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Disponibilização:Juliana Alves


Tradução: Ana Rosa Revisão Inicial: Ana Rosa, Alessandra,Ana P. Revisão Final:Alessandra G. Leitura Final: Regina Formatação: Regina Arte: Nick

Sinopse A s pr om essas de paixão que ar dia entr e Livy e Miller em One Night: podem acabar se destr uindo neste novo r om ance de enor m e desej o e descober tas chocantes ... Ele é incr ivelm ente r ico, pecam inosam ente lindo, e pode levá-la a altur as do pr azer que ela nunca antes conheceu. Par a Livy, não há com o voltar atr ás. Ela está deter m inada a ser a luz no m undo escur o da Miller Har t. No entanto, esta nova vida vem com um pr eço alto ... Miller sabe que o poder que possui não veio sem sacr ifícios, m as ele não vai deixar Livy ser um deles. Em bor a ele não quer nada m ais do que tê-la em todos os sentidos, o seu pr im eir o dever é pr otegê-la a todo o custo ... a par tir de seus pecados, seus inim igos, e especialm ente de si m esm o. Mas, com o o caso insaciável deles se intensifica, os dois atr aem a atenção de ter ceir os obsessivos e per igosos. Descobr indo novas r evelações sobr e Miller que balança o seu m undo, Livy ter á que decidir se ela está ar r uinada par a ser r epar ada. E ele deve enfr entar seu m edo de que, a fim de salvá-la, ele pode ter que per dê-la depois de tudo.

Prefácio William Anderson desligou o telefone lenta e cuidadosamente, em seguida, recostou-se na grande cadeira do escritório. Suas mãos grandes eram como uma torre, apoiada em sua boca enquanto ele mentalmente revê os dez minutos de conversa, até que beira a loucura. Não sabia o que pensar, mas tinha certeza de que ele precisava de uma bebida. De bom tamanho. Com alguns passos chego ao bar, o velho mundo, e ele o abriu. Não parou para pensar qual bebida ele queria; o que importava era que ele tinha álcool. Encheu o copo com bourbon, bebeu metade e imediatamente voltou a preenchê-lo. Ele estava quente e suando. O homem que tinha perdido a compostura tinha sido atordoado pelos acontecimentos do dia, e agora tudo o que via eram alguns belos olhos de safira. Para onde olhava, lá estavam eles


torturando-o, lembrando-o de sua falha. Ele arrancou a gravata e abriu o botão de cima da camisa com a esperança de que o fato de ter um pouco de espaço extra no pescoço poderia ajudá-lo a respirar. Sem sorte. Sua garganta estava fechando. O passado tinha voltado para persegui-lo. Ele havia tentado com todas as suas forças não amá-la, não adiantou. Estava para acontecer. Em seu mundo, as decisões tinham de ser tomadas com uma cabeça clara e de forma objetiva, e William era geralmente bom no que fazia. Normalmente. As coisas aconteciam em seu mundo por uma razão, e, geralmente, o motivo era o que ele queria, porque as pessoas o ouviam, e o respeitava. Naquela época, no entanto, sentiu que estava perdendo o controle, não, ele gostava dela. Especialmente no que ela se referia. — Eu sou superior a isso, — rosnou caindo no sofá. Depois de mais uma longa bebida e revigorante bourbon, ele joga a cabeça para trás e olha para o teto. Ele já tinha ficado louco antes, e agora estava prestes a ficar louco de novo. Era bobagem, mas o fato de Miller Hart ter se juntado a equipe complicava, não deixaria alternativa. Nem o seu senso de moralidade...nem seu amor por essa mulher.

CapítuloUm Meu destino tem sido dirigido por outra pessoa. Todo o meu esforço, minha abordagem cautelosa, e os escudos protetores que eu trabalhei duro para colocar no lugar foram apagados no dia que eu conheci Miller Hart. Logo se tornou evidente que ele tinha chegado a um ponto em que foi vital para manter o meu estilo de vida sensata, minha fachada calma e vigilante. Porque não havia nenhuma dúvida


de que esse homem estava indo para me testar. E ele fez. Não havia nada mais difícil para mim do que confiar em um homem, contar todos os meus segredos e entregar-me a ele. Eu fiz tudo isso e agora eu queria com toda a minha força eu não o tivesse feito. Eu me preocupava em vão em deixar o meu passado. Que deveria ter sido a menor das minhas preocupações. Miller Hart é dedicado à prostituição de luxo. Ele disse que era -Homem de negócios-, mas, mesmo mudando a coleira, continua sendo o mesmo cão. Miller Hart vende seu corpo. Miller Hart vive em degradação. Miller Hart é o equivalente masculino de minha mãe. Eu estou apaixonada por um homem que não posso ter. Eu só passei muito tempo lá, e ele me fez sentir viva pela primeira vez, mas agora ele pegou esses sentimentos maravilhosos e me deixou sozinha com a minha dor. O meu espírito está mais morto agora do que antes de conhecê-lo. A humilhação me demonstrou que eu estava errada, perdida entre tanto sofrimento. Não sinto mais nada, apenas uma dor que me incapacita. Eu nunca teria imaginado que duas semanas poderiam ser tão longas, e eu ainda tenho que sobreviver o resto da minha vida. Só de pensar nisso me faz querer fechar os olhos e nunca abri-los novamente. Aquela noite, no hotel, se repete várias vezes na minha cabeça, sinto o couro com o qual Miller amarrou meus pulsos, a frieza de seu rosto impassível enquanto me fazia gozar como um perito, seus olhos angustiados quando percebeu o dano que ele tinha me causado. Claro, eu fui até lá para o que ele quisesse. Eu não sabia que iria esbarrar em um problema maior: William. Eu sei que é apenas uma questão de tempo para ele me encontrar. Vi a surpresa em seus olhos quando ele me reconheceu, e ele também reconheceu Miller. Miller Hart e William Anderson se conheciam, e William quer saber como eu sei de Miller e, Deus nos livre, o que eu estava fazendo no hotel. Não só tenho passado duas semanas no inferno, mas também venho olhando ao redor, na esperança de aparecer a qualquer momento. Eu rastejo para fora do chuveiro, coloco a primeira coisa que eu pego e desço as escadas como um robô. Vovó está de joelhos colocando a roupa na máquina de lavar. Sento-me à mesa em silêncio, mas, é como se ela tivesse um radar que registra todos e cada um dos meus movimentos, às vezes que suspiro e as lágrimas que derramo, mesmo quando não estamos no mesmo quarto. Ela cuida de mim, mas está confusa. Ela me entende e me encoraja. Tentando me fazer ver o lado positivo de meus encontros com Miller Hart tornou-se uma missão na vida, mas tudo que eu vejo é um futuro de lamentações e dor que não se vai nem no sol ou na sombra. Nunca haverá ninguém. Nenhum homem reacenderá a faísca, para me fazer sentir protegida, amada e segura. É irônico, realmente. A vida inteira eu desprezei a minha mãe por ter


abandonado sua vida por homens, prazer e presentes, e, em seguida, fico sabendo que Miller Hart é um Garoto de Programa. Ele vende seu corpo, aceita dinheiro em troca de dar prazer às mulheres. Toda vez que me teve com ternura em seus braços para -o que ele gosta- foi para apagar a mancha de um encontro com outra mulher. Com tantos homens no mundo que poderia ter me apaixonado, por que tinha de ser ele? —Sério. Você gostaria de vir comigo para o clube às segundas-feiras? - Vovó me pergunta quando eu tento engolir alguns cereais. —Não, eu prefiro ficar em casa. - pego a colher na tigela e levo um pouco mais para a boca.— Você ganhou algo na noite passada no bingo? Ela bufa algumas vezes, fecha a porta da máquina de lavar roupa e guarda a caixa de sabão. — Então, por que você está indo? — Eu pergunto, voltando-me para o meu café da manhã. — Porque eu sou a rainha do bingo. Ela pisca, e sorri para mim e peço mentalmente para não conversar sobre ele. No entanto, ela não me dá nenhuma atenção. — Eu passei anos de luto pela morte de seu avô, Olivia. Estou surpresa por suas palavras. A última coisa que eu esperava era mencionar meu avô. Eu paro de bater em torno da pequena tigela. — Havia perdido meu parceiro, o homem da minha vida, e eu derramei um mar de lágrimas. - Ela está tentando colocar as coisas em perspectiva e me pergunto se pensa que eu sou patética para me derramar a exaustão, por um homem que conheço há quatro dias. — Eu acreditava que nunca mais iria ser uma pessoa. Lembro-me de dizer em voz baixa. Eu também me lembro de que eu estava prestes a multiplicar por cem o seu valor. Ela não teve tempo para se recuperar da perda de minha mãe antes de ter que lidar com a morte cruel e prematura de seu amado Jim. — Mas me recuperei. - Declara com convicção.— Eu sei que agora não parece, mas você vai ver: a vida continua. Ela está no corredor e continuo ponderando suas palavras. Eu me sinto um pouco culpada por estar chorando por algo que eu ainda tinha, e ainda mais a culpa pelo fato de que ela comparava com a perda de seu marido, qualquer coisa para me fazer sentir melhor. Eu fico perdida em meus pensamentos, revendo um encontro após o outro, um beijo após o outro, uma palavra depois da outra. Minha mente exausta está empenhada em me torturar, minha culpa. Eu procurei. Tenho dado um novo sentido ao desespero. A melodia do celular me faz pular para fora do meu devaneio, de volta para onde todo o meu sofrimento é real. Eu não quero falar com ninguém, muito menos o responsável pelo meu sofrimento, então quando eu vejo o seu nome na tela a colher cai dentro da tigela e fico olhando para ele, petrificada. Meu


pulso acelera. Entro em pânico e eu bato na parte de trás da cadeira para colocar tanta distância entre o telefone e eu. Não posso ir mais longe porque meus músculos inúteis não obedecem às ordens. Nada, exceto a porra da minha memória responde, me torturando um pouco mais e me fazendo lembrar cada momento que passei com Miller Hart. Meus olhos se enchem de lágrimas de desespero. Não é sensato ler a mensagem. Embora eu não esteja sendo nada sensata recentemente. Eu não tenho sido desde que eu conheci Miller Hart. Eu pego o telefone e leio: -Como você está? Miller Hart. x

Eu franzo a testa e releio a mensagem. Procurando saber se ele acha que já me esqueci dele. Miller Hart? Como eu estou? Como ele pensa que eu estou? Mais feliz de ter desfrutado de algumas sessões gratuitas com Miller Hart, o garoto de programa mais famoso de Londres. Não, não foi de graça. Eu vou pagar bem caro pelo tempo perdido e as experiências que vivi com esse homem. Eu ainda nem concordei com o que aconteceu. Minha mente era um mar de perguntas, mas eu preciso desvendar tudo e colocar em ordem, antes de tentar entender tudo isso. É duro o suficiente para aceitar o fato de que o único homem que eu compartilhei todo o meu ser, sumiu de repente. Tentando entender como e por que isso é uma tarefa que minhas emoções se recusam a afrontar. Com o sentimento de perda que eles já têm o suficiente. — Como eu estou? — Uma Merda! - Eu grito para o telefone, e aperto uma e outra vez no botão Excluir- até que meu polegar dói. Em um ato de pura raiva, eu jogo o telefone na outra extremidade da cozinha e nem sequer pisco quando ele atinge a parede de azulejo e se estilhaça. Ofego violentamente na minha cadeira, tão alto que dificilmente ouvi o som dos passos apressados subindo as escadas. — O que foi isso? - pergunta assustada minha avó. Eu não me viro para ver seu rosto alarmado, porque certamente é a expressão que mostra seu rosto enrugado. —Olivia? Levanto-me de repente da cadeira jogando-a para trás, o ranger da madeira faz burburinhos pela cozinha antiga. — Eu vou sair. Eu fujo sem olhar para minha avó. Eu ando pelo corredor com pressa, pego meu casaco e minha bolsa e saio. —Olivia! Seus passos me perseguem até que eu abro a porta e quase derrubo George.


— Bom...! Ops! Observa-me sair como um tiro e pouco antes de correr pela trilha que conduz à estrada, com o canto do olho eu vejo sua expressão mudar de alegre para preocupado. Eu sei que estou fora de lugar. Eu estou parada na entrada do ginásio, estou claramente hesitante e um pouco sobrecarregada. Máquinas de exercício parecem naves espaciais, com centenas de botões e teclas, e não tenho ideia de como operá-las. Minha sessão de testes de uma hora na semana passada veio a calhar para distrair-me, mas as informações e instruções foram apagadas da minha memória no segundo em que deixei o centro de fitness exclusiva. Eu faço a varredura da área, e brinco com o meu anel. Há homens e mulheres caminhando nas esteiras, dando tudo em bicicletas e levantando pesos no gigantesco aparelho. Todo mundo parece saber muito bem o que fazer. Ao tentar me encaixar, eu vou até o bebedouro beber um pouco de água fria. Eu estou perdendo meu tempo com tantas dúvidas. O que deveria estar fazendo é liberar o estresse e mau humor. A uns trinta metros à frente eu vejo um saco de pancadas pendurado em um canto, sem ninguém ao redor, e decido tentar. Sem controles ou botões. Eu ando mais e pego as luvas de boxe pendurada na parede. Eu as coloco e tento parecer como um profissional que vem aqui todas as manhãs para começar o dia transpirando. Eu fecho o velcro e dou um soco no saco. Eu não imaginava que pesava tanto. Meu golpe fraco nem sequer o moveu. Tomo impulso e acerto com mais força. Eu franzo a testa ao ver que eu só consegui fazê-lo balançar um pouco. Parece que está cheio de pedras. Injeto um pouco mais de força em meu braço e dessa vez bato-lhe com mais vontade. Rosno e agora sim o saco que se move, faz uma pausa no ar, antes de voltar para mim. Rápido. Eu entro em pânico, eu levo o braço para trás e, em seguida, o estendo para não me derrubar no chão. As vibrações do golpe avançam por meu ombro quando a luva se conecta com o saco, mas ele se afasta de mim. Eu sorrio, abro as pernas um pouco e me preparo para o contra-ataque. Eu bato forte novamente e o envio para longe. Meu braço dói e então eu percebo que eu tenho dois, então agora eu bato com o esquerdo e sorrio com vontade. Eu gosto da sensação do impacto do saco contra o meu punho. Eu começo a suar, a mudar o peso de um pé para o outro; Estou pegando o ritmo. Meus gritos de satisfação me encorajam a continuar, e de repente o saco torna-se algo mais do que um saco. Eu estou dando-lhe a surra de sua vida, e eu adorei. Eu não sei quanto tempo eu gasto, mas quando eu finalmente respiro e paro para pensar que eu estou encharcada de suor, meus dedos estão doloridos e eu não posso respirar. Eu pego o saco e o seguro para que fique parado, então olho ao redor, me perguntando se alguém me viu em ação. Não há ninguém


olhando. Eu tenho passado completamente despercebida, eles estão todos focados em suas rotinas de treinos intensos. Eu sorrio para mim mesma, tomo um copo de água e pego uma toalha na prateleira e limpo o suor da testa enquanto deixo do salão gigantesco. Saio rapidamente. Pela primeira vez em semanas eu me sinto capaz de enfrentar o dia. Eu caminho para o vestiário enquanto bebo água. Eu sinto como se tivesse me livrado de uma vida de estresse e preocupação. Que ironia. A sensação de alívio é nova, e é difícil resistir à tentação de voltar para o saco e bater durante mais uma hora, mas agora eu estou arriscando chegar atrasada no trabalho, então eu continuo caminhando. Isso é viciante. Eu vou voltar amanhã de manhã, talvez hoje depois do trabalho, e eu vou bater no saco até não haver mais qualquer vestígio de Miller Hart e toda a dor que me causou. Passo uma porta após a outra, todas com painéis de vidro e dou uma espiada. Através de uma dúzia vejo dezenas de traseiros apertados pedalando como se suas vidas dependessem disso; em outra, há mulheres se contorcendo em todos os tipos de posições bizarras, e em outra, há homens que correm para cima e para baixo, aleatoriamente, caindo nos colchonetes para fazer variados conjuntos de flexões e abdominais. Essas devem ser as aulas que o instrutor me falou. É possível que eu experimente uma ou duas. Ou todas. Estou passando pela última porta antes de chegar aos vestiários femininos. Paro quando algo me chama a atenção, volto para trás e olho através do vidro um saco de pancada muito semelhante ao que eu ataquei. Balançando no gancho do teto, mas não há ninguém o movendo. Eu franzo a testa e me aproximo da porta, meus olhos acompanham a trajetória do saco da esquerda para a direita. Então eu engulo em seco e pulo assim que alguém entra em cena, sem camisa e descalço. Meu coração dispara explode o estresse que acaba de se apresentar. A água e a toalha caem no chão. Estou ficando tonta. Ele está usando aqueles shorts, que usava quando ele estava tentando me fazer sentir confortável. Eu estou tremendo, mas apesar de meu estado de choque eu olho para trás, através do vidro, apenas para verificar que não é uma alucinação. Não é. Ele estava lá, com seu corpo musculoso e cativante como sempre. Ele parece violento quando ataca, bate no saco com poderosos socos e chutes ainda mais formidáveis. Suas pernas se estendem, enquanto os poderosos músculos de seus braços se flexionam. Seu corpo se move com facilidade enquanto se esquiva, e acerta o saco quando volta para ele. Parece um profissional. Parece um lutador. Eu fico congelada. Vejo Miller Hart mover-se ao redor do saco com facilidade, com os punhos enfaixados, os membros deferindo golpes controlados sem piedade uma e outra vez. Seus grunhidos e o som dos golpes me produzem um calafrio desconhecido. A quem ele imagina que está batendo? Minha cabeça está girando, as perguntas se multiplicam enquanto ainda observo o refinado, o bem educado, o cavalheiro em tempo parcial, tornar-se um homem louco. O mau temperamento do qual eu tinha advertido estão aí,


ao vivo e direto. Eu dou um passo para trás quando de repente ele segura o saco com ambas as mãos e se apoia a frente no couro. Suas costas suadas sobem e descem, e vejo como, de repente levanta seus ombros de Titan. Então ele começa a girar em direção à porta. Tudo acontece em câmera lenta. Eu estou presa no meu lugar, e seu peito coberto com um véu de suor, entra no meu ângulo de visão. Meus olhos viajam por seu torso até que vejo o seu perfil. Ele sabe que está sendo observado. Eu estava segurando a minha respiração e eu notei que o ar escapava dos meus pulmões. Rapidamente, eu corro pelo corredor e entro voando no vestiário. Meu pobre coração me pede para lhe dar um respiro. —Você está bem? Eu olho para o chuveiro e vejo uma mulher com uma toalha enrolada no cabelo molhado me olhando com curiosidade. — Sim! — suspiro, e eu percebo que eu estou bloqueando a porta. Eu não ruborizo porque já eu estou corada como um tomate e prestes a entrar em ebulição. A mulher sorri para mim com a testa franzida e voltou ao seu próprio caminho. Encontro meu armário e tiro minhas coisas para o chuveiro. A água é muito quente. Preciso de gelo. Passei cinco minutos lutando com os controles do chuveiro sem esfriá-la. Então eu giro como eu posso e eu lavo meu cabelo emaranhado e encharcado de suor e ensaboo o corpo pegajoso. Meu corpo e minha mente estavam relaxados até antes de vê-lo, e agora começo a reviver o passado. Há centenas de academias em Londres, por que eu tinha que escolher logo essa? Eu não tenho muito tempo para pensar até mesmo começar a apreciar o efeito agradável da água quente agora massageando os músculos sem queimar a pele, não queimando a pele já aquecida. Eu tenho que ir trabalhar. Levo dez minutos para me secar e se vestir. Então eu deixo o ginásio com a cabeça baixa, preparando-me para ouvir a voz dele me chamando ou me tocando e depois acendendo o fogo em mim. No entanto, caminho com segurança para o metrô. Meus olhos estão gratos por ter sido capazes de retornar a contemplar a perfeição de Hart Miller. Minha cabeça, no entanto, discorda.


Capítulo Dois Depois de todo o movimento do horário de pico na Cafeteria, Sylvie vem a mim como um lobo. — Conta tudo– indicou ao sentar-se do meu lado no sofá. — Não há nada para contar. — Vamos lá! Você passou toda a manhã com essa cara de bulldog que está tentando engolir uma vespa. Do canto do meu olho eu vejo seus lábios cor de rosa brilhante formar uma linha fina de impaciência. — Com cara de quê? — De nojo. — Ele enviou uma mensagem para meu celular. - Resmungo. Não vou contar o resto - Para perguntar como eu estou. Ela zomba e pega minha lata de Coca-Cola e dá um gole. — Bastardo arrogante. Eu pulo pra frente sem pensar. — Ele não é um bastardo! — grito defensivamente, e fecho a boca de uma vez. Afundo-me no sofá quando vejo o olhar de Sylvie. — Não, ele não é um bastardo muito menos arrogante. - eu digo calmamente. Ele foi atencioso, carinhoso...quando ele não estava sendo um bastardo arrogante. Era o garoto de programa mais famoso de Londres. Baixo a cabeça com um suspiro. Cair nos braços de alguém que está envolvido na prostituição é má sorte. E quando isso acontece uma segunda vez... Em fim, o destino não sabe o que eles estão fazendo. Sylvie me dá um aperto no joelho. —Eu espero que você não tenha se incomodado em responder. —Eu não poderia mesmo se eu quisesse eu digo, levantando-me. — Por quê? — Meu celular quebrou. Deixo Sylvie com o a testa franzida e não dou mais explicações. A única coisa que eu disse sobre o meu rompimento com Miller é que havia outra mulher. Assim é muito mais fácil. Eu não posso explicar a verdade. Quando eu entro na cozinha, Del e Paul estão rindo como hienas, cada um com uma faca gigante em uma mão e um pepino na outra. O que é tão engraçado? Eu pergunto. Os dois ficam em silêncio imediatamente e colocam um rosto triste para o meu corpo franzino e meus olhos vazios. Eu fico lá, em silêncio, e deixo que cheguem à única conclusão possível. Contudo ainda me sinto como se tivesse sido atropelada por um caminhão.


Del é o primeiro a voltar à ação. Ele aponta com a faca e se obriga a sorrir. — Que Livy se faça de Juiz – disse — Ela será justa. —Juiz de quê? Pergunto afastando-me da lâmina da faca. Paul baixa a mão mãe de Del, com um gesto de superioridade e me sorri. — Estamos fazendo uma competição para ver quem pica os pepinos mais rápidos. E o tonto do seu chefe acha que pode me vencer. Não é minha intenção, mas eu ri. Paul e Del que não esperavam levam um susto. Tenho visto Paul cortar pepinos, ou pelo menos eu tentei. É tão rápido que por um momento sua mão é nada além de um borrão. Quando voltar a vêla é porque já terminou de cortar em perfeitas fatias os Legumes em questão. — Boa sorte! Del me sorri com entusiasmo. — Não preciso dela, Livy. Abre as pernas e coloca o pepino na tábua de corte. — Quando quiser. Paul revira os olhos em branco, e se afasta que é sábio, a julgar pela forma de como Del pegou a faca. — Você está pronta para cronometrar? Entregando-me um cronômetro. — Vocês fazem isso muitas vezes?–pergunto colocando no zero. — Sim - respondeu Del concentrando-se no seu pepino. — Ele ganhou com a pimenta, com a cebola e a alface, mas o pepino será meu. — Rá! Grita Paul, eu pulso o botão iniciar e rapidamente Del se põe em ação e corta seu pobre pepino. — Pronto! - ele exclama um pouco sem fôlego, olhando para mim. Estava suando. — Quanto demorei? Eu olho para o relógio. — Dez segundos. — Toma - grita saltando no ar, e Paul lhe confisca rapidamente a faca. — Supere isso, senhor Masterchef! — Pão dormido -, responde Paul. Toma posição diante da tábua de corte e limpa os restos desmembrados de pepino antes de colocar o seu. — Quando quiser, me indica. Ajusto o cronometro no zero. Del exclama: —Já! Como imaginado, Paul corta o pepino com habilidade e elegância, nada a ver com o massacre de Del. — Pronto, proclama tranquilamente. Não está suando ou com falta de ar, o que contrasta com o seu peso. Eu olho para o relógio e sorrio. — Seis segundos. — Vamos lá! - Ele grita chegando e arrebatando o relógio de minhas mãos. — Tenho certeza que você começou a cronometrar depois.


— Isso, nada! Eu ri. — Além disso, Paul tem cortado em rodelas e você o destruiu. Pestanejando descrente, Paul desata a rir junto comigo e me pisca um olho. Bem, nós temos pimentão, cebola, alface e pepino. Paul pega um marcador e faz uma marca ao lado de uma imagem básica de um pepino pendurada na parede. — Que nojo - resmunga Del, — Se não fosse pelo atum crocante, seria outra história, desmancha-prazeres. A cara de mal perdedor de Del nos dá mais vontade rir, e nós rolamos de rir, quando o nosso chefe deixa o local mal humorado. — Limpem tudo! -, grita de longe. — Estes homens! - Paul sorri para mim calorosamente. — É bom ver você sorrir, Livy. Me dá um tapinha no braço, sem parar pra conversar mais, e se aproxima do fogão para mover uma panela que está no fogo. Assobiando feliz, e eu me dou conta que a raiva em ebulição que eu tinha passou completamente. Distração. Eu preciso de distração. A tarde me faz eterna, que não é um bom presságio. Minha vez de fechar o café com Paul. Sylvie teve de sair mais cedo para ir ao seu pub habitual para pegar um lugar para ver sua banda favorita, que toca hoje à noite. Ela me perseguiu durante meia hora tentando me persuadir a ir com ela, mas pelo que me disseram, o grupo é metal pesado, e eu já tenho uma cabeça como um tambor. Paul me dá outro tapinha amigável no ombro, é claro que o grande homem se sente desconfortável com as mulheres emocionais. Em seguida, começa a andar em direção ao metrô, e vou em sentido oposto. — Hey, boneca! Ouço a voz de Gregory nas minhas costas, e me viro. Vem correndo em minha direção com a suas calças militares e uma camisa, com aspecto desalinhado. — Olá. Luto contra a vontade de me enrolar para evitar ter de ouvir outro sermão. Ele me alcança e nós caminhamos para o ponto de ônibus. — Eu tentei chamá-la um milhão de vezes, Livy - Disse entre preocupado e irritado. — Meu celular está quebrado. — Como? — Não importa. Você está bem? — Não, não estou. Olha-me com censura. — Estou preocupado com você. — Não há necessidade de se preocupar - murmuro sem acrescentar nada mais. Como Sylvie, ele não sabe nada sobre o Garoto de Programa e quartos de hotel, tampouco tem que saber. Meu melhor amigo já odeia bastante Miller Hart. Não preciso dar munição extra.


— Estou bem. — Filho da Puta - ele cospe. Eu não sigo seu jogo, mas mudo de assunto. — Você já falou com Benjamin? Gregory leva uma respiração longa, exausto. — Brevemente. Ele pegou um dos meus telefonemas para me dizer para ficar longe. Seu odiador de café filho da puta colocou o medo de Deus nele. — Bem, de quem é a culpa? Você disse que não deixaria nada acontecer naquela noite, mas quando eu precisei de você, você desapareceu com Benjamin. — Eu sei que ele suspira. Não pensava com clareza. — E eu te digo, e mentalmente me repreendendo por ser tão mal-humorada. — E agora Ben não quer saber mais nada de mim - acrescenta. Eu olho para cima e vejo uma expressão de dor que eu odeio. Ele está pegando um homem fingindo ser o que não é... Um pouco como Miller Hart. Estaria fingindo todo o tempo que estivemos juntos? — Nada de nada? Que você não fala? - Gregory suspira. — Naquela noite, ele levou uma mulher para casa e adorou poder esfregar isso na minha cara. — Ah! Você não tinha me dito. Ele dá de ombros como se não tivesse importância. — Doeu meu ego.- olha-me fingindo indiferença. —Você tem o rosto vermelho. Ainda assim? — Eu fui ao ginásio esta manhã. - levei a mão à testa. Leva quente durante todo o dia. — Ah sim? – pergunta, surpreso. —Que bom. O que você fez? Ele começou a dançar ao meu redor. É um treinamento de resistência? IOGA? Ele coloca a postura mais obscena possível e olha para mim, sorrindo. — Será que o cachorro olha para baixo? Eu não posso deixar de sorrir de volta quando eu o olho. — Eu dei uma surra em um saco cheio de pedras. — De pedras?- ele zomba. – Na verdade, os sacos estão cheios de grãos de areia. — Pois pesavam como pedras - rosnou olhando para as juntas, cheia de feridas. —Foda-se! Gregory me toma uma das mãos, — você fez bem, eu vejo. Será que você realmente se sente melhor? — Sim – confesso — E hey, não deixe Ben te fazer de tonto. Ele engasga meia risada. — Perdoe-me se eu ignorar seu conselho, Olivia. E quanto a você? Sabe alguma coisa sobre o bastardo que odeia seu café? Resisto ao impulso de voltar a defender Miller e dizer ao meu amigo sobre a mensagem de celular.


—Não eu minto –. Meu telefone está quebrado, então ninguém pode falar comigo. De repente, eu amo a ideia, e sem dúvida vai ajudar no caso se Miller decide voltar a me escrever. Essa é a minha parada eu digo apontando. Gregory se inclina e me beija na testa. Ele olha para mim com simpatia. Esta noite tenho um jantar com os meus pais, você virá? — Não, obrigada. Os pais de Gregory são uma simpatia, mas manter uma conversa requer mais vontade da que eu tenho agora. — Nos vemos amanhã? –suplica, — Por favor, vamos sair amanhã. — Ok, amanhã. Eu vou encontrar o entusiasmo que eu preciso amanhã para uma análise completa; Só espero que a conversa seja sobre a louca vida amorosa de Gregory e não sobre a minha. Seu sorrido de felicidade é contagiante. — A gente se vê, boneca.– passa a mão pelo meu cabelo e vai andando rápido. Fico esperando meu ônibus, como se os deuses soubessem que eu estou de mau humor, abre o céu para que se derrame sobre mim. — Era só o que me faltava! – exclamei cobrindo a cabeça com a minha jaqueta. Que sorte a minha: a parada não é aquelas com um banco e uma marquise. E, para piorar as coisas, todo mundo esperando o ônibus comigo leva guardachuva e me olham como se eu fosse louca. Eu sou, mas não é só por não trazer um guarda-chuva. — Merda! – maldigo e procuro um vestíbulo ou qualquer outro lugar onde eu possa me abrigar da chuva. Olho de um lado para outro, mas nada. Suspiro, dando-me por vencida. Fico molhada sob a chuva. Este dia não poderia ser pior ou mais longo. Mas, eu estava errada. De repente, eu não sinto a chuva que atinge a minha pele nem o estridente som produzido ao cair com força contra o asfalto, porque eu tenho a cabeça saturada de palavras. Suas palavras. O Mercedes preto diminui e se aproxima do ponto de ônibus. É o Mercedes de Miller. Instintivamente, porque eu sei que ele não vai querer molhar o seu terno perfeito, eu me viro e corro no sentido oposto ao caos da hora de pico de Londres, que coincide com o meu estado mental. — Livy! – grita, mas dificilmente o ouço, uma vez que a chuva cai estrondosamente. — Livy, espere! Eu não tenho outra opção a não ser parar quando eu chego ao final da calçada. O semáforo está verde os carros vão a toda velocidade. Eu estou cercada por pedestres que esperam para cruzar e todos carregam guarda-chuva. Eu franzo


a testa ao ver que os que estão ao lado dão um grande salto para trás, mas quando eu averiguo o porquê já é tarde demais. Um caminhão passa com tudo em cima de uma poça de lama e ondas marrom se levantam contra mim. —Não!– minha jaqueta cai com o susto quando a água gelada me ensopa até meus ossos. — Merda! O semáforo muda de cor e todo mundo começa a andar. Eu pareço um rato molhado na sarjeta, tremendo e com o rosto banhado em lágrimas. — Livy.– ouço a voz de Miller de longe, mas eu não sei se ouço tão baixinho à distância ou por porque a chuva afogou suas palavras. Não demorou em sentir a mão quente no meu braço ensopado e me surpreende que ele se atrevesse a se aventurar para fora do carro, apesar do efeito terrível que a água terá sobre seu terno. O afasto com um empurrão. — Deixe-me em paz. Me abaixo para pegar a jaqueta do chão encharcado, enquanto me esforço para neutralizar o nó que tenho na garganta, e as faíscas produzidas pela sua mão na minha pele fria e molhada. —Olivia. —Como você conhece William Anderson?– eu solto olhando para seu rosto. Ah, está seco e seguro sobre um guarda-chuva gigante. Eu devia ter adivinhado. Minha própria pergunta me pegou de surpresa e é claro que Miller também, porque ele recua. Há milhares de perguntas que deveria fazer, mas minha mente decide começar com essa. —Isso não importa. O evasivo me faz insistir. —Discordo–. eu retruco. Eu sabia. Ele sabia desde então. É possível que só mencionasse o nome de batismo de William, quando eu abri meu coração e disse a Miller tudo sobre a minha mãe, mas ele sabia exatamente de quem eu estava falando, e agora eu tenho certeza de que essa foi à causa principal para sua surpresa e sua reação violenta. Ele deve ter visto a minha determinação, porque sua expressão impassível se torna de censura. —Conhece Anderson e conhece a mim – disse apertando a mandíbula. — Quero dizer que sei o que vocês dois fazem. Nossos caminhos se cruzaram ao longo dos anos. Pela amargura que emana de seu corpo, eu rapidamente chego à seguinte conclusão: —Você não gosta dele. —Nem ele de mim. —Por quê?


—Porque mete o nariz onde não lhe chamam. Eu ri para mim mesmo. Eu não poderia estar mais de acordo. Baixo a vista, os pingos de chuva salpicam a calçada. O que Miller disse apenas confirma meus medos. Eu estaria me enganando, se eu pensasse por um momento que William iria desaparecer da maneira que veio, sem tentar descobrir que tipo de relacionamento eu tenho com Miller. Eu aprendi muitas coisas sobre William Anderson, e uma delas é que ele gosta de se manter a par de tudo. Eu não quero ter que explicar a ninguém, muito menos para o ex-cafetão da minha mãe. Também não lhe devo nenhuma explicação. Os sapatos de Miller aparecem no meu campo de visão. —Como você está, Olivia? Recuso-me a olhar para ele. Esta questão voltou a me irritar. —Como você acha que eu estou Miller? —Não sei. Por isso, eu tenho tentado entrar em contato com você. —Você realmente não sabe?– eu o olho surpreendida. Seus traços perfeitos machucam meus olhos. Desvio o olhar instantaneamente. Se eu olhar por muito tempo é possível que eu nunca o esqueça. Tarde demais. —Eu faço uma ideia– sussurra. —Eu lhe disse para me aceitar como eu sou Livy. —Mas eu não sabia quem você era–, murmuro sem afastar a vista das gotas de chuva que caem em meus pés, furioso porque se protege nessa pobre desculpa para sair do passo. —O único que aceitei foi que você era diferente, com seu modo inflexível e sua obsessão por tudo mais que perfeito. Pode ser muito chato, mas eu aceitei, e até comecei a considerar adorável. Eu deveria ter escolhido qualquer outra palavra - atrativo, encantador, meigo... - Exceto adorável. —Sou tão ruim? – ele protesta debilmente. —Você é! Eu olho. É muito grave. Não é nada de novo. — Olhe! – passo o dedo por seu terno seco. — Você está aqui na chuva com um guarda-chuva que poderia manter seco meio Londres, porque você quer proteger o seu cabelo perfeito e seu terno caro. Parece um pouco desanimado quando olha primeiro o seu terno e depois a mim. Então, ele arremessa o guarda-chuva na calçada e a chuva o ensopa em um instante. As mechas onduladas caem sobre seu rosto e por suas bochechas, e o terno caro se pega ao seu corpo. —Contente? —Você acha que basta se molhar um pouco para consertar as coisas? Você


ganha à vida fodendo as mulheres, Miller! E me fodeu também! Você me converteu em uma delas! Eu cambaleio para trás, atordoada com raiva e imagens do que aconteceu no quarto de hotel. A água escorrendo pelo seu rosto está fervendo. —Não há necessidade de colocar-se vulgar, Olivia. Recuo tentando me conter. —Foda-se você e sua moral retorcida! – eu grito, e Miller fica com a mandíbula tensa. —Você esqueceu o que eu te contei? —Como eu poderia esquecer? Qualquer um poderia pensar que é impassível, mas eu vejo o tique em sua bochecha e a raiva em seu olhar, eu aprendi a interpretá-lo bem. —Eu acho que você está certo, que emocionalmente não está disponível–, mas eu experimentei emoções com ele, emoções incríveis, e agora me sinto enganada. Eu tiro o cabelo molhado do rosto. — A Impressão de que você levou quando eu confiei em você, quando eu contei minha história, não era porque eu me coloquei nessa situação, nem por minha mãe. Foi porque o que eu descrevi era sua vida, com a bebida e as pessoas ricas, aceitar presentes e dinheiro. E porque você conhecia William Anderson. Estou segurando minhas emoções de admiração. Na verdade, o que eu quero é gritar sem parar, e se não responder em breve, é possível que eu comece a fazê-lo. Isto é o que deveria ter lhe dito antes. —Não deveria ter me manipulado para foder contigo ou me colocado no lugar dessas mulheres para demonstrar nada... Contudo ainda não digeri o que ele queria demonstrar. Às vezes a raiva nos faz cometer coisas estúpidas, e eu estava muito irritada. —Por que você me convidou para jantar? Eu pergunto. —Porque eu não sabia mais o que fazer. —Não há nada que você possa fazer. —Então por que você veio? – pergunta. Me pega de surpresa. —Porque eu estava furiosa com você! Carros caros e itens de luxo não justificam! – grito. Porque você fez eu me apaixonar por um homem que você não é! Estou gelada, mas não tremo de frio. Estou com raiva. Meu sangue ferve nas minhas veias. —Você é meu hábito, meu vicio, Olivia Taylor.– ele diz isso sem qualquer emoção. — Você me pertence.


—Eu pertenço? —Sim. Ele dá um passo à frente e eu um passo para trás para manter a mínima distância de segurança entre nós. Não é fácil quando você o tem tão perto. —Eu acho que você está errado. – eu ergo o queixo e tento manter a voz firme. — O Miller Hart que eu conheço valoriza seus pertences. — Não diga isto. – me segura pelo braço, mas eu me afasto com um puxão. — Você queria continuar com sua vida secreta, fodendo uma mulher atrás da outra, e queria que eu estivesse sempre disponível para foder comigo quando voltasse para casa. – corrijo-me mentalmente. — Suas palavras eram para desestressar. Independente de como se chame, segue sendo o mesmo. Seu olhar me deixa petrificada. — Nunca te fodi, Livy. Tudo o que eu tenho feito foi te venerar. Dá um passo para frente. Com você eu sempre fiz amor. Seguro o ar, calmamente. — Naquele Quarto de hotel você não fez amor comigo. Fecha os olhos por um momento e, quando os abre, é um mar de aflição. —Eu não sabia o que estava fazendo. — Fazia o que você faz de melhor, Miller Hart, o espeto. Eu odeio minhas palavras cheias de veneno e a expressão assustada que cruza seu rosto perfeito ao ouvi-las. Muitas mulheres pensam que é o que sabe fazer de melhor o Garoto de Programa mais famoso de Londres, mas eu sei que não é. E, basicamente, Miller também. Me observa por um momento. Seu olhar é um turbilhão de coisas que ele nunca disse para mim. É quando o compreendo. —Você acha que eu sou uma hipócrita. — Não, ele diz sem jeito. Eu compreendo o que você fez quando você fugiu de casa e você se entregou... Ele parou, incapaz de terminar a frase. —Compreendo a razão do que você fez. Eu odeio isso. Faz com que eu odeie ainda mais a Anderson. Mas eu compreendo e compreendo você. A vergonha me corrói e por um momento a minha força falha. Me aceita e, lendo nas entrelinhas, quer que eu o aceite. -Aceite-me como eu sou, Livy-. Não deveria. Não posso. Passa uma eternidade em que eu repassei mentalmente todas as razões pelas quais eu deveria sair correndo. Eu seguro seu olhar e disse a minha versão das suas palavras: —Eu não quero que outras mulheres saboreiem você. Ele relaxa e exala derrotado.


-Não é fácil de sair, – ele diz. É como se eu tivesse tomado um tiro na testa e, como não há nada mais a acrescentar eu me viro, e começo a andar e deixo para trás o meu perfeito Miller Hart, que segue tão perfeito embaixo da incessante chuva pesada.

Capítulo Três A semana se fez eterna. Eu tenho ido para o trabalho na Cafeteria, eu também tenho evitado Gregory e bem eu não fui mais para o ginásio. Eu gostaria, mas não posso correr o risco de ver Miller. Parece que ele percebe quando eu começo a tirá-lo da cabeça, e em seguida, ele aparece de repente (principalmente em sonhos e às vezes no mundo real) para fazer-me a voltar a estaca zero de novo. Minha avó aparece na porta da sala, ela tira o pó da estante e tira o controle remoto da minha mão. — Hey, eu estou assistindo TV! Mas isso não é verdade, ainda que estivesse fascinada pelo documentário sobre morcegos de Fruta, ela não me devolveria o controle. — Cale a boca e me ajude a decidir. Solta o controle no sofá e corre para o corredor. Rapidamente, ela retorna com dois vestidos pendurados em cabides. — Eu não sei qual escolher, – diz ela colocando um na frente do corpo. — O azul com flores amarelas, ou este?– muda o vestido para um verde. Sento-me e olho para os vestidos. —Eu gosto de ambos. Ela faz cara de aborrecida. — Você ajudou muito! — Onde você está indo? — Jantar e dançar com George na sexta-feira. Eu sorrio. — Você vai ser a rainha da pista de dança? Ela balança a cabeça e faz uns passos de dança. — Olivia, sua avó é sempre a rainha, em tudo o que faço. — Certo, – eu digo, porque é verdade. Concentro-me nos vestidos. — O Azul. O sorriso adornando seu rosto é uma boa mudança da frieza dos últimos dias e me alegra o coração.


— Também é o meu favorito. Deixa o verde de lado e gruda o azul ao corpo. —É perfeito para a dança. — É uma competição? — Oficialmente, não. — Então é só uma dança? — Olivia, uma dança nunca é só uma dança. Ela torceu uma mecha dos cabelos grisalhos e o afasta de seu rosto com graça. — Chame-me Ginger. Eu ri. — E George será o seu Fred? Suspiros exasperados. — Que Deus abençoe o bom George: o pobre tenta, mas tem dois pés esquerdos. — Não seja tão dura com ele. Tem quase 80 anos! — Eu não sou mais nenhuma jovem senhora, mas eu ainda posso remexer o esqueleto daquele jeito. — Remexer o quê? – inquiro levantando as sobrancelhas. Ela dobra os joelhos, como se estivesse a fazer um agachamento e move seus quadris para frente. — Remexer... – ela diz antes de mudar de direção e começar a desenhar círculos com a pélvis. — O esqueleto. — Vovó! – eu ria assistindo como ela investia para frente e traçava círculos ondulantes. Concentra-se muito e intensifica o ritmo, e eu me contorço de tanto rir no sofá. Eu tenho que segurar meu estômago com as mãos. — Pare, por favor! — Vou apresentar-me no teste para o próximo vídeo Beyonce. Você acha vão me pegar? Ela pisca para mim, senta-se ao meu lado e me envolve com seus braços. Consigo controlar o risos e suspiro em seu colo. A aperto com força. — Nada me enche tanto de felicidade quando vejo o brilho desses belos olhos quando você ri, minha querida menina. O riso dá lugar a uma enorme gratidão. Gratidão por ter na minha vida esta mulher maravilhosa. Tenho muita sorte por ser sua neta. Ela tem trabalhado incansavelmente para preencher o vazio deixado minha mãe e, de certa forma, ela conseguiu. Ela agora está adotando a mesma tática na ausência de outra pessoa. —Obrigada, – sussurro. — Pelo quê? Eu dou de ombros. —Por ser você. —Uma velha fofoqueira? — Você não disse isso a sério. — Muito a sério. – ela ri e me afasta de seu peito. Toma meu rosto entre suas


mãos enrugadas enche-me de beijos com os lábios macios. — Minha menina, minha menina preciosa. Você tem que botar pra fora a Olivia descarada e orgulhosa que está aí dentro. Se isso acontecer, você vai ficar bem. Pressiono meus lábios. Refere-se que eu não passe o que a minha mãe passou. — Minha querida, pegue a vida pelas bolas e retorça – acrescenta. Eu ri e ela ri também. Ela se inclina para trás no sofá e me arrasta com ela. — Eu vou tentar, – eu digo. — E, por falar nisso, também retorça bolas de todos os idiotas que você encontrar pelo caminho. Ela não disse diretamente, mas eu sei a quem ela se refere. Quem mais? O telefone de casa toca e nós duas nos levantamos — Eu atendo – digo, e dou-lhe um beijo rápido antes de sair ao corredor, onde a base ocupa a mesinha do velho telefone. Em um ataque raro de entusiasmo meu rosto se ilumina ao ver na tela o número da cafeteria, e eu sei por que eles chamam. Ou pelo menos assim espero. — Del! – eu o cumprimentei, talvez, um pouco feliz de mais. — Oi, Livy. Que alegria ouvir seu sotaque Cockney-. Tentei ligar no seu celular, mas não dá sinal. — Sim, ele está quebrado. Eu tenho que comprar um celular novo em breve, mas estou apreciando a sensação de isolamento que envolve não ter um. — Oh, tudo bem. Hey, eu sei que você não gosta de trabalhar as noites, mas... — Conta comigo! Eu respondo subindo os degraus de dois em dois. – Distrações, Distrações, distrações... — Sim? — Você quer que eu trabalhe como garçonete? –entro no banheiro; é um pouco triste que eu me emocione com o fato de ter a oportunidade perfeita para escapar da tortura mental agora que já passou o efeito das palhaçadas da Vovó. — Sim, no Pavilhão. Os empregados que essa maldita agencia manda, sempre falham. — Não há problema. – Ele ficou em silêncio por um momento e me encontro contra a porta do banheiro. De repente, eu percebo algo que poderia estragar a distração. — Posso perguntar que classe de evento é? Eu sei que Del está franzindo a testa. — A Gala anual para os advogados e os membros do Judiciário. Eu relaxo. Miller não é nem juiz nem advogado. Estou segura. —Me visto de preto? – eu pergunto. — Sim. – ele parece confuso. — Começa às sete horas em ponto. — Ok. Vejo você lá. Desligo e entro no chuveiro. Entro apressada pela porta de serviço do Pavilhão, procuro Del e Sylvie, que


estão servindo champanhe. — Já estou aqui! – eu tiro minha jaqueta jeans e a bolsa. — O que faço?– Del sorri e olha para Sylvie. É a sua maneira de comentar em silêncio que eu estou de bom humor. — Termina de servir preciosa, – disse me entregando a garrafa e deixando-me com a minha companheira. — Há algo errado?– pergunto a Sylvie enquanto começo a encher as taças. Seu cabelo curto e preto se move de um lado para outro quando ela nega com a cabeça e sorri: — É que você está...feliz. Eu não dou importância aos seus comentários e não perco o sorriso. — A vida segue, digo rapidamente antes de mudar de assunto. — A quantos mauricinhos teremos dar de comer e beber esta noite? — Umas trezentas. A recepção é das oito à nove, em seguida, jantar no salão de festas e voltaremos a entrar em ação, às dez horas, quando acabarem o jantar e depois começará a música e o baile. Deixo a garrafa vazia de champanhe. Pronto. Vamos lá. Apesar do meu entusiasmo por utilizar o trabalho como uma distração, eu não me sinto confortável nesta noite. Eu deslizo por entre a multidão distribuindo canapés e champanhe, mas eu me sinto muito desconfortável. Não gosto. Quando o maitre anunciou o jantar, a sala esvaziou-se e eu vejo o chão de mármore coberto guardanapos. Eles são do mundo do direito, mas deixaram a sala uma bagunça. Livro-me da bandeja e começo a pegar lixo e despejá-lo em um saco preto. Inclusive encontro até uns restos de canapés. — Está tudo bem, Livy?– Del me pergunta da outra ponta da sala. — Sim. Eles são um pouco porcos, – digo fazendo um nó no saco já cheio. — Você se importa se eu for ao banheiro? Ele ri e balança a cabeça. — O que você vai fazer se eu disser não? Eu não sei como responder a isso. — Você vai me dizer que não? — Você é genial. Vá para o banheiro, mulher! Meu chefe desaparece na cozinha e eu vou a procura do banheiro Subo uma escada e segui os sinais que indicam onde são os banheiros das senhoras e chego a um longo corredor com retratos pendurados. São reis e rainhas famosos, o mais velho é Enrique VIII. Eu paro e fico observando o homem de idade madura e grande barba, e me faço uma pergunta um pouco estúpida: o que as mulheres viam nele? — É claro que não é Miller Hart. Viro-me e me encontro cara a cara com a -parceira- Cassie. Que diabos ela está fazendo aqui? Contempla o retrato pensativa com os braços cruzados sobre o corpete de um vestido prateado espetacular, o cabelo preto brilhante que caindo sobre seus ombros nus.


—Seu quarto estava muito concorrido, mas não tanto como o de Miller– suas palavras, astutas e afiadas, se cravou em meu coração como punhais. — Ele é tão bom como todas dizem? Ela me olha com petulância e me dá uma revisão. Está muito satisfeita. Machuca-me um pouco, mas eu tiro força para escondê-la. — Depende do que elas dizem,– eu respondo olhando de volta para ela com igual confiança em mim mesma. Sua pergunta me diz que ela não sabe a resposta, e isso me agrada. —Dizem que ele é muito bom. —Então, elas estão certas. Cassie mal podia conter sua surpresa e isso me faz crescer. —Eu vejo–, responde assentindo ligeiramente. —Mas vou te dizer uma coisa gratuitamente. – dou um passo a frente, eu me sinto superior sem razão, só porque eu sabia que ele tenha sido meu e não de Cassie. Eu não dou a oportunidade de ela perguntar o que. Estou a meio passo. — Quando você faz amor é muito melhor do que quando você fode com restrições. Ela engole e dá um passo para trás, e foi aí que eu percebo a magnitude da reputação de Miller. Eu sinto vontade de vomitar, mas de alguma forma encontro o caminho para não perder minha ousadia e recomponho. — Se o seu plano era tentar assustar-me, dizendo-me no que Miller está envolvido, sua arte do mal de víbora chegou tarde – retruco — Estou ciente. — Está?– ela diz devagar, pensativa. — Terminamos, ou também você gostaria de explicar suas regras? Ela ri, mas é de assombro. Minha atitude a deixou em pedra, ela não esperava. Melhor. — Eu imagino que já terminamos, – ela diz. — Estupendo– contra ataco com segurança antes de prosseguir para o banheiro das senhoras. Derrubo-me enquanto fecho a porta do cubículo. Não estou segura do porque eu estou chorando, se na realidade eu estou muito satisfeita comigo mesma. Eu acho que eu acabei de torcer as bolas de alguém e Vovó ficaria orgulhosa de mim... Se eu pudesse lhe dizer. Depois de um século lavando o meu rosto, eu volto para a cozinha começo a abastecer as bandejas com as taças de champanhe para quando os convidados retornarem. Cassie é uma das primeiras a entrar na sala e está agarrada ao braço de um homem de certa idade, pelo menos uns trinta anos mais velho que ela. Em seguida, a verdade me acertou com uma bofetada, minhas mãos tremem e as taças tintiniam. Ela também é uma prostituta de luxo! — Oh, meu Deus-, eu sussurro ao vê-la sorrir e desfrutar das atenções que lhe dispensa esse homem. Por quê? É em parte proprietária de um clube exclusivo. Claro que não precisa


do dinheiro ou dos presentes. Nesse momento, penso que nunca passou pela minha cabeça perguntar como é que Miller deixou ser tragado por esse mundo. É o dono do ICE. Não necessita de dinheiro. Penso no nosso encontro no restaurante e busco na minha memória algumas palavras que apenas recordo: -O suficiente para comprar um clube de luxo.Eu estou morrendo de curiosidade e odeio ser curiosa. Já me meti até o fundo e não tenho vontade de me afogar. — Você vai passar a noite toda aí plantada de pé como uma boba sonhando acordada? A voz de Sylvie me traz de volta ao mundo real, a sala está cheia de convidados que conversam animadamente. Observo os grupos de pessoas. Como sempre, todos estão impecáveis, e eu me pergunto quantas estarão envolvidas no mundo da prostituição de luxo. —Livy? Eu dou um pulo e tenho que segurar a bandeja com a mão livre. —Desculpe! —O que aconteceu? – Sylvie pergunta, e eu sei que é por todas as vezes pelo o que eu provoquei neste tais eventos. —Nada –, respondo de imediato. Melhor continuar a servir. — Ei, não é aquela mulher...?– Ela me olha e morde o lábio rosa berrante. Eu não respondi, vou para o meio da multidão e deixo Sylvie tirar suas próprias conclusões. Deixei meus amigos acreditarem que Cassie era namorada de Miller, e teria funcionado bem a jogada se não fosse a cadela passeando por aí com outro homem.

Capítulo Quatro No dia seguinte volto do trabalho andando. Mas desvio algumas vezes para percorrer meus lugares favoritos. Como sempre, a diversão é apreciada, mas quando eu paro em uma barraca de rua para comprar uma garrafa de água, a imagem na primeira página de um jornal me chama a atenção. A entrevista foi há semanas atrás, por que eles tiveram de publicar agora? Meu pulso se acelera só de olhar para a fotografia desse homem tão atrativo, e meu sangue ressoa em meus ouvidos ao ler a manchete: -O SOLTEIRO MAIS COBIÇADO DE LONDRES INAUGURA CLUB MAIS EXCLUSIVO DA CIDADE.-


Eu pego o jornal e olho para a entrevista. Assaltam-me recordações de momentos felizes, quando ele admitiu seus sentimentos por mim, quando ele parou de fugir de seus sentimentos. Ele disse para aquela repórter sem vergonha, que o título que ela tinha em mente já não era mais adequado. Certeza que pulou de alegria ao descobrir que Miller Hart volta a estar solteiro. Dói muito, e se ler a entrevista tenho certeza que será pior. Assim me obrigo a colocar o jornal no lugar e me esqueço de pegar a garrafa de água que eu tinha acabado de comprar. Ele está em toda parte. Eu fico olhando para o chão, pensando onde eu deveria ir. Eu estou assim tão atordoada em meus pensamentos que atravesso a rua sem olhar e obtenho uma buzina de um carro que quase me atropela. Nem se quer salto para evitá-lo. Ainda que passasse por cima, eu não sentiria nada. Ele para a poucos metros de mim. O Lexus é desconhecido, mas a placa não é. Duas letras. Apenas duas letras. W. A. A porta do motorista se abre e desce um homem que não conheço, tira um chapéu para me cumprimentar antes de abrir a porta de trás, segura aberta indicando para que eu suba no carro. Seria sensato recusar. Ele vai me encontrar, por mais que me esconda, então eu obedeço. Mantenho cabeça abaixada e tento conter as lágrimas. Eu não preciso verificar se tem alguém no veículo. Porque tem. Eu senti o poder que emanava dele, mesmo antes do embarque. Agora que o tenho ao lado é inebriante. —Olá, Olivia. A voz de William é tal e como eu recordava: suave e reconfortante. Ainda com a cabeça abaixada. Eu não estou pronta para isso. —Pelo menos você poderia ter a cortesia de me olhar e dizer Olá, desta vez. Aquela noite no hotel parecia estar com muita pressa. Viro-me lentamente e assimilo todo o refinamento de William Anderson, enquanto o refresco das memórias distantes que eu armazenei nos confins da minha memória durante anos e anos. —O que há com sua classe e com boas maneiras? –Pergunto cortante, enquanto sustento seu olhar brilhante e cinzento. Ainda assim, parece brilhar mais do que antes, e o tufo de cabelos grisalhos os converte em metal líquido. Ele sorri e se aproxima. Pega minha pequena mão na dele. —Teria sido uma decepção não receber um coice. Suas mãos são tão reconfortantes como seu belo rosto. Eu não quero que seja, mas são. —Você sabe que eu odeio desapontá-lo William – suspiro. O motorista fecha a porta e corre para se sentar ao volante. Arranca com o carro. —Para onde você está me levando? —Para jantar, Olivia. Parece que temos muito que conversar.


Ele leva a minha mão aos lábios e beija meus dedos. Em seguida, deposita no meu colo. —A semelhança é incrível – diz suavemente. —Cala a boca -, resmungo olhando pela janela. —Se for disso que você quer falar, não me resta outra escolha senão recusar o convite. —Quem dera esse fosse único tema de nossa conversa–, responde muito sério. —Mas um certo cavalheiro, jovem e rico, é mais alto na minha lista de preocupações, Olivia. Eu fecho meus olhos lentamente e, se fosse possível, também fecharia meus ouvidos. Eu não quero ouvir o que William tem a me dizer. —Sua preocupação é completamente desnecessária – respondo. —Isso sou eu quem decide. Eu não vou ficar de braços cruzados enquanto te arrastam para um mundo ao que não pertence. Custou-me muito te afastar dele, Olivia. Acaricia-me a bochecha com o nó dos dedos e me observa com atenção. Eu não vou permitir. —Não tem nada a ver com você. —Estou cansada de todo mundo achar que sabe o que é bom para mim. -Eu sou a dona do meu destino-, me digo como uma idiota. Uma vez que o veículo para em um sinal vermelho eu tento abrir a porta e tento correr, mas não vou muito longe. A porta não abre, e William pega meu braço com firmeza. — Você não vai escapar do carro Olivia, – declara enfaticamente enquanto o Lexus se distancia do semáforo. — Eu não estou com humor para as suas transgressões hoje à noite. Você é exatamente como sua mãe. Dou um puxão para recuperar o meu braço e me afundo no assento de couro macio. — Não a mencione, por favor. — Você ainda está odiando-a com a mesma intensidade? Olho friamente para o antigo cafetão da minha mãe. —E o que você esperava? Ela preferiu entrar para o seu mundo obscuro ao invés da sua filha. —Você está a ponto de entrar em um mundo muito mais obscuro, – declara. Eu fecho a minha boca e meu coração bate duas vezes mais rápido. — Eu não vou entrar em nenhuma parte –, sussurro. — Eu não vou vê-lo novamente. Ele sorri calorosamente e nega com a cabeça. — A quem você quer convencer?– pergunta, e com razão. Em minhas palavras, não havia um traço de convicção. —Eu quero ajudá-la, Olivia. —Eu não preciso da sua ajuda. —Garanto que sim. Muito mais do que há sete anos, –diz cortante, quase friamente. Ele me deixou gelada. Recordo o mundo obscuro de Willian. É impossível que agora eu precise de sua ajuda mais do que naquela época. Ele se afasta de mim, tira o celular do bolso interno do paletó, disca um número e o aproxima do seu ouvido.


—Cancele todos os meus compromissos para esta noite – ele ordena. Em seguida, desliga e volta a colocar o telefone em sua jaqueta. Não me olha mais durante o resto do trajeto e me pergunto o que vai acontecer no jantar. Sei que vou ouvir coisas que não quero ouvir, e também sei que eu não posso fazer nada sobre isso. O motorista para o Lexus fora de um pequeno restaurante e abre a porta. William assente, ele diz para eu descer sem palavras, e eu obedeço sem protestar. Eu sei que reclamar não me levaria a nada. Eu sorrio para o motorista e espero William se juntar a mim na calçada. Ele abotoa a jaqueta, e coloca sua mão na minha cintura e me leva para frente. A porta do restaurante se abre e William cumprimenta praticamente todos aqueles com quem nós cruzamos. Os clientes e os funcionários sentem a aura de sua presença. Acenos e sorrisos, até que chegamos a uma mesa reservada na parte de trás, longe dos olhos e ouvidos curioso. Um elegante garçom me entrega a carta de vinhos, eu sorrio para agradecer e sento-me. — Água para a senhorita – ordena William, e o de costume para mim. Nem pede, por favor, e nem agradece. —Eu recomendo o risoto– diz então, sorrindo para mim do outro lado da mesa. —Eu não estou com fome– eu tenho um milhão de nós no estômago, de nervos e de raiva. Sou incapaz de comer. — Você está só ossos, Olivia. Por favor, me dê à satisfação de ver você comer uma refeição decente. — Minha avó já se encarrega de me lembrar de que eu tenho que comer. Não preciso ser lembrada por você também. Deixo a carta sobre a mesa e pego o copo de água que acabaram de me servir. —Como está a incrível Josephine?– pergunta aceitando o copo de líquido escuro oferecido pelo garçom. Ela não estava tão incrível quando William me mandou de volta para ela. Lembro-me que falou da minha avó um par de vezes durante a minha fuga, mas até então eu estava cega, muito obcecada para interessar-me pelos detalhes de seu relacionamento com ela. —Você a conhece? – Eu pergunto. Eu estou morrendo de curiosidade novamente. Eu odeio ser tão curiosa. Ele ri e é um som muito agradável, suave e leve. — Eu nunca vou esquecê-la. Eu era o primeiro que ela chamava quando Gracie desaparecia. Me enche a boca de bile ao escutar o nome da minha mãe, mas ouvir falar sobre minha Avó me faz sorrir para mim mesma. Ela é corajosa, nada e ninguém a intimida e eu sei que William não era uma exceção. O tom com que ele fala dela me confirma. —Ela está bem, – eu respondo.


—Ainda segue se produzindo bem? –pergunta com um sorriso. —Mais do que nunca. Embora ela não estivesse no seu melhor quando você me levou de volta para casa naquela noite, há sete anos. —Eu sei, – acena com simpatia. Ela precisava de você. O remorso não me deixa respirar e eu desmorono por dentro. Eu gostaria de poder mudar a maneira como reagi quando descobri o diário da minha mãe, e a dor minha avó. —Nós superamos – acrescento. Ela ainda tem muita coragem. Ele sorri e é um sorriso de afeto. —Ninguém nunca me fez cagar nas calças Olivia, exceto sua avó. Eu não posso imaginar William cagando nas calças. —Embora, no fundo, eu sabia que eu tampouco não era capaz de controlar sua mãe, não mais que ela ou seu avô. William relaxa em sua cadeira e pede dois risotos, quando o garçom aparece novamente. — Por quê?– Eu pergunto quando ele desaparece. Você deveria ter perguntado há anos. Há muitas coisas que eu deveria ter perguntado então. —O que você quer dizer? —Por que minha mãe agiu dessa maneira? Por que ninguém conseguia controlá-la? William agita em sua cadeira é evidente que a questão o incomoda. Seus olhos cinzentos evitam os meus. — Eu tentei Olivia. Franzo a testa. É estranho que um homem tão prolífico esteja tão desconfortável. —O quê? Ele suspira e apoia seus cotovelos sobre a mesa. —Eu deveria ter mandado ela embora muito antes, como eu fiz com você quando eu descobri quem você era. —Por quê? —Porque ela estava apaixonada por mim. Observa a minha reação, mas não vejo nada porque ele me tem deixado em branco. Minha mãe estava apaixonada por seu cafetão? Então, por que ela dormiu com toda a cidade? Por que... Um pensamento toma forma rapidamente e põe fim às minhas perguntas silenciosas. —Você não a amava - eu sussurro. —A amava com loucura, Olivia. —Então por que...? – eu caio contra o encosto. Estava punindo você. —Diariamente, - ele suspira. -Todos os dias.


Eu não esperava por isso. Estou uma bagunça. —Se vocês se amavam, como é que não estavam juntos? —Ela queria coisas de mim que eu não poderia dar. —Que não queria dar. —Não, que eu não podia dar. Eu tinha responsabilidades, Olivia. Eu não podia abandonar minhas meninas e deixá-las cair nas garras de algum bastardo imoral. —Então você deixou minha mãe. —E deixei-a cair nas garras de um bastardo imoral. Engoli em seco. Meus olhos estão por toda parte na luz suave do restaurante, tentando entender o que ele me disse. —Você sabia. Ali estava eu, procurando por respostas, e resulta que você as tinha desde o princípio? Ele aperta os lábios e as narinas se dilatam. —Você era muito jovem, não precisava saber todos os detalhes sórdidos. —Como você pode deixá-la partir assim? —A mantive perto durante anos Olivia. Foi desastroso deixá-la solta no meu mundo. Eu me mantive a margem e assisti os homens se afogando com sua beleza e seu espírito indomável. —Os vi perdendo-se por ela. Ela quebrou meu coração todos os dias e ela sabia disso. Eu não aguentava mais. —Assim que você a baniu. —E todos os dias desejaria não ter feito. Eu engulo o caroço que se formou na minha garganta. É possível que o que William acaba de me contar seja outra peça do quebra-cabeça, mas ainda há um buraco enorme no meu coração. Com ou sem história de amor tortuoso, a realidade é que ela abandonou sua filha. Nada do que William me disse justifica. Eu olho para o homem maduro e charmoso que minha mãe amava e, embora que pareça loucura, eu posso entender. Ainda que a verdadeira loucura fosse ter ido procurá-la, tentar compreendê-la. Eu peguei seu diário e localizei aos homens que ela havia escrito ali, desesperada para compreender o que era tão fascinante. O único consolo que encontrei foi seu cafetão. O pouco tempo que eu estive com William, aos dezessete anos, foi o suficiente para eu ver um homem compassivo que se preocupava com os outros. Me apeguei rapidamente, e eu sei que ele se importava. Ele era muito bonito, mas não havia nenhum desejo, nem atração física, embora eu não possa negar que de certa forma eu o que queria. — Como é que você não sabia quem eu era? -pergunto. Sobrevivi a uma semana sem que William me descobrisse. Lembro-me de seu rosto, de como irritado estava. Eu sei que pareço tanto a minha mãe que assusta, como é que não me reconheceu? Respira profundamente, quase em frustração. — No momento em que você apareceu, eu não via a Gracie há quinze anos. A


semelhança era tão incrível que me deixou incapaz de pensar com clareza, e eu não parei para considerar a possibilidade de você ser sua filha. Então eu pensei, fiz as contas e não poderia ser. – Arqueia as sobrancelhas acusandome, – Nem pelo nome, nem pela idade. Desvio o olhar envergonhada. É humilhante e perturbador. Algumas coisas são melhores não desenterrar, e minha mãe é uma delas. —Obrigada – sussurro em uma voz fraca quando o risoto chega. William deixa que o garçom nos servir, antes de despachá-lo com um gesto. —Por? —Por me mandar de volta para a minha avó. Eu olho para ele que pega a minha mão. Por ter me ajudado e por não dizer nada. Esse foi o truque. William ameaçou visitar minha avó. Nada me dava mais medo no mundo, porque, por pouco quase a matei de susto. Naquela época, a pobre estava passando por um momento difícil. Até onde ela sabe, eu fugi para escapar da dura realidade que eu tinha descoberto no diário da minha mãe. Eu não podia fazê-la sofrer ainda mais. Não depois de tudo o que ela passou, primeiro com sua filha, depois com a perda do meu avô. —Mas eu li o seu diário. – As palavras me escapam em um momento de confusão. Foi assim que eu encontrei você. —Um pequeno caderno preto? – pergunta, com uma pitada de ressentimento. —Sim. Eu quase me emociono ao ver que ele sabe do que eu estou falando. — Você sabia da sua existência? —Mas é claro que sim. – tem sua mandíbula tensa, e me afundo ainda mais em minha cadeira. — Teve a amabilidade de deixá-lo uma vez sobre a minha mesa para eu ler, antes de dormir. — Ah!... - pego o garfo e começo a aprofundar no arroz, não me apetece nada. Qualquer coisa para escapar da enorme amargura que emana de William. — Sua mãe podia ser muito cruel, Olivia. Assinto. De repente eu vejo muito claramente por que ela escreveu aquele o diário. Ela gostava de escrever todas aquelas passagens que descrevem os intermináveis encontros com uma série de homens com todo o luxo de detalhes. Não era porque ela gostava do que estava fazendo. Ou talvez sim, quem sabe? Mas ela o escreveu para torturar William. Gostava de saber o dano e a raiva que causava ao homem que amava. — De qualquer forma... – suspira, — São águas passadas. Pequeno insulto. — Para você, pode ser! – Eu contestei. – Em contra partida para mim, o fato de ter me abandonado permanece sendo um mistério com o qual eu tenho que viver todos os dias! — Não se torture, Olivia. — Bem, eu faço! Me ofende que você tome meu abandono de forma tão leve. Tentando me convencer de que o fato dela ter me abandonado não teria


importância, era muito mais fácil de lidar com a dura realidade. Uma história de amor atormentado não melhora as coisas e nem me ajuda compreender nada. — Acalme-se. - William inclina-se sobre a mesa e acaricia a minha mão para me confortar, mas a retiro. Há muitas coisas na minha vida que me enfurece, e eu sinto tudo escapando do meu controle. — Estou calma! - grito, e então ele se apoia no encosto da cadeira com um olhar de reprovação em seu rosto bonito. — Estou tranquila. Volto a remexer no meu risoto. —Você acha que ela está viva? O homem que está sentado à mesa na minha frente deixou escapar um enorme suspiro carregado de dor. — Eu...– ele remexe na cadeira e desvia o olhar. — Eu...— Diga-me – eu rogo com calma, me perguntando por que eu me importo tanto. Seja como for, para mim ela está morta. — Não sei.– Pega o garfo e mergulha no prato. –Gracie tinha o dom de me deixar louco de frustração e desejo, e é possível que tenha deixado alguém louco o suficiente para lhe estrangular, acredite em mim. Deixa o garfo sobre a mesa. A conversa acabou com a sua fome. Eu faço o mesmo. —Parece que foi uma boa peça. – digo isso porque eu não consigo pensar em mais nada. — Você não tem ideia, - ele suspira, quase sorrindo, como se ele estivesse recordando. — Mas vamos focar no presente. Limpa da mente as memórias e fica muito sério, como se estivesse em uma reunião da negócios. Imagino que era assim que ele tratava a minha mãe. Basta falar sobre ela que esse homem forte e poderoso se torna vulnerável. — Miller Hart - diz então. — O que tem ele? Eu ergo o queixo com altivez, como se tivesse importância. — De onde você o conhece? — E você de onde o conhece? Após a vaga explicação de Miller me sinto mais curiosa do que antes. Muitos avisos, tantas preocupações... A troco de quê? — É uma ruína de homem. — Isso não responde à minha pergunta. William se aproxima e eu retrocedo receosa. — Esse homem vive na escuridão, Olivia. Muito mais do que eu. Ele joga com o diabo. Eu engulo em seco com força e a dor atravessa meu coração. Não consigo pronunciar uma palavra e embora eu quisesse, eu não acho que eu poderia mover a minha língua de pano. — Eu sei o que ele faz e como ele faz, - continua William. – Ele é o garoto de


programa mais famoso de Londres, Olivia. Me custou muito te manter longe do meu mundo; não vou permitir que você caia cegamente nas trevas de Miller Hart. Eu estou há bastante tempo neste negócio. Poucas coisas me escapam, se é que me escapa alguma. E se algo eu sei com certeza... – ele parou por um momento e fez um silêncio constrangedor entre ambos. – É que ele vai te destroçar. Pestanejo ante a segurança de sua sentença. Estou morrendo de vontade de dizer que Miller me mostrou nada mais que ternura... Exceto naquela noite no hotel. À noite em que William me encontrou fugindo do lugar em que Miller tinha me atado cabeceira da cama e tinha me tratado como uma de suas clientes. Não sei o que foi pior: a frieza impassível que me mostrou ou como seu hábeis dedos e sua língua ágil me torturaram requintadamente até que me fez gozar. — Obrigada por me avisar–, digo. São as únicas palavras que consegue atravessar a minha dor. —Sem dúvida, você é a filha de sua mãe, Olivia. —Não diga isso!– Eu grito. William retrocede em seu assento, mas não contra ataca. Limitou-se a um gole de sua bebida e esperar que eu me tranquilizasse. —Eu não me pareço em nada com a minha mãe. Ela abandonou sua filha por um homem que não a amava. Ele se inclina para frente com brilhantes olhos cinzentos. —Era impossível que Gracie Taylor e eu mantivéssemos um relacionamento. Não pense por um momento que eu não tentei fazer o que era melhor para ela. Ou para você. Ver William chateado é tão incomum que me pegou desprevenida. Nunca o tinha visto perder a compostura. Toma mais um gole de sua bebida antes de continuar: — É igualmente impossível uma relação entre Miller Hart e você. — Eu sei - suspiro. As benditas lágrimas se acumulam sobre as minhas pálpebras. – Eu sei disso. — Me alegro, mas o fato de saber que algo é ruim, não nos impede de continuar desejando-o, ir por ela. Eu era ruim para Gracie, e ela não desistiu. — Quer parar de me comparar com a minha mãe, William, por favor? – nego com a cabeça. – Eu não estou pronta para ouvir a dura realidade por mais tempo. — Deveria voltar para a casa. Vovó deve estar preocupada. — Ligue para ela, - diz ele, apontando para o meu bolso. – Eu estou gostando de sua companhia e ainda não pedimos nem a sobremesa e nem o café. — Meu celular está quebrado. É a desculpa perfeita para escapar. Levanto-me, pego a minha bolsa no chão. – Obrigada pelo jantar. — Eu não vejo qualquer traço de gratidão em seu tom Olivia.– Como é que eu vou entrar em contato com você? Esta pergunta me preocupa. —Por que você quer entrar em contato comigo?


—Para garantir-me de que está segura. —De quê? —De Miller Hart. Eu reviro meus olhos e me esqueço com quem estou falando. — Tenho sobrevivido até agora sem a sua supervisão, William. Ficarei bem. Eu me viro e começo a andar, rezando para não voltar a vê-lo. O jantar foi toda uma revelação, mas que não fez nada para remover a dor do passado que, somado à desolação dos últimos dias, é a gota que quebra o vidro. — Não sobreviverá se Miller Hart continuar em sua vida, Olivia. Eu derrapo, até parar com meu Converse, e meu sangue gela nas veias. Não me atrevo em olhar com medo no rosto que deve estar pondo.— Não faz parte da minha vida,– eu digo. Ouço como retira a cadeira para trás e os seus passos quando começa a andar, mas mantenho os olhos à frente até que me rodeia e olha de cima minha patética aparência. —Eu reconheço uma mulher cativada por um homem quando vejo uma, Olivia. Eu vi em sua mãe e também vejo em você. Ele levanta meu queixo e inclina-me. Há um toque de compreensão em seus olhos cinzentos. —Sei que você está magoada e irritada, e essas emoções podem levar você a fazer besteiras. Sua conduta empresarial é no mínimo questionável. E você deveria saber que ele está passando alguns dias em Madrid. – Desafia-me com o olhar para que eu peça mais detalhes. Não é necessário. — Está com uma cliente. — Eu sou uma mulher prudente. – limito-me a sussurrar. E percebo a incerteza na minha própria voz. Eu acredito em minha força tão pouco quanto William, apesar de saber que tudo o que me disse é a dura realidade. Ele tem motivos para se preocupar. —Eu posso cuidar de mim mesmo. Ele me beija na testa e seus lábios delicados suspiram. —Vou precisar de mais do que palavras, Olivia. – diz. Então remove a bolsa do meu ombro e me leva para fora do restaurante. —Vou levá-la para casa. —Eu prefiro caminhar, – digo me afastando. —Olivia, seja razoável. É tarde da noite. Volta a me segurar agora mais firme do que antes. Além disso, temos que parar em uma loja e comprar um novo celular. —Posso comprá-lo eu mesmo - resmungo. —É possível, mas eu gostaria de dar a você.- ele levanta as sobrancelhas como um aviso e seus olhos cinzentos escurecem quando abro a boca para protestar. —E é um presente que você vai aceitar – eu não discuto mais. Eu só quero ir para casa e tentar processar o que William me disse, e o que não disse, então me deixo ser levada para fora do restaurante e me leva até o carro sem dizer uma palavra.


Paramos em uma loja e compramos o mais recente modelo do Iphone. O motorista de William me deixa na esquina da minha casa, para que a Vovó não me veja descer do carro. — Não se esqueça de carregar.- ordena-me William enquanto fechava a caixa. Salvei o seu número e coloquei o meu na sua agenda. — Para quê? – me aborrecendo em como se intromete na minha vida. — Para eu ser capaz de dormir à noite. – me entrega a caixa e acena com a cabeça para a porta indicando que eu desça. Eu diria a você para dar os meus cumprimentos a Josephine, mas eu não acho que seja bem recebido. — Não duvide nem por um momento. Saio do Lexus e me viro para a fechar a porta. A janela começa a descer e me curvo para ver William. Seus olhos cinzentos brilham, ele está inclinando-se para trás, assim destaca seu peito largo. É incrível estar em tão boa forma aos quarenta e pouco. — Provavelmente sairia com um taco de beisebol e quebraria seu carro de bacana. Ele joga a cabeça para trás e ri. Eu sorrio. —Eu imagino, - diz. — -Fico feliz que voltou a ser o que era. Sorri por alguns instantes antes de ficar sério novamente. Eu também estou. — Lembre-se o seguinte, Olivia. Eu não quero perguntar o quê, não precisava, porque leva o ar para terminar a frase quando vê a minha hesitação. Ele vai me dizer ainda que não queira ouvir. — Seu corpo sabe instintivamente quando você está em perigo. Se você perceber que te arrepiam os cabelos da nuca, um calafrio entre os ombros ou algo lhe dá uma sensação ruim na espinha, fuja. A janela se move para cima e o olhar sério de William desaparece. Eu permaneço como tal na calçada. Suas palavras ecoando em meus ouvidos.

Capítulo Cinco Vovó colocou o prato na minha frente e me dá um garfo. Revira meu estômago


só de olhar para o enorme pedaço de bolo, mas resisto a afastá-lo para longe e corto um pedacinho sob o seu vigilante olhar. Não é a única que me observa atentamente. Gregory e George têm vindo para jantar. Todos permanecem em silêncio e sem tirar os olhos de mim até que eu levo o pequeno pedaço de bolo a minha boca. Tem gosto de veneno de rato, e não se parece em nada com os bolos que minha avó costuma preparar. Tudo tem gosto rançoso, minhas papilas gustativas provavelmente estão me punindo por negligenciá-las. —Delicioso!- Gregory exclama para quebrar o silêncio constrangedor. Chupa os dedos. —Deveria abrir uma confeitaria. —Sim, homem! – zomba Vovó. Vinte anos atrás, talvez... Ele ri, vira para a pia e abre a torneira. Agradeço por já não ser o centro das atenções. George coloca o dedo na forma e arremata um pouco creme de limão. Vovó, como se tivesse olhos na nuca, se vira para olhar. —George!- Ela dá uma chicotada com um pano de cozinha. —Onde estão suas maneiras? —Desculpe-me, Josephine. – ele se ajeita, como um menino travesso, e coloca as mãos no colo muito sério. Gregory me chuta por baixo da mesa e aponta com um gesto para a minha Avó, e ela por sua vez, nega com a cabeça para repreender o menino grande. Nós dois não estamos conseguindo mais segurar o riso, e quando George pisca um olho não podemos nos conter mais. — Está pronto para arrasar na pista de dança com a minha Avó, George? Pergunto tentando parar de rir antes que ela me censure também. O bom e velho George está quase bonito em seu terno marrom, ainda que a gravata borboleta de cor mostarda é questionável. — Josephine não precisa de ajuda, – responde olhando para minha Avó. — Como vocês mesmo dizem, ela sempre arrasa em todas as partes sozinha. Vovó não responde e nem se vira, mas está sorrindo. Eu sei. — Ela vai te ensinar a remexer o esqueleto- respondo. Eu ri e chuto Gregory por baixo da mesa, mas não movo nem um cílio, enquanto Vovó se vira para pia e move a saia do vestido com alegria, deixando claro o que a espera na pista de dança. Ela olha para mim com as sobrancelhas levantadas enquanto seca as mãos no avental. — Você está linda Vovó, - digo. A irritação desaparece do rosto dela instantaneamente e olha para baixo com um sorriso. —Obrigada, querida. —O que é isso de - remexer o esqueleto?- pergunta George perplexo olhando para Vovó. Adoro vê-la corar. —É dança George. Ela me dá um olhar de advertência que se suaviza quando


me vê sorrindo. Como dança moderna. Então eu vou te ensinar. Eu quase caí na gargalhada ao imaginar George e Vovó empurrando a pélvis e sacudindo os quadris. —O que é tão engraçado?- Pergunta George olhando sem compreender ambos os lados. — Isso eu já sabia - ofega novamente colocando os dedos no bolo de limão. Vovó não o repreende desta vez. Está muito ocupada dançando pela cozinha. —Talvez eu deva usar shorts, ela diz com uma risadinha nervosa que faz com que Gregory e eu nos rompemos de rir a gargalhadas. — Esses shorts curtos que parecem calcinha? –Os olhos de George brilham. — Sim! — George! – Vovó exclama. — Pare, por favor! Gregory foi segurar o meu braço em busca de um ponto de apoio, mas ele cai e me arrasta com ele. Estamos histéricos chorando de tanto rir. —São de lantejoulas? —Não de couro, –ela sorri, — e com fenda. Eu engasgo e começo tossir. George parece que vai ter um ataque. Recuperase e pega um jornal para se abanar. —Josephine Taylor, você tem uma mente perversa-, diz. — Muito. - Gregory solta outra gargalhada e pisca para mim. Acalmamo-nos e belisco um pouco de bolo. Ouço Vovó suspirar e me preocupo. É que essa classe de longo suspiro indica que eu não vou gostar do que ela vai dizer. —Por que não sai com Gregory? Eu me afundo na cadeira. Há três pares de olhos me olhando. Acima, eu fico triste de novo. —Sim, isso Livy, - intervém meu amigo, me bate no braço com a mão. —Nós vamos para um bar de héteros.—Você vê? - Vovó acrescenta sorrindo. — É muito amável. Ele está disposto a sacrificar uma noite de paixão por você. Engulo em seco. George ri e Gregory sufoca. -Gregory adora você, mas se recusa a reconhecer a sua condição sexual. Eu acho que é uma coisa da idade, mas meu amigo não se importa. De fato, ele brinca a respeito de tudo o que pode, e quando eu o vejo tomar fôlego, eu sei que prepara uma delas. — Sim, - ele diz inclinando-se para trás na cadeira. — Eu vou perder a chance de brincar com homem nu e suado para que eu saia com você. Mordo meu lábio para não rir da mandíbula batente, ao ver o nervosismo de George. Vovó não se acanha tanto. Não, ela cai na risada e seu corpo treme como um pudim enquanto o pobre do George continua remexendo desconfortavelmente em sua cadeira e resmungando baixo. —Vocês são malvados-balbucia. —Vocês tem uma mente muito suja. —Você é um bom amigo, Gregory, – Vovó diz rindo. É todo um detalhe!


George franze a testa e olha para Gregory. —Eu pensei que você fosse bissexual. —Ah! Gregory. Eu sou o que você quer que eu seja George. O amigo da Vovó não pode evitar dar um respingo de nojo e ela não consegue parar rir. Que bom. O riso que provoca a conversa sobre as travessuras sexuais de Gregory, me salvou da pressão de ter que sair e fingir que eu estou bem. Eu olho como ele ri do pobre George e como Vovó o anima a continuar com suas gargalhadas. A pequena batalha verbal me lembra de que eu não estou feliz e não há distrações suficientes no mundo para remediar. Algumas coisas conseguem me distrair momentaneamente, mas o desconforto não demora a voltar com mais força, como se estivesse tentando compensar o tempo que esteve ausente, enquanto eu esboçava um sorriso. Mastigo e engulo devagar. Além disso, meu estômago revirado vai a cem por hora, e eu tenho que correr para o banheiro e me agarrar ao vaso sanitário. Não há nada para vomitar exceto a bílis ácida. Minha boca tem gosto ruim. Não tenho nenhum remédio. Chamam suavemente na porta. Eu ergo minha cabeça e olho para a maçaneta. -Boneca? Gregory abre a porta e entra. Nem se preocupa em olhar primeiro lugar, e ver se estou com as calças abaixadas. Tento sorrir, mas falho miseravelmente. Sei que se encontra tão mau como eu. Passa-me uma bala de menta e me levanta. Arruma meu cabelo e estuda o meu rosto preocupado. — Livy, você está perdendo peso.- Olha para o meu corpo, mais magro do que o habitual. —Vem. Tira-me do banheiro e me leva ao meu quarto. Fecha a porta, me leva para a cama, coloca o braço em volta dos meus ombros e me estreita contra ele. Aconchego-me, mas isso não me conforta. Este não é como o -o que eu gostode Miller. Não me alivia o coração e nem me faz sentir em paz. Não está ao meu lado cantarolando e beijando a minha cabeça. Permanecemos deitados e em silêncio até que noto Gregory puxar o ar, preparando-se para falar. — Você está pronta para me contar tudo? Você não está bem, e não me solte o lero-lero dessa outra mulher porque eu sei que você suspeitava de alguma coisa desde o início e que isso não te deteve. Nego com a cabeça enterrada em seu peito, mas não sei se estou recusando a sua oferta ou se estou dizendo que não, que não é a suposta amante. A primeira não necessita confirmá-la: é evidente. A segunda, nem tanto, mas nunca poderia dizer a verdadeira razão por que a minha vida acabou. E o que de William? —Não, eu não posso. —Está bem, - suspira e me estreita com mais força, mas então seu telefone começa a tocar e tem que afrouxar o abraço para poder pegar do bolso. Não é imaginação minha, seu pulso acelerou. Eu levanto a minha cabeça e ele


está olhando para tela com um rosto triste. Sua expressão me lembrou de que, enquanto eu estava me afogando na autopiedade, meu melhor amigo também vem sofrendo. Eu me sinto muito culpada, e ainda mais egoísta, porque o sentimento de culpa é muito mais suportável do que um coração partido. —Você não vai atender? – pergunto baixinho enquanto ele continua a olhar fixamente para a tela. — Não sei por que você está tão inquieto. Deveria estar alegre que Ben esteja te ligando. Ou eu perdi alguma coisa?– É provável. Eu não me lembro de muito das últimas duas semanas, mas eu me lembro de falar brevemente sobre Ben e que a coisa não estava bem. Ou será que eu sonhei? — Acho que eu deveria atender–, ele diz. Eu esperava por isso. Eu franzo a testa quando ele aceita a chamada, mas não está falando. Limitase a levar simplesmente o telefone a orelha e, após alguns segundos, ouço alguns gritos zangados claro como a luz do dia. Gregory faz uma careta enquanto seu ex-amante grita e o maltrata por telefone, rosna sobre um monte de chamadas e acusa meu amigo de perturbálo. Eu estou tendo alucinações e até mesmo viajando, quando eu vejo Gregory se desculpar humildemente. Não tem nada que se desculpar. Ele não é quem finge ser o que não é. Ele não se esconde da verdade. A raiva ferve em mim por outras razões, e por puro instinto protetor, arrebato o telefone do meu amigo e descarrego duas semanas de fúria. Sou eu que explodo. —Quem Diabos você pensa que é?- Eu grito saltando da cama quando Gregory tenta recuperar seu telefone. Eu ando ao redor da sala como um cachorro louco, espumando pela boca. —Com quem eu estou falando?- Ben baixa o tom. Parece surpreso. —Não importa. Você não passa de uma fraude! Você é um covarde sem caráter! Ben fica em silencio, mas bufa e eu continuo atacando: — Você merece ser infeliz! Eu espero que você se afunde na pobreza pelo resto de sua vida. Galinha! Patético!- Eu tremo e estou hiper ventilando. - Você não merece o tempo ou afeto que Gregory lhe deu, e em breve você vai perceber. E aí será tarde demais! Porque, ele já terá esquecido você! Desligo e jogo o telefone de Gregory em cima da cama. Meu amigo me olha perplexo, com os olhos arregalados e a boca aberta. Tento me acalmar e recuperar o controle do meu corpo que tremia, enquanto Gregory tenta falar. Está gaguejando, petrificado como eu. Não dizia respeito a eu fazer o que fiz. Não tinha o direito de interferir, e muito menos depois de ter repreendido meu amigo por tentar entrar na minha relação diabólica com um homem disfarçado de cavalheiro. —Perdoe-me, - ofego, porque não consigo recuperar o fôlego. Não deveria... —Que merda! - Se limita a dizer, e eu desabo novamente. A raiva leva à depressão, que retorna em toda sua glória. Afundo o queixo no


meu peito e abraço-me nas laterais. Soluço incontrolavelmente. Eu sou patética e tremo por outras razões. Não me sinto melhor. Da cama brota um suspiro alto. Gregory me atrai contra seu peito e me envolve em seus braços. —Acalme-se.– tenta me acalmar, me balança e acaricia meu cabelo. Eu tenho a impressão de que você disse a Ben o que seria dirigido à outra pessoa. Assento e me abraça com força. As palavras eram apropriadas para Ben, mas quem dera eu tivesse soltado para um que eu conheço. E assim eu poderia colher o que semeei. —Pequeno casal - suspira. Como chegamos a esta confusão? Eu não sei então eu nego com a cabeça, chorando e tremendo sem parar. —Hey...– me tira do meu esconderijo e leva meu rosto em suas mãos. Ele me olha com ternura e simpatia. —O que vamos fazer baby? De repente, algo muda. Os dois amigos tentando consolar um ao outro se olham de repente com novos olhos. A tristeza e a desolação dão lugar a algo mais. Algo estranho. Algo proibido. Isso me confunde, e quando Gregory entreabre os lábios, os olhos pestanejam na minha boca e seu rosto se aproxima do meu, a cabeça começa a girar. Há muitas razões para puxar os freios sobre o que está para acontecer, mas agora eu não consigo pensar em nada, exceto que talvez isso seja exatamente o que eu preciso. Eu também me aproximo até que nossas bocas se encontram e o meu coração bate com força no peito. Não me detém a estranha sensação de ter os lábios de meu melhor amigo colado ao meu. Mudo de posição e me sento montada sobre o esbelto corpo de Gregory sem nossas bocas se separaram. Nossas línguas dançaram loucamente. Suas mãos me acariciam as costas e me beija com tanta força que eu sinto uma estranha sensação de consolo, ainda que seja estranho diferente do que estava acostumada. Não importa. Eu preciso de algo diferente. —Livy! Ele coloca fim ao beijo e ofega em meu rosto. Nós não deveríamos. É errado. Não deixo que me convença de que vamos parar. Eu o beijo com força, com desespero. Eu acaricio seus braços musculosos, tenso. Ele geme, e o que se estende entre suas pernas me anima a seguir. — Livy – protesta fracamente, sem se afastar. —Nós ajudaremos um ao outro–, gemo puxando a bainha de sua camisa. Ele não me para. Agita-se para ajudar e não demoro a arrancar e deixar seu peito nu exposto para as minhas mãos inquietas. Não demoro em sentir que ele remove a parte superior, eu solto sua boca para levantar-me e deixar meu melhor amigo me despir. Sem sutiã que cubra meus seios modestos, eu estou vestida apenas com o shorts do pijama. Gregory olha meus mamilos duros,


que estão ao alcance sua língua. — Foda-se, - murmura, ele olha para cima, e eu suspiro no seu rosto. —Foda, foda, foda. Ele me agarra pelos ombros me deita na cama. Ele se apodera da minha boca e baixa meu short e calcinha. Está duro e empurra contra a minha coxa. Pulsa sem parar e, de repente, minhas mãos são uma confusão com o zíper da calça jeans. Levanta um pouco o quadril para ajudar-me a remover as calças, até que estamos nus, nos esfregando um contra o outro, dando voltas na cama, nos beijando e nos acariciando. —Foda- maldisse novamente beijando a minha bochecha, e eu gemo olhando para o teto. —Temos que parar. —Não, - eu protesto. —Não devemos fazer isso. Mas não para. Encontra minha boca novamente e enterra sua língua com desespero. É como se estivéssemos possuídos. Mãos e bocas explorando territórios desconhecidos. Nos consome o desespero de esquecer as nossas dores e nenhum dos dois parece estar preparado para deter isso. Deveríamos parar. Não vai nos ajudar. —Ai Deus! Eu gritei, jogando a cabeça para trás quando Gregory cobre meu seio com a mão. Eu tremo em baixo dele, todo o meu ser sente a descarga do prazer febril. Nossas bocas se juntam novamente e minhas mãos se aventuram em direção ao sul, até que eu tenha a sua ereção dura e quente em minhas mãos. —Deus!- Rugi empurrando os quadris para que possa acariciá-lo inteiro.— Deus! Os sons de prazer invadem o quarto. Estamos perdidos. Gregory se afasta, e ele me olha franzindo a testa e sinto sua respiração no meu rosto corado. —Faça isso de novo, –geme oferecendo os quadris. Eu pego seu membro com a palma da mão e sua respiração se torna irregular. Deixa cair a cabeça por um segundo, a levanta e volta para minha boca. A percorre com a língua. Eu sei que eu não deveria, mas eu gosto da sensação. Concentro-me nos beijos do meu melhor amigo, em suas mãos me acariciando, em seu corpo pressionado contra o meu. —Você tem gosto de morangos,- sussurra com voz rouca. —Morangos-. A palavra me cai como um balde de água fria e de repente o solto e me agito em baixo dele. —Gregory, para! Ele se detém e se vira para olhar para mim. —Você está bem? —Não! Temos que parar! - Sento-me e me cubro com lençol os morta de vergonha... E culpa. — O que estávamos pensando?


Ele se senta e esfrega as mãos em seu rosto. Rosna, mas sei que é de arrependimento. —Eu não sei, - confessa. Eu não pensei Livy. —Eu também não. Eu olho em seus olhos e me agarro ao lençol. Gregory ainda nu não parece se importar. Segue...Pronto para a ação, eu tento desviar o olhar do músculo duro que emerge do seu colo. Me custa horrores. É como um ímã para os meus olhos. Nunca me permiti ver meu amigo gay assim, mas agora que o tenho diante tenho que dizer que é muito bom e não posso deixar de olhar. É tudo o que um homem ou uma mulher poderia desejar. É atraente, amável e sincero. Mas também é o meu melhor amigo, eu não posso correr o risco de perdê-lo, porque se continuarmos de onde paramos então tudo vai ser muito estranho. Espero que não seja tarde. Embora que essa não seja a única razão. Ninguém poderia preencher o vazio no meu coração, nem saciar meu desejo. Há apenas um homem capaz de fazê-los. — Me desculpe-, eu digo em voz baixa. A culpa me consome. Não sei por quê. Eu não tenho nada que me arrepender, exceto por ter posto em risco minha amizade com Gregory. —Perdoe-me. —Hey...- Me senta no seu colo e me abraça. — Lamento muito. Eu acho que nos deixamos levar um pouco. Eu me aconchego em busca de consolo, mas não consigo encontrar. —Foi minha culpa. – digo. —Não, eu comecei. A culpa é minha. —Discordo, - sussurro, e o deixo esfregar minhas costas para tentar me trazer de volta à vida. Seu peito sobe e desce. Um suspiro. —Vamos parar- murmura. —Um par de perdedores chorando por aquilo que não podemos ter. Concordo. —Você não vai sair e dane-se outra mulher, você vai?– Pergunta-me, sabendo que é o que geralmente acontece quando ele é despejado por um cara e, provavelmente, porque as coisas iam muito longe agora. —Não quero fazer isso. —Estou jurando fora homens e mulheres por um tempo- Ele ri, fazendo-me sorrir um pouco. —Eu também. —Então você basicamente retorna ao recluso?-, ele brinca levemente. —Olha como estou por causa da alternativa. —Nem todos os homens são assim filho da puta-. Ele me puxa de seu peito e aperta minha bochecha ferozmente. —Nem todo homem vai borrar tudo sobre você, menina. —Não vou dar-lhes a chance.


—Eu odeio ver você assim. —Eu odeio ver você assim também, então eu respondo, e de repente sua angústia é evidente e tangível. Finalmente eu consigo vê-la através da minha névoa de tristeza. — E eu vou roubá-lo do -idiota- do Ben, porque esse realmente é um filho da puta, mas não quer admitir isso. Gregory sorri e seus olhos brilham. —Parece-me bem. Concordo com a cabeça e deixo o meu olhar vagar de volta ao colo do meu amigo. Ele ri e rapidamente puxa o lençol, tampa e me deixa na bola picada. Tomo um susto e tiro dele, e assim começa a luta entre lençóis. Nós dois rimos, e damos puxões voltamos a ser tão amigos como sempre... Embora estejamos nus. Não parece que importa enquanto lutamos pelo lençol. No entanto, nós ficamos parados como estátuas ao ouvir as risadas e o piso de madeira ranger a voz da Vovó, que nos chama: —Gregory, Olivia? Vocês estão bem? — Merda! Salto da cama e cruzo correndo o quarto. —Está tudo bem, Vovó! —Soa como se uma manada de elefantes estivesse dançando o cancan aí dentro. —Estamos bem! – Eu grito. Bato na frente da porta, me estico e me preparo para sua resposta. —Bem, a impressão é que o teto vai vir abaixo! —Desculpe, já vamos descer! —Estamos saindo para dançar. —Divirtam-se! —Está bem? – Pergunta mais tranquila. Eu sorrio. —Eu estou bem, Vovó. Não diz nada mais, mas o piso de madeira rangendo me diz que está descendo as escadas. Eu me viro e encosto as costas contra a porta. Gregory percorre meu corpo com olhar sem parar, sentado na cama, cobrindo-se com o lençol. — Bela vista. – Sorri e me lembro de que eu estou nua -. Mas você está muito magra. Eu tento cobrir minhas partes com as mãos e ele ri e cai de volta na cama. Não tem remédio, e eu estou vermelha como um tomate. — Sinto muito! – Ele diz entre gargalhadas. Eu realmente sinto muito. Eu coro ainda mais e procuro qualquer coisa com a que salve a minha dignidade. Escolho por uma camiseta que está na parte de trás da cadeira no canto. Pego e a coloco a toda a velocidade. Eu me sinto melhor instantaneamente, como se tivesse recuperado o respeito por mim mesma, após me jogar nos braços do meu melhor amigo. Gregory não parece se preocupar com sua nudez, ainda que agora mesmo esteja rolando de


rir emaranhado entre os cobertores da minha cama. Sorrio e inclino a cabeça para vê-lo melhor. Tem um traseiro apertado, mas o que mais me impressiona é quão feliz e despreocupado ele aparentava. — Vem, - ele diz batendo no colchão. Eu prometo que não vou pôr as mãos. Eu rolo meus olhos e deito com ele na cama com as costas apoiada contra a cabeceira. Eu brinco com o meu anel, sem saber o que dizer. Eu não tenho nenhuma ideia, então eu digo a única coisa que deveria dizer e que mais me preocupava. — Não vai mudar nada entre nós, certo?- Eu pergunto. — Não posso viver sem você Greg. Eu não quero que o que aconteceu com a gente nos mude. — Oh, Baby! Ele passa um braço em volta dos meus ombros e me aperta contra o seu peito. - Nunca, porque não vamos consentir. Esses vinte por cento tem sido mais forte do que eu. Eu sorrio. —Obrigada. —Não, obrigado a você, - suspira. Vamos fazer um acordo. —Um acordo? – franzo a testa. -Que tipo de acordo? Preocupa-me que Gregory proponha casamento aos trinta se até lá não encontrarmos nossa alma gêmea. —Vamos ser fortes, - sussurra, - um para o outro. Me implora com o olhar que o ajude. – Eu também estou lutando, Livy. Eu me sinto terrível. —Perdoe-me.- Estive tão perdida na minha própria miséria que não parei realmente para considerar o quanto ele está sofrendo, quão infeliz ele está agora. Cegou-me a minha patética vida. —Sinto muito. —Juntos vamos conseguir, – ele continua. Eu vou ajudá-la e você vai me ajudar. — Isso significa que eu posso confiscar seu celular? Espeto. — Não, mas você pode apagar o seu número. Pega o telefone e coloca na minha mão. – Adiante. Apago o número do Ben da lista telefônica do Gregory, e, em seguida, todas as mensagens enviadas e recebidas, não deixo um vestígio dele. Eu já eliminei Ben do telefone de Gregory e esperamos que também de sua vida. Eu devolvo o telefone e meu amigo olha para mim com as sobrancelhas levantadas. Ele quer retribuir o favor. —Eu disse a você que quebrou meu celular. — E você não comprou outro? -Não, digo com orgulho. Eu não vou carregar o telefone que eu ganhei do William nem comprar outro. Não estou disponível. Além disso, o que eu quero é que Gregory apague Miller Hart do meu cérebro, não apenas da agenda telefônica. — Agora nós dois estamos livres de idiotas, - diz. — O de -Filho da puta-, reservo para... –Faço uma pausa. — Você sabe quem.


