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Haley esperou a vida inteira por Wes. Eles foram namorados secretos durante toda escola até que ele decidiu juntar-se ao serviço militar após a graduação. Desolada, Haley teve de esperar até o dia em que ele voltasse para casa. Mas passaram-se cinco longos anos, e finalmente ela decidiu seguir em frente com sua vida. Isto é, até que ele volta para a cidade, mais sexy do que nunca. Wes tinha uma coisa em mente desde que deixou tudo para trás – voltar com Haley. Suas experiências no exterior o fizeram perceber que ele quase a deixou escapar por entre os dedos. Tudo o que ele quer agora é provar a ela que esperar por ele foi a escolha certa.

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Prólogo Haley West sentou-se na beira da lagoa e chorou até que não podia chorar mais. Ela tinha 14 anos de idade e agora ambos os pais morreram. O funeral do seu pai ocorreu na semana passada. Ainda era difícil acreditar que ele não estava mais lá para falar ou andar a cavalo. A mãe de Haley morreu quando ela tinha apenas quatro anos de idade, muito jovem para se lembrar dela. Mas sua primeira memória real foi a do choque, sabendo que foi por causa dela que sua mãe foi tirada do meio deles. Ela cresceu acreditando que era ela, e não o tornado, que terminou tragicamente com a vida de sua jovem mãe, e fez tudo em seu poder para se certificar de que ela nunca faria mal a ninguém ou qualquer coisa de novo. Sentindo uma cutucada no ombro dela, olhou para Dash, seu cavalo quarto de milha cinza. Ele era o cavalo mais rápido no rancho e era todo dela. Seu pai o comprou para seu décimo quarto aniversário, há alguns meses. Ela mencionara a ele que queria tentar sua sorte em corridas de barril como sua irmã mais velha, Alex. Depois de pegar o cavalo novo, ela tentou algumas vezes, mas decidiu que gostava muito mais de correr pelos campos com ele. Eles eram tão rápidos juntos. O cavalo parecia saber o que sentia e pensava. Ele sempre a levou para onde ela queria estar, mesmo hoje. — Eu sei. — Disse ao cavalo. Era hora do jantar e ela estaria perdida se não voltasse para casa. Lauren, sua irmã mais velha, estava encarregada de tudo agora, incluindo suas duas irmãs mais novas. Usando a parte de trás de sua manga para enxugar suas lágrimas, Haley começou a levantar-se do

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chão macio, onde se jogara para um bom ataque de choro. Ela parou quando ouviu um ramo quebrar longe dela. Tudo ao redor da lagoa, os arbustos e árvores eram altos. Mesmo tão cedo na primavera, as folhas verdes eram muito grossas. Demorou um pouco, mas finalmente notou um rapaz alto, em pé, ao lado direito de um dos galhos baixos de um grande carvalho, a poucos metros de distância. — Hey. — Disse ela facilmente. Ela nasceu e cresceu em Fairplay, Texas e conhecia quase todo mundo que morava lá. — Hey. — Ele disse, dando um passo a frente lentamente. Ele usava uma velha camisa azul e branca, de mangas arregaçadas até os cotovelos. Sua calça jeans e botas estavam cobertas de poeira e sujeira seca, provavelmente de atravessar os campos. Seu cabelo era longo e escuro, um pouco espetado como se suas mãos tivessem passado por ali. Ele tinha os olhos mais escuros que já vira, mas quando sorria, passavam a um mel, marrom quente. Ele caminhou até ela e a puxou em seus braços. — Sinto muito. — sussurrou ao lado de seu ouvido. — Acabamos de voltar da cidade ontem das férias de primavera na casa de minha tia, em Dallas, e ouvi o que aconteceu com o seu pai. Ela assentiu com a cabeça em seu ombro. Pensou ter derramado todas as lágrimas, até que Wes Tanner abraçou-a. Ela chorou um pouco mais contra sua camisa. E quando cansou de chorar, finalmente sentiu que tudo ficaria bem.

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Capítulo Um Haley ia matá-lo. Seus olhos perfuraram buracos em suas costas enquanto ele conversava com seus amigos do outro lado da sala. Como ele ousa fazer isso com ela! Tinha os braços cruzados sobre o peito. Ela tentou negar, mas começou a sentir a tristeza chegando. Ele ainda não tivera a coragem de contar a ela a grande novidade. Em vez disso, ela teve que ouvir isso de seus melhores amigos, que falavam um pouco alto demais na festa, depois de beber algumas cervejas a mais. Mas se o que eles diziam era verdade, ela mataria Wesley Tanner e enterraria onde ninguém encontrasse o seu corpo robusto de boa aparência. Ela circulou ao redor da sala por alguns minutos, tentando se acalmar antes de se aproximar dele. Era a sua festa de formatura e cada sênior em sua pequena escola estava lá, festejando. Todo mundo estava querendo conversar, por isso levou um tempo para fazer o seu caminho através da sala. Quando ela foi abordada por Hannah, uma de suas amigas desde a escola primária, ela suspirou, sabendo que seria retida mais uma vez. — Você ouviu? — Sua amiga a pegou pelo braço e puxou para um canto escuro. — É verdade? — O quê? Haley começou a esfregar a testa. Ela tinha certeza que estava ficando lentamente com uma enxaqueca, mas desde que nunca teve uma antes em sua vida, não poderia a ter certeza. — Wes vai juntar-se ao exército? — Perguntou Hannah, preocupada. Haley não sabia o que dizer. Ela deveria dizer a amiga que seu melhor amigo e namorado desde a escola primária decidiu não compartilhar esta notícia com ela? Era demais para pensar. A traição

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estava comendo-a, então, ao invés, ela se afastou, indo em direção à porta para um pouco de ar fresco. Ela saiu do ginásio do colégio e dirigiu-se para o pátio da escola primária. Recolhendo seu longo vestido, sentou-se no balanço e tirou as sandálias. Empurrando-se, começou a balançar lentamente. Não podia ser verdade. Sua mente começou a correr por todos os cenários de como ela estava sendo maldosa. Talvez Wes nem soubesse o que todo mundo falava sobre ele? Ela estava prestes a se levantar e ir encontrá-lo, para ter certeza, quando sentiu as mãos em suas costas. — Quer um empurrão? — Perguntou ele junto à sua orelha. Ela rapidamente levantou e virou-se para ele. — É verdade? — Ela perguntou, cruzando os braços sobre o peito. Ele imitou sua postura. — O que é verdade? — Ele inclinou a cabeça e olhou para ela. — Que você vai se juntar ao exército? Você está deixando Fairplay amanhã? Seus olhos abriram-se amplamente e seu sorriso desapareceu. — Haley ouça... Mas ela virou-se e começou a caminhar para longe dele rapidamente. Não precisava ouvi-lo dizer isso. Ela viu a resposta em seus olhos; estava escrito em seu rosto. Quando ele estendeu a mão para o braço dela, ela o afastou. — Por quê? — Ela gritou com ele. — Por que eu sou a última a saber? Ela não se importava se alguém os escutasse. Ele apenas arrancara o coração dela e o jogou de lado. — Eu queria te dizer... — Ele levantou as mãos para segurar seus braços de novo, mas ela se afastou. — Não. — Ela deu um passo para trás. — Te conheço toda a minha vida. Nós nunca escondemos qualquer coisa um do outro. Por que isso? Por que agora?

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— Eu não queria. Eu já disse a você há alguns anos que eu estava pensando sobre isso. — Pensando nisso! Não fazendo! — Ela empurrou seu peito, fazendo-o recuar um passo. Suas mãos caíram para o lado e viu a cabeça baixa. — Eu não pensei... — Não! Você não fez. — Ela virou-se e começou a andar pelo campo de futebol. Ela sempre os imaginou casando. Eles falaram sobre isso, mas agora. Ela se virou e olhou para ele enquanto ele seguia alguns passos atrás dela. — Sinto muito. — Disse ele, dando um passo em direção a ela. Ela o deixou se aproximar e segurar seus ombros. As tiras finas de seu vestido pouco fizeram para evitar o frio que a assolava enquanto pensava não vê-lo todos os dias. — Eu me inscrevi na semana passada, e não tive a coragem de te dizer. Você sabe que meu pai estava no exército, e seu pai, e seu... — Ele olhou para ela e enxugou uma lágrima de seu rosto. — Eu acho que não sabia o que queria fazer até a semana passada, até... — Ele calou-se e olhou para ela. Ela sabia sobre o que falava. No susto que ela teve na semana passada, quando pensou que estava grávida. Ela olhou para a sua barriga lisa e desejou que estivesse grávida. Talvez então ele tivesse ficado. Eles poderiam se casar e ela teria tudo o que sempre sonhou. Afastando-se de novo, ela fechou os olhos e segurou seus braços com força. — Então é isso? Você se assustou e vai embora. — Ela sussurrou. — Não. — Ele veio por trás dela e puxou-a para perto. — Eu acho que isso só me fez perceber que há um mundo inteiro lá fora esperando por mim. — Ele suspirou. — Somos muito jovens para pensar em começar uma família. — Ela o sentiu apertar sua cabeça. — Eu só precisava fazer isso. — Ele a virou novamente.

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As luzes da escola estavam muito fracas, muito longe para ver seu rosto claramente, mas sabia que seus olhos escuros estariam implorando para ela. Ela estava agradecida que não podia ver a suavidade, para que não se sentisse fraca e mudasse seu pensamento por se importar demais. Então, Dale, um dos melhores amigos de Wes, veio correndo até eles. — Aí estão vocês. Bem, vamos lá. Temos uma surpresa de despedida para você. — Ele agarrou Wes pelos ombros e o puxou para o ginásio novamente. Ela ficou ali no campo escuro, enquanto observava Wes afastarse dela. No meio do caminho de volta para o ginásio, ele olhou por cima do ombro para ela, mas ela tinha certeza que estava muito escuro para ele vê-la sentada no chão, chorando. Ela voltou para casa naquela noite e recusou-se a vê-lo na manhã seguinte, quando ele bateu em sua janela trancada. Ele bateu por quase meia hora antes de finalmente sair. Deixou um bilhete sob a janela, mas ela não teve coração ou a força para lê-lo. Em vez disso, empurrou-o em uma caixa grande com todas as suas outras lembranças dele. Então levou até o sótão, onde trancou junto com seu coração... até que ele voltasse. ************ Seis anos mais tarde, Wes estava ao lado do campo de futebol e sorriu. Era bom estar em casa. A maior parte da cidade de Fairplay, Texas, estava lotada na grande área do parque. Dois jogos de softball diferentes estavam acontecendo ao mesmo tempo. A equipe feminina de um lado e as crianças muito jovens, do outro. Era um contraste maravilhoso. As famílias de todas as áreas e formas se reuniram ao redor para as festividades de quatro de julho. Ele sabia que haveria muito churrasco e melancia, e à noite, fogos de artifício. O nível de ruído

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ensurdecedor cresceria na próxima hora. Era uma tradição de Fairplay desde o tempo em que ele podia lembrar-se. Quando sua mãe o chamou, ele atravessou a calçada em direção a ela. Sentia-se como se todos os olhos estivessem sobre ele, como se eles percebessem o ligeiro coxear que ele agora tinha, mas sorriu e manteve a cabeça erguida enquanto cruzava a rua e beijava a bochecha de sua mãe. — Aí está você. Poderia pensar que o exército teria lhe ensinado a aparecer na hora certa. — Ela sorriu e acariciou sua bochecha. — Pelo menos de vez em quando. Ele riu. — Eu gosto de fazer uma entrada. Ele acenou para a multidão. O jogo de softball realmente parou quando sua mãe chamou por ele. Podia ver todos os olhos sobre ele, e quase todos os rostos tinham um sorriso nele, exceto a arremessadora do jogo. E, claro, ela era a única para quem ele esteve olhando. Por

sua

vez,

ela

olhava

para

ele

como

se

fosse

um

fantasma. Quando acenou para ela, ela piscou e deixou a bola cair. Tateando, abaixou-se e pegou-a, em seguida, virou-se de costas para ele. As jogadoras da primeira e segunda base correram para o monte lançador e conversaram com ela por um tempo. A conversa foi acalorada, mas Haley venceu e se virou para lançar a bola. Ela levou um momento para se ajustar, em seguida, jogou uma das bolas mais rápidas que ele pôde se lembrar de ver uma menina lançar, golpeando o batedor para fora. — Essa menina é a melhor arremessadora deste lado do Mississippi. — Disse seu pai sentando-se ao lado dele. Ele tinha um braço cheio de tortas e biscoitos. Estendendo a mão, Wes pegou a comida e passou algumas para a sua mãe enquanto o pai se acomodava ao lado dele.

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— Ela com certeza tem um braço forte. — Disse Wes, sem mencionar que ele sabia com certeza que ela tinha muitas outras partes do corpo excelentes, também. Ela estava ótima. Se ele a tivesse visto antes, quando andava a curta distância para se juntar a sua mãe, provavelmente teria tentado esconder o coxear um pouco melhor. Ele não podia escondê-lo completamente, mas teria tentado. No restante do jogo, ela manteve

os olhos longe

das

arquibancadas. Ela jogou melhor do que se lembrava, e por isso sua equipe venceu, ela parecia muito cansada e esgotada. Seu cabelo escuro estava muito maior do que a última vez em que a viu, e foi se soltando da trança apertada que ela usava. Foi amarrado com um laço azul como as outras jogadoras da sua equipe. Ele podia ver as pequenas diferenças nela. Seus quadris estavam um pouco maior, seus seios mais cheios, ela parecia bem. Ela definitivamente preenchia o uniforme azul e branco. Sua pele estava bronzeada e ela tinha um brilho. Ela parecia feliz, como se estivesse se divertindo, até que ela o viu. Após o jogo, ele ficou perto das arquibancadas sob a sombra e conversou com todos. As pessoas se aproximaram de sua família, dando-lhe apertos de mão ou abraços e agradecendo-lhe. Sentia-se deslocado e queria estar em qualquer lugar, menos ali. Finalmente, depois de quase uma dezena de pessoas terem falado com ele, desculpou-se e começou a andar para o banco de reservas, esperando encontrar Haley. Ela estava lá, rodeada por quatro de suas amigas mais próximas e sua irmã Alexis. Ele não se importava com suas amigas, mas Alex tinha um lado dela que ninguém na cidade gostava de cruzar. Ele ouviu que ela se casou com Grant Holton, no ano passado, e esperava que talvez ela tivesse suavizado um pouco. — Wes Tanner, você é corajoso para vir aqui. — Disse Alex, cruzando os braços sobre o peito, como as outras garotas estavam

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fazendo. Todas, exceto Haley, a qual olhava para os próprios pés, como se desejasse estar em qualquer lugar, menos ali. — Adorável ver você, também, Sra. Holton. — Disse lentamente, então sorriu e caminhou até ela, dando-lhe um abraço apertado. — Estou contente de ver que finalmente abandonou Travis. Ela franziu a testa e balançou a cabeça. — Eu acho que você pode dizer que as irmãs West não são tolas quando se trata de encontrar o homem certo. Ela balançou a cabeça e olhou para Haley, e ele sentiu seu coração afundar. Ela tentava dizer a ele que Haley estava vendo alguém? Ou pior, se casou? Ele esteve tão ocupado durante o jogo olhando para ela, que não perguntou aos seus pais se ela estava envolvida com alguém. Quando Alex e as outras garotas perceberam o olhar chocado em seu rosto, assentiram com a cabeça educadamente para ele e foram embora, deixando-o sozinho com ela. Desde que ela ainda olhava para seus sapatos, ele levou esse tempo para se recuperar. — Hey. — Ele disse quando estavam sozinhos. Ela olhou para ele rapidamente, então se abaixou para pegar sua mochila, sem uma palavra. Ele se aproximou e ficou bem atrás dela. — Do que a sua irmã está falando? — Ele perguntou depois de um momento de silêncio. — Eu não sei o que você está falando. — Disse ela, com firmeza. Quando se virou, ela bateu solidamente nele. Suas mãos subiram para firmá-la. Ela tentou se afastar, mas suas mãos seguraram-na firmemente. Sentia falta de tocá-la, estar perto dela. — Você está vendo alguém? — Perguntou, observando-a. Então, tão rapidamente quanto abriu a boca, fechou-a e empurrou os ombros para trás. — Eu não vejo como isso é da sua conta. — Ela virou-se e jogou a bolsa no ombro, tentando bloqueá-lo. — Não, eu acho que é. — Ele deixou cair suas mãos, assim que Tom Blake desceu as escadas.

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— Oi. — Tom acenou para Wes, então ele viu o homem caminhar até Haley e plantar um beijo em sua bochecha, suficientemente respondendo sua pergunta. Ele sentiu o peito saltar um pouco enquanto observava Tom pegar a mão de Haley em sua própria. — Você foi maravilhosa no jogo. — Disse Tom, tentando puxá-la para mais perto, mas Wes percebeu quando ela hesitou. Então, ele soube que ainda tinha uma chance com ela. Ele observou a dupla atravessando o campo para onde sua família estava. Sua irmã Lauren, Chase seu cunhado, e seu filho estavam sentados com Alex e Grant, à sombra de uma fileira de árvores de carvalho. Sua mesa de piquenique estava cheia de comida e parecia que eles estavam preparados para os fogos de artifício que estavam previstos para começar em poucas horas. Seu pai caminhou até o lado dele, olhando para onde sua atenção foi atraída. — Ainda sente algo por essa menina, hein? — Seu pai descansou um braço em seu ombro. — Nunca passou. — Ele murmurou. Seu pai riu. — Não espere muito tempo. Aquele menino Blake esteve farejando ela por um tempo. Parece que estão começando a levar a sério. Seu pai puxou-o para seu local de piquenique, onde estiveram sempre, sob a mesma mesa de madeira velha. Sentou-se no local onde esculpiu as iniciais dele e da Haley na madeira velha. Passando os dedos sobre as letras desgastadas, olhou bem a tempo de ver o olhar dela se afastando dele. Sorrindo, decidiu que só precisava chegar com a estratégia certa. Afinal, o amor era a batalha mais importante que já lutara, e estava determinado a vencer esta guerra.

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Capítulo Dois Haley recostou contra o tronco da árvore e fechou os olhos. O calor estava acabando com ela. Mesmo trocando sua roupa por shorts e um top, ainda estava com muito calor. Ela hesitou quando Tom tentou demonstrar afeto na frente de Wes. Ela tinha certeza que era apenas uma maneira de Tom fazer sua reclamação sobre ela. Mas neste momento, ela não sabia se eles estavam mesmo juntos. Não era como se estivessem namorando oficialmente. Foram amigos no ano passado, mas ela nunca os considerou um casal. Eles realmente ainda não transaram. Tom era tímido. Muito tímido. Ela tentou empurrar o relacionamento, mas cada vez que ela tentava se aproximar, ele recuava. Ainda outro dia, ela se convenceu de que era hora de seguir em frente. Ela até falou com ele e disse que estavam melhor como amigos, e ele concordou. Ela abriu os olhos e viu Tom com sua família. Ele não se encaixava, não realmente. Todo mundo era educado com ele, mas havia algo por baixo de tudo. Quase como se fossem estranhos a ele, em vez de família. Olhando na direção de Wes e sua família, ela percebeu que ele nunca foi um problema para se encaixar com suas irmãs. Elas quase sempre o trataram como seu irmão mais novo, como se ele fosse parte da família. Até mesmo seu pai o tratara como o filho que ele nunca teve. Depois de ver Wes, Tom começou a agir como se eles estivessem grudados pelo quadril. Ela teve que convencê-lo que estava com uma dor de cabeça, a fim de obter algum tempo sozinha, sentada sob a árvore. Tom estava ocupado conversando com sua família, então levantou-se e começou a caminhar por entre as árvores frias em direção ao pequeno riacho que se alinhava ao lado dos campos de softball. Havia

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uma velha ponte de madeira que atravessava a água rasa. Ela parou e observou as tartarugas sentadas em várias pedras grandes, pegando sol. Ela pensou em todas as vezes que Wes e ela viram as tartarugas no lago em sua propriedade. Todas as vezes que eles estiveram na grama alta ou na areia ao longo da costa se beijando ou fazendo amor. Depois que ele foi embora, sentiu tanto a falta dele a ponto de sofrer. Mas após o primeiro ano de não ouvir nada dele, ela construiu uma imunidade à dor, uma espécie de calo sobre suas emoções e seu coração. Se convenceu totalmente que nunca se entregaria tanto assim novamente, enquanto vivesse. Depois de vê-lo novamente hoje, sabia que mentia para si mesma durante todo esse tempo. Não era ao amor que ela deveria ter construído uma imunidade, era a ele. — Hey. Ela saltou quando ele falou atrás dela. Ela não o ouviu aproximar-se. — Oh! — Ela virou-se, com a mão em seu coração. — Desculpe. — Ele murmurou. — Eu acho que estou acostumado a andar silenciosamente agora. — Ele olhou para a mão sobre o coração, de modo que ela deixou cair. Não falou nada, virou-se, na esperança de recuperar o fôlego. Ele ainda era muito bonito. Quando o viu caminhando pela grama em direção a sua mãe mais cedo, não registrou seu coxear. Ela só viu seu rosto. Seu belo rosto. Ela sempre o admirou. Mesmo quando era um pouco rechonchudo em sua juventude, ele sempre teve o queixo, nariz e lábios perfeitos. Tudo era perfeitamente proporcional sobre ele. Ela viu as mudanças sutis dele. Ele estava cheio de músculos ondulando que cobriam seus braços, peito e pernas. Usava bermuda cáqui e uma camiseta branca apertada, o que caía bem nele. Ele sempre manteve seu cabelo um pouco mais comprido. Agora, no entanto, estava com corte militar, o que a fez lembrar-se de onde esteve todo esse tempo e como ele próprio se manteve longe dela. Ele se aproximou e encostou-se no parapeito da ponte. Seu pé descansou no degrau mais baixo.

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— Eu esperava que pudéssemos ser amigos. Ela fechou os olhos e suspirou. Ela sabia que estava sendo ridícula, mas a dor ainda estava lá, mesmo seis anos depois. Virando-se para ele, olhou em seus olhos castanhos. Aqui, percebeu, ele mudara, também. Foi-se a suavidade de sua juventude. A ingenuidade. Seus olhos eram mais duros, mais certos de alguma forma. — Eu não tenho certeza. — Ela virou e encostou-se no parapeito, olhando mais profundamente em seus olhos. Ela nem sequer sabia quais eram seus planos. Será que voltou para ficar? Ou era apenas uma visita familiar? Um feriado? Ela não o viu em movimento até que seus braços estavam em ambos os lados dela, descansando no parapeito. Ele estava muito perto; podia sentir o cheiro dele, trazendo de volta muitas memórias. — Por favor. — Ela começou a empurrá-lo, mas ele estendeu a mão e agarrou as mãos em uma das suas. — Não. — Ele disse suavemente. — Não me afaste de novo. Ela elevou o queixo. — Não fui eu quem afastou-se primeiro, se minha memória não me falha. — Você me afastou mais cedo. Ouça Haley, há história aqui, entre nós. Eu só quero saber se o que tínhamos ainda está aqui. Quando se inclinou, ela estava chocada demais para se mover. Como permitirá que isso acontecesse? Por que não podia parar de o desejar? Ela sabia que apenas uma palavra o faria parar. Por que não podia simplesmente dizer, não? Quando seus lábios tocaram os dela, ela suspirou e sentiu seu coração bater pela primeira vez em anos. Como ele tem esse controle sobre ela? Ele se aproximou e roçou os lábios suavemente sobre os dela novamente. Foi como respirar pela primeira vez em anos. O toque suave de seus lábios contra os dela, a sensação de suas mãos tocando-a, segurando-a. Seu peito pressionado contra o dela.

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Quando ele se afastou, havia um sorriso nos lábios, lembrandoa de que isso não era uma boa ideia. — Não. — Ela finalmente disse, balançando a cabeça rapidamente. — Não, de novo não. Nunca mais. Ela empurrou e correu pela ponte. Ela o ouviu chamando o nome dela, mas não parou ou virou para olhar. Era mais forte do que isso. Era forte o suficiente para não andar para a tempestade. E isso é exatamente o que Wes Tanner era, uma tempestade pronta para tirar tudo o que ela protegeu durante os últimos seis anos. Quando ela correu das árvores, sua família olhou para ela com preocupação. — O que é isso? — Alex correu. Balançando a cabeça, ela respirou fundo. — Nada. Eu... Eu tenho uma dor de cabeça e vou para casa. — Ela se aproximou e pegou sua bolsa. — Eu vou te levar para casa. — Tom caminhou até ela, mas quando seus olhos passaram por ela, sabia que ele tinha descoberto a causa de sua aflição. Olhando por cima do ombro, viu Wes sair das árvores, exatamente de onde ela acabara de chegar. Havia uma grande preocupação e satisfação em seu rosto. Quando ele olhou para ela, sorriu levemente e assentiu com a cabeça, em seguida, caminhou até onde sua família estava. O sol estava deslizando por trás das árvores, e o campo foi rapidamente enchendo de pessoas que foram espalhando cobertores e cadeiras pelo gramado para que pudessem ver os fogos. — Oh, você não pode sair agora. — Disse Lauren, puxando-a para perto. — É o primeiro 4 de julho de Ricky. Ele precisa de suas tias aqui. — Lauren olhou na direção de Wes. — Não deixe que ele estrague nosso bom momento. Ela suspirou, sabendo que sua irmã estava certa. Além disso, não queria que Tom a levasse para casa e não conseguia pensar em nenhuma desculpa para impedi-lo.

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Ela olhou para onde Wes olhava para ela, e viu Savannah Douglas caminhar até ele e envolver os braços ao redor de seus ombros. Algo dentro dela saltou quando viu o beijo que Savannah colocou em seus lábios. Embora Wes não se afastasse, ela podia dizer que não estava gostando da atenção que Savannah estava lhe dando. Endireitando os ombros, ela olhou para a irmã e disse: — Você está certa. — Então ela colocou os braços ao redor de sua irmã. — Eu vou ficar. — Disse ela, virando-se para o grupo. Meia hora mais tarde, quando os fogos de artifício começaram, desejava não ter ficado. Tom estendeu um cobertor um pouco longe de sua família. Quando a puxou para perto, sentou e tentou falar com ele, mas os fogos eram muito altos, então deitou a cabeça para trás contra o braço dele e assistiu ao show. Após o grande final, ela rapidamente se sentou e pediu que a levasse para casa, sabendo que teria a oportunidade de falar com ele depois. Ela se sentou em silêncio, enquanto Tom a levou de volta ao rancho Saddleback, o único lugar que ela já chamou de casa. A casa foi recentemente remodelada por Chase, o marido de Lauren. Ele se mudou e consertou tudo o que havia de errado com o lugar desde a morte de seu pai. Sua irmã ainda cuidava do rancho, juntamente com Alex e Haley e uma dúzia de mãos contratadas a cada ano. O gado pastava em mais de mil hectares do rico capim do Texas e eram divididos e vendidos uma vez por ano. A cada ano, Haley escolhia o melhor bezerro e o levava para mostrar na feira do condado. Era a sua vocação. Ela tinha um talento especial para escolher o melhor gado. Ela adorava ajudar a separar o rebanho, certificando-se de manter um pouco dos melhores para a reprodução. Desde que ela era uma criança, o pai dela disse que ela tinha um jeito com os animais. Ela percebeu então, que tinha a paciência e o amor extra para realmente ver o que os animais queriam.

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Quando o carro de Tom chegou ao destino, ele parou atrás de sua caminhonete e desligou o motor. Quando virou-se, ele a puxou para perto e a chocou com um beijo em seus lábios. Não era como se beijar Tom fosse desagradável, era apenas que já decidira terminar, oficialmente. Afastando-se, tentou sorrir. — Tom, eu acho que isso não vai funcionar. Ele suspirou e balançou a cabeça. — Não, eu não acho que faria depois... — Ele suspirou de novo. — Não depois de saber que Wes voltou à cidade para ficar. ******* Wes acordou do pesadelo rapidamente. Cada músculo em seu corpo estava tenso. Levou menos de um segundo para perceber que não estava no Oriente Médio, mas sim em seu quarto de criança, em uma cama que era quase uns trinta centímetros menor do que ele. Ele respirou fundo várias vezes antes de seu coração se acalmar em seu peito. Sua visão estava acinzentada, e quando finalmente estabilizou, ele pôde ver a luz do luar fluindo através das cortinas. Olhou para o despertador do Batman em sua cabeceira e suspirou. Era uma hora e sabia que era tudo de sono que teria essa noite. Sentando-se, passou as mãos sobre o rosto. Desejou não estar na casa de seus pais, e poder facilmente caminhar até a cozinha e pegar uma cerveja ou alguns desses bolinhos que sua mãe fez para a sobremesa. Mas sua mãe tinha o sono mais leve da cidade, e sabia que se esgueirar pela janela, andar pelo pátio traseiro, e empurrar o carro algumas quadras antes de ligá-lo, a acordariam a esta hora da noite. Um sorriso cruzou seu rosto quando lembrou-se de todas as vezes que fez exatamente isso. Quase sempre terminou na casa de Haley, batendo de leve em sua janela até que ela saiu e eles fugiram juntos. Levantando-se e esticando as pernas, ele estremeceu quando a dor subiu pela perna esquerda. Olhando para a cicatriz desagradável

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que começava no meio da coxa, um pouco acima do joelho, fechou os olhos e suspirou. Ele não pôde escapar nos últimos cinco anos, em seus sonhos ou fisicamente. Quando caminhou até o banheiro, as velhas tábuas rangeram sob seus pés. No resto do caminho, o que achou particularmente difícil devido à sua perna, decidiu que precisava encontrar um lugar para ele, e rápido. Não era como se seus pais não o quisessem aqui; ele só precisava ser livre para ir e vir como desejava. Pelo menos sem acordar todos na casa ao fazê-lo. Vestindo-se, decidiu que daria um passeio. Quando abriu a janela para rastejar para fora, sentiu o calor do verão e sorriu. Ele gostava do calor, mas sentiu falta da umidade do ar que desaparecia no exterior. Ele sempre foi grato por seu quarto ser no piso térreo da casa. Permitia que esgueirar-se para dentro e para fora fosse fácil. Ele sabia que seus pais sabiam que estava esgueirando, mas enquanto não causasse nenhum problema e mantivesse suas notas, eles não se preocupavam muito. Seu pai sempre disse que não criou um idiota. Ele sempre aceitou isso como um elogio, já que seus pais confiavam tanto nele. Ele começou a descer a rua. A maioria das casas aqui pareciam as mesmas. Era meio da noite e escuro como o pecado, mas ele ainda podia ver que os Regans deixavam a TV ligada a noite toda. Sr. Regan foi, provavelmente, dormir em sua La-Z-Boy, onde ele dormiu durante os últimos vinte e tantos anos; sua esposa assumiu seu quarto. A próxima casa estava vazia. Ele sabia que os McKormics estavam de férias desde que a sua casa móvel não estava estacionada na grande unidade que construíram há muito tempo. Eles viajaram muito desde que suas duas filhas saíram de casa. Enquanto ele continuou andando, desejava poder dirigir até o rancho Saddleback e Haley. O que ela faria se ele batesse em sua janela agora?

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Quando ele a beijou no início daquela semana, ele sentiu a velha faísca como antes. Mas algo estava faltando. Ele sabia que era o culpado por sua raiva. Ele só levou duas semanas na base para perceber que foi um covarde. Ele deveria ter dito a ela que se alistou. Não havia como contornar o fato de que a machucaria. Em seguida, ainda por cima, ele fez questão de não escrever ou ligar para ela. Depois de um ano, tinha certeza que ela seguiu em frente e pensou que era o melhor. Ela merecia alguém que queria começar uma família e se estabelecer, alguém que estaria lá para ela. E naquele tempo, ele simplesmente não podia dar nada disso a ela, porque estava incerto sobre seu futuro. Ela tinha razão quando o acusou de ter medo, ele mentiu para ela. Quando ela disse que pensou que estava grávida, ele teve um ataque de pânico. Claro, ele estava animado, mas uma parte dele estava com medo, e, no final, o medo venceu. Foram tão cuidadosos, desde aquela primeira noite em seu fardo de feno, quando estavam com quase dezesseis anos. Até o beijo de alguns dias atrás, ele pensara que ela era a única mulher que ele poderia amar. Agora ele sabia que ela era a única mulher que ele queria amar. Ele ainda não tinha um plano, mas ele sabia que tinha que pensar em um, e rapidamente. Nos últimos dias, ele perguntou ao redor. Parecia que ela e Tom estavam se encontrando por quase sete meses. Ninguém na cidade pensava que eles falavam sério, uma vez que só foram vistos juntos em algumas ocasiões.

