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Travis Nolan está de volta à cidade e fazendo tudo que pode para cair fora novamente. Descobrir que seu pai inventou uma maneira de mantê-lo trancado na pequena cidade de Fairplay, mesmo após a morte, fê-lo fazer horas extras para completar suas novas obrigações. Mas agora há uma pequena fadinha ruiva que apenas não sai de seu caminho e de sua mente. Holly só quer terminar a remodelação de seu negócio e apartamento para que possa se livrar do irritante Travis, mas trabalhar perto dele tem lhe proporcionado a oportunidade de ver o que está por trás de todo seu exterior cru e áspero. E ela está perdendo rapidamente seu coração para o notório bad boy da cidade.

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Prólogo Holly estava ficando louca. Fazia duas semanas desde que fechara a antiga livraria e mudara-se. Duas semanas vivendo em um lugar estranho, no apartamento de outra pessoa. Duas semanas após o estresse diário de coordenar e trabalhar com todos os empreiteiros e trabalhadores. Duas semanas sem trabalhar em sua livraria. Mas, diferente de uma dor nas costas por dormir em uma

cama

estranha,

ela

adorava

cada

minuto. Adorava

a

agitação

da

construção. Ela gostava dos sons, dos cheiros e de ver o projeto avançar cada vez que pisava no interior das portas. Não podia impedir-se de correr até o antigo prédio de tijolos e ver o trabalho que estava sendo feito. Nesse momento não parecia muito diferente de quando o tornado passara pela cidade há mais de dois anos atrás. Mas se olhasse de perto, você poderia ver uma forma de enlouquecer. Quando estava no meio do prédio que sua mãe e ela trabalharam toda sua vida, não pôde deixar de sorrir. Era um domingo de manhã, no final do verão, e o lugar estava tranquilo. Ela adorava vir aqui quando os trabalhadores não estavam batendo em volta e fazendo ruídos altos. Ela poderia realmente visualizar o que o Sr. Nolan e ela meticulosamente projetaram ao longo de várias semanas. Quem sabia que o prefeito tinha uma experiência com arquitetura? Ela não. Quando finalmente teve coragem suficiente para perguntar a ele sobre a reforma do edifício que arrendara dele, ele não apenas saltou a bordo, mas ele mesmo assumiu o custo. Claro, o edifício era dele e podia fazer o que quisesse, mas nunca esperava que ele incluísse nos planos seu pequeno apartamento no andar de cima. ― Por que não reformar todo o lugar? ― Ele sugeriu, caminhando no andar de baixo no primeiro dia. ― Nos últimos dois anos, houve mais reparos em seu

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apartamento do que aqui embaixo. Se vamos gastar um centavo, por que não uma libra e fazer tudo de uma vez? Ela aproveitou a chance, é claro. Ele estava certo, seu apartamento estava em

extrema

necessidade

de

reforma. O

telhado

vazava

durante

fortes

tempestades e algumas das antigas tábuas de madeira soltaram-se. Ela tentou cobri-las com tapetes, mas ainda assim batia os dedos dos pés sobre elas se não tivesse cuidado. O encanamento e energia elétrica de todo o edifício precisavam desesperadamente ser substituídos. Ela ficou sem eletricidade muitas vezes por não ter volts suficientes passando na caixa de disjuntor. Então, Sr. Nolan e ela foram até o banco e assinaram um acordo que o advogado da cidade, Grant Holton, que também era amigo de Holly, escrevera. Na semana seguinte, ela começou a receber orçamentos relativos à construção e passou vários dias tirando tudo dos dois espaços, incluindo a si mesma. Ela olhou em volta e sorriu. Não se importava com a bagunça ou os aborrecimentos, especialmente por saber como ficaria depois. Seu mobiliário e estoque da livraria estavam em um depósito, escondidos até que pudesse abrir a primeira livraria/cafeteria/bar especializado em vinhos de Holly para enfeitar a pequena cidade de Fairplay, Texas. ― Sonhando com o que ele vai parecer quando terminar? ― Ela ouviu-o atrás dela, fazendo-a saltar um pouco. ― Oh! ― Ela descansou a mão sobre o coração. ― Sr. Nolan, eu não esperava você aqui. O senhor mais velho estava na porta, com as mãos enfiadas nas calças. Ele parecia cansado. Ela conhecia Roy Nolan toda sua vida. Ele foi o prefeito da cidade por tanto tempo quanto qualquer um poderia lembrar. Ele calmamente deixou o cargo quando sua mulher há trinta anos ficou louca e tentou matar Grant. Então se retirou para sua grande casa branca a poucos quarteirões de lá. Seu único filho, Travis, deixou a cidade na mesma noite que prenderam a mãe. Agora, ela ficaria em um hospital psiquiátrico estadual pelos próximos vinte anos ou mais. Ninguém na cidade ouviu falar de Travis desde

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aquela noite. Dizia-se que Savannah Douglas o visitara em várias ocasiões, mas ela realmente não falava com ninguém sobre isso. ― Parece uma bagunça agora, não é mesmo mocinha? ― Disse ele, usando seu apelido para ela enquanto caminhava pela sala vazia. Todas as paredes foram embora e o piso de madeira foi completamente removido, deixando apenas o chão de cimento. ― Eu ainda posso ver o potencial. ― Ela virou-se e olhou para ele. ― Especialmente com todos os desenhos maravilhosos que você fez ― Ela sorriu. Ele assentiu com a cabeça. ― Bem, mocinha, você teve uma ideia maravilhosa para este lugar. Sabe, eu tinha grandes sonhos para esta cidade ― Ele suspirou e olhou para fora das grandes janelas dianteiras na direção de Main Street. Ela aproximou-se e encostou a mão em seu braço. Eles falaram sobre todos seus planos para a pequena cidade. Como queria reconstruí-la, deixá-la crescer. ― Este é um maravilhoso primeiro passo. Ele assentiu com a cabeça. ― Eu tinha esperança de que... ― ele começou e depois balançou a cabeça. ― O quê? ― Ela esperou. ― Eu tinha esperança de que Travis voltasse e apaixonasse-se por essa cidade. Tudo pelo que eu trabalhei tão duro para... ― ele parou de novo e Holly sentiu seu braço endurecer. ― Tudo o que fiz foi para esse menino. Ela começou a preocupar-se quando ele começou a tremer. ― Sr. Nolan? Você está bem? ― Ela agarrou seu braço apertado, mas ele apenas olhou para longe. Quando ele debruçou para frente e começou a cair, ela agarrou-lhe o braço com mais força, tentando segurá-lo na posição vertical, mas a estrutura maciça do homem era demais para seu tamanho minúsculo. Ele caiu no chão duro, fazendo-a ficar de joelhos. Quando

ela

olhou,

viu

que

seu

rosto

ficara

completamente

branco. Apressando-se para ele, virou-o de costas e procurou ouvir um

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batimento. Quando não conseguiu encontrar um, puxou o celular da bolsa e discou 911. ― Aguente firme, Sr. Nolan, a ajuda está a caminho ― ela tranquilizou-o, segurando a mão dele na dela, enquanto as lágrimas caíam por seu rosto.

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Capítulo 01 Travis ficou tenso em frente a sua antiga casa com as mãos apertadas ao lado. Estava escuro demais para ver algo claramente, especialmente desde que todas as luzes do enorme lugar estavam desligadas. Muitas lembranças inundaram sua mente. Ele queria fugir delas, mas sabia que não podia, não até que seu negócio estivesse feito e pudesse começar de novo. Fazia quase um mês que recebera a notícia que seu pai falecera de um aneurisma cerebral. O advogado de seu pai demorou quase duas semanas para rastreá-lo em Montana. O fato de o advogado ser o marido de sua ex-noiva Alexis, o homem que sua mãe tentara assassinar, era apenas a cereja no topo do bolo amargo que ele comeu durante os últimos quatro anos. Ele pegou sua mochila de seu carro e caminhou em direção a casa. Circulou nos fundos e subiu as escadas até seu antigo apartamento em cima da garagem. Passava um pouco da meia-noite e seu voo fora adiado devido a um temporal no Colorado. Ele estava exausto. Deixando sua bolsa cair depois de abrir a porta, deu alguns passos para o apartamento e soube imediatamente que não estava sozinho. Cada músculo em seu corpo ficou tenso quando examinou o quarto escuro. Nos últimos anos, estivera em muitas lutas e enquanto preparava seu corpo para os golpes, sua mente recusava-se a reconhecer o sinal dos aromas doces que seu nariz enviava. O primeiro golpe bateu em sua mandíbula, mandando-o de volta alguns passos. Quando estendeu a mão em punho em um golpe, pensou que se ligaria com alguma coisa, mas acertou apenas ar. O golpe em seu intestino pegou-o de surpresa e ele estendeu a mão e agarrou o que podia de seu atacante. Quando tocou em roupas, deu um passo para trás para virar seu agressor, mas tropeçou em sua mochila e acabou no chão. Ele levou seu agressor para baixo com ele, então rolou algumas vezes até que acabou por cima.

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― O que você está fazendo em minha casa? ― Perguntou ao mesmo tempo em que um punho veio e conectou com seu olho esquerdo. Ele gemia de dor e o corpo debaixo dele parou. ― Sua casa? Era a voz de uma mulher, levando-o a abaixar momentaneamente sua guarda. Ela empurrou fortemente seu ombro e perna até que ele saiu de cima dela. Ele caiu no chão, segurando seu latejante olho esquerdo. Então as luzes acenderam e na porta de seu apartamento estava uma deusa guerreira. Seu longo cabelo vermelho fluiu para baixo dos seios, os quais estavam bem cobertos com a parte superior de uma regata e calções combinando. ― Travis? ― Ela ficou olhando para ele. Ele largou a mão de seu rosto e olhou para ela com olhos lacrimejantes ― Eu lhe conheço? Ela assentiu com a cabeça e colocou as mãos nos quadris. ― Holly Bridles. ― Ele apenas olhou para ela. ― Eu dirijo a livraria. ― Claro ― disse ele levantando do chão lentamente. ― Isso não explica o que você está fazendo em minha casa. Ela suspirou. ― Eu moro aqui ― Ela olhou em volta do apartamento e pela primeira vez ele percebeu que estava limpo. Limpo, limpo. Tudo que era seu foi embora, exceto os móveis que seus pais compraram quando se mudaram da casa principal. Ele gemeu. ― Isso é ótimo ― Ele virou-se e olhou para ela novamente. Ela ainda estava de pé ao lado da porta da frente e ele perguntou-se por que seu pai teria alugado o lugar para uma bibliotecária. ― Não sabia que ele alugara o lugar. ― Ele não fez isso ― disse ela rapidamente. Suas sobrancelhas ergueramse com a questão. ― Não estou alugando o lugar. Bem, agora estava claro, pensou. Estava prestes a acontecer. Afinal de contas, a tinta sobre o divórcio de seus pais secara há quase três anos. Ele olhou para a roupa acanhada da mulher e sorriu um pouco. Bom trabalho, papai, ele

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pensou. Em seguida, franziu a testa quando ela aproximou-se ainda mais da luz. O que um homem de quase setenta anos fazia com alguém tão jovem? ― Eu não sabia que você voltaria ― Ela cruzou os braços sobre o peito, sem dúvida porque ele olhava para os adoráveis seios dela. Ele piscou e aproximou-se. As mãos dela caíram e descansaram em seus lados em punhos, lembrando-o de que seu olho latejava. Perguntou-se como um pequeno pacote de uma mulher poderia embalar um grande soco com aqueles pequenos punhos. ― Eu acho que vou para a casa principal até resolvermos tudo ― Ele abaixou-se para pegar sua mochila. Quando se afastou, notou-a mordendo o lábio inferior com preocupação. Ele virou-se e saiu de seu apartamento sem outra palavra. ― Ok ― disse a si mesmo na curta caminhada em direção à porta de trás da casa grande ― eu preciso de uma nova lista de afazeres. Enquanto abria a porta de trás da enorme casa, ele listava as coisas em sua mente. Livrar-se da vadia do pai, o que era realmente muito ruim, já que ele poderia ter uma distração enquanto estava na cidade, vender a casa e sair rapidamente de Fairplay, Texas.

Holly estava em pé em sua porta e mordeu o lábio inferior. Travis estava de volta. O que isso significa? Ele a chutaria para fora do apartamento? Sem a loja aberta, ela duvidava poder dar-se ao luxo de alugar outro lugar. Pelo menos até as portas se abrirem novamente, ela precisava ficar parada. A leitura do testamento do Sr. Nolan foi adiada para Travis conseguir voltar

à

cidade. Até

então,

foi

acordado

que

a

construção

na

loja

continuaria. Fechando a porta, inclinou-se contra a madeira gelada e descansou a cabeça, fechando os olhos. Ela estava em apuros. E se não houvesse nada sobre seu acordo no testamento do Sr. Nolan? Será que Travis continuaria os

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desejos do pai? Será que seria chutada para o meio-fio? E quanto a sua loja? Será que a construção pararia? Balançando a cabeça para limpá-la das milhões de perguntas que corriam através dela, voltou para o quarto e pegou a garrafa de água a qual se levantara para pegar. Felizmente, fez com que ouvisse a porta da frente ser aberta. Ela sabia que a porta fora fechada e trancada, algo que fazia todas as noites, o que significava que ele tinha uma chave para o local. Ela caminhou em direção à porta, trancando-a novamente, e colocou a corrente para garantir. Travis era problema. Tinha sido parte da vida dele e, provavelmente, seria até o dia de sua morte. Que pena, ela pensou, rastejando na cama. O homem tinha um corpo dos deuses e um rosto para derreter até os corações mais duros. Ela suspirou e fechou os olhos, escondendo o rosto no travesseiro. O que não daria para sentir um bom homem em cima dela como ele esteve pouco tempo atrás. Rindo para si mesma, decidiu que ficou muito tempo sem um encontro. Em seguida, franziu a testa quando lembrou que morava em uma cidade pequena e não havia homens bons até o momento. Apertando mais os olhos fechados, tentou fazer com que a sensação de estar tão perto de um homem saísse de sua mente. Ela acordou cedo na manhã seguinte e foi verificar como ia a construção. Desde a morte do Sr. Nolan, ela passou a maior parte de seu tempo garantindo que tudo fluísse corretamente, ajudando com pedidos e organização dos materiais, coordenando as equipes de construção, resolvendo quaisquer questões ou dúvidas que tivessem durante todo o processo. Alguns dos homens até mesmo deram a ela seu próprio capacete e cinto de ferramentas. Ela sabia que saindo mais cedo, seria mais difícil para Travis localizá-la e tentar chutá-la para o meio-fio. Como trabalhava com apenas algumas horas de sono, estava tendo dificuldade em concentrar-se. Ela ficou de pé ao lado e viu os homens trabalharem e tentou imaginar como o lugar seria, uma vez que terminasse. O dia não ficou melhor quando, após passar uma hora do almoço, uma tubulação de água rompeu no apartamento e começou a vazar no andar de baixo.

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Precisou de todos os homens no local para, finalmente, limpar a água parada no chão de cimento para que os trabalhadores pudessem continuar a pendurar a parede de gesso acartonado. Felizmente, o dano já estava contido para apenas um pequeno local que já vinha sendo remendado. Ela permaneceu no que seria seu novo almoxarifado, olhando para o trabalho que o gesseiro fizera quando sentiu um toque em seu ombro. Ela virouse esperando ver um operário, mas ficou chocada ao ver Travis parado ali olhando para ela com uma careta e um olho esquerdo muito roxo e inchado. ― O que é tudo isso? ― Ele perguntou com uma careta. Suas sobrancelhas ergueram-se com a pergunta. Ele tinha as mãos nos quadris e um olhar muito impaciente em seu rosto. Ele vestia uma camisa e calça. Até mesmo seus sapatos eram brilhantes e pareciam novos. Seu cabelo escuro foi penteado para trás e ele barbeou-se desde que ela o viu na noite passada. ― Você não deveria estar aqui sem um capacete ― Ela caminhou até a porta de entrada, pegou um capacete amarelo e entregou a ele. Ele colocou sobre sua cabeça e exigiu em voz alta, a qual sobressaiu acima de todas as batidas e serragem. ― O que é isso? ― Ele fez um sinal a seu redor. ― Esta é minha loja. ― Ela fez uma careta. ― Lembra-se? ― Sua livraria? Ela assentiu com a cabeça. ― Sim. Ele respirou fundo e esfregou a testa. ― O que eu quero dizer é, por que está em construção? Ela franziu a testa. ― Porque a fiação do prédio era mais velha do que as montanhas e ainda havia danos no telhado do tornado e... ― Quero dizer ― ele grunhiu, interrompendo-a, ― porque meu pai está pagando por tudo isso? ― Ele gritou sobre os barulhos vindos de alguns metros de distância. Ela já estava acostumada com os ruídos depois de estar no local todos os dias durante o mês passado. ― Porque é o prédio dele ― gritou de volta, olhando para ele como se fosse louco.

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Ele agarrou seu braço e marchou com ela para a porta dos fundos. Aqui havia ainda mais ruído, uma vez que os outros homens usavam serras de mesa e pistolas de pregos. Ele parou e olhou em volta, em seguida, continuou a acompanhá-la em direção à pequena área de jardim que havia ao longo da lateral do prédio. Ela veio a cultivar tomates e abóbora e tinha uma pequena mesa de piquenique e balanço ao longo de uma cerca alta. ― Por que meu pai está pagando um monte de dinheiro para reformar sua loja? ― Ele finalmente disse, soltando o braço e agitando o que ela assumiu que eram as contas. ― Porque é o prédio dele e ele tinha visão ― Ela cruzou os braços sobre o peito. ― Ótimo ― disse ele, revirando os olhos. ― Agora ele estava tendo visões. Ela franziu a testa. ― Seu pai queria reformar a livraria. ― Tenho certeza que ele queria ― Ele olhou-a. Ela usava as roupas padrão de construção (jeans velhos, blusa de botão e um velho par de botas). Ela prendeu o cabelo em duas tranças longas, que caíam sobre os ombros. ― O que significa isso? ― Ela perguntou, colocando as mãos nos quadris. Ele riu. ― Escuta, você é muito atraente e eu tenho certeza que você teve sua utilidade quando meu pai estava vivo, mas de forma alguma eu continuarei tudo isso ― Ele fez um gesto em direção ao prédio. Ela ficou chocada. Ele tiraria tudo dela. ― Eu não sei que tipo de... arranjo você e meu pai tinham, mas ele já se foi e não espere que qualquer coisa que ele estivesse dando a você venha de mim ― Ele virou-se para ir embora. ― Desculpe-me? ― Ela disse a sua volta. Ele virou-se e olhou para ela, então suspirou e voltou. ― Se eu fosse ficar na cidade, talvez eu a ajudasse, mas não vou. Vou ao escritório do advogado agora e colocar tudo isso ― ele fez sinal para o prédio, ― no mercado. Então, se eu fosse você, arrumaria o que precisa e sairia, porque se ainda estiver em minha propriedade hoje à noite, eu chamarei a polícia.

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Ela perdeu o último fio de seu temperamento naquele momento. ― Como você se atreve? ― Ela deu um passo para mais perto dele. ― Seu pai foi um grande homem, um homem com uma visão para esta cidade e em um dia você pretende acabar com tudo o que ele trabalhou duro? Ele deu um passo para mais perto dela. ― Você vai querer ser cuidadosa com o que diz para mim ― Seus olhos perfuraram os dela. Ela deu mais um passo para mais perto dele até que estavam quase nariz com nariz. Bem, eles estariam se ele não fosse 30 centímetros mais alto do que ela. Ela segurou sua raiva antes de finalmente falar. ― Você vai até Grant agora? ― Perguntou ela, desequilibrando-o. Grant normalmente trabalhava em sua casa, mas desde que tivera uma filha, ele estava no escritório mais e mais. Ele alegou que era difícil conduzir uma ligação de negócios quando havia uma garota gritando no fundo, mas todo mundo sabia que Alex, sua esposa, chutara-o para fora para que ele realmente trabalhasse em vez de brincar com sua filha o tempo todo. Quando ele finalmente concordou com a cabeça, ela disse: ― Bom, eu vou com você até lá ― Ela virou-se e começou a andar pela rua.

Ele riu e seguiu. ― Por quê? Você realmente acha que meu pai deixou alguma coisa para você? ― Não, eu sei que ele não deixou ― Ela olhou por cima do ombro para ele. ― Então por que ir junto? ― Manteve-se no passo com ela facilmente, notando que ela marchou um pouco mais rápido quando ele estava ao lado dela. ― Porque eu sei o que ele queria e só posso esperar que ele fosse inteligente para colocar tudo no papel antes de nos deixar ― disse ela, um pouco sem fôlego. No momento em que entrou no escritório de Grant Holton a poucos quarteirões de distância, ela estava completamente sem fôlego. Seu rosto estava vermelho por causa do calor e um pouco de seu cabelo se soltou das tranças.

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Quando marchou pelo escritório, Travis seguiu. Batendo na porta, entrou sem esperar por uma resposta. Grant estava no telefone e quando a viu, ele acenou com a cabeça e sorriu. Quando viu Travis, rapidamente se desculpou e desligou o telefone. ― Travis? ― Ele levantou-se e estendeu a mão. ― É bom ter você de volta à cidade. Travis estava completamente sem reação. Este era o homem em quem sua mãe atirara e tentara matar. Ele ouviu que Grant casara com Alexis pouco depois de Travis deixar Fairplay. Agora, o homem foi, na verdade, agradável, como se nada disso tivesse acontecido. ― Grant ― Ele apertou sua mão e ficou ali, como se não soubesse o que dizer em seguida. Havia fotos de Alex, Grant e a criança em todo o escritório. Travis olhou para algumas, mas, em seguida, voltou os olhos para o chão. Era muito difícil ver Alex nessas fotos, feliz e segurando um bebê gordinho. ― Travis e eu gostaríamos de saber o que está no testamento de seu pai ― disse Holly, cruzando os braços sobre o peito. ― Agora, Holly, nós já passamos por isso uma dúzia de vezes. Eu não lhe posso dizer o que está no testamento do Sr. Nolan, a menos que Travis aqui... ― ele acenou com a cabeça em direção a ele, ― diga que está tudo bem. Ela olhou feio para ele, até que finalmente ele concordou. ― Eu permitirei isso, eu acho ― Que mal pode causar? Afinal de contas, de forma alguma seu pai deixaria alguma coisa para essa mulher. ― Bem. Sente-se, eu vou pegá-lo. ― Grant sentou-se atrás de sua mesa. ― Você acabou de chegar à cidade? ― Perguntou ele. Travis balançou a cabeça. ― Ontem à noite ― disse ele, olhando para as unhas, não querendo fazer contato visual com o homem. ― Espero que a viagem tenha sido boa. Realmente sentimos muito por seu pai, ele era um bom homem. Travis olhou para Grant rapidamente. ― Obrigado ― ele disse e então olhou de volta para seus dedos.

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― Aqui está ― disse Grant, pegando a atenção de ambos. Ele deslizou sobre a tela do computador, em seguida, virou para eles. ― Eu vou direto ao assunto. ― Ele olhou para ele. ― O que diz aqui é que a casa e todos os bens vão para você, Travis... Travis sorriu e olhou para Holly. ―... Após a conclusão de todos os projetos atuais. ― Grant recostou-se na cadeira. ― Há ordens explícitas para você supervisionar até a conclusão ou perde tudo. ― O quê? ― Disse ele, endireitando-se. ― O que isso significa? Quais projetos? ― Bem, seu pai começou alguns ao longo dos últimos meses. Vejamos, você já sabe sobre a livraria. Ele também iniciou o trabalho de renovação no antigo teatro e a construção de uma nova área do parque fora da cidade ― Ele olhou para a tela novamente. ― Eu não entendo ― Travis levantou-se. ― No início deste ano, seu pai falou comigo sobre o desejo de colocar um pouco do dinheiro dele na cidade. Ele começou alguns projetos menores primeiro, como uma nova pintura na Câmara Municipal, colocando alguns novos bancos de jardim em torno da cidade e alguns novos postes. Então, Holly falou com ele sobre a reforma da livraria e seu apartamento. Eu acho que ele começou a pensar em alguns dos outros projetos que ele esteve adiando. ― Eles não podem simplesmente continuar sem mim? Grant balançou a cabeça. ― Seu pai deixou claro que se você não supervisionar os projetos pessoalmente, eles parariam completamente. ― Bom, então pare, eu não me importo ― Ele virou-se para ir embora. ― Se eles pararem, você ficará sem nada. Tudo o que era de seu pai vai para a cidade, para que possamos terminar os projetos sem você ― disse Grant. Travis parou, com a mão na maçaneta da porta. Ele precisaria de sua herança se ele fosse sair do mundo em que esteve nos últimos anos. Ele estava cansado e queria fazer algo mais com sua vida. Ele virou-se e olhou para a

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mulher que achava que era a causa do louco esquema de seu pai ― Isso tudo é culpa sua. Holly levantou e olhou feio para ele. ― Não seja bobo. ― Travis, Holly não tem nada a ver com isso. Há uma nota aqui. ― Ele estendeu um envelope lacrado. ― De seu pai. ― Você quer dizer que estou preso nesta cidade até que todos os pequenos projetos dele terminem? Grant balançou a cabeça e entregou-lhe a nota. ― Se quiser sua herança, você está. Há mais uma coisa aqui. ― Grant olhou para Holly. ― Holly permanece no apartamento, sem pagar aluguel, até que o edifício esteja pronto. Uma vez que o edifício estiver concluído, há mais instruções que não estou autorizado a falar até o momento. Travis saiu do prédio sem outra palavra. Ele ficou de pé na calçada e abriu a nota de seu pai. Filho, Eu sei quão difícil os últimos anos foram para você. Eu queria que você soubesse que estou orgulhoso de você. Eu verifiquei seu histórico e sei que você limpou sua vida. Eu não poderia estar mais orgulhoso de você. Estou pedindo-lhe um favor agora. Se você está lendo isto, significa que deixei alguns negócios inacabados na cidade. Essas pessoas merecem nossos agradecimentos. Eles estiveram lá para nós no momento da necessidade. Você pode não ter visto, mas cada pessoa nesta cidade está preocupada com você. Vou pedir esta última coisa de você. Por favor, conclua o que eu comecei e assim a cidade e as pessoas maravilhosas podem curar-se. Eu amo você, filho. Ele estava preso. Não importa o que fizesse, tinha a sensação que jamais deixaria Fairplay novamente, de maneira nenhuma.

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Capítulo 02 Holly subiu as escadas para o lugar que ela chamava de casa nos últimos meses e suspirou quando viu Travis de pé no topo. Ela não queria outra briga agora. Teve um dia preenchido com questões preocupantes e estava muito cansada. Depois de sua ida à Grant, voltou para descobrir que o vazamento de água era um problema maior do que pensavam. Agora rasgavam a maior parte da parede de gesso acartonado no almoxarifado novamente para que todo o encanamento pudesse ser verificado e corrigido. Isso os atrasaria alguns dias, se não mais. ― O que você quer? ― Ela disse, sem sequer olhar para ele quando trocou seus mantimentos para a outra mão para que pudesse abrir a porta. ― Eu preciso pegar algumas coisas em meu apartamento ― disse ele, pegando uma de suas sacolas antes que ela deixasse cair. ― Não há nada seu aqui ― Ela abriu a porta e entrou. ― Onde estão todas minhas coisas, então? ― Ele seguiu-a, olhando ao redor do espaço limpo. ― Na garagem. Seu pai levou tudo para lá ― Ela colocou os sacos na bancada. Quando pôs os outros sacos ao lado, ela deu um passo para trás. Ele começou a sair, mas ela viu algo em seus olhos e parou. ― Travis? ― Ele parou na porta e olhou para ela. ― Eu realmente sinto muito sobre seu pai. ― Quando ele assentiu com a cabeça, continuou. ― Seus últimos pensamentos foram sobre você. Ele virou e deu um passo em direção a ela. ― Você estava com ele? Ela assentiu com a cabeça. ― Nós estávamos na livraria, verificando a reforma.

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Ele franziu a testa e olhou para os pés. Foi a primeira emoção que já viu nele que não fosse raiva. ― Ele tinha esses planos maravilhosos para você, para a cidade. ― Ela deu mais um passo em direção a ele. ― Ele falava muito nas últimas semanas sobre você voltar para casa. Ele virou-se para ir sem dizer uma palavra. ― Nós não éramos amantes. ― Ela sabia que ele pensava isso desde a primeira noite. ― Seus pais eram meus padrinhos. ― Ela esperou pela resposta dele, mas ele apenas continuou a caminhar. ― Você terá que falar comigo em algum momento ― ela gritou para ele. Ele parou na escada e olhou para ela. ― Eu ficarei para terminar os projetos de meu pai e então vou colocar tudo no mercado e dar o fora dessa maldita cidade ― Ele virou-se e continuou descendo as escadas. Ela não sabia o que a obrigou a segui-lo. Talvez fosse o olhar perdido em seus olhos quando ela falou sobre seu pai. Ele desapareceu na garagem escura pela porta lateral e quando ela abriu a porta, a escuridão era quase ofuscante. Ela tropeçou um pouco e quase caiu no pequeno degrau dentro da porta. Braços fortes agarraram-na pela cintura e seguraram-na firme. ― Obrigada ― ela murmurou, pouco antes dele a empurrar contra a porta fechada da garagem. ― Por que você está aqui? ― Soou como um rosnado. Seu coração pulou uma batida. Ela sempre pensava nele como um urso, ainda mais desde que voltou para casa. Agora era um enjaulado. Ela perguntavase por que andara de bom grado em um lugar escuro, sabendo que ele estava lá. ― Você sabe por quê ― Ela levantou o queixo, desafiando-o a desafiá-la novamente. Ela garantiu a si mesma na noite passada e ele tinha o olho roxo para provar isso. Ele olhou para ela na escuridão. Ela podia ver seus olhos escuros perfurando dentro dela e algo em seus olhos disse a ela para não piscar ou desviar o olhar.

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Finalmente, ele deixou cair os braços de seus ombros e deu um passo para trás. ― Deixe-me sozinho ― Ele virou e acendeu as luzes do teto, que ligaram com um zumbido alto. Quando começou a olhar através da pilha de caixas contra a parede, ela aproximou-se e assistiu. ― Se você me disser o que está procurando, talvez eu possa ajudar. Ele virou-se e olhou para ela. ― Vá embora ― Ele jogou uma caixa na pilha que já olhara. Ela colocou as mãos nos quadris e franziu a testa. Tudo bem, se ele não quer ser de boa vizinhança, estava tudo bem para ela. Ela virou-se para ir embora, mas depois parou para espiar sob o lençol que cobria um carro velho. Vendo o que estava por baixo, ela engasgou e puxou o lençol. ― Deixe isso aí ― ele gritou e estendeu a mão para a capa. ― É lindo ― disse ela, jogando a capa do carro de lado. ― Por que fica na garagem, juntando poeira? ― Ela percorria o Mustang 1967 conversível vermelho cereja. Havia

grossas

listras

pretas

que

corriam

abaixo

do

capô

dianteiro. Enquanto caminhava ao redor, ela arrastou o dedo ao longo da pintura brilhante. O interior era de couro preto e parecia ter sido recentemente refeito. As rodas eram de cromo e pareciam novas. Ela inclinou-se e olhou para um pequeno entalhe no para-choque e fez um som de desaprovação. ― Que pena ― Ela balançou a cabeça. ― De onde veio esse entalhe? ― Disse ele bem atrás dela, fazendo-a saltar um pouco. Ela olhou por cima do ombro. ― Isso é seu? ― Ela assentiu com a cabeça em direção ao carro. ― Não ― Ele franziu a testa. ―

Seu

pai?

Ela

perguntou.