—Ok. —Me alegro que tenhamos esclarecido- Eu faço uma careta e Gregory franze a testa me perguntando qual é o problema. Nego com a cabeça e me aconchego ao lado dele. Eu me sinto um pouco melhor, embora a última meia hora houvesse sido um disparate, apesar das palavras que acabamos de pronunciar quase sem perceber.

Capítulo Seis Gregory e eu estamos ajudando um ao outro a superar os nossos problemas. A noite seguinte, para tentar continuar com nossas vidas, saímos para jantar em um pequeno restaurante italiano. Foi muito bom, mas o vinho subiu para nossas cabeças e nós estamos na entrada do ICE, rindo como bobos e um pouco instáveis. Meu eu bêbado tende a vingança e sabe que Miller Hart revisará as gravações das câmeras de segurança quando ele voltar. Vou fazer com que a gravação seja muito mais interessante. —Como você sabe que nos deixarão entrar?- Pergunta Gregory a caminho do fim da fila. —Desta vez, nossos nomes não estão na lista de convidados. —Enviei uma mensagem antes de quebrar o telefone, – digo. Não podia lhe falar de William. —Como você quebrou? —Eu deixei cair. Eu mostro a ele o meu cartão de sócio do ICE para distrai-lo e não pergunte pela disfunção do meu celular. Gregory sorri e o tira da minha mão. O inspeciona. —Não parece grande coisa. Eu encolho os ombros e o pego quando chegamos à porta. O porteiro me dá um daqueles olhares, mas não me nega acesso. Sim, ligue para Tony para notificá-lo que eu estou aqui. No entanto, me sinto ousada e corajosa, certamente graças às três taças de vinho que tomei durante o jantar. Nenhum dos dois forçou o outro a ir ao clube de Miller.


Nós apenas acabamos aqui quando mencionei que eu tinha uma carteirinha de sócia e que teríamos o passe livre. Nenhum dos dois protestou. Eu porque me sinto cruel, e não me ocorreu outra maneira de machucá-lo, e Gregory porque sei que em silêncio está rezando para que Ben esteja no clube hoje à noite. Quanto tempo vamos continuar nos torturando? Nos dá as boas vindas, Feel So Close do Calvin Harris. Fomos para o bar e pedimos champanhe, ao otário. -O que estamos comemorando? -Que somos idiotas? Ignoro o morango na minha taça e bebo alguns goles, enquanto eu inspeciono e espera que Tony apareça em algum lugar. No entanto, os minutos se passaram e nenhum vestígio dele. Gregory me diz para beber devagar, acho que porque ele está determinado a afogar as mágoas no álcool. É uma situação delicada para ambos, porque a combinação de álcool e vontade que temos que curar o coração garante que vamos entrar em confusão. Há câmeras por todas as partes. Há também os homens que não tiram os olhos de cima. Eu sou como um falcão tentando chamar o tipo de atenção que normalmente me incomoda. Respiro fundo, aparto da mente todos os pensamentos de infortúnios e me perco entre a elite Londres. Eu não me privo de nada. Eu aceito bebidas, converso autoconfiante e deixo os homens me pegarem pela cintura ou acariciar-me o traseiro quando se aproximam para falar no ouvido, com o pretexto de que a música está muito alta. Eu perco a conta de quantos homens me beija na bochecha, e Gregory, que me vigia um tanto apreensivo, sorri toda vez que isso acontece. Ele se aproxima quando eu abato um mauricinho alto e fino. — Olha se deu bem nesse ambiente, – ele diz. - O que mudou? —Miller Hart, - eu respondo como se não fosse nada, e termino o champanhe. Gregory me passa outro drinque e aproveitamos os tempos sozinhos para inspecionar os arredores. Vemos as pessoas jogarem a cabeça para trás entre risos e muito beijo na bochecha. Na verdade, Gregory e eu não nos encaixamos nesse ambiente de elite. Mas Ben sim. E está aqui. Eu sei o que devo fazer. Deveria pegar Gregory e sair deste lugar, mas justo quando consigo convencer o meu cérebro bêbado, Ben nos avista se aproxima. — Merda,- maldigo para mim mesmo enquanto eu peso as minhas opções. Meu estado de embriaguez não permite pensar rápido o suficiente. Antes que eu fosse capaz de salvar o meu amigo, temos o Ben na frente e Gregory se agita desconfortável. No entanto ainda estou com raiva e eu me irrito mais ainda quando Ben olha para mim com as sobrancelhas levantadas. Puxo o ar para dedicar-lhe outra rodada de insultos, mas na minha frente começa a pedir-lhe desculpas. Eu fecho a minha boca de uma só vez e olho de um para outro, perguntando como as coisas vão terminar. — Eu fui um idiota.- Ben diz suavemente de modo que somente nós podemos ouvir. Ele ainda não saiu do armário. — Eu não quero que ninguém saiba


antes de eu esteja preparado para...compartilhar. -E quando será isso? - Solta Gregory. Eu não esperava. Eu tinha certeza de que iria se derreter diante de Ben. É uma surpresa agradável. Ben dá de ombros e olha para sua taça de champanhe na mão. —Eu preciso de tempo para me preparar, Greg. Há muito em jogo. —Você está tornando um negócio maior fingindo e desprezando. Meu amigo me pega pelo cotovelo. – Estamos conversados. – ele diz, me empurrando em direção à pista de dança. Eu o deixo fazer. Viro-me para ver Ben sozinho e um pouco perdido, até que aproxima uma mulher exuberante e joga os braços em volta do seu pescoço. Então, novamente volta a ser o Ben sorridente e prestativo. A pouca simpatia que sentia por ele desaparece instantaneamente. — Eu estou muito orgulhosa de você,– eu digo quando chegamos à pista de dança ao som de Jean Jacques Smoothie. Gregory sorri e se livra de nossas taças. Me segura e me gira. — Eu também. Vamos dançar Baby. Não protesto, mas enquanto me faz girar na pista de dança estou ciente de que o Gregory que o enorme sorriso e sua imagem despreocupada são dedicados a Ben, que está conversando com outra mulher perto da pista de dança, ainda que não consiga lhe prestar nenhuma atenção. Ele não tira o olho de cima do meu amigo. A coisa anda. Agora só falta que Gregory aguente e não deixe que Ben volte a meter-se em sua vida. Cumpro o meu papel com perfeição. Eu ri com Gregory e deixei-me levar. Ele me gira e se esfrega sedutor contra minha cintura. De repente, a música para bruscamente, sem tocar até a próxima música. As pessoas param de dançar e olham em volta, não sei o que fazer. Somente conversas especulativas são ouvidas. — Será que acabou a energia?– Eu digo. É uma pergunta muito boba porque a iluminação ainda está em vigor. —Eu não sei, responde Gregory confuso. –Talvez acionassem o alarme de incêndio. Ao meu redor todos são silhuetas imóveis, confusos pelo silêncio. Até o porteiro veio para ver o que acontece. O DJ dá de ombros e olha para o segurança ao lado dele perguntando o que aconteceu. Eu não me sinto bem, e tenho uma sensação estranha no meu estômago. Arrepia-me os cabelos da nuca e de repente tudo que eu ouço são as palavras de William. Procuro a mão de Gregory. Sinto-me vulnerável e desprotegida. Pode não ser devido somente a uma simples queda de energia. —O que está acontecendo? – pergunto procurando em todos os lugares, procurando... Eu não tenho certeza do que procuro. — Não sei. Gregory dá de ombros. – não parece nada interessado. Então o clube volta a encher de música e todos relaxam.


—Eu acho que o DJ vai ficar sem trabalho. Ele olha para mim e seu sorriso se apaga de seu rosto quando ele me vê. —Livy, o que há de errado? A letra da canção passa entre o álcool e é como um soco no estômago... Daqueles que você deixa sem fôlego. Enjoy the Silence. Eu fecho meus olhos. —Livy? Gregory me sacode levemente. Abro os olhos e olho em todas as direções. — Olivia? —Desculpe-me. - Eu me forço a sorrir e a fingir que nada aconteceu, mas o coração vai romper o esterno, decidiu saltar fora do meu peito. -Está aqui-.— Eu tenho que ir ao banheiro. —Acompanho-te. —Não, de verdade. Vá pegar outra bebida. Vejo você no bar. Gregory desiste facilmente e me deixa ir sozinha ao banheiro, enquanto ele pede para outra rodada. Só que não vou ao banheiro. Enquanto o meu amigo me perde de vista, eu vou para a entrada do clube, Desço correndo a escada e entro no labirinto de passagens subterrâneas do ICE. William disse-me para correr, ainda que não fizesse a boca do lobo. Corro como a alma que o diabo leva e me perco tantas vezes que grito de frustração. Eu ainda ouço a música, a letra me angústia, e faz-me lembrar de refazer meus passos para tentar uma rota diferente. Quando eu vejo o teclado numérico na porta do escritório de Miller, sinto alívio e terror, mas eu avanço com decisão. Não faço ideia qual é o código ou o que eu vou encontrar...ou o que vou fazer se não encontrar nada – se eu encontrá-lo. Eu não preciso do código. A porta está entreaberta, e com um leve empurrão, abre. Fogos de artifício explodem dentro de mim. Ele está no meio da sala, impassível e vestido com terno, observando-me entrar no seu escritório. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu mal posso respirar. Eu olho para ele. Ele olha para mim. Meus joelhos estão tremendo. A música é incessante. Eu o como com os olhos. Ele veste um terno escuro impecável, o cabelo um pouco mais cumprido. Os suavas cachos espreitam por trás de suas orelhas. Nem uma palavra, apenas o contato visual de alta intensidade. Nem sua expressão nem sua linguagem corporal revelam o que ele está pensando. Nem você precisa me dizer, e seus olhos são responsáveis por fazer. Soltam faíscas. Ele estava observando os monitores de segurança. Vendo a infinidade de homens que me paqueravam. Puxo o ar, preocupada. Ele assistia como eu aceitava as insinuações e os encorajava a continuar. —Você deixou algum te provar? Dá um passo a frente e eu um passo atrás, por instinto. Não vai ser um reencontro feliz. Ele tem a pachorra de me perguntar uma coisa dessas, quando ele tem estado no estrangeiro com outra mulher. Está passando a minha surpresa de vê-lo aqui e começo a me irritar.


—Isso não é da sua conta. Está com ciúmes, e eu gosto disso. Sua mandíbula perfeita treme. —Se você fizer isso no meu clube é assunto meu. —Nunca será seu assunto novamente. —Você está errada. Nego com a cabeça e dou mais um passo para trás, mas meu corpo não coopera e eu cambaleio ligeiramente. —Estou bem. Percorre o olhar com desgosto para o meu corpo, coberto com um vestido curto, apertado. —Você está bêbada. Eu ignoro a sua acusação porque eu acabo de me lembrar de algo. —O que significa que você não pode me foder. —Cale a boca, Olivia! —Porque você quer que eu me lembre de cada beijo, cada toque, cada... —Livy! —Só que eu não quero me lembrar de cada momento. Eu quero esquecer todos eles. Parece que vai explodir as veias do pescoço dele. —Não diga coisas que você não sente. —Ah, mas eu sinto! —Cale a boca! – ruge, e dou dois passos para trás. Sua ferocidade me faz ficar muda. Recupero-me rapidamente, mas eu abri tanto os dois olhos que certamente eles mostraram que eu tomei um susto. Assusta-me ter vindo, assusta-me que esteja aqui, assusta-me que ele está tão zangado que está fumegante. Embora eu tenha causado isso, não tem nenhum direito de se comportar assim. Eu sabia o que estava fazendo, e ele também. —Você disse a Tony para me deixar entrar se eu aparecesse no clube, não é? de repente eu vejo tudo muito claro. Imaginava que iria fazer. — Disse para Tony me vigiar. —Tenho mais de duzentas de câmeras de segurança para isso. —Como se atreve!- eu cuspo, sentindo o calor do meu sangue com raiva, ao invés do desejo de sempre quando estou dentro da distância de Miller Hart me tocar. Pensei que a minha presença iria chocá-lo, mas não. Ele esperava isso. Ele dá mais um passo a frente, mas eu mantenho minha distância. Estou no corredor, ainda que ele não parecesse se importar. Ele cobre a distância que nos separa em dois passos, coloca a mão na minha nuca e me leva para sua mesa. Sento-me em sua cadeira no trabalho e vejo diante de mim centenas de imagens do clube, homens que saltitam em torno de mim. Eu me sinto um pouco envergonhada, mas uma vez fico muito satisfeita. Meu objetivo era torturá-lo da única maneira que eu sei. E parece que eu consegui. O homem


sem emoções está furioso. Alegro-me. Só que eu esperava estar muito longe quando ele visse as fotos. —Há cinco homens mortos nessas telas, ruge agachando-se ao meu lado e pressionando um botão no controle remoto. As imagens mudam, mas segue sendo imagem minhas com outros homens. —Aqui estão seis. Repassa as gravações e vai acrescentando à lista de homens que pensa assassinar. —Você acha bonito? —Nenhum deles me provou– Eu digo calmamente. —Mas morriam de vontade de fazê-lo! E você não fez nada para dissuadi-los!Ele grita na minha orelha e eu pulo. É uma massa de raiva. Tem razão. Chega a um ponto que não é para levá-lo na brincadeira. — Você não tem qualquer respeito por si mesma? Isso me acerta como um tiro. Eu acho que eu vou matar alguém. —Respeito? - O empurro com as duas mãos com todo o sangue ruim que levo dentro de mim, sai tropeçando para trás. Estou surpresa com a minha própria força. — E você me fala sobre porra de respeito? Ele abre os olhos, surpreso ao ver que o meu pequeno corpo está fumegante e eu tenho uma boca suja. —Você está brincando?- Eu gritei na sua cara contendo-me para não cruzá-la. Mas eu dou outro empurrão no peito dele. Desta vez ele segura meus pulsos e me vira. Minhas costas atinge seu corpo eu não posso mover minhas mãos. A boca dele está no meu ouvido, seu hálito ardente de raiva. O desejo me consome apesar da raiva. Eu odeio ele. —Você sim que está brincando, Olivia Taylor.- Me beija na bochecha e depois me dá uma mordida que me deixa sem fôlego. —Você sim que está brincando. Você sabe que não pode vencer esta batalha, minha menina. —Eu sou mais forte do que você pensa, – ofego e aperto minhas pálpebras com força. E eu sei que minhas palavras não. —Estou contando com isso. Seus dentes reprimem a minha orelha, enviando meu traseiro de costas e colidindo com sua virilha. Grito. Ele rosna. – Eu preciso que você seja forte por mim. Ele me vira e agarra meu pescoço. Com um puxão, ele fica entre as minhas pernas me prensa contra a parede de seu escritório, enquanto que com uma mão me mantém firmemente sujeita pelo meu traseiro e apoia a outra na madeira, perto da minha cabeça. Nem sequer pestanejo. Nada é capaz de matar o desejo que se apodera de cada átomo do meu ser. Seus olhos azuis buscam os meus um instante. Memorizando cada detalhe do meu rosto. Em seguida nossas bocas colidem com um grito. Eu aceito seu beijo violento. Emaranho meu dedos em seus cachos e arqueio o corpo para senti-lo mais perto. Ele empurra contra a porta sem deixar de gemer e murmurar. De


certa forma, suas carícias me tranquilizaram, mas também me assustam porque traz más recordações de nosso encontro no hotel. Então eu começo a remexer-me, e tiro seu paletó só que ele mal interpreta meu gesto com o paletó, ele acha que estou tão impaciente quanto ele e continua me beijando. —Miller! Afasto o rosto, mas ele consegue encontrar a minha boca novamente em um segundo. Isso está ficando fora de controle e eu entro em pânico. — Miller! —Eu amo o seu sabor. —Miller, por favor! —Porra! – resmunga para encontrar a força necessária para me soltar. Eu deslizo para o chão, ele se afasta e enxuga suor da testa com o punho da camisa. Parece perplexo. Ambos estamos ofegantes e suando. —Não. Eu pego minha bolsa do chão, e eu corro para a porta a toda a velocidade. Tenho que me acalmar antes de encontrar Gregory. —Olivia! Eu me viro. Está colocando o paletó. —Não!- Eu grito. —Acabou, Miller! Eu não tenho me valorizado. Se eu deixar de ir mais longe, não vou me valorizar. Tudo o que fará será foder-me. Ele lutou contra a sua vontade todo esse tempo. Ele está exausto e desesperado. Saco o cartão de sócio do ICE e jogo nele. Sigo sua descida até o chão na frente de seus pés. —Eu disse que você não vai voltar a me tocar, e eu disse sério! —Eu acabo de te tocar e quero mais. Eu quero mais horas. Muitas horas. —Você está fodendo a minha vida! —Antes você se limitava a existir. Suas palavras são arrogantes, mas seu tom de voz é muito doce. Lhe devolvi a vida Livy. —Sim, para que outro homem me saboreie. O horror em seus olhos não me produz nenhum prazer. Não haverá outro homem. Eu vou voltar a me fechar sólida, segura e vou jogar a chave no mar, porque o que eu sinto agora é uma devastação total. Eu estou vazia, sem vida. Nenhum homem pode dar-lhe de volta, nem mesmo Miller. —Retire o que disse agora. - Ele me levanta um dedo como um sinal de advertência. —Retire!Eu permaneço em silêncio. Seu peito sobe e desce diante dos meus olhos. —Eu sei que eu sou um fracassado, Olivia!- Respira mais lentamente, baixa o braço e leva um minuto para recuperar a compostura. Ele ajeita sua roupa, como se ele pudesse suavizar seu caráter com a mesma facilidade com que arranca as rugas de sua camisa. —Eu vou direto para o inferno. Eu tremo meu lábio inferior ao ver como se congelam seus olhos azuis. O frio que inunda seu escritório faz meu coração parar. Ele dá um passo em frente. —Há apenas uma pessoa que pode me salvar.


Eu engasgo com um soluço, mas sua expressão não revela nada. Não vejo nada, não vejo mais do que seu olhar gelado. E eu não gosto. Ele está me pedindo ajuda? Transtorno obsessivo-compulsivo, as maneiras insuportáveis e as atitudes de antipatia. As mulheres, a humilhação, o sexo repulsivo, os cintos e as regras... Não, eu ainda não posso. —Eu não sou forte o bastante para te ajudar. - murmuro. As palavras de William dão voltas na minha cabeça e eu fico tonta. Miller é um homem arruinado. Não tem conserto. Começo a correr. Minhas pernas me levam para longe da minha angústia e do homem que acho que nada e nem ninguém possa ajudar. Percorro pelos corredores correndo, o terror me ajuda a escapar. Por fim saio do labirinto subterrâneo do clube de Miller e quando vejo a saída, não sei se vou embora ou se entro no clube, onde Gregory está me esperando. Eu tenho que encontrá-lo. Eu faço o meu caminho através da multidão, empurrando e tropeçando. Pessoas gritam e xingam quando eu derramo suas bebidas e os empurro do meu caminho. Em fim eu encontro Gregory. —Onde você esteve? – Ele pergunta quando eu paro ao lado dele. Ele parece confuso. Estou pálida e meu rosto está banhado de suor. Ele coloca uma bebida na minha mão com cuidado e a preocupação se transforma em irritação. Em seguida, o copo desaparece e Gregory olha por cima do meu ombro. —Eu tenho que ir-, choramingo tomando-o pela mão.—Eu tenho que ir, por favor. —O que ele está fazendo aqui? Deixa a bebida no bar e me puxa. Ele garante em esbarrar-se contra Miller, que agarra meu pulso e me afasta do meu amigo. —Tire suas mãos sujas de cima dela! – Gregory ruge. Ele está tremendo da cabeça aos pés —Eu disse para soltá-la. — Eu vou pedir o mesmo- responde Miller com um sussurro ameaçador. Segurando o meu braço. —Nós não terminamos. —Nós terminamos,– respondo. Me solto e empurro Gregory para continuar andando, embora eu saiba que Miller não vai desistir. Ben se aproxima, preocupado, mas retira-se quando vê Miller. Tony tenta interceptar Miller, mas sua boa ação é recompensada com um empurrão que quase o joga ao chão. —Miller, Filho, não é o momento e nem o lugar, – diz Tony entre dentes, olhando nervosamente para todas as pessoas que estão no clube. — Foda-se!– Ele cospe. Eu só ouvi gritos. Miller solta fumaça pela boca. Tony solta fumaça pela boca.


Gregory solta fumaça pela boca. A ira está consumindo a felicidade do clube e eu só quero ir para fora. O porteio se esquiva quando saímos chispando do clube e abre os olhos em choque quando vê de quem estamos fugindo. —Não a deixe sair! – Miller ruge e o porteiro pula como se tivesse mola. Nos alcança e me joga por cima do ombro, mas estou atordoada demais para protestar, só ouço aos homens que maldizem. Disparam insultos inábeis e sinistros. Meu ângulo de visão é limitado e tenho que remexer para me soltar dos poderosos braços do porteiro. — Dê ela para mim! –A voz de Miller é ameaça pura, e noto que uma mão me puxa a cintura. —Solte-a, Dave! –Tony grita. —Eu vou se todos vocês me derem algum espaço! -Uiva o porteiro. Ele me resgata das mil mãos que pairam sobre mim e me leva para outro lado da rua. Me coloca no chão e me inspeciona. —Você está bem, querida? Arrumo a saia do meu vestido. Estou desorientada e me sinto vulnerável. —Sim, eu murmuro, mas voltam a me agarrar ferozmente a minha cintura e sinto que desata uma tempestade elétrica no meu interior. Levanto a vista, e Gregory está a vários metros. Miller me pegou, e meu terror que produz seu contato me transforma em uma louca que dá tapas e pontapés. —Deixe-me ir! —Nunca! Gregory aparece ao meu lado num instante. Eles me puxam de um lado e para o outro, eles gritam, nenhum dos dois cedem. É uma guerra de egos. —Parem de uma vez! – eu gritei, mas meu grito não produz qualquer efeito. Meu corpo ainda voando de um homem para outro, até que Miller me passa o braço pela minha cintura, me levanta do chão e me prende ao seu peito. Meus olhos ficam na altura dos seus e a primeira coisa que noto é o brilho letal emitem. Não há rastros das pequenas faíscas que me fascinam. Este é outro homem. Não é o homem vestido cavalheiro, nem Miller carinhoso que me adora. É outra pessoa. —Eu vou te matar! Miller ruge, e leva um direito de Gregory no queixo. O punho toca minha bochecha no caminho para o seu objetivo. Miller se desequilibra e Gregory aproveita o momento de confusão para me reclamar e me liberar de seus braços. Porém, não me puxando rápido o suficiente, eu desabo e bato a testa no meio-fio da calçada. —Merda! A dor através de mim me deixa tonta e desorientada ainda mais. Eu olho para cima e vejo que Miller está derrubando Gregory. Joga ele ao chão. Os dois homens rolam como animais. Voam socos e insultos inundam a noite, até Tony e Dave intervirem separando. E eu passei todo esse tempo feita uma bola de patética na calçada, sangrando a testa e chorando. Eles estavam tão determinados a vencer que tinham


esquecido o porquê eles estavam brigando. Aqui estou eu, ferida, com o rosto cheio de sangue, e nenhum dos dois se deram conta enquanto Tony e Dave os seguram e eles se reviravam como cobras. —Não chegue perto dela! – Grita Gregory para Miller, ele para de resistir contra Tony. —Quando eu morrer! —Então eu tenho que matá-lo! Gregory escapa de Tony e corre de volta para Miller. Ele joga-o no chão e também ao porteiro. Faço uma careta de dor quando ouço o choque da junta da mão contra a pele, o sangue que jorra e as roupas se rasgam. Embora Gregory seja mais forte, Miller leva vantagem, causado pelo treinamento. Eu o vi mostrar este tipo de golpe antes, só que então a vítima era um saco de Boxe pendurado nas vigas de um ginásio. Não no meu melhor amigo. Eles se esqueceram de mim, nem se quer notaram que eu me machuquei e angustiada na calçada. Eles estão se comportando como homens das cavernas, batendo os chifres. Na minha confusão, eu consigo ficar em pé enquanto o espetáculo continua. Dou dois passos vacilantes. Eu tenho que detê-los, mas alguém toma meu braço e me leva para longe. É Tony, que me leva para a estrada. Para um táxi e me coloca dentro. —Tony, eu tenho que detê-los. —Eu me encarrego disso. –É melhor você sair daqui, afirma categoricamente. —Separe-os, por favor– ela implorou enquanto ele fechava a porta. Assente e me tranquiliza. Ele se aproxima da janela e dá ao motorista uma nota de vinte. —Leve-a para um hospital. E se afasta em fúria. O motorista se afasta da cena de filme de terror, que eu tinha causado e olha pelo retrovisor. Eu toco minha cabeça. Faço uma careta sem parar de chorar, mais raiva do que dor. —Você está bem, garota? —Eu estou bem, de verdade. Procuro um lenço de papel na bolsa e me rendo quando o taxista me dá um através da pequena abertura do vidro. - Obrigada. —De nada. Vou te levar ao hospital. —Obrigada, sussurro com voz fraca. Eu me inclino para trás no banco e contemplo as luzes Londres borrada pela janela. O motorista me deixou na sala de emergência e me deu o seu número para chamá-lo assim que tivesse terminado. Eu vou à recepção, deixo os meus dados e me sento entre as hordas de bêbados de sábado à noite, todos eles feridos; alguns protestam outros vomitam. Quatro horas mais tarde, ainda estou sentada na sala de espera. Acabei dormindo na cadeira e dói a minha cabeça. Eu me levanto e vou ao banheiro. Eu uso um vestido azul com gelo encharcado de sangue.


Quando eu olho no espelho vejo que é pior do que eu imaginava. Meu cabelo está pastoso minha bochecha direita está coberta de sangue seco. Estou tão mal por dentro quanto por fora. Eu olho por muito tempo, sem me preocupar em arrumar um pouco. Volto para a sala de espera e eu ouço meu nome. Há uma enfermeira procurando alguém. —Aqui! –A chamo e começo a correr em direção a ela, grata porque minha penitência nesse lugar infestado com bêbados chegou ao fim. —Eu sou Olivia Taylor. —Nós vamos curar isso. – Sorri educadamente e leva-me a um cubículo. Fecha a cortina e me senta na cama. —O que aconteceu com você, amoreco? – Pergunta franzindo a testa, olhando rosto ensanguentado. —Eu caí,- murmuro baixinho. Mais ou menos é verdade. —Tudo bem, ela diz que toma uma gaze esterilizada em sua embalagem -. Isso vai arder um pouco. O ar me escapa dos pulmões quando ela coloca na minha cabeça e sussurra como uma menina: —Sim, sim... Parece pior do que é, mas não é nada. Será suficiente um curativo. Que alivio. —Obrigada. —Você devia optar por outros tipos de sapatos, - sorri enquanto olha para os meus saltos altos. Em seguida me aplica o curativo. Sentada na beira da cama, ouço a enfermeira. De vez em quando assinto ou respondo às suas perguntas. Eu lavo o meu rosto, mas não há nada a fazer com o meu cabelo. Recolho como posso com um elástico que eu encontrei escondido nas profundezas da minha bolsa. O vestido está arruinado. Estou também estou arruinada. Examinaram-me a fundo e verificaram que eu não tenho nenhuma concussão cerebral. Me dão alta e eu tenho que encontrar uma forma de volta para casa. Eu não chamo o tal motorista gentil de antes, porque chega um enquanto as portas do hospital são abertas e o ar frio da madrugada me bate. Eu estremeço enrolo os braços ao meu corpo e tentando manter o calor tentando parar de tremer e entro no táxi. Antes que você possa fechar a porta, alguém se mete no meio. Uma mão repousa na minha nuca e saltam faíscas. — Você vem comigo.

Capítulo Sete


O cansaço e o olhar de determinação em seus olhos me impedem de resistir. Não tenho energia para discutir com ele, assim eu deixo que me tire do táxi. —Entre.- Ele ordena quando chegamos ao seu carro, que está estacionado em uma área proibida. Eu faço o que ele diz e fecha a porta. Entra no carro e eu fico surpresa de tentar consertar meu vestido, que está esfarrapado. — Que desastre, murmura me olhando com o canto do olho. O idiota só percebeu agora meu estado lamentável. Ele nega com a cabeça, arranca com a Mercedes e sai do hospital rápido demais, mas não digo nada. Seria estúpido. Parece um louco perigoso, completamente fora de si. E isso me assusta. — Você está bem?- Ele pergunta, fazendo uma curva fechada para a esquerda, em direção à estrada principal. Eu olho para frente e não respondo. A resposta é óbvia. —Eu te fiz uma pergunta. Eu permaneço em silêncio, absorvendo a fúria implacável que emana de seu ser desalinhado. —Porra, Olivia! Ele dá um soco na janela e eu dou um salto quase tocando o teto. Onde diabos estão suas maneiras? Eu olho para ele com apreensão. Ele está suando, ele tem uma carranca e uma mecha rebelde treme na testa. —Estou bem,- sussurro. Respira fundo para se acalmar e olhar no retrovisor. —Por que seu telefone está desligado? —Está quebrado. Ele olha para mim, e volta a olhar para o retrovisor, pestaneja e toma outro rumo no último momento. — Como? —Eu o arremessei contra a parede quando você me mandou uma mensagem de texto -. Não duvido, em contar. — Porque eu estava muito brava com você. Ele olha para mim e estuda meu rosto inexpressivo durante o que me parece uma eternidade. Em seguida libera a alavanca de câmbio e lentamente aproxima a mão do meu joelho. Desenha círculos preguiçoso sobre ele até que a afasto e volto a olhar para frente. Ele deixa a mão no assento de couro, perto da minha perna. Ele amaldiçoa em voz baixa e pelo canto do meu olho eu vejo olhar novamente no retrovisor. Eu tenho que segurar na porta ao fazer outra curva perigosa para entrar em um beco escuro e amaldiçoa novamente. Será que alguém está nos seguindo? Estou prestes a dizer algo quando o carro freia com um rangido. Miller vem de fora, abre a


porta e me oferece sua mão. — Toma, me ordena, e eu relutantemente concordo. Seu tom é urgente. Me para fora do carro e pega o meu pescoço, como de costume. —O que está fazendo? Eu pergunto ando a toda a velocidade para acompanhar o ritmo dos seus passos. — Miller? —Eu bebi demais. Eu não estou em condições de dirigir. Se safa da minha pergunta e me conduz a uma estação de metrô do outro lado da rua, e olhando continuamente de um lado para o outro. —Não é hora de você se rebelar, Olivia. —Por quê? Deixou-me nervosa e eu também olhei de um lado para outro. —Você confia em mim? Está nervoso e está me assustando. —O que você fez para merecê-lo? —Tudo - Responde imediatamente. Eu olho para ele com o cenho franzido, como minhas pernas ainda tentando manter o ritmo dos seus passos largos. Entramos na estação de metrô e me soltando um momento para pular a catraca com facilidade. Não está disposto a perder tempo com a máquina de bilhetes. Ele se vira novamente, ele me pega passando-me por cima da barreira, sem se preocupar com a minha segurança ou as pessoas nos vejam. Reclama novamente meu pescoço e começamos a descer para as entranhas de Londres a toda velocidade pela escada rolante. —Miller! Por favor-, implora. Meus pés estão me matando, e minha cabeça vai explodir. Então, ele para, olha para mim e pega no colo. —Perdoe-me por fazer você andar. A proximidade e a deslumbrante luz artificial deixa-me ver seu rosto claramente. Tem a bochecha roxa e o lábio cortado, mas ainda cativante. E minha reação à sua beleza e contato físico é óbvia. Fico hipnotizada. O coração bate violentamente e não é pelo passeio. Eu não gosto de como eu respondo a ele. É perigoso. A plataforma está vazia e temos que continuar descendo, mas ele não me abaixa, prefere manter-me segura em seus braços. Um apito estridente quebra o silêncio para indicar a chegada de um trem. As portas se abrem, Miller entra no vagão, e encosta-se a um dos apoios que há no fundo. Finalmente me coloca no chão, afasta as pernas e colocar-me entre elas, peito contra a peito. Faíscas voam por todas as partes. Sua respiração muda quando acaricia meu pescoço e me estreita contra ele, como se tentasse nos fundir em um só. Ele me abraça de tal maneira que nem mesmo tento escapar. Será que eu queria? Eu sinto uma paz que não é normal, e menos ainda se contar o estranho comportamento de Miller, mas meu subconsciente


está trabalhando horas extras para me lembrar... De tudo. Ao mesmo tempo, Miller está tentando me fazer esquecer e sua tática consiste em mergulhar-me em seu corpo e encher-me com atenção. Ele está me venerando. —Deixe-me saborear você novamente, te suplico-, sussurra ele contra meu pescoço enquanto começa a me beijar em direção a minha mandíbula. A familiaridade do movimento lento de seus lábios me faz fechar os olhos e rezar para ser forte. —Esqueça o mundo e fica comigo para sempre, diz ele. —Eu não posso esquecer,– digo em voz baixa. Meu rosto esfrega contra sua boca automaticamente. —Eu posso fazer você esquecer. - Chega aos meus lábios e esfrega com os seus. Seus olhos se afundam nos meus. —Você concordou que ninguém mais vai te provar. Não há nenhum sinal de arrogância em seu tom, e separa um pouco. Eu olho para bagunça de cachos e muitos lugares bonito onde me perder. —Eu não sabia com quem estava falando. —Com o homem sem o qual você não pode viver, ele diz com voz doce e rouca sem desviar o olhar dos meus lábios. Não faz sentido negar suas palavras quando as palavras são um espelho da minha própria, falado em voz alta e entregue a ele pessoalmente. Nossa separação não tem feito nada mais que demonstrar isso. —Nós fomos feitos um para o outro. Nós nos encaixamos perfeitamente. Certamente você também já sentiu Olivia. Eu não tenho tempo para concordar ou discordar. Ele se aproxima lentamente, com cuidado, se contendo. Eu levanto os meus braços e o rodeio com eles, meu corpo se rende ao seu e fecho meus olhos com felicidade. Nós nos beijamos por uma eternidade, lentamente, com delicadeza, entregues. Sinto como se nossos pedaços se unissem. O bom da nossa união cancela todo mal da nossa relação maldita. Eu posso beijá-lo. Eu posso tocá-lo. O trem desacelera, chegamos a uma parada e as portas são abertas. Abro um olho por um momento enquanto nós nos beijamos. Ninguém sai e ninguém entra. Eu posso beijá-lo. A própria ideia e o som das portas que começam a fechar me levam do mundo curioso de Miller Hart e me levam para um lugar onde tudo é... Impossível. Ele esteve em Madrid. Ele esteve com as clientes, enquanto ele estava comigo. Eu escapo de seus braços através do pequeno buraco que fica para sair e aterrisso na plataforma antes dele ter processado minha manobra inteligente. Eu olho para o vagão, o trem começa a andar e Miller bate no vidro ele grita como um louco tomado pela loucura e pânico. Eu fico quieta como a morte. A última vez que eu o vejo, está jogando a cabeça para trás e soltando um temível rugido enquanto socava a janela de vidro. O tempo começa a ficar mais lento. Estou atordoada e revejo todas as razões por que eu deveria ficar longe de Miller Hart, enquanto eu corro os dedos por meus


lábios. Eu ainda sinto sua boca. Eu também sinto o seu corpo contra o meu e o calor que seu olhar deixa em minha pele. Ele me tem profundamente e me aterroriza não poder tira-lo. A porta da frente se abre quando eu ainda estou no caminho do jardim e Vovó me observa perplexa de camisola da porta. —Olivia! Por Deus!- Corre para me encontrar, ela agarra meu cotovelo e me leva para casa. –—Meu Deus, o que aconteceu? Oh, Virgem! —Eu estou bem, murmuro. O cansaço toma conta de mim e não me deixava falar. Devo fazer um esforço porque a Vovó parece que vai ter alguma coisa. Seu cabelo está selvagem, ela que sempre vai tão bem penteado, e parece ter envelhecido de repente. Você precisa me ouvir dizer que estou bem. —Vou fazer um chá. Me leva para a cozinha, mas eu congelei na porta quando eu sinto que me arrepiam os cabelos na nuca. —Onde ele está? Vovó bate contra as minhas costas, não esperava a minha freada brusca. Ela não responde, mas me empurra em direção a cozinha. —Venha. Vamos tomar um chá, repete tentando evitar responder a minha pergunta. —Vovó, onde ele está?– Eu pergunto sem me mover do lugar. —Olivia, estava fora de si... – com um empurrão, eu entro na cozinha e, em seguida, eu o vejo. Miller está sentado junto à mesa, magoado e aborrecido. No entanto, a raiva e o desagrado que me produz não me impedem de desejar que volte a me beijar como fez antes no metrô. Eu perdi. Ele se levanta e me dá um olhar de advertência. Me analisa. Não tem escrúpulos; usa uma velha para conseguir o que ele quer... Ela não tem ideia do horror que tem sido o nosso relacionamento e, consequentemente, o meu coração morreu. Estou prestes a gritar quatro coisas na sua cara em uma tentativa desesperada para mostrar o quanto me irritam suas táticas sujas quando, sem dar tempo ou que eu pudesse reunir forças, uma picada afiada me atravessa a têmpora. Eu levo as mãos à cabeça, uivo de dor e me derrubo dos saltos. —Olivia, meu Deus. Eu o tenho do meu lado em um segundo, acariciando meu rosto, me beijando em todos os lugares, murmurando palavras incoerente e xingando baixinho. Eu estou muito cansada para me livrar dele, então eu espero até que ele tenha terminado sua abundância de mimos e me afasto. Então eu lanço um olhar frio e penetrante. —Vovó, acompanhe Miller até a porta. —Olivia-, rebate ela gentilmente, —Miller estava muito preocupado com você. —Eu disse que você tinha que comprar um novo celular. —Eu não vou comprar outro porque não quero falar com ele-, eu digo, com uma voz tão fria como o meu olhar. —Vovó, você já se esqueceu de como eu tenho estado nessas últimas semanas?- Eu não posso acreditar que ele voltou para me encurralar assim. Ele não tem nenhuma moral. —Claro que me lembro, mas Miller explicou tudo. E está muito arrependido e diz que é tudo um mal-entendido. Ela pega a toda velocidade três xícaras do armário, determinada a servir o chá, como se isso fosse apaziguar-me. Ou como se beber uma boa xicara de chá Inglês vai resolver tudo.


—Um mal entendido?- Olho para ele e ali estão os olhos azuis impassíveis. Que ironia: o encontro reconfortante depois de passar a noite de ontem com um maníaco. Me é familiar, e que certamente é ruim. —Diga-me, o que eu entendi mal? Miller dá um passo em minha direção e eu instintivamente um passo atrás. —Livy...Passa a mão pelos cachos escuros, frustrado, e tenta corrigir seu terno, que está arruinado. —Podemos conversar? – Ele diz em sua mandíbula tensa. —Vamos, Livy. Seja razoável, – intercede Vovó. Miller fica com a mandíbula ainda mais tensa. —Nem em sonho.- Eu me viro e deixo os dois na cozinha. Embora ninguém esteja mais desolada do que eu. Eu estou desmoronando, me desintegrando. Tenho a cabeça como um tambor quando subo as escadas, incapaz de processar o que aconteceu. Eu nunca me senti tão confusa, tão desesperada, tão irritada e tão frustrada. —Livy. Sua voz me assustou no meio da escada e puxou a força para enfrentar o inimigo do meu coração. Seus olhos estão vidrados e seus ombros caídos, mas ainda o rodeia essa aura de segurança em si mesmo. —Você tem subestimado o quão determinado eu estou para consertar tudo. —Não temos que consertar. —Você está errada. Eu seguro o corrimão. Sua resposta transpira segurança e confiança. —Eu disse a você e, eu não posso consertar você e não posso arriscar que me destroce toda. – Minha voz falha antes de eu terminar o meu discurso. Me enfurece não poder acabar com o mesmo valor com o qual eu comecei. Eu já estou em ruínas. Eu não estou quebrada, mas sim em ruínas. O que está quebrado pode ser consertado. O que está arruinado não tem conserto. Para os que estão em ruínas, não há esperança. —Boa noite-, digo. —Você me confunde com um homem que desiste facilmente. —Não, te confundi com um homem em quem eu podia confiar. Consigo chegar ao meu quarto e tiro a roupa antes de cair na cama e me esconder em baixo das cobertas. Eu sei o que estou fazendo é sensato, mas a força de vontade que eu preciso ter está acabando comigo. Ele vai acabar comigo. Eu caio no sono imediatamente, principalmente porque o pensamento é uma agonia e meu cérebro se retira para se proteger, ele se fecha e me dá algumas horas de paz antes de eu enfrentar mais um dia de escuridão. Tenho calor, mas eu não posso mover ou me descobrir. Então eu ouço alguém respirando e não sou eu. Eu também noto algo duro contra minhas costas, mas algo interpõe entre meu corpo nu e os músculos que me cravam. Pano caro. Pano de terno. Pano de terno feito sob medida. Se eu pudesse me moveria, mas é pior do que uma camisa de força, como se temesse que eu escapasse, enquanto ele tira um cochilo.


—Miller. Eu lhe dou uma cotovelada ele geme, e me abraça com mais força. — Miller! —Quero -o que eu mais gosto-, sussurra meio adormecido enterrando seu nariz no meu pescoço. -Espera. A sensação de estar rodeado por seu corpo é maravilhosa, mas o meu cérebro consciente acredita que é errado. —Miller, por favor! Ele me solta e se afasta, deixando espaço para eu me reincorporar e afastar o cabelo do rosto. Torço o gesto e afogo um grito, quando passo a minha mão no corte sem cuidado e a dor lembra que me machuquei na noite passada. —Olivia...Está na minha altura em um instante me segurando pelos braços, mas consigo me liberar. —Eu te machuquei? – Pergunta suavemente me dando o espaço que eu preciso. Me permito levantar à vista para encará-lo. Eu sei que é uma má ideia, mas seus olhos são como um ímã poderoso. Continua lindo, apesar do seu rosto cansado e os cabelos revoltos. Tem os olhos apagados, leva o terno amassado como pode ser. Sua pele bronzeada parece pálida. —Não mais do que você já me fez-. Digo meio chorando tentando lutar contra as lágrimas. —Fora daqui!- Inclino a cabeça, eu me levanto da cama e fujo para o chuveiro. Eu não quero olhá-lo porque eu não poderei me conter. Quando eu entro embaixo do jato de água, é como se mil adagas caíssem na minha cabeça. Lavo meu cabelo com cuidado, e em seguida, aplico um pouco de condicionador nas pontas, enquanto repasso mentalmente tudo que William me disse. Eu tomo meu tempo, não tenho pressa de começar o dia e para quando eu terminar, eu espero que Miller tenha desaparecido. No entanto quando eu volto para o meu quarto com a cabeça enrolada em uma toalha, lá está ele, sentado ao pé da minha cama, segue feito uma raposa e tem uma xícara de chá na mão. —Vovó sabe que você está aqui? —Claro que sabe-, eu digo. – Quem, se não, prepara o chá como se não houvesse amanhã? — Você não tinha o direito de invadir minha cama. –Bato a porta para um efeito maior, ainda que não parecesse dar resultado. Miller permanece perfeitamente calmo na cama, sem alterar-se. —Eu precisava de você nos meus braços. Você não ia me deixar te abraçar acordada, de modo que tomei a iniciativa. Ele não mostra nenhum sinal de arrependimento, nem um pouco para os seus truques sujos. Bebe o chá enquanto eu o olho assombrada, atônita, lutando contra o instinto do meu corpo, que quer reagir a estes lábios se movendo. —Você vai esgueirar-se aqui todas as noites e violar minha privacidade? —Se não houver outro remédio...Eu estou pisando pantanoso. Tenho sido o objeto de sua determinação mais de uma vez. Eu tenho que ser forte. Memórias de um Miller carinhoso que me amava começa a desaparecer depois


de ver o atraso emocional. —Como é que você ainda está aqui?- Eu me aproximo da minha cadeira e eu faço o que posso para colocar uma camisa e uma calcinha sem deixar cair à toalha. — Por que você de repente se tornou tão tímida? Viro-me e me encontro com seus olhos viajantes percorrendo as minhas pernas. Ele está orgulhoso e se vê triunfante, e isso me faz sentir...Derrotada. —Eu quero que você vá embora. —E eu quero que você me dê a oportunidade de falar, mas nem sempre conseguimos tudo queremos, responde.- Ele levanta e se aproxima. — Quieto aí ou eu te bato. Entro em pânico e dou um passo para trás. Merda, ele vai me encurralar contra a parede para ter-me à sua mercê, mas para minha surpresa, ele se ajoelha e levanta a cabeça. A arrogância desaparece, e em vez disso só há arrependimento verdadeiro. —Eu estou de joelhos Olivia. Suas mãos levantam a minha camisa e deslizam para baixo em direção ao meu traseiro, como se estivesse esperando que eu grite para ele parar. Eu faria se eu pudesse encontrar a minha língua. Seus olhos azuis me observam, se aproxima e pousa os lábios no tecido que cobre meu ventre. —Deixe-me consertar o que eu quebrei. —A mim, murmuro. Você me quebrou. —Eu posso consertar você Olivia, e preciso de você também para me corrigir. Treme meu queixo ao ouvir a convicção com que ele diz isso. —A culpa é sua, – soluço resistindo à vontade de tocar seu cabelo bagunçado, sabendo que me dará o conforto que eu não deveria buscar nele. —Aceito a minha responsabilidade. Ele beija a minha barriga novamente e desliza as mãos por minhas nádegas. – Estamos quebrando mais ainda um sem o outro. Vamos ficar juntos novamente. Preciso de você Olivia, desesperadamente. Você faz com que meu mundo seja mais luminoso. A palavra que eu quero pronunciar quase sai da minha boca, mas muito mais o que dizer, e temo, é que nada disso seja o correto. Ele me puxa até que eu fique de joelhos e baixa seus lábios suaves e sensuais. O sentimento habitual de plenitude inundam meus sentidos. —Miller...- Eu me afasto e mantenho longe o tanto que permitem meus braços esticados.—Pensa que é fácil? Franze sua impressionante testa e estuda o meu rosto. —Você está dando muitas voltas. Eu não posso evitar rolar meus olhos com o seu argumento fraco. —Precisamos conversar. —Ok, vamos conversar. A frustração toma conta de mim novamente. —Eu preciso de tempo para pensar-, digo. —As pessoas tendem a dar muitas voltas nas coisas Livy. E eu lhe disse. Ele é um homem inteligente. Com certeza é consciente do que ele diz. — E dar mais importância do que têm?– Pergunto, com uma pitada de


sarcasmo para concluir. —Não há necessidade de colocar-se insolente. Suspiro. —Eu disse a você Miller Hart: Com você é necessário. —Durante Quanto tempo? Não tenho resposta para isso. —Não sei. Eu nunca tive um relacionamento e queria ter com você. Então eu descobri que você ganha à vida fodendo outras mulheres! —Livy! –Grita,. Por favor, não seja vulgar! —Desculpe-me, eu feri seus sentimentos? Espero uma reprimenda, mas, em vez disso, sua voz é calma, sua expressão séria. —O que diabo aconteceu com a minha menina? Ele diz. Ergue as sobrancelhas e me arrepia o cabelo da nuca. Você fica bêbada, se oferece para outros homens... —Você! A culpa é sua!— Sim, eu fiquei bêbada, mas apenas para aliviar a dor que ele havia me causado. —Eu não quero que mais ninguém te toque. —Eu digo mesmo!– Eu grito. Miller dá um salto de surpresa, então ruge. Deveria me surpreender a sua falta de defesa, mas não é assim. Me preocupa. No entanto, de repente eu me lembro de uma coisa. —Eu vi o jornal. Sua hostilidade desaparece instantaneamente. Agora está desconfortável, mas não poder e não saltar para se defender, confirma as minhas suspeitas. Diana Low não alterou o título em seu jornal por sua conta: Miller pediu a ela. O barulho de panelas e frigideiras me distrai e jogo a cabeça para trás com um gemido de frustração. —O que disse a minha avó? Preciso esclarecer isto porque ela vai ser em mim como um abutre quando mandar Miller ir embora. —Só que nós discutimos, que você confundiu a minha sócia, com quem eu estava me encontrando, com outra coisa. O pescoço range quando eu volto a levantar minha cabeça novamente. Miller dá de ombros e apoia o traseiro em seus pés. —O que mais deveria ter dito a ela? Eu não consigo pensar em nada. Eu deveria ser grata por ter sido tão rápido, mas ele lançou uma mentira tão descarada a minha avó, que não sinto um pingo de gratidão. —Vou te ligar-, eu suspiro. —O que significa eu vou te ligar?- Não gostou nem um pouco. —Se você não tem um celular! —Você esteve no exterior com outra mulher. Respondo me coloco de pé muito mais cansada que antes. —Eu não dormi com ela, Livy. Eu não dormi com ninguém desde que eu conheci você, eu juro. Eu deveria sentir-me aliviada, mas não é assim. Eu verifiquei.


—Com ninguém? —Com ninguém. —Você é um garoto de programa. Eu o vi com outras mulheres. Você estava viajando... Seus olhos sorriem. —Não importa o que você perguntar, a resposta será sempre a mesma: ninguém. —E o que você foi fazer em Madrid? E com aquela mulher de Quaglino? —Vem sente-se. Ele se levanta e tenta me para a cama, mas eu escapo. —Não. Vou para a porta do quarto e abro. — Nada que você diga vai consertar essa bagunça, ainda que você encontre as palavras certas, continuaria sendo o garoto de programa que emprega umas táticas muito baixas. Eu tenho que fazer o que me disse William. Não move um músculo. Está claro que a sua mente maravilhosa funciona a toda velocidade. —Vamos sair para jantar, e você não pode negar porque é falta de educação recusar um convite de um cavalheiro, quando ele te convida para comer e beber. Ele balança a cabeça em sinal de aprovação de suas próprias palavras. Basta perguntar a sua Avó. — Na próxima semana, eu sugiro para tentar tirá-lo daqui antes que eu ceda. Me pergunto se alguma vez estarei pronta para me opor a ele. Eu não sei de onde ele tirou a ideia que sou forte o suficiente para ajudá-lo. Ele abre os olhos arregalados, mas mantém a compostura. —Na semana que vem? Receio que não. Esta noite. Nós vamos sair para jantar hoje à noite. —Amanhã – eu respondo sem perceber, surpreendendo a mim mesma. — Amanhã? – Pergunta, calculando mentalmente quantas horas faltam. Descarrega um profundo suspiro. —Me promete?- Pronunciam seus lábios muito lentamente. —Prometa-me. —Eu prometo- eu sussurro atraída por sua boca, pensando que ela poderia fazer tudo ficar melhor. —Obrigado-. Ele se aproxima, alto e amassado, e para porta. —Posso te beijar? Estou espantada com suas maneiras. Ele geralmente se esquece em momentos como este. Eu nego a cabeça. Eu sei que isso vai me distrair eu me conheço e certamente vou terminar na cama embaixo dele. —Como quiser-. Ele está muito ofendido. — Respeitarei seus desejos por agora, mas não por muito tempo, me adverte, e seus sapatos caros percorrem o corredor, de mal humor. — Amanhã-, sublinha antes de desaparecer escada a baixo. Eu fecho a porta. Sinto-me aliviada, perdida e orgulhosa de mim mesma, de uma só vez. Mas continuo desejando Miller Hart.


Capítulo Oito Com a ausência de certo cavalheiro, o jantar novamente é constituído pelos pratos tradicionais, na mesa da cozinha, em vez da sala de jantar elegante de minha avó. George desabotoa o primeiro botão de camisa e ninguém recebe uma reprimenda por esquecer seus costumes. Não há nenhum vinho ou vestidos de domingo ou torta de abacaxi. Mas há seis olhos pendentes sobre mim, me observando enquanto eu me forço a comer. Meu silêncio fala muito, e Gregory está fora de si tendo recebido o resumo de minha avó, antes de eu descer para o jantar. Eu ouvi o sussurro, reprimi exclamações de assombro, minha avó reconforta um Gregory irritado com desculpas e mal-entendido sobre uma colega de trabalho que não era o que eu pensei que eles eram. Gregory não acreditou, então eu fiquei sentada na mesa fazendo tudo que posso, para evitar a todo custo me interrogar. Ele tem um olho roxo e uma mão inchada. É impossível não vê-lo, e eu me pergunto qual a explicação dada para a minha avó. Quando ela começa a limpar a mesa, Gregory inclina a cabeça sinalizando para eu segui-lo para fora da cozinha. Eu sei que não posso evitá-lo por mais tempo. —Obrigado vovó, - eu agradeço, faço carinho nas costas de George e sigo o meu melhor amigo pelo corredor. Mas eu começar a falar. —O que você estava pensando? - Eu assobio na porta da cozinha e puxo para subir as escadas. — Eu não precisava de você flexionando seus músculos e batendo nele! Nós alcançamos o topo da escada e vejo que minha repreensão o deixou sem palavras. —Eu estava protegendo você! —No princípio sim! Então se tornou uma batalha de egos! Você bateu primeiro! —Ele empurrou você! Nós dois olhamos para o lado para ouvir minha avó. —O que está acontecendo ai em cima?


—Nada! - Eu grito levando Gregory para o meu quarto e batendo a porta. —Ele me arrancou de seus braços e me jogou no chão antes de cair em cima dele!Eu me inclino para frente e aponto minha cabeça. Fiquei horas na emergência para curar minha ferida, enquanto você estava lutando na rua! —Você simplesmente desapareceu!- Ele grita apontando o dedo na minha cara. —E você não tem nenhum celular! Ele levanta as mãos em frustração. Fico em silêncio por um momento, penso em algo que eu realmente não queria pensar. —Está nos afetando.-eu digo calmamente. Seu pescoço se retrai sobre seus ombros. —Sim ele está. Que o homem é impossível. —Não quero Miller. —Então o que...? -Calou-se brevemente, em seguida, abre os olhos.-Ah, não! Não ponha a culpa nos pequenos momentos que tivemos, ele acena para a cama, enquanto sorri sarcasticamente. —E a culpa é daquele babaca presunçoso, por quem você se apaixonou! —Ele não é um babaca! - Eu grito procurando forças para me acalmar. —Eu juro por Deus Livy, se você vê-lo novamente, acabou a nossa amizade! —Não diga besteira! Estou horrorizada com o que ele acabou de dizer. Eu tenho o ajudado com inúmeras separações de merda e eu nunca o ameacei. —Não é nenhuma besteira. - diz mais calmo. — É sério, Olivia. Você sabe tão bem quanto eu que esse filho da puta vai te trazer problemas, e eu sei por que você me contou tudo. —Sim, eu fiz!- Eu me defendo muito apressadamente. —Não me insulte! —Pelo menos ele se importou o suficiente para me procurar! Gregory recua com desgosto. —Ele está arruinando sua vida. Ele morde o lábio e me estuda atentamente por alguns eternos segundos. Eu odeio sua expressão, e eu não sei se vou gostar do que vai dizer. Ele está pensando duramente. —Eu não posso continuar vendo você se ele continuar em sua vida. Engulo em seco e ele se vira e vai embora. Batendo a porta atrás dele. Ele me deixa sem palavras, magoada e irritada. Ele não pode colocar condições para a nossa amizade quando lhe convém. Eu nunca fiz isso. Jogome na maldita cama e me escondo debaixo das cobertas. Mais uma vez, minha mente está grata por pensar sobre coisas dolorosas, e logo estou sonhado com algo quente e duro, com alguém contra minhas costas cantarolando suavemente em meu ouvido. Apenas um sonho, mas as linhas retas do terno e o sentimento familiar de mãos macias que deslizam para baixo a minha barriga nua me consolando, mesmo quando eles não são reais. É muito melhor do que os pesadelos habituais. Não brindo a segunda-feira com qualquer entusiasmo a mais do que todas as manhãs desde que eu fugi daquele hotel. Agora não só os pensamentos sombrios assaltam-


me sobre certo homem, mas também eu tenho que me preocupar com Gregory. Minha vida agora é uma calamidade; É mais do que compensaria como chata que era antes. Parte de mim se pergunta por que eu sugeri jantar fora com Miller hoje, se ontem eu estava desesperada por ser engolida por ele, enquanto a outra parte pergunta por que eu tive que sugerir uma data. Ele não dormiu com alguém? Eu preciso fazer uma lista de perguntas, se eu sou tola o suficiente para ir ao seu encontro. Eu puxo minha colcha para fora de meu corpo nu. Eu estou usando calcinha, mas todo o resto se foi. Minhas roupas estão cuidadosamente dobradas em uma pilha na minha cadeira. Não eu estou ficando louca. Ontem à noite eu adormeci vestida depois que Gregory saiu com raiva. Acho que minha avó pode ter me despido no sono, mas porque a pilha de roupa está dobrada tão bem, eu sei que ela não foi. Ainda carrancuda, eu saio de debaixo das cobertas, atravesso a sala, abro a porta silenciosamente e tento ouvir minha avó. Ela está cantando, feliz, e ouço o tilintar de pratos e copos, mas não conversa. Eu olho a pilha reveladora de roupas, eu coço a cabeça e tento lembrar se eu fiz, mas eu não me lembro de nada. Minha mente está em branco. Será que me tornei uma sonâmbula e não sabia, ou talvez esteja ordenando nos sonhos. Uma rápida olhada no relógio me diz que não tenho muito tempo pra desvendar esse mistério. Eu rapidamente tomo banho e me visto para ir ao trabalho. Calças de jeans e um Converse branco, como se eu achasse que meus sapatos vão marcar meu humor: sem vida ... em branco. Eu tenho uma tigela de cereal na frente antes de sentar à mesa, minha avó olha para mim uma rara mistura de curiosidade e prazer. Estamos sozinhas pela primeira vez desde ontem de manhã, o que significa que eu finalmente tenho a oportunidade de conversar. Rapidamente vasculho o meu cérebro a procura das palavras certas antes que ela ataque primeiro, eu imediatamente penso em...algo. —Como foi o baile? -Eu pergunto. —Nós arrasamos. - Ela simplesmente responde, embora eu tenha certeza que ela tem muitas histórias para contar de sua noite de Ginger Rogers. —E foi a duas noites atrás. Eu faço uma careta. —Sinto muito. —Não importa. – Ela diz e eu sei por quê. —Miller parecia muito triste quando ele foi embora ontem. —Ela disfarça com a colher de chá, enquanto estuda minha reação. —E eu não gosto de ouvir Gregory discutindo com você. - Suspiro, eu me deixo deslizar pela cadeira e despejo o leite no cereal enquanto ela coloca muito açúcar em seu chá. —É complicado, vovó. —Ah...- Ela senta na cadeira ao meu lado e seus olhos azuis são muito


curiosos. —Sou capaz de compreender as coisas complicadas. Na verdade, eu aposto que eu tenho a resposta. Eu sorrio com ternura e levo a mão sobre a dela. —Eu que tenho que consertá-los. —Eu tenho a impressão de que Gregory não gosta de Miller. - diz cautelosamente. —Sua impressão é correta, mas podemos deixá-los pra lá? Seus lábios torcem por um momento, irritada por eu não ser honesta com ela. Eu não vou expô-la a minhas complicações terríveis, então ela tem que manter a mente e aceitar a mentira que Miller disse. Não posso expor o horror das minhas complicações. Ela só vai se irritar, é melhor ela continuar acreditando nas mentiras de Miller. —Talvez eu possa ajudar. -insiste apertando a minha mão. —Estou bem grandinha, vovó. – Levanto a sobrancelhas arqueadas e franzo a testa. —Suponho que sim. – Ela sede ainda com cara amarrada. — Mas se lembre de uma coisa, Olivia. —O quê? —A vida é curta para ficar esperando respostas que só podem ser encontradas quando levantar sua bunda magra e sair para procurá-las. Ela se levanta e coloca as mãos na máquina de lavar-louça, em seguida, começa a colocar um prato após o outro no escorredor. É uma tarde tranquila na Cafeteria até Miller Hart entrar pela porta. Ele imediatamente prende a atenção de todos. O safado sabe disso. —Está livre pra ir embora? -pede educadamente, mas eu suspeito que haja apenas uma resposta correta para sua pergunta e, por trás de toda aquela fachada impassível, ele está desafiando-me a dar-lhe a errada. —Bem...- eu sou incapaz de falar. Del me entrega a minha bolsa e minha jaqueta jeans com um aceno cauteloso. Mas é preciso Miller fisicamente, recolher-me por detrás do balcão para colocar meus pés em movimento. Ele leva minha nuca suavemente e começa me guiando da lanchonete, massageando meu pescoço como ele faz, deixando-me com nenhuma opção além de acompanhar seu ritmo. A Mercedes preta está estacionada em uma área onde o estacionamento é proibido, e é somente quando ele abre a porta para mim que eu falo. —O que você está fazendo? – Pergunto olhando para ele. A minha pergunta não o impede de tentar me colocar no carro. —Você prometeu jantar comigo. Agora entra no carro. —Isso foi antes de você me humilhar. Eu torso fora de seu punho e passo para trás. Minha negativa produz nele algo como um piscar de olhos assassinos, mas o toque de emoção que mostra em seu rosto não é a única coisa que me impressiona. Ele se inclina para baixo, seus olhos nivelam com os meus. Seu olhar é doce e seguro. Eu conquistei.


—Por que você insiste em me rejeitar? Rasguei meu olhar do seu olhar antes que possa perder-me nele, e caminho para longe dele, mas meus passos rápidos são completamente inúteis. Eu não vou a lugar nenhum. Ele está atrás de mim. Seus sapatos caros definem o ritmo de seus passos. —Eu não gosto de me repetir. – Ele me segura. E me carrega em seus braços, ele arruma meus cabelos sobre os ombros antes de voltar a caminhar. — Eu vou fazer uma exceção dessa vez. Por que você continua me rejeitando? Sua ousadia define minhas emoções. Meus lábios começam a tremer. Meus olhos se enchem de lágrimas. A raiva é reestocada, a dor multiplica e triplica a minha confusão. —Por que...- Fecho os olhos por um segundo, noto que minhas forças falham apesar de toda sua arrogância. —-Tudo.- Eu sei que William está certo. Eu não deveria deixar Miller me pegar com a sua rede de prazer. Eu não gosto da interferência de William, e ele não pode ter o direito de impor suas exigências, mas não posso negar que ele sabe o que está falando. Tudo o que sei agora foi confirmado. Eu deveria ouvi-lo. É sábio e familiarizado com esse mundo. Os lábios sensuais de Miller se torcem em uma carranca, ele abaixa a cabeça e os cabelos rebelde caiem sobre a testa, mas não lhe lembro da sua regra de olhar na cara das pessoas quando ele está falando com você. —Você não me deseja? - pergunta suavemente. Eu não poderia estar mais confusa. Como ele pode me perguntar uma coisa dessas em um momento como esse? —Claro que sim. - Eu percebo o meu erro imediatamente quando ele olha para cima e eu me afogo em...desejos. Eu olho para o meu próprio desejo através das profundezas infinitas de seus olhos azuis. —E eu a você-, ele sussurra. — Como o meu corpo quer a água que o mantém vivo ou meus pulmões o ar que respiram. Mal posso respirar. —Eu também devo confessar que tenho medo de você. —Eu e você. —Eu não confio em você. Essa afirmação o faz hesitar um pouco, mas se recupera rapidamente. —Eu confio em você com minha vida. Ele levanta a mão e acaricia acima de minha sobrancelha com o polegar. O toque da sua pele leva-me a uma zona de conforto, e as faíscas disparam-se dentro. —Eu confio em você pra me ajudar. - Seu dedo flutua para baixo no meu rosto, meu pescoço, ao meu lábio inferior. Eu fecho meus olhos e eu altero o ritmo da respiração. —Deixe-me provar a você. Aceno automaticamente. Posso sentir rajadas de vida.


—Obrigado! - sussurra. Sua respiração acaricia meu rosto antes de descer os lábios em minha boca suavemente. É doce, quase cauteloso, a língua me acariciando, fazendo-me sua lentamente. — Me abrace. —Se eu fizer isso eu sou sua novamente-, digo, e me forço a ficar longe dele. Ele permanece imóvel, com os olhos procurando por mim. —Eu reservei uma mesa. - Ele me fala. —Você me daria a honra de se juntar a mim? Eu sou uma confusão de pensamentos conflitantes, tentando decidir se Miller é meu destino. Mas quando ele passa a mão em minhas costas através de sua ardente carícia o tecido queima de volta. Eu estou vestindo camisa e lembro-me de uma coisa. —Onde você estava na noite passada? Eu sinto o ligeiro tremor de sua mão nas minhas costas e brilho de culpa no seu olhar. —Venha jantar comigo. - Repete. Foi ele. Ele sorrateiramente entrou em minha casa. É assustador! Eu me sinto violada. —Você me despiu? Eu não posso acreditar que não acordei. Eu estava sonhando, certo? —Espero que sim. E mesmo quando você não está sonhando espero que você esteja pensando em mim. —Estou pensando que você tem algum problema. —Eu tenho-, responde rapidamente, sério. —Meu mundo estava mergulhado na escuridão novamente e a única coisa que pode mantê-lo na luz, foge de mim. Eu vacilei na verdadeira irritação em sua voz.—Eu tenho muitas perguntas. Ele acena levemente e toma uma respiração profunda para se acalmar. —Estou pronto para responder a quaisquer perguntas que você queira me fazer. Sinto-me aliviada e aterrorizada. Eu não tenho certeza se quero ouvir as respostas. —Durante o jantar-, eu afirmo. — Precisamos estar em campo neutro. Não haverão camas à vista. —Nós apenas estamos indo para jantar. Nós vamos fazer do meu jeito. Ele pode ter encontrado minhas cartas, no entanto eu posso voltar a guardá-las. Bem, na verdade, eu não posso, mas Miller não sabe disso. —Só um jantar. – Ele concorda, mais vejo que é um acordo relutante. —Você não vai me provar ou tocar-me. - Eu não sei por que eu digo uma coisa tão estúpida. Estou desesperada pelo conforto que me oferece. Um traço de aborrecimento passa pelo seu rosto perfeito fazendo-me mais


determinada. Ele pode ativar seu charme e arrogante cavalheiresco e conquistar-me tão rápido quanto o amante doce e pensativo. Agora você está sendo boba. Eu balanço minha cabeça. —Eu não estou indo para jantar, se você pretende me vencer por adorar-me. Isso seria o fim do jogo. Eu sou louca por ele, mesmo com a minha desconfiança crescente de preocupação. —Tudo bem. Como quiser. - murmura. Assento e me endireito. – Onde eu devo encontrá-lo? —O quê? – sua testa se enruga. —Eu vou encontrá-lo no restaurante. Normalmente, Miller vem me buscar. No entanto, não posso permitir que minha avó ache que tudo está bem quando não está. Ele parece ruim, mas mantém-se calmo. Mergulho de volta no consolo que Miller é perigoso, embora eu esteja com medo que eu não tenha escolha, e não apenas porque ele não tem intenção de me dar uma. Tornou-se a minha vida e eu quero continuar na mesma. Eu preciso dele para me confortar, me dar -O que ele gosta-, suas palavras ... Eu preciso de tudo. Nada me faz sentir tão protegida e vulnerável ao mesmo tempo. E nada me faz sentir tão forte e tão fraca. Deve ter um meio termo. — Tudo bem! - diz com uma mistura de frustração e raiva. —Quando se tornou tão difícil? — A partir do momento que você me tocou, - eu digo calmamente, enquanto a insolência toma conta de mim. Torna-se indispensável uma vez que eu pousei no mundo curioso de Miller Hart. Eu não vou sobreviver sem ele. Ele leva as mãos em meu rosto e acaricia em círculos. — No segundo que olhei pra você vi a luz entrar em minha escuridão eterna. Ele se aproxima de mim sobre minha boca, eu não posso parar de olhar para ele. - Uma luz brilhante de esperança que eu carrego. Ela brilhou através de seus lindos olhos de safira. Ele não me beija, apenas mantém nossas bocas perto. Sua respiração me preenche e aumenta sensação de calor que me queima por dentro. Eu fecho meus olhos. – Eu vou respeitar o seu pedido por essa noite -, mas lembre-se que você pertence a mim, Olivia. Você é meu hábito, e eu não vou desistir sem lutar. Ele me libera me deixando sem fôlego e atordoada. Eu me sinto abandonada. Abro os olhos para uma beleza aniquiladora. — E eu não vou perder contra ninguém. Mesmo contra você. — Onde eu vou encontrá-lo?- suspiro. Eu não vou discutir o que ele acabou de dizer tão confiante. Eu já vi isso em ação, acertando socos, e então eu vi em outros tipos de ação: como adorar-me. Todos os desafiantes são condenados. Inclusive eu. — Às sete horas aqui. - Pega uma caneta do bolso do paletó e escreve em um


velho recibo que retira da carteira; e entrega-me. – Eu estarei esperando. Eu aceno e ele se afasta. Suavizando seu terno antes de colocar as mãos nos bolsos. Nossos olhos não se separam. Eu vejo esperança. Vejo segurança. Eu vejo medo e cautela. Mas eu não sei se esse último é para ele ou para mim. Provavelmente, ambos. Miller interrompe a conexão, se vira e se dirige para o carro. Eu levo as mãos ao rosto e esfrego-o para tentar voltar à vida. Estou com calor, dirigindo uma confusão de contradições, preocupações...medo. Miller me aterroriza, mas faz-me sentir extremamente segura. Eu me preocupo com ele, mas também me preocupo comigo. Eu não posso manter minha linha de pensamento, pulando para me render a ele para resistir com todas as forças. Nada faz sentido. Eu estou em meu próprio mundo, tentando descobrir muito, quando de repente notei que estou acariciando o pescoço. Os pelos estão dançando descontroladamente sob meu toque, fazendo-me cócegas em minha pele. — Isso é exatamente o que eu temia. Meu corpo se transforma lentamente, desconfiado ouvindo a voz aveludada, e meu coração sobe para a garganta.

Capítulo Nove Eu não tenho certeza se devo sentir alívio ou preocupação. William está apoiado em seu Lexus, com as pernas e os braços cruzados. Não parece muito feliz. Seus olhos cinzentos, normalmente brilhantes, estão mal-humorados, sua expressão é de desgosto. — Você está me seguindo? – Eu digo em tom de surpresa e culpa. A culpa por ser fraca, quando se trata do Miller, e não é surpresa, porque ele deve se reunir com William aqui. — Eu tentei ligar para você. Ele sai do carro e caminha calmamente até seu o seu corpo ficar diante de mim. – Onde está o telefone que eu comprei pra você? — Não está carregado. Digo baixando o olhar, mas sem saber o por que. Ele pode estar certo sobre Miller, mas não lhe devo nenhuma explicação. O dono da empresa mais famosa de Londres estava na escuridão, mas eu o iluminei. Eu quero mudar por mim, pra mim. Eu tenho que tomar minhas próprias decisões. Eu sou a dona do meu próprio destino. — Bem, diga-me por que você foi para o clube? Eu levanto minha cabeça atordoada. — Você está me seguindo? — Eu disse a você, que eu ficaria sabendo o que acontecesse. — Quando eu fiquei sabendo de um incidente no qual estava envolvido Miller Hart e uma pequena e bonita loira, eu soube imediatamente quem era a


pequena e bonita loira. - Ele pega o meu queixo levanta minha cabeça. Fique longe dele, digo a mim mesma. Instantaneamente, meus olhos se enchem de lágrimas. — Eu tentei. Eu tentei um monte de vezes, mas não consigo. — Continue tentando, Olivia. Você está caindo em sua escuridão, e uma vez que você tiver feito isso, você não irá escapar. Você não tem ideia de onde está se metendo. — Eu o amo -, admito, pela primeira vez em voz alta que ainda sinto amor pelo homem que me fez uma bagunça, e agora revelou que alguns de seus segredos ainda é um grande mistério. Eu não posso cair na escuridão, e ser a sua luz. – É um amor que machuca; é doloroso. Ele faz uma careta ao ouvir minha confissão, e eu sei que é porque ele se identifica com o que eu sinto. — A dor vai diminuir, Olivia. — Diminuiu para você? — Eu, não ... - Ele franze a testa e solta meu queixo. Eu o peguei de surpresa. Eu não lhe dou chance de se recuperar. — Sua vida é uma agonia, dia após dia. Você deixou ir sua Gracie. — Eu não tinha... — Não-, eu o cortei, e ele não me castiga por isso. O formidável William Anderson encaixa a barbada mandíbula fechada sem dizer uma palavra. – Não me diga que fica mais fácil. Seus ombros vestido com terno sob medida caem, eu desvio dele e encaminhome para o metrô. O que eu disse William Anderson, é mais uma razão para aceitar Miller. Tem sido por anos, desde que ele deixou Gracie, e ainda hoje sofre por ela. Ele não se esqueceu, e é improvável que vá fazê-lo. Se William se sentiu assim todos esses anos, como eu me sinto agora, acho que prefiro a morte. — Entre no carro. - William me diz de dentro do carro e eu continuo andando de vagar. — Não, obrigado. — Droga, Olivia!- Ele me grita, paro de andar. – Não me faça pegá-la a força! A ameaça me deixa sem palavras, incapaz de me mover. Isto fez o meu sangue ferver, cadê o empresário frio que nunca perde a compostura. Tudo que eu quero fazer é dizer não e ver o que irá fazer. Ele revira os olhos. Eu não deixo de me espantar. — Eu não sou seu pai. — Então, pare de agir como se fosse. - A palavra pai indica apenas o fato de que eu tenho um confidente do sexo masculino na minha vida. Não precisei de um em vinte e quatro anos de vida. Claro que até agora não tinha conhecido ninguém como Miller Hart. — Você seria gentil o suficiente para me deixar te levar para casa?


— Vai continuar com sermão? Ele tenta sorrir, se aproxima do carro e abre a porta. – Eu fiz coisas questionáveis na minha vida, Olivia, mas nunca perco uns sermões. Eu olho para ele, não há confiança, olhando com expectativa. Não duvido que ele me leve para o carro a força, assim evitando um escândalo público entro no Lexus e fecho a porta suavemente. — Obrigado -, diz ele, voltando para seu lugar de relaxamento. A motorista puxa no tráfego e eu descanso minha bolsa no meu colo, coloco o cinto de segurança esperando por ele falar alguma coisa. — Nada do que eu digo vai fazê-la mudar de ideia sobre Miller não é? Suspiro, cansada, e reclino-me com força contra o banco do carro. – Você disse que não íamos falar sobre isto. — Não, eu disse que eu nunca perdi um sermão. — Há uma primeira vez para tudo. — Eu vou sair para jantar com ele esta noite. — Por quê? — Para conversarmos. — Sobre o que? — Acho que você sabe. — O que aconteceu naquele hotel? — Nada, - eu digo com os dentes cerrados junto a mandíbula. Eu era louca se achava que ele fosse esquecer isso. Eu não vou dizer, embora. Eu suspeito que saiba perfeitamente o que aconteceu. Além disso, eu nunca seria capaz de dizer em voz alta. Acho que é duro o suficiente. — Nada ... Você quer dizer que você ficou assustada feito um gatinho assustado porque não aconteceu nada? — Sim, eu rebato, desprezando que ele tem claramente as suas suspeitas. Não estou confirmando-os. — Claro -, ele suspira. – O que é preocupante é que você vai voltar para mais. — Mais o que? — Mais de Miller Hart. Eu não consigo evitar o grito: – Este não era Miller Hart!. — Aonde você tem o encontro? - ele continua depois de me observar de perto por alguns momentos. — Eu não sei. Ele me deu um endereço para um restaurante. – Deixe-me ver. Eu perco um pouco de paciência. Enfio a mão na bolsa, retiro o endereço e entrego sem olhá-lo. —Aqui. Ele é retirado de meu alcance, e eu o ouvi murmurar pensativamente. — Bom lugar. Vou levá-la.— Oh não!- Eu ri, e olhei para ele incrédula. – Eu vou chegar lá sozinha.- Eu não quero William interferindo. Bastante gente já está, mesmo se eles são


inconscientes do toda história horrível. E seus esforços determinados para me impedir de ver Miller apenas explicitam quanto mais resistência que eu vou enfrentar se insistir em vê-lo. — Vou deixá-la na porta insiste. — Isso não será necessário. — Ou você aceita uma carona ou não vai. - Ele diz isso muito a sério. — Por que você faz isso? - Eu pergunto, embora as suas razões obviamente estejam a vista. – É para aliviar sua culpa? — O quê? - Diz ele na defensiva, aumentando minha curiosidade e raiva. — Gracie. Você falhou, então você está tentando se redimir, ajudando-me? — Que bobagem! - Ele ri e olha para longe. — Não é nenhum absurdo. Faz todo o sentido. Eu não preciso de sua ajuda, William. Eu não sou a minha mãe! Seu rosto bonito lentamente se volta para o meu. Todas as diversões anteriores desapareceram, como se nunca estivessem lá. Ele parece grave. – Então por que estava no clube dele? Minha boca estala fechada momentaneamente. –Eu... Levanta as sobrancelhas ligeiramente cinza. A pergunta e seus olhos me fazendo encolher no banco. Abro a boca para falar, mas eu não posso dizer uma palavra. – William eu... — Você foi para puni-lo, certo? Fico imóvel. A verdade fria me deixou dura feito pedra. – Eu não sou... - eu não posso terminar a frase. Em seguida, ele se inclina para trás e olha para minhas mãos, onde estou brincando com meu anel. — Você é mais parecida com sua mãe do que imagina, Olivia - ele gentilmente fecha minha mão, e assume o rodopiar do meu anel. – Não confunda isso como algo ruim. Ela era uma mulher linda, apaixonada, com um espírito viciante. Um caroço do tamanho de Londres saltou em minha garganta, e eu me afasto dele para olhar pela janela, então ele não vê as minhas lágrimas. Não quero ser como ela. Egoísta. Imprudente. Ingênua. Não quero ser assim. William continua calmamente brincando com meu anel, enquanto eu estou chorando. Não diz nada mais, e eu também não. Felizmente, a avó não está em casa. Ela me deixou uma panela de cozido e uma nota dizendo que tinha saído com George. Eu encontro o meu novo celular, envio uma mensagem para dizer-lhe que eu vou sair com a Sylvie e vou passar um bom tempo, embora eu dedique mais tempo para me preparar mentalmente para estar ao menos apresentável. Às seis e meia eu caminhei de volta pelo caminho do jardim, onde espero a Lexus. O motorista abre a porta e entro em silêncio. Sinto seus olhos cinzentos


imediatamente. — Você está linda, Olivia-, diz William de coração. Ele está olhando para meu vestido curto preto. É um dos três vestidos de noite que tenho. —Obrigada... O som de um telefone tocando me interrompe o que acho estranho. William checa o seu, o som continua, eu percebo que o som vem do minha bolsa. Alcanço o meu novo celular. Eu franzo a testa e olho para a tela. Então olho para William. — Só verificando- diz sorrindo e trava seu celular. — Você não tem nada melhor para fazer do que me levar de um lugar a outro? - pergunto guardando telefone em meu bolso. — Eu tenho muitas coisas para fazer, e impedi-la de se jogar de cabeça em um mundo que não conhece é um dos assuntos mais importante no momento. — Você é um hipócrita - eu o acuso, com ou sem razão. Dá no mesmo. — Seu mundo, seu mundo. É mais ou menos a mesma coisa. Como você pode conhecer tão bem? — Nossos mundos só colidem ocasionalmente-, responde instantaneamente sem emoção alguma. — Colide? - pergunto um pouco confusa e curiosa porque diz -colide-. Ele vem a mim e fala quase um sussurro. — Eu tenho senso moral, Olivia. Miller Hart, não tem, isso tem sido uma fonte de atrito entre nós e os nossos mundos. Eu não gosto da maneira como ele conduz o seu negócio e eu não tenho medo de dizer a ele, apesar do seu temperamento letal. Eu me inclino para trás, incapaz de discutir com ele. Eu vi Miller leva o seu negócio e também vi o seu temperamento. — Talvez ele mude-, murmuro, sabendo que eu não tinha chegado a uma impressão segura no tom. O riso irônico do William me diz que ele duvida muito, assim como eu. — Você pode me deixar na esquina-, eu digo. Eu sei que Miller não vai gostar de me ver chegar no carro de outro homem, especialmente se esse homem for William, e especialmente agora que eu sei que seus mundos colidem -ocasionalmente-. — Eu não quero que esta noite seja um desses encontros ocasionais que ocorrem de vez em quando. —Claro. —Obrigado. — Diga-me, como é que uma mulher jovem, doce e estável como você poderia se apaixonar por um cara como Miller Hart? Como Miller Hart? Doce e estável? Eu busco por uma boa resposta. Não


consigo encontrar nenhuma, por isso digo apenas: – Nós não escolhemos por quem nos apaixonamos. —Talvez você tenha razão. —Eu sei que eu tenho. Eu sou a prova viva disso. —E, com tudo o que você sabe agora, você ainda sente o mesmo? —Eu sei que ele não esteve com outra mulher desde que ele me encontrou. —Ele teve outros encontros Olivia, e por favor não tente me convencer do contrário. E não se esqueça: não há nada que eu não saiba. —Então você sabe que ele não tem dormido com nenhuma delas – murmuro, ele está me fazendo perde a paciência. —Eu adoraria de saber como ele evitou-, diz William. Eu não respondo a isso, e eu estou feliz que ele não negou. — Eu tenho uma pergunta. Provavelmente a mais importante de tudo. —Do que se trata? —Ele ama você? Eu murchar no interior ao inquérito perfeitamente razoável de William. Nada menos do que um -Sim- deveria ser bom o suficiente aqui. William sabe disso. Eu sei. Eu não devia mesmo entreter a ideia de expor meu coração caído, para machucar mais sem essa confirmação. – Ele é fascinado por mim-. eu volto a olhar pela janela, sentindo-me jovem e estúpida. — A fascinação é igual o amor? — Eu não sei. - digo em um tom quase inaudível, mas eu sei que ele me ouviu, porque ele pôs a mão no meu joelho e me deu um aperto afetuoso. — Faça-o falar-, diz calmamente. – Então faça seu pensamento. Balanço a cabeça concordando. William me faz um carinho que me dá uma tranquilidade estranha. Eu vou falar e eu vou pensar, mas na verdade não acho que Miller poderia me dizer alguma coisa irá diminuir ou diminuir meu fascínio pelo acompanhante masculino mais notório de Londres. Eu quero, mas estou sendo verdadeiro. Eu estou presa em seu mundo de confusões, escuro, e eu não tenho fé que algo possa me libertar disso, nem mesmo o William, não importa o quão duro ele tente. O motorista não me deixa na esquina, como nós combinamos, e sim na porta do restaurante, William ignora o erro. Eu começo a protestar, mas quando vejo Miller esperando na calçada e olhando para a Lexus com desconfiança, supondo de quem é o carro. Mal sabe ele, volto meu rosto para William. — Por favor-, eu imploro para William diante de um ataque de pânico, diga ao motorista para parar na próxima rua. — Não é necessário. Ele ignora a minha preocupação e sai do carro com elegância, segurança e toda superioridade do mundo. Eu quero me enrolar sob o assento e ficar lá escondida. Não me atrevo a olhar para fora com medo à reação de Miller ao


William. NĂŁo preciso. O ar se torna frio em torno de mim, como nada que eu tenha visto ainda.


— Hart. – ouço, William dizer firme. Então eu abro a porta, ele olha para mim e estende a mão para me ajudar a descer do carro. Eu quero gritar desgraçado por suas artimanhas. Ele está sendo ameaçador e eu vi...Miller, sob ameaça. É assustador. Fecho os olhos e respiro fundo em confiança. Eu rejeito a oferta de William e saio alisando lentamente meu corpo até que estou envolvida no ar glacial que não tem nada haver com as condições de mau tempo. Em seguida, viro e o encaro. Tem seus olhos azuis ligeiramente ampliados e sua mandíbula sombreada é tensa, mas ele permanece quieto quanto a escolta de William. Eu e ele. Miller, como sempre, parece incomensurável impressionante em um terno de três peças cinzento escuro, camisa azul pálida – o nó perfeito – e um brilhante sapatos Oxford bronze. Seus olhos, embora chocado, são cintilantes quando me aproximo, seu cabelo escuro uma matriz despenteada de ondas e seu corpo alto impressionante. Comigo perto, ele dá a William um olhar frio antes de voltar os olhos para os meus e desliza a palma da mão em torno de minha nuca, puxando-me para frente. O ar gelado é ainda predominante, mas agora é...misturado com um calor delicioso sendo injetado em mim ao nos juntarmos. Mergulhando lentamente, ele obtém o seu nível de rosto com o meu e me dá uma dica de um sorriso. Faz-me lembrar aquele Miller Hart que tem o feixe mais bonito e faz muito tempo que eu já vi. Ele pisca lentamente, outro dos seus traços adoráveis e repousa suavemente seus lábios nos meus. Eu sei que William está se contraindo atrás de mim, mas nada irá me impedir a absorção de Miller. Não até a mim. — Eu dou um novo nome para a perfeição, minha linda menina - dando-me um beijo rápido e se afasta para me olhar nos olhos. – Obrigado por ter vindo. Sinto-me estúpida tendo William como segurança, então eu me viro e o encontro me observando atentamente. — Você pode sair agora. Miller abraça minha cintura e me puxa para seu peito. Ele ignorou completamente o meu pedido de não tocar e degustar, e eu não fiz nada para impedi-lo. Ele está reivindicando o que é seu, marcando seu território. O homem de cabelos grisalhos, maduro, alto lentamente se afasta, não tirando os olhos de Miller até que ele está no seu carro. – Sei que moral é algo que você luta com, Hart, mas eu estou pedindo a você gentilmente para fazer a coisa certa agora - William pode pedir muito bem, mas seu tom está encharcado de ameaça. — Não questione minha moral quando se tratar de Olivia Taylor, Anderson- diz Miller me segurando mais apertado. – Nunca faça isso. A animosidade entre esses dois homens poderosos é inebriante. Minha cabeça está cheia de perguntas sobre onde seus relacionamentos e mundos colidem, e se eles acontecem de estarem no topo da lista de perguntas que tenho preparada para Miller. — Faça a coisa certa -, diz William diante de seus olhos cinzentos. – Ligue para


mim. - ele entra no carro sem esperar por uma resposta minha. Ele deixa-me na calçada, tensa e me preparando para o interrogatório de Miller. Ele espera alguns momentos em silêncio antes de virar e começar a falar, e quando o faz, sua reação não tem nada a ver com o que eu esperava. — Bem, isso foi uma surpresa-, ele fala calmamente fazendo-me franzir a testa. – Como você conhece William Anderson? Fiquei perplexo. — Ele era o cafetão da minha mãe-, eu o lembro. Escondendo as informações que eu descobri recentemente. Eu sei que Miller não vai gostar de lembrar que eu conheci William durante a minha louca escapada, por isso omito essa parte. E uma vez que mudamos de assunto me viro em seus braços e me afasto de seu corpo. – Como você o conhece? Ele olha brincalhão. — E você ignorou a regra do toque ou gosto. — Seria tola para reintegrá-lo agora - seus olhos estão brilhando descontroladamente, seu rosto cheio de vitória invisível. Boba, porque era um dado que eu falharia, ou boba por causa de onde eu posso terminar, que é em última análise, na cama do Miller sendo adorada. — Não seria tola em tudo-, eu contra-ataco. Enquanto Miller, estilo adoração, é a derradeira fuga dos meus problemas, preciso manter minha força, não importa o quanto eu quero que ele faça a minha vontade e me engula no seu mundo alucinante de prazer. – Não estamos indo para o jantar? — Sim. Ele aponta o outro lado da rua, e quando eu olho, vejo o seu carro. – Depois. Eu franzo a testa e me volto para o restaurante. Não cheguei muito longe. — Caminho errado-, ele disse simplesmente, tomando minha nuca e me guiando na direção do seu carro com um pequeno toque de sua mão no meu pescoço. — Jantar e uma conversa-, eu o lembro. — Você concordou em encontrar-me para jantar e termos uma conversa. — Sim, eu concordei em encontra-lo no restaurante. — Você nunca especificou que o comer e falar deveria acontecer no restaurante. Eu ri nervosamente, imaginando onde ele planeja fazer o comer e falar. – Você não pode distorcer minhas palavras. — Não distorci nada. - ele me guia através da estrada com facilidade e colocame em seu carro. –Vamos jantar na minha casa. - a porta fecha sobre mim e os bloqueios clique no lugar. Agora eu estou surtando. Estar na casa de Miller é uma má ideia. Eu tento a porta, sem nenhuma razão de qualquer tipo. Ouvi clicar as fechaduras. Então eu ouvi os cliques novamente e tenta mais uma vez, mas de nada adianta. Ele desliza no meu lado. – Isto é um sequestro!- eu protesto. – Não quero ir ao seu apartamento.


— Porquê?-, indaga, ligando o motor e puxando o cinto. — Porque... Eu... porque... vai.... — Ser natural fazermos amor?- lentamente, ele vira os olhos para mim. Olhos graves. As palavras são suficientes para acelerar o meu pulso. Estou com calor. Eu o queria. Estou desesperada. É uma combinação perigosa quando estou com Miller Hart. — Era para conversarmos. - eu murmuro fracamente. Ele se mexe em seu assento e apoia o braço no volante. Estou morrendo de vontade de saber o seu gosto. Estou sem fôlego. — Sempre te prometi que você nunca faria qualquer coisa que você não queira fazer. Não prometi? Balanço a cabeça. Ele sorri e corrige meu cabelo loiro selvagem.– Você sabe o quanto me custa não te tocar, especialmente quando eu sei o quanto você quer que te toque? — Eu quero que conversemos. Digo com a força que me resta. Se ele ignorar o meu pedido, eu estarei indefesa. — E eu quero me explicar, mas prefiro fazer no conforto da minha casa. Não diz nada mais. Concentra-se na estrada e coloca o carro em marcha. Nenhum discurso, nenhum olhar sequer para mim. A única coisa que resta são meus próprios pensamentos e a caixa de glória do Portishead, ecoando nos altofalantes. Isso está gravado na minha mente, faz minha cabeça girar, e de repente ouço Miller sussurrando duas palavras para si, sou tão baixo que eu mal posso ouvi-los: — Eu falarei.

Capítulo Dez Lamento ter insistido na regra de não tocar e não beijar. Estou à beira de um colapso, uma vez que chego até o nono andar, e pela maneira que ele olha para mim eu sei que Miller pode detectar meu arrependimento. No entanto, meu rosto vermelho e meus seios doloridos também me lembram qual é a primeira pergunta que eu quero lhe fazer.


Ele abre a porta preta brilhante e fica de lado para eu entrar e ver o interior do seu apartamento palaciano. Eu quero correr. — Não vou te abraçar a força, então, por favor, não fuja de mim. - ele olha para mim com olhos azuis. Ele está sendo o homem respeitoso e carinhoso. De todas as personalidades, é a que eu mais amo. — Eu não vou-, eu prometo entrando no limiar, e rodeio vacilante a mesa do salão. A porta da frente se fecha atrás de mim ouço Miller avançando os sapatos caros no chão de mármore. — Você gostaria de um copo de vinho?- ele pergunta enquanto ele tira seu casaco, colocando cuidadosamente no encosto de uma cadeira. — Água, por favor. - eu estou com sede após a maratona de subir escadas. Eu preciso ter a cabeça limpa. — Sinta-se em casa-, diz ele desaparecendo na cozinha e reaparecendo com uma garrafa de água mineral e um copo de vidro. Indo para o bar, e serve dois dedos de scotch e se volta pra mim. Levanta, lentamente, o copo aos lábios e tenho que desviar o olhar, para evitar a visão agradável. Ele sabe o efeito dos seus lábios me provocando, e ele está usando isso sem piedade. — Eu não gosto que me prive do prazer de ver o seu rosto, Olivia. — Eu não estou te privando do me rosto-, eu digo calmamente. Ele ficou sem resposta, por isso, enquanto bebo minha água mineral pede: – Sente-se. — Pensei que estávamos indo para jantar. Ele para no meio do caminho. – É isso que vamos fazer. — Na sala de estar?- eu pergunto sarcasticamente. Conhecendo Miller Hart e o seu mundo obsessivo de perfeição, e mesmo que as vacas voem comer no sofá com um prato no colo. — Não há necessidade de... — Sim, existe-, suspiro. – Acho que vamos comer na cozinha -. Aproveito a água sendo oferecida e deixo Miller, indo para a cozinha, dou uma parada abrupta na porta com um pequeno suspiro. — Você não me deu a chance de adicionar os toques finais -, ele soprou por trás de mim. «Velas, música». O cheiro de algo delicioso permeia a sala e a mesa está posta no estilo perfeito Miller. Poderia estar vagando por engano no Ritz. — É perfeito-, respiro. — Não é perfeito em tudo-, ele disse calmamente, movendo-se por mim. Ele define sua bebida no chão, ajusta sua posição, em seguida acende as velas, correndo até o centro da mesa. Movendo-se em toda a cozinha, ele coloca seu iPhone na caixa de som e logo ouço violinos. Eu estou encantada, e dos altos falantes ouço notas de Explosion de Ellie Goulding e ele lentamente se vira para mim. — E ainda não é perfeito-, diz ele, vagando lentamente. Ele levanta a mão


hesitante e parece me pedindo permissão. Balanço a cabeça, deixando-o delicadamente pegar na minha mão, e sigo seus passos do outro lado da cozinha. A cadeira em uma extremidade é puxada para fora e ele me libera, indicando para me sentar. Eu sigo o pedido dele e o deixo ordenadamente me sentar. — Agora é perfeito-, ele sussurra no meu ouvido, roubando um gole do meu lóbulo e jogando-me em um desejo de desolação. Estou tensa por todo o lado, e ele sabe disso. Ele garante que eu obtenha alguns momentos de gratificação insuportável com a sua respiração no meu ouvido e leva o seu tempo antes de separar de mim inclinando seu corpo no meu. — Vinho?-, indaga. Eu fecho meus olhos por um momento para reunir as forças que me deixou. – Não, obrigado. — Se privar do álcool não vai acalmar o quanto você me quer, Olivia. - coloca um guardanapo no meu colo e se senta do outro lado da mesa. Ele está certo, mas se eu evitar o álcool serei capaz de pensar mais claramente. — Você acha uma distância aceitável? - Ele pergunta apontando com a mão o espaço entre nós dois. Não, não é. É longe, mas não seria louca em dizer. Nem é preciso dizer nada. Ele sabe muito bem. Concordo com a cabeça e olho para a mesa, estou nervosa como nunca estive. Vou jantar com ele. — O que vamos comer? Ele contém um sorriso e serve um pouco de vinho tinto, em um dos copos maiores. – A esta distância não posso alimentá-la. Eu mordo meu lábio e resisto à tentação de jogar com um garfo. Eu sei que não serei capaz de colocá-lo de volta no lugar certo. — Você quer que eu lhe dê de comer?- ele pergunta, e meus olhos vão da sua mesa ao seu rosto perfeito. — Você sabe a resposta-. Eu vejo morangos em chocolates derretidos em todos os lugares. — Sim, diz ele. – E não posso te dizer o quanto eu gosto de alimentá-la. Aceno em silêncio, recordando o olhar de satisfação no seu belo rosto. É verdade. — E você adorando. Eu remexo na cadeira enquanto luto com as palpitações que me atacam entre as coxas. Não importa que personalidade ele adote, todas me deixam louca. — Nós deveríamos estar conversando, - eu aponto, ansiosa para tirar da minha cabeça a adoração por Miller, morangos, chocolate preto e o magnetismo geral deste homem. — Por que você tem tanto medo de elevadores? Vou direto à jugular, mas eu me sinto culpada em como sua expressão perdeu a alegria. Felizmente se recupera rapidamente. — Eu tenho fobia de recintos fechados. Diz pensativo, mexendo o vinho sem


tomar, enquanto ele me olha. – É por isso que você nunca vai me convencer a me esconder em um armário. Sua confissão, ao que eu vi no meu quarto naquele dia aumenta o meu sentimento de culpa. — Eu nunca soube-, eu sussurro, e eu me lembro do seu rosto em terror quando eu me recusei a sair do elevador. Percebi quando eu fugi do hotel e usei contra ele. — É claro que você não sabia. Eu não te disse. — Onde é que ele derivam? Ele encolhe os ombros um pouco e olha para o lado, evitando o meu olhar. – Não sei. Muitas pessoas têm fobias sem nenhuma explicação. — Você tem uma explicação, no entanto, não é?- eu pressiono. Ele não olha para mim. — É educado olhar para mim quando estou falando com você, e é educado responder a alguém quando eles te fazem uma pergunta. Seus olhos azuis, cheios de irritação, lentamente acham o meu. – Cisma sua, Olivia. Eu tenho uma fobia de espaços fechados e essa linha de conversa vai terminar agora. —E sua bizarra arrumação?—Eu tenho um apreço por minhas posses. Isso não faz de mim um monstro. — Não, é outra coisa-, respondo. –Você sofre de transtorno obsessivocompulsivo. A boca de Miller, cai aberta. —Porque eu gosto de ter as coisas de certa maneira, então eu sofro um transtorno? Suspiro de cansaço e com isso evito colocar os cotovelos sobre a mesa na hora certa. Não vai reconhecer que ele é um maníaco obsessivo, e claramente não vou obter qualquer coisa a partir do sua claustrofobia. Mas isto é ninharias. Temos negócios mais importante para tratar. — O Jornal, por que mudou o título? — Eu sei o que parece, mas foi para o seu próprio bem. —Como? Seus lábios formaram uma linha reta. —Para te proteger. Confie em mim. —Confiar?! Eu tenho que me controlar para não rir na cara dele. – Eu confiei em você completamente! — Quanto tempo você é o acompanhante mais famoso de Londres? As palavras são como gotas de ácido queimando minha língua para cuspir. — Tem certeza que você não quer provar o vinho?- Ele levanta a garrafa sobre a mesa e olha para mim esperançoso. É uma patética tentativa de evitar a questão. — Não, obrigado. Embora, eu gostaria de receber uma resposta. — Que tal uns aperitivos? Ele se levanta e vai para a geladeira sem esperar


pela minha resposta. Eu não posso comer, eu tenho vinte nós no estômago e minha cabeça está girando com tantas perguntas sem respostas. Eu duvido que o meu apetite faça uma aparição depois de ter obtido algumas destas respostas. Ele abre a enorme geladeira espelhada e puxa uma bandeja de uma coisa. Em seguida ele fecha a porta, mas não responde, em vez disso, mexe em tudo o que está na bandeja, cutucando e mudando as coisas ao redor. Ele está tentando ganhar tempo, e quando ele olha cautelosamente até o espelho, ele me pega vendo-o na reflexão. Ele sabe que eu conheço o jogo dele. — Você disse que estava pronto para responder às minhas perguntas, - eu o lembro, mantendo o meu olhar determinado no espelho. Seus olhos vão para a bandeja brevemente, e então ele lentamente se transforma em uma respiração profunda e faz o caminho de volta para a mesa, empurrando esse escura madeixa de cabelo da sua testa. Eu quase engasgo quando o prato é colocado com precisão absoluta, revelando uma pilha de ostras. — Sirva-se. - ele faz um gesto em direção à bandeja de prata e se senta. Eu ignorar a sua oferta, irritada por sua escolha para começar, e repito a pergunta. – Quanto tempo? Levantando o prato dele, ele leva três ostras e estabelecê-los ordenadamente. — Há dez anos-, diz ele, optando por não me olhar quando ele me responde. Eu quero gritar, mas eu resisto. Tomo a água, pois estou com a boca, subitamente seca. – Por que você é o mais famoso? — Porque eu sou implacável. Solto um grito, e eu me odeio por isso. Não deveria me surpreender. Senti na minha carne o tão implacável que pode ser. Ele me vê lutando, mas continua. – Porque no quarto, eu sou mal, dominante, insensível e sedutor para elas. As mulheres não se cansam de mim e os seus homens não podem dar-lhes isso. — Elas pagam para você. — Para ser a melhor trepada da sua vida-, ele termina para mim. –E elas pagam quantias obscenas para o privilégio. — Não entendo. - eu balanço minha cabeça, e o meu olhar salta de um elemento para outro na sua mesa impecavelmente. – Você não as deixa te beijar ou te tocar. Quando estou nu, não. Quando estamos íntimos, não. Eu sou um perfeito cavalheiro em encontros, Olivia. Podem sentir-me sobre as minhas roupas, se animarem e apreciar a minha atenção. Mas isso é controle. Eu sou a mistura perfeita do homem para elas. Arrogante, atencioso... talentoso. Eu sorrio para mim mesma. — E você conseguiu algo com isso? — Sim, - ele admite. Estou no controle total no quarto e venho sempre.