Antes disso, Haley não viu ninguém,

e o

conhecimento o assustou. Se ela esteve sozinha todo esse tempo e acabara de começar a ver Tom, ela devia estar muito interessada nele. Ele virou a esquina e voltou para sua casa. Sua perna gritou com ele a cada passo. Ele sabia que tinha que ir para Tyler e se inscrever para a sua terapia, mas ele esteve adiando. Ele desesperadamente desejava poder correr de novo, algo que ele fez toda a sua vida. Ele ficara em primeiro lugar nos 1.500 metros com obstáculos e 400 metros em regionais, para não mencionar os prêmios que ganhou com salto em altura e corridas.

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Olhando para a maneira como andava agora, se perguntou quanto tempo levaria apenas para diminuir a dor, enquanto atravessava a sala. Fazia quase três meses desde que foi ferido, e sabia que as cicatrizes emocionais ficariam com ele muito mais tempo do que as físicas. Ele perdeu vários de seus amigos mais próximos naquele dia. Quando arrastou-se em sua janela, seu corpo estava cansado demais para continuar a pensar em tudo o que perdeu ao longo dos últimos dois anos. Em vez disso, quando deitou em sua pequena cama, ainda totalmente vestido, sua mente derivou para o passado e sonhou que fazia amor com Haley no sótão, em uma noite fria de outono.

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Capítulo Três — Eu não me importo se levar o dia todo. — Disse Haley, colocando as mãos nos quadris. — Eu já te disse que vou levá-lo e ponto final. — Ela olhou através da sala para a irmã e, pela primeira vez em sua vida perguntou se não conseguiria o que queria. Lauren sentou-se à mesa e olhou para ela. Desde que se tornou mãe, Lauren aprendeu a empurrá-la até conseguir o que queria. Mas Haley era ainda melhor nisso. Finalmente, depois do que pareceu um milênio, Lauren suspirou e relaxou. — Tudo bem, mas você tem que levar seu celular e me ligar no segundo que chegar lá. Haley sorriu e pegou o telefone completamente carregado do seu bolso traseiro. — Sim, mãe. — Ela riu, se aproximou e beijou a criança que dormia nos braços de sua irmã. — Só deve levar algumas horas. Tenho tudo empacotado, e prometo que não haverá nenhum problema. — Ela virou-se para sair. — Haley. — Disse Lauren e esperou até que ela parou na porta e olhou para trás para terminar. — Seja cuidadosa. Eu costumava pensar que eu era indestrutível, também. — Eu sei. Haley sorriu para a irmã e saiu para cumprimentar Dash. Ele era mais velho agora e um milhão de vezes mais teimoso então, quando era mais jovem, ele era seu animal favorito em todo o mundo. Dash nunca foi ruim para ela, nunca a deixou, e nunca partiu seu coração. Ela caminhou até ele e deu um tapinha em sua juba de prata. — Você está pronto para ir se divertir um pouco? — Ela perguntou enquanto prendia sua mochila sobre a cela. Ele balançou a

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cabeça, um truque que ensinara a ele no primeiro ano em que o ganhara. Eles foram lentamente, serpenteando através das colinas a caminho da velha cabana. A cabana original que seu avô e seu pai construíram foi queimada no ano passado por traficantes de drogas que usaram suas terras e quase mataram Lauren no processo. Chase construiu uma casa menor no local da cabana. A clareira era um pouco maior agora, mas desde que o local teve um papel importante em seus negócios de gado, foi necessário. Gados percorriam aquelas colinas durante o inverno e primavera; no outono, eles eram conduzidos de volta e separados para o leilão. Na maior parte do verão, a cabana ficava vazia. Haley e suas irmãs acamparam com seu pai lá até sua morte, quando Haley tinha quatorze anos. Mesmo com a nova casa, o lugar ainda lembrava seu pai. Dash estava mais velho e, portanto, levou o dobro do tempo até chegarem às colinas. Ela precisou parar várias vezes ao longo do caminho e deixá-lo descansar, mas não se importava. Este era o seu tempo. Lauren pediu que levasse o cavalo dela, Tanner, uma vez que ele era mais rápido e não tão velho, mas ela simplesmente não poderia fazer a viagem sem Dash. Ela sabia que essa era provavelmente a última viagem que faria com ele, e queria que fosse especial. Ela ainda embalou algumas maçãs extras em sua mochila para ele. Desde que ele conhecia as trilhas tão bem, ela só precisava se segurar e deixá-lo levá-la. Várias vezes ao longo do caminho, seus pensamentos derivaram para tão longe que quase soltou as rédeas. Sua mente estava consumida com Wes. Desde que o viu na semana passada, ela estava tendo um monte de pensamentos e sonhos com ele. Na verdade, era por causa dele que estava indo para a cabana no fim de semana. Se havia uma coisa boa sobre estar sozinho com você mesmo por alguns dias, era que havia muito tempo para pensar sobre um assunto. Na casa havia muitas distrações. Trabalho, os animais, as suas irmãs, e até mesmo o pequeno Ricky, tornando quase impossível

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pensar. Normalmente, apreciaria toda a agitação frenética, mas precisava fazer um sério exame de consciência e tomar uma decisão. Chegando à cabana pouco antes do anoitecer, ela tirou seu celular e ligou para Lauren enquanto caminhava para o novo celeiro que Chase construiu. — Cheguei, sã e salva. — Disse tirando sua mochila e começando a escovar Dash para deixá-lo pronto para a noite. — Ok, hmm... — Disse Lauren. Haley podia ouvir Alex no fundo, dizendo: — Diga a ela. — Dizer o quê? — Perguntou Haley apenas para ouvir o silêncio do outro lado. — Você fez isso, você diga a ela. — Disse Lauren e Haley podia ouvir o telefone sendo passado para outra pessoa. — Haley. — A voz de Chase veio do outro lado. — Eu não sabia que você ia para a cabana no fim de semana, e bem... — Ele fez uma pausa. — Encontrei Wes no mercado Grocery ontem e ele mencionou que estava à procura de um lugar para ficar e, bem, eu disse que ele poderia ficar lá por uma semana, até um dos lugares rancho vagarem. Haley deixou cair o telefone e caminhou até a porta do pequeno celeiro. Com certeza, ela notou que havia uma pequena luz na janela. Olhando para a nova estrada de terra, viu sua caminhonete estacionada debaixo da árvore. Fechando os olhos, perguntou-se a noite poderia ficar pior. Voltando para o celeiro, pensou sobre colocar a sela em Dash novamente e descer a montanha, mas era muito responsável para levar um cavalo velho a descer pelo caminho escuro e com ventos. Ela pegou o telefone para ouvir a voz preocupada de Lauren. — Sim, eu estou aqui. — Disse ela, usando a outra mão para esfregar sua têmpora. Ela normalmente não tinga dores de cabeça, mas uma enorme começara junto a sua têmpora. — Alguma chance de você vir me buscar? — Ela perguntou, sabendo a resposta. Era quase meia hora de carro pela estrada de terra, para não mencionar que ela teria

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que deixar Dash aqui até amanhã. — Não importa. Há dois quartos. Vou me virar. — Eu realmente sinto muito sobre isso, Haley. Chase mencionou isso para mim, mas eu estava tão cansada de ficar com Ricky que não lembrei-me disso quando conversamos. — Está tudo bem. Não é como se eu fosse matá-lo enquanto dorme. — Ela riu e disse adeus a sua irmã. Tomando seu tempo, ela terminou no celeiro e começou a andar em direção a casa. Wes estava no pequeno deck de frente, com os braços cruzados sobre o peito. — Chase acabou de me ligar. — Ele sorriu um pouco. — Sim, eu imaginei que ele faria. — Ela colocou a mochila no ombro e parou no começo das escadas. — Nós não vamos ter nenhum problema, vamos? — Perguntou ela depois de um momento de silêncio. Suas sobrancelhas se ergueram. — Problemas? Ela suspirou. — Ouça Wes, o que tínhamos era ótimo, mas éramos crianças. Isso terminou mais de cinco anos atrás. Eu acho que nós dois sabemos que não podemos simplesmente continuar de onde paramos. Ele acenou com a cabeça, e por um momento, ela pensou que seria o fim da conversa. — É claro. — Disse ele lentamente. — Mas nada nos impede de começar algo novo. Duas horas mais tarde, quando ela estava deitada na pequena cama em um dos quartos, não podia parar de pensar em suas palavras. Nada nos impede de começar algo novo. É claro que havia algo que a impedia de começar algo novo. História. Ela não era uma idiota. Ele a machucou uma vez. O que iria impedi-lo de fazê-lo novamente? Será que ele realmente acha que ela apenas pularia de boa vontade na cama com alguém que arrancou seu coração? Ela ficou tão frustrada depois que ele fez essa declaração que entrou na casa sem dizer uma palavra. Depois de largar a mochila no

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quarto vazio, marchou para a pequena cozinha e cozinhou a lata de sopa que trouxe. O tempo todo em que ela sentou-se na pequena mesa e comeu, ele ficou em frente a ela e a observou. Ela sentou-se tão agitada que toda vez que ele tentou iniciar uma conversa, ela o parou. Finalmente, depois de comer, ela pediu licença para tomar banho e trancou-se no quarto só dela. Tanta coisa para estar sozinha para ordenar seus pensamentos. Demorou um pouco para que ela finalmente dormisse, mas o longo dia de passeio a cavalo, finalmente a atingiu e caiu em um sono profundo. Ela foi acordada algum tempo depois por gemidos e gritos do quarto ao lado. Apressando-se para o quarto de Wes, ela o viu deitado na cama em apenas boxers. Ele lutava com um pesadelo. Seus olhos percorreram seus braços e peito, que estavam muito maiores do que antes. Os novos músculos estavam ótimos nele. Seus olhos foram de seu peito para o estômago, além de suas boxers para uma grande cicatriz enrugada em sua coxa esquerda. Como estava escuro, não podia ver muito claramente. Quando começou a gemer, ela correu para o lado dele e balançou os ombros nus até que finalmente seus olhos se abriram. Seus braços a pegaram, puxando-a para ficar ao lado de seu corpo seminu. — Eu estava tendo o pior sonho. — Disse ele em uma voz grogue enquanto enterrava o rosto em seu cabelo, o qual se soltou de sua trança. — Houve essa explosão... — A voz dele sumiu e ela sentiu o corpo tenso. Em seguida, seu aperto afrouxou ao seu redor. — Haley? — Perguntou. Ela podia ouvir em sua voz que ele finalmente acordou. — Sim. — Ela sussurrou, não querendo deixá-lo saber como isso a afetou, estar tão perto dele novamente. — Sinto muito. — Disse ele depois de um momento, então ele soltou seus ombros para que ela pudesse se sentar e olhar para ele. Estava escuro demais para ver claramente, mas o suave luar que entrava pelas janelas era o suficiente para que pudesse ver seu peito nu contra as palmas das mãos. Ela tentou se afastar completamente dele, mas parou pouco antes de cair da cama.

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— Você está bem? — Ela perguntou, olhando para ele. — Sim. — Disse ele, esfregando as mãos no rosto. Ela podia sentir seus músculos recém-adquiridos, era tão diferente da última vez que ela o viu e o sentiu assim. Sua boca ficou seca e sua mente encontrou um milhão de coisas para se concentrar. Quão grande seu peito parecia, quão grande seus músculos estavam agora, como ele chutou as cobertas; seus olhos se recusaram a se concentrar em algo além do seu umbigo. Seus olhos encontraram o rastro de cabelo escuro para baixo de seu atraente abdome, o que só a fez desejar poder abaixar a cueca, devagar. Quando ouviu a risada de Wes, seus olhos voaram para seu rosto, e ela percebeu que seus olhos castanhos riam dela. — O quê? — Ela se afastou ainda mais. — Eu pensei que você fosse um sonho. — Ele sentou, e seus olhos voaram para o seu peito e seus braços novamente. Quando a mão dele veio descansar em seu ombro, ela sacudiu fora da fantasia em sua mente. — Venha aqui. — Ele sussurrou. Sua mente clareou apenas por um momento e ela balançou a cabeça. — Por favor. — Ela ouviu a voz dele quebrar um pouco. Sua mão corria por sobre o ombro nu. A regata que usou para dormir era grande e tinha alças frouxas. A alça do ombro esquerdo estava abaixada perto de seu cotovelo. Suas mãos ásperas se sentiram tão bem em sua pele. — Eu... Eu não posso fazer isso de novo. Ela se afastou depois ficou ao lado da cama, olhando para ele. Seus olhos correram sobre ela e, pela primeira vez, ela percebeu que usava os velhos shorts de ginástica que ele deixara em seu quarto uma noite. Ela não conseguia se lembrar durante quanto tempo usava, e não pensou nada sobre isso, até agora. — Desculpe-me, por ter lhe acordado. — Ele disse, seus olhos se movendo para cima até alcançar seus próprios olhos.

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Ela assentiu com a cabeça, não sendo capaz de dizer qualquer coisa. Quando ele empurrou o lençol de lado, ela soltou a respiração que estava segurando. Percebeu que ele usava shorts do exército, que ficavam soltos em seus quadris. Ele caminhou até ela. Ela recuou para a parede até que suas costas bateram a porta. — Haley. — Disse ele, suas mãos indo para os lados de seus ombros, prendendo-a no lugar. — Eu quis dizer o que eu disse anteriormente. Não há nada nos impedindo de começar de novo. Ela olhou em seus olhos escuros e, por um momento, ela foi transportada para outro tempo e lugar. Você confia em mim? Perguntou ele, caminhando para mais perto dela. Wes acabara de completar dezesseis anos, e ainda faltava um mês para o seu aniversário de dezesseis. Era meia noite e ele escapou de sua casa novamente. Desta vez, quando eles caminhavam até o fardo de feno no celeiro, ela sabia que não ficariam apenas tocando um ao outro. Desta vez, eles fariam amor. Ela assentiu com a cabeça e se aproximou. Enquanto se beijavam, ele a apoiou até os joelhos atingirem o feno macio. Ele estendeu um cobertor para que o feno não arranhasse sua pele macia. Ele se abaixou até que descansou ao lado dela, então tomou seu tempo tirando as roupas dela, peça por peça, até que ela estava totalmente exposta ao seu lado. Ela não se sentia tímida, não quando ele olhou para ela como se fosse uma deusa. Seus olhos escuros percorriam cada centímetro. Ele se levantou e tirou suas próprias roupas, e ela assistiu com grande interesse. Quando ele estava sobre ela, completamente nu, ela sentiu a confiança vacilar pela primeira vez. Ele era tão grande e ela ainda estava sem saber o que fazer. Então ele correu as mãos sobre ela, beijou-a de novo e nada mais importava, exceto ele. Enquanto a tocava, ela sentiu algo quase demasiado difícil de explicar. Ele era mais do que a sua alma gêmea. Quando a beijou, todos

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os ossos do seu corpo viraram mingau. Sua pele formigava e seu coração batia fora do peito. Então, ele estava acima dela, deslizando para dentro dela, estirando-a até que a fez completamente dele. — Bem? — Ele perguntou, trazendo-a de volta para o agora. Ele estava a um fôlego dela e a memória dele dentro dela, enchendo-a completamente, ainda estava fresca em sua mente. Mas a mágoa dos últimos cinco anos superou a beleza do passado. Balançando a cabeça, ela disse: — Eu não posso. — Ela olhou para seu peito, então, fechou os olhos para a beleza dele. — Eu não posso me expor a esse tipo de dor novamente. — Ela endireitou os ombros e olhou em seus olhos. — Eu não vou. Suas mãos caíram para os lados, com os olhos em busca dela. Então deu um passo atrás. — Eu entendo. Ele virou e caminhou de volta para a cama, e ela percebeu o quanto mancava. Seus olhos foram para as pernas, mas seus shorts e o escuro tornaram impossível ver o estrago novamente. Ela virou-se para sair, com a mão na maçaneta da porta. — Haley? — Ela olhou por cima do ombro para ele. — Eu espero que você confie em mim novamente. Em breve. Ele disse a suas costas. Ela saiu correndo do quarto, com o coração acelerado. Deitou na cama e sonhou com a sua primeira vez, no celeiro, tantos anos atrás.

Quando Wes acordou, Haley e Dash tinham ido embora. Levara quase três horas para voltar a dormir depois que ela o acordou. A imagem dela surgia em sua mente mais e mais. Como ela era, cheirava, e até mesmo sentia, causara grande dor enquanto ele estava deitado ali, olhando para o teto. Sabendo que ela estava no quarto ao lado dele não tornou isso mais fácil.

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Ele sabia que precisava pensar em um plano para reconquistála, especialmente depois de vê-la na noite passada. Tê-la tão perto só solidificou essa necessidade ainda mais. Ele pensou que ficando aqui, na cabana de Chase e Lauren, seria melhor para ele. Poderia ter o espaço e tempo para decidir seu próximo passo. Agora, parecia que estava apenas se escondendo entre as opções que tinha para fazer, e dela. Arrumando suas coisas, fez uma ligação e ficou aliviado quando Chase informou que uma das casas em que seus ajudantes no rancho geralmente se hospedavam ficou vaga mais cedo do que ele pensava. Ele sabia que não havia um monte de lugares vazios para ficar em Fairplay. Ele pensava em comprar sua própria casa, mas agora, havia apenas dez lugares disponíveis no mercado. Ele olhou todos eles, e se desapontou seriamente com quase todos. A maioria estava tão precário que seria melhor limpar o lote com um trator e construir uma nova casa. Apenas dois tinham possibilidades, e fora deles, ele realmente

gostou

da

um

na

Bond

Drive,

perto

da

floresta

estadual. Ficava a quase dez minutos fora da cidade, mas o lote estava em boas condições. Ele conhecia e gostava dos vizinhos, se pudesse chamá-los assim, desde que a casa deles estava a quase três quilômetros da estrada estadual. Ele queria fazer uma oferta para o lugar, mas esperava o VA concluir uma avaliação e aprovar a área maior, visto que ele planejava transformar a propriedade. O processo, pelo que foi dito, seria concluído em pouco mais de dois meses. Dirigindo até a cidade, parou no Mama’s quando seu estômago roncou. O velho lugar parecia o mesmo. Havia novos toldos e parecia que Mama substituíra as janelas da frente, recentemente. Quando abriu a porta, os cheiros e os sons inundaram sua mente com memórias. Jamella, a Mama, estava atrás do balcão, franzindo a testa para ele.

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— Bem a tempo. — Disse ela com sotaque da Louisiana, que explodiu por toda área de refeição. Todos os olhos se voltaram para ele em pé ao lado da porta. — Bem, não fique aí. — Ela contornou o balcão e abriu os braços. — Venha dar um abraço na mamãe. Seu sotaque saía muito mais forte quando ela queria, ou quando ela não prestava atenção. Ele caminhou facilmente e em seus braços. Sua risada foi rápida e alta. — Quanto tempo que você está em casa. — Ela se afastou e olhou para ele. — Você está magro, garoto. — Não, senhora, só mais alto. — Ele sorriu. — Não me responda garoto. — Ela sorriu. — Willard faça um prato especial. Nosso menino está de volta após lutar por nossa liberdade. Willard, o cozinheiro que trabalhava no Mama’s desde que ninguém podia se lembrar, enfiou a cabeça para fora da abertura e sorriu. — É bom ver você, Wes. Wes

balançou

a

cabeça

enquanto

Willard

desaparecia

novamente, e Jamella acompanhou-o ao longo de uma cabine vazia. — Você fica bem aqui. Vou trazer uma Coca-Cola e sua comida. — Ela virou-se para ir embora, mas então voltou, olhou para ele e suspirou. — Claro que é bom ter você de volta inteiro, rapaz. Durante a hora seguinte, ele comeu alguns dos melhores e mais deliciosos pratos de comida que ele não tinha comido em um longo tempo. Todo mundo que parou sentou em sua cabine e conversou com ele. Foi bom aproximar-se de toda a gente e ouvir as últimas fofocas da cidade. Ele ouviu tudo sobre como a esposa do antigo prefeito ficara louca há dois anos e como Travis saiu da cidade. Ainda que o prefeito, bem, ex-prefeito ainda morasse em sua grande casa, ele era metade do homem que costumava ser; ninguém na cidade o culpava. Ou então foi dito a ele uma e outra vez. Ouviu como o novo prefeito, William Davis, trabalhava duro para trazer ordem ao caos após o grande calvário.

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No momento em que ele voltou ao rancho Saddleback, soube de tudo o que aconteceu na cidade, desde que ele partiu. Seus pais não eram de fazer fofocas, e a maioria das pessoas na cidade não sabiam que ele foi ferido ou que foi dispensado do exército, há alguns meses. Aparentemente, seu pai e sua mãe eram apenas os introvertidos da

cidade.

Havia

uma

parte

dele

que

estava

grato

pela

privacidade. Dessa forma, ele poderia dizer a cidade uma versão curta do que aconteceu, deixando de fora todos os detalhes e a culpa. Quando ele atravessou os portões de ferro, parou a caminhonete e sorriu. O lugar parecia bom. A última vez que ele esteve aqui, as coisas não estavam tão bem. Agora, no entanto, havia um novo telhado verde, e as novas janelas e persianas, e parecia que todo o lugar tinha uma camada de tinta fresca. Ele podia ver gado gordo pastando nos campos em volta, e havia um par de homens montados em cavalos trabalhando perto dos currais ao lado. Quando ele estacionou, percebeu que um deles era Chase, e acenou. Quando saiu da caminhonete, Chase parou em um cavalo castanho ao seu lado. — Boa tarde. — Disse Chase, tirando o chapéu da cabeça e enxugando a testa com um lenço. — Parece que você precisa de mais algumas mãos. — Wes acenou para o curral, onde eles tentavam marcar algumas cabeças de gado. Chase riu. — Nós sempre precisamos de mais algumas mãos. Tenho as chaves da casa aqui. Mudei algumas coisas, mas é sua, se precisar, até o final do próximo mês. — Chase atirou para ele um conjunto de chaves. — Obrigado. — Ele guardou as chaves. — Espero saber algo do VA em Tyler em breve. — Você tem um trabalho alinhado? — Perguntou Chase, desmontando do cavalo.

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— Algumas possibilidades. Na verdade, pensava em pedir a Stephen Miller um trabalho na delegacia. Chase sorriu. — Quer ser um delegado? Wes assentiu. — Pensei sobre isso. Estudei a aplicação da lei por dois anos antes de me implantar. Chase deu um tapa nas costas dele. — Bem, não se pode vencer tudo. — Mas estou morrendo de vontade de montar novamente, então se você precisar de uma mão por aqui... Chase riu. — Sempre que você quiser dar uma mão apenas agarre-se a um cavalo.

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Capítulo Quatro O calor aumentava. Ela passou as últimas seis horas sobre o cavalo e desejou estar fora da sela por um momento. Para não mencionar uma ducha fria. Marcar novos bezerros era trabalho quente, suado e geralmente durava uma semana inteira. Era um trabalho de tempo integral quando tinha hectares e hectares para fazer. Ela olhou por cima do curral cheio de pequeninos e as suas mães berrando. Isso sempre colocava um sorriso em seu rosto, vendo quantos eram e quão saudáveis todos eram. Havia uma dúzia de ajuda extra na fazenda para os trabalhos nos campos, e geralmente conhecia todos pelo nome. Ela gostava da maioria deles, pelo menos, os que voltavam ano após ano. Havia quatro casas para os ajudantes na lateral de sua propriedade, que estava lá desde antes dela nascer. Duas delas foram reconstruídas após o tornado que tirara a vida de sua mãe. A maioria dos trabalhadores permanecia em seus próprios trailers de viagem na área do parque que seu pai construíra logo após o tornado. Eles poderiam conectar-se com água, esgoto e energia elétrica e a maioria dos homens preferia que fosse assim. Alguns deles até mesmo escolhiam viver lá durante todo o ano, visto que o aluguel era pago com trabalho. Ao todo, ela tinha muito orgulho do que sua família construiu aqui. Ela assobiou para Dingo, o cão da família. O cão imaginava-se um cão pastor e sempre ajudou com a classificação dos bezerros. Não era apenas um cão inteligente, ele tinha mais paciência do que qualquer pessoa ou cão que Haley já conheceu. Dingo atravessou o campo e separou dois bezerros de suas mães, levando-os para o curral com uma pequena ajuda de Haley e Bobby, um de seus cavalos quarto de milha, que foi nomeado por Alex.

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— Você faz isso parecer fácil. — Disse alguém próximo a ela. Ela quase caiu do cavalo quando ouviu a voz dele. Olhando por cima, viu Wes em cima de Lou, mais um dos seus cavalos quarto de milha. Eles precisariam parar de deixar Alexis escolher os nomes de todos os seus animais. — O que você está fazendo aqui? — Ela sabia que parecia duro, mas este era o seu momento. Sua fazenda. Ela não o queria aqui e agora. Ele sorriu e tirou o chapéu. — Trabalhando pelo meu aluguel. — Ele levou Lou para mais perto de seu cavalo. — Não! — Ela advertiu, mas já era tarde demais. Lou se inclinou e mordeu Bobby no pescoço, fazendo com que seu cavalo saltasse e sacudisse. Quando estendeu as mãos para as rédeas, ela perdeu e saiu voando pelo ar. Caiu de bunda, sua visão escurecida com a dor. Então Wes estava ao seu lado, tentando não rir. — Oh, meu Deus! Você está bem? — Ele segurou seus ombros, tentando mantê-la imóvel. — Sim, bem. — Ela disse entre dentes cerrados. — Deixe-me em paz. — Ela tentou empurrá-lo, mas ele a puxou para cima de seus pés e começou a passar as mãos sobre ela. — Pare! — Ela tentou afastá-lo de novo, mas ele continuou a olhá-la. Finalmente, ela pegou suas mãos e olhou-o nos olhos. — Eu estou bem, de verdade. Ela viu preocupação e riso em seus olhos. — Sinto muito. Encarando, ela riu, embora a dor continuasse predominante em sua cabeça. — Está tudo bem. Você não sabia que Lou não gosta de Bobby. — Quem? O quê? — Ele passou as mãos por sua trança. — Lou. — Ela acenou para o seu cavalo, que pastava nas proximidades. — Bobby. — Ela acenou para seu cavalo, indo para o curral, o mais longe possível de Lou. — Eles não gostam um do outro. Acho que tudo começou com Cindy. — Ela deixou cair às mãos e começou a escovar a poeira fora de seus jeans.

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— Cindy? — Ele perguntou, olhando para ela. — Sim, eles tiveram um mal-entendido. Cindy é atraída para Bobby, e Lou está com ciúmes porque ele gostava de Cindy. Wes riu. — O quê? — Ela olhou para ele e franziu a testa. Ele riu novamente. — É só que você fala sobre os cavalos como se fosse uma novela. Ela parou de tirar a poeira de suas calças jeans e olhou para ele. Ela riu. — Eu acho que quando Alex lhes dá nomes humanos, eu começo a pensar neles como tal. — Quando ela parou de rir, olhou em seus olhos. — Você está bem? — Ele perguntou, em voz baixa, quando aproximou-se dela. Como ele chegou tão perto? Por que o deixava chegar tão perto? Ela estava presa em seus olhos escuros. Hoje, à luz, pareciam mais claros. Ela podia ver as sardas cor de avelã em sua íris. Sua mão corria para cima e para baixo em seus braços enquanto ele se inclinava para mais perto dela. Ela sentiu-se inclinando mais perto dele, atraída pelo seus olhos. Só então, Chase chegou. — Está tudo bem? Ela empurrou Wes e olhou para seu cunhado. — Sim, Lou atacou Bobby, que jogou-me no chão. Você pode ir pegá-lo para mim? Ele riu e balançou a cabeça. — Eu acho que nós precisamos lidar com isso. Vou pegá-lo. — Ele partiu em seu cavalo, em direção ao curral. — Por que você está aqui? — Ela se virou para Wes após Chase estar longe. — Eu te disse. Estou trabalhando pelo aluguel. Mudei-me para uma das casas da fazenda ontem. Ela sentiu a tensão crescer. — Você o quê? Ele riu.

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— Não fique tão chateada. É só até eu conseguir o meu empréstimo. Ela ficou tensa. — Empréstimo? Ele sorriu. — Eu estou tentando comprar uma casa. — Então, você está ficando por aqui? Ele acenou com a cabeça. — Eu espero. Ela olhou em direção ao curral enquanto Chase andava em direção a eles com Bobby seguindo atrás. — Apareça em minha casa hoje à noite e vou te contar tudo sobre isso. Estou na casa mais próxima à estrada. — Disse ele, pouco antes de Chase chegar. Ela não teve tempo para responder antes dele pular nas costas de Lou e sair para ajudar os outros homens a reunirem os bezerros. Ela não conseguia parar de observá-lo. A maneira como montava no cavalo. Como se segurava. Ele parecia um vaqueiro, desde o gasto Stetson marrom em sua cabeça até a poeira em suas botas surradas. Ele mudou muito fisicamente nos anos em que foi embora. Ela suspirou enquanto olhava através do campo para ele, pensando em como costumava ser, como seria agora. Em seguida, amaldiçoou o bezerro que tentara escapar pela terceira vez em menos de dez minutos. — Você está mesmo tentando ter esse rapaz? — Perguntou Alex, vindo por trás dela. — O quê? — Haley olhou para sua irmã, uma imagem dela e Wes aparecendo em sua mente. — O bezerro ali. Você está correndo em círculos atrás de Roger por quase dez minutos. — Sua irmã acenou para o pequeno bezerro marrom que parecia ter um tempo divertido ao deixá-la persegui-lo. Ela riu. — Roger, hein? Eu suponho que você vai querer manter esse, também.

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Alex suspirou e inclinou-se sobre a sela, olhando ao redor. — Se dependesse de mim, eu manteria todos. Haley sorriu. Ela também tinha seus favoritos. Ela tinha um talento especial para escolher a fita azul do bezerro do rebanho. Olhando para Roger, ela pensou que ele poderia facilmente se encaixar nessa descrição até o final da temporada. — Tudo bem, vamos manter Roger. — Ela viro e começou a andar com Bobby ao lado do cavalo de Alex. — Ótimo. — Alex sorriu. — Agora, você vai me dizer o que planeja fazer sobre Wes? Haley franziu a testa. — Não. — Oh, vamos lá. — Alex se aproximou e diminuiu Bobby até um trote. — Você sempre meteu o nariz nos meus negócios e nos de Lauren, agora é a nossa vez. Haley sorriu. — Sim, mas vocês duas não sabiam o que tinham bem na frente de seus rostos. — Ela olhou para Wes. — Eu sei com certeza, que o que aquele homem tem, e não quero mais. Não posso me dar ao luxo de ir lá novamente. — Haley. — Alex esperou até que ela se virasse e olhasse para ela novamente. — Todos nós cometemos erros; todos nós podemos fazer escolhas que nos levam para o caminho errado. Não deixe algo que alguém fez anos atrás estragar o que está destinado a ser. Alex esticou o braço e acariciou a perna de Haley, depois virou seu cavalo em direção ao rebanho e voltou ao trabalho. Durante à hora seguinte, ela pensou sobre o que Alex disse. Ela estava disposta a arriscar novamente com Wes? Ela nunca disse a suas irmãs sobre o susto que Wes e ela tiveram anos atrás. Talvez sua reação tenha sido um padrão masculino. Talvez ela devesse perdoá-lo por partir assim. Ela podia confiar nele para não fazê-lo novamente? Ele disse que estava hospedado lá perto – todos na

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cidade falavam sobre isso, mas até agora ele não tinha um emprego, um carro, ou até mesmo um lugar permanente para viver. No momento em que o sol estava se pondo e todo mundo se arrumando para a noite, ela chegara a uma decisão. Esperaria e veria se ele falava sério sobre ficar por perto. Mas ela precisava se proteger. Depois de pegar um balde de água fria e um sanduíche de presunto, ela foi ao celeiro para checar seus animais. Quando saiu pela porta dos fundos, sorriu para a foto de sua irmã com a família. Lauren, Chase, e seu filho Richard, a quem todos chamavam de Ricky, estavam na varanda de trás, no balanço de grandes proporções que Chase construíra para seu último aniversário. — Indo checar os animais? — Chase a chamou. Ela assentiu com a cabeça e acenou. Quando virou a esquina perto

do

celeiro,

esbarrou

em

uma

massa

bronzeada

de

músculo. Olhando para cima, gemeu quando viu Wes sorrindo de volta para ela. — Boa noite. — Disse ele, lentamente. — O que você está fazendo aqui? Ela sabia que saiu um pouco mais chorosa do que pretendia, mas, neste momento, ela não se importava. Ele estava invadindo sua vida. Antes que ela percebesse o que ele fazia, seus braços estavam em volta dela e sua mente ficou em branco. Ela olhou para cima e ia dizer para soltá-la, mas quando viu o fogo em seus olhos, todo o resto desapareceu. O mundo poderia ter ardido em chamas e ela não teria notado. ******* Wes não conseguia parar de olhar para o rosto de Haley enquanto a abraçava. Ele queria puxá-la para mais perto, mas ela permaneceu tão dura que ele sabia que ela se afastaria, se tentasse. — Você tem um cheiro maravilhoso. — Ele sussurrou.

