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Melissa

está

de

volta

a

Fairplay,

Texas,

permanentemente. Depois de assumir o pequeno posto de saúde na cidade, finalmente ela sente como se tivesse tudo o que sempre quis. Mas quando Reece West entra na clínica, encontra algo que nem sabia que queria. Agora fará qualquer coisa para conseguir o homem dos seus sonhos. Reece está à procura de problemas, e encontrou em Saddleback Ranch. Ele pode andar firme, laçar um boi e treinar os cavalos que pode finalmente pagar, mas quando esbarra na Senhorita Holton novamente, o seu mundo vira de cabeça para baixo.

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Prólogo Reece limpou o sangue de seu nariz e puxou o queixo para que seu pai não percebesse que o golpe danificara a sua alma. Quando seu irmão, Ryan, se moveu para ajudá-lo a limpar a sujeira, ele sacudiu a cabeça para detê-lo. — Você gosta de bater em crianças pequenas, velho? — Ele levantou e tirou o pó de seu Levi’s como se tivesse todo o tempo do mundo. — Pequenos pirralhos que não me escutam merecem ter umas porradas. — Seu velho era quase trinta centímetros mais alto do que um Reece de treze anos de idade. Ele não podia esperar pelo dia em que seria mais alto do que o velho, porque sabia que era o dia em que iria embora e nunca olharia para trás. — Pai, a culpa foi minha. — Ryan começou a cobri-lo. Mesmo que os meninos fossem idênticos na aparência, eram completamente opostos na personalidade. — Fui eu quem não fechou a porta, pai — disse Reece, apertando os olhos para seu irmão gêmeo. — Eu vou procurar os cavalos. Seu pai grunhiu e atirou-lhe as rédeas de Buck, seu garanhão. — Esteja de volta na hora do jantar ou não terá qualquer resto — Reece viu o pai ir embora sem olhar para trás. — Espere alguns minutos, e selarei Star — disse Ryan antes de correr em direção ao celeiro. — Não — Reece chamou. — Star só vai me atrasar. Eu posso reunir os malditos cavalos sozinho. — Ele pulou nas costas de Buck e saiu em disparada pelo quintal. O calor seco do dia virou uma brisa fresca enquanto voava pelos campos amarelos. Ele sabia aonde os três cavalos iriam primeiro, o córrego, então se dirigiu para lá com um sorriso no rosto.

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Isto era o motivo dele viver um momento para si mesmo, enquanto andava pelos campos. Nenhum homem velho batendo em você, nenhum irmão o defendendo. Apenas ele e um cavalo. Se inclinou e deu um tapinha no pescoço de Buck. — Você gosta de correr, não é? — Ele sorriu quando o cavalo acenou com a cabeça. Ele tinha um jeito com os animais; eles sempre pareceram ouvi-lo e nunca lhe deu merda de volta. Ele levou quase duas horas para chegar ao córrego, e quando conseguiu reunir os três cavalos e amarrar as rédeas juntas, estava coberto de suor e sujeira. Amarrando a corda a uma árvore, ele tirou as roupas sujas e pulou na água fria para um mergulho. Depois de dez minutos na água fria, calculou que não chegaria em casa até uma hora após o anoitecer. Droga. Ele estava com fome. Vestindo a roupa suja, pulou nas costas de Buck e puxou os outros cavalos para segui-lo. Quando finalmente chegou, a luz da varanda era a única coisa na pequena casa. Ele levou muito tempo para voltar, principalmente porque não queria ferir um cavalo pela pressa no escuro. Não havia um prato quente no forno esperando por ele, nenhuma nota doce de uma mãe dizendo para comer alguma coisa. Exceto uma sensação de vazio, enquanto subia as escadas escuras com os músculos doloridos e uma dor nas costas da longa viagem. Quando Reece sentou em sua cama, Ryan se sentou e acendeu a fraca luz. — Eu guardei um sanduíche. — Ele acenou para um prato em cima da caixa que ele usava como um criado-mudo. — Obrigado. — Eles estavam no córrego? — Sim — disse entre mordidas. — Droga, eu sinto muito, cara. Reece encolheu os ombros. — Minha culpa. — Cara, eu não posso esperar o dia em que possamos sair daqui. — Ryan deitou e olhou para o teto.

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Era uma conversa comum deles. Eles planejaram sua fuga um mês após a sua mãe morrer de câncer, pouco depois de seu décimo aniversário. Foi quando o pai deles ficara cruel. — Sim, até então, eu acho que preciso ter certeza de que fechei o portão. Ryan riu. — Você aproveitou o passeio, pelo menos? Reece assentiu. — Melhor momento do mês até agora. — Ele sorriu para seu irmão e apagou a luz. Os dois meninos estavam em suas camas, sonhos idênticos escapando em suas cabeças enquanto adormeciam.

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Capítulo Um Melissa entrou na clínica vazia e sorriu. A pequena sala de espera estava tranquila, mas sabia que dentro de uma hora, estaria cheia de crianças chorando e mães preocupadas. Ela nunca se imaginou de volta em sua cidade natal, assumindo a clínica em que todos na cidade foram em algum momento de suas vidas. — Bem? — Disse seu irmão mais velho, atrás dela. — O que você acha? — Grant colocou seu braço em volta dos ombros dela e sorriu. Ela sorriu para ele, querendo gritar de alegria. — Obrigada por comprar o café da manhã para mim. — Ela acenou para o café na mão. Ele a levara ao Mama, o melhor – e único – restaurante na cidade. Ele acabara de ser reformado e estava mais cheio do que nunca. Melissa estava hospedada com Grant, sua esposa, Alex, e sua filha, Laura, em sua nova fazenda fora da cidade. Pelo menos até que pudesse encontrar um lugar próprio. Havia algumas possibilidades, mas ainda precisava se decidir para qual se mudar. Fazia quase duas semanas desde que voltou para a cidade e trombara com o Dr. Conner, o qual rapidamente lhe informou que procurava contratar uma nova enfermeira-chefe para a clínica. Bonnie, a enfermeira-chefe que trabalhou na clínica durante o tempo que ninguém podia se lembrar, se aposentara no início desse ano. Dr. Conner disse a ela que estava desesperado para contratar alguém que pudesse colocar as coisas em ordem novamente em torno da clínica. Ele tinha cerca de dez anos a mais que Melissa e trabalhava na clínica desde que se mudou para a cidade há quase seis anos. Melissa observou que ele não era um homem de má aparência; era alto, tinha cabelos negros e olhos escuros, algo que sempre achou muito atraente em um homem. Trabalhara com muitos médicos em Houston, onde estudou e fez o seu estágio, mas imediatamente se perguntou sobre

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como era trabalhar com Dr. Conner, uma vez que era uma cidade pequena e as pessoas falavam. Ela esbarrou com ele no Grocery Stop, e ele quase implorou que ela, pelo menos, parasse e olhasse a clínica. Ela deixou isso em pausa por um tempo, mas depois de se candidatar em alguns empregos na cidade, decidiu que permanecer ao redor de sua cidade natal por um tempo não poderia machucar. Quando passou por lá, todos os outros funcionários foram tão receptivos, e quando o Dr. Conner apresentara uma oferta, ela a agarrou. Agora, enquanto olhava ao redor da sala, não podia deixar de sorrir.

— A qualquer hora, irmãzinha. — Ele se inclinou e deu um beijo em sua bochecha. — A qualquer hora. Bem, é melhor eu voltar para a casa. Aposto que minhas meninas já estão acordadas. Ela sorriu, lembrando quão bonita era sua sobrinha. Seu cabelo macio loiro, bochechas gordinhas de bebê, e os olhos idênticos de Grant. — Vá ser um marido e pai. — Ela se esticou e beijou sua bochecha. Ele mudou tanto nos últimos anos, que ela ainda tinha dificuldade em acreditar que ele era o mesmo homem. Lá se foram as bochechas rechonchudas, os óculos de lentes grossas e a insegurança. Agora seu irmão mais parecia uma estrela de cinema do que o menino desajeitado com quem cresceu, ficando ainda melhor aos seus olhos. No momento em que acendeu todas as luzes na clínica, vários dos funcionários chegaram e se preparavam para o dia. Desde que Fairplay era uma cidade pequena, ela já conhecia todo mundo que trabalhava lá. Quando o médico entrou as 08h15min, a sala de espera e as pequenas três salas de exame já estavam cheias. Aparentemente, era época de gripe e a maioria das crianças na escola primária passara um para o outro. Até o final de seu primeiro dia, estava exausta e ainda estranhamente cheia de energia. Ela sabia que havia muito que podia melhorar na pequena clínica e esperava que todo mundo estivesse tão animado quanto ela para fazer as coisas

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fluírem de forma mais eficiente. Durante o almoço, escreveu uma pequena lista de itens que resolveria em primeiro lugar. Após as portas serem fechadas e trancadas no fim do dia, ela bateu na porta do escritório do Dr. Conner. — Entre. — Ela respirou fundo e abriu a porta. — Oh, Melissa — disse, abaixando uma pasta. Ele acenou e apontou para a cadeira. — Então, como foi seu primeiro dia? — Ótimo. — Ela sorriu, sentindo-se um pouco nervosa. — Eu não posso agradecer o suficiente por nos ajudar. Então, o que você acha? — Ele cruzou os braços sobre a mesa e esperou. Ela respirou fundo. — Eu tenho algumas sugestões. — Ela olhou para o papel em suas mãos. — Ótimo. — Ele estendeu a mão para o papel. Ela esperou enquanto ele lia sua lista, com os dedos cruzados no colo, e seus olhos focados em seu rosto, à espera de todas as emoções. — Estas poderiam funcionar muito bem. — Ele sorriu e olhou para ela. — Algumas delas podem levar algum tempo para que possamos ajustar, mas acho que todos nós podemos fazer um esforço. Quando gostaria de começar estas? Suas sobrancelhas se ergueram. Não houve discussão, sem reclamação. Ela não estava acostumada com isso. No hospital em que estagiara em Houston, riram quando ela fez uma pequena sugestão e solicitaram que ela apenas seguisse as regras que alguém muito mais inteligente do que ela fizera anos e anos atrás. — Eu posso chegar cedo amanhã e começar a parte da organização. Posso escrever as mudanças para ajudar os outros empregados. — Maravilhoso. — Ele se levantou e devolveu o papel para ela. — Eu sabia que você seria boa para nós. Ela sorriu e pegou o papel dele. Pela primeira vez desde que entrou no campo da medicina, sentiu como se alguém escutasse suas opiniões. Quando deixou a clínica, Alex estava sentada em sua caminhonete esperando por ela. Ela tocou a buzina e acenou. — Então, como foi seu primeiro dia? — Perguntou. — Louco — Melissa sorriu quando entrou na caminhonete. — Ocupado. E o dia mais maravilhoso que eu tive nos últimos anos. — Ela sorriu.

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Alex riu. — Você pertence aqui, irmã — disse ela enquanto saía para a rua principal. Elas conversaram enquanto Alex dirigia lentamente através da pequena cidade. Muita coisa mudou desde que Melissa foi embora há quase seis anos. O tornado que rasgara a cidade um pouco mais de um ano atrás danificara a maioria dos edifícios na parte mais antiga da cidade. Agora, a maioria deles tinha novas lojas e uma nova camada de tinta. Novos postes e bancos de jardim forravam as estradas recém-pavimentadas. O parque infantil no parque da cidade era maior do que nunca. O prefeito, William Davis, um antigo residente Fairplay, usara bem o dinheiro da FEMA. Até mesmo o antigo cinema foi instalado e funcionava agora. — Eu não posso acreditar o quanto a cidade cresceu. Alex riu. — Sério? — Ela encolheu os ombros. — Eu acho que uma vez que nunca a deixei, não posso ver isso, exceto todas as melhorias após o tornado. — Deve ter sido duro quando aconteceu. Alex assentiu. — Tivemos alguns momentos assustadores, mas tudo acabou bem. — Haley foi machucada, não foi? — Haley e Melissa eram amigas e passavam as noites na casa uma da outra, pelo menos, uma vez por mês. — Sim, ela quebrou a perna. Ela estava muito machucada. — Eu ainda não fui ver a sua nova casa. — Melissa franziu a testa e olhou para suas mãos. — Acho que tenho focado em mim mesma desde que cheguei à cidade. — Não se preocupe com isso. Ela tem as mãos cheias com aqueles gêmeos. Melissa sorriu, pensando em Haley e os dois meninos de Wes. Ela esbarrou em Haley no Grocery Stop e balbuciou sobre os meninos gordinhos. — Eles são tão bonitos. Terei que passar em sua casa e sufocá-los com beijos de novo. Alex riu. — Não posso acreditar que ela foi a única que teve gêmeos. Eles são comuns na família, sabe. — Sério?

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— Sim, nosso avô tinha um irmão gêmeo, e nós temos primos gêmeos. — Ela olhou para ela. — Eu acho que você se encontrou com um deles no nosso casamento. Reece? — Hmm, não me lembro. — Ele é alto de cabelo escuro, olhos verdes, e tinha um olhar ácido em seu rosto o tempo todo. — Alex sorriu. — Ele é mais jovem. Ambos os meninos tiveram um tempo difícil ao crescer. — Ela balançou a cabeça. — Minha tia morreu jovem e seu pai era um asno. Ninguém tem notícias de seu irmão, Ryan, por anos. — Ela balançou a cabeça e franziu a testa. — Deve ter sido duro para eles, perder sua mãe tão jovem. Eu sei que Haley sempre falou sobre a perda de sua mãe. Em seguida, seu pai morreu quando tínhamos quatorze anos e sua dor retornou novamente. — Ela se lembrou daquele dia. Haley parou de passar a noite na casa dela depois disso, e se afastou de sua amizade. Ela sempre pensou que era algo que fez ou disse para arruinar a amizade. No final, se aproximou mais de sua amiga Holly, que agora é dona da livraria local. — Sim, isso a atingiu mais forte. — Alex balançou a cabeça. — Ela era uma filhinha de papai. Era a única de nós que não se lembrava da mãe. Atravessaram as portas da propriedade de Grant e Alex, e Melissa olhou para sua encantadora casa. Ela ficava em um pequeno vale. A grande casa de pedra estava à esquerda e havia um grande celeiro cinza à direita. Seu irmão tinha tantos animais, ela teve dificuldade em segurar o riso. — O quê? — Alex perguntou quando Melissa riu. — É só que meu irmão tem tantos animais. — Ela riu novamente. — O que é tão engraçado sobre isso? — Nós nunca tivemos qualquer um quando criança. Ele sabia como montar, nós dois sabíamos, mas agora ele é dono de cavalos, vacas, galinhas, e... — ela riu novamente, — cabras. Quero dizer, ele estraga essas cabras mais do que qualquer outra coisa. — Fale-me sobre isso. — Alex revirou os olhos e sorriu. — Elas podem fazer tudo de errado. Sabia que ele está pensando em construir um novo celeiro, apenas para as cabras? Ela assentiu com a cabeça.

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— Ele me disse no café da manhã. Alex resmungou. — Esse homem tem uma queda por essas malditas cabras. — Ela parou a caminhonete e se virou para ela com um sorriso no rosto. — Mas, então, novamente, Docinho salvou minha vida uma vez, sabe. Melissa riu. Ela ouviu a história de como a pequena cabra ajudou quando Alex foi nocauteada pela Sra. Nolan, esposa do ex-prefeito. — E Júnior salvou seu irmão. — Ela assentiu com a cabeça em direção ao grande cão que mancava por todo o quintal para cumprimentá-los. A grossa pelagem escura do cão escondia as cicatrizes que todos sabiam que estavam lá. A maior parte de sua perna esquerda ficou tão danificada, que ele passava a maior parte de seu tempo deitado. Alex e Grant adoravam o cão mais do que qualquer outro animal em sua pequena fazenda. — Por isso, todos nós devemos tudo a ele. — Melissa ajoelhou e esfregou a pele grossa do cão quando sua cauda bateu no chão. Ela ficava com lágrimas cada vez que pensava sobre o susto que tiveram depois que a Sra. Nolan atirou em seu irmão à queima-roupa. Ela passou quase um mês na casa de seus pais até seu irmão se levantar novamente. O cachorrinho levou o pior de tudo, porém. E a Sra. Nolan apodrecia em algum hospício estatal em Rusk, Texas. Quando olhou para cima, viu seu irmão de pé na varanda segurando a pequena Laura, como gostava de chamá-la. Eles nomearam sua filha com o nome da mãe de Alex, que morrera em um tornado que atingiu Fairplay quando as meninas eram muito jovens. Ela viu quando Alex se aproximou, abraçou e beijou sua família. Algo dentro de Melissa mudou e, pela primeira vez em sua vida adulta, ela desejou por um momento assim.

Lauren dera a Reece o maior rancho da propriedade. Estava vazio desde que colocaram alguns trailers mais perto dos celeiros. Eles tinham mais de uma dúzia de homens trabalhando para eles agora e, aparentemente, precisavam de outra dúzia.

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Ele passou o primeiro dia lá ajudando com o gado e notou um belo Palomino selvagem correndo em um dos currais. Quando aproximou, as orelhas do animal se agitaram. Chase disse a ele que o cavalo ainda era inexperiente e com extrema necessidade de adestramento. Chase não teve tempo suficiente para começar a trabalhar com o cavalo, e Reece rapidamente solicitou o trabalho. — Você pode começar com ele na parte da manhã. — disse Chase, acariciando suas costas. — Só não venha correndo para mim quando a besta te matar. Ele é um filho da mãe mal humorado. Ele passou o resto do dia ajudando a marcar o gado e colocando em dia a vacina dos filhotes. Era um trabalho suado, mas ele adorou cada minuto. Quando voltou para a sua casa, percebeu que os armários da cozinha estavam completamente vazios, e pegou as chaves da caminhonete para ir até o Grocery Stop. Enquanto dirigia através da pequena cidade, percebeu o quanto se sentia em casa aqui. Eles visitaram muitas vezes quando eram crianças. Até o início da adolescência, passaram algumas semanas aqui em todos os verões para ajudar. As melhores memórias de infância do seu irmão e dele vieram daqui. Parando em frente ao Grocery Stop, o único da cidade, se perguntou quanto tempo ficaria por aqui. Ele caminhou pelos corredores, jogando itens em seu carrinho e pensando sobre domar cavalos para viver. Sempre sonhou em ser capaz de fazer isso. Talvez Fairplay fosse o lugar para fazê-lo. Por que não? Ele conhecia um monte de pessoas na cidade e, mais importante, o conheciam. Isso era fundamental para a execução de um negócio como este. Se confiassem nele para fazer o trabalho, ganharia mais trabalho. E estava fadado a ter um monte de trabalho por estas bandas. Eles estavam a menos de uma hora de Tyler, e havia muitas cidades menores em torno que poderia angariar negócios. — Bem, bem — ele ouviu alguém ronronar de trás dele. — Se não é um dos garotos West. Ele se virou para ver uma loira peituda balançando pelo corredor em direção a ele. Os shorts apertados que usava mal cobriam suas curvas, e ela quase

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estourava os botões da camisa. Levou alguns momentos para seus olhos vagarem mais alto para ver o rosto bem cuidado que combinava com o corpo perfeito. Ele conhecia Savannah Douglas pela maior parte de sua vida. Ela era uma das melhores amigas de Lauren quando mais jovens, mas depois do ensino médio, a viu cada vez menos ao redor da fazenda. Ela cresceu no luxo, desde que os pais dela ganharam dinheiro com o petróleo. Agora, ela usava as melhores roupas, dirigia o carro mais caro da cidade, e estava sempre atrás de algo que não poderia ter. Ele sabia que Savannah foi a causa de um monte de problemas com suas primas ao longo dos últimos anos, mas enquanto ela caminhava em direção a ele, tudo, exceto o latejar em suas calças deixou sua mente. — Bem, olá. Essa não pode ser a pequena Savannah. — Disse quando ela parou ao lado dele. — Qual deles é você? — Ela correu um dedo bem cuidado por seu braço de brincadeira. — Reece. — Ele sorriu para ela. — Oh, eu nunca pude diferenciar você e seu irmão. — Ela se inclinou para mais perto dele. — Eu não sabia que você estava na cidade. Por quanto tempo ficará aqui? Ele podia sentir seu perfume e a sensação de seus seios empurrando contra seu peito desviava todo o seu sangue de sua cabeça. — Não tenho certeza. Estou pensando em permanecer no local. — Para sempre? — Ela engasgou um pouco. Ele poderia dizer que era tudo um ato, e se sua mente estivesse trabalhando, teria percebido que não deveria considerar isso. Mas já faz um tempo desde que conseguira qualquer atenção de alguém tão atraente. — Pode ser. — Bem, vou simplesmente ter que assar uma das minhas famosas tortas e levá-la para você. Onde está ficando? — Na casa da fazenda no final da estrada, na casa de Lauren. — Oh. — Ela franziu a testa um pouco. — Problema?

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— Não. — Seu sorriso voltou. — Bem, tenho certeza que vamos topar um com o outro novamente — disse, dando um passo para trás quando uma jovem mãe e seus filhos tentaram passar por eles no corredor. Savannah ficou olhando para a mulher e filhos. — Eu simplesmente devo ir. — Ela se inclinou para mais perto e sussurrou, — Eu estou ansiosa para vê-lo. — Seus olhos viajaram para cima e para baixo dele e depois descansou em sua virilha. Se fosse um adolescente, teria corado vermelho brilhante. Ele observou seus quadris enquanto ela rebolava de volta pelo corredor e saiu pela porta da frente sem comprar nada. — Essa menina é problema — disse alguém atrás dele. Quando se virou, viu uma mulher ruiva muito pequena ao lado de seu carrinho, um cesto cheio de mantimentos em suas mãos. — Holly Bridles. Nós nos encontramos no casamento de Alex e Grant e novamente no de Haley e Wes. — Ela trocou seu cesto e estendeu a mão. Ele sorriu e a tomou. — Eu lembro. Você possui uma loja... — ele tentou se lembrar. — Livraria. É só atravessar a rua. — Certo — ele balançou a cabeça, lembrando. — Savannah vai brincar com você. Além disso, ela não é mais permitida na propriedade Saddleback Ranch. — Oh? — Ele deve ter parecido surpreso, porque Holly riu. — Longa história. Pergunte a sua prima um dia, se tiver algumas horas para ouvir. Então, eu ouvi direito? Você voltou para ficar? — Talvez. — Ele pegou sua cesta e colocou dentro de seu carrinho. A coisa parecia mais pesada do que era, e podia ver que ela lutava com isso. — Por que não pegou um carrinho? — Oh, bem, sabe como é. Você corre para dentro para uma coisa e... — Ela encolheu os ombros. — Você sai com um carrinho cheio. — Ela sorriu. Caminharam até o caixa, e ele colocou a cesta para ela. Eles conversaram por um tempo com a caixa e quando ela tinha dois sacos cheios em seus braços, se virou para ele. — Lembre-se o que eu disse sobre ficar longe de Savannah. Ele assentiu com a cabeça. — Obrigado. Vejo você por aí.

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Ela assentiu com a cabeça e, em seguida, virou e saiu. — Ela está certa, sabe — a mulher atrás do balcão disse quando começou a digitalizar seus itens. — Todo mundo na cidade sabe que é para ficar longe dessa menina. Ele riu. — Eu acho que estou pegando a dica — disse, entregando o seu cartão de crédito. Até que pudesse ter a história completa, Savannah Douglas estava em sua lista de não-toque.

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Capítulo Dois Reece voou pelo ar. A maioria das pessoas pensaria na dor que estaria prestes a sentir quando bateu no chão, mas ele não. Sua mente estava completamente e maravilhosamente em branco. É claro que, quando bateu no chão, sua mente começou a trabalhar novamente. O que poderia ter feito diferente? Deveria ter cutucado em vez de enfiar? Deveria ter esperado mais alguns dias para tentar montar o cavalo? Tantas perguntas surgiram em sua cabeça após cair. Ele odiava quando questionava a si mesmo. Ele era muito bom no que fazia, e tinha as medalhas para provar isso. Nos últimos cinco anos, desde que finalmente conseguiu se libertar do seu velho, ele viajou o mundo e recolheu o maior número de medalhas que podia. Domar cavalos selvagens foi o seu sonho por tanto tempo quanto podia se lembrar. Mas, logo depois de Reece se formar, seu velho ficara doente. Seu gêmeo nada-bom foi embora e deixou-o sozinho. Eles sempre planejaram ir embora juntos; pelo menos era o que Reece sempre pensou. Ryan foi embora, e Reece fez seus próprios planos para ir. Mas, em seguida, seu pai teve o derrame, e ele ficou para cuidar do velho, até que finalmente faleceu dois anos depois. Ele também ficou com todas as dívidas do velho para pagar. Fez tudo o que podia para pagá-las. Vendeu o gado, os cavalos, então a terra e a casa. Até que ficou com apenas uma caminhonete velha e um saco cheio de memórias. Então, ele desistiu de seus últimos cem dólares para entrar no rodeio, competindo na prova de montar cavalo selvagem, a qual, por sorte, ganhara. Foi para o próximo rodeio e venceu aquele também. Ele continuou ganhando e,

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eventualmente, foi abordado por uma empresa fora de New Orleans que queria patrociná-lo. Levara quase um ano para pagar as dívidas finais de seu pai, mas até então estava tão absorto em montar cavalo selvagem que não parou. Precisou de uma queda feia em Montana para finalmente o parar. Deitado na cama do hospital com uma perna quebrada, três costelas arrebentadas, e uma dor de cabeça para rivalizar com todas as outras, finalmente pensou sobre o que queria fazer com ele mesmo. Ele foi ferido antes, tinha pinos em seu pulso direito, o tornozelo esquerdo, e teve mais pontos do que poderia contar, mas nenhuma outra lesão o afetou como esta. Levou quase dois meses para que, finalmente, pudesse voltar para o Texas. Não foi fácil para ele dirigir até Saddleback e pedir ajuda a sua prima. Lauren sempre foi a sua favorita. Ela foi mais como uma mãe para Ryan e ele do que uma prima. Ela tinha apenas cinco anos a mais que ele, mas de muitas maneiras, ela era mais madura. Ela comandava Saddleback, o rancho da família, desde os dezoito anos. Quando conduziu até lá há poucos dias, ela saiu correndo da varanda grande e abraçou-o tão apertado, que pensou que ela quebrou um pouco mais de suas costelas. — O que diabos você fez para si mesmo? — Ela perguntou puxando-o para dentro de casa. Ele riu. — Caí de um maldito cavalo. Ela olhou para ele. — Isso é mais do que apenas cair. Parece que foi pisoteado uma dúzia de vezes. Ele sorriu e acenou com a cabeça. — Eu acho que isso está certo. — Reece Loyal West, o que no mundo vou fazer com você? — Você poderia me dar um lugar para ficar até eu voltar aos meus pés. — Ela sorriu e acenou com a cabeça. — Contanto que você me prometa ficar por mais tempo. — Eu acho que posso fazer isso.

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No dia seguinte, ele mudou-se para um grande rancho que tinham ao longo da parte de trás de sua propriedade. Ele esteve no casamento de Alex e Haley alguns anos atrás e chegou a conhecer seu marido, mas havia algumas novas adições que ainda veria. Ele conheceu o filho de Lauren e Chase, Rickie, mas agora eles tinham uma filha de quase um ano de idade, Emma, que era a cara da mãe. Naquela primeira noite no jantar, Alex e Haley trouxeram suas famílias, e ele conheceu a filha de Alex, Laura, e os meninos gêmeos de Haley, Conner e Caden. Ele não podia deixar de olhar para baixo, para os rostos iguais dos meninos e pensar em seu próprio irmão gêmeo. Onde estava Ryan? Ainda havia um grande buraco em sua vida que seu irmão costumava preencher. Ele conseguiu uma ótima relação com Grant e Wes. Ele conheceu a todos eles, incluindo o marido de Lauren, Chase, antes. Agora, lá estava ele, alguns dias depois, trabalhando no curral e ajudando a domar um dos cavalos de Chase. Chase advertiu sobre saltar sobre a égua, mas não escutou. Ele queria a sensação de excitação que tinha ao andar forte e rápido. Quando desembarcou, no entanto, ouviu algo estalar e xingou pelo tolo que era. — O que na terra! —Alguém gritou. — Johnathan Chase Graham! Por que você o deixou com Ralph? Ralph? Reece pensou. Quem diabos era Ralph? — Agora ouça, Lauren, eu tentei o meu melhor para falar com ele sobre isso — disse Chase, correndo até ele, assim que Lauren chegou lá e arfou. — Ele está sangrando. Ele olhou para a perna e xingou. Com certeza, ele arrebentou a pele um pouco acima do joelho. — Não é nada — disse, mas foi rapidamente abafado por Lauren. — Vá buscar a caminhonete. Nós teremos que levá-lo à clínica. — Ela o ajudou a se levantar enquanto seu marido corria para colocar a caminhonete mais perto do curral. — Por que no céu e terra você montou em um cavalo tão cedo? — Eu pensei que era a coisa certa a fazer. — Ele sorriu para ela e fez uma careta de dor quando tentou usar sua perna recentemente curada.

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— Queria quebrar isso de novo? — Ela perguntou, olhando para seus jeans rasgados. Ele testou e abanou a cabeça. — Eu não penso assim. — Irá ser bem feito. — Ela o ajudou na caminhonete. — Eu vou levá-lo, você pode ficar com as crianças. — Não, eu vou. Pode demorar um pouco. — Tudo bem, mas me ligue no segundo que ouvir qualquer coisa — disse Lauren, colocando o cinto de segurança em Reece. Ela inclinou e deu um beijo em sua bochecha. — Dummy1 — ela sussurrou antes de fechar a porta. Era um apelido que ela sempre teve para ele. O apelido de Ryan era Dumber2. Ele supôs que tinha sorte que ela pensasse em seu irmão como mais burro que ele. Chase seguiu para a curta viagem a cidade. — Eu gostaria de começar a domar cavalos. Sabe... como um negócio — Reese disse a ele. Chase riu. — Em sua condição? — Bem, talvez em um tempo. É algo que eu sempre fui bom. — Sim, você parecia realmente bom voando pelo ar e pousando de cara. — Chase riu. — Eu só estou um pouco distraído, isso é tudo. — Bem, quando você estiver todo curado, está convidado a usar o curral no campo leste. Não acho que é prudente manter muitos cavalos novos perto da casa. Ele assentiu com a cabeça. — Talvez eu encontre um lugar para mim. Tenho algum dinheiro guardado. — Ele pensou em todos os seus ganhos, no qual não tocou em três anos. Ele nem sabia o quanto tinha no banco. Depois de lidar com a dívida de seu pai, tudo o que importava para ele era que havia um positivo na frente dos números em vez de um negativo. — Grant poderia ajudá-lo lá fora. Ele tem algumas conexões na cidade devido ao seu negócio. 1 2

Burro Mais burro

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— Ele não é advogado? Chase riu. — Sim, mas não coloque isso contra ele. Ele é a coisa mais próxima que temos de uma empresa confiável na cidade. Ele conhece todos os anúncios imobiliários e as pessoas que pensam em alugar. — Talvez eu vá vê-lo. — Ele olhou para a perna e xingou enquanto observava esguichar sangue de seu joelho. — Mas acho que terá que esperar um pouco. — Ele podia sentir a cabeça girando e tentou como um louco se agarrar à consciência. — Porra, você não vai desmaiar em cima de mim como uma garotinha — Chase balançou seu ombro, mas já era tarde demais, tudo ficou branco. Quando abriu os olhos novamente, olhava para os maiores olhos azuis que já viu. O cabelo loiro de areia da mulher caiu em torno de seu rosto, e ela olhava para ele com preocupação. Sem pensar, estendeu a mão e tocou a mecha de cabelo no rosto dela. Ele reconheceu o rosto instantaneamente e sorriu quando ela franziu a testa para ele. — Missy — ele sussurrou. — O que você tem feito para si mesmo? — Perguntou. Ela desviou o olhar quando alguém falou com ela, e ele queria instantaneamente que seus olhos azuis voltassem para ele. Sua mente derivou até que ouviu a palavra — Injeção — em seguida, ele se sentou. — Eu não preciso de nenhuma injeção. — Quando tentou sair da mesa, empurraram seus ombros para baixo até que deitou. — Você ficará parado até que eu diga para mover. Está claro? — Seus olhos azuis ficaram ferozes. — Sim, senhora. — Ele deitou e fechou os olhos. Ele a ouviu fazer a Chase algumas perguntas, e então ela pediu para ele esperar na sala de espera, enquanto examinava Reece, e sua mente divagou em todos os diferentes tipos de direções. Passou um tempo, quase cinco meses, desde que esteve com uma mulher. Quem poderia culpá-lo pelos pensamentos que tinha agora? — Você pode remover suas calças, ou preciso cortá-las? Ele olhou para aqueles olhos azuis e apenas sorriu, até que viu suas bochechas corarem. — Eu acho que consigo.