Eu vacilei em suas palavras sinceras, olhando para longe, me sentindo doente e ferida. — Mostre-me seu rosto-, ele exige severamente, e minha cabeça levanta automaticamente, encontrando seus olhos macios, substituindo o gelo duro. – Mas nada, nunca vai chegar perto do prazer que eu ganho em te adorar. — Estou lutando para não ser aquele homem agora -diz, fazendo a suavidade de sua expressão em miséria. — Eu queria que você não tivesse se tornado um deles. — Não tanto quanto eu-, ele sussurra, caindo na cadeira. –Diga que há esperança. Tudo que vejo é Miller naquele quarto de hotel. Meu desejo e a necessidade dele ainda estão lá, mas nossa curta conversa trouxe a dura realidade de sua vida desabar ao meu redor. Não estou equipada com força suficiente para lidar com ele. Se eu deixá-lo outra vez, então estarei enfrentando uma vida de tortura e possivelmente me arrependerei. Nada me fará esquecer o amante implacável. Só vou ver que ele me leva uma névoa vermelha de miséria. Minha vida tem sido difícil o suficiente como é. Não pode ser mais difícil. — Fiz uma pergunta-, ele disse calmamente. O tom de sua voz me diz que ele está no modo arrogante, provavelmente porque ele pode ver meu desalento súbito, e com um movimento dos olhos dele, vejo essa arrogância, também. Ele não vai desistir facilmente. — E a mulher de Madrid? — Não dormi com ela. — Então, por que você foi? — Ela era um compromisso anterior. - Ele diz afiado e impassível, e eu não sei por que, mas por incrível que pareça, eu acredito. Embora não esteja ficando mais fácil lidar com isso. — Posso usar seu banheiro?- levanto-me da mesa, e ele ergue os olhos para mim. — Uma vez que você responda à minha pergunta. Existe esperança? — Não tenho uma resposta ainda. - minto, deixando o guardanapo em cima da minha cadeira. —Você terá depois de ir ao banheiro? —Não sei. —Não pense muito, Olivia. —Eu diria que isso é impossível, depois do que você acabou de dizer, não é? Estou sendo puxada em duas direções, querendo ouvir William porque sei que ele é definitivamente certo, e querer confiar em meu coração, porque talvez, só talvez, eu possa ajudar Miller. Mas um definitivamente sempre deverá conquistar um talvez. A discrepância é demais. Tem me rasgado ao meio. Ele me olha com cuidado, nervoso. –Você está indo embora, não é? — Eu fiz as minhas perguntas. Eu nunca disse que iria ficar uma vez que você me respondesse, nem disse que estava gostando das respostas.


— Ele definitivamente conseguiu. William ganha. Deixo a cozinha a toda a velocidade preciso escapar exalando intensidade. — Espera Olivia! Abro a porta da frente e corro para fora do seu apartamento. Eu sei que ele nunca vai me deixar ir sem uma luta. Minha mente perturbada apenas me permite registrar minha rota mais segura do seu prédio. Ir direto para o elevador. Meu coração está batendo de forma caótica, minha respiração em pânico e frenética quando achato o botão de chamada. — Olivia não entre no elevador, por favor!Eu entro, eu aperto o botão para o andar térreo e me encosto na parede. Eu sei que eu estou sendo cruel, mas o desespero é maior do que a culpa que sinto por estar usando o seu ponto fraco contra ele. Eu sabia que viria com o tempo, mas eu ainda pulo quando elevador para. Ele abre as portas na força. Tem a testa brilhante com suor e seus olhos estão arregalados de medo. – Sai! Ele grita, eu enquadro meus ombros. — Não! - eu balanço minha cabeça. Sua mandíbula vai quebrar em pedaços de tanto apertar.– Sai da porra do elevador! Permaneço em silêncio contra a parede. É assustador. — Como você pode fazer isso? Suspira abrindo a porta novamente, quando elas fecham. – O quê? — Eu não posso ficar com você, Miller. Minha voz sai quase inaudível sobre sua respiração e as batidas do meu coração. — Livy, eu te imploro, não faça isso novamente. Está começando a tremer e seus olhos estão continuamente no interior do elevador para mim. — Eu não posso esquecer aquele homem. Estendo a mão e aperto o botão de descer novamente. — Merda! Miller soca as portas, que estão começando a se fechar. – Eu me recuso a desistir, Olivia. Seus olhos azuis estão preso em mim, sua expressão é gravada em meu cérebro para sempre. — Eu não vou te perder. —Você já perdeu. - murmuro, e seu rosto desaparece.

Capítulo Onze


Não sei como que vim parar aqui. Provavelmente para reforçar minha decisão. Vendo o dossel da cama, a sala régia e as imagens de mim contida está ajudando a minha determinação de aço. Mas isso também está ampliando a dor. Eu estou parada no meio do quarto de hotel, contemplando ao redor, e torturando-me mais, e orando por alguma força para me ver. Ir embora. Desaparecer para sempre. Não posso ver nenhuma outra maneira. Minha pele é fria e formigueiro. Meus olhos estão doloridos com lágrimas. Os planos que eu comecei a fazer muitas vezes precisam ser concluídos e agora cumprido. Eu preciso ir embora por um tempo, o espaço entre nós e a esperança de colocar o dizendo -fora da vista, longe do coração- ser verdade. Para nós dois. Por que vim aqui? Os filtros de pergunta através do fluxo de sangue que deforma minha audição, arrastando-me de volta para o quarto frio. Para ajudar a convencer-me que eu estou fazendo a coisa certa. Sente certo? Não, admito. Nada parece certo. É tudo muito errado. Eu ouço o clique do fecho da porta e deixar o meu devaneio e viro-me para encontrar uma bagunça de um homem, seu cabelo selvagem, seu terno amarrotado. Mas seus olhos azuis são aliviados. — Não vou te perder-, diz ele, descansando as mãos no bolso. – Não posso te perder, Olivia. Lágrimas começam a correr pelo meu rosto. Eu estou diante dele, derrotado. Conquistada. Suas costas batem a porta, seus olhos vidrados e seu corpo afunda na madeira. Ver Miller Hart lutando contra as lágrimas me deixa com o coração apertado e sem força nos joelhos. Meu corpo cai no chão, o queixo contra peito, e meu cabelo caindo sobre os ombros. E eu choro. Pelo homem quebrado que tenho diante de mim. Ele sempre me fez doer os olhos, mas desta vez não por prazer ou por sua beleza. Ele está tão atormentado. Desesperado. Em ruínas. Eu sou tragada por ele em um nano segundo, seus braços quentes embrulhados firmemente em torno de mim, meu roso empurrado no peito dele. —Não chore-, ele sussurra, puxando-me para seu colo. –Eu preciso que você seja forte por mim. Ele me pega em seus braços e me leva para a cama. – Isso termina aqui-, diz ele me batendo com delicadeza e cobrindo meu corpo com o seu próprio. Ele enterra o rosto no meu pescoço. Eu não posso resistir. Ele deixa seu corpo para se fundir com o meu e me inundar com sua força. Eu o abraço como se minha vida dependesse disso. Ele faz o mesmo. Apertamos com tudo o que temos, nossos corações batem em uníssono. Ouço os batimentos cardíacos. Os


dois são estão vivos. Levanto a cabeça lentamente até que eu me encontro olhando para um par de olhos azuis angustiados. —Eu sinto muito-. Eu enxugo as lágrimas. Eu sei que eu tenho corrido, mas eu aceito agora. Ele me beija suavemente. Eu preciso e desejo seus lábios macios. — Eu preciso que você faça o mesmo. Ele senta-se e coloca-me em seu colo com facilidade. Me abraça e beija meu rosto sem parar. — O que temos é tão bonito, Olivia. Não posso te perder-, segurando a barra do meu vestido, mas não o retirando. – Posso? Eu respondo, empurrando seu paletó até os ombros e tirando-o do seu corpo. Eu preciso de sua pele nua contra a minha. — Obrigado , ele respira, removendo o meu vestido e o coloca de lado. Os lábios dele acham os meus e começa uma carícia delicada, sua língua hesitante e fraca quando ele desliza para dentro da minha boca. Minha mente era espaços em branco, mas meu corpo responde instintivamente. Eu aceito o seu beijo, retornando seu ritmo suave, preguiçoso, absorvendo a emoção vertendo de todo o seu ser. Suas mãos quentes estão em cima de mim, tocando e sentindo em todos os lugares, lembrando-se da falta de pele sob as palmas das mãos. Começo desabotoando o casaco, depois a camisa, até que minhas mãos mergulham sob o tecido, sentindo tudo ao redor por muito pouco tempo antes de começar a retirar sua roupa. Eu me recuso a deixar com sua boca, mesmo para beijar o seu perfeito torso. E quando seus braços estão livres novamente, eu solto o fecho do sutiã e removo muito lentamente. Expondo os meus mamilos, que estão duros como pedras. Separo nossas bocas e o ouço gemer em protesto. Minhas mãos são rápidas para desfazer seu cinto. Sua boca que me hipnotiza está entreaberta e sinto o seu fôlego ofegante. Ele olha para os meus seios pequenos. Ajoelho-me retirando suas calças, ansiosa para tê-lo nu. Levanto os olhos do seu peito e o encaro. — Me prove-, diz Eu não perco um segundo, mas corro para o pescoço dele, não sua boca. Eu mordisco sua garganta e inalo seu perfume masculino. Estou em cima dele, fazendo-o gemer e murmurar em gratificação. — Minha boca-, ele geme e eu desviar imediatamente para os lábios. – Meu Deus, Olivia! Suas grandes mãos estão em minhas bochechas e eu deito a cabeça e nós nos beijamos, lentamente, com cuidado. — Eu não posso imaginar nada melhor do que te beijar-, diz contra os meus


lábios. – Diga-me que você é minha. Aceno contra ele e vou ao encontro de sua língua enquanto ele nos leva para a cama. Ele rapidamente tira sua calças de suas longas pernas. Para um momento, puxa um preservativo e coloca, um gemido escapa por sua apertada mandíbula. Em seguida fechos olhos antes de senti-lo de volta no meu corpo. Eu gemo quando ele se instala entre as minhas coxas e sinto a larga cabeça de sua ereção empurrando contra a minha abertura. — Diga-. Morde o lábio inferior e me diz. – Não me negue isso. —Sou sua. Sem dúvida. Ele apoia sua testa na minha e empurra dentro de mim, com a respiração controlada. – Obrigado. — Miller... -digo sentindo os pedaços do meu coração partido se juntando novamente. Eu fecho meus olhos satisfeita, com a paz que me invade e ele começa a mexer os quadris sem pressa. Minhas mãos estão livres, posso tocá-lo apenas por prazer. Eu deslizo a palma das mãos em todos os lugares acariciando cada centímetro de seu corpo. Nossas línguas dançando feliz, e seus quadris vão mexendo suavemente, com delicadeza. Ele se redimiu de tudo. É assim que atento para apagar a cena de terror que teve lugar neste hotel. Eu aprecio este momento lembro do homem doce e gentil que é quando me reverencia, o homem que preciso. O homem que quer ser. Para mim. —Eu nunca estarei liberando seus lábios-, declara, nossos corpos suados escorregando languidamente. —Nunca. Vira-me para que possa montá-lo, montar seus quadris, preenchendo todos os espaços entre nós. O movimento me leva incrivelmente mais profundo. — Oh, Deus!- eu apoio as palmas das mãos em seu peito e me preparo. —Foda-se! - diz Miller entrando e saindo sem parar me agarrando com força, segurando meus quadris. — Olivia Taylor!-, ele sussurra. – Meu bem mais precioso. — Você nunca estará libertando os meus lábios-, sufoco o desejo, então suspiro quando a palma de sua mão rapidamente segura a minha nuca e me puxa para o rosto dele. Ele empurra acima outra vez. Eu choro para fora. Então me envia para fora de mim com um beijo tão cheio de fome, que eu me esforço para lembrar o meu nome. — Se mexe-. diz mordiscando minha língua e me dando um tapa na bunda. Eu levanto. Sentindo quando ele sai de dentro de mim, criando um atrito delicioso que me deixa louca. Minhas mãos mergulham em seus cabelos. — É isto é, Livy! O prazer que vejo em seu rosto me dá força. Subo e desço em seu pau incontrolavelmente. — Assim?- pergunto sem esperar por uma resposta.


Seus olhos cerrados diz-me, então eu repito, segurando minhas massas loiras de cabelo severamente. –Miller, diga-me! — Sim-! Os olhos dele voam abertos, sua mandíbula aperta. –Você pode fazer a porra do inferno que quiser comigo, Olivia. Eu vou levá-los todos. Faço uma pausa, respirando pesadamente, sentindo-o pulsar incessantemente dentro de mim, meus músculos acariciando cada pulso. – Eu também. Ele se move rapidamente. Virando-me em minhas mãos e costas deslizando de volta em mim com facilidade. Com a ponta do dedo desenha um caminho para a minha bochecha e desce o rosto novamente reivindicando minha boca. — Eu queria que você estivesse, sussurra, em minha cama e segura meus lábios, apertando os quadris em mim com círculos constantes entrando e saindo cada vez mais rápido. — Por favor, diga-me. Eu posso te tomar na minha cama e passar a noite abraçando você. O seu pedido levanta uma questão. Quebro nosso beijo. — Como é possível que abraço é o que mais você gosta? Eu não dou tempo para responder. Eu sinto falta da sua boca e não perco um segundo antes de ir atrás da sua língua, enquanto ele continua se movendo. — É apenas uma coisa com você.- Ele mordisca meu lábio e plantas beijos leves de um canto para o outro da minha boca. – Só quero apertar-lhe a morte. Eu até sorri e quase cai em lágrimas quando me explode atrás com seu raro, mas lindo sorriso, seus olhos azuis cintilantes descontroladamente. Ele realmente tem se redimido, o brutal Miller esquecido há muito tempo. Quero seus lábios nos meus novamente, mas eu também quero olhar para a cara dele quando ele está com o sorriso mais brilhantes que já vi. – Eu amo seu sorriso , declaro com um suspiro, assim como ele me abençoa com uma rotação suave de sua virilha, me pegando perfeitamente na minha parede da frente. – Ah Deus! — Eu sorrio apenas para você-. Ele bica meus lábios e levanta o seu tronco para que ele fique apoiado em seus braços longos, magros. – Eu amo seus seios. Ele acende os olhos para eles e lambe os lábios provocativamente. — Não são muito pequenos. Eu quero me cobrir com as mãos, mas elas estão ocupadas acariciando seus braços. — Eu discordo. - Engasga um pouco e fecha os olhos durante o movimento perfeito, profundo e preciso. Meus músculos ficam tensos e empurro contra seus braços fortes. — Mãe de Deus! Tenho a sensação de um delicioso orgasmo a caminho. — Você está indo para gozar, minha doce menina? — Sim,- gemo arqueando as costas e envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura, aumentando a pressão quente na minha virilha para baixo como uma banheira de hidromassagem.


Miller baixa a cabeça, lentamente abre os olhos e se apoia em seus antebraços. — Dê-me seus lábios diz com a voz rouca entrando, saindo e entrando novamente em mim. O prazer que me dá, me deixa fraca, abalada. — Lívy, seus lábios... -diz sobre o meu rosto, assim só tenho que levantar um pouco o meu. Nossas línguas se encontram e estão enroscadas em uma dança delicada. Eu começo a tremer e meu clímax desce sobre mim, ele bate-me com força e me beija apaixonadamente, gemendo com paixão. Enrosco minhas mãos em seus cabelos molhados de volta. — Eu - gemo - estou gozando Miller. Eu começo contraindo ao seu redor e tento beijá-lo, enquanto cavalgo através de ondas de puro prazer. No entanto, ele não vai me deixar. Ele se move um pouco mais por alguns segundos, antes de juntar os nossos lábios para me trazer de volta em silêncio. Faíscas de fogo de prazer me atacam de todas as direções. Não respirar através das sensações esmagadoras. Eu grito. Eu explodo. Minha carne lateja e sinto o peso das pálpebras enquanto ele continua adorando minha boca e, lentamente, entra. Posso sentir os pedaços de mim despedaçados, puxando para trás juntos novamente sob sua atenção adorada. Nós podemos fazer isso. Enquanto temos um ao outro, nós podemos lutar pelos desafios diante de nós. Minha fortaleza nunca foi tão forte. — Obrigada-, eu suspiro em um sorriso, deixando meus braços fracos acima da minha cabeça. —Nunca me agradeça. Através de meu estado abençoado, eu vagamente registro a ausência dele dentro de mim. – Você não veio-, eu sussurro. Ele lentamente puxa para fora de mim e começa a beijar seu caminho pelo meu corpo até que a cabeça dele está entre minhas coxas e mandou-me delirar com um movimento da língua sobre minha carne trêmula, seguido por um chicote firme para cima meu centro. Eu rebolo sob ele, tentando controlar as pulsações pontadas quando ele rasteja para cima do meu corpo e afunda a língua de volta para minha boca. — Eu te adoro-. Ele deixa cair um beijo levemente na minha testa e circula nossos narizes. — Dê-me o que mais gosto. —Meus braços não funcionam. —Dê-me -o que eu gosto- Lívy. levantando as sobrancelhas como um aviso. Isso me faz sorrir ainda mais. — E não me custa nada lhe dar o que você pede-. Rodeio seus ombros com os braços e o aperto contra mim. — Eu quero estar em sua cama,- sussurro em seu cabelo, queria que já estivéssemos lá. — E você vai estar. Ele vira a me levar com ele e, em seguida, levantou-me até que eu sinto por ela


estômago. Eu estudei o silêncio. — No que você está pensando? - Eu pergunto. — Eu acho que nunca nada me surpreendeu tanto quanto você, diz circulando desenhos em meus mamilos até que estejam duros e sensíveis ao toque. – Mas o dia que você jogou o dinheiro em cima da mesa no Brasserie Langan, tive que me conter para não engasgar com o vinho. Eu coro um pouco em minha própria ousadia. Eu desejava que eu nunca tivesse feito aquilo. —Eu não gostei de fazê-lo. —Nem eu-, sussurra trazendo a mão para o meu pulso e acariciando a área onde as contusões quase desapareceram. – Perdoe-me. Eu estava consumido pelo desespero... Eu pego sua mão, e lhe deu um beijo nos lábios e o silencio com o meu corpo. —Por favor, não se sinta culpado. —Eu aprecio sua compaixão, mas nada que eu diga vai limpar minha culpa. —Eu empurrei você. —Isso não é desculpa-. Ele senta-se e leva-nos à beira da cama. Pondo-me de pé. –Te retribuirei, Olivia Taylor-, jura levantando-se e tomando o meu rosto em suas mãos. –Vou te fazer esquecer aquele homem. Seus lábios encontram os meus e enfatizam suas palavras. Aceno sem romper nosso beijo. —Não é o homem que eu quero ser para você acrescenta. —Deixe-me entrar em sua boca e em seu corpo e apagar se arrependimento, me empurra contra a parede desesperadamente, para acariciar-me em todos os lugares. —Leve-me para cama-, imploro. Eu preciso do conforto e a segurança que sinto em seus braços, Miller, que não irá só me pegar aqui neste quarto de hotel, onde a cama dossel é um lembrete constante de um inteiramente diferente Miller. —Eu vou fazer que você queira que eu faça-, sussurra fazendo uma pequena pausa em seu beijo de desculpas, e me dando beijos intermináveis sobre os lábios. – Qualquer coisa. Por favor, tente apagar o que ocorreu. — Então me tire daqui-, insisto. –Tire-me deste quarto. Ele começa a entrar em pânico, um pouco, quando percebe que a extensão do meu desespero para me afastar das lembranças. Fez-lhe desesperado, também. Ele aperta-se em ação, remove o preservativo e começa a vestir-se à velocidade da luz, sem me importar para um empate em linha reta ou um terno de vinco-livre. Ele deixa sua camisa desabotoada metade e pendurado fora de suas calças, seu colete é lançada desordenadamente e o paletó igualmente, então, ele pega meu vestido e rapidamente me veste nele. Ele pega a minha mão e me leva para longe da frieza do quarto extravagante do hotel. Descemos as escadas e, ocasionalmente, olha para trás para ter certeza que eu estou bem.


—Estou indo rápido demais?- pergunta sem parar. —Não. - eu digo. Embora minhas pernas estejam tremendo, eu quero ir mais rápido. Eu quero deixar este lugar o mais rapidamente possível. Nós chegamos ao lobby palaciano e chama a atenção da clientela elegante, em nosso estado desgrenhado. Não estou preocupada com a aparência e nem o Miller. Ele praticamente lança o cartão de acesso ao quarto, sobre a mesa para a senhora na recepção. Ele parece que desesperado para sair daqui como eu. Penso que o carro está longe, quando na verdade ele está estacionado no local ao virar da esquina. A viagem parece durar por horas quando na verdade apenas tem sido minutos. A escadaria que leva para o apartamento Miller parece ter milhares de passos, quando tem apenas algumas centenas. Quando a porta se fecha atrás de nós, retira o meu vestido, impaciente. Minha calcinha desaparece, ele me pega em seus braços, me prendendo ao seu corpo vestido descuidadamente. Ele me beija na boca todo o caminho até seu quarto, só que nós não vamos para o quarto, mas sim para o estúdio, me deixa no sofá, onde se senta desajeitadamente e um pouco desnorteado, pelo seu desespero de meter, então se apressa a tirar sua roupa, deixando-as em uma pilha de material caro no chão. Trazendo seu corpo para baixo por cima do meu, ele engolfa-me completamente e me deita sobre o sofá velho e desgastado abaixo de mim. O rosto dele está no meu pescoço, dando uma inspiração longa do meu cabelo e em seguida a boca dele está na minha, trabalhando com sua língua delicadamente, cantarolando e gemendo quando seu beijo fica mais difícil, derrotando completamente toda a finalidade do nosso reencontro. Eu sou sempre aquela que leva as coisas mais rápidas e Miller, quem insiste em ir devagar, e agora eu sei por quê. Mas a preocupação é mais forte do que ele. Eu tento retardar nosso beijo, trazê-lo para baixo alguns níveis, mas está cego pelo objetivo de fazer-me esquecer. Não é muito difícil, não em tudo, mas não é o que eu quero ou preciso. — Mais lentamente-, eu suspiro, me afastando de seus lábios, então ele mudou-se para o meu pescoço, onde pode voltar ao seu entusiasmo. — Miller, por favor! Ante o meu apelo, ele levanta de uma só vez e afunda suas mãos em seus cachos. O medo em seus olhos é mais do que posso suportar, e é quando eu percebo que ele é duas pessoas completamente diferentes, fisicamente e emocionalmente. Pelo menos ele é agora que estou na sua vida. Eu suspeito que antes ele era simplesmente o homem disfarçado como um cavalheiro e amante cruel – ou acompanhante. — Você está bem?- pergunto, movendo-me para cima em posição sentada. — Desculpa-. Ele levanta e caminha para a janela enorme. Suas costas nuas no brilho da noite parecem quase etéreo. Eu sinto a necessidade imperiosa de


estar próximo a ele, mas ele está perdido nos pensamentos e nem deveria deixá-lo. Por tanto tempo, eu pensei que era só eu a metade danificada desta relação. Eu estava tão errada. Miller está mais quebrado. Tenho visto o resultado deste estilo de vida. Eu vi o efeito que teve na minha mãe e ao longo da vida, o impacto que teve na minha avó. E em mim, também. Eu fiz algumas coisas estúpidas. Exceto que Miller não tem família para afetar. Há só ele, não importa como eu faço a pergunta. E ele não está no seu caminho para o inferno. Eu o puxei de volta, mas essa reivindicação fortalece minha esperança. Miller, passou muitos anos fazendo algo que ele não queria. —Miller? Ele se vira lentamente e não gosto do que vejo. Derrota, pena, tristeza. Deixa cair a cabeça. – Estou fodido, Olivia. Eu sinto muito. — Você já se desculpou o suficiente. Pare de dizer que sente muito-. Posso sentir o pânico que queima em mim. — Por favor, venha aqui. — Não sei o que eu vou fazer se você escolher, mas você realmente deve executar uma milha, doce menina. — Não!- Grito, preocupada com a mudança na abordagem de nosso encontro. – Vem aqui.- estou prestes a fisicamente buscá-lo, mesmo quando ele começa a fazer o seu caminho. Ele senta-se no extremo oposto do sofá, muito longe. – Não diga coisas assim-, aviso, deitando de costas e então eu estou olhando para ele, descansando minha cabeça em seu colo nu. Ele deixa cair a cabeça para que os olhos dele encontrem os meus, suas mãos acariciando meus cabelos. – Sinto muito. — Se você disser isso mais uma vez-, aviso, alcançando o pescoço dele. Eu o puxo para baixo, forçando-o a se dobrar assim estamos testa a testa. — Eu vou... — Você vai o que? — Não sei, admito, – Mas eu vou fazer algo. Então eu o beijo, porque isso é tudo que posso fazer. E ele me deixa. Estou definindo o delicado ritmo, eu que estou guiando Miller. Eu sou o forte agora. Eu. Não importa o que veio antes de mim. O que importa é que encontramos um ao outro e finalmente aceitamos um ao outro. É o cego guiando outro cego, mas eu estou completamente determinada. Eu o deixei derrubar minha barreiras e, no processo, eu também derrubei as dele sem perceber. Eu não estou disposta a desistir de seus lábios. Eu não vou ceder a esse sentimento, isto é onde eu pertenço. Aqui está o meu mundo. Eu não quero mais lutar contra isso. Eu me sinto. Eu sou forte o suficiente para ajudá-lo. Ele me dá essa força. Ele interrompe abruptamente o nosso beijo e respira-se fortemente na minha cara, fazendo um show deliberado de acariciar meu rosto e cabelo com muito ternura.


— Você estava me repreendendo?-, indaga a sério, soltando um beijinho de leve no meu nariz. –Porque se assim for, então peço desculpa. —Pare. —Desculpe-me. —Você está sendo bobo. —Sinto muito. —Eu vou fazer alguma coisa, eu advirto puxando o seu cabelo. Ele desloca minha cabeça do colo dele e se estabelece, reposicionando-me para que eu fique escarranchada por cima dele, minha cara no nível da sua. – Por favor, faça -, ele sussurra, colocando seus lábios perto dos meus e piscando lentamente. —Você quer que eu te beije? - perguntou em voz baixa, enquanto mantenho a distância mínima separando nossas bocas e eu resisto à tentação que eu tenho morder. —Desculpe-me. —Desnecessário. —Sinto muito.- Roça meus lábios e a minha resistência termina. É impossível me separar dele, sinto muito. Minha língua afunda impiedosamente, mas com ternura, e move-se com adoração total. Estamos onde deveríamos estar. Tudo volta a trabalhar bem no meu mundo. Você pode perdoar tudo, apenas que não existe agora muito para perdoar. As suas regras, que me impediam de tocar e beijar, elas são inúteis. Eu estou em todos os lugares acariciando, beijando como se eu nunca fosse ter prazer de novo. Há amor, carinho, e significa algo incrível. É perfeito. — Eu amo suas punições-, sussurra, virando para o lado e me pressionando contra o seu peito, enquanto nos beijamos e nos acariciamos. – Fique comigo esta noite. Eu sou a única que termina a união de nossas bocas. Eu tenho lábios doloridos e inchado. Sua barba está sempre arranhando e pinicando, mas acho que é familiar e reconfortante. Eu acaricio seu rosto com a palma da mão e eu assisti a meia-aberto boca quando meu polegar esfrega os lábios. — Eu não quero ficar apenas uma noite-, sussurro, e meus olhos relutantes passam por seu nariz, até que eles estão assistindo dois círculos azuis e simpáticos. — Eu quero que você fique para sempre-, responde com ternura, e com um grande beijo nos lábios para enfatizar suas palavras. – Eu quero você na minha cama. Ele se levanta do sofá e me pega em seus braços. Ele me beija como se não tivéssemos separado enquanto leva-me para o quarto. — Você tem ideia de como você me faz sentir? - Me deita com delicadeza e gesticulando para me deitar de bruços. — Sim-, eu digo. Viro meu rosto no travesseiro quando ele começa um movimento lento, delicado da língua dele pela minha coluna, terminando com


um beijo suave no meu ombro. A ponta dura de sua ereção na minha abertura e coloca a minha bunda no ar para eu recebê-lo. — Graças a Deus tenho você de novo-. Ele afunda em mim e prendo a respiração, então se acalma, tentando controlar a sua respiração. Mordo o travesseiro e gemo baixinho. A dureza de seu tronco é urgente nas minhas costas, me empurrando para o colchão, e me agarro ao lençóis com os punhos cerrados. — Você tomou tudo o que resisti em te dar Livy- ele sussurra com a voz rouca, realizando um giro fácil de seus quadris. Volto meu rosto aquecido para fora, quando eu sinto seus lábios na minha orelha e encontrar cílios escuros emoldurando seus olhos azuis cintilantes. — Não quero tirar nada. Quero que me dê. Ele retira-se lentamente e empurra para frente com firmeza, uma e outra vez, abafo meus gemidos de prazer com cada movimento. — O que você quer que eu te dê?—Qual é sua parte mais resistente?- Eu gemo as palavras durante uma estocada incrivelmente profunda. —Meu coração, Lívy. Meu coração é o que tenho de mais forte em mim. Perdeu o controle por um momento, arqueando as costas com um rugido. Minha alma dói ouvir. — Quero te ver-. Eu agitar sob seu corpo. –Por favor, eu quero ver você. — Porra do inferno-, ele amaldiçoa e rapidamente desliza fora de mim, me permite girar sobre mim e pegar em seus ombros, antes que ele rapidamente reentre em mim, batendo para frente não controlado. – Livy!-, ele grita, empurrando seu tronco para cima. Ele me possui ainda, ofegante e me encarando. – Você me dá muito medo. Levanto quadris e meu queixo toca no seu peito. Seus cachos caem como uma cascata em torno de mim. — Estou com medo de você, também-, sussurro. Estou apavorada. Ele levanta seus olhos e move seus quadris em círculos. – Sou uma emoção virgem, Livy. Você é a primeira. O que está dizendo? Pergunto-me em silêncio. Ele vai falar, então parece pensar melhor nisso, seus olhos arremessam na minha cara. — Eu me apaixonei, Olivia Taylor-, ele sussurra. Eu morder meu lábio inferior para evitar que um soluço escorregue livre. Essa é a única coisa que é importante. – Você me fascina - eu falo. Estou reafirmando o meu sentimento, tornando-se conhecido que nada mudou. Já perdi tempo precioso demais o afastando – hora em que eu poderia tê-lo ajudado e tornar-me mais forte. Ele cai para os antebraços dele e começa a bombear seus quadris lentamente,


carregando-me ainda mais em arrebatamento. – Por favor, não me deixes cair, ele respira. Eu balanço a cabeça e acaricio o seu pescoço, recebendo cada uma de suas investidas com correspondentes investidas de meus quadris. Não sei o que está acontecendo, mas eu sei que meu sentimentos são profundos. E agora eles só foram reforçados. — Fui salvo por uma menina linda, doce-, ele sussurra, me olhando. –Ela faz meu coração bater mais rápido e lento do que meus sentidos. Eu fecho meus olhos, deixá-lo ir por diante, a perfeição das minhas lágrimas desta vez na alma. — Eu vou gozar. Porra Olivia! Meus olhos estalam abertos, meu corpo se contorce sob seu físico. Seu ritmo tem avançado, junto com meu prazer. Nossos corpos estão engatados, como os nossos olhos e a conexão permanece intacta até nós dois choramingarmos com o nosso clímax. De forma uníssona, nós dois ficamos rígidos, ofegantes cara a cara. Uma sensação estranha me inunda. Literalmente. Minhas entranhas estão quentes, me sentindo bem. Bom demais. — Você não está usando um preservativo-, eu disse calmamente. Ele traz escrito -culpado- em seu rosto perfeito e para muito de repente o delicado movimento de quadris. Parece pensativo por um momento e finalmente disse: – Eu acho que eu não sou o cavaleiro que eu digo ser. Não deveria sorrir, dada a grave situação, mas eu faço. Show incomum de Miller, de humor, mesmo se for inadequado, torna impossível não o fazer. – Tem um humor seco. Ele empurra dentro de mim, profundo e elevado, seu pênis semiereto acariciando-me, lembrando-me do prazer que ele me dá com a sensação de senti-lo sem nada.–Não há nada de seco sobre nossa condição atual. Eu ri. Miller nunca deixa de surpreender. —Isso é terrível! —É muito bom para mim-. Ele pisca-me um sorriso de menino e me morde na bochecha. Ele tem razão, parece incrível, mas isso não o torna uma coisa boa. —Vou precisar visitar meu médico-. Eu o beijo nos lábios e o abraçou com força. —Eu vou te levar. Aceito toda responsabilidade-. Puxando para trás, ele estuda-me intimamente. —Eu me senti melhor do que eu imaginava. Vai ser difícil voltar a preservativos. Eu compreendo algo imediatamente. –Você sabia, não é? O tempo todo você estava ciente. —Parecia bom demais para parar-. Ele beija meu rosto assustado castamente. –Além disso, podemos pedir ao médico para lhe prescrever a pílula, enquanto estivermos lá.


—Nós podemos? —Sim-, ele responde com certeza. - Agora que tive você com nada entre nós, eu estou ganancioso para mais. Não tenho nada a dizer sobre isso. —Você se importaria se nós dormimos no sofá no meu estúdio?-, indaga. —Por quê? —Me acalma, e com você e -o que eu gosto-, também, eu vou dormir muito bem. —Eu adoraria. —Perfeito, porque você não tinha escolha. Ele me pega e me leva de volta ao estúdio, onde sou cuidadosamente colocada no sofá velho seboso. Em seguida, deita-se junto a mim, e coloca minha cabeça em seu peito para os dois apreciarmos a vista deslumbrante. O silêncio nos rodeia dando-me a oportunidade de pensar sobre algumas das respostas que eu ainda não recebi. —Por que você não deixava te beijarem? - Eu sussurro. Ele estava tenso atrás de mim, e eu não gosto. —Eu não quero responder a mais de suas perguntas, Lívy. Eu não quero que você saia correndo de novo. Ele leva minha mão aos lábios e beija suavemente. —Eu não vou fugir. —Me prometa. —Te prometo. —Obrigado.– Ele mexe comigo, me ajudando a virar e encará-lo... Ele quer o olho em contato, enquanto nós estamos conversando. – Beijar é um ato muito íntimo-, diz ele, puxando meu rosto para o dele e me dá um beijo longo, lento, lânguido, ambos de nós gememos satisfeitos. —Então era só sexo. —Você está errada. - Ele se afasta e varre meu rosto confuso. -Não há intimidade e não há sentimento. Eu absorvo suas palavras em um instante. –Temos sentimento. Ele sorri e faz um gesto elaborado de sentimento, revestindo o meu rosto em beijos molhados. Eu não o impeço. Deixei-o sufocar-me completamente. Eu me afogo em sua afeição, até que ele decida que meu rosto teve suficiente intimidade. O conhecimento das regras do Miller, o não beijar ou tocar, envia um sentimento caloroso de satisfação profundamente em mim, alivia a angústia que me aleijou desde a minha descoberta. Ele permite-me beijá-lo e ele me permite tocar e senti-lo. Aquelas mulheres perderam algo obscenamente gratificante. —Não dormiu com uma mulher desde que me conheceu? Ele balança a cabeça. — Ainda teve-, pauso, pensando que palavra devo usar, -reservas?


— Encontros-, ele me corrige. –Sim, já tive encontros. A curiosidade de William obtém o melhor de mim. Ele se perguntava como Miller conseguiu manter Seus encontros sem ter relações sexuais com as mulheres. Se eu odeio minha curiosidade, então eu desprezo William. – Se elas pagam para obter a melhor trepada da sua vida e, em seguida, como evitou dar isso a elas?— Não foi sem dificuldades-. Ele escova meu cabelo do meu rosto. – Eu não sou um fã de conversa fiada.— Conversando? - Peço, chocada. — Eu poderia ter dito palavras estranhas quando eu não estava prestando atenção. Na maioria das vezes eu estava pensando em você. —Oh. —Estamos feito?-, indaga, claramente desconfortável com a conversa. Mas a mim não. Eu deveria estar. Eu deveria estar satisfeito com a informação oferecida, ainda bem que ele abriu e iluminou, feliz que nisto não há nenhum sentimento envolvido. Mas não estou. Estou muito confuso. — Não entendo por que aquelas mulheres querem assim.- Meu Deus, se elas experimentassem o que eu tenho com Miller Hart, se elas fossem adoradas, então estou certa de que elas estariam batendo na porta para chegar a ele. —Eu as faço ter orgasmo. —As mulheres pagam milhares de libras para um orgasmo? gaguejo. –Isso é... Eu estava indo para palavras obscenas, mas então eu me lembro dos meus próprios orgasmos e o leve sorriso Miller me diz que sabe o que eu estou pensando. Eu desafio. -—Você faz todas essas mulheres se sentirem assim como eu me sinto na cama. - Ele acena — Então eu não sou especial. Minha voz soa ferida. Na verdade, eu estou. — Lamento discordar-, ele argumenta e estou prestes a desafiá-lo, mas ele me faz calar a boca com seus gloriosos lábios, deslizando sua língua lentamente pela boca. Eu e a minha confusão de sentidos esqueço completamente o que eu ia dizer. —Há algo de muito especial em você, Olivia. —O quê? Peço desfrutando de sua atenção. — Você me faz sentir tão bem quanto eu sei que eu te faço sentir – algo que ninguém mais tem, já fez ou nunca será. Eu fiz sexo com mulheres. Nada sobre qualquer um desses encontros fez meu coração acelerar. — Você disse que era prazeroso-, eu o lembro, mantendo-me ligada a ele. — Eu não recebi qualquer prazer quando você me levou assim. E você?- Eu definitivamente me lembro do clímax . — Não senti nada , mas vergonha, antes, durante e depois. —Por quê? — Porque eu jurei na minha vida que eu nunca iria manchar você com meu pincel sujo.


—Então por que você não parou?—Eu apaguei-. Ele deixa meus lábios e desloca-se desconfortavelmente —É como uma mola: quando ele pula já não vê nada, apenas a minha própria finalidade. —E como é que estas mulheres conseguem alguma satisfação nisso? —Eu quero, mas eu sou inatingível. Todo mundo quer o que não pode ter, diz observando cuidadosamente, quase desconfiado. Quebro o contato visual, tentando absorver tudo, mas Miller interrompeu fio dos meus pensamentos. —Você sabe quantas mulheres atingem o orgasmo durante a relação sexual? Eu olho para cima. —Não. —Segundo as estatísticas, o número é incrivelmente baixo. Todas as mulheres que eu fodi, gozaram comigo dentro. Mesmo eu tenho que me forçar. Em certo sentido, eu tenho talento. E isto faz a procura. Ele me deixou sem palavras, espantada com sua sinceridade. Ele explica como um fardo. Talvez seja. E desgastante. Minha pobre e inocente mente está acelerada, e casas bem em um pequeno detalhe. Meu orgasmo no quarto do hotel. Eu não tentei por aquele. Eu estava desligado do meu corpo. Veio por si só... mas então meus pensamentos em espiral registrar outra coisa. —Você teve que me ajudar mais uma vez-, respiro, lembrando a sensação tão inútil e frustrada. – Você usou os dedos. Ele olha de sobrancelhas franzidas. –Isso a torna ainda mais especial. — Eu estraguei o seu registro impecável. Eu sorrio e ele sorrir de volta. É ridículo, eu faço como eu acho tão engraçado como ele. Mas a alternativa certa, seria me sentir um lixo. — Arrogância, é um sentimento muito feio-, ele sussurra. Alargam os meus olhos. –Você diz? - Eu engasgo. Ele dá de ombros. — Eu poderia vender minha história-, anuncio a sério, vendo como seu leve sorriso se espalha para um raro desabrochar. – Apreciaria ver: ' Acompanhante masculino mais notório de Londres perde o toque dele.' Eu permaneço sério, vendo que seus olhos continuam a cintilação e sua boca se contorcendo. — Quanto me custará seu silêncio?-, indaga. Eu olho para o teto e colocar o rosto pensativo, como se voltando à sua pergunta, embora eu saiba o que eu vou dizer a partir do momento que me fez questão. — Uma vida de adoração contínua. — Espero que seja eu quem tenha que te adorar.


Nossos lábios se reunir. — Única e exclusivamente. Você me deve mil libras ligadas ao seu murmúrio boca. Ele sai com uma careta. Eu não pago por um serviço que eu não estou satisfeito. Eu quero que você devolva o dinheiro. — Você quer um reembolso? sorrisos, mas uma preocupação substitui seu sorriso. – Eu coloquei o dinheiro na mesa. Ah. Sento-me em seu colo. Eu não quero esse dinheiro mais do que eu quero os milhares que estão escondidos em contas bancárias de onde ele veio. Então eu o convidei para jantar eu digo com um encolher de ombros. — Livy, Ostras e vinho não custam mil libras. — Bem, eu te convidei para jantar e deixei uma gorjeta generosa. Ele franze os lábios em uma linha reta, tentando não rir.– Olhe, você está sendo boba. — E você, está sendo tenso. — Oi Como foi que você disse?! —Relaxe! Eu vibrava contra seu peito e enterro minha cabeça em seu pescoço. Miller bufou no meu insulto mas afaga-me ferozmente. — Anotei seu pedido, senhorita Taylor.Eu sorrio colada à sua pele e me sinto extremamente feliz. — Muito bom, Sr. Hart. —Atrevida. — Você ama minha veia ousada. Ele suspira profundamente e se inclina a cabeça na minha. — É verdade, ele sussurra. Se você está me desafiando, eu amo, quase sempre. Sua declaração indireta cimenta para mim. Eu sou totalmente e completamente apaixonada por Miller Hart. Ele vira-me longe de seu corpo e puxa minhas costas em seu peito. Minha cabeça repousa sobre o antebraço, e a mão dele encontra meus dedos entrelaçando-os em uma mensagem silenciosa. — Eu nunca vou te deixar ir. —Inalcançável. - Eu sussurro com um suspiro. — Estou perfeitamente alcançável para você, Olivia Taylor-. Ele me contrai, inalando profundamente antes de ternamente beijar minha nuca.– Nunca fiz amor com uma mulher em minha vida-. Eu mal ouvi suas palavras. –Só você. Assimilar sua confissão se revelando, me deixa atordoada. — Por quê eu? - pergunto em voz baixa, e eu me recuso a virar-me para olhar seus olhos. Eu não deveria fazer um grande negócio, mesmo sendo um grande negócio.


Ele afunda o nariz no meu cabelo e respira-me nele. — Porque quando eu olho para essas safiras cintilantes sem fundo, eu vejo liberdade. Meu corpo relaxa em um suspiro satisfeito. Não pensei que eu poderia tirar os meus olhos das deslumbrantes, que se vê do sofá seboso de Miller, mas quando suas palavras fazem um zumbido de assinatura, sei que estou errada. Londres desaparece diante dos meus olhos e imagens horríveis que eu lutei para fora da minha mente por tanto tempo sem sucesso, desaparecem com ele.

Capítulo Doze Eu acordo lentamente, sentindo-me feliz e segura, presa ao peito duro de Miller atrás de mim, com os braços ao redor de sua cintura e seu rosto escondido no meu pescoço. Sorrindo eu enterro mais nele, fechando qualquer espaço que possa existir entre nós. Eu seguro sua mão descansando na minha barriga. É cedo e o sol nascente brilha preguiçoso na janela. Eu me sinto confortável e protegida, mas tenho muita sede. Estou seca. Livrar-me do abraço firme de Miller é impensável, mas posso voltar rapidamente para enrolar-me ao lado dele depois de saciar minha sede. Eu tento me separar de seu corpo, pego seus braços em volta da minha cintura e me aproximo da borda do sofá sem acordar. Então eu me levanto e o olho por um tempo. Os cabelos estão despenteados, seus cílios negros acentuam e tem os lábios carnudos entreabertos. Como um anjo entre os lençóis. Meu cavalheiro emocionalmente prejudicado, em tempo parcial. Eu poderia ficar aqui para sempre, sem me mover, olhando-o dormir. Ele está em paz. Eu estou em paz. Estamos rodeados por uma atmosfera de paz. Com um suspiro de felicidade, eu movo minha bunda para o corredor e paro diante de uma das pinturas de Miller. É a Ponte de Londres. Inclino minha cabeça, fazendo beicinho enquanto pondero minha percepção tentando compreender. Os borrões de tinta cruzados fazem meus olhos verem de repente reconhecendo a ponte. Eu franzo a testa, piscando e a imagem é novamente um caos perfeito de óleo. Ele pegou a preciosa ponte de Londres e a fez parecer feia, como se ele quisesse que as pessoas sentissem aversão com sua beleza, e é aí que eu me pergunto se Miller Hart vê toda a sua vida distorcida e turva. Será que ele vê o mundo inteiro dessa maneira distorcida? Deixo o pescoço para trás, e outra vez especulo. Talvez seja como ele se vê? De longe, a imagem parece perfeita, mas quando alguém se aproxima abaixo da superfície, é um desastre. O caos é feio e confuso. Eu acho que é como ele


vê a si mesmo, e eu acho que faz todos os esforços para desfocar a percepção que os outros têm dele. É uma revelação, que causa dor. É bonito, por dentro e por fora, embora seja possível que eu seja a única pessoa no mundo que sabe com certeza. Uma melodia distante me faz pular e ficar fora do meu devaneio. Minha mão voa ao meu peito, para colocar um pouco de pressão que de repente bombeia rápido. — Jesus!- exclamo seguindo o som até que eu estou buscando meu celular em minha bolsa. Eu olho para a tela. É 05h15min e minha avó está me chamando. — Oh, merda! Atendo imediatamente. – Vovó! — Olivia! Graças a Deus, onde você está?- parece fora de si e meu rosto contorce de culpa e medo. — Levantei-me para ir ao banheiro e olhei no seu quarto. Não tinha ninguém. Você não está na cama! — Obviamente. - eu estremeço e solto minha bunda em uma cadeira, eu cubro meu rosto com a mão Embora não tenha ninguém para me esconder. Eu ouço um suspiro do outro lado do telefone. É um suspiro de realização. É um suspiro de felicidade. — Olivia, querida, você está com Miller? Ela está orando silenciosamente para que a resposta seja sim. Eu sei. Meus ombros nus sobem e tocam meus ouvidos. – Sim! -, eu digo com uma voz alta, meu rosto esfregando ainda mais. Eu deveria pedir desculpas por deixá-la preocupada, mas estou muito ocupada mordendo meu lábio. Eu sei qual será a sua reação à notícia. Minha avó tosse, claramente tentando conter um grito de felicidade. — Entendo. – Ela está falhando, terrivelmente, em parecer indiferente. Bem, uh... então, uh... Eu sinto por perturbar você. - Volta a tossir. – Vou para a cama novamente. — Avó.- Eu rolo meus olhos, as bochechas queimando com o constrangimento. – Perdoa-me eu deveria ter ligado pra você. Eu deveria ter... — Oh, não! Seu grito perfurou o meu tímpano. Está tudo bem! Está muito bem! Eu já sabia. — Vou passar em casa antes de ir trabalhar. — De acordo! - Certamente ela deve ter despertado o bairro inteiro. – George vai me levar para fazer compras antecipadas. Eu não vou estar aqui. — Então eu vou te ver depois do trabalho. — Sim, com Miller! Vou preparar o jantar! Filé Wellington! Ele disse que era o melhor que ele tinha experimentado! Eu esfrego a testa e sento de volta na cadeira. Eu deveria ter adivinhado. — Melhor outro dia. — Bom, tudo bem, mas eu não posso organizar a minha vida quando lhe convier. - Claro que ela pode e com certeza faria. – Pergunte a ele o dia que é melhor. — Farei. Te vejo mais tarde.


— Claro que sim. - Ela parece magoada e seu tom é ameaçador. Eu farei um grelhado mais tarde. — Tchau ! Eu digo para desligar a chamada. — Oh ! Livy ! —Sim? — Dê uns apertos na bunda dele por mim. — Vovó! -Exclamo, e ouço-a rindo enquanto desligo. Ela me deixou sem palavras. É muito vagabunda! Estou prestes a jogar o celular contra a mesa, mas o ícone de mensagem de texto chama minha atenção. Eu tenho uma mensagem. Eu sei de quem é. Abro apesar de querer jogar o telefone contra a parede também. Eu gostaria de esclarecer sobre o que aconteceu essa noite. William.Ele quer um relatório? Eu lanço um olhar assassino para o celular e jogo-o sobre a mesa. Não vou dizer qualquer coisa, não importa o quanto educado me pede. Nem vou me permitir convencer Miller a parar. Desnecessário me obrigar a fazê-lo. Nunca. Determinada e segura de mim mesma, eu me levanto. De repente, eu estou morrendo de vontade de me reunir com Miller no sofá. Eu vou para o armário da cozinha, pego um copo e preencho com água da torneira. Eu não vou perder um segundo abrindo uma garrafa de água mineral. Eu bebo, coloco o copo na máquina de lavar e volto para estar com Miller. Eu paro de repente e olho o meu vestido no chão. Ainda está jogado no chão. Ele não o pegou, nem dobrou ordenadamente e colocou em uma gaveta? Eu franzo a testa enquanto eu assisto à peça de vestuário. Eu não posso resistir em pegá-la, para dobrá-la. Pensativa por alguns minutos, antes de lembrar que eu estou no estúdio de Miller, olhando para suas roupas jogadas em todos os lugares. Eu sei que seu espaço de pintura é tipicamente uma bagunça geral , mas seu terno não deveria estar no chão. Está tudo errado. Apresso-me a pegar suas roupas, colocando em meus braços, esticando e dobrando o melhor que posso, antes de levar para o seu quarto. Eu ando atrás de suas roupas e me certifico de que tudo é colocado em seu devido lugar. Dobro a calça e colete; Deixo a camisa, meias e boxer na cesta de roupa suja e eu coloco o sapato no rack. Então eu coloco o meu vestido e meus calçados na última gaveta da cômoda no quarto. Antes de sair eu percebo que a cama também está uma bagunça, então eu tiro dez minutos e luto com os lençóis, na tentativa de restaurá-lo a sua antiga glória. Ele dormiu a noite abraçado, sem pesadelos ou obcecado com objetos que estão onde não deveriam estar. Eu não quero que ele entre pânico ao ver o caos. Na ponta dos pés eu volto ao estúdio, eu entro debaixo das cobertas, com cuidado para não acordá-lo... E eu grito como o inferno quando ele agarra minha cintura e me


puxa para perto de seu peito. Dá-me um segundo para me recuperar. Sou rebocada e levada para seu quarto, ele me joga na cama sem perceber que apenas a deixei perfeita. Embora provavelmente não o suficiente perfeito para seu padrão. — Miller! - Eu segurei seus pulsos, seus cachos fazem cócegas em meu nariz e eu me desoriento. — O que você está fazendo? Eu fico atordoada com seu jeito atípico de rir. — Um momento. – ele murmura suavemente contra o meu pescoço. Abrindo minhas coxas para se sentir confortável. De repente, a pele do meu pescoço está quente e incomodada com as carícias de sua língua. – Como você está hoje? Ele lambe e mordisca minha garganta. Arqueio minhas costas e mantenho minhas coxas em seu quadris. — Perfeita! - eu respondo, porque é assim que me sinto. Passo meus braços em torno dele quando eu solto os ombros e o abraço com força, enquanto ele passa uma eternidade adorando meu pescoço. Eu não quero ir trabalhar. Eu quero fazer o que Miller disse uma vez: Nos prender apertado e ficar aqui com ele para sempre. Ele está em um excepcional bom humor, nenhum sinal do homem quebrado. Estou exatamente onde eu deveria estar e Miller também em corpo e alma. Seu rosto surge ao meu lado. Aqueles olhos deixam-me ainda mais feliz. Ele me observa cuidadosamente por alguns momentos. — Estou feliz que você está aqui. – ele me beija. — Estou contente por ter encontrado você, estou feliz que você é meu hábito e estou muito feliz que estamos irrevogavelmente um para o outro. — Eu também! - sussurro. Seus olhos brilham. Seus lábios esboçam um sorriso e parece que a charmosa covinha volta a fazer uma aparição. —Melhor, porque nós realmente não temos escolha. —Eu não quero ter escolhas. —Então essa é uma conversa sem sentido, você não acha? — Sim-, eu digo decisivamente em um aceno de cabeça, e a boca de Miller sorri um pouco mais. Eu quero ver seu grande sorriso bonito, sua covinhas, então deslizo minhas mãos em suas costas, com uma sensação suave a cada centímetro de seu corpo enquanto ele me olha com interesse. Até que atinjo sua bunda linda. Suas sobrancelhas arqueiam de curiosidade e eu sigo o exemplo. — O que você está fazendo?-, pergunta. Ele propositadamente evita os lábios formarem o grande sorriso. —O que você está fazendo. Eu faço beicinhos sobre um pequeno encolher de ombros. —Nada.


—Eu peço desculpa, mas não concordo. Com um pequeno sorriso, eu arranho e aperto sua bunda. Ele franze a testa. —Isso é de minha avó. —Desculpe-me? -Ele engasga e apoia em seus antebraços. Eu posso olhar um sorriso maroto. —Ela disse-me para dar-lhes um bom aperto na sua bunda, por parte dela. Eu volto a cavar as unhas e Miller engasga com um risada. Um ataque de riso. A covinha aparece em sua bochecha, mas seu sorriso desaparece por um instante quando eu vejo sua cabeça flexionar para trás, o cabelo cai para frente e os ombros balançam para cima e para baixo. Eu sei que eu queria um sorriso, mas não estava preparada para isso. Eu não tenho certeza do que fazer. É para ser parte e eu não sei como reagir naturalmente. Tudo o que posso fazer é ficar aqui, presa sob seu corpo convulsionando com risos, e esperar passar. Mas parece que não vai acontecer em breve. —Você está bem? -eu pergunto. Continuo surpresa e franzindo a testa. —Olivia Taylor, sua avó é um tesouro. -diz entre risos e me beija nos lábios com força. – É um tesouro de dezoito quilates de ouro. —É uma enorme dor na bunda, isso sim. —Não fale assim de um ente querido. Agora uma cara séria que eu conheço tão bem aparece. Os risos e felicidade sumiram, como se nunca tivessem existido. Sua súbita mudança de humor me faz entender como incrivelmente insensíveis foram minhas palavras. Miller não tem ninguém. Nem uma alma. —Desculpe-me. - Sinto-me culpada e irreverente sob seu olhar acusador. -Eu disse sem pensar. —Ela é muito especial, Olivia. —Eu sei que é.- respondo. -foi uma brincadeira-, mas eu vou lembrar que Miller não faz piadas. -Não queria... Ele afunda em seus pensamentos, seus olhos azuis voam pelo meu rosto, antes de se estabelecer na meus olhos. Suas esferas espumantes são suavizadas. —Minha reação foi um pouco exagerada. Te peço desculpas. —Não, não é necessário. - Eu balanço minha cabeça e suspiro, perdida em seus mares azuis. —Você tem alguém, Miller. —Alguém?- indaga com sua bela testa franzida. —Sim! - eu digo com entusiasmo. - A mim. —A você? —Eu sou sua. Todo mundo tem alguém e eu sou sua, como você é meu. —Você é meu alguém? —Sim. Eu aceno a cabeça firmemente, observando como ele pensa sobre minha declaração. —E eu sou seu alguém? —Certo.


A cabeça de Miller baixa um pouco, e dá um leve aceno de cabeça. —Olivia Taylor é o meu alguém. Eu dou de ombros. —Ou o seu hábito. Paro imediatamente, aceno com a cabeça e observo com prazer como seus lábios delineados mais uma vez sorriem. —As duas coisas? É claro que eu aceno. – Eu vou ser o que você quiser. —Você não tem escolha. - o contrair, em seguida, transforma-se em seu sorriso encantador e quase me deslumbra. —Não quero. —Por tanto...Essa conversa não faz sentido. Sim, estou de acordo. Eu puxo-o para o meu corpo, eu rodeio sua cintura com as pernas, os braços descansando em seus ombros. E alguma coisa agora me leva a dizer alto e claro, sem palavras ou gestos. —Eu morreria por você, Miller Hart. Para de lamber meu pescoço e sobe muito lentamente para mim. Preparo-me, eu não sei para que. Ele sabe como me sinto. Ele pensa por um momento antes de suspirar. —Eu vou fazer uma suposição lógica: o que você quer dizer é que você me ama profundamente. —Certo. Eu ri e lutando contra sua boca, enquanto sua cabeça ameaça retornar ao meu pescoço. —Excelente. – Ele dá um beijo casto e caminha para o meu queixo em toda minha bochecha e termina em minha boca. – Estou profundamente fascinado por você também . Me derreto. Isso é tudo o que eu preciso. É o feito dele. Miller Hart, o cavalheiro fraudulento e carente, expressando seus sentimentos com palavras, palavras um pouco estranhas, mas eu compreendo-as. Eu entendo. Deixo que ele me beije, sua barba áspera esfrega em meu rosto, e eu aproveito cada doce segundo. Resmungo minha indignação quando ele se afasta. — Eu vou para o ginásio antes do trabalho. - Ele se ajoelha e eu sento no seu colo. – Você gostaria de se juntar a mim? —Hein?- Agora eu não sei se eu preciso. Toda a raiva e estresse desapareceram graças a Miller e sua adoração. Eu não preciso bater em um saco de areia até a morte. —Eu não sou uma adepta a ginásio. Eu minto, porque eu não preciso ver Miller acertando um saco areia. As cenas da academia e eventos na porta do ICE são eventos que não quero reviver. —Você será minha convidada. - Ele me dá um beijo rápido e me levantada cama. – Vista-se. —Eu preciso de um banho-, digo, assistindo suas costas desaparecerem no


vestiário. O cheiro de sexo é intenso e aderiu em meu corpo. –Só vai demorar cinco minutos. —Eu vou para o banheiro, mas solto um gritinho quando ele me intercepta e me pega nos braços. —Errado! - responde calmamente quando me leva de volta para a cama. –Não há tempo. —Mas eu estou...toda pegajosa.- Eu protesto quando me deixa no chão. Miller já está meio vestido, com cuecas boxer diante de mim. O peito nu oscila como um manto à espera do touro. Eu não posso desgrudar os meus olhos para longe dele, fica cada vez mais perto até que eu possa quase tocar seu nariz. —Terra para Olivia. - Sua voz aveludada me puxa do meu transe. Eu olho e encontro um sorriso arrogante. —Deus deu atenção especial, no dia que criou você. Ergue as sobrancelhas e um sorriso em seu rosto. —E ele criou você para mim. - Corrigi. —Eu estou contente que já esclarecemos isso. Em seguida, ele gesticula para a cama com a cabeça. –Quer me ajudar a arrumar a cama? — Não! - exclamei sem pensar. Eu já perdi muita energia arrumando a querida cama. Além disso, a última vez que fiz, foi uma obra de arte em tudo. Ele nem notou e desarrumou tudo para voltar a arrumá-la novamente. — Faça você mesmo. Se ele desfizer e torná-la a arrumar, estaria desperdiçando meu tempo. — Como quiser!- Acena com a cabeça, diz cordialmente. –Vista-se. Eu não discuto. Deixo Miller arrumando a cama e puxo minha roupa da gaveta. —Eu não tenho nenhuma roupa para ginástica. —Vou levá-la para casa. Ele estende cuidadosamente a colcha na cama e ele cai na perfeição. Ainda assim, puxa e alisa as bordas. —Então eu vou levá-la para o trabalho. A que horas você tem que estar lá? —Às nove. —Excelente. Temos três horas e meia. – Ele posiciona os travesseiros e dá uns passos para trás para avaliar o seu trabalho, antes de se virar e me pegar olhando para ele. –Um, dois, um, dois ...! Sorrindo, eu entro no vestido e coloco os saltos altos. —Dentes? Eu posso esperar para tomar banho já que ele insiste, mas eu preciso escovar os dentes. —Vamos fazer juntos. Estende seu braço para que eu vá primeiro, coisa que faço com um sorriso no rosto. Ele ainda está nervoso, mas há um ar de paz nos envolvendo, e eu sei a causa dessa harmonia.


Capítulo Treze O ginásio está zumbindo. Encontro um lugar em um dos bancos do vestiário feminino. Apresso-me em trocar de roupa e colocar o minha bolsa em um armário. Escapo da animada conversa habitual da manhã de muitas colegas de ginásio, já me sentindo exausta. Eu olho, mas não vejo Miller, então caminho até o final do edifício. Lembro que ele foi para o ginásio. Passo pelas grandes portas de vidro, olhando as classes e eles já começaram. Eu paro na frente de uma. Existem dezenas de mulheres se admirando em um espelho. Estão todas em forma, firmes e, embora elas estejam suando, todas elas estão com a maquiagem perfeita. Eu coloco minha mão no meu cabelo, e pego o meu reflexo no espelho chamando minha atenção. Eu não uso maquiagem ou minha roupa não parece muito para vir ao ginásio. Aparentemente, esse lugar não é desculpa para negligenciar a aparência pessoal. —Oh! - Exclamo notando um hálito quente em meu ouvido. —Caminho errado. Ele sussurra, serpenteando seus braços em volta de minha cintura e me levanta de meus pés. — Nós estamos nessa sala. E sou transportada pelo corredor, mas não reclamo. Miller está entrando na mesma sala onde eu o vi. Uma vez lá dentro, deixa-me no chão, com as minhas costas ainda contra seu peito, em seguida, a porta é fechada atrás de nós. Ele logo me vira e me empurra contra ela. Meu primeiros pensamentos são de decepção que estou vestindo uma camisa, mas isso logo é esquecido quando ele me levanta para seus lábios maravilhosos e me fazem esquecer tudo, surpreendida pelo maravilhoso talento de sua boca. Esse é outro tipo de exercício. —Você poderia ter me mantido na cama. -murmuro, sorrindo contra sua boca. Então sorrio ao vê-lo tão relaxado, especialmente fora do quarto, e me atordoa um pouco. Eu amo na verdade, mas é tudo muito novo. — Eu posso provar você onde eu quiser-, diz. Ele me deixa deslizar a porta para meus pés, e dá um passo para trás. Eu odeio que haja tanta distância entre nós. Então me aproximo dele e lhe rodeio sua cintura com os meus braços. Enterro meu rosto na sua camisa. —Nós vamos fazer, “o que nós gostamos”. —Estamos aqui para fazer exercícios-, diz de bom humor. Ele pega meus pulsos e os coloca presos às minhas costas, desconectando-me dele. —Há muitas coisas que eu poderia dizer.- resmungo sobre isso. — A minha doce garota expondo sua insolência? – Me encara com uma sobrancelha levantada, pega a bainha de sua camisa e levanta-a lentamente,


mostrando cada centímetro, até que eu fico vesga de prazer. —Você está sendo infantil. – Eu acuso estreitando os olhos levemente. – Por que você fez isso? —O quê? —Isso! -Estendo a mão apontando para seu torso. E ele olha pra baixo onde sua camisa está – Vista a camisa novamente. —Mas eu estou com calor. —Eu não vou ser capaz de me concentrar, Miller. Eu sinto que estou com muita vontade de socar um saco de pancadas por outro tipo de frustração. Meu maníaco obsessivo Miller Hart está jogando alguma coisa e, embora seja muito agradável vê-lo tão relaxado, suas táticas estão começando a me irritar. — Azar!- ele diz. Pega sua camiseta e a dobra cuidadosamente, colocando-a de lado. E então ele pega minha mão, levando-me para o enorme tapete acolchoado onde o saco de areia está pendurado nas vigas. – E seu foco vai ficar bem, confie em mim. Olhando para meus pés, ele olha de sobrancelhas franzidas. – O que é que você está calçando? Eu sigo seu olhar e movo meus dedos em meu Converse. Ele está com os pés descalços. Até seus dedos dos pés são perfeitos. —Tênis. —Tire-os. -Ele ordena. Parece exasperado. —Por quê? —Você vai fazer com os pés descalços. Essas coisas não oferecem qualquer apoio. – Dá um olhar de nojo e aponta para eles. –Tire-os, reforçando sua ordem. . Murmurando baixinho eu os chuto para fora. Agora estou com os pés descalços, como Miller. —Você não vai vestir a camisa? Ele está descalço e sem camisa. Isso vai ser uma tortura. —Não.- Ele se aproxima de um banco, tira seu Iphone do bolso e agacha. Conecta em um replicador e passa uma eternidade até declarar, –Perfeito. Florence and the Machine – Rabbit Heart, enche a grande sala. Ele inclina a cabeça um pouco surpreso quando vem a mim com determinação e o deixo colocar-me onde quer. Mentalmente, eu amaldiçoo sua bunda perfeita e eu tento evitar deixar meus olhos segui-la. Impossível. — O que estamos fazendo? – Pergunto assistindo-o levar uma tira de pano, suavizadas com os dedos das mãos e dobrá-la. —Nós vamos lutar. – Ele pega minha mão e começa a envolvê-la com tecido enquanto continuo franzindo a testa para seu rosto focado. —Você vai me bater. —O quê? - Retiro a mão horrorizada. - Eu não quero bater em você!


— Sim, você quer. - ele diz quase rindo. Ele pega a minha mão de novo e continua a envolvê-la. —Não, eu não.- Eu insisto. Não achando nenhuma graça. –Eu não quero te machucar. —Você não pode me machucar, Olivia. - Ele libera minha mão e pega a outra. -Bem, Você pode, mas não com os punhos. —O que quer dizer? —Quero dizer... – ele suspira, como se eu já devesse saber, enquanto ele mantém sua tarefa de enrolar minhas mãos. —Só você pode machucar o meu coração. Minha confusão se transforma em satisfação. —Mas é muito difícil. —Não onde você está preocupado. -Seus olhos azuis se conectam nos meus por um momento. – Mas então você sabe como, não é? Escondo meu sorriso. Flexiono os dedos sob as bandagens. —Eu tenho um soco letal lembre-se. - se verdadeiro ou não. Eu não quero lembrar-me da outra noite, mas eu odeio sua arrogância. Foi me dado um saco de pancadas. Eu suavizei um grande momento, e eu tinha os braços doloridos para provar isso. —Concordo. - ele acena com um toque de sarcasmo. Pega algumas luvas no gancho e as coloca em mim. —Para que essas ataduras? —Principalmente para apoio, mas vai ajudá-la a não obter bolhas nos dedos. Eu coro. Eu sou uma amadora. —Ok. —Você está pronta. - Ele diz. Ele dá um golpe na ponta das luvas com as mãos enviando meus braços para baixo. – Em guarda Olivia. —Você me pegou de surpresa! —Você deve estar sempre em guarda. Essa é a primeira regra. —Eu estou sempre em guarda, tanto quanto você está preocupado. Mais uma vez atinge a ponta da luva e meus braços vão para baixo novamente. Miller ri satisfeito. —De verdade? -inquire. —Ponto tomado. –murmuro tentando afastar um fio de cabelo do rosto em vão. —Permita-me. Deixo-o colocá-lo atrás da orelha e eu tento o meu melhor para não esfregar minha bochecha em sua mão... lançar meus olhos no peito dele... ou sentir o cheiro dele... ou... —Podemos continuar com isso, por favor?- Eu sacudo meus pensamentos e trago minhas luvas para meu queixo, pronta para atacar. —Como queira. - Ele é presunçoso. —Você quer que eu bata em você?


—Você vai me bater de verdade? —Eu vou batê-lo. —Você vai me nocautear, Olivia. —Eu poderia .- Eu estou soando arrogante agora. No fundo eu sei que vou me arrepender. —Eu amo sua insolência.- diz balançando a cabeça. —Mostre-me seu melhor. —Como quiser. Eu rapidamente coloco o braço para trás e vou direto para a sua mandíbula, mas ele se afasta sorrateiramente. Enviando-me em uma rotação descontrolada, e antes que eu possa perceber aonde eu vou , ele me tem presa em seu peito. —Boa tentativa, minha doce menina. - Ele morde minha orelha e empurra sua virilha em minha bunda. Eu engasgo de surpresa e desejo. Eu pressiono contra ele, desorientada; em seguida, eu me viro e me solto, liberando-me de seu alcance. —Veja se você tem mais sorte da próxima vez. É tão arrogante que me injeta uma irritação e eu imediatamente o ataco novamente. Espero pegá-lo desprevenido ...Falho. —OH ! -Eu grito encontrando-me de volta a dureza de seu peito, com sua virilha empurrando contra mim e sua barba arranhando meu rosto. —Oh! Querida ... - Sua respiração faz cócegas em meu ouvido, e eu fecho os olhos. Vou precisar enfrentá-lo. Preciso continuar. —Você está sendo conduzida pela frustração. É o combustível errado. —Combustível? O que quer dizer? -Eu bufo. Me libera, me coloca de volta na posição, e trás meus punhos para meu rosto. —Frustração vai fazer você perder o controle. Sempre mantenha o controle. Ao ouvi-lo dizer isso, eu abro meus olhos arregalados. Não me lembro de ter visto um pingo de controle em qualquer uma das vezes que eu o vi dando socos e, a julgar pelo olhar no rosto de Miller por um momento, ele está apenas considerando. — Não ajuda. – Ele diz calmamente, erguendo as mãos para os lados. Outra vez. Ponderando suas palavras, eu tento pensar em algo para mim e que me acalme, mas ele está escondido e antes que eu possa localizar jogo meu braço como um tiro para frente por impulso. Fazendo nada mais do que enviar-me em uma pirueta física e mentalmente. — Droga! – Eu amaldiçoo. Empurrando minha bunda para trás quando eu sinto seus quadris esfregando novamente. Por isso eu não tenho nenhum controle. Meu corpo responde ao contato.


—Eu posso fazer isso!- grito com raiva me livrando de seus braços antes de cair na tentação de voltar e arrancar seu shorts fora – Me dê um minuto. Eu respiro profundamente algumas vezes. Eu levanto os meus punhos para o rosto e olhou em seus olhos. Ele me observa pensativo. —O quê é ? –Pergunto irritada. — Eu só estava pensando em como você é adorável com luvas, irritada e suada. —Eu não estou irritada. —Discordo. -Diz secamente, separando as pernas. —Quando você quiser. Sua frieza está esquentando meu aborrecimento. —Por que estamos fazendo isso? -Eu pergunto, pensando que eu preciso desesperadamente expulsar essa frustração antes de explodir. Minha sessão sozinha foi muito mais satisfatória, é que lá não tinha o corpo musculoso de Miller em minha frente. —Eu disse a você, porque eu gosto de ver você exasperada por mim. —Você sempre me faz sentir exaspera. - murmuro. Estendo meu braço rápido, e mais uma vez, como a maioria, acabo contra o peito duro de Miller. —Merda! —Frustrada, Olivia? -sussurra passando a língua ao redor da borda de minha orelha. Eu fecho meus olhos. Minha respiração abranda, e eu fico sem fôlego, suspiro e não tem nada haver com esforço. Ele afunda gentilmente os dentes em minha orelha e um desejo cruza-me a virilha. Eu aperto as coxas. —Qual é o objetivo disso? - engasgo. —Você me pertence e eu aprecio o que me pertence. Isso inclui fazer qualquer coisa para proteger o que me pertence. As palavras são bastante impessoais, mas é meu macho emocionalmente destruído quem está entregando, e embora seja uma maneira peculiar de comunicar seus sentimentos, eu aceito em fazer do seu jeito. —Isso ajuda você?- Eu pergunto quando eu chego a recuperar a capacidade de falar em meu estado febril. Apesar de estar sendo diluído pela ansiedade. Ele está tendo problemas para controlar seu temperamento. —Imensamente - Confirma, mas não me dá mais explicações, minha temperatura sobe. Me levanta e me leva para uma parede. Eu franzo a testa, não porque eu gostaria de uma explicação, embora tenha confirmado minhas suspeitas, mas porque eu tenho dezenas de pontas de plásticos coloridas a partir de uma superfície da parede; do chão ao teto. —O que é isso? - Eu pergunto como parte incorporada contra uma parede em


que há saliências estranhas. —Isso-, diz, pegando minhas mãos, tirando as luvas e desenrolando as ataduras, – É uma parede de escalada. Espere. Minhas mãos são colocada em duas das saliências de plástico. Eu aperto forte, então eu engulo quando ele suavemente levanta meus quadris e puxa para trás . —Você está confortável? Eu não posso falar. O stress acumulado durante o exercício levou à antecedência. Então, eu aceno. —É educado responder quando alguém lhe faz uma pergunta, Livy. Você sabe disso. Ele puxa meu shorts e minha calcinha para o lado. —Miller! – Engasgo, um pouco preocupada com a nossa localização, percebendo seus dedos explorando meu sexo. —Não podemos, não aqui. —Reservei essa sala. É minha diariamente de seis às oito. Ninguém virá para incomodar. —Mas é de vidro... —Aqui não vão nos ver. Seus dedos empurram para frente e encosta a cabeça na parede, tento puxar profundamente o ar não pode. –Eu lhe fiz uma pergunta. —Sinto-me confortável,- eu respondo com relutância. A posição é confortável, mas eu não me sinto confortável em estar nesse lugar. —Lamento discordar. Ele circula os dedos profundamente e tanto soltou um gemido rouco. —Você está tensa. Impulsiona. —Oh! Meu Deus. —Relaxe. Ele penetra suavemente, dessa vez com dois dedos, e o concurso dos movimentos alivia meu estresse, eu relaxo todo o corpo. –Melhor? —Muito melhor. A carícia de seus dedos contínua escorregando dentro de mim, me levando a um estado de paixão absoluta. Eu já nem me importo onde estamos. O desejo é meu combustível. Estou tremendo. Eu estou...Eu estou... eu estou... —Miller! -Shhh.- Ele ordena silêncio e puxa suavemente os dedos. Segura-me com firmeza, mas com ternura, meus quadris. A perda do atrito me deixa louca, solto uma das projeções e soco a parede. —Não! Por favor! —Eu não disse que iria deixar você louca de desejos todos os dias? —Sim! —Estou cumprindo minha promessa? —Sim!


—E você sabe que eu te amo, certo? —Puta que pariu, sim! Ele geme sua aprovação e desliza a cabeça do pau em toda a minha carne. Em seguida, investe em mim e eu assobio. Meus joelhos bambeiam. —Ooooh ! - Eu derreto, meu corpo se torna líquido e eu me seguro em Miller. —Quieta!- enrola seus braços em torno da minha cintura para manter meu corpo de gelatina. Eu deixo cair o queixo ao peito. Parece que se desviaram do objetivo dessa visita. Seus quadris estão se movendo para frente, cada vez mais profundo, até que ele está encaixado perfeitamente em mim. No escuro, não vejo nada, mas não me importo que ele perca a cabeça. Eu posso sentir o cheiro, eu sinto seus suspiros de muitos avanços e recuo, e quando suas mãos deslizam para baixo no meu corpo até que seus dedos alcançam meus lábios, posso lamber o gosto dele também. — Você quer que eu pare? -pergunta com a voz rouca, cheia de desejo ardente. Minha boca está ocupada lambendo os dedos, então eu encontro uma maneira de estabilizar as pernas e apertar a bunda contra sua virilha. Respiro. Eu mordo seu dedo. —Olivia? Eu relaxo a mordida, e encontro minha voz. – Mova-se. Mova-se, por favor. – Deus! As mãos dele estão em meus cabelos, puxando. Penetrando seus dedos em meus cachos. Então a palma de sua outra mão chega ao meu pescoço e o puxa para o lado e para trás, fazendo minha cabeça repousar sobre o seu ombro. Abro a boca e mantenho os olhos fechados, o rosto levantado para o teto. Ele ainda está imóvel, meus músculos tremem incessantemente com uma onda de sensações que dirige-me delirante ao prazer, quando ele começa a entrar e sair de mim. Estou quase pronta. Pulsando, Miller provoca espasmos latejando dentro de mim. Sua respiração enche meus ouvidos. —Eu estou muito feliz por você ser meu alguém, Olivia Taylor. —E eu estou muito feliz de ser seu hábito-, murmuro. É tão fácil dizer essas palavras tolas em meio ao prazer. —Fico feliz que esclarecemos isso.- responde. Seu rosto cai em meu pescoço, os quadris começam a se mover dentro e para fora, e eu sem ar nos meus pulmões. Sorrio com prazer e o sinto sorrindo colado meu pescoço, e dou um gemido de prazer. Me beija suavemente, sem parar o ritmo com a palma da sua mão na minha garganta. —Você é divina. - sussurra com voz rouca. —Você me faz sentir divina. —Você está apertando em torno de meu pau, minha doce menina.


—Eu estou perto. – Eu posso sentir todos os sinais presentes intensificar, tensão, pulso, pressão na barriga. – Ah! Deus! —Silêncio, Livy.- diz com uma voz gutural; seus quadris parecem ter vida, tremendo e afunda seus dentes em meu pescoço. Respira com calma algumas vezes e para de se mover. Minha testa está cheia de suor. O calor de sua boca em minha carne está se espalhando, através de meu corpo pegajoso e me queima profundamente no meu centro. —Quanto?- solicita ofegante. – Quanto você está perto, Livy? —Logo! Seus quadris começam a vibrar. É um sinal claro de que não está conseguindo se controlar como um selvagem. —Merda! -Eu choro quando movo rapidamente, mas com cuidado. Meus dedos ficam brancos de meu aperto desesperado. Ele volta a atacar novamente decisivamente. Sai o ar dos pulmões e meu coração bate a uma velocidade insegura. Eu vou desmaiar. —Miller...- Eu engulo em seco e aperto meus braços contra a parede. Minha cabeça gira fora de controle. Os picos de prazer fazem minha cabeça cair em uma rodada. Não sei como lidar com isso. Nada mudou, e espero que nunca mude. – Miller, por favor, por favor, por favor. Eu estou no topo, cambaleando na beira. Mas ele está me segurando me mantendo lá, me provocando. —Implore. - Ele grunhe, batendo calmamente com outra explosão em frente aos seus quadris, sabendo exatamente o que está fazendo. –Me implore por isso! —Você está fazendo isso de propósito! -Eu grito empurrando minha bunda para trás na tentativa de capturar a pressão e deixar explodir. –Miller!- grito de surpresa. Meu rosto é arrancado do dele e eu sou comida viva. Nosso beijo estimulando a nossa intensidade a um passo para o meu orgasmo iminente. —Implore!- Repete na minha boca. –Implore para eu dedicar o resto da minha vida, Olivia. Deixe-me ver que quer tanto quanto eu. —Eu quero. Por favor. -Eu mordo meu lábio e sugo nos dentes. Seus olhos azuis queimam os meus, queima minha alma. –Não negue-me. -Te imploro.-Eu seguro seu olhar e absorvo a necessidade fluindo de seus olhos. Ele precisa de mim. É reconfortante. Precisamos desesperadamente um do outro. —Eu estou te implorando. – Um delicioso giro sobre o eixo que lembra meu estado explosivo. Ele me beija e volta a encontrar o ritmo. Mergulhando fundo e removendo lentamente, fixando habilmente sua adoração. – Eu lhe imploro que me ame para sempre. Ele baixa a cabeça em meu pescoço e acaricia. —Não há necessidade de implorar. – sussurro. - Para mim não há nada mais natural do que te amar, Miller Hart. —Obrigado. —E agora, você pode parar de me enlouquecer? Meu clímax ainda está sendo


realizado no limbo. Grito para a libertação. —Deus, sim.– Ele dirige em mim firmemente e detém-se profundo, moendo seus quadris. Decolo com um grito e a pressão acumulada escapa pelo meu ser, deixando-me atordoada e imóvel em seus braços. –Foda, foda, foda! —Não me solte! – Meu corpo está tremendo eu balanço a cabeça de um lado para outro. —Nunca. —Oh!...- Suspiro. As dores não desaparecem quando eu relaxo em seus braços. Meu mundo é uma névoa de sons distorcidos e imagens borradas. Eu estou procurando o caminho de volta, a partir da intensidade do meu orgasmo. Eu não sinto minhas pernas. A única coisa que sinto é Miller mordendo suavemente meu pescoço, e sua ereção latejante dentro de mim. São imagens vividas através da minha mente, cada uma de Miller e eu, alguns do passado, e alguns muito presente do nosso futuro juntos. Eu encontrei o meu alguém. Alguém com suas falhas, alguém que mostra suas emoções na forma mais estranha e se comporta de uma maneira estranha repelindo afeto. Mas é o meu alguém com falhas. Eu entendo. Eu sei como relaxar, como lidar com ele, mais importante, eu sei como amá-lo. Embora ele tenha uma vida empenhada em rejeitar o potencial de afeição e sentimentos, ele me deixou lutar meu caminho através de seu exterior duro e frio, e até me ajudou a fazê-lo, e eu permito ter o mesmo efeito sobre mim. Sinto-me segura, estimada, amada e valeu a pena todo o sofrimento e tristeza que temos sofrido para chegar aqui. Ele me aceita e aceita a minha história. Vivemos em mundos distantes mas somos absolutamente perfeitos um para o outro. De longe, ele é um homem muito atraente e próximo ele é ainda mais bonito. É uma beleza mais e mais profunda quando eu olho, sua beleza fortalece . Eu sou a única pessoa que vê, e isso porque eu sou a única pessoa que Miller tem permitido a vê-la. Só eu. É meu. Todo meu. Cada milímetro maravilhoso. Miller prega os dentes em meu ombro e seu comprimento ainda enterrado dentro de mim. Me trás de volta a Terra. Eu estou olhando para o teto, meus dedos estão dormentes, agarrando-se às projeções da parede. Estou exausta, mas cheia de energia. fraco de joelhos mas forte dentro. —Eu senti você-, sussurro. Eu não sei por que eu tive que dizer isso a ele. Ele chupa minha carne em sua boca, e beija a marca da mordida levemente antes de agarrar meu cabelo e puxá-lo, virando meu rosto para olhar para ele. —Eu sei que você sentiu. Ele não pergunta o que ou onde quero dizer. Ele sabe. —Como? —Minha pele vibrou-, diz. Meu sorriso é uma das confusões, enquanto procuro nos olhos dele, à procura de algo mais do que aqueles três palavras de confusão. Vejo sinceridade,


crença total na sua declaração. –Sua pele vibrou?—Sim, como fogos de artifício explodindo em minha pele. - A cara dele permanece muito a sério. —Fogos de artifício? Ele me beija na testa e seus quadris são removidos. Sua semi-ereção escorrega livre. Minha calcinha e shorts também escorregam para o lugar, deixando-me amarga e ressentida com a perda. Vira-me suavemente em seus braço, eu penteio os cabelos para um lado e passo os braços em seus ombros. Está úmido e quente, e sua pele brilha sob a luz artificial da sala. Meu corpo ofendido pela falta de Miller em mim se esquece, logo que meus olhos travam nos planaltos duros de seu peito. Ele tem mamilos eretos, pele lisa e músculos cinzelados. Vale a pena ver. Eu estudo a parede atrás de mim e me movo um pouco para a esquerda. Assisto esse professor, cujo corpo está se aproximando e me encurralando contra a parede fria. Ele cobre o meu rosto com as mãos e com o dedo indicador puxa meu queixo para cima para olhar para ele. —Olhe para mim. Ele sorri e me beija carinhosamente na bochecha. –Partilhe comigo seus pensamentos. —Meus pensamentos? - Eu não posso esconder a minha confusão. – Eu não sei o que você está falando. Eu não tenho nenhuma ideia do que você quer dizer. Ele me dar um sorriso com covinhas, realmente bonito e quase tímido. — Quando você está por perto, mesmo quando eu não posso te tocar, minha pele se acende. Como fogos de artifício. Cada centímetro da minha pele formiga de prazer. Esse é o meu sinal. Ele pega meu rosto com as palmas das mãos e o polegar acaricia meus lábios. —É assim que eu sei que você está perto. Eu não preciso ver você. Eu sinto. E quando eu toco em você,- pisca lentamente e respira profundamente, – Esses fogos de artifício explodem. Eles me fazem tonto. Eles são lindos, brilhantes e consomem tudo. Inclinando-se me beija na ponta do nariz. Eles representam você. Entreabro a boca e meus braços estão agora em seu pescoço. Passo alguns momentos em silêncio, banhando em seus olhos e apreciando seu corpo contra o meu. Absorvendo suas palavras. Não há nada de confuso. Eu sei o que ele quer dizer, mas meu sinal é um pouco diferente. —Eu também sinto fogos de artifício. - Ele beija a ponta do seu dedo e pressiona em meu lábio inferior. Eu olho com cuidado e em silêncio. –Exceto o meu implodir. — Eles parecem perigosos. - sussurra olhando para minha boca. Eu não digo nada do aviso de William, que me disse para ter cuidado se eu notar que o cabelo na nuca arrepia. Tenho certeza que ele não estava pensando claramente e provavelmente pela minha mente confusa e a perda de


Miller. Ou poderia ser parte do meu sinal. – É perigoso. - confesso. —Como? —Porque toda vez que eu olho para você, te toco, eu sinto sua presença, aqueles fogos de artifício sobem direto ao meu coração.– Sinto a emoção me segurar em todas as direções quando eu assisto seus olhos se arrastarem pelo meu rosto até encontrar os meus. – Eu me apaixono por você um pouco mais cada vez que isso acontece. Ele balança a cabeça lentamente. É quase imperceptível. — Vemos nos ver e nos tocar muito. - sussurra. -Você vai ser incrivelmente apaixonada por mim. — Eu já estou. Eu fecho meus olhos quando seu polegar se move e seus lábios o substituem. E eu me apaixono por ele um pouco mais. Nossas bocas se movem juntos, lentamente, a paixão selvagem de um momento atrás é substituído por ternura e carinho. Ele está falando com esse beijo. Ele está reconhecendo o seu entendimento, ele se sente assim também. Só que ele chama de fascínio. —Você morreria por mim? -pergunta na minha boca. Eu sorrio. — E para tudo o resto. — E eu rezo para que você continuar me amando a cada dia. — Estou determinada. — Nessa vida você não pode tomar nada como garantido, Olivia. — Isso não é verdade. - rebato, e separo de sua boca. A felicidade só agora desaparece. Ele me estuda atentamente enquanto eu tento achar o que dizer a seguir. Eu não tenho certeza se há outra maneira de colocá-lo. — Por que você não aceita isso? — É difícil aceitar o que não pode ser aceito.- Sua mão vai até minhas costas e se enfia em meus cabelos. – Eu não sou digno de seu amor. — Sim, você é. Eu posso sentir a raiva pelo meu rosto substituindo meu pósorgasmo me fazendo corar. — Vamos concordar em discordar. —Não, não vamos. - Meu corpo reage a sua cegueira. Minhas mãos no peito o empurra suavemente de volta. – Eu quero que você aceite. Não só para me dizer que você aceita para me manter feliz, mas realmente aceitá-lo. — OK ! -Ele se apressa em responder, embora sem a menor convicção. Meus ombros caem derrotados. Todo o brilho de nossa reunião desliga muito rápido. –O que te faz ser tão negativo? — A realidade-, diz em uma voz monótona, sem vida. Eu fecho a minha boca. Não tenho resposta para isso, sem palavras ou sentidos de encorajamento. Pelo menos não, agora. Levando em conta alguns momentos, com certeza eu posso pensar em alguma coisa e eu vou tentar ser lógica e verdadeira.


Mas meus pensamentos são interrompidos no meio de um argumento, quando a porta da sala se abre. Nós dois olhamos para a mesma direção e segura meu cabelo. — Seu tempo acabou. –A voz aveludada de Cassie me enerva ainda mais. Seu corpo perfeito coberto com Lycra não me ajuda. Seu olhar está cheio de ressentimento e alarme em partes iguais. Ela fica chocada em me ver, e isso me agrada muito. — Nós já estamos indo embora-, diz Miller. Segurando o meu pescoço, pega seu celular e me conduz à porta. Eu olho para Cassie quando ela requebra ao redor da sala , sem um pingo de modéstia, se inclina para tocar seus tornozelos, alongando, e abre as pernas com um sorriso de superioridade. A cruz de diamantes que sempre carrega em seu belo pescoço tocar o chão. – Pilates - ronrona. – É ótimo para a flexibilidade, não é, Miller? Eu olho para ele com os olhos arregalados, desejando não ter entendido corretamente suas palavras. No entanto, ele não o faz e nem confirma, e me dá um olhar que me dá segurança. — Controle-se, Cassie–, ele fala . Abre a porta e me empurra para sair. — Tenha um bom dia! - ela fala com uma risada. Quando a porta bate me libero da mão de Miller no meu pescoço e me viro para olhar para ele. O cabelo cobre o meu rosto. —O que ela está fazendo aqui? —Tem a sala reservada das oito as dez. Eu me irrito. —Você dormiu com ela? —Não.- Responde rápido e decisivamente. -Nunca. —Então, por que ostenta sua bunda mole para você? —Bunda mole? -Um dos cantos de sua boca desenha um sorriso, em um humor escondido, isso não melhora o meu humor. — Eu sei que é uma prostituta, Miller. A vi em função com um homem gordo, velho e rico. Sinais de diversões escapam seu rosto em um instante. –Viu?, ele diz simplesmente, como se não houvesse importância. —O que você quer me dizer? É uma acompanhante. Minha insolência me faz encolher. Eu não sei o que dizer. –Eu tenho que ir trabalhar-, respondo. Eu me viro e vou para o vestiário. Um líquido quente e grosso pinga em minhas coxas. Merda. —Olivia. Eu o ignoro e abro a porta. Estou surpresa com essa raia possessiva que me faz ferver o sangue. A minha insolência em minha vida está se transformando em algo mais... Ainda não sei o que é, mas é perigoso. Até eu chegar lá. Eu deixo cair a minha bunda em um


banco e a cabeça em minhas mãos. Ela não vai desaparecer. Ela é ousada e me odeia claramente. Posso lidar com isso? — Ei. -A mão quente desliza para baixo nas minhas coxas. Eu olho entre os dedos e vejo Miller ajoelhado diante de mim. Um breve exame de vestiário rapidamente diz-me que não estamos sozinhos. Duas mulheres estão vestindo apenas uma toalha e nos observando com interesse, embora nenhuma delas se preocupe em se vestir. —O que está fazendo, Miller? Seu rosto é impassível, mas eu vejo simpatia em seus olhos. —Estou fazendo o que um homem faz quando vê a mulher que ele adora em pedaços. A mulher que ele adora? Não é isso que fascina? Mesmo agora, eu não posso nem pensar, que a palavra me excita. —Eu não gosto dela. —Eu também não às vezes. —Só às vezes? —Ela é incompreendida. —Eu acho que entendo perfeitamente. Ela não gosta de mim. —Isso é porque eu gosto de você. Muito mesmo. Eu sou fascinado. Adoro. —Ela te quer? —Ela quer tornar as coisas difíceis. —Por quê? Ele suspira lentamente. Então ele pega as minhas bochechas com as duas mãos, ficamos nariz com nariz. —É incapaz de ver o que ela sabe. Ela pode ver além de sexo e glamour. Eu balanço minha cabeça. Estou confusa, mas acima tudo frustrada. Então ela espera que Miller a siga no mesmo caminho? —Eu quero ir embora-, sussurro. Minhas pernas estão tremendo, ansiosa por gritar a verdadeira historia para Miller. Eles me querem fora daqui. Tudo é uma lembrança constante. Não sei se posso passar por isso. —Com você. Esclareço, quando uma onda de tristeza flutua em seu rosto. – Qualquer uma dessas vai deixar você sair? —Minha doce menina, eu estou preparado para aniquilar tudo o que está no meu caminho para a liberdade.– Ele me beija na testa. É um gesto muito suave. A incerteza flui de seus olhos, antes de fechá-los para mantê-lo escondido. – Por favor, não deixe as palavras dos outros interferir. —É muito difícil. - Eu me deixo beijar todo o rosto até que ele se afasta. Ele


tem a incerteza sob controle. Seus olhos azuis estão suplicando. Ele acha que eu vou deixar essas pessoas, Cassie e quem quer que seja (porque eu sei que haverão mais), me façam entrar em pânico. Eles não vão ter sucesso. Não conseguirão nada. –Eu te amo. Ele sorri e me deixa ir. —Eu aceito seu amor. —Você só está dizendo isso. —Eu nunca vou vencer essa discussão? - indaga levantando as sobrancelhas. Eu peso a sua pergunta um momento. —Não! - afirmo, curto e exato, porque ele não pode. Eu nunca vou saber com certeza se ele de verdade vai aceitar. Suas palavras nunca me convencem. —Vá se vestir, diz. Ele levanta os meus ombros e me dá a volta. – Nós vamos chegar tarde. Um tapa insolente na minha bunda para me mover, mas a incerteza que descubro nos olhos de Miller parece ter raízes profundas em mim. Se ele não puder acalmar meus medos, ninguém poderá.

Capítulo Quatorze Estamos a poucos quarteirões do café, em um congestionamento. Eu sei que ele está me estudando, então eu olho para o lado e sorrio. Ele se inclina e me beija suavemente. —Seu cabelo está uma pouco selvagem. - diz. Eu franzo a testa, enquanto ele tenta colocá-lo atrás das orelhas. Eu sorrio. —Eu não tinha nenhum condicionador. - Ele passa a mão pelos meus cachos. – Eu deveria pedir o seu. Ele congela e deixa de arrumar meus cabelos pela metade. Ele olha para mim engraçado e eu sorrio de orelha a orelha. —Você é perfeita. Ele ajeita meus cabelos despenteados. –Isso é perfeito. Nunca o corte. —Não o farei. —Bom. —Eu fico por aqui. - eu digo. Você pode seguir a rua lateral para evitar o tráfego.


—Não, eu não tenho pressa. -Golpeia o volante e junta-se ao coro de buzina. —Assim você não vai conseguir nada. -eu digo com uma risada. – Além disso, estou com pressa. Não posso chegar atrasada. Eu lhe dou um beijo e salto pra fora do Mercedes. — Olivia!- grita. Viro-me e me curvo para olhá-lo pela janela. — É um par de ruas de distância. Eu estarei lá em cinco minutos. Ele parece não gostar, mas eu digo adeus com um sorriso, fecho a porta e corro para a calçada. E me perco no mar de pessoas. Todo mundo anda rápido para chegar ao trabalho. Me é familiar e reconfortante, mas eu sinto algo estranho durante a caminhada em plena velocidade como um formigamento entre outros londrinos. Eu olho para trás e tento não dar importância a certos formigamentos. Eu tremo quando eu sinto isso de novo. Algo me diz pra virar a cabeça, assim que eu faço, mas tudo que eu vejo é um monte de corpos em movimento que segue o fluxo de tráfego. Meu Converse acelera sem meu cérebro dizer-lhe, e começo a avançar com outros pedestres, desconfortável sem saber por quê. Mais uma vez eu olho para trás ao virar a esquina e eu sinto o arrepio que eu senti antes. Eriçando o cabelo da nuca. —Oh! —Olhe por onde você anda! Eu tropeço levando a pasta de couro do homem, com minhas pernas enredadas e desajeitadas. —Desculpe-me!- Eu grito inclinando-me para a parede de tijolo para me apoiar. —Você arranhou minha pasta, mulher estúpida! Ele me dá um empurrão e passa a mão para remover a poeira, grunhindo e bufando, indignado. —Desculpe. - Eu repito. Endireitando-me e me preparando para mais uma rodada de insultos. — Porra, imbecil - e se perde na multidão. Outros pedestres empurram-me para ir. Eu olho em todos os lugares, para todos os rostos que estão pertos, distantes, à frente e atrás. Meu alarme interno grita. Eu corro minha mão sobre a minha nuca para tranquilizar. Eu sinto um alívio tolo quando eu os sinto alinhados com a minha pele depois que tiro a mão. Mas eu tenho uma dor no estômago, eu não consigo me livrar da sensação que algo não está certo, e o medo toma conta de mim. Eu me viro e apresso-me a atravessar a rua, olhando para trás. A cafeteria é o último lugar na face da terra onde eu quero estar. Sinto náuseas, e o pavor que eu tenho de ver meus colegas de trabalho aumenta ainda mais, quando três pares de olhos desconfiados me observam desde a


hora que eu entro até chegar à cozinha. Eu me sinto julgada. Eu estou sendo julgada. Todo mundo pensa que eu estou louca, mas não tenho Miller com sua armadura em três peças. Eles tiraram conclusões com a pouca informação que eles têm e eu já parei de sentir a necessidade de justificar o meu relacionamento com o garoto de programa mais famoso de Londres a Sylvie, Del, e Gregory, ou qualquer pessoa. É bastante cansativo ter de justificar Miller, e ele é quem realmente importa. Deus ajude meus ouvidos se alguma dessas pessoas descobrir a verdade sobre ele. Para eles, é apenas o idiota arrogante que me enganou. E que permanecerá. —Bom Dia. - O tom de Sylvie carece de sua alegria habitual. Tem as mãos no filtro da máquina de café. —Olá.- Eu lhe dou um pequeno sorriso. – Ah, eu tenho um novo celular. Eu vou enviar uma mensagem com o número. —Ok! - Ela acena quando passo por ela. Eu vou para a cozinha e coloco no meu avental. Paul chega em seguida, toma sua posição atrás do fogão e move uma panela cheia de cebola. —Você teve uma boa noite? - ele pergunta. Eu detecto um interesse real em seu tom. Eu olho para cima e encontro seu rosto. Ele mostra indiferença. —Sim, obrigada. E quanto a você, Paul? —Bem. - rosna deslizando mais duas panelas para o fogão. —Atum triturado, para a mesa sete. Vamos ter algum serviço por aqui. Eu entro em ação e pego os pratos. Ignorando Sylvie na saída. Meu chefe não diz muito, e meu amigo pressiona seus lábios. —Atum triturado?- Pergunto deixando-os sobre a mesa. —Obrigado, querida.- Responde um homem barrigudo. Feliz, quase babando quando ele pega os pratos e puxa para mais perto, lambendo. Sua enorme boca puxa em um canto e me olha sorrindo. O pão mergulhado em molho está deslizando no seu queixo. Eu faço uma careta. —Preencha até em cima?-, ele diz, colocando e empurrando o copo de café na minha mão. Meu estômago se revolta quando um pedaço de atum cai da boca e pousa no chão entre seus pés. Ele pega com um dedo e, vejo com horror ele olhar para o meio da peça e mastiga com a língua suja a receita secreta de Paul. Eu engasgo. Eu cubro minha boca com a mão e corro para o outro lado. Miller teria tido um ataque quando visse maneiras semelhantes a um troglodita. —Você está bem? -Sylvie me pergunta quando eu voo para ela. —Refil. Mesa sete. Ela me passa o copo e continuo correndo tentando


despertar minha bílis. Tropeço na cadeira e bato o ombro contra a parede quando viro pro corredor. —Merda! –maldiçoo bastante alto e em frente a uma mesa onde dois idosos estão bebendo chá e bolo na área mais tranquila do refeitório. Eu estremeço, esfrego meu braço e viro para me desculpar. E vomito em cima deles. —Pelo amor de Deus! Uma das velhas salta da cadeira como uma mola. Bastante rápido para sua idade. —Dóris! Seu chapéu! Ela limpa a cabeça de sua amiga com um guardanapo, que tenta escovar as migalhas que vomitei sobre a pobre velhinha. Eu pego um guardanapo e tapo minha boca. —Oh, Edna! Será que está arruinado? A amiga coloca as mãos diretamente para a cabeça do idoso e afunda na pele o chapéu coberto de vômito. Eu volto a vomitar. —Eu tenho que jogá-lo fora. Que pena! Não toque! —Sinto muito.- gaguejo cobrindo minha boca com o guardanapo. As pobres mulheres não sabem o que fazer. Parecem punhais preso em minhas costas. Eu olho para trás e percebo que toda a cafeteria me observa em silêncio. Até mesmo o porco imundo sem maneiras que me fez vomitar me olha com nojo. —Eu ... -Eu não posso terminar a frase. Eu transpiro na testa e minhas bochechas ficam vermelhas como um tomate. Estou morrendo de vergonha. E sinto-me terrivelmente doente . Eu tenho náuseas, sinto-me uma imbecil. Eu quero ser engolida pela terra. Eu entro no corredor que leva para o banheiro, inclino-me sobre a pia, abra a torneira, lavo meu rosto e enxaguo a boca. Olhando para cima tropeço com um pálido reflexo da criatura assustadora. Eu me sinto podre. O que me lembra. Depois que eu lavo e seco minhas mãos, eu peguei meu celular do meu bolso e gasto cinco minutos chorando para baixo da linha, explicando a recepcionista do meu médico que preciso de uma consulta de emergência. —Às onze? - Eu pergunto, puxando o celular de minha orelha para ver a hora. Meu turno termina às cinco. —Pode ser mais tarde? - Eu pergunto. Eu tenho que tentar. Mentalmente eu começo a procurar uma desculpa plausível para escapar do trabalho umas duas horas. Meu ombro cede quando não me dá outra opção, e rapidamente me informa que eu só tenho setenta e duas horas para tomar a pílula do dia seguinte. —Porra. Eu estarei às onze- asseguro, dando meu nome antes de desligar.