Quando

ele

balançou

a

cabeça

negativamente, perguntou: ― Sua mãe, então? ― Quando ele assentiu com a cabeça, desta vez, compreendeu. ― Seu pai consertou para ela? Ele assentiu com a cabeça. ― Passamos quase seis anos reconstruindo-o para ela. Foi uma surpresa no vigésimo quinto aniversário deles. ― Ele deu a volta no carro e suspirou. ― Tantas horas trancado na garagem do centro que ele

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alugara. Apenas nós dois. ― Ela viu-o caminhar ao redor do carro enquanto falava sobre seu tempo com seu pai, seus olhos tristes e cabisbaixos. ― Quando finalmente o tirou da garagem ― ele fechou seus olhos ― era a coisa mais excitante do mundo. ― Sua mãe gostou? ― Ela sorriu, olhando para o carro. ― Eu sei que eu teria. Quando ele não disse nada, ela virou-se e olhou para ele. Ele olhava para ela com uma expressão no rosto. Sem dizer uma palavra, agarrou a capa e jogou em cima do carro. ― Você não tem outro lugar para estar? Ela cruzou os braços sobre o peito e olhou para ele. ― Você é sempre tão azedo? ― Ele continuou franzindo a testa para ela até que ela levantou as mãos em frustração e virou-se para ir embora. ― Você tem um bom soco para uma menina ― disse ele em suas costas, fazendo-a girar e acenar para ele. ― Onde aprendeu isso? ― Perguntou ele, recostando-se contra o carro coberto, cruzando os braços sobre o peito como ela acabara de fazer. Nele, o efeito foi muito diferente. Seus músculos esticaram a camisa branca, mostrando as ondulações em seus braços e peito bastante agradável. Ela piscou algumas vezes e tentou concentrar-se em seu rosto, mas quando olhou para ele, ele tinha um sorriso nos lábios, dizendo-lhe que sabia exatamente o que a visão dele fazia com ela. ― Meu pai ― finalmente saiu. Suas sobrancelhas ergueram-se. ― Eu pensei que seu velho morrera há muito tempo. Ela assentiu com a cabeça. ― Quando eu tinha dez anos. Mas antes ele... ― ela olhou para suas mãos. ― Antes de morrer, ele ensinou-me a lutar. Como proteger a mim mesma. ― Então é verdade? Sobre ele? Ela olhou novamente em seus olhos castanhos escuros e viu alguma coisa lá que não tinha antes. Ele parecia cansado. Cansado e curioso. ― O quê?

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― Que seu velho era Samson ― disse ele, inclinando-se para mais perto dela. ― Sobre quem as lendas do boxe foram feitas. Ela riu. ― Isso é notícia velha. Não leu meu livro? ― Seu livro? ― Ele inclinou a cabeça com uma careta. Ela assentiu com a cabeça. ― Ele saiu no início deste ano. Servindo a vida. É todo sobre meu pai. Sua experiência na Marinha e como se tornou Samson, o boxeador imbatível. ― Ela sorriu. ― Fala sobre suas lutas e por que ele escolheu voltar para casa, para Fairplay, e sossegar, casar com minha mãe e ter a mim. Ele inclinou-se para cima. ― Você realmente escreveu um livro? ― Ela assentiu com a cabeça. ― Acho que terei que dar uma olhada, então. Ela olhou para ele enquanto ele estava em pé na garagem escura. ― Se você me disser o que está procurando, eu posso ajudar a encontrar. Ele olhou para a grande pilha de caixas. ― Meu violão. Ela riu mais do que em dias. ― O quê? ― Ele sorriu e deu um passo para mais perto dela. ― Você procurava por um violão em uma caixa? ― Ela segurou seus lados e sorriu para ele. O sorriso dele caiu um pouco. ― Acho que não estava realmente pensando ― Ele começou a franzir a testa e olhou para a caixa. ― E quanto a isso? ― Ela apontou para o case de violão acima de sua cabeça, em uma prateleira. Ele sorriu e depois riu. ― Você desestabiliza-me, eu acho ― Ele puxou a caixa de cima, subiu nela e pegou o violão da prateleira. ― Eu não sabia que você tocava. ― Eu costumava fazer um monte de coisas ― Ele deu de ombros e colocou o case sobre o capô coberto do carro e abriu-o. Ele puxou o violão para fora e olhou para ele. Era um modelo mais antigo, mas a madeira ainda brilhava como nova. ― É lindo. Ele balançou a cabeça e olhou para ela. ― Foi de meu avô.

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― Oh? Você tocará de novo? Ele balançou a cabeça. ― Não, vou vendê-lo ― Ele colocou o violão de volta no case e fechou. ― Oh ― Ela fez uma careta. Quantas vezes, no passado, ela pensou em vender itens de seu pai? Momentos em que não sabia se seria capaz de pagar o aluguel, ou momentos em que tinha uma grande conta inesperada. Mas ela pegou suas armas e guardou todas suas coisas e, no fim, tudo deu certo. ― Se você está sem dinheiro, eu posso... Ele virou-se para ela e a expressão em seu rosto dizia tudo. Cai fora. Ela parou de falar e deu um passo para trás. ― Desculpe, eu apenas tentava... ― Eu sei o que você queria. Não preciso de sua ajuda ― Ele agarrou o case e saiu sem dizer mais nada. Ele voltou para a casa e Holly não poderia deixar de se perguntar o que ele enfrentava.

Travis colocou o case do violão sobre a bancada e olhou ao redor da grande cozinha. O que fazer? Ele estava preso aqui sem acesso a seu dinheiro até terminar os projetos de seu pai. Por que o velho o punia? Eles sempre se deram bem. Ele supunha que era porque foi embora após sua mãe ser presa. Ele sentou-se em um banquinho de bar e olhou em direção ao fogão. Ainda podia imaginar sua mãe lá, fazendo frango frito ou assando uma torta. Ele fechou os olhos. Por que ela os traiu? Insanidade. Será que corre na família? Essa era uma pergunta que fez a si mesmo durante os últimos quatro anos. Ele fez tudo o que podia para provar a si mesmo que não era louco, mas no final, pensou que tudo o que fez o levou a um passo mais próximo. Então, uma imagem de Holly veio a sua mente. Ela não olhou para ele como se fosse louco por querer vender a guitarra de seu avô. O que viu em seus

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olhos foram tristeza e compreensão. Ele não sabia por que, mas achava cada vez mais difícil estar perto dela. Talvez fosse porque sabia que ela tinha uma ligação especial com seu pai antes dele morrer. Ou talvez fosse porque ela era uma pequena embalagem sexy que o aborrecia toda vez que abria a boca. Ele até pensou em beijá-la para que se calasse, mas felizmente veio a seus sentidos antes de acontecer. Ele aprendeu a deixar de lado seus desejos nos últimos anos. Olhou para os punhos e fez uma careta. Quantas vezes ele usou as mãos para tentar focar seu corpo e mente? Para se convencer de que era algo mais do que o filho de uma mulher

louca? Ele

finalmente

aprendeu

a

disciplinar

seu

corpo

e

sua

mente. Tanto é assim que quase esqueceu o que era estar com uma mulher ou tomar algo que queria. Então o celular dele tocou. Quando olhou para o número, suspirou. Ele sabia que seu agente não esperaria muito tempo. Nem mesmo a morte de seu pai poderia suspender suas obrigações. ― Ei Randy ― Ele esfregou a testa e pensou sobre a dor de cabeça que crescia. ― Travis, meu homem. Onde você está? ― Randy sempre tinha um jeito de chegar ao ponto. ― Ainda estou em casa. Eu tenho algumas pontas soltas que preciso amarrar. ― Oh, cara, isso realmente não funciona para mim. Eu preciso de você em Las Vegas na próxima semana. Terça-feira temos uma revanche com Steve Cann. Escute, tenho tudo organizado. Você tem um quarto em... ― Desculpe Randy, não poderei fazer isso ― Ele fechou os olhos, sabendo o que estava por vir. ― Cara, eu entendo. É uma pena, sabe, depois de tudo que eu fiz por você. Bem, apenas envie o dinheiro que me deve, então podemos nos separar ― Travis conhecia a velha ladainha. De maneira nenhuma Randy o deixaria. Não de verdade.

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― Eu não tenho ainda. Meu velho tem me feito pular através de alguns aros antes que eu possa chegar ao dinheiro. Posso pagar-lhe em poucos meses. ― Travis, você tem até segunda-feira para aparecer em Vegas ou enviar-me o dinheiro ― Randy desligou e Travis sabia que estava ferrado. Queria jogar seu telefone longe. Ele olhou através da sala para o violão de seu avô. Penhorar isso só daria algumas centenas de dólares e um coração partido por saber que algo tão valioso para ele se foi. O que precisava era de alguns milhares de dólares e não fazia ideia de como obtê-lo até segundafeira. Ele sabia uma coisa – sair da cidade não seria uma possibilidade, não tão cedo. Sentia vontade de bater em alguma coisa. Afinal de contas, era o que fazia como terapia nos últimos quatro anos. Ele geralmente se sentia mais estável após bater algo com os punhos. Voltando para a garagem, pegou o velho saco de pancadas e pendurou-o no gancho na varanda dos fundos. Puxando as luvas de sua bolsa, ele ficou de short e começou a bater no saco, tentando chegar a um plano. Uma hora mais tarde, com os punhos doendo e seus músculos gritando, sentiu que poderia finalmente se concentrar em formular um plano para pagar seu agente e sair do mundo clandestino da luta de gaiola.

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Capítulo 03 ― O que quer dizer com ele está assumindo? ― Holly estava na frente de sua loja. Os trabalhadores pareciam não saber o que fazer a seguir. Ela apareceu naquela manhã e encontrou todos de pé ao redor. Ela caçou o capataz, Roger, que rapidamente a informou que Travis agora estava a cargo do lugar e parara todo o trabalho até que pudesse inspecionar tudo o que foi feito até agora. Roger deu de ombros. ― Ele estava aqui antes de eu chegar nesta manhã, olhando ao redor. ― Onde ele está agora? ― Perguntou ela. ― Acho que está lá em cima ― Ele acenou com a cabeça em direção às escadas. Ela afastou-se sem outra palavra. A raiva dela levou-a até as escadas e pela porta de seu apartamento. Travis estava em pé no meio de sua sala de estar, com uma prancheta nas mãos e uma carranca em seu rosto. ― O que você pensa que está fazendo? ― Ela parou na frente dele, com as mãos nos quadris enquanto olhava para ele. Ele olhou para cima, então, de volta a seu bloco de notas. ― Eu estou fazendo o que meu pai me pediu. Estou pegando o projeto. ― O inferno que você está. ― Ela estendeu a mão para a prancheta. ― Este é meu projeto. Eu não preciso de você aqui. Por que não vai trabalhar no teatro ou no parque? ― Ela virou-se para ir embora. ― Eu não vou a lugar nenhum. Lidarei com esses projetos também. Mas, por enquanto, ― ele aproximou-se e pegou a prancheta dela, ― eu estou lidando com este projeto. E, a julgar pela aparência dele, você precisa de minha ajuda. Ela olhou com raiva para ele. ― O que você quer dizer?

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Ele riu. ― Há muitas questões para discutir em pé aqui. Por que não nos encontramos no Mama’s ― ele olhou para o relógio, ― em uma hora? Eu preciso dizer aos homens as mudanças que precisam ser feitas ― Ele virou-se para ir para seu quarto, mas ela impediu-o. ― Que mudanças? ― Ela seguiu-o. ― Você não faz mudanças sem me dizer primeiro. Ele virou-se e olhou para ela por cima do ombro, depois deu de ombros. ― Tudo bem. ― Ele entregou a prancheta. ― Estes são apenas alguns exemplos que observei até agora. Vou querer uma caminhada mais profunda hoje à tarde, quando não houver trabalhadores ao redor desperdiçando meu dinheiro. Ela olhou para a prancheta e começou a ler. Teve que admitir que ele tinha algumas ideias válidas. Algumas não pensara, outras não gostava, mas ainda assim, eram boas ideias. ― Não preciso de uma pia na despensa ― Ela moveu-se para tirar isso da lista. ― Você tem uma geladeira no local. Estou supondo que o usará como uma sala de descanso. Ela olhou para ele e balançou a cabeça. ― Então? Ele riu. ― E se você tiver um empregado que quer uma xícara de chá? Onde poderia obter a água? Ela franziu a testa. ― O banheiro está a poucos metros de distância. Ele fez um som de tsk e balançou a cabeça. ― Uma sala de descanso adequada precisa de uma pia e um micro-ondas ao lado da geladeira. Ela franziu a testa, olhando para a lista. Ok, então ele tinha um ponto. ― Bem, não quero dois banheiros no andar de baixo. Eu só preciso de um. ― Você só precisava de um quando tinha uma livraria. Pelo que ouvi, isso será uma cafeteria e bar especializado em vinhos agora, bem como uma livraria. ― Quando ela acenou com a cabeça, continuou. ― Você terá mais clientes aqui em um tempo e a lei estadual exige que você tenha banheiro masculino e feminino para cada cento e cinquenta pessoas. Quando isso terminar, o térreo

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poderá ter uma ocupação de até duzentas. Você precisa de dois banheiros ― Ele pegou a lista dela. Ela olhou para ele e franziu a testa. ― Como você sabe disso? Ele olhou para ela. ― Meu pai era um arquiteto. Ele fez-me assistir algumas aulas online assim que saí da escola. ― Ele virou e caminhou para o que seria seu novo banheiro principal. ― Isso foi um desperdício de espaço. Ela seguiu-o. ― Meu banheiro? ― Ela olhou ao redor da grande sala e imaginou como ficaria daqui a alguns meses. Seria uma grande banheira, um enorme chuveiro com paredes de vidro e azulejos de pedra e uma pia dupla com bancada de mármore ao longo da parede interior. A grande janela fosca deixaria entrar a luz natural e dar ao banheiro um visual novo. ― Você não precisa nem de perto dessa quantidade de espaço. Um simples chuveiro/banheira seria melhor ― Ele começou a escrever. ― Não se atreva a mudar uma só coisa aqui. ― Ela pegou sua prancheta, apenas para que ele a afastasse. ― Vamos manter este local do jeito que eu quero. Ele segurou a prancheta para longe dela. ― Eu digo que nós mudamos para uma combinação de chuveiro/banheira. Ela estendeu a mão para a prancheta de novo, mas ele segurou-a longe de seu alcance. ― Nós não precisamos de você por aqui. Tudo vai muito bem sem você. Tudo fica do jeito que está ― Ela olhou para ele e estendeu a mão para sua prancheta. As sobrancelhas dele ergueram-se e, em seguida, um sorriso lento cruzou os lábios. Ela tentou não se concentrar no fato de que ele tinha lábios sensuais. Ela não percebeu que estavam tão perto um do outro, não até que sentiu a respiração dele em seu rosto e percebeu que podia ver as manchas escuras em seus olhos. Ela ficou perfeitamente imóvel e prendeu a respiração, não querendo mover ou fazer um som. Antes que pudesse responder, ele deixou cair a prancheta, colocou as mãos em seus ombros e puxou-a para mais perto. Em seguida, seus lábios estavam nos dela e ela deixou de lutar como fazia momentos antes. Quando suas

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mãos apertaram os ombros dela e sua boca suavizou sobre a dela, um gemido escapou de seus lábios fechados, permitindo que a língua dele arremessasse dentro de sua boca para provar. Ele tinha gosto de açúcar e seus lábios estavam quentes e suaves contra os dela, ela não pôde se impedir de segurá-lo mais de perto. Seus ombros eram fortes e desfrutou de tocar em seus músculos descendo para os braços e cravou suas unhas em sua manga. Ele afastou-se por um momento, seus olhos escuros fazendo o mapeamento de seu rosto enquanto se acalmava com um sopro de seus lábios. ― Você desestabilizou-me. ― Ele balançou a cabeça. ― Deus me ajude ― Sua boca desceu novamente, mas logo ouviram a porta do apartamento ser aberta e pularam para longe rapidamente. No momento em que Roger entrou no local, Travis tinha sua prancheta nas mãos e franzia a testa para baixo em sua lista. Holly ainda não se recuperara completamente, de modo que olhava para fora da janela, tentando parecer como se simplesmente não tivesse sido beijada até os dedos dos pés enrolarem. ― Está tudo bem aqui, chefe? ― Roger parou perto da porta, do lado de dentro do local. ― Sim, reúna os homens. Eu tenho algumas mudanças. ― Travis olhou para ela. ― Eu vejo-lhe no Mama’s em uma hora ― Ele dispensou-a sem outra palavra. Ela estava em seu banheiro, viu os dois homens deixarem o apartamento dela e perguntou-se o que faria agora. Ela olhou ao redor dos quartos por um momento até que sentiu seu corpo parar de tremer. Então, caminhou pela rua até a clínica, na esperança de que Melissa, sua melhor amiga, estivesse no trabalho para que pudesse ter a perspectiva de outra mulher sobre o que aconteceu.

O que diabos ele fez? Por que abaixou a guarda a seu redor? Ele tentou concentrar-se enquanto dizia a Roger e aos homens sobre as mudanças que queria. Por alguma razão, não conseguia fazer as mudanças que sabia serem

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necessárias no banheiro de Holly, embora com os planos atuais perdesse alguns milhares de dólares. Quarenta minutos depois, quando saiu da zona de construção e desceu a rua em direção à lanchonete, ele tentou levantar suas defesas novamente. Fez os exercícios de respiração que aprendera. Concentrou sua mente e tentou limpar todos os pensamentos ruins. Cara, ele desejava ter um cigarro. Parou na calçada e piscou algumas vezes. Essa foi a primeira vez em quase três anos que pensava sobre fumar. Esta cidade era uma má influência sobre ele. Ele precisava terminar seu trabalho e cair fora dela rapidamente. Quando entrou no Mama’s, ele tentou esconder o gemido que quase lhe escapou. Na cabine do canto de trás estavam dois de seus amigos mais próximos do ensino médio, Billy Jackson e Corey Park. Foi com os dois caras que adquiriu a maioria dos problemas em sua vida e ele evitava os homens desde seu retorno. Havia tantas histórias deles três causando problemas que não sabia por onde começar. Ele tinha a esperança de entrar e sair da cidade antes que qualquer um deles soubesse que ele estava de volta. Mas, à medida que ficou parado e o tilintar da porta desvaneceu, os dois homens olharam por cima e ele viu o reconhecimento cruzar seus rostos. Quando Billy levantou e acenou para ele, ele sabia que não seria capaz de evitar falar com eles. Ele olhou e viu Holly sentada em uma mesa do outro lado da sala. Ele caminhou em direção à cabine do fundo e acenou para onde Holly sentou, esperando por ele. ― Oi ― ele disse apertando a mão de Billy e Corey. ― Cara, a gente não sabia que você estava de volta ― disse Corey, batendo-lhe com força nas costas. ― Lamentamos sobre seu velho. Ele foi muito legal para nós. ― Sim, ele sempre nos salvou ― Billy adicionou. ― Por que não se senta? Estávamos apenas almoçando, em seguida, nós vamos à cabana do velho pai de Corey festejar.

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Era a mesma história. O pai de Corey era dono de uma cabana de caça ao longo do lago. Ele não podia contar as vezes em que os três festejaram lá com as meninas, bebidas e ocasionalmente com outras drogas. Pelo que ouvia, Corey e Billy não mudaram nada nos últimos quatro anos, desde que ele deixou a cidade. ― Eu não posso, eu tenho uma reunião ― Ele olhou para onde Holly sentou, observando-os. Os olhos azuis dela procuraram os dele do outro lado da sala. Ele sabia que perdera o controle mais cedo. Inferno, ela desestabilizou-o por beijá-lo de volta. Seria melhor se ela tivesse se afastado e dado mais um de seus golpes fortes em sua direção. Teria se sentido mais seguro do que agora. ― Com a nerd de livro? ― Corey riu. ― Cara, você mudou. Ele olhou para seus amigos. ― Alguns de nós estamos tentando melhorar a nós mesmos ― Seus amigos riram. ― Bem, o convite está sempre aberto ― disse Billy, sentando-se quando a garçonete entregou sua refeição. ― Passe lá algum dia. Com certeza estamos contentes de ver você de volta à cidade. Ele balançou a cabeça, em seguida, virou e caminhou até onde Holly sentou-se, com um prato de batatas fritas na frente dela, intocado. ― Desculpe o atraso ― Ele sentou, colocando a prancheta na mesa ao lado dele. ― Está tudo bem. ― Ela olhou em direção a seus amigos. ― Você sairá com os dois de novo? ― Ela perguntou, franzindo a testa. Ele olhou para seus velhos amigos, que agora faziam uma cena ao esguichar ketchup um no outro. ― Não planejei isso ― Ele franziu a testa e virouse em direção a ela quando a garçonete veio pegar seu pedido. Ele pediu sopa de batata e salada. Sabia que tinha de cortar calorias, uma vez que não treinava no momento. Seu estômago roncou e exigiu que ele pedisse mais, mas aprendeu a disciplinar-se. ― Que outras mudanças você fez? ― Ela pegou sua prancheta e ele a deixou levá-la. Ele tomou um gole de água enquanto ela lia sobre a nova lista. Ele tirou alguns itens e acrescentou alguns outros durante seu encontro com Roger. Ele achava que o prédio estava em boas mãos depois de falar com o

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empreiteiro. Pelo menos seu pai fez uma investigação e contratou o melhor da região. Ela franziu a testa enquanto lia sua lista. Ele gostou da pequena ruga que apareceu entre as sobrancelhas. Ela tinha uma covinha bonitinha perto do canto de sua boca que ele queria provar novamente. Se ele se concentrasse, ainda poderia provar seus doces lábios nos dele, sentir seu corpo macio ao lado do seu. Fechou os olhos e tentou concentrar-se em outra coisa. ― Eu acho que posso viver com essas mudanças ― Ela interrompeu seus pensamentos. Ele olhou para ela. Ele esperava uma luta dela. ― Sério? ― Ele endireitou-se quando a comida dele foi entregue. ― Claro. Quer dizer, algumas destas Roger sugeriu. ― Ela apontou para alguns itens de sua lista. ― Aqui, ele queria que as estantes ficassem ao longo desta parede de trás, em vez desta. Nós conversamos sobre refazer a lareira e convertê-la para gás, de modo que já estava em obra. ― Ela olhou para ele. ― Eu pensei sobre a adição de um pequeno palco, aqui ― Ela tirou uma planta baixa da bolsa e apontou para ela. Ele chegou mais perto e olhou para o papel, tentando ver onde ela queria dizer. ― No canto dos fundos? Ela assentiu com a cabeça e olhou para ele. ― Por que você me beijou? ― A pergunta tirou-o do equilíbrio. Ele continuou a olhar para ela, sem saber como respondê-la. ― Quero dizer, eu sei por que eu lhe beijei de volta. Faz quase um ano desde que eu fui a um encontro. Mas por que você me beijou? ― Ela perguntou de novo. Ele estava encantado com seus olhos e não podia deixar de observá-la morder o lábio inferior com preocupação. ― Eu queria. ― Ele deu de ombros. Ela suspirou e recostou-se quando ele não fez nenhum movimento para se explicar mais. ― Um palco para quê? ― Perguntou ele, fazendo-a piscar algumas vezes e focar-se na reunião. ― Bandas, leituras de poesia, sessões de autógrafos. ― Ela deu de ombros e pegou uma batata frita. ― Há muitas razões para ter um pequeno palco.

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― Eu acho que isso poderá funcionar. Vou falar com Roger depois do almoço. ― Eu posso falar ― Ela tomou outra batata e mordiscou-a. A câmera lenta foi hipnotizando-o. ― Não, eu falo. Eu estou no comando agora ― Ele inclinou-se e começou a comer a sopa e a salada, desejando desesperadamente um cheeseburger em seu lugar. ― Há algo de errado com a sopa? ― Perguntou ela. Ele percebeu que franzia a testa para a tigela. ― Não, apenas desejando que fosse um cheeseburger em seu lugar. Ela sorriu. ― Eu sei o que você quer dizer. Eu fiz uma resolução de Ano Novo e fui boa em manter até agora. Eu só comi peixe este ano, nenhuma outra carne. ― Ela balançou a cabeça. ― Estou morrendo por um hambúrguer ou um peito de frango. Mas perdi quatro quilos até agora e mantive-o. ― Eu tento deixar a carne para quando não estou treinando. Suas sobrancelhas ergueram-se. ― Boxe? ― Quando ele apenas olhou para ela, ela corou um pouco. Ele gostou do visual de suas bochechas ficando rosa. ― Eu vi você bater no saco ontem. Ele sorriu um pouco. ― Sim, eu tenho lutado nos últimos anos. Isso me ajuda a manter o foco ― Ele franziu a testa, lembrando-se de sua conversa com Randy. ― Sério? ― Ela inclinou-se um pouco. ― Onde? Ele balançou a cabeça, querendo que a conversa acabasse. ― Eu falarei com Roger sobre a adição do palco ― Ele jogou alguns dólares sobre a mesa e levantou-se. ― Não se incomode. Estou indo para lá agora ― Ela olhou para ele. ― Não, você não está. A zona de construção não é lugar para uma mulher. Ela riu dele. Ele olhou para ela como se fosse louca. ― Ouça. ― Ela levantou-se e cruzou os braços sobre o peito e ele percebeu o quanto ela era menor do que ele pensava. O topo de sua cabeça atingiu logo abaixo dos ombros. Ela já estava magra e o fato de acabar de confessar que

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perdeu quatro quilos no ano passado o fez franzir a testa. Ela não precisa perder peso, ao contrário, ela poderia ganhar alguns quilos. Ele gostava de suas mulheres macias. ― Eu estive no local desde que a primeira marreta foi balançada. Não tenho nenhuma intenção de deixá-lo até que seja concluído. Esta é minha loja, meu apartamento. Se quer que eu saia você terá que se acostumar com a decepção. Ele não estava com vontade de discutir na frente de todos no restaurante, então agarrou o braço dela e começou a caminhar. ― Espere. ― Ela puxou seu braço, impedindo-o. ― Você não pode me empurrar por aí. ― Ela parou e pegou sua bolsa no chão perto de sua cadeira e, em seguida, estendeu a mão e agarrou outra batata de seu prato quase vazio. Depois virou e seguiu-o. ― Agora estou pronta ― Ela marchou até a porta e abriu-a e, em seguida, virou e esperou que ele se juntasse a ela. Ele tentou não rir. Enquanto caminhavam de volta para a loja, ela falou sobre algumas das outras mudanças em que pensava. ― Eu tinha uma lista de novos itens, mas, depois que seu pai morreu, achei que não deveria mudar mais nada. ― Ela mordeu os lábios e ele novamente encontrou-se acompanhando o movimento doce. ― Mas agora que você está aqui ― ela olhou para ele com um leve sorriso, ― eu gostaria de sugerir alguns deles para você. ― Desde que isso não retarde o processo ― E não custasse muito mais. No fundo de sua mente, ele pensava no resultado final, o que custaria a ele e o que poderia ganhar com isso quando colocasse o lugar no mercado. Ele não diria a Holly, mas depois de terminada a construção de seu lugar e do teatro, ele colocaria uma placa de vende-se tão rápido quanto pudesse. ― Não, isso não retardará. São apenas pequenos itens em sua maioria. ― Como um palco? ― Ele olhou para ela. ― Bem, tudo bem, esse era grande ― Ela sorriu para ele e ele viu-se sorrindo de volta.

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EntĂŁo ouviram uma buzina de carro soando e Savannah Douglas parou o Jeep branco de seu lado da estrada.

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Capítulo 04 Holly prendeu a respiração quando Savannah saiu do jipe e caminhou em direção a eles. A última vez que falou com a mulher, ela estava bêbada e dera a Savannah um nariz quebrado. Desde aquela noite, há alguns meses, ela evitava a mulher. Savannah por seu lado ficara na clandestinidade. Seu pai tentou processar o Rusty Rail, o único bar em Fairplay, alegando que Savannah tropeçara em uma telha quebrada em vez de ser quase nocauteada por uma mulher da metade de seu tamanho. ― Você está de volta à cidade ― exclamou ela logo antes de se jogar em Travis e beijá-lo diretamente nos lábios. Holly sentiu seu estômago revirar e tentou desviar o olhar, mas por algum motivo, seus olhos estavam grudados ao casal. Travis com seu visual clássico de cowboy robusto, seu cabelo escuro, olhos escuros e a fenda sexy em seu queixo. Savannah com seu cabelo longo, louro, perfeitamente estilizado e seus seios grandes, que foram sempre destacados em roupas caras apertadas. Nos últimos meses, desde o incidente do nariz, Holly notou que ela ganhou um pouco de peso, mas ainda era linda. ― Sim, acabei de voltar no outro dia ― disse ele, afastando-se de Savannah e olhando para Holly. Ela afastara-se alguns passos e tentava escapar do constrangimento que sentia. ― Você lembra-se de Holly ― Ele fez um gesto em direção a ela e ela queria estar em qualquer lugar, menos na Main Street com Savannah Douglas e Travis Nolan, facilmente as duas pessoas de quem Fairplay mais falara. O caso de Travis e Savannah causara um monte de perda na pequena cidade; sua mãe perdeu a sanidade, seu pai perdeu o emprego e dois de seus melhores amigos quase perderam a vida.

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Savannah nem mesmo lhe poupou um olhar. Em vez disso, puxou Travis para perto e passou as mãos sobre seus ombros. ― É tão bom que você está de volta à cidade para ficar. Você simplesmente tem que vir para casa para o jantar ― ela ronronou, deixando Holly desejando que ela pudesse fazer sua voz soar tão sexy. Talvez com um pouco de prática? ― Não vou ficar ― disse ele, puxando os braços de seus ombros. ― Eu sinto muito, Savannah, mas tenho alguns negócios para cuidar agora. Os lábios de Savannah formaram um biquinho e Holly percebeu que a emoção não alcançou seus olhos. ― Bem, tudo bem. Que tal se eu passar mais tarde? Travis balançou a cabeça. ― Não, não desta vez. Vejo você por aí. ― Ele virou-se e olhou para ela. ― Pronta? Ela não sabia o que dizer, então apenas balançou a cabeça e combinou seus

passos

enquanto

caminhavam

para

a

livraria

juntos. Ela

queria

desesperadamente virar e colocar a língua para fora para Savannah, mas sabia que não se devia rebaixar ao nível daquela mulher. Além disso, ela não era mais uma criança e não queria que Travis a visse agindo como uma. Mas parte dela teve que admitir, era bom ver Savannah contorcer-se. ― Eu ouvi que vocês duas entraram em uma briga recentemente. ― Ele olhou para ela. ― Quebrou o nariz dela? Ela engoliu em seco e assentiu. Todos na cidade sabiam sobre a luta, o que foi uma das razões da tentativa do Sr. Douglas de processar o Rusty Rail ter falhado. ― Ela falou mal de alguém que eu amo. Ele riu. ― Savannah está sempre falando mal de alguém. ― Ele olhou para ela de lado. ― Espero que ele tenha gostado do que você fez. Ela parou e olhou para ele. ― Ele? Ele parou e virou-se para ela, depois assentiu. Ela riu. ― O ele é um ela. Melissa Holton. Seus olhos ergueram-se e ela observou quando a compreensão inundouos. ― Ohhhh ― disse e ela não podia deixar de rir. ― Minha melhor amiga, não minha amante ― Ela riu.

