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Quando   tudo  parecia  estar  andando  nos  trilhos,  seguindo  a  ordem  natural  dos  relacionamentos  saudáveis,  Alayna  Whiters  precisa  novamente  lidar  com  suas  obsessões.   Agora,   porém,   a   situação   é   um   pouco   diferente,   já   que   ela   possuo   o  amor   correspondido   (diferentemente   do   passado   em   que   até   ordem   judicial  foi   expedida   para   mantê-­‐la   longe   do   ex).   O   que   a   atormenta   então?   No  segundo  livro  da  trilogia  Fixed,  iniciada  com  Por  você,  Laurelin  Paige  mostra  a  evolução   do   relacionamento   entre   Alayna   Whiters   e   o   bilionário   Hudson  Pierce   numa   trama   que   envolve   sexo,   desejo   e   superações.   Desta   vez,   o  romance   recheado   de   paixão   e   sexo   entre   Alayna   e   o   estonteante   Hudson  Pierce   é   pontuado   por   uma   série   de   contratempos.   Se   não   bastassem   os  fantasmas   do   passado   que   persistem   em   rondar   os   pensamentos,   Alayna   e  Hudson   tentam   de   todas   as   formas   manter   o   relacionamento   em   harmonia.   Tarefa  diRícil  quando  se  tem  em  jogo  a  presença  nada  agradável  da  matriarca  Sophia,  a  austera  e  egoísta  mãe  de  Hudson  e  Mira,  sempre  disposta  a  interferir  e   estragar   qualquer   momento   de   felicidade   alheia.   Um   misto   de   paranoia   e  emoções   intensas   aliada   à   traição.   Mesmo   com   todos   os   avisos   do   próprio  Hudson   e   da   cunhada   Mira   para   se   manter   longe   de   Celia,   Alayna   acredita   que  vai   encontrar   justamente   na   “patricinha”   a   cúmplice   ideal   pra   desvendar   os  segredos   e   as   atitudes   de   Hudson,   que   numa   surpreendente   inversão   de  papéis,   começa   a   demonstrar   atitudes   semelhantes   à   “antiga”   Alayna,   sendo  possessivo   e   dominador.   “Você   é   a   primeira   pessoa   que   conheci   que   me   faz acreditar  que  eu  posso  não  ser  louco...”  Dúvida,   culpa,   segredos...   Suposições,   teorias   e   desconRiança.   Tudo   junto   e  misturado   aliado   a   uma   mente   em   constante   “tratamento”.   Alayna   acredita  que   não   tem   a   capacidade   nem   o   merecimento   de   dividir   o   mesmo   teto   com  alguém  como  Hudson  Pierce  –  um  homem  bilionário  e  sedutor,  absolutamente apaixonado  e  disposto  a  realizar  todos  os  seus  sonhos,  inclusive  sexuais.


1 Parei na porta de entrada para o arranha-céu da Park Avenue e olhei para o nome do prédio gravado na pedra. The Bowery. Jordan já havia se afastado com o carro, atrás de mim. Ele provavelmente achava que eu estava segura o suficiente para ser deixada com o porteiro, que segurava a porta para mim enquanto eu estava congelada naquele pensamento. Isso era real, um passo gigante e profundo na vida de Hudson, mais profundo do que alguém já vivera antes. Eu estava animada, é claro. Eu amava aquele homem. Mas será que realmente o conhecia? Eu poderia realmente amá-lo baseada no pouco que sabia sobre ele? Seu endereço tinha sido um mistério para mim até dois minutos atrás, quando o motorista tinha me deixado ali. E o que eu encontraria no interior daquele edifício? O que haveria no interior de Hudson Pierce, o que haveria por trás da máscara que ele usava tão bem? Eu senti como se tivesse visto o verdadeiro Hudson, como se eu fosse, provavelmente, a única pessoa no mundo que realmente tivesse conseguido isso, mas sentia que mal tinha arranhado a superfície. Ainda havia muito para descobrir e aprender sobre o jovem magnata que conquistara o meu coração. Eu sabia que Hudson guardava alguns segredos. Ele abandonara aqueles seus jogos mentais e sua predileção por manipular as mulheres antes de me conhecer, mas a possibilidade de que seus hábitos passados pudessem retornar era algo muito real. Tão real quanto a possibilidade de meu retorno também. E esse era o medo que mais me assombrava, o de que eu pudesse ser conduzida de volta aos meus velhos hábitos de obsessão. Entre todos os relacionamentos que eu tinha destruído com a minha perseguição obsessiva e meus ataques de ciúmes infundados, eu sabia que foder com


este seria uma coisa que poderia me destruir. Felizmente, até agora, eu tinha sentido que estava bem com Hudson. Só o tempo diria se iria durar. O porteiro olhou para mim com uma expressão ansiosa no rosto, pensando se ele deveria continuar segurando a porta aberta para essa mulher indecisa, ou ele deveria deixá-la fechar-se. Eu o tranquilizei com um sorriso. – Só um minuto. Ele devolveu o sorriso com um aceno de cabeça e fechou a porta. Respirando fundo, olhei para o alto do prédio, onde o apartamento de cobertura de Hudson estaria, certamente. Eu nem sequer sabia se ele morava mesmo na cobertura. Ou se estaria acordado lá em cima... Será que ele estaria olhando de lá para mim? Será que ele poderia me ver aqui embaixo, hesitante? Ele me disse que estaria dormindo, e foi essa ideia que me deu coragem para me mexer. Eu não o deixaria esperando por mim e não queria que ele suspeitasse que eu tinha alguma dúvida. Porque eu não tinha dúvidas. Não sobre ele. Minhas dúvidas eram sobre mim, sobre se eu poderia lidar com o nosso relacionamento. E, na verdade, se eu deixasse as minhas esperanças se enraizarem – esperanças de que eu poderia finalmente ter um relacionamento verdadeiro com outra pessoa sem me perder em meus medos e nos hábitos do meu passado obsessivo – então até mesmo essa indecisão seria superficial. O porteiro sorriu de novo quando me encaminhei em sua direção, e abriu a porta para mim. No interior, outro homem sentava-se à mesa de segurança em frente aos elevadores. – Srta. Withers? – perguntou ele antes que eu tivesse a chance de informar-lhe o meu nome. Eu não deveria ter ficado surpresa. Hudson disse que ia deixar a chave para mim no balcão e eram 3:30 da madrugada. Quem mais poderia ser, se não eu?


Assenti. – O sr. Pierce deixou a chave para a senhorita. Os dois elevadores, à esquerda, podem levá-la para a cobertura. Basta inserir a chave no painel quando entrar. – Obrigada. As portas se abriram na hora em que apertei o botão de chamada. Dentro da cabine do elevador, minha mão tremia quando inseri a chave no painel, e fiquei agradecida por não estar à vista do segurança. A viagem para a cobertura foi rápida, mas não rápida o suficiente. Na hora em que consegui superar a minha ansiedade, a emoção tinha sido substituída pela impaciência. Eu queria estar na casa de Hudson, mergulhada em seus braços. Eu queria estar com ele e mesmo aquele minuto até chegar à cobertura acabou sendo muito tempo para ficar longe dele. As portas do elevador se abriram para um pequeno vestíbulo. Saí e vireime na única direção possível, encontrando-me em um hall de entrada. O espaço era sossegado, mas eu podia ouvir o som de um relógio em algum lugar nas proximidades, e havia poucas luzes acesas. Minha suspeita era de que os quartos ficassem à minha esquerda, porque à minha direita havia uma grande sala com janelas do chão ao teto. Embora ansiosa como estava para encontrar Hudson, virei-me para a sala, atraída pela vista deslumbrante que se via lá de cima. Antes que eu chegasse às janelas, no entanto, uma lâmpada acendeu e eu o vi sentado em uma poltrona. Embasbacada com a visão, a minha boca se abriu, e ficou aberta, enquanto eu via aquele homem lindo, vestindo apenas cueca boxer. A definição de seu peito esculpido acelerou meu coração antes que meu olhar percebesse seus olhos cinzentos através do emaranhado de seu cabelo castanho sob aquela luz fraca. Eu nunca o tinha visto numa boxer, e, que droga, o que vinha perdendo... Ocorreu-me mais uma vez o quanto eu mal o conhecia, mas desta vez o pensamento não me assustou – ao contrário, me


excitou. Quanto mais haveria para descobrir sobre esse homem? E eu estava pronta para mergulhar e explorar. No entanto, essa minha excitação não diminuiu o estranhamento e a ansiedade. Este era um território novo, e eu não sabia como proceder. Certamente, Hudson devia estar sentindo a mesma coisa. Minha mão segurou firmemente a minha bolsa, enquanto a outra distraidamente agarrou o tecido azul do meu vestido, que era curto o bastante para ficar no limite entre o profissional e o sexy. E esse era o tipo de roupa que eu usava sempre no The Sky Launch, a boate onde eu trabalhava como assistente de gerente. A boate de propriedade de Hudson. O lugar em que eu o conheci. Passou pela minha mente a lembrança da primeira vez que eu o vira sentado na ponta do balcão do bar, na boate, e de como aquela visão me tirara o fôlego. Eu sabia então que deveria ter corrido dali. Mas não o fiz. E agora, eu não poderia ser mais grata por isso... Ele me tirou o fôlego agora como tinha feito naquela noite. Com um sorriso trêmulo, quebrei o silêncio: – Você está acordado. – Achei que seria melhor ficar esperando por você quando chegasse, de modo que não se sentisse desorientada. – Mas você deveria estar dormindo – como presidente da Pierce Industries, uma empresa multibilionária, as horas de Hudson eram incompatíveis com as minhas na boate. Eu, chegando no meio da noite, quando esse homem acordava diariamente às seis da manhã, o que eu estava pensando? Como as nossas vidas, tão diferentes, poderiam ser compatíveis? Não, eu não podia estar pensando assim, era uma desculpa para negarme essa felicidade. E Hudson e eu merecíamos um pouco de felicidade, pelo menos uma vez em nossas vidas. O objeto do meu desejo se levantou e caminhou até mim, levantando a


minha mão que segurava a bolsa. – Eu já dormi. Agora estou acordado. Esse único toque ajudou a sossegar a minha ansiedade e a transformou num zumbido chato, fácil de ignorar sob a batida do meu coração. Isso era o que Hudson fazia comigo, surpreendendo-me sempre de uma maneira tão maravilhosamente deliciosa. Ele pegou a minha bolsa e a colocou sobre a mesa. Sem o seu contato, meu nervosismo voltou e uma conversa casual idiota escorregou de meus lábios: – Eu nunca estive em uma cobertura antes. A menos que você conte aquele dia no loft. – O loft que ficava acima do seu escritório, o lugar onde ele tinha me fodido até que eu me esquecesse da vida. Ainda bem que a sala estava escura e escondeu o rubor no meu rosto. – É lindo aqui, H. – Você mal viu o apartamento. – Ele não demonstrou nenhuma reação ao meu apelido absurdo para ele. Talvez estivesse se acostumando. – Mas pelo que já pude ver... – meus olhos percorreram a ampla sala de estar, observando os detalhes ornamentais da arquitetura e da simplicidade do estilo. – É incrível. – Estou contente que você goste. – É muito diferente do que eu esperava. Não é como o loft. Que é como pensei que seria. – O loft era negro e forrado com móveis de couro, masculino e forte. Esse lugar era branco e luminoso; eu era capaz de afirmar isso mesmo sob a luz da lâmpada e a da lua. – Alayna. Meu nome em sua língua enviou arrepios à superfície da minha pele. Como ele poderia continuar a fazer isso comigo ainda? Deixar-me tão confusa desse jeito, e tão facilmente? – A mobília também é tão diferente. – O nervosismo me levou a falar, evitando a conexão que havíamos criado no momento em que entrei no apartamento. Andei em direção ao sofá, branco, e passei a mão através


daquele caro estofamento. – Mas Celia decorou este lugar também, certo? A voz de Hudson se contraiu. – Sim, foi ela. Celia Werner, sua amiga de infância e ex-noiva. Bem, não realmente, mas na prática. Por que eu a trouxe para a nossa conversa? Qual era a minha ideia? Eu estava, por acaso, tentando nos destruir? Celia vinha sendo uma fonte constante de tensão em nosso relacionamento, desde que Hudson tinha me contratado para convencer a sua mãe de que estávamos juntos. Sophia Pierce, acreditando que seu filho era uma pessoa incapaz de amar, pensou que um casamento arranjado com a filha de seus bons amigos, os Werners, seria uma combinação perfeita para Hudson. Mesmo que ele não pudesse sentir qualquer coisa por ela, Celia seria capaz ao menos de mantêlo na linha, de impedir que Hudson se metesse em confusão por causa de seus vícios. Só que acabou que Hudson era capaz de amar. E, durante o nosso estratagema, ele se apaixonou por mim. No entanto, Hudson tinha algo com Celia, um vínculo que alimentava o meu ciúme. Mudando de rumo, caminhei em direção às janelas. – A visão daqui de cima é... – Alayna... Eu pressionei meu rosto no vidro e olhei para o mundo lá embaixo. – É muito linda... Hudson veio por trás de mim, seu calor emanando contra as minhas costas, embora ele ainda não tivesse me tocado. – Alayna, olhe para mim. Lentamente, eu me virei. Ele levantou meu queixo com o dedo, obrigando-me a encontrar seus olhos. – Você está nervosa. Não fique assim. Eu quero você aqui. Suas palavras eram o consolo de que eu precisava, enviando uma onda


de calma sobre cada parte da minha preocupação, como se fosse um cobertor sufocando o fogo. – Tem certeza? – isso tinha me acalmado, mas eu queria mais. – Você, de verdade, nunca trouxe uma mulher aqui? É estranho, não é? Seu polegar acariciou minha bochecha, minha pele despertando sob sua carícia. – É diferente. Eu não trouxe uma mulher aqui, mas não é estranho. E estou completamente certo de que desejo que você esteja aqui. Fiquei excitada com a confirmação de que eu era a primeira mulher a ter permissão para entrar em seu apartamento, a primeira mulher com quem ele iria fazer amor ali. – Eu também. Quero dizer, tenho certeza de que quero ficar aqui. – Seu olhar queimou dentro de mim. Eu poderia me perder ali, para sempre, e isso me assustou demais. Procurando uma maneira de manter o controle, olhei para a sala, que se ligava à sala de estar. – O que tem ali? É a sala de jantar? – Vou lhe mostrar tudo de manhã. – Hudson ergueu a outra mão para embalar meu rosto, capturando meus olhos com os seus, novamente. – Um passeio pela cobertura na parte da manhã – repeti. E lá fui eu, já perdida nesse homem. – Mas não agora. – Não, não agora. Agora eu quero lhe dar as boas-vindas à minha casa. – Sua boca se chocou contra a minha, me levando a alturas vertiginosas que sobrepujavam a vista atrás de mim. Seus lábios chuparam os meus com deliciosos ataques que me puseram fora de equilíbrio, me obrigando a atirar meus braços em volta de seu pescoço e me agarrar com força, tudo um pouco antes de sua língua deslizar para dentro da minha boca. Ele tirou a mão do meu rosto para envolvê-la ao redor da minha cintura e me puxou para ele, onde eu podia sentir sua ereção contra minha coxa


através do tecido fino de sua cueca. A outra mão veio por trás da minha cabeça, prendendo-se no meu cabelo. Pressionei meus seios contra o seu peito, com a necessidade de senti-lo com todas as partes do meu corpo. Um gemido surgiu vindo da parte de trás da garganta de Hudson, vibrando por debaixo do nosso beijo e acendendo o desejo no meu ventre. Então, eu me mexi, tentando chegar mais perto, minha perna impaciente para se enganchar ao seu redor. Com os lábios ainda presos nos meus, Hudson disse: – Tenho um cômodo que desejo mostrar-lhe hoje à noite. – Espero que seja o quarto. – Esse mesmo. Em um movimento confuso, ele me levantou nos braços e virou-se para o hall de entrada, de onde eu tinha vindo. E assim me carregou por todo o caminho, o movimento parecia o efeito que ele tinha sobre mim, normalmente... Com ele, eu era como um galho em um rio violento, correndo em direção ao mar. E Hudson, ele era essa correnteza, puxandome do jeito que quisesse, me carregando. Eu estava à sua mercê. Ele havia me prometido que não iria jogar seus jogos de manipulação comigo, que nunca ia tentar me controlar. Mas essa era uma promessa que ele não poderia cumprir. Hudson me arrastava com ele, quer pretendesse fazê-lo ou não. E, para mim, estava tudo bem assim. Perfeitamente bem. Ele levou-me através do hall, beijando-me, até chegar ao final do corredor, onde virou para entrar naquele que tinha de ser o quarto principal. Com minha atenção ainda inteiramente voltada para ele, só registrei o momento quando Hudson me depositou em uma cama king-size, com os lençóis cinza-claro atirados para um lado, o lado esquerdo. Seu lado. A sensação de intimidade de estar no lugar em que Hudson dormia, onde ele tinha dormido mais cedo naquela noite, disparou uma pontada de necessidade no meu corpo que o desejava. Eu queria aquele homem por cima de mim e dentro de mim, não daquele jeito, em pé e olhando para


baixo, para mim, com os olhos semicerrados. Mas eu sabia que ele levaria o tempo que quisesse, não adiantava reclamar de seu ritmo. E não havia nenhuma razão para fazer isso. Embora fosse um amante do tipo dominador, Hudson sempre concentrava sua atenção nas minhas necessidades, sempre me atendia da melhor maneira que ele podia. E, Deus, ele me conhecia bem, sabia como excitar o meu corpo, como saciá-lo, sabia me despertar e me amar, mesmo quando eu mesma não sabia. Sua mão deslizou ao longo do comprimento da minha perna, em direção ao meu tornozelo, para desatar a minha sandália de tiras com uma delicadeza que me fez me contorcer no lugar. Ele repetiu esse movimento com o outro pé, e depois se ajoelhou em cima de mim para me dar um beijo rápido. Eu estendi a minha mão para puxá-lo para mais perto, mas Hudson resistiu. – Da última vez, nós fomos rápidos demais. Desta vez, eu preciso saborear a minha mulher. Da última vez em que nós tínhamos feito amor, tudo tinha sido muito rápido e atormentado, na verdade um alívio no meio de uma discussão, no novo sofá da sala da gerência da boate, e ele não tinha me deixado com nenhuma reclamação... Mas ser saboreada, da forma como ele tinha dito, parecia ser uma delícia... Com uma trilha de beijos molhados, ele abriu o seu caminho, descendo até a bainha do meu vestido. Com um brilho malicioso nos olhos, ele puxou o tecido de minha roupa para cima, em volta de minha cintura, dando um beijo entre minhas pernas. Um gemido escapou dos meus lábios e ele riu baixinho. Seus dedos deslizaram sob a borda da minha calcinha, puxando-a para baixo com força e atirando-a de lado. Ele enganchou a minha perna por cima do seu ombro e, em seguida, sua boca estava de novo em mim, lambendo e chupando avidamente no feixe de nervos no meio das minhas coxas.


Eu já estava delirando de prazer quando ele deslizou dois dedos para dentro de mim, sondando e torcendo até provocar o meu orgasmo com facilidade. Estremeci e tremi, enquanto ele subia para reclamar a minha boca, que beijou com um desejo profundo. Os sons suaves que Hudson deixava escapar enquanto me devorava, o meu sabor em sua língua, o golpe de seu pênis na minha coxa, tudo isso levou apenas meio minuto antes do aperto de tesão se formar novamente em meu ventre, pronta para mais uma viagem até a colina do êxtase. Louca para tocá-lo, minha mão encontrou seu pênis e o esfregou através de sua cueca. A boca do meu homem afastou-se da minha com um gemido. Eu o cutuquei para que rolasse de lado, enquanto eu continuava a acariciá-lo. – Boxers? Você sempre usa dessas? – Para ir para a cama. – Eu gosto delas. Mas nunca o vi usando. – Minha mão escorregou para dentro de sua cueca, maravilhada como sempre com a suavidade de seu pênis grosso na minha mão, e o calor que vinha saindo de sua pele. – É porque quando vou para a cama com você... – Sua voz tremeu enquanto eu corria minha mão pela coroa. – ... Eu não uso nada. – Ah, sim. Eu gosto disso ainda mais. – Foi a minha vez de deslizar a mão para a borda de sua cueca e trazê-la para baixo de suas pernas fortes, com meus olhos presos na belíssima visão de sua ereção. Assim que a cueca caiu no chão, ele me puxou para perto novamente. – Eu também gosto quando você não está vestindo nada. – Seus dedos já estavam puxando meu vestido por cima da minha barriga. – E você precisa estar nua, agora. – Tudo bem, não vou discutir... Sentei-me para ajudá-lo a puxar a roupa sobre a minha cabeça. Ele jogou o vestido de lado e as mãos deram a volta em torno de mim para soltar meu


sutiã, liberando meus seios. Então, ele veio por cima, seu pênis quente na minha entrada por apenas um segundo, antes de mergulhar dentro de mim, me penetrando, me esticando, me preenchendo da maneira que só ele podia. Hudson ficou de lado, levando-me junto, e eu passei a perna em torno dele, incitando-o a ir mais fundo. Ele queria me saborear, mas ou havia mudado de ideia ou não conseguira se conter, liberando a sua paixão com golpes rápidos dentro de mim. Cada vez que ele mergulhava, atingia um ponto sensível que me deixava como louca, forçando outro clímax, o que apertava minhas coxas, e me levava a torcer os dedos enquanto gozava com todo meu corpo. Hudson continuou seu ataque, aumentando a velocidade, até que ele gemeu durante sua própria liberação. Então desabou, ainda dentro de mim, e me reuniu em seus braços para espalhar beijos pelo meu rosto, um gesto extraordinariamente suave e incomum para o homem que eu tinha aprendido a amar. Eu me encantei com a doçura dele. – Já mencionei que estou muito feliz por você estar aqui? – perguntou ele, interrompendo a frase para continuar sua trilha de beijos. Ouvir aquelas palavras significava tudo. Eu as reconheci como uma versão de “eu amo você”. Ele não tinha dito isso diretamente a mim, e eu não esperava isso. Embora eu só tivesse aceitado tal coisa no início daquela noite, quando lhe informara que sabia que ele estava apaixonado por mim, e ele não tinha se assustado quando lhe dissera que estava apaixonada por ele. Ainda assim, não me iludi em pensar que nós iríamos trocar expressões apaixonadas instantaneamente. Uma coisa de cada vez. Dizer como ele se sentia já era um passo. E o fato de isso incluir como se sentia em relação a mim já era um passo ainda maior. Passei a mão pelos cabelos dele enquanto sua boca desceu para o meu pescoço.


– Você já disse. E, se não tivesse dito, acho que perceberia. – Eu ergui as sobrancelhas para ter certeza de que ele sabia que eu estava me referindo ao que tinha acabado de acontecer fisicamente entre nós. – Mas você pode me dizer quantas vezes quiser. – E de todas as maneiras que desejar, pensei. Hudson mudou de posição em cima de mim e chupou o meu corpo mais para baixo, subindo depois em direção aos meus seios. Obviamente, nós já estávamos indo para a segunda rodada. – Estou feliz por você estar aqui, princesa. – Ele segurou meu mamilo entre os dentes, e depois suavizou a mordida com um rodar de sua língua. Respirei fundo, deleitando-me na mistura de prazer e dor, enquanto ele dava ao meu outro seio a mesma atenção do anterior. Seu apelido para mim, “princesa”, flutuou pela minha mente enquanto sua boca lambia a minha pele. Ele tinha me chamado assim desde o nosso primeiro encontro sexual, quase duas semanas antes. Nossa, mas fazia só esse tempo? E tinha sido apenas uma semana antes de conhecê-lo na boate, quando eu ainda não sabia que aquele cara era Hudson Pierce? Para mim, parecia ser uma vida. O termo carinhoso que ele usava fora forte desde o primeiro momento que ele o mencionara. Mas a gente tinha acabado de se conhecer, então. Talvez não tivesse o significado que eu atribuía a ele. A curiosidade tomou conta de mim, apesar de que meu corpo ainda estivesse vibrando sob seu ardor. – H... Por que você me chama desse jeito? Ele respondeu sem tirar os olhos do meu seio: – Porque você é assim. – Você começou a me chamar de princesa antes que me conhecesse melhor... – Não é verdade. – Ele apoiou o cotovelo em cima da cama e sustentou a cabeça na mão. – Eu soube na hora em que a vi pela primeira vez. Por um breve instante, pensei que ele estivesse se referindo àquela


noite no bar, quando eu o vira pela primeira vez. Então lembrei-me de que Hudson já tinha me visto quase duas semanas antes disso, quando eu ainda estava fazendo meu MBA e ele estava na plateia durante o meu simpósio de pós-graduação. Eu só tinha descoberto sobre isso mais tarde, e ele mal explicara o que acontecera. Apoiei o tronco em meus cotovelos e fiquei ansiosamente esperando que ele continuasse a falar. – Você estava lá em cima, no palco do auditório da Stern – disse Hudson, com sua mão acariciando a curva de minha cintura para meu quadril. – Quando começou a sua apresentação, você estava nervosa. Demorou alguns minutos para entrar no ritmo do seu discurso. Mas, quando acertou o seu passo, você foi magnífica. No entanto, você não tinha ideia de nada. Era completamente óbvio que isso nunca passara pela sua cabeça: que aquela sala estava cheia de pessoas que teriam contratado você se tivesse conversado com qualquer uma delas. Por sorte, isso não aconteceu. Porque eu observei essa gente assistindo-a, e, na hora, eu soube. Eu soube que eles viram que você era inteligente. Eles viram que você tinha tino comercial. Mas nenhum deles reconheceu a raridade que estava diante deles. Uma princesa. Lágrimas ardiam nos cantos dos meus olhos. Ninguém nunca tinha me visto daquele jeito, nem sequer olhado para mim. Nem os meus pais, antes de morrer, ou meu irmão, Brian, ou qualquer um dos homens que eu já tivesse namorado ou com quem ficara obcecada. Ninguém. – Eu amo você, Hudson. Isso saiu antes que eu pudesse pensar em não dizê-lo, antes que pudesse me preocupar que Hudson entrasse em pânico ao ouvir, do jeito que ele ficou na primeira vez, quando eu expressei meus sentimentos assim. Eu não teria sido capaz de prender essas palavras dentro de mim, mesmo se quisesse, pois agora elas estavam sempre na superfície, sob risco de escaparem da minha boca a qualquer momento. Se nós pretendíamos fazer


um relacionamento dar certo, nós dois teríamos que nos acostumar com isso. Meus olhos não o deixaram enquanto Hudson processava minha declaração. Então, rapidamente, ele cobriu meu corpo com o seu. Colocando uma das mãos sob o meu pescoço, ele circulou meu nariz com o dele. – Você pode me dizer isso quantas vezes quiser – disse, repetindo as minhas palavras anteriores. – Esse é o meu plano. Mas essa frase saiu resmungada, perdida dentro da boca do meu homem enquanto seus lábios cobriram os meus, e então passamos a expressar as nossas emoções com nossas línguas, mãos, corpos e uma série de outras maneiras que não precisam ser explicadas...


2 A consciência do movimento no quarto me acordou na manhã seguinte. Abri os olhos e vi Hudson ajustando a gravata em frente ao espelho da cômoda, de costas para mim. Ele ainda não tinha vestido o paletó, então eu tive uma visão completa do seu traseiro apertado. Deus, esse homem sabia como usar um terno. E podia não usar nada tão bem quanto. Eu não era tão exigente... Ele encontrou meus olhos no espelho e um leve sorriso enfeitou seus lábios. – Bom-dia. – Bom-dia. Estou apreciando a vista. – Eu também. Corei e puxei o lençol sobre o meu corpo nu. O quarto parecia muito claro para aquela hora da manhã... Tão cedo, pensei. – Que horas são? – Olhei em volta, à procura de um relógio, e não achei. – Quase 11 horas. – Hudson terminou de arrumar a gravata prateada, que contrastava bem com seus olhos, e abriu uma gaveta para pegar um par de meias. Onze horas? Hudson estava geralmente no trabalho antes das oito horas. – Por que você ainda está aqui? Você já não devia ter feito mais meio milhão de dólares até agora? – Meio bilhão – disse ele, impassível, enquanto sentava-se na cama, ao meu lado. – Mas eles não precisam de mim para isso. Cancelei minha agenda da manhã. – Quando você fez isso? – Eu estava hipnotizada, observando-o vestir as meias. Não deveria ser uma coisa tão sexy assim assistir a um homem se vestir, mas meu ventre se apertou e meu sexo começou a cantarolar. – Na noite passada. Antes de você chegar.


– Humm... Pensou bem... O convite para passar a noite em seu apartamento de cobertura tinha chegado no início do meu turno no Sky Launch. Eu tinha ficado obcecada com isso a noite inteira, mas, como estava no trabalho, não havia nada que eu pudesse fazer para me preparar. Eu nem sequer tinha uma muda de roupa ou uma escova de dentes. Nem mesmo me ocorreu que Hudson teria usado seu tempo para se preparar para a minha chegada. Mas é claro que ele fez isso. Ele era um homem muito organizado, um planejador com uma atenção especial para os detalhes. E uma vez que nós tínhamos feito amor em duas rodadas intensas, só fomos dormir por volta das seis horas da manhã. Cancelar a agenda daquela manhã também tinha sido um bom planejamento, de fato. Bocejei e estiquei os braços sobre a cabeça, fazendo com que o lençol descesse abaixo de meus seios. De meias, Hudson se levantou e olhou para mim, os olhos meio que embaçando enquanto percorria o meu corpo nu. – Porra, Alayna, você está me fazendo querer cancelar a minha tarde também. E não posso cancelar a minha tarde. Eu sorri. – Sinto muito. Mas não sentia, não. Hudson poderia me fazer ficar molhada em uma sala lotada. E era bom pensar que eu tinha um pouco desse mesmo poder sobre ele. – Humm, eu preciso me levantar. Isso vai ser muita... Distração para você? Ele estreitou os olhos e, em seguida, virou-se e desapareceu em um closet, retornando segundos depois, segurando um robe creme nas mãos. – Vista isto. Peguei o robe, sem me preocupar em vesti-lo até me colocar em pé. – Você é uma mulher muito malvada – disse ele, enquanto me observava


vestir a roupa. – E você ama esse jeito que eu sou. Sem dar bola para a minha declaração, ele acenou com a cabeça em direção a uma porta fechada. – O banheiro é ali. Deve haver escovas de dentes novas em uma das gavetas. Pode procurar até encontrar o que você precisa. – Obrigada. Cruzei com ele e dei-lhe um beijo no rosto, antes de seguir ao banheiro, para fazer xixi. Não tinha sido um despertar aconchegante, como aqueles que passamos juntos em Mabel Shores, a casa de veraneio da família nos Hamptons. Mas esse era Hudson – distante e compartimentado. Ele estava concentrado em chegar ao trabalho, e, devo dar o crédito, tinha sido muito hospitaleiro, considerando as circunstâncias. Encontrei a escova de dentes facilmente; como ele tinha dito, havia uma gaveta cheia delas. Enquanto eu os escovava, eu me perguntava por que haveria tantas escovas? Ele simplesmente queria estar preparado, caso precisasse de uma nova? Talvez ele acreditasse que escova de dentes devia ser descartável. Hudson certamente poderia bancar essa atitude. Ou elas estavam ali para hóspedes de uma noite? Hóspedes femininos de uma noite, para ser mais precisa. Eu poderia ter concluído que estava sendo paranoica, mas não eram apenas as escovas de dentes... Agora que tinha dado uma olhada em volta, percebi que havia desodorante floral em uma das pias, com um pote de creme para o rosto, feminino, e outro de hidratante para o corpo ao lado. E o robe... O robe de mulher que eu estava usando naquele momento, de onde tinha vindo isso? Um arrepio percorreu minha espinha. Apertei o cinto em volta de mim, apesar da minha preocupação por estar vestindo roupas que pertenciam a outra pessoa. Roupas de outra mulher. Outra mulher na vida de Hudson.


Tudo bem, calma. Nada de entrar em pânico. Talvez houvesse outras mulheres antes de mim nesta cobertura. Tudo bem. Não era nada maravilhoso, mas tudo bem. Eu só queria que ele não tivesse mentido sobre isso. E por que ele mentira, afinal? Abri o pote do hidratante e o trouxe para o meu nariz. Seu perfume era familiar... Não era o mesmo que Celia usava? Agora eu estava sendo ridícula. Paranoica, mesmo. Mas eu sabia que essa percepção não iria alterar a sensação furiosa e doentia que estava se retorcendo em meu estômago. Era um sentimento que uma vez tinha sido muito íntimo. A força motriz da maior parte dos comportamentos não saudáveis que tivera no passado. Comportamentos que eu não queria reviver nunca mais. Eu precisava me acalmar, tinha que lidar com a situação de forma construtiva. Obriguei-me a contar até dez. Entre cada número, repetia o mantra que eu tinha aprendido no aconselhamento: “Quando em dúvida, fale com alguém. Um, quando em dúvida, fale com alguém. Dois, quando em dúvida, fale com alguém.” Claro, mais fácil dizer do que fazer. No momento em que cheguei ao quarto, o mantra se transformou em “Quando estiver numa porra de uma dúvida”, e eu ainda estava com muitas dúvidas... Mas essa era a minha tendência, o caminho que eu tomava em todos os meus relacionamentos. Eu pulava de conclusões em conclusões, que muitas vezes eram sem fundamento e sem sentido. Noites até tarde no trabalho significavam que havia outra namorada. Telefonemas misteriosos significavam traição. Com os meus namorados anteriores, eu nunca perguntei. Sempre assumi que era isso. E acusei. Mas não desta vez. Desta vez, eu iria agir de forma diferente. Mesmo que as evidências sugerissem que Hudson tinha mentido para mim, eu não podia aceitar isso como sendo um fato e pronto. Eu teria que perguntar a


ele. Passei o creme no rosto, na esperança de que, se eu protelasse essa conversa com Hudson, essa atitude poderia aliviar a fúria crescente dentro de mim. Após retirar o excesso com uma toalha de mão, me convenci de que já estava bem da cabeça de novo para falar com ele, então saí do banheiro, pegando o creme e o hidratante para levar comigo como prova. Assim, talvez, com as provas na mão, conseguisse um instrumento de discussão, e não um ataque. Contanto que eu não acabasse atirando estas provas nele, considerei isso uma melhora em relação ao meu comportamento do passado. Hudson não estava no quarto quando saí, então cruzei o apartamento, até que o encontrei na cozinha. Ele vestia o paletó agora, e estava junto da mesa da cozinha, lendo o jornal enquanto bebia de uma caneca. Ele olhou para cima quando apareci. – Eu lhe fiz... – Por que você tem todas essas coisas no banheiro? – Embora eu o tivesse cortado enquanto falava, tinha certeza de que a minha pergunta soou mais uma indagação curiosa do que uma acusação. – Que coisas? – Estas coisas. E coloquei os frascos em cima da mesa, na frente dele. Tudo bem, talvez eu tenha batido um pouco forte demais, em vez de simplesmente colocar... – E você tem uma infinidade de escovas de dentes e um robe de mulher. Por que você tem um robe de mulher? Os olhos de Hudson se estreitaram e ele tomou um gole de sua bebida antes de responder: – Eu tenho mais do que um robe. Tenho várias peças de roupas femininas no outro armário do meu quarto. – Isso não está ajudando. – O pânico que eu pensei que tinha sufocado bem lá no fundo começou a abrir caminho até a minha garganta, apertando


a minha voz. – Você me disse que nunca trouxe uma mulher aqui antes. – Humm... Estou detectando uma pitada de ciúme? O brilho nos olhos dele me enfureceu de uma vez. – Você está detectando mais do que uma porra de uma pitada! Tem também um monte de suspeitas. Porra, H, isso não é jeito de começar um relacionamento. Se você já trouxe uma mulher aqui, se esta é a roupa de outra pessoa, eu preciso saber. – Meus olhos ardiam, mas consegui mantêlos presos nele. Hudson colocou sua caneca sobre a mesa e virou todo o seu corpo em direção a mim. Mantive a minha mão sobre a mesa, me preparando para qualquer desculpa que eu sabia que ele inventaria. O que quer que Hudson dissesse, se ele escolhesse falar a verdade, e eu escolhesse acreditar nele, então poderia nos unir ou nos afastar. – Tudo isso é seu, Alayna. – O quê? – Epa! Isso eu não estava esperando. – Eu comprei para você. Exceto as escovas de dentes. Minha empregada me compra sempre, por isso tenho escovas à mão quando viajo. As roupas e cosméticos são seus. Meus? Não, não era possível. Engoli em seco. – Quando foi que você... os comprou? Quer dizer que ele tinha planejado me levar até lá, antes mesmo de ter me convidado? Ou isso tudo era parte do esquema que a gente tinha tentado aplicar na mãe dele, uma prova de que éramos um casal, caso alguém fosse xeretar em seu armário? – Ontem à noite, depois que eu saí da boate. Na noite passada... – Mas isso foi quase às oito horas. – Ele tinha ido embora no início do


meu turno. Não poderia ser tempo suficiente para organizar qualquer coisa. – Como você... – Eu entendo o que parece – ele me cortou. – Deve ainda ter provavelmente uma etiqueta no robe, se você... – Ele estendeu a mão dentro da minha gola e puxou. – Sim, está vendo? – Ele levantou uma etiqueta com o preço, um preço extravagante para um robe, marcado logo abaixo da etiqueta do tamanho. Olhei para os frascos de cosméticos novamente. Eles estavam completamente cheios, aparentemente sem terem sido usados. Eu não tinha percebido na hora, por causa da minha irritação. Mas, ainda assim, eu tinha dúvidas. – Por quê? Como...? – Por quê? Porque eu sabia que você não ia ter nada para vestir hoje e eu não queria que você atravessasse o saguão do edifício com a mesma roupa que usou ontem. Além disso, eu achei que você ia querer tirar essa maquiagem de seu rosto e refrescar-se um pouco. Quanto ao “como”... Bem, tenho pessoas... Corri as mãos pelos meus cabelos. – Você tem pessoas... A tensão em meus ombros relaxou um pouco enquanto eu processava o que ele havia dito. Ele me deixou no trabalho e, em seguida, tinha se preparado. Como sempre se preparava. Cancelou a agenda da parte da manhã. Providenciou para que eu tivesse o que vestir. Mesmo tarde da noite, Hudson conseguiu fazer seus arranjos. Porque ele tinha pessoas. – Mirabelle? – perguntei. A irmã de Hudson, Mira, tinha a sua própria butique. Ela sabia o meu tamanho, sabia o que ficaria bem em mim. – Sim. – Ele inclinou a cabeça. – E outras pessoas. Outras... Como as mesmas pessoas que haviam lavado e entregado minha calcinha em poucas horas, quando a deixara no escritório dele uma vez. Como Jordan, que estava sempre disponível para me levar para lá e


para cá num piscar de olhos. E eu sabia que ele tinha outros. – Ah. Uma mistura de emoções tomou conta de mim quando deixei as peças se encaixarem no lugar. Fiquei aliviada ao saber que meu ciúme era infundado e contente ao perceber o quanto Hudson tinha colocado sua atenção na minha chegada ao seu apartamento. E também estava emocionada ao saber que ele estava falando sério sobre querer que a nossa relação funcionasse, por que, afinal, esse tipo de preparação não demonstrava sinceridade? Mas, então, também me senti envergonhada. Eu tinha exagerado na minha reação, e, mesmo que eu não tivesse ficado louca como ficava no passado, sentia aquela semente ainda dentro de mim. Isso me assustou. Assustou-me saber que Hudson também vira isso. Baixei os olhos para as minhas mãos, que torciam o cinto do robe ansiosamente. – Deve ser bom ter pessoas – murmurei. – Quero ter pessoas – eram palavras bobas, sem sentido, mas era tudo o que eu tinha naquele momento. Hudson levantou o meu queixo para que eu encontrasse o seu olhar. – E eu quero você. Ao olhar em seu rosto, vi que ele não ficara chateado com o meu desabafo. Outros homens tinham sido afugentados por acusações infundadas similares. Mas Hudson, não; ele não apenas demonstrava na expressão do rosto uma ausência de medo, mas mostrava ainda fome, desejo. Quase como se a minha paranoia fosse um tesão para ele. – Você me tem – sussurrei. Ele pegou o cinto das minhas mãos e puxou o nó, soltando-o. – Quero você agora. Sua mão se fechou sobre meu seio, apertando o polegar e brincando com o mamilo. – Ah, você me quer...


– Aham. Hudson girou meu corpo e meu traseiro ficou encostado contra a mesa. Achatando a palma da mão entre os meus seios, ele me empurrou para baixo. A superfície dura da mesa encontrou-se com minhas nádegas e um lampejo de preocupação passou por mim, com medo de derrubar o café de Hudson e os frascos de cosméticos no chão. – E eu quero você agora. Foda-se o café. Que derramasse. Hudson me empurrou de novo, para que a minha bunda se encontrasse com a borda da mesa, tirando os frascos do caminho com o seu braço. Eu estava deitada agora na frente dele, meu roupão aberto para expor as minhas partes mais íntimas. Seus olhos escureceram quando ele esfregou as mãos em movimentos demorados da minha barriga até os meus seios e para baixo. Em seguida, elas foram mais para baixo, para o meio de minhas pernas. – Eu poderia ficar olhando para sua boceta durante o dia todo. – Seus dedos deslizaram pelas minhas dobras e circularam a minha fenda. – Você não tinha que estar em algum lugar? – Minha voz não se parecia com a minha, estava ofegante, carente e desesperada. E o que diabos eu estava fazendo? Eu não queria que ele fosse embora. Não queria que ele parasse. Por favor, Deus, não deixe que ele pare. – Sim, tenho que ir. Por isso, temos que ser rápidos. – Suas mãos se afastaram de mim para irem à abertura de sua calça. – Mas eu não vou sair daqui sem te foder gostoso, dando-lhe um bom-dia. Talvez eu tenha suspirado em voz alta, em antecipação. Inclinando-se sobre os cotovelos, eu assisti enquanto Hudson ajustava sua calça e cueca o suficiente para libertar o seu pau duro. Uma visão que eu nunca me cansava. E ele era todo meu, só meu. Outra preocupação aleatória passou pela minha cabeça. – A sua empregada não vai entrar e nos pegar no flagra, não é?


– Ela vem na terça e na sexta-feira. Se não estou enganado, hoje é quarta-feira... – Ele pegou meus tornozelos e dobrou minhas pernas para cima. – E se ela entrar, você se importa? Ele empurrou o pau para dentro de mim. – Não – engasguei. Naquele exato momento, eu não me importava com nada além do homem na minha frente. O homem dentro de mim. O homem que me queria, que me queria em sua casa, me queria em sua cama. Que me queria em sua vida, apesar de meus defeitos. Hudson puxou para fora e enfiou de volta, uma e outra vez, a mesa resistente balançando com a força de seus golpes. Ele adotou um ritmo rápido, aparentemente levando a sério aquilo de ter que ser rápido. Neste ritmo, ele estaria lá em breve. Ele apertou ainda mais meus tornozelos e dobrou os meus joelhos até meu peito, a nova posição trazendo-o ainda mais profundamente para dentro de mim. – Toque em você mesma, princesa. – Sua voz estava apertada por causa do esforço em se segurar. – Vamos gozar juntos. Sem hesitar, desci a mão para esfregar meu clitóris, esfregando-o em uma velocidade combinada com a dele. Eu já tinha feito isso antes, tocar a mim mesma, para dar prazer a ele enquanto ficava olhando. Isso dava tesão a Hudson, e eu sabia porque sempre o fazia gozar quase que imediatamente. E dava tesão a mim também. Ver o prazer em seu rosto, sentir a rigidez do pau aumentar, enquanto eu me contorcia e gemia no meu próprio toque – não havia nada mais delicioso. E eu já estava me apertando, me apertando em volta dele. – É isso aí, Alayna. – Seu rosto se contorceu. – Porra, isso é... é... – E a voz ficou trêmula quando ele gozou, estocando dentro de mim mais profundamente quando o clímax irrompeu.


Minha mão caiu para a mesa, meu corpo entorpeceu. Hudson sorriu quando puxou para fora. – Como foi? Gostou? Ele conhecia a resposta. O pervertido queria me ouvir dizendo... Eu sorri. – Você pode me comer pra desejar bom-dia quando quiser. – Eu não me importaria de comer você todos os dias de manhã. Ele dobrou-se para trás para pegar uma toalha de papel do balcão da cozinha, enquanto eu fingia não ler um milhão de coisas em sua declaração. E continuei a fingir, enquanto ele se limpava e subia a calça. Hudson ergueu as sobrancelhas e fez um gesto em direção a mim. Por um momento, pensei que ele pudesse saber o que eu estava pensando. Coisas como estar com ele todas as manhãs implicava viver com ele, mas que era muito cedo para isso... E outras como nunca pensar que tudo estava acontecendo muito cedo, porque eu era uma aberração obsessiva que queria me agarrar a alguém. E, em última análise, coisas como eu ser incapaz de lidar com tal proposta, considerando minha história de vida. Então, percebi que ele estava simplesmente perguntando se eu precisava de toalhas de papel também. – Vou tomar uma ducha. – Merda, ele não disse que eu poderia ficar. – Se estiver tudo bem, quero dizer. Seria totalmente inapropriado perguntar se eu poderia ficar aqui na cobertura enquanto ele ia trabalhar? Porque até àquele segundo era exatamente o que eu havia planejado. Hudson estendeu a mão para me ajudar a descer do meu poleiro. Passando os braços ao meu redor, ele agarrou as pontas do meu cinto e amarrou-o na minha cintura. – Está mais do que bem. Eu quero que você fique. Eu planejei que você ficasse. O que significava que eu provavelmente iria encontrar xampu e


condicionador no banheiro também. O celular de Hudson tocou e ele o puxou do bolso do paletó, começando a ler a mensagem de texto. – Meu motorista chegou. Parece que já usei o tempo que eu queria passar lhe mostrando a cobertura. Dei de ombros. – Ops. – Você vai ter que explorar a casa por conta própria. Ele caminhou até a pia da cozinha e lavou as mãos. – Você está me dando permissão para bisbilhotar por aí? Porque parece que está, e você não sabe, mas eu sou uma bisbilhoteira. Hudson riu. – Não duvido. Eu não tenho nada a esconder. Pode bisbilhotar à vontade. Use a academia. Tire uma soneca. Há comida na geladeira. Faça e coma o que quiser. Você trabalha às oito horas nesta noite? – Sim. Eu tinha parado de me surpreender pela forma onisciente como esse homem sabia dos meus horários. Esse era o tipo de coisa que eu costumava fazer, memorizar a agenda de um cara, descobrir todos os detalhes de sua vida. Era bom estar do outro lado, pelo menos por uma vez. – Ótimo. Vou chegar em casa às seis horas. – Em casa. Ele falou isso como se esta fosse a nossa casa, não a dele. Outra agulhada de ansiedade picou o meu peito. – Vamos jantar juntos antes que você saia. – Espero que você não esteja esperando que eu cozinhe. – Nem que eu sequer tente, pensei. – Não seja boba. Vou mandar a cozinheira vir. Assenti, e tudo dentro de mim se enrolou em nós pela facilidade com que Hudson tratava o nosso relacionamento. – Ah, e os livros para a biblioteca deveriam chegar hoje. Há um interfone lá. – Ele apontou para a parede, perto do interruptor de luz. – E um no


corredor dos elevadores e um terceiro no quarto. Quando a segurança lá embaixo chamar, você pode pedir ao segurança da portaria que deixe a pessoa subir. – Com certeza. – Ele estava confiando em mim, falando dos interfones e da segurança da portaria... Isso estava ficando maior a cada minuto. – Espere aí, livros? – Sim, eu comprei alguns livros. Já que você disse que a biblioteca era sua parte favorita. – Certo. Fazia parte de nossa farsa para a mãe dele. Ela não acreditava que eu já tinha ido à cobertura de Hudson e, é claro, eu não tinha mesmo. Querendo me pegar na mentira, ela me perguntou qual era o meu cômodo favorito. Eu tinha dito que era a biblioteca. Sendo uma leitora ávida, era natural que escolhesse a biblioteca, e mencionei o meu amor pelos livros para Sophia. Aparentemente, porém, a biblioteca de Hudson não tinha nenhum livro. Não no momento, pelo menos. – Eu ainda sinto um pouco de mal-estar sobre essa coisa toda, falando nisso. Mas quando você teve a chance de encomendá-los? A conversa só havia ocorrido no domingo, quando tínhamos estado na casa dos pais, nos Hamptons. O dia em que expressei pela primeira vez que eu estava me apaixonando. E que foi um dia antes de ele me deixar sozinha com sua família, enquanto tentava salvar uma de suas empresas, a Plexis, de ser vendida. – Eu os encomendei após o acordo da Plexis. – Sua voz tinha um pequeno toque de decepção quando falou o nome de sua empresa. Seu desapontamento espelhava como, de repente, eu estava me sentindo. – O que foi? Eu considerei não dizer nada, mas o mantra “fale com alguém” estava se repetindo na minha cabeça. – É bobagem, mas eu me convenci de que você não tinha me telefonado


ou coisa assim porque não teve tempo. Mas parece que teve. – Hudson tinha ido embora sem falar nada, além de uma breve mensagem de texto. Ele não ligara ou entrara em contato comigo, a não ser mais de um dia depois. Eu achei que tínhamos terminado naquela hora. Fiquei destruída, com o coração partido. E agora descobria que ele ficara comprando livros quando poderia ter me ligado? – Como eu disse, é uma bobagem. Hudson me puxou para os seus braços. – Eu estava tentando não ficar com você naquele momento, Alayna. Mas não consegui dormir naquela noite. Porque não conseguia parar de pensar em você. – Ele me beijou na testa enquanto eu a franzia. – Diga-me, o que está acontecendo aí dentro? – É que... Como eu poderia expressar a miríade de emoções que eu tinha passado naquele dia fatídico? Especialmente esse medo crescente me puxando, esse medo de que qualquer coisa que parecesse boa demais para ser verdade pudesse realmente ser. Respirei fundo, trêmula. – Você fez uma volta de 180 graus, Hudson. Sobre nós. Você estava tão decidido a ter apenas sexo, isso há apenas um dia e meio... E agora... Quem é você? Isso me assustou, me fazia duvidar do que ele sentia, e me fazia pensar se Hudson estava brincando comigo. Hudson segurou meu rosto em suas mãos e me perfurou com seus olhos cinzentos e profundos. – Não faça isso. Eu quero saber... Ele arregalou os olhos, certificando-se de que eu estava com ele. Eu estava. – Eu sou o mesmo homem, Alayna. Um homem que se compromete com qualquer plano que escolhe. Eu tinha dito a mim mesmo que não poderia ter você. Então, eu não me permiti sequer tentar.


– E agora você se permitiu – falei como sendo uma afirmação, mas foi realmente uma pergunta. Uma pergunta que eu absolutamente precisava ter respondida. – Sim. E vou me comprometer com este novo plano tão ferozmente como com o anterior. Ainda mais ferozmente. Porque esse plano é um compromisso. – Ele apertou a testa contra a minha. – Este plano é o que eu deveria ter perseguido desde o começo. É o melhor plano. Minha garganta apertou. – O plano com o maior potencial de lucro. – Potencial insondável. – Ele entreabriu os lábios e inclinou-se para me dar um beijo, sugando suavemente quando moveu sua boca sobre a minha. Foi um beijo doce e terno e terminou muito rapidamente. – Eu tenho que ir. Guarde mais disso para mais tarde. – Sempre. Fui junto com ele para o hall. Ele pegou sua pasta de dentro do armário, e depois beijou minha testa mais uma vez antes de entrar no elevador. Ficamos parados, os olhos presos um no outro, até que as portas se fecharam. Assim que ele se foi, encostei-me contra a parede do hall de entrada. Ah, meu Deus, isso realmente estava acontecendo comigo? Eu estava realmente me sentindo em casa na cobertura do meu namorado bilionário? Eu me senti como Cinderela. Ou Julia Roberts em Uma linda mulher. Será que Hudson realmente me queria em sua vida desse jeito, ou eu estava completamente louca? Eu estava louca. Insanamente feliz. Com um gritinho, corri para a sala e me joguei no sofá. Fechei os olhos e revi toda aquela manhã na minha mente – acordando na cama de Hudson, o sexo delicioso na mesa da cozinha. Mas onde me concentrei mais foram nas palavras dele: “Não me importaria de comer você todos os dias de manhã.”


“Vou chegar em casa às seis horas.” “Não conseguia parar de pensar em você.” “Potencial insondável.” Depois de vários minutos sorrindo tanto que meu queixo doeu, as dúvidas começaram a rastejar de novo para cima de mim, como sempre faziam. Era mesmo possível para Hudson mudar tão completamente assim, aparentemente da noite para o dia? Ou era apenas um jogo que ele estava fazendo comigo? Talvez ele nem estivesse consciente do que fazia, e manipulasse a mim e as minhas emoções por hábito. Ou talvez, como eu, ele não soubesse direito como lidar com essa coisa de relacionamento e estivesse simplesmente agindo da maneira que achava que deveria, mesmo que isso significasse apressar tudo. De repente, tudo aquilo poderia ser verdade. Eu sentia essas coisas por ele, afinal. Eu queria estar com ele todos os dias, o tempo todo. Eu estava pronta para esse nível de compromisso, mesmo que não tivesse sido capaz de dizer isso dois dias antes. Mas eu me apressava nas coisas, agarrava-me muito rapidamente. Esse era o meu jeito... Talvez fosse o jeito de Hudson também. Sentei-me no sofá e olhei em volta da sala. Eu tinha falado sério ao confessar que era uma bisbilhoteira e, geralmente, teria começado a fuçar as coisas imediatamente. Mas não sentia a necessidade de fazer isso no momento. Eu queria mesmo ir ao chuveiro e me lavar. Ainda estava pegajosa da noite anterior, para não mencionar nossa atividade matinal. Voltei para o quarto principal, observando no caminho uma porta fechada, que provavelmente levava à biblioteca, bem como a outro quarto. No quarto principal, entrei no closet onde Hudson tinha pegado o meu roupão. Era grande e estava quase vazio, exceto por uma prateleira de roupas. Havia alguns vestidos mais adequados para a boate, vários pares de short, jeans e calças, e uma prateleira de tops. Uma gaveta da cômoda fora


parcialmente aberta, eu a puxei até o fim e encontrei calcinhas e sutiãs. Havia também um negligée. Adivinhei o que Hudson queria que eu usasse para dormir naquela noite. Deixei escapar um suspiro de felicidade e me dirigi ao banheiro, desta vez observando uma porta fechada no caminho. Olhei para dentro e descobri que era um segundo closet, este cheio de roupas de Hudson. Fui espiar, passando as mãos ao longo da fila de ternos. Era ridículo o quanto eu adorava ver as suas roupas assim? Era tão pessoal, tão íntimo. Como se, ao estar no meio de seu closet, eu estivesse no centro de sua vida. Girei o corpo lentamente, desfrutando da metáfora. Eu me senti aquecida e completamente bem. Meu banho foi longo e quente. Se eu estivesse em meu apartamento, teria saído do banheiro muito antes de finalmente dar um passo para fora do box do luxuriante banheiro de Hudson. Enrolei uma toalha em volta do corpo e coloquei os cabelos em um turbante, em seguida, saí do banheiro para pegar algumas roupas do meu closet. Meu closet. Mas, assim que pisei no quarto, ouvi vozes na parte principal do apartamento e um clique de saltos altos no chão de mármore no hall de entrada. Não podia ser a empregada – não apenas ela não deveria vir naquele dia, mas a mulher teria vindo sozinha. E, certamente, ela não estaria usando saltos altos. Talvez Hudson tivesse se esquecido de me dizer alguma coisa. Como, por exemplo, que sua mãe viria visitá-lo. Deus, essa não seria a melhor forma de estragar o dia? Mordi o lábio. Meu telefone estava na minha bolsa, que ainda estava na sala de estar, então eu não poderia telefonar ou enviar uma mensagem de texto para Hudson e perguntar quem poderia estar em sua casa. Olhei para o interfone. Deveria ligar para a segurança? Mas quem estava ali, tinha passado pela portaria sem nenhum problema. Quem quer que fosse, tinha


uma chave do apartamento. E, a julgar pelo som de seus saltos altos e pela voz de soprano, era uma mulher. Pressionando meu corpo apertado contra a parede, espiei pela fresta da porta e vasculhei o corredor. De costas para mim, eu vi uma mulher com um vestido azul-claro, dirigindo homens com caixas em direção à biblioteca. Seus cabelos louros, presos em um coque frouxo em sua nuca, foram o que denunciou quem era ela. Era a mulher com quem Hudson crescera. A mulher a quem Hudson afirmara falsamente que tinha engravidado. A mulher com quem a mãe de Hudson queria que ele se casasse. Era Celia Werner.


3 Um dos entregadores me viu e apontou com a cabeça em minha direção. O pânico borbulhava em meu peito quando Celia se virou para ver o que ele estava olhando. Eu me abaixei para me esconder no canto, mas não antes de ela me notar. – Laynie? Merda, merda, merda. Eu não queria vê-la, não queria que ela me visse! Seus saltos clicaram enquanto caminhava pelo corredor em direção ao quarto. – Alayna, é você? – Ela espiou para dentro do quarto e encontrou-me encostada contra a parede, ainda vestindo apenas uma toalha. – Oi. – Uau. – Seu sorriso se iluminou, enquanto os olhos se moviam para cima e para baixo do meu corpo, observando a minha falta de roupas. – Eu não esperava que você estivesse aqui. Isso era ridículo. Eu estava agindo como se tivesse sido pega fazendo algo errado, quando não era verdade. Eu tinha todo o direito de estar ali e, tanto quanto sabia, Celia não. Endireitei as costas e me afastei da parede. – Eu não esperava ver você também. Hudson não me disse que você é quem iria entregar os livros. Celia balançou a cabeça. – Ele não sabia. Ele fez o pedido através do meu escritório e minha agenda estava aberta hoje, então pensei em me certificar de que eles chegassem bem e ajudar a desencaixotá-los, se necessário. – Você tem uma chave. Aquilo era, honestamente, a única coisa passando pela minha mente naquele momento, e eu odiei como ficava patética falando daquilo... Eu


tinha uma chave também, afinal de contas. Celia encostou o ombro contra a porta. – Sim, tenho. Desde que eu fiz a decoração do apartamento. Estamos sempre atualizando, e nós pensamos que seria mais fácil se eu ficasse com uma chave – os olhos da mulher pousaram na cama desarrumada, observando os lençóis em desordem da minha noite com Hudson. Quando ela olhou para mim, seu sorriso parecia ainda maior. – Eu chamei pelo interfone antes de subir e não houve resposta. – Eu estava no chuveiro. – Entendo o motivo... Ela piscou, e eu sabia que ela estava dizendo que estava vendo mais do que eu envolta em uma toalha. Ela estava enxergando a cena toda. Tudo bem, então. Fiquei contente. Eu não teria que me sentir como uma idiota quando contasse tudo. Hudson e eu estávamos juntos agora. O que quer que alguém tivesse planejado para Celia e Hudson já era. Eu era a pessoa que ele tinha escolhido. Fim da discussão. Só que essa discussão havia ocorrido apenas em minha cabeça. Algumas coisas provavelmente ainda tinham de ser ditas em voz alta. Celia parecia estar pensando a mesma coisa. – Olha, deixe-me terminar com os caras da entrega e você pode se vestir. Daí, podemos conversar ou o que seja. Parece que temos algumas coisas para colocar em dia... Celia fechou a porta atrás de si, e deixei escapar um suspiro profundo. Eu não sabia por que a presença de Celia estava me dando tanta ansiedade. Ela não era uma ameaça... Mas era assim que a percebia. Senti ciúme dela desde que a conheci. Como era a amiga mais antiga de Hudson, ela o conhecia melhor do que ninguém. Ele lhe contou coisas. Ele guardou seus segredos. E Celia tinha sido a única pessoa que sabia sobre Hudson e mim, sobre nós dois fingindo que éramos um casal. Essa amizade de Hudson e Celia era muito íntima.


E ele tinha insistido comigo que a amizade era a única coisa entre eles. Eu tinha que confiar nisso, senão o ciúme iria me destruir. Toda a farsa começou, em primeiro lugar, para que Celia e os pais de Hudson parassem de tentar casar os dois. E, se realmente houvesse algo mais entre eles, então por que eu teria sido trazida para o meio dessa confusão? Eu tinha descoberto, apenas há uns dias, que o motivo pelo qual os Werners e Sophia Pierce estavam tão interessados em brincar de casamenteiros era porque pensavam que Hudson e Celia tinham estado juntos no passado. Eles pensavam que Hudson era o pai do bebê que Celia havia abortado. Mas não era, e eles nunca tinham ficado juntos. A verdade era pior – Hudson havia brincado com Celia, tinha enganado a moça para que se apaixonasse por ele, e a enviara em uma espiral de depressão e festas malucas. Então, quando ela acabou ficando grávida, ele sentiu-se responsável por isso e reivindicou a paternidade do bebê. De certa forma, Hudson tinha sido mesmo responsável. Mas ele não era mais o homem que fora em sua juventude. Ele não podia ser responsável por brincadeiras idiotas que o seguiriam pelo resto de sua vida. Eu não podia acreditar nisso. Caso contrário, eu teria que acreditar na mesma coisa sobre o que eu tinha feito com as pessoas. Certamente, até mesmo pessoas como nós, pessoas que tinham sido tão abaladas e partidas ao meio que destruíam os que estavam à nossa volta, mereciam a felicidade. Nós não teríamos que passar toda a nossa existência compensando os nossos erros. Será que teríamos? Afastei a culpa da minha mente e rapidamente coloquei um vestido que eu poderia usar na boate mais tarde. Prendi meus cabelos úmidos em um coque e respirei fundo antes de abrir a porta. Os homens da entrega já haviam ido embora, e eu encontrei Celia endireitando uma fileira de caixas em uma linha ordenada. Havia dezenas delas, muito mais do que eu imaginava. – Uau. Ele foi com tudo, não é?


Celia olhou para cima, afastando os olhos de sua tarefa. – Ele sempre faz isso. Mas, como tenho certeza de que você percebeu, ele tem muitas prateleiras para preencher. Avaliei a biblioteca pela primeira vez. Uma grande mesa de mogno estava colocada na extremidade, cercada por uma parede curva de janelas. Duas poltronas e um sofá comprido criavam uma área de estar no meio da sala. A bela lareira de mármore enfeitava o centro de uma parede, com uma grande televisão de tela plana colocada acima dela. O resto do espaço da parede fora preenchido com prateleiras. Prateleiras e prateleiras – um sonho para um amante de livros. Só que apenas uma pequena parte, perto da mesa, tinha alguns livros. – Hã, sim. Estas caixas mal vão ocupar uma parte dessas prateleiras. – Ele comprou mais, mas estes são os que já estavam em estoque. O restante deve vir nos próximos dias, espero. E, sim, ele ainda vai ter um monte de espaço vazio. Talvez você possa ajudá-lo a preencher o resto. Isso era uma isca para mim? Ela estava tentando me convencer a me abrir sobre Hudson? Se ela queria saber, bem, ela teria que falar claramente. Eu respondi a sua declaração com um simples: – Talvez. E me juntei a ela para empurrar as caixas em uma fila apoiada contra a parede, fazendo uma contagem delas. Vinte e sete no total. Acho que eu sabia como iria passar a minha tarde. Desempacotando livros, e o pensamento tinha me deixado mais que animada. Talvez até mais do que deveria. Empurrei a última caixa para junto das outras e me virei para Celia, olhando para mim, os braços cruzados sobre o peito, uma sobrancelha erguida. – Então. Você e Hudson... – Sim. Louco isso, não é?


Celia sempre tinha sido agradável comigo. Por que isso era tão incômodo? – Então é verdade? Vocês estão realmente juntos? – Estamos. Sem mais fingimento. É um negócio verdadeiro agora. Parecia estranho dizer isso. Com outros relacionamentos, minhas declarações eram mais provavelmente exageros. Será que eu estava exagerando agora? Não. Eu não estava. Isso era real. – Desde quando? – A pergunta não parecia de incredulidade, mas de curiosidade. Parecia interessada, mesmo. – Eu estive com ele na segundafeira e não me contou que alguma coisa tinha mudado entre vocês, embora parecesse muito apaixonado. Eu pensei que ele estivesse chateado e preocupado com alguma coisa de seus negócios, o que quer que estivesse acontecendo. Mas, agora que eu a vejo aqui, imagino que a preocupação era sobre você. Celia tinha levado Hudson de carro da casa de seus pais, nos Hamptons, para o aeroporto, para ele tratar de seu negócio de emergência com a Plexis. – Desde ontem. Quando ele voltou de Cincinnati, nós meio que tivemos uma conversa, e... – de repente, percebi a origem daquela sensação de incômodo que estávamos sentindo no ar. Embora Celia e Hudson nunca tenham estado juntos de verdade, ela tinha pensado que o amava. Eu não tinha nenhuma razão para ter ciúme dela, mas ela, por sua vez, tinha muitos motivos para ter ciúme de mim. – Você acha estranho eu falar sobre isso? – Estranho? Por quê? – Seu rosto relaxou com a compreensão. – Ah, ele lhe contou... – Contou. – Eu não tinha certeza de como ela se sentiria sabendo que eu conhecia esses detalhes tão íntimos de sua vida. – Eu sinto muito se isso faz você se sentir desconfortável, mas...


– Não, não mesmo. Mas não posso deixar de ficar surpresa. Ele nunca falou sobre isso com ninguém. Nem tenho certeza se ele contou ao terapeuta. – Ela mordeu o lábio inferior por um momento, como se refletindo. – O que exatamente ele disse? Você se importa de eu perguntar? – Claro que não, e eu acho que é justo contar a você. Mas podemos nos sentar primeiro? Talvez, se nos sentássemos, pudéssemos nos livrar dessa sensação de confronto entre nós duas. Celia assentiu com a cabeça, e caminhamos para o sofá. Sentei-me de frente para ela, com minhas pernas cruzadas debaixo de mim. – Bem. Ele, hã... ele explicou sobre como, hã... fez você se apaixonar por ele e, depois, dormiu com sua melhor amiga. Ele disse que era tudo um jogo. O que faz sentido agora, quero dizer, o tanto que você sabia sobre como ele fazia isso com as mulheres. – Celia tinha sido a pessoa que me contara sobre os jogos mentais de Hudson. – Sim. Falei com base em experiência própria. Sua voz tinha perdido um pouco da alegria habitual, mas nada parecia indicar que conversar sobre isso seria doloroso ou desagradável. Seu jeito à vontade me ajudou a seguir em frente: – E ele me falou sobre o bebê. Eu vi seu peito subir e descer antes que ela respondesse. – O que ele lhe contou? – Que você não sabia quem era o pai, então ele assumiu o bebê como sendo dele. Então você não seria desonrada, desgraçada ou o que seja. E que fez isso porque se sentia responsável pela situação. Mesmo que nenhuma dessas informações fosse nova para Celia, pois ela tinha vivido isso, afinal de contas, uma parte de mim se sentia culpada por compartilhar coisas que Hudson tinha me falado em confiança. Outra parte de mim, uma parte maior, queria saber mais sobre o passado turbulento de Hudson, e, como não conseguia tirar nada dele, a


chegada inesperada de Celia trouxe uma oportunidade para conseguir mais informações, e eu não iria desperdiçar. – Humm. Bem, isso meio que abrange tudo. – Ela bateu uma longa unha pintada de cor pêssego em seu joelho enquanto processava tudo. – Hudson é um bobo. Ele não deveria se sentir responsável por nada. Eu era uma mulher adulta. E posso assumir minhas ações. Ele não se sente mais assim, não é? – Ah, eu acho que sim... Eu não achava, tinha certeza de que ele se sentia assim. Essa era a razão pela qual ele se mantinha tão fechado, a razão pela qual tinha sido tão difícil para ele deixar me aproximar. Por causa de sua mãe, de seu terapeuta ou por qualquer motivo, ele tinha sido condicionado a acreditar que era incapaz de se importar por alguém, e as coisas horríveis que ele tinha feito para as pessoas como Celia, essas eram a sua prova. Ele podia manipular a vida de sua amiga, levá-la a agir de forma tão imprudente a ponto de ficar grávida de um desconhecido e, em seguida, perder a criança – essas eram as provas de que Hudson era uma pessoa desprezível. Porque nenhuma pessoa decente faria isso. Mas, para mim, o fato de que Hudson estivesse tão traumatizado com as situações em que tinha colocado Celia era justamente uma evidência contrária, uma evidência de que ele podia sentir, sim, carinho pelas pessoas. Ele se importara o suficiente com a moça para se arrepender de seus atos. Isso não mostrava crueldade, mostrava humanidade. Celia revirou os olhos. – Isso é ridículo. Ele realmente precisa superar essa coisa. Isso foi praticamente há uma década. É notícia velha. Eu concordei com essa avaliação. Talvez, por, finalmente, ter amor em sua vida, Hudson pudesse aprender a seguir em frente. Quanto a Celia, eu não tinha certeza, ainda. – Então, você não está mais apaixonada por Hudson?


Não era difícil para mim me imaginar abrigando um amor não correspondido por dez anos, porque eu ficava obcecada pelos homens com quem me relacionava. A única razão pela qual pude superar algumas das minhas obsessões do passado tinha sido porque eu fizera terapia. Não que Celia sofresse de transtorno obsessivo como eu, mas não era incomum a mulher continuar apaixonada por seu amigo há anos e não ter retorno da parte dele. Este era o material de grandes livros. O que isso fazia de mim? Na história de Celia, eu seria a vilã? Possivelmente, era um excesso de drama de minha parte. Como sempre. Celia se inclinou para frente e pôs a mão sobre a minha, me fazendo baixar a guarda de surpresa. – Eu tenho muito carinho por ele, Laynie. Hudson é meu melhor amigo. Eu o amo desde que o conheci, que foi antes que eu pudesse aprender a falar. Mas não estou apaixonada por ele. Eu nem acho que já estive alguma vez. Ele brincou comigo e eu pensei... Bem, de qualquer maneira, não estou agora. Minha mãe irá contar-lhe a história de forma diferente, mas ela acredita nas coisas que ela quer. Se eu estivesse apaixonada por ele, teria deixado que se organizasse nosso casamento para a coisa funcionar, em vez de apoiar uma farsa para enganar os nossos pais. – Sim, faz sentido – puxei a minha mão para longe da dela antes que parecesse estranho... Bem, já era estranho. Eu não era uma pessoa que gostasse muito desse tipo de contato. – Então, você não se incomoda por estarmos juntos? – Me incomodar? Estou feliz por ele! Pelos dois, na verdade. O que acontece é que eu estava começando a pensar que Sophia estava certa, que ele não poderia amar alguém, porque nunca tinha demonstrado qualquer inclinação por uma pessoa. Exceto para mexer com elas, é claro. Era algo realmente muito triste. Esta é definitivamente uma mudança para melhor. Eu queria estar feliz como ela. No entanto, quando Celia trouxe o passado de Hudson de volta, despertou um dos meus maiores medos.


– Eu falei alguma coisa? – perguntou Celia. Ela deve ter visto a preocupação em minha expressão. Eu nunca consegui fazer cara de paisagem. – Não foi nada. Era provavelmente melhor que eu não dissesse nada. Se bem que Celia talvez fosse a única pessoa com quem eu poderia falar sobre isso. A única pessoa que iria entender e me dar algumas dicas. Eu me mexi, trazendo os joelhos até o peito. – É que... É que eu estava preocupada. É bom demais para ser verdade, e eu fico me perguntando se talvez eu esteja sendo... Quero dizer, se ele está... – Se ele está enganando você também? Meus olhos castanhos encontraram os dela, azuis. – Sim. Celia assentiu com a cabeça uma vez e franziu a testa. – Isso é algo com que me preocupo. Bem, esse não era o tipo de consolo que eu estava esperando. – Eu não estou dizendo que você deva se preocupar – acrescentou. – Isso apenas é uma coisa que passou pela minha cabeça como uma possibilidade. Especialmente conhecendo o passado dele, e porque esse acordo ou relação que ele tem com você é algo completamente diferente de tudo que ele já teve antes. – Você o conhece. O que acha? – Jesus, meu lábio tremia quando falei. Como eu estava sendo patética... Ela bateu o dedo no joelho novamente. – Não acho que ele esteja fazendo mais isso. Realmente, eu não sei. Ele teve aconselhamento, e já vão uns dois bons anos que Hudson não passa por nenhum... incidente. Fiz uma anotação mental para perguntar o que ela queria dizer sobre “incidente” em outro momento. Agora, porém, isso não era o suficiente para interromper Celia.