—Livy? Sylvie espreita através da porta aberta. —Oi. -Eu coloco o celular na minha bolsa e pego uma toalha de papel para limpar meu rosto —Eu estou demitida? Ela está sorrindo com sua enorme boca-cor-de-rosa em direção a pia. —Não seja boba. Del está preocupado com você. —Não deveria. —Bem ele está. E eu também. —Não, nenhum de você devem se preocupar comigo. Estou bem. Viro-me e olho no espelho. Eu não estou pronta para outra palestra sobre o meu relacionamento com Miller. —Sim, eu posso ver isso.- Ela ri, fazendo-me franzir a testa pra ela no espelho. —Eu imagino que as coisas ontem não correram tão bem depois que ele te sequestrou da cafeteria. —Você está errada.- Eu olho para o rosto dela. O sorriso é apagado. Olha para a minha palidez, assumindo que as coisas ontem à noite não foram boas. Miller é responsável por isso. —Eu tenho um pouco de dor de estômago, Sylvie. Não assumo que a culpa é de Miller. Eu jogo a toalha de papel no cesto de lixo. –Miller e eu estamos bem. —Mas... —Não! – Eu corto. Eu não vou aguentar mais isso. Não de Sylvie, ou de Gregory, ou de William, ou de qualquer um! – Um porco cuspiu um bocado de atum crocante no chão, em seguida, ele pegou com o dedo sujo e comeu! — ECA! Sylvie dá um passo para trás, leva a mão ao estômago e massageia lentamente, como se algo tivesse de repente ansioso para voltar. Ela deveria ter visto. — Sim, exatamente. Enfio uma mecha de meu cabelo atrás da orelha coloco meus ombros retos. — Foi por isso que eu vomitei, e eu estou farta de ouvir as pessoas reclamarem de Miller e eu. E o pior de tudo é ter que parecer simpática e sorrir pra todo mundo. Ela arregala os olhos para mim, enquanto meu sangue ferve nas minhas veias. Meu pulso acelera e eu mal posso respirar normalmente. — Ok!-ela diz em voz alta. Eu aceno agudamente, ferozmente.– Bem. Eu tenho que voltar a trabalhar. Eu passo pela assustada Sylvie, encontro Del no corredor. — Estou bem!– falo com petulância. Sua cabeça afunda no pescoço. – Certo! Mas não digo o mesmo das duas Senhoras lá fora. Eu tremo. – Sinto muito.


—Vá para casa Livy. -suspira. Admito minha derrota soltando os ombros. Eu obedeço o comando de minha cabeça, agradecida por não ter que inventar uma desculpa para escapar e ir ao médico. Eu arrasto meu corpo exausto pelo corredor em direção à cozinha. Vou tranquilamente e passo pelas duas Senhoras que vomitei sobre. Elas estão distraídas com uma nova bandeja de doces chá e feitos na hora. Passo entre as mesas cheias de clientes, lançando-me olhares de nojo. Eu preciso sair dos limites do café. Eu abro a porta e piso na calçada. Eu olho para o céu. O ar fresco enche meus pulmões e fecho os olhos. Exalado em frustração. É um alívio estar ao ar livre. — Não é um bom sinal. -O tom carregado de William rouba a minha alegria. Abaixo minha cabeça com a expressão abatida. — Eu imagino que você saiba como usar o iPhone que eu comprei pra você. — Sim! - murmuro. Ainda não são nem 10 horas e tive que aguentar muita coisa. Agora eu tenho que lidar com William. Ele está apoiado na Lexus, braços cruzados sobre o peito, com autoridade. Tem uma aparência formidável. E ele está com raiva. — Então eu vou assumir que você ignorou minha mensagem por um bom motivo. — Estava ocupada. Eu penduro minha bolsa no ombro. — Com o quê? -inquire. — Não é da sua conta. — Sendo surpreendida por um homem bonito que tem a sedução como um arte? É isso que você quer dizer? Eu fico tensa. Eu cerro os dentes. – Não estou respondendo a você. Ele riu levemente, um respingo de reconhecimento invadindo seu rosto. Estou me comportando como minha mãe, e eu me odeio por isso. Mas pela primeira vez em para sempre, estou pensando seriamente sobre a sua própria batalha contra o povo que obstruiu sua missão para ganhar o William. O homem diante de mim incluído. Se é como ela se sentiu, então começo a relacionar, e isso é algo que eu nunca sonhei que eu faria. Mas estou me sentindo muito imprudente. Determinado. Eu estive lá antes e eu provavelmente iria lá outra vez, se agora não tivesse o apoio do meu alguém. Gracie nunca fez, e eu posso compreender plenamente como que impacto ela. – Diga-me como a minha mãe veio para: te amo muito. Minha pergunta súbita apagou o sorriso do rosto instantaneamente. Fica desconfortável, ele se mexe e evita meus olhos. — Eu já disse a você. — Não, não é o que você disse. Você não me disse nada, exceto que ela era apaixonada por você. Você não me disse como ela se apaixonou por você. Ou como você se


apaixonou por ela.Estou morrendo de vontade de perguntar como ela era, mas eu me contenho. Espero pacientemente para encontrar uma maneira de ele contar sua história. Eu preciso saber. Preciso ouvir de William como conheceu minha mãe. Lembrome claramente dele dizer que minha mãe havia chegado a esse mundo para ele, mas como eles se conheceram? Ele tosse. Ainda me olhando. Abre a porta traseira do Lexus. — Vou levá-la para casa. Eu bufei meu desagrado para sua evasão, e deixo-o esperando por mim, enquanto vou para um ponto de ônibus. Deixo-o esperando com a porta aberta. — Olivia!- grita, e eu o ouço bater a porta do carro. Eu me assusto, fazendo meus ombros irem ao encontro da minhas orelhas, mas eu ignoro seu eventual aborrecimento e continuo em meu ritmo. — Foi instantâneo!-, ele diz. Puxando-me para uma rápida parada. O tom hesitante das suas palavras e a velocidade com que pronunciou aquelas palavras, elas estão causando-lhe dor. Eu viro lentamente para avaliar o quanto de dor eu estou lidando, e quando eu finalmente posso ver seu rosto, eu distingo uma tristeza que William desvia e é como um soco no estômago. — Ela tinha dezessete anos. Ele ri, é uma risada nervosa, como se ele fosse constrangido. — Eu estava errado em olhar para ela assim, mas quando seus olhos de safira bloquearam em mim e sorriu, meu mundo explodiu em um milhão de pedaços. Sua mãe me deixou sem palavras, Olivia. Eu vi uma liberdade que ela sabia que eu nunca poderia ter. Meu coração é uma enorme rachadura que se abre e expõe uma realidade assustadora. Eu não gosto do que ouço. Meu cérebro não consegue encontrar palavras de conforto para William. — Por que você está tentando sabotar o nosso amor?, eu pergunto. É uma pergunta razoável, e ainda mais depois de me dar essa informação. Ele poderia ter sua liberdade, como Miller pode. Só que Miller é muito mais determinado a obtê-lo. Miller não está pronto para deixar-me escorregar por entre os dedos. Miller vai lutar por nós. Mesmo que questione ir para os EUA. William fecha os olhos lentamente. Isso me lembra o piscar preguiçoso do meu cavalheiro em tempo parcial. Faz-me querer ir ver Miller imediatamente, permitir que eu entre em seu santuário e lhe dê “o que ele gosta”. — Por favor, deixe-me levá-la para casa. Dá um passo para trás e abre novamente a porta do carro. Gesticulando, com os olhos suplicantes para eu entrar.


— Eu prefiro caminhar.- Eu respondo. Sinto-me doente e o ar fresco me fará bem. Além disso, eu tenho que ir médico, e eu não posso pedir a William para me levar lá. Eu tremo só de pensar. Minha insolência está me irritando, mas eu aguento. Não estou preparada para ser mandada a entrar no carro mais uma vez. — Pelo menos, me dê cinco minutos. Sua mão aponta para a pequena praça em frente, onde eu estava sentada uma vez com Miller. Foi quando eu finalmente cedi e concordei em dar-lhe uma noite. Eu concordo. E estou feliz que ele não pediu para eu entrar no carro. Ele precisa aprender que também sei impor algum controle. Nós começamos a caminhar juntos. William faz um gesto com cabeça para o motorista. Eu tenho uma dor de estômago, uma mistura de tristeza e compaixão. Eu sinto como se estivesse caindo em um abismo de informações. Eu não quero continuar a descida porque eu sei que vai ser acidentado e que vou acabar com o ressentimento que guardo da minha mãe e substituí-lo com culpa esmagadora. Em vez disso, eu me sinto muito culpada. Cada minuto que eu passo com William Anderson está enfraquecendo a parte endurecida do meu coração petrificado que contém o desprezo que sinto por Gracie Taylor. Em breve vai quebrar e deixar os fragmentos cínicos fundido com a parte macia, com a mão amorosa. Eu não tenho certeza se posso aguentar mais sofrimento, e não quando, eu mal comecei a me recuperar e ver a luz na escuridão. Mas a curiosidade e a necessidade esmagadora precisam validar o que Miller e eu temos para substituir a minha relutância. Nós nos sentamos em um banco e permanecemos em silêncio. Observo o corpo duro de William tentando relaxar ao meu lado, mas falhando em todos os níveis. Coloca as mãos no colo e as retira. Pega o seu celular, revisa e coloca-o no bolso do paletó. Cruzando e descruzando as pernas. Apoia os cotovelo no braço do banco. Ele fica desconfortável e está me incomodando também. Embora eu continue a estudar a sucessão de movimentos estranhos. — Você nunca disse a ninguém sua história, certo? -Eu pergunto. Fico surpresa quando minha mão pousa sobre seu joelho e dá-lhe um aperto de compreensão. É ridículo oferecer minha simpatia. Ele afastou minha mãe e por sua culpa nos perdemos para sempre. No entanto, ele também me afastou, enviando-me para casa e me salvou. O distinto cavalheiro para e olha inquieto para minha mão. Então eu sigo seu olhar. Ele suspira. Em seguida ele coloca a palma de sua mão encima da minha. — Eu estava em formação, se preferir. Sendo ordenado para assumir para meu tio. Eu tinha vinte e um, e era uma puta desagradável e destemido. Nada e


ninguém me intimidava. Eu era o sucessor perfeito. Meus olhos descansam em nossas mãos e vê-lo jogar com o meu anel, pensativo. Respiro profundamente. — Gracie apareceu no clube do meu tio por acidente. Foi com alguns amigos, ela estava bêbada. Ela não tinha a menor ideia para onde tinha ido, eu deveria ter tirado ela de lá assim que eu a vi, mas me deixou encantado com a sua maneira de ser. Ela emanava seu ser inteiro, desde sua alma, e ele me segurou em suas garras. Eu tentei ir embora, mas eles cavaram ainda mais. Eles me seguraram lá. Com a mão livre, ele esfrega os olhos e solta um suspiro longo, lento. — Ela riu. - William olha para frente, perdido em pensamentos. – Bebendo Martini e sua garganta era linda, com seu corpo lindo movendo na pista de dança. Eu estava enfeitiçado. Hipnotizado. Entre a elite corrupta e pecaminosa de Londres foi minha Gracie. Ele era minha. Ou seria. Quando meu dever era levá-la para longe do submundo que eu estava destinado a dirigir e, em vez disso, eu puxei-a para ele. As partículas segurando aquele desprezo pela minha mãe e a parte considerável do meu coração que mantém o amor puro, cru por Miller começam a misturar-se. Eu estou começando a perder a capacidade para distinguir entre os dois... tal como eu suspeitava e temia. William olha e sorri melancolicamente, com o rosto angustiado e arrependido. — Eu comprei Champanhe. Ela nunca havia provado. Quando eu vi seus olhos brilharem por ter descoberto um novo prazer, as camadas de meu coração de pedra foi quebrada. Ela parou de sorrir por um segundo, e eu não duvidei por um momento que aquela jovem tinha que ser minha. Eu sabia que estava nadando em água turvas, mas fiquei cego. —Desejava...-pergunto mesmo sabendo de antemão a resposta.– Desejava ter mentindo e tê-la esquecido? Ele ri com condescendência. — Eu nunca poderia ter esquecido Gracie Taylor, parece ridículo, eu sei. Eu tinha que passar um miserável tempo com ela. Eu roubei um beijo quando ela resistiu e disse-lhe que a levaria para sair na noite seguinte. Em algum lugar privado onde ninguém me conhecia. Ela disse não, mas não me impediu. Quando ajudei com a bolsa dela, peguei um documento que me confirmava seu nome e endereço. - Seu sorriso se torna mais amplo, é como se ele estivesse revivendo. – Gracie Taylor. O som do nome de minha mãe lhe faz feliz, e eu não posso evitar um sorriso se esboçando em meus lábios. Os sentimentos florescendo entre William e Gracie são imagens perfeitas. Material de romances. Consumidor e irracional. Então foi tudo horrivelmente errado. Mas, eventualmente, fatal. Compreendo perfeitamente a minha mãe. Embora William e Miller se detestem, eles são


muito semelhantes. William Anderson deve ter sido cego por ela. Como Miller Hart é comigo. —Suas obrigações para com seu tio arruinaram tudo. —Sardonicamente arruinado.- Ele corrige. – Meu tio estava planejando se aposentar, mas um acidente enviou o seu corpo para o fundo do rio Tâmisa, antes que pudéssemos dar-lhe o relógio. Eu franzo a testa. – Relógio? Ele sorri e leva a minha mão aos lábios. Ele a beija docemente. —Ele é considerado um bom presente da aposentadoria. —Ah sim? —Sim. Engraçado, não é? Alguém dá um relógio que já não tem que gastar a sua vida preocupado com a hora. Eu compartilho o riso com William. É a criação de um vínculo entre nós. —É irônico. —Bastante. Também é irônico que nós estamos rindo sobre isso, quando ele está me informando que seu tio morreu de uma maneira tão trágica. — Sinto muito sobre seu tio. Ele bufa uma respiração sarcástica. – Não lamente. Ele mereceu. Viver pela sua espada, morrer por ela. Não é isso que eles dizem? — Não sei. O que isso quer dizer? Eu estou sendo alimentada de uma informação que é muito vívida e complexa para minha pobre mente processar. Eu gaguejo, mas de repente eu entendo. – Seu tio era um bastardo amoral...? — Sim. – Ele ri novamente e esfrega algo sob seus olhos. – Foi o bastardo mais amoral de todos os tempos. As coisas mudaram no tempo que eu assumi. Eu poderia ser um filho da puta quando tinha que ser, mas eu nunca fui desleal. Eu modifiquei as regras, eu cuidava das meninas e me livrava de clientes bastardos o melhor que pude. Eu era jovem, novo, e funcionou. Eu ganhei muito mais respeito do que meu tio já teve. Aqueles que queriam ficar e fazer as coisas do meu jeito ótimo. Aqueles que não gostaram das mudanças, permaneciam como bastardos imorais. Eu fiz alguns inimigos, mas mesmo nessa idade tive que levar a sério. — Você já matou alguém? - Pergunto sem pensar, e instantaneamente seus olhos cinzentos passar por mim. Quase pedi desculpas por perguntar algo assim, mas a suspeita sobre os olhos de William, diz-me claramente que a questão não tem nada estúpido. Ele tem feito. — Isso é irrelevante, não acha? -Ele diz. Não, eu não penso assim, mas o seu olhar de advertência impede-me falar. Se alguma vez ele tinha matado ninguém, ele iria me corrigir. — Sinto muito.


— Não sinta.- Ele acaricia meu rosto com os dedos. — Não há necessidade de perturbar a sua linda cabecinha com essas coisas feias. — Tarde demais,- eu sussurro, e sinto o toque delicado de William vacilar. – Mas não estamos aqui para falar sobre mim e minhas decisões. O que aconteceu depois? Levantando. William levanta ambas as mãos e olha para mim. —Cortejamos. —Vocês saíram juntos? —Sim. Eu sorrio. Vovó usou a mesma palavra. —Então? —E foi muito intenso. Gracie era inexperiente e jovem, mas ela tinha muito de paixão e ansiosa para liberar. E liberou isso em mim. Ela despertou um apetite em mim que eu não sabia que eu tinha. Meu apetite era por ela. —Se apaixonou. —Eu acho que aconteceu instantaneamente.– A tristeza cobre seu rosto novamente e seu olhar cai em seu colo. Eu fiquei só um mês devorado por um ardente desejo de sua mãe. Então a realidade bateu, e Gracie e eu éramos uma combinação impossível. Eu sei exatamente como ele deve ter sentido, e todo o vínculo que compartilhamos, apenas ficando um pouco mais forte. —O que aconteceu? —Eu não tinha a cabeça que deveria ter para cuidar de uma das minhas meninas. Engoli em seco e reivindiquei uma das minhas mãos. William enxuga a testa para aliviar a dor. —Controles de danos era a outra coisa -E foi o pior. Meus inimigos viriam como moscas ao mel. —Então você terminou com ela. —Eu tentei. Por um longo tempo. Gracie era viciante, e pensar em viver um dia sem ela era impossível para mim. E de qualquer forma ela sabia como me fazer render como um estúpido não teve contemplações quando se utilizava de sua insolência e seu corpo. Eu estava ferrado. William relaxa no banco e olha para o outro lado da praça; deriva por alguns lugar distante, e escuro. —O Segredo mais bem guardado, escondido. Ela teria se tornado um alvo. —Não era apenas o fato de ser responsável pelas meninas que você pararam de estar juntos, certo? Eu não preciso de confirmação.


—Não. Se soubessem dos meus sentimentos por aquela mulher, ela seria um alvo. Era como servi-la em uma bandeja de prata. —Mas foi o que aconteceu?- Eu lhe lembro. Ele mandou-a embora e a deixou cair nas mãos de um bastardo imoral. —Sim. Os últimos anos foram muito traumáticos. Sempre esperei que você fosse suficiente para puxá-la de lá. Eu bufo. Chateada por ser lembrada que não fui incentivo suficiente para minha mãe. —Sim, todos nós sabemos como acabou – disparo —Desculpe se eu te desapontei. —Chega! —Como é que ela ficou grávida de outro homem? -Eu pergunto, ignorando a raiva que despertou minha insolência.– Ela tinha dezenove anos quando ficou grávida. Isso não foi muito depois que te conheceu. —Ela me puniu, Olivia. Agora eu sei disso. Não há necessidade de lembrar o diário. Lembra-se de ter lido muito sobre mim lá? —Não!- Eu quase me sinto pena de William. —Ela ficou grávida de outro homem. Isso acabou com qualquer suspeita de que poderíamos ter algo entre nós. —Quem era ele? William bufa. – Quem diabos sabe? Gracie certamente não. William é o ressentimento puro, e expira lentamente um longo suspiro para se acalmar. Falando disso deixa-o irritado. Isso me faz odiar mais minha mãe. —Você foi provavelmente a melhor coisa que poderia acontecer. —Estou contente por alguém pensar assim –eu digo. —Olivia! —Estou contente por servir a algum propósito! - Eu ri perversamente. – E aqui estou eu, pensando que ninguém me queria, e eu fiz um favor ao cafetão de minha mãe.– Eu me sinto muito orgulhosa do meu papel na vida. —Você salvou a vida de sua mãe, Olivia. —O quê? – Vou quebrar. Ele não vai dizer que eu vim ao mundo para distrair o inimigo, de modo que desviasse a atenção para o relacionamento de Gracie e William? – Só assim ela poderia me abandonar depois? Até onde eu sei, ela está morta, William! Meu propósito não serviu para porcaria nenhuma porque ela, no entanto, acabou morta! Eu não tenho uma mãe e você não teve a sua Gracie!Soluço violentamente ao seu lado, chorando lágrimas de raiva. Compaixão é aspirada de repente, as partes do meu coração tornaram-se a quebrar em um piscar de olhos ... ou por isso leva a proferir uma frase impensada. Ele estava indo tão bem ... A historia de sua relação momentaneamente me fez esquecer


do assunto. Miller e eu. Nós. Nós estamos destinados a seguir o mesmo caminho destrutivo do amor impossível, tortura e sofrimento irreparável. Fomos enganados, mas temos um ao outro. Levanto-me e volto para ele. Eu cuidadosamente o observo. — Miller não me abandonou como você fez com Gracie. Eu me viro e saio. Ele faz uma careta e o ouço assobiar. Eu quase espero que me siga e eu me forço a voltar antes que ele deixe a praça, mas não, deixa-me ir e eu deixo-o para trás em suas revelações.

Eu não faço isso de propósito, mas quando eu finalmente chego em casa, eu fecho a porta. Ainda chateada pelo tempo que passei com William e exausta depois de ir ao médico. Não lembro quase nada da visita. Eu disse a minha situação, já me questionando se eu tomo a pílula do dia seguinte e a pílula anticoncepcional, eu saí da consulta, atravessando a rua e fui à farmácia. Eu fiz tudo em uma nuvem de desespero. A porta batendo faz minha avó se assustar na cozinha. — O que está acontecendo, Livy?- Olha para o seu velho relógio. — Não é nem meio-dia. Eu não me incomodo tentando me comportar. Estou magoada. Há apenas uma opção, que também é verdade em parte. — Del me mandou para casa. — Você não está bem? -Seus passos aumentam o ritmo enquanto seca as mãos no pano de cozinha. — Você tem febre. É verdade. Eu estou queimando com raiva. Eu bato contra a porta da frente. Deixo minha avó confusa por minha causa. Grata por ver seu rosto amável, embora agora pareça tão preocupado. —Estou bem. —Hum! –Ela resmunga-. Não me diga que está chovendo! Ela retira alguns fios de meu cabelo encharcado do meu rosto. —Quanto mais rápido você descobrir que eu não sou nenhuma inimiga, melhor. – Seus olhos de safira velhos furam a minha forma patética. —Venha, vou preparar um chá-, diz. E caminha pelo corredor. —Porque uma xícara de chá cura tudo... - eu murmuro e afasto-me da porta a seguir. —O quê? —Nada. Me deixo cair em uma cadeira e pego o celular da minha bolsa. Está tocando. —Uma chamada? -pergunta minha avó colocando água para ferver. —Uma mensagem de texto.


Ela se vira, com curiosidade genuína.– Como você sabe a diferença? —Bem! Porque uma chamada ... -Eu paro no meio da frase para desbloquear o meu novo dispositivo — Algum dia você vai comprar um telefone celular? Ela ri novamente e se concentra em fazer o chá. — Eu prefiro ter uma massagem nas costas por Edward Mãos de Tesoura! Porque na minha idade eu vou precisar de uma dessas coisas bobas? — Então não importa que som tenha uma mensagem, uma chamada ou um email, você não acha? —Um e-mail?! –Ela grita. – Você pode enviar e-mails? — Sim. Você também pode navegar na internet, fazer compras e entrar em redes sociais. — Quais as redes sociais? Eu rio tão alto que eu quase caio da cadeira. — Você não viverá o suficiente para eu explicar vovó. — Ah! -Ela mostra total indiferença ao derramar água quente no bule para o chá, e o leite em uma jarra. – Com o desenvolvimento dessa tecnologia, as pessoas não terão qualquer incentivo para sair de casa. Mensagens de texto e e-mails ... O que aconteceu com as negociações cara a cara, hmmm? Ou uma boa conversa no telefone. Não. Nunca me envie uma mensagem de texto. — Eu não posso: você não tem celular. — Um e-mail então. Nunca me envie um e-mail. Eu ri com superioridade. — Você não tem conta de e-mail, então eu não posso enviar um e-mail. — Que alivio. Eu rio de mim mesmo e direciono os olhos para a tela de meu celular quando minha avó trás o chá para a mesa e nos serve. Carregando o meu chá com açúcar. Você precisa engordar.- Ela resmunga. Mas ignoro porque o nome de William brilha na tela. Ele enviou uma mensagem. Ele sabe que eu não quero ler. O que não impede de abri-lo. Isso não pode acabar bem. Eu ranjo os dentes e elimino. Eu me amaldiçoo por ter lido. — Não vejo Gregory há algum tempo.- Diz minha avó. Ela sabe que nós não nos falamos. Não me atrevo a chamá-lo, não depois de sua birra. Foi furioso, e não há dúvida de que a ameaça era muito séria. — Ele tem estado ocupado. Mantenho o celular em minha bolsa, eu levo a minha xícara de chá e um pouco de vapor que emana respiração da superfície, enquanto minha avó remove lentamente. — Nunca antes tinha estado muito ocupado.- ela insiste. Não consigo pensar em nenhuma razão válida para explicar a ausência de Gregory. Ela sabe que


Gregory e Miller não estão se falando. O mais simples seria dizer-lhe que ele colocou condições para nossa amizade, mas eu não me sinto capaz. — Eu vou me deitar por um tempo. Eu pego minha bolsa e subo. Eu beijo seu rosto, apesar de sua decepção na face. Ela odeia que escondam as coisas, mas minha avó brava é a única pessoa do planeta além de Miller, o que nos anima a estarmos juntos, e concluo que é melhor só contar o estritamente necessário. Essa não é uma necessidade. Eu rastejo no andar de cima e planto minha bunda nos meus lençóis. Cavo em minha bolsa e tiro um saco de papel. Eu quero encontrar a caixa, abro o saco e retiro uma pílula, eu coloco na língua e fecho a boca. Eu só fico sentada ali. Embora pareça uma pista sobre minha língua. Eu fecho meus olhos e finalmente engulo. Meto a caixa na gaveta da mesa de cabeceira. Deito-me. Não há escuridão, mesmo quando eu fecho as cortinas. Então eu pego um travesseiro e enterro meu rosto em tudo o que eu puder. Eu fecho os olhos. Não houve sequer metade de um dia, o êxtase em que me encontrei essa manhã quando eu acordei, desapareceu completamente.

Capítulo Quinze


Fogos de artifício implodem. Um farfalhar me acorda do meu sono tranquilo. A noite cai e eu estou segura. Ele está aqui. Eu sorrio e me estabeleço em seus braços até que eu me perco em seus olhos azuis doces e maravilhosos. Minhas mãos desaparecem debaixo de seu paletó, em torno de suas costas, e eu me puxo para mais perto até que seu hálito quente esteja revestindo as minhas bochechas. Circulando nossos narizes, ele muda a palma da mão na parte traseira do minha coxa, puxando-a até seu quadril. — Eu estava preocupada com você-, ele sussurra. -O que aconteceu? — Eu vomitei um par de mulheres mais velhas-. Seus olhos brilham maliciosamente. – Ouvi. — Então William apareceu.- Eu não estou surpresa quando o brilho diminui e Miller endurece em minha espera. — O que ele queria? — Me irritar-, sussurro, e me aconchego em seu peito, minha bochecha descansando em seu coração. Está batendo um forte do “thrum” constante e o som me envolve completamente. — Diga-me que você nunca vai me abandonar-. — Eu prometo-. Ele não vacila, como se ele tivesse sido avisado do que eu ia dizer, como se ele soubesse por que William está me perseguindo. É o suficiente para mim, porque Miller Hart não faz promessas que não consegue manter. – Obrigada. — Não me agradeça, Olivia. Nunca me agradeça. Venha cá, deixe-me vê-la. Ele me retira do Santuário de seu corpo e se instala contra minha cabeceira, colocando-me em seu colo. Eu posso sentir sua ereção encravada entre nossos corpos, longa e difícil, mas pelo olhar no rosto do Miller, estou por minha conta, no departamento de luxúria. Eu franzo a testa e dou um leve esfregar, quando ele toma minhas mãos e entrelaça nossos dedos. Então levanta sobrancelha para mim. – Por que você trabalha no bistrô? A pergunta estranha termina minhas táticas hesitantes. Eu respondo: – Para ganhar dinheiro. No entanto, isso não é rigorosamente verdade: eu tenho uma conta corrente cheia de dinheiro. — Eu tenho um monte de dinheiro. Não há necessidade de se matar trabalhando em uma cafeteria de Londres. Eu mordo meu lábio, que se estendem para trás e tentando entender o que ele diz. Seu pomo de Adão é balançando na garganta de suas constantes engolidas. Ele está nervoso quanto a minha reação e ele deve ficar. –Não preciso de dinheiro de qualquer homem -, afirmo com bastante calma, embora sua dica tenha dado um choque na minha serenidade de alguns momentos atrás. — Eu não sou apenas um homem qualquer, Olivia -. As palmas das mãos deslizam na parte superior do meu braço e puxa-me perto da sombra barbada


de sua mandíbula. Seus olhos azuis me queimam com aborrecimento aquecido, mas ele ainda é gentil comigo, e seu tom é macio. —Não fique nervoso. —Eu não estou. —Eu só quero ganhar meu próprio dinheiro.


—Sei que você tem mais ambição do que preparar cafés-. O tom de Miller é paternalista, e enquanto eu poderia apontar que suas ambições eram muito menos louváveis, não estou para outro confronto de hoje. — Estou cansada.- Eu vou pela tangente com essa frase patética e coloco a cabeça em seu peito, mas ainda assim ele carrega o terno. Eu enterro meu rosto em seu pescoço e inalo sua fragrância de macho. — Cansada-. Ele suspira e envolve-me em seus braços. - São 06h30min da noite, e eu acredito que você tem estado nesta cama desde meio-dia. Eu ignoro sua observação, acaricio sua orelha, esfregando seu lóbulo com meu dedo indicador e o polegar. –Como foi seu dia? —Longo. O que Anderson queria? —Eu te disse, irritar-me. —Detalhes. —Não. —Eu pedi uma vez. -Você pode pedir quantas vezes quiser,- sussurro. -Não quero falar sobre isso. Move-me antes que eu possa endurecer meus músculos para detê-lo. Ele me empurra para cima, e assim fico escarranchada no seu colo e ele agarra minhas coxas com um olhar impaciente. –Azar. — Para você, sussurro indignada-. Estou pressionando os botões dele, mas não tenho vontade de compartilhar minhas revelações recentes com Miller agora, ou provavelmente nunca. Eu era um bebê de conveniência e não do tipo regular. Eu servi um propósito e uma finalidade sozinha, e que falhou miseravelmente, de qualquer forma. Estuda-me cuidadosamente. Ele está esperando por mim para lhe dizer, o que eu não vou fazer. As expectativas de Miller não impedem pensamentos menos agradáveis que estão subindo pelas paredes da minha mente. Como William deve ter sentido quando soube que Gracie estava grávida de outro homem, quando ele a amava profundamente? Agora eu tenho claro que ela estava dormindo com outros para puni-lo, mas isso significa que ela ficou grávida de propósito? Também sou eu algo que ela trouxe a este mundo a fim de ferir William? Se ele tivesse forçado minha mãe para terminar a gravidez caso eu não tivesse também servido para acalmar os rumores de seus inimigos? Eu era um peão, isso é tudo. Um objeto que William usado para ganho pessoal. — Olivia?- A doce e encorajadora maneira de Miller pronunciar o meu nome traz minha mente vagando de volta para a sala onde eu me deparo por alguém que realmente me quer. Não porque eles servem a um propósito, mas porque eu sou seu propósito. — William me usou, murmuro. Eu odeio dizer. Ele me fez superar a dor de ser abandonada. Agora eu sou confrontado com um novo tipo de dor. – Minha mãe


ficou grávida de outro homem para puni-lo. Eu estremecer ao ouvir as minhas palavras geladas e cerro os olhos bem fechados. — Ele e minha mãe estavam loucamente apaixonados e não poderiam estar juntos no mundo de William. Se as pessoas erradas tivessem conscientes do relacionamento deles, isso seria usado contra ele. De repente, eu considero a possibilidade de que William se manteve perto de Gracie não só porque precisava vê-la, mas também para acabar com qualquer suspeita. Ele nunca se envolvia com suas meninas. Todo mundo sabia. Eu fico com os olhos fechados até que senti o movimento debaixo de mim e sinto a boca quente de Miller na minha. — Shhh!, ele sussurra, embora eu tenha já esteja em silêncio. Eu não tenho nada mais a dizer, e eu espero que Miller não continue pressionando. Todos os fragmentos da história que William me disse esta manhã, toda a intensidade e paixão entre ele e minha mãe foram mortos na última frase: “Você salvou sua vida mãe.” Não, eu não salvei. Meu estado mental atual não me permite sentir remorso sobre isso. — Há quanto tempo você conhece William?- Pergunto calmamente enquanto Miller me cobre bochechas e lábios de beijos. — Dez anos-. A resposta dele carrega um ar de finalidade e sua boca continua a seduzir a minha, sua língua escorrega passando por meus lábios e varrendo reverentemente em círculos. Sinto-me distraído, então eu afasto a boca ocupada e o estudo por um momento, empurrando seu mau comportamento com um levantar de sua sobrancelha. Ele não está feliz com a minha retirada, que só aumenta minha suspeita. — Quando você descobriu que eu conhecia William, você sabia que ele teria algo a dizer sobre nós, não foi? Ele não concorda com a forma que você conduz os negócios. —Correto. —Só isso? Ele encolhe um pouco, mostrando indiferença. —Anderson tem muito a dizer sobre um monte de coisas, eu incluído. —Ele disse que você é imoral,- sussurro, caindo meu olhar para o nosso colo. Tenho vergonha de dizer o que William pensa nele. É um absurdo, porque eu sei que William é como já foi dito na cara. —Olhe para mim.- A almofada do dedo desliza sob meu queixo e levanta meu


rosto no dele. Eu sou imediatamente consumida com ardência nos olhos e os lábios macios se separaram. –Nunca com você-, ele diz lentamente, em silêncio, segurando meus olhos como ímãs. Eu sabia disso. Eu tenho que esquecer o nosso encontro assustador no hotel. Não era meu Miller. — Eu te amo. - digo-lhe em uma tranquila golfada de ar, deslizando meus braços sobre ele e me fundo em seu tronco, minha bochecha deitada em seu ombro. Ele responde com um gemido quase indetectável e me leva às costas, o comprimento do seu corpo fixando-me para a cama. — Você vai enrugar o terno-, aviso, despenteando-o e tentando esquecer minha conversa com William. Passei anos desejando que houvesse uma explicação e fez indizível para encontrá-lo. Agora eu me deparo com ela e desejo com todas as minhas forças que não tivesse feito. — Poderia ser pior-. Ele belisca o meu pescoço, a pressão quente da boca dele me envia um contorcer-se um pouco. — Como? - Definitivamente está diminuindo a obsessão de Miller com sua aparência, e enquanto deveria agradecer imensamente que alguns de seus caminhos tensos, exigentes são evidentemente diminuídos, não posso descobrir porque eu pareço estar mais incomodada por seus cuidados do que ele. — Nós poderíamos ter feito planos para sair para jantar. Franzo minha testa, mas ele continua antes que eu possa perguntar o que diabos ele está falando. — Felizmente, sua avó adorável se ofereceu para nos alimentar.- Ele empurra para cima em seu antebraço e olha pra baixo para mim, um astuto brilho em seus olhos. Eu sei o que está procurando e eu não o decepciono. Eu rolo os meus olhos. — Ela te torturou até que você concordou? —Não foi necessário-. Miller deixa cair um preguiçoso beijo em meus lábios e sobe, pressionando os quadris em meu abdômen. Meus olhos alargam e a umidade bombardeia o meu centro. Agora que eu esvaziei minha mente dos encargos indesejados, há espaço para outra coisa. Algo agradável. Desejo. Mordiscando meu lábio inferior, chego até seus ombros e aliso para baixo as mangas de sua jaqueta adequada, a sensação do músculo apertado abaixo só aumentando meu estado crescente de devassidão. Ele balança a cabeça lentamente, definitivamente sem hesitação, e eu solto um huff irritado na respiração. — Controle-se. Eu levanto meus quadris e sinto um inalar afiado da respiração dele, seguida de uma tentativa pobre de fazer caretas para mim. Eu sorrio e repito. Claro, isto me excita ainda mais também, mas luta de Miller para conter-se inflama uma infantil rebelião em mim. Eu levanto os quadris novamente e vejo um riso, quando ele salta da cama e começa a arrumar suas roupas e puxar seu


paletó. — Realmente, Olivia? Eu me sento, com um perverso sorriso no meu rosto. – É sempre nos seus termos-, descanso meu queixo na palma da minha mão e meu cotovelo no meu joelho. Ele ainda está ocupado reorganizando-se, optando por responder sem olhar para mim. — É um bom trabalho, não concorda? — É educado olhar para alguém quando eles estão falando com você. Frenéticas mãos param em sua agitação e um rosto impassível sobe lentamente para o meu. – É um bom trabalho, não concorda? —Não. - Imagens de um ginásio, um ateliê de pintura e carros pulam tudo sobre minha mente. Pelo menos há uma cama aqui. E é o meu quarto. Eu deslizo fora do colchão e ando lentamente e propositadamente para ele. Ele me observa, em pé, silenciosamente, quase cautelosamente, até que meu peito é empurrado ao dele. Levanto os meus olhos para a boca dele. Fluxos de ar quente e sensual se separaram de seus lábios, alimentando minha fome, e minha confiança. – Eu não vou aguentar até depois jantar - eu o advirto. — Eu não desrespeitar sua avó, Olivia. Meus olhos se estreitam e minha mão conivente estende-se para frente e alisa sobre sua virilha. Ele pula para trás. Eu sigo em frente. – Não seja tão nervoso.Mãos fortes circulam meus braços e sua a cara cheia de frustração diminui a minha. —Não-, ele diz simplesmente. —Sim-, eu digo, esforçando-me para fora de seu domínio e colocando minhas mãos sobre a sua bunda. – Você é o aquele que desencadeou essa necessidade, então você tem obrigação de remediá-la. —Porra! Torço interiormente, sabendo que o tenho. Ele não pode me fazer suportar outro jantar com vovó, sabendo que estou neste estado. Eu vou entrar em combustão espontânea. –Soltar. — Dá-me força, Olivia-. Ele derruba minha mão longe de sua virilha e abordame para a cama, o quadro chia com a cabeceira da cama batendo atrás, na parede. Encho-me de minha vitória com orgulho irracional. Meus lábios pressionam juntos e fecho meus olhos, com ele circulando deliciosamente em mim. Tento mudar minhas pernas debaixo dele para aliviar a pressão que se acumula entre as minhas coxas. Minhas ações me dão mais contenção. Ele pega meu pulsos para o colchão. — Eu?- ele respira no meu rosto, suavemente empurrando para frente, empurrando a respiração suspensa de meus pulmões. Eu gemo, e abro meus olhos. Cumprimentam-me cílios escuros, emoldurando os olhos azuis intoxicantes. – Não me faça perguntar de novo. — Sim!- Eu choro quando eu ataco com outro impulso bem calculado,


sentindo-o duro como uma rocha sob o tecido de suas calças. Eu começo a perder meus sentidos, e o quarto estão girando, mas eu vejo muito claramente o rosto perfeito de Miller diante de mim. — Miller! engasgo. Eu amo e odeio ele ter o controle sobre meu corpo. Ele parece satisfeito. De repente, ele se afasta e começa a endireitar seu terno de novo. — Vamos lá. Sua avó foi para grandes comprimentos. Minha boca cai aberta em descrença absoluta. Não acredito. – Você não será capaz de ...? — Claro que eu serei. Ele recolhe-me da cama e começa a fazer-me parecer apresentável enquanto eu preparo-me inequivocamente estupefata ao seu jogo dissimulado. Ele está duro. Deve ser doloroso, eu sei por que estou sofrendo. Ele escova meu cabelo selvagem sobre cada ombro, procurando satisfeito o resultado. — Suas bochechas estão coradas-, diz ele. Sua voz carregada com presunção. — Como...? Ele coloca um dedo sobre meus lábios, para me silenciar e instantaneamente os seus lábios substituí-lo, o que me faz ainda pior. — Basta pensar que, mais tarde, quando eu puder tomar meu tempo com você, você vai se divertir mais. — Você é muito cruel-, lamentei jogando os braços em volta do seu pescoço e ataco sua maravilhosa boca, desesperada para desfrutar ao máximo, antes de ser colocada de lado. Mas isso não acontece, isso me deixa fora do chão e me leva até a porta quando me devolve o beijo e aceita a minha língua, dançando loucamente em sua boca, e gemendo sua apreciação como ele faz. Na tentativa de prendê-lo ainda mais, eu enrolo minhas coxas ao redor dos quadris dele apertando e arco minha espinha, selando o nosso peito e transando com meus punhos no seu cabelo. Eu cantarolar, eu choramingar, suspiro. Minha cabeça inclina-se, minha boca rastreia as linhas de seus lábios, e meus dentes mordem no meio do mergulho de minha língua. Isso não melhora a minha sede, mas se é tudo o que estou recebendo para o momento, então estou fazendo mais do mesmo. Meus olhos estão fechados e Miller coloca as palmas das mãos na minha bunda, apertando, massageando e alisando quando ele me leva às escadas pelo corredor. Meu tempo está acabando. — Olivia-, suspira, quebrando o nosso beijo. — Nuh-uh-, Eu reclamo, empurrando para a parte traseira da cabeça, recolocar os meus lábios dele. —Jesus, você está me arruinando. Através da minha tontura, registro a estupidez de tal declaração. — Leve-me para sua casa, -Eu imploro, embora eu saiba que o pedido é em vão. Miller é educado demais para deixar minha avó plantada. Aromas alimentares quentes, alimentos pesados para ferver. Minha avó feliz na


cozinha, cantarola. — Foi muito trabalho-. Ele me dirige longe de seu terno e me coloca em pé, puxando meu top no lugar. – Não está com fome? - Os olhos dele saltam para meu estômago muito plano. — Não mesmo-, admito. Não há espaço no meu cérebro para registrar a fome. — Precisamos resolver esse problema de apetite-, ele brinca de um modo quase malcriado, – Antes de você desaparecer diante dos meus olhos. — Não há nenhum problema. - Eu alcanço e ajeito a gravata do Miller, balançando com o nó desalojado por pouco tempo antes de ficar satisfeita que está reta e arrumada. – Eu como quando tenho fome. — Que é quando? Ele me lança um olhar expectante quando ele remove o casaco e o pendura nos ganchos para casaco, mas antes se para em frente ao espelho e desfaz o que gastei trinta segundos do meu tempo de aperfeiçoamento. Suas costas amplia-se com a posição de suas mãos para o seu pescoço, o material do seu colete puxando tenso. Eu suspiro meu apreço. – Precisamos levar você ao médico.Sua declaração me trás de volta para o aqui e agora, tendo-me olhar para um rosto sério. — Já fui-, eu sussurro. Ele não consegue esconder seu choque. Eu amo o que eu posso picar todas essas emoções dele, mas não agora. – Você foi sem mim? Meus ombros sobem um pouco, mostrando desprendimento. – A recepcionista disse que é melhor tomar a pílula do dia seguinte, logo que possível, e eles só tinham disponível uma consulta esta manhã. — Oh. Ele descarta as mãos de sua gravata, olhando desconfortável. – Não quero que você tenha que fazer isso sozinha, Olivia. — Eu engoli um comprimido.- Eu sorrio, tentando pegá-lo. Ele se sente culpado. — E o controle de natalidade? — Feito. —Já começou? — No primeiro dia do próximo período de minha menstruação. Eu definitivamente me lembro dessa parte, mas não muito mais. — Que é quando? Eu mentalmente calculo através do meu ciclo, franzindo a testa para mim mesmo. -Três semanas-Ele não vai gostar. Eu só tive um período enquanto Miller... estava ausente. — Excelente-, diz ele, todo formal, como se ele só tem garantido um negócio rentável. Eu rolo meus olhos e ignoro o seu olhar curioso. — E antes que você pergunte, sim, há uma necessidade de insolência. Sua bolsa de lábios e seus olhos azuis empolando diminuem ligeiramente. – Sério?-, ele sussurra, fazendo-me sorri. –Eu teria ido com você.


—Eu sou uma menina crescida.- Eu escovo fora a preocupação com facilidade, apesar de ser inteiramente culpa dele que eu acabei nessa posição. Não acontecerá de novo. – E, enfim, você veio-, falo, tentando aliviar sua culpa, – Dentro de mim. Ele combina com o meu sorriso. – Duplo divertimento. Passos nos interrompem e vovó aparece, seu rosto alegre no modo mais alegre do que o normal, e eu sei que tem porque Miller está aqui e ele concordou em deixá-la a alimentá-lo. Ela fala, encantada –Fiz um ensopado! –Eu não tive tempo para nada mais extravagante. Miller rasga os olhos do meu e mira nos sapatos caros. Aumentos do deleite para vovó, mesmo se ela perdeu a vista encantadora dos biscoitinhos de Miller. — Tenho certeza que tudo o que você decidiu fazer, vai ser perfeito, a senhora Taylor. Ela agita uma toalha de chá em Miller, toda tímida e risonha. –Eu arrumei a mesa da cozinha.— Se eu soubesse que estaríamos comendo juntos, teria trazido algo,- diz Miller, levando minha nuca e me incentivando a seguir vovó para a cozinha. —De jeito nenhum! Vovó sorri. – Além disso, ainda tenho o champagne e o caviar. —Com ensopado? - peço uma carranca. — Não, mas duvido que Miller trouxesse um barril de cerveja barata.- Vovó vira a mão, indicando uma cadeira. – Sentem-se. Minha cadeira é puxada para mim e escondida sob a mesa eu tomei o meu lugar. Sua boca chega ao meu ouvido. —Quão rápido você pode comer ensopado? Eu o ignoro e concentro-me em absorver o calor da sua respiração no meu ouvido, provavelmente um coisa estúpida de se fazer, mas isso não importa o quão rápido eu posso comer porque as boas maneiras de Miller, o impede de empurrar a comida. Ele toma seu lugar ao meu lado e me dá um sorriso lascivo, enquanto uma enorme panela de ensopado é colocada no centro da mesa. Eu inalo o cheiro de carne, legumes e batatas. Faço careta. Eu não tenho nem um pouco de fome, tudo que eu quero é comer o homem irritante que está sentado ao meu lado. — Onde George está?- reclama vovó, com impaciência olhando para o relógio. – Ele está cinco minutos atrasado. — George vai se juntar a nós?- Miller pergunta, apontando para a panela fumegante. É a sua maneira de me dizer para começar a comer. — Vai ser bom vê-lo outra vez. "Hmmm, não é normal ele se atrasar." Ela está certa. Geralmente está sentado na mesa, armado com sua faca e garfo, com muito tempo antes, para ser o primeiro no pote. Infelizmente, eu tive o prazer de hoje. Aproveito a colher de servir, com tanto entusiasmo como


eu me sinto, e mergulhá-lo no meio, flutuando o cheiro no ar que nos cerca. — Tem um cheiro delicioso,- Miller informa, mantendo seus olhos em mim. Não sei quanto meu estômago vai aguentar eu comer, mas com Vovó e Miller, ambos tendo um interesse investido em meus hábitos alimentares, estou destinada a lutar meu caminho através de uma tigela inteira. O toque da campainha me salva. – Eu vou abrir. Deixo cair a colher e levanto o rabo da à cadeira, apenas para ser empurrado para trás para baixo. — Permita-me,- interpõe Miller, levando a colher de servir e transferindo uma colherada cheia no meu prato, antes dele seguir pelo corredor. — Obrigado, Miller,- vovó agradece, sorrindo brilhantemente. – Um cavalheiro. — Algumas vezes- que sussurro sob a minha respiração, pegando a colher de servir e empilhando o prato de Miller até que esteja próximo a transbordar. — Ele está com fome?- Vovó pergunta, os velhos olhos dela seguindo a colher indo e voltando da panela para o prato do Miller. — Sim, está morto de fome-, declaro, silenciosamente presunçoso. — Guarde um pouco para George. Ele vai explodir de raiva se ele não conseguir pelo menos duas porções.- Ela espreita no pote, observando o conteúdo restante. — Há muito. — Bom. Comece. - ela acena o dedo para o meu prato, e eu gostaria de saber onde está etiqueta de – onde esperamos todos começar juntos. Vovó olha pelo corredor em um enrugamento de sua testa. –Você acha que ele se perdeu?—Eu vou. - eu salto. Faço qualquer coisa para não comer, esperando por um milagre que eu vou encontrar meu apetite enquanto eu procuro por Miller e George. Lentamente eu passeio pelo corredor, pegando um vislumbre de Miller na porta, se fechando atrás dele. — O que você quer?- Eu o ouço cuspir, numa tentativa de silêncio. Falha miseravelmente. Demora apenas uma fração de segundo para que eu perceba que quem tocou a campainha não foi o George. Ele estaria outra vez à mesa, e Miller não faria essa pergunta em um tom tão cruel. Acelero o passo e o meu coração. Tomo a maçaneta da porta e puxo, mas isso muda apenas milímetros, a resistência aumentando ligeiramente sob meus dedos. Eu não quero gritar com ele e atrair a atenção de vovó, então eu aguardo alguns momentos até sentir que a resistência afrouxe. Então eu jogar todo a minha força para abri-la e consigo. Miller cambaleia um pouco da sua inesperada perda de aderência, seu cabelo caindo sobre a testa, e seus olhos azuis me crivam de surpresa. — Olivia. Mal pode conter um suspiro exasperado quando ele pisa na minha direção e me agarra pelo pescoço. Ele fica de lado e eu posso ver o convidado misterioso. — Gregory-, digo com uma mistura de ansiedade e alegria. Isto não é o ideal. Eu nunca teria escolhido um plano de reconciliação de nossa amizade com Miller, perto, mas ele está aqui e eu não posso fazer nada sobre


isso. Gregory treme sua mandíbula e não é um bom sinal de que sua tolerância a Miller Hart tenha melhorado, e forma de zumbido do Miller a tocar em mim indica o mesmo em relação ao meu amigo. — Agradável e acolhedor-, Gregory murmurou com um olhar mordaz em Miller e eu. — Não faça isso-, digo suavemente, tentando avançar para ele e chegando a lugar nenhum. Miller não está me liberando, faça chuva ou faça sol. —Miller, por favor-. Eu torço fora de seu domínio e recebo rosnados. — Esquece, Olivia-. Volta para tomar posse do meu pescoço. Eu olho para cima e eu encontro o seu brilho. Isto é o que eu preciso. — O que você quer?- O tom de Miller é embebido em ameaça. — Eu quero falar com a Olivia. Gregory declara seu pedido em um rosnar, correspondente ao de Miller. Eles são como dois lobos à espreita, com maxilares tensos e respiração prejudicada, prontos para atacar a qualquer momento, só que eu não sei qual deles irá perder o controle primeiro. — Bem, fale. —Sozinho. Miller nega com a cabeça suavemente, confiante, estourando supremacia em cada poro do seu corpo refinado. — Não-, diz com um sussurro, mas a palavra é pura determinação quase inaudível. Nenhum elevado volume é necessário. Gregory Miller olha para o lado e pousa em mim com desprezo. —Bem, você pode ficar. -cede. A veia do seu pescoço lateja. —Isso não é negociável-, esclarece Miller. O meu melhor amigo não dá Miller um olhar sequer de desdém, em vez disso mantém os olhos frios em mim. — Sinto muito, ele diz sem um pingo de sinceridade. Ele mantém o mesmo olhar de indiferença que existe desde que apareceu em cena. Nem parece nem soa muito, mas eu gostaria que fosse sincero. Eu também quero desculpar-me, mas eu não sei por quê. Eu não acho que eu tenha algo a lamentar. Porém, estou disposta a pedir desculpas só para ter Gregory volta. Pode ter sido distraído desde nossa discussão, mas ele não tem estado em torno e isto tem doído na minha consciência. Tenho tinha imensas saudades dele. — Eu também sinto muito-, sussurro ignorando Miller, que está cada vez mais tenso e respirando mais difícil. — Eu odeio isso. Vejo como a cara dele cai, para combinar seus ombros largos. Ele desliza uma mão no bolso de suas calça jeans, suas botas de trabalho arranham o caminho abaixo. –Menina, eu odeio isso também, mas eu estou aqui para você-. Ele levanta os olhos torturados ao meu. –Você precisa saber isso. Felicidade inunda-me, tirando o maior peso dos meus ombros cansados.


—Obrigada. —De nada -, diz ele, e em seguida, puxa algo de seu bolso e estende o braço na minha direção. O alívio torna-se confusão. Miller permanece petrificado ao meu lado, eu não acho que seja imaginação. —Toma-, diz Gregory, estendendo a mão. Um brilho prateado reflete a luz da varanda e cega como o sol de inverno. Então reparei a letra perfeita. Era o cartão de visita de Miller. Meu coração vai para a garganta. A mão de Miller arrebata o cartão em um piscar de olhos. — Onde diabos você conseguiu isso? —Isso não importa, diz Gregory calmamente sob controle. Eu, no entanto, completamente perdida, eu estou tremendo da cabeça aos pés. —É claro que importa! Miller ruge e erguendo o punho amassando o cartão até desaparecer. –Onde você conseguiu isso? —Foda-se. Miller se foi do meu lado num piscar de olhos. —Miller! Eu grito, mas ele caiu em uma zona de raiva e nada vai puxá-lo. Gregory consegue se esquivar do primeiro golpe, mas não é muito antes dos dois homens estarem caindo no concreto em um estrondo ensurdecedor. —Miller! Meus gritos frenéticos são inúteis como meus braços e pernas. Ficar entre esses dois seria tolice, mas eu odeio o sentimento de ser tão inútil. —Parem, por favor-, gemo baixinho. As lágrimas que correram através dos meus olhos começam a rolar pelo meu rosto ofuscando a visão dolorosa diante de mim. — Porque diabos você chega onde ninguém liga para você!? grita Miller agarrando a camisa de Gregory e jogando um soco mortal em sua mandíbula, virando o rosto do meu amigo. – Por que diabos você acha que tem o direito de interferir? Deus! Outro golpe bestial na boca de Gregory. O sangue jorrando e enchendo as juntas de Miller. —Nos deixe em paz de uma porra de vez! —Pare Miller! -grito tentando dar um passo adiante, mas as minhas pernas parecem gelatina. Tenho de pegar na grade para não cair. – Miller!- Ele está atravessado sobre Gregory, bufando como uma fera, com o rosto banhado em suor. Eu nunca o tinha visto tão fora de si. Está fora de controle. Agarra o pescoço do meu amigo com ambas as mãos e o levanta. — Eu vou rasgar a pele fora, de quem se atrever a tentar tirá-la de mim! Você está avisado.- Empurra Gregory para o chão e se levanta, sem tirar os olhos selvagens – É melhor você calar a boca! —Miller!- Eu grito, tentando respirar entre soluços. Então, ele lentamente se vira para mim e eu não gosto do que vejo. Ele perdeu sua mente. Ele perdeu o


controle de si mesmo. Na verdade, é um louco. Esse lado dele, violento e irracional, possuído, eu não gosto em tudo. Isso me assusta, não só pelos danos que pode causar, mas ele não parece não notar nada quando está nesse estado destrutivo. Nossos olhos se encontram por uma eternidade, ele está fora de controle e tento trazê-lo de volta antes que cause mais danos. Gregory está feito farinha. Ele está tentando levantar-se atrás de Miller, segurando o estômago ferido. — Ela tem o direito de saber- murmura se dobrando de dor. Suas palavras mal inteligíveis entram em meus ouvidos, alto em claro e bom som. Ele acha que eu não sei. Ele pensava vir aqui para compartilhar comigo sobre o homem que ele odeia, e que as informações iriam tirá-lo da minha vida. Acredito que foi isso que fez Miller perder a cabeça, e não apenas porque ele se intrometeu e porque quase revelou para minha avó, ele realmente se importa. O meu pobre coração, que continua fora do meu peito, recomeça a bater. — Eu já sabia.- eu digo e engulo sem olhar longe dos olhos de Miller. Eu sei o que era e o que ele tem feito. Estou ciente de que a notícia vai acabar com Gregory. Ele pensava que tinha o motivo perfeito para eu terminar com Miller, acreditava que chegaria a me consolar quando eu descobrisse a terrível verdade. Isso era o que ele esperava. Pois estava errado, e eu estou bem ciente de que isso poderia desferir um golpe para a nossa amizade. Ele nunca entendeu por que eu continuo com Miller, e eu duvido que eu seja forte o suficiente ou capaz de fazê-lo entender. — Sabia? - indaga estupefato. Você sabia que esse pedaço de merda é uma porra de um gigolô? —Era garoto de programa. - Eu corrijo. Deixei meu olhar ir para longe de Miller e movo para o corpo dolorido de Gregory. Ele está começando a ficar de pé. A incredulidade em seu rosto me faz sentir uma vergonha que nem eu esperava sentir. — Que diabos aconteceu com você? – me espeta. Ele me lança um olhar de ódio que quebra meu coração ao meio, e eu tenho que pressionar meus lábios para não deixar escapar um soluço, porque sei que vai novamente desencadear a loucura de Miller. Eu não percebi que a porta se abre atrás de mim naquele momento, mas eu ouço a voz, desgastada pelos anos, de minha avó. — O jantar vai esfriar! - Ela exclama. Então o silêncio por um nano segundo atrás, o tempo que leva para processar a imagem diante dela. — Mas que diabos ...? - Eu não tenho tempo para pensar em uma explicação para vovó. Gregory vem a vida e se lança contra Miller, pulando em cima de sua cintura e rolando pelo caminho do jardim. — Bastardo maldito! - grita ganhando impulso e lançando o punho com um rugido. Miller se esquiva e a mão de Gregory vai contra o asfalto. –Merda!


— Por todos os santos! - Vovó corre como o vento e fica no meio dos dois homens. E os mantém separados, e é assustador. Nenhum sinal de medo em seu rosto velho, é decisão pura. —Acabou! - grita. Ela fica entre eles e empurra-os com uma mensagem: – Basta! - Eles param, um de cada lado do seu peito. Se xingam e soltam olhares assassinos. Vovó é muito corajosa, mas eu temo por ela, a raiva dos dois parece estar longe de se dissipar. Minha avó não é de cristal, mas ainda é velha. Ela não deveria intervir ou ficar entre esses dois homens. Especialmente com Miller, que parece possuído, incapaz de ver a razão. — Vou dizer apenas uma vez! - Adverte-lhes. – Ou param ou terão que se ver comigo. Suas palavras colocam o medo no meu corpo, mas eu duvido que tenha o menor efeito sobre aqueles dois. Para minha surpresa, eles relaxam e desviam seus olhares mortais. Então eu me lembro de William que me disse uma vez uma piada: "Ninguém nunca me fez cagar em minhas calças, Olivia, exceto sua avó". — Assim está melhor. Os solta lentamente, certificando-se de que não vão sair do lugar. Faz uma careta e uma cara de nojo. Olha de um para o outro com a cara irritada. — Que eu não tenha que voltar a separá-los, vocês ouviram? Fico espantada quando Miller acena com a cabeça enquanto Gregory grunhi e limpa o sangue de seu nariz. — Bom! – diz vovó, apontando para a porta da frente. – Entrem em casa antes que os vizinhos comecem a falar. Eu permaneço em silêncio, encantada, vendo minha avó tomar as rédeas desta terrível situação e assumir o controle. Quando nenhum dos dois se movem rápido o suficiente para o seu gosto, sem a menor cerimônia os empurra. Miller tem sua cabeça baixa e eu sei que é porque está morrendo de vergonha. Minha avó, uma mulher que ele respeita, viu a sua agressão. Agradeço porque vovó não saiu alguns minutos mais cedo. Então sim, teria pego Miller em todo o seu esplendor psicótico. Gregory passa primeiro. Em seguida, a avó e depois Miller. Eu não posso nem mover-me. Lentamente, seus olhos preocupados encontram os meus traumatizados, e para. Está todo desarrumado, com o terno enrolado, a camisa pra fora e a manga torta. Seu cabelo está emaranhado e enrolado. — Peço desculpas - ele diz baixinho. Dá meia volta e em quatro passos, está entrando em seu carro. — Miller! - Eu grito. E corro atrás dele desesperada. Minhas pernas trêmulas não são muito úteis, e os pneus guincham no asfalto antes que eu consiga chegar ao final da trilha. Eu coloco minha mão em meu peito como se a pressão pudesse acalmar as batidas selvagens do meu coração. Não, e não sei a solução. — Livy? - A voz profunda de George me faz desviar o olhar da Mercedes de


Miller, que desaparece a distância. Ele parece confuso e entra na casa. -O que aconteceu, querida? Volto e me deixo levar pelas emoções, e desabo. Me abraça apertado. — Aconteceu algo terrível. – Eu choro em sua camisa. Seu corpo fofo abraça meu corpo pequeno.

Capítulo Dezesseis Os milhares de espelhos brilhantes que revestem no hall de entrada do prédio de Miller tem meu reflexo projetado em todos os lugares; a minha imagem, chorosa e sem esperança, é impossível de evitar. O porteiro toca educadamente seu chapéu e me obrigada a forçar um sorriso. Eu escolho ir pelo elevador de Miller em vez de subir as centenas de degraus que quase não me impressionam. Eu olho para frente quando a porta se fecha e eu acho mais espelhos. Tento evitar o reflexo direto da pequena mulher feia, só pele e osso, que eu tenho a minha frente. Pego o elevador que me parece uma eternidade quando as portas se abrem e eu forço minhas pernas para me levar para a porta preta brilhante. Eu preciso criar coragem mentalmente para bater. Gostaria de saber se ele está em casa... se não fosse o pesado ar que me rodeia eu poderia cortar com uma faca. A raiva de Miller ainda está lá, me envolvendo, sufocando. Eu posso sentir se espalhando pela minha pele e fixando no fundo. Eu pulo quando a porta se abre amplamente e Miller aparece. Não parece melhor do que quando correu da minha casa cerca de uma hora atrás. Não ouve nenhuma tentativa para se recuperar. O cabelo está enrolado, a camisa e colete ainda estão bagunçados e os olhos ainda furiosos. Mantém um copo de uísque na mão e os dedos estão cobertos de sangue de Gregory. As pontas dos dedos brancas indicam a força que mantém no copo, quando o leva a boca e bebe o seu conteúdo sem tirar os olhos dela. Estou nervosa, eu não sei para onde olhar, mas olho para baixo quando noto um movimento quase indetectável em seus sapatos. Ele tropeçou. Ele está bêbado e quando eu olho bem nos olhos que sempre pegam o meu olhar, eu vejo algo mais, algo que não é familiar e aumenta minha preocupação, além de tudo que eu vivi na presença de Miller. Sinto-me desesperada, vulnerável e impotente. Eu nunca


estive com o medo que estou agora, nem mesmo durante os momentos de sua loucura psicótica. Esse é um medo diferente. Serpenteia até minha coluna e envolve meu pescoço, enrolando-se. Sendo impossível falar e difícil respirar. É o meu pesadelo. É onde ele me deixa. — Vá para casa, Livy. –A língua dele é pesada em sua boca de fazendo com que suas palavras saiam devagar, mas não é a sua forma habitual de falar. A porta fecha em minha cara. Ressoa o eco ao redor. Eu dei um pulo para trás, assustada com sua maldade. Eu volto a bater com meus punhos antes que eu possa decidir se é a maneira mais sensata. Eu sou superada pelo medo. — Abra a porta, Miller! – Eu grito enquanto bato, não cedendo a porta preta reluzente, sem ignorar a dormência se estendendo em minhas mãos. — Abre! Pam, pam, pam! Eu não vou a lugar nenhum. Eu pretendo passar a noite batendo na porta, se necessário. Não vai me deixar fora de seu apartamento ou de sua vida para sempre. Pam, pam, pam! — Miller! De repente, eu estou socando o ar, e eu perco o equilíbrio e dou alguns passos desorientados para frente. Eu fico vacilante em estabilizar meu corpo, um pouco antes de colidir com Miller. —Eu lhe disse para ir para casa. Ele se serviu outra bebida. Está transbordante. —Não. - Ergo o queixo num desafio corajoso. —Eu não quero que você me veja assim. Ele passa para frente cheio de hostilidade tentando me colocar para fora, iniciando a retirada, mas eu fico firme e não estou disposta a ser intimidada por ele. Estamos chegando mais perto, pela minha tenacidade, quase peito a peito, e seu hálito cheirando a álcool, flutua sobre minhas bochechas coradas. —Eu não vou te pedir duas vezes. Eu interiormente murcho no local, mas a minha determinação não vai permitir que ele veja. —Não!- Eu respondo. Ele está tentando me repelir. — Por que você está fazendo isso? Trazendo a incerteza, o conteúdo escuro do copo o está embriagando. Ele faz uma careta e sua boca escapa o cheiro do álcool. Torço o nariz em desgosto, tanto com a visão de Miller quanto com o cheiro do álcool. — Eu não vou perguntar outra vez. - Eu empurro as palavras através da minha mandíbula apertada. Estou jogando seu próprio jogo. Ele me olha de cima a baixo, pensativo, murmurando palavras inaudíveis. Em seguida, seus lentos olhos azuis sobem através do meu corpo. Aparentemente em sua forma habitual, mas desta vez é lento porque está bêbado, não do modo sensual de Miller. Ele começa a balançar. —Eu estou mal.


—Eu sei. – Eu concordo. Ele está dizendo uma verdade dura e fria. —Eu sou perigoso. —Eu sei. —Mas não para você. Meu coração volta à vida. Eu sabia. No fundo, eu sabia. —Eu sei. Sua cabeça faz algo entre um aceno e um movimento incontrolavelmente sobre os ombros largos. —Bom. Em seguida, ele se vira e começa a cair ao redor do apartamento. Minha vez de fechar a porta e segui-lo. Eu sei onde ele está indo, antes dele momentaneamente parar e mudar o curso. Ele vai para o bar. Já está muito bêbado, pelo menos para mim. No entanto Miller tem outras ideias. Inclina a garrafa e derrama mais uísque no balcão do que no copo. —Merda! – mal diz deixando a garrafa vazia sobre uma montanha de garrafas e tinindo ameaçador. —Que desastre! Suspiro exasperada. Eu estou atrás dele, ordenando as garrafas e limpando o que está sujo na esperança de restaurar um pouco do seu mundo perfeito oferecendo-lhe alguma paz. —Obrigado. - murmura tão baixo que quase não ouço. —De nada. Seus olhos queimam meu rosto enquanto eu pego as garrafas. Eu levo o meu tempo... eu espero pacientemente. Pam! Eu voo rapidamente em direção ao som. Miller vai um pouco mais lento. Pam, pam, pam! As batidas de meu coração começam a diminuir, e revolucionar. Novamente eu olho para Miller, que também olha para a porta. No entanto, ele não parece com pressa de ir ver o que está acontecendo, então eu vou. Passo ao longo da mesa circular e outro golpe trovejam no apartamento. — Espera – Miller salta. Ele agarra meu braço e me detém.–Fique aqui. Continua andando. Ele se esforça por passos elegantes por causa do álcool. Eu permaneço onde estou. Ele não confere no olho mágico. Eu posso ver praticamente seu cabelo na parte de trás da cabeça que fica em minha frente, e dou um passo a frente, com cautela, mas incapaz de conter a minha curiosidade. Abre a porta um centímetro e olha para o corredor, mas seu plano para me esconder do nosso visitante falha miseravelmente quando ele empurrar a porta e entra no apartamento sem resistência, sem dúvida graças a instabilidade mental de Miller. Para a minha também. Eu me irrito, o cabelo na nuca arrepia e cerro os dentes quando William aparece; sua autoridade escorrendo pelo corpo. Estuda


cuidadosamente por um momento antes de um par de olhos cinzentos olha para o triste quadro de Miller. Isso não é o certo. Miller está irreconhecível, e William quer saber por que. —O que você fez? –William pergunta, calmo e composto, como se não tivesse surpreso, como se ele já soubesse. —Não é problema seu. - Miller responde, falando lentamente, batendo a porta. – Você não é bem vindo aqui. Eu sinto a necessidade de apoiar Miller, mas a minha curiosidade aumenta, como minha cautela. Eu não digo nada, assimilo a animosidade flutuando entre os dois homens. —E você não é bem-vindo na vida de Olivia, - ele diz para Miller virando para mim. Ele precisa ver a descrença na minha cara, mas nem imutável. –Você vem comigo. Eu engasgo um protesto. Noto Miller atrás de William tremer ligeiramente, mas não o suficiente para que ele esteja certo de que vai intervir. Por favor, não me diga que ele irá apoiar William! —Não! Não vou. - Eu respondo. Espanta-me que Miller não diga nada, especialmente após a reação que teve ante a intrusão de Gregory a menos de uma hora. —Olivia! – William suspira. -Você está realmente testando minha paciência. Preparei-me para outro comentário sobre minha mãe e preocupada com a raiva fervendo dentro de mim, só com o pensamento de William falar sobre ela. Se ele abrir a boca e disser o que está pensando, Miller pode exceder o que se refere a loucura. —E você está testando a minha! William esconde sua surpresa muito bem e eu sei que é porque ele não quer mostrar um pingo de compaixão na frente de Miller. Não, agora ele tem que manter a sua reputação forte ... o que significa que as coisas podem ficar feias muito rápido. —Eu lhe disse que o seu lugar não é aqui com ele. Eu engasgo um momento, lembrei-me de William me dizendo essas mesmas palavras quando eu tinha dezessete anos. Eu estava em seu escritório, bêbada. Eu não pertenço a William. Eu não pertenço a Miller. —Onde é o meu lugar? - Eu pergunto, e William me dá um olhar de advertência. Então, eu olho – Em sua opinião, eu não me encaixo em lugar nenhum. —Então, me diga onde diabos é o meu lugar? —Oliv ... -Miller intervém, um passo em frente, mas curto. Eu não gosto da possibilidade de concordar com William. —Não! –Eu grito. –Todo mundo pensa que sabe o que é melhor para mim. E quanto a mim? E sobre o que eu sei?


—Acalme-se. - Miller está a meu lado, cambaleando. Ele me pega pelo pescoço para tentar me acalmar e gentilmente me massageia. Não vai funcionar. Agora, não. —Que eu saiba que esse é o lugar onde eu deveria estar! - Eu grito e tremo mais e mais enquanto eu vou acumulando frustrações. – Eu fiquei como um sonâmbulo desde que você me mandou embora! Lanço um dedo acusador para William, recuando um pouco. —Agora eu o tenho. - Eu passo os braços em torno da cintura de Miller e fico ao lado dele. – A única maneira de você me parar de estar com ele é me matando! William fica sem palavras. Miller está petrificado ao meu lado e eu convulsiono a raiva, olhando para dentro de mim, me concentrando. Eu preciso respirar fundo e me acalmar. Eu respiro com dificuldade. Eu acho que estou tendo um ataque de pânico. —Shhh! - Miller me puxa para perto dele contra seu peito e me dá um beijo na cabeça. Não é como “o que eu mais de fazer", mas funciona em certa medida. Volto-me para ele e me escondo. Seus lábios descem para minha cabeça e ele a beija e cantarola e eu fecho meus olhos apertados. Passa-se muito tempo sem ninguém dizer nada. —O que você sente por ela? - William pergunta com um tom carregado de suspeitas e reticências. Eu fico onde estou, temendo o que Miller vai dizer. Fascinação não será suficiente. Eu sinto as batidas do seu coração. Eu quase posso ouvilas. —Ela é o sangue que corre em minhas veias.- Ele fala claro e suave. – É o ar que enche os meus pulmões. Ele faz uma breve pausa e eu tenho certeza que eu ouvi William asfixiar, atordoado. —É o brilho de esperança na minha escuridão atormentada. Eu estou te avisando, Anderson: não tente levá-la para longe de mim. Piscando para conter as lágrimas, eu me aconchego em seu peito, agradecendo por me apoiar. O silencio cai novamente. É assustador. Afinal de contas, eu ouço alguém tomar um fôlego e eu sei quem. — Eu não dou a mínima para o que possa acontecer com você-, diz William. – Mas a partir do momento em que eu sentir que Olivia está em perigo, vou vir atrás de você, Hart. E, com isso, a porta se fecha com um estrondo e nós estamos sozinhos novamente. O abraço de Miller suaviza e as vibrações de seu corpo diminui, ele me solta quando o que eu realmente quero é me segurar mais apertado. Caminha em suas pernas bambas ao armário de bebidas e, desajeitadamente enche o copo de uísque novamente, ele joga a garganta para baixo e saliva. Eu permaneço em silêncio, imóvel e decorrido ao que me parece uma eternidade, ele suspira. —Por que você ainda está na minha vida, minha doce menina?


—Porque você têm lutado para me manter nela. - Eu digo sem hesitação, forçando-me falar com confiança. – Você ameaçou arrancar a pele de qualquer um que tentasse me levar pra longe de você. Você se arrepende de ter dito? Preparo-me para o que eu não quero ouvir quando eu o olho, mais ele está olhando para baixo. —Lamento muito que eu tenha arrastado você para meu mundo. —Não faça isso. - Eu respondo. Eu não gosto de vê-lo perder sua força, agora que William se foi. – Eu vim por vontade própria e eu quero ficar. Decido ignorar a referência a "meu mundo". Estou ficando cansada de ouvir as palavras "meu mundo", sem nunca ouvir mais nada sobre isso. Mais uísque é derramado no copo. — Eu quis dizer isso. Tento me concentrar, mas desisto. Ele se vira e atravessa a sala. – O que significa isso? – Uma ameaça. Senta-se à mesa de café e coloca o copo precisamente ao seu lado, apesar da embriaguez. Ele o vira antes de liberá-lo, e satisfeito com a sua localização. O bloqueio indisciplinado está presente e ele esfrega a testa porque que o distingue. Em seguida, baixa a cabeça e cobre o rosto com as mãos, os cotovelos sobre seus joelhos. — Meu temperamento sempre foi um fardo, Olivia, mas eu tenho medo da minha tendência quanto a proteger você. —Sua tendência a ser possessivo, você quer dizer. Levanta a cabeça e sua testa está enrugada em uma carranca. —Desculpe-me? Um pequeno sorriso puxa os cantos de minha boca. Mesmo bêbado faz algumas raposas manterem as suas boas maneiras. Eu me aproximo dele e me ajoelho aos seus pés. Ele olha para mim e deixa que eu remova os cotovelos de seus joelhos e pegue suas mãos nas minhas. —Você tem tendência a ser possessivo. —Eu quero protegê-la. —De que? —De pessoas intrusivas. Ele afunda em seus pensamentos, seus olhos não me olham por um momento. Então, novamente olha pra mim. —Eu vou acabar matando alguém. Estou surpresa com sua confissão. No entanto, admito que tenho um padrão irracional de tranquilidade. Eu estou a ponto de sugerir que ele vá para a terapia para aprender a controlar seu comportamento agressivo, seja qual for o tempo que ele fique dominado, mas algo me impede. —William está se intrometendo. - gaguejo. —William e eu temos um acordo. - Miller arrasta as palavras. –Embora você nunca estivesse na equação antes.


Caminhando em uma fronteira tênue. A animosidade é quase palpável em sua voz embriagada. —Que acordo? – Eu pergunto. Eu não gosto do tom disso. Ambos têm um temperamento terrível. Eu acho que ambos estão conscientes do dano que podem causar um ao outro. Ele balança a cabeça e xinga em frustração. —Ele quer te proteger, assim como eu. É provável que você seja a mulher mais protegida de Londres. Arregalo os olhos para a declaração e deixo cair as mãos. Eu discordo. Eu me sinto a mulher mais vulnerável de Londres. Mas eu não digo. Eu resisto a continuar o debate William/ Miller. Eles se odeiam, e eu sei qual a razão, então eu deveria me acostumar com isso. —Você quer uma boa noticia ou a má noticia? – Pergunto-lhe oferecendo minhas mãos. Eu me sinto um pouco melhor quando vislumbro uma faísca em seus olhos. Um olhar familiar e necessário. —A má. Deixo sua mão na minha e estudo o nosso aderir como garantia e pego a sua e aperto, encorajando–o a ficar. O que ele faz com muito custo. —A má notícia é que você vai ter um inferno de uma ressaca. -Eu sorrio de volta e o levo para o quarto. —A boa notícia é que eu estarei aqui para cuidar, quando você sentir pena de si mesmo e quiser morrer. —Você vai me deixar te adorar. Isso vai me fazer sentir melhor. Eu levanto as sobrancelhas olho sobre meu ombro quando entramos em seu quarto. —Você vai estar em qualquer encaixe nesse estado?Eu dou-lhe um empurrão no ombro e ele cai sentado na cama. —Não, não duvide da minha capacidade de satisfazer minha doce menina. – Desliza as palmas das mãos nas minhas costas, apertando, me puxa e me coloca entre suas pernas. Eu balanço minha cabeça. – Eu não vou dormir com você enquanto estiver bêbado. — Discordo! - Ele responde. Suas mãos voam ao redor da minha cintura e se coloca na minha camisa. Seus olhos estão me desafiando a detê-lo, mas apesar do meu desejo se elevar, eu não vou ceder. Tenho que usar toda a minha força, mas localizo rapidamente, antes que eu me renda. Não quero um Miller bêbado me adorando. Eu tiro suas mãos de minha cabeça. —Não me rejeite! - Ele suspira sentando-me em seu colo e me estabelecendo em suas pernas. Eu não tenho escolha, a não ser passar um braço em volta de seus ombros, o que me traz ainda mais para seu rosto. Os vapores de álcool aumentam minha força de vontade.


—Pare! - Eu aviso. Não disposta a cair de vítima em suas táticas. – Você não está em condições de me beijar, e é provável que acabe tão bêbada quanto você. —Eu estou bem e eu sou perfeitamente capaz. – Seus quadris empurra em meu traseiro. – E eu preciso desestressar. Eu sou a única que precisa desestressar, mas, para ser honesta, eu não gosto da ideia de que eu endosso Miller sob a influência de álcool. Eu estou lutando para me controlar durante nossos encontros, e ter uma barriga cheia de uísque não será de muita ajuda. —O quê foi? - indaga, sobre mim com desconfiança, obviamente percebendo meus vagos pensamentos. —Diga-me. —Não é nada. Estou tentando fugir de seu colo. Eu não posso. —Olivia? —Deixe-me dar-lhe "o que você mais gosta". —Não, me diga o que está preocupando a sua linda cabecinha. - Insiste me segurando com mais força. —Eu não vou pedir duas vezes. —Você está bêbado-, retruco baixinho. - Duvido que você cuide de mim. - O álcool faz as pessoas perderem seu julgamento e controle. Eu penduro minha cabeça. Miller não precisa de uísque para perder o controle, e ambas as marcas no rosto de Gregory são prova disso. E o encontro no hotel... Permaneço em seu colo e deixo minhas preocupações pesar, enquanto lido com o torcer nervoso de meu anel, desejando que pudesse retirar as minhas palavras. Ele endurece debaixo de mim. A superfície dura de seu corpo machuca minha pele. Então ele segura meu rosto, me beliscando as bochechas com amor e trás para perto. Parece arrependido e que o faz sentir mais culpado e envergonhado. — O ódio que sinto por mim mesmo, as garras em minha alma sombria afundam a cada dia - Ele declara. De repente, parece que está quase sóbrio, talvez minha omissão o alimente. Seu olhos azuis parecem mais fortes, e sua boca pronuncia as palavras exatas claramente. — Não tenha medo de mim, eu imploro. Eu nunca iria machucá-la Olivia. Sua afirmação profunda e séria alivia um pouco relutante, mas só um pouco. Miller não pode compreender a destruição que pode me causar por me magoar emocionalmente. Esse é o meu maior medo. Perdê-lo. Com o tempo, eu posso me recuperar das lesões físicas, no caso, inadvertidamente, sendo apanhada em um de seus acessos psicóticos. Mas nunca o tempo irá corrigir as lesões mentais que ele pode infligir em mim. Isso me assusta. — É como se sua mente estivesse longe. - Começo a dizer com cautela, eu estou escolhendo minhas palavras muito bem. —E está. - Então ele murmura, e acena-me para continuar. —Eu tenho medo por mim. Temo por você e a sua vítima. —Minha vítima? – Ele quase engasga. Ele não gosta da minha escolha de


palavras. – Livy, não prejudico as pessoas inocentes e, por favor, não se preocupe comigo. —É claro que eu me preocupo com você, Miller. Você vai acabar na prisão se alguém pressionar, e eu não quero que eles te machuquem. - Ele passa o dedo sobre uma ligeira contusão em sua bochecha. —Isso não vai acontecer. - suspira, e eu chego mais perto de seu peito para o conforto. Estranhamente funciona, por incrível que pareça. Eu me derreto com seu corpo relaxado e eu também suspiro exausta. Parece confortante, muito confortante. —Minha linda menina, como eu lhe disse, e dessa vez eu não me importo de repetir. - Ele cai de costa sobre a cama e me leva com ele. Ele brinca comigo até que eu estou deitada ao lado dele e ele pode ver o meu rosto. Eu planto um rastro de beijos de um lado para o outro em seu rosto e vice-versa — A única nesse mundo que pode me causar dor, está em meus braços. Ele levanta meu queixo para que os nossos lábios estejam nivelados e o cheiro de uísque enche meu nariz. Acho que é fácil desconsiderar. Ele está olhando como se não houvesse nada mais do que eu em seu mundo. Aqueles olhos aliviam minha ansiedade nesse resto de dia. Seus lábios avançam e se preparam. Eu acaricio seu peito, preciso sentir isso. —Posso? – Ele sussurra parando a poucos milímetros da minha boca. —Você está pedindo permissão? —Eu estou ciente de que meu cheiro é uma destilaria. – Ele me faz sorrir. – E eu tenho certeza que o sabor é ainda pior. —Discordo. Toda a minha relutância, em deixá-lo me ter nessas circunstâncias, diminui com sua ternura. Eu ponho fim à distância que nos separa. Nossas bocas estão mais dinâmicas do que o esperado. Não me importo. O apetite foi substituído pelo imperativo de acalmar e recuperar Miller. Tem gosto de uísque, mais a essência de Miller domina o álcool. Afogando meus sentimentos com puro desejo, fazem minha mente nublar. As únicas instruções que eu posso encontrar no meu cérebro dominado pela luxúria, são aquelas que digo para ele me adorar. Isso vai acabar com as minhas aflições. Isso fará com que tudo fique bem novamente. Isso será calmante. Nossa paixão se colide com todo o resto que não importa. Nesse momento é perfeito, mas é difícil quando me viro e enfrento uma resistência infinita. Miller deita de costas sem separar nossas bocas, me agarra pelo pescoço com uma mão e a bunda com a outra para se certificar de que está me segurando. — Saboreie-me. - pede contra meus lábios. A palavra familiar, faz-me ver além do meu desespero para tê-lo em mim, vou desacelerar. Meu medo é infundado. É Miller quem deve me dizer para ter controle; ele parece ter um domínio perfeito de si mesmo. Está lúcido apesar da enorme quantidade de uísque que passou entre os lábios.


— Melhor. – elogia massageando meu pescoço. –Muito melhor. — Hummm.- eu não estou pronta para liberar sua boca e dizer que concordo. Portanto eu gemo. Noto seus lábios desenhar um sorriso através do nosso beijo e então isso me faz afastar-me rapidamente. Pego um vislumbre de um dos raros sorrisos de Miller que me faz delirar de felicidade. Eu sinto o giro rápido e afasta meus cabelos de meu rosto, em seguida, eu vejo isso. É a última gota, um arrebatador sorriso de um milhão de megawatts que me deixa tonta. Sempre devastador, mesmo quando ele parece infeliz, mas agora vai além da perfeição. Está todo amassado, desarrumado e empoeirado, mas descontroladamente bonito e quando é a minha vez de sorrir de volta, apenas relaxo, e quando volta a sorrir morro de vontade de desfrutar de sua rara aparição, e eu começo a chorar. Toda a merda com a qual eu tive que lidar hoje é uma enorme bola e meus olhos choram em silêncio, entre incontroláveis soluços. Eu me sinto tonta, fraca e estressada e tento me esconder, enterro meu rosto em minhas mãos e separo meu corpo do dele. A única coisa que eu ouço, na tranquilidade em torno de nós, são os meus soluços abafados. Miller se desloca silenciosamente de posição e dá-me a impressão de que leva uma eternidade para encontrar o meu corpo tremendo, provavelmente porque os movimentos foram bloqueados pelo excesso de álcool. Mas ele vem para mim e me abraça. Suspira pesadamente no meu pescoço e massageia a parte de trás com grandes movimentos da mão circulares. —Não chore. - sussurra com uma voz áspera, rouca. — Nós sobreviveremos. Não chore, por favor. Sua ternura e compreensão que flui de suas poucas palavras só servem para exacerbar minhas emoções. Meu único propósito na vida é agarrá-lo com tudo o que tenho. — Porque eles não podem nos deixar em paz? - pergunto em uma frase sussurrada. —Eu não sei. - admite. – Vem aqui. Ele tira as mãos da parte detrás do meu pescoço, coloca entre nós. Fica mexendo com meu anel, rodando inadvertidamente enquanto me assiste conter as lágrimas. — Eu queria ser perfeito pra você. Sua confissão faz-me quebrar. — Você é perfeito. - Eu argumento, mesmo que no fundo eu esteja errada. Não há nada perfeito em Miller Hart, exceto sua obsessão física e implacável, tudo em torno dele é perfeitamente disposto. – É perfeito para mim. — Eu aprecio sua fé implacável, especialmente porque eu estou bêbado e porque me humilhei na frente de sua avó. Ele balança a cabeça com uma exalação frustrada. Ele coloca a mão na testa, como se tivesse acabado de compreender as consequências de suas ações. Ou talvez a ressaca tenha começado. — Ela estava com raiva.- digo. Eu não vejo nenhuma razão para tentar fazer ele se sentir melhor. Ele vai precisar saber para enfrentar sua ira em um momento ou outro.


—Eu notei quando nós caminhávamos pelo jardim. —Você mereceu. —Estou de acordo – Ele aceita de bom grado. – Vou ligar para ela. Não, é melhor eu fazer uma visita. Ele franze os lábios e parece que está pensando em mais alguma coisa. — Você acha que posso conquistá-la se eu deixa-la dar uma mordida em minha bunda? Eu fico realmente séria, ele levanta uma sobrancelha. Ele quer uma resposta honesta. Em seguida, perde a batalha para manter o rosto sério e no canto de sua boca ameaça com um sorriso. — Ha, ha! Eu rio. Sua piada me pegou de surpresa, eu sorrio, e toda a tristeza é levada pelo humor. Perco o controle. Jogo a cabeça para trás e desmorono, ombros pulando, dor de estômago e lágrimas agora brotando da diversão, que é muito mais atraente do que o desespero de uma alguns momentos atrás. —Muito melhor. - conclui Miller. Ele me pega em seus braços e me carrega por todo o quarto até o banheiro. Eu não sei se Miller cambaleia porque ele esta bêbado ou porque estou em seus braços. Deixa-me em frente a pia e desabotoa seu colete, tentando controlar seu riso. Ele olha para mim com seu rosto removendo o sentido; parece divertido. — Desculpe-me! -eu digo, rindo. Eu me concentro em respirar profundamente, para ver se consigo me acalmar. — Não se desculpe. Nada me dá mais prazer do que vê-la tão feliz. - Ele tira o colete e sinto uma grande satisfação quando vejo dobrar e depositar com cuidado na cesta de roupa suja.– Bem, isso não é inteiramente verdade, mas sua felicidade vem em segundo lugar. Começa a desabotoar a camisa. No primeiro botão desabotoado, sua pele parece suave e convidativa. Eu paro de rir instantaneamente. —Você deve rir mais. Você... —Eu pareço menos intimidante. – Ele termina acabando a sentença para mim.– Sim, você já me disse. Mas eu acho que... — Quero expressar com perfeição. –Chego mais para frente e ajudo com dedos desajeitados a abrir os botões. Então eu o ajudo a tirar camisa dos ombros. – Perfeito. – suspiro. Eu sento no vaso sanitário para admirar a vista com olhos ávidos. Cada músculo em seu torso magnífico se move enquanto dobra a camisa. Deixandoa, com mãos experientes, na cesta de roupa para lavar e volta para mim com os braços cruzados, queixo dobrado no peito e olhar ausente. Ele está altamente concentrado. Eu acaricio sua sombra de barba que escurece seu rosto arranhado. Eu posso tomar meu tempo sentindo meus dedos acariciar sua mandíbula. Ele esfrega as têmporas e suas pálpebras quando fecham em mim. Eu o como com os olhos e acaricio até as pontas dos meus dedos deslizarem para baixo nos seus braços e suas mãos.


— Deixe-me consertar isso. - eu digo virando a mão. As juntas estão vermelha, coberta de sangue e um pouco machucada. Ele olha para os meus dedos entrelaçados com os dele, estica e dobra a mão, mas não recua nem protesta. — No chuveiro. - ele pega e sob minha camisa. Eu tenho que levantar os braços para que possa me livrar dela. Então eu lentamente removo o sutiã, expondo meus modestos peitos, inchados e pesados, sob seu olhar de aprovação um pouco bêbado. Os meus mamilos ficam duros como rochas e queimam quando o polegar desenha círculos ao redor. —Perfeitos! – diz me dando um beijo nos lábios. –Suba. Eu obedeço ao seu pedido, e subo na pia. Tira meu Converse e, eu abro as calças enquanto ele tira os sapatos. Sem pressa, estamos felizes em tomar nosso tempo a nos despir, até que estejamos ambos nus. Pega um invólucro no armário, rasgando com dedos desajeitados e puxa um preservativo. Ele desliza a camisinha. Eu me sinto confortável, seus olhos azuis queimando meu rosto e quando eu termino, ele rapidamente me levanta. A resposta instintiva é enrolar minhas pernas em volta de sua cintura. Estamos pele a pele, coração a coração, o desejo com desejo. Ele nos mantém longe do jato de água do chuveiro enquanto aquece e quando a temperatura está ao seu gosto, ele leva-me em seus braços. A água cai sobre nós e leva a sujeira, stress, e certamente a dor. — Você está confortável? — Perfeito. É a única palavra que posso pensar. Eu sorrio escondido em seu ombro, chego para trás para admirar o seu perfeito rosto molhado deslumbrante. – Posso passar a noite com você? —Claro. —Obrigada. – Eu mosto meu apreço e mordo seu queixo áspero. — Não é realmente uma discussão. Ele me informa e me aproxima da parede dizendo para me apoiar nela. – É muito frio? Os azulejos frios nas minhas costas me pegam de surpresa. — Um pouco. Ele tenta nos separar, mas eu endureço para pará-lo. – Não, eu estou me acostumando agora. Ele olha para mim, incrédulo, mas não questiona a minha mentira piedosa. — Você está molhada e escorregadia. - separando as pernas e segurando minhas nádegas. Suas intenções são claras e é apenas o que eu preciso. Minha respiração está trabalhando com a confirmação. – Eu quero escorregar dentro de você e enchê-la com felicidade.- Respirando mais rápido. — Cumprimento pela adoração. —Por aceitação.- Ele me corrige, puxando os quadris e puxando sua ereção com a mão. –Você me dá o maior prazer quando você me aceita no meu todo, e não apenas por me aceitar nesse belo corpo.


Estou prestes a começar a chorar novamente. Suas palavras reverentes me deixam pasma. —Para mim não há nada mais natural. —Minha menina doce e bela. – Ele pega meus lábios enquanto desliza entre as minhas pregas inchadas. Em seguida, empurra dentro e para cima com um gemido abafado. Arqueio as costas quando eu sinto todo o seu grande comprimento me completando. Tento manter o ritmo acalmando sua língua, ele seduz minha boca enquanto ele continua em mim ainda, latejante e gemendo. —Estou machucando você? —Não. -eu insisto, mesmo que doa um pouco. —Em primeiro lugar, vou te penetrar bem divagar? Está decidindo se vai me foder como um louco ou devagar. —Sempre. - Eu sorrio, e me afasto, eu apoio a cabeça na parede para me perder em Miller, em seus maravilhosos olhos, em vez de saborear as atenções de sua boca viciante. Em um gesto sutil ele retira lentamente. Eu fecho meus olhos e sinto borboletas no estômago. Muitas sensações prazerosas me atacam de uma só vez. A sensação dele, sua adoração, sua beleza, sua fragrância, sua atenção, seu cheiro, e minha onda rebelde favorita. Todos me dando um prazer glorioso e inexorável. Eu me preparo para o seu avanço e quando isso acontece, exato e habilmente, um grito escapa por entre meus lábios. Ofegante, eu me recuso a fechar os olhos e perder um único segundo de seu rosto se contorcendo com desejo inebriante. Eu poderia desmaiar, só de olhar. —Como se sente? - Ele engasga as palavras e retira novamente, quase a escorregando para fora todo o caminho antes de inclinar seus quadris acima, ele mergulha em uma instável exalação de respiração. —Bem! - Eu agarro seus ombros e aperto meus dentes, absorvendo cada unidade deliciosa. Ele está em seu ritmo agora, bombeando seu quadris continuamente, cada impulso controlado e medido como o último. —Bom? —Maravilhoso! - Eu choro quando ele toca o meu clitóris, envia-me selvagem. – Merda! —Isso é melhor, - ele diz para si mesmo, repetindo o movimento que me fez xingar. —Ai Deus! Porra! Miller! — Outra vez? – Ele não me provoca esperando pela minha resposta. Eu sei o que dizer, então eu instantaneamente satisfaço. Eu estou fora de mim. Seu ritmo punindo-me atordoando, mas ele domina melhor do que nunca, me vendo desmoronar em seus braços. — Eu preciso que você venha. - engasgo em desespero. Eu preciso liberar todo o estresse e trauma do dia com um gemido satisfeito, ou mesmo um grito, gemido para meu clímax.


Eu afundo em sua virilha quando seu ritmo continua lento e definitivo e mergulho as mãos enroladas em seu cabelo molhado. A avalanche de prazer é mais do que eu posso aguentar, o pau de Miller, latejante, expandindo e enterrando em minha profundidade, é um tremendo alívio. Ele também carece um pouco. — É muito bom, Olivia. Fecho os olhos com força e empurro o quadris para frente e venho um pouco mais. Estou à beira, metade do meu corpo estremece e a outra esperando para guardar-me e enviar-me para um abismo de uma explosão de estrelas. — Por Favor,- imploro, porque não tenho nada contra implorar nesses momentos. - Por favor, por favor, por favor! — Droga! -É o sinal de que ele está se rendendo, retira e torna a colocar mais fundo, com um olhar e cobre o rosto com uma mensagem: – Caramba, Olivia! Eu fecho meus olhos quando meu orgasmo se apodera de mim. Eu deixo cair a minha cabeça e meu corpo tenso tentando resistir às rajadas afiadas de pressão que assaltam meu sexo. Estou presa, os nossos corpos estão presos, vibrando, escorregadio, e minha respiração canta em minha mente confusa. Ele está roubando mordidas e me suga o pescoço enquanto os meus suspiros alcançam o teto. Meus braços se recusam a cooperar, e caiem mole para o lados, as palmas das mãos contra a parede. O meu único apoio é o corpo de Miller. Meu mundo voltou para o seu local normal e gira sobre o seu eixo. A mistura inebriante de suor, sexo e álcool, o que me lembra de que ele ainda está bêbado. — Você está bem?- Eu digo em voz baixa. Ergo a cabeça para frente para afundar o nariz em seu cabelo molhado. Eu não tenho nenhuma força para mais. Meus braços ainda estão inertes. Ele se endireita um pouco e move-se semiereto me acariciando dentro. É uma delícia. — Como eu não estaria? - Ele puxa a cabeça do meu pescoço, pega as minhas mãos e as leva aos lábios. Ele me beija e me mantém contra a parede com seu corpo. Quando ele me segura em seus braços tudo o que sinto é uma grande felicidade. Meu sorriso saciado de contentamento, não incentiva um de Miller. Ele também está satisfeito, mas eu preciso ouvi-lo. Poder vê-lo. — Eu amo seus ossos bêbados, Miller Hart. — Os meus ossos bêbados estão completamente fascinado por você, Olivia Taylor. – Ele se entrega em minha boca feliz por alguns momentos antes de sair da parede. – Não te machuquei, certo? Seu lindo rosto é gravado com preocupação genuína, enquanto seu olhar vacilante viaja sobre meu rosto molhado. Sua expressão adorável de verdadeira preocupação. Sou rápida para tranquilizá-lo: –Você foi um perfeito cavalheiro. Seu sorriso é imediato. —O quê foi? - eu pergunto.


— Eu estava pensando o quão bonita você fica no meu chuveiro. —Você acha que estou linda em todos os lugares. —Especialmente quando eu tenho você na minha cama. Você se aguenta? Eu aceno e deixo as minhas pernas deslizarem para baixo, mas a minha mente divaga em outra direção. Eu coloquei minhas mãos em seu peito e para baixo descendo em seu torso, fechando os olhos. Eu quero prová-lo, mas ele termina a minha tentativa. Ele toma meus braços e se lança sobre a minha boca. — Eu amo você, eu vou te saborear. -murmura suavemente dando-me os lábios. Minha mente dispersa por todo o chuveiro. Ele me empurra para frente despreocupado, agarra meu pescoço quando não há muro em nossos caminhos. Ele está me apoiando. Sai do banho e remove o preservativo. —Eu tenho que lavar meu cabelo-, eu digo. Continua caminhando independentemente da minha preocupação. —Vamos lavá-los amanhã. Mas começo a enfiar os dedos no cabelo embaraçado. Precisava de condicionador. O que me lembra... –Você também está com o cabelo rebelde. —Então, nós ficaremos rebeldes juntos. Lança o preservativo no lixo, pega uma toalha e vem para secar meu corpo. Em seguida, o seu. —Como está sua cabeça? -eu pergunto. Ele me empurra para o quarto. —Como uma rosa fresca. Eu rio e olha para mim com um olhar severo quando mais perto da cama. —Diga-me o que é tão engraçado. — Você! E quem mais. —Eu? —Sim–, digo. – Você dizendo que está bem quando não está. Dói a cabeça? —A principio sim. - Ele próprio admite, com um bufo. Ele libera o pescoço e coloca a mão na testa. Eu sorrio e estou prestes a remover todas as almofadas de cama luxuosas e organizá-las no compartimento onde ele guarda. Então eu removo os lençóis. —Salte! –Eu arrasto meu olhar guloso para seu corpo lindo. Mesmo os pés são perfeito. Eles começam a caminhar sobre o tapete para mim, então eu olho para cima até chegar a seus olhos azuis. – Por favor - sussurro. — Por favor, o quê? Eu esqueci o que eu ia dizer a ele para fazer. Vasculho minha cabeça debaixo de seus olhos travessos. Nada. – Eu não me lembro. – eu admito. Dentes brancos e brilhantes me ofuscam. — Acho que a minha doce menina ia me pedir para eu ir para cama. Eu franzo os lábios. —Eu não estava indo para pedir-lhe qualquer coisa. —Discordo. -ele começa a rir. – E eu gosto. Você primeiro.


