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PrÓlogo Se você acha que isso é algum tipo de história de amor, você está errado. Não é. Será que ela contém corações, beijos e momentos de paixão entre um menino e uma menina? Talvez sim, mas talvez não. Tudo depende de como você interpreta coisas melosas. Se você me perguntasse há cinco anos, quando eu era uma ingênua garota de dezesseis anos de idade, eu teria dito que esta história caminhou para tudo isso. Que até o final de minha jornada eu estaria feliz e montaria em direção ao pôr do sol com o Príncipe Encantado ao meu lado, o amor da minha vida, que sempre sussurrou palavras doces em meu ouvido e me disse o quão maravilhosa eu era. Porque é assim que as coisas devem ser quando você conhece um cara que olha para você como se você significasse tudo para ele. Que olha para você como se você se destinasse a alguma coisa. Que faz você se sentir como a luz do sol em sua escuridão. Que você percebe e faz você se sentir como o centro do seu mundo. Cinco anos atrás, eu realmente acreditava que era onde minha vida estava indo. Havia tantas possibilidades que floresciam nos estágios iniciais de me tornar uma mulher. Mas eu era ignorante sobre o amor, a felicidade, a vida. Eu era ignorante sobre quem eu era. E agora eu estou deitada, meio morta na margem do rio, mal conseguindo respirar, incapaz de me mover, sabendo que, se alguém não me encontrar em breve, eu vou morrer aqui com a minha alma sugada, um esqueleto de mim mesma. Deixada para morrer aos vinte e um anos de idade, um escudo de quem eu costumava ser, há cinco anos, quando tinha dezesseis anos, quando tudo isso começou. Olhando para trás, eu posso ver o momento exato em que minha vida se dirigiu nesse sentido. Aquele em que eu não era mais Delilah, mas Red. Era um verão quente, quebrando recordes, cheio de possibilidades, cheio de promessas. No momento em que eu coloquei o vestido vermelho, eu podia sentir que algo estava prestes a acontecer, senti transformar-me em outra pessoa. O vestido combinando com meu cabelo vermelho impetuoso, saltos altos, e um colar de pérolas. Eu tinha um lindo bronzeado e os meus seios haviam finalmente crescido suficientemente grande para


um decote. Eu me senti em chamas quando eu olhei para o meu reflexo. Bonita. Diferente. Havia tanta esperanรงa. Possibilidades. Eu poderia realmente abrir minhas asas e voar. Mas, eventualmente, eu iria bater e queimar. Porque depois que eu consegui o que queria, perdi tudo e comecei a minha descida lenta. E no final da minha jornada, eu iria cair em chamas e pagar o preรงo final por minhas escolhas.


CAPÍTULO 1 POISON IVY1 Delilah, dezesseis anos de idade... Delilah. Sedutora. Mulher tentadora. Uma mulher traiçoeira. Estes são apenas alguns dos significados ligados ao meu nome. Mas eu sou qualquer um deles? Não, nem mesmo perto. Na verdade, eu poderia ser exatamente o oposto. Minha mãe, por outro lado, é um excelente exemplo desses significados. Ela é uma mulher complicada, que tem um monte de altos e baixos. Ela gosta de parecer sexy e jovem tanto quanto ela gosta de gritar quando ela está estressada. Se for sobre contas, seu trabalho, ou o simples fato de que ela não consegue encontrar o par de meias certo, parece que gritaria é a sua maneira de deixar toda a raiva sair. Mas a única coisa que ela nunca se recusa a gritar é sobre homens. É sua regra fundamental: nunca deixar que os homens possuam você, você os possui. Não é como se ela fosse uma péssima mãe. Ela coloca um teto sobre minha cabeça. Alimenta-me. Dá-me roupas e dinheiro de reposição quando ela tem. Ela paga minhas aulas de balé, ainda que eu saiba que ela não pode pagar. Nós costumávamos fazer coisas juntas também, mas, em seguida, meu pai se divorciou dela depois de vinte e um anos de casamento, porque ele não a amava mais. Essas foram suas palavras exatas. Ela tinha quarenta e um. Após três meses de divorciados, meu pai casou-se novamente com uma de vinte e seis anos. Então começou

Hera Venenosa (Poison Ivy no original, e { HYPERLINK "https://pt.wikipedia.org/wiki/Alter_ego" } da Dra. Pamela Lillian Isley) é uma personagem da { HYPERLINK "https://pt.wikipedia.org/wiki/DC_Comics" }, inimiga de { HYPERLINK "https://pt.wikipedia.org/wiki/Batman" }.. 1


a busca desesperada da minha mãe pela fonte da juventude. Metaforicamente falando. Ela se descobriu em bares, encontros baratos e uma noite só com homens com metade de sua idade. Eu honestamente não tenho ideia de como ela faz, como ela consegue trazer alguns desses caras para casa, que ela esteja vivendo uma vida dupla como Poison Ivy, uma sedutora com um beijo potente que atordoa homens em um estado delirante e assim ela pode atraí-los para sua cama. Minha mãe não tem uma aparência ruim afinal. Na verdade, ela é um espécime fascinante para se olhar, embora eu nunca fosse capaz de identificar exatamente o que há sobre ela que seja tão impressionante. Seu cabelo ainda é loiro mel natural, sua pele tem poucas rugas, e seus peitos não caíram. Mas ela não aparenta ter vinte e cinco, que é mais ou menos a idade de um monte de caras que ela traz para casa. Como o que ela trouxe para casa na noite passada. Ele é jovem, talvez nem mesmo vinte e cinco, com o cabelo desgrenhado marrom, olhos azuis bebê, e um rosto, que parece decente. Ele está vestindo uma camisa de botão, calça e uma gravata vermelha, mas o tecido está enrugado e as roupas são muito grandes, como se ele estivesse brincando de se vestir com roupas de seu pai. Eu o observo enquanto ele come o café da manhã em nossa mesa da cozinha ─ minha mãe sempre cozinha na manhã seguinte ─, tentando ler seus pensamentos enquanto ele come o seu bacon e ovos, tentando descobrir por que ele acabou aqui. Tentando descobrir como ela faz isso: fazer os caras lhe darem aquele olhar de corça, parecendo estúpidos, porque o único olhar que eu já cheguei a ter dos caras, são os olhares desinteressados, aqueles em que você parece invisível e então você está assim parecendo um bom amigo. Para quase todo mundo, eu sou a mulher invisível. "Delilah, faça algo para comer você mesma", diz minha mãe, enxaguando a panela na pia. Ela está usando um robe de seda que mal chega às suas coxas, e está desatado, revelando que ela está vestindo uma camisola rendada por baixo do topo de seus peitos, que estão quase de fora. Não é um grande negócio para mim, embora. Na verdade, normalmente ela só fica em um sutiã e calcinha, então eu estou grata pela camisola. Além disso, ela parece bem nela. Se eu parecesse assim, então eu provavelmente passearia a noite toda também.


"Oh, sim, tudo bem", eu digo, arrancando meus pensamentos para longe de sua roupa e alcançando o bacon sobre a mesa. Ela levanta a sobrancelha, dando-me um olhar desconfiado, como se ela pensasse que eu iria seduzir o cara que ela passou a última noite, vivendo de acordo com o meu nome. Mas eu nem saberia, mesmo se eu quisesse. "O quê?", eu pergunto a ela inocentemente, enchendo minha boca com bacon. Ela revira os olhos para mim e volta a esfregar o fundo da panela, enquanto o cara na minha frente devora seu bacon. "Não é nada", minha mãe responde, desligando a torneira. Então ela se vira e olha para o relógio na parede. "Você não deveria estar indo para a escola"? Olho para a hora no forno de microondas. "Eu tenho tipo quinze minutos”. "Sim, mas eu tenho algumas coisas para fazer", ela me diz, olhando para a sua mais recente conquista como se ele fosse o bacon e ela quisesse comê-lo. O cara olha para ela, despenteando seu cabelo com a mão, e ele está olhando na minha direção, mas ao mesmo tempo ele não está realmente olhando para mim, é mais como se estivesse olhando através de mim. Eu me inclino para o lado, só para ver se eu posso pegar seu olhar e sua atenção. Eu falho epicamente, e no final ele acaba olhando para minha mãe. E mais uma vez eu me sinto insignificante. É como assistir a uma peça e minha mãe é o centro do palco, os holofotes estão todos nela. Seus olhos se encontram com o do cara do outro lado da sala. Luxuria enche suas expressões. Eu quase posso imaginar minha mãe com vinhas de hera venenosa crescendo em seu corpo, deslizando pelo chão e amarrando-o em torno de seus braços e pernas, ligando-o a ela. Ele olha para ela como se ela fosse à mulher mais incrível e bonita do mundo, da maneira que eu desejaria que um indivíduo olhasse para mim, apenas uma vez. "Você está pronta para me dar a segunda rodada, gata?", pergunta ele, forçando um excedente grande bocado de bacon em sua garganta.


Eu enrugo meu nariz. Isto não está indo bem. Minha mãe não gosta de perder o controle. Não gosta de dar nada aos homens, apenas tomar. Minha mãe fecha o cinto ao redor do robe e fecha-o. "Na verdade, eu estava pensando em levá-lo para casa. Eu tenho que ir trabalhar cedo, e a menos que você queira tomar o ônibus de volta para o bar para pegar o seu carro, você vai ter que sair comigo”. Você acharia que depois do que ela simplesmente disse, ela iria terminar com ele, mas não. É uma rotina para ela. Uma rotina sedutora, cheia de beijos tóxicos e manipulação da mente. Ela permanece em pé e ela está usando saltos, por isso suas pernas parecem realmente longas enquanto ela pavoneia até a mesa e trança o seu dedo na parte de trás do pescoço do rapaz. Eu o pego estremecendo. Ela se inclina e sussurra algo em seu ouvido, então ela se afasta, mas não antes que ela agarre forte sua gravata. Seus olhos se alargam quando ela guia-o, e então ele permite que ela o leve para o quarto como um cão. Segundos depois, eu ouço a porta bater, em seguida, a música tocar. Ela sempre liga uma música, ou porque ela gosta de escutar quando ela faz sexo ou porque ela não me quer escutando o que está acontecendo. "Leather and Lace", de Stevie Nicks e Don Henley flui pelo corredor. A música continua a tocar enquanto eu termino o meu café da manhã. Em seguida, coloco os meus pratos para longe e danço o meu caminho de volta para o meu quarto, cantando a letra baixinho, fingindo por um momento que eu sou o centro do palco. Eu tiro meu pijama e preparo-me para a escola. Jeans e uma camiseta é meu traje normal. Um rabo de cavalo é o meu penteado. Adicione um pouco de brilho e delineador e eu estou bem para sair. Não é como se eu fosse me beneficiar tentando qualquer coisa mais difícil. Caras não me notam mesmo quando eu tento. Como a primeira e única vez que eu usei um biquíni para a piscina da cidade. Eu tinha treze anos e ainda era pouco desenvolvida, mas ainda assim eu pensei que seria bom se alguns caras olhassem na minha direção. Mas Sandy Manderlin, a salva-vidas, estava usando seu biquíni naquele dia, e vamos apenas dizer que ela poderia disputar com a Pamela Anderson pelo cachê.


Eu me senti estúpida por apenas tentar e severamente inadequada, especialmente quando Tommy Linford me disse que eu não precisava usar um biquíni pois, afinal, band-aids seriam suficientes. Eu respondi com uma observação simples sobre ele ter a necessidade de colocar meias em sua sunga apenas para fazer parecer que ele tinha alguma coisa lá. Ele me sacudiu e eu fui para casa chorando. E eu queimei o biquíni. Depois que me visto, deslizo meu tênis Converse e, em seguida, jogo minhas sapatilhas de ponta e collant em minha mochila, porque eu tenho aula de dança depois da escola. A instrutora não é a melhor, não é como a instrutora excepcional em Fairview. Na verdade, ela atualmente faz parte de uma companhia e dançou no palco em New York City. Mas ela é barata e é tudo que minha mãe pode pagar. E mesmo para fazê-la pagar por aulas, houve um monte de persuasão e promessas de limpar a casa. Depois que eu arrumo meu material de dança e da escola, eu caminho para fora. É um dia brilhante, o sol radiante no céu, o canto dos pássaros. É uma cena saída diretamente da Bela Adormecida, exceto que no lugar da floresta há um monte de casas de baixa renda e os animais da floresta são chefes de crack, prostitutas e pobres almas infelizes, que se tivessem tido sorte ao longo da porcaria de suas vidas não teriam feito más escolhas ou pessoas como eu e minha mãe, que ao se divorciar perderam metade de sua renda familiar porque alguns pais caloteiros não pagam pensão alimentícia. Ainda assim, eu finjo que sou Bela Adormecida porque faz a caminhada para a escola mais fácil, e no tempo que eu levo para passar pela entrada da garagem, eu estou rodopiando em torno meus braços fazendo uma coreografia enquanto eu canto "Beautiful Day", de U2. No meio do caminho para a rua, eu juro que eu sinto alguém me observando, mas desprezo isso porque ninguém nunca me nota. Estou em meu próximo giro quando ouço alguém dizer: "Bem, não é apenas um monte de arco-íris e luz do sol”. O som da voz masculina me faz tropeçar na minha próxima volta. Eu tropeço e caio para frente, batendo o cotovelo contra a cerca de arame que delimita o lado da calçada. "Filho da puta", eu amaldiçoo em um tom muito pouco feminino quando eu esfrego meu cotovelo raspado.


