trocar para que eu pudesse me misturar com a manada de fãs delirantes na arquibancada. Eu sabia que ele estava olhando para mim, mesmo ferida, eu não estava desanimada nos bastidores e o aplaudi, mas não estava com humor para ficar alegre. Nem mesmo em clima de fingir torcer, e não poderia lhe dar alguma razão para suspeitar que algo não estava certo. Eu não poderia tê-lo verificando sua namoradasobre o ombro, identificando se ela colocou o capuz atrás do volante de seucarro. Porque, então, sendo a boa e condiante 312


namorada que eu não era,eu não poderia segui-lo para ver onde ele realmente estava indo hoje à noite. Estava se aproximando de uma hora após o final do jogo, quando os carros de quase todos os jogadores estavam muito longe, quando ele emergiu do vestiário. Scottie Meyers não estava com ele, nenhum outro jogador,ele estava sozinho. Pessoas pregam a você sobre momentos cruciais como este. Momentos em que você tem duas opções, e uma escolha. Um caminho para mergulhar de cabeça, sem voltar atrás. Escolha número Um: Eu poderia sair do meu carro, correr e me jogar em seus braços, e continuar a bancar a tola. Isso era atraente em quase todos os níveis. E a escolha número Dois: Eu poderia ficar e segui-lo para onde ele fosse, e chegar ao fundo dessa história toda sobre Holly e resolver essa situação, ou descobrir se Sawyer era um mentiroso de merda. Esta escolha não me agrada em tudo, mas era a que eu tinha de fazer. Porque eu não era uma daquelas garotas que poderiam virar os olhos enquanto seu namorado passeia pelacidade. Porque eu não era uma daquelas meninas que pensamque confiança é uma condicional, abertapara interpretação. Eu era uma daquelas meninas que precisavam saber se o seu namorado estava enroscado com alguma ex nas suas costas para que eu pudesse acabar miserável, de coração partido, mas, pelo menos, informada. Eu acho.

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Jude pulou do estacionamento, andando através das ervas daninhas. Rumo ao sul. Na Southview Park. Onde quer que ele fosse, ele estava indo a pé, o que significava que segui-lo de perto no Mazda seria impossível. Ele provavelmente iria desconfiar se um veículo suspeito, da minha

marca

e

modelo,

seguindo

alguns

poucos

comprimentos de carros atrás dele a cinco milhas por hora. Então eu pulei para fora do estacionamento, indo para o lugar que ele provavelmente estava indo eo lugar que eu mais queria que ele não fosse. Não sabia a maneira exata para chegar ao parque de trailers, não era um lugar que eu havia frequentado durante os meus verões passados no lago, mas algunscaminhos errados seguidos por algumas voltas mais, e com a ajuda de um frentista do posto de gasolina, eu estava chegandoem Southview Trailer Park,onde „A vista é melhor aqui em baixo‟, de acordo com a placa. Não era um grande parque, apenas duas fileiras de trailers correndo por um quarto de milha ou mais de estrada. Não havia nada para ser visto, a menos que você contasse as paredes enferrujadas de reboque do seu vizinho, e não havia um único vaso de flores ou uma cesta na parede a ser vista. Noteiporque este foi o primeiro ano que não tínhamos flores na porta lá de casa. Pessoas preocupadas em pagar suas

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contas de energia elétrica ecolocar macarrão na mesa, não tem dinheiropara comprar flores. Era um pensamento estranho correndo pela minha mente, mas ele ficou comigo. Parei no final do parque, em um local onde as lâmpadas de rua não iluminavam o meu carro, esperando que ele não fosse me ver aqui. Esperando que ele não fosse aparecer, porque se o fizesse, se eu tivesse que vê-lo entrar no trailer de outra garota na noite de uma noite de quintafeira, eu tinha que saber a verdade. Sei que tudo que eu acreditava iria ser falso. E eu iria questionar todo e qualquer amor que eu fosse experimentar no futuro. Apesar de saber a verdade, segurei o balão da última esperança de que eu estava errada e que Jude não iria bater na porta de Hollydepois de onze horas da noite. Deixei que o balão flutuasse para fora nem um minuto mais tarde, quando eu assisti uma forma familiar cortar através de um par de trilhas e madeira abaixo das ervasque forravaa calçada em minha direção. Ele passou por baixo das luzes de rua, luz intermitente, depois escuro, um par de sacos de plástico penduradosde seu pulso. Ele estava quase no fim da estrada, o estava Mazda a apenas alguns trailers de distância, no escuro, quando eu percebi que ele não estava aqui parafazer uma visita romantica, ele estava aqui por mim. Ele descobriu que eu estive andando pela cidade como uma mulher em uma

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missão e, de alguma forma, me seguiu aqui e ia falar algumacoisa para mim. Eu não me importava com as perguntas que ele ia fazer ou as explicações que eu teria que dar,porque ele estava aqui por mim. Sawyer poderia enfiar sua confiança no rabo. Eu estava me lembrando de como sorrir,quando Jude passou o último trailer. Estava prestes a abrir a porta, enfrentar o chão, e falar alguma coisa para ele, quando ele virou uma esquina em torno do último trailer. Saltando os degraus enferrujados na minha frente, ele bateu naporta. Meu coração se partiu. Ele realmente quebrou. Um raio-x teria confirmado isso. Eu não conseguia respirar enquanto esperava, no carro, por quem estava por trás daquela porta, embora eu já soubesse. A porta chiou aberta, iluminando Jude em luz amarela suave. Eu disse a mim mesma que não era o homem que eu estava me apaixonando. E então uma menina, que deveria ter a minha idade, apareceu na porta vestindo um vestido de verão muito bonito com um sorriso. Ela meio que parecia comigo, mas o cabelo dela não tinhasido queimado até os ombros. Ela jogou os braços ao redor de Jude e ele fez o mesmo, levantando-a fora dos degraus. Isso não estava acontecendo, era um sonho, um pesadelo. Eu, em algum lugar ao longo do jogo, adormeci e

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este foi o resultado de uma noite agonizante em que meu namorado estava saindo com alguém nas minhas costas. O ar no carro começou a me sufocar, então eu abri a janela, sugando bocados de ar fresco. — Você está atrasado.— a menina, que eu sabia no meu coração que era Holly, disse após Jude colocá-la no chão. — Andar alguns quilômetros a pé depois de jogar o último jogo pode fazer um homem ficar mais lento.— ele disse, recostando-se no corrimão da escada. —Mas eu vim, não foi? Holly esfregou o braço de Jude, olhando-o como se ele fosse o sol, a lua e as estrelas. Eu conhecia esse olhar e, depois de hoje, eu nunca o faria novamente. — Você sempre vem. — Holly ele respondeu, piscando um sorriso tímido. — Como foi o jogo? — Bom. — respondeu Jude. — Nós arrebentamos o outro time. — Outro time precisava ter o traseiro chutado. — ela disse, deslizando para fora do suéter. Ambos os braços estavam cobertos de tatuagens intrincadas, indo de seu pulso até seu ombro. Teria feito eu me sentir melhor se estivesse com algum problema, mas ela não tinha. Ela era bonita, mais bonita do que eu. —Eu queria ter vindo antes, mas isso

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viraria um drama Whole Lotta41, não estou pronto para lidar com isso ainda. — Sim, isso é provavelmente o melhor. Em seguida, um grito cortou a porta, interrompendo a noite tranquila. Um grito que fez o buraco no meu estômago se expandir. — Um momento. — ela disse, levantando um dedo e desaparecendo no trailer. Jude ficou onde estava, olhando para o céu à noite, quando, de repente, ele ficou tenso. Empurrando para fora da grade, ele olhou para o lado, entãodo outro lado. Ele estava prestes a virar e eu estava prestes a descascar o inferno fora deste lugar quando Holly reapareceu na portacom algo em seus braços. Um bebê. Esta foi à parte onde eu sabia quedeveria saltar para fora do carro, marchar até aquelas escadas em ruínas, e dar Jude Ryder um pedaço do meu dedo do meio. Mas não o fiz, porque percebi que Holly e o bebê vieram muito antes de mim. Eles tinham Jude antes que eu mesmasoubesse que eu o queria. — Esse carinha não deveria estar dormindo agora? — Jude disse, fazendo uma cara engraçada para o bebê. O bebê gritou de alegria, batendo suas pequenas mãos. 41

É uma musica :http://www.vagalume.com.br/a-rocket-to-the-moon/whole-lotta-you.html

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— São os dentes. — Holly disse, suspirando. — Venha aqui. — Jude disse, deixando cair os sacos nos pés de Holly e estendendo os braços. Ela entregou o bebê, e apenas acabou, ele parou de chorar imediatamente quando Jude começou a se movimentare bater nas suas costas. — Obrigado por pegar fraldas e leite, Jude. — ela disse, pegando os sacos. — Eu estava ficando perigosamente perto de rasgar meus lençóis em fraldas improvisadas. — É claro .— Jude disse, beijando o topo da cabeça do bebê. — A qualquer hora. — Eu não sei o que faria sem você. — ela disse, olhando para o bebê, algo triste em sua voz. — Você estaria bem, Holly. — ele disse, fazendo outra careta para o bebê. — Mas estou feliz que sou capaz de ajudar. — Bem, você vai dormir na varanda?— ela perguntou, apoiando uma mão em seu quadril. — Eu prefiro que não. — ele sorriu. — Bem, venha aqui — ela disse, dando um passo para o lado. — Tenho planos para você esta noite. — Rapaz, pequeno Jude...— ele disse, segurando o bebê na frente dele,— Sua mãe se é mandona.

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Holly suspirou, agarrando o braço de Jude e puxando-o para dentro. Ele fechou a porta, encapsulando a família longe de mim. Eu precisava sair daqui. Eu precisava chegar em casa. Eu precisava esquecer Jude. Eu precisava de um bom choro para tirar isso da minha cabeça. Esperei mais alguns minutos, girando a chave na ignição, quando uma luz se apagou em um quarto. Eu não ia estar lá quando o trailer que começasse a balançar. Rasguei para fora do trailer, as estradas me levando para casa, com a vista embaçada, porque eu não conseguia segurar as lágrimas contidas, mas não estava pronta para deixá-lasir. Então Sawyer estava certo e eu estava errada. Não podia confiar em Jude, nunca deveria ter confiado. Jude tinha me avisado para ficar longe dele, mas eu não fui esperta o suficiente para ouvir. Meu namorado, meu ex-namorado, embora eu não tenha certeza se poderia até mesmo chamá-lo assim, tinha uma segunda vida em um trailer ruim. Essas coisasnão acontecem na vida real. Minhas mãos tremiam sobre o volante na hora que eu cheguei em casa. A cabana estava escura e isso era a primeira coisa que deu certo na última hora. Eu abri a porta e subi as escadas em cinco segundos. Deslizei para o meu quarto sem fazer barulho, peguei a

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sacola de compras com as roupas que eu pretendia colocar paraJude poder tirar esta noite, e a atirei na lata de lixo. Pulei em minha cama, tentando segurar a barragem que o dilúvio iria destruir. Eu não podia decidir se precisava chorar ou se precisava me manter forte. Jude era o tipo de cara que eu tinha pensado, até hoje, que valia a pena derramar um lago de lágrimas, mas depois do que eu tinha aprendidohoje à noite, o esforço não parecia mais valer a pena. Sentando-me em frustração, algo chamou minha atenção na minha mesa. Um envelope amarelo que tinha permanecido fechado. Até esta noite. Arrebatando-o da minha mesa, eu rasguei o pacote. Meu futuro parecia mais fácil de aceitar agora que estava tão sombrio. Eu segurei o lençol de cima, na minha frente, olhando todo parágrafo importante primeiro. Minha respiração ficou presa quandome afundei no colchão. Adormeci naquela noite com um meio sorriso e um meia careta no rosto.

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Capítulo Dezoito

A

lgumas horas de sono tinham virado o meu medidor de emoção da angústia para a raiva. Acordei sexta-feira de manhã pronta para

fazer Jude passar pelo inferno. Eu tinha que ficar me lembrando que o odiava, enquanto me arrumava para ir à escola, mas eu esperava que depois de vários lembretes, isso viraria mais natural. Coloquei um lindo vestido de verão, um que depois percebi, era horrivelmente parecido com os de Holly, e agarrei um suéter do meu closet por precaução. Mamãe já tinha saído e o papai estava a trinta minutos mergulhado em seu Sergeant Pepper‘s42. Durante o caminho da escola, ensaiei o que iria dizer para ele. Que palavras causariam mais dano, que expressões me fariam parecer mais incuravelmente zangada. Eu estava certade que tinha tudo na ponta da língua, até que parei no estacionamento só para encontrar alguém em pé na grama, esperando por mim. Jude acenou, sorrindo para mim. Um homem não deveria ser capaz de sorrir assim para a garota que ele está traindo.

42

Álbum dos Beatles, lançado em 1967.

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Fiquei emocionada por um momento, olhando para o que eu estava quase perdendo, mas rapidamente lembrei que nunca foi meu, em primeiro lugar, para perder. Respirei fundo, e em seguida abri a porta. — Você está bonita. — Jude cumprimentou. — Não me olhe deste jeito.— eu disse, batendo a porta. — Porque você não vai tirar este vestido. Seu rosto se comprimiu em confusão, o sorriso sumindo do seu rosto. — Alguém acordou no lado errado da cama hoje? — Pelo menos eu não acordei na cama errada. — dei a volta no carro, cruzando os meus braços. — Luce.— ele disse, pausando. — Do que diabos você está falando? — Não se finja de burro comigo. — eu avisei,— E não tente me fazer de burra. Você me enganou por um tempo, bom para você, mas não mais. — Hey.— ele disse, levantando as suas mãos e andando em minha direção. — Qual o problema? Por que está tão chateada? Ele tentou envolver os braços em volta de mim, mas eu o empurrei.

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— Eu posso responder as duas perguntas com uma palavra.— eu disse, encarando-o. — Holly. Seus olhos se arregalaram por meio segundo. — O que tem a Holly? Eu bufei, tentando não o olhar nos olhos. Eu poderia realmente estar com mais raiva se não tivesse olhado para eles. — Cheguei às minhas próprias conclusões sobre Holly, mas por que não me conta a sua história? Tenho certeza que é uma interessante. Ele prendeu as mãos atrás do seu pescoço, olhando para cima. — Holly é minha amiga. Eu ri. — Uma amiga que convida você para o trailer dela

com

um

bebê

na

cintura?

Uma

amiga

que

te

cumprimenta com um lindo pequeno vestido e então abre as pernas para você? Depois, quando o bebê estiver dormindo, é claro. — Você estava lá ontem à noite.— ele disse, quase para si mesmo. — Eu tinha esse pressentimento, como se você estivesse lá. Parece que eu estava certo.— ele disse, olhando através de mim. — Sim, está malditamente correto, eu estava lá ontem à noite —falei,— E vi tudo. — E por que você estava lá? — perguntou, ficando calmo. —Por que me seguiu?

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— Porque alguém tem me dito há semanas que você e a Holly estavam tendo algo pelas minhas costas, mas eu ignorei porque pensava que podia confiar em você. —pausei, mordendo a minha língua porque estava muito de perto de chorar. Eu não podia deixá-lo ver que ele havia causado esse tipo de dor,— Cara, eu nunca estive tão errada em toda a minha vida. — Deixe-me ver se entendi porque você está falando como uma mulher louca neste momento e eu estou tendo dificuldades para acompanhar o seu dialeto. — Jude exalou. — Disseram a você que Holly e eu estávamos ficando juntos pelas suas costas? Alguém te disse onde ela vive e onde eu estava fodendo com ela? —ele perguntou, deslocando seu peso. — E você acreditou nele? — sua voz vacilou, como se estivesse magoado, mas ele não me enganava. Este tipo de homem tinha aperfeiçoado seus atos, todos os seus atos, a fim de enganar várias mulheres. — Eu estou feliz que o fiz.— respondi. — Acabou que eu estava certa. — o estacionamento estava enchendo e chamamos mais atenção do que eu desejava. — Quem contou a você sobre Holly? — Não importa.— eu disse, encarando um grupo de garotas que estavam tentando ficar perto para ouvir a conversa.

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— Confie em mim, quando se trata de Holly, importa sim. — ele estava defendendo ela, de mim. Eu precisava ficar com mais raiva. — Sawyer me contou, okay? — eu disse. O rosto de Jude ficou sombrio, sua mandíbula estava tensa. — Sawyer Cabeça-de-Merda Diamond contou que eu estava te traindo com a Holly.— ele pausou, engolindo a seco. — E você acreditou nele? — seu rosto tinha uma expressão de dor, como se tivesse sido cortado até onde a faca podia ir. Eu mordi minha bochecha e assenti. — Por que você simplesmente não me perguntou? Por que eu simplesmente não perguntei à ele? Era uma pergunta que eu ainda não havia feito à mim mesma, e uma que eu não podia responder. Então eu inventei algo. — Porque você teria mentido. Seus olhos se fecharam, sua cabeça se inclinou para o lado. — Então você confia em Sawyer mais do que confia em mim? Ontem, eu teria respondido com um „diabos, não‟, mas hoje eu não tinha certeza, então deixei a minha cabeça responder por mim com um triste aceno. — Então acho que não há nada mais a ser dito.— ele disse, sem olhar para mim.

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— Oh, há muito mais a se dizer.— eu disse, cruzando os meus braços. — Parece que há somente mais uma coisa a se dizer.— ele disse, deslocando o seu peso, me encarando como se não me conhecesse. Eu sabia onde tudo isso estava levando, mas não estava pronta. Eu ainda não podia dizer. — Não se preocupe comigo, baby. Eu tenho visto tantas costas andando para longe de mim que isso é como um chapéu velho.— ele disse, se encolhendo como se isso não estivesse o matando como estava me matando. — Diga.— ele disse, sua voz tremendo. Mordo

a

minha

bochecha.

Eu

queria

respostas,

explicações. — Diga! — ele gritou, inclinando-se para frente, as veias do pescoço estouraram de sua pele. Engoli a seco e fechei os olhos. — Adeus, Jude. — Afastando-me, corri pelo estacionamento, advertindo-me a não olhar para trás. Olhando para trás, eu o encontrei em pé no mesmo lugar, congelado. E então ele se virou e foi embora.

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O burburinho animado de uma manhã de sexta-feira ecoou pelo corredor quando eu tecia meu caminho através dos detectores de metal. Tudo mundo agiu como se nada tivesse acontecido, como se o meu mundo não tivesse acabado de fracassar em suas caras. Era apenas mais um dia para

eles,

quando

meus

dias

pareciam

que

estavam

terminando. Fiquei ali, incapaz de me mover. Um rio de estudantes se arrastaram por mim, alguns ignorante sobre como eu estava me sentindo como se eu estivesse em pé na borda do mundo, prestes a pular, e os outros me olhando por cima dos ombros como se eu fosse uma exposição no zoológico. — OMG, Lucy! — Taylor disse, surgindo ao meu lado. — O que foi isso aí com você e Jude? Vocês terminaram agorinha? Ele apenas se mandou? Ele só saiu do terreno da escola e continuou andando. O que está acontecendo? — ela perguntou, sacudindo meu braço, começando com outra onda de perguntas que eu não era capaz de processar. — Lucy.— ela disse, estalando os dedos na frente do meu rosto. — O que aconteceu com você? Eu estava sufocando, realmente sufocando. Eu tinha asma quando criança, nada realmente sério, mas superei antes do ensino médio. Ou pensei que tivesse superado. Meus pulmões ficaram como balões vazios que eu não poderia preencher e minha respiração ficou em pânico, em rajadas curtas. Eu não poderia estar aqui agora, eu não poderia fazer isso.

