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SÍNTESE Precisamos de agir! O tempo disponível para refletir já passou!

Ludovina Maria Costa Lopes Margarido Mestre em Sistemas Integrados de Gestão

Repensar a nossa postura perante o Ambiente …

Missão urgente

5 de junho de 2016


Hoje, dia 5 de junho celebra-se o Dia Mundial do Ambiente. Desde que iniciei a minha carreira profissional como docente que este dia se revestiu sempre de um significado especial. Criada numa quinta, em plena convivência com a Natureza, o Ambiente e a Biodiversidade sempre ocuparam um lugar de enorme importância na minha vida. Ao longo da minha infância subir ao barroco grande que se situa no cimo do monte ou procurar flores e plantas entre as pedras, observar as formigas ou deliciar-me com o coaxar das rãs nas noites de verão são vivências que me acompanham desde sempre! Hoje, passado quase meio século de vida e quase três décadas de vida profissional faço um pequeno balanço da minha atuação. Tentei sempre diminuir a pegada ecológica da minha passagem pelo planeta. Sempre respeitei e protegi a natureza entendendo como missão de todos e de cada um de nós a manutenção da “casa comum”. Quer no papel de cidadã quer no papel de mãe ou até de docente tentei sempre colocar em prática algumas regras que entendo incontornáveis na nossa efémera passagem por esta vida e pelo planeta. Delas destaco o amor e respeito pelos “Gigantes Verdes”. Talvez porque toda a infância vivida na quinta foi desprovida de árvores já que o sítio era inóspito e pedregoso, as poucas árvores que aí existiam eram tratadas como rainhas… plantar muitas mais (neste momento serão cerca de duzentas), cuidar das existentes, mimá-las, regá-las, conhecê-las pelo nome… a outra foi sempre o pavor pelo lixo! Perto da quinta havia uma lixeira e não raramente o cheiro nauseabundo e o fumo obrigavam a fechar janelas e portas, principalmente nos dias quentes de verão! Daí, para mim, a regra dos 3 R’s ter sido desde sempre uma preocupação: reutilizar as roupas velhas numa altura em que o rendimento familiar era curto, aprender com a mãe e costurar e a aproveitar as produções da quinta para encher a dispensa de doces e conservas, aprender a fazer o pão, o queijo, enfim, um sem número de coisas que aprendi a fazer quando criança e que aprendi a valorizar depois de adulta. Cedo aprendi também a distinguir os legumes na horta e a cuidar deles. Os sabores verdadeiros das verduras produzidas sem químicos, tornaram o meu palato altamente exigente enquanto consumidora! Sempre tentei passar às minhas filhas e aos meus alunos e estagiários esta ideia: é preciso conhecer, aprender a fazer e meter as “mãos na massa”, ser empreendedor! Nada se compara à satisfação de comer algo semeado por nós ou feito por nós! Dignifica a nossa qualidade de seres humanos e valoriza a nossa passagem por cá! Hoje, percebendo a dificuldade crescente para alimentar tantas bocas no planeta, reformulo todos os dias a minha postura perante a alimentação… é preciso alimentar as crianças que morrem de fome em tantos países do mundo, é necessário alimentar os refugiados, sem pátria


e sem casa, é preciso controlar doenças e epidemias, e é preciso fazer tudo isto sem agredir o planeta terra, sem perturbar o seu já tão frágil equilíbrio. A tarefa é hercúlea e cada vez mais complicada, é um facto… e por isso fui virando a minha atenção para os pequenos pormenores que creio poderem fazer a diferença: as plantas selvagens que são comestíveis (e grátis na natureza), as plantas medicinais que podem aliviar e curar tantas doenças, as pequenas produções artesanais que tanto contribuem para a sustentabilidade das populações… Acredito que num futuro próximo só será possível cumprir esta missão com uma forte aposta no desenvolvimento e na ciência: descobrir outras maneiras de produzir alimentos, de forma mais fácil, mais sustentável e amiga do ambiente, com recursos às novas tecnologias! Precisamos dos nossos jovens, da sua capacidade de inovar, de pôr em prática novos conhecimentos! Precisamos, também, urgentemente, de repensar a nossa alimentação, o desperdício de alimentos, o uso abusivo da carne e do peixe em detrimento dos legumes, precisamos, precisamos… precisamos de agir! O tempo disponível para refletir já passou!

Ludovina Lopes Margarido Docente, Técnica Superior e Mestre em Sistemas Integrados de Gestão

Missão urgente  

É preciso repensar a nossa postura perante o Ambiente. Precisamos de agir! O tempo disponível para refletir já passou!

Missão urgente  

É preciso repensar a nossa postura perante o Ambiente. Precisamos de agir! O tempo disponível para refletir já passou!

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