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— Bom. — Ela entregou um manto hospitalar padrão. Ele odiava essas malditas coisas. — Você não pode simplesmente me consertar enquanto mantenho minhas calças? — Não — ela disse quando colocou as coisas na bandeja prata em frente a ele. Ele levantou para arrancar as calças, e o quarto começou a girar novamente. Xingando baixinho, fechou os olhos e tentou se firmar. Quando sentiu mãos frias em seus quadris, seus olhos se abriram. Ela puxou a calça jeans rasgadas pelas pernas até que ficou pendurada em suas botas, e, em seguida, o empurrou levemente até que ele sentou-se à mesa. — Como eu entrei aqui? Por favor, não me diga que Chase me carregou como um bebê? Ele gostou da risadinha que escapou de seus lábios. — Não, nós o colocamos em uma maca. — acenando para a cama de rodinhas que estava parada contra a parede. Ela puxou uma de suas botas e estendeu a mão para a outra. — É melhor eu fazer isso. Tenho alguns pinos no tornozelo que machucam quando são puxados. — Ela assentiu com a cabeça e ficou para trás, observandoo. Ele se abaixou e, usando seu outro pé, conseguiu erguer a bota. Ela colocou as botas em uma cadeira ao lado da porta. Quando virou, seus olhos percorriam as pernas agora nuas. Quando ele lhe entregou sua calça jeans, ela hesitou. — Ficou ferido muitas vezes? — Ela perguntou, olhando para as muitas cicatrizes que tinha em suas pernas. Ele deu de ombros. — Vem com os cavalos selvagens. Ela balançou a cabeça. — Parece que você precisa de um novo emprego — disse enquanto começava a trabalhar em seu joelho. Ele tentou não olhar para o corte desagradável e, ao invés, focou nela. Seu cabelo era mais escuro do que se lembrava. Ele a encontrou algumas vezes, mais

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recentemente, no casamento de Alex, onde rapidamente desenvolveu uma grande paixão por ela. Ele a viu do outro lado da sala e queria correr e pedir para ela sair com ele. Mas ela tinha um namorado, um cara de cabelo preto e magro, com óculos, o que lembrou a ele que também tinha uma namorada. Sua namorada era loura e peituda, e sua relação durou apenas três semanas, um de seus mais longos relacionamentos até o momento. — Quando você voltou? — Perguntou ele, desejando poder alcançar e tocar seu cabelo sedoso novamente. Quando a viu no passado, ela morava na cidade e cursava a faculdade. — Há dois meses — disse ela enquanto limpava o joelho. Ela olhou por cima de seu joelho por um momento. — Quando você voltou para a cidade? — Há alguns dias atrás. Eu ficarei com Lauren e Chase até que possa encontrar um lugar. Ele observou as sobrancelhas subir em um arco sexy. — Eu estou com Alex e Grant. Você está aqui para ficar, então? Ele deu de ombros. — Até que eu possa pensar em outro lugar para ficar. E quanto a você? Está aqui para ficar? Ela assentiu com a cabeça e voltou ao trabalho de limpar a sujeira de seu ferimento. — Até que eu possa pensar em outro lugar para ficar. Ele estremeceu quando ela puxou uma grande pedra de debaixo de sua pele. — Desculpe — disse ela. — Está tudo bem. — Você desmaia a cada vez que vê sangue? — Ela perguntou, casualmente. Ele olhou para ela e fez uma careta. Ele odiava a fraqueza. — Até agora. — Chase me disse que você foi ferido recentemente. — Sim, um par de costelas quebradas, perna quebrada. — Ele deu de ombros. — Na maior parte estou curado. — A maior parte? — Suas sobrancelhas fizeram o arco sexy novamente. — Ando apenas bem. Ainda respirando. — Senhor West — começou ela. — Reece — ele corrigiu.

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Ela balançou a cabeça e continuou. — Se você continuar a tratar o seu corpo como se fosse um brinquedo em vez de uma máquina bem oleada, você não poderá usá-lo por muito mais tempo. — Ela jogou a pinça na bandeja, pegou uma agulha rosqueada, e começou a colocar minúsculos pontos em sua pele. — Você é médica? — Ele franziu a testa, e a fez pausar. — Não. — Ela fez uma careta para ele. — O médico está no almoço. Gostaria de esperar uma hora e ter Dr. Conner juntando isso em vez de mim? — Não, é só que... — ele parou. — Não, senhora. Ela assentiu com a cabeça e voltou a trabalhar. Ela foi rápida e muito eficiente, e seus pontos pareciam melhor do que aqueles que ele recebeu de alguns dos melhores médicos. Ela colocou uma bandagem branca sobre a ferida. Examinou a perna dele, movendo as mãos suavemente sobre seus músculos peludos. Era uma tortura ficar parado. Ela finalmente concordou com a cabeça e disse: — Você precisará ficar sem usar sua perna por algumas horas. Sem equitação por pelo menos uma semana. Você pode voltar depois e retiraremos os pontos. Tome algumas aspirinas quando chegar em casa. — Sim, senhora. — Ele já pensava em montar novamente quando ela puxou sua manga. — Quero dizer isso, Reece. Sem andar de cavalo até eu dizer que sim. — Ela franziu o cenho. — Saia comigo neste fim de semana — ele deixou escapar. Normalmente, não se limitava a latir uma solicitação de encontro. Talvez fosse a dor bloqueando sua personalidade normalmente suave. Ela olhou para ele e um pequeno sorriso se formou em seus lábios. — Eu não tenho encontro com pacientes, Sr. West. — Ela se virou e atiroulhe as calças. — Você está livre para ir. — Ela olhou para ele uma última vez e, em seguida, saiu da sala, deixando-o desejando que não tivesse caído do maldito cavalo.

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Melissa entrou em seu pequeno escritório e encostou-se à porta fechada. Seus dedos ainda tremiam e quando tentou acalmar seu coração, sentiu que pulava em seu peito. O que fez? Por que o rejeitou? Reece West era o homem mais sexy que ela conheceu em um longo tempo. Por que, oh por que não percebeu quão sexy ele estava no casamento de seu irmão? Sacudindo a cabeça, se lembrou que estava em um relacionamento no momento e fez uma careta. Agora era melhor se concentrar em seu trabalho. Nos últimos meses, ela transformou a pequena clínica. Eles economizavam dinheiro e tratavam os pacientes com mais rapidez e eficiência. Dr. Conner – Chris, como ele pediu para que ela o chamasse, a chamou para sair em um encontro em diversas ocasiões. Cada vez ela educadamente informou-lhe que não saía com colegas de trabalho. Ela começava a se perguntar por que dava tantas desculpas para sair em um encontro. Afinal de contas, era apenas um encontro. Assim que pegou uma pasta para olhar para os dados do próximo paciente, a porta de seu consultório abriu. Ela olhou para cima através de seus óculos de leitura enquanto Reece entrava em sua sala com um sorriso no rosto. — Eu gosto das especificações — disse enquanto se aproximava e sentou na cadeira em frente a ela. — Senhor West, talvez eu não fui clara. Você está livre para ir. — Oh, você foi muito clara sobre isso. Só não a outra questão. — Ele se inclinou para trás e cruzou os braços sobre o peito. — Outra questão? — Ela tirou os óculos e ficou surpresa quando ele franziu a testa um pouco enquanto os colocava sobre a mesa ao lado dela. — Por que você não sairá em um encontro comigo. Afinal, quando você vive em uma cidade de três mil pessoas, todo mundo é obrigado a ser um paciente seu em um ponto ou outro. Ela franziu a testa. Ele estava certo e ela odiava a admitir. — Você já pensou que talvez eu apenas não queira sair com você? Ele balançou a cabeça. — Não com o jeito que você olhava para mim lá atrás sem as minhas calças. — Ele acenou com a cabeça em direção à porta e sorriu. — Que mal isso faria? É apenas um encontro.

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Ela acabara de dizer a mesma coisa a si mesma há menos de um minuto, e não podia mentir, estava muito atraída por ele. Tanto, que suas mãos começaram a tremer de novo, e empurrou-as sob a mesa e assentiu. — Tudo bem, um encontro. — Ela viu seus lábios se transformarem em um sorriso sexy. — Ótimo. — Levantou, e ela percebeu que ele estremeceu um pouco. — Você precisa de ajuda? — Ela estava ao lado dele em um instante. Seus braços em volta de sua cintura estreita, e o segurou com firmeza para que não caísse. Quando ele ficou parado, ela olhou para o rosto dele e percebeu que caíra em sua armadilha. Estava exatamente onde ele queria que ela estivesse, em seus braços. Quando tentou se afastar, ele balançou a cabeça e franziu a testa. — Não, espere um segundo. — Ele abaixou a cabeça e quando seus lábios se encontraram, ela sentiu os dedos dos pés enrolarem e o ar levado de seus pulmões. Ele levou o seu tempo explorando os lábios, suavemente passando sobre os dela até que ela suspirou e abriu a boca para a sua exploração. Ela não sabia quanto tempo ficou lá assim, mas quando ele finalmente a soltou, ambos estavam sem fôlego. — Sexta-feira, seis horas — disse ele em voz baixa. Ela não podia falar, portanto, ao invés, ela balançou a cabeça e observou-o caminhar lentamente para fora. Ela notou o ligeiro coxear quando seguiu até o corredor em direção a sala de espera. Fechando a porta, ela descansou a testa contra a madeira fria e suspirou. Ela estava em apuros. Então percebeu que realmente estava em apuros. Fazia quase um ano que esteve em um encontro com alguém. Ela não tinha absolutamente nada para vestir. Correndo até a mesa dela, pegou o telefone do escritório e ligou para a livraria. Holly assumira a pequena loja quando sua mãe se aposentou e foi para Flórida. Os livros eram a vida de Holly. Isso, e moda. Sua amiga não só conhecia todas as últimas tendências, ela usava. Você não saberia disso se olhasse para a bibliotecária magrinha de cabelos vermelhos,

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mas a menina era um turbilhão em montar looks. Não só roupas, mas o cabelo e make-up também. — Holly, é Melissa. Eu preciso de sua ajuda. Tenho um encontro nesta sexta-feira e preciso de sua ajuda fashion, — Com quem? — Holly interrompeu. — Reece West. — Ohhhhh. — Eu sei. Meu Deus! Por que ninguém me disse quão sexy o homem era? — Ela se recostou na cadeira e lembrou-se de como ele era de cueca e camisa. — Você conheceu os gêmeos West antes. Pelo menos eu acho que você conheceu. Bem, de qualquer maneira, tenho certeza que apontei toneladas de vezes. Melissa balançou a cabeça. — Não me lembro. — Oh, bem... — Holly suspirou. — Encontrei Reece ontem no Grocery Stop. Meu, oh, Deus. De qualquer forma, passa pela livraria depois de fechar e pode me contar tudo. Chegaremos a algo para sexta-feira. — Parece ótimo. Vejo você depois. — Ela teve dificuldade em se concentrar no resto do dia. Seus lábios ainda vibravam com o beijo. Toda vez que teve um momento para si mesma, encontrou-se a sonhar acordada com Reece. Finalmente, as seis e quinze, saiu pela porta da frente da clínica e acenou um adeus para a enfermeira do turno da noite, Kimberly. Ela caminhou quatro quarteirões até a livraria em vez de dirigir. O tempo finalmente ficava o suficiente quente para que ela não precisasse colocar sua leve jaqueta. Quando entrou na livraria, a campainha soou acima da porta. Holly servia cappuccinos

e

assados,

bem

como

vendia

livros

e

pequenos

itens

de

novidade. Havia uma linha de clientes regulares que passavam pelo lugar para pegar seu café ao latte e alguns dos melhores pães de nozes com banana de qualquer outro lugar. Holly recebeu a receita de sua mãe junto com o negócio. O local era grande. O proprietário do edifício reconstruíra a frente da loja após o tornado destruí-lo, mas muito do lugar ainda estava obsoleto. Holly mencionara que ela trabalhava com um plano com o atual proprietário em fazer

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mais algumas reformas, mas Melissa achava que ela deveria apenas encontrar outro prédio. — Oi — disse Holly de trás do balcão. — Oi. Dia agitado? — Ela olhou ao redor da loja e viu várias pessoas nos corredores. — Foi ótimo para uma quarta-feira. Você? Ela encolheu os ombros. — O habitual. Pancadas, cortes e contusões. O sr. MacKalaster entrou com um dedo quebrado. Aparentemente, seu gato bateu a tampa do piano sobre ele enquanto tocava. Holly deu uma risadinha. — Você se lembra quantas horas passamos martelando nessas teclas durante a prática? — Eu sei. Quantas vezes desejamos poder quebrar os dedos dele, porque ele bateria em nossos dedos com uma régua quando batíamos na tecla errada? Elas riram, depois ficaram sérias. — Bem, isso é muito ruim. Espero que ele tenha uma rápida recuperação — disse Holly, olhando ao redor da loja. — Sim. — Melissa limpou a garganta, sabendo que não era bom que a enfermeira-chefe na clínica local risse das lesões de alguém. — Bem, foi apenas o dedo do meio. — Ela riu de novo e tentou encobrir com uma tosse. Holly sorriu. — É quase hora de fechar. Por que não pego um café com leite e você pode olhar através de algumas dessas revistas para ajudá-la a ter uma ideia do que quer vestir? Ela assentiu com a cabeça. — Eu quero um pedaço de pão de banana também, se tiver algum sobrando. Holly sorriu. — Eu guardei um pedaço para você.

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Capítulo Três No momento em que Reece entrou em sua casa mais tarde naquela noite, ele sentiu como se tivesse levado um chute no peito em vez de ser derrubado de um cavalo. Sua perna doía como um inferno, e estava coberto de suor e poeira. Foi dito para não montar em um cavalo, mas não para se afastar das criaturas. Domar cavalos era muito mais do que apenas pular nas suas costas e segurar. Levava semanas, às vezes meses, para fazer com que um animal confiasse em você. Você tinha que ensiná-los a estar sob uma liderança, como tomar um pouco em sua boca e não morder os dedos enquanto estava nisso. Ele olhou para o polegar machucado e franziu a testa. Então precisava acostumá-los ao peso da manta e sela. Sentou no sofá e suspirou, desejando tarde demais que tivesse pensado em pegar uma cerveja gelada de sua geladeira. Levantando do sofá, caminhou até a cozinha e abriu a tampa de uma Corona Light. Todo mundo falava merda sobre beber cerveja light e parar após uma, mas não se importou. Ele realmente gostava muito mais do sabor. Abrindo a parte de trás da porta deslizante, ele saiu para a varanda de trás e encostou-se à grade. O sol estava se pondo sobre as colinas e os campos viraram uma sombra escura de âmbar. O céu da noite ainda não escurecera, lembrandolhe dos olhos azuis sensuais que olharam para ele com tal preocupação mais cedo naquele dia. Olhou para seus jeans rasgados e notou que a atadura branca agora estava coberta de sujeira e suor. Sabia que teria de substituí-la após tomar banho e desejou que Melissa estivesse aqui para fazer o trabalho para ele. Não sabia por que se transformou em um bebê quando viu sangue, mas fez tudo o que podia ao longo dos últimos anos para evitar olhar para isso, incluindo ter alguém cuidando de suas outras feridas.

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Quando o sol finalmente mergulhou abaixo das colinas, ele entrou, tirou as roupas, e jogou-as no cesto. Caminhou até o banheiro, ligou o chuveiro, e entrou. Esperava que a água quente removesse o curativo para ele, mas quando saiu meia hora mais tarde, a fita ainda estava presa na coxa. — Droga. — Ele sentou na beirada da banheira e começou a descascar a fita de lado. Quando finalmente foi removida, juntamente com metade do cabelo em sua perna, olhou para os pequenos pontos. Nove deles. Visto que ela limpou a maior parte do sangue, não sentiu a fraqueza vir sobre ele como normalmente fazia. Ele abriu a sacola de compras cheias de ataduras que Chase e ele compraram anteriormente. Rasgando um pacote, ele agarrou a maior bandagem e a colocou sobre o corte e sorriu para o trabalho bem feito. Na manhã seguinte, descobriu que era muito difícil sair da cama. Cada músculo em seu corpo doía. Passou um tempo desde que trabalhara um dia inteiro como fez ontem. E junte a isso ser derrubado de um cavalo. Três meses. Três longos meses agora desde que foi lançado como uma boneca de pano e pisado várias vezes por esse cavalo em Montana. Cinco anos atrás, teria levado meia hora para estar de volta em seus pés, mas agora... Ele levantou, olhou-se no espelho e franziu a testa. Ele estava ficando velho. Por que seus vinte e cinco anos pareciam trinta e cinco anos? Ele olhou para a linha de cicatrizes que corriam sobre o peito e pernas. Cicatrizes de batalha. Algumas eram tão pequenas que esquecera que tinha. Outras, como uma sobre sua coxa exterior, sobre a qual correu os dedos agora, eram muito maiores e mais cruéis, e se lembrou de cada momento cheio de dor. Vestindo um jeans e uma camisa limpa, calçou a bota em cima da meia de compressão que usava em seu tornozelo esquerdo. Ela pareciam ajudar as suas dores nas articulações. Quando caminhou até o grande celeiro, Chase estava em frente trabalhando com o cavalo de ontem. — Eu ouvi sua esposa chamar esta beleza de Ralph ontem? Chase riu. — Sim. Suas primas são peculiares com nomes de animais. — Fale-me sobre isso. — Ele balançou a cabeça e começou a subir no curral. — Oh, não, você não. — Alex desceu da varanda da frente. — Eu ouvi sobre sua queda ontem. — Ela parou bem na frente dele. — Não pense nem por um

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momento que deixarei você mexer com o meu cavalo por um tempo. — Ela apontou para o peito. — Seu cavalo? — Ele olhou para Chase e riu. — Ralph aqui é seu? — Sim. Por quê? — Ela franziu a testa. — É só que... — Ele parou e ficou sério quando Chase balançou a cabeça rapidamente. — Nada. — O quê? — Ela perguntou, cruzando os braços sobre o peito. — Ele é uma besta. Como você espera montá-lo? Quero dizer, ele tem mais de quatro anos de idade e não foi domado. — Eu sei. — Ela caminhou até a cerca e sorriu para o animal, que Chase fazia correr em círculos. — Ele é lindo, não é? — Ela olhou para Reece. — Bem, sim. Diga-me, ele é um presente para Grant? Ela balançou a cabeça negativamente. — Ele é todo meu. — Alex... — ele se aproximou e tomou seus ombros. — Aquele cavalo tem muita energia para você. Ele vai acabar te matando. Você tem um bebê agora. Por que não escolhe um cavalo bem tranquilo, mais velho? — Ele balançou a cabeça para um que estava de pé ao longo da cerca, com seus olhos fechados. — Assim como aquele. Alex olhou e depois riu. — Eu sou uma mãe, não morta. Além disso, aquele é Dash, o cavalo de Haley. Laura pode rastejar mais rápido do que ele pode correr. Ele olhou para a velha besta. — Aquele é Dash? Eu pensei que ele tivesse morrido anos atrás. — Não, ainda chutando ao redor. — Ela sorriu. — Ele viverá até um zilhão de idade. Haley me disse. — Ela sorriu e suspirou, olhando para o belo palomino correndo em círculos. — Eu queria Ralph aqui há anos. Sr. Hobby o tinha na fazenda de gado leiteiro, e eu ia toda semana para vê-lo correr. — Ela descansou o pé sobre o degrau mais baixo ao lado do seu. — Eu ainda acho que não é uma ótima ideia. Quer dizer, este cavalo é mais adequado para rodeio. Ela olhou para ele. — Eu pensei que você tivesse parado com rodeios?

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Ele balançou a cabeça. — Eu nunca vou parar. — Nós esperávamos que você fosse. — Ela assentiu com a cabeça em direção ao cavalo. — Eu vi você no seu melhor e não posso negar que você tem uma maneira com cavalos. Mas também vi você no seu pior. Você ainda precisa se recuperar mais. — Ela fechou os olhos e, em seguida, virou para ele. — Você já domou um monte de cavalos. O que você honestamente acha? — Ela acenou para o cavalo que resistia ao redor do pequeno curral. Ele viu o fogo em seus olhos, o sentiu tremer debaixo dele e sabia o que o cavalo queria. Ele tinha muito espírito para se tornar o passeio de alguém. — Ele está destinado a rodeio. Poderíamos domá-lo. Levaria algum trabalho — ele olhou para Alex novamente, — mas ele foi feito para ser selvagem. Ela suspirou e ele viu seus ombros curvar um pouco. — Eu esperava... — ela balançou a cabeça e ele observou uma lágrima escapar de seus olhos. — Você será o primeiro a montá-lo? — Ela descansou a mão sobre a dele, seus olhos castanhos suplicantes. Ele sorriu e acenou com a cabeça. — Quando nós dois estivermos prontos.

Ela estava um caco. Ela foi para Tyler para tingir o seu cabelo, além de marcar com a manicura e pedicura. Fazia quase um ano que ela se mimara. Seria melhor que Holly ou Haley fosse capaz de ir com ela, mas Holly estava ocupada com sua livraria e Haley com os gêmeos. Mas ambas suas amigas prometeram ter uma noite das meninas em breve. Ela até parou no shopping e conseguiu algumas roupas novas. Graças às imagens que Holly mostrou a ela, foi fácil escolher as cores e estilos que pareciam ótimos nela. Ela ficou olhando para si mesma no espelho, e, enquanto achava que estava absolutamente linda, senta-se naufragando por dentro. Ela estava tão nervosa, não achava que poderia ir adiante com a noite. Alguém bateu na porta e se virou para ver Alex entrar com o bebê no colo.

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— Você parece perfeita. — Ela sorriu e caminhou até ela. — Essa cor azul combina perfeitamente com seus olhos. Oh! — Exclamou fazendo o bebê sonolento em seus braços se contorcer, — olhe os sapatos. — Ela inclinou a cabeça e sorriu. — Eu sinto falta de usar sapatos como esse. — Seu sorriso se transformou em uma carranca leve. — Parece que alguém precisa de algum tempo de mamãe e papai. Talvez tia Melissa possa tomar conta uma noite? — Ela disse afastando uma mecha de cabelo loiro dos olhos da sobrinha. — Eu adoraria algum tempo de mamãe e papai. — Alex sorriu para ela. — Quem receberá tempo de mamãe e papai? — Grant perguntou da porta quando se aproximou e pegou o bebê de sua esposa e, em seguida, deu um beijo em sua bochecha gordinha. — Nós receberemos. Sua irmã vai tomar conta do bebê algum tempo para que possamos ir à cidade. — Alex fez uma pequena dança. — Eu vou começar a usar sapatos sexy novamente. Ele sorriu. — Eu gosto de suas botas, mas uma noite de encontro seria ótimo. — Em seguida, ele se virou para Melissa. — Uau, irmã. Parece bem. Ela sorriu. — Obrigada. — Nesse momento a campainha tocou e as borboletas pularam em seu estômago. — Por que estou tão nervosa? — Ela gemeu. Alex riu. — Porque você está saindo com um West. Somos conhecidos por fazer alguns corações vibrarem. — Ela sorriu e correu para atender a porta. — Eu deveria estar preocupado? — Perguntou Grant, deslocando Laura. O bebê estava agora completamente adormecido nos braços de seu pai. — Não. Claro que não. É apenas um encontro. — Ela dispensou seu irmão, mas ela mesma estava preocupada. Não era como se não tivesse namorado antes. Ela esteve em um relacionamento de longo prazo durante seu primeiro ano na faculdade. Mas em comparação com Reece, Bret era um menino. Quando viu Reece em pé em frente a ela em nada além de seus boxers, sua boca encheu d’água. Ela nunca viu um homem parecer tão bom de cueca boxer

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antes. Suas coxas eram grossas e sua pele escura estava coberta por um pouquinho de cabelo escuro. As cicatrizes que marcavam sua pele não eram ruins, mas perceptíveis. Seus olhos verdes eram algo a ver, e ela foi atraída no segundo que ele os abriu. Ela não conseguia explicar, mas de alguma forma eles estavam familiarizados com ela. Como uma memória empurrada para o fundo de sua mente. Quando desceu as escadas com Grant atrás dela, ela ficou chocada ao ver como Reece parecia bonito em calças e uma camisa de botão. Seu cabelo era mais escuro do que pensou inicialmente, possivelmente porque da última vez que o viu ele tinha uma camada de poeira cobrindo-o. Foi penteado para trás de seu rosto, revelando os olhos verdes West. O fato de que ele parecia tão bem vestindo jeans rasgado e uma camisa mutilada com uma camada de sujeira cobrindo-o como fez em calças e uma camisa engomada não passou despercebido. — Boa noite — ela observou os olhos dele aquecerem quando a percebeu nas escadas. — Oi. — Ela sorriu e se sentiu como um adolescente indo em seu primeiro encontro. — Você está linda. — Ele andou até ela e deu um beijo suave na sua bochecha. Foi quando Grant pigarreou. — Boa noite, Grant. — Ele se aproximou e apertou a mão de seu irmão. Grant trocou sua filha e facilmente pegou a mão de Reece. — Boa noite. Ouvi dizer que teve alguma emoção com o cavalo da minha esposa no outro dia. Eu tenho dito a ela desde que pegou aquele cavalo que não foi feito para andar. Ele sorriu. — Acho que temos tudo dando certo. — Ele piscou para Alex. — Reece comprou Ralph de mim. Ele vai montá-lo para rodeio. — Você o quê? — Melissa disse antes que pudesse se conter. — Você é simplesmente estúpido? Reece riu. — Alguns dias. — Ele pegou a mão dela e começou a caminhar em direção à porta. — Boa Noite. — Ele baixou a cabeça em direção a Grant e Alex e continuou a andar com ela pela porta da frente. — Bem? — Ela o fez parar pouco antes de sua caminhonete. — Bem, o que? — Ele perguntou, dando um passo mais perto dela.

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— Você realmente vai continuar em rodeios de cavalo? — Sim, senhora, eu vou. Eu voltarei para isso assim que o meu médico e enfermeira me liberarem. — Ele sorriu e passou o dedo pelo seu rosto. Ela tentou esconder o arrepio de excitação que percorreu. — Você deve ter um desejo de morte. — Saiu como um sussurro. — Não, apenas um poderoso impulso de ser contrário a alguma coisa. — Ele sorriu e deu um passo para trás para abrir a porta para ela. Ela olhou para ele quando a ajudou a subir em sua caminhonete. Enquanto dava a volta pela frente, ela tentou mudar mentalmente as engrenagens. Não faria qualquer bem estar zangada com ele durante seu primeiro encontro. — Como está a perna? — Ela perguntou quando ele sentou atrás do volante. — Muito boa. Eu troquei o curativo no outro dia sem desmaiar. — Ele sorriu para ela. — Isso é sempre bom. Há quanto tempo você tem síncopes? — Sinc... o quê? — Desmaio com a visão de sangue? — Ela sorriu. — Oh, desde que eu era criança, eu acho. Meu irmão foi jogado de um cavalo uma vez, esfolou bastante suas costas. Desde que o nosso pai não estava muito interessado em nos ajudar, eu tive que fazer isso. Lembro-me de estar de pé sobre ele com uma toalha em uma mão e remédio no outro. A próxima coisa que eu sabia, Ryan chutava em minhas costelas e gritava comigo. Eu nunca me recuperei disso. — Ele balançou a cabeça e sorriu enquanto dirigia para fora da cidade. — Vocês dois devem ter sido próximos. — Sim — ele deu de ombros. — Eu acho. — Alex me disse que ninguém tem notícias dele há alguns anos. Deve ser difícil estar longe dele por tanto tempo. — Eu acho. — Ele olhou para ela. — Como foi ir para a escola em Houston? Era a sua vez de encolher os ombros e olhar pela janela. — Teve seus altos e baixos. Eu trabalhei com crianças por um semestre. — Ela fechou os olhos e se lembrou de alguns dos melhores momentos que ela teve. Ela escolheu pensar sobre aqueles em vez dos tempos mais difíceis, nas vezes em teve que dizer adeus a crianças tão pequenas, tão indefesas.

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— Eu não sei como vocês conseguem. — Ele balançou a cabeça. — Manterse calmo quando alguém está sangrando. — Eu acho que é da mesma forma que você pode enfrentar uma besta muito irritada de quinhentos quilos. Ele deu de ombros. — Eu acho que sim.

Durante a viagem deles a Tyler, nunca houve uma pausa na conversa, e Reece desfrutou de cada minuto do tempo deles juntos. Ela o fez rir e pensar, o que nenhuma das outras mulheres com quem namorou foi capaz de fazer. Ele namorou muito durante suas viagens. A maioria das mulheres eram coelhinhas de fivela3, e sempre gostou de escolher as mais bonitas. Mas não queria passar mais tempo com qualquer uma delas do jeito que queria com Melissa. Ele ouviu-a falar sobre suas experiências nos hospitais em Houston e sobre as coisas que fez quando criança. Quando ela fez perguntas para ele, tentou evitar dar muita informação, uma vez que não havia nada realmente emocionante sobre sua vida. Mas quando começou a falar sobre seu tempo no rodeio, ela se inclinou para frente, seu prato de comida completamente esquecido enquanto ouvia cada palavra. — É assim que acabei com os pinos no meu pé. Ela balançou a cabeça para ele. — O que você fez com o cavalo? Ele riu. — Um ano mais tarde, eu subi nas costas dele e montei-o em todo o campo, em seguida, vendi-o imediatamente para o homem no final da rua. Ela assentiu com a cabeça. — Boa jogada. — E você? Monta? Ela encolheu os ombros, em seguida, pegou o copo de vinho e tomou um gole. — Eu já andei, mas não sou muito boa nisso. Ele se recostou na cadeira e olhou para ela.

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A Maria-breteira do Brasil.

