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na trajetória da

CONTEÚDOS BÁSICOS

Plano Nacional de Qualificação

Livro do Aluno

Formação Inicial e Continuada


MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA

ENSINO FUNDAMENTAL

Livro do Aluno LABORATÓRIO TRABALHO & FORMAÇÃO COPPE / UFRJ Rio de Janeiro 2012


PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA Presidência da República Dilma Rousseff Ministério do Trabalho e Emprego Carlos Daubt Brizola Secretaria de Políticas Públicas de Emprego Rodolfo Péres Torelly Departamento de Qualificação Marcos Antonio Teixeira Formação Técnica Geral Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia - COPPE Programa de Engenharia de Produção - PEP Laboratório Trabalho & Formação - LT&F EQUIPE LT&F Coordenação Fabio Luiz Zamberlan Elaboração Cecília Maria Murrieta Antunes Gabriella Dias de Oliveira Maria Beatriz Altenfelder Tomassini Misael Goyos de Oliveira – coordenação de projeto Vânia Souza da Silva Consultoria Especializada Marta Regina Domingues Revisão Graça Ramos

Apoio Administrativo André dos Santos Barbosa Elza Pinto Couto Jannine Salgueiro Ilustração Guilherme Campello Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica Amanda de Menezes Xavier Luisa Falcão da Cruz Instituição Gestora Fundação Universitária José Bonifácio

Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009, e a 5a edição do VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (março de 2009), da Academia Brasileira de Letras. CONTEÚDOS BÁSICOS NA TRAJETÓRIA DA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL Formação Técnica Geral – Ensino Fundamental: Livro do Aluno / Coordenação e elaboração: Laboratório Trabalho & Formação – COPPE/UFRJ. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2012. 210p. :il — (Conteúdos Básicos na Trajetória da Formação Técnica Geral) ISBN XXX-XX-XXX-XXX-X 1. Capacitação para o trabalho I. Ministério do Trabalho e Emprego. II. Série. Ficha Catalográfica Provisória


APRESENTAÇÃO É papel do Ministério do Trabalho e Emprego contribuir para a preparação do trabalhador brasileiro visando sua colocação no mercado de trabalho e privilegiando a sua atuação cidadã e o desenvolvimento do país. Assim, o MTE tem atuado na criação da oportunidade de promover melhorias na política pública de qualificação profissional, com vistas principalmente ao controle das ações e aumento da qualidade pedagógica dos cursos promovidos com os recursos públicos federais sob gestão desta pasta ministerial. Por isso, o presente material didático, em consonância com as diretrizes de articulação entre Trabalho, Educação e Desenvolvimento, características do Plano Nacional de Qualificação, tem como premissa o reconhecimento da Qualificação Profissional como direito, e o Trabalho com princípio educativo, considerando o saber acumulado pelos trabalhadores na busca pela qualidade pedagógica. Resultado de parceria do Ministério do Trabalho e Emprego com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, esta produção tem como objetivo apoiar as ações designadas como Conteúdos Básicos, que compõem todos os cursos desenvolvidos no âmbito dos Plano Nacional de Qualificação – PNQ, em complementação aos conteúdos específicos de cada ocupação. Nosso anseio, ao contar com a colaboração de instituição de reconhecida especialidade na área da educação e trabalho, materializou-se em uma proposta pedagógica de aplicação nacional, que se presta a unificar e dar qualidade à oferta de conteúdos e percursos formativos componentes dessa etapa inicial dos cursos de qualificação social e profissional. Nesse sentido, primou-se por considerar as diversidades de região e de público presentes nos programas, por meio de um processo educativo flexível e abrangente, referenciado na perspectiva de uma formação integral, que contempla o atendimento às dimensões intelectual e tecnológica na formação inicial do trabalhador. O Ministério do Trabalho e Emprego traz para si este papel: de criar os instrumentos que permitam a um número crescente de brasileiros enfrentar os desafios de um mundo em célere transformação, formado por cidadãos capazes de uma intervenção social e laboral solidária e propositiva.

Carlos Daubt Brizola Ministro do Trabalho e Emprego


Caro(a) aluno(a), aguarde a orientação do educador para preencher a ficha. Ela deve ser preenchida a lápis.

FICHA PESSOAL Este livro pertence a: DADOS PESSOAIS Sexo: F

M

Data de nascimento:

/

/

Nacionalidade:

Cole aqui seu retrato ou faça um desenho.

Naturalidade: Endereço:

s: (

Telefone RG/CPF: E-mail: MINHA IDENTIDADE Meu modo de ser: Como eu sou:

Meu sonho é:

IDENTIDADE DA TURMA O objetivo da turma é Eu pertenço à turma O sonho da turma é

)


CARTA AOS ALUNOS

Olá! Seja bem-vindo à nova etapa de sua formação profissional. Sua iniciativa de buscar novos conhecimentos e aperfeiçoamento de sua prática profissional demonstra que você está consciente de seus direitos. A formação profissional é um direito de todos. Quando você se qualifica, exerce esse direito e amplia as possibilidades de inclusão no campo de trabalho que escolheu. Esta fase do curso – Conteúdos Básicos na Trajetória da Formação Técnica Geral – será a primeira etapa deste processo de qualificação; a segunda etapa será a da formação específica na ocupação selecionada por você. A primeira etapa tem como finalidade apresentar um conjunto de conhecimentos, chamados básicos, de grande importância para que o trabalhador se situe como cidadão, conheça seus direitos, aperfeiçoe habilidades e incorpore instrumentos que facilitem seu acesso a um saber cada vez mais ampliado. Tais conteúdos permeiam a Formação Técnica Geral – FTG – que introduz a reflexão sobre temas e conceitos que se relacionam com a sua opção profissional e se aplicam também a qualquer outro campo de trabalho. A forma como os assuntos são tratados certamente vai aprimorar a sua visão crítica e, por isso, o desenvolvimento de uma postura mais segura e autônoma frente ao mundo do trabalho. Na FTG, insere-se o Projeto de Orientação Profissional – POP –, que foi estruturado numa sequência de questões e reflexões que se referem a momentos da sua vida para que você recorde e analise suas memórias de trabalho e projete seus planos de desenvolvimento profissional e pessoal. Bom estudo!

