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Perder nunca foi fácil para um Maddox, mas a morte sempre vence. Onze anos depois da fuga para Vegas, o agente especial Travis Maddox faz justiça com as próprias mãos sobre o chefe da máfia Benny Carlisi. Agora a família mais antiga e mais violenta de Vegas se prepara para a vingança, e toda a família Maddox é um alvo. O segredo que Thomas e Travis mantiveram por uma década será revelado para toda família, e pela primeira vez os Maddoxes vão entrar em conflito. Embora a perda não seja algo estranho para nenhum deles, a família cresceu, e o risco agora é maior do que nunca. Com irmãos contra irmãos e as esposas tomando partidos, cada um deles terá que fazer uma escolha: deixar que o medo os separe, ou os torne mais fortes.

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Aviso ...................................................................................................... 1 Capítulo 1 ............................................................................................... 5 Capítulo 2 ............................................................................................. 27 Capítulo 3 ............................................................................................. 42 Capítulo 4 ............................................................................................. 53 Capítulo 5 ............................................................................................. 74 Capítulo 6 ............................................................................................. 88 Capítulo 7 ........................................................................................... 104 Capítulo 8 ........................................................................................... 114 Capítulo 9 ........................................................................................... 130 Capítulo 10 ......................................................................................... 137 Capítulo 11 ......................................................................................... 149 Capítulo 12 ......................................................................................... 159 Capítulo 13 ......................................................................................... 177 Capítulo 14 ......................................................................................... 194 Capítulo 15 ......................................................................................... 203 Capítulo 16 ......................................................................................... 213 Capítulo 17 ......................................................................................... 224 Capítulo 18 ......................................................................................... 235 Capítulo 19 ......................................................................................... 255 Capítulo 20 ......................................................................................... 268 Capítulo 21 ......................................................................................... 284 Capítulo 22 ......................................................................................... 303 Capítulo 23 ......................................................................................... 324 Capítulo 24 ......................................................................................... 340 Capítulo 25 ......................................................................................... 348

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Eu sentei na pequena e fria namoradeira do quarto de hospital de Liis. As cores azuis e marrons das paredes, e a decoração minimalista me lembrou mais um hotel enorme do que uma enfermaria de maternidade. Minha futura esposa parecia confortável e linda, segurando a pequena Stella, aconchegando seu corpo contra o dela na mesma cama que ela deu à luz a nossa filha. Pela primeira vez em dezessete horas, eu descansei. Meus ombros cederam e eu soprei uma longa lufada de ar. Ficar sem dormir um pouco nunca me incomodou, mas assistir a mulher que eu amo mais que tudo sofrer tanta dor por tanto tempo teve seu preço. Liis estava visivelmente exausta. Eu conseguia ver as olheiras na parte inferior de seus olhos, e embora ela estive na forma mais linda que eu já tinha visto, eu estava dividido entre me oferecer para pegar Stella e esperar que ela me pedisse isso. Stella estava dormindo nos braços de sua mãe tranquilamente. Vê-las agarradas uma a outra serenamente era tanto confortante quanto chocante. Stella era uma nova vida que nós criamos, a combinação perfeita de duas pessoas que já se estranharam uma vez. Agora, ela iria ter seus próprios pensamentos, sentimentos, e – porque ela era nossa filha – fortes opiniões. Eu me perguntava sobre sua vida inteira enquanto ela sonolenta mamava no seio de Liis.

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Finalmente, minha impaciência venceu. “Liis,” comecei. E como se ela conhecesse, Stella parou de mamar e sua cabeça caiu para trás, com a boca aberta. Liis sorriu e cuidadosamente posicionou a bebê contra seu ombro. “Eu posso fazer isso.” Eu disse. Liis sorriu, acariciando as costas de Stella gentilmente e esfregando a cada três pequenos tapinhas ou coisa assim. O corpo de Stella se contorceu enquanto um quase inaudível arroto quebrou o silêncio do quarto escuro do hospital. Meus ombros caíram. Liis sorriu, suspirando um riso tímido, e em seguida tocou seus lábios nos ralos cabelos negros da cabeça de Stella. “Você vai ter que cedê-la alguma vez,” Eu disse sutilmente. Eu tinha apenas segurado minha filha só por alguns minutos antes de eles a pegarem para registrar o peso, tamanho, e fazer o teste do pezinho. Depois disso, eles a trouxeram para Liis por meia hora para depois pegála de novo para dar seu primeiro banho. “Vai ficar mais fácil, certo? Compartilhar?” Liis perguntou, mais ou menos brincando. “Espero que não,” Eu disse, com um sorriso cansado. “Eu já notei que você cuida bem dela, mas eu posso trocar a frauda dela e fazê-la dormir.” Liis analisou minha oferta e depois meneou a cabeça. Sempre a negociadora.

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Eu fiquei em pé novamente, atravessando o quarto para reclamar minha filha. Enquanto eu guiava nossa filha para o berçário limpo, a respiração de Liis atenuou. Até seu formulário pessoal do FBI constava que ela tinha a habilidade de tirar um rápido cochilo quando ela podia, especialmente depois de algumas horas antes de uma operação. Sua cabeça caiu para o lado. Ela pegou no sono segundos depois de ter finalmente me deixado assumir o controle. Liis se sentia mais confortável quando estava no controle, por mais que ela resistisse, eu sabia que ela confiava em mim. Eu era o único que ela confiaria de todo o coração, especialmente agora que algo saiu de seu corpo na forma de um ser perfeito para completar nossa família. Levou quase dez anos de insinuações e adulações para fazê-la concordar em apenas considerar a proposta. Liis estava muito feliz casada com o FBI, e até ela descobrir que Stella estava a caminho, ela não estava aberta para infidelidades. Stella olhou para mim, seus olhos azuis me fitavam em dúvidas. Ela acordou assim que a peguei no colo, e estudou meu rosto em curiosidade enquanto eu a limpava e colocava uma frauda seca. Tentando não franzir meu nariz, eu falei com ela carinhosamente enquanto a envolvia em seu cobertor macio cor de marfim, e lhe dizia o quão feliz estávamos por ela ter chegado. Pra um ser perfeito, Stella conseguia com certeza deixar uma bagunça nojenta. Ela esticou seu pescoço e eu sorri, embalando-a em meus braços. Meu terno, camisa branca e gravata estavam pendurados na cadeira. Uma camiseta branca e calça casual não eram apropriadas para o trabalho, mas para cuidar de alguém menor que eu me fez sentir onze

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anos mais velho de novo, limpando rostos e bundas e tudo nesse meio termo, mal sendo capaz de manter minha camiseta e calças jeans limpas. Eu mal poderia esperar para chegar em casa para tomar um banho e me aconchegar com minhas duas mulheres favoritas do mundo, passar três dias com a barba por fazer, vestir minha calça de moletom cinza e minha camiseta favorita dos Rolling Stones. No corredor escutei uma pequena briga, e em seguida um leve choramingo atrás da porta. Vozes sussurradas sibilavam infelizes e persistentes. Eu dei um passo para ficar entre Liis e a porta e então girei posicionando meu corpo para ficar entre seja lá quem estivesse lá fora e minha filha. Uma enfermeira forçou a entrada, parecendo toda desgrenhada e um pouco abalada. “Está tudo bem?” Eu perguntei, permanecendo em alerta. Pelo canto de meu olho, percebi que Liis estava acordada e pronta para reagir. “Hum, claro.” A enfermeira disse, pausando quando ela percebeu nossa postura. “Está tudo bem aqui?” “Que barulho foi aquele lá fora?” Liis perguntou. “Ah,” a enfermeira disse, puxando um par de luvas enquanto se posicionava ao lado da cama de Liis. “É uma briga para entrar em seu quarto. Aqueles agentes lá fora não estão de brincadeira.” Liis relaxou, e eu andei em direção a cadeira de balanço apenas alguns centímetros longe dela, puxando de volta o cobertor de Stella para checar se ela estava bem.

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“O diretor quer que eu volte para o trabalho o mais rápido possível.” Liis disse, apoiando as costas no seu travesseiro. “Isso não vai acontecer.” Eu disse. Para ser sincero, pelo gosto do diretor, Liis teria tido nossa filha no trabalho. Nós estávamos no fim de um longo caso, e Liis era a mais confiável tradutora e analista de Quântico. Eu vinha guiando esse caso por onze anos, o que era mais do que a metade do meu tempo no Bureau. Meu irmão caçula, Travis, estava encoberto, mas quando a merda foi jogada contra o ventilador e sua esposa foi ameaçada, Travis executou Benny e alguns de seus homens. Abby confessou todas as informações que ela sabia sobre seu pai, Mick – outro que devia para Benny – nos guiando para mais perto do que nós tínhamos para finalmente encerrar o caso. Os assistentes de Benny e filho mais velho, Angelo Carlisi, estavam a ponto de serem pegos, e todo mundo queria que a investigação encerrasse por completo. Liis e eu tínhamos passados horas no escritório do diretor explicando nossa posição em nossa nova família. O risco era alto demais, fazendo com que nós ansiássemos por uma conclusão. “Posso levá-la para o trabalho. O diretor troca as fraudas.” Liis brincou. “Ele pode assumir seu lugar nisso.” Eu disse com um sorriso bobo. A enfermeira não estava animada. “Há alguma chance dos agentes... não sei... olhar para meu rosto e se lembrar dele uma hora depois? As revistas estão ficando cansativas.”

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Liis e eu trocamos olhares e não respondemos. Nós entendemos a sua frustração, mas mais que o diretor sabia que Liis e eu havíamos trazido metade da família do crime organizado de Vegas para a justiça. Nós estávamos no topo dos agentes do FBI envolvidos no caso, com um bebê a caminho, e um dos homens de Benny sob custódia e prestes a testemunhar. Eles já haviam nos feito de alvo umas duas vezes, então o Bureau não estava deixando passar nenhuma chance. Nós tínhamos agentes nos dando cobertura a cada passo desde que a barriga de Liis ficou proeminente. “Stella poderá facilmente se acostumar em ter dois agentes especiais como pais.” Eu disse, pressionando meus dedos dos pés. A cadeira de balanço balançou para frente e para trás, um movimento gentil se destacando contra algo que rangia em um ritmo sonolento na base da cadeira. Memórias de quando eu ninava Travis quando ele era bebê, ainda usando fraudas, veio de cheio em minha mente. Seus cabelos desgrenhados, com as pernas de frango, e uma chupeta na boca – uma denúncia de que nosso avô havia passado lá. Ele tinha trazido cinco chupetas no seu bolso, mas sempre partia com uma. As crianças comiam doces, enquanto o pai estava desmaiado de bêbado no quarto enquanto eu colocava os meninos para brincar na rua. Eu havia parado de ser criança quando a mãe morreu. A enfermeira meneou a cabeça, mas eu podia ver em sua expressão que ela não entendia nada ainda. Antes de sair, ela olhou para Stella com piedade refletindo em seu olhar. Eu plantei meus pés no chão, parando a cadeira. Stella inquietou-se, e eu acariciei suas costas enquanto me perdia em pensamentos. Stella era amada antes mesmo de

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nascer, um lindo berço novo e uma prateleira a esperava em casa. Agora que alguém fosse sentir pena de nossa filha nunca passou pela minha mente. Nós éramos completamente capazes de sobreviver a qualquer coisa que o FBI colocasse no nosso caminho, mas agora eu me pergunto como isso afetará Stella. “Você ligou para seu pai?” Liis perguntou. “Mais cedo.” “Mais alguém?” “Eu pedi ao pai para me dar mais um dia. Não quero passar o dia inteiro no telefone.” Liis se sentou e fechou os olhos. “Eu acho que como filha única, eu não penso nas coisas dessa forma.” Ela murmurou antes de divagar. Eu coloquei um pano grosso sobre meu ombro e então apoiei a cabeça de Stella enquanto a apoiava contra meu peito. Empurrei meu pé novamente e a cadeira se balançou de novo. O balanço ritmado fez meus olhos ficarem pesados, e eu percebi que Liis respirava pesadamente. Apoiei minha bochecha nos cabelos macios de Stella. Ela era tão inocente e vulnerável, e Liis sabia muito bem que eu sabia o tanto de mal que havia no mundo que nós a trouxemos. Era nossa responsabilidade mantê-la segura. Eu olhei para minha namorada sonolenta e depois para meu paletó com o coldre de ombro. Duas Sig Sauer 9mms edição padrão estavam escondidas, prontas para qualquer coisa. Eu sabia que Liis havia

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colocado uma na bolsa de Stella também. Eu balancei para frente e para trás, descansando minha cabeça e tentando fazer os músculos de meu pescoço relaxar. Mesmo Stella se aquietando e eu a colocando no berçário, eu não conseguia tirar a atenção de meus ouvidos de registrar qualquer som vindo do corredor – a máquina de refrigerante, os elevadores, as enfermeiras checando os outros pacientes nos outros quartos. Bebês choravam, agentes murmuravam, e o vento soprava. Ao contrário de Liis, mesmo quando eu queria dormir, eu não conseguia. Eu peguei a jarra de água de Liis e me servi. Eu dormiria quando ela acordasse. Havia muita coisa em jogo. Nem mesmo os agentes lá fora iriam proteger Stella tão ferozmente, então um de nós teria que ficar acordado o tempo todo.

Pingos da chuva batiam contra a janela enquanto eu checava pela terceira vez a bolsa da bebê e reajustava a cadeira enquanto Liis assinava os papéis de liberação. A enfermeira nos observava com certa curiosidade, provavelmente escutando fofocas sobre os agentes armados fazendo guarda no lado de fora de nosso quarto a noite toda, e os agentes novatos que garantiram nos escoltar até nossa casa essa manhã. Liis segurava Stella com um braço enquanto assinava os vários documentos com o outro. Ela tem sido mãe fazia menos de quarenta e oito horas e já era experiente. Eu sorri para ela até ela fazer menção de me entregar Stella. Fui em sua direção, tentando não mostrar minha

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animação ao chegar minha vez de segurar o pequeno e vulnerável ser humano que fizemos. Ergui Stella nos meus braços e andei alguns passos até sua cadeirinha do carro que estava no chão. “Merda.” Sibilei, tentando manobrar o bebê entre o guiador e o pequeno espaço como se fosse uma peça de quebra-cabeça. Stella sequer se movia enquanto eu me esforçava com as cinco amarras e me embaralhava no preenchimento que cobria as alças do ombro e o travesseiro ao redor de sua cabeça. “Thomas,” Liis disse com um pequeno sorriso. “Está perfeito. Se não tivesse confortável, ela diria.” “Tem certeza?” Perguntei, olhando para Liis. Mesmo com cada conquista em nosso relacionamento, e continuo admirado que sempre quando penso que ela não poderia ser mais bonita, ela era. O dia que nos mudamos juntos para San Diego, o dia em que ela disse que nós teríamos Stella, o dia que nós finalmente nos mudamos para Virginia, e cada dia eu notava que sua barriga estava ficando cada vez mais redonda e suas bochechas um pouco cheias – eu me senti como um chantagista de alguma forma a induzindo a casar comigo. Enquanto ela estava no parto, e finalmente quando ela deu a luz, e agora, sentada e parecendo cansada, mas gloriosamente feliz na luz da manhã, a mãe de minha filha estava novamente sendo a pessoa mais linda que e já vi. Liis deixou escapar um riso. “O quê?” “Você sabe o quê.” Fiquei em pé, cuidadosamente trazendo a cadeirinha comigo. “Pronta?”

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Uma vez que Liis assentiu, a enfermeira empurrou a cadeira de rodas para perto da cama dela. Liis ficou em pé, infeliz por ter que ser carregada enquanto se dirige até o próximo meio de transporte, mais isso eram regras hospitalares, e Liis sempre foi do tipo que escolhia suas batalhas. Vestindo uma bata e calça cinza de maternidade, Liis deixou a enfermeira lhe empurrar até a saída. Eu abri a porta e acenei para os agentes, Brubaker e Hyde. Liis não conseguiu conter o sorriso presunçoso, reconhecendo que ambas as agentes eram mulheres. “Você sabe o que estou pensando, não é?” Ela me perguntou. “Que mulheres são as melhores motoristas e melhores com armas, então você está feliz com nossa escolta?” “Correto.” Liis disse. Brubaker sorriu também. Depois que eu segurei Stella dentro de seu assento do carro e ajudei Liis a se sentar no banco traseiro de nosso Suburban, eu me sentei atrás do volante e sinalizei para as agentes seguir em frente. Brubaker estava a nossa frente em seu Tahoe preto, e Hyde estava atrás em um veículo idêntico. Eu revirei meus olhos. “Elas estão tentando anunciar nossa existência, ou acham mesmo que a máfia é estúpida?” “Eu não sei.” Liis disse, se inclinando pra frente para ver pelo retrovisor.

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“Tudo limpo?” Perguntei. “Até agora.” “O que foi?” Perguntei ao ver o olhar de preocupação de Liis. “Eu também ainda não sei o que é.” Estiquei meu braço para trás para tocar seu joelho. “Vai ficar tudo bem, mamãe.” Ela esticou o pescoço. “Por favor, não vamos ser aquele tipo de casal que fica chamando um ao outro de papai e mamãe.” Franzi a testa. “E do quê Stella vai aprender a nos chamar?” Liis suspirou, uma rara concessão. “Certo. Mas só... somente faça isso quando estiver perto dela, mas não em público.” “Sim, madame.” Eu disse com um sorriso animado. Liis se recostou, parecendo relaxada, mas eu a conhecia bem. Ela continuava periodicamente se inclinando para olhar pelo retrovisor e logo depois para Stella. “Como ela está?” Perguntei. “Nós precisamos daqueles espelhos que ficam acima do banco traseiro, assim você pode vê-la pelo retrovisor.” Liis disse. “E como será quando estivermos apenas um de nós no carro com ela. Precisaremos arrumar um jeito de sempre conferi-la.” “Fazendo anotação mental agora mesmo.” Eu lhe assegurei.

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Então ela fechou os olhos por poucos segundos até que eles abriram novamente para olhar pelo espelho. Ela deu uma segunda olhada e num instante se transformou de uma recém-mãe cansada para uma agente do FBI. “Sedan branco, no sentido quatro horas, faixa esquerda.” “Copiado.” Hyde disse. Brubaker ficou atenta ao rádio, e nós mal dirigimos duas milhas, recebemos comunicado de que mais carros estavam no caminho. Antes que eles aparecessem, o sedan pegou a saída. “Certifique-se se alguém seguiu.” Liis disse. “Não se preocupe.” Eu disse, tentando permanecer calmo. “Todos eles estão fora do caminho.” Liis engoliu em seco, se esforçando para manter a calma. Ser pais era um problema adicional de segurança que nós não conseguimos planejar. Eu sabia que parte dela queria seguir o sedan, para pegá-los e interrogá-los, e trancá-los longe de nossa frágil família. Tão urgente era seu comprometimento em ser uma agente, mas sua necessidade em proteger nossa filha era mais forte. Nós dirigimos os últimos quinze minutos para casa sem nenhum incidente, porém estávamos incapazes de curtir nossa viajem com nossa nova companhia assim como outros pais fazem. Enquanto nós saíamos do carro, as agentes montaram guarda. Hyde e Brubaker olharam ao redor, de vez em quando falando em seus pequenos rádios nos ouvidos enquanto Liis e eu levávamos nossa filha até a varanda. Acenamos para

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os vizinhos e em seguida subimos as escadarias até chegar à porta. Embaixo do tapete da varanda eu peguei minha chave e em seguida toquei a maçaneta. Hyde tocou de leve em meu antebraço. “Senhor, eu gostaria de dar uma olhada primeiro, se não se importa.” “Claro.” Falei, me afastando. Apenas dois dias atrás, teria sido eu que faria a revista na casa. Eu teria deixando Liis com as agentes enquanto checaria cada quarto, closet, atrás de cada porta, e debaixo de cada cama antes de eu permitir que minha namorada grávida entrasse. Mas agora, meu lugar era ficar ao lado dela, protegendo nossa filha. Tudo havia mudado dentro de quarenta e oito horas. Hyde destrancou a porta e em seguida puxou sua arma. Ela segurou sua Glock como se aquilo fosse uma extensão de seu braço, andando tão mansamente em cada cômodo que eu nem conseguia escutar seus passos. “Eu era boa assim?” Liis perguntou. “Melhor.” Respondi. “Não me engane, Maddox.” “Nunca, agente Lindy.” Depois de alguns minutos, a agente Hyde retornou, guardando sua arma. “Tudo limpo, senhor.” “Obrigado.” Eu disse, seguindo Liis.

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Liis puxou o ar com força enquanto passava pela entrada, sentindo-se mais à vontade. Carreguei a cadeirinha com Stella até o quarto, depositando gentilmente no chão. Liis havia decorado o local de cor cinza, cinza azulado, marrom amarelado, e coral sem nenhum arco ou bailarina em vista. Liis estava determinada a manter Stella o mais neutro em relação a gênero possível. Mesmo antes de ela nascer. Uma cadeira de balanço com estofado em marfim estava perto do berço, um travesseiro quadrado estampando em azul o contorno de uma raposa no meio. Eu peguei Stella, erguendo seu corpo mole em meus braços, e depois a deitei de costas no berço. Ela parecia tão pequena perto das paredes de seu quarto novinho em folha. Tudo era novo – o carpete, o tapete no estilo ‘Santa Fé’, o portaretrato 5x7 de um desenho de uma raposa no lado da mesa, as cortinas, a pintura. Até aquele momento, o quarto era bonito e primitivo, mas vazio. Agora, estava cheio com o nosso amor para a recém-nascida, que é dona do quarto. Depois de observar Stella por um momento, Liis e eu trocamos olhares. “E agora?” Ela sussurrou. Eu ajustei a câmera do berçário e sinalizei para que Liis me seguisse até o corredor. Eu dei de ombros. Ela deu de ombros também. “O que isso” – repetiu o movimento – “significa?”

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“Significa que eu não sei. Eu estava esperando caos e choro quando chegássemos em casa. Você sabe... todas aquelas coisas horríveis que vemos em filmes.” Liis sorriu e se inclinou contra o batente da porta. “Ela é perfeita, não é?” “Vou reservar alguns julgamentos pra quando ela acordar às duas da manhã, ou fizer cocô em minha mão.” Liis amistosamente franziu o cenho para mim e eu beijei sua testa. “Acho que vou me deitar um pouco.” Liis disse, se aproximando do monitor. Eu o alcancei primeiro no guarda-roupa. “Deixa comigo. Você descansa.” Liis ficou na ponta dos pés, beijou o canto de minha boca e depois tocou minha bochecha. “Estou tão feliz, Thomas. Eu nunca pensei que eu pudesse me sentir assim. É difícil de explicar.” Eu sorri de volta. “Você não precisa explicar. Eu sei exatamente o que você está sentindo.” Liis caminhou pelo corredor até chegar ao nosso quarto, deixando a porta aberta em uma fresta. Eu ri comigo mesmo enquanto me guiava para a cozinha, abrindo a lava-louça para tirar as louças que Liis tinha começado a lavar quando a bolsa de água estourou.

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Meu celular tocou no bolso de minha calça, e eu o peguei, segurando contra meu ouvido. “Maddox.” Eu escutei, andando até a janela e afastando a cortina de lado. Meu coração gelou. “Você não está falando sério.” Eu disse. Escutei enquanto o diretor me deu instruções que fez meu sangue correr frio. “O plano é que eu deixe que eles atirem em mim?” “Eles já deram um tiro em Travis.” “O quê? Ele está bem?” Perguntei, sentindo os cabelos de minha nuca ficar em pé. “Pegou apenas de raspão em seu ombro, e está um pouco machucado. Eles fizeram seu carro sair da estrada.” O diretor limpou sua garganta, desconfortavelmente tendo que dizer suas próximas palavras. “A emboscada era para Abby.” Eu engoli um nó que se instalou em minha garganta. “Como você sabe?” “Travis estava dirigindo o SUV dela. Fotos de câmeras de vigilância de todos os alvos vulneráveis estavam no carro do atirador, incluindo Abby.” “Ao dizer alvos vulneráveis, você quer dizer...” “Os membros de sua família, Thomas. Eu sinto muito.” Eu bufei, tentando me manter calmo. Se ele tem fotos de câmeras de segurança, os Carlisis haviam descoberto sobre Travis há algum tempo. Eles estão de olho em minha família: perto o suficiente para

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fotografar. Isso explica o interrogatório de Travis em Vegas. O que nós pensamos que de certa forma Travis havia estragado seu disfarce guiando para um sequestro improvisado e espancamento enquanto eles tentavam arrancar mais informação quando na verdade era tudo parte do plano. “Eles foram localizados?” O diretor pausou. “O SUV de Travis atingiu em alta velocidade em uma árvore. Eles retornaram para finalizar, mas eles não saíram ilesos. A família Carlisi agora tem três homens mortos. Bobby o Peixe. Nikko a Mula. Vito Carlisi.” “O filho de Ben. Isso significa que sobraram apenas dois possíveis sucessores.” Benny tinha sete filhos, mas apenas três filhos homens. O mais velho, Angelo, era o segundo chefe com os outros dois na linha de sucessão. Benny era à moda antiga, e ensinou aos seus filhos e criminosos da família que apenas homens poderiam herdar seu império ilícito. Eu tinha esperança de que o atentado deles tivesse deixado sem nenhum sucessor, tudo que Benny havia construído iria ruir. “Travis deu conta de tudo.” O diretor disse. “Claro que ele deu.” Meus músculos relaxaram. O que poderia ter sido um grande desastre acabou ficando ao nosso favor. Eu deveria saber. Uma vez que alguém leva um golpe de Travis, ele sempre se certifica de que eles não iriam retornar a fazer. Mesmo que eles fossem os três melhores assassinos profissionais da família Carlisi.

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O caçula homem dos Carlisi, Vincenzo, e dois dos seus soldados foram detectados em um Nissan Altima prateado. Eles seguiram em direção a você. E devem estar ciente da morte de Vito a essa altura.” “Vindo para cá? Agora?” Perguntei, olhando pra trás para o quarto de Stella. “E se tiver bala perdida? Ricochetes? Nós vamos os deixar darem uma passadinha em frente a minha casa com minha esposa e filha dentro? Para mim, isso parece perigoso, senhor.” “Você consegue pensar em outro plano dentro de oito minutos?” Eu fiz uma careta. “Não, senhor.” “Hyde vai ficar com Liis e Stella em segurança na parte de trás da casa com coletes. Essa é nossa única chance. Depende de você, claro, mas –“ “Entendido, senhor.” “Tem certeza?” “Você está certo. Tem que acontecer dessa forma. Isso vai nos fazer ganhar mais tempo.” “Obrigado, agente Maddox.” “Obrigado, diretor.” A porta do quarto rangeu, e pela minha visão periférica, eu vi Liis se inclinando pela entrada, segurando o celular no ouvido. Eles ligaram para ela também.

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“Mas nós apenas... eles possivelmente nem sabem –“ Ela suspirou. “Eu entendo. Claro, eu concordo, mas... sim, senhor. Eu entendo, senhor.” Ela olhou para mim com lágrimas nos olhos, limpando sua garganta antes de prosseguir. “Considere feito, senhor.” O telefone caiu de sua mão para o chão, e seus olhos perderam foco. Eu corri pela sala para envolvê-la em meus braços. Minha intenção era ser gentil, mas eu sabia que estava abraçando-a muito forte. “Não acredito que isso está acontecendo.” Ela disse, sua voz abafada contra meu peito. Seus dedos cravaram em minhas costas. “Se houvesse pelo menos outro jeito.” Comecei. “Travis está bem?” Perguntou. Ela já havia sido informada, eu tinha certeza, mas ela precisava ouvir de mim. Eu não iria aliviar as coisas só porque ela estava de resguardo, e ela sabia daquilo. “Ele está um pouco machucado. Eles eram três capangas atiradores.” Ela soltou um riso e levantou o queixo, seus olhos bem abertos brilharam ao cair a ficha. “Eu que vou ter que dizer a eles, não é? Terá que ser eu.” Eu hesitei, sentimentos conflituosos se remexiam dentro de mim. Eu não queria ter que colocá-la nessa situação. Minhas sobrancelhas franziram. “Os Carlisis simplesmente irão enviar mais, Liis. Eu sei que está longe de terminar... mas você terá que fazer isso.” Ela balançou a cabeça. “Eu não posso. Eu...”

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Eu cerrei meus dentes, tentando me manter firme e forte por ela. Eu segurei seu queixo em minha mão. “Vai ficar tudo bem. Você pode fazer isso.” Seu peito desabou, e ela soltou todo o ar. “Como eu posso fazer isso com eles?” Ela tocou sua testa, balançando a cabeça em descrença. “Nós fazemos o que devemos fazer. Como sempre fizemos.” Liis olhou para o quarto de Stella. “Mas dessa vez, muito mais coisas está em jogo.” Chequei meu relógio e suspirei. “Tenho que empacotar algumas coisas e fazer algumas ligações.” Ela pressionou os lábios e balançou a cabeça. “Eu te ajudo.” Stella começou a se remexer, e eu quase senti falta disso. “Isso é demais. Não está certo deixar você sozinha com ela. Ela mal tem um dia de nascida, e você aqui, sozinha...” Ela me abraçou. “E não vou ficar sozinha.” Apertei meus braços ao seu redor, sentindo o cheiro de seu cabelo, memorizando a maciez de sua pele. “Eu não... Eu não consigo dizê-la adeus.” Eu disse. Tive meu coração partido mais de uma vez, mais isso era tortura. Eu já estava apaixonado pela pequena garota no berço, e deixá-la iria ser a coisa mais difícil que eu faria. “Então não diga.” E assenti e entrei no quarto, assistindo Stella respirar calmamente, toda enrolada e felizmente sonhando sonhos de bebês

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recém-nascidos – com as batidas do coração de Liis e minha voz abafada. Eu me inclinei e pressionei meus lábios em seus ralos cabelos negros. “Te verei em breve, meu amor. Papai te ama.” Andei pelo quarto e peguei meu colete, vestindo-o enquanto Liis me observava com uma expressão pesarosa, em seguida empacotei algumas roupas e produtos de higiene dentro de uma bolsa e peguei o telefone, digitando o número de Trenton. Tentei manter minha voz casual enquanto dizia a ele para nos esperar o mais cedo que tínhamos combinado. Em menos de cinco minutos, eu tinha terminado de fazer tudo. “Quem está lá fora?” Liis perguntou assim que eu desliguei a ligação. “Dustin Johns e Canton.” Eu disse, vestindo uma jaqueta leve. “Brent Canton?” Ela indagou. Quando eu confirmei, ela assentiu e suspirou aliviada. Eles eram os melhores atiradores do Bureau. “É bom que eles não errem.” Ela disse. “Não vão.” Disse. Eu esperava que não. Eu estava colocando minha vida nas mãos deles. Puxei Liis em meus braços, apertando-a forte, e em seguida pressionando meus lábios aos dela, rezando para que não fosse a última vez. “Eu vou te pedir em casamento quando nos vermos de novo, e dessa vez, você vai dizer que sim.” “Certifique-se de que nos veremos mais uma vez.” Ela disse. Hyde abriu a porta da frente. “Trinta segundos, senhor.”

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Eu assenti para ela, pegando a chave de meu carro, e olhei de novo para Liis, dando uma Ăşltima olhada antes de fechar a porta atrĂĄs de mim.

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“Anime-se cara, aposto que ela vai voltar para casa até o fim dessa temporada,” Jubal disse, me assistindo dobrar as roupas limpas. “Você tem falado isso em todas as temporadas desde que ela foi embora,” Eu resmunguei, sacudindo um par de calças cargo azul marinho. A cor estava desbotando. Quando Falyn lavava as roupas, de alguma maneira, ela conseguia as manter novas por meses. Eu cozinhava o jantar e tirava o lixo; Ela cuidava das roupas e da louça. Juntos nós cuidávamos das crianças. Ter apenas 4 meses separando Hollis e Hadley era praticamente como ter gêmeos. Um de nós segurava as pernas agitadas e tirava a fralda, enquanto o outro limpava e colocava a fralda limpa. Eu levava Hollis para o futebol e ela levava Hadley para o vôlei. Por nove anos nós funcionamos como as peças de uma engrenagem. Nós até aperfeiçoamos as brigas. Raiva, negociação, sexo de reconciliação. Agora, depois que ela foi embora, eu não tinha mais compromisso com ninguém, não tinha mais que fazer malabarismo para cuidar das crianças, nem jantar para quatro. Eu estava lavando minhas próprias roupas por dois meses, desde que ela se mudou para Colorado Springs com as crianças, e as minhas calças já estavam um lixo. Mais um motivo para sentir falta dela. Eu dobrei as calças, as coloquei em um cabide e o pendurei no meu armário. Eu não estive na equipe de escavação contra incêndios nas

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montanhas por quatro anos. Só estar em casa durante seis meses por ano já havia custado nosso casamento, então eu pendurei minha Pulaski e aceitei um emprego em tempo integral no departamento de bombeiros da cidade. No final, não importou o que eu fiz. Falyn não estava feliz. “As crianças estão gostando da escola nova?” Jubal perguntou. “Não, não estão.” Jubal suspirou. “Eu imaginei que isso seria difícil pro Hollis. Fiquei surpreso por você ter deixado ela levar ele.” “E separá-los? Não.” Eu disse, balançando minha cabeça. “Além disso, ela é a mãe dele. Sempre foi. Não seria certo dar a cartada de ‘filho biológico’ agora.” Jubal concordou. “Verdade.” Ele bateu em meu ombro. “Você é um bom homem, Taylor.” Franzi minha testa. “Não bom o suficiente.” Meu celular começou a tocar. O levantei até meu ouvido e Jubal acenou, sabendo que eu precisaria de privacidade. Ele voltou para a área de convivência e eu deslizei meu dedo pelo display, segurando o telefone no meu ouvido. “Oi querida.” Eu disse. “Oi.” Falyn ficava incomodada com termos de carinho agora, como se eu não devesse me importar com ela já que ela havia me deixado.

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A verdade é que eu tentei gritar. Eu tentei ficar bravo. Eu implorei e supliquei e até fiz birra, mas tudo que eu fiz foi afastar ela ainda mais. Agora eu ouvia mais e perdia menos a calma. Algo que meus irmãos haviam aprendido muito antes. Eles ainda tinham suas esposas. “Eu estava pensando em você agora mesmo,” Eu disse. “Ah, é?” Ela perguntou. “Eu te liguei por que... Hollis não está muito bem. Ele entrou em uma briga hoje.” “Uma briga? Ele está bem?” “Claro, ele está bem. Você o ensinou como se defender. Mas ele está diferente. Está irritado. Graças a Deus é o ultimo dia de aula antes das férias de verão ou ele poderia ser suspenso. Ele ainda pode. Taylor, eu acho...” Ela suspirou. Ela soava tão perdida quanto eu, e era ao mesmo tempo doloroso e um alivio não estar sozinho nisso. “Eu acho que cometi um erro.” Eu segurei minha respiração, esperando que ela finalmente fosse dizer que estava voltando para casa. Não importava o motivo. Uma vez que ela voltasse, eu poderia consertar as coisas. “Eu estava pensando... que talvez...” “Sim? Quer dizer, sim. O que quer que seja.” Ela pausou de novo. Esses momentos intermediários me faziam sentir como se eu estivesse morrendo milhares de vezes. A voz dela dizia tudo. Ela sabia que quando me ligasse estaria alimentando minhas esperanças, mas essa conversa era sobre as crianças, não sobre mim. Não

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sobre nós. “Eu estava pensando se você não se importaria em me ajudar a achar uma casa para alugar em Estes. Você tem mais conhecimento por ai do que eu. Vai ser difícil encontrar um apartamento de três quartos. As crianças já estão grandes demais para dividir.” Sentei-me na minha cama, sentindo como se o ar tivesse sido tirado de mim. “Você não pode só... voltar para casa? O quarto das crianças está pronto. É familiar. Eu adoraria que você voltasse. Eu quero que você volte. Isso não precisa ser diferente do que seria se você tivesse em outro apartamento. Eu durmo no sofá.” O outro lado da linha ficou em silencio por um longo tempo. “Eu não posso, Taylor.” Ela parecia cansada. Sua voz estava mais profunda que o usual; em pedaços. Antes eu teria implorado. Isso só iniciaria outra discussão. Isso era sobre nossas crianças. Eu tinha que nos colocar de lado. “Falyn... volta para casa com as crianças. Eu arrumo um apartamento.” “Não. Fui eu quem foi embora. Eu vou encontrar algum lugar.” “Amor,” Eu comecei. Eu pude sentir seu desconforto pelo telefone. “Falyn. A casa é sua. Eu vou avisar a escola que eles estarão de volta para o próximo ano.” “Sério?” Ela perguntou, sua voz se quebrando. “Claro,” Eu disse, esfregando a parte de trás do meu pescoço. “Não faz sentido eu ficar naquela casa enorme sozinho e você e as crianças se espremerem em um apartamento.”

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“Obrigada.” Ela suspirou. “As crianças vão ficar tão felizes.” “Ótimo,” Eu disse, forçando um sorriso. Eu não tinha certeza do por que. Ela não podia me ver. “Ótimo. Fico feliz.” Ela soltou um suspiro de alivio, e os sons de algo arranhando o telefone me fizeram imaginar que ela estava secando suas lagrimas. “Okay, então, eu vou... hum... vou começa a empacotar as coisas.” “Precisa de ajuda? Me deixa te ajudar.” O apartamento que ela encontrou em Colorado Springs era mobiliado, então não haviam muitos móveis para carregar, mas eu estava desesperado para voltar para nossa engrenagem perfeita. “Não, nós podemos fazer isso. Não temos muito. Nem nada muito pesado.” “Falyn. Pelo menos me deixe ajudar com as crianças. Faz duas semanas que não os vejo.” Ela pensou sobre isso por algum momento, suspirando de novo. Eu a imaginei pesando os prós e contras. Ela teve que pensar mais sobre suas escolhas esses dias, suas decisões tomadas apenas depois de ter mais informações, o tipo de coisa que eu precisava começar a fazer, também. Eu meio que esperava que ela dissesse que pensaria nisso e me ligaria depois, mas ela respondeu. “Okay.” “Okay?”

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“Eu estava cogitando contar para as crianças hoje à noite. Você quer estar aqui quando eu contar? Eu não sei isso seria muito confuso pra eles...” “Eu estarei aí.” Eu disse sem hesitar. Algumas coisas exigiam menos ponderamento do que outras. Nós desligamos e eu engoli o nó que havia se formado na minha garganta. Eu não ousei dizer a ela o que eu queria. Eu me segurei a esperança de que uma vez que ela estivesse de volta nós poderíamos realmente começar a trabalhar em tudo que deu errado entre nós. Dessa vez eu poderia prometer não forçar a barra ou agir sem pensar. Eu mostraria pra ela que eu mudei. Eu agarrei o telefone com as duas mãos e o segurei na minha testa, silenciosamente me forçando a manter a calma e não arruinar tudo dessa vez. Nada era mais assustador do que ser o seu próprio pior inimigo. Mesmo quando eu queria fazer a coisa certa, era uma luta. Eu sempre vivi a mercê das minhas próprias emoções, e aqueles ao meu redor sofriam as consequências. Eles viam a pressão se formar e então, a descarga. Mesmo que isso durasse apenas alguns segundos na forma de raiva. Conforme os anos passavam, e eu não aprendia ou crescia ou me esforçava para superar isso, o perdão de Falyn vinha menos fácil, e eu não podia culpar ela. “Já terminou a ligação?” Jubal perguntou. Eu ergui minha cabeça e acenei, tentando ao máximo manter o sofrimento longe do meu rosto. “O comandante quer falar com você”

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Limpei meu nariz com meu pulso e me levantei, respirando fundo. Meus músculos estavam tensos. Eu sabia o que estava por vir. O comandante esteve em reuniões a manha toda com todos os outros comandantes da área, o Chefe, e o conselho da cidade, tudo a respeito de mim. “Taylor?” Jubal disse quando passei por ele. “Sim?” Eu me virei para poder encarar ele, aborrecido. Ele havia interrompido minha preparação emocional para o que poderia vir a acontecer na sala do comandante. “Você precisa acalmar seu temperamento e baixar a bola antes de entrar lá. Você já está encrencado o bastante do jeito que está. Você definitivamente não vai conseguir ela de volta sem um emprego.” “Isso não importa. Nada tem dado certo pra mim desde que ela foi embora.” Jubal fez uma careta, nada impressionado com a minha auto piedade descarada. “Se você parasse de gastar tanto tempo se culpando, você conseguiria libertar sua cabeça e seu coração pra pensar em uma solução.” Eu pensei nas suas palavras e acenei, respirando fundo. Jubal estava certo, como sempre. O comandante estava no telefone quando bati na porta e entrei. Ele levantou o dedo e sinalizou para que eu sentasse em uma das duas cadeiras laranjas em frente a sua mesa.

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Eu fiz como ele me instruiu, entrelaçando meus dedos em cima do meu estômago e balançando meus joelhos. Aquele escritório não havia mudado muito desde que ele assumiu o cargo; as mesmas fotos nas paredes e os murais contendo informações espalhados pela sala. Os painéis entregavam a idade do prédio, assim como o carpete manchado e os móveis usados. As únicas coisas diferentes eram um porta retrato na mesa, o cara sentado do outro lado e a placa de identificação na sua frente. COMANDANTE TYLER MADDOX “Você me chamou?” Eu perguntei quando ele colocou o telefone no gancho. Eu peguei a foto da gente junto com o papai, todos juntos lado a lado, abraçados e felizes. Thomas quase parecia deslocado, sem tatuagens, com o cabelo mais claro e mais comprido e os olhos esverdeados, o oposto do marrom como o resto de nós. “Qualquer outra pessoa que olhe essa foto deve pensar que o Tommy é filho do padeiro. Só aqueles que nos conhecem conseguem reconhecer que ele se parece a mamãe.” Tyler fez uma careta. “Eu sei que você já me disse isso uma vez, mas me diga de novo, Taylor. Me diga que você não sabia quem ele era quando você foi pra cima dele.” Eu tentei não ficar na defensiva, mas manter a calma era difícil quando ele estava me pedindo pra explicar o porquê eu soquei o filho do prefeito quando ele tocou a bunda da minha esposa no bar. Tyler sabia que assim como eu tinha feito aquilo, ele teria feito a mesma coisa. Os

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Maddox não parariam pra perguntar a posição social de alguém antes de colocá-los em seu lugar. “O prefeito se mudou pra cá uns dois anos atrás,” Eu disse. “Como eu iria saber quem era o imbecil do filho dele?” A carranca de Tyler não se desmanchou. “Isso não é só um probleminha, Taylor. Eu não sei como eu vou fazer pra te tirar disso dessa vez.” Eu me inclinei pra frente, apoiando meus cotovelos nos meus joelhos. “Dessa vez? Você age como se tivesse me defendido a vida toda. Eu achava que isso era recíproco!” Os ombros de Tyler caíram. "Ok, então, é a minha vez agora, e você me ferrou. Minhas mãos estão atadas." "Talvez esse filho da puta não devesse ter agarrado a bunda da minha esposa." Tyler se inclinou para trás, suspirando impaciente. "Ele tropeçou." Eu cerrei os dentes, os nós dos meus dedos ficando brancos enquanto eu apertava o braço da cadeira, tentando não avançar para cima do meu irmão. “Não repita as mentiras de merda dele pra mim, Tyler. Eu vi com meus próprios olhos, assim como toda a equipe. Jubal, Zeke, Suagar, Jew, Cat, e Porter todos colocaram seus empregos em jogo para testemunhar a meu favor. Eles sabiam que o prefeito queria que eles dissessem coisas diferentes nas declarações”.

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Tyler olhou para mim por um minuto, mas sua expressão dura se desfez. "Eu sei. Eu sinto muito." “E então? Estou fora?” Perguntei. "Nós dois estamos." Franzi minhas sobrancelhas. "O que você quer dizer? Eles não podem fazer isso, porra. Como é que eles podem fazer isso?" "Eles não fizeram nada. Eu entreguei a minha demissão esta manhã. Parece que é o último dia para nós dois. " Meu peito estava pesado, e eu soltei um suspiro em descrença. "Você está brincando comigo?" Tyler negou com a cabeça. "Começamos juntos. Sairemos juntos, certo?” Eu balancei a cabeça, sentindo lágrimas queimando meus olhos. Lembrei-me de quão orgulhoso Tyler ficou quando recebeu a notícia de sua promoção, o quão orgulhosa Ellie ficou, e quão felizes nós todos estávamos enquanto comemorávamos aquela noite. Ele era o melhor homem para esse trabalho. Ele cuidava dos caras como cuidava de mim. "Você não merece isso. Você trabalhou duro por essa mesa.” Tyler se levantou e caminhou ao redor da mesa. Ele estendeu a mão, e quando eu a segurei, ele me puxou para cima. "É só uma mesa. Você é meu irmão.” Tyler me abraçou, e minha cabeça caiu contra seu ombro. Eu me segurei, mantendo pra mim toda dor e sofrimento que senti desde que

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Falyn foi embora e por perder o meu emprego – além de me culpar pela demissão de Tyler também – ao invés de me inundar em uma onda incontrolável de emoção. "Acho que podemos parar de mentir para o papai e realmente começar a vender seguros agora." Ele passou seu braço pelo meu pescoço e esfregou os dedos no topo da minha cabeça com sua mão livre. "Vamos lá. Nós vamos ficar bem. Vamos contar para os caras.” "É, uh..." Eu comecei. "Eu vou ter que encontrar algo rápido." "Por quê?" "Falyn está voltando pra cá com as crianças." A boca de Tyler caiu em descrença, e ele deu um passo atrás, socando meu braço com o lado de seu punho. "Você está falando sério, cara? Isso é fantástico!" Mudei o meu peso, cruzando os braços sobre o meio. "As crianças não estão muito contentes em Springs. Eu disse a ela pra ficar com a casa.” "Oh." "Então eu estou procurando um apartamento." Ele fez uma careta. "Não são lá tão boas noticias então, hein?!" "Não." Tyler colocou a mão no meu ombro. "Você quer ficar comigo e com Ellie?"

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"Nah", eu disse. “Mas obrigado, de qualquer maneira." "Vocês se amam. Vão se resolver.” Olhei para baixo, calafrios correndo sobre todo o meu corpo. "Se ela me ama, então por que me deixou?” Isso fez Tyler parar, e bater sua mão no meu braço. "Nós somos loucos pra caralho. Aquelas mulheres tem que se desdobrar pra conseguir nos amar. E... às vezes é preciso perder alguém para finalmente ter a coragem de nos transformarmos nas pessoas que elas merecem.” Senti um vazio no peito e soltei um suspiro profundo como se Tyler tivesse acabado de me dar um soco. Ouvir esse tipo de verdade era como cair em minha própria espada. "Só... não conte a ninguém que ela está voltando", Eu disse. "Eu quero tentar conversar um pouco com ela antes que o filho do prefeito descubra. Imbecil arrogante ". "Ele não pode roubar a sua esposa, Taylor. Ela não o quer.” Eu fiz uma careta. "Ela não me quer, também." "Isso é besteira, e você sabe disso. Nós todos paramos pra pensar em algum momento e percebemos que as nossas mulheres estão ficando cansadas de nossas merdas. Nós nos recompomos, e fica tudo bem. Você está apenas um dia atrasado”. "Tipo isso," eu resmunguei enquanto caminhávamos para os alojamentos.

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Paramos um pouco abaixo da linha mais próxima de poltronas reclináveis. Cada poltrona estava ocupada com os caras da nossa equipe. Todos eles eram bombeiros formados como nós, à espera de que o alarme soasse para que pudéssemos ter um gostinho da adrenalina e do poder que acompanhava a luta contra algo tão incontrolável e desumano e no final, ganhar. Tyler olhou para mim e apontou para a equipe. Eu cerrei meus dentes e olhei para o chão; a vergonha e a sensação de desapontar minha família do quartel eram insuportáveis. Jubal sentou-se, o reconhecimento em seus olhos. "Merda. Eu não acredito nisso.” "Eu..." Antes que eu pudesse terminar, o alarme soou através de cada alto-falante no prédio. Esperamos o despachante, Sonja, nos dizer a localização e natureza do incêndio que estávamos prestes a enfrentar. "Alarme de incêndio no Armazém Hickory, Avenida North Lincoln, 200. Possíveis ocupantes”. "Dentro?", Perguntei. "Aquilo está vazio há anos." "Merda", disse Jubal. "Não, não está. A família Hickory sublocou o armazém para o Marquis Móveis a mais ou menos cinco anos atrás. Está lotado com o estoque deles.” "Vamos precisar da escada e os dois motores maiores. Caminhão em modo de espera!”, Disse Tyler. Ele alcançou meu ombro. "Vamos juntos. Pela última vez."

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Minhas sobrancelhas se repuxaram. "Eu disse a Falyn que encontraria com ela em Springs hoje à noite para ajudar a arrumar as crianças". Tyler sorriu e concordou. "Sem problemas. Vá corrigir suas cagadas assim você para de choramingar, pode ser?” Sorri sem entusiasmo, observando meu irmão gêmeo pegar seu chapéu de comandante, casaco e as chaves antes de correr para a garagem das ambulâncias, onde o caminhão estava estacionado. O resto dos caras seguiu atrás dele para os carros de bombeiros e ambulâncias, e eu fiquei sozinho, sentindo minha mandíbula tensa. Algo não parecia certo. "Droga, Tyler," eu disse sob a minha respiração, correndo para colocar o meu equipamento. Eu entrei no bunker onde estavam os equipamentos, agarrei meu chapéu e abri, no exato momento em que Tyler estava saindo. Tyler fez uma careta para mim enquanto eu puxava meu cinto de segurança. "O que você está fazendo, idiota? Vá buscar sua esposa.” "Pela última vez", eu disse, sentando e tentando parecer o mais focado possível. Ele pisou no acelerador, levando a equipe até a periferia da cidade tão rápido que o som assombroso das sirenes logo ficou para trás. Ele já estava no rádio, falando com a outra equipe que iria chegar e se comunicando com o despachante sobre como desligar qualquer forma de comunicação com o público. Todos nós sabíamos que seria um fogo

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infernal no armazém, mas eu podia ver um lampejo de nervosismo nos olhos de meu irmão. Ele também sentia que alguma coisa não estava certa, assim como eu. Os freios do caminhão de Tyler gritaram, e os pneus cavaram os cascalhos quando ele diminuiu a velocidade em frente ao armazém. O lado sul da estrutura de três andares estava quase coberta de chamas. Abaixei a janela do lado do passageiro, e até mesmo daquela distância eu podia sentir o calor no meu rosto. As chamas chicoteavam para o céu, atingindo com seus dedos brilhantes e desformados como se devorassem e digerissem o aço e a madeira serrada que tinham resistido a cinco gerações do clima cruel do Colorado. Tyler se inclinou para frente, pressionando o peito contra o volante para poder ter uma melhor visão. Ele tinha que gritar sobre o rugido do monstro laranja. "Esse é um filha da puta dos grandes!" Ele passou um rádio para o despachante, solicitando o desligamento das estradas que levam para o armazém. A consistência da pressão da água já seria um problema. Nós não precisávamos do trânsito passando sobre as mangueiras também. Pela primeira vez, antes de um incêndio, um sentimento ruim veio até mim. "Eu tenho um mau pressentimento, Tyler.” Ele respirou profundamente. "Dá um tempo, irmãozinho. Você é mala demais para morrer." Eu olhei para o fogo. "Espero que sim. Faz três meses que tive minha esposa em meus braços”.

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"Isso vai queimar por dias," falei, assim que puxei a maçaneta da porta. "É melhor eu ligar para Falyn", disse Taylor. "Vou avisá-la que não estou indo essa noite, afinal.” Nós dois subimos no caminhão, ficando em lados opostos do capô. Eu apontei para ele. “Não ouse fazer essa porra. Nós vamos conter essa puta faminta, e então você vai pegar minha sobrinha e sobrinho, e trazer sua família para casa.” Taylor olhou para o relógio enquanto corria para o caminhão de bombeiro. "Eu tenho duas horas!" Olhei para o armazém e gritei de volta para o meu irmão, "Ela não vai estar fora, mas podemos vencê-la!" Jubal e Sugar já estavam lutando contra o fogo, arrastando uma mangueira no térreo, enquanto Zeke e Cat no lado de fora servindo como reforço. Jubal trouxe uma CIT – câmera de imagens termal – para localizar o fogo e possivelmente qualquer pessoa no interior. “Esperem, escada dois.” Tyler disse no seu rádio. “Vamos esvaziar o prédio antes de começarmos a jogar o jato d’água.” A voz de Jew surgiu no alto falante, “Copiado.”

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“Vamos precisar de ventilação.” Jubal chamou através da frequência. Eu gesticulei para Taylor para atender ao pedido de Jubal. “Copiado.” Eu baixei meu rádio. “Deem-me ventilação vertical, Taylor. Com todos aqueles móveis lá dentro servindo como combustível...” Eu parei de falar, tremendo. “Estamos correndo risco de que o fogo espalhe rápido.” Taylor disse, terminando minha frase. “Então vamos nos certificar de ventilar bem.” Eu disse. O combustível, embora fossem hidro carbonos ou naturais como madeiras, liberam gases a certas temperaturas. Uma vez que os gases inflamassem e o ar superaquecesse, a área poderia entrar em combustão instantaneamente, um fenômeno que significaria a morte de muitos bombeiros na vizinhança. Além de que o armazém está cheiro de explosivos e pneus, milhares de pedaços de equipamentos eram rivais formidáveis para qualquer departamento de bombeiros, e eu sabia que meu último incêndio seria meu maior desafio como comandante. Eu vi meu irmão se afastar e o meu estômago se revirou. “Taylor!” Ele parou. “Espera um pouco. Mantenha os olhos atentos aqui. Eu faço isso.” “Mas…” Taylor começou.

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“Eu disse que eu faço isso!” Grunhi. Eu peguei um machado do caminhão antes de ir para a escada móvel para quebrar parte do teto. Eu sinalizei para Porter me seguir até a escadaria. “Pegue a serra!” Gritei. Ele franziu a testa, confuso que o comandante do turno fosse para a escada ao invés de ficar no solo observando. Nós subimos na passarela, e eu acenei para o operador, deixando-o saber que estávamos prontos. As engrenagens rangeram enquanto a escada móvel subia na altura de quinze metros. Enquanto o vento soprava, o calor atingiu meu rosto e faíscas brilhantes flutuaram ao nosso redor. Uma aflição nostálgica me obrigou a gravar esse momento porque eu iria sentir falta disso. Eu amava caminhões de bombeiros desde que eu era criança, e eu não sabia como a vida iria ser sem sentir a pressa de correr em direção a um prédio em chamas quando todos estariam correndo para fugir. Porter fechou seus olhos e engoliu em seco. Mesmo por debaixo de seu equipamento de segurança, percebi que ele estava respirando com dificuldade. “Você não tem medo de altura, não é, Porter?” Ele balançou a cabeça, suas bochechas ainda cheias pela juventude. Nós nem tínhamos pensado em um apelido para ele ainda. “Não, senhor.” Ele disse.“Quero dizer, sim, senhor, mas eu vou fazer meu trabalho.” Esfreguei minha mão no topo de seu capacete. “Acabei de pensar em um apelido para você, Porter.”

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Seu rosto se iluminou. “Sério?” “Ratel.” Porter pareceu confuso. “Você sabe o que ratelé, Porter? Eles comem cobras. Eles tão pouco se fodendo.” Um grande sorriso se espalhou em seu rosto, mas ele rapidamente ficou sóbrio quando a escada parou bruscamente. “Esses somos nós.” Eu disse, pulando sobre a beira do telhado. Segurei o cabo do machado antes de colocar todo meu peso no local, me certificando de que o teto não fosse despencar. “Como parece?” Porter perguntou. “Estável.” Eu disse, cuidadosamente dando um passo. Depois de mais alguns testes com meu machado, eu acenei para Porter, desenhando um círculo imaginário no ar sobre o local que eu queria que ele cortasse. “Aqui!” Porter assentiu e em seguida ligou puxando a corrente da serra. As chamas já estavam lambendo a borda do telhado, e o calor estava quase insuportável. “Não temos muito tempo.” Gritei. “Termina logo!” Porter cortou uma pequena parte do topo do complexo e o próximo ao isolamento. Minutos depois de Porter começar, a fumaça surgiu do buraco que ele abriu, e ele deu um passo pra trás do calor intenso.

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Chamei por Taylor no radio. “Está abrindo. Vamos descer.” “Bom trabalho.” Taylor disse. Porter e eu retornamos para a plataforma, e eu avisei para o operador nos baixar. Assim que chegamos na metade da descida, o telhando fez um barulho tão alto que até parecia que o prédio estava partindo em dois. Uma lufada de fumaça negra e densa e algumas chamas explodiram da abertura que nós fizemos. Taylor falou no rádio de novo. “Se afastem, todos. Nós já... sim, está desabando! Saiam daí!” Com mais de um metro de altura para chegar ao chão, eu pulei da plataforma, correndo dos escombros do armazém em direção ao meu irmão. Eu gritei no rádio. “Corram! Está caindo!” Jubar e Sugar saltaram da entrada principal alguns segundos antes da parede de argamassa começar a ceder. Uma enorme parte do muro da frente colapsou, empurrando uma nuvem de poeira, fumaça e detritos. Eu agarrei a jaqueta de Taylor. “Você não tem mais tempo pra isso. Pegue minha caminhonete.” “Tem certeza?” Ele perguntou. Afaguei o lado de seu capacete. “Va embora daqui. Nós damos conta.” Analisei seu rosto, observando Taylor guerrear entre ficar para proteger seu irmão ou salvar sua família. Depois de vários segundos, ele

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correu para minha caminhonete, tirando sua vestimenta e jogando-os atrás antes de sentar atrás do volante. Eu tinha deixado a chave na ignição, sabendo que ele iria partir cedo. Meu foco se alternava em ver Taylor partir e o destroço em chamas. Apontei para diferentes áreas, gritando ordens aos meus homens e falando no rádio. O fogo estava muito quente, a fumaça ficando mais escura. Nós não sairíamos até ter tudo sob controle. Pude ver Taylor sentado ainda em conflito no banco do motorista. Eu sabia que ele achava que era errado me deixar sozinho, mas antes que ele agarrasse a maçaneta e se juntasse a nós novamente, eu apontei para ele, que paralisou. “Dê o fora daqui! Agora!”

Suor pingava da minha testa, e eu limpava com meu pulso. Eu ainda podia sentir o calor do fogo em meu rosto e o peso em meus pulmões por conta da fumaça. Coloquei a mão na frente da boca e tossi antes de girar a chave na ignição. Foi preciso tudo de mim para que eu puxasse o freio de mão e voltasse para meu irmão, mas ele estava certo. Falyn e as crianças vinham em primeiro lugar. Dirigir a caminhonete do comandante foi vantajoso quando passei por duas viaturas da polícia, excedendo o limite de velocidade de no mínimo vinte e quatro quilômetros por hora.