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― Oh ― ele repetiu e sorriu. ― Bem, nunca se sabe. Eu fui a alguns lugares onde você sempre precisa questionar. ― Ah, é? ― Disse ela, quando começaram a andar novamente. ― Como onde? Ele deu de ombros. ― Principalmente Vegas. Passei meu primeiro ano lá depois que saí daqui. ― Eu sempre quis ir. Ouvi dizer que é divertido ― Ela suspirou e ficou para trás quando ele abriu a porta para ela. ― Tem seus momentos, mas espero nunca mais voltar ― Ele entrou e fez sinal para Roger vir. Ela queria fazer mais perguntas, mas a conversa virou-se para trabalho na próxima hora. Os três discutiram ideias, passaram pelos custos e até o final da reunião finalmente acordaram as mudanças que seriam feitas. Ela estava de pé perto do fundo e olhou para onde seria seu novo palco. Era um local perfeito. Ela podia imaginar as pequenas mesas e cadeiras ao redor da pista, todas voltadas para essa direção. A lareira na lateral garantia um cenário pitoresco e romântico para as pessoas próximas a ela. As grandes janelas na frente dariam muita luz durante o dia e ela planejava ter algumas fileiras de luzes amarradas ao redor para ajudar a tornar a noite agradável. Roger informou que a bancada do bar que encomendara estava pronta para instalar. Era um grande pedaço de granito que ela escolheu em uma empresa local. Não podia esperar para vê-la no topo da barra longa que os homens construíam. Havia muito espaço para os racks de vinho caseiro que ela convenceu um dos homens de Roger, Aaron Miller, a fazer. Ela conhecia o homem desde a infância e ele fazia belos armários e móveis. Tentou convencê-lo a fazer seus bancos do bar, mas até agora ele esteve muito ocupado para dar-lhe uma resposta. Travis saiu, dizendo que precisava checar o teatro e o parque. Ela não gostava que ele investisse tanto tempo em seu projeto, mas teve que admitir que até agora não fez nenhum mal. Então se lembrou de seu banheiro e

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engasgou. Correndo em volta, encontrou Roger na sala dos fundos e rapidamente perguntou a ele o que Travis mudara no andar de cima. Quando ele a informou que não houve alterações em seu apartamento, ela não pôde deixar de sorrir. Talvez ele não fosse um idiota tão grande como ela pensava.

Travis ficou nos fundos e olhou para a bagunça que costumava ser o teatro. Este projeto seria a morte dele, ele sabia disso. O lugar de Holly seria concluído nos próximos meses. O parque seria concluído antes disso, mas o projeto do teatro levaria um ano inteiro, se não mais. Como Roger supervisionava as duas reconstruções e seu tempo era dedicado atualmente ao lugar de Holly, ele precisou entrar sozinho. Já houve a demolição, mas onde o lugar de Holly agora tinha canalização elétrica e algumas paredes colocadas, o teatro ainda estava nu. Quando entrou e encontrou-o sem eletricidade, deveria ter encerrado o dia, mas ao invés disso, encontrara uma grande lanterna e andara ao redor, escrevendo notas até que sua mão e cabeça doíam de pensar em tudo o que precisava ser feito. Seu pai elaborara planos para ambos os lugares e ele passou uma boa parte da noite anterior olhando-os em seu escritório em casa. Teve que admitir que seu pai era um gênio na arquitetura. Claro, ele acrescentou algumas de suas próprias ideias, mas seu pai tinha uma maneira de organizá-las. Ele perguntou-se por que seu pai não começou tudo isso antes. Então, veio à cabeça a lembrança de seus pais brigando e ele sabia o porquê. A mãe dele. Ela sempre se opôs a ele gastar seu tempo em projetos. Especialmente após o incidente do Mustang. Ele franziu a testa um pouco, lembrando quão machucado seu pai e ele ficaram quando sua mãe rejeitou o carro e desfez todo o trabalho duro que tiveram. O carro estava na garagem, sem tocar, desde então. Mesmo seu pai não iria dirigi-lo. Ficou um gosto amargo na boca sobre ele, e perguntou-se por que não apenas o venderam anos atrás.

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Levou quase duas horas para percorrer o antigo edifício. Quando saiu, olhou

para

suas

roupas

empoeiradas

e

desejou

desesperadamente

um

banho. Enquanto andava quatro quarteirões até a casa, encontrou-se pensando em Holly novamente. Ele riu cada vez que pensava nela quebrando o nariz de Savannah. Ele pagaria qualquer coisa para estar naquele banheiro quando ela aplicou o golpe. Não que ele tolerasse a violência, ou que quisesse ver Savannah sofrer. Ele saiu com ela muito frequentemente ao longo dos anos, a ponto de provavelmente conhecê-la melhor do que a maioria das pessoas na cidade. Savannah tinha um lado suave, mas com a queda de um centavo ela podia transformar-se na maior cadela. Foi um dos motivos que ele escolheu ficar longe dela agora. Não queria se meter em sua teia novamente. Ela ainda estava ótima, embora notasse que ela estava muito mais cheia do que quando o surpreendeu e mostrou-se em Las Vegas. Ela tentou desesperadamente fazer com que ele voltasse para Fairplay e quando ele se mostrou determinado a não voltar, ela ficara entediada e fora embora. Ele entrou pela porta de trás e tirou os sapatos. Quando pensou em subir para tomar banho, encolheu-se. Ele odiava tomar banho no chuveiro de seus pais, mas seu banheiro foi pintado com um rosa pálido e odiava usá-lo. Ele lembrava-o de Pepto Bismol1. Havia uma lista de coisas que precisavam ser feitas no antigo lugar antes que o pudesse colocar no mercado; ele só queria que já estivessem prontas. Tirando a camisa e as calças, saiu e apertou o botão para a cobertura da piscina. Ele sorriu quando viu a água cristalina e pulou na piscina de cueca. Ele nadou algumas voltas, refrescando-se na água, em seguida, deitou e flutuou enquanto observava as cores do pôr do sol acima de sua cabeça. Ele sentiu falta da calma vida no interior. Talvez fosse por isso que pensou em ficar em Montana. Ele foi lá para algumas lutas no início deste mês e, após vencer todas, Randy reservara mais em Billings e ele não havia reclamado. Era cem vezes melhor do que ficar preso em Las Vegas. Especialmente desde que ficou limpo logo depois de chegar à cidade. Remédio utilizado para tratar desconfortos temporários do estômago e do trato intestinal, como diarreia, indigestão, azia e náusea. 1

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Ele balançou a cabeça lembrando-se de como se limpara, grato ao homem que não apenas o salvou de uma vida na prisão, mas ajudou a moldá-lo no que ele era hoje. Quando abriu os olhos, viu Holly de pé ao lado da borda da piscina, roupa de banho e toalha em sua mão. ― Eu... Eu não sabia que você vinha para um mergulho. Voltarei mais tarde ― Ela virou-se para ir embora. ― Por quê? ― Ele começou boiando na água. ― É uma grande piscina ― Ele acenou com a cabeça para a água. Sentiu-se agitar com a visão dela no pequeno biquíni vermelho. Ela mordeu o lábio inferior e, em seguida, virou para estender a toalha em uma das cadeiras do gramado que estavam ao redor da piscina. Quando se virou, ele notou a pequena tatuagem acima de seu quadril. Não podia deixar de sorrir para o pequeno par de luvas de boxe com uma rosa acima deles. ― Para seu pai? ― Ele acenou para a tatuagem. Ela virou-se e olhou para trás, como se tivesse esquecido que ele estava lá atrás, depois assentiu. ― E as suas? ― Ela segurou no corrimão e entrou lentamente na água. Sua boca ficou seca enquanto observava os mamilos enrugarem quando a água fria bateu em sua pele. ― Minhas? ― Ele perguntou depois de um momento. Ele esqueceu-se do que falavam. Seus olhos recusaram-se a afastar-se dos seios perfeitos. ― Suas tatuagens? Você tem algumas ― Ela acenou para seus braços e peito. Ele olhou para seus braços e peito. ― Algumas delas eu fiz quando era jovem e estúpido. ― Ele olhou para o design escuro em torno de seu ombro esquerdo, que não tinha nenhum outro significado do que o desejo de gastar o dinheiro de seus pais e irritar sua mãe. Então olhou logo abaixo e franziu a testa. ― Outras, lembram-me do que não se deve fazer na vida. De onde estive e uma promessa de nunca ir lá novamente. ― Eu gosto das asas ― Ele olhou para cima quando ela balançou a cabeça para seu peito. Ela estava em pé a poucos metros de distância dele agora, na água rasa.

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― Liberdade ― disse, não se concentrando na conversa. ― De onde? ― Ela aproximou-se. ― Daqui ― ele deixou escapar, sem prestar atenção. ― Foi tão ruim assim? Estar aqui? Ele assentiu com a cabeça. ― Você não sentiria o mesmo depois do que aconteceu? Ela encolheu os ombros e ele assistiu a água escorrer sobre sua pele macia. Ele queria estender a mão e tocá-la, para certificar-se de que era tão suave como parecia. ― Eu acho. Deve ter sido difícil ― disse ela, olhando para o peito dele, evitando os olhos. Ele não percebera que se aproximara, até que sentiu a perna dela escovar contra a sua. Ela sacudiu um pouco e tentou mover-se para trás, mas ele estendeu a mão e segurou a cintura dela sob a água. Sua pele parecia seda em suas mãos. Sem pensar, puxou-a para mais perto, até que ela estava a um fôlego. As cores da noite fizeram seu cabelo vermelho parecer brilhar. Ele nunca viu nada parecido antes. Sua pele parecia tão suave e ele queria tocá-la. ― Travis? ― Disse ela, pouco antes de envolver os braços em volta do pescoço dele e beijá-lo. Ele não poderia impedir, mesmo se tentasse. Suas mãos moveram-se sobre sua pele e gostou da sensação dela, a suavidade de sua pele. Quando seu corpo roçou contra o dele, ele gemeu e puxou-a para mais perto, esfregando-se contra ela, querendo mais. Ele negou a si mesmo por muito tempo. Anos em que ficara sem. Agora, não queria negar a seu corpo faminto a sensação de uma mulher macia. Por que iria quando ela envolvia suas pernas em torno de seus quadris, pressionando seu núcleo contra seu desejo. Quando ele se afastou e olhou para ela, percebeu que sua respiração saía em suspiros. Ele tentou firmar, nivelando-a, mas então percebeu que a respiração dela também estava acelerada. ― Eu sinto muito ― disse ela, apoiando a testa na dele. Seus olhos estavam fechados e sentiu seus braços relaxarem em torno dele.

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― Por quê? ― Ele sorriu um pouco quando ela balançou a cabeça. ― Eu acho que nada. ― Ela riu um pouco e olhou para ele nervosamente. ― Foi só um momento. Ele sorriu. ― Para mim também, mas você não me vê pedindo desculpas. Ela sorriu. ― Esta é uma ideia muito ruim ― disse ela, passando as mãos sobre seus ombros. ― Provavelmente ― ele concordou, não querendo fazer o próximo movimento. Ele tinha um plano e apaixonar-se pela dona de uma livraria da pequena cidade não era parte dele. Mas não via nenhuma razão para que não se pudesse distrair enquanto estava aqui. As chances dele, na verdade, de apaixonar-se por uma mulher como Holly eram pequenas, por isso ele não via mal algum em continuar. ― Então, por que minha mente não parece parar meu corpo? ― Ela moveu os quadris, enviando uma onda de prazer a sua virilha. Ele fechou os olhos, afastou-se e desfrutou do pequeno som que ela fez. ― Não pare ― disse, tomando-lhe a boca. Desta vez, ele cedeu à urgência que sentia. Deixou suas mãos viajarem sobre seu corpo, apreciando a sensação de seus mamilos franzindo sob as pontas dos dedos. Quando ela gemeu e jogou a cabeça para trás, ele puxou seu biquíni de lado e levantou-a acima da água, colocando a boca sobre o pico sensível. Ela engasgou e agarrou seu cabelo com mais força. Em seguida, empurrou a calcinha do biquíni para baixo das pernas sexy dela e empurrou um dedo suavemente em seu calor. Ele gemeu quando a sentiu convulsionar enquanto gritava. Ele apoiou-a até que pudesse levantá-la ao lado da piscina e, em seguida, segurou suas pernas quando se ajoelhou entre suas pernas abertas. Quando tocou a língua dele na pele sensível, onde os dedos acabaram de estar, ela gritou novamente e agarrou seu cabelo com força. Ele não se importava, porque o gosto dela inundou todos seus sentidos. Ela provou ser melhor do que imaginou. Seus quadris balançavam contra sua boca até que saboreou o estouro dela em sua língua.

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Em seguida, pulou para fora da piscina e pegou-a, levando-a até a escada exterior para o que costumava ser seu apartamento. ― Droga ― ele disse, olhando ao redor. Os olhos dela abriram-se. ― O quê? ― Ela olhou ao redor, enquanto se tentava cobrir com as mãos. Ele teria rido, mas estava muito excitado. ― Eu esqueci que nenhuma de minhas coisas está aqui. Você tem proteção? ― Ele olhou ao redor, tentando lembrar se ele tinha alguma camisinha em sua bolsa. Ela riu e acenou com a cabeça. ― Gaveta de cima ao lado da cama. ― Boa menina. ― Ele levou-a para o quarto dos fundos. Quando a deitou na cama, ele estendeu a mão e tirou um pacote de prata, em seguida, abriu mais as pernas dela e estabeleceu-se entre elas novamente. ― Você tem gosto de açúcar. ― Ele sorriu, então, usou sua língua e lambeu os lábios inferiores dela. ― Doce como o açúcar. ― Ela sorriu e envolveu as pernas ao redor de seus ombros. ― Você tem uma maneira especial de lidar com algo ― Os olhos dela fecharam-se quando se inclinou para trás e desfrutou dele. Quando deslizou um dedo dentro dela, as costas arquearam para fora do colchão e ele sentiu as pernas apertarem ao redor de seus ombros. ― Você gosta disso? ― Ele sorriu quando ela gemeu e assentiu. ― Você tem a mais bela boceta. Ele não sabia se a fala era devido ao hiato de três anos ou o fato de que nunca viu nada tão perfeito como ela era. Quando finalmente levantou e posicionou-se em frente de seu calor, sentiu os braços dele agitarem, seu corpo tremer de antecipação. Ele queria que o momento durasse, mas sabia que muito em breve estaria acabado. Geralmente não era rápido, ele agradou muitas mulheres no passado. Mas as últimas pessoas com quem dormiu queixaram-se de que era um amante egoísta. Ambas, Alexis e Savannah, disseram isso. Ele sentiu um arrepio de nervos percorrerem-no e queria manter o máximo de tempo possível. Para ele e para ela. Quando deslizou dentro dela, fechou os olhos e esforçou-se para concentrar-se em fazer a sensação durar. Em

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seguida, ela moveu-se e ele não conseguia parar seus quadris de flexionar, uma e outra vez. Ela enrolou as pernas em torno de seus quadris e suas unhas enterraram-se em seus ombros. Ele olhou para ela e viu seus olhos azuis ficarem mais escuros. Seus lábios estavam ligeiramente inchados e quando se inclinou e beijou-os, percebeu que ela estava à beira de gozar. Ele agarrou a perna dobrada dela e içou-a contra o peito, em seguida, estendeu a mão e tocou-lhe um pouco e olhou a coisa mais linda que viu em anos. Sua pele corou, ela mordeu o lábio inferior inchado e gemeu de prazer. Seu cabelo molhado espalhava-se sobre o travesseiro e tudo o que podia pensar era em fazê-la gozar novamente e novamente. Ele começou a mover-se mais rápido e sentiu-se acumulando, mas queria esperar. Esperar até que ela pudesse vir com ele desta vez. ― Por favor ― ela implorou. ― O quê? ― Ele gemeu. ― Diga-me ― Ele usou seus quadris e segurou a perna perto de seu peito, segurando seu doce traseiro na mão. Suas unhas cavaram a pele macia e desejou poder enterrar o rosto na suavidade. ― Travis, goze comigo ― Ela balançou a cabeça para trás e para frente e ele percebeu que ela estava na borda mais uma vez. Desta vez, ele sabia que iria com ela. Inclinando-se, beijou-a tão profundamente que sentiu seu coração pular quando se deixou ir completamente pela primeira vez em sua vida.

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Capítulo 05 Holly estava lá e ouviu sua respiração. O que ela fez? Ela acabou de ter sexo selvagem e louco com um dos piores meninos do Texas. É isso! Todos em Fairplay (inferno, no Condado) sabiam quem era Travis Nolan. Ele não era bom. Nunca seria. Seu pai socorreu-o da prisão mais vezes do que qualquer um poderia contar. Ele era um problema e ela acabou de ter com ele o melhor sexo que já teve em seus 25 anos. E, Deus a ajudasse, ela queria fazer novamente. Ela espiou com um de seus olhos abertos e tentou ver, mas o sol pôs-se e agora estava muito escuro no quarto para ver algo. Abrindo ambos os olhos, ela virou a cabeça e tentou contornar sua forma. ― Eu acho que você me chutará para fora agora ― ele disse, rindo um pouco. ― Não, eu não ia. ― Ela virou e inclinou-se sobre o cotovelo em direção a ele. ― Por quê? É muito chutado para fora de camas? Ele riu novamente. ― Não ultimamente. Ela passou os dedos sobre os músculos de seu peito. Ele não era construído assim na última vez que o viu. Na verdade, lembrou-se de pensar que ele ganhara uma barriga de cerveja e pneuzinhos na última vez que o viu, anos atrás. ― Por que você escolheu luta de gaiola? ― Ela perguntou, distraidamente. ― Ela escolheu-me ― Ele pegou sua mão e entrelaçou os dedos. ― Oh? ― Ela gostava da sensação de seus dedos nos dela. ― Eu estava em Vegas por três meses ao total, quando fiquei sem dinheiro. Não queria escrever para casa e pedir mais. ― Ele deu de ombros e suspirou. ― Eu acho que esperava poder me virar por conta própria. Acabei

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tentando vender minha caminhonete para algum imbecil que decidiu que preferia tomá-la a pagar por isso. Eu chutei a bunda dele e, em seguida, seu amigo, um mexicano de cento e quarenta quilos, saiu de seu carro. Eu pensei que estava morto. Em vez disso, o homem entregou-me um cartão de visita e convidou-me para minha primeira luta no subsolo. Randy colocou o dinheiro para que eu entrasse no jogo, pagou meu aluguel para o resto do mês e disse que se eu ganhasse, pagaria o aluguel para o resto do ano, juntamente com um grande bônus. Eu ganhei a primeira luta e fui sugado. Ele comprou-me uma adesão a um ginásio local e... ― Ele fechou os olhos e ela podia ver na escuridão que ele estava tenso sobre a memória. ― O resto é história. ― Você desfrutou? Seus olhos abriram-se e ele olhou para ela. Ela desejou que tivesse luz, para que pudesse ver o que ele estava sentindo. ― Eu costumava, eu acho, por um tempo. Brigar ajudou a limpar minha vida. Mas agora eu sinto que me está mantendo preso. ― O que você quer dizer? ― Eu tenho obrigações que não posso escapar. ― Ele sentou-se e estendeu a mão para acender a luz. O brilho suave encheu o lugar e ele levantou-se. Havia mais tatuagens nas costas, menores, mas ainda tão impressionantes como as sobre o peito. Ela sentia que poderia passar horas explorando-as, correndo os dedos sobre cada linha, cada mergulho no músculo. ― Eu preciso voltar para Vegas na próxima semana. Apenas por alguns dias ― Ele passou as mãos pelo cabelo, bagunçando as mechas para cima, levando-as a ficar para cima. ― Posso ir com você? ― Ela sentou-se, puxando o lençol sobre si mesma. Ele estava no processo de puxar a cueca úmida, mas parou e olhou para ela. ― Por quê? Ela deu de ombros e sorriu. ― Para ver você lutar. Ele balançou a cabeça. ― Você não pertence a uma luta ilegal de gaiola. ― E você? ― Ela disse, arrastando-se para a beira da cama. Ele resmungou e puxou para cima seus boxers. ― Boa noite ― Ele começou a caminhar em direção à porta.

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― Travis? ― Ela esperou até que ele parasse e olhasse para ela. ― Fique. Por um momento, parecia que ele queria, mas balançou a cabeça e saiu sem dizer mais nada. Ela olhou para a porta fechada por um tempo, então suspirou e encostou-se à cabeceira da cama. Ela pediu por problema. Afinal, ele não fez nenhum compromisso. Nem sequer insinuou. Sem dúvida, ela acabou de ter seu primeiro caso de uma noite. Então percebeu quão grande idiota foi. Por que pediu para ir com ele? Era óbvio que ele não queria um relacionamento. E aqui estava ela, praticamente implorando para ir para Vegas com ele na próxima semana. Levantando-se, entrou no banheiro e decidiu que precisava de um longo banho quente para ficar limpa. Ela ficou sob o chuveiro e sonhava com o dia em que poderia tomar um longo banho em seu novo apartamento. Talvez então pudesse lavar o sentimento depravado que tinha, sabendo que acabou de ser usada. Pior ainda, ela usou-o de volta. Será que esse sentimento jamais iria embora? Ela começou a odiá-lo por voltar, por ser tão sexy. E por enganá-la a acreditar que ele mudara de alguma forma. Quando voltou, ficou chocada ao ver Savannah deitada em sua cama, vestida com apenas uma minúscula camisola rosa. ― Que diabos? ― Ela sentou-se e cobriu-se com o lençol de Holly. Holly riu e envolveu sua toalha em torno de si mais apertado. ― Onde está Travis? ― Savannah olhou em direção ao banheiro, sem dúvida esperando Travis sair seminu. ― Você está na casa errada ― disse secamente. ― Ele está hospedado na casa principal. Eu moro aqui temporariamente. ― Ela jogou para Savannah seu casaco, o qual estava jogado sobre a cadeira. Então Holly caminhou em direção à porta da frente. ― Tenho certeza que ele estará animado para vê-la ― Ela segurou a porta aberta quando Savannah amarrou o casaco comprido em torno de sua forma larga. Quando Holly fechou a porta atrás dela, forçou-se a não olhar para fora da janela e ver se Travis a deixara entrar. Em vez disso, ficou de costas para a porta

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e ouviu, tanto quanto podia. Quando não conseguiu ouvir nada, voltou para o quarto e tentou desesperadamente não chorar. Sentou-se na beirada da cama e de repente algo brilhou em sua cabeça. Apressando-se para o telefone, ela pegou e discou o número de Melissa. ― Alô? ― Sua amiga parecia cansada. ― Eu sinto muito. ― Ela olhou para o relógio e percebeu que já passara das dez da noite. Ela sabia que Melissa trabalhava no turno da manhã na unidade de saúde e a maioria das noites estava na cama por volta das oito horas. ― Eu sinto muito ― ela disse de novo. ― Você já disse isso. Coloca para fora. O que está acontecendo para você me ligar tão tarde? ― Sua amiga conhecia-a muito bem. ― Savannah está grávida. ― O quê? ― Melissa bocejou. ― Você está louca. ― Não, não estou. Ouça. Ela estava aqui em meu apartamento e vi por mim mesma. ― Como? ― Ela usava uma pequena camisola. ― O quê? ― Ela poderia dizer que tinha toda a atenção de Melissa agora. ― O que Savannah Douglas fazia em seu apartamento vestindo uma camisola? ― O que está acontecendo? ― Ela ouviu o noivo de Melissa, Reece, dizer no fundo. ― Holly afirma que Savannah estava em seu apartamento vestindo nada além de uma camisola e que ela está grávida. ― Holly está grávida? ― Perguntou Reece e Holly podia ouvir que ele estava meio adormecido. Ela tentou não rir. ― Não, Savannah. Não importa. Eu direi a você depois que eu souber de tudo. ― Melissa voltou sua atenção para ela. ― Ok, derrame. ― Bem, eu acabara de sair do banho, por que... ― ela parou de contar a sua amiga que acabara de cometer o pior erro de sua vida, de modo que tossiu para encobrir. ― De qualquer forma, quando saí do banheiro, lá estava ela, espalhada em minha cama, vestindo nada além de uma pequena, muito pequena,

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camisola rosa. Eu pude ver que ela ganhou um pouco de peso, mas não pensei em nada até depois que a conduzi para fora. Então minha mente tipo que acordou e percebi que o que vi não era gordura, era uma barriga de grávida. Em seguida, sua mente e seu coração deram um salto gigante. Tanto é assim que começou a hiperventilar. Se Savannah estava grávida, havia uma boa chance de que Travis fosse o pai. E ela acabou de ter sexo louco e selvagem com Travis, nesta cama. Ela levantou rapidamente e olhou para a cama, os lençóis. Sentiu a cabeça girar novamente. ― Holly! ― Ela percebeu um momento depois que Melissa gritava em seu ouvido. ― Holly, você está bem? Não me faça ir até aí. Responda-me! ― Eu estou aqui. ― Sua voz soava tão longe, ela engoliu algumas vezes para tentar voltar ao presente. ― Escute, de qualquer maneira, vamos encontrarnos no almoço ― disse, distraída. ― Eu vou deixar você descansar. Boa noite ― Ela desligou, jogou-se de costas na cama e chorou até adormecer.

Travis saiu do banheiro de seus pais e quase caiu de bunda no chão. Savannah estava sobre a cama de seus pais em nada mais do que uma faixa rosa de seda. Seus longos cabelos loiros foram distribuídos ao longo da colcha feita à mão de sua avó. Suas unhas cuidadas correram para cima e para baixo nos lados das coxas e percebeu que estavam muito maiores do que costumavam ser. Mesmo se não tivesse acabado de abrandar sua tensão sexual reprimida com Holly, ele ainda não estaria animado com a visão dela. ― Como você entrou aqui? ― Ele envolveu a toalha mais apertada em volta da cintura e pegou o braço dela. ― Oh, qual foi agora? Você sabe que eu ainda tenho uma chave de quando eu costumava esgueirar-me até aqui ― ela ronronou. Ela engasgou quando ele puxou o braço até ficar ao lado dele. ― Saia ― ele rosnou enquanto caminhava em direção ao corredor.

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― Como você se atreve? ― Ela puxou o braço para longe dele. ― Você nunca reclamou antes. ― Ela correu os dedos pelo peito dele e inclinou os seios contra seu peito. ― Além disso, não tenho nenhuma dúvida que você está tão entediado quanto eu estou nesta cidade. ― Ela sorriu e passou o dedo para cima e beliscou o mamilo entre as unhas. ― Talvez possamos ficar entediados juntos. ― Fora. ― Ele afastou o braço de seu peito. ― Eu não quero mais jogar seus jogos ― Ele começou a caminhar em direção à porta, mas parou quando notou a jaqueta que estava jogada sobre cadeira de leitura de seu pai. Atirando-a para ela, ele esperou até que ela amarrou ao redor da barriga bastante grande. ― Realmente, Travis ― disse, puxando um cigarro e acendendo-o ali mesmo, na casa dos pais dele. Seus pais nunca permitiram que ele fumasse dentro de casa, uma das principais razões pelas quais se mudou para o apartamento em cima da garagem. Ele costumava fumar um maço por dia e não precisaria ouvir seus pais dizendo que não poderia fazê-lo dentro de sua própria casa. Ela soprou a fumaça em direção a seu rosto e ele encolheu-se. Foi-se o desejo, quando sentiu o cheiro de fumaça, de pegar um novamente. Ele estendeu a mão e pegou o cigarro dela, em seguida, entrou no banheiro, jogou-o na pia e ligou a torneira. ― Bem, realmente! ― Exclamou ela. ― Como se atreve a me tratar assim? ― Ela cruzou os braços sobre o peito e fez beicinho, um movimento que viu um milhão de vezes. ― Você não deveria fumar em sua condição. ― As sobrancelhas dela ergueram-se. ― Provavelmente, você pode esconder da cidade, mas não de mim, não quando eu acabei de ver você vestindo quase nada. ― Ele acenou para o grande casaco que cobria sua barriga agora. ― Cresça. ― Ele pegou a mão dela. ― Apenas faça em outro lugar ― Ele acompanhou-a até o corredor e começou a descer as escadas. Ela fingiu tropeçar, mas ele estava pronto para isso. Quando namoravam, ela sempre fingiu estar ferida para fazê-lo sentir como se tivesse abusado dela. Sua mão apertou seu braço e segurou-a firme.

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― Pare com isso, você pode machucar o bebê. ― Ele xingou quando ela tentou empurrar a mão. ― Savannah, pare com isso ― Ele empurrou o braço dela até que ela desceu as escadas sem tropeçar. ― Solte-me ― ela gritou. ― Vá para casa ― Ele tirou a mão e abriu a porta da frente. ― Eu odeio você ― ela gritou. ― Bom, agora vá para casa ― Ele cruzou os braços sobre o peito e esperou. Ela caminhou até ele e deu-lhe um tapa no rosto. ― Como você ousa me tratar assim? A mãe de seu filho ― Ela fez beicinho e grandes e grossas lágrimas começaram a cair de seus olhos. ― Boa tentativa. ― Ele sorriu um pouco. ― Tente latir na árvore de outra pessoa. ― Você está me chamando de mentirosa? ― Ela empurrou o rosto contra o dele e ele perguntou-se por que já caíra em seus jogos. Ele riu e depois assentiu. ― Eu acho que estou. Se você sair por aí dizendo que o filho é meu, eu vou exigir um teste, o que provará que não é. Seu lábio inferior foi empurrado para fora e ela olhou para ele, então seu rosto se suavizou e sua voz ronronou de novo. ― Aconteceu quando eu o visitava. Poderia ser seu. Ele balançou a cabeça negativamente. ― Nós não ficamos juntos há quatro anos, desde antes... ― ele impediu-se de dizer antes de sua mãe quase matar um homem. Em vez disso, balançou a cabeça novamente. ― Não é meu. Ela piscou algumas vezes e, em seguida, começou a correr os dedos sobre seu peito novamente. ― Se você quiser, ele pode ser seu. Nosso. Ele pegou as mãos e empurrou-a para longe. ― Não estou interessado. ― Ele deu um passo para trás. ― Boa noite, Savannah. Ele observou raiva cruzar seu rosto novamente. Então, ela aproximou-se e deu-lhe um soco na mandíbula. Não havia energia suficiente nele para fazer muito dano, mas fez sua cabeça bater na porta atrás de si. Seus ouvidos começaram a zumbir quando ela gritou e xingou-o. Ele esperou até ela terminar,

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então a pegou pelo braço de novo e saiu na varanda da frente e depois voltou à casa. Sem uma palavra, deixou-a do lado de fora. Ele escutou por um tempo enquanto ela batia na porta, xingando-o, ameaçando-o com tudo, desde dizer a todos que ele a estuprou, a dizer que bateu nela e negou que o bebê fosse dele. Ele era apenas grato por poder dizer definitivamente que o garoto não era dele. Ele inclinou a cabeça contra a porta e encolheu-se. Havia um grande nó na parte de trás de sua cabeça e quando estendeu a mão para trás e tocou, sussurrou com a dor. Porra, agora ele teria que mudar as fechaduras. ― É essa vagabunda, não é? ― Ela gritou, fazendo sua mente voltar-se para o que ela gritava. ― Essa vagabunda vivendo em nosso antigo apartamento. No começo, ele não sabia o que ela falava. Que apartamento? Eles nunca viveram juntos. Então se lembrou de Holly e abriu a porta. ― Deixe Holly fora disso. As sobrancelhas de Savannah dispararam. ― Então, isto é sobre ela ― Ela cruzou os braços sobre o peito e deu uma risadinha. O som fez sua pele arrepiar. ― Não, apenas a deixe em paz. Ela apenas aluga o apartamento ― Ele moveu-se para fechar a porta novamente. ― Bem, isso não foi o que ela me disse quando eu estive lá em cima mais cedo. Ele parou e abriu a porta novamente. ― Você está mentindo. ― Oh? ― Ela levantou as sobrancelhas novamente. ― Ela contou-me tudo. Pensei que você fosse ficar em seu apartamento, mas descobri quando ela saiu do chuveiro. Agora eu sei. Eu não sou estúpida, sabe ― Ela gritou a última parte. ― Vá para casa ― Ele bateu a porta na cara dela e ouviu-a chutar a porta trancada e gritar. Em seguida, ouviu-a arrancar o Jeep para fora da garagem. Ele escutou por um tempo, certificando-se de que ela se foi, e então foi até a parte de trás da casa e olhou para o apartamento.

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A luz de Holly ainda estava ligada, fazendo-o imaginar se ela ouviu tudo o que acabou de acontecer. Por alguma razĂŁo, nĂŁo queria que Savannah e sua loucura tocassem Holly.