Ele aponta para a cama com as duas mãos. Suas maneiras de cavalheiro estão de volta. — Eu tenho que avisar minha avó. - eu digo. Ele apaga o sorriso de seu rosto. Eu odeio tirar esse sorriso tão raro, em seguida fazê-lo desaparecer instantaneamente. É como se nunca tivesse feito uma presença, como se nunca fossem retornar. Ele é atencioso por um instante, lutando para manter os olhos em mim. Ele está com vergonha. —Você seria amável de perguntar se ela vai estar em casa amanhã de manhã? Eu aceno minha cabeça. — Deite-se. Vou estar de volta logo que a acalme. Ele fica embaixo das cobertas do seu lado, de costas para mim. Não deveria sentir compaixão, mas seu arrependimento é tão profundo que eu espero que minha avó aceite quando eu sei que é um sincero pedido de desculpas. Pego minha camisa, coloco, olho a bolsa, pego meu celular e vejo que ele já tem algumas chamadas não atendidas. Eu estou consumida pela culpa e não perco um segundo para retornar a chamada. —Olivia! Porra, garota! —Vovó! – Eu suspiro soltando minha bunda na cadeira. Eu fecho meus olhos me preparado para a raiva que eu sei que está vindo. —Você está bem?- pergunta docemente. Abro os olhos em estado de choque. — Sim. - Eu digo a palavra devagar, sem muita convicção. Deve haver mais que isso. — Miller está Ok? Essa pergunta me atordoa ainda mais. Minha bunda começa a descolar-se nervosamente na cadeira. —Ele está bem. —Fico feliz. —Eu também. - É tudo o que posso pensar para dizer. Não existe raiva? Não existem perguntas? Não está me obrigando a deixá-lo? Ouvindo-a respirar pesadamente do outro lado da linha, uma lacuna silenciosa de palavras não pronunciada se abre. —Olivia? —Sim? —Querida, sobre o que você disse a Gregory ... Engulo em seco. Eu estava quase convencida de que ela tinha ouvido, mas esperava que ela não tivesse. Minha avó, apesar da idade, tem um ouvido apurado. —Sim? - Sento-me e levo minha mão para a testa, pronto para aliviar a dor de cabeça iminente. Ela já começou, a têmpora lateja só de pensar em ter que explicar a minhas palavras. – O quê sobre isso? -Tem razão.


Eu empurro a minha mão e olho para o nada. A confusão substitui a dor iniciante em minha cabeça. —Tenho razão? —Sim, ela suspira. – Eu a avisei antes, nós não escolhemos quem nos apaixonamos. Apaixonar-se é especial. Segure-se a esse amor, apesar das circunstâncias que podem o destruir, o torna mais especial. Espero que Miller saiba como ele é sortudo por ter você, minha querida menina. Eu estou tremendo lábio inferior, e noto um caroço na minha garganta que não deixa as palavras saírem com o qual elas iriam responder. Os mais importantes são: — Obrigado. Obrigado pelo apoio, por apoiar quando parece que todos em Londres estão determinados a sabotar o nosso negócio. Obrigado por concordar com Miller. Obrigado pela sua compreensão sem saber toda a verdade. Gregory, ele sabe o que a verdade pode fazer com ela. — Eu te amo, vovó. - Eu engulo em seco. Meus olhos se enchem de lágrimas que logo rolam pelo meu rosto. — Eu também te amo, querida-, diz com voz clara e firme, embora superada com emoção. Você vai ficar com Miller hoje à noite? Eu aceno e fungo. –Sim. - respondo. — De acordo. Então, durma bem. Eu sorrio por entre as lágrimas e tiro força de seu tom de voz doce e suas palavras amorosas para coletar o que falar. – Sonhe com os anjos. Ela ri e me faz lembrar outras rimas de uma canção de ninar que minha avó cantava quando eu ia para a cama. — Vá até aquelas maçãs e peras. – Ela diz lembrando-me de outra. — Miller vive em um apartamento. Existem cem escadas até chegar aqui. —Oh, tudo bem. – Ela fica um momento em silêncio. –Você está cansada? — Esgotada - confirmo com uma risada. – Agora eu vou dormir. — Muito bem. Doces Sonhos. — -Boa noite, vovó. - Eu sorrio, e desligo. Imediatamente eu acho que eu deveria ligar novamente para perguntar como está Gregory, mas eu me contenho. A bola está em seu campo. Ele sabe qual o seu lado, ele sabe que eu não vou a lugar nenhum, e ele sabe que tudo o que disser pode mudar isso, especialmente agora. Não há nenhuma garantia de que ele vai ouvir. Mata-me, mas eu vou estar na linha de tiro novamente. Se ele quiser conversar, que me ligue. Satisfeita com a minha decisão, eu deixo a cozinha, mas paro na entrada. Minha mente vagueia por lugares bobos. Por exemplo, a gaveta onde Miller mantém a agenda. Eu tento ignorar o meu ataque de curiosidade, realmente, mas meus pés tem vida própria. De repente eu estou mexendo na gaveta antes que possa me convencer de que é muito feio bisbilhotar. Não que ele não confie em mim, eu confio nele com todo meu coração, mas eu


me sinto na escuridão, não saber nada, não aprender nada, e embora certamente isso seja bom, não posso ajudar. Sinto-me terrivelmente curiosa. É mais forte do que eu. “A curiosidade matou o gato. A curiosidade matou o gato. A curiosidade matou o maldito porra do gato...” Abro a gaveta e lá está ela, olhando para mim, pedindo-me... tentadora. Atraindo-me como um ímã. Chamando-me, e antes que eu tenha na minha mão o livro proibido, o livro das sombras está metido em minhas mãos . Agora eu só preciso abrir suas páginas para milagrosamente iniciar . Eu gasto um grande tempo olhando a agenda, mas ainda fechada. E é assim que deve permanecer, fechada para sempre, ninguém para ler suas páginas. Mais isso seria no mundo onde a curiosidade não existe. Viro-me e abro lentamente a capa, mas os meus olhos não vão para a primeira página, eles são dirigidos para o chão, seguindo o caminho de um pedaço de papel que tinha caído do interior no chão, aos meus pés descalços. Eu fecho o livro. Eu curvo-me para pegar o papel e imediatamente percebo que é papel grosso e brilhante. É uma foto. O calafrio percorre minha espinha me confundindo. Eu não posso ver a foto, ela está de cabeça para baixo, mas sua presença me perturba. Eu olho para a porta tentando pensar, então ergo os olhos novamente para fotografia misteriosa. Ele disse que não tinha ninguém. Ninguém, mas não importa de quantas maneiras eu perguntei. Miller apenas, sem família ou qualquer coisa, e embora eu estivesse morrendo de curiosidade, eu não insisti para me dizer mais nada. Eu tinha o suficiente. Haviam muitas outras revelações de Miller que deveriam ser tratadas. Eu respiro fundo e viro a foto muito lentamente. Eu sei que estou prestes a revelar uma outra parte da história de Miller. Eu mordo meu lábio nervosamente. Meus olhos se fecham, preparando para o que eu posso encontrar, e quando finalmente vejo a foto ... eu relaxo. Inclino a cabeça e balanço a tensão do pescoço. Enquanto estudo a foto, eu mantenho a agenda de Miller na gaveta sem olhar. Crianças. Um monte de crianças rindo, alguns com chapéu de cowboy, e outros com penas como os índios em suas cabeças felizes. São quatorze no total, idade entre cinco e quinze anos. Eles estão um pouco negligenciados no jardim de uma casa velha Vitoriana. As cortinas parecem trapos pendurados. As roupas das crianças me dizem que a foto é do final dos anos oitenta, início dos anos noventa, e sorrio com ternura enquanto meus olhos digitalizam a fotografia e compartilha a alegria das crianças. Eu posso ouvi-los gritando e rindo enquanto perseguem com arcos, flechas e armas de brinquedo. Mas mordo um sorriso duro, ele desaparece quando eu vejo uma criança solitária que está de pé as margens, assistindo as travessuras de outros. — Miller! - Sussurro acariciando a imagem com a ponta do dedo, como se ele pudesse imbuir alguma vida em seu corpo minúsculo.


É ele, não há duvidas. Existem muitos traços que vim a conhecer e amar. Tem mais do que o cabelo crespo sempre emaranhado, o seu lado rebelde no lugar, a expressão dos olhos azul penetrantes. Parecem atormentados... Mortos. E ainda é uma criança bonita. Eu não posso levantar os meus olhos dos dele, eu não posso sequer piscar. Deve ter cerca de sete ou oito anos. Usando jeans rasgados, a camisa é pequena e os sapatos são cheios de poeira. Parece abandonado, e o pensamento, dá a impressão de que a imagem está morta e perdida, me enchendo de tristeza infinita. Eu nem sequer percebo que estou soluçando, as lágrimas caindo sobre a superfície brilhante da fotografia e apaga a imagem dolorosa do pequeno Miller. Quero deixar assim, desfocada. Fingindo que eu não vi. Impossível. Quebra meu coração aquela criança perdida. Se eu pudesse, eu iria ficar como essa foto para segurá-la, embalá-la e confortá-la. Mas eu não posso. Eu olho para a porta da cozinha envolta em uma nuvem de tristeza e de repente me pergunto por que eu ainda estou aqui quando eu posso abraçar, embalar e confortar o homem que essa criança se tornou. Apresso-me a limpar as lágrimas do rosto e aquelas que caíram na imagem. Então eu coloco de volta na agenda de Miller e fecho a gaveta. Bem fechada. Para sempre. Eu corro de volta para o seu quarto e tiro a camisa ao longo do caminho. Enfio-me sob as cobertas e me abraço a ele com tudo o que puder, inalando sua fragrância. Novamente estou confortável. — Onde você esteve? - Segura a mão com a qual eu abraço o estômago e leva em seus lábios. Ele a beija docemente. —Minha avó... - eu digo. Eu sei que com essas duas palavras não vai me pedir nada mais. Mas não para olhar em meus olhos. — Está bem? -pergunta timidamente. Que amplia a dor no meu peito e me fez um nó na garganta. Eu não quero que veja minha tristeza, então cantarolo minha resposta esperando que a restrição da luz dificulte sua visão sobre mim. –Então porque você está triste? — Eu estou bem. – Eu tenho um tom tranquilizador, mas eu suspiro um pouco convincente. Eu não vou perguntar sobre a foto, porque eu sei que tudo o que ele me disser será uma agonia. Em seu rosto existe a dúvida, mais ele não me pressiona . Com as suas últimas forças de bêbado, ele me atrai para seu peito e passa os braços completamente em mim. Estou em casa. — Eu tenho um pedido. -Fala contra o meu cabelo, me apertando ainda mais contra ele. — O que você quiser. Por um momento, em torno de nós há paz e silêncio, ele beija os meus cabelos, antes de continuar sussurrando seu desejo: – Nunca deixe de me amar, Olivia Taylor.


Seu apelo não requer nenhum pensamento. — Nunca.

Capítulo Dezessete A manhã me cumprimenta um segundo mais tarde, ou assim parece-me. Também tenho a sensação de estar presa, e uma avaliação rápida da posição dos meus membros está confirmada. Eu estou presa apertada. Eu viro um pouco e vejo seu rosto calmo, procuro qualquer sinal de que algo o está perturbando. Não encontro nenhum, e o forte cheiro de uísque velho que vem dele explica. Torço o nariz e prendo a respiração enquanto seu braço desloca-se e ele vira o rosto para cima deixando escapar um grunhido. Ele vai precisar de um café e uma aspirina quando acordar. Eu verifico o relógio e vejo que são apenas sete. Eu me visto de forma rápida e corro para a porta. Eu não vou incomodar tentando preparar o café que ele gosta. Há um Café na esquina. Vou pedir um e trazer. Pego as chaves de Miller na mesa, deixo ele na cama e me deixo ir automaticamente para as escadas esperando voltar antes que ele acorde e servi-lo o café na cama. E aspirina. Meus passos ecoam nas paredes de concreto quando eu desço as escadas e as imagens de uma criança perdida inunda minha mente e enche-me com tristeza novamente. Esquecer é um esforço em vão; Eu vejo o rosto de Miller daquela imagem como se estivesse em minha frente. Mas a ideia de recompensar aqueles abraços perdidos, e tudo o que não tinha, me enche de determinação. Cruzo a porta de saída da frente para o corredor, eu aceno de volta para o porteiro e saio na manhã com uma rajada de ar fresco. No entanto, eu não permito que a minha respiração trabalhosa me atrase. Eu corro em frente à movimentada cafeteria em pouco tempo. — Um American, quatro vias expressas, dois de açúcar e cheios até a metade. – peço para o rapaz atrás do balcão, enquanto eu deixo minha bolsa para baixo. – Por favor. —Claro - responde alarmado, ao ver-me aparentemente tão nervosa. – Para tomar aqui? — Para levar. — Quatro expresso? — Sim, preencha até e metade. Se ele soubesse como são os padrões de Miller, daria uma bebida para


experimentá-lo, mas eu posso imaginar que tem gosto de café em grão e foram moídos para uma polpa e deve ter a consistência de alcatrão. O rapaz começa a fazer o café e eu começo a contar o expresso quando adicionado ao recipiente de transporte. Ele está demorando muito, mas minhas maneiras impedem de reclamar, de modo que, em vez disso, eu começo a andar com impaciência e olho por cima do ombro, franzindo a testa quando esse sentimento estranho toma conta de mim novamente. Mais uma vez me sinto observada. Eu olho em volta da cafeteria, mas eu só vejo homens e mulheres de empresa ainda enfrentando as telas de seus computadores portáteis, bebendo e digitando, de modo que eu esqueço esse sentimento de novo e foco no garçom vacilante. Agora está se divertindo limpando do vaporizador e assobiando no processo. — Você se importaria...? -eu paro no meio do caminho para sentir que estou sendo observada novamente, mas dessa vez eu eriço os cabelos em seu pescoço e um arrepio percorre meu corpo para baixo lentamente pela minha espinha. — Desculpe-me, o que você disse?-eu olho confusa o rapaz, que abandonou temporariamente a sua tarefa e, me observa com expectativa. O que ele disse? — Nada. - eu respiro levantando a mão para passar pelo pescoço enquanto a ansiedade aumenta em mim. Eu balanço minha cabeça um pouco e ele encolhe os ombros e volta para a máquina de café. Eu olho em volta novamente, mas apenas vejo outros clientes esperando impacientemente. Não acho nada fora do comum, mas meu corpo me diz em voz alta que algo está errado. — Três e vinte, por favor. Eu arrasto o meu olhar desconfiado para o bar e penso em Miller e entrego o dinheiro. Ele segura. — Desculpe-me, - eu digo. Eu me forço a voltar à realidade, pego minha bolsa e levo uma vida inteira para encontrar uma nota de cinco e entrego-lhe na mão. Eu pego o meu pacote para transporte, me viro lentamente e procuro em todos os lugares por algo, embora eu não tenha ideia do por quê. A ansiedade tem me paralisado. Eu me sinto claustrofóbica. Caminho cautelosamente em direção à saída e analiso com um olho para tudo o que vejo. Ninguém olha para mim. Ninguém parece interessado em mim. Se não fosse o meu alarme interno soando ensurdecedor, isso marcaria uma ansiedade paranoica. — Senhorita, seu troco! O garçom chamando não me faz parar. Minhas pernas tem modo automático e elas parecem determinadas a ficar longe da minha fonte de ansiedade, mesmo sem ser muito claro qual é a fonte. Eu libero a porta da cafeteria e espero que essa liberdade me dê de volta racionalidade e calma. No entanto, isso não


acontece. Minhas pernas começam a correr pela rua de forma constante, e dirijo-me a olhar por cima do ombro várias vezes. Não vejo absolutamente nada. Estou frustrada comigo mesma, mas eu não posso convencer minhas pernas a parar, e eu não sei se deveria ser grata ou ficar assustada com isso. O frio em minha pele aumenta e me diz que deveria estar com medo. Acelero meus passos, minha respiração drenando instantaneamente quando eu corro através os transeuntes, estupidamente cuidadosos para não derramar ou cair o café de Miller como faço. Meu alívio é imenso quando entro no bloco de apartamentos do Miller e paro para uma verificação rápida por cima do meu ombro... e vejo algo. Um homem. Um homem encapuzado me perseguindo. E essa confirmação é registrada na parte do meu cérebro que dá instruções as minhas pernas. Eu acelero o ritmo e olho para frente novamente, minha mente está alheia ao meu redor. Tudo o que vejo é a imagem de alguém com capuz seguindo-me no meio da multidão. Tudo que eu sinto é meu batimento cardíaco acelerado. Corro para o hall de entrada e de cabeça para o elevador. O piloto automático não me leva diretamente para as escadas dessa vez. Agora desesperadamente tentando fugir da sombra interior que me assombra. —O elevador está quebrado! -grita o porteiro, fazendo-me parar instantaneamente. —O técnico está a caminho. -Ele encolhe os ombros e volta para as suas tarefas. Grunhindo de frustração eu corro para as escadas, tentando recuperar a sanidade. A porta bate na parede e eu subo a escada de concreto correndo. O som de minha respiração e meus passos pesados ecoando surdamente nas paredes em volta de mim. Um golpe de baixo para cima me para abruptamente no sexto andar. Eu congelo. Minhas pernas se recusam a trabalhar, e eu limito-me a ouvir o eco que aqueles passos fazem durante a subida até que se dissolva completamente. Eu prendo a respiração e ouço atentamente. Silêncio. Meus pulmões estão gritando por um pouco de ar, mas eu me recuso, e me concentro no silêncio que me rodeia e a ansiedade persistente em correr pelas minhas veias. Demoro alguns eternos segundos para dar um passo a frente e mostrar o meu pescoço na abertura. Não vejo nada além de degraus e corrimãos de cimento frio e cinzento. Eu rolo meus olhos e me sinto ridícula. Poderia ter sido um mensageiro. Há centenas nas ruas de Londres. – Recupere a compostura! - digo. Eu deixo um pouco de ar entrar em meus pulmões e olho um pouco mais, quase rindo da minha estupidez. – Mas o que está errado comigo? Sentindo-me uma idiota, eu começo a afastar-me do corrimão, mas vejo alguém agarrar o corrimão alguns andares abaixo, eu estou paralisada novamente. Então eu vejo aterrorizada e em silêncio deslizarem lentamente


para cima, aproximando-se, mas não ouço o som de passos. É como se não tivesse pés... ou não queriam que soubessem que eles estavam lá. Minha cabeça gritando ordens para eu continuar, eu tento, mas, nenhum dos meus músculos me ouve. Sinto-me frustrada e mentalmente a torrente de gritos urgentes dão instruções a meu cérebro, mas o som estridente ensurdecedor de um telefone celular interrompe minha discussão mental e volto à realidade das escadas. Eu levo vários segundos de confusão para perceber que não é o meu. Então eu ouço a passos estrondosos que se aproximam. Não posso me mover. Eu nunca tinha ficado tão apavorada. Nada funciona: as minhas pernas, meu cérebro, minha voz... nada. No entanto, ao ouvir a batida de outra porta lá embaixo, recupero a energia e começo a subir os poucos degraus que faltam. As outras etapas aceleram o ritmo, o que só pode aumentar ainda mais o meu medo e, consequentemente, a minha velocidade. Eu quase caio no chão com alívio por estar no décimo andar e através da porta para o corredor que vai me levar para a segurança. Eu sinto uma tremenda ansiedade de ver a porta preta brilhante do apartamento de Miller, uma inquietação que cresce ainda mais quando se abre e eu estou correndo para encontrar um Miller seminu e parecendo atordoado. —Miller! —Livy? - Corre para mim, e seus olhos sonolentos estão se abrindo mais e mais à medida que nos aproximamos, até que fica claro que já está totalmente acordado e perguntando o que diabos está acontecendo. Deixo cair o café e a bolsa quando chego perto dele e me jogo em seus braços. Sinto que o pânico diminui e dá lugar à emoção. —Foda-se! -Eu digo, e me deixo cair no chão com seu corpo, certificando-me que seu torso nu, segura firmemente o pescoço e cintura. —Alguém está me seguindo. —O quê? -pergunta sem afrouxar seu abraço feroz. —Eles estão na escada. -eu mal posso respirar, mas eu luto pra expulsar todo o ar do meu peito exausto. Eu não estava imaginando. –Alguém estava me seguindo. De repente, ele retira meus membros dormentes para libertar seu corpo nu. —Livy. Eu balanço minha cabeça presa ao seu peito, recusando-me a afastar-me dele. Eu sei para onde ele vai. —Não, por favor, por favor. —Vamos, Livy! -grita, puxando com impaciência seu corpo. –Deixe-me ir! -Sua raiva não diminui e eu me agarro a seu corpo com firmeza, morrendo de medo, mas minha tenacidade é assolada por um irado grito, com um movimento rápido de seu corpo ele me separa de cima dele. Ele me mantém com os braços estendido em um piscar de olhos. Meus olhos estão cheios de terror, e eu sei para onde ele vai. – Fica! Ele ordena, lançando-me lentamente


para garantir que eu faça o que me ordena. O pânico absoluto me impede de fazer qualquer coisa. Com a falta de seu toque começo a cambalear, e observo através dos meus olhos nublados de lágrimas, quando ele se direciona para as escadas vestindo apenas cueca. Mas a falta de roupas enfatiza a fúria que emana de seu físico nu e definido. Ele está tremendo de raiva e seus músculos das costas formam ondulação, flexionando para se preparar para o que poderia estar do outro lado da porta. Abre abruptamente e descuidadamente cruza o limiar e desaparece de vista em um instante. Tento controlar a minha respiração para ouvir, mas não ouço nada. A vida parece parar até um som agudo preencher o corredor. O elevador. O elevador funcionou. Eu começo a sentir meu coração batendo em meus ouvidos quando permaneço congelada e desvio os olhos lentamente em direção ao elevador. As portas começam a se abrir e eu dou um passo para trás aterrorizada. Solto um suspiro quando minhas costas batem na parede e um homem deixa a cabine. Aparenta ser um senhor de macacão com um cinto cheio de ferramentas, tento registrar em minha mente perturbada. — Sinto muito, moça. Eu não queria assustá-la. Eu relaxo, a mão sobre o peito, enquanto eu exalo o ar e vejo quando o homem volta para o elevador. —Nada. - Miller aparece. Caminha para mim com a mesma expressão de raiva de quem me deixou antes. Ele segura meu pescoço e me guia para seu apartamento. Eu sorrio quando ouço a porta bater. — Sente-se. -ele pede, me liberando e indicando o sofá. —Eu vi alguém dessa vez - digo, sentando no sofá. —Dessa vez? -pergunta. – Por que você não me disse nada? Deveria ter me dito antes! Junto as mãos no meu colo e olho para elas, enquanto mexo com o meu anel. — Confesso que pensei que era apenas coisa da minha cabeça, sabendo agora que meu alarme interno não funcionou muito bem. Miller ainda está de pé, se contorcendo. Eu não posso olhar para ele. Eu sei que ele está certo, e agora me sinto mais estúpida do que nunca. Ele apoia as mãos firmes nas minhas coxas e eu forço meus olhos a subir ligeiramente na tentativa de avaliar sua expressão. Tenho-o ajoelhado diante de mim; suas mãos começam um toque reconfortante e ele recupera sua expressão. Faz tudo isso de novo para me sentir confortável. —Diga-me quando. - ele incentiva com um tom calmo e afetuoso. — Quando fui trabalhar no outro dia, quando você me deixou. No clube. - Eu estava olhando Miller e eu não estava gostando do que estava vendo.


—Você sabe quem pode ser? —Eu não tenho certeza. - responde. —Você deve ter alguma ideia. Quem estava me seguindo, Miller? Abaixa os olhos, evitando o meu olhar interrogativo. —Quem, Miller? -Eu insisto. Eu não vou deixar isso para trás. – Eu estou em perigo? Em vez de estar morrendo de medo, a raiva me invade. – Se eu estou correndo qualquer risco, devo saber sobre isso. — Você não corre perigo quando está comigo, Olivia.- Mantém seus olhos para baixo, recusando-se a olhar para mim. —Mas eu não estou com você sempre. —Eu sei. - Responde lentamente com os dentes cerrados. – Você é a mulher mais bem protegida de Londres. —Eu odeio discordar!- Eu respondo chocada. –Estou confusa com você e William Anderson. E eu acho que eu sou inteligente o suficiente para deduzir que provavelmente me colocaram na categoria de alto risco. —Inferno! - Eu tremo só de pensar que tipo de inimigos podem ter esses dois homens. —Você está errada-, diz Miller discretamente, mas com insistência. – Talvez Anderson e eu não gostamos um do outro, mas nós temos o mesmo interesse. — Eu! - respondo por ele, mas eu não entendo por que implica que é seguro. — Sim, você, e o fato de que Anderson e eu estarmos lá nos coloca de alguma forma, vamos dizer, rivalizando equipes, você está em boas mãos. — Então quem diabos está me seguindo?! -eu grito, fazendo Miller levantar o olhar assustado. – Eu não me sinto segura. Eu me sinto muito insegura! — Não precisa se preocupar. Estou ciente do enorme esforço que está fazendo para se manter calmo, eu ultrapasso isso. Estou cansada de estar com raiva e tentar tirar de mim esse medo justificado, com desculpas de que eu estou em boas mãos. De repente, eu estou de pé, forçando Miller a inclinar-se sobre os calcanhares. Seus olhos azuis como aço assistem-me com cuidado enquanto eu tento encontrar algo para dizer, algo que enterre sua declaração. — -Eu não me senti muito protegida, quando estava sendo perseguida lá em baixo - eu grito jogando meus braços para cima e apontando na direção da porta. — Você não deveria ter saído sem mim. -ele se levanta e agarra meus quadris, me segurando. Retirando uma mexa rebelde de meu cabelo que escapa do resto, e seus olhos azuis estão cheio de preocupação olhando para o meu cheio de fúria. –Prometa-me que você não vai a qualquer lugar. — Por quê? — Prometa-me, Olivia. Não seja insolente, por favor. Minha insolência é a única coisa que me mantém estável no momento. Estou furiosa, mas com medo. Sinto-me segura, mas exposta.


—Por favor, me diga por quê. Fecha seus olhos, claramente tentando reunir um pouco de paciência. — Um interferente. -sussurra com um suspiro; seu corpo inteiro esvazia, mas ainda agarrando firmemente meus quadris quando eu cambaleio e engulo em seco. –E agora, prometa-me. Estou com os olhos bem abertos, assustada, incapaz de falar. —Olivia, por favor, eu imploro. —Por quê? Quem são? E por que estão me seguindo? Segurando-me e seus olhos são tão intensos quanto suas palavras. —Eu não sei, mas quem quer que seja, eles obviamente podem prever o meu próximo passo. —Seu próximo passo? - de repente, a realidade da situação me bate como se eu levasse um pontapé no estômago. —É porque você parou? -eu pergunto com um suspiro. —Não é tão fácil quanto parar de fumar. Suas clientes. As tem sempre disponível para eles por alguns milhares de libras. Agora já não, e é claro que alguns não vão desistir tão facilmente. Todo mundo quer isso dele e não podem ter, e agora, por minha culpa, é ainda mais inatingível. — Eu não parei oficialmente, Olivia. Eu sei que isso vai causar reações. Tenho que fazer as coisas direito. Agora tudo se encaixa perfeitamente. — Eles vão me odiar. Cassie me odeia, e ela não é uma cliente. Miller bufa sarcasticamente me dando a razão. Então olha para mim com olhos tranquilizador. — Eu não vou dormir com outra pessoa. - articula as palavras lentamente e precisamente em uma tentativa desesperada de fazer isso perfeitamente claro e dissipar quaisquer dúvidas que eu possa ter a seu respeito, que está dizendo a verdade.– Olivia, eu não provei ninguém ou deixei ninguém me provar. Diga-me você acredita em mim. — Eu acredito.- eu respondo sem hesitação. Eu tenho fé nele, apesar de estar confusa e não mais do que suas palavras não prove. Eu não posso explicar por que, mas algo profundo e poderoso está me guiando. É um instinto, um instinto que me serviu bem até agora. E tenho a intenção de continuar a segui-lo. – Eu acredito em você- reafirmo. — Obrigado.– Me embala em seus braços e me abraça com um tremendo alívio. Estou confusa e atordoada. Será que eu ainda desprezo essas mulheres? Eles podem prever seu próximo movimento. Eles sabem que ele vai desistir e não querem que ele faça. — Eu tenho que te pedir uma coisa. - Suspira em meu pescoço, enquanto suas mãos acariciam cada milímetro de minhas costas. — O que é?


— Nunca pare de me amar. Eu balanço minha cabeça, perguntando-me se ele se lembra da noite passada, que me fez a mesma pergunta quando o álcool e a fadiga estavam consumindo-o, e que também me faz pensar se ele se lembra de minha resposta. — Nunca- confirmo com a mesma determinação de ontem à noite antes do sono nos vencer, apesar de que demorou um pouco para acontecer.

Capítulo Dezoito Minha avó está esperando na porta, quando o carro para em frente de casa, os braços cruzados sobre o peito e os olhos desconfiados fixam a cor de safira em Miller. Observo se ela carrega um chinelo na mão, seja qual for a fim de evitar o risco de nossos olhos se cruzarem. Ela pode ter sido simpática e ter mostrado indulgência na noite passada pelo telefone, mas eu não sou tão ingênua a ponto de pensar que ela vai deixar o assunto de lado. Agora estamos face a face. Não há como escapar. Ela vai atacar Miller e, a julgar que está silencioso e pensativo desde que deixou seu apartamento, ele já espera. Desliza a palma da mão quente no meu pescoço quando chegamos, e começa na massagear delicadamente em uma tentativa de aliviar meus nervos. Perda de tempo. — Senhora Taylor-, diz formalmente, trazendo-nos para uma parada. —Hum-, ela murmura, sem abandonar o seu aspecto ameaçador. –Já passam das nove.- ela diz para mim, embora desviando o olhar para Miller. –Você vai se atrasar. —É que... —Olivia não vai trabalhar hoje-, Miller me interrompe. – Seu chefe concordou em lhe dar o dia de folga. — Ah sim?- comenta minha avó, erguendo as sobrancelhas grisalhas em surpresa. Eu sinto que eu deveria ser a única a dar explicações, mas em vez de assim, eu fico calada e Miller continua falando. — Sim, eu quero passar o dia com ela; fazer uma pausa e passar algum tempo sozinho para apreciarmos um ao outro. Acho que não é fácil disfarçar o sorriso condescendente que ameaça. Miller insistiu que eu precisava de uma pausa e a oportunidade de passar um dia todo com ele é raro, assim eu devo aproveitar ao máximo. No entanto, eu não sou estúpida o suficiente para acreditar qual é a única razão. Miller me lança um olhar para infundir segurança. —Vá tomar um banho.


—Ok! -eu digo com relutância, sabendo que não há nenhum meio de ajudá-lo a lidar com a minha avó sozinho. Agora eu entendo sua insistência de que não daria tempo para tomar banho em seu apartamento esta manhã. Então tem a desculpa perfeita para falar com ela, sem eu estar presente. —Vai!- Insiste. –Vou esperar aqui. Concordo mordendo meu lábio, não tenho pressa para deixá-lo em paz. Na verdade, eu gostaria de virar-me e levar Miller comigo. Minha avó inclina a cabeça sutilmente. É sua maneira de dizer "Vá." Não há nenhuma maneira de evitar o inevitável, mas não para o desejo de Miller de pedir desculpas, eu subo lentamente a escada deixando eles "conversarem". Eu disse a ele toda a conversa que tive com minha avó ontem à noite, e ele sorriu com carinho quando eu relatei que ela tinha falado comigo sobre o amor especial. No entanto, ela não sabe os detalhes, e eu quero mantê-la assim. Eu olho por cima do meu ombro, quando eu chego ao topo da escada, e vejo que eles estão me olhando. Ninguém quer falar até que eu esteja o suficiente longe para não ouvir o que têm a dizer. Minha avó irradia autoridade, e meu elegante e escrupuloso Miller escorre respeito. É algo que vale a pena. —Rápido! - ele fala com um suave sorriso. Ele está se divertindo com a minha preocupação? Eu rolo meus olhos enquanto suspiro exasperada e resigno-me ao fato de ter que ir. Eu vou até o banheiro e tomo um banho em tempo recorde. A água é fria, mas não estou disposta a esperar até que a água esteja mais suportável, eu mal toco no condicionador e no meu cabelo, quando eu os enxáguo. Tenho muitas coisas em minha mente, tudo desagradável e perturbador, mas agora é preenchido com imagens de minha avó movendo o dedo contra o rosto de Miller, quando ela fizer um monte de perguntas que eu rezo a Deus que ele saiba como se esquivar. Eu coloco uma toalha em volta do meu frio e encharcado corpo, saio a procura de um vestido, com a antena ligada à espera de ouvir palavras aquecidas, especialmente de minha avó. Corro para o meu quarto e jogo a toalha de lado. —Bem, bem ... Oi. Eu pulo contra a porta e minha mão vai ao coração. —Jesus! Miller está sentado na minha cama com o telefone ao ouvido e um sorriso maligno desenhado em seu rosto perfeito. Não parece que ele tenha sido verbalmente aterrorizado . —Desculpe-me!-, diz para a pessoa no telefone olhando para mim.–Acaba de surgir algo.- clica um botão para terminar a chamada e deixa o telefone deslizar para o centro da palma de sua mão quando ele bate seu joelho com as pontas dos dedos com ar pensativo. — Você está com frio?


Sua pergunta e a área do meu corpo onde ele foca seu olhar, me obriga a olhar para baixo. Sim, estou, e é bastante óbvio, mas os meus mamilos começam a formigar com algo que não é frio, quando eu permaneço sobre seu exame. —Um pouco-, eu admito, e agarro meus seios para escondê-los de sua vista.–E a minha avó? —Ela está lá embaixo. —Você está bem? —Por que não eu estaria?– Ele está calmo e sereno, não mostrando sinais de mal estar depois de lidar com a minha avó protetora. —Por que... eu só...- Eu começo a gaguejar, sentindo-me estupidamente estranha. Isso é ridículo. Eu rolo meus olhos e solto minhas mãos. — O que ela disse? —Quando? Enquanto ela bateu na mesa com a maior faca que tem? Eu começo a rir, mas o meu riso nervoso deixa de ver que Miller está totalmente sério. –Ela não fez isso! Ele enfia seu celular no bolso interno do paletó, levanta-se e, em seguida, coloca as mãos nos bolsos. —Olivia, eu não posso continuar essa conversa enquanto você estiver molhada e nua.- Ele balança a cabeça como se estivesse tentando afastar maus pensamentos da cabeça. Provavelmente sim. –Ou se veste ou move esse pequeno corpo precioso que você tem para cá para que eu possa saboreá-lo. Minha coluna se estica e luto contra os dardos de desejo que me atira do outro lado do quarto. —Você não seria capaz de desrespeitá-la.- Eu o lembro da minha avó. —Isso foi antes dela ameaçar a retirar a minha masculinidade. Eu rio. Ele está sério e não há duvidas de que minha avó fez isso. —Então, agora essa regra não é mais útil? Ele faz careta e um brilho malicioso deslumbra em seus olhos. —Eu já avaliei os riscos associados em te adorar na casa de sua avó. —Ah sim? —Sim, e a melhor coisa é que você pode tomar medidas para diminuir os riscos.- ele fala como se estivesse em uma nova negociação. —Como qual? Os lábios adoráveis de Miller pressionam em uma linha reta, enquanto considera a minha pergunta; em seguida, ele se aproxima de minha cadeira e me pega. —Com licença!- diz, e esperando por mim para me mover para a porta, o que eu faço, sem reclamar, observo com diversão como define a parte superior das costas. —Eu acho que podemos estar perto de um risco de uma sessão veneração. Um sorriso enorme se espalha pelo meu rosto quando o vejo verificar a estabilidade da cadeira antes alçá-la na maçaneta.


—Sim!- ele conclui, balançando sua bonita cabeça com satisfação. –Eu acho que cobri qualquer possível eventualidade. Ele se vira para mim e passa alguns momentos acariciando com o olhar a minha pele nua. – Agora eu quero provar você. Minha libido responde instantaneamente. De um modo totalmente receptivo, e eu adoro ver que Miller também está. Eu posso ver através da protuberância em suas calças. —Olivia!- O grito de minha avó de repente cruza toda a tensão sexual e acaba com o momento. –Olivia, vou colocar roupa branca para lavar. Tem alguma coisa? O assoalho rangendo indica sua proximidade. —Perfeito! – Miller resmunga com cem por cento de frustração. –Isso... é... ótimo. Eu sorrio e abaixo para pegar a toalha. —Você perdeu um risco-, eu sussurro enquanto me enrolo na toalha. Ele ajusta a virilha e me olha. É óbvio que a situação não o faz não apreciar. —Eu não antecipei o dia de lavagem de roupas brancas. Ele remove a cadeira da porta e puxa para abri-la, revelando minha avó com os braços cheios de roupas brancas. Miller coloca um sorriso no rosto, embora um sorriso falso, é ainda algo raro de se ver. Não que minha avó fosse gostar de saber. —Você deveria ter alguém para fazer essas coisas para você, senhora Taylor. —Puf! Como são os ricos!- Ela passa pela porta a caminho do meu quarto, recolhendo algo branco pelo caminho. —Eu não tenho medo do trabalho duro. —Nem Miller também. -concordo- Ele lava e cozinha. Minha avó para de reorganizar a pilha de roupa que tem nos braços. —Há então é só a minha idade que sugere que eu deva procurar ajuda, hein? Sorrio para minha avó, quando ela lança um olhar de desprezo, que o faz agitar desconfortavelmente seus sapatos caros. —Nem por isso, - diz ele desviando os olhos suplicantes para mim. Eu sou muito ruim. Agora ele está vendo. Minha avó pode ser um pesadelo, eu vou lembrá-lo dessa pequena cena quando ele me castigar por isso. –Eu não quis dizer... — Salve-o Senhor.- Ela cospe ao passar por ele e pisca para mim com travessuras. Em seguida, ela para em frente a mim e repara com seus velhos olhos a toalha branca. A toalha cobrindo minha dignidade. – Estou indo para lavar roupas brancas.- segurando um sorriso malévolo. — Você pode colocar isso na próxima máquina de lavar-, respondo enquanto eu agarro a minha toalha e olho com os olhos apertados como um aviso. — Mas é que essas não preenche uma máquina. diz apontando para a pilha de roupas que tem em seus braços com um pequeno aceno de cabeça. –Seria um desperdício de água e energia tremenda. Eu tenho que encher a máquina de lavar roupas.


Eu franzo os lábios e ela o dela curva. — O que tem a fazer é encher sua boca para que não possa falar. - eu falo, e o sorriso se intensifica. —É incorrigível, muito atrevida. — Miller! -exclama. – Você viu como ela fala com uma velha?— Sim, Senhora.- ele responde, e esquiva do seu corpo baixo e atarracado, e fica de pé atrás de mim, olhando a cara séria da minha avó, sobre meu ombro. É uma cadela, e pronta a jogar o velho doce senhora de idade. Mas eu sei como ela é na verdade, e eu acho que Miller também tem cuidado de saber. Em seguida, ele se inclina, chega perto da minha orelha, com o queixo e passa seus braços em minha cintura para que sua mão esteja aberta na minha barriga acima da toalha. – Eu tenho uma maçã no carro que caberia perfeitamente em sua boca. Isso deve resolver o problema. — Há! -eu ri. Minha avó lança um suspiro de indignação e seu rosto contorce com irritação. — Bem! — Bem, o quê? -eu pergunto. – Pare de jogar de pobre senhora indefesa, vovó. Já passou da validade. Começa a cheirar e resmungar alternadamente, olhando para mim e Miller, que agora tem o queixo repousando sobre meu ombro nu. Eu pego a mão na minha barriga, e a aperta e torço o pescoço para ver o rosto dele delicioso. Ele sorri para mim e me dá abertamente um beijo duro nos lábios. — Ohhh! Algum respeito!-, zanga minha avó, interrompendo nosso tempo de intimidade. – Me dê isso!– Ela me tira a toalha deixando meu corpo exposto. —Vovó! Ela ri ameaçadoramente ao adicionar a toalha a pilha já existente. —É pra você aprender!-justifica. —Merda! Eu pego a primeira coisa que tenho para cobrir minha modéstia ... o que acaba sendo a mãos de Miller. —Oh! -minha avó se agacha e ri descontroladamente enquanto eu bato as palmas das mãos de Miller em meus seios. — Bem, olá novamente, -sussurra em meu ouvido fazendo charme e me dando um pequeno aperto. — Miller! — Você me colocou nisso!- risos, deleitando-se com o meu erro de pânico induzido. — Inferno! -Eu removo-o e corro para a cama, jogo as cobertas e cubro-me de novo. Eu estou como um tomate, minha avó é só risos, e Miller não ajuda rindo para ele mesmo. É uma imagem bonita, mas eu estou tão envergonhada e irritada que eu não tenho tempo para apreciá-lo também. — Não é engraçado! Isso é muito ruim. —Desculpe-me-, ele diz. Tomando compostura alisando seu terno e correndo a mão para desamassá-lo, mas seus ombros ainda tremendo.


—Vovó, saia! —Eu vou, eu vou-, responde enquanto sai pela porta. Eu sei exatamente que piscou maliciosamente para Miller, porque eu vi como ele afastou rapidamente seus olhos e seu sorriso se excluiu. Ele ainda está organizando o seu perfeito terno, coisa natural nele, mas os movimentos frenéticos com as mão e a tensão em seus ombros revelam que a situação é divertida. Eu fico completamente séria até minha avó sair altamente presunçosa e risonha no caminho, eu estou muito irritada. Eu luto com a pilha de tecido que me cerca, eu me aproximo da porta e a fecho com um pontapé, o que faz Miller dar um salto assustado. Ele não consegue segurar seu riso por mais tempo. —Você deveria estar do meu lado - eu bato puxando o emaranhado em meus pés. —Eu estava. - ele ri. –Realmente, eu estava. Eu olho mal-humorada e ele se aproxima de mim para tirar para longe o lençol que cobre meu corpo e me embala em seus braços. —Ela é um tesouro. —Ela é um pé no saco.– eu digo e não me importo se vai me repreender por isso. – O que ela disse? —Eu lhe disse: a minha masculinidade estava em perigo. —Isso não significa que você tem que apoiá-la por medo de perdê-lo. —Não estava apoiando. —Claro que sim. —Se sua avó tem o prazer de expor seu lindo corpo nu na minha presença, eu não vou reclamar sobre isso.– Ele me leva para a cama e se senta na borda comigo montada em seu colo. – Pelo contrário, eu serei extremamente grato. —Bem, não soou tão grato-, rosno. – E eu amo quando você ri, mas não as minhas custas. —Você prefere que eu te mostre a minha gratidão? —Sim. - A minha resposta é enfática e arrogante. –Só pra mim. —Seu pedido foi anotado senhorita Taylor. —Maravilhoso Sr. Hart. Ele sorri, voltando seu bom humor, e me dá um daqueles beijos que deixam minha mente em branco. Embora não por muito tempo. — O dia está passando rapidamente e ainda não tomamos o café da manhã. —Nós vamos fazer um lanche. Eu agarro seu pescoço e puxo-o para não interromper nosso beijo. —Você tem que comer. —Eu não estou com fome. — Olivia, por favor- ele adverte. – Eu vou alimentá-la, e eu quero que você aceite. —Morangos?– eu tento. -Britânico, que são mais doces, e banhados em um delicioso chocolate grosso.


—Eu acho que não podemos fazer isso em público. —Então, vamos voltar para sua casa. —Você é insaciável. —A culpa é sua. - eu concluo. —Eu acordei esse enorme desejo em você, e eu sou o único homem que pode saciá-la. —Feito! —Eu estou feliz que esclarecemos que... —Que eu não tenho escolha, eu sei!-, eu digo. Eu mordo meu lábio e arrasto entre os dentes. – Eu não quero escolha. —Fico feliz. - ele me coloca no chão e olha para mim com os olhos quentes. A sugestão de um sorriso aparece em sua boca maravilhosa. —-O quê foi?- eu pergunto, tendo a mesma expressão em concurso. Desliza suas mãos suaves em torno de minha bunda e me puxa para cima me colocando em suas coxas separadas. Então ele beija gentilmente minha barriga. —Eu estava pensando como você é linda aqui na minha frente e nua.- Apoia o queixo na minha barriga e me olha com seus olhos azuis feliz. – O que você tem vontade de fazer hoje? — Bem... - meu cérebro começa a pensar em todas as coisas divertidas que poderíamos fazer juntos. Aposto que Miller não fez nada de divertido. – Andar a pé, vagando, vagando.- eu adoraria ficar perdida nas ruas de Londres com ele, mostrar meus edifícios favoritos e contar suas histórias. Mas na verdade ele não está vestido para passear. Eu passo os olhos em seu perfeito terno de três peças e faço uma careta. —-Você quer dizer andar? –Faz uma carreta puxando meus olhos de volta para os seus. Não parece animado. —Dar uma agradável caminhada. —Onde? Eu dou de ombros, um pouco triste de ver que ele não parece gostar da minha ideia. -O que você sugere?Medita sua resposta alguns segundos antes de falar. —Eu tenho muito a fazer no ICE. Você poderia vir e ordenar meu escritório. Olho-o em desgosto. O escritório dele é impecável. Não precisa ser ordenado, e nenhum entusiasmo em sua voz vai me convencer que ir trabalhar com ele será divertido. —Você disse que íamos passar algum tempo sozinhos para desfrutar. —Você pode sentar no meu colo enquanto eu trabalho. —Não seja bobo. —Eu não sou. Por um momento, eu tenho medo de falar a sério. —Eu não vou tirar um dia de folga apenas para ir trabalhar com você.- sento-


me e cruzo meus braços na esperança de que ele entenda que sou inflexível sobre essa questão. O sorriso que desenha em seus lábios melados faz minha determinação vacilar. Ele está sorrindo muito, é algo maravilhoso e irritante ao mesmo tempo. —O quê foi?- eu pergunto sabendo que deveria para de questionar suas razões para a sua apreciação óbvia e simplesmente aceitar sem uma palavra. Mas esse homem exasperante aguça minha curiosidade constantemente. —Eu estava pensando como você é linda com seus braços empurrando seus seios para cima.- seus olhos brilham de forma constante. Olho para baixo e vejo a minha falta de peito. —Não há nada lá.- Eu aperto os braços contra meus seios um pouco mais, sem entender o que ele viu. —Eles são perfeitos.- Ele rapidamente me pega para cima e eu solto um grito quando ele me puxa para a cama e me cobre com seu corpo. —Exijo que permaneça exatamente com são. —Ok!– Concordo pouco antes de sua boca me beijar, sufocando meus lábios delicadamente, mas propositadamente apaixonados. Estou surpresa, alheia a tudo o mais, e eu adoro quando Miller está descontraído. Todos os comportamentos de tensão estão esquecidos. Bem, quase. — Meus termos-, murmura traçando um caminho de beijos até minha orelha. – Minha aparência nunca foi tão questionável até você invadir minha vida, minha doce menina. —Sua aparência é impecável. Solta uma risada de desacordo, se afasta de meu corpo com desejo e fica de pé para alisar a roupa e consertar o nó da gravata, enquanto eu assisto. —Vista-se. Eu suspiro e caminho até a beira da cama enquanto ele se dirige para o espelho para ver o que ele está fazendo. Embora eu esteja acostumada a Miller e seus hobbies, o meu fascínio por ele permanece forte. Tudo o que tem a ver com ele, tudo que ele faz é realizado com o máximo de cuidado e atenção, e é agradável... exceto quando libera seu temperamento. Eu balanço esse pensamento para longe de minha mente, eu deixo Miller brincando com sua gravata e se preparando. Eu coloco um vestido floral e sandálias, antes de explodir meu cabelo seco e estragar com isso um bom alguns minutos, me xingando por não permitir ao condicionador trabalhar sua mágica antes de eu enxaguar. Eu os penteio, eu os puxo para trás e aliso algumas vezes e finalmente exalar minha exasperação em meus cabelos indomável, puxando-o em um frouxo rabo de cavalo por cima do meu ombro.


—Bonito.- conclui Miller quando eu viro para mostrar a ele. Seus olhos tomam um vagaroso passeio e desce me analisando ainda mexendo com sua gravata. —Hoje não tem Converse? Eu olho para minhas unhas rosa dos pés e movo os dedos. —Não agradam você?- Eu pergunto. Aposto que Miller nunca viu um par de chinelos em sua vida. Na verdade, estou convencida que seus pés usaram apenas sapatos de couro caros, feitos à mão e da mais alta qualidade. Nem se quer usa um tênis na academia, ele prefere ir com os pés descalços. —Olivia, você poderia usar trapos e iria parecer com uma princesa. Eu sorrio, pego minha bolsa, cruzo sobre o meu corpo, permitindo-me um momento para admirar o rigor de Miller. —As pessoas devem pensar que somos um casal estranho. Ele se aproxima de mim com um olhar severo, agarra meu pescoço e me guia para fora do quarto. —Por quê? —Porque você se veste com sapatos e eu... -olho para baixo procurando as palavras certas. –Engraçada.– Não consigo pensar em algo melhor. —Chega!- Ele repreende silenciosamente quando descemos as escadas. –Diga adeus a sua avó.—Adeus, vovó!- Eu grito enquanto me dirijo para a porta sem dar a chance de encontrá-la. —Divirtam-se!- ela grita da cozinha. —Eu vou trazer Olivia mais tarde–, diz Miller, recuperando seu tom formal, pouco antes que a porta da frente se feche atrás de nós. Eu olho para ele com olhos resignados a ignorar seu questionamento. —Entre.- Abre a porta do Mercedes para mim , e eu escorrego no assento de couro macio do lado do passageiro. Fecha a porta suavemente e imediatamente está sentado ao meu lado, e liga o motor antes de eu ter tempo para colocar o meu cinto. —O que vamos fazer?- Pergunto novamente enquanto eu atravesso o cinto pelo corpo. —Você escolhe. Eu olho surpresa, mas não demoro com minha resposta. –Parque próximo a Mayfair. —Mayfair? —Sim, vamos dar um passeio.- Eu volto meu olhar para frente e percebo que o indicador de temperatura marca dezesseis graus tal como estava da última vez, mas agora está muito mais quente. De repente eu me sinto sufocada, mas não vou estragar o mundo perfeito de Miller, então eu abro a janela um pouco. —Dar um passeio-, murmura pensativo, como se o fato o preocupa-se. Provavelmente sim, mas decido ignorar a preocupação em sua voz e eu fico em silêncio no meu lugar.


— Passear.- Ele diz para si mesmo novamente. Começando a bater no volante. Eu posso sentir a insegurança começando a assumir a partir dele. –Ela quer passear. Eu sorrio e balanço a cabeça imperceptivelmente. Depois que eu me aconchego em meu acento Miller interrompe o longo silêncio ligando o sistema multimídia. Pursuit of Happiness, Kid Mac, inunda a cabine, e meu rosto assume uma expressão de surpresa nas escolhas musicais surpreendentes de Miller. Eu o vejo olhar de vez em quando na minha direção, mas eu não mostro que estou intrigada. Em vez disso, eu permaneço em silêncio pelo o resto da viagem, ponderando muitos elementos de minha curiosidade sobre Miller Hart e o mundo curioso que herdei por vontade própria.

CAPITULO DEZENOVE Quando Miller para o Mercedes no estacionamento e desliga o motor, não me deixa sair do carro . Ele dá a volta passando pela frente do veículo, e para ao lado abrindo a porta. —Obrigado Senhor. —De nada.- Responde como se não tivesse pego meu sarcasmo. – E agora? – olha em torno de nós levantando as mangas do terno por um momento para ver a hora. —Você está com pressa? Eu pergunto imediatamente irritada por seu gesto rude.


Ele olha para mim e abaixou os braços. —Em absoluto. - Ele suaviza seu terno de novo, qualquer coisa para evitar meu tom amargo. —E agora?- repete. —Passearemos. —Onde? Meus ombros se curvam. Isso não vai ser fácil. Ele deveria estar relaxado. Algo calmo e agradável. — Eu posso pensar em maneiras muito mais gratificantes para passar meu tempo, Olivia, e não envolve mantê-lo em público. - Ele está totalmente sério, e minhas coxas apertam quando o vejo olhar ao redor. —Você já fez uma caminhada?- Eu pergunto. Olha rapidamente para mim com olhos curiosos. —Eu vou de A para B. —Você nunca desfruta da imensa riqueza que Londres tem para oferecer?– Pergunto surpresa, como alguém pode viver nessa grande cidade, sem se perder em sua história. Eu não posso acreditar. —Você é uma das melhores riquezas, e gostaria de mergulhar em você agora. O estudei cuidadosamente, e eu sei o que vem a seguir. Meu batimento cardíaco acelera entre as minhas pernas que é um bom sinal por causa do desejo que se acumula em seus olhos, após aquele delicioso piscar. –Mas eu não posso te adorar aqui, certo? —Não-, eu digo rapidamente, e desvio o olhar antes que eu fique ainda mais presa em seus olhos azuis cativantes. Ele não quer andar, mas eu quero. Ardo de desejo; um desejo que é palpável no ambiente que nos rodeia, mas quero desfrutar de Miller de outra forma. —Quanto a suas pinturas? —O que têm elas? —Você deve apreciar a beleza das coisas que você pinta. Caso contrário, não se incomodaria em pintá-las.– Ignoro o fato de que seria ainda mais bonita se fosse algo mais claro. Ele dá de ombros com indiferença e olha de novo ao nosso redor. Isso começa a me irritar. —Eu vejo algo que eu gosto, eu tiro fotos e depois pinto. —Tão simples? —Sim.- Ele não me olha no rosto. —Você não acha que seria mais gratificante se você pintasse ao vivo? —Eu não vejo o por que. Respiro, cansada de insistir, eu cruzo a bolsa por cima do ombro. Eu ainda não o compreendo em tudo, embora eu sempre diga a mim mesma que eu faço. Estou me enganando. – Pronto? Ele responde segurando meu pescoço e me empurrando para frente, mas eu paro e me


libero. Dou-lhe um olhar de desdém e ele olha para mim com confusão refletida em seu belo rosto. —Qual é o problema? —Você não irá passear por Londres segurando meu pescoço. —E porque não?- Ele fica realmente confuso. –Eu gosto de ter você perto. Eu pensei que você também gostasse. —Gosto-, admito. Eu sempre aprecio o conforto do calor da palma se sua mão em minha nuca. Mas não enquanto passeamos por Londres. – Dê-me sua mão. Eu acho que Miller nunca pegou a mão de uma mulher só para passear. Eu também não posso imaginar. Ele me levou pela mão algumas vezes, mais foi sempre proposital: para me levar a algum lugar onde ele quisesse, mas nunca para relaxar e passear. Ele passa algum tempo pensando sobre o que pedi até que finalmente ele aceita as minhas mãos estendidas levantando uma sobrancelha. — BOO! -Eu grito com um sorriso fazendo-o pular. Recupera a compostura levanta sérios os olhos nos meus. Eu sorrio. – Eu não mordo. Ele fica quase ofendido, eu observo, mas ainda parece frio e impassível. No entanto, eu ainda estou sorrindo. É um bom sorriso. —Insolente!- Ele apenas diz, e agarra-me mais forte, recusando-se a dar-me o prazer de um sorriso, enquanto assume a liderança. Eu sigo, e altero a posição de nossas mãos quando andamos pela rua com nossos dedos entrelaçados. Eu continuo olhando para frente, permitindo-me um breve olhar ocasional a Miller. Não há necessidade de olhar, mas eu faço, e ele olha nossas mãos entrelaçadas, apertando-as para se acostumar com a sensação. É claro que ele nunca manteve a mão de uma mulher assim antes e enquanto eu adoro a ideia, também afeta a imensa sensação de conforto em que eu me deleito quando ele pega a minha nuca. Será que ele mantém assim todas as mulheres? E elas sentem uma onda de calor em seus corpos quando ele faz isso? Será que elas fecham os olhos e dobram lentamente um pouco o pescoço para absorver o sentimento, cheio de satisfação? Estas questões fazem minha mão se fechar em torno da dele mais apertado e eu viro minha cabeça para olhar para ele, para ver bem a expressão de seu rosto e ver como se sente desconfortável com a nossa conexão. Mais ele está duro como uma tábua e não flexiona a mão, e sua expressão é quase perplexa. — Você está bem?- Eu pergunto em voz baixa, quando viramos na Bury Street. Passos regulares de seus sapatos caros batendo na calçada vacilam um pouco, mas não olha para mim. — Excelente-, diz. Eu rio e deito a cabeça em seu antebraço. Não está excelente. Na verdade, parece extremamente desconfortável. Apesar de estar vestido de uma maneira fina e requintada, que se encaixa perfeitamente com o dia em Londres, Miller destila certo mal-estar. Eu olho ao


redor, enquanto continuamos caminhando para Piccadilly e vejo empresários de terno em todos os lugares, alguns falando em seus telefones celulares, outros carregando suas pastas, mas todo mundo parece se sentir muito confortável. Cheios de determinação, provavelmente porque eles são. Eles estão em seu caminho para o almoço, ou para uma reunião, ou indo para o escritório. Quando eu olho para trás eu percebo que eles não têm a determinação de Miller agora. Sempre indo de A a B. Não vagueia. Ele está fazendo um esforço por mim. Mas ele está falhando miseravelmente. Minha mente pondera, por um momento, a possibilidade de que Miller está tão fora do lugar agora por eu estar ligada em seu braço, mas eu descarto imediatamente. Eu estou aqui e tenho a intenção de ficar, e não apenas porque Miller diz. A ideia de continuar minha vida sem ele é inconcebível para mim, é o fio da meada. Esse pensamento de felicidade me faz tremer contra o seu corpo magnífico. Levanto o outro braço sem pensar e agarro o antebraço, logo abaixo do meu queixo. —Olivia? Eu mantenho a cabeça no lugar e levanto apenas os olhos. Ele está me olhando com preocupação no rosto. Eu forço um pequeno sorriso através da ansiedade de meus pensamentos retrógrados. — Eu conheço e amo o olhar de felicidade da minha doce menina, e eu sei que ela está tentando me enganar agora. Ele para e se vira para mim, me forçando a deixar seu braço de uma maneira inevitável e extremamente dolorosa, mas deixo-me desviar dele. Ele retira meu cabelo dos ombros, empurrando para as minhas costas e pega meu rosto em suas mãos. Ele se inclina um pouco até que seu rosto nivele com o meu; em seguida, ele recupera um pouco o meu contentamento de felicidade piscando tão incrivelmente devagar, que tenho a sensação que ele não vai voltar a abrir os olhos novamente. No entanto, ele faz, tremendo e emana cada fibra do seu ser precioso me invadindo. Ele sabe. — Fala-me o que está preocupando você. Eu sorrio por dentro e tento mentalmente. — Eu estou bem-, eu lhe asseguro, tirando uma de suas mãos de meu rosto e beijando a palma suavemente. — Você está se remoendo excessivamente, Olivia. Quantas vezes nós temos que passar por isso?– parece com raiva, embora pareça extremamente gentil. —Eu estou bem. – Olho para longe da intensidade de seu olhar, desviando pelo comprimento do seu corpo para admirar os seus sapatos de couro de luxo. Minha mente captura cada linha fina de seu traje e a qualidade espetacular de seu calçado. E então eu penso em alguma coisa e eu olho para o outro lado da rua. — Venha comigo!- digo, e pego sua mão começando a puxá-lo para o outro lado.


Ele obedientemente me segue sem protestar até o final de Bury Street e quando nos voltamos a Jermyn Street, somos confrontados com uma loja de moda masculina. É um tipo de boutique, cheia de coisas branda e enfadonhas, mas eu vejo algo que eu gosto. —O que está fazendo?-pergunta olhando nervoso a vitrine. —Vamos ver as vitrines-, digo casualmente quando eu solto a mão dele e volto a olhar as roupas de homens na mais alta qualidade, expostas nos manequins sólidos de madeira. Eu vejo especialmente ternos, mas não são esses que chama minha atenção. Miller me imita, ele coloca as mãos nos bolsos da calça e nós dois ficamos lá por uma eternidade. Eu finjo olhar para algo, quando na verdade estou pensando em como chegar lá, e ele se remexendo ao meu lado. Ele limpa a garganta. — Eu acho que nós já vimos o suficiente por agora.- Declara, pegando meu pescoço para me levar embora. Eu não me mexo, nem mesmo quando seus dedos aumentam a pressão. Isso não é fácil, mas fico presa ao chão, o que torna difícil a façanha de me mover. — Vamos entrar e dar uma olhada.Ele ainda está de pé, parando todas as tentativas de me mover. — Eu sou um defensor quando se trata de escolher os lugares onde eu compro. —Você é exigente com tudo Miller. — Sim, e eu gostaria de continuar assim.– Tenta me mover novamente, mas eu me libero dele e entro rapidamente em direção à loja. — Vamos.- peço. — Olivia!- diz com um tom de aviso... Carregado. Eu paro na entrada da loja e volto-me para ele com um sorriso enorme no rosto. — Nada lhe dá mais prazer do que ver-me feliz.- Eu lembro-o quando me apoio no batente da porta e cruzo uma perna sobre a outra. – E eu ficaria muito feliz que entrasse nessa loja. Seus olhos azuis piscam, mas mantém um olhar desconfiado, como se ele estivesse tentando esconder seu divertimento com o meu comentário espertalhão. Noto também um sorriso, e isso me enche de alegria. É perfeito, porque Miller gosta de me ver feliz, e eu não poderia estar mais feliz que agora. Eu estou sendo insolente, e ele é alternativo... Quase. — É muito difícil de resistir, Olivia Taylor.- Ele balança a cabeça pensativo e minha felicidade aumenta ainda mais quando vejo começar a caminhar em direção a mim. Eu fico na entrada da loja, olho fixamente, incapaz de apagar o sorriso de meu rosto. Sem tirar as mãos dos bolsos, ele aborda meus lábios aos seus. — É quase impossível.- E sussurra inundando meu rosto com a respiração suave e meu nariz com seu perfume masculino.


Minha determinação enfraquece, mas logo se recupera de volta e desapareço na loja antes que eu seja engolida e levada da loja. Ao entrar, um homem corpulento que aparece da parte traseira da loja olha para mim imediatamente. Parece vir de algum lugar de uma propriedade rural Inglesa. Ele veste um terno de tweed e impecável, em uma inspeção mais minuciosa, eu reparo que o nó na gravata é tão perfeito quanto o de Miller. Estupidamente, eu acho que Miller vai gostar desse detalhe e irá aumentar o seu bom humor, assim eu me viro para olhá-lo, mas eu tenho uma grande decepção ao descobrir que ele desapareceu da porta e está olhando pela vitrine novamente, com sua máscara impassível cobrindo o rosto novamente. Ele está pairando de um lado a outro olhando... Duvidoso, com cautela. —Posso ajudá-la? Deixo Miller considerando a possibilidade de se aventurar na loja e desvio a atenção para o atendente. –Sim, você pode me ajudar. —Você tem roupa esporte?- Eu pergunto. Ele ri com pompa e apontando para o fundo da loja. — Claro que sim; no entanto, são os nossos ternos e camisas que nos dão a nossa reputação. Sigo com o olhar a direção que ele está apontando o dedo e vejo uma seção no final da loja com algumas barras e algumas peças informais. Não há muito, mas, eu não vou arriscar a levar Miller em uma loja com mais variedade. Teria também tempo para escapar. E com isso em mente, eu viro novamente para ver se ele decidiu entrar. Não entrou. Lanço um suspiro alto com a intenção dele me ouvir, mesmo de fora, e eu viro para o atendente novamente. — Eu vou dar uma olhada. Estou prestes a fazer, mas seu corpo roliço fica no meu caminho com um gesto desconfortável. Eu franzo a testa, eu lanço um olhar interrogativo e vejo como ele olha para mim, da cabeça ás minhas unhas cor de rosa expostas aos meus pés, desaprovando meu vestido florido. — Senhorita...- Ele começa a olhar para mim com seus olhos pequenos e redondos. – Verá, na maioria das lojas da Jermyn Street... Como eu posso dizer?-sussurra, pensativo, mas não entendo o porquê. Ele sabe exatamente o que ele quer dizer, e eu também. – Roupas de boa qualidade. Minha confiança em mim mesmo diminui instantaneamente. Eu não sou o perfil típico de uma cliente e ele não tem escrúpulos em me avisar. —AH!- Sussurro. Me vêm à mente muitos pensamentos indesejados; pensamentos de pessoas dondocas comendo comida, dondocas bebendo champanhe... Comida e champanhe que eu lhes sirvo, de vez em quando. Ele me oferece um sorriso completamente falso e começa a mexer com a manga de uma camisa que exibe um manequim próximo. -Talvez você achasse coisas mais adequadas para você em Oxford Street. Sinto-me estúpida, e a reação desse homem desprezível, só confirmou minhas


preocupações constantes, e isso porque ele nem sequer tinha visto Miller. Seria incompreensível. Eu com um homem bem vestido como ele? — Eu creio que a senhorita deseja que você mostre as roupas informais.- A voz de Miller rasteja através de meus ombros e faz com que os levante em instante. Já ouvi esse tom antes, algumas vezes, mas é inesquecível e inconfundível. Ele está aborrecido. Eu vejo o funcionário abrir e arregalar os olhos, e sua expressão de espanto antes de lançar a Miller um olhar cauteloso quando se reúne comigo na loja. Eu sei, para o homem que não tentou me ajudar parecerá que é totalmente sereno, mas eu sei que seu sangue ferve de raiva. Ele está muito chateado, e eu imagino que não vai demorar em nos deixar saber. — Minhas roupas são muito nobre para você, espero que Mr. MyGarments, fique sabendo disso em breve. -Desculpe-me, senhor. Essa senhorita está com você? A surpresa em sua voz acaba com toda a segurança que Miller tenta infundirme, constantemente. Desaparece por completo. Eu vou ter que lidar com isso todos os dias se eu continuar tentando entrar em seu mundo. Eu sei que eu nunca iria deixá-lo. Nunca, nem pensar. De modo que isso é algo que eu tenho que aprender a aceitar ou levar a melhor. Tenho grande quantidade de insolência para o meu vaidoso Cavalheiro em tempo parcial, mas parece que eu falho em outros momentos, como agora. Miller circula minha cintura com o braço e me puxa para perto dele. Eu sinto seus músculos tensos e o pânico me faz querer sair da loja, antes que descarregue sua fúria e se arremeta contra esse velho. — Importaria alguma coisa se não estivesse?- Miller pergunta com os dentes apertados. O homem remexe inquieto seu terno de tweed e solta uma risada nervosa. —Só estou tentando ser agradável.- Insiste. —Bem você não foi.- Responde Miller. –Ela estava comprando para mim, mas isso não deveria ter a menor importância. —Mas é claro!- O homem gordo observa Miller analisando sua constituição e assente antes de remover com cuidado uma camisa branca. –Acho que temos muitas coisas que vocês poderiam estar interessados, senhor. —Certamente. Miller coloca a mão no meu pescoço e começa me massagear, devolvendo-me assim a segurança. Ele nunca falha. Mais uma vez sinto-me confortada e menos exposta ante as palavras humilhantes do atendente endereçada a mim, apesar de ter me insultado com uma excelente educação. Miller dá um passo à frente e move a ponta do dedo sobre o tecido de luxo da camisa a tempo de murmurar sua aprovação. Eu observo com cautela, sentindo seus músculos enfurecidos e cientes de que esse murmúrio de aprovação é totalmente falso. —É uma peça magnífica - diz orgulhosamente o atendente.


—Desculpe discordar.- Miller voltar para meu lado. -E ainda que estivesse confeccionada com o material mais fino que o dinheiro possa comprar eu nunca compraria de você.– Flexiona a mão levemente e me dá a volta. -Bom dia senhor. Saímos da loja e deixamos o homem desnorteado com uma magnífica camisa branca pendurada em suas mãos murchas. —Imbecil de merda-, espeta Miller enquanto me empurra para frente. Mantenho minha boca fechada. Eu nem sequer senti a necessidade de estar zangada, por não ter conseguido fazer com que Miller se interessasse por qualquer item de esporte e, depois da pequena cena, minha determinação deverá ser mais firme. No entanto, eu não quero viver mais um confronto como esse, e não só porque foi humilhante, mas também porque ainda me preocupo com o temperamento de Miller. Ele tinha um olhar feroz, como se ele estivesse prestes a se tornar uma criatura ameaçadora que perde a razão e parece incapaz de se controlar. Ele me guia pela rua. A minha alma está caindo aos pés com cada passo que damos, quando eu começo a perceber que estamos voltando para o carro. É isso? O nosso tempo relaxando juntos consistiu em um balde de realidade em uma loja de roupas? A palavra decepção nem se quer se aproximou do que eu sinto. Chegamos ao lado do Mercedes de Miller e ele me leva para o banco do passageiro. Observo em silêncio com olhos cautelosos, sem me atrever a expressar o meu desagrado, enquanto ele rodeia a frente do carro e se senta atrás do volante. Estou nervosa. Ele chateado. Eu mantenho o silêncio. Ele respira de forma agitada. A raiva parece estar se intensificando, em vez de diminuir. Sinto-me estúpida, não sabendo o que dizer ou fazer. Insere a chave na ignição com um bufo, gira e revoluciona o motor tão forte que eu tenho medo que o carro vá explodir. Eu afundo mais em meu assento e começo a girar o meu anel. —Porra!- Rugi batendo com o punho no volante. O golpe me faz sobressaltar e me coloca ereta no banco imediatamente, mas o som da buzina me coloca em guarda. Esse medo horrível se apodera do meu coração acelerado, ainda que eu me mantenha olhando para meu colo. Eu não posso olhá-lo. Eu sei o que eu vou ver, e ver Miller com raiva não é nada agradável. Parece que passa uma eternidade até que o eco da buzina se dissolve, ressonando em meus ouvidos, e passa ainda mais tempo antes que eu reúna coragem necessária para olhá-lo. Tem a testa apoiada no volante; agarra com as mãos o círculo de couro, suas costas sobem e descem pesadamente. — Miller?- Eu digo em voz baixa enquanto me inclino um pouco cautelosa, mas


logo eu me afasto quando vejo que levanta as mãos e bate no volante novamente. Ele se inclina para trás no banco, fica em silêncio por um longo momento e, em seguida, puxa a maçaneta da porta, sai do veículo e bate a porta com força. -Miller!- Eu grito ao ver como ele se distancia do carro. Merda! Vai voltar para a loja! Eu apalpo a porta em busca da maçaneta da porta ao olhar e ver como suas longas pernas se movem através da calçada, mas detenho meus frenéticos movimentos, quando de repente ele para e coloca suas mãos no cabelo. Eu fico parada, pesando nas vantagens de tentar acalmálo. Eu não gosto da ideia. O meu coração está agitado em meu peito, ameaçando se libertar enquanto aguardo a sua próxima jogada, rezando para não continuar em frente, porque eu não tenho nenhuma possibilidade de dissuadi-lo a fazer o que pretende fazer. Todo o meu ser relaxa um pouco quando vejo descendo os braços, e um pouco mais quando eu vejo levantar a cabeça e olhar para o céu. Ele está se acalmando. Ele está deixando a sabedoria vencer o turbilhão de fúria. Eu engulo em seco e sigo seus passos para uma parede próxima, e então eu relaxo ainda mais, soluçando para mim mesmo, quando ele põe as palmas das mãos nos ladrilhos e se apoia na parede, com a cabeça baixa e respirando de forma constante e controlada. Ele está respirando profundamente. Relaxo as mãos no meu colo e recosto-me no assento de couro, enquanto observo a cena em silêncio, sem incomodá-lo, enquanto ele recupera a compostura. Não demora muito, como havia antecipado, e o alívio que percorre o meu ser quando começa a alisar o terno e endireitar seu cabelo é indescritível. Agradecida, eu exalo o ar dos meus pulmões que poderia encher mil balões com ele. Já voltando a si, embora eu ainda não entenda por que ele se perdeu tanto em uma situação tão boba. Depois de permitir passar uns minutos para se certificar de que está apresentável, ele volta ao carro, abre a porta tranquilamente e senta-se com delicadeza ao volante, muito calmo. Eu espero com cautela. Ele mergulha em seus pensamentos. Então ele se vira para mim com a expressão atormentada, pega as minhas duas mãos, leva aos lábios e fecha seus olhos azuis. –Sinto muito. Me perdoa, por favor. Um leve sorriso se desenha no canto dos meus lábios por seu pedido e sua capacidade de ir de um cavalheiro a um insano e a um cavalheiro de novo, e tudo em apenas alguns minutos. Seu temperamento é uma preocupação que a nossa relação não precisa. — Por quê?- Pergunto simplesmente obrigando-o a abrir os olhos. –Aquele homem não estava tentando interferir ou ameaçar nosso relacionamento. — Lamento discordar-, responde Miller em voz baixa.


Eu levanto uma sobrancelha com a sua declaração, e ainda mais quando ele insiste em me juntar a ele em seu banco do carro me puxando. Sua roupa estava muito amassada depois de seu pequeno ataque, embora tenha tido um longo tempo esticando-a novamente. Coloca-me sobre seu colo, montando suas coxas e minhas mãos em seus ombros, em seguida, ele rodeia a minha cintura. Inspira fundo, agarra a minha cintura com mais força e me olha diretamente nos olhos. Os seus olhos perderam toda a sua ferocidade e agora se tornaram sérios. -Sim, ele estava criando divisões entre nós Livy.Eu tento esconder a minha confusão, mas os músculos de meu rosto me traem e me mostra perplexa antes que pudesse evitá-lo. — De que maneira? — O que você estava pensando? — Quando? Ele suspira profundamente, e começa a ficar frustrado. — Quando esse imbe...- Fecha a boca e mede suas palavras antes de continuar. – Quando esse cavalheiro indesejável estava falando com você, o que você estava pensando? Eu entendo o que quer dizer instantaneamente. Será melhor ele não saber o que eu estava pensando. Ficaria com raiva, então eu encolho os ombros, olho para baixo e mantenho a boca fechada. Eu não vou arriscar. Miller afunda um dedo suavemente sobre a minha pele. — Não me prive de seu rosto, Olivia. —Você sabe o que eu estava pensando,- eu digo recusando-me a olhar para cima. —Por favor, olhe para mim quando estamos falando. Eu olho em seus olhos. — Às vezes eu odeio seus modos.Estou com raiva porque ele me deixou perplexa, a mim e meu processo mental, e ao mesmo tempo estou encantada que seus lábios macios estão lutando para conter um sorriso a minha insolência. —O que você estava pensando? —Por que você quer que eu diga?-, eu pergunto. –O que você está tentando provar? —Ok, eu vou dizer. Vou explicar por que eu estava prestes a voltar para ensinar boas maneiras aquele homem. —Vá em frente, então. —Toda vez que alguém faz você infeliz ou fala com você dessa maneira, faz você pensar muito. E você já sabe como me sinto sobre pensar.- Me dá um apertão para reafirmar a sua posição. —Sim, já sei. —E a minha menina doce e preciosa já pensa muito por si mesma.


—Sim, eu sei. —Então, quando essas pessoas fazem com que você esquente a cabeça ainda mais, eu fico louco, porque você começa a duvidar de nós. Eu olho para ele com receio, mas eu não posso negar. Tem toda a razão. —Sim, eu sei-, digo com os dentes apertados. —E isso aumenta o risco de você me deixar. Você acaba pensando que as pessoas estão certas e me deixará. De modo que, sim, eles estão criando divisões entre nós. Estão se intrometendo, e quando as pessoas metem seus narizes em nosso relacionamento, eu tenho coisas a dizer a respeito-, sentencia com a voz apagada. –Tem algo mais a dizer? —Concordo. —Bem, isso é um alivio. Seu rosto reflete surpresa. — O que? —Que você concorde.- Eu afasto as mãos de seu ombro e me inclino para trás contra o volante com a intenção de pôr o máximo distância possível entre nós, ainda que sabendo que não servirá de nada. — Eu acho que você precisa ir para uma sessões de controle de raiva ou terapia, -solto o golpe antes que o temor faça com que me arrependa. Então me preparo para as suas gozações. Mas não chega. Na verdade, ele ri um pouco. —Olivia, número suficiente de pessoas já interferiram em minha vida. Eu não vou pagar um estranho para que interfira um pouco mais. —Não vai interferir. Ele vai ajudar. —Lamento discordar. - Ele olha para mim com ternura, como se fosse uma ingênua. –Eu já passei por isso. E eu acho que a conclusão foi que eu não tenho solução. Meu coração morre um pouco. Ele já tentou terapia? —Você não é além da ajuda. —Você está certa.- Responde surpreendendo-me e me enchendo de esperança.–Toda ajuda que eu preciso está sentada em meu colo. Meu otimismo desaparece instantaneamente. —Então você já se comportou como um louco antes de me conhecer?Perguntei hesitante, sabendo que ele nunca atingiu níveis de raiva, como ele vem fazendo desde que eu sou parte de sua vida perfeita. Essa linha de pensamento resulta irrisória. Vida perfeita? Não, Miller tenta torná-la perfeita fazendo que tudo ao seu redor seja perfeito, como sua aparência ou suas posses e, uma vez que fui estipulada que eu também sou uma das suas posses, isso me inclui, é claro. E esse é o problema. Eu não sou perfeita. Minhas roupas e meus modos não são impecáveis, e isso faz com que o maníaco Miller e suas perfeições afundem em um espiral de caos. Eu sou toda a ajuda que ele precisa? Ele está me colocando um peso tremendo nos ombros.


—Me comporto como um louco agora? —A paciência não é algo que brinca com você-, eu digo baixinho, lembrandome quando Miller disse essas palavras e que agora compreendo o alcance da sua advertência. Desliza sua mão no meu pescoço e puxa-me até que estamos face a face. Já me distraí dos meus pensamentos indesejados com seu toque na minha pele e seus olhos nos meu, mas eu sei que ele vai me distrair ainda mais. —Sinto-me perdidamente fascinado por você, Olivia Taylor-, ele me garante, sem tirar os olhos dos meus. –Você preenche meu mundo escuro com luz e meu coração vazio com sentimentos. Eu já te informei repetidamente que eu nunca serei fácil.- Seus lábios suaves se fundem com os meus e compartilhamos um beijo incrivelmente suave e lento. —Não estou preparado para mergulhar novamente nessa escuridão. Você é meu vicio. Só meu. Eu só preciso de você. Suspirando minha aceitação e com um salto feliz no meu coração, pego o rosto de Miller e deixo passar alguns momentos de felicidade deixando saber que eu entendo. E ele aceita. A fluidez de nossas bocas unidas me separa imediatamente da dura realidade que nós enfrentamos e me leva em cheio ao reino de Miller, onde o conforto, a ansiedade, a segurança e o perigo lutam entre si. A seus olhos, todo mundo está tentando se intrometer e, infelizmente, provavelmente, ele tenha razão. Tirei o dia de folga, porque ele me pediu, para que pudéssemos passar algum tempo juntos e tranquilos, depois dos diabólicos acontecimentos de ontem e do susto dessa manhã. Está tentando consertar a bagunça dos últimos dois dias, e eu não preciso que ninguém interfira, não só hoje, mas nunca. — Fico feliz que esclarecemos as coisas-, murmura Miller mordiscando meus lábios. Em seguida afasta a cabeça e me deixa feito uma pilha de hormônios estimulados sobre o seu colo. Quente. Libidinosa. Cega pela perfeição. —Vamos então. Meu corpo flexível é transferido para o banco do passageiro com cuidado antes de ligar o motor e se juntar ao tráfego. —Aonde vamos?- Eu pergunto, ainda desapontada que nosso dia foi interrompido tão cedo. Ele não responde. Em vez de fazê-lo, apertou alguns botões no volante e, instantaneamente, os Stone Roses estão conosco no carro. Eu sorrio, me encosto contra o banco cantarolando Waterfalle e deixo ele me levar a qualquer lugar.


Capítulo Dezenove Quando Miller para o Mercedes no estacionamento e desliga o motor, não me deixa sair do carro . Ele dá a volta passando pela frente do veículo, e para ao lado abrindo a porta. —Obrigado Senhor. — —De nada.— Responde como se não tivesse pego meu sarcasmo. —E agora?– Olha em torno de nós levantando as mangas do terno por um momento para ver a hora. —Você está com pressa?— Eu pergunto imediatamente irritada por seu gesto rude. Ele olha para mim e abaixou os braços. —Em absoluto.— Ele suaviza seu terno de novo, qualquer coisa para evitar meu tom amargo. —E agora?— repete. —Passearemos.— —Onde?— Meus ombros se curvam. Isso não vai ser fácil. Ele deveria estar relaxado. Algo calmo e agradável. —Eu posso pensar em maneiras muito mais gratificantes para passar meu tempo, Olivia, e não envolve mantê—lo em público.— Ele está totalmente sério, e minhas coxas apertam quando o vejo olhar ao redor. —Você já fez uma caminhada?— Eu pergunto. Olha rapidamente para mim com olhos curiosos. —Eu vou de A para B. —Você nunca desfruta da imensa riqueza que Londres tem para oferecer?– Pergunto surpresa, como alguém pode viver nessa grande cidade, sem se perder em sua história. Eu não posso acreditar. —Você é uma das melhores riquezas, e gostaria de mergulhar em você agora. O estudei cuidadosamente, e eu sei o que vem a seguir. Meu batimento cardíaco acelera entre as minhas pernas que é um bom sinal por causa do desejo que se acumula em seus olhos, após aquele delicioso piscar. —Mas eu não posso te adorar aqui, certo? —Não—, eu digo rapidamente, e desvio o olhar antes que eu fique ainda mais presa em seus olhos azuis cativantes. Ele não quer andar, mas eu quero. Ardo de desejo; um desejo que é palpável no ambiente que nos rodeia, mas quero desfrutar de Miller de outra forma. –Quanto a suas pinturas? —O que têm elas? —Você deve apreciar a beleza das coisas que você pinta. Caso contrário, não se incomodaria em pintá-las.— Ignoro o fato de que seria ainda mais bonita se fosse algo mais claro. Ele dá de ombros com indiferença e olha de novo ao nosso redor. Isso começa a me irritar. —Eu vejo algo que eu gosto, eu tiro fotos e depois pinto.


—Tão simples? —Sim.— Ele não me olha no rosto. —Você não acha que seria mais gratificante se você pintasse ao vivo? —Eu não vejo o por que. Respiro, cansada de insistir, eu cruzo a bolsa por cima do ombro. Eu ainda não o compreendo em tudo, embora eu sempre diga a mim mesma que eu faço. Estou me enganando. —Pronto? – Ele responde segurando meu pescoço e me empurrando para frente, mas eu paro e me libero. Dou-lhe um olhar de desdém e ele olha para mim com confusão refletida em seu belo rosto. —Qual é o problema? —Você não irá passear por Londres segurando meu pescoço. —E porque não?— Ele fica realmente confuso. —Eu gosto de ter você perto. Eu pensei que você também gostasse. —Gosto—, admito. Eu sempre aprecio o conforto do calor da palma se sua mão em minha nuca. Mas não enquanto passeamos por Londres. —Dê-me sua mão. Eu acho que Miller nunca pegou a mão de uma mulher só para passear. Eu também não posso imaginar. Ele me levou pela mão algumas vezes, mais foi sempre proposital: para me levar a algum lugar onde ele quisesse, mas nunca para relaxar e passear. Ele passa algum tempo pensando sobre o que pedi até que finalmente ele aceita as minhas mãos estendidas levantando uma sobrancelha. —BOO! —Eu grito com um sorriso fazendo-o pular. Recupera a compostura levanta sérios os olhos nos meus. Eu sorrio. — Eu não mordo. Ele fica quase ofendido, eu observo, mas ainda parece frio e impassível. No entanto, eu ainda estou sorrindo. É um bom sorriso. —Insolente!— Ele apenas diz, e agarra-me mais forte, recusando-se a dar-me o prazer de um sorriso, enquanto assume a liderança. Eu sigo, e altero a posição de nossas mãos quando andamos pela rua com nossos dedos entrelaçados. Eu continuo olhando para frente, permitindo-me um breve olhar ocasional a Miller. Não há necessidade de olhar, mas eu faço, e ele olha nossas mãos entrelaçadas, apertando-as para se acostumar com a sensação. É claro que ele nunca manteve a mão de uma mulher assim antes e enquanto eu adoro a ideia, também afeta a imensa sensação de conforto em que eu me deleito quando ele pega a minha nuca. Será que ele mantém assim todas as mulheres? E elas sentem uma onda de calor em seus corpos quando ele faz isso? Será que elas fecham os olhos e dobram lentamente um pouco o pescoço para absorver o sentimento, cheio de satisfação? Estas questões fazem minha mão se fechar em torno da dele mais apertado e eu viro minha cabeça para olhar para ele, para ver bem a expressão de seu rosto e ver como se sente desconfortável com a nossa conexão. Mais ele está duro como uma tábua e não flexiona a mão, e sua expressão é quase perplexa. —Você está bem?— Eu pergunto em voz baixa, quando viramos na Bury Street. Passos regulares de seus sapatos caros batendo na calçada vacilam um pouco, mas não olha para mim.


—Excelente—, diz. Eu rio e deito a cabeça em seu antebraço. Não está excelente. Na verdade, parece extremamente desconfortável. Apesar de estar vestido de uma maneira fina e requintada, que se encaixa perfeitamente com o dia em Londres, Miller destila certo mal-estar. Eu olho ao redor, enquanto continuamos caminhando para Piccadilly e vejo empresários de terno em todos os lugares, alguns falando em seus telefones celulares, outros carregando suas pastas, mas todo mundo parece se sentir muito confortável. Cheios de determinação, provavelmente porque eles são. Eles estão em seu caminho para o almoço, ou para uma reunião, ou indo para o escritório. Quando eu olho para trás eu percebo que eles não têm a determinação de Miller agora. Sempre indo de A a B. Não vagueia. Ele está fazendo um esforço por mim. Mas ele está falhando miseravelmente. Minha mente pondera, por um momento, a possibilidade de que Miller está tão fora do lugar agora por eu estar ligada em seu braço, mas eu descarto imediatamente. Eu estou aqui e tenho a intenção de ficar, e não apenas porque Miller diz. A ideia de continuar minha vida sem ele é inconcebível para mim, é o fio da meada. Esse pensamento de felicidade me faz tremer contra o seu corpo magnífico. Levanto o outro braço sem pensar e agarro o antebraço, logo abaixo do meu queixo. —Olivia? Eu mantenho a cabeça no lugar e levanto apenas os olhos. Ele está me olhando com preocupação no rosto. Eu forço um pequeno sorriso através da ansiedade de meus pensamentos retrógrados. —Eu conheço e amo o olhar de felicidade da minha doce menina, e eu sei que ela está tentando me enganar agora.— Ele para e se vira para mim, me forçando a deixar seu braço de uma maneira inevitável e extremamente dolorosa, mas deixo-me desviar dele. Ele retira meu cabelo dos ombros, empurrando para as minhas costas e pega meu rosto em suas mãos. Ele se inclina um pouco até que seu rosto nivele com o meu; em seguida, ele recupera um pouco o meu contentamento de felicidade piscando tão incrivelmente devagar, que tenho a sensação que ele não vai voltar a abrir os olhos novamente. No entanto, ele faz, tremendo e emana cada fibra do seu ser precioso me invadindo. Ele sabe. —Fala-me o que está preocupando você.— Eu sorrio por dentro e tento mentalmente. —Eu estou bem—, eu lhe asseguro, tirando uma de suas mãos de meu rosto e beijando a palma suavemente. —Você está se remoendo excessivamente, Olivia. Quantas vezes nós temos que passar por isso?–Parece com raiva, embora pareça extremamente gentil. —Eu estou bem.– Olho para longe da intensidade de seu olhar, desviando pelo comprimento do seu corpo para admirar os seus sapatos de couro de luxo. Minha mente captura cada linha fina de seu traje e a qualidade espetacular de seu calçado. E então eu penso em alguma coisa e eu olho para o outro lado da rua. —Venha comigo!— digo, e pego sua mão começando a puxá-lo para o outro lado. Ele obedientemente me segue sem protestar até o final de Bury Street e quando nos voltamos a


Jermyn Street, somos confrontados com uma loja de moda masculina. É um tipo de boutique, cheia de coisas branda e enfadonhas, mas eu vejo algo que eu gosto. —O que está fazendo?— Pergunta olhando nervoso a vitrine. —Vamos ver as vitrines—, digo casualmente quando eu solto a mão dele e volto a olhar as roupas de homens na mais alta qualidade, expostas nos manequins sólidos de madeira. Eu vejo especialmente ternos, mas não são esses que chama minha atenção. Miller me imita, ele coloca as mãos nos bolsos da calça e nós dois ficamos lá por uma eternidade. Eu finjo olhar para algo, quando na verdade estou pensando em como chegar lá, e ele se remexendo ao meu lado. Ele limpa a garganta. —Eu acho que nós já vimos o suficiente por agora.— Declara, pegando meu pescoço para me levar embora. Eu não me mexo, nem mesmo quando seus dedos aumentam a pressão. Isso não é fácil, mas fico presa ao chão, o que torna difícil a façanha de me mover. —Vamos entrar e dar uma olhada.— Ele ainda está de pé, parando todas as tentativas de me mover. —Eu sou um defensor quando se trata de escolher os lugares onde eu compro. —Você é exigente com tudo Miller. —Sim, e eu gostaria de continuar assim.– Tenta me mover novamente, mas eu me libero dele e entro rapidamente em direção à loja. —Vamos.— Peço. —Olivia!— diz com um tom de aviso... Carregado. Eu paro na entrada da loja e volto—me para ele com um sorriso enorme no rosto. —Nada lhe dá mais prazer do que ver-me feliz.— Eu lembro-o quando me apoio no batente da porta e cruzo uma perna sobre a outra. —E eu ficaria muito feliz que entrasse nessa loja. Seus olhos azuis piscam, mas mantém um olhar desconfiado, como se ele estivesse tentando esconder seu divertimento com o meu comentário espertalhão. Noto também um sorriso, e isso me enche de alegria. É perfeito, porque Miller gosta de me ver feliz, e eu não poderia estar mais feliz que agora. Eu estou sendo insolente, e ele é alternativo... Quase. —É muito difícil de resistir, Olivia Taylor.— Ele balança a cabeça pensativo e minha felicidade aumenta ainda mais quando vejo começar a caminhar em direção a mim. Eu fico na entrada da loja, olho fixamente, incapaz de apagar o sorriso de meu rosto. Sem tirar as mãos dos bolsos, ele aborda meus lábios aos seus. —É quase impossível.— E sussurra inundando meu rosto com a respiração suave e meu nariz com seu perfume masculino. Minha determinação enfraquece, mas logo se recupera de volta e desapareço na loja antes que eu seja engolida e levada da loja. Ao entrar, um homem corpulento que aparece da parte traseira da loja olha para mim imediatamente. Parece vir de algum lugar de uma propriedade rural Inglesa. Ele veste um terno de tweed e impecável, em uma inspeção mais minuciosa, eu reparo que o nó na gravata é tão perfeito quanto o de Miller. Estupidamente, eu acho que Miller vai gostar desse detalhe e irá aumentar o seu bom humor, assim eu me viro para olhálo, mas eu tenho uma grande decepção ao descobrir que ele desapareceu da porta e está


olhando pela vitrine novamente, com sua máscara impassível cobrindo o rosto novamente. Ele está pairando de um lado a outro olhando... Duvidoso, com cautela. —Posso ajuda-la? Deixo Miller considerando a possibilidade de se aventurar na loja e desvio a atenção para o atendente. —Sim, você pode me ajudar. —Você tem roupa esporte?— Eu pergunto. Ele ri com pompa e apontando para o fundo da loja. —Claro que sim; no entanto, são os nossos ternos e camisas que nos dão a nossa reputação. Sigo com o olhar a direção que ele está apontando o dedo e vejo uma seção no final da loja com algumas barras e algumas peças informais. Não há muito, mas, eu não vou arriscar a levar Miller em uma loja com mais variedade. Teria também tempo para escapar. E com isso em mente, eu viro novamente para ver se ele decidiu entrar. Não entrou. Lanço um suspiro alto com a intenção dele me ouvir, mesmo de fora, e eu viro para o atendente novamente. —Eu vou dar uma olhada. Estou prestes a fazer, mas seu corpo roliço fica no meu caminho com um gesto desconfortável. Eu franzo a testa, eu lanço um olhar interrogativo e vejo como ele olha para mim, da cabeça ás minhas unhas cor de rosa expostas aos meus pés, desaprovando meu vestido florido. —Senhorita...— Ele começa a olhar para mim com seus olhos pequenos e redondos. —Verá, na maioria das lojas da Jermyn Street... Como eu posso dizer?—sussurra, pensativo, mas não entendo o porquê. Ele sabe exatamente o que ele quer dizer, e eu também. –Roupas de boa qualidade. Minha confiança em mim mesmo diminui instantaneamente. Eu não sou o perfil típico de uma cliente e ele não tem escrúpulos em me avisar. —AH!— Sussurro. Me vêm à mente muitos pensamentos indesejados; pensamentos de pessoas dondocas comendo comida, dondocas bebendo champanhe... Comida e champanhe que eu lhes sirvo, de vez em quando. Ele me oferece um sorriso completamente falso e começa a mexer com a manga de uma camisa que exibe um manequim próximo. —Talvez você achasse coisas mais adequadas para você em Oxford Street. Sinto-me estúpida, e a reação desse homem desprezível, só confirmou minhas preocupações constantes, e isso porque ele nem sequer tinha visto Miller. Seria incompreensível. Eu com um homem bem vestido como ele? —Eu creio que a senhorita deseja que você mostre as roupas informais.— A voz de Miller rasteja através de meus ombros e faz com que os levante em instante. Já ouvi esse tom antes, algumas vezes, mas é inesquecível e inconfundível. Ele está aborrecido. Eu vejo o funcionário abrir e arregalar os olhos, e sua expressão de espanto antes de lançar a Miller um olhar cauteloso quando se reúne comigo na loja. Eu sei, para o homem que não tentou me ajudar parecerá que é totalmente sereno, mas eu sei que seu sangue ferve de raiva. Ele está muito chateado, e eu imagino que não vai demorar em nos deixar saber. —Minhas roupas são muito nobre para você, espero que Mr. MyGarments, fique sabendo disso em breve.


—Desculpe-me, senhor. Essa senhorita está com você? A surpresa em sua voz acaba com toda a segurança que Miller tenta infundir-me, constantemente. Desaparece por completo. Eu vou ter que lidar com isso todos os dias se eu continuar tentando entrar em seu mundo. Eu sei que eu nunca iria deixa-lo. Nunca, nem pensar. De modo que isso é algo que eu tenho que aprender a aceitar ou levar a melhor. Tenho grande quantidade de insolência para o meu vaidoso Cavalheiro em tempo parcial, mas parece que eu falho em outros momentos, como agora. Miller circula minha cintura com o braço e me puxa para perto dele. Eu sinto seus músculos tensos e o pânico me faz querer sair da loja, antes que descarregue sua fúria e se arremeta contra esse velho. —Importaria alguma coisa se não estivesse?— Miller pergunta com os dentes apertados. O homem remexe inquieto seu terno de tweed e solta uma risada nervosa. —Só estou tentando ser agradável.— Insiste. —Bem você não foi.— Responde Miller. —Ela estava comprando para mim, mas isso não deveria ter a menor importância. —Mas é claro!— O homem gordo observa Miller analisando sua constituição e assente antes de remover com cuidado uma camisa branca. —Acho que temos muitas coisas que vocês poderiam estar interessados, senhor. —Certamente. Miller coloca a mão no meu pescoço e começa me massagear, devolvendo-me assim a segurança. Ele nunca falha. Mais uma vez sinto-me confortada e menos exposta ante as palavras humilhantes do atendente endereçada a mim, apesar de ter me insultado com uma excelente educação. Miller dá um passo à frente e move a ponta do dedo sobre o tecido de luxo da camisa a tempo de murmurar sua aprovação. Eu observo com cautela, sentindo seus músculos enfurecidos e cientes de que esse murmúrio de aprovação é totalmente falso. —É uma peça magnífica — diz orgulhosamente o atendente. —Desculpe discordar.— Miller voltar para meu lado. —E ainda que estivesse confeccionada com o material mais fino que o dinheiro possa comprar eu nunca compraria de você.– Flexiona a mão levemente e me dá a volta. —Bom dia senhor. Saímos da loja e deixamos o homem desnorteado com uma magnífica camisa branca pendurada em suas mãos murchas. —Imbecil de merda—, espeta Miller enquanto me empurra para frente. Mantenho minha boca fechada. Eu nem sequer senti a necessidade de estar zangada, por não ter conseguido fazer com que Miller se interessasse por qualquer item de esporte e, depois da pequena cena, minha determinação deverá ser mais firme. No entanto, eu não quero viver mais um confronto como esse, e não só porque foi humilhante, mas também porque ainda me preocupo com o temperamento de Miller. Ele tinha um olhar feroz, como se ele estivesse prestes a se tornar uma criatura ameaçadora que perde a razão e parece incapaz de se controlar. Ele me guia pela rua. A minha alma está caindo aos pés com cada passo que damos, quando eu começo a perceber que estamos voltando para o carro. É isso? O nosso tempo relaxando juntos consistiu em um balde de realidade em uma loja de roupas? A palavra decepção nem se


quer se aproximou do que eu sinto.