"Sinto muito", diz a voz masculina. "Eu não queria assustá-la”. Meus olhos levantam para a casa ao lado e acho o cara mais lindo que eu já vi, de pé perto da cerca, com graxa nas mãos e na testa, olhando para mim. Ele tem cabelo castanho escuro que é raspado curto, e ele está vestindo um par de jeans folgados pendurados na cintura e botas de trabalho marrons. Ele também está sem camisa e seu peito é cortado com músculos magros e há uma série de tatuagens em um de seus lados que se parecem com arte tribal. Tatuagens que eu estou olhando. E ele me percebe olhando também. Eu coro, olhando para a calçada quando eu dou alguns passos para trás, me contorcendo sob seu olhar penetrante. "Você não me assustou," eu minto. "Eu sou apenas uma desajeitada”. "Você não é uma desajeitada", diz ele, e o som de sua voz profunda envia vibrações através do meu corpo. "Eu estava realmente desfrutando vendo você dançar”. Eu olho para ele, chocada ao descobrir que ele ainda está olhando para mim com tanta intensidade que é difícil respirar. Eu procuro a minha mente para dizer alguma coisa, mas minha garganta está muito seca. "Na verdade, você é provavelmente o oposto completo de uma desajeitada", continua ele, olhando para mim de uma forma que eu sempre sonhei que um cara iria olhar para mim, como se eu não fosse invisível ou insignificante. Como se eu existisse. "Qual é seu nome?", pergunta ele, se inclinando para frente da cerca e apoiando os cotovelos em cima dela. "Delilah Peirce", eu digo a ele, mudando minha mochila de posição no meu ombro. "Qual o seu?" "Dylan Sanderson”. Ele balança a cabeça para a minha casa comum de um andar que ainda tem luzes de Natal nela mesmo que seja maio. "Você vive lá?" Eu concordo. "Sim, com a minha mãe”. "Ah”. Ele arqueia as sobrancelhas. "Então a mulher loira que eu vi anteriormente saindo para pegar o jornal dos degraus é a sua... irmã”.


Eu franzo a testa, sentindo a minha invisibilidade vindo à tona novamente, as luzes em torno de mim escurecendo, não mais sendo o centro do palco. "Não, ela é minha mãe”. Suas sobrancelhas atirar-se ainda maior. "Uau, eu não esperava que um... quantos anos ela tem?" Eu estou lutando para manter a minha decepção contida. "Quarenta e um”. Ele faz uma pausa, me estudando intensamente, e isso faz a minha pele queimar, mas não de corar. Ela aquece de desejo, porque eu quero que ele fique olhando para mim assim. "Quantos anos você tem?" "Dezessete". Eu não sei por que eu minto, parecendo, de repente que ter dezessete é um inferno muito melhor do que estar com dezesseis anos e, além disso, eu acho que ele é um pouco mais velho. "Quantos anos você tem?" "Quase dezoito anos", diz ele, os olhos ainda em mim. "Você acabou de mudar?", pergunto. "Ou você vai ficar com o casal que vive aqui? Eu não me lembro de vê-los se mudando”. "Eles não mudaram”. Ele engata o dedo sobre a casa. "Acabei de me mudar de volta para os meus pais, por um tempo, até que eu possa descobrir algumas coisas”. Atrevo-me a chegar mais perto da cerca e perceber o quão bonitos seus olhos são. E quanta emoção que eles carregam. Como se ele sentisse muito, mas tentando manter tudo guardado dentro de si e escondido do mundo. "Bem, onde você morava antes"? Ele parece ficar um pouco tenso a partir desta questão, os ombros enrijecidos. "Aqui e ali”. Eu penso em perguntar-lhe qual a sua história, ou, melhor ainda, deslumbrá-lo com minhas habilidades de flertar. Mas eu não as descobri ainda, então, em vez disso, acabo dizendo: "Isso soa legal”. Ele me dá um olhar como se pensasse que eu sou adorável. "Onde você está indo tão cedo da manhã?" "Escola", digo a ele. "É verão. Não é feriado escolar”?


Eu balancei minha cabeça. "Hoje é o último dia”. "E você está indo?", ele questiona, limpando a graxa de suas mãos em seu jeans, parecendo perder o interesse em mim quando ele olha por cima do meu ombro. "Cara, eu costumava sempre abandonar o último dia”. De repente eu me sinto como uma criança de dez anos com PERDEDORA estampado na minha testa. "Bem, eu tenho aula de dança logo depois da aula e tenho que pegar o ônibus da escola para isso, então eu meio que tenho que ir”. Eu dou uma desculpa esfarrapada. "Você é uma dançarina?", pergunta ele, e me ilumino um pouco por ele estar prestando atenção em mim novamente. Eu concordo. "Sim, na maior parte das vezes eu faço ballet e às vezes hip-hop”. Seu olhar desloca-se lentamente ao longo de minhas pernas magras, de minha barriga lisa e eu me esforço para não olhar para longe do calor em seus olhos e disfarçar o surgimento de calor no meu corpo. O calor só se amplifica quando o seu olhar encontra o meu, e por um momento, eu sinto essa estranha confiança dentro de mim piscar e me levantar um pouco mais alto. "Eu adoraria ver você dançar em algum momento", diz ele com um sorriso. Eu não tenho certeza de como responder, nervosa com a ideia. O sorriso começa a deixar seu rosto quanto mais tempo eu fico quieta. "A menos que você não queira”. "Não, eu quero", eu digo rapidamente. "Eu... eu quero”. Seu sorriso retorna maior, mais ousado, mais confiante. "Vou cobrar isso de você, Delilah", diz ele. "Na verdade, eu estou ansioso por isso”. Ele faz uma pausa, seus olhos deslizando sobre o meu corpo novamente, e, em seguida, ele abre a boca para dizer alguma coisa. O olhar em seus olhos me faz pensar se é importante, mas ele fecha a boca quando uma mulher sai pela porta. Ela está usando um roupão, mas não é como minha mãe; o robe desta mulher é feito de material peludo rosa e flui por todo o caminho até os tornozelos. Seu cabelo está em rolos e ela tem chinelos. "Dylan, traga seu traseiro aqui e limpe a bagunça maldita que você deixou na cozinha!", ela grita alto o suficiente para que o vizinho do outro lado da rua possa ouvir.


O queixo de Dylan se aperta, a emoção contida em seus olhos a ponto de estourar. "Eu estarei lá em um minuto", ele responde em um tom surpreendentemente calmo. Ele não olha para ela quando ele fala; seu olhar é ainda fixo em mim, e toda a emoção dentro dele é dirigida a mim. É impressionante, e minha respiração engata na minha garganta. "Não me venha com essa, ─Eu estarei lá em um minuto ─, besteira”, ela grita de volta, pegando o jornal da varanda. "Com você isso significa que sua bunda imbecil vai se sentar aqui e trabalhar no carro até que você sinta vontade de entrar”. Ela se encosta à porta. "Eu não estou aturando suas besteiras. Traga sua bunda aqui agora e pare de incomodar os malditos vizinhos”. Ela se afasta e caminha para trás, para dentro da casa, o barulho da porta batendo atrás dela. Há uma longa pausa, onde tudo que eu posso ouvir é o som da respiração de Dylan. Quero perguntar-lhe se ele está bem, porque sua mãe parece ser uma verdadeira cadela. Finalmente, eu consigo reunir coragem suficiente. "Você está bem?" Ele pisca, como se estivesse atordoado, mas o olhar ferido no rosto rapidamente desaparece e, de repente, ele parece estar calmo. "Eu estou perfeitamente bem. Não é nada que eu não tenha ouvido antes”. "Tem certeza?", eu verifico novamente. "Eu sei o quanto que os pais podem ser uma dor na bunda”. Ele balança a cabeça, olhando para mim como se ele estivesse tentando descobrir alguma coisa. "Eu vou ficar bem, contanto que você possa fazer uma coisa para mim”. "Ok", eu digo, um pouco confusa. "Quando você chegar em casa, certifique-se de dizer oi para mim”. "E se você não estiver aqui fora?" "Eu estarei", ele promete com um sorriso, e a nuvem escura que se elevava sobre ele evapora. "Ok", digo-lhe, segurando um sorriso, apesar de toda a felicidade que está borbulhando dentro de mim. "Eu vou me certificar de fazer isso”.


"Bom”. Seu sorriso amplia. "Eu vou deixar você ir para a escola. Não quero que você se atrase para o seu último dia”. Ele pisca para mim enquanto se afasta em direção a um carro velho estacionado na garagem, com o capô aberto. Eu aceno para ele e em seguida vou para a escola dando até mesmo passadas, apesar de eu querer mesmo é dançar até a calçada. Eu posso senti-lo me observando todo o caminho até o final do quintal, quando eu desapareço na esquina e ele não pode mais me ver. Só então eu deixei meu sorriso aparecer. Pela primeira vez alguém estava olhando para mim. Pela primeira vez eu sinto como Hera Venenosa em vez de Mulher Invisível. Olhando para trás agora, enquanto eu deito aqui na costa, a água subindo com a corrente e, lentamente, correndo sobre o meu corpo, eu percebo como eu fui ingênua. Que eu não estava nem perto de ser a Hera Venenosa. Que eu nunca sequer cheguei perto. Se havia qualquer coisa era que Dylan era a Hera Venenosa disfarçada, e eu era sua próxima vítima. Mas não foi tudo culpa dele. Afinal, eu sou a única que escolheu voltar para ele, mesmo depois que eu descobri seu beijo tóxico.


CAPÍTULO 2 PLASTIC DOLLS2 Eu certifiquei-me de dizer oi para Dylan no meu caminho para casa. Falamos por cerca de dez minutos e, em seguida, ele teve que ir para dentro para ajudar sua mãe com algo. Eu não encontrei Dylan novamente pelo próximo par de dias, e eu fiquei surpresa em como isso me entristeceu. Eu nunca fui uma menina que ficasse obcecada com rapazes, mas encontro-me constantemente verificando para ver, se por acaso ele saiu para sua entrada novamente. Mais três dias depois que nos encontramos se passaram, eu ainda não o vi de novo, e parece que é o início de um muito longo, chato verão. Bryant, meu único amigo de verdade, mudou-se do país alguns dias antes da escola encerrar. Isso me deixa só com Martha para sair pelo verão inteiro, que é mais amiga de Bryant do que minha, e que eu tenho certeza que ela acha que a minha mãe é uma prostituta. "Eu não posso acreditar que ela anda por aí assim", Martha diz, folheando uma revista enquanto estava deitada de bruços na minha cama. Ela tem o cabelo castanho puxado para cima em um coque bagunçado, calções, uma T-shirt excessivamente grande nela, e seus óculos de sol na cabeça. Ela provavelmente poderia ser bonita se ela tentasse, mas ela não tenta. Além disso, eu acho que ela é uma feminista extrema e odeia vestidos e roupas provocativas. Talvez por isso ela rejeite tanto o guarda-roupa da minha mãe. "Sim, mas você se acostuma com isso", eu digo a ela, inclinandome na cadeira em frente a minha penteadeira para espiar a cortina novamente. Eu tenho a visão perfeita para a entrada da casa de Dylan, mas como das outras dez vezes em que eu olhei para fora, está deserta. Eu suspiro, sentando-me, sabendo que eu deveria parar de olhar, porque eu estou virando para o comportamento perseguidor. "Eu não acho que você deve ter que se acostumar com isso", diz ela. "Ela é uma mãe e ela deve agir como uma”. Eu fico um pouco na defensiva. "Só porque ela usa vestidos provocativos não significa que ela é uma mãe ruim”. 2

Bonecas de plástico.