– Eu acho que ele poderia ter uma recaída, mas... – As palavras dela sumiram. – O que ele disse? – Que ele quer ficar comigo. Que ele está empenhado em fazer o relacionamento funcionar. – Ou coisas semelhantes, que eu não desejava compartilhar. Essas eram as palavras dele para mim e não eu não estava a fim de dividi-las com mais ninguém. Celia veio mais para perto de mim, como se estivéssemos em uma sala cheia de pessoas e ela estivesse prestes a me contar um segredo. – Vou lhe contar uma coisa sobre Hudson e sobre o jeito como ele joga com as mulheres. Ele não mente. Nunca. Essa é a parte brilhante de sua habilidade de manipulação. Nunca diz nada que você possa usar contra ele mais tarde. É tudo em duplo sentido, para fazer você ler mais do que ele está dizendo. Ele faz você pensar que está oferecendo mais do que realmente está oferecendo sem nunca dizer as palavras. Você sabe o que eu quero dizer? – Eu... Eu acho que sim. Agora que estava pensando sobre isso, eu sabia exatamente o que ela queria dizer. Hudson escolhia suas palavras com tanta precisão e tomava tanto cuidado que eu podia entender como ele era capaz de reverter qualquer situação para que tirasse vantagem. Era o que fazia dele um bom homem de negócios, imaginei. – Então, se ele disse essas coisas para você, acredito nelas – garantiu Celia. – E ele nunca, jamais trouxe uma mulher para o seu apartamento antes. Isso é de conhecimento comum. Mesmo Sophia sabe disso. Ele nunca quis que ninguém fosse capaz de encontrá-lo depois que, você sabe, partisse o coração da pessoa... Isso fazia sentido total. Se você fosse um cara que vivesse brincando com as pessoas, não ia querer que elas tivessem acesso à sua vida privada. Eu sentia quase o mesmo quando temia a minha incapacidade de permanecer distante dele, porque eu não tinha querido saber onde ele


morava para que não me prendesse a isso. Engraçado como nós dois estávamos agora exatamente nas posições em que nunca tínhamos pensado que estaríamos. Celia estava me observando, avaliando as minhas reações. Eu podia sentir que ela queria dizer mais, só que não sabia como. – E Hudson disse... Como ele se sente em relação a você? – Sim. – Bem... – Não. – Mas ele havia insinuado isso, pelo menos. Agora eu não conseguia nem me lembrar muito bem o que ele tinha dito e a bola de preocupação no meu estômago começou a crescer e a apertar. – Quero dizer, ele disse algumas coisas, mas não falou realmente que me amava... Mas eu sabia que ele estava falando sério. Certo? Celia sorriu. – Acho que ele nunca disse a ninguém que a amava. Nem mesmo à sua mãe. Então pode demorar um pouco, se alguma vez for acontecer. Não tome essa omissão como sendo um sinal de qualquer coisa. – Ela se endireitou no sofá. – Não, eu acho que você está bem. Acho que tudo está bem. Acho que isso é de verdade. – Ela bateu palmas. – Uhu! Hudson Pierce tem uma namorada! Isso é muito legal! – Sim, é legal. – O calor se espalhou pelo meu corpo. – Absolutamente legal. Porque nada disso tinha acontecido comigo antes. Eu nunca havia tido um relacionamento com alguém que retribuísse os meus sentimentos. Todo cara que eu achei que seria o cara nunca teve uma chance de descobrir se sentia o mesmo por mim, porque eu estragava tudo com meu apego, sufocando o “amor da minha vida”... E, nas vezes em que pensei estar apaixonada, eu estava na verdade apaixonada pela ideia de alguém estar apaixonado por mim. Aprendi isso através da terapia de grupo. Foi por isso que eu me agarrei a qualquer fiapo de interesse que algum cara jogasse em meu caminho, porque eu desejava desesperadamente ser amada. Mas, desta vez, eu não estava agindo de forma desesperada, nem agindo


de forma obcecada. Não mais do que o razoável, de qualquer maneira. Quer dizer, isso era um motivo mais do que justo para celebrar. Sorri para Celia. – Não sei como dizer a você como é bom conversar com alguém sobre ele. Muito obrigada. – Aposto que sim. E não há problema. Quando quiser falar, é só me avisar. – Ela fez uma pausa. – Como vão as coisas com Sophia? – Não sei. – Para dizer a verdade, eu não me importava. A mãe de Hudson e eu nunca seríamos amigas. Não quando ela me menosprezava e me chamava de vagabunda. Não quando ela estava tão contra Hudson encontrar algo de bom na vida. – Mandei ela passear na última vez que a vi. Espero que não tenha que lidar com ela tão cedo. – Ah. Você não tem planos de vê-la, então? Tipo, para mostrar-lhe como está compromissada na vida de casal e tudo o mais? – Celia parecia surpresa, e talvez fosse mesmo surpreendente depois de tudo que Hudson tinha feito para me mostrar à mãe, quando não éramos realmente um casal. – Não, graças a Deus. Acho que Hudson desistiu de convencê-la de qualquer coisa. O que está tudo bem para mim. – Totalmente. Quem precisa de Sophia, afinal? Eu não, disso eu tinha certeza. Mas Celia, por outro lado... – Você é toda íntima dela. – Nós tínhamos abordado todo o resto, poderíamos muito bem abordar a questão de Sophia também. – Bem, eu vivo pela filosofia de ter os amigos por perto, e os inimigos mais perto ainda. Dá muito certo para mim. – É o que parece. Ela adora você. – Eu posso ter soado um pouco ciumenta. O que era ridículo, uma vez que eu odiava Sophia Pierce. – Sim. Ela me adora porque adora a minha mãe. Além disso, acha que, se eu ficar com Hudson, terá acesso completo à vida dele. Como se eu fosse partilhar algo pessoal com ela. Ela está iludida, isso é tudo. – Então, tudo o que eu tenho que fazer para trazê-la para o meu lado é


iludi-la também? – Talvez. – Os olhos de Celia se estreitaram enquanto considerava essa hipótese. Em seguida, ela balançou a cabeça. – Sério, esqueça-a. Ela não vale a pena. Você já ouviu falar de quando Hudson contou a ela sobre... – O relógio de pêndulo no foyer tocou uma vez. – Ah, Deus, já é uma da tarde? – Celia olhou para o relógio. – E já é mesmo. Eu tenho uma tarde cheia. Tenho que ir. – Ela se levantou e alisou o vestido. – Sinto muito ter que correr assim. Foi ótimo conversar com você. – Sim, foi bom. – Eu odiava admitir, mas fiquei desapontada ao vê-la ir embora. Especialmente quando estava prestes a me contar uma história sobre Hudson. Celia tinha muito a oferecer em termos da compreensão sobre ele. Sua conversa me fizera sentir melhor e havia muito mais que eu poderia conseguir ao falar com ela. – A gente devia se ver novamente! – exclamou ela, quase no exato momento em que eu estava pensando a mesma coisa. – Tome. – Ela tirou um cartão de apresentação da bolsa e me entregou. – Meu celular está aqui. Ligue-me e nós podemos tomar um café. Amanhã, talvez? – Eu gostaria muito. – Peguei o cartão dela, olhando para o que estava impresso. “Celia Werner, designer de interiores, empresas e residências.” – Ótimo. Ligue para mim de manhã, então. – Celia fez uma pausa. – Ah, e, se eu não responder, continue ligando. Eu tenho um péssimo hábito de deixar meu telefone em lugares diversos, e, se você continuar tocando, vou poder atender e ainda encontrar meu celular! Será bom para nós duas! Eu ri com o seu método de controle de telefone. – Perfeito. – Amanhã, então. Dê um beijo em Hudson por mim. – Ela se dirigiu para a porta da biblioteca e, em seguida, parou e se virou para mim, com a mão apertada contra o peito. – Sabe? Está realmente na hora de Hudson ter alguém em sua vida, e estou tão feliz por ser alguém que o ama e o compreende, como parece que você faz. – Suas palavras e ações pareceriam


excessivamente dramáticas para a maioria das pessoas, mas ela era elegante o suficiente para poder fazer isso e ainda ficar bem. – Obrigada. Sim, eu o compreendo. – Provavelmente bem mais do que ele ou eu soubéssemos. – Eu sei disso. – Seu rosto ficou sério. – Ele me contou coisas sobre você também. Espero que não se incomode. Ela só poderia estar se referindo ao meu passado de louca perseguidora de namorados. Algumas vezes, tinha sido bastante embaraçoso. Eu tinha violado uma ordem de restrição uma vez. Por isso, tinha uma ficha policial. Isso fora enterrado agora, por Hudson e meu irmão, advogado, mas esse fato não mudava o que havia acontecido: eu fora capaz de fazer uma coisa desse tipo. E essa era apenas uma de uma longa lista de merdas que eu tinha feito. Normalmente, eu teria me sentido humilhada ao descobrir que alguém sabia sobre a minha história. Mas, naquela altura, com tudo de bom que estava acontecendo ao lado de Hudson, não me incomodei. – Não, não me incomoda. Surpreendentemente. – Ótimo. – Ela sorriu. – Eu não vou contar a ninguém, é claro. Mas estou feliz em saber. Porque posso ver que você é perfeita para ele por causa do que já passou. Eu estou do seu lado. – Obrigada. Fico agradecida. Celia piscou. – OK, bem, preciso ir, tchau. Boa sorte! Fiquei na biblioteca, pensando sobre a visita de Celia, muito tempo depois de ela ter ido embora, e salvei o seu número no meu celular. Estava ansiosa para tomar um café com ela, e, na verdade, era isso que fazia eu me sentir inquieta. Por mais que tivesse certeza de que Celia poderia ser uma fonte vital de conhecimento sobre Hudson, eu também tinha certeza de que ele não ficaria nem um pouco feliz com essa bisbilhotice. E com razão. Se eu quisesse saber mais sobre o seu passado, eu deveria falar com ele.


Ainda assim, que mal teria em ir tomar um café com ela? Decidi adiar este projeto até de manhã. Vasculhei as dúzias de caixas, abri algumas e comecei a colocar os livros nas prateleiras. Hudson tinha dito para eu me sentir em casa, e trabalhar iria me impedir de xeretar. Ainda que eu tivesse conseguido a permissão dele, este não era um comportamento bacana de maneira nenhuma. Encontrei um abridor de cartas em uma das gavetas de Hudson e, ajoelhando-me ao lado de uma das caixas, o usei para cortar a fita da embalagem. Molière estava por cima, junto com um exemplar de Shakespeare. Por baixo, encontrei vários outros clássicos, de Dante a Dickens. Sentei-me em meus calcanhares e olhei para as prateleiras, formulando um plano para organizar a biblioteca. Minha biblioteca. Hudson não tinha dito que era minha, mas eu não pude deixar de pensar nela como tal. Eu adorava livros – não só as histórias que eles continham, mas a sensação deles em minhas mãos, as páginas sedosas, todas essas palavras coletadas e reunidas em um só lugar. Hudson não tinha qualquer interesse em livros impressos. Obviamente. Suas prateleiras vazias eram a prova disso. Ele lia tudo em seu e-reader. Então estes eram os meus livros. Eu já os tinha adotado e tinha certeza de que Hudson não iria protestar com relação a isso. Hudson só tinha comprado esses livros para enganar a sua mãe, ainda que eu duvidasse que Sophia visitasse seu apartamento com muita frequência. Também, nessa mesma pilha de mentiras contadas para Sophia Hudson havia declarado que eu estava indo morar com ele. Quanto tempo levaria antes que isso se tornasse realidade? Não, eu não podia ficar arquitetando. Como eu tinha dito antes a mim mesma, era muito cedo, e nós não estávamos prontos. Mas será que realmente machucaria alguém se eu fantasiasse sobre essa ideia por alguns minutos? Imaginar que eu estava vivendo com ele na


cobertura? E mais... Eu dirigindo a boate com Hudson ao meu lado. Então as alianças de casamento e a festa de noivado brilharam em meus sonhos. Era realmente tão ruim assim ansiar por isso? Sim. Era. Eu tinha que parar agora, porque sonhar acordada poderia muito facilmente levar à fixação, à obsessão. Eu precisava de algo para substituir essa obsessão. Outra coisa que pudesse ocupar minha mente. Tentei voltar a atenção para os livros, mas mais uma vez a minha mente vagava automaticamente para o futuro, o noivado, a boate e a festa de casamento. Foi quando uma ideia me atingiu. Larguei a minha tarefa e encontrei o meu telefone, para ligar para o Jordan. Eu precisava de uma carona. – Festas de despedida de solteiro? – David Lindt recostou-se na cadeira e ficou virando de um lado para outro. Eu não tinha certeza se David estaria no Sky Launch tão cedo, mas tive sorte. Ele era o gerente-geral da boate, e, desde que Hudson havia delegado o funcionamento do negócio para ele, David era a pessoa com quem eu tinha que falar sobre todas as melhorias que imaginasse. E era por isso que eu tinha vindo mais de seis horas antes do meu turno começar para compartilhar a minha ideia de gênio. – Sim. Festas de despedida de solteiro. – Sério? Essa é a sua grande ideia? – Vamos lá, é perfeito! – Joguei as mãos para o alto para dar ênfase. Esta era uma boa ideia, e falar sobre ela com calma não parecia ter convencido David. – É a temporada de casamentos e as bolhas são o lugar perfeito para isso, e continuariam cercadas pelo ambiente da boate. Você sabe tão bem quanto eu as coisas que se passam nessas salas! Estas “bolhas” eram, em minha opinião, o ponto alto do Sky Launch. As dez salas circulares corriam pela circunferência do segundo andar. Cada uma tinha a sua própria entrada e era completamente fechada para


garantir a privacidade. Ou melhor, uma sensação de privacidade. Era uma ilusão, pois todas tinham uma janela que dava para a pista de dança, abaixo, e, se você olhasse para cima, poderia ver tudo o que acontecia lá dentro. Muitas vezes, as coisas que aconteciam naquelas salas poderiam ser classificadas como eróticas e, mais frequentemente, pareciam aqueles filmes pornôs tipo “X-rated”. As bolhas, no entanto, tinham sido negligenciadas em todas as promoções da casa, desde que eu me empregara na boate. De meu lado, eu fora promovida, em parte, com a promessa de encontrar formas de melhor utilizar esse recurso único. Promovê-las para despedidas de solteiro, eu achava que esse plano era ouro. David não parecia ter a mesma visão que eu. – Nós já tivemos festas de despedida de solteiro aqui. Não muitas, mas algumas. – E elas sempre vão bem, não é? – Os clientes estão sempre satisfeitos. – Ele torceu os lábios enquanto considerava a ideia. Com sua inquietação constante e suas caretas estranhas, eu me perguntei rapidamente como pudera me sentir atraída por esse homem. A resposta foi que eu fora atraída. Não verdadeiramente. David fora uma boa opção quando eu tinha muito medo de ir atrás de todos os homens que realmente me excitavam. Achei até que poderia ter um futuro com ele. Entendia que estar com um homem como David era a cura para minha obsessão, e de fato não me sentir apaixonada por ele me impediu de repetir o comportamento escandaloso do meu passado. E ele era muito gracinha. Nós nunca fomos até o fim, mas estivemos muito perto, e sentir tesão nunca tinha sido um problema para mim. Todos os pensamentos sobre David sumiram quando Hudson entrou em minha vida. Eu desisti da aposta segura para ter uma coisa real, e, mesmo com os altos e baixos de amar alguém como Hudson, eu não me arrependia


nem um pouco. David se arrependeu, no entanto. Ele queria algo mais entre nós e me falou sobre isso no dia anterior. Mas ele sabia onde estavam meus sentimentos. Ele sabia a quem meu coração pertencia. Agora, lá estava ele, com a caneta na boca e mastigando a ponta já mascada. – Como você espera atrair as pessoas para reservar as nossas salas? – Marketing. Era óbvio. Essa tinha sido a minha área no meu MBA recém-concluído, e eu estava ansiosa para usá-lo. Era isso o que eu tinha para oferecer à boate – minha especialização. – Nós nunca anunciamos essas salas para nenhum mercado específico. Elas estão subutilizadas e é um desperdício de espaço em comparação com o modo como poderíamos usá-las. E, se nós agruparmos as salas em pacotes concebidos especificamente para “noivas prestes a casar”, acho que poderemos de fato atrair um pouco de atenção. – Sim, vejo algum potencial. – Ah, finalmente. – Qual é a sua estratégia? – Eu preciso de algum tempo para colocar tudo em um plano formal, mas estou pensando que eu poderia marcar algumas reuniões com os planejadores de casamentos. Se eu puder oferecer um bom negócio, eles oferecerão aos seus clientes. Talvez possamos dar-lhes bônus por indicação ou oferecer-lhes uma porcentagem de nossas taxas de reserva como comissão. Mas primeiro precisamos criar alguns pacotes. Incluir algumas bandejas de frios e salgados e certa consumação no bar, então teremos algo para vender. Atrás de mim, o meu telefone tocou com uma mensagem de texto. Ele ficou sem bateria quando vim para a boate, logo depois que mandei uma mensagem para Hudson detalhando os meus planos para a tarde. Felizmente eu tinha um carregador sobressalente que mantinha no escritório e o conectei assim que cheguei.


– Então, o que acha? – perguntei enquanto ia apanhar o celular. – Eu acho que você teve uma ideia brilhante. Vamos tocar. Eu sorri triunfante antes de olhar para a minha mensagem. “Arranjei a cozinheira. Você ainda vai estar em casa para o jantar?” “Eu não perderia por nada no mundo”, respondi, o seu uso da palavra casa me deixou tão tonta como tinha feito naquela manhã. – Pierce? A pergunta de David interrompeu minha euforia. – Sim, é Hudson. – Alguma coisa boa? Eu não tinha percebido que estava sorrindo até então. – Tudo ótimo. Deixando o telefone para continuar a carregar, voltei para a cadeira em que estava sentada. – Vou me encontrar com ele para o jantar. Não se preocupe, estarei de volta no momento em que o meu turno começar. – Na verdade, eu queria falar com você sobre a mudança de sua agenda. – David levantou-se e deu a volta para a frente da mesa, apoiando-se no canto. – Eu promovi você para que pudesse fazer esse tipo de coisa. Temos cobertura gerencial suficiente. Se precisarmos de mais alguém, coisa que eu tenho certeza de que vai acontecer em breve, se seus planos derem certo, Sasha está pronta para ser gerente. Sua contribuição maior, o que você traz para o Sky Launch, são as suas ideias de negócios. Eu preciso que você faça essa magia. Esse não é o meu departamento. – Então – franzi a testa –, o que você está dizendo? – Estou dizendo para fazer o seu próprio horário. Eu preciso de você no mínimo quarenta horas por semana, coisa que não será um problema para você, sua viciada em trabalho, mas organize do jeito que achar melhor. Marque as reuniões com os planejadores de casamentos. E eu gostaria de ir em frente com sua ideia de aumentar as horas de funcionamento e


expandir nossos serviços. Isso vai exigir um monte de planejamento durante o dia também. Você vai precisar se reunir com os cozinheiros e o pessoal adicional. Vai ser um monte de trabalho. Parecia que meus olhos iam saltar da minha cabeça. – Sério? Quero dizer, fala sério sobre eu poder fazer todas essas coisas incríveis e ainda montar meu próprio horário? Esse era o meu emprego dos sonhos se concretizando. Todas as brigas com meu irmão, Brian, sobre desperdiçar meu curso superior e as oportunidades de trabalho que recusei, aquelas vindas das empresas da Fortune 500... Isso fazia com que todas as dúvidas e sofrimento valessem a pena. – Sim, é sério. Eu não ia brincar com uma coisa dessas. Comece tirando esta noite de folga. – Não seja ridículo. Você não pode tocar o bar com apenas uma pessoa. – Liesl vem. Já está coberto. Claro que Liesl concordaria em trabalhar numa mudança de turno para mim. Ela era praticamente a minha única amiga na cidade. Metade desatinada, metade gênio, ela era tudo o que eu não era... Livre e descontraída, e paquerava sem ter que se preocupar em ficar apegada. Embora nós fôssemos completamente opostas, ela me entendia como ninguém mais e, muitas vezes, foi mais generosa comigo do que eu merecia. – Ela me substituiu durante o tempo todo que fiquei nos Hamptons. Não posso deixá-la fazer isso. – Ela se ofereceu. Contratamos essa nova garçonete e Liesl está determinada a “treiná-la direito”, palavras dela, não minhas. E, se você está se preparando para marcar algumas reuniões para amanhã, vai precisar se ajustar para ficar acordada durante o dia. Porque hoje você é uma espécie de vampira. – Ele correu os olhos pelas minhas pernas. – Uma vampira bronzeada, mas ainda uma vampira... Eu ri, ocultando meu desconforto com o desejo que era evidente em seu


olhar. Levantei-me para nos colocar no mesmo nível. Caso contrário, ficaria parecendo como se ele estivesse olhando para meus peitos. – Obrigada, David. Obrigada, obrigada, obrigada. Eu sou... – Não havia palavras para demonstrar o quanto eu estava grata por essa oportunidade. – Só quero dizer muito obrigada. – Você merece. – Ele endireitou sua posição inclinada e jogou os braços para os lados. – Um abraço? – Isso me colocou em apuros da última vez. Hudson tinha entrado na sala bem na hora em que eu abraçava David e ficou muito chateado. Ele não era um homem que compartilhava suas coisas. Eu consegui acalmá-lo no final, convencendo-o de que meu abraço tinha sido inocente, o que era verdade, pelo menos de minha parte. Ainda assim, Hudson suspeitava que houvesse algo mais entre mim e David. E, como uma covarde, eu não tinha sido capaz de admitir que ele estava certo. David e eu tínhamos uma história. Mas, em comparação com o que eu sentia por Hudson, parecia um detalhe insignificante. Estendi a mão para David. – Pode ser um aperto de mãos? Ele assentiu com a cabeça quando pegou a minha mão. E segurou-a muito mais tempo do que deveria, seu polegar acariciando ao longo de minha pele, enviando arrepios desnecessários aos meus braços. Eu me afastei, esperando que ele não tivesse notado. Embora não sentisse nada por David, meu corpo ainda reagia ao dele. Ele era um cara comum, mas atraente, seus olhos de um azul opaco, seus cabelos louroescuros e encaracolados. Ele malhava, mas tinha uma estrutura robusta. Ele nunca tinha sido o meu tipo e minha reação foi, provavelmente, apenas por hábito. Mas foi o suficiente para me fazer sentir de repente um peso de culpa, porque não deveria esconder de Hudson o meu passado com David. Eu tinha sido rápida em acusá-lo de manter segredos em nosso relacionamento, e aqui estava eu fazendo exatamente isso. Era errado, e


sabia muito bem disso. E também sabia que não lhe contaria nada. Eu duvidava que ele me deixasse continuar a trabalhar com David se chegasse a saber que tínhamos tido um passado, e, se descobrisse isso por conta própria, o meu silêncio poderia ajudar em minha defesa. Eu explicaria a Hudson que não contara nada porque não havia nada de significativo para contar. Hudson iria entender. Talvez, se eu continuasse a repetir isso, até eu mesma acabaria acreditando.


4 Hudson já estava em casa, com o paletó jogado numa cadeira, quando voltei para o apartamento naquela noite. Ele me recebeu quando eu saí do elevador, me cumprimentando com um beijo delicioso que quase me fez sair voando. – Bem, olá para você também. – Você está atrasada – disse ele, contra os meus lábios. – E...? – Fiquei preocupado. – Sua boca percorreu meu rosto e foi até minha orelha. Meus olhos se arregalaram de surpresa e por causa daquela coisa gostosa que ele estava fazendo no ponto sensível abaixo da minha orelha. – Que alguma coisa tivesse acontecido comigo? – Que você não viesse... Empurrei-o para trás para encontrar seus olhos. – Por que, Hudson Alexander Pierce, você se preocupou que eu não voltasse para casa? – Era uma tolice até mesmo pensar nisso. – Você não percebe que eu sou o tipo de garota que gruda? Ele se inclinou para trás para esfregar o nariz contra o meu. – Se você agisse de forma tão inteligente quanto é esperta, já teria me dado o fora há semanas. – Ainda bem que não ajo de forma inteligente. – Ainda bem para mim, sim. – Ele me soltou e pegou a bolsa do meu ombro, que guardou no armário de casacos. Então, entrelaçando os dedos nos meus, ele me puxou através do hall, em direção à sala de estar. – Adivinha? Eu admirava as costas dele quando o seguia, os músculos tensos visíveis através de sua camisa.


– Você não tem que trabalhar esta noite. Parei, minha mão escorregando de seus dedos. – Como é que você sempre sabe de tudo? – Eu não sei. – Ele se virou de frente para mim, um sorriso brincando em seus lábios perfeitos. – Mas, no que se refere a você e seus assuntos, eu faço um esforço. David me ligou esta tarde e perguntou se eu aprovava a ideia de você fazer o seu próprio horário. – E você respondeu: “Sim, porque então eu posso combinar a minha agenda com a de Alayna de modo que possamos foder tanto quanto possível.” Eu ri da minha imitação horrível da voz de Hudson. – Eu disse que achava uma boa ideia. – No mesmo instante, eu estava de volta em seus braços. – Mas estava pensando no que você disse. – Sua boca passeou sobre a minha, brincando. – Eu amo você. Ele se moveu e ficou mais apertado contra mim. – Espero que a minha capacidade de mudar as suas horas de trabalho não seja a única razão do seu carinho por mim. – Não é. Acredite. – Desta vez eu o beijei, lambendo ao longo de seu lábio superior. Quando ele se afastou de mim, seus olhos estavam embaçados de desejo. – O jantar está pronto, princesa. Ele me levou para a sala de jantar, onde a mesa estava posta com um buquê de orquídeas brancas, dois castiçais acesos, uma garrafa de vinho aberta e dois lugares postos, em cada uma das extremidades. Hudson acenou com as mãos para as velas. – Elas teriam um efeito mais dramático se não fosse tão claro aqui. – Sim, é horrível que a sua cobertura tenha janelas do chão ao teto, e que deixem entrar tanta luz – provoquei. – Falando sério, é adorável. – Nossos olhos se encontraram por um momento, presos uns nos outros.


Deus, se nós não parássemos de nos olhar assim, a comida teria que esperar. Eu já estava sentindo minha calcinha molhada. Percebendo o aroma das ervas frescas, rompi o nosso olhar e olhei em direção à cozinha silenciosa. – Onde está a cozinheira? Será que ela abandonou você? – Não. Ela preparou o jantar e depois foi embora. Nossos pratos estão à espera no aquecedor. – Ele puxou uma cadeira, gesticulando para eu me sentar. – Presumo que possa dar conta do serviço sem ela. Mantive o olhar nele enquanto me sentava. – Querido, você não precisa de ajuda de ninguém com o serviço. – Ei, calma. – Ele bateu no meu nariz com o dedo quando me repreendeu. – Comida primeiro. Eu preciso de toda a minha energia para acompanhar você. Mas, se conseguirmos passar pelo jantar, talvez haja a sobremesa. – Uma sobremesa safadinha, espero. – Não precisa esperar, pode ter certeza... Hudson serviu vinho branco em minha taça antes de se servir. Então, desapareceu na cozinha, retornando alguns minutos depois com dois pratos de comida. Ele colocou um prato na frente de cada um de nós e, em seguida, se sentou. Jantamos juntos, enroscando as pernas debaixo da mesa. Nós conversamos sobre o nosso dia, e, quando lhe contei sobre minha ideia das festas de despedida de solteiro para a boate, ele ficou impressionado e apoiou: – Você quer que eu a coloque em contato com o pessoal da minha empresa de eventos? Não que eles sejam úteis nessa área de casamentos e coisas assim... – Não, eu tenho algumas coisas já configuradas. Hudson tomou um gole de vinho, e eu imaginei que era difícil para ele me deixar ficar com as rédeas do meu projeto. Mas, quando ele apoiou a taça de volta na mesa, já parecia resignado.


– Então, me avise se mudar de ideia. A refeição estava deliciosa: peito de frango recheado com tomate seco e alcachofra. Abobrinha refogada e arroz acompanhando o frango. Eu tinha ficado no trabalho durante toda a tarde, organizando reuniões para a semana, e tinha pulado o almoço. Só quando comecei a comer é que eu percebi o quanto estava com fome. – Está delicioso, Hudson – comentei, quando meu prato estava quase vazio. – Onde você encontrou essa cozinheira? – Ela costumava ser chef em um dos meus restaurantes. As coisas não deram certo entre ela e outro membro da equipe, de modo que agora trabalha só para mim. Refleti por um momento sobre o que eu sabia do portfólio de negócios de Hudson. – O Fierce? – É esse. O Fierce era um dos restaurantes mais quentes da cidade. O chef tinha a reputação de ser um osso duro de roer. Achei que não precisava perguntar se essa era a razão pela qual a cozinheira havia saído. Minha mentalidade orientada para o trabalho emergiu na conversa: – Será que ela estudaria a hipótese de trabalhar no Sky Launch? – Mas, então, quem iria cozinhar para nós? Ignorei a adrenalina que tomou conta de mim quando Hudson se referiu a “nós” e continuei: – Para eventos privados, então. Ela não tem que ter um trabalho em tempo integral. – Eu gosto da maneira como seu cérebro funciona para os negócios, Alayna. Mas por que não colocar o trabalho de lado por esta noite? Eu gostaria de passar mais tempo com a parte sexy da minha namorada. Isso me calou. Foi a primeira vez que ele tinha me chamado de “namorada”, e, ah, Deus, o que isso provocou em mim! Meu peito se


aqueceu com o que parecia ser um nível radioativo de calor que se espalhava pelas minhas pernas e até às minhas bochechas. Namorada. Eu era namorada de Hudson Pierce. Fingindo que ele não sabia o que sua declaração tinha causado em mim, pois ele sabia, e como sabia... Hudson continuou com a conversa normal que namorados e namoradas mantêm depois de um dia separados. – Além do trabalho, como foi a sua tarde? Notei que os livros chegaram. Correu tudo bem durante a entrega? Eu assenti com a cabeça enquanto engolia, e tomei um gole de vinho antes de responder: – Eles entregaram, e, sim, correu tudo bem. Celia acompanhou a entrega. Embora seu rosto ficasse impassível, ele parou de mastigar por meio segundo. – Hã? Eu tinha imaginado que Hudson não ficaria tão feliz por Celia aparecer por aqui. Desde que ela tinha tagarelado sobre o seu passado manipulador, ele parecia temer o que ela poderia me contar. Não adiantava que eu dissesse, Hudson não entendia que nada jamais iria mudar o que eu sentia por ele, não importava o que Celia ou qualquer outra pessoa me contasse sobre ele. Talvez eu não devesse ter dito nada sobre a visita, mas não me pareceu certo. Eu já estava ocultando a minha história com David, e não queria outro segredo. A única coisa a fazer era convencê-lo de que Celia e eu podíamos ser confiáveis juntas. – Ela me surpreendeu. Eu acho que estava no chuveiro quando ela tocou, então, como ninguém respondeu, deve ter se permitido entrar. Hudson franziu a testa. – Eu preciso tirar a chave dela. – Sim, faça isso. – Eu não gostava de ter que me preocupar que ela pudesse entrar a qualquer momento que quisesse. – Mas não foi ruim. Na


verdade, tivemos uma boa conversa. Toda a parte superior do corpo de Hudson ficou tensa. – Eu não gosto disso. Não gosto mesmo. Eu só tinha visto essa posse dele um par de vezes antes. Era algo assustador e emocionante ao mesmo tempo, enviava feixes de hormônios para minhas partes mais baixas e elevava os meus níveis de excitação até o alerta total. Mas também era algo desnecessário. – Não entre em pânico. Foi tudo bem. – Eu não quero que vocês duas passem o tempo juntas. Lembre-se: no meu roteiro, vocês não são amigas. – Ele cutucou o ar com o garfo, reforçando o que acabara de dizer. Eu estalei a língua. – Ora, H, não é justo. Eu só quero me sentir mais próxima de você, e ela é sua melhor amiga. Ele balançou a cabeça uma vez. – Ela é minha única amiga. É diferente. Comecei a acariciar sua panturrilha com o pé, na esperança de melhorar o seu humor sobre o assunto. – Ela não me contou nenhum segredo profundamente sombrio, Hudson. – Isso é o que você diz... – Ela só disse que estava feliz porque você me encontrou. – Fiz uma pausa para deixar que essa frase fosse absorvida. – Ela acha que você merece alguém. Em vez de amolecer, sua expressão endureceu. – Este é um profundo segredo sombrio de Hudson. – Ele se inclinou para perto de mim, falando baixo: – Tão profundo e sombrio que é uma mentira. Eu não mereço você e nunca vou merecer. – Cale a boca. – Revirei os olhos; em seguida, coloquei a mão sobre a dele. – Você merece algo muito melhor do que eu. Você é fora do meu alcance, e todos sabem disso.


– Alayna... – Seu tom de voz tinha um aviso. Estreitei os olhos. – Que tal se, em vez de discutirmos sobre quem merece quem, concordarmos que nos encaixamos muito bem juntos e deixar por isso mesmo? – Eu não quero que você passe o tempo com Celia. Droga, ele estava falando sério. Queria tanto conseguir informações sobre Hudson naquele encontro para um café. Por outro lado, quem era ele para me dizer com quem eu poderia passar um tempo ou não? Mas nós estávamos tentando fazer o relacionamento dar certo. Se isso era importante para ele, então... – Tudo bem, eu não vou passar um tempo com ela. E não quero que você passe o tempo com ela também. – Eu posso viver com isso. – Pode? – Tentei não parecer surpresa. – Sim. Eu mal a vejo, de qualquer maneira. A partir de agora, se eu tiver que me encontrar com ela, será com você. – Concordo. Isso não seria um sacrifício para mim como devia ser para ele. Ela não era minha amiga. – Certo. – Então, um brilho malicioso encheu seus olhos. – Nós nos encaixamos muito bem juntos. – Agora quem está ficando safadinho? Ele pousou o garfo e olhou para nossos pratos quase vazios. – É hora da sobremesa. – Espere um minuto, já volto. – Limpei a boca com o guardanapo e me levantei da cadeira. O banheiro do corredor não era visível da sala de jantar, então eu esperava que Hudson achasse que fora para lá que eu tivesse ido. Em vez disso, fui para o quarto principal, para o meu closet. Peguei o negligée da


gaveta e me troquei tão depressa quanto pude. Parei em frente ao espelho do quarto para afofar meus cabelos até o mais próximo de um despentear sexy que meus fios retos permitissem e me admirei: uau! Eu estava bem. O tecido da lingerie era de um coral esvoaçante, que empurrava meus seios já exibidos para alturas deslumbrantes. A parte do meio se abria para expor minha barriga lisa e o fio dental de renda da mesma cor. Caramba, eu transaria comigo! Voltei furtivamente para a sala de jantar e encontrei a mesa limpa e Hudson no bar, preparando um drinque, de costas para mim. Desajeitadamente, tentei fazer uma pose de stripper, mas, quando ele se virou e me viu, eu só tinha conseguido empinar o quadril e colocado a mão na cintura. Ele quase deixou cair o copo, os olhos arregalados. – Puta merda, Alayna. Você está um tesão, já ultrapassou em muito a safadinha e foi direto para a pecadora. – Ora, muito obrigada. Fui rebolando em direção a ele, o olhar lascivo de Hudson nunca deixava meu corpo. Quando eu estava perto o suficiente, puxei a gravata, trazendoo para a frente. Suas sobrancelhas se arquearam de surpresa, mas ele me deixou levá-lo de volta para a cadeira e empurrá-lo até que se sentasse. Inclinando-me para a frente, de modo que a sua visão estava toda nos meus peitos, deslizei as mãos para cima de suas coxas até a cintura, onde abri o cinto e comecei a trabalhar em sua braguilha. – O que você está fazendo? – Sua voz era rouca, os olhos presos no meu decote. – Você serviu o jantar. Achei que deveria servir a sobremesa. Eu não tinha certeza de que ele ia me deixar tomar a iniciativa. Isso era uma coisa que eu quase nunca fazia, quando se tratava de sexo... Ou quando se tratava de qualquer outra coisa. Mas, em vez de esperar a sua permissão, eu simplesmente assumi o comando.


Puxei a sua cintura e esperei para ver se ele iria jogar junto. Após um momento de hesitação, ele se rendeu, levantando seus quadris para que eu pudesse puxar para baixo sua calça e a cueca. Baixei-as apenas o suficiente para expor o seu pau, já tão duro como rocha. – Puta merda, Hudson – repeti suas palavras anteriores enquanto pegava seu pau. – Falando de pecado... – Ainda agarrando-o firme, eu me ajoelhei diante dele, empurrando as pernas para que se abrissem mais e eu pudesse me encaixar entre elas. Inclinando-me para a frente, esfreguei meus seios ao longo de seu pau. Ele soltou um suspiro pesado, e eu fiz isso de novo, passando as unhas ao longo de seu peito, mergulhando através de sua camisa. Seus olhos estavam presos nos meus seios enquanto eu acariciava seu pênis entre eles. – Você é tão bonita, Alayna. – Sua voz estava rouca, como se estivesse perdendo o controle. – Tão bonita. – Você também. – Desta vez eu manobrei as mãos sob a camisa para enfiar as unhas em sua pele, enquanto esfregava meus seios ao longo de pênis latejante. – Você gosta de foder meus seios? – Eu amo tudo o que você faz para mim. – É mesmo? Sentei-me e inclinei-me para correr a minha língua por todo o comprimento do pau. Ele rosnou, rosnou de verdade, e eu tremi com o som. Mas, apesar de esses sons e das reações de Hudson me deixarem completamente fraca e tonta, de repente eu me senti poderosa. Não havia nada no mundo que eu pudesse imaginar que fosse forte o suficiente para fazer Hudson Pierce renunciar ao seu poder... Nada no universo poderia fazê-lo dar a passagem a alguém. No entanto, aqui estava ele, fazendo isso para mim. Sim, eu me senti muito poderosa. Lambi de novo o pau dele pelo outro lado, e depois girei a língua em


toda a cabeça, enquanto o bombeava com a mão. Hudson se agitou na cadeira, os dedos apertando os braços. – Ah, sim. Eu queria suas mãos em mim, agarrando os meus cabelos. Mas eu sabia, assim como ele, que, se me tocasse, Hudson assumiria o controle. Seria ele a dirigir o show. Essa falta de contato era um presente que recebia graciosamente. Avidamente. Movendo uma de minhas mãos para acariciar suas bolas, coloquei os lábios sobre a coroa e deslizei a boca sobre o pênis, duro como pedra, minha mão agarrando com força seu comprimento que não consegui engolir. Para cima e para baixo, comecei a bombear e a sugar com uma paixão insaciável. Senti suas coxas ficarem tensas em torno de mim e sabia que ele estava perto de gozar. – Alayna, devagar – suplicou ele, com os dentes cerrados. Eu ignorei seu pedido, continuando a acariciar e a chupá-lo em direção ao seu orgasmo. – Alayna! Suas mãos voaram para meus ombros. Sem saber direito como, de repente eu estava no chão, Hudson pairando sobre mim enquanto rasgava a minha calcinha, arrancando aquela coisa frágil de mim. Então, ele estava dentro de mim, enchendo-me, me esticando, empurrando para dentro com tanta força que pensei que ele poderia me rasgar. E como ele era muito gostoso... Era gostoso demais. – Você é incrível, Alayna – disse ele, enquanto me penetrava de novo, com o rosto suado e crispado com o esforço. – Eu estava prestes a gozar em sua boca. – Isso teria sido bom. – Eu teria chupado e lambido tudo até ficar limpo. – Mas eu prefiro muito mais gozar em sua boceta apertada. – Seus


golpes desaceleraram enquanto eu me apertava ao redor dele, comprimindo seu movimento. – Porra, eu estou gozando! Eu gemi com ele quando em seu clímax me pressionou mais fundo, enquanto meu próprio tesão aumentava e me levava a gozar suavemente junto com ele. Não foi aquele tipo de orgasmo que fazia a terra tremer e que eu me acostumara a sentir com Hudson, e de alguma forma isso o tornou ainda mais doce, mais saboroso. Quando se esvaziou completamente, Hudson caiu de costas ao meu lado e respirou profundamente várias vezes, de forma irregular. – Peço desculpas por isso. Apoiei-me no cotovelo e lancei a ele um olhar interrogativo. Eu me lembrava de muito poucas vezes em que Hudson pedira desculpas a alguém por alguma coisa. Certamente não por sexo. – Eu me empolguei, princesa. E não lhe dei a atenção que merecia. Rindo, rolei o corpo para me deitar sobre o seu peito. – Adoro quando você se empolga. Você raramente se deixa levar. E isso é uma mudança agradável. Sem mencionar, claro, que é uma delícia. O peito de Hudson subiu quando ele gargalhou – outro som que ouvi poucas vezes vindo dele – e passou o braço sobre minhas costas. Apoiei-me no meu braço. – Um dia, porém, você vai me deixar chupar você até que goze. – Você sabe que eu adoro gozar enterrado em você. – Ah, eu também gosto – sorri, com ar sonhador. – Mas também adoraria ter você gozando na minha boca. Eu estou morrendo de vontade de fazer isso, na verdade. Seu braço apertou minha cintura. – Fique aqui esta noite. Não era uma pergunta, nem mesmo um convite. Foi uma declaração de que eu iria ficar, e é claro que eu ficaria. Mas respondi, de qualquer maneira:


– Tudo bem. Afinal, onde mais eu poderia querer estar? Hudson tinha perdido seu exercício matinal, já que dormira até mais tarde naquele dia. Embora eu achasse que nós tínhamos treinado bastante no quarto, e na cozinha e na sala de jantar, ele decidiu ir para a academia do apartamento. E, como eu queria ficar perto, me juntei a ele. A pequena academia ficava na parte de trás da cobertura, ao lado do quarto principal, e estava equipada com uma esteira, um aparelho elíptico, uma máquina de remo e um sistema de pesos. Vesti uma roupa esportiva e fui para a esteira. Hudson começou no aparelho elíptico, e depois para os pesos durante a maior parte do seu treino. Eu sempre fui uma boa corredora, geralmente correndo no Central Park ou pela rua, da boate até o meu apartamento, mas ficar correndo com a visão das panturrilhas de Hudson e ver esse homem flexionando os braços enquanto trabalhava o elíptico era uma façanha, até mesmo para mim. Admito, tropecei algumas vezes. Após o exercício, tomamos uma ducha e nos acomodamos no quarto, Hudson vestiu uma boxer enquanto eu roubei uma de suas camisetas para usar com minha calcinha. Hudson trouxe o seu laptop para checar alguns emails de negócios, e eu me enrolei nas cobertas com um dos livros recebidos naquele dia. Havia vários que Hudson tinha comprado e eu ainda não havia lido, mas que estavam na minha lista dos que eu tinha me proposto ler. Quando passei um tempo razoável lendo, o suficiente para me perder nos primeiros capítulos do livro, de repente me dei conta do silêncio ao meu lado. Hudson já não estava digitando. Olhei para cima e descobri que ele estava me observando. Arrepios passaram pelos meus braços. – O que foi?


– Você ficou bem na minha camiseta. – Eu sei. Seus lábios se curvaram em um sorriso sexy. – Mas você fica melhor sem ela. Eu ri. Hudson apontou o queixo em direção ao meu livro. – O que você escolheu para ler? Ergui o livro para ele ver a capa. – O talentoso Ripley. Interessante. Um livro sobre um verdadeiro sociopata. Um frio inesperado correu através de meu corpo. A mãe de Hudson tinha me dito que o filho era um sociopata incapaz de sentir empatia ou amor, era individualista e egocêntrico. Eu discordava de todas essas afirmações com veemência. Porque tinha visto o contrário. Hudson me amava e se importava comigo como ninguém na minha vida havia feito. Mas, embora não tivesse lhe contado sobre a conversa, eu estava certa de que sociopata era um termo que Sophia tinha usado abertamente com Hudson. Eu me perguntei se ele achava que era uma descrição exata de si mesmo. Era difícil trazer o assunto à tona e debater com ele quando eu sabia muito pouco sobre as coisas que ele realmente havia feito no passado. Afinal, só tinha a ideia geral das coisas, de que manipulara as pessoas. Que jogara com elas. Sendo honesta comigo mesma, eu saberia melhor que ninguém quando o termo sociopata deveria ser mencionado por um terapeuta. Mas não sabia o suficiente sobre ele. Embora eu acreditasse em Hudson e em seus sentimentos por mim, ainda havia tantas incógnitas... Apoiando o livro aberto na mesa de cabeceira, virei-me para encará-lo. – Hudson, posso lhe perguntar uma coisa? Ele fechou seu laptop, colocou-o sobre a mesinha ao seu lado da cama e acendeu o abajur.


– Sim, farei coisas sacanas com seu corpo, mas só se você prometer fazer coisas sacanas com o meu. Eu ri. – Estou falando sério. – Eu também. – Seus olhos faiscavam enquanto desciam pelas minhas pernas nuas e subiam de volta para encontrar meus olhos. – Mas a sacanagem pode esperar. Pergunte. – Eu estava pensando... – Corri os dentes sobre o lábio inferior, enquanto pensava em como abordar o assunto. – Celia falou que você manipulava as mulheres. O que isso significa exatamente? Tipo, o que você fez? Sua mandíbula se apertou. – Eu pensei que você tivesse dito que tinham apenas conversado hoje. – Nós conversamos. – Apressei-me em corrigir a sua impressão. – Ela não falou sobre isso hoje, ou sobre nada parecido. Eu juro. – Respirei fundo. – Foi antes, no evento beneficente de moda de sua mãe, e eu estive pensando sobre o que ela falou. Eu deveria saber, você não acha? Se vamos ser abertos e honestos um com o outro, isso é uma coisa que preciso saber. – Não, você não precisa. – Hudson se levantou, e por um momento pensei que ele fosse sair do quarto, mas simplesmente apagou a luz do teto e começou a voltar para a cama. – Eu preciso saber. – De jeito nenhum – respondeu ele com determinação. – Caso encerrado. O problema é que eu não estava disposta a aceitar isso. Puxei as pernas até ficar ajoelhada. – Hudson, eu entendo. Entendo mesmo. Você quer ignorar o problema e deixar as coisas enterradas no passado. Mas sempre vai ter medo de que eu não possa amá-lo se não me der a chance de provar que posso. Ele ficou na beira da cama, seus olhos se estreitaram. – Mas e se você não puder? Já pensou nisso? Já passou pela sua cabeça que eu posso ter feito coisas que nunca poderia perdoar?


– Não há nada que... Hudson me cortou: – Como sabe disso? Mudei de tática: – Existe alguma coisa que eu poderia ter feito para fazer você...

Parar de me amar era o que estava pensando. Mas parecia estranho dizer isso em voz alta, já que Hudson nunca havia me falado nada parecido. – ... mudar o que sente por mim? – Não é a mesma coisa. – Como sabe disso? – Para ser justa, ele sabia muito pouco sobre as coisas que eu havia feito no passado. Eu não tinha vontade de contar, não queria que ele soubesse de que jeito horrível eu invadira a vida das pessoas. Se havia uma coisa que eu compreendia totalmente era o desejo de deixar o passado morto e enterrado. – Então me conte... Engoli em seco, mas não deixei a ansiedade se mostrar em meu rosto. – Qualquer coisa? Hudson se sentou na cama, de frente para mim. – A ordem de restrição contra você foi ajuizada por Paul Kresh. Quem era ele? Fechei os olhos por um segundo. Hudson tinha lido meus arquivos da polícia. É óbvio que iria se lembrar dos detalhes. Minha hesitação o provocou: – Está vendo? Você não consegue contar! – Ele era um cara – disparei. Eu não era estúpida. Se esperava que Hudson fosse compartilhar suas coisas, eu teria que fazer o mesmo. – Era só um cara que me apanhou uma vez, quando eu estava na boate. – Você transou com ele. Outra respiração profunda.


– Sim. Os olhos de Hudson se contraíram. – Vá em frente. – Sua voz era firme. – Ele me levou para a sua casa. E depois... Bem, depois ele queria que eu fosse embora. Daí eu me fingi de bêbada e fiquei a noite inteira. – Depois o que mais? – Então fucei as coisas dele, enquanto ele estava dormindo, e descobri convites de casamento. O cara tinha uma noiva. Ela estava fora da cidade durante o fim da semana, ou algo assim, e eu era apenas a garota que ele pegara para transar uma noite. Só que ele não sabia que eu estava de olho nele fazia semanas. Eu o tinha visto com ela, mas não me importei. Quando o vi sozinho naquela noite, eu me fiz disponível. Minhas mãos estavam suadas, porque estava apertando as duas fechadas como uma bola. Enxuguei-as na cama, ao meu lado, enquanto continuava a falar: – É claro que ele queria que eu fosse embora, para fingir que não acontecera nada. Queria que eu me esquecesse de seu endereço. Ele nunca me deu o seu número do celular, mas o consegui enquanto o cara estava dormindo. Enviei uma mensagem de seu telefone para mim, assim poderia gravá-lo. Fiz uma pausa, tentando lembrar-me de como eu me sentia, de como eu estava desesperada para Paul fazer parte da minha vida. – Eu não podia deixá-lo ir. Achava que... – Minha voz sumiu com a lembrança. – Nem sei o que eu achava. Hudson virou o corpo, de modo que ficasse de costas contra a cabeceira. – Sim, você sabe. Diga-me. Sentei-me ao lado dele, esticando as pernas na minha frente. – Eu achei que ele fosse minha alma gêmea. Que eu tinha sido destinada a ficar com ele ou algo assim. Antes de sequer, na verdade, falar com ele. Eu sei. Muito louco. Foi uma loucura. – Olhei para meus pés. – Eu estava louca.


– Não, não estava. Você só queria ser amada. O tom rico e quente da voz de Hudson puxou os meus olhos para os dele. – Sim – respondi, significando muito mais do que: sim, eu queria ser amada. Significando: sim, nós entendemos um ao outro, sim, nós nos entendemos. Sim, nós não éramos loucos, ou sociopatas, ou pessoas horríveis. Nós só queríamos ser amados. – De qualquer forma – prendi os cabelos atrás da orelha –, eu não tinha um emprego. Estava vivendo da minha herança, que se foi agora, e então tinha tempo de sobra para esperar do lado de fora de seu apartamento e segui-lo para o trabalho. Todos os dias. Durante meses. Dois? Três? Não me lembro exatamente. Um dia, contei ao segurança do prédio que ele era meu namorado. Eu o convenci a me deixar ficar em seu escritório durante o almoço. Quando Paul voltou, lá estava eu, esperando por ele. – Baixei os olhos. – Nua. Os olhos de Hudson se contraíram novamente. – Ele se virou e saiu, H. Chamou a segurança antes que eu tivesse tempo de jogar algumas roupas no corpo. – Minha garganta se fechou com a lembrança humilhante. – Ele apresentou a ordem de restrição depois disso. Estudei o rosto de Hudson, tentando captar a menor mudança em sua expressão, na esperança de perceber os seus pensamentos. Mas não consegui ver nada. Suas feições eram de pedra. Será que ele nunca me deixaria entrar? Hudson levou o dedo indicador até o rosto e esfregou a ponta ao longo de seu queixo. – Mas isso não é tudo, não é? Seu registro diz que você violou a ordem. Senti o rosto corar. – Eu, hum, sim, eu fiz isso. – Deus, falar sobre essa coisa era embaraçoso. Mesmo pensar no que fiz me fazia desejar rastejar para dentro de um buraco. Das coisas idiotas, insanas e estúpidas que eu tinha feito na vida,


essa tinha sido uma das piores. – Fiquei amiga de Melissa. Ele acenou com a cabeça imediatamente, com a compreensão. – A noiva. – Sim. Entrei para sua classe de Pilates e nos tornamos amiguinhas. Então ela começou a me convidar para sairmos juntas, com seus amigos. Finalmente, acabei em uma festa em que Paul também estava. Ele ficou lívido. E teve que decidir se iria me ignorar ou me denunciar. Se ele me denunciasse, Melissa descobriria sobre aquela noite. Mas eu não ia deixar as coisas quietas, então ele me denunciou. E Melissa rompeu com ele. – O cara mereceu. – Talvez. – Eu não tinha tanta certeza. Sim, ele tinha traído sua noiva, mas isso não tirava a minha responsabilidade da coisa. – De onde eu venho, ele receberia coisa pior. – Embora Hudson estivesse se precavendo de demonstrar suas reações à minha história, o fato de me apoiar me ajudou a me deixar mais à vontade. – E Paul foi o único com quem isso aconteceu? Não. Nem de perto. – Ele foi o único que foi à polícia. – Entendo. – Hudson ficou em silêncio por alguns poucos segundos, absorvendo. Finalmente, franziu a testa e me olhou olhos nos olhos. – Por que você acha que isso mudaria o que sinto por você? – Você está brincando? Não está preocupado que eu me torne obcecada desse jeito por você? – Pois espero que fique assim obcecada comigo! – Ele passou o braço em volta dos meus ombros. – Paul era um babaca que não sabia enxergar o que tinha na frente dele. Eu sei. Fique obcecada por mim. – Eu já estou! – Virei-me para beijar seu ombro. – Mas cuidado com o que deseja. Se eu enlouquecer você, depois vai querer que eu vá embora. Hudson virou a bochecha para acariciar o topo da minha cabeça.


– Eu nunca deixaria você ir embora. Não por isso. Era delicioso saber que estava presa a alguém como ele, e ser desejada. Não poderia pedir mais nada na vida. No entanto, ainda sentia que Hudson não entendera a gravidade das coisas que eu havia feito. Sentei-me adiante e virei todo o corpo para encará-lo, puxando as pernas para debaixo de mim. – Mas e se eu começasse a duvidar de você? Isso já aconteceu antes também. Quando não confiava em nada do que meu namorado me dizia, não importando se ele era inocente ou não. E então eu bisbilhotava e invadia a sua privacidade, e as pessoas se machucavam. – Então, eu devo simplesmente garantir que você nunca tenha nenhuma razão para duvidar de mim. – Ele fez com a mão um sinal de desdém. – Pode xeretar. Não tenho nada a esconder de você. E lá estava o meu bilhete de volta para o começo da conversa. – Você está escondendo o seu passado. Hudson gemeu. – Não estou escondendo o meu passado. É que simplesmente não tem nada que valha a pena falar. É feio. Por que você quer se concentrar nas coisas ruins? – Não estou me concentrando, isso é compartilhar e, depois, seguir em frente. Ele balançou a cabeça, negando. – Eu falei sobre mim. Isso não é justo. Desta vez, recebi um olhar firme. – Vamos. Qualquer coisa. Uma coisa só. Eu me senti desesperada. Abrir-me desse jeito tinha sido difícil, e eu não estava nem recebendo a recompensa pelo esforço. Fiquei olhando para Hudson com grandes olhos suplicantes. – Só uma coisa, e depois você vai me deixar em paz?


Assenti entusiasticamente. – Tudo bem, uma coisa, então – suspirou. – Era um jogo. É sempre um jogo. E o meu jogo favorito era o mesmo que fiz com Celia. Fazer uma mulher se apaixonar por mim, e, quando estava apaixonada, para mim já tinha acabado. – Hudson fez uma pausa, e por meio segundo temi que fosse tudo o que ele iria dizer. Mas, então, ele continuou a falar, com os olhos brilhantes com as lembranças: – Teve uma vez, porém, que eu quis ver se conseguia fazer alguém se apaixonar por outra pessoa, alguém por quem não tivesse interesse. Eu conhecia esse cara, Owen, que era um verdadeiro idiota. Um completo prostituto. E essa mulher, Andrea... Que era uma menina, na verdade. Ela estava no meu time de tênis, no segundo ano de faculdade. Muito tímida, simples, muito caseira. Eu descobri que ela tinha uma queda por mim. Ter uma queda por mim era muito perigoso. – Hudson olhou fixamente para mim. – Ainda é. Revirei os olhos. – Não, não é. Mas vá em frente. – Eu a apresentei a Owen. Não apenas em um encontro, foi muito mais. Banquei o casamenteiro. Deixei-os próximos. Convenci Owen de que ele estaria me fazendo um favor em sair com a garota algumas vezes. Enquanto isso, eu contava a ele todas as histórias de como Andrea era incrível, como sua verdadeira beleza era a interior. E aconteceu, eles se apaixonaram um pelo outro. Completamente. Sinceramente. Eu pisquei. Duas vezes. – Essa é uma história bonita. – Então, eu comi a Andrea e mostrei as fotos para Owen. – Ah, meu Deus! Minha mão voou instintivamente para a boca. Eu não estava preparada para isso e imediatamente me senti envergonhada. Eu estava tentando ser


solidária. E ele tentou me chocar. Conseguiu. Hudson continuou falando, como se eu não tivesse reagido a nada: – Andrea tentou dizer a Owen que foi um erro, que eu a tinha enganado, o que era verdade. Mas não a estuprei, nunca estuprei ninguém. E ele não quis ouvi-la. Ambos ficaram... Arrasados, acho que essa é a melhor palavra para descrevê-los. Andrea largou a faculdade no meio do semestre. E nunca mais ouvi nada sobre ela. – E Owen? – Minha voz soou muito mais fraca do que eu queria. – Ele voltou a transar com qualquer pessoa que tivesse duas pernas. A última vez que o vi, ele tinha contraído HIV. Não sei. Perdi todo contato com ele. Hudson me estudou da mesma forma como eu o estudei um momento antes, e eu sabia que ele me decifrou. Viu o que eu estava sentindo. Eu não conseguia ser estoica como ele tinha sido. Não conseguia esconder minhas emoções. Seus traços obscureceram. – Eu lhe avisei, mas você não quis ouvir. Eu avisei. – Só preciso de um segundo para processar... – gaguejei, envergonhada por precisar desse tempo. Eu disse que o seu passado não mudaria o que sentia por ele. Não foi isso? Afastei como pude todo o horror dessa história e concentrei-me em Hudson, o homem que havia cometido o horror. Saber destas coisas mudava o que sentia por ele? Minha pausa foi longa demais. – Viu, Alayna? Viu por que o seu passado não significa nada para mim? Comparada a mim, você era um anjo. Você machucou as pessoas porque amava demais. Eu feri as pessoas porque podia feri-las. Levei meus olhos aos dele. Não, o que eu sentia por ele não havia mudado. No mínimo, tinha ficado mais profundo. Como um homem devia estar se sentindo tão solitário, tão triste, tão destroçado por dentro para se sentir compelido a destruir as pessoas ao seu redor? E o quanto esse


mesmo homem era forte e digno para tentar ser alguém diferente, depois de fazer tantas coisas abomináveis? Antes que se passasse um segundo, eu já estava sentada em seu colo, abraçando-o, minhas mãos apoiadas nos lados do pescoço dele. – Não. – Alinhei os olhos com os dele e disse novamente: – Não. Você machucou as pessoas porque não tinha ideia de como era o amor de verdade. Você estava tentando entendê-lo da única maneira que conhecia. É horrível, sim. Mas é perdoável. Eu o perdoo. Eu perdoo mil coisas piores que você possa ter feito. Eu posso perdoar qualquer coisa. Eu acariciava seu rosto com a palma da mão. – Porque eu o amo. Eu o amo muito, como sempre faço, mas desta vez eu não me arrependo e não desejo pegar esse amor de volta, porque você precisa dele. Então, receba isso de mim, H. Tire tudo de mim. Hudson enterrou a cabeça no meu pescoço e suspirou, um suspiro profundo que parecia ao mesmo tempo assustado e libertador. Passando os braços ao redor dele, acariciei seus cabelos, sussurrando o nome dele em seu ouvido. Logo ele encontrou meus lábios, e desaparecemos no mais doce e mais lânguido beijo de todos, que durou uma eternidade, sem perder a força e nem se transformar em algo frenético. Foi muito tempo mais tarde que nossas roupas foram descartadas e Hudson nos deslizou até ficarmos deitados, me estendendo ao longo do comprimento do seu corpo. E, assim como o beijo durou uma eternidade, fizemos amor de um modo lento e vagaroso, dando e recebendo, até altas horas da noite, quando tivemos certeza de que as lembranças de nossos corpos grudados assim haviam se gravado de modo mais intenso e brilhante do que as lembranças horríveis que havíamos compartilhado de nosso passado.


5 – Como é mesmo que você chama essas salas? São incríveis! – Julia Swaggert, fundadora do Party Planning Plus, pressionou a testa no vidro da janela e olhou para a pista de dança vazia do Sky. – Salas-bolha – respondi por trás dela, contente por notar que Julia parecia muito impressionada com o Sky Launch. Nossa reunião começara às 11 horas, e agora, 45 minutos depois, ela ainda estava envolvida e interessada em minhas propostas para uma parceria. – E quando estão ocupadas... – liguei o interruptor de luz que indicava que a sala estava em uso. O rosto de Julia se iluminou enquanto a sala brilhava em vermelho. – Humm! Incrível! As pessoas podem ver dentro delas? – Infelizmente, sim. Enfrentaríamos muitas questões legais se fôssemos instalar espelhos unidirecionais nelas. Mas, quando está escuro na pista de dança lá embaixo, não dá para ver direito aqui em cima. Apenas silhuetas. – Que máximo. Gostei de Julia imediatamente. Ela era divertida e entusiasmada, mas também tinha uma cabeça inteligente sobre seus ombros. Dava para entender por que ela era altamente recomendada no mundo do planejamento de eventos. Julia era definitivamente alguém que poderia impulsionar os negócios da boate, e meu entusiasmo cresceu enquanto mostrava a ela as possibilidades durante nossa visita pelas instalações. – Este lugar é totalmente perfeito para festas de despedida de solteiro, como você sugeriu. – Ela escreveu algumas anotações em seu tablet com a caneta e se voltou para me olhar. – Na verdade, posso mesmo pensar em alguns tipos de eventos que podem estar adequados a este local. Se você puder me mostrar alguns pacotes de preços... – Ela bateu a caneta em seu


rosto, deixando a frase para eu terminar. – Com certeza. Droga, será que me mostrei muito ansiosa? Eu realmente queria fechar este negócio, para provar que poderia fazer todas as coisas que disse que podia, quando me candidatei à promoção. E, para ser honesta, eu queria que Hudson se orgulhasse de mim. Não estava tomando notas em papel, mas mentalmente, sim. – Você tem alguma coisa em especial que gostaria de ver? Ela balançou a cabeça energicamente, seus cachos castanhos pesados varrendo os ombros quando ela fazia isso. – Uma consumação no bar seria obrigatória. Talvez um cardápio de aperitivos. Poucas noivas esperam jantar quando estão em boates, por isso sugiro comida leve e bebidas pesadas. Isso tinha sido exatamente o que eu estava pensando. – Será que os extras seriam do seu interesse? Como garçons masculinos ou um bolo em forma de pênis? Ela riu. – Eu acho que você sabe o que está fazendo. Um bipe veio da bolsa de Julia. – Ah, esse é meu sócio – disse ela, procurando na bolsa. – Ele estava supervisionando os arranjos para um evento que teremos mais tarde, e disse que viria para cá, se ficasse livre. – Ela recuperou o celular e leu a tela. – Sim, ele está aqui. Importa-se se ele subir? – Nem um pouco. As portas da frente estão trancadas porque não abrimos durante o dia, mas vou descer para abri-las para ele. – Eu vou com você. – Ela me seguiu quando saí da bolha. – Quero ver a reação dele a partir do momento em que entrar. Ver se ele gosta daqui tanto quanto eu. Não posso acreditar que não sabia que este lugar existia! Voltamos a descer as escadas e atravessar o salão. Julia foi comentando sobre as diferentes características da boate conforme passávamos por elas.


Ela apontou com a cabeça para o bar no nível térreo quando passamos por ele. – Estou contente de ver que há um bar em cada andar. – Há dois bares neste andar: o principal e um menor, que só funciona nos fins de semana. A comida só é servida no andar de cima. Assim, este piso é adaptado para beber e dançar, enquanto o nível lá em cima, com as bolhas e as áreas de descanso, é mais orientado para a socialização. – Legal. E você pode alugar toda a boate para eventos? – Claro. – Você poderia montar alguns pacotes? Eu sei de algumas empresas que podem gostar deste lugar para festas e tal. – Ela apontou para um balcão perto da entrada principal. – E o que é isso? Um balcão de informações? – Esse é para os casacos. – Ou um lugar fabuloso para um amasso, pensei, lembrando-me de como Hudson e eu havíamos passado algum tempo lá uma noite, antes do meu turno. – Ah, desculpe! Isso não deveria estar aqui. Peguei uma bandeja que havia sido deixada no balcão dos casacos. – Eu vou colocar a bandeja pra lá, enquanto você o recebe. Eu pulei para trás até a rampa do bar da frente, para colocar a bandeja atrás do balcão, e em seguida voltei. Depois, ouvi Julia falando entusiasmada sobre o Sky Launch para seu sócio, que estava de costas para mim. – É um lugar incrível, baby. Uma joia total. Baby, hein? “Sócio” devia significar mais do que apenas parceiro nos negócios. – Além disso, nós estaríamos ligados às empresas Pierce, e isso é um grande bônus para nós. Temos que fechar este negócio. Eu já posso pensar em dois casais que iriam adorar este lugar. – O tom de Julia repetia a emoção que eu sentia sobre o nosso empreendimento prestes a começar. – Os Fredericks são um desses casais.


Julia me viu andando em direção a eles. – Aqui está ela. Alayna Withers, gostaria que você conhecesse o meu namorado e sócio na Party Planners Plus... O sócio se virou de frente para mim, e eu quase engasguei quando Julia terminou sua introdução. – ... Paul Kresh. Meu coração parou. Literalmente, parou pelo espaço de duas batidas. Paul Kresh, o homem que eu havia perseguido e aterrorizado. Deus, ah, Deus! Ele tinha uma ordem de restrição contra mim. Eu deveria estar a cem metros dele e lá estava o homem, em pé, bem em frente a mim, suas feições congeladas em um estado de choque que devia estar espelhando o meu. Puta merda. Lá se foi a minha parceria com a Party Planners Plus. Julia continuou falando, sem perceber que algo de estranho estava acontecendo entre seu namorado... Foi assim que ela o chamou, de qualquer maneira... E mim. – Paul, esta é Alayna, a... Espera. Ela parou e eu me preocupei que ela descobrisse, que tivesse juntado a expressão no rosto dele ao meu nome. Se ela soubesse sobre mim, claro... Mas, quando a moça voltou a falar, suas palavras eram inofensivas: – Sinto muito. Eu nem sequer sei o seu cargo... Ela riu, e eu pisquei para a estranheza do som do riso, em contraste com o pânico que estava correndo em minhas veias. David e eu tínhamos definido o meu cargo oficial apenas no dia anterior, mas eu estava tão atordoada pela chegada de Paul e pelo avoamento de Julia que levei um segundo para responder: – Eu... Hã... Gerente de eventos e promoções. Eu não sabia se deveria apertar sua mão ou correr para longe dali. Se eu deveria agir como uma velha amiga, ou como se nunca o tivesse visto. Paul tomou a decisão por mim. Sorrindo com firmeza, ele estendeu a


mão. – Prazer em conhecê-la. Seu tom era firme. Não tenho certeza se era tão autoritário e inflexível como Hudson, mas imperturbável, no entanto. Peguei sua mão, meus dedos envolvendo-a frouxamente. – O prazer é meu. Isso é o que se deve dizer para os novos parceiros de negócios quando você os conhece, certo? Porque nada que eu pudesse pensar parecia correto ou inofensivo. Isso por acaso soava como seu eu estivesse flertando com o cara? Porque eu não estava. Não mesmo. Não havia qualquer interesse em meu corpo, exceto ficar muito, muito distante dali. Puxei a mão primeiro, sem vontade de tocá-lo mais do que o necessário. – Paul, você tem que ver este lugar. Podemos repetir a visita, Alayna? – Julia olhou para mim, com os olhos arregalados e em expectativa. Claro que não. Era isso que eu queria responder, o que eu deveria dizer. Mas eu estava entorpecida e nenhuma resposta veio, afinal. Mais uma vez, Paul veio para o resgate: – Na verdade, querida, nós realmente temos que ir. Ela tomou o pulso em sua mão e o virou, para olhar o relógio. – Sim, você tem razão. Nós temos um evento esta noite. Detalhes de última hora e tudo. Importa-se se eu usar o banheiro antes de irmos embora? Ela piscou para mim duas vezes antes de eu perceber que a pergunta era dirigida a mim. – Não, claro, fica no alto da rampa, para... Ela me cortou: – Eu me lembro. Assisti enquanto Julia subiu a rampa e desapareceu, virando no final. Então, encontrei a voz. As palavras saíam de minha boca como o suor escorrendo na parte de trás do pescoço.


– Paul, eu não tinha ideia, juro. Eu não tinha a menor ideia de que Julia era a sua sócia ou que você trabalhava na Party Planners Plus ou que você estaria aqui hoje, ou qualquer outra coisa. Eu teria cancelado a reunião se o seu nome fosse mencionado em qualquer lugar no site da empresa, e como, porra, eu iria saber que você havia se tornado sócio de uma empresa de eventos? Porque, quando eu o conheci, você era um contador naquela merda daquela empresa na rua 47 e... – Pare, Alayna. – Ele soltou um suspiro profundo quando passou as mãos pelos cabelos. – Eu sei que você não planejou. Não havia nenhuma maneira de você ter sabido... – Eu não tinha certeza se ele estava reconhecendo a minha inocência quanto a este encontro ou tranquilizando a si mesmo. – Eu ainda sou um sócio não oficial. Venho fazendo a contabilidade de Julia e decidimos isso apenas recentemente... Sua mão caiu para o lado do corpo. – Seja como for, não é importante. O importante é... – Que nós absolutamente não podemos trabalhar juntos. Eu sei. – Enquanto falava, meu coração afundava, as ideias que eu tinha para juntarme com Julia se rompiam como um balão furado. – A ordem de restrição era de cinco anos, e acho que há uns dois anos ainda... – Um pouco menos de dois anos – corrigiu ele. – Mas isso não importa, como eu dizia. Temos que trabalhar juntos, de qualquer maneira. – O quê? – Eu acho que devo ter dado um pulo de surpresa. Sua mão voltou para os cabelos loiro-escuros, como ele sempre fazia quando estava se sentindo estressado ou irritado. – Eu não posso estragar este negócio para a Julia. Ela contratou novas pessoas recentemente e está tentando expandir o negócio. É um bom momento para ela, mas ela precisa de conexões, como esta boate. Conexões com pessoas como Hudson Pierce. – Mas não posso ficar em qualquer lugar perto de você, muito menos trabalhar junto.


O nome de Hudson pairando no ar me deixou ainda mais desconfortável em estar ali, a sós com Paul Kresh. Eu não gostava de ter Hudson conectado aos meus erros do passado. Eu estava em grave violação de uma ordem de restrição que já tinha violado uma vez. Minhas mãos se fecharam, as unhas se cravando na pele com o pensamento do que aconteceria se a polícia descobrisse. Como se estivesse lendo minha mente, Paul disse: – Eu não vou denunciar você. Você não sabia. E daqui pra frente não vou dizer uma maldita de uma palavra. – Seus olhos se estreitaram. – A menos que você apareça na porra da minha porta, ou no meu escritório. – Não farei isso! – Apertei minhas mãos e coloquei-as nos meus lábios, para me acalmar antes de falar novamente. Contei até dez na maior velocidade. – Eu não sou mais assim. Estou melhor. Faço terapia. E nem sequer pensei em você desde... – Desde a noite anterior, quando contei a Hudson sobre ele. – Bem, estou melhor. E eu estou com alguém. Eu estava muito melhor. Houve um tempo em que teria ficado tonta e deprimida até mesmo com o menor pensamento sobre Paul Kresh. Agora, ele não passava de um engano, de um erro. Um problema que eu não via a hora que desaparecesse. – Ótimo. Isso é bom de ouvir. Estou feliz que você esteja melhor. – Paul me olhou. – E acredito em você. Você parece melhor. Eu não sei... Parece saudável ou algo assim. – Obrigada. Ao ficar emocionalmente melhor, eu também tinha melhorado meu lado físico. Tinha ganho peso, na maior parte foram músculos, e meu tom de pele havia melhorado. Paul parecia estar notando essas alterações e meu estômago apertou de vontade de vomitar. Ele deve ter se recomposto, porque de repente se virou, olhando para a rampa por onde Julia tinha subido.


