Issuu on Google+

Linguagem Documentรกria


MARIA LUIZA DE ALMEIDA CAMPOS

Linguagem Documentária Teorias que fundamentam sua elaboração

EdUFF EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Niterói, RJ - 2001


Copyright @2001byMariaLuizadeAlmeidaCampos Direitosdestaediçãoreservados àEdUFF - EditoradaUniversidade Federal Fluminense - RuaMigueldeFrias9- anexo- sobreloja -Icaraí- Niterói,RJCEP24.220-000 - Niterói,RJ- Brasil-Tel.:(21)704-2119 - Telefax:(21)621-6426http://www.uff.br/eduff - E-mail:eduff@vm.uff.br Éproibidaareprodução totalouparcialdestaobrasemautorização expressa da Editora. Normalização:AnamariaCosta Cruz Copidesque: Sôniapeçanha Revisão: Cacilda EggerAlfradique Digitação:CamillaPinheirodeSouza Capa:JoséLuizStalleikein Martins Projetográfico:AnaPaulaCampos Editoraçãoeletrônica:]ussara MooredeFigueiredo Supervisão gráfica:AnaPaulaCampos eKáthiaM.P.Macedo Coordenação editorial:Rieat'do Borges Catalogação-na-fonte (CIP) C198 Campos, MariaLuizadeAlmeida. Linguagem documentária: teoriasquefundamentam sua elaboração. - Niterói; RJ:EdUFF, 2001. 133p.;21em. ISBN85-228-0319-6 1.Classificação Bibliográfica 2.Catalogação porassunto etítulo CDD025.48 UNIVERSIDADEFEDERALFLUMINENSE

Reitor Cícero MauroFialhoRodrigues ViceReitor AntônioJosé dosSantos peçanha Diretorada EdUFF LauraCavalcante Padilha Comissão Editorial CéliaFrazão Linhares HildetePereira deMeioHermes deAraújo IvanRamalhodeAlmeida LuizAntonioBotelho Andrade MagnóliaBrasilBarbosa doNascimento MarcoAntonioTeixeiraPorto MarleneGomes Mendes ReginaHelenaFerreira deSouza Rogério Haesbaert daCosta SuelyDruck VeraReginaSallesSobral VirgíniaMariaGomes deMattosFontes


A minha mestraHagar, ensinandosempre que aprender ĂŠ secomover.


-AGRADECIMENTOS

"Ser um com o todo, essa é a vida do divino, esse,o céu dos homens." Friedrich H61derlin, Hipérion, 1994

Todotrabalhodepesquisaseconfigura,emcertamedida,emuma atividadesolitária.Porém,nestecaminho,encontramosmuitosamigos quequeremcompartilharconoscoa alegriadeconhecer, dedescobrire, porvezes,apenasdenosouvir.Assim,queroagradecer imensamente a orientaçãoquerecebi,emtodasasfasesdeminhapesquisa demestrado, deHagarEspanhaGomes. Osseusensinamentos, sempretãopertinentes, foramfundamentaisparaosmeusestudos. Meusagradecimentos ao Departamentode Ensinoe Pesquisado InstitutoBrasileirodeInformaçõesemCiênciae Tecnologia(IBICT), emespecialàsprofessoras LenaVaniaPinheiro,MariaNélidaGonzalez deGomez,MariadeNazaréFreitasPereiraeRosaliFernandez deSouza. Ao Departamentode Documentaçãoda UniversidadeFederal Fluminense,emespecialaoscolegasLecyMariaCaldasTorres,Esther Luck,AlbaMaciel,LídiaFreitas,MariaOdilaFonseca, CarlosHenrique Marcondes deAlmeida,MaraElianeRodrigues eJoséMariaJardim.Como nãopoderiadeixardeser,agraéleço aosmeusalunostodososmomentos dealegriaeleveza,importantíssimos noatoúnicodeensinareaprender. Umcarinhoespecialà FabianadeMeioAmara!. Meusagradecimentos à EdUFFpeloapoionestaedição. Nãopoderiadeixardeagradecer aosmeuspais,YoneseMaria,eaos meusqueridosirmãos,pelo apoio,carinho e incentivoem todosos momentosdeminha vida.E aosmeussogros,Antônioe Ilda, quesão pessoas maravilhosas. Aomeumarido,porsuacompreensão, emtodosesses anos,Ricardo exerceuuma incansávelpaciência.Aosmeusfilhos,Marianae Tiago, agradeçoa alegriadeviver.


Por fim, agradeçoa todosaquelesque participaram do meu percurso.Éfundamentalencontrarpessoas tambémmovidaspeloamor àsabedoria. Aomeuirmão]onesAlbertodeAlmeidaeaosmeusamigos, Maria]oséBelém,VeraReginaCostaAbreu,MaríliadeAlmeidaMarch, MariadasGraçasAugusto,SandraReginaPorto,ElianePoppeeSérgio Guida.


-SUMÁRIO PREFÁCIO

11

CONSPECTUS 15 1 INTRODUÇÃO 17 2 TEORIA DA CLASSIFICAÇÃO FACHADA 27 2.1 CLASSIFICAÇÃOBIBLIOGRÁFICA: análise de seu desenvolvimento 28 2.1.1 Caracterização dos esquemas descritivos 33 2.1.2 Caracterização dos esquemas com base na Teoria Dinâmica 35 2.2 PRINCíPIOS DA TEORIADA CLASSIFICAÇÃO FACETADA 38 2.2.1 Universo do conhecimento e universo dos assuntos 38

2.2.2 Universo de Trabalho da Classificação 2.3 ELEMENTOSDA ESTRUTURA CLASSIFICATÓRIA 2.3.1 Unidades dassificatórias 2.3.2 Características 2.3.3 Renques e cadeias 2.3.4 Facetas

2.3.5 Categoriasfundamentais 3 TEORIA DA TERMINOLOGIA 3.1 AS ESCOLAS 3.2 A TEORIAGERALDA TERMINOLOGIA 3.2.1 Princípios do trabalho terminológico 4 TEORIA DO CONCEITO 4.1 ORIGEM DO TERMO TESAURO 4.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO TESAURO DE RECUPERAÇÃO 4.2.1 Os tesauros na América do Norte 4.2.2 Os tesauros na Europa 4.2.3 Tendências: tesauros com base em conceitos 4.3 PRINCíPIOS DA TEORIA DO CONCEITO

44

48 48 50 51 53 54 59 60 66 71 87 87 91 92 95 99 100


4.3.1 Modelo para a construção do conceito 4.3.2 Categorização e relações conceituais 4.4 TRABALHOSREALIZADOS 4.4.1 Estudo-Piloto de Tesauro para a Deutsche Bibliothek 4.4.2 Experiências norte-americanas 4.4.3 Tesauro de literatura 4.4.4 Método Relacional

106 108 108 109

4.4.5 Tesauro de Engenharia Civil

111

4.4.6 Manual de elaboração de tesauros monolíngües 5 PRINCíPIOS COMUNS ENTREAS TEORIAS 5.1 CONCEITOS ETERMOS 5.1.1 Forma de abordagem onomasiológica 5.1.2 A ligação linguagem-pensamento-realidade 5.1.3 A questão da monossemia absoluta 5.1.4 Imprecisão do conceito de "termo" 5.1.5 Precisão dos termos 5.1.6 Direção teórica para o conceito de termo e conceito 5.2 IMPORTÂNCIA DAS CARACTERÍSTICASDO CONCEITO E SEU USO 5.3 RELAÇÃOENTRECONCEITOS 5.3.1 Relações hierárquicas x relações lógicas/ ontológicas 5.4 SISTEMASDE CONCEITOS E SUA APRESENTAÇÃO 5.5 DEFINiÇÃO E SUA FINALIDADE 5.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS

101 103 105

114 117 117 117 118 119 119 120 121 121 122 123 124 125 126 127


.PREFÁCIO

Linguagem documentária

é uma contribuição

ímpar para a

cultura bibliotecária. É a primeira obra a abordar o tema sob seu aspecto teórico, de uma forma tão abrangente. A professora Maria Luiza escolheu o singular, provavelmente, para designar um instrumento de representação dos assuntos dos documentos que sepode apresentar sob uma notação ou sob forma verbal. Supomos, desta maneira, que ela queira mostrar que, em sua essência, asexpressões

"linguagem documentária verbal" e "linguagem documentária notacional" designem instrumentos que diferem apenas em seu revestimentoformal e que,portanto, asbasesteóricaspara realizar uma seriam as mesmaspara realizar a outra. E isto fica bastanteclaro em seulivro. Na Biblioteconomia, a baseestá na Teoria da Classificação. O saudoso padre Astério enfatizou sempre este aspecto em vários artigos, numa tentativa de mostrar que a Classificação está viva, ao contrário do que diziam muitos bibliotecários,

que viam nos tesauros um instrumento

de substituição das Tabelas de Classificação. A professora Maria Luiza é, de alguma forma, sua seguidora, no sentido de tentar mostrar que classificação

não se restringe a Tabelas de Classificação,

mas a algo muito

mais amplo, que é a Teoria de Classificação, a qual tem múltiplas aplicações, dentro e principalmente

fora da Biblioteconomia.

Seu trabalho seinscreve numa linha européia, pouquíssimo estudada no País, mas que se vem mostrando de grande valor para outras áreas do conhecimento que lidam com conceitos e sua organização.

A Biblioteconomia brasileira é herdeira da Biblioteconomia norteamericana. Esta influência

teve início nos anos 40, num movimento

iniciado por São Paulo. Apesar da grande contribuição

daquele país,

suas iniciativas nemsempre foram pautadas porprincípios teóricos..

o

;g

Q)

cl:


A Classificação DecimaldeDewey, porexemplo,nuncamereceude seuidealizadorum trabalhoqueexplicasse osprincípiossubjacentes.

Oscabeçalhos deassunto - que,deum modogeral,osautores não consideram comolinguagem documentária, apesar desuafunçãosãocriadosad-hoc e têmsuabasena língua inglesa,impedindoque paísesde outras línguas que os adotam produzam contrapartes equivalentes ou adotemseusprincípiosna íntegra.Nosanos60,coma introdução dos tesaurosdocumentários,mais uma vez os norteamericanos procuram na língua a solução para a criação de instrumentosderepresentação dosassuntos, recorrendoaoThesaurus ofEnglish wordçand phrases,um interessante dicionárioanalógico dePeterMarkRoget,comomodelo. AintroduçãodaInformáticanotratamentodainformaçãoreforçou, mais uma vez, a abordagemlingüística. Aquelesque defendemo tratamentoautomáticodainformaçãofreqüentemente esquecem queo sucesso detalprocesso estánadependência deumadocumentação num mesmoidioma, e numa áreaem que a terminologia estejabem estabelecida. Otempomostrou,noentanto,quearecuperação "automática"não eraassimtãosatisfatória, fatoconhecidodequantosbuscaminformação na Internet. Nesse sentido,umaluz sefazsentir.Osengenheiros decomputação quedesenvolvem sojiwarepara a Redejá perceberamqueé.preciso «: eletrônicos comalgunsrequisitosqueconfiram 0;:: produzirosdocumentos ,«: c qualidadeecondiçõesdeserem"encontrados",assumindoquedevam E ser"catalogados"e "indexados"no momentodesuaprodução.Com :J U o o isto, a linguagemdocumentáriavolta a ter seu lugar no cenário E informacional. Q) Q)

00

~ Na Europados anos30, Shialy Ramamrita Ranganathan,um 00 :§ indiano,professorde Matemáticaque estudavaBiblioteconomiana Inglaterra,dá início a um movimentorevolucionário,estabelecendo postulados ecânones, sejaparaaordenação físicadoslivrosnasestantes,

11


sejaparaa organizaçãodasinformações contidasneles. Continuando seutrabalho,osingleses criamo Classification Research Group;seusestudose projetoscontribuemtantoparadifundir asidéias deRanganathancomoparaaprimorarseusprincípios,já agoranoutro ambientetecnológico. Ranganathan nospresenteou comumcorpoteóricoque,aindahoje, mantémsuaforça.O Métodode Facetatem-semostradoapropriado paraváriasaplicações naorganização, sistematização erecuperação de informação,em ambienteautomatizadoou não porque,defato, ele criou um métodopara pensara organizaçãodo conhecimentocom finalidadesbemconcretas. Duasvertentes desenvolvidas foradaBiblioteconomia, comoaTeoria Geralda Terminologia,do engenheiroaustríacoEugenWüester,e a TeoriadoConceito, dapesquisadora alemãIngetrautDahlberg,somamseaosprincípiosdeRanganathannum corpointegradodeprincípios paratratara informaçãoalémdosmurosdabiblioteca. Indiretamente,Linguagemdocumentáriacontribuiparaampliar o escopoda Biblioteconomia,desinstitucionalizando-a,porqueos princípiosde Classificação,conformesededuzde sua leitura, são fundamentais emqualqueratividadequerequeiraorganização: dedados, de informação, de conhecimento.Há vários gruposprofissionais preocupadoscom tais níveisde organização,como informáticos, educadores,professores, administradores,que lidam com questões conceituais,com osquaisa professoraMariaLuiza tem interagido, comprovandoa pertinênciadaTeoriadaClassificação paraa solução deinúmerasquestões. Elanãotemumaposiçãocorporativista: estáabertaaoconhecimento produzidoem outrasesferas,no caso,àscontribuiçõesdeWüestere ,2u

't

Dahlberg.Seu livro mostra a riqueza desta"cross fertilization" , evidenciando comocadaumadessas vertentes podeseenriquecercom a:

as outras.

.


o corpoteóricoque ela apresentaé fruto de açãoconcretaem pesquisa, ensinoeconsultoriae,sobretudo, desuacapacidade dereflexão sobreotrabalhodesenvolvido, noqualasteoriasaquiapresentadas estão constantemente sendopostasà prova. Didaticamente somosapresentados aosprincípiosdecadaumadessas vertentes.Usandoosmesmosprincípiosde análisee identificaçãode conceitos, aautoranosmostraacontribuiçãodecadaumadelasecomo elaspodemsecomplementar. Por tudoisto, Linguagem documentária é uma obraoriginal. Pela primeira vez,se encontram sistematizadose perfeitamente articuladososprincípiosqueregemsuaelaboração. Agora,quandonosperguntarem"ondepodemosler algosobreo assunto?",já temoso queresponder.

Niterói,dezembrode 1999 HagarEspanhaGomes

,ra

E aJ E ::J U

o

o

E

aJ 00 ra ::J 00 c:

:::;

.


r -CONSPECTUS

Con.çpectus é o espaçoencontradopor Ranganathan,no início de seustrabalhos,parafalarnãodotextoquesepropunhaa escrever, mas do "pré-texto",daquelemomentoem queocorreo atodecriaçãoda escrita,domomentoemqueo sujeitosetornaautor. Opretextodestetrabalhosecolocanoespaço deumagrandeescassez deestudos teórico-metodológicos naáreaderepresentação/recuperação deinformaçãono País.Alémdisso,a áreadeinformaçãotem ficado fadada,viaderegra,aoespaço, quasesempre,deumsaberinstrumental. Massabe-se, também,quenãoexisteinstrumentalização quenãoseja sustentada porbasesteóricase/oumetodológicas. Sente-se hojequeé necessário munir o profissionaldestaáreanão sódeum saberpráticomas,principalmente,deum saberteóricoque possaoferecerascondiçõesnecessárias para um fazerconscientee, sobretudo, crítico(GOMES, CAMPOS, 1993).É preciso,primeiramente, buscaro conhecimento dentrodaprópriaáreadeatuação,nocaso,dentro da própriadocumentação. Masaindaé necessário não sócomeçara percebere principalmentepesquisarquaisasáreasqueauxiliam na fundamentação da própriadocumentação, comotambém,sobretudo paranósprofissionais, começara ampliaro escopodadocumentação verificandodequeformaoseusaberéútil parao desenvolvimento das outrasáreas. Pretende-se comestetrabalhoapresentar osautoreseseusestudos considerados seminais,quederambasespara a fundamentaçãodas linguagensdocumentárias. Comoos instrumentosde representação/ recuperação têma funçãodepermitira comunicaçãoentreumabase documental,ou informacional,e o usuário,foram buscadasbases terminológicas, umavezque acomunicação,nestecaso,éfeitaatravés da linguagem.


Dessaforma, serãoapresentadas, numa perspectivahistóricae conceitual,asTeoriasda Classificação FacetadadeShialyRamamrita Ranganathan,a TeoriaGeralda TerminologiadeEugenWüestere a TeoriadoConceitodeIngetrautDahlberg. Busca-se, assim,um núcleocomumdeconhecimento, queenvolve as questõesdo conceito,do termo e de suasrelações,visandoao estabelecimento desistemas deconceitosmaisbemestruturados, paraa elaboraçãodelinguagensdocumentárias.

(\3

:~ c Q)

E :J U

o

o

E Q)

OD (\3 :J OD c: :.::;

11


.1 INTRODUÇÃO

Todo movimento existente nos Sistemas de Recuperação de Informação tem por princípio geral possibilitar a seu usuário o acesso à informação/documentos.

Nestes Sistemas, vários são, atualmente, os

instrumentos utilizados para representar o conhecimento de uma dada área do saber. Estes instrumentos são denominados, de uma forma geral, linguagens

documentárias,

como o Tesauro e os Esquemas

de

Classificação, para citar apenas os mais relevantes. Os Esquemas de Classificação e os Tesauros se apresentam ambos, na maioria das vezes, sob duas formas: a alfabética e a sistemática. A forma sistemática torna evidente uma estrutura de conceitos.' Esta estrutura permite ao usuário compreender as relações que existem entre os conceitos de uma dada área do conhecimento,

o que facilita a

comunicação entre o usuário e a base de dados. Osconceitos, para serem manipulados, necessitam de um símbolo que permita a comunicação. Na área da documentação, o símbolo é lingüÍstico, sendo denominado "termo de recuperação". Os conceitos e termos são, portanto, elementos de qualquer esquema de classificação e dos tesauros. No ambiente das comunicações científicas, as terminologias possuem, também, conceitos e termos. Portanto, todos estes instrumentos lidam com conceitos e termos, embora em ambientes diferentes. Os esquemas de classificação, os tesauros e as terminologias são elaborados em um espaço onde se dá a produção do conhecimento. No ambiente de produção de conhecimento percebem-se dois espaços

o 'G. ::J

imbricados, mas de natureza diferente: o espaço comunicacional, onde

g

as descobertas e avanços do conhecimento viram registros, através da

1

Conceitoé entendidoaquicomoumelementode significação.

c:

.


interaçãoentreo "gerador"deconhecimento eo "gerador"eseuspares; eoespaçoinformacional,ondeexisteum"necessitador" deinformação e um sistemapossuidordedocumentos/informação. Entreesses dois

espaços encontra-se, anosso ver,o queseriao"Sistema T" - oSistema - nomeado paraumdadoSistemaC,no casoum Terminológico ambientecontextualizadode produção,controlado pelas leis da linguagem e da lógica. É nesteSistemaque pareceter origem a Terminologia,poiselaécriadaparapossibilitara comunicaçãoprecisa entreos"geradores"deconhecimento. No espaçoinformacionalverifica-sea necessidade decriaçãode instrumentosquepossibilitemacomunicação, nãomaisentreospares, masentreosusuáriosdeumsistemadeinformaçãoeoprópriosistema, queseriao espaçodo tesauroedatabeladeclassificação. Porém,estes instrumentos,para seremcriados, necessitamde uma estrutura terminológicaqueserábuscada emumsistematerminológico.AFigura 1apresenta deformaesquemática essasrelações. Assim,mesmocom finalidadesdiferentes,osinstrumentoslidam com elementosquepermitema comunicaçãodo conhecimento,seja eleregistradooucomunicado:ossímboloslingüísticos. Sistema E

Sistema C

ra .;: ~ c: Q) E :;] u O O E Q) co ra :;] co c:

. ::;

Sistema T

Figura I EspaçosComunicacional e Informacional

e suas Relações


, oquesepretendedemonstraréqueexistemprincípioscomunsentre a TeoriadaClassificação Facetada, a 1eoriaGeralda'lerminologiae a Teoriado Conceito,quepodemcontribuirparao melhoramentodas basesteóricasda áreaderepresentação erecuperação dainformação.A existênciade princípioscomunsevidencia,também,a "interdisciplinaridade"daquestãodarepresentação erecuperação dainformação. Percebe-se, ainda,queessas teorias,casopossuaminterfacescomoutras áreas,como se verá mais adiante, também contribuem para o aperfeiçoamento deoutrossaberes. A literaturatem mostradoquea comparaçãoentreessasteoriase seusrespectivosinstrumentostem sido de algum modo abordada. Verifica-se, contudo,queumestudosistemático sobreprincípioscomuns a taisteoriasaindanãofoi devidamente realizado. o queefetivamente a literaturavemmostrandoéqueaclassificação estána basedas três teorias.Na área da Documentação,Shiyali RamamritaRanganathanelaboraa Teoriada Classificação Facetada, na qual apresentaprincípios para a organização de conceitos hierarquicamente estruturados.Osestudiosos dessaáreacomeçama perceberqueostesauros, comoosesquemas declassificação, também possuemtermosquerepresentam conceitosligadosentresi, formando um sistemadeconceitos.Campos(1986,p.85),inclusive,afirma que "qualquerautênticotesaurocontémemsioselementosbásicos deuma classificação, eesses elementos poderãoassumira formadeumatabela declassificação". Porémaclassificação, hojeemdia,nãopodemaisser vistanoseusentidorestritodeestruturashierárquicas.Segundoa FIO! CR-Comitê TécnicodePesquisa deClassificação (1973),"classificação" é"qualquermétododereconhecimento derelações, genéricas ououtras, entreitensde informação,não importao graude hierarquiausada, nem se aquelesmétodossão aplicadosem conexãocom sistemas I~ tradicionaisoucomputadorizados deinformação". Umadasáreasque tem relaçãoestreitacom a classificaçãoé a Terminologia. Wüester(1981, p. 106), autor da 1eoria Geralda.

1 :g


Terminologia, observaa

"semelhançadas tarefasrealizadasna

elaboração de um tesauro e na normalização terminológica em geral", e reconhece que deveria existir um maior intercâmbio entre as áreas. Em outro trabalho (WÜESTER, 1971), aborda as diferenças essenciais entre os sistemas de conceitos e as tabelas de classificação, enfatizando, inclusive, o que possuem de semelhante à luz da Teoria Geral da Terminologia. Em ambos os trabalhos, recomenda maior aproximação entre documentalistas e terminólogos. Dahlberg (1993, p.225), estudiosa da área de Filosofia, estabelece relações não mais entre uma teoria e um instrumento, mas entre a Teoria da Classificação Facetada e a Teoria do Conceito, por ela desenvolvida. A Teoria do Conceito apresenta princípios que podem auxiliar na determinação do termo e de suas relações, tanto para as tabelas de

classificaçãoquanto para os tesauros (DAHLBERG,1978). As primeiras constatações de semelhança entre tesauros e sistemas de classificação se dão no âmbito da documentação, como é de se esperar.

Gupta e Tripathi (1975,C40) analisam o tesauro de Exploração e Produção de Petróleoda Universidadede Tulsa,que tem uma estrutura facetada, e comprovam a sua utilidade na preparação de um esquema especial de classificação para Geofísica.Este método de trabalho é possível pela adoção de princípios compatíveis. Gopinath e Prasad (1975,A 37) apontam as diferenças essenciais entre esses dois instrumentos. Observamque o tesauro tem doisplanos de trabalho - o plano ideacionale o plano verbal;um esquema declassificaçãoabrange m .;: ~ três planos de trabalho, ou seja, o plano ideacional, o plano verbale o c Q) plano notacional. Estesrepresentam diferentesníveisde profundidade E ~ u de organização e podem coexistir num sistema de recuperação de o o E informação, complementando as eficiências ou deficiências de um Q) e de outro. 00

. m ~

.~ -' I

Outrosautores,no entanto,realizaram,efetivamente, um trabalho de integração dos dois instrumentos. Em 1968, Davis (apud GOPINATH,

1987,p. 211)publica um artigo sobreaintegração devocabulárioscom


um esquemadeclassificação. Em 1969,a EnglishElectricCompany publicaseu"Thesaurofacet: Athesaurusand facetedclassificationfor Engineeringand relatedsubjects".Estetrabalhofoi desenvolvido por

JeanAitchison, membrodoCRG- Classification Research Group- da Inglaterra.Atéo final dosanos50e princípiodos60,ostesauroseram estruturados puramenteemordemalfabética. Aslimitações doarranjoalfabético levaramaoemprego demeiosauxiliares daclassificação queiamdesde osdispositivos maisamplosatéosdetalhados edosdispositivos auxiliaresaosintegrados (AITCHISON, 1972,p.72).

Osclassificacionistasutilizaram ainda outros dispositivos classificatórios para os relacionamentos puramente hierárquicos.

ométodotradicionaldetesauros paraindicarashierarquias determosmais amplosatéosmaisrestritos semostrouinsatisfatório porquenemtodosos níveisdahierarquiapodemserdispostos alfabeticamente deumaúnicavez, ouseostermosforemdispostos alfabeticamente, nãoépossível distinguiros diferentes níveishierárquicos entreeles[...] Finalmente a análisedefaceta podeserusada comoumdispositivo daclassificação naconstrução detesauros [...]. Dousodefacetasna construção detesauros paraumaclassificação totalmente facetadacomoum tesauro, foi umpasso.OThesaurofacet [...] foiprovavelmente umdesenvolvimento inevitável (AITCHISON, 1972). Estenovo tipo de instrumento tem múltiplo uso:servepara catálogos convencionais e organizações nas estantes, bem como para indexação

coordenadae uso em sistemascomputadorizados (AITCHISON,1970).

Gopinath0987, p.211)ressalta a complementaridadedas duas abordagens, pois existe uma "relação simbiótica entre um esquema de classificação e um tesauro". O Thesaurofacet é,portanto, um marco no desenvolvimento das linguagens documentárias

pela integração da

tabela de classificação com o tesauro. Na literatura, um novo nome tem sido usado para instrumentos que integram tesauro e classificação, o "Classaurus" (BHATTACHARYYA, 1982; FUGMANN,1990).

o "" Ij>

.

Sefoi possíveladotarprincípiosclassificatóriospara solucionar problemasda estruturação de conceitos,tanto nas classificações bibliográficasquanto nos tesauros,o mesmo não acontececom respeito

":J o

~


aosdescritores ou termos,suaforma,suadefinição.Asrespostas para estasquestões têm tido soluçõesestritamentelingüísticas.Aspalavras compostas sempreapresentam problemas nossistemas pós-coordenados, e ostesauros, num certomomento,foramvistoscomofonteparaesses descritores.A Lingüísticaserviude basepara o estabelecimento de palavrascompostas emsistemasderecuperação GONES,1981,p.54), maselastêmsidoinconsistentes. Asdiretrizese normaspara tesauros oferecempropostas desoluçãoparaos"termoscompostos"atravésdo quechamamde"fatoração"(IBICT,1985; BSI5723-1979;AFNOR Z47100,1981;UNESCO, 1973;ISO2788,1986). Emum artigosobreotema, )ones (1981) relata várias propostaspara tratamentode palavras compostas,desdeCoatesatéAustin,passandopor Farradane,Leee )espersen, osquaisabordama questãooradopontodevistalingüístico, (1975)reforçaa faltade oradopontodevistaconceitual.Seetharama critériosconsistentes parao estabelecimento dostermosnostesauros; no entanto,propõetambéma fatoraçãocomosolução.Naverdade,o termo necessitade um tratamentoterminológicoe não lingüístico (DROZD,1981).Combasena Teoriado Conceito,Dahlberg(1978) desenvolve umestudosobredefinições terminológicas quesevaimostrar útil aostesaurosnofuturo. SegundoRahmstorf(1993),asdefinições terminológicas abremum campode estudodecomplexidade crescente, porquepodemserúteis nãoapenasparaoscientistasdainformação,indexadores, especialistas emrecuperação eoutrosespecialistas daorganização doconhecimento, rn .;:: mastambémparatradutores, cientistas,engenheiros, especialistas em ~ c normas,epistemólogos, psicólogos,engenheirosdo conhecimento, (]) E ::J lingüistas eterminólogos. Eleapresenta, também,deformaesquemática, U o deusuários,a finalidadedasdefiniçõesparacada o ao ladodasclasses E classe,osaspectos principais(estruturaconceitual,sintaxe,ouconceito (]) 00 rn etc.)e o papeldadefiniçãoparacadaclassedeusuário. ::J 00 C

:.:;

11

Oprimeirotrabalhodecomparação sistemáticaentreterminologia

e tesaurocabeaoterminólogoLeska(1979,p. 583).Eleobservaqueos


tesaurosderecuperação precisam"expandirsuasreferênciaslexicais tornando os conceitosmais precisos,bem como definindo-os e qualificando-os de acordo com seu relacionamento com outros descritores". Sãoosseguintesosaspectos comuns: 1.Ossistemasdeconceitossãocriadosparasistematizarosconceitosdeuma certaárea[...]

2. Osconceitos do sistemadeconceitossãodefinidospor meiodesuas características [...] 3.Ossistemas deconoeitos comoostesauros visamaabrangertodososconceitos e/outermosdeum campodeassunto[...]

4.Aestruturabásicadosistema deconceitos éoesquema estruturalnoqual todososconceitos relevantes devem encontrarseulugarapropriado [...] 5.Cadasistemadeconceitos,especialmente comrelaçãoa desenvolvimentos futuros,visaaindaàcomplementação noquadrodoseuâmbitotemático[...] 6.A atividadededesenvolvimento e aperfeiçoamento dosistemadeconoeitos não fica fora da influência dasregrasgramaticaisque governamosnomes querepresentamesses conceitos[...]

Asterminologiasdevem-se apresentar deformasistemática,e não alfabética.Esteaspectotemlevadoà necessid~de deempregarnotação, aproximando a terminologiadaclassificação. Oconteúdo deumconceito é estabelecidoa partir da áreade conhecimentoe do propósitoda terminologia.Porsuanaturezasistemática,o códigodoassunto éumdoselementos maisimportantes naentrada dosbancos dedadosterminológicos [...] Umalistaalfabética nãoajuda[...] Somente um esquema declassificação podemostraremquedetalheum campode assunto foi estruturado eo códigoajudaaverificara amplitudecorretado conteúdodeum conceito,especialmente quandousadocomotermode o '''' indexação, efacilitaointercâmbio entrevárioscampos determos(NEDOBITY,U" :J "'O 1987,p. 12.)

. g

-c:

Osbancosde dadosterminológicossão,na verdade,sistemasde

classificação,na medidaem que agrupamconceitosligados


hierarquicamente. E é a área tecnológica, responsávelpelo desenvolvimento destes bancos,queestásuscitando a discussão emtorno do caráter sistemáticoda Terminologia e, conseqüentemente, da Classificação. [Um recente]levantamento da atividadeterminológica[h'] mostraa necessidade da atividadeterminológicasistemáticaparamelhorara confiabilidadedeprodutos,processos e serviços,bemcomofacilitar a cooperação técnicaeaeliminação dasbarreiras comerciais. Comoécomum naatividade terminológica, aestruturação conceitual eaclassificação sãoos principaiscomponentes daatividade (STREHLOW, WRIGHT, 1993,p.3).