Ela olha para mim com dúvida. "Ela está dando um mau exemplo para você e ensina tudo o que uma mulher não deve ser”. "E como você sabe o que uma mulher deve ser?", pergunto, sabendo que eu estou sendo rude, mas ao mesmo tempo ela está insultando minha mãe e ela não me abandonou como meu pai fez. "Você realmente não tem a menor ideia sobre o que os caras querem e é por isso que você nunca foi um encontro”. Ela me olha quando ela fecha a revista. "Você sabe o quê? Eu não tenho que aturar isso”, diz ela, subindo para fora da cama e deslizando em seus chinelos. "Eu disse a Bryant que eu tentaria ser boa para você e dar-lhe o benefício da dúvida, que você iria devolver o favor, mas, como de costume você está sendo uma cadela”. "Eu sou a única sendo uma cadela?", eu digo, irritada. "Você estava insultando minha mãe”. Ela puxa sua bolsa fora da cabeceira da cama e me dá um olhar duro quando ela balança por cima do ombro. "Eu não estava insultando-a. Eu estava apenas dizendo o que todo mundo na cidade diz sobre ela, que ela é uma prostituta”. Ela olha para mim com condescendência. “Só que eu estava tentando usar as palavras mais agradáveis”. Ela se dirige para a porta e eu a deixo sair, apesar de eu saber que há uma boa chance de que esteja passando o verão inteiro sozinha agora. "Cadela", murmuro quando eu me levanto e cruzo o meu quarto até o telefone na minha mesa de cabeceira. Minha mãe me deu o telefone quando eu tinha oito anos, quando eu ainda brincava com bonecas, e por isso o receptor é rosa e brilhante e parece que pertence a Dream House da Barbie3. Eu tenho tentado fazer com que ela me dê um telefone celular, mas ela diz que não pode pagar. Eu disco o número de Bryant e espero ele atender. "Ei, como está a ruiva mais sexy do mundo?", pergunta ele, como ele sempre responde. Nós éramos realmente muito próximos, até que ele começou a namorar alguém há alguns meses e a menina pensou que eu era algum tipo de ameaça, especialmente quando ela perguntou a Bryant se alguma vez tivemos alguma relação e ele estupidamente disse-lhe a verdade: que sim, que uma vez, quando tinha quinze anos e tentei beber pela primeira vez, fizemos a coisa da mão e tocamos um 3

Casa dos sonhos da Boneca Barbie.


ao outro de forma inadequada. Depois disso, ela não queria que ele saísse comigo. Ele ainda saía de vez em quando, mas não tanto como ele costumava fazer antes. "Você disse a Martha para tentar me dar o benefício da dúvida?", pergunto, me jogando para baixo na minha cama e olhando para o teto em um cartaz de Flashdance4, que é totalmente da década de oitenta, mas como uma dançarina acho que eu posso respeitar a filme. "Merda, ela lhe disse isso?" Ele amaldiçoa em voz baixa e eu sorrio para mim mesma, sabendo que, se nada mais, Bryant vai mastigá-la por fazê-lo. "Sim, depois que ela me disse que ela não ia mais fazer isso", eu digo a ele, torcendo o fio de telefone ao redor do meu dedo. "E que eu era uma cadela”. "E você estava sendo uma cadela?", ele pergunta. "Talvez", eu admito. "Mas ela chamou a minha mãe de puta”. Ele faz uma pausa. "Mas, ela meio que é”. "Sim, eu sei, mas não dá a ela o direito de dizer isso”. Ele suspira. "Eu sei. Eu vou falar com ela”. "Não se preocupe”. Eu rolo para o meu lado e escoro meu cotovelo no colchão para que eu possa descansar minha cabeça contra a minha mão. "Eu sei que você quer que a gente se dê bem, mas sem você ela só parece estranha”. "Mas eu me preocupo com você", ele me diz. "Você não tem um monte de amigos, e eu estou preocupado que você só vá afundar”. "Você me faz parecer suicida", eu respondo. "E eu não sou”. "Eu sei que você não é", ele responde. "Mas você pode ser autodestrutiva quando você está sozinha”. "Como você sabe?", pergunto, não tendo certeza se eu estou curiosa ou ofendida. "Lembra de quando eu viajei com a família de férias durante o verão", diz ele. "Quando tinha treze anos”. 4

"Flashdance – Em ritmo do embalo" Filme que estreou no primeiro semestre de 1983.


Eu franzo a testa com a lembrança. "Eu estava passando por uma fase”. "Delilah, você quase foi presa”. "Eu estava entediada", eu argumento. "E Milly Amerson era a única que poderia passar um tempo comigo. Não foi minha culpa que ela era uma cleptomaníaca". "Mas foi sua culpa que você tentou ser uma cleptomaníaca. E muito ruim por sinal", diz ele. "Você escolheu fazê-lo porque você estava entediada e achava difícil fazer amigos. Na verdade, você é melhor em fazer inimigos do que qualquer coisa”. Eu suspiro com o coração pesado. "Tudo bem, eu entendo seu ponto", eu digo. "Nossa, você é uma mãe”. "Bem, alguém tem que ser", diz ele. Com qualquer outra pessoa eu ia ficar ofendida, mas eu sempre deixei Bryant fora disso porque ele estava lá logo após o divórcio, quando a minha mãe estava no fundo do poço, se afundou em depressão e só saiu da cama três meses depois. Porém, ela acabou por se levantar e começou a cuidar de mim novamente, e as pessoas estão autorizadas a quebrar de vez em quando. "Obrigado por cuidar de mim", eu digo. "Mas eu prometo que mesmo que Martha e eu não nos entendamos, eu não vou voltar aos meus dias de clepto com Milly”. "Basta ter cuidado", diz ele. "Preocupo-me com você”. "Eu sei que você se preocupa", digo a ele. "Mas eu prometo que se as coisas ficarem muito ruins eu vou deixar você saber”. "Bom", diz ele. "Agora eu tenho que ir. Minha mãe está me chamando para ajudá-la a terminar a desembalar”. "Ok, me ligue quando você tiver uma chance", eu digo. "E eu vou dizer-lhe sobre o meu vizinho quente”. Ele ri. "Ok, isso definitivamente soa como um ligue-de-volta digno”. Nós dizemos adeus, desligo, e então eu fico deitada na cama, olhando para o teto. É tranquilo e eu estou supondo que minha mãe já foi trabalhar, o que significa que eu tenho a casa para mim até as três,


uma hora após o bar fechar, porque ela sempre passa uma hora com qualquer cara que ela está tentando trazer para casa com ela. Tédio começa a me definir. Eu odeio ficar sozinha. Faz-me sentir ainda mais invisível. Se eu tivesse opção, eu teria alguém em torno de mim o tempo todo. Finalmente, eu não aguento mais o silêncio. Eu saio da cama, coloco um par de calças de moletom e uma camiseta, puxo meu cabelo para cima e agarro o meu disco de música clássica da pilha que está no chão. Vou para o toca-discos no meu gabinete, coloco a agulha sobre ele e a Sonata ao Luar de Beethoven toca. Eu começo a dançar, deixando a música possuir-me enquanto eu me vejo no palco e todo mundo está assistindo. Fouetté en tournant 5. Jeté grande. Piruetas. Meus movimentos são lentos, mas graciosos e poderosos. Cada contração dos meus dedos dos pés, cada giro, cada levantamento de perna fluindo perfeitamente com a música. Eu crio uma história simplesmente usando meu corpo, um de uma menina que não é necessariamente triste, mas à procura de alguma coisa, ela simplesmente não sabe o que é ainda. Quanto mais tempo a música passa, mais me perco nela. Quanto mais avassaladora a história se torna. Eu me transformo em outra pessoa. Alguém viva. Alguém notada. Alguém não esquecida. Eu posso imaginar-me no palco, vestida com tule e penas, estrelando como Odette em Swan Lake6, e todo mundo me vê. Me nota. E me reverencia. Até o momento em que eu estou acabando, estou quase em lágrimas e eu não sei porque. Não me sinto triste. Na verdade, sintome substancial. Eu gostaria de poder voltar e saborear o momento, perceber o quão incrível foi eu poder me sentir tão feliz. Foi o último verão em que eu me senti assim. Dancei assim. Que me senti com conteúdo. Eventualmente, eu perderia a vontade de fazê-lo novamente, minhas sapatilhas de ponta ficariam junto com o meu telefone Barbie e meu cartaz do Flashdance em uma caixa, tudo aquilo que me tornava quem eu era no início do verão.

Na dança e ginástica, uma por sua vez, é uma rotação do corpo em torno do eixo vertical. A história de O Lago dos Cisnes é tecida em torno de duas meninas, Odette e Odile, que se assemelham tão estreitamente eles podem ser facilmente confundidas com a outra. 5 6


Quando eu voltei a dançar novamente, não foi o mesmo, eu não seria a mesma. Sim, eu iria chorar, mas não porque eu fui levada pela emoção. Mas sim porque eu estava dançando de topless em um palco em frente a um monte de gritos de estranhos que realmente não iriam me ver, pelo menos, não o meu verdadeiro eu, aquele que uma vez sonhou em ser Odette. Para eles eu seria apenas uma boneca de plástico.


Capítulo 3 Ela-Diabo Mais tarde, naquela noite, quando eu estou sentada em frente da televisão, me perguntando se eu quero assistir reprises de fim de noite, continuar a dobrar a roupa ou ir para a cama, eu ouço o som da música do lado de fora. Isto não é fora do comum. Pelo menos uma das casas do bairro geralmente tem uma festa durante o fim de semana. Mas isso soa como se estivesse vindo da casa ao lado, o que realmente nunca aconteceu. Antes dos pais de Dylan se mudarem, um casal de idosos morava lá até que ficaram chateados com o ruído e mudaram-se para a Flórida. E eu raramente ouvia algo dos pais de Dylan, exceto talvez eles gritando. Não querendo ser uma perseguidora novamente, eu tento resistir ao impulso de olhar para fora. Mas, eventualmente, isso se torna muito difícil, e eu me levanto da almofada do sofá e vou até a janela. A entrada está repleta de carros, juntamente com a frente da casa, e as pessoas estão lá fora, rindo e fumando e bebendo em copos de plástico. É uma festa em pleno desenvolvimento, que culmina com um homem dançando no jardim da frente, já alto e com sua bunda de fora e uma menina loira que usa um vestido de couro desgastado, balançando os quadris ao ritmo da música em cima de um carro. Estou prestes a desviar o olhar, imaginando que vou seguir o conselho de Bryant e abster-me de qualquer comportamento potencialmente autodestrutivo, quando Dylan aparece ao lado do cara que fuma a erva. Dylan diz algo que faz com que o cara sorria então ele lhe oferece a maconha. Ele pega a maconha e a leva até seus lábios, inspirando lenta e profundamente. Eu estou completamente hipnotizada observando seus lábios, a forma como ele pressiona-os bem juntos quando ele puxa a erva da sua boca. Quando ele libera a fumaça de seus pulmões, sua língua desliza para fora e ele lambe as bordas. Eu desejava que eu fosse a única lambendo seus lábios. Se eu fosse a minha mãe, eu iria trocar de roupa e ir para lá. Colocar-me em um vestido de couro como a garota no carro, rir e tocar seu braço até que ele viesse para casa comigo.