Chegamos ao lado do Mercedes de Miller e ele me leva para o banco do passageiro. Observo em silêncio com olhos cautelosos, sem me atrever a expressar o meu desagrado, enquanto ele rodeia a frente do carro e se senta atrás do volante. Estou nervosa. Ele chateado. Eu mantenho o silêncio. Ele respira de forma agitada. A raiva parece estar se intensificando, em vez de diminuir. Sinto-me estúpida, não sabendo o que dizer ou fazer. Insere a chave na ignição com um bufo, gira e revoluciona o motor tão forte que eu tenho medo que o carro vá explodir. Eu afundo mais em meu assento e começo a girar o meu anel. —Porra!— Rugi batendo com o punho no volante. O golpe me faz sobressaltar e me coloca ereta no banco imediatamente, mas o som da buzina me coloca em guarda. Esse medo horrível se apodera do meu coração acelerado, ainda que eu me mantenha olhando para meu colo. Eu não posso olhá-lo. Eu sei o que eu vou ver, e ver Miller com raiva não é nada agradável. Parece que passa uma eternidade até que o eco da buzina se dissolve, ressonando em meus ouvidos, e passa ainda mais tempo antes que eu reúna coragem necessária para olhá-lo. Tem a testa apoiada no volante; agarra com as mãos o círculo de couro, suas costas sobem e descem pesadamente. —Miller?— Eu digo em voz baixa enquanto me inclino um pouco cautelosa, mas logo eu me afasto quando vejo que levanta as mãos e bate no volante novamente. Ele se inclina para trás no banco, fica em silêncio por um longo momento e, em seguida, puxa a maçaneta da porta, sai do veículo e bate a porta com força. —Miller!— Eu grito ao ver como ele se distancia do carro. Merda! Vai voltar para a loja! Eu apalpo a porta em busca da maçaneta da porta ao olhar e ver como suas longas pernas se movem através da calçada, mas detenho meus frenéticos movimentos, quando de repente ele para e coloca suas mãos no cabelo. Eu fico parada, pesando nas vantagens de tentar acalmá-lo. Eu não gosto da ideia. O meu coração está agitado em meu peito, ameaçando se libertar enquanto aguardo a sua próxima jogada, rezando para não continuar em frente, porque eu não tenho nenhuma possibilidade de dissuadi-lo a fazer o que pretende fazer. Todo o meu ser relaxa um pouco quando vejo descendo os braços, e um pouco mais quando eu vejo levantar a cabeça e olhar para o céu. Ele está se acalmando. Ele está deixando a sabedoria vencer o turbilhão de fúria. Eu engulo em seco e sigo seus passos para uma parede próxima, e então eu relaxo ainda mais, soluçando para mim mesmo, quando ele põe as palmas das mãos nos ladrilhos e se apoia na parede, com a cabeça baixa e respirando de forma constante e controlada. Ele está respirando profundamente. Relaxo as mãos no meu colo e recosto-me no assento de couro, enquanto observo a cena em silêncio, sem incomodálo, enquanto ele recupera a compostura. Não demora muito, como havia antecipado, e o alívio que percorre o meu ser quando começa a alisar o terno e endireitar seu cabelo é indescritível. Agradecida, eu exalo o ar dos meus pulmões que poderia encher mil balões com ele. Já voltando a si, embora eu ainda não entenda por que ele se perdeu tanto em uma


situação tão boba. Depois de permitir passar uns minutos para se certificar de que está apresentável, ele volta ao carro, abre a porta tranquilamente e senta-se com delicadeza ao volante, muito calmo. Eu espero com cautela. Ele mergulha em seus pensamentos. Então ele se vira para mim com a expressão atormentada, pega as minhas duas mãos, leva aos lábios e fecha seus olhos azuis. —Sinto muito. Me perdoa, por favor.— Um leve sorriso se desenha no canto dos meus lábios por seu pedido e sua capacidade de ir de um cavalheiro a um insano e a um cavalheiro de novo, e tudo em apenas alguns minutos. Seu temperamento é uma preocupação que a nossa relação não precisa. —Por quê?— Pergunto simplesmente obrigando-o a abrir os olhos. —Aquele homem não estava tentando interferir ou ameaçar nosso relacionamento.— —Lamento discordar—, responde Miller em voz baixa. Eu levanto uma sobrancelha com a sua declaração, e ainda mais quando ele insiste em me juntar a ele em seu banco do carro me puxando. Sua roupa estava muito amassada depois de seu pequeno ataque, embora tenha tido um longo tempo esticando-a novamente. Coloca-me sobre seu colo, montando suas coxas e minhas mãos em seus ombros, em seguida, ele rodeia a minha cintura. Inspira fundo, agarra a minha cintura com mais força e me olha diretamente nos olhos. Os seus olhos perderam toda a sua ferocidade e agora se tornaram sérios. —Sim, ele estava criando divisões entre nós Livy.— Eu tento esconder a minha confusão, mas os músculos de meu rosto me traem e me mostra perplexa antes que pudesse evita-lo. — De que maneira?— — O que você estava pensando?— — Quando?— Ele suspira profundamente, e começa a ficar frustrado. —Quando esse imbe...— Fecha a boca e mede suas palavras antes de continuar. —Quando esse cavalheiro indesejável estava falando com você, o que você estava pensando?— Eu entendo o que quer dizer instantaneamente. Será melhor ele não saber o que eu estava pensando. Ficaria com raiva, então eu encolho os ombros, olho para baixo e mantenho a boca fechada. Eu não vou arriscar. Miller afunda um dedo suavemente sobre a minha pele. —Não me prive de seu rosto, Olivia.— —Você sabe o que eu estava pensando,— eu digo recusando—me a olhar para cima. —Por favor, olhe para mim quando estamos falando.— Eu olho em seus olhos. —Às vezes eu odeio seus modos.— Estou com raiva porque ele me deixou perplexa, a mim e meu processo mental, e ao mesmo tempo estou encantada que seus lábios macios estão lutando para conter um sorriso a minha insolência . —O que você estava pensando?— —Por que você quer que eu diga?—, eu pergunto. —O que você está tentando provar?


—Ok, eu vou dizer. Vou explicar por que eu estava prestes a voltar para ensinar boas maneiras aquele homem.— —Vá em frente, então.— —Toda vez que alguém faz você infeliz ou fala com você dessa maneira, faz você pensar muito. E você já sabe como me sinto sobre pensar.— Me dá um apertão para reafirmar a sua posição. —Sim, já sei.— —E a minha menina doce e preciosa já pensa muito por si mesma.— —Sim, eu sei.— —Então, quando essas pessoas fazem com que você esquente a cabeça ainda mais, eu fico louco, porque você começa a duvidar de nós.— Eu olho para ele com receio, mas eu não posso negar. Tem toda a razão. —Sim, eu sei—, digo com os dentes apertados. —E isso aumenta o risco de você me deixar. Você acaba pensando que as pessoas estão certas e me deixará. De modo que, sim, eles estão criando divisões entre nós. Estão se intrometendo, e quando as pessoas metem seus narizes em nosso relacionamento, eu tenho coisas a dizer a respeito—, sentencia com a voz apagada. –Tem algo mais a dizer?— — Concordo.— —Bem, isso é um alivio.— Seu rosto reflete surpresa. — O que?— —Que você concorde.— Eu afasto as mãos de seu ombro e me inclino para trás contra o volante com a intenção de pôr o máximo distância possível entre nós, ainda que sabendo que não servirá de nada. —Eu acho que você precisa ir para uma sessões de controle de raiva ou terapia, —solto o golpe antes que o temor faça com que me arrependa. Então me preparo para as suas gozações. Mas não chega. Na verdade, ele ri um pouco. —Olivia, número suficiente de pessoas já interferiram em minha vida. Eu não vou pagar um estranho para que interfira um pouco mais.— —Não vai interferir. Ele vai ajudar.— —Lamento discordar.— Ele olha para mim com ternura, como se fosse uma ingênua. —Eu já passei por isso. E eu acho que a conclusão foi que eu não tenho solução.— Meu coração morre um pouco. Ele já tentou terapia? —Você não é além da ajuda.— —Você está certa.— Responde surpreendendo—me e me enchendo de esperança. —Toda ajuda que eu preciso está sentada em meu colo.— Meu otimismo desaparece instantaneamente. —Então você já se comportou como um louco antes de me conhecer?— Perguntei hesitante, sabendo que ele nunca atingiu níveis de raiva, como ele vem fazendo desde que eu sou parte de sua vida perfeita. Essa linha de pensamento resulta irrisória. Vida perfeita? Não, Miller tenta torna-la perfeita fazendo que tudo ao seu redor seja perfeito, como sua aparência ou suas posses e, uma vez que fui estipulada que eu também sou uma das suas posses, isso me inclui, é claro. E esse é o


problema. Eu não sou perfeita. Minhas roupas e meus modos não são impecáveis, e isso faz com que o maníaco Miller e suas perfeições afundem em um espiral de caos. Eu sou toda a ajuda que ele precisa? Ele está me colocando um peso tremendo nos ombros. —Me comporto como um louco agora?— —A paciência não é algo que brinca com você—, eu digo baixinho, lembrando—me quando Miller disse essas palavras e que agora compreendo o alcance da sua advertência. Desliza sua mão no meu pescoço e puxa—me até que estamos face a face. Já me distraí dos meus pensamentos indesejados com seu toque na minha pele e seus olhos nos meu, mas eu sei que ele vai me distrair ainda mais. —Sinto-me perdidamente fascinado por você, Olivia Taylor—, ele me garante, sem tirar os olhos dos meus. —Você preenche meu mundo escuro com luz e meu coração vazio com sentimentos. Eu já te informei repetidamente que eu nunca serei fácil.— Seus lábios suaves se fundem com os meus e compartilhamos um beijo incrivelmente suave e lento. —Não estou preparado para mergulhar novamente nessa escuridão. Você é meu vicio. Só meu. Eu só preciso de você.— Suspirando minha aceitação e com um salto feliz no meu coração, pego o rosto de Miller e deixo passar alguns momentos de felicidade deixando saber que eu entendo. E ele aceita. A fluidez de nossas bocas unidas me separa imediatamente da dura realidade que nós enfrentamos e me leva em cheio ao reino de Miller, onde o conforto, a ansiedade, a segurança e o perigo lutam entre si. A seus olhos, todo mundo está tentando se intrometer e, infelizmente, provavelmente, ele tenha razão. Tirei o dia de folga, porque ele me pediu, para que pudéssemos passar algum tempo juntos e tranquilos, depois dos diabólicos acontecimentos de ontem e do susto dessa manhã. Está tentando consertar a bagunça dos últimos dois dias, e eu não preciso que ninguém interfira, não só hoje, mas nunca. —Fico feliz que esclarecemos as coisas —, murmura Miller mordiscando meus lábios. Em seguida afasta a cabeça e me deixa feito uma pilha de hormônios estimulados sobre o seu colo. Quente. Libidinosa. Cega pela perfeição. —Vamos então.— Meu corpo flexível é transferido para o banco do passageiro com cuidado antes de ligar o motor e se juntar ao tráfego. —Aonde vamos?— Eu pergunto, ainda desapontada que nosso dia foi interrompido tão cedo. Ele não responde. Em vez de fazê-lo, apertou alguns botões no volante e, instantaneamente, os Stone Roses estão conosco no carro. Eu sorrio, me encosto contra o banco cantarolando Waterfalle e deixo ele me levar a qualquer lugar.

Capítulo Vinte Eu fico olhando para a grã-fina fachada de Harrods e me lembro da última vez


que eu vim aqui com minha avó. Lembro-me de Cassie. E eu me lembro de uma gravata de seda cor de rosa caindo no peito de Miller. Gostaria de esquecer todas essas coisas, e rosno quando me vêm à mente. Mas Miller ignora minha tristeza, desce do carro e o rodeia para me pegar do outro lado. Abre a porta, e me oferece a mão, e eu subo a vista por seu corpo lentamente até minha exasperação cruzar com a sua satisfação. Ele me dá um olhar de expectativa e faz alguns movimentos com a mão para que me apresse: —Vamos lá! —Eu mudei de ideia, digo friamente fingindo não ver que está me estendendo à mão. –Vamos comer alguma coisa. Pode ser que eu saia ganhando com essa mudança de planos, porque com toda a confusão que ele montou na loja anterior, Miller ainda não cumpriu sua insistência de que eu coma alguma coisa. E não me ocorre nada pior do que acompanhar Miller para comprar mais máscaras. — Vamos comer logo.- Reclama Minha mão, ele me tira para fora do carro e agarra a parte de trás do meu pescoço. —Não vamos demorar aqui. O otimismo invade minha mente sem entusiasmo enquanto me guia em direção aos grandes armazéns, onde eu sou instantaneamente oprimida pela atividade agitada e frenética do interior. —Está é cheio de pessoas-, protesto seguindo seus determinados passos. Ele ignora as minhas queixas se esquivando das massas de compradores, a maioria turista. — Você queria ir às compras, ele me lembra, e se detém na frente de uma loja de fragrâncias masculinas. —O que posso ajudá-lo, senhor?- Pergunta uma mulher muito elegante sorrindo abertamente. Obviamente está fazendo uma visão geral com um olhar, e isso me deixa ainda mais de mal humor. —Tom Ford original?- pergunta Miller brevemente. —É claro-, responde ela apontando para uma prateleira atrás. –Quer de cinquenta ou cem mililitros?— De cem. —Deseja cheirá-lo antes? —Não. —Eu sim-, intervenho, eu me aproximo do balcão um pouco mais. –Por favor. Eu sorrio e vejo como a mulher levanta as sobrancelhas em surpresa antes de pulverizar um pouco em um pedaço de papel e me entregar. –Obrigada. —De nada. Aproximo o papel ao meu nariz e cheiro. Eu quase morro de prazer. É como ter Miller engarrafado. —Mmm. Eu fecho meus olhos e mantenho o papel no meu nariz. É como estar no céu.


—Você gosta? Ele sussurra em meu ouvido, e o charme de sua proximidade contribui para o meu sentido de olfato. —É algo sublime - eu digo em voz baixa. Cheira como você. —Ou eu cheiro a isso-, ele me corrige enquanto entregava um cartão de crédito para a mulher que não parava de olhar para ele e para mim, alternadamente. Realizada a transação ele sorri enquanto entrega a bolsa para mim. É um sorriso falso. —Obrigada-, aceito e relutantemente, me afasto do pedaço de papel com a fragrância no nariz e deixo cair na sacola. Então eu reivindico a mão de Miller. —Que tenha um bom dia. Então ele me dirige para a escada rolante, mas decide subir andando ao invés de nos deixar transportar para o piso superior. Deixamos a escada para trás e Miller abre caminho através de mais pessoas para outro vão de escada, e depois através de mais gente e mais departamentos. Estou totalmente desorientada; com a atividade frenética das pessoas e com o nosso zigzague pelas lojas gigantes, estou ficando enjoada. Eu vou onde Miller me guia, olhando ao meu redor sem fixar a vista em nenhum lugar, enquanto ele se move decisivamente, sabendo perfeitamente onde está indo. Não estou bem. Quando eu vir um terno, eu acho que vou fazê-lo pedaços. —Nós já chegamos-, diz. Ele se detém diante da soleira de uma área para homens, ele solta o meu pescoço e coloca as mãos nos bolsos. Abro os olhos bem abertos para a variedade de peças de roupas que eu tenho diante mim. Montão delas. Algumas coisas já estão chamando a minha atenção; minhas pernas querem me levar em uma direção, mas então meus olhos descobrem outra coisa que eu gosto e eu paro. Há muitas. É predominantemente informal. Sua respiração bate no meu ouvido. –Eu acho que isso era o que você estava procurando. Felicidade e euforia me invadiram e me viro para encará-lo. O que eu vejo é a satisfação refletida em seus olhos azuis brilhantes. —Você deve estar se regozijando em seu segundo prazer favorito-, eu digo, porque eu estou fora mim de felicidade.Ele vai me deixar vesti-lo. É como um varal humano, cada centímetro de seu físico perfeito está pronto para decorá-lo com algo diferente de um terno de três peças. —Na verdade eu estou-, confirma, e me dá vontade de gritar de empolgação quando ele alimenta ainda mais meu júbilo sorrindo-me. Eu prendo a respiração para não gritar com alegria e agarro sua mão. Praticamente arrastando pela loja. Meus olhos olham em todas as direções procurando roupas de esportes perfeitas para usar com o meu perfeito Miller. —Livy!- Exclama alarmado quando praticamente tropeça atrás de mim. Mas


não me detenho. —Olivia! Agora ele está rindo o que faz que detenha minha tenaz marcha para Harrods para virar e desfrutar da imagem. Eu quase desmaiei quando o vi... Quase. Pelo menos uma tonteira é uma melhoria em relação a rebentar em lágrimas. —Porra, Miller-, sussurro correndo a mão pelo pescoço massageando... Relaxando... Como ele normalmente faz. Eu estou com saudades. Eu sou como uma criança em uma loja de doces com demasiadas coisas atraentes que me rodeiam – Miller sorrindo, Miller rindo e uma abundância de peças informais para vesti-lo. Eu não sei o que fazer com tudo isso, se absorvo o prazer de ver Miller tão animado ou arrastá-lo para os vestiários antes que ele mude de ideia. Aproxima seu rosto ao meu, com os olhos ainda brilhando e os lábios esboçando um sorriso. Novamente os habituais dilemas: olhos ou a boca? —Terra chamando Olivia-, diz gentilmente, me mostrando como ele desfruta do meu estado de confusão. –Você precisa de mim para fazer isso?Seu toque delicado empalidece minhas bochechas, e assinto para não começar a chorar diante dele novamente. Eu estou sensível, o que é absurdo. Está me fazendo feliz, ainda que uma parte da razão de estarmos aqui é porque ele se sente culpado por sua reação na loja anterior. Sustenta-me o olhar e se aproxima, até que a sua essência me inunda e seu nariz esfrega meu pescoço. Em seguida, cola seu corpo firmemente contra o meu, lentamente me levanta do chão e enterra seu rosto no meu pescoço. Eu agarro-o com força. Com muita força. E ele faz isso também. Continuamos entrelaçados, perdidos nos braços um do outro, em pleno Harrods, e não nos importamos que alguém possa estar olhando para nós. De repente, eu não me importo muito em tirar Miller de seu terno. Eu quero que ele me leve para casa, que me meta em sua cama e me ame. —Eu disse que não queria ficar muito tempo aqui, sussurra em meu pescoço, me segurando ainda. —Hum. Saco forças de onde eu não tenho para liberá-lo e apoiar os pés novamente no chão. —Obrigada.- Acaricio, durante uns segundos, as mangas de seu terno, enquanto ele me observa. —Eu não quero que me agradeça nunca Livy. —-Bem, eu sempre serei grata por ter você. Deixo de acariciar as mangas e me afasto. Fui trazida de volta à vida, mas que essa vida seja questionável e estressante. Mas agora eu tenho meu chato cavalheiro a tempo parcial e a seu mundo perfeito e preciso. Olhando para baixo eu vejo seus sapatos lindos, e ergo os olhos para ele novamente. Continua sorrindo, mas um pouco menos. — Você tem trinta minutos-, diz.


— Beleza! Deixo minha abstração e imediatamente me encaminho para uma parede com prateleiras cheias de calças Jeans. A ideia de ver Miller calça jeans... Parece estranho, mas estou desesperada para que deixe para trás aqueles ternos, ou pelo menos não seja tão formal. E a possibilidade de ver sua bunda perfeita coberta por jeans é muito atraente para resistir. Miro etiquetas que descreve o tamanho de cada estilo e no final escolho um par de jeans desbotado que dão a impressão de ser algo solto. Parecem perfeitos. — Aqui. Eu balanço para trás e tentando calcular o tamanho. As pernas da calça são muito curtas para pernas longas e musculosas de Miller. A dobro outra vez deixa na prateleira e eu tomo outras mais longas. – Estes.- O sustento na minha frente, sorrindo para mim mesma ao ver que tenho de segurar a cintura até meu peito para a bainha não se arrastar no chão. Essas devem servir. — Você quer saber o meu tamanho?- Pergunta desviando meu olhar do azul da calça jeans para o azul dos seus olhos seu sorridentes. Eles combinaram quase perfeitamente. Eu pressiono meus lábios e repasso rapidamente a seu físico. — Você devia ter este corpo gravado nessa preciosa mente que você tem, Livy, diz com voz grave, sedutora e sexy de dar raiva. —E está-, respondo imediatamente, – Mas não tinha classificado por números. —Esses são perfeitos. Tira de minhas mãos e olha para a peça, hesitante. E com o que quer a minha linda menina que os combinem? Sorrio para ele ao vê-lo tão disposto a me agradar, eu viro e vejo uma camisa do outro lado do corredor. —Com isso, eu aponto, e eu vejo a partir do canto do meu olho como Miller segue gesto. —Isso?- Pergunta em um tom um pouco alarmado. —Sim. Aproximo-me e despenduro uma camiseta desbotada com ar vintage da barra. É simples, casual e informal. A levanto. É Perfeita. Não dá a impressão de que lhe parece perfeita de modo algum, mas se aproxima e a tira de minhas mãos. —E para os pés? Eu olho em volta a testa enrugada. —Onde fica a área de calçados? Meus ouvidos percebem um sonoro suspiro. —Venha, eu vou te mostrar. Eu sei que para ele este é um grande esforço, mas me surpreende muito que esteja tão disposto, embora eu não demonstre. Agora mesmo me encontro no meu ambiente. —Vá na frente-, digo fazendo um gesto com a mão sorrindo, e o sigo imediatamente quando ele começa a andar. Minhas mãos estão tremendo agitando os lados, desesperada para pegar mais


algumas peças de roupas pelo caminho, mas eu sei que ele está tendo muita paciência, e o risco dele sair correndo me impede de fazê-lo. Passo a passo. Observo Miller com interesse enquanto nós atravessamos para outro departamento, está repleto de ternos. Eles estão por toda parte, tentando-o, e eu tenho que fazer um esforço sobre-humano para não rir quando eu o pego dando uma olhada rápida. —Ralph Lauren tem trajes requintados–, comenta calmamente, obrigando-se a passar longe. —Também tem fantásticas roupas esportivas-, eu digo, tendo certeza que ele não sabe. —Miller! -O grito agudo crava em meus ombros. Quando eu me viro e vejo uma mulher irritantemente embonecada se aproximar, minha expressão de felicidade se transforma em amargura. Está radiante, e acelera os passos para chegar a ele mais rápido. É quase perfeita, como todas as outras, com o cabelo brilhante e impecavelmente maquiada e vestida com roupas caras. Preparo-me para outro golpe de verdade. A odeio instantaneamente. —Como vai?- Ela pergunta, em voz melosa, sem sequer olhar para mim. Não, tem toda a sua atenção posta em meu perfeito Miller. -Você está ótimo, como sempre. —Bethany.- Cumprimenta Miller friamente, e toda amostra de relaxamento com a que estava deleitando-se desaparece instantaneamente quando viu aqueles lábios vermelhos e seu cabelo perfeito. —Eu estou bem, obrigado. E você? Ela faz biquinho e coloca todo o peso no quadril, inclinando o corpo para o lado. Toda a sua linguagem corporal expeli ondas de atração hábil e sinistra. —Eu sempre estou bem, você já sabe. Eu rolo meus olhos e eu mordo minha língua, definhando por dentro. Mais uma. Agora, só falta notar a minha presença e aniquilar-me com um desses olhares ou zombando de mim. E como puxar alguns cartões de Miller, eu não posso responder por meus atos. —Excelente-. Responde ele cortante, apesar de ser absolutamente cortês. Eu posso sentir a sua agitação; todos os sinais de Miller e sua necessidade de repelir as pessoas que saem à superfície, e é neste momento que me pergunto por que essas mulheres são tão cativadas por ele, com o tão hostil ele pode chegar a ser. É um perfeito cavalheiro em encontros, ele mesmo disse, mas o que mais as atrai? Como responderiam se as abençoassem com seus atos de adoração? Eu ri para mim mesmo. Elas seriam como eu, incapazes de viver sem ele. Condenadas. Mortas. Miller limpa a garganta e agita com as roupas entre as mãos. — Bem, vamos seguir com as compras, diz Bethany e esperando claramente que a siga. No entanto, quando eu sinto um olhar interrogativo em mim, eu sou incapaz


de convencer as minhas pernas de se moverem. Aí vem. —Ah!- A mulher exclama me olhando de cima a baixo. – Parece que alguém se adiantou hoje.- Eu fiquei boquiaberta e ela sorri sem se importar o mínimo que me sinta claramente insultada. — Desculpe-me, você é...? Eu vou te dizer exatamente quem eu sou. Aceitá-la ou levar a melhor, essas são as minhas opções. Posso ser bastante impertinente, isso já foi demonstrado, agora eu só tenho que aprender a usá-la sabiamente. Esta mulher como o resto, me faz sentir inferior, mas Miller não mostra sinais de perigo ante a possibilidade de sua intromissão entre nós ou fazer-me duvidar da minha inteligência. — Oi, eu sou Oli... —Sinto muito, nós temos pressa. Interrompe-me Miller justo quando eu acabo de encontrar o meu descaro e estou a ponto de descarregá-lo. – É sempre um prazer. Inclina a cabeça para Bethany, que agora parece ter muita curiosidade, ele me empurra com suavidade pelas costas, ao invés de segurar o meu pescoço, como de costume. —Sim, digo o mesmo-, ronrona. A rigidez se apodera de Miller instantaneamente. – Espero te ver em breve. Me empurra com pressa. Ambos nos movemos em silêncio; a tensão é palpável. É sempre é um prazer. Eu estou crispada por dentro e por fora. Viramos a esquina e chegamos à área de calçados para homens. Miller pega imediatamente o primeiro par que vê e me mostra. Nem si quer o olho. Bethany desfez tudo o que tínhamos progredido esta manhã. — Que tal estes?-, ele pergunta, tentando desesperadamente me distrair. Não vai funcionar. Toda a audácia com que eu estava prestes a jogar na mulher agita nesse momento dentro de mim, misturando com altas doses de raiva, e agora eu só tenho uma pessoa a minha frente em quem eu posso descarregar. Aparto os sapatos com um tapa. –Não.Retrocede indignado, com os olhos arregalados e os lábios perfeitos ligeiramente separados. —Desculpe-me? Aperto os olhos até formar dois sulcos furiosos. —Não comece com isso-, eu aviso. –Era uma cliente. Poderia estar me seguindo? —Não.- Quase ri. —Por que você não deixou eu me apresentar? E por que você não a colocou no seu lugar? Miller colocou os sapatos de volta ao expositor e até mesmo reposicionado antes de se aproximar de mim com ar pensativo. A resposta do meu corpo é irritante e não desejado, mas é que é. — Eu já disse a você isso antes: eu não quero que ninguém se intrometa,


assim que quanto menos gente souber melhor. Ele levanta meu queixo tenso com a ponta de seu dedo indicador e me aproxima de seu rosto coberto por uma barba escura. Através de sua beleza eu posso ver que está com raiva. — Quando eu digo que há apenas nós, não você ou eu, também significa que há um deles. Por muito tentadora que me resulte a ideia de uma existência em que estaremos só nós Miller e eu, sei que é impossível. —Quantas são?- Eu pergunto. Eu preciso saber quantas delas eu tenho que enfrentar. Eu preciso de uma folha marcação, algo para ir apontando-as conforme eu vou me encontrando com elas. Quantas preveem o seu próximo movimento? Quantas vão me seguir? — Isso não importa-, desliza mão sobre meu ombro e começa a me massagear para infundir alguma calma. –Porque agora é apenas a minha doce menina. Sua sinceridade me atravessa, dissipando todas as dúvidas. —Que seja.- Recupero a compostura. Eu não encontro as palavras certas para responder, de forma que eu pego um par de botas que estão em uma mesa próxima. — Estas.- Anuncio, e eu dou diretamente a uma funcionaria sem dar a oportunidade a Miller de rejeitá-las. Ela sorri e se coloca toda tensa quando o vê. — Sim, senhora. Número?- Ela pergunta ao prender seu olhar faminto sobre ele, provocando-me sem se dar conta. Eu adoraria dizer-lhe o número, e me incomoda ter que virar para Miller e perguntar. — Onze-, responde ele tranquilamente, me observando atentamente. Eu detesto o grito sufocado de deleite que emana da funcionária, e me odeio mais ainda por avivar o seu claro interesse. Eu fico na frente de Miller e olho para ela aborrecida. —Um onze-, confirmo apontando cabeça para o calçado. – E é verdade o que dizem.Fico chocada com a minha descarada sugestão, e a tosse pasma de Miller atrás de mim me diz que ele também está. Mas eu não me importo. Nosso dia de tranquilidade para apreciar um ao outro não tem sido como imaginei, e essas interferências estão começando a me irritar. — Claro!– A funcionária estremece ao nível de fraqueza de sua própria voz, evitando o meu olhar e fica vermelha como um tomate. –Sentem-se, por favor. Volto em seguida. Ele sai às pressas, sem remexer o traseiro e sem se virar para lançar olhares por sobre seu ombro. Eu ri para mim mesma, satisfeita por ter feito se sentir incômoda, enquanto prometo continuar por este caminho. — Tenho que te pedir uma coisa.- O sussurro de Miller no meu ouvido borra minha expressão presunçosa.


Não quero me virar, mas não tenho escolha quando ele agarra meus ombros e me dá a volta. Preparo-me, sabendo o que eu vou encontrar. E eu estou certa. Seu rosto é inexpressivo, com um ar de desaprovação refletido em seus olhos. —O quê?- Toda a minha satisfação desaparece sob o seu olhar de desaprovação. Eu ultrapassei. Ele coloca as mãos nos bolsos. —O que é verdade e quem diz isso? Meus lábios são esticados até que eles estão prestes a se romper. —Você sabe perfeitamente. —Explique-, ordena sem devolver meu sorriso. Isso faz com que o meu intensifique. —Aqui no Harrods? —Sim. —Bem...- Viro-me para dar uma rápida olhada em nosso entorno imediato e vejo muitos compradores perto, para falar sobre algo assim. –Depois eu te conto. Ele está fazendo isso de propósito. Ele sabe exatamente o que quero dizer. —Não.- Ele se aproxima e bate o peito no meu até que respira sobre mim. –Eu quero saber agora. Não tenho nem ideia.- Se está lutando para manter uma cara séria, não parece. Está perfeitamente calmo, até mesmo um pouco frio. —Está brincando.- Eu dou um passo para trás, mas ele não vai me deixar sair com a minha resposta e ocupa o meu espaço que eu criei. —Explique-me. Maldito seja. Procuro minha audácia no meu interior e articulo uma explicação em um sussurro morrendo de vergonha. —Os pés e... - pigarreio limpo a garganta, -a virilidade masculina. —O que têm eles? —Miller! Remexo-me nervosa e sinto as minhas bochechas se aquecerem sob a pressão. —Diga-me, Livy. —Está bem! Eu grito. Eu fico na ponta dos pés, coloco a boca em seu ouvido: Dizem que um homem com pés grandes também têm o pênis grande. Meu rosto arde e sinto como sua cabeça assente colada a mim e seu cabelo faz cócegas na minha bochecha. —De verdade?- Pergunta ainda serio, o safado. —Sim. —Interessante- Comenta batendo seu hálito quente na minha orelha. Isso acaba com toda minha compostura; Eu perco o meu equilíbrio e tropeço ligeiramente para frente até que eu bato em seu peito. Sufoco um grito. —Você está bem?- Pergunta em um tom cheio de arrogância. —Perfeitamente-, resmungo, enquanto eu me obrigo a recuperar a força e ficar longe de seu peito.


—Perfeitamente-, murmura ele com tranquilidade, e com um olhar malicioso me observa, enquanto eu me esforço para recuperar a compostura. – Vamos lá-, olha. Ele aponta com um gesto de seu rosto sobre meu ombro para que me vire. —Aí está o meu onze. Eu ri, ganhando um toque na parte das costas, por parte de Miller, e um olhar de confusão da vendedora. —Onze!- cantarola, e eu começo a gargalhar de maneira descontrolada. —Está tudo bem, senhorita? —Sim!- Eu grito. Eu me viro e pego o primeiro sapato que eu vejo; qualquer que seja apenas para distrair do número onze. Eu engasgo com o riso quando eu olho para o tamanho do sapato, com o qual eu pretendia me distrair, e vejo em letras grandes e em negrito, que se trata de fato de um onze. Eu dobro para frente, partindo-me, e deixo onde estava. —Você está bem - confirma Miller. Eu não estou e me viro, mas eu sei que ele está olhando para as minhas costas, aparentemente inexpressivo para a vendedora, mas com certeza tem aquele brilho brincalhão nos olhos. Se eu fosse capaz de olhar para Miller e para vendedora paqueradora sem rolar de rir na sua cara, eu me viraria no mesmo instante para apreciar a imagem. Mas eu não consigo parar de rir, e meus olhos sacodem com violência. Enquanto eu observo o sapato escolhido ao acaso detalhadamente e sorrio como uma idiota, eu ouço o som do papel quando a vendedora tira as botas da caixa. —Necessita de um calçador, senhor?- Pergunta. —Acho que não-, rosna Miller, provavelmente inspecionando as botas e reclamando mentalmente, porque não têm solas de couro. Mais relaxada, eu me viro lentamente e o vejo sentado em uma poltrona na frente, tentando colocar o seu pé na bota. Eu presto atenção em silêncio, assim como a vendedora, e penso em como são bonitas as botas, informais e de couro marrom desgastado. —Elas são confortáveis?- Pergunto esperançosa, preparando-me para um bufo, mas não me responde e se coloca de pé, olhando para os pés, antes de voltar a sentar-se apressadamente. Ele desamarra o cadarço da bota e coloca ordenadamente de volta na caixa. Eu quero gritar de emoção quando vejo recolocar uma vez na caixa para que fique o melhor possível entre o papel. Ele gosta, e eu sei por que ele aprecia as suas posses, e agora essas botas são suas posses. —Não está mal-, diz para si mesmo, como se para não quisesse admitir isso em voz alta. Recupero o sorriso. Ele vai ceder, maldito seja. —Mas você gosta?- Digo parando em cada palavra.


Enquanto amarra o cadarço com o máximo de cuidado levanta o rosto e me observa. —Sim- Responde com as sobrancelhas levantadas, desafiando-me a fazer um evento do mesmo. Eu não posso esconder a minha alegria. Eu sei, Miller sabe disso, e quando eu pego a caixa, me viro e a coloco nas mãos da vendedora com um enorme sorriso, ela sabe. —Nós a levaremos, obrigada. —Ótimo-, vou deixar atrás do balcão. Desaparece com a caixa, e deixa Miller e eu sozinhos. Pego as calças jeans e a camiseta. —Vamos, experimente isso. Seu suspiro cansado não me desencoraja. Nada vai. Penso em vesti-lo com roupa informal, mesmo que deixe a minha vida nisso. —Por aqui.- Ando em direção aos provadores e sei que Miller me segue, porque minha pele responde aos sinais a partir da sua proximidade. Viro-me, entrego as roupas e assisto como ele as pega sem protestar e desaparece no provador. Sento-me e observo a confusão da Harrods e observo todas as formas de vida: turistas; pessoas que vieram para cuidar de si, como a minha avó com seu abacaxi de quinze libras, e as pessoas que claramente frequentam aqui regularmente, como Miller e seus ternos sob medida. É uma mistura eclética, e assim são os estoques. Há algo para todo mundo; ninguém sai de mãos vazias, ainda que seja só uma simples lata de biscoitos de Harrods para dar a alguém de Natal. Eu sorrio, e, em seguida, viro a cabeça ao ouvir uma tosse familiar. Meu sorriso se intensifica até alcançar limites ridículos ao ver sua expressão de agonia e desconforto, e depois desaparece quando eu olho para o que está abaixo do seu pescoço. Ele está descalço na porta, com a calça jeans baixa, que são o seu tamanho, e a camisa se ajusta perfeitamente a seu corpo. Eu mordo meu lábio para evitar abrir a boca. Porra, que delicioso que ele está. Ele tem o cabelo despenteado depois de ter passado a camisa pela cabeça e as bochechas rosadas pelo esforço, o que eu acho um absurdo. Não tem botões para abotoar, nem bainha para ajeitar, nem cinto para ajustar, nem gravata para dar nó, nem colarinho para arrumar, de modo que vestir uma camiseta apenas exige um esforço. Supostamente. No entanto, parece agoniado. —Você está fantástico-, digo baixinho. Eu olho por cima do meu ombro e vejo exatamente o que nós esperávamos: um monte de mulheres saindo de todos os lugares, olhando de boca aberta para o homem sobrenatural que tem diante delas. Eu fecho os olhos e respiro fundo para relaxar. Desvio o olhar das dezenas de observadoras e viro de volta para o meu espetacular cavalheiro de tempo parcial. Miller engomado com seus ternos finos é algo fascinante, mas vê-lo despojado de toda essa roupa


excelente e com uma calça Jeans desgastada e uma simples camiseta roça os limites da realidade. Agita-se nervoso, ele puxa a camiseta e estica os pés para frente, desconfortável com a bainhas de calça jeans. —Você está linda Olivia. A mim, parece que sua idade andou para trás, parece mais jovem.Contenho um sorriso malicioso. A agitação de Miller me proporciona a força para fazer. Eu preciso ganhá-lo. Eu não devo irritá-lo mais. Então me aproximo lentamente, observando até que ele percebe que eu estou me aproximando. Deixo de jogar e continuo meu caminho até que eu o tenho na minha frente. —Tenho medo de discordar-, sussurro, olhando seu rosto barbudo incipiente. —Por que você quer que eu me vista assim?Sua pergunta faz nos olharmos nos olhos. Eu sei a razão, mas eu não posso articular a minha resposta para que ele possa entender. Não entenderá, e eu corro o risco de enfurecê-lo. —Por que... Eu...- Tropeço sobre as minhas palavras sob sua magnífica figurativa. –Eu... —Eu não vou usar essas roupas se a razão é simplesmente para fazer você se sentir melhor sobre nós, ou se você acha que vai me mudar.– Desliza a mão no meu ombro e começa a massagear os músculos tensos. –Eu não vou usá-las se você acredita que desta forma as pessoas vão parar de se intrometer, para olhar ou de comentar.- Apoia a outra mão no meu outro ombro, segura a minha cabeça e desce até que os nossos olhos estejam no mesmo nível. —Sou eu que não sou digno de você Olivia. É você que me ajuda. Nenhuma roupa. Por que você não entende? —Eu... —Eu não terminei-, me interrompe, ele me agarra com mais força enquanto me atravessa com um olhar de advertência. Seria absurdo discutir. Seu terno se foi, mas sua roupa informal não apagou a sua autoridade, nem a sua presença poderosa. E me alegro. –Eu preciso disso Olivia, que me aceite como eu sou. —E eu aceito-, embora a culpa me consuma. —Então, me deixe voltar a usar o terno. Ele está me implorando com seus absorventes olhos azuis e pela primeira vez na vida, me dou conta que os ternos de Miller não são apenas uma máscara; eles também são uma armadura. Ele precisa. Ele se sente seguro com eles. Se sente no controle quando o leva. Seus ternos perfeitos formam parte de seu mundo perfeito e são uns acessórios perfeitos para o meu perfeito Miller. Eu quero que os mantenha. Acho que não vou forçá-lo a usar jeans até que relaxe o mínimo que for, e me pergunto se eu quero perder esse ar estirado. Eu entendo. Eu não me importo como se comportar em público, porque a mim ele trata com reverência, com amor. É meu elegante e maníaco Miller. Sou eu que


tenho o problema. Eu e meu complexo. Tenho que superar. Assinto com a cabeça, eu pego a bainha de sua camiseta e a puxo sobre sua cabeça enquanto ele levanta braços de forma voluntária. Uma massa muscular e definida é exposta, atraindo a atenção de mais compradoras próximas, desta vez até mesmo os homens. Eu entrego a camiseta amassada para a vendedora e olho para Miller com os olhos arrependidos. —Esta não é adequada. Ele sorri para mim, e é um sorriso agradecido que parte meu coração egoísta. —Obrigado-, diz com ternura. Rodeia-me com seus braços e me estreita contra seu peito nu. Minha bochecha descansa sobre um de seus peitorais, e suspiro quando eu deslizo as mãos sob seus braços e me agarro a ele com força. —Eu não quero que me agradeça nunca. —Sempre vou ser grato por ter você, Olivia Taylor-, diz copiando minhas palavras, e ele me beija na testa. -Sempre. —E eu por ter você. —Eu estou contente que tenhamos esclarecido. E agora, você também vai tirar a minha calça jeans?Desço o olhar para as coxas, e é um movimento estúpido, porque me lembra o incrivelmente magnifico que está Miller de jeans. —Não, faz você.- Eu o empurro em direção ao provador, ansiosa para privar os meus olhos dessa gloriosa visão, especialmente porque, ao que parece, não vou contemplar novamente. – Vou esperar aqui. Satisfeita comigo mesmo, sentei-me e notei um milhão de olhares em mim a partir de todas as direções. Eu decidi não dar-lhes um gosto de me sentir intimidada, e pego meu celular do bolso... e eu vejo que eu tenho duas chamadas perdidas e uma mensagem de texto de William. Eu afundo um grunhido alto. De repente, para enfrentar os olhares dos curiosos não parece uma má ideia. “Você é exasperante, Olivia. Vou mandar um carro para buscá-la às 19:00 horas. Imagino que estará na casa de Josephine. William.” Aparto meus olhos da tela, como se isso fosse mudar o que diz a mensagem. Não o faz. A irritação me consome e bato com o polegar na tela de toque do automaticamente. “Estou ocupada.”

Isso é. Ele vai me enviar um carro? É uma merda. Além disso, eu não vou estar lá de qualquer maneira. O que me leva a enviar outra mensagem.


“Eu não vou estar lá.” Não há necessidade de ver as cortinas se movendo e o nariz curioso da minha avó, pressionadas contra o vidro da janela. Ele lhe dará algo como cheiro que William está por perto. Sua resposta é instantânea: “Não me faça suplicar, Olivia. Nós precisamos conversar sobre a sua sombra.” Sufoco um grito ao recordar da sua promessa quando ele deixou o apartamento de Miller ontem. Como ele sabe? Giro o telefone em minha mão pensando que isto é o que ele precisa para cumprir sua ameaça. Eu não vou confirmá-la, embora eu precise saber como ele sabe e apenas quando eu tomei essa decisão, o celular começa a tocar. Eu fico tensa no mesmo instante e aperto “Rejeitar” antes de enviar uma mensagem rápida para dizer-lhe que vou ligar mais tarde com a esperança que iria ganhar algum tempo. Eu chamo a minha avó para lhe dizer eu estou ficando sem a bateria e que a ligarei do telefone de Miller. Ela me solta um discurso sobre a futilidade dos sons dos celulares. Depois eu desligo o telefone. —Olivia? Eu olho para cima e eu sinto que toda a minha raiva e meu pânico deixam o meu corpo ao ver Miller, vestido novamente com sua roupa perfeita. —Meu telefone está morto.- Digo, coloco o celular no bolso e casualmente me levanto. – Vamos comer? — Sim, vamos comer. Agarra o meu pescoço e saímos da loja com pressa, deixando para trás o conjunto informal que eu gosto, mas vou deixar para trás no momento, e há um monte de mulheres reexaminando Miller agora que se trocou. Elas ainda gostam do que veem, coisa que não me deixa surpresa. —Bem, isso foi meia hora de nossa vida juntos que nunca recuperaremos. Murmuro meu assentimento, tentando não deixar minha mente se disperse, muito embora ciente de que por mais que eu queira, William Anderson não vai desaparecer, e menos agora, que sabe da minha sombra. —Menos mal que já não estamos limitados a uma única noite. Sufoco um grito e torço o pescoço embaixo de sua mão para olhá-lo. Ele olha para frente sem expressão, sem um pingo de ironia em seu rosto. —Quero mais horas murmuro-, comprovo como dirige seus olhos azuis cheios de compreensão em relação a mim. Ele se inclina e me dá um beijo rápido no nariz. Em seguida, ele se endireita e continua avançando. —Minha doce menina, você tem toda uma vida.


Uma imensa felicidade explode dentro de mim e coloca meu braço ao redor de sua cintura, apertando seu lado enquanto sinto o seu antebraço descansando em cima da minha coluna para que possa continuar me segurando, enquanto ele se adapta a minha procura de proximidade. Apenas estou consciente agora do caos que reina no Harrods. Apenas estou consciente de qualquer coisa, exceto memórias de uma proposta de uma noite e todos os acontecimentos que nos levaram até aqui. Meu coração entristecido revive cheio de felicidade.

Capítulo Vinte e Um Balanço minha manta de lã, a deixo cair na grama e estico bem todos os cantos como na esperança de minimizar qualquer necessidade obsessiva de que Miller pudesse ter que reposicionar. —Sente-se, ordeno apontando para a manta. —Por que não podemos ir a um restaurante? Pergunta, deixando duas bolsas de Marks Spencer sobre o gramado. —Você não pode fazer um piquenique em um restaurante. Observo como ele desce incomodo até o chão, puxando a parte traseira do seu paletó de baixo da bunda ao ver que se sentou sobre ela. —Tire o seu paletó. Dirige seus olhos azuis em direção a mim, cheio de espanto. —Por quê? —Você vai ficar mais confortável. Eu me ajoelho e começo a escorregar o paletó de seus ombros para encorajá-lo a esticar seus braços. Ele não reclama e nem objeta, mas observa com preocupação como eu dobro ao meio e deixo o mais ordenado possível em outra extremidade da manta. —Melhor - Eu concluo, e pego as bolsas. Eu ignoro os tiques que desenvolveu o corpo de Miller. Não vale a pena dar importância, porque dentro em um minuto estará recolocando o paletó para atender suas necessidades compulsivas, reconhecendo o problema ou não. Poderia passá-lo e deixá-lo perfeito, que para ele ainda seguiria estando errado. — Você quer camarão ou frango? Eu pergunto, segurando duas tigelas de salada. Eu pego ele desviando rapidamente o olhar do paletó. Ele faz todos os esforços para fazer como se não fosse nada. Ele olha para mim e aponta para o recipiente com indiferença. —A verdade é que pra mim tanto faz. —Eu gosto com frango.


—Bem, para mim os camarões. Eu posso sentir seus músculos oculares lançam suas íris azuis em sua órbita em direção ao paletó enquanto entrego-lhe a salada de camarão. —Há um garfo na tampa. Retiro a tampa da minha salada e sento sobre minhas pernas observando como Miller inspecionar a embalagem. —É de plástico? —Sim, é de plástico! Eu ri. Eu deixo o meu recipiente sobre a manta e pego o seu. Eu removo a tampa, pego o garfo e mergulho em uma pilha de folhas de alface e camarões. —Aproveite. Pega o recipiente e brinca um pouco com a comida antes de levar o garfo com desconfiança à boca e mastigar lentamente. É como um projeto de ciência. A necessidade de estudá-lo em ação me supera. Eu sigo seu exemplo e pego a minha própria salada e meu garfo e como um pouco. Eu faço tudo sem prestar atenção, o meu desejo de continuar observando Miller é muito forte para resistir. Aposto que ele nunca antes se sentou no chão, em Hyde Park. Claro que nunca comeu uma salada de um recipiente de plástico, e nunca nem passou pela sua cabeça que existam talheres descartáveis. Tudo resulta ser tremendamente fascinante, que sempre foi, e provavelmente sempre será. —Eu espero que você não esteja esquentando cabeça. A declaração de Miller me tira da minha abstração tão rápido que eu deixo cair um pedaço de frango no colo. —Merda! - Maldigo, e o recolho. —Você vê?- Miller diz com um tom carregado de petulância. –Isso não aconteceria em um restaurante, e você levaria um guardanapo.Ele mete uma garfada de alface em sua boca e mastiga presunçosamente. Eu o fulmino com o olhar, estendo a mão para pegar a bolsa, tiro um pacote guardanapos descartáveis e abro. Com precisão e com um murmúrio sarcástico, eu limpo a maionese do meu vestido florido. —Problema resolvido. Papel enrugado e jogo para o lado. —E um garçom iria levar o lixo. —Miller - Suspiro. – Todo mundo deveria fazer um piquenique no Hyde Park alguma vez. —Por quê?— Porque sim! Eu respondo, e aponto o garfo para ele: – Deixa de buscar problemas. Ofega, liberando o recipiente de salada e furtivamente se aproximando de seu paletó. — Eu não estou buscando. Eles são bastante evidentes, não é necessário fazêlo. Recolhe o paletó, dobra novamente e coloca cuidadosamente no chão. -E o tempero?


—O quê? —O tempero. - Ocupa seu lugar novamente e pega sua salada. -E se eu quiser temperar mais esta...-, olha para o recipiente hesitante, -comida? Coloco meu recipiente sobre o cobertor e caio para trás, exasperada. O céu é azul e claro. Em qualquer outro dia iria desfrutar da imagem, mas desta vez a frustração me impede. Um piquenique. Isso é tudo. —O que acontece, minha doce menina?- Seu rosto aparece pairando sobre mim. —Você! – O acuso. -Você disse que queria passar um dia tranquilo, desfrutando, e poderíamos fazê-lo se você deixasse de ser tão esnobe e desfrutasse da paisagem, da comida e da companhia. —Eu adoro a companhia.- Ele abaixa a boca até a minha e me cega com seus lábios suaves e apaixonados. –Eu só estou apontando as desvantagens do piquenique, e o pior deles é que não posso venerar-te aqui. —Também não poderia fazê-lo em um restaurante.—Desculpe discordar - Responde levantando uma sobrancelha sugestiva. —Para ser um “cavalheiro”, por vezes, a sua etiqueta sexual é bastante questionável. Eu faço uma careta ao ouvir minhas palavras descuidadas, mas Miller não parece dar a menor importância. Ele separa as minhas coxas e se instala entre elas. Estou perplexa. Ele vai amassar tudo. Ele pega as minhas bochechas e passa o nariz no meu. —Para ser uma menina tão doce, às vezes a sua doçura é bastante questionável. Dê-me “O que eu mais gosto” —Você vai amassar a sua roupa. —-Eu te pedi uma vez. Sorrio e abraço Miller, assim como a sua espontaneidade momentânea. Eu me deleito com seu peso, eu respiro o ar misturado com a sua essência. Eu fecho meus olhos e deixo-me levar pela felicidade, finalmente desfrutando deste momento de relaxamento que tínhamos prometido. É quente, carinhoso, e todo meu, e apenas quando eu começo a abstrair, a agitação em torno de Hyde Park torna-se um murmúrio distante, um pensamento ameaça aparecer por um segundo, nublando a minha felicidade mental, e então algo estupidamente óbvio se apodera do meu cérebro, banindo a minha alegria e fazendo o meu corpo relaxado ficar tenso em baixo de Miller. Eu sei que ele notou, porque seus olhos me observam analiticamente no mesmo instante. —Compartilhe comigo-, disse afastando o meu cabelo do rosto. Eu balanço minha cabeça na esperança de me livrar desses pensamentos indesejados. Eu não consigo. Seu rosto está próximo, mas tudo que eu vejo é um menino sujo e perdido.


Não é preciso que alguém me diga que o menino da fotografia não comia como um rei, e sei perfeitamente que o seu corpo não foi coberto com roupas caras, mas sim de trapos. —Olivia?- ele diz com um tom preocupado. -Por favor, compartilhe comigo o seu fardo.- Não tenho escapatória, especialmente agora que ficou de joelhos e obriga a me incorporar também. Estamos um de frente pro outro, com as mãos entrelaçadas e descansando em seu colo enquanto ele desenha círculos suaves na minha pele com os polegares. —Olivia? Eu me esforço para olhar em seus olhos quando eu falo, procurando a menor reação á minha pergunta. —Por favor, me diga por que tudo tem que ser tão perfeito? Eu não encontro nada. Nenhum gesto, nenhuma expressão, nenhum sinal revelador em seus olhos. Está muito tranquilo. —Nós já falamos sobre isso, e eu tenho certeza que podemos concluir que essa questão foi resolvida. —Não, você disse que a questão foi resolvida-, respondo. Eu não queria resolver, e agora o meu horrível processo mental está atropelando todas as minhas conclusões. Ele tem vergonha de sua infância. Ele quer apagar de sua memória. Ele quer escondê-la. —Por uma boa razão-, diz. Me solta às mãos e olha para longe, buscando outra coisa que fazer que não seja enfrentar o meu olhar e a pressão das minhas perguntas. Começa brincando com seu paletó, alisando a roupa que já está imaculadamente dobrada. —E que razão é essa?- Parte-me o coração quando ele olha com o canto do olho, seu belo rosto carregado de cautela. –Miller, qual é a razão? Aproximei-me dele alguns centímetros lentamente, como se eu me aproximasse de um animal com medo, e coloquei a mão em seu antebraço. Baixa o olhar, muito quieto, e faz uma verdadeira confusão. Eu tenho paciência. Cheguei a uma conclusão, mas sou incapaz de compartilhar com ele. Ele saberá que eu andei bisbilhotando, e eu quero que me conte a sua história por vontade própria. Que a compartilhe comigo. Passam-se alguns segundos, embora me pareça eterno, antes de retornar à vida e se colocar de pé, deixando minha mão cair sobre a manta. Eu olho para ele. Ele pega seu paletó, o coloca, abotoa os botões, e estica as mangas. —Porque estava resolvido-, ele diz, insultando a minha inteligência com sua resposta evasiva. —Eu tenho que ir para o Ice. —Bem, vamos-, suspiro, e começo a recolher os restos de nosso curto piquenique e acumulo o lixo em uma das sacolas. -Na realidade não.


Jogo a bolsa de lado, me levanto e planto na frente da alta constituição de Miller. Devo parecer pequena e frágil ao lado ele, mas minha determinação é enorme. Ele sempre está exigindo que eu compartilhe meus problemas com ele e, no entanto, ele decide carregar os seus sobre seus ombros. —Eu não vou-, eu declaro atravessando-o com meu olhar, sabendo perfeitamente que ele não vai sem mim. Não depois do que aconteceu esta manhã. Ele me quer por perto, coisa que parece estupenda, mas não no ICE. —Desculpe discordar-, responde indignado, mas seu tom carece de sua típica segurança, e em uma tentativa de provar que ele fala sério, ele agarra meu pescoço e tenta me dar meia volta. — Miller, eu disse não! - Eu me livro dele, irritada e frustrada, e abraço com olhos decididos. Não vou. Sento-me novamente, eu pego meus chinelos e deito de boca pra cima, mudando do azul de seus olhos pelo azul do céu. –Vou desfrutar de algum tempo tranquila aqui no Parque. Você pode ir para o ICE sozinho. E eu vou começar a gritar e chutar se tentar me pegar. Eu cruzo os braços atrás da cabeça e mantenho a vista fixa no céu, enquanto eu o sinto começar a ficar nervoso. Ele não sabe o que fazer. Supostamente, ele gosta que eu seja insolente. Eu aposto que ele não sabe como reagir. Eu me preparo para o espetáculo, me coloco confortável, estou determinada a não ceder, e minha mente divaga de volta para o que fez a minha insolência assolar em primeiro lugar. Miller e seu mundo perfeito. A minha conclusão é bem simples, ele não tem nada do que se envergonhar. Ele viveu uma infância de pobreza, vestindo trapos, e agora está obcecado com vestir as roupas mais fina que se pode comprar. Como ele conseguiu o dinheiro para comprar os milhões de ternos de armadura que agora possui é irrelevante. Acho. Ou não. Minha conclusão levou-me a fazer novas perguntas, perguntas que não me atrevo a formular, não por medo de irritá-lo, mas porque temo qual pode ser a resposta. Como chegou a tornar-se parte desse mundo? Aquele lugar era um orfanato. Miller me confirmou que não tinha pais, ele era sozinho. É órfão. Meu maníaco, elegante e perfeito Miller sempre esteve sozinho. Parte meu coração ao pensar nisso. Estou tão profundamente perdida em meus pensamentos que eu pulei quando uma dureza quente pressiona de repente meu lado. Eu viro a cabeça e me encontro de frente com seus olhos. Ele está aconchegado ao meu lado, e depois de beijar minha bochecha, ele inclina a cabeça no meu ombro e desliza seu braço em volta do meu estômago. —Eu quero estar com você-, sussurra. Suas ações e palavras fazem com que meus braços deixem de servir como travesseiro para a minha cabeça e se enrosque em torno dele como podem. –Eu quero estar com você a cada minuto do dia. Sorrio com tristeza, porque se a minha conclusão é verdadeira, Miller nunca


teve ninguém antes. —Nós - confirmo, e o estreito entre meus braços para reconfortá-lo. –Estou caída por você, Miller Hart. —E você me tem profundamente fascinado, Olivia Taylor. Eu o estreito com mais força. Permanecemos deitados sobre manta de lã durante uma eternidade; Miller, murmurando e pintando imagens na minha barriga com a ponta do dedo, e eu, sentindo, ouvindo, cheirando e dando “o que ele mais gosta”. Estamos, finalmente, curtindo um ao outro, e é um momento de alegria indescritível. —Isso tem sido agradável-, sussurra. Ele se deita sobre um ombro e apoia o queixo, coberto por uma barba perfeita emergindo, na palma da sua mão. Linhas de desenho leves continuaram sendo traçadas no meu estômago, observando seus movimentos suaves pensativos. Eu olhei para ele. É um prazer incrível, eu estou no céu. Estamos submersos em nosso próprio momento privado, rodeado por passeios no Hyde Park e pelo distante caos diurno de Londres, mas totalmente sozinhos. —Você está com frio?- Observa-me e recorre com o olhar meu vestido com flores. –Já está tarde e está se levantando uma ligeira brisa. Eu olho para o céu e vejo umas quantas nuvens cinzentas sobrevoam lentamente. —Eu estou bem-, eu respondo. – Mas parece que vai chover. Miller segue meu olhar para o céu e suspira. — E Londres projeta sua sombra escura–, murmura para si mesmo em voz tão baixa que eu quase não o ouço. Mas eu ouvi, e eu sei que a sua declaração tem um significado mais profundo. Exalo para falar, mas no final decido ficar quieta. De qualquer forma, ele já estava de pé antes de me dar tempo para perguntar. –Dê-me sua mão.Eu aceito a sua oferta e deixo que me levante sem esforço. Suas roupas estão totalmente amassadas, mas não parece se importar muito. —Podemos repetir algum dia?- Eu pergunto enquanto eu recolho a nossa salada sem terminar e as coloco em uma sacola. Miller se dispõe a dobrar o cobertor corretamente. —Mas é claro-, responde alegremente sem mostrar qualquer relutância. Ele realmente desfrutou, e eu não poderia estar mais feliz. –Eu tenho que passar no clube. - Encurvo meus delicados ombros e Miller percebe. –Eu não vou demorar-, ele me garante curvando-se para esfregar os lábios nos meus ligeiramente. –Te prometo. Eu não estou disposta a deixar que algo arruíne o momento, de modo que agarro seu braço e deixo que nos guie pela grama até chegarmos a uma trilha. —Posso ficar com você esta noite?- Eu pergunto. Sinto-me culpada por estar ausente tanto tempo em casa ultimamente, mas eu sei que Vovó não se incomoda nem um pouco, e vou chamá-la quando


chegarmos ao apartamento Miller. —Livy, você pode ficar comigo quando quiser. Você não tem que perguntar. —Não devo deixar a minha avó sozinha. Ele ri levemente, e o som desvia o meu olhar do seu peito para seu rosto. —Sua avó deixaria no ridículo o cão de guarda mais feroz. Sorrio e encosto a cabeça em seu braço enquanto perambulamos. — Concordo. Um braço forte rodeia meu ombro e me estreita contra seu lado. —Se você prefere que te leve para casa, eu levo. —Mas eu quero ficar com você. —E eu adoro ter você na minha cama. —Vou ligar para minha avó quando chegarmos ao seu apartamento-, afirmo, e tomo nota mental, de lembrar-me de perguntar se ela se importa, ainda de que eu tenha certeza que não. —De acordo-, ele diz com uma risada. —Olha um cesto de lixo. Eu amasso a sacola e levo na mão e me dirijo para o cesto de lixo com a decisão, mas hesito ao ver um homem que está deitado sobre um banco próximo. Ele tem um aspecto esfarrapado, sujo e ausente, como os numerosos indigentes que frequentam as ruas de Londres. Meu avanço até o cesto de lixo se retarda, enquanto observo seus movimentos espasmódicos, e instantaneamente concluo que, provavelmente, seja por causa das drogas ou do álcool. Minha natureza faz sentir compaixão, e ao levantar seus olhos vazios e olha para mim, eu paro completamente. Eu fico olhando para o homem, que provavelmente seja; parece estar no último estágio da adolescência, mas a vida nas ruas cobrou um preço muito alto com ele. Tem a pele azeitonada e os lábios ressecados. —Você tem alguma moeda, senhorita?- Ele grasna, tocando mais ainda a fibra sensível. É uma pergunta bastante comum, e geralmente custa-me muito pouco passar longe, especialmente desde que a minha avó me faz lembrar que toda vez que encho os bolsos deles de dinheiro, você também está financiando seu vício em drogas ou em álcool. Mas este jovem desalinhado essas roupas desalinhadas e esfarrapadas, e seus sapatos cheio de poeira me lembra de algo, ainda que não pudesse dizer o quê. Depois de passar muito tempo olhando para ele, ele estende a mão para mim, me tirando dos meus pensamentos miseráveis e imagens de um menino que parece desorientado. —Senhorita?- repete. —Sinto muito. Eu nego com a cabeça e continuo, mas quando levanto a sacola para jogar no cesto de lixo, uma mão quente em volta da minha cintura e me segura com firmeza. —Espere.


O tom grave da voz de Miller acaricia minha pele e viro para ele. Sem mediar palavra, pega a sacola e tira as duas salada meia comidas. Em seguida, joga a sacola no cesto de lixo, dá meia volta e se aproxima do indigente. Eu observo, perplexa e em silêncio, enquanto Miller vai até a ele, agachando-se e oferece duas saladas e a manta de lã. O jovem aceita com as mãos trêmulas o que Miller oferece a ele e acena agradecendo com a cabeça pesada. Meus olhos umedecem e estou prestes a derramar lágrimas quando meu perfeito cavalheiro a tempo parcial apoia a mão no joelho do homem e esfrega a suja perna de seus jeans em círculo para infundir segurança. Atua com delicadeza, com cuidado e compreensão. Estas são ações de alguém que entende a situação que está vivendo o rapaz. Ele está contando sua história lentamente e sem palavras. Não são necessárias. Seus atos dizem tudo, e eu continuo perplexa e, acima de tudo, triste. Esse menino perdido seguia estando. Até que eu o encontrei. Eu assisto Miller se levantar, ele colocar as mãos nos bolsos da calça cara de seu terno e se vira lentamente para me olhar. Ele permanece ali, observando com determinação enquanto chego a outra conclusão de partir o coração. Órfão? Indigente? Eu mordo meu lábio até doer, que seja para evitar que a aflição de tristeza brote dos meus olhos ao ver meu precioso homem de passado desestruturado. —Não chore-, sussurra encurtando a distância que nos separava. Eu balanço minha cabeça me sentindo estúpida. —Sinto muito. Quando eu o tenho bastante perto, eu enterro meu rosto no oco embaixo do seu queixo. Ele segura meu corpo aflito me envolvendo com seus braços fortes. —Dê-lhe dinheiro e provavelmente vai gastar em drogas, álcool ou cigarros,– me diz em voz baixa. -Dê-lhe comida e uma manta e vai satisfazer a sua fome e o manterá aquecido.- Me beija o topo da cabeça se afasta de mim e se apressa para secar o meu ribeirão de lágrimas que desce pelo meu rosto. — Você sabe quantas crianças desaparecidas há nas ruas de Londres, Olivia?Eu nego com a cabeça ligeiramente. —Nem tudo é riqueza e esplendor. Esta cidade é linda, mas tem um lado escuro e marginal. Eu absorvo suas palavras e me sinto ignorante e extremamente e culpada. Sei que disse a verdade. E eu sei por que não só eu estive a margem dela, se não que Miller viveu nessa parte escura e marginal toda sua vida. Mantém seus olhos fixo nos meus e, durante esse tempo, trocamos um milhão de mensagens silenciosas. Ele está me contando. E eu estou entendendo. —Passei uma tarde fantástica, muito obrigada.- Ele acaricia uma sobrancelha com o polegar e se inclina para beijar minha testa. — Eu também.


Sorri e me agarra pelo pescoço, como de costume. Faz-me dar meia volta e caminhamos em direção à saída do Hyde Park. —Como nós não corremos o aguaceiro vai nos pegar-, ele diz olhando para o céu. Eu olho para cima e sigo o seu gesto vendo as nuvens cinzentas se tornaram pretas e, de repente, uma enorme gota bate no meu rosto, e mostra que Miller está certo. —É melhor corrermos-, digo tranquilamente. O terno Miller já está cheio de rugas; como também vai ficar encharcado e ele vai ficar furioso. E enquanto eu penso nisso começa o dilúvio. —Merda! – exclamo, ao ser atingida por um montão de gotas geladas. –Porra!A chuva é implacável, e cai no chão, espirrando em nossas pernas. —Corra! Miller grita, mas eu estive tão chocada com o repentino frio que me ataca que não sei se ele está alarmado ou rindo. No entanto, eu corro. Rápido. Miller pega a minha mão e me puxa. Eu levanto a vista através do meu cabelo molhado e eu vejo seus cachos escuros presos à cabeça. As gotas de água cobrem seu rosto e destaca seus longos cílios escuros. Olhando para a foto, eu paro de repente e Miller solta minha mão. Ele também para de correr e se vira dirigindo uns olhos azuis incrivelmente brilhantes para mim. —Venha, Olivia!- Ele está completamente encharcado e obscenamente bonito, ainda que um pouco alarmado. —Beije-me - exijo, permanecendo estática, ignorando a chuva fria entorpecendo minha pele agora. Enruga sua magnifica testa e o gesto me faz sorrir. —O quê? —Eu disse para você me beijar!- grito através da chuva, perguntando se ele realmente não entendeu. Ele ri um pouco, expande a sua posição, dá uma olhada ao redor e relaxa. Eu sigo com os olhos cravados nele. Não os afastaria por nada no mundo. Espero que Miller inspecione nosso ambiente imediato. Ele não se importa com a chuva pesada. Depois de uns instantes, seus brilhantes olhos azuis olham para mim de novo. —Que eu não tenha que pedir de novo-, advirto-o, e quando o vejo andando em minha direção, com convicção e com um amor puro e absoluto que emana de suas orbes hipnóticas, eu inspiro profundamente. Me levanta, e me estreita contra seu terno molhado e me beija teatralmente. Agarra-me pela nuca para me manter no lugar e minhas pernas se embrulham em torno de sua cintura. Nos beijamos com paixão, sem limites. É um beijo cheio de desejo, luxúria, adoração, conforto, e representa tudo o que eu sinto


sobre Miller Hart. Nossos lábios molhados se acariciam com facilidade, nossas línguas lutando furiosamente, mas com ternura. Eu pego seu pescoço e estreito meu corpo ao seu. Poderia beijá-lo assim para sempre. O calor dos nossos corpos entrelaçados fez o frio desaparecer. O mal estar não tem cabimento, só há espaço para a serenidade. Eu a sinto, e eu sei que Miller também. —Você sabe melhor ainda de baixo de chuva-, ele diz entre nossas línguas ansiosas, que se negam a se derreter. —Porra, você é deliciosa. —Mmm. Jamais seria capaz de encontrar as palavras para descrever como ele está fazendo eu me sentir agora mesmo. Não há nenhuma. De modo que eu demonstro para ele beijando-o mais intensamente ainda e abraçando-o apertado. —Se dê por saboreada-, murmura fracamente. Eu gemo de novo e ele desacelera o nosso beijo até que nossas línguas mal se movem. –Parece que sim, que eu posso te venerar em Hyde Park. Ele beija meus lábios e afasta o cabelo molhado do rosto. —Não com plena capacidade-, eu respondo. Permaneço enrolada ao redor de seu corpo encharcado. Eu não estou preparada para soltá-lo ainda. — Concordo. - Dá meia volta e começa a mover-se lentamente através do parque enquanto chuva continua a cair furiosamente. –Então eu tenho que ir para o clube para terminar o mais rapidamente possível, te levar para casa para mostrar a minha plena capacidade. Assinto, enterro o rosto em seu pescoço e o deixo me levar para o carro. Se a perfeição existe além do mundo perfeito de Miller, deve ser isso. Estou encharcada, sentada no assento de couro da Mercedes de Miller, e detecto uma crescente preocupação ao meu lado ante o úmido estado de seu magnifico carro. A tela de controle de temperatura indica uma média de dezesseis graus de número perfeito para que Miller mantenha a calma, mas não tendo em conta o frio que eu sinto. Estou morrendo de vontade de subir a temperatura, mas eu temo que já forcei Miller para o limite com o terno molhado, o piquenique no Hyde Park e as compras. Aumentar a temperatura poderia ser a gota d’água. Eu começo a tremer e afundar mais no meu lugar, olhando com o canto do olho como ele afasta o cabelo para longe de sua testa. Tracy Chapman canta sobre carros rápidos, o que me faz sorrir, porque Miller é um condutor de forma extremamente lenta. O ar de calma e serenidade que flutua entre os nossos corpos molhados são palpáveis. Nenhum dos dois disse nada, e não é necessário. O dia de hoje foi melhor do que eu poderia ter esperado, deixando de lado o pequeno percalço da manhã. Miller venceu algumas questões difíceis e também para me fazer sentir


incrivelmente orgulhosa, ele conseguiu aumentar meus sentimentos por ele. E a coisa mais gratificante é que eu sei que finalmente saiu da caixa perfeita e ele gostou do que viu. O fato de que agora eu esteja congelando no banco e não me atrever a subir a temperatura de seu carro novo é irrelevante. —Você está com frio?- Ele diz. Seu tom preocupado não capta minha atenção, mas a pergunta sim. Eu não acho que me conceda também o calor além do piquenique, que esteve perto de comprar roupas informais, que me beijei abaixo de chuva. Isso seria demais. —Eu estou bem eu minto, obrigando-me a parar de tremer. —Olivia, você não está bem de modo algum-, reponde. Em seguida, estende a mão e puxa os dois mostradores em turnos, garantindo que eles correspondam, subindo a temperatura do carro a uns quentinhos vinte graus. Não cabe em mim tanta alegria, e aproximo a mão para acariciar a sua maravilhosa barba, incipiente e áspera, mas familiar e reconfortante. — Obrigada. Apoia a bochecha na minha mão e, em seguida, me agarra e beija a ponta dos dedos. Em continuação, coloca as nossas mãos dobradas em seu colo e a segura lá, dirigindo com uma mão só. Quero que este dia não termine jamais.

Capítulo Vinte e Dois — Tony. – Miller acena em saudação, e guia-me pelo pescoço à frente de seu gerente do clube sem parecer se importar com o olhar de preocupação em seu rosto. Ele parece realmente preocupado e enquanto Miller parece bem com ignorá-lo, mas eu não estou. —Livy? - Tony diz em modo de pergunta, se surpreendendo ao me ver. Ele me disse uma vez que Miller estava feliz em seu pequeno mundo privado e


meticuloso. Mas eu sei que não é verdade. Miller não estava feliz. Eles podem fingir ser, mas eu sei, porque ele mesmo me disse, porque hoje ele passou um dia maravilhoso. Obviamente Tony não sabe o que pensar do homem encharcado e desalinhado que tem a frente. Eu não digo nada. Eu sorrio apenas ligeiramente em saudação enquanto desaparecemos de sua vista. —Ele não gosta de mim - sussurro em voz baixa, quase de má vontade, se explicar sem perguntar o motivo é um desperdício de tempo. —Ele se preocupa muito - Responde Miller cortante me guiando através do labirinto de corredores que levam ao seu escritório. Eu sei que Tony se opõe ao nosso relacionamento, assim como todo mundo, e eu não sei por que a sua desaprovação me preocupa mais do que o resto dos intrusos. Por sua aparência? Por suas palavras? E por que Miller não estava chateado com ele como com os outros? Digita o código no teclado, empurra a porta e nós encontramos imediatamente com a perfeita ordem que reina em seu escritório. Tudo é como deveria ser. Exceto nós. Eu olho para o meu corpo encharcado e, em seguida para Miller e penso na aparência tão desastrosa que temos. Curiosamente, agora que eu estou cercada pela familiaridade e precisão do seu mundo, sinto-me desconfortável... E inadequada. —Olivia? Viro-me para Miller, que fica ao lado do bar, enquanto se serve de um copo de whisky enquanto remove a gravata. —Desculpe-me, estava fantasiando. Eu me obrigo a sair da minha ilusão e fecho a porta atrás de mim. —Sente-se, diz, apontando para a cadeira atrás de sua mesa. Quer tomar algo? —Não. —Sente-se -, insiste quando ele vê que sigo junto à porta uns segundos depois. –Venha. Eu olho para o meu vestido, e depois para a elegante cadeira Miller. Já preocupada o bastante em sentar-me ensopada em seu carro, e agora eu enfrento sua bonita cadeira de couro do escritório. — Mas eu estou toda molhada - digo puxando a barra do meu vestido e soltando, deixando que se pegue em minha coxa para provar isso. Eu não estou apenas molhada, eu estou pingando. Detém o copo na frente de seus lábios percorre com a vista em todo o meu corpo, observando o desastre que estou. Ou talvez não. Seus olhos pousaram no meu peito e depois ascendem até os meus. Eles tornaram-se nublado. —Eu gosto de te ver molhada. - Ele me aponta com o copo e o seu olhar feroz acaba com a sensação de frio e ascende meu desejo latente. Meu corpo se ascende e minha respiração se agita com as ondas de calor de


seus frios olhos azuis. Começa a se aproximar de mim, tranquilo, pausado, e com um milhão de emoções refletidas em seus olhos. Desejo, luxúria, determinação e muito mais, mas eu não tenho a chance de continuar elaborando a minha lista mental, porque desliza o braço livre por baixo da minha bunda e me levanta até sua boca. O cheiro e o sabor do Whisky traz à memoria um Miller bêbado, mas a atenção com que sua boca divina enche-me, logo me faz esquecer. Nossas roupas ensopadas se pegam, eu afundo os dedos em seu cabelo despenteado. Este é um beijo lento, meticuloso e suave. Geme de prazer e mordisca com ternura meu lábio inferior cada vez que se afasta para me dar beijinhos e depois reintroduz a língua na minha boca. —Eu preciso desestressar murmura, e eu ri. Eu acho que eu nunca o vi tão relaxado. – O que você acha tão engraçado? —Você. - Eu me afasto e levo o meu tempo afagando o rosto dele, me deleitando em sua aspereza de sua barba iniciante. –Você é engraçado, Miller. —É serio? —Sim. Ele inclina a cabeça, pensativo enquanto carrega-me à sua mesa com um braço só. —Ninguém nunca tinham me chamado engraçado. Coloca-me sobre sua cadeira de couro de frente para sua mesa imaculada. Eu tenho uma absurda sensação de calma quando vejo que tudo está no lugar, especificamente o único objeto que sempre decora a sua mesa: um telefone. —Você não tem um computador?- Eu pergunto. Bate na seção da mesa que esconde todas as telas e eu sorrio. Que... Ordenado. —Eu prometi não demorar. —É verdade - Eu digo e me inclino para trás, na cadeira. –O que você tem que fazer? Agora eu começo a me perguntar onde ele guarda toda a papelada, arquivos e documentos. Ele tira a gravata prateada que enfeita seu pescoço e o paletó, e fica com o colete e a camisa. —Eu tenho que fazer algumas ligações e outras coisas. —E outras... Sussurro, enquanto eu observo como ele deposita a sua bebida cuidadosamente na mesa se ajoelhando sobre o chão do outro lado. Apoia os antebraços sobre a superfície branca e olha para mim, pensativo. Isso faz eu me afundar ainda mais na cadeira. O que você vai dizer? —Tenho que te pedir uma coisa. Eu me coloco em alerta. —O que? Ele sorri para a minha preocupação óbvia e enfia a mão no bolso. —Eu quero que você tenha isso, diz. Coloca algo na mesa, mas mantém a mão


por cima, então eu não posso ver o que está por baixo. Olho para a sua mão e olho para ele, e meu receio se intensifica. —O que é? Ele sorri um pouco mais, e eu sinto que está nervoso, que só serve para me colocar mais nervosa ainda. —Uma chave do meu apartamento. Levanta a palma da mão e revela uma chave Yale. Meus músculos relaxam e minha mente se recusa a chamar a atenção para onde os meus pensamentos estúpidos estavam indo. —Uma Chave -, eu digo rindo. —Você pode ficar na minha casa sempre que quiser. Entrar e sair a vontade. Você aceita? - parece esperançoso enquanto a desliza sobre a mesa para mim. Eu rolo meus olhos, e então sufoco um grito quando a porta se abre de repente e eu vejo entrar Cassie cambaleando. —Merda! – Xingo entre dentes, e medo acelera meu coração. Miller se levanta instantaneamente e atravessa a sala. —Cassie, suspira com ar cansado, afundando os ombros largos quando ele para. — Bem, Olá! Diz ela rindo encostando-se ao batente da porta. Ela está bêbada, mas bêbada de verdade, e não só alegre. Isso parece ruim, mas mesmo que esteja bêbada ainda tem uma aparência repugnantemente perfeita. Fixa os olhos em Miller. Bem, fixar é um modo de dizer, dada as suas condições. Nem se quer notou de que eu estou aqui. Eu sou invisível. —O que faz aqui? —Eles cancelaram minha citação - diz, acenando com a mão no ar com indiferença, antes fechar a porta com tanta força que sacode as paredes do escritório. Meu olhar oscila entre ambos, e me alegra de ver que só levou apenas um segundo e a paciência de Miller parece ter se esgotado. Espero que a coloque pra fora da sala novamente. O que eu não gosto é o olhar inquisitivo de Cassie em Miller. E eu sei a razão. —Olha que pinta tem! – Diz ela está chocada, e eu continuo igual quando ela tropeça até ele e começa a esfregar seu o corpo com as mãos de manicure. Eu faço um esforço tremendo para não lançar-me sobre ela e jogá-la no chão. Eu quero gritar para ele remover mãos dela fora. —Ui, Miller, querido, você está encharcado. Querido? Em uma tentativa de me distrair, eu começo a girar o anel em torno do dedo mais e mais tempo, até que eu estou convencida de que eu fiz uma bolha. Ela o está acariciando, está fazendo uma cena, como se ele fosse morrer por ter se molhado um pouco. Tire suas mãos de puta de cima! —Miller, O que aconteceu? Quem fez isso? —Eu mesmo fiz isso Cassie, diz ofendido, retirando suas mãos do peito.


Ele se afasta, e eu relaxo um pouco ao ver que está colocado distância entre eles. Ainda que não por muito tempo, porque a cadela implacável se aproxima novamente. Eu fico tensa e penso em um montão de palavrões para lançar do outro lado da sala, e me assusto diante a minha atitude. Eu me forço a me acalmar, mas eu apenas fico ainda mais furiosa. —O que quer dizer?- pergunta confusa, e começa a analisá-lo com o olhar e a esfregá-lo tudo de novo. —Fomos a um piquenique no parque-, intervenho. Eu não estou disposta a ficar aqui sentada assistindo como Miller enfrenta, sozinho, a presença persistente de Cassie. – E nós tivemos um grande dia-, eu adiciono para piorar a situação. Detém as mãos no tronco de Miller e ambos me olham. Miller farto, e Cassie pasma. —Olivia-, ronrona. –Que grande surpresa. Eu não acho que ela está sendo sarcástica, mas embora suas palavras de víbora não mostrem seu desconcerto, mas seu rosto faz. Em seguida, vira o olhar de descrença para Miller, que exala sua frustração crescente. —O que você quer Cassie?- Ele afasta suas persistentes mãos do seu peito de novo e começa a desabotoar o colete. –Eu não vou ficar aqui muito tempo. —Bem... Ela se aproxima do móvel do bar e se serve de Vodca e toma em um só gole. –Eu esperava que me levasse para beber alguma coisa. Me eriça os pelos e lanço um olhar para Miller, que agora está tirando o colete. Sua camisa molhada fica transparente em todos os lugares. Eu engasgo com a visão. Tem um aspecto magnifico, e Cassie também reparou. Eles estão me dando todos os tipos de conflitos: minha insolência me diz para arrancar a cabeça de Cassie, e minha libido que ataque Miller contra o chão e o devore vivo. A situação é muito desconfortável. Então Miller remove a camisa molhada e expõe seus músculos perfeitos e definidos. Eu fiquei boquiaberta; não para a imponente imagem que tenho diante de mim, mas porque ele ofereceu diante dos olhos famintos Cassie. Ela oscila ligeiramente em seu lugar, com o copo de vodca preso aos lábios, enquanto estuda como se contraem e relaxam os molhados músculos de Miller. —Eu acho que você já bebeu o bastante-, rosna Miller enquanto se dirige para o banheiro. Eu assisto ele desaparecer pela porta e eu sei Cassie faz também. A fúria me invade. Agora, ela se voltou para mim e, embora eu saiba que provavelmente me fulminará com o olhar, eu não posso deixar de olhar na cara dela. —O que você fez com ele? – me espeta ela do outro lado da sala, apontando com o copo de vodca em direção a porta do banheiro. Eu tenho que manter a calma. Tenho dificuldade em controlar a raiva. Eu estou desejando me jogar contra ela. Ela está se intrometendo, provavelmente mais do que qualquer um. Mas Miller não se comporta como um louco com ela, nem com Tony. Vai me dizer que Cassie também está


preocupada? Sim, ela está muito preocupada. Preocupada que eu leve Miller dela, e tem razão. Aposto que essa mulher faz da malícia uma grande arte. Jamais estarei a sua altura que não é meu estilo, de modo que eu continuo observando-a e eu me sento de volta na cadeira de Miller. — Eu o fiz ver a luz através da escuridão-, respondo. Ela se inclina para trás e expira calmamente. Deixei-a atordoada e sem palavras. É uma grande sensação, mas eu ouço passos perto, de modo que deixo Cassie e sua cara de assombro e desvio tranquilamente os olhos pela sala até que eu o encontro. Ele está passando uma toalha pela cabeça, olhando para mim com seus olhos azuis brilhantes. — Venha aqui-, diz em voz baixa, com a cabeça inclinada. Eu me levanto da cadeira e atravesso a sala para encontrá-lo imediatamente. Eu conheço esse brilho em seus olhos. Cassie está prestes a testemunhar uma pequena amostra de Miller estilo de adoração. Isto irá superar qualquer barbaridade que eu posso dizer. Uma cálida palma reclama minha nuca e quentes lábios demandam minha boca um instante depois. É um beijo breve, mas dotado com as características e as mesmas reações de sempre em mim, e eu tenho certeza que eu ouvi uma exclamação sufocada de surpresa minha costas. Sim, Miller me permite beijá-lo, e em um patético ataque de propriedade, apoio as mãos no seu peito nu para que Cassie veja que eu também o toco. — Vem. - Ele envolve meus ombros com a toalha e usa os cantos para secar minha frente molhada. Vá ao banheiro para se secar. Hesito. Eu não estou preparada para deixar a sala com uma Cassie bêbada e agora silenciosa a espreita. — Eu estou bem-, digo, sabendo que não terei todos eles comigo. Ele sorri e me dá um beijo rápido na bochecha e então se aproxima de um armário escondido e abre as portas. Olhando através das linhas de camisas sociais e pega uma dando um puxão em sua manga. Cassie abafa um grito de horror; Miller mal olha pra ela... E eu não caibo em mim de alegria. — Coloque isso. - Ele me passa a camisa, me vira e me dá um pequeno empurrão nas costas. — Me dê o seu vestido e farei com que alguém coloque embaixo do secador de mão por um tempo. — Eu posso fazer isso sozinha-, protesto. Seria uma boa maneira de passar o tempo enquanto Miller faz o que tem que fazer. — Você não vai fazer nada-, ofega, e me empurra para frente. Me viro quando chego ao banheiro e vejo que Miller fecha a porta e Cassie segue olhando suas costas com seu queixo caído. — Cinco minutos. Assente serio e desaparece de vista quando a madeira se interpõe entre nós.


Eu franzo a testa em direção à porta enquanto fogos de artifícios dentro de mim diminuem e dão lugar ao desconcerto. Acabo de permitir que me deixe fora do seu escritório sem protestar. Agora eu não tenho a sensação de que o fato de que acaba de pegar uma de suas valiosas camisas e deu para eu colocar seja um avanço. Mais parece que bem tentou me distrair. Eu rio em voz alta. Que idiota eu sou. E com essa conclusão, eu abro a porta e me planto de volta ao escritório. Ambos se viram, e ambos parecem agitados. Eles estão muito perto, então eu provavelmente não iria ouvir sua conversa. — Pelo amor de Deus! Cassie exclama, e toma um gole de vodca. Não pode se livrar dessa? Eu engasgo com indignação, e Miller se vira com violência e tira o copo da sua mão. — Veja se você aprende a calar essa boca!- grita e deixa o copo sobre a mesa com um golpe que faz com que Cassie dê um pulo e se estremeça. Agora eu vejo a sua ira, e isso é o único que impede que comece a dizer de tudo. Eu não preciso colocar essa mulher no seu lugar porque Miller está prestes a fazê-lo por mim. Aproxima seu rosto do dela. —A única de que eu vou me livrar é de você. - A ameaça ferozmente. – Não me provoque Cassie. Ela se agarra ao móvel do bar para descansar e leva um momento para se recompor. Seu olhar é desviado, brevemente, em minha direção. — Vão crucificar você - disse com conhecimento de causa. Eu sei por que os ombros nus de Miller ficam tensos. — Algumas coisas valem a pena o risco-, sussurra ele, em tom de incerteza. — Nada merece esse risco, diz Cassie. Sua voz expeliu certo temor, e o temor atravessa a sala e se instala dentro de mim. Profundamente. — Você está errada. – Miller respira fundo para se acalmar, se afasta dela e vira seus olhos e inexpressíveis para mim. – Ela merece. Eu quero sair. Cassie abafa um grito, e se eu conseguisse tirar meus olhos inundados com Miller, eu sei que veria uma expressão de surpresa refletida em seu rosto perfeito. — Miller... Não... Você não pode fazer isso-, ela gagueja. Leva de volta o copo e bebe com as mãos trêmulas. — Sim, eu posso. —Mas... —Vá embora Cassie. —Miller! – Ela está entrando em pânico. Miller tem a sua mandíbula tensa e seus olhos seguem fixos no meu corpo imóvel na porta, enquanto pega o telefone do bolso, aperta um botão e ele leva ao ouvido. – Tony, vem pegar Cassie. O que acontece em seguida, deixar-me com os olhos arregalados e boca aberta. — Não! Cassie se lança sobre ele e ele bate contra o armário de bebidas.


Copos e garrafas se estatelam contra o chão do escritório. Eu me encolho ante ao ruído, mas as minhas pernas se recusam a me transportar através da sala para intervir. A única coisa que posso fazer é assistir atordoada como Miller tenta agarrar suas mãos, que se agita contra ele, enquanto grita, arranha e implora: – Não faça isso! Por favor! Sinais que denotam a ameaçadora ira de Miller inundam a sala. Seu peito arfando, seus olhos loucos e o suor faz ato a sua aparição. Eu odeio pensar no dano que ele poderia causar a essa mulher. Detesto a Cassie, odeio tudo o que tem a ver com isso, mas me preocupo com o que poderia acontecer com ela. Miller está prestes a perder a paciência. Eu deixo cair a camisa no chão e corro pela sala, sem pensar no perigo em que eu estou me metendo. Ele só precisa me ver, ouvir-me, sentir-me. Qualquer coisa para afastar-lhe da direção a que se dirigia. — Miller! Eu grito muito a meu pesar aceitar que isso não vai funcionar. Eu gritei repetidamente contra a casa de minha avó e não adiantou nada. –Merda! - maldigo perto deles, observando sua luta frenética. Cassie está chorando, e seu cabelo perfeito agora despenteado e revirado. — Não se atreva a me deixar! – uiva. –Eu não penso em permitir! Abro os olhos alarmados. Entre esses dois há mais do que assuntos de negócios. Cassie perdeu os estribos e, ainda que tema por ela, também estou preocupada com Miller. Essas unhas são como garras e ela continua atacando enquanto ele tenta contê-la e ela continua a chorar sem parar. É uma loucura, e para Miller pouco falta. Eu tento fazê-lo me ver, eu tento chegar e tocar, mas a cada tentativa eu tenho que voltar para evitar ser atingida por um final furioso. O pânico começa a me devorar viva, mas antes de decidir minha melhor jogada, Tony invade o escritório. Sua chegada teatral desvia da minha luta de olhar, mas não para por Miller e Cassie. — Tony, faça alguma coisa! - berro, puxando-me de volta para eles com um sentimento insignificante e impotente. – Miller, pare!Eu chego, quando eu vejo um caminho claro para o tronco, meu corpo se movendo mais perto, desesperado para pará-los. — Livy, não! - berra Tony, mas seu tom não me impede. Eu estou chegando mais perto, o que tenho à minha disposição, mas, em seguida, uma chicotada escaldante me corre na bochecha e me envia de volta para o tempo em que gritava de dor. Eu coloquei minha mão para instantaneamente enfrentar as lágrimas que inundaram meus olhos. O golpe no meu rosto me deixou atordoada. — Merda! Eu não consigo encontrar nada para agarrar e ter equilíbrio, e em vez disso desisto do inevitável, deixo o meu corpo cair no chão. Tudo embaça em torno de mim – visão, som – e a dor e as chamas na carne do


meu rosto. Eu tento limpar meus pensamentos, ou pelo menos recuperar a clareza de visão, mas tenho a sensação de mãos fortes em meus ombros para me trazer de volta para a sala. Tudo é silencioso. Silêncio sepulcral. Eu olho para cima e vejo olhos azuis traumatizados, inspecionando meu rosto até concentrar-se na área que me queima. Cassie fica ao lado do bar, balançando as bebidas e com uma expressão de desconfiança em seu rosto atordoado. Com as mãos trêmulas sobre a garrafa de vodca, em vez de despejar um copo, vira a garrafa aos lábios. Não tenho certeza de quem me bateu, mas depois de alguns segundos olhando através de Cassie, com minha visão turva, chego à conclusão de que foi ela, e agora se prepara para alguma coisa. —Tony-, Miller diz com sua voz cheia de raiva. —Eu estou aqui, filho. - O Gerente vem e olha para mim com pena. Sinto-me estúpida, como um fardo, e fraca. — Tire essa cadela da porra do meu escritório. Miller me ajuda e me embala em seus braços, antes de virar para Cassie. Praticamente bebe ao longo de toda a garrafa. Eu protesto que eu posso ficar em pé, e eu tenho uma dor de garganta depois do meu grito de alarme. — Shhh.., sussurra, e atinge os lábios macios contra o meu templo enquanto ele olha pra Cassie com os olhos raivosos. Ela é suspeita e agita-se, apesar de seu estado de embriaguez, mas ainda mantém o seu ar de superioridade. — Ela não deveria ter se intrometido-, espeta minimizando o incidente e drenando o resto da vodca. Tony se move e leva o braço de Cassie. –Vamos-, ele ordena, removendo a garrafa da mão dela e colocando-a para baixo. —Não! —Tire-a!- Miller grita. –Tire-a antes de eu matá-la! — Não me mataria!-, ela ri. -Não!Tony começa a puxá-la até a porta, mas ela obstinadamente luta. Ela é implacável. –Pelo amor de Deus, Cassie! Fique sóbria e resolva esta merda para fora mais tarde. — Estou bem-! Ela se solta de Tony e cambaleia sobre a mesa, e cai para baixo na cadeira do Miller. Embora eu só tenha restaurado a visão, eu a vejo claramente olhando para mim com um olhar severo. Mesmo agora? Apenas me bateu, ela atacou Miller, e continua a ser hostil. Não


vê qualquer agressão emanando de cada poro do meu senhor a tempo parcial? É idiota? —Dá um tempo,- ela resmunga, segurando a Cruz intrincada que sempre decora o pescoço dela. Ela brinca, amaldiçoando sob sua respiração. —Cassie-, adverte Miller. Eu posso sentir seu peito arfante duplo em ritmo debaixo de mim. –Não. —Foda-se! Tony está muito rapidamente ao seu lado, inclinando-se até obter o nível, com as palmas das mãos na mesa de Miller. –Eu não permitirei, Cassandra. Ela vira um queixo desafiante até Tony e move-se em estreita, ficando frente a frente com ele enquanto ela continua a jogar com sua cruz de prata. –Fodase....—Cassie! —Ele quer sair! Já ouviu algo tão engraçado? Eles nunca vão permitir isso. Quero gritar que todas aquelas mulheres não tem escolha, ele é meu agora, mas Miller aperta-me com ele. É um abraço reconfortante. Cassie ri. —É hilário. O metal do pingente é dividido em dois e assisto com horror quando um pó branco espalha sobre a mesa impecável Miller. Eu suspiro, —Tony!- Miller amaldiçoa e me aperta da cabeça aos pés. Cocaína? Se não tivesse visto as partículas finas que derramam da joia preciosa de Cassie eu provavelmente nunca teria percebido que ele estava lá; o resíduo é camuflado pela superfície perfeitamente branca e brilhante. Eu fiquei sem palavras enquanto eu assisto, um cartão de crédito ser removido do seu sutiã, juntamente com um bilhete, e começa a recolher pó, formando uma linha longa e perfeita. Ela é uma especialista. Tony está andando a sala, praguejando profusamente e Miller é só olhando para ela enquanto me mantém em seu aperto firme. A tensão na sala é palpável, e estou realmente ansiosa sobre quem vai fazer a próxima jogada. Há um desejo incontrolável de me libertar de Miller, mas isso deixaria ele solto. Todo mundo está mais seguro enquanto eu estou em seus braços. Então, de repente, eu não estou mais. Miller me senta em um sofá em um canto e vai para Cassie, mas ela não percebe. Ela está muito ocupada aspirando a poeira sobre a mesa com uma nota enrolada. — Calma, filho. -Tony tenta tranquiliza-lo, e me olha com preocupação. A dor no meu rosto foi substituída por uma enorme apreensão. Todas as pessoas na sala, exceto eu, são como bananas de dinamites. E Miller é o pavio que arde mais rapidamente. Acessa a mesa com as palmas da mão e inclina para frente seu peito nu se


aproximando de Cassie. Ela está cheirando e limpando o nariz com um sorriso malicioso no rosto. —Eu pedi mais de uma vez. Se você me fizer pedir de novo, não serei responsabilizado por minhas ações. Ela bufa sua falta de preocupação e se instala para trás na cadeira. Eu vejo como a arrogância é desenhada no rosto. Ela não tem medo. Ela sorri, simplesmente fala: –Sorria-, e cruza uma perna sobre a outra... sorrindo. Eu franzo o cenho franzido. Sorria? Que razões tem para sorrir? Nenhuma. — Miller, vamos lá.- Tony está tentando seu melhor, falar alguma calma na situação, e eu rezo para ele ter sucesso. As sobrancelhas perfeitamente arqueadas de Cassie arqueiam ainda mais. – Quer um pouco? — Não-, Miller cospe. Ela faz beicinho e afasta-se lentamente em um sorriso manhoso. – É a primeira vez. Engoli em seco, incapaz de manter minhas reações intrigado fora da minha boca. Drogas? Além de tudo o mais, agora eu tenho que adicionar seu vício em drogas à lista? —Eu te odeio com todas as minhas forças -sibila Miller se aproximando. —Ela está acabando com você. Ele se inclina em direção a ela, ameaçando e balançando as palmas das mãos na superfície branca. ���Ela está me salvando. A risada de Cassie é fria e cortante, enquanto também se aproxima dele. —Nada pode salvar você. Estou completamente atordoada, tentando processar tudo isso, essa explosão de informação enquanto eu tento desesperadamente agarrar a força que eu preciso para ajudar Miller. Eu olho para Tony, meus olhos implorando para intervir. Mas é tarde demais. Miller se lança sobre sua mesa e agarra o pescoço Cassie. Solto um grito. Isso é uma loucura. É surreal. Miller perdeu o controle, e a perturbada sentada à mesa, em vez de temer por sua vida, ela está rindo na cara dele. —Foda-se! Tony corre para eles e recebe um soco na mandíbula, mas em vez de ceder, ele luta mais difícil. Ele sabe, tão bem como eu, que isto vai acabar apenas de um jeito, e que vai ser com Cassie no hospital. –Solta ela! —Ela é um parasita, porra!- Miller ruge. -A vida é miserável o suficiente sem a ajuda dela! —Miller! Tony lhe dá um soco nas costelas. Miller grita e eu estremeço. Deixea!


Miller se empurra longe de sua mesa e move-se agressivamente. – Tire-a daqui e coloque-a de volta na reabilitação! —Eu não preciso de ajuda!- Cassie espeta maliciosamente. –É você quem precisa da porra de ajuda. Ela tira Tony fora e começa a ajeitando o vestido, colocando a bainha novamente sobre o joelho. – Você está disposto a arriscar tudo por quê? -Ela diz que acena seu braço em minha direção. O quê? Quê? Ah, eu posso estar atordoada pelos eventos desvendados ante a mim, mas ela é persistente na insolência e insultos estão começando a me irritar. –Quem diabos você que é?Eu grito, levantando-me, e eu percebo instantaneamente que sou detida, por Miller. — Você acha que algumas birras e palavras amargas vão quebrá-lo?- Eu passo em frente, sentindo minha confiança inchando, especialmente quando Cassie cale sua boca podre. – Você não pode detê-lo.— Não é comigo que você deve se preocupar.- Seu lábio retorce. São só palavras, mas a forma aguda, na qual elas são entregues envia ansiosos formigueiros na espinha. —Basta!-. Tony intervém, tomando o braço de Cassie e levando-a do escritório. – Você é seu pior inimigo, Cassandra. — Sempre fui, - ela concorda em uma risada, permitindo-se ser guiada para a porta sem confusão ou briga. Mas então, ela retarda a uma parada no limiar e vira vagarosamente, e diz: – Foi bom te conhecer, Miller Hart. Suas palavras de despedida aquecida arrefeceram as emoções que regiam o ambiente Miller e deixaram um ar espesso e livre de pressão. A porta bate, por cortesia de um Tony com raiva, e Miller e eu ficamos sozinhos. Ele está nervoso. Eu me preocupava. Ambos permanecemos em silêncio durante o que parece uma eternidade. A minha mente constantemente repetindo os últimos dez minutos, até eu começar a perceber que estou encharcada e que meu rosto dói. Eu começo a tremer e meus braços instintivamente se envolvem em torno de meu corpo. É um mecanismo de proteção. Tem nada a ver com meus ossos frio. —Desculpe. Eu olho para o chão, e eu não ouso ou não quero torturar os meus olhos vendo Miller em seu caminho cem por cento psicopata. Já os vi o suficiente nos últimos dois dias. Estes ataques estão se tornando muito frequente. Precisa de ajuda. A crua realidade da vida Miller meramente tornar-se mais e mais escura.