– Olha, Julia não sabe nada sobre você ou Melissa e nem que fui noivo antes. – Que bom... Nada melhor que relacionamentos secretos em um namoro – retruquei sarcasticamente. Paul ignorou a minha observação. – Nós simplesmente teremos que concordar em manter todo o passado em segredo. Nem uma palavra sobre já nos conhecermos antes de hoje. Nós podemos fazer isso. Eu sei que você pode. – Seu tom era cáustico, como se ele tivesse um gosto ruim na boca. – Você sempre foi muito boa em agir como se as coisas estivessem muito bem. Lutei contra a vontade de chutá-lo na canela. – Paul, esta é uma má ideia. Uma ideia muito ruim mesmo. Ele deu um passo em minha direção, um dedo apontado na minha cara. – Você me deve. Você me deve isso, pelo menos. Não acha? Merda. Ele me pegou. Será que lhe devia tanto? Claro que ele tinha sido um idiota em todas as oportunidades, mas isso não desculpava a maneira como eu invadira a vida dele. E pagar isso limpando as coisas e zerando tudo... Sim, parecia ser bem interessante. Contra cada sirene de alerta soando na minha cabeça, disse as palavras das quais eu esperava não me arrepender. – Tudo bem. – Engoli em seco e disse de novo: – Tudo bem. Eu vou fingir que acabamos de nos conhecer. – Ótimo. Você estará trabalhando principalmente com Julia, de qualquer maneira. Nós não vamos nos ver. Não deve ser um problema. Eu coloquei a mão sobre meu estômago, que estava revirando, e assenti fracamente. – Alayna, ei! – A voz feminina veio da direção oposta de onde Julia tinha ido. Virei-me para a direção de onde vinha o som e vi Celia caminhando em nossa direção. Sério? Tinha como este dia ficar mais complicado? Lotado de


pessoas com quem eu não deveria estar? – O que... O que você está fazendo aqui? – Minha voz estava atordoada. – Você não me ligou para tomarmos um café e eu não tinha o seu número, por isso vim até aqui. Eu não a tinha chamado porque Hudson e eu tínhamos concordado em não vê-la, um sem o outro. Eu certamente não esperava que ela aparecesse, de repente. E, como ela tinha conseguido entrar, falando nisso? Franzi a testa. A porta tinha sido trancada e deveria ter ficado assim depois de Julia deixar Paul entrar. Talvez eles não tivessem fechado a porta com força suficiente. – Como você sabia que eu estava aqui? – Foi minha cabeça confusa ou esse seu aparecimento era tão desconcertante quanto o de Paul? – Jordan me contou. Claro. Suas infinitas conexões na vida de Hudson. Por que eu ainda ficava surpresa com isso? – Tem alguma coisa errada? – A preocupação amarrava a pergunta de Celia. – Não... Eu... Bem... – Minha cabeça doía, meu estômago doía, minha boca estava seca e eu estava tremendo. – Está tudo bem. Eu segui o olhar de questionamento de Celia para Paul. Ah, sim. A porra do Paul... – Celia, este é um parceiro de negócios em potencial, Paul Kresh. – Vireime para Paul, incapaz de olhá-lo nos olhos. – Esta é uma amiga do meu namorado, Celia Werner. A testa de Paul levantou-se. – Algo a ver com Warren Werner? – Aham. – Celia endireitou-se com a menção do nome do pai dela, pronta para ser a estrelinha que ela fora criada para ser. Paul abriu um sorriso. – Fizemos um evento para sua mãe uma vez. Eu realmente não falei com


você naquele dia, mas vi você por lá. – Qual a empresa na qual você disse que trabalha? – Party Planners Plus. A minha namorada é a proprietária e eu vim a bordo recentemente, como sócio. – Os olhos de Paul viajaram em direção à rampa. – Aqui está ela. – E voltou seus olhos para a namorada. – Julia, esta é Celia Werner. Você se lembra, quando fizemos aquele evento para Madge Werner. Os olhos de Julia se iluminaram. – Totalmente. Foi no MoMA, na primavera passada. – Ah, foi você? Que bom conhecê-la. Ficou lindo, não importa o que minha mãe tenha dito. Julia e Paul trocaram um olhar que dizia que deve ter havido uma história por trás do assunto. Francamente, embora eu normalmente estivesse curiosa sobre as fofocas envolvendo a mãe de Celia, no momento eu não poderia me importar menos com isso. Havia muitas peças conflitantes da minha vida tentando se encaixar em um mesmo lugar: Celia, Paul, eu mesma tentando fechar meu primeiro grande negócio para a boate... Mais uma vez, senti vontade de vomitar. – Eu espero que você não se importe, mas, como disse Paul, nós temos que correr. – Julia abriu um grande sorriso. – Foi incrível conhecer você. Eu fiz o meu melhor para recuperar o entusiasmo que tinha antes, quando éramos apenas Julia e eu. – Eu também gostei. Vou montar os pacotes e retornar para você amanhã. – Perfeito! Paul parecia pronto para sair sem dizer nada para mim, até que Julia deu-lhe um olhar severo. – Sim, nós estamos ansiosos para trabalhar com você. Essa parceria seria benéfica para nós dois. Eu li o seu subtexto, um toque de que eu deveria prosseguir com seu


plano ridículo de fingir que éramos estranhos. – Eu certamente espero que sim – respondi, o rosto congelado em um sorriso profissional. Prendi a respiração, até que a porta se fechou atrás de Julia e do fantasma indesejado do meu passado. Então deixei escapar uma expiração lenta. – Que diabos foi isso? Um fator estressante se foi, mas o outro ainda ficou ao meu lado. Pelo menos eu não poderia ser presa por falar com Celia. Subi a rampa em direção à parte principal da boate, na esperança de escapar de alguma forma do meu ataque de ansiedade. – Laynie? – pressionou Celia, seguindo atrás de mim. Dei de ombros. – Eu não sei do que você está falando. – Dava para cortar a tensão com uma faca. Eu abri a boca para negar, mas para que fazer isso? – Era tão óbvio assim? – Sim. Era. Quer falar sobre isso? Eu parei de andar e fiz uma pausa. – Ah, uma hesitação... – Os olhos dela brilharam com a antecipação de uma fofoca. – Vamos conversar sobre isso. Mas não aqui. Durante o café. Esfreguei os dedos sobre as sobrancelhas, tentando aliviar a dor latejante que sentia atrás dos olhos. – Tudo bem. Eu não tinha a energia para argumentar ou inventar uma desculpa. Além disso, eu precisava de uma bebida, e uma vez que era muito cedo para álcool, o café seria uma boa substituição. – Ótimo! Tenho certeza de que você precisa fechar a casa. Vou até o café aqui ao lado para conseguir uma mesa para nós. Quinze minutos depois, Celia e eu estávamos sentadas no meu café


favorito em Columbus Circle. Eu já tinha abatido um terço do meu expresso duplo gelado e fui percebendo aos poucos que talvez a cafeína fosse exatamente o oposto do que eu precisava naquele momento, porque agora meus tremores tinham aumentado para um completo ataque de nervosismo. Celia tinha até agora preenchido a conversa com assuntos fáceis que eu fora capaz de responder com frases de apenas uma ou duas palavras. Enquanto isso, minha cabeça girava, incapaz de me concentrar em qualquer coisa por um razoável período de tempo. A única coisa de que eu tinha certeza era de que eu não deveria estar tomando café com Celia Werner. Não mesmo. – Então, quem era o cara? Eu balançava para frente e para trás na minha cadeira. – Ninguém. Um cliente. – Isso é uma mentira e você sabe disso. Havia todas aquelas vibrações estranhas acontecendo entre vocês dois. Seus olhos pousaram em mim, mas eu não estava disposta a oferecer qualquer coisa, exceto um encolher de ombros. O que eu poderia dizer a ela, afinal? Hudson nem mesmo queria que a gente conversasse, imagina então se eu contasse coisas importantes? E caso eu explicasse sobre Paul e ela contasse a Hudson? Merda, merda, merda. Hudson. Tive a nítida sensação de que ele não aprovaria o meu trabalho com Paul Kresh. E não era como se fosse algo que eu pudesse necessariamente esconder. Hudson era dono do lugar, afinal de contas. Merda, merda, merda. Sem saber da turbulência na minha mente, Celia tentou outro método para conseguir revolver a terra: – Quero dizer, eu entendo. Ele é gostoso, tipo, eu não me importaria de ter esse cara na minha cama, por uma noite ou 12.


Eu ri. – Boa sorte, então. Sua parceira de negócios também é a namorada dele. – Mas é claro, Paul era noivo quando ele ficou comigo. – Pensando bem, provavelmente você deve ter uma chance. – Obviamente, você fala por experiência própria. Não brinca, Sherlock. Eu tinha muita experiência quando se tratava de qualquer coisa sobre Paul Kresh. Eu conhecia seus hábitos, seus padrões, sua rotina de exercícios na academia. Detalhes de sua vida que haviam sido gravados tão profundamente na minha memória que eram impossíveis de se esquecer. E manter tudo engarrafado não estava ajudando. Eu aprendi a lidar com os problemas por meio de conversas, na terapia. Eu precisava falar com alguém sobre isso. – Conte-me tudo. Você sabe que deseja fazer isso... Celia estava certa. Eu queria contar a ela. Foi o que fiz. Hudson havia contado a Celia algumas coisas sobre o meu passado, mas eu não estava inteiramente certa sobre quais delas, por isso contei tudo. Quando terminei, ela ficou em silêncio e com os olhos arregalados por alguns segundos. – Caraca... – disse ela, finalmente. – Certo? – Eu... Hã... Eu nem sei o que dizer. – Celia respirou fundo e endireitou as costas na cadeira. – O Hudson sabe? – Ele sabe sobre a ordem de restrição, é claro. Ele contou-lhe sobre isso, não foi? Ela assentiu com a cabeça. – Sim, ele mencionou algo. Tentei não ficar envergonhada que ele tivesse compartilhado uma coisa dessas com Celia. Eu já tinha adivinhado que ela sabia muito. Fazia sentido o fato de ele contar tantas coisas. Celia tinha conhecimento sobre o estratagema que tentamos aplicar em Sophia e era importante que


soubesse de todos os detalhes, pensei. Bem, que assim fosse. Não importava o que Hudson tinha dito nem por quê, já que agora eu tinha contado tudo a Celia. – Mas ele não sabe que eu me encontrei com Paul hoje. Eu não sabia que iria me reunir com ele até o cara aparecer. Agora não sei o que fazer. Bebi o meu expresso gelado de canudinho, que era principalmente água nesta altura. – A resposta óbvia é não trabalhar com ele. Isso é o que tenho que fazer. E Paul pode dizer o que quiser, mas não posso colocar a mim e ao Sky nesse tipo de risco. – Viu só? Você já decidiu o que fazer... – Os olhos de Celia estreitaram-se como se ela estivesse pensando. – Exceto que... Era o que faltava. Já estava com um monte de “excetos” rodando pela minha cabeça... Exceto que trabalhar com Paul seria bom para a boate. Exceto que eu lhe devia. Exceto que ele poderia ficar bravo e me causar problemas, se eu não concordasse com o seu esquema. Exceto que eu realmente queria que Hudson visse que eu poderia fazer coisas boas com o seu negócio. Fiquei me perguntando o que Celia queria dizer com “exceto”. – Exceto o quê? – A Party Planners Plus está com um bom nome na cidade. É impossível agradar a minha mãe e ela estava quase feliz com o que eles fizeram no MoMA. Isso é dizer muito sobre a competência dessa gente. Eles fariam grandes coisas para a boate. – Ela tomou um gole de seu café com leite desnatado. – E Hudson ficaria orgulhoso... – Você está lendo minha mente? Celia sorriu. – Não, só estou pensando logicamente. – Ela colocou a xícara na mesa e pareceu entrar em modo de planejamento. – Você tem que trabalhar lado a lado com Paul?


– Não, eu acho que poderia tocar as coisas estritamente através de Julia. – Você poderia fazer disso uma condição ao assinar o contrato com eles. – Mas Hudson ia pirar! Meu irmão ia pirar! – Eu disse isso antes de lembrar-me que tinha cortado Brian da minha vida. – Não que eu esteja falando com meu irmão, mas ele trabalhou pra caramba para me livrar desse desastre com o Paul! Celia não piscou um olho. – Não conte a ele. Não conte a nenhum dos dois. – Como posso ocultar Paul de Hudson? Ele é dono da boate! – Seu contato será todo com a namorada, certo? Se Hudson ler a papelada, o que acho bastante improvável, ela vai estar mostrando a Party Planners Plus. E pelo que você disse, Paul ainda não é sócio. Ainda está tudo no nome de Julia. – Certo, certo. Tem razão. – Fiquei impressionada. Celia era realmente boa nessa coisa de conspirações. – Mas, já que esse é o caso, talvez eu devesse contar a Hudson. – Claro que pode fazer isso, mas se eu conheço Hudson, e eu o conheço bem, não há como ele deixar você manter esse contrato. Ele é muito protetor das coisas que considera como suas. E, neste caso, não é apenas o Sky Launch, é você. Meu lado feminista queria me deixar irritada por ter sido considerada um objeto de um homem, mas o lado do amor, o lado mais dominante no momento corou e concordou: – Eu sei. Valeu a tentativa. – Então, você tem duas opções: esquecer o contrato ou se esquecer de dizer a Hudson. Eu não gostava de nenhuma das duas escolhas. Mas eu queria o contrato. Muito. Tanto que podia sentir o sabor... E ver aquilo como se fosse uma forma de pagar a Paul tornou mais fácil tomar a decisão. – Eu não vou contar a ele. Vou trabalhar com a Party Planners Plus e


Hudson nunca saberá sobre o cara. – Então eu não vou dizer a ele também. – Celia colocou a mão para cima e balançou seu último dedo. – Juro. Sua promessa me fez sentir melhor. Fez-me sentir como se eu tivesse alguém do meu lado. Fez parecer com que a mentira estivesse menos propensa a explodir na minha cara. – Obrigada. Conversar com você realmente me ajudou a clarear as coisas. – É claro que sim. – Ela sorriu daquele jeito que Celia sabia ser adorável, e não se desculpou por isso. – Ei, por que você não me ligou esta manhã, afinal? Tomei mais um gole da minha bebida aguada, enquanto eu decidia se devia dizer a verdade ou inventar uma desculpa. Depois que eu tinha sido honesta sobre todo o resto, me acomodei na verdade. – Achei que não seria uma boa ideia vê-la. Hudson não ficou feliz quando soube que nós conversamos ontem. – Hum. Entendo... Imagino que ele não tenha gostado. – Ela esfregou os lábios, e me perguntei brevemente como ela mantinha seu gloss parecendo tão novo o tempo todo. – Bem, vamos fazer o seguinte... – Disse ela, depois de um minuto: – Nós não temos que contar a ele sobre isto também. Eu não disse a Jordan que estava vindo encontrá-la, então eu tenho certeza de que ele não dirá nada. Você também pode simplesmente não dizer nada. O pensamento passou pela minha cabeça, mas apenas fugazmente. – Não tenho certeza se sou boa em manter segredos com ele... A lista de coisas que eu não estava contando a Hudson estava ficando muito mais longa do que eu sentia que era aceitável. Meu passado com David, o trabalho com Paul na boate, e agora encontrando Celia pelas suas costas. Olhei para o meu relógio. Era um pouco mais de uma hora. Seria muito cedo para tomar uma cerveja? – Claro, eu entendo isso. Eu não estou tentando incentivar você a


guardar segredos ou qualquer coisa, mas ele é tão estranho quando se refere a você. Proteção ou algo assim. A última vez que falei com você, ele ficou chateado comigo por dias. Hudson acha que eu vou virá-la contra ele ou algo assim. – Celia revirou os olhos. – Mas, tudo bem, isso é com você. Apenas deixe-me saber o que você decidiu, assim farei a mesma coisa. – Tudo bem. Mas eu planejei contar a Hudson sobre Celia. Nós deveríamos estar trabalhando na honestidade e o peso de dois segredos já era o suficiente para carregar. Não era preciso colocar um terceiro.


6 – Princesa. Era pouco depois das duas horas da tarde quando atendi ao telefonema de Hudson. Nós não tínhamos nos visto desde aquela manhã. Ele saíra para o trabalho cedinho, enquanto eu estava dormindo em sua cama, mas tinha deixado o meu telefone ao lado da minha cabeça e uma mensagem de texto brilhou nele para dizer-me que me sentisse em casa e ele me ligaria mais tarde. Agora, ao ouvi-lo do outro lado da linha, percebi o quanto eu tinha saudades dele, mesmo naquele mero punhado de horas em que estivemos separados. – Ei – suspirei ao telefone. – Estou feliz que você ligou. – Eu disse que ligaria. Nós tivemos tão poucas conversas telefônicas que isso ainda me pegava de surpresa, ainda me encantava, e isso parecia não ter fim. – Estou feliz, tanto por dizer que me ligaria, quanto por ter realmente telefonado. – Você é fácil de satisfazer. – O sorriso em seu rosto era evidente através do telefone. – Como foi seu dia? – Terrível até este momento. – Depois de Celia ter ido embora, eu me esforçara para montar os pacotes para Julia. O trabalho tinha sido divertido e ocupara a minha mente completamente. Ainda assim, o horror da manhã se agarrava a mim como uma sombra. – Ah? Por quê? O que há de errado? Hudson se colocou em guarda imediatamente, pronto para lutar qualquer batalha que eu estivesse enfrentando. Sua reação me deixou ansiosa para contar-lhe sobre ter visto Paul, mas rapidamente lembrei-me por que seria uma má ideia.


– Nada. Não tem nada de errado. É que tudo é terrível em comparação a estar com você. – Eu sinto o mesmo. Num estalar de dedos, Hudson conseguia fazer minhas pernas tremerem. – Você n��o sabe o que isso me faz, ouvir você dizer essas coisas. – Eu posso imaginar. – O tom rouco de suas palavras sugeriu que ele estava imaginando coisas muito mais atrevidas do que estava dizendo em voz alta. – Como foram as suas reuniões? Sua mudança de assunto foi abrupta, e eu tinha certeza de que ele estava pensando safadezas e agora precisava de um tema mais seguro para discussão. Apesar de satisfeita com a excitação óbvia de Hudson, senti o frio de uma sombra com a menção de minha reunião mais cedo. – Só tive uma reunião até agora, com uma empresa. E tudo correu bem. Vou falar com eles de novo, mas tenho certeza de que fechamos negócio. – Claro que sim. Quem não gostaria de trabalhar com você? – Devo fazer uma lista? – Antes daquela manhã, essa lista teria incluído Paul Kresh. Engraçado como as coisas mudaram rapidamente. – Sim, faça. E vou mandar fuzilar cada um deles. – Claro, ele estava apenas brincando. Mas talvez nem tanto... – Você tem planos para hoje à noite? Eu mudei para o meu computador e carreguei uma imagem de Hudson para olhar enquanto conversava com ele. – Eu tinha planejado ser adorada por um homem viril e gostoso – levei o meu dedo ao longo da mandíbula forte da imagem no monitor. – Mas eu poderia cancelar com ele, se você tiver algo melhor em mente. – Você está me provocando. – Estou?


– Você está, e não gosto disso. – Seu rosnado de ciúme era um tesão. – Algumas pessoas que eu conheço estão realizando um evento no Jardim Botânico do Brooklyn e eu gostaria de estar lá. Com você. – Eu sou toda sua, H. Sempre que quiser. – Ótimo. Vou buscá-la na boate por volta das seis horas. Olhei para minha roupa, um vestido verde-escuro com uma linha de corte cruzado atravessando o abdômen. Era até meio classudo, mas talvez um pouco ousado demais para o evento. – Não, me pegue no meu apartamento. Eu preciso me trocar primeiro. – O que você está vestindo é perfeito. – Como você sabe o que estou vestindo? – Olhei em volta, meio surpresa quando não o vi em pé na porta do escritório. – Você tem câmeras de segurança na boate ou algo assim? – Eu não duvidaria disso. E tremi, imaginando o que mais as câmeras poderiam ter gravado. Por exemplo, meu encontro com Paul. – Claro que eu tenho câmeras. Mas não acompanho suas gravações. Jordan me disse o que você estava vestindo. – Ah, sim, Jordan. Esta era a segunda vez no dia que minhas ações tinham sido informadas por ele. Se Hudson tinha falado com o meu motorista hoje, então ele teria sabido que Celia perguntara por mim? Quanto Hudson dependia de Jordan para ser atualizado? Eu fiquei tensa, o estresse de ficar carregando meus segredos estava começando a pesar sobre mim e elevar o meu nível de paranoia. – Diga-me, Jordan é mais do que apenas o meu motorista? – Você não queria um guarda-costas. Eu tive que ceder. A naturalidade de Hudson em falar disso era quase tão irritante quanto o que ele estava admitindo. – Então, Jordan me espiona para você? – Espionar não é uma descrição acurada do que ele faz. Ele a leva a


lugares, certifica-se de que você está segura e manda os relatórios de volta para mim. Por um momento, eu considerei discutir sobre esse arranjo. Mas, depois que deixei a ideia assentar, percebi que não era tão ruim assim ser cuidada por um namorado excessivamente cauteloso. Soltei o ar, deixando minha ansiedade sair. – Ouvi o suspiro. Diga-me o que incomoda você sobre isso? – Nada, de verdade. Só que eu não teria dado em cima de Jordan tão inequivocamente se eu soubesse que ele se reportava a você toda hora. – Foi uma piada óbvia, considerando que Jordan foi contratado como meu motorista porque ele era gay. – Nós dois sabemos que isso não aconteceu – repreendeu Hudson. – É a segunda vez que você tenta me irritar. Qual exatamente é o seu motivo? – Nenhum motivo. Só é divertido ouvir você ficar todo macho alfa possessivo. – Se você quer um macho alfa possessivo, eu certamente posso dar um jeito nisso. Eu sorri, inclinando-me para trás em minha cadeira. – Eu quero que você seja você... Que já é muito macho alfa possessivo, mas, se tiver mais disso escondido, então pode me trazer. – Eu mudei de ideia. Vou buscá-la às 17:30. – Tudo bem. Alguma parada extra planejada? – Não. Preciso de tempo para transar com você no caminho, na limusine, sem me preocupar em ser apressado. Eu estava contente por estar sentada. Caso contrário, poderia ter caído no chão. – Você precisa marcar seu território? – Eu preciso estar dentro de você. Senão, estarei desconfortavelmente de pau duro e incapaz de me concentrar nos negócios. Fechei os olhos e deixei minha mente se preencher com os seus planos


sacanas. – Então vou esperá-lo às 17:30. – Esteja pronta para mim. – Estarei. – Eu tinha um compromisso com outra empresa de eventos, mas estava programado para as quatro horas. Teria tempo de sobra. – Eu devo ter acabado os meus compromissos por volta de cinco horas. – Quando eu disse pronta, queria dizer esteja molhada. – Ah. Bem, tenho certeza de que isso não vai ser um problema. – Nunca era, no que dizia respeito a Hudson, especialmente quando ele assumia sua persona macho alfa. – Mas talvez você possa me enviar algumas mensagens bem obscenas quando estiver a caminho, para ajudar a aquecer o clima. – Tenho certeza de que posso dar um jeito nisso. – Bárbaro. Faltavam dez minutos para Hudson chegar, quando recebi sua primeira mensagem de texto e, honestamente, nesta altura eu tinha esquecido. Assim, quando meu telefone bipou avisando que eu tinha uma mensagem, li sem me preparar. O que foi um erro. “Estou querendo o sabor da sua boceta em meus lábios.” – Tudo bem? David tinha chegado alguns minutos antes e meu choque com a mensagem de Hudson deve ter aparecido no meu rosto. – Sim. Eu estou bem. Só que... Um segundo texto surgiu antes que eu pudesse terminar o meu pensamento: “Estive pensando sobre isso o dia todo. Sua boceta. Como é deliciosa, o gosto, o perfume dela.” Seguido por um terceiro: “E os sons que você faz quando estou tocando você e fodendo você.” Meu corpo aqueceu. – Hã, Hudson está a caminho – consegui dizer. – Eu não sabia que já era


tão tarde. – Então é melhor se mexer. Não é bom deixar o chefe esperando. Eu me encolhi internamente naquela referência de David sobre Hudson: “o chefe” – Hudson odiava isso –, então enviei uma rápida mensagem de texto como resposta: “Eu já estou molhada.” Nada nunca foi mais verdadeiro. Eu só tive tempo de fechar o meu laptop e me levantar do sofá onde estava trabalhando, antes que a sua próxima mensagem viesse: “Estou de pau duro para você também. Tão duro que dói.” Afastei-me de David, com medo de que ele pudesse adivinhar a essência da minha conversa, se eu não escondesse o meu rosto. “O que você vai fazer quando estiver comigo?” A resposta de Hudson veio rapidamente, mas esperei até acabar de embalar o meu laptop na bolsa de computador, antes de ler o que ele tinha a dizer. “Primeiro, vou bater em você por me provocar com a conversa sobre outros homens.” “Depois?” “Venha para fora e descubra.” “Você está aqui? Você veio mais cedo.” Graças a Deus eu já tinha terminado o meu trabalho. De repente, estava desesperada para ver Hudson, contente por poder sair imediatamente. – Tenha uma boa noite, David – disse, mal prestando atenção na resposta dele quando saí do escritório, lendo o texto de Hudson enquanto caminhava: “Não. Estou duro como pedra para você, mas não vou chegar ‘mais cedo’.” Seu próximo texto chegou antes que eu tivesse a chance de responder: “Saia daí.”


Com a bolsa do computador no meu ombro, a bolsa enfiada dentro dela, eu estava praticamente correndo, parando apenas para digitar rapidamente: “Estou quase.” Eu esperei até estar prestes a sair da boate para ler a sua resposta final: “Sim. E vai gozar até o fim.” Protegi os olhos enquanto caminhava sob o sol e vi Jordan em pé com a porta do carro aberta. Não era um carro qualquer... Era uma limusine. Ergui uma sobrancelha de surpresa quando me aproximei. – Que carro chique! Talvez eu devesse ter insistido em ir para casa e me trocar. Eu, definitivamente, não estava vestida para black-tie. Jordan assentiu, mas não ofereceu nenhuma explicação. Coloquei a cabeça na parte de trás do carro e gritei quando os braços fortes de Hudson me puxaram, de barriga para baixo, no seu colo. A mão dele estava debaixo da minha saia, acariciando meu traseiro, antes que Jordan tivesse a oportunidade de fechar a porta atrás de mim. – Bem, olá para você também – ronronei sob suas carícias. Ele juntou o tecido do meu vestido em torno da minha cintura, expondo minhas nádegas vestidas de fio dental. – Esse carrão chique é apenas para a nossa privacidade. Ninguém deve testemunhar as coisas que pretendo fazer com você no caminho para o nosso evento. Esticando o pescoço para ver o rosto dele, perguntei: – E o que, pelo amor de Deus, você pretende fazer? – Em primeiro lugar, isso. – Sua mão desceu forte na minha bunda, e eu engasguei. Hudson tinha me estapeado de leve antes, mas uma palmada... Isso era novo. E era bom... Eu estava vagamente consciente de que o carro ainda não tinha se movido do lugar, quando sua mão desceu novamente ainda mais forte.


– Uma para cada vez que você brincou comigo sobre outros homens – disse ele. De repente, senti que tudo estava muito dominante e submissa para meu gosto, como algo que eu havia lido a respeito em um romance meio vulgar, no qual o herói alfa e bilionário brincava com chicotes e correntes. Embora Hudson fosse definitivamente um cara dominador, e a surra fosse uma surpresa agradável, eu tinha certeza de que esse não era um estilo de vida que algum de nós tinha planejado explorar mais fundo. Era também uma forma de controle básica demais para Hudson, que preferia exercer a sua dominação com uma forte dose de manipulação. Pelo menos de acordo com o que eu sabia sobre o seu passado. Mas interpretar... Isso era uma coisa completamente diferente e provavelmente uma coisa bem ao estilo de Hudson. Decidi testar. Em uma voz mansa e afetada, eu disse: – Obrigada, senhor. Obrigada pela surra. Hudson riu. – Você precisa de outra palmada por zombar de mim? Ou ele não estava entendendo ou não estava a fim. Eu tentei o meu tom submisso novamente: – Não estou zombando, senhor. Eu gosto da minha punição, se isso lhe agradar. – Ah, nós estamos jogando esse jogo, não é? – E a lâmpada se acendeu. – Nesse caso, outra palmada, porque me agrada. – Ele me bateu novamente, o som do tapa era tão excitante que até me contorci em seu colo. – E outra pelo segredo que você está mantendo. Minha respiração ficou suspensa. Nós estávamos jogando um jogo. Ele não podia estar falando sério. Ainda assim, o pavor se reuniu em minha barriga só de pensar nas coisas que ele poderia ter descoberto. – Qual segredo, senhor? – Que você gosta de ser espancada. Eu posso sentir como você está


molhada de tesão. Uma combinação de alívio e excitação me invadiu. – Sim, senhor. Eu gosto. Seu dedo escorregou pelo pequeno triângulo de tecido na minha virilha e para dentro da minha boceta. – Sim, sei que certamente adora. Você está pingando. Sua mão se retirou e ele me bateu mais uma vez, esfregando o local antes de me fazer sentar ao lado dele. Então, estendeu a mão para pegar o cinto de segurança e puxou-o através de mim. – Eu insisto para que use o cinto de segurança enquanto estivermos no carro. Tenho que proteger o que é meu. Eu sorri. Na verdade, era eu quem insistia em usar cintos de segurança sempre que estávamos no carro. Aquela coisa de meus pais terem morrido no acidente de carro acabara lançando uma luz sobre a importância da segurança. Foi uma boa jogada da parte dele, no entanto. Esse cara! Não pela primeira vez, eu vi flashes do homem que gostava de jogar. Talvez este pequeno jogo de interpretação pudesse ser uma maneira de fingir aquilo que por tanto tempo ele usara com outras mulheres. Uma vez que Hudson parecia estar gostando da diversão, voltei ao meu papel: – Mas, senhor, como eu poderei agradar-lhe quando estou presa a um único lugar? – Você está questionando a minha decisão? – Seus olhos brilharam com um lampejo malicioso. – Porque não demoro um segundo para colocá-la por cima do meu joelho. – Tenho certeza de que não, senhor. – Ele gostara das palmadas tanto quanto eu. Seus olhos se estreitaram, mas ele me deixou no lugar em que eu estava. Depois de estarmos com os cintos afivelados, Hudson apertou o interfone. – Jordan, nós estamos prontos.


Quando o carro saiu do meio-fio e entrou no tráfego, Hudson me olhou, seus olhos de pálpebras pesadas. – Gire em seu assento tanto quanto puder, para ficar de frente para mim. Fiz o que ele mandou, tanto quanto o cinto de segurança permitia. Eu não tinha ideia do que ele havia planejado, para onde Hudson pretendia levar este jogo, e a antecipação me arrepiou. Com uma das mãos em volta da minha nuca, ele me trouxe perto para um beijo agressivo. Ouvi a outra mão trabalhar a braguilha de sua calça enquanto ele acariciava minha boca com longas lambidas de sua língua. Ele continuou seu ataque por vários minutos, deixando os lábios inchados quando me empurrou para longe com um puxão nos meus cabelos. Como se por alguma força magnética, o meu interesse foi atraído até seu pau impressionante, nu e pronto. Hudson puxou meus cabelos até meu olhar voltar para o seu. – Olhos em mim. A parte engraçadinha de mim queria dizer que meus olhos estavam sobre ele, em um pedaço deliciosamente excitante dele. Mas eu sabia o que ele queria dizer, e ser engraçadinha não fazia parte do papel que eu estava interpretando, então mantive a boca fechada. – Boa menina. – Sua mão ainda estava entrelaçada em meus cabelos. – Aquele beijo foi para definir o tom de nosso jogo. Agora você vai me chupar. E eu quero que seja com a força do beijo que eu lhe dei. – Tudo bem. Agora, quer dizer agora? Deus, eu era uma submissa de merda. – Sim, agora. Eu inalei seu cheiro inconfundível quando me inclinei para a frente, ansiosa como sempre para levá-lo para dentro de minha boca. Meu ritual habitual de chupar o pau envolvia muitas lambidas e provocações, mas, se o tom era de fazer como no beijo, então assumi que ele queria que eu pulasse as preliminares. Em vez de lamber, como eu normalmente faria,


fechei minhas duas mãos ao redor de seu pênis e chupei sua coroa com sofreguidão. Entendi que o chiado baixo que Hudson soltou era um sinal de aprovação. Segurando a base com uma mão, cobri meus dentes com os lábios, engoli o pênis e bombeei com a mão e a boca ao mesmo tempo. Sua voz estava tensa quando ele me incentivou: – Assim, Alayna. Bem desse... Ah... Bem desse jeito. Eu adorava dar prazer a Hudson, adorava agradá-lo. O pênis cresceu mais espesso quando peguei o ritmo, sugando avidamente, passando a língua pela ponta, enquanto subia e descia. – Sim, Alayna. Você é uma delícia... Ele ainda estava no controle, no entanto. E eu o queria enlouquecido. Coloquei a minha mão livre em concha nas suas bolas, massageando-as delicadamente, completamente diferente da maneira frenética como eu trabalhava em seu pau, com os meus lábios e minha língua. – Ah... Alayna... Foi então que ele assumiu de vez. Fechou os dedos nos meus cabelos e dirigiu a minha cabeça para mover-se em seu ritmo, me empurrando para baixo para engolir mais profundamente, mais no fundo, seus quadris empurrando para cima enquanto ele fodia a minha boca. Reforcei meu aperto em sua base, esfomeada e ansiosa por seu clímax. Ele estava tão grosso e tão perto, e a ideia de que ele poderia me deter antes de chegar ao orgasmo me deixou ainda mais desesperada por sua liberação. Eu estava me contorcendo com a luxúria, tão excitada por seu prazer, pelo intenso prazer que estava lhe dando. Gemi baixo e profundamente, a vibração desse som girando dentro da minha cabeça e contra o seu pau. Hudson apertou nos meus cabelos. – Caralho – disse asperamente. – Eu vou gozar. Engole, Alayna. Engole


tudo. Eu gemi de novo, em parte porque não conseguia conter toda a minha excitação, e em parte porque queria forçá-lo a gozar por inteiro. E deu certo. Ele derramou tudo em mim com um longo gemido de prazer enquanto seus quadris empurravam para cima com força e seu pau se contraía quando batia no fundo da minha garganta. Meu punho bombeava para cima e para baixo enquanto Hudson gozava, gozava e gozava. E eu engoli tudo. Do jeito que ele queria, do jeito que eu queria, embora quase tenha engasgado e mal conseguisse respirar. Engoli até a última gota, lambendo-o enquanto ele estremecia embaixo de mim. Quando acabou, sua mão relaxou na minha nuca e me sentei de frente para ele. Imediatamente, Hudson me puxou para outro beijo, este mais doce do que o anterior, o gosto de sua boca misturando-se com o sabor do seu sêmen, até que tudo o que pude reconhecer foi um sabor que era único e novo, mas completamente Hudson. – Obrigada – murmurei contra seus lábios. Ele estava jogando de senhor e mestre, mas conseguiu me dar prazer. Eu queria sentir o gosto dele, tinha sonhado com ele gozando na minha boca. Não porque gostasse especialmente de dar sexo oral, mas eu queria passar por todas as experiências com Hudson... As boas, as ruins, especialmente as carnais. Reconheci isso que acontecera como um presente que era, o que fez desse episódio algo ainda mais maravilhoso. Ele recostou-se, afastando meus cabelos do meu rosto. – Alayna. Eu adorava o jeito como ele dizia o meu nome, a maneira como sempre parecia que ele estava dizendo muito mais que apenas as três sílabas. Como se fosse uma oração, como um ponto de referência. Isso me fez sentir bonita. Quem eu estava enganando? Era isso o que me fazia sentir bonita. Seus olhos cinzentos procuraram os meus por longos segundos.


– Qual é a sensação de pertencer a mim? Eu não sabia se ele ainda estava jogando ou não. Para mim, o jogo havia terminado. Foi com sinceridade que eu respondi: – Perfeita.


7 Hudson não estava disposto a deixar-me insatisfeita. No momento em que chegamos ao Jardim Botânico do Brooklyn, eu estava esgotada e pronta para tirar uma soneca. Hudson, por outro lado, parecia revivido, com um sorriso maroto no rosto quando pegou minha mão, me levando para fora da limusine. Uma loira atraente, com unhas pintadas de rosa, estava na entrada principal, verificando os convites quando os convidados caminhavam em direção aos jardins. Hudson teve permissão de entrar sem ter que mostrar nenhuma credencial. – Você parece muito satisfeito consigo mesmo – sussurrei quando entramos no jardim. Ele rejeitou o meu comentário. – Todo mundo sabe quem eu sou. – Acho que não é com isso que você está satisfeito. Ele me lançou um sorriso malicioso. – Eu acho que mereço ser feliz. Acho que muita coisa foi realizada dentro de um período relativamente curto de tempo. – Se por muita coisa foi realizada, quer dizer que mal consigo andar nestes últimos dias, então sim, você está correto. Eu nunca tinha feito sexo em um veículo em movimento antes, e considerando a minha política rígida sobre cinto de segurança, nunca tinha me ocorrido que seria algo que eu gostaria de fazer. Hudson, no entanto, fazia tudo parecer como se fosse algo que eu quisesse fazer, pelo menos quando isso o envolvia. E as habilidades do homem no quarto aparentemente tinham sido trazidas para o banco traseiro do carro, e suas técnicas e posições me deram prazer sem que eu tivesse que soltar o cinto. Nós caminhamos ao longo de uma passagem para o átrio, onde o jantar


estava sendo servido em um bufê. Em volta de nós, os cheiros agradáveis e os aromas do ar livre me dominaram, colocando-me em um clima descontraído que era impossível de conseguir na agitação da cidade. Era surpreendente que um lugar desses existisse tão perto do caos de Nova York. – O que é este evento, afinal, Hudson? – É patrocinado pela CotF – respondeu ele. – Crianças do Futuro. Eles são uma fundação que distribui recursos para filhos adotivos. Este evento é um agradecimento para aqueles que contribuíram com a fundação. – E quanto você já doou? – Realmente eu estava interessada em saber quais eram as causas para as quais Hudson contribuía. – Não é o quanto, é o quê. Olhei para ele interrogativamente. – Eu doei uma escola. Puta merda. Uma escola inteira. Claro que ele ia doar uma coisa dessas... – E várias bolsas de estudo, além disso. Eu vim hoje para conhecer o novo diretor. Quero que o conselho de administração da fundação perceba que, embora eu não esteja com a mão na massa nesse programa, ainda ando por perto. Eu tremi com essa sua dica de onipotência. Era da mesma forma que ele lidava com todos os seus negócios, estava descobrindo. Ele deixava as coisas em boas mãos, mas nunca se colocava longe demais para que as coisas passassem despercebidas. Com sorte, ele confiava em mim o suficiente para não tomar nota de tudo o que acontecia no The Sky Launch. Tipo, com quem eu estava fazendo negócios para os eventos. Deus, eu precisava parar de ficar pensando nisso a toda hora. Hudson não iria descobrir. Correria tudo bem. Peguei um copo de vinho da bandeja de um garçom e bebi metade, grata pela vibração instantânea. Hudson manteve o braço em volta de mim enquanto cumprimentava as


pessoas no bufê. Ele me disse uma vez que nunca comia nesses eventos e agora eu entendia o porquê. Ele era muito popular e não conseguia pegar comida. Decidi esperar para comer com ele mais tarde, assentindo com a cabeça e sorrindo enquanto me apresentava para as pessoas e mantinha uma conversa inócua. Mas, como nunca tinha ido ao Jardim Botânico do Brooklyn, eu também estava ansiosa para explorar a área. Assim, quando um dos parceiros veio nos cumprimentar, eu me desculpei com educação e saí. – Um momento. – Hudson colocou um dedo para cima para pausar o homem calvo que estava falando com ele. Para mim, ele disse: – Alayna, você é bem-vinda para ficar. Meu coração bateu tão forte que fiquei com medo que Hudson pudesse ouvi-lo. Tinha sido difícil para Hudson me deixar participar em seus negócios, e me convidar a vir a um evento como este era um grande passo. – Obrigada, mas eu quero ver as redondezas antes que o sol se ponha. – apertei sua mão. – A menos que você precise de mim. – Não. – Embora houvesse um traço de necessidade em seu tom. Necessidade que eu sentia por ele a cada minuto de cada dia, o desejo insaciável de estar sempre perto dele. – Eu só quero que você esteja confortável. Deixe-me apresentá-la antes de você sair. Alayna, este é Aaron Trent. Aaron, esta é a minha namorada, Alayna Withers. Talvez mais interessante para você é saber que ela é também a minha gerente de promoções no Sky Launch. Eu dei um passo à frente para pegar a mão de Aaron. O cumprimento de Aaron era forte, mas nada comparado com o de Hudson. – Prazer em conhecê-la. – Sua saudação foi meio desdenhosa e ele rapidamente soltou minha mão, voltando a atenção para Hudson. – The Sky Launch? Eu ouvi dizer que você estava fazendo uma reforma no lugar. – Eu não. É Alayna quem está fazendo isso.


– Ótimo – disse Aaron, mas seu foco ficou em Hudson. – Eu adoraria conversar com você em algum momento sobre o que minha equipe poderia fazer por vocês. Hudson fez um gesto para mim. – Alayna é a pessoa. Tenho certeza de que ela ficaria feliz em se encontrar com você. Alayna, Aaron é dono de uma agência de publicidade. Sua empresa é excelente. Utilizamos seus serviços muitas vezes. Uma onda rápida de tontura passou por mim quando entendi por que Hudson queria que eu ficasse. – Ah, Trent Advertising. Eu não sabia que você era esse Trent. Eles eram uma empresa difícil de contatar. Essa apresentação poderia ser um grande trunfo para mim. Se estivéssemos sozinhos, eu teria mostrado a Hudson o quanto apreciara essa apresentação. Finalmente, Aaron se virou para mim. – Senhorita, hã... – Withers – completou Hudson por ele. – Sim, srta. Withers. Desculpe, eu nunca fui bom com nomes. Não era isso, você simplesmente não estava interessado em mim, até que percebeu que eu poderia lhe dar alguma coisa. Decidi tornar as coisas mais fáceis para o homem: – Sr. Trent, eu adoraria me encontrar com o senhor. Devo ligar para seu escritório para marcarmos alguma coisa? – Que tal se eu fosse à boate quando estiver aberta, ver como são as coisas para que eu possa chegar a algumas ideias para uma campanha? – Poderia ser amanhã à noite? – perguntou Hudson. Naquele instante, murchei momentaneamente pelo pensamento de passar uma sexta-feira à noite longe de Hudson. Mas ele estava certo na sua sugestão. Sexta-feira era uma ótima noite para ver a boate no seu melhor. Aaron parecia também estar se lamentando de abrir mão de uma sextafeira à noite. Mas quem poderia dizer não a Hudson Pierce?


– Claro. – Abrimos às nove horas da noite, mas se você puder vir por volta, digamos, das 8:30, nós poderíamos conversar um pouco antes de a casa ficar cheia. – Ainda bem que eu já tinha o meu plano de negócios delineado. Caso contrário, eu teria que trabalhar toda esta noite até estar preparada. Aaron concordou com o horário e, em seguida, começou a discutir ideias de uma campanha com Hudson. Sentindo-me sobrando, pedi licença novamente e saí para passear. Fui primeiro para o jardim Shakespeare, com uma segunda taça de champanhe na mão, parando aqui e ali para admirar as plantas incomuns, suas fragrâncias se misturando e perfumando pesadamente o ar sufocante de junho. De lá, fui passear através do jardim japonês. Admirada com a beleza tranquila na paisagem deslumbrante, encontrei um banco para me sentar e apreciar a vista ao anoitecer, enquanto bebericava da minha taça. De vez em quando, passavam outros convidados e, então, um homem em um terno azul-marinho apareceu, acompanhado por um senhor mais velho com cabelos grisalhos, que combinava bem com o terno prata que vestia. Eles se demoraram na ponte sobre o lago e entre os jardins tranquilos, e a conversa acabou chegando a mim. – Contrato assinado na segunda-feira? – perguntou o homem de terno azul-marinho. – Inacreditável. Você é um filho da puta de sorte, sabia disso? Fechei os olhos, na esperança de obstruir a conversa que estava em contraste com a serenidade do ambiente. Mas então uma palavra familiar fez meus ouvidos ficarem mais aguçados. – ... A Plexis não era algo de que ele quisesse abrir mão. Tive que lutar com unhas e dentes. – Era o cara mais velho falando sobre a amada empresa de Hudson, que ele lutara tanto para não ser vendida por seus acionistas, mas que acabara perdendo. – Felizmente, o resto do conselho não estava do lado de Pierce. Esse cara devia trabalhar para a empresa que comprou a Plexis de


Hudson. – Então, quais são seus planos agora? – ecoou o homem mais novo minhas questões internas. – Com a Plexis? Bem, há um monte de dinheiro nela; se a dividirmos, poderemos vender as partes. Meu estômago se enrolou com a admissão do homem grisalho. Era exatamente o que Hudson tinha medo que fosse acontecer. Isso significaria um monte de empregos perdidos. – Mas nós não estamos desconsiderando a ideia de revendê-la como está, inteira. – O homem mais velho virou-se para o mais novo, uma sobrancelha levantada. – Se tivermos uma boa oferta. – Ah, você está esperando que eu faça uma oferta? – O cara de terno deu um passo para trás. – Não me interprete mal, eu adoraria colocar minhas mãos na Plexis, mas não tenho esse dinheiro agora. – Só pensei em deixar essa informação zumbindo em sua mente. Nunca se sabe... Os homens voltaram a caminhar, o mais velho sorriu para mim quando passou. Eu esperei até que eles estivessem a vários metros de distância, antes de me levantar do banco e me encaminhar à direção oposta, em direção a Hudson. Esta era a sua chance de conseguir a Plexis de volta, para transformá-la na empresa que ele tinha imaginado que poderia ser. Eu até o ajudara a trabalhar algumas ideias preliminares sobre a forma de tornar a empresa rentável. Estava tão animada com a ideia como esperava que Hudson estivesse, porque sabia que ele estaria. Demorei um pouco procurando por Hudson na Cherry Esplanade. Ele estava conversando com uma mulher ruiva impressionantemente linda, talvez um pouco mais velha que eu. Um nó inesperado de ciúme formou-se no meu estômago, e eu tive que me impedir de correr para o seu lado. Ele viu quando me aproximei, seus olhos brilhando com um carinho que


fez afrouxar aquele nó. – Alayna. A forma como o meu nome deslizava de sua língua... Isso nunca parava de me deixar meio tonta. Hudson virou-se para a mulher, que eu podia ver agora que era definitivamente mais velha que eu, talvez uns dez anos. – Por favor, deixe-me apresentar a minha namorada, Alayna Withers. Ela está dirigindo a divisão promocional de uma das minhas boates. A mulher se apresentou antes que Hudson tivesse uma chance de fazêlo: – Oi. Norma Anders. – Seu olhar se dirigiu de volta para Hudson. – Eu não sabia que você estava saindo com alguém, Hudson. – Nós fomos muito discretos. Vontade dela, não minha. – A mentira de Hudson me fez cócegas. – Mas eu finalmente a convenci de que devemos contar a todos. A boca de Norma se apertou enquanto seus olhos me varreram da cabeça aos pés. – Parabéns, então. Honestamente, estou feliz que você tenha terminado com a menina dos Werner. Ela era espumante demais para você, se quer saber. Além disso, nunca confiei nela. Ela estava tramando algo, Hudson. Eu fiquei tensa. Não importava que essa mulher, obviamente, se sentisse bastante familiarizada com o meu homem a ponto de lhe dar conselhos de namoros, ela pensara que Celia e Hudson estavam juntos. Achei que isso tinha sido apenas a percepção de seus pais. Pelo jeito, havia algo aqui que eu estava deixando de perceber... Hudson ficou mais rígido com a menção de Celia, e senti sua pressa em ficar longe de Norma... Em me tirar de perto de Norma. – Foi bom vê-la aqui esta noite, Norma. Os relatórios... Ela tocou em seu braço, como se fosse natural. – Vou levá-los para você na segunda-feira.


– Obrigado, Norma. Foi uma coisa boa que Hudson tenha me puxado para o seu lado e me levado para longe, ou eu poderia ter dado um soco nos olhos cor de avelã da mulher. Ou dado um soco nele. – Hum... Usando o primeiro nome, hein? Isso é... diferente. Hudson raramente chamava alguém pelo primeiro nome, a menos que essas pessoas fossem importantes para ele. Ele não demonstrou notar minha irritação. – Nós nos conhecemos há anos. Tratar a pessoa pelo primeiro nome torna-se inevitável depois de tanto tempo. – Por que ela achou que você estava saindo com Celia? Era incrível. Parecia que o assunto Celia e Hudson estava morto e enterrado, mas novas informações não paravam de pipocar, e lá estava eu cutucando de novo. – Celia muitas vezes me acompanhou em eventos de caridade e em outras ocasiões, onde Norma me viu socialmente. Você sabe disso. Um calor subiu na parte de trás do meu pescoço. Eu nunca contei a Hudson que o investigara pela internet. Foi onde eu tinha visto as dezenas de fotos dele com Celia. Ele me conhecia muito bem. Sua mão soltou meu quadril. – Norma deve ter pensado que éramos um casal. Nunca me ocorreu corrigi-la. Minha boca tinha um gosto amargo. – Porque você gostava que as pessoas achassem que você estava com Celia. – Porque eu gostava de ver Norma pensar que eu estava fora de alcance. – Ah. Talvez eu devesse deixar o resto do zumbi Celia-Hudson descansar por um tempo. Mas agora eu tinha toda uma coleção de perguntas sobre Norma.


Mas antes que eu pudesse começar, ele se antecipou: – Norma dirige a divisão financeira de uma das minhas empresas. – Então vocês são colegas de trabalho. Fiquei imaginando como ela conseguira uma posição tão de elite. Será que ela “deitara” seu caminho para o topo? A familiaridade que ela tinha com Hudson era irritante. A boca de Hudson se contorceu, lutando contra um sorriso. – Ora, Alayna, uma sombra de ciúme está cobrindo você... Apertei minha mandíbula. – Essa não é uma resposta reconfortante. – Não somos colegas de trabalho. É uma relação entre patrão e empregado. Embora gostasse que ele tivesse levado o meu mau humor a sério, a resposta dele me irritou. Hudson também era, tecnicamente, meu chefe, afinal de contas. – Pois esse é um cenário familiar. Ele parou de repente e se virou para mim, com os olhos brilhando com insistência determinada. – Eu nunca fui seu chefe, Alayna. Se existe algo assim entre nós, é você quem me possui. Bem, uau! O que quer que Norma tivesse com Hudson, ela não tinha o que eu possuía. Essa constatação foi tocante. Incapaz de manter o intenso contato com seus olhos, virei meu olhar para a esplanada, que eu ainda não tinha visto. O gramado exuberante era tomado com grandes cerejeiras, cheias e verdes. Hudson seguiu o meu olhar. – Você já viu quando as cerejeiras estão em flor? – Não. Eu tinha visto fotos do Festival Cherry Blossom de Washington e


imaginava que a esplanada devia ficar quase tão linda. – É de tirar o fôlego. Todas as árvores cheias de uma pipoca rosa. A fragrância é absolutamente incrível. – Ele passou o polegar na minha bochecha. – Viremos aqui na primavera. – Parece ótimo. Eu estava sendo sincera. Ao mesmo tempo, meu estômago revirou, tanto pela perspectiva de ainda estar com Hudson na primavera quanto com a ideia de que eu era dona dele. Ambas as noções eram tão completamente maravilhosas e também inteiramente apressadas. Será que eu seria capaz de manter um relacionamento com ele por tanto tempo assim? Eu seria capaz de ser a mulher que obviamente Hudson me via como sendo a dele? Em vez de me debruçar sobre isso, voltei a concentrar minha atenção sobre aquela notícia que me fizera vir à procura dele havia poucos minutos. – Ei, tenho algo para lhe contar e acho que você poderia estar interessado. Colocando o braço na parte baixa das minhas costas, Hudson dirigiu-me para fora da esplanada. – Não tem que ser agora – expliquei, percebendo a sua intenção de ser informado naquele exato momento. – Você pode terminar de se socializar com essas pessoas, antes. Sua boca estava quente no meu ouvido. – A única coisa que desejo socializar agora são nossos órgãos genitais. – Você é insaciável. Acabamos de transar no carro. – Mas sua sugestão fez a minha pele formigar de desejo e expectativa. – Não foi o suficiente. – Ele me puxou para fora do caminho através de um buraco na cerca de arbustos, para algum lugar que, certamente, não estávamos autorizados a ficar, e empurrou-me contra uma árvore alta, seu quadril me ancorando no lugar. – Nunca vou ter o suficiente de você. Minha respiração ficou presa em um momento de adoração completa por aquele homem na minha frente. Este homem que tinha lutado para


abrir caminho através de seus próprios demônios e me deixado entrar em sua vida, que ignorou toda a sua inclinação natural para permanecer fechado e, em vez disso, estava tentando o seu máximo para ficar comigo da maneira que nós dois queríamos. Eu enterrei meu olhar em seus olhos. – Eu amo você. Ele se inclinou para mais perto, o nariz esfregando a pele do meu rosto. – Foi por isso que você me puxou para este lado? Para dizer isso? Eu não estou reclamando, se for... Eu ri. – Foi você que me puxou, não o contrário, seu bobo. E não era o que eu tinha a dizer. Mas fico feliz toda vez que chego a dizê-lo. A boca de Hudson se curvou em um sorriso lento, mas um movimento na passagem nas proximidades me chamou a atenção. Virei a cabeça em direção ao pequeno grupo que vinha andando e vi o homem grisalho passando. – Na verdade, você escolheu o local perfeito. Vê aquele homem ali? Hudson seguiu os meus olhos. – O de terno marrom? – O homem ao lado dele. – Esperei um minuto para ter certeza de que ele pôde dar uma boa olhada. – Você o conhece? – Não que eu me lembre. Deveria? Dei de ombros. – Não necessariamente. Mas eu o ouvi falando com outro cara. – Girei o pescoço, procurando pelo outro homem. – Que não posso ver agora. De qualquer forma, não é importante esse outro sujeito. O homem grisalho trabalha para a empresa que comprou a Plexis. Hudson relaxou seu controle sobre mim e estudou o homem mais uma vez antes que ele passasse. – Como você sabe disso?


– Eu o ouvi dizendo isso. Quando estava andando, mais cedo. Ele estava se gabando de como teve a sorte de conseguir uma empresa tão incrível das barbas de Hudson Pierce. A postura de Hudson enrijeceu. – O que mais? Mordi o lábio. – Você tinha razão. Eles estão planejando desmantelar a empresa. – Droga. Não era sempre que Hudson mostrava qualquer emoção quando se tratava de negócios... Na verdade, ele não demonstrava emoção em quase nenhum momento, ponto. Mas eu achava que ele tinha um carinho especial pela empresa que tinha perdido. Agora eu tinha certeza. Isso fez com que minhas notícias seguintes fossem muito mais interessantes. – Mas ele mencionou que poderiam estar interessados em vender se recebessem uma boa oferta. – Esperei, até que vi engrenagens girando atrás de seus olhos. – Você sabe o que isso significa? Significa que tudo o que precisa fazer é chegar lá com uma bela oferta. Num piscar de olhos, Hudson me empurrou contra a árvore novamente, apertando seu corpo contra o meu. – E se eu chegar a você com uma boa oferta? – Hudson! – Eu o empurrei levemente no peito. – Estou falando sério! – Eu também – e mordiscou ao longo do meu queixo. Incapaz de resistir a seus avanços, meu corpo já estava se entregando, derretendo debaixo dele, pulsando com a necessidade de ficar mais perto. Mas o meu cérebro ainda continuava a perseguir respostas. – Eu pensei que a Plexis significava algo para você. – Ela significa. – Hudson sorriu quando se inclinou em direção aos meus lábios. Eu desviei a cabeça para o lado e encontrei seus olhos.


– Então, como é que a única coisa que você consegue pensar é em sexo? Isso é tudo o que eu sou para você? Eu sabia que não era só isso que eu era para ele, e as minhas palavras eram mais de provocação do que qualquer outra coisa, mas eu estava decepcionada por estar errada sobre o compromisso de Hudson com a Plexis. Ajustando de novo o controle sobre mim, ele pressionou seu corpo e levou os lábios para perto do meu ouvido. – Não, não é. Você sabe que sua mente de negócios me excita sem parar, especialmente quando ela está cuidando de meus interesses. E porque não sou um cara hábil em expressar o que sinto em palavras, eu queria poder mostrar-lhe exatamente como agradeço a você neste momento. Eu derreti. Completamente. Ainda que meu cérebro lutasse para conseguir mais validação, minha voz estava suave e cheia de necessidade: – Então você me agradece pela informação? – Muito. Ele se apertou de novo contra mim, seu pau duro me mostrando exatamente o quanto ele estava agradecido. Eu me contorci, tentando tocar o máximo dele com o máximo de mim, tanto quanto fosse possível. – E você está atraído por mim além do mero físico? – Minhas palavras estavam saindo entrecortadas. Mas devem ter sido coerentes o suficiente para serem compreendidas, porque ele me respondeu entre beijos e lambidas no meu pescoço. – Eu me sinto atraído por tudo em você, seu corpo, seu cérebro, sua ousadia. Mesmo por aquilo que você chama de “loucura”. – Você é louco também, se fala sério sobre estar atraído pela minha loucura. Sua cabeça virou para mim, a fim de que eu pudesse ver a sinceridade


em seus olhos. – Eu nunca falei mais sério, Alayna. Você é a primeira pessoa que conheci que me faz acreditar que eu posso não ser louco. Isso é a melhor coisa que já me aconteceu. Você é a melhor coisa que já me aconteceu. O mundo estava imóvel em torno de mim, e tudo que eu podia ver, ouvir e sentir era Hudson na minha frente, dentro de mim, na minha pele, nos meus ossos. – É preciso repensar essa sua coisa de não-sou-muito-bom-com-aspalavras, porque essas palavras foram perfeitas. Seu nariz roçou no meu enquanto ele assentia uma vez. – Agora pare de falar e deixe-me ocupar a sua boca de outras maneiras. – O que aconteceu com aquela boa oferta que você tinha? – Empurrei meus quadris para frente, em busca de algo para esfregar, e assim aliviar a dor que aumentava entre as minhas pernas. – Paciência, princesa. Paciência. Os lábios de Hudson tocaram os meus, acariciando-os levemente no início, e em seguida esmagando-os com força, enquanto sua língua lambia avidamente dentro da minha boca. Colocando as mãos em cada lado do meu rosto, Hudson controlava os nossos movimentos, puxando suspiros doces da minha garganta, que ele engolia com seu beijo profundo. Minhas próprias mãos estavam pressionadas contra a árvore, a casca pinicando a minha pele em contraste com o êxtase da boca de Hudson na minha. Eu estava longe de tudo, apenas ligada a ele, e aos seus beijos ardentes que me consumiam. – Desculpem-me. Desculpem-me – ouvi vagamente a mulher falar, mal registrando quando ela limpava a garganta. – Desculpem-me! Nós nos separamos, pois finalmente percebemos que alguém estava falando conosco. – Desculpem-me, mas o gramado está fora dos limites da festa, exceto em... – A voz da mulher parou abruptamente. – Ah! Sr. Pierce. Eu não


percebi que... Alayna? Ainda meio tonta, eu me virei em direção à voz. – Julia? O que você está... – Julia dissera que teria um evento no final do dia. – A sua empresa está organizando este evento? – Sim. As sensações deliciosas que haviam se espalhado da cabeça aos pés durante o beijo de Hudson desapareceram com um sobressalto. Este era o evento de Julia. Julia estava bem aqui, na minha frente. E se Julia estava aqui, Paul tinha que estar também. Com esforço, engoli em seco. – Ah, uau. Que coincidência. – Será que eu parecia boba demais? Nervosa? Com medo pra caramba? Fiz um gesto em direção a Julia. – Hudson, esta é Julia Swaggert. Ela é a dona da Party Planners Plus. Encontrei-me com ela hoje mais cedo. E com o meu ex-objeto de perseguição Paul Kresh, que é melhor não estar por perto da gente ou terei uma dor de barriga. – Julia, este é Hudson Pierce. A normalmente confiante e segura Julia parecia perturbada. – Eu estou... Sr. Pierce, é uma honra conhecê-lo. Estou muito animada com o potencial de nossas empresas trabalhando em conjunto. – Seu rosto estava iluminado com excitação, e eu percebi o quanto esse acordo significava para ela. Entendi ainda por que Paul estava tão disposto a arriscar-se em ter-me por perto. Do mesmo modo como tinha feito antes com Aaron, Hudson desviou a atenção para mim. – Você está em boas mãos com Alayna. Ela cuida de todos os negócios com a boate. Eu sou apenas um nome no contrato. – Ele tocou o meu braço levemente. – Se vocês me perdoam, vi alguém com quem eu preciso falar. Não havia ninguém em qualquer lugar perto do nosso esconderijo, e eu


reconheci as palavras de Hudson como sendo uma dica para me deixar com o meu trabalho. Eu nunca tinha ficado mais agradecida. Não só por ele me deixar tocar meus negócios sozinha, mas também porque, sem ele, a chance de Paul aparecer na conversa – ou na vida real – não se parecia mais com uma ameaça. Julia ficou olhando para Hudson enquanto ele se afastava. Eu não a culpei. Ele era gostoso tanto indo quanto voltando. – Então, você e Hudson Pierce...? – Ela ergueu as sobrancelhas. – É simplesmente um amasso à luz da lua, ou tem o pacote completo? – É, bem, são as duas coisas. Estamos juntos, se é isso que “pacote completo” significa. – Mas eu não queria falar sobre meu namorado. Eu queria saber sobre o dela. – Falando em “estar juntos”, onde está Paul? Ela apertou os lábios. – Ele está por aí, em algum lugar. Paul geralmente fica nos bastidores dessas coisas. – Ah, é claro. – Ele estava lá, então. O que significava o suficiente para eu não estar. – Bem, eu acho que Hudson estava prestes a encerrar a noite e... – Sim, certamente foi o que pareceu. Sorte sua. Seu suspiro me fez pensar quanto tempo fazia desde que ela e Paul tinham dado alguns amassos. Mas não fiquei pensando nisso por muito tempo. Porque pensar em Paul e seus relacionamentos era a última coisa que eu queria ficar fazendo. O oposto do que eu tinha sido quando o conhecera antes. – Bem, eu deveria voltar também – disse Julia, parecendo relutante. Mas eu já tinha deslizado através de um vão na cerca viva. Virei-me para dar-lhe um aceno final. – Foi bom vê-la neste evento! Seu trabalho é muito bom. – Obrigada. Eu estava cheia de ansiedade enquanto procurava Hudson. Paul Kresh estava por perto. Devíamos sair dali. Tínhamos que sair antes que Hudson


descobrisse que meu pior erro tinha reentrado na minha vida. Eu dera apenas alguns passos pela passagem quando Hudson saiu de um arbusto próximo e pegou minha mão, me puxando para trás em direção à entrada do jardim. – Precisamos ir embora. Agora. – Seu tom era forte, urgente. Porra. Ele sabia. Será que ele nos ouviu conversando? Será que ele entendeu que aquele Paul que tinha sido mencionado era Paul Kresh? Banquei a inocente, no caso de eu estar errada, esperando que estivesse errada: – Por quê? Qual é o problema? – Meu coração parou, enquanto esperava pela sua resposta. Em vez de responder, ele pegou minha mão e colocou sobre seu pênis ainda duro. – Ah, meu Deus. Eu esperava que o meu suspiro soasse mais como uma reverência, ao invés de alívio. Especialmente porque o membro do homem era digno de reverência. Eu sempre ficava impressionada com o pênis de Hudson. Mesmo no meio de uma crise pessoal como aquela. Resolvi apertar com toda força, sabendo que seria minha passagem rápida para sair dali. – Ou você poderia me pegar aqui mesmo, nos jardins. – Não me tente. Estou prestes a jogar você naquele banco ali, mas isso poderia não ser uma atitude de bom gosto. E eu não iria querer manchar sua reputação. – Seus olhos voaram em direção a mim. – Além disso, o que eu tenho guardado para você levará a maior parte da noite e tenho certeza de que a Sociedade Botânica do Brooklyn iria preferir fechar seus portões antes que eu estivesse perto de terminar. Instantaneamente, eu precisava trocar a minha calcinha de tão molhada... – Humm, então tudo bem.


– Isso é um problema? – Nem um pouco. Estávamos quase na entrada do parque, quando Hudson xingou baixinho. – O que foi? – Vi alguém com quem preciso falar. Você se importa? Eu estava com muito tesão, carente e desesperada para ser penetrada, então sim, eu me importava. Mas um olhar para Hudson disse que ele se importava mais. – Considerando o jeito como você está andando, acho que você vai ser o mais prejudicado... Ele me deu um olhar de dor e começou a me levar em direção a um grupo de cavalheiros, que estavam conversando nas proximidades. Então eu o vi, com o canto dos meus olhos. Virei a cabeça para ter certeza de que era ele. Era. Paul Kresh em carne e osso. Duas vezes no mesmo dia, isso não era demais? Ele não estava com os homens que Hudson precisava falar, graças a Deus, mas em pé, perto do Centro de Visitantes, falando com um garçom, que estava equilibrando uma bandeja de taças de champanhe vazias. Eu comecei a desviar o olhar, mas não a tempo. Nossos olhos se encontraram do outro lado da calçada. – Hudson, eu vou deixar você falar com seus amigos. Vou procurar o banheiro. Ele me puxou para mais perto. – Acho que vou ter que encontrar você lá quando terminar aqui – sussurrou ele, antes de me beijar na testa. Senti o calor se espalhar pelo meu pescoço, ainda que suas palavras fossem bastante inocentes, se comparadas ao que Hudson normalmente falava. É que eu já estava tão excitada que qualquer coisa que ele fizesse ou dissesse seria um gatilho para mais excitação. Mas também seria um


inconveniente. Eu não queria estar perturbada e excitada quando falasse com Paul. Porque ele certamente assumiria que todo o meu tesão seria por ele. Respirei fundo enquanto caminhava em direção a Paul, tentando me acalmar. Paul esperou até que eu estivesse a apenas alguns metros de distância antes de falar: – Eu deveria estar preocupado porque você está me perseguindo? Mais uma vez? Revirei os olhos. – Não se preocupe em explicar. – Ele acenou com a cabeça para o homem que eu tinha deixado para trás. – Esse é o Hudson Pierce, não é? Se você está com ele, entendo por que está aqui. Eu tentei não deixar isso me incomodar, que ele tivesse tanta informação pessoal sobre mim. Julia teria contado a ele, é claro. – Sim, é o Hudson. Estamos juntos. – Sei... Fiquei assistindo às engrenagens girarem por trás de seus olhos. Eu não passei meses memorizando todos os detalhes sobre Paul para não perceber o que ele estava pensando neste momento. – Ei, não há nada a ganhar com esta informação, Paul. Ele sabe sobre você e meu passado, sabe sobre a ordem de restrição, e se você tem alguma intenção de... – Que porra de intenção eu teria? Você está agindo como se eu fosse chantagear você, ou coisa parecida. O que é pretensioso demais, especialmente vindo de alguém que se algemou pelada na minha mesa. – Eu diria que é uma suposição bastante justa, uma vez que você praticamente me chantageou exatamente nesta tarde. – Isso... Não foi chantagear. Tecnicamente. – Ele esfregou o nariz, como se fosse um Pinóquio disfarçando a mentira. – Foi persuasão pesada. – Seja lá o que tenha sido, foi pressão, e eu não gostei disso.


– Olha, Laynie... – Eu sei, eu sei. – Eu não precisava dele para tentar me persuadir ou me pressionar, ou seja lá como ele quisesse chamar essa merda. Eu já tinha entendido. – Você quer esse acordo fechado pela Julia, e eu realmente quero trabalhar com ela, por isso vou aceitar esse acordo de silêncio. Mas não quero ter qualquer interação com você. Zero. Nada. Eu não quero encontrar você em eventos ou ver você aparecer na minha boate ou ligar para mim, não quero nada disso. Quero que as restrições da ordem judicial sejam respeitadas. Isso não pode voltar a me morder na bunda, entendido? – Tudo bem. Que seja. – Mas a vitória brilhava em seus olhos. – Isso não ia voltar para mordê-la. Porque, afinal, é uma coisa que só afeta a mim e a você. – Diga isso a Hudson. Ele não gostaria nada se soubesse que eu assinei um contrato que, mesmo remotamente, envolve você. E de repente percebi que, se eu não quisesse que Hudson soubesse sobre Paul, eu não poderia contar-lhe sobre o encontro com Celia. Isso abriria a porta para que ele descobrisse as coisas que ela e eu conversamos. Tipo... Paul. E não havia nenhuma maneira de Hudson aceitar isso numa boa. – Por que ele se importaria? Contanto que nós mantenhamos o relacionamento estritamente profissional e a distância, como você disse, isso não tem nada a ver com ele. – Porque, enquanto você e eu sabemos que a maior parte de tudo que aconteceu entre nós foi minha culpa... – A maior parte de tudo? Foi tudo. Eu lancei a ele um olhar severo. – Você traiu sua noiva. Paul deu de ombros. Que babaca. – Seja como for, Hudson não vê você como sendo um cara inocente. E


não é porque eu disse qualquer coisa que acusasse você, é simplesmente porque... – Não consegui terminar a frase. Eu não tinha a resposta. – Não sei por quê. Ele vê o bem em mim por alguma razão. – Bem que eu estava começando a duvidar de que existia. Paul gargalhou. – Eu não sabia, pela reputação dele, que Hudson era um psicopata. Eu dei um passo para a frente, me aproximando de seu espaço pessoal. – Sabe de uma coisa? Você precisa calar a boca. Ele não é um psicopata. Eu não sou uma psicopata. Você, no entanto, é um idiota. Eu ainda posso desistir dessa merda. Vá em frente e jogue o que você quiser jogar em mim, eu tenho Hudson Pierce do meu lado. – Sei... E ele não iria adorar se o mundo inteiro soubesse sobre o passado criminoso de sua namoradinha? Ele seria motivo de chacota. Especialmente quando eu disser a todos como você procurou a Party Planners Plus só para que pudesse ficar perto de mim de novo. Meu coração parecia que estava caindo três andares. – Mas isso não é verdade. Ele deu de ombros mais uma vez, um encolher de ombros despreocupado. De alguém que estava segurando todas as cartas boas. – As pessoas não se importam se é verdade ou não. Elas adoram fofocas, particularmente quando se trata da elite. Minha boca estava com um gosto azedo. – Eu pensei que isso não fosse chantagem. – Ainda não é – Paul nivelou seu olhar para mim. – Será que precisa ser? Um arrepio percorreu minha espinha. Eu estava presa numa armadilha, do mesmo modo que estivera antes, e sabia que agora era de forma ainda mais definitiva. – Tudo bem, Paul. Eu vou fechar o negócio, mas nos termos que listei. – Por cima do ombro, vi Hudson caminhando em nossa direção. – Estou indo embora agora. Sorria e vá na outra direção.


Eu não sabia se ele tinha feito o que eu disse, porque saí, caminhando para alcançar Hudson antes que chegasse mais perto. – Ei. – Eu me sentia tonta e ofegante e não muito bem. – Encontrou o banheiro? – Hum, não. – Graças a Deus eu realmente não precisava ir. – Está tudo bem. Eu posso esperar até chegar em casa. Eu tentei virar o corpo em direção à saída, mas Hudson parecia olhar em dúvida para onde Paul estava indo. Pensando rápido, contei-lhe uma história antes que ele tivesse a chance de perguntar: – Esse era um dos caras que trabalharam no evento. Eu estava tentando conseguir dele alguma sujeira da Party Planners. Hudson levantou uma sobrancelha. – Parecia ser uma discussão bastante animada. – Sim, ele parece bem apaixonado sobre o que estava me dizendo. – Então percebi que provavelmente era eu que parecia mais agitada. – E acho que ele conseguiu me convencer. Ele diz que eles são uma grande empresa. Estou mais animada do que nunca para trabalhar com eles. A mentira estava pesando na minha língua, meu estômago torcia com o ácido dela. Isso me fez pensar como passei tantos anos mentindo e manipulando as pessoas para que pudesse estar perto de homens que não me queriam. Tinha sido tão fácil, então. Agora, com o homem que me queria de verdade, a mentira era nojenta e repugnante. Hudson comprou minha encenação, o que me fez sentir ainda pior. – Isso é excelente – disse, puxando-me para o seu lado. – Quer saber sobre o que eu estou mais animado do que nunca? Chegar em casa. Mais especificamente, levar você para casa. Ou pelo menos para o carro. – Eu também. O que quer que ele estivesse planejando fazer comigo, iria me levar para longe de todo o resto do mundo. Isso me distrairia dos meus segredos, da


chantagem e das promessas que quebrara. Pelo menos eu esperava que fosse assim.