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Precisava de uma maneira de sair dessa bagunça que eu me meti. Uma mão agarrou a minha por trás, me girando. — Vamos sair daqui.— Sawyer disse, me puxando pelo braço e me guiando de volta para fora da porta. — Sawyer, que porra está acontecendo? — Taylor gritou atrás de nós. — Cale a boca, Taylor.— ele murmurou, empurrando a porta aberta. O ar fresco ajudou imediatamente. Minha respiração desacelerou quando meus pulmões começaram a funcionar. Uma lágrima finalmente caiu. — Estou com você.— Sawyer disse, apertando meus braços enquanto ele me levou até o carro branco brilhante na primeira fila. Ele me guiou para dentro do carro, tirou o cinto de segurança do lugar, e reclinou o assento. Cobri meus olhos com meus braços, deixando escapar uma outra lágrima. Sawyer se arrastou ao meu lado, disparou o motor, e voou para fora do estacionamento. Ele rolou minha janela para baixo, permitindo outra corrente de ar para encher meus pulmões. Eu estava quase respirando normalmente. — Obrigada.— Eu disse depois de um tempo. Não sabia onde estávamos indo, e estava longe de me importar, eu não ligava desde que fosse na direção oposta a South Pointe.

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— Yeah.— ele respondeu, dando um suspiro — Era meio que o mínimo que eu podia fazer desde que sou o responsável por você estar se sentindo desse jeito. — Como você pode ser responsável por eu me sentir uma merda? — Porque fui eu que falei sobre Holly — ele disse, entrando em um caminho de cascalho.O nome me enrijeceu. — Não era você lá, transando com ela. Sawyer riu firmemente. — Não que eu me lembre. Rolando até parar, tirei meus braços e me sentei. — Nós estamos invadindo a casa do Bon Jovi ou algo assim? — perguntei, olhando para o McMansion na frente de nós. Era no lago, mas ao contrário das casas que cobriam o resto do lago, esta era uma casa diferente. — Esta é a minha casa.— ele disse com um encolher de ombros, empurrando a porta aberta. Eu não me movi, não tinha antecipado que Sawyer iria me levar para a cada dele. Isso não me cheirava bem, entrar na casa de outro cara durante o horário escolar, 30 minutos depois de eu ter terminado com o meu namorado que me traiu. Isso ia, além da menina que matava algumas aulas, para eu também ser rotulada como a oportunista da cidade. — Não se preocupe, meus pais não estão em casa.— ele disse, confundindo a apreensão estampada em meu rosto.

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O fato de que estavamos totalmente sozinhos neste mini-hotel não aliviou a minha mente, mas eu não queria ficar em seu carro durante todo o dia, voltar para a escola eu queria menos ainda, então saí e fechei a porta. — Essa é sua casa? — perguntei, usando minha mão para proteger os olhos e para dar uma olhada. — Então o seu pai é o Bon Jovi? Sawyer riu. — Não. Meu pai não é nem de longe tão legal.Ele só é dono de algumas concessionárias de veículos no estado. Isso explicava o carro caro que Sawyer dirigia. — Vamos lá. — ele disse, inclinando a cabeça para a casa. —Vamos pegar um pouco de terapia de sorvete, e depois vamos conversar. — Eu posso garantir, que mesmo que a casa estivesse cheia de sorvete,— eu disse, seguindo ele,— Não seria terapia o suficiente para me curar. — Que tal a gente testar isso? — ele disse, agarrando minha mão e me puxando junto. E porque não sabia que outro caminho seguir, eu o segui.

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333


Capítulo Dezenove

-S

eu

sorvete

está

derretendo.—

Sawyer disse, olhando para a tigela entre nós.

Deslizei meus dedos mais fundo na areia, envolvendo meus braços em torno das minhas pernas. — Eu te disse lá dentro que não estou no clima para tomar sorvete. — Algo tão ruim que sorvete não pode corrigi-lo? — ele disse, jogando uma pedra no lago.

— Tudo bem, vamos

conversar. — Não estou com ânimo. — É claro que não está —ele disse. — É por isso que você precisa. Depois de tirá-lo do seu sistema, você vai se sentir melhor. — Eu duvido disso. —falar não mudaria o que eu tinha visto. — Vamos tentar. Vou até fazer a conversa começar, e depois vou deixar rolar. — ele deslizou seus óculos de sol em cima de sua cabeça e tomou uma respiração profunda. — Estou supondo que isso tem algo a ver com Jude e Holly? Ouvir seus nomes juntos foi dez vezes pior do que ouvir só o nome dela.

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— Esta é a parte na qual você zomba e diz „eu te avisei‟ para mim? —estalo. — Porque vou te salvar do trabalho. — olhei para ele,— Sim, você estava certo. Você me disse isso. Jude ainda está com Holly. — aquele nó na minha garganta voltou. Eu estava tão cheia disso que queria alcançar minha garganta e removê-lo manualmente. Sawyer suspirou, balançando a cabeça. — Como é que você descobriu? — Eu segui o bastardo para o trailer dela na noite passada. Ela tem um bebê, Sawyer.— eu disse, pegando uma pedra e arremessando-a no lago. — Eles têm um bebê juntos e ele não sentiu a necessidade de mencionar nada disso para mim. — minha voz estava quebrando, prestes a explodir, e as lágrimas estavam finalmente fluindo. — Eles têm um bebêfofo, com dentinhos crescendo, um precioso bebezinho e ele não me disse. — Cada palavra era a sua própria sentença desde que eu estava soluçando enquanto tentava falar. — Ah, inferno, Lucy. — Sawyer passou o braço sobre mim. — Eu sinto muito. Esta é exatamente a razão pela qual tentei te dizer logo no início sobre ela, antes quevocê e Jude ficassem muito envolvidos. Eu sabia que ia acabar com você quando descobrisse. — Eu confiei nele, Sawyer.— chorei. — Eu confiei nele. E ele mentiu para mim. Que tipo de sacanagem é essa? Ele deslizou meu cabelo molhado e emaranhado atrás da minha orelha.

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— Algumas pessoas só prosperam


manipulando os outros sabe? Nós procuramos por uma mais profunda e honrosa explicação, mas algumas pessoas são apenas confusas. Mesmo quando ele disse as palavras que eu sabia que deviam ser a verdade, algum pedaço de mim não poderia acreditar nisso. Jude não era o tipo cruel, ele mentiu para mim por alguma razão mais profunda, mas eu não podia investir o tempo necessário para descobrir isso. Estava oficialmente esgotada de todas as coisas de Jude. Eu não tinha outra escolha, a não ser libertá-lo. E eu nunca queria voltar atrás em uma decisão. — Bem, você estava certo. E eu estava errada. E Jude e eu estamos acabados.— falei, abrindo um buraco em mim. — Esse é um capítulo da minha vida que eu quero fechar o livro e nunca abri-lo de novo. — Parece que você precisa de um novo começo — ele disse, soltando o braço, agora que o único efeito da crise nervosa era um rosto vermelho e inchado. — Eu vou pegar dois.— eu disse, limpando a provável mancha de rímel debaixo dos meus olhos. — Eu sei que isto pode parecer repentino, mas ouçame...— ele começou, virando na areia para ficar de frente para mim. — A festa de Sadie Hawkins é no próximo fim de semana, e eu já disse ‗não‘ a três garotas porque menti e disse que eu já estava indo com outra garota.

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Ele estava certo, isso foi cerca de cem quilômetros por hora muito rápido. — Sawyer...— eu avisei, prestes a levantar-me. — Espere.— ele disse, agarrando o meu joelho. — Só me ouça sobre isso antes de dizer qualquer coisa. Eu sentei e esperei. — Então, agora estou em um impasse, porque se eu não aparecer, essas três pobres garotas vão saber que eu as ignorei, mas se eu aparecer com alguma outra garota, elas vão saber que eu menti. — Espere.— eu disse, estreitando os olhos. — Com quem exatamente você disse a elas que estava indo? Eu já sabia a resposta. — Você.— ele disse, tendo a decência de parecer envergonhado. — Sawyer.— eu gemi, balançando na areia. — Minha vida é complicada o suficiente sem você torná-la ainda mais. — Eu sei e sinto muito, mas aqui vai à parte dois de você me ouvir.— ele respirou e endireitou os ombros. — Eu gosto de você, Lucy. Mais do que deveria e um inferno de muito mais do que você gosta de mim. Eu estive esperando a minha vez, esperando por você acordar e sentir o cheiro da dor de cabeça que é Jude, e agora que você o fez, eu sei que pelo menos uma meia dúzia de caras vão estar alinhados no seu armário amanhã de manhã.— ele fez uma pausa, julgando a minha reação, mas eu ainda não tinha certeza de

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como reagir. — Será que você me faz um favor e apenas me dá uma chance? Uma chance, e vamos para Sadie Hawkins comigo. Eu juro que vou me comportar como se nós não fôssemos nada mais do que amigos e talvez, se você se sentir da mesma maneira, poderíamos descobrir essa coisa juntos. Cada resposta aceitável me escapou. — Por mim, Lucy? Apenas esta única coisa, e se você ainda se sentir da maneira como você se sente agora, prometo que vou deixá-la sozinha.— pela primeira vez, a pele bronzeada de Sawyer não pareceu tão dourada. Ele parecia pálido, e com medo, e vulnerável. — Eu não quero viver minha vida com arrependimentos, e sei que iria me arrepender todo santo dia da minha vida se nós, pelo menos, não nos déssemos uma chance. Minha vida tinha acabado de se tornar oficialmente uma novela mexicana. Porque Sawyer era um amigo, e tinha me apoiado desde o início, apesar de eu furar com ele em numerosas ocasiões, e porque eu me sentia em dívida com ele, eu disse: — Tudo bem. Nós vamos para Sadie juntos. A cor derramou de volta em seu rosto. — Nós vamos nos divertir muito, eu prometo.— disse ele. — E posso assegurar-lhe que eu não tenho nenhum filho bastardo que estou mantendo em segredo. Eu o mirei com meu olhar.

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— Desculpe.— ele disse,— Foi de mau gosto. — Excepcionalmente. Ele pegou minha mão, os dedos tecendo os meus. — Vamos dar a essa coisa uma chance, Lucy. Agradável e lento e ver o que acontece. — Agradável. E. Lento.— eu reitero porque sabia que Sawyer tinha tudo no papel. Ele foi o que levou as mulheres a brigar e a beber e a desmaiar. Ele tinha tudo: beleza, dinheiro, personalidade, mas ele não tem uma coisa ainda. E isso era o meu coração. — Nós vamos andar antes de correr.— ele disse, apertando minha mão. — Nós vamos andar antes de correr.

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340


Capítulo Vinte

S

awyer e eu passamos pela festa de Sadie

Hawkins.Ainda

estávamos

passando por novembro e empurrando

uma corrida de mil quilômetros por hora para Dezembro. Pelos padrões de Sawyer, eu tinha quase certeza de que ele estava pronto para correr, talvez até mesmo ir além, mas eu não estava em qualquer lugar perto disso. Sawyer não era meu primeiro, mas eu também sabia que não queria que ele fosse o meu último, então, qual era o ponto? Eu não iria para a cama com um cara só porque nós tínhamos chegado a essa etapa em nosso relacionamento. Tinha que parecer certo; eu tinha que ser capaz de me ver com ele por meses, ou talvez até mesmo por anos, pelo caminho. Eu poderia ser a namorada de Sawyer, mas imaginava o rosto de outra pessoa quando ele me agarrava em um sofá. Eu via outro rosto quando olhava para ele e ponto final. Jude pulou alguns dias de aula após a nossa explosão no estacionamento, em seguida, apareceu uma noite em um jogo de futebol e não perdeu um dia desde então. Eu o vi todos os dias nos corredores e um par de vezes ao redor da cidade, mas ele não me via. Ele não me deu um olhar desde aquele dia, e eu não sabia que esse tipo de 341


rejeição poderia doer da forma como doeu. Lembrei-me todas as manhãs sobre o que ele mentiu e o que ele deixou de mencionar, e toda noite, acabei pensando sobre a maneira como seus olhos se iluminavam bem antes que ele me beijasse. Jude Ryder fixou residência em minha alma e eu não poderia encontrar uma maneira de expulsá-lo. A canção no rádio chegou ao fim, aquela maldita música que os DJs tocavam exageradamente de propósito porque alguém na estação sabia que ela me deixava toda nostálgica e desejando Jude quando ela tocava. — I‟ll fix you.43— eu disse, baixando o olhar para desligar o rádio. No espaço de um desvio de olhar, um pedaço de madeira de sucata caiu da traseira de algum caminhão caindo aos pedaços e desembarcou na minha frente. Sem nenhum tempo para responder, o Mazda bateu no fragmento de madeira, e quase imediatamente eu o senti. — Merda. — eu amaldiçoei, não sendo capaz de entender como uma lasca de madeira do tamanho de um braço poderia cair de uma peça de duas toneladas de metal em movimento. A natureza estava lutando contra a indústria, um pneu de cada vez.

43

Música do Coldplay, ‘Fix you’, tradução literal da frase seria ‘eu vou consertar você’.

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E então um familiar som de borracha batendo contra metal ecoou no carro. — Dupla merda.— disse, sabendo que eu tinha um pneu reserva na parte de trás, mas isso era tudo o que eu sabia sobre a mudança de um pneu. É por isso que Deus inventou o homem, – para que as mulheres não tenham que ter graxa em suas unhas feitas na manicure. Puxando para o acostamento, olhei para cima e para baixo da estrada, à procura de algum tipo de loja ou qualquer coisa de carros. Alguém devia estar sorrindo para mim, porque nem mesmo a quinze metros de distância tinha um sinal no qual se lia Premier Auto Reparo em frente a um prédio pintado de azul e cinza com três compartimentos abertos. — Obrigada.— eu ofereci a quem quer que estivesse ouvindo. Eu coloquei o Mazda para ir em frente, encolhendo-me enquanto o barulho de flop-flop ficava mais alto. Eu realmente esperava que toda a minha roda não saisse voando, mas se fosse, pelo menos, os profissionais estavam por perto. Um homem de vinte e poucos anos, ostentando uma camisa de boliche, saiu de uma das baias. Ele tinha mais partes de seu rosto cobertas de graxa que partes que não estavam. Acenando com a mão, ele gesticulou para mim, apontando para a primeira baia vazia.

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Uma borracharia por perto e um bom mecânico. Eu tinha acabado de conseguir uma chamada para a rede de milagres. Uma vez que o Mazda estava dentro, eu saí, querendo inspecionar os danos. — Deixe-me adivinhar.— o cara disse, enxugando as mãos com um pano. Ele parecia como se tivesse sofrido algo ruim. — O outro cara ganhou. — abaixando para dar uma olhada na minha roda, ele sacudiu a cabeça. — Projéteis afiados atirando-se em materiais macios feitos pelo homem geralmente o fazem.— eu respondi, ajoelhando-me ao lado dele. — Esse é um lema de vida. — ele disse, batendo no pneu e levantando-se. — Vamos cuidar disso para você, querida. — Obrigada.— eu disse, levantando. — Sem pressa, mas você tem qualquer ideia de quanto tempo isso pode levar? — eu estava no meu caminho para o estúdio de dança, na esperança de ter um sábado cheio de dança, mas parece que meus planos estavam mudando. — Você vai estar dentro e fora em um instante, querida.— ele disse, apontando para alguém dentro da área do escritório. — Vou colocar o meu melhor homem nisso. E depois, inexplicavelmente, arrepios subiram pelos meus braços, e tudo ao meu redor ficou quente e brilhante.

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— Hey, Jude.— o cara gritou: — Traga seu traseiro aqui e ajude essa coisinha bonitinha. Eu podia vê-lo através das janelas de trás, de costas para a garagem, falando ao telefone com alguém. Ele desligou o telefone e virou. Eu nunca tinha visto antes um sorriso desaparecer tão rápido. Foi um recorde mundial, graças a mim. Então, enquadrando seus ombros, ele marchou para fora do escritório, chegando em torno da parte de trás do carro. — Qual é o problema, Damon? — Jude perguntou, olhando para o carro, recusando-se a olhar para mim. — A garota teve uma corrida com um pedaço desagradável de lixo. — Damon gritou por cima, com a cabeça escondida no capô de um caminhão perto de nós. — Corrija o que quer precisa ser feito. É por conta da casa. — Ah, isso não é necessário.— eu gritei para Damon. Espreitando a cabeça para fora, ele olhou para mim de propósito. — Sim, é. Eu teria ido discutir mais algumas vezes com ele, mas quando Jude passou por mim sem nada mais que um olá, eu sabia que minha luta era necessária em outro lugar.

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— Hey, Jude.— eu disse, andando alguns passos na direção onde ele estava de costas para mim, inspecionando o pneu. Empurrando um carrinho, ele passou por mim, lábios selados e olhos fixos em frente. Ele abriu o porta-malas e tirou o pneu reserva. — Você realmente tem essa coisa toda de silêncio sob controle.— eu chamei por ele. — Bom para você, já provou o seu ponto de que você absolutamente me despreza.— desdém poderia ter sido um pouco generoso para a maneira como Jude me ignorou,— Mas você realmente não vai dizer oi? Fazendo uma pausa no final de uma baia, ele agarrou uma alavanca. — Oi.— ele disse sem inflexão. — Agora dê o fora daqui para que eu possa consertar seu pneu e você possa voltar ao seu caminho. Uau.

Foi

pior

do

que

eu

pensava.

Jude

não

desdenhava-me – ele me odiava. No entanto, eu não o odiava e não ia fingir que o fazia. — Ouvi dizer que você tem um passe completo para praticamente qualquer universidade de sua escolha.— eu disse, gritando sobre o elevador enquanto o Mazda subia. Olhando o carro, ele respondeu com um encolher de ombros. — Até ouvi um treinador mencionar algumas equipes da NFL que estão interessadas.

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Outro encolher de ombros, desta vez com o outro ombro. — A NFL, Jude. Você não seria, tipo, um dos primeiros caras da história a ser escolhido direto do ensino médio? O elevador estremeceu em uma parada, e Jude marchou para o pneu furado. Ele olhou para mim, onde eu estava encostada na parede e olhou além muito rápido. — Tenho

certeza

sensacionalistas.

que Além

esses disso,

são

apenas

mesmo

se

rumores tivesse

ou sido

escolhido, eu ia acabar no banco ou me machucar jogando com caras com quarenta e cinco quilos a mais. Eu não conseguia parar o sorriso que vinha à tona. Jude estava falando comigo de novo. — Isso foi apenas uma frase completa dirigida a mim? — perguntei, inclinando minha orelha. Içando uma ferramenta para fora de um banco, ele começou a desatarrachar as porcas. — Na verdade, foram duas. — E o que foi que eu fiz para merecer duas frases completas de você? — eu não me importava. — Você está falando com o meu lado bom.— ele disse, olhando para mim e me dando apenas um pouco, mas o suficiente de um sorriso.