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Ela piscou algumas vezes e ele podia ver seus olhos verdes se concentrar novamente. Ele sempre amou poder ver as emoções dela refletidas neles. Eram quase como os anéis de humor, deixando-o saber quando mover ou quando recuar. Agora eles diziam para dar um passo para trás, então ele deixou cair os braços e afastou. — Indo para um passeio? — Perguntou ele, sabendo que estava mudando de assunto antes que ela pudesse repreendê-lo por estar em sua casa. Quando pediu a ela para passar em sua casa, sabia que não viria. Depois de sentar-se em sua varanda durante meia hora, ele começou a andar e acabara ali. — Ouça Wes... — Ela olhou por cima do ombro, em direção a casa. — Não. Apenas caminhe comigo. Não vi você em mais de cinco anos. — Ele sabia que estava implorando, mas queria passar mais tempo com ela. Mesmo que ela não pudesse suportá-lo, ele ainda queria estar com ela. Ela suspirou e revirou os ombros, um movimento que sabia significar que pensava seriamente. — Tudo bem, mas só até o curral e de volta. — Ela acenou à luz no antigo galpão de água. — Ótimo. — Ele pegou a mão dela e começou a caminhar lentamente. — Então, minha mãe contou-me um pouco do que aconteceu na cidade desde que eu saí. Talvez você possa preencher as lacunas. — Ele olhou para ela e viu que a confundiu com sucesso. Ela esperava que falasse sobre eles, mas ele queria manter a mente dela longe do fato de que a reconquistaria, lentamente. Ele aprendeu a ser furtivo no primeiro ano no exército. Esgueirar-se para pegar o inimigo, por vezes, era a única maneira de conseguir o que queria. Ela suspirou e deixou cair sua mão. — Bem, você ouviu tudo sobre Lauren e Chase? Ele acenou com a cabeça um pouco. — Mamãe me disse que eles se casaram um dia depois do funeral de seu pai. — Ela assentiu com a

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cabeça, enquanto ele ria. — Então, apenas no ano passado, quando voltou, eles se apaixonaram. Não é a ordem habitual de fazer as coisas. —

Sim.

Haley

sorriu.

Eles

fazem

um

casal

maravilhoso. Agora, com Ricky eles são perfeitos. — Ela olhou para fora em frente e suspirou novamente. — E Alex e Grant. Diga-me como isso aconteceu. — Ele perguntou, humor entrelaçando sua voz. Haley riu e parou para encostar-se na cerca ao longo do caminho. — Ninguém parece saber, além do fato de que isso foi muito necessário. Grant chegou no momento certo, eu acho. — Ela sorriu. — É claro que ele mudou muito de quando ele era criança. Ela se virou e olhou para ele e percebeu na penumbra que suas bochechas ficaram um tom escuro de rosa. — O quê? — Perguntou ele, apoiando o pé no degrau mais baixo da cerca. Ele estava perto dela e podia sentir seu doce perfume. Como sentiu falta desse cheiro ao longo dos anos. — Nada. — Disse ela, balançando a cabeça. Então virou, recostando-se contra a cerca. — Chase tem trabalhado tão duro para manter a casa em pé. — Ela assentiu com a cabeça em direção a casa. Havia luzes que no quintal, nas árvores, e ao longo dos toldos, fazendo com que fosse muito romântico. Ele podia ouvir os grilos e sapos enquanto piavam seu ritual noturno. Não havia lugar na Terra que ele queria estar mais do que bem ali, com Haley. — Ele está fazendo um bom trabalho. Ele começou a trabalhar na casa em que estou ficando, também. — Ele riu. — Na verdade, é por isso que está permitindo que eu fique lá. Estou ajudando-o, pintando o local na próxima semana. Haley virou-se para ele. — Chase está arrumando as casas da fazenda? — Quando assentiu com a cabeça, ela continuou. — Sabe, eu sou sempre a última a saber essas coisas.

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Ela parecia um pouco chateada, então mudou de assunto. — E você? O que você tem feito desde que eu saí? Ela se virou para ele, olhou-o nos olhos, e encolheu os ombros. — Mesma coisa de sempre, eu suponho. — Ouvi dizer que você teve um bezerro vencedor nos últimos três anos na feira estadual. — Disse ele, brincando, chegando a dobrar uma mecha de seu cabelo escuro atrás de seu ombro. Ela sempre o manteve comprido, mas agora estava ainda mais longo. Ela deu de ombros novamente. — Sim, e acho que encontrei o número quatro hoje. Ele sorriu. — Você sempre teve um grande talento com os animais. — Ele a puxou para mais perto, até que eles estavam a um sopro de distância. — Wes, eu não posso fazer isso. — Ela engoliu em seco e o afastou. — Eu entendo por que você partiu. Eu estava tão assustada quanto você estava. — Ela deu alguns passos para longe dele. — Mas você me machucou. — Ele podia ver a dor que seus olhos assumiram. — Você pode entender que não posso arriscar novamente? Eu segui em frente. — Ela começou a caminhar de volta para a casa e todas as luzes. — Você deve, também. Ele observou enquanto ela seguia para a casa. Ela parou na varanda de trás e falou com sua família por um minuto, em seguida, desapareceu dentro da casa. Ele ficou lá contra a cerca até que a luz do quarto foi acesa, então, meia hora depois, se apagou. Enquanto seguia lentamente em direção à casa que ele alugara pelas próximas semanas, não conseguia parar de se perguntar o que seria necessário fazer para ela confiar nele novamente. Ele nunca imaginou como foi para ela ficar em Fairplay enquanto ele foi para a base e, em seguida, para o exterior. Ele estava muito preocupado com manter-se vivo para pensar em como ela estava sozinha na pequena cidade. Ele amava Fairplay, mas simplesmente não havia muito que ver ou fazer se você não tivesse alguém para compartilhar. Claro, ela tinha

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a sua família, mas agora que ambas as suas irmãs estavam muito bem casadas, talvez ela estivesse sentindo alguma pressão para se estabelecer. Talvez fosse por isso que ela deixava Tom ficar por perto? Esse pensamento quase o fez virar de volta e bater na janela do seu quarto. Mas ele já podia ver a luz da varanda de sua pequena casa e continuou. Quando finalmente deitou na cama, olhou para o teto por horas, pensando em como poderia convencer Haley a lhe dar outra chance. Ele sabia de uma coisa, mover-se lentamente não funcionaria mais. Ele precisava agir e rápido.

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Capítulo Cinco Os próximos dias, Haley ficou ocupada com o trabalho na fazenda. Ela não tinha um papel importante na forma como as coisas ocorriam, mas fez tudo o que podia. Ela gostava de limpar os estábulos e alimentar e dar água aos animais. Mas seu trabalho favorito era montar e verificar as cercas, em busca de falhas no arame farpado. Dash não era o cavalo mais rápido, mas conhecia as rotas, e era inteligente o suficiente para que quando visse um buraco para consertar, parasse. Na maior parte da viagem ela pode deixar sua mente vagar; desde que tinha muito em que pensar, quase não prestou atenção ao trabalho. Quando à hora do almoço chegou, parou o cavalo debaixo de uma árvore e encostou-se contra o grande tronco. Comeu um sanduíche e um saco de batatas fritas, com uma garrafa de água. Depois de comer, adormeceu deitada na sombra fresca. Pulou quando ouviu algo. — Desculpe. — Wes olhou para ela, sorrindo. — Eu não queria te acordar. Ela balançou a cabeça, tentando limpar sua mente. — Não, você não fez. Eu só descansava os olhos. Era uma mentira, uma vez que ainda não conseguia se concentrar em seus olhos; sabia que deveria ter sido um sono muito profundo. Ela queria levantar-se, mas ele a surpreendeu, sentando ao lado dela debaixo da árvore. Seu joelho pressionado contra o dela, fazendo seu coração vibrar. — É um grande dia para dormir debaixo de um carvalho. — Ele sorriu novamente e seu coração deu um pulo. — Eu suponho. — Ela desviou o olhar e olhou para onde Dash estava, comendo um pouco de grama.

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— Como está o velho garoto? — Ela olhou para ele confusa, então, ele apontou para seu cavalo. — Dash? Ele está indo bem. — Ela olhou para o cavalo de novo, com medo de dizer mais alguma coisa. — Haley. — Wes disse, pegando a sua mão. — Não podemos continuar a ignorar um ao outro assim. Ela suspirou e olhou para ele novamente. Seus olhos castanhos se encontraram com ela. — Eu sei, mas não podemos voltar para o modo como as coisas eram, também. Ele olhou para suas mãos unidas, com um olhar triste em seus olhos. — Eu entendo isso. — Ele levantou os olhos lentamente e calor se espalhou por todo seu corpo. — Mas não há nada que nos impeça de começar de novo. Somos pessoas diferentes do que costumávamos ser. Eu não quero nada mais do que aprender tudo sobre você de novo. — Sua mão correu até seu braço lentamente, enviando pequenos arrepios sobre sua pele. — Explorar o que poderia ser. — Seus olhos estavam trancados com o seu; ela não podia afastar o olhar. — Talvez possamos ter algo maravilhoso de novo. — Ele se inclinou mais perto, até que estava a um fôlego de seus lábios. — Eu estou no jogo, se você estiver. Ele esperou, e quando ela piscou e olhou para os seus lábios, ele se mudou e gentilmente colocou seus lábios nos dela. Ela sonhou com este momento desde que ele roçou os lábios com os seus semanas atrás. Ela imaginou como seria a sensação de realmente beijá-lo, se perguntou o que faria. Nada disso chegou perto da realidade de seus lábios nos dela, suas mãos em sua pele macia. Seus dedos foram para o cabelo dele, segurando-o perto para que ela pudesse explorar mais a maneira como ele se sentia agora. Seus lábios eram como uma memória perfeita, mas havia uma pitada de novidade lá também. Seu cabelo ainda estava com corte militar. Ela explorou seu pescoço e ombros enquanto suas mãos corriam lentamente sobre seus braços.

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Quando se mudou e a deitou na grama macia, ela sacudiu e empurrou. Balançando a cabeça, limpou sua mente das imagens com as quais brincava. Ela não estava pronta para isso. Fazia anos, quase seis para ser exato, desde que ela esteve íntima com ele; ela não estava pronta para pular de volta na cama dele tão rapidamente, não depois de ser tão ferida. Wes deve ter adivinhado seus pensamentos. Ele suspirou e descansou sua testa na dela. — Algum dia. Em breve. Ela balançou a cabeça. — Wes. Ela começou, mas ele colocou um beijo suave em seus lábios para impedi-la. Então, olhou-a nos olhos e repetiu. — Em breve. Enquanto cavalgavam de volta para casa, ela perguntou sobre as viagens dele. Ele estava hesitante no início, mas no momento em que chegou ao celeiro, se abriu um pouco mais e disse onde foi enviado e quanto tempo estivera no exterior. Ela sabia um pouco sobre o que ele fazia ao longo dos anos, tanto quanto ela poderia descobrir com seus pais sem soar muito desesperada. Mas a maior parte, ninguém na cidade sabia o que acontecera com ele, por que agora tinha um coxear e um olhar triste em seus olhos. — Venha a minha casa para jantar. — Ele disse quando desceram dos cavalos e os escovou. Ela balançou a cabeça. — Eu não posso. Eu tenho planos para esta noite. Ela manteve os olhos focados na sua tarefa e ficou surpresa quando suas mãos repousaram sobre os ombros, girando em torno dela. — Haley... — Sua voz era rica e macia. — Você e Tom estão namorando? Ela riu um pouco. — Não, nós estamos, mas... — Ela balançou a cabeça. — Eu não estou pronta para um relacionamento.

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— Por quê? — Ele esfregou as mãos sobre os ombros. — Você. — Ela estava presa entre Dash e Wes e sentiu como não houvesse ar suficiente no grande celeiro. — Eu não quis dizer... Ele deixou cair as mãos e se afastou. — Eu sei que eu te machuquei. Ele passou as mãos pelo seu cabelo, algo que deixaria seus cabelos escuros arrepiados anos atrás. Agora, no entanto, o cabelo curto ficou perfeitamente no lugar. Ela sentia falta de vê-lo arrepiado como antes. Andando por trás dele, ela colocou a mão em seu braço. — Wes, nós já passamos por muita coisa juntos. Ele se virou para ela. — Sinto muito. — Ele deixou escapar. — Eu sinto muito por não te contar sobre me inscrever para o exército. Sinto muito por deixar você depois... depois... — Ele segurou seu rosto. — Eu nunca deveria ter abandonado você assim. Ela não percebeu que lágrimas caíam pelo seu rosto até que ele gentilmente as limpou. Como poderia saber que o pedido de desculpas dele significaria muito para ela. Mesmo depois de todos os anos estava à espera de ouvir essas palavras, elas ainda significavam muito. Ela tentou por tanto tempo entender por que a deixou. Eram muito mais do que amantes, eram melhores amigos. — Por quê? — Sua voz chiou, e ela tentou cobrir as emoções. — Por quê? — Ele limpou outra lágrima de seu rosto. — Por que você saiu? Foi por causa do... susto? Ele olhou para ela. — Acho que sim. Acho que estava com medo de não experimentar tudo o que estava lá fora. — Ele deu de ombros e deu um passo atrás. — Não sabia que o que eu tinha. Ele caminhou para o fim do curral e inclinou-se contra o poste, olhando para a porta. Ela podia ver que ele estava desconfortável com a conversa.

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— Você não tem que explicar. — Ela começou, mas ele interrompeu. — Não é isso. É só. — Ele olhou em volta novamente. — Não era assim que eu planejava falar com você. — Ele gesticulou ao redor do curral. — Cancele seus planos para esta noite, venha jantar. Me dê uma chance de explicar. Ela suspirou e recostou-se contra Dash, depois assentiu. Seu sorriso foi instantâneo. — Vejo você às sete? Ela assentiu com a cabeça novamente. Após ele sair, ela foi até o sótão, um de seus lugares favoritos para pensar, e se perguntou com o que concordara. Ela ficou lá por algumas horas antes de ouvir alguém entrar no celeiro e tirá-la de seus pensamentos. Andando até a casa, percebeu que tinha pouco mais de uma hora para ficar pronta para o jantar. Ainda havia tantas perguntas em sua mente. Ela estava disposta a dar mais uma chance a Wes? Será que ele merecia? Por que não podia se livrar de seu poder? Ela aprendera uma coisa nos últimos anos, depois de ver suas irmãs se apaixonarem por grandes homens, às vezes você só precisava dar uma chance e esperar que tudo desse certo. Decidindo que o melhor era fazer Wes sofrer um pouco enquanto se decidia, ela tomou um pouco de tempo extra escolhendo sua roupa para o jantar. Ela até chegou a aplicar alguma maquiagem e perfume que Alex deixara em seu banheiro comum. Quando começou a caminhar até a casa da fazenda, ela estava determinada a fazer Wes trabalhar duro para que pudesse ter algumas respostas.

Wes tinha um milhão de coisas para fazer antes de Haley chegar às sete. Primeiro, ele teve que correr até a cidade para comprar um pouco de comida. Então ele precisou limpar todo o local. Mesmo que

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fosse pequeno, a reforma deixou o lugar parecendo que um furacão passara por ali. Ele

levou

ao

mercado

uma

lista

com

itens

que

precisava. Enquanto caminhava pelos corredores estreitos, Savannah caminhou até ele e agarrou seu braço. Tentou não suspirar de frustração. Todos na cidade sabiam que Savannah gostava de chamar a atenção. E uma vez que ele estava recebendo muita atenção na cidade por voltar recentemente para casa, ela esteve muito pendurada nele. — Bem, se não é uma coincidência, encontrar você aqui. — Ela correu as mãos para cima e para baixo de seus bíceps. — E olha só. — Ela apontou para o seu carrinho cheio com itens de sua lista. — Parece que você está se preparando para ter uma festa no jantar. Espero ser convidada. — Ela ronronou em seu ouvido em voz alta o suficiente para que alguém na pequena loja ouvisse. — Oi, Savannah. — Ele tentou se afastar dela, mas ela segurou seu braço bem apertado. — Não, só comprando algumas coisas para ter em casa. — Oh, bem. — Ela fez beicinho um pouco. — Eu ouvi dizer que você

está

morando

em

Saddleback,

em

uma

das

casas

da

fazenda. Certamente podemos encontrar um lugar melhor para descansar sua cabeça. — Disse ela, passando a mão sobre o peito agora. Ele entendeu seu convite com clareza, mas agiu como se não entendesse. — Gosto de ficar lá. Estou à procura de um pouco de solidão por um tempo. Bem... — Ele tentou avançar, mas ela não deixava. Olhando em volta, ele descobriu o porquê. Havia algumas pessoas em pé ao redor, agindo como se fossem fazer compras, mas na verdade eles estavam ouvindo a conversa. — Bem, o mínimo que posso fazer é levar uma das minhas famosas tortas de noz-pecã para você esta noite. Depois de tudo que você fez pelo nosso país, alguém deve recebê-lo em casa corretamente. Ele sorriu.

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— Não há necessidade. Além disso, tenho planos para o jantar. Mas... — Ele arrancou as mãos dela de seu braço. — Eu agradeço a oferta. — Ele rapidamente empurrou o carrinho pelo corredor e desapareceu na seção de comida congelada. Ele podia ouvir as pessoas falando, mas não prestou atenção enquanto continuava suas compras. Ele parou pela loja de flores na periferia da cidade e comprou o maior buquê de flores que tinham, lembrando das cores e as flores favoritas de Haley. O fato era que sabia tudo que havia para saber sobre ela, e ainda assim sentiu que não sabia o suficiente. Levou algumas horas para limpar a casa depois de colocar as compras na cozinha recentemente pintada. Depois de tomar banho, ele começou o jantar, uma refeição que aprendeu com um de seus melhores amigos antes que fossem enviados para diferentes países. Eric foi enviado para Tânger, Marrocos, para levar auxílio após um deslizamento de terra atingir uma pequena cidade, matando centenas de pessoas. Wes, claro, foi enviado para o Oriente Médio. Ele terminava os últimos retoques na sala de jantar quando ouviu a batida na porta. Ele não podia explicar por que se sentia nervoso, mas quando abriu a porta, seus dedos tremiam. Então ele a viu e sua respiração vacilou. Ela usava uma saia longa e esvoaçante e um top rendado branco. Seu cabelo estava preso e ela aplicara um pouco de maquiagem em seu rosto, destacando seus lábios rosados e olhos verdes. Ela estava linda. — Você vai me deixar entrar? — Ela riu nervosamente. Ele percebeu então que estava parado e passou minutos, apenas olhando para ela. — Oh. — Ele sentia como se fosse bater a cabeça contra a porta pela sua estupidez. — Desculpe. Ele mudou de lado, enquanto ela passava. Em seguida, o cheiro de seu perfume o acertou e ele sentiu os joelhos fraquejarem. Ela parou dentro de sua sala de estar. — Eu nunca estive nesta casa antes. — Ela olhou ao redor.

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— Sério? — Ele andou até ela. — Eu teria pensado que você conhecia todas estas casa desde que você cresceu menos de uma milha de distância, e tudo pertence a você. — Ele sorriu. Ela balançou a cabeça. — Meu pai nunca quis que nós incomodássemos os homens no seu tempo. — Ela citou. — Quando Lauren assumiu, ela queria que seguíssemos as regras. Claro, ela esteve em todas elas para ver se precisavam de alguma manutenção. — Ela virou-se em um círculo lento. — É muito melhor do que eu imaginava. — Eu posso dar-lhe um tour, se você quiser? Ela corou um pouco, e balançou a cabeça. — Não, está tudo bem. Algo cheira maravilhoso. Ele balançou a cabeça e pegou sua mão. — Alimentação, primeiro. Ainda temos alguns minutos antes do jantar ficar pronto. Vamos um pouco lá fora. A casa era pequena, mas tinha um grande deck ao lado da cozinha. Ele pôs a mesa, certificando-se de colocar um monte de velas recém-compradas em todo o parapeito e nela. Quando saíram, o lugar brilhava com a luz romântica e música suave, que fluía do alto-falante do iPhone. — Isso é bom. — Disse ela, caminhando para a grade. O riacho que corria atrás da fileira de casas adicionando à sensação romântica. As rãs e grilos cantavam suas músicas todas as noites. Ela se inclinou sobre o corrimão e olhou para outro lado do campo, para as luzes da casa principal. Andando atrás dela, ele se aproximou. Ele virou as costas para a vista, escolhendo olhar para o rosto dela em vez do cenário. — Sim, é um local encantador. — Ele sorriu quando ela olhou para ele. — Por que você vai ficar aqui? — Ela virou e se apoiou no corrimão, de frente para ele. — Porque Chase e Lauren me convidaram.

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Era simples o suficiente para ele, mas ele a viu franzir um pouco com sua declaração. — Por que aqui? Na minha terra? — Você sabe por quê. — Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. — Você. — Ela balançou a cabeça, deslocando o cabelo novamente. Quando ela tentou dar um passo para trás, ele segurou seus ombros. — Haley, eu sei o que aconteceu no passado, como eu te machuquei. Eu não sou o mesmo homem que costumava ser. Você não é a mesma mulher também. Ele a puxou para mais perto, até que ele sentiu seu coração pular contra o dele. Suas mãos foram para seus ombros, mas, até agora, ela não tentou afastá-lo. Quando olhou em seus olhos verdes, ele sentiu algo que pensou ter ido há muito tempo. Inclinando-se, colocou um beijo suave em seus lábios. Querendo ir devagar, sentiu uma sacudida quando suas mãos foram para seu cabelo e puxou-o para um beijo apaixonado. Suas mãos percorriam seu pescoço até os ombros e braços. Sentiu-se começar a tremer e passou os braços em volta dela com mais força. Sua língua explorou sua boca até que ele gemeu e se sentiu tremer. Quando se tornou quase doloroso, lentamente se afastou e sorriu para ela. — Eu disse que explicaria. — Ele passou as mãos sobre os ombros macios. — Vamos comer. Tenho certeza que a comida está pronta. Ele observou os olhos verdes clarear um pouco. Ela assentiu com a cabeça e inclinou contra a grade novamente.

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Capítulo Seis Wes fez um de seus pratos favoritos. O frango grego estava tão suculento e picante que ela achou difícil concentrar-se em algo, além de saborear cada mordida. Quando o prato estava vazio, ela inclinou para trás e sorriu para ele. — Eu senti falta disso. — Ela acenou para seu prato. — Achei que você gostaria. — Ele sorriu quando terminou o último pedaço de seu prato. — Não cheguei a cozinhar tanto quanto gostaria no exterior. — Tentei fazer isso uma vez. — Ela balançou a cabeça. — Falhei miseravelmente. Ele sorriu para ela e ela não pôde deixar de sorrir. Ela sentiu falta do som de sua risada, bem como a comida. Ela esperou até que ele tomou outro gole de sua cerveja, sabendo que seu humor mudou e tentaria explicar porque fez o que fez anos atrás. Por que ele, no entendimento dela, traíra a amizade deles. Ele olhou para ela e, indo até o outro lado da mesa, tomou-lhe a mão. — Vamos andar por um tempo. Ele a levantou da cadeira. O sol começava a se pôr abaixo das colinas, deixando a luz do céu com algumas de suas cores favoritas. O feno nos campos foi cortado na semana anterior e estava sendo secado em grandes pilhas até que pudesse ser embalado. O cheiro e a vista eram a de casa, e ela percebeu que não queria estar em qualquer outro lugar na Terra. Eles começaram a caminhar em direção ao riacho, mas em vez de parar na água, ele virou-se e começou a caminhar ao longo da costa arenosa.

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— Quando você me disse que pensou que estava grávida. — Ele fez uma pausa e olhou para ela. — Eu passei por uma série de emoções antes de ficar entusiasmado. — Ele parou e se virou para ela. — Eu queria que você estivesse grávida. Queria o nosso filho. Ela se ouviu ofegar quando percebeu que nunca considerou nem uma vez essa opção. Sempre pensou que ele estava com medo, nunca que iria querer que estivesse grávida. — Nós nunca conversamos sobre isso. — Continuou ele. — Nunca conversamos sobre ter filhos. — Ele balançou a cabeça. — Éramos jovens demais para até mesmo pensar, com exceção da necessidade do uso de proteção. Quando sentei e pensei sobre isso, depois da noite que você me contou, percebi que estava mais animado do que com medo. Eu poderia imaginar o nosso filho ou filha. — Ele sorriu e passou o dedo pelo queixo. — Teriam seus olhos verdes. — Ele passou a mão pelo seu cabelo. — Teríamos uma pequena casa, alguns cavalos e gado. — Ele riu. — Um balanço de pneu em um velho carvalho. — Ele balançou a cabeça e seus olhos ficaram sem brilho. — Então você disse que era um alarme falso e fiquei despedaçado. Ele afastou uma lágrima de seu rosto. Ela não conseguia explicar, mas foi rasgada também. Ele se inclinou para ela, até que suas respirações se misturaram. — Eu queria tanto, então ele se foi, e não sabia o que fazer. Você parecia tão aliviada quando me disse. Pensei que não queria filhos. Não queria filhos, comigo. Na manhã seguinte, vi as coisas da maneira como você viu, claramente. Éramos tão jovens. — Ele balançou a cabeça. — Eu não tinha um emprego ou um futuro. Como eu sustentaria uma família? — Ele fechou os olhos por um segundo e suspirou. — Pensei que fazia a coisa certa, dando-nos a chance de crescer um pouco. Então, fui chamado no exterior e percebi quão grande idiota fui. — Ele passou a mão sobre o rosto dela novamente e ela prendeu a respiração. — Nunca deveria ter deixado você. Não houve um dia em que não pensei em você, em nós. Disse a mim mesmo que, se sobrevivesse, faria tudo

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que pudesse para voltar para você. Para tê-la de volta e mostrar o quanto você significava para mim. O quanto você significa para mim. Ela balançou a cabeça. — Eu só... Eu não... — Ela engoliu em seco. Ela não podia pensar. Sua mente girava com tudo o que ele acabou de contar. Ela se afastou e deu um passo para longe. Sem dizer uma palavra, se virou e começou a andar rapidamente para longe dele. — Haley? — Ele gritou e correu até ela, mantendo o ritmo ao lado dela. — Você está bem? Ela assentiu com a cabeça, não querendo que ele visse as lágrimas caindo em seu rosto. Ele queria começar uma família com ela. Queria o bebê, tanto como ela quis. Ela parou e se virou para ele. — Eu pensei que você não quisesse começar uma família comigo. Eu pensei que não me queria mais. — Eu sei. Eu sinto muito. — Ele pegou a mão dela. — Você me deixou, porque pensou que eu não queria uma família com você? — Ela balançou a cabeça. — Costumávamos ser bons em nos comunicar. Crescemos contando tudo um ao outro. — Ela estendeu a mão e tocou-lhe o rosto. — Você me machucou. — Ela baixou a mão ao peito e agarrou sua camisa em seus punhos. — Não faça isso de novo. Então ela ficou na ponta dos pés, fundindo sua boca com a dele. Ela sentiu o choque do calor entre eles, o qual viajou até os dedos dos pés. Então suas mãos estavam sobre ela, vagando sobre sua pele enquanto ela abria sua camisa, fazendo com que botões voassem em todas as direções diferentes. — Haley, meu Deus. — Ele engasgou, tentando acalmá-la. Mas ela precisava de velocidade. Precisava dele agora. Balançando a cabeça, puxou-o para trás até que estava ao lado de uma pilha de feno. Com dedos trêmulos, ela retirou sua blusa por cima da cabeça. Viu o calor em seus olhos quando ele viu sua pele exposta. Seus lábios se curvaram em um sorriso lento.

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— Maravilhosa. — Ele se abaixou e tirou a camisa arruinada. Em seguida, ele estava de pé ao lado dela, com as mãos nos quadris, com os olhos em sua pele. — Eu sonhei com este momento por anos. Perdoeme se eu não for devagar. Ela balançou a cabeça. — Não, preciso da velocidade. Preciso de você. Ela se abaixou e pegou a fivela do cinto em seus dedos enquanto ele estendia a mão para ajudar. Os dois riram quando ele tentou tirar as botas e quase caiu. Finalmente, ele parou diante dela na luz de fim do dia, gloriosamente nu. Ela notou a desagradável cicatriz que percorreu sua coxa esquerda. Ela correu os dedos sobre a pele levantada. — Mais tarde. — Ela olhou em seus olhos. — Você terá que me dizer sobre isso. Quando ele assentiu, ela colocou os braços ao redor de seus ombros. Ele tinha vários músculos mais do que tinha antes. Ela correu os dedos sobre eles, desfrutando a sensação de sua pele bronzeada. Ele ergueu sua saia, ajuntando-a em suas mãos. Se mexeu até que estava deitado no feno macio, enquanto suas mãos percorriam sua pele sensível, fazendo-a gemer enquanto a beijava. — Wes. Eu preciso de você. — Ela moveu os quadris até que suas mãos puxaram sua calcinha de algodão para o lado. Quando seus dedos tocaram sua pele quente, ela gritou e cravou as unhas em seus ombros. — Meu Deus. Ele suspirou. — Eu senti falta disso. Então ela puxou a cueca até que seus dedos estavam em volta do seu comprimento e começou a acariciá-lo. Sua cabeça caiu para trás enquanto gemia. Ele puxou a saia mais para cima, arrastando sua boca lentamente em sua pele, tendo primeiro um, depois o outro mamilo em sua boca. Mudou-se para baixo de seu corpo até que seus ombros repousavam sobre o interior de suas coxas. Ele beijou sua pele molhada, usando sua língua para mandá-la para um lugar que ela esqueceu. Seus

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dedos foram para seu cabelo, segurando em seu couro cabeludo enquanto ele lhe dava prazer com os lábios e dedos. Ele tomou seu tempo, desfrutando dela, agradando-a, seus dedos indo mais fundo em sua fenda enquanto sua língua brincava com o nó apertado, rolando-o entre os lábios e mordiscando-a suavemente com os dentes. Ela fechou os olhos e deixou a sensação de prazer construir dentro dela. Fazia algum tempo, muito tempo desde que sentiu algo parecido com isso. Quando gritou seu nome, ele pairou sobre ela com um sorriso, sabendo que era o primeiro de muitos que virão. — Você tem um gosto exatamente como eu me lembrava. — Ele se inclinou para trás e deslizou o preservativo, ela não sabia que ele tinha aberto. — Meu Deus, eu senti sua falta, Haley Marie. — Ele se inclinou e beijou-a enquanto movia seus quadris lentamente e deslizou em seu calor. Ele era maior do que ela se lembrava, ou talvez fossem seus músculos internos que não foram utilizados em seis anos, mas ela engasgou com a plenitude de tudo. Quando se moveu lentamente, o prazer era inegável. Suas pernas envolvidas em torno de seus quadris nus, enquanto se segurava, impulso, após impulso. Com uma mão, ele segurou-lhe o peito. Mergulhando a cabeça, provou sua pele e lambia seu mamilo. Quando o ar frio da noite bateu na pele molhada, gemeu de prazer quando a boca quente se moveu sobre ela. Seus quadris desaceleraram um pouco até que os agarrou e cravou as unhas em sua bunda, fazendo com que ele se movesse mais rápido. Ele riu um pouco até que ela girou seus quadris, movendo-o abaixo até que ela olhou para ele. Pedaços de feno caíam de seu cabelo enquanto ela montava seus quadris. — No exterior, você deve ter esquecido a velocidade que as cowgirls gostam. — Ela moveu os quadris enquanto ele sorriu. — Sim, senhora, por que você não me mostra. Seu sorriso era perverso. Seus dedos cravaram em seus quadris enquanto se movia mais rápido sobre ele. Ela observou os olhos vaguear

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sobre a pele; suas mãos seguiram o caminho até que ela quase perdeu o controle de seu ritmo. Seus quadris sacudiram quando empurrou para cima por conta própria, encontrando e combinando seus movimentos. Quando o ouviu rosnar, deslizou mais profundamente e tomou seu prazer enquanto ele tinha a própria liberação.