A equipe de elaboração Laboratório Trabalho & Formação


SUMÁRIO PARTE 1: Humanidade Trabalho e Relações Sociais

9

1. Apresentação coletiva

10

2. Em busca de identidades e afinidades

12

3. Arte, cultura e trabalho

19

4. Sonhos e expectativas de formação profissional

24

5. Informação organizada

28

6. Projeto de orientação profissional – POP

35

POP – Ficha 1: Minha história de trabalho

36

7. Complementação do POP FICHA 1

42

8. Trabalho e transformação

43

9. Trabalho e contradição

47

10. A escravidão no Brasil

50

11. Escravidão no trabalho: um problema atual

57

12. Histórias de trabalho

68

13. Iniciando os princípios da Formação Técnica Geral

70

POP – Ficha 2: Minha história de trabalho

74

PARTE 2: Humanidade Trabalho e Relações Sociais

76

1. Apresentação coletiva

78

2. Em busca de identidades e afinidades

84

3. Arte, cultura e trabalho

89

4. Sonhos e expectativas de formação profissional

95

5. Informação organizada

99

6. Projeto de orientação profissional – POP

103

POP – Ficha 3: Minha história de trabalho

106


7. Complementação do POP FICHA 1

132

8. Trabalho e transformação

146

9. Escravidão no trabalho: um problema atual

152

POP – Ficha 4: Minha história de trabalho

155

PARTE 3: Humanidade Trabalho e Relações Sociais

156

1. Apresentação coletiva

158

2. Em busca de identidades e afinidades

158

3. Arte, cultura e trabalho

166

4. Sonhos e expectativas de formação profissional

170

5. Informação organizada 6. Projeto de orientação profissional – POP

177

POP – Ficha 5: Minha história de trabalho

179

7. Complementação do POP FICHA 1

191

8. Trabalho e transformação

200

9. Trabalho e contradição

205

10. A escravidão no Brasil

213

11. Escravidão no trabalho: um problema atual

217

POP – Ficha 6: Minha história de trabalho

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PARTE

HUMANIDADE, TRABALHO E RELAÇÕES SOCIAIS


HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

1. IDENTIDADES Você está iniciando agora o curso básico de qualificação profissional, que é oferecido em todo o país. Várias pessoas – de diferentes regiões do Brasil, de diferentes idades, mulheres ou homens, jovens ou adultos – podem estar, neste momento, abrindo as páginas de um livro igual a este, com um mesmo objetivo: o desenvolvimento social e profissional. O trabalho em nossas vidas tem uma importância central. Por meio dele, podemos satisfazer nossas necessidades, adquirir novos saberes, ingressar e crescer em uma profissão e, ainda, fortalecer nossa participação cidadã. Nosso tema central neste curso será também o trabalho, mas abordaremos questões como comunicação, direitos e deveres, qualidade de vida, entre outras, de modo que possamos pensar melhor o trabalho nos dias de hoje.

ATIVIDADE 1 Quem somos? CONVERSA DE TODOS

Toda vez que a chamada Conversa de todos, com a sua representação simbólica, é indicada no livro, todos vão falar sobre um determinado tema. É o momento de você dar sua opinião, expor o que pensa, contribuir com seus saberes e suas experiências, e, também, é a hora de ouvir os demais, trocar ideias, analisar diferentes visões de mundo e buscar conhecimentos e práticas renovadas. A turma irá conversar seguindo um roteiro de questões. Cada aluno irá responder às duas primeiras perguntas iniciais e a mais uma pergunta na sequência do roteiro. Você pode responder usando a linguagem que quiser, por meio da expressão oral, escrita ou gestual, ou ainda juntar linguagens, utilizando várias formas de comunicação de suas ideias e sentimentos, como: a mímica (com gestos, expressões faciais e posturas corporais), a musical (cantando as respostas), o desenho, a dramatização etc. Quem decide a forma de expressão, isto é, as linguagens que utilizará ao se comunicar, é você.

12

CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

Roteiro de perguntas para apresentação PERGUNTAS INICIAIS ■ Qual o é seu nome? Como você prefere ser chamado: pelo nome, pelo sobrenome ou por um apelido? ■ Como soube do curso? Alguém da sua família, da sua comunidade ou do seu trabalho apoiou ou influenciou seu ingresso no curso? PERGUNTAS SEQUENCIAIS 1

Você gosta de ganhar ou plantar flores?

2

Você gosta da cidade em que vive? Por quê?

3

Você acha importante sonhar com o futuro? Por quê?

4

Você acha que homens e mulheres devem ter os direitos iguais? Por quê?

5

Você acha que os jovens têm os mesmos direitos que os adultos? Por quê?

6

Você gosta de conversar com os mais velhos? Por quê?

7

Neste ano, você já parou para ver o pôr do sol?

8

Você nasceu no campo ou na cidade? E os seus pais?

9

O que você lê no seu dia a dia?

10

Se você fosse responder ao censo demográfico qual é sua cor, o que você responderia? Por quê?

11

De que tipo de música você gosta? Você quer cantar um trecho?

12

Você pratica algum esporte?

13

O que você mais gosta de fazer quando está de folga? Com quem?

14

Você gosta de dançar?

15

Você tem o hábito de tomar café e comer pão com manteiga?

16

Gostaria de incluir alguma pergunta no roteiro? Qual?

PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

O QUE PENSO, O QUE SINTO É hora de realizar uma atividade individual. O que penso, o que sinto é o momento em que você irá escrever suas opiniões pessoais, impressões, escolhas etc. Faça neste espaço o seu registro criando uma memória de seus pensamentos e saberes. Então, o que pensou e sentiu ao refletir sobre as suas preferências e conhecer melhor a turma nessa primeira apresentação? Com quais questões você mais se identificou?