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Nunca imaginei que eu ficaria grata por um pneu furado, mas acrescentei à lista. — Eu não achei que você tinha um. — Eu não tenho. — ele disse, removendo a última porca. — Mas ele malditamente tenta aparecer a cada lua azul. — elevando o que restava do pneu e rodando-o a partir do eixo, ele ergueu-o no chão. Porra, se ele não era a coisa mais sexy que eu tinha visto em muito tempo. Talvez nunca. — Como tem passado? — Essa é uma pergunta é complexa.— ele disse, levantando uma sobrancelha para mim. — Como está Diamond? — ele perguntou sem emoção como se Jude fosse capaz quando ele falava sobre Sawyer. — Você acabou de responder a uma pergunta com outra pergunta? Rolando o pneu reserva pelo lado, ele olhou para mim novamente. Desta vez, por um inteiro longo segundo. — Eu só cancelei a sua pergunta com a minha própria. Você não quer responder a minha pergunta mais do que eu quero responder a sua.eledisse. — Então, estamos quites agora. O homem tinha o mais confuso senso do que é justo. E, porque eu era a idiota que eu era, entrei em um tema que eu já sabia que não ia correr bem com ele. —

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Jude.— comecei, olhando minhas mãos,— Sinto muito por tudo o que eu disse e fiz. Seu corpo já estava enrijecido quando ele levantou o reserva para o eixo, mas flexionou-se pelo menos cinquenta por cento mais. — Você pode ser um pouco mais vaga? Eu não ia ficar na defensiva. Eu não ia ficar na defensiva.— Isso foi um pedido ou uma facada? — eu fiquei defensiva. — Se você está pensando em trazer à tona certos temas,— ele começou, apertando uma porca como se ela tivesse lhe feito um mundo de erros.— Então são ambos. Engoli o orgulho. Desculpar-me. Meu diálogo interno estava me guiando para isso. — Me desculpe por seguir você naquela noite até Holly.— engoli, algo sobre esse nome fazia com que só parecesse não ser certo dizê-lo.— E eu sinto muito que explodi com você na manhã seguinte. — Eu não me importo com nada disso.— ele disse, apertando sua mandíbula. — Você não se importa? — cruzei os braços. — Então por que você ainda está tão malditamente puto comigo que está prestes a explodir? — sendo alguém propenso a ataques de sobrecarga de temperamento, eu poderia piorar ainda mais a situação. Jude exalou, inclinando a testa no pneu. — Que se foda, tudo.— ele murmurou, batendo com a chave de soquete

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no carrinho de metal atrás ele. — Porque...— ele começou, mudando seus olhos para mim — Porque você tomou a palavra dele sobre a minha. Isso me deixou sem palavras. Em todas as minhas análises à meia-noite, eu nunca tinha chegado a esta conclusão. — E eu estava errada? — disse lentamente. — Porque acontece que Sawyer estava certo. — Ele estava certo sobre o quê? — Jude disse em um tom que era assustadoramente controlado. — Você e Holly. — Cara, eu odiava dizer esse nome. Eu estava farta. Ela passaria a ser conhecida como a vagabunda que não deve ser nomeada. — Eu e Holly, hã? — Ele prendeu outra porca de roda no lugar. — Então, você não pensou em perguntar-me sobre ela antes decidir encenar uma tocaia? Você não escolheu confiar em mim ao invésdele? — Jude.— suspirei em frustração. Ele não estava entendendo, ou eu não estava entendendo. Um de nós não estava definitivamente entendendo e nenhum de nós estava falando a mesma língua. — Acontece que eu não tinha razão para confiar em você. — E você sabe disso por quê?— ele perguntou, fixando a última porca no lugar. Eu não estava pronta para dizer adeus; estar perto dele e argumentando era melhor que passar por ele e ser ignorada.

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— Porque eu vi você, Jude.— eu disse, imaginando o quanto precisaria explicar para ele entender. — Vi você com Holly e... — eu engoli,— E o bebê. Eu vi tudo. — Você me viu com Holly e o bebê.— ele repetiu, balançando a cabeça com cada palavra. — E é por isso que você não pode confiar em mim? Isto devia ser mais óbvio para mim do que era para ele. A não ser que trair pelas costas tornou-se uma prática moralmente

aceita

recentemente.

Acho

que

isso

praticamente resume tudo.— eu disse, perguntando-me se eu estava esquecendo alguma coisa. Algo tão óbvio que eu estava ignorando. — Bem, aí está.— ele disse, caminhando para a parede oposta. — Estamos em um impasse novamente. Nenhum de nós confia no outro. — pressionando a alavanca, o Mazda baixou para o chão. Eu não queria ir, eu queria descobrir o que diabos estava acontecendo entre nós. Que lacunas tínhamos sido negligentes em preencher — Imagino que você ainda está chateado comigo e eu ainda estou um pouco chateada com você também.— eu disse, seguindo-o por trás. — Mas acha que podemos superar isso e sermos amigos de novo? Ele riu uma nota baixa, levantando o pneu furado no porta-malas.

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— Eu sinto sua falta, Jude. Sinto falta de ter um amigo que realmente me apóia e não está jogando punhais em mim quando eu me viro. Ele parou, mantendo as costas para mim. — Sinto muito, Lucy. Você e eu não podemos ser amigos. — passando por mim, ele deu a volta para a porta do motorista e abriu-a. — Desde quando você me chama de Lucy? — perguntei, sentindo uma nova profundidade de desgosto. — Desde que deixamos de ser amigos. — ele esticou o pescoço para o lado, apontando-me para o carro. Eu não iria ser conduzida para fora. Plantei meus pés e cruzei os braços. — Você não pode fazer essa escolha por nós dois.— eu disse, olhando para ele. — Você não quer ser meu amigo, tudo bem, isso é realmente otimo vindo de você. Mas não pode me dizer que eu não posso ser sua amiga. Então vá se danar e lide com isso. — Olá, temperamento, bom ver você levantando sua cabeça feia de novo. Seu rosto nem sequer suavizou como costumava fazer quando eu explodia com ele. — Pessoas como eu e você não podem ser amigas, Luce.— ele disse, olhando para mim como costumava fazer — E você sabe disso também. — O que eu sei? — perguntei, esperando. E esperando. — Vamos.— eu disse, marchando em direção a ele. — O que eu sei? — porque pela enésima vez, eu não tinha a menor ideia.

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Seus lábios apertaram-se quando ele tentou deslizar de lado. Eu não deixei. Eu bloqueei seu caminho, empurrando-o de volta. — Vamos, Ryder. O que diabos eu sei? Seus olhos brilharam, encontrando os meus. — Você não pode ser amiga da pessoa com a qual você nasceu para passar a vida.— ele disse, seus olhos escurecendo. — Portanto, vá viver sua vida e deixa a porra da minha em paz. — cutucando-me, ele correu para fora da garagem e continuou. E o que eu mais lamentei, mais do que qualquer coisa que eu tenha estragado com a minha e a jornada de Jude juntos, foi que eu não fui atrás dele.

353


354


Capítulo Vinte e Um

C

ada dia do restante do ano escolar, eu me arrependi por deixá-lo ir naquele dia na oficina. Eu me arrependi de não correr

atrás dele e segurá-lo até que ele me explicasse exatamente o que diabos estava tentando dizer. Em concisas e detalhadas frases que uma mulher pudesse decifrar. Os meses que se seguiram à nossa conversa enigmática me deixaram desejando que o tratamento de silêncio voltasse, porque agora, quando Jude passava por mim nocorredor, ele já não estava intencionalmente ignorando-me. Era apenas como se eu não existisse. Eu tinha ido de algo que ele desprezava para algo que ele não percebia, no espaço de uma conversa, o que só deu luz a mais perguntas. Fiz dezoito anos no mês passado e estarei me formando na próxima semana, e no outono, eu vou ser uma caloura em Julliard. Era um momento para comemorar, de soltar o meu mais uma vez longo cabelo e olhar para o passado com nostalgia e para o futuro com esperança. Eu estava tendo um momento difícil para implementar essa ideia e, embora eu nunca me permitiria admitir abertamente a razão pela qual eu me sentia como um navio

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perdido na noite, no meu âmago, onde coisas como certo e errado, verdade e amor existiam, eu sabia o porquê. — Estou pedindo tempo em sua viagem do que quer que seja o ácido que você está usando, Lucy, apenas hoje à noite. — Taylor gritou comigo sobre o aparelho de som explodindo alguma canção sobre verão, amigos e festas. Era realmente uma música clichê terrível, mas eu suponho que definia o humor para a noite. — Esta noite é sobre não ter nada além de um tempo bom e estar no momento. Sábias

palavras

vindas

de

uma

garota

que,

principalmente, falava sobre seu futuro brilhante. — E por isso você quer dizer ficar bêbada e ter um amasso com o primeiro cara quente que você vir, no momento? Taylor gemeu. — E eu pensei que eu era cínica. Diminuindo o volume, puxei a parte superior do vestido que Taylor tinha enfiado em mim para cima e na parte inferior para baixo. Ah, agora cobria metade dos meus seios e mais da minha bunda. —Desculpe. Isso só vem tão naturalmente quando você me veste como uma prostituta barata em seu caminho para o trabalho. — Você está usando brincos de pérolas, Lucy, mas que merda.— ela disse. — Da última vez que chequei, prostitutas não usavam pérolas. — Tudo bem. — eu disse, checando meu reflexo no espelho pela terceira vez. Ela poderia ter acrescentado outra

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camada de rímel antes de meus cílios quebrarem ao meio? — Uma prostituta em seu caminho para a igreja. Taylor riu, olhando para mim quando nós paramos no sinal vermelho. — Jóias, hein? — ela me deu um olhar escandaloso. —Alguém deve ter sido muito bom, ou muuuito travesso, para ganhar um par de brincos de pérolas como um presente de formatura. — Sua depravação nunca para de me surpreender,— eu disse, colocando a língua para fora. — E os brincos foram um presente de formatura dos meus pais, não de Sawyer. Graças a Deus que ele não tinha me dado nenhuma jóia

ainda

porque

eu

tinha

cerca

de

três

níveis

de

compromisso antes de ganhar jóias. O sinal mudou para o verde e Taylor arrancou-se em seu pequeno Volkswagen. — Você só tem a você mesma para culpar por isso. Caras dão jóias para garotas como uma recompensa por fazer sexo. É um simples fato da vida. — Mais uma vez, você é depravada.— eu disse, abaixando a janela. Onde eu realmente queria estar era no estúdio, preparando-me para os próximos quatro anos de dança com e contra os melhores. Eu não queria estar amontoada em um carro pequeno com um drama escolar, em direção à um festa de formatura, na qual o álcool era uma fonte infinita e as inibições não teriam nenhuma fonte, aspirada em um vestido que faria Holly parecer uma puritana.

357


— Desde que eu não estou vendo pingentes de diamantes e pulseiras de ouro em você, estou supondo que você ainda está mantendo o pênis de Sawyer em estado de coma? — A garota trouxe a merda à tona. Poderia ter sido engraçado se não fosse tão triste. — Não é da sua conta. — Então, não. — ela assumiu, chicoteando o carro por uma estrada de cascalho. — Então, inferno não. — eu editei, já que ela estava tirando conclusões quer eu as validasse ou não. — Por que não? — Ela perguntou conforme nós batemos ao longo dos buracos. — Vocês estavam "vendo um ao outro" desde a festa de Sadie e um casal oficial desde o Inverno Formal. Vocês estão indo devagar ou alguma outra merda estúpida como essa? — Eu estou indo devagar. — disse conforme o terreno da festa apareceu à vista. Eu estava familiarizada com o local, a mansão no lago. Os pais de Sawyer estavam fora da cidade em algum leilão de automóveis, então ele decidiu dar a mais épica festa de formatura da história. Suas palavras, não minhas. Do fim da estrada, a casa dos Diamonds parecia que estava cheia de formigas. Formigas bêbadas. — E Sawyer? — Taylor perguntou com uma pontada de inflexão.

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— Sawyer é um cara. Desde quando algum deles levam as coisas devagar nesse departamento? — Desde nunca. — ela disse, respondendo talvez a pergunta mais retórica conhecida pela mulher. Encontrando um lugar vago na grama, Taylor cortou a ignição e passou de leve outra camada de gloss. Os satélites seriam

capazes

de

identificar

aqueles

lábios

se

ela

acrescentasse outra camada daquele brilhante e reluzente gloss. — Taylor, eu realmente não estou sentindo isso agora. — eu disse, agarrando seu braço. — Vamos entrar e sair. Não vai ser nada além de aspirantes embriagados tentando transar. Levantando suas sobrancelhas para mim, ela estalou os lábios. —Exatamente. — Eu sinto que esta é ahora de discutir a correlação entre garotas com baixa autoestima e caras que usam isso para sua vantagem. — Eu disse, empurrando-me para fora do carro e puxando meu vestido para baixo. Quanto mais eu o puxava para baixo, mais de meus peitos vinham surgindo por cima. — Qual é o seu ponto, Debbie Downer44? — Taylor disse, envolvendo seu cotovelo no meu.

44

Personagem criado no Saturday Night Live, programa humorístico americano, em que todas as falas da personagem eram negativas, sempre enxergando o lado ruim da situação.

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— Não seja uma estatística. — eu disse, dando um sorriso exagerado para ela. — E deixe-me discutir as ramificações entre garotas que não fazem sexo com seus finos e ricos namorados que estão indo para a faculdade no sul da Califórnia no outono.— ela disse, puxando-me para a casa que retumbava com a música. — Isso tem que ser bom. — eu murmurei. — Elas acabam ficando secas, amargas, bruxas velhas com um rebanho de gatos e nada mais que teias de aranha entre as pernas. Pendurando a cabeça para trás, eu gemi. — Adicione ‗distorcida‘ para depravada e eu acho que nós temos Taylor Donovan. Nós ainda nem estávamos no gramado da frente e já uma cacofonia de assobios e palavras como ‗gatinha‘ eram uma névoa crescente para nós. — Uma hora. — eu disse, sentindo-me generosa — E nós estaremos fora daqui. — Três horas. — Taylor respondeu, dando a algum cara que caía sobre as escadas da frente um sorriso que me fez corar. — E não se esqueça de que você é a motorista da vez esta noite, então, não pule fora. Eu sempre bancava a acompanhante e a motorista da vez para os meus amigos para me certificar de que eles passaram a noite seguros e inteiros, mas eu gostaria de ter

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me comprometido com outra pessoa que não fosse Taylor hoje à noite, porque ficar em por três horas em volta de todos festejando enquanto eu me sentia como uma anti-festa, significava um derramamento de sangue. — Está mais que na hora de a festa começar. — Morrison gritou por cima da música para nós, correndo os olhos para baixo de nós duas como se ele estivesse usando as mãos. —

Está

oficialmente

iniciada

agora.

Taylor

respondeu, sentindo-se como a bela do baile, pelos olhares que estávamos recebendo. Eu acho que quando você aparece em uma festa com caras embriagados usando um pedaço de tecido e um monte de maquiagem, ser cobiçada era parte do negócio. — Qual é o veneno escolhido, damas? — Morrison perguntou, indo em direção ao bar criado em um buffet italiano da mãe de Sawyer. Ela iria arrebentar alguma coisa se visseo que o estava enchendo agora. — Faça um screwdriver45.— Taylor gritou para ele. A boca de Morrison se curvou. — Eu acredito que posso atender esse pedido. E eu ainda tinha que aturar duas horas e cinquenta e nove minutos deste hedonismo. Parecia que alguém estava indo passar o seu tempo na esperançosa praia vazia. 45Uma

361

bebida feita à base de suco de laranja e vodca.


— Lucy? — Morrison chamou. Eu era inteligente o suficiente para saber que você não deve tomar uma bebida feita por um cara, acima de tudo alguém como Luke Morrison. — Eu estou bem. — eu disse, atirando-lhe um polegar para cima. Inclinando-me para Taylor, eu disse: — Seja boa e me ligue se alguém tentar alguma coisa. Estou conseguindo um pouco de ar fresco. — É melhor alguém tentar alguma coisa em mim.— ela respondeu, colocando um sorriso quando Morrison fez o seu caminho de volta para nós com uma bebida na mão. — Estatísticas. — eu disse, indo para a porta dos fundos. — Não se torne uma. — Não se torne uma velha bruxa com teias de aranha crescentes. — ela gritou comigo. Fazendo o meu caminho através do labirinto de estudantes na cozinha, eu empurrei um casal dando um amasso para o lado para que eu pudesse abrir a geladeira. Uma lata de refrigerante estava por trás de toda a cerveja, e isso era o que o motorista designado deveria tomar. — Vestido sexy, Lucy! — Alguém gritou de algum lugar na cozinha. Eu não validei com uma resposta. — Sawyer está procurando por você. Algo me diz que ele vai ser um homem feliz quando te encontrar!

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Eu não poderia chegar até a praia rápido o suficiente. Ela estava tranquila e quase vazia, exceto por um casal fazendo sexo na espreguiçadeira da Sra. Diamond. A noite estava quente ea água estava tão quieta que quase parecia que eu poderia caminhar sobre ela sem cair abaixo da superfície. Saí dossapatos peep-toes nudes de Taylor e andei até o fim da doca. Eu iria ter minha própriapequena festa aqui. Somente eu eo Sr. Lemon Lime46. Eu abri a lata e tomei um gole. Que diabos havia de errado comigo? Quando a menina que costumava gostar de ter a vida em festa, tinha se tornado a garota que encontrava um canto sossegado para estar de mau humor? Como a maioria das perguntas que fiz a mim mesma nos dias de hoje, sempre vinha à mesma resposta. O mesmo nome. — Não é realmente o meu cenário preferido também. Pulei tanto que consegui derramar um quarto do refrigerante em todo o vestido muito inadequado de Taylor. Seria a última vez ela me emprestaria algo de seu guardaroupa e isso me fazia bastante feliz. — Sim, eu também não. — eu disse, enxugando as gotas de refrigerantedo material champanhe brilhante. — Obviamente. 46Lemon

Limeé uma bebidacarbonatadacomum, com aroma de limãoe lima.Sprite,7 Up, e Sierra Mistsão os exemplos maispopulares.

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— Nada é óbvio sobre você, Lucy Larson. Então essas palavras, e a voz, muito me chamaram a atenção agora que eu não estava extasiada com a remoção do refrigerante. Até mesmo a voz dela era mais bonita que a minha. Olhando por cima do meu ombro estava Holly, usando um par de jeans skinny escuro e uma camiseta branca, olhando para mim. Eu não sabia se a oferecia um assento ou pulava no lago e nadava para a margem oposta. Eu não sabia o que ela sabia, se sabia alguma coisa sobre mim e Jude, e eu com certeza não queria saber de nossas relações com Jude juntas. No final, eu decidi ser civilizada. — Ei, Holly. — eu disse —Puxe uma cadeira. Ela, obviamente, me procurava, esta não era uma reunião ao acaso, então ela tinha algo que precisava dizer. Eu queria começar a colocar isso para fora do caminho para que pudesse continuar a falhar na tentativa de seguir em frente com a minha vida. Ela sentou-se, colocando seu copo de plástico vermelho ao lado, e arregaçou as calças jeans. — Pensei que eu teria um tempo difícil para pegar você sozinha. — ela disse, mergulhando os pés na água e chegando mais perto. — Ouvi dizer que você se tornou a it-girl de South pointe este ano.

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Eu não queria pensar de quem ela tinha ouvido falar isso. — Se você quer dizer it-girl em termos de a que teve mais rumores e meias-verdades atiradas nela do que um clube inteiro de strippers, então sim, eu acho que usei essa faixa este ano. — Eu estava parecendo um pouco mais defensiva do que queria, mas eu estava tendo uma conversa com a garota que meu ex-namorado tinha um filho bastardo. Defensivo não era tão ruim quanto poderia ser. Ela assentiu com a cabeça, olhando para o lago. — Desculpe, eu não tive a oportunidade de entregar a coroa pessoalmente. Meu reinado terminou no ano passado depois que eu caí fora. Eu não sabia o que dizer. Eu não estava pronta para me simpatizar com ela e eu deveria ter sido capaz de enfatizar, mas eu estava com escassez nesse departamento. — querendo

Jude está aqui? — chicotear-me

por

perguntei, imediatamente

perguntar.

Se

ela

não

acreditava que eu era uma perdedora desesperada, então a pergunta apenas certificou a presunção. — Não tenho certeza. — ela disse, tomando um gole de seu copo. — Está em casa com o bebê? — foi uma pergunta honesta que soou totalmente mal-intencionada.

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— Não. — Holly endureceu, seus brilhantes olhos azuis piscando. — Minha mãe é a babá hoje. — Holly, eu sinto muito. — falei, desejando agora que eu tivesse ficado dentro, então não estaria tendo essa conversa do inferno. — Eu não estou tentando ser uma puta. — É algo que vem naturalmente. — ela preencheu, dando-me um sorriso falso. —Eu mereci isso. — Sim.— ela concordou, tomando mais um gole. Ficamos em silêncio por um tempo, por tanto tempo eu não tinha certeza se ela estava esperando que eu dissesse alguma coisa ou se ela estava tendo um momento difícil em conseguir dizer o que ela queria. Então eu soltei algo que nenhuma de nós estava esperando. — Ele é um bom pai? Ela parecia tão surpresa com a minha pergunta quanto eu estava. — Eu tenho certeza que ele vai ser algum dia. Um caso desagradável de realização me atingiu como um chicote. — Espere — eu disse, voltando-me para Holly. — Você acabou de dizer algum dia, como, não no dia de hoje? Ela mordeu o lábio, pensando em algo mais. — Não sei o quanto disso deveria ser eu a te contar, mas...