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Quando finalmente cheguei à estação, eu corri em tempo suficiente para soltar as chaves de Tyler em sua mesa e agarrar as chaves da minha caminhonete, carteira e telefone antes de voltar para estrada para Colorado Springs. A nuvem de fumaça a partir do depósito apareceu no meu espelho retrovisor quando saí de Estes Park. Eu disquei o número de Tyler, mas ele tocou quatro vezes antes que ir para o correio de voz. Eu não poderia agitar o mesmo sentimento sinistro que eu tive enquanto assistia meu irmão sair para o fogo no armazém sem mim. Nós tínhamos combatido incêndios separadamente antes, mas isso parece diferente. Esse sentimento me fez pular no caminhão com Tyler antes, e quanto mais longe eu dirigia, mais errado parecia. Concentrei-me em Falyn e nas crianças. O pensamento da reação animada de Hollis e Hadley era uma distração fácil. A combinação de pensar em ter minha família juntos novamente e meu sentimento de culpa sobre o incêndio colocou a noite que Falyn saiu em primeiro lugar na minha mente. Nós, quase não fomos. Foda-se, eu gostaria que não tivésemos ido. A babá tinha recusado, e se Ellie não tivesse chamado Falyn no último minuto, teríamos ficado em casa. O que nós pensamos que era um golpe de sorte acabou sendo a pior noite da minha vida. Fazia mais de um ano desde que tínhamos mesmo ido em um encontro; tinha sido ainda mais tempo desde que eu tinha visto Falyn interagir com todos os outros homens além de meus parceiros de deslocamento. Meu ciúme nunca tinha estado realmente sob controle, por isso, quando um homem mais jovem se aproximou da minha esposa, balançando de um dia de beber e sorrindo para ela como se ele soubesse que estava levando-a

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para casa, não havia nenhum processo de pensamento. Falyn tentou falar algo com sentido para mim, o que só me fez mais irritado. Até o momento que ele tropeçou e agarrou a bunda dela, eu já estava além da razão. Eu ataquei. Eu bati o inferno fora dele. Ele foi para a emergência, e eu fui para a cadeia. O prefeito fez com que eu gastasse todo fim de semana em uma cela. Tyler e os caras tentaram me tirar várias vezes sem sucesso. Falyn não atendia aos meus telefonemas, e pelo tempo que eu finalmente cheguei em casa, ela havia arrumado as crianças e saído. Segurei o volante. Ele gemia sob a pressão dos meus dedos, trazendo-me de volta ao presente. O medo e a porra do desespero que eu senti voltando para uma casa vazia ainda estavam frescas. O pânico que eu sentia depois do nosso primeiro telefonema, mediante cognição eu não poderia pedir, exigir, ou culpá-la a voltar para casa ressurgiu. O amor era uma porra aterrorizante, que coloca o seu coração para fora bem aberto por alguém para proteger ou atropelar. Minha felicidade dependia do perdão de Falyn, e eu ainda não sabia se ela estava disposta. Meu telefone tocou, e eu apertei o botão no meu volante. A tela já me disse quem era, mas eu fui pego de surpresa, preocupado que ela iria me dizer que ela mudou de idéia. "Falyn?" "Pai?", Disse Hadley. "Oi, abóbora! Como foi o último dia de aula?" "Uma droga." "Mais uma vez?"

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"Eu entrei em problemas." Ela pareceu desapontada por si mesma, e eu imaginei lágrimas quentes correndo sobre suas bochechas rechonchudas. Ela começaria o ensino médio no próximo ano, e eu sabia que ela ia a aparecer em três ou quatro polegadas a qualquer momento. Ela já estava mais alta do que Hollis era, mas ele iria alcançá-la na escola. Eu não estava feliz que ela estava crescendo tão rápido, mas pelo menos ela estaria de volta em Estes com seus amigos. Ela choramingou. "Hollis entrou em uma briga hoje." "Não se preocupe, Hadley. Vai ficar melhor. Eu prometo, está bem? Muito, muito em breve. Papai vai ter a certeza disso." "Como?" "Você verá. Coloque a mamãe no telefone". "Olá?", Disse Falyn. Eu tinha certeza que a conversa sobre a escola com ambas as crianças não tinha sido fácil. "Eu estarei lá em menos de uma hora", eu disse. "Sério?", Ela disse, já soando amimada. Eu sorri. "Sim com certeza. Eu disse que estaria lá, não foi?" "Sim, mas... Eu vi no noticiário sobre o incêndio. Eu achei que você estaria lá". Eu pensei em dizer a ela que não haveria mais incêndios, mas decidi que não era o momento certo. "Eu fui. Eu sai." "Antes de ser controlado?"

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"Perto o suficiente." Eu praticamente podia ouvir Falyn sorrindo, e o calor correu pelo meu corpo. Eu tinha ganhado grandes pontos por colocá-la em primeiro lugar, mesmo que eu pensasse que eu sempre tive pelo trabalho duro e fazendo uma boa vida. Ela claramente precisava de mim para provar isso. "Eu... obrigada, Taylor. Isso realmente... significa muito." Eu fiz uma careta, perguntando por que ela estava tentando tanto não me amar. As coisas que ela disse enquanto eu estava sendo preso cortou-me tão profundamente que eu não tinha certeza de que eu poderia me recuperar, quando apenas sua saída era uma agonia suficiente. Ela poderia ter me amarrado à cama e ateado fogo na casa, e eu ainda a teria amado. Eu não entendi o ponto de fingir, mas talvez ela não tenha. Talvez ela não me ame mais. Limpei a emoção da minha voz antes de falar. "Você está embalando ainda?" "O que eu posso sem as crianças perceber. Eu não quero dar a surpresa antes de você chegar aqui." "Bom. Eu estarei lá em breve, ba — Falyn,” eu disse, me corrigindo. "Até lá", disse ela. Nenhuma emoção em sua voz, sem desdém ou sentimento. Nada. Eu não tinha certeza do que eu faria se não pudéssemos resolver as coisas. Ela era para mim. Falyn tinha sido minha vida desde que éramos praticamente crianças. Ela era a única vida que eu queria.

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Quando ela saiu, eu estava miserável, mas ainda havia esperança. Essa esperança me motivou. As luzes do painel ligado logo após o último brilho da luz do dia escorregar atrás das montanhas. Um sinal à minha direita dizia Bem vindo a Colorado Springs, e eu me desloquei nervosamente no meu lugar. Eu ainda mantinha a esperança de que este fim de semana ia ser o nosso ponto de virada em vez do ponto de não retorno.

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Esperei do lado de fora da porta, ouvindo Camille tentando não chorar. Todo mês era um ciclo interminável de esperança e devastação, e quase oito anos em nosso casamento, ela estava ficando desesperada. As luzes estavam turvas. Ela gostava do escuro quando a sua alma se sentia negra, então eu puxei as cortinas quando os três minutos passaram, e ela não disse nada. Agora, nada foi deixado a ser feito a não ser esperar, ouvir e segurá-la. Nós vivemos em um pequeno dois quartos, apenas seis quarteirões do papai e Olive. O quarto, como o resto da casa, era brilhante e minimamente decorado com arte interessante ou meus desenhos. Nós tínhamos repintado e colocado carpete novo, mas a casa era mais velha do que nós éramos. Mesmo que no momento da compra foi uma pechincha, a manutenção tinha se transformado em um poço de dinheiro. O aquecedor central e ar e grande parte do sistema de encanamento eram novos. Em um ponto, tivemos que descartar o novo — porém molhado — tapete perfurando a base para chegar às tubulações e substituí-las. Nos últimos dez anos tinha sido um longo tempo, mas agora vivemos em uma casa como nova, mesmo que tivéssemos esgotado as nossas economias quatro vezes para fazê-lo. Nós estávamos em um bom lugar, finalmente, e nenhum de nós sabia o que fazer com isso, a não ser passar para a próxima etapa. Infertilidade não era algo que pudéssemos consertar, e isso fez Camille se sentir quebrada.

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"Baby", eu disse, batendo na porta com os nós dos dedos. "Deixeme entrar." "Apenas... apenas me dê um segundo", ela disse, fungando. Eu inclinei minha testa contra a porta. "Você não pode continuar fazendo isso para si mesma. Eu acho que talvez seja..." "Eu não vou desistir!", Ela retrucou. "Não. Talvez tentar um caminho diferente." "Nós não podemos nos permitir um caminho diferente", disse ela. Sua voz era ainda mais silenciosa do que tinha sido. Ela não queria me fazer sentir pior do que eu já estava. "Eu vou pensar em alguma coisa." Depois de alguns momentos de silêncio, a maçaneta clicou e Camille abriu a porta. Seus olhos avermelhados estavam encobertos, e manchas vermelhas espalhadas por seu rosto. Ela nunca esteve mais bonita, e tudo que eu queria fazer era segurá-la, mas ela não deixava. Ela fingia que seu coração não estava quebrado para evitar me ferir como sempre fazia, não importa quantas vezes eu dissesse a ela que estava tudo bem em chorar. Toquei seu rosto, mas ela se afastou, seu sorriso pintado desaparecendo apenas o tempo suficiente para beijar minha mão. "Eu sei que você vai. Eu só precisava chorar". "Você pode chorar aqui, boneca."

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Ela balançou a cabeça. "Não, eu não posso. Eu precisava ter um momento para mim." "Porque, do contrário, você está preocupada comigo", repreendi. Ela encolheu os ombros, seu fingido sorriso se transformando em um real. "Eu tentei mudar. Eu não posso". Eu a trouxe para o meu peito, segurando-a firme. "Eu não quero que você mude. Eu amo minha esposa do jeito que ela é." "Camille?", Disse Olive, segurando um lado do batente da porta. Seu cabelo loiro até platinado ao nível da cintura descia em cascata ondulado do centro até cada lado de seu rosto, fazendo a sua tristeza parecer trazê-la para baixo ainda mais. Seus redondos olhos verdes brilhavam, sentindo cada decepção, cada revés tão profundamente como sentíamos porque ela era da família também. Por acaso e pelo sangue, se ela sabia ou não. Ao vê-la inclinar as características delicadas de seu rosto oval contra a guarnição de madeira, lembrei-me de ser surpreendido pela verdade: Olive, minha vizinha e amiga desde pouco depois que ela podia andar, foi adotada, e de alguma forma, sua mãe biológica tinha se apaixonado por meu irmão mais velho Taylor a quase mil milhas de distância em Colorado Springs. Por acaso, eu ajudei a criar a minha sobrinha — envolvido em sua vida ainda mais do que o meu irmão ou minha cunhada. Camille olhou para Olive e soprou uma pequena risada, se afastando de mim enquanto lambia simultaneamente seus polegares e,

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em seguida, limpando o rímel borrado debaixo de seus olhos. Seu cabelo era mais longo do que tinha sido desde que ela era uma menina, chegando ao meio das costas e da mesma cor do de Olive, com um remendo raspado logo acima da orelha para mantê-lo 'irritado'. Eu apenas refiz a tatto em seus dedos — a primeira tatuagem que eu já tinha feito para ela, e sua primeira tatuagem nunca. Lia-se boneca, o apelido que eu tinha dado a ela no início do nosso relacionamento, e que tinha de alguma forma pegado. Por mais difícil que ela tentasse não se encaixar, Camille era uma beleza clássica. O nome cabia-lhe naquele momento tal como aconteceu agora. "Eu estou bem", disse Camille, seguindo com um suspiro limo. "Estamos bem." Ela andou até a porta para dar a Olive um abraço e depois apertou o lenço azul marinho dobrado que ela estava usando como uma tiara. Ela fungou, a dor visivelmente indo embora e desaparecendo. Minha esposa era durona. "Cami", comecei. "Eu estou bem. Vamos tentar novamente no próximo mês. Como está o papai?" "Ele está bem. Falando na minha orelha. Está ficando mais difícil para levá-lo a sair comigo. Tommy e Liis estão trazendo o novo bebê...” Eu parei, esperando que a dor inevitável nos olhos de Camille.

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Ela se aproximou, segurou minhas bochechas, e depois me beijou. "Por que você está me olhando assim? Você realmente acha que isso me incomoda?" "Talvez... talvez se você tivesse se casado com ele... você teria um próprio agora." "Eu não quero um próprio. Quero o nosso bebê. Seu e meu. Se não for isso, então nada." Eu sorri, sentindo um nó aumentar na garganta. "Sim?" "Sim." Ela sorriu, sua voz soando relaxada e feliz. Ela ainda tinha esperança. Eu toquei a pequena cicatriz em seu couro cabeludo, a que nunca me deixou esquecer o quão perto eu estive de perdê-la. Ela fechou os olhos, e eu beijei a linha branca irregular. Meu telefone tocou, então eu deixei ela o tempo suficiente para pegar meu telefone celular do criado-mudo. "Olá pai." "Você ouviu?", Ele perguntou, sua voz um pouco rouca. "O que? Que você soa como o inferno? Você ficou doente nas últimas duas horas? " Ele limpou a garganta algumas vezes depois riu. "Não, não... cada polegada de mim é apenas mais velho do que a sujeira. Como Cami está? Grávida?" "Não", eu disse, esfregando a parte de trás do meu pescoço.

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"Ainda. Isso vai acontecer. Por que vocês dois não vem para o jantar? Traga Olive." Olhei para as minhas meninas, e elas já estavam balançando a cabeça. "Sim. Adoraríamos, pai. Obrigado." "Frango frito hoje à noite." "Diga a ele para não começar sem mim", disse Camille. "Pai-" "Eu a ouvi. Eu vou apenas tê-lo batido e temperado e obter as batatas no forno". Camille fez uma careta. "OK. Nós vamos estar aí em um instante." Camille correu ao redor, tentando sair pela porta e evitar que o pai acendesse o forno. Ele tinha deixado o fogão ligado mais de uma vez, caído mais de uma vez, e não parecia perturbado quando ele fez. Camille passou quase todo seu tempo livre tentando ajudá-lo a evitar acidentes. "Posso dirigir?", Perguntou Olive. Eu me encolhi. Ela sorriu maliciosamente. Eu gemi, já sabendo o que ela estava prestes a dizer. "Por favor, Twent?", Ela lamentou.

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Eu estremeci. Eu tinha prometido a Olive quando ela teve sua licença que eu ia deixar ela dirigir quando ela completasse dezoito anos, e seu aniversário foi há meses. Era uma segunda natureza para dizer não. Eu nunca tinha tido um acidente, mesmo quando um adolescente. Os dois nos quais eu tinha estado envolvido foram horríveis, e ambos foram com mulheres que eu estava apaixonado atrás do volante. "Maldição, tudo bem," eu jurei. Camille estendeu seu punho, e Olive bateu com a dela. "Você trouxe sua licença?", Perguntou Camille. Olive respondeu, erguendo uma pequena bolsa de couro marrom. "Minha nova identidade de estudante do Eastern State está lá, também." "Yay!", Disse Camille, batendo palmas. "Que emocionante!" Ela olhou para mim com um pedido de desculpas falso em seus olhos. "Você prometeu." "Não diga que eu não avisei," eu resmunguei, jogando para Olive as chaves. Olive apertou o metal em ambas as mãos e depois riu, correndo para a porta e saindo para a calçada, onde a caminhonete de Camille estava estacionada. Enquanto eu caminhava pela passagem de laje, notei Olive pular dentro e puxar o cinto de segurança sobre o peito, afivelar e agarrar o volante com as duas mãos.

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"Oh, pare. Você não tem má sorte." Camille abriu a porta do passageiro de seu Toyota Tacoma cab quad e, em seguida, abriu a porta traseira. Ela clicou o cinto de segurança quando me sentei ao lado de Olive. Ela imediatamente conectou o Bluetooth em seu telefone com a caminhonete, escolhendo cuidadosamente uma canção. Uma vez que a música começou a tocar, Olive girou a ignição e deu marcha ré. Uma nova energia se estabeleceu a nossa volta. Camille esfregou meus ombros por um segundo com a batida através dos alto falantes. "Talvez devêssemos desligar o barulho e deixar Olive concentrada", eu disse. A massagem de Camille se transformou em um golpe de caratê brincalhão. "Barulho?" Se eu não tivesse experimentado isso, eu nunca teria sabido que ela estava chorando no banheiro dez minutos antes. Ela estava se recuperando mais rápido a cada vez, mas parte de mim se perguntava se era real, ou se ela estava ficando melhor em esconder isso. Assim quando nós chegamos na entrada do pai, eu notei nuvens carregadas se formando no céu a oeste da cidade. Thomas e Liis estavam voando com seu novo bebê em breve, então eu verifiquei meu telefone para a previsão de setes dias — algo que não tinha ocorrido a mim fazer dez anos atrás. Engraçado como o tempo e a experiência reconectavam completamente o seu cérebro para pensar em algo diferente de si mesmo. Papai não estava esperando na varanda como sempre estava, o que levou Camille a amaldiçoar.

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"Droga, Jim Maddox!", Ela disse, apontando que ela estava em uma corrida para mim para abrir a porta. Ela arrastou-se para fora na grama, correu todo o caminho até a varanda, saltou as escadas e abriu a porta de tela frágil. Olive estacionou e me jogou as chaves, acenando. "Indo ao lado dizer a mamãe que eu vou jantar com o Papai!" Eu balancei a cabeça, sentindo um pequeno caroço na minha garganta. Todos os netos chamavam o pai de papai, e eu amei que Olive fez também, mesmo que ela não soubesse como ela estava certa. Segui Camille para a casa, imaginando o que iria encontrar. A tinta na varanda estava descascando, e eu fiz uma nota mental para trazer a minha lixadeira. A porta de tela raramente estava pendurada, então eu acrescentei isso a lista, também. Mamãe e papai compraram a casa assim que eles casaram, e era quase impossível fazer com que ele deixasse-nos fazer alterações ou atualizações. A mobília e os carpetes eram as mesmas, o mesmo com a tinta. Mãe tinha decorado, e ele não estava prestes a deixar ninguém ir contra a sua vontade, mesmo que ela tivesse ido embora há quase trinta anos. Como o pai, a casa foi ficando tão velha que estava se tornando insalubre e, em alguns casos, perigosa, por isso, nos últimos meses, Camille e eu tínhamos decidido começar a consertar as coisas sem perguntar. Assim que o corredor abriu para a cozinha, eu vi Camille correndo para o pai, com as mãos estendidas à sua frente. Ele estava curvado, apenas colocando as batatas cobertas de alumínio no forno.

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"Pai!" Camille gritou. "Deixe-me fazer isso!" Ele deslizou para dentro e fechou a porta, de pé e rodando para nos encarar com um sorriso. Camille tirou um par de luvas de forno para fora da gaveta, empurrando-as para ele. "Por que você não usa as luvas que eu comprei para você?" Ela se aproximou, inspecionando as mãos enfaixadas. Ele beijou seus dedos. "Eu estou bem, garota." "Você queimou-as tão mal da última vez", disse ela, balançando para fora do seu controle para inspecionar ainda mais as feridas sob suas bandagens. "Por favor, use as luvas." "Ok", disse ele, batendo a mão dela. "Ok, querida. Vou usar as luvas." Camille começou a abrir portas do armário para encontrar o óleo, vendo que as batatas já tinham sido mergulhadas na mistura especial de farinha do papai e estavam descansando nas toalhas de papel ao lado da panela no fogão. Ela acenou para nós. "Continue. Eu tenho isto. Sim, Pai, eu tenho certeza", disse ela, assim que o pai abriu a boca para perguntar. Ele riu. "Tudo bem então. Dominó, é isso." "Você não está cansado de perder? Jogamos dominó por duas horas esta tarde". "Jogamos?", Perguntou. Ele balançou sua cabeça. "Eu não consigo me lembrar de limpar minha própria bunda na maioria dos dias."

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Eu pisquei, surpreso que ele não se lembrava, mas ele não parecia preocupado. "Cartas, então?", Perguntou. "Não, nós podemos jogar dominó. Devo-lhe uma revanche, de qualquer maneira." Trovoou a distância que nos sentamos à mesa. A porta da frente abriu e fechou, e depois Olive apareceu no final do corredor, segurando as mãos em cada lado, toda molhada. "Oh. Minhas. Deus." Eu caí na gargalhada. "Já ouviu falar de um guarda-chuva, Ew?" Ela revirou os olhos, caminhando para sentar-se na cadeira de jantar ao meu lado. "Será que você vai parar de me chamar assim? Ninguém pegou isso." "Você pegou", eu disse. "Quão difícil isso pode ser? Suas iniciais são Oó. Juntos, eles fazer o som de Ew. Como moo. E também." Meu olhar desviou-se para o teto. "Shoo. Vaia. Coo. Goo. Cocô. Eu poderia ir em frente." "Por favor, não", ela disse, agarrando um dominó e o girou em seus dedos finos. Estava ficando cada vez mais difícil impressioná-la. Ela costumava pensar que eu era Deus. "Oh! Droga!" Camille gritou da cozinha. Eu empurrei minha cadeira, e fiquei em pé no meio do caminho. "Você está bem, baby?"

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"Sim!", Ela ligou de volta, aparecendo com o casaco e as chaves na mão. "Não tem óleo." "Mas eu apenas comprei-lhe alguns na última sexta-feira," eu disse, olhando para o pai. "Oh. Está certo. Eu acabei com todos no domingo." Eu fiz uma careta. "Tivemos sanduíches para o almoço e pizza para o jantar de domingo. Você não fez frango." Ele espelhou minha expressão. "Bem, dane-se, um daqueles dias." "Vou correr para a loja. Você precisa de mais alguma coisa?", Perguntou Camille. "Cami, está um temporal", eu disse, infeliz. "Eu estou ciente", disse ela, beijando-me antes de sair pela porta. Pai trouxe para baixo os dominós da prateleira, e fizemos conversa fiada. Ele perguntou-me algumas das mesmas perguntas que ele tinha me perguntado antes, e eu comecei a me perguntar se ele tinha estado esquecido o tempo todo e eu estava apenas percebendo, ou se sua memória estava ficando pior. Ele tinha uma consulta médica naquela sexta-feira. Eu mencionei isso a eles. Meu celular tocou. Eu pressionei o receptor contra a minha orelha. "Ei, buceta de poodle!" "Eles estão ficando cada vez melhor", disse Thomas, do outro lado da linha, impressionado.

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"Jesus Cristo1, Trenton," Pai esbravejou, apontando para Olive. Eu pisquei para ele. Chocando-o com os meus insultos que tornaram-se um esporte. "Como estão mãe e o bebê?", Perguntei. "Nós estamos indo para casa", Thomas respondeu. "Eu acho... Eu acho que nós estamos indo seguir essa direção mais cedo do que o esperado." "Tudo bem?", Perguntei, notando que o interesse do meu pai estava aguçado. Eu mandei-o embora, assegurando-lhe que nada estava errado. "Sim, sim. Você já ouviu falar de Trav? ", perguntou Thomas. "Não. Por quê?" Thomas tinha sido um enigma desde que eu conseguia lembrar, e as perguntas só multiplicaram quando ele se tornou um adulto. Pai estava olhando para mim, tanto com paciência e impaciência à espera de uma explicação. Eu levantei meu dedo. "Apenas curiosidade." "Você vai colocar um recém-nascido em um avião? Eu sabia que você era bravo, grande irmão, mas o inferno."

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No original: “Christ on a bicycle” uma variação humorada de “Cristo” ou “Jesus Cristo” que usualmente indica surpresa, chock, irritação, etc.

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"Nós pensamos que o pai gostaria de conhecê-la." "Ele faria. O pai gostaria de conhecer..." Minha mente ficou um em branco. "Stella", Olive sussurrou. "Stella!" Eu repeti. "Pai adoraria conhecer Stella." Meu pai me bateu na parte de trás da minha cabeça. "Ai! O que eu disse?" "Então nós vamos amanhã", disse Thomas, ignorando o circo do outro lado da linha. "Amanhã?" Eu disse, olhando para o pai. "que rápido, né?" "Sim. Diga o pai para não se preocupar. Vamos obter o quarto pronto quando chegar aí." "Cami vem mantendo o quarto de hóspedes pronto. Ela sabia que vocês viriam por algum tempo com o bebê. Ela já tem um berço de qualquer formar". "Ela comprou um berço para Stella? Realmente?", Perguntou Thomas. "Isso foi legal da parte dela. Como é el... isso foi legal da parte dela". "Sim", eu disse, de repente me sentindo estranho. "Vamos vê-lo amanhã, eu acho." "Diga ao pai que eu o amo", disse Thomas. "Vou dizer, bolsa de merda".

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Thomas desligou, e eu dei ao meu pai um sorriso largo. As duas linhas entre os olhos se aprofundaram. "Eu o deveria ter espancado mais", disse o pai. "Sim, você deveria." Eu olhei para os dominós. "Bem? Eles não vão embaralhar-se eles mesmos." Eu estabeleci-me em uma cadeira de jantar, o couro marrom dourado fazendo ruídos de peidos sob o meu jeans. Mesmo que eu tivesse saído, Camille e eu visitamos o pai pelo menos uma vez por dia, geralmente mais. Travis visitava quando ele não estava viajando para o trabalho. Olhei para a prateleira que corria logo abaixo do teto, cheio de recordações de poker empoeirados e imagens assinados dos nossos jogadores favoritos. Algumas teias de aranha tinham se formado. Eu preciso chegar até lá e tirar poeira. Não quero o velho caia e quebre o quadril. "Cami não disse nada sobre o teste de hoje," meu pai disse, movendo os dominós em torno de um círculo em cima da mesa. "Sim", eu disse, olhando para as pedras de dominó retangulares enquanto eles lentamente circularam ao redor, sob as mãos do pai, movendo-se dentro e fora do bloco. "É uma coisa mensal agora. Acho que ela está cansada de falar sobre isso." "É compreensível", disse o pai. Ele deu um olhar de soslaio para Olive, e eu sabia que ele estava escolhendo suas palavras com cuidado. "Vocês já foram para o doutor?"

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"Nojento", Olive disse, revoltada, apesar de seus esforços. Ela não era mais uma garotinha. "Ainda não. Acho que ela está com medo de ouvir que é algo permanente. Honestamente, eu também pelo menos agora, temos esperança". "Ainda há esperança. Mesmo nas piores circunstâncias tem um forro de prata. A vida não é linear, filho. Cada escolha que fazemos, toda influência ramifica a linha que está no momento, e no final desse ramo é outro ramo. É apenas uma série de folhas em branco, mesmo depois de um desastre". Olhei para ele. "É assim que você se sentiu depois que a mãe morreu?" Olive deixou escapar um pequeno suspiro. Papai ficou tenso, esperando um momento antes de falar. "Um tempo depois que a mãe morreu. Eu acho que todos nós sabemos que não fiz muita coisa logo depois." Toquei seu braço, e as pedras de dominó pararam de girar. "Você fez exatamente o que você podia. Se eu perder Cami..." Eu parei, o pensamento me fazer sentir mal do meu estômago. "Eu não sei como você sobreviveu a isso, pai, muito menos manteve-se forte para criar cinco meninos. E você fez, você sabe. Você manteve-se forte. Você é um grande pai.”

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Pai limpou a garganta e as pedras de dominó começaram a girar novamente. Ele fez uma pausa apenas o tempo suficiente para limpar uma lágrima debaixo dos seus óculos. "Bem, eu estou feliz. Você merece isso. Você é um grande filho." Eu dei um tapinha no ombro, e então nós escolhemos nossos ossos do cemitério e as colocamos de lado, de costas para o outro. Eu tinha uma mão de merda. "Realmente, pai? Sério?" "Oh, pare de reclamar e jogue", disse ele. Ele tentou parecer severo, mas o seu pequeno sorriso o traiu. "Quer brincar, Olive?" Olive sacudiu a cabeça. "Não, obrigada, papai", ela disse, voltando sua atenção para o seu telefone. "Ela provavelmente está jogando dominó sobre aquela coisa," Pai brincou. "Poker", Olive retrucou. Papai sorriu. Eu me virei para olhar para o nosso último retrato de família, tirado pouco antes que a mãe descobriu que ela estava doente. Travis tinha apenas três anos. "Você ainda sente falta dela? Quero dizer... como antes?" "Todos os dias", disse ele sem hesitação. "Lembra quando ela costumava se fazer de monstro das cócegas?", Perguntei.

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Os cantos da boca do meu pai viraram-se, em seguida, seu corpo começou a tremer com risadas incontroláveis. "Era ridículo. Ela não tinha certeza se ela era um alien ou um gorila." "Ela era os dois", eu disse. "Perseguindo todos os cinco de vocês em torno da casa, debruçado sobre vocês como um primata e fazendo suas mãos em ventosas alienígenas." "Então ela nos pegava e comia nossas axilas." "Agora, isso é amor. Vocês meninos cheiravam a carcaças podres em um bom dia." Eu ri alto. "Era a única vez que poderíamos saltar sobre a mobília e não ter nossas bundas batidas." O pai zombou. "Ela não tinha que bater em vocês. O olhar era o suficiente." "Oh," eu disse, lembrando-se. "O olhar." Eu tremi. "Sim. Ela fazia parecer fácil, mas ela teve que colocar uma quantidade saudável de medo em vocês primeiro. Ela sabia que todos iam ser maiores do que ela um dia." "Eu sou?", Perguntei. "Maior do que ela?" "Ela era uma coisa pequenina. Tamanho de Abby. Talvez nem isso de altura."

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"De onde o gigantismo de Travis vem, então? Você e o tio Jack são esquilos inchados". O pai uivou. Sua barriga bombeou, tornando a balançar a mesa. Meus dominós cairam, e eu cuspi uma risada, também, incapaz de segurá-la. Olive cobriu a boca, sacudindo os ombros. Assim quando eu comecei a levantar os dominós de volta para suas bordas, um carro puxou para dentro da entrada. O cascalho na calçada rangia sob um conjunto de pneus, e o motor desligou. Um minuto depois, alguém bateu na porta. "Eu atendo," Olive disse, empurrando a cadeira para trás. "Oops," eu disse, de pé. "Cami chegou. Melhor ajudá-la com as compras." "Rapaz competente," meu pai disse com um aceno e uma piscadela. Eu entrei na sala e congelei. Olive estava segurando a porta aberta, olhando para mim com uma expressão pálida, preocupada. Atrás dela na varanda estavam dois homens em ternos e casacos trench encharcados. "Pai?" Eu liguei para a sala de jantar. "Na verdade," um dos homens disse. "Você é Trenton Maddox?" Engoli em seco. "Sim?" Antes que qualquer um deles pudesse falar, todo o sangue correu do meu rosto. Eu tropecei para trás. "Pai?" Eu chamei, desta vez frenético.

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Pai colocou a mão no meu ombro. "O que é isso?" "Sr. Maddox," um dos homens disse, balançando a cabeça. "Eu sou o agente Blevins." "Agente?", Perguntei. Ele continuou. "Viemos com algumas novidades infelizes." Perdi o equilíbrio, caindo de costas contra a parede almofadada. Eu deslizei lentamente. Olive desceu comigo, agarrando as minhas duas mãos e apoiando-nos para um suplente, dolorosa realidade. Ela segurou firme, ancorando-me para o presente, o momento no tempo pouco antes de tudo se desmoronar. Eu tinha sabido na boca do estômago não deixar Camille dirigir na chuva. Eu estava me sentindo mal por vários dias, sabendo que algo ruim estava iminente. "Não diga isso, porra" eu gemi. Pai lentamente ajoelhou-se ao meu lado, colocando a mão no meu joelho. "Agora, espere. Vamos ouvir o que eles têm a dizer." Ele olhou para cima. "Ela está bem?" Os agentes não responderam, então eu olhei para cima, também. Eles tinham a mesma expressão de Olive. Minha cabeça caiu para frente. Uma explosão ferveu dentro de mim. Um saco caiu e vidro quebrou. "Meu Deus!" "Cami!" Olive gritou, soltando minhas mãos. Olhei para ela em descrença, lutando com meus joelhos apenas antes de jogar os braços ao redor da cintura dela. O pai respirou um suspiro de alívio.

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"Ele está bem?", Perguntou Camille. Ela se afastou de mim para me olhar por cima. "O que aconteceu?" Olive se levantou e segurou o pai. "Eu pensei que você... eles..." Eu parei, ainda incapaz de completar uma frase coerente. "Você pensou que eu o quê?" Camille perguntou, agarrando cada lado do meu rosto. Ela olhou para o pai e Olive. "Ele pensou que eles estavam aqui para nos informar que você..." Papai olhou para os agentes. "O que no Sam Hill2 vocês estão fazendo aqui, então? Qual é a infeliz notícia?" Os agentes se entreolharam, finalmente entendendo a minha reação. "Sentimos muito, senhor. Nós viemos para informá-lo sobre o seu irmão. Agente Lindy solicitou que a notícia fosse levada diretamente para você." "Agente Lindy?", Perguntei. "Você quer dizer Liis? E o meu irmão?" As sobrancelhas do pai se enrugaram. "Trenton... Chame os gêmeos para casa. Faça isso agora."

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Sam Hill construiu as estradas que ligavam Eastern Washington à costa no início de 1900. Sua propriedade, agora um museu de arte localizado em Maryhill, WA (em homenagem a sua filha). Muitos pensaram que ele era louco por pensar que as estradas poderiam ser modificadas e completadas. O uso de seu nome ao planejar uma tarefa ou agir de uma forma que é considerado louco ou impossível.

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Abby estava em pé em uma janela perto da porta da frente da nossa casa provincial francesa, espiando por trás das cortinas cinzentas que ela escolheu cinco anos antes de substituir os antigos que ela tinha escolhido três anos antes disso. Portanto, muito mais do que apenas as cortinas tinham mudado nos últimos onze anos. Casamentos, nascimentos, mortes, marcos, e verdades. Nós tínhamos nos alegrado com o nascimento dos nossos gêmeos e lamentado a morte de Totó. Ele era guarda-costas pessoal dos gêmeos, seguindo-os em todos os lugares e dormido no tapete entre primeiro, seus berços e, em seguida, suas camas de criança. O cabelo em torno de seus olhos se tornou cinza, e depois foi se tornando mais difícil para ele manter-se. O seu foi o segundo funeral que eu já participei. Nós o sepultamos no nosso quintal, a pereira de Bradford sua lápide. Apenas alguns meses antes, no nosso décimo primeiro aniversário, Abby tinha confessado saber que eu trabalhava para o FBI. Inchada com o nosso terceiro filho, ela me entregou um envelope cheio de datas, horários e outras informações pertinentes entre seu pai, Mick, e Benny, o chefe da máfia que eu apenas tinha dado um tiro no rosto por ameaçar a minha família. O SUV de Abby costumava sentar estacionado na frente da minha caminhonete prata Dodge, mas estava notavelmente ausente, e minha

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esposa não estava feliz com isso. Nós tínhamos negociado no Camry anos atrás com o preto Toyota 4Runner que Abby queria para seu emprego de professora. Ela sempre foi boa em números, e ela tinha começado a ensinar no laboratório de matemática para a sexta série quase logo após a formatura. A Universidade parecia uma semana atrás. Em vez de dormitórios e apartamentos, tivemos uma hipoteca contra uma casa de dois andares e quatro quartos e dois pagamentos do carro. A Harley tinha sido vendida a um bom lar antes que dos gêmeos chegarem. A vida tinha acontecido quando eu não estava olhando, e de repente, éramos adultos tomando decisões em vez de vivendo com outras pessoas. Abby colocou a mão em sua cintura redonda, balançando para frente e para trás para aliviar um pouco a dor em sua pélvis. "Vai chover." "Parece com isso." "Você só lavou a caminhonete." "Vou levar a sua." Eu sorri. Ela olhou para mim. "A minha está acabada." Pressionei meus lábios, tentando reprimir um sorriso. Meu ombro queimando onde uma bala havia me atingido e atravessado o meu assento, e minha cabeça estava martelando por bater em uma árvore no lado da estrada. Eu apenas comecei a curar da surra que eu tinha tomado sob as ruas de Vegas por homens de Benny, e agora, eu tinha um olho negro fresco e um corte vertical de uma polegada através da minha sobrancelha esquerda. Aconteceu de eu estar dirigindo o SUV de Abby

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para pegar um pouco de sorvete, sendo um marido exemplar ao mesmo tempo, usando esse tempo para obter uma atualização sobre Thomas de Val. O Carlisis pensaram que eu estava na Califórnia, então eles foram lá em primeiro lugar, mas Val disse que era apenas uma questão de tempo antes que eles chegassem em Eakins. Foi quando as primeiras balas estilhaçaram a janela do lado do passageiro. Abby estava chateada, mas ela escolheu ficar com raiva sobre a caminhonete porque ela não podia estar louca sobre a situação. A raiva era mais fácil do que o medo. Mesmo depois que eu já tinha eliminado a ameaça, eu queria esvaziar meu pente de balas em cada um deles quando vi as fotos no veículo que tinha me tirado da estrada. Eles tinham fotos de minha esposa, meus filhos, meus sobrinhos e sobrinhas, meus irmãos e suas esposas. Mesmo Shepley, America, seus filhos e minha tia e tio. Eles estavam planejando acabar com a família Maddox. Eles escolheram a família errada. "Eles vão substituí-lo", disse eu, tentando mascarar minha raiva crescente. "Eles não podem substituí-lo", disse ela, virando-se com os braços cruzados e descansando em sua barriga. "Você vai?" "Para encontrar Liis quando ela pousar?" "Você deve. Ela vai precisar ver o seu olho roxo e o corte em sua sobrancelha, para ver que o perigo é real e se estendeu ao resto da família", disse Abby.

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"Eu não posso deixá-la aqui sozinha, Beija-Flor." Eu suspirei. "Eu não percebi o quanto nós tínhamos usado Lena até que ela nos deixou." Abby me lançou um sorriso maroto. "Você sente falta dela, não é? Ela é a irmã mais nova que você nunca teve." Eu sorri, mas não respondi. Abby já sabia que eu fazia. Lena era uma coisa pequena, menor do que Abby. Ela era uma beleza exótica, tão mortal quanto ela era impressionante, escolhida a dedo pelo Bureau para proteger nossos filhos antes de eles nascerem. Porque a minha posição secreta era atípica em que Benny sabia quem eu era, onde eu morava, e que eu tinha uma família, Bureau tomou precauções extras. Lena se encaixou rapidamente e foi uma grande ajuda para uma nova mãe com bebês gêmeos, especialmente quando eu tinha ido embora. Ela era como uma irmã para Abby e eu, e ela adorava conspirar contra mim com Abby. Como uma tia para as crianças, ela acompanhou-os para parques, passeios na natureza, brincadeiras de carros e Barbies, e ensinando-lhes Português e Italiano. Ela ainda lhes ensinou como se defender, o que nós aprendemos não foi a melhor idéia para Jessica. Eu deveria saber que nenhuma filha minha iria ter medo de usar seu novo conhecimento se alguém perturbasse seu irmão na escola. Dezoito meses atrás, agente John Wren substituiu Lena. De repente transferida, nós não sabíamos para onde estava indo, apenas que ela estava nervosa enquanto arrumava suas coisas e estava devastada que ela não tinha tempo para dizer adeus as crianças. "Eu não estou sozinha", disse Abby, tirando-me para o presente. Ela fez um gesto sobre ela no ombro para a janela.

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Eu não precisava de uma confirmação visual para saber que o agente Wren estava fora em um carro preto, juntamente com mais dois agentes em locais não revelados. Agora que sabia que toda a nossa família era um alvo, nós tivemos que estar vigilantes. Os Carlisis não eram conhecidos por sua paciência; eles normalmente atacavam com o menor sinal de fraqueza. A saída repentina de Lena afetou profundamente as crianças. James começou a experimentar pesadelos, e Jessica esteve deprimida por meses. Abby insistiu que não colocássemos em James e Jessica esse tipo de angústia, novamente, de modo que o Bureau enviou um agente que nós pensamos que os nossos filhos não se apegariam. Os gêmeos tinham idade suficiente o que tornou desnecessário escolher a dedo nossa nova segurança por causa de seu relacionamento com as crianças; em vez disso, ele foi escolhido pelo o fato de que ele foi classificado como hiper letal. Até o momento, Wren era o único agente que eu conheci com essa classificação. "Eu ainda me sinto mal que ele tem de se sentar fora com este calor", disse Abby. "Seu carro tem ar condicionado, e você estava certa. As crianças iriam ficar ligadas... e ele também." Tão distante como Wren estava, as crianças tinham crescido com ele. Nós estávamos tão surpresos quanto ele estava na primeira vez que Jessica quase o derrubou com um abraço. Eles sorriam todos os dias quando o viam sentado fora de sua escola, e a cada dia que passava, a sua aceitação e amor por ele quebrou suas paredes. Como se viu, isso só

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fez Wren mais determinado a mantê-los vivos, um efeito colateral positivo que nenhum de nós viu chegando. Abby não estava feliz com o seu apego cada vez maior, porém, então as regras mudaram. Ele tinha que manter a sua distância, e pela segunda vez, as crianças estavam com o coração partido. Abby assentiu e afastou-se da janela, caminhando para se juntar a mim. Ela olhou para seu estômago. "O que você acha sobre Sutton?" "Você está falando de nomes agora? Sutton para um menino?", perguntei, tentando manter minha expressão neutra. A gravidez tem feito minha esposa ainda mais imprevisível do que o habitual, mas eu apenas rolei com isso. Enfatizar apenas a deixa irritadiça. Os olhos cinzentos de Abby brilharam, saboreando a verdade que eu não conseguia esconder. "Você não gosta disto? Eu sei que não começa com um J como os gêmeos, e esse é o tipo da coisa Maddox, mas..." Meu nariz enrugou. "Não é uma coisa Maddox." "Os de Taylor são Hollis e Hadley," disse ela. "De Shepley: Ezra, Eli, Emerson. Os T’s? Diane e Deana? James e Jack? Você vai realmente negar isso?" "É uma coisa regional." "Sua mãe e tia cresceram em Oklahoma." "Está vendo?", Eu disse. "Regional."

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Abby pressionou os dedos em suas costas, gingando para o sofá. Ela negociou o espaço e seu corpo, mantendo o equilíbrio certo quando ela se abaixou para as almofadas. "Obtenha esta coisa fora de mim", ela gemeu. "Definitivamente não vamos nomeá-lo esta coisa," eu provoquei. "Bem", ela começou, respirando pesadamente. "Nós vamos ter que chamá-lo de alguma coisa." Eu pensei por um momento. Nós tínhamos ido através de quatro livros do bebê duas vezes. "Por que não Carter?" "O seu nome do meio? Eu estava realmente tentando pensar em nomes para ir com Carter. Se for o seu primeiro nome, qual vai ser o seu nome do meio?" Dei de ombros. "Travis." "Carter Travis Maddox", disse ela, parando para se sentir confortável. Mesmo que se mover faça-a respirar difícil. "Você não acha que seria confuso ter um Travis Carter e um Carter Travis na casa?" "Não. Bem, possivelmente, mas eu ainda gosto dele." "Eu também." "Sim?" Eu sorri. "Isso meio que vai junto com o nosso tema de nomear as crianças conforme nós... mais ou menos. James conforme seu pai. Jessica conforme eu... quase".

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Jessica James era o nome da identidade falsa da Abby. Foi como ela entrou em bares quando éramos calouros, mas mais importante, como ela apostou em Las Vegas. Lembrei-me de assisti-la com admiração quando ela esteve cabeça a cabeça com lendas de jogo, trapaceando ele por milhares, tudo para salvar seu pai de ser morto por uma dívida não paga a Benny Carlisi. Essa viagem a Las Vegas, lutando para o equilíbrio do que Abby não fez, e o fogo na Keaton Hall foi o trio cósmico que nos aterrou em nossa situação atual. Eu fui investigado por meu envolvimento em um incêndio que irrompera no campus, resultando na morte de dezenas de meus colegas de classe, e apenas aconteceu do meu irmão estar investigando Benny. Quando ele ficou ciente de que a minha namorada era a filha de um consumado jogador de Vegas que tinha laços com a família Carlisi, eu fui trazido para o rebanho federal em troca de imunidade na acusação pelo incêndio. Fiquei aliviado que quando Abby descobriu que eu tinha sido convocado para o FBI na maior parte do nosso casamento e tinha mentido para ela sobre isso, ela me ajudou a levar o caso Carlisi mais perto de uma conclusão em vez de me deixar. Eu fui capaz de entregar anos de extratos de contas no banco, e-mails, cartas e mensagens de texto que Abby reuniu por invadir a conta de e-mail e de telefone de seu pai, todos amarrando membros Carlisi a vários crimes dolosos. Abby pensou que isso significaria que eu estaria mais em casa. Em vez disso, o Bureau estava indo cem milhas por hora tentando fechar o caso. Agora que Benny estava morto e eles estavam obcecados em vingança, todos nós estávamos correndo contra o relógio.

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Abby sorriu, descansando a cabeça contra as almofadas do sofá. Seu cabelo estava mais curto do que era na faculdade. Seus cachos caramelo agora só roçavam os ombros. Ela penteou de volta o que ela chamava de franja lateral com os dedos, mas eles caíram de volta para seu olho. Abby faria trinta em setembro. Tão sábia quanto ela estava com dezenove anos, ela era quase clarividente agora. Eu tinha certeza de que só a fazia mais perigosa, mas ela estava do meu lado — Obrigado Cristo. Suas curvas suaves encheram seus jeans de maternidade, seu decote estourando de sua parte superior do seu top brilhante, e eu ri pensando em quantas vezes eu implorei a ela para ter outro bebê — descaradamente apreciando as mudanças que seu corpo passou para transportar nossos filhos e filha. "O quê?", disse ela, pegando-me olhando para as mamas dela... de novo. Eu nunca iria crescer? Se isso significava que eu tinha que parar de apreciar quão sexy minha esposa era, eu esperava que não. Limpei a garganta. "Eu gostaria de encontrar Liis no aeroporto, mas" —Eu olhei para o meu relógio "você vai sair em breve para pegar as crianças." "Você deve ir." Ela suspirou, lutando para levantar o peito para obter uma respiração completa. "Não", eu disse, balançando a cabeça. "Eu posso conseguir as crianças da escola", disse ela. "Wren está aqui. Ele pode conduzir-nos se você estiver nervoso." Eu fiz uma careta. "Isso precisa acabar."

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"E vai", disse Abby, de pé. Ela se aproximou de mim, deslizando as mãos sob meu bíceps e trancando-os na parte baixa das costas. Ela teve de curvar-se ligeiramente para encaixar a cabeça debaixo do meu queixo, apertando seu rosto contra o meu peito, mas mesmo seu toque doce não poderia me animar. Nós dois sabíamos que o fim de um caso só significava o início de outro. Abby foi responsável pela quebra no caso de seu pai. Mick Abernathy era um jogador consumado que tinha um trato com a máfia de Vegas. Ela descobriu que eu estava trabalhando para o Bureau e só queria ajudar a acabar com um caso que me manteve longe demais. Desde que a comunicação de informações iria prender seu pai e o subchefe, ela foi convidada para ser uma consultora ocasional para o FBI. Eles ainda estavam à espera de sua resposta, assim como eu. Sua ponta tinha me permitido subir os degraus rapidamente. Nenhum emprego legal no Eakins iria pagar o que eu estava fazendo com o Bureau. Se Abby assumisse o cargo de consultora, ela seria capaz de ficar em casa com as crianças. De qualquer maneira, nós tínhamos feito uma boa vida aqui. "Papai está animado," Abby disse, "para ver Stella." "Ele nunca fica velho, eu acho. Não importa quantos filhos seus filhos expilam, não há nada como segurar um neto pela primeira vez.” Abby não achou graça. "Eu acredito que são as noras que expelem." Beijei-a na testa. "Touché."

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“Você deve ir para o aeroporto, Travis. Vou pegar as crianças na escola com Wren e encontrá-lo no papai. Thomas iria querer que você fosse.” Minhas sobrancelhas se uniram. Ouvir o nome de Thomas no tempo passado era inquietante. "Certifique-se de Wren permanecer fora de vista. Pai já sabe que algo está acontecendo." "Ele sabe, Trav. Ele tem sabido. Tenho certeza de que desde o início. Ele sabe sobre os gêmeos, também." "O que sobre os gêmeos?", Perguntei. Abby simplesmente riu, sacudindo a cabeça. "Vocês meninos Maddox são mentirosos terríveis." Meu rosto se contorceu em desgosto. "Ninguém está mentindo." "Omitir é mentir", ela insistiu. "Criar histórias de capa é mentir." Quando fui recrutado para o FBI com apenas vinte anos, eu também fui obrigado a mantê-lo de minha esposa. Infelizmente, para o Bureau, Abby era muito inteligente e teimosa para permanecer alheia. Infelizmente para mim, meu pai era igualmente tão afiado, e foi um trabalho de tempo integral para mantê-lo dele. Eu não tinha certeza de como Thomas tinha sido capaz de fazê-lo por mais de uma década. De acordo com Abby, ele não tinha. Tinha certeza de que o meu pai tinha sabido o tempo todo, também.

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Eu beijei o rosto suave de Abby, ainda com cheiro fracamente de chocolate da manteiga de cacau que ela passava por toda a sua pele no momento em que ela começou a mostrar. Isso levou-me a beijá-la novamente antes de sair para o meu caminhão. Eu usei o pequeno rádio preso à lapela do meu casaco esporte para chamar Agente Wren. "Indo para o aeroporto regional para o coletor." "Tenho certeza de que a agente Lindy terá o prazer de ver um rosto familiar, senhor." Suspirei. "Talvez. Talvez não." Eu escorreguei atrás do volante, tomando uma respiração profunda antes de girar a chave na ignição. Liis tinha viajado do outro lado do país com um recém-nascido. Um funeral foi a única razão pela qual ela iria arriscar, especialmente sabendo que a máfia estava comprometida em castigá-la, visando a única fraqueza que Liis Lindy tinha: as pessoas que amava. Não era mais suficiente que ela estivesse cercada pelo Bureau. Ela precisava da família Maddox agora. Ela sabia que iríamos manter Stella segura. Eu mantive um controle apertado sobre o volante até que os portões do aeroporto regional estivessem à vista. Ninguém tinha me seguido. O guarda de segurança no portão parecia alerta, mas relaxado. Mostrei minha identidade, e ele permitiu que eu continuasse. Era improvável que alguém em Las Vegas pudesse ter descoberto que Liis estava indo para casa para Illinois em tempo suficiente para vencê-la aqui.

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Assim que eu puxei até o terminal, eu pude ver o jato do Bureau já estacionado perto de um hangar campestre. Ele estava cheio de agentes: homens e mulheres claramente armados e perigosos. No momento em que minha caminhonete virou a esquina, eles se concentraram, ordenando-me a diminuir, estacionar o meu veículo, e mostrar minhas mãos. Eu fiz, como eles comandaram, segurando meu crachá. A maioria deles sabia quem eu era no momento em que pisei no asfalto. "Travis!" Liis chamou atrás de uma parede de homens. Corri até ela, empurrando os agentes para o lado para chegar a minha cunhada. Seus olhos estavam inchados, vermelhos e cansados. "Oh meu Deus, o seu rosto", disse ela, tocando suavemente a minha roxa pele inchada. Liis não era a pessoa mais carinhosa, mas ela imediatamente derreteu em meus braços. "Você veio", disse ela suavemente. Eu coloquei minha mão na parte de trás do seu cabelo comprido escuro e beijei o topo da cabeça dela. "Isso mesmo, eu vim." "Abby?", Ela perguntou, olhando para mim. "Todo mundo está bem? Nada suspeito?" "Tudo está bem. Eles estão todos esperando para ajudá-la com o bebê."

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"Eu não durmo há três dias", Liis disse, seus olhos amendoados olhando para mim. "Eu sei", eu disse, segurando-a para o meu lado enquanto caminhávamos na direção da caminhonete. "Eu sei."

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Eu estendi as minhas mãos na minha frente. "Parem! Não! Não façam isso! Meus filhos olharam para mim com os sem-baboseira, redondos, olhos de safira da sua mãe, e o sorvete de cone na mão. Ezra, Eli, e Emerson estavam todos de pé na varanda, os seus rostos tão imundos como suas camisas. Sua mãe iria pirar se eles entrassem assim, e eles sabiam disso. Eu os tinha tomado em primeiro lugar para dar-lhe algum tempo para limpar a casa do jeito que ela queria, sem um dos nossos pequenos monstros bagunçando tudo atrás dela. Se eu deixá-los em cobertura leitosa de gosma pegajosa, America iria matar a todos nós. "Gente," eu disse, ainda segurando minhas mãos, "Estou pegando a mangueira. Não se movam. Mamãe está lá. Vocês sabem o que ela vai fazer se vocês pisarem dentro da casa?" Eli olhou para Emerson com sua marca registrada de sorriso maligno. "Eu quero dizer isso," eu disse, apontando para eles. Eles riram quando eu dei os três passos a partir da varanda para a calçada e depois desviei-me da grama para o pátio lateral para encontrar a torneira. America e eu éramos ambos filhos únicos, e sabíamos que queríamos mais do que um, e juntos. No momento em que tivemos

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Emerson, nós tínhamos decidido que estávamos no caminho sobre as nossas cabeças. Ezra era apenas um mês mais velho do que os gêmeos de Travis e Abby. Eli veio dois anos depois. Emerson mais dois depois disso. Ao contrário de Travis e os filhos de Taylor, os meus foram todos rápidos para ir à luta, mais altos que todas as crianças em seus perspectivos níveis, e inconfundível sentido Maddox. Ainda bem que eu tinha tido alguma experiência com isso. Peguei o bico e puxei-o do rolo de mangueira retrátil, revelandoo enquanto eu caminhei em direção à varanda. Assim que eu dobrei a esquina, eu deixei cair a mangueira e corri. A porta estava aberta, e os meninos tinham ido embora. "Droga!" Rosnei, correndo em direção ao som dos gritos da America. Ela estava na cozinha, já se movendo em grande velocidade. Emerson estava sentado no balcão com os pés descalços na pia com água corrente, enquanto ela estava temporariamente cegando Eli por puxar a camisa sobre a sua cabeça. Ela já estava ameaçando Ezra. "Se você se mover, então Deus me ajude!", Ela advertiu. "Sim, senhora", disse Ezra, de pé estranhamente ainda ao lado da geladeira. Os rapazes não eram grandes em ouvir-me, mas nenhum deles se atrevia a testar a sua mãe quando ela tinha tido bastante. Ela não tinha medo de deixar-nos saber quando estávamos perto de cruzar essa linha, também.

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"Sinto muito, querida," eu disse, pegando vários trapos de uma gaveta. America estava na zona, longe de mim. Não havia tempo para desculpas sem sentido — ou sua aceitação delas. Ela estava concentrando-se na próxima coisa que tinha de ser feito. No momento em que nós tínhamos limpado o resto da confusão branca derretida de suas bocas e mãos, os meninos já estavam correndo na velocidade turbo para seus quartos, e America estava sentada no chão parecendo exausta. "Deus abençoe a Diane por manter seus primos vivos por tanto tempo quanto ela fez," America disse. Sentei-me ao lado dela, descansando os braços sobre os joelhos dobrados. "A casa parece boa." "No momento", disse ela, inclinando-se para me beijar. "Ainda questionando nossa decisão de remodelar antes deles saírem para a faculdade." Eu ri, mas isso desapareceu quando eu impulsionei para levantar, trazendo a minha esposa comigo. Nós dois gememos, nossos ossos envelhecidos apenas começando a mostrar sinais de três décadas de uso e desgaste. Nós passamos muito tempo no chão da cozinha, fazendo as refeições, fazendo bebês, e em seguida em nossas mãos e joelhos substituindo o linóleo por azulejo atualizado. Os limites máximos de pipoca raspados, bancadas de granito e novos carpetes ou azulejos instalados por toda parte, cada quarto, exceto o dos rapazes pintados Tony Taupe, iluminação atualizada e hardware substituído. As únicas coisas intocadas foram os armários de madeira de carvalho e guarnição.

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Nossa casa era quase tão antiga como éramos, mas a America gostava de personalizar e transformar velho em novo ao invés de viver em um espaço que não precisa de nós. Emerson correu e abraçou America. "Amo você, mãe." Ele correu fora tão rápido como tinha aparecido, e ela estendeu sua camisa, revelando uma mancha branca. "Perdemos um lugar", ela disse, exasperada. "Eu me pergunto quantos mais lugares nós perdemos. Devemos fazer uma segunda varredura." "Ele ama você, mãe. Todos eles amam." Os olhos de America suavizaram quando ela olhou para mim. "É por isso que eu os deixo viver." A partir do momento que duas linhas apareceram, no teste de gravidez, a America estava apaixonada: mais do que ela amava os pais, mais do que ela amava Abby — mais do que ela me amava. Ela não pediu desculpas por colocar os meninos em primeiro lugar, antes até de si mesma. Quando America tomou sobre si mesma me ajudar na discussão com meu companheiro de quarto e primo, Travis, nenhum de nós sabia que ela estava praticando para ser mãe de meninos Maddox ela mesma. A maneira como ela ordenou seu respeito e manteve seu lado maternal macio me fazia lembrar a minha tia Diane quase diariamente. "Acampamento de verão?", Perguntei. Eu era um olheiro de futebol para o Chicago Bears e viajava por uma boa parte do ano.

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America era uma santa. Ela nunca reclamou e nunca me ressentia de estar na estrada, ou continuar em um trabalho que eu amava, mesmo que isso significasse muitas noites solitárias e parentalidade solo. Mesmo se ela tivesse, eu ainda acho que ela era uma santa. Às vezes, eu desejava que ela fizesse. "Ah sim. Pesca, camping, e acender fogueiras. Eles não podem esperar. Ainda temos seguro, certo? " "Certo." America suspirou, entrelaçando os dedos nos meus. Coberto nos mais limpos, dedos enrugados, e com um pequeno coelho sujo pendurado em seu rabo de cavalo loiro, ela estava belíssima. Senti uma pontada na boca do estômago. "Eu te amo", ela disse, e eu me apaixonei inteiramente de novo. Abri a boca para responder, mas o meu telefone tocou. Revirei os olhos e então usei meu dedo indicador e polegar como uma pinça para tirá-lo do bolso da frente da minha calça khaki. "Olá?" "Ei, Shep. É, uh... é Trent. Você está em casa?" "Estamos em casa. E aí?" "Você deveria vir." Fiz uma pausa, não esperando sua resposta. "A-agora?" "Agora", Trenton disse sem hesitar.

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Mudei o meu peso de um pé para o outro, já inquieto. "É Jim?" Como esperado, a minha pergunta chamou a atenção de America. "Ele está bem?" "Ele está bem. Nós só precisamos que você venha." "Claro", eu disse, tentando manter a preocupação da minha voz. Eu sabia que Jim tinha estado fora ultimamente, e eu imaginei que ele poderia ter obtido uma má notícia do médico. "Estaremos lá em vinte minutos". "Obrigado, Shep", Trenton disse antes de desligar o telefone. "Jim?", Perguntou America. Eu coloquei meu telefone longe e dei de ombros. "Eu não sei. Eles querem que a gente vá." "Parece urgente", disse ela, olhando meu rosto em busca de pistas. "Eu honestamente não sei, querida. Vamos apenas agrupar os meninos para o carro. Vinte minutos é otimista para os padrões de alguém". "Eu posso fazer isso", disse ela, caminhando em direção ao hall. "Meninos! Carro! Agora!" Vi-a desaparecer no quarto de Eli e Emerson e, em seguida, procurei as minhas chaves e telefone um minuto antes de perceber que ambos estavam nos bolsos. Amaldiçoei sob a minha respiração todo o caminho até o quarto de Ezra, e, em seguida, encorajei-o a colocar seu

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Chuck Taylors3 para que pudéssemos ir. Eu sabia um fato que America tinha começado a limpeza de seus quartos antes mesmo pensar sobre o resto da casa, e o andar de Ezra já estava coberto com roupas, brinquedos e... "Pedras? Realmente?", Perguntei. "Eu as consegui de James. Ele ganhou-as em um jogo de poker." Eu subjuguei um sorriso, sabendo exatamente de onde James tem suas habilidades de trapaça. "Amarre seus cadarços. Vamos amigo, temos que ir." "Onde?" Ezra perguntou em sua voz mini-homem. Ele me faz lembrar de Thomas, sempre a necessidade de saber os detalhes. "Para papai Jim", eu disse. Travis e os gêmeos de Abby tinham chegado um pouco mais cedo, fazendo James e Jessica apenas um mês mais jovem do que Ezra. Mesmo sem a influência das crianças de Travis referindo-se a ele como Papa, os meus filhos teriam considerado Jim ainda seu outro avô. "Simmmmm!" Ezra sussurrou, deslizando sobre seus Chucks sem amarrá-los e correndo para a porta. "Amarre os sapatos, Ezra! Ezra!" Eu chamei por ele. America já estava de pé ao lado do carro dentro da porta traseira aberta, alcançando mais de Eli para afivelar Emerson em seu assento de

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Chuck Taylor, All-Stars ou Converse All Stars é o nome comercial para um par de sapatos casuais desenvolvidos e produzidos pela Converse.