—Não me prive do seu rosto, Olivia Taylor. A suavidade da sua voz é forçada, uma tentativa de incutir alguma tranquilidade em mim. Não sei se pode trabalhar. Não acho que algo possa ser trabalhado. Novamente estou questionando minha capacidade de perseguir os demônios do Miller fora porque a meu ver agora, eu estou alimentando o fogo. E eu odeio isso. Eu odeio minha dúvida constante por causa de todas essas pessoas que se intrometem em nosso relacionamento — Olivia-. ouço o baque dos passos se aproximando, mas mantenho meus olhos para baixo. Sacudo minha cabeça e meu queixo começa a tremer. — Deixe-me ver esses olhos brilhantes-. O calor da palma da sua mão se conecta com minha bochecha dolorida, e eu sinto um desconforto tremendo. Eu me encolho com um silvo, virando meu rosto para longe de seu ponto de vista. Eu já sei que vai estar vermelho brilhante, a força bruta da pancada que eu só absorvi e que, sem dúvida, irá enfurecer Miller mais. Ele parece estar calmo. Eu preciso continuar assim. A mão dele se retrai ligeiramente, pairando apenas no meu campo de visão. — Posso?- perguntou calmamente. Eu entrar em colapso, dentro e fora, com o coração partido. Ele me pega em silêncio, como se esperasse para o meu corpo ceder, e se senta no chão balançando-me em seus braços fortes. A familiaridade de seu peito nu contra mim não tem seu efeito habitual. Eu soluço – soluços horríveis angustiante. É demasiado para mim. A força que Miller me dá, parece ter sido engolida, me deixando órfã, fraca, nada. Não sirvo para ele. Não o consigo ver através da escuridão dele porque meu mundo está tornando-se muito escuro no processo. William está certo. Uma relação com Miller Hart é impossível. Separados, nós mal funcionamos. Juntos, estamos mortos e incrivelmente vivos ao mesmo tempo. É impossível. —Por favor, não chore-, ele implora, apertando-me com ele, o tom de voz baixo agora sincero e não forçado. —Não suporto vê-la assim. Eu disse nada, meu nariz entupido impedindo-me de falar, mesmo se eu soubesse o que dizer. Que eu não sei. A melhor parte da minha existência tem girado em torno de evitar um mundo cruel. Mas Miller Hart me pegou e me colocou no centro do mundo. E agora eu sei que nunca escapará. Seu rosto está enterrado no meu cabelo, e ele está cantarolando essa melodia reconfortante. Tentando me tirar do sofrimento. Ele está preocupado, e enquanto ele tem cantarolado por minutos eu ainda não parei de chorar. Ele rosna baixo e fica comigo, protegendo-me contra ele e, em seguida, carrega-me calmamente até o banheiro. Ele posiciona-me no banheiro, sem necessidade de precisão e puxa meu cabelo


emaranhado do meu rosto com o máximo cuidado para evitar minha bochecha dolorida. Eu finalmente permito meu ardor para levantar os olhos junto com a minha cabeça para encará-lo. Seus olhos azuis revelam horror quando centram-se no do lado do meu rosto, e ele respira profundamente, acalmando com a respiração. — Espera-, ele ordena duramente enquanto ele recupera uma toalha de rosto numa pilha pequena ao lado da pia e a molha em água corrente fria. Ele está ajoelhado aos meus pés, rapidamente, a toalha na palma da mão dele. – Eu vou ser gentil. Eu dou minha aceitação e estremeço até mesmo antes do pano frio tocar minha face. —Shhh.- A friagem atinge minha bochecha concurso, fazendo-me encolher em um suspiro doloroso. —Ei, ei, ei.- Coloca a palma da mão no meu ombro para me firmar. –Deixe resolver. Tomando uma respiração profunda, preparei-me para a pressão, que eu sei que ele está prestes a aplicar. –Melhor? -, indaga, à procura de conforto em meus olhos. Não consigo encontrar a energia para falar, então eu dou um patético aceno, privando Miller dos meus olhos quando eu os fecho na dor. Tudo parece pesado – meus olhos, minha língua, meu corpo... meu coração. Eu levanto minhas mãos e esfrego os olhos cansados com a base, massageando nos encaixes rigorosamente, na esperança de apagar as visões assim repetindo na minha mente, não só o que aconteceu esta tarde, mas de todas as últimas raivas Miller e a terrível imagem dele recebendo cocaína no nariz. Eu estou sendo ingênua e ambiciosa. —Eu vou buscar gelo,- murmura Miller, soando tão patético quanto eu me sinto. Ele pega minha mão e substitui com a dele, suavemente na minha bochecha antes de ele empurrarse do chão. —Não!- agarro seu pulso para impedi-lo de sair. –Não vá. A esperança que brilha através dos seus olhos em branco com picos de culpa. Ele cai para suas ancas e repousa suas mãos sobre meus joelhos. —Você cheira cocaína-, afirmo, não tornando-se uma pergunta. Não há nenhum escopo para negar aqui. —Não, desde que conheci você, Olivia. Há muitas coisas que não faço desde que conheci você. —Você só parou, assim?- Eu sei parecer cínico, mas não é algo que eu posso ajudar. —Assim. —Quanto? —Importa? Eu parei. —É importante para mim. Quantas vezes você usa? —Eu uso-. Seus tiques de mandíbula e seus olhos cerrar fechada. - De vez em


quando. —De vez em quando?Olhos azuis lentamente aparecem novamente, derramando com pesar, tristeza... vergonha. – Ela me ajudou a conseguir através de... Eu suspiro. – Oh Deus. —Livy, eu nunca tive um motivo para parar de fazer o que eu fiz. Simples assim. Eu não preciso de alguma coisa. Não agora que eu tenho você. Deixo meus olhos, confuso, chocado e ferido. —Quem vai te crucificar? —Muitos-. Ele ri nervosamente, e ele solicita os meus olhos para encontrar os dele novamente. – Mas eu nunca vou deixa-los em cima de nós. Eu vou fazer de tudo o que você quiser,- ele jura. —A um médico,- eu falo sem pensar. -Por favor-. Ele possivelmente não pode lidar com todos esses problemas. Ele não pode estar além da ajuda. Não me importo se ele disse isso antes. —Não preciso de um médico. Preciso de pessoas para parar de interferir.- Sua mandíbula é apertada, apenas a menção de pessoas intrometidas, subindo a raiva que é tão preocupante. – Eu preciso de pessoas para deixar de fazer você pensar demais.Eu balanço a cabeça em um sorriso triste. Ele não vê-lo. –Eu posso aprender a lidar com a interferência, Miller.- Eu tenho que. Miller, levará todos da interferência pessoalmente. Talvez seja paranoia. As drogas fazem as pessoas paranoicas, certo? Não faço a mínima ideia, mas é um problema e pode ser corrigido, tenho a certeza. –É você que está me deixando triste. As mãos dele travam suas mãos esfregam em meus joelhos. –Eu?, indaga tranquilamente. —Sim, você. Seu temperamento.- O ódio de Cassie é mistificador e desagradável, mas não fez me sentir e inútil como isso. Isso é obra dele. – Posso te ajudar, mas você precisa se ajudar. —Você precisa ver um médico. Olhos azuis aprofundar como eles exploram a minha cara, e ele cai de sua posição agachada para seus joelhos. Olhei para baixo para ele, a tranquilidade que seu dizer olhar mergulhado sempre oferece, como agora, até mesmo quando estamos em uma bagunça – Miller é de tal um confusão – o conforto que me sinto é imensurável. Ele apertou minhas coxas antes que ele tome minhas mãos em seu e traz meus dedos nos lábios macios, todo o tempo de manutenção a consumindo a conexão dos nossos olhos. — Olivia, compreende a extensão dos meus sentimentos para você? - Os olhos dele fecham firmemente, roubar-me o conforto que eu sobrevivo em parte do. ' Não é compreendê-lo?'


—Abra os olhos,- exijo suavemente, e em um esforço para inalar o ar, ele puxa preguiçosamente eles abertos. – Eu compreendo a extensão dos meus sentimentos por você. Se isto é como você se sente por mim, então eu entendi. Compreendo, Miller. Mas não pode a atacar qualquer um que nos ameace. Nossa frente unida é suficiente. Deixe-nos fazer a falar. A dor emocional invade seu rosto perfeito, fazendo com que seus lábios pressionem juntos e os olhos fechem novamente. —Não é uma coisa que eu posso ajudar,- ele admite, deixando seu rosto cair na minha colo. Ele está se escondendo, com vergonha de sua confissão. Eu sei que ele despede-se dos seus sentidos, mas ele tem que tentar parar. Eu corto o contato de nossas mãos e mergulho os dedos no cabelo molhado dele, olhando para meu toque massageando a nuca dele. As palmas das mãos varrem ao redor de minha parte inferior e adere-se desesperadamente, a cara dele então sua bochecha está agora descansando em minhas coxas. O vejo olhando fixamente para o nada, então lhe dou meu carinho, transferindo para o seu rosto e traço suavemente os contornos de seu perfil, esperando meu toque tenha o mesmo efeito que o dele tem em mim. Paz. Conforto. Força. —Tudo eu tinha quando criança foi tirado de mim,- ele sussurra, roubando o meu fôlego com uma dica de vontade de dizer-me sobre sua infância. – Eu não tinha muitas posses, mas eles me eram queridos, e eles eram meus. Só meu. Mas eles sempre foram tirados de mim. Não havia nada de precioso. Eu sorrio melancolicamente. –Você era um órfão-. Indicá-lo como um fato, porque Miller me disse à sua própria maneira. A foto não precisa ser mencionada. Ele acena. –Eu estava em um lar para meninos, desde que me lembro. —O que aconteceu com seus pais?Ele suspira, e eu imediatamente entendo que isso é algo que ele nunca falou de. —Minha mãe era uma jovem irlandesa que fugiu de Belfast-. —Irlandesa,- respiro, ver Miller brilhantes azuis e cabelos escuros para aquilo que são-normalmente Irlandês. —Ouviu falar de asilos Magdalene?-, indaga. —Sim-, eu suspiro, horrorizada. As freiras de Magdalene eram populares da Igreja Católica que alegavam estar trabalhando para Deus para purificar as mulheres jovens que foram infelizes o suficiente para cair em suas garras – ou que foram enviados para lá por seus parentes envergonhados, muitas vezes grávidas. —Ela escapou, aparentemente. Ela veio para Londres para dar a luz a mim,


mas meus avós finalmente a encontraram e a levaram para a Irlanda. —E você? —Ela deixou-me num orfanato, então eles poderiam voltar para casa, sem a vergonha. Ninguém precisava saber que eu existia. Nunca fui uma pessoa do povo, Olivia. Eu era um solitário. Eu não convivia com os outros, e passei muito tempo em um armário preto como resultado. Meus olhos arregalaram-se. Eu me sinto indignada, mas acima de tudo, estou triste. Especialmente desde que eu posso detectar a vergonha que ele sente. Ele não tem nada para se envergonhar. —Eles te trancaram em um armário?Ele acena levemente. – Eu não sabia me relacionar. —Desculpe-, digo com uma culpada golfada de ar. Ainda não se dá bem, só comigo. —Não precisa-. Ele suaviza as palmas das mãos das minhas costas. – Você não é o único que estava abandonado, Olivia. Eu sei como se sente, e isso é apenas uma parte muito pequena do porque eu nunca te deixarei. Uma pequena parte. —E porque eu sou a sua posse,- eu o lembro. —E porque você é minha posse. O bem mais precioso que já tive-, ele confirma, levantando a cabeça para encontrar meus olhos desanimados. Tudo foi levado para longe dele. Eu entendi. Ele sorriu levemente para minha tristeza. –Minha querida, não fique triste por mim. —Por quê?- Claro que estarei triste por ele. É uma história muito triste e isso é só o princípio da vida miserável que ele teve até agora. Tudo isso é desconexo – órfão, os desabrigados homem e a escolta. Há coisas que se conectam a esses estágios de vida de Miller e eu estou com medo de ouvi-los. O que ele me disse, tanto vocalmente e emocionalmente, tem me levado para a linha de frente da agonia e tristeza. O que liga estes pontos pode ser um iluminação que vai quebrar meu coração caído além do reparo. Seu calor escorrega em minha roupa molhada, sobre meus quadris e meus lados, até que sua aderência rasteja na minha clavícula e ele está encerrando meu pescoço. – Se meu conto de vinte e nove anos de miséria levou-me a você, então isso faz com que cada parte insuportável tenha valido a pena. Eu faria isso tudo de novo num piscar de olhos, Olivia Taylor.- Ele mergulha e docemente beija minha bochecha. – Aceite-me como eu sou, doce menina, porque é muito melhor do que o que eu era. O caroço na minha garganta incha, tornando a respiração muito difícil. É tarde demais. Meu coração já quebrou, e Miller também. –Eu te amo-, pronuncio penosamente. –Eu- te- amo- tanto. O buraco escancarado em minhas costelas, no peito, fica ainda maior quando a barba de Miller por fazer em seu queixo treme a um pouquinho. Ele abana a


cabeça em admiração antes de subir para reclamar o meu corpo inteiro, puxando-me para ele e dando-me a coisa mais feroz na história das coisas. —Eu quero agradecer a Deus por isso, e eu não sou um homem religioso. Respirando no seu cabelo molhado, aderindo a seu pescoço, eu fecho meus olhos e afundo nos músculos de seu corpo, levando tudo o que ele tem para dar e retorná-lo. Minha força é restaurada, mais forte do que nunca, e a determinação está apressando-se violentamente por minha corrente sanguínea. Ele ainda não concordou em ver uma terapeuta ou um conselheiro, mas meu ampliado conhecimento deste homem confuso e suas confissões é o melhor começo. Ajudá-lo, puxando-o de sua jornada autoproclamadas para o inferno, vai ser mais fácil agora que estou armado com o conhecimento que preciso entendê-lo. Eu o entendo. A interferência seria irrelevante, não fosse as reações extremas de Miller. Ele me vê como sua posse, e ele os vê como querendo me levar para longe dele. Em um mundo ideal, todos os idiotas intrometidos desapareceriam com uma magia, com um clique de meus dedos, mas como não existimos num reino místico, outras opções devem ser exploradas. E o principal, o temperamento Miller está ficando sob controle, uma vez que se tem tornado muito óbvio que todos esses idiotas intrometidos não são apenas intrometidos, mas persistentes também. Ele sempre vai ver estas interferência como pessoas que tentam tirar a sua posse – o bem mais precioso dele. É natural para ele reagir dessa maneira. Meus ossos estão sendo restritos a desmoronar-se sob o abraço do Miller, meus pulmões sendo espremidos também. Eu estou absorvendo o luxo de sua coisa e saboreando, mas meu empobrecido de corpo e mente exaustos também estão desesperados para descanso. Ainda estamos no gelo, intrometidos estão vadiando, estamos ambos ainda molhados e bagunçados, e Miller não fez nada do trabalho que tinha para fazer. Eu me contorço um pouco de seu domínio, encorajando-o para que eu possa olhar para ele. Acho que seus olhos correspondem ao meu cansaço. – Eu gostaria que me coloque na sua cama -, eu disse calmamente e dou-lhe um delicado beijo nos lábios macios. Ele rebate em ação imediatamente, liberando-me e equilibrando-me antes de sair do escritório dele e retornar, antes que eu tenha a chance de seguir, fixando uma camisa seca – todos os botões nos buracos errados. — Você quer uma camisa?-, indaga, executando uma rápida verificação no meu corpo. –Sim-, ele responde por mim, virando e desaparecendo de vista outra vez. Suspiro e o segui, desta esperando-o na porta. –Veste -, ele ordena, agitando uma camisa para fora. —Eu tenho meu vestido. —Oh-. Ele olha de sobrancelhas franzidas em meu vestido e vira os olhos indecisos sobre a camisa. Eu não saio daqui apenas uma das camisas do Miller,


mesmo se ele permitisse, que eu altamente duvido que ele teria. Eu tiro a camisa e coloco-a sobre um aparador nas proximidades. –Só me leve para casa. - Estou à beira de colapso. Ele suspira, ocupando sua posição habitual de mim. — Como você desejar. Sou guiada fora do clube, sabendo que estamos sendo observados por Cassie e Tony, mas nossa clara proximidade fala por si – sem palavras ou sorriso presunçoso de vitória necessária. Eu estou colocada na Mercedes do Miller, o calor é dobrado para cima, embora combinando com temperaturas em ambos os lados do carro, e eu sou levado a Miller em silêncio. Ele está tocando-me quase a toda tempo, não disposto a perder o contato, até que estamos no parque de estacionamento subterrâneo de seu bloco de apartamento e ele tem de me liberar para sair do veículo. Eu fico onde estou, quente e confortavelmente no banco do passageiro, até Miller recolher-me em seus braços e me transportar a dez andares de escadas para a porta preta brilhante que vai levar-me à privacidade. — Chame sua avó,- ele instrui, colocando-me em um banquinho. – Então nós vamos ter um banho-. Minha esperança se dissipa com a sugestão. Banho com Miller está além de bem-aventurado, mas então ele me segura em “o que eu mais gosto” na cama dele, e eu estou favorecendo a última opção agora. — Estou cansada-, suspiro, alcançando meu telefone do meu saco. Eu mal vou reunir energia para falar com vovó. —Cansada demais para tomar banho?-, indaga, decepção invadindo seu rosto. Não tenho nem energia para me sentir culpada. —De manhã?- Eu tento, pensando que meu cabelo vai ter secado em algo além do mundo selvagem, e Miller também terá. A imagem mental traz um pequeno sorriso na minha cara sem vida. Ele pensa por alguns instantes, e a almofada do polegar dele suaviza em toda a minha sobrancelha, seu olhos cansados, seguindo seu caminho. –Por favor, deixe-me limpar-nos.- Seu rosto está suplicando. Como eu poderia possivelmente me recusar? —Ok-, eu concordo. —Obrigado. Eu vou te dar um pouco de privacidade para chamar a sua avó enquanto preparo o banho.Soltando um beijo na minha testa, virou-se para sair. —Eu não preciso de nenhuma privacidade,- protesto, imaginando que ele pensa que posso falar sobre ele. Minha declaração banca de sua fuga, e ele mordisca no lábio pensativamente. –Por que você acha que preciso de privacidade? Ele encolhe os ombros perfeitos, e aqueles olhos perfeitos perdem um pouco da exaustão, e encontro malícia, em vez disso. Sorrio com cautela para os sinais de Miller brincalhão. – Eu não sei,- ele responde. –Talvez você gostaria de discutir meus pães.


O sorriso mais estúpido estende-se até minhas bochechas. –Eu faria isso na sua frente. —Você não deveria. Fico envergonhado. —Não! Um sorriso brilhante diminui qualquer tristeza persistente que possa ter permanecido, enviando-me uma vertigem. —Chame sua avó, doce menina. Eu quero tomar banho e pegar meu hábito debaixo dos lençóis.

Capítulo Vinte e Três Eu ouço vozes. Elas são fracas, mas elas estão lá. A sala é iluminada apenas por pontos de luz durante a noite de Londres sobe a linha no horizonte. Se eu não soubesse onde eu estou, acharia que estou em uma varanda com vista para a cidade, mas não é. Eu estou deitada no velho sofá de Miller, em frente a enorme janela de vidro, nua e enrolada em um cobertor cashmere. Ou seja, em um lugar melhor. Sento-me, arrastando o cobertor comigo e pisco para clarear minha cabeça, bocejando e me alongando. Os pontos de vista e o sono me distraem as vozes que ouvi há poucos momentos atrás, mas, em seguida, o tom ligeiramente elevado e agitado me lembra de Miller e sua ausência no sofá. Levanto-me e me enrolo no cobertor antes de caminhar no piso de madeira até a porta. Eu abro em silêncio e ouço às escondidas. Miller fala em voz baixa novamente, mas parece irritado. A última vez que atendeu um chamado a noite foi quando desapareceu. As imagens de nosso encontro no hotel passam por minha mente como uma bala e me faz estremecer. Eu não quero pensar nele dessa forma. O homem que foi confrontado no quarto não era o Miller Hart que eu conheço e amo. Ele precisa mudar o número do telefone para que essas mulheres não se apossem dele. Já não está disponível, embora eu verifique com relutância,


ainda não sei. Eu vou em direção ao som de sua voz abafada, suas palavras se tornam mais claras quando eu chego mais perto, até que chego à porta da cozinha e vejo marcas de arranhões que Cassie fez à esquerda de suas costas nuas. —Eu não posso-, diz com determinação. –Não é possível. Suas palavras me enchem de orgulho, mas, em seguida, apoia a bunda em uma cadeira e vejo outra pessoa na sala com ele. Uma mulher. Eu fico tensa. —O que é isso? - ela pergunta claramente surpresa. —As coisas mudaram. - Ele levanta a mão e passa por seu cabelo. –Sinto muito. Engulo em seco. Acabou? O que mudou oficialmente? —Não, eu não aceito um não como resposta, Miller. Preciso de você. —Você terá que encontrar outra pessoa. —Desculpe-me? - A mulher ri. Desvia o olhar para além da figura sentada de Miller e me pega na porta. Eu me escondo instantaneamente, como se ela já não tivesse me visto. Ela é madura, mas muito atraente, com os cabelos loiros cinza, corte de cabelo perfeito, e com um copo de vinho envolvido em seus dedos. Ela tem unhas vermelhas e longas como garras. É tudo o que consigo ver, antes de me esconder como uma idiota me sentindo muito estúpida para isso, dirijo-me a sala, tentando em vão estabilizar meu batimento cardíaco irregular. Ele a está rejeitando. Minha intervenção é desnecessária, e eu lembro-me bem que Miller disse que quanto menos pessoas soubessem sobre mim melhor. Eu odeio isso, mas eu tenho que prestar atenção, porque eu não tenho nenhuma ideia de onde estamos entrando. —Bem, bem. - Eu ouço sua voz suave enquanto caem meus ombros e salto para cima tocando minhas orelhas. Eu sei que ela me viu, mas uma pequena e inocente parte de mim esperava que minha visita furtiva fosse me afastar da vista diante de seus olhos pequenos e redondos que tinham me capturado. Eu estava errada. Agora eu me sinto como uma voyeur, quando ela é a única que invade o apartamento de Miller no meio da noite. – Ela também vai pegar seu cartão e dizer-me para mantê-lo em segurança? Você vai se oferecer para compartilhálo? Afinal, ela pode querer começar tirando a roupa. —O quê? - A voz intensa de Miller, deixa meus ombros ainda mais tensos. —Não, você me disse que tinha companhia, querido. —Companhia? - Parece confuso e eu percebo que eu fui pega, eu me viro e sou confrontada com a situação, mostrando meu rosto assim como Miller, para ver o que chamou a atenção de sua convidada. —Livy. Seu levantar da


cadeira arranha o mármore quando se levanta às pressas. Sinto-me estranha e estúpida de pé enrolada em um cobertor, com o cabelo no rosto e pés descalços movendo-me nervosamente. Miller parece agitado, o que não me surpreende, mas a mulher que está na cozinha dá a impressão de estar interessada, enquanto relaxa em sua cadeira e leva um copo de vinho em seus lábios vermelhos brilhantes. —Então agora você atende em casa? - ronrona. Miller ignora a questão e vem a mim rapidamente, volta e gentilmente me empurra para fora da cozinha. —Deixe-me colocá-la na cama. - sussurra. —Ela é uma delas? - Eu pergunto, deixando-me sair dali. Eu sei que é, posso dizer pelo ar de superioridade que cerca sua personalidade confiante e suas roupas de grife. —Sim-, responde murmurando. –Vou me livrar dela e, em seguida, ficar com você. —Por que ela está aqui? —Porque ela tomou certas liberdades. —Ela tem - concordo. —Querido! - A voz segura e petulante da mulher provoca em mim o mesmo efeito que a última vez que ouvi uma das clientes de Miller. Eu fico tensa sob suas mãos, e ele faz também. – Não a esconda de mim. — Não estou escondendo nada. - Ele cospe por cima do ombro enquanto ainda se move. –Eu estarei de volta em um minuto, Sophia. — Eu estarei esperando. — Agora que você mencionou o nome dela, é ela-, respondo com um excesso de segurança Eu percebo que ela tem um sotaque engraçado. É definitivamente Europeia. É apenas uma sugestão, mas perceptível. É como a mulher de Quaglino, mas mais descarada e mais confiante, que eu não pensaria ser possível. Uma vez em seu quarto, ele remove os lençóis e me coloca na cama. Eu cuidadosamente me estabeleço e ele apoia os lábios na minha testa. —Volte a dormir. —Quanto tempo você vai ficar? - Eu pergunto, porque eu fico desconfortável com ele lá fora, voltando para aquela mulher. É arrogante. Eu não gosto, e definitivamente não gosto da possibilidade dela babando em cima de Miller. —Você está na cama minha cama e está nua. - Ele coloca meu cabelo longe de meu rosto e me acaricia a bochecha com seu nariz. – Eu gosto de “o que eu mais gosto”, meu hábito. Por favor, deixe-me lidar com isso. Vou ser o mais rápido possível, eu prometo.


— De acordo. - Eu resisto a apertá-lo em meus braços, porque deixá-lo ir quando sair vai ser muito difícil. – Mantenha-se calmo, por favor. Ele balança a cabeça. Beija-me de novo nos lábios suavemente e deixa o quarto, fechando a porta atrás dele e deixando-me sozinha com a escuridão e os meus pensamentos; pensamentos indesejados, pensamentos que se eles demorarem muito tempo, acabo ficando louca. Tarde demais. Eu estou girando. Enterro a cabeça debaixo do travesseiro, sento-me, esperando ouvir um golpe e eu acho que volto para Miller, cada vez mais furiosa. Mas quando eu ouço a maçaneta da porta, deito-me, fingindo que não passei os últimos dez minutos enlouquecendo com pensamentos de regras, restrições, e dinheiro vivo, e preocupada com o temperamento de Miller. Uma luz escura inunda o quarto e depois de alguns momentos, ele aparece por trás, afastando o cabelo do meu pescoço para lamber. — Oi-, sussurro. Eu viro o rosto até que eu tenha sua testa na minha. — Olá. -Ele beija meu nariz e gentilmente acaricia meu cabelo. — Ela se foi? — Sim-, responde rapidamente e de forma assertiva, mas não diz mais nada, o que por mim tudo bem. Eu esqueço que ela estava aqui. — Em que está pensando? - pergunto depois de um longo silêncio que ele não parecia se importar, mas eu interrompo e tento distrair minha mente de visitantes noturnos. — Eu estou pensando o quão bonita você está na minha cama. Eu sorrio. — Mas você não pode me ver. — Eu vejo perfeitamente, Livy – Responde calmamente. Eu a vejo onde quer que eu olhe, com luz ou escuridão. Suas palavras e seu hálito quente no meu rosto me fazem relaxar completamente. —Você está nervoso? —Um pouco. —Hum, comigo. —Eu não posso cantarolar na demanda - observa, um pouco tímido. —Você pode tentar? Ele pensa por alguns instantes e então me prende ainda mais em seu peito, descansando seu queixo em cima da minha cabeça. —Você pôs muita pressão em mim. —Pressão para cantarolar? – eu digo. —Sim-, confirma, e beija meu cabelo. É um bom negócio, mas quando o silêncio é estendido e nós mergulhamos em um mundo de paz e tranquilidade, abraçando um ao outro, supera a pressão de meu pedido e começa cantar baixinho, que me mergulha em um sono profundo e reparador.


—Livy... - Seu sussurro me acorda. Eu tento virar, mas eu não posso me movimentar. – Olivia. Abro os olhos e encontro seus olhos azuis brilhantes e uma sombra de barba cobrindo seu queixo, agora ainda mais. — O quê é? — Está acordada. - Ele se inclina sobre os antebraços e esfregar sua virilha contra a mim para mostrar o estado atualmente. – Vamos? -ele pergunta, a ideia de Miller me adorar me faz acordar como se o Big Ben estivesse na cama. — Preservativo. – eu respiro. — Certo. - Sua mão cai do meu quadril para minha abertura e estende em minha quente umidade, abafando um grito de satisfação. — Você estava sonhando comigo? -Pergunta seguro, retornando para descansar a mão sobre o colchão e para trás. – Pode ser. - Eu sou difícil, mas, em seguida, afunda em mim e minhas tentativas de me fazer indiferente desaparece instantaneamente. –Ahhh! -gemo. Ergo os braços e meus dedos se enroscam em seu pescoço. Plenitude deliciosa no meu interior me leva a lugares além do prazer, como Miller prometeu. Sim, eu estava sonhando com ele. Eu sonhei que isso iria durar para sempre, não só nesta vida, mas além; uma vida de precisão perfeita em tudo, especialmente quando ele me ama. Eu me acostumei com seus hobbies. Eles sempre me fascinam, mas o mais importante eu sou absoluta, dolorosa e loucamente apaixonada por esse homem. Eu não me importo quem ele é, o que ele fez e ser tão obsessivo. Nossos corpos ritmicamente deslizam além dos limites do prazer. Ele olha para mim com dedicação total, alimentando meus sentimentos mais e mais com cada curso de seus quadris. Estou queimando, suspiro arfando em seu rosto enquanto minhas mãos estão molhadas de suor absorvendo seu pescoço. — Estou desesperado pra te beijar.- Ele resmunga empurrando profundamente, controlando sua respiração agitada. – Eu estou morrendo, mas não vou tirar os olhos de você. Eu preciso ver seu rosto. Eu cerro os músculos internos e reflexivamente bate lenta e progressivamente. — Porra, Livy, a perfeição não é nada comparado a você. Eu quero contradizer, mas eu coloco toda a minha concentração para igualar o meticuloso ritmo de seus quadris. Seus impulsos são firmes e precisos, e sua retirada lenta e controlada. Eu sinto cócegas no estômago se preparando para descer outra vez, a entrar em erupção e enlouquecer com sentimentos incontroláveis, não apenas o tipo físico. Meu coração também explode.


De repente estou me movendo, sendo puxado para cima com cuidado para o colo dele ajoelhado e orienta-me de cima para baixo. — Você me cabe apenas para a perfeição, - diz e fecha os olhos lentamente. – A única coisa em minha vida que é perfeito é você. Através do meu estado de felicidade, eu tento entender o que isso significa, especialmente vindo de um homem que sempre busca a perfeição. — Eu quero ser perfeita para você. -eu digo, empurrando meu corpo contra o dele e colando o rosto em seu pescoço. – Eu quero ser tudo que você precisa.- Eu não tenho nenhum problema em admitir isso. Em momentos como esse, eu vejo um homem descontraído, não duro e mal-humorado ou imprevisível e perigoso. Se eu puder ajudar a tirar algumas dessas imperfeições da vida de Miller, quando ele não está me adorando, eu vou fazer, pelo o resto de meus dias. Ontem foi um começo perfeito. Sinto-me hipnotizada quando eu viro e olho em seus olhos, agarrando-me a seu cabelo e movendo-me exatamente como ele me diz. O poder que emana e a incrível velocidade e controle me fazem perder a cabeça. Ele suspira e une nossas testas. — Minha doce menina, você já é-, fala. Baixa os lábios nos meus e nos beijamos ardentemente. Nossas línguas entrelaçadas colidem enquanto eu subo e desço. –Você é muito especial, Livy. —Você também. —Não, eu sou uma fraude. –Seus quadris protestam ligeiramente, provocando um grito para os dois. —Porra! - exclama, levantando a parte de trás dos calcanhares e ajoelha-se me segurando contra ele sem qualquer esforço. Eu baixo a cabeça para trás enquanto eu seguro suas costas e me apega ao tornozelo para um pouco mais de estabilidade. —Não me prive do seu rosto, Livy. A cabeça pesa e volta para os seus próprios dispositivos, quando a pressão aumenta e vibra. Eu vou explodir. Eu estou indo. —Por Favor, Livy, deixe-me vê-la. - Ele diz com uma voz preguiçosa – Por favor. Eu me forço para atender seu pedido, reunindo a pouca energia que me resta para segurar seu pescoço para ajudar. Grito. —Deite-se para trás. —O quê? - Eu grito, fechando os olhos e sentindo meus músculos contraírem persistentemente. Eu não posso controlar isso. — Deite-se! – A palma da sua mão repousa na base de minhas costas.


Deixando-me inclinar contra ele. Ele me facilita a ir para baixo até minha parte superior das costas ir para o colchão, e minha parte inferior se encontra contra seu quadril e joelho segurando meu corpo. –Você está confortável? — Sim! - engasgo arqueando as costas, ele afunda os dedos em meus cachos loiros e bagunçados. — Bom! -rosna. O olhar em seu rosto me diz que ele também está perto do orgasmo. Seu estômago endurece como um sinal de tensão crescente. —Você está pronta, Livy? —Sim! —Merda, eu também. Seus quadris parecem vir de boa vontade. De repente, bate com violência e a delicadeza anterior desaparece. Ele está tremendo, tentando controlar, e eu me pergunto mais uma vez se é uma batalha constante para evitar a ferocidade do que eu testemunhei no hotel. Essa linha de pensamento requer uma mente clara, e agora eu não tenho. Eu estou correndo. — Miller! Ele dá um novo golpe de quadris e nos leva ambos ao limite. Então solto um continuo rugido e engasgo. Dedos cravados na minha pele enquanto empurra um pouco mais em mim, tremendo e ofegando. Estou exausta, completamente inútil, lutando para manter os olhos no rosto molhado após o clímax de Miller. Quando ele cai em cima de mim, mantenho os olhos fechados, mas compensando a falta de senti-lo por toda parte. Ele está encharcado de suor, ofegante contra o meu cabelo, eu estava me sentindo em um mundo surpreendente e profundo. —Desculpa! - sussurra arrependido, e eu franzo a testa na minha exaustão. —Por quê ? —Diga-me o que vou fazer sem você. – Ele me aperta ridiculamente difícil, colocando pressão sobre as minhas costelas. –Diga-me como eu vou sobreviver. —Miller, você está me sufocando.- Eu praticamente suspiro ao dizer as palavras, mas ele aperta mais e mais. Miller relaxa. Sinto sua cabeça no meu pescoço. —Miller, por favor! Ele rapidamente sai de cima de mim, abaixa os olhos e me deixa ofegante na cama. Ele não olha para mim. Eu esfrego meus braços, pernas e o resto do corpo para verificar meu estado, mas ele se recusa a reconhecer o sofrimento que me causou. Parece perturbadoramente desanimado. O que é isso? Eu dobro os joelhos para olhá-lo e pego suas mãos na minha. — Você não precisa se preocupar com isso, porque já te disse como você é para mim, - eu digo calmamente, aliviada que ele aparenta estar tão preocupado com o potencial de separação como eu.


— Nossos sentimentos são irrelevantes. - diz totalmente convencido. Sua declaração me faz recuar ligeiramente. — Claro que são – digo, enquanto eu sinto uma sensação de frio que não gosto. — Não. - Ele balança a cabeça deixando suas mãos caírem sem vida em suas coxas. –Você está certa, eu deveria ter deixado você ficar longe de mim. —Miller? -Lamento que o pânico tome conta de mim. —Eu não posso arrastá-la em minha escuridão, Olivia. Isso tem que acabar agora. Meu peito lentamente começa a se quebrar. Meu mundo cheio de luz. O que aconteceu? —Você não sabe o que diz. Eu estou ajudando. - Eu tento segurar suas mãos novamente, mas ele as tira e levanta da cama. —Vou levá-la para casa. —Sim! -sussurro assistindo suas costas desaparecer no banheiro. — Não! pulo para fora da cama e corro atrás dele, agarrando-o pelos braços e o obrigo a voltar-se para mim. — O que você está fazendo? -Eu estou fazendo o certo, - diz sem sentimentos, sem remorso ou tristeza. Ele se fechou para mim, mais do que nunca, e mantém firmemente a máscara no lugar.–Eu não deveria ter permitido que isso fosse longe demais. Deve haver volta para você. —Será?! eu grito. –Quer dizer nós! Não há mais isso de você ou eu. É unicamente nós! Estou caindo aos pedaços, meu corpo tremendo recusando-se a se acalmar, não até que ele me abrace e me diga que estou ouvindo coisas. —É você, e sou eu – ele vem lentamente pra cima de mim. Seus olhos azuis estão vazios. –Nunca poderá haver um nós. Suas palavras frias são como facadas em meu coração. —Não. - Eu me recuso a aceitar isso. – Não! - Eu agito os braços, mas ele permanece impassível e indiferente. – Eu sou o seu hábito. - eu começo a soluçar, e o fluxo de lágrimas então em meus olhos são incontroláveis. –Eu sou o seu vício! Ele se afasta e dá alguns passos para trás. — Os vícios são ruins. O meu peito se abre e expõe meu coração partido. —Você está falando bobagem. —Não, o que eu digo faz todo o sentido do mundo, Livy. Ele se afasta e entra no chuveiro, implacável quando a água fria cai sobre seu corpo. Eu não vou desistir. Deve haver algo de errado com ele. Meu pânico alimenta minha tenacidade, e eu entro no chuveiro com ele e me abraço ao seu corpo, enquanto ele tenta lavar os cabelos.


—Você não vai fazer isso de novo. Agora não! Não, depois de tudo! Ele me ignora e lava os cabelos. Depois me escapa rapidamente e sai do outro lado do chuveiro. Mas eu não vou desistir, e choro enquanto eu prossigo. Eu agarro a sua toalha tentando impedi-lo, mas ele pega a minha, tenta me secar assim como o banheiro. Eu estou totalmente perturbada. Meu coração está batendo e eu estou tremendo. — Miller, por favor! –ajoelho e prostrando, grito assistindo-o desaparecer novamente. – Por favor! –Enterro a Cabeça entre as mãos, como se o escuro pudesse esconder ou me tirar desse pesadelo. —Levante-se, Livy. Sua impaciência apenas me faz chorar com mais intensidade. —Levanta-se! Eu enfrento seu olhar frio como o aço com os olhos cheios de lágrimas. —Você acabou de fazer amor comigo. Eu aceitei você como você é. Você quer esquecer que homem você é. —Ele ainda está aqui, Livy-, disse com os dentes cerrados. – Ele nunca vai embora! — Ele já se foi! - insisto desesperadamente. - Ele nunca aparece quando estamos juntos. Isso não é verdade, e eu sei, mas eu afundo cada vez mais no inferno e eu vou manter o caminho de volta. — Claro que eu faço. – ele grita se inclinando para baixo e puxando meu corpo feito de despojo para a porta. Eu fui estúpido achando que eu poderia fazer isso. —Fazer o quê? Ele recua me soltando e agita a mão para mim, apontando para o meu corpo. —Isso! —Você quer dizer sentir? Eu bato no seu peito. –Você quer dizer amor? Calo a boca e ele chega para trás, tentando controlar o tremor de seu corpo. —Eu não te amo. —Não... - eu murmuro lastimosamente. – Não diga isso. —A Verdade dói, Olivia. —É aquela mulher que veio ontem à noite, certo? -Eu pergunto, e de repente seu rosto presunçoso é tudo o que eu vejo através do medo. —Sophia. O que ela disse? —Não tem nada a ver com ela. – Ele me prossegue até o banheiro. — Eu sei que estou mais perto da questão. —Você realmente quer que eu saia? —Sim!- brama girando e através de mim com os olhos brilhando com fúria, mas os coloca instantaneamente para baixo, percebendo o que acabou de dizer. —Não!


—Sim ou não?! -Eu grito. —Não! —O que aconteceu desde que voltou para a cama na noite passada? —Porra nenhuma! -Desaparece de vista e fica no closet. Eu o sigo e o vejo com um shorts e uma T-shirt. — Você é jovem. Você vai se esquecer de mim. - Ele se recusa a olhar para mim ou para responder, o covarde. —Você quer que eu te esqueça? —Sim, você merece mais do que posso dar. Eu lhe disse desde o início, Livy. Não estou emocionalmente disponível. — E desde então você já me adorava e deu-me tudo o que você tem escondido para o resto do mundo. – Eu mantenho os seus olhos azuis vazios, tentando desesperadamente encontrar algo neles. –Você me destruiu. —Não diga isso! - Ele grita, mostrando claramente a sua culpa em seu tom e expressão. Ele sabe que é verdade. –Eu te trouxe a vida. —Parabéns! - grito enraivecida. –Sim! Você fez, mas quando eu vi a luz, e espero continua a vê-la, você termina sem piedade. Recua com as minhas palavras, que são nada mais do que a verdade, e não encontra resposta adequada, me passa a fugir com seus erros, certificando-se de não definir qualquer contato. —Tenho que ir. —Onde? —A Paris. Eu estou deixando na parte da tarde. Engoli em seco e quase me engasguei. Para a cidade do amor? —Você vai com aquela mulher, certo? Meu coração está gravemente ferido. Miller, todas essas mulheres chiques, apoio, o dinheiro, presentes... E tudo que eu posso ver é a cara bonita egoísta da minha mãe. Meu rosto. E agora o rosto de Miller também. Eu não vou deixar fazer isso comigo! —Eu vou te esquecer. – Eu endireito meu ombro e assisto como ele para ao ouvir a minha promessa. —Eu vou certificar-me disso. Ele se vira lentamente e olha para mim com olhos de aviso. Não me importo. – Não faça nada estúpido, Livy. —Você acabou de desistir de seu direito de me falar qualquer coisa, então você vai me perdoar se eu decidir ignorá-lo. – Eu passo por ele, sabendo o que estou fazendo e totalmente preparada para cumprir a minha ameaça. — Livy! —Boa Viagem. Eu recupero meu vestido úmido e visto enquanto eu viro para deixar o apartamento. —Livy, não é tão simples como sair e ir. Ele vem atrás de mim. Eu posso ouvir o som de seus pés descalços, batendo no


chão de mármore, intensificando à medida que se aproxima e eu corro para a porta. Agora ele está preocupado, minha promessa indireta estimulou sua raia possessiva. Ele não quer outro homem para me tocar. —Livy! Eu cinto ele agarrando meu braço e me vira irritado, e então eu vejo a máscara dele subir ligeiramente. No entanto, isso não impede de dar-lhe um tapa com a mão aberta, sua cabeça vai para o lado e lá permanece, enquanto eu tento, em vão, controlar o meu temperamento. —Sim! Você deveria ter me deixado longe de você! Despeço com determinação absoluta. – Você deveria ter me deixado te esquecer! Gira o rosto lentamente em direção a mim. — Eu não quero que você se lembre de mim assim. Eu não queria você me odiasse. Eu ri, surpresa com seus motivos egoístas. Ele não se importa com o que as pessoas pensam dele. Além de mim? Eu sou diferente? — Como é nobre de sua parte, mas você cometeu um erro fatal, Miller Hart. Ele olha para mim com cautela e eu solto o braço. — Como? — Porque agora eu o odeio ainda mais do que quando você me transformou em uma de suas putas! Agora você é um covarde! Agora você é um perdedor! Você é um galinha! Eu respiro profundamente para relaxar um pouco embaraçada por ter sido tão desesperada, e implorar. Ele sabe como eu me sinto, e agora eu sei como ele se sente, mas ele é o único indo embora. Ele quer desistir, quando sou eu que estaria tomando um grande salto de fé aqui. Eu sou a que está agindo contra todas as minhas regras e minha moral. —Eu nunca vou deixar você me ter outra vez . – Juro. – Nunca. O nível do meu tom é uma surpresa. – É a melhor coisa que você pode fazer. – Ele sussurra fracamente, e mais um passo para longe de mim, como se ele se preocupasse se eu tivesse que contradizer as palavras dele. – Cuidado, Livy. O duplo significado da última frase me ofende. — Agora eu estou segura-, proclamo, e dou a volta em um homem claramente quebrado e eu me afasto dele pela última vez. Meu desespero desaparece com suas covardes palavras. Agora eu sei como se sente. Ele também sabe como ele se sente, o que faz dele um fraco e covarde. Tudo o que eu quero agora é machuca-lo. Eu quero prender a parte mais resistente dele e destruí-lo.


Capítulo Vinte e Quatro Já passa das nove horas da noite, e eu estou exausta pela torrente de emoções, mas a minha mente vingativa me impediu de dormir. Ressentimento me incentivou a enfiar a faca e torcer sem parar. As quatro chamadas não atendidas de William não ajudou meu estado mental. Em qualquer caso, eles têm alimentado a minha sede de vingança. Eu não duvido que esteja preste a acordar uma vez por todas. Eu sou filha da minha mãe. Eu não tenho o meu cartão de sócio do ICE, mas isso não vai me impedir. Nada vai. Eu ignoro a fila e eu estou diante do porteiro, que suspira em exasperação antes de me proporcionar acesso sem uma palavra. Passo ao seu lado e olho para um dos bares. Eu vejo o meu ambiente, música e ambiente descontraído. A música dessa noite é bastante escura. Agora soa Insônia, é proposital. Muito apropriado. — Champanhe - Eu peço, e apoio a bunda contra o bar, enquanto eu assisto a luz azul do Clube de Miller dominar. Ele está cheio com a elite de Londres. As massas típicas de foliões bem vestidas que ocupam todo o espaço disponível, mas, apesar da quantidade de pessoas em volta de mim, em todas as direções sei que câmeras de segurança serão focadas em mim, e só em mim. Miller e Tony serão avisados, e eu não tenho nenhuma dúvida de que o porteiro estará avisando ao gerente da minha chegada. — Senhorita? -Viro-me e aceito a taça de champanhe. Ignorando o morango eu bebo de um gole só. Peço outro imediatamente e quando me viro, vejo que Tony cruza a faixa de dança na minha direção. Parece irritado e sabe o que está para acontecer, eu desapareço em meio ao mar de gente, decolando em direção do terraço no ultimo piso. Quando eu subo os degraus de vidro fosco, olho por cima do ombro e sorrio para ver que Tony está bem no lugar que eu acabei de sair, olhando ao redor confuso. Ele se inclina no bar e conversa com o garçom, que encolhe os ombros antes de servir a um cliente, que está esperando. Tony rebate à barra de cristal com o seu punho e se vira para encontrar-me pelo clube. Satisfeita, eu continuo o meu caminho até eu virar a esquina e atravessar o


limiar da parede de vidro gigante e estou no meio de um monte de gente rindo, bebendo e falando independentemente das vistas fantásticas. Bebo um gole de champanhe e espero. Não tenho de esperar muito. Apanho o olhar de um cara do outro lado do terraço e sorrio timidamente, antes de olhar para longe dele e apreciar a paisagem. — Está sozinha? Eu me viro para encará-lo. Vestindo jeans escuro e uma camisa branca. Meus olhos correm o comprimento do seu corpo até chegar ao seu rosto. É bastante atraente. Ele está bem barbeado e seus cabelos castanhos curtos na parte superior, penteados para o lado. — E você? - Eu pergunto, com a postura relaxada e levando o copo aos lábios. Ele sorri um pouco e vai até o final do telhado descansando a mão levemente na parte inferior das minhas costas. Não sinto faíscas invadindo meu corpo quando ele me toca, mas é um homem, e isso é tudo que eu preciso. — Meu nome é Danny. -Ele se inclina e me beija nas duas faces. E você é...? — Livy. -Eu olho para a câmera e sorrio, enquanto ele leva tempo se apresentando. — Prazer em conhecê-la Livy-, diz enquanto se afasta. Eu amo o seu vestido. Não é de admirar que ele goste. É apertado e curto. —Obrigada. — De nada - Responde com os olhos brilhando. Passamos algum tempo conversando e eu retribuo quando ele sorri e ri bastante, mas não porque eu me sinto atraída por ele. É porque eu sei que as câmeras são fixas em todas as direções, e armazenando-o para gravar tudo o que Miller vê quando retornar de Paris. —Você gostaria de seguir algum tipo de protocolo? Mal posso evitar franzindo a testa em confusão. —Quer dizer se eu gostaria de jantar primeiro ou me levar direto para a cama? Ele sorri. – As duas coisas parecem bem. Minha confiança vacila por um momento, mas logo no controle novamente. — Consideraremos que eu diga jantar. Eu viro o meu copo e pego a fruta. Eu certifico-me de mastigar devagar e engulo mais lentamente ainda. Ele faz o mesmo e imita minhas ações com um sorriso. — É uma visão fantástica. Ele aponta para o seu copo vazio para o espaço aberto. Eu sigo com o olhar a sua indicação. –Sim, respondo-, mas acho que sei de uma maneira muito melhor para passar o resto da noite. Minha ousadia deveria me surpreender, mas não faz. Eu tenho uma missão, uma missão perigosa. Miller não é o único usando uma máscara. Isso é muito fácil. Danny olha para trás com olhos sedutores e ele vem para cima e para baixo lentamente no rosto e olha até que nossos lábios se esfreguem. Em uma tentativa de manter a


minha garantia legal, eu fecho meus olhos e evoco imagens de Miller. É triste e patético, mas é a única maneira de realizar meus atos cruéis. Os lábios de Danny não me ajudam a realizar meu objetivo; Eles não têm nada a ver com aqueles de Miller, mas eu não paro. Deixo que ele me beije e tenho prazer sabendo apenas o dano que isso fará com o homem que eu amo, o homem que eu sei que me ama, mas é muito covarde para lutar pelo que é nosso. — Vamos para minha casa. - murmura Danny contra os meus lábios, deslizando as mãos em minha bunda. Concordo com a cabeça e imediatamente pega a minha mão e começa a me levar para fora do terraço. Hart Miller despertou uma imprudência em mim. Eu provei que William estava certo. Eu sou filha da minha mãe, e a realização deve me levar a um colapso, mas tudo que eu penso é a fria realidade da minha vida sem Miller nela. Ele é um homem repleto de complicações e desafios, mas eu preciso dele e de todos os obstáculos que o acompanham. Descemos as escadas. Danny vai à frente. Chegamos ao piso térreo e faz o seu caminho entre a multidão, ansioso para escapar da agitação de pessoas e ter um pouco de privacidade. Mas em seguida, ele para e eu fico surpresa, novamente me beijando e sussurrando em minha boca com um suspiro. – Eu talvez faça isso mais algumas vezes antes da gente sair daqui-, diz enquanto esfrega sua virilha contra a minha barriga. Nenhum protesto, principalmente porque eu estou feliz em ver que há certa câmera acima de nós, de modo que meus braços rodeiam seu pescoço e o deixo fazer o que ele quer, dizendo: – Parece bom. Separa-se relutantemente meu corpo, reivindicando a minha mão e continua a parar somente alguns passos à frente. No entanto, dessa vez não me beija. — Desculpe-me! – Ele diz tentando desviar de alguém, tentando contornar diz a qualquer um que fica em seu caminho. Eu não vejo quem é, mas eu não preciso. — Você não vai fica com a garota. - A voz rouca Tony me faz ceder atrás de Danny, mas também aumenta a minha determinação. Danny se vira para mim. — Ignore-o-, eu digo com firmeza e empurro na parte de trás para encorajá-lo a continuar. —Quem é? —Ninguém. —Eu assumo a liderança e puxo um intrigado Danny comigo. Tony não pode me deter, e isso vai destruir Miller ainda mais. —Livy, acabou o jogo! O rugido de raiva de Tony me faz parar. —Quem disse que isso é um jogo? – Pergunto secamente. —Eu. – Ele avança para frente dá um aviso através dos olhos para Danny, que desnorteado, já largou minha mão. O menino ri. – Ok, eu não sei o que é mais você pode me deixar fora disso. Ele


vai embora e deixa-nos Tony e eu olhando um com raiva do outro. — Menino esperto. —O que te importa? —Não me importa. —Então, por que você interviu? —Porque você vai ficar em apuros. —Eu vou encontrar outro. - eu bati, empurro para o lado e vou para o bar novamente, minhas pernas parecendo geleia. -Champanhe. - Eu peço quando minha vez chega finalmente. Tony aparece diante de mim, do outro lado do bar, chamando o garçom que estava prestes a me servir. — Você não irá beber mais álcool. Eu cerrar os dentes. – Por que você não cuida de seu próprio negócio? Ele se inclina sobre o bar, os dentes cerrados também. — Se você soubesse o dano que você está fazendo, você iria acabar com este absurdo, querida. Eu? Dano? Meu temperamento atinge limites perigosos. Se antes estava agindo sobre o ressentimento, agora é pura raiva e absoluto. —Esse homem arruinou minha vida! —Esse homem está acorrentado, Livy! –Ele grita fazendo-me recuar. –E, apesar do que você pode ter pensado, não é possível liberá-lo. —De que? Eu não gosto do tom e do olhar de Tony. Parece muito convencido. —De suas correntes invisíveis-, diz quase sussurrando, mas ouço as palavras perfeitamente acima da música ensurdecedora e da multidão. Minha garganta começa a fechar. Não posso respirar. Tony observa enquanto eu absorvo sua declaração, deve estar se perguntando o que eu estou pensando. Não sei. Ele está falando em código. Ele está sugerindo que Miller é um homem fraco e indefeso, e isso não é verdade. É muito poderoso, fisicamente e mentalmente. Eu experimentei ambos. Eu permaneço em silêncio. A mente está girando e meu corpo começa a tremer, não sabendo o que fazer a seguir. Eu me sinto sobrecarregada no escuro, e meus olhos malditos começam a ameaçar a derramar lágrimas de desespero. —Vá para casa, Livy. Siga em frente com sua vida e esqueça que já conheceu Miller Hart. — Isso é impossível -, soluço e meu rosto inunda de imediato, incapaz de conter a minha dor. O corpo de Tony esvazia através da névoa aquosa que enche minha visão e de repente desaparece, mas meu corpo não se move, e fico plantada no bar, perdida e inútil.


— Vem comigo. Eu sinto uma mão agarrar-me suavemente pelo braço, e me guia para longe do bar lotado me levando através do clube e da escadaria que conduz ao labirinto escondido sob o clube. As informações que Tony me forneceu, no entanto vago e enigmático indica que essa não é decisão de Miller. Eu cambaleio e tropeço na frente do gerente, quase desorientada, e quando chegamos à frente do escritório de Miller, digita o código, abre a porta e me leva para a mesa. Então eu sento na cadeira com cuidado. — Eu não quero estar aqui. - murmuro tristemente, ignorando o conforto que sinto em estar em um dos espaços perfeitos de Miller. – Por que você me trouxe aqui? Ele deveria ter me colocado em um táxi e me mandado para casa. Tony fecha a porta e se vira para mim. — Há algo sobre a mesa pra você, diz sem qualquer entusiasmo, e eu acho que é porque ele não me quer ali. Olho ao redor da superfície branca brilhante. Eu vejo o telefone celular dentro no lugar fornecido no centro da mesa, um envelope, perfeitamente posicionado, com o fundo em paralelo com o borda da mesa. Só Miller poderia ter colocado lá. O instinto me faz afundar na cadeira de couro, colocando distância daquele pedaço de papel inofensivo. Estou desconfiada e tenho a certeza de que não vou querer ler o que ele contém. — É meu? - pergunto sem olhar para longe do envelope. — Sim! - Tony suspira. Ele passou por aqui no caminho da estação de St. Pancras. Eu não olho para Tony, mas eu simplesmente levanto uma torrente de ar, desconfiada. Eu levanto as mãos lentamente e pego o envelope, que tem o meu nome completo escrito na frente como uma letra que eu reconheço. É de Miller. Por mais que eu tente controlar não posso evitar tremer ao extrair a nota. Eu tento em vão estabilizar a respiração, mas meu coração acelera, tornando-se impossível. Desdobro o papel e esfrego os olhos para restaurar clareza de visão. Então eu prendo a respiração.

Minha doce menina: Como eu sabia que você ia acabar aqui? Hoje à noite as câmeras de seguranças foram desligadas a meu pedido. Se


você decidir deixar que outro homem desfrute de você, então ele merece, mas não posso suportar a testemunhar. Imaginar já é tortura suficiente. Vendo eu poderia matá-lo. Eu nunca iria te machucar, por isso espero queimar no inferno se chegar lá. De todos os erros da minha vida, você é o que eu mais lamento Olivia Taylor. Não me arrependo de te adorar ou me entregar a você. Lamento a impossibilidade de minha vida e minha incapacidade de dar-lhe um para sempre. Você deve confiar em mim e a decisão que tomei, e sei que eu tenho feito isso com o coração pesado. Mata-me dizer, mas eu espero que você me esqueça e encontre um homem digno de seu amor. Eu não sou esse homem. Meu fascínio por você nunca vai morrer, minha doce menina. Eu posso privar meus olhos de ver, e negar o seu gosto em minha boca. Mas não há nada que eu possa fazer para consertar meu coração partido. Seu eternamente, HART MILLER

—Não! - Eu choro, e todo o ar dos meus pulmões dispara em minha boca em um suspiro doloroso. O nome de Miller borra quando uma lágrima cai no papel e faz manchar a


página. Eu devo ter a mesma aparência da letra borrada e distorcida. —Você está bem? -A voz de Tony interrompe meus pensamentos caótico, e levanto os meus pesados olhos para outra pessoa que se opôs ao nosso relacionamento. Todo mundo está determinado a nos separar, como eu estava também. E, depois como Miller estava se interpondo quando eu temia perder a fé em nós, agora ele faz isso. — Eu o odeio. -digo as palavras ofensivas com sinceridade total. Essa carta não tem facilitado a minha dor. Suas palavras são contraditórias, o que faz mais difícil de aceitar sua decisão. Sua decisão. E o que acontece com a minha? O que sobre mim e minha disponibilidade para aceitá-lo e deixá-lo encher-me com a força que eu preciso para ajudá-lo? Ou ele está além de ajuda? Ele está tão profundamente nas profundezas do inferno que eu não posso puxá-lo de volta? Todos esses pensamentos e perguntas só conseguem transformar minha dor em ódio. Depois de tudo o que temos sofrido, ele não deve ter tomado essa decisão sozinho. Deixo a carta na mesa e acordo instantaneamente. Ele está se escondendo. Ele escondeu toda sua vida... até me conhecer. Ele me mostrou um homem que eu tenho certeza que ninguém mais viu. Ele se esconde atrás de algumas maneiras em um casulo áspero e arrogante e depois de algumas fantasias, o Miller relaxado aparece, quando perdemos um ao outro. É uma fraude, como ele mesmo diz. Uma névoa vermelha me envolve e eu tropeço ao redor na mesa e cambaleio em direção ao mobiliário do bar na outra extremidade da sala. Quase caindo sobre ele. Alguns momentos atravessam meus olhos observando momentos ordenadamente garrafas e copos arranjado, respiração difícil. — Livy? -Tony parece perto e muito alarmado. Enlouquecida eu choro e coloco meu braço ao redor da superfície, jogando todos os objetos do mobiliário ao chão com um estrondo. — Livy! - Tony repente agarra meus braços e se esforça para manter-me enquanto eu continuo gritando e lutando com ele como uma possuída. —Acalme-se! —Saia! - Eu grito. Eu me deixo ir e corro em direção à saída do escritório de Miller. Minhas pernas movem-se rápido, o ritmo do meu coração, e leva-me para longe da perfeição de Miller, as escadas e até o ar da meia-noite. Corro para a estrada lançando-me sobre um táxi dando-lhe apenas duas opções: parar ou me atropelar. Eu entro. — A Belgravia. -engasgo. Eu fecho a porta e vejo como Tony ficar no ICE, agitando os braços freneticamente em direção ao porteiro quando ele me observa a distância. Eu caio para trás contra o couro, dando ao meu coração o tempo para se recuperar, minha testa descansa no vidro e eu assisto Londres passar a noite.


É verdade que Londres lança sua sombra escura.

Capítulo Vinte e Cinco Seu bloco de apartamentos parece-me hostil, o átrio adornado de vidro frio e silencioso. O porteiro inclina-se enquanto eu passo. Meus saltos quebram o assustador silêncio ressoando através do imenso espaço. Evito o elevador e abro a porta para as escadas, eu estou esperando que tenha a energia para subir e reduzir a raiva que invade meu corpo. Meu plano falha. Eu subo as escadas e me encontro inserindo a chave na fechadura da porta brilhante em um instante, mas meu temperamento esfriou. Sei exatamente onde estou indo, eu corro através de seu apartamento tranquilo para cozinha e começar a abrir as gavetas. Eu acho o que eu estou procurando; em seguida, vou para o seu quarto e eu cruzo a primeira porta em direção a seu closet. De pé na porta, armada com uma faca mais sinistra, que eu encontrei, eu olho as três paredes cheias de ternos e camisas de grife feito sob medida, ou máscaras. Vejo-os como máscaras. Miller os usa para esconder algo. Sua armadura e proteção. E com esse pensamento em mente, eu enlouquecida grito e começo a atacar as fileiras e fileiras de peças caras de seu vestuário. Corto-as, fazendo em pedaços. A força dos meus braços facilita a tarefa, a raiva é minha amiga, mas uso apenas a faca para fazer alguns buracos em todas as partes antes de rasgar as roupas com a mão. -Eu odeio você! -Eu grito amarrando fileiras de ataque. Estou perto do nível da psicose que Miller tem mostrado muitas vezes nos últimos dias, e eu paro somente quando todos e cada um dos itens de seu guarda-roupa estão destruídos. Então eu me deixo cair exausta, respirando com dificuldade, e vejo a pilha de pano rasgado em torno de mim. Não pensei que a minha missão para destruir as suas máscaras eram para me fazer sentir melhor, e na verdade ela não faz. Minhas mãos inchadas, minha cara dói e minha garganta está ferida de gritar enquanto assassino as roupas. Eu estou tão quebrada quanto o desastre que eu causei. Viro-me e me vejo no mobiliário do centro do closet de Miller. Eu me inclino contra ele. Eu perdi meus sapatos entre os pertence e o meu vestido sobe até a cintura. Continuo sentada em silêncio, ofegante, por muito tempo, pensando... e agora? Sendo destrutivo pode momentaneamente desviar-me de pensar, mas o alívio é de curta duração. Chegará um ponto em que vou ter destruído tudo, provavelmente, até mesmo


a mim. Além do reconhecimento. Então o que vou fazer? Eu já vou estar à beira da aniquilação. Eu baixo a cabeça para trás, mas pulo quando um barulho alto ressoa. Minha respiração para na minha garganta. Em seguida começa a martelar. Um medo familiarizado me paralisa, sentada aqui enquanto eu escuto a batida persistente na porta, eu abro meus olhos e meu coração quase pula para fora do peito. Eu olho em volta para a bagunça em torno de mim. E então eu noto a faca. Eu a pego devagar e vejo o brilho da lâmina ao girar na mão. Eu levanto minhas pernas trêmulas. Talvez eu deva me esconder, mas meus pés descalços começam a se mover no ar e minha mão segura o cabo da faca duro. Caminho sobre as roupas de Miller em direção ao barulho, com cautela, até que eu ando na ponta dos pés pelo corredor e vou para o salão. De lá, eu olho temerosa para o corredor e eu posso ver a porta fisicamente mover-se com cada um duro estrondo. Em seguida, os golpes cessam e o silêncio é perturbador. Estou prestes a me mover, engolindo o medo, determinada a enfrentar a ameaça desconhecida, mas paro quando o bloqueio mecânico passa e a porta se abre acompanhada por uma maldição audível. Eu cambaleio para trás em êxtase, minha pulsação explode em meus ouvidos, sinto tonturas e desorientação. Leva-me um momento de pânico para assimilar o que tenho diante de mim. Pareço desequilibrada, algo estranho vindo de mim, depois que eu passei um tempo em seu closet. Ele está um desastre, ofegante e suando, quase vibrando com raiva. Ele não me viu. Miller fecha a porta e dá um soco forte de modo que a tira uma lasca de madeira, e depois ruge com dedos abertos. Eu passo para trás em alarme. —Porra! – Seu palavrão ressoa no vasto espaço aberto, batendo em todas as direções me fazendo congelar no local. Eu quero correr em seu auxílio ou gritar para que ele saiba que eu estou aqui, mas eu não ouso falar. Ele está completamente louco, e eu me pergunto qual é a causa de sua condição. Será que a sua própria intromissão? Eu assisto, chocada e angustiada, seu agitado para trás quando o eco de sua voz desaparece. Apenas alguns segundos depois, seus ombros visivelmente tenso vira seu corpo gasto para mim. A perfeição que é Miller está perdida. O nó em minha garganta explode, sufoca, e eu mordo o lábio para evitar que um soluço escape da minha boca. O suor escorrendo nas têmporas cai em sua jaqueta, mas não parece se importar com a possibilidade de que seu terno caro molhe. Ele olha para mim com os olhos selvagens; em seguida, ele inclina a cabeça para trás novamente e grita em direção ao céu antes de se curvar de joelhos. Miller Hart derrotado então abaixa a cabeça.


E chora. São lágrimas de angústia que fazem seu corpo tremer. Nada poderia me causar mais dor. Ele está lançando anos de emoções reprimidas, e não posso fazer nada mais do que ter cuidado, ficar com pena. Minha própria ansiedade leva à tortura ao ver esse homem enigmático sofrer. Eu quero abraçá-lo e confortá-lo, mas minhas pernas estão pesadas em mil toneladas e se recusam a me levar até ele. Meu corpo não responde. Eu tento dizer o seu nome, apesar de conseguir falar nada, mas abafo um grito de angústia. Passa-se uma eternidade. Eu minto por lamentar muito, mas é o choro inteiro de uma vida de sofrimento. Começo a me perguntar se ele nunca vai parar quando levanta sua mão ferida e passa por uma sombra de barba, substituindo as lágrimas manchadas de sangue. Levanto a cabeça e vejo o seu rosto e os olhos injetados de sangue, mas não me nota. Ele está fazendo de tudo para evitar o contato visual comigo. Agitado, ele se levanta do chão e avança em minha direção, me forçando a me virar. Mais ele me passa, evitando ainda meus olhos, Ele vai para o seu quarto. Depois de depositar a minha arma na mesa redonda no salão, finalmente convenço as minhas pernas para se mover e de seguir. Ele tira o paletó, colete e camisa indo do seu quarto para o banheiro. Solta as roupas, derrubando-a. Ele para na porta do banheiro, sapatos, meias, calças e puxa para fora a cuecas ficando nu. O suor cobrindo suas costas fazendo-a brilhar. Continua em frente, mas na porta permanece em silêncio e abatido, seus braços musculosos estendidos agarrando-se a moldura da porta. Eu não sei o que fazer, mas eu sei que não posso suportar vê-lo naquele estado, então eu me aproximo dele cautelosamente até que eu esteja perto o suficiente para sentir seu perfume masculino misturado com o suor que emana de seu corpo. -Miller! - Eu digo calmamente erguendo a mão para tocar seu ombro. Porém, ao apoiar a mão na sua pele, eu tenho que me forçar a não retirar imediatamente. Ela está queimando. Eu não consigo aguentar o calor abrasador muito tempo. Ele sai com um assobio e me deixa perturbada com sua rejeição. Ele vai para o chuveiro, entra e abre a torneira. Ele é frenético em sua tarefa. Depois de pegar a esponja e carregá-lo com gel de banho, ele descuidadamente, atira a garrafa no chão antes de esfregar-se em sua pele. Estou alarmada, não só pela sua desordem estranha, mas também pela urgência para ter seu corpo limpo. Esfrega a pele acentuadamente, passando a esponja em todos os lugares, lavando e carregando com mais gel. O vapor envolve o imenso espaço, o que me diz que o chuveiro está muito quente, embora ele não pareça afetá-lo. — Miller. – Avanço alguns passos, cada vez mais preocupada quanto o vapor aumenta.


—Miller, por favor! – Eu bato minha palma no vidro para tentar obter a sua atenção. Tem o cabelo molhado cobrindo o rosto, bloqueando a visão, mas não se importa. Esfrega com movimentos desesperados, com uma mistura de terror e fúria. Sendo injetados os movimentos desesperados de sua esponja voando pelo seu corpo. —Miller, pare! - Estou tentando entrar no chuveiro vestida, mas corro para fora quando a água entra em contato com a minha pele. –Porra!- Está muito quente. –Miller, desligue a torneira! —Eu não aguento mais! -grita, coletando as garrafas e jogando para baixo o gel no peito. –Eu tenho nojo! Eu os sinto por toda a pele! Eu posso senti-los em minhas roupas! Minha respiração pega na minha garganta, suas palavras, registrando a alto e bom som. Mas isso é o mínimo das minhas preocupações. Ele vai ferir-se terrivelmente se não tirá-lo. —Miller, me escute. -Eu estou tentando parecer calma, mas minha voz denota a minha ansiedade e não eu posso ajudá-lo. —Eu tenho que estar limpo! Eu preciso para remover todos os vestígios deles do meu corpo. Eu tenho que entrar e desligar o chuveiro, mas mesmo fora da água, ela me queima. –Feche a torneira! - Eu grito perdendo a compostura. –Miller! Feche a porra da torneira! Ignora-me e continua esfregando o peito e passa a esfregar os braços, eu vejo um vergões vermelhos que se formam em seus peitorais. Eu me coloco em ação e com medo, pensando em me causar dor, eu entrar no chuveiro ao longo da parede para encontrar as torneiras. —Foda, foda, foda! -Eu grito quando a água me queima em todos os lugares. Eu empurro Miller do meu caminho, e desligo o chuveiro freneticamente para parar a dor que a água está nos infligindo, a ele e a mim. Quando para de cair sobre nós, encosto-me à parede, exausta, queimada, e esperando o vapor se dispersar e revelar o corpo nu e imóvel de Miller. Seu rosto está inexpressivo. Não há nada nesse cara capaz de parar o meu coração, até mesmo uma amostra desconfortante, depois de ter estado sob a água fervente por muito mais tempo do que eu. Eu me aproximo dele e estendo a mão para afastar os fios de cabelo do rosto enquanto encho os meus pulmões de ar. —Não se atreva a se afastar de minha vida. - Advirto novamente com firmeza. – Eu te amo, Hart Miller. Eu amo você como você é. Seus olhos azuis tristes sobem lentamente meu corpo molhado e miserável e eu olho para frente. — Por quê? - pergunta em um sussurro. Esse homem testou os limites da minha resistência. Ele me fez gastar mais desespero absoluto do que prazer absoluto. Ele me fez sem sentido, estúpida cega e... corajosa. Eu posso amá-lo porque ele toca minha alma. —Eu te amo! - repito, sem sentir a necessidade de justificar a ninguém, até


mesmo para ele. – Eu te amo. - murmuro. Eu não vou desistir sem lutar. Vou enfrentar a nível mundial e eu vou superar. - Estou puxando seu pescoço e trago seu rosto perto do meu, me observando com olhos vazios. –Eu sou forte o suficiente para amá-lo. Coloco meus lábios nos dele, forçando nosso encontro, e a delicadeza difícil de minha língua em sua boca, persuadindo um gemido antes dele se afastar. —Eu não posso fazer isso-, diz calmamente. –Eu não poderia fazer isso com você, Livy. Ele levanta-me contra o seu corpo e envolvo seus quadris com as pernas, mas estou consciente de sua pele macia, mantendo minhas mãos em seus ombros. Não consigo parar meu rosto de buscar o conforto de seu pescoço, no entanto. Deitei minha bochecha em seu ombro e inalo para dentro de mim, sentindo o consolo que ele me alimenta afundando meu corpo através do nosso contato. Ele não podia fazer isso. —Quero te adorar-, eu digo no seu pescoço, meu hálito quente colidindo com sua pele aquecida. A mistura dos dois é quase intolerável. Eu preciso lembrá-lo do que temos. Preciso mostrar que eu posso fazer isso. Ele pode fazer. —Faça a adoração. —Hoje. Saio de seu corpo e levo-o para fora do chuveiro, o guio para sua cama e o empurro no colchão. Seu corpo alto se entende por todo o colchão observando colocar seus membros até que eu me certifique de que ele está confortável. Então eu beijo o seu rosto impassível e o deixo relaxar, enquanto preparo um banho. Eu certifico-me de que a água está apenas quente e olho em seu armário arrumado, certificando-me de não mover as suas garrafas, tubos e latas perfeitamente arrumadas, até que eu encontro alguns sais de banho. Provavelmente vai se enfurecer quando vir a bagunça que eu fiz em seu armário, mas nós cuidaremos disso mais tarde. Eu não sou estúpida o suficiente para pensar que um piquenique no parque ou um beijo na chuva eliminariam completamente os hábitos obsessivos de Miller. Deixo a água correr, pego meu vestido encharcado e volto para o quarto. Começo a pegar as roupas que ele tinha jogado no chão, provavelmente, a única que ainda está intacta. As dobro corretamente e coloco em uma cômoda. Eu olho para cima quando eu sinto um olhos azuis que queimam minha pele nua. —O quê?- Pergunto sob seu olhar atento. —Estou apenas pensando o quão bonita você está arrumando o meu quarto. Ele permanece de lado e repousa a cabeça sobre o braço dobrado. -Continue. A angústia diminui um pouco mais. Eu sorrio, e meu gesto faz voltar algum brilho aos seus olhos azuis. É um brilho familiar e muito agradável.


—Quer tomar algo? Acena. —Alguma preferência? Ele balança a cabeça. Sinto meu vinco da testa quando eu começo a passar a caminho do quarto, olhando de volta sobre o meu ombro para encontrá-lo seguindo o meu caminho até ele desaparecer de vista. Eu vou apressada, correndo pelo corredor até o outro lado do salão, parando na frente das bebidas no armário. Eu pego um copo, certificando-me que seja o que eu já o vi usar. Escolho uísque, eu fecho meus olhos, eu apertar minha mão e aponto uma garrafa. Satisfeito com a minha escolha aleatória, encho o copo até a metade e despejo um pouco para fora. —Merda! - maldigo, e bato a garrafa com o outra quando coloquei de volta muito desajeitadamente. Agora estou desesperada por uma razão completamente diferente. O carismático – se um pouco confuso, neste momento, o homem na sala no fim do corredor tem requinte até uma arte. Eu não tenho. Eu rolo meus olhos, eu levo o copo aos lábios e tomo um gole. E imediatamente vem o gosto em minha boca. —Oh meu Deus! -Pego e faço uma careta quando eu levanto o copo e vejo o escuro líquido com nojo. – É nojento-, murmuro e me viro para voltar para Miller. Ele está do seu lado, olhando para a porta quando eu entro. -Whisky. Levanto o copo e seus olhos viajam por todo o copo e ele desvia de volta a colocá-lo sobre mim instantaneamente. Ele não diz nada, eu só assisto em silêncio. Eu ando para a cama, pensativa, segurando seu olhar, e chego perto dele. Seu braço musculoso sobe lentamente e pega o copo. De repente ele pisca dolorosamente lentos, forço-me a cruzar as pernas quando em pé, para evitar a pulsação. Sinto instantaneamente se tornar em uma forte palpitação. O simples fato dessas características familiares estarem presentes é delicioso, estando ele fazendo de propósito ou não. Minha imensa intensidade está de volta, deixando de lado sua condição atual. Eu vejo uma luz de esperança no final do túnel. — Eu preparei um banho-, eu digo, enquanto eu assisto o uísque ir aos seus lábios e bebê-lo languidamente. Não muito quente. Olhe para o copo por um curto tempo e eu derreto com um ligeiro movimento de sua adorável boca. — Vem aqui. Ele balança a cabeça para eu seguir a sua ordem e passo por ele, me deixando debruçar-me em seu peito para segurar sua bebida em uma mão e acariciar meus cabelos com a outra. — Eles devem estar doendo. - eu digo muito contente por estar de volta na minha zona de conforto, embora os eventos que me levaram até aqui estão


matando. — Estão bem. – Ele empurra seus lábios para o topo da minha cabeça e não diz mais nada. Noto e ouço com frequência a bebida e embora eu esteja feliz presa em seu peito, eu com cuidado tento erguer cuidadosamente uma explicação. Eu me afasto relutantemente com firmeza e aqueço seu peito e agarro a minha mão. Miller franze a testa, mas deixa-me ajuda-lo a guiá-lo para o banheiro, trazendo sua bebida. A imensa banheira já está bastante cheia, portanto, fecho a torneira e faço um sinal para ele entrar. Deixa a bebida em uma superfície próxima e finalmente sem dizer nada, parece apropriado para passar alguns momentos em silêncio, absorvo a sua nudez enquanto entra. Os músculos definidos de suas costas estão sob as luzes, suas nádegas são lisas e sólidas, e derivam em coxas longas e fortes perfeitamente formando as panturrilhas. Ignoro as marcas de arranhões. Nesse homem magnífico até os defeitos são perfeitos. Ele está danificado mais do que eu, e ele acredita que está destinado a viver um inferno. Eu preciso saber por que é tão insistente sobre o seu destino. Eu quero ser a única a mudar isso. Miller se transforma, e meu olhar que estava feliz, agora está focado nos seus, enfrentando agora um firme, suave e... pronto. Eu olho para cima e encontro os olhos azuis brilhantes, mas uma cara séria. E eu coro. Por que eu coro? Minhas bochechas queimam quando eu olho, e começo a mover meus pés como se eu estivesse em uma explosão de puro desejo. Eu perdi a compostura completamente. Minha determinação anterior está a ser esmagada por sua presença inebriante. — Quero te adorar. - Respira. Eu pego minhas mãos trêmulas nas costas para desenganchar o sutiã. Deixo deslizar para baixo dos braços e cai sobre meus pés. Seu olhar vai para baixo em minha calcinha. Eu faço calmamente e, lentamente o que pediu, tiro-as fora. Agora estamos nus, e seu desejo misturado com o meu é a criação de um coquetel inebriante que é predominante no ambiente silencioso em torno de nós. Ele aponta para o banheiro com um aceno de cabeça. É isso, ou cair de joelhos e implorar para reverenciar seu caminho para me saciar imediatamente, mas eu preciso para provar a ele que sou forte que posso ajuda-lo. Ele lambe os lábios em uma última tentativa de me quebrar. Eu resisto à dura penalidade, mas firme com ele, e indica a banheira novamente. Sua boca não sorri, mas seus olhos sim. Sobe as escadas e entra na água borbulhante. – Você me daria à honra de se juntar a mim? -pergunta suavemente. Eu respondo tranquilamente subindo as escadas, usando o tempo para avaliar melhor a minha posição, e no final eu fico atrás dele. Com um aceno de


cabeça, eu indico para avançar, ele levanta ligeiramente a sobrancelha, permitindo espaço atrás dele para me afundar. Eu abro minhas pernas e deslizo as mãos sobre seus ombros puxando-o de volta para o meu peito. Seus escuros cachos molhados fazem cócegas em meu rosto, e seu corpo pesa um pouco, embora a água alivie seu peso, mas eu estou enrolada em volta dele, abraçando-o, dando “o que ele gosta”. — Isso é muito bom-, ele diz com a voz suave e calma. Eu concordo com meus ombros e o rodeie com meus braços restringindo o seu movimento, mas não reclama. Ele responde minha construção, relaxando a cabeça para trás e sentindo minhas pernas sobre seu estômago. — Isso não vai ser fácil-, declara quase com dor. Suas palavras me confundem. Não me disse nada novo. — Não foi fácil ontem, ou anteontem, mas estava dispostos a lutar. O que mudou? – A realidade. Eu quero ver seu rosto, mas eu me preocupo com o que posso encontrar em seus olhos se eu fizer. —O que quer dizer? —Eu não tenho liberdade para tomar certas decisões-, murmura lentamente, hesitante. Meu corpo fica tenso, sem poder fazer nada sobre isso, e eu sei que tem ele notou, porque me aperta como se incutisse segurança. Não tenho certeza se que Miller se sente em qualquer garantia própria, então tentar consolar-me é um empreendimento bobo. Eu tento processar o que significa, e não encontro nenhuma resposta óbvia. – Explique-se -, ordeno asperamente, fazendo com que ele vire o rosto para o meu, e me morda de leve. —Se é isso que você quer. —É - confirmo. —Eu estou amarrado a essa vida, Olivia. Não olha para mim quando pronuncia essa afirmação chocante, então eu pego seu rosto áspero e levanto para olhar em seus olhos com as palavras de Tony ecoando na minha mente. —Detalhes! - Eu imploro, e ternamente beijo sua boca adorável esperando que sempre me devolva a força. Nossos lábios estão se movendo lentamente, presos, e eu sei que esse beijo vai durar para sempre se eu não parar. Então eu faço, relutantemente. -Diga-me! — Eu tenho uma divida com eles. Eu tento mostrar calma, mas aquelas palavras me enchem de medo. Há duas questões que eu preciso colocar em resposta a essa declaração, e não sei o que colocar em primeiro lugar. -Por que você deve a eles? Miller pisca desconfortável. Vejo-o tornar-se cada vez mais relutante conforme


progride a conversa e as otimizações desdobram. Suas respostas mínimas são um sinal. Ele me faz perguntar, ao invés de compartilhar abertamente. —Me deram controle. Outra resposta confusa que levanta muito mais perguntas. — Explique-se! - digo impaciente, embora eu não esteja lutando para o máximo. Eu pareço assim. Ele se liberta e inclina a cabeça para trás. —Você lembra o que eu disse sobre o meu talento? Olho para baixo na parte de trás de sua cabeça, querendo lembrar suas maneiras. —Sim! - digo a palavra com cautela. Meu tom torna-se agito ligeiramente. —Meu talento me deu certa liberdade. —Não entendo. – Estou mais confusa. —Eu era um prostituto comum, Livy. Eu não tinha controle e ninguém me respeitava. Ele explica. Fazendo-me vacilar. –Eu sai do orfanato quando tinha 15 anos. Passei quatro na rua. Foi assim que eu conheci Cassie. Eu invadia casas vazias para me abrigar. Eu volto a engolir meu choque para não interromper o seu discurso, mas então ele se vira e me vê meu rosto pasmo. –Eu aposto que você nunca teria pensado que seu homem era um especialista em abrir fechaduras. O que ele quer me dizer com isso? Não, eu nunca teria imaginado, mas também não me teria passado pela cabeça que ele era um acompanhante, um viciado em drogas... Eu decido não continuar com essa linha de pensamento. Pode levar horas. E Cassie. Ela era uma sem teto também? Miller sorri levemente e olha longe da minha cara de espanto. — Eles nos encontraram. Nos deu trabalho. Mas eu era bonito e também era bom. Então eles me levaram para a rua e para tirar o máximo de proveito de mim. Glamour e sexo. Ganhei uma fortuna. Eu sou o “Special One”. Eu congelei, e eu sinto como se a vida escapasse de meu corpo. Calafrios horríveis saltam pela minha pele molhada. Está acontecendo com muita frequência. Estava sem palavras. O que foi feito a partir da rua? Ele é um “Special One”. Não consigo pensar em mais nada para dizer a não ser para reafirmar meus sentimentos por ele, para fazê-lo sentir que ele é mais do que uma máquina de prazer e sexy. – Você é meu “Special One”, mas você é especial porque você é precioso e adorável, não porque você me fornece orgasmos que me deixam sem sentido. O beijo no pescoço e abraço-o para mim. —Mas ajuda, certo? - responde. —Bem... - Eu não posso negá-lo. O que me faz sentir bem fisicamente, não tem nada a ver com a forma como isso me faz sentir emocionalmente. -Ele ri um pouco e eu fico com raiva, não porque é completamente inadequado


encontrar qualquer coisa sobre isso bem humorado, mas porque eu não posso vê-lo. —Você pode dizer que sim, Livy. Eu viro seu rosto para o meu e vejo-o sorrindo maliciosamente. —Ok, sim, mas eu te amo por razões que vão além de suas habilidades sexuais. —Mas eu sou bom. -Seu sorriso se intensificou. —O melhor. Seu sorriso desaparece imediatamente. -Tony me chamou. Eu fico tensa novamente. Da cabeça aos pés. As câmeras foram desligadas, mas Tony me viu. Ele pode ter falado com Miller? Eu não tenho certeza, mas depois de ver como ele perdeu o controle fora do ICE naquela época, Tony preferiria o silêncio. Ele me estuda avaliando a minha reação. Eu devo parecer completamente culpada. —Eu ... —Não me diga. – Se afasta de mim. –Eu poderia matar alguém. Eu começo o olhar em toda parte, agradecendo aos deuses que Miller decidiu desligar as câmeras. Eu odeio ter reagido assim, e eu odeio que ele havia previsto. Numa tentativa de desviar minha culpa e pensamentos de Miller, devo preparar a minha próxima pergunta. —E Cassie? —O convenci a deixá-la vir comigo.Eu quero estar com raiva dele por ter pedido isso, mas a compaixão me impede. —Ser “Special One” tem suas vantagens. – Ele suspira. –Eu escolho minhas clientes, eu decido as datas, e faço minhas próprias regras. O não tocar é uma condição. Não há necessidade de me tocar para conseguir o que quer, e eu estava doente em ser usado como objeto. Beijar é muito íntimo. -Ele desconecta minhas pernas de seu corpo e vira lentamente, de modo que fique frente a frente ao meu peito, me observando. Estendo a mão e acaricio o cabelo rebelde que cai em sua testa. —Saborear alguém é algo íntimo. - Ele desliza sobre meu corpo e mergulha sua língua em minha boca, gemendo e mordendo suavemente meus lábios. —Uma vez que provei você, eu sabia que estava entrando em algo que não deveria. Mas, caramba, você sabe tão bem. Minhas pernas rodeiam novamente sua cintura e meu desejo de senti-lo tirame o fôlego. Fecho-o com força entre as minhas coxas e penso se eu vou ser capaz de liberá-lo alguma vez. Eu acho que agora eu entendo um pouco melhor. Descontando o nosso terrível encontro no hotel, ele não fez nada além de adorar-me. Ele deixa-me tocá-lo e beijá-lo. Ele quer intimidade comigo. —Quem são eles? –Pergunto em sua boca.


De repente eu entendo claramente as palavras confusas de Tony. Ele sabe. Ele sabe quem são eles. —Eu vou morrer antes de expô-la a eles. Eu mordo meu lábio e puxo-o entre os dentes —Então eu preciso que confie em mim enquanto eu corrigir isso. - Ele olha para mim com os olhos suplicante. –Pode fazer isso por mim? —O que você tem que resolver? - Eu não gosto do som disso. —Muitas coisas. Por favor, eu imploro, não desista. Quero estar com você. Para sempre. -Só eu e você. Nós. Isso é tudo o que eu sei agora, Olivia. Isso é tudo que eu quero. Mas eu sei que eles vão fazer de tudo para manter-me longe de você. - Ele levanta a mão e me acaricia o rosto com a ponta do dedo polegar e passa sobre o lábio inferior. –Eu tenho que dar relatório a alguém; alguém desagradável. Devo-lhe muito. —O que você deve? Isso é um absurdo! —Eles me tiraram das ruas, Livy. Para eles eu devo a minha vida. Eles ganham muito dinheiro comigo. Não tenho ideia do que dizer, e eu não entendo como “eles”, quem quer que sejam, podem mantê-lo nesse mundo para sempre. A dívida para a vida toda parece algo irracional. Eles não podem esperar isso dele. —Eu não transo com ninguém desde que eu conheci você, Olivia. Diga-me que você acredita em mim. —Eu acredito. - digo sem hesitação. Eu confio nele. —Eu sei quem são essas mulheres. Eu não posso permitir que as pessoas façam perguntas. Eu não posso permitir que descubram sobre você. De repente, tudo faz sentido e o pânico toma conta de mim. — E o que aconteceu com a mulher de Quaglino? Lembro-me de seu rosto, primeiro a surpresa, depois a satisfação, e, finalmente, a presunção. Ela disse que não era uma fofoca, mas não acredito nela. — Eu tenho muita sujeira, ela sabe disso. Ela não me preocupa. Eu não vou incomodar a perguntar quais são essas sujeiras. Eu não quero saber. – E Tony e Cassie? - Eu me lembro. Não confio em Cassie nem um pouco. — Não precisa se preocupar - Responde firmemente, e eu não tenho certeza se isso me faz sentir melhor ou pior. Amarrado? Ou algemado? Eu morreria antes de te expor a essas pessoas? Cassie e Tony sabem sobre essas pessoas, e sabem as consequências da nossa relação. Mas quantas


pessoas nos viu juntos? Temos ido ao clube, shopping, no parque. Eu começo a olhar em todos os lugares. — Eles poderiam ter nos visto também. - Minha voz soa preocupada, e eu não me importo, porque eu sou. —Eu tomei o controle de danos sempre que necessário. —Espere! - Eu volto a olhar para Miller. Você se lembra da noite em que acabou no hospital? Ele se lembra, e eu sei porque ele desenha uma expressão desconfortável no rosto molhado, mas não me dá a oportunidade de confirmar ou negar. —Estávamos sendo seguido, não é? Você abandonou o seu carro lá e passou escondido porque eles estavam nos seguindo. Quantas vezes eles nos seguiram? Quantas vezes me seguiram? - Eles sabem sobre mim? Miller suspira. –Há sinais. Eu fui descuidado te expondo. Eu pensei ... - Leva um tempo, mas ele não pode pensar em qualquer desculpa. —Sinais? Não há necessidade de explicar nada para mim.- Minha mente inocente está girando na minha cabeça. —Já cuidei de tudo o que poderia ser um problema, acrescenta. —Como? —Não pergunte, Olivia. Eu fico realmente séria. —Aquela mulher me viu em seu apartamento. —Eu sei. —O que você disse a ela? De repente evita meus olhos, então ele levanta o queixo e aperta os lábios. – Eu disse que você tinha pago. —O quê? -Solto um grito. Quer dizer que eu sou uma cliente? —Eu não sabia mais o que dizer, Olivia. Eu balanço minha cabeça, incapaz de acreditar no que ele está dizendo. Eu pareço com alguém que pagaria por sexo? Eu estremeço com a imagem de notas de mil dólares espalhadas em uma mesa saltando na minha mente torturada. — O que aconteceu depois que Sophia saiu ontem à noite? O que fez você mudar de ideia e voltar para a cama para acordar essa manhã? Ele implode completamente, sem aviso ou razão. —Ela me disse algumas coisas que me fizeram refletir. - Parece envergonhado, ele deve estar, depois de todas as vezes que foi castigado por fazer exatamente isso. –Ela mostrou minhas obrigações. Obrigações? Meu cérebro vai explodir. — E o que aconteceu hoje? Eu tenho que saber. Eu acho que está bastante óbvio para mim, embora Miller pareça seguro de seu silêncio. Olha para baixo. —Assustei-me.


—Por que razão? —Se antes eu estava punindo com essas mulheres, agora eu posso ser perigoso. Posso machucá-las. Eu franzo a testa, forço-o a olhar para mim e vejo o medo em seus olhos, que simplesmente adiciona o meu. —Por quê? Respira lentamente e controlado e, em seguida, exala acompanhado por suas palavras. –Porque quando eu olho para qualquer uma delas, vejo uma razão pela qual eu não posso estar com minha doce menina. - Ele permite-me absorver suas palavras por um momento. —Eu entendo o que você diz. Eu pressiono meus lábios e lágrimas inundam meus olhos doloridos. —Não, eu não posso correr o risco de levá-las, quando tudo que eu vejo é elas acabarem mortas. Mas o que é mais importante: eu não posso fazer isso com a gente. Eu salto para fora um pequeno soluço, e Miller se empurra para o meu corpo me cobrindo em todos os lugares. Meus braços se agarram a suas costas molhadas com força. —Você tem que me esconder. - soluço, odiando a dura realidade que envolve a vida de Miller. —Eu não quero. - Passa a boca no meu pescoço e suga suavemente. - Mas eles vão dificultar as coisas e eu tenho que protegê-la. Eu tentei ficar longe de você, e eu sei que deveria ir embora, mas eu sou fascinado por você. Eu sorrio, apesar da minha tristeza. —Eu também sou fascinada por você pra deixá-lo. —Eu vou consertar isso, Olivia. Não desista de mim. Eu me sinto forte e determinada, e eu vou infundir esses sentimentos por Miller. —Nunca. Eu vou te adorar agora-, e viro o rosto para o dele. Eu não sei o que o futuro nos espera, e isso me assusta, mas temo o pensamento de viver sem Miller. Eu não tenho escolha a não ser confiar em Miller e fazer o que ele considera mais apropriado. Ele conhece essas pessoas. Não são apenas as mulheres que devem me preocupar. —Saboreie-me lentamente -, eu sussurro. Seu rosto vira lentamente em minha direção. — Obrigado! -murmura, e depois me absorve com um delicado e longo beijo sem pressa. Nossas línguas entrelaçadas suavemente enquanto ele se ajoelha e me coloca em seu colo. –Quero adorar você. - murmuro contra sua boca, sentindo-o assumir o comando. –Seu pedido foi anotado. - ele me assegura, mas não interrompe o beijo que


tem o controle absoluto, as mãos correndo sob cada polegada de minhas costas, -e ignorado. Ele se levanta da banheira segurando-me perto de seu corpo com firmeza. Desce as escadas e me transporta por todo banheiro, parando para pegar no armário um preservativo antes de ir para o quarto. Mas não para na cama, o que me surpreende, e continua a dar-me lambidas deliciosas. Nós nos encontramos no saguão brevemente, antes de Miller abrir a porta do escritório. E carrega-me para dentro. Eu sorrio. A desordem e o caos da sala fazem-me confortável. Agarra um dispositivo preto, segurando-me e apertando alguns botões, e faço eco quase chorando quando Demons Imagine Dragons, começa a soar de algum lugar. — Porra Miller. - soluço contra sua boca, e deixo as palavras atingirem as profundezas do meu ser. — Vamos pintar perfeito. - ele apoia minha bunda molhada na borda da mesa que ocupa todo o comprimento da parede. Eu sinto meu corpo colidir com os objetos, mas ele não parece se horrorizar ou se apressar em colocá-los no lugar. Parou o nosso beijo e me deixa ofegante, quando me empurra para a mesa. Minha pele quente e úmida sente frio na superfície. Eu estou queimando. Eu abro minhas pernas e ele está entre elas. — Vamos? - ele pergunta, e estende a mão para acariciar um mamilo. O sangue do meu corpo centraliza instantaneamente em meu sexo. É realmente especial. Eu poderia chegar ao clímax. Balanço a cabeça puxando uma respiração acentuada, exalando alto quando um dos meus dentes torcem minha boca suavemente, mas meus seios estão sensíveis, ansiosos para receber o seu toque. — Eu pedi uma vez. - diz com voz grave, sério, ao remover o preservativo e deslizar em seu pênis com sua mandíbula tensa. Arqueio as costas e aperto os calcanhares contra a sua bunda, puxando-o para mim. — Por favor! - Peço, esquecendo todos os meus planos de venerar. Eu me apego à borda da mesa e fecho os olhos com força. — Você está privando-me, Olivia. -Ele pega o mamilo e torce delicadamente entre o indicador e o polegar. –Você sabe como isso me faz sentir. Eu sei, mas ele está me deixando sem sentido. A cabeça começa a girar. Minhas mãos deixam a ponta da mesa e afunda no seu cabelo molhado. Eu estou ficando louca, e quando sua mão vai para baixo no interior da minha coxa e começa a desenhar provocante círculos em torno de meu sexo latejante, exprimo o meu desespero.


— Miller! Meus músculos do estômago se contraem, puxando meus ombros para fora da mesa e estico os braços para os lados e puxo o recipientes de pincéis e paletas de tinta por todos os lugares, mas eu estou em êxtase para me preocupar com isso e Miller está menos preocupado com a desordem. Seus olhos brilham e exalam vitória. Estou contorcendo de prazer e mal posso respirar, e ele ainda não tocou em minha parte mais sensível. Tudo isso é muito, seu toque, os meus pensamentos ... a profunda letra da canção. — Eu faço você se sentir viva, - ele diz. Afunda dois dedos dentro de mim, e suas causas e ação expele todo o ar dos meus pulmões. Eu caio de volta na mesa e olho diretamente em seu rosto. Talvez o prazer me deixe cega, mas nada distorce a visão de seus penetrantes olhos azuis, quando eles me veem contorcendo sob seu toque. O diminuiu, mas piscam lentamente a cada execução, como de costume, tomando seu tempo para fechar antes de abrir novamente. — Eu te faço pensar como você vai ficar sem as minhas atenções para esse corpo.- Ele continua. Puxa seus dedos para fora acariciando lentamente o meu palpitante clitóris com o polegar antes de afundar novamente. – Grite meu nome, Olivia. - ordena. Acho que é quase impossível não fechar os olhos, mas é impossível esconder meu grito. Atinjo o orgasmo. Meu corpo entra em choque. Eu tento agarrar a alguma coisa, o ar é ejetado da minha boca com um sonoro grito, ensurdecedor com seu nome. Ele olha para mim. Seu rosto permanece impassível e os olhos vitoriosos enquanto meu sexo encolhe persistentemente sobre os dedos que mantém dentro de mim. Os deixa lá e desce o tronco por cima de mim, ficando o seu rosto perto do meu. — Eu sempre me pergunto como poderia sobreviver sem o privilégio de enchêla de cuidados. - Ele beija suavemente nos lábios. – Especialmente quando chegamos a essa parte. Eu o deixo me devorar enquanto ele bate suavemente e lentamente com os dedos, ajudando a me recuperar do meu estado de êxtase, enquanto trabalha em minha boca com gemidos constantes de apreciação. Eu nunca poderia adorá-lo também. Tenho certeza que não poderia fazê-lo sentir confortável e de modo seguro. — Agora eu vou tomar meu tempo fazendo amor com você. – Com o nariz em meu cabelo e meu tronco, expondo minha pele molhada para o ar fresco do escritório . – Vou mostrar-lhe o quanto isso me fascina. Meus olhos procuram os dele e vejo como ele remove os dedos e desliza sobre seu lábio inferior e, em seguida, lentamente lambe. Depois se limita a me olhar por um longo tempo. Seu controle não me faz sentir desconfortável, mas como sempre me faz pensar o que passa pela sua mente que o complexo. — Em que está pensando? - pergunto em voz baixa, e eu não posso resistir o


caminho que meus dedos definem através de seus músculos do estômago. Ele continua seu caminho e deixa-me senti-lo por um tempo antes de pegar a minha mão e levantá-lo para seus lábios. Ele beija todos os dedos, um por um, com a palma aberta, e eu, então, gentilmente coloco a mão no seu peito. — Eu estou pensando sobre o quão bonita é você estar pintando na minha mesa. - Ele sorri um pouco e começa a mover sua mão, incentivando-me a seguir as suas instruções e massagear meu peito. Um gemido escapa de meus lábios e solto um longo suspiro relaxado. — Você é linda em todos os lugares. - Ele leva a mão livre para sua virilha e sufoca um gemido quando envolve a base de sua ereção com a palma. Sua mandíbula está tensa. — Porra, você é muito bonita. Olha para baixo, e guia seu pau para minha abertura e esfrega através da minha entrada. Eu começo a ofegar, motivando, acariciando de forma tentadora novamente. Isto é muito. — Não! -Eu me espanto com a minha súbita exclamação, e Miller olha para mim também alarmado. -Não me enlouqueça, por favor! E, em seguida, seu olhar assustado se torna em cumplicidade. — Eu sei que você me ama, mas, por favor, não me torture. Estou desesperada e não me importo de mostrar. Depois do que aconteceu hoje e de tudo que tenho passado, eu não preciso ser atormentada nem provocada. Sem dizer nada, ele empurra lentamente dentro de mim transferindo suas mãos para os meus quadris, e elevando ligeiramente. Minha preocupação diminui e é substituída imediatamente por uma sensação de serenidade e calma. Pega o outro seio, eu relaxo e deixo-me levar ao êxtase, ao lugar onde não existem problemas e nem desafios. Aquele lugar onde eu quero me perder para sempre em Miller Hart. Sua veneração. Sua boca. Seus olhos. “O que ele mais gosta”. Sua figura, longa e forte, me bombeado lentamente de maneiras controladas. Seus músculos girando em cada movimento de seus quadris e seus lábios abrem. Não tem nenhuma tensão, nada mais do que prazer, mas o seu talento para a prestação de tais requintados sentimentos é cedo para deixar-me sem sentido, e a pressão que eu sinto entre as minhas coxas começa seu caminho em meu epicentro. Eu quero que isso dure. Eu quero continuar e continuar, de modo que cerro os dentes e contraio os músculos para tentar parar o inevitável, ou pelo menos adiar um pouco. Seu olhar de concentração não ajuda. Nem a imagem da perfeição de seu corpo. Todas as qualidades viciantes de Miller são poderosas separadamente. Mas juntas, eles são mortais. — Adoro ver como seu corpo luta contra o inexorável. Sua mão libera minha cintura, ele coloca a mão na minha garganta e começa a descer pelo centro do meu peito para o meu estômago. Gemo de prazer e arqueio as costas enquanto ele está descendo. Parece que é mais fácil manter um ritmo constante enquanto eu estou na borda para resistir.


— Eu amo como todos seus músculos me apertam. Faz círculos suaves sobre os músculos tensos do meu estômago e eu lamento, lutando para manter o olhar nele, quando tudo que eu quero é jogar a cabeça para trás e gritar seu nome. — Especialmente aqui. - Ele puxa para fora e entra com determinação. Sua mão volta para meu quadril e seus movimentos param, enquanto controlo meus gritos. Ele está ofegante também, o seu cabelo ondulado está encharcado de suor. —Está funcionando, Livy? pergunta, sabendo perfeitamente a resposta. —Nada funciona. - eu contorço-me sob suas mãos. Deixo meus seios e minhas mão caem para o lado. Bato em alguma coisa de novo, mas dessa vez eu sinto uma umidade diferente da nossa. Eu olho para o lado e vejo minha mão coberta de tinta e um pote com água despeja próximo a ele. A solução turva se move através da mesa em minha direção. – Porra! Miller! Eu levanto minhas mãos e seguro seus antebraços, cravando as unhas na sua carne. Sua mandíbula aperta, distorcendo seu rosto e inclina a cabeça para trás, mas seus olhos não se movem. Eu prendo a respiração. Faíscas lutando e vencendo seu caminho até minha alma. Estou satisfeita com a sua velocidade constante e contínua. Entra lentamente. Vai lentamente. Me agarra gentilmente. Tudo que ele faz é descontraído e decisivo. — Como?! ... Eu grito. O mistério me irrita, apesar do meu estado devassa. – Como você pode estar tão controlado? Ele se move, muda a posição dos pés para desfrutar de mais estabilidade e me fode com as mãos. Os dedos entrelaçados com os meus, vai para o meu rosto. — Por sua causa – Os braços são usados como uma alavanca, trazendo o meu corpo um pouco mais com cada impulso suave. Eu mordo meu lábio, aceitando todo e cada um de seu ataque delicado. — Eu valorizo cada momento que posso desfrutar com você. – Seu forte braço puxa-me com força e me arremessa para cima , afundando-me mais profundo e eu solto um grito. Eu choro, e eu respondo com um grito. Nossos peitos colidem deixando-me adaptar para a mais profunda penetração. Respiro em meu rosto, com suspiros curtos, agitados e cobertos de prazer. — Eu quero saborear e deliciar-me com cada momento gasto com você. Seus lábios me atacam com um beijo voraz. Ele começa a mexer sua virilha novamente, ajustando-se para seu ritmo anterior . — Droga, Olivia, eu desejo poder passar todos os momentos do dia e da noite para te adorar. Sua boca requintada perde alguma ternura quando ele afunda mais profundo em mim, e seu beijo se transforma em um beijo lascivo. Meu desejo por meu senhor a tempo parcial se intensifica. Mas a nossa dura realidade o diminui. Ele não pode dedicar cada momento do dia e da noite para mim. Ele está preso, e isso me faz sentir-me extremamente impotente.