Aterminologia,porsuanaturezasistemática, aoladodaclassificação, tem sidovistaem literaturamaisrecentecomocontribuindopara o desenvolvimento deoutrasáreasque,dealgumaforma,trabalhamcom representação dainformação.Osprincípiosdesistematização determos, comunsà Terminologiae à Classificação, sãofundamentaisparaos Bancosde Conhecimento,uma vez que, neles, os conceitossão estruturados, classificados e sistematizados (DZHINCHARADZE, 1993, p.127). Nedobityidentificanosprincípiosteóricosdaterminologiaaspectos que devemser observadospara o desenvolvimentode sistemas especialistas edepesquisanaáreadeinteligênciaartificial,camposque lidam comconceitos,sistemasdeconceitos,ligaçõesdeconceitosetc. Considera tambémossistemas daclassificação daCiênciadaInformação e da Terminologia,bemcomoossistemasespecialistas com baseno '" 'L: conhecimento,como duaspontasde um continuum de recursos ~ c: eu relevantes parasíntesee interpretação do conhecimento(NEDOBITY, E :J U o

~

1987) .

.

Budin (1993)vê a possibilidadede seestabelecer uma Teoriada

~ Terminologia que resultaria da junção das teoriasda Ciênciada ~

Informação, aplicadas à construção e uso das linguagens de :.:J documentação(sistemasdeclassificação, tesaurosetc), com a teoria compreensivada organizaçãodo conhecimento.


A problemática relativa à representaçãoda informação e do conhecimento vemsendoabordadaporváriosestudiosos, atualmente, extrapolandoo domínioda Documentáção. Nãosepode,entretanto, abandonarsuasprópriasteoriasrelacionadas comarepresentação, pois elassãoparteintegrantedessenovomovimento,e têm emcomuma organização doconhecimento.

.


-2 TEORIA DA CLASSIFICAÇÃO FACETADA

A Teoriada ClassificaçãoFacetadaé desenvolvidapor Shiyali Ramamrita Ranganathan na décadade 30, a partir da Colon Classification, tabeladeclassificação elaboradaparaa organizaçãodo acervodaBibliotecadaUniversidade deMadras,na Índia. Até aquelemomento,no âmbito da Documentação,as tabelas existentesnão apresentavam asbasesteóricaspara sua elaboração. Ranganathanfoi o primeiro! a evidenciarosprincípiosutilizadosna elaboraçãodesuatabela,proporcionandouma verdadeirarevolução na áreada Classificação Bibliográfica.Na verdade,ele não elabora somenteum trabalhoteóricoparaexplicaraconstruçãodaTabela,mas apresenta uma teoriasólidae fundamentadaparadar à Classificação Bibliográficaumstatus quea elevaadisciplinaindependente. SuaTeoriaestáapresentada praticamenteemquatroobrasbásicas:

FiveLaws ofLibraryScience, 1931, prolegomena toLibraryClassification, 1937,Philosophyof BookClassification,1951,alémda própriaColon Classification, 1933.Suasobrasevidenciam, de forma bastante contundente,a influência que a Filosofiaoriental exerceuem sua atividade.Alémdisso,suaformaçãomatemáticadeveterinfluenciado, igualmente,no desenvolvimentode sua Teoria. É estaintegração <O extremamentepeculiar do pensamentoracional e do pensamento "<O ~U oriental que dá à Teoriada Classificação Facetadaum espaçotodo u... <O o próprio. 1<0 U> <O

'Kumar (1981, p. 409), estudioso e professor de classificação indiano, a respeito do trabalho inovador de Ranganathan acrescenta que ele se "beneficiou dos trabalhos de Richardson, Cutter, Hulme, Brown, Sayers, Bliss

e assim por diante. Ele teve a oportunidadede melhorarsua teoria ao experimentá-Ia por um período de 40 anos. E formulou a Classificação dos Dois Pontos, na qual aplicou sua teoria. Testou sua teoria com a ajuda de princípios normativos. Produziu uma terminologiatécnica própria e não hesitou em adotá.la de outros. Além disso, sua base Bramânica e matemática deulhe uma mente clara e lógica [...] Como resultado, foi capaz de sistematizar o estudo e a prática da Classificação."

~ ~

D ;;: <O

. '§

~


Nestecapítulo procura-se deixarevidenteo caminhopercorridopor Ranganathanparaodesenvolvimento desuaTeoria,alémdospricípios quea regem.

2.1 CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: análise de seu desenvolvimento A classificaçãobibliográfica2 como esquemaque permite a organizaçãoe a recuperação do conhecimentoregistradoé objetode análise nesta seção, a partir dos princípios estabelecidospor Ranganathan. Ranganathan é um dos primeiros teóricos da classificação bibliográficaque,aoexplicara naturezadestaatividade,deixaevidente a necessidadede elaboraresquemasde classificaçãoque possam acompanharasmudançase aevoluçãodoconhecimento. Segundoele, oconhecimento é liatotalidadedasidéiasconservadas peloserhumano" (RANGANATHAN, 1967,p. 81), atravésdaobservação dascoisas,fatose processos domundoqueo cerca. Osesquemasde classificaçãobibliográficateriam, assim,dupla função:adepermitiraorganização dosdocumentos nasestantes e ade representar oconhecimento registradonumadadaáreadeassunto.Este 2

Ranganathan adota a terminologia "classificação de assunto" em vez de

"classificação bibliográfica": "o principal núcleo da classificação bibliográfica é a classificação de assunto. Devemos chamar este núcleo de classificação de assunto" (RANGANATHAN, 1967, p. 94). Para Cavalcanti, "a classificação .!!! bibliográfica é essencialmente uma classificação de assuntos", que estão ~ registrados nos documentos; estes, por sua vez, nada mais são do que o ~ conhecimento produzido e registrado pelo ser humano. Uma vez que este E tipo de classificação trata dos assuntos registrados em material bibliográfico, encontramos na literatura da área os termos classificação bibliográfica e O classificação de assuntos como sinônimos, para diferenciar estes esquemas E das classificações filosóficas e das ciências. Apesar de os dois termos serem gj, usados na literatura da área como termos gerais que abrangeriam todas as ~ classificações que visam a organizardocumentos, são usados, também, como ~ termos que definem classificações específicas: "Classificação de Assunto", :.::J que foi usadopor JamesDuffBrown,1906,na Inglaterra,paradesignaro seu esquema de classificação; e "Classificação Bibliográfica", usado por . H.E.Bliss, em 1935, nos Estados Unidos (CAVALCANTI, 1976, p. 241-253).

g

.


enfoque,quevisaatornarasclassificações maisdinâmicaseatualizadas, vemsendohá muito tempoconsiderado porváriosteóricosdaárea: Emgeral,quantomaisumaclassificação chegaàverdadeiraordemdaciência e quantomaispróxima semantémdela,melhor seráo sistemae mais longa serásuaexistência(RICHARDSON apudPIEDADE,1983,p. 66).

Deve-se terclaroemmentequeaclassificação doconhecimento devesera basedaclassificação delivros;queaúltimaobedece emgeralàsmesmas leis, seguea mesma seqüência [...] Umaclassificação delivros,nãoposso repetir maisenfaticamente, é umaclassificação doconhecimento (SAYERS apud PIEDADE, 1983,p.66). Adistinçãofeitatãofreqüentemente entreclassificação doconhecimento e classificação delivrosnãodevenoslevaraconclusões negativas[...] Há,na verdade, doistiposdeclassificação: deum ladoalógica,naturale científica, deoutro ladoa prática,arbitráriae utilitária; masna classificação de bibliotecas, devemos unirestas duas,asduasfinalidades devem sercombinadas (BLISS apudPIEDADE, 1983,p.66). o melhorpensamento atualmente acredita queumaclassificação bibliográfica éidênticaaumaclassificação doconhecimento, comalgunsajustes, devido aomodopeloqualosassuntos sãoapresentados emlivros,masconsidera que devemos procuraroutrosprincípios alémdaqueles próprios dasclassificações científicase lógicas,poisclassificações científicasdefenômenos naturais, baseadas em relaçõesgênero/espécie sãosó umaparteda classificação bibliográfica. Hámuitasoutrasrelações nosassuntos dosdocumentos, relações dapartecomo todo,dapropriedade comseupossuidor, da açãocomseu ~ paciente ou agente, e assimpordiante(LANGRIDGE apudPIEDADE, 1983, -o ~ Q) p.66). u ~ u... Ranganathanfoi, no entanto,aqueleque conseguiuestabelecer I~o u-

princípiosparauma novateoriadaclassificação bibliográfica,e o fez tendocomobaseo próprioconhecimento.

~ u <;: 'Vi VI ~

~

A grandeproblemáticadosEsquemasde Classificação existentes -o semprefoiaadequação dosassuntos tratadosnosdocumentos àestrutura .!!1

.

classificatória existente nos esquemas.Sobreesta problemática & Ranganathannãoéo únicoa trabalhar,mastalvezumdosprimeirosa tentar solucioná-Ia de forma prescritiva. Em seusProlegomena


(RANGANATHAN, 1967,p. 370), apresentaa questãodo "DesenvolvimentodoUniversodeAssuntos"e suarelaçãocomo conteúdode assuntos existentes nosdocumentos, evidenciando que,comoprogresso da Ciência,os livros não mais abordamapenasum aspectode um assunto,mastêmum tal grau decomplexidadeque,na maioriadas vezes,tratam de vários aspectosde um problema ou reúnem conhecimento deáreasdiversas. Sendooconhecimento um continuum dinâmico,eranecessário desenvolver uma teoriaquefossecapazdesuperaralgumasdificuldades apresentadas pelasTabelas emuso.Porexemplo,poderiaum assuntoserclassificado, emgeral,nastabelasemduas áreasdiferentes? Eranecessária umaestruturaclassificatória queprevisse taisdificuldades,comum sistemanotacionalcapazdesuperá-Ias. Contaum de seusalunos (PALMER,AUSTIN,1971,p. 46) que Ranganathan, comoalunodeBiblioteconomia emLondres,aoestudar a Classificação DecimaldeDewey, em1925,já seressentia doproblema dafaltadeadequação dosistemaparacertosassuntos.

.ê ,ra

c Q)

E

::I U

o

o

E

. Q) 00

Seusestudos em classificação práticano UniversityCollege, emLondres, mostraram claramente a incapacidade daClassificação Decimalclassificar demodopreciso. Haviaumexercício entãousado,noqualoprofessor lia o nomedeum livrocomumtítuloexpressivo eosestudantes forneciamum númeroapropriado. Ranganathan muitasvezes achava quepoderia fornecer dois:eleestava inconscientemente encontrando umfenômeno quejáhavíamos observado, queosassuntos doslivroscomumente têmmaisdeumafaceta.Os assistentes da bibliotecapúblicainglesacondicionados ao Dewey, e que formavama maioriadosestudantes, encontravam poucadificuldade: eles estavam seguindo inconscientemente atrilhadeixada pelasbibliotecas deonde vinham[...] MasRanganathan nãoestava condicionado etinhaumabase intelectual comtradiçãonopensamento analítico e nãopodiaaceitaroscompromissos queo usodaClassificação Decimalexigiadele[...] Sentiuqueela erainadequada pararegistrar acomplexidade crescente daliteratura, mesmo em1925,ecomeçou a lançarumasériedecaminhos paramelhorá-Ia.

~

Nestesentido,paraa elaboraçãodeum EsquemadeClassificação, :5 RanganathanevideI)ciadoisespaços deaçãodiferenciados: oespaço do documentoeo espaçodoconhecimento. Parte,primeiramente,parao


entendimentodeste"espaçododocumento",tentandoevidenciartoda aproblemáticadamanifestação doconhecimento quesedáatravésdos assuntosdosdocumentos:quais sãoos modosde formaçãodesses assuntos,para que a tabeladeclassificação,atravésdesua notação, possarepresentá-Ias. Inicia, portanto,analisandoos assuntospara identificarseuselementosconstitutivos.Estes,e nãomaisosassuntos, passama sera unidadedaestruturaclassificatória, capaz,então,deser dinâmica o bastantepara abarcar todosos assuntosadvindosdo desenvolvimento científico,comsuaspeculiaridades. ParaseentendermelhorascontribuiçõesdeRanganathanemface dosesquemas declassificação existentes é precisoidentificara teoria' declassificação queestásubjacenteà elaboraçãodeum esquemade classificação.A teoriada classificaçãobibliográficapassoupor dois estágiosde evolução:o primeiro estágioé o da teoriadescritivae o segundo,o da teoriadinâmica(KUMAR,1981,p. 78). Defato,nãose podeafirmar queexistauma TeoriaDescritiva.O nomefoi dadopor RanganathanparacontraporàTeoriaDinâmica. Até a décadade 30, os esquemasde classificaçãobibliográficos existentes não estão elaborados de forma a acompanhar o desenvolvimentode um "Universode assuntosdinâmico, infinito, multidimensional, multidirecional e sempre turbulento" (RANGANATHAN, 1967,p. 373), e, por isso,acabamquasesempre tornando-se obsoletos, poispossuem escassas possibilidades deinclusão denovosassuntosemsuastabelas.A "teoria" subjacenteà elaboração dosprimeirosesquemas denomina-se descritiva,poisdescreve o estado atualdoconhecimentoe não temmecanismos quepermitamatender àsmudançasadvindasdasdiversasáreasdoconhecimento.

3Segundo Kumar (1981, p. 77), "Uma teoria refere-se a um corpo organizado de princípios. Estes princípios fornecem direção a profissionais do assunto tratado.Qualquerteoria,assimcomo qualquer assunto, vai ao encontro de um processo de crescimento e desenvolvimento. Assim, uma teoria deve ser elementar por um lado e avançada por outro, dependendo do seu estágio de desenvolvimento".

"'"'"

ãJ

u '" u.. o '''' (j>

'"

u <;: 'Vi

V> '" U '"

. "

.~ ~

ro.


OsClassificacionistasanterioresa Ranganathanorganizamos esquemasa partir dosassuntosrepresentativos da literaturada área, naquelemomentohistórico, isto é, os elementosconstitutivosdos esquemassãoos assuntosrepresentados a partir da freqüênciade o ocorrênciana literatura.Só permitem,por issomesmo,representar conhecimento já estabelecido. Daíadificuldadeemclassificarassuntos novos,muitosdosquaisaindasemum nomefixado.Pode-se afirmar que,naquelesesquemas, nãoocorrea ligaçãoentreo conhecimento e as classificações,mas entre os assuntosdos documentose as classificações. A partir da primeira ediçãoda Colon Classification em 1933, Ranganathanapresenta uma novamaneiradeelaborarclassificações bibliográficas.Eleconstróium esquemaquegaranteum lugarparaos novosassuntos quevenhamasurgircomadinâmicadoconhecimento. Osprincípiosquepassamaregeraelaboração detaisclassificações estão contidosna teoriaqueRanganathanapresenta comoTeoriaDinâmica doConhecimento: UmaTeoriaDinâmicaé aquelaqueécapazdeproduzirumametodologia seguraparao planejamento deumesquema declassificação bibliográfica. Talteoriapossibilitaorganizarnovosassuntos eassuntos jáconhecidos em lugaresapropriados noesquema, semtrazerdificuldades paraa seqüência útil (KUMAR, 1981,p.82).

Estateoriaé descritapela "primeira vezna segundaediçãodos Prolegomenato Library Classification(publicadoem 1957).Este .ê trabalhoapresentaa descriçãoda TeoriaDinâmicada Classificação 't't! ~ Bibliográficadesenvolvidaaté 1955.Uma avançadaversãoda Teoria

§ Dinâmicafoi publicadaem 1967,na formada terceiraversãodo

8 ProlegomenatoLibraryClassification"(KUMAR,1981,p.83).Como

.

E desenvolvimento doseuestudopode-se observar que,emtodoo trabalho, eledesenvolve primeiramenteumaatividadepráticaparadepoisteorizar C])

~

.

.~ sobre estaprática.Ranganathan não.apresenta, porém,ateoriadeforma -' didática.Osprincípiosquenorteiamaelaboração destetipodeesquema estãodistribuídos portodaaterceiraediçãodoProlegomena. Naverdade,


a TeoriaDinâmicadoConhecimento paraa Classificação Bibliográfica éconstituídaportodososPostulados, PrincípioseCânones apresentados na terceiraedição,elaborados paracadaum dosplanosdetrabalhoda classificação: PlanoIdeacional,PlanoVerbale Plano~otacional. Deumamaneirageral,aTeoriaDinâmicavemsecontraporàTeoria Descritiva.Se,nestaúltima, seconfundema estruturada tabelae os assuntosdosdocumentos, naquelao esquemaé elaboradoa partir da estrutura do conhecimento,com mecanismosque possibilitam a constanteinovaçãodoconhecimento. Defato,oqueelatornapossível é organizaros conceitosrelevantesdas áreasrepresentadas, os quais devidamente codificados(notação)e combinadosemumaordempreestabeleci da representam osassuntosdosdocumentos.O assuntonão estáprontono esquema;eleé construídono momentoda análisedo documento.Assim,seo usodaTeoriaDescritivapermiterepresentar o conhecimentoregistradode um dadomomentohistórico,a Teoria Dinâmica,porsuavez,vai interagircomestarealidade,já quepossui princípiosquenorteiama elaboraçãodeesquemas flexíveis. Nodesenvolvimento daTeoriaDinâmica,Ranganathanapresenta uma visãofilosóficadodesenvolvimento doconhecimento, a partir da definiçãodoUniversodeConhecimento comoumaespiralqueestáem movimentocontínuo agregandonovosconceitos,trazendopara o UniversodeTrabalhodaClassificação umaperspectiva dinâmica.

" ~

A seguir,faz-seuma brevedescriçãodosesquemas queadotamos princípiosdaTeoriaDescritivae daquelesqueadotam..o.s princípiosda TeoriaDinâmica,classificados segundoo próprioRanganathan(1967, p.94).

~

Q) u ~ u...

o

I~ v~ u <;:: .ij; VI ~

2.1.1 Caracterização dos esquemas descritivos

O

. ~

Osesquemasproduzidosdurantea vigênciada TeoriaDescritiva

foram classificados por Ranganathanem Esquemade Classificação Enumerativa,EsquemadeClassificação QuaseEnumerativa,Esquema deClassificação QuaseFacetada. Deformageral,estes esquemas possuem

~

.~

~


uma tabelabásicaquetemporfunção"enumerartodososassuntos dopassado, dopresente edofuturoantecipado"(RANGANATHAN, 1967, p.95).Astabelassão,em geral,longas,encontrandodificuldadeem "acomodarnovosassuntosnumaposiçãoadequadacom respeitoaos assuntosexistentes"(KUMAR,1981,p. 68). Sua basenotacional caracteriza-se porpossuirdígitossemanticamente ricos,ondeosassuntos sãoenumerados, acarretando classes numéricaslongas.Nestes esquemas verifica-se,ainda,queosassuntosdosdocumentosqueexisteme que virão a existirsãodeterminados a priori da criaçãodetaisesquemas. Nãoexiste,assim,umaseparação nítidaentreo momentodaelaboração dosesquemas e,conseqüentemente, da representação do estadoatual doconhecimento, eo momentodaanálisedodocumento. Pode-se dizerqueadiferençabásicaentreosEsquemas Enumerativo, QuaseEnumerativoe QuaseFacetado,quetomampor basea Teoria Descritiva,é quenosEsquemas Enumerativos existeumaúnicatabela

queenumeraassuntos básicos - suabasenotacional é monolíticae devecomportar todosos assuntosbásicos;nos EsquemasQuase Enumerativosamplia-seaindamaisa tabela- queagoranãoé mais

singulare passaa serprincipal- queenumeraassuntos básicos e compostos, verificando,ainda,acriaçãodetabelasdeisoladoscomuns,4 e nosEsquemas QuaseFacetados estãopresentes todososelementos do Esquema anterior,acrescidos detabelasdeisoladosespeciais edealguma orientaçãopara a elaboraçãoda notação,que é menosmonolítica (RANGANATHAN, 1967,p.95-105). .ê .",

Estesesquemasforam mais tardeclassificados por Ranganathan comopertencentes a doisperíodos:o PeríodoPré-Faceta, quedatade E :J 1876 a 1896, n oqualosEsquemas Enumerativos eQuase Enumerativos U o o estãoinseridos;eo PeríodoTransiçãoparaa Faceta,quedatade1897a E 1932,no qualosEsquemas QuaseFacetados podemserincluídos. Q)

c Q)

. 00

'" :J 00

4

Isolado comum: Isolados (ver subitem "Elementos da Estrutura

Classificatória") que podem integrar assuntos compostos em todos ou quase todos os assuntos básicos. Ex.: local, tempo.


o PeríodoPré-Facetaé caracterizadopor Ranganathan(1978, p. 17) a partir dos seguintespontos: 1. Uso dos conteúdosde

conhecimento oudosassuntos doslivros- ou macropensamentos comobaseparaa classificação e arranjodoslivrose desuasentradas principaisnoscatálogos ebibliografias;2.Usodeum sistemanotacional ou númerosordinaispara mecanizaro arranjo doslivrose de suas entradas;3.Usodafraçãodecimalpuranosistemanotacional. No PeríododeTransiçãopara a Faceta,foi introduzidaa notação mista, pois osesquemasenumerativosexclusivamentemonolíticos mostraram-seinsuficientespara acompanhar as mudançasque começamasurgirnoiníciodoséculoXX(RANGANATHAN, 1978,p.2I), taiscomo:a acumulaçãomundialdecercade12milhõesdedocumentos - inclusiveosmicrodocumentos, a uma taxaanualdecrescimento de cercadeum milhãodedocumentos; astentativasdospróprioscientistas paraenfrentara situaçãoeseusfracassos; eaprofissão biblioteconômica quenãosedesenvolveu o suficiente. Ranganathan eseusseguidores consideram Esquemas Enumerativos a Library of CongressClassification e a Rider's International Classification; EsquemaQuaseEnumerativo,a DecimalClassification, de Melvil Dewey;e EsquemaQuaseFacetado,a UniversalDecimal Classification.

2.1.2 Caracterização dos esquemas com base na Teoria Dinâmica .

AprimeiraediçãodaColonClassijication,em 1933,é considerada como o primeiro esquemade ClassificaçãoFacetadaregidapelos princípios da Teoria Dinâmica do Conhecimento,muito embora

ra "'C

ra Q) u ra

~ 'g. u ~

~

Ranganathanafirme, mais tarde,no Prolegomena, que o termo "Facetada"não foi usadonaquelemomentoe, sim, anosmaistarde -25 (RANGANATHAN, 1967,p. 106).Porém,já no primeiro ano desua '§ profissãocomobibliotecário,a idéiasobreo conceitocomeçoua se ~

formar emsuamente. Conta Ranganathan que,naquele período, .


verificouqueastabelasdaCDDeLCfalhavamaonãopermitirexpansões emsuaclassenumérica. Naqueles anos,osprincipaisassuntos demeuinteresse erammatemática, literaturaeeducação. Emtodosesses campos deassuntos, vi queo Esquema Enumerativo daCODnãopermitiaaco-extensão daclasse numérica. Achei queissoerapiornoassunto História.EunãopodiadizerondenaCOO estava afalha.Eunãopodiadizerentãoo queeraumaclassificação facetada. Mas algumacoisaocupava meupensamento continuamente. Umdiaaconteceu queeuvi umjogo"Meccano" emumadaslojasSelfridges emLondres. Foio quemedeuapista.Issomefezsentirqueo númerodeclasse deumassunto deveria serrealmente feitopelareuniãodos"Números deFacetas" encontrados emdiversas tabelas distintas, domesmo modocomoumbrinquedo queéfeito pelareuniãodeumavariedade departes.Escolhio dígitoDoisPontos(:) comoo dígitoconectante paraqualquerfacetaisolada. Posteriormente, isso tambémmefezsentirqueumassunto deveria seranalisado emfacetas antes queseunúmerodeclassepudesse serconstruído(RANGANATHAN, 1967, p.106).

Osprincípiosda TeoriaDinâmicainfluenciam um novotipo de Classificação Bibliográfica,aClassificação Facetada, quenãoserárefém da "emergênciade novosassuntos",mas,ao contrário,possibilitará hospitalidade. AColonClassifica/ionéconsiderada oprimeiroesquema facetado.Suasediçõesposterioresapresentamaperfeiçoamentos que levamRanganathana classificarasprimeirasedições(a P em 1933,a 2aem1939e a 3aem1950)emRigidamenteFacetadas easposteriores, emLivrementeFacetadas (4aed.em 19525emdiante).

'"

.;::

,'" c

O EsquemaRigidamenteFacetado secaracterizacomoaqueleem que "as facetase suasseqüências sãopredeterminadas paratodosos

Q)

§ ~ O

~

.

~ 5b

5

ParaKumar(1981,p. 72 ), sãotrêsos períodosda ColonClassification:o

período Rigidamente Facetado, que vai da 1" à 3" edição, o período Quase Livremente Facetado, que vai da 4" edição até a 6" edição (1963) e o período Livremente Facetado, a partir da 7" edição, que ele chama de Versão 3 da Colon Classification. O segundo período é assim justificado: "Um esquema se torna quase livremente facetado porque o uso de diferentes dígitos indicadorespara diversos tipos de facetas e o conceito de ciclos e níveis removeram a rígidez severa no número e na seqüência das facetas que podem ocorrer num assunto composto. No entanto, alguma rigidez se escondia com relação aos níveis de facetas dentro de um ciclo."


assuntos e acompanhamuma classebásica"(RANGANATHAN, 1967, p. 107),ouseja,cadaclassebásicatemumafórmulafacetadae todosos

elementos dafórmuladevemestarpresentes no assunto - o que,por vezes,não ocorre.É issoque tornao esquemarígido (KUMAR,1981, p. 72). Nestafase,Ranganathanprocuraevidenciara estruturado conhecimento (fórmuladefaceta)decadaáreadoconhecimento (classe básica)etransferi-Ia paraoplanododocumento. Noentanto,osassuntos tratadosnos documentosnão englobam,na maioria dasvezes,o conhecimento comoumtodo,e,sim,partedele.Elepercebe, então,que é necessáriosepararestruturado conhecimentoe representação do assuntododocumentoparatornaro sistemamaist1exível-nestecaso, naelaboração danotação.AColonClassifica/íoné,então,aprimorada, tornando-seumaClassificação LivrementeFacetada. Num esquemalivrementefacetadodeclassificação,semqualquerinfluência dastabelasdeclassificaçãoexistentes,quaisquerquesejamasfacetasque ocorramnum assuntocomposto,elassãodescobertas pelaanáliseda faceta daqueleassunto.Aseqüência apropriadadasfacetasencontradas édeterminada deacordocomospostuladoseprincípiosestabelecidos. Ostermosdasfacetas sãoorganizadosnestaseqüência.Logo,cadatermodafacetaésubstituídopor seunúmeroda faceta.Finalmente,osnúmerosda facetasãosintetizadosno númerodaclassecomo auxílio dodígitodeconexãoapropriado.Assim,cada

assunto composto determina suaspróprias facetas - enúmeros declasses. Determina, também,~uaprópriaseqüência defacetas. Nãohánadarígido nemno númeronemnasucessão defacetas. Thdoélivre.Époristoqueo esquema é chamadoClassificação Livremente Facetada. Tendoemvistaa análisee a síntese,que figuram sucessivamente no cursoda classificação,

~

]

~

outronomeparaesse tipodeclassificação éaClassificação Analítico-Sintética. Comoaseqüência defacetas deumassunto composto édeterminada deacordo comalgunspostulados e princípiosbásicos aplicáveis a qualquerassunto '(3. ~

~

composto,a fim deenfatizar essacaracterísticada classificaçãoanalítico-

"g

sintética, ela é chamadade ClassificaçãoAnalítico-SintéticaGuiadapor Postulados e Princípios.Deve-se enfatizarquequalquerClassificação Facetada não é analítico-sintética a menos que seja livremente facetada (RANGANATHAN,1967,p.109).

.~ U .g .ê o

. ~

As ClassificaçõesLivrementeFacetadaspassam,assim, a ser chamadasdeAnalítico-Sintéticas.


2.2 PRINCíPIOS DA TEORIA DA CLASSIFICAÇÃO FACETADA A Teoriada Classificação Facetada, comotodateoria,é um corpus complexo.Paraquepossasercompreendida em todaa suaextensão, procura-seorganizarsua exposiçãode modo a seguirum pretenso caminhododesenvolvimento dasidéiasdeRanganathan,umavezque suasobrasbásicas,citadasnoinÍCiodesteCapítulo,nãoo indicamnem apresentamuma disposiçãodidática. Pode-seobservarque os fundamentosquepermitemo entendimentodesuaTeoriacomoum todoestãodistribuídosnaquelasobras.Assim,acredita-seque,para chegaraonúcleodesteestudo,istoé,aosprincípioscomunsàTeoriada Classificação, TeoriadaTerminologiae TeoriadoConceito,a presente disposição é a maisadequada.

2.2.1 Universo do conhecimento e universo dos assuntos Aimportânciadaproduçãodoconhecimento ea int1uênciaqueessa produçãoexercesobreo planejamentode esquemade Classificação Bibliográficaétemarelevante nostrabalhosdeRanganathan. Oprocesso derelacionarobjetosefatoséumprocesso classificatório, o quefazcom que Ranganathantraga essasquestõespara dentro da Teoriada Classificação. NosProlegomena (RANGANATHAN, 1967,p. 80), ele discuteo processo deformaçãodeconceitose suarelaçãocomo que denominaUniversodasIdéiasoudoConhecimento esuaint1uênciano rn .;:: ,rn

trabalhodaclassificação.

~E

SegundoRanganathan,o homemdepositana memóriaperceptos a produzidaspor qualquerentidadeatravésde o puros,istoé, impressões o um sentidoprimáriosimples.Porexemplo,a luz quevemdasestrelasé

~ operceptoproduzidoporumaentidadedomundofísico

.

asestrelas. As entidadescorrelatasde um percepto,que estãofora da mente,são :.5 denominadaspor Ranganathandepercepção. Quandoa impressãoé

~

-

na memória,comoresultadodaassociação dedoisoumais . depositada perceptos puros,formadossimultaneamente ou numasucessão rápida,


nãotemosmaissomenteumpercepto puro,masumpercepto composto. Comoficaclarono exemploabaixo: Vamosassumirqueo perceptopurodosom"COIVO", emitidosimultaneamente pelamãe,setornaimpressonamemóriadacriançacomoo perceptocomposto "COIVO crocitante".Vamos,alémdisso,assumirqueoperceptopurodacordo COIVO e o perceptopuro do som "preto" emitidopelamãesejaassociadona memóriadacriança.Entãoo perceptocomposto"COIVO é pretoeelecrocita" ou "COIVO pretocrocita"éformadonamemóriadacriança.Logo,um percepto compostopodeserformadopelaassociação dedoisou maisperceptospuros (RANGANATHAN, 1967,p. 80).

Nomomentoemquesãodepositados namemóriaosperceptos puros e compostos,dá-seuma associaçãoe os conceitos se formam. Ranganathan(1967,p. 80) alertaparao fatodequea linha divisória entreumpercepto composto - aqueleformadopelaaglutinaçãodevários perceptos puros- e o conceitoé tênue.Oprimeiro,istoé, o percepto composto,transitaparao último,sendosónecessário somaraoprocesso deaglutinaçãoo processo deassociação, o queacarretaoestabelecimento derelações. Dessaforma,éapartirdaformaçãodosconceitosquesevai produzirna mentedo serhumanoum quadrode identidadecom o mundoqueocerca.Emummomentoposterioràformaçãodosconceitos, istoé, a partir da existênciadeum padrãoconceitualjá estabelecido, podeocorrera assimilação denovasexperiências, o quelevaaoprocesso que Ranganathan denomina de apercepção.O conjunto destas apercepções depositadas namemóriasedá,então,apartirdosconceitos ra ra já presentes namemória,como acréscimodaassimilaçãodeperceptos ~u ra LL. recentemente recebidos e conceitosrecentemente formados. "'O

o

Ira

Para chegarmos,entretanto,à definição de Universode Ô Conhecimento emRanganathan, serápreciso, primeiramente, analisar aindaosconceitos deidéia,informação, conhecimento eassunto. Idéia Õ paraRanganathan (1967,p. 81)é um produtodopensamento, da .g ra

~

reflexão,da imaginação,quepassoupelointelecto,integrandocoma

ajudada Lógicauma seleçãodeconjuntosde apercepção, e/ou

I-'"

<1J

diretamente apreendida pelaintuição edepositada namemória. .