Havia um fio grosso de feno cutucando-o na bunda, mas não se importava. O corpo nu de Haley estava sobre ele, seu peito macio apertado contra o seu próprio. Suas pernas ainda estavam ao redor de seus quadris, seu núcleo pressionado ao dele. Ele ainda estava enterrado profundamente dentro dela. Ele podia sentir o seu batimento cardíaco e sua respiração lenta, enquanto corria as mãos para cima e para baixo de suas costas. Seu longo cabelo em seu rosto, mas ele não se importava. Apenas o cheiro dela fez com que se agitasse novamente. Ela foi muito mais do que se lembrava. Sua pele estava mais suave do que qualquer coisa que já sentiu. Ela cheirava como o céu e tinha gosto de primavera. Ele duvidou que pudesse ter o suficiente dela em uma só vida. Correndo suas mãos até os quadris, segurou-a quando girou para cima, empurrando mais profundo dentro dela. Ele sentiu-a ofegar contra seu peito e quando fez isso de novo, ela gemeu. — Por favor. — Ela sussurrou. — Mais uma vez? — Perguntou baixinho. Quando assentiu, ele inverteu suas posições até que ela estava debaixo dele, seu cabelo escuro se espalhando no feno macio. — Você é mais bonita do que eu me lembrava. — Ele se inclinou e deu um beijo suave em seus lábios. Ele queria ir lento neste momento. Queria uma cama macia; queria tomar seu tempo com ela, gostaria de estar dentro dela à noite toda, até o sol nascer. — Aqui. — Ele disse, se afastando e colocando sua camisa arruinada ao redor de seus ombros. — O quê? — Seus olhos se abriram enquanto ele ria.

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— Eu quero você na minha cama. Essa noite. Durante toda a noite. — Ele se mexeu e a pegou. Ela era mais leve do que se lembrava e facilmente a levou os poucos metros de volta a sua casa. No momento em que abriu a porta, ela colocou os braços ao redor de seus ombros e beijava seu pescoço e rosto. Ele achou muito difícil andar os poucos metros necessários para sua cama e acabou tropeçando algumas vezes ao longo do caminho. Quando a deitou na cama, ele percebeu que ambos estavam cobertos de feno e sorriu. Ajoelhado ao lado dela, ele passou os dedos suavemente sobre sua pele. Seus olhos se fecharam e seus lábios se abriram um pouco. Inclinando-se, ele deu um beijo em sua barriga. Sentiu a respiração tremer enquanto arrastava sua boca ao longo da linha que viajara antes. — Eu não consigo ter o suficiente do seu gosto. — Ele passou um dedo ao redor de seu umbigo. — Se eu te engarrafar, eu poderia facilmente me tornar um milionário. — Ele sorriu. Ela riu, então engasgou quando seus lábios tocaram os lábios inferiores. Usando a língua, separou os lábios e brincou até que sentiu seu quadril chocar contra sua boca. — Mais. — Ele rosnou, empurrando seus dedos profundamente até que provou seu doce néctar em sua língua. Pairando

sobre

ela,

esperou

até

que

sua

respiração

desacelerasse um pouco, até que seus olhos se abriram e ele viu o convergir para verde-mar. Então, mergulhou dentro dela em um movimento rápido, fazendo-a gemer e suspirar ao mesmo tempo. Suas unhas cravaram em seus ombros, as pernas enroladas em torno de seus quadris enquanto empurrava mais e mais rápido, até que ambos perderam o último fio de controle.

O sonho veio como sempre fez. Mesmo com doce corpo de Haley em volta do seu, o pesadelo pegou e rasgou em sua mente.

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Imagens e sons explodiam em sua mente, fazendo seu corpo idiota reagir. Em sua mente, ele estava preso sob a grande viga de metal, seus amigos, sua equipe, todos mortos ao lado dele da explosão inicial. Ele tentava como louco tirar a viga de sua perna, mas não moveu. Então ouviu os homens. Não sabia o que diziam, mas sabia que se aproximavam. Sua arma foi jogada alguns metros de distância quando a sala explodiu. O suor escorria por suas costas enquanto lutava para se libertar. Eles vinham para ver se a granada caseira fizera o seu trabalho. Olhando em volta rapidamente, percebeu que todos em sua unidade estavam mortos. Todos, exceto ele. Os

homens

aproximaram-se.

Podia

ouvi-los

rir

quando

descobriram o primeiro corpo. Ouviu-os vasculhar os pertences de seu líder do pelotão. A grande viga bloqueava a visão, mas podia ouvir quando os homens aproximaram, parando em cada um dos corpos dos membros da equipe, removendo qualquer coisa que encontrassem de valor. Quando pararam no corpo de Tracey, viu com olhos quase fechados quando rasgaram sua roupa. Os quatro homens olharam para seu corpo nu e fizeram piadas, rindo e cutucando o peito nu com a ponta de seus rifles. Ele sentiu seu estômago revirar. Fechando os olhos, tentou bloquear tudo em sua mente. Estava grato por morrerem. Estava grato por não precisarem sofrer. Nenhum deles sofreu. Isso aconteceu muito rápido. Então ouviu um dos homens acima dele. Seu corpo ficou mole quando puxaram o relógio que seu pai lhe dera como presente de despedida do seu pulso. Alguém chutou suas costelas e falou com o grupo. Se forçou a não respirar, não fazer um som enquanto vasculhavam sua bolsa, que ainda estava presa ao peito. Quando o homem não conseguiu abri-la, chamou os outros homens para ajudá-lo a puxá-la de seus ombros.

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Durante o processo, eles moveram a viga o suficiente para que sua perna fosse libertada. Abrindo os olhos apenas um pouco, viu que o homem que tentava abrir sua bolsa colocou sua arma ao lado dele. Levou menos de um segundo para ele reagir. Primeiro atirou no olho daquele que pairava acima dele, então na pessoa que estava atrás de seu amigo, e as duas últimas quando correram para ajudar seus amigos. Quando tudo acabou, sentou-se com as costas contra a viga, o sangue escorrendo do grande corte em sua perna esquerda. Cinco de seus melhores amigos estavam sem vida no chão de terra e os quatro homens que os mataram estavam mortos ou sangrando até a morte. Ele começou a engatinhar até o rádio para que pudesse pedir ajuda. Quando se moveu, percebeu que um dos atacantes era um homem que não tinha mais do que quinze anos. Os pequenos olhos abriram-se enquanto ele inclinou-se sobre ele para pegar o rádio, e percebeu o quão verdes eram. Acordou com um solavanco, percebeu que eram os olhos verdes de Haley olhando para ele. A luz em sua cabeceira estava acesa e ela vestia uma de suas camisas velhas e shorts. Ela sentou-se de pernas cruzadas ao lado dele, com as mãos descansando em seus ombros como se tivesse o sacudido. Ele passou as mãos sobre o rosto e se sentou. — Desculpe, eu te acordei? — Ela assentiu com a cabeça. — Foi um sonho ruim. O olhar preocupado em seus olhos disse tudo. Normalmente, seus sonhos não duravam muito tempo. Os pesadelos quase sempre terminavam antes que os homens o revistassem. — Você está bem? — Perguntou ela, se aproximando dele na cama. Ele balançou a cabeça e olhou para o despertador. Por que era sempre o mesmo horário? Ele suspirou e recostou a cabeça contra a cabeceira. Mantendo os olhos fechados, ele a agarrou e puxou-a para se deitar ao lado dele.

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— Deixe-me segurar você por um tempo. É tarde demais para explicar e não quero mantê-la acordada o resto da noite. Ela se aconchegou ao lado dele e passou as mãos sobre o peito lentamente. — Eu não me importo. Se você quiser falar sobre isso. Ele olhou para ela e sorriu levemente. — Eu sei que você não vai descansar até ouvir. Ele riu quando ela balançou a cabeça e descansou a cabeça contra seu peito. No momento em que contou sua história, ela estava sentada, olhando profundamente em seus olhos, a preocupação estampada em seu rosto. — O que aconteceu em seguida? Ele balançou a cabeça. — Não lembro de muita coisa. Apaguei quando o garoto me empurrou. Quando acordei, o rádio estava ao meu lado e o garoto tinha ido embora. Eu estava sendo levado para o hospital, depois para o VA na Alemanha, onde passei o próximo mês aprendendo a andar de novo. — Sinto muito que você passou por tudo isso. — Ela se inclinou para trás contra ele novamente. Em seguida, estendeu a mão e beijouo. — Estou feliz que sobreviveu. Ele acenou com a cabeça. — Eu sonho todas as noites. Nada do que faço parece impedi-lo de vir. Ele fechou os olhos, com medo de dizer a ela que esperava que os sonhos parassem quando estivesse com ela. — Pode apenas levar tempo. — Ela passou as mãos sobre o peito. Sua mão repousava sobre a dela. — Eu suponho. Ele os escorregou ainda mais para baixo, até que estavam deitados lado a lado. Correu as mãos por baixo de sua camiseta, até que ela gemeu e começou a se mover sob suas mãos.

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Capítulo Sete Quando Haley voltou para casa na manhã seguinte, não podia tirar de sua mente todas as diferenças que viu e sentiu em Wes. Ele não era o mesmo rapaz que foi embora há quase seis anos, e ela não falava apenas fisicamente. Ouvir suas experiências abriu os olhos para o fato de que passou por muito mais coisas do que ela ao longo dos anos. Não conseguia explicar o que fez a ela ouvir o que ele sofreu. Ela o viu coxear. A cidade inteira viu. Desde que os pais dele não eram ligados a fofocas, todos especulavam sobre o que aconteceu. Nada chegou perto da história que ele contou na noite passada. Ela sentia falta de ter ele por perto, estar com ele. Ele costumava ser a única pessoa com quem poderia falar por horas e horas sem sentirse estranha. Eles falariam sobre suas esperanças e sonhos, sobre os lugares para onde viajariam, sobre tudo e qualquer coisa. Eles poderiam ter isso de novo? Ele passou por tantas coisas e cresceu tanto que ela começava a sentir como se não tivesse se movido um centímetro desde que ele deixou Fairplay. Será que eles realmente ainda tinham alguma coisa em comum, exceto a atração física? Sua mente brilhou para o que ele fez com ela após contar a história dele. Do que fizeram antes. Suas bochechas aqueceram e seu corpo respondeu a apenas o pensamento dele. Ela estava tão envergonhada, achando que uma de suas irmãs a veria, que ela entrou no celeiro e foi até o seu refúgio, só para encontrar Lauren e Chase lá em cima, parecendo culpados. Chase colocava a camisa dentro da calça e Lauren tinha palha no cabelo. — Bem, bem, bem. — Haley inclinou contra o poste e cruzou os braços sobre o peito. — Tendo um pouco de diversão no feno, não?

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Chase riu enquanto Lauren parecia envergonhada e começou a dar desculpas. — Houve um... Ela olhou para o marido. — Rato. — Sugeriu. — Sim, um rato. Eu vi um e caí de costas e Chase... — O peguei com a minha camisa e o joguei fora. — Chase sorriu seguindo junto com o jogo de sua esposa. — Sim. — Lauren olhou para Chase. — De qualquer forma, é melhor eu voltar para... — O trabalho? — Haley sugeriu por ela. — Sim. — Lauren saiu rapidamente enquanto Chase e Haley riam. — Ela não é boa nisso. — Disse Haley, caminhando até seu refúgio e sentando. Chase apenas riu. — Eu sei, mas é uma das razões pelas quais eu a amo tanto. — Ele se aproximou e sentou em frente a ela. — Eu acho que desde que a conheço tão bem, posso dizer quando uma de suas irmãs tem algo em sua mente. E não pense que não vejo o feno em seu cabelo também. — Ela estendeu a mão para seu cabelo antes de se lembrar que tomara banho na casa de Wes. Chase riu e apontou para ela. — Peguei você. Então, como foi o seu jantar com Wes, afinal? Ela riu e se inclinou para trás. — Tudo bem. — Então, deu de ombros. — Não sei. Acho que foi bom. Quero dizer, ele disse por que me deixou. — Chase arqueou as sobrancelhas. — Quero dizer... Ela corou, lembrando que ninguém sabia de seu susto antes da formatura. Chase balançou a cabeça. — Oh, não. Você não pode esconder isso de mim. — Ele sorriu. — Lembre-se, eu posso ler você agora, também. Ela suspirou.

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— Tudo bem, mas você tem que prometer que não vai contar a ninguém. Ele riu. — Prometo. — Quando ela simplesmente olhou para ele, continuou, — Lembre-se, eu mantive Lauren e meu casamento em segredo por sete anos. Ela sorriu. — Sim, e todos nós ainda estamos chateados com você por isso. — Tudo funcionou muito bem e estou onde deveria estar agora. — Ele se inclinou para trás e descansou os ombros em um fardo de feno. — Então, derrame. Ela respirou fundo e soltou-o. — Seis anos atrás, antes de Wes se inscrever para o exército, eu pensei que estava grávida. Mas acabou por ser um alarme falso, ele entrou para o exército e partiu. Pensei que era porque ele não queria uma família, não me queria, mas acontece que ele estava de coração partido, porque achava que eu não queria uma família com ele. — Ela agarrou sua cabeça. — Uau, isso soou muito melhor na minha cabeça. — Chase apenas olhou para ela. — Ok, eu sei que é estúpido. Éramos jovens e bem... estúpidos, mas costumávamos dizer tudo um ao outro. Então. — Ela encolheu os ombros de novo. — Algo grande aconteceu e nos separamos. — Você acha que pode recomeçar onde pararam? — Perguntou. — Ela balançou a cabeça. — Bom. Ele levantou e tirou a poeira de seus jeans. — Bom? — Ela levantou e olhou para ele. — O que isso significa? — Não pense que podem começar de onde pararam, porque não podem. Vocês nunca podem voltar a serem como eram quando crianças. Confie em mim. Vocês são duas pessoas diferentes agora. — Ele caminhou até ela e segurou seus ombros. — Mas podem começar de novo. Acredite em mim. — Ele sorriu. — Se você não fizer isso, perderá toda a diversão. — Ele deu-lhe um abraço fraternal e depois sorriu. — Agora, eu acho que é melhor eu voltar para... — Ele sorriu.

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— Trabalho. — Ela riu. Cerca de uma hora antes do anoitecer, ela se convenceu de que pensava demais sobre tudo. Ela sentou na varanda de trás e comeu churrasco de costelas com Lauren, Chase, Grant e Alex, e se sentiu um pouco melhor. Ela cortava a melancia que cresceu no novo jardim de Alex quando Wes caminhou até no quintal traseiro. — Algo cheira maravilhoso. — Ele sorriu e se aproximou para apertar as mãos de Grant e Chase. Quando ela olhou para ele, ela estava tão concentrada em observar a forma como ele se movia, que não percebeu que cortara o dedo até que Alex engasgou. — Haley! — Alex correu. — Você está sangrando por toda a minha melancia. — Alex pegou uma toalha branca e envolveu em torno de seu dedo. — Oh! — Então, ela sentiu a picada e prendeu a respiração com a dor. — Olhando para baixo, viu o sangue em sua camisa e gemeu. — Ótimo, outra camisa arruinada. Wes estava ao seu lado. — Você está ferida? Ele pegou a mão de Alex e examinou-a. Chase, sendo a única pessoa com conhecimento médico, aproximou e olhou para o corte. — Ela vai viver. — Ele acenou para Wes. — Minha bolsa de médico está em cima da geladeira. Há gaze antisséptico lá. Wes balançou a cabeça e puxou Haley pela porta de trás. — Eu posso cuidar de um pequeno corte. — Ela começou a dizer, mas foi abafada por Wes quando ele chegou com uma mão para pegar a bolsa de Chase. Sua outra mão ainda pressionava a toalha sobre o corte. — Venha aqui. — Ele puxou-a para a mesa. Ele empurrou levemente em seu ombro com a bolsa até que ela sentou na borda da mesa. Retirando uma pequena garrafa, encharcou seu corte com o líquido

marrom

fedido

rapidamente,

fazendo-a

assobiar

com

dor. Quando tentou empurrar a mão, Wes segurou-a até que estava

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convencido que o corte estava limpo. Em seguida, usou outra toalha limpa para secar a mão antes de envolver o dedo com força. — Pronto. — Ele olhou para ela e sorriu, a preocupação deixando seu rosto. — Toda remendada. Ela franziu o cenho para ele. — Sua postura médica poderia precisar de alguma prática. Ele sorriu e falou baixinho. — Eu sinto muito. — Ele parou entre seus joelhos, enquanto ela se sentava à mesa. — Eles não nos ensinam como beijar um dodói no exército. — Ele riu quando ela fez uma careta. — Mas, para você... — Ele se afastou após beijá-la. — Eu posso aprender. — Está tudo bem por aqui? — Perguntou Lauren, andando com o pequeno Ricky em seu quadril. O garoto estava bonito em seus shortinhos e camisa de botão. Ele chutou um de seus sapatos antes e agora tentava tirar o outro batendo o pé contra o quadril de sua mãe. Seus dedos gordinhos estenderam-se em direção a Haley enquanto Lauren entrava na sala. Haley brincava com Ricky desde que saíram para o quintal, mas o garoto não conseguia o suficiente de sua tia. Empurrando o ombro de Wes até ele mudar de lado, ela pulou da mesa e estendeu a mão para seu sobrinho. — Aí está o meu garoto favorito. Venha dar um beijo em sua tia favorita. Ela beijou seu rosto até que o menino gritou com riso. Wes e Lauren os seguiram para fora. — Você vai ficar para o jantar. Chase fez costelas suficientes para alimentar um exército. — Lauren disse, enquanto caminhavam para fora. — Bem. — Wes sorriu. — Cheira e soa tão bem. Só não deixe Haley em qualquer lugar perto da melancia de novo. Foi bom estar no quintal de trás e conversar com a sua família. Eles tentavam se reunir pelo menos uma vez por semana. Eles

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teriam gostado de fazê-lo mais, mas Alex e Lauren ainda trabalhavam na lanchonete da Mama, ocasionalmente. Quando olhou através da mesa para Wes, não podia deixar de ver o quão bem ele se encaixava com a sua família. Os caras brincavam um com o outro, enquanto as mulheres falaram sobre o progresso de Ricky. O garotinho estava com dois anos e era mais inteligente do que a maioria das crianças o dobro de sua idade. Pelo menos de acordo com a sua mãe e tias. Ricky foi abençoado com os olhos verdes West e cabelos negros de seu pai. A mistura era algo para ver em uma criança gordinha. Depois do jantar, Ricky caminhou ao redor da mesa e acabou sentando no colo de Wes. Seu rosto e os dedos foram limpos por seu pai, mas ainda conseguiu derramar um pouco de molho na camisa de Wes. Wes não pareceu se importar ou notar. Ele brincou de susto com o garotinho e derreteu o coração de Haley um pouco mais. Depois que o sol se pôs, sentaram-se no balanço no quintal e falaram um pouco mais. Ela ainda sentia como se estivesse segurandose com ele, mas não conseguia explicar o porquê. Afinal, ele passou por tanta coisa e explicou suas ações passadas. Mas, até agora, ele não falou uma vez sequer sobre o futuro. Ela não sabia se ele estava pronto para falar com ela ou não, mas sabia que não confiaria completamente nele até que ele contasse a ela seus planos. Não era como se estivesse pedindo muito. Afinal, não achava que poderia

explicar

seus

planos

para

o

futuro

a

alguém

caso

perguntassem. Ela nasceu e cresceu no rancho Saddleback. O mais longe que esteve dele foi no verão em que seu pai decidiu mandá-la para um acampamento de verão. Foi à semana mais cansativa que já passou. Não se lembrava de já estar com tanta saudade de sua vida. Ficava um pouco difícil viver com Lauren e Chase. Eles iniciaram a sua própria família e planejavam expandir ainda mais. Alex casara com Grant e se mudara a um ano atrás, de modo que ajudou. Era uma casa grande, mas Haley começava a perceber quão pequena era quando você estava constantemente vivendo com um casal que queria

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privacidade. Ela tentou brincar com eles sobre isso e sempre tentou realmente evitar áreas que sabia onde estavam. Mas esbarrar neles, como hoje, era inevitável. Mais e mais ao longo do último ano, ela se perguntava o que faria sobre isso. Ela sabia que não estava pronta para se casar. Até Wes retornar, ela só encontrou outro homem na cidade digno de namoro. Finalmente, Wes levantou e explicou que precisava estar em Tyler na primeira hora da manhã. Ela não se intrometeu, e ele não explicou o porquê, o que só tornou mais difícil confiar nele novamente. Quando ele deu um beijo de boa noite, sentiu que escondia alguma coisa. Enquanto o observava ir embora, sentiu vontade de chorar. Por que se deixou entrar nisso de novo? Estava tão rasgada, não sabia o que fazer. Talvez algum tempo longe ajudasse? Ela tinha alguns primos para onde poderia ir e passar algum tempo. Eles viviam cerca de uma hora e ela sempre se divertia em seu rancho. Eles tinham um rancho de cavalos, algo que sempre sonhou em fazer, mas nunca teve o tempo ou dinheiro. Inclinando a cabeça para trás contra o balanço, fechou os olhos e imaginou o seu futuro. Sonhou com o que gostaria de fazer se o tempo e o dinheiro não fosse um problema. Já tinha um nome para o rancho, Santuário da Haley. Ela não pararia apenas com cavalos. Seu santuário seria aberto a todos os diferentes tipos de animais: cavalos, vacas, cabras, cães, até lhamas. Parou de balançar e sorriu. Os Becker na estrada em frente tinham alguns lhamas. Ela sempre amou trabalhar com eles. Eram criaturas perversas, mas muito inteligentes. Se perguntou onde em Fairplay poderia abrir tal rancho. Não havia muitos lugares da cidade, mas sabia de algumas fazendas mais antigas ao redor que poderiam abrigar uma casa com algum esforço. No momento em que subiu as escadas para ir para a cama, ela tinha tudo planejado em sua mente. Tudo o que precisava agora era de tempo e dinheiro.

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Nos próximos dias teve pouco de ambos. O que tinha muito era suor e sangue. Abrira o corte em seu dedo várias vezes enquanto limpava o curral ou ajudava com o gado. Mesmo usando luvas, todas as noites quando voltava, a mão estava coberta de sangue. — Droga. — Ela estava em pé na cozinha coberta de feno e sujeira, olhando para a mão sangrenta. — Droga, droga, droga. — A doce voz de Ricky veio por trás dela. Ela virou e estremeceu com Lauren. — Desculpe, eu não sabia que você estava atrás de mim. Lauren sacudiu a cabeça e franziu a testa ao lado de Haley. — Isso ainda te incomoda? — Sim, não quer fechar. Eu já limpei e enfaixei. Mas sabe como é quando você usa as mãos da forma como fazemos. Lauren assentiu. Ela sentou Ricky em sua cadeira alta, certificando-se de prendê-lo. Ele era um mestre da fuga e todo mundo brincava dizendo que eles deveriam tê-lo chamado Houdini. — Aqui, tente isso. — Lauren caminhou até o armário da cozinha e tirou um pequeno frasco, quando Alex entrou pela porta de trás. — Supercola? — Ela perguntou a Lauren. — Sua irmã assentiu. — Confie em mim. Então ela virou para Alex, que ainda estava vestida com seu uniforme de Mama. — Dia ocupado? — Você não tem ideia. — Disse Alex, sentando ao lado de Ricky. — Droga, droga, droga. — Disse Ricky, sorrindo enquanto batia as mãos na cadeira alta. Alex riu enquanto Haley se encolhia. — Eu ganhei a aposta. — Alex olhou para Lauren e estendeu a mão para Haley. — Aposta? Que aposta? — Perguntou Lauren. — Nada. — Disse Haley rapidamente. Ela enfiou a mão na bolsa e entregou vinte a irmã. — Haley Marie. O que... — Lauren olhou para ela e o filho. —... Lua, você está falando?

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— Apostamos quem seria a primeira a ensinar essas palavras ao seu filho. — Disse Alex, segurando a nota de vinte. — E você pode ver pela nota em minhas mãos que eu ganhei. Eu ganhei. Eu ganhei. Alex levantou da cadeira e fez uma pequena dança, para a alegria de Ricky. Ele começou a bater palmas e cantar. — Eu ganhei. — Também. Lauren riu. — Pelo menos ele não está dizendo... a outra palavra mais. Haley passou os próximos minutos limpando a mão e tentando colar seu dedo. Quando jogou o pequeno frasco sobre a mesa, vários de seus dedos estavam colados. Alex sentou e observou-a, rindo primeiro, em seguida, estendeu a mão e começou a ajudar. Vendo a cabeça loira de sua irmã sobre a sua mão, um flash de memória veio na cabeça de Haley. Haley realmente não se lembra de sua mãe muito bem; ela tinha apenas quatro anos quando o tornado a levou embora. Mas, vendo a cabeça curvada de Alex sobre sua mão, tinha certeza que sua mãe faria algo semelhante. — Haley? — Lauren perguntou do outro lado da sala. — O que foi? Sua irmã correu para o lado dela. — Hale? — Alex olhou para ela. Seus olhos cor de chocolate escuro viraram uma sombra mais profunda, se arregalaram um pouco, e seu rosto se suavizou. Por uma fração de segundo, ela podia ver o rosto de sua mãe, em vez de Alex. — Mamãe. — Ela resmungou, a voz rouca com as emoções. — Eu me lembro da mamãe fazendo isso. — O quê? — Alex tinha uma carranca no rosto. — Hal, você está branca como um lençol. Lauren ligue para o seu marido lá dentro. Lauren correu para a porta de trás, só para ser parada por Haley.

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— Não, espere. Eu estou bem, realmente. Eu só... é só que me lembrei da mamãe. — Ela sorriu um pouco. — Pela primeira vez na minha vida, lembrei da mamãe. — Oh, querida. — Lauren correu para o lado de sua irmã, abaixou-se e abraçou-a. Lágrimas escorriam pelo rosto de Haley. Ela podia sentir suas irmãs abraçando-a e até mesmo sentiu a pequena mão de Ricky chegar e puxar seu cabelo. Fechando os olhos, ela interpretou a cena em sua memória mais uma vez, querendo agarrá-la. — Eu tinha um dodói. — Ela se afastou e sorriu para o rosto de sua irmã. — Aqui. — Ela ergueu o polegar. — Mamãe colocava um BandAid sobre ele. Eu queria um de arco-íris, mas Alex usou todos em sua boneca mais cedo. Ela franziu a testa para Alex, que apenas sorriu e deu de ombros. — Dolly tinha um monte de dodóis no verão. — A cabeça de Mamãe estava inclinada para baixo, olhando para o meu dodói. Ela cantava para mim. A canção, Tudo melhora. Alex olhou em direção a janela e começou a cantar, sua rica voz misturada com o sotaque acentuado, enquanto cantava música original de sua mãe. Eu sei que você está com medo Mas eu sempre estarei lá Eu sei que há dor Mas vou te segurar até que vá embora Eu vou beijar até tudo melhorar, (ooo) Eu vou beijar até tudo melhorar (ooo) Eu sempre estarei lá para você Porque isso é o que fazem as mamães Não há nenhuma necessidade de chorar Porque você é a menina dos olhos de sua mamãe Eu vou beijar até tudo melhorar (ooo) Beijo tudo melhora

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Só para você, eu vou beijar até tudo melhorar Quando Alex terminou de cantar, havia ainda mais lágrimas na cozinha, quando as irmãs se abraçaram. — Você parece tanto com ela. — Disse Lauren. — Não é justo. — Sua irmã sorriu e segurou o rosto de Alexis. — Você tem a aparência, a voz, e pelo que o pai sempre dizia, o temperamento dela. Todos riram, quando Chase entrou pela porta de trás. — O que está acontecendo? Quando viu as lágrimas, ele tinha o rosto que todos os homens têm quando entram em uma sala cheia de mulheres chorando. Seus olhos corriam ao redor da sala e encontrou uma dúzia de rotas de fuga. As irmãs riram enquanto se abraçavam e choravam. ******* Wes jogou a bengala contra a porta. Ele não queria a maldita cirurgia. De jeito nenhum ele voltaria a andar com uma maldita bengala. Quando a bela enfermeira voltou, ela olhou para a bengala e franziu a testa. — Agora, Sr. Tanner, isto não fará nenhum bem por aqui. Nem mesmo seu sotaque sulista e um sorriso bonito pode levantar seu ânimo. — Eu não quero a maldita coisa. Ele começou a levantar e quase caiu. A enfermeira correu o pequeno espaço e colocou os braços ao redor de seus quadris. Se ele não estivesse tão focado em sua dor, ele teria apreciado o belo par de seios empurrando contra seu peito. Inferno, ele precisava ser honesto consigo mesmo. Desde que chegara em casa, havia apenas um par de seios em sua mente, os de Haley. Agora que ele se sumiu e arruinou suas chances com ela. O que ela pensará quando voltar mancando para a cidade amanhã? O que

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poderia dizer? Oh, hey, a propósito, eu apenas fiz uma grande cirurgia sem te dizer, e precisarei de pelo menos mais duas no próximo ano. Ótimo, ótimo. Ele fechou os olhos enquanto a enfermeira o obrigava a sentar na maca. — Sr. Tanner, se você continuar a fazer coisas imprudentes, você acabará no chão, e terei que chamar um plantonista. — Ela se inclinou para frente e sussurrou-lhe. — E eles não são nem de perto tão legais quanto eu. — Ela piscou e entregou-lhe a bengala. — Agora, vamos tentar fazer isso de novo? No dia seguinte, ele se sentou na caminhonete de seu pai, e inclinou a cabeça para trás. Havia um milhão de desculpas correndo por sua cabeça. Nenhuma delas explicou por que manteve este segredo da cidade. Por que não queria o apoio das pessoas que o amavam. Talvez tenha sido culpa de seus pais? Ele olhou para seu pai. Ele era a cara dele, exceto que seu pai tinha o cabelo branco e um pouco de barriga de cerveja. Seus pais mantiveram segredo o máximo que podiam, o que era difícil em uma cidade tão pequena. Mas eles guardaram para si mesmos e gostava que fosse assim. Talvez seja por isso que ele não contou a ninguém o que passava. Fechando os olhos, sabia que as desculpas não fariam diferença com Haley. Ele deveria ter dito a ela. Quando seu pai seguiu para a pequena casa, ele se encolheu quando a viu sentada em sua varanda. — Sinto muito. Eu sei que não queria que ninguém soubesse o que estava acontecendo. — O pai olhou para ele e desligou o motor. — Mas sua mãe pensou que era melhor que alguém soubesse que precisaria de alguma ajuda. Desde que você está vivendo aqui. — Ele balançou a cabeça. — Nós pensamos que seria melhor que alguém próximo conferisse você por alguns dias. Ele acenou com a cabeça. — Obrigado, papai.