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Capítulo 06 Na manhã seguinte, Holly estava em sua loja e sorriu. A bancada do bar chegara. A coisa pesava uma tonelada e ela ficou para trás e viu quando os homens baixaram-na no lugar com duas empilhadeiras. Eles perfuraram e parafusaram grandes parafusos no lugar até que fosse seguro. Então Holly correu e testou-o. Era sólido. Ela sorriu para Roger. ― Perfeito. ― Isso parece bom. ― Ele ficou para trás e sorriu para ela. ― Achei que não funcionaria, mas agora eu posso ver o que você tinha em mente. Ela assentiu com a cabeça. ― Ainda estou tentando convencer Aaron a fazer meus bancos de bar ― Ela olhou de lado para Roger. Ele passou a mão sobre sua barba de dois dias. ― Talvez eu possa dar a ele algum tempo para que possa se concentrar nos bancos. ― Oh! ― Ela correu e abraçou-o. ― Mas terá que ser depois que terminarmos aqui. Quando começarmos a trabalhar no teatro ― ele alertou-a. ― Eu aceito ― Ela sorriu e então se inclinou e deu um beijo no rosto áspero. ― Estou interrompendo? ― Disse Travis da porta. Ela olhou e sorriu para ele. Ela não deixaria que ele ou o que fizeram na última noite arruinasse seu bom humor. Sua bancada estava aqui e ela teria seus bancos de bar exclusivos. Nada diminuiria seu humor. Nem mesmo Travis e a possibilidade dele ter voltado com Savannah. Ou a possibilidade deles serem uma família muito em breve. ― Eu tenho minha bancada ― Ela acenou com a mão em direção ao bar e sorriu ainda mais quando olhou e viu como era bonita.

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― Parece bom. ― Ele aproximou-se, inspecionando, testando seu peso sobre a borda para certificar-se de que não se mexia. ― Trabalho sólido ― Ele apontou para Roger, que acenou com a cabeça para trás, em seguida, desapareceu rapidamente. Os homens agora martelavam no andar de cima, colocando seu armário e área de cozinha. ― Está realmente se organizando ― Ela ficou atrás do bar e imaginou servir os clientes. Em sua mente, ela imaginou os revestimentos de parede, iluminação, até mesmo alguns dos trabalhos artísticos locais que planejava pendurar. ― Ouça. ― Ele aproximou-se dela. ― Eu queria pedir desculpas por ontem à noite. Seu coração caiu em seu peito e ela tentou tudo que podia para não deixar mostrar a decepção no rosto. ― Você não precisa se desculpar ― Ela virou-se para ir embora, mas ele impediu-a com a mão em seu ombro. ― Eu preciso. O comportamento de Savannah foi inaceitável. Ela não conseguiu impedir as sobrancelhas de subirem com a questão. ― Você ouviu a gritaria, certo? Ela balançou a cabeça negativamente. ― Oh ― Ele suspirou e fechou os olhos. ― Gritaria? ― Ela deu um passo mais perto. ― Vocês dois brigaram? Uma gargalhada escapou dele. ― Vamos lá para fora ― Ele tomou-lhe a mão e caminhou com ela até o pequeno pátio. Ela sentou-se no banco e observou-o andar. ― Ela realmente entrou em minha casa e deitou na cama de meus pais. Eu acho que ela esperava retomar de onde paramos anos atrás. ― Ele balançou a cabeça e virou-se para ela. ― O fato de que ela estava desonrando a colcha de minha avó era perturbador o suficiente, mas então eu percebi que ela está grávida. ― Ele riu de novo. ― Ela realmente tentou dizer que era meu ― Ele balançou a cabeça.

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― Não é? ― Ela interrompeu e imediatamente desejou não ter falado. Ele olhou para ela e algo cruzou os olhos. Era tristeza ou era apenas cansaço? ― Eu sinto muito, é só que ela disse... ― Eu sei o que ela disse. ― Ele afastou-se dela e chutou uma pedra próxima

a

seu

pé. ―

Eu

tenho

certeza

que

ela

disse

um

monte

de

coisas. Nenhuma delas é verdade. ― Ele virou-se para ela. ― Acredite em mim, eu não teria feito o que fizemos... ― ele passou as mãos pelo cabelo, bagunçando tudo. ― Se houvesse uma chance do bebê ser meu. Ela assentiu com a cabeça e levantou-se. ― Eu acredito em você. Ele olhou para ela como se ela tivesse acabado de dar-lhe um tapa. ― Você acredita? Ela assentiu com a cabeça. ― Claro. Savannah mente. ― Ela acenou com a mão. ― Ninguém na cidade acredita em uma palavra do que ela diz. Ele pareceu surpreso e piscou algumas vezes. ― Eu lembro-me de uma época em que o mesmo poderia ser dito sobre mim. Ela assentiu com a cabeça. ― Quando sua mãe estava agitada. Ele franziu a testa. ― Algumas pessoas ainda me culpam. ― Por quê? Por que eles iriam? Você não teve nada a ver com isso. Ele cruzou os braços sobre o peito. ― Eu traí Alex, minha noiva na época. ―

Muitas

pessoas

traem. Isso

não

permissão

aos

pais

para

enlouquecerem. Também não torna sua culpa. Ele

piscou

algumas

vezes

como

se

pensasse

sobre

isso,

então

concordou. ― Eu acho que você está certa. Ela riu. ― É claro que estou certa. ― Por que pediu para ir a Vegas comigo? Agora era sua vez de ser surpreendida. ― Eu disse-lhe, eu nunca estive em Vegas. ― Isso é tudo? ― Ele aproximou-se. Ela assentiu com a cabeça, sentindo o calor dele saltar através do pequeno espaço em sua direção. ― Nenhuma outra razão? ― Ele parou a menos de trinta centímetros dela.

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Ela balançou a cabeça negando, incapaz de falar. ― O que você diria se eu dissesse que a única razão pela qual não quero que você venha é por eu estar com vergonha? ― Por quê? ― Ela franziu a testa novamente, encontrando sua voz. Ele balançou a cabeça e fechou os olhos. ― A vida que eu escolhi. O que eu faço. ― Luta em gaiola? Eu assisti na TV. Parece muito intenso. ― É. ― Ele franziu a testa. ― Ainda mais porque é tudo clandestino. ― Você quer dizer ilegal? ― Ele balançou a cabeça. ― Mas não é proibido nos Estados Unidos. ― É regulado. Esta não é. ― Não pode ser muito diferente. Ela prendeu a respiração quando ele estendeu a mão e afastou o cabelo de seu rosto. ― Se você vier comigo, não quero que você vá para a luta. Ela franziu a testa. ― Por que não? Ele balançou a cabeça. ― Porque não. Prometa-me que você não pedirá para ir. Ela olhou em seus olhos escuros e viu a tristeza lá. ― Eu prometo. Quando ele sorriu, ela sentiu sua respiração sair de seu peito. Foi a primeira vez que viu seus lábios formarem um sorriso genuíno. Seus olhos escuros iluminaram-se. Ele era bonito quando estava triste, mas quando estava feliz, ele parecia sexy. ― Saímos na segunda de manhã. ― Ele inclinou-se e deu um beijo suave em seus lábios. ― Eu tenho uma reunião com Roger em uma hora. Temos que ir ao teatro e passar por cima de algumas coisas. Mas eu gostaria de jantar com você mais tarde. Ela sorriu e acenou com a cabeça. ― Gostaria disso. Eu posso cozinhar alguma coisa. Suas sobrancelhas ergueram-se. ― Em seu apartamento, então?

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Quando ela acenou com a cabeça mais uma vez, ele inclinou-se e dessa vez o beijo foi lento e enviou faíscas quentes disparando através de seus dedos do pé. Ela passou a próxima meia hora limpando cada centímetro de sua bancada. Quando olhou para o relógio, ela percebeu que estava atrasada para seu almoço com Melissa e teve que correr para o outro lado da rua para encontrar sua amiga. ― Eu sinto muito. ― Ela abraçou a amiga e, em seguida, sentou-se. ― Eu perdi-me admirando minha bancada e perdi a noção do tempo. ― Oh, chegou? ― Perguntou Missy, olhando por cima do cardápio. ― Sim, eles instalaram uma hora atrás. ― Ela suspirou e descansou o queixo sobre as mãos. ― Parece maravilhoso. ― Eu não posso esperar para vê-la. Talvez eu possa passar depois do trabalho. Ela balançou a cabeça. ― Não pode. Eu tenho um encontro. As sobrancelhas de Missy dispararam. ― Encontro? Você tem um encontro? Com quem? Ela inclinou-se para frente e sussurrou: ― Travis Nolan. ― O quê? ― A voz de Missy levantou-se sobre o barulho na lanchonete, fazendo algumas pessoas olharem em sua direção. Holly sorriu e acenou com a cabeça. ― Eu tenho tanto para dizer-lhe ― Ela inclinou-se para frente e começou do início. No momento em que os pratos estavam vazios, Melissa sorria. ― Com certeza parece que ele mudou. Eu sempre soube que ele cresceria, mais cedo ou mais tarde. Ou ― ela franziu a testa, ― ele acabaria morto, baleado pelo marido da mulher com quem acabara de ter um caso. Holly assentiu. ― Eu sei. ― Ela balançou a cabeça. ― Honestamente, eu não posso nem ver mais aquela pessoa nele. Melissa suspirou. ― As pessoas podem mudar. Olhe para Reece. Antes de voltar para a cidade, viajava com o rodeio e... -― ela inclinou-se para frente e sussurrou: ―... dormia com toda e qualquer pessoa que podia.

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Holly balançou a cabeça. ― Eu não posso imaginar Reece fazendo qualquer coisa assim. ― Eu sei. ― Missy suspirou. ― Ele é todo meu agora. ― Você tem sorte, vocês dois. ― Você pode acreditar que apenas mais quatro meses e nós vamos nos casar? ― Ela franziu a testa um pouco. ― Nós esperávamos que Ryan estivesse lá. Você sabe, o irmão gêmeo de Reece? Reece não o viu desde pouco antes de seu pai morrer. Ele não tem ideia de onde ele está. Contratamos um velho amigo de meu pai para ver se ele poderia localizá-lo, mas até agora não recebemos nenhuma notícia. ― Eu tenho certeza que vocês vão encontrá-lo a tempo ― Holly estendeu a mão até o outro lado da mesa e segurou a mão de sua amiga. ― Então ― disse Missy, sacudindo a cabeça. ― Diga-me tudo sobre Savannah. De quanto tempo você acha que ela está? ― Eu esperava que você soubesse. Ela não foi à clínica para exames? Missy balançou a cabeça e franziu a testa. ― Talvez ela esteja indo para Tyler e vendo um médico lá? ― Eu espero. Travis disse que ela ainda fuma. ― O quê? ― Missy quase se levantou. ― Quão estúpida consegue ser? ― Eu sei. ― Alguém tem que a deter. Holly quase riu. ― Eu tentei isso uma vez, lembra-se? Eu quase acabei na prisão. Missy ficou em silêncio por um momento. ― Eu pergunto-me se os pais sabem. ― Eu duvido. ― Então, algo me veio à mente. ― Oh meu Deus! Eu quebrei o nariz dela. Missy olhou para ela. ― Eu sei. Eu estava lá. ― Não, quero dizer, eu quebrei o nariz dela e ela estava grávida na época. ― Oh. ― Missy franziu a testa. ― Um nariz quebrado não teria machucado o bebê.

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― Ainda assim ― Ela sabia que sua amiga apenas tentava tranquilizá-la, mas não negava o fato de que ela bateu em uma mulher grávida. ― Holly ― disse Melissa estendendo a mão até o outro lado da mesa e pegando a mão dela, ― você não sabia. Você não machucou o bebê mais do que o cigarro está fazendo. ― Você está certa. Ela tem que ser parada. Qual é seu plano? ― Que tal uma intervenção? Holly balançou a cabeça. ― Ela não nos ouve. Ela odeia-nos. ― Certo. ― Missy bateu o dedo em seu queixo e sorriu. ― Eu tenho isso. Xerife Miller. ― O que o xerife tem a ver com isso? ― Ele é amigo dos pais dela. Se ele deixar escapar que a viu fumando e eles souberem sobre sua gravidez... Ela sorriu. ― Eu gosto de onde você vai com isso, mas temos que ter certeza de que sabem que ela está grávida. ― Quem está grávida? ― Alex estava ao lado de sua mesa, uma menininha dormindo em seus braços. O cabelo de sua filha era tão pálido quanto o dela e mesmo ela tendo os olhos azuis do pai, a menina era a cara de sua mãe. ― Ai está minha sobrinha ― Missy levantou-se e estendeu a mão para a menina sonolenta. Alex de bom grado entregou a criança de dois anos de idade. ― Ela ficou tão grande. Eu quase esqueço quão pesada ela é até que a entrego ― disse Alex, sentando-se e suspirando. ― Agora, diga-me quem está grávida. ― Savannah Douglas. Alex riu. ― Todo mundo sabe isso. Tudo que você tem a fazer é olhar para ela para saber. ― Todo mundo? ― Perguntou Missy, escovando uma mecha loira de cabelo de sua sobrinha. ― Claro, eu sabia disso na noite em que você deu um soco no rosto dela. ― Ela acenou para Holly. ― Eu acho que uma vez que vocês duas não ficaram

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grávidas, não perceberam os sinais. ― Ela sorriu. ― Como, vocês provavelmente não sabem que estou de três meses agora. ― O quê? ― Missy quase acordou uma Laura dormindo em seus braços. ― Você está grávida agora? ― Ela sussurrou. Alex sorriu e acenou com a cabeça. ― Um pouco mais de três meses. ― Por que você não me contou antes? ― Perguntou Missy. ― Nós queríamos esperar até sabermos o sexo ― Ela pegou um cardápio e olhou para ele. ― Alex, se você não me disser o sexo agora, eu vou... Alex sorriu para sua cunhada. ― Nós teremos um menino. ― Woohoo! ― Disse Missy, desta vez acordando a menina dormindo em seus braços. ― Oh, bebê, eu sinto muito ― Ela esfregou o cabelo da menina e acalmou-a até voltar a dormir enquanto todas sorriam.

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Capítulo 07 Travis estava sujo novamente. Por que aparentemente toda vez que pisava no antigo teatro, ele saía como se tivesse se arrastado pelos campos? Ele olhou para o relógio e percebeu que se atrasaria para o jantar com Holly se corresse e tomasse banho, então decidiu pular na piscina, em vez disso. Quando abriu a porta dos fundos, Holly estava sentada à beira da piscina em um vestido azul claro. Ela decorara a mesa de piquenique e ele percebeu que ela estava cheia de comida, a grelha estava acesa e cheiros maravilhosos vinham dela. Havia velas e lâmpadas em tochas colocadas ao redor do pátio, iluminando a área. Ele nunca viu o lugar mais bonito. ― Oi. ― Ela sorriu. ― Eu pensei em comermos aqui fora. ― Parece maravilhoso. Eu só vou subir correndo e tomar banho ― Ele olhou para suas roupas. ― Você pode dar um mergulho. ― Ela acenou para a piscina. ― Eu vou acompanhá-lo. O peito não estará pronto por um tempo ― Ela levantou e sua boca ficou seca quando ela puxou o algodão azul sobre sua cabeça. Ela vestia um biquíni branco desta vez e, quando entrou na água, o material claro tornou-se transparente. Ele tirou a roupa rapidamente, mantendo os olhos fixos sobre ela. Ele estava agradecido por ter parado na farmácia e comprado uma caixa de preservativos. Jogando um ao lado da piscina, ele pulou ao lado dela, fazendo-a rir. ― Suave ― disse ela, nadando até ele. ― Como foi sua reunião? Ele balançou a cabeça. ― Eu não quero falar sobre reuniões quando você está em pé diante de mim vestida desse jeito. ― Ele acenou para a parte de cima do biquíni. Estava tão transparente que ele podia ver seus mamilos enrugarem

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debaixo de seus olhos atentos. ― Venha aqui ― Ele estendeu a mão para ela, pegou o tornozelo dela e divertidamente a puxou para ele. Ela riu até que suas mãos tocaram sua pele, até que sua boca cobriu a dela com calor. Ele não conseguia parar o dilúvio de desejo que sentia quando olhava para ela. Ele permitiu que as comportas se abrissem e agora não havia como parar seus desejos. As mãos dela correram sobre seu corpo assim como as dele correram para empurrar o pequeno material branco dela. Finalmente, quando ambos estavam libertos, ele empurrou algumas vezes até que estavam ao lado da piscina. Ele colocou a camisinha rapidamente, então a empurrou de volta contra a parede e deslizou para dentro dela em um movimento rápido. Ela arqueou e gritou de alegria, segurando-o com força até que a sentiu convulsionar em torno dele, então a pegou, levou para uma poltrona e deitouse. Quando a cobriu, ela gemeu e colocou os braços ao redor dele e beijou-o até que ele sentiu perder o último fio de contenção que tinha. ― Eu não planejei isso, sabe ― Ela riu em seu ombro. ― Por que diabos não? ― Ele sorriu e deu um beijo em seu ombro. ― Bem, talvez eu pretendesse esperar até depois de comermos. ― Ela sorriu. ― Oh! ― Ela sentou-se, empurrando em seu ombro até que ele moveuse. ― Meu peito. Ela correu pelo quintal de bunda nua e puxou a carne cozida na grelha. ― Caramba, salvo ― Ela virou-se e ele não conseguia parar de rir. Ela vestia duas luvas de forno e nada mais e parecia malditamente sexy.

Holly sentou perto de Travis em seu vestido azul. Ela não se incomodou de colocar seu biquíni molhado de volta, já que ele apenas vestiu seus jeans. Eles comeram o jantar no pátio e enquanto o sol se punha, ela derramou um pouco de chá gelado frio da pequena geladeira e eles sentaram-se, conversaram e comeram um pouco do pão cranberry que ela assou.

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Ela continuou dizendo a si mesma para não se envolver muito no relacionamento deles, mas o fato é que, quanto mais tempo passava com ele, mais gostava de sua companhia e mais tempo passava com ele. Ele falou sobre algumas das coisas estúpidas que fez enquanto crescia. Sobre todas as vezes que seus amigos o deixaram em apuros, ou o contrário. ― Não parece que Corey e Billy mudaram muito. Sabia que os vi no carro surfando pela Main Street, com a bunda de fora, apenas no mês passado? Ele riu e balançou a cabeça. ― Eles matar-se-ão ou alguém fará isso por eles. ― Sabe, poderíamos dizer o mesmo sobre você, há alguns anos ― Ela tomou um gole de sua bebida. Ele assentiu com a cabeça. ― Eu sei. ― Ele franziu a testa e, em seguida, abaixou sua bebida, levantou-se e então começou a andar. ― Eu era um alcoólatra, um viciado em drogas e um tolo. ― Ele balançou a cabeça. ― Eu estava indo para o mesmo caminho que Billy e Corey ainda estão. ― Ele parou e olhou para ela. Ela colocou o chá na mesa e olhou para ele, esperando. ― Fui para Vegas pensando que ficaria rico jogando. Eu era muito bom no jogo de cartas. Pensei que poderia cuidar de mim. ― Ele balançou a cabeça. ― Na primeira semana eu acabei na prisão com um DUI2. ― Ele balançou a cabeça. ― Eles

revistam

você

nu

quando

você

chega

lá,

sabe?

Ele

inalou

profundamente. ― Eu tinha algumas gramas de cocaína comigo. ― Ele fechou os olhos, lembrando-se. ― Eu olhava para dez a vinte anos de prisão e meu pai não estava lá para salvar-me desta vez. Mas então algo aconteceu. O oficial de serviço era um pouco mais velho do que meu pai. De qualquer forma, acho que ele me viu suar, ou talvez apenas teve pena de mim. Ele segurou o saco de coca em suas mãos, olhou para mim e disse: Nós vamos apenas dar descarga nisso. Então ele deu descarga nela no banheiro sem dizer mais nada. ― Travis sentou-se na cadeira ao lado dela e olhou para suas mãos. ― Eu nunca bebi, fumei ou usei drogas depois disso. Não depois de ganhar uma segunda chance na vida. Para ser honesto, não tive o desejo de fazer qualquer uma dessas coisas de novo. ― Ele 2

Driving under the influence. Pessoa que dirige sob a influência de álcool.

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balançou a cabeça e passou as mãos por seu cabelo. ― É engraçado, meu velho costumava socorrer-me assim o tempo todo, mas nada nunca me assustou antes ou significou mais para mim do que ter aquele homem dando-me uma segunda chance naquela noite. ― O que você fez? ― Bem, como eu perdi minha licença naquele dia e tinha uma pilha de contas legais, tentei vender minha caminhonete e corri para Randy ― Ele suspirou e recostou-se na cadeira. ― Eu sinto muito. ― Ela aproximou-se e pegou suas mãos. ― Parece que você tinha um anjo da guarda. Ele olhou para ela. ― É engraçado como você pode transformar algo negativo em algo positivo. Ela sorriu. ― Meu pai morreu quando eu era jovem, então mal me lembro dele, mas se eu fechar meus olhos ― ela fechou e agora a imagem veio a ela como sempre vinha quando pensava no pai, ― posso imaginá-lo ensinando-me a lutar. Ele tem um grande sorriso em seu rosto e está rindo. ― Ela abriu os olhos. ― Mas quando os abro e penso nele, posso apenas me lembrar do dia em que morreu e as dores que deixou. ― Como ele morreu? Ela fechou os olhos e trouxe de volta a boa memória de seu pai. ― Ele enforcou-se em meu armário. Encontrei-o quando fui pegar minhas luvas de boxe para a prática. ― Eu sinto muito ― Ele apertou as mãos dela delicadamente. Ela balançou a cabeça. ― Eles alegaram que era PTSD3. Mas lembro-me dele feliz e sempre rindo. ― Ela não percebeu que uma lágrima deslizara por seu rosto até que ele estendeu a mão e limpou-a com a ponta dos dedos. Ela respirou fundo. ― Bem, chega disso. O que diz de outro mergulho? ― Ela levantou e ele seguiu-a, mas, em seguida, puxou-a em seus braços e gentilmente a beijou. Instantaneamente, ela sentiu a propagação do calor nela.

3

Post-traumatic stress disorder. Distúrbio de estresse pós-traumático.

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― Travis? ― Ela tentou controlar o que estava dentro dela. Ela viu-o balançar a cabeça. ― Eu prefiro subir ― Ele começou a caminhar em direção as escadas e ela seguiu-o. Quando chegaram a seu quarto, ele lentamente tirou a roupa dela novamente e, em seguida, afastou-se e olhou para ela. ― Linda ― ele sussurrou antes de estender a mão e tocá-la suavemente com a palma de sua mão. Ele correu os dedos lentamente sobre a pele, provocando arrepios na espinha. Ela fechou os olhos e virou a cabeça para trás, apreciando a sensação de ele tocá-la. ― Travis... ― ela não conseguia expressar seus desejos, então ao invés disso, ela abriu os olhos e empurrou-o para trás até que ele caiu na cama. Então, lentamente puxou a calça jeans dele, desabotoando-as, lentamente abrindo o zíper e puxando por seus quadris. Quando se inclinou e beijou os músculos sensuais em sua barriga, as mãos dele foram para seu cabelo. Ela puxou a calça jeans completamente e passou seu tempo agradando-o com a boca até que ele implorou para ela. Deslizando para cima de seu corpo, deixou todas as partes dela tocá-lo, até que montou em seus quadris e olhou para ele. Ele era lindo. Seus olhos escuros olharam para ela cheios de desejo e necessidade. Quando ele tomou seus quadris em suas mãos e a colocou de forma que pudesse deslizar sobre ela totalmente, ela sorriu e gemeu de prazer. Encheu-a tão completamente que sentiu como se fosse explodir no primeiro contato. Quando ela começou a se mover, abaixou-se e colocou as mãos sobre o peito e sentiu seu coração pular com o dela. Quanto mais rápido se moveu com ele, mais rápido ela sentiu-se construir. Ela gritou o nome dele quando luzes explodiram atrás de seus olhos e então descansou a cabeça contra seu peito. Ele segurou-a por um momento e então inverteu suas posições, enquanto continuava o movimento suave e ela sentiu-se construir de novo. Ela enrolou as pernas em torno de seus quadris, tentando segurá-lo com toda a força que podia enquanto as mãos dele moviam-se lentamente ao longo de seu corpo. Seus lábios estavam

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em seus mamilos, suavemente chupando quando ela caiu novamente. Desta vez, ele acalmou-se com ela e gemeu seu nome com sua libertação. Quando ele começou a se mover, ela segurou-o apertado. ― Não, não vá ainda ― disse ela contra sua pele fria. Ele riu. ― Eu só sairei de cima de você. Devo estar esmagando você. Ela balançou a cabeça. ― É uma sensação boa. Sua sensação é boa ― Ela passou as mãos em suas costas, brincando com os músculos que sentia em seus ombros, parte inferior das costas. Ele gemeu. ― Holly, você está matando-me aqui. Ela sorriu, sabendo que poderia excitá-lo apenas tocando-o. Ela já o sentiu endurecer dentro dela outra vez e queria explorar ainda mais. As mãos dela correram para baixo e ouviu-o gemer quando começou a se mover novamente. ― Eu farei você pagar por isso ― disse ele em seu ouvido baixinho. ― Só espere... Ela não tinha a voz para dizer-lhe que ela esperava ansiosa por isso. Em vez disso, ela deitou-se e desfrutou de cada momento que teve com ele, enquanto podia. Na manhã seguinte, surpreendeu-se ao rolar e encontrá-lo ainda deitado ao lado dela, olhando para ela. ― Bom dia ― disse ele, esticando e empurrando uma mecha de cabelo do rosto. ― Bom dia ― ela sorriu. ― Quais são seus planos para hoje? Ele franziu a testa. ― Eu tenho que passar pelo parque, eles estão instalando o playground hoje. ― Oh! ― Ela sorriu. ― Isso é maravilhoso. ― Ele acenou com a cabeça. ― Eu adoraria passar e vê-lo depois. ― Claro. ― Ele virou-se e sentou, esticando os braços sobre a cabeça. ― Eu preciso malhar primeiro. ― Ele olhou por cima do ombro. ― Se pretendo vencer na terça-feira, é assim. ― Seus olhos pareciam tristes, de repente. ― Se você não quer lutar ― ela sentou e abraçou os joelhos, ― por que não para?

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Ele balançou a cabeça. ― Não é possível ― Ele levantou-se e começou a caminhar para o banheiro. ― Por que não? ― Ela seguiu-o. Ele

virou-se

para

ela,

uma

mão

na

porta

do

chuveiro. ―

Compromissos. Não é um mundo bonito o da luta clandestina. ― Ele balançou a cabeça. ― Você não entenderia. ― Ele entrou no chuveiro e ela ficou ali olhando para ele por um momento. Em seguida, ela marchou até o chuveiro e abriu a porta. ― Então me diga. Por que não pode cancelar uma luta? Por que apenas não para de lutar? Ele olhou para ela, com a cabeça sob o chuveiro. ― Porque devo dinheiro a Randy. Muito dinheiro. E até que eu pague cada centavo, eu preciso lutar ― Ele jogou um pouco de xampu na cabeça e virou-se, dispensando-a. ― Que tal ir à polícia? ― Ele balançou a cabeça negativamente. ― Eles provavelmente trabalharão com você. Quer dizer, se você entregar todos. Ela entrou no pequeno chuveiro com ele. ― Ei! ― Ele deu um passo para trás, abrindo espaço para ela. ― Não há espaço suficiente aqui. ― Claro que existe. Eu sou pequena o suficiente. ― Ela estendeu a mão e pegou um pouco de xampu e começou a esfregar em seu cabelo longo. Ele franziu a testa para ela, em seguida, estendeu a mão e assumiu o esfregar sabão através do cabelo dela. ― Eu vou cheirar como você o dia todo ― Ele inclinou-se para frente e cheirou seu xampu. Ela sorriu. ― Então pensará em mim o dia todo. Seu franzir de testa cresceu. ― Você é sempre tão alegre na parte da manhã? Ela riu. ― Normalmente mais. Eu não tomei meu café ainda. Eu não posso esperar até minha máquina de cappuccino estar novamente no negócio ― Ela gemeu pensando em uma xícara do maravilhoso elixir. ― Você tem uma máquina de cappuccino? Ela assentiu com a cabeça. ― Para a loja.

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Ele gemeu. ― Eu mataria por uma boa xícara. ― Eu sei o que você quer dizer. Acho que nós poderíamos ir até o Mama’s antes de seguir para o parque. Ele franziu a testa. ― Sim, às vezes o café tem gosto de água queimada. Ela riu. ― A comida é ótima, no entanto. Ele esfregava as mãos sobre as costas dela enquanto ela fazia o mesmo por ele. ― Eu poderia comer ― disse ele, olhando nos olhos dela e ela sabia que o chuveiro estava prestes a ficar um pouco menor.

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Capítulo 08 Nos próximos dias ele ocupou-se com o trabalho e malhar. Ele precisava manter seu corpo se planejava não ser morto no ringue. Ele passava horas socando o saco na varanda dos fundos. As palavras dela tocando mais e mais em sua cabeça. Ele sabia que mesmo se tivesse o dinheiro, Randy nunca o deixaria em paz. A quantia que ele devia continuava subindo a cada luta e aumentava ainda mais cada vez que perdia. Ele pensou em fazer algumas ligações para ver se tinha outras opções. Ele tinha apenas alguns dias caso ele fosse mudar sua vida para sempre. Holly sentava-se ao lado da piscina, vendo-o bater no saco durante a noite. Outras vezes ele saía e corria pelas ruas da pequena cidade. Esquecera como as pessoas eram agradáveis nesta cidade. Em várias ocasiões, ele parou e conversou com alguém. Até agora, ninguém sequer mencionou sua mãe ou o que aconteceu. Em vez disso, todos estavam curiosos sobre onde ele esteve, o que fez e quais eram seus planos para o futuro. Várias pessoas pararam-no e falaram sobre os projetos que seu pai começou. Também mencionaram outros projetos que achavam que deveriam ser os

próximos. Ele

rapidamente

os

deixou

cientes

que

assim

que

esses

compromissos acabassem ele iria embora da cidade. Ele até falou com o único agente imobiliário na cidade e fê-lo pensar em listar a grande casa. Ele concordou em ter o lugar avaliado primeiro, mas Travis sabia que havia um pouco de trabalho a ser concluído antes de vender. Logo na manhã de segunda-feira pegaram seu pequeno carro e dirigiramse ao aeroporto de Dallas para seu voo para Las Vegas. Ele queria ter certeza de chegar a Vegas antes de Randy enviar alguém atrás dele. Ele fez isso antes e Travis terminou com a mandíbula e as costelas machucadas.

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― Eu não posso acreditar que vou realmente voar ― disse Holly, olhando para fora da pequena janela do avião. ― Você não voou para qualquer lugar antes? ― Perguntou ele, arrumando sua pequena mala no compartimento. Ela balançou a cabeça. ― Não. Eu nunca estive fora do Texas antes, também ― Ela sorriu e olhou para ele. Ele balançou a cabeça e sentou ao lado dela. ― Eu pensei que você disse que sua mãe se mudou para a Flórida há alguns anos. Ela assentiu com a cabeça. ― Ela cresceu lá e ainda tem família lá. ― Mas você nunca a foi visitar? Ela balançou a cabeça. ― Eu estive ocupada com a livraria. Ele olhou para ela. ― Parece que você precisa contratar um empregado ou encontrar outro emprego. Ela balançou a cabeça. ― Sabe, eu costumava pensar em sair de Fairplay o tempo todo. ― Ela suspirou e olhou para fora da janela novamente. ― Mas, nos últimos meses, uma vez que seu pai concordou em reformar o lugar... ― ela virouse para ele de novo. ― Eu parei de sonhar com isso. Ele franziu a testa. ― Então, você está contente em viver o resto de sua vida em Fairplay? Ela assentiu com a cabeça e sorriu. ― É o lugar perfeito para estar. As pessoas são maravilhosas e conheço todo mundo. Eu tenho um negócio bem sucedido e um lugar maravilhoso para viver. Ou terei assim que estiver tudo terminado. Por que iria querer começar tudo de novo? ― Ela sorriu. Ele pensou em suas palavras durante o voo e no momento em que desembarcou em Vegas, pensava seriamente em lhe mostrar quão grande o mundo era e começaria dando-lhe momentos maravilhosos em Las Vegas. Eles usaram o traslado para o hotel e ele ficou com aquela velha sensação de ser observado. Ele sabia que Randy provavelmente tinha caras o vigiando, para ver se ele realmente apareceria. Ele odiava saber que saberiam que não veio sozinho.