A informaçãosedariano momentoemqueuma idéiaé comunicada por outros ou obtida a partir do estudopessoale da investigação. Conhecimento é definidocomoa totalidadedeidéiasconservadas pela Humanidade;assim,nestesentido,conhecimento podesersinônimode Universode Idéias. Assuntoé um corpo de idéias organizadase sistematizadas, porextensãoe intensão,queincidedeformacoerente no campodeinteresse, decompetênciaintelectuale deespecialização inevitáveldeumapessoa normal (RANGANATHAN, 1967,p. 92). O UniversoOriginalde Idéias,tambémchamadode Universodo Conhecimento,não só é o local onde as idéiasconservadas estão agrupadas, mastambémo localondeexisteum movimentoquepropicia um repensarconstantesobrea apreensão dasobservações feitaspeloser humano,apartir domundoqueo cerca.O UniversodoConhecimento éasomatotal,nomomento, doconhecimento acumulado. Eleestásempre em desenvolvimento contínuo.Diferentesdomíniosdo Universodo Conhecimento sãodesenvolvidos pordiferentes métodos. OMétodo Científico éumdosmétodos reconhecidos dedesenvolvimento [...]OMétodo Científico écaracterizado pelomovimento semfimemespiral(RANGANATHAN, 1963a, ,p.359).

Assim, paraexplicaro movimentodopróprioatodeconhecer, percebere sua influência sobre os esquemasde classificação, Ranganathanapresentaa Espiraldo Universodo Conhecimento, que possuivárias fasesno seu desenvolvimento.Por conveniênciade referência,Ranganathan(1963a,p. 359) utiliza a denominaçãodos pontoscardeais parademonstrá-Ias: .ê .." E

NADIR- apresenta a acumulaçãodosfatosobtidospelaobservação,

(!)

E ::J U o

~

experimentaçãoe outras formas de experiência. ASCENDENTE - apresentaa acumulaçãode leis indutivas ou empíricasemreferênciaaosfatosacumuladosemNadir.

. ~ ::J

0.0

:.5 I

A

ZENITE- apresentaasleis fundamentaisformuladas,isto é, a compreensão de todasasleisindutivasou empíricasacumuladasno

Ascendente comimplicações obrigatórias.


nãotemosmaissomenteumpercepto puro,masumperceptocomposto. Comoficaclaronoexemploabaixo: Vamosassumirqueoperceptopurodosom"calVo",emitidosimultaneamente pelamãe,setornaimpressonamemóriadacriançacomo operceptocomposto "calVocrocitante".Vamos,alémdisso,assumirqueo perceptopurodacordo calVoe o perceptopuro do som"preto" emitido pelamãesejaassociadona memóriadacriança.Entãoo perceptocomposto"COIVO é pretoeelecrocita" ou "COIVO pretocrocita"éformadonamemóriadacriança.Logo,um percepto compostopodeserformadopelaassociação dedoisou maisperceptospuros (RANGANATHAN, 1967,p. 80).

Nomomentoemquesãodepositados namemóriaosperceptos puros e compostos,dá-se uma associaçãoe os conceitosse formam. Ranganathan (1967, p.80)alertaparaofatodequealinhadivisória - aquele formado pelaaglutinação devários entreumpercepto composto

perceptos puros- e o conceitoé tênue.Oprimeiro,istoé, o percepto composto,transitaparaoúltimo,sendosónecessário somaraoprocesso deaglutinaçãooprocesso deassociação, oqueacarretaoestabelecimento derelações. Dessaforma,éapartirdaformaçãodosconceitosquesevai produzirna mentedo serhumanoum quadrode identidadecom o mundoqueocerca.Emummomentoposterioràformaçãodosconceitos, istoé, a partir daexistênciadeum padrãoconceitualjá estabelecido, podeocorrera assimilação denovasexperiências, o quelevaaoprocesso que Ranganathan denomina de apercepção.O conjunto destas ra apercepções depositadas namemóriasedá,então,apartirdosconceitos "'O ra já presentes namemória,como acréscimodaassimilaçãodeperceptos ~u ra u. recentemente recebidos econceitosrecentemente formados. o Ira

Para chegarmos,entretanto,à definição de Universode

13

~

Conhecimento emRanganathan, serápreciso,primeiramente,analisar aindaosconceitosdeidéia,informação,conhecimento e assunto.Idéia para Ranganathan(1967,p. 81) é um produtodo pensamento,da .g ra reflexão,da imaginação,quepassoupelointelecto,integrandocoma '§ClJ ajuda da Lógica uma seleçãode conjuntos de apercepção,e/ou ~

D

diretamente apreendida pelaintuição edepositada namemória. .


A informaçãosedariano momentoem queuma idéiaé comunicada por outros ou obtida a partir do estudopessoale da investigação. Conhecimento é definidocomoa totalidadedeidéiasconservadas pela Humanidade;assim,nestesentido,conhecimento podesersinônimode Universode Idéias. Assuntoé um corpo de idéias organizadase sistematizadas, porextensãoe intensão,queincidedeformacoerente no campodeinteresse, decompetência intelectuale deespecialização inevitáveldeumapessoa normal (RANGANATHAN, 1967,p. 92). O UniversoOriginalde Idéias,tambémchamadode Universodo Conhecimento,não só é o local onde as idéiasconservadas estão agrupadas, mastambémo localondeexisteummovimentoquepropicia um repensarconstantesobrea apreensão dasobservações feitaspeloser humano,apartir domundoqueo cerca.O UniversodoConhecimento éasomatotal,nomomento, doconhecimento acumulado. Eleestásempre em desenvolvimento contínuo.Diferentesdomíniosdo Universodo Conhecimento sãodesenvolvidos pordiferentes métodos. OMétodo Científico éumdosmétodos reconhecidos dedesenvolvimento [...] OMétodo Científico écaracterizado pelomovimento semfim emespiral(RANGANATHAN, 1963a, ,p.359).

Assim, paraexplicaro movimentodo próprioatodeconhecer, percebere sua influência sobre os esquemasde classificação, Ranganathanapresenta a EspiraldoUniversodo Conhecimento, que possuivárias fasesno seudesenvolvimento.Por conveniênciade referência,Ranganathan(1963a,p. 359) utiliza a denominaçãodos pontos cardeaisparademonstrá-Ias: .ê ,'" E Q)

E

:J U

o

~ ~

:J

0.0

11

NADIR- apresentaa acumulação dosfatosobtidospelaobservação, experimentaçãoe outras formas de experiência. ASCENDENTE - apresentaa acumulaçãode leis indutivas ou empíricasem referênciaaosfatos acumulados em Nadir. ~

ZENITE- apresentaasleis fundamentaisformuladas,isto é, a compreensão de todasas leisindutivasou empíricasacumuladasno Ascendente comimplicaçõesobrigatórias.


DESCENDENTE - marca a acumulaçãodas leisde deduçãona direção das leisfundamentais de Zênite. Esses pontos cardeais produzem quatro quadrantes no ciclo da espiral, a saber: QUADRANTE1 Situa-se entre Descendente e Nadir. Corresponde ao estágio do desenvolvimento do domínio do Universo do Conhecimento, onde os fatos são encontrados e registrados. Nele estão inseridos os seguintes conceitos: experimentação, observação, concretude e particularização. QUADRANTE2 Situa-se entre Nadir e Ascendente. Corresponde

ao momento

em que

as leis empíricas ou indutivas são formuladas e registradas. São os seguintes os conceitos nele inseridos: intelecto, indução, abstração, generalização. QUADRANTE 3

Situa-se entre o Ascendente e Zênite. Corresponde ao estágio em que as leis fundamentais são entendidas e registradas. Intuição, abstração e generalização são conceitos inseridos, QUADRANTE4 Situa-se entre Zênite e Descendente. Corresponde ao momento em que as leis dedutivas são derivadas e registradas. Os conceitos inseridos são intelecto, particularização, dedução e concretude.

eu "'C

eu Q) u eu

LI...

o

leu

Tendo a Espiral um movimento contínuo e infinito, a cada novo é necessário reintroduzir o quadrante 1, que se torna um pouco

13

ciclo

~

diferente, a saber: observações e experimentos são feitos para verificar

D

empiricamente

.geu

a validade de novas leis; além disso, observações e

eu

experimentossão feitoscontinuamente, conduzindo à acumulação de

'§(lJ

novos fatos empíricos. Neste movimento contínuo, verifica-se que, em

t"'"

dado momento, existem contradições entre os fatos empíricos e as leis

11


fundamentais atéentãoexistentes. Temosquereconhecer, nesteinstante, aexistênciadenovasclasses defatosedeclarara incidênciadacrisena aplicaçãodométodocientífico.Assim,novasclasses defatosempíricos sãoacumuladosemNadire um novociclonaEspiralseinicia (verFig. 2) (RANGANATHAN, 1963a,p. 364).

f\Jr.aD~~NrA1i

lENITH

'"

.;:: ,'"

c Q)

E ::J U

o

o

E

. Q) 00

'"

::J 00 c:

::;

Figura 2 - A Espiral do Universo do Conhecimento (RANGANATHAN, 1963 a).


Além daEspiraldoConhecimento eparaevidenciar aindamaisa ligaçãoentreaproduçãodeconhecimento eosesquemas declassificação, Ranganathanapresentatambéma Espiraldo Desenvolvimento de A'Isuntos: seo movimentodaEspiraldoConhecimento propiciao atode perceberosfatosqueocorremno mundofenomenal,coma Espiraldo Desenvolvimento deAssuntosé possívelverificara relaçãoentreeste percebere a produção de conhecimento que, no nossocaso, é conhecimentoregistrado. Apesardeestasquestões teremum cunhofilosófico,Ranganathan deixaevidente, atodomomento,suapreocupação emrelacioná-Ias com o universode trabalhoda documentação,apresentando como uma metaespiraldo conhecimentoa espiraldo universode assunto.Estes assuntosseapresentam e sãoanalisadosna áreadadocumentação a partir dos documentosproduzidospor um grupo de falantes de determinadouniversodediscurso.Dessaforma,a garantialiteráriaea dinâmica do conhecimentoandam juntas, e sãoessesfatoresque determinama relaçãododocumento comoconhecimento einfluenciam aelaboração deesquemas classificatórios paraaáreadadocumentação. A Espiraldo Desenvolvimento deAssuntos(RANGANATHAN, 1967, p. 372) é uma metaespiralda Espiraldo Universodo Conhecimento, poiséregidapelasmesmasleisdomovimentocontínuoedodinamismo O movimentoem espiral(ver queregema Espiraldo Conhecimento. Fig.3) podesercaracterizado a partirdefatosquepodemosobservarno desenvolvimento denovosassuntos, asaber:novosproblemas; pesquisa fundamental;pesquisaaplicada;projetopiloto;novasmáquinas;novos materiais;novosprodutos;utilizaçãodestesprodutos;novosproblemas.

.


Figura 3 - A Espiral do Desenvolvimento de Assuntos (RANGANATHAN 1967).

O Método Científico em Espiral propicia a integração constante do conhecimento,

do desenvolvimento de assuntos e a relação com a

atividade de trabalho da classificação. Ranganathan, assim, é singular na medida em que evidencia essa dinâmica, esse movimento constante <1J '':: '<1J

C Q) E

e a possibilidade também de constantes modificações no Universo do Conhecimento e de Assuntos que influenciam o Universo de Trabalho

::J U

da Classificação.

OE

2.2.2 Universo de trabalho da Classificação

o

.

.

Q)

~

NoUniversode Trabalhoda Classificação, Ranganathandemarca :§ três planos de trabalho: Plano Ideacional, Plano Verbal,Plano Notacional. O trabalho nestes planos é mentalmente separado, cada um

.

deles possuindo princípios normativos próprios, como se verá a seguir.


1) Plano Ideacional O PlanoIdeacionalé o plano ondeexistea formaçãode todoo processo dopensar,poiseleserelacionacomo trabalhodamente,"que éo lugarondeseoriginamasidéias"(RANGANATHAN, 1967,p. 327).É o planoda análisedosconceitos,independentemente do termoqueo denota ou do número que pode representá-loem uma tabela de classificação (KUMAR,1981,p. 17). Ranganathan apresenta oPlanoIdeacionalcomoumplanosuperior, pois,segundoele,osnúmerose aspalavrassónosinteressamporque existeuma idéia atrásdelas,sendoos outros doisplanossomente manifestações doPlanoIdeacionalqueé invisível. Vamosolhar uma tabelade classesou de isolados.Percebemos númerose palavrasapenas.Aliestãomanifestadoso Plano~rbal eo Notacional.O Plano Ideacional não está.As idéias se escondematrás dos números que as representame aspalavrasque asdenotam.Essesnúmerose palavrasnos interessamsomenteporqueasidéiasestãoescondidasatrásdeles.O Plano Ideacionalé o planosuperior,e aindamais,elenãosemanifestaporsi mesmo diretamente.EleéinvisívelcomoDeus.E é tambémtãotolerantecomoDeus. Poiselenãoforçaosoutrosalémdesuacapacidade.Eleesperacompaciência

atéelesseajustarem (RANGANATHAN, 1967, p.335).

Otrabalhono PlanoIdeacional é interpretado porKaula(1984, p.38)comootrabalhodeanálisedoconceito.Dizele: rn

Umaidéiaéumconceito que,aotomarformaconcreta, podelevara alguma -c rn informação. Aanálise doconceito éumatarefadifícilquetemqueseresgotada W u rn naconcepção doesquema declassificação. Umconceito podeserumisolado u.. o ou um assunto, e a identificação deconceitos, suaposição no Universo de Irn l)o rn u

Assuntos,seu arranjo sistemático entre outros conceitos etc. fazem do trabalho

<;::::

umatarefaárdua.

'Vi .." rn

S

.

Nocapítuloaseguir,verifica-seque,naverdade,o PlanoIdeacional, -c como afirma Kaula, é o plano que possibilita representaruma .ê determinada área de conhecimento, através

de seus princípios

normativos,paraorganizarosseusconceitose formaruma estrutura classificatória.Parece, entretanto,queRanganathan,a partirdoPlano

&


Ideacional,introduznoplanodetrabalhodaclassificação apossibilidade de um mundo inteligível que só poderámanifestar-sea partir do movimentodoPlanoVerbale doNotacional. 2) Plano verbal Ranganathanafirmaque junto com a capacidade de criar idéias,coexistea capacidade parao desenvolvimento deumalinguagem articuladacomomeiodecomunicação. Eé alinguagem quediferencia o homemdeoutrascriaturas. Alinguagem escritafazcomqueacomunicação sejamaisdifundidadoquealinguagem falada.Masa linguagemé maisperigosado quea idéia.Homônimos e sinônimos, portanto, florescem comoervasdaninhas(RANGANATHAN, 1967, p.327).

o PlanoVerbal,então,tempor funçãopermitir quea linguagem possaseruma mediadoraparaa comunicaçãodeidéiasou conceitos: ela deveserlivre dehomonímiae sinonímia,particularmenteem se tratandodeuma linguagemclassificatóriaquenãoé uma linguagem natural. Kaulaafirma queo "trabalho no planoverbaltem quelevarem consideração a terminologiausadanainterpretação daqueles conceitos aocomunicaro corretosignificadoea relaçãonocontextocomoutros conceitos"(1984,p. 39). Assim,o planoverbaléo "planodaspalavras, dosgruposdepalavras,frases,sentenças e parágrafosna linguagem natural" (KUMAR,1981,p.18). rc

:§ 3) Plano Notacional c: Q)

E

O PlanoNotacionalé o plano dosnúmerosque representamos EstePlano"seesforçaportirar osresíduos queoPlanoVerbal o conceitos. E p. 330). Estes causouno PlanoIdeacional" (RANGANATHAN, 1967, Q) bO rc resíduossão,comoseviu anteriormente,oshomônimosesinônimos. :J :J U

o

. bO

:.5

Otrabalhono PlanoNotaciol1alestárelacionadodiretamentecom

o quefoi convencionado no PlanoIdeacional,emboracomrestrições:


a relaçãoentreo PlanoNotacional eo PlanoIdeacional é adosenhore o criado.Mas,assimcomoumtemqueseguirtodasasextravagâncias efantasias deseusenhor, também oPlanoNotacional temquedesenvolver suacapacidade eversatilidade, comoobjetivodecomplementar totalmente asdescobertas no PlanoIdeacional (KAUlA,1984,p.38). O Plano Notacional permite, atravésdosseusprincípios normativos, que o princípio da hospitalidade possa manifestar-se na estrutura classificatória, isto é, que novosconceitoscriados no Plano Ideacional tenham seulugar garantido nastabelas.Ele possibilita a representação dos assuntosexistentesnos documentose a manipulação do arranjo dosdocumentos.

OPrincípiodaHospitalidade foi considerado, inicialmente,comoa propriedade queum Esquema deClassificação possuiparareceber novos assuntos.Esteconceitofoi primeiramenteutilizado por Cuttere se denominava Expansividade. MelvilDewey, naprimeiraediçãodaDecimal Classification,ao elaboraruma notaçãoquetem por basea notação decimal, introduziu esteprincípio sem,contudo, denominá-Ioou apresentar qualquerteoriaa respeito.Assim, oespaço empregado naclassificação decimalparaguardarhospitalidade da notaçãoé afixaçãodolugardevalordodígitodeum número,comoseele estivesse sendousado comoumafraçãopuramente decimal[...]porexemplo: 336representa Finanças Públicas e ficaentre33querepresenta Economia e 34querepresenta Direito[...]Aseqüência correta dosnúmeros ordinaisdados deveser33,336,34,poiselesdevemserlidoscomofraçãodecimalpura (RANGANATHAN, 1951 p. 19).

<'ti -o <'ti Q) U <'ti

~

Ranganathan, noentanto,introduzumnovoaspecto paraoconceito .<'tI deHospitalidade, apresentando a Hospitalidade ou Expansividade em u~ MuitosPontos.OconceitoinicialdeHospitalidade sópermitiaainclusão ~ de novosassuntosdentrodasclassesprincipaise subclasses; não era possívela inclusãodenovasclassesemsuabasenotacional.Assim,a .g

8

representação doconhecimento ficavarestritaa dezclasses principaise '§ todoassuntonovoquesurgisse deveriaserclassificado dentrodessa base. ~ A Hospitalidadeou Expansividade em MuitosPontostornapossívela .


introduçãodediversos mecanismos paraqueoesquema declassificação acompanhea dinâmicadoconhecimento. Sãoeles:

a) ampliação dabasenotacional - Ranganathan passa a utilizar uma notaçãoalfabética,coma introduçãododígitooitavizante; b) ampliaçãodosrenques, poiso mecanismododígitooitavizanteé introduzidotambémnosrenques; c) organização da estrutura classificatória em categorias fundamentaisPMEST(Personalidade,Matéria, Energia,Espaçoe Tempo)e, como conseqüência,o elementoutilizado na estrutura classificatórianão é maiso assuntodo documento,masosconceitos quefazempartedesteassunto, organizados apartirdascategorias dentro da áreadoconhecimento; d) adoçãodo métodoanalítico-sintético, quepermitea separação entreos momentosda elaboraçãode esquemasde classificação,da análisedodocumentoedousodoesquema. 2.3 ELEMENTOS DA ESTRUTURA CLASSIFICATÓRIA

'" ';:: ,'" ê: Q)

E

::J U

o

o

E

Qualquerteoriadeveserbaseada emprincípiosnormativos. NaTeoria daClassificação Facetada, osprincípiosnormativossãopostulados em váriosníveis,desdeo processo depensarqueo homemdesenvolve sobre o mundofenomenalqueo cerca,e queinterferenoseuconhecimento da realidade,atéo trabalhodeelaboraçãodastabelasdeclassificação. Nestaseção,sãoexaminadososelementosda estruturaclassificatória, segundoa TeoriadeRanganathan:a organizaçãodessas unidades,a partir desuascaracterísticas, emrenquese cadeias,a distribuiçãodos renquesecadeiasnasfacetase aorganização dasfacetasnascategorias.

. ~

::J 00

:.§

2.3.1 Unidades classificatórias Um dosprimeirospassosna elaboraçãode uma estrutura

classificatória éadefiniçãodasunidadesqueconstituemosistema. Essas


unidades,naverdade, representam osconceitos esuasrelações. NaTeoria da Classificação Facetada,asunidadesclassificatórias sãoo assunto básicoe a idéiaisolada.Comoseobservouánteriormente,em todaa teoriadeRanganathanoselementos estãointerligados.Definirassunto básicoeidéiaisoladatorna-sedifícil,porqueum conceitoédependente do outro, ou seja,não é possíveldefinir um semdefinir o outro e vice-versa.

o assuntobásicoé um "assuntosemnenhumaidéiaisoladacomo componente"(RANGANATHAN, 1967,p. 83). Assuntoé definidocomo um corposistematizado deidéiasinseridasemumcampoespecializado (RANGANATHAN, 1967,p. 82). Pode-se dizer,então,queassuntobásico representaas áreas mais abrangentesdo conhecimento, como Matemática,Agricultura.Porém,nãosepodedizerqueAgriculturade Milhorepresente umassuntobásico,poiselepossuia idéiaisoladaMilho. A idéiaisoladaé "alguma idéiaou complexode idéiasajustadas para formarum componentedeum assuntomas,em si mesma,ela não é consideradaum assunto"(RANGANATHAN, 1967,p. 83). Por exemplo,Milho denotauma idéiaisolada,mas,sefor combinadocom o assuntobásicoAgricultura,forma-seo assuntoAgriculturadoMilho. O isolado(idéiaisolada)podeserconsideradoum conceito;algumas vezes,porém,funcionacomouma unidadecombinatóriaquetempor funçãofacilitar a formaçãoda notação.Quandoisto acontece,ele é chamado,por algunsautores(KUMAR,1981,p. 19),deespecificado r. Porexemplo,na ColonClassificatíon(1963),a formaçãoda notação Psicologia Infantil (S1)corresponde aoassunto básicoPsicologia (código o S)eaoisoladoCriança(código1).Pode-se dizerqueo representante do 'G. t\3 conceito,nestetipo deTabela,é a notação.Nestecaso,o isoladoé um especificador, istoé,um determinantedo termoPsicologia.Comisto, u Ranganathanconseguerepresentar conceitosquenãoestãonomeados .g nalíngua,comoporexemplo, P sicologia + Pré-adolescente, Psicologia .ê . o + Memno. ~

s

~

11


NasuaTeoria,Ranganathan propõequ~seidentifiquemoselementos formadores doassuntododocumento, parapoderdistribuí-Iasnatabela (processo deanálise),deformaaagrupá-Ias denovo(processo desíntese) atravésda notação,quedeverepresentar o assuntodo documento.Na verdade, istoépossível porque,paraidentificarasunidadesquedeveriam comporsuaTabela,elefoi aoUniverso dosDocumentos afim deverificar comoosassuntos seapresentavam naliteraturae,apartirdaí,estabelecer os princípios de formação dos assuntos:Dissecação,Laminação, Agregação Livre,Superposição (RANGANATHAN, 1967,p. 351). Nosassuntos dosdocumentos, algunssãoformadosporumoumais assuntosbásicos,enquantooutrossãoformadospelacombinaçãode assuntobásicoe isolado.Quandoo assuntododocumentopossuidois assuntos básicos,diz-sequeéum assuntocomplexo;quandoéformado por um assuntobásicoe um ou maisisolados,é denominadoassunto composto.Matemáticapara Físicos,por exemplo, é um assunto complexo,porqueéformadopordoisassuntosbásicos;Agriculturaem Javae Milho emJavasão assuntoscompostos,pois sãoformados, respectivamente, pelacombinaçãode assuntobásico+ isoladoe de isolado+ isolado. A Tabelade ClassificaçãoAnalítico-Sintéticapermite apenasa organizaçãodos isoladose dos assuntosbásicosem sua estrutura classificatória, porqueestes sãooselementos necessários paraaformação dos assuntoscomposto'e complexo,que fazemparte do plano do documento. ro

~ 2.3.2 Características OJ

§

A Característica é definidapor Ranganathan(1967,p. 55) como 8 "um atributoou algumcomplexo".Um atributo,porsuavez,"é uma ~ ou uma qualidadeou uma medidaquantitativadeuma DO propriedade ~ entidade"(KUMAR,1981,p. 14). Ascaracterísticas DO sãousadaspara :§ compararoselementosclassificatórios, objetivandoformar classes e,

.

dentrodestas,osrenquesecadeias.


2.3.3 Renques e cadeias Renquessão classes derivadasde um Universocom base em uma única característica em algum passo de divisão para estabelecer um arran jo completo na seqüência preferida (RANGANATHAN, 1967,p. 61), ou seja, sãoclassesformadas a partir de uma única característica de divisão, formando séries horizontais. Por exemplo: Macieira e Parreira são elementos da Classe Árvore Frutífera, formada pela característica de

divisão - tipo de árvoresfrutíferas. Cadeia é uma seqüência formada por classes e seu universo de deslocamento 1,2,3 etc. até um ponto desejado(RANGANATHAN, 1967, p. 63), ou seja, são séries verticais de conceitos em que cada conceito

tem uma característica a mais ou a menos, conforme a cadeia descendente

ou ascendente.

Por exemplo:

Macieira é um tipo de Árvore

Frutífera, que, por sua vez, é um tipo de Árvore. Neste exemplo, observase uma cadeia descendente.

Os renques e cadeias revelam a organização da estrutura classificatória que é totalmente hierárquica, evidenciando as relações hierárquicas de gênero-espécie e de todo-parte. Ranganathan desenvolve uma série de regras (cânones) para estabelecer uma conduta uniforme

na formação dos renques e cadeias. Oscânones para a formação dos renquessãoosda Exaustividade,da Exclusividade,da Seqüênciaútil e da Seqüênciaconsistente.

t't!

-o t't!

Ocânoneda Exaustividade estabelece queasclasses formadaspor õJ U t't! um renquedevemserexaustivas, demodoque,sealgumtópico novo LL o surgir, ele podeser acrescentadoà estrutura, e esta tem que ter It't! ut't! hospitalidadepara agrupá-Ionumaclasseexistenteou numa classe <;:U 'ij; V1 recém-formada. t't! U OcânonedaExclusividade estabelece queoselementos formadores .g dos renquesdevemser mutuamente exclusivos,ou seja, nenhum .ê componente daestrutura(isoladoou assuntobásico) pode pertencera maisdeumaclasse norenque. Ranganathan, destemodo, nãoaceitaa

poliierarquia.

.

~ 11


ocânonedaSeqüênciaútil eocânonedaSeqüênciaconsistente são exclusivosde Tabelasde Classificação.Determinama ordemmais adequada paraa classificação adotada. Quantoaoscânonesparaaformaçãodecadeias,sãodedoistipos:o CânonedaExtensãoDecrescente e o CânonedaModulação. Ranganathan (1967, p. 174) define o Cânoneda Extensão Decrescente apartirdaseguinteexplicação:"ao mover-se numacadeia descendente doprimeiroatéo último elo,a extensão dasclasses oudos isoladosordenados, conformeo caso,devedecrescer e a intençãodeve crescera cadapasso",isto é, segundoestecânone,a classemais abrangentedevesempreprecedera maisespecíficaem quesedivide. Nestecânone,eleapresenta umaexplicaçãobastanteútil paratodosos queestãoenvolvidoscom o processo declassificação,ao explicaros conceitosdeextensãoe intenção.Realçaqueostermoscitadossãodo âmbito da Lógica,onde existeuma sériede discussõessobreseu significado.Adota,então,o quechamadeuma "medidatosca"para explicá-losequeserveperfeitamente aosnossospropósitos.Aextensão tempormedidao númerodeentidades compreendidas naclasseouno isolado,e aintençãotempormedidaonúmerodecaracterísticas usadas para a derivaçãodo UniversoOriginal.Utilizandouma terminologia atual,pode-sedizerquea intençãodeum conceitoé a totalidadeou o númerodascaracterísticas relevantesqueconstituemo conceito,e a extensãodeum conceitoé a totalidadeou o númerodeconceitosque abarca.Acrescenta, ainda,que,num certosentido,a extensãoé uma .2! medidaquantitativade uma classeou de um isoladoordenado.A intençãoéqualitativa. Q)

E u§

8

~

OCânoneda Modulação (RANGANATHAN, 1967,p. 176)tema seguintedefinição:"Umacadeiadeclasses devecompreender umaclasse decadaordemqueestejaentreasordensdoprimeiroedoúltimo eloda cadeia."Istoquerdizerqueaseqüência dascaracterísticas naformação doselosda cadeiadeveregistraroselosintermediários.A modulação depende,assim,do uso corretodas característicasrelevantese da seqüência deempregodestascaracterísticas.

. ~

~


2.3.4 Facetas Facetaé"um termogenéricousadoparadenotaralgumcomponente - podeserumassuntobásicoouum isolado- deum assuntocomposto, tendo, ainda, a função de formar renques,termos e números" (RANGANATHAN, 1967, p. 88). No contexto das classificações especializadas, édefinidacomoumamanifestação dascincocategorias fundamentais (VICKERY, 1980,p.212).Asfacetas sãodedoistipos:facetas básicase facetasisoladas. Afacetabásicaagrupaassuntosbásicos(áreasdoconhecimento)e afacetaisoladaagrupaisolados(conceitos). Afacetabásicaéoprimeiro elementodo contextoespecificado. Um assuntosimplestem somente uma facetabásica,e um assuntocompostotem uma facetabásicae umafacetaisolada,porexemplo,AgriculturadoMilho.Opapeldafaceta básicaédirigir oclassificador paraaáreadoconhecimento (Matemática, Lireratura,História).Paraclassificar odocumento, eleprecisadas facetas isoladasqueseencontramnointeriordafacetabásica. A faceta isolada pode ser uma manifestaçãodas categorias fundamentais,por exemplo,Ensino(categoriaEnergia).Comoum elementodaformaçãodaestruturaclassificatória, elatema funçãode agruparosrenques, dentrodecadacategoria. Ospostulados apresentados anteriormente têmafunçãodedeterminaraseqüência dasidéiasisoladas em um assuntocomposto,no casode uma idéia isoladaseruma ttI ttI manifestação deumadasdiferentes categorias fundamentais, Entretanto, ãJ u ttI estespostulados nãoauxiliamnadeterminação deduasou maisidéias u... quepodemserconsideradas comofazendoparteda mesmacategoria .ttIolJoo ttI fundamental,istoé,nãoauxiliamnaseqüência quesedevedarquando, ~U 'U; por exemplo,dentroda categoriaPersonalidade, tem-seduasfacetas VIttI O isoladas(KUMAR,1981,p. 233). ttI

"

"

.

Facetas damesmacategoriapodemmanifestar-se dentrodomesmo .~ assunto.Quandoistoacontece, énecessário oestabelecimento dealguns princípiosparaauxiliaremnadeterminação deumaordemquegaranta consistência naorganizaçãodoslivrosnasestantes.

