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Luis Fuentes sempre foi protegido da violência das gangues que quase destruiu a vida de seus irmãos. Mas isso não o impediu de correr riscos, se ele está escalando uma montanha nas Montanhas Rochosas ou sonhando com um futuro como um astronauta, Luis não consegue parar de olhar para a próxima emoção. Nikki Cruz vive a sua vida por três regras-boys mentir para conseguir o que querem, não confio em um menino que diz ―eu te amo‖, e nunca namorar um rapaz da zona sul de Fairfield. Seus pais podem ser do México, mas como filha de um médico, ela tem mais em comum com seus vizinhos norte-side do que o Sangue Latino em sua escola. Então ela conhece Luis no casamento de Alex e, de repente, ela está tentada a quebrar todas as suas regras. Obtendo Nikki para ter uma chance em um southsider é o maior desafio Luis ‗, até que ele encontra-se alvo de Chuy Soto, o novo chefe do Sangue Latino. Quando Chuy revela um segredo perturbador sobre a família de Luis, as Fuentes mais jovens encontra-se questionar tudo o que ele já acreditava ser verdade. Será que seus sentimentos por Nikki ser suficiente para parar Luis de entrar em um mundo sombrio e violento e viver permanentemente na borda?


Para a minha agente, Kristin Nelson, e minha editora, Emily Easton, por ter fĂŠ em mim e seu apoio sem fim.

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1 Luis Ser o caçula de três garotos definitivamente tem suas vantagens. Eu vi meus irmãos entrarem em alguns problemas sérios quando estavam no colégio. Eu nunca esperei seguir seus passos. Eu faria sempre o certo, não entraria em brigas e, desde os onze anos de idade, eu sabia o que queria ser quando crescesse. Eu sou conhecido como o ‗bom garoto‘ na mi familia – o único que se espera nunca se ferrar. Meus amigos sabem que eu tenho uma veia louca de rebeldia, mas minha família não. Eu não posso evitar - eu sou um Fuentes e ser rebelde está profundamente enraizado nos meus genes. O garoto que minha família vê do lado de fora não é necessariamente o que está no interior e eu pretendo manter assim. Eu jurei nunca mais me desviar do meu objetivo final de ir para a faculdade e estudar na aeronáutica, mas tomar alguns riscos físicos de vez em quando alimenta aquela adrenalina que eu almejo. Eu estou de pé na parte inferior de uma formação rochosa em Boulder Canyon com quatro dos meus amigos. Jack Reyerson trouxe equipamentos de escalada, mas não espere a cinta em um arnês1. Eu agarro uma das cordas e anexo-a com um mosquetão no meu cinto, então, quando eu chegar ao topo posso ancorar a corda para o resto do grupo.

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Arnês (cadeirinha, arreio) é uma espécie de cinto de segurança para a escalada, a espeleologia, o iatismo etc

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— Não é seguro ir para cima sem engrenagem, Luis. — diz Brooke. — Mas você já sabe disso, não sabe? — Sim. — eu digo. Eu começo uma subida de solo livre, fazendo meu caminho até a formação rochosa. Este não é o primeiro solo livre que eu faço em Boulder Canyon e eu tive formação suficiente para saber o que diabos estou fazendo. Eu não estou dizendo que não é um risco - é apenas um calculado. — Você é louco, Luis. — Jamie Bloomfield grita embaixo quando eu subo ainda mais. — Se você cair, você vai morrer! — Eu só quero que todos aqui saibam que não serei o responsável se você quebrar todos os ossos do seu corpo. — diz Jack. — Eu deveria ter feito você assinar um termo de responsabilidade. O pai de Jack é um advogado, então ele tem um hábito irritante de anunciar a sua falta de responsabilidade sobre praticamente tudo o que fazemos. Eu não lhes digo que escalar sem cinto de segurança é uma descarga de adrenalina. Isso realmente faz eu querer me esforçar mais e correr mais riscos. Jamie me deixou viciado em adrenalina depois de descer a encosta black diamond2 de snowboard em Vail na viagem de férias do inverno do ano passado. Eu não lhe disse que enganar a garota que eu conheci no saguão naquela noite também foi uma descarga de adrenalina. Será que isso me qualifica como um drogado? Quando estou no meio caminho do topo, eu tenho meu lado direito seguro por cima de mim e um pé plantado dentro de uma pequena fenda. É alto o suficiente para me fazer olhar para baixo para ver sobre o que eu poderia estar caindo se eu perder o controle. — Não olhe para baixo! — Jack diz em pânico. — Você vai ter uma vertigem e cair. — E morrer! — Acrescenta Jamie. Dios mío. Meus amigos precisam relaxar, de verdade. Eles são brancos e não foram criados em uma família mexicana cheia de caras 2

Black diamond é uma área de uma das pistas mais difíceis em relação as outras ao seu redor.

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que prosperam em desafios e vivem no limite. Mesmo que eu devesse ser o único irmão Fuentes que é inteligente o suficiente para não correr riscos, me sinto mais vivo quando eu o faço. O cume está há poucos metros de distância. Eu paro e olho o céu, conseguindo uma visão panorâmica da paisagem. É incrível pra caralho. Eu morava em Illinois, onde a paisagem é completamente plana, exceto pelos arranha-céus. Olhando através das montanhas do Colorado me faz apreciar a natureza. O vento está à minha volta, o sol está alto no céu e eu me sinto invencível. Alcanço com a minha mão esquerda a beira de uma fenda na rocha de cerca de três metros do topo e me agarro a ela. Estou quase lá. Quando faço a varredura da rocha por um local para colocar o meu pé, eu sinto alguma coisa afiada furar minha mão. Oh, inferno. Isso não era bom. Acabei de ser mordido por alguma coisa. Instintivamente, rapidamente planto meu pé enquanto eu arranco a minha mão para trás e olho para ela. Duas marcas de perfuração pequenas estão na parte de trás da minha mão com o meu sangue fluindo delas. — Pare de coçar suas bolas para que possamos chegar até lá antes do sol se pôr, Luis! — Eli Movitz grita abaixo. — Eu odeio dar a notícia a vocês — eu chamo-os quando a ponta de uma cabeça de cobra aparece em cima de mim, então, foge e entra para se esconder — mas acabei de ser mordido por uma cobra. Eu não dei uma boa olhada na idiota, então não tenho ideia se é venenosa ou não. Merda. Eu olho para os meus amigos e me bate uma vertigem quase que imediatamente. Isso não estava nos planos. Meu coração está acelerado e eu aperto meus olhos fechados, esperando que a minha cabeça pare de girar. — Puta merda, cara! — Eli grita para mim. — Foi uma cascavel? — Eu não sei.

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— O que você acha? — Jamie grita pra mim. — Será que ela tem listras? — Eu só vi a ponta da cabeça e eu não vou voltar lá e dar uma olhada mais de perto. — eu digo a ela, me perguntando se eu deveria mover para os lados e continuar os últimos três metros da minha subida ou se tentava descer. Eu sou um cara de matemática, então eu imediatamente considero as chances de sobreviver a esta situação. Minha mão definitivamente está picada, mas não insensível. Certamente, apenas se eu estivesse bombeando com uma porrada de veneno eu começaria a senti-la dormente e dura agora. — Eu sabia que Luis não deveria ter feito esse solo livre. — ecoa a voz de Jack abaixo. — Eu sabia! Ninguém me ouviu e agora ele está preso lá em cima, enquanto o veneno está, provavelmente, se espalhando por todo o seu corpo. — Cale a boca, Jack! — Eu grito. — Cobras não tem as merdas das pernas, então, como eu ia pensar que haveria um esconderijo na abertura de uma pedra maldita que está há três metros abaixo do topo? — Sente-se, tipo, normal? — Brooke pergunta. — Uma cobra apenas perfurou minha pele com suas presas, Brooke. — eu digo enquanto desço lentamente. Pode ser minha imaginação, mas eu acho que minha mão está começando a ficar dormente. — É claro que eu não me sinto normal. — Consigam um guarda florestal com soro! — Jack grita para o resto deles. Nós teríamos que dirigir para encontrar um. Nenhum de nós tem nossas licenças ainda, então estamos ferrados. Na verdade, eu sou o único que está ferrado. Com toda a conversa de antiveneno e cascavéis, eu não consigo pensar direito e perco tração. Meu pé escorrega. Então minha mão, a que não tem as duas perfurações, começa a suar de repente e eu perco meu aperto. Eu escorrego para o lado da face da rocha e ouço os suspiros e gritos de

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meus amigos abaixo, enquanto eu luto para conseguir uma posição ou uma mão em algo sólido. Não adianta. Tudo o que posso pensar antes de bater no chão é que eu não estou pronto para morrer.

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2 Nikki — Eu amo você, Marco. Eu disse isso. Eu não podia olhar para olhos profundos e escuros do meu namorado enquanto as palavras fluíam sem problemas de meus lábios, porque eu também estou escondendo alguma coisa. Imaginei que dizer ‗eu te amo‘ como uma conversa inicial seria mais fácil do que dizer que eu poderia estar grávida. Foi covarde não olhar em seus olhos e dizer-lhe tudo, mas dizer aquelas três palavras é um começo. Eu me sinto mais vulnerável do que eu já me senti antes. Eu não faço certo, vulnerável. Eu expirei lentamente e reuni a coragem de olhar para o meu namorado de um ano. Perdemos a virgindade juntos, um mês atrás, quando seus pais foram para o México para visitar sua avó. Eu não posso nem pensar nisso agora enquanto me concentro nele. Ok, eu disse que eu te amo. É a sua vez de dizer isso, como você sussurrou no meu ouvido a primeira vez que fizemos amor. Então eu vou te dizer que eu perdi o meu período este mês e eu estou enlouquecendo. Então você vai me dizer que tudo vai ficar bem e que vamos lidar com isso juntos. Ele está sorrindo. Bem, mais ou menos. O lado da boca está curvado, como se ele estivesse se divertindo. Eu não estava indo para a diversão. Eu estava indo para a afeição e adoração - sinais de que estava tudo bem dizer o meu segredo. Eu olho para o Lago Michigan,

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desejando que não estivesse esperando do lado de fora e, de repente, ninguém aparecesse. Eu passo meus braços à minha volta. Ainda não está tão quente em Illinois e o vento do lago está, definitivamente, me fazendo tremer. Ou talvez sejam meus nervos. — Você não tem que dizer isso de volta para mim. — eu digo para preencher o silêncio, mas isso é uma mentira completa. Eu espero que Marco diga de volta para mim. Eu não quero ouvir isso apenas em ocasiões especiais e quando estamos fazendo amor. A primeira vez que ele disse foi depois de voltar do baile em setembro. Então, na véspera do Ano Novo. E no Dia dos Namorados. E o meu aniversário. Tantas noites eu me deito sozinha na minha cama e penso em como o nosso amor vai durar para sempre. Nós não temos os mesmos amigos, porque vivemos em lados diferentes de Fairfield, mas isso nunca importou. Nós trabalhamos isso. Depois da escola, costumamos ir à minha casa e só... ficar um com o outro. E agora podemos ter um bebê. Como é que ele vai levar a notícia? Hoje é o último dia do nosso primeiro ano do ensino médio antes das férias de verão. Marco sugeriu irmos para a praia depois da escola, quando eu lhe disse que precisava convesar. Faz sentido, realmente. A praia é o nosso lugar especial. Tivemos nosso primeiro beijo na praia no verão passado. Ele me pediu para ser sua namorada oficial lá, na segunda semana de escola. Fizemos anjos de neve na mesma praia em janeiro, quando tivemos um dia de neve. Nós viemos aqui para compartilhar todos os nossos segredos particulares, como a vez que me disse que os membros da gangue escondem armas ao redor da cidade para que a polícia não os pegue transportando. Marco sempre conheceu os caras que estavam fortemente ligados. Ele se afasta de mim e imediatamente eu me arrepio como se o meu corpo soubesse que algo está acontecendo, além do vento saindo do lago. Ele passa os dedos pelos cabelos negros. Em seguida, suspira. Duas vezes.

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— Eu acho que devemos ver outras pessoas. — ele murmura. Eu inclino minha cabeça para o lado. Obviamente, eu não o ouvi direito. Existem algumas frases que uma garota espera ouvir depois que ela declara seu amor para o namorado dela. Eu posso pensar em algumas certas em minha cabeça, mas eu acho que devemos ver outras pessoas não é um delas. Estou atordoada. E eu não posso parar de tremer quando penso sobre estar grávida sem ele ao meu lado, sorrindo e me dizendo que tudo vai ficar bem. — P-p-por quê? — Você sempre disse que nunca iria namorar um membro da gangue e eu vou ser um. — É claro que eu não vou namorar um membro da gangue. — Eu deixo escapar. — Apenas dois dias atrás você me disse que nunca iria se juntar ao grupo, Marco. Foi logo antes de fazermos amor. Lembrase? Ele estremece. — Eu disse um monte de coisas que eu provavelmente não deveria. E você poderia, por favor, não chamar isso de fazer amor... cada vez que você diz isso, você me faz sentir como um merda. — Do que você quer que eu o chame? — Sexo. — Só sexo, certo? Ele revira os olhos e eu juro que meu estômago dá uma guinada em resposta. — Veja, agora você está me fazendo sentir como um merda de propósito. — Eu não estou fazendo isso de propósito. Ele abre a boca para dizer alguma coisa, então deve ter pensado melhor sobre isso, porque ele a fecha.

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Eu analiso seu rosto, esperando que ele vá dizer que está apenas brincando! Claro que eu não vou entrar para a Sangue Latino, mas ele não o faz. Meu coração parece que está sendo desbastado por alguém, peça por peça. — Nós somos apenas... tão diferentes. — Não, nós não somos. Somos perfeitos juntos. Nós vamos para a mesma escola, temos o melhor tempo juntos... nós dois somos mexicanos. Ele ri. — Você não sabe falar nem uma palavra de espanhol, Nikki. Meus pais e amigos falam de você, enquanto você está na sala e você nem imagina. Você não é realmente mexicana. Será que ele está brincando comigo? Meus pais nasceram no México, assim como o resto dos meus antepassados. Ninguém iria confundi-los senão com latinos. O espanhol é a sua primeira língua. Meus pais vieram para os Estados Unidos depois que eles se casaram. Depois disso, meu pai foi para a escola de medicina e fez sua residência no Chicago Memorial. — A gangue não faz de você mais mexicano, Marco. Não faça a gangue mais importante do que nosso relacionamento. Ele chuta pra cima a areia com o dedão do pé. — No hablas pinche español3. — Eu não sei o que você disse. Pode traduzir, por favor? Ele segura as mãos para cima em frustração. — Esse é o meu ponto. Para ser honesto, eu tenho andado com a Sangue por um tempo agora. Como ele pode dizer isso? Eu coloquei minha mão sobre minha barriga, em um esforço fraco para proteger qualquer criança que pode estar crescendo dentro de mim. Não posso evitar das lágrimas brotarem nos olhos. Eu sei que pareço desesperada e patética quando uma torrente de lágrimas corre pelo meu rosto. Tudo o que eu achava que eu tinha com Marco está soprando no meu rosto. Eu me sinto mais sozinha do que nunca na minha vida. 3

Não fala nenhuma porra de espanhol.

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— Eu não posso acreditar nisso — eu disse em quase um sussurro. Devo dizer-lhe o meu segredo. Talvez isso vá fazê-lo mudar de ideia, sabendo que poderíamos ter um bebê. Mas se eu não estiver grávida, estaria apenas prolongando o inevitável? — Eu só não quero que você me dê merda por ser um Sangue. — ele deixa escapar. — Todos os meus amigos já se juntaram. Eu olho para as minhas unhas. Eu pintei ontem à noite e desenhei um coração vermelho no meio de cada unha. Em meus dedos, dentro dos corações pequenos, eu coloquei as iniciais MD - Marco Delgado. Eu pensei que ele ficaria lisonjeado. Obviamente, eu estava delirando. Eu rapidamente escondo meus dedos em punhos. — Sinto muito. — diz ele, em seguida, esfrega o meu ombro como um pai consolando uma criança. — Não chore. Podemos ainda, você sabe, ser amigos... amigos com benefícios, mesmo. — Eu não quero ser amiga com benefícios, Marco. Eu quero ser sua namorada. — Todo o conteúdo do meu almoço ameaça vir para cima. O que a gangue dá a ele que eu não posso? Ele fica em silêncio e chuta a areia novamente. Minhas mãos caem fracamente ao meu lado quando percebo que não posso consertar isso. Ele está me olhando de forma diferente, como se eu fosse apenas uma das outras garotas na escola e não a garota dos seus sonhos ou a futura mãe de seus filhos. Ele pega o celular do bolso e olha para as horas. — Hum... sobre hoje à noite. — A festa de fim de ano no Malnatti? — É a ‗oficialmente não oficial‘ festa de pizza para alunos de Fairfield. Eles colocaram uma grande tenda fora do seu restaurante e tem um DJ e uma tudo-o-quevocê-puder-comer festa de pizza das seis às onze. Depois disso, a maioria dos alunos saem no campo de futebol Fairfield, por volta de quarenta, até a polícia chegar e parar.

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— Sim. — diz ele. — Então, uh, se você souber de alguém que quer ficar ligado, me fale. — Você está vendendo drogas? — Perguntei. Ele encolhe os ombros. — É dinheiro. — É dinheiro sujo, Marco. E ilegal. Não faça isso. Você pode ser preso e trancado na cadeia. — Eu não preciso de uma maldita palestra de você. Ele verifica seu telefone novamente. Ele está esprando alguém ligar ou mandar mensagem de texto? Eu sinto como se eu já tivesse perdido tudo o que tivemos. As lágrimas correndo silenciosamente pelo meu rosto são um indício de que eu definitivamente não estou bem, mas ele não parece se importar. Eu as enxugo e me amaldiçôo por ser tão fraca. Eu posso lidar com isso. Eu sou uma garota independente que não precisa de um cara para descobrir o que fazer. Obviamente, isso é problema meu e só meu. Se eu estiver grávida, ele vai descobrir isso quando ver minha barriga inchar como um balão. Ele saberá que é seu. Se ele escolher nos reconhecer e limpar sua vida, então vamos conversar. Eu olho para Marco e dou um pequeno sorriso. — Eu não quero controlá-lo. Eu nunca quis ser a garota que te segura para trás. — Mas você fez... você fez. Eu não posso mais fazer isso. Eu acho que, na realidade, eu não sou independente. Nosso relacionamento, sim, me definiu e eu gostei desse jeito. Eu não posso acreditar que ele me quer fora de sua vida. Isso não faz sentido. Ele recebe um texto, mas eu não consigo ver quem é. Ele manda outra de volta. — Você pode ligar pra sua casa, para seus pais? — ele me pergunta. Seus dedos se movem rápidos e furiosos enquanto ele continua as mensagens de texto. — Acho que sim.

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— Legal. — Ele se inclina e me beija na bochecha. — Meus amigos pensaram que você fosse ficar toda loca comigo. Eles pensaram que fosse me bater ou algo assim. É uma ideia. Mas não, eu não poderia socá-lo. Antes que eu pudesse abrir a boca para lhe pedir para voltar para mim e perder a dignidade que me resta, ele se vira para sair. Então isso está acabado. Longe da vista, mas não definitivamente fora da mente. Ele ficou com a gangue e não comigo. Minha respiração para. Eu olho para o lago e me sinto que devia pular lá - nadar para longe e fingir que isso não está acontecendo. Desespero lava sobre mim como as ondas que lavam as pegadas ao longo da costa e eu começo a tremer incontrolavelmente. Meus joelhos dobram na areia e eu posso sentir minhas lágrimas quentes começando a cair novamente. Desta vez eu não as enxugo. Eu quebro e choro, recordando cada momento que Marco e eu passamos juntos e rezando para que o meu período esteja apenas atrasado e eu realmente não esteja grávida. Grávida aos quinze anos nunca foi o meu plano.

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3 Luis Acho que o meu segredo apareceu. Se não fosse por aquela maldita cobra, eu não teria caído da rocha e mi'amá não estaria sentada no quarto do hospital continuamente me atirando olhares ameaçadores que se traduzem em 'Você está em tantos problemas'. Por fim eu não tinha veneno correndo pelo meu corpo. Uma das presas da cobra perfurou um nervo da minha mão, é por isso que me senti dormente. Depois eu caí, Brooke chamou seu pai em pânico. Ele nos pegou e me levou para o hospital. Sobreviver à picada de cobra foi a parte fácil. Ficar continuamente sendo repreendido por mi'amá têm sido uma tortura. Durante a queda da rocha, eu arranhei minhas pernas seriamente. Eu deveria estar grato por finalmente ter sido capaz de pegar parte da rocha que se projetava com a minha mão boa, embora, no processo, eu arranquei a pele, abrindo da mão para o pulso e quase foram ncecessários pontos. No final, o médico decidiu que os cortes não eram profundos o suficientes para precisar de pontos e decidiu colocar um curativo no lugar. Mi'amá cruza os braços sobre o peito enquanto me ajuda na cama de hospital, então eu não estou deitado reto. — Você me assustou até a morte, Luis. Quem disse para você para subir uma montanha sem cinto de segurança? — Ninguém.

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— Foi estúpido. — ela me diz, afirmando o óbvio quando vê o curativo na minha mão. — Eu sei. Olho para o meu irmão Alex, encostado na janela me olhando. Ele está balançando a cabeça, deve estar se perguntando como ele ficou preso com dois irmãos mais novos que estavam destinados a fazer coisas estúpidas, imprudentes. Papá morreu antes de eu nascer, então Alex foi o homem mais velho em nossa família desde que ele tinha seis anos. Agora, ele tem vinte e dois anos. Eu tenho que dar crédito a Alex. Ele sempre tentou nos manter fora de problemas. Carlos era uma causa perdida desde o início. Mi'amá disse que nosso outro irmão nasceu chutando e gritando, e nunca mais parou até que ele virou um adolescente. Então toda aquela energia reprimida foi usada para iniciar brigas com alguém que era estúpido o suficiente para irritá-lo. Alex tinha vinte anos quando mi'amá enviou Carlos para morar com ele, para que Alex pudesse endireitar Carlos. Agora Carlos está nas forças armadas e Alex está prestes a se casar com Brittany Ellis, a garota que ele está namorando desde o colegial. A enfermeira espreita a cabeça dentro do quarto. — Sra. Fuentes, precisamos que você assine alguns papéis. No momento que mi'amá sai da sala, Alex caminha em minha direção. — Você é um filho da puta sortudo. — diz ele. — Se um dia eu descobrir que você fez solo livre outra vez, eu vou pessoalmente chutar o seu traseiro. Entendeu? — Alex, não foi minha culpa. — Oh, o inferno. — diz ele, cobrindo os olhos com a mão, como se tivesse uma grande dor de cabeça. — Você soa igual Carlos. — Eu não sou Carlos. — eu digo.

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— Portanto, não aja como ele. Vou me casar em duas semanas. Duas semanas, Luis. A última coisa que preciso é de um dos meus irmãos caindo da porra de um penhasco e se matando. — Tecnicamente não era um penhasco. — digo a ele. — E as chances de conseguir uma picada de cobra em uma subida é... — Dá um tempo. — diz ele, me cortando. — Eu não preciso de estatísticas, Luis. Eu preciso do meu irmão no meu casamento. Cinco garotas, incluindo Brooke, Jamie e três de suas amigas, aparecem na porta. Elas estão trazendo balões que dizem 'Fique bom logo!' neles. Eu dou uma risada curta quando meu irmão olha para o desfile das garotas em choque, quando amarram os balões no trilho do lado da minha cama. — Como você está se sentindo? — Pergunta Brooke. — Como uma merda. — Eu lhes digo, levantando ambas as mãos enfaixadas - uma com a mordida de cobra e outra rasgada pelas rochas. — Nós viemos aqui para fazer você se sentir melhor. — diz Jamie. Eu sorrio grande e imediatamente me sento melhor. Agora que sei que não estou prestes a morrer, está tudo bem. — O que vocês, garotas, tem em mente? Acho que ouvi meu irmão bufar quando ele recua e as garotas cercam minha cama. — Quer uma massagem nas costas? — Angélica Muñoz pergunta com uma cadência paqueradora em sua voz. — Eu trouxe alguns biscoitos da padaria Pearl Street Mall. — diz Brooke. — Eu posso colocar na sua boca, já que você não pode usar as mãos. — Você deve estar brincando. — Alex murmura atrás dela. Angélica se instala atrás de mim e começa a massagear minhas costas enquanto Brooke pega um dos biscoitos de chocolate que ela trouxe e leva para minha boca.

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Minha futura cunhada entra no quarto, as botas de salto alto clicando no chão do hospital e os cabelos protegidos em um longo rabo de cavalo loiro correndo pelas costas. Ela dá uma olhada na minha comitiva e balança a cabeça em confusão. — O que está acontecendo aqui? — Ela diz para Alex. — Não me pergunte — diz Alex, indo até ela. — Alex me ligou em pânico e disse que você sofreu um acidente. — ela me diz. Eu ergo minhas duas mãos enfaixadas novamente. — Eu sofri. Dói como uma cadela, mas o médico diz que eu vou sobreviver. — Obviamente. — diz ela. — Mas eu não acho que você vai ficar feliz quando sua mãe entrar no quarto e pegar seu filho de quinze anos de idade rodeado por seu próprio harém. Você sabe o quão protetora ela fica, Luis. — Se ela é como a minha mãe, ela vai pirar. — diz Angélica, em seguida, diz para as outras garotas: — Talvez devêssemos ir embora. Angelica é uma garota com a qual eu casualmente passava o tempo nas festas, algumas vezes. Ela tem pais mexicanos também, de modo que entendia. As outras garotas não têm ideia de como as mães mexicanas podem ser protetoras. Eu digo às garotas que eu vou enviá-las mensagens de texto quando puder usar minhas mãos e elas saem pouco antes da mi'amá voltar para o quarto. — Quem trouxe os balões? — ela pergunta. — Foram aquelas garotas que vi no corredor? — Sim. — eu digo a ela. — Elas são apenas amigas da escola. — Não adianta entrar em detalhes sobre o que tenho feito com três das cinco delas em um lugar ou outro. Isso vai trazer outra palestra que eu definitivamente quero evitar. O médico me libera meia hora mais tarde, depois de dar instruções a mi'amá sobre como cuidar das minhas feridas em casa.

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— Você não é invencível. — Alex diz-me depois que Brittany e mi'amá saem da sala. — Nenhum de nós é. Lembre-se disso. — Eu sei. Ele enfia um dedo no meu peito e bloqueia o meu caminho. — Você me escute, Luis, porque eu sei muito bem o que estava passando por sua cabeça quando decidiu escalar a rocha, sem equipamento de segurança. Você gostou da euforia, sabendo que estava dizendo 'fodase' para o perigo. Eu tenho um irmão no exército, um melhor amigo que está há sete palmos há mais de quatro anos e eu não estou prestes a ficar parado, enquanto o meu irmão mais novo fica la tengo dura por flertar com o perigo. — Você leva a vida muito a sério. — eu disse, passando por ele. — Eu não sou seu irmãozinho mais, Alex, e eu não sou tão inocente como você pensa. Tenho quase dezesseis anos. Você conhece aquela garota Brooke que me trouxe cookies? Ela não é inocente, tampouco. Você quer saber como eu sei disso? Eu não consegui evitar quebrar um sorriso, enquanto Alex colocava as mãos sobre as orelhas, como protetores de ouvido. — Não me diga. — diz ele. — Você é muito fodidamente jovem, mano. Eu juro, se você deixar uma garota grávida, você terá mais do que apenas duas mãos enfaixadas para lidar.

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4 Nikki Eu não sei quanto tempo se passou. Toda vez que recebo uma chamada no meu celular e percebo que não é Marco, eu ignoro. Toda vez que recebo um texto de um dos meus amigos, eu ignoro. Eu não sei quanto tempo estive sentada na praia chorando, mas não me importo. Eu tenho meu bebê para me dar força, mas eu me sinto tão fraca como nunca. Até que eu ouço uma voz familiar. — Nik! Eu olho para cima. É Kendall. Kendall e eu somos melhores amigas desde a pré-escola, quando ambas usávamos o mesmo vestido no dia da foto e dissemos a todos que éramos gêmeas, mesmo quando Srta. Trudy disse que a mentira não faz parte da escola de ‗princípios fundamentais‘. Nós não sabíamos que — princípios fundamentais — eram quando tínhamos quatro anos, mas quando Srta. Trudy falou sobre isso com sua voz severa, sabíamos que estávamos em apuros. Antes de dizer qualquer coisa, ela se ajoelha para mim. — Eu ouvi. Ela deve ter ouvido falar sobre o rompimento, mas ela não tem ideia de que eu poderia estar grávida. Eu enterro meu rosto em minhas mãos. — Eu não posso acreditar nisso. — Eu sei. — Ela se senta ao meu lado.

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— Ele escolheu a gangue ao invés de mim. — Eu olho para a minha amiga que tem cabelos claros e olhos castanhos - o exato oposto de mim. — Ele disse que eu não era mexicana o suficiente. Kendall balança a cabeça e bufa. — Ele é um idiota. Eu fungo algumas vezes, em seguida, tento enxugar as lágrimas do meu rosto. — Como é que você descobriu? Ela estremece. — Eu tentei te ligar e enviar mensagens de texto, mas você não respondeu. Então, eu mandei uma mensagem para Marco e perguntei onde você estava. Ele me contou. — Eu disse a ele que eu o amava. Então, ele disse que queria ver outras pessoas. Em seguida, ele disse que já estava saindo com a Sangue e nós poderíamos ser amigos. Amigos com benefícios, Kendall. Dá para acreditar? Como se eu pudesse transformar meus sentimentos como uma torneira. Basta dizer as palavras amigos e benefícios no mesmo fôlego que me faz estremecer. Kendall suspira. — Eu sei que pode não parecer isso agora, mas você vai encontrar alguém. — Eu não posso fazer isso sem ele. — Fazer o quê? — Ela pergunta, confusa. Eu olho para ela, a único amiga que eu posso confiar mais do que qualquer um. — Eu poderia estar grávida... Seu olhar de choque misturado com uma boa quantidade de pena é suficiente para me fazer chorar mais uma vez. Ela coloca as mãos em cada lado do meu rosto e me pede para olhar para ela. — Você vai ficar bem, Nikki. Eu estou aqui para você. Você sabe disso, certo? Concordo com a cabeça. Eu gostaria de ter ouvido essas palavras saírem da boca de Marco. — Quanto tempo está atrasado? — Ela pergunta. — Uma semana e meia.

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— Será que você fez um teste de gravidez? Eu balancei minha cabeça. Acho que pensei que depois que eu dissesse a Marco, iríamos juntos a alguma farmácia da cidade, onde ninguém nos conhecia. Kendall incentiva a me levantar. — Primeiro, vou conseguir um teste de gravidez para você. Então, vamos descobrir isso. Ouça, é o que é e você não pode mudar isso. Vamos descobrir pra ter certeza. Legal? A verdade é que neste momento eu não sei se eu quero saber com certeza. A ignorância é felicidade, certo? Estou em silêncio enquanto Kendall me leva a uma farmácia e de volta para sua casa. Sento-me na beirada da banheira e mordo minhas unhas nervosamente enquanto ela lê as instruções e me entrega o bastão em que tenho que fazer xixi, para então saber se eu estou carregando o bebê de Marco. Eu olho para o bastão. — Eu não posso. — eu digo a Kendall. — Eu só... preciso ver Marco mais uma vez. Eu preciso falar com ele caraa-cara antes de fazer isso. Ele vai estar em Malnatti. Se eu puder puxálo para longe da festa e falar com ele, talvez possamos resolver as coisas. — Eu... eu não sei se isso é uma boa ideia. — Eu tenho que falar com ele hoje à noite, Kendall. — Eu olho para o teste de gravidez. — Eu não posso fazer isso sem ele. Eu sei que soa desesperado. Eu só tenho que descobrir se há alguma coisa que eu possa fazer para mudar a sua cabeça sobre o Sangue Latino... e o... e o tráfico de drogas. Kendall para. — Tem certeza que quer falar com ele hoje à noite? — Sim. — Eu sinto que tenho muito a dizer e fui também pega desprevenida para dizer isso antes. Se ele souber o quanto eu realmente me preocupo com ele, pode mudar sua cabeça. Eu não posso imaginar qualquer garota o amando mais do que eu. Eu coloquei o teste de gravidez de volta no pacote e o enfiei na minha bolsa.

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— Vamos lá, vamos fazê-lo depois. — diz ela, levando-me para o quarto dela e examinando o seu armário para pegar algo para eu vestir. — Eu acho que ver Marco agora é uma ideia horrível, mas se você está determinada, não vou parar. Primeiro, vou fazer você parecer tão quente que Marco vai cagar nas calças quando ele der uma olhada em você. No final, Kendall escolhe jeans skinny apertados e um top de designer que sua mãe deu a ela depois que ela decidiu que não queria mais. Na festa, eu respiro fundo e mantenho minha cabeça erguida, quando ando pela grande tenda branca na Malnatti com Kendall ao meu lado. Eu faço a varredura da área principal. Parece que toda a escola está aqui celebrando o início de férias de verão. A música está tocando. Algumas pessoas estão comendo. Algumas pessoas estão dançando. Eu examino a tenda procurando o rosto familiar que faz meu coração disparar cada vez que olho para ele. Eu finalmente o vejo... dando amassos em Mariana Castillo no canto de trás. Ela é uma das difíceis, bem Sangue Latino, que a maioria das garotas em Fairfield evita. Ele a está beijando daquela forma familiar que conheço muito bem. E sentindo sua bunda com as mãos que tocaram meu corpo nu apenas dois dias atrás. Não. Eu fecho meus olhos, desejando que a imagem desapareça. Mas isso não acontece. Abro os olhos e agora percebo que a maioria dos calouros e veteranos estão olhando para mim. Eu recebo olhares de pena das garotas do lado do norte, mas percebo a maioria das garotas Latinas do lado do sul estão sussurrando umas com as outras e rindo. Elas estão se regozijando, feliz que Marco dispensou sua rica namorada do lado norte.