O direito de ser o que somos Cada pessoa tem um jeito de sentir, pensar, fazer escolhas, tomar decisões, enfrentar desafios, entender as situações que fazem parte da sua vida. As relações que estabelecemos com as outras pessoas também definem o que somos. No poema a seguir, que você vai ler com a sua turma, a autora trata de preferências, necessidades e desejos do trabalhador que devem ser respeitados. Vamos fazer uma leitura coletiva. Cântico da rotina (Ana Miranda) Todo trabalhador tem direito a bocejar Todo trabalhador tem direito a ganhar flores Todo trabalhador tem direito a sonhar Todo trabalhador tem direito a ir ao banheiro Todo trabalhador tem direito à manteiga no pão Todo trabalhador tem direito à promoção Todo trabalhador tem direito a ver o pôr do sol Todo trabalhador tem direito a um cafezinho Todo trabalhador tem direito a ler um livro 14

CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

Todo trabalhador tem direito a um rádio de pilha Todo trabalhador tem direito a sorrir Todo trabalhador tem direito a ganhar um sorriso alheio Todo trabalhador tem direito a ficar gripado Todo trabalhador tem direito a peru no Natal Todo trabalhador tem direito à festa de aniversário Todo trabalhador tem direito a jogar pelada Todo trabalhador tem direito a dentista Todo trabalhador tem direito a andar nas nuvens Todo trabalhador tem direito a tomar sol Todo trabalhador tem direito a sentar na grama Todo trabalhador tem direito à viagem de férias Todo trabalhador tem direito a catar conchas numa praia deserta Todo trabalhador tem direito a dizer o que pensa Todo trabalhador tem direito a pensar Todo trabalhador tem direito a saber por que trabalha Todo trabalhador tem direito a se olhar no espelho Todo trabalhador tem direito a seu corpo e sua alma Fonte: Deus-Dará. São Paulo: Casa Amarela.

PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

ATIVIDADE 2 Eu e os outros CONVERSA DE TODOS

Selecione trechos do poema que você considera mais importantes e apresente para a turma justificando a sua escolha. Recite para a turma como você continuaria o poema: Todo trabalhador tem direito a ________________________________________ Todo trabalhador tem direito a ________________________________________ Conversem sobre as questões a seguir: A) Todo trabalhador tem direito a dizer o que pensa? Mas o que é dizer o que se pensa? B) Vocês acham que o diálogo pode ajudar no processo de aprendizagem? C) Podemos construir novos conhecimentos ao dialogarmos com os colegas da turma e com o educador? SISTEMATIZANDO SABERES O que você faria em um grupo de trabalho para garantir o respeito ao modo de ser, seu e dos outros?

Identificação pessoal – Quem sou? Se alguém perguntar a você qual é a sua identidade, o que você responderia? A identidade de uma pessoa é um documento de identificação pessoal? É como ela se apresenta? É o time de futebol, ou a escola de samba, ou o grupo de quadrilha de festa junina a que você pertence? É a sua profissão? Podemos dizer que é tudo isso... A identidade de uma pessoa é aquilo que a faz ser única desde seu nascimento. Para que você possa observar como isso acontece, vamos ler alguns textos e refletir juntos sobre alguns aspectos da identificação social e da identidade individual e coletiva.

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

Identificação social – Como nos identificam? Na sociedade atual, o Estado reconhece a identidade única de um cidadão, documentando-a com um registro numérico e seus dados pessoais. Afinal, todos devem ter acesso à certidão de nascimento e a outros documentos de identificação que garantam o reconhecimento de sua cidadania e de seus direitos e deveres. © Divulgação

Fig. 1. Documentos de identificação, apresentados no momento da votação eleitoral.

Do nascimento à vida adulta, o cidadão vai adquirindo novos documentos de identificação, entre eles: carteira de identidade, carteira de trabalho, título de eleitor, cadastro de pessoa física, carteira de motorista; e, conforme os caminhos que segue na vida, outros documentos pessoais que demonstram a sua trajetória: os certificados de formação escolar e profissional, uma certidão de união estável, uma certidão de casamento, e assim por diante.

A vida social de um ser humano só termina com sua morte, quando a sua família terá o dever de obter o seu último documento de identificação pessoal: a certidão de óbito, que comprova que aquela pessoa, que era única no mundo, deixou de existir. Os dados da certidão de nascimento são dados pessoais determinados desde o nascimento e que usamos por toda a vida para nos identificarmos. AMPLIANDO HORIZONTES Carteira de trabalho – CTPS

Texto adaptado da fonte: <http://www.brasil.gov.br/sobre/cidadania/ documentacao/certidao-de-nascimento>. Acesso em: dez. 2011.

© Divulga ção

A Carteira de Trabalho e Previdência Social é um documento obrigatório para qualquer cidadão que vai ingressar em um trabalho formal. Este documento, ao ser preenchido pelo empregador, garante ao trabalhador acesso a direitos trabalhistas, como seguro-desemprego, benefícios da Previdência Social e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entre outros previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fig. 2.

PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

SAIBA MAIS Siglas: No Ampliando horizontes, você leu várias siglas que devem ser do conhecimento dos trabalhadores: CTPS, FGTS, CLT. As siglas são abreviaturas de documentos, instituições públicas, partidos políticos, fábricas, países, estados etc. Por exemplo: SUS – Sistema Único de Saúde; RG – documento de Registro Geral; PM – Polícia Militar; MTE – Ministério do Trabalho e Emprego; Petrobras SA – Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima; CE – Ceará. As siglas facilitam a escrita e a leitura.

Identidades individuais – Como Sou? A identidade que construímos durante a vida é bem mais expressiva que os dados de identificação social que constam em nossos documentos.