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carro. Ezra deslizou pelo outro lado, seus cadarços pendurados. America simplesmente assentiu com a cabeça aos seus pés, e seu joelho foi dobrado, seguindo ordens. "Como?" Eu disse, caminhando para o meu lado. "Eles sabem exatamente o que eles podem sair impunes," ela disse, abrindo a porta do lado do passageiro. Ela afivelou o cinto de segurança e, em seguida, se inclinou para trás, usando os preciosos minutos que tivemos no carro com as crianças amarradas para relaxar. Eu mal ouvi suas próximas palavras sobre a ignição do motor. "Toda criança tem um costume, amor. Eles também sabem que eu vou aniquilar o deles." Eu ri, sabendo muito bem que ela estava falando sério. Eu tinha visto muito um avião de brinquedo e carro de corrida ensacado e levado para a caridade ou armazenados até que os meninos os ganhassem de volta. America era militante, às vezes, mas ela estava certa. Um dia, eles seriam maiores do que ela, e era importante para ela para estabelecer a relação antes que isso acontecesse. Enquanto eu dirigia para Jim, eu pensei sobre como seria se Diane tivesse estado em torno para criar os meus primos. Tudo o que America fazia como uma mãe era exatamente do jeito que eu imaginava a minha tia. Eu não estava certo de como uma filha única mantinha o pulso em uma ninhada de meninos Maddox turbulentos, mas a partir do momento em que ela empurrou Ezra ao mundo, de alguma forma ela sempre sabia quando ser suave e quando ser difícil.

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Eu pressionei o alerta, à espera de tráfego em sentido contrário antes de virar à esquerda na entrada de Jim. As duas fendas de cascalho em cada lado de uma pista de grama recém-cortada situada no lado esquerdo da casa de Jim e corria profundo, além da parte de trás da casa. Assim, muitos carros já estavam estacionados, A traseira da minha minivan ficou pendurada para fora na rua mais de dois pés. Ainda bem que o carro estacionado em frente à casa de Jim iria manter o fluxo de tráfego longe da van. "Mais que inferno?", Disse America. "Mãe," Ezra repreendeu. "Não diga inferno." "Você não diz inferno", disse a America de volta. "Você primeiro." Ela virou-se lentamente, atirando-lhe um olhar de morte. Ele afundou em sua cadeira, já temendo por sua vida. Ninguém estava esperando por nós na varanda. Algo estava errado. Eu desatei Eli e Emerson e mantive o ritmo com a America quando ela levou Ezra pela mão até a porta da frente. Bati duas vezes e, em seguida, abri a porta de tela, fazendo uma nota mental para passar e corrigi-la antes de cair fora de suas dobradiças. Trenton e Camille tinham estado ocupados tentando engravidar, e Travis tinha acabado de chegar em casa do trabalho fora da cidade. Eu cheguei para ajudar quando e onde eu podia.

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America pegou a minha mão, apenas tão cuidadosa sobre o que estávamos andando em como eu estava. Exceto para murmuração tranquila na cozinha, a casa estava silenciosa — estranho com todas aquelas pessoas na casa. "Ei," eu disse quando Trenton veio à tona. Ele parecia uma merda, e eu pude ver que ele e Camille estavam chorando. Travis e Abby estavam encostados contra os contadores ao lado do frigorífico, assistindo Trenton me dizer o que quer que seja notícia que eu tinha vindo para saber. "Onde está Jim?", Perguntei. Ele me abraçou rapidamente. "Obrigado por ter vindo tão rápido." "Trenton", eu disse. "Me diz o que está acontecendo." "É Tommy", disse ele, com a voz entrecortada. "Oh Deus. O bebê?", Perguntou America. Meu estômago afundou. Stella tinha um par de dias. "Não" - Trenton sacudiu a cabeça - "não, ela está bem. Super saudável." Ele olhou para os meninos. "James e Jess estão lá em cima. Por que vocês não vão encontrá-los?" Todos os três rapazes decolaram, e America agarrou meu braço com ambas as mãos, apoiando nós dois para o que Trenton poderia dizer. "Tommy foi baleado fora de sua casa mais cedo. Logo após que eles trouxeram Stella casa."

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"Baleado?" Eu disse, sentindo-me tonto. Todo o ar tinha sido sugado para fora da sala, enquanto eu tentava processar suas palavras. "Mas ele está bem?" O rosto de Trenton caiu. "É ruim, Shep." Eu estava ficando irritado, e eu não tinha certeza do por que. "Como um atingido ou...?" "Nós não estamos exatamente certos. Os agentes foram instruídos a esperar por Liis antes de dar mais qualquer informação", disse Trenton. O nariz de America enrugou. "Agentes?" Trenton apontou por cima do ombro para os homens de terno sentados na mesa de jantar. "FBI". Inclinei-me para ter uma visão melhor e, em seguida, fiquei para trás na posição vertical. "O que os agentes do FBI estão fazendo aqui?" "Não temos certeza sobre isso, também. Eu acho que tem algo a ver com quem atirou em Tommy. Talvez eles estejam nos Dez Mais Procurados ou algo assim." "Mas por que não teria que lhe dar mais informações? Será que eles lhe fizeram qualquer pergunta?", Perguntou America. "Não", disse Trenton.

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America se aproximou de Abby, cujo corpo inteiro parecia inchado, até mesmo seu nariz. "Você não acha esta situação estranha? Onde está Travis?" Abby tocou no braço de America, dando-lhe um sinal não verbal para ser paciente. "Vai ficar tudo bem, Mare", disse Abby. "Ele foi buscar Liis do aeroporto." "Liis está aqui? Por que ela não está com Thomas?", Perguntei. Antes que Abby pudesse responder, Jim entrou mancando na da sala de estar. "Tio Jim", eu disse, abraçando-o. Ele acariciou minhas costas. "Apenas à espera de ouvir alguma coisa." Quando ele se afastou, ele parecia cansado e com o coração partido, como se ele já soubesse o que estava por vir. "Posso arranjar-lhe alguma coisa, papai?", Perguntou Abby. "Basta pegar um pouco de café", disse Jim. "Eu vou buscar", disse Camille. "Vocês deveriam os dois estar descansando." Ela quis dizer Abby e Jim, mas assenti como se fosse comigo. "Ela está certa. Coloque os pés para cima", disse America. Enquanto a America passou por mim, levando Abby para a sala pela mão, notei a ausência do mesmo medo e devastação que estava

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pesando nos rostos de todos os outros na sala — todos menos Abby. Normalmente, ela estaria interrogando os agentes até que ela conseguisse respostas. America concordou, um lampejo de compreensão em seus olhos. Fiquei imaginando o que ela sabia que e eu não. Os meninos gritavam e America correu para o fundo das escadas, olhando para cima, enquanto ela gritava: "Qualquer sangue?" "Não senhora!" Todos os três responderam de volta em uníssono. Camille sorriu e encheu um copo com gelo e água, entregando-o a meu pai antes de escoltá-lo de volta para sua cadeira. "Isso não se parece com café", o pai disse com um sorriso. "Eu sei", disse Camille. America e eu nos juntamos aos todos, mas Trenton estava na sala de estar. Ele estava no corredor no telefone, tentando alcançar os gêmeos no Colorado. America se sentou no sofá, e eu me acomodei no chão, entre as suas pernas, tentando não gemer quando ela começou a esfregar seus dedos polegares em círculos sobre meus ombros. Trenton entrou, segurando o telefone no ar. "Os gêmeos tem um vôo para a manhã. Eu vou buscá-los.” "Eu vou segui-lo na van", eu disse. Os dedos da America pressionado em meus músculos doridos ainda mais. "Quando é que vamos saber mais sobre Thomas?", Perguntou ela.

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"Logo", disse Abby. America lançou-lhe um olhar. Alguma coisa estava acontecendo, e minha esposa nunca apreciou ser mantida fora do circuito. Eu pensei que quando Travis e Abby fugiram, America iria estrangular os dois. Aparentemente, eles não tinham aprendido a lição. A porta da frente abriu e fechou, e Travis caminhou em volta da esquina, afrouxando a gravata. Ele tinha começado um trabalho com a empresa de publicidade de Thomas. Tinha base na Califórnia, e a história era que ele estava assumindo para Thomas desde que ele se mudou para gerenciar seu escritório na Costa Leste, mas Travis de alguma forma conseguiu ficar em Eakins. Nada disso fazia muito sentido, mas eu não tinha pensado em questioná-los até agora. America e eu tínhamos estado ocupados com a nossa própria família. Tinha sido muito fácil ignorar as coisas. Eu estava de pé, abraçando Travis. "Você está bem? Isso é um olho roxo fresco?" Travis fez uma careta. "Eu dei perda total no SUV." "Onde está Liis?", Perguntei. "Sua amiga Val levou-a para obter fraldas e tal", ele disse, parecendo cansado. "Alguém pode responder a porra da pergunta?" America deixou escapar. "Por que Liis está aqui sem seu marido?" "Mare", Abby avisou.

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Camille trouxe para o pai uma caneca fumegante, e seus olhos se iluminaram por alguns segundos. "Descafeinado", disse Camille. "Por que estamos aqui, Abby?" America exigiu. "Para mantê-los seguros", ela deixou escapar. "Para nos manter todos a salvo." "De quê?", Perguntei. Travis mudou. "De quem matou Thomas." Eu olhei para a minha esposa. Sua boca estava um pouco aberta, e ela parou de esfregar os meus ombros. "Que porra isso significa?", Perguntou Trenton, segurando a mão de Camille. Ela tomou-a, parecendo tão chocada e preocupada quanto America. "Isso significa..." Jim começou, tomando uma respiração profunda. "O FBI está aqui, e eles parecem pensar que o que aconteceu com Thomas não foi um acidente. Agora... todo mundo, acalmem-se. Você está segura aqui. As crianças estão seguras. Quando Taylor e Tyler chegarem aqui, eles estarão seguros também." "Então esse é o plano?", Perguntou Camille. "Esconder aqui como uma casa segura?" "Será que eles realmente acham que alguém tem como alvo a nossa família?", Perguntou Trenton. "Por quê?"

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Travis parecia irritado com cada pergunta. "É possível." "Toda a família?", Perguntou Trenton. "Possivelmente", respondeu Travis. "Olive", Trenton disse, correndo pelo corredor e para fora da porta.

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24 horas antes... Me sentei no quarto decadente do hotel, a julgar pela tinta branca descascando e os móveis antigos. Eu tinha ficado em um monte de lugares horríveis durante o meu tempo no FBI, mas nunca com um bebê recém-nascido. Eu estava com ela no colo desde que chegamos, muito nervosa para colocá-la na cama antes de vasculhar todo o quarto com uma luz negra. Depois de uma breve batida, a agente Hyde abriu a porta. "Sou eu." "Entre", eu disse, tanto aliviada quanto irritada. Ela chegou de mãos vazias mesmo depois de eu ter pedido especificamente por lençóis, travesseiros e cobertores limpos - não do motel – panos de chão e desinfetante – muitos desses. "Eu sei o que você está pensando", disse Hyde. Seu cabelo loiro foi puxado para trás e preso na altura da nuca. Ela era a melhor agente feminina de Quântico, depois de mim. Eu estava feliz por ela estar lá, mas ela não era exatamente do tipo meigo e caloroso. Eu queria ser durona, séria, e imperturbável também, mas era difícil manter esse papel com o sutiã de amamentação desabotoado e com cheiro de vômito de bebê. "Você não tem ideia do que eu estou pensando", eu disse.

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"Está tudo a caminho." Talvez ela soubesse. "É melhor que esteja. Ele sabe que eu odeio D.C, e este motel é uma atrocidade." "Por falar em se sacrificar pela equipe." Quando Hyde viu minha expressão, ela engoliu em seco. "Perdão, agente Lindy. Péssima piada. Mas depois do que aconteceu com Salvatore Cattone na década de noventa, o crime organizado não vai nem chegar perto de D.C. Este é o lugar mais seguro para você." "Uma instalação de armazenamento e reprodução das bactérias de sêmen?", Perguntei. Hyde nem se perturbou ou respondeu. Olhei para cima e suspirei. "Como ele está?" Ela disse apenas uma palavra. "Ferido." Olhei para baixo, irritada por meus níveis hormonais oscilarem tão dramaticamente sem eu poder controlá-los. Lágrimas escorriam até a ponte do meu nariz, pingando no pijama rosa de bolinhas marrons de Stella. Apenas alguns dias antes o ato de chorar era algo estranho para mim. Agora, era tudo que eu conseguia fazer. O Bureau só teve 15 minutos para avisar que os Carlisis haviam se separado e estavam se aproximando. Eles tinham viajado com a intenção de assassinar Thomas e Travis. Um pequeno grupo tinha sido rastreado até Quântico, o outro até a Califórnia. O assassino de Travis tinha um péssimo informante, algo que tinha sido plantado e circulou de volta de seus dias de disfarce, quando ele era apenas um publicitário para o resto

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do mundo, mas foi só uma questão de tempo até rastrearem ele até Illinois. Quinze minutos para ajustar o plano em que Thomas se arriscaria a ser assassinado no nosso jardim da frente. Os atiradores já estavam a postos quando o carro apareceu cantando pneu pela rua. Enquanto eles alvejavam a frente da nossa casa com balas, um dos atiradores acertou o pneu de trás do Nissan Altima alugado, e outro acertou o colete de Thomas. O meu marido foi para o chão, e ficou lá até a ambulância chegar. A Nissan fugiu, mas foi capturada depois de vinte minutos de perseguição. Os agentes finalmente conseguiram alcançá-los depois que eles fugiram a pé. Vito Carlisi puxou uma arma, foi baleado e morto. Os outros foram presos. Thomas não podia ter executado um plano mais perfeito. Eu ainda podia sentir seus lábios nos meus minutos antes dele sair pela porta da frente. Eu me despedi dele com um beijo, sem saber se seria pra valer ou não, ou por quanto tempo. Possivelmente para sempre. Mas Benny estava morto, e nós finalmente encurralamos um de seus homens para testemunhar contra o Carlisi remanescente: um velho apostador de Vegas que agora estava gerenciando os pequenos clubes de strip ilegais para Benny, coincidentemente ele também era conhecido por ser o pai ausente de Abby Maddox. Mick Abernathy estava agora em custódia. Abby tinha entregado uma pilha de quinze centímetros de informações sobre seu pai, deixando ele sem outra opção a não ser testemunhar contra os Carlisis. Nós sabíamos que eles não iriam parar sem derramar sangue. A nossa esperança era de que os homens de

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Benny acreditassem que a morte de Thomas serviria como um aviso e mantivesse Travis e eu longe dos depoimentos. Eu poderia ter planejado uma vida inteira e ainda nunca teria me preparado para ver o pai da minha filha morto a tiros em nosso jardim da frente. Aquele momento foi quando as lágrimas começaram a cair, e elas não tinham parado. Depois de uma batida específica na porta, Hyde fez uma verificação rápida, arma em mãos, e em seguida, deixou entrar um outro agente a paisana, segurando grandes sacos de plástico. "Boa tarde, agente Hawkins. " Ele acenou para Hyde e depois para mim. "Agente Maddox." "Lindy," Hyde corrigiu. "Ela ainda é Lindy." "Sinto muito", disse ele gaguejando. "Eu pensei…" Eu só podia balançar a cabeça, sentindo lágrimas se reunindo em meus olhos novamente. Isto estava me deixando cada vez mais irritada. Era esse o fenômeno em que as pessoas sempre falavam? De chorar compulsivamente? Thomas havia me pedido em casamento diversas vezes, mas isso não estava nos planos, e eu sempre seguia o plano. No dia em que Stella veio ao mundo, os planos mudaram, e eu decidi que isso não poderia ser tão ruim, afinal. A próxima vez em que visse Thomas novamente, ele tinha prometido me pedir em casamento de novo. Sem aviões com faixas passando pelo céu, nem flores, nem Torre Eiffel ou qualquer outra

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teatralidade, mas tínhamos um novo plano. Eu só precisava ter certeza que eu iria vê-lo novamente. Agente Hawkins estendeu um cobertor fino e começou a desembalar os sacos de plástico. "Os lençóis queen size e edredons que você solicitou. Os lençóis de berço, almofadas, panos, e desinfetante. Os lençóis todos foram lavados. Os do berço com o sabão que você pediu". "Obrigada", eu disse, observando enquanto ele se desculpava. Hyde já estava limpando o berço quando me virei para colocar Stella no cobertor fino. Eu desdobrei o lençol do berço e o cheirei para confirmar se tinha sido lavado com o sabão para roupas de bebê. Eu respirei fundo, lembrando o quanto Thomas tinha amado esse cheiro quando nós estávamos arrumando o quarto da bebê. Um quarto que não estávamos usando. Fiz a cama de Stella e depois a tirei do cobertor fino para colocar seu corpo minúsculo no centro do berço. Ela se debateu e gritou enquanto eu limpava sua fralda mas depois se acalmou enquanto eu limpava seu cordão umbilical com álcool e abotoava seu pijama, dos pés ao pescoço. Coloquei uma chupeta em sua boca e ela adormeceu. Ela parecia tão pequena naquele berço imundo e caindo aos pedaços. Ela tinha um quarto novo e de tirar o folego em casa, e ela mal o tinha visto. Ela não merecia esse quarto infestado de germes. Minha garganta apertou, e as lágrimas escorreram novamente. Hyde estendeu um lenço de papel, sua expressão sem demonstrar nenhuma emoção.

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"Você deve pensar que eu estou louca", eu disse, enxugando os olhos. "Não. Minha irmã tem filhos. Isso não dura para sempre. " "Eu não sabia que você é tia. Sobrinhas ou sobrinhos? " "Ambos", disse Hyde. Ela estava tentando esconder um sorriso. "Hunter tem cinco. Liz tem três. Noah tem oito meses. " "Uau", eu disse, respirando com uma risada. A expressão da agente Hyde suavizou. "Você passou por muita coisa, Lindy. Pega leve com você. " Eu pensei no que ela disse, e ela estava certa. Eu nunca seria tão dura com ninguém na minha situação. Eu balancei a cabeça, esfregando a ponta do meu nariz. "Obrigado. Eu vou.” Limpei minha garganta, tentando o meu melhor para pensar e sentir como uma agente, já que era o que eu era. "Alguma nova informação sobre o Maddox? " "Ele está vivo", disse ela. Eu engoli a vontade de chorar. "E o Carlisis?" "Em custódia. Um morto ". "Qual?", Perguntei. "Vito," Hyde relatou. Eu esfreguei a tensão do meu pescoço. O estresse e o bebê estavam me deixando exausta, eu mal conseguia manter os olhos abertos. "O favorito de Benny. Isso vai acertá-los em cheio."

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"Não subestime Giada. Ela é instável.” Hyde estava certa. A matriarca dos Carlisi poderia ser considerada ainda mais perigosa que Benny. Ela havia ficado em segundo plano, mas tinha encomendado muitos dos golpes apenas sussurrando no ouvido de seu marido. "Isso pode tanto destruí-la quanto fazê-la decidir acabar logo com tudo." Eu assenti, estendendo a mão para o meu telefone. "Agente Lindy," Hyde disse, dando um passo à frente. Quando eu congelei, ela continuou. "Eu posso entrar em contato com o diretor se você quiser informá-lo sobre Giada.” "Ah, certo," eu disse, soltando meu telefone. Os Carlisis pensavam que eu era uma viúva de luto. Se houvesse alguma pista ou qualquer outra informação sendo enviada aos Carlisis - que nós só pudemos assumir que havia, uma vez que eles sabiam a localização exata de Thomas, e mais tarde a de Travis também - eu tinha que ter cuidado. Só algumas poucas pessoas sabiam que Thomas estava vivo. Fazia sentido manter a guarda e ser transferida de nossa casa para um local seguro, mas se eu ia falar com o diretor sobre qualquer coisa que não seja a minha raiva sobre o que tinha acontecido com Thomas, então eu iria falar tudo. "Temos que encontrar quem ou o que eles estão usando pra obter as informações", disse eu. "Estamos trabalhando nisso." "Nós já temos alguma coisa?"

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"Agente Lindy, o bebê está dormindo. Minha irmã sempre cochila quando o bebê está dormindo. É a única hora que ela...” "Ok", eu disse. "Você está certa." Hyde pareceu surpresa com a minha resposta, mas se recuperou rapidamente, desarrumando a cama e refazendo tudo com os lençóis, travesseiros e cobertor limpos enquanto eu tomava uma ducha. Eu me arrastei para a cama com as minhas pantufas, sem coragem de pisar com meus pés descalços no tapete duro. Me deitei, cheirando o leve indício de lavanda. Hyde havia notado que eu estava olhando tudo em volta e fungando. Hyde mudou seu peso, e o rosto corou. Ela estava visivelmente desconfortável com a minha pergunta não formulada. "Eu pedi a Hawkins para arranjar alguns purificadores de ar para as tomadas. Sua casa cheira um pouco como lavanda, então eu pensei que faria você se sentir melhor. São apenas duas. Se for demais para o bebê...” "Não", eu disse com um sorriso agradecido. "Não, isso foi muito gentil de sua parte." "Foi a Agente Taber que sugeriu." "Val", eu disse com um sorriso, mas então meus olhos começaram a vazar novamente. "Ela estará no primeiro vôo para cá. Ela insistiu em acompanhálas até Illinois”.

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"Obrigada", eu disse, já sentindo desesperada para ver minha amiga mais próxima. Hyde não sorriu ou demonstrou muito como resposta, mas mesmo assim me fez sentir confortável, porque eu estava acostumada a ser assim com a minha mãe. Ela mostrava seu amor no que fazia por mim. Meu pai era do tipo carinhoso e animado. Talvez por isso o diretor tivesse escolhido Hyde como a minha segurança pessoal. Além de ser uma das melhores motoristas da Bureau e melhor com uma arma, ela também era maternal, de alguma forma. Eu descansei minha cabeça contra o travesseiro. Ele também cheirava um pouco como lavanda, e eu me perguntei se Hyde tinha vaporizado ele para me ajudar a relaxar ainda mais. Eu não perguntaria. Eu não queria envergonhá-la novamente. Eu assisti Stella respirar, os botões do seu pijama subindo e descendo. Ela parecia tão calma. Eu me perguntei se ela sentia falta da voz de Thomas, ou se ela sabia que aqui não era a casa dela. Eu não percebi que estava chorando de novo até eu sentir a fronha molhada, e eu fechei os olhos, implorando que eu conseguisse relaxar o suficiente para descansar um pouco. Stella acordaria em breve, e eu não podia cuidar dela se eu não cuidasse de mim. Nós estávamos indo para um local diferente de manhã, e depois para Eakins na próxima manhã. Eu precisava de todas as minhas forças para quebrar mais de uma dúzia de corações. "Hyde? Você vai estar lá amanhã? Em Eakins?” "Onde você for eu vou, agente Lindy."

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"Você pode dizer a quem você precisar dizer para ligar para o Thomas? Dizer que eu o amo?” "Eu falarei." Eu senti meus músculos derreterem no colchão, mas por mais que eu tentasse, eu não conseguia dormir.

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A fita adesiva fez um barulho estridente quando a puxei do rolo, e eu congelei. Nossa única televisão estava ligada na sala de estar descendo o corredor, e eu tentei escutar, por cima da conversa entre Patrick e Bob Esponja, alguns passos se aproximando da porta fechada do meu quarto. Eu queria adiantar o encaixotamento, mas queria que Taylor estivesse aqui quando contasse a novidade para as crianças. Eu sorri, porque eles ficariam tão felizes. Mas meu sorriso logo desapareceu. Toda a tristeza que eles sentiram pelos últimos meses havia sido minha culpa. A parede era coberta com painéis de madeira, exceto por uma parte onde se podia enxergar a massa corrida por trás de tudo. A cama era uma king, mas não tão confortável como a queen que deixei para trás. Nossa coberta não chegava a cobrir todo o colchão, mas ela havia me ajudado a passar por um inverno particularmente gelado no Colorado. Uma fotografia de Taylor com as crianças permanecia na mesa de cabeceira. Apesar de Taylor não dormir mais comigo, eu ainda dormia no mesmo lado que eu tinha escolhido depois que fomos morar juntos. Hadley, às vezes, rastejava para o lado de Taylor no meio da noite, mas fora isso, permanecia vazio. Hollis e Hadley eram tão próximos em idade que puderam começar a pré-escola juntos, e agora, eles haviam acabado de sair da segunda série. Olhar para o cabelo escuro de Hollis, pele bronzeada e

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olhos azuis era como olhar para Alyssa, a mulher que Taylor havia conhecido na Califórnia durante a semana que tínhamos nos separado. Mesmo imensamente irritada por descobrir que ele havia engravidado outra mulher, a noite que Taylor e Alyssa passaram juntos fizeram Hollis possível, e eu não trocaria o meu filho por nada. Hadley era a minha cara, exceto pelas suas íris de chocolate. Ela mantinha seu cabelo loiro ondulado comprido, e também tinha os mesmos respingos de sardas no nariz e bochechas. Nenhum deles havia me olhado muito desde que nos mudamos de Estes Park para Colorado Springs. Hadley era um pouco mais piedosa do que Hollis. Às vezes ela até esquecia o quanto estava zangada comigo e eu conseguia um abraço ou mesmo uma noite de aconchegos no sofá enquanto assistimos a um filme, mas Hollis aproveitava cada oportunidade para me lembrar de como eu estava arruinando sua vida. E estava ficando cada vez mais difícil argumentar com ele. Ele estava tendo dificuldades para fazer amigos, mas todos em Estes Park o amavam. Ele era o primeiro a ser escolhido nos times, encantava as meninas, e cantava como uma estrela de uma boy band. Em Springs, ele era o garoto novo que era uma ameaça para a hierarquia de classes já estabelecida. A segunda série estava muito diferente do que eu me lembrava. Meu telefone tocou, e eu peguei, esperando alguma noticia de Taylor. Em vez disso, era Peter. Eu ainda não tinha certeza de como ele tinha conseguido meu número, mas ele era incessante. Eu ainda não tinha certeza se a culpa foi minha na noite que nos conhecemos; se eu tinha olhado em sua direção por muito tempo ou distraidamente sorri

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para ele. Homens como ele pensam que toda mulher que ria de uma única piada deve estar implorando para ser fodida. Então não. Não foi minha culpa. Ele foi criado com privilégios e sem responsabilidades. Ele havia evoluído de herdeiro puxa saco para tarado egomaníaco, também conhecido como o filho do prefeito Lacy. Peter estava de olho em mim desde o momento em que entramos no bar para comemorar a promoção de Jubal à tenente. Taylor e eu não saíamos muito, e eu queria aproveitar ao máximo a babá que tínhamos conseguido com adicional noturno. Durante semanas depois que fui embora, eu desejei ter ficado em casa. Mas quanto mais tempo eu ficava longe, mais eu ficava com raiva. Já era tarde pra Taylor criar algum autocontrole. Ele tinha colocado seu trabalho em jogo - e o de seu irmão também. Eu fiz uma careta. O que costumava ser fofo e talvez até lisonjeiro agora era prejudicial. Eu não queria ensinar aos nossos filhos que eles poderiam impor suas maneiras em qualquer situação sem consequências, ou fazer tudo de qualquer maneira e as consequências que se danem. Joguei meu telefone para o colchão e o cobri com uma pilha de toalhas dobradas. Elas estavam desgastadas nas bordas e nenhuma delas combinava, mas elas cheiravam como casa, então eu as guardava em um saco no fundo do meu armário e as abria quando eu mais sentia falta de Taylor. Só um pouco psicótica. A campainha anunciava a chegada de alguém com seu sussurro baixo e esganiçado quase como se implorando para alguém a tirar dessa miséria. "Papai!", Disse Hadley.

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Taylor cumprimentou as crianças, seus olás interrompidos com abraços apertados. Alguns momentos depois, a porta do meu quarto se abriu, e Hollis parou ali com Taylor que estava carregando Hadley nas costas. Hollis estava com um largo sorriso no rosto, sua covinha esquerda aparecendo, os olhos que eu amava olhavam para mim, nem remotamente me lembrando os de Taylor ou os meus. "Papai está aqui!", Disse Hollis. Ele estava tão animado que ele nem notou a caixa sobre a cama, mas Taylor notou. "Eu percebi", eu disse com um sorriso. "Uh... crianças, por que vocês não arrumam uma mala pra passar a noite? Vou conversar com a mamãe. " "Pra passar a noite? Sério? ", Disse Hadley, escorregando de cima de Taylor. Ela olhou para mim. "É sério, mãe?" "Sério," eu disse. "Vão em frente." Eles correram para seus respectivos quartos, fazendo tanto barulho quanto possível. Um dia antes, eu teria ficado preocupada com os vizinhos reclamando, mas finalmente estávamos deixando esta lixeira para trás. "Como está indo?", Perguntou Taylor apontando para a caixa e minha cama desarrumada. "Apenas começando. Foi complicado começar a empacotar em segredo, fazer o jantar e...” Eu parei, percebendo uma mancha de fuligem

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em seu rosto. "Eu estou acompanhando as notícias pelo celular. O incêndio ainda está acontecendo." Taylor assentiu. "É um monstro." "Tem certeza que estava tudo bem pelo Tyler você ter os deixado?" "Sim", disse ele, olhando ao redor. Ele encontrou uma caixa desmontada e a abriu, prendendo a parte inferior para poder usá-la. Ele parecia em conflito com alguma coisa, e quando sua testa franziu, eu me preparei para o que ele poderia dizer. "Uh... Falyn...?" "Pai!", Disse Hollis, com a mochila na mão. Ele olhou para a caixa vazia na frente de Taylor e depois para a que estava na minha frente. "O que está acontecendo?" Eu me virei para as crianças, ambos confusos. "Vamos conversar na mesa. Vamos lá." Hollis e Hadley me seguiram para a sala de jantar, que era realmente apenas um canto da sala de estar com mesa e cadeiras. Nós nos sentamos, e ambos descansaram seus cotovelos sobre a mesa, cruzando os braços como Taylor. "Nós precisamos contar algo pra vocês, mas antes disso, eu preciso explicar. Papai e eu não estamos juntos de novo, e nós não voltaremos a ficar juntos, pelo menos não por enquanto. Nós ainda temos muitas coisas para resolver.”

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Os olhos das crianças voltaram-se para suas mãos, assim como Taylor. "A boa notícia é," eu disse, olhando para Taylor. "Você quer…?" Taylor instantaneamente mascarou sua tristeza com um sorriso alegre. "A boa notícia é que vocês vão se mudar para Estes Park. " "O que? Com você?”, Disse Hollis, pulando de sua cadeira. Ele jogou os braços em volta do pescoço de Taylor, e eu tentei não deixar que doesse muito o fato dele estar tão ansioso para viver com seu pai. "Com a mamãe também", disse Taylor. Os olhares das crianças viajavam entre eu e Taylor. "Essa é a parte confusa." "Mamãe vai se mudar pra lá também?" Hadley perguntou. Uma esperança cautelosa brilhava em seus olhos. "Seu pai e eu achamos que seria uma boa ideia se nós voltássemos para a casa de Estes, onde vocês podem ter seus antigos quartos e voltar para a escola com seus velhos amigos". "Mas vocês não estão juntos?", Disse Hollis. Eu podia ver a confusão em seu rosto. Taylor engoliu em seco, já odiando o que ele estava prestes a dizer. "Eu vou ficar em um apartamento até a mamãe e eu resolvermos as coisas". "Um apartamento?" Hollis gemeu. Seus olhos fechados enquanto ele se jogava para trás em sua cadeira. "Isso é idiota pra caralho."

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"Hollis Henry Maddox!" Taylor rosnou. Ele não estava acostumado com a boca suja, as mudanças de humor, ou a raiva como eu estava. Até onde as crianças sabiam, eu havia arruinado suas vidas, e o pai era o salvador. Taylor recuperou a compostura, e ele puxou Hollis para um abraço, o forçando para o seu colo. "Você não está feliz aqui, e sua mãe enxerga isso. Custou muito para ela para ligar e descobrirmos um jeito de te levar de volta pra casa. Não me importo de ficar em um apartamento por enquanto." "Por quanto tempo?", Disse Hollis, tentando não chorar. Seu rosto vermelho, fazendo suas sardas desbotadas ainda menos notáveis. "Hollis," eu comecei. "Nós já conversamos sobre isso. Às vezes, mães e pais precisam de algum tempo para...”. "Isso é besteira!", Disse Hollis. "Se nós estamos voltando para Estes, nós devíamos viver juntos." "Mas não podemos," eu disse, firme. "Ainda não." Hollis olhou para mim por um momento, o ódio em seus olhos. Nesses momentos, eu esperava com medo que ele gritasse que eu não era realmente sua mãe, mas ainda não havia acontecido. Com os dentes cerrados, ele empurrou-se da cadeira, os pés se arrastando contra o azulejo e ele avançou para seu quarto. Taylor suspirou. "Isso não foi tão bom quanto eu achei que seria." "Você devia ir falar com ele", eu disse.

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Taylor beijou a testa de Hadley e depois acenou com a cabeça, seguindo Hollis para seu quarto. "Mãe?", Disse Hadley. "Ele pode ficar no meu quarto." Eu olhei para ela por um momento, confusa. Seu cabelo platinado me lembrava de Olive, até o toque de sardas no nariz. "O papai. Se você não quer que ele durma com você, ele pode ficar com o meu quarto." Peguei a mão dela, e para minha surpresa, ela aceitou. "Eu gostaria de poder explicar isso para você, para que você pudesse entender.” "Eu entendo", disse ela. "Ele foi preso, e você ficou brava com ele. Mas você tem estado brava com ele por tanto tempo. Você não pode deixar de ficar brava agora?” Olhei para baixo. "Não é tão simples assim, amor. Eu gostaria que fosse.” Ela assentiu com a cabeça, seu olhar caindo para nossas mãos no centro da mesa. Taylor caminhou até a gente, com as mãos nos bolsos das calças de brim. "Ele está bem. Ele está empacotando. Você devia ir empacotar suas coisas também, princesa.” Hadley pulou da mesa e correu para seu quarto, parando tempo o suficiente para jogar os braços ao redor da cintura de Taylor. Ele a puxou apertado e em seguida a deixou ir, me observando descansar o queixo na palma da minha mão.

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"Eles tem me odiado desde que fomos embora. Tem sido tenso”, eu disse. "Eles nunca odiariam você." "Você não sabe disso", eu disse. "Sim, eu sei." Ele olhou para mim por um momento, nenhum de nós disse uma palavra. Eu engoli em seco, sabendo que ainda nos amávamos, mas também certa de que eu não estava pronta ir em frente juntos. Era uma linha tênue – ser cautelosa para não tomar nenhuma decisão baseada na emoção e me segurando para não puni-lo ainda mais. "Vamos," Taylor disse. "Vamos começar no seu quarto." Ele estendeu a mão para mim, e eu hesitei. Ele a puxou de volta, devolvendo-a ao bolso em que estava." Eu entendo, você sabe. As crianças não, mas eu entendo. Eles não sabem o que aconteceu. Eles não sabem que eu mereço isso. " "Isso não me faz sentir melhor." "Eles não merecem isso, no entanto. Nós somos melhores do que isso, Falyn.” "Taylor, não." Eu me coloquei de pé, passando por ele. Ele gentilmente pegou meu braço, e isso tomou todas as minhas forças para não cair junto dele. Eu sentia tanta falta de seu toque, de estar perto dele, ouvir sua voz na mesma sala, o observar me observando. "Eu ainda te amo", disse ele, a raiva na borda de suas palavras. Eu não podia culpá-lo.

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A nossa família estava quebrada e os nossos filhos estavam sofrendo. "Eu sei", eu disse. Meu ressentimento não me deixaria dizer nada além disso e então eu caminhei para longe, até o final do corredor. Taylor pegou algumas caixas e as montou para as crianças, e depois voltou, me ajudando a encher as caixas de papelão com as minhas coisas. Juntamos as meias das gavetas, sapatos e baldes do Dia das Bruxas de cima do armário. Eu tinha sentido falta do quão alto Taylor era. Ele pode alcançar tudo o que eu não podia. Ele poderia levantar e abrir tudo o que eu não conseguia e, por vezes, mesmo quando eu conseguia, eu fingia que não apenas para que eu pudesse vê-lo fazendo. "Eu ainda amo você também," eu disse. Taylor se virou, uma expressão indistinguível em seu rosto. "E eu sinto sua falta. Talvez as crianças sejam mais espertas do que eu nisso. Talvez devêssemos tentar arrumar isso de dentro para fora, em vez de ferir as crianças enquanto eu finjo que espero por uma luz divina.” "É isso que você está fazendo? Esperando por um sinal de que eu mudei?” Ele deu um passo para mim, deixando cair tudo em suas mãos. "Porque amor, eu mudei. Eu não quero te perder. Eu não quero perder as crianças. Eu..." Meu telefone tocou, interrompendo-o. Olhei em volta, tocando os bolsos dos meus jeans. O celular tocou novamente, e Taylor apontou para a pilha de toalhas.

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"Ele está vindo de lá", disse ele, dando um passo em direção à cama. "Está tarde. Será que é a Ellie? " "Oh, sim. Eu..." Oh. Porra. Antes que eu pudesse impedi-lo, Taylor levantou as toalhas e pegou meu telefone, seu rosto instantaneamente se transformando em desgosto. "Por que diabos Peter Lacy está ligando pra você? Como é que ele tem o seu número, Falyn? " "Eu não sei", eu disse, estendendo a mão para o meu telefone. "Não importa. Eu nunca atendi." O entendimento iluminou os olhos de Taylor, e ele ficou ainda mais irritado. "Quantas vezes ele entrou em contato com você? Que porra é essa, Falyn? É por isso que você quer voltar?" Fiquei de boca aberta. "Não! E ele não entrou em contato comigo de maneira alguma, porque eu nunca atendi!" "Como ele conseguiu a merda do seu número?" Taylor gritou. Suas veias estavam inchando em seu pescoço, seus olhos praticamente brilhando e selvagens. Seu peito arfava, e eu podia ver a contenção. Ele queria dar um soco em algo ou alguém. Se Peter estivesse lá, ele poderia matá-lo. Eu me lembrei agora. O homem de pé na minha frente era o Taylor a quem eu deixei pra trás. Meus olhos caíram no chão. A esperança que eu tinha apenas momentos antes se foi. Quando eu olhei para cima novamente, e os olhos de Taylor encontraram os meus, eu podia ver a raiva se dissipando e a vergonha assumindo o controle. Mesmo assim, ele não podia

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abandonar isso. Ele pegou a pilha de toalhas e a empurrou para a caixa em cima de algumas bugigangas, rasgando a fita adesiva e a passando por todo o topo. Ele pegou um marcador preto e escreveu SUITE na parte superior e, em seguida, atirou a caixa no canto do quarto atrás da porta, espalhando seu conteúdo. Duas silhuetas escuras estavam de pé no corredor, e quando eu percebi que as crianças estavam presenciando mais uma vez o show de merda que era o nosso casamento, eu cobri minha boca, incapaz de impedir as lágrimas de caírem. "Não, querida, não chore..." Taylor olhou para o corredor. "Sinto muito", disse ele a as crianças. Ele se sentou na cama, debruçado em si mesmo. "Sinto muito", ele engasgou. "Ainda podemos ir?", Perguntou Hadley, saindo de fora da sombra do corredor. "Eu vou ", disse Hollis. Limpei meu rosto e fui até a porta, segurando Hollis e Hadley como se eles pudessem quebrar como as cerâmicas na caixa. "Sim. Sim, nós ainda vamos. O papai quer que nós vamos, e eu quero também. Somos mais felizes em Estes, certo? " "Certo", disseram ambos, olhando para mim e balançando a cabeça. Logo, Hollis estaria mais alto do que eu. Talvez mais alto do que Taylor. Eu não podia deixar ele pensar que estava tudo bem usar violência e intimidação para resolver qualquer coisa. Eu não podia deixar

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que Hadley achasse que o comportamento de Taylor era algo aceitável, e que estava tudo bem ficar sem ter uma mudança significativa. E eu não podia deixá-los – ou minha própria culpa - falar em meu lugar e aceitar Taylor de volta antes de estarmos prontos. O telefone de Taylor tocou, e ele o puxou do bolso de trás. Ele fungou uma vez antes de responder. "Hey, Trent." Quanto mais ouvia, mais seus ombros caíam. "O que? O que você quer dizer com baleado? Como com uma arma? Como? Ele está bem? " Taylor deixou cair o telefone no chão, e corri para pegá-lo, levantando até minha orelha. Todo o sangue tinha escorrido do rosto de Taylor, e ele estava olhando para o chão, uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto. "Trent?" Eu disse. "É a Falyn. O que aconteceu?" Trenton suspirou. "Ei, Falyn. É, uh... é o Tommy. Ele, uh... houve um acidente." "Um acidente? Ele está bem? ", perguntei. "Não. Taylor e Tyler precisam vir para casa. Você pode ajudá-los a chegar até aqui? " "Não?", Perguntei. Eu tinha o escutado, mas as palavras não faziam sentido. Thomas Maddox era o mais forte de todos os cinco meninos; o mais inteligente. Ele teve a melhor cabeça e Liis tinha acabado de dar à luz ao seu primeiro bebê. Ele havia acabado de ser pai. Como pode ele não estar bem?

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"A situação é ruim", disse ele, em voz baixa. "Só traga eles pra casa, Falyn. Ligue para o Tyler. Eu não... Eu não acho que eu consiga.” "Eu cuidarei disso. Como está Liis?" "Ela está com Stella. Você vai colocar eles em um avião?" "Sim. Todos nós estaremos lá amanhã. " "Obrigado, Falyn. Te vejo em breve." "Mamãe?", Disse Hollis, observando Taylor com olhos preocupados. "O tio Tommy está bem?" Eu estendi minha mão para as crianças, pedindo para que eles esperassem antes de nos inundar com perguntas, e me deixassem cuidar de seu pai primeiro. Eu me ajoelhei na frente de Taylor, procurando palavras para dizer. Não havia nenhuma. Ele ainda estava tentando processar o que Trenton tinha dito. "Querido?" Eu disse, gentilmente puxando seu queixo. "Eu vou ligar para Tyler, e então eu só vou ligar para a companhia aérea." "Ele está no incêndio", disse Taylor, sua voz monótona. "Ele não vai atender." Eu disquei o número de Tyler com o telefone do meu marido, ouvindo enquanto ele tocava várias vezes antes de cair no correio de voz. Coloquei o telefone no meu bolso de trás e apontei para as crianças. "Mala para cinco dias. Cinco jeans, cinco camisetas, cinco meias e cinco roupas de baixo. Escova e pasta de dentes. Vão."

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As crianças assentiram e correram para seus quartos. Eu esvaziei uma mala de rodinhas pequena que Taylor já havia preenchido com as minhas calcinhas e fiz minha mala para cinco dias também. "Onde está sua mala? ", perguntei Taylor. "Hã?" "Sua bolsa. Você arrumou a mala para vir aqui, certo? Você tem pelo menos o necessário para dois dias?" "Três dias. Está no carro.” "Ok," eu disse, puxando a alça da minha mala. "Vamos. Eu dirijo. Reservo as passagens no caminho". "Para onde?" "Estes Park. Nós vamos avisar Tyler, e então nós vamos até Denver para pegar um avião." "Falyn ..." Taylor começou, mas ele sabia que não poderia ser o forte desta vez. Nós estávamos quebrados, mas não estávamos sozinhos. Estendi a mão para ele. "Vem comigo." Ele olhou para mim, parecendo perdido. Taylor alcançou minha mão entrelaçando os dedos com os meus e trazendo a minha mão aos lábios. Ele fechou os olhos com força, respirando com dificuldade pelo nariz. Com a mão livre, eu segurei a parte de trás de sua cabeça e o abracei junto a minha cintura.

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"Estou aqui." Ele soltou a minha mão e passou os braços em volta de mim, enterrando seu rosto na minha camisa.

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A televisão era a única luz em nossa sala de estar escura, escurecendo e clareando e vice-versa, dependendo da cena e ângulo da câmera que era apresentado no momento. Eu me disse para não assistir a este filme, sabendo que era sobre uma repórter alcoólatra, boca suja. Mesmo depois de uma década na seca, minha garganta apertava toda vez que ela tomava uma bebida; meu coração assobiava quando ela saía, rindo histericamente, bêbada descontraída com as amigas, tomando pau de qualquer pessoa que tivesse um. Eu tinha feito isso na última cena, e ela tinha se apaixonado por um cara decente. Foda-se. Eu era velha demais para falar ‘cara’. Pelo menos, foi o que Gavin me disse porque ele tinha cinco anos e sabia tudo. Corri meus dedos pelas pontas dos cabelos escuros, bagunçados de Gavin. Ele tinha dormindo usando meu colo como um travesseiro, como sempre fazia quando o pai dele estava em serviço. Tyler e eu tínhamos nos apaixonado em algum momento entre um sexo casual (principalmente culpa minha) e uma temporada na reabilitação (totalmente culpa minha). De alguma forma, vivíamos em uma casa de três quartos com um cão, dois gatos, e um filho que não fazia birras e nunca mantinha nada – nem uma mamadeira, uma chupeta; e sabia usar a privada sozinho. Vício não parecia estar em seu futuro. Eu esperava que sua propensão para deixar as coisas irem não repercutisse em sua vida amorosa.

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Olhei para o relógio e suspirei. Eram quase três horas da manhã, e Tyler estava combatendo o fogo no armazém. Anos de noites em claro me impediram de tentar ir para a cama antes que ele estivesse na delegacia, então esperei pela ligação avisando que ele estava seguro em sua segunda casa. Assim quando os créditos começaram a rolar, uma leve batida soou na porta da frente. Eu cuidadosamente movi a cabeça de Gavin do meu colo e saí correndo debaixo dele. Me aproximei da porta com cuidado. Morávamos em um bairro agradável em uma comunidade turística pequena, mas qualquer pessoa que estivesse na minha porta nas primeiras horas da manhã não estaria vendendo batom. "Quem é?" Eu disse, tentando soar alto o suficiente para ser ouvida e baixo para não acordar Gavin ao mesmo tempo. "É Taylor", disse uma voz profunda. "E Falyn." Eu girei o trinco e abri a porta, olhando meus cunhados como se fossem uma alucinação. Taylor tinha suas duas crianças dormindo em seus ombros, seu rosto pálido e os olhos encobertos. "O que vocês estão fazendo aqui?" Perguntei e então cobri a minha boca. Não tive notícias de Tyler em quase uma hora. Muita coisa pode acontecer em uma hora. "Ah, Deus." "Não", disse Falyn, chegando a mim. "Isto não é sobre Tyler."

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Eu puxei-a em um abraço, apertando forte. Ela ficou surpresa, e eu não podia culpá-la. Eu normalmente não era o tipo confortável com ninguém, além de Tyler e Gavin. "Você tem notícias dele?" Taylor perguntou, passando por mim. "Você pode colocá-los no quarto de hóspedes", eu disse, mas não sabia por que. Taylor sabia exatamente onde estava e já estava indo para lá. Taylor e Falyn tinham passado muito do seu tempo em nossa casa e vice-versa até que Falyn o tinha deixado. Ela não tinha ido há muito tempo, mas de alguma forma ainda me senti estranha em estar sob o mesmo teto com os dois novamente. Taylor voltou. Suas mãos estavam livres, e ele não sabia bem o que fazer com elas, então ele cruzou os braços em sua cintura. "Você está bem?" Eu perguntei. "Eu tenho tentado falar com Tyler." Eu balancei minha cabeça e então olhei para trás para checar o Gavin. "Ele deve estar terminando no armazém. Não tive notícias na última hora." Taylor aspirou. "Acho que vou ter que ir para o armazém." "Eles devem terminar em breve," eu disse. "Tudo bem?" "Ele cresceu muito," sussurrou Falyn, andando até o meu filho esparramado no sofá. Ela ajoelhou-se ao lado dele, sorrindo enquanto deu uma olhada mais de perto. "Gavin parece idêntico à Taylor e Tyler quando tinham a sua idade."

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"Ele sente sua falta," eu disse. "Ele pergunta muito sobre você." A expressão dela caiu. "Sinto falta dele, também. E de você." Ela levantou. "Taylor recebeu uma ligação do Trent." "Nós estamos indo para casa," disse Taylor. "Para Eakins? Quando?" "Amanhã", disse Falyn. "Você e Tyler, também." "Nós estamos?" Eu perguntei, tocando meu peito. "O que está acontecendo? É Jim?" Eu sabia que a saúde de papai não estava excelente. Ele estava acima do peso, comia bacon todos os dias no café da manhã e fumava charutos. Pelo olhar no rosto de Taylor, eu soube que algo terrível tinha acontecido. Taylor abriu a boca para explicar, mas não conseguiu. Falyn continuou por ele. "É o Thomas." "Thomas?" Ele acabou de ser pai. "Ah, Deus. O bebê?" "Não", disse Falyn. "Thomas foi baleado." "Baleado?" Eu disse, minha voz subindo uma oitava. A sala começou a girar. "Não sabemos muitos detalhes." "Oh, Liis," Eu disse, cobrindo a boca com a mão. Meu coração partiu imediatamente por ela. Meu olhar se afastou para Taylor. Me senti mal, sabendo que ele teria de ouvir a história novamente, quando déssemos a notícia para Tyler. Fechei os olhos, sentindo lágrimas

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quentes escorrendo pelo meu rosto. Meu coração quebrou pelo meu marido. "Você deveria sentar", disse Falyn, tentando manter a compostura. Eu me arrastei para a poltrona reclinável de Tyler e entrei em colapso. "Foda-se. Foda-se. Isso não faz sentido. Eles pegaram o atirador?" "Não temos certeza", disse Taylor. Ele apertou os dentes, os músculos da mandíbula dançando sob sua pele. "Liis está voando para Eakins de manhã", disse Falyn. Levantei minha cabeça. "Ela não vai ficar com o Thomas?" Falyn balançou a cabeça. "...Parece que é muito ruim. Seu vôo para Eakins..."ela interrompeu. A bílis subiu em minha garganta. Ele não ia fazer isso. Liis estava voando para casa para ficar com sua família. "Eu já reservei as passagens", disse Falyn. "Para nós, também?" Eu perguntei. Ela assentiu com a cabeça, e eu fiquei, olhando em volta, já preenchendo minha mente com listas de embalagem e de quem iria cuidar dos animais enquanto estivermos fora. Eu parei e então andei os poucos passos para onde estava Taylor, me abraçando a ele. Ele parecia um pouco mole nos meus braços.

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"Eu sabia", ele disse. "Tive um mau pressentimento quando deixei o fogo mais cedo, mas eu pensei que era o Tyler. Eu devia ter ligado para casa." Taylor sabia tão bem quanto eu que ligar para casa não teria ajudado nada, mas ele estava fazendo o que Tyler faria quando ouvisse a notícia: culpar a si mesmo. Deixei-o ir e caminhei de volta para o sofá, pegando meu telefone no fim da mesa e desconectando o carregador. Eu enviei mensagem para Tyler me ligar e então todos nós esperamos. Três minutos depois, o meu telefone tocou. Eu atendi imediatamente. "Oi querida," ele disse, soando cansado e sem fôlego, mas feliz. "Acabei de entrar na caminhonete." "Eu... preciso que você venha para casa," Eu disse. Apenas me ocorreu que ele iria querer saber o porquê, e eu não queria falar por telefone. "O que aconteceu?" ele perguntou , já desconfiado. "Taylor e Falyn estão aqui. Venha para casa, okay? Logo que você puder." "Estou a caminho”, disse. Ouvi as sirenes em segundo plano, e então a linha ficou em silêncio. Eu puxei uma respiração longa, sabendo que dentro de alguns minutos, aquelas sirenes iriam ecoar à distância, se aproximando até desligarem quando Tyler entrasse no bairro. Tentei não pensar nele

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correndo para casa para ouvir o que ele já sabia que seria uma má notícia. Ele só não sabia quão ruim — ou quem.

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Enquanto todos estavam se estabelecendo para a noite, eu estava saindo para o trabalho. Eu comecei no Skin Deep Tattoo como recepcionista, mas agora, eu era a gerente de negócios. Eu contratava e demitia, e trabalhava a parte dos negócios que Calvin acabava não fazendo. A loja estava quase fechando, mas eu fiz um acordo com a receita federal, e nós estávamos finalmente tendo lucro suficiente para contratar alguns novos artistas. Hoje, porém, eu estava indo para The Red Door. Eu substituía quando precisavam de mim para cobrir o bar leste. Poucos podiam lidar com isso, e Raissa e Blia tinham deixado há anos quando se formaram na faculdade. Hank e Jorie tinham sido muito bons para mim, eu não podia dizer não a eles. Os agentes federais pediram que eu não saísse, mas eu tinha prometido a Hank que eu cobriria um expediente para um dos seus mais novos garçons. A casa estava superlotada , de qualquer maneira. Olive estava dormindo no sofá na sala de estar de Jim, e os pais de Shepley estavam passando a noite. Travis sentiu que era mais seguro se todos estivessem sob o mesmo teto até que Liis chegasse de manhã — aparentemente com mais agentes. Agente Perkins estava de vigia, olhando pela janela quando saí com Trenton. Ele me deixou ao lado do edifício, o mais próximo da porta que ele conseguiu. Ele estava infeliz sobre eu ir trabalhar também.

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Eu inclinei para beijá-lo. "Vai ficar bem. Drew está lá dentro. Ele é uma fera". "Eu estarei aqui esperando às duas." "Será duas e meia," Eu disse. "Eu estarei aqui às duas." Ele parecia preocupado, então eu não discuti. Alguns anos depois dos trinta, minhas roupas cobriam mais, mas eu achava que o atendimento rápido fazia tantas gorgetas quanto peitos e bundas. Eu acenei para Drew, quando fiz meu caminho até a porta. Ele movimentou para me atender, virando o botão e puxando antes que eu pudesse. Ele abriu a porta com um sorriso. "Obrigado, Drew," Eu disse, afagando seu bíceps. Eu tinha que me suspender para bater no seu ombro. Drew era estudante do segundo ano no leste do estado, dois metros de altura³, com braços tão grandes ao redor da minha cabeça. Seu pai era um halterofilista campeão, e Drew estava a caminho. No momento em que entrou no escritório de Hank para se candidatar para o trabalho de segurança, ele foi contratado. O único problema — se você pode chamar assim — era Drew ser tão educado que ele às vezes não era tão agressivo como Hank queria. Ele era um tímido, cowboy chutador de pedras, mas ele poderia segurar dois homens separados enquanto eles estavam balançando e gritando, pedindo-lhes para por favor se darem bem. É verdade que sempre foi divertido, mas Hank queria um porteiro, não um pacificador. Para a sorte de Drew, sua presença geralmente tinha sido suficiente.

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"Sim, senhora. Você tem meu número? Eu ficaria feliz em encontrá-la no estacionamento, quando você pegar um turno. Não é seguro senhoras andarem sozinhas à noite." Dei-lhe um olhar de lado. "Você já me encontrou, Drew?" Ele riu. "Uma ou duas vezes." Ele fez uma pausa enquanto decidia se ele ia dizer a próxima parte. "Ainda sinto melhor sobre isso. Se você não se importa." "Tudo bem. Vou te chamar na próxima." Ele sorriu, aliviado. "Obrigado, Sra. Maddox." “Cami”, lembrei a ele. Drew virou à direita, em direção à entrada, e eu virei à esquerda, para

o

bar

leste. Shayla

estava

estocando

cerveja

nos

refrigeradores. Ela estava tensa, mas trabalhava rápido o suficiente para acompanhar o movimento do bar leste. Ela suspirou. "Natasha ficou doente outra vez?" "Ela ficou". "Hank vai demiti-la." "Eu duvido". "Ele sente falta da equipe Cami e Reagan. Ele nos diz o tempo todo." "Isso não é produtivo", eu disse, derramando um balde de gelo dentro do último refrigerador.

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"Eu não o culpo. Eu gosto de trabalhar com você, também." Eu sorri. Era bom me sentir necessária, embora eu estivesse me desdobrando um pouco nos últimos anos com o Jim. Eu tinha que estar certa de que ele estava na cama antes de sair, sustentar a bengala na parede ao lado da sua cama e colocar um copo de água gelada na sua mesinha de cabeceira. Luzes noturnas iluminando o caminho de seu quarto até o banheiro, mesmo que eu ainda me preocupasse. Jim era como um pai para mim; Ele era o único que eu tinha. Meu pai alcoólatra, abusivo tinha morrido anos antes de cirrose do fígado. Eu não sinto falta dele, mas minha mãe mudou para Ohio com meu irmão mais velho e sua família, e o resto dos meus irmãos estava espalhado por todo o país. Eu tive a sorte de ter uma família como os Maddoxes, mas eu estava desesperada para manter Jim o máximo possível. Sua saúde tinha decaído nos últimos anos e tinha me preocupado. Eu queria dar um neto a ele, ou para ele ou ela conhecer Jim; se lembrarem dele. Parecia que não importava quantas vitaminas eu desse a ele todas as manhãs, quantas caminhadas fizéssemos ou quão saudável eu cozinhasse para ele, não podíamos lutar com o tempo. A parte mais difícil era que ele estava abraçando isso. Ele considerava ver sua esposa novamente adiante, e me sentia egoísta em suplicar a ele para se esforçar. O DJ começou o sistema de som e verificou os microfones, me fazendo desviar o olhar do refrigerador de cerveja. "Você está bem?" Shayla disse. Ela estava me olhando como se eu fosse louca. Ela mal tinha vinte e um... e não tinha como relatar o que eu estava sentindo, então guardei para mim mesma.

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Jorie passava, seus olhos iluminaram quando ela me viu. Ela não ficaria muito tempo. Ela estava grávida de sete meses e estava preocupada com a música alta afetar o bebê. "Cami!" Ela deu a volta no bar e jogou os braços ao meu redor. "Você está ótima", eu disse, me sentindo feliz por ela e culpada por minha inveja. Liis, Abby e Jorie estavam todas grávidas ao mesmo tempo, e todos os meses quando eu olhava para o meu teste de gravidez negativo, pensava nelas. Não queria ser invejosa. Não queria ficar com raiva, porque era tão fácil para elas e até agora tinha sido impossível para mim. Eu não queria odiá-las um pouco, mas eu odiei. O desespero, criava suas próprias emoções. "Obrigada," ela disse, olhando para baixo e correndo a mão dela sobre a sua barriga de grávida. O olhar dela voltou para mim. "Você parece cansada. Tudo bem?" Eu rolei meus olhos, empurrando mais duas garrafas de cerveja no balde de gelo. "Cansada é um código para sua aparência de merda." "Não. Seus olhos estão vermelhos. Você tem círculos sob seus olhos. Seus ombros estão caídos. Então... Retiro o que disse. Você parece merda." Eu ri da sua franqueza. Uma das muitas razões que eu a amava. "Hoje temos más notícias." Ela engasgou. "Jim"?