&


2.3.5 Categorias fundamentais O PostuladodasCategorias é o princípionormativoadotadopara organizar um Universo de Assuntos,ou seja, um "corpo" de conhecimentoorganizadoe sistematizado.Mapearo Universode Assuntosé o primeiro passodo classificacionistapara elaborarum Esquemade Classificação,sejaele facetadoou enumerativo.Esta atividadetem por funçãodefinir em que níveldeextensãosedaráo corteclassificatóriodoUniversodeAssuntos. Ranganathanconsiderao mapeamento deum UniversodeAssuntos uma tarefabastantecomplexa,comoéo próprioatodeclassificar: [...] a tarefadaclassificação é mapearo universomultidimensional dos assuntos aolongodesuaatividade[...] Vimosquãotortuosaé a tarefade terminare priorizarumaescaladerelações preferidas entretodasasidéias isoladase entretodososassuntos[...] Há muitas relaçõesvizinhas imediatas entreos assuntos.Tendofixado um destesassuntosna primeira posiçãoda linha, devemosdecidirqualseráseuvizinho imediato,qual seráseuvizinho detransferênciadois,e assimsucessivamente. Podemosperdernoitesdesono e aindanãoestarmospertodeumasoluçãofirme. Senãoformosestudantes sériosdeclassificação podemosdesistirdizendo"a classificação é impossível" (RANGANATHA.I\j, 1967,p. 395).

Paraunspoucos,aclassificação émesmomarcadaporum absurdo lógico.Estaé a medidadamagnitudedomapeamento do Universode Assuntos multidimensionalaolongodaatividadequeé aclassificação. .ê

,ro

Omapeamento consiste,num primeiromomento,em sedecidira

~

áreade assuntoqueserátomadacomobasepara a organizaçãodas § unidadesclassificatórias (assuntobásico,isolados)na Tabela,e como u

8

essaáreaseráclassificada. Ranganathan conduzseutrabalhotentando E definir uma forma quepossibilitea análisedo UniversodeAssuntos,

. Q)

W pois asclassificações bibliográficasatéaquelemomento- apesar de .~ tambémporáreasdoconhecimento/disciplina - não -' seremorganizadas deixavam evidentes os princípios que empregavam para o estabelecimento dasclassese subclasses dentro de cada área.Isto

.


provocava uma certa imobilidade, não permitindo que elas acompanhassem a dinâmicado conhecimento.Ranganathanresolve buscarprincípioslógicosatravésdousodepostulados. Euclides postulou queduaslinhasparalelas nãoseencontram. Durante quase vinteséculos ninguémquestionou estepostulado. EntãovemGauss, quediz: "Comovocêsabequeelasnãoseencontram? Vocêjá caminhouaolongo delasparaverificarseufim?Eudigoqueelasseencontram - numlugar muitodistante; vocêpodenegar?Entãoelefezseuprópriopostulado, queas linhasparalelas seencontram emaJnbas aspontas.Qualdesses postulados preferimos? Qualquerumquesirvaparanossopropósito; qualquerumque auxilienosso trabalho(RANGANATHAN, 1967,p.396).

Postula,então,queexisteemtodoUniversodeAssuntos cincoidéias fundamentaisquesãoutilizadasparaa divisãodoUniverso.A respeito dototalcinco,eleapresenta o seguinteargumento: Alguémpodeperguntar: Porqueasidéiasfundamentais postuladas sãoem númerodecinco?Porquenãotrês?Porquenãoseis?Istoé possível. Há liberdade absoluta paratodostentarem.Umapessoa podetalvezgostarde seis.Eladeveclassificar nessa basealgunsmilharesdeartigosvariados. Se elasproduzirem resultados satisfatórios arranjandoosassuntos dosartigosao longodeumalinha,aquele postulado podeseraceito.Istonãoéumamatéria aserdiscutida excathedrasemumteste completo eprolongado. Trabalhar combaseemcincoidéiasfundamentais produziuresultados satisfatórios nos vinteúltimosanos(RANGANATHAN, 1967,p.398).

EstasidéiassãodenominadasCategorias Fundamentais.O termo Categoria Fundamental éusadoporRanganathan pararepresentar idéias fundamentais quepermitemrecortarumUniversodeAssunto emclasses bastanteabrangentes. AsCategorias Fundamentais funcionamcomoo primeiro corteclassificatórioestabelecido dentrode um Universode Assuntos. Poroutrolado,sãoelasquefornecemavisãodeconjuntodos agrupamentosque ocorremna estrutura,possibilitando,assim,o entendimento globaldaárea.OpostuladodasCategorias Fundamentais é apresentado por Ranganathan:

.

HácincoesomentecincoCategoriasFundamentais;sãoelas:Tempo,Espaço, Energia,MatériaePel'Sonalidade. Estestermose asidéiasdenotadas sãousadas


estritamenteno contextoda disciplinadeclassificação. Nãotêmnadaaver comseuempregoemMetafísicaou Física.Em nossocontexto,seusignificado podeservistosomentenasdeclarações sobreasfacetasdeum assunto- sua separação e seqilência.Esteconjuntodecategoriasfundamentaisé,emsíntese, denotadopelasiniciais PMEST(RANGANATHAN, 1967,p. 398).

RanganathandefineascategoriasPMESTdemodoa explicá-Ias, istoé,pelaenumeração dealgumasdesuasfacetasquesãomanifestações dasprópriascategoriasdentrodeumaáreadoconhecimento.

A categoria Tempo é definida com seu significado usual, exemplificando-acom algumasidéiasisoladasde tempocomum,a saber:milênios,séculos,décadas,anose assimpor diante.Eleprevê manifestações deisoladosdetempodeoutrotipo,taiscomo:diaenoite, estações doano,tempocomqualidademeteorológica. A categoriaEspaçoé tambémdefinidacomseusignificadousual, apresentando comosuasmanifestações asuperfíciedaTerra,seuespaço interioreexterior,comoporexemplo,continentes, países, estados, idéias isoladasfisiográficasetc. A categoriaEnergiaé deentendimentoum poucomaisdifícil. Ela podeserentendidacomoumaaçãodeumaespécie ououtra,ocorrendo entretodaespéciedeentidadesinanimadas,animadas,conceituaise até intuitivas, como, por exemplo,atravésdas seguintesfacetas: problema,método,processo, operação, técnica. A CategoriaMatériaapresenta um entendimentodecomplexidade .~ ainda maior que a da CategoriaEnergia e é assimdefinida por Ranganathan:

~ Q)

E :J U

o

o

E

Q) toO

. '" :J toO c:

::J

A identificação da categoria fundamental Vê-se que suas manifestações Pode parecer estranho

Matéria é mais difícil do que Energia.

são de duas espécies: Material e Propriedade.

que propriedade

fique junto com o material.

Mas,

peguemos uma mesa como exemplo: a mesa é feita de material de madeira ou aço, conforme o caso. O material é intrínseco à mesa, mas não é a própria mesa. Principalmente

o mesmo material também pode aparecer em muitas

outras entidades. Assim, a mesa tem a propriedade de ter dois pés e meio de altura e a propriedade de ter um tampo meio duro. Esta propriedade é intrínseca


àmesa masnãoéaprópria mesa. Alémdisso, amesma propriedade pode aparecer emmuitosoutroslugares(RANGANATHAN, 1967,p.400).

Assim,acategoria Matériapodeserencarada comoamanifestação de materiaisem geral, como sua propriedade,e tambémcomo o constituintematerialdetodasasespécies. A categoriaPersonalidade é considerada por Ranganathancomo indefiníveI.Explicaque,seuma certamanifestaçãofor facilmente determinadacomonão sendoespaço,energiaou matéria,ela é vista como uma manifestaçãoda categoriafundamentalPersonalidade. ConsideraqueestetipodeidentificaçãodacategoriaPersonalidade éo quedenominademétododeresíduos. Acrescenta queestemétodopode nãoserfácilemcertoscasos,massuaexperiência mostrouqueasidéias isoladas vão manifestar-se em algumas das categorias acima mencionadas. Asdificuldades encontradas sãorarasnamaioriadasvezes (RANGANATHAN, 1967,p. 401). As seguintesfacetas podem ser consideradas comomanifestação dacategoriaPersonalidade: bibliotecas, números,equações, comprimentosde ondasde irradiação,obrasde engenharia,substânciasquímicas,organismose órgãos,adubos, religiões, estilosdearte,línguas,grupossociais,comunidades" (VICKERY, 1980,p. 212). Para finalizar, cabeevidenciardois pontos fundamentaisna construção desistemas deconceitos noâmbitodaTeoriadaClassificação re Facetada. Oprimeiropontoasalientaré queRanganathan,aoenfocar "Ore êiJ o documentocomoumregistrodeconhecimento, trazparao ambiente ure L.L dadocumentação apreocupação como Universo deConhecimento. Desta Ireo U'> forma,naestruturaelaboradaa partirdesuaTeoria,asunidadesquea reu "" constituemnãosãomaisosassuntos dosdocumentos, masosconceitos, 'Vi '" re queeledenominadeisolados. Estes, reunidosporumprocesso dearranjo U re "O ou combinação,permitemformarqualquerassunto.

. re

Outropontoa salientaré queeleelaborauma sériedeprincípios quevisama permitir queessesconceitospossamserestruturadosde formasistêmica,istoé,o§conceitosseorganizamemrenquesecadeias,

.~

~


estasestruturadasem classesabrangentes, quesãoasfacetas,e estas últimasdentrodeumadadacategoriafundamental.A reuniãodetodas ascategorias formaumsistemadeconceitos deumadadaáreadeassunto ecadaconceitono interiordacategoriaétambéma manifestação dessa categoria.

tU

:~ c Q) E :J U o o E Q) 0.0 tU :J 0.0 c ::J

.


-3 TEORIADA TERMINOLOGIA

A palavra terminologia vem-seapresentandona literatura,de umaformageral,comtrêssignificados distintos:lumalistadetermose seussignificados; ostermosdeumaáreadeespecialidade; eumconjunto deprincípiosteóricos(WÜESTER, 1981,p.56). o primeirosignificado dotermonoslevaaocampodosdicionários técnicos, dosvocabulários e léxicos.Assim,terminologiaé aquientendida comoa apresentação ordenada deumcertogrupodeconceitos etermosdeumaárea deassunto qualquer.

osegundosignificado considera otermoterminologia comoocampo queabrangeo estudocientíficodostermosdeuma áreaparticularde conhecimentoemuma certalíngua,e, nestecaso,apresenta bastante semelhançacoma lexicologiaespecializada, istoé,o estudocientífico doconjuntodetermosdeumadadalíngua,emumaáreaespecializada. Oterceirosignificadoconsidera a terminologiacomoaáreadeestudo dos princípios teóricos básicospara o trabalho terminológico, denominadocomoo estudocientíficofundamentalda terminologia, através do istoé,aquelequepropiciaaotermoostatusdeáreadesaber, estabelecimento destesprincípios.Nestesentido,etimologicamente "ciênciadaterminologiasignifica:ramodosaber,disciplinacientífica, umaciênciaemsi,ciênciacomotal" (DROZD,1981,p. 117). Nesteestudo,otermo"terminologia"éempregado comoseuterceiro ~ significado,ou seja,comodisciplinacientíficaquepropiciaprincípios '00o metodológicospara a elaboraçãode terminologias (sistemasde oc: conceitos) mais bem estruturadas para as diversas áreas do E conhecimento. ~

~

"'C ~

1 Lubomir Drozd, terminólogo da Escola de Praga, acrescenta mais um a esses três significados: aquele que denominou uma lista de nomenclatura técnica de terminologia - a Nomenclatura de Botânica, de Zoologia, de Química (1981, p. 106).

. '2

I-'"


o precursordosestudosquepropiciamà terminologiao stattiSde áreadoconhecimentofoi o engenheiroaustríacoE.Wüesterque,nos anos30,aoorganizara TerminologiadeEletrotécnica, como objetivo degarantircomunicação precisanesse campodatécnica,terminoupor desenvolvera TeoriaGeralda Terminologiaem sua teseintitulada Internationale Sprachnormung in der Technik(Normalização Internacional da Língua no Campoda Técnica) (FELBER,1981, p. 64). Segundoestateoria,a Terminologiaseocupadosconceitosde uma línguatécnicaou línguaespecial,osquaisserelacionamentresi comoum sistemadeconceitos. ComapublicaçãodotrabalhodeWüesterecom adisseminação de suasidéiassobrea TeoriaGeralda Terminologiaque,maistarde,é considerada comoparteconstituintedaCiênciadaTerminologia,várias linhasdepesquisa seformam e seapresentam refletidasemtrêsescolas clássicas - a EscoladeViena,a EscoladePragae a EscolaSoviéticade Terminologia."EstasEscolas possibilitaramaformaçãodeinstituições portodoo mundo" (FELBER, 1981,p. 47) . 3.1 AS ESCOLAS A EscoladeVienasurgea partir da trajetóriade E. Wüester,seu fundadore criadorda TeoriaGeralda Terminologia,na qual estão fundamentadas suasbasesteóricasemetodológicas. E. Wüester,engenheiroaustríaco,apóster sido graduadoem Engenharia Elétrica pela Universidade Técnica de Berlim, tO Charlottenburg, seentusiasmou poralgumasidéiasque,naAlemanha :§ do início do século,estimulavamprofissionaisde diversasáreas c::: E

g

(lingüistas, filósofos, documentalistas,engenheiros), inclusive organizações profissionais, a buscarema fundamentação científicada

oE terminologia.Istodeuorigemà pesquisada língua técnicado ~ tO

engenheiro.Wüester,entusiastadestasidéias,defendeem 1931sua tese

~ intitulada Internationale Sprachnormung in der c::: dedoutorado, :.:; Tecknick(NormalizaçãoInternacional da Língua no Campoda

.


Técnica),publicadano mesmoano,pelaUniversidade deStuttgart.O seulivro contém umadetalhada investigação daterminologia comoferramenta da comunicação, deacordo comanatureza doconceito, arelação deconceitos, adescrição dosconceitos (definição), aformação determos, anormalização deconceitos etermos, ainternacionalização deconceitos etermos(FELBER,

1984, p.15). Em 1935,por recomendação daAcademiaSoviéticadeCiências,o trabalhodeWüesterfoi traduzidoparao russoe tevecomoseumaior divulgadoro terminólogosoviéticoDrezen.Assim,asidéiasdeWüester, desdeessetempo,vêminfluenciandoapesquisaterminológicanaquele país.Apartirdeumrepertório feitoporDrezen,referindo-se àimportância dasidéiasinovadoras dotrabalhodeWüester, a UniãoSoviéticapropõe a criaçãodeum ComitêTécnicodentrodaFederação Internacionalde Associaçõesde Normalização Nacional, que seria o "ISA-37 Terminologia". Fundadoem 1936,visaà harmonizaçãodo trabalho terminológicointernacional.Coma SegundaGuerraMundial,foram suspensosos trabalhos,que tinham por objetivo a preparaçãodo vocabulário da ISA,com regraspara denominaçãode conceitos independentes dalínguatécnicainternacional(FELBER, 1984,p. 15). Em 1957,foi fundadoo "ComitêTécnicoTC37 deTerminologia (princípios e coordenação)", da OrganizaçãoInternacional de Normalização(ISO),quecontinuoua tarefadaISA37.AISOpublicou osresultados dostrabalhosdaISO/TC-37, de1967a 1973.Entre1972e 1974, "Wüesterescreveuseu Einführung um die allgemeine Terminologielehre und terminologischeLexikographie(Introduçãoà .~ TeoriaGeraldaTerminologia eLexicografia Terminológica), queutilizou ]> o comobaseparasuasaulasno InstitutodeLingüística,daUniversidade.~ deViena"(FELBER,1981,p. 70), ondefoi professora partir de 1955. ~ Estelivrofoipublicadocoma"cooperação detrêsinstituiçõesaustríacas:~ a Universidade deTecnologiadeViena,a Universidade deEconomiade '8 VienaeoDepartamento deLingüísticaAplicada.Estefatoretleteocaráter ~

interdisciplinar daTerminologia" (KROMMER-BENZ, 1981, p.263)..


Wüesterpreparouumabasede quinhentas publicações sobretemascomo:terminologia, normalização terminológica, padrão internacional paraterminologia, documentação, transliteração, teoriadossímbolos, classificação, teoriadetesauros, CDU, princípios dearquivamento, lingüística, lexicologia, métodos delexicografia, ortografia,eoutros (FELBER, 1984,p.15). Algunsdestes estudos forampublicados, outrospermaneceram em forma de manuscritoe podemseridentificadosem seu arquivode pesquisaquehojeseencontrano Infoterm- CentroInternacionalde InformaçãoemTerminologiadaUNESCO, emViena. Desde1931,ao retomardeseusestudosna Alemanha,Wüesterse empenhouem organizar uma coleçãoque pudessereunir toda a literaturaexistente sobreterminologianomundo,paraqueservisse como baseparapesquisas nestaárea.Estabiblioteca,depoisdesuamorteem 1977,foi adquiridapelo Institutode NormalizaçãoAustríaca,sendo transferidaparao InfotermemViena,ondesepretendeestabelecer um Instituto Internacionalde EstudosAvançados em Terminologiaque continuariaaspesquisas deWüester(FELBER,1984,p. 15). Aindanadécadade30,cientistase engenheiros soviéticos tomaram conhecimentodaTeoriadaTerminologiadesenvolvida na Áustriapor E.Wüester, atravésdeseulivroInternationaleSPrachnormungin der queforamtraduzidos paraalínguarussa. O Technickedeseusartigos, terminólogosoviéticoDrezen,comovimosanteriormente,foi o maior responsável porestadisseminação, dandoimpulsoparaafundação,em ~~ 1933,daEscoladeTerminologiaSoviética.Doisengenheiros soviéticos quetambémestiveram àfrentedestaEscolacomograndesincentivadores ~ dodesenvolvimento daáreadeTerminologianaquelepaísforamo ProL 8 Caplygin,membroda Academiade Ciênciasda UniãoSoviética,e o ~ OD eminenteterminólogoLotte.A partir destainiciativa, foi criada a ~ Comissão deTerminologiaTécnica,chamadaposteriormente deComitê OD :.5 deTerminologiaTécnicae Científica(KNTT)daAcademia deCiências da UniãoSoviética.SegundoFelber(1984,p. 17), a Comissão estava preocupada comasseguintesquestões:

~

.


a) elaboraruma teoriada terminologiatécnicae científicaque seguisseos princípios para construção dos termos técnicos e estabelecimento desistemasdeconceitose termos; b) fazero trabalhovisandoà regulamentação e aoestabelecimento desistemasde termosem russoe símboloscartográficos nasprincipais disciplinasdatecnologia; c) prepararesquemas padronizados, listagensdetermosesímbolos cartográficos ,ecompilarcoleções determosrecomendados; d) introduzircientistase engenheiros nosmétodosaplicadospara regulamentara terminologiatécnicadaRússia; e) prepararmanuais(destinados aprofessores e aautoresdelivrose literaturacientífica)paraaplicaràterminologiaeàpreparação denovos termos; A.MTerpagoreve- terminólogo e presidente do Comitê de

Terminologia Técnica e Científica (KNTT)em1942- apontou paraa necessidade deseiniciaremestudos visandoaoestabelecimento debases teóricasparao SistemadeConceitos, o quepontuoutodoo trabalhoda EscolaSoviética.Vistoqueostermosnãopoderiamsertratadoscom maisde um significado, era necessário ter uma noçãoda natureza sistemáticadotermo(FELBER,1984,p. 18). D. S.Lottefoi o principalrepresentante destalinha depensamento quecoloca"o termocomoum membrodeum sistematerminológico definidoe nãocomoum objetoisolado".A visãosistêmicafoi adotada porque"sistemasprecisosde termossatisfazema noçãodesistemas '" adotadana literaturafilosófica,vistoquepossuemtodososatributosde ..Q um sistema - eles são estruturados, integrais, apresentam .~ comportamentocomplexoetc.,podendo,então,serestudadospelos I-" métodos dasistemologia"(LEICHIK,1990,p.23).Ainvestigação deLotte .g podeserresumidanosseguintestópicos(FELBER,1984,p. 18): .~ o

~

. Q) 1-"

· elaboraretrabalharmétodospararegulamentação daterminologia técnico-científica; .


· detectaralgunsdosprincipaisproblemascomo a seleçãoe a estruturadaterminologiatécnico-científica; · estabelecimento desistemadetermoseconceitoscientíficos; · int1uênciadaclassificação nadeterminaçãodaterminologia; · requisitodeexatidãoenão-ambigüidade emterminologia; · formaçãodeformascurtasdetermospelaomissãodeelementos. Paralelamente aosestudos desenvolvidos naEscolaSoviética, apartir de 1931,com asiniciativasdesenvolvidas na áreaterminológicapor E.Wüester, estudiosos tchecosiniciam tambémpesquisas nosentidode possibilitarum tratamentoterminológicoparaa línguadaciênciaeda técnica.Desdeentão,temhavidouma contínuatrocade informação entrerepresentantes dasEscolas dePragaedeViena(FELBER, 1984,p. 17). A Escola de Praga de Terminologia teve sua baseteóricometodológica estabelecida apartirdosfundamentosdaEscoladePraga deLingüísticaFuncional,cujasteoriasestãobaseadas no trabalhode Saussurre, queenfatizao aspectofuncionaldalíngua.Nestaépoca,os principaisrepresentantes daEscoladeLingüísticafuncionalsão,segundo Felber0984, p. 16), Benes,Mathesius,Vachceke Trubetzkoy,que encaminhavam suaspesquisas nosentidodedefinireinvestigara língua padrãonacionaPsobum pontodevistafuncional,comoferramenta dacomunicação emtodasasáreasdavidasocial,emparticularnaárea daculturahumana,civilizaçãoetecnologia. ~

.;: ,~

Foi estavisãoestruturalda lingüísticafuncional que capacitou lingüistastchecosa compreenderem asteoriasdeWüester,incluindoa E :J relaçãoentre linguagem-pensamento-realidade em suasteorias, U o o denominandoa línguadaciênciacomoumalínguaespecializada, isto

c Q)

E Q)

00 ~ :J 00 C

. :.::;

,

2

Segundo

Drozd (1981, p. 107), "a Língua Padrão Nacional é uma língua

polifuncional que serve às necessidades de comunicação de uma dada comunidade funcional".


é, uma língua funcional que tem propósitos especiais.3O termo é definido, aqui, como a menor unidade da língua funcional, e o sistema terminológico é conceituado como um sistema de designaçõesque representam Lubomir

um sistema

de conceitos.

Drozd, atualmente

o maior

representant~

da Escola de Praga

de Terminologia, afirma que "a teoria da terminologia não foi diretamenteinspiradapela Lingüística, mas pela necessidadede desenvolver dicionários especializados para asindústrias" (DROZD,1981,

p. 106). Uma de suas linhas de pesquisa é o desenvolvimento das bases lingüísticas da Teoria da Terminologia. Segundo os terminólogos de Praga, existem dois grupos de saberes relativos aos aspectos metodológicos na área da Terminologia:

a Teoria

Geral da Terminologia e a Teoria Especial da Terminologia.

UmaTeoriaGeralda Terminologia(Wüester)develidar comquestões terminológicas gerais,seusresultados sendoaplicáveis a todasaslínguas relevantes. UmaTeoriaEspecial daTerminologia deve"lidarcomquestões terminológicas" dentrodeumalínguaindividual.Nãodevehaver"espaço" entreas descobertas eprincípios estabelecidos paraaTI GeraleEspecial: se asobservações deumaTI especialforemverdadeiras, issosignificaqueelas pertencem a umarealidade objetivadeumadadalíngua,elasdevemser aplicáveis igualmente a outralíngua.Estas conclusões foramconfirmadas e verificadas pelosresultados obtidos numconfronto entreaterminologia tcheca eaalemã(DROZD, 1981,p. 106). Inúmeros terminólogos, atualmente, estão envolvidos na pesquisa básica e aplicada na Tchecoslováquia. Eles trabalham para a Academia das normas tchecas

n:I 'õo o (5 c: E

SegundoDrozd (198,p.107),uma línguafuncionalé uma sublínguade

-25

uma Língua Padrão Nacional, "que tem por função preencher necessidades específicas de comunicação dentro do campo especializado da atividade humana; é uma língua monofuncional. O indivíduo que se comunica num assunto especializado precisa de meios lingüísticos especiais que ele seleciona de acordo com a esfera de comunicação em que fala ou escreve".

.~

de Ciências, em universidades e na organização (FELBER, 1984, p. 17).

~

3

o

~

. 11


3.2 A TEORIA GERAL DA TERMINOLOGIA A TeoriaGeraldaTerminologiadesenvolvida por EugenWüester é uma disciplinacientífica,quepossibilitauma basepara o trabalho terminológico.É a basedetodasasEscolas de'1erminologia. Oobjetivo dotrabalhoterminológicoé afixaçãodeconceitos, visandoàelaboração dedefinições orgânicas,alémdeestabelecer princípiosparaacriaçãode novostermose possibilitar,assim,comunicaçãomaisprecisaentre especialistas dediversasáreasdoconhecimento, noâmbitodaCiênciae daTecnologia, emnívelnacionale internacional. O grande avançodado pela TGT foi sistematizarprincípios terminológicos quederamaestaatividadeumcarátercientíficopróprio, diferenciando-ada atividadelexicográfica.Paramuitosprofissionais envolvidos comasquestões dedenominação, atéaquelemomento,não estava bem determinadoo campo de atuaçãode cada uma das atividades. ParaaTGT,o trabalhoterminológicoinicia como conceito quepossuiuma unidadededenominaçãoqueé o termo.Um termo designaumconceito.Destaforma;énecessário garantiraunificaçãode conceitose termos,o quecaracterizaa Terminologiacomosendode naturezaprescritiva.Porém,a esferado termoé diferentedaquelado conceito.O conceitoé o significadodo termo.Paraa Lexicologia,a unidadedetrabalhoé a palavra,quepodepossuirconotações. NaTGT, o conceitopertence, sempre,a uma línguaespecializada. Umadasdiferenças fundamentaisentrea Lexicologiae a pesquisa .~ terminológicaé quea primeiratrabalhano âmbitodalínguanatural, queéfrutodeumalongaevoluçãohistóricae,devidoa isto,aspalavras E não são unívocase secaracterizampor apresentarempolissemia, ::; g homonímia,sinonímiaetc. Por outro lado, a segundatrabalhano âmbitodalínguaartificial,aquientendida comoaquelaqueseconfigura

~

~

~ dentrodeumdeterminado grupodeespecialistas, construída demaneira ~ a permitir uma relaçãounívocaentreo conceitoe a denominação.A

li

pesquisaterminológica,assim,selimita a situaçõesbemdefinidase


não podesergeneralizada,comopor exemplo,o sistemaformal da Químicae aslinguagensdeprogramação(WERSIG,1981,p. 285). Outra questão que diferencia o trabalho terminológico do lexicográficoé queesteúltimo temporum deseusobjetivosincluir os váriossignificadosque uma palavraapresentano tempo.Já para a atividadeterminológicao queimportaé o usoemvigorqueo termo denota,endossado porumadeterminadacomunidadedeespecialistas. Destaforma,aterminologiavêo termosobumpontodevistasincrônico (WÜESTER, 1981,p.64). Masesteslimitesnemsempresãoclaros. Riggs (1979,p. 150) propõetrês paradigmasterminológicos, demonstrandoa íntima associação da terminologiaanalíticacom a Lexicologia,da terminologianormativacom a Conceptologiae da terminologiasintéticacom a Terminologia,atuandoestacomoponte entreaConceptologia eaLexicologia. Cadaparadigmatemumconceito determo,o queexplicariaaformadeabordagem doproblemaemcada caso.Porexemplo,oslexicólogossereferema signijicadosde termo, enquantoosconceptólogos achamque"a vidaficamuitomaisfácilse, para cadaconceito,houverum único nome não usadopara outro conceito".Porúltimo,osestudiosos noâmbitodaterminologiasintética, numaposiçãointermediária,procuram umpontodevistaque,curiosamente, aindaestásemnome.Oconceitoque eutenhoemmenteéapossibilidade deque,embora umapalavratenhauma variedade desentidos, osentido pretendido devaserinequivocamente aparente nocontexto emuso,Defato,esteéo idealimplícitodetodotextocientífico. Um"elemento" químicoéconhecido deformanão-ambígua porquímicos e '" bastante diferente deum"elemento" matemático, musicaloumilitar.Quando '5"0 umapalavraevocaapenas seusentidopretendido, elanãoevocaaomesmo oo tempotodososoutrossentidos possíveis, econtudonãoprecisaserunívoca .~ E (RIGGS, 1979,p.151).

~'"

A abordagemda TGTsecaracterizaria,segundoosparadigmas ~ propostos porRiggs,comoterminologianormativa.Eraisso,certamente,'§ o queWüester desejava, tantoquesuaTeoriaseajustouaosobjetivosda

li


normalização técnica eestánabase doComitê 37daISO- Fundamentos deTerminologia. A TGTbusca,então,estabelecer princípiosquevisama propiciar uma correspondência exataentreconceitose termos,parafacilitar a comunicaçãonosváriosdomíniosdaCiênciaedaTecnologia. Umdeles é o princípio da univocidade.Estaquestãoé complexae, para os terminólogosdeformaçãolingüística,a correspondência únicaentre

significante/significado - ouentredenominação econceito - serealiza nostermostécnicosnovos,aneonímia.Paraosterminólogos queseguem a TGT,noentanto,estacorrespondência sedávia normalização, o que caracterizaa naturezaprescritivada Terminologia.Oslingüistas poderiamargumentarqueistoé artificial, e é, mas,segundoWüester, "Recentemente fez-seumaobservação dasmaisimportantes: nalíngua especializada apoiada[por uma políticae normastécnicas],a norma prescritivatorna-semuito rapidamentea norma descritiva"(198I, p.65). OutroprincípiogeraldaTGTé o damonorreferencialidade quese relaciona ao fato de que "um significanteterminológico,mesmo complexo,representa noespíritodeumespecialista daáreaumconjunto conceitualúnico" (RONDEAU, 1981,p. 164). Um avançoparaa épocafoi considerara línguacomosistema.Os termossedefinemunsemrelaçãoaosoutros,formandoum sistema. Napesquisaterminológicaestudam-se osconceitosenquantopartede um sistemade conceitos (WÜESTER, 1971).Qualqueralteraçãono .ê '<\3 c conteúdode um conceito,refletidona definição,alteraosdemais E conteúdos e,portanto,asrespectivas definições. :J Q)

U

8

Kandelaki(1981,p. 157),representante daEscolaSoviética, quetem origemna TeoriadeWüester, apontaparaoutraformadeabordagem Elepartedostermoseafirmaqueoconjuntodossignificados 01) doconceito. :5 dos termosque compõema terminologia técnicaconstituirá, por

. ~

~

: conseqüência, osistemadesignificados daterminologiatécnica.Coloca a seguintequestão:a organizaçãodo sistemade significadosda


terminologia é diferente do sistema de significadosda área de assunto correspondente? Para responder a esta pergunta, vai primeiramente ao ambiente de formação dos conceitos: Naliteraturacientífica,numaanáliseteórica,distingue-se habitualmente: 1)oobjeto,2)oconhecimento doobjeto,e3) oobjetodoconhecimento [...] Atualmente, cadaumdestes conceitos estáligadoà idéiadeumsistema. o objetoexisteindependentemente do conhecimento, é anteriora seu aparecimento. Ésistematizado pornatureza. o conhecimento éigualmente sistematizado pornatureza. Ocaráter sistêmico doconhecimento éconsiderado comoaconseqüência imediatadanatureza sistêmicado objeto,doqualeleconstituioreflexo. Contudo, oreconhecimento danatureza sistêmica doobjetonãopodeserautomaticamente estendido aos fenômenos doconhecimento e aplicadoà compreensão e à explicação da estruturadoconhecimento doobjetodado.Osistema, enquantoformade organização doconhecimento, por comparação como objetoenquanto sistema, possui particularidades específicas. [...]Oobjetodoconhecimento éformadopelopróprioconhecimento... [mas] nãoéidênticoaoobjeto.Éumprodutodaatividade cognitivadohomeme, comocriaçãoparticulardohomem,eleésubmetido aregras particulares que nãocoincidem comasqueregem opróprioobjeto(KANDELAKI, 1981, p.157), Os objetos do conhecimento (objetos abstratos) se exprimem no sistema de conceitos que constitui a teoria, porque os objetos quese

tornaramobjetosda teoria não são idênticos aos objetosiniciais, aos que existem na realidade, São apenas maquetes

aproximadas que

colocam em relevo um único aspecto da coisa real. Em conseqüência

destecaráterlimitado,todasasteoriastêmporobjetosascoisasabstratas, ,~ comoo númeropara a matemática,a espéciepara a biologia.Estes -§ objetosseexprimemno sistemade conceitosqueconstituia teoria,e '~ O()

~

esse sistema reflete a organizaçãodosobjetosem sistema de grupos segundocritérios da subordinação"dos particulares aos gerais" .gra (KANDELAKI, 1981).Cadaconceitoocupa,então,um lugarnosistema, '§ e estelugar édeterminadono momento da formaçãodo conceito,pondo- ~ Q)

seem evidência ascaracterísticas genéricas eespecíficas dosobjetos .


expressos, o quedesvela,ao mesmotempo,suanatureza.Esteainda não é o espaçoda Terminologia, que se ocupa dos sistemasde significados.SegundoKandelaki(1981)sãodoisossistemas: o sistema de significadosda terminologiade formaçãonatural e o sistemade significadosda terminologiaordenada.Oprimeirorecolhedefinições, melhor dizendo, definiçõespreliminares, as quais têm uma característica particular.Cadaumadelasfoielaborada paraumconceito tomadoem separado,independentemente do conteúdodosoutros conceitosquelhesãoligados. É por issoquea terminologiadeformaçãonaturalfixadapor elas[as definições] têmlimitesmutuamente imprecisos. Elasrefletem, deumlado,as opiniões dasdiferentes escolas eorientações e,deoutro,asdiversas etapas do desenvolvimento daciênciarelacionada, odesenvolvimento cronológico da formação destes conceitos (KANDElAKI, 1981,p.161),

Os sistemas de significados imprecisos que compõem as terminologias de formação natural "não podem servir de base para as terminologias ordenadas concebidas para a comunicação científica. Para esta finalidade, épreciso estabelecer uma rede de significados precisos e únicos que responde ao nível de desenvolvimento o mais atual da ciência" (KANDELAKl, 1981,p.163), Para a ordenação, o conhecimento científico

éconsiderado como um sistema, cujos elementos são constituídos pelas ciências particulares. Por seu turno, os conceitos que compõem estas ciências são considerados como sistema, e a ordenação servepara separar as partes do sistema, isto é, os subsistemas e os subsubsistemas. Mas .~

~ CIJ

estes conceitos fazem parte da ciência.