Mas eu não sou minha mãe. Eu sou apenas Delilah. Então, ao invés disso, eu só olho para fora da janela, um pouco mais do que deveria, e ele acaba olhando para mim. Porque eu deixei a luz acesa na cozinha, ela ilumina a casa apenas o suficiente para que ele possa me ver. Contemplo a possibilidade de me ocultar atrás das cortinas, mas isso iria provar que eu sou uma perseguidora, ou posso apenas acenar e minimizar. O que a Hera Venenosa faria? Eu levanto minha mão e aceno para ele, reunindo o meu melhor meio sorriso que posso então eu começo a virar-me para sair, mas ele levanta o seu dedo como se me pedindo para esperar. Faz uma pausa enquanto entrega a maconha para o cara magro, então pula por cima da cerca em meu quintal. Ele mantém os olhos em mim enquanto ele faz o seu caminho da calçada para meus degraus da frente, olhando de longe até ele chegar perto o suficiente para a porta da frente, onde ele não pode me ver mais. Eu volto para o sofá quando ele bate à porta e rapidamente corro para o cesto de roupa que está lá, vasculhando até eu encontrar um par de shorts e colocá-los. Então eu puxo o elástico do meu cabelo e balançando-o, solto um pouco antes de passar meus dedos por ele. Eu me movo tão rápido que tenho que recuperar o fôlego antes de abrir a porta e me esqueço de me preparar mentalmente. Quando eu pego a visão dele, meu coração bate tão forte no meu peito que realmente dói e eu quase caio no chão, joelho tremendo. Tenho certeza de que ele percebe a minha reação, mas se ele percebeu, não disse nada. "Hey", diz ele, cruzando os braços e encostando-se à grade, parecendo todo descontraído e sexy com camisa risca de giz e em seu jeans, as mangas empurradas para cima para que eu possa ver as suas tatuagens e braços magros. "O que você está fazendo?" "Assistindo TV e dobrando roupa", eu digo, não percebendo como isso parece insignificante até que isso realmente sai da minha boca. Seus lábios possibilidades”.

se

curvam.

"Soa

como

uma

noite

cheia

de

Eu tento fazer uma piada e salvar o início de uma conversa. "Se por possibilidades você quer dizer ficar acordada e assistir piadas e rir de


Jay Leno7, enquanto eu faço uma farra com pipocas, então sim, as possibilidades são infinitas”. Eu tento imitar o sorriso que minha mãe faz, cada vez que ela está tentando ser bonita. "Na verdade, eu poderia até mesmo ser ousada e ficar até a meia-noite”. "Uau, ficar acordada até meia-noite", diz ele, apertando a mão contra o peito. "Como você é aventureira”. "O que posso dizer. Eu gosto de viver a vida no lado selvagem”. "Eu aposto que você faz”. Seu olhar pisca para cima e para baixo no meu corpo e eu sinto algo levantar por dentro. Então ele olha por cima do meu ombro e pergunta: "Sua mãe está em casa”? Minha expressão vacila e tudo o que estava levantando dentro de mim falha. Mas, como se ele sentisse a minha decepção, ele acrescenta: "Eu estava me perguntando se você estava bem para vir para a festa, ou se a sua ’mãe’ iria ficar no caminho”. Eu amo que ele a chama de ‘mãe’ não ‘a minha irmã quente e sexy’ ou as muitas outras coisas que ela tem sido chamada, que de modo algum dá a entender que ela é uma mãe. "Na verdade, ela está no trabalho até às três", eu digo a ele, a sensação de elevação a voltando novamente, e eu sinto que estou prestes a flutuar ao pôr do sol. Ele olha para o relógio. "Então você está pronta para dar um tempo por pelo menos algumas horas, certo?" Eu aceno, dizendo a mim mesma para me situar e não ser uma idiota por ficar muito animada. "Sim, eu estou legal”. É por isso que não é legal dizer que você é legal, mas felizmente Dylan parece achar a minha idiotice levemente adorável. Ele sorri para mim e depois me faz um gesto para segui-lo quando ele desce a escada. Eu fecho a porta atrás de mim e sigo-o pela calçada, ficando logo atrás dele até chegar a cerca. Lá, ele salta sobre ela e em seguida, me dá a mão para me ajudar. Hesito, olhando para o lado, mas ele ofereceu a mão para mim. Para mim.

7 Jay Leno, nascido James Douglas Muir-Leno, é um comediante norte-americano, célebre comandante do talk show da rede NBC: The Tonight Show with Jay Leno, que junto com seu companheiro de Broadcast, Jimmy Fallon formam a grade da noite do canal.


Finalmente, eu pego sua mão, deslizando os meus dedos pelos seus. O contato da pele dele é incrível, criando um calor que é mais poderoso do que o ar quente de verão que flui em torno de nós. Seu toque é sobre o que os autores escrevem. Sobre o que as mulheres sonham. Sobre o que os cantores cantam. E mesmo que eu não sabia disso ainda, no momento em que ele pegou a minha mão, ele me pertenceu, o que parece incrível, exceto que possuir alguém e amar alguém não é a mesma coisa. Ele não solta a minha mão depois que ele me ajuda ao longo do muro. Eu acho que ele deve gostar de segurá-la. Ou isso, ou ele esqueceu que a está segurando. Eu não digo nada enquanto eu o sigo por toda a pequena faixa de gramado do outro lado da cerca até chegar ao lado do carro onde a menina está dançando. Eu percebo que eu a conheço. Nikki, uma menina da minha escola. A maneira como ela se move é fascinante, e todo mundo está olhando para ela. Não é como se ela fosse a maior dançarina. Na verdade, eu tenho certeza que sou melhor. Mas ela é como minha mãe, atraindo a atenção como se estivesse lançando um feitiço mágico sobre todos. Eu só olho para longe dela quando Dylan pega a maconha da mão do cara magro e dá uma tragada enquanto me apresenta a ele. "Landon, esta é Delilah". De perto e à luz da varanda, eu posso ver seu rosto, e eu percebo que eu o conheço. Eu digo: "Sim, eu sei. Nós frequentamos a mesma escola”. Ele está drogado, olhos vermelhos, e então ele leva um momento para me situar. Mas eventualmente o reconhecimento clica. "Oh, sim, você estava com Sr. Melson no quarto período, certo?" "E você sempre se sentava na parte de trás e era dedicado a desenhar e não a tomar notas," eu digo, sentindo meu pulso disparar quando Dylan roça o dedo ao longo do interior do meu pulso. "E você sempre teve problemas por estar atrasada", Landon diz com um pequeno sorriso. Eu tento não tremer quando o dedo de Dylan faz o seu caminho até meu antebraço. Eu quero olhar para ele, ver o que está em seus olhos, mas estou quase com medo de olhar. "O que posso dizer", eu digo a Landon, enrijecendo quando Dylan me entrega a maconha. "Você


gostaria de uma tragada”. Eu olho para baixo na junta na minha mão. Que diabos eu vou fazer com isso? Eu nunca fumei maconha antes e eu penso em apenas entregá-la de volta, mas todo mundo está olhando para mim, esperando para eu dar uma tragada... Dylan está esperando por mim para dar uma tragada. Eu não quero desapontá-lo, então eu levo-a aos meus lábios e trago da mesma forma que eu o vi fazer antes. Mas engasgo com a fumaça e incapaz de mantê-la, deixo escapar uma tosse asfixiada aguda que me faz sentir ridícula, especialmente quando algumas pessoas riem de mim. Embora, Dylan não. Quando estou cortando meus pulmões, Dylan leva a maconha da minha mão e a entrega de volta para Landon. Em seguida, ele balança o braço em volta do meu ombro e me puxa para mais perto dele, beijando o lado da minha cabeça. Eu já não me sinto ridícula. Na verdade, eu me sinto exatamente o oposto. Eu me sinto como Odette. E ele é o Príncipe Siegfried. Eu olho para ele e ele sorri para mim, me levando com ele quando ele anda para frente. "Vamos, linda, vamos pegar uma bebida”. Um sorriso se espalha em toda a minha cara quando eu ando com ele, nos espremendo entre os últimos dois carros na garagem até chegarmos ao jardim da frente. Ele me leva para dentro de sua casa, que está cheia de pessoas dançando e bebendo. "É meu aniversário", ele grita por cima da música. "Bem, feliz aniversário então”. Eu grito de volta, e ele sorri de novo para mim. Enquanto nós fazemos o nosso caminho através de sua casa, percebo o quanto seus olhos brilham quando ele fala e quanto eles escurecem quando ele olha para mim, não de uma forma ruim, mas de uma forma ‘eu-te-avisei’. Faz-me feliz e nervosa ao mesmo tempo, porque ninguém nunca me olhou assim. No momento em que chego à cozinha, eu estou suando e nervosa por dentro, por isso, quando ele me dá uma bebida, eu a devoro, na esperança de acalmar meus nervos. Mas é vodca, e eu engasgo com a queimadura de fogo dela.


"Merda”. Eu tusso, jogando o copo de plástico como se ele fosse feito de veneno. Ele chuta o copo para fora do caminho e chega mais perto de mim, contendo um sorriso, enquanto ele me dá uma tapinha nas costas. "Você está bem?" Eu aceno, segurando uma mordaça. "Muito”. Eu tusso, pressionando minha mão ao meu peito enquanto eu fico para trás. "Eu sinto muito. Eu pensei que era água”. "Você quer que eu pegue uma água para você beber?", pergunta ele olhando para mim, com os olhos sempre fixos em mim, ao contrário de um monte de pessoas que normalmente olham através de mim quando falam comigo, como se eu mal existisse. Pelo menos isso é o que sinto. Eu balancei minha cabeça. "Não, eu estou bem agora. Eu prometo”. Ele balança a cabeça e, em seguida, tira algumas garrafas de bebida para fora do caminho para que ele possa chegar ao balcão, onde ele se senta e permite que as pernas fiquem penduradas sobre a borda. "Então, a não ser que você queira dançar nas calçadas e ficar acordada a noite toda, ficando louca com a sua roupa, o que mais você gostaria de fazer?" Ele me pisca um sorriso, e eu quase derreto em uma poça bem ali no chão da cozinha com a multidão vagando. "Isso é tudo, realmente", eu admito, fugindo para mais perto dele quando pessoas fazem seu caminho para a cozinha já lotada. "Eu sou realmente muito chata”. "Eu duvido disso”. Seus olhos se enchem de carência. "Na verdade, não se supõe que as ruivas são selvagens e divertidas?" Eu conscientemente toco meu cabelo, desejando que fosse verdade, desejando que eu pudesse dizer que sim, desejando que eu pudesse ser aquela para ele. "Eu acho que são as loiras". Ele balança a mão, seu olhar me devorando. "De jeito nenhum. São definitivamente as ruivas”. Ele considera alguma coisa. "As loiras são conhecidas por serem cabeças de vento”.


Eu ronco uma risada. "Bem, minha mãe é loira, e ela não é mais spacier8 do que eu”. Ele considera algo por um momento. "Sua mãe é uma mulher bonita", diz ele, e sinto como se uma faca entrasse no meu peito. Ele se inclina para frente e toca o lado da minha cabeça com os dedos. "Você parece com ela, exceto pelo cabelo”. "Obrigado", eu digo, um pouco confusa. "Espere, isso foi um elogio, certo?" Ele ri, quando ele pula fora do balcão. "Foi, mas desde que não estava completamente claro, aqui está outro para você”. Ele vem em minha direção, e eu coloco minha cabeça próxima para encontrar seus olhos. Embora existam pessoas ao nosso redor, parece que nós somos os únicos no cômodo. Nós estamos lá por uma eternidade. Ele está de olho em meus lábios, e eu estou lutando para respirar. Então eu paro de respirar completamente quando ele chega para frente e roça o polegar sobre meu lábio inferior. "Você tem os mais belos lábios que eu já vi”. Eu quero dizer obrigada, mas estou sem palavras, e o sentimento só se amplifica quando ele se inclina para me beijar. Mas isso não pode estar certo, porque caras lindos nunca querem me beijar. Mas ele o faz. É apenas um pequeno roçar de nossos lábios, mas é o suficiente para que fogos de artifício disparem dentro do meu corpo. O suficiente para eu desmoronar em seus braços. Eu me perco em seu beijo e quando ele se afasta, ele leva um pedaço de mim com ele, que eu nunca vou ter de volta. Com a sua atenção focada exclusivamente em mim, ele lambe os meus lábios com a língua, como se estivesse me saboreando, então ele pega a minha mão. "Você prometeu que dançaria para mim”. Então ele me leva para a sala de estar quando a música muda para uma lenta, mas com um baixo ensurdecedor que faz as janelas vibrarem. Todo mundo começa a dançar, e isso faz com que seja difícil para ele nos levar para o centro da sala de estar, mas eventualmente nós conseguimos. Então ele me olha, me esperando para dançar só para ele. E eu quero dar isso para ele, ser o cisne e hipnotizá-lo, especialmente com 8

fora de contato com a realidade, como se sob efeito de drogas.


a forma como ele está olhando para mim. Mas há tantas pessoas ao redor, não tem espaço suficiente e estou um pouco nervosa. "Você quer que eu dance para você aqui?", pergunto, cruzando os braços sobre o peito. Ele balança a cabeça. "Eu quero”. Eu olho em volta para a multidão. "Eu não tenho certeza se eu possa fazer isso aqui”. Algo cintila em seus olhos, algo que eu nunca vi antes, e isso me faz abraçá-lo mais apertado. "Você não quer dançar para mim?", ele pergunta. "Eu quero", eu digo rapidamente. "Mas não há espaço suficiente”. Eu chego em direção a ele. "mais vou deixar para outra ocasião, no entanto”. Por um breve instante eu acho que ele vai me rejeitar, mas depois ele sorri novamente. "Você me deve uma dança ainda”. Então ele agarra minha cintura e me puxa para ele. Eu ligo meus braços em volta do pescoço, sentindo-me sorrir. Em seguida, passamos para a melodia, os nossos olhos fixos um no outro, nossos corpos perfeitamente alinhados. Mesmo que haja um monte de gente se balançando com a música e se deslocando em torno de nós, ninguém parece... nos tocar. É como se nós estivéssemos protegidos por esta bolha, e eu me sinto poderosa, não invisível, mas como se estivesse no centro das atenções. Ele me faz sentir dessa maneira só de olhar para mim, como se eu não fosse apenas Delilah, mas outra pessoa. Alguém que merece estar em pé, no centro do palco. Isso é como nós permanecemos até a próxima música, nos movendo no ritmo, nossa bolha em torno de nós, olhos colados um no outro, a multidão desaparecendo quanto mais nos aproximamos. Dylan se inclina e sua respiração toca meu rosto enquanto ele pergunta: "Então, em uma escala de um a dez, quão chata é esta festa?" Eu inclino para trás para olhar nos olhos dele, mas mantenho minhas mãos em seus ombros, tendo a certeza de que eu não coloquei muito espaço entre nós. "Não é completamente chata. Na verdade, é muito divertida”.