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Digo a Kendall que não me siga quando viro e corro para fora da tenda, não parando até chegar à minha casa vinte minutos mais tarde. Eu fujo pra cima e me tranco no meu quarto, sentindo-me como uma completa idiota. Eu retiro o teste de gravidez da parte com zíper da minha bolsa e desembrulho o bastão. Deixo escapar um suspiro longo e lento. É isso. O momento da verdade. Eu escapo para o banheiro, feliz que o resto da minha família está assistindo televisão na sala de estar. Depois que eu sigo as instruções, tenho o bastão na minha mão e espero impacientemente para que o resultado apareça. Quando olho para a pequena janela de plástico que vai me dizer o meu destino, três coisas que Marco me ensinou hoje correm pela minha mente: garotos vão mentir no seu rosto só para fazer sexo com você, não confie em qualquer garoto que diz eu te amo e nunca namore um garoto que vive na zona sul de Fairfield. 25


5 Luis Duas semanas depois do meu confronto com a cobra, estou em um smoking no casamento do meu irmão. Eu nunca pensei que veria Alex casar. Então, novamente, eu nunca pensei que eu estaria de volta em Illinois novamente. Desta vez, porém, estamos em uma casa alugada no Sheridan Road em Winnetka. É a menos de 15 minutos do lado sul de Fairfield, onde morávamos, mas parece que é outro mundo. — ¿Estás nervioso? — Pergunto a Alex quando o vejo tentar ajustar a gravata, e a deixar alinhada. — Estoy bien, Luis. É que esta maldita coisa não vai continuar certa. — Alex rosna, então, desliza a tira de tecido por baixo do colarinho branco nítido e chicoteia-a no chão, antes de correr a mão pelo cabelo. Ele suspira pesadamente, em seguida, olha para mim. — Como diabos você consegue arrumar sua gravata sem parecer que uma criança amarrou isso? Pego um pedaço de papel dobrado do bolso de trás da minha calça de smoking alugado, ignorando a dor da minha mão ainda machucada. — Eu imprimi as instruções da Internet. — digo com orgulho, quando seguro o pedaço de papel. — Você é um geek, Luis. — nosso irmão Carlos entra na conversa quando se move do lado oposto da sala e pega rapidamente as instruções da minha mão.

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Carlos não precisou se preocupar em alugar um smoking porque está vestindo seu uniforme de gala do Exército. Do jeito que ele está ereto e alto, quando ele o usa, sei que ele está orgulhoso de estar no serviço em vez de estar no grupo que ele estava quando viveu no México comigo e Mamá. — Aqui. — diz Carlos quando ele pega a gravata e empurra-a junto com as instruções para a mão vazia de Alex. — Você não quer deixar a noiva esperando no altar. Ela pode decidir abandonar você e se casar com um cara branco com uma carteira de investimentos em seu lugar. — Você está tentando me irritar? — Alex diz, empurrando Carlos longe quando ele ri do recipiente de plástico transparente com a rosa vermelha boutonniere4 embalada perfeitamente. Carlos acena com a cabeça. — Estoy tratando. Eu não tive a chance de dar merda desde que fui implantado há nove meses, Alex. No puedo parar. Assim, quando estou prestes a me oferecer para amarrar gravata borboleta de Alex para ele, mi'amá entra na sala. — O que vocês estão fazendo? — Ela pergunta, como se fôssemos ainda crianças pequenas brincando. — Discutindo. — diz Carlos, agindo com naturalidade. — Não há tempo para isso. Carlos a beija na bochecha. — Há sempre tempo para argumentar quando você é um Fuentes. Ela olha para ele, em seguida, olha para o teto. — Dios mío, ayudame. Ela pega a gravata do Alex e coloca-a em volta do seu pescoço. Como se ela fosse uma profissional, ela a tem amarrada em menos de trinta segundos. — Obrigado, mãe. — diz Alex.

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A flor na lapela usada pelo noivo.

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Quando ela termina, olha para Alex e coloca seu rosto em suas mãos. — Meu hijo mais velho vai se casar. Seu pai ficaria muito orgulhoso de você, Alejandro. Se formar na faculdade e agora se casar. Apenas... não se esqueça de onde você veio. ¿Me entiendes? — Eu não vou. — garante a ela. Mi'amá prende seu boutonniere na lapela, em seguida recua e olha para nós três. Suas mãos pressionam contra o seu coração e seus olhos ficam lacrimejantes. — Meus filhos estão todos crescidos. — Não chore, Mãe. — Alex diz a ela. — Eu não vou. — ela tem uma lágrima que escapa pelo canto do olho e corre pelo seu rosto. Ela rapidamente limpa, em seguida, se endireita e se dirige para a porta. — Carlos e Luis, vocês devem pegar o restante dos padrinhos e dizer-lhes para se alinharem em breve. — Ela olha para Alex. — Termine de se vestir, Alejandro. A procissão está prestes a começar. Ela fecha a porta, deixando-nos sozinhos. Eu vejo como Alex vai até a janela com vista para o Lago Michigan. Cadeiras colocadas na praia privada são preenchidas com os convidados esperando por ele e sua noiva. — Eu não posso fazer isso. — diz ele. Eu dou um passo mais perto, na esperança de conseguir um indício de que ele está brincando. Ele não está. Eu olho para o relógio na parede. — Umm, Alex, você percebe que o casamento deve começar em dez minutos, certo? — Eu pergunto. — Eu vou lidar com isso — , diz Carlos, tomando o controle. Ele suspende as mãos nos ombros de Alex. — Você enganou Brittany? Alex balança a cabeça. — Você está apaixonado por outra garota? Outro tremor.

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Carlos se inclina longe de Alex e cruza os braços sobre o peito. — Então você vai continuar com isso. Eu não consegui sair e voei todo o caminho de Chicago para você desistir, Alex. E além disso, você ama a gringa e prometeu que iria se casar com ela depois que se formasse na faculdade. Este é um negócio feito. Sem recuar agora. — O que você fez, Alex? — Eu pergunto, completamente confuso agora. Ele suspira pesadamente. — Eu não contei a ela a notícia de que, no final do verão, estamos voltando para Chicago. Toda a nossa família viveu no Colorado por quase três anos. Nos mudamos para cá e ele não vai levar Brittany. — O que você quer dizer, você está voltando para Chicago? — É uma longa história. Os pais de Brit estão entregando a guarda de sua irmã, Shelley, para o estado de Illinois. Ela tem vinte e um anos e pode ir a financiamento estatal para seus cuidados. Isso significa que ela vai sair de Sunny Acres e se mudar para cá. Brit ainda não sabe. Ela também não sabe que eu tive uma oferta de pósgraduação em Northwestern. Eu aceitei. — E você não lhe disse nada disso? — Carlos pergunta. — Oh, cara, você está ferrado. Alex esfrega a parte de trás do seu pescoço e estremece. — Eu meio que nunca disse a ela que me candidatei para a Northwestern. Ela acha que vai ficar em Boulder após o casamento. Eu sei muito bem porque a futura esposa do meu irmão não quer voltar para Illinois. Eu a ouvi falar sobre o seu medo de voltar para o lugar onde Alex foi baleado e espancado dentro de uma polegada de sua vida quando saiu da Sangue Latino. Ele disse a ela que é seguro agora, já que o grupo rompeu em diferentes facções e o novo chefe da quadrilha, Chuy Soto, está na cadeia. Todos nós já garantimos a Brittany que Alex não tem um alvo nas suas costas, mas ela é cética. Eu sei que demorou muito para Alex convencer Brittany fazer seu casamento aqui. Eu acho que ela concordou com a única razão que ela esperava seus pais iriam participar da cerimônia - apesar de seu ódio pelo meu irmão.

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Eles o odeiam porque ele é mexicano. E ele é pobre. E ele estava em uma gangue. Ele ainda está batendo dois em cada três, o que faz dele um jogo inaceitável para a sua filha. Ela vem de uma rica, branca e metida família. Eu tenho que dar ao Sr. Ellis, seu pai, algum crédito. Ele tentou conhecer Alex. Um tempo atrás, quando ele veio para uma visita a Boulder, ele convidou Alex para jogar golfe. Isso foi uma má ideia. Meu irmão não é o tipo de golfe. Um olhar para suas velhas tatuagens de gangue deveriam dar uma pista. Os pais de Brittany não apareceram. Ainda não, pelo menos. Brittany espera ter os pais ao seu lado quando caminhar pelo corredor, mas o plano B é caminhar com o pai da namorada de Carlos, Dr. Westford. De qualquer maneira, meu irmão estará esperando por ela no final do corredor. Alex dá de ombros em sua jaqueta de smoking preto e vai para a porta. — Só me prometa uma coisa. Se ela me chutar para fora do nosso quarto hoje à noite, deixe-me dormir em um dos seus. — Desculpe, bro — diz Carlos. — Eu estive longe de Kiara por nove meses. Eu não estou compartilhando meu quarto de hotel com ninguém, exceto ela. Além disso, sua noiva virgem vai querer consumar o casamento. Alex revira os olhos. Eu tenho certeza que eles consumaram seu relacionamento anos atrás. Eu também tenho certeza que Carlos sabe do fato. — Você tem que dizer a ela,.— eu digo. — Antes do casamento. — Não dá tempo. — Carlos cantarola, totalmente divertido. — É bom começar seu casamento com mentiras e enganos. Você é um modelo estelar, mano. — Ele acaricia as costas de Alex. — Cállate, Carlos. Vou dizer a ela. — Antes da cerimônia ou depois? — Eu pergunto.

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Desde as janelas abertas, música de harpa começa a fluir para o quarto. Os três de nós olhamos um para o outro. Sabemos que nossa família nunca mais será a mesma. — Bem, pessoal, é isso — diz Alex enquanto ele abre a porta. Ele para de repente e baixa a cabeça. Ele aperta os olhos fechados. — Eu gostaria que Paco estivesse aqui. — ele resmunga. Paco era o melhor amigo de Alex. Ele morreu quando ele e Alex eram seniors na escola. Meu irmão nunca superou isso. — Eu também. — eu digo, passando por mim, quando penso no cara que nós tratamos como um Fuentes honorário. — Sim — diz Carlos. — Mas ele está aqui. Você sabe que ele está assistindo. Alex concorda, então se endireita. Se não fosse por Paco, Alex não estaria aqui. Ele estaria em um caixão, também. Meus irmãos não sabem que eu sei como Paco morreu. Hector Martinez, chefe do Sangue Latino, atirou em Paco. Hector também matou o meu pai e baleou Alex. Hector era o inimigo. Minha vida teria sido muito diferente se o inimigo não estivesse morto, porque eu teria dedicado a minha vida para me vingar. Eu tinha onze anos quando descobri que ele atirou em Papá quando Alex tinha seis anos de idade e mi'amá estava grávida de mim. Eu segurei o desejo de vingança, mas o senti como um fogo queimando dentro de mim lentamente até a morte de Hector anos atrás, deixando minha família segura. Apenas o pensamento de Hector Martinez podia me irritar. Eu respiro fundo e sigo Alex e Carlos para a procissão. Estamos perto do sacerdote com o resto da festa de casamento e no momento eu esqueço o passado. — Alex, você tem o arras? — Carlos pergunta a ele. O arras são as treze moedas de ouro que ele vai dar a Brittany como um símbolo de sua confiança nela. Eles foram passados de meus

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avós para meus pais, o que é uma coisa boa, porque não há nenhuma maneira que meu irmão fosse capaz de ter as moedas de outra maneira. Eles não estão tendo um casamento tradicional mexicano uma vez que Brittany não é Mexicana, mas eles colocaram algumas tradições mexicanas na cerimônia. Alex dá um tapinha bolsos. — Merda. Deixei as arras no quarto. — Eu vou pegá-las. — eu digo, então, voltando para o camarim improvisado. — Depressa. — ouço Carlos e Alex gritarem atrás de mim. Eu abro a porta para o camarim e vejo que não estou sozinho. Uma garota da minha idade está na sala, olhando pela janela. Seu vestido branco contrasta com sua pele cor de mel e apenas a visão dela me faz parar no meu caminho. Ela está muito quente, com cabelo ondulado escuro correndo pelas costas e um rosto que me faz lembrar um anjo. Ela é, obviamente, uma convidada no casamento, mas eu nunca a conheci antes. Eu definitivamente me lembraria dela se a a conhecesse. Eu pisco-lhe um sorriso. — ¡Hola! Yo soy Luis. ¿Quieres charlar conmigo? Ela não disse nada. Eu aponto para a porta. — Umm... la boda va a empezar. — eu digo a ela, mas é claro pela forma como ela revira os olhos que ela não se importa. — Cara, fale Inglês. — diz ela. — Isto não é o México. Whoa. Chica com atitude na casa. — Desculpe. — eu digo. — Pensei que você poderia ser mexicana. — Eu sou americana. — diz ela, em seguida, segura um telefone celular brilhante e o movimenta no ar. — E eu estou no telefone. É uma conversa particular. Você se importa? O lado dos meus lábios sobem. Ela pode alegar que ela é cheia de sangue americano, mas eu apostaria meu testículo esquerdo ela tem um pouco de sangue mexicano correndo por suas veias resolutas.

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Eu pego as arras e dou-lhe um sorriso. — Guarde uma dança na recepção para mim, mi chava5. Ela desliga com quem ela estava conversando e zomba de mim. — Ugh, você é um daqueles caras que flertam e sorriem para ficar com uma garota, então eles despejam aquela pobre garota em sua bunda quando menos se espera. — Ah, então você já ouviu falar de mim — eu digo, então fecho os olhos para ela. Ela começa a caminhar para fora da sala num acesso de raiva, mas eu alcanço para impedi-la. — Eu estava apenas brincando. Não leve a vida muito a sério, mi chava. O anjo aparece no meu rosto. Ela faz isso para me intimidar, mas tudo que faz é me atiçar. — Como você se atreve a me dizer para não levar a vida tão a sério! Você não me conhece mesmo. Eu não costumo mexer com as garotas com atitude. Eu estive por aí com um número suficiente delas para saber que creídas muy são mais problemas do que elas valem. Elas sempre me intrigaram, no entanto. Eu não posso evitar. Acho que está no sangue Fuentes mexer com as garotas que definitivamente não querem lidar. — Luis, você está segurando a cerimônia. — mi'amá chama alto do salão. Ela entra no quarto e, em seguida levanta a sobrancelha com a minha visão que está perto o suficiente do anjo que se inclinou um pouco menos do que se estivesse beijando. — O que está acontecendo aqui? — Ela pergunta, como se estivéssemos prestes a fazê-lo e ela chegou bem na hora para acabar com isso. — Sim, o que está acontecendo? — Pergunto à garota, deliberadamente colocando-a no local. A garota segura o celular. — Eu estava no meio de uma ligação, quando ele veio aqui e começou a me encher. — Esse é o meu filho. E você é... — Mamá diz, seus olhos se estreitaram em fendas. Oh, cara. Ela está em modo interrogatório. Você não quer conhecer mi'amá quando ela tem sua mentalidade em conseguir informações suas.

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Moça.

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— Nikki Cruz. — a garota diz com orgulho. — Meu pai foi o cirurgião do Alex. Não é mexicana minha bunda. Eu estava certo. Este anjo tem mais do que um pouco de sangue vermelho, branco e verde correndo por suas veias. Dr. Cruz foi quem tirou a bala do ombro de Alex no hospital quando tomou o tiro anos atrás. O médico manteve contato com Alex desde então, mantendo o controle sobre ele. Mamá balança a cabeça, em seguida, verifica Nikki Cruz - filha do cirurgião - da cabeça aos pés. — O casamento está prestes a começar. Ándale, Luis. Antes que eu me vire pra sair da sala, eu dou a Nikki uma piscadela / aceno completamente arrogante e secreto, que é certo que vá trazer mais uma vez a atitude Latina em pleno vigor. Ela não pisca de volta. Ela não fez isso para me divertir, mas me divertiu. Eu mal posso esperar pela recepção. Tal como meus dois irmãos mais velhos, eu não dou as costas a um desafio e Nikki Cruz não é, definitivamente, uma que vai se render facilmente. Até o final da noite eu aposto que poderia convencê-la a ser a minha próxima namorada bem, pelo menos até o meu voo de volta para casa, para o Colorado.

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6 Nikki Eu vejo como Luis segue sua mãe para fora do quarto com a cabeça arrogante erguida. Eu estava prestes a pendurar com Kendall, quando ele apareceu na sala e eu congelei. Por um breve segundo, eu pensei que ele fosse Marco. Ambos são quase da mesma altura, idade e compleição física. Quando Luis sorriu para mim e eu senti um lampejo de atração, pânico cresceu dentro de mim. Eu não posso baixar a minha guarda e um cara como o Luis é tão perigoso quanto Marco. Eu posso dizer por esse sorriso. Ele parece bastante inocente, mas eu conheço bem. Ele pode ser capaz de enganar outras garotas, mas eu não. Já faz duas semanas desde que Marco e eu terminamos e a dor ainda é tão crua como era quando ele me deixou na praia. Eu nunca mais quero me sentir tão desesperada e devastada como naquela noite. Se o ódio e atitude vadia vão me proteger, eu vou usar isso. Eu mantenho minha cabeça erguida quando ando de volta para a cerimônia. A música começa e eu rapidamente pego o assento vazio entre minha mãe e meu irmão mais novo, Ben. Ben está largado em sua cadeira, irritado que mamãe e papai não o deixaram jogar seu vídeo game portátil. Ele tem que se sentar aqui, como todos os outros garotos de doze anos de idade, aborrecidos neste casamento. Meus pais e Ben não tem nenhum indício de que Marco e eu nos separamos. Eu não queria falar sobre isso. Eu também não quero que

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os meus pais se vangloriem e falem ‘nós dissemos‘. Ben não me importo, desde que ele mal disse duas palavras ao Marco o tempo todo que estávamos namorando. Se os meus pais me tinham à sua maneira, eles provavelmente iriam querer criar um casamento arranjado para mim, porque me querem com um bom garoto que vem de uma ‗boa base‘. A última coisa que eu quero é que meus pais escolham meus namorados ou, Deus me perdoe, meu futuro marido. Ben não teve uma namorada. Ele foi poupado de qualquer entrada dos nossos pais em sua vida amorosa, porque sua vida amorosa é inexistente - a menos que você conte Princesa Amotoka do jogo online que ele joga. Desnecessário será dizer que ela não é real. Meus olhos vagueiam para a frente, onde Luis está de pé ao lado do resto dos padrinhos. Quando nossos olhos se encontram por uma fração de segundos, ele pisca com um sorriso matador. Eu olho para baixo, fingindo de repente estar muito interessada em uma linha perdida no fundo do meu vestido. Estou com náuseas. Logo atrás de mim, eu ouço um sussurro de garota em voz alta. — Ohmeudeus! Você vê o gostoso com o cabelo espetado? Ohmeudeus, quem é ele? Se ela disser ohmeudeus novamente, eu estou virando e batendo nela. — É o irmão de Alex, Luis. — alguém explica para a garota Omeudeus. — Eu acho que ele piscou para mim. — Eu ouço seu grito. Eu não menciono que eu tenho uma boa ideia de que sua piscadela era para mim. Eu me forço a ignorá-lo e me concentrar noiva e no noivo. Eu só desejo que não fosse tão difícil não olhar para Luis, pela simples razão de que eu estou fazendo o meu melhor para não olhar para ele. Eu odeio isso. A cerimônia é como qualquer outra cerimônia de casamento de praia no crepúsculo, enquanto o sol está se pondo. Ok, eu admito o cenário todo é super legal, mas a praia tem uma vibração negativa para

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mim agora. Eu pensava que era o meu lugar especial com Marco, mas não é. Estar aqui, olhando para o Lago Michigan, no fundo, só me faz lembrar de nossa separação. A noiva, Brittany, está prestes a caminhar pelo corredor, mas ela hesita e olha ansiosamente na entrada antes de tomar o braço de um homem mais velho a ponto de acompanhá-la. — Pobre garota. Seus pais não apareceram. — minha mãe sussurra para mim. — Por que não? — Eu pergunto. Mamãe dá de ombros. — Eu não tenho certeza. Eu só ouvi algumas de suas damas de honra falarem sobre isso antes da cerimônia começar. Brittany caminha pelo corredor e parece que veio direto das páginas de uma revista de designer de noiva. O noivo, Alex, não consegue tirar os olhos dela. Assim que o sacerdote abre o seu livro de orações para iniciar a cerimônia, eu não posso deixar de olhar para Luis. Ele está ouvindo atentamente ao sacerdote e de repente tem um sério olhar de preocupação em seu rosto. Eu me pergunto por que, até... — Você não pode se casar. — Luis fala alto. Mais do que alguns suspiros vêm da multidão. Cada convidado está em choque. Isso está ficando bom. Alex bate a mão sobre os olhos. — Você não fez isso. — diz ele ao Luis. Luis avança. — Eu só... Alex, diga a ela. Você não pode começar seu casamento em uma mentira. Brittany, cuja boca foi bem aberta desde Luis falou, levanta o véu e sulca as sobrancelhas perfeitamente delineadas. — Diga-me o quê? — Ela está girando mais branca do que o seu vestido de casamento, se isso fosse mesmo possível. Espero que o padre

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ou dama de honra, parece que ela quer matar Alex, estejam prontos para pegá-la, se ela desmaiar. — Nada. — diz Alex. — Nós vamos conversar mais tarde, chica. Não é um grande negócio. — Não me chame de chica, Alex. — sua noiva se encaixa. — Eu acho que ela vai para o deck com ele. — Ben murmura, divertido. A noiva não aceita isso. Talvez eles estejam prestes a chegar à conclusão de que felizes para sempre não existe. — É um negócio grande o suficiente para seu irmão parar o nosso casamento. — Brittany argumenta. — Isso é ridículo. — Alex rosna. Ele murmura algo para o padrinho, que parece estar mais divertido do que chocado. Eu sinto um vínculo de irmandade com Brittany, mesmo que ela não esteja ciente disso. A mãe de Alex, sentada na primeira fila, tem a cabeça inclinada como se estivesse assistindo a uma formiga no chão e é a coisa mais interessante que ela já viu. Eu acho que eu só a vi atravessando a si mesma. Quando ela olha para cima novamente, ela tem adagas em seus olhos enquanto ela olha para Alex e Luis. Sem ter para onde correr, exceto no meio da multidão ou fuga para água do Lago Michigan, Alex diz: — Estamos nos mudando para cá. Brittany pisca algumas vezes. Ela ergue a cabeça para o lado como se ela não tivesse ouvido direito. — Aqui? Como em Chicago? Tudo o que posso pensar é, Oh, Alex, você é idiota. Olhando em volta para os outros convidados assistindo esse drama se desenrolar, noto um casal de garotas duas fileiras à minha frente não muito chateadas com a confusão do evento, que se desenrola diante de nossos olhos. Eu acho que têm tesão por Alex e não vão ficar desapontadas se ele de repente ficar solteiro. Tenho certeza de que a garota Omeudeus está disponível atrás de mim, apesar de Alex ser provavelmente muito velho para ela.

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Brittany afasta Alex. — E você não me disse porque... — Porque você estava ocupada planejando o casamento e estudando para as provas finais, e, para ser honesto, eu não quero que você comece a enlouquecer. — Então, minha opinião não importa? E a minha irmã? — Brittany aponta para a garota na cadeira de rodas ao lado da dama de honra. — Eu não vou deixá-la no Colorado. — Será que vocês gostariam de fazer uma pausa e discutir isso em particular? — O padre confuso pergunta. — Não. — Brittany encaixa. — Eu não quero ir a lugar nenhum com ele. — É o seu casamento. — o sacerdote lembra a ela. — Umm... — Ele olha para a sua Bíblia, como se isso tivesse as respostas para ajudar o casal a consertar seus problemas. — Vamos casar e discutir isso depois. — Alex diz a ela. — Você vai concordar uma vez que você me ouvir. — Nós devemos ser uma equipe e tomar decisões juntos, Alex. Mentir é uma quebra de acordo. Sim! Ela finalmente conseguiu isso. Ele mentiu. Garotos sempre mentem. Eu quero gritar: termine com ele, enquanto você tem a chance! mas eu me contive. — Eu não menti, chica. Eu só atrasei em mencioná-lo por um tempo. Esta não é uma quebra de acordo. Ela cruza os braços sobre o peito. — Talvez seja pra mim. — Case-se comigo, Brittany, porque você sabe que vai acontecer de qualquer maneira. Shelley vai estar com a gente, eu prometo. Isso é tudo sobre ficarmos juntos. Ele fecha a distância entre eles. Sem outra palavra, ele a puxa para si e a beija com os lábios, uma espiada de língua, e... Eu acho que eu ouvi alguns suspiros ofegantes provenientes dos convidados. Ninguém pode tirar os olhos daquele beijo sensual cheio de paixão.

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Não caia nessa! Eu quero gritar, mas eu posso dizer que não adianta. Seu buquê de noiva cai no chão quando ela envolve seus braços em volta de seu pescoço. Eu olho para a garota atrás de mim. A garota Omeudeus está toda sonhadora, enquanto assiste a sessão de pegação. Todas as garotas estão olhando assim. Eu posso apenas imaginar suas mentes correndo, perguntando se terão tanta química com seus namorados / maridos um dia. Com esse pensamento, eu olho para Luis novamente. Ele está olhando diretamente para mim e uma onda de choque passa por mim. Então, o que temos é química. Química milagrosamente não transforma garotos maus em bons. — Eu estou com raiva de você por manter algo importante de mim. — Brittany diz a Alex, apesar que sua convicção definitivamente foi comprometida depois daquele beijo. — Eu sei. — diz Alex. — Eu prometo que não têm outros segredos. — Mas eu tenho. — diz ela. — Enquanto nós estamos derramando nossos segredos, eu poderia muito bem dizer-lhe o meu. — Ela olha para sua barriga e coloca a mão sobre a barriga. Quando ela olha de volta para ele, seus olhos estão vidrados. — Alex, eu estou grávida. Meu estômago se aperta em resposta.

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7 Luis Quando eu me opus ao casamento, eu não sabia que ele iria se transformar no Circo da Família Fuentes. Eu só queria que Alex fosse claro com Brittany. É isso aí. Eu não tinha ideia que a minha futura cunhada estava grávida. Oh homem, vendo o rosto de nossa ma quando Brittany anunciou a notícia foi clássica - seu rosto ficou vermelho. Fico feliz que acabou, no entanto. Brittany disse — aceito — e meu irmão disse: — aceito — e ela não atirou as arras de volta para ele e Brittany Ellis é agora Brittany Fuentes. Meu irmão vai ser pai... cara, eu não posso acreditar. Nem ele. Depois do choque inicial, ele não parou de sorrir e em um certo momento, ele se ajoelhou e beijou a barriga de Brittany sobre seu vestido de noiva. Eu olho através da sala para todo mundo dançando na pista ao luar, se divertindo. Mi'amá vem até mim. Ela ainda está corada, mas eu não posso ter certeza se pela notícia chocante que vai ser avó, pelo fato que vi o meu primo Jorge fazê-la tomar doses de tequila ou se a realização bateu de que ela acabou de casar um de seus três filhos.

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Eu já dancei com todos os meus primos do sexo feminino, pelo menos duas vezes. E com as únicas amigas de Brittany que não trouxeram um acompanhante. Uma garota estava seriamente à espreita e agarrou minha bunda algumas vezes enquanto estávamos dançando. Acho que ela é uma das irmãs da fraternidade de Brittany. Ela não tem ideia de que eu tenho quinze anos, porque ela me perguntou em qual fraternidade eu estava. Olho para Nikki Cruz, a única pessoa que não está se divertindo. Ela está sentada em uma das mesas sozinha. Eu juro que a garota parece que estaria mais feliz fazendo um exame final do que neste casamento. Eu sigo para ela. — Você pode querer pensar em sorrir em algum momento esta noite. — eu digo a ela. — É um casamento, você sabe. Ela olha para mim com os olhos grandes que eu juro que são feitos de seda marrom. É escuro por fora, mas as luzes fazem seus olhos brilhar. — Sorriso é superestimado. — diz ela. — Como você sabe, se você ainda não experimentou? — Eu levo a cadeira ao lado dela e escarrancho-me. — Vamos, eu te desafio. — Vá embora. Ela é amarga e está tentando muito ter um tempo de merda hoje. Cruzo os braços sobre o espaldar da cadeira. — Você sabia que sorrir reduz o nível dos hormônios do estresse em seu corpo, como a adrenalina e dopamina? Sério, até mesmo um sorriso falso vai ajudar. Experimente isso. Ela me ignora, então eu coloco minhas mãos em volta da minha boca e faço algo que não tinha feito em anos - sons da fazenda. Eu começo com a minha imitação de uma ovelha e no final com um impressionante mooooo. As garotas estavam acostumadas com isso, enquanto comiam, quando estava na quinta série. Elas penduravam perto de mim para o entretenimento, que era exatamente o que eu queria na época. Caras que não têm qualquer valor de entretenimento eram ignorados. Eu era um garoto que se recusava a ser ignorado.

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Eu ainda me recuso a ser ignorado. Eu olho para Nikki, enquanto eu estou fazendo os sons, mas tenho zero de reação dela. Nada. Até que ela me faz a varredura para cima e para baixo como se eu fosse uma criatura de outro planeta. — Você é de verdade? — Tão real como eles vêm, mi chava. — Eu paro e seguro sua mão. — Dance comigo. Ela olha minhas crostas e estremece. — O que aconteceu com sua mão? — É uma longa história e envolvendo uma cobra. A cobra venceu. Ela, obviamente, não acredita em mim. — Por que você não dançar com aquela garota ali? — Diz ela, apontando para a garota que fui apresentado chamada Yvette. Ela é um dos filhos de primos da tia de Brittany ou algo parecido. Ela tem cabelos loiros tingidos e um bronzeado falso. Brittany disse que está na equipe de natação na escola e no ano passado ganhou a Estadual nas duzentas jardas nado livre. Grande corpo, mas não é meu tipo. — Você quer que eu dance com alguém além de você? — Sim. — ela diz, arrebitando o nariz bonito no ar como uma princesa. Eu dou de ombros. — Fique à vontade. Qualquer que seja. Se esse é o jeito que ela quer, ela pode se sentar aqui e ser infeliz. Eu olho para a pista de dança. Minha tia Rosalita de trezentos quilos está acenando para mim. A última vez que dancei com ela, ela pisou no meu pé e quase esmagou os ossos. Assim quando estou prestes a deixar Nikki sozinha para se afogar em sua própria miséria, Alex dá um tapinha no meu ombro. Ao lado dele está o Dr. Cruz, pai de Nikki.

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— Alex me diz que você estará tentando a Purdue6 para estudar engenharia aeronáutica depois de se formar no colegial. — Dr. Cruz me diz com o menor indício de sotaque. Eu estou. — Esse é o plano, senhor. — Bom para você. Eu realmente respeito que você está seguindo os passos de seus irmãos e trabalhando duro. — Eu respeito isso, também. — a mulher de pé atrás dele diz. A mãe de Nikki, obviamente. — É admirável. Os garotos que têm vontade e ambição com certeza vão longe na vida. Acho que ouvi Nikki roncar quando eu ganho a aprovação dos pais. Dr. Cruz dá tapinhas no topo da cabeça de Nikki. — Eu vejo que você conheceu minha filha, Nikki. — Definitivamente. Pedi-lhe para dançar, mas... Dr. Cruz praticamente arrasta a filha para fora da cadeira. — Dance com Luis. — Eu não me sinto bem. — ela murmura. — Venha, querida. Pelo menos finja se divertir. — Eu não quero me divertir ou fingir me divertir, pai. — Não seja rude. — ela é repreendida pela mãe, em seguida, pede a ela para mim. — Dance com o garoto. Eu estendo meu cotovelo para Nikki pegar, mas ela leva seu pequeno corpo latino quente para a pista de dança sem esperar por mim. — Boa sorte. — Dr. Cruz fala pra mim. A música rápida está tocando e Nikki começa a dançar com um grupo de pessoas de forma aleatória. Eu vejo quando ela finge se soltar. Eu sei que ela está fingindo, porque ela não está realmente sorrindo... ela não está carrancuda, também. Ela está apenas... aqui. 6

Universidade de Purdue, localizada em West Lafayette, Indiana, é uma universidade norte-americana.