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"Não. Thomas..." Eu segui, incerta do que dizer. Meu cunhado ser baleado era tão inacreditável. Havia agentes do FBI na casa do Jim nos pedindo sigilo. "...foi um acidente." "Ah, foda-se!" ela disse, tocando a sua barriga. "Ele vai ficar bem,contudo, certo?" "Estamos esperando. Não temos muitas informações ainda, mas dizem que é ruim." "Quem são eles?" Hesitei. "Liis." Jorie cobriu sua boca, seus olhos passando por cima. "Ah, Liis." Ela me abraçou como se ela estivesse abraçando a namorada de Thomas. Foi estranho, porque, ao mesmo tempo, eu era. A reação dela trouxe sentimentos há muito tempo enterrados, à superfície. Eu estava preocupada por Trenton e Jim... mas não tive um momento para realmente entender minhas emoções. Thomas foi o meu primeiro amor, e ao mesmo tempo, consideramos me mudar para a Califórnia para avançar para o próximo nível. E então... Trenton veio junto. Pensando bem, Trenton e eu fazia muito mais sentido, e Thomas era perfeito com Liis. Mas levaram vários anos para todos nós resolvermos isso em nossos corações e mentes. Naquele momento, abraçando a Jorie, eu voltei para onde eu comecei... amando os dois. Eu a liberei; apesar das curvas macias de Jorie serem reconfortantes. Ela pode estar com mais curvas do que costumava ter, mas ela ainda tinha o longo, cabelo louro platinado. Ao invés de mechas

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peek-a-boo, seu estilo agora caracterizava teal tips. Ela seria o tipo de mãe que eu queria ser: maternal, selvagem, feroz e divertida. Eu só tinha que ficar grávida. Ela limpou seus olhos e então se despediu, recuando para o escritório do Hank para obter outro abraço antes de ir para casa. "Uau", Shayla disse, seus olhos arregalaram. "O que você disse a ela?" "Meu cunhado sofreu um acidente." Foda-se. Agora, me senti estranha em dizer cunhado. Mesmo tendo sentimentos confusos, senti como se traísse Trenton. Eu me preocupava com Thomas e o tinha amado um dia. Agora, meu amor por ele estava na dimensão do que eu sentia por qualquer um dos irmãos de Trenton. Mas perdê-lo era uma possibilidade muito real — pelo menos, de acordo com os agentes federais que estavam na casa de Jim. Me lembrei das vezes que rimos e conversamos

sobre

nossos

mais

profundos

pensamentos

e

sentimentos. Tínhamos criado um vínculo antes que eu me apaixonasse por Trenton, e esse era um lugar estranho para estar. Eu queria puxar meu telefone e escrever para Trenton para organizar os pensamentos girando em minha cabeça, mas havia muito a fazer antes que as portas se abrissem. "Oh, droga. Sinto muito. Jorie o conhecia?" "Sim," Eu disse, sendo vaga de propósito. Eu não queria explicar como Jorie o conheceu quando estávamos namorando. Eu entendi que olhando de fora, toda a situação era muito incriminadora. Era difícil explicar o que eu sentia por Thomas sem soar como se esses sentimentos

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traíssem Trenton. Na verdade, eu amava meu marido, mais do que eu havia amado alguém, incluindo Thomas. Trenton me pegou de uma forma que ninguém mais fez, e ele me amava mais do que qualquer outra pessoa tinha amado. Mesmo se a situação se invertesse e Trenton tivesse se acidentado e Liis tinha nunca tivesse aparecido, eu ainda não voltaria para Thomas. Agora que Trenton me tinha mostrado que era o amor, eu sabia que não era o que Thomas e eu tínhamos. Meus sentimentos eram profundos e algo sobre ele era difícil de livrar, mas Trenton Maddox era o amor da minha vida. Ninguém mais. Dez minutos depois, Hank estava fazendo seu caminho para mim, simpatia em seus olhos. "Jorie acabou de sair. Ela me contou sobre o Thomas. Sinto muito, querida. " Dei de ombros para evitar as lágrimas. Estava atormentada com o que eu sentia desde que Jorie tinha ido embora, e Hank falar comigo quase me trouxe sobre a borda. Por alguma razão, quando os homens me mostravam simpatia, isso me fazia sentir as coisas mais intensamente. Não sabia se era porque meu pai tinha mostrado um pouco de compaixão, ou se era apenas uma coisa universal que as mulheres sentiam quando os homens se permitiram ser vulneráveis por meio segundo. Homens carregando e arrulhando para bebês, homens chorando, homens admitindo que eles estavam com medo, ou apenas mostrando sensibilidade, em geral, sempre me fizeram excessivamente emocional. Parecia ser um belo momento de vulnerabilidade e bravura para mim.

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Hank me levou em seus braços, e as lágrimas fluíram. Ele me segurou mais apertado. "Você deveria ir para casa. Você não pode trabalhar assim." Me afastei, e vi que em seus olhos ele não queria dizer isso. Ele sabia melhor. Eu precisava ficar ocupada para lidar. "Não, obrigada". "Deixe-me saber se você mudar de ideia." Fiquei feliz quando as portas se abriram, e eu pude colocar a minha cara no jogo. Era noite de cerveja de moeda, e o bar leste estava rodeado por seis filas. Eu peguei um pedido, fiz a bebida, apertei os botões da registradora, peguei o dinheiro, vi a extremidade entrar no compatimento e comecei tudo de novo. Depois de meia hora, eu puxei a sirene por mais cerveja. Depois de três horas, eu puxei a sirene por mais de tudo. A pista de dança estava cheia, os clientes estavam felizes, e Drew não teve que separar uma briga. Tinha sido uma boa noite e depois que toda a gente tinha desocupado e a faxineira estava varrendo a bagunça que deixaram para trás, agarrei minha cintura para me abraçar, e chorei. Tantas memórias ficaram comigo atrás do bar. Me sentir tonta quando Thomas entrou e começou a flertar comigo, e depois o sentimento aumentar quando ele voltou e me convidou para sair. Ver Travis e Abby sentarem nos bancos em frente a mim pela primeira vez. Assistir os irmãos Maddox brigarem com a queda de um chapéu. A hora que Trenton se inclinou sobre o bar e me beijou na véspera do ano novo. Trabalhar com minha melhor amiga e colega de quarto, Raegan e vê-la se apaixonar por Kody. Chorar quando eles se mudaram e celebrar

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quando Jorie e Hank souberam que ela finalmente estava grávida. The Red Door era uma parte de mim e estar lá era um escape certo até as portas fecharem. Eu não queria que terminasse. Nem mesmo apenas para a noite. Depois de ter secado o último copo e tê-lo guardado, Drew sorriu. "Pronta?" Perguntou. Ele levava todas as mulheres aos seus carros no final de cada noite. Drew era um bom garoto. "Pronto. Trenton deve estar lá fora." As sobrancelhas de Drew juntaram. Ele parecia confuso. "Não, madame. Pelo menos, não quando eu verifiquei alguns minutos atrás." "Talvez ele seja atrasado," Eu disse, agarrando a minha bolsa e colocando por cima do meu ombro. Mas no momento que eu disse as palavras, senti uma sensação ruim. Drew abriu a porta lateral, e depois que eu notei que Trenton não estava onde ele disse que estaria estacionado esperando por mim, examinei o lote escuro. "Atrasar não é hábito dele, é?" Drew perguntou. "Não, não é." Eu digitei um texto para ele... e esperei. Depois de alguns minutos e nenhuma resposta, meu corpo começou a tremer. Adrenalina foi surgindo em minhas veias quando minha mente passou pelos piores cenários.

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Um carro preto reduziu para o local onde Trenton era suposto estar, e instintivamente, eu estiquei meu braço para Drew, empurrandoo para trás. "Vá para dentro," Eu sibilei. "Quem é esse?" Drew perguntou, movendo para ficar diante de mim. O vidro abaixou, revelando um dos agentes da casa de Jim. "Estamos aqui para te buscar, Sra. Maddox." Eu relaxei mas vacilei. "Cadê a Trenton? Por que não me escreveu de volta?" "Vou explicar quando você entrar," ele disse. Drew me segurou de volta assim quando eu dei um passo à frente. "Você conhece esse cara?" ele perguntou. "Sim. É uma longa história." Alcancei a maçaneta da porta, mas Drew me parou. "Ela não vai a qualquer lugar com você até que ela ouça sobre o seu marido." "Isso vai ser difícil", disse o agente. Meu estômago afundou. "Por que?" "Você precisa entrar no carro, Sra. Maddox. Não posso explicar mais na presença de sua companhia atual."

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Agarrei o braço de Drew, e ele olhou para mim, me implorando com os olhos para não ir. "Ele é correto," eu disse simplesmente. "Ele é um amigo do Jim." "Pai do Trenton?" Drew perguntou, desconfiado. Quando concordei, Drew não parecia convencido. "Eu tenho um mau pressentimento, Cami. Acho que você deve ficar aqui até Trenton ligar para você." Meu olhar voltou para o agente. "Eu não acho que ele vá ligar."

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Travis apertou minha mão, e eu apertei a dele de volta, deixando que ele percebesse que eu havia entendido o quanto isso era difícil para ele. Todo mundo estava chateado e exausto, especulando que havia acontecido com Thomas ao mesmo tempo em que expressavam a raiva pelos agentes não passarem nenhuma informação - o que os obrigava a especular. Agora ele estava deitado de costas no centro do colchão de casal velho que ele tinha desde a oitava série, herdado de Thomas. Nossos gêmeos estavam em colchões no chão, os dois roncando suavemente. Nós pedimos para Shepley e America virem para cá, assim como Jack e Deana. Mesmo que isso só levantasse mais perguntas, era mais seguro ter todos sob o mesmo teto até que Travis e os agentes tivessem mais informações. Pelo que sabíamos toda a família Carlisi poderia chegar a Eakins a qualquer momento. Travis virou de lado, enterrando seu rosto no meu pescoço. Ele tinha acabado de vir pra cama depois de fazer uma segunda inspeção pela casa em busca de grampos. Nós não poderíamos ser mais cuidadosos. "Essa porra toda é uma droga. Me faz desejar que eu ainda fumasse". "Seu pacote de emergência está em casa, e você não vai sair daqui, então esqueça isso", eu disse.

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"Eu sei, mas isso me parece uma emergência." Me virei para olhá-lo nos olhos e enganchei a perna sobre o seu quadril. Era o mais próximo que poderíamos ficar com a minha barriga entre nós. "A família Maddox é capaz de quase qualquer coisa. Atuação não é uma delas.” "Talvez eles pudessem. Nós não sabemos disso.” "Eles não são treinados como você é, Trav. Alguém vai cometer um erro. Você não teria concordado com isso a menos que você soubesse de um fato que esta era a única maneira de manter todos nós seguros.” Ele concordou, tocando sua testa na minha. "Você é minha esposa preferida." "Tenta tirar isso da sua cabeça pelo menos até amanhã quando a Liis chegar. A maior parte da responsabilidade vai ficar pra ela." Ele suspirou, olhando para o teto. Ele cruzou os braços sobre seu peito. "Ela acabou de ter um bebê, Flor. Ela está sozinha. Como eu posso deixar ela fazer isso? " "Ela não está sozinha. Nós podemos apoiá-la. Nós podemos ajudar." Ele ficou quieto por um momento. "Tem que haver outra maneira. Papai vai ter um ataque cardíaco. Isso vai matá-lo.” "Ele é mais forte do que você pensa." "Nós não podemos fazer isso", disse ele. O pânico que apenas o assombrava durante toda a noite agora era evidente em sua voz.

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Peguei seu rosto, forçando-o a me olhar nos olhos. "Nós não temos uma escolha. Pense sobre o que eles fizeram, Travis. Eles pensaram que estavam atirando em mim. Eles pensaram que estavam me jogando para fora da estrada. Jessica e James poderiam estar no carro. Nós poderíamos estar mortos. Todo mundo poderia estar vindo para casa para o nosso funeral. Se nós não fizermos isso, esse ainda pode ser o nosso funeral, ou de Shep, ou mesmo de Olive. Até ontem nós sabíamos que todos nós tínhamos um alvo em nossas costas. Até mesmo as crianças. Quando Liis ligar para a Bureau dizendo que ela não vai testemunhar, e meu pai está desaparecido" Eu disse fazendo sinais de cotação com meus dedos “eles vão recuar. E em seguida, você pode caçálos um por um até que eles não sejam mais uma ameaça, e ninguém vai pensar duas vezes sobre ameaçar sua família novamente." Travis piscou. "Você está certa. Eu sei que você está certa.” Inclinei-me para beijar sua boca, tão suave e quente quanto a primeira vez que o senti em meus lábios. Ele puxou minha perna nua para mais perto dele, me beijando mais forte, mais profundo. Travis sempre achou que eu era bonita, mas no momento que eu disse a ele que estava grávida novamente eu tinha me esquecido como a ideia de carregar um filho dele o deixava insaciável. "Se você quiser que eu pare..." Ele parou. "Alguma contração hoje?" Eu sorri e neguei com a cabeça. Eu tenho tido fortes contrações de treinamento nas ultimas três semanas. Nós até fomos ao hospital uma vez, mas nos mandaram de volta pra casa. Ele deslizou minha camisola de seda sobre a minha cabeça e beijou minha barriga. Ele sabia que eu não tinha a mínima intenção de dizer não.

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Estávamos na parte da gravidez que fazia as minhas curvas algo mais difícil de navegar, mas Travis alcançava facilmente todos os altos e baixos, passando a língua sobre a minha pele esticada mais avidamente do que na nossa primeira vez em seu apartamento. Ele se ajoelhou no pé da cama, segurando meu pé direito na mão, massageando minha sola do pé com os polegares. Ele levou meu dedo à boca e beijou a ponta, depois continuou com a minha massagem, subindo para minha panturrilha. Cada vez que ele terminava uma parte, ele se despedia com um beijo. Minhas entranhas ficaram tensas quando ele encontrou seu caminho até minhas coxas. Sua cabeça desapareceu atrás de minha barriga grávida, e eu descansei minha cabeça para trás. "Onde você foi?" Eu sussurrei. Sua língua fez uma linha umedecendo das minhas coxas até as dobras das minhas partes mais sensíveis, e deixei escapar um suspiro silencioso. "Oh. Aí está você." Travis agarrou meus quadris e me puxou para ele, tão ansioso para estar entre minhas pernas quanto eu. Eu podia ouvir suas pernas roçando nos lençóis, ficando mais animada com cada movimento de sua língua. Assim que eu comecei a sentir meu interior se relaxar, ele se arrastou até se deitar ao meu lado, pressionando seus lábios contra minha pele. Passando a língua até a minha barriga, ele seguiu a linha escura que havia se formado debaixo do meu umbigo, que apareceu em algum momento durante o meu segundo trimestre de gestação. O bebê se mexeu, e Travis levantou a cabeça, sorrindo e passando a palma da

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mão no lugar onde o nosso filho tinha se movido. Foi uma estranha combinação de sexo e maternidade. Não parecia ser difícil para Travis, sair das preliminares para socorrer uma cama molhada ou um pesadelo, e depois voltar e se sentir sexy e desejável. A transição de mãe para amante era mais difícil para mim. Travis me puxou para cima dele, passando a mão do fim das minhas costas para a minha bunda. Seus dedos pressionados em minha pele enquanto seus olhos percorreram meu corpo nu, do meu cabelo até onde a nossa pele se encontrava. Tudo à nossa volta se dissipou, e eu tinha dezenove anos de novo, sentindo suas mãos em mim pela primeira vez. O sexo com Travis Maddox sempre tinha sido incrível, mas algo na maneira que ele adorava meu corpo quando eu estava grávida tornava isso ainda melhor. Eu nunca tinha me sentido mais bonita ou desejada do que naquele momento, e eu me sentiria ainda mais bonita e desejada na próxima vez em que fizéssemos amor. Travis agarrou minhas coxas, me firmando enquanto eu lentamente me abaixava em cima dele. As pulseiras de couro trançado em seu pulso caíram até seu antebraço tenso, chamando minha atenção para as tatuagens dançando sobre sua pele. Deixei minha cabeça cair para trás, mordendo meu lábio para me impedir de gemer. Um suspiro saiu dos meus lábios em seu lugar. Travis mexeu seu quadril só para me reposicionar, e eu fiquei tensa, já me sentindo perto do clímax. Meu corpo reagia muito diferente durante a gravidez, em todos os sentidos. O melhor de tudo... O sexo. Nem tudo eram as mil maravilhas, mas seios maiores, meu marido atendendo a todos os meus desejos, e a capacidade de gozar mais rápido do que ele, eram certamente os destaques. Tudo

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que Travis tinha que fazer era deslizar os dedos por debaixo da minha calcinha, e eu já virava uma completa bagunça. Eu diminuí meus movimentos, e Travis obedeceu, me deixando definir o ritmo. Suas íris castanhas pararam em mim, saboreando o momento. Seus olhos rolaram para trás, e ele gemeu. Assim que o ruído escapou de seus lábios, nós congelamos, esperando ouvir os leves roncos no chão pararem. Eu cobri minha boca, tentando não rir. Travis sorriu por um momento, e então seu olhar caiu para o lugar onde nossos corpos se encontravam. Ele revirou os quadris novamente, arqueando as costas para se enterrar ainda mais profundo dentro de mim. Eu precisei me concentrar para me segurar, ao mesmo tempo esperando que ele se apressasse e temendo pelo fim. "Meu Deus", ele sussurrou. "Toda vez eu fico impressionado em como é bom pra cacete sentir você." Eu prendi meus joelhos em cada lado dele, levantando para que eu pudesse sentir ele contra mim enquanto eu deslizava para ele novamente. Travis fez uma pausa, seus olhos se movendo ao redor do quarto. Eu comecei a falar, para perguntar a ele o que tinha de errado, mas ele levou o dedo à boca. Ouvimos vozes alteradas no térreo, e Travis fechou os olhos, decepcionado e lamentando pelo seu próximo passo. Ele tocou minha coxa gentilmente, e eu sai de cima dele, observando enquanto ele pulava

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da cama e colocava um short de basquete vermelho. Vestiu um boné de baseball azul marinho e o virou para trás, escondendo a bagunça que eu tinha feito em seu cabelo enquanto ele estava entre as minhas coxas. "Eu já volto", disse ele, inclinando-se para me beijar. Seus lábios ainda tinham o meu sabor. Os músculos de seu peito ondulavam enquanto ele se mexia, correndo para o térreo para descobrir o que estava acontecendo. Ele fechou a porta atrás dele, e eu caí para trás contra o meu travesseiro, frustrada. Enquanto Travis fazia seu caminho até o andar de baixo, os roncos dos gêmeos aumentaram, entrando em compasso. A voz de Travis se junto na sinfonia de tons profundos, e então eu o ouvi gritar. Eu pulei, olhando para fora da janela para verificar se havia sinais de perigo antes de colocar meu robe e correr para as escadas. Travis estava em pé no centro da sala de estar, frente a frente com Trenton. Shepley estava de pé entre eles, com as mãos sobre o peito de cada um. "Que merda é essa?" Eu assobiei, tentando manter minha voz baixa. Travis imediatamente relaxou e deu um passo para trás, deixando Shepley ficar entre ele e seu irmão. Trenton me observou por um momento e então franziu a testa, olhando para seu irmão mais novo. "Eu volto já." Travis apontou para o chão. "Eu disse que ninguém sai de casa. Isso significa ninguém, Trenton, Porra! Você não devia ter deixado ela sair, para começar."

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"Quem diabos te colocou no comando?" Trenton rangeu. Travis tentou manter a calma. "Você não tem ideia do que você fez." "O que eu fiz?", Disse Trenton, dando um passo para Travis. "Você parece saber mais do que qualquer um de nós. Por que você não me diz então?” Travis suspirou, frustrado. Ele não foi autorizado a dizer nada até que Liis ligasse no dia seguinte. "Você fica aqui. Um dos agentes vai buscá-la no trabalho.” "Eu não vou mandar um estranho buscar a minha esposa", Trenton cuspiu. "Você não faria isso, também." "Trent, você não pode ir lá fora." "Por quê?" "Porque você não pode," disse Travis. America desceu as escadas em silêncio, encolhendo-se da pouca iluminação oferecida a partir das lâmpadas da sala de estar. Ela passou o braço entre o meu, na esperança de ouvir alguma coisa que a fizesse descobrir o que estava acontecendo. Os meninos não tinham discutido em anos, ou pelo menos, não assim. Era inquietante, e eu podia ver que os dois estavam chateados em estar em lados opostos de uma briga. "Eu vou", disse Trenton.

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Travis foi segurá-lo pelo braço, mas Shepley o deteve. Ele dizia com seus olhos o que todos nós sabíamos. Se Travis tentasse impedir Trenton de buscar Camille, haveria uma briga feia na sala de estar. "Trent", Shepley disse, seguindo-o pelo corredor. America o seguiu. Travis estava respirando com dificuldade pelo nariz e deslocando seu peso de um pé para o outro, a tentando liberar a energia negativa. Me fez lembrar da maneira como ele se aquecia antes de uma luta. "Você está certo", eu sussurrei, tocando seu ombro. "Ele não entende que você está apenas tentando mantê-lo seguro.” Travis estava olhando para o corredor, ouvindo Shepley tentar persuadi-lo a ficar. "Se ele apenas confiasse em mim por uma única vez. Filho da puta teimoso”. "Ele confia em você", eu disse. "Ele está pensando na Camille." Os ombros de Travis relaxaram, e ele passou a mão em minha barriga. "Nós temos que pensar em todos.” "Deixe Shepley e Mare falarem com ele." Travis esfregou a parte de trás do seu pescoço e começou a andar, esperando que seu primo e minha melhor amiga colocassem algum juízo na cabeça de seu irmão. Eu tinha me preparado para corações partidos e lágrimas. Eu até mesmo tinha aceitado que haveria raiva uma vez que jogássemos limpo sobre todas as mentiras; mesmo quando nós

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explicássemos que era a única maneira de ganhar tempo, mantendo todos em segurança. Eu não estava preparada para os irmãos se virando um contra os outros.

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Shepley bateu sua mão contra a porta, implorando com os olhos para Trenton não levar isso mais adiante. Jim, Jack e Deana, e as crianças ainda dormiam, embora eu não tivesse certeza de como com todo esse barulho. A lâmpada na sala de estar era a única luz na casa, e o ar condicionado tinha acabado de ser ativado, abafando os grilos cujo estrilar estava anunciando a chegada do verão. As três horas da manhã, não havia trânsito na rua e nem luzes passando pelas paredes, apenas a lâmpada velha no canto da sala de estar cercada por um cilindro branco sujo sustentado por uma coluna alta com uma base de latão. A casa inteira parecia congelada em 1980, exceto por tudo não ter exatamente congelado. Estava tudo estragado, manchado, esfarrapado, ou desfigurado, principalmente por causa dos cinco rapazes que cresceram aqui. A luz da lâmpada não chegava a atingir o corredor, por isso ficamos com Trenton no escuro. "Shep, eu te amo, mas sai da porra da minha frente", disse Trenton. Sua sombra escura avançou para a porta, mas Shepley entrou na frente dele. "Vamos lá, primo. Você vai me dar um soco na frente da minha esposa?”

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Trenton franziu a testa e, em seguida, virou-se para mim. "Vira pra trás um pouquinho, Mare." "Não", eu disse, cruzando os braços. Trenton suspirou. "Eu tenho que buscar minha esposa no trabalho. Eu tenho que sair agora. Eu não quero que ela fique esperando.” "Agente Perkins pode fazer isso", eu disse. "Ele pode sair agora mesmo. Ele está pronto para ir, está na cozinha com as chaves na mão”. Como Trenton se agitou mais, eu joguei meus braços em torno dele e o abracei. "Nossos filhos estão aqui; seus sobrinhos e sobrinhas. Seu pai está aqui. Travis e Shepley não podem salvar a todos. Nós precisamos de você aqui, Trenton. " "E se alguma coisa acontecer com a Camille?", Ele perguntou, em conflito. "Você acha que, de quem quer que seja que os agentes estejam nos protegendo, vão bater na porta do Red antes de vir até aqui? Tecnicamente ela nem trabalha mais lá.", Shepley disse. Trenton olhou para o meu marido. "Será que você deixaria um completo estranho ir buscar sua esposa quando sabemos que tem pessoas lá fora nos caçando?” Shepley suspirou, e seus ombros caíram. "Não." Trenton colocou a mão na maçaneta. "Então não exija de mim algo que nem você faria."

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Assim que ele abriu a porta, um agente de pé na varanda virouse para ficar no caminho. Ele usava um terno como os outros dois agentes, mas ele era muito maior. "Eu vou ter que pedir pra você permanecer dentro de casa, senhor.” Trenton olhou para o agente, e depois de volta para nós e para além do meu ombro. Eu virei para ver Travis de pé no final do corredor. "Que porra é essa?", Perguntou Trenton. "Esse é o agente Blevins", Travis disse, orgulhoso. "Por que você está perguntando isso pra ele?", Perguntou Shepley. "Travis sabe tanto quanto todos nós." A testa de Trenton franziu, e ele levantou uma mão para apontar quatro dedos para Travis. "Ele sabe todos os nomes deles. Por acaso você sabe todos os nomes de todos que trabalham no FBI, Shep, porque eu tenho a porra da certeza que não”. "O que você está tentando dizer?", Perguntou Shepley. O rosto de Trenton se revirou em desgosto, mas pelo menos ele se afastou da porta. "Eu não sei. Eu não sei o que diabos está acontecendo, mas eu sei que ele faz parte disso.” Ele apontou para Travis. Shepley e eu trocamos olhares. Isso estava indo ladeira abaixo rapidamente. "Eu vou com você", disse Shepley. "Shep!", Eu disse. "Você não vai!" Me virei para Trenton. "Você foi avisado pra não sair de casa, mas você a levou lá do mesmo jeito.”

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"Ela trabalha para espairecer, Mare. Você sabe disso”, explicou Trenton. "Ela teve um dia difícil. Eu só estava tentando...”. "A gente precisa fazer isso do jeito deles, Trent," eu disse. "Eles estão apenas tentando nos manter seguros. Por que você faria qualquer coisa para tornar o trabalho deles mais difícil?” Trenton virou. "Você fala como a Mamãe." "Eu sei que você quer ir buscá-la pra ela se sentir mais segura, mas nós temos que nos preocupar com o que todos nós podemos fazer para ficarmos seguros de verdade. Chega de falar bobagem. Chega de machismo dos Maddox. O agente Perkins vai trazer a Cami de volta, e você vai seguir as ordens, até a gente descobrir o que está acontecendo”. O agente Perkins balançou as chaves na mão, e o agente de Blevins deu um passo para o lado para permitir a passagem. A porta se fechou, e Trenton correu para subir as escadas. Shepley o seguiu. Voltei para a sala de estar onde Travis e Abby estavam de pé. Quando eu cheguei ao alcance de suas vozes, eles pararam de sussurrar. "Muito bem", disse Abby, batendo no meu ombro. Eu me afastei dela. Minha reação a assustou. "Oh, desculpa. Eu não quis... " "O que é que você não está me contando?", Perguntei. O olhar de Abby pulou para Travis. "Não olhe para ele," Eu rebati. "Eu estou perguntando pra você. Minha melhor amiga. Minha mais ou menos cunhada." "Mare", ela começou.

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Eu

levantei

uma

sobrancelha.

"Escolha

suas

palavras

cuidadosamente, Abby. Os meus filhos estão nessa casa se escondendo de algum tipo de assaltante desconhecido, e se você sabe o porquê, é melhor você me dizer." "Eu", Abby começou, mas estremeceu. Ela tocou sua barriga. "Oh, pode parar", eu disse. "Nem tente esse truque." Ela soltou um suspiro e, em seguida, estendeu a mão para Travis. Ele a puxou para seu lado. "Sério?", Perguntei. "Você vai fingir uma contração só pra sair sem me dizer a verdade?" "Ela está tendo isso por semanas", disse Travis. Cruzei os braços. "Mais uma coisa que você não está me dizendo." Ela ficou em pé e acenou para o marido, sinalizando que estava passando. "Bem?", Eu disse. "Mare, agora não. Abby precisa subir e descansar. O estresse não é bom para ela. " Revirei os olhos. "Oh, por favor. Eu pari três Maddoxes gigantescos. Nada menos do que quarenta e sete horas de trabalho de parto, e todos eles com mais de quatro quilos. Eu só fui para o hospital ter o Emerson depois que peguei o Ezra em um treino de Tee ball de duas horas. Ela não é a primeira mulher do mundo a ter contrações."

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"America!", Disse Shepley atrás dela. Cruzei os braços, inabalável. "A verdade. Agora." Trenton voltou, com uma expressão de desculpas em seu rosto. "Sinto muito, pessoal. Eu...” Algo que soou como um jorro de água espirrou sobre o tapete logo abaixo do robe de Abby. "Oh. My. Lanta4”, disse Abby, olhando para baixo. A princípio todos ficamos confusos. Travis foi o segundo a reagir. "Isso é seu?" Ele levantou seu robe um pouquinho, em seguida, olhou para ela, os olhos arregalados. "Sua bolsa estourou?" Ela assentiu com a cabeça. "Oh, merda", disse Travis. "Eu acho que nós podemos sair agora", brincou Trenton. Eu bati na parte de trás da sua cabeça. "Ai!", Disse Trenton, esfregando o ponto de impacto. "O que foi que eu disse?" "Nós só estamos com dois agentes", disse Travis para Abby. Ela respirou, se concentrando em outra contração mais intensa. Por experiência própria eu sabia que as que vinham depois da bolsa estourar eram sempre dez vezes piores. Oh my lanta era a expressão que o Tio Jesse da série ‘Full house’ normalmente usava para substituir Oh meu Deus. Mylanta é também um remédio para gases. 4

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"Deveríamos pedir para alguém vir aqui", eu disse. "Não", Abby gemeu. "Eu preciso de remédios. Eu quero remédios. Lotes e lotes de medicamentos”. "Então o que devemos fazer?", Perguntei. "Pega uma toalha e me coloque no sofá até vocês decidirem isso", disse Abby entre dentes. Corri em busca de uma toalha, enquanto Travis a levou para o sofá. "Merda. Merda!”, Gritou Abby. Os sons demoníacos que ela emitiu depois disso soavam como um gato selvagem se preparando para lutar por território. Eu dobrei a toalha e a coloquei no sofá, e observei enquanto Travis a abaixava sobre as almofadas. Ele se ajoelhou na frente dela. "Se eu levar você eles só ficarão com o Agent Blevins até que o reforço chegue, e pode ser que eles demorem um tempo.” "Nós temos mais dois", disse Abby. Seu rosto ficou vermelho, e ela se concentrou em respirar pelo nariz e inspirar pela boca. Seus olhos se encheram de lágrimas. "Está muito cedo, Trav." "O que eu faço, baby?", ele perguntou. "Nós temos que ir", disse ela, a contração finalmente passou. Ele balançou a cabeça e apontou para mim. "America, pegue as crianças. Trenton vá chamar o papai. Shepley busque os carros. Vamos

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precisar de lugar para todos. Diga ao Blevins para se preparar pra nos seguir e ficar alerta.” "A caminho", disse Shepley, correndo até o porta chaves. Corri para o andar de cima, indo primeiro para o quarto de Travis e Abby. "Hey," eu disse suavemente, esfregando as costas dos gêmeos. Eles se mexeram mas ainda estavam muito sonolentos. "James. Jess. É a tia Mare. Eu preciso que vocês acordem. Nós estamos indo pro hospital. A mamãe vai ter o bebê". "O quê?", Disse Jessica, sentando-se. Esfregou os olhos e depois cutucou James. Ele sentou-se, também. "Vamos, crianças. Eu preciso que vocês calcem os sapatos e desçam.” "Agora?", Perguntou James. "Que horas são?" "Ainda é madrugada. Mas a mamãe vai ter o bebê, por isso precisamos ir.” "Sério?", Disse Jessica, se levantando do seu colchão. Ela já estava colocando seus sapatos quando eu me encaminhava para o quarto ao lado. "Sério. Lá embaixo em dois minutos, por favor!”, Eu disse, correndo pelo corredor até onde Olive estava dormindo. "Olive?" Eu disse, acendendo a luz. Me sentei na cama ao lado dela. "Olive, querida, eu preciso que você acorde."

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"Está tudo bem?", Ela perguntou, esfregando os olhos manchados de rímel. "Nós estamos indo para o hospital. Abby vai ter o bebê ". "Mas está muito cedo ainda, não está?" "Sim", eu disse. "É cedo, é por isso que ela precisa ir logo. Todos nós temos que ir junto, então, por favor, vamos nos apressar." Ela se levantou, tropeçando pelo quarto para se vestir, e eu corri para o próximo quarto. "Meninos?" Eu disse suavemente. Emerson sentou-se, esfregou os olhos e, em seguida, pulou em seus irmãos. Eles começaram a lutar. "Parem. Pare com isso. Pare com isso. Agora mesmo!" Eu disse dura. Eles congelaram. "Tia Abby vai ter o bebê. Nós estamos indo para o hospital. Ponham o sapato e vamos." "De pijamas?", Perguntou Ezra. "Sim", eu disse. Eu procurei pelas sandálias do Emerson, encontrando uma debaixo do travesseiro. Eu me perguntei por que por meio segundo antes de retomar a tarefa de levar todas as crianças vestidas lá pra baixo. Ao mesmo tempo, Jim estava cambaleando de seu quarto com Trenton e Deana estava ajudando Jack com o zíper de sua jaqueta, todas as seis crianças estavam no corredor prontas para ir. "Você é incrível", disse Abby.

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"Me desculpe por ter sido estúpida com você mais cedo", disse eu. Ela me acenou para esquecer, me deixando saber que nenhum pedido de desculpa era necessário. Nós estávamos falando de uma amizade de duas décadas, e nada iria interferir nisso. Travis ajudou Abby a ir para o carro, e Olive subiu no banco de trás com ele. Trenton dirigia, e Jim se sentou no banco do passageiro. Jack e Deana foram com o agente Blevins. Eu me certifiquei que todos estavam seguros na van antes de entrar ao lado de Shepley. Os faróis do agente Blevins piscaram, e, em seguida, mais dois pares acenderam em reposta mais a baixo do quarteirão. "Shepley," eu avisei. "Eu acho que são os outros agentes que eles mencionaram." Ele colocou o sinto de segurança no lugar, e nós seguimos o carro de Travis. A cada solavanco, cada luz vermelha, eu pensava em Abby. "Por que é que parece que o hospital está a cem milhas quando você está tentando chegar lá com uma mulher em trabalho de parto? "Shepley resmungou. Me lembrei da primeira vez que Shepley me levou ao hospital, o caminho todo apavorado que eu desse a luz no carro e desejando que eu tivesse escolhido um parto domiciliar. Mas eu não estava em trabalho de parto prematuro, também. Abby estava particularmente calma para o

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que ela estava prestes a enfrentar, mas ela era famosa por sua cara de poker. Imaginei que ela estivesse tentando manter a calma por Travis e as crianças. Eu enruguei meu nariz e me virei, irritada por não poder ter um momento de recordações ou de diálogo interno sem os sons de luta das crianças como trilha sonora. "Jessica Abigail! Sem bater! Ezra! Não tente colocar os brinquedos no nariz do seu irmão! Emerson! Pare de gritar! James! Pare de peidar!” Tudo ficou em silencio por um minuto inteiro antes de todos eles começaram a conversar novamente como se nada tivesse acontecido. Revirei os olhos e olhei para Shepley. "Por que você sempre faz isso?" "Faço o quê?" Eu disse, meus olhos se estreitando. "Me olha feio quando as crianças estão te deixando louca? Como se eu magicamente tivesse te engravidado quando você não estava olhando? " "Aquilo ali é o seu DNA. É sua culpa." Shepley franziu a testa, ligando seu pisca alerta e seguindo em frente para que ele pudesse continuar a seguir Travis em vez de parar no sinal vermelho. Ele esticou o pescoço para espiar pelo espelho retrovisor, verificando se o agente Blevins ainda estava atrás de nós.

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"Ele provavelmente simplesmente passou pelo sinal vermelho", eu disse. "Ele é um agente federal de plantão. Tenho certeza que ele não está preocupado com uma multa. " "Ele passou", disse Shepley. "Droga. Isso significa algo." "Você quer dizer algo assustador?", Perguntei. As crianças ficaram quietas. "A mamãe vai ficar bem?", Perguntou Jessica. Fechei os olhos. Quando estavam todos tagarelando era fácil esquecer que eles ainda estavam prestando atenção. As crianças podem te ignorar durante um dia todo, mas no momento em que você disser algo que não quer que eles escutem, eles desenvolvem super poderes. Algumas vezes, eu tinha certeza que Ezra podia me ouvir sussurrar a palavra com F por baixo da minha respiração através de duas paredes. Shepley olhou para mim e entrelaçou os dedos nos meus. Ele havia me dito inúmeras vezes o quanto tinha orgulho de me ver sendo a mãe dos nossos filhos, e eu tinha orgulho disso também. Eles eram bagunceiros, grosseiros, às vezes surdos, mas eu lidava com isso. Shepley achava que eu nunca havia cometido erro algum, e eu o amava ainda mais por isso. Eu podia perder minha paciência, ameaçar, gritar e chorar, mas os meus meninos não queriam perfeição. Eles queriam presença. Shepley estacionou no hospital perto do estacionamento de ambulâncias, e nós soltamos as crianças enquanto Travis levava Abby para a sala de emergência. Alguém deve ter ligado antes porque uma enfermeira já estava na porta esperando com uma cadeira de rodas.

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Trenton ficou para trás, segurando a bengala de Jim em uma mão e segurando o braço de seu pai com a outra. Depois que Abby estava confortável na cadeira, ela acenou para Jim e Trent e depois para nós, soprando um beijo para as crianças e a enfermeira a encaminhou para dentro. No momento que nós atravessamos as portas automáticas do centro de emergências eles passaram pelas portas duplas. Travis estava andando ao lado de cadeira de rodas de Abby, segurando a mão dela. Ele estava encorajando Abby a respirar, dizendo a ela como ela estava fazendo bem, e como era incrível e forte. Nós os seguimos até as portas duplas. Foi quando Jessica olhou para o agente Blevins, enorme e de pé sobre nós, e começou a chorar. Trenton ajoelhou na sua frente. "A mamãe vai ficar bem, princesa. Ela já fez isso antes. Você só não se lembra. " "Os bebês vão ficar bem?", Perguntou James. "É só um dessa vez, amigo", disse Shepley, bagunçando o cabelo de seu sobrinho com seus dedos. "Eles nem deram um nome para ele ainda", exclamou Jessica. Trenton pegou Jessica e a levou para longe das portas, suas pernas desengonçadas balançando enquanto ele caminhava. Ela deitou a cabeça no ombro dele, e ele acariciou seus cabelos, beijando sua têmpora e a balançando de um lado para o outro. "Você está bem, Jim?", Perguntei, tocando seu ombro. Ele ainda parecia meio sonolento e um pouco confuso. "Será que eles vão nos dizer onde esperar?", Perguntou Jim.

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Eu balancei a cabeça. "Eu vou perguntar para alguém. Você pode se sentar, se quiser." Ele procurou em volta por uma cadeira e escolheu uma ao lado Trenton, que ainda estava de pé com Jessica em seus braços. "Deixa que eu vou", disse Shepley, beijando minha bochecha. Ele se aproximou da mesa da recepção, esperando a funcionária acabar de atender a um casal idoso. Uma vez que eles se afastaram, ele começou a falar com ela. Ela parecia agradável, apontando, acenando e sorrindo. Shepley deu um tapinha na mesa algumas vezes antes de dizer obrigado e depois voltou para nós. "Eles estão levando ela para a maternidade no terceiro andar. Eles disseram que deveríamos ir pra sala de espera lá em cima.” "Então é pra lá que vamos", eu disse. Agente Blevins estava na minha visão periférica, usando seu pequeno rádio, provavelmente avisando aos outros agentes sobre seu paradeiro. Eu sabia que ele não poderia nos dar mais informações, então eu tentei não pensar nisso. Todo um departamento do FBI sabia mais sobre o perigo que a nossa família estava enfrentando do que nós. A própria premissa, mesmo além de uma boa razão, me enfurecia, mas eu tinha que me concentrar em Abby. Encontramos um elevador e o nos apertamos dentro dele – todos os onze – incluindo Agent Blevins. O elevador afundou um pouco quando ele entrou, mas ele não parecia preocupado. Olive apertou o botão, e as portas se fecharam. As crianças estavam estranhamente quietas

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enquanto o número no visor digital subia a cada andar. Finalmente, a porta abriu, e Trenton saiu, com o resto de nós seguindo atrás dele. Trenton imediatamente pegou seu telefone, olhando para Agente Blevins. "Alguma notícia do Perkins?” "Ele chegou no local. Está atualmente aguardando a Sra. Maddox entrar no veículo. Há um segurança lá apresentando resistência ". Trenton sorriu. "Esse é o Drew. Ele é o segurança. Bom garoto. Eu deveria ligar pra ela. Dizer que não há problema em vir com ele. " Agente Blevins tocou sua orelha. "Ela está no carro, senhor. Agente Perkins vai trazê-la para o hospital em breve". Trenton parecia satisfeito e guardou o celular antes de se aproximar da ala dos enfermeiros. Uma mulher com grandes olhos verdes e um cabelo loiro platinado nos levou até a sala de espera, embora a maioria de nós já soubesse o caminho. O terceiro filho de Travis e Abby seria o sexto neto Maddox nascido em Eakins. Nós estávamos muito familiarizados com a maternidade. "Aqui", disse a enfermeira. "As maquinas de lanches e bebidas estão ali fora virando o corredor." Ela apontou para o corredor e para a direita. "Alguém virá avisá-los assim que tivermos notícias.” "O bebe é prematuro, mas ele vai ficar bem, certo?", Perguntei. A enfermeira sorriu. "Todo o nosso pessoal está esperando e pronto para se certificar de que ele tenha o melhor cuidado possível. "

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Virei-me para a minha família. "Eu acho que ele ouviu que Stella estava chegando e não podia esperar para conhecê-la”, eu disse com um sorriso artificial. Ninguém respondeu exceto por Shepley, que simplesmente deu um tapinha na minha perna. Pelo amor de James e Jessica, eu tentei não demonstrar qualquer preocupação. Abby ainda tinha sete semanas de gravidez pela frente, e mesmo que o parto saísse tudo bem, nós não saberíamos como o bebê estava até que ele nascesse. Era motivo suficiente para os adultos todos estarem tão quietos, muito diferente do entusiasmo vertiginoso das outras vezes que nossa família passou por aquela sala. A enfermeira voltou com cobertores e travesseiros. "Estes são para as crianças, se eles quiserem descansar um pouquinho. A bolsa de Abby estourou. Eles fizeram um ultrassom, o médico avaliou o bebê. Ele disse que, para evitar o risco de infecção e complicações tanto para a mãe quanto para o bebê, ele vai continuar com o trabalho de parto.” "Posso vê-la?", Perguntei, tentando manter o meu nível de voz. A enfermeira pensou sobre isso por meio segundo e, em seguida, assentiu. "Claro." Beijei Shepley rapidamente e acenei para as crianças. Ele apagou a luz, e Trenton e Olive começaram a fazer camas nos sofás. As crianças reclamaram antes de se deitarem. "Mamãe!", Gritou Emerson. "Eu estarei ali no corredor," eu disse. "Papai vai colocar você na cama, e eu vou me sentar com você quando eu voltar."

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"Quando você vai voltar?", Perguntou Eli, fazendo beicinho. Ele estava tentando não chorar. "Em breve. Antes de vocês adormecerem. Abrace seu irmão enquanto isso”. Eli virou as costas para mim, enganchando o braço sobre Emerson. Shepley sentou ao lado de Ezra e piscou para mim antes de eu os deixar e seguir a enfermeira até o quarto de Abby. As solas duras dos meus sapatos ecoaram no corredor, a cor quente dos papéis de parece em um contraste com os frios pisos de azulejos brancos. As imagens genéricas de mãe e bebês, famílias tradicionais com sorrisos de comercial, cobriam as paredes, vendendo sua marca de normalidade. A maioria das pessoas iria para casa lidar com as cólicas do bebe, ou depressão pós-parto, ou lutar por uma família desestruturada. Abuso, drogas, insegurança, pobreza, medo. Mães de primeira viagem deixavam esse hospital todos os dias, indo para casa acreditando no que vemos sempre nos comerciais de fralda, uma mãe balançando seu bebê adormecido em um berço imaculado. Dentro de um mês, essas mesmas mães estariam implorando por seus bebês dormirem por uma hora de manhã, atendendo a porta com vômito em sua camisa, e se decidindo se elas preferem comer, ou tomar banho, limpar a casa, ou dormir. Fiquei imaginando quantas famílias de quatro pessoas, na verdade, deixavam a maternidade financeiramente e emocionalmente estáveis, porque o bebê estava vindo ao mundo recebido por dois pais incríveis que eram loucos um pelo outro e uma grande e amorosa família, mas que ainda assim precisavam da proteção de agentes federais. Qual é a definição de normal, afinal?

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Parei no meio do hall, as circunstâncias finalmente me atingindo. O pai de Abby, Mick, estava envolvido com a máfia de Vegas. Ela teve mais do que um contato com eles a fim de mantê-lo vivo. Minha intuição me disse que Mick estava envolvido nisso, mas eu não conseguia imaginar o que Thomas tinha a ver com isso. Por que eles iriam atrás dele? A enfermeira parou em frente a uma porta e colocou uma mão sobre a madeira, e a outra na maçaneta. "Está tudo bem?", ela perguntou, parando quando percebeu que eu não estava logo atrás dela. "Sim", eu disse, me juntando a ela na porta. Assim que ela começou a abrir a porta, outra enfermeira correu para a porta vinda de dentro, quase nos atropelando. "Eu só estava levando a irmã dela para...” "Sinto muito", disse a enfermeira. "Sem visitas no momento. A UTI Neonatal está esperando. Ela vai ter o bebê essa noite." Ela nos empurrou, e eu espiei enquanto a porta era lentamente fechada. Várias outras enfermeiras estavam trabalhando febrilmente em torno de Abby, mas eu não conseguia vê-la. Eu tive apenas um vislumbre de Travis, olhando por cima do ombro para mim com medo em seus olhos.

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No momento em que as rodas do avião aterrissaram em O'Hare, Chicago, eu tirei o meu telefone do modo avião e vi como as mensagens enchiam a minha tela de bloqueio. Antes de sairmos, papai disse que todo mundo estava no hospital com Travis e Abby. De acordo com as mensagens, o bebê ainda não tinha chegado, mas Abby estava perto. Eu rolei para baixo parte das mensagens antes de parar em uma e tocar na tela. Era uma mensagem de grupo para Tyler, Falyn, Ellie, e eu de Shepley. Um agente federal estará no setor de bagagens para levar a todos para o hospital. Ele vai ter uma van, número da placa 978 GOV. NÃO obtenham uma carona com mais ninguém. Nem mesmo um táxi. Explico mais tarde. Eu fiz uma careta e olhei para o meu irmão, segurando meu telefone. Ele estava algumas fileiras para trás, mas acenou com a cabeça, sabendo o que eu quis dizer. Inclinei o meu telefone para mostrar Falyn, que estava sentada no outro corredor ao lado de Hollis e eu com Hadley. Ela se inclinou, apertando os olhos. Ela estava precisando de óculos a pelo menos dois anos, mas recusava. "Você pode vê-la?", Perguntei.

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"Sim, eu posso vê-la", ela retrucou, confundindo a minha necessidade por ela ser informada com escárnio. "Baby", eu comecei, mas ela já estava olhando para fora da janela, abraçando Hadley ao seu lado. Sentei-me, descansando minha cabeça contra o encosto de cabeça. "Ela está apenas cansada", disse Hollis. Bati o joelho sem fazer contato visual. Estávamos todos cansados. Fez-me triste ouvir Hollis tentando fazer desculpas para o porquê de nós não ouvirmos um ao outro mais. Em algum lugar ao longo do caminho, começamos a insultos em vez de questões de audição. Suspirei. Eu não sabia como corrigi-lo. O sinal do cinto de segurança desligou, e um click soou no sistema de som. Hollis saltou para cima, abrindo o compartimento e entregando a Hadley sua bagagem de mão para ela antes de pegar a de Falyn e a minha. Ele me fazia mais orgulhoso cada dia. Mudando-se para Colorado Springs tinha o tornado um pequeno homem, tentando cuidar de todos. Abracei-o, beijei-lhe a cabeça, e então apontei para a sua irmã. "Eu só tenho uma mensagem do tio Shep. Tia Abby está para ter seu bebê, então eles enviaram um motorista. Não fuja. Ambos os dois fiquem onde eu possa vê-los.” Eles assentiram.

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"Eu quero dizer," eu continuei. "É importante. Vocês não podem sequer ir ao banheiro sozinhos." "O que está acontecendo, papai?", Perguntou Hollis. "Será que tem a ver com o tio Tommy?" "Sim, mas não sabemos o quê." Eles acenaram de novo, olhares de combinação. Nos movemos em uma linha lenta pelo corredor e para fora da fuselagem, ficando em uma unidade com a família de Tyler no terminal dentro do desembarque. Eu poderia dizer que Tyler estava no limite, olhando em volta com a bagagem de sua família também nas costas, nos ombros, ou sendo puxada por uma alça. Ellie estava segurando seu filho dormindo, mantendo sua cabeça firme em seu ombro. "O que você acha que aconteceu?" Tyler me perguntou. Ele manteve a voz baixa. Eu balancei minha cabeça. "Eu não sei. Parece que Tommy não era o único alvo". "Como se eles estivessem atrás da família? Por quê?" Dei de ombros. "Poderia ser um milhão de razões." Tyler fez uma careta. "Você tem uma imaginação melhor do que eu. Eu não posso pensar em uma." "Papai era um investigador. O pai de Abby é um jogador. Lembra quando Trex veio para nos questionar sobre Travis e o fogo? Todo mundo

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tem um inimigo. Talvez Travis ou Abby inadvertidamente fizeram o errado. Não foi ela quem cresceu em torno de mafiosos em Vegas?" Tyler não respondeu, mas eu poderia dizer que seus pensamentos estavam girando. "Abby cresceu em torno de mafiosos?", Perguntou Ellie. "Mais ou menos", disse Falyn. "Eles realmente não falam sobre isso. Ela nasceu em Las Vegas. Seu pai era um jogador de poker bastante famoso. Então ele começou a perder, mas ele não parava de jogar. Ele perdeu tudo e entrou bastante profundo com alguns agiotas. Abby teve que ir a Vegas pouco antes de ela e Travis se casarem para tirá-lo. Eles iam matá-lo." "Whoa", disse Ellie. "Mas ela é realmente boa no poker, certo? Ela foi lá para ganhar o dinheiro?" Falyn assentiu. "Ela ganhou a maior parte dele." "Como eles conseguiram o resto?", Perguntou Ellie. Falyn fez uma cara, caindo em pensamento. "Eu não tenho certeza. Você sabe?", Ela me perguntou. Eu balancei minha cabeça. "Eles nunca disseram realmente." "Você nunca perguntou?", Disse Ellie. Tyler balançou a cabeça. "Eu pensei que se eles queriam que eu soubesse, eles me contariam." Chegamos ao setor de bagagens, olhando para as telas.

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"Treze", disse Falyn, arrastando Hadley pela mão. "Espere", disse Tyler, tentando pegar uma alça sobre suas bagagens de rodinha. "Eu posso ajudar", disse uma mulher com um sorriso. Ela estava usando calças escuras, uma camisa de botão e um blazer escuro, seus óculos de sol pendurados a partir de onde o botão de cima da blusa estava desfeito. Ela mostrou-nos credenciais que estavam encaixadas dentro do seu blazer e depois guardou-as. Meu estômago estava doente, e eu olhei para Falyn, que observava os olhos de Alyssa Davies se voltarem suaves quando ela olhou para Hollis. "Criança bonita", disse Alyssa. "Eu vou dirigindo-os para o hospital Eakins." Taylor e Ellie não se abalaram, mas Falyn olhou para mim, confusa e irritada. Alyssa era a mulher que eu tinha levado do bar para casa durante a semana em que Falyn e eu tínhamos terminado. Falyn precisava de espaço, então eu a deixei na Califórnia para visitar meu irmão Thomas, em San Diego. Ele tinha me levado para um bar local para chorar na minha cerveja, e eu conheci Alyssa, colega de Thomas. Algumas semanas mais tarde, Alyssa acabou grávida e deu-me a oportunidade de assumir a custódia total antes de optar por um aborto. Ela carregava Hollis a prazo, e Falyn e eu estávamos fora no corredor de um hospital de San Diego, enquanto ela estava em trabalho de perto e deu à luz. As

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enfermeiras entregaram o meu filho para mim, e Alyssa voltou para a sua vida sem olhar para trás. "Espere, espere, espere," eu disse, segurando minhas mãos. "Você é do FBI?" "Eu sou", disse Alyssa. "Sei que isso é um pouco estranho..." "Um pouco estranho?", Repetiu Falyn. "Mas você está em publicidade. Com Thomas," eu disse confuso. Alyssa suspirou. "Você é minha atribuição. Eu sou tudo que você tem. Se você me perguntar, eu sou a melhor para o trabalho desde que eu tenho investido um pouco mais na obtenção de vocês de A a B em peça única do que qualquer outro agente, e... Eu sou durona ". Hollis sorriu. Falyn o puxou contra sua frente com a sua mão livre, segurando Hadley firmemente com a outra. Alyssa — ou agente Davies — representava mais de uma ameaça à nossa família do que o nosso casamento fracassado era. "Podemos ver essas credenciais de novo?", Perguntou Falyn. Alyssa puxou a identidade até que ela soltou do bolso e entregoua a Falyn. "Examine isso, mas, por favor, seja rápida. Nós não queremos ficar em um lugar por muito tempo." Falyn estudou a identidade e, em seguida, entregou-me, olhando para Alyssa. "Você até mesmo trabalha com Thomas?"

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"Sim", ela disse simplesmente. "Então você está em publicidade também?", Perguntei, entregando a sua identidade a Tyler. "Não, Thomas é do FBI", disse Ellie, percebendo a verdade quando ela disse as palavras. "E você..." ela parou, olhando para Falyn com os olhos simpáticos. Tudo encaixado, e de uma só vez, cada mentira que Thomas jamais me disse fervida no meu sangue. Tyler ofereceu a identidade a Ellie, mas ela recusou. "Nós devemos ir. Isso é estranho pra caralho", disse ele. Seguimos uma Alyssa diligente para uma van preta com janelas escuras. Tyler subiu na traseira com Ellie. Já havia um assento de carro pronto para Gavin. Enquanto Tyler e Ellie se esforçaram para prender as crianças em seu estado inconsciente, Alyssa afivelou o sinto e verificou todos pelo seu espelho, informando por rádio a alguém que estávamos todos contabilizados e em rota. "Falyn", eu disse, pegando sua mão. Ela puxou-a longe, e eu cerrei os dentes. "Como, em nome de Cristo isto é minha culpa?" "Cale a boca", ela assobiou. Da nuca ao decote, manchas vermelhas começaram a se formar. Seus olhos lacrimejaram como sempre fazia quando estava envergonhada. Alyssa não estava prestando atenção à nossa briga, mas ela olhou pelo espelho retrovisor para Hollis mais de uma vez. Eu estava esperando por Falyn para pegá-la e dizer algo, mas quando seus olhos se encontraram, Falyn olhou para fora pela janela.

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Hollis, para minha surpresa, apoiou a cabeça no ombro de Falyn. Ela colocou o braço em volta dele, e ambos pareceram relaxar. Falyn correu os dedos pelo seu cabelo, suavemente cantando a mesma música que ela cantou para ele na noite em que o trouxe para casa. Alyssa observava com olhos curiosos, sem julgamento ou ciúme, como se estivesse observando os carros que passavam. Hollis não tinha ideia que ele tinha acabado de fazer a minha vida muito mais fácil e sua mãe mais à vontade. Falyn se inclinou para beijar sua testa e, em seguida, olhou para fora da janela, ainda cantarolando. Eu descansei meu braço na parte superior do banco, virando-me para enfrentar o meu irmão. Ele e Ellie estavam ambos olhando para mim, e Gavin ainda estava dormindo, com a cabeça encostada ao lado do assento do carro com a boca escancarada. Ellie ofereceu um sorriso encorajador. Havíamos passado longas noites conversando depois que Falyn saiu. Ellie tinha sido a terapia suficiente para todos nós, e eu tinha me beneficiado com isso. Eu disse a ela mais de uma vez que o seu conselho e amizade me mantiveram. Ellie estendeu e colocou a mão no meu cotovelo, e eu acenei para ela em apreciação. Era bom saber que ela entendeu qual a tensa situação em que Falyn e eu estávamos, e que ela estava ali comigo. Bati

em

Falyn

delicadamente

com

o

dedo,

e

ela

instantaneamente ficou tensa. Ela não se virou para mim, então eu aceitei que ela não iria falar comigo, desde que Alyssa estava no carro. "Eu te amo", eu disse, correndo o polegar ao longo da pele entre o seu ombro e pescoço. Ela não me empurrou para longe, o que foi a primeira

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surpresa, mas então ela se virou para mim e sorriu. Pensei em dizer isso de novo, na esperança de obter uma reação ainda melhor. "Não importa o que. Eu te amo." Uma lágrima brotou no olho do Falyn e transbordou em seu rosto sardento. Eu usei o meu polegar para limpá-la e, em seguida, segurei a minha mão contra o seu rosto. Ela se inclinou para ele, e meu coração explodiu em meu peito. Obrigada, ela declamou. Então era isso. Ela só precisava de Alyssa para saber onde ela estava. Ações, não palavras. Fazia sentido agora por que ela queria nada a ver com uma tentativa de tranquilidade para segurar sua mão. Ela precisava de um show. As mulheres eram desgastantes. Ellie tinha tentado me explicar a lógica de sair e ficar desaparecido. Tinha feito mais sentido para mim resolver as coisas juntos, mas Ellie tinha me garantido que era melhor tentar obter algumas dicas sobre os porquês, em vez de deixar que a minha frustração liderasse à raiva. As razões de Falyn eram sempre muito mais profundas do que eu poderia entender, e às vezes mais profundas do que ela iria admitir. Coisas como a necessidade de controle ou sair antes que ela fosse deixada. Vergonha. Culpa. Ou ainda pior — apatia. Meus irmãos, todos pareciam entender as suas esposas melhor do que eu fazia, mas Falyn me mantinha no escuro a maior parte do tempo. Eu estava desesperado para entendê-la e para que ela me entendesse. Só quando eu estava começando a perder a fé, teríamos um momento, e eu sentiria um lampejo de esperança. Pelo olhar em seus

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olhos, eu podia ver que ela se sentia assim também. Era muito mais do que ela ser uma cadela e eu ser burro. Eram duas pessoas que tinham arrastado toda a sua bagagem em um relacionamento tentando vasculhar sua própria merda para ver o amor que os uniu em primeiro lugar. Enfiei a mão sob seu cabelo e comecei a esfregar seu pescoço com o polegar e o dedo indicador. Eu costumava fazer isso quando sentávamos no sofá e assistíamos a um filme depois que as crianças dormiram. Tinha sido um longo tempo desde que eu tinha sido capaz de fazer isso, e seus músculos tensos derreteram sob o meu toque. Alyssa tocou seu rádio. "Eu tenho uma possível as minhas quatro horas, seis de volta." Eu não podia ouvir uma resposta, mas Alyssa não parecia alarmada. "Alguém está nos seguindo?", Perguntou Hollis. Alyssa sorriu. "Possivelmente, espertinho". "É o mesmo cara que atirou no tio Tommy?" "Não", respondeu Alyssa. "Como você sabe?" "Porque ele está na cadeia." "Como você sabe?" Hollis pediu novamente. "Hols", disse Falyn, batendo-lhe. "Porque eu o coloquei lá eu mesma", respondeu Alyssa.