Ele oscila, como se ele não concordasse. "Não é a melhor que eu já fiz. De fato, em Alpine, eu era conhecido por minhas festas”. "Você viveu em Alpine antes disso?", eu pergunto e ele concorda. "O que você fez lá além fazer festas?" Ele me estuda de perto. "Eu ainda não tenho certeza se posso confiar em você para responder”. "Por quê? É como um segredo ou algo assim? ”, pergunto. Ele oscila novamente. "Ou algo assim”. Eu não tenho certeza de como responder. "Bem, o que você faz agora, ou isso é um segredo, também?" Ele parece irritado com meu questionamento persistente, mas rapidamente desaparece quando ele diz, "Eu vou te dizer o que. A próxima vez que sairmos juntos, em um encontro de verdade, eu vou dizer-lhe alguns dos meus segredos, Delilah Peirce”. Na época eu me senti tão feliz com o que ele disse, como se ele se importasse o suficiente sobre mim para me contar seus segredos, como se eu tivesse algum tipo de poder sobre ele. Mas, se eu tivesse olhado mais de perto, não teria sido tão cega pela necessidade de ser vista, ou eu teria visto que ele tinha o controle. Mas eu não o vi assim e só ficava dançando com ele em transe, registrando tudo o que ele fazia ou dizia, como se seus olhares e palavras fossem feitos de ouro, como se talvez eu valesse a pena, porque ele me fazia sentir como se eu valesse mais. Então Nikki apareceu, usando seu vestido de couro preto que me lembrou do traje preto de penas que Odile usava em Lago dos Cisnes. "Se importa se eu interromper?", pergunta ela, apertando os braços ao seu lado para criar mais decote. Dylan despreza-a. "Não, obrigado, Nikki. Eu já estou dançando com Delilah”. Eu sorrio docemente para ela e eu quase sinto a queimadura de seu olhar de morte quando ela começa a se afastar. "Bem, talvez mais tarde, então. Depois a pequena senhorita Doce-e-Inocente for para a cama", diz ela sem olhar para mim, me colocando no meu lugar como uma verdadeira diaba.


Ainda assim, ele a ignora e mantém as mãos nos meus quadris, balançando-nos na música, e ela finalmente se afasta. Continuamos a dançar e falar de coisas mais leves, como a nossa comida favorita, cor, banda, carro. Fazemos isso por horas, e cada vez que ele sorri ou ri de algo que eu digo, eu sinto meu estômago dar cambalhota e me sinto querendo que a noite nunca termine. Mas ela termina e quando chega a hora de eu ir para casa, eu sinto que estou flutuando. Dylan me leva à minha porta. Ele roça os lábios no meu. E então ele fica lá até que eu esteja em segurança dentro de casa e tranque a porta. É uma noite perfeita. Tudo é tão perfeito que eu danço no meu caminho de volta para o meu quarto, sentindo-me como se eu tivesse acabado de receber um papel principal. Mas então eu olho pela janela, pouco antes de eu ir para a cama, e vejo Dylan em pé na calçada conversando com a diaba, rindo enquanto ela toca seu braço e se inclina para sussurrar algo em seu ouvido. Digo a mim mesma que isso não significa nada, que é só falar e tocar amigavelmente, mas quando eu estava deitada na cama, sofrendo e à beira de chorar, eu percebo que esta noite significou tudo para mim. E isso era um caminho perigoso para pensar, porque eu já estava me deixando afogar em Dylan e havia muito mais para afundar. Tantas lágrimas mais. Mágoa. Desapontamento. Dor.


Capítulo 4 Maneater 9 Leva algum tempo para eu esquecer a coisa toda de Nikki. Não é como se eu fosse falar qualquer coisa para Dylan sobre isso, mas cada vez que eu falo com ele, me pergunto se ele ficou com ela naquela noite, se ele olhou para ela como ele olhou para mim. Se a fez se sentir especial como ele me faz sentir a cada dia. Nós não saímos em um encontro oficial ainda, então eu ainda não sei seus segredos. Embora eu comece a gastar um monte de tempo no quintal da frente. As aulas de dança terminaram por esse verão, por isso não há muitas coisas para fazer. Mas eu me mantenho ocupada, lendo no jardim da frente, tomando sol no jardim da frente, até mesmo indo tão longe como cortar a grama, apenas para que eu possa assistir Dylan trabalhando em seu carro, ocasionalmente verificando o seu traseiro e qualquer outra coisa que eu não consiga tirar meus olhos. A coisa surpreendente é que ele sempre aparece e fala comigo. Todos os dias durante duas semanas seguidas. Um monte de nossas conversas, gira em torno do carro que ele está trabalhando. Mesmo que eu não tenha interesse em carros, eu balanço a cabeça e finjo que estou muito interessada em tudo o que diz, então ele continua falando para mim e eu ouço esperançosamente. Ele também me faz um monte de perguntas sobre quais são as coisas que gosto e não gosto, de onde eu sou, o que eu faço por diversão. Ele não tentou me beijar de novo, embora eu não tenha esquecido o toque de seus lábios e os sentimentos que o beijo agitou dentro de mim. "Não pode ser verdade", digo depois de uma longa conversa sobre música e concertos quando nós ficamos ao lado da cerca. "Você realmente viu Unwritten Law tocar?" Ele balança a cabeça enquanto ele limpa suas mãos gordurosas em um pano. "Sim, há três anos”. Ele joga o pano no chão. "Eles são ainda melhores ao vivo”. Eu enxugo o suor da minha testa. Eu estava cortando a grama quando ele finalmente saiu de casa, e por isso estou suada e nojenta, 9Uma

música americana que fala de uma mulher dominante que tem muitos parceiros sexuais.


mas eu não queria ir embora, com medo de perder a chance de falar com ele se eu fosse. "Eu acho que a maioria das bandas são", eu digo. "Pelo menos as mais poderosas. Bem, exceto por bandas de heavy metal, mas eu não suporto esse tipo de música de qualquer maneira". Ele balança a cabeça em concordância. "Sim, é provavelmente o meu menos favorito, também”. "É uma pena que você ainda não possa assistir a bandas de rock antigos tocar como Lynyrd Skynyrd", eu digo. "Agora, seria algo para se ver”. "Você seriamente escuta Lynyrd Skynyrd?", pergunta ele, fazendo o seu caminho de volta para cima do muro após recolher uma garrafa de água do refrigerador ao lado do carro. Eu aceno, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. "Sim, eu escuto muito rock clássico, mas pode ser porque minha mãe tem marcado isso na minha cabeça desde que eu tinha cinco anos”. Ele inclina a cabeça para o lado, enquanto seu olhar desliza rapidamente para a porta da frente da minha casa logo atrás de mim. "Sua mãe parece ser uma mulher interessante", diz ele. Eu tento não reagir, mesmo que eu queira gritar para ele que ela é uma verdadeira devoradora de homens. "Sim, eu acho”. Ele se inclina contra o muro, os músculos de seus braços magros ondulando enquanto cruza-os em cima do poste de metal. "O que ela faz para viver?", ele pergunta. "Ela trabalha em um bar", eu respondo agitada. "Por quê?" Ele dá de ombros. "Eu não sei... Eu só vejo-a indo e vindo com um monte de homens”. "Isso é porque ela dorme com um novo a cada dia”. Isso apenas sai, mas não quero me corrigir. Na verdade, eu estou esperando que ele esqueça. Ele arqueia a sobrancelha para mim, parecendo mais interessado do que antes, o que significa que esquecer o que eu disse falhou. "Sério"? Ele considera algo por um momento e se mantém olhando para a minha casa como se a minha mãe fosse sair em sua roupa de baixo, o que provavelmente não seria a primeira vez.


Eu pressiono meus lábios, odiando como ele está interessado nela. "Bem, eu tenho certeza que se você chegar nela, ela provavelmente iria dormir com você também", eu digo rancorosamente. Ele olha para mim com um olhar interrogativo no rosto. "Você acha?" A raiva ferve sob a minha pele. "Talvez. Ela gosta de seus homens jovens”. Seu olhar fura em mim. "E você estaria bem com isso?" "Se você dormisse com a minha mãe?", pergunto. "Você pode fazer o que quiser”. Eu odeio a minha mãe agora. Odeio que ela é tão bonita. Odeio que ela gosta de dormir com rapazes mais do que ela gosta de sua filha, porque agora eu sei que se Dylan desse em cima dela, ela iria arrebatá-lo, usá-lo, em seguida, cuspi-lo fora. Que é exatamente o que eu quero fazer, exceto a parte cuspir fora. Eu gostaria de tê-lo. Ele me olha por alguns longos momentos e, em seguida, seu olhar intenso suaviza como ele parecesse quase satisfeito. "Você quer ir a um lugar comigo?" Meu queixo quase cai. Que diabos? Como podemos ir de fazer perguntas sobre a minha mãe para ele finalmente me pedindo para sair? Ainda assim, eu digo, "Onde"? Ele se levanta, limpando o suor da testa com as costas da mão. "Eu e um casal de amigos estaremos saindo para ir para a feira em Jackson para dar um passeio e curtir. Tenho certeza de que vai ser muito chato, mas poderíamos tornar isso divertido”. Ele pisca para mim e sorri, eu vibro e meu coração salta uma batida. "Claro, isso parece divertido", eu digo em uma voz calma, apesar da minha vertigem. "Não é?" Ele esconde sua diversão quando ele começa a caminhar de volta para sua casa. "Tudo bem então, Red, eu venho buscá-la às oito”. Minhas sobrancelhas arqueiam. "Red?" Ele suprime um sorriso quando ele recua para mim e estende o braço. Eu paro de respirar, com medo e animada conforme ele conecta


seu dedo em torno de uma mecha do meu cabelo. "Sim, o seu cabelo”. Ele enrola-o em torno de seu dedo, com força, puxando-o apenas o suficiente para fazer meu couro cabeludo doer. "O vermelho é, na verdade, minha cor favorita ... Estou pensando em pintar o meu carro de vermelho e tudo”. Ele puxa meu cabelo com um pouco mais de força, observando minha reação com fascinação. "Na verdade, eu acho que eu vou chamar-lhe assim a partir de agora”. Eu não sei se concordo com o seu apelido para mim, porque eu não posso opinar, mas acho que a personagem de quadrinhos Marvel Red Sonja, que era uma mulher ruiva, surpreendentemente bela e sedutora que abalava em um biquíni, não me descreve bem, exceto pelo meu cabelo vermelho. Ele libera o meu cabelo e enfia as mãos nos bolsos da calça jeans folgadas. "Eu venho buscá-la às oito", diz ele, e depois se afasta e volta para suas ferramentas espalhadas na calçada em frente ao seu carro. Eu o vejo se curvar, esfregando minha cabeça onde ele puxou meu cabelo, borboletas esvoaçantes no meu estômago. Tem que ser um encontro. Eu estou indo no meu primeiro encontro. Estou praticamente pulando quando entro na sala de estar. Minha mãe deve notar minha atitude excessivamente feliz, também, porque ela imediatamente me dá um olhar estranho quando ela olha para cima pintando as unhas dos pés no sofá. "Maneater", de Hall & Oates está tocando a partir do aparelho de som, e há uma espécie de novela na televisão, mas o volume está baixo. "Por que você está tão feliz?", ela pergunta conforme ela lixa toda a sua unha. Eu me jogo no sofá que está do outro lado ao que ela está sentada, pego um travesseiro, e coloco-o no meu colo. "Um cara me pediu para sair”. Ela olha para mim. "Você quer dizer aquele que tem sido a causa do excesso de poda no meu gramado da frente”. "Eu não tenho ideia do que está falando”. Eu fico muda, não porque eu tenha medo de que ela vá me provocar ou me dizer que ele é muito velho para mim. Mas porque eu tenho medo de que ela vá roubá-lo.