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— Eu duvido disso. Você tem graça sobre você. Eu aposto que seria boa na sela. — O rosto dela ficou um tom claro de rosa e ela sorriu. — Meu irmão é quem gosta de todos os animais. — O que você diz de eu levá-la para montar na próxima semana? Ou seja, depois que eu for liberado pela minha enfermeira. Ele estava morrendo de vontade de vê-la em jeans apertados e botas, saltando para cima e para baixo em uma sela. — Bem... — Você é obrigada a ter um dia de folga do trabalho. Ela assentiu com a cabeça. — Oh, sim, é claro. Sextas-feiras, sábados e domingos são todos meus. Pelo menos a maior parte do tempo. — Ela sorriu. — Bom. Então está resolvido. Que tal um piquenique na próxima sextafeira? Ela pensou por um momento e então assentiu com a cabeça. A viagem de volta para Fairplay foi tranquila. Não o tipo de silêncio assustador no qual sentia que deveria dizer algo, mas sim uma solução pacífica onde nada precisava ser dito. Ele desfrutava das colinas quando tomou a curva em direção à cidade. — Eu conversei com um corretor de imóveis no outro dia sobre encontrar um lugar — disse ele, de repente, depois de ver um sinal de venda em alguns terrenos. — Oh? — Ela suspirou e olhou para fora da janela. — Eu adiei sair da casa do meu irmão desde que cheguei aqui. Que tipo de lugar você está procurando? — Algo com alguma terra. Eu quero continuar treinando cavalos. Tenho feito isso desde os meus doze anos. — Doze? — Ela olhou para ele. — Sim. Meu pai achava que deveríamos começar a ganhar o nosso sustento desde o início. — Ele queria mudar de assunto rapidamente, então perguntou, — Que tipo de lugar você está procurando? — Apenas um apartamento. Existem alguns lugares na cidade, mas até agora não encontrei nada que eu goste. — Eu vi uma placa na grande casa branca, à direita, na cidade.

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— A casa dos Nolan? — Ela apertou os olhos. — Sim, acho que eles têm um apartamento acima da sua garagem. — Aquela é a casa dos Nolan? — Lembrou de como a Sra. Nolan atirara no irmão de Melissa e sequestrara sua prima Alex. — Sim, mas Patty ainda está presa. Roy costumava ser o prefeito. Talvez eu pare e dê uma olhada no lugar. — Sério? — Ele olhou para ela. — Você alugaria uma casa do homem cuja mulher quase matou seu irmão? — Roy não tem nada a ver com a doença que sua esposa tem — disse ela, olhando para ele. — Não, claro que não, mas... — ele deu de ombros. Se ela podia superar algo assim, então ela era uma pessoa melhor do que ele. — O quê? — Ela perguntou, cruzando os braços sobre o peito e esperando que ele falasse. — Nada. — Ele sorriu para ela. — Além disso, eu sei de fato que é um apartamento de excelente porte. — Como você sabe disso? Ela encolheu os ombros e olhou para fora da janela. — Eu saí com seu filho uma vez. — Você saiu com Travis? Ex-noivo de Alex? — Claro, foi durante um de seus términos. Alex sabe tudo sobre isso. — Ela olhou para fora da janela novamente. O pensamento de Melissa e Travis juntos fez seu estômago girar por algum motivo. Quando finalmente parou em frente a casa do irmão dela, desejava desesperadamente que ela tivesse um lugar dela para que pudesse convidá-lo. A luz da varanda da frente estava ligada, mas o resto da casa estava escuro. — Eu tive um momento realmente maravilhoso — disse ela quando começou a alcançar a maçaneta da porta. Ele a parou, colocando a mão em seu braço e puxando-a para si. Quando tomou sua boca, pensou a ouvir gemer. Talvez ele tivesse feito o som, uma vez que os dedos dela apertavam seus ombros e o segurava perto.

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Quando finalmente se afastou, ele sorriu quando ouviu a respiração dela falhar um pouco. Ela estendeu a mão para a porta novamente. Ele a parou uma segunda vez. — Minha mãe morreu quando eu era jovem, mas ela ainda me ensinou alguns dos valores mais importantes da vida. — Quando ela inclinou a cabeça e olhou para ele interrogativamente, ele riu. — Missy, me deixe abrir a porta para você. — Ela sorriu e acenou com a cabeça. Ele saiu do carro e caminhou ao redor de sua caminhonete e ajudou-a sair. Ele abraçou-a até que seus pés tocaram o chão de terra. Seu corpo sentia-se tão bem contra o dele, ele não queria deixá-la ir. — Vejo você na próxima sexta-feira — ele sussurrou antes de dar-lhe um beijo leve. Ela assentiu com a cabeça e sorriu de volta, e ele a viu caminhar até a varanda e para a casa. Quando voltou para o carro, não poderia parar o sorriso em seu rosto nem se quisesse. Pela primeira vez desde que seu irmão o deixou, sentia como se tivesse alguém com quem poderia falar, e se sentia muito bem.

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Capítulo Quatro — Por que tenho que ter um novo gesso? — Libby Jackson, uma das pacientes favoritas de Melissa, perguntou. A menina segurava seu braço direito contra o peito e franzia a testa para ela através de óculos de lentes grossas. — Porque o seu braço ainda não está curado. — Ela se inclinou e olhou a menina nos olhos. — Mas você pode escolher a cor deste. Os olhos da menina ficaram um pouco maior. — Você quer dizer que não será branco? Melissa balançou a cabeça. — Eu tenho seis cores que você pode escolher. Gostaria de vê-las antes do médico chegar? Libby assentiu com a cabeça. Dez minutos mais tarde, enquanto o médico envolvia o braço da menina em um gesso verde-claro, Melissa estava junto e conversava com a mãe de Libby, Cara. — Obrigada. Eu não sabia como dizer a ela que teria o gesso por mais algumas semanas. Ela odiou tanto o último. Melissa sorriu. — Lembro-me de colocar um gesso quando eu tinha mais ou menos a idade dela. — Ela balançou a cabeça lembrando o incômodo. — Este será mais leve e muito menor do que o primeiro. Talvez não seja tão ruim para ela. — Espero que sim. Foi duro o suficiente para ela não poder brincar com seus irmãos nas últimas semanas, mas agora que a escola começou, ela não tem permissão para brincar no parque infantil até tirar o gesso. — Oh, bem, isso não parece justo. Cara deu de ombros. — Regras da escola. Até que ela receba um atestado médico, eles não querem que se machuque novamente. — Eu acho que faz sentido — disse Melissa, franzindo o cenho para a menina. Ainda assim, parte dela pensou que era injusto manter a menina no lado de dentro quando todos os seus amigos podiam brincar.

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Então lembrou-se de Reece. Ela não disse a ele a mesma coisa há alguns dias? Sem montar cavalos até sua perna estar curada. Foi só um arranhão. Um risco que precisou de nove pontos. Ela balançou a cabeça limpando-a e tentou concentrar no resto do dia. Ela se encontrou pensando muito em Reece nos três dias depois do encontro deles. Naqueles dias, ela, finalmente, encontrou um lugar dela e assinou o contrato de aluguel de uma pequena casa verde a apenas algumas quadras da clínica. O lugar pertencia ao Xerife Miller, mas desde que ele foi morar com Jamella, o lugar ficou vazio. Ele a ouviu falar na lanchonete sobre um apartamento para alugar e dissera a ela ali mesmo que era bem-vinda a sua casa, por qualquer preço que pudesse pagar. Ela ficou hesitante no início, até que ele disse que o lugar já estava decorado e que poderia fazer qualquer outra decoração que quisesse. Depois de obter um rápido tour da casa, ela lhe deu um cheque e garantiu que mudaria no dia seguinte. Quando pediu ao Dr. Conner o dia de folga, ele rapidamente respondeu que sim e perguntou se precisava de ajuda na mudança. Ela disse a ele que não, uma vez que tudo o que tinha eram alguns itens que colocou no depósito da garagem de seu irmão. O que realmente precisava era de alguém para fazer algumas compras com ela na loja de segunda mão, uma vez que precisava de algumas outras comodidades. Desde que Alex estava ocupada naquele dia, ela ligou para Haley e perguntou se ela queria fazer algumas compras. Na manhã seguinte, enquanto descia as escadas, ela estava feliz em ver Haley e os gêmeos na cozinha já tomando o café da manhã. — Bom dia. — Sua amiga olhou para ela com um sorriso. Haley não mudou nos últimos anos. Seus longos cabelos escuros ainda estavam abaixo dos ombros com uma onda de luz, e seus ricos olhos verdes ainda brilhavam com malícia. E mesmo depois de dar à luz a dois meninos muito saudáveis, ela ainda tinha um corpo pelo qual Melissa teria matado. — Bom dia. Como estão os meus dois meninos favoritos esta manhã? — Ela andou até as cadeiras e beijou ambas as bochechas rechonchudas quando os meninos colocaram Cheerios em suas bocas.

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— Bem, Conner decidiu que derramaria todo o seu suco em vez de beber, e Cooper pensou que era muito divertido e juntou-se. — Ela levantou e Melissa viu a grande mancha na camisa de Haley. Ela tentou não rir, mas desde que Haley tinha um grande sorriso no rosto, não pode evitar. — Tenho certeza que possuo uma camisa que se encaixa em você lá em cima. — Não se preocupe. — Haley abaixou e tirou uma camisa da enorme bolsa de bebê apoiado no chão ao seu lado. — Eu vim preparada. Você se importaria de observá-los enquanto corro lá em cima e me troco? — Ela olhou para a camisa encharcada, inalou, e franziu a testa. — Talvez eu tome um banho enquanto antes. Melissa riu. — Eu adoraria. Leve o tempo que for preciso. — Ela inclinou e pegou um dos meninos. Pensou que era Conner, mas teve dúvida em distingui-los. Haley começou a caminhar para fora da sala, mas olhou para trás por cima do ombro para ela. — Esse é o Cooper. — Ela acenou para o menino nos braços de Melissa e, em seguida, sorriu e saiu. — Bem, Cooper. — Ela olhou para o rapaz que tentava puxar os brincos de suas orelhas. — O que você acha de limparmos vocês dois? Demorou mais do que ela pensou ser possível conseguir as duas mãos e os rostos dos meninos limpos do pegajoso Cheerios. — Como... — ela soprou uma mecha de seu cabelo loiro de seu rosto, — vocês dois podem fazer uma enorme bagunça com apenas Cheerios? Ela estava sentada no chão da cozinha. Cooper estava limpo e brincando com uma pilha de blocos enquanto ela tentava limpar Conner. Mas o segundo rapaz não queria saber de panos quentes. O garoto gordinho poderia lutar como um profissional. Seus pequenos braços e pernas se debatiam, fazendo com que ela quase o derrubasse várias vezes. Foi quando se sentou no chão, apenas no caso. — Awww, há um preço para assistir ao show? — Alguém disse atrás dela. Ela suspirou e olhou rapidamente por cima do ombro para ver Reece em pé na porta de trás, com os braços cruzados sobre o peito e as botas descansando no batente da porta.

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— Não fique aí parado. — Ela se virou para o garoto agitado em seus braços. — Vem me dar uma mão. — Ouviu-o rir quando ele sentou ao lado dela no tapete da cozinha. Ao ver Reece, Conner rapidamente levantou as mãos para ele e começou a implorar. Melissa deixou a criança engatinhar de seu colo em direção a Reece, onde se sentou no colo dele e inclinou seu rosto sujo na camisa limpa do Reece. — Pronto — disse Reece, acariciando o cabelo escuro do garoto. — A tortura acaba. — Ele sorriu para ela quando os olhos grandes de Conner olharam para ela com desgosto. — Bem, na verdade. — Ela cruzou os braços sobre o peito. — Eu quero que você saiba que Cooper cooperou muito bem. Não é? — Ela se inclinou e pegou a criança feliz que agora mastigava um grande bloco. — Talvez tudo o que ele precisava era de outro homem — disse Reece, balançando a criança suavemente para trás e para frente em seus braços. — Você poderia pensar que ele pegasse uma dica de seu irmão. Reece balançou a cabeça. — Conner é dono de si mesmo. — Ele sorriu para o rosto do menino. — Ele é tímido e não gosta de ser forçado, enquanto Cooper é mais relaxado e apenas vai com tudo o que está acontecendo. — Reece olhou para o menino em seus braços. — Eles são tão diferentes como Ryan e eu éramos. — Como você pode distingui-los? — Ela perguntou, olhando entre os meninos. — Além do fato de que Conner não me deixará tocá-lo. — Cooper tem uma pequena sarda no queixo. Ryan tinha uma cicatriz acima do olho esquerdo que me foi dito que eu dei a ele quando estávamos em fraldas. — Ele estendeu a mão e tocou a pequena mancha no queixo de Cooper que, do contrário, Melissa não teria notado. — Conner aqui — ele esfregou as pernas do menino, — é um menino do papai e sempre usa meias de vaqueiro.

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Melissa olhou para baixo e percebeu as meias do Dallas Cowboy4 sobre o menino. Quando ela olhou para Cooper, notou que ele usava meias vermelhas e azuis do Houston Texans5. — É uma luta contínua entre Haley e Wes. — Ele riu. — Sério? — Ela sorriu e quando Haley entrou, perguntou a ela sobre isso. Haley riu. — Sim, é também a minha maneira de distinguir os dois. — O sorriso dela caiu. — Mas se você disser ao pai deles isso, eu vou negar. Melissa riu. — Você está pronta? — Sim, toda limpa. Pelo menos até que eles decidem dar mais comida para mim. — Ela se aproximou e pegou Cooper dela, dando-lhe beijos brincalhões em suas bochechas rechonchudas. O riso do menino era contagiante. — Onde vocês duas... quatro, vão hoje? — Compras — Haley interrompeu. — Missy alugou a casa do xerife Miller. Ela se muda amanhã. — Xerife Miller se mudou? — Ele franziu a testa, tentando lembrar onde o homem vivia. — Agora que ele está vivendo com Jamella, a velha casa no centro está vazia. Será bom ter alguém nela novamente — disse Haley, colocando Cooper em seu assento de transporte. O garoto brincava com os brinquedos pendurados na frente de seu rosto. — É a casa verde escuro, na esquina da Magnólia e Centro Way? — Sim. Eu não podia acreditar na minha sorte quando colidi com o Xerife — disse Melissa. Ele começou a colocar Conner em seu assento, mas Conner não queria nada disso. Haley pegou o menino agitado dele.

4

O Dallas Cowboys é um time de futebol americano da cidade de Dallas, Texas que disputa a NFL na divisão Leste da NFC, junto de New York Giants, Philadelphia Eagles e Washington Redskins. Foi fundado em 1960. É o time mais rico da NFL. 5 O Houston Texans é um time de futebol americano da cidade de Houston, Texas. Fundado em 2002 é o time mais novo da liga. Atualmente, ele faz parte da Divisão Sul da AFC.

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— Você tem que suborná-lo. — Ela tirou um biscoito de sua bolsa e entregou a ele. — Há, agora estamos todos prontos. — Ela pegou um bebê conforto, então se mudou para pegar o outro. — Espere aí, Xena. — Reece pegou o bebê conforto antes que ela pudesse quebrar as costas. — Às vezes você só precisa pedir ajuda. Ele ajudou-as no SUV de Haley e Melissa felizmente ficou chocada quando ele se inclinou e beijou-a nos lábios diretamente na frente da prima dela. Ela tentou não olhar pelo retrovisor para ele em pé na frente do grande celeiro, seus jeans desgastados rasgado no joelho e seu Stetson baixo em sua cabeça. Maldição, ela estava em apuros. — Entãoooo — disse Haley quando saíram da garagem. — Você me contará todos os detalhes suculentos? Melissa riu. — Não há nada... ainda não. — Ela relaxou em seu assento, preparada para desfrutar de um dia de compras com uma boa amiga.

Reece ficou na poeira e olhou para o pequeno pedaço de terra verde. Ele sabia que com um pouco de suor, ele poderia fazer funcionar para ele. A casa que ficava no meio dos vinte hectares necessitava de alguns reparos, mas o protegeria da chuva. A pergunta era, ele poderia pagar? Nos últimos dias, ele verificou e verificou novamente sua conta bancária. A princípio, pensou que era um erro, mas depois do funcionário do banco dizer-lhe, pela terceira vez, ele percebeu que os anos em que esteve no circuito foram bons com ele. Ele estava sentado em dinheiro suficiente para comprar um pedaço de terra, talvez até mesmo um com uma casa sobre ela, e ainda sobrava o suficiente para obter um par de cavalos para ele mesmo. Ele se virou para o corretor de imóveis, Mike Coalfield, que o conduziu para o lugar a poucos quilômetros fora da Fairplay. — Quanto eles estão pedindo? O homem olhou para suas unhas e suspirou.

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— Bem, aqui é onde podemos atingir um problema. Os Joneses querem 180, mas tenho dito a eles que o máximo que conseguem é 1-50. Ele calculou em sua cabeça e assentiu. — Faça uma oferta de 1-45. — Ele se virou e olhou para toda a terra novamente. — Você tem certeza? Você não quer olhar a casa um pouco mais antes de decidir? — A terra é onde estarei mais. Além disso — ele se virou e olhou para a casa de quatro quartos no rancho, -— eu posso dizer que o lugar tem bons ossos. Qualquer outra coisa pode ser reparada. — É o seu dinheiro. — Ele balançou a cabeça e começou a caminhar em direção ao seu carro. — Vai demorar alguns dias. Os Joneses estão na Flórida agora. Foram embora e se aposentaram e estão vivendo o sonho. Reece balançou a cabeça. — O sonho está bem aqui. — Ele acenou com a cabeça para o campo e sorriu quando o sol escolheu aquele momento para espreitar para fora atrás de uma nuvem, cobrindo a grama em sua luz brilhante. Ele dirigiu de volta para a cidade depois de assinar alguns papéis no escritório do corretor de imóveis e decidiu que isso merecia um jantar de comemoração. Ele foi para o melhor lugar da cidade para ter uma refeição caseira e sorriu quando viu o carro de Melissa em frente. Faltava apenas um dia antes de seu próximo encontro, e ele tentava pensar em um milhão de desculpas para dirigir para sua nova casa. Ele até comprou-lhe uma garrafa de Champagne, mas esteve muito ocupado para passar e deixar, então, em vez disso, decidiu mantê-la para o seu piquenique. Ele entrou no Mama e percebeu que não esteve ali desde que foi reformado após o tornado. Quando a campainha soou na porta acima de sua cabeça, vários convidados pararam de falar e olharam para a porta para ver quem entrara, sendo um deles Jamella, a própria Mama. A mulher não mudou em todos os anos em que a conhecia. Ela usava o mesmo traje azul-petróleo e avental branco de sempre. Seu cabelo ainda estava curto e com cachos suaves soltos em torno de seu rosto, e ela ainda era tão grande como a vida.

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— Quem é? — Ela perguntou quando entregou um jarro de água para o cliente que servia. — É o meu menino? — Ela se aproximou, seus olhos vesgos quando o olhou de cima a baixo. — Ouvi dizer que você estava de volta na cidade. — Ela parou bem na frente dele, com as mãos em seus quadris largos. — Mas depois eu pensei, sem chance que aquele menino teria vindo até aqui e não veio logo ver sua mãe. Ele olhou para seus pés. — Desculpe, eu estive ocupado. — Sim, senhor, eu ouvi isso também. Sendo jogado de um cavalo e caindo de cabeça. — Ela fez um som tsking e balançou a cabeça. — Rapaz, eu pensei que você fosse melhor que isso. Ele riu e olhou para ela. — Você vai me dar uma bronca durante todo o dia ou recebo um abraço? Ele viu seu rosto derreter em um sorriso. — Tudo bem, mas da próxima vez, venha aqui primeiro. — Não haverá uma próxima vez. Estou pronto para ficar. — Ohhh, weeeee. Isso merece um abraço. — Ela aplaudiu e quando sentiu os braços envolvidos ao redor dele, ele sabia que estava em casa.

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Capítulo Cinco — Você fez o quê? — Melissa sentou em frente à Reece e franziu o cenho. — Eu fiz uma oferta na propriedade do Jones. — A terra de Howard e Barbara Jones, em Old Airport Road? Ele assentiu com a cabeça e sem poder evitar, começou a rir. — O quê? — Ele perguntou, franzindo a testa agora. — Oh, isso é apenas rico — disse ela entre risos. — O quê? — Ele perguntou de novo, olhando para ela como se fosse louca. — Nada. — Ela balançou a cabeça e tentou parar de rir. — Missy, se você não me disser o que há de errado com a propriedade do Jones exatamente nesse momento... — O quê? — Ela parou de rir, então se inclinou para frente e sussurrou. — Você vai me bater? — A cerveja que bebeu depois do jantar a relaxou o suficiente para que saísse de sua concha. Seu cenho franzido desapareceu quando viu o calor em seus olhos. — Você está pedindo por isso — disse ele em voz baixa, e ela sentiu um arrepio correr até a parte de trás de sua coluna vertebral. Seu sorriso congelou em seus lábios quando ela se inclinou para trás e o assistiu, todo o seu corpo aquecendo sob seu olhar. A risada de alguém na sala lotada quebrou o feitiço e ela balançou a cabeça. — Missy? — Ela inclinou a cabeça. — Eu gosto disso. Ninguém nunca me chamou assim antes. — Combina com você. — Ele sorriu e recostou-se na cabine. Ela assentiu com a cabeça. — Você me dirá o que está errado com a propriedade de Jones? — Ele cruzou os braços sobre o peito e olhou para ela. Antes que pudesse responder, Jamella se aproximou e colocou um enorme prato de comida na frente dele. — Obrigado. — Ele sorriu para ela. — Eu estive desejando seu frango frito desde a última vez que estive aqui. Ela sorriu e acariciou seus cabelos.

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— Bem, se você precisar de mais... Ele balançou a cabeça enquanto ela enchia o seu copo de chá gelado. Após Jamella se afastar, ele virou para Missy sem tocar sua comida. — Bem? Ela sorriu. — Não há nada de errado com a propriedade dos Jones, além do fato de que faz fundo para a propriedade do Douglas, que é a principal razão pela qual os Joneses foram embora. Ele franziu a testa e pegou um pedaço de seu frango. — Douglas? — Ela o viu cravar os dentes na carne macia. Ela terminara o seu abençoado prato a menos de cinco minutos antes dele entrar na lanchonete, mas a boca ainda encheu d’água com a visão. Ela assentiu com a cabeça. — John e Ruth Douglas e mais importante, a sua filha... — ela fez uma pausa de efeito. — Savannah. Ele riu. — Ela é realmente tão ruim como todo mundo diz? Melissa assentiu. — Pior, eu tenho certeza. Na verdade, ela foi proibida no Mama depois de um incidente bastante suspeito de jantar-e-fugir. — Ela se inclinou para frente e sussurrou, — Ouvi dizer que o xerife foi chamado. — Não — ele sussurrou de volta enquanto sorria. Ela assentiu com a cabeça e tomou outro gole de cerveja quente. Ele a observou, então, apontou para o copo quase vazio e perguntou. — Quantos desses você já tomou? Ela encolheu os ombros. — Um, mas amanhã é meu dia de folga e depois de passar o dia todo em movimento ontem, e então, tendo uma dupla jornada, eu precisava. — Ela se inclinou para trás e bebeu o resto do líquido dourado. — Além disso, eu vivo a apenas dois quarteirões daqui agora e posso facilmente andar para casa. Ele assentiu com a cabeça. — Mesmo assim, vou levá-la lá uma vez que termine o jantar. — Ele enfiou uma grande colher de purê de batatas em sua boca. Ela viu quando seus olhos

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rolaram e, em seguida, fecharam em um gemido. — Eu não sei como ela faz isso, mas este é o melhor purê de batatas do mundo. — Alho e lotes de manteiga — disse ela, sorrindo. Quando ele olhou para ela, deu de ombros. — Perguntei-lhe uma vez. Quando você vai saber se os Joneses aceitaram sua oferta? — Em algum momento na próxima semana. Penso que o lugar é o ideal para mim. — Oh? — Ela olhou para o copo vazio e perguntou se poderia lidar com outra cerveja. — Claro. O celeiro parece ter sido reformado recentemente. Mike parecia se lembrar deles colocando um novo telhado de metal sobre ele há poucos anos. Parece que está em ótimo estado. Existem vários currais que irá funcionar perfeitamente para o que tenho em mente, e há uma abundância de campos verdes para os cavalos. Ela riu e quando ele levantou os olhos de sua comida, ela continuou — Você sequer olhou a casa? Ele respondeu com um encolher de ombros. — Quero dizer, você está pensando em viver lá. Certo? — Claro, eu acho. — Ele franziu a testa enquanto mordia um pão doce. — Se eu me lembro bem, é uma fazenda de tijolos. — Quando ele assentiu com a cabeça, ela continuou. — Eu acho que passei a noite lá uma vez, quando sua filha Jenny e eu éramos amigas na escola. Acredito que há uma antiga lareira de pedra no meio e os quartos estão perto dos fundos. — Ele balançou a cabeça novamente e continuou a comer. — Eu me lembro mais da cozinha. Sra. Jones cozinhava o melhor bolo de cenoura. Jenny e eu sentávamos no bar de pedra e aguardávamos o sinal sonoro no fogão. — Ela fechou os olhos e lembrou da riqueza que derretia na boca. Quando abriu os olhos, fez sinal para Jamella vir. — Jamella, você tem algum bolo de cenoura? Ela riu. — Não, querida, mas Willard assou um lote de brownies. Posso te dar um pedaço.

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Ela assentiu com a cabeça e prometeu aprender a fazer bolo de cenoura em sua nova casa. — Isso soa bom. Traga-me um pedaço, também. — disse Reece, colocando o prato vazio de lado. Depois de comer seus brownies, eles caminharam em direção a sua nova casa. As luzes da rua acenderam e zumbiam em cima. Quase todos na cidade estavam em casa ou no restaurante, por isso as ruas estavam escuras e silenciosas. Metade de um quarteirão para baixo, ele estendeu a mão e segurou a mão dela. Ela sentiu o calor espalhar pelo braço e ao longo de todo o seu corpo. Fazia muito tempo que não se sentia assim com alguém. — Você conseguiu resolver tudo na sua nova casa? — Ele perguntou quando chegaram à primeira curva. — Sim. É um lugar muito pequeno, mas eu gosto por ser perto da clínica. — Foi um choque muito grande sobre o xerife e Jamella, hein? Ela riu. — E eles não foram os únicos com um segredo. Eu me lembro quando Lauren e Chase contaram a todos que estavam casados há sete anos. Ele riu. — Sim, isso até nos surpreendeu. Eles pararam na frente da sua nova casa, e ela olhou para a varanda da frente. — É realmente um lugar bonito, não é? Ele se virou e olhou para a pequena casa de estilo clássico verde. — Parece algo saído de um conto de fadas. Sabe, você espera que Chapeuzinho Vermelho saia saltando para fora com sua cesta de guloseimas. Ela riu. — Existem algumas casas como essa na cidade. Eu sempre gostei dessa da esquina, que é como se João e Maria fossem comê-la. Ele riu e ela se virou para ele. — Você realmente não olhou a casa do Jones? Ele deu de ombros. — Se eu não gostar, acho que posso reformá-la. Talvez até derrubá-la e reconstruir, se precisar disso.

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Ela balançou a cabeça. — Eu suponho que é a diferença entre homens e mulheres. — Suas sobrancelhas se ergueram em questão. — Eu não aluguei este lugar até que vi o interior. O exterior é bonito, mas sem andar lá dentro, eu não viveria aqui de graça nem se o Xerife me dissesse que podia. — Eles pararam na varanda iluminada e ela pegou suas chaves no bolso da calça. — Você gostaria de entrar para um café? Ele pensou por um momento, e depois balançou a cabeça negativamente. — Melhor não. — Oh? — Ela franziu a testa. Os dedos dele puxaram o queixo dela para cima, até que ela olhou em seus olhos. — Não há nada que eu gostaria mais de fazer do que entrar, mas acho que você e eu temos ideias diferentes sobre a forma como a noite deve terminar, e não acho que você está pronta para isso... ainda. Ela pensou sobre isso e balançou a cabeça lentamente. — Mas não tenho objeções em sentar naquele balanço com você por um tempo. — Ele acenou com a cabeça em direção ao balanço do alpendre e ela sorriu.

Reece tentou manter sua mente fora das imagens que conjurou deles juntos. Algo o impediu de aceitar sua oferta para entrar. Ele sabia que se entrasse pela porta do pequeno lugar, não sairia até o amanhecer. Ele não sabia se era o respeito que sentia por ela ou o fato de que todos na cidade saberiam que ele passou a noite. Ele não se importava com o que os outros pensavam dele, mas se importava com o que pensavam dela. Ela foi um membro respeitado da cidade em toda a sua vida. Inferno, seus pais viviam a poucos quarteirões de distância. — Você está muito quieto — disse ela, balançando o balanço novamente. Ele olhou para ela e sorriu. — Eu estava pensando sobre o nosso piquenique amanhã. Dizem que podemos ter alguma chuva de primavera, mas tenho certeza que ficará claro para a nossa cavalgada.

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— Oh — ela franziu a testa um pouco. — O quê? Você não está pensando em desistir, não é? — Claro que não. — Ela rapidamente virou a cabeça em direção a ele e deulhe um olhar desafiador. — Bom, porque eu tenho tudo planejado. — Eu só me perguntava onde coloquei minhas botas. Ele riu. — Se você não conseguir encontrar nenhuma, eu tenho certeza que minhas primas têm alguns pares sobrando que deve servir. — Ele olhou para seus pés. Ela usava um par de sandálias pretas e brancas que brilhavam intensamente à luz da varanda da frente. Suas unhas estavam pintadas de um vermelho escuro, fazendoo pensar de uma maçã muito suculenta. Ele se perguntou se seriam tão bons como pareciam. — O quê? — Ela olhou para os dedos dos pés com uma careta no rosto. Ele balançou a cabeça limpando-a e decidiu que era hora de se dirigir para casa, já que não podia manter sua mente limpa. — Eu gosto de seus dedos do pé. — Ele riu e começou a levantar-se do balanço, mas antes que pudesse, ela inclinou-se e passou um braço ao redor dele, segurando-o. — Sabe, eu tinha a esperança de sentar no meu sofá e me encostar por um tempo, mas acho que a varanda da frente terá que servir. — Ela se inclinou mais perto e gentilmente colocou seus lábios quentes sobre os dele. Todos os pensamentos de ir para casa apagaram de sua mente. Seus dedos apertaram e agarrou a parte inferior de sua camisa. Relaxando suas mãos, empurrou-as até que tocou os ombros e puxou-a para mais perto dele. Sua boca não parava de se mover sobre a dele, e sua língua esfregou contra a sua eroticamente, fazendo com que a sua mente se perdesse no momento. Ela gemeu. Ele gemeu. As mãos dela se moveram para agarrar seu cabelo de uma forma quase dolorosa, mas agora começavam a vaguear sobre os ombros e peito. Seus dedos cravaram em seus quadris, esmagando-a para o seu lado. Quando sentiu o movimento contra ele, a respiração ofegante, ele a

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afastou. Não conseguia explicar, mas sentiu que precisava ir com calma com ela. Ele queria também. Foi um inferno, mas finalmente se afastou dela. Ele esperou ela piscar algumas vezes e olhou em seus olhos. — É melhor eu ir. — Ele passou um dedo pelo seu rosto para sentir a suavidade dela. Seus olhos azuis estavam nebulosos e ele sabia, sem dúvida, que fazia a coisa certa, indo devagar. Ela assentiu com a cabeça e se inclinou para trás. — Vejo você amanhã. Cerca de dez? — Ele balançou a cabeça. Ela virou para os degraus da frente, mas, em seguida, virou em direção a ele. — Olha, eu não quero que você tenha a impressão errada. Suas sobrancelhas se ergueram. — Você sabe. — Ela cruzou os braços sobre o peito, mas então rapidamente descruzou-os e começou a andar na pequena varanda. — Sobre mim. Quero dizer, que eu sou... — Ela se virou e olhou para ele. — Você sabe. Ele balançou a cabeça negativamente. — Não, desculpe. — Em seguida, ele riu. — Eu não tenho ideia do que você está falando. — Sobre nós. Isso. — Ela apontou para o balanço da frente. — Eu não sou o tipo de mulher que salta para a cama com ninguém — disse finalmente, fazendo ele quase estourar de rir. — É claro que você não é. Se você fosse, eu não teria nenhum problema em levar você ao longo desse limite, e não dou a mínima com quem soubesse que eu passei a noite em sua cama. — Ele andou até ela, colocando as mãos em seus ombros. — Como eu disse, minha mãe morreu quando éramos jovens, mas ela nos ensinou algumas coisas antes de ir. Ela assentiu com a cabeça e sorriu um pouco. — Vejo você amanhã, então. Ele assentiu com a cabeça e, em seguida, deu um beijo suave nos lábios rosados dela uma última vez.