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Seu pai abriu a porta e correu ao redor para abri-la para ele. Haley estava lá, segurando suas mãos na frente dela. Ele podia dizer pelo olhar em seus olhos que ela estava preocupada, mas não conseguia ler mais nada. Ela ficou ali com seu pai o ajudando a entrar em sua casa. Ele se sentou no sofá, a bengala apoiada ao lado dele, sentindo um pouco tonto. Ele odiava a medicação que recebeu e até protestara contra tomá-la. Mas no final, o médico e a dor venceram. — Bem, eu te deixarei em mãos capazes. Seu pai entregou a Haley o pequeno saco branco com seus medicamentos, os quais Wes não tinha a intenção de tomar por muito tempo. — Obrigado pela carona, pai. — Ele descansou a cabeça para trás quando seu pai saiu. — Como você está se sentindo? — Perguntou Haley, sentandose na cadeira em frente a ele. — Tudo bem, realmente. Não é grande coisa. Eu não sei por que eles chamavam você. Espero que você não se preocupe. — Preocupar? — Suas sobrancelhas se ergueram. — Você não me deu a chance de me preocupar. No momento em que descobri sobre tudo isso, você já estava voltando. — Sua voz estava atada com dor. — Sua mãe disse que sua cirurgia foi há três dias. Isso está correto? Ela cruzou as mãos no colo. Quando ele assentiu com a cabeça, fechou os olhos e suspirou. Quando ela abriu os olhos para cima, ele viu a dor. — Haley, me desculpe, eu não... — Não. — Ela se levantou. — Não há mais desculpas. — Ela pegou o saco de medicamentos novamente. — Eu não vou ouvi-las mais. Ela se virou e entrou na cozinha. Ele podia ouvi-la pegar um copo de água, em seguida, ela caminhava de volta, as pílulas e água em suas mãos.

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— Ele disse que você deveria tomar isso quando chegasse em casa. — Ela segurou-os. — Então, a cada quatro horas até que a dor seja suportável. — É suportável agora. — Ele afastou as pílulas, mas tomou a água, esperando que a dor fosse mascarada o suficiente. — Não minta para mim. — Ela estava em cima dele. — Não seja burro, mais do que já é. Tome os malditos comprimidos para que eu possa fazer o jantar sem me preocupar. — Você não tem que ficar por aqui. Ele tomou as pílulas, sabendo que ela iria forçá-los para baixo de sua garganta, se não os tomasse. Ele odiava que as pílulas o deixassem grogue. Na primeira hora da viagem de volta para casa, ele falava sobre como borboletas eram legais. Para o seu pai! Ele certamente não queria que Haley o testemunhasse assim. — O que eles fizeram? — Hmm? — Ele perguntou, desejando que ela se sentasse ao lado dele para que pudesse ver seus olhos verdes. Sonhou com eles ontem à noite em sua cama de hospital, enquanto a medicação corria em suas veias. Ela se sentou ao lado dele, colocando a mão sobre a dele. — Por que você precisa da cirurgia? Talvez os comprimidos já estivessem fazendo efeito, mas ela parecia mais suave, mais sexy. — Um vaso sanguíneo ficou obstruído. Eles tiveram que substituí-lo. Basicamente. — O que? — Ela olhou chocada. — Substituí-lo? — Sim. — Ele riu. — Eles pegaram alguns da minha perna boa. — Ele apontou para um curativo na sua coxa. — Então costurou aqui. — Ele apontou para a perna ferida. — Bam. — Ele bateu as mãos, quase errando. — Eu estarei tão bom como novo, ou assim dizem. — Suas palavras começaram a ficar enroladas e sua cabeça caiu para trás novamente. — Droga, eu odeio ficar grogue. — Ele virou a cabeça em direção a ela, olhou e sorriu. Ele tentou aproximar-se dela, mas ela

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estava muito longe. — Você é tão bonita. Eu não posso acreditar o quanto eu te amo.

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Capítulo Oito Os olhos de Wes fecharam e começou a roncar levemente. Você é tão bonita. Eu não posso acreditar o quanto eu te amo. Suas palavras ficaram mais e mais em sua mente enquanto o observava dormir. Se realmente a amava, por que teve que descobrir sobre sua cirurgia por seus pais? Três dias depois! Ela foi ferida quando ele se foi sem dizer por que saía da cidade. Não que fosse uma daquelas namoradas que precisavam saber onde seu homem estava em todos os momentos. Nem sequer pensava neles como namorados novamente. Afinal de contas, eles ficaram juntos uma vez. Não era como se ele tivesse proposto qualquer compromisso com ela, ainda. Ela se levantou e caminhou em sua cozinha para fazer um pouco de sopa. As instruções do hospital afirmavam que ele deveria comer hoje à noite. Procurando em sua cozinha, ela encontrou os ingredientes para uma sopa de frango, algo que era uma profissional em fazer. Ela gostava de cozinhar. Foi uma das primeiras coisas que Haley e suas irmãs aprenderam a fazer para ajudar após a morte de sua mãe. Seu pai era um pai maravilhoso, rancheiro, e até mesmo costureiro, mas não poderia cozinhar para salvar sua vida. Quando a casa cheirava a sopa de galinha e pão francês, ela pode ouvir Wes na sala ao lado. Ela entrou com uma bandeja cheia de comida para ele e quase derramou tudo quando o viu tentando ficar em pé sem a bengala. — O que você está fazendo? — Ela suspirou e abaixou a bandeja rapidamente.

Correndo,

ela

colocou

os

braços

rapidamente, antes que começasse a cair para trás.

~ 78 ~

em

volta

dele


— Maldição. — Disse em seu cabelo quando usou todo o seu peso para manter-se. — Perna estúpida. Ela o ajudou a caminhar em direção a mesa e sentar-se. — Não faça isso de novo. — Ela repreendeu. — Você poderia ter comido no sofá. Ele balançou a cabeça. — Estou cansado de comer na cama ou em um sofá. Eu queria jantar com você. — Ele estendeu a mão e pegou a mão dela. — Com velas. — Ele acenou com a cabeça em direção às velas que usara na semana passada. — Você pode ascendê-las? — Por quê? — Ela perguntou, olhando para seu rosto. Ela podia ver que seus olhos castanhos ainda estavam nublados e estava um pouco mais pálido do que o normal. — Porque você é tão bonita à luz de velas. — Ele estendeu a mão e escovou o cabelo com as costas da mão. — Por favor. Ela suspirou e começou a acender as velas. Então, se aproximou e desligou a luz da sala de jantar. Pegando a bandeja, ela colocou as duas tigelas de sopa na frente deles, em seguida, colocou o pão. — Cheira como o céu. — Ele se inclinou e enfiou o nariz bem na frente da sopa, quase mergulhando a ponta nele. Ela se inclinou e empurrou-o de volta. — Você ainda está grogue, não é? Ele acenou com a cabeça, e tentou pegar a colher. Na segunda tentativa, ele conseguiu. — Eu odeio essas drogas. Eu disse ao médico que elas fazem coisas engraçadas para mim. Ele levou algumas tentativas para finalmente tomar uma colher de sopa. Ela pegou a mão dele antes que derramasse toda a colher em cima dele. — Aqui, deixe-me ajudá-lo. Ele olhou para cima e sorriu para ela. — Você é tão bonita. Você tem um gosto tão maravilhoso, também. Ela riu com isso. — Obrigada, eu acho.

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Ela colocou a colher em sua boca e viu seus olhos se fecharem. — Mmmm, eu não posso acreditar o quão bom isto é. Quase tão bom quanto te lamber da cabeça aos pés. — Ele sorriu. Ela riu. — Você é incorrigível. — Quando estou perto de você, eu sou. Ele deu outra mordida quando ela ofereceu. — Aqui, toma um pedaço de pão. Ele tomou o pão dela e mordiscou-o. — Eu não quero que você me deixe. — Ele franziu a testa. — Por favor, diga que ficará. Ela pensou sobre isso, e depois de ver o que os remédios faziam com ele, duvidava que pudesse ser deixado sozinho tão cedo. Isso não quis dizer que dormiria em sua cama, mas não o deixaria sozinho. — Sim, eu ficarei hoje à noite. — Ela balançou a cabeça. — Fique. — Ele estendeu a mão sobre a mesa e pegou a mão dela. — Por favor. Não vá. Ela assentiu com a cabeça. — Sim. Ele sorriu. — Bom, sabe, eu tenho grandes planos. Suas sobrancelhas se ergueram. — Oh? — Sim, mas não posso dizer ainda. Em breve. — Ele deu outra mordida em seu pão. — Em breve. Depois de alimentá-lo com meia tigela de sopa e um pão inteiro, ela o ajudou a voltar para sua cama, onde ele caiu para trás e rapidamente adormeceu. Ela teve de empurrar as pernas em cima da cama, com cuidado. Ele vestia shorts, algo que nunca usava. Sua perna esquerda tinha uma atadura branca enrolada na coxa. Ela estava curiosa para ver o que estava debaixo dela, mas sabia que precisava curar primeiro. Havia

um

curativo

menor

na

parte

superior

da

coxa

direita. Puxando-o para trás suavemente, ela viu onde foi feita a pequena incisão, provavelmente, retirado de uma pequena parte da sua

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veia em sua outra perna. Ela não sabia muito sobre o procedimento e decidiu sair e ligar para Chase e ver se ele sabia mais sobre isso. Chase

informou

que

era

uma

cirurgia

bastante

normal. Dependendo da extensão do dano, ele estaria provavelmente sem poder caminhar por algumas semanas. Mas após se recuperar, ele notaria um aumento na cor e força nessa perna. Havia grandes chances de curá-lo rapidamente e riscos mínimos, agora que a cirurgia terminara. Disse a ela que se tivesse algum problema, era para ligar, que ele estaria ali rapidamente. Depois de assegurar-lhe que não deixaria Wes caminhar nos próximos dias, desligou, se perguntando o que faria agora. Acabou aconchegando-se em seu sofá e assistiu a um filme antigo. Ainda fez pipoca e bebeu um pouco do vinho que sobrou de seu jantar na semana passada. Ela deve ter caído no sono, mas acordou assustada quando ouviu Wes gritando. Apressando-se para seu quarto, o viu sentado na cama, com os olhos arregalados. Suas mãos lutavam, e quando acendeu as luzes, podia ver que ainda estava preso no pesadelo. — Wes! — Gritou repetidas vezes enquanto tentava acalmá-lo, segurando-o para que não se machucasse ou a ela. Ele não parava de gritar até que tocou seu rosto suavemente. — Wes. — As lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Por favor, acorde. Ela puxou-o para perto e ele foi se acalmando. — Haley? — Ela sentiu seus braços envolver em torno dela. — Sinto muito, querida. Eu sinto muito. Eu te amo tanto. Não posso acreditar que me afastei de você. Por favor, seja real. Ele disse uma e outra vez, até que ela se inclinou e o beijou nos lábios. — Eu sou real. Eu sou real. Eu estou bem aqui. — Não vá embora. Por favor, não me deixe nunca.

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Ele se aproximou mais, eles caíram de volta na cama. Ela se deitou ao lado dele, do lado de fora das cobertas, até que sentiu sua respiração acalmar. Ela sabia que ele dormia novamente e desejou que pudesse dormir também. Mas sua mente girava enquanto ele a abraçava apertado. Mesmo durante o sono, ele se recusou a deixá-la ir. Seus braços estavam em volta dela, mantendo-a quente no ar frio da noite. Pensou em todas as vezes que estiveram juntos fisicamente, e quando finalmente adormeceu, ela sonhou com a primeira vez que fizeram amor. Quando acordou, ele não estava na cama. Ela estava enrolada no cobertor. Ela tirou os sapatos na sala de estar, por isso seus pés começavam a ficar quente com o sol que entrava na janela e aquecia o final da cama. Saindo das cobertas, se sentou e olhou em volta. Vendo que a bengala dele já não estava encostada na parede ao lado da cama, ela sorriu. Pelo menos ele a usara. Caminhando em direção ao banheiro, escutou barulho de água. — Espero que não esteja se afogando aí. — Ela gritou. — Não, mas você poder entrar e assistir, apenas no caso. — Ele gritou. Ela riu. — Que tal eu preparar o café da manhã. Quando estiver pronto, me chame e vou ajudá-lo. — Ok, demorarei apenas mais alguns minutos. Ela

entrou

na

cozinha,

esticando

os

braços

sobre

a

cabeça. Queria fazer panquecas de mirtilo, mas duvidava que ele tivesse alguma fruta fresca. Abrindo o freezer, sorriu quando viu o grande saco de mirtilo congelado. No momento em que ele entrou, ela tinha um monte de panquecas de mirtilo, ovos mexidos e salsicha cozida. Ela fez uma jarra de suco de laranja e tomava café, enquanto arrumava a mesa.

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— Mmm, cheira muito bom. Ela podia ver que seus olhos estavam mais claros e menos nublados, mas viu a dor em seu rosto, decidiu deixá-lo julgar se precisava de mais remédio hoje. — Como está se sentindo? — Ótimo, e antes que você pergunte, não, não quero mais remédio. Ele sorriu enquanto se sentava. Ela o viu encolher um pouco, mas se recuperou rapidamente. Quando olhou para ela novamente, sorriu como se nada tivesse acontecido. — Eu vou confiar em você, desde que você deixe Chase te ver hoje. — Chase? — Ele riu. — Agora estou vendo um veterinário, também. Ela riu. — Eu confio completamente nele com todos os meus animais. — Ela colocou um prato cheio na frente dele. — Agora coma. — Sim, senhora. — Ele sorriu enquanto pegava uma colherada de ovos.

Cinco dias depois, Wes estava ao lado de um cavalo que estava todo selado enquanto Lauren, Alex e Haley olhavam para ele. — Não. As três disseram ao mesmo tempo. — Mas... — ele começou, só para ser interrompido pela palavra novamente. — Chase disse... — ele começou, mas repetiram a sua recusa. — Sério? — Ele soltou as rédeas, quase se sentindo como uma criança. O cavalo, por sua vez, começou a andar em direção ao celeiro novamente. Wes parou o velho cavalo várias vezes, mas cada vez ele era confrontado pelo muro que eram as irmãs West.

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Ele estava tão cansado de estar enfiado em casa; só queria ir para um passeio. Chase disse que poderia ir se ele montasse Dash, não ir mais rápido do que uma caminhada lenta e ficasse no campo da frente. Mas, até agora, as irmãs se recusaram a ouvir o seu veterinário. Ele apostava que, mesmo que tivesse uma nota assinada pelo seu médico, não o deixariam montar em um cavalo por mais uma semana. Ele cruzou os braços sobre o peito. — Quando? Haley desceu do cavalo preto que estava e caminhou até ele. Tomando-o pelos ombros, começou a andar em direção ao quintal. Ela sorriu e disse baixinho: — Na próxima semana você tem uma consulta na segunda-feira. Se ele autorizar, então podemos ir para uma longa viagem, devagar. Imagens inundaram sua mente: Haley envolvendo suas longas pernas em torno de seus quadris, com mais nada além de seu chapéu e botas. — Terra para Wes? — Disse Haley, rindo. — Onde você foi? Ele sorriu. — Onde é que você acha? — Disse ele, puxando-a para a sombra de um grande carvalho. Aqui, a sombra era grande e a brisa era fria. Ele puxou-a contra o grande tronco de árvore e beijou-a lentamente. — Vejo que você está se sentindo melhor. — Ela sorriu enquanto esfregava seu quadril contra a protuberância em sua calça jeans. — Nunca estive melhor. Venha esta noite e... — Haley! Socorro! — Alex gritou do outro lado do quintal. Haley olhou bem a tempo de ver Lauren deslizar do seu cavalo, a poucos metros de distância. Wes correu o mais rápido que podia, mas era tarde demais para pegar a irmã dela antes que ela batesse no chão. Haley chegara a tempo de ser derrubada por sua irmã mais velha. — O que...? Ele chegou apressado, enquanto Chase vinha a cavalo. Os pés de Chase bateram no chão antes de seu cavalo parar.

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— Caramba! Eu disse a ela para não ficar em um cavalo hoje. — Ele correu e pegou sua esposa em seus braços. Olhando para Alex, ele disse. — Água. Agora! No momento em que Alex voltou com um copo grande de água, Lauren já estava sentada, pedindo desculpas. — O que diabos está errado? — Alex deixou escapar. — Ela não pode estar grávida. Ela vomita, não desmaia. Chase riu. — Bem, desta vez ela desmaia. — O quê? Disseram Haley e Alex, ao mesmo tempo. — Espere. O quê! Chase sorriu para suas duas cunhadas e assentiu. — Parece que o gato esta fora do saco agora. Eu disse a ela para não montar hoje. Ele, por outro lado, eu disse que poderia. — Ele acenou com a cabeça em direção a Wes. Wes sorriu e acenou com a cabeça, cruzando os braços sobre o peito. Depois preocupação encheu sua mente. — Ela está bem? Lauren assentiu. — Só o meu orgulho ferido. Eu não caio de um cavalo desde que eu tinha dez anos. — Poderia ser gêmeos. — Haley disse com um sorriso. Lauren olhou para ela de seu lugar no chão. Era uma piada entre ela e suas irmãs. Havia gêmeos na família, e ela sabia que era apenas uma questão de acertar o bilhete premiado. Talvez fosse por isso que Lauren desmaiava agora? — Isso é tudo por hoje. — Disse Chase, pegando Lauren antes dela levantar. — Você está em repouso na cama até que esses desmaios parem. — Ele começou a andar em direção à casa enquanto Lauren colocava os braços em volta de seu pescoço. Ele olhou por cima do ombro. — Uma vez que estamos com menos duas pessoas, monte Dash e vá com calma. — Ele disse a Wes.

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Até o final do dia de trabalho, Wes se perguntava por que queria montar um cavalo tão cedo após a cirurgia, em primeiro lugar. Suas coxas estavam feridas em seus pontos. Inferno, até sua virilha latejava. Ele sabia que estaria coberto de hematomas até amanhã de manhã. Quando mancou de volta para sua casa, jogou um grande saco de ervilhas congeladas em sua virilha e viu a notícia do sofá. Ele desejou uma cerveja, mas esqueceu de pegar uma em seu caminho para o sofá. Quando se sentiu cochilando, entrou na cozinha, pegou um saco de ervilhas frescas, e caiu na cama. Naquela noite, sonhou com bebês de cabelos escuros, olhos verdes e seu queixo. Sonhou com uma casa grande cheia de animais e crianças. Na manhã seguinte, estava no meio do banho quando percebeu que não teve pesadelo na noite passada. Pela primeira vez em um ano, ele dormiu a noite inteira sem se lembrar, e foi tudo por causa do que queria para o seu futuro. Agora, só precisava garantir que o futuro acontecesse e convencer Haley a aceitálo. Ele passou a manhã no telefone, tentando acelerar seu processo de empréstimo. O VA aprovara o lugar que ele escolheu, mas parecia que precisava de mais papelada para o banco garantir o empréstimo. Era por volta do meio-dia, quando saiu da casa dos seus pais, com uma pasta de documentos necessários ao seu banco. Decidiu parar no Mama’s para almoçar e sorriu quando viu o carro de Haley estacionado em frente. Quando entrou, a viu sentada em uma cabine no canto, um livro perto de seu rosto. Acenando para Alex enquanto andava, sentou-se em frente a Haley e sorriu quando ela olhou para ele. — Como vai? — Ele inclinou a cabeça e olhou para o título do livro e o casal seminu abraçados na capa. — Desde quando você começou a ler esses? Ele arrancou o livro das mãos dela e olhou para o texto. Suas sobrancelhas se ergueram e um sorriso cruzou seu rosto. Quando olhou para Haley, ele podia ver que seu rosto ficara um pouco rosa.

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Ela deu de ombros e sorriu um pouco. — Desde que você me deixou. — Hmm, gostaria que tivessem estes no exterior. — Ele riu e abaixou o livro assim que a comida de Haley foi entregue. — O que posso trazer para você? — Perguntou Alex. Ele olhou para o que Haley tinha. O grande sanduíche de peru, com batatas fritas caseiras e molho branco fizeram seu estômago roncar alto. — Isso parece ótimo. Eu vou querer o mesmo. — Como você está se sentindo hoje? — Perguntou Haley assim que sua irmã foi embora. — Um pouco dolorido, mas vou sobreviver. — Ele devolveu o livro para ela e se inclinou para frente. — Que tal você aparecer hoje à noite e vamos tentar... — Ele bateu o livro e piscou. E ficou satisfeito ao ver seu rosto corar ainda mais. — Eu não posso ir hoje à noite. — Ela olhou para suas mãos unidas. — Estou cuidando de Ricky. Lauren e Chase terão um encontro essa noite. Ele sorriu. — Bem, que tal eu ir e te fazer companhia? Ela olhou para ele. — Haverá uma criança de dois anos na casa. Ele riu. — Eu posso controlar meus impulsos ao redor do garoto. Será divertido. Ela balançou a cabeça e sorriu: — Se você quer sair com uma criança de dois anos de idade. Eu devo adverti-lo, haverá Scooby Doo, jogos, todos os brinquedos no chão, e... — Ela sorriu. — Geleia e manteiga de amendoim para o jantar. — Parece maravilhoso. — Ele apertou a mão dela, querendo isso. Após o almoço, pediu licença e deixou Haley na lanchonete. Ele atravessou a rua em direção ao banco, para que pudesse entregar a papelada necessária para ter o empréstimo. Quando entrou pelas portas de vidro, gemeu interiormente ao ver Savannah em pé na fila.

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Quando o viu, seus olhos se iluminaram e endireitou as costas, assim seus seios se ergueram ainda mais. Ela usava um vestido vermelho e branco que mostrava o que a maioria dos homens pensava serem seus melhores atrativos. Seus saltos vermelhos a faziam ficar quase na mesma altura. Quando se aproximou dela, seu rico perfume bateu-lhe com força total. Se não tivesse preparado para isso, teria tossido. Ele acenou com a cabeça enquanto caminhava ao lado dela para esperar sua vez de ser atendido. — Bem, o que o traz ao banco hoje? — Ela agarrou seu braço e passou a mão para cima e para baixo em seu bíceps. — Papelada. — Ele ergueu a pasta. Suas sobrancelhas se ergueram. — Oh, deixe-me adivinhar. Para um empréstimo. — Seus olhos estreitaram. — Para uma caminhonete nova? Ele olhou além das portas de vidro para sua caminhonete velha e pensou sobre comprar uma nova, mas que teria que esperar por um tempo. Ele balançou a cabeça. Ele odiava dizer a ela, sabendo que, se o fizesse, toda a cidade saberia antes do anoitecer que estava comprando uma casa. Assim, permaneceu em silêncio. — Não está você misterioso? Ela se virou e franziu a testa quando percebeu que era a próxima. Ela soltou o braço dele ao ser chamada até o caixa. Ele pensou ouvir seu suspiro, mas tentou ignorar o som. Ele a esperou terminar de fazer o depósito, então gemeu novamente quando percebeu que não deixaria o banco até que ele fizesse a transação. Ele andou até Steven, o funcionário, e acenou com a cabeça. — Ei, Steve. Betty precisava dessa papelada. — Oi, Wes. Betty saiu para o almoço. Gostaria de esperar por ela? Ele balançou a cabeça, imaginando sentado no banco com Savannah para lhe fazer companhia.

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— Não, está tudo bem. Se você puder apenas dar a ela esta pasta, voltarei amanhã para pegá-los. — Ok. — Steve pegou a pasta. — Ouvi dizer que você está perto de conseguir a antiga propriedade na Bond Drive. — Steve balançou a cabeça. — Esse lugar antigo ainda está de pé? Wes

riu.

Quase.

Estou

pensando

em

desmanchá-

la. Conseguindo a área maior com o VA, vou levando o lugar, pelo menos até que eu possa construir algo meu. Steve assobiou. — Joan e eu terminamos nossa casa no ano passado. — Ele balançou a cabeça. — Muito trabalho e dinheiro. Wes riu. — Eu aposto. Eu passei perto da sua casa no outro dia. Você terá que me dar o nome do cara que fez todo o trabalho em pedra para você. Steve sorriu. — Gary, meu cunhado. Espere, vou anotar o número dele para você. Wes ficou ali, encostado ao balcão, enquanto Steve correu para a parte de trás. Ele podia sentir os olhos de Savannah em suas costas, mas saltou quando a mão dela veio descansar em seu braço novamente. — Que, vergonha Wes. — Ela esfregou seus seios contra seu braço. — Mantendo um segredo como esse de mim. Você deve me levar até a propriedade em algum momento, me mostrar. — Ela ronronou. Ele estava grato quando Steve voltou com um cartão na mão, e não precisou responder. — Aqui. Bobby trabalha para uma empresa de Tyler, mas se você mencionar meu nome, ele fará o trabalho por fora. — Obrigado. — Wes balançou a cabeça e pegou o cartão. — Eu vou me certificar que Betty receba essa papelada. — Steve pegou a pasta. — Se cuide. Wes deu um passo para o lado e tentou passar por Savannah, mas ela apenas prendeu seu braço no seu e saiu do banco, falando sobre o desejo de ver a propriedade na Bond Drive.

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Capítulo Nove Haley olhou para cima de seu livro e ficou chocada ao ver Wes saindo do banco com Savannah em seu braço. Ela riu quando viu o olhar desconfortável em seu rosto. — O que há de tão engraçado? — Alex se aproximou e olhou pela janela. — Minha nossa. — Sua irmã sentou-se em frente a ela. — Olhe para o rosto dele. — Disse Haley, entre risos. Alex começou a rir. — Parece que preferia ter as unhas do dedo do pé arrancadas lentamente do que estar de pé ao lado dela. Ambos assistiram quando Savannah esfregou seu grande peito contra seu braço. Sem dúvida, ela ronronava e curtia tudo. — É melhor você ir salvá-lo antes que ele tenha um AVC bem ali na rua principal. — Disse Alex, rindo. Haley colocou o livro em sua bolsa e se levantou. — Acho que sim. — Ela balançou a cabeça. — Você não acha maravilhoso que nós temos homens que são imunes a Savannah Douglas? — Sim, simplesmente maravilhoso. — Alex disse, suspirando. Quando Haley atravessou a rua, ela pensou ver Savannah cavar suas garras ainda mais na pele de Wes. Ela teria rido da mulher se não estivesse danificando seu homem. — Aí está você. Eu pensei que você tinha se perdido. — Haley se aproximou e parou bem ao lado de Wes. Ela podia ver o alívio em seus olhos e sorriu um pouco quando ele se abaixou e deu um beijo em seus lábios. — Desculpe, só precisava entregar essa papelada no banco. — Ele murmurou.

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— Sim, não é maravilhoso? — Savannah disse. — Nosso Wes será proprietário de um imóvel. — Ela deu um tapa de brincadeira em seu braço, enquanto ainda se agarrava a ele. — Eu tentava convencê-lo a me levar para um passeio e me mostrar o lugar. Os dentes de Haley apertaram juntos. É por isso que ele precisou ir ao banco? Ela assumiu que faria um depósito ou saque. Agora, ela descobriu que, na verdade, ele planejava comprar uma propriedade. Ainda por cima, de Savannah! Ela não sabia o que dizer. Sua mandíbula se recusou a relaxar, então apenas balançou a cabeça e olhou Wes nos olhos. Ela o viu implorando para ela, mas depois dele esconder isso dela, não poderia se importar menos se ele ficasse preso com Savannah pelo próximo ano. — Sim. — Disse ela antes que percebesse. — Você deve levá-la lá. Afinal, está um dia tão bom para um passeio de carro. Haley foi para seu carro. Ela não sentia mais vontade de esperar Alex sair de seu turno. Ela estava a meio caminho de seu carro, quando Wes a alcançou e tomou-lhe o braço. — Haley, o que foi aquilo? — Ele parou e franziu o cenho para ela. — O quê? — Ela empurrou a mão de seu braço. — Isso. — Ele fez um gesto para Savannah, a qual estava parada na esquina, olhando para eles e fazendo beicinho. — Oh, eu pensei que desde que vocês dois tinham um maravilhoso segredo juntos, gostariam de compartilhá-lo juntos. — Ela se virou para ir embora. — Haley, escute, eu disse a você... — ele começou. Ela balançou a cabeça, interrompendo-o. — Não, eu estou farta de escutar. Não me importo se você passar seus dias ou noites com ela. — Ela assentiu com a cabeça para onde Savannah estava, os braços cruzados sobre o peito, enquanto esperava por Wes. — Mas não serei mais a última a saber o que acontece com você. Se você se importasse o suficiente... — Sua voz diminuiu um pouco, quando sentiu a dor de cabeça começar. — Você seria aquele a

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me dizer, em primeiro lugar. — Ela abriu a porta do carro, então, olhou por cima do ombro. — Não se preocupe em vir hoje à noite. Ela sabia que era infantil, mas se sentiu tão bem batendo a porta e indo embora. Quando chegou em casa, correu para dentro, mas em vez de ir até seu quarto, encontrou-se nas escadas do sótão. Ela sentiu seu coração batendo forte quando tomou as escadas lentamente. Não sabia o que a enviou até lá, mas algo chamou-a para um velho baú que preenchera com algumas de suas memórias de infância. Quando sentou no chão empoeirado, a caixa de sapato com as coisas de Wes em seu colo, podia sentir as lágrimas rolando pelo seu rosto. Piscando-as, levantou a tampa e viu uma foto deles no baile. Ela ficou quase uma hora olhando através das memórias; velhas flores secas que ele lhe dera, pequenas notas de amor que leu uma e outra vez, um pequeno sapo de pelúcia que ganhara na feira. As lembranças eram quase dolorosas quando pensou sobre o novo jogo que jogavam. Então, na parte inferior da pilha tinha um pequeno desenho colorido. Lembrou que era da aula de arte na escola. Uma das primeiras notas que ele dera a ela. A escrita de criança era grande e um pouco desbotada. — Eu gosto de você. Você gosta de mim? Havia quadrados com sim e não ao lado deles. Ela havia marcado de volta em tinta roxa, sim. Seguido por alguns corações. Fechando os olhos, se lembrou de ver seu sorriso do outro lado da sala, ao ler essa nota. Esse foi o momento em que perdeu seu coração para ele. Ela sabia que lutava uma batalha perdida. Inferno, perdera há muito tempo, na aula de arte. Por que ainda tentava? Levando a caixa com ela, voltou para seu quarto. Quando colocou a caixa sobre a mesa, olhou-se no espelho e tentou descobrir por que importava tanto que continuassem de onde pararam.

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Jogando-se na cama, olhou para o teto. Então, ele estava comprando uma propriedade. Ela não sabia exatamente onde ou quando isso aconteceria, mas estava quase certa que Savannah sabia. Girando, cruzou os braços na frente dela e olhou para fora da janela. Que outros segredos que guardava dela? Ela esperou para saber o que ele planejou para o futuro, mas queria que ele contasse a ela, queria que compartilhasse com ela. Ela nunca esperou escutá-los de Savannah. Isso só tornou tudo muito mais terrível. Ela deve ter chorado até dormir porque o som de alguém batendo em sua porta a acordou. — Sim? — Ela sentou quando Lauren entrou. Seu vestido prata agarrando-se a suas curvas, seu longo cabelo preso no topo de sua cabeça. Cachos pendurados em volta do rosto de sua irmã. — Oh, você está maravilhosa. — Ela deslizou para a extremidade da cama. — O que há de errado? — Lauren se aproximou e sentou ao lado dela. Balançando a cabeça, ela sorriu. — Nada, apenas um daqueles dias. — Ela acariciou a mão de sua irmã, não querendo estragar a sua noite especial. — Vá. Tenha uma ótima noite em Tyler. — Você tem certeza? Nós poderíamos... — Não se atreva. Você já tem os ingressos para o concerto há dois meses. Vá comemorar. Você merece. Lauren sorriu e depois gritou. — Ok. — Ela levantou e se virou. — Você acredita que nós estamos tendo outro bebê? Haley sorriu enquanto se levantava e abraçava a irmã. — Eu aposto que desta vez é uma menina. Eu só sei isso. — Oh, eu espero que você esteja certa. — Lauren a abraçou de volta. — Bem, é melhor ir. Ricky está lá embaixo, esperando seu encontro de jogos com uma de suas tias favoritas. — Uma? Eu sou sua favorita. Elas riram.

