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FALSO ALARDE Lucio Carvalho


FALSO ALARDE Lucio Carvalho

Porto Alegre Valentine/2017


Título original em português: Falso alarde Todos os direitos reservados. © 2017 por Lucio Carvalho Copyright – Ed. do Autor Capa, editoração e revisão – Edições Valentine http://www.ed-valentine.com Edição limitada Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistemas de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação etc., sem a permissão do detentor do copirraite. ISBN: 9781544187990 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) __________________________________________________________ C331f Carvalho, Lucio Falso alarde / Lucio Carvalho. Porto Alegre [RS] : Valentine, 2017. 268 p. ; 17 x 25 cm ISBN: 9781544187990 1. Poesia brasileira I. Título CDU: 821.134.3(81)-1 __________________________________________________________ CRB-10 1337 Edições Valentine


CONTEÚDO I – Falso Alarde _p. 7 II – À Natureza _p. 79 III – Morphopolis _p. 121 IV – A Fome Nasce Dentro dos Dentes _p. 187


FALSO ALARDE


Licores Do tempo só tenho as costas das mãos impressas em azul dessa tinta rompida agora mesmo, nas veias. O gosto de memórias nas glândulas da boca brinca comigo e é só por isso que nunca delas eu nada digo. Já as engoli todas por inteiro (é a verdade) pouco antes do jantar e logo será a hora do chá ou dos licores. Vamos à varanda encontrar o céu antigo tenho de mostrar antes que eu morra o que a vida é (e o que ela faz comigo).

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O plano inclinado Não é de agora que os patos migram silvestres, que os cacos caem quebrados, mas, a partir de amanhã, tudo será diferente. Os números ímpares, de dois em dois. O vento preencherá tudo, tijolo a tijolo. E todas as coisas abstratas, de tocar, quebrarão. As filas serão circulares e aleatórias. E o sol errará de posição, nascendo a oeste (e os sapatos, ah os sapatos, finalmente eles calçarão sozinhos os pés). A partir de amanhã, mas não ainda, a faca adormecerá no meio do pão, o filete de água no canto da boca, a sede dentro do copo. E o mundo atingirá, finalmente, o estágio de compreensão das crianças enxergando a si próprio como uma brotoeja inesperada escapando ao espelho. O tempo a bordo de uma ave maluca voando sem direção encontrará um destino qualquer com o qual se conformará (e os vagabundos condecorados por terem mantido por tanto tempo a lucidez). Isso amanhã. Posso dar certeza que sim.

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Nessa noite, entretanto, tudo seguirá igual ao que tem sido anos a fio, e essa barba interminável sempre a crescer. Uns mais felizes, outros menos e outros ainda que sequer podem se ocupar disso. Sempre há tanto a fazer dirão os mais inconformados, que o mundo não pode seguir assim. Ele só anda por impulso, não tem vontade própria como uma roda num plano inclinado embora muitos duvidem disso, e revoltem-se, e os cacos se antecipem à dor. Amanhã acordo mais cedo e congelo a paisagem com os dedos. Não que já seja tarde, mas eu não gosto de dúvidas. Sou previsível como um cubo. Tenho um lado invisível, portanto, sempre prestes a me revelar. Trata-se de um inimigo foragido: eu sei de quem estou falando. Mas nessa noite eu penso em estar com a cabeça deitada nas nuvens. De suas histórias escolherei uma que saiba esquecer tudo ou pelo menos me faça dormir.

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Falso alarde  

Falso Alarde é uma seleção de poemas, entre inéditos e publicados em revistas literárias, escritos mais ou menos na última década. Edição re...

Falso alarde  

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