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Capítulo Seis — Só porque já faz tempo que não ando a cavalo, não significa que você precise ir devagar comigo. — Ela olhou para Reece, que estava em um cavalo negro ao lado dela. Desde que deixou o celeiro há quase meia hora, eles atravessaram o campo em um ritmo lento. Tão lento que começava a se perguntar se a égua em que estava conseguia ir mais rápido. — Eu não sei o que você está falando. — Ele olhou para ela com um sorriso. Ela tentou ignorar o salto em seu batimento cardíaco quando ele olhava para ela assim, mas a verdade era que esse sorriso disparou muitas faíscas em seu corpo para ignorar. — Nós podemos ir mais rápido. — Ela não queria decolar e deixá-lo para trás, mas agora pensava que seria uma ótima ideia deixá-lo comer poeira. Quando ele olhou para ela com um sorriso, ela cutucou seu cavalo a trote. Quando percebeu que ele estava exatamente ao lado dela, incentivou o cavalo mais rápido até que corriam pelo campo. O vento soprou seu chapéu para suas costas, e sentiu-o puxando o cabelo. Rindo, lançou um olhar para os lados para ver se Reece estava ao seu lado. Ele estava e seus olhos estavam fixos nela, um grande sorriso em seu rosto quando posicionou seu cavalo ao lado dela. Ela tomou isso como um desafio e cutucou seu cavalo mais rápido. Eles correram até que chegaram a um pequeno riacho que atravessava o campo. Aqui havia árvores e arbustos que iram abrigá-los do sol quente da primavera. Puxando seu cavalo para parar, não ficou surpresa ao ver Reece parar ao lado dela. — Isso foi divertido. — Ele tinha um olhar malicioso no rosto. — O que você está fazendo? — Perguntou logo antes dele colocar seu cavalo bem ao lado dela e a puxar para fora da sela. Ela caiu em seu colo com um suspiro, e ele cobriu sua boca com a dele.

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Ela sonhou com isso ontem à noite, após ele a deixar quente e desejosa. Ela não foi capaz de pensar direito e levou quase duas horas para finalmente cair no sono. Em seguida, os sonhos começaram e não importa o que fazia, Reece estava sempre lá. — Pronto — disse, afastando-se dela. — Assim é melhor. — Ela balançou a cabeça e sorriu. — O que você diz de comer? Eu não sei quanto a você, mas estou morrendo de fome. — Ele a ajudou a descer e depois desmontou do próprio cavalo. Ela o seguiu enquanto tomava as rédeas e amarrava os cavalos em um baixo ramo de uma árvore perto da água, permitindo-lhes beber do córrego. Ele pegou um enorme saco de piquenique da sela, espalhou um grande cobertor xadrez, e, então, começou a retirar pratos e alimentos do saco. — Há algumas bebidas geladas no meu saco térmico. — Ele acenou para seu cavalo. Ela se aproximou e desatou um grande saco marrom. Quando abriu a tampa, percebeu que estava cheio de gelo. Sentando no cobertor ao lado dele, estendeu a mão e tirou um par de garrafas de água. Torcendo a tampa, tomou um gole. Desde seu beijo, sentia-se superaquecida. Ela pegou o saco de novo e tirou uma garrafa de champanhe. — Eu comprei isso para comemorar sua nova casa. — Ele apontou para a garrafa. — Eu quis levá-la à sua casa no outro dia — disse ele, segurando duas taças de champanhe. Quando pegou as taças dele, percebeu que eram de plástico e sorriu. Ele pensou em tudo. Sentaram-se e comeram seu almoço junto à sombra de uma grande árvore coberta de musgo, ouvindo a água correr ao longo dos pequenos seixos na corrente. Após comer metade de seu sanduíche de peru e beber quase tudo de sua taça de champanhe, ela se inclinou para trás e olhou para ele. — Como está a perna? Ele riu e deu de ombros. — Está tudo bem. Ainda de plantão? — Suas sobrancelhas arquearam com a questão. Ela balançou a cabeça. — Só por curiosidade. Tenho certeza que você está acostumado a isso... todos os solavancos e contusões. Ele deu de ombros novamente.

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— Vem com suas vantagens. — Ele olhou para ela através de seus cílios e ela sentiu o rosto esquentar, seu significado claro pelo olhar que dava a ela. — Ainda assim, você realmente deve cuidar melhor de si mesmo. — Ela olhou o campo e suspirou. — Já faz muito tempo desde que montei. Senti falta. — Você parece natural. — Oh, fui ensinada por um dos melhores cavaleiros. Sua prima. — Ela sorriu. — Haley fez questão de ensinar todos os seus amigos. Eu me lembro quando Haley, Holly e eu decidimos levar Dash, Fresco, e Bob... Reece interrompeu com uma gargalhada. — O cavalo de Alex. — Ela revirou os olhos e continuou com sua história. — Nós decidimos pegar os cavalos em um de nossos primeiros passeios. Acho que tínhamos treze anos. Foi antes do pai de Haley falecer. — Ela balançou a cabeça. — De qualquer forma, Haley decidiu que passaríamos o fim de semana em sua velha cabana. — Ela se inclinou para trás sobre o cobertor depois de comer o último pedaço de seu sanduíche. — Estávamos a meio caminho até as colinas quando Bob se assustou com uma cobra e derrubou Holly. Ela caiu diretamente no meio de uma grande pilha de amoreiras. Levou-me quase uma hora para limpar todos os cortes em seus braços. É uma das razões pelas quais decidi me tornar uma enfermeira. Isso e quando eu tirei as minhas amídalas. Ele recostou-se ao lado dela. — Então, o que acontece com você? — Quando ele olhou para ela interrogativamente, ela continuou. — Por que escolheu trabalhar com os cavalos? Ele sorriu. — Eles eram a única coisa na minha vida que não respondiam ou batiam. — Ele cruzou os braços atrás da cabeça e descansou de costas. — A primeira vez que meu pai me colocou na parte de trás de um bronc6 verde, um cavalo não domado, ele me lançou pelo curral. Quebrou dois ossos no meu pulso. — Ele ergueu a mão esquerda e girou várias vezes. — Meu pai xingou, gritou comigo e jurou que nunca me deixaria em outro cavalo desde que eu lhe custei duzentos dólares no pronto-socorro. Eu usei o gesso por cerca de uma semana, depois eu mesmo serrei-o e me arrastei de volta naquele cavalo até que ele parou de espumar

6

Cavalo inexperiente. Pode ser um cavalo selvagem que viveu em estado selvagem toda a sua vida, mas também pode ser um cavalo doméstico que não está completamente treinado para ser selado ou foi mal treinado, e, portanto, propenso a um comportamento imprevisível, especialmente resistindo.

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e empinar. — Ele riu. — Quando ele finalmente se aquietou debaixo de mim, foi o momento em que eu sabia o que queria fazer no resto da minha vida. Ela se aproximou e pegou a mão dele. Eles estavam deitados sobre o cobertor, olhando para as folhas na árvore acima deles, que balançavam na brisa. — Como entrou em rodeio de cavalos? Ele virou-se para o lado, apoiando a cabeça na mão quando se inclinou sobre o cotovelo. — Depois que meu pai morreu, eu tinha uma pilha de contas para pagar. — Ele deu de ombros. — Era a única coisa em que eu era bom e onde poderia ganhar dinheiro suficiente para ajudar a pagar as contas. — Você gosta? — Ela se inclinou e imitou a sua posição. — Montar? — Ela assentiu com a cabeça. — Claro, mas isso não corresponde à emoção de ter essa conexão com um cavalo selvagem pela primeira vez. — Ele estendeu a mão e tirou uma mecha de cabelo do rosto dela. — Saber que o seu treinamento seguirá com eles para o resto de suas vidas... quanto prazer eles têm ao se conectarem com o seu cavaleiro... Ela sorriu e se inclinou para dar um beijo em sua boca. — Você é incrível. Ele riu. — Não realmente. Ela balançou a cabeça. — É preciso ser um certo tipo de homem para fazer o que você faz. Você foi ferido ao fazê-lo, mas você ainda subiu novamente na sela e amou. — Ela balançou a

cabeça,

em

seguida,

delicadamente,

segurou

seu

rosto

e

beijou-o

novamente. Desta vez, colocou mais emoção em seus lábios. Quando ela se afastou, seu coração estava disparado. Ela olhou para baixo em seus olhos verdes e podia ver o desejo neles. — Por que não continuamos de onde paramos na noite passada? Afinal de contas, não há vizinhos para fofocar ou ver o que fazemos hoje. Desta vez, o beijo tinha mais poder, enquanto as mãos dele envolveram sua cintura, e a puxavam para cima dele. Animada por sentir a dureza de seu peito contra o dela, passou as mãos para cima e para baixo dos braços musculosos enquanto sua língua brincava com a dela. Ela usou seus quadris e aterrou-se

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contra ele até que o ouviu gemer e reverter suas posições. Agora, ela estava presa sob o seu peso e desfrutando da sensação dele pairando acima dela. Suas mãos tremiam quando subiram e começaram a desabotoar a blusa. Ela estava contente por ainda ser cedo o suficiente na primavera para evitar o brilho de suor que normalmente surgia apenas por pisar do lado de fora no Texas, mas agora sentiu o calor do corpo só a partir do toque dele. Ela gemeu quando ele finalmente abriu a blusa larga. Ele se afastou, seus olhos passando sobre sua pele exposta, enviando arrepios pelo corpo dela. Finalmente, estendeu a mão e puxouo de volta para baixo para que pudesse abrir os botões da camisa. Ele riu um pouco e puxou a camisa de seus ombros. Ele vestia uma camiseta branca e, quando começou a puxá-la, ele puxou-a sobre a cabeça e jogou para o lado. Quando voltou para baixo para ela desta vez, estava pele com pele, e ambos gemeram de prazer. A urgência cresceu e quando ela começou a dar um puxão em sua calça jeans, ele se afastou e balançou a cabeça negativamente. — Missy, eu estou tentando ser bom aqui. — Ele fechou os olhos e apoiou a testa na dela. — Deus! — A palavra lhe escapou em um assobio. — Por quê? — Ela enrolou as pernas em sua cintura para segurá-lo mais perto. — Por que não nos deixar aproveitar o momento? Ele se afastou e olhou em seus olhos. Então, a surpreendeu por sentar-se e apoiar os braços sobre as pernas dobradas. Ele olhou em direção à água. — É difícil de explicar. — Ele balançou a cabeça. Quando se inclinou para mais perto dele, ele olhou para ela. — Não importa. — Ela tentou esconder seu choque. — Você tem que entender. — Ele virou e entregou-lhe uma camisa. Ela sorriu um pouco quando percebeu que era a dele. Ela colocou os braços nas mangas e segurou-a perto dela. Ele suspirou e olhou em direção a água novamente. — Ryan e eu sempre planejamos sair de casa juntos. Então ele me deixou lá e meu pai ficou doente. — Ele olhou para suas mãos. — Depois que ele morreu, eu meio que fui um pouco selvagem. — Ele se virou e olhou para ela novamente. — Havia um monte de mulheres. Ela riu. — Reece, eu não sou uma virgem tímida também. Ele balançou a cabeça.

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— Não, quero dizer muitas. Coelhinhas de fivela. Assim é como chamamos as mulheres que seguem o circuito de rodeio. O único objetivo delas é agarrar um cowboy e bem... — ele deu de ombros. — Eu era um dos mais fáceis. Ela ficou séria. — Reece, você está tentando me dizer alguma coisa? Ele olhou para ela por um momento e depois riu. — Não, nada disso. Estou limpo. Quer dizer, eu sempre usei proteção, e fiz o teste todo ano. — Ele pegou sua mão, levou-a aos lábios e deu um beijo suave em seus dedos. — Deixe isso para uma enfermeira pensar que é físico. Ela encolheu os ombros. — Eu acho que posso entender. — Eu acho que costumava preencher o buraco na minha vida. Eu estava sozinho e pensei que o sexo poderia preencher o vazio. Voltando aqui — ele a puxou para perto, colocando-a perto dele. — e me comprometendo a ficar, eu acho que decidi que queria algo mais. Um relacionamento sério. Ela se afastou um pouco para que pudesse olhar para ele. — Não é isso que nós temos? Seus olhos sorriram, mas ainda havia uma careta em seus lábios. — É? Quando ela acenou com a cabeça, ele se inclinou e deu um beijo suave em seus lábios. — Bom, então você entende? Ela assentiu com a cabeça e segurou seus ombros. — Agora, podemos continuar de onde paramos? Ele riu. — Longe de mim deixar uma mulher com necessidade.

Reece sabia o que queria e onde queria, e ao contrário dos planos de Missy, não aconteceria em um campo, no calor do dia. Então, em vez de ter seu próprio prazer, ele partiu para se certificar de que ela pudesse ter o dela.

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Puxando a camisa suavemente de seus ombros, ele ficou maravilhado com a beleza da sua pele pálida à luz do sol. As folhas acima os sombreando, fazendo a luz do dia tocar mais de sua pele. Ele usou sua boca e as mãos até senti-la gemer sob as pontas dos dedos. Quando ele começou a puxar seu jeans apertado, levou um momento para apreciar o quão bem se encaixavam. — Graças a Deus pela Levi’s. O homem deveria ganhar um prêmio Nobel por manter as mulheres em jeans apertados. Ela riu e sentou para ajudá-lo a puxar o jeans por suas pernas. Ele a ajudou a tirar as botas de montaria, e quando ela foi para tirar o seu fora, ele rapidamente descartou-os, certificando-se de ter cuidado perto de seu tornozelo. — Isso te incomoda tanto? Ele olhou para ela. — Não. Era para ter removido os parafusos um tempo atrás, mas apenas não tive tempo de fazê-lo. — Oh, sabe... — Ele colocou um dedo sobre os lábios dela. — Sem conversa de trabalho. Não agora. — Ela sorriu, e, em seguida, chocou-o, tomando o dedo em sua boca e chupando-o até que sentiu seus olhos virarem. Ela tornava difícil não pensar em seu próprio prazer, quando a doce boca trabalhou com tanta habilidade. Empurrando-a para trás suavemente, decidiu que dois poderiam jogar esse jogo. Ele passou a língua pelo lado do pescoço e até o exterior da sua caixa torácica, até pousar em sua barriga macia. Usando seus dedos em seus quadris, abriu as pernas delas amplamente, até que estava aberta para a sua exploração. Ela vestia calcinha de algodão cor de rosa com um sutiã combinando, e percebeu que nunca achou um algodão tão sexy antes. Quando a tocou por cima do algodão, ela se contorcia e gemia. Em seguida, moveu o algodão de lado e colocou a boca onde seus dedos acabaram de estar e ela arfou. Ela era melhor do que o champanhe, e sabia que rapidamente se tornaria dependente dela. Quando ela se abaixou e puxou seu cabelo, tentando puxá-lo até ela, ele riu. — Não, deixe-me desfrutar de você. — Ele se inclinou para trás em direção a ela, mas parou. — Diga-me o que você quer, o que precisa.

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Ele a viu afundar seus dentes em seu lábio inferior. — Você. Ele riu e balançou a cabeça. — Não, especificamente. — Ele se inclinou mais perto. — Tipo, você gosta quando eu faço isso? — Ele correu um dedo sobre sua pele rosa e viu seus olhos se fecharem. Ela assentiu com a cabeça, mantendo os olhos fechados. — Digame. Apenas me diga o que fazer. — Toque-me — disse ela, e ele riu novamente. — E? — Ponha a sua boca em mim. — Assim? — Ele se inclinou e colocou a boca nela novamente, beijando os lábios até que a sentiu mover com seus movimentos. — Sim, agora use a sua língua — ela engasgou. Ele fez o que ela pediu e felizmente foi surpreendido quando ela explodiu em sua boca. — Perfeito — disse ele contra sua pele e percebeu que nunca quis dizer alguma coisa mais em sua vida do que isso.

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Capítulo Sete Melissa achava difícil se concentrar. Fazia quase uma semana desde que foi com Reece no piquenique, e não foi capaz de esquecer o que aconteceu desde então. O dia foi preenchido com muito mais do que apenas calor. Eles conversaram e riram juntos durante a sua longa viagem. Após o almoço, fizeram lentamente seu caminho de volta para o celeiro e não chegaram até pouco depois do anoitecer. Ela nunca desfrutou da companhia de um homem mais do que desfrutara naquele dia. A cada segundo que encontrou um momento para ficar sozinha, pensava nele. Na conversa, no que ele fez para ela. No que queria que ele fizesse com ela na próxima vez que estivessem sozinhos. Ela pensou em um milhão de motivos para ligar ou para mandar mensagem para ele. Esperava que ele entrasse em contato com ela primeiro, mas assim que saísse do trabalho, ela iria até sua casa no Saddleback Ranch. Assim que fosse para casa, tomaria banho, e colocaria algo sexy. Talvez até mesmo transparente. Isso o ensinaria a ignorá-la durante seis dias. Quando saiu depois de seu turno, notou que as luzes da rua já estavam acesas, e o céu estava cheio de maravilhosos tons de rosa e laranja. Quando começou a andar, sua mente estava consumida com diferentes cenários. Ela apareceria em sua porta com um casaco e meias de seda preta e calcinha por baixo. Ou usaria uma saia muito curta, uma camisa com decote e com botas de salto alto. Ela sorriu para as imagens que sua mente conjurou. Ela estava tão profundamente em seus pensamentos sobre como seduzi-lo que quase passou direto por ele. Ele estava reclinado no balanço da varanda da frente, com os pés cruzados calçados com botas nos tornozelos enquanto descansava contra os travesseiros macios que comprara apenas dois dias antes. Quando parou em sua porta da frente, chaves preparadas e prontas para destrancar, ele lentamente desembaraçou-se e levantou. Ele começou a caminhar em direção a ela, sem dizer uma palavra e, por um momento, outro cenário surgiu

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em sua cabeça. Um dele empurrando-a para dentro, então, contra a parte de trás da porta, rasgando seu uniforme do seu corpo e tomando-a ali mesmo. Ela sentiu os joelhos fraquejarem com o pensamento. — Oi — ele disse em voz baixa, dando um passo mais perto dela. — Oi. — Ela não conseguia pensar em mais nada a dizer. Então, em vez disso, o atacou. Bem, para ser justa, meio que ambos caíram um sobre o outro. Suas costas foram empurradas contra a porta, a maçaneta da porta cutucando no lado esquerdo da sua bunda. Ela tinha inteligência suficiente para não se atrapalhar com as chaves e abrir a porta. Ambos quase caíram quando girou a maçaneta e a porta se abriu rapidamente. Ele riu um pouco e deu um passo para trás, passando as mãos pelos cabelos. Ela deixou a luz do corredor acesa e pôde ver a camada de poeira que o cobria. Sua camisa e calça jeans estavam cobertas de lama e sujeira. Ela poderia dizer que ele teve um dia longo e difícil e percebeu que ele nunca pareceu tão sexy como agora. — Você parece que teve um dia difícil. — Ela se inclinou contra a porta. Ele assentiu com a cabeça. — Assim como você. — Ele acenou para a mancha de sangue em seu uniforme. — Vem com o trabalho. — Ela assentiu com a cabeça em direção a um pouco de sangue em sua manga. — Parece que você arranhiu-se de novo. Ele levantou o braço e olhou para o desagradável arranhão que ia até seu pulso. — Vem com o trabalho. — Ele sorriu. — Eu provavelmente cheiro como a extremidade final de um cavalo. — Ele deu um passo para trás com o cenho franzido. — Mas eu queria te ver. Ela sorriu. — Eu provavelmente cheiro a vômito de bebê. Estou feliz que você veio. Ele balançou a cabeça e apenas olhou para ela. — Alguma vez eu mencionei quão sexy você parece em seu uniforme? Ela riu. — Mesmo coberta de vômito e sangue? Ele assentiu com a cabeça.

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— Eu acho que você parece sexy todo empoeirado e coberto de lama. — Ela caminhou até ele e pegou o chapéu de suas mãos, em seguida, colocou-o sobre a mesa junto à porta. — Isso pode ser um pouco avançado para mim, mas que tal um banho? Ele sorriu. — Eu gosto de seu pensamento. — Ele andou em direção a ela e ela puxou sua camisa sobre a cabeça e jogou-a no chão. Ela sorriu quando viu seus olhos aquecerem. — Eu estive pensando sobre ficar nua com você o dia todo. — Ela se aproximou e abriu sua camisa, enviando os botões voando em todas as direções. Eles saltaram e espalharam por todo o piso de madeira. Ele sorriu e balançou a cabeça. — Você está em apuros agora. — Ele tomou sua boca e começou a empurrála contra a parede. — Mmmm, não. Banho primeiro. — Ela puxou-o para o corredor, onde o quarto principal guardava um dos melhores segredos da pequena casa. Quando entrou no banheiro que ocupava toda a parede de trás, ele riu. — É maior do que a sala de estar. — O delegado afirma que ele começou a remodelá-lo há alguns anos e fiquei louca. — Ela deu uns passos para trás e sorriu para ele. — Há uma banheira de hidromassagem e o chuveiro tem treze duchas. Ele gemeu. — O banheiro dos meus sonhos. Ela riu. — Isso é o que eu disse quando o vi. Uma das razões pelas quais eu assinei um contrato de seis meses. Ela tirou as calças e viu quando ele começou a desatar o cinto. Quando ele sentou-se na borda da banheira para tirar as botas, ela tirou os tênis e mexeu os dedos dos pés. Era bom, pois estava de pé durante quase nove horas. Em seguida, a boca ficou seca quando ele começou a deslizar seu jeans desgastado de seus quadris estreitos. Seus músculos da coxa eram maiores do que se lembrava. Ele era alto e magro, mas ainda constituído como um boxeador. Cada

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músculo em seu corpo foi construído com perfeição. Ela não podia parar de olhar para ele enquanto estava na frente dela com nada além de um par de boxers. — Bem? — Ele perguntou, rindo um pouco. — Hmmm? — Ela não conseguia tirar os olhos dele. — Missy — disse rindo, — se você continuar olhando para mim desse jeito, isso não durará muito tempo. Ela

piscou

algumas

vezes

e

percebeu

que

estava

quase

babando. Caminhando lentamente em direção a ele, alcançou as costas para abrir seu sutiã, apenas para que ele balançasse a cabeça. — Não, deixe-me. — Ele deu um passo em direção a ela. — Você faz o simples algodão parecer sexy como o inferno. — Então estendeu a mão para ela e ela começou a tremer. Quando seus dedos correram levemente sobre seu sutiã de algodão, ela estava hipnotizada pelo fogo em seus olhos. — Reece — ela sussurrou, não querendo quebrar o feitiço em que a prendeu. — Calma. — Ele usou a mão na parte inferior das costas para trazê-la um passo mais perto dele. Quando sentiu sua pele quente, quase se desfez. Nenhum homem jamais a fez sentir tão viva antes, não por simplesmente tocá-la. Finalmente, se inclinou e deu um beijo suave em seus lábios, fazendo-a derreter ainda mais. Ela colocou os braços ao redor de seus ombros enquanto ele desabotoava o sutiã. Ela viu seus olhos quando ele olhou para ela. Quando chegou em sua cueca, ele ficou parado, e ela podia dizer que ele segurava a respiração em antecipação. Ele era lindo. Os olhos dela percorriam seu corpo nu em maravilha. Então, ele puxou a calcinha de algodão e estavam correndo novamente. Eles deram alguns passos para trás em direção ao grande chuveiro de vidro. — Como você liga essa coisa? — Disse ele depois de um minuto de girar botões. Ela riu e estendeu a mão para virar à direita, certificando-se de colocar a temperatura em algo que não esfriaria o clima. — Aqui. — Ela apertou um botão, ligou todos os chuveiros. — Mmmm. — Ele se inclinou para o jato e passou os braços em volta dela, segurando-a firme. — Nós podemos nunca sair deste banheiro. — Ela esfregou as mãos sobre o peito dele quando ele capturou sua boca novamente. Quando a

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empurrou contra o piso frio das paredes, ela gemeu e tomou tudo o que ele ofereceu. Os dedos dele agarraram seus quadris quando a virou. Ela segurou as paredes de azulejos quando ele passou as mãos sobre suas costas, até que finalmente chegou mais baixo, no lugar onde ela sofria. Fechando os olhos, descansou a cabeça contra a parede e a segurou até que seus dedos curvaram. — Diga-me o que você mais quer — ele sussurrou em seu ouvido. — Digame, você me quer? — disse ele enquanto colocava um preservativo. — Sim — ela balançou a cabeça, cegamente. — Mais. Por favor. Eu preciso de você. Ela ofegou quando ele deslizou dentro dela. Ela sentiu seus músculos internos gritarem de prazer quando ele flexionou dentro dela. Em seguida, ele se movia lentamente atrás dela enquanto ela agarrava as paredes. — Mais rápido — ela gemeu. — Mais. Ele se inclinou para frente e deu um beijo em seu ombro, em seguida, agarrou seus quadris e fez o que ela pediu. — Mais — ela gemia mais e mais, jogando a cabeça de um lado para o outro. Ela nem sabia o que pedia. Tudo que sabia era que precisava de tudo dele. Ele alongou seus golpes, foi mais fundo, e ela ainda o desejava. Então ele se inclinou mais perto, sua pele lisa contra a dela e colocou um dedo em seu clitóris, e ela explodiu em torno dele. — Minha vez. — Ele riu e virou-a. Ele a ajudou a colocar uma perna em cima da longa bancada de azulejo ao longo da parede do chuveiro e abriu as pernas dela amplamente, segurando-a para não escorregar e cair. — Caia em cima de mim, baby. — Seus dedos apertando suas coxas quando deslizou mais uma vez nela. Os ombros dela estavam contra o azulejo enquanto a água massageava seus corpos. Ela abriu os olhos e piscou algumas para tirar a água e focou em seu rosto. Seus olhos verdes brilhavam enquanto observava seu rosto. Ele a aproximava do ápice outra vez e ela achou o fato de conseguir se recuperar tão rápido assim totalmente fascinante. Jogando a cabeça para trás, sucumbiu a seus desejos e convulsionou em torno dele mais uma vez. Seus braços ficaram moles em seus ombros, joelhos e pernas pareciam de borracha, mas ele ainda segurou-a, presa contra as paredes de azulejos, uma perna

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ainda no banco, uma mal tocando o chão, quando ele batia dentro e fora implacavelmente. — Por favor — ela pediu, quando se sentiu gozando. Ele riu, na verdade riu dela, fazendo seus olhos abrirem. — Eu disse que você estava em apuros. — Ele sorriu, então se inclinou e reivindicou sua boca em um beijo que a fez subir mais rápido do que antes. — Vem comigo — ela implorou, sentindo-se escorregar. — Minha — ele rosnou, finalmente, quando ela convulsionou uma terceira vez.

As orelhas de Reece zumbiam. Suas mãos e pés estavam dormentes, e até mesmo seu coração o traiu saltando algumas batidas. — Maldição — ele disse, ainda mantendo os olhos fechados. Missy riu. O som rico vibrou no azulejo do chuveiro. A água morna ainda o atingiu no meio das costas, ambas suas coxas, e vários outros pontos eram bons demais para que ele desejasse se mover por enquanto. — Eu realmente tenho que instalar um desses na minha nova casa. Ela se afastou rapidamente, quase o fazendo deslizar sobre o ladrilho molhado. — Sua nova... Você conseguiu a propriedade do Jones? — Ele balançou a cabeça e um sorriso atravessou seu rosto. — Bem, isso merece uma comemoração. — Eu pensei que era isso que estávamos fazendo. — Ele sorriu. Ela o empurrou de brincadeira no ombro. — Aqui, precisamos de um pouco de sabão. — Ela pegou um pouco de líquido cremoso de uma garrafa bastante grande e começou a esfregar seu cabelo molhado. O cheiro do seu sabonete era inebriante. Ele assumiu para ela e começou a esfregar a espuma em seu longo cabelo cor de mel. Ela se afastou dele e inclinou a cabeça para trás, apreciando seu toque. Ele correu os olhos sobre ela e não podia deixar de sorrir. Ela era tão diferente de qualquer outra mulher com quem

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esteve. Ele nunca tomou banho com alguém antes, nunca esteve em um piquenique, ou até mesmo passou a noite inteira com outra pessoa. Ele nunca pensou em fazer essas coisas antes. Até agora. Quando ela se virou e começou a esfregar o sabonete sobre ele, seus pensamentos voltaram para ela agora. Quando saíram do chuveiro e se secaram, ele se perguntou como ia convencê-la a deixá-lo passar a noite. Ela vestiu um par de calças de algodão cinza apertadas e uma camisa vermelha da Universidade do Texas, fazendo-o lembrarse com quem estava e as linhas que os separavam. Ela era uma mulher culta que passou anos se tornando uma enfermeira. Ele mal se formou no colegial e foi montar nos rodeios. Os planos que sonhava em sua cabeça chegaram a um fim abrupto. — Você já jantou? — Ela perguntou depois que ele vestiu a camisa e jeans. Ele olhou e balançou a cabeça negativamente. — Eu estive arrumando o curral para que pudesse começar a domar amanhã. — Assim, tão cedo? — Ela franziu a testa um pouco. Ele sorriu. — Eu obtive autorização de meu médico. Mesmo a enfermeira não concordando com ele. Ela fez um pouco de beicinho e cruzou os braços sobre o peito. — Eu ainda acho que você poderia ter mais uma semana. — Ele deu de ombros e estendeu a mão para suas botas. — O que acha de um pouco de comida? — Ela se aproximou e as tirou das mãos dele antes que pudesse colocar suas botas novamente. — Claro, eu acho que poderia comer — disse ele, casualmente tentando esconder o fato de que seu estômago esteve rosnando antes de seu banho. — Ótimo. Tenho uma receita nova que eu estava morrendo para experimentar. — Você é uma boa cozinheira? — Ele perguntou, seguindo-a até a pequena cozinha. — Eu não vou queimar, se é com isso que está preocupado. — Ela sorriu para ele, olhando por cima do ombro. Ela tomou duas garrafas de cerveja gelada

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na geladeira e abriu uma e entregou a ele. — Sente-se. Beba. Assista. — Ela assentiu com a cabeça em direção a um banquinho de bar. — Eu poderia ajudar. — Ele tomou um grande gole da garrafa e sorriu. — Não, eu tenho isso. Sente-se. — Ela sorriu enquanto colocava um avental da estrela do Texas e começou a trabalhar. Ela se movimentou pela pequena cozinha com movimentos rápidos e fluidos. Ela foi tão eficiente como um chef quanto era como uma enfermeira. Nenhum

movimento

foi

desperdiçado.

Logo

o

pequeno

lugar

cheirava

maravilhosamente, e sentiu seu estômago começar a rosnar ainda mais. — Eu posso pôr a mesa — disse ele, pegando os pratos e talheres dela. — Ok, faça isso. — Ela inclinou e deu um beijo em sua bochecha. Quando finalmente se sentaram à mesa para uma grande refeição de frango ao alho, arroz temperado, legumes mistos e uma panela de pão de milho, ele percebeu que era a primeira vez que uma mulher cozinhou uma refeição para ele. Estava surpreendentemente feliz ao descobrir que a comida era tão boa quanto o que comia no Mama. Durante o jantar, conversaram sobre seus planos para sua nova casa. Quando ambos os pratos estavam vazios, ela tomou sua mão e sussurrou. — Passe a noite. E, pela primeira vez em sua vida, ele sabia exatamente o que queria.