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—Conte-me tudo. — interrompi, chegando mais perto. —Porque ninguém mais o fará. Ela olhou para mim debaixo de suas pestanas. — Isso pode ser porque você tirou suas próprias conclusões antes de fazer as perguntas. Eu segurava o mesmo fôlego agora por um minuto sólido. — Você está pronta para fazer as perguntas agora? — Ela disse, se inclinando para trás em sua mão. — As perguntas certas? Eu balancei a cabeça. — Pergunte, então. — ela disse. Eu queria ir por este caminho? Eu queria ter hipóteses confirmadas ou negadas nesta fase do jogo? Quando um rosto eclipsou meus pensamentos, um com uma longa cicatriz e prateados olhos cinzentos, eu tive a minha resposta. — Jude é o pai do seu bebê? — esta poderia muito bem ser a primeira da sequência. — Não. Oh, meu Deus. A culpa era tão repentina quanto o alívio. — Você e Jude têm algum tipo de relacionamento? — Sim. — ela respondeu, tomando um gole. — Ele tem sido o meu melhor amigo desde que estávamos no primeiro grau.

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Mais uma vez, eu queria dar um tapa no meu rosto e, ao mesmo tempo, eu queria pular e gritar de alegria. — E naquela noite que eu o segui até sua casa.— eu disse lentamente, tentando processar tudo. — Ele trouxe fraldas e leite e vocês se abraçaram e você disse que tinha grandes planos para ele e você o abraçou. — eu estava revivendo a cena, mas vendo-a com olhos diferentes. Olhos que eram menos propensos a tirar conclusões sem fazer perguntas. — E eu pensei que Jude tinha problemas de confiança. — ela murmurou, olhando para mim como se quisesse torcer o meu pescoço. — Eu liguei para ele mais cedo naquele dia porque estava sem dinheiro e o bebê iria ficar sem comida e fraldas em cerca de doze horas, se eu tivesse sorte. Jude tem sido um apoio desde o início porque o pai verdadeiro do pequeno Jude não quer nada com ele. Engoli em seco, lembrando-me das coisas que eu pensei e das coisas que eu disse a ele na manhã seguinte. Eu entendi porque ele me ignorava da maneira que ele fazia agora. — Nós nos abraçamos, porque, qual é, temos sido melhores amigos a vida inteira. — Holly estava contando as coisas nos dedos, olhando para mim como se isso fosse um jogo infantil. — Os planos que eu tinha para ele naquela noite, incluia a fixação de um berço que eu tinha encontrado em uma venda de jardim naquele dia, e sim, ele passou a noite.— ela disse, arqueando uma sobrancelha. — No sofá, no

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caso de a sua pequena mente saltadora-para-conclusões já estar indo para lá. Eu deixei tudo o que Holly tinha dito apenas afundar dentro de mim — Por que ele não me disse sobre você? — sussurrei. — Por que ele não negou tudo quando eu me aproximei dele na manhã seguinte? Ela mergulhou os pés na água, patinando-os em toda a superfície calma. — Porque eu pedi a ele para não contar a ninguém sobre o pequeno Jude. Ele sabe quem é o pai e o pedaço de merda de pai que ele é, mas eu não queria que ninguém soubesse a verdadeira razão pela qual eu saí da escola. Os espalhadores de boatos em South Pointe teriam tido um dia de campo com esse petisco suculento.— ela disse, sorrindo para a noite. — E só Jude pode falar porque ele não lhe disse a verdade sobre nós naquela manhã. Talvez porque você não teria acreditado, mesmo que ele dissesse a você. Tudo o que eu conseguia pensar era o olhar em seus olhos naquela manhã na qual o confrontei, dizendo-lhe que confiei em Sawyer ao invés dele. A dor e a traição que escureceram seu rosto. — Eu sou a pior pessoa do mundo — disse, mais para mim do que qualquer coisa. — Pensei isso também no dia que Jude veio para mim, parecendo como se você tivesse acabado de puxar o coração dele para fora do peito, e me contou o que aconteceu. — ela disse, sem olhar para mim.

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— Eu entendo agora — falei, — Entendo porque ele me odeia. — eu merecia ser odiada. Holly riu, era escuro e gutural. — Você realmente é uma cadela sem noção, Lucy. — ela disse, jogando o resto de sua bebida na água. — Jude não te odeia. Aquele homem, contra tudo o que ele sabe e eu disse a ele, ainda te ama. Havia apenas uma explicação. Eu acabei de entrar em um universo alternativo. — Ele ainda me ama? — sussurrei. — Ainda e sempre amará.— ela disse, balançando a cabeça. Eu precisava me levantar e encontrar Jude. Precisava pedir desculpas e implorar seu perdão e descobrir se o que ela estava dizendo era verdade, porque, mesmo que eu tivesse tentado enterrar isso a seis metros de profundidade, eu ainda o amava também. — Obrigada, Holly. — eu disse, encontrando seus olhos. Ela levantou seu ombro, olhando para o lago. — Eu não fiz isso por você. Fiz isso por ele, então não há necessidade de se sentir toda em dívida comigo. Sorri para ela, a garota que eu tinha assumido que era amante de Jude, a garota que foi, de fato, a sua melhor amiga, e a garota que tinha definido todos os fatos corretamente.

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— Holly — eu perguntei, colocando meu refrigerante de lado. —Quem é o pai do pequeno Jude? Sua respiração ofegou, como se eu a tivesse pegado desprevenida. Não era da minha conta, e eu estava esperando que ela me dissesse para ir me ferrar quando ela suspirou. — Bem, se não são duas das senhoritas mais encantadoras que já enfeitaram os corredores de South Pointe High. A voz de Sawyer caiu no cais, fazendo-me gemer e Holly ficar toda dura e silenciosa. A doca rangeu sob seus pés quando ele veio para nós, vestido com suas calças sociais cáqui e camisa polo de marca. — Ei, linda.— ele disse, inclinando-se para beijar-me. Sua respiração fedia a álcool e suco de cranberry. — E Senhorita Holly.— ele disse, olhando para ela. — É sempre um prazer estar em sua companhia. Como está o pequeno bastardo,— ele cobriu sua boca, seus olhos divertidos — Quero dizer o bebê? Ela tragou, encarando-o. — Você nunca vai saber, se depender de mim. — ela disse, empurrando-o para o lado e correndo para fora do deck e desaparecendo no meio da multidão. — Você pode querer estar ciente de com quem você anda Lucy. — ele disse, enfiando sua mão livre da bebida em

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seu bolso. — Garotas com a reputação dela não ajudam garotas com a sua antiga reputação. — Sawyer, nós nos formaremos em uma semana. Eu não estou preocupada com a minha reputação. — eu disse, levantando-me porque eu não gostava da maneira que ele estava olhando para mim com aquele sorriso bêbado. — E isso foi uma coisa de merda para dizer à Holly. De onde você tirou, chamar o bebê dela de bastardo? Erguendo o copo, ele disse: — É preciso um para reconhecer outro. Está no sangue do garoto. — tomando a bebida, ele esvaziou o copo e jogou-o no lago. — Legal.— eu disse, cruzando os braços. — Você não está em boa forma esta noite? — Eu só estou profundamente doído, Lucy. — ele disse, pressionando-me e apertando os braços em volta de mim, moldando suas mãos em volta da minha bunda. — Eu preciso de uma liberação. — Escorregando meu cabelo por cima do meu ombro, ele passou os lábios sobre a minha clavícula. — E do jeito que você está vestida para mim esta noite, algo me diz que você está finalmente pronta para me ajudar com isso. — Que diabos, Sawyer. — disse, empurrando-o para longe, mais forte do que eu tinha planejado, mas não tão duro quanto ele merecia. Eu não sei se era o álcool ou a minha super força humana, mas Sawyer cambaleou para trás, bem dentro do lago negro.

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— Droga, Lucy! — ele gritou, chutando para a superfície. — Tenha um bom mergulho. — eu disse, pisando para a doca. — Lucy! Volte aqui agora mesmo! — Gritou, fazendo salpicos estridentes através da água. — Tenha uma boa vida, babaca. — eu disse para mim mesma, agarrando os sapatos de Taylor e correndo para a casa. A festa cresceu e estavamtodos em pé em um só cômodo. As pessoas podiam ser incrivelmente criativas, quando não havia uma superfície livre para se espalharem mais. Eu estava prestes a pegar Taylor do colo de Morrison para que eu pudesse levá-la para casa e rasgar a cidade procurando por Jude quando algo muito tentador para ignorar saltou-me à mente. Eu enfrentei, esquivei-me, e saltei sobre corpos quando eu subi as escadas para o segundo andar. O quarto de Sawyer era no final do corredor, provavelmente o único quarto da casa que não estava sendo utilizado desde que Sawyer tinha uma fechadura com chave para manter os pais fora e adolescentes com tesão para não transarem em sua cama quando ele dava esses tipos de festas. No entanto, como sua namorada, ele me confiou a localização

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de

onde

ele

guardava

a

chave

reserva,


provavelmente esperando que um dia eu me trancasse lá dentro como uma surpresa de aniversário. Eu nunca tinha sido mais feliz dizendo ‗não‘ para um cara de boa aparência antes. Ficando de joelhos, agachei debaixo do banco no final do

corredor,

deslizando

a

chave

da

sua

localização.

Levantando-me, virei o chave na fechadura e empurrei a porta aberta. — Eu pensei que você nunca pediria. — um dos jogadores defensivosarrastou-se, cambaleando até mim. — Sim.— eu disse, deslizando por trás da porta. — Eu nunca poderia ficar tão bêbada. — Batendo a porta, tranqueia e corri para o banheiro de Sawyer. Em pé no quarto de Sawyer, o fato de ter dado o pé em sua bunda ainda estava muito fresco na minha cabeça, eu não conseguia lembrar o que tinha visto nele. Certamente algo deveria vir à mente depois de passar quase seis meses com um cara, mas não havia nada. Nada além de um fluxo de arrependimentos e alívio por eu ter percebido isso mais cedo do que mais tarde. Puxei a toalha de mão do anel de metal, deslizando o botão de abertura da pia de seu banheiro. Eu não tive que ficar mexendo em todo a massa de produtos de higiene masculinos para encontrar o que eu estava procurando. Estava bem em cima.

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Correndo para fora do banheiro, fui até sua mesa e peguei uma caneta e uma nota e escrevi minhas palavras de despedida. Eu não estava nem tentando abafar o meu sorriso. Enrolei a toalha antes de colocá-la no centro de sua cama, depois apoiei o lubrificante ao lado dela, e prendi a nota sobre a garrafa quase vazia. Eu recuei, admirando minha obra. Sawyer ia perder isso até que ele estivesse sóbrio o suficiente para ler as palavras de novo. Eu gostaria de poder ver o olhar em seu rosto. Eu estava voltando para sair do quarto, para sempre, quando ouvi a porta sussurrar aberta quase tão rapidamente quanto foi fechada. Girando, eu encontrei Sawyer, todo molhado com a chave na mão, olhando para mim como se eu tivesse apenas tropeçado em sua armadilha. — Você sentiu minha falta? — Ele perguntou, fechando a porta atrás de si. Além de ser um filho da puta com tesão, Sawyer nunca tinha feito nada que me fizesse sentir ameaçada ou insegura ou assustada. Senti todas essas coisas agora. — O que é isso? — Ele perguntou, cruzando o quarto para sua cama. — Um presente? Eu não respondi – cada instinto do meu corpo estava atirando, dizendo-me para sair deste quarto. Eu lentamente comecei a contornar meu caminho para a porta.

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Retirando a nota da garrafa, os olhos de Sawyer apertaram-se. —Divirta-se aliviando a si mesmo.— ele leu, um sorriso lento se estendendo ao longo de sua boca. Soltando a nota em cima da cama, sua cabeça chicoteou até onde eu estava fazendo meu caminho em direção à porta. — Oh, baby, eu pretendo. Foi logo em seguida, a expressão de seu rosto ainda mais do que as suas palavras, que chutou minha adrenalina em alta velocidade. Eu desisti da lentidão e corri para a porta. Eu não fui r��pida o suficiente. — Aonde você vai? — Sawyer disse, agarrando-me por trás. Porra, ele era forte para um bêbado cambaleante. O mergulho na água gelada deve tê-lo deixado sóbrio. — Você acabou de chegar. — Me solta, Sawyer. — eu avisei, tentando libertar meus braços de onde ele os prendeu ao meu lado. — Ou o quê? — Ele provocou, me arrastando de volta para sua cama. — Você vai chorar para a sua cadela de mãe ‗não-poderia-se-importar-menos‘, ou talvez o seu ‗não-sabiaque-o-quarto-estava-pegando-fogo‘ pai? Ou talvez todos os seus amigos que eram meus antes de serem seus? — chegando ao lado da cama, ele me jogou no colchão, pairando sobre mim. — Seja uma pequena vagabunda boazinha e se comporte. — Ele olhou propositadamente em sua cabeceira onde eu sabia que ele mantinha algum tipo de arma. Ele explicou que era para afastar intrusos, mas aparentemente

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também era útil para ameaçar uma garota a fazer o que ele quisesse. — Ou eu vou ter que te obrigar. — Deus, Sawyer. Quem diabos é você? — eu disse, agarrando a garrafa que estava rolando no colchão e arremessando-a nele. — Você realmente faz todo mundo de idiota, enganando a todos, não é? — Não todo mundo.— ele disse, esticando a camisa molhada acima de sua cabeça e jogando-ano canto. — Holly e Jude praticamente sabiam de tudo, mas olha o que o conhecimento fez com suas reputações. Se eu fosse você, depois de hoje, não iria chorar nas ruas dizendo que eu sou algum tipo de monstro. — Ele sorriu para mim, os olhos arregalados de excitação. — Porque, querida, ninguém vai acreditarna sua história ao invés da minha. Eu fugi para o lado da cama, calculando quanto tempo levaria para chegar à porta, perguntando-me se eu poderia chegar lá mais rápido do que Sawyer poderia chegar a mim. Uma vez que ele estava de pé entre mim ea porta, as chances não estavam a meu favor. — Por que agora? Por que depois de meses sendo um "paciente" namorado você está fazendo isso agora? — Porque eu posso. — ele respondeu, suas mãos trabalhando no cinto. — E porque eu quero. Essa é toda a justificativa que preciso. Eu tinha que tentar. Eu tinha que tentar fugir porque, de qualquer forma, Sawyer não ia parar.

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— Então, o seu plano brilhante é estuprar a garota que você acabou de ter uma briga na frente de testemunhas, com duzentas pessoas por perto? — estava tentando apelar para a sua inteligência, o pouco que tinha em seu estado bêbado enlouquecido. — Não, meu plano brilhante é ter sexo consensual com a minha namorada que vai embora no outono e quer ter uma última noite romântica antes de nos separarmos.— ele disse, puxando o cinto livre e jogando-o sobre a camisa. Merda. Ele tinha pensado nisso. E eu sabia que, em um tribunal, sua história seria aquela que iria ficar. Agora era a hora de correr. Lutando do outro lado da cama, corri para a porta e consegui três passos antes de levar um clothesline47 no pescoço. Eu caí no chão, tossindo, sentindo como se estivesse sufocando na minha própria garganta. — Eu não recomendaria tentar isso de novo. — Sawyer disse, de pé em cima de mim, seu cabelo pingando água do lago no meu rosto. Virando a cabeça longe, tentei recuperar meu fôlego. — Um dia, Sawyer Diamond. — eu disse entre respirações cortadas — Alguém vai ficar em cima de você do jeito que você está em mim e chutar o seu traseiro. E eu vou ter um assento na primeira fila. 47Golpe

de luta, que consiste em um lutador vir correndo do canto do ringue e acertar o adversário com o braço ou o cotovelo no nariz ou pescoço.

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Ele caiu em cima de mim, prendendo-me com o seu peso. Empurrando minhas pernas com os joelhos, ele passou a língua no meu pescoço até a ponta da minhaorelha. — Talvez amanhã.— ele sussurrou em meu ouvido,— Mas não hoje. Ninguém está vindo em seu resgate esta noite. Mexendo minhas pernas, tentando libertá-las de suas mãos, eu levantei minha cabeça. — Não, Sawyer.— eu disse, apenas fora de sua orelha,— Ninguém está vindo para o seu resgate. — E depois a aula de auto defesaque meus pais me forçaram a tomar quando eu tinha treze anos valeu ouro. Afundando meus dentes em sua orelha, eu mexi uma perna livre e plantei o pé uma vez, duas vezes, e uma terceira vez em sua virilha. Ele rugiu em agonia, uma mão segurando a orelha e a outra agarrando sua masculinidade agredida. Lutando para tirar o resto de mim de debaixo dele, passei ao longo do tapete, sabendo que se eu não corresse para a porta antes que ele chegasseno criado-mudo, nenhum número de aulas de autodefesa importaria. Então a porta para a qual eu estava rastejando se abriu, parte da madeira estilhaçando. Estourando através da porta, Jude deu uma olhada no cena ocorrida no chão e teve em um acesso de raiva. Animais raivosos tinham melhor auto-controle do que a fúria que brilhou em seus olhos. Nenhuma palavra poupada, Jude se jogou em cima de Sawyer, os punhos batendo antes que Sawyer soubesse que

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outra pessoa havia se juntado a nós. Lançando Sawyer em suas costas, Jude montou nele, focando seus punhos e fúria em seu rosto. Cada acerto aterrissou com um crack – cada um liberando um pouco mais de sangue. Decifrar se os grunhidos de Jude ou os gemidos de Sawyer eram mais altos era impossível. Quando se tornou evidente que Jude não estava pensando em ensinar-lhe uma lição, mas em tirar sua vida, eu empurrei-me do chão e tropecei em direção a eles. — Pare, Jude. — minha voz vacilou quase tanto quanto as minhas pernas. — Pare. — Estendendo-a, eu descansei minha mão em seu ombro. Ele não parou, mas seus golpes cresceram mais lentos e menos frequentes. — Sim, você pode querer ouvi-la — Sawyer disse, cuspindo sangue de sua boca sobre o tapete. — A menos que você queira ser preso novamente. Quem vai estar aqui para vigiar Lucy quando eu a encurralar em algum outro quarto, Ryder? — Sawyer olhou para Jude com um sorriso sangrento, desafiando-o como se ele tivesse um desejo de morte. Os músculos de Jude rolaram debaixo da minha mão, sua respiração levantando e abaixando os ombros quinze centímetros de cada vez. — Eu disse a mim mesmo que, da próxima vez que eu ouvisse falar de você fazendo isso para outra garota, eu ia rasgar seu pinto fora e enfiá-lo em sua garganta. Mas desde que a garota com a qual eu te encontrei

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foi Luce,— ele olhou para mim, com o rosto todo vincado, antes de se inclinar para baixo para que seu rosto estivessea uma polegada do de Sawyer.— Eu vou matar você. E a coisa mais assustadora que tinha acontecido até agora esta noite era essa ameaça. Porque não era uma ameaça, eu poderia dizer, pelo tom de sua voz, que ele quis dizer isso. Ao invés de rastejar para eles, eu estava rastejando para longe deles, posicionando meu corpo na frente da cabeceira de Sawyer. Eu duvidava que Jude soubesse se e onde Sawyer mantinha uma arma, mas eu também sabia que ele iria procurar, e o criado-mudo seria o primeiro lugar. Empurrando-se, Jude parou sobre Sawyer, fervendo para ele. — Luce. — ele disse, mantendo os olhos no Sawyer, — Importa-se de afastar-se para que eu possa finalizar este filho da puta? Engoli, – ele já sabia. — Não. — eu disse. — Luce, isso é entre mim e ele agora. — ele disse, de costas tremendo. — Mova-se. Minha briga tinha mudado de evitar que Sawyer me estuprasse para evitarque Jude batesse a merda fora dele, para agora evitar que Jude o assassinasse. Eu deveria ter batido o meu ponto à exaustão sobre uma porta quebrada tempos atrás, mas eu era uma garota com muita garra. — Não. — eu repeti, minha voz mais forte.