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Eu tento e danço perto dela, vendo como seu corpo se move com a música. Ela não é uma boa dançarina... ela é absolutamente terrível. Ela não pareceu notar que parece ridícula quando empurra seu corpo como um robô em volta da pista de dança. Ela não vai sequer olhar para mim. Na verdade, ela está ocupada passando de grupo em grupo para que ninguém possa reclamá-la como sua parceira. Até uma música lenta começar. Nikki para abruptamente. Estendo a mão para a cintura dela e a incito gentilmente para mim. Estamos cara a cara agora. Ela olha para mim com cílios longos que quase tocam as sobrancelhas e os olhos que eu poderia derreter, se ela me deixasse. Não há dúvidas sobre a eletricidade pulsando através do ar entre nós. Se nós ficarmos juntos, seria explosivo... em um bom caminho. Ela é intimidante, o que é sexy como o inferno. Eu não fico intimidado facilmente. — Hola, corazón. — eu digo e mexo as sobrancelhas para ela. Eu esperava que ela sorrisse. Ou risse. Eu não esperava o joelho dela no meu saco e dizendo: — Foda-se. Que é exatamente o que Nikki Cruz faz.

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8 Nikki Eu não queria dar uma joelhada no saco de Luis. Ok, então isso não é inteiramente verdade. Eu pretendia dar uma joelha nele, isso é o que conta. Eu só não queria fazer isso tão difícil na frente de todos, incluindo a noiva e o noivo. E os meus pais. E sua mãe. E todo mundo que passou pela pista de dança no momento. Enquanto Luis agarrava sua virilha e estremecia de dor, eu me viro e vou para o banheiro das mulheres. Uma corrida é mais parecido com isso. Talvez se eu me distanciar rapidamente, ninguém vai saber que a filha do Dr. Cruz é uma bagunça completa. Sem chance, eu sei. Eu me tranco em um lavabo, pensando em ficar aqui para sempre, se isso significa que não tenho que enfrentar o resto do mundo por um tempo. Após mais ou menos cinco minutos de fingir que não existo e desejando que eu fosse um personagem fictício de um dos jogos de vídeo estúpidos de Ben, acho que o caminho está livre... até ouvir o clique de sapatos de uma mulher e uma batida na minha porta do box . Toc, Toc, Toc. — Nikki, é a sua mãe. — diz ela, seus dedos batendo na porta. — Abra. — E se eu não quiser? Sua resposta é mais batida. Abro a porta devagar. — Oi. — eu digo, forçando um sorriso.

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— Não me dê oi, mocinha. Você envergonhou completamente eu e seu pai lá fora. — Desculpe. — eu disse estupidamente. — Eu não sou a única que precisa de um pedido de desculpas. O que, em nome de Deus, deu em você, Nikki? — Nada. — Se eu disser a ela, então ela saberá sobre o meu segredo. Eu não posso lhe dizer, não agora, quando eu estou tentando descobrir o que fazer. — Eu só... foi um acidente. — Um acidente? — Mamãe pergunta, não está convencida, no mínimo. Ela toma uma respiração profunda. — Eu não sei o que está acontecendo com você, mas ferir as pessoas e envergonhar a si mesma e sua família não é a resposta. Eu sei disso. Mas eu não podia ficar ali, enquanto as mãos fortes de Luis estavam em volta da minha cintura. Eu queria colocar minha cabeça em seu peito e fingir que era o meu cavaleiro de armadura brilhante disposto a vingar minha honra. Mas isso era uma fantasia. Quando ele falou comigo em espanhol, ele me lembrou muito de Marco e o maior erro da minha vida. Eu não tenho nenhum cavaleiro, nem honra. — Eu suponho que você quer me pedir desculpas. Ela acena com a cabeça. — Sim, eu quero. Mais cedo ou mais tarde. Eu vejo quando minha mãe sai do lavabo, me deixando sozinha. Esse é o seu jeito de me deixar fazer o pedido de desculpas da minha maneira, como se ela não estivesse me forçando a fazer isso. Eu fecho a porta e inclino minha cabeça contra a porta do box. Eu sei que estou sendo irracional. Todos os garotos mexicanos não são como Marco, assim como todas as garotas americanasmexicanas não são como eu. Na verdade, a maioria das garotas mexicanas que eu conheço falam espanhol e tem pelo menos alguns outros vizinhos mexicanos. Eu não. Talvez eu tenha julgado Luis duramente, mas, novamente, eu provavelmente me encaixava a ele perfeitamente.

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Ouço a porta abrir e mais tap-tap-tap de sapatos de salto no chão do banheiro. — Omeudeus, eu não posso acreditar que a garota que dançava como uma aberração chutou Luis e deixou-o na pista de dança! — Eu ouço uma das garotas dizer. Eu não chutei. Eu usei o meu joelho, mas não estou prestes a esclarecer o seu pequeno erro. Não agora, pelo menos. — Você conseguiu um vislumbre de seus lábios? — A outra garota diz. — Yum. Eu reviro os olhos. — Eu sei, certo? Eu lhe disse que iria ajudar a curar suas feridas. Vou me encontrar com ele ao longo do cais em cinco minutos. Eu vou trazer de volta um relatório sobre o quão adoráveis seus lábios realmente são. Há uma pausa, então eu espreito através do pequeno espaço entre a porta e paro. A garota Omeudeus está empurrando para cima os seios para fazer o decote sair de seu vestido como nádegas. Ela se vira para a amiga. — Como é que eu estou? Eu tomo isso como minha deixa para sair da cabine e aparecer. Tão logo elas percebem que não estão sozinhas, elas olham para mim, depois uma para a outra. Eu pretendo arrumar meu cabelo e maquiagem no grande espelho ao lado delas. Eu decidi dar-lhes os meus dois centavos. Não porque eles pediram, mas porque elas precisam. — Cuidado com os caras que se parecem com Luis. — eu digo. — Caras que vão usá-la, em seguida, deixá-la quando outra pessoa aparece. A garota Omeudeus coloca a mão em seu quadril e me olha de cima a baixo. — O que te faz pensar que realmente importa? — Eu só estou tentando ajudar. Você sabe, a ligação garota e tudo isso.

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— Solidariedade feminina? — A garota diz, em tom zombeteiro. — Eu não me solidarizo com garotas que dançam como se estivessem tendo uma convulsão. E eu não odeio rapazes, como você obviamente o faz. Sua amiga está rindo agora. A garota Omeudeus se junta a ela. Elas estão rindo de mim, assim como as garotas que estavam em Malnatti na noite em que eu vi Marco beijando Mariana Castillo. Eu não deveria me importar, mas me importo. Eu saio do banheiro, deixando a garota Omeudeus e sua amiga de fofoca por conta própria. Eu não os odeio. Eu sou apenas... cautelosa. Minha mãe me para quando passo por ela. — Será que você já se desculpou com Luis? — Ela pergunta. Eu balancei minha cabeça. — Eu estava prestes a fazer. — eu digo rapidamente, em seguida, tento uma busca falsa por Luis. Ando para cima e para baixo na praia, tomando o meu tempo de voltar para a festa. A ondas lambem contra a costa e o cheiro fresco do ar me traz de volta ao dia em que eu disse a Marco que eu o amava... Na noite em que descobri que estava grávida. Eu faria qualquer coisa para não ver a decepção e horror nos rostos dos meus pais quando descobrirem que sua filha de quinze anos de idade engravidou do ex-namorado que nunca gostaram. Em algum momento eu preciso dizer-lhes a verdade: que fiz um teste de gravidez e deu positivo, mas só de pensar nisso me dá vontade de chorar. Enquanto a festa ainda está forte pela noite, eu me sento em uma rocha longe da praia e olho para a extensão aparentemente infinita de água. Sento-me por um longo tempo, ouvindo a música fraca vinda do casamento. De vez em quando eu recebo uma cãibra no estômago que dói como um louco, mas lentamente facilita quando eu respiro e solto, com respirações suaves e controladas. Chega de mau humor, Nikki. Levante-se e siga em frente... literalmente e figurativamente, uma voz dentro da minha cabeça instrui.

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Eu me levanto e volto para a festa. Quando estou andando e pensando em como vou reunir a coragem de pedir desculpas a Luis, depois ir para casa e ter a temida conversa com meus pais, eu tropeço em algo macio. Eu olho para baixo e percebo que eu tropecei em roupas. Roupas de homem... ou seja, um smoking. Eu olho em volta e vejo duas silhuetas se beijando na água. Luis e a garota Omeudeus. Seu grito chato ecoa pelo ar. Eu posso dizer que ela está com Luis porque... bem, toda vez que eu olhei para ele hoje à noite, a sua imagem ficou gravada no meu cérebro. Mesmo na sombra, eu instintivamente sei que é ele. Eu não posso acreditar que ele pode brincar com a garota Omeudeus sabendo que ela é apenas um caso de uma noite. Eu percebo que estou com raiva de Marco e transferindo minhas emoções para Luis, mas eles são muito semelhantes. Os maus pensamentos estão correndo em minha mente, como pegar seu smoking e deixá-lo sem roupas. Eu não deveria fazer isso. Mas, novamente... Sem realmente pensar a respeito por medo que vou perder minha coragem, eu agarro a jaqueta do smoking de Luis, camisa, calça, cueca e sapatos. Eu tiro a carteira de Luis do bolso e deixo-a na areia. Não adianta deixá-lo achar que roubaram sua carteira, depois de tudo. Eu lanço a roupa atrás de uma pedra e volto para a área da recepção. Eu gostaria de poder ver o seu rosto quando ele tiver que buscar, todo nu, por suas roupas. Deixei-as onde possa encontrá-las facilmente... à luz do dia. Ele vai ter que trabalhar para achar à luz do luar. Sim! Pela primeira vez em semanas, me sinto fortalecida. — Yo, Nik. — diz Ben. — Mamãe e papai foram à sua procura. Estamos prestes a sair. Mamãe e papai fazem suas despedidas a praticamente todos no casamento. Eu estou atrás deles e adiciono o meu educado ‗obrigada‘ a eles, sem uma dica que acabei de esconder smoking do Luis, onde ele não poderia encontrá-lo.

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— O que você estava fazendo na praia? — Ben me pergunta quando eu entro no carro do meu pai. — Desculpando-me com Luis. — eu minto. Obviamente, eu não fiz muito dano à sua região inferior se ele estava enganando cerca de uma hora mais tarde. Meu pai sai do estacionamento, até o caminho sinuoso, passando pela casa onde o casamento foi realizado e depois para a pequena estrada que leva longe de um hotel vizinho, onde os convidados provavelmente estão hospedados hoje. Ben, sentado ao meu lado, está ocupado jogando com algum aplicativo em seu telefone. Olhando pela janela, eu vejo um Luis nu segurando sua carteira ao longo de sua virilha enquanto tentava infiltrar-se no hotel. Ele congela quando passamos, provavelmente na esperança de evitar ser notado. Mas o noto. E ele me observa. Com um sorriso genuíno que não aparece no meu rosto sempre, eu rolo para baixo da minha janela e dou-lhe um pequeno aceno privado. Em vez de estar constrangido, ele deixa cair a carteira e me saúda com uma mão e me acena de volta com a outra. O que significa que ele está totalmente exposto. Não olhe para nada, exceto seu rosto, Nikki. Faça o que fizer, não lhe dê a satisfação de examinar mais abaixo. No final, Luis Fuentes recebe o melhor de mim. Eu não podia deixar de olhar. Seu corpo é mais magro e mais rasgado do que Marco e vê-lo em toda a sua glória, definitivamente mostra suas diferenças. — Estou feliz que você pediu desculpas a Luis. — Mamãe fala tranquilamente quando estamos quase em casa. — Sim. — eu digo a ela.

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Qualquer pequena gota de alegria que eu poderia ter se desvanece quando meu estômago aperta novamente. E mais uma vez. Eu sinto que vou vomitar. A vertigem lava sobre mim e eu fecho meus olhos até que meu pai vira para o nosso caminho. Mamãe vira e franze a testa quando estamos em casa. — Não nos envergonhe assim novamente. Você não é lixo, então não aja como isso. Eu agarro a maçaneta e saio do carro. A dor aguda na minha lateral me faz estremecer. — Eu sei. — eu consegui dizer entre dentes. — Você sabe como agir como uma dama. — diz a mãe. Eu só preciso vomitar, então eu vou ficar bem. Ben já entrou na casa. Eu não posso falar, porque eu tenho medo de perder todo o conteúdo do meu estômago aqui. Mãe suspira de frustração. — Olhe para mim quando eu estou falando com você, mocinha. — Desculpe, mãe. — eu me obrigo a dizer. — Eu estou, apenas... não me sinto bem. Eu ando lá para cima, mas paro quando meu estômago aperta e eu desmaio de dor. Eu chupo uma respiração, não sendo capaz de suportar isso. Parece que algo está me cortando aberta por dentro. — Você está bem? — Mãe pergunta quando ela vem atrás de mim. — O que há de errado, Nikki? — Eu não sei. — Eu olho para ela e sei que não posso mentir mais. Especialmente quando eu sinto um pingo de umidade escorrendo pela minha coxa. Meu coração está acelerado e estou me sentindo fraca. Outra dose de dor corre em mim. Meus joelhos se dobram e eu me enrolo em posição fetal no topo das estrelas, porque dói tanto. — Raul! — Minha mãe grita. Meu pai está ajoelhado ao meu lado em um instante. — Nikki, onde está a dor? — Ele pergunta, assim como um médico faria, mas com uma pitada de pânico por trás de suas palavras. Ele é um cirurgião, mas eu aposto que ele não está preparado para isso.

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Não posso atrasar mais a verdade. Eu não olho para qualquer um dos seus rostos quando choro em um suave sussurro: — Eu estou grávida... e eu acho que algo está muito errado. Agora eu posso ver sangue escorrendo pela minha perna. Os suspiros da mamãe, então segura-se no corrimão de apoio. O meu pai olha para mim com as sobrancelhas franzidas em confusão. Ele está completamente atordoado por um segundo, como se o tempo parasse, mas rapidamente acorda quando a realidade aparece. — Tudo bem. Vamos levá-la para o hospital. — diz ele, não em pânico, mas como um médico com um propósito. Ele me pega e me leva para baixo as escadas enquanto a mamãe chama o vizinho e pede-lhe para vir para ficar com Ben. Meus pais me ajudam a chegar no banco da frente, enquanto a dor aumenta a cada segundo que passa. No carro, a caminho do hospital, eu olho para o meu pai. Eu nunca o vi preocupado ou triste. Quando comecei a sair com Marco quase que diariamente, ele me avisou para ficar longe dele. Esse garoto não é nada além de problema, ele disse um dia, quando voltou para casa, nos encontrando nos amassos na piscina do quintal. Eu não quero você andando com ele. Ele vai trazer-lhe problemas. Mamãe concordou com ele. Eu pensei que eles estavam julgando Marco só porque ele morava na zona sul. Eu estava errada. Olhei para o meu pai. Ele tem um aperto de morte no volante e está focado na estrada. — Eu sinto muito, eu sinto muito, eu sinto muito. — eu digo mais e mais quando a dor fica mais nítida e mais nítida. Ele suspira pesadamente. — Eu sei. — Você me odeia? — Eu prendo a respiração, esperando a resposta.

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— Estou decepcionado com você, Nicolasa. — diz ele, chamandome pelo meu nome formal que ele nunca usa a menos que ele esteja realmente chateado. Ele não diz nada além disso. — Não importa o que, nós amamos você. — a mãe diz encorajadora do banco traseiro. — Como isso aconteceu? Quando? Onde? Nós não perdoamos... — Maria, não agora. — diz o papai para ela. Mamãe deixa suas perguntas, mas elas permanecem no ar entre nós. No hospital, o papai garante que me ingressem imediatamente. Eles fazem todos esses exames de sangue e a especialista, Dra. Helene Wong, pede um ultrassom. Estou tentando segurar as lágrimas, mas não adianta. Após o ultrassom, mamãe segura a minha mão. Ela não diz muito. Acho que ela está com muito medo e chocada para dizer qualquer coisa, por isso ela deixa papai e os outros médicos fazerem toda a conversa. Depois que a Dra. Wong solicita um segundo ultrassom e estou com uma IV, mamãe fica ao lado da minha cama de hospital e meu pai se senta no outro. A médica está em pé ao lado deles com os resultados dos exames na mão. — Você tem uma gravidez ectópica. — diz ela, em seguida, explica por que eu preciso de uma cirurgia de emergência, que eles suspeitam que a minha trompa de Falópio começou a ruptura. A mamãe tem a mão sobre a boca, quando lágrimas caem pelo rosto. Papai acena com firmeza enquanto escuta Dra. Wong. — O que vai acontecer com meu bebê? — Pergunto em pânico. Dr. Wong toca meu ombro. — Não há nenhuma maneira de salvar o bebê. — explica ele. Eu começo a chorar de novo. No segundo que percebi que estava real e verdadeiramente grávida, eu esperava que a gravidez não fosse real. Será que os meus pensamentos negativos fizeram meu corpo rejeitar o bebê? Profunda tristeza e uma montanha de culpa que sei que vou carregar para sempre revolvem em meu intestino.

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Outra onda de acessos de dor e eu seguro meu estômago. Quando meus pais assinam as renúncias, a realidade do que está acontecendo está me fazendo tremer. — Eu ainda vou ser capaz de ter filhos no futuro? — Pergunto a Dra. Wong antes que ela saia da sala, para preparação da cirurgia. Ela acena com a cabeça. — Um tubo está danificado, mas o outro é saudável. Você deve ser capaz de conceber sem muita dificuldade. Após o IV eles estão prontos para me levar para a cirurgia, eu olho para os meus pais. Eu quero dizer algo para eles, mas sei que se eu fizer eu vou explodir em soluços. Mamãe me dá um pequeno sorriso apertado. Ela está desapontada comigo. Eu não a culpo. Papai segura minha mão até que eu sou levada para a cirurgia. — Nós vamos ficar aqui esperando até você sair. A sala de operações é fria e cheira a ar comprimido. Estou sendo ligada a monitores e Dra. Wong me diz que eu vou me sentir sonolenta, enquanto eles colocam algo no meu IV. Quando eu caio em um sono profundo, eu me comprometo a esquecer Marco e esquecer o nosso bebê que nunca teve uma chance. Luis Fuentes me lembrou que eu ainda estou vulnerável. Se eu for emocionalmente indisponível, então não tenho que me preocupar em nunca me machucar. Quando este pesadelo acabar, eu vou ser uma pessoa diferente... Nikki Cruz não será mais vulnerável.

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9 Luis Dois anos e dois meses mais tarde Fairfield, Illinois.

Se você tivesse me dito há duas semanas que eu estaria voltando para Illinois depois de fugir deste lugar quando eu tinha onze anos, eu teria rido. Em todo esse tempo eu voltei a Illinois uma vez, para o casamento do meu irmão há mais de dois anos. Agora eu tenho dezessete e de volta pra melhor. Estou prestes a começar meu último ano. Eu conheço cada professor, cada aluno e cada centímetro de Flatiron High no Colorado, onde fui para os últimos três anos do ensino médio. Se eu tivesse uma escolha, não teria voltado para Fairfield. Mas eu sou mexicano e minha cultura é tudo sobre a lealdade à família. Dever de família nos trouxe de volta. Alex e Brittany estão vivendo aqui com meu sobrinho, Paco. Nós os vimos na noite passada, assim que chegamos. Brittany está grávida novamente, e mi'amá diz que ela não vai perder ver seus netos crescerem. Estamos em pé na frente da velha casa que usamos para alugar. É uma casa de dois quartos, maior do que um barraco, mas menor do que a maioria das casas no meu bloco. É claro que o Sangue Latino não tem uma presença tão grande em Fairfield mais. A marcação pintada

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com spray de edifícios e placas de rua se foi e ninguém mais olha para os carros que passam pela rua, como se eles pudessem ser membros de gangues rivais prestes a fazer um drive-by7. A presença de um carro da polícia estacionado na rua me faz questionar minhas observações iniciais, no entanto. Eu sei porque mi'amá queria voltar e viver nesta cidade, na nossa antiga casa. Não é só porque Fairfield está perto de Evanston, onde Alex e Brittany vivem. É por causa do passado... as memórias de mi papá, ela está desesperada para manter. Eu vejo quando mi'amá coloca a chave na fechadura, dá um grande fôlego, em seguida, abre a porta. Ela enviou um depósito e um cheque de aluguel do primeiro mês, enquanto ainda estávamos no Colorado, por medo de que alguém fosse roubar isso. Eu não lhe disse que não tinha nada para se preocupar, que ninguém estaria na fila para alugar o despejo que costumávamos chamar de lar. Eu estava errado. Estamos na pequena sala de estar e olho, desvio o olhar e olho novamente. O velho carpete rasgado foi substituído por pisos de madeira novos. As paredes foram recentemente pintadas de um branco brilhante. Eu quase não reconheço o lugar. — Luis, olha! — Mi'amá diz quando entra na cozinha e passa a mão sobre os novos balcões de granito e utensílios de aço inoxidável. Ela sorri grande, então me abraça apertado com emoção. — É um novo começo para nós. Uma batida forte na porta da frente ecoa pela casa. — Pode ser Elena. Ela disse que ia parar depois do trabalho. — diz mi'amá, correndo para abrir a porta. Estou prestes a verificar o antigo quarto que usei compartilhando com Alex e Carlos quando ouço mi'amá exclamar: — Posso ajudá-lo, policial? Oficial? Os policiais estão aqui? 7

É o tipo de assassinato (muito comum nos EUA) cometido por gangues que passam num carro atirando a gangue rival.

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A única experiência que eu tive com policiais de Fairfield foi quando meus irmãos começaram a ter problemas ou quando eles nos questionaram sobre a atividade de gangues, quando eu era mais jovem. Quando a maioria de sua família foi membro de gangue, a última coisa que você quer ver é um policial batendo em sua porta. Apesar de Alex estar na pós-graduação e Carlos estar com os militares, velhos hábitos são difíceis de quebrar. Eu entro na sala e olho quando um policial dá um sorriso grande para mi'amá. Ele tem cabelo castanho escuro em um corte militar curto e está em pé, em uma dessas posições de policial que significa que está em serviço. — Eu vi você parar e queria me apresentar. — o cara diz, então estende a mão. — Eu sou Cesar Reyes, o seu senhorio e vizinho de porta. Mi'amá estende a mão para apertar sua mão, em seguida, puxa-a de volta mais rápido, com os olhos na arma presa ao coldre. — Obrigado por se apresentar, Oficial Reyes. — diz ela. — Chame-me de Cesar. — O policial olha para baixo, notando que ela está focada. — Eu não tive a intenção de intimidá-la, Sra. Fuentes. Eu estava prestes a ir para o trabalho e eu não sabia a próxima vez que a pegaria em casa. — Seus olhos dardejaram para mim. — É seu filho? Ela abre mais a porta e dá um passo para trás, então agora estou em plena vista. — Oficial Reyes, este é Luis - o meu mais novo. Reyes acena com a cabeça em minha direção. — Bem-vindo ao bairro. — Obrigado. — eu murmuro, não excitado, de repente de estar vivendo ao lado de um policial que passa a ser o nosso senhorio. — Eu estarei fazendo um churrasco na minha casa domingo à noite. Vocês dois devem subir se tiverem uma chance. Nenhum de nós responde. Ele encolhe os ombros. — Tudo bem. Acho que vou vê-lo por aí, então. — Ele puxa um cartão de visita do bolso da frente e as mãos

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para mi'amá. — Se você precisar de alguma coisa, não hesite em chamar. Ele caminha para o seu carro, em seguida, vai embora. — Fico feliz que acabou. — eu digo. Mi'amá fecha a porta devagar, depois suspira quando ela se inclina contra ela. — Você está bem? — Eu pergunto. — Eu estou bem. Apenas... vamos começar a desfazer as malas. *** No domingo, Alex liga para dizer que conseguiu pra mim uma entrevista no Country Club Brickstone em Evanston, que é vinte minutos a pé da nossa casa. Eu preciso de um emprego para ajudar e disse a Alex para estar atento se ouvisse sobre as inscrições. Meu primo Enrique tem uma funilaria, mas Alex trabalha lá alguns dias por semana e uma vez que a economia está uma merda Enrique não tem trabalho suficiente para dois funcionários extras. Às quatro eu me dirijo para Brickstone. É um lugar enorme com campo de golpe privado de dezoito buracos, piscinas olímpicas cobertas e descobertas e uma sala de jantar exclusiva somente para sócios do clube. O processo de entrevista não demorou muito. Uma senhora, Fran Remington, me chama em seu escritório depois de preencher um requerimento. Ela coloca a mão sobre a mesa e me dá um rápido olhar. — Eu vejo aqui que você é um excelente estudante e estava no futebol e equipes de natação em sua antiga escola. Diga-me, Luis, por que você quer trabalhar aqui? — Acabei de me mudar do Colorado e preciso ajudar a minha mãe com as contas. Tenho aplicações para faculdade em poucos meses e elas custam muito dinheiro. Ela coloca a papelada sobre a mesa. — Aonde você deseja ir na faculdade?

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— Purdue University. Eles têm um programa de aeronáutica. — digo a ela. — Depois da minha licenciatura estou pensando em aplicar para o programa de treinamento de astronautas da NASA. — Você é ambicioso. — Sim, senhora. Ela olha por cima do meu currículo novamente. — Você não tem nenhuma experiência de servir. Eu realmente preciso de um servidor para a sala de jantar. — Eu posso fazer isso. — digo a ela. — Não é um problema. — Nossos membros esperam alimentos de alto nível e o melhor serviço que Illinois tem para oferecer. Eu não tolero quaisquer atitudes ruins, atrasos ou empregados desleixados. Quando os membros entram no clube, são tratados como a realeza por cada pessoa da minha equipe. Nossos membros pagam uma quantidade enorme de dinheiro para fazer parte deste clube. Eles estão exigindo e eu também. — Eu posso lidar com isso. A mulher hesita apenas mais alguns segundos antes de sorrir para mim. — Eu gosto de um homem jovem com ambição como a sua. Mesmo que você não tenha experiência, eu vou te dar uma chance. Você vai começar como ajudante de garçom durante um mês, em seguida, subir para servidor, se você tiver o que é preciso. Você pode começar no sábado. — Obrigado pela oportunidade, minha senhora. — eu digo a ela. — Eu não vou deixar você se decepcionar. — Bom. Está resolvido, então. De volta em casa, acho o oficial Reyes de pé na nossa varanda da frente, vestindo jeans e uma camiseta. Ele tem uma Budweiser na mão e ele está falando com mi'amá. Eu não acho nada, mas o cara tem um grande sorriso em seu rosto e ele apenas tocou seu cotovelo quando ela riu de alguma coisa que ele disse. Oh, cara.

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Eu sei como um cara age quando ele está flertando com uma garota, porque eu faço isso o tempo todo. Não há dúvida em minha mente que o nosso vizinho / senhorio / policial tem tesão por mi'amá. Como raio é que eu vou explicar isso para os meus irmãos?

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10 Nikki Ugh, eu não conseguia dormir a noite passada. É o primeiro dia do meu último ano e eu estou tão pronta para isso. Estou pronta para me formar, sair de Fairfield e começar a minha vida. Eu tomo um banho e me visto, em seguida, desço as escadas para tomar café. — Você está bonita. — Mamãe diz, olhando para os meus jeans e regata de seda turquesa que ela me comprou quando foi fazer compras no centro de Evanston, na semana passada. — Aqui, eu fiz alguns ovos para você e Ben. Meu irmão entra na cozinha, seu cabelo praticamente caindo em seus olhos enquanto lê uma revista de jogos. É o seu primeiro dia do ano de calouro e ele está usando jeans rasgados e uma camiseta que já viu melhores dias. Você acha que ele pelo menos se vestiria para a ocasião, mas não. — Ben, você precisa de um corte de cabelo. — eu digo a ele. — Não, obrigado. — Ben responde distraidamente enquanto lê um artigo sobre um jogo novo de combate saindo com gráficos digitais. Eu só sei disso porque eu vislumbrei o título do artigo, que diz: — Combat Forces II - impressionantes gráficos digitais. — Ben, você percebe que você está no colegial agora, não é? — Então?

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— Então você deve cuidar de sua aparência. Ele coloca sua revista de jogo na mesa da cozinha. — Eu coloquei uma camiseta que não tem buracos. Isso deve contar para alguma coisa. — Ela diz QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ. Ele olha para sua camisa. — Eu sei... legal, certo? Eu olho para minha mãe para apoio neste processo. — Todo mundo tem sua própria definição de legal, Nikki. — diz mamãe. Ben dá à mamãe uma piscadela exagerada. — Você não acha que é hora de dizer à Nikki a verdade - que eu vou ser um milionário por meu próprio mérito, quando eu tiver vinte e Nikki estará, provavelmente, me pedindo empréstimos? Mamãe coloca um prato na frente dele e começa acumulando ovos e torradas para ele. Ela ainda derrama suco de laranja no copo. — A verdade é que é melhor você se sentar em sua bunda e comer seu café da manhã antes que esfrie. — As habilidades sociais contam muito, você sabe. — eu digo a ele. — As habilidades sociais são superestimadas. — meu irmão diz bem antes de ele tomar um enorme pedaço de pão. Mamãe dá a Ben tapinhas no ombro. — Pare de contrariar sua irmã. — Ela faz com que seja tão fácil. — diz Ben, então se recosta na cadeira. — Então, quem quer nomear minha próxima Rainha do Império Dragão no jogo que estou no meio da codificação? — Que tal você chamá-la Nicolasa como a sua irmã? — Mamãe sugere. — Eu preciso de um nome mais difícil do que isso. — Ben diz a ela. — Esta é uma rainha que pode render uma espada e usar cota de malha.

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— Por que não Bertha? — Eu, brincando, sugeri. Eu odeio quando Ben começa a falar de personagens de desenhos animados como se fossem de verdade... Eu odeio mais quando ele me enche e eu realmente valido sua obsessão. — Rainha Bertha? Não, não funciona para mim. — Bem, eu tenho certeza que você vai pensar em alguma coisa. — Mãe pega as chaves. — Ah, eu quase esqueci. Nikki, você não pode levar seu carro hoje. Seu pai levou-o para reparos esta manhã, quando percebeu que estava vazando óleo. Por que vocês dois não vão andando para a escola? Comece o ano sendo ativos em vez de preguiçosos e mimados. — Estou orgulhoso da minha preguiça. — Ben diz, divertindo-se. — E o que há de errado em ser mimado? — Tudo. — Ela se vira, assim quando estou prestes a terminar o último pedaço da minha comida e diz: — Eu vou te dizer que... eu vou levá-los para a escola porque eu tenho que ir trabalhar de qualquer maneira, mas você pode caminhar ou pegar o ônibus para casa. — Ela sorri serenamente. Ter sua mãe a levando para a escola como um sênior? — Se o pai levou meu carro, deixe-me pegar o dele. — Não vai acontecer. — diz ela. — A menos que você as consiga, você nunca esperou se apoderar da chaves do seu Lexus. É uma meta a ser atingida. Ben revira os olhos. — Mãe, Nikki jamais conseguira tudo. — Sim, ela conseguiria. — a mãe diz. Ben ri. — Eu não estou falando de jardim de infância. Eu chuto meu irmão debaixo da mesa. Só porque ele não tenta, mal estuda e recebe tudo não significa que ele tem que ser arrogante sobre isso. — Vou jantar com alguns clientes, esta noite, por isso não vou estar em casa. Estou decorando sua casa usando antiguidades. — Mamãe diz entusiasmada.

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— Divirta-se. — eu digo a ela, sabendo que ela vai. Minha mãe é uma designer de interiores que ama transformar espaços chatos em quartos temáticos que ela chama de — showstoppers eclético. - Cada quarto na nossa casa tem um tema e foi transformado em um eclético desmancha-prazeres após o outro. Minha vida é inundada com quartos temáticos. *** Na escola, Kendall está me esperando nos nossos armários. No final do primeiro ano tivemos que escolher qualquer armário no corredor sênior para o ano seguinte, assim Kendall e eu temos a certeza que nossos armários estavam bem próximos um do outro. Isso foi antes que ela começasse a namorar Derek. Os dois são inseparáveis desde o último dia de aula, quando ele apareceu em sua casa com uma dúzia de rosas e uma música que ele havia escrito sobre ela. Eu não confio em Derek. Eu sei que ele gosta de Kendall, mas também sei que um monte de garotas flertam com ele e ele flerta de volta. Em um momento de fraqueza masculina, ele pode esmagar o coração confiante de Kendall. — Apenas FYI8 — diz Kendall, estremecendo como se ela estivesse prestes a compartilhar algumas notícias ruins. — O armário de Marco fica em frente do nosso. Uma onda de ansiedade corre em mim. — Por favor, me diga que você está mentindo. — Eu desejaria que estivesse. Depois que terminamos, Marco entrou muito fundo com o Sangue Latino. Eu sei que ele está vendendo drogas e se metendo em muitas brigas. Algo aconteceu no ano passado com o cara que dirigia o grupo e a presença SL no lado sul de Fairfield foi quebrada. Ouvi que Marco começou a sair com outras gangues, além do SL. Ele está ficando fraco e mais resistente. Eu costumava pensar que ele tinha um exterior duro, mas era doce, uma vez que você realmente começa a conhecê-lo. Marco não é nada doce agora.

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For your information, que em português significa — para sua informação — .