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Capítulo Oito Reece estava coberto de suor. Naquela noite, ele recebera o pior surra que seu pai já dera. O sangue escorria de seu nariz e lábios, e evitou olhar para si mesmo no espelho, por medo de desmaiar. Ele não tinha ideia do que fizera para irritar o seu pai. Além de existir. Ryan normalmente evitava o pior da ira de seu pai, mas, desta vez, o seu irmão interveio e tomou uma surra pior do que ele. Eles falaram sobre se unirem contra o velho uma vez, mas o medo substituiu os seus planos. Seu pai apenas levantaria o cinto para eles na próxima vez, se eles se erguessem para si mesmo, mesmo que tivessem dezesseis anos. Agora, todo o seu corpo estremeceu quando ouviu o pai voltar para casa. Após a surra, ele pulou em sua caminhonete velha e foi para a cidade, sem dúvida indo para o Bar do Ray para beber e afastar a sua culpa. Ambos os meninos sabiam que isso não significava que o espancamento acabou e temia por seu regresso definitivo naquela noite. Quando a porta da caminhonete se fechou, os dois rapazes pularam em suas camas. — Você acha que ele vai entrar? — Ele perguntou a Ryan. — Eu não sei. Shhh — disse ele, enquanto ouviam seu pai lutar para abrir a porta da frente. Reece deitou respirando com dificuldade e ouvindo seu pai tropeçar em casa. Quando a porta do quarto se abriu, foi mortalmente tranquilo. Ele sentiu seu coração pular quando seu pai sentou na cama de Ryan. Ele esperou, com os olhos bem fechados para o som de seu pai gritando ou o crack de sua mão na carne de Ryan, mas em vez disso ele ouviu seu pai começar a chorar. Ele espiou com o seu olho aberto e viu o pai levantar Ryan de sua cama e abraçá-lo.

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— Eu sinto muito, menino — ele gritou uma e outra vez. Mesmo assim, Reece não deu a chance de se mover. Ele sabia que o vínculo entre seu irmão e seu pai era diferente do que ele e seu pai compartilhavam. Enquanto seu pai podia pedir desculpas a Ryan, ele não tinha nenhuma dúvida de que ele se viraria e daria um tapa nele. Então, deitou ali em sua cama e ouviu seu pai pedir desculpas a seu irmão pela surra que ambos receberam, e quando a porta de quarto fechou, chorou em silêncio até dormir. — Reece? — Alguém o sacudia. — Você está bem? — Ele estendeu a mão e aceitou o conforto que foi dado a ele, envolvendo os braços em volta de Missy e puxando-a para perto. — Está tudo bem — ela não parava de dizer em seu ouvido. — Estou aqui. Ele deve ter voltado a dormir, abraçando-a. Quando acordou novamente, seu cabelo o sufocava. Ele afastou-o de lado e olhou para ela. Ela era bonita na luz do amanhecer. Seu cabelo estava embaraçado e uma bagunça, mas ainda com um cheiro maravilhoso de seu banho. Quando passou a mão sobre ele, era suave como a seda. Ele a sentiu agitar em seus braços e sorriu quando seus olhos azuis se abriram. — Bom dia — disse ela, inclinando-se para cima e colocando um beijo em seus lábios. Seu sangue aquecido começou a ferver. — Sim, é. — Ele inverteu suas posições até que olhava para ela. Agora seu cabelo se espalhava sobre o travesseiro branco; seu sorriso cresceu e os olhos dela brilharam. Ele se inclinou e tomou sua boca de novo e se perguntou se algum dia se cansaria da sensação e o gosto dela. Quando deslizou dentro dela, ela gemeu e envolveu suas pernas em volta dele, puxando-o para mais perto. Fizeram amor lentamente à medida que o sol aquecia o quarto e depois desfrutaram em dar banho um no outro mais uma vez no chuveiro grande. Ela pegou um par limpo de uniforme, prendeu os cabelos e parecia tão fresca quanto poderia estar quando brindou-o com um pouco de pão e conversou sobre seus planos para o dia. Sentou-se ali em seu jeans empoeirados e camisa, pensando no seu primeiro cavalo que chegaria em menos de uma hora. Ele não podia explicar a emoção que corria em suas veias.

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— Você não ouviu uma palavra do que eu disse, não é? — Ela sorriu por cima da mesa para ele. — Hmm? — Ele olhou para ela, sua mente voltando à atenção. — Eu sinto muito. — Ele balançou a cabeça. Ela riu. — Está tudo bem. Tenho certeza de que você está totalmente excitado hoje. — Ela balançou a cabeça. — É preciso um homem forte para ser um cowboy, mas domadores é uma raça diferente. — Ela estendeu a mão e pegou a mão dele. — Só não me deixe pegar você visitando a clínica novamente. Ela apertou os olhos até que ele finalmente respondeu com um: — Sim, senhora. Quando saíram na varanda da frente, ele estava feliz por notar que não havia uma alma ao redor. Com sorte, poderia levá-la para a clínica e voltar para sua caminhonete, a qual estacionou a meia quadra da casa dela ontem à noite, sem que ninguém os visse juntos. Ele realmente se importava com o que as pessoas pensavam dela. Ele não queria a cidade inteira falando sobre eles. Eles estavam a meio quarteirão da clínica quando avistou a caminhonete do xerife na esquina perto da lanchonete. Ele gemeu por dentro e segurou a mão de Missy mais apertada. — O quê? — Ela parou de falar sobre cavalos e olhou para ele. Quando ele acenou para o xerife, que agora reduzia e abria sua janela para falar com eles, ela sorriu. — Você realmente acha que permaneceria um segredo? — Eu tinha a esperança — disse ele exatamente antes do xerife chamar. — Bom dia, vocês dois. — Ele parou a caminhonete à direita na frente deles. — Adorável manhã para uma caminhada. — O velho não perdeu uma batida. Reece viu notar suas roupas do dia anterior e sabia, sem dúvida, que Stephen Miller não era tolo. — Bom dia, Xerife. Dizem que deveremos ter uma tempestade de primavera nos próximos dias. Temos que apreciar o céu azul, enquanto podemos — disse Missy. Seu sorriso era extra brilhante esta manhã. — Eu ouvi falar que você estava de volta à cidade, Reece. Também ouvi dizer que fez uma proposta para a propriedade do Jones. — Sim, senhor. Eu fecharei o negócio no final da próxima semana.

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— Tão rápido? — O xerife empurrou seu Stetson mais para trás em sua cabeça. — Ufa. Eles com certeza fazem as coisas rápido hoje em dia. Ele assentiu com a cabeça. — O lugar permaneceu vazio por mais de um ano. — Tanto tempo? — Ele sorriu. — Mal posso acreditar como o tempo voa. Foi apenas ontem que eu pegava Melissa aqui fora da estrada após raspar os joelhos correndo rápido demais. Reece viu o olhar que o xerife deu a ele e entendeu com bastante clareza o significado. Ele pisava em gelo fino e o bom xerife queria deixar claro que tomava conta dela. Ele balançou a cabeça, uma vez que não foram necessárias outras palavras. — Bem, deixarei você dois filhos voltarem ao seu caminho. Melissa, informe seus pais que Jamella e eu adoraríamos ir jantar com eles neste fim de semana. — Farei. — Melissa sorriu e acenou quando o xerife foi embora. — Ufa. Eu acho que você se livrou fácil. — Ela se virou e colocou os braços em volta do pescoço dele. Ele riu. — Considerando que o homem carrega mais munição do que a maioria dos Texanos, eu acho que você poderia dizer isso. — Então... — ela olhou para ele através de seus cílios. — O que você diz de jantar nesta sexta-feira? Ele sorriu e puxou-a para perto. — Na sua casa ou na minha? — Eu pensava na casa dos meus pais. Ele endureceu e franziu a testa. — Nos seus pais? — Claro, é uma oferta permanente toda sexta à noite. Acho que Grant e Alex irão com o bebê neste fim de semana. — Bem, eu não... — Não fique arisco comigo agora. Se você pode encarar um pobre bronc, então pode jantar com a minha família. — E o xerife — acrescentou. Ela riu.

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— Sim, e o xerife. E não se esqueça de Jamella. Ele estremeceu. — Eu não sei quem é pior... — ele pegou a mão dela e começou a caminhar em direção à porta da frente da clínica. — seu pai, seu irmão, o xerife ou Jamella. — Ele se virou para ela e deu um beijo em seu nariz. Ele sorriu quando ela riu.

Melissa estava sobrecarregada. Ela sabia que precisava pedir apoio, mas não se atreveu a desperdiçar o tempo. Fazia dois dias desde que Reece ficou em sua casa e passaram o que começava a pensar como a melhor noite de sua existência. Agora ela estava de quatro e desejando ter um homem perto de forma mais permanente. Ela atirou as luvas no chão e olhou para a traição que era seu novo jardim. Quando

se

mudou,

a

grama

estava

verde

e

todas

as

flores

florescendo. Agora, no entanto, a grama rapidamente ficava marrom e a maioria dos arbustos de flores estava negro e encolhido. Como era possível que ela poderia manter um ser humano vivo, sem problemas, mas bastava olhar em qualquer coisa verde que murchava e morria? Ela inclinou-se para trás e desejou jogar a pequena pá que comprou na loja de ferragem local em todo o quintal. — Ugh! — Ela gritou. — Eu posso fazer isso. — Ela levantou e tirou o pó de seu short. — Problemas? Ela virou para ver Holly em pé no portão de trás, com os braços cruzados sobre o peito. Ela usava um par de brilhantes calções rosa de corrida e uma regata preta com listras. Até mesmo seus tênis de corrida combinavam com a roupa. Seu longo cabelo vermelho foi amarrado em um rabo de cavalo. — Não. — Ela se virou e olhou para seu quintal. — Sim. — Ela jogou a pá no chão marrom. — Eu não consigo ter qualquer coisa crescendo. Holly riu. — Eu sei que pode ser óbvio, mas você já tentou molhar? — Perguntou Holly, abrindo a porta e entrando no terror que era o quintal de Melissa.

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— É claro que eu reguei. Os sprinklers estão programados para sair todas as noites. — Ela apontou para a pequena caixa na parte de trás da casa. — Vamos dar uma olhada. — Holly se aproximou e abriu a caixa e, em seguida, virou para ela e riu. — Estes estão programados para sair uma vez por semana. — Ela virou a maçaneta e saiu resmungando. — Foi programado para o modo de inverno. Neste calor da primavera precisam sair, pelo menos, a cada dois dias e, pelo que parece — ela olhou de volta para o jardim marrom — todas as noites pode ser ainda melhor. — Ela apertou alguns botões e os sprinklers começaram jogar água sobre o quintal morto. — Eu não sei como fazer isso. — Ela estava ao lado de sua amiga e franziu a testa. — Você sabe alguma coisa sobre tudo. Holly se virou para ela e riu. — Resultado de estar presa dentro de uma livraria oito horas por dia, cinco dias por semana. Melissa deu de ombros. — Mesmo assim. Elas mudaram de lado e ficaram no grande deck do fundo quando os sprinklers se puseram funcionar. — Eu só passei correndo e a ouvi gritar. — Sua amiga estava sentada em uma das cadeiras. — Quer um pouco de chá? — Melissa abriu a porta de correr dos fundos. — Eu adoraria. Estou tentando manter minha resolução de Ano Novo e correr todas as semanas. Melissa pegou o chá da geladeira e dois copos. — Como vai? Holly revirou os olhos. — Seria melhor se não estivesse ficando tão quente. — Sua amiga tomou um grande gole de chá. — E se eu não tivesse mimos na minha loja todos os dias. — Ela se inclinou para frente e sussurrou, — Tem alguma guloseima? Melissa riu. — Eu faria um lanche após arrumar minhas flores. — Ela olhou para o quintal, que ainda era encharcado pelos sprinklers. — Mas, uma vez que você ajudou, acho que devo a você mais do que o almoço.

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Holly se inclinou para trás. — Mais é bom. — Ela tomou um gole de chá. — Eu quero fazer um pouco de bolo de cenoura. Peguei uma nova receita online. — Ela levantou, e Holly a seguiu até a casa. — Este é um lugar tão bonito — disse a amiga, sentada na pequena área de bar. — Há um grande problema com quem vive no mesmo prédio onde trabalha. — Sua amiga franziu a testa. — Você nunca pode ir embora. — Você pode sempre encontrar outro apartamento — disse ela, pegando sua receita e recolhendo os itens que precisava. — Sabe... — Holly apoiou os cotovelos sobre a bancada e a observava. — Eu estive pensando em mudar tudo. Melissa quase deixou cair os ovos quando se virou e olhou para a amiga. — Você quer dizer, sair da cidade? — Oh, Deus, não. — Holly sentou. — Eu não sou louca. Eu amo Fairplay. É onde quero me casar, constituir família e envelhecer. — Ela sorriu. — Estou falando de encontrar outro edifício no centro que pudesse abrigar o que tenho em mente. Algo que eu possa expandir para um pequeno café. Mama é um grande restaurante, mas acho que Fairplay poderia ter um tipo mais sofisticado de coisa. Um lugar não só para adquirir os livros, mas um lugar em que poderiam vir, sentar-se, ler esses livros e desfrutar. Sabe, um lugar para ficar longe por um tempo. Talvez até ter vinho à tarde. Melissa pensou sobre isso. — Cafeteria e bar de vinhos da Holly? — Claro, gosto do som disso. Mas, permanecerá uma livraria no coração. — Holly Bookstore, Coffeehouse e Wine Bar. — Ela sorriu quando Holly riu. — Tem certeza que você não está tendo coisas demais? Holly riu. — O que mais existe na minha vida, agora? Não é como se eu tivesse um alto, bonito vaqueiro derrubando minha porta. Como você. — Ela acrescentou depois de um momento de silêncio. Melissa se virou e sorriu para ela. — Ele é bonito. Sua amiga inclinou para frente novamente.

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— Então, derrame. Quero saber todos os detalhes. Não deixe nada de fora. Quando Melissa apenas olhou para ela, Holly deu de ombros. — O quê? Se os papéis fossem invertidos, você estaria batendo na minha porta, querendo saber tudo. Além disso, já faz quase um ano em que fui a um encontro. — Um ano? — Melissa ficou chocada. Holly deu de ombros novamente. — É difícil encontrar um bom homem em uma cidade de três mil habitantes. Ela se virou para a amiga. — Talvez possamos fazer algo sobre isso.

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Capítulo Nove Reece estava no canto e tentando agir como se encaixasse. Inferno, aparentemente, ele se encaixava. Todo homem no local foi cortado do mesmo molde. Todos tinham nítidas Levi’s, botas que brilhavam e camisas de algodão de botão que foram engomadas ou passadas. Para coroar a aparência, todos os homens do pequeno lugar usavam um chapéu de cowboy na cabeça. A diferença era que todos se divertiam, enquanto Reece estava na parte de trás e tentava ser invisível. Ele odiava bares, sempre odiou. Talvez tivesse algo a ver com o fato de que nada de bom saiu das visitas de seu pai. Talvez fosse o fato de que os evitava quando no circuito. Seja qual for o motivo, se perguntou por que permitiu que Haley e Alex o convencessem a vir naquela noite. As noites de quinta-feira eram noites de karaokê no Rusty Rail e ambas prometeram que ele se divertiria. Elas fortemente o convenceram a ir e apoiá-las enquanto cada uma subia ao palco e cantava. Alex e Haley dançavam na pista com seus maridos. Todos conversaram na pequena mesa redonda no fundo até que uma música lenta começou a flutuar através dos alto-falantes. Em seguida, desapareceram, deixando-o sozinho no canto escuro. Ele não se importava, na verdade; desejava que tivesse pensado em chamar Melissa e convidá-la para vir junto, mas foi tão no último minuto, que não teve tempo. Ele tomava mais um gole de cerveja, quando viu as duas meninas de pé na porta da frente. Parecia que eram inseparáveis. Seus braços estavam ligados e riam enquanto examinavam o ambiente. Quando os olhos de Missy encontraram com o dele, seu sorriso iluminou ainda mais. Ela assentiu com a cabeça e disse algo a Holly que olhou imediatamente em direção ao seu canto com um grande sorriso no rosto.

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Elas começaram a andar em sua direção, e sua noite de imediato ficou ainda melhor. — Bom encontrar você aqui — disse Holly, caminhando e sentando-se em um dos bancos de bar. Ela olhou para a amiga e acenou com a cabeça. — Corri até a Melissa, e decidimos sair à noite. Ele balançou a cabeça e puxou Missy mais perto dele. — Eu estou aqui com elas. — Ele acenou para suas primas que agora dançavam mais rápido no chão de madeira velha, com seus maridos. — Eles ficam bem juntos — disse Holly. Ele pensou ter ouvido uma pitada de ciúme em sua voz, mas não a conhecia bem o suficiente para contar. — Você está bem — disse Missy. Ele sorriu. — Assim como você. — Ele se inclinou e beijou os lábios vermelhos que olhava desde que ela entrou pela porta. Ela usava um vestido de verão de algodão florido coberto com pequenas rosas vermelhas. Suas botas vermelhas combinavam com seus lábios e a pequena bolsa vermelha que colocou no ombro. Ele não conseguia parar de tocá-la. — Eu vou buscar um caneca — disse Holly, recuando rapidamente em direção ao bar. — Estou feliz que você veio — disse ele, passando as mãos para cima e para baixo de suas costas. — Eu também. Holly passou e começamos a conversar, e então decidimos vir aqui e tentar encontrar um homem para ela. Ele riu. — Ela? Não você? — Ele sorriu. Ela balançou a cabeça. — Eu já tenho um bom homem. Ele assentiu com a cabeça. — Será que você gostaria de dançar com o seu homem? — Ele acenou com a cabeça para onde suas primas e uma meia-dúzia de casais balançavam ao redor da pista de dança. — Eu adoraria. — Ela pegou a mão dele e seguiu-o para a pista.

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Quando começaram a mover-se lentamente ao redor, usando os movimentos que a maioria dos texanos aprende desde o nascimento, ele sorriu para ela. — Sabe, normalmente eu não seria pego em um bar. Suas sobrancelhas se ergueram. — Ah, é? Balançando a cabeça, ele continuou. — Eu não os suporto. Lotado, alto, fumaça. — Fairplay proibiu o fumo há três anos. — Ela assentiu com a cabeça em direção ao ambiente escuro. Ele poderia dizer. Quando entrou, foi a primeira coisa que notou. — Eu gosto disso. Meu pai fumava. Nunca pude suportar o cheiro. — Oh, eu não sei. Meu pai e meu tio fumam charutos em ocasiões especiais. Estou bem com o cheiro desses. — Seus braços se sentiam bem em volta dele. Puxando-a para mais perto, sentiu seu coração pular uma batida ao lado do dele. — Então, me diga o que sua amiga procura em um homem — ele perguntou, brincando. — Por quê? — Ela riu. — Conhece alguém em particular? Ele pensou sobre isso. — Local? — Quando ela acenou com a cabeça, pensou mais. — Não consigo pensar em ninguém. — Esse é o problema por aqui. Os homens bons são difíceis de encontrar. — Ah, é? — Disse ele, girando-os para um canto escuro. — É por isso que estava tão ansiosa para sair comigo? Ela riu. — Bom ponto. Eu era uma tola. Apenas olhar para o sorriso dela o fez sorrir. Ele roubou esse momento e se inclinou para dar um beijo em seus lábios. — Ainda estamos combinados para amanhã à noite? — Perguntou quando ele se afastou e começaram a voltar para a mesa. Ele não sabia por que tentava evitar jantar com seus pais. Ele se encontrou com eles no casamento de Alex e pareciam muito agradáveis. Inferno, provavelmente os encontrara na cidade várias

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vezes desde que chegou à cidade. Não era como se fossem pessoas más. Na verdade, essa é uma das razões pelas quais ele queria estabelecer-se em Fairplay, em primeiro lugar. Não havia uma pessoa na cidade que poderia pensar que não gostava. — Sim. Vou buscá-la as sete? Ela assentiu com a cabeça e sorriu para o grupo sentado ao redor da mesa. — Olha quem eu encontrei. — Ele puxou Missy mais perto de seu lado, mostrando a todos seu interesse por ela. — É bom que vocês vieram. Estávamos ficando cansados de tentar convencer Reece a fingir que estava se divertindo. — Alex disse quando deu um soco de brincadeira no braço de seu primo. — Bem, espero que vocês não se importem, mas terei que roubar um de seus homens em breve. Estou usando minhas botas de dança e estou desesperada — disse Holly, balançando ao som da música que tocava. — Tome o meu — disse Haley. — Desde que tive os gêmeos, preciso sentar a cada outra canção. Wes se inclinou e beijou o rosto de sua esposa, em seguida, estendeu o braço para Holly. — Eu sou todo seu, por agora. — Ele não admitirá isso, mas ele gosta de dançar. — disse Haley assistindo Wes e Holly dançar na pista. — Olha quem voltou à cidade — disse Alex, balançando a cabeça em direção ao bar. — Ouvi dizer que ela estava em Houston conseguindo outra plástica no seio. Reece quase engasgou com o gole de cerveja que acabara de tomar. — Desculpe — Alex se encolheu. Ele balançou a cabeça para que ela soubesse que estava tudo bem. Ele nunca teve irmãs ao redor, mas sabia quão abertas suas primas eram. Quando finalmente olhou em direção ao bar, ficou surpreso ao ver Savannah em pé no bar, olhando para o grupo. Quando percebeu o olhar para ela, sorriu e empinou o peito um pouco mais.

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Lembrou-se do encontro deles no Grocery Stop na semana que chegou à cidade. Seus olhos caíram para a sua cerveja e tentou não olhar na direção dela novamente, quando o grupo continuou a falar sobre ela. — Ouvi dizer que era uma plástica no nariz agora — Haley sussurrou. — Não, ela fez uma quando completou dezoito anos. — Alex dispensou a irmã. — Mas há algo diferente nela. — Talvez estivesse visitando Travis. Onde quer que ele esteja — Haley sugeriu. — Bem, qualquer que seja a razão de seu quase desaparecimento de um mês, ela está de volta na cidade e nosso problema agora. — Ela é realmente tão ruim assim? — Ele perguntou, tomando um gole de sua cerveja. — Pior — disse Alex, olhando em direção ao bar. — Eu acho que de alguma forma tenho de agradecer a ela pelo meu casamento, apesar de tudo. — Sua prima piscou algumas vezes e seus olhos se suavizaram quando olhou para o marido. Naquele momento, Reece percebeu que seu maior desejo era que alguém olhasse para ele apenas exatamente assim. Pelo menos uma vez em sua vida.

— Você pode acreditar na nossa sorte? — Disse Holly, encostada na pia de porcelana. Melissa foi reaplicar o batom vermelho, ela estava muito feliz que Holly a convencera a usá-lo naquela noite. — O que você quer dizer? — Quero dizer, é maravilhoso Reece estar aqui. — Ela cutucou. — Por sinal, Haley e Wes concordaram em me levar para casa esta noite. — Holly piscou para ela, e não pôde deixar de sorrir. — Você é uma idiota. — Sim, infelizmente, eu sou uma idiota que voltará para um apartamento vazio. — Ela fingiu uma careta e deu seus olhos tristes, piscando algumas vezes. — Há uma abundância de homens bonitos lá fora. — Ela assentiu com a cabeça em direção à porta do banheiro. Holly riu. — Certo.

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— Que tal... — Melissa tentou pensar em alguns caras que estudaram com ela e ainda eram solteiros. — Ha! Não consegue pensar em nenhum, não é? — Sua amiga apontou para ela. — Joey. — Joey? Joey Briggs? — Holly estendeu os braços e fez seu rosto gordinho. — Ok, então ele ganhou alguns quilos desde a escola. — Há, ele não é nenhum quarterback mais, isso é certo. — Sua amiga balançou na pia e Melissa estendeu a mão para firmá-la. — Talvez devesse pedir a Haley e Wes que a levem para casa em breve. Sua amiga acenou de lado. — Eu não estou bêbada ainda. Melissa riu e ajudou-a na pia, quando Savannah entrou. — Bem, bem. Olha quem teve sorte. Se o vestido de Savannah fosse qualquer coisa mais apertado, Melissa tinha certeza que teria quebrado várias leis da física. Seus seios pareciam maiores e ela se perguntou se o que Alex disse era verdade. — Olá, Savannah. — Melissa se virou para a outra mulher, ainda firmando Holly. Agora, sua amiga inclinava um pouco mais sobre o seu ombro. — Uau, quão grande eles podem fazer? — Perguntou Holly, ganhando um beliscão no braço de Melissa. Savannah deu a Holly um olhar que dizia tudo. Era óbvio que Holly nem sequer merecia uma resposta dela. — Bem, Melissa, é muita sorte para você que eu precisei ir a uma reunião muito importante para os negócios do meu pai, em Nova York. Savannah cruzou os braços sobre o peito e continuou a bloquear a única saída do pequeno banheiro. — Oh? Por quê? — Perguntou ela, mordendo a isca. Ela era mais esperta, mas por algum motivo, morria de vontade de saber o que Savannah estava fazendo. — Bem, antes de precisar viajar, Reece e eu começamos algo que teria, sem dúvida, acabado sendo muito mais do que o que você tem. — Ela sorriu e olhou para suas unhas bem cuidadas. — Mas tenho certeza que não demorará muito antes dele cansar de você. — Ela suspirou e olhou para ela, com os olhos passando

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sobre seu vestido de algodão simples. Em seguida, ela riu. — Eu, com certeza, o submeterei a um exame de sangue, primeiro. Aconteceu tão rápido, que Melissa não teve tempo para responder. Holly saiu de seu aperto e antes que Melissa soubesse o que acontecia, havia sangue espalhado sobre as três. Quando acabou, Holly estava em pé sobre a machucada e muito maior Savannah. Savannah caiu de joelhos e segurava um nariz muito quebrado em ambas as mãos, gritando com toda a força de seus pulmões. — Nunca mais fale assim sobre alguém que eu amo. — Holly balançou os punhos. — Todo mundo na cidade sabe que a única possuindo quaisquer DST nesta cidade é você. Além disso, você não conseguiria nada com um bom homem como Reece. Mesmo se o amarrasse e prendesse. Todo mundo sabe que você só se importa em roubar homens dos outros. Quando Holly finalmente recuou e Melissa podia ver o real dano que os pequenos punhos da amiga fizeram, seus instintos de enfermagem apareceram. Ela pode ser pequena, medindo apenas 1,60m, mas Holly Bridles podia bater como um boxeador profissional. Dizia-se que seu pai foi um profissional quando estava na Marinha. Melissa teria rido, com exceção da quantidade de sangue que escorria do rosto de Savannah. Em seguida, a porta do banheiro se abriu e Carl, um dos seguranças do Rusty Rail, correu exigindo saber o que aconteceu. Nesse momento, Melissa já tinha uma toalha limpa cobrindo o nariz de Savannah enquanto a mulher continuava a gritar. Holly ficou de costas contra a parede, olhando para a cena com uma careta no rosto. Os amigos de Savannah correram para o banheiro e recolheu-a, para que pudessem levá-la para a clínica, enquanto Carl agarrava Holly e ela pelos braços e as levaram ao escritório do gerente. Reece e o irmão de Melissa estavam logo atrás deles, seguidos por todos os outros de sua mesa. — O que está acontecendo aqui? — Reece exigiu. — Estou mantendo as duas aqui até que o xerife chegue — disse Carl, fazendo sinal para que se sentassem no sofá no escritório do gerente. — Isso não responde a pergunta. — O irmão dela cruzou os braços sobre o peito.

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— Uma destas duas quebrou o nariz de Savannah no banheiro das senhoras. Estou muito ocupado agora, então deixarei que o xerife consiga mais detalhes delas — disse ele, pegando o telefone e discando. Reece olhou para ela, e viu seu rosto pálido. Então notou que todo mundo olhava para ela também. Olhando para baixo, percebeu por que pensariam que ela tivesse dado um soco em Savannah. Seu vestido estava completamente coberto de sangue de Savannah. Ela olhou para cima e balançou a cabeça e, em seguida, olhou para Holly, que tinha os braços cruzados sobre o peito e um olhar determinado em seu rosto. — Vai, menina! — Alex entrou na conversa, apenas para ser empurrada por Haley e Wes. — Reece? — Ela começou a se preocupar que ele poderia desmaiar, mas ele evitava olhar para a saia e sentou na borda da mesa. Ela ficou onde estava e tentou encobrir o máximo de sangue que podia com os braços. Menos de meia hora depois, todos lotavam o pequeno escritório do xerife a poucos quarteirões de distância. — Por que parece que o problema parece seguir vocês Wests? — Ele perguntou, sentado atrás de sua mesa. Quando todos começaram a falar ao mesmo tempo, ele ergueu a mão e atendeu ao telefone que tocava. — Oi — disse ele. — Sim, eu ouvi. Você tem certeza? — Ele olhou para Holly e franziu a testa. — Certo. Ok. Quando desligou, Grant entrou na frente de Holly. — Como advogado da senhorita Bridles, eu gostaria de saber as acusações. O xerife riu. — Não haverá nenhuma. — O quê? — Todo mundo olhou para Holly, que se levantou, com as mãos nos quadris. — Era John T. Douglas, pai de Savannah. Parece que Savannah escorregou em um piso quebrado no banheiro das mulheres no Rusty Rail e caiu de rosto nas pias. Há anos que eu digo a eles para corrigir esses pisos. — O xerife balançou a cabeça. — Isso é uma mentira. — Holly deu um passo adiante, apenas para ser agarrada e abafada por Grant. — Mas é errado. Eles processarão o Rusty Rail.

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— Não importa. Vou representar o bar — disse Grant, tentando segurar a mulher de cinquenta quilos de volta. — Grant… — Holly começou. — Wes, Haley? Será que vocês dois se certificam de levar Holly para casa, está bem? — Grant acenou para eles. — Eu terei certeza que ela esteja bem. — Melissa se adiantou. — Afinal de contas, fomos juntas hoje à noite. Melissa se reuniu com sua amiga e estava grata quando Reece seguiu-as para fora. — Eu vou dirigir — disse ele, tomando o outro braço de Holly. Mesmo assim, Holly tentava voltar para o xerife para explicar. Ela continuou dizendo: — Isso não é certo. Quando todos entraram na caminhonete de Reece, Holly finalmente se acalmou, e dirigiram à livraria em silêncio. — Você acha que eles ganharão? — Ela perguntou quando estacionou na frente da pequena loja. — Os Douglas? — Tenho certeza que o bar tem seguro suficiente para se proteger contra situações como esta — disse Reece. — Eu apenas morreria se eles tiverem que fechar por minha causa — disse Holly, fungando um pouco. — Holly. — Melissa esperou até sua amiga olhar para ela. — Meu irmão e pai são malditamente bons advogados. Nenhum deles deixará qualquer Douglas ter em suas mãos outra parte desta cidade, muito menos fechar um importante estabelecimento que oferece ao povo de Fairplay o único entretenimento que temos. Holly olhou para ela e assentiu. — Você está certa. Desculpe-me, arruinei a noite de todos. Melissa riu. — Você está brincando? Essa foi a maior diversão que eu tive desde... bem, para sempre. — Ela estendeu a mão e abraçou a amiga. — Lembre-me de lhe trazer junto da próxima vez que tentar vacinar uma criança de cinco anos de idade. Holly riu e Melissa pulou da caminhonete de Reece, então Holly poderia sair do assento do meio. Ela abraçou a amiga novamente. — Obrigada por me defender.