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Uma hora mais tarde, depois de brincar de carros com Ricky, ela entrou na cozinha para fazer os sanduíches de pão com pasta de amendoim e geleia. Ricky estava em seu quadril e ela quase gritou quando viu Wes do lado de fora das portas de vidro, pronto para bater. — Desculpe. — Disse ele através do vidro. — Posso entrar? Ela estava prestes a dizer não quando Ricky entrou na conversa. — Wessss, Wessss. — E estendeu os braços para o vidro. Cedendo ao menino de dois anos de idade, ela se aproximou e abriu a porta. — Boa noite. — Ele sorriu e estendeu os braços para Ricky saltar para ele. — Aí está o meu homenzinho. — Wesss. — Ricky pegou seu rosto e forçou-o a olhar para ele. — Manteiga de amendoim e geleia. — O menino apontou para Haley. — Sim, eu vou ficar por sanduíches de manteiga de amendoim e geleia. — Disse Wes, sorrindo por cima da cabeça escura do menino para ela. Sentaram na sala de estar, um grande cobertor estendido no chão, enquanto assistiam Scooby e comiam os sanduíches. Wes parecia tão engraçado sentado de pernas cruzadas, equilibrando um prato de papel com um sanduíche em seu joelho. Por sua parte, Ricky tinha geleia e manteiga de amendoim em todo o rosto e dedos. Toda vez que ele tocava Wes ou ela, acabavam mais sujos que ele. Quando o DVD de Scooby acabou, o prato de Ricky estava vazio, e a cabeça do menino se inclinando. — Vamos, rapaz. Hora do seu banho. — Baff. — Ricky levantou e começou a correr em direção à escada. — Espere! — Ela correu atrás dele, rindo. Quando a água estava pronta, Haley baixou Ricky na banheira com todos os seus brinquedos de animais favoritos. Wes ficou encostado na pia do banheiro, com os braços e tornozelos cruzados rindo e assistindo-a brincar com seu sobrinho.

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No momento em que tirou Ricky da água, ela estava completamente encharcada. O ajudou a colocar o pijama do Superman, então ele começou a pular em sua cama, gritando. — História, história. — Por que você não vai se trocar. Eu posso ler a história para o Superman dormir. — Disse Wes, caminhando até estante de Ricky. Ricky pulou da cama e correu. — Este aqui. Ele puxou seu livro favorito, um que Haley leu para ele pelo menos uma centena de vezes. — Tem certeza? — Ela olhou entre os dois. Ele riu e acenou com a cabeça. — Eu posso ler, sabe. Ela cruzou os braços e olhou para ele. — História, Wess. — Disse Ricky, puxando sua mão enquanto carregava o livro de grandes dimensões para a sua cama. — Ok, sairei apenas um minuto. — Ela virou e saiu do quarto. Ela entrou em seu quarto, fechou a porta, e recostou-se contra ela. Fechando os olhos, tentou bloquear como Wes parecia ao brincar com Ricky, quão bom era com seu sobrinho. Por que ele fazia isso com ela? Não podia ver que a deixava triste? Queria estar com ele, para sempre. Mas toda vez que se aproximava, ele fazia algo mais para ela que abalava sua crença de que a queria. Precisava sentir que podia confiar nele. Que não escondia nada dela. Ela sabia que ele ainda escondia coisas dela. Chase estava certo; eles não poderiam voltar a ser como eram.

Eles

costumavam

confiar

um

no

outro

completamente. Costumavam dizer tudo um ao outro. Agora, não sabia se ele ainda sentia o mesmo por ela. Claro, ele disse que a amava, mas estava sob efeito de analgésicos fortes no momento. Andando até seu armário, arrancou as roupas molhadas e colocou um par de calças de yoga amarelas e uma camiseta branca grande. Roupa confortável.

~ 95 ~


Prendendo seu cabelo encharcado em um rabo de cavalo, escovou os dentes, tentando convencer a si mesma que não faria nada com Wes no sofá até que Lauren e Chase chegassem em casa. Quando caminhou pelo corredor e olhou para o quarto de Ricky, não pôde deixar de sorrir. Ricky dormia enquanto Wes continuava lendo a história em voz quente e rica. Ela caminhou por trás dele e colocou a mão em seu ombro. Quando a olhou, ela acenou com a cabeça e ele a seguiu para fora do quarto. — Ele adormece rápido. — Ela sorriu enquanto fechava a porta. — Eu acho que ele já estava dormindo após eu ler o título. — Wes riu. — Oh, ter a capacidade de adormecer rápido, novamente. — Ele balançou a cabeça e pegou sua mão. — Você gostaria de um pouco de pipoca e um filme antigo? — Ela falou, sentindo-se nervosa. Ele sorriu lentamente. — Eu adoraria um pouco de pipoca e um filme antigo. *** Wes sentou no sofá e ouviu enquanto Haley fazia a pipoca. Ela recusou a ajuda dele, mas permitiu que pegasse dois copos de coca com gelo, e o deixou escolher o filme. Ele olhava os DVDs e parou quando chegou ao seu filme favorito. Ele sabia que ela vira um milhão de vezes e sabia todas as palavras de cor, mas ainda assim o colocou e apertou player. — Aqui estamos nós. — Disse ela, poucos minutos depois. Ela tinha uma grande tigela em suas mãos. Uma pilha enorme de pipoca coberta com sal e manteiga, do jeito que eles tanto gostavam. — Que filme você escolheu? — Ela abaixou a tigela e sentou ao lado dele. — Grease. Ele sorriu quando ela sorriu para ele. — Perfeito.

~ 96 ~


Ela tomou um gole de sua Coca-Cola enquanto ele iniciava o filme. No momento em que a música de crédito acabou ele se aproximou mais. Sentaram juntos, compartilhando a grande tigela de pipoca, e até o final da primeira música, seu braço estava ao redor dela. Poucos minutos depois, ele a puxou para o seu colo enquanto a beijava sem fôlego. Ele sentiu falta dela. Do seu gosto. Da sensação dela. Ela era como uma droga que não poderia viver sem. Ele deixou seu cabelo crescer um pouco mais, então quando ela empurrou seus dedos por ele, ouviu seu gemido. Ela se inclinou para trás e reajustou de modo que agora estava montada nele, com as mãos no peito. Suas mãos descansavam confortavelmente nos quadris. — Por que não me disse que estava comprando uma propriedade? — Ela perguntou, olhando para ele. Ele podia ver que seus olhos mostravam a dor. Ele deu de ombros e olhou para ela. — Eu falei, lembra? — Quando ela balançou a cabeça negando, ele continuou: — Al��m disso, eu esperava que fosse uma surpresa. Fechando os olhos, ele tentou bloquear a sua fome, sabendo que ela queria falar agora, em vez de continuar com a sessão de amasso. — Por quê? — Perguntou ela. Quando abriu os olhos, a viu franzindo a testa um pouco. Ele a puxou para mais perto, até que se encaravam. — Haley, eu quero estar com você. Você sabe disso desde a segunda série. — Ele sorriu. Ela balançou a cabeça. — Eu só não... — Ela começou a se afastar. — Não, por favor. — Ele gemeu quando ela roçou contra ele. Ele observou seus olhos arregalarem com surpresa e pensou ver calor lá também. — Não se afaste de mim. Estou tentando me reajustar em casa. — Ele balançou a cabeça.

~ 97 ~


— Me desculpe, não pensei sobre o quão difícil deve ser para você. Ele passou a mão pelas costas dela e viu sua reação. — Eu não tive um pesadelo na noite passada. Ela sorriu e inclinou a cabeça um pouco. — Sério? Isso é uma boa notícia. Ele acenou com a cabeça. — Eu sonhei com nossos filhos. Com o lugar que espero comprar na Bond Drive. Com a nossa família. — Ele segurou seu rosto. — Eu queria tanto isso, que me esqueci de incluir você nos em meus planos. — Ele sorriu, mas viu seu rosto murchar um pouco. — O quê? Você não gosta do velho lugar? Ela balançou a cabeça. — Não é isso. — Porque eu terei um novo pedaço de terra lá assim que o banco aprovar. Ela sorriu. — Não é a casa. Eu só... — O quê? Ela fechou os olhos e suspirou. — Eu sinto que há esse espaço. — Ela fez um gesto entre eles. — Você entende? — Ele balançou a cabeça. — Há algo que não está me dizendo, uma parte de você que está segurando. Eu senti isso desde que você chegou em casa. Ele balançou a cabeça novamente. — Eu não entendi. Ela suspirou e fechou os olhos. — Talvez seja tudo da minha cabeça. — Quando ela abriu os olhos novamente, ela correu os dedos pelos cabelos. — Eu gosto de você deixar crescer novamente. Ele sorriu e puxou-a para mais perto até que podia sentir sua respiração em seu rosto. Quando ela se abaixou para beijá-lo, suas mãos tremiam em seus quadris. O material de sua calça jeans fez pouco para esconder o fato de que ele a queria. Enquanto o beijava, seus quadris se moviam lentamente em seu colo, até que se perguntou se ela o faria gozar em suas calças, sem sequer tocá-lo. — Haley. — Ele se afastou um pouco. — Não, só um pouco mais. — Ela gemeu, e ele podia ver que ela estava à beira.

~ 98 ~


Movendo-a debaixo dele, ele abriu suas pernas e descansou sobre ela, núcleo com núcleo. Sua cabeça caiu para trás e seus olhos se fecharam. Lentamente, ele moveu suas mãos até que seus dedos estavam sob o elástico e encontrou-a úmida e quente para ele. Usando as pontas dos dedos, beliscou a pele sensível, até que ela ronronou e gemeu, seus quadris movendo com os dedos que estavam escorregadios de seu desejo. Ele queria puxar para baixo suas calças e rapidamente preenchê-la, mas sabia que não era o momento, nem o lugar. Mergulhando a cabeça, ele tomou o mamilo em sua boca através da camiseta branca. Ele chupou até que sentiu o pico franzir. Então ele empurrou dois dedos rapidamente em seu calor, fazendo com que suas unhas cavassem em seus ombros quando ela engasgou. — Mais. — Ele rosnou, enquanto observava seu rosto. Suas bochechas estavam coradas e seus lábios inchados por seus beijos. — Mais, dê-me mais. Ela balançou a cabeça, mantendo os olhos fechados com força. — Eu não posso. — Ela gemeu. — É muito. — Disse ela, enquanto seus quadris subiam e desciam com cada impulso de sua mão. — Por favor. — Ela implorou pouco antes dele sentir a maciez de sua libertação. Ele a beijou até que a sentiu relaxar em seus braços. — Você é tão bonita quando goza. — Ele sorriu para ela. Ela abriu os olhos e sorriu para ele. — Sério? Ele acenou com a cabeça. — Você brilha. Ela estendeu a mão e apertou seu ombro levemente. — Você está iludido. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro. — Quando você pode ir à minha casa de novo? Ele se moveu até que estavam lado a lado, enquanto passava o filme.

~ 99 ~


— Hmm, amanhã. Não, espere. Vou para Tyler com Alex amanhã. As tias precisam ir às compras para o novo bebê. — Ela sorriu e olhou para ele. — É uma espécie de tradição nossa. — E se vier depois? Ela assentiu com a cabeça. — Soa como um plano. — Eu gostaria de levá-la até a propriedade em Bond. Se quiser vê-la. Ela assentiu com a cabeça. — Eu gostaria disso. — Em seguida, ela riu. — Como se livrou de levar Savannah até lá hoje? Ele franziu o cenho. — Eu disse a ela que tinha outra reunião. Essa mulher nunca mostrou interesse em mim antes. Eu não entendo por que agora. — Porque ela pode, e está desesperada. Desde que Travis deixou a cidade, ela não teve algo estável. — Disse ela, em seguida, soltou um grande bocejo. Ele deixou-a assistir a TV por um tempo enquanto esfregava os dedos para cima e para baixo de seu braço. Quando ela dormiu, ele ficou lá e sonhou com sua nova vida com ela.

Haley acordou quando ouviu Lauren e Chase chegarem em casa. Wes dormia atrás dela, a perna prendendo-a contra as almofadas. Haley viu a surpresa no rosto de sua irmã, então o lento sorriso se espalhando. Lauren rapidamente saiu da sala, dando-lhe dois polegares para cima enquanto saía. Haley tentou não rir, mas era muito engraçado. Ela sentiu Wes agitar atrás dela e se aconchegou novamente em um sofá irregular e nos braços de um homem que tentava desesperadamente não amar demais.

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Capítulo Dez Pela manhã, ela se perguntava por que não foram para o seu quarto. Seu pescoço estava em um ângulo estranho e seu quadril direito estava fora do sofá. Os braços de Wes ainda estavam em volta dela com força, mas, mesmo assim, ela escorregava para fora do sofá e logo estaria no chão. — Mmmm. — Wes disse enterrando o rosto em seu cabelo. — Que maneira maravilhosa de acordar. Suas mãos começaram a correr sobre ela, puxando-a para mais perto de modo que ela estava deitada sobre ele agora. Ela se moveu até que estava de frente para ele e começou a beijar o rosto e pescoço. Sentia-se bem demais para não tocar, e estendeu a mão sob a camisa e sentiu sua pele aquecida com a ponta dos dedos. Ele gemeu e ela podia sentir que ele estava totalmente excitado, o que causou arrepios pelo corpo dela em antecipação. Então, eles foram atacados por um voo de cabelos escuros de dois anos de idade. — Wessss, Wesss. — Ricky saltou sobre suas costas, tirando-lhe o fôlego rapidamente. — Desculpe. — Disse Lauren da porta, rindo. — Ele fugiu antes que eu pudesse agarrá-lo. — Ela sorriu e apertou mais o robe em volta da cintura. Haley riu quando Ricky sentou em sua bunda e começou a andar nela como um pônei, sua longa trança em suas mãos. — Levanta Haley. Levanta. Wes riu. — Vamos lá, Ricky, vamos pegar um pouco de cereal. — Disse Lauren, tentando incentivar seu filho a sair da sala.

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— Wesss come cereal também? — Claro, eu já vou. Quando Ricky pulou das costas de Haley e correu da sala, ela olhou para Wes com um sorriso. — Desculpe, eu deveria saber que não teríamos um tempo sozinhos. Não com uma criança de dois anos de idade, na casa. — Tudo bem, não me importo com Ricky. Ele é meu Roger. — Ele sorriu para ela. — Nada de pesadelos na noite passada? — Ela percebeu que ele não a acordou. Ele balançou a cabeça. — Você me curou. — Ele sorriu para ela novamente. Depois de comer alguns Cocoa Puffs, torradas e suco de laranja, Wes voltou para sua casa. Haley prometeu que iria mais tarde naquele dia, para que pudessem visitar ao local na Bond e depois voltar para sua casa para o jantar. Após ele sair, ela tomou banho e fez suas rondas diárias. Ela esteve trabalhando com o bezerro, Roger. Desde que descobriu o quão inteligente ele era, o levou para um curral menor com sua mãe. O animal era diferente. Ele constantemente a fazia rir, e se viu caindo de cabeça por ele. Ele não era o melhor, ou o mais rápido, mas era inteligente e seu couro estava bem cuidado, graças a todo seu trabalho duro. Acabou passando mais tempo com ele do que com alguns de seus outros animais. Blackjack, seus galo cinza de cinco anos de idade, de fita azul da Califórnia, que nunca ficava na sua baia, sempre a seguia ao redor. Mas desde que fez amizade com Roger, o galo nunca esteve longe de Roger. Os dois realmente formavam um time. Bem, o que ela pensava ser um time. Roger se inclinava e tocava com a ponta do nariz a cauda de Blackjack. Então Blackjack saía correndo, com Roger logo atrás. Foi engraçado ver as mesas viradas e Blackjack perseguindo o bezerro de

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cem quilos pelo estaleiro, como acontecia atualmente. Ela sentou-se no degrau mais alto do muro e riu com a visão. — Você realmente tem um vencedor lá. — Chase riu enquanto se inclinava sobre o poste ao lado dela. — Eles fazem um casal estranho. — Falando de casais. — Ele inclinou o chapéu para trás e olhou para ela. Ela suspirou, depois olhou para a brincadeira, não realmente percebendo mais nada. — Eu não sei ainda. Ele me levará para ver a terra que está tentando comprar. Ele diz que me quer em uma parte de seu futuro, mas... — Ela balançou a cabeça. — Ele não é a mesma pessoa. Eu sinto que fiquei parada, e ele... Chase afagou seu joelho. — Haley, ele ainda é Wes. Eu não o conhecia tão bem, já que vocês são mais jovens, mas todos na cidade podem ver. Ele ainda tem uma enorme queda por você. E... — Ele sorriu e abaixou mais o chapéu, protegendo os olhos. — Se não me engano, você ainda tem uma queda por ele. Seu sorriso vacilou um pouco. Ela ainda tinha uma queda por ele. Se ela seguisse apenas seus instintos, ela o acolheria de braços abertos. Mas seu coração ainda doía quando pensava em tudo o que ele ainda escondia dela. Chase quebrou seus pensamentos quando xingou baixinho. — Se a mulher não se matar, eu farei isso por ela. — Ele marchou em direção ao celeiro onde Lauren estava ocupada tentando montar em um cavalo. Haley riu e observou Chase pegar sua esposa gentilmente pelos quadris e a manter imóvel enquanto falava calmamente com ela. Lauren colocou as mãos nos quadris por um minuto, então, balançou a cabeça quando começaram a caminhar em direção a casa juntos, deixando o cavalo na sombra do celeiro. Ela sabia que sua irmã era teimosa. Inferno, isso era da família West. Lauren cuidou deste lugar sozinha por quase dez anos. Ela pensou que sua irmã pensava em si mesma como indestrutível. Alex foi

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noiva do homem errado por quase o mesmo tempo, até que Grant veio e a salvou de um grande erro. Talvez ela estivesse caindo no mesmo padrão que suas irmãs. Ambas lutaram quando o amor veio a elas. Precisaram de um empurrãozinho

para

que

tudo

terminasse

da

maneira

que

deveria. Talvez não estivesse dando uma chance ao amor. Determinada a não ser uma idiota, terminou seus afazeres e entrou para se preparar para o seu encontro. No momento em que saiu pela porta da frente em um de seus vestidos de verão, o tempo fechou e começou a chover levemente. Ela sempre temia o clima de verão. Ela gostava quando chovia, uma vez que sempre tornava tudo tão verde e com um cheiro tão doce, mas odiava os relâmpagos e os trovões que normalmente o acompanham. Movendo-se em direção a seu carro, ela estremeceu quando as gotas de chuva pousaram em seus ombros. A temperatura ainda estava alta, mas a água estava fria em sua pele. Dirigiu pela estrada e, logo parava ao lado da caminhonete dele. Ele ficou na varanda coberta, sorrindo para ela. Quando abriu a porta, ele estava lá com um guarda-chuva, protegendo-a da tempestade pesada que agora caía sobre eles. — Tanto para um passeio tranquilo esta noite. — Ele gritou por cima da chuva forte. Ela sorriu enquanto ele sacudia o guarda-chuva. — Eu não me importo. Precisávamos de chuva. — Sim, acho que sim. Bem, o que você diria de jantar primeiro, então, se o céu limpar, vamos mais tarde? — Parece bom. — Ela caminhou para seus braços e beijou-o lentamente. — Mmm, talvez jantar mais tarde. — Disse ele, andando com ela para trás através da porta. Ela riu quando suas costas bateram contra a porta.

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— Desculpe. — Ele resmungou, depois sorriu. — Eu geralmente sou mais gentil do que isso. — Suas mãos corriam em seus lados. — Eu já disse quão bonita você é? O calor em seus olhos lhe tirou o fôlego. Balançando a cabeça, ela engasgou quando ele abaixou a cabeça e mordiscou sua orelha. Ela gemeu quando ele sussurrou ao lado de seu pescoço. — Tão linda, você tem gosto de primavera. Ele abriu a porta e caminhou com ela para trás até os joelhos atingirem o lado de sua cama. Então, ele ficou para trás e olhou para ela. — Eu queria você desde a última vez. Muito. Demasiadamente. Suas mãos subiram, segurando seu rosto e ela podia ver o desejo em seus olhos escuros que combinavam com o dela própria. — Wes? Ela não conseguia explicar o que ele fazia com ela. Por muito tempo imaginou estar com ele assim de novo. Indo devagar enquanto a chuva caía sobre o telhado de metal. Fazer amor até o pôr do sol e as estrelas saírem. — Haley. — Ele se afastou e olhou para ela novamente. — Eu quero fazer amor com você. Me deixe mostrar a você. Seus dedos tremiam quando usou apenas as pontas dos dedos para abaixar as alças de seu vestido, expondo sua pele para os lábios escovar mais. — Você é tão macia, tão suave. Seus dedos empurraram ainda mais seu vestido para baixo e seus lábios deixavam um rastro ardente sobre os ombros. Sua cabeça caiu para trás quando seus dedos entraram em seu cabelo, segurando-o, guiando-o. — Por favor. — Ela gemeu, querendo mais. Um relâmpago iluminou o quarto escuro, fazendo-a saltar. — Ainda tem medo de trovão? — Perguntou ele, voltando a beijar seus lábios. Ela assentiu com a cabeça e saltou quando o trovão caiu perto. — Concentre-se em mim, então. O que estou fazendo com você.

~ 105 ~


Ele sabia da sua fraqueza com tempestades, sempre soube por que ela não gostava de trovões. Ela tentou se concentrar na sensação dele a tocando, beijando, em vez do medo que se construía atrás de seu coração. Quando as mãos em concha chegaram aos seios nus, ela percebeu que sua mente vagava para aquele dia terrível, há tantos anos. Então, com os lábios e a língua brincando com seus mamilos, ela esqueceu tudo sobre o clima. Ofegante, ela segurava seu cabelo enquanto ele lambia sua pele. Ele chupou levemente seus mamilos e ela sentiu como ficava molhada. Como ele tem tal poder sobre ela? — Você tem gosto de mel. — Ele gemeu enquanto se ajoelhava em frente a ela. Delicadamente, empurrou seu vestido de verão, e sorriu quando viu a calcinha de renda que usava por baixo. — Para mim? — Ele olhou para ela. Quando acenou com a cabeça, ele sorriu. — Mmmm, eu gosto delas. Ele correu as pontas dos dedos sobre a renda, esfregando o material macio contra sua pele aquecida. Ela sentiu a calcinha molhar com seu desejo e gemeu quando ele abaixou a cabeça e saboreou através do material leve. Após encharcar o material branco, ele empurrou para o lado e passou a língua sobre sua pele nua, lambendo-a até que sentiu os joelhos fraquejarem. Então a empurrou até que ela sentou à beira da cama. Não querendo perder todo o controle, ela o puxou para baixo com ela. Ele sorriu quando ela tirou o vestido e apertou seus ombros para o colchão. — Minha vez. — Ela sorriu para ele. Seus dedos estavam firmes quando abriu os botões de sua camisa. Ele a ajudou a tirar sua camisa, mas ela o empurrou de volta para o colchão quando ele começou a chegar para ela. — Não, ainda é a minha vez. — Ela sorriu para ele. Mergulhando a cabeça, ela arrastou a boca e a língua sobre o peito. Ele era um menino, na verdade, quando o explorara assim. Agora seu peito era mais largo e cheio de novos músculos, no qual ela gastou tempo explorando. Seus dedos percorrendo sua barriga de tanquinho e

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brincando com o rastro de pelos que iam de seu umbigo até abaixo de seus jeans. Quando pegou o cinto, os dedos cavaram o edredom ao lado dele. — Haley, você está me matando. — Disse ele com os dentes cerrados. — Bom. Aprecie. Eu sei que eu estou. Ela abriu o cinto e calça jeans, então levemente puxou-os até que estavam abaixo de seus quadris com suas boxers. Sua ereção saltou e ela gemeu. Ele era tão bonito. Ela nunca viu outro homem, mas duvidava que fosse se comparar com Wes. Sua pele era suave, mas era duro como pedra. Mergulhando a cabeça, ela correu a boca para baixo em sua trilha feliz e depois lambeu a ponta de sua ereção. Ele pulou enquanto suas mãos iam para seu cabelo. — Por favor. — Ele gemeu quando ela o colocou em sua boca. Ela nunca se divertiu tanto como quando usou a boca para trazêlo até a borda, como ele fez a ela. Suas pernas ainda estavam presas em seus jeans e boxers, então quando se mudou para tirá-las, ele teve que se levantar enquanto ela esperava, tentando não estourar a si mesma. Depois de tirar suas botas e jeans, se virou na cama com uma risada. — Agora você vai ter isso. — Ele sorriu para ela. Mas, em vez de descer para ela, ele estava em cima dela e apenas a olhou. Suas mãos foram para os seios, unindo-os, enquanto observava o calor nos olhos dele. — Sim, se toque. — Disse ele, observando cada movimento. Suas mãos desceram até que ela se tocou onde seus olhos estavam. Viu-o gemer e alcançar um preservativo de seu criado-mudo. Após proteger a si mesmo, ele se ajoelhou entre suas pernas. — Sim, continue a tocar a si mesma. — Disse ele se posicionando em sua entrada. — Isso é bom? — Ele perguntou quando começou a deslizar.

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Sua cabeça caiu para trás e sua mão caiu enquanto ele se movia em cima dela. Então, ele se movia dentro dela e a beijava até que não pôde controlar o grito de libertação.

Wes estava deitado e ouvindo a tempestade. Trovoadas eram comuns nessa região, e sabia que o riacho atrás da fileira de casas poderia facilmente subir até três vezes o seu tamanho normal. Ele tinha um aplicativo no seu telefone que o alertava para tais tempestades, mas não queria se mover ainda. Sua respiração e de Haley finalmente voltaram ao normal, e seus corpos esfriaram no ar da noite. Os relâmpagos e trovões ainda estavam fortes lá fora, e ele estava feliz que ela ainda estava atordoada demais para perceber isso. Ele sabia por que ela odiava o mau tempo. Tudo voltava para quando sua mãe morreu em um furacão quando ela tinha quatro anos. Uma vez, quando eram adolescentes, se encontraram na lagoa um verão e foram pegos em uma tempestade. Eles procuraram abrigo em um celeiro de gado em sua propriedade. Ele nunca viu alguém ter um ataque de pânico como ela teve aquele dia. Ele tinha certeza de que se não estivesse lá, ela teria morrido de susto. Ele fez o seu melhor para acalmá-la, mas ficou aliviado quando o pai dela apareceu logo após a tempestade parar e a levou para casa. Apenas então a casa tremeu com trovões e ela levantou correndo. — Hey. — Ele estendeu a mão para ela, mas poderia dizer que ela já estava longe demais para ajudar. Seus olhos estavam enormes, sua pele estava pastosa e pálida. Ela tremia e quando envolveu um cobertor em volta dela, seus dentes começaram a bater. — Haley. — Ele pegou o rosto dela entre as mãos. — Concentre-se em mim, baby. Estou aqui. Nós estamos seguros. — Ela balançou a cabeça. — Maldição. — Ele pulou da cama e pegou um de seus moletons e puxou sobre sua cabeça. — Aqui.

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Ele tentou encaixar as mãos nas mangas. Ele sabia que ela estava congelando e queria deixá-la quente. Quando não empurrou os braços completamente, ele pensou em uma tática diferente e tirou o moletom novamente. Pegando-a, ele a levou para o banheiro. Deixando-a na bancada, ligou o chuveiro e aumentou a temperatura. Quando a água fervia, a levou para o chuveiro e colocou-a sob o jato de água. Ela tremeu por alguns momentos até que ele começou a correr as mãos sobre seu cabelo, seus ombros. Sentiu-a a começar a relaxar, músculo por músculo. — Calma. — Ele murmurou baixinho para ela, continuando a dizer como ela era bonita, o quanto a amava, até que a sentiu relaxar completamente em seus braços. Quando ele passou as mãos sobre seus quadris, sobre os seios, a sentiu tensa novamente, desta vez com o desejo. — Wes. — Ela gemeu quando ele correu a boca sobre a pele molhada. — Eu quero você. Eu não posso deixar de querer você. — Disse ele contra sua pele. Ela era como uma droga. Sua pele era viciante, seu gosto inebriante. Ele a queria em volta dele, de corpo e alma. — Eu quero você, também. — Suas mãos começaram a correr nele, fazendo sua pele se aquecer ainda mais. — Eu senti falta disso por anos. Senti sua falta. Ele empurrou suas costas contra a parede do chuveiro e a ajudou a sustentar a perna para cima no lado da banheira. — Podemos acabar nos matando, mas não me importo. — Ele riu. — Segure-se em mim,

baby.

Ele

disse

quando

deslizou

dentro

dela

lentamente. Gemidos encheram a sala, abafando o som do trovão agora distante. Quando começou a se mover, suas unhas cravaram em seu lado e os olhos fecharam com força. Ele nunca viu nada mais bonito em sua vida. Seu cabelo fluía ao redor de seus seios. Seus olhos verdes se abriram lentamente, lembrando-o das águas do Golfo Pérsico.

~ 109 ~


Ele lambia sua pele molhada e usava seus quadris para prendêla ao lado do chuveiro, não querendo deixá-la ir. Sua pele nua friccionando, causando atrito e ainda mais aquecimento no pequeno box. — Por favor. — Ela implorou, balançando a cabeça e os cabelos para trás e para frente. — Por favor, Wes. — Deus! — Ele gemeu, em seguida, estendeu a mão entre eles e tocou-lhe o calor com a ponta do dedo. Ele olhou para ela explodir antes de segui-la. No momento em que a levou de volta para a cama, a tempestade havia passado e ela relaxou em sua cama enquanto ele fazia sanduíches de peru frio. Eles deitaram lá e comeram um saco de batatas fritas enquanto assistiam a uma reprise da Ilha de Gilligan, até que adormeceram nos braços um do outro. Sonhou, mais uma vez, com olhos verdes, crianças de cabelos castanhos correndo pelos campos, brincando com animais enquanto Haley e ele sentavam e observavam da varanda da frente.

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Capítulo Onze Na manhã seguinte, eles dirigiram-se até Bond Drive, apenas nos limites do parque estadual. A terra era bonita, com seus grandes carvalhos e pinheiros. Havia um enorme campo onde as vacas e cavalos poderiam pastar. Mesmo o celeiro poderia ser reformado para acomodar os animais. A casa, no entanto, era uma perda completa. Havia um grande galho de árvore atravessando o telhado da sala de estar. A porta da frente estava aberta sustentada por uma grande pedra, e quando tentaram entrar, o pé de Wes caiu em um pequeno buraco na varanda da frente. Ele riu e puxou-o para fora. — Outra razão para este lugar ser demolido. O VA não aprovaria o meu empréstimo com a casa aqui. — Ele balançou a cabeça. — É uma pena, também. Eu ouvi que este lugar costumava ser muito bom. — Eu só me lembro de como está. — Disse ela, saltando sobre outro buraco no assoalho. O lugar cheirava a mofo e animais. — Bem, como eu disse, eu escolhi uma área mais ampla que o VA já aprovou. Se tudo correr bem, depois de aprovar o meu empréstimo eu posso demolir este lugar e construir outro aqui pouco depois. Eles pararam na área da cozinha, uma das únicas áreas que ainda pareciam o interior de uma casa, em vez de uma cena de um filme de terror. — Haley? — Ele se virou para ela, tomando-lhe as mãos nas suas. — Eu sei que não é grande coisa aos olhos agora, mas em breve será e... — Ele parou de falar enquanto ficava um pouco pálido. — Wes? — Ela começou a se preocupar e se aproximou dele. — Você está bem? Ele sorriu e riu um pouco. — Sim, é só que... — Ele balançou a cabeça. — Venha aqui fora comigo. Eu quero que você veja a vista.