— Algum dia. - eu empurro as palavras através do nosso beijo sensual, movendo minha boca e mordendo seus lábios antes de mergulhar minha língua em volta de seu peito e batendo contra ele com o meu peito. — Em breve! – responde, inclinando a cabeça para baixo para sugar a pele molhada de minha garganta. –Te prometo. Eu não vou decepcionar-, sussurra gentilmente beijando-me antes de me incentivar a ficar longe de seu torso. Ele olha para mim e me enche de determinação e força – Eu não vou nos decepcionar. Eu aceno, e, em seguida, deito-me de volta para a mesa. Ele libera as minhas mãos, estende os braços ao lado do meu corpo, pega alguma coisa e, novamente, levanta as mãos na minha barriga. Eu olho para baixo e vejo a ponta do seu dedo indicador coberto com tinta vermelha. Um pouco confusa, eu olho em seus olhos e vejo que ele está centrado em minha barriga. Em seguida, arrasta o dedo na minha pele, quando ele começa a me penetrar suavemente novamente, revivendo o clímax persistente. Eu começo a notar um formigueiro e eu sinto uma enorme satisfação ao ver Miller concentrado em seu trabalho, deixando seu pênis sem esforço dentro de mim. Ele está calmo e lento em ambas as funções: pintar minha barriga e fazer amor. Mas eu esgoto o meu tempo. —Miller! - Engasgo, arqueando as costas e meus punhos em bola. Eu estou na borda, em erupção. —Eu amo sentir você. - sussurro, meu quadril se contrai levemente, levandome a soltar um grito enquanto ele emite um grito sério. —Você está pulsando em torno de mim. - Ele calça. —Puta que pariu, Olivia! — Por favor! -Eu peço, e começo a sacudir a cabeça como se fosse atingida por um turbilhão de sentimentos intensos. Não posso voltar atrás. Eu vou explodir em mil pedaços. Pego as coxas com as duas mãos e começo a me puxar contra ele, não com muita força, mas muito mais poderoso do que normalmente faço. –Ohh! Eu tento me conter desesperadamente, controlar e reter um pouco no meio do meu louco prazer, só então eu posso focar seu rosto em êxtase. Eu olho para ele e fico louca quando vejo que joga a cabeça para trás, sua mandíbula prestes a quebrar sob a pressão de seus dentes apertados. Agora nossos corpos colidem com cada golpe alto e aumenta o nosso prazer. E então acontece. Para ambos. Miller afunda em mim, jogando um rugido profundo. Eu grito seu nome e entro em erupção. Perco a capacidade de ver, meus músculos internos contraem para combinar com meu corpo. —Oh! Meu Deus . - Eu digo satisfeita e respirando lentamente, finalmente, recupero alguma aparência de visão normal e encontro seu peito bombeando


ar e seu rosto encharcado de suor. Eu olho para a minha barriga e vejo algumas linhas, mas ele rapidamente cobre com a mão as letras e espalha manchas de tintas em todos os lugares. Agora, as palavras não são mais que uma grande mancha de tinta vermelha. Seu corpo cai sobre mim e os lábios procuram os meus. —Eu não consegui me controlar mais. Sinto muito. —Eu sinto muito. Prestando atenção especial em minha boca, me cobrindo de beijos. O corpo. Boca... coração. Eu sorrio e abraço-o, levo os braços para abraçá-lo e beijá-lo de volta. —Havia sentimento –digo baixinho para sua boca. A ausência disse durante o meu encontro no hotel com ele foi o problema da punição, não necessariamente a violência com que me levou. Estava tão frio e sem amor que foi mostrado. Miller enterrou o rosto na curva do meu pescoço. —Eu te machuquei? —Não! –asseguro-lhe. – Só sinto dor quando estamos separados. Ele levanta lentamente, revelando seu peito coberto de tinta. Nós apenas pintamos um retrato perfeito, minha doce menina. Sorrio e exalo. —Comigo.-canto. Ele sorri de volta dando-me um de seus mais belos sorriso. — Até quando não houver mais ar em nossos pulmões.

Capítulo Vinte e Seis Não há nada como preparar um café perfeito, mas eu não conseguirei, sem a ajuda de uma cafeteira ultramoderna, e deixar o apartamento de Miller sem ele não é uma opção nestes momentos. Eu estou em minha calcinha e com uma de suas camisetas pretas. Olho por cima da bancada da cozinha à procura de uma chaleira..., mas eu não encontro nenhuma. Na verdade, eu não acho praticamente nada: não há torradeira, não


há tábuas de cortar, panos de cozinha, nem quaisquer artigos que possam ser encontrados em toda a cozinha. Todo o espaço disponível está vazio. Decido que a obsessão por ordem de Miller deve ter sido responsável por ele esconder tudo e começo a abrir os armários procurando a chaleira Eu começar a abrir os armários em busca da chaleira. Procuro em todos os armários de parede, abrindo um por um, e quanto mais abro, mais me desespero. Tudo o que eles contêm está armazenado de uma maneira excessivamente perfeita, ainda que isso facilite minha busca, continuo sem encontrar a chaleira. Fecho o último armário com o cenho franzido e começo a batucar com os dedos no balcão vazio. Imediatamente me esqueço do mistério da chaleira quando começo a sentir um formigamento na pele. Meus dedos se detêm e sorrio, de costas para a porta. E o formigamento vai se transformando em um turbilhão de faíscas internas. —Boom! - sussurra contra meu pescoço fazendo estalar todas e cada uma de minhas terminações nervosas. Suas mãos firmes deslizam por baixo de minha camiseta, agarram minha cintura e me viram. Me encontro cara a cara com Miller nu e sonolento. — Bom dia. - Seus lábios também se movem sonolentos e me hipnotizam momentaneamente. —Bom dia. Sorri e se inclina para reivindicar minha boca. —Acabei de levar um pequeno susto - diz com os lábios colados aos meus, mordiscando os seus a cada palavra. —Por quê? —Porque entrou em meu closet. - Se afasta e me olha enquanto aperto meus lábios, envergonhada e sentindo um mar de culpa. Foda-se, está... calmo. Relaxo, mas estranho sua reação. Ele inclina a cabeça. — Ainda que suponho que seja melhor chamá-lo de o armário de trapos. —Eu vou repor tudo -, prometo sinceramente, pensando que provavelmente o dinheiro que tenho guardado da minha mãe não cubra tudo. – Sinto muito. Desliza a mão até os cachos que cobrem minha nuca e me aproxima até que seus lábios roçam minha testa. —Eu já te desculpei. Procurava algo? —Uma chaleira - respondo levantando o olhar, ainda surpresa que esteja tão calmo. —Não tenho. -E como você prepara bebidas quentes? Deslizo as mãos por seus braços até seus ombros e ele me levanta e me coloca sobre o balcão. Não me responde. Me deixa sobre a superfície e se dirige a pia. Sinto curiosidade, mas não o suficiente para convencer meus olhos a olhar o que está fazendo, já estão fixos na incrível visão de seu traseiro, que se contrai a cada passo que dá. Inclino a cabeça pensativa, com um sorriso de satisfação, e


então se vira me privando da imagem de seus biscoitinhos. —Terra chamando Olivia. - Seu tom suave desvia meu olhar até seu torso, até que alcança o vestígio de um sorriso. Faz um gesto com a cabeça para indicar que olhe, e vejo que aperta um botão sobre uma torneira cromada de última tecnologia. O vapor começa a subir imediatamente por cima de sua cabeça.– Água fervendo instantaneamente. Rolo os olhos e apoio as mãos em meu colo. —Que organizado - murmuro com ar de zombaria. - Tenho certeza que fez xixi de emoção quando soube que haviam inventado. Franze os lábios e tento conter um sorriso. —É uma ideia magnífica, você não acha? —Sim, para os maníacos obsessivos como você, que odeiam a desordem, é perfeito. —Não é preciso ficar insolente. Fecha a torneira e imediatamente pega um pano embaixo da pia para secar as gotas de água que sua pequena demonstração deixou para trás. Não me passa despercebido que não respondeu minha referência ao transtorno obsessivo compulsivo, e não me preocupo em dizer que sim é necessário que eu fique insolente, preferindo provocá-lo um pouco mais. —Estou orgulhosa de você - digo enquanto lanço um olhar em toda a cozinha com interesse, consciente de que está me observando com curiosidade. —Sério? —Sim. Me colocou em seu balcão, fazendo com que agora esteja um pouco menos organizado, e se expôs a alguns riscos. - Volto a fixar o olhar em sua figura inquisitiva e nua. —Sou bom avaliando e minimizando os riscos. - Dá alguns passos até mim, e seu olhar se torna sedento. –Mas preciso saber quais são os riscos para poder fazê-lo. —Tem razão - digo assentindo e obrigando-me a não olhar abaixo de seu pescoço. Percebo por seu olhar ardente que está ficando duro. Se olhar, me renderei, e estou me divertindo demais provocando-o. – Vou te dizer qual é o risco. —Faça, por favor -, sussurra com a voz grave e sedutora. Meus mamilos endurecem. Me livro lentamente da camiseta, apoio as pernas nuas sobre o balcão e me deito de costas, com todo o corpo esticado sobre a superfície de mármore. É difícil me manter relaxada tendo ele nu e tão perto, e é ainda mais difícil quando sinto o mármore frio em minha pele. Sufoco um grito pela sensação e viro a cabeça de lado para vê-lo. Está sorrindo, e isso faz com que solte todo o ar armazenado em meus pulmões rapidamente para igualar sua felicidade. —Para mim isso não se parece com nenhum risco. - Seus olhos descem desde meu rosto até os dedos dos meus pés e sobem por todo meu corpo novamente.


A luxúria que vejo em seu olhar golpeia entre minhas pernas como um bastão. Me retorço diante da evidente intenção que exala por cada poro de seu corpo. – Me parece mais como uma oportunidade. Aprisiono meu lábio inferior entre os dentes e sigo os passos que faltam para ele chegar até mim com o olhar. —Levantem as pernas - me ordena suavemente, e sua instrução faz com que a pressão de meus dentes aumente sobre meu lábio.–Agora, Olivia. - Esse tom autoritário é o suficiente. Não sinto vergonha, nem hesitação, nem pudor. Levanto os joelhos até que apoio as solas dos pés sobre o balcão. A ideia de seu toque eminente me consome. Estou vibrando da cabeça aos pés. Desliza os dedos pela parte superior de minhas calcinhas e as remove, baixando-as pouco a pouco por minhas coxas. Me dá um toque para que levante os pés quando chega até ele. Em seguida dobra cuidadosamente o pequeno pedaço de algodão e a deposita com cuidado em um lado antes de colocar suas mãos sobre minhas coxas e separá-las. Engulo saliva e fecho os olhos, esperando seu movimento seguinte. —Com os dedos ou com a língua? —Não me importo-, exalo entre gemidos entrecortados. – Qualquer coisa serve. Mas toque-me agora. —Você parece desesperada. —Eu estou - admito sem nenhuma vergonha. Me provoca até me deixar louca de desejo e desespero e então me tortura com suas artes de adoração. É uma sensação insuportável e maravilhosa de uma vez só. —Com os dedos - decide, e provoca minha entrada acariciando com o polegar minha carne aquecida. Arqueio as costas bruscamente e solto um grito. —Assim, posso te beijar se quiser. Abro os olhos e vejo que está apoiado sobre um braço em cima de mim, com o rosto sobre o meu, e com sua mecha rebelde sobre a testa. Permaneço quieta e suporto a agonizante espera até que volte a me tocar enquanto observa meu rosto. E então acontece, e levanto a cabeça sem pensar para capturar seus lábios. Só me penetrou com meio dedo, e meus ansiosos músculos fazem todo o possível para se agarrar a ele, apertando fortemente, mas ele o retira e separa nossas bocas. Gemo com desespero e apoio a cabeça de novo sobre o balcão enquanto arquejo e me retorço. —Você não está no comando, minha doce menina - me adverte com petulância, o que desperta de novo minha impaciência. —Sempre diz que fará tudo o que eu quiser. - Uso sua própria promessa contra ele, ainda que saiba perfeitamente que não estava se referindo aos atos sexuais. —Concordo. - Aproxima seus lábios dos meus o máximo possível sem chegar a tocá-los. – Mas não me disse o que você quer. —Você - respondo sem hesitar.


— Você me tem. Me diga o que quer que eu te faça, responde ele na mesma velocidade, fazendo com que eu ruborize ao perceber sua intenção. Quer que eu lhe dê instruções? – Vamos, Livy. Considere como uma norma de procedimento para ajudar nossa avaliação e redução de riscos. Seu tom destila um ar zombeteiro que faz com que ruborize ainda mais, mas desperta meu atrevimento. Então, depois de uma longa inalação de oxigênio para aumentar minha confiança, localizo esse atrevimento e me agarro a ele com as mãos para ter certeza que ele não desapareça. —Penetre-me - digo. —Com o que? - pergunta maliciosamente. —Com os dedos - exalo, percebendo imediatamente que não quer só instruções. Quer que eu lhe dê ordens exatas, passo a passo. —Oh, eu vejo - responde escondendo o muito que isso lhe diverte e baixando o olhar até a mão que mantêm suspensa entre minhas coxas. –Não deveria comprovar antes seu... -, franze os lábios e pensa durante um segundo, estado? Maldito seja! Estou grunhindo de necessidade, e meus dedos estão preparados para fazer o trabalho se ele não começar logo. —Miller, por favor! Me escondo na escuridão, fechando os olhos desconsolada. Estou na borda do desespero, e a pressão entre minhas pernas começa a pulsar com desespero. —Concentre-se, Livy. Separa minhas pernas novamente quando tento fechá-las para conter as pulsações. —É muito difícil -, grito sacudindo o corpo. Apoia suas grandes palmas contra meus ombros para me segura no lugar. Abro os olhos e o tenho colado a meu nariz, com um brilho triunfante em seus profundos e satisfeitos olhos azuis. Levanto a mão, me agarro a seus cabelos e puxo ele com frustração. Não causa nenhum efeito. Afasta meus dedos de suas ondas escuras e a leva até meu ventre enquanto a aperta levemente com uma expressão de advertência em seu rosto sério. —Eu adoro seu atrevimento - sussurra com os lábios suspensos sobre os meus, provocando-me e ainda que saiba que não vai me recompensar com um beijo de parar o coração, meu corpo responde e se eleva em vão tentando capturálos de todos os modos. — Você quer me saborear? - balbucia, permitindo apenas um ligeiro roçar entre nossas bocas e me negando o contato pleno – Quer me saborear e se perder em mim para sempre? — Sim! - minha frustração aumenta e ele continua a me negar o contato que estou exigindo. —Lembra quem pode saciar essa inexorável necessidade? —Você -, gemo enquanto me contorço com o breve contato de seus dedos em minha abertura.


Se afasta de mim rapidamente, e sua expressão maliciosa se transforma em outra coisa. Não sei muito bem em que, mas só posso compará-la com a glória. Parece como se tivesse encontrado ouro. Pra qualquer outra pessoa, seu rosto se pareceria totalmente inexpressivo, mas para mim expressa um milhão de palavras de felicidade. Miller Hart está feliz. Está satisfeito. E sei perfeitamente que isso não havia acontecido em sua vida. — Não quero ser apenas o homem que te proporciona orgasmos que te deixam sem sentido. Essa afirmação interrompe meu prazer e minhas reflexões, e instantaneamente percebo que a felicidade desapareceu de seus olhos. Estou muito confusa. — Você sempre diz isso-, respondo em voz baixa, relaxando diante de sua incerteza. Me jurei fazer com que se sinta mais que uma máquina de prazer que anda e fala, mas ele parece satisfeito com os elogios que obtêm de mim quando o fazemos. De fato, exige, me aquecendo até que fique louca e se divertindo com minhas súplicas. Se ele merece, inferno, merece uma medalha, mas nunca me ocorreu que talvez o faça se sentir usado. Ele gosta que eu suplique para que me toque. Faz com que se sinta desejado. Necessário. Morro por dentro ao considerar a terrível ideia de que diga essa mesma frase a todas as mulheres com que esteve. Solta essas palavras cativantes a todas? Provavelmente sim. É seu trabalho. Faz que se sintam tão bem como me faz sentir? Sei que sim. Miller se torna taciturno no calor do momento, e arde de desejo armado com um cinto e uma cama com dossel. — Mostrou tanta paixão a todas as mulheres com que esteve? Minha própria pergunta me pega de surpresa, principalmente porque só pensava em meditar sobre ela em silêncio. Meu subconsciente anseia por uma resposta. — Tudo que você tem de mim, sai de maneira natural, Olivia Taylor. Nunca antes havia me sentido fascinado por ninguém. Nunca havia me entregado por completo a ninguém. A você eu dou tudo. Todas e cada uma das partes do meu ser. E rezo cada segundo do dia para que não perca a fé em mim, ainda que eu o faça. - Pressiona os lábios com ternura contra os meus e os deixa assim pelo que parece uma eternidade, me enchendo de força e intensificando meu amor por ele. – Me mantenha neste magnífico lugar de luz a seu lado. - Me solta e me olha com olhos suplicantes. – Não deixe que eu volte a cair na escuridão, eu te imploro. Assimilo suas palavras, imobilizada por seu olhar azul. Ouvir como reafirma seus sentimentos e se expressar tão bem deveria me encher de alegria, mas não me escapa a parte negativa de sua afirmação: -Ainda que eu o faça.Sou perfeitamente consciente das últimas ações de Miller. Determinadas palavras provenientes de pessoas equivocadas poderiam voltar a colocá-lo na


escuridão, e só minha força pode tirá-lo dela de novo. —Me acaricie, - ordeno com carinho, –Com os dedos. Pego sua mãos e a levo até o lugar onde se unem minhas coxas. – Depois penetre e os retire com suavidade. Assente sem dizer nada e apoia a mão sobre o balcão, quando começa suas carícias. Fico sem fôlego. — Me deixe te saborear -sussurra aproximando seu rosto do meu. Minha resposta é automática, instintiva. Levanto a cabeça e selo nossas bocas com um grunhido enquanto circulo seu pescoço com os braços. Todos os meus músculos se preparam e ficam tensos, e separo um pouco mais as coxas para facilitar seu acesso. Me acaricia com movimentos calculados e relaxados. Desliza os dedos por meu sexo e pressiona de maneira deliciosa. Apenas posso, e meu beijo se torna cada vez mais intenso conforme aumenta meu prazer. Sufoco um grito enquanto chupo seu lábio inferior antes de apoiar a cabeça sobre o banco da cozinha. Tem o olhar perdido, e sua respiração se equilibra com a minha enquanto mantêm o constante movimento de seus dedos sobre meu sexo latejante. —Porra, Olivia. Deixa a cabeça pendurada quando finalmente atravessa o limiar da minha entrada com os dedos, exerce mais pressão sobre suas carícias e se introduz em mim exalando um suave gemido. Levanto o peito com um grito delirante. — Miller! —Foda-se! Eu adoro ouvir como grita meu nome. Tira os dedos e volta a me penetrar de novo. A intensidade de seus movimentos não só aumentam a meus incessantes gritos e gemidos, mas também a tensão em seu rosto. Luto contra a necessidade urgente de fechar os olhos com força, desesperada para me perder no escuro prazer, mas mais ainda por olhar para ele. Seus viciantes olhos, nublados pelo desejo, são uma visão maravilhosa, mas me sinto obrigada a renunciar a ela quando se inclina e captura meu mamilo ereto com o calor de sua boca. Isso me provoca uma sobrecarga sensorial e começo a tremer. —Foda-se! Minhas mãos aplicam pressão em seu cabelo e o empurro contra meu peito. Meus quadris começam a levantar para receber o bombardeio de seus dedos. Todas as minhas terminações nervosas vibram de maneira incontrolada, sacudo a cabeça e perco a razão. Começo a sentir o clímax se aproximar. O prazer que domina meu ser se concentra em um ponto, pronto para explodir. E, com uma pequena mordida em meu mamilo e uma pequena rotação de seus dedos fortes dentro de mim, explodo. O mundo deixa de rodar em seu eixo. A vida para. A mente fica em branco. Ouço um grunhido distante e, quando supero a primeira descarga de prazer, deixo cair a cabeça para um lado esgotada. Abro os olhos e vejo Miller sobre


mim, me olhando enquanto continua me acariciando suavemente entre as pernas, até que me recupere. Sua grossa ereção pulsa e se levanta orgulhosa em sua virilha. Não digo nada, principalmente porque não tenho energia, ainda que tenha o suficiente para estender o braço e agarrá-lo. Deslizo o polegar por sua cabeça inchada para espalhar a gota de sêmen que sai da ponta. Miller sibila e os músculos de seu peito se apertam com força ao sentir meu toque. Seu sexo pulsa incessantemente, e vejo como seu coração golpeia em seu peito. Basta que deslize a mão contraída ao redor de seu membro para levá-lo ao limite. Afasta minha mão na metade e levanta o resto de seu comprimento de ferro até meu ventre, grunhindo e balançando a cabeça enquanto vem em cima de mim. O calor de sua essência me cobre e faz com que meu corpo relaxe novamente sobre o mármore com um suspiro de satisfação. Estou flutuando em um mundo mágico de perfeição. —Está com sono? Sua voz grave acaricia meus ouvidos e murmuro enquanto fecho os olhos. Retira a mão de minhas coxas e apoia sobre meu ventre. Então espalha seu leite por todas as partes, até meus seios e por minhas pernas. Estou coberta. E não poderia me importar menos. Se inclina e beija meus lábios, me incentivando a abri-los para ele. Deixo que consumir minha boca com suas atenções. Poderia dormir aqui mesmo, sobre o balcão sólido. —Vamos. - Sai de mim para me endireitar e se coloca entre minhas pernas separadas sem interromper nosso beijo. Apoia meus braços sobre seus ombros, agarra meu traseiro e me levanta. —Me ajude a preparar o café da manhã. —Realmente? - estalo. Ele se vira e me olha confuso. O balcão, a roupa... eu. E agora ele quer que eu o ajude a preparar o café da manhã em sua cozinha perfeita, onde as tarefas são realizadas com precisão militar? Não tenho certeza de estar preparada e, sinceramente, interferir em seus hábitos obsessivos até esse ponto me assusta um pouco. —Não lhe demos importância-, me adverte. —Mas é importante. Tremendamente importante. —Prepare você-, digo, me sentindo um pouco sobrecarregada. Já me deu o suficiente. Não quero forçar as coisas. —Não vai se livrar tão facilmente. - Beija minha bochecha para me dar segurança, me deixa no chão e me vira de maneira que minhas costas fiquem coladas a seu peito. Depois apoia seu queixo em meu ombro. – Mas antes, vamos nos lavar um pouco. Me empurra para frente com as mãos sobre minha barriga e me guia até que estamos diante da pia e abre a torneira. Umedece uma toalha, despeja um pouco de detergente líquido e passa por mim. Depois se ajoelha para limpar minhas pernas. Me esforço para não jogar a cabeça para trás e gemer pedindo


mais. Depois de levarmos as mãos juntos, se inclina sobre mim e limpa a pia enquanto o observo sorrindo. —Para a geladeira-, murmura, e me empurra suavemente até que estamos diante das enormes portas de espelho. A nudez de Miller está escondida, mas a minha não. –Vista deslumbrante. - mordisca meu ombro, com os olhos fixos nos meus, e desliza a mão pelo meu estômago até minha entrada. Seguro o fôlego e colo a bochecha em um lado de seu rosto, contorcendo-me. – É tão quente e convidativa -, sussurra, então lambe a marca da mordida que deu em meu ombro e espalha minha umidade com quatro dedos. A deslizante fricção sobre os nervos do meu clitóris me obriga a gemer enquanto observo como seus olhos nublam. – Minha doce menina continua pulsando. Colo meu traseiro em sua virilha, o que faz com que Miller solte gemidos de êxtase. —Você queria me alimentar - recordo-lhe, sendo estúpida. Prefiro mil vezes sua veneração a mundana tarefa de comer. —Correto, mas não posso prometer que não vou aproveitar ao máximo seu estado tentador enquanto preparamos o café da manhã. Então começa a traçar círculos ao redor do meu clitóris lentamente, acelerando a pulsação. —Que Deus me ajude!—Miller. - fecho os olhos brevemente, me afasto e meu corpo se dobra sobre ele mesmo para escapar de seu toque inconcebivelmente habilidoso. Ele cola sua boca em minha orelha. —Pode ser que a partir de hoje adote o costume de preparar nossas refeições com meu hábito colado a meu peito. Se ele fizer de verdade, pode ser que não voltemos a comer nunca mais. Minha necessidade por ele é minha perdição, e me disponho a virar. Mas não vou a lugar nenhum. —Nuh-uh-uh - cola a mão contra a suave pele da minha barriga e seus dedos sobem lentamente até que descansam sobre a costura de meus lábios. Nossos olhares se encontram enquanto estende minha própria umidade por meus lábios. –Lamba. Ainda que sua ordem deveria fazer com que eu me negasse timidamente, o que faz é multiplicar minha vontade. Obedeço e lambo muito lentamente os dedos enquanto ele me mantêm onde estou, mais com seus olhos sedentos do que com a mão que me segura firmemente. —Bom, você não concorda? Assinto, mas me inclino mais a pensar que a carne que está embaixo da umidade parece melhor. —Já chega, por agora. - Retira os dedos e desliza as mãos por baixo de meus braços até alcançar as minhas. –Isso poderia levar algum tempo. —Só se você não mantiver suas mãos para si mesmo-, respondo em voz baixa,


desejando não ter que ir trabalhar para que pudéssemos estar preparando o café da manhã o dia todo. Levanta nossas mãos e entrelaça nossos dedos para que abramos a geladeira juntos. —Você não gostaria que eu fizesse, assim esta discussão não faz sentido. —Concordo. A geladeira de Miller se abre e vejo as prateleiras de comida perfeitamente organizadas. Existem, principalmente, frutas ou algo igualmente saudável e água engarrafada. Aproxima nossas mãos do cesto de morangos, e eu sorrio. —Vamos comer chocolate no café da manhã? —Isso não seria nenhum pouco saudável. —E então? Mordisca o lóbulo da minha orelha enquanto tira a fruta da geladeira. —Vamos comer morangos com iogurte grego. —Não soa tão apetitoso-, protesto, com certeza também é light. Me ignora, e a linha reta em seus lábios me indica para deixar de reclamar, sem a necessidade de uma advertência verbal. Um leve toque de seus quadris sobre minha lombar seguido de seus passos para trás, faz com que meus pés retrocedam imitando seus pés e nos afastando do reflexo das portas da geladeira. Seus olhos estão fixos nos meus, aquecem minha pele nua, e permanecemos assim até que se vê obrigado a nos virar. Avançamos pela cozinha como se fossemos um. Tiramos uma tábua de cortar de um armário, duas tigelas de outro, um escorredor de um terceiro e, finalmente, uma faca da gaveta antes de colocar tudo em perfeita ordem no balcão. Nossas mãos trabalham unidas, ainda que seja Miller quem instigue cada movimento. Eu me deixo levar alegremente, porque assim não posso fazer nada errado. Cantarola sua doce melodia em minha orelha distraidamente. Parece muito calmo, coisa que chega a minha alma. Está feliz e contente, como se o fato de que eu prepare o café da manhã, como ele quer e seguindo seus passos, fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. E é possível que seja para Miller. Me ajuda a levantar a faca e cobre minha mão com a sua enquanto pega um morango e o coloca na tábua de cortar. Então guia minha mão para levantar a faca e apoia o fio na parte superior para tirar o cabo. Deixa o pedaço cortado em um canto, parte o fruto vermelho e carnudo pela metade e me dá um beijo carinhoso na bochecha antes de colocar os pedaços no escorredor. —Perfeito-, me elogia, como se ele não tivesse participado de cada movimento preciso que acabamos de realizar. Sem dúvida, isso faz com que o mundo perfeito de Miller continue girando sobre seu eixo perfeito, de modo que sigo a corrente com gosto. Pega outro morango, mantendo o queixo sobre meu ombro. Dizer que a proximidade de sua respiração constante em minha orelha, enquanto cantarola, ser reconfortante é um eufemismo. Isso deve ser o mais próximo que alguém pode estar do céu, enquanto continua na terra.


— Eu pensei que hoje você poderia ficar comigo - diz em voz baixa, guiando meu braço até o morango. Uma leve pressão da minha mão parte a carne e revela seu interior suculento, que me dá água na boca. Não me ocorre a estupidez de roubar um pedaço, não sob a vigilância do meu maníaco Miller, de modo que fico boquiaberta quando vejo que pega uma das metades e leva a boca. Franzo o cenho e olho em sua direção. Me distraio momentaneamente ao ver como abre lentamente os lábios antes de colocar o pedaço entre eles. Ainda que só, momentaneamente. A irritação me tira do meu devaneio. —Isso é... Não consigo continuar protestando. A boca de Miller me cala. Mastiga e o suco inunda nosso beijo, transformando-o no mais saboroso do mundo. Miller e morangos... —Mmm - murmuro de prazer enquanto o suco da fruta escorre por meu queixo. —Concordo - sussurra, e interrompe nosso beijo para lamber o fio de umidade, cumprindo assim, seu papel auto imposto de limpar nosso desastre. Pode ser que isso lhe proporcione prazer, mas em certo modo continua sendo sua forma de organizar, por isso não é de se estranhar que se voluntarie para fazê-lo. —Hoje tenho que ir trabalhar - murmuro sob seu penetrante olhar. Estou quente, e passar um dia inteiro fechada no apartamento de Miller, afastada do mundo, é algo impossível de resistir, mas não posso faltar ao trabalho outra vez. Beija meu nariz com um suspiro de conformidade. Em conformidade demais. —Eu entendo, mas me prometa que não sairá por aí sozinha. - Seu apelo transforma minha sensação de felicidade e comodidade em preocupação. Estão me seguindo.–Eu te levarei e vou te buscar. —Quanto tempo espera ter que me acompanhar? - pergunto. Embora esteja mais do que preocupada com as revelações de uma sombra indesejada, também entendo que Miller não pode cuidar de mim eternamente. —Só até estabelecermos de quem se trata e porque está fazendo isso. - Volta a apoiar o queixo em meu ombro e a cortar os morangos. —Estabeleçamos, quem? Percebo que vacila alguns segundos antes de responder. —Você e eu. Fico receosa. Odeio estar. O receio é algo perigoso, e também desperta minha curiosidade. Detesto a curiosidade, provavelmente mais que o receio. —Não posso decidir nada a menos que me dê informações, coisa que não vai fazer, de modo que só você pode tomar as decisões. —Bom, assim é como deve ser - diz de maneira casual, o que aumenta meu receio e minha curiosidade. –Não quero que sua linda cabecinha se preocupe com isso-, afirma enquanto corta outro morango com a faca e beija minha têmpora.


—Vamos deixar o tema aqui. —Onde? - pergunto rolando os olhos. Acaba de me colocar em meu lugar, mais ou menos, mas não posso evitar ser sarcástica. —Não é neces... — Miller. - suspiro – Relaxe! A cada passo que damos para frente, retrocedemos um milhão. —Estou muito relaxado. - Pressiona a virilha contra minha lombar e morde meu pescoço, fazendo com que me contorça e ria, e deste modo contradiz, meu pensamento anterior. —Pare! - grito rindo. —Nunca. Mas ele para, e eu deixo de rir instantaneamente também, erguendo a cabeça para escutar. —-Isso foi a campainha? - pergunto incrédula. Nunca antes havia ouvido o som. —Acho que sim. - Miller parece tão interessado como eu. —Quem será? —Bom, vamos descobrir. Tira a faca da minha mão e coloca em paralelo com a tábua de cortas antes de me soltar. Depois, arruma o balcão apressadamente mas com exatidão e recolhe minha calcinha dobrada e minha camiseta. Me pega pela mão e percorre o apartamento velozmente. Chegamos ao seu quarto em um piscar de olhos. A campainha soa novamente e ele murmura entre os dentes algo sobre o tumulto. Coloca uma boxer negra limpa, tira os montes de camisetas negras de sua gaveta e começa um novo monte, começa a virar cada uma das malditas camisetas enquanto a campainha soa novamente com insistência. Eu permaneço calada e observo como se inquieta cada vez mais, enquanto coloca a camiseta. Pega minhas mãos e beija os dedos. —Tome banho. Me beija na testa e desaparece, me deixando plantada no meio de seu closet, com a curiosidade como única companheira. Ela me come por dentro, e não estou preparada para ficar sozinha e ficar louca, de modo que coloca a calcinha e uma camiseta e sigo Miller em silêncio, enquanto suas grandes e fortes pernas percorrem rapidamente o trajeto até o hall. Miller abre a porta de entrada com violência, uma violência que parece se multiplicar por mil quando vê quem se encontra do outro lado. Não vejo nada, a alta construção de Miller bloqueia minha visão, mas a julgar pela frieza que emana de seu requintado físico, não queremos ver essa pessoa. —Vá embora agora mesmo ou fique e me conceda o prazer de quebrar todos os ossos do seu corpo. O ódio que destila de seu tom, é profundo. Assustador. Quem é? Vejo que as costas de Miller se agitam, e quase começa sair fumaça por suas orelhas. Vai


perder seu temperamento a qualquer momento. —Eu ficarei. Meu coração se acelera ao ouvir a voz desse homem. Ele veio me buscar? Miller fecha os punhos com força, o que faz as veias de seus braços incharem. merda, está se preparando para atacar. Me aproximo, dividida. Intervenho ou fico longe? -—Como quiser - responde Miller assim mesmo, como se não estivesse decidido a assassinar nosso convidado. —O que eu quero, é que desapareça para que minha garota possa pensar por si mesma, sem sua influência. Miller dá um passo a frente. É ameaçador, e é o que pretende. Minha ansiedade aumenta, assim como meu ritmo cardíaco. —Vou dizer apenas uma vez - adverte com o punho cerrado. – Nunca fiz com que Olivia fizesse nada que não quisesse fazer. Seu lugar é comigo. Ela sabe. Eu sei, e você deveria assimilar também. Se eu for a algum lugar, ela vem comigo. Reúno coragem e me aproximo de Miller. Deslizo a palma por suas costas antes de chegar ao redor e colocar meu corpo diante do seu. Um olho negro, uma bochecha machucada e um lábio cortado me recebem. — Gregory - digo nervosa, sentindo as preocupantes vibrações de Miller. Está tenso contra minhas costas. –Você está bem? Seus olhos castanhos se suavizam diante de minha presença, e sua expressão se torna quase de alivio. —Ótimo - zomba enquanto lança um olhar assassino a Miller.–Temos que conversar. Uma mão forte agarra minha nuca e começa a me massagear. Se é uma tentativa de aliviar minha ansiedade, falha miseravelmente. Nada conseguirá reduzi-la, e muito menos eliminá-la. — Fale, então - ordena Miller. —A sós - sibila Gregory, acabando com qualquer esperança que pudesse abrigar que tivesse vindo resolver as coisas com Miller. Me sinto impotente. —O inferno se congelará antes que deixe Olivia sozinha com você. —Tem medo que ela te abandone? —Sim. - Sua resposta rápida e brutalmente sincera me deixa perplexa, e é evidente que a Gregory também, mas não responde. Os olhos do meu amigo me absorvem por alguns momentos até que encontra algo a dizer. —Quer falar comigo a sós? - diz, e sua pergunta faz com que todos os músculo do meu corpo se enrijeçam. Quero fazê-lo. Não tenho medo do que possa dizer, nem de que tente me convencer a deixa Miller, coisa que provavelmente fará. Estaria perdendo tempo, e Gregory já deve ter se dado conta a essa altura. Ele já recebeu duas surras por se intrometer, duas surras importantes. Não acredito que queira


uma terceira. —E então? - diz ao ver que continuo em silêncio, pensando em como lidar com a situação. Ou sobre como lidar com Miller. Meu rosto inexpressivo olha de repente para Miller, quando este me vira. A ira e o estresse desapareceram, e seus olhos estão claros e preocupados. —Você quer passar um momento a sós com seu amigo? Congelo, absolutamente chocada. Assinto, incapaz de articular uma palavra devido a minha surpresa. Miller assente também, exala um longo suspiro e beija meu nariz enquanto sua palma embala minha nuca. – Está preparada para dar a alguém a oportunidade de interferir? — Vou tomar um banho - diz calmamente. -Leve o tempo que precisar. Sua atitude estranha me pegou de surpresa, e sei que a Gregory também. Praticamente posso ouvir seu espanto através das batidas de seu coração. Me disponho a assentir de novo, mas então penso em quão violento Gregory deve se sentir no apartamento, e eu também na verdade. Com Miller à espreita, pronto para atacar enquanto chegam a seus ouvidos as palavras de reprovação, não conseguirei relaxar. —Vamos a cafeteria-, digo, menos segura do que gostaria. Meu coração afunda quando vejo Miller começar a negar com a cabeça com preocupação. —Estarei com Gregory-, adiciono com olhos suplicantes, mas com poucas esperanças de convencê-lo. Meu amigo dever estar se perguntando o que é tudo isso. Não posso contar-lhe sobre meu perseguidor, não depois de tudo o que aconteceu. -—Por favor. - Deixo cair os ombros, derrotada. Os sentimentos que o invadem se refletem claramente em seu rosto. —Tudo bem - concorda relutantemente, e fico tão espantada que quase caio de bunda. Em seguida afasta seus olhos aquecidos dos meus e endurecem quando pousam sobre Gregory. – Confio que a protegerá com o mesmo cuidado e atenção que eu.Quase engasgo e fico olhando seu rosto perfeito e sério com a boca aberta, sabendo que Gregory está olhando para ele com a mesma cara. A verdade é que não ajuda em nada seu caso. Eu o entendo. Compreendo. Vejo mais além de sua postura esticada e mais além de suas palavras confusas. Mas os outros, não. —O quê? - pergunta Gregory com uma mescla de diversão e absoluta surpresa em seu tom. Miller se contorce e estreita os olhos. —Eu não gosto de me repetir. —Porra! - Meu amigo começa a rir. – De onde diabos, tirou esse bastardo? —Greg! - exclamo me virando e retrocedendo até o peito de Miller para evitar o inevitável. —Bem, dá um tempo, por favor! —Eu vou quebrar a porra do seu pescoço! - espeta Miller atravessando meu


amigo já morto com o olhar. —Chega! - grito levantando as mãos violentamente. —Por favor..., já chega! Quero dizer um milhão de coisas, tanto a Gregory como a Miller, mas diante do risco de complicar ainda mais a situação, respiro fundo para me acalmar e fecho os olhos para reunir um pouco de paciência. — Gregory, me espere na cozinha - digo apontando-a. –Miller, você vem comigo. - O agarro pela mão e começo a puxá-lo. –Vou demorar dez minutos! - grito por cima do ombro sem dar a nenhum dos dois a oportunidade de protestar. Não vou deixá-los sozinhos. Acabaria me encontrando em uma poça de sangue e ossos. —Vou te esperar no corredor - espeta Gregory, e fecha a porta dando um golpe tão forte que as paredes do apartamento tremem. Miller começa a balbuciar e me obriga a parar. —Ele acabou de bater a porra da minha porta?- Seus olhos se tornam tão ferozes e começa a se virar com gesto quebrado de desgosto. —Ele simplesmente bateu a porra da minha porta! —Miller - eu grito mergulhando na frente dele. —Quarto! Agora! - Minha paciência se esgotou e me sinto tão furiosa que o calor subiu para o meu rosto. Agora ele está sendo exigente porque quer. —Que eu não tenha que me repetir!- Estou tremendo. Cheguei ao meu limite com esses dois buldogues, que deixam que seus egos impeçam de ver o que realmente importa: eu! —Vou tomar café com Greg! -Ok - diz mal humorado -, mas se alguém tiver tocado apenas um fio do seu cabelo quando voltar, não respondo por meus atos. —Eu vou ficar bem. O que ele acha que pode acontecer comigo? —É melhor se certificar disso - bufa. —O que? Você parece um bastardo arrogante! —Olivia. - Se inclina e gruda o nariz com o meu com os olhos brilhantes com fervor, enquanto os meus irradiam frustração. –-Já sabe o que eu penso das pessoas que se intrometem, e já sabe como me sinto quando fazem com que você se sinta mal. Te juro que vou quebrar a espinha dele se te devolver com algum dano, seja físico ou emocional. Todo meu corpo se esvazia de maneira dramática. Faço isso de propósito, para ver o muito que me frustra. —Não quero que esquente sua cabeça depois. - Desliza a mão até minha nuca e me puxa para frente, reduzindo assim o minúsculo espaço que separava nossas bocas e selando nossos lábios. — Eu não vou - prometo-lhe, deixando toda minha raiva se dissipar. Eu já tenho isso mais que superado. – E, depois de tudo que me fez passar durante as últimas vinte e quatro horas, Miller, vou tomar um café com meu amigo.


Franze os lábios contra os meus. — Como você quiser. - Depois dessa declaração não tem outra opção, além de aceitar. Me envolve com seus braços e se separa da minha boca para poder enterrar o rosto em meu cabelo loiro e rebelde. É como se soubesse que -o que mais gosta- pode me dar alguma força. Nunca falha. – Confio em sua força, minha menina linda. Abraço-lhe e deixo que ele me aperte com força. Ou com mais força ainda. Pode ser que tenha me chateado muito com o que aconteceu desde que Gregory apareceu, mas minhas forças não vacilaram. Eu nunca vou fugir de nós. —Eu deveria tomar banho. Me solta e coloca meu cabelo atrás dos ombros para poder ver meu rosto. —Não me prive de você por muito tempo. Sorrio e me afasto dele com carinho. Me dirijo ao chuveiro e me preparo mentalmente para outra sessão de intromissão por parte do meu melhor amigo.

Capítulo Vinte e Sete Deixo o apartamento de Miller e Gregory está encostado na parede do corredor, olhando para o celular. —Olá - digo, e fecho a porta. Levanta o olhar e se afasta da parede com um sorriso tenso. —Olá, boneca. Apenas ouvir essas palavras me dá vontade de chorar. —O que aconteceu com a gente? - pergunto. Gregory olha até a brilhante porta negra e depois para mim. —Apareceu esse cara que odeia seu café. —É muito mais do que apenas o cara que odeia meu café - respondo tranquila. – E só odiou meu primeiro café, assim tecnicamente já não podemos continuar chamando ele assim. —Chupador de paus. —Isso está reservado para Ben. Você tem visto ele ultimamente? Seus ombros largos ficam tensos. Se sente culpado. —Não estamos aqui para falar sobre minha desequilibrada vida sentimental. Quase tropeço como resultado de sua ousadia. —Minha vida sentimental não está desequilibrada - respondo. —Relaxe! – Ele está na minha frente em dois passos. –Esse aí dentro- diz


apontando a porta de Miller-está desequilibrado, e está passando para você! Fico na defensiva e meu rosto quebra de raiva. —Eu não estou ouvindo isso. Dou meia volta e começo a abandonar nossa conversa para ir buscar consolo com meu desequilibrado, obsessivo, compulsivo, perseguido por demônios, possessivo, ferido, drogado, célebre garoto de companhia e cavaleiro de meio período. É verdade que está um pouco desequilibrado, mas é meu Miller, com suas manias e seus problemas. E eu o amo. —Olivia, espere! - Gregory segura meu braço abruptamente, mas me solta enquanto grito. -Merda! - amaldiçoa. Me viro e esfrego meu braço com uma careta. —Controle-se! Parece realmente nervoso. —Perdão, é que eu não queria que se fosse. —Então me diga. Fixa seus olhos castanhos em meu braço. —Espero não ter deixado nenhuma marca. Gostaria de conservar minha espinha intacta. Aperto os lábios para evitar sorrir diante de sua piada mordaz. —Estou bem. —Porra, graças a Deus. - Ele coloca as mãos nos bolsos e baixa o olhar constrangido. – Começamos de novo? Sinto um alívio enorme. —Por favor. —Ótimo. - Levanta o olhar com seus olhos castanhos cheios de remorso. —Damos um passeio e conversamos? Não me sinto confortável criticando o cara que odeia seu café quando está tão perto. Rolo os olhos, me agarro a seu braço e o guio até a escada. —Vamos. —O elevador está quebrado? Paro imediatamente, estranhando a mim mesma. Não havia me dado conta de que estava adotando todos os hábitos de obsessivos de Miller. —Não. Gregory enruga a testa também enquanto nos dirigimos ao elevador e entramos nele quando chega. Seu rosto reflete medo, mas não tenho certeza se devo dizer ou perguntar como está, já que ambos estamos sorrindo agora, de modo que tento algo totalmente diferente. —Como está o trabalho? —Como sempre - murmura sem entusiasmo, matando essa linha de conversa. —Seus pais estão bem? —Estupendamente. —Como vão as coisas com Ben? —Regular.


—Ele saiu do armário? —Não. Rolo os olhos. —Do que nós falávamos antes de eu conhecer Miller? Ele encolhe os ombros enquanto a porta se abre. Saio primeiro e procuro em minha mente em branco algo para falar que não seja Miller e a inevitável intromissão que se aproxima. Não me ocorre nada. Saúdo amavelmente o porteiro com a cabeça, e ignorando o reflexo da figura relutante de Gregory arrastando os pés atrás de mim, empurro a porta e emerjo em um dia ensolarado e fresco de Londres. Acreditava que o imenso espaço aberto que me rodeia me provocaria uma sensação de liberdade, mas não é assim absolutamente. Me asfixio ao pensar no interrogatório eminente de Gregory, e estou desesperada para voltar correndo junto a Miller e obter minha liberdade através de seus beijos, em seu apartamento. Através – “do que mais gosto”-. Nele. Me viro, suspirando, e encontro Gregory com certo ar incômodo atrás de mim. É evidente que ele tampouco sabe o que dizer ou fazer. Ele insistiu em conversar. Deve ter coisas a dizer e, ainda que não desejo especialmente escutá-las, eu gostaria que as soltasse já e dizer-lhe que está perdendo tempo... outra vez. —Vamos tomar café ou não? - pergunto acenando a direção da cafeteria. —Claro. - resmunga mal humorado como se soubesse que está a ponto de desperdiçar saliva. Se aproxima de mim e começa a avançar pela rua. Um metro ou menos nos separa, mas o desconforto parece preencher esse espaço. As coisas nunca haviam sido assim entre nós, e não estamos conversando, o que me proporciona tempo demais de reflexão silenciosa pra me perguntar como chegamos a isso. Nossa estúpida discussão em meu quarto foi motivo de preocupação, mas parece que a hostilidade entre Miller e Gregory diminuiu, o que certamente é algo positivo. Cruzamos um quarteirão com bastante facilidade, já que é bem cedo, e seguimos caminhando tranquilamente. Gregory toma ar constantemente para falar, mas nunca chega a dizer nada, e eu procuro ansiosa um sinal que me indique que estamos perto da cafeteria. O mal estar que nos oprime está ficando quase insuportável. — Apenas me diga o que você vê sobre ele. Gregory me detêm e eu abro e fecho a boca tentando procurar a melhor maneira de explicar para ele. Em minha mente está claríssimo, mas quando tento colocar para fora não encontro as palavras adequadas. Não tenho porque me explicar para ninguém, mas de repente é muito importante para mim que Gregory entenda porque continuo aqui. —Tudo. - Balanço a cabeça, desejando que tivesse me ocorrido algo melhor. —O fato de que ele é um acompanhante?


—Não! —Por dinheiro? -Não seja idiota. Sabe que tenho uma conta no banco cheia de grana. —Porque é intenso? —Muito, mas não tem nada a ver com isso. Não seria Miller se não tivesse seus problemas. Esse homem é resultado da vida que ele teve até agora. Era órfão, Gregory. Seus avós o colocaram em um orfanato de reputação duvidosa e obrigaram sua jovem mãe a voltar para a Irlanda, deixando ele para trás porque sua existência seria uma vergonha para a família. —Isso não lhe dá direito a se comportar como um legítimo bastardo - murmura arrastando as botas sobre o chão de cimento abaixo de seus pés. –Todos temos problemas. —Problemas? - exclamo indignada. - Ser órfão, indigente, sofrer de TOC e recorrer a prostituição para sobreviver não é um problema, Greg, é uma fodida tragédia! —Indigente? —Sim, era indigente. —Tem TOC? —Não está diagnosticado, mas é bastante óbvio. —Prostituição?! - grita com efeitos atrasados. Sou consciente de meu erro imediatamente. Garoto de companhia. Não é preciso que Gregory saiba que Miller foi um prostituto regular, ainda que não exista muita diferença, o último parece menos horrível. O que é totalmente ridículo. —Sim. - Levanto o queixo, desafiando ele a fazer algum comentário, e penso no que ele diria se acrescentasse as drogas a lista. Minha estratégia fracassa em todos os níveis. —E fica melhor! - ele ri, mas é um sorriso nervoso. — Eu estou bastante certo de que é um psicótico também, assim você tem uma aberração completa. —Ele. Não. É. Louco. - digo pausando em todas as palavras com os dentes apertados, e sinto que meu sangue começa a ferver. – Você não o vê quando estamos sozinhos. Ninguém o vê. Só eu. Sim, pode ser tenso, e quem se importa se ele gosta que as coisas estejam de uma determinada maneira? Nem que estivesse matando alguém! —Provavelmente ele fez. Recuo enojada. As palavras se acumulam na ponta da minha língua e em meu cérebro, sem saber com quais começar a insultar Gregory. —Vá se foder! - Opto por essa expressão banal e, uma vez que a arremesso em seu rosto, me viro e começo a voltar para o apartamento de Miller pisando com força na calçada. —Livy, vamos lá! —Cai fora! - Não me viro para olhar para ele. É possível que exploda se fizer. Mas então me vem algo a mente e dou meia volta de novo. – De onde você


tirou o cartão de Miller? Ele dá de ombros. — Essa morena que estava no Ice na noite de inauguração. Quente pra caralho! — Cassie.- Fico furiosa e a pressão se acumula em minha cabeça. A vadia! Acelero o passo, preocupada com a minha fúria crescente. Quero bater em algo. com força. — Ah! - grito estridentemente quando Gregory me levanta no ar pegando-me nos braços. Muda de direção e atravessa de novo a rua em direção a cafeteria, ignorando meu olhar de descrença. —Impertinente - diz simplesmente. -Fico feliz que se mostrou tão persistente. A tensão acumulada desaparece do meu corpo e relaxo em seus braços. —Eu o amo, Gregory. —Eu vejo - admite contrariado. –E ele, te ama? —Sim - respondo, porque tenho certeza que sim. Não o diz diretamente, mas é seu jeito de ser. —Te faz feliz? —Mas do que você possa chegar a imaginar, mas seria muito mais feliz se as pessoas nos deixassem em paz. Sinto que meu amigo murcha embaixo de meu corpo suspenso com um suspiro. Ele para, me coloca no chão e me segura por meus pequenos ombros. —Baby, eu tenho uma sensação ruim. É tão... - Faz uma pausa, leva a mão a testa e a esfrega em um sinal claro de preocupação. — Tão o que? Enruga os lábios e deixa cair ambas as mãos em seus lados. —Escuro. Assinto e respiro fundo. —Conheço toda a escuridão que há nele. E eu encho ele de luz. Eu estou o ajudando e, se aceite ou não ele tem me ajudado também. É o homem da minha vida, Gregory. Eu nunca desistirei dele. —Wow. - Meu amigo exala e em seguida enche as bochechas com ar. – O que você está dizendo é muito forte, Olivia. Dou de ombros. — É a verdade. Você não vê? Ele não me tem presa, nem me obriga a nada. Estou ali por vontade própria e porque é onde tenho que estar. Espero que encontre a pessoa certa para você um dia, e espero que morra por ele, tanto quanto eu por Miller. Ele é especial. Faço uma careta de dor para mim mesma ao me dar conta do que acabo de dizer, e em seguida afasto esse pensamento da minha mente o mais rápido possível. Sinto uma imensa paz quando vejo a expressão clara de assimilação de Gregory. Não estou certa de que ele entenda, e talvez nunca o faça, mas se


ele aceitasse seria o suficiente para começar. Não espero que sejam melhores amigos. Não acredito que Miller possa ter uma amizade assim intensa com alguém, não é uma pessoa sociável. Não se encaixa com as pessoas, e menos ainda com os intrometidos. Mas o mínimo que poderiam fazer é se comportarem de maneira civilizada. Por mim, deveriam achar a maneira de fazê-lo. —Eu vou tentar-, sussurra Gregory quase a contragosto, mas meu coração dá um salto de alegria. – Se ele estiver disposto a tentar, eu também. Sorrio, provavelmente o maior sorriso que já esbocei, e me lanço em seus braços fazendo ele se balançar com uma pequena risada. —Obrigada. Ele também se preocupa comigo, Gregory. Tanto quanto você. — Decido omitir que provavelmente se preocupe mais, porque sei que isso não me ajudaria em nada. Não dizemos mais nada. Simplesmente nos abraçamos com alegria de semanas demais de tempo perdido, até que finalmente me separo vitoriosa e eufórica. Sua disposição, está clara, depende que Miller ceda, mas não resta a menor dúvida que ele o fará. Enquanto Greg prometer não interferir e deixar que eu seja feliz, tudo ficará bem. Beijo sua bochecha atraente, me agarro a seu braço e nos viramos para continuar com nosso caminho até a cafeteria. Então fico paralisada. O sangue abandona meu cérebro e Gregory me sustenta com o outro braço, para que eu não caia. — Livy, o que foi? Não conheço o BMW branco que está estacionada junto ao meio-fio, mas não é o veículo sofisticado que me chama a atenção, e sim a mulher que está encostada nele, nos observando enquanto fuma um cigarro. Já a vi antes, e jamais me esquecerei de seu rosto. Sophia. Veste uma linda capa impermeável de cor branca polar como seu carro. Leva os lábios pintados de vermelho intenso, e seu cabelo platinado perfeito e reto está tão perfeito, como da última vez que tive o prazer de vê-la. Sinto náuseas. — Livy? - A voz de preocupação de Gregory me puxa para a realidade e arranca meus olhos da expressão de superioridade desenhada em todo seu rosto impecável. – Porra, você ficou branca como cal. - coloca a mão em minha testa. – Você vai vomitar? — Não-, respondo fracamente, considerando as altas probabilidades que eu o faça. Essa mulher desperta meus receios, mais do que qualquer uma das outras da vida Miller, com quem me encontrei. Por uma razão, é que ela foi ao apartamento de Miller na meio da noite. Também estava bebendo vinho, à vontade, e essa ideia não havia me passado pela cabeça até agora. Com ela há algo diferente, e eu não gosto. Não gosto nada. Depois de arrumar as coisas


com Gregory, o que eu menos preciso é dela armar uma cena, me soltar alguma advertência ou me menosprezar. Tentando desesperadamente me recompor, forço um sorriso e puxo o braço do meu amigo. —Vamos chegar algum dia a cafeteria? —Eu estava me perguntando a mesma coisa. – Ele sorri e segue meus passos. Acredito que não se deu conta de nada, além de que possa ter me dado algo de repente. Sophia poderia arruinar tudo e, quando ouço o som de saltos caros sobre a calçada a minhas costas, sei instantaneamente que está aponto de fazê-lo. — Oliva, certo? - ronrona, o que faz com que todos os músculos do meu corpo fiquem tensos. Tropeço e fecho os olhos com força com a esperança de que, se fingir não ouvila, talvez desista. Eu duvido muito, mas não custa tentar. Continuo andando. Gregory está falando comigo, mas não ouço nada do que ele diz, só o murmúrio distante de seu tom à distância. A ela, no entanto, eu ouço: —Ou prefere que te chamem: -menina doce e inocente? Meu coração para em meu peito e meus pés deixam de pisar na calçada. Não há escapatória. E, quando Gregory olha por cima do ombro com curiosidade, sei que estou a ponto de viver um confronto. Me viro devagar e ela apenas alguns passos atrás de mim. Dá uma lenta tragada em seu cigarro e me observa cuidadosamente. —Posso ajudar você? - pergunto com o tom mais relaxado e despreocupado que consigo expressar, sem me preocupar em olhar e analisar a expressão de Gregory. Sei que será questionadora, e de todos os modos eu não posso afastar meu olhar cauteloso dessa mulher arrogante. — Oh, eu acho que sim - responde , e joga o cigarro na... – Vamos dar um passeio, o que você acha? - Estica o braço até BMW e, quando olho, vejo o chofer sustentando a porta aberta. —Quem é essa? - pergunta finalmente Gregory aproximando-se de mim. —Apenas uma amiga - diz Sophia respondendo por mim, me aliviando a pressão de inventar uma resposta consistente antes que Gregory continue sondando. Sem dúvida, não tenho certeza se sua explicação colou. —Livy? - Meu amigo toca meu ombro para me obrigar a virar até ele. As sobrancelhas arqueadas em questionamento. —Uma amiga - balbucio fracamente enquanto minha mente se apressa em calcular meu próximo movimento. Não me ocorre nada. Ela me chamou de -menina doce e inocente-. Miller esteve falando com ela sobre mim? —Não tenho o dia todo. - Sophia interrompe meus pensamentos com sua impaciência. —Não tenho nada para falar com você. —Mas eu tenho muito o que dizer a você. Se é que você se importa pelo


menos um pouco com Miller...- solta para me provocar. Minhas pernas me surpreendem me levando automaticamente até o carro, incentivadas por suas palavras e pela possível informação. —Livy! - grita Gregory, mas não me viro. Não preciso ver seu rosto, e não preciso que me convença a não fazer algo que sei que poderá ser tremendamente imprudente. – Olivia, aonde você vai? Me viro e vejo que o chofer de Sophia intercepta Gregory para evitar que venha até mim. Gregory olha para ele com o cenho franzido. —Quem diabos é você? Saia do meu caminho! O chofer levanta a mão e a apoia no ombro de Gregory. —Seja inteligente garoto. - Seu tom demonstra ameaça, e Gregory estreita por cima dele, mas ainda franzindo a testa, com seu rosto bonito carregado de confusão. —Olivia! Começa a lutar contra o motorista, mas é um homem grande e ameaçador. Entro no carro. A porta se fecha e, alguns momentos depois, a outra porta traseira se abre e Sophia se acomoda no assento de couro. Devo estar completamente louca. Não gosto dessa mulher, e sei que não vou gostar do que tenha a me dizer. Ainda sim, sinto um desejo completamente irracional de saber. Se ela sabe algo que possa ajudar, preciso descobrir o que é. Mais informação. Informação que pode partir meu coração, já maltratado, ou pode simplesmente acabar comigo. O carro se afasta do meio-fio justo quando Gregory começa a bater na janela do meu lado. Me odeio por fazer isso com ele, mas ignoro. —É seu namorado? - pergunta Sophia alisando sua capa. Estou prestes a deixar escapar que meu namorado é Miller, mas alguma coisa me para. O instinto, talvez? —É meu melhor amigo - digo ao invés. – E é gay. —Wow! - ela ri. – Que idílico. O melhor amigo gay. —Para onde vamos? - pergunto para mudar de tema. Não quero que saiba mais nada sobre minha vida. —Dar um agradável passeio. Eu zombo. Nada que tenha a ver com Sophia é agradável. —Você disse que tinha informação. Que informação?- pergunto. Vamos ao ponto. Não quero estar nesse carro, e estou decidida a sair dele o quanto antes. Tão rápido quanto essa mulher me diga por que estou aqui. —Antes de qualquer coisa, eu gostaria que se afastasse de Miller Hart. É um pedido, mas ela expressou de tal modo que é impossível ignorar a ameaça. A alma, o coração, a esperança..., tudo cai aos meus pés. Mas agora as palavras de Miller sobre o controle de danos e distração fazem sentido. Ninguém pode saber sobre nós, e, ainda que me mate, sei o que tenho que fazer.


—Me afastar dele? Se só o vi algumas vezes? Sinto que estou a ponto de meter os pés pelas mãos e dizer a verdade, e isso só acaba de começar. Sophia tem muito mais a dizer, eu pressinto. —Não está disponível. Franzo a testa, me concentrando em seus olhos azuis que exalam vitória. Essa mulher sempre consegue o que quer. —Isso não é assunto meu. — Ah, não? - Sorri. Me faz arrepiar... - Está bastante perto do seu apartamento. Me sinto vacilar, mas recupero a compostura antes de me trair. —Meu amigo mora aqui perto. —Hum. Abre uma bolsa Mulberry estruturada, coloca a mão e tira a cigarreira de prata esculpida. Observo que a irritação substitui o incômodo que sinto, e chego a conclusão de que isso é algo positivo. Insolência, porra, não me abandone agora! Seus dedos compridos escolhem um cigarro de uma fila ordenada segurada por uma barra de prata. Fecha a tampa e leva o cigarro aos lábios vermelhos. —Miller Hart não pode perder tempo com uma menina curiosa. Estico o pescoço enquanto acende o cigarro. — Desculpe-me? Ela dá uma grande tragada, me observa com ar pensativo e solta uma coluna de fumaça em minha direção. Ignoro a pútrida nuvem que me envolve com os olhos fixos nela. Não penso em me deixar abater. Minha insolência faz sua aparição e chega pisando com força. —A maioria das mulheres se diverte com Miller Hart, menina doce e inocente diz ressaltando novamente o termo carinhoso que Miller se refere a mim. – E algumas, como você, são tão estúpidas que acreditam que conseguiram algo mais. Não conseguem. De fato, acredito que disse que era -apenas uma menina que tem mais curiosidade do que deveria-, pegou seu dinheiro e se divertiu com você, mas nada mais. Suas palavras reviraram meu estômago, e se juntam a todas as outras reações indesejadas que está obtendo de mim com seus comentários cruéis. —Sei perfeitamente o que posso esperar de Miller - digo – Não sou idiota. Foi divertido enquanto durou. —Hum... - murmura enquanto me observa cautelosamente, me fazendo sentir tão desconfortável que quero afastar o olhar. Mas ao invés disso, me mantenho firme e não o faço. —Ninguém o conhece como eu. O conheço bem-, assegura. Sinto vontade de partir sua cara. —Quão bem? - Não sei de onde veio essa pergunta. Não quero saber a resposta. —Conheço suas regras - diz - suas manias, os demônios que o perseguem.


Conheço todos. —Você acha que ele é seu? —Sei que é meu. —Você está apaixonada por ele? Sua hesitação me diz tudo que preciso saber, mas sei que vai me confirmar. —Amo profundamente Miller Hart. A pressão em meu pescoço aumenta, mas ela não disse que Miller a ama, e isso fortalece minha determinação. Não sou apenas alguma -curiosa-. Pode ser que no começo sim, mas nossa fascinação mútua mudou isso muito rápido. Ele não suporta Sophia. Cancelou seu encontro, e era eu quem estava lá para me preocupar com ele quando desapareceu nesse estado. Não tenho medo que esteja apaixonado por essa mulher. Ela é apenas uma cliente. É óbvio que quer ser algo a mais, mas para Miller é apenas outra entremetida que provavelmente machucaria se voltasse a vê-la. Quer o que não pode ter. Para Sophia, Miller Hart é inalcançável, assim como para qualquer outra mulher. Exceto por mim. Eu já o tenho. Quando o carro para junto ao meio-fio, se vira em seu assento de frente para mim e levanta o queixo para exalar a fumaça até o teto do carro, poupandome desta vez da fumaça tóxica. Através de suas camadas de maquiagem, detecto um ar pensativo enquanto me olha de cima com os olhos de desaprovação. —Terminamos. - Sorri e aponta a porta, me ordenando em silêncio que saia. Eu o faço, ansiosa para me afastar da presença gelada dessa mulher detestável. Fecho com um golpe, me viro até a janela descendo. Está sentada em seu assento, com aspecto pretensioso e como se não tivesse acontecido nada.–Foi uma conversa agradável. —Não, não foi - respondo. —Fico feliz que ambas saibamos em que situação estamos. Não podem pegar Miller com menininhas estúpidas. Seria seu fim. Sobe a janela, o carro se afasta rapidamente e eu fico tremendo nervosa na calçada. Me esforço para respirar para controlar o medo, mas por mais que tente relaxar e me dizer que está só tentando me assustar, não posso evitar que pequenos fragmentos de medo se instalem dentro de mim. Não, não são pequenos fragmentos. São meteoros. Imensos e prejudiciais. E eu tenho medo que nos destruam. Seu fim? Presa em um turbilhão de incertezas, levo a mão ao pescoço e começo a massageá-lo, mas me detenho por um momento ao me dar conta que há um motivo por estar fazendo isso. Levanto a mão e meus cabelos voltam a se arrepiar. Eu me viro, olhando para trás em minha sombra. Há pedestres em toda parte. A maioria deles se movem rápido, mas nenhum parece especialmente suspeito. O medo sobe por minha coluna, obrigando-me a endireitar as costas. Estão me observando. Sei que estão. Me viro de um lado e o cabelo golpeia meu rosto, depois me viro do outro com a esperança de algo


me chame a atenção, qualquer coisa que me faça parar de pensar que estou ficando louca. Não vejo nada. Mas sei que há alguma coisa. Sophia. Mas ela foi embora. Ou são apenas as consequências prolongadas de sua recente presença? É possível, a mulher parece deixar uma marca indesejada. Continuo olhando por todas as partes enquanto analiso ao meu redor, e não demoro em me dar conta que me deixaram a um quilômetro e meio da casa de Miller. O pânico se apodera de mim. Me viro e começo a correr a toda velocidade em direção ao bloco de apartamentos de Miller. Não olho para trás. Me desvio das pessoas e atravesso as ruas sem ver, até que vejo seu prédio a distância. A visão não me alivia. Entro voando no lobby e entro diretamente em um elevador que estava aberto. Aperto o botão do décimo andar várias vezes freneticamente. —Vamos! - grito, e considero sair do elevador e subir pelas escadas. A adrenalina toma conta de mim, e tenho certeza que subiria mais rápido andando do que neste elevador, mas as portas começam a se fechar, e me deixo cair contra a parede, cada vez mais impaciente. –Vamos, vamos, vamos! - Começo a andar pelo pequeno espaço, como se me mover fosse fazer com que subisse mais depressa. -–Vamos! - Colo o rosto contra as portas quando se abrem e saio enquanto o vão é grande o suficiente para meu corpo pequeno. Meus pés mal tocam o chão. Corro pelo corredor como quem foge do diabo, com o cabelo se agitando atrás de mim. Tenho o coração a ponto de explodir de nervos, de medo, de ansiedade, de desespero... A porta está aberta, e ouço gritos. Gritos fortes. É Miller. Ele perdeu o controle. Minha necessidade de chegar até ele dispara. Apenas sinto as pernas depois do esforço excessivo, e cruzo a porta olhando em todas as direções até que vejo suas costas nuas. Tem Gregory preso pela garganta e preso contra a parede. —Miller! - grito, e meus joelhos cedem quando paro de repente. Me vejo obrigada a me segurar a uma mesa perto de mim, para permanecer de pé. Meus olhos se enchem de lágrimas. Todas as minhas emoções se amontoam e é tanta pressão que sinto que já não posso segurá-las mais. Se vira bruscamente, com os olhos ferozes, o cabelo selvagem e movimentos selvagens. Parece uma besta, uma fera perigosa. É perigoso. Implacável. Único. É o garoto especial. Solta Gregory imediatamente, e o corpo do meu amigo desce pela parede enquanto ofega e leva as mãos a garganta com um gesto de dor. Meu desespero não deixa espaço em minha mente para me sentir culpada ou me preocupar com ele. As pernas cumpridas de Miller percorrem a distância que nos separa em um


milésimo de segundo. Seus olhos continuam escuros, mas o alívio se reflete nesse olhar azul que tanto amo. —Livy-, exala com o peito nu, extremamente agitado. Me lanço para frente quando tenho certeza que está perto o suficiente para me pegar e aterrisso em seus braços abertos. O estresse que sinto reduz em um milhão de níveis com os simples fato de sentir seu toque. —Me seguiram - soluço. —Porra - amaldiçoa. Soa como se isso lhe causasse dor física. –Merda! - Me levanta do chão e me aperta com força. –Sophia? A ansiedade que destila sua voz rouca faz aumentar meus níveis de estresse novamente. Está agitado demais. —Não sei. - E não me importo em me perguntar como sabe que era Sophia. Imagino que conseguiu uma descrição estrangulando Gregory. –Me deixou várias ruas de distância. Os senti depois que foi embora. Balanço a cabeça e mantenho o rosto grudado a seu pescoço. É absurdo, mas me concentro em inalar seu aroma com a esperança de que me cercar com todas as coisas que me fazem sentir bem, façam que desapareça esse malestar. Estou tremendo, não importa o quão forte me abrace e, através desse movimento involuntário do meu corpo, sinto seu coração golpeando no peito. Está morrendo de preocupação, e isso não faz nada além de intensificar meu medo crescente. —Venha aqui - diz com a voz áspera, como se já não tivesse o total controle do meu peso morto. Me leva até o interior de seu apartamento enquanto eu cravo as unhas em seus ombros. Tenta brevemente me soltar dele, mas quando me nego em silêncio me agarrando ainda com mais força a seu corpo, deixa pra lá e se senta no sofá comigo ainda assim. Se esforça para me mover, colocando minhas pernas em um lado até que fico aninhada em seu colo com a cabeça debaixo de seu queixo. —Porque você subiu nesse carro, Olivia? - pergunta sem raiva, nenhuma reprovação em seu tom. – Me responda. —Eu não sei - admito. Por estupidez. Por curiosidade. Devem ser a mesma coisa. Suspira e balbucia para si mesmo. — Não se aproxime dessa mulher, me entendeu? Assinto, desejando de coração que não tivesse feito. Não tirei nada positivo disso, exceto saber algo que não queria saber e me fazer algumas perguntas dolorosas. —Me contou que você disse a ela que eu não passava de um entretenimento para você. As palavras, mesmo fora da minha boca, me deixam com um sabor amargo. —Não quero que a veja - diz com os dentes apertados, tentando novamente me afastar de seu peito. Desta vez cedo, porque preciso ver seu rosto, um


rosto perfeito que reflete um milhão se emoções diferentes. -É uma pessoa ruim, Olivia. A pior. Tinha um motivo para dizer o que disse. —Quem é ela? - sussurro temendo sua resposta. — Uma intrometida. - Sua resposta é direta e me diz tudo que preciso saber. —Está perdidamente apaixonada por você - digo-lhe, ainda que suspeite que ele já saiba. Assente e o gesto faz que sua mecha rebelde se solte. Desvio o olhar até ela brevemente e sinto uma necessidade esmagadora de afastá-la. E o faço. Lentamente. Segura meu queixo e me aproxima de seu rosto até que nossas bocas estão a um milímetro de distância. —Quero que você tenha muito claro que a odeio. Assinto, e seus olhos se fecham muito lentamente. Inspira devagar e libera o ar da mesma maneira. —Obrigado - murmura acariciando minha bochecha com o nariz. Mergulho em seu óbvio agradecimento e vejo a realidade da situação: são mulheres descartadas; mulheres que dependem das atenções que esse homem ferido proporcionava. Ninguém me disse que minha relação com Miller fosse ser fácil, mas ninguém me advertiu também, que seria quase impossível. Me corrijo instantaneamente: houve uma pessoa que fez. —O que disse para ela? - pergunta Miller. —Nada. Recua. —Nada? —Você me disse que quanto menos gente souber, melhor. Com uma expressão de dor, e aperta de novo contra ele. —Minha menina esperta e linda... Ficamos em silêncio, e sinto a pesada carga de um milhão de preocupações desaparecer. Temos que resolvê-las, cuidar delas o que quer que sejam, mas neste momento eu não me importo. Me sinto feliz me escondendo do mundo cruel em que estamos presos, submersa no conforto que Miller me proporciona, um conforto do qual comecei a depender. —Não perderei, Olivia-, me promete. – Eu prometo a você. Assinto sem me mover enquanto ele continua me embalando com fervor. —Tudo bem, tudo bem. A arrogante saudação gela meu sangue, e tanto Miller como eu, instantaneamente, levantamos a cabeça. Eu, definitivamente, não gosto do que vejo e não gosto das rugas de raiva que desenham no rosto bonito do homem que eu amo. —Não adianta nada te dar um telefone, Olivia, se nunca o pega. —William-, exalo, e sinto como Miller se move debaixo de mim. Porra. Gregory, William, e um monte de porcaria de Sophia... A situação não poderia ser pior. Sinto que está a ponto de desencadear o caos, e a hostilidade


instantânea que emana de Miller com a aparição de William não me ajuda a relaxar. As coisas podem ficar feias muito rápido. William entra na sala com o telefone na mão, e lança um breve olhar de poucos amigos a Gregory ao passar. O pobrezinho continua esfregando a garganta no chão, apoiado contra a parede. Ainda assim, a chegada do antigo cafetão da minha mãe desperta seu interesse imediatamente. Sem me dar conta, me encontro de pé, e Miller está em linha reta, botando o peito pra fora com um gorila a ponto de atacar. — Anderson-, diz praticamente grunhindo, reclamando-me e grudando minhas costas ao seu peito nu. William se serve de um uísque. Pondera por um instante antes de selecionar uma garrafa pequena, gorda que está no fundo. — Você disse que me ligaria, Olivia. Decido ignorar sua observação e espero, segurando a respiração, que Miller entre em modo obsessivo diante da visão de um intrometido, de alguém que está apenas se intrometendo nessa relação, sem contar que ousou tocar em suas garrafas perfeitamente organizadas. Vai ter um ataque de fúria. — O que você faz aqui? - pergunto. William se vira lentamente e balança o líquido escuro no copo, antes de cheirá-lo e assentir brevemente com aprovação. Sinto que Miller perde o controle, e sei que William também notou, inclusive do outro lado da sala. Mas finge que não. Ele o está provocando. Sabe sobre seu TOC. — Miller me chamou - responde de maneira casual. —Verdade? - balbucio, me solto e me viro para olhar para ele. Realmente convidou William para interferir? As narinas de Miller se alargam e volta a me agarrar com irritação. —Eu achava que haviam te sequestrado. —Você achava que haviam me sequestrado? - repito —Que Sophia havia me sequestrado? Porque diabos, ela iria fazer isso? E porque chamou William? Miller o odeia, e sei que o sentimento é mutuo. Seu rosto não demonstra nenhuma expressão, mas seus olhos exalam um medo puro e absoluto. —Sim. Fico sem palavras. E sem fôlego. Então algo me golpeia como uma bala. —Você contou a William sobre meu perseguidor? - Me preparo para sua resposta, ainda que já saiba qual vai ser. Miller assente. Imediatamente tenho uma necessidade urgente de levantar as mãos e liberar meu pescoço de uma corda invisível, e acabo apalpando minha garganta freneticamente. Miller intervém e pega minhas mãos. — Olivia? - A voz sedosa, mas carregada de hostilidade de William faz com que


me vire até o extremo oposto da sala. – Quando digo que vou te buscar uma hora, em um determinado lugar, espero que esteja ali. E quando te ligo, espero que me atenda. Junto a pouca paciência e a pouca força que me restam para jogar a cabeça para trás de pura exasperação, mas mesmo sem ver seu desrespeito, William provoca minha insolência. Coisa que não me importa, muito menos agora. —Eu não sou uma prostituta-, assobio formando punhos com as mãos sob a retenção de Miller. Me libero e me afasto dele. A ansiedade desaparece com uma sucessão de estúpidas manchetes que me vêm a cabeça. —Deveria ter escutado - diz Miller com sua voz suave atrás de mim, fazendo, instantaneamente, que me vire. Estou ficando enjoada com tantas voltas de surpresa. —O quê? - eu grito. Deduzo por seu olhar de aço e a relutância em seu tom que odeia ter que admitir. Seus braços caem sem força contra seus lados, afunda os ombros e seu olhar é ameaçador, mas de rendição, ao mesmo tempo. Não sei o que pensar de tudo isso. —Se Anderson te pede alguma coisa, deveria escutá-lo, Livy. Justo quando pensava que nada poderia me surpreender, ele vai e me diz isso. —Eu queria vir por mim. Estava com você! E deveria ter escutado ele? E deveria tê-lo escutado também quando não parava de me dizer para me afastar de você? Miller desvia o olhar e fixa um olhar assassino em William, do outro lado da sala. —Não o escute nunca, quando ele disser isso - sibila. Deixo cair a cabeça para trás e olho para o céu implorando por ajuda, me perguntando quem e o que deveria escutar. —Porque acha que Sophia poderia me sequestrar? Não posso acreditar que essa pergunta saiu da minha boca. Sei que preciso de um pouco de insolência para sobreviver com Miller Hart, mas não um cinto negro nem... Sufoco um grito quando de repente compreendo algo. —Autodefesa. —É uma necessidade. —Se caso alguma de suas putas ciumentas tentarem me sequestrar? —Olivia! - grita Miller com raiva, e eu fecho a boca instantaneamente, sobressaltada. De repente noto Gregory e me concentro nele por um momento. Está boquiaberto e seus olhos refletem sua inquietação. —Não posso acreditar no estou ouvindo - balbucia - Estamos gravando uma cena de O padrinho? Fecho os olhos, me dirijo ao sofá e me deixo cair sobre o estofado macio,


esgotada. —Não me levou contra a minha vontade. - Tomo ar e penso em perguntas dentro de minha mente atormentada por tal loucura. – Se te pegam será o seu fim. - Olho para ele. — Isso é o que ela me disse. E ainda que antes tenha me parecido uma advertência absurda, o rosto sério de Miller e seu olhar fazem que eu veja a realidade. Me sento e engulo em seco. Não quero formular a pergunta que tenho na ponta da língua. —Ela disse...? Ele me...? É ver...? - Faço uma pausa para organizar as palavras em minha mente e logo as deixo escapar com um sussurro de apreensão: –Ela disse a verdade? Miller assente, o que faz com que meu mundo, que já estava desmoronando, caia por completo. O medo que havia se transformado em surpresa e em raiva ressurge e me paralisa. Revira meu estômago. Ouço como Gregory sufoca um grito. Sinto que Miller fica tenso. William parece... triste. Sophia sabe quais são as consequências para que Miller deixe essa vida? Ele está acorrentado e não só pelas mulheres que fazem parte dessa rede de hedonismo. Sinto náuseas. Seu fim? Quem são essas pessoas? O som de um celular atravessa a tensão do ambiente, e William atende sem perder um instante. Parece ... enquanto fala em voz baixa com a pessoa que ligou, e se move nervosamente no lugar com seu terno fino e cinza. —Dois minutos - diz com firmeza antes de desligar e me atravessar com seu olhar prateado. Está cheio de pesar. Sinto um nó no estômago. – Pegue-a e vamos-, murmura enquanto me olha. — Imediatamente. Arqueio uma sobrancelha confusa e me levanto olhando Miller. Ele assente como se soubesse do que está falando. — O que está acontecendo? - pergunto. Não tenho certeza de quanta merda mais posso engolir. Miller se aproxima de mim e desliza a palma por meu pescoço, recorrendo a sua tática de me relaxar massageando minha nuca. Eu o tiraria de cima de mim, mas não posso me mover. Se vira até William. —Tem o pacote? William leva a mão ao bolso interior e tira um envelope marrom. Pondera por alguns segundos e finalmente o entrega a Miller, que o coloca debaixo do braço, enfia a mão e tira dois passaportes e um monte de papel. Abre um dos livrinhos de cor vinho com a boca pela página de foto e me mostra. Sou eu. Engasgo-me com nada, incapaz de falar enquanto vejo como confere o seguinte, com sua foto. —Vocês tem que ir agora - insiste William olhando para seu relógio. —Vigie ela. - Miller me solta e corre até seu quarto me deixando plantada, me afogando no pânico. Estou asfixiando-me. Um mundo cruel paira sobre mim e faz de minha vida um caos. —O que está acontecendo? - pergunto finalmente, e minha voz treme tanto


quanto meu corpo. —Vocês vão embora - responde William diretamente, desta vez sem emoção em sua voz. —Não tenho passaporte. —Agora tem. —É falso? Porque tem um passaporte meu falso? E da onde tirou ele? Quase começo a rir, mas a falta de energia me impede. Estamos falando de William Anderson. Nada é impossível para ele. Eu já deveria saber. Aproxima-se de mim com cuidado, com uma mão no bolso e a outra em seu copo de uísque. —Porque, Olivia, desde que descobri sua relação com Miller Hart, soube que a coisa acabaria assim. Não intervim para complicar as coisas. —Acabaria como? O que está acontecendo? Porque todos falam em código? William parece considerar algo por um momento, antes de me olhar com seus olhos cinza cheios de compaixão. Ele sabe tudo sobre a escuridão de Miller. As correntes que o prendem e seu temperamento não são os únicos motivos pelos quais William tinha se mostrado tão insistente em seu empenho para me manter afastada dele. De repente vejo tudo claramente. Ele também conhece todas as consequências de nossa relação. Sorri ligeiramente, apoia a palma em minha bochecha e acaricia minha pele fria com o polegar. —Quem dera tivesse feito isso com Gracie - diz com um fio de voz, quase para si mesmo, e seu rosto distinto reflete a lembrança daquela época. – Quem dera, tivesse afastado ela daqueles horrores. Tivesse afastado ela disso. Observo seu semblante cheio de remorso, mas não lhe faço a pergunta óbvia, que seria o que quer dizer com isso. —Você se arrepende disso? —Todos os dias da minha maldita vida. A preocupação se transforma em tristeza. William Anderson, o homem que amou minha mãe com paixão, vive arrependido. É um arrependimento intenso e vivo. Um arrependimento que o traumatiza. Não me vem nenhuma palavra para aliviar sua dor, de modo que faço a única coisa que posso fazer. Estendo os braços até essa besta poderosa e dou-lhe um abraço. É uma tentativa idiota de tentar diminuir sua dor que durará toda a vida, mas quando ouço que ri ligeiramente e aceita meu gesto me segurando com força com seu braço livre, acredito que pelo menos, eu consegui durante um minuto. —Já chega, por agora - diz recuperando seu tom autoritário. Afasto-me dele e vejo Miller a alguns metros de distância, de pé junto a Gregory. Meu melhor amigo parece estar em transe, e Miller está estranhamente relaxado depois do que acaba de ver. Está vestindo calças cinza, uma camiseta preta e tênis esportivos. Acho estranho vê-lo assim, mas depois de massacrar suas máscaras, suponho que não lhe sobrou escolha. Então me chama a atenção a bolsa esportiva que leva na mão, e me permito


um segundo para processar o momento dos passaportes e as palavras de William. —Vão - diz ele indicando a porta com a cabeça. - Meu chofer está estacionado na esquina. Saiam pela porta do segundo andar e usem a escada de incêndio. Miller não se coloca em movimento, de modo que William continua: – Hart, já falamos sobre isso. Olho para Miller confusa e vejo que está furioso. A mandíbula se esconde sob a barba que está crescendo está rígida. —Eu vou acabar com todos eles - promete com uma voz carregada de violência. Engulo em seco. —Olivia. - William pronuncia meu nome com seriedade. É um lembrete. Miller me olha e, ao fazê-lo, se dá conta da situação. – Tire ela dessa bagunça do caralho, até que possamos descobrir o que está acontecendo. Não continue arrastando ela pelo perigo, Hart. Controle de danos. - O telefone de William começa a soar novamente em sua mão e amaldiçoa enquanto atende. – O que foi? - pergunta enquanto olha para Miller. Não gosto da expressão cautelosa em seu rosto. –Vão - diz com urgência enquanto continua no telefone. Miller me agarra e me leva até a porta em um piscar de olhos. William nos acompanha. Estou desorientada e confusa. Deixo que me tirem do apartamento, sem ter a mínima ideia para onde estão me levando. Chegamos rapidamente ao corredor, e Miller me leva até as escadas. —Não! - grita William. Miller para instantaneamente e se vira, com os olhos arregalados. —Eles estão vindo pela escada. — O quê? - ruge Miller, e começa a suar de ansiedade. -Merda! — Conhecem suas fraquezas, garoto. - O tom de William é sinistro, assim como seus olhos. —O que está acontecendo? - pergunto me soltando. Meu olhar oscila entre Miller e William. – Quem são eles? - Não gosto do olhar de preocupação que William lança em direção a Miller, ainda que ele nem se dê conta. Está começando a tremer, como se tivesse visto um fantasma, e sua pele fica pálida diante dos meus olhos. –Responda-me! - grito. Miller dá um pulo e levanta seus brilhantes olhos azuis lentamente. Ao ver a angústia refletida neles fico sem fôlego. —São os que tem as chaves de minhas algemas - murmura com a testa molhada de suor. -Os bastardos imorais. Um soluço escapa de meus lábios ao assimilar o que está me confessando. —Não! Começo a balançar a cabeça e meu ritmo cardíaco dispara. Não quero perguntar. Parece verdadeiramente assustado, e não sei se é por causa deles, quem quer que sejam, estão a caminho, ou porque estão bloqueando sua via


de escape e precisa me tirar daqui. Minha intuição me diz que provavelmente é o segundo, mas é precisamente essa opção que me inquieta. — O que eles querem? Me preparo para a resposta, fazendo uma careta de dor ao ver como se esforça para controlar os sintomas de um ataque de raiva, e, quando finalmente fala, o faz em um mero sussurro. — Eu apresentei minha demissão. - Me olha nos olhos enquanto assimilo a gravidade de suas palavras. E então meus olhos se enchem de lágrimas. — Não vão nos deixar em paz se nós ficarmos? - pergunto com a voz entrecortada. Nega com a cabeça lentamente. A dor invade seu rosto bonito e perfeito. —Sinto muito, minha linda. - Deixa cair a bolsa no chão e vejo a derrota se apoderar dele. – Eu pertenço a eles. As consequências serão devastadoras se ficarmos. Meu corpo começa a tremer diante da escuridão de suas palavras. Minhas bochechas queimam quando seco meu rosto, tentando encontrar forças para substituir as que Miller perdeu. Isso parece ruim, mais do que eu jamais havia imaginado. E penso em cair com ele se for preciso. Tomo fôlego com dificuldade e me aproximo dele. Recolho a bolsa do chão e o seguro pela mão trêmula. Ele deixa, mas quando se dá conta para onde estamos indo, fica tenso e ouço suas respiração agitada por causa do pânico. Ele resiste e dificulta leválo até onde precisa estar. Mas conseguimos. Aperto o botão do elevador e rezo em silêncio para que esteja perto do último andar. Dirijo meu olhar até a porta das escadas dois por três. — Olivia? Olho para um lado e vejo que Gregory está junto a William. Parece perdido. Confuso. Estupefato. Sorrio para ele para tentar aliviar sua preocupação, mas sei que não consigo. — Eu vou te ligar - prometo quando as portas se abrem e Miller se afasta, me levando com ele. – Por favor, diga para a vovó que eu estou bem. Coloco a bolsa no elevador, me viro e pego a outra mão de Miller de maneira que fiquemos unidos por ambas. Então começo a retroceder lentamente, consciente de que nosso tempo está se esgotando, mas mais consciente ainda que isso não seja algo que possa apressar. Está olhando além de mim, até o espaço fechado. Todo seu corpo se agita com violência e é na intensidade desse momento que me pergunto como pude ser tão cruel todas essas vezes que usei essa fobia contra ele. Contenho as lágrimas provocadas por meu sentimento de culpa e continuo retrocedendo até que nossos braços estão esticados por completo e o espaço entre nossos corpos é amplo. — Miller - digo calmamente, desesperada para fazer que se concentre em mim ao invés do lugar monstruoso que vê as minhas costas. – Olhe para mim-, imploro. – Olhe para mim-, insisto com a voz trêmula por mais que tente me


mostrar serena. Sinto um alívio enorme quando dá um passo à frente, mas então começa a sacudir a cabeça com frenesi e dá dois passos para trás. Não para de engolir saliva, e tem as mãos cada vez mais quentes. As ondas de seu lindo cabelo perdem volume com o peso do suor que emana de seu coro cabeludo, de sua testa e de praticamente todo seu corpo. —Não posso-, arqueja engolindo em seco — Não posso fazer isso. Olho para William e vejo sua preocupação enquanto checa seu telefone e controla a escada, e ao olhar para Gregory, vejo algo que nunca havia visto em meu melhor amigo quando Miller está presente. Compaixão. Mordo meu lábio inferior quando as lágrimas começam a descer por minhas bochechas. Soluço quando seus olhos me incentivam. Então assente. É um gesto quase imperceptível, mas eu o vejo e entendo. Sinto-me impotente. Preciso tirar Miller deste prédio. —Vá você - diz ele me empurrando até o elevador.- Eu vou ficar bem. Vá. —Não! - grito – Não, não vai se render! Me lanço sobre ele e o envolvo com meus braços, jurando em silêncio que não o abandonarei jamais. Não me passa despercebido que fez com que sua tensão diminuísse quando o abracei. —O que eu mais gosto. —O que você mais gosta. —O que nós mais gostamos. O aperto com força, com os lábios em seu pescoço e seu rosto em meu cabelo. Então me afasto e puxo sua mão com mais força, implorando com o olhar que venha comigo. E ele faz. Dá outro passo adiante. E depois outro. E outro. E outro. Chega até o limite. Eu estou no elevador. Ele está tremendo e continua engolindo saliva e suando sem parar. Então ouço um forte som vindo da escada, seguido de uma maldição suja de William. Seguindo meu instinto, puxo Miller até o elevador, aperto o botão do segundo andar e envolvo seu corpo agitado com os braços, mergulhando-o no “o que mais gostamos”. O frenético ritmo de seu coração batendo em seu peito deve estar beirando a limites perigosos. Olho por cima de seus ombros até o corredor enquanto este desaparece lentamente conforme as portas vão se fechando, e no último instante vejo antes de ficarmos sozinhos o aterrorizante compartimento de passageiros é William e Gregory, observando em silêncio como Miller e eu desaparecemos de suas vistas. Sorrio para eles, apesar de minha tristeza. Não me surpreenderia nada que com a força que seu coração golpeia meu peito, deixe hematomas. Não para, por mais forte que o abrace. Minhas tentativas de acalmá-lo são em vão. Tenho apenas que me concentrar em mantê-lo de pé até que cheguemos ao segundo andar, coisa que no momento parece muito simples. Se mantêm rígido enquanto observo como vão diminuindo os andares na tela digital. Cada número demora séculos para


mudar. É como se estivéssemos em câmera lenta. Tudo parece ir devagar. Tudo menos a respiração e o coração de Miller. Sinto seus espasmos e tento me afastar, mas não vou a lugar nenhum. Não vai me soltar por nada no mundo, e de repente tenho medo da possibilidade de que não possa tirá-lo do elevador uma vez que este pare. —Miller? - murmuro em voz baixa e calma. É uma vã tentativa de fazê-lo acreditar que estou calma. Nem perto disso. Não responde, e volto a olhar o indicador digital. — Miller, já estamos quase chegando-, digo empurrando-o para obrigá-lo a dar um passo para trás até que suas costas estão contra as portas. A vibração do elevador quando para me faz dar um pulo, e Miller deixa escapar um leve gemido e se gruda à mim. — Miller, já chegamos. Luto contra sua resistência feroz e ouço quando as portas começam a se abrir. É apenas nesse momento quando considero a possibilidade de que estejam nos esperando do outro lado da porta, e o pânico me invade. Fico tensa. E se estão ali? O que vou fazer? O que eles vão fazer? O padrão da minha respiração muda e se iguala a de Miller enquanto espreito por cima de seus ombros. Meus pés começam a doer de estar na ponta dos pés. As portas se abrem totalmente e não revelam nada mais do que um corredor vazio. Tento escutar para ver se escuto algum sinal de vida. Nada. Empurro o peso morto de Miller e não consigo movê-lo. Como vai se comportar quando deixarmos esse espaço? Não tenho tempo de convencê-lo que saia do elevador, quem dirá do prédio. —Miller, por favor-, imploro engolindo o nó de desespero que tenho na garganta. – As portas estão abertas. Permanece imóvel, grudado a mim, e algumas lágrimas de pânico começam a inundar meus olhos. —Miller-, sussurro com a voz trêmula e derrotada. —Eles estão a caminho. Vamos descer logo. Deixo cair meu peso entre seus braços, mas então soa uma melodia e as portas começam a fechar novamente. Não tenho tempo de gritar a Miller que saia. De repente parece recobrar vida, certamente ao ouvir as portas se fechando. Me solta instantaneamente e sai assobiando como se alguém tivesse disparado um canhão. Contenho o fôlego enquanto o observo. Está encharcado, com o cabelo grudado a cabeça e os olhos cheios de medo. E continua tremendo. Sem saber que outra coisa fazer, me abaixo para recolher a bolsa e me dirijo a saída do elevador, tudo isso sem afastar o olhar dele enquanto olha ao seu redor e se familiariza com o entorno. E é como se de repente as peças de meu mundo feito em pedaços se unissem e me devolveram a esperança. A máscara cai, levando consigo todo o indício de medo, e Miller Hart retorna.


Me olha com os olhos vazios, vê a bolsa e, antes de me dar conta, já está carregando ela. Depois reivindica minha mão e saio do elevador com a mesma velocidade. Começa a correr, forçando minhas pequenas pernas a se moverem em um ritmo vertiginoso para conseguir segui-lo, e se vira a cada pouco para comprovar se estou bem, e que ninguém está nos seguindo. — Você está bem? pergunta sem mostrar nenhum sinal de esforço. Para mim, em contrapartida, a adrenalina que me alimentava, me abandonou. Talvez minha consciência tenha assimilado o ressurgimento de Miller e queira me aliviar da pressão em levar as rédeas. Não sei, mas o esgotamento está se apoderando de mim e de minhas emoções, e luta para se libertar. Mas não aqui. Não posso desmoronar aqui. Assinto e continuo avançando para não dificultar nossa fuga. Com uma expressão de ligeira preocupação em seu rosto perfeito, joga a bolsa no ombro conforme nos aproximamos da saída incêndio e solta minha mão para chegar rapidamente a porta. Abre com um estrondo e a luz do dia me cega e me obriga a fechar os olhos. — Me dê sua mão, Olivia-, me ordena com urgência. Estico o braço e deixo que me puxe pela saída até a rua lateral. Ouvimos uma buzina e vejo o chofer de William segurando a porta preta aberta. Desviamos de alguns carros, vans e táxis que buzinam furiosamente e corremos até o veículo de William. — Entra. Miller faz um breve gesto ao chofer com a cabeça e segura a porta em seu lugar enquanto me late essa ordem e lança a bolsa lá dentro. Sem perder nenhum segundo, deslizo até o assento traseiro. Ele faz o mesmo. O motorista arranca com o carro rapidamente, derrapa ao entrar na estrada, e sua maneira imprudente de dirigir me alarma. É um especialista e costura pelo tráfego com facilidade e calma. E então a gravidade do que acaba de acontecer me bate com o pior dos tornados e começo a chorar. Enterro o rosto nas mãos e desmorono. Pensamentos demais se amontoam em minha mente agitada, alguns razoáveis, como ter que ligar para vovó. O que vai acontecer com ela? E alguns menos razoáveis, como aonde esse homem aprendeu a dirigir? E porque William precisa de pessoas que saibam dirigir assim? —Minha menina linda. Sua mão forte segura minha nuca e me puxa até ele, até que recosto sobre seu colo e me acolhe entre seus braços, de forma que minha bochecha fica enterrada em seu peito. Choro sem parar, de maneira inconsolável, sem conseguir nem tentar evitar mais. A última meia hora acabou comigo. —Não chore-, sussurra. –Não chore, por favor. Me agarro ao tecido de sua camiseta que cobre seus peitorais até que minhas mãos doem e chorei mares de lágrimas de confusão e angustia. —Aonde vamos? — A algum lugar, responde afastando-me de seu peito para olhar em meus


olhos. – A algum lugar onde possamos nos perder um no outro sem interrupções, nem interferências. Apenas posso vê-lo através da umidade que nubla minha visão, mas o sinto e ouço. E isso me basta. —E minha avó? —Ela será bem cuidada. Não se preocupe com isso. —Por quem? Por William? - pergunto, pensando em todas as desgraças que poderiam acontecer se William aparecesse pela casa da vovó. Porra, ela o mataria! —Ela vai estar bem cuidada-, repete ele enfaticamente. —Mas eu vou sentir falta dela. Levanta a mão, desliza os dedos entre o meus cabelos e me pega pela nuca. —Não será por muito tempo, eu te prometo. Será apenas o suficiente para que as coisas se acalmem. — E quanto tempo isso vai levar? E se as coisas não se acalmarem? Isso afetará William? Ele os conhece? Quem são essas pessoas? - Faço uma pausa para respirar. Quero cuspir todas essas perguntas antes que minha mente esgotada desconecte e as esqueça. – Não vão fazer mal a vovó, certo? - Sufoco um grito quando algo me vem a mente imediatamente. – Gregory! —Shhh -, me acalma como se não tivesse acabado de abandonar meu melhor amigo no apartamento de Miller quando Deus sabe quem estava a caminho. —Está com Anderson. Confiem em mim, estará bem. E sua avó também. Sinto um alívio enorme. Confio nele, mas não respondeu a nenhuma de minhas perguntas. — Fale comigo -, imploro, sem ter que me explicar mais. Seus encantadores olhos azuis tentam me passar confiança e acabar com minha inquietação desesperadamente. E, curiosamente, funciona. Assente e volta a me apertar entre seus braços. — Até que não me reste ar nos pulmões, Olivia Taylor. Heathrow é um caos. Não paro de dar voltas em minha cabeça, meu coração bate com força e percorro o olhar em todo o caminho até a porta de embarque. Enquanto eu estava toda nervosa ao passar pelo controle de segurança, Miller se mostrava completamente calmo, sem me soltar, certamente em uma tentativa de ocultar meu medo. Não prestei muita atenção no que aconteceu desde que nos deixaram no terminal cinco. Não sei para onde vamos, nem por quanto tempo. Liguei para minha avó com a intenção de soltar alguma história de que Miller havia me preparado uma viagem surpresa, mas foi William quem atendeu ao telefone. Meu coração parou em meu peito, e só voltou a bater quando vovó se colocou no telefone, completamente calma. Há algo que não entendi, e continuo sem entender, é que continuou me repetindo um monte de vezes o quanto me ama antes de me fazer prometer que ligaria quando chegasse aonde vamos. E tudo isso nos leva a esse momento.


Estou de pé diante a porta de embarque, olhando a tela boquiaberta. — Para Nova Iorque? - exclamo incrédula, resistindo a necessidade de esfregar os olhos para me assegurar de que não estou tendo visões. Miller não responde diante de minha surpresa e me leva até a senhora que nos deixará passar depois de conferir nossos passaportes e cartões de embarque... outra vez. Fico tensa. Outra vez. Mas ela sorri e nos convida a passar. — Seria uma criminosa horrível, Olivia - diz Miller muito sério. Permito que meus músculos relaxem enquanto me guia pelo túnel até o avião. — Não quero ser uma criminosa. Sorri para mim com olhos brilhantes. Todos os sinais daquela criatura aterrorizada desapareceram, e meu magnético e refinado Miller volta a se mostrar tão maravilhoso como sempre. Realmente maravilhoso. Suspiro exalando de maneira prolongada e relaxada, e apoio a cabeça em seu braço. Levanto o olhar e vejo a anfitriã exageradamente alegre, que nos recebe. Me dá vontade de grunhir de exasperação, quando nos pede que mostremos os passaportes e os cartões de embarque. Qualquer um diria que teria me acostumado depois das milhões de vezes que nos pediram desde que chegamos ao aeroporto. Mas não é assim. Começo a tremer novamente enquanto passa as páginas e nos olha para comprovar que somos os mesmos das fotos. Forço um sorriso nervoso, convencida de que vai começar a gritar que são falsos e que vai chamar a segurança. Mas não o faz. Comprova nossos cartões de embarque e sorri enquanto os devolve a Miller. — Primeira classe é por aqui, senhor - aponta para a esquerda. – Chegaram exatamente na hora. O comandante nos ordenou que fechássemos as portas. Miller assente levemente. Eu me viro e vejo como outra aeromoça fecha a porta. E todo o sangue desaparece da minha cabeça quando dirijo o olhar até a porta de embarque. É uma ilusão, tem que ser. A curiosidade toma conta de mim e dou alguns passos para frente quando a porta se fecha e começa a impedir minha visão, quero me aproximar o máximo possível, piscando o tempo todo, convencida de que é apenas minha imaginação. Então me detenho. Fico ancorada no lugar com a mente em branco e o sangue gelado. Estou vendo a mim mesma. Sim, definitivamente sou eu... dentro de dezenove anos.


Denied vol. 2 (revisado) - Jodi Ellen Malpas