8 Estávamos ainda abraçados quando o alarme de Hudson nos acordou na manhã seguinte. Ele beijou-me rapidamente antes de me puxar com ele para fora da cama. – Você, abra o chuveiro – ordenou. – Vou fazer o café. Sorrindo, fiz como instruído, tropeçando até o banheiro para fazer xixi primeiro. Então, abri o chuveiro, esperando até que a água estivesse boa e quente, antes de pisar dentro. Isto. Era. Incrível. Não eram só os bicos duplos da ducha, de grandes dimensões, que pulverizavam a água em cima de mim, relaxando os músculos doloridos do sexo, mas toda aquela rotina. Fazer amor no meio da noite, acordar com o meu amante, preparar a ducha para ele, para nós – eu poderia fazer isso todos os dias. Suspirei baixinho com a ideia, deixando aquela fantasia de estar vivendo com Hudson me levar, nem que fosse por um breve momento. – Bem, a expressão no seu rosto me diz que você pode não precisar mais de mim para ter prazer. – Hudson entrou no box, logo me puxando para seus braços, como se quisesse estar em constante contato comigo, do mesmo modo que eu queria. – Este chuveiro é incrível – disse eu, meus olhos atraídos imediatamente para a semiereção pressionada entre nós. Será que eu nunca me cansaria de ver Hudson nu na minha frente? – Incrível? – Mas ele nunca poderá se comparar com o que você faz comigo. Minha mão se fechou ao redor de seu pênis divino, me dando água na boca, como sempre, por causa do tamanho e da forma dele. Hudson gemeu, ficando mais duro dentro da minha mão.


– E se eu fizer coisas incríveis com você, enquanto nós estivermos debaixo do chuveiro incrível? Foi difícil não rir de ver Hudson usando esse palavreado tão coloquial. Era tão estranho, tão diferente dele. Mas tão absolutamente irresistível. – Não há nem mesmo uma palavra que defina o quanto será... incrível.

Após o chuveiro, fomos nos preparar para o nosso dia. Hudson indicou uma das pias como minha, e lado a lado ele se barbeava e eu me maquiava, cada um de nós vestindo apenas uma toalha. Mais uma vez, pensei em como seria tão fácil cair nessa vida. Como era natural. Ele terminou primeiro e, na hora em que saí do banheiro, Hudson já estava vestido com um terno preto que fez minhas coxas se contorcerem. Deus, o homem era a coisa mais deliciosa do planeta. – Com fome? Será que ele sabia ler minha mente? – Ah, do café da manhã? – Sim, do café da manhã. Pare de ter essa mente poluída e só pensar naquilo, princesa. Eu já passei mais tempo com você esta manhã do que o planejado. Estremeci com a lembrança de ser pressionada contra a parede do box e com o pau dele dentro de mim. – Bem, estou feliz por você ter me dado tempo em sua agenda... – E valeu a pena. – Ele passou por mim em direção à porta do quarto e senti o perfume de sua loção pós-barba. – Torradas e suco de fruta são o suficiente? – Perfeito – respondi, inalando seu cheiro delicioso. – Encontro você já, já. Joguei no corpo o único vestido que eu ainda tinha no armário, desejando que tivesse algo um pouco mais executivo para as minhas reuniões naquele dia. O que me fez enfrentar a questão que vinha evitando


– meu apartamento. Eu precisava dar um pulo até lá. E também precisava descobrir o que iria fazer com relação a um lugar para morar. Meu contrato estava acabando e, uma vez que o meu irmão não estava mais pagando meu aluguel, teria que encontrar algo mais acessível. Certamente, seria mais fácil morar com Hudson. Mas seria também uma má ideia, eu me lembrei. Muito cedo, muito cedo, muito cedo. Além disso, ele ainda não tinha feito essa oferta. Uma vez vestida, com os cabelos amarrados em um coque na nuca, juntei-me a Hudson à mesa da cozinha. Ele já tinha servido as torradas, com uma caneca de café ao lado. – Eu não sabia a que horas você estava planejando sair de casa, então eu lhe preparei isso. – E acenou para o café da manhã. – Em breve. Tenho um compromisso às 10:30 com um designer gráfico para rever nossos cardápios, e quero ter certeza de finalizar a minha apresentação para a reunião de hoje à noite com Aaron Trent, sem contar um montão de outras coisas para fazer nesta tarde. – Eu estava divagando, um pouco nervosa sobre a minha lista de afazeres do dia. Hudson levantou uma sobrancelha. – Um montão de outras coisas? – Sim. Tenho certeza de que Trent vai querer um plano de marketing formal, e ainda preciso marcar algumas entrevistas para um cozinheiro adicional – tomei um gole do meu café. – E realmente deveria passar em casa. – Em casa. Não era uma pergunta, apenas uma repetição da minha palavra, mas seu tom era mais sombrio, surpreso. Desapontado, talvez. – O meu apartamento. – Eu entendi a referência. Por quê? Raspei minha colher na metade de uma toranja. – Não sei. Eu preciso pegar a correspondência e verificar as coisas.


Certificar-me de que o lugar está bem. Você sabe, todas as minhas coisas estão lá. Eu sabia que a conversa seria estranha quando comecei a falar. Embora fosse necessário ir para o meu apartamento, não queria que Hudson pensasse que eu não queria estar com ele, que eu não queria ser convidada a voltar. A melhor maneira de conseguir tratar desse assunto era ser direta, sem fazer rodeios. – Além do mais, eu precisaria ter outra muda de roupa, caso me convide para passar outra noite com você. Hudson deixou cair sua própria colher, com um som metálico e barulhento. – Convidar você para passar a noite? Do que você está falando? Eu lhe dei uma chave! Você pode entrar e sair daqui quando quiser. Eu me inclinei para a frente, com um grande sorriso no rosto. – Então, definitivamente, preciso de uma muda de roupa. Porque me agrada muito passar a noite com você. – Também me agrada muito passar a noite com você. – Hudson limpou a boca com o guardanapo e o colocou sobre a mesa. – E, já que estamos falando sobre isso, me agradaria muito se você passasse todas as suas noites aqui e que todas as suas coisas estivessem aqui também. Eu congelei. Lá estava. Pelo menos pensei que estivesse. Eu precisava de mais esclarecimentos antes que entrasse em pânico. – O que você... Eu não sei do que você está falando. – Sim, sabe. Mas vou soletrar cada letra, se isso fizer você se sentir melhor. Hudson se levantou e levou seu prato para a pia enquanto falava. Quando voltou, permaneceu em pé, encostado no balcão atrás dele. Ele provavelmente não percebia o impacto de sua presença imponente. Ou talvez percebesse. Talvez fosse proposital. Hudson sabia como moldar uma situação a seu favor.


– Sim, soletre. Minha voz falhou e eu guinchei, sem saber se por estar excitada ou aterrorizada. – Por que você precisa de um apartamento? Seu contrato está acabando. Mude-se para cá. Eu nem me incomodei em perguntar como ele sabia sobre o meu contrato. Se eu pensasse muito sobre isso, aí sim me preocuparia com a segurança dos meus outros segredos. Além disso, estava muito chocada com a sua declaração para me achar capaz de pensar em alguma coisa que não fossem estas palavras: “Mude-se para cá.” – Gosto muito da ideia de ainda ser capaz de chocar você. – Hudson inclinou a cabeça, olhando para mim a partir de um novo ângulo. – Mas gostaria que este não fosse um desses momentos. Que pontos do meu plano estão chocando você? Tremendo, coloquei a colher no prato. Mesmo que eu só tivesse comido metade da minha fruta, não havia nenhuma maneira de me convencer a comer mais. Eu mal conseguia formular um pensamento, e muito menos pensar em mastigação e deglutição. – Bem, hum, é só que... É muito cedo. Hudson franziu o cenho. – É mesmo. E acho lamentável que um período de tempo prolongado seja considerado como um elemento tão importante para definir os relacionamentos. Isso não deveria ser um fator tão determinante. – Não deveria? – Eu me mexi na minha cadeira para encará-lo de frente. – Não para mim. Como eu disse antes, quando tenho um plano, eu me comprometo com ele. Pretendo ficar com você tanto tempo quanto possível. E não só no sentido sexual. E seguir em frente com isso é uma maneira lógica de fazer com que esse plano aconteça. Eu estava em pé, juntando os pratos para levar para a pia. Tive que agarrá-los contra o meu corpo para que Hudson não os ouvisse chacoalhar


em minhas mãos trêmulas. – E essa é outra razão pela qual apressar as coisas pode não ser uma boa ideia. Parece um pouco como um plano de negócios. Como se esse fosse o próximo passo em uma lista. Não é muito romântico, concorda? A voz dele ficou apertada: – Eu não sabia que você estava precisando de romance. Você sabe que não é da minha natureza. – Ei. – Esperei até que ele se virasse para mim, o balcão entre nós. – Isso é besteira. Você diz que não é um cara romântico, mas você realmente é, e muito. – As coisas que ele havia dito na noite anterior, por exemplo. – Eu não estava reclamando de suas investidas românticas. – Então, do que você está reclamando? – Hudson parecia genuinamente confuso. – De nada! Eu não estou reclamando de nada. – Você estava reclamando do jeito que eu pedi para você vir morar comigo. – Não, não estou. – Virei os olhos para outro lado. – Quer dizer, sim, eu estava. Um pouco, mas não é por isso que estou dizendo não. Isso o pegou de surpresa. – Você está dizendo que não? – Não. Espere. Quero dizer, sim. Mas eu realmente não queria dizer não. Eu queria estar com Hudson o tempo todo, do mesmo jeito que ele tinha dito que queria estar comigo. Ainda assim, o período de tempo que estávamos juntos... – Quero dizer, eu não sei. Hudson deu a volta no balcão e colocou uma mão em cada um dos meus braços. – Alayna, você sabe como se sente em relação a mim? – Sim. Eu amo você. Você sabe disso. – Então venha morar comigo.


Mordi o lábio e puxei a gravata elegante. – Eu tenho que pensar. Hudson colocou um dedo embaixo do meu queixo e levantou meu rosto para que eu fosse forçada a encontrar seus olhos. – Por quê? – Simplesmente tenho que pensar... Eu me afastei, incapaz de me concentrar com as mãos dele apoiadas em mim. Incapaz de defender o meu ponto de vista com a eletricidade surgindo entre nós, como sempre acontecia quando nos tocávamos. Voltando à pia para conseguir alguma distração, joguei as cascas de toranja no lixo e corri água sobre os nossos pratos. – Essa é uma decisão muito grande, e sim, deixaria as coisas mais fáceis, e não posso negar que desejo... – Então faça. – Mas eu não sei se é a coisa certa a fazer. – Fechei a torneira e sacudi as mãos molhadas em cima da pia. Sem olhar para ele, admiti a minha hesitação: – Eu estou me apaixonando por você, Hudson. Foi muito rápido e isso me assusta. – Se apaixonando? Ou apaixonada? Ambos. Toda vez que eu estava certa de ter chegado à minha capacidade máxima de amor por ele, que eu tinha me apaixonado tanto quanto possivelmente poderia, Hudson fazia ou dizia alguma coisa espetacular, e eu ficava achando que o amava ainda mais. – De qualquer modo, isso importa? – Se você já se apaixonou, então por que continua preocupada com ser amor demais ou ser muito rápido? Já aconteceu. É assim que eu estou lidando com as coisas. Lá estava ele de novo, fazendo uma alusão à forma como se sentia sobre mim, mas sem fazer uma declaração real. Isso era um problema, não? Como eu poderia viver com um homem que não se sentia capaz de dizer que me


amava? Eu respirei fundo e me virei para ele mais uma vez. – Posso ter um pouco de tempo para pensar? Quando estiver longe de você? Hudson endureceu as costas. – Você está sugerindo que estou lhe pressionando? – Estou sugerindo que você está me distraindo. E, sim, isso é pressão, quer tenha tido a intenção de fazer ou não. E, honestamente, um pouco manipuladora. E com o seu passado, não posso deixar de admitir que passou pela minha cabeça que talvez você queira me controlar, e esta seria a maneira mais fácil de fazê-lo. A expressão dele endureceu e eu corri em sua direção, jogando meus braços ao redor do seu pescoço. – Não, não fique chateado, H. Eu não estou dizendo que você está me manipulando ou que espera me controlar, estou dizendo apenas que preciso de tempo para pensar. Para ter certeza. Dê-me isso. Por favor? – Se é isso que você precisa... – Seu tom era frio, os braços mantendo-se nos lados do corpo, mesmo comigo agarrada como estava. Enrolei os cabelos dele com os dedos, na parte de trás do pescoço. – Hudson! – O quê? – Não seja assim. Ele permaneceu firme. – Não estou sendo nada. – Então, estamos bem? Dei alguns beijos debaixo de sua mandíbula, querendo, precisando que ele cedesse a mim, que cedesse ao meu abraço. Ele expirou, finalmente, envolvendo os braços em volta de mim. – É claro que estamos. – E então me beijou no topo da cabeça. – Sempre.


O motorista de Hudson o pegou ao mesmo tempo que Jordan chegou para me buscar. No minuto em que eu estava sozinha no banco de trás do Maybach, peguei meu telefone para ligar para Liesl. Eu tinha que falar com alguém sobre a proposta de mudar-me para a casa de Hudson, e ela era a pessoa que eu procurava quando as coisas ficavam difíceis. Parei antes de discar, no entanto. Liesl havia trabalhado para mim na noite anterior. Ela provavelmente ainda estava dormindo. Além disso, mesmo sendo alguém que me conhecia bem, ela não conhecia Hudson. Não verdadeiramente. Conhecer Hudson era uma parte vital para me ajudar a tomar uma sólida decisão. Mas havia alguém que conhecia Hudson. Alguém que o conhecia muito bem. E eu tinha o número dela. Quando Celia não respondeu, desliguei e disquei novamente, conforme ela havia me instruído. Demorou até o terceiro toque, até que eu conseguisse falar com ela. Pensei em contar minhas notícias ao telefone, mas decidi que poderíamos precisar de uma conversa mais pessoal. Pelo menos eu precisava de algo mais pessoal, então nós combinamos de nos encontrar para almoçar. Celia já estava sentada quando cheguei ao restaurante. Eu esperei até que a garçonete tivesse anotado o meu pedido para um chá gelado, frango e salada de agrião, antes de mergulhar na conversa. Embora eu tivesse planejado falar sobre o convite de Hudson para ir morar com ele, foi algo totalmente diferente que saiu da minha boca: – O que você sabe sobre Norma Anders? – Ela invadiu meus pensamentos várias vezes, desde que colocara a mão em Hudson e ele a chamara pelo primeiro nome. As sobrancelhas de Celia levantaram. – Ah, você já ouviu falar sobre a piranha. – Você quer dizer, Hudson e... Meu estômago revirou. Talvez eu não devesse ter perguntado.


– Honestamente, eu não sei ao certo. Não é como se Hudson discutisse suas conquistas comigo, você entende. E se eu tivesse que adivinhar, diria que não, porque se ele tivesse comido a vadia – desculpe, isso foi um pouco grosseiro, mas você sabe o que quero dizer –, se ele a tivesse fodido, Hudson já teria o que queria e ela certamente não estaria trabalhando mais com ele. Eu queria agarrar-me às palavras de Celia como se fossem uma tábua de salvação e acreditar que não havia nenhuma maneira de que Hudson pudesse ter tido alguma... intimidade... com Norma Anders. Mas havia buracos em sua teoria. – Isto é, se ele dormiu com ela quando ainda estava, você sabe, aprontando com as mulheres. Ele não cometeu nenhum abuso contra as mulheres por um tempo, certo? Tipo, não nos últimos dois anos. A testa de Celia franziu. – Ah, sim. Claro. – Então Hudson poderia ter dormido com ela depois que ele começou a terapia e, então, não tinha sido nada assim tão problemático para ele manter a mulher empregada... Celia assentiu: – Entendi. Mas eu ainda acho que não. Aqui está o que eu penso. Norma sempre esteve atrás dele. Muito antes de ele fazer terapia. E eu não sei dizer a quantos eventos eu fui onde a vi tentando seduzi-lo, daí a razão de me referir a ela como a piranha. No entanto, apesar de todas as suas tentativas, ele nunca fez nenhum movimento para sair com ela. – O que torna ainda mais provável a ideia de que ele foi atrás dela após a terapia. Confie em mim, eu sei. Fazia todo o sentido. As pessoas que eu tinha namorado desde a terapia foram os seguros, os homens por quem eu não sentia nenhuma intensidade ou obsessão. Se Hudson nunca esteve interessado em brincar com Norma, então ela devia ser igualmente uma dessas “seguras”.


Por outro lado, Hudson tinha me dito mais de uma vez que ele nunca quis brincar comigo. Será que ele se absteve de brincar com Norma por motivos semelhantes? Porque ele sentia algo por ela? A ideia me deixou doente de ciúme. E isso não me deu nenhuma resposta sobre se a mulher era especial para ele, agora ou no passado. Se eu realmente queria saber, teria que olhar Norma mais de perto. Lembrei-me de fazer uma pesquisa no Google durante o meu tempo livre. Então, deletei o pensamento. Que diabos eu estava pensando? Essa coisa de fazer perseguição pela internet era uma atitude típica da antiga Alayna Withers. Eu não me rebaixaria a esse nível. Hudson me queria com ele. Sempre. Que outra prova era necessária para saber que eu era a mulher importante na sua vida? Interrompemos a conversa para deixar a garçonete nos servir. Quando ficamos sozinhas de novo, continuei a falar como se nunca tivéssemos parado: – Você provavelmente está certa. Não sei por que estou preocupada com isso, realmente. Eu sou a mulher que ele pediu para ir morar na casa dele, não ela. – Exatamente. – O sorriso de Celia desapareceu. – Espere um minuto... o quê? Hudson pediu para você se mudar para o apartamento dele? Isso é incrível! Era incrível, sim. Totalmente incrível, e pela primeira vez deixei-me realmente sentir a grandiosidade desse fato, em vez de apenas sentir o medo. Tratei disso casualmente, porém encolhendo os ombros como se não fosse grande coisa. – Eu não sei. É muito cedo. Não é muito cedo? – Tanto faz. Existem regras sobre essas coisas? – falou Celia, entre duas garfadas de salada. – Quando Hudson sabe o que quer, ele não hesita.


Eu tentei não deixar isso me incomodar, o fato de que Celia conhecia Hudson como a palma da mão. – Ele me disse praticamente a mesma coisa. – Engoli. – Quando eu lhe disse que não. – Você não fez isso! – Ela engasgou e sua expressão combinava com a surpresa contida na exclamação. – Eu fiz. Bem, eu disse que ia pensar no assunto. Celia estava além de excitada com a novidade. – E agora você já pensou bem e vai dizer que sim. Você tem que dizer sim. Como pode não dizer? Ele é Hudson Pierce! – Eu não o amo por esse motivo! Não porque ele era o mundialmente famoso magnata bilionário Hudson Pierce, de qualquer maneira. Mas porque ele era quem era – único e especial, e de muitas maneiras. – Mais uma razão para dizer sim. E é exatamente por isso que você é a pessoa que ele quer. Você não foi capturada no show que o rodeia. Nem dá para imaginar como são poucas as pessoas assim. – Celia puxou os cabelos loiros soltos para um lado da cabeça. – Jesus, Alayna, você é perfeita para ele. Você tem que se mudar. Se não fizer isso, vai partir o coração dele. É tão óbvio o quanto ele a ama! Era assim realmente tão óbvio? – Ele ainda não disse isso. – Como não? Pedindo-lhe para ir morar com ele... Para mim, é a mesma coisa que dizer essas palavras... Da única maneira que Hudson consegue. Exatamente do jeito como ele me mostrou na noite anterior, como ele se sentia sobre mim, com o seu corpo, pois ele não poderia dizê-lo com palavras. Certo. Talvez Celia realmente tivesse razão. Ou ela simplesmente entendia o meu amante muito melhor do que eu. – Droga. – Eu queria ser responsável desta vez. Queria viver esse


relacionamento com cautela, para não foder com nenhuma parte dele como eu costumava fazer, e aqui tanto Hudson quanto Celia tinham razões de sobra para jogar todo esse cuidado ao vento. – E eu preciso de um novo lugar para morar. – Ora essa! Isso é perfeito, então. Tipo, algo predestinado ou qualquer outra coisa assim. Tinha sido bastante conveniente que eu tivesse encontrado Hudson logo depois que Brian havia decidido parar de me sustentar com o aluguel. Eu nunca tinha comprado a ideia de destino, mas talvez houvesse algo nessa coisa de encaixar que merecesse algum crédito... Ou então Hudson tinha um timing impecável. Seja qual fosse a razão, tínhamos encontrado um ao outro, e pensar sobre a imensidão desse fato e o que ele significava me fez engasgar. – Ah, não consigo mais falar sobre isso. É um assunto que está me deixando nervosa e emotiva... Celia sorriu com os olhos igualmente lacrimejantes. – Mas você vai dizer que sim, não é? Eu dei um aceno de cabeça quase imperceptível. – Você vai dizer! – Celia bateu palmas. – Eu sinto que deveria abraçá-la. Eu sou uma “abraçadora”. Mas estamos comendo em um restaurante e talvez isso ficasse meio estranho. Vai ter que esperar. – Ela colocou a mão sobre a minha e apertou. Já eu estava além de grata de que estivéssemos em um restaurante, porque não era uma pessoa muito chegada a abraços. Aquele aperto de mãos já era um bom compromisso e algo bem agradável. Era bom ter uma amiga que realmente entendia as coisas que eu estava passando. Isso era o que Celia era agora para mim – uma amiga. Ela ainda estava sorrindo quando puxou a mão da minha. – Quando você vai contar a ele? Hoje à noite? – Não. Acho que não. Tenho uma reunião às 8:30, então ele vai me pegar


para jantar mais cedo, às seis, e eu não quero contar esse tipo de coisa com pressa. Celia franziu o cenho. – Você tem uma reunião? Hoje à noite? – Sim. Por que você acha que é estranho? – Ou eu estava interpretando mal sua expressão? – Não é que seja estranho. É apenas horrível que você tenha que trabalhar em uma sexta-feira à noite. O fato de que você está dormindo com o chefe não deveria lhe dar certos privilégios? Eu ri. – Isso é o que você pensa. Foi Hudson que arrumou isso para mim, e eu não quero parecer ingrata ou mal-agradecida. – Ah. Interessante. – Ela alisou as sobrancelhas com o dedo indicador, como se elas tivessem saído do lugar. – Com quem é a reunião, afinal? – Aaron Trent. – Uau. Belo gol, Laynie. – Por um minuto eu pensei que ela iria me dar um tapa no ombro. – Realmente, acho que não dá para se queixar de conseguir uma reunião com Aaron Trent. Mesmo que ocupe a sua noite de sexta-feira. – Esse é o privilégio que eu recebo por dormir com o chefe. Bons contatos. Devo a Hudson um montão. – Eu pensei sobre o que havia dito. – Só que ele odeia que eu o chame de meu chefe. – Por que isso não me surpreende? – Então, vou lhe contar que aceito me mudar amanhã. Não é grande coisa. Posso até planejar alguma maneira especial para dizer a ele. – Ou, pelo menos, ter a certeza de que haveria tempo para celebrar depois, porque eu duvidava que conseguisse dar a notícia a Hudson sem ser atacada. Não que eu estivesse reclamando... – Ei, pode me emprestar o seu telefone um minuto? – Celia estendeu a mão com expectativa.


– Hã, sim. – Destravei o celular e entreguei a ela, a curiosidade enchendo minha voz. – Obrigada. O meu está agindo tão estranho... Ele não toca a metade do tempo, o que eu acho que é parte da razão pela qual nunca atendo o telefone. – Ela discou alguns números no meu telefone e esperou. – Está vendo? Não toca. – Remarcou de novo e tentou novamente. – Nada. Eu acho que preciso levar para consertar. Obrigada. – Não tem problema. – Peguei meu celular de volta e enfiei no meu sutiã. – Ah, eu... hã... acabei não contando ao Hudson que vi você ontem. – Decidiu que isso era muito complicado para uma conversa? – Não é isso, é que o assunto não veio à tona. E então, depois de hoje... – Você não vai contar a ele. – Celia terminou a frase para mim. – Eu não faria isso também. Quero dizer, eu realmente não quero encorajar segredos, mas nossa conversa não foi realmente grande coisa. E Hudson transformaria num escândalo. – Um escândalo. – Especialmente considerando o assunto de nossa discussão. – Então, tudo bem deixar embaixo do tapete? – Eu não vou dizer uma palavra. Palavra de bandeirante. – Palavra de bandeirante. – Eu acenei meu dedinho no ar, imitando-a. Eu esperava que uma palavra de bandeirante tivesse algum valor naquele mundo exótico e endinheirado de Celia Werner e Hudson Pierce. Porque as coisas estavam indo muito bem na minha vida, e isso significava que eu tinha muito a perder. Seria necessário apenas um pequeno deslize da língua de uma de nós para derrubar meu lindo castelo de cartas.


9 O resto da tarde passou voando, enquanto finalizava o meu plano de marketing para a reunião com Aaron Trent. Então, um e-mail de Julia com sugestões para mudanças nos pacotes acabou ocupando meu tempo de forma que tive que adiar uma ida ao meu apartamento. Em resumo, foi um dia produtivo, e na hora em que Hudson mandou uma mensagem avisando que estava a caminho, eu estava faminta e ansiosa para ver o meu homem. Parei no bar do andar de cima, quando vi um cabelo roxo dançando atrás do balcão. – Liesl! Não tinha me ocorrido até então o quanto eu sentiria falta da minha colega de trabalho quando mudei minha agenda para trabalhar de dia. – Ei, amiga! – Liesl me conhecia bem o suficiente para saber que eu preferia manter meu espaço pessoal. Em vez de um abraço, ela ofereceu um high five. – Você está bonitona. – Ela mastigou o chiclete enquanto me examinava de cima a baixo. – As coisas ainda devem estar boas com Houston Piers. – Hudson Pierce – corrigi. – Diga comigo. Ela soprou uma grande bola e deu um estouro. – Eu sei o nome dele. Agora. É que gosto de mexer com você. – E sorriu. – Conte-me todos os detalhes sórdidos sobre você e aquele psicótico gostoso. E comece com o sexo. – Isso iria demorar um pouco... De repente eu desejei não estar indo embora, que eu tivesse tempo para sentar e conversar com a minha amiga. Eu tinha mentido para ela do mesmo modo que mentira para todos, quando o casal Hudson e Alayna era apenas fingimento, mesmo que eu ansiasse por lhe contar a verdade. E ao vê-la agora, ansiava novamente por lhe contar como as coisas estavam indo


muito bem, mas para isso teria que dar todo o pano de fundo, para que ela entendesse por que as coisas eram diferentes do que foram da última vez que eu disse que as coisas estavam incríveis... Se eu tivesse a oportunidade, eu contaria tudo a ela. Mas não tinha essa oportunidade no momento, e uma tristeza caiu sobre mim com a percepção de como nós tínhamos ficado distantes ao longo das últimas duas semanas. Ela me perfurou com um olhar penetrante. – Mas as coisas estão bem? Eu sabia o que ela estava realmente perguntando, se eu ainda estava no controle da minha obsessão? Se eu ainda estava me comportando de forma sensata? – As coisas estão muito bem, na verdade. Quer marcar um almoço? Os olhos dela se arregalaram. – Definitivamente, claro que sim. Sinto saudades de você! – Eu sinto falta de você também! – Ter Celia como uma amiga não tomava o lugar de Liesl. Eu teria que fazer um esforço maior para manter contato com ela. – Você está com sua bolsa em seu ombro. Isso significa que você está indo embora? – Ela apoiou os cotovelos no bar e apoiou o queixo nas mãos. – Estou. Mas estarei de volta. Hudson vai me levar para jantar. – Sei, jantar. É assim que vocês chamam? – Ela piscou. – Mas David disse que você ficou aqui o dia todo, então por que vai voltar? Nós cobrimos seus turnos noturnos. – Eu sei, e muito obrigada. Mas eu tenho uma reunião mais tarde. – Ah. – Ela puxou seus fios roxos, que, notava agora, tinham alguns reflexos azuis. – Espere, essa reunião em que você vai estar é com um cara chamado Trent ou algo assim? – Sim. – Como é que ela... – Liesl, há algo que você se esqueceu de me contar? Ela estourou outra bola de chiclete, o cheiro de melancia flutuando para


mim. – Sim, a secretária dele ligou um tempo atrás e disse que ele precisava remarcar. – Liesl encolheu os ombros. Bati a mão na minha testa. – Desculpe. Acho que eu me esqueci de mencionar isso. – Não, está tudo bem. Na verdade, é uma notícia boa. Tudo bem, talvez não exatamente boa, já que passei o dia todo me preparando para encontrar com o cara, mas agora eu tenho a sexta à noite livre. – E agora você não vai voltar. – Liesl fez seu melhor beicinho. – Não. Minha vez de pedir desculpas... – Meu telefone tocou com um texto de Hudson avisando que ele estava lá fora. – O Hudson. Tenho que ir. – Você está escolhendo esse homem em vez de mim? – Liesl adorava fazer um drama. – Você não tem os atributos que Hudson tem. – Puxei a alça da minha bolsa sobre o meu ombro. – Tá, mas... Eu tenho diferentes atributos. Atributos bem bons, na verdade. Você só precisa dar uma chance! Eu ri enquanto me afastava, acenando por cima do meu ombro. Liesl era bizarra e muitas vezes fingia flertar comigo. Pelo menos eu achava que ela estava fingindo... Não importava, eu não tinha interesse em mulheres, sexualmente falando. Sem interesse em ninguém, a não ser no homem que estava me esperando do lado de fora. Saí da boate e protegi meus olhos contra o sol, esperando para ver o Maybach. Em vez disso, uma limusine preta estava na calçada. Ao me ver na entrada da boate, Jordan saiu do carro e deu a volta para abrir a porta de trás. – Oi – disse para Jordan, cobiçando-o tão discretamente quanto pude. Ele era muito gostoso para que eu deixasse de fazer isso. – Boa-noite, sra. Withers. Entrei no carro, meu coração imediatamente acelerou com a visão de


Hudson me esperando lá dentro. – Uma limusine, duas noites seguidas? Qual é a grande ocasião desta vez? – Achei que nosso passeio foi muito bom ontem. A porta se fechou atrás de mim, e eu já estava realizando manobras para me aconchegar a Hudson, enquanto ele estendia a mão para mim, me puxando para o seu colo. – Por causa do carro ou da companhia? – Eu já estava molhadinha, lembrando-me da nossa viagem para o Jardim Botânico. Não iria me opôr a uma repetição. – Se bem me lembro, você montou. E eu dirigi. A boca de Hudson encontrou a minha, uma das mãos segurando meu rosto enquanto a outra se prendia na minha cintura. Ele sugou meu lábio inferior antes de lamber ao longo dos meus dentes. Eu passava a língua sob a parte inferior da sua, até que ele aceitou o convite para dançar, envolvendo a língua em torno da minha enquanto nossos lábios se moldavam um contra o outro. Uma guinada do carro avançando pelo tráfego me levou para longe do nosso abraço. Eu manobrei meu corpo para o assento ao lado de Hudson e travei meu cinto de segurança. Uma parte de mim ficou surpresa que ele não fizesse um movimento de me abraçar novamente, ou que ele não estivesse tenso, esperando pela minha resposta. Agora que a minha noite estava livre, eu poderia ir em frente e contar-lhe durante o jantar. Ou que se danasse o jantar, eu podia dizer a ele no carro. Mas eu queria fazer isso no momento certo. – Então... Como foi seu dia? Ele colocou o braço em volta do meu ombro, segurando-me tão perto quanto o cinto de segurança permitia. Seus dedos brincavam com os cachos soltos dos cabelos em meu pescoço. – Você estava lá na única parte do dia de hoje que importava. E essa


parte foi fantástica. Ele pegou a minha mão, acariciando-a, e a maneira como ele movia seus dedos pela minha pele incendiou todo o meu corpo. – Como foi o seu dia? – Idem. – Eu estava ansiosa para compartilhar os detalhes do que estava fazendo na boate. Mas, agora que estava com ele, os negócios poderiam esperar. Neste momento, o meu único interesse era Hudson e eu. Nós dois juntos. Nós dois apaixonados. – Se bem que eu tenho uma surpresa para você. Seus lábios se curvaram em um sorriso diabólico. – Você não está usando calcinha? – Sua mão deslizou entre as minhas coxas, como se ele estivesse determinado a descobrir a resposta por si mesmo. Eu bati na mão dele, afastando-a, embora estivesse morrendo de vontade de ver seus dedos irem mais longe, para esfregar o meu clitóris, daquele jeito como Hudson era especialista. Mas a gente chegaria lá em breve. Eu tinha tempo para brincar. Tínhamos toda a noite, agora que minha reunião tinha sido cancelada. – Estou usando calcinha, seu pervertido. Se você queria que eu estivesse sem, não deveria ter me abastecido com tantas calcinhas. – As calcinhas eram para quando você estivesse na companhia de outros. E agora nós estamos sozinhos. Acenei com a cabeça em direção ao banco da frente, sabendo muito bem que Jordan não podia ver ou nos ouvir atrás do vidro divisório escuro. – Médio. – O suficiente. Ele soltou a minha mão e a colocou no alto da minha coxa. O brilho em seus olhos disse que ele estava planejando me comer ali mesmo, na parte de trás de sua limusine, a caminho do jantar. Mais uma vez. – Conte-me a sua surpresa.


– Passei a maior parte do dia me preparando para o meu encontro com Aaron Trent. E acabei de descobrir que ele cancelou. – Ele cancelou? – Hudson ficou instantaneamente furioso. Pegou seu telefone e vasculhou através de seus contatos. – Vou falar com ele. Se ele não se preocupou em aparecer esta noite, então não precisa se preocupar em trabalhar com minhas outras contas com ele. Eu coloquei minha mão sobre a dele, acalmando sua busca no telefone. – Ele deve ter tido um bom motivo para cancelar. Vou ligar para ele na parte da manhã. Não é um grande problema. Tive um longo dia, de qualquer modo, e estou feliz em adiar a reunião. – Então vou ligar para reagendar sua... – Não, deixe que eu faça isso. Por favor. – Eu não tinha percebido como isso era importante para mim até agora. Sim, eu tinha esse contato por causa de Hudson e provavelmente faria um bom negócio por causa dele também. Mas eu precisava de uma chance para provar que eu era capaz de fazê-lo. – Gostaria de lidar com isso por conta própria. Hudson suspirou, guardando o telefone no bolso. – Se é isso que você quer. Mas me avise se ele não lhe der o respeito que você merece. – Porque o meu namorado rico e poderoso intervindo para lutar minhas batalhas vai ganhar sua estima. – Não é o que namorados devem fazer? – Hum, não o meu namorado. – Inclinando-me na curva do seu braço, deslizei meu dedo ao longo da curva de sua mandíbula. – Eu vou avisar quando precisar de você, H. Por enquanto, porém, deixe-me fazer isso sozinha? – É claro. Ele capturou o meu dedo entre os dentes e mordeu a ponta. Fiquei ainda mais molhada. Meus olhos não saíram de sua boca, fixados nas coisas que ele estava


fazendo com o meu dedo, promessas para mais tarde, naquela noite. Ou, antes, pela forma como as coisas estavam progredindo. – E a coisa impressionante sobre o cancelamento é que agora você tem a mim a noite toda. O que vai fazer comigo? Ele tirou o dedo da boca. – Você não vai voltar para a boate hoje à noite? – Não. Eu sou toda sua. Você pode me agarrar, ou então eu posso agarrálo. – Ergui minhas sobrancelhas sugestivamente. Eu não tinha tido muitas oportunidades de brincar com Hudson, e estava me divertindo. Nosso relacionamento até então tinha sido limitado a me mostrar aos outros e ao sexo. Essa coisa agora, de meio-termo, ainda era nova para mim. E terrivelmente divertida. Hudson endireitou-se no banco do carro, com o braço saindo do meu ombro para o encosto. – Na verdade, não posso. – Ele não me olhava nos olhos. – Combinei jantar com você, mas eu tenho outros planos. – Ah. – Engoli em seco. – Sim, é claro. Eu não deveria ter assumido que... Bem... Só porque nós estávamos em um relacionamento agora não significava que ele não tivesse vida própria. Hudson era um homem ocupado – tinha jantares de negócios, eventos de caridade e todos os tipos de coisas que não me envolviam. Por que então sentia aquilo como uma rejeição? Hudson suspirou. – Alayna. – Não, foi meu erro. – Minha garganta estava apertada, mas forcei um sorriso. – Eu vou assistir a um dos meus filmes ou recuperar o atraso em minha leitura. Não é nada importante. – Mas ainda temos o jantar. – Sim – concordei lentamente. Como se concordar com a afirmação pudesse apagar todas as suspeitas


que estavam entrando em minha mente. Tipo, quais eram seus outros planos? Quem tinha planos às oito horas numa sexta à noite? Por que ele não estava me dizendo quais eram esses planos, de modo que eu não assumisse o pior? Porque eu estava assumindo o pior. Muito. Assumindo que seria um encontro com outra mulher e... e... Bem, principalmente isso, encontro com outra mulher. Uma mulher como aquela Norma Anders. Eu poderia perguntar a Hudson. Mas sabia que, se eu perguntasse, iria parecer uma acusação. Ou eu estava com medo de que fosse parecer uma acusação. Porque seria totalmente uma acusação. Então, não perguntei. Não faria isso. Ficamos em silêncio por cerca de trinta segundos. Porém, não consegui lidar com isso por mais tempo. – Então, hum, quais são exatamente seus outros planos? – Apertei sua perna, na esperança de que isso pudesse aliviar toda a tensão que eu poderia ter criado. – É... – Hudson balançou a cabeça. – Não é nada. Não aliviou a tensão coisa nenhuma. – Sério? Você não pode dizer que não é nada e esperar que eu deixe isso passar assim. Adicionei um riso estranho para cobrir qualquer estridência que pudesse estar escondida no meu tom de voz. Do lado de dentro, a paranoia se construía em meu peito – paranoia que me deixou absolutamente louca e, como a erva daninha mais determinada, era quase impossível de matar uma vez que se enraizasse. Eu tinha que lutar contra isso, não poderia deixá-la me consumir. A mandíbula de Hudson se contraiu. Ele estava pensando. Ou tentando inventar uma boa mentira. Finalmente, falou: – Eu estou indo a um jantar com minha mãe. Sophia. Só de pensar nela fez minha alma afundar. Não é de admirar que Hudson não quisesse trazer esse assunto à tona.


– Ah. – Belisquei a ponta do meu nariz, tentando entender a situação. – Mas nós vamos jantar agora. Ele não piscou um olho. – Eu estava planejando comer algo leve. – Você estava planejando comer duas vezes? Podemos pular o jantar. Coma com ela. Eu posso pedir um lanche mais tarde. Isso soou como uma namorada compreensiva, certo? Porque era assim que eu precisava parecer, apesar do fato de que eu sentia qualquer coisa, menos compreensão. – Eu prefiro comer com você e pular o jantar com ela. – Então faça isso. – Não posso. É aniversário dela. Ela está me esperando. E lá estava. O resto da história. – Hoje é aniversário de sua mãe e você não ia me contar? Ele tirou o braço por trás de mim e deixou cair em seu colo. – Vocês duas não são assim tão próximas. – Mas você é! – Girei o corpo tanto quanto o cinto de segurança permitia, para poder encará-lo. – Ela é sua mãe. Sua família é importante para você, quer venha a admitir ou não. Se eu sou importante para você também, então não deveria compartilhar o que está acontecendo com eles? Hudson encontrou meus olhos, me penetrando de tal maneira que precisei me preparar para suas palavras. – Você é importante para mim, Alayna, e o fato de eu não lhe contar sobre isso não é reflexo de falta de importância – relaxou seu olhar. – Você ia trabalhar, não havia nenhuma razão para mencioná-lo. – Mas agora eu não estou trabalhando... – E agora você já sabe. Eu sabia por que arrancara isso dele. Eu sabia por que as minhas circunstâncias mudaram e eu o obrigara a ter que me contar. E a única razão de eu ter que trabalhar naquela noite foi porque Hudson tinha


convenientemente arranjado para que isso acontecesse. Ele havia planejado esconder esse jantar de mim. Será que ele realmente achava que poderia escolher as coisas para compartilhar em um relacionamento? Talvez ele achasse mesmo. Afinal, ele nunca tivera um relacionamento real antes. E eu não estava fazendo a mesma coisa, escolhendo as coisas a dividir com Hudson, exatamente como ele fizera? Eu não queria pensar nisso. Meus segredos não tinham influência sobre a conversa que estava acontecendo neste momento. Meus segredos ainda estavam a salvo. Os dele, não. E descobrir que ele tinha ocultado alguma coisa de mim não me fazia sentir bem, não me parecia direito. Ele deveria ter me contado. Droga, ele deveria ter me convidado! Pisquei uma lágrima que ameaçava cair. – Nesse jantar, vai ser você e ela? – Não. O resto da minha família vai estar lá também. Meu lábio tremeu. – E você ainda assim não vai me convidar? – Não, não vou. Eu não disse nada. Lágrimas estavam rolando agora e achei que não conseguiria falar. Deus, desde que comecei a sair com Hudson, virei uma chorona total. Que vergonha. Hudson aproximou a mão para enxugar uma lágrima, mas eu me afastei, não querendo sentir seu toque. – É só família, Alayna. Não é grande coisa. – Só a família. Eu entendo. Eu tentei não deixar que aquilo me ferisse. Claro que eu não era da família, mas tinha sido bem recebida pela maioria deles – por Mira, seu marido, Adam, pelo pai de Hudson, Jack. E agora Hudson queria que eu morasse com ele. Mas então isso não me dava o direito de receber automaticamente os convites para os eventos da família?


– É só a família. E você não se dá bem com Sophia. Por que você quer estar lá? – Porque você vai estar. – Limpei meu rosto molhado com a palma da mão. – E nós somos um casal, Hudson. Quando estávamos fingindo ser um casal, você queria que ela me visse com você o tempo todo. Agora que somos realmente um casal, já não quer. Isso não faz nenhum sentido. – Agora eu me importo mais com você do que com ela, e não vou sujeitála a passar uma noite com minha mãe. – Sua voz era firme. Em outra situação, eu poderia ter admirado a sua calma, seu comportamento frio, mas agora tudo o que eu conseguia pensar era: como é que ele não é afetado por isso? Por mim? – Você não consegue entender que não me deixar ir parece que você está me deixando fora de sua vida? – Minha voz falhou. – Isso dói. – Eu não estou deixando você fora da minha vida. Estou deixando minha mãe fora de sua vida. – Não funciona assim. Você não pode me proteger. Além disso, parece mais uma desculpa. Parece que você tem vergonha de mim ou que eu não sou boa o suficiente para estar com sua família. Eu estava começando a duvidar da minha decisão de me mudar para a casa de Hudson. Felizmente, não tinha dito nada ainda. Se ele estava criando barreiras entre nós, será que coabitar era realmente uma boa ideia? – Não seja ridícula. Você já esteve com a minha família muitas vezes. – Então, por que não esta noite? Essa era exatamente a minha dúvida. Se eu era boa o suficiente para eles antes, por que não agora? Seu silêncio me disse que ele não estava disposto a explicar. Se Hudson precisava ficar sozinho com sua família, então tudo bem. Mas eu não podia evitar de sentir como estava me sentindo. Destruída, era assim que eu me sentia. Absolutamente destruída.


Eu é que precisava ficar sozinha, antes que começasse a agir mal com ele. Não confiava em mim mesma sentindo-me daquele jeito. Varrendo a cabine, vi um interfone em cada porta. Soltei o meu cinto de segurança e fugi para a porta, longe de Hudson. Apertei o botão. – Jordan, você pode me deixar no meu apartamento? Com a velocidade da luz, Hudson bateu seu próprio botão. – Ignore isso, Jordan. – Quero ir para casa, Hudson. Não posso estar com você agora. – Eu mal podia enxergar através das minhas lágrimas, mas eu o ouvi desatar o cinto de segurança e, em seguida, senti que Hudson deslizava no banco em minha direção. – Não quero que me toque agora. Por favor. Ele me ignorou, me puxando para seus braços. Eu resisti, o que era sem sentido, realmente. Ele poderia me dominar num piscar de olhos. Ainda assim, eu me apertei contra a porta, empurrando-o. – Pare com isso. Pare de lutar contra mim. – Ele pegou cada um dos meus braços nos seus e prendeu-os, com as mãos circulando meus braços com uma força que eu jamais poderia superar. – Pare de lutar. – Então pare de me machucar – eu soluçava. Ele sabia que eu não queria dizer fisicamente. Hudson não estava me agarrando com tanta força. – Tudo bem. – Ele soltou-me, sua voz cheia de resignação. – Você pode vir. Se você realmente quer fazer parte desta noite terrível, então você está convidada a se juntar a mim. Minhas lágrimas haviam congelado no lugar, surpresa porque eu tinha vencido. Eu nunca tinha vencido essas batalhas. Elas geralmente terminavam comigo me humilhando, e então, quando o cara se recusava, eu recorria ao meu comportamento maluco. Como persegui-lo. E roubar sua correspondência. E aparecer em lugares onde eu sabia que o cara estaria. Nunca terminara assim, comigo sem ação.


Talvez porque estivesse tão aliviada ou porque estivesse em choque, ou, mais provavelmente, porque de repente eu me senti extremamente culpada sobre toda a nossa conversa, explodi em um novo surto de lágrimas. – E agora, o que foi? Meu choro continuou, mas desta vez eu o deixei me puxar para seus braços. – Eu sou uma vaca – disse, sufocada em seu ombro. – O quê? Eu levantei minha boca do tecido do paletó. – Eu sou uma cadela. Não queria pressioná-lo a me convidar, e foi exatamente o que fiz. Eu não vou, vou ficar em casa. Claro que ele tinha me convidado por causa de minha coação. Isso era uma merda... Hudson me puxou mais apertado contra ele, beijando o topo da minha cabeça. – Você não é uma cadela, nem uma vaca, nem nada. E não me pressionou. Você vem comigo. Vai ser horrível, mas pelo menos vai ser horrível, juntos. Enxugando as lágrimas do meu rosto, eu levantei os meus olhos para os dele. – Tem certeza? – Tenho absoluta certeza de que vai ser horrível. Eu ri. – Você tem certeza de que posso ir? Ele inclinou a cabeça contra a minha, colocando a mão na minha bochecha. – Tenho. Eu quero você lá. Eu sempre quis você lá. – Ele arrastou a mão pelo meu pescoço. – Mas minha mãe é má e terrível, e ela quer me machucar. E sabe que a maneira mais fácil de me machucar é machucar você. – Sua mão que estava na minha cintura me segurou mais apertado,


seus dedos apertaram minha pele através do meu vestido. – Eu não posso suportar ver você passar por isso. Foi a minha vez de lhe dar certezas. Estendi as mãos, envolvendo seu rosto e forçando-o a olhar para mim. – Nada do que ela disser ou fizer significará algo para mim. Você pode me ouvir? Eu já ganhei. Eu tenho você. Seus olhos nublaram imediatamente, e não simplesmente com o desejo que muitas vezes obscurecia a tonalidade cinza dos olhos quando ele olhava para mim – mas com a emoção que eu só poderia chamar de amor. Hudson me puxou para mais perto, como se ele conseguisse me puxar para dentro dele, se se esforçasse o suficiente. – Você me tem. Completamente. Eu não sei se cheguei perto dele ou se foi ele quem se aproximou de mim, só sei que nossas bocas estavam juntas, nós nos beijávamos de tal forma que era muito mais do que beijar. Era uma declaração, uma declaração de uma união entre nós dois que ainda não conseguíamos expressar de outra forma, a não ser através de nossos corpos. Quando ele se afastou, eu estava ofegante e corada. Seus olhos baixaram para a minha roupa. – Você vai precisar de um vestido. Devemos ter tempo para parar numa butique. – Ele estendeu a mão por cima de mim e apertou o interfone. – Jordan, mudança de planos. Leve-nos para a loja da Mirabelle.


10 Mirabelle era dona de uma das butiques mais quentes de Nova York. Apesar de nunca ter precisado trabalhar um dia em sua vida, a filha do meio dos Pierce tinha olho para design de roupas e ela colocara em bom uso esse seu talento. Sua loja atendia somente com hora marcada, e eu quase me perdera no céu da moda quando Hudson tinha me levado para comprar roupas ali, quase duas semanas antes. Depois de ordenar a Jordan que fosse para Greenwich Village, onde Mira tinha sua loja, Hudson pegou seu telefone e ligou para sua irmã. Escutei pela metade a sua curta conversa. – Obrigado, nós estamos a caminho – disse ele antes de desligar. – Ela não vai estar lá – disse ele quando guardou o telefone no bolso. – Mira está se arrumando para a festa. Mas Stacy vai cuidar de você. Eu gemi interiormente com o pensamento de lidar com Stacy, a assistente loira e muito magra de Mira. A mulher tinha uma queda por Hudson, tinha até saído com ele pelo menos em uma ocasião. Eu nem precisaria dizer que ela não gostava de mim. As adagas que ela lançava com seus olhos eram afiadas o suficiente para matar um exército. Além disso, ela me deixava com ciúme. Mira insistiu que Stacy não estava nem perto do radar de Hudson. Mas uma noite, quando eu o perseguia ciberneticamente, tinha visto uma foto de Hudson e Stacy juntos. Eles pareciam bem. E eu apostava que ela não tinha uma história de loucura como eu. Se pudesse evitar ver Stacy, eu seria uma pessoa muito mais feliz. – Se Mira não vai estar lá, talvez a gente não devesse se preocupar com essa coisa da butique. Poderíamos voltar para o meu apartamento e pegar alguma coisa que compramos da última vez. – Não, precisamos de algo novo. Eu quero exibir você.


Eu não tinha certeza se isso me deixava feliz ou irritada. Por um lado, ele gostava da minha aparência o suficiente para achar que poderia me exibir. Por outro lado, isso era tudo o que eu era? Um troféu? Foi isso que sobrou de nosso esquema de convencer a todos de que estávamos juntos? Era provavelmente nenhuma das opções anteriores, mas simplesmente uma declaração de cortesia de um homem para a sua mulher. Minhas emoções estavam ainda muito confusas desde os últimos quinze minutos – na verdade, desde as últimas vinte e quatro horas –, e agora tudo que acontecia tinha uma pontada do peso dessa confusão. Parecia que eu não conseguia simplesmente aceitar qualquer coisa pelo seu valor real. Havia camadas de sutilezas para cada gesto, cada comentário, cada momento... E eu estava tendo muita dificuldade em conseguir aceitar e entender tudo isso. O fato de levar quase quarenta e cinco minutos de carro até o Village não ajudou. Eu me aconcheguei em Hudson e fechei os olhos tentando cochilar, sem sucesso. Quando Jordan finalmente parou na frente da butique, parecia que a viagem tinha levado toda a vida. Hudson não esperou o nosso motorista para abrir a porta. Ele saiu, estendeu a mão para mim e continuou a segurar minha mão enquanto caminhávamos até a loja. E não pude deixar de me lembrar da última vez que tínhamos estado lá, como ele segurara minha mão do mesmo jeito. Daquela vez, era fingimento, e desta vez era real. Isso era real, não era? Como se ele pudesse ler minha mente, Hudson apertou minha mão, enquanto esperávamos que Stacy viesse atender a campainha. Virei-me para ele e seus lábios se curvaram em um meio sorriso. Ocorreu-me que eu o tinha visto sorrir bem mais nas últimas vinte e quatro horas do que tinha observado em todas as três semanas desde que eu o conhecera. Sim, isso era real. Atrás dele, eu vi os operários de uma obra em construção na loja ao lado.


– O que será que está acontecendo por lá? Hudson seguiu o meu olhar. – A expansão da Mirabelle. Eu acredito que eles já estão quase terminando. Viremos para a inauguração. Ela vai querer você lá. – Uau. Mais roupas para eu escolher. A sua carteira vai poder lidar com isso? Isso foi hilário, considerando que sua conta bancária poderia vestir um pequeno país. Na verdade, um país de porte médio... Um grande, mesmo. Nós dois estávamos rindo quando a porta se abriu. Stacy mal olhou para nós quando ficou de lado para nos deixar entrar. – Eu tenho uma cliente que estou terminando, mas já escolhi algumas opções para você. Elas estão no provador maior. Foi assim, sem tempo para “olá”. Ela voltou para sua cliente, e olhei para Hudson para avaliar sua reação à falta de saudação da moça. Seu rosto era de pedra. Tudo o que ele pensava sobre Stacy, não demonstrou. Talvez ela realmente não significasse absolutamente nada para ele. Mas, se esse fosse o caso, por que ele saiu com ela, pelo menos uma vez? Mesmo que tivesse sido apenas uma noite, Hudson não teria tido pelo menos um pingo de atração por ela? Depois da minha birra na limusine, não achei que seria adequado e prudente trazer o assunto de seu relacionamento com Stacy, embora não tivesse certeza de que aquilo se qualificasse para ser chamado assim. Mas me programei para perguntar a Hudson sobre isso, no futuro. E não apenas sobre Stacy, mas sobre todas as mulheres do seu passado. Porque eu precisava saber. Como havia dito, Stacy tinha deixado vários vestidos no provador, e apesar do meu medo de que ela maldosamente só escolhesse itens horríveis para eu experimentar, eles definitivamente não eram nada disso. Não que Mirabelle tivesse qualquer coisa remotamente feia em suas


prateleiras. Esses vestidos, porém, eram particularmente requintados. Com toda a sua cara feia para mim, Stacy deve ter prestado atenção no que eu escolhera da última vez em que estive lá e anotara o que parecia ter ficado bom em mim, porque esses que ela separou pareciam ter sido feitos sob medida para o meu estilo. Meus olhos se arregalaram com a seleção, muitos pareciam estar me chamando, e eu não via a hora de experimentar todos! Hudson, por outro lado, imediatamente fixou-se em um vestido específico, um de cetim magenta. Era bonito, mas muito simples e muito brilhante na cor para algo que se usasse em uma festa de família. Ele tocou as tiras. – Este aqui. Não parecia haver espaço para maiores discussões no tom de voz. – Eu ainda não experimentei. Você não sabe nem como ele... – Eu sei. – Ele pegou o vestido pelo cabide e, depois de me virar para que eu ficasse de frente para o espelho, segurou-o na minha frente, e ficou atrás. – É perfeito. Olhei no reflexo, tentando imaginar o vestido em meu corpo, mas tudo que eu conseguia pensar era na última vez em que eu tinha estado naquele provador com Hudson, em pé na frente do mesmo espelho. Ele fez coisas incríveis com meu corpo, e em seguida me fez ver no espelho como eu perdia o controle com a ação de suas mãos nos meus seios e entre minhas coxas. Depois, ele me penetrou e me tomou com tal força e desejo que eu me descontrolei novamente. Meu rosto corou com a lembrança, e eu encontrei seus olhos no espelho. Hudson se inclinou para sussurrar no meu ouvido. – Eu sei o que você está pensando. Pare com isso agora. – Ele desabotoou o paletó e pressionou o corpo contra mim, para que eu pudesse sentir a cabeça espessa de seu pau duro contra o meu traseiro. – Eu estou pensando sobre isso também. E nós não temos tempo para lidar com esses pensamentos do jeito que eu gostaria.


– Tem certeza? Levei a minha mão atrás de mim para acariciar sua ereção. Hudson respirou profundamente. – Você é certamente uma mulher diferente daquela que eu trouxe aqui na última vez. Aquela que queria manter as coisas sem sexo. Sua voz estava apertada, a única indicação do que a minha mão estava fazendo com ele e com seu pau. – Eu nunca quis manter as coisas sem sexo. Eu apenas pensei que seria melhor para mim se nós não fizéssemos. Isso foi quando pensei por um segundo que teria alguma chance de ficar longe desse homem. Quando pensei que poderia ficar obcecada por ele, se não mantivesse distância. Quando não percebi como a posse que Hudson exercia sobre mim já era completa e absoluta. Ele colocou sua mão sobre a minha, controlando a pressão do meu toque. – Ficar sem sexo ainda é o que seria melhor para você? Juntos, acariciamos o comprimento de seu pênis através de sua calça, e eu ansiava por tocar sua pele nua, deslizar meus dedos pela sua coroa, bombeá-lo com o meu punho. Ele fazia isso comigo, me deixava completamente excitada, me deixava molhada e interessada em nada além de satisfazer a sua necessidade de mim, enquanto ele satisfazia minha necessidade por ele. – Você é o melhor para mim. – Minhas palavras eram cheias da dor que eu sentia por ele. – Em todos os sentidos, ao meu lado, dentro de mim... – Porra, Alayna. Você me deixa com tanto tesão que eu... Houve uma leve batida na porta do provador, seguida por tempo suficiente para nos separarmos antes de Stacy entrar. Seus olhos voaram do meu rosto para o de Hudson e depois de volta para o meu. – Eu deveria ter esperado por um convite para entrar.


– Sim, deveria. – Era a primeira vez que eu tinha visto Hudson abordar Stacy de alguma forma, e foi curto e ríspido. Ele virou-se para pendurar o vestido de volta na prateleira e abotoou o paletó antes de se voltar para nós. – Eu vou sair enquanto você se troca, Alayna. – Ele acenou de volta para o vestido magenta. – É esse. O rosto de Stacy estava impassível, mas seus olhos brilharam com a rejeição. Quase senti pena dela. Eu tinha sido ela, desprezada por homens que achava estarem a fim de mim. Em parte eu queria confortá-la. Mas, então, o ódio e o despeito retornaram ao seu olhar. – É esse o vestido que gostaria de provar primeiro? – A voz era fria quando ela pegou o vestido de cetim magenta do cabide, sem esperar pela minha resposta. Abri o zíper da minha roupa e a deixei cair no chão. – Sim. É o que Hudson quer. – Usei o nome dele como uma arma, reivindicando aquele homem como sendo meu. – Ele acha que vai ficar perfeito. Na verdade, ficou. Eu poderia afirmar isso assim que o vestido se ajustou em meu corpo. A cor iluminou a minha pele, com destaque para o meu natural tom de oliva. Era decotado o suficiente para que exibisse meus seios, um trunfo que era motivo de orgulho. Hudson sempre foi muito apaixonado por meus seios, certamente um dos motivos para ter escolhido esse modelo. O comprimento era curto o suficiente para mostrar um pouco das pernas, mas a forma fluida apenas insinuava minhas curvas, em vez de abraçá-las como muitos dos meus vestidos faziam, e deixava mais para a imaginação. Era um estilo diferente para mim e pode ter sido isso o que me impediu de ter a mesma perspicácia que Hudson teve. Mas ele conhecia bem o meu corpo, melhor até do que eu. – Ele está certo. É perfeito para você. Eu estava tão hipnotizada pelo meu reflexo que a voz de Stacy me assustou.


Quando me virei para ela, encontrei sua expressão mais suave. Ocorreume que ela estava se comparando a mim, tanto quanto eu mesma me comparava com Celia, que Stacy estava medindo suas falhas contra as minhas. Era o suficiente para mandar uma pessoa a uma profunda depressão. Pelo menos era o que esse tipo de pensamento podia fazer comigo. Mais uma vez, eu senti pena dela. Ou talvez não fosse pena, era outra coisa – solidariedade, talvez. Stacy se aproximou para ajustar a alça do vestido. – Ele tem bom gosto... Seu tom sugeria que ela não estava falando sobre o vestido. Essa frase insinuava mais. A conexão que senti com ela, por mais estranho que pudesse parecer, me levou a cutucar. – Mas...? Sua testa franziu. – Mas o quê? – Eu sinto que havia mais na sua declaração. Stacy desviou o olhar, ocupando-se em ajustar o peito do vestido. – Não faz sentido falar sobre isso. – Vá em frente. Tudo o que você tem a dizer, eu posso aguentar. Será que eu parecia muito ansiosa? O que eu estava esperando ganhar com a conversa, não poderia dizer. Talvez eu estivesse simplesmente curiosa. Isso foi uma mentira. Eu estava obcecada. Não importa o quanto “bem” eu estivesse, não importa o quanto saudável estivesse, eu sempre estaria me sentindo inclinada a cavar mais fundo, para descobrir o máximo que pudesse sobre as pessoas por quem eu me apaixonava. E aqui não era diferente. Stacy tinha algo a dizer sobre Hudson, algo que poderia me dar dicas sobre o homem que eu amava. Eu tinha que continuar a cavar. Quando ela não deu indícios de que falaria mais, cutuquei novamente: – Eu sei que você já saiu com Hudson antes.


Ela soltou uma risada aguda. – Foi isso que ele disse? Respirei fundo, esperando que as palavras que escolhesse a fizessem falar. – Ele não me disse nada sobre você. Eu vi uma foto de vocês dois juntos em um evento ou algo assim. – Certo. – Stacy balançou a cabeça, como se soubesse exatamente sobre qual imagem eu estava falando. – Eu era sua acompanhante para a noite. Nós nunca namoramos. – Acompanhante? Minha mente foi imediatamente para as prostitutas de alto preço, garotas de programa. – Não desse tipo de acompanhante. Eu nunca dormi com ele. Um enorme peso parecia ter sido tirado do meu peito com essa admissão. Eu sabia que Hudson tinha dormido com outras mulheres. Claro que ele tinha feito isso, mas era uma coisa sobre a qual não queria pensar. Porque, se o fizesse, seria tudo o que eu pensaria dali em diante – com quem meu homem teria compartilhado as intimidades que ele e eu dividíamos agora. Então, saber que Hudson e Stacy nunca tinham dormido juntos foi um alívio. Com essa preocupação diminuída, poderia agora me concentrar em outra coisa cutucando a borda do meu cérebro. Se eles não tinham namorado, se não tinham transado, então a troco de quê Stacy emanava tal desprezo...? Então eu entendi. – Ah. Eu acho que entendo... A garota tinha sido uma de suas vítimas. Uma das mulheres com quem ele tinha jogado, uma das que ele tinha feito amá-lo através de sei lá o quê tivesse dito ou feito, e que depois descartara. Isso me deixou doente, e odiei essa sensação em mim. Eu não queria sentir-me mal sobre as coisas que


Hudson tinha feito. Eu queria amá-lo o suficiente para deixar o passado passar batido. Mas eu era humana. E mesmo que eu o amasse, apesar de seu passado, não era agradável me prender às coisas que ele tinha feito. Então foi nesse pensamento que me agarrei: se até eu me machucava com suas ações do passado, Hudson devia estar muito machucado por dentro, carregando o peso desses erros. Eu certamente sofria com os danos que tinha infligido aos outros, como a minha relação tensa com o meu irmão, e com o fato de ter ferido os homens no meu passado. Como Paul... Apaguei da mente o nome do meu antigo amante e voltei meus olhos para Stacy. – Talvez você entenda – dizia ela. – E talvez Hudson tenha mudado. Mas devo avisá-la... – Eu não preciso de sua advertência. – Era uma coisa absolutamente esquizofrênica o modo como eu ia e vinha entre entrar de peito aberto e ficar na defensiva. Mordi o lábio e, quando falei de novo, tentei assumir a postura calma e convidativa que tinha antes: – Quero dizer, ele já me contou tudo. – Esperava. Dando voz ao meu medo, Stacy levantou uma sobrancelha e perguntou diretamente: – Contou? – Ela deixou a palavra afundar por um momento, levando-me a imaginar milhões de coisas. A garota pegou do chão o vestido que eu estava usando. – Acredite no que quiser. Tudo o que estou dizendo é que ele não é o que diz ser. – Ela pendurou o vestido enquanto falava: – Não importa o que ele diga, é mentira. Eu já tinha passado por isso antes: ele me disse que não ia mentir e, se eu acreditasse nisso, então poderia acreditar em tudo que dissesse. Mas e se isso em si é uma mentira... – Mas não é só o que ele disse – pensei em voz alta. – Ele me mostrou


quem é. E Celia disse... Stacy congelou. – Celia Werner? Assenti com a cabeça. O rosto dela ficou sério. – Não acredite em nada do que ela diz também. Eles estão juntos. – Eles são amigos. Eu quis que o tom de minha voz fosse insistente, mas saiu fraco e, novamente, na defensiva: – Eles estão juntos. – O tom de Stacy conseguiu ser insistente. – Ou estavam. Eu posso provar isso também, se... A porta se abriu, cortando-a. Ao contrário de Stacy, Hudson não bateu. Ele simplesmente tomou o seu lugar no mundo. Eu amava isso nele. – Lindo. Ele me queria e demonstrava em cada parte dele, na sua postura, no brilho de seus olhos, no tom de sua voz. E tudo sobre o que Stacy e eu tínhamos conversado desapareceu da minha mente. Meus joelhos ficaram fracos de desejo, e tudo o que eu tinha de dúvidas desapareceu. Ele estava lá, olhos fixos em mim. Como eu poderia ter qualquer outra coisa, senão certeza? Certeza sobre ele, sobre mim. Sobre nós. – Obrigada. – Senti-me iluminada, e podia sentir o calor em todas as partes do meu corpo, espalhando-se na direção dele. – Ele é lindo. Você escolheu bem. – Claro. Eu escolhi você. Como é que eu poderia ainda estar em pé, quando parecia que cada parte de mim havia desmoronado em deleite? Hudson viu o que ele causou em mim, e seus lábios se curvaram em um sorriso. – Ela vai usá-lo agora. – Seus olhos não me deixaram, mesmo quando se


dirigiu a Stacy. Stacy. Nossa conversa voltou correndo para mim, e os doces sentimentos que Hudson trouxe tornaram-se desgastados. Eu deveria esquecer essa conversa, deixar-me abandonar naquele lugar feliz, aquecido... Mas Stacy disse que poderia provar... – Hudson, vai levar um minuto. Eu preciso retocar meu rosto. Ele acenou com a cabeça, e percebi que ele queria esperar ali, enquanto eu reaplicava a minha maquiagem. Mas eu queria que Hudson saísse de lá, por mais complicada que fosse essa ideia. Avistei os sapatos que tinha usado antes saindo por baixo da prateleira onde eu os jogara. – Você se importaria de pegar algum outro par de sapatos para mim, H? Aqueles não combinam. Ele seguiu o meu olhar para os sapatos descartados. – Não, não mesmo. Vi alguns prata de salto agulha que ficariam deslumbrantes. Assim como eu, Hudson tinha uma apreciação especial pelos sapatos. Essa era outra das coisas que eu adorava nele. – Pode escolher para mim? Não precisei dizer que deixaria que ele me comesse mais tarde, ainda usando esses sapatos. Ele sabia. De qualquer maneira, ele seria o único a decidir qualquer coisa. Hudson poderia me dominar do jeito que quisesse. Por mim, tudo bem. – Claro que sim, querida. Ele piscou e eu sorri para o seu carinho. Ele estava tão desacostumado a quaisquer termos de afeto que todos eles pareciam tensos e forçados em sua boca. Exceto quando ele me chamava de princesa. Esse saía com sinceridade completa. Ele abriu a porta e saiu para procurar os sapatos. Stacy começou a segui-


lo, mas eu estendi a mão e agarrei seu antebraço. – Você disse que poderia provar. – Esperei que meu sussurro não fosse tão instável como parecia para os meus próprios ouvidos. Eu estava realmente fazendo isso? Quero dizer, ceder às minhas dúvidas sobre Celia e Hudson? Esse não era um comportamento saudável. Poderia muito bem ser o início de uma espiral para a perda total de controle. Ou talvez eu já tivesse perdido o controle, porque, contra o bom senso, não conseguia me impedir de perguntar: – Você pode realmente provar? – Sim. Não aqui, mas... – Dê-me seu telefone. Ela puxou o telefone do bolso, e eu inseri meu número antes de entregálo de volta. – Você pode me mandar uma mensagem. – Era uma má ideia ficar alimentando as dúvidas de qualquer coisa que Stacy tivesse chamado de provas. Mas, por outro lado, a minha mente poderia inventar uma quantidade muito grande de coisas horríveis que Stacy diria para provar um relacionamento da categoria “mais que amigos” entre Celia e Hudson. A prova real era, provavelmente, muito menos maligna... Pelo menos era o que eu ficava dizendo a mim mesma.

Chegamos ao restaurante poucos minutos depois das oito horas da noite. Desta vez, Hudson esperou Jordan abrir a porta do carro e nos deixar sair da limusine, para salvar as aparências, talvez. Eu nunca tinha ido a esse restaurante e não sabia nada sobre ele, nem tinha visto o nome. Só sabia que estávamos de volta ao norte da cidade. Nós subimos de mãos dadas no elevador até o último andar, em silêncio. Eu estava quieta porque estava nervosa – nervosa por interagir com Sophia novamente, especialmente se ela não soubesse que eu estava invadindo a sua festa de aniversário. Mas não sabia dizer por que Hudson estava quieto. Talvez ele estivesse


nervoso também, como eu. – Sr. Pierce – disse o maître, reconhecendo Hudson. – Seu grupo já se sentou. Por aqui. Nós o seguimos até o salão com janelas que davam para a cidade e para a cobertura de árvores do Central Park, que era o grande destaque do cenário. A família Pierce estava espalhada por duas mesas que tinham sido postas juntas. Varri os rostos das pessoas enquanto o maître preparava um lugar extra para mim, a convidada inesperada. Chandler, o irmão adolescente de Hudson, Sophia, com o rosto inexpressivo, e em seguida vinha Jack, pai de Hudson, um homem encantador. Surpreendeu-me que ele estivesse sentado ao lado de sua esposa, pois abertamente a detestava. Em frente a eles estavam Mira e Adam. Esses deveriam ser todos, mas perto de mim, de costas, que eu não tinha visto no início, estavam Warren e Madge Werner. E Celia. Fiquei tensa com tantos pensamentos em conflito na minha cabeça, as emoções tão fortes que se espalharam pelo meu corpo. Hudson não tinha me convidado, não me queria nesse evento social, mas Celia estava na lista de convidados o tempo todo. Teria sido esse o verdadeiro motivo pelo qual ele não tinha me contado nada sobre o aniversário de Sophia? Ambos havíamos concordado em não vê-la. Sim, eu tinha rompido aquela coisa idiota, mas pelo menos não tinha ficado praticamente noiva daquela mulher. Então, será que ele não tinha me convidado para esse jantar por causa do nosso acordo idiota, ou foi porque ele queria ficar sozinho com ela? Bem, sozinho, no sentido de estar com ela sem mim, nem a pau. Nunca. E Celia, a quem eu tinha confiado e conversado naquela mesma tarde, não tinha mencionado o jantar também. Meus olhos voaram da loira para o homem em pé ao meu lado. Seu rosto estava inexpressivo. Foi por isso que ele tinha estado quieto. Ele sabia que eu ficaria chateada. Eu estava.


Não dava para suportar mais. Eu tinha que fugir dali. Com os dentes cerrados, silvei: – Eu pensei que você tinha dito que isso era só família. Então, me virei e fui embora.


11 Antes que eu estivesse fora do alcance das vozes dos convidados, ouvi Hudson defender minha saída abrupta: – Ela deixou algo no carro. Desculpe-nos por um momento. Merda, ele estava vindo atrás de mim. A melhor maneira de despistá-lo seria ir para os banheiros, não que eu duvidasse que Hudson fosse me seguir, mas eu não sabia onde ficavam, e eu já tinha conseguido passar a mesa do maître. Meus olhos percorreram o corredor. Havia os elevadores, o que exigiria ficar esperando por um, e uma porta que dava para as escadas. Fui para as escadas e, percebendo que cinquenta andares para baixo nos saltos altos talvez não fosse uma boa ideia, fui para cima. A brisa bateu no meu rosto quando pisei no terraço, a porta bateu forte atrás de mim. Continuei andando. O terraço estava praticamente vazio, então eu sabia que o som do fechamento da porta atrás de mim era Hudson. Ainda assim continuei, correndo pelos jardins e pelos assentos dispostos na parte superior do edifício, tentando encontrar um lugar onde pudesse ficar sozinha, onde pudesse respirar, onde pudesse resolver minha paranoia sobre a legitimidade daquela situação. Na parede de um canto, parei. Debrucei-me sobre a borda da caixa de cimento, engolindo grandes golfadas de ar. A respiração profunda era a única coisa que estava me impedindo de romper em soluços. Seus passos estavam mais silenciosos atrás de mim, mas eu ainda podia ouvi-los, como se eu estivesse em máxima sintonia com seus movimentos. Ele parou antes de me alcançar, chegando perto de mim com sua voz, em vez de seu corpo: – Os Werner são praticamente da família.