"Claro que não”. Ela balança a cabeça, sorrindo enquanto ela gira a lixa novamente. "Então, ele finalmente pediu para sair?" "Sim", eu digo a ela, abraçando o travesseiro contra o meu peito. Ela reflete sobre isso. "Ele caiu na rede. Estou orgulhosa de você, Delilah”. Sinto esse pingo de orgulho quando ela diz isso, e o sol parece um pouco mais brilhante, como se eu não estivesse de pé na sua sombra. Então ela se vira no sofá, lança os pés sobre a mesa de café na frente dela e dá um tapinha no local no sofá ao lado dela. "Venha sentar ao meu lado para que possamos conversar”. Eu suspiro levantando-me, e atravessando a sala, sentando-me ao lado dela. "Por favor, me diga que você não vai me dar uma conversa sobre sexo, porque eu já sei como isso funciona”. Ela levanta as sobrancelhas para mim com curiosidade. "Quão bem você sabe?" Por alguma razão, eu sinto vergonha conforme eu admito a verdade. "Não tão bem”. Meu rosto cora. "Quero dizer, eu ainda sou virgem”. Ela me olha por cima, como se estivesse tentando pesar se esse fato tem alguma coisa a ver com a minha aparência ou não. Eu não tenho certeza do que ela decide, mas quando ela olha para longe, ela chega para a bolsa sobre a mesa. Ela abre, olha, e tira algo. "Leve isso com você”. Ela me dá o que está na sua mão. Eu olho para baixo, um preservativo. "Mãe, eu não acho ─" "Você não pode pensar que nada vai acontecer", ela me interrompe. "Mas você é uma menina bonita, Delilah, e se você decidir usar essa beleza, eu quero ter certeza de que você tem controle sobre a situação”. Ela se levanta e caminha desajeitadamente em direção ao corredor, porque as unhas dos pés ainda estão secando. "Nunca deixe o cara tomar decisões por você", ela fala por cima do ombro, saindo do quarto. Tanto quanto eu estava com ciúmes da minha mãe, ela tinha um excelente ponto. Um que eu gostaria de ter ouvido em um nível mais profundo, tomado como um aviso sutil não apenas para me proteger de sexo, mas para me proteger de me machucar, perder, me perder. É engraçado, mas foi uma das últimas conversas reais que tivemos que realmente quis dizer algo. Como o passar dos anos, nós nos


afastamos e quando eu saĂ­, ela nunca veio me procurar. Eu me pergunto se ela vai descobrir que eu morri. Ou quando ou se meu corpo for descoberto, eu vou acabar como outra insignificante e nĂŁo identificada Jane Doe.


Capítulo 5 O vestido Vermelho Dylan não estava mentindo quando disse que viria me pegar. Na verdade, ele foi até a minha casa, mesmo que eu estivesse pensando em me encaminhar para o jardim da frente para que pudéssemos nos encontrar. Minha mãe foi a pessoa que atendeu a porta, e eu posso ouvi-la conversando com ele na sala de estar, rindo. O som é heavy metal para os meus ouvidos, e eu espero que ela esteja vestindo roupas, mas eu duvido. Eu estou tentando me apressar e ficar pronta. Eu estava tão nervosa que não conseguia descobrir o que vestir. No começo eu estava pensando em algo mais ao longo das linhas do meu guardaroupa normal, como jeans skinny, sandálias e, talvez, um top chique. Mas, então, eu não poderia deixar de me lembrar da menina peituda, loira, chamada Nikki e o vestido de couro sacana que ela estava usando, e como ela chamou a atenção de todos quando ela estava dançando no carro. Então eu decidi por algo um pouco menos Delilah e um pouco mais sexy e adequado para o apelido de "Red". "Heart of Glass", de Blondie está tocando em meu toca-discos conforme eu tento algum penteado do tipo elegante de ‘faça e dance ao redor de vez em quando’. Mas está quente, e o ar sufocante está fazendo o meu cabelo murchar. Eu queria fazê-lo parecer muito sexy desde que Dylan estava brincando com ele, mas eu estou perdendo a esperança, conforme ele se solta dos clipes. Finalmente eu puxo todos os fios para fora e corro meus dedos por eles, tornando-os um pouco ondulados. Então eu pinto meus lábios com um batom vermelho, que roubei escondido da maquiagem da minha mãe. Depois adiciono um colar de pérolas, a fim de aparentar mais idade, vou até o espelho de corpo inteiro e analiso meu reflexo. Eu estou usando um vestido vermelho que abraça o meu corpo e um sutiã push-up10 rendado que tem estado no meu armário desde que minha mãe me deu quando eu tinha quatorze, tendo eu mesma

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Sutiã para aumentar o volume dos seios.


que tirar as etiquetas. Mas é acolchoado e tem uma espuma que sustenta os meus seios no topo do decote. "Eu tenho decote", eu digo, virando para o lado e saindo com orgulho em meu peito, conforme eu corro minhas mãos sobre minhas curvas. Meu cabelo correndo para meus ombros e as pérolas brancas contrastando com os saltos pretos sensuais, mas isso é o de menos e pela primeira vez eu realmente gosto de como eu pareço. Porque eu não sou sem graça. Invisível. Eu incendeio como o fogo. Pela primeira vez, sinto-me confiante. Eu me sinto como Red. Mas, então, minha mãe anda em meu quarto, vestindo apenas um shortinho de seda e um top sem sutiã, e de repente a ilusão da deusa se quebra no espelho. "Você está bonita", diz ela, depois de abrir a porta. "Obrigado", eu digo, estendendo a mão para o meu perfume em cima da cômoda. "Dylan está lá fora esperando?" Ela balança a cabeça e, em seguida, deixa a porta aberta quando ela vai embora. Eu respiro fundo, sentindo meus nervos tremerem dentro de mim, mas mantenho meu queixo erguido quando eu pego minha bolsa e caminho em direção à sala de estar. Quando eu entro, Dylan está de costas para mim conforme ele olha para algumas das fotos na parede, do que costumava ser a minha família. Eu não tenho certeza de como chamar a sua atenção, então eu limpo minha garganta. Ele se vira, e eu agarro minha bolsa enquanto ele varre sobre a minha roupa, meu cabelo, meu corpo. "Você está maravilhosa", diz ele com luxúria em seus olhos, o que me fez feliz por escolher o vestido vermelho. Minha

respiração

lenta,

instável

exala

pelos

meus

lábios.

"Obrigada”. Ele olha por cima de mim novamente e mais luxúria irradia dele. "De nada", diz ele, e depois me oferece a mão. Eu entrelaço e mais uma vez eu sinto a magia do seu toque, enquanto ele me leva para a porta. Eu pensei que a noite estivesse tão cheia de magia e possibilidades que eu iria mudar por causa disso. E eu fiz. Mas não para melhor.


Capítulo 6 Red e o Lobo Mau Verões

em

Maple

Grove

são

surpreendentemente

quentes,

considerando o quão intenso nossos invernos são. São oito e meia da noite e ainda está tão quente quanto ao meio-dia. Mas eu estou me divertindo com o calor enquanto eu passeio pela feira com Dylan ao meu lado, o cheiro de algodão doce e maçãs de caramelo no ar, os sons de montanhas-russas e outros passeios no fundo. Luzes piscando em todos os lugares. É uma noite mágica e eu me sinto como a Cinderela no baile, especialmente com a forma como Dylan continua olhando para mim e como ele segura a minha mão para que todo o mundo veja e não solta, mesmo quando alguns de seus amigos se juntam a nós por um tempo. Nós gastamos muito tempo circulando e vendo o que ele me deixa escolher, nunca reclamando, mesmo quando eu digo que quero andar na roda-gigante, o que é conhecido como o 'passeio de casal'. Ele me diz que eu fico bonita, que ele gosta de meu riso. Ele sorri muito. Ele tem um sorriso muito bom, um que faz com que as pessoas virem suas cabeças e que me faz esquecer de como respirar. No momento em que estamos saindo do Tilt-A-Whirl11, que foi o ponto alto da noite, estou tão feliz que dou alguns pulinhos enquanto estou descendo pela rampa de saída com os braços na minha frente, sinalizando todo o caminho até o fundo. Dylan ri quando eu chego ao fundo. "Isso foi impressionante”. "Não foi nada", eu digo com orgulho e, em seguida, faço uns fouetté12, balançando minha perna enquanto eu giro no lugar em um dedo do pé. Eu sorrio quando eu termino e Dylan sorri de volta, completamente entretido, e isso me faz sentir quente e sem ar. Em seguida, ele pisa na rampa de saída e esfrega a mão na parte inferior das minhas costas antes de assentir. "Então, Red”. Ele está vestindo um par de jeans escuro, um pouco desfiados. Sua camisa preta é apenas apertada o suficiente para que eu possa ver quão sólido é seu peito. Ele também tem um boné de beisebol preto, que ele está 11 12

O Tilt-A-Whirl é um brinquedo, composto por sete carros em uma plataforma giratória. Um passo de balé em que o movimento da perna de trabalho faz com que o corpo rode.


usando para trás, escondendo o cabelo, mas ele ainda parece tão sexy como quando ele está trabalhando sem camisa em seu carro. "Conteme algo sobre você”. "Como o quê?", eu pergunto, brincando com a alça do meu vestido, minha pele úmida do calor e dos movimentos de dança. Ele dá de ombros. "Qualquer coisa", diz ele. "Quem é você? De onde você é? Quero aprender mais sobre você”. Eu agito minha mão na frente do meu rosto. "Bem, na verdade eu costumava viver em Fairmont, mas a minha mãe e meu pai se divorciaram há alguns anos e nos mudamos para cá porque minha mãe precisava começar de novo”. "Você nunca vai visitar o seu pai?", pergunta ele, me olhando conforme nós caminhamos, as luzes ao redor refletem em seus olhos. Eu balanço minha cabeça. "Eu não o vejo desde o divórcio”. Ele me dá um olhar simpático. "Isso é péssimo”. Concordo com a cabeça, olhando para uma barraca de maçãs do amor ao meu lado. "Sim, mas provavelmente é melhor assim”. Há uma breve pausa e quando eu olho para ele, ele está me dando um olhar interrogativo. "Como você sabe?", ele pergunta. Eu dou de ombros, parando e esfregando os calcanhares contra a sujeira. "Bem, ele queria fazer tudo de novo também, como a minha mãe, só que em vez de se mudar, ele tem uma nova família perfeita, e eu realmente não me encaixo nessa imagem”. Seus olhos de laser apreciam minhas pernas, meu decote, pescoço, finalmente desembarcando em meus olhos. Seus olhos estão focados e lindos, e sua atenção me faz sentir especial. "Você parece muito perfeita para mim”. Minhas bochechas aquecem com seu elogio. Nenhum cara jamais falou comigo assim, e eu sinto que vou me derreter. "Obrigada, mas eu não acho que ele concorde," eu digo, e começamos a andar novamente. "Na verdade, ele deixou isso muito claro quando ele cedeu à custódia total para a minha mãe, porque ele", ─ Faço aspas no ar ─, "não tem tempo para cuidar de uma adolescente da maneira certa”. Eu abaixo minhas mãos aos meus lados. "Qualquer que seja o inferno que isso signifique”. "Eu acho que o seu pai é um idiota", diz ele com tanta raiva em sua voz que me assusta um pouco. Eu deveria ter me assustado mais. Eu


gostaria de poder voltar e agitar essa menina, dizer-lhe para acordar e ver os sinais, mas eu não posso. Tudo o que posso fazer é lembrar. Ele estende a mão e acaricia minha bochecha. A raiva ainda está lá, e eu posso sentir a mão trêmula. "Como ele poderia não te querer?" Suas palavras são tão avassaladoras que eu começo a tremer, lutando para manter minhas pernas firmes. Ele pode sentir isso, também, e ele traz a sua outra mão para cima e prende meu rosto entre suas mãos. "Ei, você quer ir para algum lugar mais privado?", pergunta ele, um sorriso lento se espalhando pelo rosto. "Em algum lugar onde poderíamos conversar um pouco mais, sem todo o barulho e caos”. Concordo com a cabeça ansiosamente. "Sim, eu realmente gostaria disso”.