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Quando entraram no hotel, precisou dar o devido crédito a Randy, o homem sempre reservava os melhores lugares. Claro, o preço sempre saiu de seus ganhos, mas realmente nunca se importou no passado. ― Oh meu... ― ela colocou a pequena bolsa no chão e girou em círculos na grande sala. ― Há uma piscina na sala ― Ela caminhou em direção à pequena piscina com vista para a cidade. ― Sim, eu fiquei aqui algumas vezes ― Ele caminhou em direção à escada que levava para o quarto com as malas na mão. ― Você já se hospedou aqui antes? ― Ela virou e viu-o subir a escada. Em seguida, ela correu em torno do lugar, verificando tudo. Havia uma pequena cozinha, uma enorme sala de televisão, com grandes sofás circulares e um quarto que era duas vezes o tamanho de todo o apartamento acima da garagem de Travis. ― Por que não vamos para o térreo e jogamos em algumas máquinas caçaníqueis? ― Ele perguntou depois que ela terminou de olhar ao redor. ― Eu nunca joguei antes ― Ela sorriu e ele sentiu a excitação dela. ― Eu sempre adorei. ― Ele balançou a cabeça. ― Mas não tenho muita sorte. ― Ele pegou a mão dela enquanto se dirigiam para os elevadores. ― Talvez você seja meu amuleto da sorte. Menos de duas horas depois, Holly estava com três baldes de moedas, sorrindo para ele enquanto ele colocava sua última moeda e via a máquina comêla. ― Acho que não há tal coisa como sorte passando para mim ― Ele franziu a testa quando a máquina dela cuspiu outro punhado de moedas. ― Você pode acreditar nisso? ― Ela recolheu as moedas e jogou-as no copo dele. ― Continue. Ele riu e começou a colocar moedas na máquina novamente. ― Deveria haver uma lei contra ser tão sortuda ― Ele olhou para ela enfiando mais moedas em sua máquina. Quando as luzes começaram a piscar e a música tocou alto, sinalizando que ela atingiu a bolada de oitocentos dólares, ele desistiu e sentou para vê-la.

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Ele nunca viu alguém sorrir e rir tanto em sua vida. Ela realmente parecia ter o melhor momento de sua vida. Até o momento em que creditaram suas moedas, ela ganhara mais de mil dólares. Ele explodiu mil na primeira semana em que esteve em Vegas, mas nunca imaginou que alguém ganharia tanto. ― Eu não posso acreditar o quão sortuda você é ― disse ele, tomando-lhe a mão, enquanto caminhavam em direção aos elevadores. ― O que você acha de se trocar e então me levar para jantar? ― Ele sorriu para ela. Ela riu. ― Parece maravilhoso. Até o momento em que vestiu sua melhor camisa e calça, ele sentia-se um pouco preocupado com a luta de amanhã à noite. Ele sempre ficava nervoso alguns dias antes, mas geralmente passava o tempo queimando no ginásio. No entanto, desta vez ele estava com Holly e queria ter certeza de dar-lhe bons momentos. Não sabia por que era tão importante para ele que ela se divertisse, mas era importante. Sua mente brilhou com a última vez que ele lutou com Steve Cann, seu adversário de amanhã à noite. Foi mais de um ano atrás e tudo o que conseguia lembrar era que ele mal bateu o homem. Ele observou Holly descer as escadas e sua mente ficou em branco. Seu único pensamento era ela. Ela usava um vestido prata curto com alças finas que seguravam a faixa de contas sobre os seios. O material macio fluía em torno de suas pernas a cada passo. Seus saltos altos de prata brilhavam à luz do sol morrendo que inundava através das grandes janelas. Seu cabelo foi colocado de um lado e caía em cima do ombro em ondas. Ele ficou sem uma palavra e apenas olhou para ela enquanto ela caminhava em direção a ele. ― Bem? ― Ela mordeu o lábio inferior, que foi alisado com um reluzente brilho labial, fazendo-o querer beijá-los para ver se o gosto era tão bom quanto parecia. Quando chegou perto o suficiente, ele cheirou a doçura de seu perfume, o que enviou ondas de desejo correndo por ele.

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― Você está maravilhosa ― Ele deu um passo em direção a ela e percebeu que não confiava em si mesmo para tocá-la. Ainda não. Então colocou as mãos nos bolsos da jaqueta. O sorriso dela vacilou um pouco, então ele interrompeu: ― Pronta para comer? Ela assentiu com a cabeça e seguiu-o para fora da porta. Eles ficaram em silêncio durante a curta viagem no elevador. Seus olhos continuavam voltando para ela, observando-a mover-se, respirar. Ela era hipnotizante. Ele estendeu a mão e pegou a dela quando as portas se abriram. Ela olhou para ele e sorriu. Andaram duas quadras até um de seus restaurantes favoritos e esperaram para sentarem. Demorou alguns minutos, mas sabia que a espera valeria a pena. Quando estavam sentados junto às grandes janelas que davam para a cidade, ele gostou da emoção que viu no rosto dela. Ele pediu champanhe e ela sorriu para ele. ― Temos de comemorar seus ganhos ― Ele pegou a mão dela na sua. ― Eu nunca tive tanta diversão como tive hoje. ― Você mereceu. ― Ele acenou com a cabeça em direção ao cardápio. ― Eu posso recomendar o salmão ou o linguado. Não experimentei qualquer outra coisa. ― Ele olhou para seu cardápio. ― Eu tento não comer muito pesado na noite antes de uma luta. Ela olhou para seu cardápio. ― O bife parece maravilhoso. Ele riu. ― Eu pensei que você estivesse em uma dieta só de peixe? Ela sorriu. ― O que acontece em Vegas... Ele riu. ― Se você pedir, talvez possa me deixar ter uma mordida. Eu não como carne vermelha há meses. ― Eu pensei que você estaria em uma dieta rigorosa de carne vermelha e proteína. Ele balançou a cabeça. ― Eu fui a um treinador poucos anos atrás e ele iniciou-me em uma quase total dieta vegetariana. Ele disse que com meu tipo de corpo, muita proteína atrasar-me-ia. ― Ele inclinou a cabeça. ― Até agora

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funcionou muito bem para mim. Mais de cem vitórias e apenas um pouco de derrotas. Ela inclinou-se para frente. ― Como você pode suportar toda a dor? ― Ela inclinou-se para trás e corou. ― Eu assisti na televisão e parece tão doloroso. Ele franziu a testa e balançou a cabeça. ― É. Eu acho que empurro de lado. ― Ele pensou em sua mãe e estremeceu. ― Penso em algo terrível e a dor não parece tão ruim. ― O que seria tão ruim assim? ― Ela franziu a testa, olhando para ele, esperando. Ele foi poupado de responder quando o garçom veio e pegou o pedido deles. ― Eu sei que prometi não pedir para ir amanhã à noite, mas eu esperava que você mudasse de ideia sobre me deixar torcer por você ― disse ela após o garçom sair com seus pedidos. Ele balançou a cabeça negativamente. ― Não é lugar para você. Além do mais, não quero que Randy saiba sobre você. Ele não é o que você chamaria de um bom agente. ― Pelo que você me contou sobre ele, ele parece mais um cafetão do que um agente. ― Isso soa certo. Já tentei de tudo para sair debaixo dele. Minha herança é a chance que eu tenho de lhe pagar e, finalmente, ficar livre. ― Quanto você deve a ele? Ele olhou para ela e suspirou. ― Quinze mil em minha última contagem. ― O quê? ― Ela quase engasgou com o champanhe. ― Como é que consegue ser tanto? Ele deu de ombros. ― Há uma taxa de entrada para cada luta. No primeiro ano ele fez-me lutar muito e ganhei algumas e perdi algumas. Ele coloca-me nos hotéis e aluga-me carros se eu precisar deles. Ele pagou meu treinador. Acho que acabou acumulando. ― Quanto você ganha em cada luta? ― Depende. O máximo que eu ganhei foi um pouco mais de três mil.

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O queixo dela caiu. ― No entanto, você ainda deve a ele quinze mil? ― Ele balançou a cabeça. ― Travis, ele está roubando-lhe. Ele olhou para ela. ― O que você quer dizer? Ela balançou a cabeça. ― Eu ajudo minha mãe na livraria desde os treze anos. A primeira coisa que ela me colocou para fazer foi equilibrar as contas. Eu pagava as contas, fazia com que os pedidos fossem pagos e sou responsável por praticamente cada centavo que entra ou sai daquele lugar desde então. De maneira nenhuma você ganhou vários dólares em cada luta e ainda deve quinze mil a seu agente. Quanto é a comissão dele? ― Trinta e cinco por cento. Ela tossiu. ― O quê? Ele começava a sentir-se estúpido. Ele sabia que não era bom em matemática. Inferno, ele foi reprovado em álgebra duas vezes na escola. Ele confiou em Randy, especialmente no início, mas ao longo dos últimos anos começou a duvidar dele. Especialmente depois que o homem começou a cobrá-lo por coisas que ele não concordou. ― Eu sei há algum tempo que ele me rouba. ― Ele franziu a testa. ― Mas quando tentei ir para algumas lutas sem ele, ele enviou alguns homens atrás de mim. ― Ele esfregou suas costelas, lembrando-se da surra. ― A única maneira de sair é pagar o homem. ― Você acha que ele parará por aí? ― Ela inclinou-se para frente e sussurrou. ― Pelo que eu ouvi falar de homens assim, eles não vão. Ele olhou para ela e riu. ― Onde você ouviu falar sobre homens como ele? Ela inclinou-se para trás e ele observou o queixo subir. ― Livros. Eu li muito sobre as gangues e ele soa como o típico líder de gangue. Ele riu. ― Sério? ― Ele estendeu a mão e pegou a mão dela. ― Bem, até que eu tenha o dinheiro para pagar Randy, não vamos nos preocupar com isso. Ela franziu a testa. ― Você será cuidadoso amanhã, certo? Ele assentiu com a cabeça. ― Eu sempre sou. Quando a comida chegou, ele olhava-a cortar o bife suculento e sua boca encheu d’água enquanto observava os lábios brilhantes roer a carne. Ela tinha

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um jeito sexy nela enquanto comia e ele não conseguia parar de assistir. No momento em que terminaram o jantar, ele desejava que tivessem comido mais perto do hotel.

Holly olhou para Travis do canto de seus olhos quando entraram no saguão do hotel. Quando entraram nos elevadores, ele ficou na parte de trás quando outro casal entrou atrás deles. O outro casal saiu em seu andar e quando as portas fecharam, Travis puxou-a e beijou-a até que sentiu a cabeça girar. ― Você está maravilhosa esta noite ― ele sussurrou em seu ouvido. ― Eu não conseguia tirar meus olhos de você. Ela gemeu e passou as mãos pelo cabelo. Em seguida, as portas abriramse e eles afastaram-se. Ele pegou sua mão e caminhou pelo curto corredor para sua suíte. Quando abriu a porta, ela moveu-se para colocar sua bolsa sobre a mesa ao lado da porta, mas ele já estava lá. Sua boca estava quente na dela e beijou-a até que ela deixou cair a bolsa no chão, esquecida. Em seguida, apoiou-a contra a parede, enquanto suas mãos corriam sobre ela. Quando sentiu os joelhos tremerem, girou-a rapidamente, de modo que ela estava de frente para a parede. ― Coloque suas mãos aqui. ― Ele segurou-as de modo que ela se segurava a trinta centímetros da parede. ― Agora, não se mova ― disse ele ao lado de sua orelha. Suas mãos percorriam sobre ela enquanto trilhava beijos abaixo da coluna de seu pescoço, entre as omoplatas e descia para as coxas. Ele lentamente puxou a saia para cima, até que ela sentiu o ar frio sobre a pele exposta. Os dedos dele serpentearam em sua calcinha de seda afastando-a e chegaram até a frente dela e mergulharam em seu calor, fazendo-a descansar a testa na parede. Ele usou os pés para abrir as pernas dela um pouco mais antes de ele ajoelhar-se atrás dela. Quando começou a correr beijos na parte traseira de sua coxa, ela sentiu-se saltar em antecipação.

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Ela tentou cavar a parede com os dedos para manter-se estável. Seus olhos fecharam-se em um gemido quando os lábios arrastaram em sua bunda do lado esquerdo e os dedos continuaram a entrar e sair dela. Ela arqueou as costas quando sua boca arrastou para mais perto de onde queria que ele a beijasse. ― Sim, abra para mim ― ele gemeu pouco antes de sua língua sair e lamber uma trilha em sua coxa até que finalmente chegou onde seus dedos estavam. Ela dobrou a cintura ainda mais, expondo mais dela para sua língua. ― Você tem um gosto tão bom. Assim como o mel ― disse ele, arrastando a boca sobre cada centímetro dela. ― Travis, por favor ― Ela sentiu as mãos dele correrem para cima e para baixo das pernas enquanto usava sua boca nela. Então sua boca foi embora e ela instantaneamente a desejou de volta. Ouviu-o levantar atrás dela e abrir a calça e então ele estava dentro dela e nada mais importava. Ele empurrou-a contra a parede, segurando-a firme em torno da cintura enquanto chegava ao redor e usava as pontas dos dedos sobre a protuberância apertada de seu sexo até que ela se sentiu explodir em torno dele. ― Mais ― ele rosnou e abriu ainda mais as pernas dela. Ela estava na ponta dos pés e agarrando desesperadamente os braços dele desde que as pernas viraram geleia depois de seu orgasmo. Com cada impulso ele foi mais fundo, mais forte, enquanto bombeava seus quadris contra ela mais e mais. Ela tentou adiar por ele, mas tudo era muito para ela. Quando se recuperou, desta vez, percebeu que ele ainda estava atrás dela. Ela ainda não podia ouvir ou ver, uma vez que todos seus sentidos fugiram, mas sabia que ele a seguiu na última vez. ― Se nós não nos movermos, vamos acabar dormindo no chão ― Ele riu. ― Você move-se primeiro. ― Ela abriu os olhos e ficou feliz ao ver a parede. ― Bom, eu não perdi minha visão ou audição. Ele riu novamente. ― Não, mas acho que quebrei algumas regras de etiqueta. ― Hmm? ― Ela virou-se e colocou os braços ao redor dele quando se encostaram à parede.

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― Eu geralmente sou mais suave do que isso ― Ele acenou para onde estavam e ela riu. ― Eu não estou reclamando. ― Não. ― Ele olhou para baixo em seus olhos. ― Não, você não está.

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Capítulo 09 Na manhã seguinte, Holly acordou para uma cama vazia. Havia uma nota de Travis no travesseiro. Ela virou-se e leu. Desculpe-me por sair cedo, mas tenho que ir para a academia uma última vez. Devo voltar ao meio-dia e então preciso sair para a noite. Se você estiver por perto, talvez possamos almoçar aqui. Vá gastar um pouco daquele dinheiro que ganhou. Aproveite... Travis. Ela sorriu e olhou para o teto. Talvez ela fosse gastar o dinheiro dela. Afinal, nunca esteve em uma cidade grande como esta antes. Estava obrigada a ir nesses lugares disponíveis e entreter-se nas próximas horas. Saltando da cama, tomou banho e vestiu-se rapidamente. Ela percorreu as pequenas lojas ao longo de seu bloco primeiro e no momento em que voltou para o quarto 1130, ambos os braços estavam cheios de sacolas. Até comprou algumas coisas para Travis. Ela nunca viu tantas lojas em sua vida, era tão difícil impedir-se de gastar mais do que as três centenas de dólares a que se limitou. Ela nunca gastou tanto em sua vida, mas percebeu que uma vez que ganhou, não poderia machucar. Quando entrou no quarto, Travis já estava lá com uma mesa de comida colocada na varanda. ― Oi. ― Ele riu. ― Uau. ― Ele correu e ajudou-a com suas sacolas. ― Você acha que tem o suficiente? Ela riu. ― Eu sou uma mulher, nunca temos o suficiente.

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― Eu pedi o almoço. Tenho que estar do outro lado da cidade em uma hora. Ela franziu a testa. ― A luta começará em breve? Ele balançou a cabeça. ― Eu tenho uma reunião com Randy e temos que acertar algumas coisas antes. ― Oh ― Ela colocou a última de suas sacolas no chão e imediatamente se sentiu deprimida. Ela realmente esperava que ele a fosse deixar ir. ― Vamos ― Ele pegou a mão dela e ela seguiu-o para a varanda. Eles sentaram-se na varanda ao sol e ela comeu a salada de frango, desejando mais do que qualquer coisa que ele mudasse de ideia. ― Eu não mudarei de ideia. ― Ele olhou para ela e quando ela olhou para ele interrogativamente, ele disse: ― Está escrito em seu rosto ― Ele riu um pouco. ― É apenas uma luta. Vi muitas na TV. Ele balançou a cabeça e olhou para o prato vazio. ― Você vai distrair-me. ― Oh, eu nunca pensei nisso dessa forma ― Saber que ela o poderia distrair fê-la sorrir um pouco. ― Eu estarei de volta tarde, mas ainda teremos a maior parte do dia de amanhã para fazer outra coisa. Talvez a gente vá ver um show. Ela assentiu com a cabeça. ― Isso seria divertido. ― Prometa-me que ficará perto do hotel. Há partes da cidade que você não gostaria de estar após o anoitecer. Ela assentiu com a cabeça. ― Acho que tentarei minha mão nas mesas. Assisti aos programas de jogos e sempre quis tentar blackjack. Ele balançou a cabeça. ― Eu nunca poderia ganhar um centavo com essas mesas. Você provavelmente ganhará a casa. ― Ele riu, em seguida, levantou-se. ― Eu tenho que ir. ― Ele aproximou-se e inclinou-se para beijá-la. Ele segurou-a parada e olhou em seus olhos por um momento e ela viu o medo e a ansiedade em seus olhos escuros. ― Eu voltarei. Mais um para dar sorte ― Ele beijou-a e desta vez ela sentiu tudo o que ele sentia. Ela sentou, ouviu a porta do hotel fechar e ainda não se mexeu. Seus joelhos estavam fracos e sua mente recusouse a parar de pensar no beijo.

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Será

que

ele

sabia

que

ela

o

amava? Como

ela

caíra

tão

depressa? Especialmente por ele? Ela inclinou a cabeça para baixo sobre a mesa de vidro. Sentiu vontade de chorar. Estava condenada. Ela sabia que de maneira nenhuma ele sentia o mesmo por ela. Claro, ele estava nervoso e ansioso sobre a luta, mas após terminarem as reformas em sua loja e teatro, era mais do que provável que ele caísse na estrada novamente. Ela não. Ela disse a ele a verdade. Ela pertencia a Fairplay. Houve um tempo em que não queria nada mais do que sair da pequena cidade. Na verdade, até o início do ano, tentava pensar em maneiras de vender a loja e ir para a Flórida ou fazer um passeio pela Europa. Ela ouviu seus amigos falando sobre o desejo de fazer isso, então começou a ler livros sobre isso e sonhou desde então. Agora, no entanto, não queria nada mais do que se estabelecer em Fairplay em seu apartamento acima de sua livraria e gastar tanto tempo com Travis quanto podia. Quando finalmente se levantou e entrou, ela decidiu que precisava se divertir hoje à noite. Ela subiu as escadas, tomou banho e vestiu o vestido vermelho sexy que trouxe para usar na luta, apenas no caso de Travis mudar de ideia. Ela prendeu seu cabelo vermelho em uma massa cacheada e deixou vários tufos soltos. Quando saiu do elevador, duas horas depois, sentiu-se confiante. Ela notou alguns homens virarem a cabeça e observarem-na caminhar em direção as mesas de blackjack. Quando se sentou, foi imediatamente tragada no mundo do jogo. Sua preocupação sobre Travis desapareceu. Quatro horas mais tarde, havia uma pequena multidão reunindo-se em torno da mesa. As pessoas aplaudiram quando ela virou as cartas e venceu mais uma mão. Ela tinha quase dez mil dólares a mais que seus duzentos dólares iniciais. Ela tomou um gole de sua Coca-Cola de cereja e mordiscou as batatas fritas que pedira. Ainda assim, sua mente estava tão focada em cima da mesa que

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não registrou que alguém novo veio atrás dela até que ele colocou a mão em seu ombro. ― Senhorita Bridles? Ela olhou em volta para ver um grande homem mexicano de pé atrás dela. ― Sim? ― Seu primeiro pensamento foi que ela fez algo errado durante o jogo. ― Estou aqui em nome de Travis. ― Oh? ― A preocupação instantaneamente disparou através dela. ― Está tudo bem? ― Sim ― ele acenou com a cabeça. ― Se você for tão amável para sacar seu dinheiro e vir comigo. Ela olhou para ele. ― Você não me disse seu nome ― Ela acenou dispensando o distribuidor de dar-lhe outra mão. ― Eu sou Randy, agente e gerente de Travis. ― Ele se machucou? ― Ela levantou-se e começou a juntar suas fichas. ― Senhorita ― o distribuidor interrompeu, ― se quiser, podemos descontar estes para você e creditá-las em seu quarto. Você pode ter o dinheiro quando fizer o check-out. ― O distribuidor olhou para Randy com um aceno de cabeça. ― Sim, por favor. Obrigada ― disse ela e assinou o recibo de suas fichas. Em seguida, voltou-se para Randy. ― Ele está ferido? ― Não, senhora. A luta começa em uma hora. Se você se juntar a mim, eu levá-la-ei para ele. Ela franziu a testa. ― Mas ele não me quer lá. ― Ele mudou de ideia ― disse ele, tomando-lhe o braço muito firmemente em suas mãos grandes. ― Se você apenas esperar, eu posso ligar... ― ela começou a puxar seu telefone celular de sua bolsa. ― Eu acho que você não compreendeu plenamente o que estou dizendo. ― Ele empurrou o braço dela. Ela chorou um pouco e sentiu algo bater em seu lado. ― Vem comigo agora.

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Ela assentiu com a cabeça e pensou em um milhão de maneiras que lhe ensinaram a fugir de uma situação como esta. Nenhuma delas envolvia seu namorado em apuros. Não importa o que fizesse, eles ainda tinham Travis e ela não descansaria até que soubesse que ele estava seguro. ― Eu não entendo. Ele está aqui. Ele lutará. Por que você precisa de mim? ― Garantia. ― Ele puxou seu braço até que saiu para a calçada. Eles deram a volta na lateral do hotel e pararam na frente de um sedan escuro. Ele abriu a porta de trás e fez sinal para ela entrar. ― Seria benéfico se você cooperasse. Ela olhou para ele e entrou. Quando ele chegou ao lado dela, ela falou. ― Se isto é sobre os quinze mil, eu posso pagar. Ele riu. ― Eu não preciso do dinheiro dele ou do seu. Eu ganho mais do que o triplo em uma luta. Especialmente se envolver Travis. Ele é uma estrela, sabe ― O homem olhou para ela. ― Então, você não tem nenhuma intenção de o deixar ir? ― Ela mordeu o lábio inferior. ― Não, não até que ele não seja mais útil para mim. E ele esteve em uma série de vitórias. É certo que ele ganhe hoje à noite. Ela olhou para ele e tentou pensar quando o carro os levou rapidamente para fora da cidade. Ela tentou guardar pontos de referência, mas estava muito escuro e tudo estava indo rápido demais. No momento em que saiu da estrada, estava completamente impotente e perdida. Quando saíram do carro, o calor do deserto bateu e afundou os saltos na areia macia. Havia mais de uma centena de carros estacionados em torno de um pequeno prédio que parecia um velho lava-jato. ― Venha comigo ― Randy agarrou seu braço novamente. Ela empurrou-o. ― Não há necessidade de ser rude ― Ela olhou para ele e ele deixou cair o braço e acenou com a cabeça. ― Bem. Por aqui ― Ele fez um gesto para que ela o seguisse. Eles caminharam ao redor do prédio e entraram pela porta dos fundos.

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O local era bem iluminado. Caminharam por um longo corredor e quando Randy abriu uma porta, ela viu Travis sentado em um banco, com as mãos enfaixadas. Quando a viu, ele franziu a testa e levantou-se. ― Que história é essa? ― Nós pensamos que seria útil se sua amiga se juntasse a nós esta noite. ― Eu não a quero aqui ― Ele sentou e acenou com a cabeça para o homem terminar de enfaixar seus punhos. Ela ficou chocada com a atitude de Travis. Ele dispensou-a como se fosse a coisa mais natural para ela ser sequestrada e arrastada para o deserto. ― Ela fica ― disse Randy, empurrando-a um passo para dentro do local. Ela quase caiu quando seu salto enganchou no chão. Travis rapidamente a colocou em seus braços. ― Desculpe por isso ― ele sussurrou para ela. Ela assentiu com a cabeça e segurou nele. Ele fez com que ela estivesse firme em seus pés e, em seguida, aproximou-se de Randy. ― Independentemente do que acontecer hoje à noite, esta é a última vez que lutarei para você ― Ele manteve-se firme. ― Você acaba quando eu disser isso. Além disso, há a pequena questão do dinheiro que me deve. ― Eu ofereci o dinheiro na viagem para cá. ― Ela deu um passo para frente, apenas para ser empurrada para trás por Travis. ― Ele não quer o dinheiro ― disse ela em suas costas. Travis olhou para Randy. ― Estou falando sério. Esta é a última vez. ― Randy riu e dispensou-o. ― Holly fica onde eu possa vê-la e saímos juntos. Randy olhou para ela. ― Uma coisinha bonita. Muito mais bonita do que a loira que trouxe da última vez. O estômago de Holly caiu com o conhecimento que Travis trouxe Savannah para uma luta. Por que não queria que ela viesse junto? Ela manteve os

olhos

voltados

para

as

costas

de

Travis,

enquanto

os

homens

discutiam. Quando Travis voltou-se e puxou-a ao lado dele enquanto se sentava para ter a outra mão enfaixada, ela podia senti-lo vibrando com raiva.

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Quando saíram do local, ele puxou-a para perto e sussurrou. ― Não importa o que aconteça, fique parada em sua cadeira. Não saia dela. Quero dizer isso, Holly. Não até que eu venha e pegue você. Ela assentiu com a cabeça enquanto caminhavam em uma grande sala cheia de pessoas aplaudindo. A gaiola era maior do que imaginou que seria. Elas pareciam bem menores na TV. Ele caminhou com ela até uma cadeira de canto e sentou-a. ― Fique aqui. ― Ele inclinou-se e, antes de beijá-la rapidamente, ele disse, ― Lamento ter sido arrastada para isso. Ela viu-o entrar na gaiola e a multidão foi à loucura, gritando seu nome repetidas vezes. Ela sentou-se em seu vestido vermelho extravagante com seus saltos pretos sensuais e queria estar em qualquer lugar, menos ali. Ela fechou os olhos e sentiu seu estômago revirar. Por que queria vir hoje à noite? Quando os aplausos cessaram, abriu os olhos e, finalmente, viu o adversário de Travis. Ele era tão grande quanto Travis, mas tinha músculos maiores e uma longa cicatriz no lado esquerdo de seu rosto. Ela sentiu-se tremer na sala excessivamente quente. Envolvendo os braços em torno de si mesma, observava o desenrolar dos acontecimentos, prendendo a respiração. Ela só sabia que Travis não ganharia essa luta. Não quando tanta coisa estava em jogo. Quando a luta começou, ela não conseguia nem piscar. Os dois homens circulavam ao redor até Travis dar o primeiro soco, depois o outro homem estava sobre ele e estavam caindo no tapete. Ela levantou-se e engasgou quando todos a seu redor se levantaram para aplaudir. Suas mãos cobriram a boca para que não pudesse gritar, enquanto observava Travis rolar no chão, tentando obter a vantagem com o homem maior. Justamente quando parecia que finalmente pegara o controle do homem, ele passaria a perna e Travis teria que se lançar novamente e começar tudo de novo. Ele conseguiu acertar alguns socos logo antes do homem usar seu cotovelo para bater em Travis. Quando Travis caiu para trás, o outro homem estava sobre ele, segurando-o no chão e batendo uma e outra vez na cara.

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Ela fechou os olhos e olhou para o lado, tentando concentrar-se em outra coisa e não no que acontecia a poucos metros dela. Ela ouviu ossos quebrando, ouviu respingos de sangue quando punhos bateram na pele. Quando se virou, ficou chocada ao ver Travis em cima do outro homem, batendo nele mais e mais. O rosto do homem estava vermelho quando Travis segurou-o em um estrangulamento, girando de modo que não fosse derrubado novamente. Justamente quando pensou que acabaria, o homem conseguiu libertar-se, rolou e levantou-se. Travis ficou de pé e esquivou-se do primeiro golpe, que visava a cabeça, mal se esquivando de um segundo e tomando um terceiro golpe no estômago. Inclinando-se, ele abraçou o homem até que caiu no tapete junto com Travis por cima. Todas as lutas de TV não poderiam tê-la preparado para o que via, o que sentia, enquanto observava Travis receber e dar golpe após golpe. Finalmente, Travis conseguiu mover-se novamente e ter o homem maior em um estrangulamento seguro outra vez. Quando o rosto do outro homem começou a ficar vermelho, ele bateu na cabeça de Travis e ele recuou. O sangue escorria do lado do olho esquerdo de Travis e seu olho parecia inchado quando o árbitro levantou o braço, sinalizando sua vitória. No mesmo instante, os olhos de Travis trancaram com os dela. Ela sentiu os joelhos fraquejarem quando se afundou em sua cadeira. Ela sentou lá quando a multidão o aplaudiu e depois se acalmou, e, em seguida, todos se levantaram e começaram a aplaudir a próxima luta. Ainda assim, ela sentou e esperou por Travis. Quando ele finalmente veio para ela, havia colocado a roupa que vestia antes de sair do hotel. Tinha um pequeno curativo branco enfaixado sobre o corte em seu olho esquerdo. ― Vamos ― disse, puxando-a em direção à porta. Quando saiu, Randy e outros dois grandes homens estavam lá esperando por eles. Puro terror corria por seu corpo. ― Deixa para lá, Randy ― disse Travis, empurrando-a para trás.

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― Você sabe que não posso fazer isso. Não depois do que você acabou de provar que pode produzir. ― Eu terminei ― disse Travis, dando um passo mais perto. ― Você terminou. Isto tudo terminou. ― Termina quando eu digo isso ― Randy gritou. ― Eu fiz você. Você me deve! ― O homem deu um passo em direção a ele e puxou uma arma do paletó. ― Vamos apenas sair para um longo passeio no deserto. ― Ele olhou para Holly e ela sabia o que ele ameaçava. ― Então, talvez, você mude de ideia. Então

houve

uma

enxurrada

de

luzes,

cegando-os

todos.

O

estacionamento inteiro de terra encheu-se de pessoas gritando. Travis empurroua de volta para dentro da porta, assim que o primeiro tiro soou. Seu corpo cobriu o dela quando caíram no chão. As pessoas corriam por eles, gritando quando Travis rolou-os e, finalmente, levantou-se e empurrou-a contra o canto, protegendo-a da multidão. ― Devemos fugir? ― Ela gritou sobre o ruído alto. ― Não, não desta vez. ― Ele olhou para ela. ― Sinto muito sobre isso. Ela estendeu a mão e tomou seu rosto entre as mãos. ― Está tudo bem. Eu ganhei dinheiro suficiente esta noite para salvar-nos ― Ela sorriu. Ele riu e balançou a cabeça. ― Nós não precisaremos dele. ― Oh? ― Ela viu quando uma enxurrada de policiais invadiu a sala escura. ― Não. ― Ele virou e agarrou a mão dela. Em seguida, eles caminharam em direção aos policiais que algemavam um grupo de garotos em idade de faculdade. ― Onde está Martin? ― Ele perguntou a um deles, que olhou para ele e, em seguida, acenou com a cabeça em direção à porta da frente. ― Do lado de fora ― O homem voltou a algemar os rapazes. ― Travis? ― Ela olhou para ele. ― Está tudo bem. Ele é o policial que salvou minha vida, lembra? Ela assentiu com a cabeça. ― Mas, eu não... Ele balançou a cabeça. ― Eu explicarei mais tarde.