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— Droga, Luce. — Jude gritou,— Ele merece isso! Levantei-me, dando um passo em direção a ele. — Eu sei.— respondi, dando mais alguns passos até que eu pudesse colocar minhas mãos em torno de uma dele. Esperei que ele olhasse para mim, e quando finalmente o fez, eu vi o conflito em seus olhos. — Mas você não merece. Seus olhos fechados, a raiva ainda rolando para fora dele. — Eu vou ser preso para sempre um dia, e eu não consigo imaginar uma razão melhor para cumprir uma sentença do que matar um desgraçado como ele. Eu não me importo, Luce. Levantando uma mão para sua bochecha, inclinei seu rosto para o meu. — Mas eu sim. Ele olhou para mim, trovões rolando através de seus olhos, e depois para Sawyer. Seu corpo inteiro se enrijeceu novamente. — Eu quero matá-lo, Luce. Eu quero matá-lo mais do que quero qualquer outra coisa. — Uma agitação percorreu suas costas. — Eu não sei como ir embora. — Deixe-me ajudá-lo.— eu disse, esperando. Esperaria o tempo que levasse, eu não estava indo embora, até que ele se afastou de mim. Abaixo de Jude, Sawyer riu, cuspindo outro spray de sangue. — O criminoso e a vagabunda cavalgando juntos no pôr do sol.— ele riu. —Nós não vamos ter que prender a respiração pelo ‗felizes para sempre‘.

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Jude se encolheu, mas eu não iria deixá-lo ir. — Não desperdice sua vida neste bastardo.— eu disse, recusando-me a olhar para Sawyer, porque eu estaria bem se eu nunca tivesse que olhar para seu rosto denovo. Eusorri para Jude. — Por que você não a desperdiça comigo em vez disso? As linhas suavizaramem seu rosto enquanto ele segurava meu olhar. E então, finalmente, ele sorriu. — Vou aceitar o acordo. Balançando a cabeça em direção à porta, puxei sua mão. Outra risada veio de Sawyer. — Pelo menos alguém vai se dar bem hoje à noite. Eu gemi. Sawyer não tinha senso de auto-preservação. Agarrando-o pela gola da camisa, Jude puxou-o para cima. — Você simplesmente não sabe quando calar a boca.— Jude disse, puxando seu punho apertado. — Deixe-me ajudálo. — Ele dirigiu seu punho direto na boca de Sawyer, mandando-o caído de volta ao chão. — Luce. — Jude olhou para mim, com o rosto sereno. — Espere por mim no corredor. — ele disse. — Eu não vou matá-lo. — Acrescentou, me respondendo preventivamente. — Jude. — Eu não ia deixá-lo sozinho com Sawyer.

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— Olhe para mim. — ele disse, esperando por mim. — Eu estou bem. Eu não vou matá-lo. — E então, ele me deu um olhar significativo. — Confie em mim. Esta era a minha chance. A minha chance de mostrar a confiança que eu lhe tinha negado. A confiança que ele merecia e que eu achava que ele não tinha. Como eu poderia dizer não e esperar que nunca tivéssemos uma chance de lutar? Eu não queria, eu não gostava, mas era necessário. — Tudo bem. — eu concordei. Aquele sorriso que eu não tinha visto em seu rosto em tanto tempo que eu pensei que tinha desaparecido para sempre apareceu. — Eu vou estar bem. — ele disse. — Poderia enviar Holly aqui? Ela está esperando no corredor e acho que ela vai querer ver isso. Confiar. Confiar. Confiar. — Tudo bem. Vou esperar do lado de fora. — eu disse. — Não me deixe esperando muito tempo. — Indo para a porta, alisei o meu vestido de volta no lugar, tentando fazer o mesmo com o meu cabelo. Encostada na parede, Holly obviamente tinha sido colocada lá para garantir que ninguém tentasse interromper Jude de chutar a bunda de Sawyer. Seus olhos corriam-me, com o rosto sombreado. — Você está bem?

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— Sim. — eu respondi, aproximando-me dela. — Jude está pedindo para você ir lá. Ela assentiu com a cabeça, empurrando-se para fora da parede. Voltando-se para mim, suas mãos encontraram as minhas. — Está tudo bem? — ela perguntou novamente quando uma troca de silêncio colocou-se entre nós. Em um nível muito básico, eu entendi isso, eu a entendi, e ela me entendeu também. Nós éramos como a irmandade das garotas que Sawyer caçou e, embora não tenha sido um denominador comum do qual se orgulhar, era um laço para se orgulhar. — Sim. — eu respondi, olhando-a nos olhos. Dando em minhas mãos um aperto, ela foi para o quarto. — Você é um osso duro de roer, Lucy Larson. — ela disse, olhando para mim da porta. — Eu entendo o que Jude vê em você. Indo contra todas as minhas vontades de correr de volta para o quarto, eu não fiz isso. Eu não tinha confiado em Jude, não tinha dado a ele o benefício da dúvida antes. Eu o faria agora. Ganhei alguns olhares de lado de um par de garotas sentadas no topo das escadas, mas o segundo andar estava quase vazio. Ou a festa tinha terminado ou Holly sabia como redirecionar o tráfego.

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Brincando com o enigma que era o vestido que eu vestia para passar o tempo, eu desisti. Nenhuma quantidade de puxar e alisar magicamente criaria mais tecido para cobrir as partes do meu corpo que eu preferia manter cobertas, e parecia que eu devia a Taylor um vestido novo, porque, graças a Sawyer, eu tinha uma fenda na frente para coincidir com a da traseira. Mais um minuto se passou e eu me garanti que estava tudo bem, porque não havia gritos de gelar o sangue nem tiros tinham sido disparados no quarto para o corredor, mas eu ainda estava ansiosa como todo o inferno. Então eu aterrei parte dessa energia nervosa passeando no corredor como uma leoa enjaulada. No meu quinto turno nas escadas, Jude e Holly marcharam para fora do quarto de Sawyer, a expressão de Jude ilegível, mas Holly sorria para si mesma. — Está tudo bem? — perguntei, correndo pelo corredor para encontrá-los. Jude olhou para Holly. — Está agora — ele disse, abrindo os braços para mim. Eu me enrolei nele, sentindo como se partes de mim estivessem derretendo nele. Seis meses de não se sentir bem viraram fumaça. — O que aconteceu? — perguntei contra o seu peito.

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— Vingança. — Holly respondeu, acariciando sua enorme sacola. — Eu estou fora daqui. Eu fiz o que vim fazer e minha mãe vai ficar puta se eu ficar fora a noite toda. — Nós estamos também. — Jude disse, colocando-me debaixo do braço e nos dirigindo para as escadas. — Eu preciso levar Luce para casa. — Espere. — parei,— Eu vim com Taylor. Sou sua motorista esta noite. Jude gemeu. — Ei, Holl, você se importaria de caçar Taylor Donovan e dar-lhe uma carona para casa? Seu rosto torcido. — Se você está se referindo à mulher que me chamou de todos os nomes do livro feminino de vadias, então sim, eu me importo. — Holly chamou-nos de volta, terminando de descer as escadas. — Mas já que é você que está pedindo, vou colocar-me no modo de garota grande, não muito rancorosa e levar a vadia para casa. Eu não estou levando-a até a porta da frente, no entanto. — Você é uma santa. — Jude disse, guiando-me pelas escadas, empurrando um cara que quase derramou sua cerveja em mim para o lado. — Alguém viu uma cadela delirante com o cabelo bom? — Holly gritou no fundo das escadas. Todo mundo que ouviu apontou para uma direção diferente.

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— Parece que eu tenho o meu trabalho cortado para mim. — ela disse, mergulhando na multidão. — Vejo vocês mais tarde. — Ei, Hol! — Jude gritou para ela. Ela olhou para trás, quase fora de vista. — Meus cumprimentos por sua obra lá em cima. Ela deu-nos um sinal de rock n‟ roll e desapareceu na multidão. — Vamos. — Jude disse, mantendo-me perto,— Vamos tirar você daqui. Saindo pela porta da frente, eu percebi que nunca tinha estado em uma coisa tão errada em outra festa, mas enquanto Jude me levava pelas escadas, eu também sabia que eu estava contente por ter vindo. Vagabuntástico vestido, embaraçosa conversa esclarecedora com Holly, e Sawyer tentando tirar vantagem de mim de lado, eu tinha Jude ao meu lado, segurando minha mão como se ele nunca fosse me soltar de novo. Eu suportaria muitas coisas piores para manter esta mão. — Então, à qualobra você estava se referindo lá trás? — perguntei, puxando as chaves de Taylor da minha bolsa. Ele não respondeu.

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— Oh, Deus. Quão ruim é? — eu não iria nem mesmo deixar minha imaginação ir. — Nada menos do que ele merecia.— Jude disse, abrindo a porta do passageiro para mim e tomando as chaves. — Ela só colocou uma etiqueta de aviso nele. — Ele fechou a porta e levou seu doce tempo vindo em torno da frente do carro. — Que tipo de etiqueta de aviso? — perguntei assim que a porta do motorista abriu. Clicando o cinto de seguran��a no lugar, Jude deu-me um olhar envergonhado. — O tipo que é tatuado na sua virilha

com

uma

lista

das

doenças

sexualmente

transmissíveis que ele tem. Eu engasguei com a minha saliva. — O quê? Você não está falando sério. Virando a chave, ele olhou para mim com uma expressão que sangrou sério. — Oh, meu Deus.— eu respirei. — Merda, ele tem uma lista de verdade? — Eu estava ainda mais grata por Jude. Ele ergueu um ombro. — Outra garota nunca terá que descobrir, — ele disse açoitando o carro e descendo a calçada. — Algo mais? — perguntei, temendo a resposta.

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Os cantos dos olhos de Jude enrugaram-se. — Podemos ter usado cola maluca e colado sua mão em seu pinto e colado o dedo indicador da outra mão em seu nariz. Meu queixo caiu. Era tão chocante quanto engraçado, então eu ri. Eu visualizei todo o evento, iniciando com a tatuagem até o acabamento com cola maluca, sentindo-me totalmente... Vingada. Holly disse isso melhor. — Não é possível que vocês tenham problemas por isso? — Eu perguntei quando eu me acalmei. — Provavelmente. — ele disse, sua própria risada enfraquecendo, — Mas não há nenhuma maneira no inferno de Sawyer denunciar isso. Sawyer sempre me pareceu do tipo era o dedo-duro da classe enquanto crescia. — Por que não? — Porque Holly ameaçou contar a seus pais que opequeno Jude é seu filho e, em seguida, que iria transformar isso em um autêntico escândalo. — ele disse, enfatizando. — Uma família como os Diamonds não podem se dar ao luxo de tomar uma batida pública, se eles esperam manter a venda superfaturada de minivans de merda. Holly não tinha tido a chance de me dizer, mas eu percebi isso. A troca de silêncio na sala me contou tudo o que eu precisava saber sobre quem gerou o pequeno Jude. — Vocês dois tinham isso tudo planejado. Ele respondeu com um encolher de ombros indiferente.

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— Como você está? — ele perguntou, cobrindo minha mão com a sua. — Depois de quase ter sido forçada a ter relações sexuais com o meu namorado? Ou depois de descobrir que, melhor dizendo, meu ex-namorado não é apenas um idiota, mas uma porcaria de um pai ausente? Ou depois de descobrir que eu estava errada sobre você e você não disse nada para me dizer o contrário? — Eu queria culpar alguém, ou as circunstâncias, pelo menos, mas a única pessoa para apontar o meu pequeno dedo julgador era eu mesma. — Como você está se sentindo sobre tudo isso? — Ele perguntou, sua voz suave, um contraste com o que eu sabia que ele era capaz. —Dê-me uma pontuação média. — Eu me sinto como merda. — respondi, e então olhei para ele. Eu não sei se foi só por esta noite, ou apenas como um amigo que estava ao meu redor, ou como um pouco mais do que tinha sido para mim nestes últimos seis meses, mas ele estava aqui. — E do tipo grande de merda. E você? Ele olhou para mim, seus olhos leves e quentes. — Eu sou do tipo muito grande. Afastando-se da Sunrise Drive, ele puxou carro de Taylor até a cabana. Nós dois olhamos para a estrutura escura, esperando. Pode ser para a frente, pode ser de mau gosto, mas esta mulher pegou o que queria e não olhou para trás.

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— Você quer entrar? — engoli, esperando uma aceitação tanto quanto uma rejeição. Ele fez uma pausa, os olhos inspecionando o lugar como se fosse fortemente vigiado. Eu conhecia aquele olhar de preocupação. — Meus pais não estão em casa. — eu disse. — Mamãe tinha alguma viagem de trabalho na qual ela arrastou meu pai junto. Jude abriu a porta. Meu coração deu uma guinada, — Sua mãe tirou o seu pai de casa? — ele perguntou, quando saí do carro. — Depois de laçar seus ovos com alguns narcóticos pesados.— eu respondi, caminhando até onde ele esperava por mim. Ele

estava

olhando

para

a

cabana

novamente,

mastigando alguma coisa em seu lábio inferior. Eu também conheciaesse olhar: hesitação. — Está tudo bem se você não quiser. — eu disse, esperando ao lado dele. — Eu entendo. — Eu quero isso, Luce. — ele disse, olhando para a minha janela do quarto. — Eu não estou apenas certo se eu deveria. O homem que poderia chutar o traseiro de alguém com as mãos amarradas atrás das costas. O mesmo homem que

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não se importava se todos de South Pointe anunciassem ao mundo que ele dormiu com cada solteira e algumas mulheres não solteiras no estado. O mesmo homem que estava hesitando se entrava na minha casa sem meus pais aqui. Ele era uma dicotomia48 andante. — Bem, eu tenho certeza, por isso a minha certeza influenciará sua incerteza. — agarrei o braço dele e puxei-o para subir as escadas. — Por aqui. Ele suspirou, mas deixou-me levá-lo até a varanda e pela porta da frente. O assoalho gemia sob os nossos pés, ecoando através da casa em silêncio. — Você quer alguma coisa? — perguntei, acendendo a luz da cozinha. Ele balançou a cabeça, seus olhos agora juntando-se ao jogo hesitante. Querendo dar a ele um andar acima a saída mais conveniente, eu o puxei para a escada, não deixando ir a sua mão. — Eu preciso me trocar,—disse, dando a mão outro puxão. Funcionou. Eu não tinha certeza do que estava fazendo quando levei Jude para o meu quarto, mas não foi porque minhas 48

Ela quis dizer que é como se houvesse dois lados de Jude.

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intenções eram puras ou impuras. Eu não tinha qualquer intenção, agora, eu só estava indo com o que parecia certo. — Como você sabia o que estava acontecendo comigo hoje à noite? — perguntei, puxando a corrente da lâmpada no meu armário. Eu sabia que deveria estar preocupada com uma montanha de perguntas agora, mas a única razão pela qual eu estava perguntando era para preencher o silêncio. — Holly viu que Diamond e você tiveram uma briga e veio e me pegou. E quando se trata de prever os próximos movimentos de Diamond, tudo que você tem a fazer é perguntar-se ‗o que um idiota faria‘ e multiplique por dez e você tem a sua resposta. — Ele inclinou-se para a porta, inspecionando meu quarto como se não fosse real. Eu estava olhando para ele da mesma forma. — Obrigada, Jude. — Eu parei no meu caminho para o banheiro e olhei para ele. Acreditei e presumi coisas horríveis sobre ele. Eu tinha me tornado outro membro da máfia imaginando a pior merda para ele. Isso fez minha garganta queimar. — E eu sinto muito — eu disse, esperando que ele pudesse ler em meus olhos o que as minhas palavras não poderiam transmitir. — Holly explicou tudo e eu sinto tanto, tanto, Jude. Empurrando a porta, ele deu um passo para dentro. — Eu sei, Luce. — Ele me deu um sorriso triste.

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Eu desapareci atrás da porta do banheiro, pijamas na mão, lágrimas nos olhos. — Eu não achava que seu quarto seria assim tão... De menininha. — Seu nariz estava enrolado pelo tom de sua voz. Deslizando para fora do vestido de embalagem de salsichas, enfiei a cabeça para fora. — Não sabemos melhor agora que não devemos presumir algo sobre o outro? — ergui uma sobrancelha e sorri. Ele riu. — Eu espero que sim. — ele disse. — Então, você está dizendo que este seria um mau momento para mencionar os outros cinco filhos dos quais eu sou pai com cinco mulheres diferentes? Ou você já me seguiu para todos os trailers delas? Atirei o vestido para fora da porta, atingindo seu rosto. Deslizando-o de seu rosto, ele amassou-o. Se era qualquer indicador de quão pouco tecido ele era feito, ele foi capaz de pegá-lo em um punho antes de enchê-lo no bolso da jaqueta. — Eu estou mantendo isso como uma lembrança, Luce. Você parecia incrível nele. — Como se você estivesse olhando para o vestido. — eu gritei para fora para ele, deslizando em minha camisola. — Se você usar um vestido como esse, Luce, aqui está um ponto. Caras não vão admirar o material.

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Tudo parecia como antigamente. De volta ao normal. Bem, o único normal que eu e Jude poderíamos ter, mas era nosso, e o bastante. Corri um escova no meu cabelo algumas vezes, apenas para que ele não parecesse que eu estava em um estado desgrenhado, e voltei para o quarto. Jude estava encostado na minha cama, folheando meu manual do aluno. — Eu ouvi dizer que você conseguiu entrar. — ele disse, colocando-o de volta no criado-mudo. — Juilliard, Luce. Mesmo sendo o caipira idiota que eu sou, já ouvi o suficiente sobre isso para saber que é algo para se orgulhar. Dobrei um joelho debaixo de mim e sentei-me ao lado dele. — E eu ouvi dizer que você pode entrar em praticamente qualquer universidade que você queira. Isto é, se você não for para todo o negócio de sete dígitos, coisas de NFL. Ele abaixou a cabeça contra a cabeceira. — Sim, eu acho. — Você já tomou alguma decisão? — Ainda não. — eledisse, como se não fosse grande coisa. Como ter uma bolsa de estudos integral para qualquer escola que você escolhesse não fosse um grande negócio. Se isso não era, era difícil imaginar o que Jude considerava um grande negócio. — Jude. — eu disse, plantando minha mão em seu estômago. — Por que você não me contou sobre Sawyer? Por

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que você não me disse que você não era o pai? — foi uma das muitas perguntas que eu não podia sequer começar a responder. — Você teria acreditado em mim? — Ele perguntou, sua voz tensa. Eu sabia a resposta, mas não queria lhe dar. — E eu também sabia que, se você achasse que eu era o pai do pequeno Jude, e que menti para você sobre isso, seria o suficiente para você romper comigo para sempre. Era a única maneira que eu conhecia para mantê-la a salvo de mim. Levantei minha mão de seu estômago. — Então você planejou isso? O tempo todo em que estivemos juntos, você estava

planejando

uma

maneira

de

estragar

tudo

fodidamente, assim eu te deixaria em paz? — Não, Luce. — ele disse, pegando a minha mão de volta. —Então, eu te deixaria em paz. — Naquela manhã, quando te confrontei sobre Holly e o bebê, você não negou. — Mas eu confirmei isso? Apertei os olhos. — Por não negar, você fez. Deslizando sua mão para baixo, ele fechou os olhos. — Isso é porque eu sabia que era a única maneira que eu poderia salvá-la de mim. Eu não planejei isso dessa maneira,

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mas quando você me confrontou sobre Holly naquela manhã, eu sabia que se eu ia ser um homem e deixá-la ir, essa era a minha única chance. E para minha sorte, eu tive a coragem de fazê-lo naquele dia. — O quê? Mentir para mim? — perguntei. Jude balançou a cabeça. — Me afastar de você. Essa coisa toda entre Jude e eu tinha sido uma falta de comunicação cuidadosamente orquestrada por ele. Fiquei magoada, e eu estava chateada, e eu até entendi porque, mas, acima de tudo, eu estava farta dele. — Você já está farto de afastar-se? — perguntei, pegando um travesseiro e jogando-o no seu rosto. Ele jogou o travesseiro de volta. — Estou indeciso sobre isso. Se eu não soubesse por que ele estava indeciso, a resposta poderia ter machucado. — Por que você está aqui agora, então? — Porque eu quero estar. — ele disse, confessando isso como um pecado. — E você não queria estar aqui antes? — cheguei mais perto, desejando que por dois minutos malditos, pudéssemos estar na mesma página. — Eu queria. — ele disse, olhando para o teto. — Estou cansado de lutar contra isso agora.