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Derek está andando pelo corredor, indo direto para nós. É claro que ele é parado por praticamente todo mundo que invoca seu nome. As garotas estão enamoradas por ele porque ele é ridiculamente lindo com cabelos loiros, o rosto de um modelo e um corpo bem esculpido. Caras gostam de gente como ele, porque ele é um grande atleta. Como um estudante de segundo ano, ele deixou os campeonatos estaduais no tênis. Quando ele machucou o ombro antes do primeiro ano, decidiu que não queria jogar tênis e em vez disso foi para o time de futebol. Ele foi eleito o MVP 9 do ano passado, no final da temporada, o que não surpreendeu ninguém. Derek está ao lado de Kendall, mas ela vira as costas e finge estar interessada em algo em seu armário. — Eu não posso acreditar que você ainda está com raiva. — diz Derek. Kendall empurra livros em seu armário. — Eu não estou com raiva. Você pode ir para a faculdade que quiser, Derek. Você não tem que me conseguir a permissão para se aplicar para o leste. Ele põe a mão na parte inferior das costas e inclina-se para ela. — Por que sequer você vai olhar para as escolas Ivy League? — Porque elas não estão no Centro-Oeste. — ela diz a ele. — Você quer ir para longe de casa, tudo bem. Eu não posso. Kendall não está dizendo isso, mas ela está empenhada em ficar perto de Fairfield para a faculdade, porque sua mãe foi diagnosticada com câncer no ano passado. Ela passou pela quimioterapia e os médicos dizem que ela está em remissão, mas Kendall não quer ficar longe. — O que você está dizendo, que se eu for para a faculdade do leste, está tudo acabado entre nós? — Pergunta Derek. — Eu não sei. Eu decido dar minha opinião na discussão para checar a realidade. — A porcentagem de casais que ficam juntos após o ensino médio é, assim, menos de cinco por cento. 9

Most Valuable Player, que em português significa — jogador mais valioso — .

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— Obrigado pelo voto de confiança, Nikki. — Derek diz sarcasticamente. — Basta ser realista. — digo a ele. — Não há necessidade de ter vocês vivendo em Fantasy Land10. — Eu espero que você nunca vá a Disney World. — Derek diz para mim. — Você provavelmente vai dizer a todas as criancinhas lá que Mickey Mouse é apenas um cara com uma fantasia. — Provavelmente. — digo a ele. Kendall suspira. — Derek, deixe Nikki fora disso. Ela está apenas me protegendo. Derek balança a cabeça, frustrado. — Droga, Kendall. Quando você vai perceber que você não precisa de proteção contra mim. — Nikki é minha melhor amiga. — E eu tenho que ser seu namorado. — Derek vai embora com um olhar amargo no rosto. Kendall se inclina a cabeça contra seu armário. Eu sei que ela está com medo. Ela estava com medo de perder a mãe dela e agora ela está com medo de perder Derek. Eu sei sobre estar com medo, é por isso que eu digo as coisas como elas são. Sim, Derek pode deixá-la por outra garota. Ou ir para uma faculdade longe e esquecer o quanto ele a ama. Ou talvez ele tenha mentido para ela sobre o quanto ele se preocupa com ela. Essa é a realidade. Derek pode até pensar que ele está sendo sincero... mas por quanto tempo isso vai durar? — Ele me odeia. — digo a ela. — Não, ele não odeia. — Ela se vira para mim. — Ele acha que você é excessivamente cínica. Assim que ela diz a palavra cínica, eu ouço uma velha voz familiar falando em espanhol, ecoando pelo corredor. Marco. Só de ouvir o profundo estrondo da sua voz que costumava me fazer sorrir de orelha a orelha... Agora, sua voz é como unhas em um quadro-negro.

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Terra de fantasias

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Olho para Kendall. Ela toca meu braço com simpatia. — Ignore-o. — ela aconselha. Claro que vou ignorá-lo, assim como eu fiz nos últimos dois anos. Ele mudou demais e eu também pretendo arranhar meu queixo com o meu ombro enquanto eu espreito pelo corredor em seu armário. Marco está falando com um cara que parece familiar... Espere. Um. Segundo... Não, não pode ser. É Luis Fuentes, o cara cujas roupas eu escondi quando seu irmão se casou anos atrás. A última vez que o vi, ele estava nu. Isso foi há muito tempo, eu aposto que ele não se lembra de mim. Lembro-me dele, no entanto. Ele é o garoto que me lembrou que eu era vulnerável. Na noite em que o conheci me tornei cínica. Olho novamente. Oh, não. Ele está olhando diretamente para mim.

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11 Luis Olhos exóticos. Cabelo castanho ondulado. Uma atitude arrogante. Mais velha, mas ela ainda tem um quê de — anjo no limite — na aura sobre ela. Eu reconheceria essa garota em qualquer lugar. Eu poderia achála em uma multidão de milhares de garotas. Ela negou seu sangue mexicano, dançava como um robô e me humilhou, tudo na mesma noite. — Essa é Nikki Cruz, ¿verdad? — Pergunto a Marco, um amigo meu da escola. É meio estranho como se nunca tivesse ido embora. Eu nunca percebi o quão profundo minhas raízes estão nesta cidade, embora eu tenha saído de Fairfield por quase seis anos. Eu vim para a escola esta manhã e tenho a minha agenda do escritório da frente. Assim que entrei para ir ao meu armário, fui reconhecido por um grupo de velhos amigos com que eu costumava sair. Marco olha para a garota, então concorda. — Como você conhece Nik? — Eu a encontrei alguns anos atrás no casamento do meu irmão. — Não há necessidade de entrar em detalhes sobre como ela escondeu minhas roupas e se afastou para me deixar com a garota excessivamente agressiva que eu estava nadando nu naquela noite. — ¿Cuál es su historia? — Pergunto a ele.

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— Sua história é que ela é podre de rica e tem um corpo feito para foder. — diz Marco. — Ela é uma puta. Mantenha sua bunda longe daquela pocha se quiser manter a sanidade. Olho em sua direção e nossos olhos se encontram. Será que ela se lembra de mim? Enquanto Marco fala com uns caras, eu mantenho meus olhos em Nikki. Ela rapidamente transforma o olhar, diz algo em particular para a garota alta e loira em pé ao lado dela, em seguida, joga o cabelo para trás e ambas pavoneam pelo corredor sem olhar para trás. As duas primeiras aulas passam voando, é legal rever velhos amigos que pensei que nunca mais veria novamente. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Marco está pendurado com os outros garotos fora da escola. Ninguém tem que falar sobre sua filiação na gangue - é óbvio. A maioria das famílias que viviam na minha região estão ligadas. Alguns ainda estão. O lado sul da Fairfield não pode ser repleto de membros de gangues ativos mais, mas ainda somos as crianças pobres na escola. As escolas de ensino fundamental e médio não foram integradas, mas a escola fundiu todas as escolas de ambos os lados Fairfield em um caldeirão multicultural. A primeira vez que percebi como as coisas são diferentes aqui do que em Boulder é quando temos que nos trocar para a aula de ginástica. — Você está sentado no meu lugar, Mex. — um cara branco musculoso me diz quando sento em um banco no vestiário depois de ter sido entregue meu uniforme do ginásio uniforme. — Mexa-se. Eu não consigo evitar e uma risada escapa da minha boca. — Mex? Você acabou de me chamar de Mex? — Você me ouviu. Agora vá sentar sua bunda imigrante suja em outro lugar. Ao contrário dos meus irmãos, eu não gosto de lutar e eu não vou querer começar uma agora.

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Eu casualmente tiro os sapatos e me lembro de que não vale a pena ser expulso por esse cara. Porém, não vou deixá-lo me intimidar. — Desculpe dar a notícia a você, gringo — , digo a ele. — Mas não vou me mexer. É o primeiro dia de escola. Você não tem um 'lugar' ainda. Outros caras começam a empilhar no vestiário. Gringo bate o punho forte no vestiário logo acima da minha cabeça, fazendo com que todos olhem em nossa direção. — Eu estou avisando. — ele rosna com os dentes cerrados, então chuta meus sapatos do outro lado da sala. Eu reviro os olhos. Ele quer que eu dê o primeiro soco para que seja o único a ficar em apuros. Ele não tem ideia de que eu tenho a paciência de um santo. Pelo menos é o que diz Carlos, apesar de não dizer muito, considerando que a sua é quase tão curta quanto um cílio. Pedro, um cara que morava do outro lado da minha rua desde antes de nos mudarmos, se movimenta na parte traseira do vestiário. — Ah, Dejalo y muévete. — ele me diz. Em outras palavras, evite o conflito. — Ouça o seu amigo. — diz Gringo, então pega minha camiseta e tenta me empurrar para longe de seu precioso lugar. Não vai acontecer. Eu empurro de volta. Ele não espera, porque seu corpo bate forte contra os armários. Ele perde o equilíbrio e cai de bunda no chão com um baque. — Eu vou chutar o seu traseiro porra! — Ele grita. Ele está prestes a carregar todo o seu peso contra mim, quando um de seus amigos está entre nós. — Dougan, relaxe. Sério, cara, não vale a pena ser chutado para fora da equipe. Dougan olha-me antes de virar as costas e caminhar para outra linha de armários com seus amigos seguindo atrás dele. Eu me sento e tomo uma respiração profunda. Eu não estou em Boulder mais, tenho certeza absoluta.

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Todo mundo que tem intervalo para almoço no quarto período vai para o refeitório ao invés de sair para comer fora. O pátio está cheio de alunos. Os moradores do sul sentam sob as árvores, enquanto os do norte se reúnem nas mesas de piquenique, como se elas fossem feitos pessoalmente para eles. Percebo Nikki sentada com um grupo de atletas, todos competindo por sua atenção. Ela sorri para eles e ri de suas piadas, mas posso dizer que ela está sendo falsa. Nenhum deles está segurando sua atenção por muito tempo. Sento-me ao lado de meus velhos amigos debaixo de uma árvore de bordô grande. — Então, o que você tem feito, Fuentes? — Pedro pergunta quando alcança um saco de papel pardo e puxa seu almoço. — Além de irritar Dougan no vestiário. Eu dou de ombros. — Vivi no México por um tempo. Em seguida, me mudei para o Colorado. — O que fez você voltar a esta merda? — Pergunta Marco Delgado. Ele se senta na minha frente e eu pego um vislumbre de um canivete que espreita fora de sua meia. — Familia me trouxe de volta. — eu lhes digo. — Falando de familia — diz Marco. — Seu irmão Alex costumava ser um Sangue, não era? Concordo com a cabeça. Eu seria um idiota para não pensar que o assunto viria mais cedo ou mais tarde. Meu irmão era um membro ativo do Sangue Latino, até que traiu Hector Martinez. — Chuy foi preso um tempo atrás. A maioria das OGs foram enviados para o DOC — explica Delgado. O DOC - também conhecido como o Departamento de Correções. — Eu ouvi. Chuy costumava ser o segundo no comando. Uma vez que Chuy caiu, o resto das OGs desceu com ele. Meu primo Enrique quase foi

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junto, mas Alex o ajudou a conseguir um bom advogado que tem o caso contra ele arquivado. — Você acha que Alex tinha algo a ver com a prisão? Alex, responsável por derrubar o Sangue Latino? Acho que não. — Meu irmão não é um x-9. — eu digo. Orgulho dos Fuentes é mais profundo e eu vou fazer de tudo para proteger os meus irmãos e meu nome de família. — ¿Comprende? Marco concorda. — Eu não tenho nenhum problema com ele. Está tudo bem, cara. Mariana Castillo, a garota que cada indivíduo tinha uma queda na segunda série, fica com a gente. Um grupo de garotas seguem seu exemplo. Mariana sempre foi a líder das garotas... o que ela faz, as outras garotas seguem. Ela tem uma aparência impecável, pernas longas, lábios grossos e um brilho nos olhos que revela um espírito cru e cruel. — Bem, bem. Eu acho que os rumores são verdadeiros. — ela me diz. — Luis Fuentes definitivamente cresceu. Marco ri. — Eu acho que você tem um fã-clube, Luis. — Você deve sair com todos nós no sábado à noite. — diz Mariana. — Eu tenho que trabalhar. — digo a ela. — Isso é péssimo. E se nós... A voz estridente ao longo dos alto-falantes espalhados por todo o pátio a corta. — Luis Fuentes, se dirija ao escritório do diretor Aguirre imediatamente. Luis Fuentes, dirija para o escritório do diretor Aguirre imediatamente — a voz grita novamente apenas no caso de que, por algum motivo milagroso, eu não tenha ouvido na primeira vez. Marco solta um assobio. — Em problemas com Aguirre, no primeiro dia de escola, Fuentes? — Pergunta ele, divertido. — Ele provavelmente foi alertado que somos amigos de novo na escola. Entrou em nossa quota de problemas, não foi?

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— Claro que sim. — Marco e eu estávamos na mesma sala de aula e nos sentamos um ao lado do outro praticamente em todas as aulas. Eu sempre rendi boas notas, mas Marco sempre poderia me convencer a ser seu parceiro no crime. — Será que você foi chamado, também? — Pergunto-lhe. — A primeira coisa nesta manhã. Aguirre é um osso duro de roer e vai tentar assustá-lo a jogar pelas suas regras. Ele vai tentar levá-lo a falar, mas mantenha a boca fechada. Isso vai irritá-lo totalmente. É hilário ver o seu rosto ficar todo vermelho. — Eu aposto que isso tem a ver com essa briga com Dougan no vestiário. — Pedro entra na conversa. — Boa sorte. — diz Mariana. — Obrigado. — eu disse, esperando que eu não precisasse disso. Encontro a recepção alguns minutos depois. Uma mulher idosa por trás da recepção parece esgotada quando os alunos impacientes ficam em volta, solicitando mudanças no cronograma de aula ou se inscrevendo para os compromissos com o orientador. Acho que vou esperar na fila em vez de anunciar minha chegada. Eu não estou olhando para a frente para enfrentar Aguirre. Marco não foi o único que declarou que ele é um osso duro de roer. Meus irmãos me avisaram que seu antigo diretor não faz prisioneiros. A porta se abre para o escritório de Aguirre e um cara alto vestindo um terno e gravata aparece. — Fuentes. — ele gritou acima do barulho. Ele varre a sala até seus olhos fixarem nos meus. Ele não parece feliz em me ver. — Em meu escritório. — ele ordena. Eu faço meu caminho através da multidão. Aguirre está segurando uma pasta de documentos com o meu nome escrito nele enquanto se senta na borda da mesa. — Venha, Luis. Sente-se. Sento-me em uma de suas cadeiras de visitantes e olho ao redor da sala. Recordação da Fairfield High School está espalhado nas paredes, bem como imagens de Aguirre com alunos antigos. Um

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jogador de tênis, um quarterback da NFL e uma âncora são algunas das fotos postadas dos ex-alunos. Impressionante. Eu me pergunto se daqui a dez anos eu estarei em uma foto com Aguirre que é permanentemente exibida em seu escritório. Não agora, no entanto. Agora Aguirre está olhando para mim com um misto de irritação e raiva. — A última vez que tive um Fuentes chamado em meu escritório era seu irmão Alex. Ele era um ímã para problema. — Ele dá um tapa no meu arquivo sobre a mesa. — Eu achava que seria diferente, Luis. Você era um excelente estudante em Flatiron High. A escola é classificada como a segunda melhor escola no Colorado para acadêmicos. Você estava na sociedade da honra, ativo em conselho estudantil, jogava futebol e foi co-capitão da equipe de natação. Concordo com a cabeça. — Sim, senhor. Ele se inclina para a frente. — Então, por que diabos você está entrando em brigas no vestiário? Eu dou de ombros. — Eu não sei. Aguirre deixa escapar um profundo suspiro. — Se eu tivesse um dólar cada vez que eu ouvi um aluno dizer que eu não sei, eu seria um milionário. Não, um bilionário. Eu tenho uma política de tolerância zero. Seja qual for a briga que aconteceu entre você e Justin Dougan no vestiário se tornou o meu problema. Você quer saber o que eu faço com os meus problemas? Eu não respondo. Ele se inclina para frente novamente e fala com uma voz calma e lenta para capturar minha atenção. — Meus problemas conseguem uma detenção. Depois vem a suspensão. Três ataques e você está expulso. Quando ele pega uma folha azul da sua mesa e a entrega para mim, eu engulo em seco. Minha primeira detenção. Eu não posso, não importa o quê, levar mais duas detenções. Mesmo que isso signifique ser chamado de Mex pelos próximos nove meses.

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— Será que isso vai para meu arquivo permanente? — Eu pergunto, olhando para a ofensiva folha azul. — Temo que sim. Merda. Eu brevemente tenho uma visão de invadir a secretaria da escola, no meio da noite e fazer a detenção desaparecer. Nos filmes as pessoas arrombam escritórios e roubam arquivos o tempo todo. Seria definitivamente uma descarga de adrenalina, especialmente se eu fosse capaz de retirá-la. — Agora saia daqui. — diz Aguirre. — Eu não quero ver a sua cara de volta em meu escritório a menos que seja para me dizer que você está no quadro de honra. Mantenha sua cabeça em seus livros e nós vamos conviver muito bem. — É isso? — Pergunto a ele. — Não. — Ele sorri e abre os braços bem abertos. — Bem-vindo a Fairfield High. 76


12 Nikki Luis estava conversando com Marco e Mariana, quando foi chamado ao escritório do Dr. Aguirre. Ele caminhou com confiança e propósito para fora do pátio e eu me encontrei tendo um momento difícil de tirar meu olhar dele, até que estivesse fora de vista. Espero que ele não se lembre de mim, apesar de eu ter uma sensação estranha na boca do estômago que ele não se esqueceria do nosso encontro no casamento do seu irmão. Como poderia? A última imagem que tenho é dele acenando para mim... nu. Ele parecia ridiculamente quente na época e ele ainda tem a arrogância. Apenas da maneira como ele anda posso dizer que ele sabe que ele é um daqueles caras com o fator — it — . No pátio, as garotas estavam olhando para ele. Ele balançou a cabeça e sorriu para cada garota que olhou para ele. Marco estava flertando com as garotas junto com ele, como se fossem um time com o mesmo propósito. A próxima vez que eu vejo Luis, é no último período do dia. Química com a Sra. Peterson. Luis parece divertido quando ele entra na sala de aula e me encontra sentada na fileira de trás com Kendall e Derek. Quando a professora grávida anuncia que ela atribui parceiros e nós vamos estar sentados em ordem alfabética, meu coração começa uma corrida. Meu sobrenome começa com um C e começa a de Luis com um F. Entro em pânico, por que poderíamos ser designados como

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parceiros, até que a Sra. Peterson chama: — Mariana Castillo, está em parceria com Nikki Cruz. Oh, não. Mariana e eu só temos uma coisa em comum: os nossos pais nasceram no México. É isso aí. Mariana Castillo me odiava quando Marco e eu namoramos, como se eu tirasse sua propriedade. As poucas vezes que Marco e eu saímos com seus amigos, ela sempre me encarava e se certificava que nenhuma das outras garotas do lado sul gostassem de mim. Eu era uma pária em seu grupo, mas enquanto eu tinha Marco ao meu lado, não me importava. Mesmo que Marco e eu não estejamos mais juntos, Mariana ainda me odeia. — Eca. Como é que eu vou ficar com a falsa Latina? — Mariana murmura. — Não há nada falso em mim, Mariana. Você tem um problema comigo, vai falar para Sra. Peterson. Mariana ondeia sua mão no ar. — Sra. Peterson, Nikki e eu não podemos ser parceiras. Peterson para e olha para Mariana. — Sim, você pode e sim, você vai. Acredite em mim, senhorita Castillo, recebo reclamações a cada ano e nem uma vez eu mudei os parceiros. — Mas... — Feche a boca ou você vai ter uma detenção. Mariana fecha a boca, mas zomba de mim quando a Sra. Peterson vai descendo o resto da lista. Luis é atribuído à mesa em frente a nossa. Derek é atribuído como seu parceiro. Eu tento não fazer contato visual com Luis, mas me vejo olhando para cima. Nossos olhos se encontram por um breve segundo antes que a Sra. Peterson bater na mesa do laboratório Luis. — Então eu vejo que eu sou abençoada com mais Fuentes na minha classe. — diz a professora. — Seu irmão Alex foi um dos meus mais... desafiadores alunos. Acho que eu deveria lhe dar a mesma palestra que eu dei o seu irmão, Sr. Fuentes. Sem falar a menos que

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seja tempo de laboratório e mesmo isso não é suposto ser usado para conversas e fofocas. É para o trabalho. Entendeu? — Entendi. — diz Luis, dando-lhe um arrogante polegar para cima. — Vamos esperar que você seja melhor do que o seu irmão em seguir as direções. Oh, e isso me lembra... — Ela considera o resto da classe. — Eu tenho uma política de tolerância zero. Sem telefones celulares, nem mesmo que seja uma situação de emergência dos seus pais, seus amigos, seus namorados ou namoradas, seu cão ou até mesmo Deus. Eles podem ligar para a secretaria se for importante o suficiente. Além disso, nenhuma roupa de gangue — diz ela, olhando diretamente para Luis e em seguida, olhando para o resto da classe — e sem ameaças contra qualquer estudante ou você estará fora da minha classe permanentemente. Tenho detenções prontas para distribuir para quem não seguir as minhas regras. Agora, dê cinco minutos e se apresentem para o seu parceiro. Diga-lhes coisas interessantes sobre si mesmo, incluindo seus hobbies ou o que você fez durante o verão. Então você vai apresentar o seu parceiro para a classe. — Eu não posso acreditar que eu tenho uma parceria com você. — Mariana murmura. — O sentimento é mútuo. — murmuro de volta. Mariana pega seu notebook e se volta para a primeira página. — Então fale, para que eu possa escrever algo e não ser chutada para fora da classe. Eu sei que você é uma vadia rica que costumava sair com Marco Delgado até que ele terminou com você. Qualquer outra coisa que eu deveria compartilhar com a classe? — Basta dizer a classe que eu ajudo cães com deficiência a serem adotados. — Sério, isso é esquisito. — Mariana diz com uma careta. — Você diz a classe que eu tenho cem mil opiniões sobre o vídeo do YouTube que fiz. — Fazendo o quê? — Eu pergunto, me perguntando se ela fez um ato de strip-tease. Ou talvez fosse um vídeo de instruções sobre como

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fazer corretamente um bong hit 11 . Tenho certeza de que o nome de Mariana não estava em uma petição contra as drogas que algum calouro repassou no ano passado para o seu projeto de serviço comunitário. — Eu canto e danço... melhor do que você, tenho certeza. Escrevo esse pedaço de informação para compartilhar com a classe quando for minha vez. Mal sabe ela que dançar melhor do que eu não é tarefa difícil. Luis introduz Derek, então Derek fala sobre como Luis se mudou do Colorado mas morava em Fairfield, quando ele era mais jovem. Após as apresentações, há tempo de sobra, então Sra. Peterson nos leva em uma turnê no laboratório. Ela nos diz que foi atualizado durante o verão e explica por que há um chuveiro na parte de trás da sala. — No ano passado tivemos um... incidente com alguns dos meus alunos que não ouviu as minhas instruções. Vamos apenas dizer que a diretoria da escola decidiu que a instalação de lavagem em uma área de produtos químicos perigosos pode ser necessária. Nenhum de vocês nunca deve precisar deste chuveiro, mas se por qualquer motivo, qualquer um de vocês receberem um produto químico em sua pele e você estiver com uma reação, lave-as imediatamente. Você não precisa levantar a mão e pedir permissão. Enquanto estamos de pé em frente ao chuveiro, meu telefone começa a vibrar. Porcaria. Está no meu bolso de trás. Eu esqueci completamente de desligá-lo. Como se isso não bastasse, ele toca tão alto que agora todo mundo está olhando para mim. Eu ignoro isso, esperando que a Sra. Peterson não perceba que é meu e rezando para que transfira a chamada para o correio de voz antes do próximo toque. — É melhor desligar isso. — Kendall murmura no meu ouvido. — Rumores dizem que Peterson tem uma coleção de telefone celular que vale milhões. Tarde demais. 11

Imalar fumaça de um bong ( um aparelho utilizado para fumar qualquer tipo de erva, normalmente cannabis, tabaco e derivados)

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— Srta. Cruz? Eu aperto meus olhos fechando por um momento, desejando que pudesse magicamente me transplantar para outra sala de aula. — Sim. — eu respondo humildemente. Sra. Peterson está em pé na minha frente agora. — Vá em frente, atenda. Hesito. — Tire seu telefone do bolso e atenda. — ela ordena novamente. — Antes que eu entre em trabalho de parto, por favor. Eu deslizo-o para fora do meu bolso e pressiono o botão de resposta, quando, para meu horror completo, Sra. Peterson faz movimentos para que eu entregue o telefone para ela. Ela coloca na sua orelha. — Alô, este é o telefone de Nikki. — diz ela para o receptor como se ela fosse minha secretária pessoal. Ela cobre o bocal e sussurra em voz alta para que todos possam ouvir: — É Dara da Razzle Salon, confirmando seu biquíni e a sessão de depilação para sobrancelha. — Pausa. — Aqui é a Sra. Peterson, professora de química da Nikki. — Pausa. — Dara diz que está atrasada, por isso ela está ligando para ver se você pode chegar a seis em vez de quatro hoje. Eu sinto meu rosto ficar vermelho e quente quando os comentários e risadas ecoam pela sala. — Isso é bom. — eu digo com voz fraca. Sra. Peterson coloca o telefone de volta na sua orelha e diz, — Dara, seis horas vai ser perfeito. Okay. Sim, com certeza vou deixá-la saber. Tenha um dia fabuloso, também. Tchau. Ela desliga o telefone, em seguida, vai até a mesa e o coloca dentro de uma das gavetas. Peterson deixa escapar um exagerado e pesado suspiro. — Eu acho que uma vez que é o primeiro dia de aula eu vou ser agradável e dar-lhe uma opção. Ou eu fico com o telefone ou você pode ficar na detenção depois da escola hoje.

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Esse é o seu ser agradável? Como é quando ela está sendo má? Eu passei três anos na escola sem conseguir obter uma folha azul da detenção. — Eu realmente pensei que estivesse desligado. — eu digo, esperando que ela vá mostrar um pouco de compaixão. Ela aponta para sua expressão impassível. — Olha como eu me importo? Tolerância zero. Você deveria ter desligado antes de vir para a aula. Ou, melhor ainda, deixasse em seu armário. Ou em casa. É a política da escola manter seus telefones desligados por completo durante a aula, Sra. Cruz. Não em vibrar e não ligado para o modo silencioso. Você é uma sênior. Você já teve três anos para memorizar o manual da Fairfield High School. Memorize o manual? Pelo seu tom sério, acho que ela espera que eu memorize o manual escolar. — Vou levar uma detenção. — eu digo assim que a campainha toca. Enquanto todos saem da classe, eu espero pela Sra. Peterson para preencher a folha de detenção. Ela a entrega para mim, junto com o meu telefone. — Não deixe que isso aconteça novamente. — diz ela. — Ou eu e você não vamos nos dar bem. Eu não menciono que não estou me sentindo particularmente otimista sobre nós sempre nos dando bem. — São medidas rígidas. — ela fala pra mim quando saio de sua sala de aula. Eu diria que é outra coisa, mas não faço disso um hábito, irritar os professores, então eu mantenho minha boca fechada e vou para o meu armário. Kendall está de pé na frente dele, esperando por mim. Ela pega a detenção da minha mão e olha para as palavras ofensivas escritas na caligrafia da Sra. Peterson. — Eu realmente não posso acreditar que a mulher lhe deu uma detenção no primeiro dia da escola. Peterson é brutal. Quer que eu espere por você? — Não, mas obrigada. — Meu irmão está caminhando em direção a nós, me lembrando de que nós deveríamos ir caminhando juntos para casa. — Eu tenho uma detenção, por isso não posso ir com você. — digo a ele.

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— Você tem uma detenção no primeiro dia de aula? — Pergunta ele, completamente chocado. — Eu não achava que fosse possível. — É, quando você tem a Sra. Peterson como professora. — eu digo. — Eu vou dar-lhe uma carona para casa. — Kendall diz a Ben. — Mas você não pode falar sobre matar dragão como se fosse um esporte real. Ben concorda, embora eu tenho certeza que ele está chateado que não pode falar de matar dragão com ela. Eu sinto pena do meu irmão por não ter muitos amigos que compartilham o seu amor de jogos. Ele é muito popular online, mas as pessoas com que ele joga são anônimos... eles não são amigos de verdade. Depois que saem, eu me resigno ao fato de que não posso atrasar o inevitável. Eu vou para o refeitório, que funciona como sala de detenção depois da escola. Tenho quase certeza que eu vou ser a única lá dentro. Mas quando entro no refeitório e me entregam uma lista de presença do Sr. Harris, um professor de ginástica, vejo que não estou sozinha. Justin Dougan, vestindo sua jaqueta letterman 12 mesmo que esteja muito quente do lado de fora, para qualquer coisa mais pesada do que uma camiseta, está sentado na parte de trás com a cabeça apoiada em cima da mesa. Ou ele está dormindo ou fingindo não se importar que ele está preso nesta sala, que se deve fazer nada além de ser silencioso e fazer lição de casa por uma hora. Há uma outra pessoa na detenção comigo - Luis Fuentes. Sento-me na mesa de almoço vazia atrás dele, me perguntando o tempo todo como ele conseguiu ficar em apuros. Eu olho de volta para Justin, e isso não parece mais tão impossível. Justin não é exatamente conhecido por ser o melhor garoto na escola. Ele deve ter provocado Luis. E Luis deve ter revidado.

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A jaqueta letterman é geralmente feita em tecidos das cores oficiais da escola, que alunos, geralmente da equipe de futebol americano, usam.

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Lutas não são permitidas no Fairfield High sem consequências. Nem chamadas de telefone celular durante a aula são. Sento-me por meia hora, na tentativa de estudar porque alguns professores não acham que o primeiro dia de aula é para ser um dia de folga. Eu me forço para olhar para o meu livro de matemática, mas não consigo me concentrar e estou totalmente perdida. É porque Luis está aqui. Estou muito consciente de sua presença na sala, e isso está me distraindo. — Ei, Nikki. — Luis sussurra. Eu olho para cima e percebo que o Sr. Harris caminhou para fora da sala. — O quê? Luis desliza para fora do banco da cafeteria e atravessa direto na minha frente. — Nós realmente não tivemos a oportunidade de falar na classe de Peterson. Lembra de mim, de alguns anos atrás? — Ele pergunta. Eu balancei minha cabeça. — Não. — eu minto. Ele põe a mão no peito dele. — Luis Fuentes. Eu te conheci no casamento do meu irmão. Como se eu fosse esquecer. Eu gostaria de não lembrar de Luis Fuentes e seu arrogante e irritante sorriso. Ou o fato de que ele foi nadar nu com uma garota que conheceu depois de flertar comigo. Ele está olhando para mim, com a cabeça inclinada para o lado, avaliando minha resposta. Eu desvio o olhar. Então olho para ele. Ele tem arqueada uma sobrancelha interrogativamente. Não adianta, porque ele vai saber a verdade, mais cedo ou mais tarde. Eu não posso manter a farsa por mais tempo. Eu dou de ombros. — Ok, eu lembro de você. Feliz agora? Ele casualmente apoia um pé sobre o banco e eu posso imaginá-lo sendo um modelo em um ensaio fotográfico que está fazendo pose. — Você ainda é amarga porque nunca chegamos a isso naquela noite?

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Você não tinha que roubar minhas roupas para dar uma olhada na mercadoria, você sabe. — Eu não roubei as suas roupas. Eu apenas as escondi. E eu não me lembro de ter visto o seu... — Eu faço um gesto para a área geral de sua virilha. — Não foi memorável, obviamente. Mas foi. Eu tenho repetido muitas vezes a imagem dele, em toda a sua glória, não parecendo nem um pouco inseguro ou envergonhado da sua nudez. Eu me odeio por lembrar dele e tudo o que ele me disse naquela noite, em detalhes. O início de um sorriso puxa seus lábios, porque ele sabe. Ele sabe que eu me lembro daquele momento tão claramente como ele. Luis salta de volta ao seu lugar original quando Sr. Harris caminha de volta para sala. — A propósito. — Luis sussurra para mim: — Você tem os números três e sete errados. Eu olho para a minha lição de matemática. — Como você sabe? Ele bate a cabeça com o dedo indicador. — Eu sou uma espécie de gênio da matemática. Em ambas as perguntas que você se esqueceu de que o lado esquerdo requer a regra da cadeia, desde y representa uma função de x. Eu olho para o meu papel. Depois de um minuto de refazer meus passos, acho que ele está certo. Eu olho para ele em choque, mas ele está de costas para mim novamente e o Sr. Harris está fazendo a varredura da sala para ter certeza de que está quieta. Depois de uma hora, o Sr. Harris anuncia que nós terminamos nossas exigências de detenção e estamos livres para sair. Justin é o primeiro a ir. Ele olha para Luis quando passa por ele. Luis deve fingir não perceber ou ele não se importa. Eu saio da sala. Luis caminha ao meu lado. — Parece que você precisa de um professor de matemática.

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— Eu não namoro com moradores do Sul. — digo-lhe, não parando quando abro a porta da frente da escola e saio para o calor do verão escaldante. — Ou tenho encontro. — Você não tem encontros com moradores do Sul? — Ele pergunta, rindo. — Não mais, eu não tenho. — Eu não quero sair ou namorar você, Nikki. — Ele me deu sorriso assassino que provavelmente tem praticado na frente de espelho até que ficasse perfeito. — Eu suponho que eu não importaria de jogar com você, no entanto. Sempre que você estiver cima disso, me avise.

um um me por

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13 Luis A melhor coisa em sobreviver a primeira semana de aula é que você aprecia fins de semana e é capaz de dormir. Isto é, exceto quando seu pequeno sobrinho trota no quarto enquanto você está dormindo e confundem sua cabeça com um tambor. — Hey, muchacho! — Eu digo, levantando-o e o coloco sentado no meu peito. — Se sua fralda estiver vazando, você some daqui. Ele me abre um sorriso de quatro dentes. Agora que Paco tem quase dois anos de idade, é hora de aprender a pronunciar o meu nome. — Diga Luis — digo a ele. — Weese. — diz ele. — Não é bem assim, mas vamos trabalhar nisso. — Weese. — diz ele novamente, ficando animado agora. Ele está saltando para cima e para baixo em mim, como se eu fosse seu cavalo. — Weese, Weese, Weese! Brittany espreita a cabeça na porta aberta. — Paco, você está incomodando Tío Luis? — ela pergunta. — Não. — eu digo a ela. — Ele é legal. Depois de entretê-lo um pouco, levo meu sobrinho para a sala de estar, onde Alex e Brittany estão falando com mi'amá.