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— Não deixe Savannah chegar até você. Você tem um bom homem lá. — Ela assentiu com a cabeça em direção a caminhonete onde Reece estava sentado atrás do volante, esperando. — Tenha um tempo maravilhoso e passe este fim de semana para me contar tudo. — Sua amiga estendeu a mão e beijou sua bochecha. Melissa estava na calçada e a viu correr até os degraus exteriores para o apartamento que ficava sobre a livraria. — Isso é uma mulher — disse Reece quando ela voltou a caminhonete. — Diga-me sobre isso. Eu nunca vi um homem dar um soco tão forte, muito menos uma princesa fada de um metro e meio. Reece riu. — Essa descrição combina com ela. Ela sorriu. — Eu terei certeza de nunca irritá-la. — Os dois riram.

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Capítulo Dez Não foi até que ele parou em frente da casa de Missy que sentiu os nervos chutarem novamente. Ele sabia o que queria, mas não tinha certeza se ela o convidaria novamente. Ele olhou para ela e viu que seu lindo vestido estava arruinado, coberto de sangue seco. Agora que era um vermelho mais escuro, não sentiu a onda de tontura vindo sobre ele como sentiu no escritório do xerife. Ela provavelmente quer um banho e a cama dela, pensou. Ela virou em seu lugar e olhou para ele. — Bem, você vai entrar ou tenho que prometer um pedaço de bolo de cenoura e café? — Ela sorriu. Ele riu. — Eu apenas tentava descobrir uma maneira de passar pela porta. Mas o bolo de cenoura parece bom. — Ele estendeu a mão e puxou-a do banco da frente de sua caminhonete. Então, a beijava e todos os seus nervos se foram. — Eu posso precisar de outro banho — disse ela, se afastando e olhando para seu vestido. — Para não mencionar um vestido novo. — É triste. Eu realmente gostei deste. — Ele saiu e puxou-a para fora pelo seu lado da caminhonete, ajudando-a a descer. — Sim, mas eu aposto que não gastei tanto com este vestido como Savannah gastou com a roupa dela esta noite. Ele riu enquanto entravam pela porta da frente. Ele a seguiu até a cozinha, onde ela tirou uma travessa grande da geladeira. — Qual o tamanho da fatia que você gostaria? — Ela pegou dois pratos e se virou para ele. — Você quem fez? — Perguntou.

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— Sim, minha primeira tentativa. Holly disse que ficou tão bom que quer que eu faça para sua loja na próxima semana. Havia dois pedaços faltando do bolo já; parecia tão bom que a sua boca começou a encher d’água. — Eu pego isso. Por que não vai tirar esse vestido. — Ele acenou para a sua roupa arruinada. — Oh, eu quase esqueci. Você foi muito bem no escritório do xerife mais cedo. — Ela colocou os pratos na mesa e se virou para ir embora. — Há leite na geladeira. Por alguma razão, bolo de cenoura e leite andam de mãos dadas. Após cortar dois pedaços de bolo e servir dois copos de leite, ela voltou do quarto. Seu cabelo estava molhado e vestia apertadas calças de yoga com um top branco. Sua boca encheu d’água pela segunda vez desde que entrou pela sua porta. — Então, Savannah disse que vocês dois tinham alguma coisa acontecendo. — Ela disse ao dar uma mordidela em seu bolo. Ele quase se engasgou com o pedaço de bolo que enfiara na boca. Quando finalmente pôde respirar de novo, percebeu que ela sorria. — Não se preocupe, seu segredo está seguro comigo. — Deus — ele tomou um gole de leite para ajudar a engolir o nó em sua garganta. — Não é assim. — As palavras apenas não vinham a ele. — Sério. Ela apenas riu e deu outra mordida no bolo. — Eu encontrei com ela no Grocery Stop. Foi isso. Nada mais aconteceu. Eu juro, Missy. — Reece. — Ela esperou até que ele olhou em seus olhos. — Você não tem que explicar nada para mim. Nós dois viemos a isto sabendo do passado um do outro. Além disso, eu confio em você. Ele ficou chocado. Ele podia ver nos olhos dela que ela confiava nele, e isso era algo que não teve em um longo tempo. Desde que seu irmão foi embora. — Isso foi o problema de hoje à noite? — Perguntou, cortando outro pedaço de bolo para ele. — Mais ou menos. — Ela se inclinou para trás e olhou para o prato vazio. — Ela disse coisas. Eu disse coisas. Então Holly a socou. — Ela riu. — Bem, eu sinto muito se eu fui a causa disso.

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— Não, Savannah estava apenas sendo Savannah. — Ela pegou o prato e levou para a pia e, em seguida, encostou-se à bancada. Ele deixou seu segundo pedaço de bolo intocado e passou os braços ao redor da dela cintura. Era tão bom. — Estou feliz que você apareceu hoje à noite. — Ele se inclinou e deu um beijo em seus lábios. — Mmmm, eu também. — Ela colocou os braços ao redor de seus ombros. Quando o beijo ficou quente, ele a içou para cima da bancada, como suas pernas em volta dele. Suas mãos serpenteavam sob a blusa de algodão e apenas a sensação de sua pele macia e sedosa o tinha gemendo de prazer. Ele pressionou contra seu núcleo e moveu-se suavemente, dando-lhe prazer. Quando puxou a parte superior do top dela, ela se arqueou para trás, dando-lhe acesso total a sua pele exposta. Ele percorreu cada centímetro, aproveitando o fato de que seus mamilos enrugaram com sua visão. Quando voltou para seus lábios, ela começou a desabotoar sua camisa de algodão e, em seguida, puxou-a de seus ombros. Quando lentamente arrastou as unhas em sua pele, ele quase se perdeu. Ele começou a puxar as calças de ioga e amaldiçoou quando ficaram difíceis de sair dela. Ela riu e ajudou. — Eu adoro a forma como são apertadas, mas dão um pouco de trabalho para entrar e sair. — Ela jogou de lado e a boca dele ficou seca. Ela estava sentada na bancada completamente nua, e percebeu que estava faminto novamente. Ela estendeu a mão e desfez a fivela do cinto, puxou o largo cinto, e começou a puxar a calça jeans. Ele não quis perder tempo arrancando as botas, por isso, em vez disso, se colocou entre as pernas dela e tomou sua boca em um beijo quente. Ela respondeu com um gemido quando ele passou as mãos sobre cada centímetro dela. Quando ela esfregou o peito sobre sua pele nua, ele perdeu todo o controle e mergulhou nela ali mesmo, sentada no balcão da cozinha.

Melissa não queria se mover. No entanto, estava difícil se sentir confortável no azulejo frio da bancada.

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— Vou me mover em um minuto — o ouviu dizer contra o pescoço dela. Ela riu. — Está bem. — A cabeça dela descansou em seu ombro, onde a colocou depois de ter um dos melhores orgasmos já experimentado. — Eu meio que gosto daqui. — Se o meu jeans não estivesse em torno de meus tornozelos, eu a carregaria para o quarto. Ela riu de novo. — O quê? — Ele inclinou a cabeça para o lado para olhar para ela. Ela balançou a cabeça. — Eu posso apenas imaginar como nós parecemos agora. Ele riu e descansou a cabeça contra sua pele. — Não me faça começar novamente. — Sua voz estava rouca, fazendo uma onda de calor viajar por todo o corpo dela. Suas pernas ainda estavam jogadas ao redor de seus quadris e ele ainda estava dentro dela. Ela testou as águas e se moveu apenas uma polegada e sentiu-o responder, então se mexeu novamente. — Missy — alertou. — Hmmm? — Ela o ignorou e moveu-se novamente. — Eu tinha a esperança de ter o segundo turno no conforto da sua cama — disse ele contra a sua pele, e então mordiscou seu caminho até seu ouvido, provocando arrepios por todo o corpo. Ela arqueou para trás, dando-lhe acesso. Seus dedos agarraram seu cabelo espesso enquanto ela gemia e desfrutou do que sua boca fazia com ela. — Sim — disse ela, segurando-o perto. — Eu amo a sensação de sua boca em mim. Seus quadris balançaram um pouco quando começou a se mover nela novamente. Suas pernas enrolaram automaticamente em torno de seus quadris, puxando-o o mais perto que podia. Seus corações batiam um contra o outro, e gemidos se transformaram em gritos quando a emoção aumentou. Finalmente, sentiu-se caindo assim que ele gritou seu nome. — Eu preciso de outro banho. — Ela riu quando ele recuou e entregou-lhe as roupas do chão.

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— Que tal eu acompanhá-la? — Ele olhou por cima do ombro. — Então, talvez possamos ter um pouco mais desse bolo enquanto assistimos a um filme. Ela sorriu e acenou com a cabeça. — Soa como um plano. Quando finalmente deitaram para dormir, sua TV de tela plana passava um velho filme de John Wayne, ela sentiu como se pudesse finalmente relaxar. Menos de uma hora depois, foi acordada pelos espasmos de Reece. Ele a acordou assim na primeira noite que dormiu em sua casa. Agora, porém, ele começou a falar também. Ela ouviu-o implorar a seu pai para parar de bater nele e quando não aguentou mais, estendeu a mão e gentilmente acordou-o, em seguida, se aconchegou em seu peito quando ele a puxou para perto, como fizera na primeira noite. As lágrimas silenciosamente vazaram de seus olhos enquanto ela estava lá sem conseguir dormir, preocupada com o menino que teve de pedir para não ser espancado. Na manhã seguinte, acordou cedo e decidiu tentar uma das receitas de bolo de canela que Holly lhe dera. Ela tentou manter o ruído no mínimo, mas cozinhar era uma experiência confusa e sonora para ela. Quando Reece entrou na cozinha, parecendo malditamente sexy em apenas cueca, quase deixou cair a bandeja de pães que acabara de retirar do forno. — Algo cheira bem aqui. — Ele se aproximou e esperou até que ela colocasse a panela quente em cima do balcão, então se inclinou para um beijo que a fez desejar que tivesse ficado na cama com ele. — Mmmm, alguém tem um gosto bom, também. Ela sorriu. — Bem, todo bom chef sabe que tem que provar a sua comida. Eu só preciso colocar cobertura nestes. Eu também fiz omeletes de presunto e queijo. — Uau — disse, olhando para tudo que preparou para eles. — O que eu fiz para merecer tudo isso? — Ele sorriu. Ela estendeu a mão na ponta dos pés e beijou-o, sentindo o coração pular um pouco. — Você não precisa fazer nada para merecer isso. Basta ser quem você é.

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Quando se sentaram à mesa, o viu partir sua omelete enquanto sua comida estava em frente a ela, quase esquecida. — Reece, você me disse que seu pai era duro com você. — Ela torceu as mãos debaixo da mesa. Ele olhou para ela e franziu a testa um pouco, e, em seguida, assentiu. — Sim, ele era um homem difícil de conviver. — Ele deu de ombros e voltou a comer. — Mas Ryan e eu lidamos com isso. — Mas você ainda tem pesadelos sobre isso. — Ela esperou e viu a preocupação entrar em seus olhos. — Sim. — Ele colocou o garfo. — Eu nunca deixei de tê-los. Ryan costumava me acalmar antes de eu acordar nosso pai. Desculpe-me se acordei você. — Ele estendeu a mão e pegou a mão dela. Ela balançou a cabeça. — Não é um problema. Eu só estava preocupada. — Ela apertou sua mão. Ele olhou por cima da mesa para ela. — Sabe, eu nunca falei com alguém sobre isso antes. Além do meu irmão. — Eu estou aqui, se quiser falar sobre isso. — É meio estranho. Dizer em voz alta não tira qualquer mágoa, mas de alguma forma isso me faz sentir melhor. Não que eu queira piedade. — Ele olhou para ela. — Mas não vejo pena em seus olhos. Rezava para que as lágrimas que se formaram atrás de seus olhos ficassem lá. — Não? Ele balançou a cabeça. — Não, vejo outra coisa. — Se já não soubesse que seu pai estava morto, eu enviaria Holly atrás dele. Ele riu. — Não tenho certeza se o meu velho poderia lidar com uma cabeça quente como ela. — Eles riram.

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Capítulo Onze Quando Reece chegou à porta de Missy na noite seguinte para buscá-la, suas mãos estavam suadas, e não conseguia impedir as borboletas no estômago de saltar. Quando se vestia para o jantar com os pais de Missy, percebeu com choque que era o primeiro jantar que ia assim. Então ela abriu a porta e os nervos fugiram. Ela valia a pena todo o desconforto que sentiria durante a noite. O simples vestido cinza abraçou as curvas que ele amava. Seus cabelos da cor de areia estavam amarrados para trás, acentuando a beleza de seu rosto. Seus olhos azuis brilhavam enquanto olhava para ele. — Bem, você não parece bonito? — Ela suspirou feliz quando ele puxou o pequeno buquê de flores de suas costas. — Sua beleza ofusca estas de longe. — Ele sorriu quando ela olhou para ele. — Oh. — Ela sorriu e cobriu o rosto com elas, em seguida, estendeu a mão até a porta e puxou-o para um beijo. — Eu só vou colocá-las em um pouco de água, e então podemos ir. Ele assentiu com a cabeça e a seguiu para dentro. Sua mente rapidamente pensava em um milhão de maneiras de convencê-la a ficar e deixar que ele arrancasse este vestido de cima dela, mas sabia que nenhuma delas era boa o suficiente. Assim, ficou no pequeno corredor e a esperou voltar da cozinha. — Pronto? — Ela perguntou quando voltou. Ele balançou a cabeça e estendeu o braço. Andaram a curta distância até a casa de seus pais. O sol ainda não havia se posto, e o calor do dia rapidamente deixou seu novo casaco e calças escuras desconfortáveis. Quando chegaram, ela abriu a porta da frente e gritou.

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— Mamãe, papai, estamos aqui. — Ele entrou em uma casa que parecia ter vindo direto da capa da Better Homes and Gardens7. Nada estava fora do lugar na sala de estar e, enquanto caminhavam em direção às vozes vindas da parte de trás da casa, percebeu quão impecável tudo era. A casa de Missy era limpa, mas não era nada comparada com como a casa de seus pais parecia. Ele preferia uma aparência mais natural. Ele começava a se perguntar se acabaria passando vergonha por bater em algo ou colocar uma bebida na mesa sem o uso de um aparador. — Aqui atrás — alguém gritou. Quando saíram para o pátio do fundo, ele estava contente de ver que Grant e Alex já estavam lá, junto com o xerife e Jamella. Os Holtons eram umas das pessoas mais agradáveis da cidade, mas isso não o impediu de se preocupar. Ele apertou a mão de todos e tirou o paletó quando Grant se ofereceu para pendurá-lo. Imediatamente sentiu a brisa fresca bater em sua camisa e relaxou um pouco. Até o final da refeição maravilhosa, percebeu que foi um tolo por se preocupar. Ele não participou de um jantar de família em que se sentiu tão confortável desde que jantou na casa das suas primas quando era adolescente. Sentaram-se na varanda do fundo conversando e bebendo cerveja até que o pai dela terminou de grelhar a carne. Em seguida, entraram e comeram na grande mesa que estava até mais sofisticada do que qualquer restaurante em que já foi. Depois de comer mais comida do que comeu em um longo tempo, todos saíram e conversaram um pouco mais. Ele realmente se sentia relaxado e em casa com todos. Ele riu mais naquela noite do que sorrira em anos. Ouviu histórias da infância de Missy e Grant e desejou mais do que qualquer coisa ter sido parte de uma família que realmente se importava e se amavam. Enquanto caminhava para a casa dela, queria mais do que qualquer coisa poder encontrar. — Você está muito quieto — disse ela, puxando sua mão. Ele deu de ombros. — Eu gosto de sua família.

7

Revista de decoração e jardinagem.

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Ela sorriu. — Eu gosto deles, também. — Eu gostaria de poder encontrar Ryan — ele deixou escapar e se encolheu um pouco. — Bem, você já procurou? — Ela parou para pegar suas chaves. — Sim, logo depois que ele foi embora e novamente quando o meu pai morreu. — E? — Ela abriu a porta. — Nada. — Ele balançou a cabeça. — Eu procurei em todos os lugares em que falávamos quando crianças. Todos os lugares em que sonhávamos ir. — Ele entrou atrás dela. — Você poderia contratar alguém. — Ela colocou a bolsa na mesa e se virou para ele. — Sim, eu suponho. Eu só esperava que... — ele parou, não sabendo o que esperava. — O quê? Que ele voltaria? — Perguntou ela. Ele balançou a cabeça e percebeu que a dor era profunda. — Sinto muito. Ela sorriu e colocou os braços ao redor de seus ombros. — Não sinta. Eu acho que me lembro de conhecer Ryan e você uma vez, quando ficaram no rancho por uma semana durante o verão. Ele assentiu com a cabeça. — Sim, eu me lembro. Suas sobrancelhas se ergueram. — Você se lembra de me conhecer? Ele sentiu seu rosto corar. — Claro. — Ele a puxou para mais perto, usando as mãos nos quadris dela. — Você ia a um passeio com Haley. Estava com calções rosa desbotados e top. — Ele sorriu. — Eles eram muito curtos e Ryan e eu brigamos para ver quem te convidaria para sair primeiro. — Por que você não convidou? — Ela sorriu. Ele deu de ombros. — Papai veio e nos pegou enquanto você estava em seu passeio.

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— Isso é muito ruim. — Ela inclinou-se e sussurrou contra seus lábios. — Eu teria escolhido você. — Ele sentiu seu coração pular quando se inclinou e a beijou. Ela deve ter sentido a urgência nos seus lábios, porque se aproximou e empurrou-o para trás até seus ombros baterem contra a porta da frente. Ele gostava de deixá-la tomar as rédeas e tentou relaxar quando ela correu para puxar e tirar suas roupas enquanto tropeçavam até o quarto. Quando estava na frente dela completamente nu, subiu o vestido com as mãos e brincou com o material de seda que a cobria. Quando ela gemeu e encostou a cabeça em seu peito, a levou para a cama, caindo com ela sobre o colchão macio, levantando mais o vestido. Ela era mais suave do que qualquer coisa que já sentiu antes, cheirou e provou, melhor do que qualquer coisa que já experimentou. Ele desejou que o momento pudesse continuar para sempre. — Reece, por favor — ela implorou. Sua cabeça rolou de lado a lado, enquanto mantinha os olhos bem fechados. — O que, Missy? — Ele perguntou, sabendo muito bem a resposta dela, mas querendo ouvi-la pedir em sua voz sexy. — Eu preciso de você. Não posso deixar de querer você. — Seus olhos se abriram e ela olhou fundo nos dele. — Eu penso em você dia e noite. Nisso. Em você. — Ela puxou-o de volta para seus lábios enquanto ele mergulhava dentro dela, segurando-a com força. Ela era mais do que jamais imaginou. A sensação dela era inebriante, o jeito que ela consumiu sua mente, seu coração. Ela o fez sentir como se a pertencesse. Como ele era amado. Ele se acalmou quando percebeu que, pela primeira vez em sua vida, ele amava alguém completamente. — Reece, por favor — ela gritou de novo, fazendo com que ele se movesse. Suas unhas cravaram em seus quadris, forçando-os a se empurrar contra ela. Em seguida, sua mente desligou quando ela o beijou, e deixou seu corpo assumir cada movimento. Sua frequência cardíaca aumentou, sua visão ficou escura, o deixando, substituída por um aumento da sensação de paladar, olfato e tato.

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O acúmulo foi nada comparado a estar com ela, dentro dela. Seus dedos cavados em sua pele macia, os lábios ansiavam por ela. Mesmo quando desfrutava dela, ele queria mais. Sentiu-a apertar em torno dele, assim quando seu corpo explodiu dentro dela e ele morreu a morte mais doce que jamais experimentou.

Melissa questionava sua sanidade. Sua respiração ainda precisava voltar ao normal e os seus ouvidos ainda zumbiam. Mas, quando tocou isso em sua mente, podia jurar ouvir Reece dizer que a amava. Ele descansava a cabeça em seu peito, então ela não sabia se os olhos dele estavam abertos ou fechados. Quando ouviu seu coração lento, pensou que ele dormia, até que ele se inclinou e olhou para ela. — Eu posso ouvir você pensar — disse ele, franzindo a testa ligeiramente para ela. — Você quis dizer isso? — Ela se afastou até se inclinar contra sua cabeceira macia e puxar a saia de volta no lugar. Ele estava completamente e gloriosamente nu e parecia muito confortável. — O quê? — Ele se moveu ao lado dela. — O que você disse. Ele franziu a testa. — Sim, mas... — ela não o deixou ir mais longe quando montou seus quadris. Ela podia ver o medo em seus olhos verdes e não queria nada mais do que acalmar e confortá-lo. — Eu também te amo — disse ela e assistiu o desejo substituir o medo. Segurando-o, deu-lhe um beijo que mostrou tudo que sentia desde que ele abriu pela primeira vez aqueles olhos verdes dele. Quando finalmente se afastou, ela estava sem fôlego novamente e não conseguia parar de sorrir para ele. — O que vamos fazer a partir daqui? — Ele perguntou, esfregando as mãos calejadas sobre sua pele. Ela adorava a sensação delas sobre ela. — Que tal um banho? — Ela perguntou, fazendo-o rir.

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Naquela noite, enquanto estavam entrelaçados, sua mente se recusou a desligar. Ela brincou quando ele perguntou porque não sabia a resposta para sua pergunta. Onde é que iriam agora? Ela nunca disse essas palavras para um homem antes. Houve outros homens em sua vida, mas nenhum outro relacionamento nunca foi tão longe. Eles jantaram na casa de seus pais, e os pais dela praticamente deram as suas bênçãos. É claro que, aos olhos deles, nenhum West poderia ser ruim. Mas ela sabia o inferno no qual foi criado e seus pais não. Ainda assim, ao vê-lo dormir ao lado dela, duvidava que tivesse um traço mau nele. Ele não era como o pai dele, isso era perceptível. Ela viu as lágrimas em seus olhos enquanto ele falava sobre encontrar seu irmão esta noite. Ela estava à deriva quando uma memória brilhou em sua mente. Ela pulou e começou a balançar Reece. — Reece, acorde. — O quê? — Ele pulou, acendeu uma luz, e olhou em volta. — O que está acontecendo? — Eu... eu acho que eu sei onde seu irmão está. — O quê? — Ele perguntou, esfregando as mãos sobre os olhos. — Eu acho que sei onde Ryan está. — Como? — Ele franziu a testa, olhando para ela quando se encostou à cabeceira da cama. — Bem, pelo menos eu sei onde ele esteve há dois anos. — O que você está falando? — Dois anos atrás eu ainda estava no internato no hospital em Houston. Isso foi apenas depois que fui transferida das crianças. Enfim, uma noite eu trabalhava na Emergência e um homem entrou com dois ferimentos de bala no estômago. Ele acabou entrando sozinho. Foi incrível ele ser capaz de fazer isso. Quando cheguei perto dele para colocá-lo em uma maca, ele olhou para mim e depois desmaiou antes que eu pudesse ter o seu nome ou o que aconteceu com ele. Ele ficou inconsciente enquanto removíamos as balas que estavam alojadas nele. No dia seguinte, fui para vê-lo, mas ele foi movido para o quarto e foi embora. Todos nós que estávamos envolvidos não sabíamos o que aconteceu com ele.

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— O que isso tem a ver com o meu irmão? — Perguntou. — Bem, antes de desmaiar, eu me lembro de olhar nos olhos verdes. — Ela fez uma pausa e olhou para ele. — Seus olhos. — Você está dizendo que meu irmão está em Houston? E que foi baleado há dois anos? Ela assentiu com a cabeça. — Tenho quase certeza disso. — Ela pensou sobre isso. — Eu posso fazer algumas ligações essa semana e descobrir se o homem deu o seu nome ou informações do seguro. Ele assentiu com a cabeça. — Nós nunca falamos sobre ir para Houston. Existem muitas pessoas lá. Ryan e eu gostávamos de estar no interior. — Ele franziu a testa. — Então, novamente, nós conversamos sobre ir juntos. Ela aproximou-se dele e colocou os braços ao redor dele. — É uma pista. Talvez ele estivesse apenas de passagem e foi assaltado? Sentiu-o assentir. — Ele saiu bem da cirurgia? Aquele homem? — Sim. Os médicos disseram que ele acordou no meio caminho para o quarto e exigiu ser deixado sozinho. — Deixado sozinho? — Perguntou. — Se eu me lembro corretamente, o médico disse que ele gritou com eles para que não o tocasse. — Ela olhou para ele e viu quando empalideceu um pouco. — Obviamente, estava bem o suficiente para sair de lá por conta própria. Ele assentiu com a cabeça. — O que fez você se lembrar disso? Ela encolheu os ombros. — Eu não tenho certeza. — Então se lembrou do olhar de medo que Reece tinha em seus olhos antes dela dizer a ele que o amava. — Vi algo em seus olhos esta noite que eu vi no dele. Expressões idênticas. Ele olhou para ela, esperando. — Medo.

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Capítulo Doze Os dias seguintes foram cheios de papelada e assinatura de nome. Reece nunca comprou uma casa antes, mas tinha certeza que não havia tanta papelada quando vendeu a propriedade de seu pai. A inspeção final e avaliação foi concluída e quando sentou ao lado de Grant Holton e em frente aos Jones, percebeu que nunca se sentiu mais nervoso em sua vida. Como comprar um monte de terra e uma casa pode dar nó em seu estômago? Grant levantou-se e apertou a mão do Sr. Jones. — Parece que temos tudo terminado. — Em seguida, virou para Reece e entregou-lhe uma corrente de chave prata. — O lugar é todo seu. Ele pegou as chaves e apertou a mão de todos. Quando deixou o escritório de Grant, não tinha certeza do que fazer a seguir. Ele nunca possuiu uma casa antes. Parando no meio da calçada, percebeu que não tinha sequer uma cama própria e não possuía nada menos do que uma mala cheia de roupas desde que vendeu tudo após a morte do seu pai. Olhando em volta, notou a velha loja de antiguidades que ficava em frente à clínica. Ele nunca esteve no lugar e decidiu que seria um bom começo. No pior caso, ele compraria um colchão usado e dormiria sobre ele até que pudesse ir a uma loja de móveis em Tyler. Olhando seu telefone, percebeu que estava na hora do turno de Missy terminar. Então, em vez de caminhar para a loja de antiguidades, ele entrou na clínica. A sala de espera estava em silêncio. Apenas duas pessoas sentavam nas cadeiras de espera, uma mãe e uma pequena menina cujo rabo de cavalo parecia bonito o suficiente para dar um puxão. Ele sorriu quando elas olharam para ele. Ele caminhou até o balcão da frente e bateu no vidro. Demorou quase um minuto para que a porta de vidro fosse aberta.

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— Sim? — Foi uma grande enfermeira que olhou para ele. — Estou à procura de Missy. — Missy? — Melissa Holton. — Oh. — Ela sorriu. — Você deve ser Reece. Imediatamente sentiu seu rosto corar. Então, seus colegas de trabalho sabiam sobre eles. Ele se perguntou o quanto ela disse a eles e, de repente, sentiuse nervoso. — Sim, eu pensei em levá-la para casa depois de seu turno. — Vou correr e chamá-la para você. Sente-se. — Ela assentiu com a cabeça em direção à fileira de cadeiras. Quando sentou, sorriu de novo para a menina, que decidiu não ler o livro no colo, mas preferiu olhá-lo. Esta era uma das principais razões pela qual gostava desta cidade – seu povo. Ele nunca ouviu falar de um problema que incomodara o povo de Fairplay – e envolvera sua família. Mas o bem prevaleceu e a vida continuou depois do incidente com a mulher do prefeito anterior. Claro, a cidade passou por altos e baixos. Houve não um, mas dois tornados que rasgaram a área nos últimos 50 anos. O primeiro levou a sua tia, uma mulher que ele só conseguia se lembrar através de fotos e através dos olhos de suas filhas. A segunda tempestade quase levou sua prima Haley da mesma forma. Estremeceu quando lembrou-se o quão perto chegara. Então, seus pensamentos se voltaram para Missy. Ela não esteve na cidade na tempestade, pois estava na faculdade, mas isso não impediu sua mente de torcer e se perguntar o que teria feito se fosse ela, em vez disso. — Oi — Missy disse, de pé diretamente na frente dele, e percebeu que provavelmente se perdera em seus pensamentos. — Sonhando acordado? — Ela sorriu. Ele sorriu e tomou-a em seus braços. — Oi. — Ele roçou os lábios nos dela. — Você terminou o dia? Ela assentiu com a cabeça. — Quer ir jantar? Ele sorriu. — Talvez depois de algumas compras. Fechei a compra hoje.

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— O quê? — Ela se inclinou para trás e olhou para ele. — Eu pensei que fecharia na quarta-feira? Ele riu. — É quarta-feira. Ela parou e pegou o telefone do bolso de trás e franziu a testa para ele. — Como perdi um dia inteiro? — Ela balançou a cabeça e sorriu para ele. — Parabéns, dono da casa. — Ele desfrutou do beijo e abraço que ela lhe deu ali mesmo, na sala de espera. — Obrigado. Eu esperava que você me ajudasse. Eu preciso de alguns itens e passaria na loja de antiguidades do outro lado. — Oh, eu adoraria. Estou sempre dando uma desculpa para ir lá. Eu apenas adoro olhar para todas as coisas que eles têm. Deixe-me pegar minhas coisas e bater o ponto. — Ela o beijou de novo rapidamente e correu para a parte traseira. Ele se virou e viu a mãe e menina sorrindo para ele. — Parabéns — disse a mãe. — Eu lembro quando nós compramos nossa casa há cinco anos. Ele balançou a cabeça e voltou a se sentar. — Onde você comprou? — Ela perguntou depois de um momento. — A velha propriedade dos Jones em Old Airport Road, cerca de cinco quilômetros fora da cidade. A mulher olhou para ele e pode ver algo cruzar os olhos dela. — Boa sorte — disse ela, assim que Haley saiu. — Que tipo de itens você está procurando? — Melissa perguntou enquanto atravessavam a rua de mãos dadas. Ele riu. — Tudo. Duas horas mais tarde, ele se sentou em uma cadeira velha e ouviu seu estômago roncar. Olhando para baixo, franziu a testa. — Eu sei, amigo. Quem teria pensado que ela era uma viciada em compras? — Ele riu quando Missy bateu nele de brincadeira no ombro. —Estou quase terminando. Além disso, conseguimos para você algumas boas peças. — Ela sentou ao lado dele. — O que você acha de uma refeição caseira depois disso?

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— Parece ótimo. — Seu estômago escolheu esse momento para rosnar ainda mais alto. — Quando? Onde? — Mama, depois que eu terminar a negociação da mesa. — Ela assentiu com a cabeça em direção à escrivaninha que encarava desde que entrou no local. — Bem. Acha que pode convencê-lo a fazer por menos de 250? Ela sorriu. — É só sentar e assistir a profissional. Menos de meia hora depois, eles se sentaram em uma mesa na Mama e pediram o jantar. Ele conseguiu um grande negócio em um sofá, uma bela cabeceira de carvalho, uma cômoda combinando e mesa de cabeceira, e a escrivaninha que queria. Entregariam mais tarde essa semana, juntamente com alguns outros itens menores que compraram. Foi noite de rolo de carne no Mama e todos na cidade sabiam que Willard, o chef, preparava o melhor rolo de carne da região. Alguns diziam que era uma receita passada de sua família, outros alegaram que era criação dele mesmo. Quaisquer que sejam as origens, as pessoas lotavam quando dirigiam pela cidade e cheirava as especiarias na brisa. Eles tiveram sorte de conseguir uma das últimas mesas no fundo na seção mais nova. Logo após o tornado passar pela cidade, Jamella expandiu o pequeno restaurante no que era hoje. Agora, em vez de apenas uma dúzia de mesas, havia mais de vinte mesas. Os novos pisos e azulejos brilhavam. Foi-se o velho teto que, ocasionalmente, vazava durante uma tempestade. Havia até mesmo um novo jukebox na parte de trás que tocava a música favorita de todos. A cozinha foi totalmente remodelada também, ou assim todos ouviram falar. Mama era o único lugar na cidade para ter uma refeição caseira e, geralmente, você esbarrava em alguém que conhecia. Dez minutos depois que se sentaram, Holly entrou. Ela parou na porta e olhou em volta, acenando para algumas pessoas. Então viu Melissa e Reece e correu para sua mesa. — Bem, olá. Se importam se eu me juntar a vocês? — Ela não esperou por uma resposta e, ao invés, empurrou Melissa levemente até que ela se moveu. — Claro — disse Missy, movendo-se um pouco mais. — Eu não vi você em poucos dias.