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Lá estava ele, o avanço que eu estava esperando. A luz vermelha tinha mudado. — Faça-me um favor e não lute contra isso novamente. Sentando-se, ele olhou para mim. Seu olhar era paralisante. — Eu vou, Luce. Eu vou continuar lutando, porque você não merece algum cara fim de linha, com o meu passado, arruinando sua vida. Jogando meus braços, eu exalei. A humildade era uma coisa boa, mas ser um mártir era tão ruim quanto acreditar que você era um presente de Deus. Eu estava farta da rotina. — Se você se calar sobre todas as razões pelas quais eu não deveria querer você, talvez você ouvisse que eu não me importo.— eu disse. Bem, eu gritei. — Conheço suas piores partes e conheço as melhores partes de você. — Fiz uma pausa para tomar fôlego. — E eu quero você. Algo cintilou em seus olhos antes que ele desviasse o olhar. Sua mandíbula se apertou quando ele olhou para a porta e, justo quando eu estava contemplando a ideia de me jogar na frente dela, deixando meu corpo de barreira para sua saída, ele me puxou para ele, sua boca encontrando a minha. Ele me beijou como se estivesse tentando me consumir, como se estivesse compensando os momentos perdidos, e como se ele estivesse farto de lutar o que eu sabia que era uma luta inútil. Embalando meu rosto em suas mãos, ele me beijou mais forte, tão forte que eu não conseguia respirar, mas se

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beijar dessa forma requeria não respirar, eu desistiria do oxigênio

para

sempre.

O

momento

me

consumiu,

encapsulando-me em nada, somente no aqui e o agora. O passado, as mentiras, a dor, nada podia romper o mundo que estavamos criando agora. Eu não queria isso também. Puxando sua camisa livre, eu puxei-a sobre suas costas e joguei-a no chão. Era a primeira vez que ele já tinha me deixado tirar sua camisa, mas minhas mãos contra sua pele não eram suficientes. Eu queria o resto dele contra o resto de mim. Logo antes de eu estar prestes a isso, Jude deslizou as mãos debaixo da minha camisola, puxando-a por cima do meu estômago, meus seios, e então a minha cabeça. Seus olhos me percorreram, inspecionando meu corpo como se ele estivesse gravando cada linha e inclinação e curva em sua memória. Eu sabia que deveria ter sido desconfortável, sentada nua e exposta na frente de um homem que tinha visto a sua quota de mulheres e poderia ter à sua escolha qualquer uma delas, mas não havia maneira de eu me sentir insegura pelo jeito que ele estava olhando para mim. Ele sorriu para mim quando seus olhos fizeram a última viagem aos meus. Seus olhos mudando para prata, sua respiração curta, seu corpo pronto. Eu sabia que nunca tinha querido ninguém mais do que eu o queria. — Jude. — eu disse — Eu...

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As duas últimas palavras se perderam quando sua boca esmagou a minha, suas mãos cavando em meus quadris bem antes de virar-me de costas na cama. O calor de sua pele aqueceu a minha, criando um brilho de suor entre nós. Sua boca se moveu para o meu pescoço, com as mãos em meus seios, e eu me senti perto da queda sobre a borda do mundo. Mas eu ainda queria mais, eu precisava de mais. Eu estava tão pronta para ele que eu podia sentir isso por todo o caminho até os dedos dos meus pés. Deslizando minhas mãos entre nós, eu peguei sua calça, puxando o botão da calça jeans. Ele estalou livre e eu enfiei minha mão dentro. Ele gemeu, sua testa inclinando-se na minha quando seu corpo se moveu contra o meu. Deslizando minha mão, eu balancei meus quadris para cima em direção ao dele. Outro som escapou-lhe: —Porra.— ele gemeu bem antes de sua boca cair sobre a minha novamente. Sua língua partiu meus lábios, tocando a ponta da minha, quando seus dedos deslizaram sob minha calcinha. Ele deslizou-a em um movimento contínuo, sua língua nunca deixando minha boca. Eu estava em outro mundo. Um mundo que era estranho e um mundo no qual eu queria fazer a minha casa. Era apaixonado e havia calor. Do tipo que era tão profundo que você o absorvia. O tipo que era tão profundo que se tornou uma parte de você.

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Eu estava tão perto de perder tudo o que estava embolando dentro de mim, eu sabia que não poderia suportar muito mais com a forma como ele estava me tocando. Com o jeito que ele estava me consumindo. Agora, totalmente nua, eu envolvi minhas pernas em volta

dele,

arqueando

meus

quadris

contra

os

dele,

balançando de cima para baixo. Sua respiração parou enquanto todos os músculos de seu corpo tensionaram-se para a superfície. — Não assim. — ele respirou, socando o travesseiro atrás de mim. Tudo dentro de mim gritou. — Não assim o quê? — Eu disse entre respirações irregulares, deixando minhas pernas em volta dele. Eu não estava desistindo quando estávamos tão perto. Ele fechou os olhos. — Não logo depois que você quase foi estuprada por Sawyer Diamond. — ele disse, inclinando-se para trás. Sua pele já não pressionava contra a minha, um frio subiu-me quase imediatamente. — Jude, eu estou bem. — eu disse, inclinando-me sobre os cotovelos, não pronta para deixar o momento passar. Mudando as pernas para fora da cama, ele curvou-se para baixo. — Mas eu não estou. — Por quê?

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Ele levou as mãos ao rosto. — Porque isso é muito errado neste momento. Isso doeu. — Isso não parece errado para mim. — eu disse, tentando não pensar sobre o fato de que eu era, provavelmente, a única mulher com a qual o lendário Jude Ryder não foi até o fim. Recuperando minha camisola do chão, ele a segurou para mim, mantendo os olhos para baixo. — Aí que está o problema. Isso não parece errado para mim também.— ele disse quando eu peguei a camisola de sua mão. Eu queria lançá-la em toda a sala para provar um ponto, mas puxei-a em seu lugar. — É assim que eu sei que é. — Podemos guardar o pensamento para amanhã? — disse, colocando meus braços através da camisola. — Estou procurando um pouco de compreensão agora. — Eu estou fazendo um trabalho de merda ao me explicar. — ele disse, puxando o boné, em silêncio por um minuto. — Minha noção de certo e errado é tão confusa, Luce, que o meu mal é o certo de todo mundo. E o meu certo é o errado de todos. Eu queria envolver meus braços em torno dele e confortar qualquer tumulto que ele estava passando, mas eu ainda me sentia um pouco afastada para isso. — Então, você está dizendo que porque o que nós estávamos fazendo te parecia certo, deve ser a coisa errada? — Essa era toda a definição de confuso.

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Ele acenou com a cabeça, olhando para mim. — Eu preciso de uma recalibração de certo e errado, Luce, e até que eu seja capaz de conseguir a minha merda descobrindo, eu preciso ser cuidadoso com você. Eu caí para trás em cima da cama, cobrindo a cabeça com um travesseiro. — Cuidadoso não era o que eu tinha em mente para esta noite. — Eu gemi, minha voz abafada. — Eu sei. — ele disse, esfregando a minha perna. — Mas é a coisa certa a fazer. Levantando o travesseiro, eu levantei uma sobrancelha. — Certo de Jude ou de todos os outros? — perguntei com um sorriso inocente. Meu sarcasmo não teve efeito sobre ele. — Eu não tenho certeza, — ele disse — E eu preciso ter antes de nós terminarmos...

Ele

olhou

para

a

cama

de

forma

significativa — De fazer o que estávamos fazendo. — Bem.— eu disse, sentando-me e chegando perto. — Apresse-se e descubra a sua merda, Ryder. — pressionei meus lábios nos dele, puxando-o para trás quando tudo dentro de mim começou a ferver. — Sim, senhora.— ele sorriu, correndo o polegar pela minha bochecha. — Eu só quero que isso pareça certo, ok? Eu quero que seja perfeito. Isso seria bom se nós vivêssemos em um mundo perfeito. — Se você está esperando por tudo se parecer bem e

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perfeito, eu vou te salvar do suspense e dizer que nunca vai acontecer. — eu disse, tecendo meus dedos pelos seus. — Mas se você puder olhar para mim e dizer que você quer estar comigo e eu puder olhar para você e saber que eu quero estar com você, em seguida, carpe diem, baby. Porque isso é o mais perfeito que nós vamos conseguir. Ele acenou com a cabeça, dando um aperto nos meus dedos. —Você é tão malditamente inteligente, Luce. — ele disse, beijando minha testa enquanto se levantava. — Eu vou te ver amanhã. Agora, isso estava ficando absurdo. — Sim. — eu disse, pegando sua mão, — Você vai. — bati no espaço ao meu lado, jogando as cobertas para baixo. Jude estudou o leito como se se tratasse de uma equação. Imaginei qual equação ele estava tentando trabalhar em sua mente. — Certo ou errado? Um lado de seu rosto levantou. — Eu não tenho certeza.—confessou. — Bem, eu tenho. — eu disse, puxando sua mão. Ele parou um segundo a mais, mas se ele apenas deu a razão para mim ou decidiu por conta própria, não sei, ele deitou na cama ao meu lado e passou os braços ao meu redor tão apertado que eu não conseguia respirar muito bem.

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Eu nĂŁo tinha experimentado tal sono tranquilo desde aquele dia, quase cinco anos atrĂĄs.

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407


Capitulo Vinte e Dois

E

ra

cedo.

Como

o

sol

estivesse

pensando em levantar cedo. Em uma manhã de domingo, eu geralmente

dormia mais três horas, mas este eu não queria. Duvidei que pudesse de qualquer maneira. Acordei com o mesmo vazio no meu estômago que eu tinha nos últimos quatro anos neste dia, aquele sentimento que eu não tinha certeza se estava indo para vomitar ou desmaiar. O sentimento de que iria acontecer tudo de novo, e então braço de Jude enrolado ao redor de mim um pouco mais apertado em seu sono, e hoje tudo parecia mais fácil de aguentar. Ele tinha ficado. Toda a noite. Ele não me soltou em nenhum momento. Ele gemeu algo indecifrável em seu sono, colocando seu rosto em meu pescoço. Seu gorro ainda estava colocado. Dormindo com o peito nu, o homem ainda mantinha o velho gorro no lugar. Isso não pode ser bom para a cabeça, precisava respirar a cada poucos anos. Não tenho certeza porque parecia que eu estava fazendo algo que não deveria, eu deslizei o chapéu da testa e puxei-a.

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Seu cabelo era tão curto e tão leve que quase parecia que ele era careca. E então eu percebi o enrugado e cicatrizes no alto da cabeça até o pescoço que lhe era familiar. Cicatrizes

queimadas.

Corri

meus

dedos

sobre

eles,

desejando que eu pudesse apagá-las de sua pele e o evento que fez de sua mente. Tracei meus dedos em seu pescoço, olhei para baixo em suas costas e, à luz quase de manhã, o labirinto de cicatrizes que espalhados por todo o caminho olharam de volta para mim. Cicatrizes brancas se projetava nas costas, algumas pequenas, a maioria grandes, como se ele tivesse sido rasgado em uma centena de maneiras diferentes e fechada novamente por alguém que não sabia como usar uma agulha e linha. Eu duvidava que cadáveres tinham cicatrizes menores. Eu me senti doente, mais doente do que me senti acordando para este dia, com meus dedos traçando uma linha sobre cada cicatriz levantada, eu não era capaz ou queria imaginar o que tinha acontecido com o homem dormindo ao meu lado. De repente, ele acordou assustado. Seus olhos eram de paz para antes dele notar o olhar na minha cara e que eu segurava na minha mão. Pegando um dos meus pulsos, ele empurrou-o para longe ante de pular para fora da cama, agarrando o gorro cinza e roupa ao mesmo tempo.

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— O que você está fazendo? — ele exclamou, ajustando o gorro sobre sua cabeça. Ele estava com raiva e ferido. — O que aconteceu? — sussurrei, me sentando na cama. Ele andou pelo quarto, agarrando sua blusa de manga comprida cinza e puxando-o sobre a cabeça, sem responder. — Eles fizeram a mesma coisa para você — eu imaginei, desejando que estas conclusões não fossem tão fáceis de desenhar. — Esses meninos queimaram você também. Jude envolveu as mãos atrás da cabeça, seu aperto da mandíbula. — Não os mesmos, mas alguns como eles. — ele disse, sua voz firme. — Quando me mudei para o abrigo dos meninos — ele disse, forçando cada palavra. — Cerca de cinco anos atrás. — Por quê? — Eu me inclinei para frente, tentando agarrar a mão dele. Ele balançou para fora. — Foi um presente de boasvindas. — Oh, meu Deus. — eu respirei, me perguntando se a devastação no passado de Jude já tinha acabado. — E as cicatrizes? Os olhos de Jude pararam em mim. Eles eram negros. — Você não quer saber.

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Ele estava certo, mas também errado. — Sim, eu quero. — sussurrei. — Eu não quero te dizer. — ele respondeu, seu peito subindo e descendo. — Tudo bem. — engoli, aceitando que Jude tinha muitas cicatrizes internas, além das que ele usava em sua pele. — Sinto muito, Jude. — Eu não quero sua piedade. — ele disse — E eu não quero refazer toda a minha infância, enquanto você faz essa merda de psicanálise de garota. Eu sou um câncer, Luce. Eu lhe disse isso desde o início. Você não precisa conhecer os detalhes desagradáveis para aceitar isso. — Sim, você tem que fazer. — eu disse, indo contra todos os meus instintos gritando para eu ir abraçá-lo. — Você precisa dos detalhes para que saiba como curá-la. Deixe-me ajudá-lo. — eu disse, estendendo a mão para ele novamente. — Droga, Luce. — ele disse, andando em volta da sala. — Eu não sou um de seus projetos de estimação. Eu não sou um cão que você pode resgatar de ser sacrificado. Eu não preciso ser salvo e eu com certeza não quero ser salvo. — Fazendo uma pausa, ele finalmente olhou para mim. — Então pare de tentar tão arduamente. Eu sabia que esse era o ponto que eu deveria desistir, mas eu não podia. — Não.— eu disse com firmeza.

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Ele olhou para mim. — Eu não quero ser salvo. Mordi a língua para manter quaisquer sinais de lágrimas. — Sim, você quer. Seus olhos inflamados. — Não. — sua voz tremia. — Eu não quero. — Andando pra longe de mim, ele atingiu a borda da minha cômoda, derrubando uma caixa que eu tinha pegado do sótão ontem. Ela caiu no chão, seu conteúdo se espalhando por todo o tapete. Eu estava fora da cama para recolher os itens antes dele se virar. A cabeça Jude caiu para trás para olhar para o teto antes de agachar-se para me ajudar. Seus olhos em algo em minha mão, seu rosto caindo. Pegando a foto dos meus dedos, ele se levantou, olhando para a foto como se não fosse real. — Como você conhece esse cara? A respiração profunda. — Ele era meu irmão. — Seu irmão era John Larson? — Ele disse, sem piscar. Agora eu estava chorando. Esta manhã eu teria que me tornar a mulher de aço para manter as lágrimas. Eu olhei para a imagem entre os dedos de Jude. Foto do meu irmão no futebol, em seu último ano. Apenas sete meses antes que ele fosse assassinado. Cinco anos atrás, hoje.

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— Sim. — eu disse, enxugando o rosto. A foto caiu da mão de Jude, o rosto de ficando pálido. — E o primeiro nome de seu pai é Wyatt? Eu balancei a cabeça, pegando a foto que havia caído no chão. Jude virou, jogando o punho na parede. Ele quebrou o drywall49euma nuvem de poeira branca entrou em erupção. — Como você pode manter algo como isso de mim? — Ele gritou virando para mim, todo o seu corpo tremendo. Eu estava tão confusa, tão chateada, não sei qual eu me sentia mais. — Eu disse que o meu irmão morreu. — eu disse, fixando a imagem de John em meu colo. — Desculpe se eu não forneci os detalhes. Fui até a janela, Jude ficou observando, seus ombros subindo e descendo com a respiração. — Detalhes teriam sido bom nesta situação. — ele disse, sua voz a ponto de quebrar. — O que diabos você está falando, Jude? — sussurrei. Tudo estava caindo aos pedaços, desvendando em torno de mim, e eu não sabia o que tinha puxado o fio. — Meu nome completo é Jude Ryder Jamieson. — ele disse, virando-se para olhar para mim. Esse nome me atingiu como um trem. O impacto foi tão súbito, tão poderoso, eu não podia falar. 49

É o tipo de parede que eles fazem suas construções lá.

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— Meu pai, — ele disse, se agarrando ao parapeito da janela, — Foi preso por atirar e matar um jovem. Eu balancei a cabeça, chicoteando meu cabelo para trás e para frente. — Pare. — eu disse, engasgado com a palavra. Tudo estava girando fora de controle e eu queria parar esta roda. — O nome do meu pai é Henry Jamieson. — Ele fez uma pausa, olhando pela janela como se estivesse querendo escapar ou acertar o punho através do mesmo. — Meu pai assassinou seu irmão. A foto que eu segurava deslizou de minhas mãos, virando de bruços sobre o tapete. Eu senti como se chorando, meu corpo iria se curar e libertar, mas eu estava dormente demais para se mover. Eu repetia para mim mesma que isso não era real, não era possível. Eu não tinha caído por amores pelo homem cujo pai tinha matado meu irmão. Deus não era tão cruel. — Seu pai... — eu comecei, não tinha certeza se eu poderia tirá-lo, — Arruinou minha família. Jude bateu no parapeito da janela. — E seu pai é o único culpado por ter feito tudo isso acontecer. — gritou, virando-se. — Depois de trabalhar em uma das empresas do seu pai por dez anos, meu pai foi selecionado aleatoriamente para um teste de drogas, não conseguiu passar, e o grande Sr. Wyatt Larson recebeu a chamada final. Ele o despediu.

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Jude,

ele

estava

sob

efeito

de

cocaína

e

metanfetamina. Ele quase matou um homem no local de trabalho. — disse, lembrando que cada palavra que foi falada, cada imagem retratada durante o julgamento. Meus pais estavam muito focados em sua perda para perceber que deixar sua filha de 13 anos de idade, se sentar no julgamento de seu irmão assassinato não foi a melhor coisa a se fazer, mas eu não iria ficar em casa. Escondendo-me debaixo de um cobertor quando o assassino do meu irmão estava sendo julgado, parecia errado. Eu estava ali para ele, mesmo na morte. — Porque minha mãe tinha acabado de sumir. — ele gritou, os tendões de seu pescoço estalando para a superfície. — Ele estava passando por uma fase difícil, mas ele teria superado, e como recompensa por uma década de serviço, seu pai o despediu. O banco executou a hipoteca da casa, e dois meses depois estávamos sem teto. Ele me deixou no abrigo no mesmo dia em quem ele atirou em seu irmão. Eu queria fugir, mas eu não podia. Ainda estava à espera de acordar deste pesadelo com o corpo adormecido de Jude estendido sobre o meu. — Ele matou meu irmão. — eu repeti as palavras dolorosas e erradas na minha boca. — Era para ser seu pai! — ele explodiu, tudo drenando dele. Seus ombros rolaram para a frente, com a cabeça caindo. — Deveria ser seu pai. — ele disse em um sussurro. — Não. — a minha língua tremeu, — Era para ser eu.

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Jude ficou paralisado, olhando para mim como se eu fosse seu inimigo. — Que porra você quer dizer? Eu me coloquei contra a parede, precisando de seu apoio. — Mamãe me pediu para levar o almoço do meu pai até ele no domingo, ele estava trabalhando o tempo todo para conseguir que o projeto terminasse, mas eu estava sendo difícil e eu disse que não queria. O local do trabalho era próximo da nossa casa e eu poderia ir de bicicleta. — fechei meus olhos como se tudo fosse jogado de volta na minha mente. — Então John disse que faria, e foi à última vez que eu o vi vivo. Isso é, o seu pai atirou três balas quando ele apareceu no local de trabalho naquele dia. Deveria ter sido eu, esperando dentro escritório móvel do meu pai, girando a cadeira, quando Henry Jamieson,- que estava tão drogado de metanfetamina que não era capaz de dizer quem estava na cadeira atirou e matou meu irmão. — Tudo dentro de mim tinha esvaziado. Eu não era nada, mas um saquinho de um balão, caindo no chão. — Deveria ser eu. Ele ficou em silêncio, mas um silêncio que era tão alto que eu queria cobrir meus ouvidos. Finalmente, Jude passou por mim, parando pouco antes dele sair. — Eu sinto muito que não foi. — ele disse, em voz baixa. — Porque eu realmente poderia ter evitado de passar por toda essa merda. Batendo a porta atrás de si, seus passos trovejaram descendo as escadas, para fora da porta, e fora da minha vida

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assim. Quando a porta de tela bateu, eu chorei o dilĂşvio de lĂĄgrimas que eu segurei por cinco anos.