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— Ei, mano. — diz Alex, então faz gestos para os meus boxers, que têm a palavra Colorado escrito nela em cores aleatórias. Meus amigos me deram antes de me mudar. — Bonito pijama. — Obrigado. — Eu coloquei meu sobrinho em cima dos meus ombros, o que faz dele muito feliz. — Eu tenho Peterson para química. Sente pena de mim? Brittany e meu irmão sorriem um para o outro. — Definitivamente. Ela é brutal. — diz Alex. — Brit, não era ela que nos dava detenções como qualquer outro dia? — Eu tentei bloquear esses dias. — Brittany treme. — Eu realmente odiei aquela época, Alex. Ele desliza para a parte de trás da sua mão lentamente pelo seu braço. — Vamos lá, chica. Você me queria, mas você estava com medo de admitir isso. Brittany morde o lábio inferior, enquanto ela olha nos olhos do meu irmão. Ele coloca suas mãos nas bochechas dela e a puxa para perto, em seguida, a beija. Eu deslizo meu sobrinho dos meus ombros e protejo os olhos. — Sério, gente, não passou a fase de lua de mel até agora? Vocês estão no seu segundo garoto já. — Eu não quero passar desta fase. — meu irmão diz. — Nem eu. — Brittany assobia. Mi'amá sacode o dedo em minha direção. — Você não tenha ideias, Luis. Mantenha sua cabeça no lugar e não perca de vista seu objetivo. — Ela estende os braços para eu entregar Paco a ela, então, ela o leva na cozinha. — Eu quase não reconheci o lugar. — diz Alex, olhando para o chão e móveis de madeira. — Este lugar parece incrível. — Brittany concorda. — O bairro mudou completamente, também.

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— Nem me fale. — eu digo. — Até temos um policial vivendo ao lado. Alex balança a cabeça em confusão. — Um policial? — Sim. Ele também passou a ser o nosso senhorio. — Deixo de fora a parte que eu acho que o cara estava fazendo um movimento em Mamá. Alex se senta, realmente interessado agora. — O proprietário é um policial? — Eu acho que ele não percebeu que este lado da cidade é bem carente. Eu tenho a sensação de que ele quer que o lado sul do Fairfield seja o próximo Wrigleyville. — Wrigleyville é o bairro nobre yuppie onde Wrigley Field, casa do time de beisebol Chicago Cubs, está localizado. Wrigleyville não é nada como Fairfield, mesmo que o Oficial Reyes queira pensar que é. — La policía vivendo no sul de Fairfield. — murmura Alex, quase para si mesmo. — Fico feliz que ele não esteve aqui quando eu estava no colégio. Eu definitivamente não jogava pelas regras, como você faz, Luis. Aquilo que ele não conhece não vai machucá-lo. Gostaria de saber quais as regras que vou ficar tentado a quebrar esta noite com Marco, Mariana e seus amigos depois que eu sair do trabalho. — Quer ir para a Brookfield Zoo com a gente depois do almoço? — Pergunta Brittany. — Paco vai fazer loucura de caminhar pela casa do morcego. Eu ri. — Embora eu adoraria passear pelo zoológico com vocês, tenho dever de casa. Então, eu trabalho das três às dez da noite. Meu irmão levanta uma sobrancelha. — Você conseguiu o trabalho na Brickstone? — Você está olhando para o mais novo garçom do clube, Alex. — Um garçom? — Minha cunhada balança a cabeça. — Eu não acho que você deveria fazer isso. Você é ridiculamente inteligente e

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atlético, Luis. Eles deveriam ter colocado você como um salva-vidas ou na recepção do hotel ou algo assim. Não se acomode. — É dinheiro. — eu digo a ela, dando de ombros. — É degradante. — ela atira de volta. Eu dou de ombros novamente. Brittany foi criada rica e branca e não tem ideia do que é ser pobre. Ou mexicana. Eu sei que preciso do dinheiro e o lugar paga decentemente. E daí se eu vou estar servindo água e cuidando dos pratos sujos das pessoas. Não é um grande negócio. Os mexicanos são notórios por fazerem trabalhos que pessoas brancas não querem. Eu estou bem com isso. E eu sei que eu vou fazer um trabalho bom o suficiente para conseguir aquela promoção de servidor em um mês. Alex e Brittany saem com Paco depois do café. Recebo alguns textos de Marco me pedindo para sair com ele e um monte de outros caras antes de eu ir para o trabalho, mas vai ter que esperar até mais tarde. Eu tenho que manter minhas notas altas. Se eu não fizer isso, eu posso mandar um beijo de despedida para o programa aeronáutica. Depois de estudar para a avaliação de matemática da próxima semana e questionário de história dos EUA, vou caminhando para o trabalho. Ainda está bom, mas sei que não vai durar muito. Primavera em Illinois é apenas uma provocação antes do verão escaldante. Em seguida, despenca a temperatura como uma vingança. Mas o que realmente deixa a gente de joelhos é o frio do inverno, com ventos que dão um tapa na cara e fazem com que você queira viver onde nem sequer se sabe o que é neve. A neve de Chicago é totalmente diferente da neve de Boulder. Fran Remington me atende na recepção e me coloca para trabalhar com um cara chamado Richard, um cara de meia-idade, com cabelos emplumados que não se move pelo couro cabeludo. Ou é laquê ou uma peruca. No vestiário dos empregados me entregaram um uniforme, calça branca e uma camisa branca com a palavra Brickstone bordada em um pequeno brasão no peito. Richard usa calças pretas e uma camisa branca completa com um casaco preto e gravata. Ele parece que ele

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está indo para um casamento. Eu, por outro lado, me assemelho a um cara que vende sorvete em um carrinho de venda automática. Passei a noite sendo a sombra de Richard. Os hóspedes acumulam na sala de jantar, e a noite passa. Eu ajudo Richard servir a comida, limpo os pratos, recarrego os copos e a noite praticamente flutua sem nenhum problema. Até que Nikki Cruz entra com um grupo de amigos. Eles são todos brancos, exceto ela, que não deve irritar a merda fora de mim, mas faz isso. Não é à toa que ela afronta seu lado mexicano... Ela não se mistura com quem é mexicano. Eu não reconheço nenhum deles, mas um dos rapazes do grupo está vestindo uma camisa de golfe preto com as palavras Chicago Academia de Golfe Team bordado em letras douradas. Todo mundo sabe que Chicago Academy é a escola privada exclusiva que as crianças com muito dinheiro vão. Eles são conhecidos por serem esnobes completos que dirigem carros caros, beberrões de gasolina. Aposto que nenhum desses pendejos 13 poderia dizer a diferença entre um carburador e um alternador. Nikki tem em um vestido rosa decotado que mostra suas curvas. Maldição, ela parece quente. Eu não sou o único que percebe, porque os caras da Chicago Academy andando atrás dela não são sutis em verificar a sua bunda. Richard me bate no ombro. — Você quase derramou água sobre a senhora Steinberg. — diz ele em um tom não muito emocionado. — Desculpe. — murmuro. Merda. Vendo Nikki aqui está me distraindo. Eu vejo como a anfitriã leva Nikki e seus amigos para uma mesa em um canto isolado pela janela. Que sorte a minha que está na estação de Richard. — Dê-lhes água. — diz Richard, apontando para a mesa de Nikki. Eu ouço sua risada tranquila em toda a sala sobre algo uma das garotas diz a ela.

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Estúpidos.

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Eu vou para a mesa com uma jarra de água gelada. Eu sou responsável da água - todos os tipos de água. O assistente de garçom é responsável por todas as outras bebidas. — Você gostaria de torneira, água com gás ou engarrafada? — Pergunto-lhes. Nikki olha para mim com os olhos arregalados. — Luis, o que você está fazendo aqui? — Eu trabalho aqui. — Você o conhece? — Um dos caras da Chicago Academy pergunta a Nikki. O cara me olha obviamente, me avaliando, então diz a ela: — Ele é seu primo? Porque nós dois somos mexicanos ele acha que devemos estar relacionados? Idiota. — Não. Nós, umm... — Nikki tropeça nas palavras. — Nós vamos juntos para a escola — , eu digo, terminando a frase.

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— Que fofo. — diz o cara. — Meu pai foi para Fairfield antes que eles fundissem Fairfield Sul e Norte juntas. Ele disse que é lixo agora. — Você é um elitista. — diz Nikki, mais divertida em seu comentário do que aborrecida. — Fairfield é diversificada ao contrário da escola chata que você vai. — Você é tanto elitista quanto eu sou, meu amor. — diz o cara. Derek e sua namorada, Kendall, entram e se juntam ao grupo. Derek estende sua mão e nos nos cumprimentamos. — Qual é, cara? Você não me disse que trabalhava aqui. — Meu irmão conhecia alguns... O cara elitista me bate no cotovelo. — Traga-nos um pouco de água com gás. — ele manda, me interrompendo. Derek faz cara feia. — Yo, Hunter. Será que eles não ensinam na escola chique de vocês para não cortar alguém quando eles estão falando?


O esnobe revira os olhos. — Eu só joguei dezoito buracos, Derek. Estou com sede. Me processe por pedir à criança algo para beber. — Tudo bem. — eu digo ao esnobe, mas eu estou pensando, criança? Um cara da minha idade, com nome de Hunter, apenas me chamou de criança. Inacreditável. Quando eu volto da cozinha com a água com gás e uma pequena tigela de limão na mão, eu sirvo a água para o cara. Eu sirvo água para Nikki também. Eu gostaria de não sentir o cheiro do seu perfume doce quando me inclinei ao lado dela. Depois de terminar todos os seus pedidos de bebidas, estou ocupado com o resto dos clientes. Eu não fico ao redor da mesa de Nikki e só volto para limpar pratos ou fazer recargas. Há algo em Nikki que me faz querer saber o que seria se nós ficássemos juntos. É o seu espírito resoluto e o fato de que nada do que fiz fez com que ela se soltasse. Ela é um desafio que eu definitivamente quero assumir. Eu odeio o fato de que há uma parte minha que está envergonhada por ser um ajudante na frente de Derek, Nikki e Kendall. Quando a mesa de Nikki se levanta para sair, Hunter tem uma nota de cinquenta dólares. — Aqui está. — diz ele, fazendo um show para entregá-la para mim como se eu fosse um caso de caridade. — Não gaste tudo em um só lugar. — Obrigado, cara. — eu digo, embora eu gostaria de enfiar o dinheiro de volta na sua cara. Ou até no rabo dele - onde parece que ele esconde o resto do seu dinheiro. — Ei, Nik. — Eu chamo quando ela está prestes a sair da sala. Ela para e olha para mim. Eu sei que o resto dos caras estão assistindo, então eu passo perto dela e sussurro em seu ouvido: — Se livre desses caras quando eu sair do trabalho e saia comigo, mi chava. Ela me puxa para perto e sussurra em meu ouvido: — Sonhe com isso. — então vai para fora da sala, enquanto os caras olham silenciosamente para ela, depois para mim.

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— Você não deveria flertar com ela. — Derek me disse antes de seguir o resto de seus amigos fora da sala de jantar. — Por que não? — Porque Nikki tem garras. Grandes e elas saem quando você menos espera. — Ela não me assusta. — digo a ele. Ele me dá um tapinha no ombro. — Mas deveria. Vinte minutos mais tarde, eu reconheço os pais de Nikki quando andam na sala de jantar e também estão sentados na seção de Richard. — Luis, você parece familiar. — Dr. Cruz diz enquanto olha para o meu nome na etiqueta. — Meu irmão é Alex Fuentes. Eu conheci você e sua família no seu casamento. — Ah, sim. É por isso que me parece familiar. Faz muito tempo. Sra. Cruz sorri de forma reservada, quase ensaiado. — Alex nos contou que estava voltando para Chicago. Se você precisar de alguma coisa, não deixe de nos chamar. Concordo com a cabeça, não tenho certeza se realmente quis significar isso ou se ela está apenas dizendo para ser educada. — Obrigado. Estar na presença do Dr. e Sra. Cruz me faz esquecer que eu deveria estar servindo as outras mesas. Até eu receber uma cotovelada de Richard, lembrando-me que eu tenho um trabalho e é melhor eu o fazer bem ou corro o risco de ser demitido. Eu me indireito e volto para o trabalho. — Você gostaria de água com gás, engarrafada ou água da torneira?

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14 Nikki Os caras do Chicago Academy são todos iguais. Eles têm grandes egos e acho que eles são pregos. Depois do jantar, eu e meus amigos vamos para a quadra de vôlei de Brickstone. Meu irmão desapareceu antes do jantar para ir à sala de jogos, porque ele descobriu que alguém bateu sua alta pontuação em um jogo simulado de motocicleta. Meus pais estão em alguma palestra no auditório Brickstone. Hunter McBride está sentado ao meu lado, junto com um grupo de rapazes e moças da Chicago Academy. Eles vivem no meu bairro, então eu sempre os conheci, mas desde o ginásio eles foram para as escolas privadas, enquanto o resto de nós fomos para escolas públicas. Minha mãe queria que eu fosse para o CA, mas desde que todos os meus amigos estavam indo para as escolas públicas que eu escolhi ficar com eles. Olho para Kendall e Derek sentados do outro lado da quadra em profunda discussão. Eu não sei qual deles parece mais miserável. Desde que eles tiveram a discussão ‗para onde estamos indo para a faculdade‘, eles não estavam se dando bem. Eu acho que finalmente perceberam que seu relacionamento não vai durar para sempre. Hunter me cutuca e diz: — Nikki, verdade ou desafio? Eu jogo minha cabeça para trás. — Este jogo estúpido novamente não. A última vez que jogamos verdade ou desafio, eu acabei tendo que comer três hambúrgueres e vomitei depois.

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— Eu vou deixar você começar, então. Todos os olhos estão em mim. Eu suspiro, pensando em como me meto nessas situações. Preciso de Kendall para me tirar isso, mas ela está presa em seus próprios problemas com Derek agora. — Vamos lá, Nikki. — um cara chamado Mason diz. — É a sua vez de conseguir que Hunter pague pelo o incidente de comer hambúrguer. Eu vou jogar, mas só porque eu tenho a vantagem de começar. — Tudo bem... Hunter, verdade ou desafio? Ele não hesita. — Desafio. Agora eu tenho que pensar em algo que sei que ele não vai fazer. Isso vai ensiná-lo a não jogar este jogo estúpido comigo. — Eu te desafio a pular na piscina com suas roupas. — Tudo bem. — Sério? — Eu não achei que ele fosse concordar com isso, principalmente porque eu acho que provavelmente só possui roupas que precisam ser lavadas especialmente a seco e mão. — Sim. — ele diz, — mas você tem que vir comigo como testemunha. Justo. O resto do grupo nos espera no voleibol quando Hunter e eu atravessamos a grama para a piscina exterior. — Você realmente vai saltar? — Eu pergunto. — Absolutamente. — Ele mexe as sobrancelhas. — Eu faria qualquer coisa que você me disesse pra fazer. Eu reviro os olhos. Hunter não suporta o fato de que não vou só sair com ele por causa de quem ele é. Ele me disse que é o seu objetivo de vida me fazer dizer sim a um encontro, então ele me deixou começar o jogo. A maioria das garotas estão morrendo para saber como é estar com Hunter McBride, filho do maior magnata imobiliário em Chicago. Ele sai com as garotas, uma ou duas vezes e depois passa mal com elas. Ele sabe que nós nunca vamos ficar juntos de verdade, mas isso não o impede de tentar.

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Eu não deveria jogar junto, mas eu faço. Hunter é um cara rico inofensivo que precisa de amigos que gostam de mim na sua vida para trazê-lo para a Terra. Não é fácil... anos sendo mimado e recebendo tudo que quer está apodrecendo seu cérebro. Kendall pensa que é impossível, mas eu penso nele como um dos cães no abrigo em que sou voluntária - ele só precisa de algum treinamento. Nós abrimos o portão para a piscina exterior de Brickstone, que está oficialmente fechada para hóspedes, porque já passou das dez horas. — Então qual é o problema com você e aquele garçom? — Nada. — Sim, certo. Ele estava olhando para você o tempo todo. Eu vi você olhando-o mais do que algumas vezes. — Eu não estava. Você está mudando de assunto. — eu digo, porque eu posso sentir meu rosto ficando quente falando, apenas, de Luis. — É melhor você correr e saltar antes que a segurança venha. Hunter se senta em uma poltrona e tira os sapatos. — Eu disse, com suas roupas, Hunter. Ele ri. — Estes são os meus sapatos personalizados Edward Green, querida. Eu não estou a ponto de tê-los molhado. Eu tomo um de seus preciosos sapatos, fico à beira da piscina e finjo atirá-lo na água. Seus olhos se arregalam. — É melhor não. — E se eu fizer? — Pergunto, jogando o sapato de volta para ele. Ele precisa saber que as coisas materiais não devem significar tanto. Ele coloca ambos os sapatos perfeitamente sob a cadeira. Isso me faz pensar se as roupas em seu armário são cuidadosamente dobradas e separadas por cores. — Se você jogasse o meu sapato, eu faria isso. — ele diz, então me surpreende por me pegar e saltar para a piscina comigo firmemente em seus braços.

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Eu venho crepitando. — Eu vou matar você! — Eu nado em direção à borda da piscina, completamente encharcada e pensando em como eu vou explicar isso para os meus pais. Eu saio da água e torço o cabelo. — Eu te odeio. — Não, você não odeia. Na verdade, eu acho que você gosta de mim um pouco. — É aí que você está errado. Você me deve um novo par de sapatos. — digo a ele. — Não tem problema. Quando eu posso levá-la às compras? — Hunter sai da piscina. Sua camisa está aderindo ao peito, as calças estão aderindo a seus pés... e ele está olhando diretamente para o meu peito. Eu olho para baixo e percebo que meu vestido está agarrado à minha pele. — Nunca. Eu vou enviar um e-mail com o meu tamanho e uma foto deles. Hunter olha para baixo em meus calcanhares. — Que marca eles são?

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— Eu não sei. Comprei na Target. Ele ri. — Você sabe o quão bonita você é? — Não quando eu estou molhada e a maquiagem está escorrendo pelo meu rosto. Tenho certeza de que parceço horrível, graças a você. — Você está quente, Nik. Superquente. — Ele dá um passo mais perto. — Nós dois estamos molhados. Você sabe o que isso significa, não é? — Que eu cansei de jogar verdade ou desafio? — Não. Isso significa que temos algo em comum. Eu posso não ter a coisa mexicana acontecendo, mas nós dois estamos encharcados. — Você se agarra a tudo, Hunter. Estar molhado não significa que temos algo em comum. — Cale a boca e aceite isso. Você sabe, eu estou sempre em jogo, se você quiser brincar. Você não tem namorado, eu não tenho


namorada... — Ele se inclina para me beijar, mas eu coloco minha mão em seu peito e o detenho. — Sério, não me faça rir. — Vem, Nik. — Ele olha para os meus seios. — Seu corpo está lhe dizendo alguma coisa. Se ele está se referindo a eu estar arrepiada, é porque uma rajada de vento soprou apenas em cima de mim e eu tenho frio por um segundo. Estamos nos subúrbios de Chicago - nenhuma garota é imune ao vento de Chicago. — A piscina está fechada para sócios. — um cara diz do portão. Um grupo de funcionários estão de pé atrás dele, prontos para pular na piscina para nadar um tempo — pós-trabalho — dos empregados. Luis está lá também, conversando com a hostess da sala de jantar. — A piscina está fechada? — Hunter pergunta como se não estivesse ciente disso. Hunter pisca para mim para jogar junto. Ele é bom em jogar mudo, vou dar isso a ele. — Você vai ter que voltar amanhã. — diz um segurança. — E só abre para os funcionários depois das dez. — Sinto muito. — Hunter pega seus sapatos, em seguida, pega a minha mão na sua e me leva para fora da área da piscina. — Ei. — diz Luis quando Hunter e eu passamos por ele. — Ei. — eu digo e volto silenciosamente. Eu soltei a minha mão da mão de Hunter. — Lembre-me de nunca jogar verdade ou desafio com você novamente. Hunter ri. — Você está brincando? Isso foi divertido. Eu aposto que eu poderia ter pago ao guarda de segurança e poderíamos ter ficado. Você vai ter que ir para minha casa na próxima vez e entrar na nossa banheira de água quente comigo. — Continue sonhando. Acima da quadra de vôlei, eu vejo os meus pais conversando com os meus amigos.

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— O que aconteceu com vocês dois? — Papai nos pergunta, quando pega um vislumbre de nossas roupas encharcadas. — Vocês estão molhados. Eu não vou admitir que eu estava jogando verdade ou desafio. É melhor desempenhar o papel adolescente estúpida. — Hunter e eu pensamos que seria engraçado se nós fôssemos nadar com nossas roupas. — digo a ele. Hunter abre a boca em choque simulado e aponta me acusando. — Ela me fez fazer isso. Mamãe balança a cabeça. — Eu acho que a festa acabou, Nikki. Hora de ir para casa. — Eu vou com você. — diz Kendall, se juntando a nós. Ela deixa Derek amuado sozinho. À medida que caminhamos para o carro, eu olho para a área da piscina, onde os funcionários ainda estão saindo. Embora não seja totalmente iluminada, eu posso ver Luis em uma das cadeiras ainda a falando com a hostess. — Fomos servidos por Luis Fuentes. — Papai diz quando começa a dirigir para casa. — Você se lembra dele, não é, Nikki? Ele é irmão de Alex. Garoto muito inteligente. — Eu sei. — eu digo. — Ele está na minha aula de química. — Eu suspeito que Luis tem uma raia selvagem agora que voltou para o lado do sul. — Mamãe diz em tom de aviso. — Não se envolva com ele. — Eu mal disse duas palavras para ele. — eu digo a minha mãe superprotetora, mas realmente sinto gemer em derrota. Tem sido fácil rejeitar os avanços de caras como Hunter, porque eu não sinto uma ligação com eles. Quando Luis e eu estamos na mesma sala, eu estou tão consciente dele que eu me pergunto quanto tempo posso manter o muro de proteção antes que ele derrube. Sua arrogância, a sua confiança, seus avanços... fazem-me fraca e eu tenho que me lembrar continuamente que um rapaz como Luis pode me fazer perder o controle.

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Ficar forte nunca foi tão difícil.

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15 Luis Na segunda-feira de manhã, Nikki está me esperando no meu armário no segundo que chego a escola. — Quais são as chances que eu possa convencê-lo a conseguir outro emprego? — ela me pergunta. Ela diz, como se eu pudesse encontrar outro emprego num estalar de dedos. — Qual é o problema, chica? — O problema é que eu não quero meus amigos questionando como nos conhecemos ou supondo que temos alguns negócios inacabados entre nós... porque nós não temos. — Por que você se preocupa com o que as outras pessoas vão pensar? — Eu somente me preocupo. — diz ela. — Todo mundo sabe que eu não tenho um namorado ou quero um namorado. Eu rir. — Então, quem era aquele cara que estava no clube de campo na piscina no sábado à noite? — Hunter é apenas um amigo. — Ela cruza os braços sobre o peito, fazendo uma boa imitação da nossa professora de química. Tudo o que ela precisa para completar a imagem é um brilho que pode derreter o aço.

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— Então você vai em torno pegando caras que não são seu namorado? Bom. — eu digo. — Eu não pego. Marco enfia a cabeça entre nós. — Sim, Nikki, você faz. Eu tenho conhecimento de primeira mão. — Ele me dá um tapinha no peito com as costas da mão. — Mas ela gosta de chamar isso de fazer amor. Isso não é a verdade, puta? — Cai fora, cara. — eu digo a Marco com uma voz severa, mas quando olho para seus olhos, vejo que eles estão completamente vermelhos, e sei que ele está perdido. — Por que eu deveria cair fora? — Marco coloca o braço em volta de Nikki e beija seu rosto zombeteiro. Ela não moveu um músculo. — Nikki aqui gosta da coisa baixa e suja, não é mesmo, baby? Ela estremece. Eu o empurro para longe dela e digo-lhe: — Qual é, cara. Não seja um pendejo. Em um flash, ela corre pelo corredor e desaparece. — Desde que terminamos tudo o que ela faz é sair com caras brancos ricos. De vez em quando ela precisa ser lembrada de como era estar com um garanhão Latino. — diz Marco. Eu pego os meus livros do armário e vou em direção à sala. — Você provavelmente deveria ir para casa e dormir para tirar tudo pra fora o que quer que seja, ese. — Preciso permanecer na escola. — ele responde. — Se eu estiver ausente, eles não vão me deixar entrar para o time de futebol. As eliminatórias para futebol são hoje e amanhã depois da escola. O futebol não é um esporte popular no Flatiron High, mas em Fairfield é obviamente grande, porque todo mundo está falando sobre isso. Mesmo algumas das garotas falaram sobre assistir os testes. Eu não vejo Nikki até o final do dia, em química. Ela está na mesa de laboratório na minha frente. — E aí? — Eu digo. Ela não responde.

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— Marco não quis dizer aquilo esta manhã. — Sim, ele quis. Vocês são todos iguais. Deixe-me em paz. *** — Por que a Nikki me odeia tanto? — Pergunto a Derek. Ele ri. — Nikki odeia cada cara que faz lembrar de Marco. Você é mexicano, ele é mexicano... e pior, vocês são amigos. Disse o suficiente. — Então ao invés disso, ela vai para caras como Hunter? Ele balança a cabeça. — Não me pergunte. Estou tendo problemas suficientes na minha própria relação, a última coisa que quero fazer é tentar analisar a de outra pessoa. — Derek e eu começamos a nossa estação de laboratório prontos enquanto aguardamos instruções de Peterson. — Você já teve uma namorada? — Ele me pergunta. — Não era um caso sério - nada que durou mais que alguns meses. — Eu namorei uma garota quando morava no México, mas seus pais não gostavam de mim. Eles disseram que não queriam que sua filha ficasse com um cara pobre. Aposto que, se seus pais soubessem que eu estava vivendo de novo nos EUA ficariam chateados que nós terminamos. Conseguir um bilhete só de ida para os Estados Unidos, sem se esconder na fronteira como um fugitivo, é como ganhar na loteria. — Alguns de nós irão vê-lo nos testes de futebol. — Mariana me diz quando se inclina sobre a mesa do laboratório. — Ouvi dizer que você sabe se mexer. Nikki bufa. — Mesa um, estou ouvindo conversa! — Peterson grita do outro lado da sala. — Vocês quatro querem uma detenção, porque eu tenho alguns formulários de detenção na minha mesa juntando poeira. Você sabe o quanto eu odeio a poeira. Após o sinal final tocar, Derek e eu vamos para o vestiário. Durante as eliminatórias, a divisão social está desfocada. O treinador coloca Marco e eu no mesmo time e nós dominamos. O outro lado não consegue nem mesmo marcar. Justin Dougan, que vem ser o nosso

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goleiro, me empurra por trás quando eu chego perto de nossa rede para bloquear a bola. — Que porra é essa, Dougan. Caso você não tenha notado, estamos no mesmo time. — Oops. — diz ele sarcasticamente, em seguida, estende a mão para que qualquer pessoa que esteja assistindo, pense que ele está prestes a me ajudar a levantar. Eu bato na sua mão. — Você nasceu um imbecil? — Cale a boca, Fuentes. Podemos estar na mesma equipe, mas nós nunca vamos estar na mesma liga. Derek está ao meu lado. — Dougan, se liga. — Tudo bem. — eu digo a Derek e Dougan me ignora o resto do tempo. *** No final da prática, todos os caras caminham para um lugar com cachorro quente há uma quadra da escola. Derek tem estado preocupado durante a caminhada. Ele pega o celular e começa mandar mensagens de texto no momento que chega a nossa comida e se senta. — Você está namorando Kendall há muito tempo? — Eu pergunto. — Desde o último verão. — diz ele. — Ela não confia em mim. Ela pensa que eu vou traí-la ou encontrar alguém se formos para faculdades diferentes. — Ele pega uma batata frita. — Eu a amo, sabe. Eu não posso nem me ver com mais ninguém. — Será que ela sabe que você está nisso para longo prazo? — Merda, Luis, eu digo a ela o tempo todo. Nikki fica colocando a negatividade e dúvidas em sua cabeça desde que começamos a sair. Não me interprete mal... Eu acho que Nikki é legal, mas ela acha que nós só queremos ferrar tantas garotas quanto possível. Eu gostaria que ela tivesse um namorado para relaxar. — Ele balança a cabeça em minha direção. — Você namoraria com ela?

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Penso na atitude agressiva de Nikki misturada com sua vulnerabilidade delicada que me intriga muito. Ela também é uma loucura de linda, com um corpo que tem inspirado mais do que algumas fantasias. Eu tenho medo de que, se eu a namorasse, não gostaria de deixá-la ir. No entanto, teria. Eu tenho um plano de longo prazo e isso não inclui estar amarrado a uma garota. — Então, você namoraria com ela ou o quê? — Derek pergunta novamente. — Eu sairia com ela. — eu admito. — Eu acho que Kendall vem ao meu barco no próximo fim de semana. Você deve vir com a gente... Eu vou fazê-la levar Nikki. — Nikki não vai se ela souber que vou estar lá. — digo a ele. — Deixe isso comigo. Um garoto que não conheço passa por nós. — Ei, Ben! — Diz Derek. O garoto dá uma meia onda enquanto se dirige para a sala de jogo para o lado. — Esse é Ben Cruz, irmão de Nikki. — Derek explica. — Ele é um calouro e é totalmente antissocial, se você não estiver jogando. — Jogo, certo? — Eu digo. — Sim. Eu ando para sala de jogos depois que terminei de comer e a maioria dos caras não saíram. Ben está jogando algum jogo de tiro de alienígena quando ando em sua direção. Ele está na zona e não olha para cima até que o jogo acaba. — Você é o irmão de Nikki, certo? — Pergunto antes de ele deslize outra ficha na abertura. Ele olha para mim, então volta para jogar o jogo. — Eu sou Luis Fuentes. — digo a ele.

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Ele começa a atirar nos aliens. — Eu sei quem você é. Você é irmão de Alex. — Como você sabe? Ele encolhe os ombros. — Memória fotográfica, eu acho. Os jogadores amam quando você fala a sua língua. — Você sempre joga World of Warcraft? — É claro. — Eles têm alguns gráficos doentes. — Eu tinha jogado WoW, mas o período de teste gratuito acabou e não havia nenhuma maneira que eu pudesse pagar a mensalidade. — Jogo incrível. — digo a ele. Quando ele descobre que eu joguei WoW, todo seu rosto se ilumina. — Eu tenho jogado por dois anos. — diz ele. — Eu estou projetando o meu próprio jogo de aventura com gráficos impressionantes e níveis assim como Warcraft. Ninguém realmente se importa, exceto os jogadores. — Eu aposto que isso é legal. — Eu definitivamente aprecio jogos de computador estratégicos. — Eu vou mostrar a você... — Ele hesita. — Mas você provavelmente não quer ir à minha casa. — Por que não? — Porque eu sou um calouro nerd e você é um sênior que trava com as crianças difíceis e jogadoras. Além disso, eu ouvi a minha irmã dizendo a seus amigos que você é um idiota. Marco grita: — Yo, Luis. Nós estamos indo para a casa de Juan para sair. Venha, eu vou te dar uma carona. Ben endurece logo que a voz de Marco berra através do ar. O pobre garoto está se cagando de medo de Marco. É por causa de Nikki? Ou será que Ben e Marco tiveram um problema no passado? — Eu vou ficar aqui. — eu digo a Marco. Ele ri. — Tudo bem. Mas quando você se cansar de jogar com os geeks, me ligue.

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Ben finge não ouvir o insulto. Falamos de jogos on-line versus jogos de arcade tradicionais. Não demorou muito antes que Ben insistisse que eu fosse à sua casa para que ele me mostrasse o novo jogo que está em desenvolvimento, que seria uma mistura dos dois. O garoto é mais animado do que eu seria se eu tivesse um Camaro. Quando eu sigo Ben até a calçada de sua casa, é difícil não ficar impressionado. No interior, cada quarto é decorado com padrões e cores estranhas. Eles têm uma sala de informática decorada com um tema de selva completa com um tigre de pelúcia no canto. Ben tem um computador superhigh-tech com um enorme monitor que se parece com uma tela de televisão. Aposto que a coisa toda custo próximo a quatro Gs. Ben explica como jogar o jogo que ele está projetando. Eu escolho ser um caçador de dragões e minha missão é lutar contra o dragão malvado que está guardando a minha princesa. No meio da minha batalha, o dragão congela. Ben o meu controlador. — Eu preciso corrigir esse erro. — diz ele. Eu tento ajudá-lo, embora a codificação de computador não seja o meu forte. — O que você está fazendo aqui? — Nikki me pergunta quando ela entra na sala do computador. — Jogando videogame com seu irmão. — Ele é um calouro. — diz ela. — E daí? Luis é um jogador. — Ben diz a ela com orgulho. — Assim como eu. Nós jogadores temos que ficar juntos. Nikki zomba de mim. — Luis não é um jogador, Ben. — Ela bufa em frustração e some da sala. — Volto já. — eu digo a Ben, então eu sigo Nikki. Ela está indo para as escadas, mas eu agarro seu cotovelo e a forço olhar para mim. — Qual é o seu problema? — Eu não gosto de você. — Você ainda não me deu uma chance.