Para Kandelaki,a atividadeterminológica tem início no glossário

§ preliminar cujos termos compõem as terminologias de formação natural.

8

Nem todos os conceitos ali presentes pertencem ao sistema de conceitos E da ciência, ou seja, nem todos se referem aos fundamentos da ciência, CIJ

. ~ :J

.se

somente os conceitos abstratos, gerais. Estes "representam

as regras gerais

que regem seu objeto de estudo e são ligados a todas as suas teorias"

-'

(KANDELAKI,1981, p. 160). Deles derivam os demais. A ordenação dos

I

conceitos serve,então, não apenas para tirar estesconceitos e suas relações


maispróximas,mastambémparacompreenderasregrassegundoas quaiselesproduzemoutrosconceitos. Definindo-os logicamente, podemseisolarsuascaracterísticas essenciais e, com isso,fornecerasbases paraa unificação,a divisãoe o ordenamento(GORKOVA, 1980,p. 8): estaé a abordagemepistemológica. Paraostermosespecíficos usados na comunicaçãoprática,interpreta-seo significadodo termo,sendo suficiente,muitas vezes,uma "interpretaçãoadequada":estaé a abordagempragmática. Uma estatísticadas característicasdas terminologias indicaqueosconceitos básicos deumaáreanãoalcançam maisdoque10%(GORKOVA, 1980,p. 8). Observa-seque a metodologia de trabalho desenvolvidapor Kandelaki,queprovaqueo sistemadeconceitosdaciênciaédiferente do sistemadeconceitosordenados,é menosabstratado quea Teoria Geralda Terminologia,não sepodendodizer,no entanto,que seja cOr:J.flitante com ela. E se justifica, quandoKandelakirespondeà indagação.

3.2.1 Princípios do trabalho terminológico Aseguir,sãoapresentados princípiosespecíficos quefundamentam o trabalhoterminológico.

Conceitos e termos ParaaTGT,conceitoéumaunidadedepensamento, constituídode características querefletemaspropriedades significativasatribuídasa um objeto,ou a uma classede objetos.Suafinalidadeé permitir a '" ordenação mentale acomunicaçãoatravésdosímbololingüísticoque '§> é o termo.A TGTtraz,então,paraseuâmbito,a tríadelinguagem- ] pensamento-realidade, defendida porSaussure (1987).Oconceitoéum f-"-

~

elemento designificação dotermo,querepresenta umobjetonarealidade ~ empírica.Comounidadedepensamento, eleéumaconstruçãomental, .~ própriadeum indivíduo,que,aoobservar arealidade queocerca,percebe

&

"objetosindividuais"quenelaestãoinseridos, Osobjetospodemserseres. ou coisas,qualidades,ações,locais,A observação acabaporprivilegiar


algunsaspectos doobjeto,quenoníveldopensamento, istoé,naesfera doconceito,constituema característica doconceito. A característica queconstituium conceitoé tambémum conceito. Através delapodem-se compararconceitos, cIassificá-los emumsistema deconceitos,sintetizá-Iosatravésdadefiniçãoe denominá-Iosatravés dostermos.O agregadodascaracterísticas queconstituemo conceito determinasuaintenção.A partirdadeterminação da intençãodoconceito,ouseja,dadelimitaçãodesuascaracterísticas, épossível determinar, também,conceitosquepossamserrelacionados aoconceitoemanálise porpossuírem características semelhantes; emoutraspalavras, épossível determinara totalidadeou o númerode conceitosqueesteconceito abarca,o queconstitui suaextensão(FELBER,1984,p. 58). Como a Terminologia se ocupa, sempre, de uma área de conhecimento, háumaseleção dascaracterísticas relevantes paraaquela áreae,também,paraospropósitos dotrabalho.Assim,conformea área econformeopontodevistaabordado, mudamascaracterísticas e,como conseqüência,as relaçõesentre os conceitos. Ao selecionar as características a seremusadasparadefinir um conceito,é importante considerara naturezado sistemadeconceitosa serconstruído,bem comoasexpectativas dosusuários.Extensão e intençãosãoformasde apreensão e identificaçãodo conceito,e influenciama elaboraçãode suadefinição,comoveremosmaisadiante. Outropontoimportantea serobservado é o tipo decaracterística, ~

quefuncionacomoumaunidade dedivisãoepossibilita aformação de

~ classesdeconceitos(renquesecadeias),poisprivilegiaum aspectogeral ~

e comum a todosos conceitosque estãoinseridosna classe.As :J g característicassãoclassificadasda seguinteforma: características

~ intrínsecase características extrínsecas - elasnãosãoexcludentes, isto

.

~ é, o objeto individual observadopodepossuir,ao mesmotempo, ê>

::J

características intrínsecas eextrínsecas. Ascaracterísticas intrínsecassãopartesconstituintesdopróprioobjeto,emoutraspalavras,sãoinerentesaoobjeto,porexemplo,material,


coretc. Ascaracterísticas extrínsecas estabelecem asrelações doobjeto observado comoutrosobjetos.Podemserconsideradas sobdoisaspectos, a saber:características depropósito(aplicação,função,posição)e características deorigem(paísdeorigem,produtor)(FELBER, 1984, p.58), Dentreelas,algumassemostramúteisàordenação: aquelasque,numa operaçãoespecífica deanálisedeum grupodeconceitos,sãousadas paraa definiçãoou a fixaçãodasrelaçõesentreelese,portanto,para sua ordenação.Asdemaissão consideradasnão-essenciaispara ordenação. No processode fixação e ordenaçãodos conceitos,algumas característicastêm precedênciasobreoutras. Isto ocorre entre característicasdependentese característicasindependentes.As características serãodependentes deoutrasseestasoutrastiveremque ser previamente definidas para que as primeiras possam ser compreendidas;as característicasserão independentesquando produziremconceitos quepuderemserincluídosemmaisdeumaclasse, produzindopoliierarquias. Aodefinirconceitose posicioná-los emum sistemadeconceitos,as características intrínsecas sãoasprimeirasquedevemserevidenciadas, poisdeterminamsuaessência. Logoapós,obedecendo aumaordemde preferência,asdepropósitoe,porúltimo, asdeorigem. Outroaspectoa serobservado quantoà questãodoconceitoé que ele, como uma unidadede pensamento,necessitade um símbolo lingüísticopara sercomunicado.Estaquestãoda denominaçãodos '" conceitosé devital importânciapara a atividadeterminológica,pois '50 o seuobjetivoéestabelecer, apartirdafixaçãodoconceito,um adequado (5 c símbololingüísticoparadesigná-lo. 'E Qj

Na TGT,o termoé a unidadede comunicaçãoque representa o t-; conceitoepodeserconstituídodeumaoumaispalavras,umaletra,um .~

"

símbolográfico,uma abreviação,uma notação.Eleé normalmente & designado porumespecialista, ougrupodeespecialistas, queseapropria de palavrasou cria palavraspara determiná-Ia.Assim,o termo é

11


determinadode uma forma prescritiva.Alémdisso,"o termocomo representante doconceitoédependente dosistemadeconceitosnoqual estáinserido"(FELBER, 1984,p. 17).Portanto,a univocidade érelativa.

Relações entre conceitos Osconceitosserelacionamcomoutrosconceitosemumsistemade conceitoterminológico,poissãorepresentações mentaisdasrelações que ocorrementre osobjetosna realidadeempírica.Quandoestas relações sãotratadasemumnívelconceitual,passamaserconsideradas relaçõeslógicase ontológicas.Wüester(1981,p. 97) explicapor que estasrelações sãoassimconsideradas, a saber: A experiência mostracomoé difícil paraum grandenúmerodepessoas distinguir asduasespécies derelação.Contudo,um abismointransponível separamuitobemestasduascategorias derelações conceituais.Cadaindivíduo, por exemplo,meucãoBruno,podesersubmetidopelopensamentohumano a diferentesgrausdeabstração.Segue-se queum único e mesmoindivíduo poderepresentarcadaum dosconceitossucessivos deuma mesmacadeiade abstração. MeucãoBrunoé,porexemplo,aomesmotempoum SãoBernardo, um mamíferoe um servivo.Aocontrário,nãoexisteum indivíduoquepossa representarao mesmotempo vários graus de uma cadeiaontológica de conceitos.Nãoseencontraráem qualquercarta geográficaum pedaçode terraquesejaaomesmotempoumaprovínciaouum cantãodestaprovíncia. Emoutrostermos,entreconceitos existemsomenterelações lógicas,ourelações

nJ

'L: 'nJ

c:

deabstração. Asrelações ontológicas nascem dofatodeelevarem-se a um níveldeabstração asrelações queexistemna realidade entreosindivíduos (relações ônticas) fazendo-se destas relações individuais (porassimdizerdestes indivíduos derelações) conceitos derelação(porexemplo,acima,abaixo) (1981,p.97).

E

Emoutraspalavras,asrelações ontológicassedãoentreoconceitoe g a realidade.A identificaçãodasrelaçõesentreconceitospermite,em primeirolugar,oentendimento dopróprioconceito,tendoemvistaque osconceitossedefinemuns em relaçãoaosoutros.Alémdisso,elas ::I

~

. ~

~ auxiliam na formaçãodasestruturasconceituais,emespecialaquelas

:.::; queformam renquese cadeias.Wüester(1981)apresenta um quadro , comumasíntesedaclassificação dasrelações(Quadro1).


Quadro1 - Classificação dasRelações segundo a TGT(Wüester,1981) _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ~e!a5Õ!!~ 'Õ.0!:!c!!i!U2i~ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Sistema de conceitos (ordena ão de conceitos Relações lógicas Relações Ontológicas (relação de abstração, relação de semelhanca) Relações de contacto (relações de contigüidade) Relações de coordenação (em panicular, relações ,ane-todo ~15

2

3

Genérica

>

Concei

<

-----Conceitode

~

(Q de

inclusão

t~ !!

Específica

.Q E "

Co;ccitõ resi;itõ

~ ""

pane Conceitoexpandido

BT

da

Sucessor

8 Ascendente Õe~c;nde~t;

-----------

-----------

------

------

------

------

Determinação

~

I~ C :E § Ú

Teoria

7 Predecessor

-----'<

- - - - NT - - - - -

::;:

11

>,

Geral

Relaçõesde encadeamento (em panicular, relações de sucessão

-----Conjunção de concei ------tos Disjunção de conceitos

Terminologia

"

-----integração

9

10 Ex. larva do ovo

11


Relação Lógica Asrelaçõeslógicasresultamforçosamente daprópriacompreensão dos conceitos. Chamam-se,também, relações de semelhança (WÜESTER, 1971),desimilaridade,deabstração ougenéricas. Emgeral, sedividemem doisgrandesgrupos:relaçõeslógicasde comparação, quesedãoentredoisconceitos, erelações decombinaçãológica,quese dãoentretrêsou maisconceitos. Asrelações lógicasdecomparação podemserclassificadas emquatro tipos,a saber:hiponímialógicaou subordinação lógica;coordenação lógica;interseção lógica;e relaçãológicadiagonal. Umarelaçãodehiponímialógicaocorrequandoum conceitotem todasascaracterísticas do outro conceito,e esteúltimo possuiuma característica adicional;pode-sedizerqueesteconceitoé uma espécie dooutro,o gênero.Assim,o conteúdodoconceitomaisrestrito(conceito subordinado) inclui o conteúdodo conceito superordenado.Na superordenaçãode conceitos, temos, portanto, o gênero, e na subordinação,a espécie,comopor exemplo,veículoé o gênerode aeronave. A coordenação lógicaseestabelece quandoosdoisconceitos analisadossãoespecíficos do mesmotermogenérico,distinguindo-se entresipor umaúnicacaracterística (WÜESTER, 1981,p. 87). Ditode outraforma,ela sedáentreconceitosdeum mesmorenquelógico.A relaçãodeinterseçãológicaseapresenta quandosãocomparados dois conceitos, cujaintençãosóéidênticaparcialmente,istoé,nemtodasas

.~ características sãoasmesmas, comoporexemplo, Ensino- Instrução.

~ A relaçãodiagonallógicaocorrequandoduasespéciesdeconceitosdo ~

mesmogêneronãoestãoligadospor relaçãodesubordinaçãonemde comoporexemplo,balão/foguete, navio/avião. og coordenação, E (]) AsrelaçõesdecombinaçãológicasãodefinidasporWüester(1981, 0.0 ro ~ p. 87)daseguinte forma: 0.0 ~

. c: :.::;

Consideremos trêsconceitosquenãosãoligadosentresi,nemporumarelação dehiponímia lógica,nempor relaçãodecoordenação lógica.Doisdentreeles


podementãoserconceitosdepartidaque,porsualigação(chamadatambém decombinação),constituemum terceiroconceito(1981,p, 87),

Sãotrêsasespécies decombinação lógicadeconceitos: determinação, conjunçãoe disjunção.A determinaçãoocorrequandoum segundo conceitoaparecena compreensãode um primeiro conceitocomo característica suplementar, eo resultado,ou seja,o terceiroconceito,é um específico doprimeiroconceitodepartida.Wüester(1981,p. 87) apresenta o seguinteexemplo,paraestetipoderelação:a combinação dosconceitosImport = importare Kaufmann= homemdenegócios resultano conceitoImport-Kaufmann= importador. Quandoascaracterísticas dedoisconceitossãoreunidas,resultando emum terceiroconceitoqueéespecífico comumaosdoisconceitosde partida,diz-sequeexisteumaconjunçãodeconceitos. Wüester(1981, p. 87) apresentao seguinteexemplo:a combinaçãodosconceitos Ingenieur= engenheiro eKaufmann= homemdenegóciopoderesultar [emalemão]noconceitoIngenieur-Kaufmann = engenheiro-homem de negócio,Assim,um engenheiro-homemde negócioé tanto um engenheirocomoum homemdenegócio.Osconceitosformadospor conjunção de conceitosacabamformando, no momento de sua estruturação emum sistemadeconceitos, sistemaspolierárquicos(ver sistemadeconceitos). A disjunçãodeconceitosé definidacomouma somalógica.Esta relaçãoocorrequando"as extensões dosdoisconceitos,ou seja,seus específicos, sãoreunidas.Um exemplo:indo-europeu.Daí resultao genéricocomumdosconceitosdepartida" (WÜESTER, 1981,p. 88). '" '50 o Outroexemplo:homem,mulher = serhumanoadulto. (5 c: 'E

Relação ontológica

~

.

Asrelações ontológicassãorelações indiretasentreconceitos, porque

~

resultamdaspropriedades quepossuem osrepresentantes dosconceitos '§ (osobjetosdomundoempírico).Caracterizam-se pelacontigüidadeno ~ tempo e no espaçoou pela conexãode causae efeito.


Wüester(1981,p. 91), considerando o usodo conceitoantologia pararepresentar estetipoderelaçãoconceitual,adverteque"o conceito deantologiaou 'ciênciadoser'correo riscodeserum poucodelicado paraum bomnúmerodeleitores.Masapreocupação coma antologia sóapareceà medidaqueé necessário elucidarasrelaçõesquepodem existirentreosconceitos".Argumentaquea terminologiatevedecriar nãoapenasostermosutilizadosnestetipoderelação,mastambémseus símbolos. Mas acrescentaque, apesarde uma das funçõesdos terminólogos seradeelaborartermos,"elesaindasevêemconstrangidos em introduzirtermosapropriados, emparticularrelaçõesparte-todo, cadeiaparte-todoesistemaparte-todo"(WÜESTER, 1981,p. 95). Asrelações ontológicassãoclassificadas emdoisgrandesgrupos:as relações decontactoeasrelações decausalidade.

Relação de contato Arelaçãodecontactoé a maisimportantedasrelações ontológicas, queseauto-explicama partirdasduasespécies queincluem:a relação decoordenação (ontológica)e a relaçãodeencadeamento. Aprincipalrelaçãodecoordenação éa relaçãoparte-todo,ouseja,a relaçãoentreo todoe suaspartes,ou entreasprópriaspartes,sendo considerada "relação espacial e por conseguinte relação de simultaneidade"(WÜESTER, 1981,p. 96). Elapodeocorrerentredois conceitosou entredoisou maisconceitos.Aocomparardoisconceitos em uma relaçãodecoordenação ontológica,surgemquatrotiposde :~ possibilidades: subordinação partitiva,coordenação partitiva,interseção partitivae relaçãodiagonalpartitiva.A subordinação partitivaocorre ~ quandoum objetoindividualé umaparte(subordinação partitiva)de 8 outro objetoqueé o todo (superordenação partitiva). Estarelaçãoé ~ tambémchamadade relaçãoverticalpartitiva,porqueformacadeias partitivas, ou seja, uma sérievertical de conceitos.Nestasérie, :§ considerando-se doisconceitos vizinhos,o conceitosuperiorcorresponde aotodoe o conceitoinferioré umadesuaspartesconstitutivas,como porexemplo,Avião- Motor.

~

. ~

.


A relaçãode coordenação partitiva existeentredois objetosque representampartede um todo comum. Estarelaçãoforma séries horizontaisdeconceito,sendotambémchamadasderelaçãohorizontal deconceitospartitivos,ondeseencontramosrenquespartitivos.Um renquepartitivoéumasériehorizontaldeconceitosquecorrespondem àspartesdeum todonum certoníveldedesagregação. Porexemplo, "fuselagemé coordenadode asa(queestãosubordinadosa avião)" (FELBER,1984,p. 62). A relaçãointerseçãopartitiva ocorreentre dois conceitosque, comparados, possuemalgumapartecomum.Porexemplo,Biologiae Químicaproduzemo conceitoBioquímica. A relaçãodiagonalpartitivaé aquelaqueseapresenta quandoduas partesdeum todocomumestãoem relação,e estarelaçãonãoé de subordinação nemdecoordenação. Porexemplo,MecânicaeQuímica sãopartesdotodoCiência. A relaçãodeencadeamento é uma relaçãotemporal.A principal relaçãodeencadeamento é a relaçãodesucessão, ou seja,relaçãode contigüidadeno tempo,comoporexemplo,predecessor sucessor.

Relação de causalidade Relaçãodecausalidade é aquelaquesebaseiaemum elosucessivo decausas(WÜESTER, 1981,p.96).Asprincipaisrelações decausalidade sãoasrelaçõesdeparentesco,tambémchamadaspor Felber(1984, p" 64) de relaçõesde descendência,a saber:relaçãogenealógica (pai~filho); relaçãoontogenética(ovo~ larva);relaçãodesubstância "~

i

(urânio~rádio). Apresenta aindaoutrasrelações, taiscomo:materialE produto(madeira~mesa);instrumental(instrumento~eseuuso).

~

Alémdeestabelecer asrelações entreosconceitosemseutrabalho, ~

Wüester reconhece anecessidade deumaclassificação dosconceitos como

"i§

baseparaaatividadeterminológica. Sendoassim,posicionaosconceitos ~

emconjuntos harmônicos aos quais dáonome desistema deconceitos. .


Sistema de conceitos Umsistemadeconceitos,para a TGT,é um sistemaformadopor conceitose suasrelações,que podemser lógicase ontológicas.A representação dosistema deconceitos serveadiversos objetivos, taiscomo: organizaçãoefetiva do conhecimentodentro de uma dada área; representação claradasrelações entreconceitos;revelação deconceitos aindainexistentes ou conceitosredundantes(sinonímia),ajudandoa assegurar um nível ótimo de normalização da terminologia; estabelecimento de equivalênciasclarasentretermosem diferentes línguas(ISO/DIS704). Paraa determinaçãode um conceito,dentrode um sistemade conceitos,trabalham-seassuascaracterísticas,que têm um papel fundamentalnesteprocesso. Oagrupamento deconceitossedáquando seidentificauma característica especificadora comum aosconceitos; quandoseempregaestacaracterística comocritério para divisãodo sistema,diz-sequeelaé um "tipo decaracterística". Todomembrodosistemaformaumaestruturacomníveis,chamada dehierárquica.A esterespeito, Wüester0981,p. 98)explica: Napráticaverifica-sesertambémnecessário dar um nomeà relaçãoqueliga doisconceitosquandoestesdoisconceitosnãoestãosituadosnamesmacadeia. Hátrêspossibilidades: ou estesconceitosestãocoordenados, ou sesuperpõem, ousãoligadosporumarelaçãodiagonalnointeriordeum sistemadeconceitos. Naterminologiachama-serelaçãoassociativa tal relaçãoconceitualoumais exatamenterelação hierárquica.Por oposição,reúnem-sesobo nomede

'" .~ ,'" 1: Q)

relaçõesdecomparaçãonão-hierárquicatodasasoutrasrelações ontológicas, ou seja,todasaquelasquenãosãorelaçõesparte-todo(1981,p. 98).

E

§

Destaforma,asrelações hierárquicas formamsistemas hierárquicos

~~ serdivisionais queenvolvemsuperordenação, subordinação oucoordenação, podendo ou combinatórios.Ossistemasdeconceitosdivisionais '" 51 istoé, um único sistemaservecomoconceito c: sãomonoierárquicos, :::; superordenado maiselevado etodososoutrossãosubordinados aele.

11

Ossistemas deconceitos combinatórios formamossistemas deconceitos


poliierárquicos,istoé, ascaracterísticas sãocombinadase o conceito podeserestruturadoemváriashierarquias.Aapresentação dossistemas hierárquicose poliierárquicosformao sistemadeconceitocomoum todoe coloca,assim,emevidênciasuaeskuturana qual osconceitos sãorepresentados portermos.Asmaisimportantes representações gráficas sãoasseguintes: · Diagramaemárvore(tem a formadeumapirâmide,ondecada topoapresenta umacaracterística quepossibilitaa divisão); · Diagramaemcadeia(formadoporváriosdiagramasemárvore); · Diagramaemcampocircularou retangular(tabelas)(FELBER, 1984,p. 66). Arespeitodaapresentação dosconceitos, Wüesterargumentaainda o seguinte: 1Pode-serecorrera um planográficodosistemaparacolocarasrelaçõesem relevo;

2 Esteplanográficoésubstituído, namaioriadasvezes, porumplanoque tomaa formadeumalista;ditodeoutromodo,por umalistaseguida de conceitos. Estalistalevao nome,igualmente, de"registrosistemático" ou "partesistemática". 2.1Ostermoscorrespondentes aumacadeiadosistema sãoinscritos numa escala. Ostermosdeumrenquesãocolocados unsabaixodosoutros. 2.2Àfrentedecadatermo,coloca-se umsi~o ideacional (porexemplo, um número),ouumtermo,queexprimeapenas ograudacadeia.

'"

Talsímbolochama-se "símbolodegrau". ,

'50 o

oc

2.3Afrentedecadatermo,coloca-se um símbolodenotaçãosistemática.'E Quandoseemprega umsistema denotações destetipoénecessário, então,

~

inscreverostermosde forma recuada.Ossímbolos mencionados nosparágrafos

trazemigualmente onomede"símbolos declassificação" (1981,p. 19).

. -f!5

.~ o

<1J

Ousodoplanográficoéumprocesso deorganização dosconceitos, ~ nafasedeanálisedeseuentendimento. Aorganização dosconceitosno


planopodevariaratéquesecheguea uma conclusãosobrea posição adequada doconceitonoSistemadeConceitos. Estaorganização final é que deveserapresentadanas terminologiase é ela que forneceos elementosdadefinição.

Definição A definição,na TGT,é reconhecida comouma formadedescrição doconceito.Oconceitopodeserdescrito,também,porumaexplicação, casonãosejapossívelestabelecer suadefinição.Porém,adefiniçãoé a chaveparaumtrabalhocientífico.Umadefiniçãoé,então,umadescrição deumconceitopelosignificado deoutrosconceitos conhecidos. Elarevela aposiçãodoconceitoemumsistema deconceitos relacionados, enquanto que uma explicaçãoé uma descriçãodo conceitosemconsiderar, entretanto,aposiçãodoconceitoemumsistemadeconceitos(FELBER, 1984,p. 73). A definição na terminologia não é apenasrecolhidaentre os membrosdeumalínguaespecial, maséfrutodaordenação/classificação dos conceitosem um sistemade conceitos.Assim,uma definição recolhidaemum primeiromomentopodesofreralterações ou ajustes no processode fixaçãodo conceito,ou seja,duranteo processode ordenação/classificação(KANDELAKI,1981,p.160). A definição resultanteéquevaideclararo significadoqueo termodeveternaquele sistemaespecífico deconceitos.Por isso,diz-sequea Terminologiaé prescritiva. ~~

Osconceitospodemestarligadosna definiçãopor: determinação (intenção)ouconjunção,disjunçãoeintegração(extensão).Sãoesses a o os dois tiposmais importantespara a atividadeterminológica.Os o elementos dadefiniçãoporintenção(oudefiniçãológicaou analítica) sãoascaracterísticas do conceitodefinido.Oselementosda definição porextensão sãoosmembrosdaclassedoconceitodefinido. c

~E

~

. ~

:::;

A ordemdascaracterísticas, determinadano momentodafixação doconceito,é a mesmadadefiniçãointencional,ou seja,o termoque


designao gêneroimediatamente superior(genusproximum) vemem primeiro lugar (característicaintrínseca), seguindo-seasdemais características (differentiaspecifica).Paraqueadefiniçãoassumasua propriedade sistematizante, é necessário manternestepadrão. Comoascaracterísticas dosconceitostambémsãoconceitos, devem ter uma definição,ficandoevidenteasrelaçõesentreosconceitos.A normaISO704(Princípios e métodosdaatividadeterminológica),que seguea TGT,forneceelementospara a definição,masnão estabelece princípios,ouseja,édescritiva. Osproblemas dadefiniçãotêmsidoobjeto deestudosdiversosna língua geral.Na línguaespecializada, todavia, apenasrecentemente começoua serobjetodeestudosistemático. Em 1982o GroupeInterdisciplinairedeRecherche Scientifiqueet Appliquéeen Terminologie(GIRSTERM),no Canadá,realiza um ColóquioInternacionaldeTerminologiasobo tema "Problemasda definiçãoe da sinonímiaem terminologia"(TERMIA,1982),como objetivodediscutirespecificidades dadefiniçãoemTerminologia,como por exemplo:o quedefinir,comodefinir,por quedefinir,a sinonímia queseapresentam dostermosversusasinonímiadaspalavras - questões no cotidianodosterminólogosno exercíciodeseutrabalho.Comoa definiçãoé um elementofundamentalpara a Terminologia,cabe destacara contribuiçãodealgunsteóricosparticipantesdoColóquio. Dahlberg(1983,p. 13),umadasteóricasmaisimportantesparaas áreasdeClassificação eTerminologia,apresenta umalongaexposição sobreocarátereosrequisitosdadefiniçãoterminoló~a, àluzdaTeoria '" do Conceito(ver4 ). SegundoessaTeoria,a definiçãoterminológica 'õo o seriaa definiçãoconceitual,poisela incorporaos trêselementosdo "O c conceito,a saber,o referente,ascaracterísticas e o termo,aocontrário 'E

~ "

dadefiniçãonominal,quecontemplaapenas o termoeumaequivalência '" textual,edadefiniçãoostensiva, queincorporaapenas o referente eo termo.

. .~

Umadifinição conceitual(oudefiniçãoreal)é umadefiniçãonaqualo definienscontémascaracterísticas necessárias deum referentenomeadopelo

definiendum (DAHLBERG, 1983,p. 21).

& ;


SegundosuaTeoria,ascaracterísticas relevantesdo conceitosão, então,oselementosconstitutivosda definição.O pontoprincipalno estabelecimentodas definiçõesdos conceitosestá, portanto, na identificação das características.Ela estabeleceum padrão para definição,conformeacategoria doconceito(definiçãogenérica, partitiva, funcional) (DAHLBERG,1983, p. 22). Com isto, a definição terminológicaforneceriaa basepara seestabelecerem os sistemas terminológicos,uma vezque incorpora a noção de Categoriana identificação/definição do conceito.É importanteressaltar, aqui,que, na Terminologia,a definiçãoevidenciao conteúdodoconceitoenãoo significadodotermo.Natanson(1983,p.55)chamadedefiniçãológica algosemelhanteaoqueDahlbergchamadedefiniçãoconceitual:ele incorpora,igualmente,a noçãodeCategoriae forneceasbasesparao estabelecimento dasproposições. Apesar deempregarumaterminologia diferentedaqueladeDahlberg,percebe-se quesuaabordagemsegueos mesmosprincípios.Paraele,ascategoriaslógicasé quefornecemos elementos paraumadefiniçãoprecisa:

ns

Comefeito,antesdetrazerum "conceitualizado"à suacategoriaexata,parecenosnecessário verificartodasasdependências possíveis doconceitoemquestão com ascategoriaslógicas,o quepoderiaevitarerroseventuaisdedefinição... Éprecisoteremcontaqueo gelosendoo resultadodocongelamentodaágua, já não é a água;é um outro objeto,do pontodevistadesuaspropriedades. Assim,deve-serelacioná-Ioà categoriadosobjetos,Ollantesa lima desuas subcategorias,a das matérias.Nestaperspectiva,a definição deveriaser formulada,por exemplo,com"Matériasólidaresultantedofenômenoouda operaçãodocongelamentodaágua" (NATANSON, 1983,p. 57).