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Capítulo Vinte e Três

E

u parei na frente do espelho, estudando a garota refletida nele. Ela parecia comigo, mas não era a mesma garota

que eu me recordava. Algo havia se quebrado nas horas desde que o Jude havia ido embora, e deve ter sido algo vital para quem eu era antes. Eu me sentia vazia, incapaz de reunir qualquer tipo de emoção, e me sentia perdida, como se tudo para que eu tivesse trabalhado e conseguido havia me levado para um beco sem saída. Pela primeira vez na minha vida, eu me perguntei se o mundo ao meu redor, que eu estava tentando salvar, não valia a pena ser salvo. — Lucy in the sky? — Uma batida gentil soou do lado de fora da porta. — Você está pronta? Não, era a minha resposta, mas não foi isso que saiu, porque quando se tratava do meu irmão, eu nunca dizia não. Eu não havia dito quando me pediram para falar no funeral dele, e eu não havia dito a cada ano no aniversário da morte dele quando o papai e eu visitávamos o seu túmulo. Era o único jeito que eu podia mostrar a ele que eu o amava e pensava nele todo dia.

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Dei uma última olhada na garota no espelho antes de balançar minha cabeça e me afastar. Aquela garota não era mais eu. — Oi, pai. — cumprimentei, abrindo minha porta. Como os quatro anos anteriores, papai estava vestido em um terno preto e tinha até quase conseguido ajeitar sua gravata direito. — Apenas nós dois novamente? —perguntei, olhando no corredor. Minha mãe nunca nos acompanhava até o túmulo do John, e até onde nós sabíamos, ela nunca havia visitado depois do dia que ele havia sido abaixado na terra. — A sua mãe lida com isso do seu próprio jeito — ele disse, limpando suas mãos em seu casaco. — Nós lidamos com isso da nossa maneira. Na maioria dos dias eu desejava que pudesse lidar com isso do jeito da mamãe. — Vamos lá, está ficando tarde. — Ele se virou e seguiu pelas escadas. Eu peguei minha bolsa e segui, — Você vai dirigindo.— ele disse desnecessariamente enquanto trancava a porta da frente. A última vez que esteve atrás do volante de um veículo foi no dia que o John morreu. O cemitério era a cerca de uma hora de viagem da cabana, mas quando você está sentado ao lado do seu pai em completo silêncio, parecia mais do que um dia inteiro sem paradas. Essa seria a minha sexta vez no cemitério. Eu vinha uma vez por ano porque era a coisa certa a se fazer, mas eu

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não podia fazer mais do que isso. Além disso, nada do que eu amava em John estava enterrado embaixo daquela lápide. Papai estava olhando para fora da janela, pensando em quaisquer pensamentos que um homem que havia deixado de viver pensaria, e eu encarei a estrada a frente, tentando não pensar porque os meus pensamentos apenas me levavam por uma estrada. Como qualquer outro cemitério, estava vazio. Parando, eu olhei para o pai. Ele estava congelado, ainda olhando para fora da janela. — Pai.— coloquei minha mão no ombro dele,— Você está pronto? Ele

se

retraiu,

seus olhos

se

tornando

focados

enquanto ele voltava a vida. — Pronto. Eu saí do carro e fui até a frente dele. Eu esperei. E esperei. Era uma prática de paciência que aprendi há cinco anos. Uma que eu havia aperfeiçoado. Papai ficou parado do lado de fora da porta do passageiro, se remexendo e lutando com seus demônios. Exigia muito de mim, ver o John, mas o tipo de tortura que o papai experimentava, como um meio colapso, era o tipo de coisa que livros inteiros sobre doenças mentais eram dedicados.

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Eu nunca havia cronometrado, mas acho que quinze minutos eram a média. Desta vez, ele revirou seus ombros para trás e alisou seu casaco colocando-o no lugar apenas cinco minutos depois. Caminhando até onde eu estava, ele olhou em frente. — Vamos dizer oi.— ele disse, ajustando sua gravata pela quinta vez. O túmulo de John não era muito longe e, cerca de cinquenta passos depois, nós estávamos ajoelhados ao lado dele. Papai parecia que estava quase desmaiando, mas eu sabia que ele iria se segurar. Ele sempre o fazia. Nós nunca dizíamos nada, mas eu sempre sentia que o John ouvia o que eu queria dizer. Os pássaros cantavam, o sol brilhava, eu trazia as minhas memórias favoritas do John até a superfície, eu tentava arquivar aquelas do Jude para sempre, para nunca mais pensar nelas. A vida estava se tornando lentamente uma bagunça gigante, e eu não tinha certeza se isso era por que eu de alguma forma estava almaldiçoada ou se a vida apenas era uma droga por natureza. Eu sempre acreditei nesse negócio de que uma pessoa pode fazer a diferença, e esse tempo todo, apenas para descobri que, no final, o mundo era uma droga. — Você gostaria de me dizer qual é o problema? — papai perguntou baixinho, descansando a mão no meu colo. Eu me assustei, seja pelo seu toque ou pelo silêncio quebrado, eu não sabia. — Estou bem. — como era tão difícil deixar minha voz soar normal?

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— Lucy, eu nunca te ouvi dizer uma vez que você estava bem. Ou você está ótima, ou horrível, ou exausta, ou extremamente brava, ou qualquer outra coisa além de bem.— ele disse, olhando para o horizonte. — Você é uma pessoa que tem paixão. Você puxou para mim nesse departamento.— ele disse, um sorriso sombreando seu rosto. — Ou pelo menos a pessoa que eu costumava ser. — Ele parou, puxando umas duas respirações, e então se mexeu para me encarar. — O que está errado? — Como você sabe? — perguntei, pensando em todas as pessoas no planeta, meu pai seria a última pessoa a detectar algo gangrenoso embaixo da superfície. — Quando você deixa de sentir suas próprias emoções, como eu deixei, há mais espaço para sentir as dos outros. — ele disse. — É uma das muitas desvantagens de se tornar um silencioso introvertido. Essa era a primeira conversa significativa que o meu pai e eu tínhamos em cinco anos, e o dia e o lugar que ela estava acontecendo me fazia sentir que o John tinha algo a ver com isso. — É sobre o Jude. — eu disse, mexendo com a grama que cercava a lápide do John. — Pensei que vocês não estavam mais se vendo? — Papai pigarreou, ele realmente estava fazendo isso. Tendo uma conversa de pai preocupado com sua filha adolescente. — Nós não estávamos, mas nós meios que nos encontramos ontem à noite. — meu pai pode estar exibindo

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uma margem de força, mas eu temia que contar a ele sobre o evento que levaria a minha reunião com o Jude iria envia-lo para outros cinco anos de abstenção. — Nós nos entendemos, e então, esta manha, nós descobrimos que havia algo entre nós que nós nunca poderíamos encontrar uma maneira de resolver. — eu também sabia que essa informação poderia enviar meu pai para o fundo do poço, mas ele estava sentado diante de mim parecendo tanto com o farol de força que eu lembrava quando garotinha, como o homem que nada podia derrubar. Ele assentiu. — E o que foi? Eu soltei a respiração, as letras esculpidas na lápide do John ficando embaçadas. — O sobrenome do Jude é Jamieson. — mesmo dizendo isso, eu ainda não podia acreditar totalmente. Ainda não queria acreditar. Papai suspirou, endireitando seus ombros. — Eu sei. Minha cabeça atirou-se para cima. — O quê? — Eu sei, querida.— ele repetiu. — Eu sabia desde o início. Ok, papai estava tendo um momento. Outra separação com a realidade, mas essa o levava a mentir sem parar. — Você está me dizendo que sabia desde a primeira noite eu trouxe o Jude para casa que o pai dele era Henry Jamieson? —esclareci um pouco mais.

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— Eu sabia.— ele disse. —Levei um tempo, mas sim, eu descobri. Não tinha certeza o quanto mais eu poderia cair no buraco do coelho. — Por que você não disse nada? — Porque você estava feliz e porque o Jude não é o pai dele e porque eu sabia que um dia, se vocês dois ficassem juntos, vocês descobririam. — Nós descobrimos. —afundei meus dentes no meu lábio. Papai deu um tapinha na minha perna. — E você está desejando que não tivesse? Eu assenti com a cabeça. — Porque você gosta dele e queria ficar com ele? Outro aceno enquanto eu me concentrava para me manter controlada. Este dia estava retorcendo tanto a minha mente, eu estava me preparando para estourar a qualquer momento. — Você deveria ter me contado. — Talvez eu devesse, mas não contei. Jude não deveria ser julgado por quem o pai dele é.— ele disse, agarrando minha mão. — O que Henry Jamieson fez foi imperdoável, mas isso não significa que Jude não merece felicidade. Nós perdemos o nosso John, mas ele perdeu o pai dele. —a voz dele vacilou, mas ele se recuperou. — Todo mundo perdeu

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algo naquele dia, e eu estou feliz em ver que uma semente se ergueu das cinzas. Aquela semente morreu nas cinzas. Era uma semente que nunca teria crescido. — Ele te culpa. — E você culpa o pai dele.— ele disse, seus olhos se movendo entre eu e a lápide do John. — Isso é porque ele matou o John.— eu disse. — Eu tenho todo o direito de culpá-lo. — culpa é o de menos por ter assassinado o meu irmão. — Não importa quem é o culpado e quem não é quando se trata de você e o Jude, querida. O que importa é o que vocês dois querem. Vocês dois estão procurando uma saída fácil disso porque isso os assusta.— ele disse, olhando nos meus olhos com uma emoção real e uma presença que eu pensei ter morrido há muito tempo. — Se importar com alguém é assustador porque vocês dois sabem qual é a sensação de perder alguém num piscar de olhos. Mas vocês não podem deixar que esse medo dite as suas vidas, senão vocês vão terminar como eu. Não viva a vida se escondendo atrás do seu passado, viva o momento. Quando você encontra alguém que queira passar o resto da vida junto, você não as deixa escapar, mesmo que o para sempre seja apenas um dia ou um ano ou cem anos. — Ele colocou sua outra mão sob o túmulo de John. — Não deixe que o medo de perdê-los evite que você os ame.

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Ali estava o Wyatt Larson que podia falar com qualquer um sobre qualquer coisa, o homem que operava a maior empresa comercial de construção no estado antes que toda a sua vida terminasse, me dando um sermão sobre viver no presente e não deixar que o passado faça com que você tema o futuro. Eu sabia que ele não era um hipócrita, que era nisso que ele acreditava, ele apenas era incapaz de viver dessa forma agora. — Eu o perdi, pai.— confessei, me perguntando se alguma vez eu tive o Jude de verdade. Papai olhou para longe, sua expressão se nivelando. — Me espanta sempre como quando nós achamos que perdemos algo para sempre, ele sempre acaba nos encontrando. Eu sorri. Era um sorriso triste, mas ele ainda foi registrado. Meu pai disse a mesma coisa inúmero vezes quando eu era mais jovem e eu perdia um brinquedo favorito. Ele havia estado certo. Logo que eu me rendia ao fato de que o meu ursinho havia sumido, ele de alguma forma aparecia no mais óbvio dos lugares. — Mesmo se nós voltássemos a ficar juntos,— eu disse —Como nós podemos esperar seguir em frente depois de algo como isso? Como eu posso ignorar o fato de que o pai dele é Henry Jamieson? E como ele pode ignorar o fato de que a minha família foi a razão pela qual ele perdeu o pai? — essa pergunta não tinha uma resposta, e eu não estava esperando uma.

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— Eu sou tolo o bastante para acreditar que o amor pode conquistar tudo.— ele admitiu, erguendo um ombro. Eu ri um pouco, mas soou estranho já que eu estava tentando não chorar. — Você é um tolo.— eu disse, olhando para ele. Suas palavras e voz estavam certas, mas seus ombros e cabeça ainda estavam inclinados para frente. Ele era uma fração do pai que ele costumava ser. Mas eu aceito uma fração, — O que aconteceu contigo, pai? Ele olhou para cima, olhando as nuvens. Procurando por formatos ou respostas ou uma fuga, eu não tinha certeza, mas procurando por algo. — Quando um filho morre, um pai perde uma parte dele mesmo.— ele disse. — O seu mundo inteiro deixa de existir e você não é nada a não ser uma casca da pessoa que você uma vez era. A sua mãe lidou com isso da maneira dela, eu na minha, e você na sua.— ele disse, erguendo sua mão da lápide do John e se levantando. — A sua mãe odeia o mundo, eu o evito, e você tenta salvá-lo. — Tentei e falhei.— murmurei, sem querer contar as maneiras. — Eu sei porque você tenta salvar o mundo, querida.— ele disse, estendendo sua mão para mim. — Porque você está tentando compensar pelo John. Compensar pela culpa que sente por não ter sido você naquele dia. Eu encarar as datas da vida do John. Uma vida cortada pela metade porque eu estava sendo uma pirralha e fiz o meu

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irmão mais velho entregar o almoço do pai. — Eu não salvei nada. — Você se salvou, Lucy.— ele disse, linhas aparecendo em sua testa. — Você me salvou. Aquele primeiro ano, a única coisa que me manteve saindo da cama de manhã foi você. Eu olhei para a sua mão estendida, incapaz de aceitála. — Eu não salvei o John. — Ah, querida. O John não era seu para salvar — ele disse. Eu não o salvei. Deus não o salvou. Por quanto tempo mais você irá deixar a culpa do passado travar o seu presente? Eu olhei para ele, pálido, amassado, e triste. Ele havia envelhecido trinta anos no espaço de cinco. — Eu podia te perguntar a mesma coisa. — Eu sei.— ele disse, estendendo sua mão novamente. — Mas você é mais forte que eu, minha Lucy in the sky. Você é mais forte do que você credita a si mesma. Peguei a mão dele, deixando-o me levantar. — Você também, pai. — respondi, inclinando-me e beijando sua têmpora. — Você também.

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430


Capítulo Vinte Quatro

O

s

últimos

dias

que

antecederam

a

formatura foram embalados com cafés da manhã com os formandos, distribuição de

beca e tampão de graduação, passeios ao redor do lago, e assinatura do livro do ano. Escolhi não participar de nada. Apesar da conversa ‗estimulante‘ com o meu pai no cemitério, eu não conseguia aceitar as palavras dele como verdadeiras. Pais tinham que encorajar e acreditar que suas filhas eram criaturas infalíveis. Eu sabia que o papai acreditava no que ele havia dito para mim, mas era porque, como pai, ele era incapaz de olhar para mim em uma luz imparcial. Eu era sua bebezinha. Sua Lucy in the sky. Foi isso que ele viu quando olhou para mim; ele não conseguia ver o que eu havia me tornado. Mas ele estava certo sobre uma coisa... Eu não podia salvar o mundo. Isso não mudaria o que havia acontecido e não traria o John de volta. No entanto, tendo aceitado isso, eu não sabia mais o que fazer comigo mesma. Minha vida parecia meio vazia e de cabeça para baixo, e isso não combinava com celebrar com um monte de pessoas que eu conhecia há menos de um ano e não teria mais contato em uma semana. Eu estava em silêncio na minha cadeira dobrável de metal que me foi designada, esperando para terminar logo

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com isso para que eu pudesse colocar esse ano da minha vida em uma prateleira e esquecer tudo. O resto dos mais de trezentos formandos estava chegando, todos se abraçando e sorrindo e irrompendo como eles ficariam amigos para sempre e nunca, nunca perderiam contato. Era tudo muita besteira para mim. Mais alguns minutos se passaram e a maioria dos assentos de encheram. Eu mordi um pouco o meu pendão. Quinze minutos se passaram, mais duas horas restantes para o blá, blá, blá, o nosso futuro é brilhante, blá, blá, blá, você pode ser o que você quiser, blá, blá, blá. Blá. Um dos últimos retardatários restantes passou pela fileira na minha frente. Sawyer estava se movendo um pouco sem jeito, como se algo não estivesse funcionando direito, ou algo como a mão dele estivesse grudada em seu pinto. Eu nem mesmo tentei segurar a risada que estourou livre. Algumas cabeças se viraram, incluindo a dele, mas logo que ele me viu, a sua cabeça virou para o outro lado como se eu acabasse de ter dado um soco nele. Eu beijei aquele idiota. Eu fiz mais do que apenas beijá-lo. Isso era o bastante para fazer

qualquer

garota

nunca

mais

querer

namorar

novamente. Especialmente uma garota prestes a ir para uma faculdade onde eu tinha ouvido que os caras que haviam sido idiotas no colegial se tornavam imbecis de primeira classe, e uns poucos bons já tinham donas quando o outono chegava.

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O prospecto no departamento de homens era inexistente, então eu apenas fingi que um departamento com esse nome não exista. Melhor sozinha e marginalmente feliz do que em casal e positivamente miserável. O Diretor Rudolph apareceu de trás das cortinas de cor de vinho e foi para o pódio. Isso ia ser doloroso. Eu realmente me senti mal pelos meus pais, os dois vieram, sorrindo e acenando para mim a cada vez que eu olhava na direção deles. — Estudantes, pais, professores. — ele começou, fazendo toda aquela coisa sinistra e que não estava funcionando para ele — Essa realmente é uma hora para celebrarmos o passado, o presente, e o futuro. Qual

era

o

problema

com

esses

discursos

de

formatura? Havia uma lei que todos eles tinham que ser essa coisa velha e cansativa? — Eu gostaria de aproveitar este momento para... — O Diretor Rudolph congelou em seu lugar, sua boca aberta e seus olhos arregalados. Fazendo seu caminho para o palco, Jude correu até ele, estendendo sua mão para Rudolph. Ele agarrou o microfone com mais força, balançando a cabeça, então Jude o arrancou do aperto mortal de Rudolph. Eu não havia visto o Jude desde domingo de manhã, e tudo sobre ele estava diferente. Ele parecia mais como um homem em paz. Um homem que havia descoberto todos os mistérios

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da vida. Um homem que ainda, apesar de todas as revelações e palavras, fazia o meu coração pulsar. — Me dêem licença por um minuto, todo mundo. — Jude disse, se posicionando em frente ao pódio. Cabeças estavam virando, olhando para os seus vizinhos para ver se eles também estavam confusos. — Não é surpresa que eu não esteja aqui para ser orador da turma hoje, mas acho que todos vocês estão surpresos que eu esteja me formando, então eu estou interrompendo essa pequena festa tediosa. Já que nós começamos o ano comigo arrancando o microfone das mãos do Diretor Rudolph, podemos acabar também com o ano do mesmo jeito. — Uma rodada de riso abafado percorreu os formados. — E eu realmente tenho algo importante a dizer, diferentemente do resto desses gênios bastardos aqui na fileira da frente. Todos estavam sussurrando para os seus vizinhos, ou tentando tirar sua boca do chão, ou olhando feio para o palco como se isso fosse imperdoável. No entanto, Lucy Larson estava sorrindo. Ver o Jude lá em cima com sua beca e capelo, prestes a se formar, seguindo em frente para um futuro que envolvia futebol, garantia um sorriso. Eu estava feliz pelos sucessos dele. — Esse ano não foi em nada como os outros anteriores. — ele começou, olhando para a multidão. —Aprendi mais sobre mim mesmo e a vida e, até mesmo o amor, do que eu havia aprendido em todos os dezessete anos antes.