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"Você fez?", Disse Hollis, inclinando-se contra o cinto de segurança. "Quantas pessoas você prendeu?" "Muitas." "Em quantas pessoas você atirou?" Eu fiz uma careta. "Vamos lá, amigo." Hollis esperou por Alyssa para responder. "Só os que eu tinha que fazer," disse ela. Hollis recostou-se, impressionado. Ele hesitou antes de fazer sua próxima pergunta. "Meu tio Tommy já atirou em ninguém?" "Pergunte a ele mesmo", disse Alyssa. Hollis estava satisfeito, mas Alyssa não estava. "Eu gosto do seu nome." "Obrigado", disse ele. "E quanto ao meu?", Perguntou Hadley. "O seu, também", disse Alyssa. "Devemos deixar Alyssa se concentrar na direção", disse Falyn. Alyssa não perdeu o ritmo. "Eu posso fazer as duas coisas." Os músculos do pescoço de Falyn começaram a ficar tensos, e eu olhei para um sinal de que iria nos dizer quantas milhas para Eakins. "Se você acha que alguém está nos seguindo, talvez você não devesse", disse Falyn.

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No momento em que as palavras saíram de sua boca, ela lamentou-as. Hollis olhou para ela, surpreso com sua grosseria. Falyn e eu tivemos muitas conversas de fim de noite sobre o que faríamos se Alyssa quisesse estar na vida de Hollis novamente ou se ele começasse a fazer perguntas. Ele sabia que Falyn não era sua mãe biológica, mas ele não sabia mais do que isso, e ele certamente não tinha ideia de que a mulher legal, de arma em punho no banco do motorista era o enigma que ele tinha, sem dúvida, se perguntado sobre a sua inteira vida. Falyn realmente não queria mantê-los de falar, mas eu sabia que tinha que ser difícil para ela. "Quero dizer", disse Falyn, limpando a garganta. "Eu sinto muito. Eu não deveria dizer-lhe como fazer o seu trabalho. Você sabe melhor do que eu o que você é capaz." "Está tudo bem", disse Alyssa, não afetada. O pedido de desculpas de Falyn ganhou seus grandes pontos com Hollis, e ele aconchegou-se contra ela novamente. Alyssa saiu da estrada, e eu me sentei, tentando ver onde estávamos. Definitivamente não era Eakins. Ela dirigiu três milhas, recusou uma estrada, e depois outra, depois mais três milhas, estacionamento em uma estrada de terra. Ela desligou o motor e me jogou as chaves. "Fique aí", disse ela. "O que estamos fazendo?", Perguntou Tyler. "Esta não é Eakins."

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Um Corolla vermelho puxou para cima atrás de nós, e Alyssa desenroscou seu braço lateral. "Hadley. Hollis. Fechem os olhos e cubram seus ouvidos". "O que está acontecendo?" Hadley lamentou. "Apenas faça isso." Ela saiu e caminhou até a estrada. "Que diabos?", Disse Ellie. "Eu estou desconfortável com isso, eu" Um conjunto de tiros soou, e eu me joguei sobre a minha família. Tyler fez o mesmo. Depois de mais um conjunto de tiros, os únicos sons que podíamos ouvir eram as cigarras nas árvores, e os grilos na grama ao redor da van. A porta do lado do motorista se abriu e Alyssa subiu de volta. Ela estendeu a mão para mim, e eu lhe entreguei as chaves. "Um pequeno aviso teria sido bom", eu disse. "Você... você matou as pessoas que estavam nos seguindo?", Perguntou Hollis. "Bem", disse Alyssa, a partir da van, "para ser justa... eles atiraram em mim em primeiro lugar." Hollis ingeriu, e Alyssa saiu e dirigiu em direção à rodovia. Ela tocou o pequeno aparelho preto em seu ouvido. "Limpo no corredor cinco." Ela esperou para confirmação. "Eu cansei de esperar por você. Sim. Nós estamos a menos três Carlisis. Três milhas a oeste e três milhas ao norte. " Ela sorriu. "Obrigada."

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Eu estava preocupado que, quando nós passássemos pelo Corolla, as crianças veriam uma cena horrível, então eu cobri os seus olhos, mas cada uma das vítimas no carro tinha suas camisas ou um jornal cobrindo suas cabeças. No momento em que estavam fora de alcance, tirei minhas mãos dos olhos das crianças, e bati no ombro de Hollis e beijei o topo da cabeça de Hadley. "Quem diabos é o Carlisis?", Perguntou Tyler. "Você vai ter as respostas quando chegarmos ao nosso destino, eu prometo.", disse Alyssa. "Será que isso aconteceu?", Perguntou Falyn, respirando com dificuldade e segurando a porta. "O que diabos está acontecendo?" Eu balancei a cabeça, incapaz de responder. Eu não tinha certeza se o que a apavorava era que nossa motorista fosse meu caso de uma noite que me deu a custódia total do meu filho, ou que fazia sentido agora porque ela tinha feito isso, considerando que ela era uma assassina treinada, ou que a mulher que eu tinha uma vez passado uma noite inteira batendo enquanto ela gritava como um poodle morrendo acabara de matar três pessoas sem pestanejar. "Graças a Deus Gavin dorme como eu e não você", disse Ellie para o marido. Alyssa dirigiu a van para a rampa, e voltamos para a estrada, ganhando aceleração em direção Eakins. Alyssa dirigiu mais rápido do que ela tinha feito desde que tínhamos deixado o aeroporto, e eu olhei

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para os passageiros nos carros que passavam. Eles não tinham idéia de que nós tínhamos estado envolvidos em uma execução apenas algumas milhas fora da estrada ou que a nossa motorista foi o carrasco. Senti-me mais desconfortável quanto mais perto chegamos ao Eakins. "Qual é o seu total de agora?", Perguntou Hollis. "Hollis!" Falyn gritou. "Não responda, Alyssa," eu disse. Falyn esticou o pescoço para mim. Essa foi a primeira vez que eu tinha pronunciado o nome de Alyssa em anos, e obviamente isso não pareceu agradar a minha esposa. "Agente Davies," eu corrigi, e depois engoli. Alyssa riu. "O que é engraçado?", Perguntei. "Você é apenas muito diferente do que eu me lembro." "Sim, ele está sóbrio... e vestido," Falyn estalou. "Oh, meu Deus", disse Tyler. "Ela é...", ele felizmente parou, não querendo jogar essa bomba em Hollis. "Puta merda", disse Ellie em voz baixa. Eu afundei de volta para o meu lugar, revivendo o momento em que eu tinha vindo limpo para Falyn mais uma vez. Foi ainda pior que ela não me culpasse desde que ela tinha sido a pessoa que tinha pedido um tempo. Onde Falyn não me teve passando sobre as brasas, Ellie nunca perdeu uma oportunidade, não só para me deixar saber como merda foi que eu dormi com alguém dias após a minha namorada pedir um pouco

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de tempo para pensar, mas o quão ridículo e completamente bruto era que Falyn se culpasse. De qualquer maneira, ninguém poderia chamá-lo de culpa, porque o resultado era Hollis, e ninguém queria pensar sobre o que seria a vida sem ele. Eu peguei Alyssa roubando outro olhar para Hollis no espelho retrovisor. "Quaisquer atualizações sobre Tommy?", Perguntei. "Não", ela disse, mas eu poderia dizer que ela estava segurando. "Nada?", Perguntou Ellie, suspeita. "Nada que eu possa transmitir." "Está tudo errado", disse Tyler. "Essa é a maneira que é." Alyssa encolheu os ombros, sem remorso. Ficamos em silêncio o resto do caminho para Eakins, mas uma nova energia encheu a van quando entramos no estacionamento do hospital. Tyler desprendeu Gavin, que estava finalmente acordado, e Falyn mexeu para abrir a porta. Eu encontrei ela e as crianças na parte de trás da van, ansioso para chegar a nossa bagagem e ver a nossa família. Uma vez que todos, menos Gavin haviam se sobrecarregado com mochilas, bolsas e bagagem de rolo, nós corremos para a entrada do hospital e em linha reta para o elevador. Eu fui o último a entrar, mas depois Alyssa entrou atrás de mim.

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Falyn não estava feliz. "Eu tenho que acompanhá-los lá em cima", explicou Alyssa. "Então você vai se livrar de mim." Falyn piscou. "Obrigada. Por trazer-nos aqui a salvo." Alyssa parecia realmente tocada. Ela olhou para Hollis e despenteou cabelo dele. "O prazer é meu." As portas do elevador se abriram para revelar a nossa família de pé no outro lado.

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"Vocês fizeram isso", disse papai, me chamando para um abraço. Tinha pegado a sua bengala, e eu estava tão feliz em vê-lo, que não consegui não deixar cair todos os três sacos de rolo que eu tinha estado arrastando durante todo o dia quando eu balancei meus braços em torno dele. Papai puxou Taylor também, tremendo, porque ele estava tão feliz de nos ver. Depois que papai finalmente nos deixou ir, nós revezamos abraçando Jack e Deana, Trenton, Shepley, e América, e todos eles abraçaram as crianças. "Onde estão os meninos e os gêmeos?", Perguntou Falyn. "Todos dormindo," America disse, "na sala de espera com o agente Blevins. Nós fizemos para eles camas nos sofás e chão, e, em seguida, apagamos as luzes. Tem sido um longo dia." Papai gesticulou para o seguirmos, um padrão de tomar um pequeno passo, mancando, e usando a bengala de apoio, e depois pegála e começar de novo. "Deste jeito. Aviso justo. Agente Blevins é um gigante." "Maior do que o tio Travis?", Perguntou Hadley. Papai abraçou Hadley do seu lado. "Maior do que qualquer um que eu já tenha visto."

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Os olhos de Hadley se arregalaram, e papai riu. "Como está Abby?", Perguntei. "Chegando perto", disse América. Ela sorriu, mas eu peguei uma faísca de preocupação por trás de seus olhos. "Ela está adiantada, não é?", Perguntou Ellie. America concordou. "Sete semanas mais cedo. Mas eles decidiram não parar o trabalho de parto". Eu não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou não, mas Ellie e Falyn não estavam felizes com a resposta da América. Eu sabia qual quarto era a sala de espera porque um gigante de pele escura estava do lado de fora da porta. Suas mãos estavam em sua cintura. Ele parecia mais do serviço secreto do que do FBI. Ele falou, com a voz anormalmente profunda. "A enfermeira está a caminho com mais cobertores e travesseiros." "O-obrigado", disse Hadley, esticando o pescoço para olhar para cima. O agente Blevins piscou para ela enquanto ela passava. Ellie e Falyn guiaram as crianças para a sala de espera, seguido por uma enfermeira com cabelo loiro curto e um sorriso cristalino. Ela estava segurando uma pilha de cobertores e travesseiros, agradecendo ao agente Blevins enquanto ele segurava a porta aberta para ela. "Onde está Cami?", Perguntou Taylor. Trenton olhou para o relógio, em seguida, para o agente Blevins.

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"Cinco minutos", disse o gigante, cumprimentando a agente Davies com um aceno. Eu estava feliz que ele foi designado para as crianças. Os Maddoxes estavam quase todos juntos, e, embora nós fossemos uma força a ser reconhecida, o agente Blevins era o seu próprio exército. "Ouvi dizer que você fez uma parada." "Eu fiz", disse a agente Davies. Eu não conseguia parar de olhar para ela. Não porque ela era bonita, embora ela fosse, mas porque Hollis parecia tanto com ela. Fiquei curioso, perguntando como ela poderia levá-lo por tanto tempo e apenas ir embora. Então eu pensei sobre quão altruísta era ela por oferecer isso a Taylor. A maioria dos caras não teria uma escolha. Ela poderia ter feito um aborto, e ele nunca teria sabido. Nenhum de nós poderia imaginar um mundo sem Hollis Maddox. Ele era esperto como um chicote e muito bonito e charmoso para o seu próprio bem. Saber que sua mãe biológica era uma agente federal letal fez todo o sentido. Falyn e Ellie escaparam da sala de espera, e minha curiosidade terminou. Puxei Ellie ao meu lado e beijei a sua testa. "Gavin voltou a dormir?" "Eu sei", disse ela. "Eu não posso acreditar nisso, também. Ele deve estar crescendo." "Se ele crescer mais, ele vai estar na NFL5 em breve", disse o pai. Meu peito estufou. Eu não poderia ajudá-la. Ele tinha um bom tamanho de criança. Me lembrava Travis quando ele tinha a idade dele.

5

NFL é a sigla para National Football League – Liga nacional de futebol

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Se ele não abrandar, mesmo o agente Blevins estaria olhando baixo para ele em breve. Abracei Ellie mais apertado. "E Ellie arrastou-o durante todo o dia. Estou surpreso por seus braços não caírem". "Eu estou acostumada com isso", disse ela. Ela estava certa. Muito antes de Gavin vir, ela estava seguindo em torno de minha tripulação de figurões de incêndios para as montanhas para documentar a época de incêndios para a revista local, A Mountain Ear. Não muito tempo em sua segunda temporada, ela esteve arrastando milhas de equipamentos para o deserto e para helicópteros, como o resto de nós. Ela tinha trabalhado tão duro para conseguir sua vida de volta, e ela fez questão de apreciar a segunda chance que tinha sido dada a ela pelo chefe do corpo de bombeiros de ir junto com sua câmera. Ela teve um par de contratempos, mas nós tínhamos ficado noivos muito rápido depois que ela voltou da reabilitação e, em seguida casamos não muito tempo depois. Um casamento, vivendo juntos, e trabalhando em conjunto eram muito para ela para processar em um ano, mas eu estava feliz por não desistir. Não tinha sido perfeito, mas eu não teria trocado um momento de meus maus dias com minha esposa por bons dias com mais ninguém. Levou um longo tempo para ela acreditar que ela estava pronta ou merecedora de ser uma mãe, mas uma vez Gavin chegou, ela era uma natural. Ela começou a ficar em casa em tempo integral quando ele nasceu, fazendo o papel de ambos os pais quando eu tinha ido embora para o trabalho.

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"Mal posso esperar até de manhã", disse o pai. "O filho de Travis e Abby estará aqui, Liis vai estar aqui com Stella, e todos os meus netos vão estar no mesmo lugar pela primeira vez em um longo tempo." "Você tem certeza que é um menino?", Perguntei. "Isso foi o que Abby disse," meu pai disse com um encolher de ombros. "Eu estou apostando que ela está certa." "Eu sei melhor do que apostar contra Abby", disse Trenton, olhando para o relógio mais uma vez. Ele olhou para Agente Blevins. "Já se passaram cinco minutos, chefe." O elevador se abriu, e Camille ficou ali com quem eu assumi ser um outro agente. Trenton correu até ela, jogando os braços em torno da sua cintura e erguendo-a fora do chão. Ele plantou beijos em sua boca por um minuto, e então eles se juntaram a nós no corredor. "Aqui, papai", disse Camille, orientando-o a sentar-se em um dos bancos empurrado contra a parede. Sem braços ou costas, eles eram apenas longos assentos cobertos em couro verde falsificado, com as pernas de prata. Papai sentou, sua barriga cobrindo metade de suas coxas. Ele estava vestindo uma jaqueta sobre sua camisa de pijama, calças e mocassis de camurça. Ele parecia cansado, mas feliz. Assim que todos nós encontramos um assento, um médico virou a esquina e parou no nosso numeroso grupo. Mesmo com as crianças e os pais de Shepley adormecidos na sala de espera, éramos um grupo de bom tamanho.

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Ele era careca com cavanhaque branco e em boa forma para sua idade. Seus óculos redondos o faziam parecer mais hippie e menos médico e eu gostava disso nele. "Bom Dia. O bebê está bem. A mamãe está bem. Nós estaremos movendo o bebê para NICU6 aqui em breve para observá-lo, mas ele é forte. Dra. Finn, a pediatra, acredita que ele vai precisar de nada mais do que um pouco de oxigênio suplementar, mas ela está mantendo um olho nele. Os enfermeiros serão empurrandoo pelo corredor em breve. Vocês podem pegar um vislumbre dele, então." "Eles estão levando-o de Abby?", Perguntou America. O médico sorriu paciente com a enxurrada de perguntas. "Todos os bebês com menos de trinta e cinco semanas vão para a UTI neonatal. A mãe e o pai podem visitá-lo assim que nós o avaliarmos e o tenhamos ligado aos bons equipamentos." "Quão grande é ele?", Perguntou Falyn. "Eu acho que eles disseram 2, 267 kg7", disse o médico, sorrindo quando todos engasgamos. "Um bom tamanho, considerando." "Obrigado", disse o pai. O médico balançou a cabeça, com pressa para chegar em casa e dormir um pouco depois do que foi provável um dia inteiro de consultas pré-natais. Um grupo de enfermeiras e um médico passou com uma incubadora de rodinhas, parando quando eles nos viram no corredor.

6 7

NICU - Neonatal intensive care unit – Unidade de terapia intensiva neonatal No original: cinco libras, cinco onças o que corresponde a 2,26796 quilogramas

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America saltou primeiro, seguido por Shepley, e depois o resto de nós. Camille e Trenton ficaram para trás, ajudando Jim a ficar de pé e caminhando com ele no corredor. Nós suspiramos sobre filho mais novo de Travis. "Ele se parece com Travis!" America disse, com os olhos cheios de lágrimas. "Eu não sei", disse o pai. "Eu vejo aquele queixo teimoso de fora." "Você está certo", disse America. "Isso é definitivamente o queixo de Abby." "Aguenta aí, rapazinho", disse Trenton, segurando firme a sua esposa. Eu me perguntava como era para Trenton e Camille ver-nos um por um, como todos nós tivemos nosso segundo e terceiro filhos, e eles ainda estavam tentando. Eu sabia que eles estavam felizes por Travis e Abby, eu podia ver em seus rostos, mas eu também podia ver um anseio; uma dor que não ia embora, até que eles tivessem um dos seus próprios. Os enfermeiros o guiaram pelo corredor, e todos menos America voltamos aos nossos bancos corridos desconfortáveis. Sorri quando vi Travis tocar America sobre o ombro, e ela jogou os braços ao redor dele e chorou lágrimas de felicidade. Eles conversaram por um momento, e então ele caminhou com ela até onde nos reunimos. Levantei-me, apertando sua mão um par de vezes antes de darlhe um abraço.

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"Parabéns. Ele é um menino bonito." "Ele é", disse Travis. Ele parecia ao mesmo tempo cansado e energizado, feliz e preocupado. "Como que vocês decidiram nomeá-lo?", perguntou o pai. Travis bateu palmas, já orgulhosos do nome. "Carter Travis Maddox." Todo mundo suspirou e depois riu com alegria. "Isso não vai ser confuso em tudo!", Disse Trenton. Papai deu um tapa na parte de trás da sua cabeça. "Ow!" Ele esfregou a nuca. "O que eu disse?" "James, Ezra, Hollis, Eli, Emerson, Gavin, e Carter Maddox", disse America. "Pobre Jess, Hadley, e Stella." "Dez", o pai disse, endireitando-se um pouco mais alto. "Eu tenho dez netos até agora." "Até agora", disse Trenton. "Nós vamos acrescentar a isso em breve." Camille ofereceu um sorriso artificial. Eu não poderia dizer se ela estava cansada ou tinha perdido a esperança. "Eu vou voltar", disse Travis. "Posso ir com você?", Perguntou America. Travis assentiu; ela pulou, deu um beijo de despedida no marido, e eles foram embora.

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Nós nos acomodamos em nossos lugares pela quarta ou quinta rodada no curto tempo que tínhamos estado lá. Todo mundo estava calmo no início, estabelecendo-se, exaustos e felizes por estarem juntos. Eu ainda podia ver o choque em Ellie, Falyn, e sentir nos olhos de Taylor. Estávamos há alguns metros de três mortes, e nós ainda não tínhamos certeza de como processá-lo. Eu não tinha certeza se deveríamos mencionar isso. Papai finalmente falou. "Todos nós devemos tentar dormir um pouco. Liis vai estar aqui na parte da manhã."

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"Você sabia, pai? Sobre Thomas? ", Perguntou Tyler. "Qual parte?", Ele respondeu. "Que ele é do FBI." Eu ri, mas parecia ser o único a entender a brincadeira. Eu balancei minha cabeça. "Sem chance. Tommy é um agente do FBI?” Eu olhei ao redor, meu olhar parando na minha esposa. As bochechas dela coradas. "Você sabia?", perguntei, magoado. "Amor", disse Camille, estendendo a mão para mim. Eu recuei. Poucas horas antes, eu estava pronto para socar alguém que não me deixaram buscá-la no trabalho. Agora, eu não tinha certeza se conseguia olhar para ela. "Pai?", Eu disse. "Você sabia também?" Papai ficou em silêncio por um longo tempo e, em seguida, assentiu. "Sim. Desde o começo." Tyler fez uma careta. "Como?" Papai deu de ombros. "Eu peguei algumas coisas no ar. Eu presto atenção, sabe?! " "O que mais você sabe?", Perguntou Taylor.

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Papai sorriu e apertou os lábios. "Eu sei tudo, filho. Vocês são meus meninos. É meu trabalho saber.” "Do que você está falando?", Perguntei. "Nós somos... hum," começou Taylor. "Nós não vendemos seguros." Ellie tinha segurado a mão de Tyler antes dele falar. "Nós somos bombeiros." "Nem fodendo!" eu disse, em choque. "Eu sou o único que não está mentindo sobre minha profissão?" "Bem", disse Ellie. "Se Thomas não é da publicidade, então Travis não assumiu o lugar dele." Todo mundo se olhou para tentar encontrar respostas. Ellie ergueu as sobrancelhas. "Ou talvez ele tenha assumido, só não como publicitário." "De jeito nenhum", eu disse. "Travis é um federal?" Eu olhei para Camille, que parecia envergonhada. "Você tá brincando com a minha cara, porra!?" Eu parei. Papai franziu as sobrancelhas. "Trenton. Olha a boca." "Você soube todo esse tempo sobre os meus irmãos? E nunca me falou nada? Mas que porra é essa, Cami?" Ela se levantou também, estendendo as mãos. "Não era o meu segredo para contar."

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"Papo furado", eu disse, apontando para o chão. "Sou seu marido. Você não guarda segredos de mim... sobre meus próprios irmãos. Já aconteceu uma vez, e eu te perdoei, mas Cami..." Eu caminhei para longe dela, minhas mãos sobre minha cabeça. "Trent", disse ela, surpresa e mágoa em sua voz. Quando voltei para onde ela estava, notei todos os outros tentando olhar em todos os lugares, menos para nós. Eu já tinha visto meus irmãos discutindo com suas esposas, e era sempre estranho pra cacete, mas não tínhamos outra opção além de ficar ali e colocar tudo pra fora. Eu não podia gritar com Thomas porque ele estava lutando por sua vida a meio país de distancia. Eu não podia gritar com Travis, porque ele estava com sua esposa, que tinha acabado de ter um bebê. Virei-me para Camille, mas apenas balancei a cabeça. Seus olhos se encheram de lágrimas, então eu olhei para longe. Eu apontei para os gêmeos em seguida, depois apoiei minhas mãos em meus quadris. Eu estava respirando com dificuldade como se eu tivesse acabado de correr uma milha até uma colina íngreme. "E se algo tivesse acontecido com vocês? É assim que vocês iam me fazer descobrir? Como aconteceu com o Tommy?” "Nós estávamos mantendo isso longe do papai", disse Tyler. Sua voz era baixa e calma como se ele estivesse falando com alguém prestes a pular de um prédio. Isso só me deixava mais irritado, como se eles achassem que eu estava exagerando. "Por quê?", eu gritei.

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"Você não se lembra, Trenton", disse Taylor. "Ele prometeu a mãe que nos manteria seguros. Ela não queria ele na segurança pública. Ela não queria que qualquer um de nós seguisse seus passos. Tenho certeza de que Thomas mentiu pelo mesmo motivo que nós. Nós amamos nossos trabalhos, mas nós não queríamos magoar o papai." "Então nós simplesmente mentimos uns para os outros? É assim que essa família funciona agora?" Eu me exaltei. "Eu sabia", disse papai. "Eu sabia, e eu não te disse nada por que os meninos estavam escondendo isso da gente por algum motivo. Eu não escondi isso de você por que os amo mais, filho. Simplesmente não era o meu papel." Eu balancei a cabeça novamente, as mãos nos quadris, andando. Camille tentou estender sua mão para mim, mas eu puxei meu braço. Tudo o que eu sabia sobre meus irmãos era uma mentira. Suas experiências em campo, seus colegas, os treinamentos - eu fiquei de fora de tudo. Mas a minha esposa sabia. "Você sabia sobre Taylor e Tyler também?", perguntei à Camille. Ela negou com a cabeça, as lágrimas escorrendo pelo rosto. "E agora olha para nós. Tommy está ferido. Os agentes federais estão dando uma de babá com a gente. E tem gente tentando nos matar!" "Fala baixo", disse Tyler. "Vai se foder!" Eu rebati, ainda andando. Tyler se levantou, mas o papai levantou a mão. "Sente-se, filho."

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Eu apontei para Camille. "Você já mentiu para mim uma vez. Agora eu descobri que você nunca deixou de mentir? O que eu... o que eu devo fazer agora, Camille?" "Não me chame assim", disse ela. Era como o pai dela a chamava quando estava zangado, e como Thomas a chamava quando estava a castigando por estar chateado de não ser colocado em primeiro lugar. Eu sempre a coloquei em primeiro lugar. Porra, eu adorava ela, e ela estava mentindo para mim. Toda a minha família estava, de uma forma ou de outra. "Você tem sorte de eu ainda estar te chamando," Rosnei. A boca de Camille se abriu e as esposas engasgaram. "Já chega", Ellie se irritou. Shepley se levantou. "Vamos tomar um café, Trent." Travis virou a esquina com a America, o sorriso em seu rosto desvanecendo. "Ela já pode receber mais visitas", disse ele, olhando ao redor. "Está tudo bem?" "Você tem mentido para mim?", Perguntei. Travis empalideceu. “Eu... não tenho permissão para discutir os detalhes até amanhã, quando Liis chega.” Dei um passo em direção a ele. "Nós somos a sua família, Travis. Você e Tommy não estão na porra de um clubinho secreto onde vocês podem brincar com as nossas vidas. E você não pede para minha esposa mentir por você".

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"Não era isso que eu estava fazendo, Trent. Para começar, eu não tive escolha, e não foi minha decisão contar para a Cami ou pedir para ela mentir". Cerrei os olhos olhando pra ele. "Mas você concordou com isso." Travis deu um passo em minha direção. "Eu tive que concordar, ou eu iria preso por estar envolvido com o incêndio no campus". Eu fechei as mãos em punhos. Eu não tinha certeza de quem ou o que eu queria acertar, mas isso só durou alguns segundos. Papai levantou-se e pôs a mão no meu ombro. Ele balançou um pouco, fazendo com que minha raiva se dissipasse. Eu o ajudei a se segurar, e então ele me trouxe para um abraço, me segurando firme quando tentei me soltar. Ele me segurou até que a raiva diminuiu. Ajudei ele a voltar para o banco e então me sentei em um dos bancos no canto. Camille deu um passo em minha direção, e eu levantei a mão. "Não." Ellie deu um tapinha no espaço vazio ao seu lado, e Camille sentou-se, o lábio inferior tremendo. "Então", começou Taylor. "Você é um federal. Thomas é um federal, e isso é tudo por causa de algum caso em que vocês estão trabalhando?" Travis respirou fundo, olhou para a Agente Blevins e Agente Davies, e em seguida esvaziou seus pulmões. "Foda-se." Ele sentou-se ao lado de papai, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, e colocou as mãos como se estivesse rezando, tocando os dedos sobre os lábios. Ele sentouse reto.

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"Eu estava lá naquela noite... quando o prédio da Eastern pegou fogo. Eu pedi para o Trenton ficar com Abby, enquanto eu resolvia meus assuntos com John Savage. Era um pequeno porão. Pequeno demais para uma luta final. Nós quase tínhamos sido pegos uma vez, então Adam não permitiu luzes. Tínhamos apenas algumas lamparinas penduradas no teto. Havia..." Ele parou, lembrando, "móveis cobertos por lençóis por todo o quarto e no corredor principal. Uma lamparina caiu, e todo o lugar pegou fogo em segundos. Eu estava longe de Abby e Trent, e eu tinha que encontrá-los. Eu achei Abby, mas não encontrei Trent até momentos mais tarde. A noite mais assustadora da minha vida." Eu me fundei na cadeira, percebendo que eu também tinha mentido durante anos. Eu tinha mentido ao FBI sobre estar no edifício quando pegou fogo, e somente Travis e Abby sabiam que eu tinha deixado Abby porque eu estava com medo. Esperei que ele jogasse isso na minha cara. Travis continuou, “Um monte de gente morreu naquela noite. Adam foi preso. Eu sabia que eu era o próximo, mesmo que Abby tivesse inventado um plano para nos casarmos em Vegas e fazer parecer que nós não estivemos lá.” America olhou para Travis. "Você sabia disso?" Olhei para baixo. Eu sabia sobre isso também e escondi dele. Merda, agora eu sou um hipócrita. Eu pensei que nós éramos uma família unida. Acontece que éramos apenas aranhas pegas em nossas teias de mentiras. Eu senti meu rosto corar. A raiva estava voltando.

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“Como eu não saberia? De repente, ela queria fugir para Vegas uma hora depois de nós termos escapado de um incêndio. Depois de vários de nossos colegas terem morrido? Ou ela era uma louca insensível, ou tinha bolado um plano. De qualquer maneira, eu estava desesperado para ser seu marido. Eu ignorei isso. Provavelmente não foi a coisa mais honesta a se fazer. Mas felizmente,” ele disse, apontando para o quarto de Abby, “deu certo.” "Mas aquele agente", eu disse. "Ele foi em casa. Ele estava perguntando sobre você. Eles não acreditaram na história do casamento em Vegas, não é?" "Eles me deram uma escolha", disse Travis. "Mas por que você?", Perguntou Tyler. "Por que não Adam... por quê..." "Mick Abernathy", disse o papai. "Eu não tenho certeza se você é muito sortudo ou não", disse Taylor. "Então como é que Tommy se encaixa em tudo isso?", Perguntei. "Ele já era uma federal antes disso. Muito antes disso, eu acho.” Eu olhei para Camille, que ainda se mantinha desesperadoramente quieta. "Até agora?" Eu perguntei a ela. "Está tudo vindo à tona e você vai continuar sentada aí... leal a ele?" "Ela não podia te contar, Trent", disse Travis. "Era uma questão de segurança."

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Eu fiquei de pé, olhando ao redor, estendendo minhas mãos. "E estamos todos a salvo agora? Me acordaram as três da manhã, com dois... desculpe, três federais na nossa cola para se certificar de que, quem quer que seja que vocês irritaram, não matem nossas crianças?" "Eu sei que parece ruim, e eu entendo você sentir raiva. Mas isso ainda não acabou. Eu sinto muito, Trent, eu realmente sinto. Eu nunca quis que nada disso acontecesse." O fato de Travis estar tão paciente e calmo me deixava ainda mais irritado. Dei um passo em direção a ele, mas Camille ficou entre nós. "Trenton!", Ela gritou, erguendo as mãos. "Travis, volte para sua esposa", disse papai. "Trenton, sente esse seu traseiro. Agora. Nós não vamos resolver tudo essa noite, e nem temos que resolver. O que é importante é manter nossa família a salvo." Me sentei a contra gosto, obedecendo meu pai. Ele estava fraco. Nem de longe se parecia o homem intimidante que eu me lembrava da infância, mas ele era meu pai, e merecia o meu respeito. Camille deu alguns passos em direção a mim, pedindo permissão sem usar palavras. Eu deslizei na cadeira e abri meu braço, ela correu para sentar perto de mim, enterrando seu rosto em meu pescoço e envolvendo os braços em volta do meu peito. No fundo, eu sabia que o fato dela manter o segredo de Thomas não era uma questão de ela ter escolhido ser fiel a ele ou honesta comigo, mas era difícil tirar isso totalmente da minha cabeça. Abracei ela, puxando-a para mim, mas apenas porque me recusei a deixar a sensação repentina de traição

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ofuscar o amor que eu tinha sentido por Camille por grande parte da minha vida. "Abby está dormindo?", Perguntou Ellie. "Ela não consegue," America respondeu. "Ela quer ver o Carter. Eles vão nos avisar em breve quando ela puder.” "Eu gostaria de vê-la, se eu puder", disse Ellie. "Eu também", disse Falyn. Travis apontou para que elas o seguissem, e elas correram atrás dele. Falyn virou-se para mim com um aviso inconfundível no olhar para que eu não perturbasse Camille enquanto ela estivesse fora. Suspirei e beijei o cabelo da minha esposa. Ela estava soluçando discretamente, seu corpo balançando contra o meu. Ainda assim, eu não conseguia me fazer dizer que tudo ficaria bem. Eu não sabia se ficaria ou não. Eu me perguntava qual seria a nova dor que o próximo dia poderia trazer e quanto mais a nossa família poderia aguentar.

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Entrei na sala de parto da Abby junto com Falyn e Ellie, instantaneamente lamentando por trazer qualquer um além de Carter. O rosto da minha mulher se iluminou por uma fração de segundos, e em seguida, ela tentou esconder sua decepção com seu sorriso doce. "Poderemos vê-lo em alguns minutos", eu prometi para ela. O cabelo de Abby estava preso em um rabo de cavalo desajeitado. Algumas mechas caiam emoldurando seu rosto. Seus olhos ainda estavam vermelhos por conta do parto e das lágrimas que vieram depois disso. Eu nunca a tinha visto tão arrasada quanto no momento que levaram nosso bebê para longe. "Ele é lindo", disse Ellie com um sorriso. "Você o viu?", Perguntou Abby. Ela se sentou na cama e colocou os fios soltos de seu cabelo atrás da orelha. "No corredor. Ele está logo ali no final da ala", disse Falyn. "Isso é reconfortante." Os olhos de Abby começaram a umedecer, e ela olhou para o teto, tentando conter as lágrimas. "Não tem problema chorar", disse Ellie, tomando a cadeira mais próxima da cama. “Você teve um dia longo. Você está exausta. Seus hormônios estão enlouquecendo.”

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Abby limpou suas bochechas. "Eu não quero chorar." Sentei-me na cama ao seu lado, segurando sua mão. Vários pedaços de esparadrapo seguravam as agulhas da terapia intravenosa que agora injetavam antibióticos para evitar a infecção que lhe causara o parto prematuro. Ela tentou de tudo para conseguir que suas contrações diminuíssem naturalmente, mas quanto mais tentava, mais intensa e mais perto uma das outras elas vinham. Quando o médico disse a ela que precisávamos ter o bebê, ela quebrou. Ela teve um parto tão natural com os gêmeos, ficamos surpresos que o nascimento de um único bebê fosse tão complicado. Eu sabia que havia mais do que apenas a infecção para culpar. Ela também tinha adicionado o stress por causa da porra do meu trabalho. Eu não só ia devastar minha família para poder protegê-los, como também havia colocado minha esposa e meu filho recém-nascido em perigo. Eu ia encontrar uma maneira de deixar o FBI depois disso. Thomas e eu seríamos sortudos se nossa família ainda estivesse intacta. "Pára", disse Abby, vendo a expressão no meu rosto. “Não havia nada que pudéssemos fazer. É a vida.” "E ele está bem", disse Ellie. "Ele berrou como um louco durante todo o caminho pelo corredor. Pulmões fortes com o temperamento de um Maddox. Ele é incrível”. "Você acha que vamos poder levá-lo para casa?", Perguntou ela, de repente esperançosa.

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Acariciei sua mão. “Provavelmente não. Ou pelo menos não imediatamente. Mas vamos esperar pelas notícias da UTI Neonatal antes de ficarmos chateados.” "Você quer dizer antes que EU fique muito chateada", disse ela. Eu levantei sua mão aos meus lábios e fechei os olhos. A culpa era quase demais para suportar. Eu fiquei feliz pelo Papai ter entrado na frente de Trenton porque eu estava desesperado para voltar aos dias em que eu podia resolver tudo apenas com alguns socos. Dezenove anos agora parecia coisa de uma vida atrás, e, francamente, a vida adulta era um saco. Era muito mais fácil perder minha cabeça e começar a me mexer, do que ouvir Trenton sendo um idiota inseguro e ter que ser o maduro da história quando tudo que eu estava tentando fazer era salvar sua vida. "Baby", disse Abby, observando quando a minha agitação interior começava a transparecer. "Trenton descobriu sobre o FBI", disse Ellie. "E que a Cami já sabia de tudo. Ele não está lidando muito bem com isso.” Abby olhou para mim. "Ele está descontando em você." "Em quem mais ele descontaria?" Eu resmunguei. Os dedos de Abby se entrelaçaram nos meus. "Só mais um pouco." Eu balancei a cabeça, sabendo que não poderia dizer mais nada na frente de Ellie e Falyn.

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Abby contou sobre seu trabalho de parto, passo a passo, e todas choraram de novo enquanto ela detalhava a sensação de ver as enfermeiras carregarem Carter para fora do quarto. As cunhadas a abraçaram e, em seguida, Ellie e Falyn voltaram para a sala além da sala de espera para encontrar suas famílias. Abby suspirou, descansando a cabeça contra o travesseiro. "Quer que eu deixe a cama reta?", Perguntei. Ela balançou a cabeça, encolhendo-se e pressionando suavemente seu abdômen. "Você devia tentar dormir. Você vai ter um longo dia amanhã”. "Você quer dizer hoje?" Abby olhou para o relógio na parede. "Liis vai chegar em poucas horas. A enfermeira disse que a poltrona deita quase completamente". Levantei-me e acenei com a cabeça, caminhando ao redor da cama de hospital para a poltrona roxa. A enfermeira já havia deixado alguns cobertores dobrados e um travesseiro numa pilha no assento. A poltrona fez um som de raspagem contra o chão quando eu a empurrei para perto da cama. Me sentei e sacudi um cobertor, puxei a alavanca, e me recostei. Abby usou o controle remoto para apagar as luzes, e por alguns momentos preciosos, tudo estava quieto. Assim que comecei a relaxar, a porta se abriu, e eu pude ouvir a enfermeira caminhando ao redor da sala. Ela acendeu a lâmpada turva que estava acima da cama de Abby.

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“Olá, Sra Maddox. Eu pensei que você pudesse querer tentar bombear um pouco de leite.” Ela levantou uma pequena máquina com tubos e que parecia ser uma mini buzina de ar. Abby parecia horrorizada. "Por quê?" “Carter ainda não está forte o suficiente para sugar, então vamos ter que alimentá-lo através de um tubo. Nós temos um leite artificial especial para prematuros, mas se você preferir, o seu leite é melhor. É algo que você gostaria de tentar?” "Eu..." ela parou, olhando para a bomba. Foi completamente estranho para ela. Ela amamentou nossos gêmeos, mas como ela sempre estava em casa, nunca precisou usar uma bomba. "Eu nem tenho certeza se tenho algo para bombear.” "Você ficaria surpresa", disse a enfermeira. “O estômago dele é menor do que uma bola de gude, então ele não precisa de muito.” "E tudo bem por conta dos antibióticos?", Ela perguntou, segurando sua mão. Eu estava tão orgulhoso dela. Mesmo exausta, Abby pensava em questões que nem passavam pela minha cabeça. "Completamente seguro", disse a enfermeira. "Tudo bem", disse Abby. Ela ouvia enquanto a enfermeira lhe dava instruções. Quando nós estávamos sozinhos novamente, ela olhou para os tubos e recipiente com desprezo. Eu me sentei. "Quer que eu ajude?" "Absolutamente não", disse ela.

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"Eu posso só...”. "Não, Travis. Se eu vou ter que ficar aqui com essa coisa em mim como uma vaca leiteira, você não vai me ajudar. Você não vai nem ver.” "Baby, não é uma coisa ruim. Você está fazendo isso pelo nosso filho.” "É só que isso me parece uma coisa muito... pessoal." "Ok", eu disse, deixando a pilha de cobertores para trás, na cadeira. "Você tem certeza?" "Tenho certeza." "Volto em quinze minutos. Precisa de alguma coisa antes de eu sair?” "Não." "Boa sorte, Flor." Abby usou a mini buzina de ar como sinal de aprovação, e eu ri, disposto a fazer qualquer coisa para ter um momento de luz no meio de tudo isso. Fechei a cortina e, em seguida, a porta atrás de mim, e voltei para a sala além da sala de espera, onde minha família estava. Camille estava sentada sozinha em um banco. "Onde estão todos?", Perguntei. "A enfermeira trouxe algumas camas dobráveis. Eles estão todos dormindo na sala de espera, menos o Papai."

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"Onde ele está?" Camille apontou com a cabeça para uma sala de parto, e imediatamente, ouvi o familiar ronco de Jim Maddox. Ele respirava pelo nariz, e depois as bochechas enchiam com ar e logo depois ele soltava com a boca. "Ele os convenceu a darem um quarto só pra ele?" "Ele estava com medo de seu ronco acordar as crianças. Ele insistiu que apenas colocassem sua cama pra cá, mas ele já é popular entre as enfermeiras, e você sabe... Todo mundo adora o Jim.” "Você não está cansada?", Perguntei. Ela encolheu os ombros. "Eu não acho que Trent queira minha companhia." Sentei-me ao lado dela. "Cami... você sabe que ele te ama. É muito para digerir de uma só vez." "Eu sei", disse ela, torcendo as mãos. "A coisa entre Thomas e eu... é como se fosse uma ferida mal cicatrizada mesmo depois de todos esses anos. Eu sabia que ia vir à tona eventualmente, e eu sabia que ele ficaria com raiva. Eu só não pensei que fosse sentir tanta culpa.” "Porque você não quer vê-lo sofrendo." "Não, não quero." Eu olhei para o chão. "Ninguém vai se safar dessa vez." "Você sabe alguma coisa sobre a Liis? Qualquer novidade?"

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"Não", eu disse. Era a verdade. Eu não precisava saber de mais nada. Eu já sabia exatamente o que iria acontecer. "Eles disseram que ela estava vindo para cá. Não é estranho ela fazer isso? Enquanto Thomas está se recuperando?" "Ela tem um recém-nascido e..." Eu parei. Eu não queria mais mentir, mas ainda haveria coisa muito pior pela frente. Camille ficou em silêncio. "Ele não aguentou, não é? Ela quer nos dizer pessoalmente.” Quando eu não respondi, Camille olhou para mim até que eu a encarei. "Me fala, Travis. Ele está morto?" "Você quer esconder mais segredos do Trenton? E se ele descobrir que você sabia algo sobre Tommy antes dele? Mais uma vez?" "Apenas me diga", disse ela. "Eu mereço saber." "Mais do que qualquer outra pessoa?" "Trav. Eu protegi o segredo dele durante anos ". "E olha o que isso te trouxe". Camille pensou em minhas palavras e sentou-se. Ela fechou os olhos, parecendo sentir dor. "Você está certo." Levantei-me, deixando Camille sozinha com suas lágrimas silenciosas. Enquanto eu andava para longe fiquei surpreso por me sentir ainda mais pesado do que antes. Isso deveria significar uma pessoa a menos a quem eu precisaria destruir. Eu congelei no corredor, na frente

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da porta de Abby, percebendo que teria de contar para as crianças. Os meus filhos. Eu teria que olhá-los nos olhos e dizer que seu tio estava morto. Fechei os olhos, pensando em como eu iria explicar para eles como nunca deveriam mentir na vida. Como eles iriam confiar em mim depois disso? Abri a porta justamente quando Abby estava rosqueando a tampa do recipiente com leite. "Como foi?", Perguntei. Ela fez uma pausa. "O que aconteceu?" "As crianças," eu disse. Ela se levantou rápido. "O que houve com as crianças?" Suspirei. "Porra. Não, me desculpe. Eles estão bem.” Eu sentei ao lado dela, pegando a bomba e os tubos em uma mão, o recipiente no outro. Eu beijei sua testa. “Eles estão bem. É só que eu percebi que vamos ter que contar para as crianças sobre Thomas.” Ela olhou para mim, os olhos arregalados. "Eles vão ficar arrasados." "E então... depois...”. Abby cobriu os olhos, e eu a abracei. "Eu sei. Eu sinto Muito." "Eles nunca vão confiar na gente novamente." "Talvez eles entendam."

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Seus olhos se encheram de lágrimas pela décima segunda vez naquela manhã. "Não por um longo tempo." A enfermeira bateu na porta, seu cabelo curto e loiro balançando. "Bom dia," ela sussurrou. "Eu não consegui muita coisa," Abby disse enquanto eu entregava a enfermeira o equipamento e o recipiente. A enfermeira o segurou, cerrou seus olhos e sorriu. "É o suficiente. Esse garotinho vai ficar feliz." "Podemos vê-lo?", Perguntou Abby. "Sim", disse a enfermeira, apontando para ela. "Logo depois de você descansar um pouco." "Nós estamos tentando", eu disse. "Sem problemas. Vou colocar um aviso. Não perturbe." "A menos que...", começou Abby. "A menos que tenha alguma novidade. Sim, senhora.” A enfermeira fechou a porta atrás dela, e eu me acomodei na poltrona. Abby apagou a luz em cima dela, e exceto pelo nascer do sol que espreitava através das persianas, tudo estava escuro. Os pássaros cantavam, e eu me perguntava se algum dia eu conseguiria dormir novamente. "Eu te amo", Abby sussurrou de sua cama.

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Eu queria me esgueirar pela sua cama e ficar junto com ela, mas todos aqueles tubos deixavam isso impossível. "Eu te amo muito mais, beija-flor”. Ela suspirou, a cama rangeu quando ela se acomodou. Fechei os olhos, ouvindo a respiração de Abby, a terapia intravenosa pingando e o maldito pássaro cantando alegremente lá fora. De alguma forma, eu deslizei sob as ondas da consciência, sonhando que eu estava deitado ao lado de Abby, pela primeira vez, no meu apartamento na faculdade, me perguntando o que diabos eu teria que fazer para ficar com ela.

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America segurou minha mão, me puxando pela porta do quarto do hospital em que Abby estava. Ele cheirava a desinfetante e flores, era exatamente por isso que eu estava feliz por America ter decidido ter nossos últimos dois meninos em casa. Hospitais me davam calafrios, principalmente por que me traziam péssimas lembranças. O Hospital Mercy era o plano de fundo das lembranças de quando vinha com meus pais visitar Diane, quando quebrei meu braço e quando Trenton sofreu o acidente de carro com Mackenzie e depois de novo com Camille. As únicas boas lembranças que tinha do Hospital Mercy eram quando Ezra e em seguida, os gêmeos de Abby e Trav, nasceram. "Oi", disse Abby, com um sorriso, abraçando América, quando ela se inclinou para um abraço. "Você parece tão bem!" America disse, repetindo a frase que cada mãe gostaria de ouvir no pós-parto. Abby sorriu. "Eles vão me levar para vê-lo em breve." "Ótimo," America disse, sentando ao lado dela. Ela segurou a mão da amiga. "Isso é ótimo." Havia um clima estranho no ar. Nós quatros estivemos juntos desde a primeira noite em que Abby foi ao nosso apartamento com Travis. Não era comum eles guardarem segredos de nós. Pelo menos, era

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o que eu pensava. America e eu tivemos várias conversas sobre como parecia que o FBI tinha se esquecido do envolvimento de Travis com o incêndio, de como as perguntas e a suspeita haviam parado. E então o clima estranho na manhã após Travis e Abby se casarem em St. Thomas quando ele estava tão chateado que não conseguia nem falar. Era isso. Foi quando tudo aconteceu. Thomas tinha lhe dado um ultimato. America ficou em silêncio. A America por quem eu havia me apaixonado teria colocado Abby em uma fogueira por ter sido desonesta, mas minha esposa e mãe de três tiranos era mais sábia e mais branda com a raiva. Ela ouvia mais e reagia menos. A amizade delas havia era baseada em completa transparência. De que outra maneira elas poderiam se amar tanto, não importa o que fosse? Mas agora nós estávamos em um momento de nossas vidas em que tínhamos que colocar nossos cônjuges em primeiro lugar. Casamento deixava as amizades – até as mais antigas – algo complicado. "Mare" começou Abby. "Eu queria ter lhe contado." "Me contar o que?", Disse America. Agora que a conversa tinha começado, ela não ia deixar nada muito fácil. "Sobre Travis. Eu mesma só descobri há alguns anos”. "Quando foi que você parou de confiar em mim?", Perguntou America, tentando não parecer ferida. “Não tem a ver com isso. Ele não estava me traindo ou lutando contra o vicio de drogas, Mare. Ele estava trabalhando disfarçado para o FBI. Ele estava no meio do crime organizado, lutando primeiro, e, em

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seguida, controlando os clubes de strip em Vegas e fazendo ameaças. Eu não podia falar disso por telefone nem por mensagens. Nós não podíamos cochichar sobre isso ao lado da piscina, enquanto olhávamos as crianças brincarem. Travis estava sendo observado. Por que eu te diria?” "Então você não teria que carregar isso sozinha." "Eu não estava sozinha", disse Abby. Ela olhou para Travis com um pequeno sorriso. "Naquela manhã, em St. Thomas?", Perguntei. "Foi quando você foi recrutado?" "Eu não tive escolha", disse Travis. Eu esfreguei a parte de trás da minha cabeça, meus pensamentos girando. Como Travis havia conseguido manter esse segredo por todos esses anos? Quando ele estava viajando para a academia, e depois, quando ele assumiu o trabalho de Thomas, era sempre o FBI. Isso explica como eles compraram uma casa à base de seu salário de personal trainer, mas eu ainda não podia acreditar que ele tinha escondido isso de nós. "Então, por que Thomas?" Perguntei. "Por que Thomas manteve esse segredo?" Travis deu de ombros. "Mamãe. Ela fez o pai prometer que deixaria seu emprego como detetive, e que nós não seguiríamos os seus passos. Mas Thomas nasceu para fazer este trabalho." Ele falou de Thomas com reverência, e eu acreditei nele, mesmo que eu ainda não entendesse as mentiras.

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"Jim teria entendido, Trav. Certamente há outro motivo.” Travis deu de ombros. "Esse foi o único motivo que ele me deu. Ele não queria decepcionar o papai. Ele não queria que o papai dissesse para ele não seguir com a carreira que ele já amava." America observou Travis falar, seus olhos se estreitando. Ela havia pegado algo que eu com certeza não tinha. "Então Thomas sabia que você estava prestes a ser preso e falou para alguém no Bureau te oferecer um emprego por causa das suas ligações com Mick e Benny? Por que não Abby?" Abby riu. "Travis podia fazer coisas para o Benny que eu não poderia. E Travis nunca teria concordado com isso." America concordou, mas ela ainda não estava satisfeita. Algo não estava somando. Eles ainda estavam escondendo algo. "Então agora Thomas..." America pausou. Ela fazia isso com os meninos, na esperança de que eles preenchessem os espaços em branco. Travis limpou a garganta. "Virou um alvo, sim." "E esse corte na sua cabeça?", Perguntei. Ele trocou olhares com sua esposa. “Eu também era. É por isso que os agentes vieram para a casa do papai. É por isso que estamos aqui. É por isso que temos que ficar juntos.” “Você automaticamente assumiu que eles viriam atrás do resto da família, porque eles foram atrás de você e Thomas?”, perguntou America.

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"Eles não estavam atrás de Travis", disse Abby. "Ele estava no meu carro. Eles estavam atrás das crianças e eu.” America cobriu a boca. O olhar de Travis caiu no chão. "Os homens que me tiraram da estrada... Eles eram os homens de Benny Carlisi. Eles tinham fotos de todos nós no carro. Todos nós, nossas famílias, as crianças..." "Por quê?", Perguntei. "Porque o seu disfarce foi descoberto?" "Eu ferrei com tudo", disse Travis. "Eu matei Benny. Eles querem derramar sangue. " "Você o matou?" America perguntou, atordoada. "Meu amigo Travis, o primo do meu marido, marido da minha melhor amiga, matou o chefe da máfia? Será que por acaso viemos parar em um episódio de Os Sopranos? Como diabos isso está acontecendo?" "Ele não teve escolha", disse Abby. "Era ele ou Benny." "E Mick?", Perguntou America. "Ele estava sob custódia protetora. Ele está desaparecido." "Desapareceu?" America gritou, olhando para Abby. "Fale baixo", disse Travis. America se levantou e começou a andar. "E agora? Nós vamos ficar presos em nossa própria casa até que eles estejam todos presos?" "Não vai demorar muito", disse Travis. "Eu prometo, Mare. Eles atiraram em um dos nossos agentes – meu irmão. Não vamos parar até

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que eles estejam presos ou mortos." Travis cruzou os braços sobre o peito. Tão grande quanto ele era na faculdade, ele era um monstro agora. Seus braços eram mais grossos do que as minhas pernas, o peito quase o dobro da largura que costumava ser. Ele era músculo puro. Eu não poderia imaginar alguém olhando pra ele e pensando que era uma boa ideia mexer com a sua família, e era difícil acreditar que Thomas lhe tinha arrastado para essa bagunça. Travis notou que eu estava imerso em pensamentos. "O que foi, Shep?" Eu balancei minha cabeça. "Diga", disse Travis. “Você disse que foi para te manter longe da cadeia. Não dava para Thomas fazer isso sem pedir para você ir disfarçado? Cada vez que você esteve em missão, você esteve em perigo. Por que Thomas faria isso?” "Não foi uma decisão fácil para ele", disse Abby. "Isso implica que ele tinha uma escolha", eu disse. "Ele tinha?" Travis mudou seu peso de um pé para o outro, desconfortável com o rumo que a conversa tomou. "E se você não fosse você?", Perguntou America. "E se Abby tivesse se envolvido com seu primeiro namorado, o Jesse, ou Parker, ou alguém não tão... capaz como você?” Travis deu de ombros. "Então se ele tivesse sido estúpido o suficiente para ser envolvido nas lutas ilegais e se sentisse culpado por

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reunir uma centena de alunos em um pequeno porão com saídas questionáveis, ele teria ido para a prisão.” "Ou permutado com Abby a sua cooperação e manipulação de Mick. Eu só... " Eu parei, hesitante de dizer mais alguma coisa que machucasse nossa família. "Ele poderia ter encontrado outra maneira, se ele quisesse. Ele poderia, Trav. Eu sei que não é provavelmente o melhor momento para expressar essa opinião, mas eu não sabia nada antes. Então, eu estou dizendo isso agora. " Travis olhou para baixo e balançou a cabeça, puxando uma respiração pelo nariz. Ele olhou para mim como se eu tivesse convocado uma verdade que havia vivido em silencio no limite da sua consciência. "Ele sabe disso. Eu vejo isso em seus olhos todas as vezes que ele me vê no trabalho." "Isso parece um pouco perfeito demais", disse America. "Thomas está no FBI, e acontece do seu irmão estar namorando a filha de um homem envolvido com a família criminosa que eles estão investigando?" "Thomas teve sorte", disse Travis. "Sorte?" America rosnou. "Será que ele conseguiu uma promoção?" Travis e Abby ficaram tensos. "Conseguiu?" America exigiu. "Sim", disse Travis. "Ele conseguiu."

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"Inacreditável," America disse, deixando as mãos cair para suas coxas com um tapa. "E você está bem com isso?" "Não!", Disse Travis. Sua paciência estava se esgotando. "Não, eu não estava bem com isso. Eu fiz o que eu tinha que fazer." "Thomas vendeu você", disse America, apontando para Travis. "Então Liis está vindo para cá? Sem Thomas?”, Perguntei. "Eu suponho que ele esteja em algum Hospital Federal secreto com uma tonelada de seguranças?" "Eu não posso falar sobre isso", disse Travis. "Ainda não." "Nós somos seus amigos", disse America. "Pelo menos, nós pensamos que éramos." Travis suspirou, esfregando a parte de trás do seu pescoço. “Isso não é sobre o quanto nós confiamos em vocês. É sobre quem está ouvindo.” "A verdade é perigosa”, disse Abby. "Quanto menos vocês souberem, melhor." "Abby," America disse, revoltada. "Estamos em prisão domiciliar. Nós já estamos em perigo." Travis e Abby trocarm olhares. "Não há muito mais que vocês não saibam", Travis disse. "Então nos encha de informações", disse America, de pé. "Eu estou sentindo falta da parte onde nós não somos importantes o

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suficiente ou inteligentes o suficiente, ou entendemos o suficiente sobre segurança para saber por que alguém quer matar a nós e nossos filhos." "Será que eles... têm fotos dos nossos meninos?", Perguntei. Travis hesitou e em seguida, assentiu. América correu para o meu lado, formando uma frente unida. Eu sabia o que estava por vir, e pelo olhar no rosto de Abby, ela também. "Você nos envolveu nisso sem a nossa permissão", disse America. "Nós temos estado do seu lado desde o começo. Estivemos lá para em todos os momentos. Então nós descobrimos que você está mentindo para nós há anos. Tudo bem. Eu entendo as circunstâncias, mas é hora de você ser direto com a gente, agora. Agora, isso é assunto nosso. É o nosso problema. Existe qualquer outra coisa que deveríamos saber?" Ela estava certa. Nossos meninos estavam dormindo em uma sala de espera de um hospital, e antes disso, eles estavam empilhados em colchonetes no chão para que pudéssemos estar todos sob o olhar atento do FBI. Não tínhamos certeza há quanto tempo os Carlisis estavam na cidade, ou quanto tempo eles estavam nos observando. Nós não poderíamos nos proteger ou proteger nossos filhos sem saber exatamente o que estávamos enfrentando. "O que você vai fazer a respeito disso, Mare?", Perguntou Travis. "Trav," eu avisei.

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"Não, eu gostaria de saber. Você acha que Thomas ou eu queríamos isso? Isso é a ultima coisa que a gente queria. É por isso que eu estava disfarçado." "Disfarçado?" America explodiu. "Mentir para mafiosos sobre sua lealdade não transforma isso em um disfarce, Travis! Eles sabiam quem você era, com quem você estava casado e onde você mora! Nós fomos pra Vegas com você. Eles tinham fotografias dos meus meninos!", ela disse, com os olhos cheios de lágrimas e de raiva. "No segundo que você concordou com isso, estávamos em perigo. Não aja como se você fosse o salvador nisso tudo. Você e Thomas são a causa!” "America, chega", disse Abby. "Você não sabe de tudo." "Exatamente", ela retrucou. Ela pegou minha mão e nós caminhamos juntos para a porta. "Shep", Travis implorou. Virei-me para ele. Eu sempre estive do lado dele, mas pela primeira vez, eu não tinha certeza se ele estava do meu lado. Eu não tinha certeza se eu poderia acreditar em qualquer coisa que ele estava dizendo. Ele não tinha escolhido mentir pra nós, mas ele não estava no controle. "Você nem sequer pediu desculpas, Travis. Eu sei que você não queria isso, mas você nos envolveu. E para quê?" “Para mantê-lo fora da prisão," Abby gritou. "Você teria feito qualquer coisa pra impedir que isso acontecesse também, e você sabe disso.”

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"Eu nĂŁo teria pintado um alvo nas costas dos meus filhos", eu disse. "VocĂŞ fez isso." Olhei para Travis e, em seguida, puxei a minha esposa para fora.

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Val colocou Stella e as minhas coisas no banco do passageiro e no assoalho da caminhonete de Travis, exceto a bolsa rosa com cinza da bebê que Travis tinha pendurada no grande ombro. Eu sorri pela primeira vez desde que Thomas tinha saido. Vendo um homem tão grande e intimidador como Travis Maddox carregando qualquer coisa feminina me pareceu divertido. Tão rapidamente como veio, o sentimento desapareceu, substituído por uma dor óssea de profunda. Eu não podia acreditar que eu estava em Eakins, Illinois, com Stella, mas sem seu pai. Os últimos dias tinham me deixado atordoada. Travis colocou o saco da bebê na parte de trás de um lado de um já presente assento de carro virado para trás. Ele parecia ter muito em sua mente além da próxima tarefa de quebrar os corações de todos em sua família. "Eu vou ter que apertar as tiras", disse ele, estendendo a mão para Stella. Sua voz subiu uma oitava quando ele se dirigiu a ela. "Você é tão pequena, mas Carter faz você parecer como uma gigante. Sim ele faz." Dei a volta para o outro lado, fixando-me ao lado do assento do carro por trás de Val. Ela já estava no lado do passageiro teclando em seu telefone celular. "Carter?", Perguntei.