~ Outracontribuiçãorelevante,noColóquio,éadoteóricotchecoDrozd 5 (1983,p.87),daEscoladeTerminologiadePraga.Pesquisador debase 8 lingüística,eleofereceimportantesubsídiopara a questãodo termo. Q)

E Emborareconhecendo "trêsrelações principaisdetermos"- o sistema ~ de entidadesextralingüísticas(o mundoda realidade),o sistemade :J

. Q)

.~ conceitos eosistema determos(quenomeiaosistema deconceitos) -' Drozdinclui apenaso sistemadeconceitose o sistemadetermoscomo . "os maisimportantesparaosterminólogos"no estabelecimento das


detlnições, sendoestaso únicomeiodedescobrir edistinguirossinônimos terminológicos(DROZD,1983,p. 89). Reconheceque o sistemade conceitos émaiságilqueosistemadetermos.ParaDrozd,(1983),como para os autoresjá citados,a definiçãoterminológicaé a definição analítica. Ossignos dalinguagem sãomaisconstantes, mesmo queosconteúdos designados tenham semodificado oualterado. Osconteúdos dostermos (não modificados) "átomo" e"molécula" sãogarantidos peladefinição, quetem umafunção cognitiva (DROZD, 1983, p.92). O quartoe último trabalho,relativoà definiçãoapresentado no Colóquio,édeSager(1983),terminólogoinglêsdeformaçãolingüística. Elenãoconsideraapropriadofalar dedefiniçõesterminológicascomo uma categoriaseparada, partindodopressuposto dequeasdefinições variamdeacordocomostiposdeusuáriosdeumdadobancodetermos. Assim,numasituaçãoótima,umúnicotipodedefiniçãopodesatisfazer todasasdiferentesnecessidades dosusuários.Suadiscussão sebaseia

noqueeleconsidera "termo"- umaunidadeglobalparaa unidade "designação econceito".Issosignificaquea "definição"seaplicatanto àdesignação quantoaoconceito.Assim,asdefinições sãodadasparaos conceitos e asdesignações sópodemserexplicadas demodosignificativo lingüisticamente(SAGER, 1983,p. 114). ParaSager, asdefinições estãointimamenterelacionadas comoutros termos(genérico,específico, associado, genéricomaisamplo),e estas relações sãodeclaradas no interiordaclassificação do assuntodeuma determinadaáreado conhecimento.Ele consideraque os diversos

ro

métodosdedefiniçãodependem danaturezadoconceitoe servemaos '§> diferentespropósitosda definição.Umadefiniçãoanalítica sempre g relacionaum termo com seutermo superordenadoe podeincluir, .~ também,termoscoordenados. Umadefiniçãosintéticaidentificao lugar t;;; de um conceito num sistemade relaçõese menciona os termos .~ subordinados(SAGER,1983,p. 118). Ao enfatizar o propósitoda definição,queestariarelacionadoàsnecessidades do usuário,Sager , acreditaqueo tradutornãoprecisadeumadefiniçãoparacompreender

. ""O

&


o texto,vistoqueeletrabalhaa partir deum contexto.Paraele,basta um equivalente num bancodetermossepuderconfiarnoterminólogo, necessitando apenasdaconfirmaçãodeumcódigodetalhadodeassunto edeumanotadeusoparaorientá-Io.Oespecialista conheceoconceito quequerusareprecisaapenasrecordara estruturaterminológicaque existenaqueleassunto,sejaparaverificar,sejaparacriar termos.Isso podeserfeitopor uma "definiçãoterminológica".O não-especialista precisadeumaexplicaçãonaformadeumadefiniçãoenciclopédica, já quenãosebeneficiariadenenhumoutrotipo (SAGER, 1983,p. 130).

'" .>: ,'" c: Q) E ::J U o o E Q) co '" ::J co c: :.:;

.


.4 TEORIADO CONCEITO

A Teoriado Conceitopossibilitouuma basemais sólidapara a determinaçãoe o entendimentodo queconsideramos conceito,para finsderepresentação/recuperação dainformação.Dahlbergdesenvolve estaTeoriano campoda Terminologia.Nosanos70,ela demonstraa possibilidade deadotarprincípiospara a elaboraçãodeterminologias noâmbitodasCiências Sociais(DAHLBERG, 1978).Nestamesmaépoca, evidenciaaligaçãoentreaTeoriadoConceitoe aTeoriadaClassificação (DAHLBERG, 1978a).Posteriormente, utiliza a Teoriado Conceitono campo das linguagensdocumentáriasde abordagemalfabética, especificamente paraa elaboração deTesauros(DAHLBERG, 1980). Osprincípiosda Teoriado Conceitotêm-semostradoúteispara a elaboraçãode tesaurosporquefornecembasesseguras,tantopara o estabelecimento derelações, comoparasuarealizaçãonoplanoverbal, ouseja,adeterminação doquesedenominatermo.Segundo estaTeoria, assoluçõesparao termoesuaformanãosãomaiso pontodepartida, maso pontodechegada,comoseverámaisadiante. Nestecapítulo,procura-sedeixarevidente,alémdosprincípiosque regema teoriado Conceito,'sua importânciaparaa formaçãodeum corpoteóricopróprioparaa elaboraçãodetesauros. Destaforma,será apresentada,primeiramente,a evoluçãohistórica dos tesaurosde recuperação atéosdiasatuais,ondeseverificauma novametodologia para elaboraçãode tesauroscom baseem conceito.A seguir será apresentada a teoriadoconceitoealgumasexperiências deconstrução .9 'Qi detesaurosterminológicos. u 4.1 ORIGEM DO TERMO TESAURO

c: o U o -o

Apalavra "thesaurus" etimologicamente vem do gregoe do latim e ,ê o ~

significa "tesouro" tendo sido usada durante muitos séculos, para

designar léxico, ou "tesouro de palavras", Estapalavra popularizou-se.


apartirdapublicaçãodoThesaurusoJEnglishWordçand Phrtl$es,de PeterMark Roget,em Londres,1852. Osubtítulodeseudicionário expressabem o objetivo:"palavrasclassificadase arranjadaspara facilitara expressão dasidéiaseparaajudarnacomposiçãoliterária." Aocontráriodostradicionaisdicionáriosdelíngua,nosquaisseparte deumapalavraparasaberossignificados queelapodeter,noThesaurus deRogetparte-sedeum significado,deuma idéia,parasechegaràs palavrasquemelhorarepresentem. Eleéum esquema declassificação, com um índicealfabéticoremissivo.SegundoFoskett(1985,p. 271), "seuvalorconsisteemserumaestruturadeconceitosrelacionados entre si, atravésdeváriossignificados; istoé quetornaRogetfamiliara todos osqueseinteressam pelaqualidadeeo estilonaescrita."KarenSparckJones,emseutrabalhoSomeThesauricHistory, resume,empoucas palavras,o objetivodoThesaurus deRoget: [u.] Rogetpensou emseuThesaurus comoumaclassificação deidéiasque poderiaajudaraqueles queprocurassem palavras apropriadas; econsiderou a organização demil seções, ou tópicos,expressos na TabelaSinóticade Categorias comoumimportante componente dotodo.Umapessoa poderia, emprincípio,encontrarseucaminhoparaa formulaçãodeuma idéia inicialmente nebulosa seguindo a trilhaapropriada daárvore[daTabela]até umaseçãoparticularondepoderiaencontrara palavraespecífica mais apropriada paraexpressar aidéia(1972,p.402).

OThesaurusé organizadoemduaspartes:a primeira,com uma estrutura classificatória,ou, como Rogetchama, um sistemade classificação dasidéias;a segunda, um índicealfabético dos"cabeçalhos tO :§ sobos quaisocorremaspalavrase frases"(ROGET,1925,p. 383),

~ remetendo aosnúmeros querepresentam asidéiasnapartesistemática.

::J u o

Apartesistemática éconstituídadeseiscategorias: Relações Abstratas, o E Espaço,Matéria,Intelecto,Vontade,Afeições. Q)

. 00 tO ::J 00 c:

:.::;

1. Aprimeira destas classes compreende idéias derivadas de Relações Abstratas e mais gerais entre as coisas, tais como: Existência, Semelhança, Ordem, Número, Tempo, Poder.

Quantidade,


2. A segundaclassesereferea Espaçoe suasváriasrelaçõesincluindo Movimento, oumudança delugar. 3. A terceiraclasseinclui todasasidéiasrelacionadasaoMundoMaterial,a saber:Propriedades daMatéria,taiscomoSolidez,Fluidez,Calor,Som,Luze osfenômenosqueelesapresentam,bemcomoassimplespercepções a que elasdãoorigem. 4.Aquartaclasseabarcatodasasidéiasdefenômenosrelacionados aoIntelecto e suasoperações compreendendo a Aquisição,a Retençãoe a Comunicação deIdéias. 5.Aquintaclasseinclui asidéiasdoexerCÍciodaVontade,ForçasVoluntárias e Ativas tais como: Escolha, Intenção, Utilidade, Ação,Antagonismo, Propriedade etc. 6.Asextae última classecompreendetodasasidéiasderivadasdasoperações denossasForçasMoraledoSentido,incluindonossosSentimentos,Emoções, Paixões,SentimentosMoraise Religiosos(ROGET,1925,p. XIX).

Em seu trabalho, Roget apresenta um "Quadro Sinótico de Categorias", no qual especifica as divisõese subdivisões de cada Categoria. Cada uma destas divisões e subdivisões é detalhada em diversos tópicos ou cabeçalhos de significação sob os quais as palavras são organizadas. Os tópicos são numerados para facilitar a localização. Para mostrar com maior individualidade as relações entre as palavras que exprimem idéias opostas e correlatas, Roget colocou os tópicos em duas colunas paralelas na mesma página, de forma que as expressões pudessem ser contrastadas com aquelas que ocupavam a coluna ao lado e constituíam sua antítese. Em muitos casos, idéias que são completamente opostas entre si admitem uma idéia intermediária

ou neutra, equidistante de ambas, sendo

expressas por termos correspondentes

(ROGET, 1925, p. XXI). Por

exemplo: Identidade - Diferença - Contrariedade, Começo - Meio Fim.

.9

'v u c: o U o

. "'O

Em 1950, Hans PeterLuhn, do Research Center da IBM nos Estados

.ê o

Unidos,foi o primeiro a utilizar o termo Thesaurus para nomear seu ~

sistema de palavras autorizadas que possuem uma estrutura de


referências cruzadas(FOSKEIT,1985,p. 270).Luhn,aoorganizarseu Sistema, percebeu queumasimpleslistagemalfabéticanãosolucionaria o problemadelocalizara palavra/idéiamaisadequadaà recuperação. Algumarelaçãoentreestaspalavrasdeveriaserestabeleci da,paraquea lista pudesseapresentaruma estruturamais sólida de referências cruzadas;era necessáriodefinir,de alguma forma, as "famílias de noções"entreaspalavras,istoé,evidenciarque idéiasafinsestavam ligandouma palavraa outra.Aonomearestanovalistadepalavras autorizadas deuo nomede"thesaurus",influenciadopelotrabalhode Rogetque,emseudicionárioanalógico,expõeestaquestãodaseguinte forma:a revisãodeum catálogodepalavrasdesignificadoanálogovai sugerir,comfreqüência, porassociação, outrassucessões depensamento. Aapresentação dosassuntos sobaspectos novosevariadospodeexpandir grandemente a esferadenossavisãomental(ROGET, 1925,p.XVIII). Destemodo,umnovotipodelinguagemdocumentária estánomeado -

o tesauro derecuperação deinformação - queveiosecontrapor às

listasdecabeçalhos deassuntoeservircomoinstrumentodeauxílioaos sistemasqueutilizavamum único termo(unitermo).Outraslistasde termosqueapresentavam algumarelaçãoentreelespassaram achamarse,também,tesauro. Vickery, nosanos60,demonstra quatrosignificados diferentes usados na literaturadeCiênciadaInformaçãoparaotermo"tesauro",sendoa interpretação maiscomumadeuma listaalfabéticadepalavras,onde cadapalavraé seguidade outrasque a ela serelacionam(VICKERY .~ ,'" apudFOSKEIT,1985,p. 270).

~

Noinício dadécadade70,atravésdoprogramaUnisist(UNESCO, ~ 1973,p. 6), a Unescodefine "tesauro" para a áreade Ciênciada 8E Informação,sobdoisaspectos: ~ a) Segundoa estrutura: '" => , g? "E um vocabuláriocontroladoe dinâmicodetermosrelacionados

. .

:.:; I

semânticae genericamentecobrindo um domínio específicodo conhecimento."


b) Segundoa função: "É um dispositivodecontroleterminológicousadona traduçãoda linguagemnaturaldosdocumentos,dosindexadores ou dosusuários numalinguagemdosistema(linguagemdedocumentação, linguagem deinformação)maisrestrita." Percebe-se a preocupação daUnescoem apresentar definiçõesque pudessem atendertantoà áreadeelaboraçãodetesauro(definiçãoa), quantoà áreadeorganização e recuperação deinformação(definição b). Estasdefinições, dealgumaforma,vêmsendoutilizadasnaliteratura atéosdiasatuais.

4.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO TESAURO DE RECUPERAÇÃO A necessidadede elaborar critérios que pudessemcontrolar e padronizar a linguagem de indexaçãoutilizada nos Sistemasde Recuperação levouprofissionaisdeinformaçãoapercorrerem diversos caminhosparaatingiresseobjetivo.A evoluçãohistóricadoTesaurode

Recuperação - instrumento quereúneconceitos deumadadaáreado a partirdeduas conhecimento relacionados entresi- podesertraçada vertentes: umaquetomanitidamente comobaseo Unitermo- uma única palavra-, e a outra influenciadapelaTeoriada Classificação Facetada. Cadaumadessas linhasseráapresen tadaaseguir,chegandoaoque denominaremos deTesauro combaseemConceito. Énecessário, porém, repetiro queLancasterdeixaevidente,quandoapresentaum quadro

(Figura4)daevolução histórica dotesauro, nocontexto docontrole de o vocabulário,tomadocomobasenestecapítulo:"[...] ocaminhotraçado .~ c: não podeser consideradode fato definitivo, desdeque não está

8

completamente claroqueminfluenciou quem.Entretanto, odiagrama..g descreve o processo segundominhainterpretação"(LANCASTER, 1986, .ê o p.29).Oqueficaevidentenodiagramaéadicotomianalinhaevolutiva ~ dostesauros. Deum lado,avertentedeabordagem alfabética,degrande.


influência na América do Norte, e, de outro, a abordagem sistemática, que tem seus pressupostos estabelecidos pela Classificação Facetada.

4.2.1 Os tesauros na América do Norte Os tesauros elaborados na América do Norte, especificamente nos Estados Unidos, foram fruto do desenvolvimento que ocorreu a partir do Cabeçalho de Assuntos para o Uni termo; talvez fosse mais adequado fazer referência a uma ruptura, porque se introduziu um novo modelo, estranho ao anterior. CLASSIFICA TlON

AlPHABETICSUBJECT INDEXING

BIBlIOGRAPHIC

Analylico.synlhelic (Iaceled) (Rangan.lh.n

(CullerRules11876) LislSossubjeclheadings IIX~SI)

11930s) 1

~ Unilerm(T.ub.(195111

Alph.b.li<: subiecl indexing {Co.les(1969))

I Duponl (1959) ...

U.S.D.p.~.m.nl 01O.I.nse11960)

/

Alh.(19611 EJC(19641 ...

P,ojecllEX (196501967)

~

l

SATI

Thesa:ro,.cel~O f1~691 PRECIS

1197 ~ o.: ,~

C Q) E

::J U

o O E Q)

. 00 ~ ::J 00 c:

:::;

~T{1967}

:

ANSI

~

,

Z39019 (19741

ISO 2788

:

\ ~

~

Unescomonolingual Gu~.lines 119811

~

~

'''' ,,'

~

DIN1463 AFNOR 119J~1 "Z47oI00

11974/'

...

55723 11979)

/

~

UnescoMonhngualgUldellnes (1970)

,/

(um

"" /

("::::"";nescoMOn]~gu.19Uid.linesI19761

: :

/

:i , ,

...,

fRevisedversion.19801

+

ISO5964(19851

ISO2788{draIl2" Edi]~no1983}

Figura 4 - Evolução Histórica do Tesauro de Recuperação

(LANCASTER,1986)


ApartirdaSegundaGuerraMundial,como desenvolvimento científicoetecnológico, aliteraturapassouaexigirumtipoderepresentação, nos catálogos,que os cabeçalhosde assuntonão conseguiram acompanhar. Onúmerodecabeçalhos simples- constituídospor somenteumapalavra- passoua setomarinferiorfrenteaograndenúmero decabeçalhos compostos - constituídos pormaisdeumapalavra.Este fato acarretoualgunsproblemasnarepresentação da informação,pois a entradanoscatálogosalfabéticos é linear.Sendoassim, alguns dos elementos dos cabeçalhos compostos não poderiam ser encontrados diretamente, mas deveriam ser procurados indiretamente,

através de entradas

adicionais (sistemas de entrada múltipla), ou por meio de índices ou remissivas. Ademais, a existência de uma ordem de citação ou importância

prefixada

separava alguns elementos de um assunto composto que, se fossem reunidos, teriam interesse para o usuário. Mais uma vez, era necessário proceder a este tipo de busca por meios indiretos ou fazer entradas múltiplas de acordo com certas técnicas (FOSKETI, 1973, p. 307).

Oscabeçalhos compostoscomeçam,então,a exigir do indexador uma sériedesubterfúgios parafacilitar a recuperação da informação, que não seriamnecessários secadaaspectotratadono documento pudesse serum pontodeacesso. Em 1951,MortimerTaubeintroduzo SistemaUnitermo,quetinha por principalcaracterística a "representação do assuntopor palavras únicas(uniterm) extraídasdo textodeum documentosemnenhuma formadecontrole"(LANCASTER, 1986,p.31).EsteSistemapossibilitava a composição do assuntono momentoda recuperação da informação e, por estarazão,foi denominadoSistemaCoordenado e, maistarde,

Sistema Pós-Coordenado, emoposição aoscabeçalhos deassunto, que o

.~

seriamconsiderados Pré-Coordenados. Noscabeçalhosde assunto,a

3

coordenação dosassuntos sedánomomentodaindexação dodocumento (entrada),aocontráriodossistemaspós-coordenados, que"permitem ~ transferiro atodecoordenação, ou seja,a combinaçãodoselementos .g o que,juntos,formamum assuntocomposto,daetapadeentradaparaa ~

etapa desaída oubusca" (FOSKETT, 1973, p.307).

.


Lancasterjustificao fato de sero SistemaUnitermoconsiderado responsável peloaparecimento doTesauro: o Sistema Unitermofoiprimeiramente implantado através dousodefichas datilografadas oumanuscritas; maistarde,foramusados sistemas decartão perfurado.Infelizmente,ossistemasnãotinhamqualquercontrolede vocabulário, especialmente aqueles baseados empalavras únicas, quetendiam afalharporcausa danecessidade demanipulação degrande número determos (um problemaquedesaparece quandocomputadores sãoempregados na recuperação dainformação); isto,defato,foiexatamente oqueaconteceu. O primeirotesauro foiintroduzido paraimporcontrole noqueeraessencialmente umSistema Unitermo. AinfluênciadeTaubeévisívelnograndenúmerode termosconstituídos depalavras únicasquepodemserencontradas emum dosprimeiros tesauros, pelomenosnaqueles produzidos nosEstados Unidos; issopodetambémterinfluenciado asprimeirasnormas paraaconstrução de tesauros(1986, p. 31).

Emrelaçãoa "uma estruturamaissólidadereferências cruzadas", comodesejava Luhn,Vickery(1980,p. 141)afirmaque asreferências cruzadas desenvolveram-se completamente nostesauros que tendemasubstituirastradicionais listasdecabeçalhos deassunto. Enquanto estasúltimasapresentavam agrupamentos significativamente simples como referências "vertambém",ostesauros usamumaanáliserelacionalmais refinada. Durante a década de 60, os tesauros foram sistematicamente aperfeiçoados.Em 1960,o CentrodeInformação do Ministério da Defesa dos Estados Unidos (anteriormente Armed Services Technical - ASTIA)produzseuprimeirolesauro.Em 1961,o <O InformationAgency

~

AmericanInstituteofChemicalEngineers (AICHE)publicao "Chemical

~ EngineeringThesaurus",queeraum derivadodiretodo trabalhoda a o Dupont (ver Figura 4), primeiro tesauroa sercoclocadoà venda o (LANCASTER, 1985,p. 31). Baseadono AICHE,o Thesaurusof

~ EngineeringTermsépublicado,em 1964,peloEngineersjoint Council ~ (EjC),com a finalidadedecobrirtodaa áreadeEngenharia.No ano :S seguinte, oEngineers joint CouncileoDepartment ofDefense dosEstados

11

Unidosestabeleceram um acordovisandoa reunir ambosostesauros,


que abarcavamtemas ligados à Engenharia, com considerável participaçãoda indústria. Atravésdo projeto Lex, cuja meta era estabelecer princípioscomunsdeconstruçãoe usoe,também,criarum único instrumentoparaambasasinstituições,prepara-se um manual deconstrução detesauros epublica-seoThesaurusofEngineeringand Scientijzc Terms (TEST), em 1967.Endossadoe publicado pelo Committeeon Scienceand Technical1nformation(COSATI),órgão oficialdoFederal CouncilforScience andTechnology dosEstados Unidos, o manualfoi recomendado comofonteparaa construçãodetesauros, tendo servido de basepara as diretrizes e normas produzidas, posteriormente, pelaANSI - AmericanNationalStandardization Institute (ANSI,1981)epelaUNESCO (1973).Porsuavez,asdiretrizesdaUnesco deramorigemàsnormasnacionaise internacionais.

4.2.2 Os tesauros na Europa Avertenteeuropéia,mostradanodiagramadeLancaster(Figura4), desemboca naIndexaçãoAlfabéticadeAssuntos, deCoates, enoPRECIS (Preserved ContextIndexingSystem),sistemadeindexaçãoalfabética desenvolvido por Austin,para o índiceimpressoda British National Bibliography, trabalhos que sofreram influência da Teoria da Classificação deRanganathan (LANCASTER, 1986,p.33).Como jáfoi vistoanteriormente, estaTeoriasebaseianopressuposto dasCategorias eéapartirdelasqueseoferece umasintaxemaisadequada à organização e recuperação da informaçãoemsistemaspré-coordenados, comoé o casodeCoates(paraa formaçãodoscabeçalhos) edoPRECIS(paraa formaçãodecadaentrada). Outrodesenvolvimento nestavertenteéoThesaurofacet, queutiliza .8 a Teoria da Classificaçãode Ranganathannão somentepara a .~ organização deumasintaxe(nocaso,a notação),mastambémparaa 8 organizaçãodosconceitosemum dadoUniversodoConhecimento. O ..g '"

domíniodeconhecimento quepermeia estes instrumentos éaTeoria da '§(lJ Classificação deRanganathan, tendoinfluenciado todaumageraçãoI-'deprofissionaisinteressados em representação e recuperação da .


informação.Estateoriaseconstituiuemumdossuportes utilizadospelo

Classification Research Group- CRG- doqualfazemparteCoates, AustineAitchison. O CRGtem suasedeem Londres.SeuprimeiroEncontrofoi em B.C. fevereirode 1952,tendo,nestaépoca,membroscomoAJ.Wells, Vickery,E.J.Coates,J.E.L. Farradane, D.J.Foskett,].MillseB.C.Palmer. Maistarderecebeadesãodeváriosoutrospesquisadores comoR.A. Fairthorne,BarbaraKyle,D.W.Langridge,D.J.Campbell,D. Austin, ]. Aitchison,entreoutros.Enquantogrupo,o CRGtempublicadomuito pouco,masseusmembros sãoextremamente ativoseinfluentes(KUMAR, 1981,p.480).Segundo Wilsonemseusdezprimeirosanosdeatividades, o CRGseconcentroupredominantemente emtrêsáreas,a saber: a) Desenvolvimento deesquemas especializados declassificação parauma amplagamadeassuntos, desde Ciências doSoloatéMúsica,combasena "análisedefacetas"deRanganathan. Nocursodeseutrabalhoo Grupo afastou-se doconceito dascincocategorias fundamentais deRanganathan (Personalidade, Matéria, Energia, Espaço eTempo)atéchegaraumconjunto decategorias denaturezamaispragmática quepossuía, noentanto,uma grandemargemdeaplicabilidade, a saber:Coisa,Tipo,Parte,Material, Propriedade, Processo, Operação, Agente,Espaço e Tempo.Estaformade abordagem foitambémempregada poroutromembrodogrupo,EJ.Coates, emsuaobrasobreindexação alfabética deassunto, quedesenvolveu noBritish Technology Index.

tO .;:: ,tO

C Q)

E ~

u o O E

. Q) 00 tO ~ 00 c:

::J

b) Pesquisa sobreSistemas Notacionais paraTabelas deClassificação. Nesta área,umagrande conclusão foiqueumanotação podeserpuramente ordinal, istoé, ela nãoprecisaexpressar a estruturahierárquicada Tabelade Classificação. Talidéiaestavadefatoimplícitanosrequisitos deBlisspara umanotaçãobreve,aplicadaatécertopontoemsuaprópriaTabela; masa idéiafoi desenvolvida deformalógicapeloCRGatéo pontodepropor,em algumastabelasespeciais, o usodeumanotaçãopuramente ordinal.Um desenvolvimento destaidéialevouàinvenção danotação ordinalretroativa deCoates. c) Análise derelações entreconceitos. Nosprimeirosanosummembroem particular,asaber,].ELFarradane, escolheu estaáreacomoáreadepesquisa eevoluiuparaoqueagoraconhecemos como"operadores derelação".Estes


relacionadores sebasearam numateoriadepsicologiae pensamento eé interessante notarquepodiamserusados tambémparaaanálise defacetas, embora o intentooriginaldeFarradane fosse o deusá-Ios comoligações entre ostermosdalinguagem naturalnumsistema alfabético (1972,p.63).

Em1962a Otan- Organização doTratadodoAtlânticoNorteatravésda ScienceFoundation,deu à Library Associationauxílio financeiropara estudara viabilidadede uma novaTabelaGeralde Classificação. ALibraryAssociation designouo CRGcomoseuagentede pesquisa.Assim,o trabalho do CRG,a partir do auxílio da Otan, concentrou-se emtrêsáreasdepesquisa: aprimeira,adeterminação de princípiosparaacategorização deconceitos;asegunda,aordenação de conceitos dentro das categorias; a terceira, a investigaçãodos relacionamentos entreconceitos(WILSON,1972,p. 65). Comosepode observar,aslinhasdepesquisasãopraticamenteasmesmaspara os esquemas declassificação. OThesaurofacet éfrutodestas pesquisas. Jean Aitchison organizouprimeiramente uma Tabelade Classificação Facetadapara a English Electric Company ("English Faceted Classification forElectricEngineering").ApósaquartaediçãodaTabela, eladesenvolve um protetopara"casar"esteesquemacomum tesauro paraservirdeíndicealfabético(AITCHISON, 1972,p. 72) Atéo final dosanos50e início dosanos60,ostesaurospossuíam somente arranjoalfabético, tipodearranjoqueeraincapazderepresentar bem asrelaçõesúteisentre os termos(RIVIER,1992,p. 72). Suas limitaçõeslevaramaoemprego, maistarde,deprincípiosdeclassificação. Quandodesenvolveuo Thesaurofacet(nome dado ao tesauro-eclassificação facetadaparaEngenhariae assuntos correlatos),Aitchison

pensou estarcriandoumanovaespécie delinguagem derecuperação,o

.~ c

mas percebeuque o conceito não era tão novo nos Sistemasde

Recuperação deInformação;tratava-sedeuma técnicamaisrefinada (3 de construçãode tesauro,que vem evoluindodesdea metadedos ..g anos60(AITCHISON, 1972,p. 72).Estatécnicamaisrefinadasedeveà .ê o TeoriadaClassificação, queoferece princípiosparamelhorposicionaro ~

conceito nosistema deconceitos (área deassunto).

.


o Thesaurofacetse apresentaem duas seções:a Tabela de Classificação Facetada e o TesauroAlfabético,sendoqueasduaspartes sãocomplementares; seconsultadas emseparado, sãoincompletas, pois o tesauroservedeíndiceparaa tabelaque,por suavez,apresenta os conceitosde forma sistemática.Aitchisonrepeteestaexperiênciano UnescoThesaurus(1977),umaclassificaçãogeral para Educação, Ciênciae Cultura,queé bem-sucedida, apesardetratardetrêsáreas temáticas.A tabelade classificação,isto é, a parte sistemáticado Thesaurofacet, estruturaosconceitospor camposde assuntosmais amplos;ela segueuma "ordem canônica".Assim,o primeiro corte classificatórioé por disciplinasfundamentaise cadacampo está organizado em facetas.A respeitodo arranjo classificatório do Thesaurofacet, Aitchison(1972,p. 81) argumenta: Tradicionalmente,osesquemasdefacetaquebramosassuntos emcategorias fundamentais. No caso do Thesaurofacetque cobre tantos camposda tecnologia,decidiu-sequeseriammantidasasdisciplinasconvencionais como principaisagrupamentos (cabeçalhos)e aplicara análisedefacetasdentrode cada disciplina... Dentro de cada área, no Thesaurofacet,os termossão distribuídosdeacordocomosprincípiosdefaceta.Istosignificaqueanatureza dosconceitosé examinadae separadaem gruposhomogêneos,de acordo comcaracterísticas bemdivididas[...] Numdadosubcampo,a análisedefaceta é usadaparaagruparostermosemfacetasoucategoriasfundamentais.Estas variam desdeEntidades(coisas,partes),Atributos(propriedades, processos) atéaplicações eefeitos.Estasdivisõesformamaespinhadorsaldeumaestrutura determosnoscamposdeassuntoe sãomostradasnastabelas(1972,p. 81).

o tesauromostraasrelaçõeshierárquicas(BT/NT)e os termos '" :~ relacionados deoutromodoquenãoo hierárquico(RT), porexemplo, todo/parteouprocesso/equipamento, ecoisa! E paraosrelacionamentos a propriedade. Poroutrolado,paraconceitosqueestãonomesmocampo 8 deassuntocomoPlasmae Tecnologiado Plasma,nãohá necessidade deapresentar o relacionamentono tesauro,porqueestefica clarona partesistemática, ouseja,natabeladeclassificação deFísicadoPlasma :3 (TabelaET) (AITCHISON, 1970,p. 192).

~

~ ~

.


4.2.3 Tendências: tesauros com base em conceitos Como se viu no início deste Capítulo,o tesauro surgiu como uma ruptura em relação ao cabeçalho de assunto, tomando por unidade a palavra, em geral uma palavra técnica, ou "term" em inglês. No entanto, logo se percebeu que algumas palavras sozinhas eram insuficientes para designar um conteúdo de informação.

A solução foi considerar a

possibilidade de que, em alguns casos, a unidade seria um termo composto; bases teóricas para seu estabelecimento, no entanto, não foram desenvolvidas de forma satisfatória. Diretrizes e normas continuam a se referir à pré-coordenação

e fatoração, abordagens lingüísticas que

privilegiam a forma lexical e, portanto, variam de tesauro para tesauro, de norma para norma e de língua para língua. De fato, os tesauros produzidos nos Estados Unidos, dentro da linha tradicional americana que privilegia a organização alfabética dos termos, não apresentam uma base teórica explícita, na grande maioria. Mas seus autores avançam em relação ao modelo anterior - o cabeçalhode assunto:a unidade de trabalho passa a ser o termo e não o assunto; os diferentes tiposde relação, que nos cabeçalhos vinham sob forma de referência cruzada, se apresentam de forma mais estruturada. No entanto, as instruções para a seleção da unidade de trabalho

ainda apresentam

fortes bases

lingüísticas; aproveitá-Ias em outras línguas é sempre problemático, porque não há uma correspondência lexical nas diferentes línguas para a denominação de um mesmo conceito. Os tesauros produzidos pela linha européia, mais especificamente por membros do CRG que exploram

os princípios

da Teoria da

Classificação,fornecemas basespara a ordenaçãodas classese chegam a preconizar a apresentação sistemática do tesauro, além da tradicional ordem alfabética. Em relação ao termo, no entanto, seus autores apresentam um comportamento semelhante ao dos autores americanos.