Pelo menos ele foi esperto o suficiente para saber por que eu corria. E corajoso o suficiente para não fingir o contrário. Ele merecia algum crédito por isso. Mas eu não podia dar-lhe qualquer outra coisa que não minha descrença. – Certo. Aham... Eu não me virei para ele. Porque não queria ver seu rosto quando ele se explicasse. Se a sua expressão dissesse que eu estava sendo ridícula, isso me faria desabar ali mesmo. – O que foi? Você está pensando que eu não lhe contei de propósito? – Sua voz era calma, apesar de suas palavras. Cuspi uma risada áspera. – Você não quer saber o que eu estou pensando. – Na verdade, eu quero. Eu me virei. – Não, você não quer. Recuei, até que a parede se encostou em minhas costas. Ele não tinha entendido. Parecia que meus sentimentos tinham sido ampliados – e eu não tinha como julgar a sua validade quando estava tão irritada assim. A experiência e a terapia tinham me ensinado a não lidar com essas situações até que me acalmasse. E agora precisava de tempo para me acalmar. – Confie em mim quando eu digo que quero. – Hudson, você não pode dizer isso quando não sabe o que eu quero dizer. Não é bom. Na verdade, você precisa me deixar em paz. Ou eu vou lhe culpar pelas coisas. Coisas às quais provavelmente estou exagerando e você vai se sentir ofendido. E eu vou lhe perder. Essa era a única coisa que eu sabia com certeza. Que tudo o que eu dissesse, o que quer que eu sentisse, isso iria afastá-lo. Minhas emoções intensas nunca tinham deixado de assustar os homens da minha vida. Até o meu próprio irmão tinha ficado cansado de lidar com elas.


– Você não vai me perder. Hudson deu um passo em minha direção. Não cauteloso, mas totalmente seguro. Como se para dizer que ele tinha o controle completo da situação. Como se dissesse: “Experimente tentar me afastar e você vai ver...” Pressionei as costas com mais força contra o cimento atrás de mim, desejando poder desaparecer dentro dele. Eu não queria que ele me visse assim. – Você ainda não viu esse meu lado, Hudson. Você não conhece. – Então eu preciso ver. Eu preciso ver todos os seus lados. Ele estava tão calmo. Balancei a cabeça e mordi o lábio, lutando contra as lágrimas que ameaçavam cair. Merda, eu não podia chorar. Cedo ou tarde eu teria que voltar àquele restaurante e não queria ficar com o rosto manchado de lágrimas. Mas se Hudson ficasse, se ele me pressionasse, eu não acho que conseguiria me segurar. Ou talvez eu pudesse dizer-lhe. Se nós pretendíamos compartilhar nossas coisas, então essa não deveria ser uma delas? Ele não deveria ser a única pessoa com quem eu poderia contar quando tivesse algum problema? Ele sempre me trazia a paz quando eu explicava o que estava acontecendo na minha cabeça. – Vá em frente. Pergunte-me. – Não vou perguntar, será acusador. – Eu continuei a lutar, mas a minha defesa estava mais fraca. E debaixo de todas as acusações que rolavam em minha mente, um único pensamento se repetia: não era justo. Não era justo porra nenhuma. Nada disso era justo, a morte de meus pais, a bebedeira do meu pai, minhas obsessões do passado, tudo o que me acontecera até agora, quando a minha história de loucura tornava impossível determinar se o que eu estava sentindo no momento era válido ou não. Se eu deveria cair matando em Hudson sobre a sua mentira, ou se eu deveria estar pedindo desculpas por


fugir. – Faça isso. Quero ouvi-la. Eu preciso saber o que você está pensando. Confie em mim. Confie em mim... Ele sempre vinha com isso. Ou eu confiava nele, ou não confiava. E o simples fato era que eu confiava. Confiava nele. Engoli em seco. – Você não me convidou nesta noite porque sabia que ela estaria aqui. – Foi apenas um sussurro, mas ele me ouviu. Ele acenou com a cabeça uma vez, dizendo que entendeu. – Não é verdade. Eu lhe disse por que não a convidei. E eu convidei você no final. Você está aqui. – Mas você não queria isso, no começo. – Olhei para os meus sapatos, mas minha voz acabou reforçada quando falei as acusações que estavam à espera na minha língua. – Esse é provavelmente o motivo por que tinha que me enfeitar toda. Para mostrar-me a Celia, fosse qual fosse o seu jogo com ela. Não se tratava de sua mãe, afinal. – Você está certa. Ergui a cabeça. – Você está certa, não era sobre a minha mãe. Era sobre você. Eu queria que todos vissem como você é linda. Como é linda a mulher que me ama. Essa declaração despertou minha fúria. Será que ele estava transformando o meu amor em um troféu? Em uma arma contra ela? Com certeza era o que estava parecendo. – Celia – cuspi o nome dela. – Você queria mostrar a Celia, isso é o que quis dizer. Ele balançou a cabeça, negando novamente. – Ela está aqui, Hudson! – Eu não me importava que estivesse gritando. As poucas pessoas no terraço poderiam apreciar a cena. Eu nem sequer percebi se a cabeça de algum deles se virou, de tão envolvida que estava


com a minha raiva. – Ela está aqui na boa, enquanto eu tive que implorar para você me trazer. E você me disse que não iria vê-la sem mim. O que ela é para você? – Nada. Uma velha amiga. – Besteira. – Minha voz falhou, mas até agora as lágrimas continuavam presas em meus olhos. – Se fosse verdade, você teria me contado sobre o jantar desde o início. Você estava escondendo isso de mim. – E apontei um dedo trêmulo para ele. – Porque você sabia que ela estaria aqui também. – Eu não sabia. – Suas pálpebras se fecharam em um longo piscar enquanto Hudson respirava fundo. – Eu suspeitava, isso sim – admitiu. – Mas ela não está aqui por minha causa. A mãe dela é a melhor amiga da minha mãe. Você sabe disso. – Foda-se. Ela tem 28 anos. Já tem idade suficiente para não ir a todas as merdas de eventos com a mãe. Ela está aqui por você. – E eu estou aqui com você. – Seu tom era sólido, inabalável. Um enorme contraste com o meu. – Ela ainda está apaixonada por você. – E eu estou por você. Hudson diminuiu a distância entre nós, e eu suspirei de alívio, colocando as palmas das mãos contra a parede como apoio. Ele pousou os braços em cada um de meus ombros, me prendendo. – Eu estou com você. Meus dedos se fecharam, tentando agarrar algo. Não tendo sucesso contra o cimento, eles voaram para a frente e se prenderem no paletó dele. Hudson entendeu o movimento como um convite para se aproximar. Ou ele só se aproximou de mim, sem se importar se fora convidado ou não para fazer isso. Ele pressionou seu corpo contra o meu, e eu não pude deixar de pressionar o meu de volta para ele, absorvendo o calor dele. Eu temia que as minhas palavras fossem assustá-lo, e mesmo que as minhas dúvidas ainda não tivessem sido totalmente silenciadas, ele não tinha ido a


lugar algum. Ele ainda estava lá. Lá, e me querendo. Sua ereção pressionou minha barriga. Meus olhos voaram para os dele, surpresa. Hudson estava excitado? Mas como... Por quê... Quer dizer que as minhas dúvidas fizeram isso? A minha confusa ansiedade o fez me desejar ainda mais? – Estou de pau duro por você e somente por você – falou ele em voz baixa, com as suas palavras rascantes de desejo. – É você que eu adoro. Hudson baixou a boca para beijar ao longo do meu pescoço, e eu deixei minha cabeça cair para o lado, concedendo-lhe o acesso. Eu gemia quando seus lábios se encontraram com a minha pele. Então, com apenas aquele simples toque, eu relaxei, fundindo-me a ele. Isso era tudo que eu precisava – aquela boca em mim, seu corpo contra o meu. Quem se importava com o porquê? Eu só me importava que ele estivesse ali, comigo. Joguei meus braços ao redor de seu pescoço, e sua boca esmagou a minha com força. Sua língua mergulhou dentro de minha boca, acariciando e acariciando – e fiquei molhada, querendo aquele homem dentro de mim da mesma forma. Ele puxou meu lábio inferior entre os dentes, em seguida soltou. – Estou com você – disse ele novamente, enquanto suas mãos reuniram o tecido de meu vestido em torno da minha cintura, dobrando-o na borda da minha calcinha. E falou de novo, enquanto seus dedos deslizaram dentro da minha calcinha. Seus dedos circularam meu clitóris, e eu rebolei para a frente com um gemido. – É isso. – Ele continuou me acariciando, como um especialista, me beijando e me incentivando. – Relaxe. Deixe-me estar com você. Eu gemi quando seus dedos deslizaram ao longo da minha fenda e encontraram o centro do meu calor. Mas, em vez de me penetrar como eu


desejava, Hudson caiu de joelhos e puxou minha calcinha até meus tornozelos. Antes que eu pudesse protestar contra a perda de suas mãos sobre meu clitóris, ele lambeu os lábios da minha vagina. – É você que eu estou prestes a comer – falou Hudson entre movimentos longos com a língua. – É você que eu vou fazer gozar com a minha boca, para que, quando voltarmos lá para baixo e você começar a se sentir insegura, ainda esteja molhada e se lembre de que meus lábios estavam em você e em ninguém mais. Eu estava quase gozando só de ouvir suas palavras, tão excitada com a sua posse, com sua necessidade de me fazer saber que eu era dele. Hudson levantou um de meus pés para fora da minha calcinha e jogou minha perna por cima do ombro. Em seguida, ele voltou com força total, chupando meu clitóris. Seus dedos cutucavam a minha vagina – não tenho nenhuma ideia de quantos dedos ele usou –, mas ele os dobrou e me acariciou até me deixar me contorcendo. Prendi minhas mãos em seus cabelos para ter apoio quando meu orgasmo explodiu através de mim, me balançando contra sua mão, contra a sua boca. Hudson não esperou que eu me acalmasse antes de ficar em pé, pressionando sua pélvis contra mim, pedindo-me para dar atenção a seu pau. Eu fechei a mão sobre o pau – ah, ele estava tão duro... – Tire-o para fora – ordenou. Risos atraíram meus olhos através do terraço até um grupo de pessoas descansando nos bancos. Por quanto tempo eles tinham estado lá? – Nós não estamos sozinhos. – Puxe para fora. Eu não me importo com ninguém ou com nada, a não ser em meter em você agora. Eu tenho que estar dentro de você. Falando sério, eu também não ligava. Nem um pouco. Desatei o cinto da calça e abri o zíper. Ele abaixou a cueca o suficiente para liberar seu pênis. Imediatamente, circulei minhas mãos em torno dele.


Que estava tão rijo que suas veias se projetavam na pele macia. Hudson não me deixou acariciá-lo pelo tempo que eu teria gostado. Em vez disso, ele me ergueu, as costas ainda contra a parede, e enfiou dentro de mim com força. – Porra, sua boceta é tão deliciosa. – Ele meteu em mim com estocadas rápidas e entrecortadas. – Você está me ouvindo? Sua boceta me deixa assim com o pau duro. Ninguém mais consegue. Eu admirava sua capacidade de falar, de ser capaz de falar comigo com tanta coerência enquanto eu me desfazia em uma poça embaixo dele. E suas palavras – suas palavras incríveis – me derreteram ainda mais. Sentia que me embebia dessas palavras enquanto me enrolava nele, enquanto Hudson me penetrava mais e mais. Sua voz ficou rouca quando ele se aproximou do clímax, mas ainda assim continuava a falar: – Quando voltarmos para o jantar, vou cheirar como você, e você vai cheirar como eu. E você vai se lembrar de que estamos juntos. Eu estou com você. Gozamos ao mesmo tempo, eu mordendo seu ombro para reprimir o grito que ameaçava escapar dos meus lábios, ele grunhindo: – Ninguém além de você. Ninguém além de você. Enrolei o sentimento em torno de mim como se fosse o cobertor favorito de uma criança. Se eu pudesse ficar assim, ficar abraçada no conhecimento de que eu estava lá para ele, só para Hudson, então poderia ser capaz de descartar todas as dúvidas que dominavam meu coração. Eu poderia esquecer Stacy e suas alegações de ter provas... E poderia acreditar que Celia era apenas uma amiga. Se eu pudesse acreditar nessa única declaração, Hudson e eu ficaríamos muito bem.


12 Surpreendentemente, a tranquilidade que Hudson me deu no terraço continuou quando refizemos o caminho de volta para o restaurante. Mesmo o brilho irritado do olhar de Sophia não me perturbou enquanto o garçom puxava minha cadeira. Sophia tomou um gole do líquido marrom em seu copo. – Já era hora de vocês voltarem. Lembrei-me do que Hudson tinha dito quando saímos – que eu tinha esquecido alguma coisa no carro – e comecei a pedir desculpas, usando isso como a base da minha justificativa. Mas Hudson respondeu antes de mim: – Nós nos distraímos. Ele apertou minha mão antes de eu me sentar na cadeira. Assim que me sentei, ele pegou minha mão novamente debaixo da mesa. Eu não conseguia me lembrar de outra ocasião em que tivesse sido reclamada tão publicamente assim. E depois de sua apropriação do meu corpo minutos antes, relaxar em um lugar confortável e livre de dúvidas, com Hudson, parecia uma possibilidade real. Não apenas uma possibilidade, mas uma realidade. – Laynie! – Mira parecia prestes a explodir para fora de sua cadeira. – Estou tão feliz por você ter conseguido vir! Na última vez em que a tinha visto, ela estava preocupada que eu tivesse terminado com o seu irmão. Minha presença era uma declaração diferente. – Eu também. Sorri para ela e dei o mesmo sorriso para os outros convidados à mesa, incluindo a cabeça de Chandler, que estava inclinada sobre seu iPhone, e os Werner. Mas não olhei Celia nos olhos. Eu podia sentir que ela estava tentando capturar o meu olhar, mas eu não estava interessada. Ela não me


contou sobre o jantar, o que me deixou desconfiada. Talvez injustamente, mas desconfiada do mesmo jeito. – Comigo são três – disse Jack, piscando para mim. Talvez fosse a minha imaginação, mas Hudson parecia rosnar para a declaração de seu pai. Sua proteção em cima de mim era boba, às vezes, no entanto, também me aquecia. Sophia acabou de beber e colocou o copo sobre a mesa, batendo-o com força. – Bem, nós já pedimos. – Sem problema. A gente pede agora. Hudson fez um sinal para o garçom, que se apressou para nos atender. Ele pediu para nós dois, em um lindo francês, o que me fez me umedecer entre as minhas coxas. Ou melhor, umedecer mais. – E enquanto você está aqui, vou querer outro desses. – Sophia ergueu o copo vazio para o garçom, e eu vi Mira e Hudson trocarem um olhar. Eu poderia me identificar muito bem com o que eles estavam sentindo – o pavor de ter um parente alcoólatra, as perguntas e preocupações que ocupavam nossa mente a cada momento. Será que ela vai beber muito hoje à noite? Será que fará papel de boba? Nos envergonhar? Exceto que na minha vida ela fora substituída por ele. Meu pai tinha sido o alcoólatra, aquele que tinha me causado ansiedade. Foi então que aprendi a me preocupar? Talvez isso fosse algo que eu devesse falar na próxima sessão de terapia. Ou, uma vez que não fazia mais terapia, talvez falasse sobre isso com o meu conselheiro no grupo de que participava de vez em quando. O pensamento foi interrompido por Hudson inclinando-se para sussurrar no meu ouvido: – Espero que você não se importe que eu tenha pedido seu prato. – A sensação de sua respiração na minha orelha me arrepiou da cabeça aos pés. Eu não me importava. Ele me salvou do problema de ter que decifrar o


cardápio. E ouvindo-o falar em uma língua estrangeira... Suspirei enquanto a melodia suave de suas palavras ficava na minha memória. – Desde que o meu prato não tenha cogumelos, estou feliz. – Não. – Hudson riu, o som enviou uma faísca elétrica através do meu corpo. – Não quero que você engasgue no jantar de aniversário da minha mãe. – Muito pelo contrário. – Inclinei-me em direção a sua orelha agora, para que ele pudesse me ouvir. – A maneira como você pediu me faz salivar. Eu não sabia que você falava francês. – Fluentemente. Meus olhos se arregalaram. – Diga alguma coisa mais. Estávamos flertando, algo que não fazíamos muitas vezes na frente dos outros, e isso veio tão naturalmente que me deixei ser levada aonde quer que fosse. – Oui. Plus tard, quand tu es enveloppée dans mes bras, je vais en parler jusqu’à ce que tu en frissonnes de plaisir. Seu tom de voz rouco combinado com o sotaque me deixou louca. – O que você disse? – Estava sem fôlego. Ele passou o braço em volta de mim, me puxando para mais perto antes de falar novamente: – Eu disse: “Sim. Mais tarde, quando você estiver envolvida em meus braços, eu vou falar até você estremecer de prazer.” Meu rosto ardeu com o rubor. – Você sabe que existem outras pessoas nesta mesa, Hudson – repreendeu Sophia. Eu esperava que as outras pessoas não entendessem francês tanto quanto eu. E que a sua tradução, dita em voz bem baixa, era o suficiente para que apenas eu ouvisse. Mas o olhar agudo de Madge Werner, em frente a mim, do outro lado da mesa, me fez pensar que Hudson tinha sido


ouvido. Ah, bem. Mira revirou os olhos. – Mãe, deixe-os em paz. – Normalmente Mirabelle tinha uma paciência infinita com Sophia. Talvez ela estivesse ficando mais mal-humorada com o passar da gravidez. – Você não consegue ver que eles estão apaixonados? Hudson virou a cabeça para sorrir para mim. Estávamos ainda pouco acostumados com a palavra, e parecia estranho ouvir isso sendo dito sobre nós. E parecia pertinente. Óbvio mesmo. Tipo, dããã. Como poderia alguém não perceber? Sophia não percebia. – Ou eles estão se esforçando bastante para me fazer acreditar nisso. – Ela alisou os cabelos, que estavam tão duros que o movimento não mexeu um fio. Mira se recostou na cadeira e apoiou as mãos sobre a barriga. – Por que diabos eles iriam fingir um relacionamento? Eu mantive meus olhos no prato, preocupada que minha expressão pudesse denunciar alguma coisa. Por que Sophia concluiria isso? Tínhamos de fato tentado forjar a nossa relação. Eu mesma tive a sensação de que Mirabelle suspeitava disso. Mas ela também sabia que eu amava seu irmão, e nunca contaria nada para sua mãe. Mira era o tipo de pessoa que baseava tudo no amor. Era do tipo de pessoa que acreditava que, se há amor, qualquer obstáculo pode ser superado. Pela primeira vez eu não queria rir dessa ideia. Sophia pegou o copo do garçom, sem nem mesmo se preocupar em deixá-lo colocar na mesa, e deu um gole demorado. – Você me responda: por que Hudson gosta de fazer qualquer uma dessas sujeiras que ele faz com as pessoas? Eu há muito tempo desisti de tentar entender. Celia se mexeu desconfortavelmente na cadeira, mas seus pais não


mostraram nenhuma reação. O que confirmou que o passado de Hudson era de conhecimento de todos na mesa. Não foi à toa que ele se referiu aos Werner como sendo da família. Se eles conheciam seus segredos obscuros, praticamente eram da família. E, afinal, como eles poderiam não saber os seus segredos? Sua própria filha tinha sido uma vítima desse homem, mesmo que não fosse na medida em que eles pensavam. Ele não a tinha engravidado, de qualquer maneira. Tudo o que ele tinha feito fora bagunçar a cabeça dela... Bem, todos nós tivemos pessoas que nos moldaram, para melhor ou pior. Culpar outra pessoa por nossas próprias ações era uma atitude egoísta. Tínhamos que ser responsáveis por nossas próprias ações. Eu aprendi isso da pior maneira. E Sophia era responsável por seus comentários mal-intencionados de agora, não importa que história escabrosa a tivesse formado na infância ou na juventude. Sua malícia era repugnante e imperdoável. Mas Jack era o único que parecia pensar que seu comportamento precisava ser refreado. Ou foi o único a dizer alguma coisa, pelo menos. – Só porque é seu aniversário, não significa que você tenha o direito de deixar de ser educada. Mira bufou: – Não, ela acredita que o simples ato de respirar lhe dá esse direito. Todos os olhos se voltaram para a morena alegre, cujo rosto estava ficando de um vermelho brilhante. Mira nunca dizia nada nem levemente sarcástico. Foi surpreendente. Adam tossiu ao seu lado, talvez sinalizando para que ela falasse mais alguma coisa ou tentando aliviar a tensão, eu não tinha certeza. Mira olhou para baixo, timidamente. – Eu sinto muito. Não deveria ter dito isso. – Obrigada pelo pedido de desculpas. Você está cheia de hormônios. Eu não sei qual é a desculpa de Jack para falar comigo de forma tão rude.


Sophia lançou um olhar de soslaio para o marido dela e eu me perguntei se nunca passou por sua cabeça pedir desculpas aos outros também. Não, isso nunca passara pela cabeça daquela mulher. Sua expressão não se alterou, nem mesmo um lampejo de remorso passou sobre o rosto dela. Sophia olhou ao redor da mesa, como se desafiando alguém a dizer alguma coisa. Ninguém fez isso. – Chandler – disse ela, enquanto seus olhos se dirigiam para o rapaz. – Desligue o seu maldito telefone e esteja presente. Quero desfrutar da noite com todos juntos. Todos nós juntos. Mas seu olhar foi para a direita, me pulando. Todos nós significava claramente todos, menos eu. As conversas mais leves substituíram o assunto pesado, e a atenção se deslocou de Hudson e de mim. Provei da salada enquanto Hudson falava de negócios com Warren, e Celia gracejava com Mira e Sophia. Sophia até relaxou o suficiente para que eu visse sinais da pessoa despreocupada que ela deveria ter sido uma vez na vida. Há muito tempo, tanto que agora apenas o minúsculo resquício enfeitava sua persona atual, oculto de qualquer pessoa que não se preocupasse em olhar muito de perto. Como eu pude ver... Talvez eu estivesse procurando. Procurando a pessoa que Hudson queria tanto agradar, procurando as razões que ainda o faziam manter essa mulher em sua vida, em vez de se separar dela de uma vez por todas, do mesmo jeito que eu tinha feito com Brian. Droga, essa não era necessariamente a melhor opção. Cortar Brian da minha vida doía. Era uma realidade que eu vinha ignorando nos últimos dias, e empurrei para longe o impulso de pensar nisso agora. Mas eu estava em uma reunião de família. E é claro que pensaria nele... Isso não queria dizer que eu tinha que me debruçar sobre esse assunto o tempo todo. As coisas continuaram com um ar de banalidade durante a maior parte do nosso jantar. O prato que Hudson havia pedido para mim era delicioso e não se parecia com nada que eu já houvesse provado. Lagosta e bolinhos de


peixe cobertos com um molho cremoso. Isso me fez até querer lamber o prato. Hudson pedira para ele uma espécie de crepe de pato. Ele me deu um pedacinho que não estava encharcado no molho de cogumelos que o acompanhava, e a carne derreteu na minha boca quando meus lábios deslizaram ao longo de seu garfo. – Divino. Ele me olhou com avidez. – Eu poderia dizer a mesma coisa. Madge tinha assistido a nossa exibição romântica naquela noite, já que se sentara em frente a nós. Agora, ela limpava a garganta. Eu sorri com o que esperava que fosse um sorriso de desculpa, embora não quisesse pedir desculpa de nada. Eu estava bem consciente de que Madge acreditava que Hudson estava apenas sendo generoso comigo, e que ele, eventualmente, me trocaria por sua querida Celia. Eu queria que ela me visse com ele, sabia que isso a irritava, mas eu não estava atuando. Estava simplesmente curtindo a noite com meu amante. Isso era real. Madge retribuiu meu sorriso com um dos seus, azedo. Então, ela se virou para Mirabelle, que estava sentada do outro lado dela. Fingir que eu não estava lá era uma maneira de lidar comigo, supus. – Mira! – exclamou Madge, espiando por cima de Celia, que se sentou entre ela e Mirabelle. – Apenas mais quatro meses, até que o mais novo Pierce seja trazido ao mundo. Você deve estar tão animada! As mãos de Mira voaram instintivamente para sua barriga. – Eu estou! – E fez uma careta. – Mas, quando você diz mais quatro meses, eu quero vomitar. Sophia pigarreou em desaprovação. Deus, ficar corrigindo a linguagem de uma mulher adulta era além do ridículo. Até me deu vontade de vomitar. Mira estava acostumada com Sophia, porém. – Desculpe, não é uma ótima conversa para um jantar. Eu gostaria que


fosse mais cedo, isso é o que eu queria dizer. Estou ansiosa para ver o bebê no mundo, em vez de sentado na minha bexiga. – Ele estará aqui em breve. Confie em mim. – Ao contrário de sua esposa, Adam parecia feliz que ele ainda tivesse alguns meses para se preparar. Warren sacudiu a cabeça, parecendo concordar com Adam falando. E deu uma provocada em Madge: – Isso não está certo, Madge. Mira não é mais uma Pierce. O bebê será um Sitkin. Os olhos de Mira foram diretos para sua mãe. – Ou Sitkin-Pierce, se decidirmos hifenizar. O olhar no rosto de Mira me disse que essa era uma conversa que tinha acontecido antes. Mirabelle tinha mantido o nome Pierce para seus empreendimentos comerciais, mas a hifenização era uma ideia nova. Eu apostaria toda a minha conta bancária que era uma tentativa de agradar a Sophia. Mas nada agradava a Sophia. – Não é a mesma coisa. Sitkin-Pierce não é Pierce. – Ela suspirou dramaticamente. – Assim, a linhagem continua, mas não o nome. Era engraçado como a mulher estava preocupada com um nome que ela só ganhou com um casamento sem amor. Isso mostrava como ela era materialista, como estava presa às aparências. Era o sobrenome Pierce que tinha peso no mundo. Qualquer desvio perderia o poder que as Indústrias Pierce carregavam. Aos seus olhos pelo menos. Adam sentou-se para a frente como se estivesse prestes a ir para a batalha. – Mira não é a única descendente Pierce. Chandler poderia ter filhos. E Hudson, pensei. – Então, ele terá o sobrenome, mas não a linhagem – disse Jack calmamente. Minha mão foi à boca, abafando uma risadinha. Havia rumores de que


Chandler não era filho de Jack, mas eu não sabia que era um assunto que a família Pierce discutisse abertamente. – O quê? – Chandler olhou para cima, erguendo os olhos do colo, onde estava tentando esconder que mandava mensagens de texto, ou fosse lá o que fosse que ele estivesse fazendo em seu telefone. – Nada – disse Mira. – Volte para o que você estava fazendo. Então, talvez fosse de conhecimento geral, menos de Chandler. Sophia tomou outro gole de sua bebida – seu terceiro drinque da noite. – O bebê de Hudson e Celia poderia ter sido as duas coisas. Eu fiquei tensa. Hudson e seu bebê fictício com Celia tinha causado uma boa quantidade de discórdia na família. Isso já havia acontecido, mas o peso tinha sido tão intenso que se recusava a desaparecer. Por que Celia não confessava e explicava a todos que o bebê não era de Hudson estava além da minha compreensão. Isso me irritou. Ela o deixava continuar a salvá-la da humilhação, não importava o que custasse a ele. Eu não podia deixar de dar-lhe um olhar gelado. Celia não viu a minha carranca quando seus próprios olhos correram em direção a Hudson. Ou talvez a Jack. Eles estavam sentados um ao lado do outro, e era difícil dizer, mas em direção a Hudson fazia mais sentido. Jack deixou cair o garfo no seu prato, e o ruído fez barulho no restaurante silencioso. – De novo, Sophia? Sério? Maldição, eu não vou ficar ouvindo isso. – Jack limpou a boca e jogou o guardanapo sobre o prato pela metade. Então ele se levantou. – Obrigado a todos, eu gostaria de poder dizer que foi uma noite encantadora, mas, bem, vou deixar por isso mesmo. Eu vou cuidar da conta na saída. O resto de vocês fique e desfrute da sobremesa. Quanto à minha esposa, eu não vou convidá-la para apodrecer no inferno, coisa que eu provavelmente deveria fazer, porque acho que ela já vive lá. Pelo menos é no inferno o lugar onde qualquer pessoa que passe algum tempo com ela sente que está.


Ele merecia uma ovação em pé. Mas simplesmente recebeu olhares de boca aberta, enquanto se afastava da mesa. Sophia foi a primeira a falar: – Mas que drama... – Ela provou um pedaço de seu frango. – Eu estava simplesmente apontando que nós tivemos a chance de um neto Pierce, e agora ela se foi. – Por falar em drama... – Ainda que sua cabeça estivesse abaixada, Adam falou alto o suficiente para que toda a mesa ouvisse. Sophia olhou para o seu genro, mas foi Hudson quem chamou a atenção de todos: – Eu poderia ter um filho com Alayna. Eu quase engasguei com o pedaço de comida na minha boca. Claro, eu estava pensando que Hudson poderia ter um filho, mas não tinha por um momento passado pela minha cabeça que ele teria um filho comigo. Tudo bem, talvez essa ideia tivesse cruzado minha mente por um momento. Mas um momento bem rápido. Certamente não era um pensamento que eu tivesse partilhado em voz alta. Mas, quando Hudson falou, o fez em voz alta, para todos, e um calor estranho se espalhou através do meu peito. Não era aquela queimação do desejo, mas algo diferente. Algo relacionado com o amor que eu sentia por esse homem, misturado com uma pitada de esperança. Eu queria compartilhar esse sentimento com ele, que ele soubesse o que essa declaração causara em mim, e tentei pegar seu olhar. Mas Hudson estava focado no prato em frente a ele, dando outra mordida em seus crepes como se essa conversa de ter filhos, e ter filhos comigo, fosse uma conversa normal de todos os dias. Talvez ele não quisesse dizer nada com isso. Senti a bolha de calor se dissipar quando reconheci a possibilidade de que ele disse aquilo apenas como uma frase para irritar a sua mãe. Nesse caso, funcionou. Sophia pousou o garfo e virou-se na cadeira, com a ira ardente


atravessando a máscara gelada que ela normalmente usava. – Vocês já estão falando de casamento e filhos? É cedo para isso, Hudson. Incrivelmente cedo. – Ah, mãe, não seja tão antiquada. Ninguém precisa se casar para ter filhos. – Hudson tomou um gole de seu vinho, continuando a fachada indiferente. Mas, quando ele pousou o copo de novo, peguei a contração de sua mandíbula, a única pista a indicar que, por dentro, ele estava fervendo. – E o que Alayna e eu estamos discutindo, francamente, não é da sua conta. Os olhos de Sophia se estreitaram. – Você tocou no assunto. – Eu estava simplesmente dizendo que poderia ter um filho e que ele iria continuar tanto a sua preciosa linhagem quanto seu precioso sobrenome. – Sua voz estava estranhamente calma e forte ao mesmo tempo. Eu imaginava que esse era o tom que devia usar na sala de reuniões. Era poderoso. Controlado. Sexy como o diabo. E, então, Hudson disse a grande frase: – E a única pessoa com quem eu poderia imaginar querer ter um filho é com Alayna. O impacto não foi menor do que tê-lo ouvido pronunciar essa possibilidade um momento antes. As palavras flutuaram no ar, como se todos os outros sons tivessem sido silenciados, como se fosse o violino principal em um concerto de cordas. Um som agudo e solitário que fez as pessoas o notarem. De uma só vez, todos os três Werner se ajeitaram em seus assentos, e mesmo que Celia e Hudson nunca tivessem sido um casal formal, nunca tivessem sido destinados a ficar juntos, a tensão criada por essa declaração era tão extrema quanto um arco de violinista cruzando uma nota errada. Era muita coisa. Era demais. – Hudson, eu... Minha voz sumiu. Eu não tinha ideia do que pretendia dizer. Eu só


queria que a tensão acabasse, para me livrar da corrente de ódio que sentia se derramando sobre mim, vinda de tantos olhos. Hudson pegou a minha deixa. Colocando a mão, de forma reconfortante, na minha perna, ele me deu um olhar de desculpas antes de se voltar para Sophia. – O ponto é que você precisa deixar o passado para trás, mãe. – Seu tom era suave, mas ainda tinha solidez. – Ainda há um futuro para buscarmos. Para todos nós. Ele se virou para mim, os nossos olhos se encontraram, e então, em vez de eu dizer como me sentia ao ouvi-lo falar sobre um futuro comigo, ele foi quem me disse. Hudson me disse com aquele longo olhar silencioso, sua mão acariciando para cima e para baixo a minha coxa de uma maneira que era mais reconfortante do que sexual. Com aquele olhar ele disse tudo, o quanto acreditava em nós, como estávamos bem. O quanto ele me amava, mesmo que ainda não conseguisse dizer essas palavras. E então as lágrimas que consegui evitar antes encheram meus olhos. – Se você me der licença – disse, rompendo o nosso olhar. – Eu preciso ir ao toalete. Cheguei ao banheiro e entrei em dos cubículos, antes das lágrimas se derramarem. Não eram muitas, eram poucas, cada uma delas feliz, doce e cheia de promessas. Com amor. Ouvi a porta do banheiro se abrir e se fechar um punhado de vezes antes de eu terminar meu breve choro. Fiz xixi, e então, depois de lavar as mãos, fui até o espelho para retocar o rosto. Felizmente, o choro não marcou muito o meu rosto. Continuei a sorrir como uma idiota quando me inclinei para o espelho para enxugar a pequena mancha de rímel debaixo do olho esquerdo. – Você está perfeita – disse alguém atrás de mim. Olhei para os lados, encontrando Celia no espelho. Imediatamente o meu sorriso desapareceu.


– Você só precisa de um toque de brilho. Eu tenho um, se você quiser emprestado. – Ela abriu a minúscula bolsa e tirou um batom. – Não, eu não quero nada de você. – Passei por ela, indo para a saída. Mas ela me agarrou pelo braço. – Ei, espere! Puxei meu braço para longe de seu alcance, mas parei em minha retirada. Eu poderia muito bem ouvir o que ela iria dizer, qualquer grandiosa desculpa por manter o jantar de aniversário de Sophia em segredo para mim. Dobrando os braços em uma posição dramaticamente entediada, assenti com a cabeça para ela falar. A Celia naturalmente equilibrada por uma vez pareceu desconfortável, mexendo-se de um pé para outro. – Eu não vou esperar a noite toda. Fala. Sua testa franziu em confusão. – Por que você está com raiva de mim? Eu pude sentir a tensão durante todo o jantar. Você nem sequer olhou para mim. É por isso que eu a segui até aqui. Por que você está com raiva? – Não se faça de idiota, Celia. Isso não combina com você. – Eu não estou brincando. Diga. – Seus braços estavam ao lado do corpo, com o corpo em uma posição totalmente aberta, como se ela não tivesse nada a esconder. – Por favor. – Celia... Será que eu estava sendo ridícula? Mais uma vez? Talvez eu estivesse me deixando influenciar pelo aviso secreto de Stacy sobre ela. Eu suspirei, decidindo colocar tudo para fora. – Eu estive com você de tarde e você não mencionou nada sobre o jantar de hoje à noite. E você sabia que eu não sabia, porque lhe disse que não tinha planos de ver Sophia tão cedo, e que eu tinha uma reunião hoje à noite. E durante todo esse tempo ouvi você dizendo que estava torcendo


por mim. – Minha voz era calma, direta, menos acusatória do que eu sentia. Talvez estivesse aprendendo com Hudson... Celia ecoou meu suspiro. – Você está certa, você está certa. – Ela olhou para seus sapatos, murmurando: – Eu pensei que poderia ser isso. – O olhar dela encontrou o meu novamente. – Eu não disse nada, você está certa, e deveria ter dito. Mas você estava feliz e radiante, e as coisas estavam indo bem, e quando percebi que Hudson não tinha contado sobre o jantar, não quis agitar as coisas entre vocês dois. – Ou você queria Hudson sozinho esta noite. – Não! Eu já disse, não estou atrás de Hudson. Ela passou a mão pela testa, delicadamente, como se não quisesse estragar a sua maquiagem, mas tão acostumada ao movimento cauteloso que fazia isso automaticamente. Celia era um puro-sangue por completo. Uma coisa tão fora do meu alcance. Eu dispensei o flash de inveja e prestei atenção em suas palavras. – Olha, Laynie, eu estou do seu lado. Estou. Você não consegue ver o que teria acontecido se eu tivesse tocado no assunto? Você teria encurralado Hudson e, claro, teria que contar a ele como tinha descoberto... E isso significaria ter que confessar sobre nós duas conversando pelas costas dele. E ele trouxe você aqui, de qualquer maneira! Então, tudo deu certo. Tudo está bem! – Sim, está tudo ótimo. Eu reagi antes de realmente digerir suas palavras. Mas, assim que fiz isso, enxerguei a verdade no que Celia havia dito. Honestamente, se nossos papéis fossem invertidos, eu provavelmente teria feito o mesmo. Mordi o lábio. – Deus, eu sinto muito. Eu só... Eu não sei em quem confiar. Parece que muitas pessoas estão contra nós. O rosto dela desanuviou-se, sua preocupação foi substituída por um


sorriso reconfortante. – Isso não é verdade. Sophia está contra você. Ela é a única. E os meus pais, mas eles estão apenas tentando fazer o que acham que é melhor para mim. É uma coisa boba de pais. Eles não entendem. Obviamente. Ela quis dizer que eles não entendiam que ela nunca tinha dormido com Hudson. Eles não percebiam que o bebê não era dele. – Por que você não conta a eles? Faz muitos anos, você mesma disse. Por que você ou Hudson não admitem a verdade sobre o bebê? – Estive pensando sobre isso desde que descobri. Isso resolveria muitos problemas. – Se você realmente se importasse com a felicidade dele, contaria a verdade e o libertaria. – Parece que seria a coisa certa a fazer, não é? – Seus olhos ficaram vidrados enquanto pensava, lembrando-se dos fatos, talvez. Quando seu foco voltou, sua expressão era de desculpa. – É... É complicado. Eu não posso dizer mais do que isso. Sinto muito, gostaria de poder. Mas envolve mais do que apenas eu. Você tem que confiar em mim, assim é melhor para todos. Hudson inclusive. Isso era uma coisa que me incomodava, existir algo sobre a situação que eu não soubesse, e que Hudson tinha decidido não compartilhar. Mas talvez Celia estivesse simplesmente inventando desculpas por não estar pronta para deixar seus pais saberem a verdade. – Como eu disse, eu não sei em quem confiar. – Alayna... O uso que ela fez de meu nome me fez encolher. Ninguém me chamava de Alayna, senão Hudson. O nome não era para ela usar. Era para ele. A porta se abriu atrás de nós e alguém entrou. Nós duas ficamos em silêncio até a mulher entrar num cubículo vazio. – Não dá para falar aqui. Mas você tem meu número. Ligue, se você precisar de alguma coisa. Para resolver as coisas ou apenas para conversar. Hesitei. A noite tinha me mostrado muitas coisas, uma das quais era a


facilidade com que guardar segredos poderia nos separar, Hudson e eu. Eu não queria continuar mentindo para ele. Talvez esta fosse uma boa oportunidade de acabar com a minha amizade com Celia. Talvez até mesmo passar a limpo os nossos encontros durante o almoço até o momento. Parecendo sentir a minha relutância em beijá-la e fazer as pazes, Celia colocou a mão sobre a minha. – Eu quero que as coisas funcionem bem para Hudson, e mais do que você pode imaginar. Acredite em mim. Celia deu mais um sorriso branco brilhante antes de sair do banheiro. Puxei meu telefone do sutiã e pensei em apagar o contato dela. Era certamente a coisa mais segura a fazer. Mas, por outro lado, ela vinha sendo útil para mim, fornecendo de Hudson uma visão que eu não tinha. E ela era importante para ele. Não seria eu a causadora de problemas por separar os dois. A antiga Laynie teria feito exatamente isso. A velha eu, a outra, antes da terapia. Eu teria feito Hudson escolher. Ela ou eu. Agora, por mais que parecesse ótimo me livrar dos Werner, não tinha vontade de forçar um ultimato. E, além de ser incrivelmente irreal e prejudicial a todos, eu tinha certeza de que Hudson nunca iria aceitar.


13 Apenas alguns segundos depois que Celia saiu, e eu já tinha guardado o meu celular de volta no sutiã, Mira entrou no banheiro e foi para perto do espelho. Uma vez que não ouvi a descarga e nem a água correndo na pia, percebi que Mira devia estar esperando algum tempo por ali. O rosto dela estava mais sério do que eu já tinha visto, e alguma coisa sobre sua expressão fez eu me sentir inexplicavelmente culpada. – Ei – saudei, tentando afastar aquela sensação estranha. Ela me perfurou com seus olhos castanhos. – Você estava falando com Celia. – Sim – coloquei minha mão sobre o balcão para me apoiar, mesmo que não tivesse feito nada de errado. Nós estávamos em uma reunião familiar, oito pessoas no total. Será que realmente não se poderia esperar que eu conversasse com algum dos outros convidados? Com a única amiga do meu namorado? – Não acho que você devesse fazer mais isso. – A voz de Mira era ausente de qualquer repreensão. – Por quê? Ela suavizou a expressão quando deu um passo em minha direção, sua personalidade fervilhante retornando. – Celia é a sua concorrente, Laynie! Tipo, Hudson está totalmente fissurado em você e em ninguém além de você, mas Celia está atrás dele. Ela imagina-se casada com ele já faz muito tempo, é um caso já concretizado na cabeça dela. – Eu sei, eu sei. – Uma pontada estranha de piedade tomou conta de mim. Talvez Celia realmente não quisesse mais Hudson, e todo mundo ficava dizendo que ela queria, acusando-a de algo que há muito tinha superado. Eu entendia como era essa sensação. Ser considerada louca ainda


por muito tempo depois de te ficado melhor. Engolindo em seco, expressei a defesa que surpreendeu até a mim: – Ela diz que não está, Mira. Indo atrás dele, quero dizer. Celia parece realmente ter superado isso. Ela tem me apoiado bastante, na verdade... Mirabelle afofou a parte de trás de seus cabelos. – Tudo bem. Talvez seja verdade. Eu posso estar exagerando. Mas eu a conheço a minha vida toda, e ela nem sempre foi a melhor pessoa. Eu podia imaginar o que pareceu para Mira quando Hudson abandonou Celia de coração partido e devastada. Para a adolescente impressionável que Mira deve ter sido, seria fácil culpar Celia pelo horror que tinha cercado Hudson na ocasião. Especialmente com ela sendo tão dedicada ao seu irmão como era. Mas Mira era uma adulta agora. Ela tinha que ver que a história era maior do que pensava, mesmo que ela não soubesse de todos os detalhes. – Hudson nem sempre foi a melhor pessoa também – lembrei a ela. A decepção atravessou seus olhos. – Eu não estou dizendo que não estou a fim de Hudson. Só que não me importo com o que ele fez ou o que ele foi. De verdade. – Eu ficaria ao lado dele sempre, não importava o que passara, assim como ele ficou ao meu lado com toda a merda que eu tinha feito. – É só que nós já fomos pessoas piores. – Exceto, provavelmente, Mira. – Pelo menos muitos de nós têm sido pessoas piores – corrigi. – Tenho certeza de que isso é verdade. – Ela deu um passo em minha direção, colocando a mão levemente no meu braço. – Mas não pense que Celia seja seu único recurso, está bem? Se você precisar conversar, Laynie, ligue-me. Ou melhor ainda, fale com Hudson. Minha cabeça latejava com todo esse vai e vem, acusar Celia, defender Celia, confiar em Celia, não confiar em Celia. A verdade é que a única pessoa que eu realmente precisava defender era Hudson. A única pessoa em quem eu precisava confiar era nele.


Sim, ele era o único a quem eu deveria me dirigir quando precisasse de alguém para conversar. Ele era o único que importava. O único que sabia como me acalmar. – Eu vou falar com Hudson. Boa ideia. Ela sorriu. – Às vezes eu tenho. Boas ideias. Cérebro de grávida e tudo o mais. De repente, senti como se tivesse ficado afastada de Hudson por tempo demais e ansiava por vê-lo. A dor da ansiedade se dissipou no momento em que saí do banheiro, e o encontrei me esperando, sua postura forte e cem por cento masculina, os olhos brilhando com a minha visão. Ele nunca deixou de fazer meus joelhos estremecerem. Com um aceno, Mira foi em direção à nossa mesa bem atrás de Celia. Ela deve ter ficado por ali mesmo depois de sair do banheiro. E eu tive que adivinhar, apostando, que Celia tentara puxar assunto com Hudson. Tudo bem. Totalmente bem. Previsível até. Não era ela que ele estava esperando. Era eu. Sempre. Hudson pegou a minha mão quando me aproximei dele. – Você está pronta para ir embora? Apesar de não ter terminado a minha refeição, ir embora dali parecia uma ideia celestial. – Eu pensei que você nunca diria isso. – Então, vamos embora. Ele parecia distraído quando me puxou em direção à frente do restaurante, mas quem não ficaria assim depois da noite que tivemos? Nós quase tínhamos conseguido passar pela mesa do maître quando Sophia entrou na nossa frente. – Você estava pensando em fugir sem uma despedida apropriada? Revirei os olhos. Mas Hudson, controlado como sempre, apenas levantou uma sobrancelha. – Você estava aqui esperando para me atacar, caso eu fizesse isso?


Sophia franziu a testa, que de tão cheia de Botox mal se mexia. – Claro que não. Eu me afastei para chamar o meu carro. É falta de educação fazer essas coisas à mesa. Seu tom foi de desaprovação. Como se tivesse sido Hudson a ter ficado mexendo no telefone durante toda a noite, em vez de seu outro filho. Hudson apertou a minha mão. – Eu já me despedi de você, mãe. – Você, sim. – Ela apontou a cabeça para mim. – Ela não. Na verdade, eu não me lembro dela dizendo nem olá. Meu estômago se apertou, e mil respostas ásperas passaram pela minha mente em meio segundo. Entendo a dica de Hudson, optei por manter a calma. – Nem você. – Não mesmo. – Seu sorriso era apertado, mas seus olhos brilharam. De repente eu entendi que ela gostava de brigar comigo. Se eu fosse inteligente, então não iria reagir. Isso tiraria a sua satisfação. Mas talvez eu gostasse da brincadeira também, do desafio semelhante a um bom jogo de xadrez. – Na verdade, achei que foi muito inteligente de sua parte, Sophia. A noite foi muito boa enquanto estávamos fingindo que a outra não existia. Você não acha? – Obrigada. Foi não planejado, tendo em vista que eu não sabia que você viria até uma hora antes, quando Hudson me ligou para dizer. – Sophia estava me provocando, tentando me irritar, deixando-me saber que eu não estava na lista de convidados. Teria sido uma jogada brilhante se eu já não soubesse. E joguei minha resposta suave: – Ah, você ligou, H? Eu pensei que faria uma surpresa com a minha presença. – Sim, eu telefonei enquanto você estava se vestindo. Decidi que Sophia


poderia se comportar melhor se estivesse preparada. – Hudson assumiu meu jogo direto. Embora ele preferisse me manter protegida das artimanhas de sua mãe, geralmente se divertia com a maneira como eu lidava com ela. As costas de Sophia se endireitaram, uma contradição à forma como ela deve ter se sentido, sua jogada fora combatida facilmente. – Sim, deu certo e funcionou muito bem. Eu vou lembrar dessa tática de ignorar da próxima vez. Minha jogada: – Então você finalmente aceitou que haverá uma próxima vez? – Xeque. O sorriso dela se alargou, como se eu tivesse caído em uma armadilha. – Eu não sou nada se não for realista, Alayna Withers. A questão permanece, quantas vezes isso irá se repetir? Estou na vida de Hudson permanentemente. E você? Minha compostura vacilou, meus ombros ficaram tensos, com o meu corpo se preparando para uma luta. Hudson interveio: – Mãe, pare com isso. É seu aniversário. Que seja um dia feliz para você. Se você é infeliz, é só porque não se permite desfrutar de nada. – Ele me soltou e abraçou Sophia desajeitadamente, dando-lhe um beijo seco no rosto. Pela milionésima vez, eu me perguntei sobre o relacionamento entre mãe e filho. Levou muito menos para eu cortar o meu irmão da minha vida. Claro, isso só tinha acontecido há poucos dias. Eu não podia falar o que iria acontecer entre nós. E só podia adivinhar como tinha sido o passado de Hudson e Sophia. Os detalhes estavam escondidos de mim, assim como quase tudo na vida de Hudson. Tempo, lembrei a mim mesma. Eu aprenderia sobre ele com o tempo. Hudson interrompeu o abraço, as mãos empurrando suavemente os ombros de Sophia.


– Você cheira a sexo – disse ela, quando o filho se afastou. Não pude evitar tomar isso como um elogio. – Estou surpreso que você reconheça o cheiro. Sem tirar os olhos de sua mãe, Hudson pegou minha mão novamente. Enfiei minha mão contra a sua e absorvi a faísca elétrica que sempre atravessava o meu corpo com o seu toque. O olhar de Sophia deslizou por nossas mãos conectadas e de volta para o rosto de seu filho. – Eu não sou uma puritana. Hudson balançou a cabeça uma vez, entediado com a conversa. – Não, ninguém está lhe acusando disso. Estou simplesmente chocado que você ainda consiga cheirar qualquer coisa além do cheiro do uísque. – E xeque-mate. – Vá para casa, Hudson. – Com prazer. Nós pegamos o elevador em silêncio e também continuamos assim na limusine. Havia muita coisa sobre o que pensar, Jack e Sophia, Celia e Mira. Assim como muitos aspectos da noite sobre os quais refletir, muitas razões para ficar confusa e atrapalhada. A única coisa sobre a qual não estava confusa era Hudson. Não mais. Não desde o terraço, quando ele tinha feito algum tipo de truque de magia sexual que aliviara todos os meus medos sobre ele. Ele detonou as minhas dúvidas e mandou-as embora, disse as palavras certas, e pela primeira vez, bem, eu nunca pensei que talvez eu pudesse ser uma garota normal em um relacionamento normal com um cara normal. Certo, eu nunca seria uma garota normal, e Hudson nunca seria um cara normal, mas talvez tivéssemos encontrado a coisa mais próxima da normalidade que seríamos capazes de alcançar. E isso era muito bom. Enquanto observava distraidamente os edifícios que passavam pela janela da limusine, nem sequer passou pela minha cabeça perguntar para


onde estávamos indo, se para o Bowery, ou se estava sendo levada para meu apartamento. Hudson não tinha dado nenhuma instrução para o nosso motorista. Eu simplesmente tinha como certo que iria passar a noite com meu amante. Hudson devia pensar o mesmo, porque Jordan estacionou no meio-fio em frente ao arranha-céu onde Hudson morava. Foi só quando estávamos na cobertura e o silêncio entre nós persistiu que me dei conta de que não era apenas eu que estava perdida em meus pensamentos. Hudson também estava. Não era incomum esse homem ficar sozinho com seus pensamentos, assim era o homem que conheci e por quem me senti atraída. Mas, mesmo quando eu o tinha visto consumido com seu trabalho, ele sempre teve uma parte de sua atenção dedicada a mim que, ainda que sutil, era inconfundível. Mas, nessa noite, estava diferente. Saímos do elevador e, sem uma palavra, Hudson imediatamente se dirigiu para a biblioteca. Eu segui atrás dele, sem saber muito bem o que fazer. E embora os livros já estivessem na biblioteca, ele nem sequer deu um olhar para as prateleiras. Foi diretamente para a sua mesa, jogou o casaco nas costas da cadeira e sentou-se. Sem olhar para mim, ele disse: – Eu tenho algum trabalho a fazer. Provavelmente vai ser a noite toda. Não precisa me esperar acordada. – Ah. Tudo bem. Havia em meu tom de voz mais choque do que mágoa. Nós nunca tínhamos ficado sozinhos sem estarmos juntos. Isso era... Estranho. Por alguns segundos, fiquei ali em pé, congelada, sem saber o que devia fazer. Então, me veio o senso comum: – Você precisa de alguma coisa? Uma bebida, talvez? Ele vasculhou alguns papéis em sua mesa, franzindo a testa ao ver um deles. – Eu posso preparar para mim um uísque mais tarde. – Então, voltou-se


para o computador e se desligou de mim. Eu poderia fazer o uísque dele. Eu queria fazer, na verdade, porque então me sentiria necessária. Como se tivesse um propósito em estar lá. Mas o tom de Hudson era definitivo. Ele não queria que eu o servisse, por algum motivo, e mesmo se eu o ignorasse e preparasse sua bebida, já sabia que ele não iria prová-la. Provavelmente não iria nem perceber que a bebida estava lá. Fiz-lhe a bebida, de qualquer maneira, deixando-a no canto da mesa. Ele me viu, eu sabia que tinha visto. Mas, como eu suspeitava, não respondeu. Ele tinha ido a algum lugar, algum lugar distante. A algum lugar que não estava disposto a me levar. Escapuli para o quarto e me sentei na beirada da cama, ainda desfeita da noite anterior. Hudson Pierce, obscenamente rico e poderoso, nem sequer tinha alguém que viesse fazer a cama todos os dias. Um pensamento trivial, mas foi o que passou pela minha cabeça. Em seguida, as perguntas vieram, aquele constante exame do qual a minha mente nunca se cansava, aparentemente. O que provocara esse estado de espírito distante de Hudson? Teria sido aquela última conversa com sua mãe? A noite em geral? Talvez ele simplesmente tivesse trabalho a fazer. Quer dizer, ele esperava que eu ficasse no Sky Launch a noite toda. Ou seja, não tinha planejado ficar comigo e me entreter. E eu não deveria ter esperado que ele o fizesse. Nós tínhamos encontrado um ao outro, mas isso não significava que o resto de nossas vidas estivesse parado. Nós ainda tínhamos coisas para fazer, responsabilidades. Especialmente um homem como ele. Eu tinha certeza de que não era por minha causa, não éramos nós. Ele me reivindicou, da última vez, há apenas duas curtas horas. Eu era sua. Seu humor não era por minha causa. Como mais uma prova, caso precisasse, Hudson me trouxe para a casa dele, quando poderia ter facilmente me levado para meu próprio


apartamento. Ele me queria lá, mesmo que não pudesse ficar comigo inteiramente. Eu sabia disso. Sabia? Respirei fundo, deixando meus músculos tensos relaxarem, enquanto expirava. Então, deixei de lado. Deixei de lado tudo isso – os pensamentos, as preocupações, as dúvidas. Não ia bancar a psicopata. Não mais. Chega de ficar obcecada. Não havia mais nada a examinar. Apenas deixar ir. A clareza se estabeleceu. As pessoas ficam mal-humoradas. Eu ainda era praticamente uma estranha na vida de Hudson, as relações interpessoais eram novas para ambos, e eu não poderia esperar que qualquer um de nós fosse perfeito em se comunicar um com o outro tão cedo assim. Tínhamos que aprender, e isso levava tempo. Tínhamos tempo. Olhei para o apartamento vazio, considerando o que fazer comigo mesma. Assistir à TV? Ou ler um livro? Havia muitos para escolher. Eu poderia me juntar a Hudson na biblioteca, trabalhar em desempacotar os livros. Mas meu instinto me disse que ele precisava de seu espaço. Embora Hudson tivesse me ignorado quando pedi a ele para me deixar em paz no terraço, essa tática não funcionaria em sentido inverso. Hudson não gostava de ser tratado como eu fui. Eu gostava de ser tratada por ele daquele jeito. Adorava. Implorava por isso. Hudson, porém, era um caso diferente. As suas paredes não eram tão fáceis de ultrapassar. Eram montanhas. Eu tinha que escalá-las cuidadosamente, de forma firme e segura. Às vezes, precisava relaxar em uma margem e esperar até que o tempo ficasse melhor, antes de começar a minha escalada ascendente novamente. E, às vezes, chegaria ao topo de uma parede, e ele estaria lá, esperando, e juntos nós poderíamos apreciar a vista de tirar o fôlego.


Agora eu estava em uma dessas margens. Congelando. Mas ri de mim mesma. Quem pensou que eu seria capaz de relaxar quando se tratasse de um homem? No entanto, lá estava eu, sem agir como uma louca, não importava aonde minha cabeça quisesse ir. Levantei-me e olhei para mim mesma no espelho da cômoda. Será que eu parecia diferente? Paul tinha dito que sim. Será que meus olhos brilhavam mais do que antes? As sempre presentes olheiras escuras em meus olhos estavam mais claras? Era assim que a gente ficava quando estava mentalmente saudável? Porque, mesmo que o meu reflexo não mostrasse nenhuma mudança, isso me era completamente novo e surpreendente. Quer dizer, mesmo que o atual temperamento de Hudson fosse desconcertante e misterioso, eu me sentia bem. Forte. E seguiria adiante. Se ele ia ter crises de isolamento, eu preferia ainda assim estar perto dele fisicamente, mesmo que estivesse longe dele emocionalmente. Além disso, naquela noite, ambos tínhamos provado que poderíamos enfrentar o estresse, e parecia que sempre conseguíamos fazer isso melhor se estivéssemos juntos. Já eram mais de dez horas da noite, mas decidi correr. Troquei de roupa, entrei no ginásio da cobertura e passei quarenta minutos na esteira, seguidos de um banho rápido. Então, depois de pensar se vestiria uma camisola ou uma camiseta, ou simplesmente minha calcinha, escolhi ficar nua e fui para a cama sozinha. Eu queria que fosse uma mensagem para Hudson: Eu estou nua para você. Nua para você. Não há mais muros, não mais emoções guardadas. Quando se juntasse a mim mais tarde, ele veria. Teria o que eu não fora capaz de falar no momento, um eco das palavras que ele havia repetido para mim várias vezes, mais cedo: Eu estou com você. Eu estou com você. Acordei algum tempo depois, no quarto às escuras, deitada de lado, com o braço de Hudson em torno de mim, sua mão acariciando meu seio.


Silenciosamente, ele beijou ao longo do meu ombro e meu pescoço. Suspirei, e mesmo meio dormindo, meu corpo ficou imediatamente em sintonia com o dele, pronto, querendo. Deslizando a mão entre as minhas coxas, esfreguei o meu clitóris, e ele empurrou para dentro de mim com facilidade. Em apenas alguns instantes já tínhamos encontrado o nosso ritmo, a nossa respiração pesada quando seguimos juntos para o mesmo objetivo. Enquanto meu clímax se aproximava, os meus dedos ansiavam por estar deslizando para cima e para baixo no peito de Hudson. Alcançar atrás e pegar a sua bunda não era suficiente. Minhas mãos se sentiam vazias e um pensamento vago flutuou pela minha mente, que nossa posição refletia o estado atual da nossa relação. Ambos olhando para a frente, trabalhando juntos em direção a um mesmo resultado, mas com Hudson ainda não completamente ao meu alcance. Minhas mãos procuravam pegar algo que eu não conseguia entender. Terminamos quase juntos, e nos deitamos sem nos mexer ou falar. Quando a respiração se acalmou e voltou ao normal, eu quebrei o silêncio: – Onde você estava? Mais cedo. Ele esfregou o nariz nos meus cabelos. – Será que isso importa? Estou aqui agora. Eu disse a Mira que iria conversar com Hudson. Mas o que deveria fazer quando ele se fechasse desse jeito? Mesmo agora, no meio da nossa intimidade, ele deixava parte de si trancada. E talvez fosse melhor assim. Porque as partes que ele abria eram brilhantes e ofuscantes, como um farol na escuridão. Então deixei minhas perguntas rolarem para longe, evaporando-se em nada, quando Hudson me virou para ele, me alinhando debaixo de seu corpo. Talvez essa conversa toda não fosse necessária agora. Nós falaríamos do jeito que fazíamos melhor, com o contato físico, nossos corpos balançando em ondas simultâneas. Juntos.


– Mon amour. Mon princesse – disse ele ao meu ouvido. – Mon chéri. Mon bien-aimé. Ele estava falando em francês. Disse que faria isso mais tarde. Então, joguei as pernas em torno de seus quadris e inclinei-me para dentro ele. Embora as palavras fossem desnecessárias, ele as murmurou mais e mais vezes enquanto fizemos amor novamente. Entre os beijos que ele deu no meu pescoço e na minha boca, enquanto rolava para dentro e para fora de mim, ritmado com a bela poesia em sua fala. – Je suis avec vous. Sempre. Eu estou com você, mon princesse.


14 O sol ainda estava baixo e fluindo através de uma abertura nas cortinas quando Hudson soltou a mão do meu peito para olhar o relógio. – Eu sei que é sábado – disse ele, beijando-me ao longo do meu ombro – e que ainda é cedo, mas tenho alguns negócios de que preciso cuidar antes que fique tarde. Então voltarei para comer você sem parar, pelo resto do fim de semana. – Tudo bem. Se você tem que fazer isso. – Eu ainda estava me recuperando de dois orgasmos de bom-dia, quase incapaz de formar frases, e muito menos fazer qualquer coisa que exigisse algum tipo de pensamento. Mas eu tinha uma tarefa importante para realizar. Uma que eu vinha evitando. – Tenho algumas coisas para fazer também, por isso está tudo bem. Sorte sua. – Sorte mesmo, verdade. Hudson tomou banho primeiro, enquanto fui correr na esteira. Quando terminei o meu treino, Hudson tinha se retirado para a biblioteca. Tomei banho sozinha, e então me sentei na beirada da cama, com a toalha enrolada em volta de mim, o telefone na mão e contemplando a chamada que eu precisava fazer. Fiz quatro tentativas de discagem rapidamente seguidas por cancelar antes que eu tivesse coragem suficiente para deixar a chamada seguir em frente. Então, eu ouvi o toque do outro lado da linha, e, sabendo que o meu número seria reconhecido, não pude desligar. Ele provavelmente não ia atender, de qualquer maneira, então por que eu estava sendo tão covarde? Pareceu uma eternidade, mas finalmente meu irmão respondeu: – Ah, meu Deus, Laynie, você está bem? Sua preocupação me irritou. Ou não era verdadeira ou era um pouco tarde demais.


– Claro que estou. Por que não estaria? – Eu não tinha respondido as ligações dele, mas isso não deveria ter sido motivo para tanto alarme. – Porque você não esteve na boate durante toda a semana. – Do que você está falando? Eu estive lá todos os dias. Ele parecia exasperado: – Eu liguei e pedi para falar com você todas as noites esta semana e você nunca estava lá. No começo, pensei que você tivesse dito à equipe que não atenderia meus telefonemas, mas depois dei um nome diferente e liguei de um telefone diferente. – Jesus, Brian, eu não percebi que a mania de perseguição era genética. – Rá-rá. – Seu tom de voz não era divertido. Ele nunca gostava quando eu brincava com a minha doença. E era exatamente por isso que eu brincava. – Eu não estava na boate porque não estou mais trabalhando à noite, seu idiota. – Como se fosse da conta dele. No entanto, alguma coisa em mim não pôde me impedir de contar a ele. Para me gabar, para buscar a aprovação: – Eu consegui uma promoção. Estou trabalhando com marketing e planejamento promocional. Trabalhando de dia. Como você queria. – Ah. Uau. Parabéns, Laynie. Estou orgulhoso de você. Por meio segundo eu me senti aquecida e meio tonta com o elogio. Lembrei-me então que merda ele tinha sido para mim, como ele cortara o meu aluguel, como temia por minha relação com Hudson, por causa da minha história obsessiva. Sim, esse sentimento não estava lá para ficar. – Que seja, Brian. Eu não quero ouvir isso. – Mas é verdade. – Você só está feliz porque agora estou seguindo o plano que você tinha traçado para mim. – Brian tinha achado que os turnos da noite e o ambiente da boate não seriam adequados para alguém com a minha condição, apesar de que o fato de trabalhar ali ter sido o que me ajudara a relaxar, para começo de conversa. Se ele tivesse me feito seguir as coisas do seu jeito, eu


estaria hoje fazendo marketing para qualquer empresa entre as quinhentas mais da Fortune durante o dia, ganhando uma tonelada de merda de dinheiro e tendo um emprego respeitável. Mas, se eu tivesse ido por esse caminho, eu estaria tão entediada e sufocada que tenho certeza de que teria dado um tiro na cabeça na primeira semana de trabalho. – Isso não é verdade. – Ele quase parecia arrependido. E eu quase me senti mal. – Espere, você conseguiu essa promoção por causa de Hudson Pierce? Isso, sinta-se mal, sua idiota... – Não. Eu não. E foda-se muito por perguntar. – O que você espera que eu pense, Laynie? Você quer que eu mude toda a minha experiência com você só porque está dizendo que as coisas são diferentes? – Eu não sei o que espero, Brian. Por mais que eu quisesse, não poderia culpá-lo por ser rancoroso. Eu tinha sido um fardo, e, para ser justa, Brian estivera lá quando mais precisei dele. Financeiramente, pelo menos, se não emocionalmente. Na verdade, ele provavelmente estava tão machucado quanto eu. Mas entendê-lo não tornava as coisas melhores. Isso simplesmente queria dizer que eu não poderia odiá-lo. Deitei-me na cama e esfreguei os olhos. – Bem, que seja... O que era tão importante que você precisava falar comigo? Fazia uns dias ele dissera que estava cheio de mim. Então, imaginei que teria terminado toda a comunicação entre nós. Brian limpou a garganta. – O contrato de aluguel do apartamento expira este mês. Claro. Amarrar as pontas soltas. – Esse é na verdade o motivo por que eu estou dando um retorno. Estou me mudando. Então, o que você precisar fazer para terminar o contrato de


aluguel, vá em frente e faça. – Onde você vai morar? Se eu lhe dissesse que estava indo morar com Hudson, ele iria enlouquecer e se internar. – Isso não é da sua conta. – Além disso, por que ele se importaria? – Tudo bem, banque a vadia. Tenho certeza de que você acha que eu mereço. Eu ignorei sua tentativa descarada de me culpar. – O que você quer que eu faça com as chaves? – Você pode entregá-las a mim, pessoalmente, quando eu for lá. Quando você está planejando sair? – Na próxima semana ou na outra. – Conhecendo Hudson, ele me faria mudar no mesmo dia em que eu lhe dissesse que ficaria com ele. E seria uma mudança fácil, de qualquer maneira. O mobiliário pertencia ao apartamento. Mas eu não queria ver o Brian. Não havia nenhuma razão para que eu precisasse fazer isso. – Por que você precisa ir até o apartamento? – Para garantir que o lugar esteja em boas condições antes de entregálo. Quero pegar o meu depósito de volta. Sentei-me na cama. – Você esteve lá segunda-feira, Brian. E viu como o apartamento estava. E eu não o destruí depois que você foi embora, se é o que está sugerindo. Você acha que eu faria isso só porque estou chateada com você? – Eu não sei o que você faria. – A voz de Brian se ergueu. – Nada mais me surpreende quando você está envolvida. – Essa conversa é inútil. Mande-me uma mensagem de texto quando estiver na cidade e eu vou lhe dar a porra das suas chaves. Fora isso, estamos conversados. Cliquei em “terminar chamada” e joguei meu telefone na cama.


O que aconteceu para nos deixar tão separados um do outro? Eu pensei que a trágica perda de nossos pais nos faria mais devotados um ao outro, mais comprometidos. Nós certamente nos amávamos. Não havia dúvida. Mas amar uma pessoa não necessariamente a torna boa para você. Não a torna uma boa pessoa para estar em seu mundo. Isso era definitivamente um tema comum na terapia. Eu ignorei o que isso poderia significar acerca de Hudson e mim. Esse não era um território que eu estivesse disposta a explorar. Além disso, ele tinha sido minha salvação de uma forma que não tinha nada a ver com dinheiro, mas tudo a ver com apoio de verdade. Era Brian quem precisava ficar fora da minha vida. Doía-me pensar sobre o assunto em profundidade, de modo que eu não o fiz. E daí que Brian era meu único parente vivo? Não importava. Eu não iria deixá-lo me aborrecer. Sentei-me, pronta para me vestir, quando meu telefone avisou que tinha um novo e-mail. Eu raramente recebia e-mails, mas, desde que minha conta do trabalho não tinha sido criada ainda, tive que recorrer ao uso de minha conta pessoal quando mandei a proposta oficial para Julia. Pegando o meu telefone, tentei não criar muitas esperanças. Apertei o ícone de e-mail e prendi a respiração enquanto lia. No momento em que cheguei ao final do primeiro parágrafo, estava quase dançando. O e-mail era da Party Planners Plus. E era uma boa notícia. Apressadamente, vesti um short e um top sem mangas preto e branco, ignorando a calcinha por completo, e corri até a cozinha para pegar algo para comer antes de voar para contar a Hudson minha boa notícia. No balcão, achei meio bagel e uma banana esperando por mim ao lado de uma caneca de café. Sorri com a atenção interminável de Hudson. Sim, me mudar para cá era uma boa decisão. Agora só faltava lhe informar sobre essa decisão. Mas, primeiro, eu tinha que partilhar a minha notícia.


Depois de comer o bagel em três mordidas rápidas, descasquei a banana, peguei o café e me dirigi para a biblioteca. Hudson estava ao telefone quando entrei na sala, de costas para mim, enquanto olhava o horizonte da cidade. Seu tom era direto e firme, enquanto falava em uma combinação de inglês e japonês. Uau! Hudson sabia falar japonês também? Ele nunca deixaria de me surpreender, e eu adorava isso. Não querendo incomodá-lo, entrei em silêncio e fiquei à beira de sua mesa, atrás dele. Não devo ter sido silenciosa o suficiente, porque ele se virou para olhar para mim, sem interromper a conversa. Vestindo jeans e uma polo azul que acentuava seu abdômen firme, ele parecia gostoso demais... Porra, ele era sempre gostoso, mas o seu look casual era uma coisa que eu ainda não estava acostumada. Isso me deixava contorcendo de tesão. Especialmente quando o ouvia tocando os negócios. Hudson vivia me dizendo que meu cérebro o excitava. Eu me perguntei se ele tinha alguma ideia de que ele me excitava quando trabalhava também. Hudson estava igualmente encantado por mim, seus olhos não me deixavam enquanto continuava sua ligação. Talvez a maneira como eu comia a banana fosse um pouco sensual. Mas não consegui evitar. Como eu poderia, quando Hudson estava na mesma sala? Quando terminou a sua chamada, ele colocou o receptor no suporte sobre a mesa e seu olhar se direcionou para baixo do meu corpo, como sempre fazia, como se estivesse me fodendo dentro de sua cabeça. Seu olhar me excitou instantaneamente. Meu corpo estava vibrando com eletricidade, minhas pernas balançando com uma energia incansável. – Estou interrompendo? – Nem um pouco. Já terminei o meu dia. – Ele assobiou quando movi meus lábios lentamente sobre minha mordida final na banana. – Terminei com o trabalho. – Parece que o seu telefonema foi muito mais produtivo do que o meu –


Chupei a ponta do meu polegar, fingindo limpar restos de banana quando não havia nenhum. Quando comecei a passar para o meu dedo indicador, Hudson o agarrou e o chupou. – É incrível que eu pudesse me concentrar com sua boca linda engolindo a banana. Mas essa era a sua intenção, não? Eu dei de ombros. – Não faço ideia do que você está falando. Sua boca levantou-se em um sorriso. – Garota maliciosa, você. – Ele se sentou na cadeira e se virou para me encarar. – Com quem foi sua conversa? – Meu irmão. Foi doloroso. – Quer falar sobre isso? – Suas mãos deslizaram ao longo de minhas panturrilhas, enviando faíscas elétricas através do meu corpo. – Não. – Ainda não, de qualquer maneira. – Eu não vou deixá-lo estragar o meu dia, e este dia está fabuloso. Você sabe por quê? – Porque eu estou prestes a catar você? – Isso também. – Ah, isso também. Meu coração acelerou em antecipação. – Mas também porque os organizadores de eventos que conheci concordaram em assinar um contrato. – É claro que eles iriam fazer isso. Você é brilhante, lembra? – Suas mãos deslizaram pelos meus joelhos e para minhas coxas nuas, seus dedos dançando levemente sobre a minha pele. – Isso foi com a Party Planners Plus? Eu fiquei tensa involuntariamente. – Uau. Boa memória. Eu esperava que Hudson se esquecesse dos detalhes. O fato de que ele prestara atenção tornou mais difícil acreditar que não iria descobrir o envolvimento de Paul Kresh. – Somente nos assuntos em que você está envolvida.