Começamos a viver em sociedade a partir do nosso nascimento, primeiro com nossa família, e depois com as comunidades às quais passamos a pertencer, como a dos amigos, dos professores e alunos da escola, e dos grupos de diversão e de trabalho. Modificamos nossa visão de mundo, expandimos nosso modo de ser na proporção em que ampliamos nossos horizontes de vida. A identidade de uma pessoa é a forma como ela se vê e se apresenta no mundo. Por isso, o jeito de falar, os valores, a profissão, a paixão por um time ou por blocos carnavalescos também ajudam a definir o modo de ser de um indivíduo. Ao mesmo tempo, o estilo de roupa que usa, a associação de moradores que frequenta, a participação em atividades de um partido político, por exemplo, podem definir a identidade coletiva de um grupo.

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

Agora, vamos parar um pouco a leitura e cada aluno irá preencher alguns itens da ficha de identificação que antecede este capítulo do livro. Essa ficha tem duas finalidades: a primeira é a de possibilitar que alguém se comunique com você caso perca o livro e alguém o encontre; a segunda é a de registrar-se como participante do curso, integrando-se à turma.

Identidades coletivas – Como Somos? Todos têm suas razões para estarem hoje neste curso, e esses motivos nos levam a um objetivo comum: a qualificação pessoal. No decorrer do curso, vocês irão interagir com seus colegas e com o educador. Alguns poderão modificar seus pontos de vista ao trocarem saberes e construírem novos conhecimentos sobre as relações sociais e o mundo do trabalho.

Construindo nosso modo de ser: Pense nas questões a seguir e comente dando exemplos da sua vivência. Conservamos valores e princípios morais que são transmitidos por nossas famílias?

Integrar-se é fazer parte de uma atividade social, inserir-se em um grupo e tornar-se membro de uma ação coletiva. Interagir é a forma como as pessoas agem em seus relacionamentos, influenciando e sendo influenciadas, transformando-se em função das semelhanças e das diferenças que neles se estabelecem.

Modificamos hábitos cotidianos quando passamos a compartilhar uma moradia com alguém com quem não vivíamos anteriormente? Os conhecimentos construídos na escola e no trabalho contribuem para modificar a nossa visão de mundo? Situações como essas são comuns em nossas vidas e nos levam a concluir que temos uma identidade própria que é uma construção pessoal. Por outro lado, ela se modifica com a ampliação da vivência social. Na nossa trajetória de vida, somos influenciados por instituições (escolas, organizações sociais e de trabalho, governo etc.), meios de comunicação (rádio, televisão, jornais etc.) e pelas identidades coletivas dos grupos sociais aos quais nos integramos e dos quais absorvemos valores, culturas e visões de mundo. Assim, seguindo nossa história de vida, construímos nosso modo de ser, que está sempre em transformação em função das relações sociais que vivenciamos a cada dia. As possibilidades de termos uma interação mais produtiva aumentam quando entendemos como é o grupo ao qual estamos nos integrando.

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

▪▪ PROJETO DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL – POP FICHA 1

MINHA EXPERIÊNCIA DE VIDA E MEU HORIZONTE DE EXPECTATIVAS Dados de Identidade Nome: Curso de qualificação profissional que escolhi:

Minha experiência e o que penso do trabalho 1. Em que tipo de trabalho estou atuando ou estive recentemente?

2. Qual é o trabalho que mais gosto de fazer? Como aprendi a fazer isso?

3. O que faço melhor? Em qual ou em quais atividades tenho maior habilidade?

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

POP 1

4. O que eu aponto de positivo e negativo no meu trabalho?

Minhas expectativas profissionais ■ Em curto prazo (1 ano):

■ Em médio prazo (3 anos):

■ Em longo prazo (6 anos):

PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

PARTE

HUMANIDADE, TRABALHO E RELAÇÕES SOCIAIS PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

1. IDENTIDADES Você está iniciando agora o curso básico de qualificação profissional, que é oferecido em todo o país. Várias pessoas – de diferentes regiões do Brasil, de diferentes idades, mulheres ou homens, jovens ou adultos – podem estar, neste momento, abrindo as páginas de um livro igual a este, com um mesmo objetivo: o desenvolvimento social e profissional. O trabalho em nossas vidas tem uma importância central. Por meio dele, podemos satisfazer nossas necessidades, adquirir novos saberes, ingressar e crescer em uma profissão e, ainda, fortalecer nossa participação cidadã. Nosso tema central neste curso será também o trabalho, mas abordaremos questões como comunicação, direitos e deveres, qualidade de vida, entre outras, de modo que possamos pensar melhor o trabalho nos dias de hoje.

ATIVIDADE 1 Quem somos? CONVERSA DE TODOS

Toda vez que a chamada Conversa de todos, com a sua representação simbólica, é indicada no livro, todos vão falar sobre um determinado tema. É o momento de você dar sua opinião, expor o que pensa, contribuir com seus saberes e suas experiências, e, também, é a hora de ouvir os demais, trocar ideias, analisar diferentes visões de mundo e buscar conhecimentos e práticas renovadas. A turma irá conversar seguindo um roteiro de questões. Cada aluno irá responder às duas primeiras perguntas iniciais e a mais uma pergunta na sequência do roteiro. Você pode responder usando a linguagem que quiser, por meio da expressão oral, escrita ou gestual, ou ainda juntar linguagens, utilizando várias formas de comunicação de suas ideias e sentimentos, como: a mímica (com gestos, expressões faciais e posturas corporais), a musical (cantando as respostas), o desenho, a dramatização etc. Quem decide a forma de expressão, isto é, as linguagens que utilizará ao se comunicar, é você.

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 2

Roteiro de perguntas para apresentação PERGUNTAS INICIAIS ■ Qual o é seu nome? Como você prefere ser chamado: pelo nome, pelo sobrenome ou por um apelido? ■ Como soube do curso? Alguém da sua família, da sua comunidade ou do seu trabalho apoiou ou influenciou seu ingresso no curso? PERGUNTAS SEQUENCIAIS 1

Você gosta de ganhar ou plantar flores?

2

Você gosta da cidade em que vive? Por quê?

3

Você acha importante sonhar com o futuro? Por quê?

4

Você acha que homens e mulheres devem ter os direitos iguais? Por quê?