Esteaspectonão resolvidopelasduasgrandesvertentes- a americana e a dosclassificacionistas- pareceencontrar solução a partir da década.

.~

§

~ ~::; ~


de 70com I. Dahlbergem sua"TeoriaAnalíticado Conceitovoltada parao Referente"(aquireferenciada apenascomoTeoriadoConceito) (DAHLBERG,1978). Outra contribuição importante, tambémde

Dahlberg,é a defesado usodasCategorias - preconizadas por Ranganathanno âmbitodaconstruçãodeTabelasdeClassificação comoumasoluçãoparaa organizaçãodosconceitosnum Sistemade Conceitos, nãoimportaa finalidadedeaplicação. Verifica-se, atualmente- devidoaessacorrentequeligaaTeoriado Conceito àTeoriadaClassificação - uma tendênciaparaum novotipo de tes, auro o Tesauro-com-base-em-conceito. Estenovotes, auro ou melhor,estanovametodologia paraaelaboração detesauros, está,assim, fundamentadanasquestões queenvolvemoconceitoeascategorias, eé denominada,no momento,TesauroTerminológico(TÁLAMOet ai, 1992).Segundo oprincípiodaeconomia, recomendado paraoprocesso dedenominação,adota-se estenomeparao novoconceito.

4.3 PRINCíPIOS DA TEORIA DO CONCEITO A Teoriado Conceitopossibilitouum métodopara a fixaçãodo conteúdodo conceitoe paraseuposicionamento em um Sistemade Conceitos. Oconceitonãoé maisapenasum elementodesignificação

dotermo:o termoacabasendoumelemento dopróprioconceito - o "terminum"- , quesintetizao conceitocomoum todoepermitea comunicação,nestecaso,verbal.Destemodo,o tratamentolingüístico dadoaotermo,nostesauros, perdeseusentido.Nãoimporta,agora,seo .ê termoé formadopor uma ou maispalavras,seé constituídopor um .ro cQ) substantivoouporum substantivomaisum adjetivoetc.o queimporta Assim,trataro termocomorepresentante E équeeledenotaum referente. :J U deum referente, comsuascaracterísticas, é dar a eleum tratamento o o terminológico. E

. Q)

SegundoDahlberg(DALHBERG, 1978,p.148)"o estabelecimento :J .W deumaequivalência entreo termo(o definiendum)eascaracterísticas -' necessárias de um referentede um conceito(o df!/zniens),com o propósitode delimitar o usodo termoem um discurso"resultana :';?

"


de 70com I. Dahlbergem sua "TeoriaAnalíticado Conceitovoltada parao Referente"(aquireferenciada apenascomoTeoriadoConceito) (DAHLBERG,1978). Outra contribuição importante, tambémde

Dahlberg,é a defesado usodasCategorias - preconizadas por Ranganathan noâmbitodaconstrução deTabelas deClassificação comouma soluçãoparaa organizaçãodosconceitosnum Sistemade Conceitos, nãoimportaa finalidadedeaplicação. Verifica-se, atualmente- devidoaessacorrentequeliga a Teoriado ConceitoàTeoriadaClassificação - umatendênciaparaum novotipo de tesauro,o Tesauro-com-base-em-conceito. Estenovotesauro,ou melhor,estanovametodologia paraaelaboração detesauros, está,assim, fundamentada nasquestões queenvolvemoconceitoeascategorias, eé denominada,no momento,TesauroTerminológico(TÁLAMO et aI, 1992).Segundooprincípiodaeconomia,recomendado paraoprocesso dedenominação, adota-seestenomeparao novoconceito.

4.3 PRINCíPIOS DA TEORIA DO CONCEITO A Teoriado Conceitopossibilitouum métodopara a fixaçãodo conteúdodo conceitoe para seuposicionamento em um Sistemade Conceitos. Oconceitonãoé maisapenasum elementodesignificação

dotermo:o termoacabasendoumelemento dopróprioconceito - o "terminum"- , quesintetizao conceitocomoum todoepermitea

'" 'L: ,'" c Q)

E ::J U

o o E

comunicação,nestecaso,verbal.Destemodo,o tratamentolingüístico dadoaotermo,nostesauros, perdeseusentido.Nãoimporta,agora,seo termoé formadopor uma ou maispalavras,seé constituídopor um substantivoouporum substantivomaisum adjetivoetc.o queimporta équeeledenotaum referente. Assim,trataro termocomorepresentante deum referente,comsuascaracterísticas, é dar a eleum tratamento terminológico.

. Q)

~ ::J

,SO

SegundoDahlberg(DALHBERG, 1978,p.148)"o estabelecimento deumaequivalência entreo termo(o drfiniendum) eascaracterísticas

-' necessárias deum referente deum conceito(o d~j1niens), como II

propósitode delimitar o usodo termoem um discurso"resultana


definiçãodesteconceitodentrodeum sistema.Assim,a definiçãonãoé mais colocadaem segundoplano, como um recursoauxiliar para minimizardúvidasque,poracaso,possamvir aocorrernousodotermo; lá é inseridanotesaurocomoum tipodenotadeaplicaçãoecolocada comoum recursoparaestabelecer asfronteirasdaintençãodoconceito. Adefiniçãopossibilita,alémdafixaçãodoconceito,seuposicionamento

nopróprioSistema deConceitos. "

4.3.1 Modelo para a construção do conceito Dahlberg,emseustrabalhossobreaTeoriadoConceito, propõeuma nova definiçãopara "Conceito", que vai de encontroà definição apresentadapela Teoria Geral da Terminologia e adotadapela ISOrrC-37(ISO/DIS704- 1993).Define-se "Conceito",emgeral,como uma "unidadedepensamento".Estadefiniçãofoi adotada,no âmbito da Terminologia,por Wuestere pela ISOrrC-37.Em princípio,pode pareceradequada,mas,apósuma análisemaisespecífica dostermos

queacompõem - nocaso,"unidade"e "pensamento" - verifica-se queaíseinstauraum problemadeapreensão desses própriosconceitos queprecisaseridentificado.Apesardeserevidentequeconceitossão unidades,seforem considerados como "unidadesde pensamento", parece que tal unidade não será entendida de forma precisa, permanecendo algosubjetivo,"algo queestána cabeçade alguém" (DAHLBERG, 1978,p."143).Dahlbergpropõe,então,que "Conceito" sejadefinidocomo"unidadede conhecimento",poisconhecimento pressupõe umentendimento maisobjetivodealgoobservável, eapresenta o quechamade"Modeloparaa Construção deConceitos"(Figura5).

Sabendo-se queo homemtemcapacidade defazerafirmações.9 corretassobreascoisasreais(itensempíricos)e sobreidéiasquesó "~ existememsuamente,elepodefazerafirmações verdadeiras sobreesses 8 itens.Seoconhecimento podeserconsiderado atotalidadedeproposições.g verdadeiras sobreo mundo,existindo,em geral,nosdocumentosou "§ tO

... 11)

nascabeças daspessoas, podeparecer queexiste,também, emtodasas afirmações verdadeiras (emtodososjulgamentos)e emtodasas _


proposições científicasqueobedecem a um postuladodeverdade,Isto pressupõe a aceitabilidade e o reconhecimento, porindivíduosdeuma mesmaáreade interesse/profissão/especialidade, dessasproposições comoverdadeiras e passíveis deseremcomunicadasatravésde uma formaverbal(DAHLBERG, 1978,p. 143).Assim,aodefinir o conceito comouma unidadede conhecimento,que compreendeafirmações verdadeiras sobreum dadoitemdereferênciarepresentado sobforma verbal,Dahlbergconsideraa existênciade trêspassosenvolvidosna formaçãodoconceito:a) o passoreferencial,b) o passopredicacional e c) opassorepresentacional. Estes podemser"representados graficamente na formadeum triângulo" (DAHLBERG, 1978,p. 144),

1----------------------------------------

:

UNIVERSO DE ITENS: IDÉIAS, OBJETOS, FATOS, LEIS, PROPRIEDADES, AÇÕES ETC,

: 1

1 1 I 1

I 1

ACERCA

'" '': .", C (IJ

SÍNTESE

DE ASSERÇÕES EM FORMA TERMO OU NOME

DO

VERBAL:

E

::J U

o O E (IJ

. 00

'" ::J

00 C :.::;

r I

:~

USO

DA FORMA VERBAL NO UNIVERSO DOS DISCURSOS (APLICAÇÕES)

~ I

:

~

Figura 5 - Modelo para a construção dos Conceitos (DAHLBERG,1978).


o Conceitoem Dahlbergé formadopor trêselementos,a saber:o referente,ascaracterísticase a forma verbal,que podemassimser representados: A

CARACTERÍSTICASB P"d""~""O"'ãO

REFERENTE

~

C FORMAVERBAL.

Designação

ParaDahlberg,o processodedeterminaçãodo conceitosedá no momentoemqueéselecionado um itemdereferência - umreferenteeanalisadodentrodeumdeterminadoUniverso. Apartirdaí,atribuemsepredicados aoreferente, selecionando características relevantes. Estas devemauxiliar no processo dedes~gnação deuma forma apropriada, quedenotaoconceito.Assim,o conceitosópodeserdeterminado apartir dareuniãodetodosesses elementosqueo compõem.

4.3.2 Categorização e relações conceituais

o 11..'10 dascategoriaspara a organizaçãode conceitosem uma determinadaáreade interessefoi introduzidopor Ranganathanno âmbito da documentação,a partir de sua Teoriada Classificação Facetada, naqualutilizaanoçãodecategoria paraaanálisedosassuntos contidosnosdocumentos eparaaorganização doscomponentes desses aSsuntos (isolados)em um sistemadeclassificação(verCapítulo2). Dahlbergutiliza,também,a noçãodecategoriasobdoisaspectos: como um recursopara o entendimentoda naturezado conceitoe para a formaçãodeestruturasconceituais.Osdoisaspectos emDahlbergnão .9 'cv se apresentamde forma excludente, muito pelo contrário, são uc: o U complementares. o

Ascategoriaspossuemapropriedadedepossibilitar asistematização de todo o conhecimento da realidade e podem ser identificadas no

. ~

2

~

momentodadeterminação doconceito,aosereminferidaspredicações verdadeiras efinais a respeitodeum itemdereferênciadestarealidade

'


observada.Asafirmativasfinais devemserfeitaspassoa passopor exemplo: Como categorizar umjornalsemanal? Umjornalsemanal éumjornal. Umjornaléumdocumento publicado periodicamente. Umdocumento publicado periodicamente éumdocumento. Umdocumento éumveículo deinformação. Umveículodeinformação éumobjetomaterial(DAHLBERG, 1978a, p.21).

Ora,essas predicações sãoum doselementos doconceito- as características - queestãopresentes nadefinição.Características, para Dahlberg(1978a,p. 16),sãopropriedades dosobjetosque,no níveldo conceito,passama sertambémcaracterísticasdo conceito.Elasse dividem em: característicasnecessárias/essenciais e características acidentais.Ascaracterísticas essenciais servempara definir conceitos gerais.Osconceitosespecíficos eindividuaissãodescritosadicionandoseàscaracterísticas essenciais asacidentais.Possuemtambémuma funçãodeessência constitutiva(terumasubstância, terumaestrutura) edeessência consecutiva (terumapropriedade física,química,elétrica). Ascaracterísticas acidentaispodemseracidentaisgerais(terumacerta forma, ter um certo defeito, ter uma certa cor) e acidentais individualizantes(ter uma certalocalização,ter um certo tempo) (DAHLBERG, 1978a,p. 16). Ascaracterísticas sãolimitadaspor relaçõesdediferentesespécies, classificadasem quantitativase qualitativas.A espéciequantitativa .~ comparadoisconceitos dopontodevistaestritamente formal;aquiestão incluídasasseguintes relações: deidentidade, deinclusão,deinterseção E qualitativaconsideraos aspectosformal e :J e dedisjunção.A espécie g material,podendoserclassificadas como:relaçãoformaVcategorial; o E relação material/paradigmática; relaçãosintagmáticafuncional (DAHLBERG, 1978a,p. 18).Estaredederelações constituio sistemade :J .

~

. ~

~ conceitos.

:.::;

A relaçãoformal-categorialdependecompletamente daespéciede

itemdereferência queseestáanalisando. Dahlberg (1978a, p.19)cita


algumasespécies deitensesuascombinações: fenômeno,objetosgerais, objetosmateriais,quantidades,qualidades,comparações, operações, estados, processos, períodos,posições,lugaresno espaço.Estarelação reúneosconceitosdentrodeumamesmacategoria.Istoocorreporque taisconceitossãotodosdemesmanatureza,ouseja,apartirdaanálise doconceitoascaracterísticas essenciais levamà mesmacategoria. A relaçãomaterial-paradigmática permiteorganizarconceitosde mesmanatureza,ouseja,aqueles queestãonointeriordeumacategoria. Podeserhierárquica,partitivae de oposição.A relaçãohierárquica baseia-se na relaçãológicadeimplicaçãoe é dedoistipos:relaçãode abstração(relaçãogênero-espécie) e relaçãolateral (relaçãodos conceitos norenque).A relaçãopartitivaexisteentreotodoesuaspartes, e aspartestambémpodemestarrelacionadasentresi. A relaçãode oposiçãopodeserdetrêsespécies: relaçãode oposiçãocontraditória, relaçãodeoposiçãocontrária,relaçãopositiva-indiferente-negativa. Arelaçãofuncional-sintagmática sedáentreconceitosdediferentes categorias. Apartirdeumconceitoquedenoteumprocesso ouoperação, leva a conceitosque suplementamessasações,como na seguinte seqüência: produção-produto-produtor-comprador etc. Dahlbergenfatizaa importânciafundamentalda Categoriana estruturação doconceitoedosistemadeconceitos: Podemosverqueascategoriastêmumacapacidadedeestrutura:nãoapenas estruturam,defato,todososnossoselementosdeconhecimentoe unidades doconhecimento;elasfornecem,aomesmotempo,porestemeio,o esqueleto, osossose tendõesparaestruturartodoo nossoconhecimento.Comseuuso consciencioso, então,o corpodonossoconhecimentopodesemanterunido, pode semover,pode se manter flexível - e pode crescerorganicamente (DAHLBERG, 1978a,p. 34).

4.4 TRABALHOS REALIZADOS

.9 'Q) u c: o U o

. "1:)

'"

]

Nesta seção, registram-se asexperiências deorganização detesauros que,além da adoçãodosprincípiosde classificação,incorporamas

contribuições daTenninologiae,maisespecificamente, daTeoriadoConceito.


4.4.1 Estudo-Piloto de Tesauro para a Deutsche Bibliothek Em1977,Dahlbergfoiencarregada dedesenvolver umestudo-piloto comoobjetivodeorganizarumtesaurogeralparaaDeutsche Bibliothek. Ela investigouo tipoe a formadostermosusados,naquelabiblioteca, para a descriçãodosassuntos,visandoa testarsua adequação como elementosdeum tesaurogeralparabibliotecas.Em 1989,publicaum estudo-pilotona áreade Esporte,por seruma áreaquepossuíaum númerodetermosnãomuitoelevado(cercade130)(DAHLBERG, 1980). A partir destaproposta,constrói, inevitavelmente,um sistemade conceitos;ao mesmotempo,cria uma tabelade classificação,no momentoemqueatribui um códigoa cadaconceitona tabela.Nesta parte,queé a sistemática,ela deixaevidente,atravésda notação,as relaçõesgenérico-específicas. Quandoo termoespecífico é considerado não-preferido nosistemaderecuperação, devidoàpolíticadeindexação adotada,eleaparecena partesistemática,semnotação,precedidodo símbolopeculiarderemissiva. Dahlbergempregamaissímbolosdo queostesaurostradicionais, deixandomaisevidentes ostiposderelaçãoeasdecisões ligadasàpolítica deindexação. Osconceitos estãoorganizados napartesistemática dentro declassestradicionaisde assunto,no interior dasquaisosconceitos estãoorganizados porcategorias. Apartealfabética,queéo tesauroem suaformatradicionaldeapresentação, servedeíndicetambémparaa tabeladeclassificação. Nela,asrelações conceituaissãotambémmuito '" maisevidenciadas doquenostesaurosatéentãopublicados.Dahlberg ~c estabeleceuma diferençaentreostiposderelação,empregandoletras ~ maiúsculasparaasrelaçõesentreconceitose letrasminúsculasparaas relações deequivalêncialingüística.Elaevidenciaasseguintes relações

g

~ conceituais

. Q)

00 '" ;:)

00 c

:.::;

· RelaçãoGenéricadeAbstração,indicadapelossímbolos: OOberbegriff(conceitosuperordenado) U Unterbegriff(conceitosubordinado)


· Relaçãopartitiva,indicadapelossímbolos: GGesarntbegriff (conceitoabrangente) B Bestandbegriff (conceitopartitivo)

· RelaçãodeOposição,indicadapelosímbolo: K Komplementarbegriff (conceitocomplementar)

· RelaçãodeFunção,indicadapelosímbolo: F Funktionsbegriff(conceitodefunção) Asrelaçõesdeequivalêncialingüísticasãodiferenciadas segundo seutipoem:

· Termonãopreferido,indicadopelosímbolob = benutze(use) · Termoantigo,indicadopelosímbolov = vetus(antigo) · Termonovo,indicadopelosímbolon = novus(novo) · Termosinônimo,indicadopelosímbolos= synonyme (sinônimo) · Termoquasesinônimo,indicadopelosímboloq = quasisynonyme (quasesinônimo) Ostermosespecíficos nãopreferidosemdecorrênciadapolíticade indexaçãoadotadasãoremetidosaoconceitosuperordenado, o qualé precedido porumacombinaçãodesímbolos,indicandoquesetratanão deum equivalentelingüístico(porexemplo,sinônimo),masdeuma equivalênciaartificial,exigidapelosistemaderecuperação, comopor exemplo: Alpinistik bOBergsteigen Bergsteigen 58423 OWandern

UAlpinistic(DAHLBERG, 1980,p. 62)


4.4.2 Experiências norte-americanas

A Nasafoi pioneirana construção,detesauros,tendoempregado técnicasdefacetação.Passados maisde30 anos,ela continuasendo pioneira.Buchan(1989),lexicógrafodoserviçodeinformaçãotécnica ecientíficadaNasa,registraoesforçoquevemsendofeito,desde o início dadécadade80,nosentidodeincluir definiçõesdostermosdotesauro, tentandocombinardicionáriocom tesauro.Váriosoutros tesauros, ligadosa órgãosde administraçãofederaldosEstadosUnidos,estão seguindoessaorientação:TheComputer Database Thesaurus& Dictionary, TheManagement ContentsDatabase Thesaurus& Dictionary,theEnergyDatabaseSubjectThesauruseDTICThesaurus (DTICRetrievaland Indexing Terminology.A inclusão dedefinições nostesauros é umatentativademelhorararecuperação dainformação. "Começarcom uma estruturade tesauropodeajudar na redaçãode umadefinição.Começar comumadefiniçãopodeajudaracompreender melhora hierarquiadeum termonotesauro"(BUCHAN, 1989,p. 173). Odicionárioestásendovistocomouma ferramentacomplementarao tesauro.Emboraa clientelaatendidasejadealtonível,a maioriados usuáriosnãoéespecialista emtodososcamposeainformaçãodotesauro junto com o dicionáriotem sidovaliosa."O valordostesaurose dos dicionáriosnãoselimita à buscapormeiodevocabuláriocontrolado.A buscano textoé melhoradapelo conhecimentoque os tesaurose dicionáriostrazem"(BUCHAN, 1989,p. 175).

'"

~ ~

4.4.3 Tesauro de literatura Nosprimeirosanosdadécadade80,a BibliotecaNacionalincluiu

emsuaprogramação umprojetoparasistematização doscabeçalhos de g assunto. Issosignificavaidentificarosconceitos presentes noscabeçalhos, isolá-losa fim deincluí-losemum Tesauroemsuadevidaposiçãonas classes e prescrever uma ordemdecitaçãoparaquetermos/conceitos formassem osassuntos dosdocumentos (cabeçalhos sistematizados). A ~ áreadeLiteraturafoi escolhidacomoPilotoporapresentar um número I; nãomuito elevadodetermos(aproximadamente 300) (GOMES et al., :J

~ ~

~

II


1985).Foramidentificadas22facetas,sendo17dedicadas à Literatura propriamentedita (Teoria,Criadores, Gênerosliterários)e asdemaisà Técnica(Narrativa),Estilística(Retórica,Figurasde pensamentoe FigurasdeDicção)eVersificação. Estaseqüênciadefacetasdeveriaser adotadacomobaseparaaordemdecitaçãonaformaçãodocabeçalho. AordemPMESTpodeserali identificada: Personalidade: Autores Matéria:Gêneros Literários Energia:Narrativa,EstilísticaeVersificação Tempo:Tabeladeperiodização A faceta Espaçoestápresenteapenascomo qualificador para especificar aLiteratura:Literaturalatino-americana, Literaturaafricana, Literaturabrasileiraetc. Asdefinições sãoapresentadas emanexoembora semmuita sistematização.Comesteestudo,a BibliotecaNacional pretendiacriar um instrumentodinâmico(passíveldeincluir/excluir termos)e prescritivo(a ordemdostermosestariadecididaa priori), eliminando,comisto,asinconsistências easexceções, tãocomunsnas listasdecabeçalhos deassunto. 4.4.4 Método Relacional

.

Em 1986,Motta(1987)propõeemsuadissertação deMestradoum novométodoparaestabelecer relaçõesemsistemasconceituais.Com basenaTeoriadoConceito,elausaadefiniçãointencionalcomoponto departidaparao estabelecimento derelações conceituaise lingüísticas e, também,parao mapeamentode áreasdeassunto.Assumindoum princípiodaTerminologia,segundoo qualosconceitossedefinemuns em relaçãoaosoutros,formandoum sistema,ela estabelece relações .9 entre os conceitosa partir da presença,em cada definição, de '(jj uc: o características quetambémsãorelevantes comoconceitos,na áreade U o EconomiaIndustrial. Em outraspalavras,na definição,para cada "O '" característica quea integrae que,também,sejaum conceitodaárea, "§ estabelece-se uma relaçãonotesauro. ~ Elaempregaosseguintessímbolosparaindicarasrelações:

.


up = remissiva dotermonãopreferido USE

=remissiva paraotermopreferido

TG= termohierárquicosuperior TE = termohierárquicoinferior TGP= termopartitivosuperior

TEP= termopartitivoinferior TA= termoassociado Apesarde manter a nomenclaturatradicional em tesauros,ela identificaasdiversas relações nomeadas comoassociativas. Porexemplo:

· RelaçãodeCausalidade CRESCIMENTO ECONÔMICO TADESENVOLVIMENTO ECONÔMICO · RelaçãoInstrumental POLÍTICA MONETÁRIA TATAXADEJUROS(instrumentodepolítica monetária)

· RelaçãodeInfluência POLÍTICA MONETÁRIA '"

.;:: ,'" C QI E :J U

o O E

.

TAINFLAÇÃO

· RelaçãodeOposição EMPREGO TADESEMPREGO

QI 00

'" :J

00 c:

:.::;

· RelaçãoInterfaceta NÍVELDEATIVIDADE ECONÔMICA TAPOLÍTICA MONETÁRIA


Nesteúltimo exemplo,NÍVELDEATIVIDADE ECONÔMICA, porser um dosconceitosembutidosna definiçãode POLÍTICAMONETÁRIA, faz-sea associaçãoentre ambosos termos,ainda que POLÍTICA MONETÁRIA nãosejaumdosconceitos constantes dadefiniçãodeNÍVEL DEATIVIDADE ECONÔMICA. Especificamente nesteexemplo,está-se diantedeumarelaçãoquesepoderiachamarde"relaçãointerfaceta", já queosdoistermosassociados pertencema duasfacetasdistintas,ou seja,POLÍTICAMONETÁRIA, à faceta INSTRUMENTOS, e NÍVELDE ATIVIDADE ECONÔMICA, à facetaCoisa(MOTTA,1987,p. 49). ARelaçãoInterfacetaéexplicadapelaautoradaseguintemaneira: &tarelação sedáquando otennoBéa&')(JCiado aAporqueAjáhaviasidoassociado a B previamente, pelofatodeAserumadascaracterísticas deB,esemqueseja, necessariamente, umadascaracterísticas deA (MOITA,1987,p.49).

· RelaçãoAtributiva(relaçãoidentificadaatravésdosatributosque ascoisaspossuem): ECONOMIA TANÍVELDEATIVIDADE ECONÔMICA RelaçãodeAssociação Implícita (naquelescasosemquea relação entreum conceitoesuacaracterística nãoseconfiguravaemnenhum doscasosanteriores,nem era uma relaçãológica ou partitiva, foi atribuídaestadenominação): AGRICULTURA TAALIMENTO

B Oempregodadefiniçãosemostrouútil, também,na identificação 'ã) u desinônimos,porexemplo:MercadodeCapitais= MercadoFinanceiro c: o u (termosquetiveramdefiniçãoidêntica). o

4.4.5 Tesauro de Engenharia Civil

"'C .~

o ~ Em 1989,atravésdo ProgramaNacional de Bibliotecas_ Universitárias-PNBU, quetemcomoumadesuasfinalidades proveras

...


bibliotecas universitárias deTesauros nasdiversas áresdoconhecimento, foi desenvolvido um tesaurodeEngenhariaCivil.OTesaurotevecomo baseparaseudesenvolvimento aTabeladeClassificação emEngenharia Civil, desenvolvidaem 1987para o curso de Pós-Graduaçãoem EngenhariaCivildaUniversidade FederalFluminense(CAMPOS, 1987). ATabelaéumsistemadeclassificação facetada comáreadeconcentração emConstrução Civil,comcercade300conceitoshierarquizados. Aárea de abrangência do Tesauro,da mesma forma que a Tabelade Classificação, évoltadaparaaáreadeConstrução Civil.Destaforma,no processo deelaboraçãodoTesauro,foi tomadacomopontodepartida uma estrutura facetadade conceitosque influenciou não só a metodologiadeelaboração detesauro,mastambémaestruturação dos conceitos. Obedecendo, assim,aesses critérios,olevantamento dostermos sedeu,noprimeiromomento, apartirdaTabela jácitada.Masalgunsajustes foramnecessários devidoàfunçãodecadainstrumento, nocaso,aTabela de Classificação eo Tesauro, comofoimencionado pelosprópriosautores: Verificou-se,porém,que,dos300conceitosexistentesnaTabela,algunsprecisavamseranalisadosemsuadenominação,vistoqueostesaurostrabalham comtermos,diferentemente dastabelasdeclassificação, cujopontoessencial é a notação,ouseja,a notaçãorepresenta o conceito,substituindoo termo.

Numsegundo momento foirealizado umlevantamento juntoà literatura técnico-científica daárea, onde severificou aexistência dealguns problemas terminológicos: oraumdado termo erausado naliteratura paradesignar um processo, oraparadesignar umproduto.Porexemplo: apalavraConstrução,

naEngenharia Civil,oraévistacomooprocesso deconstruir, oracomoa coisaconstruída (CAMPOS, MOREIRA, 1989, p.6).

.ê ,.."

~ OTesauropossuiumapartesistemáticae umapartealfabética.Na § partesistemática,ostermosestãodispostosemfacetas,subdivididosem 8

classes e subclasses, obedecendo aumaseqüência útil estabelecida pelo

~ usuário.Asfacetasadotadasforamasseguintes:Construção,Estrutura,

. ~

Elementos deConstrução, Material,Propriedade, Fenômeno,Processo, :§ Métodose Técnicas,Equipamento,Grandeza,Profissões e Ocupações, Ramosda Ciência,Documentos.Na partealfabéticaforam estabelecidos

quatrotiposderelações entreosconceitos, comseusrespectivos símbolos:


RelaçãoGenérico-Específica TG TermoGenérico TE TermoEspecífico RelaçãoPartitiva TGP TermoGenéricoPartitivo TEP TermoEspecífico Partitivo RelaçãoAssociativa TA TermoAssociado RelaçãodeEquivalência up usadopor up+ usadopor,emconexãocomoutrotermo USEpararemeteraotermopreferencial A RelaçãoAssociativaocorreentre um conceitoe uma de suas características, presente nadefinição,quandoelaétambémumconceito. A RelaçãodeEquivalênciaocorreentresinônimose quase-sinônimos. Umavezquea unidadedetrabalho,nesteTesauro,éo conceito,nãose admiteafatoraçãosintática.A(atoraçãosemânticaéutilizadasomente noscasosemquea unidadelexical,solicitadapelosusuários,contiver doisconceitos. Quandoistoocorre,usa-seo símboloup+. Exemplo: Estruturadeconcretoarmado USEESTRUTURA ARMADA B USECONCRETO ESTRUTURA ARMADA up+ Estruturadeconcretoarmado CONCRETO up+ Estruturadeconcretoarmado

'Qj

u r::: o U o -o

. '"

~


o tesaurofoi elaboradorespeitandoosprincípiosdeclassificação; adotou-se, destaforma,o recursodecriar nomesartificiais,necessários paradesignarumaclassegera!.Quandoistoocorre,o termoé seguido pelosinal+, nãopodendoserusadocomotermodeindexação. Asnotas deaplicaçãotambémsãousadasparaorientaro usuárioquantoaouso dotermonaquelecontexto.Porém,sóocorremquandoostermostêm seusignificadorestringidoouampliado.Quantoàordemdeprecedência entreasfacetas,foi adotadaaquelaqueapresentasse uma seqüência útil para a áreaemquestão,podendo"serutilizadaemsistemasprécoordenados parasistematizara formaçãodecabeçalhos deassunto" (CAMPOS, MORElRA,1989,p. 4) . 4.4.6 Manual de elaboração de tesauros monolíngües O Manualde Elaboraçãode TesaurosMonolíngüesfoi fruto dos projetosrealizadosno Programade Pesquisa,EstudosTécnicose Desenvolvimento deRecursos Humanosparabibliotecas dasInstituições

deEnsinoSuperior - PET,no âmbitodoPNBU - PlanoNacional de BibliotecasUniversitárias (GOMES eta!.,1990).OTesauroévisto,nesse Manual,comoumsistemadeconceitos.Assim,otermodenotaoconceito e, portanto,esteé o ponto de partida para estabeleceras relações conceituais edeterminara formaverbalmaisadequada pararepresentá10.O conceitoé entendidocomo"unidadedeconhecimento",como propõeDahlberg(1978),incluindoadefiniçãocomoelementoessencial paraa fixaçãodoconceito. C"d

~ ~ :I

~

~

~ ~

.