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Ela ri. — Eu não preciso. Você é muito arrogante para o seu próprio bem. — É uma cobertura para minha extrema insegurança quando se trata de você. Talvez se nós nos beijássemos isso provaria se temos química ou não. — Apenas um beijo? Concordo com a cabeça. — Você não sabe o que está perdendo. Ela fecha o espaço entre nós e antes que meu cérebro tenha tempo para contemplar o que está prestes a acontecer, Nikki pega a parte de trás do meu cabelo e puxa minha cabeça para a dela para que os nossos lábios estejam quase se tocando. Fale sobre uma descarga de adrenalina. — Você beija apenas com os lábios? — Ela sussurra, em seguida, passa seus lábios contra os meus. — Ou você o apimenta um pouco? — Sua língua passa entre meus lábios em um ritmo lento, sensual, que envia imagens de nós juntos, em um ambiente mais íntimo, correndo pela minha cabeça. Eu mantenho minhas mãos ao meu lado, deixando-a controlar isso. Isso significa que eu estou no controle de mim mesmo, mesmo que ela esteja controlando o beijo. Eu sei que ela está brincando comigo, me fazendo todo quente e incomodado apenas para me dispensar depois. Eu tenho isso. Na verdade, eu acho que ela é a pessoa que perde o controle. — Eu definitivamente gostaria de combiná-lo. — Eu deslizo minha língua contra a dela. É quente e úmido e gostoso pra caralho. Um pequeno gemido escapa de sua boca que eu juro que soa como: — Oh, Luis. — e é aí que eu perco isso. Nikki é uma descarga de adrenalina apenas sendo ela mesma. Eu recuo e toco seu rosto corado suavemente com a minha mão. Nós apenas olhamos um para o outro. — O que você está fazendo? — Ela pergunta. — Olhando para você. Temos química demais, não é?

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— Não. — Ela não quebra o contato visual, provavelmente querendo que eu desvie o olhar primeiro. Quando eu não faço isso, ela dá alguns passos longe e um enorme sorriso arrogante atravessa seu rosto. Ela tsks 14 e balança a cabeça. — Desculpe, Luis, mas você precisa de um pouco de prática. A ação da sua língua foi um pouco estranha. Quero dizer, não era de todo ruim. Você tem potencial, mas, obviamente, não somos compatíveis. Quando eu estou ali atordoado, eu estou pensando que essa garota é uma bruxa e não um anjo. Ela está definitivamente colocando um feitiço em mim e eu estou praticamente ofegante, pronto para implorar por uma chance de fazer isso de novo - agora. Isso não era apenas diversão e a ação da minha língua não é nada estranha. Eu me diverti com outras garotas. Muitas delas. Ninguém reclamou antes. Quando eu olhei em seus olhos e seus olhos estavam presos nos meus, havia algo lá. Era inegável. Nikki limpa os lábios com as costas da mão. — Não se atreva a dizer a ninguém que nos beijamos. Por quê, porque eu sou um mexicano pobre e depois de Marco os únicos caras que são dignos dela tem cinquenta dólares em volta como pedaços de papel de sucata? Ben entra na sala e pergunta: — O que vocês estão fazendo? Nikki diz — Nada — ao mesmo tempo, eu digo: — Sua irmã e eu estávamos nos beijando.

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Som usado, muitas vezes em repetição rápida, como uma exclamação de desprezo, desdém, impaciência, etc

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16 Nikki Às vezes, as coisas são melhores quando esquecidas. O fato de que eu beijei Luis é uma delas. Então não foi tão ruim como eu fiz parecer... e na realidade, eu não consigo parar de pensar em fazer isso novamente. Mas ele não precisa saber disso. A semana toda durante a escola eu consegui evitar falar com ele, o que é ótimo. Só que é preciso de um monte de energia para evitar alguém que você não pode deixar de notar. Nas manhãs de domingo sou voluntária no abrigo de animais perto da minha casa. Quando chego lá, a gerente, Sue, me diz que um novo cachorro chamado Granny veio nesta manhã. — Ela é cega. — Sue me diz e meu coração dói um pouco. — Bulldog. Provavelmente cerca de nove ou dez anos de idade. Seu proprietário idoso morreu e ninguém na família poderia levar o cachorro. Já vi cães velhos morrerem em suas gaiolas no abrigo, porque poucas pessoas querem adotar um apenas para pagar os custos médicos mais elevados que cães mais velhos costumam ter. Além disso, as pessoas não querem adotar um cão que não será seu por muito tempo. — Onde ela está? — Eu pergunto. — Gaiola trinta e três. Você pode acompanhá-la, em seguida, começar a limpar as gaiolas do lado oeste.

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Eu imediatamente vou para jaula trinta e três. Granny está deitada no canto, com a cabeça no chão. — Ei, garota. — eu digo, quando destranco a gaiola. Ela levanta a cabeça quando eu a acaricio e se inclina no meu colo. Eu aprendo rapidamente que a Granny gosta que esfregue sua barriga. Eu a pego para um passeio, levando-a para a área gramada aberta na parte de trás para que ela possa farejar. Eu ando com os outros cães, mas o tempo todo eu estou pensando em Granny. Eu volto para sua gaiola e esfrego mais cinco vezes sua barriga. — Eu vou voltar amanhã para ver como está Granny. — eu digo a Sue durante a minha pausa. — Você não está na agenda. — Eu sei. Mas notei que a tigela estava cheia. Eu coloquei comida a ela. Se ela não comer até amanhã, vou ajudá-la. Sue revira os olhos. — Ela vai comer, Nikki. Cães saudáveis não passam fome. — Deprimidos sim. — eu digo de volta. — E ela está deprimida. — Pena que não temos o orçamento para um terapeuta de cão, certo? — Você tem eu, no entanto. — eu digo a ela. Passei o resto do tempo lidando com os outros cães até que deixo o abrigo e vou para casa tomar um banho. Quando eu entro na minha garagem, Kendall já está esperando por mim. Ela olha para as manchas de lama na minha calça jeans. — Você está cheia de germes de cachorrinho? — Sim. Ela segura as mãos para cima. — Ugh. Não me toque. Vou esperar do lado de fora enquanto você toma um banho. Depressa!

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Nós já tínhamos planos, há um tempo, de ir no barco de Derek em Fox Lake. Na verdade não é seu barco, é de seus pais. Vinte minutos mais tarde, eu corro para fora de casa, de banho tomado e pronta para passar o resto do dia relaxando e curtindo o barco. — Então... — diz Kendall. — Quero detalhers sobre o que está acontecendo entre você e Luis desde o beijo. Eu tinha ligado para Kendall após nosso beijo e disse-lhe tudo. — Nada. Você sabe que eu só fiz isso com Luis para provar um ponto para mim... e para ele. — E esse ponto é... — Que eu emocionalmente.

posso

beijar

um

cara

sem

me

envolver

— E como é que isso funciona para você? Eu olho para fora da janela. — Eu não sou tão emocionalmente imune como quero ser. Estou feliz que estamos indo para o barco para que eu possa limpar a minha cabeça. Eu não quero me envolver com ninguém, Kendall. Especialmente alguém como... — Como Marco? — Diz Kendall, terminando a frase. — Sim. Eu não posso fazer isso. Kendall encolhe os ombros. — E se Luis for diferente, Nik? E se ele gostar de você e você gostar dele e ficar tudo bem? — Não é assim que funciona. Você ama Derek e Derek te ama, mas vocês ainda têm problemas. — Eu estou indo no barco, hoje, não é? Eu estou tentando viver o momento em vez de ficar obcecada sobre o nosso futuro inevitável. — E isso é o que você acha que eu devo fazer? Após a quarenta minutos, ela vira para o cascalho. — Eu acho que você deve ser feliz. Você tem se punido por dois anos, Nikki.

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— Eu não quero me machucar de novo. — Eu sorrio e dou-lhe um abraço. — Eu te amo por querer que eu seja feliz, apesar de tudo. Kendall estava lá depois que perdi o bebê. Ela me ouviu chorar hora após hora, dia após dia, noite após noite, até que eu não tinha mais lágrimas. Quando eu precisava dela para conversar, para dizer qualquer coisa, para conseguir minha mente fora do que tinha acontecido, ela veio pra mim. Ela falou sobre tudo e nada até que sua garganta estava dolorida. E quando eu não queria falar, nós nos sentávamos em silêncio por horas. Ela me comprou sorvete e cartões Hall Mark de simpatia com palavras encorajadoras neles e me disse que um dia meu coração vai se curar, mesmo que meu corpo estivesse marcado para sempre. — Apenas tente se divertir, ok? — Nós andamos em volta da casa do lago de Derek e seguimos para o seu cais privado. — Ei, garotas! — Derek grita do barco. — Vocês estão atrasadas. — Nikki tinha que lavar os germes de cão fora dela. — Kendall diz a ele. Pela primeira vez em uma semana, Kendall envolve seus braços em volta de Derek e lhe dá um beijo. Vejo que as coisas estão melhores entre eles, apesar de eu admitir que tenho minhas dúvidas. Estou chocada ao ver Luis sentado na proa vestindo nada além de uma bermuda, revelando o tanquinho naturalmente bronzeado e uma linha fina de pelos, que se estende desde o seu umbigo e desaparece sob suas bermudas, que agarram baixo em seus quadris. Whoa. Eu me odeio por que sinto tentada a olhar. — Quem te convidou? — Eu pergunto. — Obviamente, não foi você. — diz ele. — Dá um tempo pro cara. — Derek fala quando se senta na cadeira do capitão. — Não ache que isso é um encontro. — eu digo a Luis silenciosamente quando ele oferece a mão para me ajudar no barco.

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Luis franze as sobrancelhas. — Quem falou em um encontro? Eu não disse nada sobre um encontro. Yo, Derek, você disse algo sobre um encontro? — Na verdade, você disse. Você disse que queria perguntar a Nikki, mas foi muito covarde para fazer isso. — Bem, isto vai se transformar em uma tarde interessante. Luis, nada vai acontecer entre nós. Nós nos beijamos. Foi estranho. É o fim. Luis cheira os lábios e dá piscadelas. — Tudo o que você disser, mi chava. — Pare de me chamar assim. — Uh-huh. — diz ele com desdém. Derek liga o barco e logo estamos voando sobre a água. Derek e Kendall estão na direção e Luis e eu estamos na frente. Sento-me em frente a Luis em vez de ao lado dele, principalmente porque eu tenho medo de me agarrar a ele para salvar minha vida quando saltar as ondas. Eu adoro passeios de barco, mas eu gosto de ir devagar. Infelizmente Derek não tem essa mesma filosofia. Eu seguro o trilho lateral e rezo pra não virar. Eu olho para Luis. Ele está olhando para baixo, fascinado, quando vê a queda de água contra a lateral do barco. Ele está definitivamente apreciando o passeio. Quando nós passamos pela ondulação de outro barco, eu fecho meus olhos e agarro mais apertado o trilho. — Você está com medo? — Luis diz sobre o rugido do motor. Ele está de repente ao meu lado. Eu posso sentir o calor do seu corpo junto ao meu e eu estou tentado alcançá-lo para ele me segurar. Abro os olhos e olho em volta, quando a paisagem passa zumbindo. Eu não preciso de um homem para me sentir segura. Eu posso fazer isso sozinha. Eu agarro o trilho apertado. — Eu estou bem. — Você está mentindo. Se você segurar o trilho mais apertado vai cortar a circulação em seus dedos. — Ele desliza seu corpo mais perto. — Eu quero te abraçar, Nikki. Você vai me deixar?

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17 Luis Eu não sei o que acontece com essa garota. Ela é vulnerável e de temperamento forte ao mesmo tempo. Ela me faz querer protegê-la e ao mesmo tempo descascar as camadas da parede que ela coloca. — Deixe-me segurá-la. — eu digo novamente. Ela balança a cabeça. — Não. Inclino-me para longe dela. Ela está me deixando de fora. — É por causa de Hunter ou algum outro cara? — Não. É porque eu não quero nada sério com qualquer cara. Eu dou de ombros. — Então, não vamos levar nada sério. Vamos apenas nos divertir um com o outro e ver aonde isso vai dar. Eu não vou pressioná-la ou dar-lhe atitude. Simplesmente meu eu verdadeiro. Eu sei que ela está pensando nisso. Pelo menos ela não me corta de imediato. — Essa foi uma corrida, não foi? — Derek grita depois que ancora o barco. Ele joga o bote na água, em seguida, faz uma cambalhota para o lado de fora. Kendall pula em seguida. — Vamos lá, pessoal! — Ela grita da água.

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Nikki retira seus shorts e regata, revelando um biquíni vermelho com enfeites pretos. Eu vejo quando ela fica na borda do barco com as pontas dos dedos dos pés pendurados para o lado. Estou hipnotizado, mas tentando não mostrar isso. — Então... Luis? — Ela olha para mim sem sua animosidade habitual. Percebo o desafio lúdico atado em sua voz. — Você disse que nós devemos ter divertimento. Você é corajoso o suficiente para dar o salto?

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18 Nikki Eu só perguntei se ele ia mergulhar em um momento de fraqueza pura. Eu não tenho muito tempo para analisar seu físico quando ele está sobre a lateral, estende seus braços musculosos sobre sua cabeça e mergulha na água como um nadador olímpico. Espio sobre a lateral do barco, o esperando sair da água. Quando ele não sai, eu começo a pirar. — Onde ele está? — Pergunto em pânico. — Você está me procurando? — Ele pergunta. Sua voz ecoa do lado oposto do barco. Instintivamente, minha mão voa para o meu peito. — Não faça isso de novo, Luis. Você me assustou até a morte. Achei que tinha se afogado. — Considerando que ele é um campeão de natação estadual. — diz Derek enquanto nada pra Kendall, — Eu não acho que você precisa se preocupar com isso. Eu arqueio a sobrancelha. Luis, um campeão de natação estadual? Eu pulo na água, com os pés em primeiro lugar. Não é elegante, mas eu não sou uma campeã de natação estadual - longe disso.

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— Vamos ver o quão rápido você é, Fuentes. Que tal uma corrida? — Derek pontua à sua esquerda. — Para a boia, vai e volta. Garotas têm uma vantagem. Kendall e eu imediatamente começamos a nadar em direção à boia. Os garotos esperam, mas não por muito tempo. Não é uma corrida justa, porque Luis e Derek passam por nós em menos de cinco segundos. Derek está na equipe de natação em Fairfield e definitivamente pode fazer isso. Luis passa por ele com facilidade, porém, muito antes que eles atinjam a boia. Derek e Luis param na boia e esperam por mim e Kendall para se recuperar. — Por que a demora? — Derek grita. Kendall tenta espirrar água em Derek, mas ele está muito longe. — Vocês são exibicionistas. — É a testosterona. — diz Luis, boiando na água com aparentemente nenhum esforço. Eu nado mais forte, mas muito rapidamente estou sem fôlego e preciso de um segundo para descansar. — Vocês, garotas não têm resistência. — diz Derek. — Eu vou te mostrar resistência. — Kendall apela, fazendo um bom nado de peito de volta para o barco. Derek segue logo atrás dela, enquanto Luis nada para mim. — Você está bem? A água escorre de seus lábios, queixo e cabelo. Ele parece mais jovem agora, tipo quando o conheci. — Estou pronta pra corrida, se é isso que você quer dizer. — eu digo a ele. Eu flutuo nas minhas costas para dar um descanso para meu corpo. Luis flutua ao meu lado, mas agarra o bote abandonado de Derek, que tem flutuado perto de nós e ambos o seguramos. Ficamos em silêncio por um tempo, flutuando pelas ondas de outros barcos deslizando sobre a água, enquanto nós olhamos para o céu.

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Ele aponta para uma das nuvens. — Parece que um cachorro, não é mesmo? Veja as orelhas e cauda longa? — Parece uma cobra para mim. Isso não pode ser um cachorro, porque ele não tem pernas. Ele ri. — Ninguém é perfeito. — Não, ninguém é. Eu aprendi isso da pior maneira. — Eu digo, em seguida, aponto para outra nuvem para que ele não analise o meu comentário. — Essa tem a forma de um arco-íris. — Não, isso é uma tartaruga. — diz ele. — Veja sua cabeça saindo. — Você está errado. Isso não é uma cabeça. É o pote de ouro no final do arco-íris. — Eu conto em um sotaque irlandês, chegando até o céu e traço o arco-íris e o pote de ouro com a ponta do meu dedo. — Tem certeza? — Ele pergunta. — Absolutamente. Eu sou um especialista em formações de nuvens. — Você já pensou como a terra se pareceria do espaço? Eu nunca me perguntei sobre isso. — Eu já vi fotos e vídeos. Parece uma grande bolinha de gude. — Quero dizer experimentar isso, como estar lá em cima olhando para baixo na terra. Você iria se tivesse a chance? — Ele solta o bote e coloca os braços atrás da cabeça, flutuando de costas e olhando para o céu. — Cara, eu faria qualquer coisa para ir até lá. — Você pode morrer no caminho para... ou para baixo. — Eu não me importo. Vale a pena o risco para uma verdadeira aventura. Estando tão perto da lua e das estrelas... sabendo que o universo é infinito. — Você está sonhando, Luis. Volte para a Terra. — Eu espirro água nele. Ele inclina a cabeça para o lado e diz corajosamente: — Só para você saber, eu revido.

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Eu espirro novamente. — Eu estou te avisando... Quando eu espirro pela terceira vez e digo: — Venha. — ele abaixa sob a água. Eu chuto meus pés, querendo saber o que ele vai fazer. — Luis, se você me assustar ou me puxar para baixo vou te matar. Eu juro. Eu estava brincando quando eu disse 'venha'. Eu continuo chutando. Não há nenhum sinal de Luis, nem mesmo uma ondulação na água, indicando que ele está perto de mim. O suspense está me deixando louca. Eu espero, ainda chutando. Eu sei que ele está aqui em algum lugar, a menos que ele realmente seja um peixe e está respirando debaixo d'água em alguns submundo mágico. Ele virá para cima... mas quando? Ele explode fora da água ao meu lado, fazendo um respingo grande com todo o seu corpo. Eu soltei um grito muito geeky, que o faz rir. Ele tira a água do rosto com a mão. — Você não é tão corajosa quanto você pensa que é, mi chava. — Eu sou corajosa quando os caras não estão avançando pra cima de mim. — Eu não rastejo. — Persegue? — Eu não faço isso também. Quando eu gosto de uma garota, eu não sou sutil. Na terceira série eu coloquei uma carta de amor na mesa de Selena Ibarra. — O que aconteceu? Será que ela a leu? — Sim. Ela riu. E ela mostrou a todos no parque infantil. Eu fui feito de diversão até que meu irmão Carlos ameaçou chutar a bunda de alguém que me desse merda. Ninguém realmente me incomodou depois disso. Carlos é intimidante quando ele quer ser. — Você acha que ele vai chutar a minha bunda se eu lhe der merda?

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— Ele está no exército, postado no exterior. Acho que você está segura. — Bom. — eu digo. — Então, ele não vai se importar se eu fizer isso. — Quando eu chego a enterrá-lo, ele vai para baixo com facilidade. Quando ele volta, estamos cara-a-cara. Minha respiração fica mais difícil e mais rápida. Eu não sei se é porque eu estive no lago por muito tempo ou porque ele me lembra muito do Marco. De repente, eu não consigo ver claramente e minha cabeça gira. — Whoa. — eu digo. — O que há de errado? — De repente, estou tonta. — Eu alcanço e freneticamente agarro seu braço para apoiar. — Você está bem? — Pergunta ele, a preocupação em sua voz. Seu braço livre atinge em volta da minha cintura e me mantém em um aperto firme, protetor... como um herói. Nossas pernas tocam sob a água e parece íntimo, mesmo que isso não seja. Eu rapidamente solto minha mão de seu braço. — Sinto muito. Eu só... fiquei tonta por um segundo. Eu estou bem. Eu pensei que Marco fosse meu herói, mas ele não era. Heróis são apenas personagens de contos de fadas. Eles não existem. Pelo menos no meu universo, eles não existem. Luis está perto de ser um hoje, no entanto. Ele me leva de volta para o barco, fica ao meu lado o tempo todo e perguntado periodicamente se eu estou bem. Antes de subir de volta, ele bate no meu braço. — Nik? — Sim. — Só para você saber, eu estou me divertindo. Concordo com a cabeça e dou um pequeno sorriso. — Eu também. É uma coisa boa que nós estabelecemos que este não era um encontro.

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— Eu devo aviså-la que pretendo passar o resto do dia tentando fazer sua mente. — diz ele com um grande sorriso no rosto.

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19 Luis Após a prática do futebol na segunda-feira, Marco e eu estamos passando um tempo em sua casa. Ele revira os olhos quando eu insisto em fazer minha lição de casa antes de sair e festejar com outros caras. Depois que fiz minha lição de casa, Marco e eu entramos em seu SUV preto com vidros escuros e dirigimos pela cidade. — Eu tenho saído com Nikki. — eu digo a ele quando voltamos descendo a Green Bay Road. — Eu sei. — Você tem um problema com isso? — O problema que eu tenho é com você é vadiando com Derek e Ben - rapazes do norte. Você pertence a nós, Luis. Você é um de nós. — Eu não estou sacaneando você. — Apenas saiba onde está sua lealdade. ¿Comprendes, compa? — Sí. — Bien. Agora vamos para a festa na praia, onde estão as verdadeiras latinas. Eu não digo a ele que Nikki é uma verdaeira latina e eu não consigo tirá-la da minha cabeça. Depois do nosso não-encontro no

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barco de Derek, ela disse que precisava de espaço. Eu estou dando a ela, mas não posso negar que quero estar com ela. Marco dirige para o Lago Michigan. Ele não estaciona perto da praia pública. Em vez disso, ele para direito e se dirige para a parte isolada da praia, onde o Sangue utiliza para passar o tempo. — Por que aqui? — Eu pergunto. O Sangue não está ativo no Fairfield mais, então eu acho que esta parte da praia está deserta. Mas não está. — Você não ouviu a notícia? — Marco pergunta. — Quais são as notícias? — Chuy Soto saiu do DOC na sexta-feira. Eu congelo. Chuy é um filho da puta perigoso. Eu não acho que ser preso o reformou. Se ele está de volta, isso significa que o SL está prestes a ficar mais forte? Eu vi mortes de gangues, espancamentos e besteira. Mas eu também vi a honra e a lealdade os caras de gangues têm para seus amigos. A praia está cheia de caras do meu bairro, meu povo. Gente que eu não vi desde que me mudei de volta saíram da toca, para esta festa de boas vindas para Chuy. Nós jogamos futebol na praia por um tempo. Depois, Marco pega uma lata de cerveja de um refrigerador. Ele engole o álcool até que o líquido esteja escorrendo dos lados da boca. Quando terminou, ele limpa a boca com as costas da mão, joga a lata vazia no chão e bate os joelhos juntos, como se tivesse feito um touchdown. Marco me joga uma lata. — Sua vez. Abro a lata e engulo-a na esperança de que o álcool vá apagar a imagem de uma imersão da Nikki molhada em um biquíni da minha mente. Infelizmente, isso não acontece. Chego no refrigerador e pego outra lata. Eu tomo grandes goles, esperando o zumbido. Eu não fiquei bêbado muitas vezes, mas, novamente, não são muitas vezes uma garota invade minha mente.

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— Luis, venha aqui! — Marco grita, me acenando. Eu vou em direção de onde Marco e seus garotos estão falando. — E aí? — Eu pergunto. — Esse é Chuy Soto. — Ele balança a cabeça na direção da pessoa mais recente a andar pela praia. O cara é tão grande como um urso, tem tatuagens cobrindo completamente os braços e pescoço e anda com um ambiente intimidativo com a arrogância de nem-foda-comigo-ou-você-está-morto. Para completar o visual, um charuto sai do lado da boca. Todo mundo está em silêncio. Chuy para quando ele me alcança. Se eu não tivesse crescido com membros de gangues toda a minha vida, eu provavelmente estaria cagando nas calças agora mesmo. — Eu ouvi que um Fuentes tinha agraciado Fairfield com sua presença. — Chuy, diz e estende a mão para mim e chacoalha. — Eu o trouxe. — diz Marco, orgulhosamente tomando o crédito. Eu aperto a mão de Chuy com um aperto forte. Caras como Chuy respeitam quem não treme em suas botas quando é abordado. — Caballeros, deixe-me falar com Fuentes sozinho. — diz Chuy. Não é preciso mais do que isso para Marco e os outros caras se dispersarem. Marco junta-se ao resto da gangue que estão em volta de uma grande pilha de madeira e paus que estão prestes a acender. — Eu pedi a Marco para trazê-lo aqui esta noite — diz ele. Isso não faz sentido. Pelo que eu ouvi, Chuy pensa no meu irmão como um traidor desde que ele pulou fora do Sangue. Por que a súbita mudança de coração por um irmão Fuentes? Se Chuy considera Alex um inimigo, porque estou seguro de sua ira? A não ser que ele espera que eu substitua Alex na gangue. — Eu pensei que você estivesse preso. — eu digo. Ele sorri, com o charuto ainda saindo do lado de sua boca. — Vamos apenas dizer que eu saí por uma questão técnica. — Ele se

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inclina para a frente e fala em voz baixa. — Escute, eu preciso reconstruir o Sangue Latino e você vai me ajudar a fazer isso. — Por que eu? Eu não estou ligado. — É aí que você está errado, Luis. Você nasceu um Sangue. — Ele me dá um tapinha nas costas. — E você vai ser um SL até o dia em que você morrer. — Se eu fosse um animal, eu provavelmente seria... — de Luis Fuentes Normalmente eu gosto de escrever ensaios. No ano passado eu escrevi um artigo em Inglês sobre o porquê que certos aspectos da cultura mexicana haviam sido tão completamente integrados na sociedade americana. Eu tenho um A, é claro. Sr. Heilmann de alguma forma teve-no impresso no jornal local, o que foi muito legal. Mas agora eu estou perplexo, o que raramente acontece. Aposto que a maioria dos rapazes da minha turma vai escolher um leão, o rei da selva. Eu não sou o rei e nunca serei. Pensando em um rei me faz lembrar de Chuy Soto. Minha caneta está pronta sobre o meu papel. Pergunto-me se eu estava bêbado na noite passada ou se Chuy realmente disse que ele espera que eu o ajude a reconstruir o Sangue Latino. Eu olho para uma foto de Alex, Brittany e Paco na parede. Mi'amá tem o dia de folga. Eu percebo que ela não está cozinhando, como eu pensava. Ela tem um cigarro pousado entre os dedos, enquanto ela paira sobre a pia. — Eu odeio quando você fuma. — digo a ela. — Isso me relaxa. — Ela dá uma tragada no cigarro e bate as cinzas na pia. — Me foi oferecido um emprego, ontem, como recepcionista. É no hospital onde trabalha Elena. — Isso é legal. — É dinheiro decente e inclui benefícios para a saúde. — diz ela, em seguida, levanta o cigarro aos lábios novamente.

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— Você está bem, mãe? Parece que você está surtando. — Estoy bien. — Ela sopra fumaça. — Bem, nem tudo está bem. Recebi um telefonema hoje que Carlos foi ferido. Eu começo a entrar em pânico quando imagens horríveis de soldados que voltaram em cadeiras de rodas e perderam membros fazem um redemoinho na minha cabeça. — O que aconteceu? Seja honesta. — Nada sério, mas ruim o suficiente para que ele volte para casa para se recuperar. — O que quer dizer que não é nada sério? — Eu pergunto. — Se ele está voltando para casa, isso tem que ser ruim. — Foi sua perna. Ele teve que fazer uma cirurgia e não podia se juntar ao resto de sua unidade, de modo que eles estão o forçando a tirar uma licença médica. Ele também tem que decidir se quer realistar. Eu o quero em casa, mas... — Você ouviu que Chuy Soto saiu da cadeia. — Elena acaba de saber de Jorge. — Ela aponta o cigarro à porta. — Você apenas certifique-se de ficar longe dele. Eu não quero você ou Carlos arrumando confusão com ele ou o SL. Tarde demais para isso. Eu esfrego o nó se formando na parte de trás do meu pescoço. Como posso dizer isso? Hesito e as palmas das minhas mãos ficam suadas. — Mãe, eu cheguei a receber a ‗benção‘ da SL? — Onde você ouviu isso? — Chuy Soto me disse algo sobre ter nascido do Sangue e, bem, eu não sabia o que ele queria dizer. Ela aponta para mim, seu dedo trêmulo. — Você não ouça Chuy, Luis. Você está me ouvindo? Basta ficar longe dele. — Ele está conduzindo as coisas novamente. Ele quer reconstruir o SL.

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Eu sei que tenho um louco e perigoso desejo de me colocar em perigo. A maior parte eu já controlei, mas quando eu conheci Chuy noite passada... Eu meio que tive uma descarga de adrenalina com a perspectiva de enfrentá-lo, para fazê-lo pagar por sua participação, quando Alex pulou fora, o que quase lhe custou a vida. Mi'amá dá mais uma tragada no cigarro. — Basta manter distância e não fazer perguntas. — Não tenho direito de saber por que o novo chefe do Sangue pensa que eu sou um deles? — Eu pergunto. Ela coloca as mãos no meu rosto. — Não, Luis. Sem perguntas. Estamos sempre melhor se não fizermos perguntas. Você está seguro. Estamos todos a salvo, desde que você fique longe de Chuy. Eu não digo a ela que não quero ficar longe, porque quero descobrir o que Chuy planejou. Quanto mais poder ele tiver, menos poder o resto de nós em Fairfield tem. Se Chuy tem controle, ele pode pedir vingança contra Alex. Se a minha família está em perigo, eu preciso saber. Me aproximar de Chuy é a minha única opção.

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20 Nikki Derek tem sempre uma festa em seu aniversário porque seus pais estão sempre fora da cidade em uma conferência anual de vendas no mesmo tempo. É algo que todo mundo em Fairfield aguarda com expectativa. Eu estava realmente animada para vir a festa de Derek hoje à noite. Eu não me abri física ou emocionalmente com Luis, desde que fomos ao barco de Derek, há duas semanas, mas eu tenho pensado nisso todos os dias. Kendall e eu chegamos na festa mais cedo para decorar a casa. Derek pegou do seu irmão mais velho a identidade e eu comprei alguns barris. Normalmente, eu não bebo, mas Luis me mandou uma mensagem e disse que viria aqui esta noite. — O que você está fazendo? — Derek pergunta quando encho um copo de plástico até a borda com cerveja e começo a beber. — Perdendo minhas inibições. — digo a ele. — O que acha que estou fazendo? — Você não bebe, Nikki. Eu levanto o meu copo no ar. — Eu bebo agora. — Kendall! — Derek grita, obviamente, não sabendo como lidar comigo. — Vem cá! Kendall espreita para a cozinha. — O que está acontecendo?

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Derek aponta para mim. — Sua melhor amiga está tendo um solo pré-festa. Kendall ri quando eu tomo outro gole. — Umm... não é uma boa ideia, Nik. — Sim, é. Luis está vindo aqui esta noite. — Estou começando a me sentir menos estressada em estar com ele, mais eu bebo. Kendall e Derek trocam olhares entendendo. — Não é o que você pensa. — eu digo. — Eu só quero saber o que seria fingir que somos um casal. — Fingir? Admita que você gosta dele. — diz Kendall. — E lide com esses sentimentos. Ficar bêbada é como um curativo que não vai colar. — Eu te disse, eu não tenho sentimentos por ele. — Eu ri com o pensamento. Kendall dá tapinhas no peito de Derek. — Derek, faça alguma coisa... diga alguma coisa. Derek segura as mãos. — Eu não vou tocar essa conversa com uma vara de dez metros. — Ele sai rapidamente quando a campainha toca. Eu quase derrubo o copo inteiro e me derramo mais. — Você sabe que o Luis foi o primeiro cara que beijei desde Marco? — Eu sei — disse Kendall. — Eu penso muito sobre isso. Mais do que muito, na verdade. Luis é perfeito para praticar, certo? Kendall pega o copo da minha mão. — Eu não acho que você deva usá-lo para praticar. Você vai machucá-lo. — Não, eu não vou. — eu garanto. — Ele admitiu que ele é um jogador, assim como Marco. Ele é foi único que disse que deveria apenas se divertir. Eu vou ter certeza de que ele sabe tudo o que acontece entre nós é apenas casual.