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— Recebi um carregamento de estoque novo e estive enterrada em livros. — Ela puxou um livro de sua bolsa bastante grande, e colocou ao lado dela. — Falando nisso... — ela entregou a Melissa. — Oh! Ele veio. — Melissa agarrou o livro e abraçou-o contra o peito. Em seguida, afastou-o e olhou para ele, acariciou a capa, e sorriu. — Olha — ela virou e mostrou a ele. Tudo o que podia dizer era que era um livro novo. Sua capa era brilhante e colorida. — Legal — disse ele, tentando não acrescentar muito sarcasmo na voz. Melissa ouviu e sorriu para ele. — É o livro de Holly — disse ela, olhando para ele de novo. — Holly? — Ele olhou para a pequena ruiva, que parecia ferver com alegria. Melissa assentiu. — Sim, é a história da vida de seu pai. — Ela se virou e ele leu o título, Serving Life8. — Parabéns — disse ele, olhando mais de perto. — Eu nunca conheci um autor antes. Holly corou. — Não foi nada sério. Eu apenas peguei alguns dos diários de meu pai e de uma caixa velha de poesia dele e coloquei tudo junto. — Seja qual for — disse Missy, brincando e empurrando a amiga. — Eu sei quantas horas você dedicou a isto. Bem, não devolverei esta cópia, e você vai assiná-la para mim. — Ela abraçou-o novamente. — Isso é bom. Eu tenho uma caixa cheia deles. — Ela riu. — Eu não posso acreditar nisso. Só então, a garçonete aproximou. — Por acaso você tem alguma champagne? — Reece perguntou a ela. — Não, mas temos um pouco de vinho branco doce. — Ela olhou para os três. — Estamos celebrando o livro de Holly. — Melissa o ergueu.

8

Servindo a Vida

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— Oh — disse a garçonete, se abaixando e abraçando Holly. — Parabéns, querida. — Em seguida, ela chocou Reece, colocando os dedos à boca e assobiando. — Ouçam, todos. O novo livro de Holly está aqui. — Ela tomou a cópia que Melissa levantou para ela e levantou acima da cabeça. — Tenho certeza que todos vocês podem ter as cópias logo amanhã de manhã, quando Holly abrir. Ela provavelmente vai assiná-lo se você for bom o suficiente. — Várias pessoas riram. Holly ficou e jantou com eles. Várias pessoas pararam na mesa e felicitoua. Reece realmente desfrutou de observar como ela lidou com todos e percebeu que ainda precisava passar em sua livraria. Não era como se fosse um grande leitor. Crescendo da maneira que cresceram, não houve tempo para os livros. Ryan e ele foram bem na escola, mas ninguém os chamariam de gênios. Seu pai só tolerou que permanecessem na escola porque era a lei. Uma vez, ele tentou tirá-los um semestre inteiro, mas a escola chamara os oficiais de evasão escolar e alguém convenceu o velho homem. Após ouvir Holly falar sobre um dos períodos que seu pai teve durante sua ida ao Vietnã, ele começou a pensar que era hora de pegar um livro novo.

Quando entrou na casa de Missy, começou a segui-la sem convite. — Você não vai para a sua nova casa? — Ela virou e colocou a mão em seu peito, impedindo-o. — Não. — Ele olhou para ela sabendo, exatamente onde queria estar. Com ela. — Você tem que dormir em sua nova casa na primeira noite. — Por quê? — Ele passou os braços em volta dela. — Bem, é má sorte ou algo assim. Ele riu. — Eu prefiro estar aqui com você. — Hmm. — Ela mordeu o lábio inferior, dando água na sua boca. — Deve haver uma maneira. — Ela se inclinou para trás. — Você tem um saco de dormir? — Ele assentiu com a cabeça, não gostando aonde isso ia. — Perfeito. Eu apenas pegarei o meu e podemos passar e pegar o seu. — Ela se afastou.

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— Espere. — Ele a pegou pelo braço. — Você está disposta a deixar o conforto daqui e dormir no chão de um lugar que provavelmente não tem energia ainda, apenas no caso de ter má sorte se eu não passar minha primeira noite na minha casa nova? Ela assentiu com a cabeça e riu. — Parece loucura, mas acho que nós vamos nos divertir. Como acampar. — Ela fez uma careta. — Meus pais nunca realmente nos levaram para acampar. A ideia de acampar da minha mãe é o Best Western. — Ela riu. — No entanto, você possui um saco de dormir? Ela riu. — Ainda em sua embalagem. — Ele riu. Quando finalmente se dirigiram para a sua nova casa, já estava escuro. As luzes da caminhonete iluminaram a varanda da frente. — Eu esqueci quão bonito este lugar é — disse Melissa, inclinando-se para obter um melhor olhar para fora da janela. Ele deu de ombros, sentindo um sentimento de orgulho vir sobre ele. Isto era tudo dele. Suor e sangue. Custara mais do que jamais poderá contar. Ele desligou a caminhonete e apenas olhou. — Vê aquelas luzes ali. — Melissa apontou para a esquerda. Ele podia ver as luzes que brilhavam através de um conjunto de altos pinheiros a uns cem metros deles. — Ali é a casa dos Douglas. — Ela assentiu com a cabeça para a direita e ele podia ver mais luzes na mesma distância. — Ali é a casa de Jamella. — Oh? — Ele observou melhor. — Eu não sabia que ela seria minha vizinha. — Ela e o xerife, agora que vivem juntos. — Ela se inclinou para trás e suspirou. — Esta cidade ainda tem suas surpresas. Como os dois. Ninguém sabia que estavam juntos durante anos. — Bem, vamos sentar aqui ou você me mostrará o interior? — Ela virou e agarrou seu saco de dormir. — Eu trouxe uma surpresa. — Ela levantou um saco preto liso. — O quê? — Perguntou ele, ansioso para saber o que estava na bolsa. Ele era um otário para surpresas. — Oh, não. Você terá que esperar até depois que me der um tour pela casa.

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Ele agarrou seu saco de dormir e a grande lanterna que teve premeditação suficiente para agarrar. Quando abriu a porta da frente, foi recompensado ao ligar o interruptor de luz. Luzes inundaram a sala da frente. Este espaço era o que menos gostava. Planejava remover o muro entre a sala de jantar, tornando os dois ambientes em um parecia e ficava maior. — Hmmm, talvez você possa tirar uma parede? — Disse Missy, colocando seu saco de dormir no chão e entrando. — Eu pensei a mesma coisa. Essa parede ali. — Ele apontou para a sala de jantar. — Não há necessidade disso. — Além disso, estava coberta de painéis de madeira escura que precisavam sair. Ele começou a mostrar a ela a cozinha, mas parou quando notou uma grande cesta na área do bar. Eles caminharam juntos. Retirando o cartão, ele leu em voz alta. Reece, Parabéns pela sua nova casa. Esperamos que este presente o ajude a transformá-la na casa de seus sonhos e tornar a sua primeira noite aqui um pouco melhor. P.S. Eu tomei a liberdade de ter todas as utilidades em seu nome. --Alex, Grant, e Laura — Família. Tenho que amá-los. — Ela sorriu para ele e deu-lhe um abraço. — Meu irmão pensa em tudo. Ele olhou para o cesto e felizmente foi surpreendido por haver uma garrafa de champanhe, um prato de brownies de Alexis, um pequeno recipiente de ferramentas, e um rolo de papel higiênico. — Eu aposto que as ferramentas é coisa do meu irmão. — Ela sorriu. — O papel higiênico é Alex. — Ele riu, porque pensou a mesma coisa. Eles caminharam ao redor da casa, e ele mostrou tudo a ela, quarto por quarto. Eles entraram brevemente no deck do fundo, que ele sabia que precisava de algum trabalho também. Eles olhavam para as estrelas e os sons dos grilos e sapos.

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— Apesar de tudo, é um ótimo lugar. Poderia colocar algum carpete novo, um pouco de tinta para atualizar o visual. — Ela suspirou e inclinou-se contra a grade. Ele assentiu com a cabeça. — Farei isso. — Ele estendeu a mão e puxou-a para perto. — Agora, o que você me trouxe? — Ele acenou com a cabeça em direção ao saco que estava na bancada ao lado da cesta. Ele sabia que os brownies de Alex eram bons, mas esperava por algo mais de Missy. — Espere aqui. — Ela estendeu a mão e deu um beijo em seus lábios. — Dê-me alguns minutos e, em seguida, volte para cá. Ela caminhou até o balcão, pegou as malas, então enfiou os sacos de dormir debaixo do braço e caminhou em direção ao quarto principal. Excitação correu por todos os poros em seu corpo. Ele se virou e olhou para seu quintal, tentando esfriar antes de ficar muito ruim. Ele sabia que havia trabalho aqui também. Havia canteiros que precisavam de capina, um gramado que precisava ser substituído, e algumas árvores precisavam ser aparadas ou cortadas. Ele encostou-se à grade e imaginou como seria uma vez que tudo fosse feito. Haveria um balanço ali, rosas ao longo do lado, talvez um conjunto de balanço ao longo da fileira de trás. Ele balançou a cabeça e piscou algumas vezes. Conjunto de balanço? Ele sentiu o sangue em seu rosto. Ele nunca pensou em ter filhos antes. Nunca. Na verdade, quando ele e Ryan tinham onze, ambos decidiram não ter filhos. Eles não queriam acabar como seu velho. Ele afastou-se da imagem de três crianças correndo ao redor do quintal, brincando nos balanços, e entrou na casa. Mesmo aqui, sua mente começou a evocar imagens das crianças que se encontravam em frente à lareira, lendo ou jogando jogos. Dele balançando uma menina com cachos de ouro em uma cadeira enquanto ela adormecia em seus braços. Virou para o corredor do fundo e piscou. De pé no corredor estava Missy. Ela usava branco, e sob a luz fraca, a brancura da seda brilhou, fazendo tudo mais ficar nebuloso. A seda fluiu quando ela deu um passo em direção a ele.

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— Reece? — Ela estendeu os braços. Seu cabelo estava solto ao redor de seus ombros, parecendo mais suave do que anteriormente. Ele a observou respirar, viu seu peito subir e descer, e foi quase hipnotizado pelos movimentos. — Vamos para a cama. — Ela ficou lá, com os braços estendidos, esperando. Ele não poderia negar a ela, nem se tentasse. Seus pés se moveram para frente e, sem saber, ele decidiu seu futuro.

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Capítulo Treze Ela tentou não deixá-lo ver que tremia quando tomou sua mão e voltou para o quarto com ele. Ela colocou seus sacos de dormir contra a parede de trás, de frente para a grande janela que dava para o quintal. Apagou as luzes e acendeu as velas nos frascos que trouxe na bolsa. Por alguma razão, queria que essa noite fosse perfeita. Mesmo eles tendo saído por um tempo, ela se sentia nervosa, como se fosse a primeira vez. Quando entrou no quarto, ele virou-a, tocando seus quadris. Seus lábios se curvaram em um sorriso. — Seu cheiro é inebriante. — Ele deu um passo em direção a ela. Ela colocou a mão no peito e sentiu o coração dele bater mais rapidamente sob a ponta dos dedos. Seus olhos aqueceram quando ela usou a ponta dos dedos para puxar a camisa de dentro dos seus jeans. — Deixe-me. — Ela olhou-o nos olhos, dizendo-lhe o que queria. Ele balançou a cabeça e deixou cair as mãos para o seu lado, e ela sorriu. Caminhou ao redor dele, lentamente passando as mãos sobre ele, puxando, empurrando e desabotoando, até que o ouviu gemer. — Diga-me o que você quer — ela sussurrou ao lado de sua orelha, inclinando-se e mordendo sua orelha. Afastou-se quando ele estendeu a mão para ela e balançou a cabeça. — Diga-me. Ele gemeu. — Você está me matando. — Bom. Fale comigo. É a sua vez de falar, Reece. Ele fechou os olhos e gemeu novamente. — Eu quero você. — Seus olhos verdes se abriram e queimaram em sua alma. — Como? — Sua boca estava seca. — O que você quer? — Ela se inclinou para mais perto dele. Estendendo a mão, passou a mão sobre o peito nu. A dureza dele a excitava.

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— Eu quero jogá-la para baixo na cama improvisada, levantar suas pernas acima dos meus ombros e me enterrar profundamente em seu calor doce — ele sussurrou, e ela sentiu-se umedecer mais. Agora sua boca estava completamente seca. Sua mente em branco. Ele se aproximou dela, testando a água. Estendeu a mão para ela, levando suavemente seus quadris e empurrando-a os poucos passos até que ela sentiu os sacos de dormir sob seus pés. Em seguida, se inclinou e beijou-a, e ela sentiu como se estivesse caindo. Quando suas costas tocaram o solo macio, ela gemeu e arqueouse em suas mãos. Como perdeu o controle tão facilmente? Não era isso o que realmente queria? Perder-se em seu toque, sua boca, suas necessidades? Ele tirou a seda, e sentiu sua pele esquentar. Ela fechou os olhos, concentrando-se em cada toque, em seu sexy perfume almiscarado. Seus dedos cravaram em seus quadris enquanto lambia seu estômago liso, fazendo cócegas em suas costelas e enviando faíscas ao longo de cada nervo. — Reece. — Ela tentou inclinar-se, mas ele a manteve imóvel. — Não, sua vez. — Ele olhou para ela e sorriu. — Diga-me o que você quer. Ela gemeu e inclinou a cabeça para trás. — Você. Você dentro de mim, me consumindo, me completando. Ele se inclinou e deslizou lentamente nela, colocando seus lábios nos dela e pegando o gemido de prazer com a boca. Quando começou a se mover, ela trancou as pernas ao redor de seus quadris e segurou. — Sim — ela gemeu, tentando mantê-lo parado, mas ele riu e a rolou facilmente. Em seguida, ele sussurrou: — Sua vez. — Quando ela apenas olhou para ele em frustração, ele riu. — Monte-me, Missy. Ela olhou para ele. Ela estava a ponto de gozar, mas agora teria que construir tudo de novo. Então começou a mover-se e perdeu o controle completo de sua frustração. Ele segurou em seus quadris, ajudando-a a se mover enquanto ela agradava a ambos. Quando jogou a cabeça para trás e gritou seu nome, ele arqueou-se, tomou sua boca e a seguiu.

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Mais tarde naquela noite, percebeu que dormir no chão duro era um pouco menos glamoroso do que ela imaginava. Mesmo que o tapete fosse mole, não amortecia seus quadris ou ombros o suficiente. Quando se moveu uma quinta vez em um minuto, Reece se aproximou e puxou-a para mais perto. — Tentando ficar confortável? — Ela assentiu com a cabeça. — Sentindo falta da sua cama exatamente agora? Ela fechou os olhos e sentiu sua pele contra a dela e pensava no colchão macio em sua casa e balançou a cabeça. — Não, se você não estiver nela comigo. Ele riu. — Nós poderíamos ter esperado até depois de entregarem os meus móveis. Ela balançou a cabeça novamente. — É má sorte. — Você quem diz. — Ele correu os dedos pelos cabelos e ela se sentiu ronronar. — Eu tenho certeza que está escrito em algum lugar. — Seus dedos a relaxavam o suficiente para que não sentisse mais a dureza em seu quadril. Suas pernas em volta dela completando a sensação de relaxamento total. — Missy? — Ele sussurrou ao lado de sua orelha. — Hmmm? — Ela não podia se mover. Não queria se mover. Não queria estar em outro lugar, a não ser aqui, no chão duro com ele. — Obrigado por ter vindo comigo esta noite. — Ele afastou o cabelo dela de lado e beijou sua bochecha. — Mmm. — Boa Noite. — Ele apoiou para trás quando ela adormeceu. Quando ela acordou algumas horas mais tarde, ouviu o silêncio, sem saber o que a acordou. Então, sentiu; Reece se mexia em um pesadelo ao lado dela. Estendendo a mão, se aconchegou em seu peito e deu um beijo em sua mandíbula. Quando o sentiu relaxar novamente, sorriu e se aconchegou em seu calor. Na manhã seguinte, tomaram banho no velho chuveiro que Reece prometeu a ela que seria a primeira coisa em sua lista de substituição. Eles dirigiram para a

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cidade uma hora antes da qual ela deveria estar no trabalho e estacionaram no estacionamento da Mama. — Que tal algumas panquecas de mirtilo? — Ele perguntou olhando para ela. — Parece ótimo. — Ele a ajudou a sair de sua caminhonete e ela pensou que finalmente se acostumava com um homem abrindo a porta para ela. Depois de sentarem e pedirem seu café da manhã, ela olhou para ele e perguntou. — Então, o que está em sua lista de hoje? Mais compras? Ele riu. — Não, um pouco de madeira será entregue hoje para os currais que estou construindo. — Ele olhou para o relógio e franziu a testa. — Eles deveriam estar lá por volta das nove. — A campainha da porta tocou e Chase, Grant e Wes entraram. Quando avistaram Reece e Melissa, se aproximaram e sentaram ao lado deles na mesa. Chase puxou uma cadeira de outra mesa e a girou. — Então, você está pronto para fazer isso? — Ele perguntou a Reece. Reece riu e disse a Melissa: — Eu já contratei alguma ajuda. — Contratou? Pensei que fazíamos isso de graça? Mas se você quiser, pode me comprar café da manhã. — Ele acenou para a garçonete e os homens encomendaram mais panquecas, bacon e ovos. No momento em que a comida chegou, a mesa era a mais barulhenta do ambiente e tinha comida suficiente para alimentar um exército. — Eu gostaria de poder estar lá para ajudar hoje. — Melissa franziu a testa para o prato quase vazio, tentando descobrir uma maneira de estar onde toda a emoção estaria. Ele estendeu a mão e pegou a mão dela. — Não se preocupe com isso. É intenso, trabalho suado. Eu esperava que você continuasse a me ajudar no interior. Ela olhou para ele. — O quê? Com a pintura e outras coisas? — Na verdade, todo o material de decoração. Eu não sou bom nisso. — Eu acho que poderia ajudá-lo...

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— Realmente, com exceção de algumas das coisas grandes, eu esperava que assumisse a parte de dentro. Eu cuidarei do lado de fora. — Ele olhou para ela com olhos suplicantes. Ela riu e balançou a cabeça. — Homens. Acho que eu poderia dar-lhe uma ajuda. — Quem ela enganava? Ela gostava de decorar. Onde Holly era uma especialista com roupas, cabelo e make-up, Melissa era um especialista com decoração. Talvez um pouco de sua mãe, na verdade, passara para ela. Seja qual for a razão, Melissa amava organizar um quarto. Durante a sua pausa para o almoço, ela foi até a livraria e pegou todas as revistas de decoração de casa que Holly tinha em suas prateleiras. Ela passou o resto de seu intervalo procurando nelas e tendo ideias. Depois do trabalho, ela vestiu-se em jeans velho, encheu sua mochila com algumas coisas e dirigiu para a casa dele. Ela estacionou atrás da caminhonete de Reece, então caminhou até o curral que construíram. Os homens estavam ocupados tentando colocar outro poste no chão e nem pararam quando ela chegou. Os ouviu xingar e rir, e voltou para seu carro para começar a carregar as coisas para dentro. Quando entrou, percebeu que os móveis que compraram na loja de antiguidades chegaram. Ela passou a hora seguinte organizando-os juntamente com os itens menores. Ela fez uma lista de alguns itens maiores que ainda precisavam, bem como alguns suprimentos básicos. Ela se afastou, um rastro de suor escorrendo pelas costas, e olhou para o que fizera. A sala ainda estava quase vazia, com apenas uma pequena estante e uma mesa na extremidade. O quarto faltava apenas alguns itens. A armação da cama

king-size

precisava

de

um

colchão.

As

mesinhas

de

cabeceira

correspondentes estavam ótimas com os abajures que ela o convenceu a comprar. A mesa foi deixada no meio do segundo quarto. Era pesada demais para mover sozinha, então a deixou até Reece poder ajudar. Ela fez listas para cada quarto – o que precisava ser reformado ou substituído, e ideias de cores retiradas das páginas de revistas. Ela esperava que Reece gostasse de suas ideias e pensou em como seria bom fazer algo parecido com

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isso em sua própria casa um dia. Ela suspirou e encostou-se à bancada, assim que os homens lotaram a sala de ar-condicionado. — Diga-me que você abasteceu o frigobar com cerveja, e esquecerei que você deixou cair aquela madeira no meu pé — disse Grant, caminhando até a geladeira. — Não, desculpe... — ele começou a dizer e parou quando Grant começou a retirar cerveja gelada e jogá-las a todos. Reece olhou para ela e ela deu de ombros. — Eu parei e peguei algumas coisas. Grant foi até ela e beijou-a na testa, como se sempre fizesse isso. — Tem que amar a minha irmã. Reece caminhou até ela e deu um grande beijo em seus lábios. — Sim, sim, eu amo. — Ele sorriu para ela. — Se acontecer de você ter uma pizza no forno, eu provavelmente poderia ser persuadido a esquecer todo o incidente do martelo — disse Wes, caminhando até o forno vazio. — Não, desculpe. — Apenas então ouviram uma batida na porta. — Certeza que sejam as mulheres com os alimentos — disse Chase enquanto encostava-se à bancada. Com certeza, Lauren, Alex, Haley e Holly entraram carregando grandes recipientes para viagem do Mama. — Decidimos não cozinhar hoje à noite — disse Lauren, entregando um bebê se contorcendo para o marido. Wes se aproximou e agarrou um de seus filhos. Missy e Holly observaram as famílias e suspiraram juntas. Quando olharam uma para a outra, elas riram um pouco. — Você acha que eles sabem o quão bonito todos eles são? — Perguntou Holly, inclinando-se para mais perto dela. — Se não, alguém deveria tirar uma foto e mostrar-lhes. — Essa é uma ótima ideia — disse Holly. — Espere um momento — Ela saiu correndo da casa. — Aqui — ela disse em voz alta — todos juntos. — Os homens gemeram quando viram sua nova câmera brilhante pendurada no pescoço. — Estivemos trabalhando fora o dia todo — alguém reclamou.

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— E todos vocês parecem absolutamente masculinos e sexy. — Holly sorriu e empurrou Grant para mais perto de todos. — Basta fazer isso. Missy riu quando todos os homens aproximaram-se um ao outro, carregando seus pratos cheios de comida com eles. — Você também. — Holly empurrou Melissa em direção a Reece. — Oh, não. — Ela tentou se afastar. — Estive limpando na última hora. Eu estou uma bagunça. — Ela tentou fugir. — Esse é o encanto de tudo isso — disse Holly, colocando as mãos nos quadris. — Não me faça ficar chateada. Você sabe o que acontece se eu fico chateada. Todos riram. — Holly Hulk — alguns entraram na conversa. No final, Holly ganhou e todos, incluindo crianças e bebês, foram colocados na frente da lareira para uma foto, comida e tudo mais. Ela até colocou a câmera na ponta da mesa e ajustou o temporizador para algumas fotos. Em várias fotos, as pessoas tinham a boca cheia, o que só adicionou charme à imagem. — Estas são ótimas — disse Lauren, olhando por cima do ombro de Holly para a tela. — Obrigada. Eu comprei essa câmera no ano passado e foi minha resolução de Ano Novo começar a tirar mais fotos. — Sabe, eu estive pensando sobre tirar algumas fotos da família... — ela parou quando Chase gemeu. — Oh, pare de resmungar — ela disse a seu marido com um sorriso. — Você está bem, mesmo coberto de poeira e sujeira. — Ele riu e voltou a colocar comida em sua boca. — Você está me pedindo para tirar suas fotos de família? — Holly Bookstore, Coffeehouse, Wine Bar e Photography Studio — Melissa disse. Holly riu. — O que é tudo isso? — Perguntou Haley, balançando um de seus meninos para dormir. — Oh, a nova ideia para a livraria de Holly. — Ela sorriu para a amiga. Holly disse a todos seu plano de melhorias, e todos adoraram a ideia. — Será que o Sr. Nolan sabe de seus planos? — Perguntou Grant.

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— Sr. Nolan? — Alex franziu a testa e olhou para o marido. — Claro, ele é dono do prédio. — Ele virou para Holly, que assentiu. — Sim, ele era dono do prédio desde antes de minha mãe abrir a livraria. — Eu não sabia disso — disse Melissa. — Nenhum de nós sabia, a não ser o meu marido, aparentemente. — Alex olhou para seu marido, que segurava sua filha dormindo. — Ele é dono de uma grande parte dos edifícios vazios do centro. Quando era prefeito, possuía grandes planos de reformá-los. Queria ver o centro restaurado à sua antiga glória. — Ele deu de ombros. — Pelo menos esse era o plano antes... — ele olhou para a menina dormindo e franziu a testa. Alex aproximou-se e colocou os braços ao redor dele. — Não — ela disse ao marido. — Não vamos pensar sobre isso. — Grant olhou para ela, acenou com a cabeça e sorriu. — Tenho certeza que posso convencê-lo a deixar-me fazer as alterações. — Disse Holly. — A última vez que falei com ele, estava animado com minhas ideias. — Bem — disse Lauren, levantando-se da cadeira dobrável que trouxe. — É hora da criança dormir. Limparam os pratos de plástico e colocaram as sobras na geladeira velha. — Deixe-nos saber se você precisar de mais ajuda. — Grant olhou ao redor do lugar. — Há bons ossos aqui. Tudo que precisa é algum trabalho e um pouco de tinta fresca. Melissa e Reece estavam na varanda da frente e viram todo mundo ir embora. Quando a estrada estava silenciosa e escura, ele passou os braços em torno dela e beijou-a. — Como foi seu dia? — Perguntou finalmente, puxando-a para ele. — Longo. Mas não tanto como o seu, eu aposto. — Machuquei lugares que esqueci que possuía. — Ele sorriu. — Bem, então — ela puxou-o mais próximo — que tal uma massagem? — Mmmm, agora que você está falando. — Eles entraram na casa juntos. — Vai ter que ser no chão, já que você não tem colchão ainda. Ele gemeu. — Tudo bem, a primeira coisa que farei amanhã é ir para Tyler conseguir um.

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— Sério? — Ela afastou-se. — Porque há uma lista. — Ela se virou para ir embora. — Vá comigo. — Ele a puxou de volta para ele. — Para Tyler? — Ele acenou com a cabeça. — Para comprar móveis? — Ele balançou a cabeça novamente. — E quanto aos outros itens da lista? — Ela mordeu o lábio inferior. — O que quiser. — Ele deu de ombros. Ela sorriu e saltou para cima e para baixo. — Vou ligar e dizer que estou doente.

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Capítulo Quatorze Os dias seguintes foram preenchidos com compras e repetidamente mover coisas pesadas ao redor de sua casa. Na segunda-feira de manhã, suas costas estavam doloridas, e um local no seu pé estava dormente. Naquela manhã, ele tinha um cliente entregando um cavalo quarto de milha de dois anos de idade, o primeiro cavalo que treinaria no curral de sua terra. Ele dificilmente podia reunir a emoção que normalmente acompanha um novo trabalho. Ele observou Melissa afastar-se logo após tomar um café da manhã com suco de laranja e torradas. Quando voltou para a sua casa, ele sorriu. Ele tinha uma seção de couro, mesas de centro, e luminares, para não mencionar a enorme tela plana que ele se convenceu a comprar na loja, pendurada sobre a lareira. As paredes ainda estavam nuas, mas o lugar finalmente estava se organizando. Tudo graças a Melissa. Ele apenas se trocou, certificando-se de amarrar ambas as joelheiras e cinta das costas que usava quando domava, quando ouviu um carro parar. Saindo, ele ficou chocado ao ver Savannah de pé em sua varanda. — Bem, isso é acolhedor. — Ela olhou para sua varanda. — Olá, Savannah. — Ele saiu para a varanda da frente e deixou a porta de tela se fechar atrás dele. — O que posso fazer por você hoje? — Ele notou que os olhos dela ainda estavam um pouco inchados do nariz quebrado, mas na maior parte, seu rosto estava de volta ao normal. Ela usava uma apertada regata decotada e leggings pretas que abraçava cada curva. Seus saltos pontiagudos a deixaram quase da mesma altura que ele. Seus seios pareciam bem maiores, mas achava que não era lugar para ele olhar, fato que não passou despercebido por ela. Ela aproximou-se dele e começou a esfregar o peito contra o dele. — Bem, eu estava apenas de passagem. Sabe, sendo amigável a um novo vizinho. — Ela ronronou, passando as mãos pelos cabelos dele.

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O fato de estar aqui há quase uma semana e ela aparecer pela primeira vez quando estava lá sozinho não lhe escapou. — Sabe, dar-lhe as boas-vindas adequada. — Ela colocou seus lábios vermelhos nos dele tão rapidamente que ele não teve a chance de se afastar. Ele estava prestes a afastá-la quando ouviu o carro de seu cliente parar. Ele gemeu por dentro, no sincronismo e, em seguida, olhou para ver o carro de Melissa parar no final da calçada. Ela rapidamente deu marcha à ré e acelerou para fora da garagem, indo em direção à cidade. O medo passou por ele tão rapidamente que empurrou Savannah longe e correu em direção a sua caminhonete. Ele acabara de chegar à curva, quando ouviu o acidente à frente.

Melissa estava chateada. Como ele ousa fazer isso com ela? Deu tudo a ele, e ele mal esperou até que ela saísse para ter Savannah. Ela deveria saber que isso aconteceria quando se mudou para perto daquela bruxa. Afinal de contas, eles nunca realmente se comprometeram um com o outro. Mas disseram que amavam um ao outro. Ela poderia ter julgado mal a situação? Ela piscou para conter as lágrimas e repassou a cena na varanda da frente em sua mente. Ele parecia tentar escapar do aperto de Savannah. Compreensão a atingiu como um tijolo, e olhou no retrovisor para que pudesse dar marcha ré na estrada. Quando olhou para frente novamente, um enorme animal estava de pé no meio da estrada. Ela virou o volante para evitar a criatura enorme e percebeu tarde demais que virara demais. Seu carro girou e derrapou no parapeito. Ela gritou pouco antes de tudo ficar escuro. Quando acordou, ouviu alguém gritando seu nome. Algo escorria em seus olhos e piscou para eliminá-lo. — Não — disse Reece acima dela. — Não se mexa. Eu chamei a ambulância. — Ele segurou as mãos dela longe de seu rosto. — Eu... eu não posso ver. — Ela tentou piscar mais algumas vezes, mas tudo parecia escuro e confuso.