:.::;

Outroprincípioadotadoparaaorganização dosconceitos emclasses e subclasses éo dacategorização, sendoCategoriaali entendidacomo conjunto mais abrangentede idéias/conceitos.Paraestruturar os conceitos,seusautoresadotamprincípiosdaTeoriadaClassificação e daTeoriaGeraldaTerminologia,quesãoconvergentes emmuitoscasos. Asrelações adotadasnoManualsãoreunidasemtrêsgrandesgrupos:


Relações lógicas Relaçãogenérico-específica Relaçãoanalítica Relaçãodeoposição Relações ontológicas Relaçãopartitiva Relaçãodesucessão Relaçãomaterial-produto Relaçãodeefeito Relaçãodecausalidade Relaçãoinstrumental Relaçãodedescendência Asrelações deequivalência sãovistasnapartededicadaaosaspectos lingüísticos do tesauro,ao lado da homonímia e polissemia.O relacionamentogenérico-específico é indicadopelossímbolosTG/TE, respectivamente. Orelacionamento partitivoé indicadopelossímbolos TGp,parao Termoabrangente, eTEPparao termopartitivo.Osdemais relacionamentos sãoindicadospelosímboloTA- Termoassociado. OManualsugerequeosTesauros seapresentem sobduasformas: sistemática, acompanhada daapresentação alfabética,ouplanigráfica, acompanhada da apresentação alfabética.É iRteressante notar quea partealfabéticanãoéapresentada comoparteprincipal.Dedica,ainda, .9 um capítulopara o usode Tesaurosem sistemaspré-coordenados,'Qj uc: o tomandocomobasea OrdemdeCitaçãodasCategorias. U o " .~ o IÍ


.5 PRINCíPIOS COMUNS ENTREAS TEORIAS

EsteCapítulotemporobjetivoacomparação dasteoriasanalisadas noscapítulos2, 3 e 4, paraverificaro queexistedesemelhanteentre elas e o que é próprio de cada uma, levando em consideração, principalmente,a baseteórico-metodológica utilizadana elaboração deestruturasclassificatórias paraaslinguagensdocumentárias verbais enotacionais.Oencaminhamento adotadoé aquelequedeixaevidente oselementos constitutivos daestruturaclassificatória, ouseja,conceitos e termos,relações entreosconceitose sistemasdeconceitos.

5.1 CONCEITOS ETERMOS Conceitos eTermos sãoapresentados numaúnicaseção porque,neste estudo,sãoelementosquenãosedissociam.Aseguir,algumasquestões secolocama esterespeito.

5.1.1 Forma de abordagem onomasiológica O primeiro aspectocomum àstrêsáreasestudadas- Teoriada Classificação Facetada, TeoriadoConceito,TeoriadaTerminologia- é aformadeabordagem dotermonoesquema declassificação, notesauro ~

enaterminologia. Noatodolevantamento dostermos, paraorganizar'§Q) os instrumentosde representação/recuperação/comunicação e para indexardocumentos, ostermossãotomados comumsignificadopróprio, dadopelocontexto.Essesignificadoéquevai sertrabalhado,ouseja,o tratamento do termo é feito a partir dessesignificado assumido previamente. Isso determina a abordagem adotada que é onomasiológica, aocontráriodaabordagem semasiológica, daáreada Lexicografia, quetomacomopontodepartidaapalavra,comseusvários significados.A abordagemonomasiológicaincorpora,obviamente,o referenterepresentado pelotermo.

.

~

:

~ ~

E o UV> o '5'u c Q:


5.1.2 A ligação linguagem-pensamento-realidade Quandoa apropriaçãodostermossedá via significadofornecido pelocontexto,coloca-sea questãoda ligaçãolinguagem-pensamentorealidade.O termoguardauma relaçãomuito própriacoma áreade especialidade na qualestáinserido,poiselerepresenta, emsua forma escrita/oral,o conhecimento apreendido deuma realidadeconcretaou abstratapelosmembrosda áreadeespecialidade. Defato,estarelação sedávia conceitos,e nãoentrepalavras,por causa da relaçãodireta entreo conceitoe o termo,istoé,um conceitoé representado por um termoeestetermoéusadoparadesignaraqueleconceito. Wüesterapresenta estaquestãoquandodiz queo conceitoé uma unidadedepensamento. Paraaformaçãodestasunidadesé necessário queexistaum indíviduoquepensesobredados/fatos deuma realidade concretaou abstrata.O conceitoformadona mentedesseindivíduo

precisa deumsímboloquepermitasuacomunicação - o termo.Ele deveserprecisoe biunívoco,propriedades quepermitemestabelecer a ligaçãolinguagem-pensamento-realidade. Ranganathan, ao estabeleceros três planos de trabalho da documentação, apresentao PlanoIdeacionalcomoum espaçoonde estáa totalidadedasidéiasproduzidaspelahumanidade,a partir da observação da realidade.No âmbito da comunicaçãodessasidéias, apresenta o PlanoVerbaleo PlanoNotacional,noescopodalinguagem ~ enoescopodacomunicação,respectivamente, porqueparaeleanotação oro C éo termo. Q)

E

i3 Nostesauros tradicionais, pelainexistência deumateoriaconsistente, c3 estaquestãonãosecoloca.Porém,nostesaurosterminológicos, coma

~ ~

::::I

adoçãoda Teoriado Conceito,na qual o conceitoé vistocomouma tríadereferente-caracterÍstica-termo, arelaçãolinguagem-pensamento-

.~ realidadeocorredeformamaisconsistente, pelofato,inclusive,de -'

.

incorporar oreferente.


5.1.3 A questão da monossemia absoluta Amonossemia - um termodesignando um únicoconceito- éuma exigênciada terminologiae do tesauro.Paraoslingüistas,istotalvez pareçaum absurdo, masparaoambienterestritodeCiênciaeTecnologia a monossemiadevee podeexistir. Essaé uma característicada Terminologia,queéprescritiva,oqueadistinguedaLexicografia, queé descritiva.Nasclassificações, entretanto,o "termo" é a notação,que garanteuma relaçãounívocaentreo conceitoe suadenominaçãoe, maisainda,permiteexprimirumconceito,mesmoque,paraele,ainda não existauma denominação.Esseé um dos pontospositivosda classificação, quelheconfereflexibilidadee hospitalidade, seadotados osprincípiosdoPlanoNotacionaldeRanganathan. Emboraamonossemia absolutasejaum idealinatingível,esteideal é possíveldentrode uma áreado conhecimentoou de uma língua especial.Pode-sefalar, nestecaso, de monossemiarelativa, ou univocidaderelativa,uma vezque o termo,comorepresentante do conceito,édependente daáreadeconhecimento naqualestáinserido,e o conceito,por suavez,é fixadoa partir dospropósitosdo sistemade comunicaçãoqueestásendoorganizado.

5.1.4 Imprecisão do conceito de "termo" Nostesauros tradicionais, aodefinir "termo"comoumapalavra

V> !'ti

ougrupo depalavras pararepresentar um conceito,asquestões quese ~ apresentam sãodenaturezalingüística,taiscomo:ousodosingularou ~ QJ doplural, a formadotermo(composto, pré-coordenado) etc.Nosma- ~ nuaise normasdetesauros, o conceitoé apresentado como"algocon- c: cebidonamente",comosehouvesse umúnicopensamento, umaúnica formadopensar. Oconceito,entendidodessa formavaga,é representado8

~ E

pelotermooudescrito r,semqueseestabeleça qualquer relação entreo

.2

termoe o conceito.Naverdade,asquestões relativasao termosãode .§c: naturezalingüísticae é nesteâmbito que sãotratadas.A fatoração ~

sintáticae amorfológica sãoexemplos representativos deste fato.

11


A TGTdefineo termocomoum representante do conceito.Neste sentido,elaavança,porqueo termo,sendoumaunidade,prescindeda preocupação quantoaonúmerodepalavrasparadesigná-lo.Aquinão existeoconceitodetermocomposto, dafatoração, daquestão donúmero, da inversãodoselementosqueconstituemo termoetc.Masaindase define o conceito como uma unidade de pensamento.Apesarde incorporaro objetoformal, esteconceitode "conceito" nãopermite umacomprovação científica,porqueopensamento é aquiloqueestána mentedecadaum. NaTeoriadoConceito,o conceitoéumaunidadedoconhecimento, constituídoda tríadereferente-características-termo. Otermodenotao conceito.Aqui a definiçãotem um papelrelevante,não apenaspara comprovarcientificamenteo conceito,maspara fixar o conteúdodo conceitoeo significadodotermo. 5.1.5 Precisão dos termos

~

.r<J

Aquestãodaprecisãodostermosestárelacionadadiretamentecom o conceitoquesetemde"termo".Nostesauros, há apreocupação com a precisãodostermos,dandoênfaseaotermopreferencial.Porestarem em um ambientederecuperação da informação,ostermosdevemser submetidosa controlesterminológicosrígidos,para possibilitara precisãona buscae/ou recuperação.A baseteórica dos tesauros tradicionaisnão garantea precisãodos termospelo fato de que o tratamentodotermoprivilegia,quasesempre,o aspectolingüístico.

~

Aterminologiatambémestápreocupada comaprecisãodostermos, porqueéumaexigênciadaCiência.NoambientedaCiênciaeTecnologia éprecisoqueosconceitos fiquembemestabelecidos paraacompreensão E do termo,demodoa permitirema comunicação.Assim,o tesauroe a terminologiatêmesterequisitocomum- aprecisãodotermo- porque ~ deInformaçãotambémé umSistemade c um SistemadeRecuperação

~ u

~

~ ~

11

Comunicação.


Naclassificação, aunidadedetrabalhonãoédenaturezalingüística, poiso termonãoémaisrepresentado porsímboloslingüísticos.Porém, aprecisão dotermo,mesmosendonotacional,existe.Esteaspecto recebeu de Ranganathana devidaimportância, tendosido desenvolvidos princípioseregrasparao PlanoNotacional. 5.1.6 Direção teórica para o conceito de termo e conceito A Teoriado Conceitoé,semdúvida,aquelaque,atéo momento, ofereceo melhor suporte teórico-metodológico,no contexto da representação/recuperação dainformação,pararesolverasquestões do conceito e dar ao termo a sua devida dimensão.Possibilita a representação doconhecimento, umavezqueapresenta, comoum dos elementosda tríade, ascaracterísticas do conceito.Ascaracterísticas, selecionadasdentreaquelasconsideradasrelevantes,conformeos propósitosdo trabalho, evidenciamasrelaçõesentreosconceitos.Os conceitosfixadoscom esterigor permitemcomunicações precisasno âmbitodaCiênciaedaTecnologia.

5.2 IMPORTÂNCIA DAS CARACTERíSTICASDO CONCEITO E SEU USO Osconceitosserelacionamentresi por existiremcaracterísticas ~ comunsentreeles.Sãoelasquedeterminamo tipo de relaçãoquese '§ evidenciaentredoisou maisconceitos.Ascaracterísticas do conceito ~ Q)

: V'>

são,então,fatorprimordialparao estabelecimento dasrelações entre conceitose seuposicionamentono Sistemade Conceitos. Alémdisso,

~ Q)

auxiliamnaidentificaçãodoconceito,porquesãoestabelecidas apartir ~

daseleção daspropriedades relevantes deumdadoobjetoque,nonível do conceito,é conhecidocomoo referentedo conceito.Na Teoriada

E

3

Classificação, Ranganathandesenvolve uma sériedecânonesparaa .Q a. identificaçãodascaracterísticas, a formaçãode renquese cadeias,a 'g sucessão dascaracterísticas no SistemadeConceitos.Porém,todaa ~ 11


ênfasedadaao usodascaracterísticas visaà elaboraçãodeestruturas cIassificatórias maisconsistentes. Poroutrolado,a questãodousodascaracterísticas naTeoriaGeral daTerminologianãoficarestritasomente aoposicionamento doconceito no Sistema.Entretanto,elassãoutilizadas,principalmente,comoum elementoda definição,poisuma dasfinalidadesda terminologiaé solucionara questãodadenominação e,paratanto,éprecisoqueesteja bemclaro o significadodo termo,ou o conteúdodo conceito,queé representado por um dadotermo.Umdosprincípiosda terminologia, adotado,inclusive,pelaEscolaSoviética deTerminologia,équeo termo évistocomoum membrodeumsistemaenãocomoumobjetoisolado. A característica deum conceitopodesertambémconceito,estabelece relaçãoentreosconceitosquetenhamuma característica emcomum. Issosignificaqueostermossedefinemunsemrelaçãoaosoutros.Porém, nãoépossível definir,consistentemente, semseterumavisãodoSistema deConceitos noqualelesestãoinseridos. Nosprincípiosque regema elaboraçãodostesaurostradicionais, estadiscussão não acontece.O tesauroterminológico,entretanto,ao trazerno seubojo a Teoriada Classificação, a Teoriado Conceitoe princípiosterminológicos, utiliza ascaracterísticas comoum elemento essencial paraoestabelecimento dasrelações entreosconceitos eparaa formaçãode definiçõesque sãoparte integrantedestenovo tipo de instrumento. ra

~ 5.3 RELAÇÃO ENTRECONCEITOS CI)

5 u

Asrelaçõesapresentadas nas trêsTeoriasnão sãoexplicitadas/

8

denominadas damesmaforma.

~

A Teoriada Classificação e a Teoriada Terminologiaconsideram relaçõeslógicasasrelaçõesgenérico-específicas queseformamapartir do agrupamentodosconceitosem renquese cadeias.É interessante

. 00

~

.~ -'

salientarcomoosprincípios,nestaquestão,possuempontosbastante


semelhantes, inclusivenoprópriousodostermos"renque"e "cadeia", talvezporqueambasasteoriasadotamosprincípiosdaprópriaLógica. Ran,ganathan em sua Teoriada Classificação,diferentementeda Terminologia,nãoadotaaexpressão "relaçõeslógicas",masapresenta asrelações genérico-específicas comoum tipoderelaçãoquepossibilita

aformação derelações lógicas- cadeias erenques. Emsuateoriaéque parecemestarmaisbemdesenvolvidos ospostuladose cânonesparaa formaçãoeoestabelecimento deumaordemdecadeias e renques lógicos. Na Teoria do Conceito,esta relação é denominada de relação paradigmática-material, incluindo a relaçãoparte-todo.A Teoriada Terminologiainclui a relaçãoparte-todocomoum tipo de relação ontológica,quesedivideemdoistipos:relações decausalidade erelações decontacto.Nestaúltima, a relaçãoparte-todoseinsere. Poroutro lado,asdiversasrelaçõesclassificadas comorelaçãode causalidadepor Wüesterestão,em sua grandemaioria,classificadas comorelaçõessintagmáticasfuncionaisem Dahlberg.Na Teoriada Classificação, estetipoderelaçãonãoseapresenta, poisosEsquemas de Classificação só possuemasrelaçõesqueformam cadeiase renques lógicose partitivos,ou seja,ashierarquias.Apesardetodososesforços nestesentido,ostesauros, deuma maneirageral,aprisionamemuns poucossímbolostodasasrelações existentes entreosconceitos. ATeoriadaTerminologiaeaTeoriadoConceitoparecemapresentar,.~ o cadauma,umafundamentaçãobemestabelecida paraadeterminação ~ dasrelações queestãopresentes entreosconceitos. Entretanto,apesarde utilizaremumaformadeabordagem diferente,nãosãoconflitantes. c: ;:;:

Q) V>

5.3.1 Relações hierárquicas x relações lógicas7 ontológicas

c: :J

E o u

As relações hierárquicassãodeterminadasquandose observaa o relaçãoexistenteentredoistermoscom a finalidadedeposicioná-los :~ c: emuma estruturasistemática, ouseja,quandoexisteumaprecedência;:t

entre dois conceitos, omaior deve ficaracima domenor.

.


AsrelaçõesLógicase Ontológicasnão possuema finalidadede estabelecer umacertaordementreosconceitos, massimdedeterminar anaturezadasrelações queocorrementreeles.Aoestabelecer asrelações, verifica-seque,em algunscasos,existemdoisou maisconceitosque guardamentresiuma relaçãodesubordinação ou desuperordenação. Nesteespaço,estãoas cadeiase renques.Assim,no momentoda apresentação desses conceitosemuma estruturasistemáticaé quese impõe a questãoda hierarquiaque,por analogiacom as relações existentes entreosconceitos,remeteàsrelaçõeshierárquicas.Istonão ficasuficientemente claronastrêsteoriasanalisadas.Porvezes,parece queaclassificação pelahierarquiasubstitui aclassificação pelanatureza doconceito.É o caso,por exemplo,daapresentação dosconceitosque. guardamentresiumarelaçãodehiponímialógica.Quandoistoocorre emumalistaestruturada,a hierarquiaficaevidente. Estaimprecisãoconceitualé mais evidente,ainda, nos tesauros tradicionais, provavelmentepela ausênciade uma baseteórica consistente. Neles,asrelações sãoclassificadas apenascomohierárquica e não-hierárquica.

5.4 SISTEMAS DE CONCEITOS E SUA APRESENTAÇÃO NoSistemadeConceitos, osconceitosdevemestarrelacionados de

~

~

E

~ o

~

modoa formarum todocoeso.Nostesaurostradicionaisdeabordagem alfabética,nãosepercebe seostermosformamumtodo,porqueaordem alfabéticareúneostermosnão deuma forma lógicaou sistemática, masdeuma formaprática.Quandoexisteuma partesistemática,ela apresenta,em geral,apenasashierarquias.Nãohá uma forma de apresentação quemostretodososconceitose todasasrelações e ainda forneçaumavisãodotodo.Aitchison,emsuastabelasdeclassificação

. OD

~ acopladas atesauros, consegue apresentar osconjuntos dasclasses dentro .~ existentes entretermos defacetas diferentes. -' deumafacetaeasrelações Organizasuatabelaporsubáreas e,dentrodestas,reúneasfacetasem


categorias. Esteconjuntoassimestruturadoé quepermitequesetenha umavisãodotodoedesuaspartes.ComomembrodoCRG,elasegueos princípiosranganathianos. Umadasgrandescontribuiçõesde Ranganathanfoi introduziro pressuposto das Categorias Fundamentais: é a Categoriaquepermite que os conceitospossamestarreunidosem classessegundoa sua natureza,istoé, propriedade,entidade,processo etc.,formandoum todocoeso,poisreúneasfacetas,suasclasses esub-classes. Aquestãoda Categoria,aplicadaa SistemasdeClassificação, foi desenvolvida com um aparatofilosóficosólidoporDahlbergemsuasOnticalStructures and UniversalClassification(1978a),o quepermitedizerque,neste sentido,eladáumpassoà frentedeRanganathan. A TeoriaGeralda Terminologia,apesarde apresentar um suporte teórico-metodológicopara o estabelecimento das relaçõesentreos conceitos,restringe-se simplesmente a umaclassedeconceitosquando serefereaosistemadeconceitos. Istoficaevidentenomomentoemque serelacionaosistemaàapresentação gráfica;defato,pode-se dizerque, nestaTeoria,o quesechamadesistemaé um sistemaparcial,istoé, umaclasse.

5.5 DEFINiÇÃO E SUA FINALIDADE V>

Adefiniçãoé um elementoimportanteparaentendero conceitoe '§ posicioná-loemumSistemadeConceitos. ATeoriadaClassificação não ~ abordaaquestãodadefinição.Nostesaurostradicionais,elaéabordada ~ , Q) somentecomoum elementoqueauxilia o entendimentodo termo.E empregada, eventualmente, "noscasosdedúvida"quanto aosignificado ,

~

do termo, no campo de NotasdeAplicação.E a Teoria da Terminologia

E

~

c

quepropiciaàdefinição ostatusqueeladeveternoprocesso defixação 3 doconceitoedeseuposicionamento emum sistemadeconceitos.

V>

o o-

Ostesauros quesepautamemumabaseterminológica j áincorporam :~

estaquestão, havendo referência à organização deum "novo"li


instrumento,ondesereuniriamum glossário e umtesauroemumúnico instrumento de representaçãoe recuperaçãoda informação, o Glossaurus.

5.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na comparaçãodas trêsáreas,fica evidenteque seocupamde sistemas deconceitos, emboracomfinsdiferentes. Apesardisto,existem basesteóricascapazes deaprimoraro desenvolvimento desistemasde conceitos,sejapara a elaboraçãode instrumentosde representação/ comunicação/recuperação, sejaparaoutrosfins. ATeoriadaClassificação Facetada dáasbases parareunirosconceitos desde cadeias erenques, passando pelasfacetas, atéascategorias. ATeoria GeraldaTerminologia,porsuavez,aprimoraasquestões referentes às relaçõesentreosconceitos,alémdedar asbasesparaum tratamento terminológico, e não lingüístico, ao termo. Inova, ainda, quando consideraa língua numaperspectiva sistêmica.A Teoriado Conceito, alémdeincorporarasbasesteóricasanteriores,dáespecialdestaqueà definição.Estaexplicitaascaracterísticas doconceitoeéutilizadacomo um mecanismoparaposicionaro conceitonasclasses, facetase até categorias. O plenodomínio destasteoriasé essencialpara serealizar um trabalhomaiseficazno âmbitodarepresentação da informação,com Mascomosepôdeobservarduranteoestudo,estas <li vistasà recuperação. ,~ teorias têm suasbasestambémestabelecidasem outras áresde conhecimento. Assim,tudoindicaqueoplenodomíniodetaisteoriassó sedaráà medidaqueseampliaremaspesquisas na sentidodedefinir v

~ 5

(5

que áreassãoessase queparte delasé necessáriapara o profissional da

E informação. Q) 01) <li ::3 01) c: -'

.


-REFERÊNCIAS

ASSOCIATION FRANÇAISE DE NORMALIZATION. NFZ47-100:1981. Reglesd'établissementdesThésaurusMonolingues20p. AITCHISON,]ean. TheThesaurofacet : multipurposeretrievallanguage tool.journal of Documentation,London,v.26,no.3, p.187-203, Sept.1970. . Thesaurofacet : a newconceptin subjectretrievalschemes. In: WELLISCH,H. (Ed.). Subject retrieval in the seventies. Connecticut:Greenwood PublishingCompany,1972.p.72-98. ANSIZ39.19:1980.American National Standard Guidelinesfor ThesaurusStructure, Construc!ion,and Use.NewYork,1980.20p. BHATTACHARYYA, G. Classaurus: its fundamentais,designand use. Studienzur Klassifica!ion,Frankfurt,n.ll, p.139-148.1982. Britiah Standards Institution 5723:1987. Guidelines for the establishmentand developmentof monolingual thesauri.35p. BUCHAN,R.L. Interwining thesauriand dictionariesInformation Services& Use,n.9,p.171-175.1989. CAMPOS, A.T.Linguagensdocumentárias.Revista deBiblioteconomia deBrast1ia,Brasília,DF,v.14,n. 1,p.85-88,jan./jun. 1986. CAMPOS, MariaLuizadeA. Tabelade classificaçãoem Engenharia Civil. Niterói: UFF,1987.42p. CAMPOS, Maria Luiza de A., MOREIRA,MariaJoséB. Tesauroem EngenhariaCivil.Niterói: MEC/CAPES, 1989.

V> ro

.

CAVALCANTI, C.R.Aclassificação comoinstrumentoderecuperação da <Q) 'g informação. BRASILEIRA DECLASSIFICAÇÃO .2 , In: CONFERÊNCIA Q) c.:: BIBLIOGRAFICA, 1976,RiodeJaneiro.Anais... RiodeJaneiro: IBICT/ ABDF,1976.V. 1,p. 241-253).


DAHLBERG, I. A Referent-orientedanalytical concept theory of interconcept.International Classift'catt'on, Frankfurt,v.5,no.3, p.142-150,1978. _' me Pt'lotstudt'eDB-Thesaurus. Frankfurt: Deutsche Bibliothek,1980.74p. Facetedclassification and terminology. In: TKE'93, TERMINOLOGY ANDKNOWLEDGE ENGINEERING. Aug. 25-27, 1993,Cologne.Proceedings... Frankfurt/M.:IndeksVerlag,1993.p.

225-234. . Ontz'calstructures and unt'versal classificatz'on. Bangalore

: SaradaRanganthanEndowment,1978a.64p. _' Problemes de Ia déft'nz'tz'onet de Ia synonymt'e en termt'nologt'e.Québec:GIRSTERM, 1983.p. 13-51:Terminological definitions:characteristics anddemands. DIN 1463:1987.Teil1. Erstellung und Wez'terentwt'cklung von Thesaurt'.12p. DROZD, L.Someremarksonalinguistictheory.In: THEORETICAL AND METHODOLOGICAL PROBLEMS OFTERMINOLOGY. Nov.27-30, 1979.Moscow. Proceedings... Muenchen:Saur,1981.p. 106-117. . TerminologicalSynonymsand thefunctionof definition: theses.In: InternationalAssociation ofTerminology. Problemesde

,~

~ E

Ia dijint'Honet de Ia synonymt'e en termt'nologt'e.Québec : Grsterm, p.87-100, 1983.

E i5

DZINCHARADZE, A.LerôledeIa terminologielorsdelacréation de basesdeconnaissances etdesystemes d'intelligenceartificielle.In: E TAMA'92. TERMNET SYMPOSIUM "TERMINOLOGY IN ADVANCED

~

. ~ c: J

MICROCOMPUTER APPLICATIONS", 5-6June1992,Avignon. Proceedings... Wien: TermNet, 1993.p.125-141. FELBER, H.Termt'nology Manual. Paris:UNESCO, 1984.234p.


FELBER,H. The ViennaSchool of Terminology:fundamentais and its

theory.In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON THEORETICALAND METHODOLOGICALPROBLEMS OF TERMINOLOGY.Nov. 27-30, 1979. Moscow.Proceedings... Muenchen : Saur, 1981. p. 69-86. FID. Committee on Classification Research, Moscow, 1973. FOSKETT,A.C.A Abordagem temática da informação.

Tradução de

Antonio A. B. de Lemos. São Paulo: polígono, 1973. 437p. FOSKETT,D. Subject and injàrmation

analysis. New York : Mareei

Dekker, 1985. p. 270-316: Thesaurus. FUGMANN,R. An Interactive Classaurus on the PC. International ClassiJication, Frankfurt, v. 17, no.3/4, p.133-137. 1990. GOMES,Hagar E., CAMPOS,Maria Luiza de A.EspeciJicidades do ensino de tratamento da informação. Trabalho apresentado ao Encontro daABEBD. Belém,

24-25novo 1993.

16p.

, MARINHO,Marcilio T. 1., PREDERIGO, Maria Aparecida B. Tesauro sobre Literatura. Brasília, DF : IBICT, 1985. 102 p. . et a!. Manual de elaboração de tesauros monolíngues. Brasília, DF : CNPq/PNBU, 1990. 78p. GOPINATH,M.A. Symbiosis between classification and thesaurus.Library Sciencewith a slanton Documentation, 224, Dec. 1987.

[S.l.], V.24, no.4, p.211-

GOPINATH,M.A.,PRASAD,K.N.Thesaurus and classification scheme : a

study of the compatibility of the principies for construction of thesaurus and classification scheme. In: SEMINARONTHESAURUS IN INFORMATIONSYSTEMS.Dec. 1-5, 1975, Bangalore. (Paper AF - p. A37-A50)

VI '" '0 c: <~ .2 Q) a::

GORKOVA, VI. Some methodologicalrecommendations.In: FID. Essential problems in terminology for informatics and documentation.

Moscow, 1980. p.7-22.

.


GUPTA, D.K.,TRIPATHI, G.N.Explorationandproductionthesaurus: its helpfulnessin indexingin a library and informationsystem.In: Seminaron thesaurusin information systems.Dec.1-5,1975,

Bangalore, (Paper CF- p.C40-C42). Diretrizespara elaboraçãodetesaurosmonolingües.Brasília, IBICT. DF,1984.70p.

ISO2788-1986. Documentationguidelinesfor theestablishmentand developmentofmonolingualthesauri.2.ed.32p. ISO-DIS-704. Principies and methods ofterminology.1993 ]ONES,KarenS.Somethesaurichistory.Aslib Proceedings, London,v.24, no.7,p.400-411,]uly1972. ]ONES,KevinP.Problemsassociated with theuseofcompoundwordsin thesauri,with specialreferenceto BS 5723:1979.journal of Documentation,.v.37,no.2,p.53-68,]une1981. KANDElAKI, T.1.Lessensdestermesetlessystemes de sens des terminologies scientifiques ettechniques. In:RONDEAU, G.,FELBER, H. TextesChoisisde Terminologie. I. Fondements Théoriquesde

Ia Terminologie.Québec:GIRSTERM, 1981.p. 133-184. in thestudyof classification. KAUIA, PrithviN.Rethingontheconcepts Herald ofLibraryScience,

~

~ ~

E o o

jan./apr.1984.

KROMMERBENZ,M. Infoterm - activities concerning methodological and theoreticalaspectsof terminology work. In: THEORETICALAND METHODOLOGICALPROBLEMSOF TERMINOLOGY.Nov. 27-30, 1979.Moscow.Proceedings...Muenchen: Saur, 1981. p. 260-270.

.

~

00

KUMAR, K. Theoryof classification. 2nd.edDelhi : VikasPublishing House, 1981.538p.

~

LANCASTER, F.w. Vocabulary control for information retrieval.

'"

~ .

[S. 1.], v.23, no.2, p.30-44,

ed.Arlington: InformationResources Press,1986. 270p.

2.nd


LEICHIK,V.M.Application of methodsfrom basicand relatedsciencesin studying terms and term systems. International Forum for Information and Documentation, [S.l.], v.15,n.3,p.22-28, 1990. MOTIA, Dilza F.da.Método relacional como nOl1aabordagem para a construção de tesauros. RiodeJaneiro: SENAI,1987.90p.

NATANSON,M.E. Problemesde Ia déjinition et de Ia synonymie en terminologie.Québec, GIRSTERM, 1983.p. 55-65: Rapportsentre Ia définitionterminologiqueetIa délimitationdesnotions. NEDOBI1Y, W.Classificationsystemsfor terminologicaldata bank. [S. 1.] : INFOTERM, 1987.12p.

PALMER, B.I.,AUSTIN,D. Itself an education; six lectures on classification. London, 1971.p.46-57:TheContribuitionof Ranganathan PIEDADE, MariaAntonietaR.Introduçãoà teoriada classificação. 2.ed.RiodeJaneiro: Interciência, 1983.221p. RAHMSTORF, G.Roleandrepresentation of terminologicaldefinitions. In:TKE93,TERMINOLOGY ANDKNOWLEDGE ENGINEERING. Aug. 25-27,1993,Cologne.Proceedings... Frankfurt/M.:IndeksVerlag, 1993.p. 39-49.

RANGANTHAN, S.R.Colonclassification.Bombay: AsiaPublishing House, 1963a.126p. . Thefil1elaws of library science.Bombay:AsiaPublishing House,1963b.449p.

. Libraryclassification throughacentury.In:FID/CRResearch Classification.1978.p 15-35.(Conferência deAbertura). . Philosophyof library classification. NewDelhi : Ejnar .~ u Munksgaard,1951.

<~

_'

~

Prolegomena to library classification. Bombay: Asia

Publishing House, 1967. 640p.

~

11


UNESCO.UNESCO-Thesaurus.Paris, 1977.2 v.

VICKERY, B.C.Crassificação e indexação nas ciências. Rio de]aneiro: BNG/Brasilart,1980.274p. WERSIG,G.Procédés deIa rechercheterminologique.In: RONDEAU, G.,FELBER,H. Texteschoisisde terminologie. f Fondéments théoriquesdeIa terminologie.Québec:GIRSTERM, 1981.p. 283300. WILSON,T.D.TheWorkof theBristishClassificationResearchGroup. In:WELLISCH, H.(Ed.).Subject retrievalin theseventies. Westport : Greeword Publishing,1972.p. 62-71. WÜESTER, E. Begriffs-undThemaklassifikationen: Unterschiede in ihrem Wesen und ihrer Anwendung. Nachrichtenfuer dokumentation, [S.l.],v.22,no.3,p.98-104. 1971.(SerieINFOTERM 2-71F) WÜESTER,E. L'Étudescientifiquegénéralede Ia Terminologie,zone Frontaliere entre Ia Linguistique, Ia Logique, I'Ontologie, l'InformatiqueetlesSciences desChoses. In: RONDEAU, G.,FELBER, F.(Org.).Textes choisis de Terminologie.I. Fondéments théoriques de Ia terminologie. Québec:GIRSTERM, 1981.p. 57-114.


Linguagem Documentária