5

Você acha que os jovens têm os mesmos direitos que os adultos? Por quê?

6

Você gosta de conversar com os mais velhos? Por quê?

7

Neste ano, você já parou para ver o pôr do sol?

8

Você nasceu no campo ou na cidade? E os seus pais?

9

O que você lê no seu dia a dia?

10

Se você fosse responder ao censo demográfico qual é sua cor, o que você responderia? Por quê?

11

De que tipo de música você gosta? Você quer cantar um trecho?

12

Você pratica algum esporte?

13

O que você mais gosta de fazer quando está de folga? Com quem?

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Você gosta de dançar?

15

Você tem o hábito de tomar café e comer pão com manteiga?

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Gostaria de incluir alguma pergunta no roteiro? Qual?

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

O QUE PENSO, O QUE SINTO É hora de realizar uma atividade individual. O que penso, o que sinto é o momento em que você irá escrever suas opiniões pessoais, impressões, escolhas etc. Faça neste espaço o seu registro criando uma memória de seus pensamentos e saberes. Então, o que pensou e sentiu ao refletir sobre as suas preferências e conhecer melhor a turma nessa primeira apresentação? Com quais questões você mais se identificou?

O direito de ser o que somos Cada pessoa tem um jeito de sentir, pensar, fazer escolhas, tomar decisões, enfrentar desafios, entender as situações que fazem parte da sua vida. As relações que estabelecemos com as outras pessoas também definem o que somos. No poema a seguir, que você vai ler com a sua turma, a autora trata de preferências, necessidades e desejos do trabalhador que devem ser respeitados. Vamos fazer uma leitura coletiva. Cântico da rotina (Ana Miranda) Todo trabalhador tem direito a bocejar Todo trabalhador tem direito a ganhar flores Todo trabalhador tem direito a sonhar Todo trabalhador tem direito a ir ao banheiro Todo trabalhador tem direito à manteiga no pão Todo trabalhador tem direito à promoção Todo trabalhador tem direito a ver o pôr do sol Todo trabalhador tem direito a um cafezinho Todo trabalhador tem direito a ler um livro 26

CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 2

Todo trabalhador tem direito a um rádio de pilha Todo trabalhador tem direito a sorrir Todo trabalhador tem direito a ganhar um sorriso alheio Todo trabalhador tem direito a ficar gripado Todo trabalhador tem direito a peru no Natal Todo trabalhador tem direito à festa de aniversário Todo trabalhador tem direito a jogar pelada Todo trabalhador tem direito a dentista Todo trabalhador tem direito a andar nas nuvens Todo trabalhador tem direito a tomar sol Todo trabalhador tem direito a sentar na grama Todo trabalhador tem direito à viagem de férias Todo trabalhador tem direito a catar conchas numa praia deserta Todo trabalhador tem direito a dizer o que pensa Todo trabalhador tem direito a pensar Todo trabalhador tem direito a saber por que trabalha Todo trabalhador tem direito a se olhar no espelho Todo trabalhador tem direito a seu corpo e sua alma Fonte: Deus-Dará. São Paulo: Casa Amarela.

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

ATIVIDADE 2 Eu e os outros CONVERSA DE TODOS

Selecione trechos do poema que você considera mais importantes e apresente para a turma justificando a sua escolha. Recite para a turma como você continuaria o poema: Todo trabalhador tem direito a ________________________________________ Todo trabalhador tem direito a ________________________________________ Conversem sobre as questões a seguir: A) Todo trabalhador tem direito a dizer o que pensa? Mas o que é dizer o que se pensa? B) Vocês acham que o diálogo pode ajudar no processo de aprendizagem? C) Podemos construir novos conhecimentos ao dialogarmos com os colegas da turma e com o educador? SISTEMATIZANDO SABERES O que você faria em um grupo de trabalho para garantir o respeito ao modo de ser, seu e dos outros?

Identificação pessoal – Quem sou? Se alguém perguntar a você qual é a sua identidade, o que você responderia? A identidade de uma pessoa é um documento de identificação pessoal? É como ela se apresenta? É o time de futebol, ou a escola de samba, ou o grupo de quadrilha de festa junina a que você pertence? É a sua profissão? Podemos dizer que é tudo isso... A identidade de uma pessoa é aquilo que a faz ser única desde seu nascimento. Para que você possa observar como isso acontece, vamos ler alguns textos e refletir juntos sobre alguns aspectos da identificação social e da identidade individual e coletiva.

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PARTE 2

Identificação social – Como nos identificam? Na sociedade atual, o Estado reconhece a identidade única de um cidadão, documentando-a com um registro numérico e seus dados pessoais. Afinal, todos devem ter acesso à certidão de nascimento e a outros documentos de identificação que garantam o reconhecimento de sua cidadania e de seus direitos e deveres. © Divulgação

Fig. 1. Documentos de identificação, apresentados no momento da votação eleitoral.

Do nascimento à vida adulta, o cidadão vai adquirindo novos documentos de identificação, entre eles: carteira de identidade, carteira de trabalho, título de eleitor, cadastro de pessoa física, carteira de motorista; e, conforme os caminhos que segue na vida, outros documentos pessoais que demonstram a sua trajetória: os certificados de formação escolar e profissional, uma certidão de união estável, uma certidão de casamento, e assim por diante.

A vida social de um ser humano só termina com sua morte, quando a sua família terá o dever de obter o seu último documento de identificação pessoal: a certidão de óbito, que comprova que aquela pessoa, que era única no mundo, deixou de existir. Os dados da certidão de nascimento são dados pessoais determinados desde o nascimento e que usamos por toda a vida para nos identificarmos. AMPLIANDO HORIZONTES Carteira de trabalho – CTPS

Texto adaptado da fonte: <http://www.brasil.gov.br/sobre/cidadania/ documentacao/certidao-de-nascimento>. Acesso em: dez. 2011.