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Antes que Travis pudesse responder, Val falou. "Por que os homens agem tão estúpidos em torno de bebês?" "Fico feliz em vê-la, agente Taber," Travis disse, sua voz cheia de sarcasmo. Ele sabia o que esperar em seguida. "Fo..." Val começou sua resposta marca, mas ela decidiu pensar em Stella. "Por que isso te incomoda tanto?", Perguntou Travis. "Por que ir para o FBI se você detesta ser referida como uma agente?" "Eu não. É apenas uma desculpa para dizer às pessoas para se fo... você sabe." "Qualquer palavra, Val?", Perguntei. "Melhoria significativa durante a noite", disse ela, retomando a batida em seu telefone. "Também ouvi de Lena. Operação Coco está seguindo. Ela está lá". Travis suspirou, aliviado por ambos. Ele aferrou Stella enquanto se certificava de que ela estava confortavelmente instalada. Ele beijou sua cabeça antes de se instalar no assento do motorista, e eu congelei, lembrando que Thomas havia feito a mesma coisa apenas alguns dias antes. Travis fechou a porta e puxou o cinto de segurança em seu peito, prendendo-o com um clique. "Tudo pronto?", Ele perguntou a Val. Ela o ignorou, ocupada se comunicando com o diretor. Travis agarrou o volante e olhava para a frente sem ligar a ignição.

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"Liis?" Fechei os olhos. "Estou bem." "Eu duvido disso." Olhei pela janela. "Vamos acabar com isso." "Você deveria saber. Eu disse a eles." Travis cuspiu as palavras como se tivessem queimando a boca dele. "O que" eu disse. "O quê?", Repetiu Val. "A maioria disso saiu ontem à noite. Eles sabem que Thomas e eu somos agentes federais. Eles sabem que a minha carreira começou com o fogo. Pai já sabia, Liis." "Ele não sabe tudo." "Eu sei. Mas eu tinha que colocar alguma coisa disso para fora antes de você chegar aqui. Caso contrário, seria muito por ele". "E os outros?" "Eles sabem também. A maior parte dele. Exceto sobre você e... o plano". "Eu entendo", eu disse. Era tudo que eu poderia dizer. Como alguém pode se preparar para contar para toda a sua família que tinha mentido para eles? Que eu não era quem eles pensavam que eu era, e que nem Thomas era? Que ele tinha morrido e ver como eles processavam a pior dor que eles poderiam imaginar?

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"Eu estarei lá com você", disse Travis. Demorou muito tempo para eu falar. Nós já estávamos passando pelo portão do aeroporto no momento em que eu poderia ter de segurar minhas emoções o tempo suficiente para obter as palavras. "Eles não vão me perdoar", eu disse. Apenas aquelas poucas palavras criando um aperto na garganta. "Sim, eles vão. Eles vão perdoar nós dois." Eu conhecia Travis tempo suficiente para ouvir quando a calma em sua voz era artificial. Abby era a melhor atriz, mas Travis tinha aperfeiçoado sua cara de poker ao longo dos anos. Sua esposa era uma boa professora. "Eu não sei se eu posso fazer isso. Minhas emoções estão por todo o lugar", eu disse. Travis se virou para mim. "Você acabou de ter um bebê, Liis. Você passou de uma nova família a uma mãe solteira em um dia. Se dê alguma folga." Eu olhei para ele, ressentindo sua franqueza. Por mais que eu quisesse odiar o que ele disse, era verdade. "Eu ainda sou a mesma pessoa. Eu não sou fraca." "Porra, não, você não é. As mães são malditamente fortes, de qualquer maneira. E você, Liis? Eu nunca vi nada parecido com você". Eu me mexi no meu lugar. Sua resposta me surpreendeu. "Além de Abby."

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"Não é uma competição", disse ele, oferecendo um pequeno sorriso. Meus ombros relaxaram. Travis tinha um jeito de sempre fazerme sentir segura, assim como Thomas. Por mais assustador que viajar com um recém-nascido fosse, sabendo que eu estava indo para estar com os Maddoxes logo tinha sido um conforto significativo. "Como vai você?" Ele limpou a garganta, colocando em alerta a caminhonete. "Tem sido difícil. Eu não estou olhando para a frente a isso mais do que você. " "Onde está Abby?" "No hospital com todos os outros." "O hospital? Por quê?", Perguntei, alarmada. "O bebê veio na noite passada." Val e eu ofegamos. Abby estava longe da data prevista para o parto. Senti-me imediatamente envergonhada. Anos atrás, eu tinha contado a Abby os detalhes do acordo de Travis com o FBI. Ela já tinha uma ideia, e eu escolhi para poupar Travis do fardo de ser o único a romper seu acordo. Eu não iria para a prisão se eu dissesse a ela, mas Travis poderia ir. No final, ele salvou seu casamento. Ela entendeu por que ele estava tão secreto e a deixando tantas vezes, mas a verdade era um fardo. A partir do momento que você se torna ciente de um segredo, a pergunta inevitável surge: que preço você vai pagar para mantê-lo?

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"Eles estão bem?", Perguntei. "Abby está indo muito bem. Carter vai ficar bem." Carter. Foi quem ele disse que fazia Stella parecer uma gigante. Ela ainda não tinha 3 quilo e 100 gramas8. Carter deve ter sido pequeno. "Isso é bom de ouvir", disse Val, sincera. Era sua maneira de pedir desculpas por dar-lhe um tempo difícil no início. "Abby está sozinha no hospital?", perguntei, assustada. "Toda a família está lá com uma meia dúzia de agentes, incluindo a agente Davies." "Desculpe por isso", eu disse. "Ela é a melhor…" "Eu sei. Você não terá sorte explicando isso a Falyn, no entanto." "Então... eles sabem?" "Eles adivinharam a maior parte disso. Eles colocaram dois e dois juntos quando a agente Davies os pegou no aeroporto". Eu estabeleci-me de volta para o meu lugar, olhando para o pacífico rosto de Stella, dormindo. Ela era a combinação perfeita de Thomas e eu. Ela já estava em uma agenda, dormir e comer nos mesmos horários. Ela mudava a cada dia, e Thomas estava perdendo isso.

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No original: seven pounds - tinha sete libras – 3,175 kg

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Meus olhos se sentiram molhados, e eu tinha acabado de chegar na bolsa de Stella para um lenço de papel quando Travis chegou de volta com um. "Vai ficar tudo bem, Liis. Eu prometo." Eu limpei debaixo dos meus olhos e cheirei. "É muito bom mesmo que seja, ou o Diretor vai responder-me para uma mudança". "Sim, ele vai. E ele sabe disso, também." Dirigimos a partir das bordas externas do Eakins para a cidade. Ela não tinha mudado muito. Somente as empresas como postos de gasolina de petróleo e industrial, boutiques, salões de bronzeamento, e cadeias de fast food foram prosperando. Qualquer outra coisa foi praticamente abandonado. "É isso?" Val perguntou quando os edifícios mais altos da universidade entraram em vista, atingindo acima da linha de árvore. "Sim", disse Travis, infeliz sobre o lembrete. "Sim, é isso." Os tijolos queimados de Keaton Hall a muito tempo tinham desaparecido e os danos reparados. Nos poucos minutos que nos levou a passar, Travis não olhou na direção da pequena faculdade uma vez. Eu achava que era um demasiado lembrete da direção estranha que sua vida tinha tomado por causa de uma noite — a última vez que ele participou do Círculo, anel de luta subterrâneo do Estado Oriental. Ele olhou para longe das memórias do fogo, da noite em que ele quase perdeu Abby.

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"Você sabe," eu disse, pensando em voz alta. "Querendo ou não Thomas tinha lhe oferecido como sacrifício ao FBI —" "Em troca de imunidade", acrescentou. "Sim, mas entre o pai de Abby e Benny Carlisi, você teria sido envolvido nessa confusão. De certa forma, o fogo mantinha-o no lado direito dele." "Acho que sim", disse Travis, perdido em pensamentos. "Eles não achavam que eu realmente valia uma merda e me converti em um dos agentes ativos, não é?" "Na verdade, eu acho que eles achavam", pensei. "O FBI iria tomar todos os cinco de vocês, se Trenton e os gêmeos fossem para ele." "Trent?" Travis zombou, colocando um fone de ouvido em seu ouvido. "Ele tem coração", eu disse. "Não se esqueça depois do acidente com Camille onde a carregou uma milha com um braço quebrado." "Em dois lugares," Travis especificou. "Exatamente." Eu peguei Travis olhando para o canto mais distante do Leste pouco antes de ligar para Mercy Hospital. Passamos pela rua que levava para os apartamentos, onde Travis e Abby se apaixonaram e viveram primeiro, o prédio do apartamento de Trenton e Camille, a rua onde Shepley e America estava e depois de mais seis blocos, ele diminuiu.

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Mercy Hospital assomava à frente, era velho, brilhantes tijolos loiros no sol da manhã. "Travis?" Eu disse, irritada com o som da minha voz. "Você está bem", disse Val. "Apenas respire." Travis encontrou um espaço de estacionamento aberto e estacionou, torcendo para trás a chave. Sentamo-nos em silêncio por vários minutos. Nem mesmo Val se atreveu a falar. "Eu não posso!" Eu soltei. Travis puxou a alavanca de sua porta e empurrou, saindo para a unidade de cascalho. "Você pode." Ele deu um passo para trás para abrir a porta de trás e chegou, girou o saco da bebê por cima do ombro, e depois estendeu a mão para Stella. "De-deveríamos deixar a bagagem aqui ou...?" Começou Val. Olhei para baixo, sentindo lágrimas quentes escorrer na ponta do meu nariz e cair. "Eu odeio todos vocês por me fazer isso." "Eu não estou feliz com o plano, também. Mas ainda é o plano. Você tem que fazê-lo, e você sabe por quê." Ele inclinou a transportadora apenas o suficiente para que eu pudesse ver a cara doce da minha filha. "Se houvesse uma outra maneira, você acha que você estaria aqui sozinha?" Eu balancei a cabeça e limpei o nariz.

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"Mantenha as lágrimas", disse Travis, colocando o cobertor de Stella sobre a parte superior da alavanca para protegê-la da luz solar intensa. "As lágrimas são boas." "Foda-se," eu disse por entre os dentes. A porta do carro fechou, e Val virou-se, com a mão em sua arma. Ela relaxou, vendo a agente Hyde. "Eu não sabia que você estaria se juntando a nós", disse Val. "Eu estou em detalhe na proteção da agente Lindy", disse Hyde. Val olhou para mim para confirmação, e eu assenti. "Ela está fora do quântico. Ela é melhor do que bom. Atribuída pelo diretor". Val digitalizou Hyde do cabelo para os sapatos, avaliando-a. "É assim mesmo?" "É assim", Hyde disse, levantando o queixo com confiança. "É apenas Liis por agora, agente Hyde", disse Travis. "Minha família não sabe o envolvimento de Liis com o Bureau ainda." "Sim, senhor", disse Hyde. Travis fechou a porta e deu a volta para o meu lado, me ajudando a andar para a entrada do hospital. Val seguia atrás. Além de Travis e eu, teríamos agentes Hyde, Wren, Blevins, Davies, Perkins, e Taber — todos os agentes que tinham estado sobre este caso desde o início. Todos os agentes a quem nós tínhamos confiado a vida de nossa família, e os únicos agentes, além do diretor que sabia a verdade sobre Thomas.

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Travis tocou seu fone de ouvido. "Nós estamos no nosso caminho", ele disse simplesmente. A porta do elevador se abriu para um corredor estranhamente silencioso. Hyde saiu primeiro, e depois Travis com Stella. Val seguiu-me, a última a sair. Ela parecia desconfortável no momento em que desembarcou em Eakins. Uma enfermeira passou apressada, assustando-a. Travis sorriu. "Um pouco nervosa?" Val rosnou. "Fo..." Ela apertou sua mandíbula, frustrada. Travis me levou para a sala de espera, pisando para o lado para que eu pudesse entrar. Todos levantaram, cansados, mas sorrindo. O cabelo das crianças estava todo esmagado ou apontando para cima, crespos e delatou a partir de uma longa noite em sofás desconfortáveis e paletes no chão. Os adultos estavam em pior forma, todos olhando para mim, esperando por notícias. O olhar no meu rosto deve ter confirmado os seus medos, porque Falyn cobriu a boca, e Ellie abraçou Tyler. "Ei você, sis", disse Jim, tentando e falhando algumas vezes em balançar-se para levantar do sofá. Camille finalmente, o ajudou a ficar em seus pés. Ele estava tentando o seu melhor para sorrir, ficar positivo, apesar do fato de que eu tinha chegado sem Thomas. Ele me abraçou apertado. "Eu vim o mais rápido que pude. Eu queria dizer-lhe pessoalmente", eu disse. A mentira já estava arranhando a minha garganta, fazendo-me sentir crua. "Thomas..." Olhei ao redor da sala.

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Eles sabiam, mas eles ainda estavam esperando, ainda mantendo a esperança. Travis me segurou do seu lado. "Thomas morreu." O lábio inferior de Jim tremia, e depois ele deu um passo para trás. Camille ajudou-o a chegar a seu assento e jogou os braços ao redor dele. Trenton fez o mesmo. "Como?", Disse Trenton. "Por quê?" Jim tirou um lenço do bolso da camisa. Ele limpou os dois olhos e, em seguida, pôs o pano branco bordado de volta onde ele pertencia. "Sente-se, sis", disse ele, fugindo para longe de Camille para fazer o quarto. Stella começou a chorar, e Travis colocou a transportadora no chão, a soltou, e rapidamente colocou-a em meus braços. Era óbvio que ele era um pai veterano, já procurando na bolsa algo para me ajudar a acalmar Stella. Eu balancei-a por um momento, voltando-me para Jim para que ele pudesse dar uma olhada. Ele se inclinou, sorrindo com a dor desenfreada atrás de seus olhos molhados. Ele olhou para mim. "Ela se parece com você e um pouco como Tommy, não é?" Eu balancei a cabeça, sentindo meu lábio inferior tremer. "Muito. Ela se parece muito com ele".

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"Ela é linda", disse Jim, usando o dedo indicador para acariciar o punho de Stella. "Ela favorece a minha Diane." Eu balancei a cabeça e depois assisti como a expressão de Jim enrugou. Trenton enrolou seu braço sobre os ombros de seu pai e puxouo para o seu lado. Camille estendeu a mão para apertar o joelho de Jim. Foi um inferno. Eu deveria estar comemorando o nascimento da minha filha, e em vez disso, eu estava de luto pela perda de seu pai. O lábio inferior de Taylor tremia. "Podemos vê-lo?" "Eles estão enviando-o para casa amanhã", eu disse, enxugando uma lágrima que escapou. "Ele queria ser enterrado aqui." Eu interiormente amaldiçoei o Bureau e este plano, porra. O diretor tinha me chamado um dia antes para pedir desculpas, mas o sucesso seria a única coisa que iria me convencer que os riscos que tínhamos tomado valeriam a pena. O sucesso significava evitar que qualquer outra pessoa de nossa família fosse alvejada. Sua segurança contava com homens de Benny acreditando que tinha retaliado, mas tão importante, eles tinham que acreditar que se eles continuassem, eles sofreriam mais vítimas da sua própria. Travis já havia cuidado da segunda parte. Ele tinha sido consultado e concordou. A Intel disse-nos que fingir a morte de Thomas tinha funcionado. O Carlisis havia retornado para Vegas, e por agora, pelo menos, nenhum hit foi colocado em Stella ou em mim. No momento em que eles percebessem que não era real, iria começar tudo de novo. Tivemos que fazer a morte de Thomas parecer real. Era um risco enorme. Tivemos sorte de eles não apontar para a

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cabeça de Thomas, o colete evitou, mas a máfia estava assistindo a todos nós. "Eu sinto muito," eu disse a Jim, e eu quis dizer isso. "Eu simplesmente não posso acreditar que ele levou um tiro. Quero dizer... que porra? "Trenton disse, seu lábio tremendo. Todo mundo olhou em minha direção para a resposta. Olhei em volta e respirei antes de vomitar o veneno que iria matar lentamente a família de Thomas. Travis entregou-me a chupeta de Stella, e eu me sentei para trás, balançando-a de volta até que seus gritos foram reduzidos a choramingos. "Nós, hum... tínhamos acabado de chegar em casa a partir do hospital. Aconteceu no gramado da frente enquanto ele estava saindo para pegar o resto das coisas de Stella. Travis me disse que vocês sabem que Thomas é um agente do FBI. O que vocês não sabem... é que eu sou uma agente, também." Falyn e Ellie suspiraram, e a boca de Trenton estava aberta. "Foi assim que nos conhecemos." Eu acidentalmente encontrei os olhos de Camille, em seguida, desviei o olhar. "Quando Thomas soube do incêndio e as consequências que Travis era provável enfrentar —”. "Ele não estava no incêndio", disse Jim. "Sim, eu estava, papai", Travis disse, envergonhado. "Eu fui. Eu estava lá."

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As sobrancelhas de Jim puxaram quando a verdade se estabelecia. "...Ele foi para o diretor e pediu um acordo. Thomas sabia até então que Travis tinha cruzado caminhos com Benny Carlisi, o chefe de uma família do crime organizado em Las Vegas." "Quando?" Jim perguntou Travis. Travis ingeriu. "O pai de Abby começou a ter alguns problemas. Devia dinheiro a Benny. Ele veio a Abby para obter ajuda. Fomos para Vegas, e ela ganhou a maior parte do dinheiro. Eu ganhei o resto." "Como?", Perguntou Tyler. "Sem poker." "Combate", Travis disse simplesmente. Eu continuei. "Thomas sabia que Travis tinha contato com Benny que ele poderia usar em troca de imunidade. Thomas tinha uma quantidade limitada de tempo para fazer Travis concordar, e ele queria fazê-lo em pessoa, por isso, disse-lhe um dia depois da renovação do voto." "Em St. Thomas?", Perguntou Falyn. Eu balancei a cabeça, sentindo meus olhos lacrimejarem com a lembrança. Não foi uma boa. Eu nunca tinha sido capaz de esquecer a vergonha nos olhos de Thomas. "Então, nós trouxemos o Travis para o rebanho, e ele está trabalhando disfarçado, dando-nos informações." "Eu não entendo. Por que mantê-lo de nós?", Perguntou Trenton.

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"Foi a maneira que Thomas queria. Ele estava com medo que fosse perturbar Jim." Eu olhei para o pai de Thomas. Ele estava debruçado com os olhos molhados, olhando quebrado. "E," Olhei para Travis, que me deu permissão com um aceno de cabeça, “ele não queria que vocês soubessem tudo o que tinha feito.” As sobrancelhas de Tyler enrugaram. "O que ele fez?" Suspirei. "No espírito da divulgação cheia... Thomas sabia que se ele trouxesse Travis para o Bureau como um ativo, ele poderia mantê-lo fora da prisão. Ele também sabia que ele ia conseguir uma promoção." "Mas eu tinha uma escolha", acrescentou Travis. Trenton franziu a testa. "Morango ou chocolate é uma escolha. Ir para a prisão ou ser um peão para o FBI não é uma porra de escolha. Agora, sua família está em perigo, Trav. Como pôde fazer isso?" "Trenton", disse Jim. "Você acha que eu quis isso?", Disse Travis, instantaneamente furioso. "Você acha que eu queria qualquer parte disto?" "Meninos", disse Jim. "Eu acho que a mãe não queria que qualquer um de nós entrasse na linha de trabalho do pai por um motivo, e vocês dois mijaram tudo sobre isso", disse Trenton. "Isso é o suficiente", Jim cresceu. "Tivemos mágoa suficiente nesta família hoje sem torná-lo pior. Não desonre o seu irmão,

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argumentando sobre suas escolhas. O que está feito, está feito." Sua respiração estava ofegante. "Nós temos um funeral para planejar." "O que quer dizer um funeral?", Perguntou Hollis. "Tio Tommy vai ficar bem, certo?" Ezra e James estavam procurando ao redor também, de repente preocupados. Meu estômago afundou. "Não", eu disse, desanimada. Eu era um ser humano horrível. Os meninos começaram a rasgar-se, e Travis se ajoelhou na frente deles. "Tio Tommy estave em um acidente ". As bochechas de Hollis ficaram vermelhas. "Eu sei, mas... ele está no hospital." "Ele estava. Agora, nós vamos ter um funeral para ele, para que possamos dizer adeus." Travis se engasgou com as últimas palavras, segurou os ombros de Hollis, e desviou o olhar. Sentia-se como um monstro. Eu também. Hollis abraçou seu pai, e então todos começaram a se abraçar. Camille tentou abraçar Trenton, mas ele gentilmente levantou a mão, deixando-a saber que ele precisava de um minuto. "Estes Carlisis", disse Trenton. "Eles são os únicos de quem estamos nos escondendo?" "Não mais," eu disse. "Nós só recebemos a notícia de que o último deles saiu da cidade durante a noite."

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"Por quê?", Perguntou Trenton. Ele estava ficando mais irritado. "Porque eles ficaram sabendo que eu decidi contra a percussão deste caso. O pai de Abby estava em prisão preventiva antes do julgamento de alguns de seus chefes, mas ele está desaparecido. O Bureau já não tem um caso contra eles". "Você não está mais envolvida no caso?", Perguntou Camille. "Você vai deixá-los fugir com isso?" Engoli em seco, tentando não me sentir na defensiva. "Eu sou uma viúva com uma recém-nascida. Tenho que me concentrar em Stella." Camille cobriu a boca com as duas mãos, e Trenton quebrou. Logo, todos na sala estavam soluçando, até as crianças. Travis abraçou os gêmeos. "Vamos ver sua mãe." Ele guiou-os para fora da sala, deixando-me sozinha com sua família. Eu o vi com a minha boca aberta, implorando com os meus olhos para ele ficar. Ele enxugou os olhos. "Eu voltarei." Eu balancei Stella. Ela já estava contida e dormindo, mas eu estava realmente apenas confortando-me. "Isso é besteira", gritou Trenton. "Isso é fodidamente idiota!", Ele gritou. Camille abraçou-o, mas então ele se desviou de sua mão, enxugando os olhos e olhando para o chão. Eu assisti os Maddoxes atingir todos os estados de dor em poucos minutos e mais de uma vez.

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"Liis", disse Ellie, ajoelhada na minha frente. Eu balancei a cabeça, deixando-a saber que, apesar de apreciar, eu não estava receptiva à simpatia. Eu não merecia isso, que seria apenas mais um item na lista para me odiar para mais tarde. Travis voltou. Jessica e James se aconchegaram com o seu tio Trenton. "Ela está finalmente dormindo", disse ele. "Quando ela acordar, eu vou levá-la para ver Carter. A agente Davies, Wren, e Blevins vão leválo para casa." "Então é isso?", Perguntou Trenton. "Nós estamos livres para ir?" "Você é livre para ir", disse Travis. "Eu vou pegar meu pai", disse Camille. Ela parecia em transe, incapaz de processar as últimas vinte e quatro horas. Eu podia ver que Trenton queria cuspir um insulto a seu irmão, mas ele se lembrou que os gêmeos de Travis estavam de cada lado dele. Ele beijou Jessica e James na testa e, em seguida, levantou-se, fazendo um gesto para Olive ir com ele. "Shep", Travis começou. "Sim. Vamos levar os gêmeos", disse ele sem hesitação. "Obrigado", disse Travis. Shepley assentiu, ajudando América ajeitar as crianças e dobrar cobertores. Depois que Trenton saiu com Jim, Camille, e Olive, Shepley e America seguiu com seus meninos, Jessica e James, e Jack e Deana. Um

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por um, o nosso número se encolheu, e então era apenas Travis e eu com Stella e nosso detalhe de proteção. Travis assistiu o último de sua família sair e, em seguida, esfregou o rosto com uma mão. "Porra, isso foi horrível." Ele retirou-se para a sala de espera e sentou-se, inclinando-se contra as almofadas do sofá e entrelaçando os dedos atrás do pescoço. "Bem", disse Val, se juntando a ele. "O pior de tudo acabou." "Não, não acabou," Travis estalou. "O pior é olhá-los no rosto e dizer-lhes que menti... novamente. Trenton definitivamente vai me bater, e eu vou deixá-lo fazer isso." "Eu estou esperando que eles vão estar tão felizes que eles vão esquecer o que fizemos. De outra forma, eles nunca falarão conosco de novo ", eu disse. "Sim, eles vão", disse Travis. Estiquei o pescoço para ele. "Você iria?" Ele olhou para baixo e franziu a testa. "Eu não sei o que eu faria."

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Assim que chegamos na casa de Jim, todos nós tomamos banho e nos trocamos, e em seguida nos reunimos de novo no andar de baixo. Meu telefone estava vibrando sem parar nas últimas horas, mas eu já sabia quem era. Naquela manhã eu havia respondido Peter Lacy pela primeira vez, dizendo que se não parasse de tentar entrar em contato comigo, eu iria apresentar uma queixa junto ao departamento de polícia de Estes Park. De alguma forma, isso pareceu o deixar ainda mais animado. Taylor e Tyler estavam em transe, sentados à mesa da sala de jantar olhando para suas mãos entrelaçadas. Eu coloquei meu telefone no modo silencioso e o devolvi ao bolso de trás da minha calça. Não queria desligá-lo para o caso de Travis e Abby ou Liis precisar de alguma coisa, mas uma parte de mim balançava diante da possibilidade de Taylor descobrir que Peter ainda estava tentando entrar em contato comigo. Em seu atual estado de espírito, eu não sabia como ele reagiria. Eu definitivamente não queria fazer uma cena na frente de Alyssa. Jim estava dormindo em seu quarto, Alyssa estava de vigia na sala de estar, e as crianças estavam no andar de cima assistindo a um filme, deixando que nós quatro sofrêssemos sozinhos. Eu queria abraçar o Taylor, tocá-lo. Ele era meu marido, pelo amor de Deus, mas o orgulho manteve minhas mãos no meu colo. Nós estávamos vivendo sob minhas regras desde que eu fui embora, regras essas que eu achei que fossem

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necessárias para que Taylor aprendesse uma lição. Não era justo assumir atitudes contraditórias apenas para confortá-lo. A casa estava em silêncio, exceto pelo ocasional rangido das paredes por conta da antiga fundação. Eu tentei não pensar sobre o fato de Alyssa estar na sala ao lado, mas era impossível. Era mais fácil deixar minha mente se preocupar com as coisas que eu poderia controlar de alguma maneira. A cafeteira apitou, e todos de repente despertaram do transe. "Eu vou buscar", disse Ellie, se levantando. Ela voltou com uma bandeja de canecas e o pote de café, estabelecendo cada copo e, em seguida, preenchendo-os. Tyler bebeu seu café puro, mas eu sabia que devia procurar creme e açúcar para Taylor. Enquanto abria todos os armários da cozinha, notei itens em lugares estranhos, parei, vendo a bandeja de gelo ao lado dos temperos. Puxei para fora e me assustei quando senti a água derramar. "Oh!" Eu gemi. Alyssa correu para dentro. "Está tudo bem?", Ela perguntou, já sabendo a resposta. Sequei a água das minhas mãos, em seguida, tentei limpar o excesso na minha calça. “Eu não tinha percebido que Jim estava guardando as bandejas de gelo no armário.” Alyssa torceu o nariz. "Perdão?"

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"Nada", eu disse, preenchendo as bandejas com água e as colocando no freezer. Alyssa concordou com a cabeça, voltando para a sala de estar, mas, em seguida, ela fez uma pausa. "Eu admito que pedi por essa tarefa." Olhei para ela. "Eu... realmente não sei como responder isso." "Eu fiquei curiosa sobre Hollis por algum tempo, mas especialmente depois que você abandonou Taylor." Meu rosto se contorceu em desgosto. "Você tem nos monitorado?" Ela deu de ombros, sem remorso. "Você está com o meu filho." "Meu filho", eu disse. "Eu o criei. Eu fiquei acordada com ele por inúmeras vezes colocando compressas de água gelada em sua testa quando ele estava doente. Eu preparo o café da manhã dele, todas as manhãs, os bolos de aniversário a cada ano, e o embalei até dormir todas as noites até ele fazer seis anos. Eu estava lá no seu primeiro dia de aula e quando ele fez o seu primeiro gol em um jogo de futebol. Ele é meu filho." "Ele é", disse Alyssa. "Em todos os sentidos da palavra." "Então por que você quis estar aqui?" "A curiosidade, principalmente. O resto são sentimentos. " Eu estava inquieta, de repente nervosa sobre suas intenções. "Você vai dizer a ele quem é você?"

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"Não", disse Alyssa. Ela olhou para baixo. "Especialmente não agora. Seria inapropriado despejar isso nele quando ele está sofrendo pelo tio." Mesmo sem dormir e com seu cabelo longo preso para trás, ela mal parecia ter envelhecido desde a última vez que a vi. Seu cabelo preto e longo e os olhos de corça me faziam lembrar de Cher quando ela foi casada com Sonny, com exceção de curvas perfeitas que a faziam parecer mais uma atriz que interpretava uma agente na Tv, do que uma agente real. Sem precisar correr atrás de crianças e tendo apenas que cuidar de si mesma, ela havia envelhecido muito melhor do que eu. Era fácil me sentir ameaçada quando eu estava ali com calça de pijama, uma camiseta maior que eu, dez anos de casamento e pés de galinha ao redor dos meus olhos. Alyssa era uma supermodelo que poderia roubar meu marido e uma incrível agente do FBI que poderia roubar o meu filho. O sentimento de inferioridade era esmagador. Desviei o olhar para Taylor, que virou a cabeça, fingindo que não estava assistindo a cena. Eu não tinha certeza se ele estava ouvindo ou apenas olhando para Alyssa. "Eu não invejo seus momentos com Hollys," eu disse. “Eu sempre quis saber como você fez isso, como você simplesmente foi embora e não olhou para trás. É só muito…”. "Confuso," Alyssa disse, terminando minha frase. "Eu entendo. E eu não quero tornar essa semana ainda mais difícil pra você. Eu vi o jeito como ele olha para você. Eu não conseguiria conquistá-lo nem se tentasse. Eu só... queria vê-lo".

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"Hollis?", Perguntei. Não consegui evitar. As palavras simplesmente saltaram da minha boca, e minhas bochechas instantaneamente pegaram fogo. "Hollis, é claro. Quem mais?" Olhei para Taylor para ver se ele estava nos assistindo. Ele se virou, pego no flagra novamente. Eu queria arrumar minhas coisas e pegar o primeiro avião de volta ao Colorado. Sentir vergonha normalmente me fazia sentir raiva, mas eu não conseguia nem juntar dignidade o bastante para ficar furiosa. “Oh. Não”, disse Alyssa. "Não, não, não. Você entendeu errado. Completamente. Totalmente." Cruzei os braços, me sentindo absolutamente insana. Eu estava realmente indignada por ela não estar interessada em Taylor. Ela percebeu minha irritação e suspirou. "Me deixe reformular. Taylor nunca foi uma opção. Você sempre foi a única. Eu já sabia naquela época. E eu sei isso agora." Era uma sensação estranha ter alguém tão ameaçador me confortando. Alyssa fez uma pausa e, em seguida, aproximou-se do corredor. Ela caminhou calmamente até a porta da frente e, em seguida, pressionou a orelha contra a madeira. Ela escutou por um momento e, em seguida, revirou os olhos, abrindo a porta. Olive parou no meio de um passo, à espera de permissão para entrar. Alyssa abriu o resto da porta, fechando e trancando a porta atrás dela.

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"Sinto muito", disse Olive. "Eu não estou acostumada a pegar essa porta trancada." Alyssa fez um gesto para que ela fosse em frente e depois voltou para seu lugar na sala de estar. Eu assisti Olive abraçar Taylor, Tyler, e Ellie, e então ela andou na minha direção. Anos atrás, eu parei de me perguntar se o meu coração alguma vez iria parar de bater tão depressa quando ela estava por perto. Ela jogou os braços em minha volta, e eu a abracei, achatando seus cabelos contra a parte de trás de sua cabeça. Eu sabia exatamente como Alyssa se sentia, e eu não tinha nenhuma desculpa para fazê-la se sentir menos que bem vinda. Hollis era seu filho, também. Só porque ela se afastou não quer dizer que ela não o amava. "Café?", Perguntei a Olive, levando o açúcar e creme para a mesa. Ela balançou a cabeça e me seguiu. "Eu acabei de tomar minha segunda xícara antes de vir." "Como está sua mãe?", Perguntei, sentado ao lado de Taylor. “Ela já se acostumou com a ideia de você se mudar para os dormitórios?” Olive balançou a cabeça e sorriu, rindo. "De jeito nenhum. Ela é pior que um bebê." Eu a cutuquei, brincando. "Dê um tempo para ela. É um grande passo." Meu telefone vibrou. Eu verifiquei a tela e o guardei. “Eu contei a ela sobre o Thomas. Ela vai trazer uma caçarola para o Jim mais tarde”, disse Olive.

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"É muita gentileza," eu disse. Eu usei o meu dedo para afastar uma mecha de cabelo que tinha caído em seu rosto. Ela era uma jovem mulher agora, cada dia mais perto da idade que eu tinha quando a trouxe para o mundo. Ela estava trabalhando como caixa em um supermercado local por todo o verão desde que ela tinha quinze anos, mas essa seria a última vez antes que ela fosse para a faculdade. Taylor tomou um gole. "Obrigado, querida." Ele ficou tenso quando percebeu o que tinha dito, mas eu cobri sua mão com a minha. As regras pareciam algo banal agora, os termos de carinho, vivermos separados até que eu sentisse que Taylor já tinha cumprido seu tempo e se sentido suficientemente chutado enquanto estava triste. Ele poderia ter perdido o emprego e ido para a cadeia, e eu queria o punir ainda mais. Meu coração afundou. Eu errei. Eu estava errada. "Taylor," eu comecei, mas meu telefone tocou. Eu verifiquei a tela e novamente o guardei de volta. "São as crianças?", Perguntou Taylor. "Não", eu disse simplesmente. Seu olhar caiu para o meu bolso de trás. "É ele, não é?" "É estranho eu estar bravo com ele?" Tyler deixou escapar, olhando para seu gêmeo. "Bravo com quem?", Perguntou Taylor. "Thomas. Eu estou chateado pra caralho. Fico pensando que, se ele estivesse aqui, eu daria um soco na merda daquela cara mentirosa".

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Taylor negou com a cabeça. "Eu sinto como se isso é estranho", disse Tyler. "Como se eu não devesse me sentir assim, mas eu sinto." Seu lábio inferior tremeu. “E então eu lembro que ele não está aqui, e ele nunca mais vai estar aqui. Mas eu ainda daria um soco nele, e então eu o abraçaria até que ele não me deixasse mais abraçá-lo.” Ellie esfregou as costas de Tyler. “Isso não é estranho. É tudo muito confuso. Os sentimentos nunca estão errados. Tudo o que você está sentindo é exatamente o que você deveria sentir.” Sorri para a minha cunhada. Ela tinha ido de bêbada inveterada à uma filosofa, zen e mãezona. Ela havia trabalhado duro para ficar sóbria e tinha gasto uma fortuna em reabilitação antes de Gavin chegar. Ela não só estava sóbria, mas também estava começando a soar como sua terapeuta, e adorava isso. "Falyn?", Disse Olive. Sem dúvidas, quando ela disse meu nome, meu coração poderia ter começado a cantar. Por causa de Taylor, eu fui capaz de me envolver em sua vida mais do que eu jamais pensei ser possível. Ela foi a daminha de honra no nosso casamento, ela cuidava de Hollis e Hadley quando visitámos, e agora, ela estava sentada ao meu lado, a minha cópia perfeita, olhando para mim em busca de um conselho. Apoiei o queixo sobre as costas da minha mão e olhei para ela com um sorriso. "Sim, amor?"

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"Quando você acha que será o funeral? Eu vou pedir o dia de folga. Eu quero estar lá." "Vou perguntar ao Papai quando ele acordar. Nós vamos ter que decidir um monte de coisas hoje, então ele precisava descansar um pouco." Ela mexia em suas unhas, balançando a cabeça distraída. "Sim senhora." Olhei para Taylor, desejando que eu pudesse agradecer a ele por esse momento, e por cada momento com Olive antes desse. Eu errei, e já era hora de admitir isso para nós dois. Meu telefone tocou novamente. Eu não verifiquei a tela dessa vez. Taylor olhou para baixo, para a fonte do ruído. Seus ombros caíram. "É quem eu acho que é?" Eu hesitei. "Eu... não sei quem é." "Falyn", disse Taylor, parecendo cansado. "É ele?" "Quem?", Perguntou Tyler. "Peter Lacy," disse Taylor. "O filho do prefeito?", Perguntou Ellie, surpresa. "Ela não passou o número para ele, e ela não atende", disse Taylor. "Eu atendi essa manhã", eu disse. Taylor parecia devastado. "Eu disse a ele que se ele não parasse eu ia registrar uma queixa junto ao departamento de polícia."

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"E ele ainda está te ligando?", Perguntou Ellie. "Sim", eu disse, irritada. "Você fez isso?", Perguntou Taylor. "Você disse isso a ele?" Me virei para ele. "Eu já te disse. Eu não quero nada com ele." Taylor forçou um pequeno meio sorriso. Ele não perdeu a cabeça. Ele não socou o ar ou gritou ou bateu as portas. Talvez fosse porque ele estava emocionalmente exausto, mas eu pedi que ele melhorasse, e ele o fez. "Eu gostaria de poder ser melhor, por você. Isso é o que você merece." As expressões de choque por toda a mesa me fizeram procurar urgentemente sua mão. A vulnerabilidade dele naquele momento era algo incrivelmente comovente. Ele olhou para a minha mão sobre a dele e piscou, parecendo surpreso. "Você pode vir sentar comigo na varanda?", Perguntei. Ele me olhou por um momento como se eu tivesse falando outra língua, e então ele concordou, finalmente processando o que eu havia pedido. "É. Quero dizer, sim. Claro." A cadeira de Taylor arranhou o chão quando ele a empurrou para ficar de pé. Eu mantive sua mão na minha enquanto nós caminhávamos para a porta da frente. Taylor não tentou se afastar, ele estava em piloto automático, deixando que eu o guiasse para fora. Nós sentamos no degrau mais alto e ouvimos os pássaros cantando, o vento empurrando as folhas das árvores, e observando os carros passando. Era um belo dia

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ensolarado de verão. Deveria ter sido um dia chuvoso de céu cinza, mas em vez disso, a tempestade estava lá dentro. As bochechas de Taylor estavam molhadas com as lágrimas silenciosas, e eu comecei a ficar desesperada. “Eu sei que provavelmente esse é o pior momento para isso, mas tenho que dizer. Eu vou dizer algo que eu queria ter dito na outra noite, então eu não quero que você pense que existe qualquer outra razão para isso além de ser uma decisão que eu já havia tomado”, eu disse. "Falyn." Ele esperou alguns segundos antes de falar novamente. Eu estava com medo que ele me dissesse para calar a boca porque ele não queria mais ouvir nada vindo de mim. Que qualquer coisa que eu tivesse para dizer teria pouca importância para ele naquele dia, e eu não poderia ficar brava porque ele estaria certo. “Se você me disser que quer o divórcio logo agora, eu estou avisando... eu vou apenas andar até a rua e me deitar lá”. Eu não pude deixar de sorrir, mas ele logo desapareceu. "Eu não quero o divórcio." Seus olhos se encontraram com os meus, e ele realmente me olhou pela primeira vez em horas. "Você não quer?" Eu balancei minha cabeça. "Eu te amo. E você está certo. A gente precisa resolver isso juntos, não separados. Isso não esta ajudando ninguém, principalmente as crianças, e..."

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"Eu acho que eu estou ouvindo você dizer que quando chegarmos em casa não ficaremos mais separados" Ele esperou, cautelosamente otimista. "Eu estou dizendo que não estamos separados. Não mais." "Não mais? Você quis dizer agora?" "Sim." "Tipo nesse momento?", Ele perguntou, ainda não tendo certeza. "Se tiver tudo bem pra você. Você não precisa concordar. " Ele fechou os olhos e apoiou a cabeça entre as mãos, se inclinando quase sobre a ponta dos dedos do pé. "Toma cuidado," eu disse, o puxando pelo braço. Ele soltou uma exclamação, e então me puxou para os seus braços. Logo, ele começou a soluçar, e eu o segurei. Os músculos das minhas costas começaram a queimar, mas não me atrevi a me mover. Se ele precisasse de mim, eu ficaria nessa posição pelo resto do dia, segurando ele. Seus ombros pararam de tremer, e ele respirou fundo por duas vezes, saindo do meu abraço e enxugando os olhos. Eu nunca o tinha visto com tanta dor. Nem mesmo na noite que eu fui embora. “Eu amo você”, disse ele com um suspiro vacilante. "E eu vou ser melhor. Eu não posso perder você também. Isso vai me destruir, Falyn... talvez eu já esteja destruído." Me inclinei para beijar seu rosto e, em seguida, o canto da sua boca. Ele travou, sem saber o que fazer, preocupado em fazer a coisa errada.

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Pressionei meus lábios contra os dele, uma vez e então de novo. Na terceira vez eu abri meus lábios e ele me beijou de volta, segurando cada lado do meu rosto. Nós não havíamos nos tocado em meses, e uma vez que nós começamos, não conseguíamos parar. Nós estávamos chorando e nos beijando, nos abraçando e fazendo promessas, e isso parecia certo. Taylor segurou sua testa na minha, respirando com dificuldade, aliviado, mas de novo cauteloso. "Isso é só por agora? Será que vai ser diferente quando voltarmos para casa e para os mesmos problemas? " "Nós vamos encarar os mesmos problemas, mas será diferente." Ele balançou a cabeça, uma lágrima escorrendo até a ponta do seu nariz. "Será. Eu prometo."

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Deslizei o dedo para a esquerda na tela do meu E-reader, virando a página, e em seguida ajustei meu corpo quando Tyler se mexeu. Ele estava dormindo deitado na minha coxa direita por duas horas, e Gavin na minha esquerda por três. Eu não tinha certeza do por que me mexi. Tentar me ajustar para deixar meus meninos mais confortáveis depois que eles mesmos já o tinham feito, normalmente só os deixa mais desconfortáveis, e eles então se mexiam de novo. Por alguma razão, eu achava que sabia o que os deixava confortáveis mais do que eles mesmos, e eu estava quase sempre errada. Era, em partes, um problema de querer controlar tudo e instinto maternal. Eu precisava sentir que estava ajudando a deixá-los confortáveis, quando na realidade se eu apenas permanecesse sentada, eles poderiam ter feito isso sozinhos. Corri os olhos até o fim da página, absorvendo ideias sobre como lidar com a morte, ajudar outros a lidar com a morte, e o conforto na crença de um Ph.D. de que nossas energias passam para a próxima vida. Eu não tinha certeza se isso fazia de mim uma religiosa artificial, mas me fez sentir melhor, e, até onde me cabia, era esse o meu propósito: existir e curar as feridas da maneira mais saudável possível. Era difícil para eu encontrar tranquilidade na morte de Thomas, nas mentiras e no perigo em que fomos colocados. Eu tentei não pensar sobre a imagem de Gavin sendo mais um no meio de uma dúzia de fotografias espalhadas no banco do carona no carro que transportava

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três assassinos da máfia, ou que sua fotografia havia sido de alguma forma manchada com o sangue deles. A mesma cor vermelha em Gavin que não há muito tempo surgia das veias de um homem que um dia já foi um menino; cuja única diferença entre nós, era uma série de más escolhas, auxiliado pelas péssimas experiências de infância por conta das más escolhas de seus pais: um ciclo que nunca foi quebrado. Meu coração doía pelos homens que poderiam ter matado meu filho sem nem pensar duas vezes, e isso me irritava também. Eu tinha desistido de sentir raiva, e por causa desse desligamento, me encontrava sem os meios necessários para criar o ódio. Eu poderia odiá-los, mas era difícil pensar nisso quando eu tinha passado anos olhando adultos como crianças e estudando a origem de suas ações. Eu nunca tinha considerado ver o mundo de uma nova maneira, e eu tinha que lutar contra as emoções que eu esperava vir tão facilmente para mim dez anos atrás. Ainda assim, aqueles homens que eu não conseguia odiar, não eram imaginários. Eles vieram para Eakins com armas de fogo e com ameaças reais para nossa família. Foi fácil culpar Thomas e Travis por trazê-los pra cá, mas isso exigiria que colocássemos a culpa em alguma outra pessoa. Thomas e Travis poderiam ter feito suas próprias escolhas com base nos Carlisis, mas eles estavam do lado dos mocinhos. Sua única outra opção era permitir que os Carlisis vingassem a morte de Benny. Eu era uma pessoa que detestava violência, mas sentada em um quarto com meu marido e filho dormindo, eu percebi que havia um tempo certo para tudo. A única solução era ficar e lutar.

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Reconhecer isso tanto havia me devastado quanto me empoderado, assim como cada novo entendimento havia feito. Eu virei a página novamente, sentindo meu rosto queimar com as lágrimas que tinham começado a cair. Funguei e limpei o nariz, acordando meu marido. Ele olhou meu rosto e se sentou, colocando uma mecha de cabelo que havia caído do meu coque atrás da minha orelha. "Elle", disse ele, quase em um sussurro. "O que foi?" "Eu estava lendo uma coisa triste", eu disse. Ele sorriu. Ele sempre brincava comigo por ser a única pessoa que ele conhecia que chorava em livros didáticos, mas o amadurecimento estava me chacoalhando, e muitas vezes eu tive que deixar meus pedaços machucados para trás, não importa o quanto eu estava apegada a eles. "O que era?", Ele perguntou, se sentando perto de mim. “A escolha que Thomas e Travis fizeram foi justa, mas deve ter sido tão difícil para eles. Eles passaram por situações tão conturbadas”. Tyler

pensou

em

minhas

palavras,

e

então

suspirou.

"Provavelmente." "É difícil ver a luz em circunstâncias como esta, mesmo que você esteja segurando a vela." Tyler riu e, em seguida, virou-se para mim. "Você leu isso?" "Não." "Seu cérebro me encanta. Seus pensamentos são como poesia.”

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Eu respirei uma risada. "Às vezes, eu acho. É importante encontrar força na dor." Tyler beijou meu rosto e, em seguida, estendeu a mão para o nosso filho. Gavin era a mistura perfeita entre Tyler e eu - tranquilo quando estava irritado, pele macia e pálida acompanhada de bondade, espírito corajoso, e uma mente analítica. Corri meus dedos sobre seu cabelo curto que ele insistia em manter para ficar mais parecido com seu pai, fazendo suas pálpebras mexerem. Seus olhos calorosos tentando se acostumar com a escuridão. Assim como nós, ele teria que passar pelo seu pior para se tornar alguém melhor, e ao mesmo tempo em que eu tinha medo, acolhia com prazer o desafio. Eu demorei muito tempo para merecer o direito de ser sua mãe. "Ele está dormindo por um longo tempo", disse Tyler. "Eu não acho que ele tenha dormido o bastante no hospital. Ele precisa disso. Seu corpo vai acordar quando ele estiver descansado." Nós ouvimos passos através da porta, passando pelo corredor, até as escadas. Uma vez que eles desceram, a voz abafada de Jim os cumprimentou. "Ele acordou", disse Tyler. "Nós deviríamos descer." Eu concordei com a cabeça, levantando cuidadosamente a cabeça de Gavin do meu colo. Tyler colocou um travesseiro sob sua cabeça, e eu dobrei alguns cobertores em torno dele. Tyler segurou minha mão enquanto caminhávamos até a mesa, onde Jim estava sentado com Liis e Sr. Baird, o representante da funerária. Ele tinha vindo mais cedo, antes

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de Jim ter acordado de seu cochilo, e insistiu em esperar pacientemente para a família se reunir. Sr. Baird era alto e magro, seu cabelo cinza cuidadosamente repartido ao lado e penteado com gel. Ele virou a página de um catálogo, calmamente discutindo os prós e contras do carvalho, cedro e pinho, e os mais sustentáveis, bambu ou folhas de banana e explicando a diferença entre um caixão quadrado e um de seis lados. Duas caixas de lenços de papel estavam enfeitando o centro da mesa, e Camille tentava as alcançar sobre seu marido sentado para tirar uma folha, enxugando os olhos avermelhados. Ela estava de pé atrás dele, esfregando seus ombros, e isso parecia a estar reconfortando também. Liis estava sentada ao lado de Jim, inabalável, quase desligada. Achei que ela iria lidar com os detalhes como ela fazia com seu trabalho, organizada e meticulosa, mas ela estava passando para Jim quase todas as decisões. "Que tal uma urna?", Perguntou Travis. Jim franziu a testa, provavelmente imaginando a cremação do corpo de Thomas em vez de apenas o que Travis disse. Liis assentiu. "Nós poderíamos espalhar suas cinzas no quintal. Ele tem tantas histórias sobre assistir seus irmãos brincando lá. Eu acho que ele gostaria disso." "Eu estava pensando em dar a ele um lugar ao lado da sua mãe", disse Jim. "Seria muito gentil," eu disse, pensando em voz alta, mas Trenton suspirou agitado.

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"Não, papai", disse Trenton. “O lado da mamãe pertence a você. Liis está certa. Thomas não gostaria das pessoas olhando para seu corpo deitado numa caixa.” "Caixão," Sr. Baird corrigiu. “Um caixão tem de seis a oito lados de madeira ou metal para enterro, é historicamente usada como uma opção mais barata. Os ângulos fornecidos usam menos materiais e...” "Sem ofensa, Sr. Baird," Trenton disse, "mas eu estou cagando para isso." Ele olhou para o relógio. “Droga. Eu tenho que ir trabalhar.” "Eu já liguei lá, por você", disse Camille. "Você ligou?" Trenton perguntou confuso. "Você precisa estar aqui." "Você pediu por você também?", Perguntou. "Eu posso trabalhar de casa." Ela colocou as mãos em seu antebraço, sua pele era uma obra-prima de linhas e cores. "Eu precisava estar aqui com você." Ele se virou, balançando a cabeça e respirando profundamente. Essas pequenas coisas pareciam trazer todos para mais perto do fato de que isso não era apenas um sonho ruim. Thomas estava morto, e nós teríamos que dizer adeus para ele em breve. "A maioria de nós não o vê desde o natal", disse Taylor, segurando a mão de Falyn em seu colo. Eles mal conseguiam parar de se tocar depois de voltarem naquela manhã. "Eu preciso ver ele pela última vez".

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Todos olharam para Liis, que tropeçou em suas próximas palavras. “Eu não acho que... Eu acho que neste caso, uma urna é a melhor opção.” “Você está dizendo isso porque ele vai estar diferente ou porque não pode ser um caixão aberto?” Eu tentei não soluçar, mas aconteceu de qualquer maneira. E com Olive também. "Eu acho," Liis disse, trocando olhares com Travis, “que uma urna é preferível.”. Jim olhou para longe, tentando reunir suas emoções antes de responder. Ele limpou a garganta. "Vamos ver as urnas, então." Papeis balançavam enquanto o Sr. Baird reunia as escolhas de caixão e as colocava longe. Ele trouxe um novo catálogo com fotos, e Liis abriu o livro na primeira página com as opções. "Eu preciso saber", disse Trenton. "Por favor, não", chorou Camille. "Por que não podemos ter um caixão aberto?", Perguntou Trenton. "Olive", Falyn pediu. "Vá olhar as crianças." "Sim, senhora", disse ela, imediatamente voltando para as escadas. "Liis?" Trenton suplicou. "Trent," Liis disse, fechando os olhos. "Eu entendo que saber de tudo é parte do seu processo de luto, mas não posso. Isso é muito difícil."

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Travis caminhou até ela e segurou seus ombros. "Não importa Trent." “É claro que importa. Eu quero saber o que aconteceu com meu irmão.” "Ele morreu", disse Travis. Trenton bateu com o punho na mesa e ficou de pé. “Eu sei! Eu sei que ele morreu! Eu quero saber por quê! Quero saber quem deixou isso acontecer!” A voz de Travis ficou perceptivelmente limitada. "Ninguém. Ninguém deixou isso acontecer. Apenas aconteceu. Não temos que escolher alguém para culpar, Trent..." “Sim, nós temos. Tommy está morto, Travis. Ele está morto porra, e eu culpo o FBI. Eu o culpo. Eu culpo ela”, disse ele, apontando para Liis. "E eu culpo você." Ele estava tremendo, seus olhos vermelhos e úmidos. "Vai se foder, Trent", disse Travis. Trenton contornou a mesa, o que levou os gêmeos a ficarem entre eles. Travis estava resignado, inflexível, enquanto Trenton se debatia descontroladamente. Levantei-me da minha cadeira e me virei de costas para a parede, minhas palmas das mãos contra os azulejos. "Cada um desses engravatados filhos da puta...!" Trenton fervia. "Para!", Disse Tyler, segurando a gola da camisa de Trenton. "Para, droga!"

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"Foda-se!", Disse Trenton, empurrando Tyler para longe dele. Ele estava respirando com dificuldade, andando pra frente e pra trás e depois olhando para Travis como se ele estivesse no meio de uma luta de MMA. Taylor ficou na frente de Travis, apontando para sua esposa dar um passo atrás. Falyn obedeceu, afastando-se da mesa e caminhando para o outro lado para ficar perto de mim. "O que a gente faz?", Ela sussurrou. "Ficamos aqui", eu disse. "Todas as mentiras malditas", disse Trenton. Ele apontou para Travis. "E você matou a porra do chefe deles, e, em seguida, eles assassinaram nosso irmão!" Ele deu alguns passos, e Taylor preparou-se. “E levou a metade da porra de um dia para vocês nos dizerem que merda estava acontecendo? O que diabos há de errado com você, cara?” Ele deu mais um passo, muito além do espaço definido por Taylor. "Não me obrigue a te derrubar", disse Taylor, com o cenho franzido. Fechei os olhos. "Por favor, parem", eu disse, minha voz fraca demais para qualquer um ouvir exceto Tyler. Ele olhou para mim apenas o tempo suficiente para ver se eu estava bem. "Ninguém vai derrubar ninguém aqui", disse Camille, que estava atrás de seu marido. "Cai fora, Taylor." Falyn deu um passo adiante. “Taylor? Diga a seu marido para se acalmar. Isso não vai resolver nada.”

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Camille estreitou os olhos para sua cunhada. “Você sabe o que não vai resolver nada? Colocar todos nós em perigo e mentir sobre isso. Eu acho que Trent tem todo o direito de ficar chateado.” "Sério?", Disse Falyn, cruzando os braços. “Realmente, Cami? Você vai fingir que não era Team Thomas à vinte e quatro horas atrás?” "Ah, cale a boca, Falyn", disse Camille, enojada. "Hey!" Taylor falou mais alto. "Não fale assim com ela. Nunca." "Então ela precisa pensar no que diz", disse Trenton. "Ela é minha esposa!", Disse Taylor. "Ninguém fala com ela assim." "Você por acaso não estava gritando com ela ontem pelo mesmo motivo?", Perguntou Falyn. “Que ela estava te escondendo coisas? Agora, você está culpando Liis quando ela está sentada ali lamentando pelo marido dela? A Liis não te deve nada, Trent.” "Ela me deve a verdade!", Ele gritou. Jim ainda estava virando as páginas, tentando ignorar o fato de sua família estar caindo aos pedaços à alguns metros de distância dele. Aquilo era demais para ele, e muito mais para Liis, que não conseguia encontrar palavras ou forças para impedi-los. "Você já acabou?", Perguntou Travis. A porta da frente se abriu, e os meninos de Shepley correram pelo corredor, mal acenando para nós antes de subirem as escadas. Quando Shepley e America chegaram pelo fim do corredor e viram todos de pé, e eu me apoiando contra a parede, eles congelaram.

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"O que está acontecendo?", Perguntou Shepley, os olhos saltando de um para o outro. "Por que você não pergunta Travis?" Trenton disse, sacudindo a mão para cima na direção de Travis. Shepley olhou para Travis, parecendo desconfortável. "O que está acontecendo?" Travis suspirou, relaxando um pouco. "Trenton está dando outro dos seus shows." Trenton olhou feio para Travis. Travis deu de ombros. "Você disse a ele para me perguntar." America caminhou até a mesa e puxou uma cadeira, sem se incomodar com o fato de que uma guerra estava prestes a acontecer. "O que é agora? Ele está chateado com a Cami de novo?" Camille estreitou os olhos. "Sério?" "Sério," America disse, observando sua unha. "Eu não estava tentando machucar ninguém", Camille explodiu. "E se cada um de vocês que vem julgando soubesse de tudo desde o início, não teria mudado nada. Nem uma maldita coisa. Então abaixem suas pedras. Eu só estava respeitando o pedido de Thomas. Só isso." "A America não quis dizer isso, Cami", disse Shepley. "Sim, eu quis", atirou America. "Mare", Shepley repreendeu.

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América revirou os olhos e se levantou. "Cinco pessoas estavam mentindo pra nós por conta da preocupação com a segurança da nossa família toda. Thomas, Liis, Travis, Abby, e Cami." Ela olhou para Camille. "Então não tente se livrar da culpa, Cami. Só porque o seu marido está irritado pelas mentiras e você quer ficar do lado dele não significa que você seja inocente." As bochechas de Camille ficaram vermelhas e os olhos umedeceram. "Eu não pedi para ser colocada nessa posição." "Você ainda tinha uma escolha." Liis finalmente entrou na conversa. "Abby só sabia porque eu contei a ela. E eu lhe pedi para ser discreta sobre as informações que ela tinha". Travis olhou para Liis, surpreso. "Você contou a ela?" Vários segundos se passaram antes que Liis pudesse olhar nos olhos de Travis. "Anos atrás." Seus ombros caíram. “Então, toda vez que eu deixava a cidade e mentia olhando diretamente em seus olhos dizendo para onde estava indo... as elaborações... ela sabia?” "Ela estava no escuro", disse Liis. “Ela tinha certeza que você estava tendo um caso. Ela sabia que você estava mentindo, ela só não sabia sobre o que. Dizer a ela salvou o seu casamento”. "Então por que você não me contou?", Disse Travis, nervoso. "Você me deixou continuar mentindo para ela?"

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“Se você tivesse dito a ela, o FBI teria rescindido o contrato. Ela tinha que ter um motivo válido para chegar a isso sozinha. As informações que ela lhe deu sobre Mick foram mais do que uma explicação satisfatória, e o Bureau sabe que Abby é uma pessoa extremamente inteligente”. "Não fale comigo como se fosse um analista, Liis." Ele fechou os olhos e balançou a cabeça, esfregando a parte de trás do seu pescoço. "Ela vai receber alta do hospital hoje. Eu preciso ir para lá." Os gêmeos se sentaram, sussurrando sobre as novas revelações. Eles tinham mentido também, e tinham agonizado por anos por conta disso, mas Thomas e Travis tinham ofuscado seu segredo, dando a eles um passe livre inesperado. Me fez lembrar de quando minha irmã Finley fugiu e levou o carro dos nossos pais. Ela não tinha planejado nada. Ela só queria que eles a notassem pela primeira vez, em vez de só se importar com os meus gritos de atenção. Quando eles perceberam o que ela tinha feito, eles estavam ocupados demais contratando um advogado para me livrar dos problemas por ter ateado fogo na casa de férias do sócio do meu pai e nem se lembraram de ficar zangados com ela. Ela nem ficou de castigo. Minhas travessuras fizeram com que qualquer coisa menor que um incêndio parecesse banal. Trenton notou que os gêmeos estavam ocupados e aproveitou a oportunidade para correr em direção a Travis, batendo-o contra a parede. Segundos antes de sua colisão, Liis puxou sua cadeira para o canto, levando Jim e Sr. Baird com ela. Ela tinha reflexos rápidos, como eu achei que um agente do FBI devesse ter. Os outros agentes correram para a cozinha, mas Travis ergueu a mão sinalizando para eles recuarem.