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Capítulo 10 Muito mais tarde, eles sentaram-se na parte traseira de um carro da polícia, enquanto voltavam para o hotel. Ela ainda tinha dúvidas após longas horas dando suas declarações para o detetive Martin. Finalmente, eles foram liberados e enviados de volta para seu quarto de hotel. Quando entraram no saguão, ele pegou a mão dela na sua e subiram no elevador em silêncio. Ao entrar no quarto, ele puxou-a para perto e abraçou-a. ― Eu sei que você tem um monte de perguntas, mas eu acho que nós dois merecemos um longo banho quente primeiro. Ela afastou-se e olhou para seu vestido vermelho em ruínas e assentiu. ― Isso é uma vergonha. ― Ele olhou para seu vestido. ― Acho que este era meu favorito ― Ele pegou a mão dela quando ela saiu de seus saltos e seguiu-o até as escadas. Ela percebeu que o sol estava nascendo. ― Tanta coisa para passar o dia vendo um show ― disse, acenando para o nascer do sol. ― Nós teremos sorte se conseguirmos dormir o suficiente antes de nosso voo à noite. Sua cabeça doía e quando ele retirou o vestido dela, ela encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos. Quando entraram no jato quente, ele gemeu e segurou a cabeça sob a água. Ela notou algumas contusões já aparecendo sobre suas costelas, para não mencionar que seu olho esquerdo estava fechado, quase completamente inchado agora. Ele puxou-a para perto e segurou-a parada sob a ducha quente. ― Eu sinto muito por esta noite.

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Ela balançou a cabeça. ― Acho que eu entendi. Por que você não queria que eu fosse hoje à noite ― Ela afastou-se e olhou para ele. ― Oh? ― Ele empurrou o cabelo molhado do rosto. Ela assentiu com a cabeça. ― Você sabia que a polícia ia invadir o lugar. Ele riu. ― Poderia dizer que sim. Eu disse a eles onde estava, quando seria. Eles sabiam sobre as lutas há um tempo, mas nunca os alcançava. Eu só queria que eles tivessem sincronizado melhor o momento e chegassem lá antes de eu ir para a gaiola. ― Ele tocou seu olho, em seguida, sacudiu a cabeça e jogou um pouco de xampu sobre suas cabeças e começou a esfregar. ― Eu liguei para Martin na semana passada, depois que você sugeriu. Entrei na delegacia nesta manhã, após despistar os homens que Randy colocou para me seguir. Eu sinto muito que nos viram juntos. ― Ele balançou a cabeça. ― Agora irão prendê-lo por tentativa de homicídio. ― Ele parou e puxou-a para mais perto. ― Deus! Ela descansou a cabeça em seu ombro e desfrutou o sentimento dele segurando-a. Em seguida, ele afastou-se e disse: ― Você deve estar exausta. ― Ela assentiu com a cabeça, olhando em seus olhos escuros. ― Vamos fazer com que você se seque ― Ele ajudou a lavar o sabão de seu cabelo, em seguida, desligou o chuveiro e pegou a toalha. Ela ficou ali, imóvel, enquanto ele a secava e levava para o quarto. ― Então ― ela começou a dizer quando ele lhe entregou uma de suas camisas para colocar para dormir, ― você não vai para a cadeia? Ele parou e olhou para ela. ― Não. Precisarei voltar e testemunhar, mas não. ― Ele balançou a cabeça. ― Eu sou livre para ir para casa amanhã. Ela gostou do som disso. Casa. Ela arrastou-se para a cama ao lado dele e aconchegou-se e adormeceu ouvindo seu coração bater. Quando acordou, estava sozinha. Ela franziu a testa para o travesseiro, esperando uma nota, mas não havia nenhuma. Rolando para fora da cama, foi ao banheiro e vestiu-se rapidamente. Quando olhou para a hora, percebeu que tinha menos de uma hora antes de precisarem sair para o aeroporto.

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Quando saiu para a sala de estar, as malas enfiadas debaixo dos braços, ela ficou chocada ao ver Travis sentado em uma mesa totalmente abastecida com comida com cheiro maravilhoso. ― Eu pensei que teríamos uma última refeição aqui ― Ele levantou-se e caminhou para levar suas sacolas. ― Isso parece e cheira maravilhoso ― Ela sentou-se à mesa com vista para a movimentada rua abaixo deles. ― Eu pensei... ― ela balançou a cabeça, percebendo que foi uma tola. É claro que ele não a deixaria em Las Vegas. Ele inclinou a cabeça e olhou para ela. Ela sabia que tinha de dizer alguma coisa. ― Pensei que não teríamos tempo para comer. Esta é uma maravilhosa surpresa. Ela olhou para as panquecas de mirtilo e sorriu. ― Mmm, meu favorito, ― disse ela, cavando. ― Eu esqueci que fui sem jantar ontem à noite. Eu planejara presentear-me com uma grande refeição ― Ela mordeu a doçura e suspirou. ― Lamento por não conseguirmos ver um show ― Ele franziu a testa para a comida dele. ― Bem, foi meio que um show ontem à noite. ― Ele olhou para cima quando ela se aproximou e pegou sua mão. ― Como está o olho? ― Ela assentiu para o rosto dele. Ele estendeu a mão e tocou-o e, em seguida, sorriu. ― Não é ruim. Ele bateu como uma menina. Pelo menos não dói tanto como quando você me deu um soco ― Ela riu. O voo de volta ao Texas pareceu mais rápido do que o voo para Vegas. Ela não achava que ainda estivesse cansada após dormir a maior parte do dia, mas quando Travis a acordou antes de desembarcarem, ela percebeu que ainda estava exausta. ― Eu nunca percebi que ser sequestrada e estar em um ataque poderiam ser tão cansativos ― Ela sorriu e ajudou a levar as malas para seu carro. ― Sim, é desgastante para uma pessoa.

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― Eu acho que poderia dormir o resto do dia. Bem, talvez depois de uma rápida parada no Mama’s para alguns alimentos fritos. Ele riu. ― Sabe, isso soa bem. ― Ah, certo. Você é um homem livre agora. Sem mais treino. ― Ela bateu palmas. ― Oh! Eu quase esqueci. Eu sou uma mulher rica agora. ― Oh? ― Ele olhou para ela. Ela assentiu com a cabeça. ― Eu ganhei muito na noite passada antes de Randy e seus capangas chegarem. Ele saiu do estacionamento do aeroporto e sorriu para ela. ― Quanto você ganhou? ― Dez mil dólares. Ele engasgou e olhou para ela. ― Você? Você ganhou dez mil? ― Sim. ― Ela sorriu. ― Quem pensaria que eu seria boa em blackjack? Ele riu e balançou a cabeça. ― Cara, lembre-me de levá-la para Atlantic City na próxima vez que eu for. ― Eu adoraria. Sabe, eu acho que poderia fazer uma carreira disso. ― O quê? Jogar? ― Hmm... ― ela pensou sobre isso. ― Bem, talvez não. Eu não tenho certeza se poderia suportar se perdesse. Ele sorriu. ― Estou feliz que você foi comigo. ― Oh? ― Você fez vir alguma coisa boa de algo não tão bom. Se não tivesse aparecido, eu não teria a coragem de ir até o escritório de Martin e montar a batida. Sabe do que ele me lembrou? ― Ele balançou a cabeça. ― Ele disse-me que eu acabei muito bem. ― É claro que você acabou ― Ela inclinou-se para trás na cadeira e olhou para ele. Ele olhou para ela. ― Ele falou muito de você. Acho que ele gostou de você. Ela sorriu. ― Ele não conseguia parar de falar sobre o quanto você o lembrou de seu filho. Eu acho que ele o perdeu no exterior, na Guerra do

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Golfo. Ele até se sentiu um pouco responsável por você ser pego em toda bagunça de luta de gaiola. ― Sério? Ele não tinha nada a ver com isso. ― Sim, ele disse que depois que lhe deixaram ir, ele tinha a intenção de checá-lo , mas ficou preso em um caso. ― Sabe, é estranho como um estranho pode afetar tanto sua vida. Ela assentiu com a cabeça e soltou um grande bocejo. ― Sinto muito. Nunca estive tão cansada assim em um longo tempo. ― Eu sei o que você quer dizer. Apenas uma hora e nós estaremos em casa. ― Isso soa bem. ― Ela olhou para fora da janela e tudo o que podia ver agora eram os pinheiros passando por ela. ― Por que você não foi para a faculdade? ― Perguntou ela, tentando manter a mente alerta. ― Eu estava muito ocupado festejando com meus amigos. ― Eu sempre quis ir para a faculdade. Acho que eu teria gostado. ― O que você queria estudar? ― Ele perguntou, olhando para ela. Ela sorriu para ele. ― Administração, eu suponho. Você? ― Arquitetura. Tal como meu pai. Acho que está no sangue. Eu fiz um ano de aulas on-line antes de sair da cidade. Mas quando minhas notas começaram a escorregar devido à bebid... ― ele deu de ombros. ― Eu não me importaria de voltar. Eu gostei de trabalhar em seu apartamento e no teatro nas últimas semanas. ― Você acha que ficará na cidade, agora que não precisa pagar Randy? Ele olhou para ela. ― Não. Eu não pertenço mais àquele lugar. Eu terminarei os projetos de meu pai, venderei tudo e seguirei em frente. Ela sentiu seu coração cair um pouco. ― Aonde você vai? Ele deu de ombros novamente. ― Não tenho certeza ainda. Porém, acho que tenho algum tempo para pensar sobre isso. ― Sim ― ela olhou para fora da janela e tentou esconder sua decepção.

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Durante o tempo em que se dirigiram para a cidade, os olhos de Travis queimavam e desejou mais do que qualquer coisa que tivesse conseguido uma boa noite de sono. Mas em vez de cair no sono como Holly, ele ficou acordado, olhando para o teto e repetindo tudo o que aconteceu naquela noite. Foi muito perto. Uma coisa que prometeu a si mesmo desde que deixou Fairplay há quatro anos foi que ninguém jamais se prejudicaria por causa dele novamente. Ontem à noite percebeu que ele não era melhor do que sua mãe. Claro, ela virou sua tampa mentalmente, mas ele permitiu-se ser sugado para um mundo perigoso e, então levou Holly para aquele mundo e ela poderia ter morrido. Ele sabia que tinha mais alguns meses na cidade, mas precisava ter certeza de não fazer nada estúpido novamente para a colocar em perigo. Quando chegaram ao Mama’s, seu estômago roncou alto, fazendo Holly rir. ― Eu sei como você se sente. Aquelas panquecas já esgotaram e estou morrendo de fome. ― Talvez seja noite de almôndegas. Eu não tive uma boa almôndega desde que deixei a cidade ― Ele correu em volta e abriu a porta. ― Willard faz a melhor no Texas ― disse ela, falando sobre o cozinheiro do Mama’s. O

homem

tinha

um

talento

especial

para

fazer

almôndegas

grelhadas. Ninguém na cidade sabia seus segredos. Havia um boato de que nem mesmo Jamella, também conhecida como Mama, sabia o que ele colocava lá para torná-las tão boas. Eles sentaram-se em uma das únicas cabines vazias perto da parte traseira. ― Eu acho que você é um amuleto da sorte ― disse ele, apontando para a placa de cardápio. ― Noite das almôndegas ― Metade da cidade estava no Mama’s, enchendo-se com as almôndegas grelhadas e a torta de maçã caseira de Jamella.

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Holly acenou para Alex e Grant, que estavam sentados do outro lado do local com sua filha. Ele não sabia o nome da menina, mas ela era a cara de sua mãe. ― Eles terão outro ― disse, sorrindo para a família. Ele franziu a testa e olhou para o casal. ― Outro filho? Ela assentiu com a cabeça. ― Eu sei que vocês estavam noivos, mas eu só queria que soubesse que ela encontrou um bom homem. ― Ela assentiu com a cabeça para Grant. ― Algumas coisas são apenas predestinadas, sabe? ― Ela apoiou o queixo nas mãos. ― Assim como você estava destinado a ir para Las Vegas e limpar-se. Ele pensou sobre isso e, pela primeira vez, poderia ver o padrão. Ele sabia que não foi nada bom para Alex. Inferno, ele traiu-a mais vezes do que conseguia se lembrar. Mas, em sua mente, ele amava-a. Adorava estar apaixonado. Talvez seja por isso que evitou estar com outra mulher por tanto tempo. Ele olhou através da mesa para Holly e percebeu que caíra na armadilha de novo. Não que estivesse apaixonado por ela. Pelo menos não achava que estava... ainda. Mas já tinha fortes sentimentos por ela. Como teve por Alex e até Savannah, em uma maneira distorcida. Ele tomou um gole de chá gelado e tentou pensar em outra coisa. Mas, enquanto Holly olhava através da mesa para ele, ele ficava dizendo a si mesmo que ele estava mergulhando muito profundo. No final do jantar, Billy e Corey entraram com duas meninas em seus braços. Seus velhos amigos estavam vestidos com suas agradáveis Levi’s e camisas de botão. Não reconheceu as meninas, mas imaginou que elas eram, provavelmente, alguns anos mais jovens do que eles. ― Ei, Travis ― Corey gritou e moveu-se em direção a eles. ― Uau, cara. Quem lhe deu esse olho roxo? Ele esqueceu-se de seu olho e chegou a tocá-lo. ― Aconteceu em Vegas ― disse ele, distraidamente.

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― Uau, você acabou de voltar de Vegas? ― Billy perguntou e então olhou para Holly. ― Vocês dois? ― Billy acenou as sobrancelhas de uma forma que só Billy podia. Travis desejou poder alcançar e arrancar as coisas peludas de seu rosto. ― Sim, viagem de negócios ― disse e tentou dispensar o grupo. ― Vamos andando? ― Ele perguntou a Holly, que assentiu com a cabeça e levantou-se. ― Oh cara. Não corra por nossa causa. Nós apenas pegaremos alguma gororoba e levaremos as meninas até a cabana. Talvez vocês queiram se juntar a nós? ― Hoje não. ― Ele levantou-se e pegou a mão de Holly na dele. ― Boa noite ― Ele acenou para seus velhos amigos e foi pagar o jantar. ― Eu entendo que você não quer sair com seus velhos amigos, mas você poderia ter sido um pouco mais simpático ― disse ela quando estavam no carro. ― O quê? ― Ele olhou para ela enquanto dirigia o quarteirão e meio para casa. ― Travis, você foi rude com eles ― Ela cruzou os braços sobre o peito e olhou para ele. ― Eles estão acostumados a isso ― disse, estacionando em frente da garagem. ― Vou dormir um pouco. ― Ele acenou para a casa grande e, em seguida, deu a volta e pegou as malas do porta-malas. ― Por mim tudo bem. ― Ela pegou sua bolsa dele. ― Eu entendo você ser rude com eles, mas não há nenhuma razão de ser rude comigo. ― Ela começou a afastar-se. Ele deixou cair sua bolsa e girou-a. ― Eu não estou sendo rude com você. ― Ele balançou a cabeça. ― Você não pode ver que eu sou como esses caras? ― Ele passou a mão pelo cabelo, pensando em arrancá-lo. ― Sou problemas. Provavelmente trairei você. Poderia até voltar para meu velho hábito de fumar, beber. ― Ele deu alguns passos e jogou os braços para cima. ― Vá. ― Ele agitou os braços para longe. ― Vá dormir um pouco ― Ele pegou sua bolsa e correu para dentro da casa.

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Quando fechou a porta atrás dele, desejou bater em alguma coisa. A porta foi pressionada fortemente contra seus ombros. Ele deu um passo para o lado e abriu-a para ver Holly de pé ali, muito louca. ― Como se atreve a ir embora sem me dar a chance de falar? ― Ela colocou as mãos nos quadris e olhou fixamente para ele. Em seguida, entrou na casa e apontou o dedo em seu peito. ― Você acha que é o único que tem problemas? ― Ela deu mais um passo em direção a ele quando ele recuou. ― Você acha que é tão ruim assim? ― Ela usou as duas mãos para empurrá-lo mais um passo. ― Eu vou dizer-lhe uma coisa, Travis Nolan. Já lidei com você antes. Você pode não se lembrar de todas as vezes que foi um idiota para mim, mas eu lembro e posso assegurar-lhe que você não é a mesma pessoa. ― Ela empurrou-o de novo até que ele caiu para trás e caiu no sofá de lado, com as pernas penduradas sobre o braço. Ela moveu-se ao redor até que estava em cima dele. ― Você pode pensar que terá uma recaída, mas eu conheço-lhe melhor do que você conhece a si mesmo. Você passou os últimos quatro anos limpando seu corpo de todos os venenos que empurrou para ele por causa desses dois babuínos. Você não é como eles e nunca será novamente. ― Ela virou-se para sair. ― E se pensa que isto acabou, pense mais uma vez. Ele parou-a antes que chegasse à porta e girou-a. Quando ela abriu a boca para gritar um pouco mais, ele cobriu-a com a dele. Ele colocou tudo o que sentiu desde que a viu de pé na soleira da porta do velho lava-carro no número vermelho sexy por trás do beijo. Empurrou-a contra a porta, quase derrubando as várias pinturas de sua mãe na parede. Quando arrancou a jaqueta de seus ombros, ela engasgou. Ouviu algo rasgar quando puxou a roupa dela rapidamente. Finalmente, no que pareceram horas mais tarde, ela estava nua diante dele e ele levantou-a e caminhou para o sofá. Quando caiu na almofada macia, ela gemeu e puxou a calça jeans dos quadris dele. ― Agora ― ela gemeu. ― Agora, Travis ― Ela olhou em seus olhos e ele percebeu que daria qualquer coisa para ela naquele momento. Qualquer coisa.

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Capítulo 11 ― Diga-me tudo o que aconteceu em Las Vegas ― disse Missy com um olhar de expectativa no rosto. Holly precisava de um pouco de tempo para si mesma, mas jantar com sua melhor amiga e o noivo dela era melhor do que comer sozinha um cheesecake inteiro. Ela

riu. ―

Por

onde

começar?

Ela

inclinou-se

para

trás

na

espreguiçadeira e começou a contar a sua amiga tudo que aconteceu enquanto olhava para o quintal deles. Reece comprou a antiga propriedade no início desse ano e eles ainda faziam grandes reparos no local. Mas, como a livraria, estava organizando-se rapidamente. ― Oh meu Deus! ― Missy olhou para ela com os olhos arregalados. ― Você está bem? Holly riu. ― Eu estou bem, sério. ― Não posso acreditar nisso. ― Ela balançou a cabeça. ― Eu nunca conheci alguém que viveu algo assim. Quase saído diretamente de um filme. ― Sim, acho que sim. ― Ela riu. ― Clandestino em Vegas ― disse em sua melhor voz de radialista. Melissa riu. ― Bem, não posso acreditar. Você realmente está ótima. ― Ela inclinou-se para trás e tomou outro gole. ― Se algo como isso acontecesse comigo, eu estaria um desastre. ― Oh, por favor. Você é a senhorita calma sob pressão. Eu vi você trabalhando na clínica, lembra? Missy sorriu. ― Ser enfermeira não significa que você sabe como manter a calma quando há pessoas lhe sequestrando ou atirando em você. ― Eles não estavam realmente atirando em nós. ― Ela balançou a cabeça. ― De qualquer forma, sua casa está ficando ótima. ― Ela acenou com o copo para a parte de trás da casa.

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― Sim, Reece está lá martelando no banheiro. Ele quer a nova banheira instalada antes de nos casarmos. ― Melissa colocou o copo na mesa e, em seguida, gritou. ― Eu ainda consigo. ― Ela balançou a cabeça. ― Desculpe. Holly riu. ― Tudo bem. Você já descobriu algo sobre Ryan? Melissa balançou a cabeça negativamente. ― Nós ouvimos da filha do investigador particular que eles trabalhavam nisso, mas diferente disso, nada mais. Ela inclinou-se para trás. ― Eu tenho certeza que encontrarão Ryan antes do casamento. ― Eu só espero que ele esteja bem. ― Ela inclinou-se para frente e sussurrou. ― A última vez que o vi, ele tinha dois buracos de bala em seu estômago. ― Talvez tenha sido um mal-entendido. Quero dizer, olhe para tudo o que passei em Las Vegas. Talvez Ryan não esteja realmente em problemas com a justiça. Missy inclinou-se para trás e tomou outro gole. ― Espero que sim. É estranho a polícia liberá-lo, como se estivesse sob custódia. ― Ela balançou a cabeça. ― Reece ficaria de coração partido ao saber que seu irmão está no lado errado da lei. Ela pensou sobre Travis e sabia que se ele ainda fosse seu antigo ser, ela não estaria com ele. ― Deixe-me saber quando encontrar alguma coisa. Ela pensou sobre a conversa em sua curta viagem de carro para casa. Tanta coisa ainda não foi determinada em seu relacionamento com Travis. Não sabia por quanto tempo mais ela poderia ficar sem saber para onde iam. Ele deixaria a cidade como falou, ou havia uma possibilidade de ficar por aqui? Ela

estacionou

o

carro

em

frente

à

garagem

e

desligou

seus

faróis. Franzindo a testa, saiu e olhou para o local vazio onde o carro dele normalmente ficava. Talvez tenha aceitado a oferta de seus amigos? Ela pegou sua bolsa do assento e trancou seu carro. Eles precisavam de um tempo

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separados, afinal de contas, passaram a última semana juntos. Ele era obrigado a ficar entediado com ela, mais cedo ou mais tarde. Abriu a porta e acendeu a luz. Ela suspirou e deu um passo para trás quando viu o estrago. Seu sofá estava de cabeça para baixo e seus pratos foram quebrados e estavam em uma pilha no chão. Suas roupas foram jogadas ao redor da sala e cobertas por algo escuro e pegajoso. Ela fechou a porta e encostou a testa nela, obrigando-se a lutar contra as lágrimas. Quando suas mãos pararam de tremer e sua mente finalmente entrou em ação, ela pegou o telefone celular e ligou para o xerife. Ela rastejou de volta em seu carro e trancou a porta atrás de si, como ele disse a ela para fazer. Pouco tempo depois, um carro parou atrás dela, mas parecia muito cedo para ser o xerife. Entre os faróis e o escuro, não poderia dizer o tipo do carro e ficou tensa quando ouviu a porta ser aberta. Ela pulou com a batida na janela e ficou aliviada ao ver Travis de pé lá. ― Tudo bem? ― Ele perguntou. Quando ela abriu a janela e viu seu rosto, ele escancarou a porta e puxou-a para fora. ― O quê? O que aconteceu? ― Meu... ― ela balançou a cabeça. ― Alguém entrou em meu apartamento. ― O quê? ― Ele soltou-a e começou a subir as escadas. ― Espere. ― Ela correu atrás dele. ― O xerife disse-me para não entrar. Ele olhou para ela e franziu a testa. ― Ele disse para você, não para mim. ― Ele usou sua chave e abriu a porta. ― Estava trancado quando você chegou aqui? Ela pensou sobre isso. ― Sim, eu lembro-me de destrancar. Ele abriu a porta e entrou na sala iluminada. ― Maldição. ― Ele olhou em volta. ― Eu gostava daquele sofá ― Ele deu a volta e, então, desapareceu na parte de trás, enquanto ela ficava na porta. ― Eu disse para você ficar em seu carro ― disse o xerife atrás dela, fazendo-a gritar e pular. Ela cobriu a boca e seu coração com as mãos e Travis correu da parte de trás com um taco de beisebol em suas mãos. ― Não me assuste assim ― Ela apertou o xerife no ombro.

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Xerife Miller franziu a testa. ― Desculpe. ― Ele virou-se e acenou para Travis. ― Boa noite. Travis abaixou o bastão. ― Ninguém está aqui.

Travis sentou na grande cozinha na casa de seus pais e tentou ser paciente com as perguntas do Xerife Miller. Quando saíram de casa? A hora que voltaram? Se viram alguma coisa? Ele respondeu menos perguntas quando entregou o ringue da luta de gaiola clandestina. Holly sentou ao lado dele, bebendo um refrigerante e parecendo cansada e assustada. Ela lidou com o fato de ser ameaçada com uma arma melhor do que alguém arrombando e destruindo as coisas dela. Não poderia provar, mas tinha a sensação de que a culpa era dele. Algumas pessoas vieram à mente quando o xerife perguntou se ele sabia quem poderia ter feito isso. Ele citou alguns nomes e observou a expressão de Holly. ― Você realmente acha que Savannah poderia ter feito tudo isso? ― Perguntou ela quando ele mencionou o nome dela. ― Ela está... ― Holly olhou para o xerife. ― Grávida? ― Disse ele, sorrindo. ― Todo mundo na cidade sabe. Travis sentiu uma sensação estranha atropelar seu corpo e, sem pensar, ele deixou escapar. ― Não é meu. O xerife olhou para ele. Suas sobrancelhas grisalhas dispararam e então sorriu. ― É bom saber disso. Parece ser o pressuposto em torno da cidade. Mas, dadas as circunstâncias, não é de estranhar ― Ele escreveu algo em seu bloco de papel e Travis sentiu seu rosto ficar vermelho beterraba. Pela primeira vez desde que voltou se importava com o que os outros pensavam dele. Pelo menos onde Savannah e sua condição estavam envolvidas. Não queria que ninguém pensasse que ele era irresponsável. Não mais.

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― Agora, o que é tudo isso sobre Vegas? ― O xerife olhou para ele e ele gemeu. Agora, seriam mais algumas horas antes de comer qualquer coisa, porque teria que explicar tudo. ― Você se importa se eu fizer um sanduíche? ― Ele levantou-se e caminhou até a cozinha quando o xerife assentiu. Durante a hora seguinte, explicaram tudo de novo e, no momento em que o xerife finalmente partiu, Travis tinha uma dor de cabeça. ― Eu acho que... ― Holly começou a dizer, olhando para a porta dos fundos. ― Você pode ficar aqui ― disse ele, sabendo o que ela pensava. ― Há dois quartos vagos. Escolha um ― Ele virou-se e colocou o prato na máquina de lavar, algo que ainda estava enraizado nele desde sua infância. Ela assentiu com a cabeça e voltou a caminhar pelo corredor, mas parou e olhou para trás. ― Você está chateado comigo? ― Por que eu estaria? Ela deu de ombros e balançou a cabeça. ― Não tenho certeza. ― Eu sou problema. Você está em melhor situação ficando longe de mim até eu ir embora. ― Não é culpa sua, sabe ― Ela deu um passo em direção a ele. ― O quê? ― Ele encostou-se à bancada e esfregou a testa. ― Tudo. Vegas. Meu apartamento ― Ela assentiu com a cabeça em direção à garagem. Ele riu e virou-se para pegar o frasco de aspirina do gabinete. ― Claro que é. Tenho chateado amigos. Tenho certeza que eles destruíram meu apartamento para chegar até mim. ― Já pensou que talvez fosse apenas um roubo? ― Ela deu mais um passo em direção a ele. Ele tomou um par de aspirinas e balançou a cabeça. ― Duvidoso. ― Dói tanto assim? ― Ela assentiu com a cabeça quando ele pareceu confuso. Ele deixou cair sua mão e percebeu que tentava descascar a pele da testa.

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― Tenho enxaquecas por alguns dias após uma briga. ― Eu posso ajudar ― disse ela, pegando sua mão e voltando para o sofá. Ele sentou quando ela o empurrou para trás. ― Relaxe ― Ela ajoelhou-se ao lado dele e começou a esfregar seus ombros. ― O que minhas costas e pescoço têm a ver com uma enxaqueca? ― Você ficaria surpreso. Já li vários livros sobre o assunto. Sabia que este ponto de pressão... ― ela empurrou seu polegar em um ponto em suas costas e ele sentiu a cabeça girar, ―... se pressionado com força suficiente pode fazer um homem desmaiar? ― Ele acreditava. Quando ela moveu a mão, ele sentiu-se tonto. ― Aqui, deite-se. ― Ela puxou a camisa dele sobre a cabeça e fez um gesto para ele deitar-se de bruços. ― Coloque seus braços aqui ― Ela moveu seus braços e colocou-os ao lado de seu corpo. Suas mãos percorriam seus músculos doloridos até que cada centímetro de seu corpo estava relaxado. Ela falou com ele o tempo todo sobre os pontos de pressão e o que cada um fazia. O som de sua voz era tão suave, ele encontrou-se à deriva. Quando acordou, o sol na janela da sala de estar o cegava e percebeu que dormiu com o rosto no sofá. Uma das mantas de sua mãe foi jogada sobre ele e, quando se levantou, percebeu que sua dor de cabeça estava completamente desaparecida. Assim como algumas das dores que ele tinha desde a luta. Agarrando sua camisa, ele subiu as escadas para um banho. Quando entrou no quarto dos pais, ele parou. Holly dormia na cama. Seu longo cabelo vermelho estava espalhado ao longo da colcha de sua avó. Ele chegou mais perto. Sua pele estava impecável. Seus cílios escuros fechados enquanto ele se aproximava. Ele percebeu como seus lábios eram cor de rosa e lembrou-se de quão doce eram, quão suave e quente. Ela vestia uma blusa verde e bermuda cinza que moldou perfeitamente sua bunda. Seus olhos percorriam cada centímetro dela, lembrando-se de como se sentia ao lado dele. Ele falou sério na última noite, ele não era bom para ela. Ela estaria melhor se ele saísse da cidade e se ela encontrasse alguém que quisesse

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estabelecer-se em Fairplay e criar uma família. Ele balançou a cabeça e deu um passo para trás. Ela estava melhor com qualquer outra pessoa, menos ele. Ele afastou-se da doce visão e decidiu que lidaria com o banheiro rosa e tomaria banho no corredor.

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Capítulo 12 Levou o dia todo para Holly e Melissa limparem o apartamento dela. Metade de suas roupas foi destruída, incluindo alguns dos sapatos novos que comprara em Vegas, os quais ainda nem tivera a chance de usar. Ela controlou suas emoções até Missy sair e então trancou a porta com a nova trava que Reece instalou, entrou no banheiro e chorou no chuveiro. Não podia esperar até que seu apartamento estivesse pronto para que pudesse voltar para casa e sentir-se segura novamente. Depois de arrastar-se para fora do chuveiro, vestiu o mais grosso par de agasalhos, arrastou-se em seus novos lençóis e edredons e assistiu desenhos animados até adormecer. Na semana seguinte, Travis era uma raridade. Ele saía antes do nascer do sol, voltava depois de escurecer e nunca parou para vê-la. Ela parecia sempre o perder quando ele passava na loja para fazer o check-in do progresso. Ela ouviu que ele passava muito tempo no teatro, mas não teve coragem de passar e ver. Ela notou que ele colocou o Mustang na calçada e em várias ocasiões ouviu-o martelando na casa. Algo lhe dizia para permitir-lhe seu espaço, pelo menos por agora. O xerife passou e deu-lhe uma atualização sobre a busca e o que destruíram das coisas dela. Ela deu a ele uma cópia da lista de itens que deu a sua companhia de seguros. ― Se eu não tivesse vendido minha antiga casa a poucos quarteirões de distância, no mês passado, eu deixá-la-ia ficar lá ― disse ele, franzindo a testa para ela. Ela sorriu. ― Tudo bem. Eu ficarei bem aqui. Além disso, terminarão meu apartamento no próximo mês. Triplicaram seus esforços lá e estarei lá um mês inteiro antes da loja ser terminada.