© Divulga ção

A Carteira de Trabalho e Previdência Social é um documento obrigatório para qualquer cidadão que vai ingressar em um trabalho formal. Este documento, ao ser preenchido pelo empregador, garante ao trabalhador acesso a direitos trabalhistas, como seguro-desemprego, benefícios da Previdência Social e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entre outros previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fig. 2.

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

SAIBA MAIS Siglas: No Ampliando horizontes, você leu várias siglas que devem ser do conhecimento dos trabalhadores: CTPS, FGTS, CLT. As siglas são abreviaturas de documentos, instituições públicas, partidos políticos, fábricas, países, estados etc. Por exemplo: SUS – Sistema Único de Saúde; RG – documento de Registro Geral; PM – Polícia Militar; MTE – Ministério do Trabalho e Emprego; Petrobras SA – Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima; CE – Ceará. As siglas facilitam a escrita e a leitura.

Identidades individuais – Como Sou? A identidade que construímos durante a vida é bem mais expressiva que os dados de identificação social que constam em nossos documentos.

Começamos a viver em sociedade a partir do nosso nascimento, primeiro com nossa família, e depois com as comunidades às quais passamos a pertencer, como a dos amigos, dos professores e alunos da escola, e dos grupos de diversão e de trabalho. Modificamos nossa visão de mundo, expandimos nosso modo de ser na proporção em que ampliamos nossos horizontes de vida. A identidade de uma pessoa é a forma como ela se vê e se apresenta no mundo. Por isso, o jeito de falar, os valores, a profissão, a paixão por um time ou por blocos carnavalescos também ajudam a definir o modo de ser de um indivíduo. Ao mesmo tempo, o estilo de roupa que usa, a associação de moradores que frequenta, a participação em atividades de um partido político, por exemplo, podem definir a identidade coletiva de um grupo.

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 2

Agora, vamos parar um pouco a leitura e cada aluno irá preencher alguns itens da ficha de identificação que antecede este capítulo do livro. Essa ficha tem duas finalidades: a primeira é a de possibilitar que alguém se comunique com você caso perca o livro e alguém o encontre; a segunda é a de registrar-se como participante do curso, integrando-se à turma.

Identidades coletivas – Como Somos? Todos têm suas razões para estarem hoje neste curso, e esses motivos nos levam a um objetivo comum: a qualificação pessoal. No decorrer do curso, vocês irão interagir com seus colegas e com o educador. Alguns poderão modificar seus pontos de vista ao trocarem saberes e construírem novos conhecimentos sobre as relações sociais e o mundo do trabalho.

Construindo nosso modo de ser: Pense nas questões a seguir e comente dando exemplos da sua vivência. Conservamos valores e princípios morais que são transmitidos por nossas famílias?

Integrar-se é fazer parte de uma atividade social, inserir-se em um grupo e tornar-se membro de uma ação coletiva. Interagir é a forma como as pessoas agem em seus relacionamentos, influenciando e sendo influenciadas, transformando-se em função das semelhanças e das diferenças que neles se estabelecem.

Modificamos hábitos cotidianos quando passamos a compartilhar uma moradia com alguém com quem não vivíamos anteriormente? Os conhecimentos construídos na escola e no trabalho contribuem para modificar a nossa visão de mundo? Situações como essas são comuns em nossas vidas e nos levam a concluir que temos uma identidade própria que é uma construção pessoal. Por outro lado, ela se modifica com a ampliação da vivência social. Na nossa trajetória de vida, somos influenciados por instituições (escolas, organizações sociais e de trabalho, governo etc.), meios de comunicação (rádio, televisão, jornais etc.) e pelas identidades coletivas dos grupos sociais aos quais nos integramos e dos quais absorvemos valores, culturas e visões de mundo. Assim, seguindo nossa história de vida, construímos nosso modo de ser, que está sempre em transformação em função das relações sociais que vivenciamos a cada dia. As possibilidades de termos uma interação mais produtiva aumentam quando entendemos como é o grupo ao qual estamos nos integrando.

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

▪▪ PROJETO DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL – POP FICHA 1

MINHA EXPERIÊNCIA DE VIDA E MEU HORIZONTE DE EXPECTATIVAS Dados de Identidade Nome: Curso de qualificação profissional que escolhi:

Minha experiência e o que penso do trabalho 1. Em que tipo de trabalho estou atuando ou estive recentemente?

2. Qual é o trabalho que mais gosto de fazer? Como aprendi a fazer isso?

3. O que faço melhor? Em qual ou em quais atividades tenho maior habilidade?

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 1

POP 1

4. O que eu aponto de positivo e negativo no meu trabalho?

Minhas expectativas profissionais ■ Em curto prazo (1 ano):

■ Em médio prazo (3 anos):

■ Em longo prazo (6 anos):

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PARTE 1

PARTE

HUMANIDADE, TRABALHO E RELAÇÕES SOCIAIS PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

1. IDENTIDADES Você está iniciando agora o curso básico de qualificação profissional, que é oferecido em todo o país. Várias pessoas – de diferentes regiões do Brasil, de diferentes idades, mulheres ou homens, jovens ou adultos – podem estar, neste momento, abrindo as páginas de um livro igual a este, com um mesmo objetivo: o desenvolvimento social e profissional. O trabalho em nossas vidas tem uma importância central. Por meio dele, podemos satisfazer nossas necessidades, adquirir novos saberes, ingressar e crescer em uma profissão e, ainda, fortalecer nossa participação cidadã. Nosso tema central neste curso será também o trabalho, mas abordaremos questões como comunicação, direitos e deveres, qualidade de vida, entre outras, de modo que possamos pensar melhor o trabalho nos dias de hoje.

ATIVIDADE 1 Quem somos? CONVERSA DE TODOS

Toda vez que a chamada Conversa de todos, com a sua representação simbólica, é indicada no livro, todos vão falar sobre um determinado tema. É o momento de você dar sua opinião, expor o que pensa, contribuir com seus saberes e suas experiências, e, também, é a hora de ouvir os demais, trocar ideias, analisar diferentes visões de mundo e buscar conhecimentos e práticas renovadas. A turma irá conversar seguindo um roteiro de questões. Cada aluno irá responder às duas primeiras perguntas iniciais e a mais uma pergunta na sequência do roteiro. Você pode responder usando a linguagem que quiser, por meio da expressão oral, escrita ou gestual, ou ainda juntar linguagens, utilizando várias formas de comunicação de suas ideias e sentimentos, como: a mímica (com gestos, expressões faciais e posturas corporais), a musical (cantando as respostas), o desenho, a dramatização etc. Quem decide a forma de expressão, isto é, as linguagens que utilizará ao se comunicar, é você.

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CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 3

Roteiro de perguntas para apresentação PERGUNTAS INICIAIS ■ Qual o é seu nome? Como você prefere ser chamado: pelo nome, pelo sobrenome ou por um apelido? ■ Como soube do curso? Alguém da sua família, da sua comunidade ou do seu trabalho apoiou ou influenciou seu ingresso no curso? PERGUNTAS SEQUENCIAIS 1

Você gosta de ganhar ou plantar flores?

2

Você gosta da cidade em que vive? Por quê?

3

Você acha importante sonhar com o futuro? Por quê?

4

Você acha que homens e mulheres devem ter os direitos iguais? Por quê?

5

Você acha que os jovens têm os mesmos direitos que os adultos? Por quê?

6

Você gosta de conversar com os mais velhos? Por quê?

7

Neste ano, você já parou para ver o pôr do sol?

8

Você nasceu no campo ou na cidade? E os seus pais?

9

O que você lê no seu dia a dia?

10

Se você fosse responder ao censo demográfico qual é sua cor, o que você responderia? Por quê?

11

De que tipo de música você gosta? Você quer cantar um trecho?

12

Você pratica algum esporte?

13

O que você mais gosta de fazer quando está de folga? Com quem?

14

Você gosta de dançar?

15

Você tem o hábito de tomar café e comer pão com manteiga?

16

Gostaria de incluir alguma pergunta no roteiro? Qual?

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O QUE PENSO, O QUE SINTO É hora de realizar uma atividade individual. O que penso, o que sinto é o momento em que você irá escrever suas opiniões pessoais, impressões, escolhas etc. Faça neste espaço o seu registro criando uma memória de seus pensamentos e saberes. Então, o que pensou e sentiu ao refletir sobre as suas preferências e conhecer melhor a turma nessa primeira apresentação? Com quais questões você mais se identificou?

O direito de ser o que somos Cada pessoa tem um jeito de sentir, pensar, fazer escolhas, tomar decisões, enfrentar desafios, entender as situações que fazem parte da sua vida. As relações que estabelecemos com as outras pessoas também definem o que somos. No poema a seguir, que você vai ler com a sua turma, a autora trata de preferências, necessidades e desejos do trabalhador que devem ser respeitados. Vamos fazer uma leitura coletiva. Cântico da rotina (Ana Miranda) Todo trabalhador tem direito a bocejar Todo trabalhador tem direito a ganhar flores Todo trabalhador tem direito a sonhar Todo trabalhador tem direito a ir ao banheiro Todo trabalhador tem direito à manteiga no pão Todo trabalhador tem direito à promoção Todo trabalhador tem direito a ver o pôr do sol Todo trabalhador tem direito a um cafezinho Todo trabalhador tem direito a ler um livro 38

CONTEÚDOS BÁSICOS NA FORMAÇÃO TÉCNICA GERAL


PARTE 3

Todo trabalhador tem direito a um rádio de pilha Todo trabalhador tem direito a sorrir Todo trabalhador tem direito a ganhar um sorriso alheio Todo trabalhador tem direito a ficar gripado Todo trabalhador tem direito a peru no Natal Todo trabalhador tem direito à festa de aniversário Todo trabalhador tem direito a jogar pelada Todo trabalhador tem direito a dentista Todo trabalhador tem direito a andar nas nuvens Todo trabalhador tem direito a tomar sol Todo trabalhador tem direito a sentar na grama Todo trabalhador tem direito à viagem de férias Todo trabalhador tem direito a catar conchas numa praia deserta Todo trabalhador tem direito a dizer o que pensa Todo trabalhador tem direito a pensar Todo trabalhador tem direito a saber por que trabalha Todo trabalhador tem direito a se olhar no espelho Todo trabalhador tem direito a seu corpo e sua alma Fonte: Deus-Dará. São Paulo: Casa Amarela.

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ATIVIDADE 2 Eu e os outros CONVERSA DE TODOS

Selecione trechos do poema que você considera mais importantes e apresente para a turma justificando a sua escolha. Recite para a turma como você continuaria o poema: Todo trabalhador tem direito a ________________________________________ Todo trabalhador tem direito a ________________________________________ Conversem sobre as questões a seguir: A) Todo trabalhador tem direito a dizer o que pensa? Mas o que é dizer o que se pensa? B) Vocês acham que o diálogo pode ajudar no processo de aprendizagem? C) Podemos construir novos conhecimentos ao dialogarmos com os colegas da turma e com o educador? SISTEMATIZANDO SABERES O que você faria em um grupo de trabalho para garantir o respeito ao modo de ser, seu e dos outros?

Identificação pessoal – Quem sou? Se alguém perguntar a você qual é a sua identidade, o que você responderia? A identidade de uma pessoa é um documento de identificação pessoal? É como ela se apresenta? É o time de futebol, ou a escola de samba, ou o grupo de quadrilha de festa junina a que você pertence? É a sua profissão? Podemos dizer que é tudo isso... A identidade de uma pessoa é aquilo que a faz ser única desde seu nascimento. Para que você possa observar como isso acontece, vamos ler alguns textos e refletir juntos sobre alguns aspectos da identificação social e da identidade individual e coletiva.

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PARTE 3

Identificação social – Como nos identificam? Na sociedade atual, o Estado reconhece a identidade única de um cidadão, documentando-a com um registro numérico e seus dados pessoais. Afinal, todos devem ter acesso à certidão de nascimento e a outros documentos de identificação que garantam o reconhecimento de sua cidadania e de seus direitos e deveres. © Divulgação

Fig. 1. Documentos de identificação, apresentados no momento da votação eleitoral.

Do nascimento à vida adulta, o cidadão vai adquirindo novos documentos de identificação, entre eles: carteira de identidade, carteira de trabalho, título de eleitor, cadastro de pessoa física, carteira de motorista; e, conforme os caminhos que segue na vida, outros documentos pessoais que demonstram a sua trajetória: os certificados de formação escolar e profissional, uma certidão de união estável, uma certidão de casamento, e assim por diante.

A vida social de um ser humano só termina com sua morte, quando a sua família terá o dever de obter o seu último documento de identificação pessoal: a certidão de óbito, que comprova que aquela pessoa, que era única no mundo, deixou de existir. Os dados da certidão de nascimento são dados pessoais determinados desde o nascimento e que usamos por toda a vida para nos identificarmos. AMPLIANDO HORIZONTES Carteira de trabalho – CTPS

Texto adaptado da fonte: <http://www.brasil.gov.br/sobre/cidadania/ documentacao/certidao-de-nascimento>. Acesso em: dez. 2011.

© Divulga ção

A Carteira de Trabalho e Previdência Social é um documento obrigatório para qualquer cidadão que vai ingressar em um trabalho formal. Este documento, ao ser preenchido pelo empregador, garante ao trabalhador acesso a direitos trabalhistas, como seguro-desemprego, benefícios da Previdência Social e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entre outros previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fig. 2.

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HOMEM, TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO

SAIBA MAIS Siglas: No Ampliando horizontes, você leu várias siglas que devem ser do conhecimento dos trabalhadores: CTPS, FGTS, CLT. As siglas são abreviaturas de documentos, instituições públicas, partidos políticos, fábricas, países, estados etc. Por exemplo: SUS – Sistema Único de Saúde; RG – documento de Registro Geral; PM – Polícia Militar; MTE – Ministério do Trabalho e Emprego; Petrobras SA – Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima; CE – Ceará. As siglas facilitam a escrita e a leitura.

Identidades individuais – Como Sou? A identidade que construímos durante a vida é bem mais expressiva que os dados de identificação social que constam em nossos documentos.

Começamos a viver em sociedade a partir do nosso nascimento, primeiro com nossa família, e depois com as comunidades às quais passamos a pertencer, como a dos amigos, dos professores e alunos da escola, e dos grupos de diversão e de trabalho. Modificamos nossa visão de mundo, expandimos nosso modo de ser na proporção em que ampliamos nossos horizontes de vida. A identidade de uma pessoa é a forma como ela se vê e se apresenta no mundo. Por isso, o jeito de falar, os valores, a profissão, a paixão por um time ou por blocos carnavalescos também ajudam a definir o modo de ser de um indivíduo. Ao mesmo tempo, o estilo de roupa que usa, a associação de moradores que frequenta, a participação em atividades de um partido político, por exemplo, podem definir a identidade coletiva de um grupo.

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PARTE 3

Agora, vamos parar um pouco a leitura e cada aluno irá preencher alguns itens da ficha de identificação que antecede este capítulo do livro. Essa ficha tem duas finalidades: a primeira é a de possibilitar que alguém se comunique com você caso perca o livro e alguém o encontre; a segunda é a de registrar-se como participante do curso, integrando-se à turma.

Identidades coletivas – Como Somos? Todos têm suas razões para estarem hoje neste curso, e esses motivos nos levam a um objetivo comum: a qualificação pessoal. No decorrer do curso, vocês irão interagir com seus colegas e com o educador. Alguns poderão modificar seus pontos de vista ao trocarem saberes e construírem novos conhecimentos sobre as relações sociais e o mundo do trabalho.

Construindo nosso modo de ser: Pense nas questões a seguir e comente dando exemplos da sua vivência. Conservamos valores e princípios morais que são transmitidos por nossas famílias?

Integrar-se é fazer parte de uma atividade social, inserir-se em um grupo e tornar-se membro de uma ação coletiva. Interagir é a forma como as pessoas agem em seus relacionamentos, influenciando e sendo influenciadas, transformando-se em função das semelhanças e das diferenças que neles se estabelecem.

Modificamos hábitos cotidianos quando passamos a compartilhar uma moradia com alguém com quem não vivíamos anteriormente? Os conhecimentos construídos na escola e no trabalho contribuem para modificar a nossa visão de mundo? Situações como essas são comuns em nossas vidas e nos levam a concluir que temos uma identidade própria que é uma construção pessoal. Por outro lado, ela se modifica com a ampliação da vivência social. Na nossa trajetória de vida, somos influenciados por instituições (escolas, organizações sociais e de trabalho, governo etc.), meios de comunicação (rádio, televisão, jornais etc.) e pelas identidades coletivas dos grupos sociais aos quais nos integramos e dos quais absorvemos valores, culturas e visões de mundo. Assim, seguindo nossa história de vida, construímos nosso modo de ser, que está sempre em transformação em função das relações sociais que vivenciamos a cada dia. As possibilidades de termos uma interação mais produtiva aumentam quando entendemos como é o grupo ao qual estamos nos integrando.

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▪▪ PROJETO DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL – POP FICHA 1

MINHA EXPERIÊNCIA DE VIDA E MEU HORIZONTE DE EXPECTATIVAS Dados de Identidade Nome: Curso de qualificação profissional que escolhi:

Minha experiência e o que penso do trabalho 1. Em que tipo de trabalho estou atuando ou estive recentemente?

2. Qual é o trabalho que mais gosto de fazer? Como aprendi a fazer isso?

3. O que faço melhor? Em qual ou em quais atividades tenho maior habilidade?

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PARTE 1

POP 1

4. O que eu aponto de positivo e negativo no meu trabalho?

Minhas expectativas profissionais ■ Em curto prazo (1 ano):

■ Em médio prazo (3 anos):

■ Em longo prazo (6 anos):

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Realização:


FTG - PNQ. Livro do aluno.