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Dezenas de cabeças viraram e olharam para mim quando Jude disse a palavra com ‗A‘. Eu me remexi na cadeira. Eu não tinha ideia de onde o Jude estava indo com todo esse discurso de graduação do fundo da alma, mas eu sabia que iria significar constrangimento, na melhor das hipóteses, para mim. — Aprendi que eu não sou um pedaço de merda que todo mundo acreditava que eu era. O pedaço de merda que eu acreditava que era. — ele disse enquanto o Diretor Rudolph passava uma mão sobre a camada de suor se formando em sua testa. — Alguém me disse várias e várias vezes, e eu demorei boa parte do ano, mas acho que finalmente eu acredito nela. — Seus olhos brilharam em minha direção pelo mais breve segundo. — Porque não preciso acreditar que onde eu estive é para onde eu vou. E eu não preciso acreditar que uma tragédia pode moldar o futuro. — ele pausou, limpando a garganta. — Apenas eu posso fazer isso. Eu vejo isso agora. Outra pausa, e agora o local havia caído totalmente no silêncio. — Também sei que no processo de aprender isso, a pessoa que me ensinou issoperdeu sua fé em mim, e talvez até nela mesmo, e em todo o maldito mundo. — seus dedos se apertaram no microfone, não mais olhando para a multidão... Ele estava olhando diretamente para mim. — Eu poderia ir para a cadeia um milhão de vezes e nada seria pior do que o que eu fiz para ela. Ela me ensinou como amar... Ela até me deu chances depois de chances para mostrar a ela do

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que eu era capaz. E eu falhei com ela todasasvezes. — seu rosto se enrugou em uma careta parcial, mas ele não desviou o olhar de mim. — Eu te amo, Lucy Larson. E eu sinto muito que tive que estragar tudo que nós tínhamos para reconhecer isso. E entendo que eu te perdi e eu nunca te terei de volta. Meus olhos se fecharam; era muita coisa. A confissão, a emoção por trás das palavras, todo mundo no auditório olhando para mim, tudo que eu estava sentindo. — Você me salvou, Lucy, e eu não retornei o favor. E eu sinto muito.— ele disse sua voz baixa. — Eu apenas queria que você soubesse disso. Abrindo meus olhos, eu me fiz olhar para ele enquanto ele se afastava do palco, entregando o microfone de volta para o agora muito vermelho Diretor Rudolph. Ele estava sorrindo para mim, aquele sorriso do Jude que era reservado para ocasiões raras, e eu retornei o sorriso. No meio de tudo que estava muito errado, algo certo estava conseguindo passar. Algo estava nascendo das cinzas. Erguendo sua mão, ele acenou antes de virar e sair do palco, deixando seu passado para trás e indo atrás daquele negócio de futuro brilhante.

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Capítulo Vinte e Cinco

M

inha pele não teve a chance de se bronzear antes de eu fazer minha mala para me mudar para o outro

lado do país. Eu passei as curtas semanas do verão dançando, me reconectando com meus pais, e dançando um pouco mais. Era o tipo de verão que eu poderia considerar próximo de perfeito. Exceto por uma coisa. Ou, para ser mais precisa, uma pessoa. Jude saiu do abrigo para garotos na manhã seguinte à graduação e ninguém mais ouviu dele. Claro que mais do que alguns rumores circularam, mas depois de ser vítima de um rumor, eu prometi nunca mais dar crédito a algum. Alguns diziam que ele estava em um acampamento de verão para algum grande time da NFL como o mais bem pago sem agente da história. Alguns diziam que ele havia fugido do país depois de ter assaltado um banco lá no sul e ter atirado em um dos bancários. E alguns diziam que o Jude havia tido um encontro total e irreversível com a realidade e se jogou da Ponte Highman. Eu

gostava

de

acreditar

que,

não

importa

ondeestivesse, ele estava feliz e, pelo menos, em paz consigo e com seu passado.

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Era algo que eu desejava para mim depois da graduação e havia feito progresso em direção a isso. Feliz era um exagero, mas eu me inclinava mais no espectro para feliz do que infeliz, e isso era uma vitória. Meu passado ainda estava lá, cada manhã e cada noite, pronto para me assombrar se eu deixasse, mas na maioria dos dias eu não deixava. Eu me lembrava do John da maneira como ele devia ser lembrado, não por causa de como ele morreu. E quanto a salvar o mundo, eu não havia deixado toda aquela ideia altruística irritante para trás. Na iniciação50, eu me inscrevi para ser uma professora de dança em um estúdio na cidade onde crianças de baixa renda não tinham como pagar aulas de dança. Um antigo aluno havia separado um fundo para que eles não tivessem que comprar suas sapatilhas de balé e suas malhas. Então eu dançava, e ensinava, e eu aprendia. Mas alguma coisa estava faltando, ou talvez eu estivesse perdendo algo. De qualquer maneira, um buraco doía em mim e eu tinha que lutar para viver a cada dia. Na maioria dos dias eu ganhava a batalha, participando de discussões nas aulas, sorrindo para os meus novos amigos nos momentos certos, mas outros dias, a dor era muito profunda para eu conseguir manter o ritmo da vida. Era uma vida boa, e eu me sentia culpada por pensar assim, mas eu sabia que poderia ser melhor. 50

São os primeiros dias na faculdade, onde o aluno se inscreve para diferentes atividades que quer realizar no semestre.

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— Lucy, você vai colocar aquele brinco ou acariciá-lo a noite inteira? — Índia, minha colega de quarto, gritou para mim, dando-se uma última olhada no espelho. — Para onde você está me arrastando mesmo? — perguntei, deslizando o aro de prata no lugar. Revirando os olhos, ela jogou minha bolsa pra mim. — Para uma festa em Syracuse. Há caras, bebida e música. É para ser divertido. — Índia era a rainha da diversão, de verdade. A família dela havia patenteado algo em torno de vinte jogos de tabuleiro, criando a tendência da noite de família. Como uma vantagem, ela tinha um senso inato de aventura, ela conseguia tornar uma prova matutina em algo divertido, e ela era convidada para qualquer e toda festa no estado. — E você precisa que eu vá por quê? Outro bônus em ser uma embaixadora rica da diversão? Você nunca tinha que se preocupar em ir sozinha a lugar algum a menos que você quisesse. — Porque você trabalha muito e se diverte muito pouco e esse tipo de ética de trabalho luterana está mexendo com o zen do nosso quarto. Pegando minha jaqueta que estava pendurada na cadeira, eu a segui para a porta. — Me perdoe por confundir a faculdade por algo tão tabu como trabalho árduo.— eu disse,

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batendo

o

meu

ombro

no

dela

enquanto

nós


andávamos pelo corredor. — Como eu posso acertar o zen sagrado do nosso quarto? Ela sorriu para mim. — Você pode ficar bêbada. Você pode subir em uma mesa e balançar. E você pode dormir com o cara mais lindo e doce que Deus teve a audácia de criar. — Ah. — eu disse, acenando minha mão no ar, — Se é só isso. — Algumas vezes, eu fico certa de que... — ela disse quando nós deixamos o dormitório,—O criador esqueceu-se de colocar o botão da diversão em você. — Índia apertou o seu chaveiro, e as luzes do seu carro brilharam. Outro benefício

de

crescer

em

uma

família

de

milionários

empreendedores? Você poder dirigir o que você quiser. — E alguém se esqueceu de instalar um filtro em você. — eu disse, abrindo a porta do passageiro e me arrastando para dentro. Índia resmungou, saindo do estacionamento. — Ainda bem que a viagem é curta, minha amiga, porque você está com uma necessidade séria de beber, dançar em mesas, e fazer amor essa noite. — Bem. — eu disse, inclinando minha cabeça no encosto do assento.— Dirija rápido. Era como indicar o óbvio porque Índia fazia tudo rápido, principalmente dirigir e, nessa viagem, ela não

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desapontou. No ritmo que estávamos indo, nós poderíamos ter chegado ao Canadá em menos de uma hora. — Então. — eu disse, olhando-a,— Quem é o cara? — Eu apenas conhecia Índia há poucas semanas, mas não demorou muito para eu descobrir se nós íamos para algum lugar, um cara sempre estava envolvido. Índia acreditava piamente que os homens eram o tempero da vida. Baseado nos homens que eu havia visto com ela, ela gostava da sua vida bem temperada. Ela ergueu um ombro, olhando para fora da janela como se tivesse algo que ela estivesse morrendo para contar. — Você vai ver. — ela respondeu. O seu ato misterioso era muito chato em todos os níveis. — Bem, se você está dirigindo para vê-lo, ele tem que ser gostoso. Possivelmente o cara mais gostoso a ser cobiçado pelas mulheres. Ela achatou os lábios, fazendo uma expressão de talvez. — Mas porque você é quem você é, você não estende o ‗tapete Índia‘ apenas para um rostinho bonito. Então ele deve ser inteligente, espirituoso, e rico como um sheik. Ela

ergueu

um

dedo.

Riqueza

não

é

um

requerimento. — ela disse, como se fosse ofensivo eu ter sugerido isso. A riqueza pode ser criada. Sagacidade e inteligência não.

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Tudo

bem,

Freud.—

eu

disse

enquanto

nós

chegávamos em Syracuse. — E aqui eu pensava que você estava se formando em música. Parando, Índia desligou a ignição do lado de fora do que parecia ser um dormitório. — Apenas saia do carro, que tal? — ela disse, abrindo sua porta. — Antes que você estrague o zen do meu bebê também. Eu saí do carro e esperei que a Índia desse a volta no carro. — O que é isso? — perguntei, vendo os estudantes se encaminharem para dentro do prédio, onde luzes néon piscavam nas janelas do primeiro andar. — É algum tipo de festa para comemorar o começo do ano escolar.— ela explicou, pegando o meu braço e me puxando atrás dela. — Você me trouxe para uma festa podre? — eu disse, pronta para me virar e correr para as colinas. — Pensei que a razão que nós nos formamos no colegial era para que nós não precisássemos ter que aguentar mais essas coisas. — Elas são um pouco diferentes na faculdade. — ela disse, caminhando para a entrada. — Sério? — eu disse. — Então não haverá caras tarados tentando se esfregar em qualquer coisa que se mova? Ela me atirou um sorriso envergonhado.

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— E não haverá músicas ruins que nem mesmo possuem uma batida que possa ser dançada? Um sorriso envergonhado ainda mais pronunciado. — Ai, Índia. — eu resmunguei. — Se eu quisesse ir para o inferno, eu apenas iria até a porta da frente e chamaria o Satanás. — Por que a minha colega de quarto é tão difícil? — ela disse quando nós começamos a tecer nosso caminho pelo prédio lotado. — Você gostará dessa festa.— ela gritou para mim, por cima da, sim, música ruim cerebral sem batida para se dançar. — Confie em mim nisso. Passando pelo corredor onde, sim, algum cara tarado se esfregou em mim e começou a molestar minha perna antes que eu pudesse empurrá-lo para o lado, gritei. — Eu não posso te dar confiança até você a merecer, Indie! — Deus, eu preciso de uma bebida. — ela disse, me puxando juntamente atrás dela enquanto seguia para o que eu imaginava ser a mesa das bebidas. — Apenas me sirva alguma coisa! — Índia gritou por cima da música para o cara cuidando da mesa das bebidas. Ele fez um movimento de arma com sua mão antes de misturar algo que se tornou muito rosa e muito forte. — E quanto a você, moça bonita? — ele perguntou depois de entregar a bebida da Índia.

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— Você tem alguma coisa que não vai me deixar totalmente bêbada em dois goles aí? — Pela cara da multidão, era de se duvidar. Outro movimento de arma e ele abriu um refrigerador e tirou a tampa de uma cerveja. A música de protesto parou repentinamente bem no meio de um refrão desagradável e então, uma música lenta, e muito familiar teceu seu caminho pela sala. — Ei, meu rapaz! — ele gritou para alguém por cima do meu ombro. — O que eu posso te oferecer? — Eu não tenho certeza se eu posso ter o que eu quero mais.— uma voz familiar respondeu enquanto a voz do Paul McCartney ecoava pelas paredes. O fôlego parou nos meus pulmões. Abaixando a bebida, eu me virei lentamente. — Ei, Luce. Era ele. Era realmente ele. Sorrindo para mim com aqueles olhos prateados líquidos. — Jude? — eu disse. — O que você está fazendo aqui? Não era a minha melhor hora. Com todas as perguntas que passaram pela minha mente durante o verão, essa não era uma delas. Dando um passo para mais perto, seu sorriso cresceu. — Eu meio que estudo aqui. — por cima do ombro dele, Índia

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saiu de fininho, me mostrando os polegares para cima e um sorriso de conhecimento. — Então você esnobou totalmente a NFL? — eu disse, me aproximando, querendo estender a mão e tocá-lo para confirmar que ele estava realmente lá. — A NFL não está indo para nenhum lugar.— ele disse, colocando as mãos no bolso do jeans. Em seu jeans azul. Na verdade, nada era cinza nele. Ele nem mesmo estava usando seu antigo gorro. Ele parecia completamente diferente, mas completamente o mesmo também. — Mas algumas coisas estão. Sim, eu sabia que ele estava querendo dizer algo, mas eu não tinha ideia do quê. — E você não fugiu para a fronteira para não ficar preso pelo resto da vida? Ele deu uma risadinha, mudando de um pé para o outro. — Não. Eu estou livre do crime há um tempo agora. — Então por que você está aqui? — eu perguntei. — Não existem dezenas de faculdades com melhores times de futebol que você poderia ter entrado? — Talvez.— ele respondeu erguendo os ombros. — Então por que aqui? — eu sabia que estava fazendo perguntas idiotas, mas eu não conseguia evitar.

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Esfregando a sua nuca, ele olhou para o teto. — Eu estava esperando que fosse meio que óbvio. Nada sobre agora, ou o Jude, ou sobre mim, tinha sido óbvio. — Estou aqui por sua causa, Luce. — ele confessou. — Merda, se Julliard tivesse um time de futebol e fosse realmente me querer, eu estaria lá. Eu abri minha boca. Não, palavras me falharam. — Segure esse pensamento. — ele disse, erguendo seu dedo. Pela primeira vez, ele parecia quase nervoso. — Estive ensaiando isso há um tempo e eu preciso tirar tudo para fora antes que você me dê um tapa e me deixe. Pronta? — Endireitando seus ombros, ele inalou. — Oi, eu sou Jude Ryder Jamieson — ele começou, estendendo sua mão. Eu a peguei, balançando-a. Ele a segurou quando tentei puxa-lá de volta. — Minha mãe me deixou quando eu tinha treze anos. Meu pai está cumprindo uma sentença de prisão perpétua por matar um garoto. Eu passei os últimos cinco anos

em

um

abrigo

para

meninos

sendo

intimidado,

apanhando e abusado pelas crianças, a equipe e até mesmo o maldito cachorro. Eu vendi drogas. Eu fui preso. Muitas vezes. Eu transei com um monte de mulheres. — Ele pausou, sugando uma respiração. — E então eu conheci uma mulher cujo rosto não conseguia esquecer. Eu me apaixonei por ela. Eu a machuquei porque me apaixonei por ela e tive medo que ela iria me deixar, da mesma maneira que todo mundo havia

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feito. — Ele ergueu sua outra mão, segurando a minha entre as suas. — Eu ainda a amo. Eu não estava sendo mais capaz de respirar nesse ponto da conversa, então eu tive sorte por ter sido capaz de formar qualquer tipo de resposta. — Jude.— eu sussurrei, incerta do que dizer em seguida. Nós tínhamos tanta história, história que formava o pior tipo de fundação para se construir um relacionamento. — Eu te amo, Luce. — ele continuou. Claramente ele não iria parar até que ele disse que ele precisava dizer. — E eu sinto muito que estraguei tudo que nós tínhamos antes que pudesse admitir isso pra você. Antes que eu pudesse admitir pra mim mesmo. Você não me tornou uma pessoa melhor, porque ninguém pode fazer isso. Você fez com que eu quisesse ser uma pessoa melhor. Você acreditou em mim e ficou do meu lado. Você se importou comigo quando ninguém mais teria feito isso. Você me fez melhor, Luce. Você está certa... Uma pessoa pode fazer a diferença. Uma pessoa pode mudar o mundo inteiro de outra pessoa para melhor.— ele disse, seu rosto inteiro pegando fogo com suas palavras. — Uma pessoa arruinou o meu mundo, e esse foi o meu pai, e uma pessoa o salvou, e essa foi você. — Erguendo suas mãos, ele as encaixou no meu rosto. — A mesma tragédia abalou nossos mundos. A mesma tragédia nos trouxe aqui hoje. Não a deixe nos separar. Deixei as lágrimas, porque estas foram às palavras que obliteraram minhas defesas. — Jude. — eu comecei,

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determinada a falar mais do que uma palavra,—Como nós podemos conseguir seguir em frente quando o passado sempre estará lá para nos lembrar do que nós perdemos por causa das nossas famílias? Seu polegar percorreu minha bochecha. — Porque eu sei que nunca amarei ninguém como eu te amo. É isso que vai superar o passado toda vez que ele tentar reaparecer. — Ele se aproximou mais. — Então, ou é você e eu, ou eu e eu, Luce. E eu, de verdade, não gosto muito de mim, então espero que você escolha a opção eu e você. Dei outro passo na direção dele, nossos corpos se juntando. — Eu também não gosto muito de você.—falei, colocando meus braços ao redor do pescoço dele. — Eu te amo. A

longa

cicatriz

que

percorria

sua

bochecha

desapareceu em seu sorriso. — Já era hora.— ele disse, inclinando sua cabeça para baixo. — Porque eu não te largarei mais. Eu te quero para sempre, Luce. Em seguida, ele me beijou, exibindo a paciência de um homem que considerava o futuro, com a urgência de um homem que vivia o momento. Foi, sem dúvidas, o melhor beijo da minha vida. — Dance comigo. — ele disse, entrelaçando seus braços ao redor do meu pescoço e me puxando para mais perto. Colocando sua boca próxima à minha orelha, ele começou a cantarolar o refrão.

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— Eu pensei que você odiava essa música. — eu disse, balançando contra ele. — Eu odiava. — E o que fez você mudar de ideia? Ele sorriu, me abaixando até o chão. — Você. — ele respondeu. Então, me erguendo, sua cabeça caiu para trás e ele abriu a boca. —Uma vez que eu deixei Lucy Larson entrar no meu coração!— ele cantou, fora de tom e no volume máximo. Alguns dos estudantes ao nosso redor ergueram suas cervejas pra ele, alguns cantaram junto na parte ‗Na, na, na‘51 do refrão, e alguns olharam para ele como se ele fosse um louco. Mas eu apenas ri... Eu já sabia que ele era louco. E eu o amava por isso. — Acho que isso se chama tomar liberdades criativas com a letra. — Eu realmente não me importo como se chama.— ele disse —Porque depois de tudo que aconteceu na minha vida, vou poder me arrastar para cama contigo toda noite. Inclinando-me para trás, estudei aquele rosto que eu havia me apaixonado em um verão quente um pouco mais de um ano atrás, e agora eu havia me apaixonado pelo resto do homem atrás daquele rosto. — Como um cara como você promete a alguém o „para sempre‟ aos dezoito anos? 51

Ele canta ‘Hey, Jude’.

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— Fácil — ele disse, pressionando um suave beijo no canto da minha boca. — Ele encontra uma garota como você.

Continua...

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Clash (Crash # 2) po r Nicole Wi lliams A única coisa fácil sobre o relacionamento de Jude e Lucy é seu amor um pelo outro. Tudo mais é difícil. Especialmente quando se trata do temperamento explosivo de Jude e o crescente ciúme de Lucy pela Irmã de Jude, Spirit e o esquadrão de elogios que vem recebendo das líderes de torcida. Sentindo o estresse de tentar se segurar na essencia bad boy dele enquanto torna-se a bailarina principal em sua classe, Lucy sabe que algo vai quebrar. Ela quer os dois. Ela precisa de ambos. Mas se ela não fizer uma escolha, ela corre o risco de perder tudo. Para Lucy Larson e Jude Ryder, o amor pode ser o que apenas não é suficiente.

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Tradução Débi Ana Rosa Fabi Catty Ingrid Nina Lolaah P. Serena

Revisão Inicial Lily

Revisão Final Nath

Formatação Anne Crawfield

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Crash vol. 1 (revisado) - Nicole Williams