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― Isso é uma grande notícia. ― Ela seguiu-o até seu carro. ― Bem, se você precisar de alguma coisa, deixe Jamella ou eu saber ― Ele sorriu e acenou quando foi embora. Ela finalizou o dia e ficou na entrada da garagem, no calor. Fazia um tempo que não desfrutava da piscina e decidiu subir e colocar seu maiô. Mas quando se virou para entrar, ela ouviu um carro aproximar-se e viu Savannah parar o jipe na garagem. Ela ficou onde estava e esperou a outra mulher sair do carro. ― Como se atreve? ― Ela bateu a porta do Jeep. ― Como se atreve a espalhar mentiras sobre mim? ― Savannah aproximou-se e parou a menos de trinta centímetros dela. Não havia como esconder o fato de que ela estava grávida agora. A barriga da mulher estendeu como uma bola de praia. Suas mãos e rosto inchados e até mesmo os tornozelos estavam três vezes o tamanho do que costumavam ser. Seus longos cabelos loiros ainda estavam perfeitamente no lugar, assim como a camada de maquiagem endurecida. Suas roupas estavam ainda mais apertadas agora que o habitual. ― Eu não tenho certeza do que você está falando ― Ela manteve sua posição, apesar da mulher ser quase o dobro do tamanho dela agora. ― Você está espalhando mentiras sobre mim. Sobre Travis e eu. Dizendo a todos que ele não é o pai ― Ela esfregou sua barriga, no que foi a primeira ação maternal que ela viu. Holly olhou para ela e inclinou a cabeça. ― Não é o bebê de Travis. ― É ― ela quase gritou. ― Quando o visitei em Las Vegas. Pergunte a ele sobre isso. ― Ela cruzou os braços sobre o peito. ― E você está dizendo a todos que invadi seu apartamento e o destruí ― Ela assentiu com a cabeça para o apartamento em cima da garagem. Holly riu. ― Não, não estou. Savannah deu um passo em direção a ela até que seu rosto estava a centímetros do dela. ― Você acha que ele vai ficar com você? ― Seus olhos correram para cima e para baixo dela. ― É exatamente como antes. Ele vai usá-la

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até ficar entediado e, então, voltará correndo para mim e nós seremos uma família feliz. Basta esperar e ver. Tudo o que você é, é um corpo quente para atender suas necessidades. ― Tenha cuidado, Savannah ― alertou. ― Ou o quê? ― Ela riu e inclinou-se um pouco para trás. ― Você já me bateu quando eu estava grávida. Fará isso de novo? Holly balançou a cabeça e deu um passo atrás. ― Ninguém sabia que estava grávida naquela época. Savannah riu e, em seguida, olhou fixamente para ela. ― Seja prudente, pequeno verme de livro. Ninguém acredita em suas histórias de qualquer maneira. Nós todos sabemos que Travis só se diverte com você. Ele ficará entediado com você em breve, se já não está ― Ela virou-se e voltou para seu Jeep. Levou algumas tentativas para entrar no veículo alto, mas finalmente ela conseguiu e foi embora, aceleradamente. Holly estava na calçada, tentando não tremer. Tudo que Savannah disse parecia familiar. Travis esteve afastando-se dela. Subindo as escadas, ela repassou a última conversa que tiveram e como ele a avisou que não era bom para ela. Ele tentava romper e ela era uma grande idiota para ver. Todos os pensamentos de um mergulho na piscina fugiram, substituídos por um forte desejo de andar a cavalo. Vestindo seus velhos jeans e botas, ela foi para Saddleback Ranch, sabendo que sempre havia um cavalo pronto para ser selado na fazenda de suas amigas. Quando chegou, viu Lauren sair da varanda da frente com um bebê nos braços. Emma acabou de fazer um mês e era a cara de sua mãe. Rickie, seu filho, corria ao redor do quintal brincando com caminhões de bombeiros. ― Boa noite ― disse Lauren, pisando fora da varanda. ― Oi ― Ela abaixou-se, pegou Rickie e deu-lhe um beijo molhado. O menino a abraçou de volta e começou a conversar sobre seus caminhões.

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Holly riu. ― Talvez eu possa brincar com você e os caminhões mais tarde. Nesse momento eu esperava ir para um passeio. Posso? ― Ela olhou para Lauren. ― Absolutamente. Você está convidada a levar Tanner. Ele está na primeira baia e pronto para uma corrida. ― Ela assentiu com a cabeça em direção ao celeiro. ― Acho que você ainda tem uma sela em algum lugar lá. Ela sorriu. ― Sim, eu encontrarei todo o resto. Obrigada. ― Ela colocou Rickie no chão e caminhou em direção ao celeiro. Fazia quase seis meses desde que montou, muito tempo. Ela selou Tanner, o castrado gentil de Lauren. O cavalo aconchegou-se com o ombro dela enquanto ela amarrava a sela. Ela pulou em suas costas e saiu correndo do quintal. A mente de Holly limpou. Ela nunca realmente agradeceu a Haley por ensiná-la a cavalgar, ou as irmãs West por sempre terem uma porta aberta e um cavalo para sair. Algumas coisas simplesmente não precisavam ser ditas. As irmãs sempre estiveram lá para ela e seus amigos. Holly podia lembrar-se de desejar que tivesse duas irmãs e sonhar que elas seriam tão próximas como eram Lauren, Alex e Haley. Mas sua mãe sempre disse a ela que ser filha única tinha regalias, como mais presentes de Natal. Holly compartilharia com prazer seus presentes se isso significasse ter apenas um irmão. Travis também era filho único. Ele foi estragado por seus pais e todos na cidade viram isso em primeira mão. Seu pai constantemente o socorria de seus problemas e sua mãe estragou-o ao longo do ensino. Ela participou de todas as atividades da escola e sua voz era alta o suficiente para garantir que seu filho fosse a estrela de cada jogo ou evento esportivo. A mulher sempre alegou que era seu dever como a mulher do prefeito, mas todo mundo sabia que era sua devoção a seu filho que a levava a pressionar tanto. Ela supôs que, no final, foi essa devoção que a fez ir ao fundo do poço e quase matar Grant Holton logo depois que ele e Alex começaram a namorar,

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embora tenha sido Travis quem traíra Alex com Savannah, permitindo que Alex e Grant começassem a ver um ao outro. Holly desacelerou o cavalo para abaixar e abrir um portão para que pudesse andar nos campos e de volta para o pequeno lago. Pensar em Travis só fez a mágoa vir à tona novamente. Ela sabia o que ele era, quem ele era, antes de deixar seu coração envolver-se. Sua mente gritara para ela, avisando-a para ficar longe, mas seu corpo assumiu. Ela sorriu quando fechou o portão e estimulou o cavalo para um trote, pensando no corpo de Travis. Ele tinha um desses corpos sensuais de parar o coração. Ela nunca esteve com alguém tão sexy antes. Tampouco já esteve com alguém com quem se sentiu tão conectada. A possibilidade dele não sentir essa conexão com ela doeu. Ela inclinou-se para baixo e desfrutou o vento em seu rosto enquanto corria para o outro lado do campo.

Travis estava dolorido e suado novamente. Seus braços e costas doíam de mover móveis ao redor. Ele retirou a maior parte do material antigo dos quartos e levou tudo para a garagem. Ele precisou tirar o Mustang de sua mãe para dar espaço para tudo. Pensou fazer uma venda de garagem para livrar-se de todo o mobiliário antigo, mas teria que esperar até que todos os reparos fossem feitos no interior. Ele fez tudo o que podia ao longo da última semana para manter sua mente longe de Holly. Ele passou a maior parte do tempo correndo entre o teatro e sua loja. O parque foi concluído e havia uma grande abertura oficial agendada para algumas semanas. Ele duvidava que fosse participar do evento. Em suas horas de folga, ele trancou-se em casa e trabalhou. Levara um dia inteiro para arrancar o velho azulejo rosa do segundo banheiro. Ele assistiu vídeo após vídeo sobre como reparar e colocar piso em um banheiro, antes de se sentir confiante o suficiente para tentar.

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Ele fez uma viagem para a loja de ferragens em Tyler e obteve tudo o que precisava. Quando tentou colocar tudo em seu pequeno carro, desejou sua velha caminhonete de volta. Acabou colocando a maior parte dos suprimentos no banco da frente ao lado dele. As tábuas de madeira para o piso estavam em seu banco de trás e os azulejos encheram seu porta-malas. Ele esperava que o pequeno carro aguentasse voltar a Fairplay e não entrasse em pane. Descarregar tudo do carro foi exaustivo, já que precisou carregar até a escada em espiral e pelo longo corredor. Ele amou uma vez o layout da casa estilo fazenda, com amplas salas, bela escadaria e tetos altos. Agora, porém, ele olhava para tudo como um monte de trabalho. Ele precisou pegar a escada na garagem para que pudesse pintar os tetos altos. Teve que pagar extra para ter o quarto maior re-acarpetado. O corrimão na escadaria precisou ser lixado e repintado. Ele convenceu Roger a enviar os caras da parede de gesso para consertar as paredes do banheiro para que pudesse colocar o azulejo. Comprou um pouco de cerveja e convenceu-os a percorrer a casa e corrigir quaisquer outros buracos que encontrassem. Ele aqueceu refeições congeladas e adormeceu assistindo ao noticiário na sala de estar para que não pensasse em Holly a apenas alguns metros de distância no apartamento. Ele olhava-a pelas janelas algumas vezes, indo e vindo. Toda vez que a viu, seu desejo cresceu mais e mais. Mas há anos ele mantém-se na linha e sabia que era apenas uma questão de redirecionar sua energia. Assim, ele ralou sua bunda na casa e foi para a cama completamente exausto todas as noites. Ele sabia que não podia evitá-la por muito mais tempo; afinal, ela morava na casa dele. Ele ouviu de Roger que o apartamento dela estaria pronto em menos de um mês, no momento em que planejava colocar a casa no mercado. Ele sabia que não poderia deixar a cidade até terminar o teatro, o que Roger informou que não aconteceria até a próxima primavera. Mas percebeu que poderia voltar para seu apartamento após Holly se mudar e assim poderia começar a mostrar a casa. Ele achava que não havia

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muito a ser feito no apartamento, já que seus pais construíram para ele logo após se formar no colegial. Ele parou o trabalho de assentar azulejo e fechou os olhos. Que vida diferente ele tinha na época. Não só conseguiu tudo o que pediu, mas fez exatamente tudo o que queria. Viver desenfreado era seu maior desejo. Foi por isso que se mudou em primeiro lugar. A única regra que seus pais definiram para ele era de não fumar em sua casa, o que foi suficiente para levá-lo a arrumar as malas e dormir em cima da garagem. Finalmente, depois de viver no espaço vazio por quase um ano, sua mãe convenceu seu pai a gastar uma pequena fortuna para transformá-lo em um apartamento para ele. Como não viu que se dirigia para um caminho condenado? Não só bebia demais, mas fumava cada vez mais. Ele encontrou um livro de fotos antigas, enquanto limpava a sala de costura de sua mãe. Olhou para as imagens do que ele costumava ser e quase chorou. Ele tinha uma barriga de cerveja crescendo e em todas as fotos, um cigarro ou uma cerveja em suas mãos. Dependência. Ele nunca quis sentir que dependia de algo, nunca mais. Ele levou quase três horas para terminar de colocar o azulejo no banheiro e área do chuveiro. Quando se afastou, não pôde deixar de sorrir. Estava perfeito. O novo azulejo de pedra escura acentuaria as paredes brancas que planejava e a nova pia e vaso sanitário que planejava instalar amanhã. Quando ouviu um barulho atrás dele, ele pulou e girou. ― Desculpe. ― Holly estava na porta. ― Eu vi que a porta dos fundos estava aberta e estava preocupada. Ele franziu a testa. ― Eu acho que não a fechei depois de trazer tudo isso para dentro ― Ele acenou para o azulejo. ― Parece maravilhoso ― Ela entrou no banheiro. Ela parecia bem com jeans apertado desbotado, uma velha camisa azul e botas de montaria. ― Obrigado ― disse ele, tentando fazer seu coração estabilizar-se. ― Você esteve montando? ― Ele perguntou, apontando para suas botas.

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― Sim, eu estava em Saddleback. Lauren deixou-me pegar Tanner. ― Ela suspirou. ― Não há nada como uma longa viagem para limpar a cabeça. ― Ela deu um passo mais perto do chuveiro. ― Como você fez isso? ― Ela passou os dedos sobre o azulejo. ― Na verdade, foi muito fácil. Eu pensei que teria um tempo difícil com ele, mas depois de assistir alguns vídeos... ― ele deu de ombros e percebeu quão dolorido estavam novamente. Sua mente retornou para a noite que ela lhe dera uma massagem nas costas e imediatamente desejou outra. ― Bem, você já fez muito no lugar até agora. ― Ela virou-se e olhou para ele. ― Eu dei uma olhada. ― Ela corou um pouco. ― Sabe, estou certificando de colocar tudo em ordem. Ele assentiu com a cabeça. ― Eu ainda tenho muito que fazer. ― Se você precisar de alguma ajuda... ― ela esperou. Ele não sabia o que dizer, então apenas olhou para ela. ― Eu vi alguns baldes de tinta lá embaixo. ― Sim. ― Ele olhou para suas mãos e percebeu que estavam cobertas com argamassa. Ele colocou-as dentro do balde de água e esfregou-as. ― Começarei a pintar daqui alguns dias ainda. ― Eu posso ajudar. Até a loja ficar pronta não tenho nada para fazer, exceto checar lá de vez em quando. Ele balançou a cabeça. ― Eu não a quero incomodar. Ela olhou para suas mãos. ― Na verdade, eu gostaria. Eu tenho ficado meio louca sem nada para fazer. ― Se quiser ajudar, eu mostrarei o que precisa ser pintado ― Ele secou as mãos em uma toalha e caminhou pelo corredor. ― Eu trouxe a grande escada para dentro. ― Ele acenou para a mesma colocada perto das escadas. ― Quero me livrar do verde menta que minha mãe fez meu pai pintar todo lugar. Por que alguém pintaria suas paredes de cor de rosa e verde está além de mim. Eu não me lembrava das cores da parede ser um problema quando eu era uma criança, mas depois de me mudar para morar só, não poderia aguentar estar na casa com as paredes gritando para mim ― Ele riu.

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― Minha mãe pintou sua cozinha de amarelo e laranja brilhante ― Ela encolheu-se quando ele riu. ― Eu tenho bastante tinta aqui. ― Ele mostrou-lhe os quatro baldes de dez litros ― Há pincéis, rolos e lonas para cobrir o chão. Eu tenho mais alguns dias de trabalho no banheiro no andar de cima. ― Ele olhou para cima das escadas e pensou em tudo o que ainda precisava ser feito. ― O avaliador passará no final deste mês. ― Então, você ainda vai vender o lugar? ― Ela olhou para ele. ― Sim. ― Ele evitou os olhos. ― Uma vez que o teatro terminar, eu irei embora. Ela assentiu com a cabeça e depois de um momento, ela disse: ― Eu começo na parte da manhã. Ele balançou a cabeça, não sabendo mais o que dizer. Ela começou a sair, mas ele impediu-a. ― Você já jantou? Ela olhou por cima do ombro. ― Sim, eu comi com Lauren e sua família. Ele balançou a cabeça e observou-a ir embora, sabendo que era o melhor. Ele não sabia o que o levara a deixá-la escapar, mas algo exigiu que ele a impedisse de sair. Seu corpo reagiu cada vez que a viu e ele amaldiçoou por sua fraqueza. Ele sabia que precisava se controlar e até agora a única coisa que o ajudou a ser bem-sucedido foi o trabalho físico. Então começou a puxar as grandes caixas de pisos pelas escadas, determinado a suar seu desejo por Holly e assim poder dormir um pouco naquela noite.

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Capítulo 13 Holly não queria que Travis soubesse que ela estava totalmente animada sobre

a

pintura. Em

poucas

semanas

ela

pintaria sua

casa

e

estaria

completamente dominada por isso, mas por enquanto, não queria nada mais do que cobrir centímetro por centímetro das paredes verdes da casa com o suave branco. Ela bateu na porta dos fundos, pouco antes do nascer do sol, com o cabelo preso em um lenço roxo. Seu jeans desbotado e camisa de cor branca eram macios e confortáveis, juntamente com seus velhos tênis. Ela ainda trouxe um refrigerante e lanches para mais tarde, uma vez que duvidava que fosse querer parar de trabalhar por um tempo. Quando Travis abriu a porta de trás, seu sorriso vacilou um pouco. ― Você está bem? ― Ela entrou, preocupada. ― Sim ― ele deu um passo atrás. ― Por quê? Ela riu. ― Porque você está parado em um ângulo engraçado. ― Eu estou? ― Ele olhou para baixo e depois de volta para ela. ― Você dormiu no sofá? ― Ela olhou e viu sua cama improvisada no velho sofá. ― Sim, eu tirei tudo do andar de cima para fora. Ela balançou a cabeça. ― Suas costas devem estar matando você. ― Ela tomou os ombros dele e virou-o. ― Possivelmente a pior coisa que você poderia fazer para suas costas é dormir nessa coisa velha ― disse ela enquanto começava a mover as mãos sobre suas costas. Ela sabia quais os pontos de pressão empurrar, que músculos esfregar. Não era difícil saber, afinal de contas, todo seu lado esquerdo era um grande nó. Depois de alguns minutos, viu o ombro esquerdo elevar e suas costas endireitarem.

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― Pronto. ― Ela esfregou os ombros uma última vez. ― Agora você parece menos com o corcunda de Notre Dame. Ele riu e virou-se. ― Obrigado, eu acho. ― Ele revirou os ombros e o pescoço. Ela ouviu algumas vértebras estalarem de volta no lugar. ― Uau, eu tenho que aprender esse truque ― Ele revirou os ombros novamente. ― Agora você está pronto para trabalhar. ― Ela sorriu e pegou sua bolsa de onde deixou cair ao lado da porta. ― Eu vou começar a trabalhar, então ― Ela virou-se para ir. ― Holly? ― Ela parou no corredor e virou-se. ― Obrigado. Ela sorriu. ― Sem problemas. Ela passou alguns minutos colocando as lonas em frente às escadas e o piso de madeira na entrada principal. Quando moveu a grande escada, ela recuou e pensou sobre onde começar. Toda a porta de entrada para a casa era verde. Havia duas grandes portas principais, que ela nunca usou desde que se mudou para o apartamento. Ela achava que as portas não eram abertas em anos. Decidindo começar nessa parede, abriu o primeiro balde de dez litros de tinta e usou as grandes espátulas para misturar as cores. Ela testou na parede e decidiu que levaria duas mãos para cobrir completamente o verde. Na hora do almoço, tinha a maioria das paredes inferiores cobertas. Travis passou várias vezes, carregando grandes caixas e subindo as escadas. Em várias ocasiões, ela ajudou-o a carregar alguma coisa para cima ou apenas saiu de seu caminho. Ela ouviu-o ligar um rádio mais cedo e desfrutou do velho country que inundou a casa. Até cantou junto de algumas de suas músicas favoritas. Ela fez uma pausa, sentou-se no degrau inferior e comeu o sanduíche de manteiga de amendoim e geléia, e um saco de batatas fritas para o almoço. Após o almoço, ela abriu as portas da frente para ajudar o ar a remover o cheiro de tinta e acelerar a secagem. Ela começou a subir a alta escada transportando um pequeno balde com ela para começar na metade superior da área. Pintou longas tiras com o rolo e então passaria para a próxima seção e

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subiria na escada novamente. Levou mais tempo pintar a metade de cima da entrada desta forma. Foi bem depois do anoitecer que ela desceu da escada pela última vez naquele dia. Ela afastou-se e olhou para seu trabalho. Com a segunda mão de tinta que aplicaria amanhã, o lugar estaria ótimo. Já parecia mais moderno e mais novo. ― Parece ótimo daqui ― disse Travis do topo da escada. Ela assentiu com a cabeça e sorriu para ele. ― Com uma segunda mão amanhã, você terá um novo lar. Ele riu. ― Pelo menos um que é muito menos verde e rosa. Ela riu. ― Até que ponto você foi lá em cima? ― Venha e veja por si mesma. Ela subiu as escadas e seguiu-o até o banheiro. Não só conseguiu uma nova bancada , pia e vaso sanitário, mas começou a pintar as paredes cor de rosa. ― Eu acho que estas paredes terão três mãos ― disse ele atrás dela. ― Hmmm. ― Ela assentiu com a cabeça. ― O rosa é muito mais escuro do que o verde. ― Ela caminhou ao redor e testou a pia. ― Você precisou assistir a vídeos para aprender a fazer isso? Ele balançou a cabeça negativamente. ― Eu ajudei meu pai a instalar em meu apartamento. Ele pagou para ter a maior parte dele feito, mas disse que eu precisava

aprender

algumas

coisas

e

mostrou-me

como

fazer

todo

o

encanamento. Ela sorriu. ― Eu sempre gostei de seu pai. Ele era a única figura paterna real que eu tinha depois que meu pai morreu. ― É engraçado, depois de conversar com todos na cidade, percebo quantas vidas ele tocou. Eu nunca soube. ― Ele foi o prefeito durante o tempo que qualquer um pode se lembrar. Ele estava em todos os grandes eventos. ― Ela encostou-se a bancada e cruzou os braços sobre o peito enquanto ele estava na porta. ― Lembro-me dele estar em cada uma de minhas festas de aniversário. ― Ela riu. ― Ele foi até mesmo o

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palhaço em um ano, quando minha mãe não se podia dar ao luxo de contratar alguém para entreter as crianças. ― Sério? ― Ele balançou a cabeça. ― Acho que eu nunca realmente apreciei o quanto ele fez. Ela assentiu com a cabeça e levantou-se. ― Eu queria que você pudesse estar em seu funeral. A cidade inteira apareceu. Muitas pessoas tinham coisas maravilhosas a dizer sobre ele. ― Ela enxugou uma lágrima de seu rosto. ― Eu sinto muito ― Ela enxugou mais e começou a caminhar para fora do banheiro. ― Holly. ― Ele parou, colocando as mãos em seus ombros. ― Sinto muito sobre tudo ― Ele balançou a cabeça. ― O quê? ― Ela esperou, assistindo-o lutar com as palavras. ― Sobre Vegas, sobre todas suas coisas ― Ele fechou os olhos e deixou cair as mãos de seus ombros. ― Travis, você não teve nada a ver com qualquer evento. Ele começou a balançar a cabeça e ela parou, colocando a mão em seu rosto. Ela sabia que estava suja de tinta, mas não se importou. ― Travis, existe apenas um tanto que uma pessoa pode culpar a si mesma. Uma gargalhada escapou de seus lábios. ― Eu não sou a única pessoa que me culpa. ― Ele deu alguns passos para fora do banheiro e, em seguida, virou e olhou para ela novamente. ― O que você acha que foi tudo isso? ― Ele jogou as mãos para a parede traseira. ― A bagunça em seu apartamento. Isso foi um aviso. Para mim! ― Sua voz levantou-se. Ela franziu a testa. ― Eu não entendo. Ele passou as mãos pelo cabelo e, em seguida, deixou cair os braços para o lado dele. ― Savannah. Ela passou mais uma vez na outra noite. Ela exigiu que eu assumisse e dissesse à cidade que eu sou o pai de seu bebê ― Ele balançou a cabeça e fechou os olhos. Holly riu. ― Eu encontrei com ela ontem, antes de ir montar. Seus olhos abriram-se e raiva queimava neles. ― Você está bem? ― Ele olhou para ela.

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Ela riu. ― Eu sei como me cuidar. Lembre-se, eu sou aquela que quebrou o nariz dela alguns meses atrás. Ele assentiu com a cabeça e ela viu-o relaxar um pouco. ― Ela disse um monte de coisas. ― Ela balançou a cabeça e saiu para o corredor. ― Ela ficava tentando convencer-me de que você era o pai. Ela... ― ela olhou para suas mãos e raspou a tinta seca ao longo das costas de seu polegar. ― O quê? ― Ele deu um passo em direção a ela e colocou os dedos sob o queixo, empurrando-o para cima até que ela olhou para ele. ― Ela disse-me que você se cansaria de mim em breve ― Ela balançou a cabeça até que os dedos dele caíram de sua pele. ― Ela mentiu. ― Seus olhos voaram de volta para os dele, esperando. ― Eu acho que não me poderia cansar de você. ― Ele fechou os olhos e deu um passo para trás. ― Esse é o problema. ― Quando olhou para ela novamente, ela procurou seus olhos. ― Não posso fazer isso. Não quero ― Ele virou-se e deu alguns passos até que ela parou com a mão sobre a dele. ― Travis, não há nada que possa fazer para que isso termine. Não agora. Ele riu. ― Eu só preciso ser eu mesmo e você verá por si mesma em breve ― Ele tirou seu braço dela e fugiu. Ela estava no corredor e viu-o descer as escadas e sair pela porta da frente. Ela ficou lá por alguns momentos antes de descer e começar a limpar os pincéis na pia da lavanderia. Quando fechou tudo de novo para a noite, voltou para o apartamento e tomou o banho mais quente que sua pele toleraria. Seus olhos e nariz estavam vermelhos quando se olhou no espelho. Ela penteou o cabelo comprido e pensou em tudo o que ele disse. Como o convenceria que ele não era mais o encrenqueiro que costumava ser? Se ele não acreditou, então ela precisaria mostrar a ele. Quando finalmente se deitou, sonhou com Travis segurando-a. Quão boa seria a sensação de ter as mãos dele sobre ela novamente.

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Travis caminhou até o fim do quarteirão e quando ainda se sentia mal, continuou a andar para mais longe. Mesmo quando a iluminação pública cessou, ele andou e andou. Por que Holly não poderia (e toda a cidade de Fairplay, aliás) deixá-lo em paz? Ele não planejou voltar, não planejou ficar. Algo dentro dele disse para correr da cidade e, nos últimos anos, aprendeu a ouvir sua voz interior. Passou anos ignorando e olha aonde chegou. Pensou em sua mãe e seu estômago virou. Será que ela ainda tem uma pequena voz interior? Ele não falou com ela ou viu-a desde aquela noite, há quatro anos, quando o xerife a algemou e a colocou na parte de trás de seu carro. Ela gritou sua confissão alto o suficiente para ele ouvir enquanto assistia. Ele olhou em volta e percebeu que entrara no novo parque. O novo parque infantil tinha luzes brilhantes para a segurança de quaisquer crianças ou adolescentes que queriam sair depois de escurecer. Ele aproximou-se e sentou no balanço, empurrando-o um pouco enquanto se lembrava de sua mãe. Ela sabia que seu pai morreu? Ele tinha certeza que alguém diria a ela na instalação em que estava. Ela foi transferida para um lugar dirigido pelo estado menos de uma hora de distância. Ele deve ter passado pelo lugar mil vezes quando foi a Houston para festejar. Ela saiu facilmente do que fez. Culpada de tentativa de homicídio e tudo o que recebeu foram vinte anos em uma ala psiquiátrica. Ele inclinou a cabeça sobre a corrente fria e desejou mais do que qualquer coisa que seu pai estivesse lá para guiá-lo. Seu pai sempre soube o que fazer. Ele abriu os olhos e olhou ao redor do parque. Talvez esta fosse a forma de seu pai dizer-lhe o que fazer com seu futuro. Ele adorava desenhar e supervisionar a construção. Tudo o que precisaria era mais um ano ou dois na escola e poderia ganhar seu diploma. Talvez encontrar algum lugar para começar um negócio, então. Talvez construísse e projetasse novas casas. Ele gostava de saber que as famílias desfrutariam dos espaços que criou.

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Levantou-se do balanço e olhou ao redor do parque escuro e sorriu. Ele incluiu parques e teatros antigos em sua lista de trabalho. Ele gostava de ver o velho lugar organizado e não podia esperar até que todo o trabalho estivesse concluído, deixando o teatro como costumava ser. Não, melhor do que costumava ser. Ele começou a caminhar de volta para sua casa e desta vez quando voltou, observou as casas e negócios pelos quais passou na ida. Alguns deles foram reformados,

outros

estavam

em

extrema

necessidade

de

reparo

ou

substituição. Ele sabia que algumas pessoas da cidade abandonaram suas casas após o tornado. Alguns escolheram pegar o dinheiro do seguro e ir embora, e outros ficaram e consertaram o que podiam, quando podiam. Ainda havia muito trabalho a ser feito em Fairplay e ele sabia que seu pai gostaria que a cidade fosse devolvida a sua antiga glória. Ele poderia fazer isso. Talvez ficasse por aqui para terminar o que seu pai começou. Ele virou a rua e viu a luz no apartamento em cima da garagem. Talvez ele pudesse ser bom o suficiente para Holly. Ele estava do lado de fora de sua casa quando ouviu o veículo virando na estrada tranquila. Ele virou-se e viu a caminhonete de Billy. Quando parou em sua garagem, ele suspirou. ― Ei, Travis ― Billy estava sozinho neste momento e Travis o observou enquanto saía da caminhonete. Ele poderia dizer que seu amigo estava bêbado e, provavelmente, um pouco alto. ― Oi, Billy. Você deveria dirigir? ― Ele segurou seu amigo na vertical, para que não caísse de cara no cimento. Billy riu. ― Claro, eu estou bem. ― Ele acenou com a mão e empurrou as mãos de Travis. ― Eu ia até a cabana para o fim de semana. Pensei em passar e ver se você queria ir junto. ― Eu não festejarei mais com você. ― Ele enfiou as mãos no bolso. ― Eu meio que superei tudo isso.

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Billy zombou. ― Corey ficava dizendo-me que você estava muito alto e poderoso para ficar com seu brother ― Billy encostou-se a sua caminhonete. ― Eu deveria tê-lo ouvido. ― Por que você não entra, eu farei um café e pegarei algo para comer ― Ele pegou o braço de seu amigo. Billy arrancou a mão e afastou-se. ― Eu não preciso de sua ajuda. ― Ele tropeçou um pouco. ― Você volta para a cidade e age como se não nos conhecesse. Como se não fosse um de nós ― ele gritou. ― Você será sempre um de nós. Acha que só porque seu velho morreu e deixou-lhe tudo isto... ― ele acenou para a casa, ―... que não é um de nós. Bem, você se lembrará muito em breve ― Ele riu e caminhou ao redor de sua caminhonete. ― Billy, você não deveria dirigir. ― Ele parou seu amigo antes de entrar do lado do motorista. Billy balançou e bateu nele no queixo. ― Droga. Estou tentando ajudá-lo ― Travis segurou seu queixo. ― Eu não preciso de sua ajuda. Não preciso da ajuda de ninguém. ― Seu peito inchou. ― Você acha que não ouvi o que todo mundo está dizendo sobre mim? Aquele Billy Jackson acabará matando a si ou outra pessoa. Aquele Billy Jackson não será nada. Ele será como seu velho. Travis lembrou agora que o pai de Billy passava a vida na penitenciária estadual por espancar um homem até a morte em uma briga de bar. ― Billy, todo mundo pode mudar. Olhe para mim. ― Ele olhou para seus pés. ― Olhe para minha família. Isso significa que eu acabarei como minha mãe? Billy parou, olhou para ele e balançou a cabeça negativamente. ― Você não é nada como sua velha. Travis assentiu. Pelo menos isso. ― Por que você não entra e dorme? Eu tenho um pouco de torta de maçã da Jamella sobrando na geladeira. ― Sério? ― Billy olhou em direção a casa. ― E ela? ― Ele acenou com a cabeça em direção à garagem. Travis olhou e viu Holly em pé no topo da escada. ― Ela ficará no apartamento. Estou na casa grande por agora.