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O rosto de Trenton estava molhado com as lágrimas. “Por que você tinha que matar Benny, Travis? Por que você não ficou com Thomas e o protegeu se você sabia que ele estava em perigo?” "Eu não sabia, Trent", disse Travis, olhando nos olhos de seu irmão. "Eu não sabia. E mesmo que eu soubesse, eu teria ficado aqui para proteger a minha família". Trenton agarrou a gola de Travis e o empurrou contra a parede. Travis nem tentou empurrá-lo para trás, e eu me perguntava o por que. “Ele era sua família. Ele ajudou a te criar, Travis. Você simplesmente o deixou enfrentar isso sozinho?” "Sinto muito", Travis disse sinceramente. “Eu sinto muito de verdade, Trent. Você não tem ideia do quanto eu estou mal por conta disso, ou como eu vou me sentir bem pior depois quando... Não é justo. Talvez devesse ter sido eu no lugar dele.” Trenton soltou a camisa de Travis e deu alguns passos para trás. Shepley bateu em suas costas. “Poderia ter sido você. Poderia ter sido Abby, ou James, ou Jess, ou Ezra, ou Mare. E nós nunca saberíamos o que estava acontecendo.” Tyler levantou o queixo com um olhar confuso em seu rosto. “O que você está dizendo, Shep? Que foi sorte a nossa isso ter acontecido com o Thomas?” "Claro que não", disse Shepley.

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"Ele está dizendo o que aconteceu com Thomas não deveria servir de alerta para gente," disse Trenton. “Nós deveríamos ter sido avisados e nos preparamos no exato momento em que Travis era lançado na máfia como um espião”. Tyler torceu o nariz. “Você vai mesmo culpar o Travis por isso? Ele não pediu por isso. Ele só esta jogando com as cartas que deram a ele, cara. Então para de palhaçada antes que você diga alguma coisa e se arrependa”. "Ele não vai se arrepender de fazer perguntas", disse Shepley. "Se tivéssemos feito isso há anos atrás, talvez agora não estivéssemos planejando um funeral." Travis parecia magoado por Shepley estar tomando o lado de Trenton. "Sério?" Travis perguntou. Shepley bateu no ombro de Trenton, mostrando sua fidelidade. "Você é meu melhor amigo", disse Travis em descrença. "Você está errado dessa vez, Trav. Nós temos o direito de estar chateado pelo o que você fez", disse ele. "Se vocês se importam", disse Jim, voltando sua cadeira para a mesa novamente. “Eu preciso tomar algumas decisões. Se vocês não se importam, então saiam. Este funeral não vai se planejar sozinho.” "Não", disse Baird, endireitando a gravata com um tique nervoso no olho. "Não, não vai."

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Os meninos sentaram-se e Jim olhou cada um deles no olho. "Nem mais uma palavra. Eu estou falando sério." "Sim, senhor", disseram em uníssono. "Senhoras?", Disse Jim, olhando para a América, Camille, e Falyn. Elas assentiram. Parecia estranho para mim, mesmo depois de uma década de sobriedade, não ser incluída na bronca de mau comportamento. Era ainda mais estranho me sentir orgulhosa e útil. "Tudo bem, então." Ele virou outra página, e Liis puxou a cadeira para o lado da sua, olhando para as urnas como se nada tivesse acontecido.

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Jim escolheu que o funeral fosse no auditório do ensino médio. O atendimento seria para muitas pessoas para se encaixar em alguma das pequenas igrejas em Eakins. As pessoas estavam de pé contra a parede na parte traseira e nas laterais. Alunos orientais companheiros, amigos do ensino médio, e companheiros de equipe de futebol. O palco parecia um mini-jardim botânico, rodeando a urna com as plantas, sprays, e buquês. Uma coroa de flores usava uma faixa que dizia filho, uma outra dizia pai, outra, marido. Eu estava sentada na segunda fileira logo atrás de Liis, incapaz de parar de observá-la para qualquer reação. Ela sentou-se estóica, e as poucas vezes em que ela olhou para trás para fazer a varredura na multidão, incrédula, ela parecia desconfortável e um pouco envergonhada. Fungadas e conversação abafada encheram o silêncio, a acústica amplificava a dor da multidão. Era inacreditável como muitos sabiam e se preocupavam com Thomas. Mesmo seus colegas do FBI estavam presentes, ocupando as três fileiras atrás da família. O diretor estava sentado atrás de Travis e estendeu a mão para dar um tapinha no ombro. Jack levantou-se e, com a ajuda de Shepley, cuidadosamente subiu as escadas para o palco. Com papel de caderno dobrado na mão,

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ele ficou atrás do pódio. O papel estalou quando ele desdobrou-o, em seguida, ele limpou a garganta. "Meu irmão me pediu para ler esta carta para ele. Eu não estou convencido de que posso passar por isso sozinho, então por favor, tenham paciência comigo." Tirou os óculos do bolso do casaco e colocouos no rosto, empurrando-os até a ponta de seu nariz. "Meu querido Thomas," ele começou, parando por um momento antes de continuar, “você é meu primogênito, e isso significa que você e eu passamos um pouco de tempo juntos sozinhos antes de seus irmãos chegarem. Nós nos ligamos de uma forma única, e eu não tenho certeza... Eu não sei como eu vou seguir em frente com minha vida sem você. Mas eu já disse isso antes.” “Lembro-me do momento em que você nasceu. A primeira vez que eu o segurei em meus braços. Você era um pequeno gigante. Seus braços se agitaram, e você gritou, e nós estávamos ambos cheios de orgulho e aterrorizados. Levantar outro ser humano é uma responsabilidade angustiante, mas você a tornou fácil. Quando sua mãe morreu, e eu estava sobrecarregado com a minha própria dor, você assumiu. E isso foi uma transição fácil para você, porque quando os gêmeos nasceram, você costumava insistir em ser o outro par de braços a deter Taylor ou Tyler. Você costumava seguir Trenton ao redor com um lenço de papel, e você orbitava Travis como se ele fosse quebrar a qualquer momento. Eu nunca vi um rapaz jovem corça sobre bebês do jeito que você fez, e eu estava ansioso para ver você fazer isso com sua filha.”

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“Quando tinha onze anos, eu levei você a caça. Nós tínhamos disparado armas antes, e você era muito bom nisso, mas naquela manhã em particular estava chuvoso e frio, e você decidiu que você esperaria no caminhão. Eu marchei para o meu lugar favorito e limpei a chuva dos meus olhos por duas horas, refrigerado todo o caminho até o osso, desejando que você estivesse tendo aquela miserável manhã, nevoenta comigo. Eu não vi uma única corça. E então eu ouvi um tiro, e depois outro. Juntei meu equipamento e corri de volta para o caminhão tão rápido quanto eu podia, quase escorregando na lama quando eu parei ao vê-lo inspecionar sua caça. Eu seria amaldiçoado se você não recebesse o seu primeiro veado naquele ano — um doze anos, quase seco e quente enquanto eu estava sentado na chuva congelante. Eu deveria saber, então, que você sabia o que estava fazendo; que você tinha a intuição de sua mãe e não apenas seus olhos.” “Quando Diane morreu, você nunca me perguntou o que fazer, você só sabia, como se ela estivesse sussurrando em seu ouvido. Você balançou Travis para dormir, você acalmou Trenton, e você vestiu os gêmeos em roupas combinando como sua mãe costumava fazer. Você penteou o cabelo e fez com que eles fossem limpos para a escola, não importa quantas vezes você teve que esfregá-los antes de os levar para o ônibus. Você cuidou de todos os outros, e depois você foi e fez o que queria fazer, e eu não posso estar mais orgulhoso, filho. Eu realmente não posso.” “Eu gostaria que pudéssemos ter tido mais uma noite na mesa de jantar com uma mão de cartas, falando sobre o mundo e quão impressionado você é pela mãe da sua filha. Eu faria qualquer coisa para

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ouvi-lo falar sobre seu futuro e seu trabalho, mesmo que você não pudesse dizer-nos tudo. Eu não sei por que isso aconteceu com você, o mais cuidadoso de nós, o mais seguro de seu fundamento, o mais preparado. Você era o mais forte. Mas pensando em você, finalmente, capaz de abraçar o pescoço de sua m��e de novo me dá conforto de uma forma que não posso descrever. Eu sei que sua morte foi mais difícil para você, não por causa da carga que você abraçou, mas porque, de todos os meninos, você tinha amado a sua mãe por mais tempo. Você nunca deixou isso ficar no caminho do que ela lhe pediu para fazer, porém, cuidar de seus irmãos. Você nunca decepcionou-a, nem mesmo agora. Eu daria qualquer coisa para tomar seu lugar para que você pudesse estar aqui com sua esposa e ver a sua filha crescer, porque eu sei que você seria um pai muito bom, assim como você era um filho bom. Eu vou sentir falta de você tanto quanto eu senti da sua mãe, e eu sei o quanto isso vai doer.” "Obrigado por manter a família unida e segura até o fim, e obrigado por ignorar tudo e todos, até mesmo a si mesmo, para fazer o que era certo. Eu sabia sobre você tempo suficiente para saber que você não toma uma decisão sem uma boa razão, e isso não é diferente. Eu amei você desde a sua primeira respiração. Você era um bom menino, e um bom homem, e esta família vai se erguer novamente para ser o nosso melhor em sua honra." Jack apertou os lábios e, em seguida, dobrou o papel, colocandoo no bolso da sua jaqueta. Tirou os óculos, e Shepley acompanhou-o pelo palco enquanto a melodia de uma das canções favoritas de Thomas começou a cantarolar através dos alto-falantes.

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Jack sentou ao lado de seu irmão, e os confortaram um ao outro, enquanto a música tocava. Mesmo Abby e Travis estavam chorando. Abby abraçou Liis, enquanto Travis balançou Stella, tocando sua bochecha na testa, as lágrimas escorrendo da ponta do nariz. Eu interliguei meus dedos com a mão trêmula do meu marido, apertando forte. Limpei as bochechas, sugando uma respiração entre soluços silenciosos. Enquanto examinava os rostos de nossa família, nós parecíamos tão quebrados, tão perdidos. Minha respiração vacilou, assistindo a um pastor local subir ao palco. Ele tentaria oferecer conforto e orar por nossa perda, mas nada iria tirar a dor. Nem mesmo Deus. Olhei para Trenton, observando-o deixar seu personagem de durão cair na frente de uma multidão enorme, sem um segundo pensamento. Foi devastador assistir homens desmoronar - homens que poderiam enfrentar qualquer outra coisa sem vacilar. Agora, dor inundava todos as suas respirações, e eu me sentei no meio dos irmãos de Thomas, desejando que eu pudesse levar a sua dor embora, desejando a minha de alguma forma desaparecer. Era demais para processar. A música só fez doer mais, então eu decidi não sentir nada, do jeito que eu fiz quando eu era pequena e meu pai estava batendo na minha mãe.

Vários carros estavam estacionados na entrada, derramando-se para baixo de ambos os lados da rua em frente da casa de Jim Maddox, assim como eu tinha imaginado. Com a notícia da propagação da morte de Thomas, mais pessoas chegavam, trazendo caçarolas e doces lembranças.

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Engoli em seco, me preparando para as condolências. Jim era o pai que iria enterrar seu primogênito. Liis era a viúva. Eu era a cunhada e ex-namorada. Eu senti como se minha dor corresse mais profunda do que a de Falyn ou Abby, e que deu origem à culpa. Meu estômago embrulhou, e meu nariz queimou. Não havia nada que eu queria fazer menos do que ir a pé para a casa e desempenhar o papel de apoiar a esposa e cunhada e ignorar que Thomas também foi meu primeiro amor, que tínhamos compartilhado uma cama mais de uma vez, e tivemos quase morado juntos. Ele me amou, e eu teria que fingir que nada disso existiu por respeito a sua esposa e meu marido. Trenton apertou minha mão. "Eu sei", ele disse simplesmente. Com duas palavras, ele definiu a minha mente à vontade, manifestando compreensão e amor incondicional. Ele tinha me perdoado a noite antes pelas minhas mentiras e omissões. Não estava bem, ele apontou, mas era compreensível, e ele me amava de qualquer maneira. Um mar negro de amigos e família alargada moída sobre a casa, caminhando sobre o tapete que Diane tinha escolhido, através das salas que Thomas já havia jogado dentro, e onde eles eram uma família completa que a morte não tinha tocado. Foi por isso que Diane tinha feito Jim sair da força policial. Foi por isso que ela o fez prometer que não ia deixar as crianças seguirem seus passos. Uma vez que a morte levou Diane em seus braços, Jim e os rapazes estavam todos esperando que ela viesse para eles. Ela tornou-se real, em seguida, uma coisa tangível, porque não só acontecera a outra pessoa. Foi o que aconteceu com ela. Seu tudo, a sua luz do sol, a sua constante. E então ela era uma memória que se desvanecia com cada dia que passava.

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Trenton tinha dito que ele se esforçou para lembrar o som de sua voz e a cor exata de seus olhos. No momento em que ela morreu, eles tinham visto a morte, e a morte os tinha visto. Taylor e Tyler estavam sentados ao redor da mesa de jantar na frente de pratos caseiros e uma pilha de pratos limpos. Suas esposas sentaram-se ao lado deles, na tentativa de ajudá-los a carregar a dor. Porque não estava indo embora. Ela nunca iria embora. Não importa quantas vezes eles gritassem, dessem socos, ou perdessem o seu temperamento, não podiam vencer. Ironicamente, Travis estava tomando-o o melhor. Ele estava certificando se os irmãos tinham água ou cerveja, e que eles estavam confortáveis com o número no termostato. Trenton e Shepley ainda estavam com raiva de Travis, e os gêmeos ainda estavam do seu lado, mas eles não podiam lutar uns contra os outros hoje. Eles precisavam um do outro para passar por isso. Abby se destacou do resto em um silencioso vestido azul, sentada no canto, onde Liis tinha estado poucos dias antes, flagrantemente sem Carter. Vi quando ela mexia com seu vestido, puxando as peças demasiado apertadas e puxando o decote quadrado para cobrir os inchados seios de uma nova mãe. "Você está linda", eu assegurei-lhe. Ela revirou os olhos. "Obrigada. É mais apertado do que eu pensei que seria, mas eu realmente não tenho nada para a ocasião."

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"É perfeito", eu disse. "Eu tenho um monte de preto. Você deveria ter ligado." "Nada em seu armário vai caber-me agora", disse ela. "Na verdade, estou um pouco surpresa que Travis não está lutando aqui para mantê-la coberta." Travis tinha sido conhecido por reclamar quando Abby usava algo muito revelador ou muito apertado, consciente de sua própria inveja. No começo, ela estava tentando ser pró-ativa para evitar uma briga. Mas depois de se casarem, algo mudou, e Travis não era tão sensível. Ainda assim, Travis afetado pela superabundância de clivagem era um progresso sério. "Bom para você", eu disse, cruzando os braços e sentando. Os rostos sombrios no quarto me fizeram lembrar por que estavam reunidos em Jim, e a doença que se instalou no estômago na última semana tinha retornado. Não era só tristeza. Algo estava fora do lugar, e eu não conseguia descobrir. Travis e Liis estavam inclinados um sobre o outro um pouco, e Abby, embora normalmente estóica não parecendo tão afetada pela morte de Thomas. "Abby", eu disse. "Se você soubesse algo mais... sobre Thomas... você ia dizer-nos, certo?" Abby suspirou. "Quando saí do hospital sem o meu filho, eu chorei por uma hora inteira. Eu não queria, mas eu tinha, assim eu fiz. Eu o deixei lá sozinho para vir aqui para estar com a família. E eu vou voltar direto para o hospital quando isto acabar. Eu já fiz isso todos os dias

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durante quase uma semana. Segurar meu filho, tendo cuidado com os fios e tubos ligados a ele. Preocupação, aproveitar meu tempo com ele, sentir-me culpada de estar longe dos gêmeos, e, em seguida, dizer-lhe adeus, chorar, e sair." Esperei para ela fazer seu ponto, mas ela não parecia ter um. Encarei isso como sua maneira de me dizer que a minha pergunta era inadequada, e ia falar sobre o que ela queria. "Ele está melhor, embora?" Eu perguntei. "Ficando mais forte a cada dia. Nós estamos esperando que ele possa voltar para casa na próxima semana." "Você é uma boa mãe. Eu sei que é difícil." "Tendo o seu coração dividido em três partes, andando ao redor vulneráveis fora do meu corpo? Alguns dias é tortura. Não há palavras para descrever como assustador, maravilhoso, terrível, e desgastante que é. Preocupar-se parece como uma segunda natureza. É uma parte de mim porque eu os amo tanto, mesmo antes de terem nascido, que, se algo de ruim acontecesse com eles, seria pior que a morte. Eu ouço sobre crianças morrendo, e eu encontro-me apática porque se eu pensar muito sobre isso, eu vou quebrar. As pessoas dizem que é o pior pesadelo de todos os pais. Não é um pesadelo. Você acorda de pesadelos." "A maternidade parece... linda", eu disse. "Você vai ver", disse Abby, enxugando suas bochechas molhadas. Eu enruguei meu nariz. "Eu não tenho certeza se quero."

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Travis caminhou para nós, tendo acabado de dizer adeus a alguém no telefone. Ele tocou a tela e soltou a tecnologia elegante em seu bolso do terno. "NICU diz que ele acabou de almoçar. Ele é um animal... Ei, Cami." "Ei," eu disse. "Onde está Trent?" Ele perguntou. "Eu acho que o vi entrar na sala de estar", disse Abby. "Direto para o pai", disse Travis, sentando-se com a gente. Ele pegou a uma unha encravada em seu polegar. "Ele sempre foi um menino do papai." "Não finja que não são. Que todos vocês não são," Abby sorriu. "Não Thomas", disse Travis. Ele parecia para pegar a si mesmo antes de dizer mais nada. Abby agarrou sua mão e acalmou-o com um ruído mandado-o calar que ela poderia fazer para seus filhos. "Isso vai acabar logo", ela sussurrou. Eu afundei de volta para o meu lugar, os músculos do meu rosto sentindo-se cansados, meus olhos crus, e os meus seios congestionados. Trenton tinha colocado lenços de papel e latas de lixo em todos os quartos, e os gêmeos estavam se certificando de esvaziar e substituir os sacos de lixo regularmente. Eu esfreguei o meu nariz, fazendo um som horrível, e joguei-o na lata ao meu lado, abraçando a caixa de lenços de papel na minha cintura. Todos nós tivemos moeda diferente em dias diferentes. Em um aeroporto, vi pessoas caçando uma cadeira perto de

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pontos de venda ou optando por se sentar no chão. Hoje, as pessoas se reuniam ao lado da bebida ou os lenços de papel. Eu segurei a caixa de lenço como uma tábua de salvação. Era a única coisa para segurar. Trenton estava na sala de estar confortando Jim, e eu estava em desacordo com as minhas cunhadas, ainda chateada que haviam tomado os lados. Eu acho que eu tinha, também, mas era inevitável. Tínhamos escolhido quando veio o combate dos irmãos e Shepley, exceto Ellie Paz-e-amor. Ela permaneceu repugnantemente neutra, enquanto Falyn estava chateada com Trenton, como estava Abby. Trenton e Shepley estavam irritados com Travis. Mesmo que todo mundo fosse civil, durante o funeral, eu não poderia ajudar, mas pergunto o que iria acontecer depois. Eu planejei uma fuga rápida assim Trenton não ia dizer ou fazer qualquer outra coisa que se arrependeria mais tarde. "Não vai ser longo", eu murmurei. "Não, se ele se foi." Abby esticou o pescoço para mim, e eu poderia dizer que ela estava segurando a língua. "Ele não parece ter ido," eu disse, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. Eu olhei para ela. "Ele realmente foi?" Abby olhou ao redor antes de falar. "Cami, eu só vou dizer isso uma vez. Tudo o que você está fazendo, pare. Se alguém te ouvir... pode ser muito perturbador para muitas pessoas." "Eu preciso saber", eu implorei, sentindo meus lábios tremerem.

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As rodas começaram a girar, e depois Abby me encarou, de repente com raiva. "O que você quer dizer com ele não parece ter ido? Sua futura esposa está sentada ao lado de Jim. Você não é isso", ela assobiou. "Beija-flor," Travis alertou. Fiquei surpresa por sua súbita ira. "Eu ainda me preocupo com ele. O que aconteceu entre nós não estava apagado apenas porque nós fomos em direções diferentes", eu disse. Abby parecia estar cada vez mais preocupada com o volume da minha voz. "Eu estou certa de que isso é confuso para você, mas vocês não apenas foram em direções diferentes, Cami. Você casou-se com seu irmão. Ele seguiu em frente. Você não é a viúva de luto, tanto quanto você quer ser". "Abby", disse Travis. Ela sentou-se na cadeira, cruzando os braços. "Eu sabia que ela ia fazer hoje ser sobre ela. Ela se apropriou de Jim, fez Trenton miserável sobre a sua infertilidade, e agora, ela quer que todos reconheçam que ela amava Thomas em primeiro lugar." "Eu adoraria que você viesse visitar mais", eu disse. "Você não vive aqui", disse Abby, indignada. "Você tem bolas de boas-vindas para mim na casa de Jim. Eu estive nesta família mais tempo do que você".

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"Eu não estou fazendo Trent miserável. Ele quer um bebê tanto quanto eu quero", eu disse, ignorando sua resposta ao toque em um de seus pontos originais. "Mas ele parece viver a vida entre os testes de gravidez, a menos que ele esteja tentando mostrar-lhe quão miserável ele está." "Eu amava Thomas," eu disse finalmente. "Ele vai se casar com Liis," Abby agarrou. "Tenho certeza que você sente que tem o direito de se sentir como se tivesse perdido tanto quanto ela tem, mas ela está lá, segurando sua filha. Você foi sequer uma vez até ela para expressar suas condolências?" Eu gaguejei sobre minhas palavras. Eu não estava esperando um ataque ofensivo. Eu não tinha certeza de onde o desprezo de Abby estava vindo, mas tinha vindo se construindo por um longo tempo. "Eu só não... Eu não quero fazê-la se sentir estranha." "Se você pensar por um segundo que Liis a vê como qualquer coisa, mas o que a cunhada de Thomas, você está errada. Eu prometo a você que não há nada para se sentir estranha de novo." Ela não poderia ter dito as coisas mais dolorosas. Eu apertei os lábios e olhei para baixo, cobrindo o nariz com um lenço. "Baby", Travis disse, colocando ombros de sua esposa. "Facilidade para cima." "Cami?", Disse Trenton, caminhando em nossa direção. "Oh, merda", Travis sussurrou.

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Ele se ajoelhou na minha frente, esperando por mim para falar. "Você precisa de um abraço, boneca?" Limpei o nariz e os olhos e olhei para cima com um pequeno sorriso. "É muito triste", eu disse. Trenton penteou um lado do meu cabelo para trás com os dedos. "Sim. Vamos lá. O pai está perguntando por você". Eu levantei, deixando Travis e Abby sozinhos. Ela nunca tinha falado assim comigo antes, e a minha mente já estava correndo para desculpas. Ela tinha acabado de ter um bebê, seus hormônios estavam fora de controle, Carter estava no hospital sozinho enquanto ela estava aqui para lamentar Thomas e apoiar Travis. Talvez ela não quisesse dizer nada disso. Talvez ela estivesse atacando. Mas não era como Abby perdia a calma, especialmente sem provocação. Trenton guiou-me para a sala, e eu olhei por cima do meu ombro para Abby. Ela já parecia envergonhada. Travis foi consolá-la, mas suas expressões eram diferentes de todos os outros na sala. Meus olhos desviaram-se para a urna em uma prateleira, o que foram colocadas as cinzas de Thomas, na esperança de Deus de que eles estivessem escondendo algo de mim e que meu instinto estava certo. Quando Jim entrou em vista, eu prendi a respiração. Ele estava curvado, as bolsas sob os olhos inchados e pesando para baixo o resto do seu rosto. Certamente, se fosse tudo uma encenação, eles iriam dizer-lhe. Eles não iriam deixálo pensar que seu filho estava morto.

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A água gelada de Jim estava quase cheia, então eu escolhi o copo da mesa de lado ao lado de sua cadeira e levei-o a tomar uma bebida. Ele tomou um gole e depois devolveu. "Obrigado, sis". Eu estava sentada no chão ao lado dele, esfregando o joelho. "Com fome?" As caçarolas que enchiam quase todas as polegadas da mesa de jantar mal tinham sido tocadas. Uma semana antes, os meninos Maddox teriam acabado com tudo isso, mas as únicas pessoas a comer foram as crianças. Todos mais pesadamente em torno como mortos-vivos com um copo de vinho ou copo em suas mãos. Jim sacudiu a cabeça. "Não, obrigado. Você está bem? Precisa de alguma coisa? Eu não vi você em um tempo." Eu sorri, não me sentindo tão parecida com o monstro que Abby tinha me feito ser apenas momentos antes. Cuidei de meu pai, e eu podia ver que ele estava consolado quando eu estava por perto. Ele sabia que eu iria cuidar dele. Abby poderia dizer que o ela queria, e talvez parte disso fosse verdade, mas eu era uma Maddox, e a única coisa que importava para mim era a maneira que Jim e Trenton me viam. Eu balancei a cabeça e me levantei, olhando como a grande família limpou uma área do sofá mais próximo de Jim. Liis sentou em uma cadeira dobrada do outro lado, segurando sua recém-nascida que dormia.

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Stella era linda — uma parte Liis, com seus olhos amendoados, cabelos lisos escuros e lábios carnudos, e uma parte Thomas. Seus olhos ainda tinha um brilho de azul, mas abaixo eu poderia dizer que ela teria olhos castanhos esverdeados como seu pai. Trenton apertou minha mão, percebendo que eu estava olhando para o bebê. Parte de mim se sentiu obrigada a desviar o olhar e poupar seus sentimentos, mas outra parte exigiu que eu experimentasse meus sentimentos honestamente para que eu pudesse chorar como qualquer outra pessoa. "Ela é linda", eu disse para o meu marido. "Sim ela é." "Foi um belo serviço", disse uma prima para Liis. A mulher idosa deu um tapinha nas costas de Stella, seus dedos demorando no vestido azul e cinza. "Ela parece tão bonita." "Obrigada", Liis disse, segurando Stella perto de seu peito. Eu nunca tinha visto meias ou Mary Janes tão pequenas, e sua fralda estava coberta uma calcinha, azul marinho de babados. Val se aproximou de Liis, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido. Os olhos Liis se arregalaram um pouco, e depois ela relaxou, até mesmo conseguindo um pequeno sorriso. Val lançou-lhe um olhar rápido em uma mensagem de texto, e, em seguida, as lágrimas caíam pelo rosto de Liis.

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Travis e Abby vieram direto sobre elas, e eles decidiram levar a conversa para a próxima sala, ajudando Liis a recolher as coisas do bebê antes correndo fora para falar. "Isso foi... estranho...", disse Trenton. Eu agarrei a mão do meu marido, puxando-o para ficar de pé, em seguida, caminhamos pelo corredor e para fora da porta traseira. Jim tinha decidido esperar até que todos saíssem antes de espalhar as cinzas de Thomas e advertiu que ele provavelmente iria esperar até pouco antes de os meninos partirem. Ele não tinha pressa para fazer algo tão final e precisava de alguns dias para respirar após o funeral. "O que é isso?", Perguntou Trenton. Eu não parei até que estávamos sob a sombra de uma árvore no canto mais distante do quintal, perto da cerca. Os rapazes tinham esculpido suas iniciais na casca; a única diferença era a letra do meio. A grama estava nua em alguns lugares, já está desidratando do calor Illinois. As temperaturas foram pairar nas médias e altas dos anos noventa, e o zumbido das cigarras tomou o lugar dos pássaros. Estava quente demais para cantar, quente demais para se mover. A única brisa me fez sentir mais como um aquecedor que funde em nós do que um alívio. Mas lá estávamos nós, do lado de fora em um vestido preto e um terno. Gotas de suor já tinham se formado ao longo da linha fina de Trenton. "Algo não está certo", eu disse. "Eu sei."

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"Você sabe?" Trenton afrouxou a gravata. "Alguma coisa está fora. Travis está agindo de forma estranha. Abby e papai estão agindo de forma estranha." "Você acha que ele sabe?", Perguntei. "Sabe o quê?" "A razão por que Travis está agindo de modo estranha. Ele sabia que os gêmeos eram figurões. Ele sabia sobre Travis e Thomas. Talvez ele sente que algo está fora, também." Trenton sacudiu a cabeça. "Não sei. Talvez." "Eles não..." eu hesitei. "Você não acha que eles..." "Mentem de novo?" Trenton murmurou. "Sim." Levantei meu queixo e franzi o nariz, sentindo-me tola, mesmo para dizer isso em voz alta. "Mas não é sobre... Quer dizer, você não acha que Thomas está vivo em algum lugar, recebendo atualizações sobre sua família de luto." "Não", disse Trenton. "Eles não fariam isso com meu pai. Eu sei que você quer que ele esteja vivo. Eu também. Eles mentiram, mas não fariam isso." "Você ouviu-os no hospital. Liis não vai depor. Mick está fugido, então ele é incapaz de testemunhar. Os Carlisis foram vistos deixando a cidade. Talvez tudo para manter qualquer outra pessoa de ser morta."

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Eu podia ver nos olhos de Trenton que ele queria acreditar na minha teoria, mas mesmo depois de revelar a verdade sobre Thomas e Travis, a pensar que eles eram capazes de causar a nossa família tanta agonia era improvável no melhor dos casos. "Papai não está em grande saúde. Travis não arriscaria." "Será que o pai iria querer que ele?", Perguntei. Trenton refletiu sobre isso. "Sim. Ele provavelmente iria". "Será que Thomas e Travis sabiam disso?" Os olhos de Trenton saltaram de um ponto no chão para outro. "Sim, mas…" Ele suspirou, no seu limite. "Eu não posso esperar por isso, Cami, vamos lá! Se isso não é verdade e Tommy está desaparecido, eu vou perdê-lo tudo de novo." "Fale baixo", eu disse, estendendo a mão para ele. "Por quê?" "Porque, se é verdade, tudo isso é para mostrar ao Carlisis que eles não têm que ameaçar nossa família mais. Se for verdade, então alguém está ainda observando."

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Me reclinei contra a cadeira de balanço dura da UTI Neonatal, agradecendo a enfermeira quando ela trouxe um cobertor dobrado para me amortecer. Carter tinha alguns vizinhos no berçário, o que significava que tínhamos feito amizade com outros dois casais de primeira viagem. A filha de Scott e Jennifer, Harper Ann, nasceu há cinco dias, e ela estava passando por uma piora. Ela estava lutando hora a hora durante as últimas doze horas. O filho de Jason e Amanda, Jake tinha nascido dois dias depois de Carter. Tivemos medo de ele não aguentar, mas ele se recuperou e estava tão grande quanto nosso filho. Carter estava mamando de forma consistente e ganhando peso, então poderíamos levá-lo para o quarto em breve e depois, para casa. "Bom dia," Scott disse, passando por mim para visitar Harper Ann. Mesmo que os casais tivessem crianças na UTI, Travis tinha insistido em uma verificação de antecedentes completa. Scott era um ex-fuzileiro naval; Uma cicatriz longa e curvada era visível logo acima de sua orelha em direção a parte de trás de sua cabeça, interrompendo seu cabelo prata, uma cicatriz além de uma ferida na cabeça, marcas de um sobrevivente do Afeganistão. Travis se sentia melhor em nos deixar sozinhos lá quando Scott estava lá, e ultimamente, isso era o tempo todo. Acenei para ele, batendo nas costas de Carter. Carter deixou escapar um arroto forte, e Scott e eu rimos.

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Scott lavou as mãos na pia e então se inclinou sobre a cama de Harper Ann. "Oi, bebê." Ela se mexeu, formando um largo sorriso no rosto de Scott. “Mamãe já está subindo. Sim ela está. Ela está conversando com a vovó e o médico. Ela mal pode esperar para vê-la. Ela falou sobre você a noite passada todinha até adormecer.” Eu balancei Carter, voltando-me para cheirar seu cabelo. Fios escuros e grossos cobriam sua cabeça, e eu gostava de senti-los contra a minha bochecha. Era uma experiência nova, ninar somente um bebê em vez de dois. Jessica e James foram a minha primeira tentativa de maternidade, e eles deram tanto trabalho que eu não tinha muito tempo de simplesmente sentar e apreciá-los. Carter era tranquilo na maior parte do tempo e adorava ser segurado. Nos aconchegávamos todos os dias, e as enfermeiras diziam que ele começava a se mexer um pouco antes de eu chegar, parecendo saber que eu estaria lá me breve. Uma vez que ele estava em meus braços, nós dois estávamos felizes. Eu cantarolava para ele, tentando imprimir a memória em meu cérebro; seu cheiro, como era pequena sua fralda em minha mão, seu tamanho e suavidade de seus dedinhos. A forma das suas unhas. A forma como seus cílios caíam contra suas bochechas quando ele dormia. O som que ele fazia quando respirava. Ele poderia estar maior amanhã. E eu não queria esquecer. "Bem, olá a todos", disse Shelly, cumprimentando Travis. Senti meus olhos se arregalam, e eu tentei não acordar Carter com a minha emoção quando eu observava a enfermeira ajudar Travis com seu avental estéril. Me inclinei quando meu marido se curvava para

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me beijar. Ele beijou meus lábios e, em seguida, correu para a pia para lavar as mãos. Ele parecia animado. Ele acenou para Scott e depois voltou para mim, estendendo as mãos para o nosso filho. Eu ri. "Sentiu falta dele?" "Passa aqui", disse ele. Nós trocamos de lugar, e Travis embalou Carter. Não importa o quanto Carter crescia todos os dias, ele ainda parecia minúsculo nos enormes braços de Travis. Travis empurrava o balanço suavemente com os dedos dos pés, balançando o nosso filho, enquanto olhava para ele. "Você faltou três dias dessa vez", eu disse. "Não se esqueça, Lena não está aqui para ajudar." "Estava colocando o pingo nos i’s", disse ele. "Você tem boas noticias?" Ele olhou para mim. "Está feito." Cruzei os braços sobre o peito, hesitante com a esperança. "O que está feito? Tipo feito permanente ou a investigação foi feita para que inicie o processo de julgamento." "Alguns deles irão a julgamento." "E o resto?" "Foi o último ataque, Flor. Não sobrou nenhum Carlisi. O resto são soldados. Capangas. Eles estão presos sem fiança. Ficarão no sistema

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por um ano antes que sejam condenados, e então vão pegar trinta anos de prisão por cada acusação." "E Mick?", Perguntei, sentindo minha garganta apertar. “Terá imunidade, como prometido. Contanto que ele fique longe”. Eu balancei a cabeça, satisfeita. "E agora?" Travis limpou a garganta. Ele estava ficando um pouco emocional. Já tinha se passado cinco semanas desde o funeral. Liis tinha ido ficar com a gente, e era difícil vê-la esperar. "Ele está voltando para casa." "Hoje?" Travis assentiu. "Será que Liis sabe?" "Pensei que seria melhor o deixar fazer uma surpresa." Minha mão voou para a minha boca. "E seu pai? E os gêmeos?” "Eles estão indo pra casa." Eles estavam aqui apenas duas semanas antes, vindo mais vezes para visitar Jim. O funeral tinha feito um estrago neles. Tinham perdido peso e parecido mais fracos a cada dia. O sorriso de Travis desapareceu enquanto observava o nosso filho dormindo, o fardo da verdade em sua mente. Ele estava aqui, mas estava com a cabeça a um milhão de milhas distante, se preocupando com as reações de seu pai e seus irmãos.

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"Eles vão entender", eu disse, me ajoelhando na frente de Travis. "Não, eles não vão", disse ele, sem tirar os olhos de Carter. "Eles vão nos odiar." "Talvez por um tempo, mas eles vão superar isso. Eles vão ter que superar." Travis olhou para mim com lágrimas nos olhos. "Valeu a pena?" "Agora que está tudo bem provavelmente pareça que tudo foi atoa, mas e antes, quando não tínhamos certeza? Tudo aconteceu exatamente da maneira que esperávamos. Eles recuaram. Isso nos deu tempo pra planejar sem sermos alvos." Toquei seu braço. “Foi um bom plano. Difícil do início ao fim, mas funcionou.” Travis assentiu e, em seguida, voltou seu olhar para o nosso filho. “Nós temos que ir logo, logo. Ele já está a caminho.” "A caminho para cá? Agora?" "Ele não vê Stella desde que ela tinha dois dias de idade, Flor. Ele não pode mais esperar nem um minuto." Eu não podia discutir com isso. "Quando?" Travis olhou para o relógio na parede. "Duas horas." "Meu Deus. Ele está realmente voltando para casa.” "Ele está realmente voltando para casa."

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Liis estava de pé ao lado do berço de Carter, sua filha cercada por tons azuis e verdes. Stella estava usando o berço de Carter enquanto elas ficavam com a gente. Eu estava contente. A presença de Stella fazia o quarto do meu filho parecer menos vazio. Liis colocou o cabelo escuro atrás da orelha. Estavam uns quinze centímetros mais curtos do que a última vez que a vi, há algumas horas atrás. "Você cortou seu cabelo," eu sussurrei, me sentindo idiota por afirmar o óbvio. Ela se virou para mim alisando os fios com a palma da mão. "Sim." Seus olhos se enchendo de lágrimas. "Qual o problema?", Perguntei. Eu nunca tinha visto Liis chorar até ela chegar à casa de Jim para nos dar a notícia. Agora, parecia que ela chorava sempre que abria a boca. "Você não gostou?" "Eu só", ela fungou. "Eu não estava pensando. Vou estar tão diferente quando Thomas me vir. Stella vai estar tão diferente. Se eu tivesse permanecido igual, não seria tão chocante para ele." "Ele vai adorar", eu disse, tranquilizando-a. “Ele vai. Você não parece tão diferente. Ele vai reparar, mas vai adorar.” Ela se virou para o berço. "Talvez ele cresça até que ele volte para casa." "Espero que não", eu disse. Ela olhou para mim. "Seu cabelo cresce lentamente."

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Ela soprou uma risada. "Verdade." Fiz um gesto para ela me seguir para a sala de estar, e ela obedeceu, olhando para Stella uma vez mais antes de caminhar para o corredor. Ela pegou a babá eletrônica do armário, e em seguida, fechou a porta atrás dela, deixando apenas uma fresta. Val estava na cozinha, o saco de batatas fritas fazendo barulho enquanto ela pegava o que tinha dentro. Agente Hyde estava de pé olhando pela janela da sala, sempre em alerta. "Relaxa, Hyde", eu disse. "Você está me deixando nervosa." Seus olhos escuros se estreitaram, e em seguida, ela olhou para o relógio. Fechando a cortina à suas costas e, em seguida, mudou sua postura, preparando-se para agir. Eu percebi que ela não estava cautelosa como era habitualmente. "O que foi?" "Eu não sei", disse Hyde. Travis verificou seu telefone e, em seguida, deu um tapinha nas costas de Hyde. "Acalme-se. Nós temos tem uma equipe a caminho". "Por quê?", Perguntou Hyde. Travis deu de ombros. "Algumas notícias que eles querem nos dizer em pessoa, eu acho." Hyde e Liis trocaram olhares, e Liis deu um passo para Travis. “É sobre Thomas? Está acabado? Como foi a sua viagem?” "A viagem correu bem. Talvez eles estejam vindo para me parabenizar."

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A capacidade de mentir de Travis tinha aumentado dez vezes mais durante seu tempo com o FBI. No nosso segundo ano de casamento, a culpa por mentir para mim estava estampada em seu rosto, mas ele foi melhorando nisso. Pouco antes de eu lhe dizer que sabia a verdade, eu mal podia discernir uma reunião de um ataque surpresa. Ele não tinha escolha além de aprender rapidamente. A maioria dos agentes disfarçados ficava longe de casa por meses, se não mais. Travis estava escondido em plena vista. Já haviam oferecido a ele uma posição junto a Benny, então ele só tinha que dizer sim. Os Carlisis sabiam que ele voltava para casa, para Eakins, muitas vezes, mas a desvantagem era eles saberem que Travis tinha família - e como controlá-lo. Travis tinha sido cuidadoso, mas sabíamos que era apenas uma questão de tempo antes que eles descobrissem. Mas os anos passaram, e Travis parecia ser intocável. Logo, ele era um dos homens de maior confiança de Benny, passando de guarda-costas até extorquir clubes locais até orientador. O FBI assistia com emoção como Travis subia na escala de uma das maiores e mais perigosas famílias do crime do país. Travis teve uma promoção dentro do FBI também. Cinco anos após o seu recrutamento, Travis passou de trunfo para agente e cinco anos mais tarde, Thomas tinha certeza de que tinha conseguido provas suficientes para pegar Benny. Ele não contava com a esposa de Benny, Giada. Ela era uma mulher paranóica, e não confiava em Travis. Foi quando os Carlisis descobriram a verdade, e tudo depois disso aconteceu muito rápido. Thomas me ligou para informar que haviam perdido contato com Travis, e era muito provável que seu disfarce tivesse sido descoberto. Naquela noite, Thomas disse que Travis foi levado para uma localização desconhecida, mas que eles iriam encontrá-lo em breve. A noite seguinte

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era nosso aniversário de casamento; a noite em que Benny e alguns de seus homens foram mortos. Poderia ter sido Travis. Tivemos sorte daquela vez, e eu não tinha certeza até onde ia essa sorte. Eu lhe entreguei todas as informações sobre meu pai, e, em troca, Travis prometeu nunca mentir pra mim de novo. Ele me olhou nos olhos na noite que chegou em casa, o olho inchado, com a testa e os lábios cortados, e me disse que estava bem, e eu escolhi acreditar nele. Ele precisou ser jogado para fora da estrada e quase assassinado para admitir que ele tinha sido o único a puxar o gatilho. Mentir era o hábito mais difícil de quebrar, especialmente quando acreditávamos que estávamos protegendo aqueles que amamos. Agora, ele estava em pé na nossa cozinha, se desviando das questões que Liis e a agente Hyde estavam fazendo. Eu observava ele falar meias verdades sem piscar um olho, e eu perguntava quanto ele sabia e que eu não sabia. Quantas vezes ele tinha sido capaz de manter segredos, por que eu não queria acreditar que ele tivesse algum. "Te parabenizar pela viagem?", Perguntou Liis. "Acabou, então?" "O único suspeito que está faltando é Giada. Não podemos nos conectar diretamente a ela... ainda... mas conseguiremos". "Giada Carlisi?", Perguntou Val. "Então, nós não terminamos. Porque Giada tem as pessoas dela, e o Bureau matou seu marido e filhos. Ela é uma puta louca." "Nós terminanos", disse Travis.

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“E quanto a Giulia? Vittoria? A guarda costas dela, Chiara? E a nova esposa de Angelo?”, disse Val, seu tom quase acusatório. "Angelo se casou? Quando?", Perguntei. Ele era um solteirão intransigente, casado com a família. Ele era conhecido por atacar suas namoradas, e apenas tinha durado por mais de um ano. Tínhamos tantas fotos de seu corpo desfigurado; Me perguntei quanto tempo ela ficaria com ele. Em seguida, ela desapareceu. Eu não tinha certeza se eu deveria temer a mulher que finalmente domou ele ou sentir medo por ela. "Estamos atualmente incapacitados de localizar Coco", disse Travis. "Desde quando?", Perguntou Val, parecendo preocupada. "Desde ontem." "Coco é a esposa de Angelo?", Perguntei. Travis assentiu, mas ele não olhou para mim, um sinal revelador que ele não estava sendo completamente honesto. "Então nós não terminamos", Val estalou. "Qualquer pontas soltas é igual a inacabado. Elas são as esposas dos Carlisis e Chiara é uma assassina que trabalha para Giada. O que? Elas não são perigosas porque são mulheres? Por favor me diga que você não é tão idiota assim." Travis arrepiou. "Temos tudo sob controle, Val." "É tudo ou nada", disse Val, apontando para ele. "Essas palavras vieram de sua boca, Maddox." "Eu sei o que eu disse."

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"Então por que você está sendo tão descuidado agora? Por que você... oh." Reconhecimento brilhou nos olhos dela, e ela percebeu a pressa. Thomas estava com pressa de chegar em casa, e ninguém podia argumentar com isso. Nem mesmo o diretor. Liis cobriu a boca, seus olhos se enchendo de lágrimas. Agente Hyde colocou a mão no coldre dela, avançando para trás da cortina da janela da cozinha. "Chegada", disse ela. Liis tentou correr para a porta, mas Travis parou. "Espere", disse ele. Agente Hyde relaxou. "Não somos nós." As sobrancelhas de Travis se curvaram. "Quem é?" Hyde assentiu em direção à porta. Depois de duas batidas, Trenton a abriu, levando Camille pela mão. Eles souberam imediatamente que algo estava acontecendo, olhando ao redor para as posições estranhas de todos na sala. "Merda", disse Travis, olhando para fora da janela, e depois tentou arrastar seu irmão para fora da porta. "Você tem que ir." "Que diabos?", Disse Trenton, se afastando das mãos de Travis. "Oi pra você também, cara de bosta". "Sério, Trent", disse Travis. "Você não pode estar aqui agora." "Por que não?", Perguntou Camille. "Nós estamos tendo uma reunião de família", eu disse.

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"Nós não somos da família?", Perguntou Trenton, ofendido. Travis suspirou, e depois levantou ambos os braços, apontando oito dedos na porta. "Você tem que sair, Trent! Agora! Nós vamos explicar mais tarde, mas por agora...". Algo fora chamou a atenção de Hyde, e ela levantou um dedo. "Todos quietos. Chegada." Travis revirou os olhos e puxou Trenton para o lado. "Tudo o que você vir em alguns segundos, apenas... tente não se apavorar. Vamos deixar Liis ter seu momento." "O que você quer dizer?", Perguntou Trenton. "Apenas mantenha a porra da sua boca fechada uma vez na vida," Travis rosnou. "O que está acontecendo?" Camille me perguntou. "Você se controle também. Isto era para ser da Liis." Esperamos atrás do sofá, olhando para a porta. Liis estava no meio da sala segurando a babá eletrônica em sua mão trêmula. A porta se abriu e Thomas parou, usando uma camisa branca e uma calça azul marinho, recém-banhado e barbeado. Ele estava respirando com dificuldade por conta da longa viagem. Ele atravessou a soleira, um amplo sorriso no rosto. Liis correu, jogando os braços ao redor dele, soluçando. Os joelhos de Trenton dobraram. Camille e Travis o seguraram por alguns segundos antes de deixá-lo cair de joelhos.

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Camille se ajoelhou ao lado do marido. "Eu sabia, amor!", Ela disse com um sorriso no rosto dela. Ela o beijou no rosto, esfregando seu braço com entusiasmo. Trenton balançou a cabeça lentamente, a boca aberta. "O que diabos está acontecendo, Travis?" "Nós vamos explicar mais tarde", disse Travis, observando seu irmão mais velho com um sorriso. Trenton olhou para Travis. "Existe uma explicação?" Ele se levantou e respirou fundo, se preparando para fazer manha. Antes que qualquer som saísse de sua boca, Travis agarrou a camisa de Trenton com ambos os punhos, arrastando-o para a cozinha. Camille e eu os seguimos, tentando acalmá-los em voz baixa. Travis empurrou Trenton contra a geladeira. "Você não vai começar", disse Travis. "Eu sei que isso foi difícil para você e incrivelmente injusto, mas Liis sacrificou muito mais nisso tudo, e você não vai arruinar isso pra ela. Você está me entendendo?" Trenton ficou tenso como se fosse fazer um movimento, mas depois respirou fundo. Os olhos dele encheram de lágrimas, e traição substituindo a raiva. "Você mentiu para nós? Ele estava vivo todo esse tempo, e você mentiu para nós? A saúde do papai tem ido água a baixo. Como você pôde fazer isso?" Travis apertou a mandíbula e em seguida soltou Trenton. "Eu não queria. Se houvesse qualquer outra forma, não teria feito isso. Não tivemos escolha, Trenton. Os Carlisis só nos deixaram tempo suficiente

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para armar esse plano, e funcionou. Montamos uma armadilha e encenamos um ataque. Nós colocamos todos eles juntos. Quem não está na cadeia sem fiança está morto. Nossa família está segura." Trenton balançou a cabeça, em seguida, caminhou até a sala de estar, esperando por Thomas e Liis terminarem seu momento. Thomas olhou para Trenton. "Eu espero que em um desses dias você me perdoe. Nos perdoe. Eu realmente sinto muito pelo que te fiz passar." Trenton caminhou até seu irmão e o abraçou com força. Quando se soltaram, ele saiu da casa até seu carro. Camille ainda estava parada, atordoada. Ela andou até ele, gentilmente tocou seu rosto, e depois recuou e o bateu com força. Thomas fechou os olhos com força por um segundo e, em seguida, encontrou seus olhos. "Eu mereço isso", disse ele. "Sim, você merece", disse ela, caminhando até Travis. Eu estava entre eles. "Eu não me importo se ele merece. Se você bater no meu marido, eu vou te bater até a semana que vem. " Camille olhou para mim, depois para Travis, e depois seguiu seu marido, batendo a porta atrás dela. Stella chorou, e assim que Liis virouse para pegá-la, Thomas levantou a mão. "Eu vou fazer isso." Nós o seguimos até o quarto, observando-o da porta. Liis ficou a pouco passos na nossa frente, ainda enxugando as lágrimas de suas bochechas. "Oi", Thomas disse, sua voz suave e silenciosa.

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Stella imediatamente parou de chorar, olhando para o pai dela. "Você se lembra de mim?", Perguntou Thomas. "Posso pegar você?" Ele estendeu a mão e levantou-a para o ar, olhando para ela enquanto ela olhava para ele. "Você cresceu tanto. Praticamente uma mocinha agora ", disse ele, abraçando-a. Ele a cheirou uma vez, e Liis os abraçou. Travis fechou a porta, beijando minha testa. "Devemos ir atrás de Trenton?", Perguntou Val. "Para ter certeza que ele não diga nada para a familia?" Travis sacudiu a cabeça, abraçando-me ao seu lado. “Ele não vai. Ele sabe que não era para ele estar aqui.” Val estava infeliz. "Você acha que Giada não vai fazer algo drástico quando ela descobrir que Thomas não está morto, no final das contas? Ela vai vir até ele. Ela vai vir atrás de todos vocês." "Estaremos prontos", disse Travis. Val estreitou os olhos. “Seu filho da puta louco. Você faz sua família passar por tudo isso, e agora você está usando Thomas como isca?” Eu olhei para Val. "Essa é uma acusação e tanto." Eu olhei para o meu marido, esperando que ele negasse. E ele não o fez. "Travis. Me diga que isso não é verdade. " "Você não estava conseguindo uma conexão direta com Giada e as esposas então você está atraindo elas para dentro. Você está

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esperando que elas deem outro tiro em Thomas? Ou Liis? Você está ficando louco?" Val fervia. "Travis", eu disse, incapaz de dizer qualquer outra coisa. "Eu..." ele começou, mas eu virei afim de encontrar alguma coisa para limpar na cozinha. A decisão já tinha sido tomada. Eu podia ouvi-lo logo atrás de mim. "Baby," ele disse. Parei na pia, e ele agarrou meu braço. "Fingir a morte de Thomas foi o suficiente, você não acha? Agora, você está intencionalmente colocando a todos nós em risco? E se elas não forem atrás de Thomas? Ou Liis? E se elas vierem atrás de você? E se elas vierem atrás de James ou Jess?" Eu explodi. "Elas não vão." "Como você sabe, Travis?" "Eu... Flor, por favor, confie em mim." "Como posso confiar em você se você não está sendo honesto?" Abri a torneira da pia e, em seguida recuei, me virando para encará-lo. "Quando você ia me dizer? Depois que nossa casa fosse pulverizada com tiros?" "Não", ele disse, tropeçando em suas palavras. Eu não ficava brava com ele há muito tempo, e ele não estava preparado para a minha reação. “Mas eu sei quem será o alvo delas. Nós apenas temos que saber quando, o que deve ser em breve.”

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"Seu pai perdeu Thomas uma vez. O que você acha que vai acontecer com ele caso o perca de novo?" "Ele não vai." "Como você sabe?", Eu gritei, jogando o prato na minha mão para o chão. Ele quebrou, levando Val, Hyde, Thomas, e Liis a correrem até nós. Travis respirou fundo. Ele olhou para Thomas, e depois de volta para mim. Ele estava se segurando, mantendo segredos que ele não tinha escolhido manter. Eu podia ver a agonia e o turbilhão de conflitos em seus olhos. "Foi minha ideia", Thomas deixou escapar. "Foi a minha maneira de voltar para casa mais cedo e acabar com Giada e as esposas ao mesmo tempo." "Se algo der errado," eu comecei. "Não vai", disse Travis. "Não", eu gritei, fechando os olhos, "Fale comigo." Eu olhei para o meu marido. "Não diga qualquer outra palavra a menos que seja completamente verdade". Travis abriu a boca para falar, mas depois fechou-a, pensando duas vezes. Isso só me deixou mais irritada, então eu me virei para pegar a vassoura, ouvindo Thomas, Liis, e as agentes saírem da cozinha. "Eu amo você, Abby. Você tem que saber isso. A segurança da nossa família é a minha prioridade. Essa é a verdade." Ele tirou a vassoura

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e a pá de mim. O vidro raspava contra o piso de ladrilho enquanto ele varria a minha bagunça. "Você sabe que eu estou com você, mas Travis... este é um plano terrível. Parece precipitado só porque Thomas queria voltar para casa". "Não é precipitado, confie em mim", ele resmungou, curvando-se para varrer o vidro. "Eles têm trabalhado nisso desde que Thomas estava bom o suficiente para ficar de pé." "Até Liis?" "Até Liis." "Apesar da probabilidade de soar como uma criança insolente, eu ainda vou perguntar. Por que Liis sabe sobre essas coisas e eu não?" Travis se levantou, abriu o armário, e deixei o vidro cair na lata de lixo. "Ela tem mais conhecimento sobre a alta segurança do que você". Eu fiz uma careta. "Então agora sua honestidade com a sua mulher é baseada em um certificado de segurança? Você está brincando comigo agora?" "Baby", disse ele, estendendo a mão para mim. Dei um passo para trás. Ele deixou cair os braços para os lados em frustração. "Isso está quase no fim. Você pode ser paciente só mais um pouquinho?" "E então o que? Você vai começar a mentir para mim sobre o próximo caso?"

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Travis suspirou, se afastando de mim, e depois voltou. "Eu sinto muito. Eu sinto muito por essa ser a nossa vida. A alternativa é pior." "Você pelo menos já perguntou a eles, Travis? Você pediu para sair? Você já cumpriu seu papel. Você ajudou a fechar um dos seus maiores casos na história da Bureau. Já chega. Isso não é uma sentença de prisão perpétua." Travis olhou para mim, incapaz de responder. "Você não quer sair." "Eu amo meu trabalho, Flor. Quando eu penso em voltar e ser um personal trainer ou ter um emprego de oito horas por dia em algum cubículo, me embrulha o estômago". "Você ama seu trabalho? Mais do que você ama sua esposa? Seus filhos? Seus irmãos? Seu pai? Quantas vezes você mentiu na minha cara? Quantas vezes você nos colocou em perigo? Ignorei tudo porque era parte de um acordo para te manter longe da cadeia, mas você não pode, pelo menos, perguntar?" "De repente eu percebi como papai deve ter se sentido quando a mamãe lhe pediu pra largar o Departamento de Polícia." Eu arqueei uma sobrancelha. "Mas ele largou." "Ela estava em seu leito de morte, Flor", disse ele com desdém. Estendi a mão para pegar sua camisa. "Se alguma coisa acontecer com nossos filhos por causa da sua necessidade de brincar de policia e ladrão, então que Deus me ajude, Travis."

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"O que? Você vai embora? Você vai me deixar porque eu amo meu trabalho?" "Não é isso, e você sabe! Não se atreva a torcer minhas palavras!" Brigar com ele era quase uma experiência fora-do-corpo. Não havíamos brigado assim desde a faculdade. "Eu não estou torcendo suas palavras! Eu tenho medo, Flor. Você me deixou antes por questões muito semelhantes". "E olha lá. Você foi e fez isso de qualquer maneira. Funcionou para você. Agora, você está esperando que eu continue a fechar os olhos pra isso, mas eu não vou. Liis escolheu isso, mas nós não. Eu não! Eu não quero mais isso para os nossos filhos. Eu não quero criar Carter sozinha enquanto você está lá fora lutando contra o crime em vez de ser um pai". Ele apontou para o chão. "Eu sou um bom pai, Abby." "Você é. Mas você está escolhendo continuar em um trabalho que te leva para longe, às vezes por semanas". "Tudo bem", disse ele, perdido em seus pensamentos. “E se eu trabalhar em um escritório por aqui? Em Illinois?” "Longe da unidade glamorosa de crime organizado?" "Eu posso pedir transferência. Liis conhece as pessoas no escritório de Chicago". "Chega de disfarces?" "Apenas a velha e conhecida investigação."

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Eu pensei sobre isso por alguns momentos. “Depois que isso terminar, você promete que vai pedir transferência?” "Eu prometo." Eu balancei a cabeça lentamente, ainda não tendo certeza de qual era a minha decisão. Travis se aproximou de mim e me envolveu em seus braços, beijando meu cabelo. “Não fica com raiva de mim. Isso me assusta pra caralho”. Eu pressionei meu rosto contra o peito dele, me perguntando se o que acabou de acontecer teria sido comprometimento ou rendição.

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“Você pode mexer o molho para mim, querida?” Shepley pediu, calçando as luvas de forno. Com uma colher de pau, eu mexi o líquido marrom na panela, me virando para sorrir para Jim, Jack e Deana. Os pais de Shepley tinham visitado Jim todos os dias desde o funeral; às vezes, eles ficavam para o jantar, às vezes não. Quando Shepley não estava esgotado depois do trabalho, nós podíamos nos à juntar a eles. Esta noite, Shepley estava fazendo seu famoso bolo de carne, receita de Deana — que era, claro, também da sua falecida irmã, Diane. Comer era reconfortante, especialmente quando o prato o lembrava da comida da sua esposa. Shepley fechou o forno. "Quase pronto". "Cheira bem", Jim falou da sala de jantar. Meu celular zumbiu, e eu o pesquei do bolso de trás do meu short. Era um texto da Abby. Em breve estaremos no Jim. Encontre-nos lá. Eu digitei uma resposta. Já estamos aqui. Cozinhando o jantar. Oh Deus. Me escreva quando terminar. Vamos esperar.

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O quê? Ela levou um pouco mais de tempo para responder. Até o jantar acabar. Há suficiente para todos, mas fique à vontade. Confie em mim. É melhor que todos comam primeiro. E o que isso quer dizer? Te vejo depois. Eu suspirei, enfiando meu telefone de volta em meu bolso. Shepley deslizou, arrancando meu telefone para fora outra vez e colocando-o em cima da balcão. "Quantas vezes eu tenho que te dizer? Telefones celulares emitem radiação. Você quer um câncer de cólon? Não o coloque em seus bolsos." "Alguém quer um câncer de cólon? Que tipo de pergunta é essa? Primeiro, não posso comer Cheetos, depois eu tenho que substituir garrafas de água por recipientes de vidro, porque os frascos aquecidos no carro causam câncer, e agora, eu não posso colocar meu telefone no meu bolso. Você percebe que o sol causa câncer, certo? Devemos nos tornar moradores de cavernas?" "É por isso que eu continuo comprando esse protetor solar orgânico para você", disse Shepley, beijando minha bochecha.