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— As garotas gostam que Mariana tenha encontros casuais e não você. — diz Kendall. Quando eu pego outro copo e encho até a borda, ela deixa cair o assunto. — Não diga que eu não avisei. — Eu vou ficar bem. Você me diz que preciso relaxar. Luis me diz a mesma coisa... Eu vou dar uma chance. Uma hora mais tarde, a música está tocando e o lugar está lotado. Eu definitivamente estou tonta e quero encontrar Luis. Eu viro o resto que está no meu copo, atiro-o no lixo e me empurro na multidão para encontrá-lo. Ele é não está a vista. Pergunto ao redor, mas ninguém o viu. — Ei, Nikki. — diz Justin Dougan, sorrindo grande com dentes que são tão brancos que aposto que uma pessoa cega podia vê-los. — Você está quente. — Umm... eu meio que tinha planos com... — Eu estou prestes a dizer Luis, mas nós realmente não temos planos. Eu tenho planos. Acabei de assumir que Luis vai junto com eles. E sair com Justin Dougan não está definitivamente nos meus planos. — Vamos lá em cima comigo. — diz ele, pegando meu cotovelo e me incitando para longe da multidão de festeiros. — Eu não vou lá em cima com você, Justin. — Ele não é aquele das minhas fantasias. — Confie em mim. — diz Justin. — Eu não vou tentar qualquer coisa. — Eu não confio em qualquer cara que diz ‗confie em mim‘. Eu... preciso de ar. — Tudo bem. Então se afaste de mim. Antes que eu pudesse protestar, Justin me leva para fora para o deck da piscina. O tempo todo eu estou esticando o pescoço para ver se eu posso pegar um vislumbre de Luis, sem sorte. Ele disse que estaria aqui, mas talvez tenha mudado de ideia. Justin está bêbado também. Eu posso dizer pelo jeito que ele se depara com o deck antes de se sentar em uma das cadeiras. — Sente-

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se ao meu lado — , diz ele, em seguida, agarra meu pulso e me puxa para baixo. — Você parece uma pamonha quente. — Isso não é realmente um elogio. — digo a ele. Ele se inclina para mim. Eu não sei se ele está caindo sobre mim ou tentando me sentir para cima. De qualquer maneira, ele cheira a cerveja e suor. Não é uma boa mistura. Eu o empurro de cima de mim. — Ei. — eu ouço Luis dizer quando aparece. Ele fica bem em jeans que penduram fora de seus quadris apenas um pouquinho e uma camiseta que parece tão desgastada que é provavelmente tão suave quanto seda. Justin olha para ele. — Vá embora, Mex. — Nikki também é mexicana, seu idiota. — diz Luis. Justin endurece. — Quem você está chamando de idiota? — Ninguém! Ele não quis dizer isso. — eu digo. — Certo, Luis? — Não é verdade. — diz Luis. — Eu quis dizer isso. Justin está prestes a se levantar e desafiar Luis quando Derek agarra o braço de Justin e o guia para longe de Luis. — Dougan, eu preciso de sua ajuda. — Com o quê? — Justin pergunta. — Apenas... alguma coisa. — Derek o leva para dentro da casa, deixando-me sozinha com Luis. Luis está olhando para mim como se eu o tivesse traído. — O que você estava fazendo sentada com esse pendejo? — Eu não estava realmente sentada com ele... Ok, eu estava, mas... — Eu suspiro. Esta noite não está indo como planejei. Estou tonta e eu não sei como explicar que estive esperando por ele todo esse tempo. Eu posso mostrar-lhe, no entanto. — Siga-me. Ele hesita. — Vamos lá. — eu digo, pegando sua mão e o levando para a casa da piscina. Eu sei que a chave está escondida no vaso. Eu a pego e

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abro a porta com uma coisa em minha mente: deixar minhas inibições e beijar Luis, como eu fiz na minha casa. Desta vez, não será interrompido. Luis tenta ligar o interruptor de luz, mas eu coloquei minha mão sobre a dele. — Tranque a porta. — digo a ele. Ele faz. Eu ando mais para dentro do quarto. — Eu não queria estar com Justin hoje. Você está certo, ele é um pendejo. — Eu não gosto de ver você com ele. — diz ele. — Eu não acho que eu gostaria de vê-la com qualquer outro cara... além de mim. Agora eu tenho uma necessidade desesperada de ser abraçada por ele. Isso não vai me definir. Trata-se de se divertir e viver a fantasia. — Me abraça. — eu digo. — Por favor. — Você está bêbada. — diz ele. — Só um pouco tonta, isso é tudo. — Nikki. — ele sussurra quando ele se aproxima. Assim que eu sinto o calor de seu corpo, eu me aproximo e corro lentamente minha mão pelo seu braço. — Não fale. — eu sussurro. Se ele falar, poderia dizer algo para estragar o momento. Para ser honesta, eu estou com medo do que ele vai dizer. Estar aqui, no escuro, faz com que isto seja surreal. É como uma mistura de fantasia e realidade, tudo engrenado em um. Eu estou totalmente bem com a vida na terra da fantasia, agora, porque é o que eu preciso. Se isso parecesse muito real, eu não seria capaz de ir até o fim. Eu escovo meus lábios do seu rosto ao ouvido. — Segure-me, como você queria no barco. Em um segundo ele envolve seus braços em volta de mim, uma doce calma lava sobre todo o meu corpo. Isso me lembra que ele me segurou protetoramente quando estávamos no Fox Lake. Eu não estou

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me iludindo em pensar que esta incrível sensação vai durar para sempre, mas eu me deleito com seu abraço. Eu estou vivendo o momento e isso é tão surpreendentemente bom que nunca quero que acabe. Seus braços estão acariciando minhas costas lentamente, o calor de seus dedos fortes queimando minha pele através do meu top de seda. Eu o empurrei para longe por tanto tempo, mas hoje a pressão está desligada. Com determinação renovada, eu alcanço e toco meus dedos em seu rosto. Ele recua. — Você tem certeza disso? — Definitivamente. — eu digo. — Você é minha fantasia esta noite. Tudo bem? — Fantasia, hein? — Sim. Como no oposto da realidade. — Eu ri, tonta só de estar aqui com ele. Estou animada para colocar meu plano em movimento. — Só por hoje, vejamos o que acontece. — E amanhã? Amanhã? — Eu não pensei tão longe. Eu só quero fazer com você agora. Você quer? — Isso depende. — De quê? — Eu pergunto. Ele se inclina e beija direto no ponto sensível do meu ouvido, então sussurra: — Se você quer parar nos beijos ou ir mais longe? Quando ele escova os lábios lentamente pelo meu pescoço, eu jogo minha cabeça para trás e espero que ele continue indo devagar. Eu não estou acostumada a ir devagar. — Isso é tão bom. — Eu lamento quando ele deixa os lábios no lugar onde ele pode sentir meu pulso. Ele beija o local levemente. — Continue fazendo isso.

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Ele beijá lá novamente. E mais uma vez. E mais uma vez. — Seu pulso está correndo. — ele sussurra contra a minha pele. — Não me diga. — eu digo, o que o faz rir. Eu coloquei minha mão em seu peito. Através de sua camisa, eu posso sentir seu coração batendo forte e rápido contra minha palma. — O seu também. — Mmm. — diz ele, antes de sentir a suavidade de sua língua quente, molhada substituir seus lábios no meu pulso. Whoa. De repente eu fico tonta e agarro os ombros me apoiando. Seus braços fortes travam em volta de mim imediatamente e me segura firme, como se ele estivesse mais do que disposto a ser o meu herói esta noite. Eu preciso de um herói. É romântico. As persianas estão fechadas e temos total privacidade do caos exterior. Algumas barras de luz fracas entre as ripas rompem a escuridão da sala. Eu não sei se é o álcool que bebi que me faz querer tanto dele, mas eu nunca me senti desse jeito - nem mesmo com Marco. Eu gostaria que isso pudesse durar para sempre. Quando seus lábios fazem um caminho no meu pescoço e ele empurra delicadamente as alças do meu top para longe para beijar o topo de meu ombro, eu não aguento mais. — Se você não me beijar eu vou morrer. — Eu ofego. — Esqueça ir devagar. — Eu pensei que você disse que a ação da minha língua precisa trabalhar mais. — Eu menti. Quer tentar de novo? — Oh, sim. — diz ele. — Realmente ruim. Ele hesita por uma fração de segundo, mas então sinto suas mãos na minhas bochechas, enquanto seu polegar se move para trás e para a

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frente como uma carícia suave em meus lábios. Eu fecho meus olhos e beijo seu polegar. — Isso é bom? — Ele pergunta, substituindo o polegar com um toque de lábios. — Sim. — eu sussurro de volta. Minhas mãos tecem em seu cabelo. Eu devo estar mais tonta do que penso, porque tudo o que posso pensar quando seus lábios tocam os meus é que gostaria que pudéssemos ficar assim para sempre. Um movimento de sua língua contra meus lábios faz minha respiração parar. — Deixe-me provar você, mi muñeca. — Ele geme. Eu limpo minha cabeça de todos os pensamentos e inibições quando minha língua tenta alcançar a dele. Ele está a um fôlego de distância, esperando por mim. Quando nossas línguas colidem, é quente, molhado, escorregadio e lento... parece sujo, sexy e bonito ao mesmo tempo. Eu derreto quando ele me segura forte. Nossas bocas estão abertas e degustando um ao outro. Eu me sinto se meu interior fosse lava derretida quando ele coloca as mãos na minha bunda e me puxa mais perto. Eu o sinto contra mim e sua reação corporal óbvia com o nosso beijo faz meu corpo doer por seu toque. Nós dois estamos respirando pesadamente agora. O lugar não tem ar-condicionado e eu estou começando a suar. Em um movimento, quebro o nosso beijo e puxo meu top sobre a cabeça. Estou aqui de shorts e sutiã. Pego sua mão e a coloco sobre o meu sutiã. Sua respiração prende e o ar quente que nos rodeia parece eletrificado. Seus dedos roçam o cetim da seda do meu sutiã e a pele sensível entre os meus seios. Suas mãos são hábeis e lentas. Ele está me provocando e eu estou respirando mais difícil na expectativa que ele vá puxar o tecido de lado.

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Esperar é uma tortura completa. Eu não consigo esperar mais. Alcanço o fecho e solto meu sutiã, depois o deixo cair no chão. Eu gostaria de poder ver seu rosto agora. — Sua vez. — eu digo brincando, em seguida, dou um puxão na parte inferior da camisa. — Eu quero sentir sua pele contra a minha. Ele hesita novamente. — Está tudo bem. — digo a ele. — Não pense demais nisso. Nós estamos nos divertindo. Não é isso que você quer? Sem mais hesitação, ele arranca a camisa e imediatamente me puxa contra ele. Meus seios esmagam contra seu corpo duro e magro. Enquanto ele acaricia minhas costas nuas e suas mãos se movem para baixo ele coloca as mãos novamente na minha bunda, eu envolvo meus braços em volta de seu pescoço e minhas pernas em volta de seu corpo. Suas mãos me seguram suspensa no ar, até que ele me carrega para a parede mais próxima. Ele se aperta contra o meu corpo, segurando-me contra a parede, enquanto nós roçamos um contra o outro. Sua dureza pressiona contra a minha suavidade, e eu gostaria que estivessemos nus, mas ao mesmo tempo estou feliz que nós não estamos, porque agora eu não estou no controle. Eu perdi e tenho a sensação de que ele o tem. — Diga-me para parar. — Ele geme contra meus lábios. Eu peço. Eu não posso. Em vez disso, coloco minhas pernas em volta dele com mais força, instando-o a manter em movimento. Ele faz. Eu mordo com força o lábio inferior quando as coisas ficam muito intensas, muito emocionais. Minhas mãos estão em seu peito quente e eu não consigo segurar mais. Eu envolvo meus braços em volta dele mais apertado e choramingo contra seu pescoço. Todo o meu mundo explode ao meu redor e o sentimento não vai parar. Então eu o sinto me agarrar apertado enquanto ele se desfaz em meus braços. É só que... wow.

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— Isso foi incrível — eu digo fracamente depois de descer do alto e recuperar o fôlego. — Para ser honesta, eu estava nervosa durante toda a semana. Mas... esta foi uma grande fantasia, não foi? Ele ternamente toca no meu cabelo, então corre suavemente os dedos por ele. — Foi mais do que isso, mi chava. — Yo, Luis! — A voz de Marco chama do lado de fora da casa da piscina. Toc, toc, toc, toc, toc. — Luis, você está aí?

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21 Luis Nikki cobre rapidamente sua nudez com as mãos e sussurra com voz desesperada: — É Marco. O que ele está fazendo aqui? — Eu não sei. — Meu corpo ainda está descendo e eu não consigo pensar direito. Eu quase não tinha tempo para me recuperar e eu sei que há uma boa chance da prova do que acabamos de fazer ser visível. Não é bom. Toc. Toc. Toc. — Eu vou me livrar dele. — Eu pego suas roupas e entrego-as a ela. Eu vejo quando Nikki segura o sutiã e top no peito. — Obrigada. — ela sussurra. Ela corre atrás de mim, mas eu pego sua mão e gentilmente a incito para me enfrentar. — Estamos bem? — Eu sei que é uma coisa estúpida de se dizer, mas outras palavras não vêm. Eu quero dizer mais, muito mais, mas eu não posso. — Sim, estamos bem. Apenas... vá. Ela se tranca no pequeno banheiro, enquanto eu tenho certeza que minha camisa cobre qualquer evidência de nosso encontro. — Que porra que você demorou tanto? — Marco pergunta.

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Merda. Pense em algo rápido. — Dando uma mijada. O que você está fazendo aqui? Achei que você não fosse a festas com o pessoal do Norte. — Eu não festejo com eles, mas tenho negócios. Pelo negócio, ele quer dizer drogas. — Você é loco. — E me orgulho disso. Ele espia por cima do meu ombro e examina a casa da piscina, mas as luzes estão apagadas, então, ele não pode ver nada. Eu fecho a porta e saio, na esperança de guiar Marco longe de Nikki. É óbvio que ela não quer que ele saiba o que aconteceu entre nós. Inferno, ela pode querer negar o que nós fizemos. Ou talvez ela estava tão tonta que não vai nem se lembrar pela manhã. Marco e eu entramos na casa principal. — Este lugar é chato. Vamos sair — diz ele, empurrando através da multidão de pessoas que nos olham desconfiados. — Quem convidou os chicanos? — Justin Dougan chama quando nós saímos. Ele está no gramado da frente com um monte de caras na equipe de futebol e eles não estão sóbrios. Estão todos rindo e dando high fives15 com Dougan por nos insultar. Marco e eu paramos, nos olhamos já sabendo e juntos viramos o rosto para Dougan e sua turma. — O que diabos vocês nos chamaram? — Marco pergunta, pronto para uma luta. — Você me ouviu. — disse Dougan. — Nós só permitimos que os imigrantes limpem nossas casas ou cortem nossos gramados. — Sério? — Diz Marco. — Porque quando fodi sua irmã no seu quarto há duas semanas, ela não disse nada sobre isso. Na verdade, eu sei em primeira mão que ela adora comer grandes, e gordos burritos. Oh, cara. As narinas de Dougan dilataram e seu grupo avançou para nós. — Você está morto, Delgado.

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É aquele gesto de bater a mão na do outro, no alto, com a mão espalmada.

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— Será que você realmente fodeu sua irmã? — Murmuro pelo de lado da minha boca pra somente Marco ouvir. Ele sorri maliciosamente e acena. — Volte para o México, onde seus animais pertencem. — disse Dougan, em seguida, cospe em nós como se fôssemos animais que ele nos acusa ser. Sem hesitar, Marco cuida dele. Eu cuido das suas costas, mas dois amigos de Dougan o retiram e começam a esmurrar Marco com seus punhos. Não demorou muito para os meus próprios punhos começarem a voar. E não demorou muito para que uma multidão se reunisse. Eu não entro em brigas com frequência, mas quando eu faço a besta se libera com uma vingança. Talvez Dougan esteja certo e eu seja um animal. O instinto de lutar está no meu sangue Fuentes. Dois caras estão me segurando no chão, enquanto um terceiro está chutando meu estômago. Isso nem mesmo dói... com cada golpe a raiva vai subindo à superfície e fica mais forte. Eu saio do alcance dos dois e derrubo dois deles antes que eu comece a lutar para me levantar e tirar um cara de cima de Marco. Eu luto com um cara no chão, socos até que ele para de lutar. Então Dougan e eu o alcançamos. Ele me dá um soco que na mandíbula. Eu retalio com um soco que o derruba. Eu nem sequer percebo as luzes intermitentes azuis de um carro da polícia até que dois policiais me fixam no chão. Uma coloca o joelho nas minhas costas e começa a me algemar. Eu olho e vejo outros dois policiais algemando Marco. — Se levante Luis. — um dos oficiais ordena. Huh? Eu conheço essa voz. Eu me viro para olhar o policial. Puta merda. É ninguém menos que o Oficial Reyes, o meu vizinho do lado e o cara que vem flertando com mi'amá. — Merda — eu gemido. — Você não. — Você conhece esse garoto? — Outro policial pergunta a Reyes.

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— Sim. E eu sei que sua mãe não vai ficar feliz que ele entrou em uma briga. — Reyes aparece no chão ao meu lado. Dois pacotes embrulhados em papel celofane azul está deitado na grama. — O que é isso? — Ele me pergunta. — Aquilo saiu do seu bolsos quando você estava lutando? — Não. Ele pega os pacotes. — Parece que com os golpes caiu — um dos policiais segurando Marco diz. — Vocês dois estão com isso hoje à noite? — Ele nos pergunta. Marco balança a cabeça. — Não, senhor. — Cesar, eu juro que não é meu. — digo a ele. Olho para a multidão e vejo Nikki em pé, com a mão sobre a boca em choque. Quando nossos olhos se encontram, eles se transformam em desgosto. Ela não acredita em mim. Pela expressão no rosto de Reyes, ele não acredita em mim também. Ele deixa escapar uma respiração lenta e balança a cabeça em frustração. — Tudo bem. Vocês dois, pra viatura. Agora! Disseram-me para abrir minhas pernas para Reyes poder me revistar. — Tem as armas, drogas ou agulhas em você, Luis? — Não. — eu digo. — Você está alto ou bêbado? — Pergunta ele, as mãos acariciando cima e para baixo minhas pernas. — Não. — Então por que você está lutando? Eu dou de ombros. — Só pra sentir isso, eu acho. — Tenho certeza de que ele não dá a mínima se o pendejo nos chamou de

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chicanos e pensa que mexicanos devem ser cidadãos de segunda classe. — Acho difícil, porque eu sou o único que vai ter que chamar sua mãe para explicar por que eu o tenho em custódia e suspeito que estavam lidando com alguma merda muito séria. Eu prefiro lhe dar uma razão para que você pensasse ser uma boa ideia fazer todo o caminho para o lado norte da cidade para causar problemas. O quê, Reyes acha que os mexicanos pobres só são permitidos no lado norte para cortar a grama e as casas limpas, também? — Eu não vim aqui para causar problemas. — digo a ele. — Sério? Por que você está aqui? — Ele foi convidado. — A voz de Derek fala. — Por mim. — E quem diabos é você? — Pede Reyes. — Eu moro aqui. — Deixe-me ver sua identidade. — Derek puxa seu documento e Reyes examina. Reyes dá uma risada curta. — Feliz aniversário. — Obrigado. — Escute, eu tenho certeza que você está ciente de que a idade legal para beber em Illinois é vinte e um. Você tem dezoito anos. — Reyes tsks e balança a cabeça. — Onde estão os seus pais? — Vegas. — Então você pensou que daria uma festa de aniversário enquanto eles estavam fora? Derek concorda. — Parecia uma boa ideia no momento. — Uh-huh. Consiga que todos saiam da sua casa, tranque-a e vá com a gente até a estação para que possamos ligar para seus pais. — diz Reyes. Derek é um gringo legal por vir aqui e responder por mim. — Não o leve, Reyes. — eu digo. — Dê um tempo pro cara. É o seu aniversário.

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Reyes balança a cabeça. — Aniversário não é uma licença para violar a lei, Luis. Sou conduzido a parte de trás de uma das viaturas, enquanto Marco e Derek são levadas para outra. Dois oficiais se afastam enquanto Reyes vai até Dougan e seus amigos. Ele fala com eles por um tempo, tomando notas o tempo todo. Depois de um tempo Reyes e seu parceiro caminham de volta para o carro da polícia que estou dentro Reyes para no banco do motorista e se vira para mim. — Você realmente estragou tudo hoje à noite. — Diga-me ‗ataque isso‘. — Ouça, Luis. Eu me preocupo com a sua mãe. Você se envolver em brigas e tráfico de drogas vai machucá-la seriamente. — Eu já lhe disse que a coca não era minha. — Estava escondida com seu amigo? Eu dou de ombros. — Eu não sei. — Aqui está o negócio. Eu vou liberar você e seus amigos esta noite, depois de chamar seus pais, porque eu não encontrei as drogas com você e algumas testemunhas disseram que você e Marco foram perseguidos antes da luta. Mas eu vou estar te observando como a porra de um falcão de agora em diante. Se eu descobrir que você está traficando ou entrar em mais brigas, eu vou estar na sua bunda tão rápido que sua cabeça vai girar. Porra, esse cara vai arrastar seu caminho na vida de mi'amá, e agora ele está agindo como um pai comigo. Eu vivi sem um pai toda a minha vida e tenho feito muito bem. — Você não é meu pai. — eu o lembro. — Você está certo. Se eu fosse, eu iria trancá-lo no reformatório essa noite para lhe ensinar uma lição.

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22 Nikki Eu baixei minha guarda, o que não estava no plano. Hoje à noite, quando Luis e eu estávamos na casa da piscina, eu me permiti acreditar que Luis e Marco são completamente diferentes. Isso foi antes de eu o ver brigar. Luis e Marco estavam do mesmo lado, lutando contra Justin e alguns caras do time de futebol. Os punhos de Luis estavam voando e a pior parte é que eu acho que ele gostou - como se a luta alimentasse alguma necessidade nele. Eu não sei quem começou a briga. Não importa, na verdade. Luis não caiu fora. Em vez disso, ele era o último homem de pé, pronto para assumir qualquer um que ousasse desafiá-lo. Ele não parou até que a polícia o impediu fisicamente. E então eu vi as drogas no chão junto ao seus pés. Eu não posso estar com alguém que briga e trafica drogas. Marco usava a briga para ficar suspenso. O Diretor Aguirre diz que tem uma política de tolerância zero, mas rapidamente percebeu que na nossa classe de Fairfield entrou o primeiro ano, deu a todos as três suspensões e, em seguida, os expulsou, dificilmente teve todos os estudantes do lado sul se afastando. Aguirre ainda ameaçava expulsar alunos, mas raramente segue fazendo.

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Eu preciso me forçar a parar de pensar em Luis. Quando eu caio na cama depois que chego em casa, eu não posso evitar, mas me odeio por sentir esta noite tão vulnerável. Eu deixei minhas inibições e sabia o que estava fazendo. Mas Luis não me disse que ele estava traficando drogas - que é um divisor de águas. *** Domingo de manhã vem e eu acordo esperando que Granny comece a comer sozinha. — Como Granny está? — Pergunto a Sue. — Ela não vai comer muito. Ela definitivamente está deprimida. Eu vou para sua gaiola e me sento com ela. Granny fareja o ar assim que eu abro a gaiola. — Ei, garota. — eu digo, quando chego e a levo para o meu colo. — Sentiu minha falta? Sua resposta é um abanar do rabo. Ela parece magra. Muito magra. Eu a acaricio atrás das orelhas e ela rola sobre suas costas. Quando ela parece contente, eu pego a comida em seu prato e alimento na mão. Ela come da minha mão quando coloco a comida no seu nariz. — Quer que eu te leve para casa? Ela responde cheirando com nariz em minha perna. — Eu só tenho que convencer meus pais a me deixar levá-la. — eu digo a ela. Quando estou em casa e eu digo aos meus pais sobre Granny, ambos dizem que eu não posso tê-la. — Você tem muita coisa acontecendo. — diz a mãe. — E quando você estiver fora para a faculdade, então o quê? — Papai diz. — Mas ela é velha e cega, e vivendo em uma gaiola! Se você fosse velho e cego, você gostaria de passar as seus últimos dias em uma gaiola? — Eu argumento.

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Mamãe acaricia minha mão. — Nikki, nós pensamos que é admirável você querer ajudar o cão, mas... Eu suspiro. — Só... você pode encontrá-la? Conhecê-la primeiro e depois tomar uma decisão, ok? Tenho certeza que ela vai ser um grande animal de estimação e eu sei que quando você der olhada nela, você vai ter a mesma opinião que eu. Ambos olham para mim como se eu fosse patética. Eu sei o que eles estão pensando, que eu estou tentando cuidar de um animal carente, porque eu preciso me sentir querida. Nós já passamos por isso antes. Talvez eles estejam certos. Eu não posso evitar, mas tenho uma ligação especial com os cães menos afortunados que vêm para o abrigo - aqueles que parecem impotentes. Eu me viro para o oprimido, toda vez. — Eu vou te dizer. — diz o pai. — No próximo fim de semana, se a Granny ainda estiver lá, sua mãe e eu iremos vê-la. Um grande sorriso passou pelo meu rosto. — Isso é incrível! Muito obrigada! — Abraço ambos. — Nós não estamos fazendo nenhuma promessa, Nikki. — Eu sei, eu sei. — Bem, eu sei. Uma vez que virem a Granny, vão se apaixonar por ela. *** Na segunda-feira, o murmúrio sobre a briga na casa de Derek, as prisões e as drogas encontradas nos pés de Luis está correndo solto. Eu não posso caminhar em qualquer sala sem ouvir algo sobre Luis, Derek ou Marco. Eu recebo alguns olhares de lado também. Todo mundo na escola sabe que Marco e eu namoramos, e alguns ainda nos associam. Eu evito o contato visual com Luis, mesmo quando ele chama pelo meu nome e durante o almoço eu me sento na biblioteca e estudo para o meu exame de cálculo, por isso não há chance de encontrar com ele ou Marco. No entanto, sei que estarei vendo Luis em química. No momento que chego a aula de química, a campainha toca.

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— Você não pode me ignorar para sempre. — Luis sussurra atrás de mim quando a Sra. Peterson nos instrui a ir até a pia na parte de trás da sala para limpar nossos tubos de ensaio. — Sim, eu posso. — digo a ele. — E quanto à noite de sábado, na casa da piscina? Eu congelo, lembrando o momento em que deixei ir todas as minhas inibições. Isso foi um erro e o muro está para cima novamente. — Eu estou tentando esquecer isso. — Você pode tentar, mas não vai funcionar. — Ele se inclina para mais perto. — Eu não posso esquecer isso também, você sabe. Suas palavras agitam alguma coisa dentro de mim e eu preciso atacá-lo para que se afaste. — Você sabe o que é uma porcaria? Você estava começando uma briga poucos minutos depois com Justin Dougan e descobri que você estava traficando drogas. Ele dá um passo para trás e tece uma mão pelo cabelo. — Sim, isso foi horrível. Você sabe o que é uma porcaria ainda maior? — O quê? — Que você está tão desesperada para acreditar em tudo de ruim que ouviu falar de mim. Você não é, obviamente, uma torcedora do conceito ‗inocente até que se prove o contrário‘. — Sr. Fuentes. — Sra. Peterson chama. — Pare com a conversa. Você está ciente de que há pessoas ao seu redor que precisam usar a pia? Luis olha diretamente para a professora e diz: — Para ser honesto, a Sra. P., eu realmente não dou a mínima.

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23 Luis Cansei de ficar me preocupando com as detenções - ficar depois da escola por uma hora, obviamente, vai ser uma ocorrência comum, então eu poderia muito bem adotá-la. Na verdade, a última vez que tive uma detenção eu realmente tive algum trabalho de casa feito. O problema é conseguir a detenção de um professor que insiste que você deve fazer a detenção na sua sala de aula, em vez do refeitório com todos os outros delinquentes. Estou sentado na minha cadeira habitual do laboratório e pego meu trabalho de casa. Estou prestes a trabalhar nos problemas de matemática quando Peterson está sobre mim. Eu olho para ela. Ela está me dando uma olhada feia, o que me faz querer rir, se eu não achasse que ela me daria uma outra detenção, eu faria. — Oi. — eu digo. — Não me diga oi. O que está acontecendo com você? — Ela cruza os braços sobre o peito, e eu só posso sentir que a ira de Nadine Peterson está prestes a bater como um tornado. — Você sabe mais que xingar na minha classe. Você também sabe que ter brigas particulares, no meio de uma experiência de classe é inaceitável. — Eu estou tendo um dia ruim.

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— Pela aparência dos hematomas no seu rosto, eu também diria que você teve um mau fim de semana. Quer falar sobre isso? — Ela pergunta quando se senta na cadeira de Derek e se inclina sobre a mesa de laboratório. Tenho a sensação de que ela está estacionando naquele local e não está prestes a se mexer até que eu derrame. — Não é verdade. — Ok, não fale. Eu vou falar e você pode ouvir. Eu coloquei a mão para cima, a parando. — Você pode salvar o seu fôlego. — Meu lema é que nunca é demais ter palestras. Pergunte ao seu irmão para confirmar a minha filosofia. — Às vezes você está em um ótimo caminho e chega a uma bifurcação na estrada. Às vezes você decide ir em linha reta e está tudo muito bem e correto. Mas, então, às vezes, os outros caminhos parecem um pouco mais interessantes para você optar por mudar as coisas um pouco. — E seu ponto é? — Não mude as coisas, Luis. Conheço sua família desde que tinha 11 anos de idade. Você é inteligente como Alex, você tem a energia como Carlos e você tem um encanto de garoto próprio, que é cativante. Você pode perder tudo assim. — diz ela, estalando os dedos. — Às vezes você não tem escolha sobre o caminho que você segue. Às vezes você é forçado a isso — eu respondo. Ela suspira. — Eu sei que não é fácil. Alex começou em um caminho destrutivo, mas encontrou uma maneira de fazer isso direito. Eu sei que você vai também. — Ela acena um dedo na minha cara, agindo como a professora severa que ela sempre foi. — E se você xingar na minha aula de novo, eu vou pessoalmente arrastá-lo até o escritório do Dr. Aguirre. — Você não é tão má como pensa que é, você sabe. — eu digo a ela. — A sua política de tolerância zero tem muitas áreas cinzentas.

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Ela dá um humph e desliza para fora do banco. — É a gravidez. Garanto a você que depois que eu empurrar o garoto para fora eu vou voltar para a escola mais cruel do que nunca. — Alguma sarcasticamente.

coisa

para

‗olhar

para

frente‘

eu

digo

Após a detenção, eu vou em direção a Brickstone. — Você está atrasado. — diz Fran quando passo por ela no lobby. — Eu sei. Minha professora de química me fez ficar depois da aula. Isso não vai acontecer novamente. — Certifique-se que não. Eu não tolero funcionários atrasados. — Ela estreita os olhos e chega mais perto. — O que aconteceu com seu rosto? Oh, inferno. Eu poderia mentir e dizer a ela que caí das escadas, mas duvido que ela vai acreditar em mim. Eu poderia muito bem apenas confessar. — Eu entrei em uma briga. Ela faz movimentos para eu segui-la até seu escritório. — Sente-se — diz ela, apontando para a cadeira de convidado. Ela cruza as mãos em cima de sua mesa e se inclina para a frente. — Eu já contratei e demiti mais empregados na minha carreira do que gostaria de admitir. Eu sei que você é um novo funcionário, mas hoje você está atrasado e tem hematomas em seu rosto. Meus clientes não querem ser servidos por delinquentes. Eu vi garotos como você que estão em uma espiral descendente que só fica pior. Eu dei-lhes uma chance atrás da outra, mas para ser honesta, nunca funciona no final. Eu gostaria de dar boas notícias para você, mas meus instintos me dizem que eu vou ter que deixá-lo ir. — Eu tive uma semana ruim. Apenas me dê outra chance — eu digo, mas ela já está caminhando em direção à porta. — Sinto muito. O seu último salário será enviado para sua casa. — Fran olha para o relógio, um sinal de que meu tempo acabou. — Desejo-lhe tudo de melhor em seus empreendimentos futuros. Bill — ela grita. — Sr. Fuentes não é mais um empregado. Por favor, escolte-o para fora da propriedade.

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Primeiro, ela me dispensa, então ela manda um segurança me expulsar. Fale sobre acrescentar insulto à injúria. Eu sigo Bill até a entrada da frente. — Não é você. — diz ele, quando eu entrego meu crachá e me disse para entrar em seu veículo de segurança, também conhecido como um carrinho de golfe. — Tivemos alguns incidentes no passado com ex-funcionários que ficaram no local para causar estragos. — Não tem problema, cara. Você está apenas fazendo seu trabalho. Depois de ser escoltado para fora das instalações Brickstone, eu levo meu tempo indo para casa. Como raio é que eu vou explicar que fui demitido para mi'amá? É ruim o suficiente ela não falar comigo desde que me pegou na delegacia de polícia na noite de sábado. Em cima disso eu tenho Chuy me dizendo que eu já sou um Sangue Latino, Nikki, que pensa que eu sou um pedaço de traficante de merda; Peterson respirando no meu pescoço, um policial fazendo movimentos em mi'amá, e agora fui demitido. Falar da minha semana do inferno. Uma grande SUV preto encosta para cima de mim. É Chuy. — Hey, Fuentes. Entra no carro. Quando eu era criança eu sabia que precisava ficar longe de Chuy. Uma vez ouvi Alex dizer a Paco que Chuy era um filho da puta louco que tinha professado ser seu melhor amigo em um minuto e apontar uma arma para sua cabeça no seguinte. Chuy está mais velho agora, com a pele desgastada e os olhos vazios. Mi'amá me avisou para ficar longe. Eu não tenho medo dele, e eu quero saber o que ele está fazendo. Eu não sei se isso me faz resistente ou simplesmente estúpido. Entro no carro e admiro os bancos de couro limpos e sistema de som suave. — Para onde estamos indo? — O armazém. — Ele sopra a fumaça de seu cigarro. Ele diminui a velocidade do carro antes ir desaparecendo lentamente. — Você já esteve lá? — Não.