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— Você está sangrando muito, querida. Não se mexa. Ela tentou afastá-lo. — Não olhe. — Ela temia que ele desmaiasse e não fosse capaz de parar o sangramento. Ela tentou fazer sua mente funcionar, mas tudo estava distorcido. — Está tudo bem, estou com você. — Ela ouviu rasgar e, em seguida, havia uma pressão em sua testa e no ombro, e gritou de dor. — Eu sinto muito — disse ele, acalmando-a. — Eu tenho que manter isso aqui forte para parar o sangramento. — Reece, há sangue — ela repetiu. — Eu sei, Missy. Estou bem. — Ele pressionou com mais força em seu ombro. — Eu não estava fazendo nada com Savannah. Eu nem sabia que ela me beijaria — explicou enquanto fazia compressão em seu ombro e testa. — Eu sei. Eu percebi isso. Eu sei que você nunca faria algo assim. — Ela estendeu a mão e tocou-lhe a face. — Foi quando eu vi o veado. — Não se mova — ele repetiu e ela podia ouvir a ambulância na estrada. — Aí vem a ajuda. — Eu sinto muito — disse ela, tentando ver seus olhos verdes. — Eu deveria saber. — Não é culpa sua. Eu deveria ter dito a você como eu me sentia mais cedo — disse ele, inclinando a cabeça para mais perto dela. — É tudo culpa minha. — Como você se sentia? — Nada fazia sentido agora e tudo girava. Ele assentiu com a cabeça. — Eu estou mais do que apenas apaixonado por você, sabe. Só então ela ouviu pneus guinchar em, Tom e Roger, dois dos paramédicos com quem ela trabalhou nos últimos meses, correrem e começarem a fazer perguntas. — Você foi jogada do carro? — Perguntou Tom. Ela percebeu pela primeira vez que estava deitada no chão. — Não, eu me arrastei até aqui. Eu vi fumaça. — Ela tentou acenar em direção a seu carro. — Eu apaguei o fogo — disse Reece, acenando para o extintor de incêndio. — Puxei-a alguns metros para mais longe do carro, apenas no caso. — Tudo bem — disse Tom, começando a trabalhar para protegê-la.

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Quando a colocaram na maca, percebeu a extensão de sua dor. Parecia como pontas afiadas presas, e tanto suas pernas quanto seus braços começavam a ficar dormentes. Sua cabeça estava leve e tonta. — Tom, eu sinto muito, eu sei que não deveria, mas acho que vou desmaiar de novo. — Tudo ficou escuro novamente.

Reece estava na sala de espera da clínica, tentando não andar. A pequena sala estava cheia, e parecia não haver ar suficiente lá. — Reece, venha sentar-se — Holly sugeriu, batendo no assento ao lado dela. Ele balançou a cabeça. — Quando vão nos dizer alguma coisa? — Em breve — disse Lauren, segurando a mão de Chase mais apertado. — Por que não a levam para o hospital em Tyler? Eu posso dirigir... — ele parou quando os pais dela entraram correndo. — Nós acabamos de ouvir. — O olhar preocupado em seus rostos quase o desfez. Quando Grant correu através do quarto para abraçá-los, sentiu uma onda de vergonha acertá-lo com força total. Isso tudo foi culpa dele. Ele nunca deveria ter deixado Savannah chegar tão perto dele. Ele deveria ter dito a ela que não estava interessado há muito tempo. Então percebeu que os pais dela estavam de pé na frente dele. — Você estava com ela? — Perguntaram. Preocupação destruía os seus rostos. Ele balançou a cabeça negativamente. — Eu a seguia e ouvi o estrondo. Houve um veado — disse ele, sentindo-se como se estivesse prestes a chorar. Quando a mãe de Melissa se aproximou e envolveu-o em um abraço, ele chorou. Desculpando-se o tempo todo, ele explicou o que aconteceu. — Oh, pobre querida. Missy, como lhe chama, é uma jovem mulher forte. Ela sabe que não deve acreditar em qualquer um dos truques daquela mulher. — Carolyn sorriu para ele. — Além disso, todo mundo na cidade sabe o que vocês dois sentem um pelo outro.

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— Eu deveria ter... — ele começou, apenas para ser silenciado por ela novamente. — Não há tempo para deveria ter. Aqui está o médico agora. — Ela levantouse. Dr. Conner ergueu as mãos para parar todas as perguntas. — Melissa está bem. Ela tem uma clavícula quebrada, algumas costelas machucadas, uma concussão, e alguns novos pontos em seu couro cabeludo e no ombro. Nós a manteremos aqui por alguns dias, mas não precisará ir para Tyler. Todo mundo suspirou e Reece adiantou-se. — Eu posso vê-la? — O médico olhou de cima e abaixo, em seguida, acenou com a cabeça. — Um de cada vez. Quando entrou em seu quarto, os olhos dela estavam fechados e ele desejou virar se e sair correndo. Ele destruiu tudo. Aqui estava a única pessoa em sua vida que já o amou e ele destruiu. Destruiu-a. — Hey — ela disse, com voz fraca e baixa. — Venha aqui. Ele olhou para cima para ver seus olhos azuis olhando para ele. — Eu pensei que você estava dormindo. Ela começou a sacudir a cabeça, mas parou e gemeu. — Não. Concussão significa que serei mantida acordada ou checada pelas próximas 24 horas. — Vinte e quatro? — Sim. — Ela deu um tapinha na cama ao lado dela. — Então por que você não fica confortável? Ele olhou em volta. — Horário de visitação termina as oito. — Tudo bem. Eu conheço algumas pessoas, e tenho certeza que posso convencê-los de que você deve ficar por aqui. Afinal, qualquer coisa para me ajudar a curar. Ele deu um passo para frente e depois outro. — Reece? — Ela disse.

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Ele olhou para ela, com medo de que ela sofria muito. Ele estava pronto para correr e agarrar uma enfermeira, quando ela riu, em seguida, agarrou seu lado e suspirou. — Eu estou bem, realmente. Venha até aqui. Ele aproximou-se e delicadamente sentou ao lado dela, tomando-lhe a mão. Ela suspirou de novo, e desta vez ele podia ouvir o prazer em seu tom. — Pronto, muito melhor. — Ela fechou os olhos e ficou tranquila. Apenas quando ele estava preocupado que ela tinha caído no sono, ela disse, — Não vá, ok? Ele balançou a cabeça, em seguida, percebeu que seus olhos ainda estavam fechados. — Eu prometo — disse ele com uma voz trêmula.

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Capítulo Quinze Ela sabia o que fazer. Ela esteve do outro lado muitas vezes, mas nada poderia tê-la preparado para a dor que sentia cada vez que os enfermeiros entravam para verificá-la. A dor da clavícula quebrada e as costelas machucadas poderiam ser gerenciadas por uma falta de movimento, mas a concussão doía toda vez que ela abria os olhos. Tentou mantê-los fechados, mas o barulho continuou na escuridão da sua mente. A única coisa que parecia fazê-la se sentir melhor era saber que Reece estava sentado ao lado dela. A família dela entrou e a visitou brevemente. Uma vez que ela asseguroulhes que estava bem, eles deixaram Reece sentar ao lado dela. — Ele culpa a si mesmo — sua mãe disse a ela. — Eu sei. A culpa foi minha. Foi estúpido da minha parte afastar-me chateada. — Ela fechou os olhos e pensou em quão pior poderia ter sido. — Gostaria de pensar que o veado fosse o culpado. — A mãe apertou a mão dela. — Você sabia que quando seu pai e eu namorávamos, bati em um veado e bati o meu carro? Na semana seguinte, eu pedi emprestada a caminhonete de seu pai e atingi outro, destruindo sua caminhonete também. Eu tive mais sorte nesse ano que a maioria dos caçadores. — Ela riu com a mãe, isso fez a dor propagar em todo seu corpo, e quando olhou para cima, viu uma lágrima escapar dos olhos de sua mãe. — Descanse. Eu sei que Reece está morrendo para voltar ao seu lado. Estaremos por perto. — Ela inclinou-se e beijou-lhe a testa, e Missy se sentiu melhor. — Obrigada, mãe. — Você é uma menina de muita sorte e inteligente. Não deixe que a culpa fique no caminho do que está diretamente na sua frente. Quando Reece voltou, ela agarrou sua mão e apertou, sabendo que havia muito a dizer-lhe agora que sentia-se melhor.

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Uma hora mais tarde, o cheiro do almoço rolou em seu quarto, ela estava morrendo de fome. Começou com algumas colheradas de sopa e mordiscou o pão, mas poucos minutos depois sentiu tonturas e náuseas. — Devo chamar uma enfermeira? — Reece empalideceu enquanto observava. — Não. — Ela parou de balançar a cabeça. — Vai passar. Isso vem com a concussão. Uns poucos minutos de olhos fechados e respirar lentamente ajudou e permitiu que comesse o resto de seu almoço. — Vou te contar — ela disse a Riley, um de seus colegas de trabalho que veio remover a bandeja vazia. — Quando voltar para o trabalho, terei um novo respeito para os feridos. Riley riu. — Sei o que você quer dizer. Quebrei minha perna uma vez e fiquei durante três dias no hospital em Dallas. — Ela balançou a cabeça. — Acho que é verdade o que dizem, que o pessoal médico são os piores pacientes. — Eu fui suportável, entretanto? — Perguntou Missy, provocando um riso a Riley. — Você é a paciente mais fácil que eu tive em todo o ano. — Ela olhou para a porta. — Agora, se a sala dois fosse tão boa. A clínica tinha apenas quatro quartos para pernoite para tais ocasiões e ela estava esperando à sala dois. Sr. Dillard, um senhor mais velho, era um empreiteiro contratado que tivera uma queda de um grande galho de árvore sobre ele alguns dias atrás. Ele tinha um pé quebrado, mas por causa de sua idade, Dr. Conner queria observá-lo por um tempo. Sr. Dillard não estava muito satisfeito com a estadia e era muito vocal em suas queixas. Ao longo das próximas horas, muitos amigos visitaram Melissa no quarto. Ela convenceu Reece a ficar por perto, mas ele precisou sair para alguns telefonemas. Ele parecia distraído e quando voltou para o quarto após a quinta chamada, ela percebeu o porquê. — Oh, seu cavalo viria hoje. — Ela fez uma careta. — Ele veio. Ele está lá, são e salvo no celeiro.

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— Reece, você não precisa ficar. — Ela sentia-se culpada por afastá-lo do seu trabalho e compromisso. — Eu estou fora de problemas agora — disse ela, sentando-se lentamente. Ele balançou a cabeça. — Você está me expulsando? — Perguntou ele com um sorriso. — Não, claro que não. Mas, se você precisar... — Missy, eu estou onde quero estar. — Ele pegou a mão dela. — Mas se você precisa... Ele parou, inclinando-se para baixo e colocando um beijo em seus lábios. Ela fechou os olhos e desfrutou a sensação dele.

Ela o convenceu na hora do jantar a ir à rua e pegar uma boa refeição no Mama desde que a clínica não serve comida muito boa. Ela estava felizmente surpresa quando ele trouxe uma grande caixa de comida para ela. Ela saboreou cada mordida, sabendo que o retorno de seu apetite significava que estava se recuperando. Algumas horas mais tarde, ela mais uma vez tentou convencer Reece a ir para casa e ter uma boa noite de sono, mas ele não quis ouvir. Em vez disso, colocou os pés na beira da cama, recostou-se na cadeira e fechou os olhos. Ela observou-o por um tempo, mas deve ter adormecido. Ela acordou quando a enfermeira da noite, Stephanie, entrou para ver como estava e conferir seus sinais vitais. Ele acordou e salpicou Stephanie com perguntas. Ela não podia deixar de sentir-se mais apaixonada por ele a cada momento que ele estava ao seu lado. No dia seguinte, ela foi liberada e Reece a convenceu a voltar para a casa dele, em vez da dela, para que pudesse observá-la de perto. Eles pararam em sua casa e pegaram algumas de suas roupas e coisas para que ela pudesse ficar com ele. Ela foi informada pelo Dr. Conner a não voltar a trabalhar por uma semana inteira. Reece rapidamente respondeu que garantiria o descanso dela o tempo todo. Quando chegaram à casa dele, surpreendeu-se ao ver toda a sua família e os amigos na varanda da frente da casa de Reece.

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— O que está acontecendo? — Ela olhou para ele com uma pergunta. — Apenas uma pequena reunião. — Ele sorriu para ela. — Eu pensei que seria bom ter a sua família para comemorar sua recuperação. Ela sorriu. — Parece ótimo. Deus, espero que a minha mãe tenha cozinhado uma torta. — Ela ouviu seu estômago roncar e riu quando o dele roncou também. — Eu também — disse ele antes de dar a volta e ajudá-la a sair da caminhonete.

Naquela noite, depois que todos finalmente saíram da casa, ele sentou-se no sofá com Missy e viu o resto do jogo de beisebol na tela grande, enquanto ela dormia. Sua cabeça estava em seu colo, e gentilmente acariciou seus cabelos. Ela tinha que usar um grande colarinho branco em volta do pescoço para mantê-lo estável, e percebeu que ela moviam se muito devagar por causa de suas costelas. Ela tinha pontos em sua cabeça e ombro que precisavam permanecer secos e limpos, o que significava que teria que ter cuidado no banho. Ela tinha um frasco de pílulas para dor que precisava tomar duas vezes por dia com alimentos. Ela tomou sua primeira pílula depois de comer algo caseiro de sua mãe e torta. As pílulas a deixaram sonolenta, deitou no sofá e rapidamente adormeceu. Todos limparam silenciosamente e saíram. Ele olhou para ela em seu colo e sentiu seu coração pular. Ele nunca imaginou importar-se com alguém tanto quanto importava com ela. Ele quis dizer isso quando disse a ela que estava mais do que apenas apaixonado por ela. Ele nunca se sentiu assim com ninguém em toda sua vida, mesmo Ryan. Foi além de qualquer coisa que ele jamais soube que poderia existir, e sabia o que queria fazer sobre isso. Ele só queria ter certeza que ela estava saudável novamente antes de dar o passo seguinte. Ela se mexeu e abriu os olhos, mas viu que eles ainda estavam nublados. — Quer ir para o quarto? — Ele tirou o cabelo de seu rosto. — Eu mataria por um banho quente. — Ela esticou os braços em linha reta na frente dela e gemeu com um pouco de dor.

~ 129 ~


Ele franziu a testa. — Eu posso tomar um banho. — Ele a ajudou a sentar-se. — Contanto que minha cabeça e ombro permaneçam secos. Ele balançou a cabeça e levantou-se. — Vou ligar a água. — Reece? Coloque no quente. Meus músculos estão doloridos. — Ela esticou as pernas na frente dela. Ele balançou a cabeça e saiu da sala. Quando entrou no banheiro, ligou a água na banheira, em seguida, olhou-se no espelho. Ele precisava de um plano. Queria tornar especial para ela. Ela merecia algo especial. Fechou os olhos e sentiu como se batesse a cabeça contra o espelho. Então, uma ideia veio a ele. Holly. Holly saberia o que Missy sempre sonhou. Ele teria que passar na livraria amanhã e falar com ela e ver se poderia ajudá-lo. Ele se aproximou e jogou um pouco de sabão que deixara no chuveiro na banheira, deixando a água com bolhas. Ele testou a temperatura e teve certeza que estava quente, mas não fervente. Então foi para a sala ao lado para ajudá-la. Levou algum tempo, mas finalmente ela se inclinou para trás na água e suspirou. — Eu nunca pensei que despir você seria um desafio. — Ele riu e sentou na borda da banheira. — Eu nunca pensei que uma vez que você me despisse, eu pensaria em outra coisa do que estar com você. — Ela sorriu, então suspirou e inclinou a cabeça para trás. — Mas sair desse colar cervical é tão bom. — Não exagere — alertou, preocupado que ela estivesse movendo muito o pescoço. — Eu estou bem. — Ela olhou para ele. — De verdade. Ele assentiu com a cabeça. —Eu deixarei você aproveitar sua banheira. Quando estiver pronta para sair, me chame. Eu não quero que você escorregue. Ela assentiu com a cabeça ligeiramente. — Você pode diminuir as luzes? Ele se aproximou e acendeu a luz na sala e desligou a luz do banheiro.

~ 130 ~


— Está bom? — Sim, muito melhor. — Ela descansou novamente. — Eu posso apenas ficar aqui a noite toda. Pena que você não tem uma banheira com jatos. — Para você, eu vou adicioná-la à lista. — Quando saiu para a cozinha, fez exatamente isso. Eles tinham uma lista de coisas que precisavam ser consertadas ou substituídas. Ele olhou para as três páginas coladas à frente da geladeira e acrescentou banheira de hidromassagem sob o título banheiro principal. Ele olhou ao redor e as imagens que sua mente criara anteriormente sobre as três crianças correndo voltaram; ele as deixou vir. Ele caminhou ao redor da casa e acrescentou itens à lista que fariam seus sonhos uma realidade. Quando

terminou,

ele

podia

imaginar

a

vida

que

Missy

e

ele

compartilhariam. Agora, tudo o que precisava era fazer a pergunta mais difícil que qualquer homem já teve que perguntar.

~ 131 ~


Capítulo Dezesseis Missy estava ficando louca. Foi duro o suficiente estar machucada fisicamente, mas ela também estava enlouquecidamente entediada. A maioria dos dias durante a longa semana de quarentena, como dizia, ela passou deitada no sofá. Cinco dias depois de ser liberada, se sentia melhor e secretamente tirava o colar cervical sempre que Reece estava fora da casa. Ela se aventurara em várias ocasiões para a varanda da frente para poder vê-lo treinando os cavalos. O curral estava à vista do deck de frente e ela gostava de vê-lo trabalhar com os cavalos. Ele subiu em um garanhão preto ontem, e seus nervos quase a fez saltar de sua pele. Ela não suportava vê-lo voar através do ar, mesmo que ele estivesse rindo como se fosse o momento mais divertido de sua vida. Ela, na verdade, começou a roer suas unhas, algo que nunca fez antes. Como se acostumaria a vê-lo fazer isso para ganhar a vida? Será que sempre se preocuparia tanto com ele? Ela encostou-se ao parapeito da varanda e o assistiu agora. Ele realmente parecia gostar de ser lançado. Ela sabia que ele tinha dores e sofria com os solavancos, mas na maior parte, ele não reclamava. Ela franziu a testa. Na verdade, ele nunca se queixou. Era algo sobre ele que achava absolutamente fascinante. Sendo uma enfermeira, ela sabia que a maioria dos homens durões transformanva-se em grandes bebês no momento em que machucavam, mas não Reece. Ela pensou em como agiu desde o seu acidente de carro e suspirou. Ela se queixou o suficiente para ambos. Suas costelas se sentiam melhor e tiraria os pontos um dia antes de voltar ao trabalho. Ela só tinha dores de cabeça quando havia uma luz brilhante ou ruído alto. Seu pescoço começava a se sentir melhor, e estava pronta para abandonar o colar.

~ 132 ~


Ela estendeu a mão e tocou-o, desejando poder removê-lo agora. Mas estava dentro da visão de Reece e sabia que ele pararia o que fazia e a faria colocá-lo novamente. Ela sorriu. Ele foi maravilhoso cuidando dela. Ele preparou cada refeição desde que ela veio ficar com ele. Ela se sentava em um banquinho e o observava se mover em torno da cozinha. Ela suspirou agora, observando como a camisa dele estava presa a ele. O verão estava em pleno vapor e até mesmo ficar em pé na varanda da frente por dez minutos normalmente já encharcava sua camisa de suor. A dele estava presa a ele e ela curtia cada linha que foi exposta. Ela viu o suor escorrer pelo seu rosto e braços enquanto pacientemente trabalhava com o cavalo. Ele era maravilhoso com os animais. Ela sabia que alguns domadores usavam força e raiva para levar os animais a fazerem o que queriam. Não Reece. Ele falava com o animal suavemente, pacientemente, e elogiava-o quando fez o que pediu. Ele esfregava seu pescoço e dava recompensas de cubos de açúcar ou fatias de maçã quando terminava de ensinar algo. Ela podia imaginá-lo da mesma forma com crianças. Ele era maravilhoso com seus sobrinhos; ela viu em primeira mão. Ela voltou para a casa fresca e imaginou criar uma família com ele aqui. Ela olhou em volta e sorriu. Este era um ótimo lugar para crianças. Seus filhos. Ela encostou-se ao bar e pensou sobre como levá-lo a ver o que estava vendo. Ela nunca pensou em se casar ou ter filhos com ninguém antes; nenhum outro serviria. Pegando o celular, ela ligou para Holly. — Ei, como você está? — Perguntou Holly. — Eu estou bem. — Ela desabotoou o colarinho e moveu o pescoço para testar as águas. Foi um pouco dolorido, mas não tão ruim quanto costumava ser. — Eu tenho uma pergunta. — Atire. — Você sabe como pedir um homem em casamento? — O quê? O quê? — Perguntou Holly, sua voz ficando um pouco mais alta. Ela riu. — Eu quero casar com Reece, mas não tenho certeza de como proceder para perguntar-lhe.

~ 133 ~


Holly ficou em silêncio por um tempo. — Eu não tenho certeza. Nunca pedi a alguém para casar comigo antes. — Eu sei disso. — Ela riu. — Você não leu em um livro ou algo assim? Ela ficou em silêncio por um tempo. — É comum para o homem... — Holly, eu não sei se Reece pensa em perguntar para mim. Além disso, não quero esperar. Sei o que eu quero, e não quero esperar por isso. Sua amiga riu. — Digo-lhe isso, que tal eu pensar sobre isso por um tempo e ligar de volta mais tarde, esta noite? — Ok. — Ela fez uma careta. Então, ouviu o sinal sonoro de sino acima da porta da livraria e percebeu que interrompera a jornada de trabalho de sua amiga. Era muito difícil ter uma semana inteira de folga do trabalho e lembrar que todo mundo precisava estar no trabalho. — Sinto muito por interromper o seu dia. — Não é grande coisa. Estou me preparando para o tempo de leitura. Ligarei de volta mais tarde, esta noite. — Tudo bem, obrigada. — Ela desligou e apoiou a cabeça nas mãos. Uma ideia começou a se formar em sua mente e levantou do banquinho. Levaria algum tempo planejamento, mas sabia que não havia nenhuma recompensa sem um pouco de trabalho duro.

Reece olhou para o seu telefone e franziu a testa. Ele não sabia o que a mensagem de texto de Holly queria dizer, mas confiava nela o suficiente para alterar os seus planos. Ele mandou uma mensagem de volta e disse que colocaria seu plano em movimento naquela noite. Ele apenas rezou para que Holly fosse capaz de organizar tudo com o tempo. Olhando para o relógio em seu telefone, franziu a testa e percebeu que teria que abreviar seu dia de trabalho em algumas horas. Quando entrou na casa, ouviu Melissa no chuveiro e tirou a roupa enquanto caminhava para o banheiro. — Oi — disse ele antes de abrir a porta do chuveiro.

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— Oh — ela se virou e pulou um pouco. — Oi. — Ela sorriu. — Eu não sabia que você já terminou. — Eu saí cedo. O que você diz de jantar na cidade? Ela sorriu. — Parece ótimo. — Ela colocou os braços em volta do pescoço dele, esfregando seu corpo molhado contra o dele, e ele sabia que se atrasariam para seu próprio noivado.

Quando finalmente foram para cidade, com apenas dez minutos de atraso, eles estacionaram na frente da Mama e ele se virou para ela. Ela usava um vestido de verão solto que mostrava os ombros. Substituiu as grandes ataduras brancas em seu ombro e testa com os de cor da pele. Ele usava um par de seus melhores jeans e uma de suas melhores camisas de botão e botas. Eles chegaram e ele sentiu seus nervos chutando enquanto a ajudava a sair do carro. — Você se importaria? — Ele parou de caminhar em direção da Mama. — Holly tinha uma cópia de seu livro para mim. Eu prometi que passaria para pegálo da próxima vez que estivesse na cidade. — Ele acenou com a cabeça para a livraria ao lado. — Claro — ela sorriu. — Era para eu conversar com ela sobre alguma coisa. — Ele viu um brilho nos olhos dela. Eles caminharam ao lado, de mãos dadas, e ele abriu a porta para ela, animado sobre o que estava por vir.

Estava escuro na livraria, e Melissa perguntou-se sobre sua amiga fechar a loja mais cedo naquele dia. Ela olhou para o relógio e franziu a testa. A livraria ainda devia estar aberta por pelo menos mais uma hora. — Holly? — Ela gritou.

~ 135 ~


— Ela não está aqui — disse Reece atrás dela. Ele pegou sua mão e caminhou com ela até a lareira dos fundos. Lá na frente da lareira estava uma pequena mesa para dois. Velas acesas na mesa, e luzes brancas foram amarradas em torno das estantes, dando a toda a sala pouco brilho. Havia pratos cheios de comida com cheiro maravilhoso na mesa e uma garrafa de vinho com dois copos. Um buquê de rosas vermelhas colocado no meio da mesa que estava coberta com uma toalha de cor creme. — O quê? — Ela parou de andar e se virou para Reece, que apenas sorriu para ela. — Eu pensei que seria agradável jantar apenas nós dois, em vez de um restaurante lotado. — Ele acenou para os pratos. — Eles podem estar um pouco frios, uma vez que o nosso banho demorou um pouco mais. — Ele riu e puxou-a para mais perto. — Você? — Ela engoliu em seco. — Você organizou tudo isso? Ele assentiu, pegou sua mão e levou-a até a mesa onde puxou uma cadeira para ela. — Espere — disse ela, retirando seu colar e o colocando de lado. — Não. — Ela moveu seu pescoço ao redor. — Só por hoje — disse ela, quando ele começou a se opor. Ele olhou para ela e, finalmente, concordou. — Só por hoje à noite. — Ele segurou a cadeira para ela que aproximou e sentou-se. Serviu-lhe um copo de vinho, em seguida, sentou. — Isso é maravilhoso. Não posso acreditar que Holly não contou seus planos quando falei com ela há um tempo. Ele riu. — Ela pode ser subornada para manter um segredo. — Oh? — Ela olhou para ele. — Você terá que me contar todos os seus segredos. — Ela sorriu. A comida ainda estava quente e deliciosa e quando ambos terminaram de comer, ele se aproximou e pegou um grande bolo de trás do balcão de Holly. Ele estava coberto e quando o colocou na frente dela, ele parecia nervoso. — Eu... eu pedi Holly para fazer este bolo especial. — Ele removeu a tampa e, em seguida, colocou-o em cima da mesa.

~ 136 ~


Ela olhou para o bolo e seu sorriso desapareceu de seu rosto. Em glacê branco e rosas vermelhas estavam as palavras, Missy, você quer se casar comigo? Ela virou-se para Reece, que agora estava ajoelhado ao lado dela, uma caixa preta lisa em sua mão. Um bonito anel de diamante nela. Ele pegou a mão dela e limpou a garganta. — Missy, você é a mulher dos meus sonhos. — Ele balançou a cabeça. — Na verdade, os meus sonhos nunca foram tão bons. — Ele sorriu para ela. — Eu não posso imaginar um momento sem você do meu lado. Eu quero estar com você a cada segundo do dia. Toda noite eu quero estender a mão e sentir seu coração bater junto com o meu. Por favor, diga que você se casará comigo? Ela engoliu em seco e olhou em volta. A pequena livraria foi transformada em algo saído de um conto de fadas com o qual sonhara em sua juventude. Este foi o momento com que sonhou em toda a sua vida. Olhando para baixo, notou que Reece olhava para ela, esperando. Balançando a cabeça, ela engoliu em seco e sorriu. — Sim. — Saiu como um guincho. — É claro que eu vou casar com você. — Ela riu quando ele se inclinou e tomou-a nos braços e abraçou-a suavemente. Quando ela se afastou, olhou em seus olhos verdes. — Você é o homem dos meus sonhos. Eu soube disso no momento em que abriu os olhos na minha mesa de exames. — Ela sorriu. — Eu quero construir uma vida com você. Ele a puxou para perto e colocou o anel em seu dedo. Ele se encaixou perfeitamente e ela não pôde deixar de sorrir quando o viu brilhar sob a luz suave. — É perfeito. — Ela olhou para ele. — Você é perfeito. — Ela estendeu a mão e beijou-o novamente. — Eu não poderia pedir um momento mais perfeito.

~ 137 ~


Epílogo Reece estava em seu curral e olhou em direção a casa. Melissa estaria em casa do trabalho a qualquer momento. Ele ainda tinha um choque de alegria completa passando quando pensava nesta casa como a deles. Ela mudou as coisas dela duas semanas mais cedo, e eles disseram as suas famílias sobre o noivado. Seu negócio decolava, e tinha uma série de propostas de trabalho esperando por ele. Ele precisou começar a aceitar reservas, uma vez que estava perdendo o controle de todos os pedidos de trabalho. Missy ajudara a organizar seus livros e programação. Eles montaram um pequeno escritório para ele em um dos quartos e falaram sobre ter um laptop para que ele pudesse fazer toda a sua programação online. Ele se virou e observou-a em seu carro novo, um de quatro portas desta vez. Ele queria que fosse um carro maior, desejava que fosse uma caminhonete. Ela insistiu em um menor e melhor economia de gasolina. Ele acenou para ela e amarrou o cavalo em que trabalhava na cerca. Ele pulou a cerca e deu um beijo em seus lábios. — Como foi seu dia? Ela sorriu para ele. — Bom. — Em seguida, franziu a testa. — Eu ouvi de minha amiga em Houston. — Hmm? — Ele afastou o cabelo do rosto dela suavemente. Ele nunca se cansava de tocá-la, de ver seus olhos derreterem quando o fazia. — Sobre ter visto o seu irmão. Ele se acalmou depois assentiu. — Ela me disse que a polícia apareceu menos de uma hora após moverem o homem que foi baleado para um quarto privado, e eles o removeram. — O que isso significa? Ela encolheu os ombros.

~ 138 ~


— Isso pode significar algumas coisas. Ele deixou cair os braços e deu alguns passos para longe dela. — Você conseguiu o seu nome? Ela balançou a cabeça. — Ele não forneceu. O chamamos de John Doe. Mas eu estava certa sobre a data e descrição. Alguns de nós colocamos nossas notas sobre detalhes visíveis. Vários dos enfermeiros escreveram sobre olhos verdes, cabelos castanhos e uma pequena cicatriz acima do olho esquerdo. Ele parou de andar e se virou para ela. — Olho esquerdo? — Ela assentiu com a cabeça e ele sentiu seu estômago revirar. — Ryan. — Você tem certeza? — Sim. — Ele fechou os olhos e lembrou-se do rosto do irmão. — Eu dei a ele. — Bem, Carol, essa é a enfermeira-chefe que trabalha em Houston, ela diz que notou que a polícia chegou e levou-o para longe. Eles alegaram que ele era perigoso. — Ela olhou para suas mãos, e ele sentiu o mundo girar. Seu irmão, seu irmão gêmeo acabou pior do que o seu velho. Não! Ele não acreditará até que visse por si mesmo. — Eu acho que é hora de contratar alguém para encontrá-lo. Não vou acreditar até eu ver por mim mesmo. Ela sorriu e acenou com a cabeça. — Eu esperava que você dissesse isso. — Ela tirou um pedaço de papel de sua bolsa. — Aqui. — O que é isso? — Ele olhou para ela e franziu a testa. — É um recibo para a contratação de um detetive particular. — Ela sorriu. — Eu conversei com o meu pai e ele recomenda este homem. Eu acho que ele o representou há muito tempo. — Ela acenou com o braço dela. — De qualquer forma, o meu pai jura que ele é o melhor. — Você contratou um detetive para encontrar o meu irmão? — Quando ela acenou com a cabeça, ele a puxou para mais perto dele e beijou-a. — Você é a melhor. Ela sorriu para ele.

~ 139 ~


— Eu sei. Ele riu.

~ 140 ~


Missy's Moment vol. 4 (revisado) - Jill Sanders