Ele me leva até Star Lookout, lugar conhecido pelos adolescentes para namorar. Eu nunca estive lá, mas uma vez que chego lá em cima eu percebo o fascínio do lugar. Ele tem uma vista deslumbrante da cidade, as luzes brilhantes embaixo e as estrelas cintilantes em cima. Além disso, é tranquilo e não há ninguém por perto, por isso temos um monte de privacidade. "Você sabe, eu costumava vir muito até aqui na época da escola", ele admite, depois de estacionar e puxar o freio de mão, deixando o ar condicionado e o rádio ligados, juntamente com os faróis. Quero perguntar-lhe se ele trouxe outras meninas aqui em cima, mas não querendo parecer absurdamente ciumenta, eu pergunto: "Você veio este ano?" Ele balança a cabeça. "Eu não frequento a escola há dois anos”. Ele faz uma pausa, observando-me. "Eu saí no início do meu primeiro ano”. "Oh”. Eu não tenho certeza de como responder. "Você me acha inferior agora?", pergunta ele, mais entretido por minha reação desconfortável do que qualquer coisa. "Já esteve em um encontro com um estudante que abandonou a escola?"


"Não realmente”. Dirijo-me no meu lugar e o enfrento, colocando o meu vestido sob minhas pernas. "Eu não sou tão grande assim na escola, mesmo”. "Sim, mas você ainda vai ser", ele diz, girando em sua cadeira e inclinando-se contra a porta, sua atenção ainda fixa em mim. "Eu escolhi desistir e ser um vagabundo”. "Você não é um vagabundo", digo a ele. "Você trabalha”. "Sim, mas eu não tenho um emprego estável", diz ele, a amargura deslizando em sua voz por um breve momento. "Eu sou apenas um perdedor liquidado aos dezoito anos”. Meu coração dói por ele. "Eu não acredito que isso seja verdade”. "Sim, mas você mal me conhece. E se você perguntasse ao meu pai, ele ia dizer-lhe como você está errada". "Bem, eu acho que o seu pai é um idiota. Na verdade, a maioria é”. Ele senta-se calmamente no escuro por um momento, e quando ele fala novamente ele parece calmo e contido. "Você acha"? Eu aceno, amando que eu o fazia se sentir melhor. "Eu sei que sim”. Ele foge para perto de mim e se inclina para frente, para o console. "Você sabe, Red, você é muito sábia para uma garota de dezesseis anos de idade”. Minha expressão cai imediatamente. "Eu tenho dezessete anos”. Ele chega para mim e pega uma mecha do meu cabelo. "Eu acho bonito você estar tentando fingir que é mais velha", diz ele. "Mas, eu prometo que não importa”. Ele joga com o fio do meu cabelo, puxandoo. "E um conselho. A próxima vez que você mentir sobre sua idade, você deve deixar sua mãe saber". "Ela lhe disse”. Eu franzo a testa, sentindo-me ridícula. Ele ri humilde. "Ela realmente me disse muito”. "Como o quê?" Ele começa torcendo meu cabelo em torno de seu dedo, forçando minha cabeça para mais perto dele, quase como se ele estivesse me trazendo para ele. "Muitas e muitas coisas, como o fato de você nunca


ter tido um namorado antes", diz ele, parecendo satisfeito. "Mas, não vamos falar sobre isso”. Então, não me dando nenhum tempo para me sentir envergonhada, ele puxa meu cabelo um pouco e meu lábios batem nos dele. O gosto dele me atinge. Eu me sinto alta. Poderosa. Intoxicada. E a sensação só cresce conforme ele me puxa para cima do assento e para o seu colo, assim estou montando-o, e ele faz isso de alguma forma, sem quebrar o beijo. No início, tudo começa inocentemente. Nossas línguas suavemente procurando a boca um do outro, ele brincando com meu cabelo e correndo os dedos ao longo dos meus ombros. Ele até estremece uma vez quando eu mordo suavemente seu lábio inferior, algo que eu vi uma mulher fazer na televisão uma vez. Em seguida, a mão começa a vagar debaixo do meu vestido, avançando sob o tecido. E quanto mais aquecido nosso beijo fica, maior a palma da mão desliza para cima, até que finalmente ele está apalpando minha bunda. Eu nunca fiz isso com um cara antes, e sinto-me sem fôlego, animada e apavorada, tudo ao mesmo tempo, porque é novo e eu não estou cem por cento certa de que eu deveria querer que ele me tocasse dessa maneira, tanto quanto eu quero. Estou tão confusa, e minha confusão só aumenta quando ele se inclina para trás, agarrando a parte inferior do meu vestido, e puxa-o sobre a cabeça, sem sequer me dar tempo para reagir. Mas ele parece realmente distraído agora quando ele joga o vestido de lado, com os olhos bebendo meu corpo. Eu ainda estou com medo, embora quanto mais tempo ele me olhe com desejo ardente em seus olhos, mais relaxada me sinto. Mas, quando ele pega o fecho do meu sutiã, eu entro em pânico. "Eu nunca fiz isso antes", eu despejo, cruzando os braços sobre o peito. Seus olhos lentamente deslizam para cima, para os meus olhos. "Eu meio que adivinhei isso", diz ele, colocando a mão no meu rosto e molhando os lábios com a língua. Sinto-me transparente, não mais especial, como me senti na feira. "Eu sinto muito”.


"Está tudo bem", diz ele, buscando brevemente meus olhos. "A primeira vez pode ser assustadora, mas eu prometo que vai valer a pena”. Eu engulo em seco, porque eu não tenho certeza se queria a minha primeira vez agora. Eu tento descobrir a melhor maneira de dizer-lhe, quando ele se aproxima e desabotoa meu sutiã, mas estou em conflito entre querer que ele continue a me tocar, me olhando assim e querendo que ele parasse. "Deus, você é linda", diz ele, quando o sutiã sai do meu corpo e meus seios estão expostos. Ele estende a mão e esfrega seu dedo em meu mamilo com fome em seus olhos, e eu suspiro. O ruído parece transformá-lo mais, a fome escurece e o domina, respirando irregularmente, e isso me faz sentir poderosa por um momento. "Eu só quero te beijar toda”. Ele continua tocando meu peito quando ele se inclina para frente para me beijar, e meu estômago gira com as emoções. "Eu prometo isso será bom", diz ele com os lábios pairando sobre mim. "Mas e se eu não puder", eu sussurro, me odiando no momento por não ser mais confiante, por não ser capaz de ser como minha mãe e seu momento. "Você pode", ele diz. "Eu cuidarei de você”. Eu não quero deixá-lo louco, mas ao mesmo tempo eu tenho o pavor emanando pela minha mente maldita. "Mas eu não tenho certeza que estou pronta", eu digo, sentindo um pouco do peso sendo tirado dos meus ombros, até que ele se inclina um pouco para trás e olha para mim com intensa emoção em seus olhos parecendo prestes a explodir. Ele está com raiva de mim e já não está olhando para mim como se ele me quisesse. Eu posso me sentir desaparecendo, desaparecendo de volta para Delilah. Tornando-me a Mulher Invisível novamente. "Talvez eu deva levar você para casa", diz ele, inclinando-se para longe e olhando para fora da janela, e não para mim. Minha mente está correndo, e eu continuo sentindo-me desaparecendo quanto mais tempo ele olha para longe de mim. E então ele começa a me afastar e eu abro minha boca para protestar, mas tudo o que sai é: "Espere, eu quero fazer isso".


Eu não tenho certeza se é a coisa certa a dizer, mas ele olha para mim e eu não me sinto nem um pouco melhor. No entanto, por algum motivo, me sinto mais ponderada na medida em que a pressão aumenta dentro de mim. "Tem certeza?", pergunta ele, inclinando-se mais perto, seus olhos focados em meu seio. Eu dou um aceno muito instável, todo o meu corpo treme. Em seguida, ele olha para mim e a luxúria em seus olhos é tão avassaladora que eu tenho que fechar meus próprios olhos. Segundos depois, ele me beija e eu o beijo de volta, deixando as mãos vagarem por todo meu corpo, sentindo sua pele, me tocando. Quanto mais tempo ele me acaricia, mais estável eu me torno. Eu não me sinto tão nervosa. Com medo. E quando ele me estabelece no banco de trás do carro e olha para mim, eu literalmente perco-me nele. Vou poupar os detalhes do resto, que fizemos sexo, doeu, e ele me segurou depois. Essa foi provavelmente a única parte que eu gostei sobre aquela noite; deitada no banco de trás de seu carro com a cabeça descansando sobre o peito, os meus pensamentos correndo um milhão de milhas por minuto. Mesmo olhando para trás agora, eu ainda fico confusa sobre o que estava acontecendo na minha cabeça naquela noite. Porque eu não podia vê-lo como realmente era. Por que eu não poderia ter sido mais forte e dizer-lhe que eu não estava pronta. Por que eu não pude simplesmente fazer o que eu queria fazer, ao invés do que ele queria. Por que eu não pude ver que eu não era Odette e ele não era o príncipe Siegfried. Que ao invés disso, eu era Chapeuzinho Vermelho e ele o Grande Lobo Mau.


Capítulo 7 O Trovão Antes da Chuva É engraçado que quando eu olho para trás em minha vida, eu posso ver todos os erros que eu cometi e como eu estava cega por querer ser notada. Eu passei muitos anos na sombra da minha mãe até que um cara finalmente reparou em mim, e eu pensei que isso me faria mais forte. Mas, realmente, ele só me fez mais fraca. Talvez se eu soubesse o que estava à minha frente, eu tivesse ficado nas sombras e passado despercebida. Mas, honestamente, eu duvido. Eu acho que eu era muito vaidosa no momento para acreditar que qualquer coisa poderia acontecer para mim, especialmente a morte. E agora, tudo o que posso fazer é ficar aqui na água fria, olhando para as nuvens da tempestade, ouvindo meu coração esmorecer, e refletir sobre como eu vivi minha vida... deixar minhas memórias assumirem e me assombrarem... Apesar de a minha primeira vez ter sido estranha e desconfortável, eu acabei fazendo muito sexo com Dylan. Em meados de julho, estamos cem por cento consumidos um pelo outro, gastando todas as horas juntos. Nós fomos a festas e, em vez de sair para o meu quintal da frente, observando-o trabalhar em seu carro, eu sento-me em uma cadeira dobrável ao lado do carro enquanto falamos. Não quer dizer que tudo é perfeito. Às vezes discutimos sobre coisas, como o que vamos fazer à noite. Não é nada importante e nós fazemos as coisas funcionarem. Além disso, ele sempre me faz sentir especial. Sempre segura minha mão. Sempre me beija. Me toca. Sempre permite que todos saibam eu sou sua. Eu agora praticamente ando com um enorme sorriso no meu rosto durante semanas, algo que minha mãe notou. "Deus, eu esqueci o quão excitante tudo é quando você é jovem", ela comenta quando eu entro na cozinha usando o vestido vermelho, porque eu amo como Dylan olha para mim sempre que eu o uso.