É disso que eu tenho medo. Mas sorri, deixando-o acreditar que apreciava sua atenção, o que era verdade, geralmente. Só não onde os sócios da Party Planners apareciam. – Parabéns. Não vejo a hora de saber o que vai fazer com eles. – Ele se inclinou para dar um beijo no topo da minha coxa, tão perto e tão longe de lugares que desejavam sua boca mais profundamente. – Eu também não. – Minha respiração ficou presa quando ele me beijou novamente, desta vez na minha coxa, mas do lado de dentro. – É um começo. Estou animada com isso. Eu não tinha mais certeza de que estava falando de negócios. Hudson pegou a minha a mão e puxou-me para a frente, para me deitar em sua cadeira. – Então, nós dois temos uma boa notícia hoje. – Conte-me a sua. Minhas mãos vagaram sobre a camisa, apreciando a sensação dos músculos firmes por baixo. Hudson deu um longo piscar de olhos, e eu sabia que ele estava gostando do meu toque. Espelhando o meu movimento, as palmas de suas mãos acariciavam meus seios duros através do top. – Eu estava ao telefone com um contato meu no Japão. Pedi-lhe para preparar uma viagem para lá nos próximos dias. Minhas mãos se acalmaram. – O quê? Por quê? O Japão ficava tão longe. O pensamento de ele ir para lá, mesmo por um curto período de tempo, fez meu peito doer. – Para fazer um lance pela Plexis. – Sério? Ah, Hudson, isso é ótimo! – Eu abordei aquele cavalheiro que você ouviu conversando. Seu nome é Mitch Larson. – Hudson continuou a massagear meus seios enquanto falava, o meu corpo arqueando a cada um de seus toques. – Acontece que


ele não tem qualquer poder de venda nessa companhia, mas pelo menos arranjou para mim que fizesse uma oferta direta ao seu chefe no Japão. Eu não teria chegado à reunião se não tivesse passado por Mitch. – Gemi quando ele beliscou meus mamilos, que se tornaram dois picos orgulhosos. – E não saberia que deveria me aproximar de Mitch, se não fosse por você. Eu me contorci, tentando convencê-lo a me tocar onde eu precisava, lá embaixo, na minha boceta. – E eu nem sequer teria ido àquela festa, se não fosse por você. – Você poderia facilmente ter se afastado da conversa. Ou não se preocupado em me contar nada. Mas contou. Por isso eu lhe sou grato. As mãos de Hudson ainda em meus seios pareciam muito longe. Eu precisava delas na minha pele nua, ansiava que ele me tocasse sem uma barreira. Logo. Ele teria que me comer logo. Inclinei-me para sussurrar em seu ouvido: – Você está grato? O quanto? – Eu acho que você sabe. Ele se endireitou e eu pude finalmente sentir sua ereção entre minhas pernas. Sua boca se elevou para encontrar a minha, mas ele se demorou, esfregando meus lábios com o nariz, lambendo ao longo da curva de meu queixo. Seus dentes mordiscaram o meu lábio inferior e eu não podia aguentar mais. Colocando minhas mãos em cada lado do seu rosto, segureio firme e esmaguei meus lábios nos dele. Minha língua provocava seus dentes inferiores, até que ele enfiou a língua na minha boca. Então eu reivindiquei sua boca totalmente, sugando a língua como se fosse seu pênis, deleitando-me com o gemido que ouvi vindo do fundo de sua garganta. Suas mãos acariciaram para cima e para baixo as minhas costas, mas ainda não tinham ido para debaixo da minha camisa. Puxei o short, insinuando o que eu queria, o que eu precisava. Em vez de seguir a minha dica, ele colocou as mãos suavemente sobre os


meus ombros e me empurrou para trás. Nós dois estávamos sem fôlego, e eu, mais do que um pouco confusa, completamente excitada. Eu não conseguia ficar parada. – Alayna, tem uma coisa que eu preciso dizer. – Hudson moveu suas mãos para os meus quadris para deter a minha inquietação. – Sobre ontem. Sobre a coisa de se mudar. Caralho, ele estava voltando atrás? No meio de uma sessão de amassos realmente quente? – Sim? – Eu não quero você aqui... Hudson fez uma pausa, e eu fiquei nervosa, esperando que ele chegasse ao fim da sua declaração. Mas, então, ele continuou: – ... para que eu possa controlá-la. Eu a quero aqui porque não consigo suportar quando você não está. Eu a quero aqui porque quero você comigo, sempre. Foi perfeito, absolutamente perfeito. Deixei escapar um suspiro trêmulo. – Tudo bem. Seu corpo relaxou, seus ombros caíram. – Ótimo. Eu precisava que você entendesse. – Não, certo, eu entendo. Bem – admiti –, isso também. Mas eu quero dizer tudo bem, eu vou morar com você. A testa de Hudson arqueou com espanto. – Sério? O calor se espalhou pelo meu corpo. – Por que você está tão surpreso? Eu achei que você estivesse acostumado a conseguir tudo do seu jeito. Aposto que consegue tudo o que quer. – Sim... Quero dizer, quase tudo, sim. Mas muitas vezes eu tenho que


lutar primeiro. E eu estava preparado para lutar por isso. Por você. Foi muito mais fácil do que eu tinha planejado. – Provavelmente porque eu já tinha decidido lhe dizer sim. Mas, mesmo que não estivesse decidida, você teria me conquistado com isso. – Coloquei minhas mãos nas laterais do seu rosto. – Hudson, eu quero estar sempre com você também. E quem se importa se as pessoas dizem que é loucura, ou que é muito cedo, porque já sou louca e estou loucamente apaixonada por você. – Alayna. Sua voz era rouca e pesada, como se pronunciar o meu nome carregasse muito mais peso do que deveria ter. Como se meu nome tivesse tantos significados que Hudson não seria capaz de expressá-los. Com essa palavra, eu era levada a um estado de emoção que eu não tinha sentido antes, que era profundo e enraizado e, ao mesmo tempo, elevado e eufórico. Era estar se apaixonando novamente por alguém que eu já amava até a ponta dos dedos. Hudson moveu-se rapidamente, puxando a minha camisa em um movimento rápido; em seguida, levantou-nos da cadeira para liberar seu pênis. Eu envolvi minhas mãos em torno de seu comprimento duro, acariciando-o com uma espécie de louco desespero, enquanto ele me beijava sem parar. Com o rosto ainda concentrado em mim, ele atacou meu short com as mãos, agarrando-o como se pudesse rasgá-lo ao meio. Depois de alguns minutos frenéticos, ele alcançou a primeira gaveta da mesa atrás de mim e se atrapalhou cegamente, até que encontrou o que estava procurando – uma tesoura. Então, Hudson cortou meu short. Eu nunca imaginei que seria tão escandalosamente sexy ter minha roupa cortada, ou que alguém iria realmente fazê-lo. Uma coisa era arrancar tangas frágeis de meu corpo, outra era ter uma tesoura cortando tão perto da minha pele. Eu estava mais úmida e mais quente do que jamais


estivera, excitada com aquela necessidade raivosa de Hudson ter-me despida e exposta totalmente para ele. Assim que tinha jogado minha roupa rasgada de lado, ele passou as mãos debaixo da minha bunda e me levantou em cima dele. Eu estava tão molhada que deslizei sobre o pau facilmente, engolindo-o inteiramente. – Ah, Hudson! Eu podia senti-lo tão completamente nesse ângulo, seu pênis latejante batendo contra a parede da minha vagina, fazendo eu me contorcer em cima dele. Sentei-me para a frente, de joelhos, para que pudesse me empurrar em cima dele, levantando e abaixando a uma velocidade frenética que era mais uma reminiscência do jeito de Hudson me montar, e não do jeito que eu o montava. Meu orgasmo veio sem aviso, rasgando-me do nada, diminuindo meu ritmo. Eu lutei para manter o ritmo quando as ondas me ultrapassaram, me fazendo tremer, até que me entreguei inteira, com um longo grito de prazer. Eu mal tive consciência da cadeira girando, até que a mesa pressionou minhas costas e Hudson assumiu a função. Ele me deu uma estocada com habilidade e precisão, minhas pernas envolveram-se em torno de sua cintura quando ele mudou a nossa posição, o assento atrás dele serviria mais como um lugar para quando ele caísse, em vez de um apoio real. Quando minha visão clareou, notei as janelas atrás de mim. Embora estivéssemos no andar da cobertura do edifício e fosse altamente improvável que alguém estivesse olhando para dentro, isso ainda era possível e essa constatação adicionou um nível profundo de erotismo. A deliciosa tensão começava a se construir de novo, intensificando-se exponencialmente quando Hudson gozou dentro de mim com um gemido profundo, primal. Ele nem deu a si mesmo um tempo para se recuperar, antes que me colocasse sobre a mesa. Empurrando a cadeira de lado, Hudson ajoelhou-se


entre as minhas coxas, apoiando meus tornozelos na beirada da mesa. Eu estava nua e de pernas bem espalhadas na frente das janelas, na frente do meu amante... E estava perto do meu segundo clímax antes de a língua de Hudson me tocar. Ele não provocou ou foi mais devagar, como sempre fazia quando me comia, apenas chupou e lambeu meu clitóris com movimentos urgentes de sua língua. Eu gozei de imediato e ele ainda continuou. Era demais, muito intenso para os meus sentidos excitados, e meus quadris o empurraram para longe. – Uma vez mais – disse Hudson, antes de renovar seu ataque. – Não! – Eu me contorcia, mas suas mãos se mantinham firmes nos meus tornozelos. – Eu não aguento mais. – Uma vez mais. Ele era insistente, não se deixaria levar, mas redirecionou a sua abordagem, afastando-se do meu clitóris e mergulhando sua língua em minha vagina. Minhas mãos voaram para sua cabeça, agarrando punhados de cabelos quando ele me trabalhou para mais um clímax, sua língua lambendo minha fenda e indo de volta para o meu clitóris, e depois para baixo, para entrar de novo na minha boceta. Em algum lugar na parte do meu cérebro que ainda poderia formular um pensamento, eu sabia o que ele estava fazendo. Hudson estava me agradecendo, mostrando-me o quanto eu o tinha feito feliz ao decidir morar com ele. Seu próprio clímax veio rapidamente, mas ele podia ficar de pau duro novamente. Eu sabia disso por experiência própria. E provavelmente já estava duro, uma vez que o excitava infinitamente a perspectiva de me comer. No entanto, em vez de enterrar-se dentro de mim, ele estava me dando todo o prazer possível. Era uma mensagem, e eu a compreendi claramente. Seu esforço diminuiu, mas seu ardor permaneceu. O orgasmo seguinte


veio mais relutante e ele puxou para fora de mim com doce e prolongada dedicação, até que fui ao limite, tremendo enquanto o calor se espalhava para meus membros, torcendo meus dedos. Hudson ficou entre as minhas pernas até que eu tivesse me acalmado, me lambendo suavemente, enquanto o meu ritmo cardíaco voltava ao normal. Então ele se levantou e me levou até o sofá, me colocando para deitar. Ficou olhando para mim, com os olhos ainda semicerrados de desejo, enquanto se despia. Eu estava certa, ele estava duro novamente, duro e latejante. Hudson se deitou ao meu lado, passando os braços em volta de mim. Alisando meus cabelos com movimentos sensuais, falou baixo no meu ouvido: – Eu sei que é assustador e nossa situação não é a ideal, mas você é tudo de bom para mim. Nada neste mundo é mais importante para mim além de você. Eu posso ser o mesmo para você. Sei disso. E estou agradecido que tenha me dado a chance de provar. Mudei de posição para olhá-lo. – Você não tem nada a provar. Você já é tudo de bom para mim também. – Shh. – Ele beijou a minha testa. – Ainda não. Não tenho sido capaz de lhe dar tudo que você precisa. Minha mente se esforçava para descobrir o que ele possivelmente pensava que eu precisava e que ainda não tinha me dado. As três palavras. Essa era a única coisa que poderia pensar. Mas eu sabia que elas estavam lá, mesmo que ele não as dissesse. Sabia com todas as fibras do meu ser. – Está tudo bem, Hudson. É... Ele me cortou: – Não está. Mas eu preciso que você saiba que estou tentando e que não vou parar de tentar até chegar lá. Você me ouviu? Não desista de mim. – Ele estava veemente, sua expressão, frenética. – Eu não vou desistir de você. – Estiquei minha mão para acariciar seu


rosto e ele se inclinou para receber o meu toque. – Por que eu faria isso? Eu o amo, Hudson. Muito. Seus olhos se fecharam apertados, quase como se a minha declaração fosse dolorosa demais para ele. – Eu não mereço o seu amor. E acho que nunca vou merecer. – Você merece mais do que posso dar. – Nós temos uma diferença de opinião sobre isso. E teremos que concordar em discordar. Mais uma vez. – Ele empurrou meu ombro. – Virese – ordenou. Eu virei o corpo para o encosto do sofá e imediatamente senti a grossa ereção de Hudson pressionando atrás de mim. Levantando a perna para cima e para trás em torno dele, ele deslizou para dentro de mim novamente. – Desta vez – sussurrou ele entre beijos no meu pescoço – vamos fazer bem devagar.


15 Como eu imaginei que seria o caso, Hudson estava ansioso para fazer a minha mudança imediatamente. Correção: imediatamente após outra rodada de sexo. Explodindo de uma emoção que eu nunca tinha visto antes, ele fez alguns arranjos com o “seu pessoal”, e até o final do sábado as poucas coisas que eu possuía já estavam nas caixas e foram trazidas para o Bowery. Aconteceu tudo tão rápido que a ansiedade nem sequer teve tempo para me oprimir, e sempre que eu a sentia aparecendo, simplesmente prometia que lidaria com isso na minha sessão do Viciados Anônimos da segunda-feira. Foi fácil desencaixotar as minhas coisas. Quase todos os meus pertences couberam no armário extra do quarto – do nosso quarto. Apenas um item, um baú do casamento de minha mãe, foi colocado no quarto extra. Eu estava completamente acomodada na noite de domingo, e os músculos doloridos que ostentava não eram de carregar as caixas, mas de outra atividade física. Segunda-feira chegou muito cedo, embora não fosse terrível, porque eu adorava a nossa rotina de despertar. Nossos alarmes de celular soando, uma rapidinha no chuveiro, depois nos arrumar lado a lado nas pias, compartilhando um café rápido na mesa da cozinha – tudo isso era ótimo. A novidade ainda emocionante disso tudo, combinada com a segurança de saber que a situação não era temporária, me fazia chegar à boate como se estivesse caminhando nas nuvens, uma coisa rara para mim, já que nunca fui nem de longe uma pessoa que curtisse as manhãs. Como estava em um humor tão bom, comecei a minha jornada de trabalho abordando o que parecia ser a mais assustadora das minhas tarefas: o agendamento da reunião com Aaron Trent. Eu suspeitava que a única razão pela qual ele concordara em encontrar-se comigo foi por causa


de Hudson. Quando cancelou a reunião na sexta-feira à noite, minhas suspeitas foram confirmadas. Tudo o que era preciso seria um telefonema do meu namorado e sabia que o encontro estaria marcado novamente. Mas queria fazer isso sozinha. Já que eu não tinha o número do telefone direto para o escritório de Trent, e não queria perguntar a Hudson, tive que usar o número da agência listada em seu site. Levou duas transferências antes de chegar à assistente de Trent. – Eu preciso marcar uma reunião com Aaron Trent. Você talvez possa me ajudar. A voz do outro lado era alegre e profissional: – Eu posso levar a sua informação, mas vou ter que verificar com ele antes que qualquer horário da reunião seja aprovado. – Isso faz sentido. – Passei a mão no meu rosto. Por que diabos eu achei que seria capaz de conseguir falar com esse homem? Apesar da inutilidade, passei a informação: – Meu nome é Alayna Withers, do The Sky... – Srta. Withers – a borbulhante profissional me cortou. – Eu não sabia que era a senhorita. O sr. Trent disse que, caso ligasse, eu poderia remarcar a reunião para quando lhe fosse mais conveniente. – Ah, tudo bem... Então talvez ele não tivesse planejado escapar de mim, afinal. Fiquei agradavelmente surpresa. Não que tivesse sido enganada sobre sua presteza em marcar a reunião. Eu sabia que não tinha algo a ver comigo e tudo a ver com quem eu estava dormindo, mas também sabia que, se eu tivesse esse homem na minha frente, poderia impressionar o cara até a medula. Fizemos arranjos para uma noite no fim da semana, mas, antes que eu desligasse, fiz a pergunta que fazia a minha língua coçar: – Ei, você tem alguma ideia de por que o sr. Trent cancelou nossa reunião inicialmente? Eu sei que não é da minha conta. Só por curiosidade.


A borbulhante profissional parecia surpresa: – O sr. Trent não cancelou. Uma mulher de sua boate ligou na sexta-feira à tarde e disse que surgira um imprevisto. Pensei que tivesse sido a senhorita. Isso era impossível. Ninguém sequer sabia que eu tinha a reunião naquela noite, exceto David e Hudson. E, quando chequei da última vez, nenhum dos dois era mulher... – Não fui eu. Você tem certeza? – Sim. Eu mesma atendi a chamada. Ou alguém tinha cancelado a minha reunião na sexta-feira sem a minha permissão, ou eu estava seriamente sendo zoada. Qualquer que fosse a alternativa correta, a moça borbulhante não precisaria ficar pendurada na linha enquanto eu descobria. – Perdão. Obrigada, e, por favor, me desculpe com o sr. Trent por qualquer inconveniente que possa ter causado a ele. – Honestamente – sua voz era baixa, como se estivesse compartilhando um segredo –, isso foi melhor para ele. Ele teria sido obrigado a faltar a uma apresentação de dança da filha, se você tivesse mantido a reunião na sextafeira, e a Rachel é o tipo de garota que não aceita bem a decepção. Então você meio que lhe fez um favor, cancelando... Ah, então foi, provavelmente, essa Rachel Trent que tinha cancelado. Eu nunca fora muito próxima de meu pai, mas conseguia apreciar o fato de ela querer ficar com o dela. Eu definitivamente tinha feito coisas igualmente manipuladoras quando era adolescente. Agradeci à garota pela informação, desliguei o telefone e fui avaliar os outros itens da agenda. Eram quase três horas da tarde quando a campainha tocou na entrada de serviço. Eu chequei a câmera de segurança, já que não estávamos esperando nenhuma entrega. Era Liesl. – Estou indo – disse a ela através do interfone, e em seguida corri para


deixá-la entrar. Abri a porta e depois os braços a Liesl para que me desse um abraço de urso. Ela era uma das únicas pessoas que eu autorizava a tocar-me tão intimamente, e só nos meus termos. – O que você está fazendo aqui tão cedo? – perguntei enquanto a abraçava. – Você trabalha hoje à noite? – Não. Estou de folga hoje à noite. – Ela se afastou para me dar um high five. – Nós poderíamos sair mais tarde, se você quiser. – Quero sim. Tenho grupo às 5:30. Talvez depois disso? – Legal. Acabo de tomar café com uns amigos aqui ao lado e eles querem que eu vá a um show na semana que vem, então vim ver a agenda da próxima semana. Já saiu? – Sim, eu acho que vi. Vamos lá para cima. Subimos as escadas de volta para o escritório. Achei a folha com as escalas dos funcionários na bagunça que era a mesa de David e, quando a virei para entregar a Liesl, pulei quando vi uma figura na porta. Outro meio segundo e percebi que era Hudson. Eu quase tinha me esquecido de que ele tinha o próprio molho de chaves. – Oi! O que você está fazendo aqui? – Foi uma agradável surpresa vê-lo sem aviso, no meio do dia, embora também fosse estranho. Sua expressão era insondável. – Você precisa vir comigo. – Por quê? O que está acontecendo? – Dei um passo em direção a ele antes de reconhecer a tensão em seu corpo, o conjunto firme de sua mandíbula, a falta de brilho em seus olhos. – Ei, você está bravo comigo? Ele nunca tinha ficado realmente chateado comigo antes. Não assim, onde a raiva saía dele em ondas tão espessas que era quase palpável. – Pegue suas coisas e vamos. – Ele cuspiu as palavras, como se fosse difícil falar civilizadamente. – Essa coisa de chefe mandão é tão tesuda... – Liesl nem se incomodou


em sussurrar. É verdade que houve momentos em que eu achava a mesma coisa, um tesão esse lance de chefe mandão, mas este não era um deles. Seu tom de voz e linguagem corporal me assustavam. Eu não acreditava que Hudson fosse me machucar – não fisicamente, e não de propósito –, mas seu estado de agitação sugeriu que ele não tinha o controle de si mesmo. Cruzei os braços sobre o peito, desafiadoramente. – Hudson, eu não vou embora só porque você mandou. Preciso de mais informações. – Alayna, não farei isso aqui. – Ele estava tremendo. Eu nunca o tinha visto tão chateado assim. – Você vai pegar as suas coisas e vir. Agora. – Não era uma sugestão. Não era um convite. Não era nem mesmo uma ordem. Era um fato. Era o que eu faria, como o esperado, tão previsível quanto a minha próxima respiração. Ele tinha que estar sabendo. Essa certeza correu através de mim na velocidade da luz, deixando-me tonta e fraca. Eu não saberia dizer como ou qual dos meus segredos Hudson tinha descoberto, mas não havia nenhuma dúvida em minha mente de que ele tinha encontrado alguma coisa, e entendi com irrefutável convicção que, se eu tivesse qualquer interesse real em nosso relacionamento, então precisava fazer o que ele mandava. Hudson tinha razões para estar zangado – eram razões muito reais, muito válidas. E se eu quisesse salvar o que tínhamos, teria que aguentar sua ira. Eu merecia. Devia isso a ele. Fui pegar a minha bolsa, pronta para sair ao seu lado quando me lembrei de Liesl. – Eu... Tenho uma funcionária aqui comigo, e David só vai chegar às cinco horas, e não há mais ninguém... – Está tudo bem, Laynie. – Liesl exibiu-me a palma da sua mão e eu podia ver marcas de caneta que imaginei ser sua programação da semana


seguinte. – Eu tenho o que precisava. Vou sair com vocês. Era quase cômico que Liesl não entendesse a gravidade do estado de espírito de Hudson, que tivesse acreditado ser um comportamento comum que eu aceitasse sempre. Mas eu estava muito envergonhada para rir. Muito e profundamente envergonhada. Eu engoli a bola espessa na minha garganta e olhei para Hudson, sem encontrar seus olhos. – Preciso fechar tudo. Abri o bar quando peguei um refrigerante mais cedo e os computadores ainda estão... As mãos de Hudson estavam fechadas do lado do corpo. Sua paciência estava se desgastando. – Mande uma mensagem de texto para David e diga que precisei de você de repente. Ligue o alarme na porta principal. Vai ficar tudo bem. – Secamente, acrescentou: – Eu duvido que David vá se importar. Era David, então? Era disso que se tratava? Ou eu estava lendo as coisas de modo errado? Eu estava atordoada quando saímos, meus pés se movendo automaticamente enquanto Liesl falava sem parar sobre o novo barman. Tenho certeza de que balancei a cabeça e disse “Aham” nos momentos adequados, porque ela não se ligou na minha falta de atenção. Na porta, tive que fazer três tentativas antes de minhas mãos trêmulas digitarem o código de alarme corretamente. Nós saímos para a luz do dia, o sol ofuscante demais depois da escuridão da boate. Liesl apertou a minha mão em um adeus. – Vamos deixar para a próxima aquela saída de meninas, tudo bem? Divirta-se com o sr. Dominador – Ela mexeu as sobrancelhas antes de decolar em direção à estação de metrô. Eu olhei para a calçada e percebi que não havia automóveis familiares esperando por nós. Quando me virei para Hudson, ele estava caminhando em direção às outras lojas, já a vários metros de distância. Corri para


alcançá-lo, mas diminuí a minha velocidade antes de chegar a seu lado. Era mais fácil evitar o seu olhar se ficasse um passo atrás. Caminhamos em silêncio e minha mente se esforçou para conseguir um controle sobre a situação. Estávamos indo para o estacionamento central. Ele devia ter dirigido o carro e provavelmente estacionado em uma das vagas designadas para a boate. Normalmente só dirigia por esporte, mas hoje não parecia nem perto de estar com humor para isso. Hudson devia estar sem o motorista por outra razão. Tipo, ele estava tão irritado que nem conseguira esperar que trouxessem seu carro. Simplesmente decolou em um acesso de raiva. Tentei imaginá-lo em seu escritório, imerso em seu trabalho, quando... O quê? O que havia acontecido para fazê-lo largar tudo e correr até aqui para encontrar-me? Mas não era essa a pergunta de 1 milhão de dólares? Bem, isso tudo se tratava de Hudson Pierce, então era a pergunta de 100 milhões de dólares, de fato. Na garagem, Hudson clicou no botão do alarme em seu chaveiro, e o Maybach anunciou sua presença, estacionado, como eu tinha imaginado, em uma das vagas VIPs da boate, que eram raramente ocupadas. Apesar de sua atitude fria, ele abriu a porta do passageiro para mim e me fez lembrar a mensagem de texto para David antes de caminhar para o lado do motorista. Digitei uma mensagem rápida no meu telefone e orei para que fizesse sentido, sem parecer que eu estivesse em apuros. Mas não estava? Em grandes apuros? Não, por que eu deveria? Só porque estava apaixonada por esse homem, porque tivemos algum compromisso tácito que eu tinha quebrado com os meus segredos – nada disso significava que teria que ficar sentada aqui como uma criança desobediente à espera de sua punição. Eu era uma menina crescida. Claro, teria que assumir a responsabilidade por minhas ações, mas eu não merecia estar no escuro, tratada com tanta hostilidade e raiva.


Tínhamos acabado de sair da garagem quando decidi tomar uma posição. – O que está acontecendo? – Fui recebida com silêncio. – Hudson? – Eu não estou pronto para falar sobre isso ainda. – Uma veia no pescoço dele se contraiu. Eu nunca tinha visto Hudson assim. Nem mesmo quando ele me acusou de estar envolvida com David. David. Se eu tivesse que dar um palpite, apostaria que era ele a fonte de sua ira. Ainda assim, joguei com cautela, não dando nada de graça, mesmo que uma parte de mim quisesse despejar tudo, contar a Hudson cada pequeno momento de traição. Mas estava com muito medo de que pudesse perdê-lo, então, em vez disso, fiz um apelo genérico: – Seja o que for que eu fiz, sinto muito. Eu sinto muito e farei tudo que puder para corrigir. Um taxista buzinou quando Hudson cruzou as faixas, dando-lhe uma fechada. – Alayna, não posso falar sobre isso enquanto estou dirigindo. Ele acelerou, cruzando o farol amarelo, e eu me apoiei contra o console. – Sim, boa ideia. Concentre-se na rua, porque você está me assustando. O olhar que ele me lançou era pura fúria. – Ótimo. Talvez você devesse estar mesmo com medo. Não tentei falar depois disso. Sua forma de dirigir não melhorou, mesmo no silêncio, e senti-me grata de que era uma curta distância para o Bowery. Eu ainda não tinha tido conhecimento de que o estacionamento subterrâneo existia até que nós entramos no túnel e estacionamos ao lado de sua Mercedes. Hã, eu bem que me perguntei onde ele guardava aquilo enquanto não estava usando. Estando com Hudson, eu me acostumei com as portas sendo abertas para mim, mas pulei fora no minuto em que o carro parou. Ele podia estar zangado, e talvez eu merecesse, mas não teria que aceitar isso como uma covarde.


Nós pegamos o elevador em meio a um silêncio cortante. Na cobertura, Hudson foi direto para o bar. Eu o segui, meus braços cruzados sobre o peito, e esperei que ele decidisse que estava pronto para falar. Depois de servir e beber metade de um uísque, ele me encarou. – Diga-me uma coisa. Uma coisa só, e pense bem antes de responder, porque quero acreditar no que você disser. Sua voz era equilibrada, medida. Encostei-me na parte de trás do sofá, me preparando. ��� Você ainda está apaixonada por ele? Então, era mesmo o David. E como Hudson tinha descoberto, estava além da minha compreensão. Não conseguia imaginar David indo conversar com seu chefe e compartilhando a aventura que teve comigo. Especialmente quando David tinha terminado as coisas especificamente para que Hudson nunca descobrisse. No entanto, ele tinha descoberto, não importava como. O que importava era deixar as coisas definidas agora. – Não, não estou. Eu nunca fui apaixonada por ele. Hudson fechou os olhos por um instante, quase como se estivesse aliviado. Mas, quando ele os abriu novamente, o frio de pedra permaneceu o mesmo de antes. – Então, o que quer que fosse... Uma atração, obsessão. Você ainda sente isso por ele? – Eu nunca senti nada disso por ele. Ele era seguro. Nós só brincamos algumas vezes... – E me encolhi com a expressão de dor no rosto de Hudson. – Essa é realmente a extensão do caso. Real e verdadeiramente. Ele era apenas um cara com que eu tinha química, mas não o suficiente para me deixar louca. Não como você. Nunca como você. – Então, por que ele apresentou uma ordem de restrição? Uma lufada de ar varreu meus ouvidos, me deixando tonta. Tonta. – Espere, de quem você está falando? – A única ordem de restrição que


eu tinha era com Paul. E o segredo de que eu estava trabalhando com Paul era muito mais pesado do que a coisa com David. Meus dedos se enroscaram no sofá enquanto esperava que ele dissesse o nome que eu sabia que ele iria dizer. – Paul Kresh. – Ah. – Balancei a cabeça lentamente por alguns segundos. – Ah. Não havia mais nada a dizer. Eu não tive nenhuma reação, não tinha nenhuma defesa. – Você descobriu sobre Paul. Seus dentes cerraram. Eu podia ouvir como ele os apertava. – Uma vez que você sabe que já estou ciente de seu passado com Paul, você deve estar se referindo ao fato de que ele é sócio na Party Planners Plus. Balancei a cabeça. – Você não sabia? Havia esperança em seu tom de voz. Ele queria que eu não soubesse. Mas eu não podia mentir. Uma coisa era ocultar a informação dele, outra totalmente diferente seria mentir sem rodeios. – Bem, ele não é tecnicamente um sócio, de modo que não é uma pergunta justa. – Porra, Alayna. Não fique dando voltas assim. Porque eu gostaria de pensar que você nunca faria algo tão estúpido quanto assinar um contrato que iria colocá-la em estreita proximidade de trabalho com alguém de quem você legalmente não deveria estar, nem por sonho, próxima. A Alayna que eu conheço nunca faria algo tão sem cérebro. Mas eu tinha assinado o contrato. Naquela manhã, na verdade. – Acho que você realmente não me conhece. Ele bateu com o copo vazio no bar. – Isso não é uma porra de um jogo! – Você não acha que eu sei disso? – Levantei minha voz para corresponder com a dele. – Eu sou a pessoa que tem a ordem de restrição.


Eu sou quem entende a gravidade da situação. Eu torcia as mãos com tanta força que sabia que iriam ficar roxas. – Então, por quê? – Seus olhos estavam implorando. – Você não poderia estar tão desesperada assim para assinar um contrato. Eu tinha pensado que... Eu esperava... que você não soubesse que Kresh estava noivo de Julia Swaggert. – Noivos? Eu pensei que eles estavam apenas namorando. O olhar em seu rosto disse que não era a coisa certa a dizer. Eu rapidamente corrigi: – O que não importa, eu sei. Não queria parecer interessada, porque não estou. Eu não estou interessada, Hudson. E não me importo com quem ele esteja. É só que ele não disse que estavam noivos quando conversamos. – Você falou com ele? Nunca pensei que Hudson pudesse ficar ainda mais enfurecido. Descobri o quanto estava errada. – Que Deus me ajude, Alayna, é melhor você dizer que foi por telefone. Diga uma mentira, diga uma mentira. Era uma música na minha cabeça, repetindo o mesmo refrão. Obriguei-me a ignorar. – Não foi. Foi pessoalmente. Ele deu um passo em minha direção com as mãos prontas, como se quisesse torcer o meu pescoço. – Droga, Alayna! Que porra você estava pensando? – Pare de gritar comigo, que eu vou explicar. Mesmo que eu soubesse que ele não iria me bater, sua raiva não era produtiva. E do jeito que estava louco, tinha medo de que não superasse a raiva. Que fosse acabar com tudo para sempre. Eu precisava de um indício de que havia uma chance de que não estivéssemos terminando. – Estou esperando. – Seu tom de voz foi mais baixo, mas seu comportamento não mudou um pingo. – Eu não vou dizer nada até você se acalmar. Você está me assustando.


Ele olhou como se eu o tivesse esbofeteado. – Isso é justo. – E passou a mão pelos cabelos. – Mas não vou conseguir ficar mais calmo. Engoli em seco. – Eu, hum, tive um encontro com Julia. Na quinta-feira. E eu não sabia que ela estava envolvida com Paul. Mas, então, no final, ele apareceu e eu estava totalmente despreparada. – Um arrepio percorreu-me com a lembrança de vê-lo na boate, pelo choque que senti. – Ele agiu como se não me conhecesse, e então segui o seu exemplo. E depois, quando Julia foi ao banheiro, Paul me disse que não queria estragar o negócio para ela e por isso tínhamos que fingir que não nos conhecíamos. Dei um passo em direção a Hudson, odiando o olhar em seu rosto, querendo ser consolada. – Eu disse que não poderia trabalhar com ele, Hudson, e ele disse que eu tinha que fazê-lo. Ele disse que Julia estava morrendo de vontade de trabalhar com as Indústrias Pierce e essa era a sua chance; se eu estragasse tudo... – Mordi o lábio e senti gosto de sangue. – Paul disse que eu devia isso a ele. – Alayna, você não deve nada a ele, porra. A voz de Hudson ainda estava crua, mas nem tanto. Meus olhos ardiam. – Claro que devo! Eu estraguei a vida dele. – Ele traiu a noiva. Ele arruinou a própria vida. – Mas há mais do que isso, e você sabe que há. – Ainda assim, você não lhe deve nada. Você estava doente. E não era responsável pelo que estava fazendo. Levei isso em conta. Eu tinha estado doente e sem absoluto controle de minhas ações. Eu sabia disso. E tinha aceitado isso na terapia. Mas não mudava nada. – Não importa. Mesmo que não deva nada a Paul, ele tem isso pendurado sobre a minha cabeça. Ele poderia dizer que marquei a reunião


simplesmente para chegar até ele. Quer dizer, não fiz isso, mas poderia parecer que sim. – Ri sarcasticamente. – Mesmo você pensou que eu tinha feito. E então ele estava lá de novo, naquela noite no Jardim Botânico. Parecia que eu o estava seguindo. Quem é que vai acreditar em mim, contra ele, com o meu histórico? Eu estava evitando seus olhos, mas agora os encontrava. – Se eu violar essa ordem de restrição de novo, posso passar um tempo na prisão. – Sem mencionar o que poderia acontecer com Hudson na mídia. Ele seria a piada da cidade. – Alayna. Hudson cobriu a curta distância entre nós em dois passos rápidos e passou os braços em volta de mim. Eu não tinha percebido como as minhas lágrimas estavam perto da superfície até me ver a salvo e em seus braços. Chorei baixinho em seu ombro, não só por causa do que tinha feito ou por causa da pressão que vivi por ocultar isso, mas porque ele estava me segurando. Eram lágrimas de alívio. Hudson me puxou ainda mais apertado. – Por que não falou comigo? Eu nunca deixaria nada de ruim acontecer com você. Nunca. Você tem que saber disso, não é? Virei o rosto para que as minhas palavras não se perdessem no tecido de seu paletó. – Eu fiquei com medo. Do que ele poderia fazer comigo. Do que ele poderia fazer com você. – Os movimentos que ele fez ao longo das minhas costas tornaram mais fácil eu continuar a falar, mais fácil de confessar. – E eu queria que você tivesse orgulho de mim. Do negócio que fiz. Ele me empurrou de repente e agarrou meus braços. Inclinando-se para pegar o meu olhar, disse: – Eu estou sempre orgulhoso de você, Alayna. Sempre. Isso me abalou. Mais uma vez. Agarrei a camisa dele por dentro do paletó aberto.


– Eu deveria ter lhe contado. Sinto muito. Eu não sabia o que fazer e queria lhe contar. Por favor, não fique com raiva de mim. Suavemente, Hudson me fez calar. – Não faça isso. Não chore, princesa. – Ele me segurou enquanto eu chorava. Quando estava mais calma, disse: – Eu só estou com raiva porque você se coloca em perigo. Você me assustou. Não pode imaginar o que eu senti quando o relatório sobre a empresa chegou na minha mesa e eu percebi a situação. Você não sabe que eu não poderia suportar se algo de ruim acontecesse com você? – a voz dele falhou. – Sim, eu sei. Era exatamente como eu me sentiria se algo acontecesse a ele. – E estou com raiva porque você não foi me procurar. – Eu queria. Mesmo. Mas Ce... – quase mencionei Celia, parando um segundo, antes de completar a frase. Não achei que fosse um bom momento para adicionar esse segredo à mistura. – Mas não queria que você tivesse que ficar no meio da minha bagunça. Eu me afastei, olhando sem rumo, à procura de um lenço. Hudson tirou um lenço do bolso. Quem diabos trazia lenços no bolso? Havia ainda muito a aprender sobre esse homem. – Não seja boba – disse ele, enxugando meus olhos. – Primeiro de tudo, sou o dono do Sky Launch; assim, sou legalmente responsável por qualquer coisa que aconteça aos funcionários e às pessoas que interagem com eles. Eu não tinha pensado nisso. Passou o polegar suavemente pelo lado do meu rosto. – Mas o mais importante, se você estiver em uma confusão de qualquer tipo, então eu também estarei. Não do ponto de vista legal. Mas porque você é minha. E eu sou seu. O que significa que estou amarrado a você em todos os sentidos. Bons e maus. Se você não pode ver isso, então não temos chance. Ah, Deus. A enormidade disso me bateu. Eu estava colocando tudo o que


tínhamos em perigo, colocando-nos em risco. – Realmente fodi tudo. – Senti a cor sair do meu rosto. – Ah, Deus, Hudson. Ele puxou o meu queixo para cima com um dedo e beijou o meu nariz. – Você não estragou tudo. Eu posso corrigir. Agora que sei. – O que você vai fazer? Eu tive um vislumbre de homens em capas de chuva pegando Paul em um beco escuro. O triste é que o pensamento trouxe um sorriso ao meu rosto. – Eu não faria nada ilegal, se é isso que você está pensando. Droga, ele sabia me ler tão bem. – Vou oferecer à Party Planners um contrato com a Pierce em troca de rescindir o contrato com o Sky Launch. Pierce é um nome maior e pode oferecer um pagamento melhor a eles. Ainda estarão trabalhando com o nosso nome e Kresh não terá nada a reclamar. – Bom plano. Obrigada. – Se eu tivesse ido a Hudson, em primeiro lugar, ele teria arranjado um negócio como este e eu não teria colocado ninguém, nem eu, em uma posição precária. Meu estômago se agitou com essa constatação. – Sinto muito, Hudson. Sinto muito que você tenha que limpar a minha bagunça. Eu sou uma idiota. – Cale-se. – Seus braços estavam em volta de mim de novo, me segurando, me confortando, quando isso era a última coisa que eu merecia. – Pare de se sentir culpada. É a nossa bagunça, lembra? E eu quero limpar. É uma das coisas que sou capaz de fazer. Deixe-me fazer isso. – Tudo bem. – Respirei fundo, deixando toda a minha preocupação e arrependimento saírem enquanto expirava. – Tudo bem, vou deixar.


16 Hudson embolsou o lenço úmido, e eu podia sentir a sua disposição mudar, podia senti-lo se afastando de mim de novo. – Agora, Alayna. O que mais você precisa me dizer? – O que... O que você quer dizer? – Eu ainda estava me recuperando da minha última confissão horrível. Que outras informações eu ainda precisava divulgar? Nesse ponto eu estava pronta para deixar sair tudo. Hudson tirou o paletó, dobrando-o e colocando-o na parte de trás do sofá. – Quando começamos esta conversa, você pensou que eu estava falando de outra coisa. De alguém. – Seus olhos me perfuraram. – De quem você pensou que eu estava falando? Honestidade. Eu lhe devia honestidade. – Pensei que você estivesse falando de David. – David Lindt? – Sim. Ele se afastou alguns passos, até encostar-se à parede. Eu odiava que ele precisasse desse apoio. – Você me disse que não havia nada entre você e David. – Não há. Mais. – Mas então havia. – Sim. Eu podia ver a dor em seu rosto. Aquilo me matou. Era exatamente assim como eu me sentiria se descobrisse que tinha havido algo entre ele e Celia. Eu queria ir até ele, abraçá-lo como ele havia me abraçado, para tentar deixar as coisas melhor. Dei um passo em direção a ele, mas Hudson ergueu a mão para me impedir.


– Não foi nada, Hudson. Estávamos meio que juntos. Mas não realmente. Nós não íamos a encontros ou qualquer coisa e nem contamos a alguém sobre nós. É que, quando trabalhávamos até tarde, sozinhos... As coisas aconteceram. – As palavras tinham um sabor horrível na minha boca. – Você dormiu com ele? – Não. As coisas nunca foram tão longe. – Essa não era a primeira vez que o assunto tinha sido abordado. – Você já me perguntou isso antes, e já respondi que não... Eu não estava mentindo. Ele me lançou um olhar desafiador. – Eu também perguntei se você queria ter dormido com ele e nunca recebi uma resposta direta. – Eu não sei a resposta. – Avaliei se não seria melhor deixar por isso mesmo. Mas sabia que esse assunto sempre ficaria entre nós, a menos que eu deixasse sair tudo. – Sim. Acho que eu queria. Uma vez. Mas não agora. – Minha vontade era de me aproximar dele, mas parei antes de chegar. – Não há nada agora, Hudson. Você tem que acreditar em mim. Foi depois de vários segundos que ele falou: – Eu acredito. – Você acredita? – Não consegui esconder o choque na minha voz. – Sim. Você não olha para ele do jeito que olha para mim. – É claro que não olho. – Mas ele olha para você do jeito que eu olho. Da forma como imagino que olho para você. – Não, ele não olha. – Sim, David ainda tinha sentimentos por mim, mas eles não se comparavam com a maneira como Hudson se sentia comigo. – Você está exagerando. Hudson endireitou-se e começou a andar pela sala. – Não estou. Isso é um problema e eu não posso permitir que prossiga. – O que significa isso? Eu sabia a resposta mesmo antes de perguntar, o temor caindo sobre


mim como uma onda avassaladora. – Isso significa que ele vai ter que sair do Sky Launch. – Nem brinque. – Como se Hudson fosse desse tipo de brincadeira. – Parece que estou brincando? – Hudson, não. Você não pode fazer isso. – Minha voz estava mais alta do que eu teria gostado. Eu preferia ser estoica e fria como ele, mas essa não seria eu. – Você não pode demitir David por causa de um caso estúpido que tivemos antes mesmo que eu conhecesse você. Ele é o responsável pela boate. Ele foi o cara que disse que precisávamos terminar. Seu olhar era de parar o coração. – Você não está ajudando o seu caso. – Mas você não pode demitir David porque saímos uma vez. Já acabou. E não é justo. Não é justo com o David. – Eu me senti muito perto de fazer uma cena. Talvez eu tenha mesmo batido o meu pé uma vez. Hudson voltou ao bar para colocar mais uísque. – Isso ia acontecer de qualquer maneira. Independentemente do que você e ele... – Hudson respirou fundo e eu sabia, pela dor terrível que vi em seus olhos, que ele estava pensando em David e eu juntos. Eram pensamentos horríveis. Coisas que eu nunca desejei que ele tivesse de imaginar. Mas não havia nada que eu pudesse fazer. Eu certamente pensei nele e Celia da mesma forma terrível. Era doloroso e de partir o coração, mas suportável. Hudson iria suportar bem. Apesar de sua tristeza, tive que perguntar: – O que você quer dizer com “ia acontecer de qualquer maneira”? Ele balançou a cabeça, tomou um gole de sua bebida e colocou o copo para baixo. – Isso não é como eu queria lhe dizer. Era para ser uma surpresa e no momento adequado. Mas a verdade é que eu queria fazer uma mudança de gestão desde que comprei o lugar.


Encostei-me no sofá, sem querer ouvir mais nada, incapaz de deter as palavras inevitáveis: – Alayna, eu quero que você dirija a boate. – Hudson... não. – Eu comprei o lugar para você. Um arrepio correu através de meu corpo. – Sobre o que você está falando? Você não me conhecia quando comprou o... – O simpósio... Eu o interrompi: – Você me disse que já estava olhando a boate. O fato de que eu trabalhava lá influenciou. Nunca disse nada sobre comprá-la para mim. Na minha cabeça, estava repassando tudo o que eu sabia sobre o nosso encontro mais do que estranho. Ele tinha me visto no simpósio, mas eu não sabia disso até mais tarde. Ele veio ao bar, uma vez. Nós tínhamos flertado e ele me deu uma boa gorjeta e uma viagem para um spa, um comportamento em si bastante agressivo. Nada disso justificava a compra de um negócio. Se esse era o verdadeiro motivo pelo qual tinha comprado a boate – bom, então ele era bem mais louco do que eu. – Eu não contei a você porque não queria colocar o carro muito à frente dos bois. – Bem, muito tarde para isso. Ele continuou falando com um grau irritante de frieza: – Não foi tão louco quanto parece, Alayna. Era um negócio. Eu a vi no simpósio e sabia que precisava de você trabalhando para mim. E como não estava aceitando fazer entrevistas com as empresas, tive que comprar a empresa em que já estava. Sim, eu estava atraído por você. Sim, isso influenciou a minha decisão de querer atrair o seu talento, mas querer que você trabalhasse para mim foi a motivação dessa perseguição. Não era um cenário incomum. Esses grandes magnatas inteligentes


muitas vezes compravam grandes empresas apenas para garantir o controle de uma força de trabalho talentosa. – Então, você conseguiu o que queria. Eu estou trabalhando para você. E não tenho que dirigir o Sky Launch para fazer isso. – Corri minhas mãos para cima e para baixo nos braços, tentando me aquecer. – Eu tenho um papel importante na empresa, e não preciso de mais nada agora. Hudson deu um passo em minha direção, sua frieza substituída pela veemência. – Alayna, você tem tanto potencial! – Pare com isso! Parece o meu irmão. Não decida que eu estou desperdiçando o meu potencial. Estou construindo esse potencial em meu próprio ritmo. Não estou pronta para gerenciar uma boate, Hudson. – Minhas mãos voaram expressivamente quando falei, apontando para ele, depois para mim, em seguida atirando-se loucamente para os lados. Hudson gargalhou. – Você vai ter que estar pronta. Caso contrário, alguém vai ter que assumir esse papel quando David for embora. – Então, isso não é sobre mim! Trata-se de David. Você não pode demitilo. Você não pode fazer isso! – É sobre você sim, Alayna. Ninguém além de você. – O exterior calmo que ele tinha adotado após a situação de Paul Kresh fora completamente abandonado agora. – Eu lhe disse que não a compartilho. Eu não vou compartilhar você. Nem com ele. Nem com ninguém. Vou me dobrar do avesso para lhe dar tudo o que você precisa e quer, mas esta é a única coisa que desejo receber em troca: fidelidade. – Eu sou fiel. Eu nunca fui nada além de fiel. E não tenho nenhum desejo de trair você com David ou qualquer outro cara. Eu sou sua, como você disse. – Sim. Você é. Minha. E eu deveria ter me livrado dele na hora que suspeitei que havia alguma coisa entre vocês.


A verdade do que ele estava dizendo me bateu no estômago. – Em outras palavras, você não confia em mim. – Eu não confio nele! – Não importa se você confia nele ou não, desde que confie em mim! Seu rosto transformou-se em uma expressão amarga que eu nunca tinha visto antes. – Hoje eu descobri que você manteve segredo tanto do seu relacionamento com David quanto de sua interação recente com Paul Kresh. E agora está falando de confiança? Belo timing, Alayna. Ui! Mas eu merecia isso. David, no entanto, não. – Eu expliquei por que não contei sobre Paul. E é por isso que eu não lhe disse nada sobre David. Porque estava com medo de você exagerar na sua reação, e... Ei, você está querendo despedir o melhor funcionário que o Sky Launch tem! – Você é o melhor funcionário que o Sky Launch tem. Em outras circunstâncias, a sua fé em mim seria lisonjeira. – Discordo. Eu não valeria um centavo furado sem David, e não quero o emprego dele. Hudson se inclinou para a frente, seus olhos escurecidos. – Não é uma opção. Você quer trabalhar na boate, e você vai trabalhar na posição que eu escolher. A raiva borbulhou em mim. – Então, eu me demito! Porque não posso trabalhar para alguém que é tão obviamente ciumento e controlador. E você está me fazendo reconsiderar seriamente a minha situação de moradia! – Não! – Ele deu um passo para a frente, colando o rosto no meu. – Não jogue o nosso relacionamento no meio-fio por causa de uma boa decisão de negócios. Eu queria empurrá-lo, afastá-lo. Ao mesmo tempo, queria puxá-lo para perto e jogar para longe todo o ciúme e angústia entre nós, queria acabar


com essa tensão terrível. Eu tinha ameaçado o nosso relacionamento, mas não quis dizer isso de verdade. Eu não iria jogá-lo fora. E faria o que tivesse que ser feito para mantê-lo comigo. Mas não mostraria as minhas cartas, ainda. Eu não o toquei. E fiquei rígida enquanto falava: – Você não está tomando essa decisão porque é uma boa coisa para os negócios. Você está tentando me punir. Seus olhos se arregalaram. – Eu estou punindo você, dando-lhe uma promoção? – Uma promoção que eu não quero! Hudson se afastou de mim, como se estivesse com medo do que faria se ficasse em tal proximidade. Quando tinha dado alguns passos, ele se virou para me encarar. – Você quer que eu a tenha por inteiro, mas não quer me aceitar completamente? Como eu deveria me sentir sobre isso? – Não é a mesma coisa. – Ele estava distorcendo as minhas palavras, pegando uma coisa que eu tinha dito em um momento de beleza e trazendo-a para uma zona de guerra. Isso doeu. No fundo, em meus ossos. Eu queria que ele parasse. – Eu não quero isso, Hudson. Não quero! Virei-me para fugir. Para onde, eu não sabia. Só sabia que seria para longe dele e da terrível situação em que ele estava me colocando. Mas só tinha dado alguns passos quando ele veio atrás de mim, seus braços se fechando ao redor da minha cintura. Eu me contorci, chutando e batendo nele. – Me solte! – Não. Eu nunca vou soltar você. Ele não deve ter dito isso literalmente, porque me soltou um pouco. Então, me jogou no sofá e começou a abrir a sua calça. Imediatamente, senti o meu sexo em chamas. O pensamento dele me fodendo depois de toda essa raiva e paixão era um grande tesão. E,


honestamente, nós provavelmente precisávamos desse contato – e de nos reconectarmos antes que ficássemos muito distantes um do outro. Mas eu era teimosa, e não estava disposta a ceder. Escorreguei sob ele até o chão, rastejando em direção aos elevadores o mais rápido que pude. Sua mão forte agarrou meu tornozelo, puxando-me de volta para ele. Eu enfiei as unhas no chão, mas já sabia que era impossível lutar. Não apenas porque ele era mais forte do que eu, mas porque Hudson sabia o que eu realmente queria – queria que ele me dominasse. Hudson se esticou em cima de mim, segurando-me no chão, com minhas duas mãos pregadas acima da minha cabeça com uma das suas. Ele mordiscava a minha orelha. – Deus, você é tão enlouquecedora. Como posso querê-la tanto se você me deixa tão louco? Usando todo o seu corpo, ele virou-me debaixo dele e esmagou sua boca contra a minha em um beijo feroz – um beijo forte, dominador e cheio de tanta emoção. Eu resisti no começo, virando a cabeça para outro lado. Mas esse homem era implacável e sua exibição incomum de emoção me desarmou. Minha cabeça foi dominada pelo meu corpo e meu coração, e eu me entreguei a ele, cedendo à sua boca exigente e às mãos magistrais que já haviam libertado o seu pênis duro como aço. Ele estendeu a mão debaixo do meu vestido, tirando o tecido do frágil fio dental para longe do caminho, e enfiou um dedo dentro de mim. Se ele não tinha entendido a minha necessidade antes, entendera agora. Eu estava molhada e inchada, ansiando por ele. Hudson gemeu de satisfação. – Isso não significa que não estou zangada. Foi minha última tentativa de expor meu caso, antes que ele substituísse o dedo pelo pênis. Gritei com aquela requintada mordida de prazer, a incrível sensação de


plenitude, quase demais da conta, e ainda assim não o suficiente também. Eu precisava que ele se mexesse, empurrasse, me montasse. – Tudo bem – disse ele, penetrando mais fundo em mim, mas ainda sem se mover do jeito que eu queria. – Seja louca. Desconte em mim. Estou planejando jogar as minhas emoções sobre você. E foi o que fez. Ele tirou a si mesmo para fora quase até a ponta. Deve ter exigido mais controle do que eu poderia imaginar, sua expressão contorcida, mostrando toda a tensão daquele lento recuo. Em seguida, ele mergulhou de novo, batendo em mim com fortes golpes insistentes. Meus quadris empurraram a cada mergulho profundo no ritmo de seus grunhidos primitivos. Mesmo o som de sua fivela de cinto solta, batendo contra o chão, se somava à maneira animalesca com que ele me possuiu, como se fosse um chicote domando a fera, incentivando-a a prosseguir. Eu gemia e me apertava ao redor dele em poucos minutos, surpresa ao sentir o orgasmo se formando tão rapidamente com apenas a estimulação vaginal. Era toda aquela cena, a depravação dela, a baixeza total. Era selvagem, feroz e descontrolado. Eu odiava amar isso, amar tão completamente. Ele segurou meus cabelos soltos, puxando-os com a quantidade certa de prazer e dor. Meus olhos começaram a se fechar. – Olhe para mim – disse Hudson, rispidamente. Meus olhos se abriram, encontrando os dele. – Está vendo? – Fiquei surpresa que ele pudesse falar através de seu esforço. – Você não pode ver o que faz comigo? Você não pode ver como me faz sentir? Ele mudou de posição, e eu engasguei quando atingiu um ponto particularmente sensível. – Você não vê como me deixa de pau duro? Eu não sabia se ele queria uma resposta, mas também não achava que conseguiria falar, mesmo que ele quisesse.


Mas Hudson puxou de novo os meus cabelos. – Responda! – Sim! – gritei. Ele pegou velocidade, atingindo um ritmo frenético que me jogou no limite. – Você faz isso comigo, Alayna. Eu me esforcei para manter meus olhos nele, para me concentrar em suas palavras através da névoa arrebatadora que me envolveu. Suas palavras eram importantes, e eu queria ouvir o que ele dizia, tanto quanto desejava me perder no êxtase que Hudson tinha me dado. Ele estava no limite também – eu conseguia ler o seu corpo –, mas ainda assim manteve seu olhar conectado ao meu. – Mesmo quando banca a petulante e a do contra, ainda quero você. Eu quero você, sempre. Eu quero dar-lhe tudo. Tudo de mim. Por que você não pode aceitar? Tome. Ele deu mais uma longa estocada, enterrando-se profundamente em mim enquanto se derramava com um gemido baixo. – Tome! Gemi quando sua liberação estremeceu através de mim, estendendo meu gozo até uma segunda onda de euforia que enviou calafrios à espinha. Perdida na névoa do pós-orgasmo, meus ouvidos ainda vibrando com a pulsação do meu coração, tive um breve momento de lucidez – e se não fosse Hudson aquele que era incapaz de ser amado ferozmente, mas eu mesma? O pensamento foi passageiro, e se foi assim tão rapidamente como tinha chegado. Claro, eu poderia aceitar o seu amor. Ele é que não sabia como mostrá-lo. Hudson rolou de cima de mim e estava sentado com as costas apoiadas contra o sofá. Somente fragmentos da paixão selvagem que tinha exibido há pouco estavam presentes em seus traços, e a respiração ofegante era um


dos únicos indicadores de que ele tinha perdido o controle. De repente me vi com raiva. Irritada com ele por recorrer ao sexo como uma forma de acabar com a nossa discordância, como sempre fazia. Com raiva porque ele esperava que nada mudasse. Com raiva de mim mesma por ser seduzida desse jeito. Apoiei-me em meus cotovelos e olhei. – Ora, vamos, Alayna. – Seus olhos se estreitaram. – Você não pode me dizer que não gostou. Seu tom condescendente me irritou ainda mais. – O sexo não é a única maneira de mostrar a uma pessoa como você se sente. – Eu sei. Eu tentei dar-lhe uma boate. Suas palavras me morderam de um jeito que eu não consegui entender a causa. E ainda estava pensando nisso quando ele se levantou e fechou o zíper. – Se você quiser continuar brigando por isso, e tenho certeza de que você quer, vai ter que ser mais tarde. Eu tenho trabalho a fazer. Permaneci de cara feia por muito tempo depois que ele saiu. Era quase engraçado que eu me sentisse tão enfurecida assim. Pensei que Hudson fosse se despedaçar se soubesse que eu não estava lhe contando coisas sobre o meu passado com David, que escondera a minha interação com Paul Kresh. E se ele tivesse ficado louco porque eu tinha essas coisas escondidas, teria suportado. Claro, tinha ocultado coisas dele, e merecia o que viesse de coração partido e desconfiança a partir dessa descoberta. Mas não foi porque guardei esses segredos que acabamos ficando em lados opostos. Tinha sido o seu ciúme e minha recusa em assumir a direção da boate. Ou ele sempre quis me dar o Sky Launch, ou ele estava manipulando a situação com David para me fazer acreditar nisso. Ambas as coisas eram possíveis. Eu provavelmente nunca saberia ao certo. Talvez nem mesmo Hudson soubesse.


Uma coisa era certa, eu não deixaria David ser demitido, qualquer que fosse o motivo. Um dia, talvez, eu estivesse pronta e quisesse assumir a gestão do Sky Launch, mas não agora. Não tão cedo. Não tão pouco tempo depois de conseguir meu MBA. E eu não faria isso com um gerente tão bom quanto David. Não era certo. Levantei-me e espreguicei. A discussão não acabara, mas eu poderia colocá-la em pausa até de noite. E não tinha a intenção de ficar me lamentando o tempo todo sobre esse assunto. Seria uma coisa pouco saudável e poderia rapidamente se transformar em obsessão, se eu não tivesse cuidado. O que significava que eu tinha que encontrar algo para me ocupar. Olhei para o meu relógio e fiquei surpresa ao descobrir que eram mais de seis horas. Eu estava pulando a terapia de grupo, uma vez que já perdera a hora. De todo modo, estava sem energia para fazer exercício, então isso também estava fora. Havia uma TV na sala de estar, mas eu preferia filmes a programas e ainda não tinha me deparado com um DVD. Hudson provavelmente tinha tudo em algum lugar. Eu não estava a fim de perguntar onde. E já tinha terminado de ler O talentoso Ripley. Na verdade, o que eu deveria fazer era trabalhar na biblioteca. Outra série de pacotes tinha chegado na sexta-feira e a sala estava cheia de caixas fechadas. Eu deveria ter desempacotado isso no fim de semana, mas estive muito ocupada deitando nua com Hudson, fazendo nada, apenas nos curtindo um ao outro. Já tinha adiado essa tarefa por tempo demais. E daí que Hudson já estava trabalhando lá em sua mesa? Éramos adultos. Poderíamos compartilhar o espaço. Embora a biblioteca fosse grande, a sala fazia eu me sentir confinada com a tensão ainda persistente entre nós. Hudson estava sentado a sua mesa, concentrado na tela de seu computador. Era como se ele nem soubesse que eu estava ali. Mas ele sabia. É claro que sabia. Ele podia parecer tão compartimentado, tão concentrado, mas estava sempre ciente


de minha presença em todos os sentidos, como eu estava sempre consciente dele. Só que eu simplesmente não era tão boa como ele em esconder isso. Respirei fundo e me ajoelhei junto da pilha de caixas mais afastada dele. Logo, me encontrei completamente envolvida na tarefa de desempacotar e colocar os livros em ordem alfabética, adorando a excitação de cada título recém-descoberto. Ele tinha comprado tantos... Clássicos e contemporâneos. Muitos que eu li, muitos que queria ler, muitos que esperava reler. Foi só depois que abri a caixa cheia de DVDs que me dei conta. Não imediatamente. No início, fiquei surpresa ao perceber que o conteúdo da caixa era de filmes, em vez de livros, mas simplesmente comecei a trabalhar em outra seção das prateleiras e a colocar as embalagens, sem prestar muita atenção nos títulos, até que retirei Perdidos na noite – o filme a que Hudson e eu tínhamos assistido enquanto estávamos nos Hamptons. Ele me dera a lista dos maiores filmes de todos os tempos, aos quais eu vinha lentamente tentando assistir, e me pedira que escolhesse um que ainda não tivesse visto. Escolhi Perdidos na noite. Ver o filme na prateleira me chacoalhou. Eu olhei os títulos que tinha arquivado para ter certeza, e, sim, era verdade. Cada um deles estava naquela lista... E os livros – corri para olhá-los, e procurei prestar mais atenção neste momento. Os irmãos Karamazov, Anna Karenina, Ardil-22, todos os títulos daquela lista dos maiores livros. Eu tinha dito a Hudson que queria lê-los todos antes de morrer. E aqui estavam eles, esse homem os tinha comprado para mim. Todos. De repente, eu me vi tomada pela emoção. Era uma coisa estranha me emocionar assim, mas foi o que aconteceu. Antes que ele decidisse se comprometer comigo, antes que ele me pedisse para vir ao seu apartamento, muito menos para morar com ele, Hudson tinha comprado uma biblioteca cheia de livros e filmes adaptada especificamente para os


meus interesses. Ele nunca disse que me amava. Talvez nunca fosse dizer isso. Mas havia alguma coisa que Hudson fizera que não me mostrasse o quanto ele me amava? Eu estava a meio caminho de sua mesa antes mesmo de pensar sobre o que estava fazendo. Ele deve ter me ouvido, porque mesmo que não me olhasse ele girou em sua cadeira, abrindo-se um pouco para mim. Talvez tivesse sido um ato subconsciente, esse de se alinhar comigo, como eu sempre fazia com ele. Foi bom pensar assim. Caí a seus pés, colocando minha cabeça em sua coxa. Ele mudou de posição e eu poderia dizer que o surpreendi. – Faça amor comigo – disse eu, meu rosto roçando contra sua perna. – Por favor. Faça amor comigo. Prendi a respiração enquanto esperava ele responder. Ouvi o clique do mouse algumas vezes e, em seguida, quando colocou os óculos na mesa, que ele só usava quando lia ou trabalhava em seu computador, porque tinha um pouco de hipermetropia. Havia algumas coisas que eu sabia sobre ele. Então, Hudson se abaixou e me levantou com ele até ficarmos em pé, em um movimento fluido. Embalando-me em seus braços, ele me levou para o quarto – para o nosso quarto – sem uma palavra sequer trocada entre nós. Ele me deitou na cama. Silenciosamente, com muita ternura, me despiu, e, em seguida, despiu-se. Ele se estendeu sobre mim e me beijou, cada centímetro de meu corpo, da cabeça aos pés. Ficou mais tempo assim em novas regiões, acariciando o meu umbigo, o ponto atrás do meu joelho e a área sensível em meu cóccix. Cada parte da minha pele foi adorada como ele nunca tinha me adorado antes, e, no entanto, cada toque, cada carícia pareciam familiares. Como se estivesse em casa.


Quando, finalmente, acomodou-se entre as minhas coxas, ele entrou em mim com lenta precisão. E foi com estocadas lânguidas e doces que ele me levou ao orgasmo, não uma, nem duas, mas três vezes. Hudson encontrou meus olhos pela última vez, e mantivemos o contato enquanto cavalguei aquela onda de euforia. Então, ele se juntou a mim, gemendo baixo enquanto seu clímax se unia ao meu, nossos olhares ainda fixos um no outro. E mesmo quando a minha visão ficou ofuscada com fogos de artifício, tudo que eu podia ver era Hudson e o amor. Muito amor.


17 Hudson já estava vestido e agitando pela casa quando acordei na manhã seguinte. Olhei para ele com um olho fechado, então arrisquei um olhar para o relógio. Não eram nem mesmo seis horas... Ele me viu me mexendo ou estava tão em sintonia comigo que reconheceu que minha respiração tinha mudado. – Você se importa de dividir a mala, ou quer usar a sua? Eu bocejei, meu cérebro ainda confuso. – Hum, mala para quê? – Para o Japão. Limpei o sono dos meus olhos. – Japão? Por que eu iria ao Japão? – Porque eu vou fazer aquele lance da Plexis. E eu quero que você venha comigo. Sentei-me, percebendo que deveria me concentrar mais na conversa. Hudson estava colocando seus produtos de higiene pessoal em uma mala apoiada em um bagageiro dobrável. Um saco de viagem para ternos já estava fechado e pendurado na porta do quarto. – Quando exatamente isso vai acontecer? Hudson parou de arrumar as coisas e mostrou seu sorriso, o mais largo, aquele de parar o coração, que ele usava tão raramente e que sempre fazia as borboletas esvoaçarem em minha barriga. Ele estava obviamente de bom humor. – O avião está preparado para decolar hoje à noite. É um longo voo. A gente pode muito bem dormir. Ou podemos não dormir... – Seus olhos brilhavam maliciosamente. – Seria mais fácil para nos ajustarmos ao fuso horário se ficássemos acordados durante todo o voo. – Seu olhar vagou para os meus seios nus. – Eu tenho certeza de que podemos pensar em algo


para ocupar o nosso tempo. De cara feia, puxei o lençol das minhas pernas, levantei e fui em direção ao banheiro. – Eu não posso ir para o Japão hoje à noite. – Por que não? – Porque tenho trabalho a fazer – falei por cima do ombro. Pensando em trabalho, lembrei-me de repente de toda a noite anterior, de Paul e David, e Hudson querendo que eu gerenciasse a boate. Então, o ato sexual espetacular. Eu não tinha certeza de como as coisas tinham ficado depois... – Então, o que tem o trabalho? Onde estávamos em nossa conversa? Ah, sim, o Japão. – Eu tenho que trabalhar. Sabe aquela coisa que você faz, quando vai a um lugar e ganha muito dinheiro? Mesmo aqueles que não ganham tanto assim ainda fazem essa coisa. Na verdade, trabalhar é ainda mais necessário para nós, que não ganhamos fortunas... – Qualquer coisa que você precisar, posso proporcionar. Espero proporcionar. Eu tinha deixado a porta aberta enquanto fazia xixi, então ainda podia ouvi-lo claramente. Era bom ter esse nível de intimidade com um cara, mas não tinha tanta certeza sobre esse lance de proporcionar as coisas que ele estava falando. – Ei, acabamos de começar a morar juntos. Podemos dar um pequeno passo atrás? – Tudo bem. Mas essa discussão virá eventualmente. Em algum momento, muito em breve. Meu estômago revirou com tanto pânico e ansiedade. Caramba, o que esse homem estava fazendo comigo? – Você faz o seu próprio horário. Sua voz parecia mais perto. Eu olhei para cima e o vi encostado na porta.


Minha testa franziu, ainda ligada em sua última declaração. Eu realmente precisava de um café antes de embarcar em discussões desse nível. – Só porque eu faço meu próprio horário não significa que possa viajar a qualquer momento. – Claro que pode. Sou o dono da boate. – Engraçado como você finge que não é até que seja conveniente para você me lembrar disso. Ele sorriu, mas não contestou. – E não pense que o assunto de dirigir a boate esteja encerrado. – Me limpei e lavei as mãos, jogando gotas de água sobre o rosto dele quando passei de volta para o quarto. Ele me seguiu enquanto fui para o meu armário. – Eu não pensei nisso nem por um minuto. Mas agora nós estamos falando sobre o Japão. – Eu tenho uma reunião marcada com Aaron Trent amanhã. Não posso perder isso. – Remarque. Ele vai achar um tempo para você. – Isso é tão deselegante. – Eu peguei uma calcinha de algodão puro. Não tinha tomado banho ainda e não achei legal usar uma daquelas tão bonitas. – Ele acha que eu já remarquei uma vez. – Por quê? Eu pensei que tinha sido ele que cancelou? – É uma longa história. – Os olhos de Hudson ficaram colados em mim quando vesti um sutiã esportivo. – E você está me distraindo do meu assunto. – Eu acho que você é que está me distraindo. – Pronto, já escondi meus seios, seu viciado em sexo. Você pode agora certamente encontrar meus olhos. Ele riu. Sim, Hudson definitivamente estava de bom humor. – Diga a Trent que algo surgiu e remarque. – Ele me deu um short. – Ele


vai entender. Vou fazê-lo entender, se for preciso. – Você sabe que eu quero lidar com ele sozinha. – Entrei no short e encontrei uma camiseta. Peguei algumas meias e virei para encará-lo. Ele estava olhando para mim, e não para o meu corpo, esperando que eu continuasse. Suspirei. Ele estava falando sério sobre a viagem. E eu não. Então, pensei seriamente sobre isso por cerca de quinze segundos. A ideia ainda parecia absurda. – Não é só Trent, Hudson. Tenho outras coisas em que estou trabalhando. E eu nem sequer tenho passaporte. – Eu já providenciei. – Nem quero saber como você conseguiu isso. Passei por ele novamente e fui para a cama. Sentei-me na ponta e coloquei minhas meias. Hudson apareceu trazendo meus tênis de corrida do meu armário. – Obrigada. Ele sempre foi tão atencioso, mas eu sabia que sua atenção esta manhã tinha motivo. Ocorreu-me que eu poderia apenas concordar... Mas eu poderia ser teimosa também. Peguei a conversa de onde eu tinha deixado com uma nova desculpa: – Além disso, meu irmão está vindo de Boston ainda esta semana. Eu preciso levar a chave do meu apartamento e deixar ele me irritar por qualquer motivo. Hudson se curvou para colocar o meu tênis esquerdo enquanto eu amarrava o outro. – Posso mandar alguém para encontrá-lo, você sabe. Não tem que ser você. Agora sim isso parecia um bom plano, mesmo se eu não fosse para o Japão. Mesmo que eu não fosse para o Japão? Droga, Hudson conseguira me fazer avaliar a ideia.


Balancei minha cabeça. – Você tem uma solução para qualquer protesto que eu fizer, não é? – Garanto que sim. Então, por que ainda está protestando? – Porque eu tenho uma vida que envolve mais do que você. – Eu odeio isso. Olhei para cima do meu tênis amarrado só para vê-lo dar-me uma careta bastante eficaz. – Não seja bonito assim... – Eu quero você comigo. Vou usar qualquer tática que possa para fazer isso acontecer. Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar. Peguei-a e fui imediatamente puxada para os seus braços. Sim, isso era bom. Como eu tinha conseguido passar todo esse tempo acordando sem tocar nesse homem? Ele havia se tornado tão necessário para a minha vida, para a minha rotina. Seria possível passar um tempo longe dele? E de quanto tempo estávamos falando? Sempre em sintonia comigo, Hudson falou diretamente com os meus pensamentos não expressos, apertando sua bochecha contra a minha: – Eu posso ficar fora por vários dias. Mas não posso suportar ficar longe de você por muito tempo. E você me mata se achar que pode... Esse era o tipo de palavras que eu sempre sonhara em ouvir. Porque a pegajosa sempre tinha sido eu. Eu era a porra da garota que se apegava demais aos caras. O que havia em Hudson que mantinha a minha obsessão congelada? Será que isso significaria que não estava tão apaixonada por ele quanto pensava que estivesse? Que eu realmente não o amava? Não, eu o amava. Verdadeiramente. Não havia dúvida disso. Era porque eu me sentia segura sobre seus sentimentos por mim, só Deus sabia o porquê, que eu era capaz de permanecer tranquila. Mas eu também entendi o olhar em seu rosto, o desejo de estar com alguém que não necessariamente retribuía o mesmo sentimento. Eu tinha


sido deixada de lado e jogada fora tantas vezes. Isso doía. Mesmo que Hudson estivesse indo apenas para uma curta viagem e não fosse embora para sempre, eu entendia a sua necessidade e não podia suportar a ideia de fazê-lo sentir esse sofrimento. Mas também não podia me imaginar colocando tudo de lado e voando para o Japão assim desse jeito, tão de supetão. – Eu não quero ficar longe de você também, Hudson. Eu... Posso pensar sobre isso? – Mordi o lábio inferior, à espera de sua resposta, torcendo para que ele não ficasse muito desapontado com o meu talvez. Ele pressionou sua testa contra a minha. – Acho que sim. Bem, ele entendeu melhor do que pensei que faria. – Quando você precisa de uma decisão? – Algum tempo antes de o avião deixar a pista. Digamos, às dez horas. – Certo. Vou pensar sobre isso e aviso logo mais. Tudo bem assim? – Tudo. – Ele colocou as mãos atrás do meu short de corrida e me puxou para mais perto. – Sabe de uma coisa? Toda vez que você diz que precisa pensar sobre algo, acaba fazendo as coisas do meu jeito. Quando é que vai aprender a só dizer sim, para começar? Eu ri. – Hoje não. – Valeu a pena uma tentativa. Abraçamo-nos em silêncio por vários segundos. Ele estava meio fora de si – no bom sentido –, seu humor era ótimo, seu toque, suave e macio. Parecia que cada cena emocional que compartilhávamos era seguida por uma reunião que nos deixava mais próximos do que éramos antes. Nossa noite anterior tinha sido uma das nossas piores. Mas isso, como o ato sexual que se seguiu à nossa discussão, fora, ah... tão próximo... Pensar nisso trouxe calor ao meu peito. – Obrigada pela noite passada. Foi maravilhosa.


