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Vida doce, mas sem açúcar As mães, geralmente, tentam evitar o excesso de doces na alimentação dos filhos. Mas imagine a infância sem eles. No cardápio dos diabéticos essas guloseimas nem mesmo figuram. Os pequenos aprendem desde cedo que podem ter uma vida doce, sem açúcar. De início, eles têm dificuldade em negar as inúmeras ofertas, que podem aparecer na escola, em casa ou em um passeio comum. Porém, com ajuda, eles substituem os quitutes por outros sabores. Matheus, de 11 anos, aprendeu rápido. Hoje, o lanche preferido são as barras de cereais, principalmente, as que têm nozes. Para variar o cardápio, a mãe, Cladis Dunke Sabel, põe em prática receitas com baixo nível de carboidratos. Na primeira segunda-feira do mês, é dia de reunião na Associação dos Diabéticos de Joinville (Adijo). Pais e mães compartilham receitas de pratos light e, para quem tem outras restrições, sem glúten e lactose. A dieta é sugerida pela entidade e aplicada com o apoio da família. “Ele tem que saber o que nós podemos comer e o que ele pode. É uma coisa para a vida toda”, explica Cladis. Por duas vezes, Matheus não resistiu e ingeriu uma quantidade alta de açúcar. Na primeira vez, o culpado foi o bolo e depois um bombom de chocolate. Quando a mãe foi medir a taxa de açúcar no sangue (glicemia), percebeu que estava acima do normal. Depois dos sustos, Matheus contou a mãe o que tinha comido. Com as dicas de nutricionistas e outros especialistas da Adijo, as crianças e adolescentes com diabetes tiram as dúvidas sobre como lidar com a doença. “O fato de conhecerem outros pais e outras pessoas que têm o mesmo problema ajuda muito. Eles conversam sobre o que fazem em diferentes situações”, explica a doutora Flaviana. Diabetes é um distúrbio que se manifesta pela elevação da taxa de açúcar no sangue. A tipo 2 ocorre em adultos e pode afetar rins, olhos, coração e circulação sanguínea. Matheus é um insulino-dependente, tem a diabetes tipo 1, também chamada infanto-juvenil. É a doença que geralmente aparece em crianças e jovens e que necessita de insulina para o controle. Foi no hospital que Cladis aprendeu a aplicar insulina no filho. Aos poucos, ensinou Matheus a ver a quantidade certa e a hora correta para a aplicação. “Na Adijo, eu aprendi coisas novas. Antes, a gente guardava a insulina no isopor”, lembra Matheus. Agora, ele sabe que a substância deve ser armazenada em potes plásticos, para melhor conservação. Essas e outras dicas ele teve nas reuniões da Adijo. Junto com os outros amigos, Matheus tem o acompanhamento das endocrinologistas pediátricas Suely Keiko Kohara, Flaviana Dalla Vechia e Zuleica Isabel Zarabia.

É PRECISO SABER COMO LIDAR COM A DOR Quando fica sabendo que está muito doente, o paciente crônico é obrigado a lidar com a dor, e muitas vezes não está preparado. A ideia de que a morte pode estar próxima exige passar por fases, que podem ser explicadas pelo estudo dos processos de luto. Criados pelo psicanalista inglês John Bowlby, esses estágios são os seguintes:

Matheus vai às reuniões da Adijo com a mãe: lá, aprende sobre o que pode comer para conviver com a diabetes e ter uma infância divertida como a de outras crianças da mesma idade

1. O primeiro deles é o choque, o entorpecimento, uma certa dificuldade em acreditar plenamente no que está acontecendo ou na imensidão da perda sofrida. 2. A fase seguinte é a da raiva, é como se o choque provocado pela notícia fatal desse origem a uma onda de indignação. 3. O terceiro estágio é a depressão, a inação quando a enormidade do fato traumático é finalmente compreendida. 4. A quarta e última etapa é a da retomada. Nesse estágio, o paciente já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Ocorre uma redefinição de si mesmo, novos papéis, novos comportamentos. FOTOS EMERSON SOUZA

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1/8/2010 ANEXO D 11

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11ANEXOD 1/8/2010 Quando fica sabendo que está muito doente, o paciente crônico é obrigado a lidar com a dor, e muitas vezes não está prepara...

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