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Ela o seguiu em silêncio enquanto caminhavam de mãos dadas para o meio de um dos campos. Havia alguns grandes carvalhos, e quando chegaram ao topo de uma pequena colina, ela teve visão total do lugar. Ofegante, ela virou para ver toda a vista. — Como é maravilhoso. — Ela cruzou os braços sobre o peito e se abraçou. — Você pode ver tudo. Eu nunca soube que este lugar estava aqui. Ela balançou a cabeça em descrença. Quando se virou para Wes, ele estava de joelho segurando uma pequena caixa marrom. — Haley Marie West, eu te amei desde o segundo ano. Você é minha melhor amiga desde que me lembro. Eu te amo com todo o meu coração e quero passar o resto dos meus dias com você aqui, na nossa terra, criar filhos e animais. Por favor, case-se comigo. Ela ficou ali, olhando para ele sem saber o que dizer. Tantas coisas passaram por sua cabeça naquele momento. Tantas perguntas. Ela

poderia

aguentar

se

ele

quebrasse

seu

coração

novamente? Ele iria? Ela balançou a cabeça, respondendo à sua própria pergunta, e viu a cor deixar seu rosto. — Não. — Ela disse rapidamente. — Não é... — Ela se abaixou ao lado dele, o joelho de seu jeans ficando encharcado com a grama molhada e terra. — Wes. — Ela agarrou seu rosto e forçou-o a olhar para ela. — Durante muito tempo tudo que eu queria era me casar com você. Ela assistiu a cor voltar em seu rosto. Seus olhos começaram a brilhar, e ele sorriu para ela. — Então diga sim. — Ele ergueu a caixa novamente. Ela não podia dizer isso, então ao invés, apenas assentiu com a cabeça. Ele soltou um grito feliz, a levantou e girou em círculos. Até o momento em que voltaram para o rancho Saddleback e contaram a todos a notícia, ela estava além de cansada. Suas irmãs nunca estiveram mais felizes do que quando deu a notícia a elas. Chase e Grant sacudiram a mão de Wes e deram as boas-vindas à família.

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Wes acabou ficando pelo resto do dia, ajudando os homens a consertar um portão com alguns problemas. Ela passou a maior parte de seu dia cuidando de seus animais e cronometrando Alex para sua corrida de barril. Depois do jantar, sentaram no quintal de trás, vendo o pôr do sol. O sol e o calor retornaram, tornando a noite abafada. Os insetos e sapos zumbiam esta noite, os sons abafando quase tudo enquanto balançavam lentamente. — Sabe, eu estava pensando sobre isso... — começou ele. — Uh-oh. — Ela interrompeu, fazendo-o rir. — Não, sério, por que você não vem morar comigo na casa da fazenda? Eu sei que é pequena, mas podemos ter a vantagem de viver como um casal. — Ele segurou a mão dela e levou aos lábios. Ela balançou a cabeça. — Oh, não. Você não sairá dessa tão fácil. —Ela sorriu. — As irmãs West sabem fazer um grande casamento. Não há fuga para Las Vegas e um casamento só para nós. Ele parecia inocente. — Isso não é o que eu tinha em mente, realmente. — Ele sorriu. — Bem, talvez. Ela sorriu para ele. — Wesley Aaron Tanner, eu conheço você muito bem. Ele se encolheu quando o chamou pelo seu nome completo. Ela sabia que ele odiava, e só o chamara outra vez antes. — Ok, ok. — Ele sorriu. — Vou me comportar. Que tal um casamento em outubro? Ela riu. — Preciso de mais de um mês para deixar tudo pronto. Ele sorriu e acenou com a cabeça. — Novembro então. Ela riu e percebeu que não estava tão cansada como pensara inicialmente. — Eu estava pensando em obter um par de cães. — Ele olhou para ela. — Sabe, para quando a casa estiver pronta e tudo mais. — Isso soa como um plano. Ela se inclinou para trás contra seu ombro e suspirou. — Eu gostaria de ter crianças logo. Sentou-se um pouco e virou-se para ele.

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— Crianças? Ele acenou com a cabeça. — Eu sei que você duvidou de mim quando eu disse que estava realmente ansioso para ter filhos. Mesmo naquela época. Ela balançou a cabeça. Emoções inundado profundamente. — Eu... eu não sei. Ele tomou seu rosto em suas mãos. — Haley, eu sonhei com nossos filhos todas as noites desde que os pesadelos pararam. É a única coisa que me mantém ligado ao aqui e agora. — Isso não é real. — Disse ela, sua respiração acelerando. Ele se inclinou e beijou seus lábios, molhados de lágrimas. — É real. ******* Wes estava nas nuvens. Nos dias seguintes, ele passou por cada obstáculo que o banco colocou e fez de tudo para garantir que o VA fizesse a sua parte. O empréstimo para o trailer era seguro, desde que ele tivesse a terra para colocá-lo. O deixava louco ter seu futuro no ar assim. Ele desejava ter o dinheiro para comprar tudo de imediato, mas era assim, seus cheques do exército mal cobririam seus empréstimos. Ele sabia que precisava encontrar um emprego, mas não tinha certeza do que queria fazer. O serviço militar levou muito dele, e sabia que ainda precisava de tempo para recuperar tudo. Ele estava em pé na fila do banco mais uma vez, com a papelada que precisavam para garantir o empréstimo, quando a porta se abriu e um tiro foi disparado. Foi mais o instinto, mas ele caiu no chão, levando à senhora Wilkins, uma de suas professoras de ensino médio, para baixo com ele. Protegendo seu corpo com o dele, ele viu quando três homens mascarados entraram no banco, armados até os dentes. — No chão, agora!

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O maior do grupo disse com um forte sotaque. Com os anos de formação de Wes, ele notou tudo sobre os homens, até o fato de que todos usavam botas de trabalho cobertas de barro vermelho. — Não você. — Disse o homem mais magro, apontando a arma para Steve, que tentava se agachar atrás do balcão. Steve estava de volta, com os braços no ar. — Esvazia o caixa. — Ele apontou a arma em direção à gaveta de Steve, em seguida, jogou uma mochila preta através da abertura no vidro. Wes assistiu os outros dois homens enquanto o mais magro esperava por Steve. Um silencioso estava na porta olhando a rua, enquanto o maior andava ao redor da sala, ansioso. — Vamos. — Ele disse várias vezes. — Depressa. Wes sabia o que precisava fazer. Ele foi treinado apenas para situações como esta. Às vezes você lutava, às vezes você corria, outras vezes você se lembrava de tudo o que podia e ficava fora do caminho das balas. Estes homens eram profissionais. Ele apostaria sua vida que este não era o seu primeiro assalto. Eles trabalhavam muito bem como uma equipe e ele tinha certeza de que trabalhavam juntos em outro emprego. Então, veio a ele. Ao longo da estrada 59 havia um grande grupo de construção da nova rodovia em Redland. Era o único lugar com barro vermelho em milhas. Olhando para as suas botas de trabalho novamente, ele notou um adesivo em triângulo amarelo nas botas do grande homem. Peguei, pensou enquanto tentava abafar Sra Welkins. — Mantenha essa cadela calma. — Disse o homem maior, trazendo a bota para chutá-los. Wes virou bem a tempo da bota acertar sua coxa. Dor correu por cima e abaixo de sua perna machucada e ele grunhiu. — Deixe-o em paz. Você prometeu que ninguém seria ferido neste momento. — Disse o homem na porta. Wes percebeu a falta de sotaque em sua voz e o fato de que ele segurava a arma com a mão esquerda. — Está cheio. — Disse o homem magro, correndo para a porta. — Está limpo?

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Quando

canhoto

assentiu,

os

três

saíram

correndo

do

prédio. Wes correu para a porta a tempo de vê-los desaparecer ao virar da esquina da Bridles Books, livraria local junto à Mama’s. Ele olhou para Steve, que ainda estava de pé atrás do balcão, com os braços no ar. — Chame o xerife. — Ele gritou, pouco antes de correr para fora, a perna gritando com ele quando mancou em direção à livraria. Ele virou a esquina em tempo de ver um Ford F150 branco cantando os pneus ao sair do estacionamento rapidamente. — Maldição. — Ele disse quando não conseguiu ler a placa. A caminhonete estava longe demais para dizer se a placa era do Texas. Mas conseguiu ver a terra vermelha em toda a porta traseira. Quando voltou para o banco, o xerife estava chegando. — Wes. — Ele correu para ele. — Você está bem, filho? Ele percebeu então que mancava mais do que antes. — Maldição. — Ele disse. — Sim, o filho da puta me chutou na perna. — Vamos entrar e nos sentar enquanto você me conta o que aconteceu. O xerife ajudou a caminhar para as portas de vidro, onde a Sra. Wilkins chorava nos braços de Steve. Steve parecia pálido e até mesmo Betty chorava suavemente em uma cadeira. Quando ela o viu mancando, rapidamente correu para o seu lado. — Você está bem, Wes? — Ela o ajudou a sentar-se na cadeira. — Você precisa de um pouco de gelo? Ele balançou a cabeça. — Se alguém puder ligar para Haley e avisá-la que precisarei de uma carona para casa, isso seria ótimo. Ele sabia que fizera mais algum dano a sua perna. Ele não precisa de um PhD para perceber que algo não estava bem após o chute com o bico de aço deixar uma marca em sua coxa. — Eu posso levá-lo para a clínica. — Disse Betty, parecendo preocupada.

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Ele balançou a cabeça. — Não, ficarei bem. Estou vendo um médico do VA amanhã. Ele esfregou a coxa e se encolheu quando a dor subiu para o peito. — Wes? — O xerife estava sobre ele e agarrou seus ombros. — Betty traga um pouco de água. Ele se inclinou e respirou fundo várias vezes. — Botas de trabalho. Ford 150, branco. Lama vermelha. Dois falavam com sotaque da Geórgia. Homem grande, garoto magro. O magro não falava com sotaque. — Ele deixou escapar os detalhes, tentando ficar consciente. A dor era quase insuportável. — O homem maior tinha um adesivo amarelo em suas botas de trabalho. Eles trabalham juntos; mais provável é que já fizeram isso antes. — Ele respirou fundo várias vezes e se sentiu empalidecer. Em seguida, ele ouviu a voz dela. — Wes? — Ela correu para o seu lado. — Estou aqui. Sua mente aguçou ao sentir as mãos em seu rosto. Olhando para cima, ele sorriu para ela. — Aí está você. — Disse ele, pouco antes de desmaiar.

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Capítulo Doze Os médicos não diziam nada. Ela andava para cima e para baixo pelos corredores do hospital de veteranos em Tyler, querendo rasgar a língua de alguém. Quando perguntou sobre ele, tudo o que diziam era: — Ele está em cirurgia. Ela sabia que ele estava em cirurgia. O que não sabia era o porquê. Betty disse aos paramédicos que um dos ladrões chutou a sua perna esquerda, forte, bem onde ele teve a substituição dos vasos sanguíneos. Será que o chute causou a ruptura? Eles tiveram que refazer a cirurgia? Sua família estava sentada na sala de espera com a família de Wes e metade da cidade de Fairplay. Todos, menos Haley, estavam pacientemente à espera de notícias na pequena sala. Ela andava do lado de fora da sala de operação, pronta para saltar quando as portas se abrissem. Ela nunca roera as unhas quando uma criança, Alex era a única que mastigara seus dedos até o osso, mas agora, ela roía como se fossem doces. Apenas então, as portas se abriram, e o médico, um homem mais velho, saiu e puxou para baixo sua máscara cirúrgica para que pudesse falar com ela. — Sra. Tanner? — Ela balançou a cabeça, sem dizer uma palavra. Ela sentiu os pais correrem para seu lado, a mãe de Wes tomou sua mão na dela. — Ele está fora de cirurgia. O chute de perna danificou seu vaso sanguíneo. Houve hemorragia interna, mas controlamos rápido o suficiente. Tivemos que fazer uma cirurgia de revascularização

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periférica de emergência. — Quando os três apenas olharam para ele, ele balançou a cabeça. — Desculpe, nós tivemos que substituir a parte da veia que foi danificada antes. Basicamente, da última vez, enxertamos um vaso sanguíneo de sua perna direita. Desta vez, tivemos que usar um tubo plástico, desde que a veia foi danificada. Ele vai precisar ficar na UTI por alguns dias. Então vamos movê-lo para um quarto particular por uma semana mais ou menos, apenas para observá-lo. Ele precisará ficar sem apoiar essa perna por um tempo. Ela assentiu com a cabeça. — Quando posso vê-lo? — Em cerca de uma hora. — Ele acariciou-lhe a mão. — Vou pedir que uma enfermeira venha te chamar. Eles só permitem um visitante de cada vez, no entanto, e fecham às oito. Eles acenaram com a cabeça. Ela sabia que não descansaria até que o visse por si mesma. Quando ele foi levado para a ambulância, ele estava branco como um lençol e inconsciente. Ela queria ir com ele, mas foi negado. Em vez disso, Grant levara Alex e ela logo atrás da ambulância. Felizmente, Grant estava no Mama’s para pegar Alex depois de seu turno. Seus pais a guiaram de volta para a sala de espera. Sentia-se entorpecida. Ela sentou em um sofá ao lado de sua irmã e tomou um gole do café que alguém empurrou em suas mãos. Ela podia ouvir vagamente seus pais repassando a notícia para todo mundo que esperava. Uma hora mais tarde, uma jovem enfermeira entrou e a levou para a UTI. Ele estava inconsciente e ainda muito pálido. Seu cabelo escuro e cílios pareciam ainda mais escuros contra sua pele clara. Quando pegou a mão dele, percebeu todos os tubos e caminhou para pegar sua outra mão, que estava livre. Se inclinou e deu um beijo em seus lábios frios. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, e quando se inclinou para frente, elas caíram em sua pele. Usando os dedos trêmulos, as enxugou de sua pele quase translúcida.

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— Wes? — Ela disse, não tendo certeza se ele estava acordado ou não. Quando suas pálpebras mexeram, ela disse seu nome novamente. Quando abriu os olhos, ela poderia dizer que eles estavam fora de foco e nebuloso. — Eu estou aqui. — Disse ela, segurando sua mão com mais força. — Você está bem. Tudo ficará bem. Repetiu mais e mais enquanto suas pálpebras fechavam novamente. Ela sentou com ele até a enfermeira perguntar se a mãe dele poderia tomar seu lugar. Ela assentiu com a cabeça e voltou para a sala de espera e nos braços de suas irmãs. — O xerife Miller está aqui. — Disse Lauren quando se afastou, balançando a cabeça em direção ao homem mais velho, que estava de pé contra a parede conversando com Betty e Steve. Ele acenou para ela e se aproximou para lhe dar um abraço. — Como ele está? — Ele está vem e volta. Você pegou os ladrões? O xerife assentiu. — Graças a Wes. — Ele balançou a cabeça. — Esse garoto tem um talento para detalhes. Sabia tudo sobre os homens, até suas botas. Ele caminhou com ela até o sofá e sentaram juntos. — Eles trabalhavam na equipe que está construindo a rodovia. — Ele balançou a cabeça. — Não foi o primeiro trabalho deles juntos também. Parece que foram os três assaltantes que mataram um funcionário do banco no Alabama na primavera passada. Temos o suficiente deles. — Ele acenou com a cabeça para Steve e Betty, que ainda estavam sentados do outro lado da sala com a senhora Wilkins. — Eles os identificaram. Bastou ouvir os homens falarem. — Ele balançou a cabeça novamente. — Não roube um banco em uma pequena cidade no Texas. Eles tiveram sorte que Wes saltou sobre a Sra. Wilkins. As sobrancelhas dela se ergueram em questão.

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— Sra. Wilkins é um membro de carteirinha da ANR. — Ele riu. — Você não pensaria isso ao olhar para ela. — Ele acenou com a cabeça na direção da mulher frágil e velha do outro lado do quarto. — Mas ela tem um Magnum .44 em sua grande bolsa. Eu a vi atirar em uma lata de cima do muro a trinta metros. — Ele riu. — Se Wes não a prendesse no chão, eu tenho medo que ela agisse como um Rambo. Ela sorriu um pouco, sabendo que o xerife tentava aliviar seu humor. Poucos minutos depois, enquanto conversava com a senhora Wilkins, ela percebeu que funcionara. Vendo quantas pessoas se preocupava com Wes e sobre o seu estado a fez perceber como eles viviam em uma cidade maravilhosa. Os dias seguintes foram um borrão. Ela estava dentro e fora da UTI a cada chance que pudesse conseguir. Dividia seu tempo com os pais dele, que sempre a trataram como sua filha. Quando o levaram para um quarto particular, ela se sentou ao lado dele enquanto outras pessoas iam e vinham. Quando tentaram expulsá-la à noite, ela conversou com o médico e o convenceu a deixá-la ficar. Wes ainda entrava e saía da consciência. Ele ficava consciente, mas a dor era muita e as enfermeiras davam outra pílula, que o derrubava novamente. Ela pediu uma medicação que não o deixasse tão grogue, mas até que a maior parte de sua dor fosse suportável, as suas escolhas eram limitadas. No quinto dia após o assalto ao banco, Wes se sentou na cama e jogou o pequeno copo cheio de comprimidos por todo o quarto. O copo de papel flutuou para o chão; as pílulas, no entanto, se espalharam por todo o chão. A forte enfermeira colocou as mãos nos quadris e olhou para ele. — Não mais. Eu estou feito. — Ele disse suavemente, encolhendo-se um pouco. A enfermeira só olhou para ele, em seguida, virou e saiu da sala sem dizer uma palavra. O médico apareceu menos de dez minutos mais tarde.

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— Ouvi dizer que você não quer tomar pílulas para dor. — Disse ele enquanto verificava seus prontuários. — Isso é certo. — Wes assentiu, cruzando os braços sobre o peito. — Deixam-me grogue, além disso, a minha dor agora é administrável. O médico concordou. — Isso é bom. — Ele olhou por cima de seus gráficos. — Como se sentiria sobre iniciar a fisioterapia? Wes sorriu e acenou com a cabeça. — Parece ótimo. Estou pronto. — Bom, vamos te dar uma bengala. Haley ouviu Wes gemendo e viu-o revirar os olhos quando o médico riu. — Eu sei que você não gosta da bengala, mas confie em mim. — Ele estendeu a mão e acariciou sua mão. — Desta vez você vai usá-la.

Levou quase três semanas para se sentir confortável em pé sozinho. Sua coxa esquerda estava coberta de hematomas escuros. Até mesmo os dedos do pé estavam machucados naquela perna, mas ele suportou a dor e ficou longe dos analgésicos. Com a ajuda de Haley, andava com o uso de uma bengala, após a primeira semana. Uma coisa positiva veio de toda essa confusão; ele acabou recebendo o seu desejo. Haley levou as coisas dela para sua pequena casa e ficou com ele todas as noites. Ela quase não saía do seu lado, normalmente só para cuidar de seus animais e algumas tarefas. Seus pais e metade da cidade pararam e o visitaram. O xerife até mesmo parou e ofereceu um emprego, visto vez que ele estava de pé novamente. Ele pensava em trabalhar com a lei desde o ensino médio. Agora sabia que tinha as habilidades, e com apenas um pouco mais de estudo, poderia até mesmo se tornar um xerife. Claro, teria que começar em um trabalho administrativo primeiro, até que estivesse cem por cento.

~ 122 ~


Enquanto estava no hospital, recebeu a notícia que o empréstimo foi totalmente aprovado. Ajudar na captura os ladrões provavelmente teve algo a ver com consegui-lo completamente. Haley o levou até o banco, e colocaram seu nome nos jornais também. O dia em que fecharam o negócio da terra e a casa, ele andou pela primeira vez sem a bengala. Dirigiram-se ao Mama’s para comemorar. Quando entraram, Wes estava surpreso que o pequeno lugar estava lotado e decorado. — Surpresa! Todos gritaram quando eles entraram. — O que é tudo isso? — Perguntou ele a Haley, que sorria para ele. Ela balançou a cabeça e apontou para a faixa onde se lia: Parabéns aos novos proprietários e por impedir o assalto no banco. Ele riu, então, abraçou seus pais, Jamella, e depois a metade da cidade. Sentou entre os seus amigos, ouvindo Steve recontar a história do roubo, e riu mais do que nunca. Steve poderia contar uma grande história, mesmo estando morrendo de medo, em pé atrás do balcão, na maior parte do roubo. — Você deveria ter me visto tremer. — Disse Steve, tomando outro gole de sua Coca-Cola. — Eu ouvi que Jamella sentiu e pensou que era um terremoto. Todos riram. — Embora, vocês deveriam ter visto este aqui. — Ele ergueu a Coca-Cola e saudou Wes. — Ele se jogou no chão com a senhora Wilkins mais rápido do que você poderia piscar. Em seguida, a empurrou para debaixo dele quando o homem tentou chutá-la. Você sabe o quão frágil ela é; seus ossos teriam quebrado sob a pressão dessas botas com biqueira de aço. Aqueles homens poderiam enfrentar acusações de homicídio agora, se não fosse por Wes.

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Wes sentiu suas bochechas corarem e desejava um pouco de ar fresco. Haley apertou a mão dele debaixo da mesa e sorriu para ele. Ele sabia que podia fazer qualquer coisa com ela ao seu lado. Mais

tarde,

ela

levou-os

de

volta

para

sua

casa

em

silêncio. Quando estacionou o carro, ela olhou para ele, sem o sorriso nos lábios. — O quê? — Ele pegou a mão dela. — O que está errado? Ela balançou a cabeça. — Não é nada. Ele olhou para ela, inclinando a cabeça, a conhecia bem. Ela riu. — Tudo bem, é só que após ouvir a história de Steve, eu percebi o quão perto estava. Ele puxou-a sobre o banco e abraçou-a. — Nada pode me tirar de você. — Ele se afastou, em seguida, beijou-a delicadamente. — Nada. Nenhum poder na Terra pode me impedir de estar com você. Você entende? Ela assentiu com a cabeça e beijou-o novamente. Quando o beijo se tornou quente, ele se afastou, sabendo que não estava em forma para fazer sexo no carro pequeno. — Vamos, vamos entrar. Parece que vai chover de novo. — Disse ele, brincando, empurrando-a de seu colo. Eles correram na leve chuva até chegarem à varanda, onde ele a puxou para mais perto e beijou-a até que sentiu que a chuva evaporava em sua pele. Apenas

a

sensação

da

pele

dela

contra

a

sua

pele

quente. Mudou-se até que ela estava contra a porta enquanto corria as mãos por baixo de sua camisa. Sentia a pele suave e macia sob as pontas dos dedos. Ela gemeu quando abriu sua camisa e baixou a cabeça para saborear a pele exposta. Ela se atrapalhou para a maçaneta da porta e empurrou-o para dentro, chutando a porta com um movimento rápido. Ele a prendeu contra a porta, rapidamente. Suas mãos estavam presas acima de seu cabelo molhado, e sua respiração era forte enquanto o olhava com seus olhos verde-mar.

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— Você me enfeitiça. — Disse ele pouco antes de tomar sua boca novamente. — Sua pele é macia como pétalas de flores. — Ele passou os lábios sobre seu pescoço e ombros, em seguida, puxou a camisa, até que ela estava exposta. — Você tem um gosto melhor do que o mel. — Ele passou a língua sobre o vale entre os seios. Ela gemeu quando levantou

a

saia

longa

sobre

suas

pernas

sedosas

até

seus

quadris. Quando seus dedos mergulharam sob a seda que a cobria, ele gemeu. — Você se sente melhor do que o céu. — Ele deslizou um dedo em seu calor e viu seus olhos ficando escuro. — Mais. — Ele gemeu quando suas unhas cravaram em sua pele. — Eu quero tudo isso. Ele levantou ainda mais a sua saia, deixando-a completamente sobre seus quadris, e a virou. As mãos dela se aproximaram, afastandoa da porta quando lançou seus quadris em direção a ele. Ele pegou seus quadris depois de abaixar sua calça jeans. — Mais rápido. — Ela gritou. — Agora! Ele empurrou mais as pernas com os joelhos, então, se enterrou nela em um movimento rápido. Ela gritou de prazer quando a prendeu na porta. — Rápido. — Ela gritou, jogando a cabeça para trás. Seus quadris se moveram mais rápido quando com as mãos segurou os seios levemente. — Por favor. — Ela gemeu. — Mais. Ele a virou rapidamente, pegando-a até que ela estava presa entre ele e a porta. Suas pernas nuas ao redor de seus quadris enquanto ele mergulhava mais profundo. Suas bocas fundidas. Seus batimentos cardíacos e respirações combinadas. — Eu quero tudo. — Ele resmungou, sem saber o que pedia. Seus dedos cravaram em seu couro cabeludo, ele empurrou mais profundo e mais forte até que finalmente a sentiu apertar em torno dele. Sentiu ela completamente relaxada contra o seu corpo; só então encontrou a sua própria liberação. Naquela noite, enquanto Haley dormia durante a tempestade da noite, ele estava acordado pensando em quão perto ele realmente

~ 125 ~


esteve. Ele pediu que os médicos não contassem a ela o quão perto ele esteve. Inferno, ele não sabia até que uma enfermeira mencionara algo sobre isso. Quando Haley começou a gemer e chorar em seu sono, a puxou para perto e passou as mãos em seus cabelos, sussurrando para ela. Ela finalmente se acalmou quando a tempestade passou e ele adormeceu segurando-a. ******* Haley estava de mau humor. Roger saíra do curral e estava longe de ser encontrado. Ela procurou pela manhã o bezerro, o galo ela, sabia era obrigado a estar em sua cauda. Ela pensara que Blackjack era mais esperto do que isso. Afinal, ele estava na meia-idade. Não era como se ele fosse jovem, como Roger era. A

mãe

de

Roger

ainda

estava

no

curral,

parecendo

entediada. Lauren e Chase foram para Tyler no fim de semana com a caminhonete grande. Eles foram pegar algumas novas éguas. Alex cuidava de Ricky no restaurante até que o seu turno terminasse às duas. Era para Haley assumir a durante a noite; isto é, se conseguisse encontrar Roger e Blackjack a tempo. Estava prestes a desistir quando ouviu o galo cantar atrás de um dos antigos celeiros de feno no campo sul. Quando seguiu para o canto, ela saltou de seu cavalo e correu para ajudar Roger, que estava preso em um velho bebedouro. Suas pernas e peito estavam cobertos de lama, enquanto seus olhos olhavam descontroladamente ao redor. Quando a viu, começou a chorar e se debater. Blackjack pulou na extremidade traseira de Roger e ficou ali olhando para ela com impaciência. — Bem, não olhe para mim. — Ela se deteve sobre o par, olhando para os dois cobertos de lama. — Não fui eu quem permitiu que entrasse nessa bagunça.

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Balançando a cabeça, ela puxou a corda de cima de sua sela e envolveu-o em torno do corpo do bezerro. Agora estava tão enlameada quanto eles e tinha água em suas botas. Amarrando a corda na sela, montou e começou a andar para trás com Dash até que o bezerrinho foi libertado. Roger

estava

no

chão

seco,

respirando

com

dificuldade. Quando se aproximou, ele fechou os olhos com alívio. — Parece que vocês dois tiveram um tempo difícil. — De cócoras, ela deu um tapinha no pescoço do bezerro. — Você consegue voltar para o celeiro? — Perguntou ela, sabendo que não teria uma resposta. Demorou alguns minutos para que o bezerro recuperasse o fôlego. Quando ficou em seus pés, Blackjack estava bem ali ao lado dele. — Bem, vamos lá então. Ela pulou nas costas de Dash, mantendo a corda no pescoço de Roger para se certificar que não fuja novamente. — Espero que você dois tenham aprendido a lição desta vez? Esta é a quarta vez este mês que eu tive que procurar vocês. Se isto continuar... Ela ouviu um trovão a distância e olhou para o céu. Desde a aparência das coisas, ela voltaria para casa exatamente quando a chuva começasse. — Droga, vocês dois podem acelerar um pouco? Perguntou ela. O bezerro olhou para ela, e podia ver que ele quase desmaiava de cansaço para andar neste ritmo. Ela suspirou. — Parece que vamos ficar um pouco molhados, então. Ela franziu a testa e começou a sonhar com um banho e uma cama quente ao lado de Wes. No momento em que chegou até o celeiro, a lama foi completamente lavada dos três. Agora tinha ainda mais água em suas botas do que quando deixou Roger de volta em seu curral. Blackjack desaparecera perto do galinheiro na borda do quintal. Quando tirou suas botas e caminhou pela porta dos fundos, estava congelada.

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— O que aconteceu com você? — Perguntou Alex. Ela estava em pé no fogão, mexendo uma grande panela de macarrão e queijo. Ricky estava sentado à mesa, sua perna balançando enquanto coloria em seu livro do Spiderman. — Encontrei Roger. — Ela tirou o casaco e estendeu a mão para tirar suas meias. — Ele estava preso no velho bebedouro atrás do celeiro para o sul. Alex riu. — Esse bezerro é muito inteligente para seu próprio bem. — Talvez desta vez eles aprendam a lição. — Blackjack estava com ele? — Alex olhou por cima do ombro para ela. — Claro. — Ela sentou, fechou os olhos e sonhou com uma xícara de chocolate quente. Quando os abriu, Alex colocava um copo na frente dela. — Chocolate quente? — Perguntou ela. Alex assentiu. — Eu vi você chegar a esquina do celeiro coberta de lama e sabia que iria querer um. — Você é uma santa. — Ela pegou a caneca e tomou um gole. — Por que está chovendo tanto este ano? — Perguntou Alex, voltando para o fogão e removendo a panela do fogo. Haley deu de ombros. — Estou feliz por não ser... — Um estrondo de um trovão soou ao longe. — Droga. Não importa. — Disse Haley, balançando a cabeça. Ricky começou a dizer droga uma e outra vez enquanto Alex ria. — Eu estou dizendo. — Disse Alex entre risos. — Suponho que não posso subornar você? — Perguntou Haley. Alex balançou a cabeça e colocou uma grande tigela de macarrão com queijo na frente dela. Nesse momento a porta se abriu e Grant entrou, encharcado. Alex caminhou até ele e beijou-o. — Tomando banho fora de novo? Ele riu. — Todas as galinhas estão fechadas. Incluindo aquele galo louco. — Disse ele, tirando sua jaqueta.