Eu pego uma garrafa de água da geladeira e caminho para a porta, fazendo um pouco de pirueta. "Ah, seja jovem de novo", eu brinco, e parte de mim ama que ela está olhando para mim com uma pitada de ciúmes em vez do contrário. Que eu não me sinto em uma posição tão insignificante, no mesmo lugar que ela quando ela está vestindo nada além de uma camisola. "Então, onde você irá hoje à noite?", ela pergunta enquanto pega uma panela para cozinhar o jantar. Eu verifico o meu reflexo no espelho pequeno na parede. "Para uma festa”. Ela abaixa a panela no fogão. "Você está se cuidando, certo"? Eu concordo. "Sempre”. Ela ajusta a temperatura da chama. "Bom”. Eu saio da sala e busco a minha bolsa antes de sair para encontrar Dylan. O pôr do sol está se aproximando e as nuvens de tempestade estão rolando. Eu ouço uma explosão à distância, o trovão antes da chuva, eu volto para casa e agarro a minha jaqueta do cabide. Eu a coloco enquanto atravesso o gramado e rodeio a cerca para a entrada de Dylan. Então, eu me sento no capô de seu carro e espero por ele para sair, porque ele me disse para nunca bater na porta, que sua mãe odeia quando as pessoas aparecem. Mas de vinte minutos se passam e ele ainda não chegou lá fora. Eu olho a porta, desejando que ele saísse logo, mas permanece fechada. O céu começa a trovejar novamente. Relâmpagos e raios em toda a terra. E então a chuva vem caindo. Eu salto do carro e corro até a porta da frente, encharcada pelo tempo que eu chego lá. Hesito antes de eu bater calmamente. Ninguém responde então eu bato um pouco mais duro, me assustando quando se abre. Dylan está lá com mais raiva em seus olhos que eu jamais vi, e é toda dirigida a mim. "Eu pensei que houvesse lhe dito para não bater na maldita porta", ele rosna, seu peito arfando com sua respiração. Eu tropeço para trás e para a chuva. "Eu sinto muito”. Sua mãe começa a gritar no fundo, dizendo-lhe para fechar a maldita porta, que ele está na merda por fazer barulho e acordar seu


pai. Que ele é um fodido. Com cada uma de suas palavras, ele fica mais tenso. Mais irritado. Mas ele não diz nada de volta. Ele apenas se enfurece e sai, batendo a porta atrás. Ele não diz uma palavra quando ele esbarra em mim, pisando através das poças até seu carro, e entrando. Eu fico na varanda, na chuva, meu casaco encharcado, me perguntando se eu deveria seguilo. Ele parece tão irritado que eu não tenho certeza do que fazer. Mas, ele continua sentado em seu carro com o motor ligado, como se ele estivesse esperando por mim, então finalmente eu corro para o carro e salto para dentro, no banco do passageiro. Seus dedos estão brancos conforme ele agarra o volante, inspirando e expirando. Ele não está vestindo uma jaqueta, sua camiseta está encharcada, e gotas de chuva rolam sobre sua pele. "Você está bem?", pergunto, limpando um pouco da chuva na minha testa. Ele não olha para mim. "Eu estou bem", diz ele com frieza, e, em seguida, ele coloca o carro em marcha à ré e pega a estrada. Ele não fala enquanto dirige pela rua em direção à periferia da cidade. Quanto mais tempo se passa em silêncio, menor me sinto. Eu vejo os prédios e casas desfocarem, a chuva cair contra o chão e lavar tudo. "Desculpe-me, por eu ter batido na porta", eu finalmente digo quando ele sai da rua principal e entra em uma estrada de terra onde as árvores se alinham lado a lado e as montanhas estão ao longe. "Não importa se você está arrependida", diz ele, a sua atenção para a frente na estrada. Eu posso ver o relâmpago refletir em seus olhos toda vez que se ilumina, acendendo a sua ira. Eu começo a ficar nervosa. "Onde estamos indo? A festa é por aqui ou algo assim"? Ele não me respondeu e alguns minutos mais tarde, ele para o carro em uma margem, abaixo de um dossel de galhos de árvores. Eu olho em volta, me perguntando por que estamos aqui, me perguntando por que ele não olha para mim. Querendo saber se algum dia ele vai olhar para mim novamente. Sem dizer uma palavra, ele desliga o motor, sai do carro, e está na chuva na frente do carro. Eu vejo-o abaixar a cabeça, a chuva batendo


em cima dele, fazendo-o afundar mais baixo, como se estivesse se afogando. Finalmente eu saio do carro e dou passos hesitantes em direção a ele, o chão abaixo de mim é macio, e minhas sandálias afundam. Quando eu o alcanço, ele não olha para mim imediatamente. Ele olha para o chão, uma trilha fina de água escorrendo da testa. Quanto mais tempo dura o silêncio, mais eu gostaria que ele olhasse para mim. Por favor. Eu não aguento mais o silêncio. A invisibilidade. Eventualmente, ele me dá o que eu quero sem pedir, elevando o queixo, e seus olhos travam com o meu. Parte de mim deseja que eu pudesse ter de volta meu desejo interior, que eu pudesse dizer-lhe para olhar para o chão, porque ele está olhando para mim como se ele me odiasse. "Sabe o que você fez?", pergunta ele, dando um passo para frente. "Com o quanto eu vou ter que lidar por você ter batido naquela maldita porta?" "Eu disse que estava arrependida", eu digo a ele com uma voz trêmula. "Mas você não estava saindo, e eu não sabia de outra maneira para conseguir que você saísse”. Minhas desculpas o tornam mais irritado, seu rosto vermelho. "Então você deveria ter apenas esperado no carro como eu lhe disse”. "Mas estava chovendo", eu digo, passando os braços em volta de mim quando o frio se infiltra em meus ossos. "E eu estava com frio”. "Frio". Ele rosna para mim, fúria queimando em seus olhos, como trovões e relâmpagos pressionando acima de nós. "Você fez da próxima semana da minha vida um inferno porque estava com frio”. Ele deixa escapar essa risada aguda, mas não porque ele acha que é engraçado. Ele começa a andar na frente do carro, correndo os dedos pelo cabelo molhado, cerrando os punhos. "Você sabe como é ter alguém gritando com você o tempo todo?" Ele faz uma pausa, como se ele estivesse esperando por mim para responder, e eu balanço minha cabeça. "Claro que não”. Ele ri de novo, e está cheio de tanta dor e raiva que faz meus cabelos em pé. "Eu nunca deveria ter me envolvido com você", diz ele. "Você é muito imatura. Eu sabia, e ainda assim, eu deixei passar, porque eu queria você”. Ele se afasta de mim e começa a caminhar na direção das árvores, como se ele fosse desaparecer na floresta e me deixar sozinha. "Deus, você não pode sequer ouvir uma simples ordem”.


Eu entro em pânico quando ele se afasta de mim, não querendo ficar sozinha, e, finalmente, eu corro atrás dele. "Dylan, eu sinto muito", eu digo. "Eu prometo que eu vou ser melhor. Diga-me o que posso fazer para melhorar”. Eu o alcanço e envolvo meus dedos em torno de seu braço, tentando puxá-lo de volta para mim. Assim que eu o toco, sinto ondulações através de seu corpo. Eu nem sequer percebi o que estava acontecendo até que estivesse terminado. Até seu punho colidir com a minha bochecha. Até que meus ouvidos começam a apitar. Até que o mundo girasse. Até a dor surgir. Eu toco minha bochecha dolorida enquanto ele está na minha frente, olhando muito mais calmo, enquanto as lágrimas quentes se derramam pelo meu rosto e as gotas de chuva as lavam instantaneamente. Quando eu reproduzo o momento em minha mente, eu posso ver como a minha dor trouxe-lhe algum tipo de paz na sua própria dor interna, a dor que eu nunca iria entender completamente. Mas no momento eu não enxerguei. Na época, eu só senti a minha própria dor e vergonha. Minha própria preocupação do que isso significava, que estava tudo acabado. Que eu não era mais Odette. O cisne. Que me tornaria Delilah novamente. Parecia tão repulsivo. Tão horrível. Tornar-me aquela menina novamente. A única que ninguém via. A única que vivia nas sombras. Deus, o que eu daria para ser aquela garota novamente.


Capítulo 8 A morte de Delilah e o surgimento de Red Durante o próximo par de dias, eu mantenho a minha distância de Dylan, e ele parece estar mantendo distância de mim. Eu o vejo trabalhando em seu carro às vezes, mas não me atrevo a sair, com medo do que ele possa dizer para mim, com medo de que ele possa me bater de novo, com medo de que ele possa me dizer que ele realmente não me quer mais, que ele nunca mais queira me ver novamente. Eu gostaria de dizer-lhe que parte da razão pela qual eu mantive minha distância era porque eu estava brava com ele por me bater, mas infelizmente não era esse o caso. Nunca a raiva passou pela minha cabeça sobre isso. Somente o medo. Eu tinha tanto medo de estar sozinha, que mais uma vez minha mente se consumiu. O medo apenas cresceu sempre que eu passava um tempo na cozinha, tomando café da manhã com minha mãe e seu mais recente caso de uma noite. "Seu rosto parece estar curando," minha mãe observa enquanto derrama xarope em uma pilha de panquecas. É o quinto dia consecutivo que eu como café da manhã com ela e um cara diferente. Eu toco minha bochecha, lembrando o estalar de um relâmpago antes do tapa, lembrando como Dylan me deixou em casa sem dizer uma palavra, e quando minha mãe me perguntou o que aconteceu, eu disse que entrei em uma briga com uma garota em uma festa. "Ainda dói, porém", eu digo. "Bem, talvez você devesse andar longe das lutas da próxima vez", diz ela, cortando suas panquecas com o garfo. Seu garoto de vinte e poucos anos com um cavanhaque olha por cima de suas panquecas. "Por quê? Lutas de garotas são quentes". Ela sorri para ele, esse sorriso assombroso, e eu tenho certeza que ele puxa sua respiração. Irrita-me a maneira como ele está olhando


para ela, e eu quero que ele pare com isso. Eu quero que ele olhe para mim. "Eu entro nelas o tempo todo", eu digo, tentando levá-lo a desviar o olhar da minha mãe. Ele não faz. Na verdade, ele se inclina e a beija. Alguns toques e gemidos depois, eles estão no quarto da minha mãe e a música tocando. E mais uma vez eu me tornei a Mulher Invisível, sentandome nas sombras da cozinha, o silêncio ao meu redor. Eu como minhas panquecas, levando meu tempo, sabendo que quando eu terminar eu não vou ter mais nada a fazer. Eu estou engolindo o meu último pedaço quando ouço uma batida na porta. Levanto-me e faço meu caminho até a porta, tristeza me dominando. Eu já não me sinto como Odette. Nem mesmo um cisne. Minhas asas se foram, toda a magia que Dylan criou está morta e eu sinto que morri junto. Então eu abro a porta, e ele está ali com uma única rosa na mão. Seus olhos estão em mim, remorso no rosto, dor e tristeza sombreando seus olhos. "Sinto muito", diz ele com agonia em sua voz. Seus olhos param em meu rosto, onde um pouco de vermelho ainda permanece. "Eu estava tão chateado e eu... Deus, eu sou um idiota total, por te bater assim”. Ele faz uma pausa, como se ele estivesse esperando que eu dissesse alguma coisa, mas não consigo encontrar a minha voz. Assim, ele chega mais perto da porta e eu não passo para trás. "Eu estava chateado... minha mãe estava gritando comigo a manhã toda e isso só, me dá tanta raiva... sempre”. Ele engole em seco. "Eu prometo, eu nunca vou te machucar novamente. Juro por Deus, se você me der outra chance...” Ele se atreve a tocar meu rosto e prende minha bochecha na palma da mão. "Por favor, me diga que você vai me dar outra chance”. Quando suas palavras me atingem, o mesmo acontece com a música do quarto de minha mãe. Ambos me oprimem, um me leva embora, outro me traz de volta à luz que eu quero tão desesperadamente. Eu nem tenho certeza se eu acredito nele totalmente, mas eu digo a mim mesma que sim e eu aceno. "Eu te perdoo", eu digo.


Ele sorri, inclinando-se para me beijar, e eu o beijo de volta, deixo seu beijo me consumir e tornar tudo melhor. Poderíamos olhar para isso como o ponto em que a minha queda começou, onde eu fiz a escolha errada que levaria à cinco anos de escolhas erradas, para finalmente me conduzir ao meu corpo meio espancado sendo deixado para morrer perto da margem do rio, refletindo sobre a minha vida, em vez de vivê-la. Mas eu não acredito que foi. Acredito que começou a cair no momento em que coloquei aquele vestido vermelho; no momento em que deixei de ser quem eu realmente era. No momento em que me mudei para outra pessoa, simplesmente porque ele me notou. O momento em que eu parei de ser Delilah e me tornei Red.


Delilah vol. 2.5 (revisado) - Jessica Sorensen