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― Ah, merda. Sério? ― Billy olhou para a garagem e de volta em direção a ele. ― Billy? ― Travis deu um passo em direção a ele, já lendo a culpa no rosto de seu amigo. ― Nós pensamos. Isto é... Savannah disse... ― O que você fez? ― Ele pegou o braço do amigo. ― Merda ― Billy puxou o braço para longe. ― Foi você, não foi? Você invadiu o apartamento e destruiu as coisas de Holly. ― Nós não invadimos. Nós ainda tínhamos a chave que você nos deu. Além disso, foi tudo ideia de Savannah. Ela quem disse que você jogou-a para fora e estava fodendo com a mulher do livro. ― Por quê? ― Foi Holly que perguntou logo atrás dele. Ele largou o braço de Billy e deu um passo atrás para pegar o dela. ― Por que você o destruiu? ― Nós pensamos que Travis estava hospedado lá. ― Eu ouvi. Por que vocês invadiram e destruíram o que achavam que eram coisas de seu amigo? Ela deu a volta nele e ficou cara a cara com quase noventa quilos de Billy bêbado. Billy encolheu os ombros e olhou para seus pés. ― Parecia a coisa certa a fazer depois que Travis começou a agir como se fôssemos escória. ― O quê? ― Ele perguntou, aproximando-se. ― Eu nunca tratei você como escória. ― Claro que você tratou. Você não sai com a gente e cada vez que nos encontramos, você tinha esse olhar engraçado em seu rosto, como se tivesse cheirado algo ruim. Travis pensou sobre isso. ― Eu não tive a intenção de tratá-lo mal. É difícil para mim. ― Ele deixou cair as mãos. ― Eu não quero voltar a ser o bad boy Travis Nolan. Billy riu. ― Você sempre será o bad boy Travis Nolan. Foi você quem nos ensinou a atirar, como fumar, deu-me minha primeira cerveja. ― Ele balançou a

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cabeça. ― Inferno, toda a cidade viu sua bunda durante o jogo de volta do time da casa em nosso último ano ― Billy riu. Travis riu e bateu no ombro do seu amigo. ― Velhos e bons tempos. ― Então ele ficou sério. ― Mas, para mim eles precisam estar no passado. Eu não quero ser o mesmo garoto que costumava ser. Billy olhou para seus pés. ― Inferno, eu sei que tenho que tomar jeito. ― Ele olhou para Travis e seus olhos brilharam. ― Eu tenho meu próprio filho a caminho. Ele deverá nascer a qualquer momento. ― O quê? ― Travis olhou para o amigo e sorriu. ― Bem, inferno. Eu não sabia que você tinha um caso com alguém especial. Billy olhou para baixo novamente. ― Eu queria dizer-lhe. ― Então olhou para cima. ― É claro que ela diz a todos na cidade que o bebê é seu. Travis engasgou. ― Savannah? O bebê de Savannah? Billy sorriu e acenou com a cabeça. ― Eu sei que vocês dois costumavam ter uma coisa. Mas, bem, depois que você saiu da cidade nós meio que ficamos. Travis riu. ― É claro que vocês ficaram. ― Ela descobriu sobre o bebê e apavorou, em seguida, correu para Vegas para encontrá-lo. Travis pegou os ombros de seu amigo e caminhou com ele para dentro da casa. Holly seguindo. ― Bem, eu acho que você merece aquele pedaço de torta agora. Você será pai. Billy sorriu e acenou com a cabeça. ― Eu acho que vou aceitar. ― Ele parou um pouco antes de entrar pela porta dos fundos e virou-se para Holly. ― Sinto muito sobre suas coisas. Honestamente, só queria pregar uma peça nele por abandonar-nos. Holly sorriu. ― Está tudo bem, nenhum dano real foi feito. Travis olhou para ela e sentiu alguma coisa mudar em seu peito. ― Holly, por que você não me ajuda a fazer um café? Ela assentiu com a cabeça e seguiu-os para dentro. Travis empurrou seu amigo suavemente sobre o sofá.

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― Eu sei que tenho que me limpar ― disse Billy, passando as mãos pelos cabelos. ― Honestamente, eu estava endireitando-me antes de Savannah começar a dizer a todos que você era o pai. Eu acho que acabou me desestabilizando. Eu até tentei provocar ciúmes nela saindo com outras mulheres. Deus, eu amo essa mulher ― Billy descansou a cabeça em suas mãos e suspirou. ― Eu pegarei o bolo e farei um café ― disse Holly e entrou na cozinha.

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Capítulo 14 Ela não sabia o que mudara em Travis, mas ao longo dos próximos dias, ele agiu como se um enorme peso fosse tirado dele. Ele correu ao redor da casa e terminou tudo o que precisava ser feito lá. Eles falaram sobre sua loja e apartamento com mais frequência e ele realmente parecia animado para ver o produto final. Faltavam dias para obter o certificado de ocupação de seu apartamento para que pudesse voltar a morar nele. Travis até passara um tempo com Billy e Corey algumas noites na casa. Ele cozinhou e jogaram pôquer até uma da manhã. Foi bom os outros homens não se queixarem de que álcool e tabagismo não eram autorizados. Billy confessara que pegou Savannah fumando e ameaçou levar o bebê para longe assim que nascesse se ela não parasse. Ele disse como pararam de fumar juntos. Ele mostrou a Travis que usava um dos adesivos e ocasionalmente mascava um chiclete de nicotina na boca. Ela perguntou-se se Travis tivera dificuldade de parar como Billy estava tendo. Ela ficou por um tempo, mas quando ficou claro que todo mundo estava ficando cansado de perder e somente ela ganhar, ela caminhou até seu apartamento e encerrou a noite, deixando os homens sozinhos. Ouviu-os rindo e pulando na piscina em torno de uma, mas, em seguida adormeceu, sonhando com Travis segurando-a novamente. Na manhã seguinte, ela apareceu cedo na loja. Em vez de andar pelo andar de baixo, ela subiu as escadas para o apartamento dela. Havia apenas algumas pequenas coisas a fazer. Ela passou dois dias aqui pintando um cinza quente nas áreas de estar e uma cor de mel suave em seu quarto e banheiro. Ela estava muito cansada de ser paciente com Travis. Continuou dizendo a si mesma que era melhor assim. Ele mudar-se-ia em um período de poucos

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meses e ela precisava concentrar-se em reiniciar seu negócio. Além disso, tinha muito que fazer com os novos aspectos de sua livraria. Ela passou um pouco de seu tempo livre verificando suas listas de vinhos e experimentando novos cafés que planejava servir. Ela encontrou várias novas receitas para experimentar de coisas assadas. Até mesmo assou um pouco e deu para os trabalhadores da construção e todos pediam para trazer mais. Hoje ela trouxe um crocante bolo de cranberry e café. Ainda não tivera tempo de provar antes de sair naquela manhã. Colocou-o no bar no térreo com pratos e garfos e uma grande garrafa térmica de café francês de baunilha. Ela caminhou ao redor e fez uma lista mental de itens que precisavam ser entregues. As persianas de madeira teriam de ser penduradas depois que todas as janelas fossem concluídas. Todas as portas precisavam de trancas e a banheira não drenava adequadamente. O mais provável é que foi obstruída com a tinta seca que despejara acidentalmente nela. Os ventiladores de teto ainda precisavam ser instalados e a ventilação acima do fogão ainda estava no chão. Ela encostou-se à bancada nova e suspirou. Começou a pensar sobre a vida em outro lugar. Uma onde a cozinha era ampla e aberta e com vista para uma piscina e uma garagem com um apartamento para a sogra acima dela. Uma onde ela iria entrar e ver Travis de pé em sua calça jeans, sem camisa ou sapatos. Uma onde ele estaria lá todos os dias, esperando por ela. Ela fechou os olhos e disse a si mesma para parar de sonhar com algo que nunca poderia ter. ― Se você continuar alimentando os homens assim, eles nunca voltarão ao trabalho. Ela abriu os olhos e viu Travis em pé na frente dela, um prato de bolo cranberry equilibrado sobre uma xícara de café fumegante. ― Eles merecem. ― Ela colou um sorriso e acenou ao redor. ― Basta olhar para o quão maravilhoso isso parece. Ele olhou ao redor e sorriu. ― Está tudo muito bom. ― Então olhou para ela e seu sorriso caiu. ― Você está bem?

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Ela assentiu com a cabeça e afastou-se dele para esconder a tristeza em seus olhos. ― Só de pensar em todos os momentos maravilhosos que terei aqui. Roger disse-me que posso começar a me mudar na segunda-feira. ― Segunda-feira? ― Ela virou e viu-o franzindo a testa. Ela assentiu com a cabeça. ― Será bom tirar as coisas do depósito e dormir em minha própria cama novamente. Ele olhou para o bolo e, em seguida, colocou-o no balcão, esquecido. ― Se você precisar de alguma ajuda... ― disse ele, evitando os olhos dela. ― Obrigado, mas eu já alistei Reece e Grant. Eu não tenho muitos itens pesados. Acho que eles podem lidar com isso ― Ela cruzou as mãos atrás das costas. ― Parece que lá embaixo estará pronto em algumas semanas. Ela assentiu com a cabeça. ― Eu terei muito mais a mover lá do que aqui. ― Ela sorriu e olhou em volta. ― Na verdade, eu posso precisar de um exército para ajudar-me a trazer tudo. ― Bem, eu ficaria feliz em ajudar. Ela olhou para ele e balançou a cabeça. ― Eu vou aceitar. ― Ela virou e entrou na sala de estar. ― Como Billy está? Travis pegou seu prato e café. ― Ele está perseverando. Corey... ― ele balançou a cabeça. ― Bem, Corey não está atrás. Mas posso dizer que Billy está realmente tentando. Ela assentiu com a cabeça. Ela viu a mesma coisa. Ter um filho a caminho realmente mudou Billy. Especialmente desde que todos na cidade já sabiam que o garoto de Savannah era dele. Os pais de Savannah os forçaram a se casar e um grande casamento foi planejado para alguns meses depois que o bebê chegar. ― Com certeza faz a diferença quando há uma criança envolvida ― disse ela, distraidamente. ― Sim, acho que sim. ― Ele parou e olhou para ela. ― Alguma vez você já pensou em ter um? Um garoto?

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Ela quase caiu e ele estendeu a mão livre e firmou-a. ― Hum, claro. Eu acho. Não quero apenas um, contudo ― disse ela, abrindo a porta para que ele pudesse sair. ― Eu sou filha única e não gostaria que meu filho ou filha fosse tão solitário quanto eu. Ele assentiu com a cabeça. ― Muitas vezes eu gostaria de ter um irmãozinho ou irmãzinha. Alguém que eu poderia culpar por coisas que eu fiz ― Ele sorriu e ela riu. ― Eu estava sempre com ciúmes das irmãs de Haley. A estreita ligação que elas têm. Ele assentiu com a cabeça. ― Sim, quando eu estava com Alex era um inferno esgueirar-me por elas. ― Ele riu. ― Especialmente Haley. ― Ele balançou a cabeça. ― Cara, eu devo a essa mulher algumas desculpas. ― Oh? ― Ela parou no fundo das escadas. Ele riu. ― Sim. Vamos apenas dizer que estou feliz que o Travis mau não está mais por perto. Eu ouvi que o marido dela é a nova lei na cidade. Ela riu e acenou com a cabeça. ― Wes está na polícia agora. Ouvi dizer que ele é o próximo na linha quando o xerife finalmente decidir se aposentar. Travis riu. ― Acho que precisarei passar e garantir que estou no lado bom. Eu não esbarrei com ele desde que voltei. ― Bem, eles estão muito ocupados. Eles têm meninos gêmeos agora. Ele balançou a cabeça e sorriu. ― Sabe, lembro-me de passar um tempo na casa delas quando era criança. Seu pai levava-nos a cavalo. Eu não montei em um cavalo em muito tempo. Ela sorriu. ― Se quiser, pode ir comigo algum dia. Suas sobrancelhas ergueram-se. ― Gostaria disso. Na verdade, talvez você possa me ajudar com outra questão. ― Claro ― Ela caminhou até o bar, pegou um prato e agarrou um dos últimos pedaços de bolo cranberry. ― Eu terei uma enorme venda de garagem em poucas semanas. Não tenho nenhuma ideia do valor de tudo ou como proceder para ter uma venda de garagem ― Ele encostou-se ao balcão e mordiscou seu bolo.

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― Eu posso ajudar ― Ela sorriu e deu uma mordida em seu bolo. ― Oh meu Deus ― disse ele, olhando para o prato. ― Esta é a melhor coisa que eu já comi. Ela assentiu com a cabeça e seu sorriso caiu. ― Se eu soubesse que estaria tão bom, eu teria mantido tudo para mim. ― Ela sorriu e deu outra mordida.

O resto do dia, Travis pensou em como reagiu quando ouviu que Holly se mudaria do apartamento em cima da garagem em breve. Ele acostumou-se com ela lá todas as noites quando chegava a casa. Mesmo não a vendo, ele sempre olhou para as luzes e sentia um calor quando as via acesa. Ele esteve pensando bastante desde que Billy começou a rondar. Ele podia ver mudanças positivas em seu amigo. Eles começaram a correr juntos todos os dias. Travis sabia que não precisava treinar tanto quanto treinava quando lutava na gaiola, mas os treinos ajudaram a limpar sua mente e lhe permitiu concentrar mais. Ele acabou tudo do lado de dentro e o avaliador finalmente colocou um preço no lugar. A placa Vende-se fixada na frente da casa nos últimos dias. Ele não podia acreditar o quanto os ativos de seu pai valiam. Uma vez que tudo fosse vendido, ele teria o suficiente para começar tudo de novo em outro lugar. Ele teria dinheiro suficiente para frequentar a escola, onde quer que queira. Quando se sentou naquela noite para olhar as escolas online, sua mente continuava voltando para quão triste Holly parecia naquela manhã. Ele sabia que fazia a melhor coisa para ela ao afastar-se dela. Eles até se tornaram amigos, algo que não aconteceu com qualquer outra de suas exnamoradas. Savannah afastou-se dele. Mesmo Billy garantindo que ela estava ocupada preparando-se para o bebê e o casamento, ele duvidava que ouvisse algo dela.

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Alex sorria e era educada com ele toda vez que a via, mas ele não tinha coragem suficiente para realmente falar com ela, não depois do que sua mãe fez para ela e seu marido. Ele sabia que precisava fazer as pazes com ela e Grant, mas simplesmente não conseguia fazer ainda. Uma noite, quando ia para Mama’s, ele viu Alex e sua família sentada na lanchonete rindo. Voltou para casa e comeu um sanduíche de manteiga de amendoim e geleia. Sabia que era fraqueza dele, mas simplesmente não estava pronto. Ele precisava ir a um lugar primeiro. Ele precisava pegar o carro e ir ver sua mãe, antes que saísse da cidade para sempre. No dia seguinte, acordou e vestiu sua melhor roupa. Quando saiu, em vez de pegar seu Hyundai prata, ele descobriu o Mustang e entrou na garagem para recuperar as chaves. Quando voltou para fora, Holly estava ali de pé, em um bonito vestido de verão. ― Indo para um passeio? Ele assentiu com a cabeça. ― Indo à igreja? Ela olhou para seu vestido. ― Sim, eles fazem um almoço todos os domingos o qual tenho evitado por um tempo. Ele olhou para ela. ― O que diz de evitá-lo mais um dia? Ela olhou para ele. ― Eu adoraria ― Ela sorriu quando ele se aproximou e abriu o lado do passageiro. ― Eu vou lhe avisar, vou visitar minha mãe ― Ele viu seu passo vacilar. Em seguida, ela riu. ― Ainda é preferível a ouvir um monte de mães falando sobre quão perfeito seus filhos são enquanto correm gritando e sujando-se. Ele sorriu e acenou com a cabeça. ― Você pode estar cantando uma música diferente na viagem de volta. Ela sorriu. ― Podemos abaixar a capota? Eu tenho um lenço ― Ela puxou um lenço de sua bolsa e começou a amarrar o cabelo para cima. Ele riu. ― Por que não. ― Ele virou as fechaduras da antiga capota e empurrou-a para baixo. Ele precisava admitir, o carro andava como um sonho

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quando saiu da cidade. Viram várias pessoas seguindo para a cidade em seu caminho para sair. Holly acenava e sorria para cada um que reconhecia. ― Diga-me que não venderá esta beleza ― Ela virou-se para ele. ― Eu não vou. Na verdade, eu pensei em vender meu Hyundai e ficar com este para mim. Ela sorriu. ― Você deve. Depois de todo o trabalho que teve nele. ― Ela esfregou as mãos sobre o interior de couro. ― Além disso, eu aposto que corre melhor do que o Hyundai. Ele assentiu com a cabeça. ― Agora corre. Ele realmente desfrutou do poder que o velho carro tinha e quando alcançou a estrada, ele acelerou para ver como reagia e ficou felizmente surpreso que ainda parecia deslizar sobre a estrada quando atingiu a velocidade máxima. ― Eu vi que a placa em frente da casa desapareceu. Você vendeu a casa? Ele olhou para ela sem dizer uma palavra. Ela franziu a testa. ― É um lugar agradável. Merece uma jovem família com crianças e cães. ― Cães? ― Ele olhou para ela. ― Claro. Eu sempre quis ter irmãos ou irmãs e cães. ― Ela olhou para ele. ― Você não quer animais de estimação? Houve um momento em que pediu um filhote de cachorro para o Natal, mas sua mãe era antianimais de estimação e ele parou de pedir quando ela explicou que os animais destruíam a casa. ― Eu acho. Nunca foi permitido e por isso parei de pedir. Que tipo de cão? ― Ele olhou para ela. ― Eu sempre quis ter um beagle. Eles são tão bonitos quando são pequenos ― Ela sorriu e ele não conseguia parar de viver seu sonho quando ela continuou a falar sobre isso. Quando chegaram à instituição estatal menos de uma hora depois, seu humor mudou. Ele esteve tão nervoso sobre sua visita a sua mãe, mas conversar com Holly durante o caminho lavou todos seus nervos e substituiu-o com uma paz interior. Ele não podia explicar a mudança total.

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Ele estacionou o carro e ajudou-a a sair. Ela tirou o lenço e sacudiu os cabelos de volta no lugar. Parecia perfeito. Ela parecia perfeita. ― Aqui. ― Ela estendeu a mão e passou as mãos pelo cabelo dele. ― Você precisa de um corte de cabelo ― Ela sorriu quando ajeitou o cabelo. ― Sim. ― Ele franziu a testa, de imediato, pensando sobre o que sua mãe diria. Ela sempre reclamou sobre o tamanho de seu cabelo. ― Acho que eu deveria ter... ― Você ficará bem. Você está muito bonito. ― Ela pegou a mão dele. ― Se quiser, eu ficarei aqui fora. Ele balançou a cabeça. ― Não, eu prefiro não ir sozinho. Ela assentiu com a cabeça. ― Eu sempre me dei bem com sua mãe. Seus pais eram meus padrinhos, sabe. ― É, você disse ― Ele sorriu para ela e apertou a mão dela. Eles fizeram check-in na recepção principal, onde a enfermeira o informou qual o quarto em que sua mãe estava. Quando subiu as escadas, não conseguia controlar o tremor que sentia. Ela deve ter notado porque sua mão apertou em torno dele. Ele

bateu

na

porta

e

sua

mãe

abriu. Ela

parecia

muito

mais

magra. Deveria ter perdido vinte quilos. Seu cabelo deixou de ser um loiro quente para um cinza escuro. Havia novas linhas sob seus olhos e ela não usava maquiagem. ― Travis? ― Seus olhos iluminaram-se. ― É você? ― Ela estendeu a mão e agarrou-o. ― Oh, meu bebê voltou para mim ― Ela puxou-o para um abraço e lembranças inundaram sua mente. Os braços dele ao redor da mulher cujo único pecado, além de tentar cometer um assassinato, foi o de tentar dar a seu filho tudo o que ele desejou.

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Capítulo 15 Holly ficou no corredor e viu Travis engolir sua mãe em seus braços. Ela viu os olhos da mãe dele acender quando a viu de pé atrás dele. ― Holly Bridles? Oh, isto é um deleite. Entrem vocês dois ― Ela aproximou-se e abraçou-a rapidamente, então fez um gesto para que entrassem em seu pequeno quarto. Havia uma cama de solteiro contra uma parede, uma pequena cozinha e uma grande televisão de tela plana na parede, a qual foi colocada no mudo. ― Como tratam você aqui, mamãe? ― Travis perguntou enquanto entrava, olhando ao redor. ― Oh, você sabe como é. ― Ela olhou para ele e sorriu. ― Eles acham que eu sou louca. ― Ela sorriu para Holly, que sorriu de volta. ― Não me deixarão ter facas, vidro ou outros objetos pontiagudos. ― Ela levantou uma xícara com chá. ― Plástico. ― Ela balançou a cabeça. ― Seu pai teria um ataque se soubesse que sou obrigada a comer em algo mais apropriado para piqueniques. ― Ela sentou-se e olhou para a televisão novamente. ― Mas fora isso, tenho várias atividades. Jogo bingo toda terça, à noite. Cartas, são duas vezes por semana e temos aulas de artes e desenho às sextas-feiras. Há até mesmo uma noite de cinema ― Ela disse tudo isso ao mesmo tempo em que mantinha os olhos na televisão. ― Mãe ― disse Travis e esperou até sua mãe voltar os olhos para ele. ― Eu não sei se alguém lhe disse. ― Ele estendeu a mão sobre a mesa e olhou para suas mãos unidas. Holly estava na porta, não querendo fazer um movimento. ― Papai morreu há alguns meses.

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Sua mãe olhou para ele. ― Oh, eles disseram-me, certo. Mentiras. ― Ela balançou a cabeça. ― Dá pra acreditar? Nós daremos uma boa risada sobre isso quando eu sair daqui. ― Mãe... ― ele começou de novo, mas ela começou a falar sobre outra coisa. A conversa ficava mais estranha e menos de meia hora depois, ela pediu para eles irem para que pudesse assistir a seu programa. ― Eu nunca perco Jeopardy4 ― disse ela, acariciando a mão de Holly. ― Roy sempre acerta as respostas, mas como ele está em casa eu terei que adivinhar todas, sozinha. ― Ela sorriu e abraçou a mãe de Travis. ― Agora, você, diga oi a sua mãe para mim. Katie foi uma de minhas melhores amigas, sabe. Holly assentiu. Ela sabia que sua mãe e a mãe de Travis foram amigas por um tempo. Foi assim que eles acabaram sendo seus padrinhos. ― Mãe ― Travis disse, chamando a atenção dela. ― Tem certeza que não precisa de nada? ― Oh, não. Estou bem. Qualquer coisa que preciso, tudo que tenho que fazer é pedir. ― Ela deu um tapinha no braço de seu filho, enquanto seus olhos corriam para o programa. ― Agora, você, diga a seu pai para vir até aqui me visitar. Eu não o vejo há um tempo. Ele assentiu com a cabeça e ela viu-o empalidecer. Quando saíram, o calor do dia bateu-lhes com força total. ― Você se importaria se fôssemos passear de carro? ― Ele perguntou, sentando-se atrás do volante. ― Eu adoraria ― Ela amarrou o lenço ao redor de seu cabelo de novo e colocou os longos fios atrás de seus óculos para que não voassem em seu rosto. ― Podemos pegar algo para comer primeiro, se você quiser. Ela assentiu com a cabeça. ― Há um pequeno lugar logo ali ― Ela apontou à frente, para um pequeno restaurante de família.

Jeopardy! é um programa de televisão atualmente exibido pela CBS Television Distribuition. É um show de perguntas e respostas (quiz) variando história, literatura, cultura e ciências. É presidido desde o início da versão sindicalizada, em 1984, por Alex Trebek, narrado por Johnny Gilbert e dirigido por Kevin McCarthy. No total, foram exibidos mais de 8400 episódios em todas as versões, o que aumentou consideravelmente sua popularidade. 4

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Não

era

tão

acolhedor

como

Mama’s,

mas

a

comida

era

tolerável. Comeram em silêncio e ela não pôde deixar de notar que o estado de espírito dele mudou. Eles deixaram a lanchonete e dirigiram-se às estradas sinuosas que eventualmente os levariam a Fairplay. Ela apreciava a brisa fresca no rosto e o silêncio no ar enquanto os altos pinheiros voavam por eles. Quando ele seguiu por uma estrada lateral, ela não reclamou, sabendo que levava até um ponto onde poderia ver um grande rio e um campo nos arredores da cidade. Quando o carro seguiu pelas estradas secundárias, ela descansou a cabeça contra o encosto de cabeça. Ele parou o carro no ponto desejado e desligou o motor. ― Ela é a mesma ― disse ele, ainda olhando para a vista. ― Eu pensei... ― ele engoliu em seco. ― Eu pensei que ela teria mudado, tornado-se mais louca de alguma forma. Holly olhou para ele e tentou não mostrar seus sentimentos. ― Com exceção de pensar que meu pai ainda está vivo... Acho que eu sempre soube que havia algo errado com ela enquanto eu crescia. Eu estava apenas em negação ― Ele balançou a cabeça e olhou para ela. ― Ela ama você. ― Ela sorriu. ― Eu não era tão próxima a ela. Eu sei que quase todos na cidade ainda pensam nela com carinho. Ele riu e balançou a cabeça. ― Sabe, ouvi dizer que Alex e suas irmãs a visitaram. Holly sorriu. ― Eu ficaria surpresa se elas não viessem. Eu também estive lá. ― Você? ― Ele virou-se e olhou para ela. ― Você já esteve lá antes de hoje? Ela assentiu com a cabeça. ― Minha mãe veio visitá-la logo depois que ela se mudou para lá. Nós compramos sua cama e televisão. Elas costumavam ser melhores amigas. Ele balançou a cabeça e afastou o lenço de sua cabeça. ― Você estragou todo seu cabelo. ― Ele usou os dedos para domá-lo. Ela sabia que era um caso perdido, mas não se importava enquanto curtia a brisa fresca e o ar fresco da

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noite. ― Eu amo a sensação. ― Ele olhava para seu cabelo enquanto seus dedos o afastavam de seu rosto. Ela fechou os olhos, desejando que ele nunca parasse. ― Estou feliz por você ter vindo comigo hoje ― Ele inclinou-se para ela e ela prendeu a respiração quando os lábios se tocaram. O beijo foi diferente dos anteriores. Era lento e suave e falava de promessas que viriam. Quando a puxou para mais perto dele, ela foi de boa vontade e colocou os braços em volta do pescoço dele. Ela sentiu falta da sensação dele, seu doce sabor, o cheiro dele ao lado dela. Quando ele afastou-se, ela olhou em seus olhos escuros e sentiu seu coração derreter. ― Holly... ― ele afastou uma mecha de seu cabelo selvagem que ficara preso no ar da noite. ― Não há nenhuma garantia de que não acabarei louco como minha mãe. Ela balançou a cabeça e riu. ― Cada família tem uma pessoa louca. Meu tio acha que ele é o herdeiro perdido da fortuna Hearst ― Ela sorriu. Ela observou os lábios dele enrolarem em um sorriso. ― Eu finalmente decidi o que vou fazer ― Ele inclinou-se para trás e colocou-a perto de seu ombro. Ela descansou a cabeça lá e viu o sol afundar mais, lançando tons de roxo e rosa brilhantes no céu noturno. ― Oh? Ele assentiu com a cabeça. ― Eu vou para a escola. Ela sentiu seu coração afundar. Ali estava ele, segurando-a nos braços e falando sobre ir embora novamente. Ela queria bater nele, mas em vez disso, fechou os olhos quando as lágrimas ameaçaram escapar. ― Eu imagino que posso ganhar minha licenciatura em menos de dois anos, já que eu tenho a maioria de meus créditos básicos, graças à persistência de meu pai. ― Ele riu. ― Então, pretendo usar minha herança para começar minha própria empresa de construção. Eu farei tudo. Projetar, construir e vender. Acho que vou começar com um pequeno projeto habitacional. ― Ele colocou seu braço apertado em torno dela quando ela estremeceu. Ela não lhe queria dizer que não estava frio, mas simplesmente não teve coragem de dizer nada ainda. ― Eu sei que são apenas planos, mas eu espero... ― ele afastou-se e

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levantou o queixo dela até que ela olhasse em seus olhos. ― Eu espero que você dê uma chance para mim, de qualquer maneira. Ela piscou algumas vezes. Seus olhos escuros procuraram os dela. ― Travis? ― Ela lambeu os lábios, sem saber o que ele dizia. ― Eu gostaria de ficar em Fairplay, ter aulas on-line, abrir um negócio e viver na casa de meus pais com você. Eu gostaria de ter um cachorro, não, dois cães. Nós não queremos que eles fiquem sozinhos. ― Ele sorriu e segurou seu rosto. ― Eu gostaria de ter algumas crianças também. ― Ele sorriu. ― Se você aceitar a mim e meu passado louco. Ela piscou e engoliu. ― É claro que eu aceito ― Ela sorriu. ― Holly, há apenas mais uma coisa. ― Ele puxou-a para mais perto e olhou profundamente em seus olhos. ― Eu amo você. Eu quero estar com você para o resto de minha vida. Somente você ― Ele esperou. ― Eu também amo você. Só você ― Ela sorriu e puxou a cabeça dele para ela e beijou-o.

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Epílogo Travis ficou do lado de fora da loja e ajudou a cortar a fita azul. Aplausos soaram e ele estendeu a mão e puxou Holly para baixo em um beijo profundo, apenas para ouvir mais gritos. Quando se afastou, ela sorria para ele. ― Vamos abrir o negócio? Ele balançou a cabeça e puxou-a de volta na posição vertical. ― Holly’s agora está aberto para o público ― ele gritou para a multidão. Eles entraram na nova loja de mãos dadas e ele parou no limiar e beijou-a novamente. ― Para dar sorte ― disse ele à multidão antes que inundassem a loja. Todos riram. Ele ficou para trás e Holly e seus novos funcionários ocupavam-se com os pedidos e ajudavam os clientes. Uma banda tocava suavemente no palco perto da parte traseira enquanto as pessoas agarravam seus lugares e apreciavam suas sobremesas e bebidas. Ele pegou um assento perto da frente para que pudesse assistir Holly enquanto ela trabalhava. Ainda o impressionava o quanto de energia que ela tinha. ― Parece que Holly é um sucesso ― Ele olhou para cima para ver Alex e Grant em pé na frente de sua mesa. Ele levantou-se e acenou com a cabeça. ― Parece que sim ― Ele olhou para seus sapatos, algo que tem feito perto deles desde que voltou. ― Nós só queríamos lhe dizer ― disse Alex, estendendo a mão e pegando a mão dele, ― que não culpamos você ― Ele olhou rapidamente em ambos os olhos. Alex sorriu e lembrou-se de todos os bons momentos que tiveram juntos. Lá se foram todas as lembranças ruins, todos os horrores que causou a ela.

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― Eu tenho isso ― disse Grant, puxando uma carta e entregando a ele. ― É de seu pai. Ele queria que eu entregasse para você no dia da abertura. ― Ele balançou a cabeça ao redor para a multidão. Quando Travis estendeu a mão e pegou-a, Grant estendeu a mão para ele balançar. Ele hesitou por um segundo, em seguida, olhou em seus olhos e não viu nenhum ressentimento e apertou a mão do homem sem remorso. ― Você encontrou um bom homem ― disse ele, olhando para Alex, que riu. ― Sim, vai entender. ― Ela sorriu e segurou o marido. ― Você conseguiu um tratamento muito doce. ― Ela assentiu com a cabeça em direção a Holly. ― Não deixe que essa se afaste de você. Ele sorriu. ― Ela é minha para a vida, assim que pudermos planejar. Eles sorriram e acenaram, em seguida, caminharam até onde sua família se sentou, perto do palco. Ele sentou e olhou para o envelope nas mãos. Girando-o, abriu-o e tirou a nota. Travis, Obrigado. Você não sabe o quanto significa para mim saber que você cresceu e tornou-se o homem que eu sempre soube que você seria. Há mais de uma razão pela qual comecei este projeto e se tudo correu de acordo com meus sonhos, você sabe a razão pela qual eu escolhi a livraria. A cura ocorre em tantos níveis diferentes. Holly foi e sempre será a filha que nunca tive. Quando comecei este projeto há alguns dias, eu soube por meu médico que eu tinha um aneurisma cerebral inoperável. Filho, quero que você saiba que eu não mudaria nada, a não ser ter você a meu lado e segurá-lo uma última vez. Você fez-me o homem mais orgulhoso na Terra e no céu. OBS.: Passe e veja sua mãe algum dia. Ela pode ser desligada, mas ela lhe ama. Nunca esqueça que eu lhe amo.

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Quando levantou os olhos da carta, ele sentiu as lรกgrimas escorrerem pelo rosto. Em seguida, Holly estava lรก, segurando-o, e sabia que estava exatamente onde ele pertencia. Fim.

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Breaking Travis vol. 5 (revisado) - Jill Sanders