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"Você é uma mãe superprotetora9," Eu resmunguei. "Eu vou levá-lo", disse ele, me deixando e indo para a mesa de jantar. Eu mexia com ele, mas eu sabia que ele temia passar o mesmo que seu tio Jim e a sua mãe tinha passado quando perderam Diane. Uma vez que tivemos Ezra, ele começou a ler sobre tudo que poderia nos matar e começou a nos proibir de comer certas coisas. Ele fazia isso por amor é claro, ele estava certo, mas fingir estar irritado suavizava a realidade assustadora. Nós estávamos ficando velhos, e alguns dos nossos amigos já tinham sido diagnosticados. Às vezes, parecia que o mundo inteiro estava morrendo. A porta da frente abriu, e Taylor atravessou, segurando um dos seus filhos em cada braço. Falyn estava atrás dele, carregando a bagagem. "Ei!" Shepley, Jim, e Jack disseram em uníssono. Shepley ajudou Jim a levantar, e eles abraçaram Taylor e os filhos, então Falyn, com Tyler, Ellie e Gavin não muito atrás. "Oh, meu Deus!" Taylor gritou. "Que cheiro incrível aqui!" Abaixei a chama do fogão e limpei a mão no meu avental, deixando a cozinha para abraçar a família. Depois que todo mundo tinha dito seus olás, Jim olhou ao redor da sala. "Onde está Trenton?"

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No original Soccer Mom

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Tyler deu de ombros. "Ele não esteve por aqui hoje? Eu pensei que ele estivesse aqui. Foi o que ele disse mais cedo." "Vou enviar mensagem pra ele," disse Taylor, puxando seu telefone do bolso de trás. Eu tirei sarro de Shepley, apontando para Taylor, e ele revirou os olhos. "Eu não sou casado com Taylor, sou?" ele disse. Todo mundo virou para meu marido, e eu bufei. Taylor levantou uma sobrancelha. "Hã"? "Nada," Shepley resmungou. Falyn olhou ao redor da sala. "Olive não vem para o jantar?" "Eles estão de férias esta semana," disse Jim. O rosto de Falyn caiu. "Oh". Jim olhou para seu relógio. "Eles devem voltar para casa mais tarde esta noite." Os olhos de Falyn iluminaram. "Oh! Bem, é... Estou realmente feliz. Senti falta dela." Jim assentiu com a cabeça em entendimento. Todos nós sabíamos que Falyn ficava ansiosa para ver Olive quando ela estava na cidade, mesmo que Olive não soubesse que ela era realmente uma parte da família em vez de apenas a melhor amiga de Trenton.

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Nós conversamos sobre o vôo deles de Colorado e os novos trabalhos de Taylor e Tyler no State Farm Insurance. Shepley, não pôde resistir a fazer uma piada sobre o comercial do State Farm khakis. Ellie relembrou sobre trabalhar para a revista MountainEar em Estes, e Falyn e as crianças apenas tinham desembalado a última caixa em casa com a Taylor. A porta do forno rangeu quando Shepley abriu para retirar o refratário com carne, eu fiz o purê, e Ellie e Falyn arrumaram a mesa de jogos para as crianças. Cadeiras de jantar rasparam contra o piso quando os adultos se sentaram a mesa de jantar para comer. Jim olhou em volta. “Trenton não chegou em casa ainda? Travis ainda está fora da cidade?" Eu toquei o braço dele. "Enviamos mensagem para Trent. Tenho certeza de que Travis está voando para casa hoje." Jim deslocou em seu assento, desconfortável. Jack bateu nas costas do seu irmão. "Eles estão bem, Jim." Eu tentei não fazer cara feia. A morte de Thomas tinha causado danos em Jim. Suas roupas estavam caindo, meias-luas roxas penduravam sob seus olhos cansados, e ele parecia mais frágil do que nunca. Ele estava constantemente perguntando pelos garotos, ligando para cada um todos os dias para checá-los, se eles não o ligassem primeiro. A maioria já se lembrava de ligar durante o horário de almoço para deixar sua mente mais tranquila.

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Taylor verificou seu telefone, mastigando. "Ele mandou uma mensagem de volta. Ele está em casa. Ele não pode vir jantar hoje." "Sério?" Eu disse, surpresa. Não era como Trenton. Ele estava no Jim para jantar todas as noites, mesmo antes do funeral. Agente Wren se aproximou da mesa. "Wren", Tyler disse entre as garfadas. "Sente-se. Coma um pouco de carne; é receita da minha mãe. O melhor maldito bolo de carne que já comeu, te garanto." "Não sei por que estamos cozinhando," Falyn disse. "Ainda há pilhas de caçarolas no congelador." "Porque seu pai queria bolo de carne de Diane," disse Shepley. "E o que Jim deseja, Jim tem." Jim conseguiu um sorriso, empurrando os óculos até a ponte do seu nariz. Camille tinha lhe comprado suspensórios poucos dias antes, e, embora Jim não fosse fã, me pareceu adorável. O agente Wren tocou seu fone de ouvido. "Sim". "Sim, o que?" Eu perguntei. "Quem é?" O agente Wren me ignorou, retornando ao seu posto na sala de estar. Eu olhei para ele, mais do que irritada com o sigilo. O que mais não sabíamos? Eu olhei de relance para o meu marido. "Por que ele ainda está aqui?" "Quem? Wren?" Shepley perguntou.

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"O que foi aquilo? Estamos" — eu olhei para as crianças atrás e então me inclinei — "ainda estamos em perigo? Já ouvimos uma atualização sobre onde Travis está com o caso de Carlisi?" Jim abanou a cabeça, recolhendo seu prato. "Está sem fome?" Deana perguntou. "Está muito bom," disse Jim, olhando lisonjeiro. "Me sinto cheio muito rápido nos dias de hoje. Falta de apetite, eu suponho." "Apenas tente", disse Deana. "É a Diane," ela entoou. " Deus, eu sinto falta dela. Eu acho que ela poderia ter te animado." "Ela poderia", Jim disse com uma risada curta. Seu sorriso desvaneceu. "Ela está com Tommy, agora". Terminamos o jantar, e eu servi a sobremesa — apenas um simples bolo amarelo com cobertura de chocolate. As crianças fizeram os poucos pedaços que sobraram desaparecerem. A porta da frente abriu. "Oi, Maddoxes!" Olive disse, aparecendo na entrada do corredor com seu sorriso brilhante. Ela tinha um novo bronzeado castanho de sua viagem, fazendo seus dentes parecerem mais brancos e suas sardas passarem despercebidas. O cabelo dela estava ainda mais loiro do que antes, e Falyn irradiou no momento em que colocou os olhos nela. "Olive"! Falyn disse, correndo para abraçá-la apertado. Ela segurou-a

no

comprimento

do

incrível. Como foram as férias?"

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braço. "Caramba,

você

está


"Foram boas. Meio tristes. Mamãe age como se fossem as nossas últimas. Sempre

digo

que

teremos

bastante,

mas

ela

está

destruída." Olive puxou as bordas desgastadas dos seus shorts. Ela estava vestindo uma regata branca e um esvoaçante quimono de manga curta por cima. Estamos maravilhados em como ela se tornou uma bela jovem. Ai daqueles meninos orientais que prestavam atenção nela — os Maddoxes iriam comê-los no almoço. Ela já tinha desistido de trazer alguns rapazes para Trenton no ensino médio. Ele era muito assustador para qualquer garoto adolescente manipular. Os gêmeos e suas esposas tinham acabado de limpar a mesa, e Jessica, James e Ezra estavam quase terminando de carregar a máquina de lavar louça quando todo mundo ficou em silêncio. As crianças mais novas estavam nos chateando para brincar lá fora no aspersor, quando Wren começou a olhar pela janela e falar sussurrando em seu fone de ouvido. "Mantenha as crianças dentro por agora", Wren disse a Shepley. Ajudei-o a reunir as crianças na cozinha, longe de qualquer janela de frente para a rua. "Trenton mudou de ideia?" Taylor perguntou, franzindo a testa. Ele checou seu telefone novamente e em seguida, o colocou no balcão. Um barulho de motor de carro aumentou do lado de fora, e eu puxei Eli e Emerson mais perto.

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"Fui instruído a pedir para todos manterem a calma," disse Wren. Ele olhou para Jessica e James. "Nós temos visitantes." "O que diabos isso significa?" Shepley perguntou. "Travis e Liis estão a caminho," Wren disse, irritado porque tinha que explicar muito. Todos nós relaxamos, esperando um sinal de Wren. Nenhum de nós sabia o que estava acontecendo, mas estávamos tão habituados a ser mantidos no escuro, que não me parecia mais tão anormal, esperar alguma coisa acontecer. A porta da frente abriu e Travis, Abby e Liis entraram, seguidos por agente Hyde e Val. A porta fechou e, no momento em que Travis entrou na cozinha, ele estava se desculpando. "Por favor, me escutem. Isto vai ser difícil e, em primeiro lugar, vocês não vão entender. Mas vocês irão." "O que está acontecendo, Trav —" Shepley começou, e então Thomas saiu detrás do agente Hyde. Um suspiro coletivo encheu a sala. Jim, imediatamente começou a chorar, e então ele saiu mancando para seu filho, caindo nos braços de Thomas. As crianças começaram a gritar, e Hollis correu, abraçando seu pai e tio Thomas. Ellie e Falyn, ambas cobriram suas bocas, suas bochechas molhadas com lágrimas. "Você mentiu?" Shepley gritou, consolando os pais dele.

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"Porquê?" Tyler botou para fora. "Não me importa o porquê," disse Taylor, se apressando para abraçar o irmão. Tyler fez o mesmo, e então todos nós aglomeramos ao redor de Thomas, abraçando-o e chorando. A sala estava quieta exceto o zumbido abafado do ventilador de teto e o silvo do aspersor lá fora. Nós confortamos as crianças e prometemos explicar depois, enviando-as para jogar lá em cima. Eles estavam hesitantes, mas sabiam que os adultos precisavam resolver tudo. Olive permaneceu lá embaixo, em pé no canto, balançando uma exigente Stella e acariciando suas costas. Falyn estava ao lado dela, tentando ajudar. O resto de nós estava no sofá ou nas cadeiras retiradas da mesa de jantar. Todos os olhos estavam vermelhos e inchados de chorar; Deana ainda estava fungando e puxando os lenços da caixa. Thomas se sentou em uma cadeira ao lado de seu pai, segurando sua mão. Jim estava sorrindo; seu alívio espalhava pela sala. O choque e o alívio dos outros tinham desvanecido, deixando os irmãos confusos e irritados.Thomas parecia preparado para qualquer coisa, e eu poderia dizer que ele sentia muito pela dor que havia causado, antes mesmo dele dizer uma palavra. "Você sabia disso?" Shepley perguntou a Travis. "Sim", disse Travis. "Quem mais?" Taylor perguntou.

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"Eu sabia", disse Liis. Os rostos dos irmãos contorceram de raiva. O

rosto

de

Tyler

cintilou

em

vermelho,

um

olho

semicerrado. "Você olhou direto nos olhos do meu pai, sabendo do seu estado de saúde e lhe disse que o seu filho tinha morrido?" Liis assentiu com a cabeça. "Ela não queria", disse Travis. "Não tivemos escolha. Havia muitas pessoas que possivelmente poderiam cometer um erro, e estávamos sendo vigiados. De perto." "Tinha que haver outra maneira," disse Ellie. "Não havia," respondeu Thomas. Ele apertou a mão de Jim. "Quem me dera. Quem me dera eu não tivesse que perder o primeiro mês de vida de Stella, mas sabíamos que se encenássemos a minha morte e Liis anunciasse que ela não ia continuar com o caso, juntamente com o desaparecimento do Mick poderia fazer com que desistissem." "Você fez tudo isso por uma talvez?" Tyler irritou. "Tivemos que agir rapidamente. Assassinos profissionais estavam a caminho de minha casa. Eles já tinham perseguido Travis fora da estrada, pensando que era Abby. Precisávamos ganhar tempo. Talvez se tivéssemos mais tempo para formar um plano melhor, nós poderíamos pensar em algo superior. Talvez mover vocês para uma casa segura, mas

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não tínhamos tempo. Eles estavam em posição para acertar cada um de vocês. Uma vez que eles pegaram o vento da minha morte, recuaram." "Por que vocês não fingiram a morte de Travis?" Eu perguntei. Abby me atirou um olhar. "Porque ele matou os homens que vieram depois dele e foi embora na frente de uma multidão de pessoas." "Você sabia sobre isso, também, não é?" Eu disse, fervendo. Eu nunca tinha estado tão zangada com Abby antes. "Sim", disse Thomas. "E os agentes que estamos usando para a segurança e o diretor. É isso. Ninguém mais." Todos nós olhamos uns para os outros, agitando a cabeça em descrença. Ninguém parecia ter certeza em como sentir — se ficava feliz porque Thomas estava vivo ou com raiva porque tinham nos colocado no inferno. Wren tocou seu fone de ouvido e olhou pela janela. "Senhor," ele começou. Thomas levantou e sorriu. "São Trent e Cami." Ele ajudou Jim a se levantar, e eles caminharam para fora para cumprimentá-los. O restante de nós os seguiu. Cami estava do lado de fora do lado do passageiro do seu Toyota Tacoma, segurando a porta aberta e inclinada, tentando convencer Trenton a sair. Ela fez uma pausa, voltando para nos ver encará-los. Ela caminhou até Thomas e depois abraçou-o, fechando os seus olhos. Eu olhei para Liis. Olive estava de pé atrás dela, ainda segurando a Stella. Não era difícil de entender sua estranha situação, mas pelo amor de Deus, eu esperava que Camille mostrasse alguma moderação.

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"Tudo bem," Eu disse, me aproximando deles. Eu empurrei Thomas, e ele pareceu aliviado. "Você nos deve uma explicação melhor. Você nos deve um pedido de desculpas. Todos vocês," Eu disse, apontando para Travis, Abby, Liis e os agentes. Thomas fez um gesto para seus colegas. "Podem nos dar um minuto?" "Senhor" Wren começou. "Por favor", disse Thomas. Não era um pedido, e os agentes compreenderam e obedeceram. Camille colocou seu cabelo platinado atrás da orelha. "Ele está... Levou-me muito tempo para convencê-lo a vir aqui. A única razão pela qual ele concordou foi para que nós pudéssemos ver o pai." Thomas assentiu, e Travis trouxe Jim para frente. Trenton saiu fora da caminhonete e se aproximou, tentando o seu melhor para não olhar para ninguém, além do pai dele. "Você está bem?" Trenton, disse. Jim chegou até Trenton. Uma vez que ele agarrou a camisa dele, puxou-o para um abraço. "Pare com isso. Ele é seu irmão. Você pode não entender porque ele fez o que ele fez, mas não precisa. Isso não é o que importa." Ele liberou Trenton e olhou em volta para sua família. "O importante é que vocês têm uns aos outros. Eu já disse isso cem vezes. Juntos, vocês são capazes de tudo. Mas vocês não podem deixar esses bastardos nos separarem. Isso foi o que eles tentaram fazer com armas. Não deixe eles fazerem isso com mentiras."

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Trenton não podia levantar o seu olhar do chão. Jim agarrou seu braço em volta do pescoço de Trenton. "Eu estou bem, agora que sei que ele está bem. Agora, preciso saber que vocês todos estão bem. Abrace seu irmão. Diga-lhe que o ama." Trenton não se mexeu. "Agora, droga," Jim ordenou. Trenton piscou, e em seguida seus olhos arrastaram do chão para Thomas. "Eu sinceramente sinto muito", disse Thomas, encobrindo os seus olhos. "Vocês têm que saber que eu nunca faria mal a nenhum de vocês propositadamente. Eu tive que levar um tiro e deixar minha filha recémnascida por cinco semanas para manter todos seguros, e por Deus, eu fiz isso. Porque eu amo vocês. Me desculpem por ter me metido nisto. Se eu pudesse voltar e mudar tudo, eu faria." Trenton olhou para o irmão por um tempo e depois olhou para o Travis. "Trent", Travis disse, balançando a cabeça. Ele estendeu as mãos. "Me desculpe, cara. Se tivéssemos uma outra escolha, eu gostaria de realizá-la." Trenton tropeçou alguns passos e depois abraçou seus irmãos. Os gêmeos aderiram, também. Uma lágrima derramou da bochecha de Jim, e as esposas estavam em uma confusão de choros. Um braço saiu do círculo e agarrou Shepley, puxando-o, também. Eu cobri a minha boca, chorei e ri.

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No momento seguinte, um dos irmãos grunhiu, e Thomas voou para fora do grupo, segurando sua cintura. Travis e os gêmeos separaram e Trenton foi para Thomas. "Não!" Camille gritou. "Trenton, pare!" "Esse é o seu único", disse Thomas, esquivando-se de um segundo movimento de Trenton. Os gêmeos entreolharam e sorriram, rodeando Thomas e atacando. Travis pulou dentro para afastar os gêmeos do seu irmão mais velho, e o que uma vez tinha sido uma pilha de abraços de rapazes Maddox, agora estava balançando e sangrando com sorrisos em seus rostos. "Oh! Senhor!" Deana disse, olhando para longe. Shepley levantou as mãos, tentando fazê-los parar enquanto abaixava e esquivava dos punhos. "Pare!" Ellie gritou. "Taylor! Pare com isso!" Falyn, disse. Taylor olhou para sua esposa por um segundo, apenas para ser apanhado por Travis na mandíbula. Falyn pôs a mão em concha sobre sua boca, e Abby abanou a cabeça em descrença. "São uns idiotas," Abby resmungou. Tyler balançou e acertou Travis na boca, e sangue respingou em Abby da testa à cintura. Ela simultaneamente saltou, fechou os olhos e levantou as mãos com os dedos espalhados.

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Travis olhou para Tyler. "Esse foi o seu único." Ele lambeu o sangue da sua boca, desabotoou a camisa e entregou à sua esposa. "Como nos velhos tempos." Eu rolei meus olhos. "Nojento". Os irmãos finalmente acalmaram, ficaram em pé com as mãos em seus quadris, ofegantes. Jim balançou a cabeça, e Abby sorriu, limpando o sangue do rosto dela. "Oh, esses garotos Maddox."

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Um lado da minha camisa tinha sido completamente puxado das minhas calças durante a briga, então eu puxei a barra da camisa e limpei o sangue dos meus dedos antes de chegar perto do papai. Eu segurei seu rosto e olhei em seus olhos. Ele estava chorado de felicidade desde que eu tinha entrado na casa, e agora, estávamos em pé no gramado da frente. Meus irmãos e eu estávamos cobertos de sangue, sujeira e manchas de grama como quando éramos crianças, brincando no quintal e brigando com qualquer um que fosse, ou entre nós mesmo. "Me desculpe por te fazer passar por tudo isso," eu disse. Papai soltou uma respiração. "Você não me deve um pedido de desculpas, filho. Você fez o que achou que era o melhor para a família." Ele colocou a mão no meu ombro. "Estou feliz por você estar em casa." Eu o puxei para um abraço, surpreso com a quantidade de peso que ele havia perdido desde a última vez que eu o vi. Ele tossiu e, em seguida, ofegando, me soltou para colocar um punho em sua boca. "Maddox", disse Val, correndo em minha direção. "O escritório acabou de ligar. Eles encontraram Lena. Ela está morta."

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"O quê?" Abby gritou. Lágrimas caíram sobre sua bochecha, e ela agarrou Travis pela camisa. "Nossa Lena?" Ela o soltou e deu um passo para trás. Travis segurou sua esposa. “Ela estava disfarçada”, disse ele, desolado. "Isso acontece." "Isso acontece?", Ela fervia. "Ela está morta, Travis! O que aconteceu?" Os olhos de Abby dançavam enquanto ela juntava todas as informações que tinha. “Seu nome completo. Cocolina”, ela sussurrou. Ela olhou para Travis com olhos selvagens. “Lena é Coco? Aquela que você disse ter perdido a localização outro dia?” "Precisávamos de informações", disse Travis, ainda processando a notícia. Ele olhou para Val. “Ela foi rápida?” "Trauma por uso de força e um ferimento de bala na cabeça", disse Val. Ela olhou para Abby e depois continuou, dirigindo-se apenas a mim. "Temos razões para acreditar que foi Chiara." “Chiara é a guarda-costas da Sra Carlisi, certo? Gi... Giada?”, Perguntou Abby. "Por quê você a mandaria para os Carlisis, Travis?" A expressão de Travis caiu. "Era a sua nova missão." "Você a casou com aquele monstro?", Gritou Abby. Travis olhou para mim, desesperado. Eu balancei a cabeça, e ele falou. "Sua tarefa era chamar a atenção de Angelo Carlisi e se infiltrar na família. É assim que saberíamos que estaríamos seguros assim que Thomas chegasse em casa. Ela tem mantido o controle sobre eles".

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A boca de Abby estava aberta. "Lena era a nova esposa dele? Você está louco? Ele é um animal!" "Era um animal", eu disse. "Ele está morto." Abby se afastou Travis, e ele estendeu a mão para ela, mas ela se afastou novamente. Travis suspirou. "Ela era o tipo dele, Abby. Ela falava a língua deles. Ela era perfeita pra isso". "Bem, agora ela está morta," Abby gemeu. Ela olhou para baixo e para longe, incapaz de olhar Travis nos olhos. "Será que vocês não me ouviram?" Val estalou. "Giada e Chiara foram vistas em Eakins. Todo mundo precisa entrar." Eu balancei a cabeça. "Vamos. Todos para..." Papai estreitou os olhos, olhando para a rua, e então ele se lançou para mim. "Todos se abaixem!" Uma saraivada de tiros atingiu a frente da casa, os veículos e quebrando as janelas. Wren já estava do lado de fora, apontando sua arma para o Lincoln preto passando. Hyde estava ao lado dele, esvaziando sua pistola semi-automática antes de se ajoelhar para recarregar. Olhei para o quintal, vendo minha família no chão. "Todo mundo está bem?" Eu gritei. Olhei para meu pai, e ele concordou. Eu lhe dei um tapinha no ombro. "Uma vez um policial..." "Sempre um policial," Pai grunhiu, levantando-se do chão.

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Stella começou a chorar, e Liis gritou. "Olive?" Liis pegou nossa filha do vão que Olive havia feito entre seu corpo e o chão. Falyn gritou e correu, caindo de joelhos e agarrando o corpo mole de Olive. "Olive?" Um lado do rosto e do corpo de Stella estava encharcado do liquido vermelho da piscina onde ela estava deitada no chão. Abaixei-me para tocar o pescoço de Olive e sentir um pulso fraco, ficando mais fraco a cada segundo. Segurei minha esposa e filha perto, olhando de volta para Val e Wren, que estavam em alerta. "Ew?", Disse Trenton, rastejando. "Stella está bem?" Olive sussurrou. "É claro que ela está bem, amor, você a salvou", disse Trenton. "Isso é o que os Maddoxes fazem". Olive conseguiu dar um pequeno sorriso e, em seguida, seu rosto relaxou como se ela adormecesse. Falyn a sacudiu. "Olive?", Gritou. Trenton se ajoelhou, tocando a palma da mão na testa. Ele olhou para mim, e quando eu balancei a cabeça, ele caiu para frente, segurando os tornozelos de Olive. "Oh, Deus, não. Por favor não. Por favor não!" Camille sentou ao lado de Trenton, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela tocou suas costas, não sabendo mais o que fazer. "Alguém chame a porra de uma ambulância!" Falyn gritou. "Por que vocês estão parados ai? Façam alguma coisa!"

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"Ela se foi," Liis disse, chorando. Taylor sentou-se atrás de Falyn, segurando sua esposa enquanto ela balançava Olive e acariciava o cabelo manchado de sua filha. Ela soltou uma combinação de um gemido, rosnado, e grito, um som de raiva absoluta e devastação, que eu tinha certeza de que só uma mãe que perdeu um filho poderia fazer. Ellie cobriu a boca e, em seguida, correu para dentro. Tyler a seguiu. Fiz um gesto para Val. "Vá olhar as crianças." Val assentiu e saltou sobre as escadas para a sacada, abriu a porta e correu para dentro. "Todo mundo para dentro!" Wren chamou. "Elas estão voltando!" Liis correu com Stella, trazendo Abby com ela. "Travis!" Abby chamou, mas ele estava ao meu lado, puxando sua arma e ficando na posição. "Não!" Falyn lamentou quando Taylor tentou puxá-la para longe. "Não!" Taylor lutou para pegar sua esposa e o corpo sem vida de Olive, tentando levá-las para dentro. "Deixe-a", ordenei. "Vai se foder!" Falyn cuspiu. "Eu vou ficar", disse Trenton, olhando para a sua melhor amiga.

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Camille concordou com a cabeça, segurando a mão de Trenton e depois a de Olive, fechando os olhos, liberando lágrimas por todo seu rosto. Taylor finalmente levou Falyn para longe, lutando para levá-la para dentro enquanto ela chutava e se debatia, estendendo a mão para a filha. O Lincoln correu para nós. Chiara estava no banco do passageiro, apontando um rifle semi-automático. Vittoria, agora uma viúva Carlisi, estava ao volante. À medida que o carro se aproximava eu puxava minha arma, mas ela se foi. Papai saiu na minha frente, segurando minha arma e apontando-a para o Lincoln. "Pai, se abaixe!" Eu gritei ao mesmo tempo que Chiara apertava o gatilho. Balas pulverizaram o quintal e a casa novamente, mas o papai continuou a andar para a frente, atirando no Lincoln uma vez, duas vezes, e uma terceira vez. Uma de suas balas atingiu o pneu, e o Lincoln desviou, bateu na vala, e derrapou até o caminhão no quintal do vizinho do outro lado da rua. O motor pegou fogo, e ficamos o observando queimar. Papai caiu de joelhos, e Travis e eu gritamos o nome dele ao mesmo tempo. A medida que o fogo queimava ao fundo, nós ajudávamos nosso pai a se deitar no chão. Eu pressionei minhas mãos contra os círculos vermelhos ficando cada vez maiores que minhas mãos e se espalhando pela sua camisa. Ele tinha sido atingido duas vezes no peito e uma vez no abdômen.

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Meu olhar encontrou Travis. Ele parecia tão apavorado quanto eu. O resto da família correu para fora, espalhando-se e observando o caos com descrença. Trenton se arrastou até o papai, e eu percebi que ele tinha sido baleado na panturrilha. Falyn caiu de joelhos ao lado de Olive, embalando-a mais uma vez em seus braços, seu choro perfurando o ar enquanto ela sofria dores insuportáveis. Camille soluçava ao lado de Trenton, Travis, e eu. Os gêmeos vieram para fora e correram até nós. Val estava no rádio relatando a cena e pedindo por ambulâncias e carros de bombeiro. Hyde correu para o Lincoln, mas o calor a fez voltar. Ela correu para a casa do vizinho para ver se alguém tinha sido ferido e logo veio para fora agitando os braços, sinalizando que a casa estava vazia. "A ambulância está chegando, pai, aguenta firme", eu chorei. Papai sorriu. "Estou muito cansado. E eu realmente gostaria de ver a sua mãe". Travis soltou um suspiro, seu lábio inferior tremendo. Trenton usava as costas de suas mãos para limpar os olhos, e os gêmeos estavam perto, chorando em silêncio. Papai tocou meu rosto. "Fiquem juntos. Amem uns aos outros. Eu falo sério, droga." Um lado da minha boca tentou um sorriso, e eu senti uma lágrima deslizar quente sobre minha boca, até a minha mandíbula. "Nós amamos você, pai."

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"Nós amamos você", disse Travis. "Eu te amo", Trenton choramingou. "Nós amamos você", os gêmeos disseram em uníssono. "Eu te amo", gritou Camille. "Obrigado por ser nosso pai", disse Abby, tentando um sorriso. Seu olhar navegou por cada um de nós, e, em seguida, ele sussurrou, "Meu coração está completo." Uma única lágrima se formou no canto do olho do papai, e caiu, escorrendo por sua têmpora e parando em seu ouvido. Ele respirou pela última vez, e seus olhos perderam o foco. A brisa de verão soprava a fumaça negra vinda do Lincoln dos Carlisi até o quintal, enchendo o bairro. Sirenes soaram, combinando com os gritos de Falyn, mas o rugido do fogo abafava ambos. O calor dançava com as chamas, criando ondas no ar como uma tarde sob o sol do deserto. Parecia mais uma zona de guerra do que a casa onde eu passei a infância, a grama formando poças de sangue velho e jovem. Camille rasgou sua camisa e amarrou-a em torno da perna de Trenton, mas ele mal notou, levando a mão de papai aos lábios. "Ele se foi?" Olhei para baixo, deixando escapar um soluço, e meus irmãos fizeram o mesmo. Meus dedos com sangue pressionaram o pulso do papai, a ausência de seu pulso era a única quietude em meio ao caos que nos rodeava. Ele havia partido.

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"Jim?" Diane chamou da cozinha. Ela estava segurando a porta da geladeira aberta, franzindo a testa e simplesmente linda usando um suéter preto e uma saia de camurça marrom com grandes botões. "Eu acho... Eu acho que nós vamos ter que chamar um técnico." Eu não consegui não sorrir, observando as duas linhas entre sua sobrancelha de aprofundar. "O que te faz pensar isso, amor?" "Bem, não está tão gelada, e..." Ela abriu o leite, deu uma cheirada, e seu rosto se torceu. "Sim. Estragado." Eu ri. “Não é engraçado! Nós acabamos de comprar essa casa. Como é que vamos pagar um técnico? E se ele disser que vamos precisar de uma geladeira nova?” "Então eu farei horas extras, e então compraremos uma geladeira nova." Ela fechou a porta e suspirou, colocando a mão em seu quadril. "James" ela disse. Ela só me chamava assim quando estava malhumorada comigo. “Você não pode simplesmente trabalhar horas extras e comprar uma geladeira nova. Elas custam pelo menos uns duzentos e cinquenta dólares e...”

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"Querida," eu disse, atravessando a cozinha para tomá-la em meus braços. "Eu cuido disso". "Ótimo, porque tem mais uma coisa." Eu levantei uma sobrancelha. "Estou grávida." Eu a levantei em meus braços, abraçando-a apertado, provavelmente, muito apertado, sentindo lágrimas de alegria em meus olhos. "Tudo bem sobre isso?", perguntou ela perto do meu ouvido. Eu a soltei, rindo e limpando meu olho. "Se está tudo bem? Nós podemos voltar atrás?" Seu lábio inferior formando um bico. "Senhora Maddox," eu disse, lentamente, balançando a cabeça. “Um bebê é muito melhor do que uma geladeira quebrada.”

Me sentei na ultima fileira do auditório, assistindo meus filhos se preparando para dizer adeus para mim. O funeral de Olive foi um dia antes, e todos eles pareciam cansados e de coração partido. Não havia nada mais que eu quisesse do que abraçá-los e ajudá-los a passar por essa dor, mas essa era a única vez que eu não poderia estar lá para eles. Thomas deu um passo adiante, juntando as mãos em frente a ele depois de alisar sua gravata preta. É claro, ele decorou tudo, pensei,

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sorrindo. Eu soube depois que ele se formou na Eastern que ele tinha se mudado para a costa leste para se juntar à uma agência do governo antes de se mudar para a Califórnia. Só depois de conhecer Liis foi que eu descobri que era o FBI. Eu nunca fiquei bravo. Fazia sentido Thomas querer proteger todos os outros. Meu único arrependimento foi não ter deixado claro que ele não precisava mentir para mim, mas no momento, eu queria que ele me contasse quando estivesse pronto, no tempo dele. "Conheci Jim Maddox quando ele tinha apenas vinte e um anos. Os detalhes são nebulosos para mim, mas ele me disse mais de uma vez que foi o segundo melhor dia da vida dele... Perdendo apenas para o dia em que ele se casou com a mamãe. Eu aprendi muitas coisas com meu pai. Como ser um bom marido, um bom pai, e que não importa quantas vezes eu cometa um erro, nunca é tarde demais para começar de novo. Ele me deixou acreditar que eu estava protegendo ele, mas na verdade, ele estava me protegendo. Nós pudemos sempre contar com ele do nosso lado, mesmo quando ele estava arrebentando nossos traseiros para que não nos tornássemos completos babacas. Nós respeitávamos o papai acima de tudo, porque ele se portava com respeito. Nós o amamos porque ele emitia amor. Ele era um homem de conteúdo, um homem pacífico, e ele era o nosso herói, até o último segundo de sua vida, e eu posso dizer com absoluta certeza" - Thomas pigarreou - "Nunca houve um momento em que eu não me senti amado por ele." Ele andou de volta até seus irmãos e Shepley, e permaneceu de pé, seus ombros retos, as mãos cruzadas na frente dele, um agente especial do FBI, mesmo quando as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

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Liis, Falyn, Ellie, Camille, e Abby estavam sentadas na primeira fila com a America, lugares vazios entre elas. Jack e Deana estavam na fileira de trás, juntos com mais duas fileiras de membros do departamento de polícia com seus uniformes azuis. O resto dos assentos estavam preenchidos com a família e amigos, vizinhos e meus irmãos da Kappa Sigma, os que ainda restavam. Pessoas que haviam indo e vindo da minha vida por diferentes motivos, em momentos diferentes. Todas as pessoas que haviam marcado minha vida, e que eu carregarei comigo para a eternidade.

Diane entrou na sala, segurando a mão de Thomas, a barriga cheia com as nossas próximas duas crianças. Seus olhos brilharam de excitação. "Você está sentindo esse cheiro, Tommy?" "É nojento", disse ele, franzindo o nariz. Eu me levantei da minha cadeira e atravessei a sala, me abaixando para pegar Thomas. "Nojento? O que quer dizer nojento?" Rosnei, fazendo cócegas. Ele arqueou as costas, rindo e chutando para fugir. "Papai trabalhou durante todo o fim de semana na pintura e no carpete!" Eu o soltei. Eu pensei que ele iria correr, e estava preparado para persegui-lo, mas em vez disso, ele abraçou a minha perna. Acariciei suas costas no momento em que Diane tomava uma respiração profunda pelo nariz. Diane balançou a cabeça, olhando para o meu trabalho duro em reverência. “Você é incrível, Sr. Maddox.”

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"Geladeira nova, sofá novo... agora carpete e pintura novos? Nós vamos ter uma casa nova em folha assim que estivermos prontos pra vender". Diane me deu uma cotovelada brincando. "Nós nunca vamos vender essa casa." Thomas fingiu abanar sua mão gordinha na frente de seu nariz. "Porque é muito fedida." “Não, é maravilhosa. Esse é o cheiro da tinta e do carpete novo, e papai”, ela fez uma pausa enquanto eu me inclinei sobre sua barriga para lhe beijar os lábios – “até mesmo colocou todos os móveis de volta no lugar enquanto estávamos no supermercado”. "Oh!" Eu disse, correndo para a garagem. Eu abri o bagageiro e enchi meus braços com os sacos de papel e os levei para dentro da casa. Enquanto eu caminhava para a cozinha, eu afastei as folhas do salsão que estavam para fora da sacola, fazendo cócegas no meu rosto. Diane riu com as minhas caretas enquanto eu colocava as compras no balcão. Ela mergulhou as mãos nos sacos para guardar os vegetais frescos. "Mais dois", eu disse voltando para o carro. Ergui os sacos restantes, batendo a porta do bagageiro, e caminhei de volta, assoviando. Eu estava feliz por ter terminado a pintura e o carpete, assim nós poderíamos aproveitar a minha última noite antes do trabalho. Eu havia acabado de comemorar o meu segundo aniversário no departamento de polícia de Eakins. Nós não passávamos muitas noites de domingo juntos, e agora, poderíamos relaxar na nossa sala de estar praticamente nova.

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Eu andei através do corredor até a cozinha, congelando no meio de um passo. Thomas e Diane estavam olhando para a poça no chão, atordoados. Por meio segundo eu me preocupei com alguma garrafa quebrada, mas depois percebi que sua bolsa havia estourado. O médico teve que estourar a bolsa durante o parto do Thomas, então eu fiquei surpreso ao vê-la ali de pé com seus pés descalços, mexendo os dedos dos pés no liquido do chão. Ela ainda não tinha se queixado de quaisquer contrações. Ela grunhiu, e seus joelhos dobraram. Ela estendeu a mão para a geladeira para firmar-se. "Jim?", Ela disse, com voz estridente. "OK. Os bebês estão chegando. Não entre em pânico. Vou pegar a mala e já volto." Eu corri até as escadas, e assim que eu passei as mãos nas alças, ouvi Diane gemendo. Eu desci as escadas três degraus de cada vez, quase quebrando meu tornozelo quando cheguei no térreo. "Oh!" Diane gritou, estendendo a mão livre. Thomas estava secando a água com uma toalha. "Bom trabalho, filho. Você está pronto para conhecer suas novas irmãzinhas ou irmãozinhos?" Thomas sorriu quando eu o peguei com um braço. Apoiei o peso de Diane, segurando-a para o meu lado com os braços livres, e abaixei a cabeça para que ela pudesse passar o braço atrás do meu pescoço. Eu andei para o lado do carro, ajudando Diane a entrar. Thomas ficou de pé

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no meio do banco, acariciando os cabelos de sua mãe enquanto ela respirava. "Merda! As chaves!" "Mesa de jantar", ela disse, com a voz baixa e controlada. Ela começou seu método Lamaze, e eu virei em meus calcanhares, correndo para dentro da casa, pegando as chaves, e depois voltando para o carro. Me sentei ao volante do nosso Chevelle 1970 verde, e puxei a ré. Estiquei o braço sobre a parte superior do banco atrás de Thomas e Diane, e eu virei olhando atrás de mim enquanto pisava no acelerador. Diane segurou Thomas quando ele foi para frente com uma freada e olhou para mim com os olhos arregalados. "Leve a gente até lá inteiros, papai", disse ela. Eu balancei a cabeça, um pouco envergonhado. Eu era um policial. Pânico não deveria ser possível para mim, mas eu já estava nervoso por quatro meses e meio, sabendo que Diane ia dar a luz à gêmeos. Então, se muitas coisas podiam dar errado no parto de uma criança, imagine duas. Diane inclinou-se, pegou sua barriga com ambas as mãos e gemeu. Pisei no acelerador e corri para o hospital.

Thomas passou os braços em volta dos ombros de Trenton, enquanto Taylor estava atrás de seu gêmeo no púlpito. Tyler reajustou a

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altura do microfone, batendo na cobertura de espuma antes de gesticular para Taylor começar. Taylor olhou para Tyler com um olhar como se aquilo não tivesse sido combinado, mas ele se aproximou e se curvou. “Papai foi o melhor técnico assistente na liga. Ele tinha uma agenda cheia com horários estranhos, mas eu não me lembro dele perder um único jogo. Ele não treinava muito a gente quanto transportava os sacos de bola para a mamãe e torcia do banco. Todo mundo dizia que tínhamos os melhores pais. Quando a mamãe morreu, ninguém dizia mais, mas para nós, eles ainda eram perfeitos. Quando papai parou de sentir tanta falta da mamãe, ele retomou de onde parou. Ele treinou a nossa equipe”, ele fez uma pausa, respirando uma pequena risada "nós não ganhamos tantos jogos" a congregação riu “mas nós o amávamos, e ele nos levava para tomar sorvete depois de cada jogo, ganhando ou perdendo. Ele embalava nossos almoços, nos levava para os treinos de futebol e participava de todos os nossos jogos. Quando meu pai estava por perto, eu nunca tinha medo, ou por ele sempre saber o que dizer e fazer, ou por ele sempre estar do meu lado. Ele foi o cara mais durão que eu conheci, e meus irmãos são durões pra caramba. Eu sei que se ele tivesse que ir embora, protegendo sua família é a maneira como ele gostaria que fosse.” Taylor tocou seu punho em seu nariz. “Nós não poderíamos ter um pai melhor, e essa é a verdade. Até mesmo para nossas esposas. E meus filhos não poderiam ter um melhor Papa. Eu gostaria que tivéssemos vivido mais perto para que eles pudessem ter se conhecido melhor, mas o tempo que passou com eles, fez valer a pena. Isso é o que eu quero que todos se lembrem sobre Jim Maddox. Ele fez sua vida valer a pena.”

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Tyler abraçou seu irmão, e, em seguida, abriu um pedaço de papel. Seus lábios tremiam, e ele olhou para a multidão e depois de volta para o papel algumas vezes antes de falar. Ele limpou a garganta e, em seguida, respirou fundo. Taylor colocou a mão em seu ombro e Thomas fez o mesmo, em seguida, Travis e Trenton adicionaram sua força para seu irmão também. Os lábios de Tyler formaram um "o", e ele respirou. "Eu amo meu pai", disse ele, sua voz embargada. Ele engoliu em seco e, em seguida, sacudiu a cabeça. Thomas deu um tapinha em seu ombro para o incentivar. “Ele teve que dividir seu tempo entre cinco filhos e sua esposa, mas eu nunca senti que tinha que esperar por sua atenção. Não éramos ricos, mas eu não me lembro de desejar qualquer outra coisa. Me lembro de quando a mamãe morreu; Eu me perguntei se ele iria casar novamente porque ele sempre disse que nunca haveria uma outra mulher como nossa mãe. Quando Travis foi para a faculdade, eu perguntei se ele iria reconsiderar, pensando que talvez ele estivesse apenas se dedicando aos seus filhos. Ele disse que a única mulher que ele já amou estava esperando por ele no Céu. Eu só... Eu amo meu pai, e estou triste por ele ter partido, mas estou feliz por eles estarem juntos agora. Eles esperaram um longo tempo para estarem juntos de novo, e conforta meu coração saber que eles estão em algum lugar agora, incapazes de manter suas mãos longe um do outro, embaraçando a todos os seus amigos e parentes que se foram, assim como eles faziam com a gente.” A multidão riu. "Eles nunca passaram mais do que um plantão separados, desde o dia em que se conheceram até o dia em que a mamãe morreu, e eu sei que papai nunca superou. Então, Pai, eu estou contente... Estou tão feliz por você estar com a mamãe agora. Eu sei que

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ela está dizendo a você o quão orgulhosa ela está por você ter cuidado tão bem da gente, por que você cuidou."

"Corra!" Diane gritou, tirando o boné branco de sua cabeça, balançando ele em um grande círculo, correndo de lado pela primeira base. "Corre, corre, corre, corre!" Taylor deixou o bastão cair e correu, fugindo do pedestal tão rápido quanto suas pernas curtas permitiam. Ele finalmente chegou ao quadrado branco, pulando para cima e para baixo quando ele percebeu que tinha chegado lá antes da bola. Diane pulou com ele, gritando e torcendo, cumprimentando ele com um HighFive. Taylor sorriu como se fosse o melhor dia de sua vida. Diane voltou, batendo palmas enquanto ela corria de volta para o próximo batedor. Thomas jogou a uma nova bola do banco reserva, e ela colocou no pedestal, dizendo a Craig Porter para manter seu olho na bola e bater. Era a nossa última jogada, o último tempo, e estávamos dois pontos atrás. Craig recuou e, assim que ele rebateu, Diane se inclinou para trás, evitando por pouco que o bastão pegasse seu rosto. A bola caiu do pedestal, não atingindo nem meio caminho entre a base e a área do arremessador, mas ela gritou para ele ir. "Corre! Sim! Corra, Craigers! Corra com todo seu coração! Taylor, vai!", Ela disse, quando ela percebeu que seu filho não tinha começado a correr ainda.

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Taylor correu, mas o interbases tinha pegado a bola e jogou-a para a segunda base. Sem pensar, Taylor pulou por cima dele e continuou a correr, de pé sobre a base, tirando o boné como se ele fosse o deus do baseball. “Sim! Esses são os meus meninos!”, Ela aplaudiu, apontando para os dois na base. "Mostre pra eles!" Tyler caminhou até a placa, com olhar bravo e intimidante apesar de estar apenas ele e a bola no pedestal. "Tudo bem, filho", disse Diane, inclinando-se para agarrar os joelhos. Ela tinha um grande pedaço de chiclete rosa em sua boca, mastigando-o como se ele a tivesse deixado brava. "Você consegue. Relaxe. Olhe para a bola e bata com todo seu coração." Ela bateu três vezes, dando alguns passos de costas. Tyler era o nosso melhor batedor. Tyler respirou, mexeu os quadris, e girou. Ele bateu no pedestal e a bola saltou atrás dele. Ele franziu a testa, decepcionado com ele mesmo. Diane deu um tapinha nas suas costas uma vez. “Vamos lá, tudo bem. Deixa pra lá. É isso. Desta vez, você consegue.” Tyler balançou a cabeça e bateu o taco contra cada uma das suas pequenas chuteiras. Ele se inclinou para frente, ficando na posição, e depois bateu, lançando a bola além da área do arremessador. Ela quicou, ficando entre a segunda e a terceira base, com o interbases atrás dela. "Vai, vai, vai!", Disse Diane, acenando com seu boné. "Vá para a segunda!" Quando Taylor parou na terceira, ela o chamou para vir para

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ela. “Casa, querido! Casa, casa, casa! Continue Craig, não pare! Vá para casa, Taylor!” Taylor deslizou até a casa e, em seguida, levantou-se. Diane agarrou e abraçou-o, gritando por Craig, que chegava até a marca da casa segundos depois. A terceira base pegou a bola do interbases, e então ele atirou a bola para o receptor. "Agilidade, Maddox!" Diane latiu. Tyler correu em alta velocidade e deslizou para a casa. Quando a poeira baixou, o árbitro cruzou os braços e, em seguida, estendeu para os lados. "Seguro!" Eu gritei, correndo em direção a casa, e o time me seguiu. Nós nos amontoamos em torno de Diane, todos a abraçando, gritando e rindo. Os pais se levantaram, aplaudindo os pequenos Dodgers da Diane. Diane gritou, e ela caiu, abraçando os meninos e rindo com todos eles empilhados em cima dela. Quando a comemoração por ganhar seu último torneio terminou, e os meninos e seus pais se despediram, abracei minha esposa . "Você é feroz", eu disse. “Matt Mustang nem viu o que o acertou.” Ela sorriu, arqueando uma sobrancelha. "Eu disse que eles iriam me subestimar." "E eles fizeram. Você liderou esse time muito bem, treinadora. Ótima temporada."

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"Obrigada", ela disse, beijando minha bochecha. Ela esfregou meus bigodes com os nós dos dedos. "Eu espero que você goste da ideia de liderar um time de meninos." Eu ri, confuso. "O que você quer dizer?" Ela pegou o saco de bolas e jogou sobre os ombros. "Estou grávida." Eu parei, minha boca aberta enquanto ela caminhava para o carro. Olhei para os gêmeos. "Sério?" "Sério!", Ela gritou de volta. Ela colocou o polegar e mindinho em sua boca e soprou um apito estridente. "Vamos lá!" Thomas, Taylor e Tyler correram atrás de sua mãe. Eu soltei um suspiro, minhas bochechas encheram e, em seguida, soltei o ar. Eu balancei a cabeça uma vez. "Ok, então." Os meninos pegaram seus bastões e luvas, e eu peguei todo o resto, puxando para baixo meu boné dos pequenos Dodgers. "Vamos nessa."

Trenton se separou de Thomas, Travis, Taylor, Tyler, e Shepley, mancando ao púlpito para a sua vez. Era o terceiro funeral na nossa família em seis semanas, e a bolsa roxa sob seus olhos e os ombros caídos contavam uma história de noites sem dormir e dor. O papel fez barulho, enquanto ele desdobrava as palavras que ele havia escrito apenas alguns

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dias depois de eu ter o deixado. Estava cheio de marcas de borracha, manchas de lápis, e lágrimas secas. "Pai." Ele suspirou. “Quando eu sentei para escrever esta carta, tentei pensar sobre todos os momentos em que você foi um bom pai, e as centenas de vezes que rimos ou que você simplesmente estava lá pra mim, mas tudo o que eu consegui pensar... é que eu estou tão triste por você ter partido e em quanto eu vou sentir sua falta. Eu vou sentir falta dos seus conselhos. Você sabia tudo sobre tudo, e você sempre soube as palavras certas a dizer – tanto quando eu estava machucado ou tentando tomar uma decisão. Mesmo quando eu estava fazendo algo errado. Você nunca”, ele balançou a cabeça e apertou os lábios, tentando segurar em sua lágrimas “nos julgou. Você nos aceitou e nos amou por quem éramos, mesmo quando quem éramos fosse difícil de amar. E você era assim com todos. Nossas esposas o chamavam de pai, e era real para elas. Olive... te chamava de Papa, e ela falava sério, e eu estou feliz em saber que onde quer que esteja, vocês estão juntos. Vou sentir falta de você contar histórias sobre a mamãe. Eu me sentia mais perto dela, não importa quantos anos se passavam, porque quando você falava sobre ela, você falava como se ela ainda estivesse aqui. Estou feliz que você pode finalmente estar com ela de novo. Eu vou sentir falta de muitas coisas sobre você, Pai. Eu não poderia listar tudo. Mas todos nós tivemos sorte de ter você pelo tempo que tivemos. Todos que cruzaram seu caminho eram melhores por isso, e eles foram mudados para sempre. E agora, nós vamos mudar para sempre, porque você se foi.”

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"Fiquem longe da rua", disse Thomas a seus irmãos idênticos mais novos. Os carros de bombeiro de brinquedo dos gêmeos estavam correndo pela calçada à dois blocos para frente, colidindo um com o outro sem perder o controle. A mãozinha de Trenton estava na minha enquanto ele gingava ao meu lado, a fralda enrugando enquanto ele andava, mesmo sob as calças de veludo e as calças de pijama. Ele estava empacotado como um bebê esquimó, nariz e bochechas vermelhas do vento gelado. Thomas conduzia os gêmeos de volta para o centro da calçada, empurrando o gorro de Taylor para baixo sobre seus ouvidos. Eu fechei meu casaco até o pescoço, tremendo sob três camadas, imaginando como Diane estava tão feliz me arrastando pela mão usando apenas um suéter e jeans de maternidade. Seu nariz, inchado pela gravidez, estava vermelho, mas ela insistia que estava à beira da sudorese. "S�� até a próxima rua!", Ela disse, encorajando os meninos a não pararem na nossa frente. "Trenton, eu não posso vê-lo quando você está aí abaixo de mim, por isso, se você parar na frente da mamãe, nós dois vamos cair como uma jaca", disse ela, dizendo para ele seguir com as mãos. "Lá!", Ela disse, apontando para a longa entrada privada. "Três mil e setecentos! Você acredita nisso?" A van praticamente nova estava parada com uma placa de VENDE-SE no para-brisa dianteiro; sua tinta vermelha praticamente invisível sob noventa centímetros de neve.

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Engoli em seco. Nossa atual van, que mal cabia nossa família de seis, ainda não estava paga. "Parece nova. Tem certeza que é o preço certo?" Ela bateu palmas. "Eu sei! É como se os céus tivessem colocado ela bem aqui na nossa frente!" Seu sorriso perfeito e a covinha no fundo de sua bochecha esquerda me derretiam toda vez, tornando impossível de dizer qualquer coisa além de sim. “Bem, vamos pegar o telefone, e eu vou marcar um horário e levar ela para um test drive”. Diane bateu palmas uma vez, segurando suas mãos em seu peito. "Sério?" Eu balancei a cabeça uma vez. "Se é o que você quer." Ela saltou, e em seguida, segurou sua barriga, olhando para baixo. "Viu? Eu não te disse? Tudo vai ficar bem, pequeno T.". "Mamãe", Trenton disse, puxando sua calça jeans. Diane lentamente manobrou seu corpo para se ajoelhar, sempre garantindo que estivesse olho a olho com qualquer um dos meninos que pedisse sua atenção. Trenton estava segurando seu dedo indicador, e ela o levou até sua boca, beijando sua mão gorducha. "Sim senhor?" "Eu gostei do carro." "Você gostou do carro?", Perguntou ela. Ela olhou para mim. "Ouviu, papai? Trenton quer o carro."

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"Então temos que comprar o carro," eu disse, encolhendo os ombros. Os sorrisos e as covinhas de Trenton e Diane brilharam em acordo. "Você ouviu isso?", Ela gritou. “Papai vai te dar o carro! Boa escolha, Trenton!” Trenton jogou os braços ao redor do pescoço de sua mãe e apertou. "Te amo, mamãe." "E eu te amo." Diane deu um beijo molhado na bochecha de Trenton, e ele limpou, embora ele ficasse mais do que feliz em receber beijos de sua mãe. Ela era uma deusa a seus olhos, capaz de qualquer coisa. Eu passava a maior parte de cada dia tentando o máximo merecêla. Eu a ajudei a ficar de pé, observando-a se apoiar, um pouco sem equilíbrio. "Calma". Eu gentilmente peguei seu queixo entre o polegar e o dedo indicador. “Eu não sei o que eu faria sem você.” Ela piscou. "Continue a dizer sim e você nunca vai ter que descobrir."

Os garotos se abraçaram, e depois de alguma argumentação, Travis deu um passo adiante. Ele agarrou cada lado do púlpito, olhando para baixo. Levou um longo tempo para ele falar. Mesmo de trás, eu

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podia ver Abby cobrir a boca, sofrendo por ambos. Meu filho mais novo cerrou os dentes, e então seus olhos percorreram a multidão. “Eu pensei sobre o que eu diria. Eu realmente... Eu não sei o que dizer por que não há palavras para isso. Nenhuma. Thomas está certo. Você sempre nos fez sentir amados, pai. Mesmo nos momentos em que não éramos amáveis. Taylor e Tyler estão certos. Você era o mais forte de nós. Você sempre nos fez sentir seguros. E como Trent disse... você falava sobre a mamãe tantas vezes que eu não posso não me sentir feliz por você estar finalmente com ela de novo. Você desejava isso mais que a vida, mas você nos amava o suficiente para ficar por aqui o tempo que ficou, e eu sou muito grato por isso. Algumas pessoas pensaram que você era um tolo por se agarrar a alguém que nunca ia voltar, mas você sabia que não seria assim. Você sabia que você é quem voltaria pra ela. Eu...” Ele suspirou. “Meus irmãos me contaram histórias sobre as outras crianças dizendo que eles gostariam de ter os nossos pais. Se eu pudesse optar por fazer tudo novamente ou ter pais diferentes para o resto da minha vida, eu escolheria você. Eu escolheria ela. Só para poder passar o tempo que passei com você.” Uma única lágrima caiu, e ele fungou uma vez. "Eu escolheria, e não há palavras para o quanto isso significa para mim. Não há palavras para o quão bonito era o amor de vocês, e isso teve um efeito nas suas crianças mesmo depois da mamãe morrer. O amor que você nos mostrou vai ficar conosco por muito tempo mais além de hoje."

Minhas

sobrancelhas

se

uniram,

e

eu

me

mexi

desconfortavelmente na cadeira ao lado da cama de hospital da minha

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esposa que tínhamos comprado no mesmo dia que chamamos o plano domiciliar. Diane estava segurando Travis com ambos os braços, tubos saindo de sua mão, abraçando-o pela última vez. Ela segurou as lágrimas até que Thomas o levou para o corredor. Ela cobriu a boca, e os seus cansados olhos olharam para mim por respostas que eu não tinha. "Ele não vai se lembrar de mim", ela sussurrou com voz entrecortada. Seu corpo tinha sido usado por quimios e radioterapias, um lenço cobria a cabeça careca. Ela tinha lutado duro por tanto tempo quanto pôde, apenas abrindo mão quando os médicos disseram que ela tinha apenas alguns dias mais com os meninos. "Ele vai se lembrar de você. Eu não vou deixar que ele esqueça." Seu lábio inferior tremeu, e ela cobriu os olhos, balançando a cabeça. "Eu sinto muito." Peguei a mão dela e apertei meus lábios contra os nós dos dedos ósseos. "Você não tem nada que se desculpar, meu amor. Você fez tudo o que podia". Ela fechou os olhos. "Estou com medo." "Você pode ter medo. Eu vou abraçar você até tudo acabar." "Eu não quero que acabe." "Eu sei", eu disse. Eu rastejando até a cama ao lado dela, deixando-a deitar a cabeça no meu peito. Ela aconchegou em mim. Eu estava usando todas as minhas forças para ficar forte por ela. Ela tinha

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sido forte por mim e para os meninos todos esses anos. Eu devia isso a ela. Diane acenou com a cabeça, e com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela descansou o rosto no meu peito. "Eu te amo, Diane. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo." Eu segurei minha esposa até que sua respiração nivelasse e depois toquei minha bochecha na sua testa quando as respirações levavam mais tempo. "Eu te amo", eu sussurrei. "Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo." Quando ela suspirou pela última vez, eu assisti a enfermeira Becky, verificar o pulso de Diane, em seguida, usar o estetoscópio. Becky puxou os fones das orelhas e ofereceu um sorriso de desculpas. "Ela se foi, Jim." Eu respirei fundo e lamentei. Eu sabia que meus filhos estavam do outro lado da porta, mas eu nunca senti tanta dor na minha vida, e eu não era forte o suficiente para segurar isso comigo. Eu segurei o rosto de Diane suavemente em minhas mãos e beijei sua bochecha. "Eu te amo." Eu a beijei novamente, minhas lágrimas molhando seu rosto. "Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo." Eu enterrei meu rosto em seu pescoço e solucei.

Travis deu um passo atrás do púlpito, e os meninos se abraçaram antes caminhar para fora do palco em uma linha reta liderada por Thomas. A canção que Diane e eu dançamos no nosso casamento tocava enquanto os rapazes preenchiam os assentos vazios ao lado de suas esposas. Trenton se curvou, seu corpo inteiro tremendo. Camille e Taylor

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ambos tocaram suas costas. Camille sussurrou em seu ouvido, e ele se inclinou a cabeça contra seu queixo. Parte de mim queria ficar, para vigiá-los e orientá-los, mas algo muito forte para ignorar estava me puxando para trás; algo que eu não tinha sido capaz de ignorar por mais de quatro décadas. Uma mão delicada tocou meu ombro, e eu me virei, vendo o rosto da minha amada esposa. Ela se sentou ao meu lado e pegou minhas mãos nas dela. Meus olhos umedecerem. "Eu estive esperando por você." Ela observou o pastor falar por alguns instantes e, em seguida, virou-se para mim, um sorriso calmo em seu rosto e lágrimas nos olhos. "Eu também." "Eu fiz o meu melhor." Eu entrelacei os dedos nos dela, e ela apertou minha mão. “Você foi perfeito. Eu sabia que você conseguiria.” Eu levei sua mão aos meus lábios e fechei os olhos. A paz que veio sobre mim era algo que eu não sentia desde antes dela morrer. Ela se levantou, me puxando em direção às portas duplas na parte de trás do auditório. "Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo”, disse ela, alcançando algo por trás dela. Ela empurrou a porta, com o sorriso pelo qual eu havia me apaixonado, andando para trás. Ela estava exatamente como era antes de ficar doente; A mulher linda, resistente e feliz de qual eu me lembrava. Eu não conseguia tirar os olhos dela, assim como eu não podia naquele

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tempo. Eu senti tanta falta de olhar para ela, mas eu olhei por cima do meu ombro uma última, vendo os meus filhos. Diane abraçou meu braço e apoiou a cabeça no meu ombro. "Eles vão ficar bem." "Eu sei." Eu beijei sua têmpora, e continuamos através das portas. Nosso passado era agora e agora estava no passado. Assim como ela tinha prometido, estávamos juntos novamente, em um momento sem nenhuma doença ou dor, só amor. E assim como o amor era real, também era o para sempre. FIM.

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A Beautiful Funeral vol. 5 (revisado) - Jamie McGuire