~ 128 ~


— Bem, vamos jantar aqui, uma vez que Haley levou uma eternidade para trazer seu bezerro e galo de volta. Haley olhou para o relógio e percebeu que eram 18h15min. Ela não tinha ideia que levara tanto tempo para encontrar os animais rebeldes. Wes estará de volta da fisioterapia por volta das oito. — Desculpe. — Ela deu uma mordida do macarrão e queijo e sorriu. — Sabe, o meu não fica tão bom. Ela sorriu, quando Ricky cavou em sua tigela. Alex sentou ao lado de Grant e sorriu. — Isso é porque você não conhece o ingrediente secreto. — Sim, sim. — Ela suspirou quando deu outra mordida. — O amor. Você me disse um milhão de vezes. — É isso mesmo, Ricky. — Alex disse enquanto se certificava que a tigela de Ricky não caísse no chão. — Tia Alex faz o melhor macarrão e queijo, porque ela te ama mais do que Haley. Haley riu e terminou sua tigela antes de Ricky. Depois que terminaram de comer, Grant e Alex a ajudaram a limpar e voltaram para a casa deles. Ela levou Ricky para cima para dar-lhe um banho, porque ele estava coberto de macarrão e queijo. Ela queria desesperadamente um banho quente; sentia que tinha lama endurecida em todos os poros. Enquanto observava Ricky brincar no banho, tentou não se concentrar na tempestade que aumentava lá fora. Tentou não pular com cada trovão ou relâmpago, mas Ricky percebia seu humor. Quando o puxou da água já fria e o vestiu com seu pijama, ele parecia muito cansado. Ela o deixou brincar com os caminhões enquanto tomava banho rapidamente e vestia um velho moletom. — O que você diz de descer comigo e assistir a alguns desenhos animados? Ele assentiu e segurou-lhe um pouco mais apertado. Desceram as escadas e viram desenhos animados deitados juntos em um grande cobertor até um grande estrondo sacudir a casa e as luzes

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apagarem. Ela acendeu a lanterna que agarrara, mas pouco fez para tranquilizá-la. Ela não queria mandar mensagem para Wes, porque sabia que ele estava dirigindo de volta de sua fisioterapia em Dallas. Apenas então o telefone tocou. Olhando para baixo, viu a mensagem de Wes. Acabei de ouvir no rádio que há um aviso de tornado para Anderson County. Melhor correr para o abrigo da tempestade. Ela congelou. Esta foi a primeira vez em que esteve sozinha durante um destes. Houve muitos avisos ao longo dos anos, e cada um levou um pouco de seus nervos, mas geralmente suas irmãs estavam lá com ela. Haley? Ela recebeu outra mensagem enquanto seu telefone tocava novamente. Desta vez era Lauren perguntando como estava. A memória brilhou em sua mente; sua mãe a levando de seu quarto no andar de cima. Ela corria e cantava para ela. Em seguida, elas saíram e um relâmpago cegou quando um trovão caiu ao seu redor. Ela podia ver porta do abrigo aberta. Suas irmãs estavam na parte inferior da escada, mas então ela olhou para cima e viu o ciclone escuro e gritou. Sua mãe pulou. Então Haley voava pelo ar até que pousou em sua irmã, na parte inferior do abrigo. Outro sinal sonoro soou. Ela olhou para o telefone. Era Lauren novamente. Você está no abrigo com Ricky? Ricky! Haley olhou para o menino dormindo em seus braços e percebeu algo. O menino em seus braços dependia dela. Wes precisava dela. Eles se casariam e começariam uma família própria. Suas irmãs precisavam dela para ajudar com o rancho. Empurrando seu telefone no bolso, agarrou Ricky, envolveu-o no cobertor, e começou a correr da sala. Quando abriu a porta de trás, o vento e a chuva atingiram seu rosto. Ela sentiu Ricky mexer em seus braços, mas o cobriu com o cobertor e gritou para ele.

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— Está tudo bem. Temos de ir brincar no abrigo por um tempo. — Disse Haley, colocando-o mais perto de seu corpo. Eles estavam do outro lado do quintal, os dois cães sobre os calcanhares, quando olhou para cima e viu o inferno indo direto para eles.

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Capítulo Treze Seu fisioterapeuta era um idiota, ele pensou, enquanto caminhava para o carro. Como é possível que ele se machucasse mais depois de uma hora com a mulher do que após uma cirurgia de emergência de duas horas? Ele estava a 15 minutos de Fairplay quando percebeu as nuvens escuras na frente dele. Procurando por notícias, ele ouviu o tempo. Quando soube que estavam em uma zona de aviso, parou e mandou uma mensagem Haley. Quando ela não respondeu, tentou ligar, obtendo os mesmos resultados. Descartando seu telefone, fez uma das coisas mais estúpidas que já fizera em sua vida. Se dirigiu para o olho da tempestade para salvar a mulher que amava. ******* — Ela não está respondendo. — Lauren caminhava em seu quarto de hotel. — Por que ela não está me respondendo? — Ela queria jogar o telefone, mas segurou-o com mais força. — Talvez a tempestade já derrubou a torre de celular. — Chase sugeriu, com os olhos colados às notícias na TV. Quando o telefone tocou, ela quase deixou cair. — É Alex, eles estão em seu abrigo. Ela diz que chove granizo lá. — Lauren virou-se para Chase. — Chase. — Eu sei. — Ele caminhou até ela e a abraçou. — Eu vou encerrar a conta. — Ele saiu correndo da sala.

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Era mais de uma hora de distância, mas a faria se sentir melhor ir para casa. Ela se aproximou e jogou suas roupas em sua bolsa, não se importando se deixou alguma coisa para trás. Cinco minutos depois, estavam no carro, indo para o sul, não sabendo para o que estavam dirigindo. ******* Wes chegou aos arredores da cidade e engasgou. O vidro em todos os edifícios do centro foi quebrado. As pessoas estavam do lado de fora, parecia que estavam todos em estado de choque. Enquanto dirigia pelas ruas da cidade, estava contente de ver que o banco ainda estava de pé, mas o Mama’s e a livraria foram destruídos. A fachada do Mama’s desapareceu completamente, assim como o telhado da livraria. O prédio vazio ao lado foi completamente destruído. Tudo o que ficou foram as paredes de tijolo de cada lado. Ele parou e gritou para Jamella, que estava lá, segurando uma toalha sobre a cabeça. Willard, o cozinheiro, estava sentado ao lado dela segurando seu braço. — Você está bem? — Ele começou a sair. — Claro, rapaz. Esse foi algum tremor. Eu estou bem. Olhe, aí vem o grande xerife para me salvar. Wes assistiu com diversão como o xerife Miller correu para fora de seu carro e pegou Jamella em um grande abraço e beijou-a nos lábios. — Nunca mais me assuste assim novamente. Quando eu disser para você se abrigar, eu quero dizer isso. Jamella corou e deu um tapinha no ombro dele. — Olhe, agora todos sabem sobre nós. Ela apontou para Wes e Willard. — Eu não dou a mínima sobre quem descobre. Já era tempo de todos saberem de qualquer maneira. — O xerife assentiu para eles.

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Wes teria ficado para ajudar, mas tinha outra pessoa em sua mente. Fechando a porta, ele tentou escrever e ligar para Haley mais uma vez. Ele tentou nos sete minutos que levou para chegar à cidade. Ainda não havia resposta. Ele acelerou e passou pelo meio de alguns destroços com sua caminhonete. Havia galhos de árvores e lixo por toda a estrada, mas sabia que sua caminhonete poderia lidar com a maioria. Quando chegou à periferia da cidade, as estradas estavam mais limpas e pensou por um momento que talvez não tivesse ido tão longe. Então virou a esquina e viu que uma árvore de tamanho normal estava caída, bloqueando seu caminho para Saddleback. Levaria vários homens e algumas motosserras muito grandes para limpar o caminho. Saltando de sua caminhonete, ele deixou o motor ligado enquanto subia sobre a árvore caída. Raspou os braços e as pernas sobre os ramos de pinheiro, mas não sentiu nenhuma dor. Quando finalmente passou a árvore, correu em direção aos portões de ferro em Saddleback. Faltava metade das letras e algumas cercas estavam torcidas. Estava escuro demais para ver se a casa ainda estava de pé, assim correu até luzes o acertarem. Virando, viu Alex e Grant em uma caminhonete. O rosto de Alexis estava mascarado com preocupação. — Você já ouviu algo de Haley? — Ela gritou quando abriu a porta e o deixou entrar ao lado dela. — Não, você? Alex balançou a cabeça. — Demorou um pouco para sairmos da nossa casa. Tivemos que retirar algumas árvores do caminho. Ele balançou a cabeça — Minha caminhonete ficou presa atrás de um pinheiro caído na última curva. Os olhos grudados na casa em frente a eles. Parecia intacta, mas não conseguia ver além do primeiro andar. Antes que a caminhonete parasse, ele saltou e correu em direção a porta da frente gritando o nome dela. — Eles estariam no abrigo. — Alex gritou atrás dele.

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Ele saiu correndo em direção à parte de trás da casa. — Você verifica a casa. Vou verificar lá atrás. Ele virou a esquina da casa e engasgou. Aqui o dano era evidente. Metade do celeiro se foi. O telhado e feno estavam arrastados por todo o quintal. Cavalos, vacas, e até mesmo algumas cabras andavam ao redor do quintal devastado com a tempestade. Ele olhou para o abrigo e notou que a porta estava escancarada. Chamando o nome dela, correu para a porta, com o coração batendo em seus ouvidos. Ele pegou o celular e ligou a lanterna. Ouviu Ricky começar a chorar e correu para o fundo das escadas. Haley estava deitada na parte inferior, em cima de Ricky, que olhou para cima e piscou para a luz brilhante. — Aqui. — Ele gritou por cima do ombro. — Eles estão aqui. Ele se inclinou e gentilmente removeu Ricky, que se agarrou a ele com um aperto de morte. Desde que ele teve que baixar a lanterna, ficou muito escuro para ver se o menino foi ferido. Ele estava na metade da escada quando Grant apareceu. — Ele está bem? — Ele perguntou, estendendo a mão para o garoto. — Não sei. Haley está machucada. Ele correu de volta para o fundo das escadas. Grant estava ao lado dele, segurando uma lanterna enquanto Alex tentava acalmar Ricky no topo da escada. Ele viu o sangue na testa e no ombro de Haley e engasgou. Havia uma placa com pregos saindo dela embutida em seu ombro esquerdo. — Não o remova. — Disse Grant, voltando correndo com uma grande toalha do armário do outro lado da sala. Ele pegou e pressionou nos outros cortes. Grant assumiu para que ele pudesse passar as mãos sobre ela, certificando-se de que não tinha nenhum osso quebrado. Ele podia ver sua respiração e sentiu um pulso firme, mas isso não o impediu de se preocupar.

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— O xerife disse que uma ambulância está a caminho. Eles terão uma equipe para remover a árvore. — Disse Alex do topo da escada. — Lauren e Chase estão a meia hora de distância. Ele

nem

sequer

prestou

atenção,

sua

mente

estava

completamente focada em Haley. —

Haley?

Ele

disse

quando

ela

começou

a

se

mover. Segurando-a firme, ele murmurou. — Fique parada, querida. Seus olhos se abriram e ela estendeu a mão para ele. — Ricky? — Ela disse em uma voz fraca. — Ele está aqui, ele está bem. Todo mundo está bem. — Garantiu, escovando o cabelo escuro de seu rosto e fazendo um balanço de alguns cortes ao longo de sua testa. — Eu pulei. Eu não podia jogá-lo como mamãe fez. Eu simplesmente não podia deixá-lo ir. Então, eu pulei. Oh, minha perna. — Gritou quando começou a sentar. — Shhh. — Disse ele. — Está tudo bem. Você a quebrou. Uma ambulância está a caminho. Segure ainda até eles chegarem aqui. — Eu não poderia jogá-lo. Eu não podia. — Ela repetiu. — Você foi muito bem. Você fez a coisa certa. — Disse ele, tentando não desmoronar. — Por que ela não pulou? — Ela perguntou, seus olhos verdes escurecendo com lágrimas. — Por quê? — Ela repetiu antes de desmaiar.

Wes estava sobre Haley e esperava que seus olhos abrissem novamente. Ela esteve dentro e fora da consciência desde que chegara à pequena clínica que servia como uma clínica de triagem agora. Ele ainda mantinha a pressão sobre seus ferimentos, mas sua paciência se esgotava. A pequena sala estava cheia de outras pessoas, todas segurando toalhas em seus cortes, ou ajudando parentes que ficaram feridos. O lugar estava barulhento e louco.

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Seus pais o encontraram há poucos minutos. Ele chamou-os quando chegou à clínica com Haley. Eles não foram afetados e saíram para ajudar os outros desde que a tempestade terminara. Quando o médico voltou parecendo um pouco esgotado, chamou a atenção de todos. — Precisamos que aqueles de vocês que não estão feridos vão para o ginásio da igreja, do outro lado da rua. Não temos espaço suficiente aqui para abrigar todos os que não estão feridos. Aqueles que têm ferimentos graves ou pessoas com crianças pequenas podem ter um membro da família para ficar com eles. Mas... — Ele levantou a sua voz sobre o murmúrio. — A fim de ajudar a todos, minha equipe e eu precisamos ser capazes de nos mover aqui. Wes olhou para seus pais e familiares de Haley e assentiu. — Eu deixarei todo mundo saber como ela está. Lauren começou a protestar, mas Chase puxou seu braço. — Vamos levar Ricky para casa. Precisamos cuidar dos animais. Wes irá nos manter informados. Uma vez que o quarto esvaziou, o médico e as enfermeiras começaram a se mover ao redor. — Wes. — Doutor Conner acenou para ele quando se aproximou de Haley e olhou para o pedaço de madeira saindo do seu ombro. Em seguida, houve enfermeiros lá, empurrando as mãos dele quando começaram a trabalhar nela. — Por que não se senta querido. Vamos cuidar da sua menina agora. — Disse um deles, mostrando uma cadeira a poucos metros de distância. Ele se sentou lá e viu como fizeram sua magia, limparam e fizeram curativos em todos os seus ferimentos. — Precisamos levá-la para que possamos tirar raios-x de sua perna. Eu acho que é uma ruptura, mas gostaria de ter certeza. Ele balançou a cabeça e se levantou. — Eu gostaria de ir com ela, se possível. A enfermeira assentiu. — Siga-me.

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Ela começou a transportar a cama de Haley pelo corredor. Haley procurou por sua mão. Seu pulso estava coberto de ataduras. Ele gentilmente pegou. Ele não sabia que chorava até que ela estendeu a mão e enxugou uma lágrima. Menos de uma hora depois, enquanto observava a enfermeira colocar o gesso na perna direita de Haley, ele ligou para a família dela e os atualizou. O médico ia liberá-la e deixá-la ir para casa, com instruções estritas de vê-la novamente em uma semana. Demorou mais meia hora para a enfermeira terminar de colocar o novo gesso vermelho de Haley. — Em poucas semanas, podemos dar-lhe um gesso removível, o qual você pode tirar para tomar banho. — Disse ela, entregando algumas muletas para Haley. — Você já usou muletas antes? Ela balançou a cabeça e estremeceu um pouco de dor. Conforme a enfermeira deu-lhe instruções, Wes falou com o médico sobre seus outros ferimentos. — Ela tem sete pontos no ombro, alguns outros aqui e ali. Vamos precisar vê-la em uma semana, uma vez que tudo se acalme por aqui. Ele olhou ao redor do quarto, que ainda estava muito cheio, com mais e mais pessoas sendo trazidas o tempo todo. No momento em que dirigiu pela cidade, estava muito escuro para ver qualquer coisa. A maior parte estava sem energia, exceto a clínica, a igreja em frente, e a Câmara Municipal, na esquina. Eles podiam ver uma grande multidão se reunindo na prefeitura. Outras luzes do carro e holofotes estavam em várias casas ao longo das estradas enquanto as pessoas procuravam por outros. — Wes. — Disse Haley, tocando seu braço. — Talvez devêssemos parar e ajudar? Ele

acenou

com

a

cabeça.

Mas

você

ficará

na

caminhonete. Entendeu? Quando ela assentiu, ele estacionou e pulou para fora. Wes caminhou até onde o xerife se dirigia a todos e ficou ao lado de Grant e Chase.

~ 138 ~


— Hey. — Ele disse. — Hey. — Chase olhou para a caminhonete. — Como ela está? — Bem. — Se você quiser levá-la até Saddleback, então, voltar. Nós vamos de casa em casa certificar que todos estão bem. Lauren, Alex e Ricky estão lá. Eu tenho o gerador lá, por isso não é problema. Wes assentiu. — Eu estarei de volta. Quando convenceu Haley a ficar com suas irmãs, já se viam na entrada do rancho. Todas as luzes estavam acesas no andar principal e quando estacionaram, Lauren e Alex estavam na varanda da frente, prontas para ajudar Haley. —

Os

caras

ligaram.

Disse

Lauren,

segurando

um

refrigerador. — Há água e sanduíches. O suficiente para uma dúzia de pessoas. Eu farei um pouco mais e levarei mais tarde. Ele balançou a cabeça. — As estradas não são seguras. Existem vários fios de energia caídos. As equipes estão trabalhando nisso agora. Basta nos ligar e volto para buscar. — Ela assentiu com a cabeça. — Cuide dela. — Disse ele quando Haley e Alex estavam lá dentro. — Aqui. — Ele entregou as pílulas de Haley e as instruções da clínica. Quando voltou a cidade, havia mais holofotes das equipes de construção. Centenas de pessoas trabalhavam nas áreas iluminadas, em busca de sobreviventes de algumas casas mais atingidas. Uma hora depois, as equipes de resgate chegaram com cães, seguidos por uma avalanche de pessoas da Cruz Vermelha e outras organizações de caridade. Pela manhã, havia três grandes tendas médicas instaladas no estacionamento da prefeitura. Eles montaram uma cozinha na igreja onde todos puderam entrar e conseguir água fresca, comida ou descanso, se necessário. O colégio abrigou as famílias que foram deslocadas, e caminhões de doação encheram o estacionamento. Os voluntários limparam a

~ 139 ~


maioria das estradas, assim viajar dentro e fora da cidade estava muito mais fácil. A energia foi restabelecida para a maioria das áreas que tiveram danos menores. O gás e água para toda a cidade ainda estava pouco. Eles foram informados de que poderia levar até um mês até que o gás pudesse ser ligado novamente, embora levasse menos tempo para a água. Até agora, Wes ouviu falar de duas vítimas. Ele ajudou a desenterrar alguns sobreviventes ele mesmo, mas estava grato por não conhecer nenhum daqueles que perderam suas vidas. Na noite seguinte, quando Chase, Grant e ele voltaram a Saddleback, estavam todos exaustos, sujos e famintos.

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Capítulo Quatorze Haley assistiu suas irmãs do seu lugar no sofá. Ela foi mimada desde que chegara em casa ontem à noite. Ela dormiu durante a maior parte da noite, mas acordou cedo com dor no ombro e na perna. Alex preparou seu café da manhã favorito. Em seguida ela engoliu meia dúzia de pílulas que eram grandes o suficiente para alimentar seus cavalos. Então, Ricky se estabeleceu em seu colo para que pudessem assistir Pernalonga, enquanto suas irmãs saíram para tentar pegar os animais soltos. Quando voltaram perto do almoço, estavam ambas cobertas de lama. — Esse bezerro de vocês ou é o animal mais inteligente que eu já vi, ou o mais estúpido. — Disse Lauren, sacudindo a cabeça. — O que Roger fez agora? — Perguntou ela, rindo. — Você não quer saber. — Disse Alex, dando um passo ao lado de sua irmã. Lauren tinha um monte de lama sobre ela, mas Alex estava completamente coberta. Haley podia até mesmo ver lama nas orelhas de sua irmã. — Eu não sei como você pega esse pestinha. — ela disse, tentando limpar o rosto com uma toalha grande. Lauren riu. — Você deveria ter visto. Eu acho que quando se trata de laçar um bezerro, sua irmã está fora de prática. — Eu não estou! — Alex suspirou e balançou o dedo para Haley. — Isso não é um bezerro comum. Ele é como um... um super vilão. — Ela colocou as mãos nos quadris. Haley sorriu, suas irmãs eram o melhor remédio do mundo. Pela tarde, quando os homens entraram na casa tão sujos quanto

suas

esposas

estiveram,

~ 141 ~

todos

os

animais

estavam


contabilizados e seguros. A velha Betty foi a única vítima, mas uma vez que a caminhonete azul não funcionara nos últimos três meses, todos a consideravam como uma perda aceitável. Lauren disse a ela que o celeiro teria que ser reparado, e que perderam metade de suas reservas de feno para o inverno. Quando Wes entrou na sala, ela sorriu e tentou não deixar transparecer que não tomara seu comprimido para dor no almoço. Ela não queria tomar, uma vez que a deixava sonolenta. Ele andou até ela, deu um beijo em sua bochecha, e franziu o cenho para ela. — Você está com dor. — Disse ele, sentando ao lado dela. Ela balançou a cabeça. — Eu ficarei bem. Quão ruim é? Ele inclinou a cabeça para trás e suspirou. — Mama’s, a livraria, uma dúzia de casas ao longo da primeira e terceira avenida. — Alguma morte? — Ela perguntou em voz baixa, uma vez que Ricky cochilava no sofá em frente a ela. Ele balançou a cabeça e levantou três dedos. — Diversos animais também. Há uma dúzia de cachorros correndo pela cidade. O abrigo está tentando pegar todos e guardá-los até que os proprietários possam buscá-los. — Algum conhecido? — Perguntou ela. Ele acenou com a cabeça. — Steve, do banco, perdeu o pai. Ele sobreviveu ao tornado, mas morreu de um acidente vascular cerebral, ajudando cavar para retirar seu vizinho dos escombros. Os outros dois eu não conheço. — Ele deu de ombros. — Se está tudo bem, eu vou tomar banho. Gostaria de ficar aqui? Ela assentiu com a cabeça, sabendo que o menor movimento fazia a dor triplicar. Levantou, então, se inclinou e beijou-a lentamente. — Eu estarei de volta em breve. Eu te amo. Ela sorriu e balançou a cabeça. — Descanse um pouco. Você parece abatido. Eu ainda estarei aqui de manhã.

~ 142 ~


Ele acenou com a cabeça. — Mas amanhã, você voltará para casa comigo para sempre. — Ele sorriu. — Eu não quero mais do que uma noite sem você ao meu lado. Ela assentiu com a cabeça, sem saber o que dizer. Sua garganta se fechando com desejo. — Wes. Alex disse, correndo para a sala. — Ah, que bom que você ainda está aqui. — Ela empurrou um recipiente grande em suas mãos. — Jantar. Bife, batatas, cenouras e pães. Apenas aqueça por cinco minutos, quando você chegar em casa. Wes balançou a cabeça, em seguida, saiu da sala. — Quando é que você vai tirá-lo de seu sofrimento? — Perguntou Alex, caminhando e sentando ao lado dela. — O que você quer dizer? — Esse rapaz te ama, está provando que voltou para ficar. — Eu sei. — Ela balançou a cabeça. — Estamos noivos. — Ela levantou seu dedo anelar. Sua irmã apenas olhou para ela, e então finalmente disse: — Você sabe o que quero dizer. Eu aposto que não disse a ele que o ama, novamente. Haley franziu a testa. Só então percebeu que sua irmã estava certa. Desde que voltou, ela não disse essas palavras para ele. Ele disse várias vezes que a amava. Seria isso o que faltava? Seria a razão pela qual sentiu como se ainda houvesse uma brecha entre os dois? Ela sentou pela próxima hora e pensou sobre isso. Wes fizera de tudo desde que voltou para casa para provar a ela que cometera um erro. Ele pediu desculpas, provou que era confiável e ainda ganhou o coração dela novamente. No entanto, ela segurou algo tão importante como dizer aquelas palavras a ele. Seria a única coisa que faltava? Não podia ser assim tão simples, não é?

~ 143 ~


Chase entrou uma hora depois, de banho tomado, com uma grande tigela de pipoca em uma mão. — Quer assistir um filme antigo? Ela balançou a cabeça. — Não, obrigada. Preciso de sua ajuda. — Ela riu. — Eu poderia precisar da ajuda de todos. — Ela olhou para seu gesso. ***** Wes acordou na manhã seguinte mais dolorido do que nunca. Cada músculo de seu corpo doía. O chuveiro quente fez pouco para acalmar as dores, então ficou lá um tempo extra de 10 minutos até que se sentiu quase humano novamente. Quando entrou em sua sala de estar pronto para voltar à casa principal, ele ficou surpreso ao ver Chase sentado em seu sofá, parecendo irritado. — O que foi? — Ele se sentou em frente a ele. — Grant precisa da nossa ajuda no tribunal. Parece que o velho Peterson está tentando nos processar. — O quê? — Wes levantou. — O homem que tiramos da pilha de escombros na noite passada? Que costumava ser sua casa? Chase assentiu. — Ele está no tribunal e quer se encontrar com todos nós em... — Chase olhou para o relógio. — 10 minutos atrás. — Porra, bom, vamos lá, então. Vamos cortar esse mal pela raiz. — Wes caminhou até a porta. Chase dirigia e Wes mal percebeu que a maior parte da cidade foi limpa. Ele notou que havia grandes placas cobrindo a frente da livraria e do Mama’s. Ele teve uma longa conversa com Jamella no dia anterior; ela estava pronta para reconstruir e ainda falou sobre a ocupação do prédio ao lado para expandir. O dono da livraria, Holly Bridles, também explicou a todos que a reconstruiria. Agora, quando estacionaram em frente ao tribunal, ele começou a se preocupar. Não era somente Grant em pé na frente da prefeitura, mas quase todos na cidade estavam lá fora também.

~ 144 ~


O sol brilhava e se ele não soubesse, ele nunca imaginaria que um grande furacão atingira a cidade há apenas dois dias. — O que é tudo isso? O velho Peterson processará toda a cidade de Fairplay? Chase riu. — Não, mas toda a cidade de Fairplay saiu hoje para ver você se casar. Os olhos de Wes estavam colados à multidão, uma vez que se separaram. Haley de pé com a ajuda de suas muletas, vestida com um simples vestido de cor creme. Seus cortes e contusões passando despercebido quando compreendeu as palavras de Chase em sua mente. — Hoje? — Ele perguntou, sem tirar os olhos de Haley. — Se você sair da minha caminhonete, sim. — Chase riu e saiu. Wes seguiu lentamente, sem piscar os olhos do sol que fluía através do cabelo da Haley. Parecia ter demorado uma eternidade para ele percorrer o caminho em direção a ela. A multidão de pessoas abriu passagem e ficaram sorrindo para ele. — Oi. — Ele disse, parando em frente a ela. — Oi. — Ela sorriu. — Quer se casar hoje? Ele riu. — Eu pensei que você queria um grande casamento? Suas sobrancelhas se ergueram. — Quanto maior você acha que poderia ser? — Ela fez um gesto com a mão para as duas centenas de convidados em pé ao redor deles em frente à Câmara Municipal. Ele riu. — Eu acho que você está certa. — Ele estendeu a mão e pegou a mão dela. — Eu adoraria me casar com você hoje. — Bom, isso é bom. — O novo prefeito, William Davis, disse. — Vamos começar? — Já era sem tempo. — Alguém gritou, seguido de uma grande explosão de risos da multidão. Após a cerimônia rápida no gramado verde da prefeitura, todo mundo entrou no ginásio da igreja para uma recepção. Sanduíches de

~ 145 ~


churrasco, peixe frito e feijão foram servidos, seguido de melancia e sorvete caseiro. Alguém dera a Haley uma cadeira de rodas para utilizar para se movimentar ao redor e conversar com todos. Ele teve um grande cuidado em certificar que ela ficasse sentada, por isso acabou empurrando-a na maior parte do dia. Suas irmãs ocasionalmente assumiram quando estava ocupado conversando com alguém. Eles conversaram com o xerife Miller, que estava muito falante sobre seu relacionamento com Jamella. Aparentemente, os dois eram um casal por quase dez anos sem que ninguém na cidade, ou seus filhos, soubessem. Wes pensou que os dois estavam muito bem juntos. — Eles se encaixam, não é? — Haley sorriu e acenou com a cabeça em direção ao casal. Ele riu. — Eu pensava a mesma coisa. É difícil acreditar que ninguém adivinhou sobre o relacionamento deles antes. Haley balançou a cabeça. — Alex é a mais próxima de Jamella durante anos. Você pensaria que ela teria alguma pista. Mas olhe para ela. — Ela riu. — Ainda está em estado de choque total e absoluto. Ele olhou para sua nova cunhada e riu. — Parece que acabou de descobrir que o mundo é redondo. Os dois riram. — Ouvi dizer que ela assumirá o prédio vazio ao lado e construirá uma lanchonete totalmente nova. Ele acenou com a cabeça. — Ela disse, e cito, Boa parte do meu seguro está pago. — Ele riu. — É uma coisa boa que ela e Willard não foram feridos. É difícil acreditar que estavam lá quando o tornado atingiu. Ele balançou a cabeça e se sentiu com ainda mais sorte do que antes. — Realmente, toda a cidade estava com sorte. Poderia ter sido muito pior. Wes não percebeu quanto tempo passou desde que esteve tão entretido, mas quando alguém mencionou que o sol estava se pondo, ele percebeu que era hora de ir para casa.

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— Vamos sair daqui? — Ele sussurrou para Haley. — Eu pensei que você nunca pediria. — Ela sorriu. — Eu tenho uma surpresa para você, mas terá que esperar até isto sair. — Ela acenou para seu gesso. Ele balançou a cabeça e a ajudou a ficar de pé. — Eu tenho tudo que eu poderia querer aqui. Ele passou os braços em volta dela, em seguida, abaixou a cabeça e beijou-a. Quando ouviram aplausos, os dois riram. Ela olhou em seus olhos, e seus olhos verdes ficando suaves. Ela nunca pareceu mais bonita do que estava naquele momento. — Eu amo você, Wes Tanner. Eu te amei desde o segundo ano. Você é meu melhor amigo, meu único amante e o homem com quem eu quero começar uma família. Lágrimas deslizaram pelo seu rosto. — Maldição. — Ele sussurrou. — Agora você vai e me faz chorar na frente de toda a cidade. — Ela riu e beijou-o novamente. — Eu também te amo. Vamos sair daqui, para que eu possa mostrar o quanto. — Ele sussurrou em seu ouvido.

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Epílogo Haley estava na colina e olhou em direção a sua casa. Havia animais correndo nas colinas, pastando. Quatro cavalos, e dois eram dela, dois Wes comprou, dois pôneis Shetland, três mini burros que ela resgatou após o tornado, três lhamas que compraram em Tyler, para não mencionar os três cães que corriam ao redor, causando caos. Wes construiu um galinheiro ao lado do celeiro onde Blackjack e vários de seu harém estavam alojados. Na grande baia ao lado deles estava Roger, adulto e amando o seu novo lar. Ela se virou a tempo de ver seu marido a quatro meses indo a pé em direção a ela. Seu novo uniforme de patrulha parecia malditamente sexy nele. Ele estava no trabalho por três meses e até mesmo estudou para se tornar um xerife. Seu coxear ainda estava presente, mas ele estava totalmente recuperado de sua cirurgia e ficando mais forte a cada dia. Ela olhou para as suas pernas e sorriu. Então era ela. Ela jurou que faria tudo em seu poder para nunca ter que usar um gesso novamente. Não só fez caminhar, andar a cavalo e sexo praticamente impossível, como também coçava como louco. — Como está a minha linda esposa hoje? — Wes caminhou até ela e a beijou suavemente. — Maravilhosa. Como foi o trabalho? — Ela colocou os braços ao redor de seus ombros, desfrutando a sensação dele. — Tranquilo. Eu acho que ser um oficial da lei em uma cidade pequena tem suas vantagens. — Oh? Ele sorriu.

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— Sra. Kennedy nos fez uma de suas clássicas tortas de amora. — Yum. — Ela sorriu. — Acho que ela está tentando roubar meu belo marido de mim. Essa é a terceira torta que ela lhe deu este mês. Ele riu. — Bem, quando você tiver tantos netos como ela, eu permitirei que você flerte com os rapazes de uniforme também. — Ele sorriu e puxou-a para mais perto. — Falando em crianças. — Ela se afastou e sorriu. — Você gostaria de ter um em oh... digamos sete ou oito meses? Ela viu seus olhos escurecerem, em seguida, seu sorriso ficou enorme. — Sério? Ela assentiu com a cabeça. — Só descobri hoje. — Woohoo! — Ele girou em torno dela. — Claro, agora estamos em uma corrida com as minhas irmãs. — Ela sorriu quando ele se sentou em seus pés. — Lauren é para julho, Alex, em setembro, e estamos em novembro. — Isso é um bebê a cada dois meses. — Disse ele, enquanto ela ria. — Apenas observe, teremos o garoto mais bonito da região. Ela riu. — Ou gêmeos.

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Sobre o autor Jill Sanders é a autora best-seller do New York Times e EUA Today da série Orgulho, a série Segredo, e os romances da série West. Vendendo mais de 150 mil livros no prazo de seis meses no seu primeiro lançamento, ela continua a atrair novos leitores com suas histórias doces e sensuais. Seus livros estão disponíveis em todos os países de língua inglesa e agora estão sendo traduzidos em seis línguas diferentes e gravados para audiobook. Nascida com uma gêmea idêntica em uma grande família, ela foi criada no noroeste do Pacífico. Mais tarde, se mudou para o Colorado para a faculdade e uma carreira de TI bem sucedida antes de descobrir seu talento como escritora. Agora fez seu lar em uma charmosa casa no Texas rural, onde gosta de caminhadas, natação, provas de vinho, e, claro, escrever.

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Holding Haley vol. 3 (revisado) - Jill Sanders