– Foi mesmo. – Ele circulou meu nariz com o dele. – Sim, muito. – Parecia que Hudson queria dizer mais, mas não disse nada. Em vez disso, ele me beijou docemente. Quando terminou, ele se afastou com relutância. – Isso é o suficiente – e deu um tapa na minha bunda, como se eu é que tivesse começado o abraço. Depois, olhou para a minha roupa, como se a tivesse notado pela primeira vez. – Então, quer dizer que não vai direto para a boate. Prendi os cabelos em um rabo de cavalo com um elástico que estava no criado-mudo. – Achei melhor dar uma corrida primeiro. Uma corrida de verdade, ao ar livre. Antes que fique muito quente. – Boa ideia. – Ele se olhou no espelho, ajeitando a gravata. – Eu tenho uma reunião logo cedo. – Eu imaginei. Você não costuma estar vestido assim tão cedo. – Ele ainda tinha de vestir o paletó e parecia positivamente delicioso em sua camisa marrom e gravata preta fina. Talvez eu tenha até mesmo lambido os lábios. – Acredite em mim, princesa, se eu não tivesse outros planos, definitivamente não estaria vestido. – E ele fez aquilo, examinou o meu corpo com os olhos, colocando a minha pele em chamas. – E você não precisaria fazer o seu exercício com uma corrida na rua. – Você certamente ia marcar um gol, não é? Ele levantou uma sobrancelha. – E não? – Claro que marcaria. Ele sempre marcaria. Hudson sempre marcou gols. Felizmente quando ele marcava, eu também festejava, então valia a pena deixá-lo ser o vencedor. Hudson pegou o paletó, e saímos do quarto juntos. Eu tirei a chave da


minha bolsa e a coloquei no sutiã. A boca dele se curvou em um meio sorriso. – Você esconde tudo aí? Dei de ombros. – É muito útil, se você quer sabe. Eles deviam fazer bolsos em sutiãs. Eu garanto que venderiam muito. – Isso pode ser o nosso próximo empreendimento em conjunto. Revirei os olhos. Hudson era muito mais ambicioso do que eu. Provavelmente, essa era parte da razão pela qual ele era um multibilionário e eu estava vivendo de salário em salário. – Eu estou pronta. E você? Ele levantou uma sobrancelha. – Para descer, seu pervertido. – Não, eu preciso responder alguns e-mails primeiro. Vá em frente. – Hudson virou-se para a biblioteca, em seguida mudou de ideia, girando de volta para mim. – Espere um pouco. Ele pegou a minha mão e me puxou para outro beijo, desta vez um beijo mais profundo e ainda mais suave do que sexual. Fui eu quem se afastou primeiro, e só porque eu sabia que, se não fizesse isso, eu poderia me afogar nele. Hudson insistiu em mais um beijinho depois disso. – O que foi? – perguntou ele, quando finalmente me deixou ir. – Você está tão... eu não sei... doce, esta manhã. O que há com você? – Eu suponho que esteja simplesmente feliz. – Que bom saber disso. – Apertei o botão do elevador, e então tive um pensamento horrível. E se o seu comportamento incomum fosse para me distrair da situação com David? – Ei, eu falei sério quando disse que não acabamos a discussão sobre a gestão do Sky Launch. – Sua megera persistente, hein? Nós vamos ter muito tempo para discutir o assunto em nosso voo para o Japão. Fiz cara feia.


– Agora quem está sendo persistente? – Entrei no elevador. – Conversamos mais tarde. Sobre tudo isso. A porta estava se fechando quando sua mão a deteve. – Alayna. Apertei o botão de abrir a porta e o olhei interrogativamente. Ele continuou a se apoiar contra a porta do elevador, suas sobrancelhas cerradas. – Por que você... veio para mim na noite passada? Sua formulação da frase foi sutil, e suspeitei que ele estivesse caminhando sobre ovos, contornando as palavras que eu tinha usado. Ele parecia evitar a palavra que começava com a letra A. Independentemente disso, queria saber o que havia estimulado a minha necessidade por ele na noite anterior. Fazia sentido... Deve ter parecido estranho quando antes eu estava tão puta da vida e, logo em seguida, tão desesperada por afeto. – É meio difícil de explicar. – Quer tentar? Apertei os lábios, perguntando-me se eu seria capaz de colocar em palavras a estranha epifania que tinha experimentado. – Eu estava desempacotando e abrindo as caixas. E não sei por que não tinha notado antes, mas percebi que os livros que você encomendou, e os DVDs, eles eram todos para mim. Hudson franziu o cenho ainda mais. – Eu disse, antes, que eles eram seus. Você sabe que prefiro ler no ereader. – Não, não é isso que quero dizer, é que eles eram os livros que eu queria ler. Que você tinha pensado muito especificamente sobre o que eu queria. Isso fez eu me sentir bem. Fez-me sentir amada. Fez-me sentir amada por você. – Ah. – Ele limpou a garganta, e juro que suas bochechas pareciam


rosadas. – Bem, eu... Bom, então. – Ele se afastou da porta, tropeçando e se equilibrando de novo ao andar para trás. – Uau. Eu não tinha ideia de que tinha o poder de perturbar você. Seu sorriso voltou, embora seu rosto ainda parecesse corado. – Não se acostume com isso. Meu sorriso se manteve por todo o caminho até o térreo. O sorriso já tinha sumido na hora em que voltei para a cobertura vazia. Em vez de trazer-me a um estado calmo e meditativo, minha corrida só acabou por desordenar os meus pensamentos. Havia tanta coisa para resolver, tantas emoções conflitantes a percorrer com calma. Hudson tinha lidado com a situação de Paul razoavelmente bem, e ele iria resolver isso para mim. Por isso, achei que merecesse alguma coisa em troca da minha parte. Que tipo de compromisso eu poderia assumir em relação a David? Eu não queria que ele fosse mandado embora, e não queria dirigir o Sky Launch. Se eu fosse para o Japão, isso mostraria a Hudson a extensão do meu amor e gratidão por ele? Seria um verdadeiro sacrifício para mim, pois realmente queria ficar na cidade, criar um plano de publicidade com Aaron Trent, e começar de novo com outro organizador de eventos. Não consegui chegar a nenhuma conclusão nem na hora em que já tinha tomado banho e me vestido. Depois, quando Jordan me deixou na boate, um pouco depois das oito horas, recebi uma mensagem de texto de Brian: “Estou indo para a cidade. Estarei no Waldorf. A que horas podemos nos encontrar?” – O que há de errado? Eu pulei com a pergunta de David. Eu sabia que ele ainda devia estar na boate – o alarme não tinha tocado quando entrei –, mas não esperava que ele fosse estar em pé no topo da rampa de entrada da boate. Respirando fundo, tentei sacudir a maior parte do peso pendurado nos meus ombros.


– Nada. Apenas sobrecarregada com... coisas. Ele estendeu a mão para pegar a minha bolsa do laptop, e sua expressão era de curiosidade. Entreguei-lhe o meu laptop, decidindo se de fato queria compartilhar meus problemas com ele, porque, obviamente, “coisas” não iam convencêlo de nada. Droga, talvez se eu falasse com ele, isso pudesse me ajudar a colocar algumas coisas em perspectiva. – Mudei-me do meu apartamento no fim de semana – disse, enquanto nos dirigíamos para o nosso escritório. – E o meu irmão quer se encontrar comigo para pegar a minha chave. Mas nós não estamos nos dando bem. Não desde que comecei a namorar Hudson. – Hum. – Seus ombros apertaram, o rosto contorcido por causa de... O quê? Ciúme? Tudo bem, talvez David gostasse de mim mais do que eu percebera. Ele era muito mais fácil de ler do que Hudson. Como pude, então, não notar como seu afeto era profundo? Ele segurou a porta aberta para mim. – Então você foi morar com Pierce? Eu passei por ele e liderei o caminho até as escadas. – Fui. – Bem, era melhor que ele soubesse a verdade. Ele tinha que chegar a um acordo com a minha relação com Hudson para que eu pudesse ter alguma esperança de ajudá-lo a manter o seu emprego. – Eu sei. Foi rápido. – Isso não é o que eu estava pensando. – O que você estava pensando? – Eu estava pensando que deveria ter sido mais rápido. Suas palavras me detiveram no meio da escada. Virei o corpo para ver se ele estava falando sério. Estava. Ele olhou para mim como Hudson olhava. Eu nunca tinha reconhecido a intensidade desse olhar, porque estava completamente


envolvida na eletricidade e no calor que o olhar de Hudson sempre trazia. A cor sumiu do meu rosto. David limpou a garganta. – Desculpe. Isso foi desnecessário. – Ele passou por mim, continuando para o escritório. – De qualquer forma, parabéns. Estou feliz por você. Segui um passo atrás dele. – Estou feliz por mim também. Minha voz tinha perdido o seu entusiasmo, ainda chocada com as palavras de David. Talvez nós não pudéssemos trabalhar juntos, afinal. Eu não podia ficar pensando nisso. Mudei de assunto: – E eu estou estressada. Hudson quer que eu vá para o Japão com ele esta noite. David tirou as chaves do bolso e abriu a porta do escritório. A sala estava escura, os computadores desligados – ele devia estar indo embora quando me encontrou na entrada. – Por que você está aqui até agora, afinal? – Normalmente os gerentes saíam por volta das seis da manhã, 6:30 no máximo. David deu de ombros. – Esperando por você. E, sim, Hudson me falou sobre o Japão. Acendi a luz do escritório. – O quê? Quando? Eu só descobrira sobre o Japão naquela manhã. – Cerca de uma hora atrás. Ele queria ter certeza de que nós estaríamos cobertos sem você. Hudson já havia conversado com David naquela manhã? Este dia estava ficando cada vez mais interessante à medida que passava. – Eu não disse sim ainda. – Mas você vai dizer – David não se preocupou em esconder a dor em sua voz. Afundei no sofá e esfreguei minha testa.


– Essa foi a única razão pela qual Hudson lhe telefonou? David sentou-se na frente de sua mesa. – Na verdade, ele não ligou. Ele passou por aqui. – Para dizer que estaria me levando para o Japão? – Hudson disse que tinha uma reunião bem cedo. Por que não tinha mencionado que era com David? Ou seu encontro com David fora apenas uma coincidência? – Não, para discutir algumas outras coisas. O medo pingava em minhas veias. – Ah, é mesmo? Que coisas? – Fingi examinar minhas unhas, tentando demonstrar um comportamento distante, embora realmente não fosse nada disso. O que era bobagem, porque não havia nenhuma maneira de Hudson ter falado com David, porque ele me prometera que ainda poderíamos conversar sobre isso primeiro. Além disso, David não estaria ainda ali se tivesse sido demitido. Ainda assim, não pude deixar de me sentir ansiosa pela resposta de David. Ele deu de ombros, e isso pareceu uma demonstração de calma igual à que eu estava dando. – Ele disse que está transferindo o negócio com a Party Planners para o Fierce. Algo sobre um conflito de interesses. O nó no meu estômago se soltou, mesmo que apenas um pouco. Claro. Hudson tinha que lidar com Paul. – Ele levou todas as cópias do contrato. – David me olhou, procurando saber a minha reação. – Mas disse que você já sabia de tudo isso. – Sim, eu sabia. – Rapaz, e como eu sabia. – Pena ter perdido o seu negócio. Senti que David estava me testando, certificando-se de que Hudson não estava mexendo naquele contrato só porque podia, por ser o dono da boate. Era uma atitude legal de David. Mas também totalmente desnecessária.


– Não, está tudo bem. Quanto mais descubro sobre a empresa, mais percebo que não era uma boa opção, afinal de contas. Os ombros de David deveriam ter relaxado, se eu o estava lendo direito, mas não relaxaram. – E isso é tudo que você e Hudson falaram? – Eu estudei sua expressão cuidadosamente. – Há mais, posso dizer pelo seu rosto. – A bola de medo voltou. David foi até o sofá e sentou-se no braço, de frente para mim, com um pé apoiado em uma almofada. – Bem, eu não deveria lhe contar isso até você voltar do Japão, mas não me sinto bem em guardar um segredo de você. Além disso, estou realmente animado e tenho que contar a alguém. – O que aconteceu? – Minha voz era quase um sussurro, minhas mãos ficaram brancas enquanto as torcia no meu colo. – Ele me ofereceu uma promoção. – Seus olhos brilharam, sua excitação era evidente. – Gerente-geral do Adora, sua boate em Atlantic City. Minha visão ficou escura por meio segundo, e eu tive que me recostar no sofá para me apoiar. – O que você respondeu? – Não havia nenhuma maneira de que David não pudesse me ver tremendo, não sentisse o tremor na minha voz. – Eu disse sim, porra. O Adora? Esse lugar é mundialmente famoso. Ou talvez ele realmente estivesse alheio à minha desolação. E eu estava, ah, tão desolada! Não apenas porque o pensamento de perder David era terrível, mas também por causa do que Hudson tinha feito, quando ele me dissera especificamente que nada tinha sido decidido ainda. Eu queria vomitar. Concentrei-me na situação mais imediata à mão – a tentativa de convencer David a ficar. – Mas nós estamos apenas começando aqui. O Sky Launch poderia ser o próximo Adora. Com você e eu...


– Eu tenho certeza de que ele será o próximo Adora. Maior ainda, com o dinheiro de Pierce e as suas ideias. Mas eu não sou um cara que constrói as coisas. Eu sou um cara que dirige as coisas que alguém construiu. O Adora é o maior passo que eu poderia esperar. – Ele olhou para mim timidamente. – E tenho que começar em duas semanas. – Mas isso é muito cedo... E você vai ter que se mudar para Atlantic City. – Minha garganta ficou obstruída pelas lágrimas. – Se eu não fosse esperto, diria que você vai sentir a minha falta. – Seu tom era de esperança. – Claro que eu vou sentir a sua falta, seu tonto. – Eu tinha controle suficiente de mim para acrescentar um adendo: – Você tem sido um grande gerente. Foi realmente você que me inspirou a querer permanecer no negócio de boates. – Sério? Eu não tinha ideia. – Ele veio se sentar ao meu lado. – Vou sentir a sua falta, Laynie. E não só porque tenho uma enorme queda por você, mas porque você é uma boa amiga. Seu flerte descarado fazia sentido agora. Ele estava revelando tudo. Por que não? Ele iria embora em breve. Iria embora por causa de Hudson. Deus, a minha cabeça doía. Suspirei e lancei um olhar para David. – Você não tem uma grande queda por mim. – Você está certa. Sou completamente apaixonado por você. O ar deixou meus pulmões. Eu tinha que me levantar e ir embora, colocando uma boa distância entre nós. O homem com quem eu morava nem sequer me disse alguma vez que me amava. E tinha ido em frente e me traído tão profundamente. O que eu estava fazendo com Hudson? Estava louca? Deveria fugir com David? A resposta foi, é claro, não. Não importava o quanto David dizia estar apaixonado por mim, não se parecia em nada com o que eu sentia por Hudson. Mesmo depois do que ele tinha feito. Graças a Deus, eu não tinha que dizer isso em voz alta.


– Eu entendo – disse David. – Eu realmente queria que você soubesse como me sinto antes de ir embora. Eu me virei para encará-lo. – E agora você percebe que eu realmente tenho que fazer isso. Não posso ficar aqui com você. E o Adora... Assenti. Entendi isso também. – Mas eu estou a apenas um telefonema de distância. Pode me ligar a qualquer hora que você precisar de alguma coisa. Tipo, se você tiver dúvidas sobre o Sky Launch, ou se quiser ouvir a minha voz. Encostei-me à mesa, com as mãos segurando com força as beiradas. – Ele falou quem vai ficar no seu lugar? – Deu a entender. Nós dois sabemos que é você. – David nivelou seu olhar com o meu. – Vamos lá, nós sabíamos que isso iria acontecer no momento em que você começou a sair com ele... – Não, eu não sabia que isso iria acontecer. Juro que não. Minha relação com Hudson tinha sido complicada desde o início, surpreendente a cada momento. Ainda assim, nunca em meus sonhos mais loucos imaginei que sua intenção fosse colocar a boate em minhas mãos. Eu estaria muito menos chocada se ele quisesse me guardar em seu apartamento, descalça e grávida. E essa era uma ideia muito chocante por si mesma. – Eu não estou dizendo que seja injustificável. Você merece dirigir a boate. Sério. A sinceridade de David era tocante. Também me fez ficar ainda mais chateada com Hudson. Mesmo que David estivesse feliz com a promoção, mesmo que provavelmente fosse melhor que ele se mudasse para outro lugar, longe de mim, ainda assim não tinha sido certo o modo como a situação tinha sido tratada. Eu fora enganada descaradamente. Teria que confrontar Hudson. Fiquei em pé, puxando o meu vestido no lugar. – Ei, acabei de me lembrar de que preciso pegar o novo projeto de


design do cardápio. – Eu pensei que a Graphic Front mandaria por e-mail. Minha mente estava tão perturbada que eu nem conseguia colocar as minhas desculpas em ordem. – Eles farão isso. Quero dizer, eles fizeram. – Fiz uma pausa, reunindo meus pensamentos. – Eu quero vê-lo impresso. Sentir o peso e tudo o mais. E também não tenho certeza de a que horas volto... David sorriu. – Eu realmente não sou mais o seu chefe direto, Laynie. Eu desviei o olhar, escondendo meu tremor. – Dá um abraço de despedida? Desta vez, não recusei. Avancei em seu abraço, achando-o mais quente do que eu me lembrava. – Obrigada, David. Por tudo. Enterrei minha cabeça em seu ombro. Eu não ia chorar, porque estava muito brava para isso, mas senti uma explosão de afeto. Eu dei um passo para trás, antes que ele entendesse as coisas de um jeito errado, antes que eu sentisse a necessidade de ser consolada. – E parabéns. Fico feliz que as coisas estejam dando certo para você. Mandei uma mensagem de texto para Jordan vir me pegar. Então, peguei minha bolsa e puxei toda a minha raiva e mágoa para dentro de mim, segurando as emoções na boca do estômago. Guardando-as para Hudson.


18 Quando eu saí do elevador nas Indústrias Pierce, nem sequer parei para falar com Trish, a secretária de Hudson, antes de correr para o escritório dele. – Srta. Withers! – Trish seguiu-me. Hudson estava sentado na cadeira atrás de sua elegante mesa preta, o telefone preso conectado entre seu rosto e seu ombro, com os dedos em cima do teclado. Ele olhou primeiro para mim, então atrás de mim, para Trish. – Espere um momento, Landon – disse. Ele apertou o botão de espera. – Está tudo bem, Patrícia. Eu não esperei pelo clique da porta se fechando atrás de Trish quando ela saiu. – Termine o seu telefonema e me encontre no loft. – E fui para o elevador na parte de trás do escritório. – E então, você sabe, nós vamos brigar. O elevador privativo foi para loft, o apartamento de solteiro de Hudson, onde ele e eu tínhamos passado nossos primeiros encontros sexuais. Eu não tinha estado lá desde que ele me convidara para a sua cobertura, e embora esperasse uma onda de nostalgia, não senti nada, a não ser a traição e a raiva. No loft, eu só tive tempo de jogar minha bolsa no sofá, antes que o elevador voltasse com Hudson. Ele entrou no loft, me viu andando pela sala e se sentou em uma poltrona, sua atenção totalmente voltada para mim. Eu tinha listado uma centena de coisas diferentes para dizer a ele no caminho para seu escritório, mas agora que estávamos frente a frente, minha raiva me deixou com a língua presa.


Mas Hudson estava tão calmo e tranquilo como sempre. – Ele não deveria contar a você até que voltássemos do Japão. Ele. Hudson nem sequer disse o nome de David. Pelo menos não estava fingindo que não sabia o motivo de eu estar chateada. Mas isso não fez nada para me deixar mais calma. – Sorte minha que ele é um bom amigo. Além disso, nunca concordei em ir para o Japão. – Touché. – Que porra é essa, Hudson? Minhas emoções estavam fervendo dentro de mim, ameaçando explodir. Hudson cruzou uma perna sobre a outra, apoiando o tornozelo sobre o joelho. – Eu ofereci a David uma oportunidade, e ele aceitou. – Você concordou que poderíamos discutir mais sobre o assunto. – Eu concordei que poderíamos discutir a futura gestão do Sky Launch, e certamente nós faremos isso. Ele era tão equilibrado, tão no controle, e isso só aumentou a minha raiva. – Isso era parte do acordo! – Você deveria ter sido mais específica, então. – Ele nem sequer piscou. Deus, eu queria jogar alguma coisa nele... Qualquer coisa. Em vez disso, joguei minhas palavras: – Você sabia o que eu queria dizer. Você sabia como eu me sentia e foi em frente mesmo assim, e ignorou tudo que eu disse. Pensei que você se importasse comigo, mas obviamente não se importa, porque não é assim que se trata alguém com quem se esteja em um relacionamento. Ele colocou a perna no chão e se inclinou para a frente, finalmente animado. – Sim, eu sabia como você se sentia. E você sabia como eu me sentia. Você não queria que eu o demitisse, e eu queria que ele fosse embora.


Oferecer-lhe um emprego em outro lugar – uma promoção, veja só, para a maior boate do país – me pareceu que foi um ótimo compromisso. Havia lógica em suas palavras, e sua oferta tinha certamente feito David muito feliz. Mas isso não mudava o fato de que Hudson tinha feito a oferta sem o meu conhecimento, nas minhas costas. – Os compromissos devem envolver ambas as partes. Você sozinho não pode decidir arbitrariamente qual é o compromisso. – Eu não sabia, na verdade. – Ele se inclinou para trás de novo, retomando seu exterior composto. – Não sabia que David aceitaria o trabalho. Eu não tinha ideia de que ele concordaria quando perguntei, e se ele não tivesse aceitado, então eu teria que voltar a você para encontrarmos uma solução adequada para o nosso problema. – Você deveria ter falado comigo antes mesmo de ter oferecido o emprego a ele! – Aproveitei a oportunidade quando a vi. Você não estava por perto para conversar. – Nem sequer finja que você não foi falar com David hoje com toda a intenção de fazer-lhe essa oferta. – O humor vertiginoso de Hudson, naquela manhã, sua necessidade de entender a minha mudança na noite anterior – ele estava sentindo a situação. Eu podia ver isso claramente agora. – Não posso acreditar que você não vê por que isso não está certo! Eu estava gritando. E desejei que não estivesse, queria poder ser tão controlada como Hudson. Isso definitivamente teria um efeito de resfriamento. Mas não seria eu, então todo o tumulto que eu tinha dentro de mim estava sendo vomitado no loft. Hudson levantou-se e deu um passo em minha direção, uma sobrancelha levantada. – Você está chateada porque assume que eu quero que você tome o lugar de David? Isso era uma parte, sim, mas havia muito mais do que isso. Eu me virei


de costas, sem saber como responder. – Eu quero você, é claro, e tenho plena confiança de que você faria um excelente trabalho. Mas, se não estiver disposta a assumir essa posição, então espero que você seja de vital importância para decidir quem vai tomar o seu lugar. – Sua mão pousou na minha nuca. Virei para ele, batendo na sua mão e afastando-a. – Droga, Hudson. Eu não quero que ninguém venha tomar meu lugar. Eu quero trabalhar com David. David Lindt, isso é tudo. – Você o está defendendo com a paixão de uma amante, Alayna. E está tornando cada vez mais difícil acreditar que não há realmente nada entre vocês dois. Esse novo insulto foi o mais baixo. Doeu tanto que me deixou dormente, incapaz de sentir coisa alguma, a não ser frio, muito frio. – Você é tão manipulador, Hudson. – Minha voz estava tensa, mas baixa e calma. – Tudo o que você fez e disse para mim, hoje, era um completo jogo mental. Pensei que já tivesse superado isso. Nem sei como reagir, o que talvez seja exatamente o que você estava querendo, então adivinhe – considere a porra de sua missão realizada. Ele avançou em direção a mim. – Não é justo você jogar meus comportamentos passados na minha cara toda vez que discordar de minhas ações. Eu não estou de forma alguma tentando manipulá-la para fazer ou sentir nada. Quis simplesmente continuar com meus planos, para você, Alayna. O que fiz foi para proteger o nosso relacionamento e nosso futuro. E é tudo. – Sério? Porque agora o futuro do nosso relacionamento parece muito vulnerável, se você me perguntar. – Isso foi absolutamente frio, tão frio quanto eu me sentia no momento. Nem mesmo ao ver a cara de Hudson como se eu tivesse batido nele me fez querer retirar o que eu disse. Eu só queria que não fosse verdade. Ele estendeu a mão para mim de novo, mas eu a evitei, colocando as


minhas na frente, como uma barreira. – Nem chegue perto de mim. Você tenta resolver todos os nossos problemas com sexo, mas desta vez não vai ser uma delas. Ele passou as mãos pelos cabelos. – Eu não tento resolver os nossos problemas com sexo. Mas simplesmente reconheço que, quando estamos brigando, a conexão física nos coloca de volta em sintonia um com o outro. – Você quer dizer que isso me deixa mais fácil de controlar. – Hudson abriu a boca – para protestar, era o mais provável –, mas falei antes que ele pudesse dizer qualquer coisa: – Eu não posso lidar com isso agora. Tenho que ir. Peguei minha bolsa do sofá e me dirigi para a porta principal. Ele tentou me agarrar quando passei por ele, mas escapei de suas mãos. Ele não tentou novamente. – Alayna, não deixe as coisas assim. – Neste momento, a última coisa que espero ouvir é que você me diga o que fazer. – Alayna, por favor... – A dor, a súplica em sua voz, isso me destruiu. Mas eu precisava de tempo. Fiz uma pausa, minha mão na maçaneta da porta, sem olhar para ele. Se eu olhasse para Hudson, temia que caísse em seus braços. Eu precisava estar em um lugar onde fosse possível pensar com clareza. E seus braços não eram o lugar ideal. – Estarei na cobertura mais tarde. Isso é tudo que posso lhe dar. Agora, preciso de algum espaço. A bola em sua garganta estava tão apertada que o ouvi engolir. – Tudo bem. Então fui embora.

Eu sabia antes de as portas do elevador se fecharem que precisava falar


com Celia. Eu tinha sido pega de surpresa, o comportamento de Hudson me desconcertara tão completamente que me torcera em nós. Eu não tinha a experiência com ele para resolver o problema. E precisava desesperadamente de aconselhamento. Celia não respondeu ao primeiro toque, de modo que fiz aquela coisa de desligar e discar de novo várias vezes. No meio da minha quarta discagem, meu telefone tocou o sinal de mensagem. “Você recebeu minha mensagem? Estarei no Waldorf esta tarde. Preciso vê-la.” Droga de Brian! Eu não tinha respondido à sua mensagem anterior. Quem diria que eu teria que lidar com ele hoje, entre todos os dias do ano? “Me mande uma mensagem de texto quando você tiver chegado. Daí eu passo lá.” Enviei e, em seguida, tentei Celia novamente. Desta vez, ela respondeu de imediato. – Oi, é Laynie. Você está ocupada? – Hã, mais ou menos. O que está acontecendo? – Eu, hum, precisamos conversar. – Minha voz falhou. – Ah, não! O que há de errado? Você fala como se tivesse chorado. Eu não tinha chorado... Estava chorando. – Prefiro falar pessoalmente. Você está livre para se encontrar comigo? As portas do elevador se abriram no saguão das Indústrias Pierce. Droga! Agora eu estava cercada por pessoas. Escondi meu rosto com os cabelos, desejando que eu tivesse meus óculos de sol, e corri para as portas principais. – Eu poderia me encontrar com você mais tarde. Tipo, esta tarde. Será que isso é bom para você? – Não sei. – Eu não podia compreender os quinze minutos seguintes, muito menos tantas horas à frente. – Deixe-me pensar. Eu tenho que ver o meu irmão. Esta tarde. Mesmo não querendo. Eu não sei. – Eu estava me


repetindo, minha mente perdida em um nevoeiro. Saí para a rua e caminhei até que as portas de vidro se transformassem em parede. Encostei-me contra os tijolos. – Não me sinto realmente capaz de tomar qualquer decisão agora. – Tudo bem, eu entendo. Você está nervosa. – Celia parecia distraída enquanto falava. – Você disse que seu irmão está na cidade? Brian? Ele vai ficar com você na cobertura? – Deus, não. No Waldorf. É o lugar favorito de Brian no mundo. – Eu estou fazendo uma instalação de um projeto no foyer do Fit Nation, na rua 51. Há um café aqui ao lado. Que tal nos encontrarmos lá em torno das duas horas? Você vai estar perto do Waldorf também. Apesar de o encontro ser a horas de distância, eu me senti melhor. Não ótima, mas melhor. – Perfeito. Obrigada, Celia. – Quando quiser. Olhei para o relógio digital antes de fechar o meu telefone. Era um pouco depois das nove horas. Parecia que eu tinha vivido um dia inteiro em um curto espaço da manhã. Mas o que eu faria durante as próximas horas estava além de mim. – Srta. Withers? Levantei os olhos da bolsa e vi Jordan em pé no meio-fio com o Maybach. – O sr. Pierce sugeriu que eu a levasse a algum lugar. Para a cobertura ou para a boate, talvez? Esse era Hudson. Sempre cuidando de mim, mesmo quando eu não queria nada do tipo. Na verdade, foi um alívio ter Jordan ali. Eu estava tão confusa que nem tinha pensado em mandar uma mensagem de texto para ele e pedir que viesse me pegar. Com um agradecimento relutante, subi no banco de trás. – Eu não quero ficar na cobertura. A boate, suponho. Passei o resto da manhã folheando os papéis no escritório, e olhando


para o cursor piscando no meu laptop. Eu não conseguia obrigar a minha mente a se concentrar em nada. No passado, quando eu me sentia estressada e inquieta, recorria aos velhos hábitos, e caía em comportamentos obsessivos. Esses padrões de comportamento me acalmavam e me relaxavam com a sua natureza compulsiva. Mas, em vez de sentir a necessidade de fazer isso, tinha necessidade de me desligar, de me enrolar em uma bola e dormir até não sentir mais nada. Porra, estraguei tudo. Eu me sentia curada com Hudson, mas ainda não sabia como lidar com as emoções. Eu não sabia o que as pessoas normais faziam quando se sentiam magoadas. Lamentei ter faltado à minha terapia de grupo. Eu precisava dela agora. Ou, no mínimo, precisava de Lauren – minha líder de grupo favorita. À noite, Lauren era líder voluntária dos Viciados Anônimos e de outros grupos em uma igreja da Unidade nas proximidades. Eu tinha assistido a suas reuniões fielmente durante anos, só recentemente começara a participar esporadicamente. Mas não tinha conhecido Lauren nos Viciados Anônimos. Eu a conheci no Stanton Addiction Center, uma clínica de reabilitação, onde ela trabalhava como terapeuta durante o dia. Fui paciente dela por um curto período de tempo, depois de ter violado minha ordem de restrição a Paul. Brian, como o advogado decente que era, tinha conseguido negociar a reabilitação, em vez da prisão. Olhei o relógio, 11:45. Se eu corresse, provavelmente conseguiria pegála em sua pausa para o almoço. Mandei uma mensagem para Jordan e dentro de vinte minutos eu já tinha chegado ao centro. Depois de me apresentar na recepção, recebi um crachá para a ala do pessoal. Depois de encontrar o escritório de Lauren, às escuras, fui para o refeitório dos funcionários e a vi com um grupo de enfermeiros, rindo em frente à máquina de bebidas. – Ei, menina. – Ela se afastou de seus amigos quando me viu e me deu


um abraço. – Fiquei decepcionada quando não a vi ontem no grupo. Sorri tensa, ansiosa para ficar sozinha com ela. – Desculpe. Coisas aconteceram. – O fato de vir me procurar aqui me leva a crer que não foram coisas boas. – Algumas foram. De fato, muito boas. E algumas definitivamente não. – Olhei para uma mesa vazia no fundo da sala. – Você tem tempo para conversarmos? Ela levantou o saco de papel marrom que estava segurando. – Contanto que você não se importe de me ver mastigar enquanto fala. – Pode mastigar à vontade. Eu não falei até que estivéssemos sentadas à mesa. Então, atualizei Lauren sobre os destaques da semana passada, a mudança na minha relação com Hudson, o fato de me mudar para a cobertura, ver Paul mais uma vez, os segredos que eu tinha guardado e, finalmente, o que Hudson tinha feito em relação a David. Fui rápida, sabendo que o almoço de Lauren era de apenas uma hora. Quando terminei, me senti acabada, como se tivesse vomitado durante a última meia hora. Lauren pegou um guardanapo e limpou a boca, seu almoço terminara havia tempos. – Bem, que bela semana movimentada de eventos. O que você aprendeu ao dizer tudo isso em voz alta? Essa era uma das suas técnicas favoritas na terapia, transformar uma sessão de desabafo em uma oportunidade para o autoexame. – Não sei bem. – Eu estava fora de prática com isso. Respirei fundo e pensei por um momento. – Consigo ver a minha culpa na traição de Hudson. Eu mantive segredos dele, para começo de conversa. – Era difícil admitir, mas crucial. Como eu poderia esperar que ele pensasse que ser honesto e aberto era o máximo para mim? Eu certamente não tinha demonstrado o mesmo a ele.


– Muito bom. O que mais? Deus, uma coisa já não era suficiente? Então, procurei por mais. – Percebi que não sei como lidar com os meus sentimentos. Eu costumava me apegar e ficar obcecada quando me sentia desequilibrada. O que eu deveria fazer agora, em vez disso? – Exatamente o que você está fazendo. Você lida com eles de forma construtiva. – Lauren sentou-se inclinada para a frente, as mãos apoiadas sobre a mesa. – Ouça, meu bem, ser saudável não significa que você não sentirá mais as coisas. Você sempre vai sentir coisas, boas e más, dependendo do dia, dependendo da hora. Isso se chama vida. Ser saudável é falar de suas emoções, escrevê-las, perceber que você não tem que fazer nada para mudá-las. Às vezes, você apenas tem que botá-las para fora. – Bem, isso é uma merda. – Não é? – Ela recostou-se na cadeira. – Tem mais uma coisa que quero salientar e não sei se você está enxergando. Lauren geralmente evitava destacar as questões que os seus clientes não tinham levantado por si mesmos. Ela acreditava que, se alguém ainda não podia ver o problema, então não estava preparado para lidar com isso. Se ela estava apontando alguma coisa para mim, deveria ser vital. Torci minhas mãos no colo. – O que é? – Hudson... Eu não o conheço pessoalmente, mas seu comportamento me parece familiar. Por um minuto fiquei me perguntando se ela havia se encontrado com ele em algum momento da sua terapia. Eu sabia quase nada sobre os programas de tratamento que Hudson tinha feito. Imaginei que fosse possível. Mas então percebi aonde Lauren queria chegar. Eu senti o sangue correr do meu rosto. – Você quer dizer, ele se parece comigo. Comigo no passado.


– Ciumento, manipulador, enganador. – Ela os marcou, um adjetivo horrível a cada dedo. Ouvir essas palavras em seus lábios fez apertar minhas entranhas. – Ele realmente não é assim. Você está fazendo Hudson parecer pior do que ele é. – Reduzir Hudson a tal comportamento era errado. Ele era muito mais do que isso. – Não estou fazendo Hudson se parecer com nada. Esses são atributos que você costumava usar para descrever a si mesma na terapia. – Lauren inclinou a cabeça para olhar para mim. – Por que acha que você era assim? Uma onda de lembranças desabou em mim, coisas que eu preferia não lembrar sobre mim mesma, as emoções que eu sentia, os motivos para o meu comportamento. Eu sempre odiei navegar através das lembranças para chegar ao aprendizado. Isso me deixava enjoada e tonta. Fechei os olhos para me equilibrar. – Porque queria me sentir amada. Porque estava desesperada para ter o cara que eu queria. Porque não achava que existisse qualquer outra maneira de ser notada. – Você acha que poderiam ser as mesmas razões para Hudson ter feito o que fez? Abri os olhos. Suas palavras de mais cedo estavam se repetindo na minha cabeça. “Quis simplesmente continuar com meus planos para você, Alayna. Tudo o que fiz foi para proteger o nosso relacionamento e o nosso futuro. Isso é tudo.” Eu não tinha dúvida de que ele estava falando sério. Que ele acreditava honestamente que estava fazendo o que era melhor para nós. Não era o modo certo de agir, mas a intenção tinha sido boa. Comovente, na verdade. Isso era uma boa desculpa para o que ele fez? Lauren leu meus pensamentos. – Olha, não estou validando o comportamento dele. Ou o seu. Parece que vocês precisam trabalhar muito ainda antes de descobrir como funcionam


juntos. Estou simplesmente dando-lhe alguma perspectiva. Parece que ambos foram capazes de se conectar entre si porque vieram de lugares similares. Talvez você deva usar essa experiência para entender de onde ele vem. É um começo, pelo menos. Meus lábios desenharam uma cara feia. – Então eu devo apenas perdoar o que Hudson fez? – Não. Você poderia ir embora. – Ela disse isso com tanta facilidade, como se a tarefa não fosse grande coisa. Largar Hudson... Eu não conseguia nem brincar com a ideia. Seria uma coisa que me destruiria. Lauren me estudou. – Você provavelmente deveria ir embora. Mas estou sentindo que isso não está em seus planos. – Não, eu não quero deixá-lo. E morro só de pensar que agora ele provavelmente acha que estou fazendo exatamente isso. Lauren sorriu. – Então, vai ter que ter o perdão. Ele não tem que ser incondicional, no entanto. Diga a ele que você o entende. Agradeça as boas intenções. Em seguida, é bom explicar-lhe o que vai acontecer se ele fizer algo assim de novo. – Isso não parece tão horrível. – Na verdade, parecia o paraíso, comparado a perder Hudson para sempre. – Entenda, porém, que você vai ter que ser capaz de respaldar tudo o que disser. Se disser que vai deixá-lo caso ele faça isso de novo, então terá que ir embora pra valer. – Eu não quero nem pensar sobre isso. Ela piscou para mim. – Tenho certeza que não. Além disso, ele poderia colocar condições para você. Se ele descobrir que você está mantendo mais segredos, por exemplo. Seria ele a ir embora.


– Acho que é melhor eu abrir o jogo completamente com ele, antes de negociar qualquer condição... Teria que contar a ele que estava me encontrando com Celia às escondidas. Honestamente, esse era o mais leve dos segredos que eu tinha ocultado e tinha poucas dúvidas de que Hudson iria me perdoar por isso. Ainda assim, o ar precisava ficar limpo de uma vez por todas. As sobrancelhas de Lauren se levantaram. – Tem mais coisas que está escondendo de Hudson? – Eu sei, eu sei. Não olhe para mim assim. – Revirei os olhos, sabendo que minha situação parecia muito ruim. – Você acha que nós dois somos cinquenta tons de caras fodidos, não é? – Não, não é tão ruim. Talvez 25 tons... Eu ri, e ela se juntou a mim. Porra, eu me senti bem – rir e relaxar. Eu precisava encontrar uma maneira de fazer isso com mais frequência. Lauren ficou em pé, e eu sabia que era hora de ir. Eu a abracei e agradeci, prometendo que estaria no grupo da segunda-feira seguinte. Então, fui embora. Depois de falar com Lauren, já não sentia a necessidade de ver Celia. Tentei chamá-la para cancelar nosso encontro, mas, mesmo depois de várias tentativas, ela não respondeu. Tudo bem. Eu usaria o nosso encontro no café para lhe dizer que iria contar tudo a Hudson. Isso poderia muito bem fazê-la ficar esperta. Cheguei ao café dez minutos mais cedo, mas meia hora depois Celia ainda não tinha aparecido. Eu liguei para ela várias vezes, mandei uma mensagem de texto, mas não obtive resposta. Esperei mais trinta minutos, e depois decidi dar uma espiada na Fit Nation. Ela disse que estava trabalhando lá e talvez tivesse ficado presa. Lá dentro, fui direto para a recepção. – Oi, estou procurando por Celia Werner. Ela deve estar fazendo algum trabalho de decoração por aqui. Você a viu?


O homem que me recebeu tinha a minha idade e a constituição de um halterofilista. – Eu conheço Celia. – Seus olhos brilharam como se ele tivesse uma bela queda pela garota. Mas era ela de fato estonteante. Provavelmente todos os homens reagiam dessa maneira com ela. – Ela não veio hoje, porém. – Tem certeza? Ela me dissera especificamente que estaria trabalhando lá naquele dia. – Positivo. – Hã... Um calafrio correu através de mim. Considerando o pouco que eu realmente sabia de Celia, não tinha qualquer razão para tirar conclusões precipitadas. Talvez ela fizesse isso muitas vezes, deixar de cumprir seus compromissos, de trabalho ou não. Talvez algo tivesse aparecido. Eu não sabia nada sobre sua vida pessoal. Mas alguma coisa sobre a situação era inquietante. Algo que eu não conseguia atinar... Deixei o meu número na recepção, no caso de ela passar por ali mais tarde. Então, afastei os pensamentos de Celia e me preparei para limpar a merda da tempestade com Hudson. Quando Jordan me pegou, desta vez eu estava pronta. – Leve-me para o Bowery. – Eram quase três horas. Eu poderia enviar alguém para levar a minha chave para Brian quando ele mandasse uma mensagem. E teria muito tempo para arrumar minhas malas para o Japão e ordenar os meus pensamentos antes de Hudson voltar para casa. Então nós conversaríamos, de coração para coração, jogo limpo completo. Se ele dissesse as coisas erradas, eu ainda poderia voltar atrás na viagem ao Japão. Mas ele precisava saber que eu estava comprometida com a nossa relação também. Hudson precisava saber que eu estava totalmente dentro. Exceto que, quando cheguei lá, a cobertura não estava vazia como eu esperava. Vozes alteradas atingiram meus ouvidos na hora em que entrei no hall. Meu estômago revirou quando reconheci a quem as vozes


pertenciam – a Hudson. E Celia.


19 Encontrei-os na sala de estar, em pé e tão perto um do outro que só teriam que se inclinar um pouco para se beijarem. Eu só podia ver claramente o rosto de Hudson do meu ângulo, e ele não parecia prestes a dar uns amassos, parecia prestes a estrangular a mulher. Uma bola de fogo com um misto de inveja, mágoa e confusão se espalhou pelo meu corpo. E traição. Nós prometemos não ver Celia um sem o outro. Eu o tinha traído também nesse departamento. E me serviu bem para ter uma amostra de como isso nos fazia sentir. Eu me sentia uma merda. – Por que Celia inventaria isso? Eu tinha ficado tão envolvida naquela cena diante de mim que nem percebi que Celia e Hudson não estavam sozinhos na cobertura. A voz que atraiu minha atenção pertencia a Sophia. Sentado ao lado dela no sofá estava Brian – que merda! E Jack estava na janela, de costas para a sala. Mas. Que. Merda. – Porque isso é o que ela faz. – Jack virou-se da janela. – Ah, e muitas dessas questões podem agora ser resolvidas porque o assunto em questão chegou. Todos os olhos na sala se viraram para mim. Eu dirigi a minha pergunta apenas para Hudson: – O que está acontecendo aqui? – Alayna... Sua voz era tão tensa quanto o seu corpo, mas um lampejo de luz atravessou os seus olhos ao me ver. Celia entrou na minha linha de visão, sua expressão dura. – Eu contei a eles. Eles todos estão sabendo. – Celia, pare com isso – disse Jack.


– Sabendo o quê? – Os pelos do meu braço se arrepiaram, a eletricidade no ar formigava em torno de nós. Ninguém respondeu. Jack olhou ao redor, incrédulo. – Você vai dizer a ela, Celia? É justo para ela ouvir da “fonte fidedigna”... A mandíbula de Sophia caiu. – Você está chamando Celia de mentirosa? – Droga, Laynie. Eu sabia que isso ia acontecer. Eu sabia. Brian levantou-se e começou a andar pela sala. – Cala a boca, Brian. – Eu dei um passo e entrei no espaço onde estavam todos reunidos. – O que está acontecendo aqui? Celia trocou olhares com Sophia. – Você precisa de ajuda, Laynie. – Celia segurou a mão estendida de Sophia como apoio. – Eu quero que você saiba, não estou brava com você e não a culpo por nada... – De que porra você está falando? Embora ainda não entendesse completamente a situação, havia uma coisa que de repente ficou clara para mim: esta era uma intervenção. Uma intervenção para mim. – Tudo bem. – Jack atravessou a sala até chegar perto de mim. – Como vocês não vão explicar, então eu vou fazê-lo. Laynie, você sabe que eu amo vê-la. Sinto muito que seja nestas circunstâncias absurdas. – Ele colocou as mãos nos meus braços e, até mesmo do outro lado da sala, senti Hudson endurecer o corpo. – Celia apareceu em nossa casa esta manhã tendo um chilique com essas afirmações ultrajantes sobre você. Então ela chamou Hudson e seu irmão aqui. – Jack fez uma pausa para olhar para Brian. – E organizou todo este espetáculo. Ainda bem que eu estava por perto para que pudesse vir e tentar colocar algum bom senso nestas pessoas que a estão ouvindo. – No final de seu discurso, ele virou-se para os outros, com a voz e o corpo


animados. – Mas o que ela está dizendo sobre mim? – Em meus ossos, eu sabia a resposta, sem nem mesmo ouvi-la, mas prendi minha respiração, esperando que eu estivesse errada, com todos os diabos. – Que você a tem assediado. Meus joelhos se dobraram e Jack me ajudou a me sentar na poltrona. – Ah, meu Deus. – Minha boca tinha azedado quando engoli a bile. – Ah, meu Deus. Celia ergueu seu celular. – Eu tenho a prova. Ela me ligou várias vezes e desligou. Está no meu registro de chamadas. Clique. Agora fazia sentido – a razão pela qual ela me disse para ligar várias vezes, porque tinha brincado com meu telefone aquela vez no restaurante. Ela queria registrar o meu número em seu telefone. Ela jogou comigo. Minha cabeça latejava com essa percepção... – Laynie? Olhei para Brian, que tinha os braços cruzados, à espera de uma explicação. Ah, quantas vezes eu tinha visto aquele olhar no rosto do meu irmão? Quantas vezes eu prometi que nunca iria machucá-lo assim de novo? Embora eu tivesse mantido a minha promessa, aqui estava ele, com a mesma expressão de antes. Era insuportável. Engoli em seco o nó que se formou na minha garganta. – Eu fiz isso. Mas só porque ela me disse para chamá-la e deixar tocar várias vezes. – Isso é ridículo – zombou Celia. – Por que eu iria pedir a ela que fizesse isso? – Ela disse que seu telefone não estava funcionando. – Essa alegação soava ridícula mesmo para os meus próprios ouvidos. – Disse que, se eu quisesse falar com ela, deveria continuar chamando, até que ela


respondesse. Celia não deixou que ninguém tivesse a chance de reconhecer a minha desculpa. – Ela também me seguiu pela cidade, pelos lugares que venho trabalhando. Tenho um trabalho na Fit Nation e meu guarda-costas a viu no café lá hoje, sozinha, por quase uma hora. E quando eu liguei na empresa, ela tinha deixado um recado para mim na recepção. – Ela armou para mim. – Eu disse mais para mim mesmo do que para outra pessoa. – Estúpida, estúpida, estúpida. Mira tinha me avisado sobre ela. E Stacy, da butique. Mesmo Hudson disse que eu não deveria sair com Celia. Eu não tinha dado ouvidos a eles. Como pude ser tão estúpida. – E a equipe do restaurante pode confirmar que Alayna apareceu de repente e se juntou a mim, quando eu estava prestes a almoçar no outro dia. – O quê? Você pagou para eles dizerem isso? – cuspi as palavras. – Eu não precisei pagar nada. É a verdade. Nosso almoço naquele dia tinha sido tranquilo. Se ela não tivesse pago a eles, então provavelmente devia ter dito na recepção que iria almoçar sozinha. Então, quando eu cheguei, parecia que eu estava invadindo seu almoço. E eu tinha saído antes dela, de forma que Celia poderia muito bem ter se queixado de mim à garçonete, criando o cenário para eles. Jack estava empoleirado no braço da minha cadeira. – E o que você fez, Celia? Você notificou a segurança? – Eu não quis ser rude. – Seus olhos azuis brilhavam. Ela estava curtindo esse jogo. Será que toda essa armação era uma manobra para conseguir que Hudson se livrasse de mim? Ou uma vingança pelo que ele aprontara com ela, anos atrás? Ou, o pior pensamento de todos, teria Celia aprendido a arte da manipulação com ele? Teriam os dois criado juntos esses jogos?


Olhei para Hudson. Ele não disse nada desde que chamou meu nome quando cheguei, o rosto impassível não demonstrava nenhuma emoção. Eu não saberia dizer de que lado ele estava. E isso me preocupou – Hudson deveria estar do meu lado, não deveria? Automaticamente? – É mentira! – disse isso só para Hudson, não me importando quem mais poderia acreditar em mim. – Ela está mentindo. Nós estávamos almoçando juntas. Ela me convidou. – Ela também me assediou no banheiro – disse Celia. – Em seu aniversário, Sophia. – Eu não fiz isso! Celia colocou a mão no braço de Hudson. – Eu disse a você, naquela noite, lembra? – Eu não preciso de um lembrete. – Hudson puxou o braço, afastando-o do toque de Celia, e meu coração se encorajou com aquela pequena vitória. Celia fingiu que sua rejeição não a incomodava, voltando-se para Sophia, sua aliada. – Ele se recusou a acreditar em mim naquela noite também. – Ele está cego pelo sexo – disse Sophia. – Não é real. Ignorei Sophia. – Ela disse que eu a assediei? – Tentei encontrar os olhos de Hudson, mas ele os manteve fixos no chão. Voltei àquela noite do aniversário de Sophia, quando Celia estava conversando com Hudson quando saí do banheiro. Ele havia ficado mais contido depois. Teria sido esse o motivo? O motivo pelo qual ela me acusara de assédio? – Por que você não disse nada para mim, Hudson? Ele não respondeu, mas pude pensar numa razão para que ele não me contasse nada. Porque eu não tinha contado nada a ele. Deus, os segredos que a gente tinha mantido... Agora eles poderiam nos separar. Meu estômago revirou como se eu fosse vomitar.


– Ela se aproximou de mim no banheiro. Fui lá antes, lembra? E não houve assédio. – Estalei meus dedos, lembrando-me de repente que eu tinha uma testemunha da verdadeira conversa que tivemos. – Mira estava em um reservado no momento! Ela vai me apoiar. O rosto de Celia vacilou por apenas meio segundo. – Mira sempre me odiou. Ela vai mentir para me tirar de cena. Jack riu. – Deus, Celia, agora você está arrastando Mira para isso? Quanto mais baixo você ainda irá? Sophia fez uma careta para o marido. – Pare de atacar a vítima. – Ah, Celia é tudo, menos uma vítima. – O tom de Jack continha uma riqueza de subtexto. Ele, obviamente, tinha seus próprios problemas com a menina Werner. Em outra ocasião, eu ficaria ansiosa para saber do que se tratava. Celia suspirou, o tipo de suspiro que não servia para nada, apenas para chamar a atenção. – Por favor, não pense em mim como uma vítima, Sophia. Eu não estou reclamando. Realmente não estou. Estou apenas... com medo. – Ela torceu as mãos na frente do corpo. – E suponho que a culpa seja minha. Parei na boate um dia, eu estava na vizinhança e pensei que seria amigável... Ela me chamou para tomarmos café, eu fui, mas me arrependo disso agora. Esse parece ter sido o gatilho de tudo. Ela me implorou para não contar-lhe que tínhamos nos encontrando. – Celia virou-se novamente para Hudson. – Eu deveria ter lhe contado imediatamente. Sinto muito. Meu único consolo neste momento é que Hudson se recusou a encontrar os olhos dela. – Isso é ridículo. Você é a pessoa que sugeriu que eu não dissesse nada a Hudson. – Por que mesmo eu estava dando a Celia a satisfação de me dirigir a ela? – Ela está distorcendo tudo!


Hudson afastou-se, dirigindo-se através da sala em direção às janelas. Celia seguiu atrás dele, colocando a mão em seu ombro. Mais uma vez, ele se afastou. Ela se empertigou. – Eu não sei se você sabe disso, Hudson, mas, quando conversei com Laynie naquele dia, ela estava obcecada por um cara do passado, um tal de Paul. Ela estava tentando montar um negócio com a empresa dele para que pudesse ficar perto do cara... A raiva espalhou-se através de mim como fogo. – Sua puta de merda! Jack colocou a mão sobre a minha, tentando me acalmar. Celia se aproximou de Hudson. – Eu só estou aqui porque estou preocupada que Laynie possa não ter a ajuda que precisa. Você tem que ajudá-la, Huds. Tudo o que eu podia ver era vermelho. – A única ajuda que preciso é de uma equipe de limpeza para depois que destruir sua carinha bonita. Pulei da minha cadeira e imediatamente Jack e Brian estavam ao meu lado, me segurando. – Laynie! – advertiu Brian, ríspido. Jack foi mais suave: – Mantenha a calma. Ficar violenta não vai resolver nada, mesmo que depois você possa se sentir bem. – Você ouviu, Hudson? – Sophia se levantou e olhou para as costas de seu filho. – Ela ameaçou Celia. Na frente de todo mundo. – Mãe, fique fora disso. Agarrei-me às palavras de Hudson como se fossem uma tábua de salvação. – Hudson, você tem que se livrar dela. Ela é perigosa. Celia me disse que ela tem um registro na polícia. Por que diabos vai deixá-la entrar em sua


vida quando você sabia dessas coisas sobre ela? – Cale a boca, mãe. Hudson falou, passando pelas duas mulheres em seguida. Ele parou no centro da sala, finalmente olhando para mim. Agarrei-me a seus olhos, tentando conseguir o meu equilíbrio a partir deles enquanto todo o mundo girava ao meu redor. Eu não conseguia ler tudo em sua expressão, mas podia ver, definitivamente, aquela coisa que ele me disse tantas vezes: “Eu estou com você.” A voz de Sophia soou abafada e distante enquanto permaneci na segurança do olhar de Hudson. – Faz sentido ela estar obcecada por Celia. Ela sabe que vocês pertencem um ao outro, Hudson, e está com ciúme. Celia estava grávida de seu bebê. E ela não pode competir com isso, não importa... Jack soltou o meu braço. – Ah, cala a boca, Sophia. Não era nem mesmo o bebê de Hudson. Ele era meu, sua vadia ignorante. Então, a minha conexão com Hudson foi perdida quando o mundo desabou. O rosto de Celia ficou pálido. O rosto de Hudson brilhava com raiva. – Que merda, Jack! – Se eu não estivesse tão tonta com as acusações que ocorreram antes, então eu teria sido mais do que uma participante na cena. Em vez disso, senti-me congelada, olhando com horror quando o segredo se revelou na velocidade da luz. – Quem tem que contar isso sou eu – disse Jack –, e estou cansado dessa mentira persistente por cima da minha cabeça. – Não era uma mentira que contamos por você – disse Hudson. – Eu nunca pensei que fosse. Foi para proteger o rabo de Celia. E tenho certeza que parte disso era você protegendo os sentimentos de sua mãe. Só Deus sabe por que você se preocupa com o que ela sente, quando ela


obviamente não se importa com o que você sente. – Eu não entendo. – Sophia afundou no sofá. Foi a vez de Celia ser a consoladora. Ela sentou-se ao lado da mãe de Hudson. – Sophia, eu sinto muito. Foi um erro. Eu estava bêbada. Foi há muito tempo. Jack riu. – Você não estava tão bêbada assim. E eu sei o que todos estão pensando, mas foi ela que me seduziu, e não o contrário. – Seu bebê não era de Hudson? – Sophia não queria acreditar. Eu podia ouvir isso em seu tom de voz. Celia continuava a implorar por perdão. Jack se dirigiu ao bar e começou a preparar uma bebida enquanto falava para ninguém em particular: – Hudson interveio na história porque sabia que o pai de Celia ia pirar sobre a diferença de idade, embora o próprio Warren tivesse algumas amantes bastante jovens. Contudo, as coisas ficam diferentes quando é a sua filha na jogada. De qualquer forma, Hudson disse que se sentia responsável, por alguma razão ou outra. Nunca consegui entender isso. Ele virou-se para a sala, com um copo em uma mão, a garrafa na outra. – Mas vou lhes dizer uma coisa, e não posso provar nada disso, mas eu apostaria a minha vida que a coisa toda foi uma armação. Ela sabia que Hudson assumiria o bebê. Essa foi a única razão pela qual ela veio bater na minha porta, para começar. Para prender Hudson. – Isso é baixo demais, Jack. – Celia fervia por dentro. – Olha quem fala... – disse baixinho, não querendo chamar a atenção para mim mesma. Celia ouviu as minhas palavras, no entanto. – Não vamos nos esquecer por que estamos aqui. Não é para discutir o passado, mas para discutir o futuro da Laynie.


– Eu acho que esse tópico está em espera no momento. – Jack trouxe o copo de líquido âmbar para sua esposa. Sophia tomou a mão dele, com a mão trêmula. – Você e... Celia? – Não fique tão surpresa assim. Nós não temos sido fiéis um ao outro durante muitos anos. Sophia tomou um longo gole de sua bebida. Então ela se levantou e jogou o resto na cara de Jack. – Você é um idiota insensível. Eu sempre fui fiel. Jack limpou o uísque de seus olhos. – Uma só palavra para você, querida... Chandler. – Chandler é seu. Eu não sei por que ele não se parece com você. Vou fazer um exame de DNA para provar isso, se você quiser. E, apesar da infinidade de casos que você teve ao longo dos anos, nunca pensei que desceria tão baixo, a ponto de dormir com a namorada de seu filho. – Ela nunca foi minha namorada! – disse Hudson ao mesmo tempo que seu pai dizia: “Ela nunca foi namorada dele!” A cena havia mudado de algo chocante para algo desconfortável. Brian aproximou-se de mim. – Uau. Esta família é fodida. Foram estranhamente cômicas essas palavras vindas dos lábios de meu irmão. Nossa própria família, com pai alcoólatra e mãe distante, e a irmã com um transtorno mental, sempre pareceu a definição de “fodida”. Os Pierce, porém, nos fizeram parecer como A família Dó-Ré-Mi. Eu dei a Brian um sorriso irônico. – Você me falando isso? Eles eram completamente fodidos. E por que eu ainda estava ali? Era uma coisa além da minha compreensão. Então, fui embora. Minhas mãos tremiam durante todo o caminho até o elevador. Eu não


sabia para onde estava indo, só que tinha que ir embora. Hudson e eu poderíamos resolver as coisas mais tarde, quando estivéssemos apenas nós dois. Havia tanta coisa para esclarecer, mas eu sabia, no fundo do meu coração, que estávamos bem, que continuávamos tão ligados como os nossos olhos tinham estado na sala de estar, em meio ao caos que nos rodeava. Parei no meio do lobby, perguntando-me se eu deveria chamar Jordan para me levar. Mas... Para me levar aonde? – Alayna! – chamou Hudson. Ele deve ter usado o outro elevador para descer. Hudson tinha percebido que eu fora embora. Isso aqueceu um pouco do frio que se instalava em mim. – Por que você saiu? – perguntou ele, quando me alcançou. – Não é óbvio? Aquilo é uma casa de loucos, e não quis mais ficar no meio da loucura. – Sim, isso é verdade... – Eu, hum... – Havia tanta coisa para dizer, mas só uma coisa era importante para mim, para nós. – Por que você não me defendeu lá em cima? Está tão bravo assim sobre a situação com David? Sou eu que devia estar brava com você, lembra? Ele me respondeu com o silêncio. – Espera... – A verdade queimou dentro de mim com uma certeza nauseante. – Você acreditou nela. Sua mandíbula se contraiu. – Hudson? Eu pensei que – quando nossos olhos se encontraram, quando tínhamos nos conectado – aquilo significava que ele estava do meu lado. Mas estava errada. E essa constatação foi como uma facada no estômago. Hudson pôs as mãos nos meus braços, repetindo o mesmo gesto do pai dele, há não mais que quinze minutos... O toque parecia... errado. Frio, onde


era geralmente quente. – Eu acredito em você. – Sua voz era suave. – E o que você precisar, quero lhe dar. Se precisar de ajuda... – Ah, meu Deus, eu não posso acreditar nisso. – Eu desisti de seu toque. – Não posso acreditar nisso, porra! Hudson fechou e abriu os punhos. – Diga-me que você não fez isso. Diga-me que você não ligou para ela. Diga-me que não se encontrou com ela. Mas eu não podia dizer isso. Eu tinha ligado para Celia, tinha me encontrado com ela. Mesmo depois de ter prometido que não o faria. Só o meu motivo é que era discutível, e não poderia prová-lo. Eu balancei minha cabeça. – Não é o que parece, Hudson. Eu não a persegui, ou a assediei ou seja o que for que ela esteja alegando. – Seria fácil entrar em detalhes, explicar tudo. Mas a coisa toda se resumia ao simples fato de que ou Hudson acreditava em mim ou não. – Você está do lado dela ou do meu? – Eu estou do seu lado. Sempre, do seu lado. – Então você acredita em mim? Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça do terno. – Você ligou para ela? – Sim! Eu disse que sim, lá em cima! – Eu não me importava se estava falando alto, não me importava que o porteiro estivesse nos observando. Puxei o meu telefone do sutiã e o estendi para ele. – Aqui, você quer ver? Leve-o! Você verá todas as vezes que liguei para ela, uma vez que parece ser a única coisa com a qual está preocupado. Hudson ignorou a minha mão estendida. – Eu não quero provas. Eu quero ajudá-la. – Eu não preciso de ajuda, porra! E joguei meu telefone no piso do átrio. Ele se quebrou contra a parede. Por três segundos, fiquei olhando para a bagunça. Ocorreu-me que a


mesma coisa estava acontecendo dentro de mim. Meu coração estava se quebrando em uma dúzia de pedaços, como o telefone. Bela porcaria ser capaz de abrir mão do meu passado. Aquilo sempre voltaria para me assombrar. Eu virei as costas e corri – corri pelo saguão e saí pela porta da frente. Hudson estava bem atrás de mim. – Alayna, volte aqui. Continuei correndo, mas eu não era páreo para aquele homem, especialmente quando estava usando sapatos de salto alto. Ele me alcançou antes que eu tivesse passado a esquina do edifício, agarrando meu pulso. – Vou cancelar a minha viagem. Nós vamos encontrar o melhor tratamento e... – Eu não estou doente – puxei o braço de seu aperto. – Vá para o Japão, Hudson. Eu não quero vê-lo. – Eu não irei para o Japão agora. – Ele estava calmo de novo, no controle. Como sempre. Eu comecei a ir embora. – Vá para o Japão – joguei as palavras por cima do meu ombro. – Eu não quero vê-lo por um tempo, se não para sempre. Entendeu? Se você estiver na cobertura quando eu voltar, vou encontrar outro lugar para dormir, e não me refiro a apenas uma noite. Ele não me seguiu. Eu não conseguia decidir se isso tornara as coisas melhores ou piores. Melhores, provavelmente. Porque cada parte de mim estava em profunda dor. E esse tipo de dor só se pode sofrer sozinho.

Fiquei andando de metrô por um longo tempo. Tive a sorte de conseguir um assento antes que a hora do rush lotasse os vagões, e fiquei sentada ali, no banco, na linha que ia até o World Trade Center. Depois de um tempo, mudei para a linha que ia até Columbus Circle por hábito. Mas não fui para


o Sky Launch. Caminhei até o Walter Read Theatre, no Lincoln Center, e assisti a um filme estrangeiro. Quando terminou, fiquei para a próxima sessão. Ainda assim, depois de ter visto duas vezes, não tinha ideia do que tinha assistido. Minha cabeça – e o coração – estava muito confusa para entender as legendas. Não voltei para o Bowery até depois da meia-noite. Com o meu telefone quebrado, eu estava fora de alcance. Não havia nenhuma maneira de saber o que iria encontrar lá. Parte de mim esperava que Hudson tivesse me ignorado, e que ele estaria lá esperando por mim. Mas então me lembrei do que Lauren disse sobre ter coragem de bancar as minhas condições. Se ele estivesse lá, eu teria que ir embora, e por mais abalada que eu estivesse, sabia que não seria capaz de fazer isso. A cobertura estava às escuras, o lugar, em silêncio, exceto pelo som do relógio de pêndulo. O apartamento se parecia muito como na primeira vez em que entrei lá no meio da noite, a não ser que, então, era tudo novidade e a ansiedade que eu tinha estava fundida com a excitação. Agora, eu me sentia dormente e vazia. Eu sabia, sem olhar em volta, que Hudson não estava lá. Estava no meio do caminho, no corredor para o quarto principal, quando uma luz acendeu no quarto de hóspedes. – Laynie, é você? Demorou alguns segundos para me recuperar do pequeno ataque cardíaco que Brian tinha me dado. – Sim, sou eu. Meu irmão veio para a porta do quarto de hóspedes vestindo uma camiseta branca e calça de pijama listrada. – Legal. Você está bem? Essa foi a pergunta do ano. – Acho que sim. – Eu caí contra a parede e inclinei a cabeça. – O que você está fazendo aqui?


– Hudson disse que tinha que partir em alguma viagem de negócios, mas não queria deixá-la sozinha. Então, mandou um cara pegar minhas coisas do Waldorf e me trouxe para cá. – Ele encostou o ombro no batente da porta. – Espero que você não se importe por eu estar aqui. – Na verdade, estou até contente. As palavras saíram da minha boca antes que eu percebesse o que queria dizer. Ter alguém por perto ajudava a diminuir o vazio que eu estava sentindo. E isso me aqueceu, saber que tinha sido Hudson que arranjara esse esquema... Mesmo com tudo o que aconteceu, ele ainda me tinha sob seu radar. Brian cruzou os braços sobre o peito. – Pessoalmente, acho que ele deveria ter cancelado sua viagem. – Ele provavelmente teria feito isso. Mas eu lhe disse que não cancelasse. – Deslizei para o chão, exausta demais para continuar em pé, mas sentindo necessidade de obter mais informações do meu irmão. – Alguma coisa de interessante aconteceu depois que eu saí? Brian veio da porta e sentou-se no chão em frente a mim. – Na verdade, não. Mais do mesmo. Acusações e bebida. Você sabe, uma festa típica de família. Ele disse meio na brincadeira, mas isso era exatamente o que tinham sido nossas festas de família. Pelo menos a parte das bebidas. Havia sempre muita bebida. – A mãe de Hudson é alcoólatra. – Eu não tinha certeza se Brian percebera isso. – Sim, eu notei. Ela tem aquela pele amarelada estranha que papai também tinha. E estava trêmula quando eu a cumprimentei. Será que ela reconhece o problema? – Não. Ninguém reconhece. Ela é uma bêbada diferente do que papai era. – Nosso pai era um bêbado feliz. Ele falava muito alto e ria muito. Quando nós éramos pequenos, a gente achava que era muito divertido. Precisamos


envelhecer para perceber o que suas travessuras fizeram com nossa mãe. – Como assim? – Ela é má. Odiosa. Vingativa. Amarga. – Fiz uma pausa. – Eu disse má? – Esfreguei minha mão sobre os olhos. – Deus, essa coisa do bebê deve provavelmente estar matando a mulher. – Pois é... Que maneira de descobrir que seu marido a traiu. – Nem tanto devido a isso. A infidelidade de Jack é notícia velha. A surpresa é que ele transou com Celia. Pensei que ele tivesse mais bom gosto... Talvez fosse por essa razão que Hudson odiava quando seu pai me tocava. Ele estava com medo de que Jack estivesse atrás de mim também. Se Hudson tivesse me contado a verdade sobre Celia e seu pai, eu poderia... Deixei o pensamento morrer. Não era bom pensar sobre as coisas que Hudson escondera de mim. Porque isso só me levava às coisas que eu mesma tinha escondido dele. Se tivéssemos sido honestos desde o início, talvez não estivéssemos na bagunça que estávamos agora. – De qualquer forma, o que eu quis dizer é que Sophia estava supercerta de que a gravidez era a evidência de que Celia e Hudson deviam estar juntos. Tipo, ela fala disso o tempo todo. Quase dez anos depois, ela ainda está sofrendo por esse aborto. Pelo casamento que não aconteceu. Brian mordeu os lábios, algo que ele sempre fazia quando estava se concentrando. – Sabe o que eu acho? Eu acho que ela sabia o tempo todo que tinha havido algo entre Celia e Jack. Você sabe, a gente meio que percebe essas coisas às vezes. Ela provavelmente pensou que, se Celia estivesse com Hudson, então talvez de alguma forma isso punisse Jack ou talvez até mesmo a ajudasse a reconquistá-lo, ou algo assim. É óbvio que ela ama o cara. Eu inclinei minha cabeça contra a parede. – Isso é muito perspicaz de sua parte. Você quase me faz lamentar pelo


que aconteceu com Sophia... – Fiz uma careta. – Pare! Eu prefiro odiá-la. Brian riu e me senti mais leve com o som. Foi bom ouvi-lo ser mais alguma coisa além de um cara raivoso comigo. Ele era como Sophia, de muitas formas. Endurecido por causa das coisas que a vida lhe havia causado. Ele era a pessoa por quem eu devia lamentar. – Realmente, sinto muito por você ser arrastado para tudo isso. Ele assentiu com a cabeça em aceitação do meu pedido de desculpa. – E eu realmente sinto muito por não estar presente quando precisava. – Ele manteve os olhos em suas mãos, os dedos brincando com o cordão do pijama. – Eu acho que agi errado por cortá-la de minha vida como fiz. Isso não a ajudou, como pensei que faria... – Eu odeio dizer isso, mas foi provavelmente a melhor coisa que jamais poderia ter feito por mim. – Coisa engraçada esse negócio de olhar para trás e enxergar as coisas com cem por cento de nitidez. – Apesar das aparências, no momento, eu tenho estado muito bem. – Isso é exatamente o que parece. Bom trabalho, bom namorado... – Ele me olhou nos olhos. – Eu sei que você não fez as coisas que Celia disse. Minhas sobrancelhas se levantaram. – Você sabe? Como? Brian me deu um olhar direto. – Primeiro de tudo, telefonar e depois desligar? Esse não é o seu estilo. Você é muito mais criativa. Eu sorri genuinamente com aquele estranho elogio. – Em segundo lugar, você nunca mexeu com as mulheres. E, em terceiro lugar, não importava que merda você fazia, nunca negava ter feito. Isso era uma coisa confiável a seu respeito – sempre esteve disposta a admitir seus erros. Além disso, você parece... bem. Acho que nunca esteve tão bem antes. Não, desde que eles morreram, de qualquer maneira. Era o aspecto de alguém que era amada. Essa foi a mudança em mim. Eu me perguntei quanto tempo iria durar.