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— É hora, amigo. — Ele dirige pela cidade. Noto que está olhando pelo espelho retrovisor e ao redor, provavelmente, certificando-se de que não está sendo seguido. Ele faz uma volta rápida em uma pequena rua entre os trilhos do trem e um parque industrial. Não demorou muito antes de conduzir através de uma área arborizada e se dirige para um prédio que tem uma grande placa dizendo QUINTERO ENVIANDO E RECEBENDO. Isso sempre foi uma fachada para o ponto de encontro de Sangue Latino. E agora que Chuy está de volta, o lugar está movimentado novamente. Eu aceito tudo isso, querendo saber como é que esse cara confia em mim. — Vamos lá — diz Chuy. — Você e eu precisamos ter um pouco de bate-papo. Alguns caras estão saindo da frente. Ele sinaliza, o sinal da gangue Sangue Latino, e sinalizam de volta, antes de partir e nos deixar passar. Ele me leva a uma sala ao lado, com um enorme sofá de couro em frente a uma televisão de tela grande. — Sente-se — ordena Chuy quando puxa um cigarro e o acende. Eu quero saber o que diabos ele quer de mim, sem mentiras. — Eu estou bem. Ele dá de ombros, depois se senta no sofá e coloca os pés em cima da mesa de café na frente dele. — Eu quero ser seu amigo. Eu mantive um olho em você desde que você deixou Fairfield. Você é um garoto inteligente, Luis. Mais esperto do que a maioria dos pendejos lá fora. — Você chutou a merda do meu irmão e o deixou como morto. Você não quer ser meu amigo, Chuy. Você quer me usar como peão. — Nós somos todos peões, Luis. A questão é que o Sangue precisa de você, e é sua hora de acelerar. Todo mundo tem que pisar em algum momento. — Para preencher o lugar de meu irmão?

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— Claro, se você quiser racionalizar isso dessa maneira. O Sangue está voltando para Fairfield. Ou você está conosco ou contra nós. Alex conhecia a marcação e foi inteligente o suficiente para vir a bordo. Ele sabia que as consequências de não se juntar quando foi abordado para fazer parte da nossa fraternidade. Ele está fora. O ônus está com você agora. — O que você está dizendo? Ele puxa uma Glock do cós da calça jeans, coloca na mesa do café com um baque forte, em seguida, olha para mim rígido, expressão séria. — Você quer manter a sua família segura, não é?

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24 Nikki Eu creio muito no sistema de justiça. O fato de que Luis insinuou que o julguei injustamente é apenas... Ok, talvez eu o tenha julgado. Mas a prova estava ali, aos seus pés. Durante o jantar, eu não consigo comer. O olhar magoado no rosto machucado de Luis depois que eu disse que ele estava traficando drogas me faz sentir horrível. Depois do jantar, eu vou para a casa de Kendall. Eu me deixo cair no pufe roxo de Kendall em seu quarto e derramo tudo. — Eu falei para Luis e ele ficou chateado que eu o julguei antes de ouvir o lado dele. Eu me sinto um lixo agora. Luis e eu estávamos na casa da piscina de Derek antes da luta. Foi intenso. — Tenho borboletas no estômago lembrando o quão longe fomos. — Eu não me lembro de alguma vez ser tão intenso com Marco e isso me assustou. Eu não posso ser sugada em um relacionamento com um cara que está em gangues e traficando. — Eu concordo com você. — diz Kendall. Ah, como eu gostaria de poder voltar no tempo e fazer Luis ignorar a batida de Marco na porta da casa da piscina. — Eu disse a Luis que foi divertido brincar com ele, mas para ser honesta, foi mais do que isso. Parecia real e eu me empolguei por causa disso.

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— Você disse que era apenas um pouco de diversão casual? — O que mais eu deveria fazer, Kendall? Eu não quero que ele pense que eu quero prendê-lo em algum relacionamento exclusivo e eu estou me apaixonando por ele. Ele provavelmente iria rir na minha cara de qualquer maneira. Desde o primeiro segundo que eu conheci Luis há dois anos, eu sabia que ele era um jogador. Ele nem sequer tentou esconder o fato de que ele queria ficar comigo a noite que nos conhecemos. Quando eu o rejeitei, ele se mudou para alguém que estava mais do que disposto. Kendall recebe um telefonema, mas ela o ignora. — Você já pensou que Luis não consideraria estar em um relacionamento com você? — Não. — Você, minha amiga, tem problemas que ainda precisa trabalhar. Me fale disso. — Apenas o pensamento de trazer a palavra relacionamento me assusta. É um assunto discutível, no entanto, porque nós atrelamos Luis como um bandido. Kendall suspira. — Eu não sei. Se ele está traficando drogas, saia agora, antes de ser sugada. Mas Derek acha que ele não está fazendo isso. Eles ficaram amigos. Ugh, eu estou tão confusa. Eu tinha tanta certeza que depois que Luis entrou na briga e eu vi as drogas no chão, que ele era culpado. Agora estou duvidando de mim. — Você acha que eu deveria ir falar com ele? — Falar com quem? — Derek disse, entrando na sala e dando um beijo em Kendall como se eles fossem um casal apaixonado. — Luis. — eu digo. — Eu o vi sendo escoltado para fora de Brickstone por seguranças há cerca de duas horas atrás. Tentei ligar para o celular, mas ele não atende. Ele parecia muito chateado. — diz Derek.

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— O que aconteceu? — Pergunto em pânico. — Por que o demitiram? Ele encolhe os ombros. — Não sei. Perguntei a alguns dos funcionários, mas não consegui nenhuma resposta. Com determinação renovada, eu saio do pufe e pego minhas chaves. — Eu estou indo para a casa de Luis falar com ele. — Eu me sinto mal, como se de alguma forma a sua detenção e ser demitido da Brickstone está ligado à nossa argumentação na sala de aula de química. Eu nunca dei a ele uma chance de explicar tudo, porque, no fundo da minha mente, eu estava procurando uma desculpa para afastá-lo. Tomei o caminho de covarde. — Nikki, espere! — Kendall pega sua bolsa. — Nós vamos com você para dar apoio moral. — Obrigado, mas eu preciso fazer isso sozinha. Kendall me dá um olhar de entendimento simpático. — Basta lembrar que, se tiver que ser, será! Isso me faz pensar: se não era para ser, o quão ruim pode ficar?

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25 Luis Eu caminho pra casa, contente que mi'amá está trabalhando para que eu possa ficar sozinho e me trancar no meu quarto. No momento que entro em casa, percebo que não é uma opção. Ambos os meus irmãos estão sentados no sofá da sala de estar. Eu não vi Carlos em mais de um ano e não estava esperando que ele fosse liberado do hospital na Alemanha até a próxima semana. Ele parece bem, mas quando ele se levanta eu posso dizer que não está sem dor. — Ei, mano! — Eu digo. — Eles permitiram que você saísse mais cedo? — Eu não conseguia suportar mais o hospital, então fiz eles me liberar mais cedo. Eu quase não o reconheci — diz Carlos, dando-me uma olhada. — Você está ostentando alguns hematomas do caralho. Como o outro cara parece? — Você quer dizer como os outros cinco caras? Carlos assobia em apreciação quando se vira para Alex. — Nosso irmão se transformou em um lutador totalmente, enquanto eu estava fora. — Fale-me sobre isso. — Alex resmunga. — Pergunte a ele com quem ele tem andado. Carlos levanta uma sobrancelha. — Com quem você tem saído, Luis?

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— Ninguém que seja da sua conta. Alex, onde estão Brit e Paco? — Na casa dos pais dela jantando. Eu saí fora quando ouvi que Carlos estava voando hoje. Assim, Luis... Eu recebi uma mensagem de texto de Julio poucos minutos atrás, dizendo que você foi demitido. O que aconteceu com o seu trabalho no clube de campo? — Isso também não é da sua conta. — Você é nosso irmão. — diz Carlos, avançando em mim como um soldado em uma missão. — Tudo que você faz é da nossa conta. A última coisa que eu preciso é dos meus irmãos me dando merda, especialmente agora. Eu empurraria Carlos de distância, mas supostamente ele tem um corte desagradável juntamente com uma porrada de pontos na perna feita por estilhaços que encravaram no seu músculo. — Afaste-se. — eu digo a ele, mas as minhas palavras caem em ouvidos surdos. Carlos tenta me fixar na parede como ele fazia quando éramos crianças. Eu sou muito rápido e escorrego para fora de seu alcance, mas não antes que ele agarre a minha camiseta e puxe, e é difícil me fazer encará-lo. — Você está com uma arma, não é? — Diz ele, quando solta a minha camiseta. Merda. Pego. Alex levanta rapidamente. Ele fica ao lado de Carlos e meus dois irmãos formam uma parede humana, me impedindo de fugir. — Dê-me — Alex rosna. Carlos balança a cabeça. — Que porra é essa, Luis? Você é de gangue? Eu ouvi a porta da frente abrir e a voz de mi'amá chamar: — O que está acontecendo? Reyes está de pé atrás em seu uniforme.

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Carlos imediatamente me bloqueia, protegendo. — Você tem um mandado? — Ele pergunta. — Carlos — mi'amá encaixa um tom de repreensão. — Não seja rude. Convidei Cesar para jantar. — Quem diabos é Cesar? — Carlos pergunta. — O nosso vizinho do lado. — eu explico. — E senhorio. Carlos olha de mim, Alex, depois para mi'amá. — Isto é algum tipo de piada? — Eu não estou com medo — diz Alex. Mi'amá coloca as compras na cozinha, depois volta na sala. — O que você está fazendo em casa tão cedo, Luis? — Eu fui demitido. Ela pisca algumas vezes em estado de choque. — Demitido? — Eles não querem um empregado com hematomas de uma briga para servir os clientes. Mi'amá balança a cabeça em desapontamento e suspira. Porra, eu acho que ela está prestes a chorar. Eu me pergunto se é porque o oficial amigável está aqui. Ela se desculpa e lentamente escapa de volta para a cozinha. Reyes avança e estende a mão para Carlos. — Você deve ser Carlos. Sua mãe está muito orgulhosa do seu serviço. É bom finalmente conhecê-lo. Enquanto Carlos e Reyes apertam as mãos, Alex me dá um tapa no ombro. — Luis e eu já voltamos. — ele diz. No meu quarto, que costumava ser o nosso quarto, Alex vai com toda figura paterna para mim. — É melhor você não ser traficante de drogas. — diz ele em um sussurro rouco para que Reyes não possa nos ouvir. — Eu não sou. — Por que você foi demitido? Não me venha com desculpas.

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— Não era por estar na gangue, Alex. Eu já disse que eu fui demitido por ter hematomas no meu rosto... e por estar atrasado para o trabalho. — acrescento eu. — Por que você estava atrasado? — Alex pergunta, não deixando seu interrogatório. Eu acho que ele escolheu a profissão errada. — Peterson me deu uma detenção. Agora fui despedido, mano. Eu não fui preso e eu não estou traficando. Sério, Alex, pare de colocar sua merda em mim. — Eu puxo a minha camisesta e mostro a ele que eu estou escondendo um notebook enrolado preto na minha cintura. Eu o retiro. — Eu não tenho uma arma na minha cintura. Eu tenho isso. Carlos, que só apareceu no quarto, puxa o caderno da minha mão. — O que é isso? — A arma que você pensou que ele estava escondendo em suas calças — diz Alex. — É um notebook, Sherlock. Carlos abre o notebook e começa a ler a primeira página em voz alta. 162

— Ninguém sabe realmente o seu Exceto os poucos escolhidos Seus segredos são mantidos escondidos Por trás dessa tonalidade que o sol beijou. —

— Dê-me isso! — Eu grito quando tento pegar o notebook de volta. Carlos o arranca fora do meu alcance e continua lendo.

— Se eu chegar a tocá-la Ela vai fugir Minha para sempre e sempre Terão que esperar mais um dia. —


— Puta merda, cara. Isso é profundo. Alex, eu apostaria que você fosse o piegas nesta família, mas eu estava errado. Luis deixa você no chão. — Carlos rola o notebook de volta para cima e as mãos para mim. — Quem é a sortuda? — Não importa. Ela pensa que eu sou a escória. Carlos ri. — Isso significa que ela gosta de você, mano. Merda, a primeira vez que eu conheci Kiara, ela pensou que eu fosse um idiota. — Você era um idiota — Alex entra na conversa. — Merda — diz Carlos, completamente orgulhoso dele. — As garotas gostam de idiotas, pelo menos elas gostavam quando eu estava no colégio. Nós somos um grande desafio para elas. Kiara foi diferente. — Ele ri só de pensar em sua namorada. — Kiara, por outro lado, era o meu desafio. Ela não facilitou para mim. Nikki não está facilitando para mim, também. Oh homem, a vida costumava ser tão simples, até que voltei para Fairfield. Eu tinha um plano de dez anos sólidos, à prova de falhas. Agora que estou de volta, todos os meus planos se voltaram para merda. Hoje eu fui forçado a fazer uma escolha entre a segurança da minha família e o meu próprio futuro. Eu tive que pegar o desvio. Mi familia vem em primeiro lugar. Eles sempre vêm em primeiro lugar. Eu tive que pegar a arma que Chuy colocou sobre a mesa. Prometi a minha lealdade ao Sangue, depois disso, que se foda tudo. Quanto tempo eu posso esconder a verdade dos meus irmãos, quando eles já estão desconfiados? — Alex! Luis! Carlos! Venham ajudar a pôr a mesa! — Mi'amá chama por nós. Meus irmãos praticamente saltam a atenção quando ouvem a voz dela. — Falaremos sobre isso mais tarde — Alex promete.

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Eu me acalmo até que todos estejam ocupados na cozinha. É a minha abertura para encontrar um lugar para esconder a arma. Quando Reyes chegou, eu manobrava a Glock por isso estava escondida na minha bermuda. Ninguém me viu tirar um caderno da minha mochila e enrolá-lo. Eu não acho que conseguiria retirá-lo, mas eu fiz. Eu juro que algumas vezes pensei que a arma estava prestes a escorregar, mas por algum milagre, isso permaneceu até Alex sair do quarto. Agora eu tenho que esconder isso para que meus irmãos não a encontrem, e Paco não se aposse acidentalmente dela, se achar que é um brinquedo. Sem ter tempo para pensar, eu corro para o meu armário e enfio a Glock no bolso do meu único terno. Eu o usei em casamentos, funerais e alguns quinces. O traje está no fundo do armário, por isso estou confiante de que está escondido em segurança. Volto para a cozinha e espero que não tenha culpa estampada no meu rosto. — Ei, Ma. Sabia que Luis tem uma queda por uma garota? — Carlos diz que quando estamos todos comendo na mesa da pequena cozinha. Mesmo Reyes ainda está aqui, mas desde que ele teve a dica de que nós não estamos felizes que ele está na foto, ele está tranquilo. — Isso é novidade para mim. — diz mi'amá. Ela nem sequer olha na minha direção, claramente ainda chateada comigo por entrar em uma briga e perder o meu emprego. Fico feliz quando a campainha toca e interrompe o silêncio. — Esperando alguém? — Alex pergunta quando ele vai em direção à porta da frente. — Não — diz mi'amá. Minha prima Elena entra na casa como um furacão. Tudo em Elena é grande. Ela tem cabelo grande, uma grande personalidade, e... bem, vamos apenas dizer que ela não precisa de implantes de silicone. Elena é hilária, mas ela é uma latina assustadora quando está chateada. — O filho da puta está aqui? — Ela pergunta. Alex dá de ombros. — E o filho da puta seria...

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— Jorge. Você sabe, meu marido traidor. Mi'amá corre para o lado de Elena. — O que aconteceu? — Eu o encontrei no Homestyle Buffet com essa vagabunda da Nina Herrera. — Quem é Nina Herrera? — Eu pergunto. — Sua namorada do colegial. Eu os peguei no ato. — Você o pegou fazendo sexo no Homestyle Buffet? — Carlos pergunta, confuso e talvez um pouco divertido. — Não. Eles estavam jantando! Quando foi a última vez que o filho de uma puta do meu marido me levou para jantar, hein? Huh? Huh? Alguém quer responder a essa pergunta? — Ela aponta para cada um de nós, então zomba quando ela incide sobre Reyes. — Lorena, você está ciente de que você tem um policial sentado em sua mesa de jantar? — Eu sou Cesar — diz ele, de pé, quando se apresenta. Ela olha para as algemas penduradas em seu uniforme, apenas esperando para ser golpeada em um criminoso desavisado. Considerando os desentendimentos que Elena teve com la ley, quando ela era mais jovem, ela não confia em policiais mais do que o resto de nós. Ela dá um passo para longe de Cesar como se ele tivesse alguma doença infecciosa. — Sim, umm... — Ela se vira para mi'amá e murmura rápido e furioso — Queporravocêestáfazendocomumpolicialnasuacasa? Ela diz que como se fosse uma palavra só. A resposta de Mi'amá é: — Ele é um amigo. Elena acena com a cabeça mais lento quando seu cérebro está processando a informação. — Ele é um amigo? Desde quando você se tornou amiga de policiais? Espere, talvez isso seja um sinal! — Ela coloca um grande sorriso em seu rosto e se vira para Reyes. — Eu preciso de você para prender o meu marido traidor. — Embora eu realmente gostaria de ajudá-la — diz Reyes, — Eu não posso fazer isso legalmente.

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— Quem falou em fazê-lo legalmente? — Ela está brincando, certo? — Cesar pergunta a mi'amá, que encolhe com vergonha. — Não de verdade. — Dispensa Reyes, porque ele não pode ajudar a sua causa, Elena está ao lado do prato de Carlos e estende a mão para pegar uma mordida do seu taquito. — Eu esqueci de recebê-lo em casa, Carlos. Como está sua perna? — Eu tenho que ser honesto, Elena. — Carlos diz quando ela o beija no rosto e deixa uma marca de batom vermelho. — Desde que você chegou, eu não senti nenhuma dor. Você é mais divertida do que a televisão e mais eficaz do que Vicodin. Ela tira sua atenção de Carlos e se concentra em mim. Eu gemo quando ela pega a minha bochecha e aperta-a entre os dedos. — Eu amo os garotos Fuentes como se fossem meus. Mwah! Ela chega perto. Eu vejo claramente um pelo perdido no queixo que ela precisa arrancar e seu forte perfume queima minhas narinas. Seus lábios começam a enrugar e eu me encolho. — Por favor, não deixe batom em mim. — Oh, você sabe que amo. — ela responde. Eu tento proteger meu rosto, mas ela planta um molhado beijo na minha bochecha com seus grandes lábios. — Será que ela me entendeu mal? — Pergunto para Alex. Alex levanta a cabeça para o lado, analisando a marca. — Sim. Ela te pegou de jeito, mano. Alex não espera para Elena fazer sua marca nele. Em vez disso, eu vejo quando ele abre os braços bem abertos para um abraço. Quando ela vai beijá-lo, ele planta uma na bochecha. — Você é sorrateiro. — diz ela, balançando o dedo. — Se você já trair Brittany, eu vou cortar de verdade seu pinto fora. — Você tem que entrar na fila atrás de Brittany se isso acontecer. Ouça, Elena, eu vou ligar para Jorge e ver o que está acontecendo. Ele não está tendo um caso.

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— Alguém em casa? — A voz de Jorge ecoa pela casa. Minha cadeira raspa o chão, quando eu faço um movimento rápido para ajudar Alex conter Elena, para que ela não vá tirar toda merda em Jorge. Quando Reyes vai se envolver, eu seguro sua mão para detê-lo. — Isso é normal — digo a ele. — Para quem? — Ele responde. — Eu não estava te traindo — , diz Jorge, parecendo uma bagunça. — Nina queria alguém com quem conversar depois que ela terminou com o namorado, isso é tudo. Pare de agir como uma esposa ciumenta. — Eu não sou ciumenta — Elena grita, arranhando através de nós para chegar até ele. — Culero, me dê uma pista. Quando uma exnamorada quer falar com você, é o código para 'eu quero você de volta‘. A campainha toca novamente. — Eu atendo — diz Alex. Eu não estou prestando atenção até que sua voz alta e imponente carrega toda a casa, dizendo: — Luis, você tem uma visita.

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26 Nikki Eu fiquei do lado de fora da casa de Luis por alguns minutos antes de ter coragem de tocar a campainha. Eles estão, obviamente, tendo uma festa. Eu posso ver a casa cheia de gente pela janela da frente. Alex abriu a porta. Ele sabe quem eu sou. Todos os meses os meus pais o convidam e sua esposa e filho para jantar na nossa casa ou brunch de domingo. Ele chama Luis até a porta e meu coração bate em antecipação. Luis chega à porta com uma marca de batom vermelho grande em sua bochecha. — O que você está fazendo aqui? — Pergunta ele com a voz tensa. Ele não está, obviamente, feliz em me ver. — Venha — diz Alex, colocando o braço ao meu redor e me levando para dentro. — Você ainda tem essa porcaria batom em seu rosto, mano — Alex murmura para Luis quando passamos por ele. Luis amaldiçoa, em seguida, começa a limpar seu rosto vigorosamente. — Minha prima gosta de nos marcar — explica ele. — É uma espécie de tradição desnecessária e irritante. Eu passo um policial em pé ao lado da mãe de Luis. Carlos está também, juntamente com outro casal. O casal deve estar tendo uma discussão acalorada, porque eles não parecem felizes um com o outro.

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Carlos aponta para mim. — Esta é a garota? — Ele pergunta a Luis. — A do poema. — Poema? — Pergunto de repente curiosa. — Não há poema. — Luis insiste. — Meu irmão está alucinado com analgésicos. Não dê ouvidos a ele. — Você está bem? — Pergunto a Carlos. Carlos levanta a calça da perna, revelando um corte feio costurado com uma fileira de grampos viajando de sua coxa até o fim de sua panturrilha. — Esta é a prova de que a liberdade não é de graça. — Ai. Como isso aconteceu? — Pergunto, me encolhendo. Só de olhar para ele é doloroso. — Estilhaço de um IED16. — Ele aperta os olhos para mim. — Você é Mexicana? — Carlos — sua mãe grita em um tom de repreensão. — Sério, mano, cala a boca — diz Luis. Carlos levanta as mãos em sinal de rendição. — É um crime perguntar para uma garota se ela é mexicana? — Não. É apenas rude — diz Luis. Carlos ri com vontade. — Irmão, não me conhece quando sou rude? Eu respondo a Carlos: — Eu sou americana mais do que mexicana. Será que isso importa? — Só se você negar a sua herança. Não quero diluir a cultura, você sabe. — Carlos só fala — Alex entra na conversa — Sua namorada é tão branca como porra. — Você está brincando, Alex? Você já olhou para sua esposa ultimamente, branca como lírio-branco? — Carlos argumenta brincando. 16

improvised explosive device (IED) – Dispositivo Explosivo Improvisado

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— Ei — diz Alex. — Antes de rasgar em pessoas brancas, você pode querer se lembrar de que seu sobrinho é metade branco. — Não é o meio que conta — Carlos diz com orgulho. — Olha, eu sou um americano e luto para este país, mas isso não quer dizer que eu ignoro minha herança mexicana como se fosse algo para se envergonhar. — Eu não me envergonho disso — eu digo. — Eu não sei espanhol ou caminho por aí acenando com uma bandeira mexicana. Eu não vou fingir, quando eu não sei muito sobre isso. — Nunca é tarde para aprender — diz Carlos. — Luis, você vai me apresentar a sua amiga? — Sua mãe corta entrando. Luis hesita, então eu passo a frente. — Eu sou Nikki. — digo com um sorriso. — Nikki Cruz — diz Alex. — A filha de Dr. Cruz. — Ah, eu lembro de você. — Ela inclina a cabeça, pensativa. — Você não estava no casamento de Alex? — Eu rezo silenciosamente para ela não mencionar a joelhada no saco de Luis na pista de dança. Aquilo foi um incidente, eu prefiro não trazer à tona agora. Carlos não vai deixar isso passar. Ele se anima. — Oh, sim! Nikki, não foi aquela que chutou Luis no... — Nikki frequenta Fairfield — explica Luis. — Estamos em aula de química juntos. Então agora todo mundo está em silêncio, me esperando falar. Eu me viro para Luis e murmuro baixinho: — Podemos conversar? — Sim. Siga-me. — Eu o sigo pela cozinha e saio pela porta dos fundos. — Tudo bem — diz ele. — Fale. Eu limpo minha garganta e olho para o céu, sabendo que Luis quer ir até lá um dia. Será que ele vai perseguir seus sonhos ou se ele mudou seus planos? — Eu estava pensando sobre o que você disse em química hoje. Você sabe, a parte que eu o julguei antes que soubesse todos os fatos. Bem, depois de pensar sobre isso... você estava certo.

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Ele encolhe os ombros. — Isso realmente não importa. — Importa pra mim — eu digo. — Por quê? Você já tem sua opinião sobre mim. — Ele dá uma risada curta. — Todo mundo tem. — Diga-me agora que você não está traficando drogas e eu vou acreditar em você. Olhe nos meus olhos e me diga a verdade. Ele me olha direto nos meus olhos. — Eu não sou um traficante — , diz ele, seu olhar não hesitando nem um pouco. — As drogas não eram minhas. Eu não sou Marco, então pare de colocar nós dois na mesma categoria. — Você é amigo dele. — Eu também sou amigo de Derek. Olha, eu não sei o que aconteceu entre você e Marco. Para ser honesto, eu realmente não quero saber, porque se eu souber, provavelmente iria querer chutar a merda fora dele. — Eu não preciso de você para me proteger. — E se eu quiser? — Eu vejo como ele olha para o céu e olha as estrelas. — Droga, Nik, você não tem ideia que pensamentos loucos estão passando pela minha cabeça desde que fomos ao barco de Derek e depois de sábado à noite... Você quer ignorar o que aconteceu, mas eu não posso. — A verdade é que eu não posso também. — Eu engulo o nó se formando na minha garganta. — Eu tenho que saber se você está no SL, porque se estiver não posso fazer isso. — Olhe para mim — diz ele. Quando eu faço ele suspira. — Eu não sou um bandido, Nik. — Você estava certo ao falar aquilo. Eu queria pensar o pior de você, porque se eu fizesse, poderia ignorar a ligação que sinto quando estamos juntos. É como se eu me agarrasse à você, e você à mim, e depois, no sábado à noite, quando estávamos sozinhos na casa da piscina... — Você disse que foi diversão.

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— Eu disse que foi diversão apenas para afastá-lo. Hunter me disse uma vez a maioria dos rapazes podem foder uma garota que ama tão facilmente quanto uma de um caso de uma noite. Marco foi o último cara com quem namorei e ele praticamente destruiu o meu coração e alma, e tudo mais. Foi mais do que diversão na noite de sábado, Luis. Eu preciso saber se você acha que pode lidar com isso. — Uau. A forma como a minha semana está sendo, essa é a última coisa que eu esperava ouvir. — Luis passa a mão pelo cabelo. Eu posso sentir a tensão irradiando dele. — Minha vida está fodidamente complicada agora. — Desculpe. — eu digo. — Eu não quero complicar mais as coisas. — Concentro-me no chão, porque não quero ver a cara dele quando ele me disser que sou delirante. — Não é culpa sua. — Ele toma uma respiração profunda, em seguida, lentamente solta o ar. — Nik, eu tenho que ser honesto. Eu não sei se é uma boa ideia se envolver comigo agora. — Eu entendo — eu digo. — Você não tem que explicar. — Ele não tentou esconder o fato de que ele era um jogador no momento que eu o conheci. Eu fui estúpida de pensar que ficar mais perto dele e sentir uma conexão significava, que de repente o tinha mudado. — Não, você não entende. — Os lados dos lábios se transformam em um pequeno sorriso. Minha respiração trava quando ele me alcança e desliza a mão na parte de trás do meu pescoço e me pede para olhar para ele. — Eu não quero estar com mais ninguém, mi chava. Eu quero que você seja minha namorada. — Sério? — Sim, de verdade. Suas palavras acalmam minhas dúvidas crescentes. — Eu não quero estar com mais ninguém — eu digo. Eu não queria deixar ninguém chegar perto de mim, mas isso foi antes que Luis voltasse para a minha vida. Talvez essa coisa empurrae-puxa, seja a gente tentando descobrir onde estamos. Os tempos mudaram, eu mudei e eu estou pronta para deixar o passado para trás.

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Um momento passa e eu sinto uma sensação de paz me cobrindo como um cobertor. Espero que ele não veja as lágrimas que ameaçam cair dos meus olhos. — Venha aqui — diz ele, me puxando para perto. — Você está tremendo. Eu fecho meus olhos e uma lágrima cai no meu rosto. Luis conseguiu cortar direto pela minha armadura protetora invisível e eu me sinto tão vulnerável. — Eu estou com medo. — Eu também. — Ele me abraça apertado, então beija o topo da minha cabeça. É tão bom ser abraçada por ele novamente. Eu enterro minha cabeça no peito dele, absorvendo o calor do seu abraço. — Prometa-me que vai ser sempre honesto comigo, Luis. — Eu prometo.

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27 Luis A segunda mentira que disse à minha nova namorada é que eu seria honesto com ela. A primeira é que eu não estou no SL. Se ela soubesse que tenho uma tarefa pra fazer para o Sangue Latino e recebi uma ordem de carregar uma arma para provar a minha lealdade, eu a perderia. Eu entendo que isso me faz um bastardo egoísta, mas não quero que Nikki desita de ser uma parte da minha vida. A porta traseira abre. É Brittany, com Paco em seus braços. No segundo que ela nos vê, ela engasga. — Oops, desculpe — diz ela, recuando. — Eu não queria interromper. Paco estava procurando por você, Luis ,e sua mãe disse que você estava do lado de fora. Eu não sabia que você estava com alguém. — Ela aperta os olhos em confusão quando o reconhecimento aparece — Nikki Cruz, é você? — Sim — diz Nikki, se afastando de mim. — Oh. Uau, tudo bem. Eu não sabia que você e Luis eram, hum, amigos. — Nós somos tipo mais do que isso — eu digo à minha cunhada. — O que está acontecendo? Vocês estão, como, namorando? Eu coloco um braço ao redor Nikki, porque isso me faz sentir bem e eu quero que ela fique perto. Ela olha para mim e eu juro que eu posso olhar em seus olhos castanhos escuros expressivos para sempre.

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— Sim, nós estamos namorando — eu digo, sem olhar para longe da minha garota. — Certo, mi chava? Nossos olhos ainda estão presos um ao outro quando Nikki sorri para mim e balança a cabeça. — Sua mãe sabe? — Pergunta Brittany. — Ainda não — eu digo a ela. Brittany ri. — Eu acho que ela tem uma boa ideia. Eu a peguei espiando pela janela da cozinha, pelo menos uma dúzia de vezes desde que entrei e eu não tinha ideia que estava aqui com uma garota... o que explica completamente por que ela estava bisbilhotando. Mamá Fuentes protege seus filhos como uma galinha mãe. Tenho certeza de que não vai ser diferente quando meu filho começar a descobrir as garotas. Se lembre disso, Paco. — Weese! — Paco grita e se contorce de sair das mãos de sua mãe. — Paco, Tío Luis está ocupado. — ela diz a ele. — Ele não pode brincar com você agora. — Está tudo bem — diz Nikki, desviando seu olhar. — Eu tenho que ir para casa de qualquer maneira. Assim que Brittany o abaixa, Paco corre para mim. — Como está o meu pequeno taquito? — Eu pergunto, pegando-o e dando-lhe um toca aqui. — Você não deveria estar dormindo até agora? — Sim, ele deveria — Brittany entra na conversa, exasperada. — Meu filho gosta de ficar acordado a noite toda e dormir o dia todo... assim como seu pai. — Ela coloca a mão sobre a barriga crescendo. — Este me mantém acordado a noite toda, também. Deus me ajude. — Ele é um Fuentes. — eu digo a ela com orgulho. — Certo, Paco? Você vai ter um irmãozinho para ser chefe em breve? Ele acena com a cabeça.

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Brittany não acena. — Esperamos que esta seja uma garota. Os Fuentes machos desta família estão me esgotando. Eu não sei como sua mãe sobreviveu com três rapazes sob o mesmo teto. — Nunca houve um momento de tédio. — Eu fracamente ouvi Carlos rindo. — Ainda não é maçante. Alex chama Brittany de volta para a casa, deixando-me segurando Paco. — Lembra de mim? — Nikki pergunta, fazendo cócegas no estômago do meu sobrinho. — Eu sou Nikki. — Ki-ki! — Paco grita. — Ki-ki-ki-ki. Ki-ki-ki-ki. — Ele sacode a cabeça de um lado para o outro como se ele estivesse cantando uma canção. — Estamos trabalhando em suas habilidades verbais — digo a ela. Ela alisa suavemente a mão sobre o cabelo de Paco. — Ele é perfeito. — Então você é. — Eu me inclino para beijá-la, e por um instante uma imagem de nós repetindo esta cena, no futuro, flashes na minha mente... eu, Nikki e uma criança nossa. Nikki diz: — Eu realmente tenho que ir. Temos escola amanhã, você sabe. — Eu não quero que você vá. — