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SÍNTESE A sustentabilidade dos territórios depende, em grande parte, da resiliência das comunidades mas também das políticas implementadas a nível local.

Ludovina Maria Costa Lopes Margarido

Vender local Vs comprar global

Mestre em Sistemas Integrados de Gestão

Uma questão de sustentabilidade

9 de março de 2017


Vender local Vs comprar global | Ludovina Margarido

Numa sociedade mediatizada e global importa perceber até onde podemos aceitar as regrar de uniformização impostas pelo mercado. Como professora e responsável por um equipamento municipal tenho sempre a preocupação de referir, nas ações de sensibilização que faço com crianças e jovens, a importância da produção de bens de primeira necessidade de forma responsável e em harmonia com a natureza: a produção de alimentos em modo biológico ou até de forma tradicional, sem recurso a químicos e pesticidas proporciona alimentos mais saborosos e com benefícios para a saúde. O mesmo acontece com a produção animal para consumo humano ou para produção indireta de alimentos como leite ou ovos… até aqui é tudo muito bonito e edílico… se tivermos em conta as pequenas produções! Ideal ou idealista? Ambas. Ambas porque a pequena produção é necessária, não só como sinónimo de auto suficiência de quem os produz mas também porque os excessos de produção, supostamente, entrariam no mercado formando uma “espiral” cujos benefícios são importantes para a economia… mas a verdade é que esta equação tem uma incógnita que não podemos escamotear: como podem entrar esses produtos na economia? Como podem ser feitas estas vendas a nível local? Não podem. Como dona de um restaurante não posso servir à mesa, aos meus clientes, aquelas batatas que o meu vizinho produz em pequenas quantidades ou aquele azeite virgem, produzido de forma biológica que levaria aos céus o palato de qualquer mortal! E não posso porque lhe falta “o selo”! infelizmente as normativas europeias, que vieram introduzir regras na produção e comercialização dos bens encontraram em Portugal um território onde tudo é levado à letra… na mesma União Europeia, noutros países, as produções locais são acarinhadas e o seu comércio é incentivado e valorizado. É facilitado ao agricultor um selo com o seu número de produtor e com as características do produto e os bens são escoados ao preço justo. Assim se cria valor para quem produz e para quem consome. Deixa de haver intermediários, essa “classe” que enriquece à custa do suor dos que trabalham a terra com as mãos! Nestas e noutras matérias, Portugal continua a viver num regime onde se é ”mais papista que o papa” ! Ludovina Lopes Margarido Docente, Técnica Superior e Mestre em Sistemas Integrados de Gestão

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