– Obrigada, Brian. Significa muito ouvir você falar essas coisas. – Mais do que ele poderia imaginar. Mas só porque Brian acreditava em mim não significava que eu estava livre de problemas. – Então, o que faço agora, sr. Advogado? – Sobre Celia Werner? Nada. Ela não tem nada para apresentar uma queixa, e diz que não está buscando uma ordem de restrição. – Porque uma ordem de restrição iria impedi-la de se aproximar de Hudson também. – Então, fiz uma careta. – Pelo menos enquanto ele estiver comigo. – É por isso que Celia está inventando todas essas coisas sobre você? Ela está apaixonada por ele? – Sua pergunta era hesitante, como se ele estivesse com medo de que ao tocar no assunto pudesse me machucar. – Talvez. Eu não tenho certeza se ela está apaixonada por ele ou se quer ferrar com ele. As pessoas me avisaram para não confiar nela. Então, eu me pergunto se a Celia já tem uma reputação... Não tenho certeza. – Tudo o que posso sugerir é para ficar longe dela agora. – Jura? Na verdade, essa trapaça de Celia me fez imaginar se havia algo sobre ela e Hudson, de uma maneira diferente. Não podia ser mera coincidência que eles fossem amigos e ambos tivessem casos nos quais manipulavam as pessoas. Cada vez mais eu acreditava que eles jogaram seus jogos juntos, como parceiros ou como concorrentes, isso não tinha como saber. E eu não tinha certeza se queria saber, de fato... – Ah. – De repente, me veio do nada o motivo pelo qual Brian estava na cidade. Procurei na bolsa ainda solta no meu ombro e encontrei minha velha chave do apartamento. – Eu preciso lhe dar isto. – E entreguei-lhe a chave. Brian se inclinou para a frente, mas parou antes de pegá-la. – Tem certeza de que não quer ficar com ela? Eu poderia assinar outro


contrato de locação por um ano. No caso de as coisas não funcionarem aqui. – O que é muito possível neste momento. – Girei a chave no chaveiro. Parecia mais pesada do que antes, e eu a queria longe de minhas mãos. Ao mesmo tempo, tinha que ser inteligente. Brian me estudou. – Eu disse a ele, você sabe. Hudson. Que eu sabia que você não perseguira essa garota. Meus olhos encontraram os dele. – O que ele disse? – Nada. Hudson é um homem muito difícil de ler. Deixei escapar a respiração que estava segurando. – Sim, verdade... O que eu esperava? Que Brian convencesse Hudson da verdade, e que agora tudo estivesse um mar de rosas? Mesmo que Brian tivesse feito Hudson mudar de ideia, será que eu seria capaz de perdoá-lo por não acreditar em mim quando lhe disse que não tinha feito aquilo? Lauren disse que, se eu quisesse ficar com ele, aí teria que existir o perdão. O quanto eu poderia perdoar? Nesse momento doloroso, quando eu queria Hudson de volta, tanto que todas as fibras do meu ser doíam com saudade, eu teria perdoado qualquer coisa. E isso não era necessariamente a melhor coisa para mim. Ainda bem que ele estava fora do país. Desejando que eu estivesse mais forte quando ele retornasse. Eu me inclinei para a frente e deixei cair a chave na palma da mão de Brian. – Não. Não quero outra locação. Não quero você cuidando de mim. É hora de eu fazer isso sozinha. Se as coisas não derem certo aqui... – Minha voz travou e eu tive que engolir, antes que pudesse continuar: – Eu vou ter que conseguir algo mais barato. O que é bom. Eu poderia encontrar um lugar mais perto do metrô. Talvez até arrume uma companheira de quarto


ou algo assim. Brian assentiu. Ele poderia dizer que a mudança não era o que eu queria, mas não havia mais nenhuma necessidade de discutir isso. O que importava era que eu tinha opções. Eu ficaria bem. Sentamo-nos em um silêncio confortável por alguns minutos, antes que eu tivesse forças para tentar ir para a cama. – Vou pra cama desmaiar agora. Brian ficou em pé primeiro e estendeu a mão para me ajudar a levantar. – Boa-noite, Bri. Eu estava no fim do corredor, quando Brian me chamou. – Sim? – Eu me virei para olhar para ele. – Não vamos ficar como eles, certo? Ele não teve que especificar para que eu soubesse exatamente o que queria dizer. – Você quer dizer que essa coisa de família odiosa, rancorosa, essa falsidade toda não é atraente para você? – Na verdade, não. Fiquei olhando para meu irmão na penumbra. Parecia mais jovem do que o habitual, mais infantil do que eu costumava achar. Uma semana antes, pensei que ele estivesse fora da minha vida. Agora, ele estava pedindo para não estar. Meu sorriso foi fraco, mas sincero. – Então está resolvido. Não vamos ser como eles. Sem sequer me despir, caí naquela cama muito grande e muito solitária. Enterrando meus soluços no travesseiro, que cheirava como Hudson, chorei até de madrugada, quando o sono finalmente me engoliu em seu vazio negro e bem-vindo.


20 Quando tropecei para fora da cama na manhã seguinte, eu me senti de ressaca. Emocionalmente de ressaca, acho, já que não tinha bebido nada. Tirei o vestido com o qual tinha dormido, e o substituí pelo meu robe. Encontrei uma jarra de café fresco na cozinha e, depois de aquecer uma caneca no micro-ondas, fui ver se encontrava Brian. Ele virou-se na varanda. Estava sentado à mesa do pátio, folheando uma pilha de papéis. Algo para um caso, pensei. Brian era o tipo de cara que levava o trabalho com ele em todos os lugares. – Bom-dia. – Ele olhou para o relógio. – Ou devo dizer boa-tarde? – Desculpe. Eu não dormi muito a noite passada. – Puxei meu robe mais apertado em torno de mim e me sentei no banco em frente a ele. – Você está com uma cara de merda. – Obrigada... – Tomei um gole de café, estremecendo quando queimei minha língua. – Você não deveria estar no trabalho agora? – Só de noite. – Eu estaria me reunindo com Aaron Trent às oito. Ainda bem que eu havia me preparado antes, porque certamente não teria condições de fazer isso agora. – Obrigada por perguntar, papai. – Tenho que começar a praticar. Jesus, que merda de irmã eu era... Tinha me esquecido de que sua esposa estava grávida. E eu ainda não tinha lhe perguntado nada sobre isso. – De quanto tempo Monica está, afinal? Ele sorriu de uma forma que nunca o tinha visto sorrir antes, todo orgulhoso e feliz. – Quatro meses. Nós vamos descobrir o sexo em mais algumas semanas. – Isso é muito legal. E um pouco assustador também. – Nem me fale...


Brian ia ser pai. Uau. Tão emocionante e estranho, e isso significava que eu ia ser tia. O tipo de constatação que não sentira ainda. Deus, eu não estava pronta para ser tia. Como poderia Brian estar pronto para ser pai? Tomei outro gole de meu café, desta vez depois de soprar. Sim, eu precisava da cafeína para me acalmar. Isso parecia correto... Brian voltou a mexer nos papéis na frente dele e eu vi o logotipo de uma empresa de telefonia no topo de um. – O que você está olhando? – A lista das chamadas do celular de Celia. Ela deixou um print aqui. – Ele voltou a vasculhar uma página. – Eu estava vendo as chamadas que ela fez. Celia ligou para o Sky Launch uma vez. Na última sexta-feira. Aqui está. – Ele colocou o papel em cima da mesa e o virou em minha direção, apontando para um número familiar. – Não é o número da boate? – Sim, é. Mas ela nunca me ligou lá. Espera, eu conheço esse número também. – Apontei para o que estava acima dele. – Esse é do escritório de Aaron Trent. – As coisas se encaixaram. – Essa cadela. Foi ela que cancelou a minha reunião com ele. – Do que você está falando? Celia sabia sobre a reunião com Trent e sobre o jantar de aniversário de Sophia. Ela obviamente tinha adivinhado que, se Trent remarcasse a reunião, eu ia acabar na festa. Ela provocou a cena toda. Ela era boa ou não nessas manipulações? Brian ainda estava olhando para mim, com expectativa. – Ah, não é nada agora. Eu tinha uma reunião e quando foi cancelada provocou um monte de confusões entre mim e Hudson. É uma longa história. – Meus olhos percorriam a lista, vendo um número que eu sabia de cor. Ele estava por toda a página. – Esse é o número de Hudson. – Ela fez um monte de chamadas para ele. – Estou vendo. – Engoli em seco. – E não sei o que pensar sobre isso. – Nenhuma delas é muito longa. E foi sempre ela quem ligou.


– Hum. Isso era reconfortante, não era? Exceto... O que fez Celia Werner procurar por Hudson? Por que tantas vezes? Eu não gostava das perguntas sem respostas. Sentei-me e puxei o meu joelho para o meu peito, descansando o pé na cadeira. – Então, e agora? Entre você e Hudson Pierce? – Brian ecoou meus pensamentos. E essa não era a grande pergunta – e agora? – Não sei. – Esfreguei meu rosto contra o tecido de seda drapeado sobre meu joelho. – Acho que vou esperar até ele voltar e vamos ver como isso vai ficar. Ficarmos separados pode ser bom para nós. Vai nos dar algum tempo para pensar. Hora de decidir onde eu me encaixava na vida de Hudson, onde Celia se encaixava na vida de Hudson. Onde Hudson se encaixaria na minha vida. – Bom plano. – Brian fez uma pausa. – Você sabe, só porque ele não acredita em você, não significa que ele não a ame. Confie em mim. Falo por experiência própria. Eu encontrei seus olhos. – Sim, acho que você sabe... Eu sempre soube que Brian me amava, mesmo quando ele agia como um idiota total. E sempre entendi seus motivos. Por que era tão difícil para mim entender os motivos de Hudson? Por que ele nunca disse que me amava? Eu não tinha as respostas. Sim, havia definitivamente muitas coisas para pensar. Brian jogou de lado os papéis das ligações do celular. – Bem, falando de telefones, quer que eu vá com você comprar um telefone novo? Essa tinha sido a única coisa sobre a qual eu tinha uma certeza. – Melhor não, tenho medo de que, se tiver um telefone, eu vá ligar para


Hudson... O puxão da fixação já havia me ameaçado sempre que eu pensava sobre meu laptop fechado na minha bolsa no quarto. Em como eu poderia persegui-lo pela internet. Como eu poderia tentar descobrir onde ele estava, o que estava fazendo. Eu tinha sido tão forte. A última coisa que eu queria era que a acusação falsa de Celia se transformasse em verdade. Olhei para Brian, vendo se ele me entendia. – Eu preciso estar completamente afastada dele para colocar minha cabeça em ordem, sabe? – Na verdade, não. Mas se você diz... – Sim. É o que eu digo. Brian foi embora na quinta de manhã e os dias seguintes se tornaram um borrão. Sem ele por perto para me puxar para fora de mim mesma e colocar o tempo em contexto, eu perdia a noção dos minutos e das horas desde que Hudson tinha ido para o Japão. Tudo o que eu sabia era que cada segundo que passava eu sentia como se fosse uma década, todas as noites, sozinha em nossa cama, eu sentia como se fosse um século. David, pensando que eu estivesse apenas meio adoentada porque estava sentindo falta de Hudson, sugeriu que eu tirasse alguns dias de folga, mas a boate me dava algum propósito. Após o encontro com Trent, continuei trabalhando durante as noites, em vez dos dias. Pelo menos assim eu poderia ficar por trás do bar e seguir no piloto automático. Trabalhava muito, e quando voltava para a cobertura nas primeiras horas da manhã, corria na esteira até que não aguentasse mais. Essa era a única maneira de adormecer, ficar tão exausta que, quando deitasse na cama, meio que entrava em coma. Sem meu telefone, Hudson tentou entrar em contato comigo de maneiras criativas – na boate, deixando mensagens com o porteiro, chamando o telefone da cobertura, que eu nunca respondi. Eu fiquei fiel ao


meu autoproclamado “vamos dar um tempo separados”, porque achei que isso seria bom para nós. Exceto que, na medida em que os dias se estenderam, não tinha conseguido nada. Eu esperava ganhar clareza em sua ausência. Em vez disso, senti-me totalmente perdida. Foi depois de uma das noites mais longas, quando eu tinha ficado tanto tempo na boate que a fechara quando o sol já estava plantado no céu, que Mira apareceu. Eu tinha me trocado, colocando roupas de ginástica, e fui correndo da boate para o Bowery. O tráfego parecia bem leve. Era domingo de manhã. Mira estava esperando no saguão, sentada em um sofá no hall de entrada, com as mãos descansando em sua barriga inchada. Ao vê-la, senti calor pela primeira vez em dias. Ela se levantou quando me aproximei dela. – Ele mandou você para verificar como eu estou indo? – Fiquei radiante. Eu sentia tanta falta de Hudson que sua tentativa de me alcançar através de sua irmã era um toque muito agradável. A não ser que ele a tivesse mandado para romper comigo. O sorriso deixou o meu rosto instantaneamente com o pensamento. – Você não está respondendo nenhuma das chamadas dele, Laynie. O que mais ele poderia fazer? – Ele já deixou recados com o porteiro. – Você os leu? – Não. Eu estava com medo do que diriam. Tipo, que eu deveria sair da cobertura, e não estar aqui quando ele voltasse para casa. – Você acha que ele estaria terminando com você? – Ela riu. – Não, sem chance. Mesmo que ele quisesse, eu não iria deixar. E ele não quer. Pode acreditar em mim. Eu não tinha percebido o quanto estava preocupada com essa perspectiva, até que Mira aliviou a tensão simplesmente com essas poucas


palavras. Meus ombros relaxaram, e minha mandíbula já não parecia mais tão apertada. Agora pensava que eu não deveria ter jogado fora suas mensagens. Mas aqui estava uma mensagem, em carne e osso. Inclinei a cabeça em direção ao elevador. – Quer subir? – Eu estava contando com isso. Nós não falamos enquanto subíamos até a cobertura, e tudo que eu consegui pensar foi como eu devia estar horrível depois da corrida e o quanto esperava que Mira estivesse lá realmente para me dizer que Hudson estaria de volta muito em breve. – Posso arranjar-lhe alguma coisa para beber, ou para comer? – perguntei quando entramos no vestíbulo. – Hum, se importa se eu invadir sua geladeira? Eu acabei de tomar o café da manhã e ainda estou morrendo de fome. Larguei minha bolsa e a chave no chão. – Vá em frente. Mira sabia o caminho de cor e eu a segui até a cozinha. Enquanto ela fuçava na geladeira, peguei dois copos do armário. – Quer alguma coisa para beber? – Água é bom. Ela deu um passo para longe da geladeira, carregando uma bandeja vegetariana e um pedaço de queijo. Antes que a porta se fechasse atrás dela, apanhei uma garrafa de água, servindo metade em cada um dos copos. Quando me virei, Mira já estava sentada confortavelmente à mesa do café da manhã. Peguei uma faca e prato para o queijo e me juntei a ela. – Então – disse ela, mastigando um pedaço de aipo. – Muita loucura rolou por aqui na semana passada. – Nós estamos pulando direto para isso, então? Sem conversa fiada


antes? – Pessoalmente, eu estava satisfeita. Não queria ser a única curiosa sobre toda aquela sujeira... – Você está brincando comigo? Eu estava morrendo para falar com você. Não sabe que sou uma viciada em fofoca? – Mira pegou a faca e começou a cortar o pedaço de queijo. – Você não sabia sobre o bebê de Celia também? – Não. Nenhuma ideia. Eu sempre tive certeza de que não era filho de Hudson. Não sei por quê, eu mal tinha feito 14 anos quando isso aconteceu, mas meu irmão nunca pareceu estar na dela, entende? Eles nunca sequer se beijaram ou qualquer coisa que eu tivesse visto. E, acredite em mim, eu era o tipo de irmã que via um monte de coisas. Eu podia imaginar Mira como uma jovem e alegre adolescente, espionando seu irmão sempre que tinha a oportunidade. – Não duvido disso. – Mas nunca pensei que pudesse ser do meu pai. – Ela pegou um pedaço de queijo cheddar e colocou em cima de outro pedaço de aipo. – E ainda não consigo pensar nisso, é nojento demais. – Mira estremeceu e, em seguida, mordeu seu sanduíche de aipo e queijo. Falando em nojento... Tirei os olhos de seu lanche de gosto duvidoso e fingi estudar minhas unhas. – Como a sua mãe está lidando com a notícia? Mira deu de ombros. – Quem sabe? Toda vez que ela começa a sentir algo diferente de amargura, simplesmente recarrega seu uísque. Balancei a cabeça, surpresa com a sua abertura. Eu realmente não tinha passado muito tempo sozinha com a irmã de Hudson. Mas achava que ela seria tão fechada como Hudson, escondendo seus verdadeiros pensamentos e sentimentos por trás de um véu de felicidade, enquanto ele escondia os dele por trás das paredes frias de pedra. Talvez eu estivesse


errada. – Mamãe vai superar isso. Ou não vai. Tanto faz. – Ela fez uma pausa para terminar de comer o aipo. Então, franziu a testa. – Eu não sei por que minha mãe estava tão ligada em Celia, para começar a conversa. Eu sinto muito por isso. – Não se preocupe. Você não é responsável pelo mau gosto da sua mãe. Ela deu uma risadinha. – Eu sei, mas é embaraçoso. Celia é uma vaca... – Mira se recostou na cadeira. – Ela sempre foi... não sei... falsa. Eu nunca confiei nela, mas ainda não posso acreditar que ela fez isso com você. Foi a minha vez de dar de ombros. – Foi minha culpa. Não porque eu a perseguia, mas porque não dei ouvidos às advertências para não me meter com ela. – Eu sei que você não a perseguiu. – Mira revirou os olhos. – Por favor. Você acha que eu não sei? Por que você faria isso? Não é seu estilo, não mesmo. A confiança dela em mim era surpreendente. Assim como completamente injustificada. Eu achava que os meus dias obsessivos estavam todos escancarados para a família Pierce. Era bom saber que não era o caso. Mas eu estava cansada de segredos e muito amarga sobre a minha situação. – Não pense assim, Mira. Isso é exatamente como sou. Eu costumava fazer essa merda o tempo todo. Perseguir pessoas, quero dizer. Eu tenho uma ficha na polícia por causa disso. Mira estreitou os olhos e me estudou. – Não é à toa que você e Hudson se dão tão bem. Minha boca se curvou com o seu comentário inesperado. Essa era exatamente a razão pela qual pensei que eu não era boa para Hudson. Interessante que ela tivesse uma perspectiva diferente.


– Seja como for, você não precisa fazer essas coisas agora, não é? – Não. – Está vendo? E agora você é quem eu conheço, por isso não me corrija novamente. – Ela sorriu quando agarrou um pedaço de queijo, desta vez sem aipo, graças a Deus. – Além disso, eu estava naquele banheiro. Você não a assediou, nem um pouco. Eu contei isso a Hudson, por sinal. Ela foi a segunda pessoa a ter me defendido junto a Hudson. Embora estivesse contente com esse apoio, gostaria de não precisar dele. Ainda assim, eu estava morrendo de vontade de saber. – Será que ele acreditou em você? – É claro que sim. – Seus olhos castanhos se arregalaram. – É disso que se trata? Você não acha que ele sabe que você não fez isso? Ele sabe totalmente, minha cara. – Por causa do que você disse a ele? – Claro. – Era o que eu pensava. Seu rosto ficou vermelho. – Quer dizer, talvez não fosse eu. Ele provavelmente acreditou em você, sem... – Sua frase foi sumindo. – Merda. – Mira passou a mão pelos cabelos curtos. – Ele teria percebido isso, se você não estivesse evitando seus telefonemas. – Meu telefone está quebrado. – E as vezes que ele ligou para a boate? – Tudo bem, estou evitando esses... – Cruzei os braços sobre o peito, de repente me sentindo na defensiva. – Não é porque não queira falar com ele. É... É complicado. – Mordi o interior do meu lábio. Era realmente tão complicado assim? Eu amava Hudson, e Hudson... Bem, eu sabia que ele me amava também. Isso era o suficiente? Não havia nenhuma maneira de saber sem falar com ele. E eu estava evitando-o como a uma praga.


Suspirei. – Há mais do que isso. Eu fiz algumas coisas que não deveria ter feito. E ele também fez algumas coisas que não deveria ter feito. Há um monte de coisas para acertarmos e muita coisa a ser dita, e acho que as coisas que precisamos dizer precisam ser ditas pessoalmente. – Então, vá até ele. Arqueei uma sobrancelha. – Para o Japão? – Por que não? O que você está dizendo faz sentido. Grandes coisas precisam estar cara a cara. É mais fácil ser honesto. Mais difícil é fugir. Sim, você deve ir até ele. – Todo o rosto de Mira se transformou com seu entusiasmo. Embora adorável, sua ideia era insana. – Ele não vai voltar para cá em breve? – Não me pareceu. As pessoas com quem ele está lidando parece que estão fazendo corpo mole. – Ah. Meu coração caiu no estômago. Como era domingo, tinham se passado cinco dias desde que Hudson viajara para o Japão. Não achei que pudesse suportar mais tempo... Mas a alternativa era maluca. – Mira, não posso ir para o Japão. Eu não tenho esse tanto de dinheiro. – Eu pago a conta. – Ah, não. Eu não vou deixar você pagar para eu ir para o Japão. Caia na real. Mira fez uma careta e colocou a mão sobre o que foi uma vez, provavelmente, a sua cintura. – Olha aqui, menina, eu tenho quase tanto dinheiro quanto meu irmão, e uma viagem para o Japão é uma gota em um grande balde, e não estou tentando me gabar. Estou tentando ser clara.


Eu abri minha boca para continuar o meu protesto. – Mas se isso for realmente um problema – disse ela antes que eu tivesse a chance –, então ponha a conta no Sky Launch. Dinheiro de Hudson. Ele queria você lá, de qualquer maneira. Não era uma má ideia de todo. Não a melhor, mas não era ruim. Exceto que e se ele não me quisesse lá? Ou talvez fosse por isso que ele enviara a sua irmã. Olhei para Mira desconfiada. – Ele mandou você para me convencer a ir para o Japão? – Não! – Ela parecia chocada. – Nada disso. Não lhe dê o crédito por minha ideia. Mas eu queria dar-lhe crédito. Tornaria menos assustador aparecer por lá sem avisar. – Pense nisso – disse Mira, com os olhos sonhadores. – Essa não seria uma surpresa incrível? Imaginei os papéis invertidos, se ele aparecesse aqui de repente e me surpreendesse. – Sim. Bem que seria. – Mais do que tudo. – Eu sinto falta dele. Isso era tudo o que Mira tinha que ouvir. – Laynie, ele está morrendo sem você! Eu pude ouvir em sua voz. Ele é um caso perdido. Não consegue comer, não consegue dormir... – Ele contou isso? – Nem precisou dizer! Joguei um pedaço de cheddar na minha boca para não rir. – Alguém já lhe disse que você é uma romântica incurável? – Isso não significa que eu esteja errada sobre Hudson. – Talvez não. – Ainda que eu não pudesse imaginar o calmo e controlado Hudson sendo alguma coisa parecida com um caso perdido. Mira suspirou. Então seus olhos brilharam. – Sabe, ele disse para Celia que não a quer mais em sua vida. – Ela


contou com indiferença, mas Mira era fácil de ler, e sabia que isso era uma grande notícia. – O quê? – Foi difícil ouvir minhas palavras sobre as batidas do meu coração. – Você está falando sério? Ela assentiu com a cabeça. – Por que você não contou isso antes? – Eu acho que, provavelmente, eu deveria... Puta merda! Isso mudava tudo. Tudo. – O que mais? Conte-me todos os detalhes. – Eu não sei o que mais. Eu não estava. Foi aqui, naquele dia em que tudo aconteceu. Meu pai me contou. Disse que ela estava abatida. – Então, isso foi antes de ele acreditar que eu era inocente? – Sim. – Então, por que ele disse a ela que não a queria mais por perto? Mira se inclinou – o mais perto que podia, de qualquer maneira, com a bola redonda na sua barriga – e com sua expressão mais animada. – Isso é tão fofoca de segunda mão, mas meu pai contou que Hudson disse a Celia que ela, obviamente, não era boa para você e por isso esperava que ela ficasse fora de sua vida a partir de agora. Nenhum telefonema, nenhuma visita à boate, nada de visitar a cobertura, nenhum evento da família. Completamente fora de sua vida. – Ela bateu o dedo na mesa, reforçando as palavras completamente, fora e vida. – E ele disse que, uma vez que a sua vida era a vida dele, isso significava que ele não poderia vê-la nunca mais também. – Puta merda... Sério? Mira tinha me cativado totalmente. A garota certamente tinha um talento especial para arrumar as coisas. – Sim, muito sério. Por que você ainda duvida? Eu continuo dizendo que ele a ama. Você é muito especial para ele. Hudson fará qualquer coisa para que vocês fiquem juntos. Você não consegue ver isso?


Suas mãos voavam enquanto ela falava, mas eu fiquei colada ao seu rosto. E pisquei. Várias vezes. – Ele me escolheu, e não Celia. Mesmo quando achou que eu tinha enlouquecido novamente. Isso é... Isso é grande. – Sim! É grande! É enorme! – Ela bateu na mesa com tanta força que a faca saiu voando para o chão. Ignorando a faca, Mira me prendeu com os olhos. – Agora, o que você vai fazer para corresponder? Fiquei em pé, com necessidade de andar pela cozinha. – Tudo bem. – Corri minhas mãos pelos cabelos que tinham se soltado do rabo de cavalo. – Eu vou para o Japão. Um som que estava em algum lugar entre um grito e um suspiro encheu a cozinha. A parte surpreendente é que ele veio de mim. Será que eu realmente dissera que iria para o Japão para surpreender Hudson? Ah, meu Deus, eu fiz isso e nem sequer queria voltar atrás. Mira pulou com um guincho. – Isso aí! – Hoje é domingo, certo? – Na minha mente, eu já estava arrumando a mala e fazendo uma lista mental dos preparativos. – Eu não posso viajar até esta noite. Há pessoas que alugaram a boate e eu tenho que preparar tudo para elas. Poderia sair logo depois, tipo 8:30. – Isso é perfeito. Eu parei de andar. – Bem, vai parecer ridículo, mas nem sei como viajar para fora do país. Eu fui para o Canadá uma vez. Essa é a extensão das minhas viagens ao exterior. – Eu vou cuidar de tudo – disse Mira, rindo. – Você tem passaporte? Assenti com a cabeça. – Hudson me deu um. Deixou-o sobre o criado-mudo. Você precisa dele? – Não, você vai precisar dele. Certifique-se de mantê-lo com você. – Seus


olhos se moviam como se ela estivesse fazendo sua própria lista mental. – Você tem um cartão de crédito do Sky Launch? – Tenho. – Corri, literalmente, para o hall, onde eu tinha deixado minha bolsa. – Aqui está – disse quando voltei, entregando-lhe o American Express que eu carregava para despesas de negócios relacionados com a boate. – Uau! – Mira me puxou para um abraço que eu realmente não me importei. – Isso é tão emocionante! Eu sempre quis ter uma irmã! Vocês vão fazer os mais lindos bebês. – Ei, mais devagar! – Isso fez com que o abraço chegasse a um fim rápido. – Ninguém disse nada sobre... – Eu coloquei minhas mãos no meu rosto. – Eu nem consigo terminar a frase. – Desculpe. Eu sou uma otimista. Deixei minhas mãos caírem e apontei o dedo para ela. – Mantenha o seu otimismo para si mesma a partir de agora, entendido? Ela revirou os olhos. – Tudo bem. – Mas Mira estava se contorcendo como se tivesse mais a dizer. – Quer dizer, não está bem. Eu tenho que saber, porque sou ultraintrometida – você quer isso? Quer dizer, filhos, o casamento. O pacote todo. – Ela mordeu o lábio. – Com Hudson. Eu não sabia o que dizer. A resposta era complicada e a conversa tinha tomado um rumo que me fez suar. – Veja, Mira... – Eu ainda não sabia o que dizer. Então a verdade foi derramada. – Eu costumava querer tanto isso que pensei que todo cara era o pacote completo, que cada indivíduo era “o cara”. E eu fazia de tudo para fazê-los acreditar o mesmo sobre mim. Quer dizer, tudo. Coisas que não foram tão boas. A respiração estremeceu meus pulmões. – Então, agora nem consigo mais me permitir pensar nisso, nem mesmo sonhar por alguns segundos para ver como isso se parece. Portanto, a


resposta é: não me pergunte isso. Eu não posso responder... – Minha voz falhou, então eu disse novamente: – Eu simplesmente não posso responder. Mira nem sequer piscou. – Então, não faça nada. Eu vou sonhar acordada o suficiente para nós duas. – Obrigada. – Não tem de quê – respondeu sorrindo. E então, me enxotou com as mãos. – Agora comece a fazer as malas, menina! Tenho que levá-la para o Japão!


21 – Devo trocar de roupa ou ficar com esta? Essa era a terceira vez que eu perguntava a Liesl nos últimos quinze minutos. Ela respondeu todas as vezes, mas eu não conseguia me lembrar do que ela dissera, porque a minha mente era uma confusão de exaustão e nervosismo. Eu tinha conseguido dar um cochilo enquanto arrumava as malas, e decidi que dormiria o restante durante o longo voo. Até então, vinha vivendo de café expresso. Liesl girou o corpo sobre sua banqueta e agarrou meus ombros, me olhando diretamente nos olhos. – Laynie, acalme-se. Você está me deixando louca. – Tudo bem. – Um barulho surdo atraiu nossos olhares para baixo. Era o salto do meu sapato, pulando com os espasmos da minha perna. Eu coloquei a mão na minha coxa para deter esse movimento. – Tudo bem. Me acalmando. – Graças a Deus. – Ela correu os olhos novamente sobre minha saia curta e a blusa branca de botões. – Você está ótima. Mas acho que devia usar um moletom durante o voo, para ficar mais confortável e poder babar durante o sono e coisas do tipo. Daí, se troque no banheiro do aeroporto e vista isso de novo. – Tudo bem. Certo. Esse era o plano. Eu já preferia estar de moletom desde já, mas tinha que esperar o cara que alugou a boate aparecer. Embora eu tivesse planos de mudar o horário do Sky Launch, atualmente não estávamos abertos aos domingos e segundas-feiras. Ocasionalmente, uma festa particular alugava nosso espaço. Eu não sabia muitos detalhes dessa locação, porque fora David quem cuidara de tudo. Ele teria cuidado de se encontrar aqui com o cliente também, mas tinha


viajado para Atlantic City naquela manhã para checar o Adora às escondidas. Eu odiava admitir, mas Hudson tinha resolvido a vida de David, dando-lhe aquele emprego. Tinha sido uma boa jogada. Liesl se voltou para o bar, onde ela estava criando algum tipo de arte com azeitonas no balcão. – Você sabe para onde deverá ir quando pousar? – Mira providenciou um carro para me pegar e me levar para o hotel de Hudson. – A ansiedade pulsava através de mim e comecei a andar pelo salão. – Mas e se ele não estiver lá? E se eu tiver que esperar ou se eu me perder dele? Ou se... – meu estômago embrulhou com esse pensamento – e se Hudson estiver com alguém? – Ele não estará com ninguém. Ele está com você. – Mas como você sabe? – Eu... – Ela fez uma pausa, como se fosse dizer alguma coisa e depois mudasse para outra coisa. – Apenas sei. Fiz uma carranca. Essa resposta não foi satisfatória. – O quê? Será que estamos na escola? – Ela suspirou. – Eu posso dizer pelo jeito que ele olha para você. Todo mundo viu. Vamos, Laynie, ele lhe pediu para morar com ele. Depois do quê? Uma semana? Ele está fissurado em você, garota. – Tudo bem, tudo bem. Você está certa. – Olhei para o relógio acima do bar. – Os clientes devem estar aqui em vinte minutos. Devemos ir para baixo, no caso de chegarem mais cedo. – Hum, tudo bem. – Liesl de repente parecia tão nervosa quanto eu me sentia. – Espere um minuto. – Ela embaralhou os palitos de azeitonas e depois reorganizou tudo no mesmo design. Jesus, agora era ela quem estava me deixando louca. – Liesl! Eles podem estar esperando na porta... – Já vou, já vou. – Ela saltou de seu tamborete. – Espere, mais uma coisa. – Pegou o telefone do bolso de seu short e digitou uma mensagem para


alguém. – Tudo bem. Vamos. Internamente, revirei os olhos. – Você não tinha que vir esta noite. Eu poderia ter lidado com isso sozinha. – Fui para as escadas em um ritmo rápido, mas tive que diminuir para esperar por Liesl, que estava andando em velocidade de tartaruga. – Eu sei. Mas achei que você poderia gostar de companhia. Não é uma boa ideia ficar aqui sozinha. Como se eu não estivesse na boate sozinha o tempo todo. Estranho que de repente ela começasse a se preocupar com isso. – Foi muito gentil de sua parte. – Aham. – Ela mordeu o lábio. – Hum, suas malas estão prontas? – Sim. Jordan vai trazê-las quando ele me pegar. – Continuamos a descida do segundo lance de escadas e a pista de dança principal apareceu. E o meu coração parou. – O que... O chão estava coberto – absolutamente coberto – de pétalas vermelhas e brancas. As luzes principais tinham sido desligadas e velas foram colocadas nas mesas que rodeavam a pista, iluminando o espaço com um brilho branco-amarelado etéreo. Era lindo e romântico. Liesl soltou um pequeno som ofegante: – Uau. Não estava assim quando eu tinha chegado, apenas uma hora antes. Liesl esteve comigo o tempo todo, por isso não poderia ter sido ela. Uma figura saiu das sombras, com as mãos enfiadas casualmente nos bolsos da calça. – Hudson? Então, assim do nada, esqueci-me de respirar. A visão dele... Mesmo em sua roupa amarrotada, sem paletó, sua camisa para fora da calça, ele estava maravilhoso. – Você fez isso? Ele acenou com a cabeça. Seu foco foi para minha amiga.


– Obrigado, Liesl, por mantê-la ocupada. Virei-me para ela, com os olhos arregalados. – Você sabia disso? – Eu ainda não tinha entendido completamente que ele era o locatário da boate, que todo esse arranjo era para mim. – Ei, ele ficava ligando para você a toda hora e você não falava com ele, então me convocou para esta surpresa toda. E me pediu para mantê-la ocupada no andar de cima, enquanto ele fazia... – Liesl apontou para a pista. – Tudo isso. – Sua expressão me disse que se sentia culpada pela traição. – Ele é o meu chefe, o que eu deveria fazer? – Ele não é o seu chefe – disse eu, lembrando sua fala frequente. Ao mesmo tempo, Hudson disse: – Eu não sou seu chefe. Meus olhos voaram para os dele pela menção à nossa piada particular. Em seguida, ficaram presos lá, como se não houvesse mais nada no mundo para olhar, a não ser Hudson. Como se as únicas coisas que valessem a pena pudessem se encontradas ali. E ele olhou para mim com a mesma intensidade. Ao longe, a voz de Liesl penetrou através da neblina: – Eu vou sair pelos fundos. Tchau, obrigada. Nem tenho certeza se respondi a Liesl. Ela já tinha ido embora, eu já estava sozinha. Com Hudson. Parte de mim queria correr para ele. Mas eu não podia me deixar fazer isso. Mesmo que estivesse pronta para me esquecer de todas as coisas ruins que haviam acontecido entre nós, entendi que, se não consertasse as coisas em primeiro lugar, nós nunca poderíamos durar. Então, caminhei até ele, com minhas pernas tremendo quando desci para a pista de dança, e desta vez não foi por causa do café expresso. Embora eu tivesse muitas coisas aguardando na ponta da minha língua, ele falou primeiro: – Malas prontas? – Ele deu um passo em minha direção, uma


sobrancelha levantada. – Você vai a algum lugar? Eu podia ouvir a tensão em sua voz. Hudson pensou que eu o estava deixando. Isso tornou muito mais doces as palavras seguintes que eu tinha que dizer: – Ah, para nenhum lugar em especial. Apenas o Japão. – Por que... eu estava no Japão? – Sua expressão era tão esperançosa e adorável que eu derreti um pouco. Ou muito. – Sim. – Andei em volta dele, observando todos os detalhes de seu arranjo. As mesas cobertas com toalhas brancas, os castiçais deixando uma fragrância de baunilha. – Eu achei que poderia colocar minhas habilidades de perseguição em uso, para encontrá-lo. – Eu teria gostado de ter sido encontrado por você. Eu me virei para encará-lo, fingindo estar calma e glamorosa, embora por dentro estivesse quente e necessitada. – É mesmo? Eu não tinha tanta certeza disso. – Então, você é uma idiota. – Obrigada. – Uma idiota linda, de quem não consigo tirar os olhos. Eu não conseguia parar de olhar para ele também. Menos de uma semana de distância e parecia que eu não tinha visto Hudson por toda uma vida. Ainda estávamos a vários passos de distância. Dei um passo em direção a ele, mas a distância entre nós parecia enorme. Não havia nenhuma maneira de eu chegar a ele sem... sem contar tudo. – Hudson, eu me encontrei com Celia pelas suas costas. Seus olhos se fecharam por meio segundo. – Eu percebi isso. – Eu deveria ter lhe contado. – Mordi o lábio, tentando achar a explicação correta de por que fiz o que tinha feito. – Ela era acolhedora e me dava apoio, e eu precisava de alguém para conversar. Sei que isso não é nenhuma desculpa.


Sua boca se endireitou. – Você poderia ter conversado comigo. – Nós nem sempre conversamos assim tão bem. – Precisamos trabalhar nisso, então. Minha garganta se apertou. Ele ainda achava que tínhamos uma chance. Isso fez toda a diferença. No entanto, ainda havia coisas difíceis a dizer. – Você me magoou, Hudson. Ele respirou de forma tão instável que o ouvi estremecer. – Eu sei. – Sabe? – Sim. Eu transferi David sem falar com você. – Bem. – Havia outras questões entre nós. Eu poderia deixá-lo passar com essa sem reclamar mais. – No fim, isso acabou sendo bom para ele. Foi uma boa atitude. – E eu não acreditei em você. – Hudson balançou a cabeça, olhando para o chão. – Deveria ter acreditado. – Seus olhos se voltaram para os meus. – Eu sinto muito. – Por que não acreditou? Ele suspirou. – Eu estava mais preocupado em ser o cara que ia ficar do seu lado. Queria que você soubesse que eu ia ajudá-la, levá-la para tratamento. – Eu não precisava de tratamento. Eu precisava que você acreditasse em mim e você não fez isso. – Nós não tínhamos tido um bom histórico de honestidade um com o outro. Foi instintivo de nossa parte duvidar. Minhas costas se enrijeceram. – Então é minha culpa que você aceitou a palavra dela contra a minha? – Eu não aceitei a palavra dela sobre a sua. Aceitei as provas e as coloquei em um cenário plausível.


Foi a minha vez de olhar para o chão. – Certo. – Não havia nada de errado com o que ele disse, mas isso não aliviou a dor em meu peito. – A coisa que você não está ouvindo, Alayna, é que eu não me importo. Meus olhos correram de volta para os dele. – Eu não me importo se você perseguir Celia ou telefonar para ela um milhão de vezes ou deixar um frango morto na cama dela, não me importo. Eu só quero você. Eu quero estar com você. Se você estivesse doente, então havia uma chance de que pudesse perdê-la. E não posso. Farei o que for preciso para que isso não aconteça. Tudo o que eu tiver que fazer. Tudo o que eu tiver que dizer. Eu tenho que ter você na minha vida. Os arrepios correram pela minha pele. As palavras de Hudson eram libertadoras e, ao mesmo tempo, nos vinculavam. E aliviaram muitas das dúvidas que me perturbavam constantemente. Sua relutância em acreditar em mim não tinha nada a ver com a confiança, embora eu certamente não merecesse sua confiança. Mesmo no meu momento mais louco, ele ainda estaria lá para mim. Isso era quase inacreditável. Depois de anos pensando que ninguém poderia me desejar por causa de meus erros, sua declaração era mais um sonho se tornando realidade do que qualquer outro aspecto do nosso relacionamento. Ao mesmo tempo, agora eu percebia a extensão dos meus fracassos em nosso compromisso um com o outro. Enquanto ele me apoiaria independentemente de qualquer coisa, eu o tinha afastado com segredos e mentiras. E eu até tinha acreditado que Hudson recorrera aos seus comportamentos passados, quando eu acreditava que ele havia me manipulado... Ele tinha estado doente no passado, como eu também, só que o culpei, em vez de oferecer compreensão. Eu caí de joelhos, com o peso de tudo isso nos meus ombros. Lágrimas ardiam em meus olhos. – Eu não sei como fazer isso.


– Fazer o quê? – Hudson se ajoelhou na minha frente, a um braço de distância. Tão perto, mas, sem seu toque, tão distante... – Ter um relacionamento. – Enxuguei as lágrimas caindo pelo meu rosto. – Eu continuo fazendo merda. Ocultei coisas de você. Eu o acusei de me manipular. Nem tentei entender sua ideia sobre David. – Eu não me importo com nada disso. – Hudson se moveu uma polegada mais perto, e sua expressão era desesperada. – Só não desista de nós. Por favor, não desista. Eu sou uma casca sem você, Alayna. Eu mal posso respirar quando você não está perto de mim, quando não estou tocando em você. Agora, isso é tudo que posso fazer para me segurar de pegá-la em meus braços. – Por que você está se segurando? – Minha necessidade por ele era absurda. – Porque eu não quero recorrer ao sexo para resolver isso. – Você escutou. Você sempre me escuta. – Eu sufoquei um soluço. – Alayna. Como sempre, o som do meu nome em sua boca me inflamou, e isso somado com a distância entre nós aumentou meu desejo, aumentou a minha angústia. – Eu preciso de você, Hudson. Eu preciso de você para me tocar e me trazer de volta em sincronia. Estou tão fora de sintonia sem você e isso dói, como se parte de mim estivesse faltando. Um sorriso fraco cruzou os seus lábios. – Você entendeu, então. – Entendi. – Eu finalmente entendi como a conexão física entre nós era vital. Ela nos aproximava, nos unia, em um nível tão profundo que nossas palavras e ações tornavam-se sem sentido, em comparação. Hudson estendeu a mão, mas ele a deixou cair antes de me tocar. – Será que estamos... bem? – Eu não vou desistir, se é isso que você está perguntando. Estou tão


perdida sem você. Encontre-me, Hudson. – Eu já a encontrei. Então nós estávamos nos braços um do outro, nossos lábios apertados em um beijo com gosto de esperança, de amor e de lágrimas salgadas. Suas mãos nas minhas costas deixando o meu corpo em chamas. Eu precisava tirar a minha blusa, sabendo que a sensação de pele contra pele seria o meu único remédio. Hudson reconheceu a minha urgência. Ou talvez fosse seu próprio desejo que moveu suas mãos para os meus botões, enquanto eu lutava para abri-los. Nosso beijo permaneceu intacto enquanto tirávamos as nossas roupas, e então o meu sutiã. Então, com grande relutância, eu deixei a boca dele se separar da minha para que Hudson pudesse descer para os meus seios. Ele segurou os dois, primeiro acariciando e lambendo entre eles, antes de desviar a sua atenção para um mamilo. Ele puxou e chupou por longos minutos, até me deixar me contorcendo e ofegante. No momento em que ele se mudou para o outro mamilo, eu estava excitada e perto do clímax. Eu tinha estado tão imersa na adoração a Hudson que não notei quando ele tirou a minha saia, até que senti seus dedos no meu clitóris através de minha calcinha, apertando-o como se fosse um botão de liberação. E foi, eu já estava no limite. Um simples girar do seu dedo e eu explodiria. Hudson me segurou enquanto me fez gozar, sua outra mão rasgando minha roupa de baixo, de modo que, no momento em que eu comecei a voltar a mim, já estava completamente nua. Quando a minha visão voltou, eu o vi fixado na umidade entre minhas pernas. Seus olhos estavam marcados com a luxúria, a expressão selvagem. Tão delicioso. Ele era um tesão. Ninguém jamais me olhou como ele antes. Nenhum olhar nunca nem tinha chegado perto. Era demais em todos os bons sentidos. Demais e não o suficiente. Eu precisava dele dentro de mim. Ansiava por seu pênis empurrando para


dentro de mim, me enchendo. Completando-me. Enfiei as unhas na cintura de sua calça, muito louca de vontade para conseguir tirá-la. Hudson assumiu e em um instante tinha baixado a calça o suficiente para expor o seu pênis duro, grosso e lindo. Eu já estava subindo nele quando Hudson me deteve: – Espere um pouco. Ele se levantou e chutou a roupa para longe, a dor de sua ausência me deixando tonta com a visão de meu homem nu. Era assim que eu gostava de nos ver, completamente nus, sem barreiras. Ele caiu de joelhos na minha frente. Minhas mãos imediatamente agarraram o seu pênis pulsante. Um fio de pré-ejaculação brilhava em sua coroa, e eu o espalhei por toda a extensão dele. Ele gemeu. – Venha aqui. Hudson ergueu-se um pouco de joelhos e pediu-me para colocar minhas pernas em volta dele, os pés apoiados no chão, de cada lado. Felizmente, minhas sandálias tinham saltos e deram um melhor apoio. Sua ponta pulsava no meu interior e eu apertei as coxas em antecipação. Com experiência e gentilmente, Hudson empurrou para cima e para dentro. Eu deslizei em cima do pau, engolindo todo o seu comprimento para dentro da minha boceta molhada. Ah, não havia palavras, o êxtase, a intensidade, a sensação absoluta de totalidade, de preenchimento, era tudo perfeitamente indescritível. Perfeitamente perfeito. Hudson se curvou sobre mim, e eu joguei a cabeça para trás com um suspiro. – Veja, Alayna. Seu comando chamou a minha atenção de volta para ele. Eu segui seu olhar para baixo, para o lugar onde estávamos unidos. Ele tirou de mim a sua coroa, seu pau coberto de meus sucos, e em seguida empurrou-o de


volta, seu ritmo constante e hipnotizante. – Veja meu pau entrando e saindo de você. – É tão quente. – Inacreditavelmente quente. Ele acelerou e o som de nossas coxas batendo aumentou o nível de erotismo dez vezes mais. Eu já estava me apertando novamente, me aproximando de meu limite. – Alayna, você está comigo? Sua pergunta me chamou a atenção para o seu rosto. Sua expressão, ainda vigorosa e primordial, estava agora iluminada com afeto. – Sempre – respondi. – Estou sempre com você. Ele voltou para minha boca, mergulhando sua língua com uma ferocidade que ecoou seus movimentos abaixo. Eu estava sem fôlego e ofegante quando ele me soltou. – Nosso passado sempre vai ameaçar ficar entre nós. Mas nada pode ficar entre nós se não deixarmos. Sentiu isso? – Ele dirigiu seu pau mais fundo em mim. – Está me sentindo dentro de você? – É tão bom, Hudson. Você me faz tão bem. – Eu sei, princesa, eu sei. – Ele apertou ainda mais, me puxando para mais perto dele, e assim a sua respiração fez cócegas na minha orelha enquanto falava comigo. Minha visão estava esgazeada, eu estava perto... – Olhe para mim. – Mais uma vez, o seu comando atraiu os meus olhos para ele. – É assim que nós estamos conectados, Alayna. Mesmo quando não estou dentro de você, estamos sempre conectados. Sua declaração gritante foi a gota d’água. – Porra, Hudson, eu vou gozar. Minhas pernas tremiam com o esforço de me apoiarem. Agora elas apertaram com meu orgasmo se aproximando. – Sim, goze – incentivou Hudson. – Eu quero ver você dar tudo para mim.


E eu o soltei, apertando-o com a minha boceta quando meu orgasmo rasgou-me com uma força sísmica. Meu corpo virou geleia, Hudson nos deitou no chão, e em seguida me penetrou, enterrando-se até as suas bolas, enquanto seu clímax explodia quente e longo. Quando terminou, ele ficou dentro de mim, acariciando meus cabelos e sussurrando: – Você é tão bonita, Alayna. Absolutamente linda. Eu senti a sua falta. Muito. Passei meus dedos ao longo de seu rosto com a barba por fazer. – Sério mesmo? – Sim, sério. – Eu também senti sua falta. Muito. – Beijei ao longo de seu pescoço antes de sugar levemente seu pomo de Adão. Ainda em um estágio de pósorgasmo eufórico, foi surpreendente que, de repente, consegui me lembrar de onde eu deveria estar. – Merda! Preciso ligar para Mira e dizer-lhe para cancelar a minha viagem! Hudson sorriu. – Já cuidei disso. – Ela lhe contou? Era para ser uma surpresa! – Mirabelle não me disse. Jordan. Tudo o que ele disse foi que você iria para o aeroporto. Teria sido uma surpresa, sim. – Ele circulou meu nariz com o dele. – Se eu não tivesse lhe surpreendido em primeiro lugar. – E que feliz surpresa foi essa! – Eu tenho sorte de você não me chutar para o meio-fio. Sabe de uma coisa? Eu fantasiava comer você aqui na boate desde a primeira vez que a vi. Por alguma razão, isso me fez enrubescer. – Não posso dizer que não tive a mesma fantasia... Ele sorriu e me beijou devagar, provavelmente sabendo, assim como eu, que se fosse algo mais intenso do que isso nos levaria para mais uma rodada de sexo. Essa suspeita foi confirmada com as palavras seguintes:


– Por mais que seja legal ter essa fantasia realizada, eu prefiro levá-la de volta para a cobertura e ficar com você em nossa cama. – Hum, que delícia... Ainda mais porque, apesar de tudo aqui estar lindo, estou grudenta e tenho pétalas de rosas coladas na minha bunda. Hudson riu, seu pau dentro de mim tremendo com o movimento. – Os efeitos colaterais dos gestos românticos. – É melhor você sair antes de ficar duro de novo. – Já estou no meio do caminho... – Ele saiu de mim, e, com certeza, já ostentava outra ereção. Ele se levantou e me ajudou a ficar em pé, esfregando para longe as pétalas do meu traseiro. Depois que tinha terminado de se vestir, Hudson acendeu as luzes da boate para que eu pudesse soprar as velas. – Pronta para ir para casa? Eu tremia ao som doce da palavra casa. A nossa casa. Que se tornou uma caverna tão solitária durante os dias em que ele esteve longe. Mas agora ela poderia ter restaurado seu brilho. – Enquanto você estiver lá, então não há nenhum outro lugar onde eu gostaria de estar. Tirando uma pétala de rosa persistente do meu braço, olhei ao redor. – E esta bagunça? – Então, antes de ele responder, completei: – Deixeme adivinhar, você tem algumas pessoas... Ele deu de ombros. – Nós temos algumas pessoas... Na verdade, não pirei com essa sugestão evidente de que estávamos ligados ainda mais profundamente do que antes. Eu disse a verdade para Mira, quando comentei que não podia pensar sobre essas coisas, mas talvez eu ficasse bem quando outras pessoas falassem sobre o assunto. Hudson pegou o paletó que estava pendurado no corrimão da pista de dança. Ele tirou o telefone de um dos bolsos e digitou alguma coisa, um texto chamando o motorista, imaginei. – Ah – disse ele, procurando em outro de seus bolsos. – Eu quase me


esqueci. Isto é para você. – Ele me entregou um telefone, quase idêntico ao que eu tinha quebrado. – Então, você tinha certeza de que eu não o tinha substituído, não é? – perguntei com uma risada. Ele piscou. – Você não estava respondendo a nenhuma das minhas chamadas ou mensagens de texto. Calculei que fosse porque ainda estivesse sem telefone. – Eu ficaria sem telefone até que não suportasse mais e ligasse para você. – Devo pedir uma explicação? – Não. É coisa minha. Obrigada pelo telefone. Foi muito atencioso. – Eu passei meu braço em torno dele e, juntos, caminhamos em direção à entrada da boate. – Ei, você conseguiu a Plexis de volta? – Consegui. Mas isso não teria importância se eu não tivesse conseguido você de volta. Caramba, as coisas que ele dizia eram doces demais. Apenas duas semanas antes, Hudson estava completamente isolado de mim, compartilhando muito pouco de seus verdadeiros sentimentos. E pensar que eu poderia ter perdido toda a beleza que esse homem tinha para oferecer, se eu o tivesse deixado escapar. Graças a Deus fiquei por perto para ter todas essas coisas boas. Eu olhei para o seu perfil. – Você nunca me perdeu, lembra? – Isso mesmo, eu não perdi. Nós tínhamos chegado à porta e ele se virou para me olhar. Aqueles olhos cinzentos surpreendentes, eu poderia ficar olhando para eles para sempre. Não perdida, exatamente, mais encontrada, isso sim. – Eu amo você, Hudson Pierce. Ele respirou isso, respirou as minhas palavras, e eu podia ver


exatamente como elas o afetavam. Ele precisava delas, assim como eu precisava de seu toque. Elas o transformaram de alguma maneira que não era bem tangível, mas era real, ao mesmo tempo. Isso compensou o fato de que ele ainda não tinha sido capaz de devolver a declaração. Hudson se recompôs. – Vamos embora. Jordan deve estar esperando. Vou ligar o alarme e travar a porta. Ele precisava de um minuto para si mesmo. Entendi. Hudson exercia o mesmo efeito sobre mim. Saí, e encontrei Jordan esperando com o Maybach. – Boa-noite, srta. Withers. Lamento dizer que a senhorita perdeu o voo. Eu pisquei. – Fica para outra vez, suponho. Entrei no carro, indo para a janela, para deixar espaço para Hudson. Enquanto esperava, liguei o novo telefone que Hudson tinha me dado. E sorri para a tela inicial, era uma imagem de nós nos beijando no desfile de moda a que assisti com ele. Percorrendo os meus contatos, pude perceber que Hudson tinha conseguido transferir meu número e todos os meus dados pessoais para o novo telefone. Depois de um minuto, o telefone tocou para me avisar de textos recebidos. Eu tinha dezessete ao todo. Rolei por eles, para ver que a maioria era de Hudson, um de Brian – provavelmente de antes que ele descobrisse que meu telefone tinha se quebrado. Minha testa franziu quando vi duas mensagens de um número desconhecido. Abri a primeira. “O arquivo de vídeo é muito grande. Mande uma mensagem, se você quiser vê-lo em pessoa.” Confusa, rolei para o próximo texto desse número. “Aliás, aqui é Stacy, da loja de Mirabelle.” Ah, Stacy. Ela me disse que tinha alguma prova sobre Hudson e Celia. Alguns


motivos para não confiar naquela loura. Eu ri sozinha. Muito tarde, muito tarde. Fosse qual fosse a prova que Stacy possuísse de que Celia era uma cadela, agora era completamente desnecessária. Eu aprendera da maneira mais difícil. Embora essa prova fizesse despertar a minha curiosidade. – Tudo bem? – perguntou Hudson, assim que escorregou no banco de trás ao meu lado. – Tudo está perfeito. – Desliguei meu telefone e enfiei-o no sutiã. O mundo lá fora não tinha uma centelha de interesse para mim quando tinha Hudson ao meu lado. E eu estava começando a ver que ele poderia ficar aqui por um longo tempo. Sim, ele estava certo, nós estávamos conectados. Nada poderia nos separar. Eu estava convencida disso agora. Afivelei o cinto de segurança, e depois me acomodei na dobra do seu braço, pensando que perfeição era uma coisa com a qual eu poderia me acostumar.


Leia a seguir um trecho do terceiro volume da trilogia Fixed:


1 Respirei fundo e olhei para a porta do apartamento 312. Ainda não tinha decidido se eu queria ou não ir mais longe. Na verdade, eu não conseguia me lembrar do momento em que decidira vir até aqui. Mas aqui estava eu, o coração batendo e as mãos suando, avaliando os prós e contras de levantar meu punho e bater na madeira da porta. Deus, por que eu estava tão nervosa assim? Talvez se respirasse fundo algumas vezes isso me acalmasse. Fiz isso várias vezes – inspirando e expirando, inspirando e expirando – e olhei em volta. O corredor longo e vazio. Quadros de arte abstrata em molduras douradas cobriam as paredes. Embora o edifício fosse bonito e ficasse num bairro bom da cidade, o carpete era velho e surrado. Pétalas de rosa estavam espalhadas pelo chão em frente a uma porta mais adiante. Devem ter sido deixadas ali por alguém em um gesto romântico. Que delicado. No lado contrário de onde eu estava, o elevador se abriu. Olhei e vi um casal caminhando na direção oposta. O homem, vestido com um belo terno, mantinha sua mão nas costas da mulher. O cabelo loiro dela estava preso em um coque perfeito. Mesmo vistos por trás, eles eram bonitos de se olhar. Era óbvio que estavam apaixonados. Engraçado como eu estava vendo romance em todos os lugares. Talvez fosse o meu estado de espírito, não sei. Voltei-me para a porta à minha frente. Era simples e comum, mas algo nela parecia ameaçador. Bem, seria bom acabar com isso de uma vez. Eu puxei minha bolsa para mais acima no meu ombro e bati. Quase um minuto se passou e ninguém respondeu. Encostei o meu ouvido contra a porta e escutei. Estava quieto, em silêncio. Talvez eu


tivesse o número errado do apartamento. Chequei a palma da minha mão, onde tinha rabiscado o endereço em caneta vermelha, mas estava tudo borrado pelo meu suor. Não tinha importância. Na verdade eu sabia que estava no lugar certo. – Experimente a campainha – disse um homem no fundo do corredor. – A campainha? – perguntei, mas ele já tinha entrado em seu próprio apartamento. Eu não tinha notado uma campainha, mas mesmo assim procurei na parede e no batente da porta. Lá encontrei um botão circular, bem pequeno. Estranho, eu não tinha visto isso antes. De qualquer maneira, ergui um dedo trêmulo e apertei-a. Um latido alto rasgou o ar, e eu quase pulei para fora dos meus sapatos, meu coração batendo no peito. Eu normalmente não tinha medo de cães, mas estava tão ansiosa nesse momento que qualquer coisa parecia ser o suficiente para me assustar. Ouvi movimento lá dentro do apartamento e uma voz falando com firmeza com o animal. Segundos depois, a porta se abriu. Stacy estava na porta de entrada, com o rosto mais hospitaleiro do que normalmente ela mostrava para mim. Seu sorriso excessivamente brilhante me enviou um frio que desceu pela espinha. Ela estava vestida casualmente com uma camiseta e jeans desbotado. Não era o traje com que eu estava acostumada a vê-la quando trabalhava na butique de Mirabelle. Ela estava descalça e os dedos dos pés estavam pintados com um esmalte rosa pálido. Stacy parecia relaxada. Confortável. Eu me sentia exatamente o oposto. Seu sorriso se alargou. – Então você veio, afinal! – É... A-acho que sim... Stacy não se moveu do lugar para me deixar entrar, então fiquei ali onde estava, meio sem jeito, jogando meu peso de um pé para o outro. Será que


ela ouvia os meus joelhos batendo? Eu tinha certeza de que devia ter ouvido... – Ah, desculpe! Entre. – Ela se afastou para o lado e me deixou passar. Eu dei um passo hesitante para dentro, olhando seu apartamento. Era bonito. Não tão bonito quanto o apartamento de Hudson – o nosso apartamento –, mas muito mais agradável do que o estúdio em que eu costumava morar na avenida Lexington. O espaço era estéril e frio, e completamente imaculado, exceto pela mesa da cozinha à minha esquerda. Que estava coberta por pilhas e pilhas de papéis, me lembrando dos armários do escritório de David no The Sky Launch. – Por aqui. Stacy fez um gesto indicando um sofá em sua sala de estar. Era um gêmeo do sofá de couro marrom do escritório de Hudson, com braços enormes. Eu gostei tanto do design que tinha encomendado um similar, mais barato, para o escritório da boate. Hudson e eu tínhamos batizado aquele sofá certa noite, na verdade, com uma rodada quente de sexo. A versão de Stacy não era daquela mais barata, e do jeito que ela parecia puritana, duvidava que o tivesse batizado com o que quer que fosse. O estranho era que a gente tivesse um gosto tão similar... Estranho mesmo era eu estar na casa de Stacy descobrindo do que ela gostava. Por que eu estava lá, afinal? O nó apertado nas minhas entranhas me avisou que esta fora uma decisão errada. Eu deveria ir embora. Exceto que eu não conseguia. Algo me mantinha lá com uma força intensa. Como se meus sapatos fossem de metal e o chão feito de um superímã. Claro que eu sabia que era tudo coisa da minha cabeça. Que conseguiria fisicamente sair por aquela porta a qualquer hora que quisesse. No entanto, fiquei lá, embora soubesse que aquilo não era de fato a melhor coisa a ser feita. Endireitei os ombros, esperando que isso me fizesse sentir mais confiante, e me sentei. Só que afundei no sofá mais do que esperava, meus


joelhos apontando para cima, mais altos do que as minhas coxas. Eu parecia, e me sentia, ridícula demais. Isso que dava querer ser autoconfiante. – Sinto muito – desculpou-se Stacy. – As molas estão quebradas. Mude de posição para o lado e você vai achar um lugar melhor. Meio sem jeito, eu me levantei daquele buraco e fui mais para a ponta do sofá, sentando-me lentamente e testando a firmeza. Felizmente, as molas estavam de fato intactas por ali. Minha elegância, por outro lado, não estava. Stacy se acomodou na poltrona ao meu lado. Um grande gato cinzento se esfregou contra a perna dela, sibilando na minha direção. O jeito inamistoso do gato me fez lembrar daquele latido, pouco antes. Olhei ao redor, mas não encontrei nenhum sinal de um cão. Stacy devia tê-lo trancado em outro quarto. Era estranho que ela tivesse estes dois animais em um apartamento tão pequeno. E nunca a imaginei como sendo uma pessoa amante dos animais. Mas eu nunca a imaginei usando jeans e uma camiseta, também. Era toda essa coisa inesperada que me deixava assim tão tensa, disse a mim mesma. Nada mais do que isso. – Quer alguma coisa? – perguntou Stacy. – Água? Chá gelado? – Não, obrigada. – Cruzei as pernas. – Na verdade, eu estou com meu horário apertado. Você se importa se nós acabarmos logo com isso? – Era mentira. Eu não tinha que ir a lugar algum. E não tinha sequer um motorista me esperando. Eu viera de metrô em vez de pedir a Jordan para me trazer. Jordan se reportava a Hudson e eu não queria que ele soubesse dessa visita. – Sim. Claro. Ela se levantou e foi até a televisão. Notei que seu computador estava conectado a ela, e quando ela ligou o aparelho, o desktop apareceu na grande tela plana.


Como tinha ficado sem uma perna para se esfregar, o gato cinzento veio até a minha. Que ótimo. Agora eu estava com pelos cinza por toda a minha calça preta. Como iria explicar isso para Hudson? Talvez eu pudesse trocar de roupa antes que ele percebesse. Stacy conversava enquanto vasculhava os arquivos em seu computador. – Honestamente, eu não tinha certeza de que você viria. Você não parecia muito interessada antes. Fiquei surpresa ao receber a sua mensagem de texto. – Sim, eu mesma não tinha certeza de que viria... Acho que a curiosidade venceu. – Talvez por causa do bicho se esfregando na minha perna, não consegui parar de pensar sobre o antigo ditado que dizia “A curiosidade matou o gato”. Que merda, o que eu estava fazendo? Era tarde demais para mudar de ideia sobre isso? Não seria tarde demais até que ela realmente começasse a passar o vídeo. Mas eu não poderia desistir agora, poderia? Porque então nunca mais seria capaz de parar de pensar que segredos Stacy mantinha sobre Hudson. Talvez eu devesse ter perguntado a ele sobre isso, em vez de aparecer aqui, assim... – Bem, eu deixei o vídeo preparado para o caso de você aparecer. Só tenho que carregar o arquivo. Espere um pouco. Ele está aqui, em algum lugar. Sei lá, para mim pareceram horas até que Stacy pesquisasse as pastas em seu computador. Cada segundo que passava me dava mais agonia. Pensamentos sobre que tipo de coisa poderia estar naquele filme ficavam cutucando do fundo da minha mente, pensamentos sobre Hudson me traindo de todos os jeitos. Tentei afastar as imagens para longe, mas elas se agarravam, me beliscando, implorando pela minha atenção.


E já tinha roído metade das minhas unhas quando finalmente consegui aliviar a tensão. – Talvez você possa me dizer o que há nesse vídeo enquanto esperamos. – Ah, não! Eu não poderia fazer isso. – Stacy me deu outro sorriso caloroso. – Você não acreditaria até que visse com seus próprios olhos. Isso mudará tudo o que sabe sobre Hudson. Ele é um mentiroso, entende? Aquela garota nunca tinha sorrido tanto quanto hoje. Era como se sentisse prazer com o meu desconforto. Como se estivesse encantada em destruir a minha relação com Hudson. – Ele não é um mentiroso. Eu confio nele. – Eu é que tinha mentido para Hudson. Meu homem não tinha feito nada diferente do que provar tudo o que dissera para mim, muitas e muitas vezes. – Tudo bem, você vai ver... A segurança de Stacy enviou arrepios à minha pele. Não havia nenhuma maneira dela estar certa. Eu conhecia Hudson. Ele não tinha segredos para mim. – Ah! Encontrei! – disse ela em uma voz cantante. – Você tem certeza de que não quer nada antes de eu começar? Água? Chá gelado? Eu cerrei os dentes, o nó na minha barriga apertando mais a cada segundo que passava. – Eu já disse, não, obrigada. – Pipoca. – Ela riu. – Eu sempre gosto de comer pipoca enquanto fico assistindo à TV. Pipoca e M&M. – Olha, Stacy, isso não é entretenimento para mim. Você diz que tem algo que vai me fazer sentir de forma diferente em relação a Hudson. Por acaso acha que estou ansiosa pra assistir a seja lá o que for? Isso era ridículo. O que eu estava fazendo aqui, vendo esse filme pelas costas de Hudson? Eu deveria estar falando com ele, lhe perguntando sobre esse vídeo estúpido em vez de vir aqui, escondida, para assistir a isso. Eu nem mesmo sabia se podia confiar naquela mulher que estava na minha


frente. Talvez essa coisa toda de vídeo fosse um truque. Levantei-me para sair. – Eu não deveria estar aqui. Preciso ir embora. – E me encaminhei para a porta. – Não! Espere! Já vai passar. Mais uma vez, a curiosidade levou a melhor. Virei-me para a TV. A tela estava escura, mas havia uma voz abafada ao fundo. Pouco a pouco, a voz se tornou mais clara. Era Hudson falando: – Eu quero você, princesa. Farei o que for preciso para que isso aconteça. Tudo o que tiver que fazer, eu farei. Tudo o que tiver que dizer, eu direi. Eu tenho que ter você em minha vida. A tela ainda estava escura, mas eu reconheci as palavras. Ele tinha dito isso para mim certa vez. Na boate. – Que piada de mau gosto é essa? – Tenha um pouco de paciência. – E Stacy deu uma risadinha. A tela começou a clarear e a imagem entrou em foco. Hudson estava em uma cama de costas para a câmera, completamente nu. Olhei para Stacy, furiosa porque essa mulher tinha visto o meu namorado sem roupa, mas as palavras seguintes de Hudson me chamaram de volta para ele. – Tudo o que eu tiver que fazer, princesa. Eu tenho que ter você em minha vida. Eram palavras familiares, mas eu nunca tinha visto esta cena antes. E não conhecia aquela cama e nem aquele quarto. Espera, eu não estava lá quando isso tinha sido filmado. Balancei minha cabeça – não, não, não. Aquelas palavras eram minhas palavras. Princesa era o meu apelido. Com quem ele estava compartilhando minhas palavras? A câmera começou a se mover, dando zoom em torno de Hudson. Prendi a respiração, esperando para ver com quem ele estava falando, mas sem querer a confirmação. Porém, com o zoom da câmera mais perto, o foco se turvou. Tanto que


era impossível entender o que estava acontecendo ou enxergar quem estava na tela. Era como olhar através de um para-brisa sujo ou uma lente de contato nublada. Pisquei várias vezes, na esperança de limpar aquele borrão, na esperança de clarear a imagem. Eu estava desesperada para ver o que estava acontecendo, desesperada para ver quem estava lá. Mesmo que eu não quisesse, sentia-me compelida a ficar assistindo. Aproximei-me da TV e bati com a mão do lado, tentando fazer a imagem se limpar. – Me mostre, porra! – gritei para a tela. – Me mostre o que você está escondendo! Bati na televisão mais uma vez, e outra e outra, minha mão ficou vermelha dos golpes, minha respiração entrecortada pelo esforço. Eu tinha que ver, tinha que saber quem era. Meu instinto me disse a verdade – o vídeo tinha as respostas. Aquilo que eu precisava ver, aquilo que estava destinada a ver estava naquela tela. Por trás daquele borrão estava o que eu mais temia, meus medos mais profundos, meus medos mais sombrios... A coisa que poderia estragar tudo. A única coisa que poderia me separar de Hudson para sempre.


Agradecimentos

Esta é sempre a parte mais difícil quando se escreve um livro, e eu morro de medo e postergo o momento pelo maior tempo possível, porque tenho medo de me esquecer de alguém, ou de começar a chorar quando fizer a lista das pessoas maravilhosas que tiveram um impacto importante na vida de meu livro. Felizmente, a página digital não mostra sinais de lágrimas, de modo que lá vamos nós: Primeiro, a Tom, sempre primeiro a Tom – meu marido, meu amor, a única razão pela qual sou capaz de passar horas lendo e escrevendo sem que a minha vida desmorone à minha volta. Eu o amo, para sempre. Depois, às minhas filhas, que não entendem por que os livros da mamãe são comentados em voz baixa na igreja, mas que estão fazendo um bom trabalho em manter as coisas calmas... Vocês são a razão pela qual escrevo, meninas, porque são a razão pela qual eu vivo. Para a minha mãe, que me apoia totalmente e ainda acha que isso não é o bastante... Não se preocupe, mamãe. Tenho muitos leitores. Você pode ser a líder da torcida! Para Sophia, pela capa original e por estar sempre me levando adiante. Para Bethany, pela edição e por estar sempre presente, me puxando do precipício e me dizendo que sou uma boa pessoa, apesar de eu sentir o contrário. Para os meus primeiros leitores e críticos – Lisa, espero um dia ter tanto talento quanto você tem em seu dedo mindinho. Jackie, suas vírgulas fazem de mim uma escritora melhor. Tristina, suas sugestões são sempre aquelas que eu preciso ouvir. Tamara, quando você pensa que eu sou calorosa, eu me sinto calorosa, porque você, minha senhora, é calorosa demais. Para o meu agente, Bob DiForio, que enfrentou toda essa meleca do


mundo editorial para que eu não tivesse que fazer isso. Cara, que viagem, hein? Para Stephen DiForio e Caitlin Greer, pela formatação, e Julie na AToMR Book Blog Tours, que colocou meus livros em exposição por toda a internet. Para minhas melhoras amigas para sempre, Sierra, Sophia, Melanie, Lucy e Tamara. Algumas vezes vocês são o motivo de eu acordar de manhã e muitas vezes a razão de eu ficar acordada até muito tarde. E algumas vezes o erotismo é a única coisa de que se precisa. Para Joe, que carinhosamente chama isso de a série “F”, este foi o nosso ano! Mas é só esperar e ver o que o próximo ano vai trazer. Para Kristen Proby, pelo seu lindo amor por esta série de livros e pelos conselhos, apoio e inspiração que você deu a uma escritora iniciante. Para a sociedade WrAHM e as Babes of the Scribes – vocês todas são mulheres maravilhosas. Eu tenho muita sorte de conhecê-las. Para os autores com quem fiz amizade nesta encantadora comunidade de escritores, vocês nunca deixam de me inspirar e de me impulsionar a novas alturas, tanto pessoalmente quanto em minhas histórias. Que paixão incrível que compartilhamos. Obrigada por tudo que vocês me ensinaram e por permitirem que eu lesse suas maravilhosas palavras. Para os blogueiros e para os que fizeram resenhas e que ajudaram a espalhar meus livros para as outras pessoas. São tantos que jamais poderia citar todos, mas preciso agradecer especialmente a AestAs, Schmexy Girls, The Rock Stars of Romance, Angie’s Dreamy Reads e “That’s All” Ash, sou eternamente grata por seu amor e apoio. Não existem palavras suficientes para expressar minha gratidão. EU AMO VOCÊS! Para os fãs que amaram meu livro e o paparicaram como se fosse de vocês, especialmente Jenna Tyler e Angela McLain – obrigada, meninas, por tudo o que vocês fazem. Sinto-me honrada em conhecê-las. Para os leitores, sempre, vocês são a razão pela qual me dedico a fazer isso para ganhar a vida. Nunca vou me esquecer de vocês, e sou MUITO,


MUITO grata. Para o meu Criador, que tem abençoado a minha vida tão ricamente – que eu nunca me esqueça de fixar os olhos em Você.

FIM


A Autora Laurelin Paige alcançou o topo das principais listas dos mais vendidos norte-americanas com a trilogia Fixed. Além de ser fã de romances, ela divide seu tempo entre escrever, cantar, e assistir às séries The Walking Dead e Game of Thrones. Ela é casada e tem duas filhas.


Com Você vol. 2 - Laurelin Paige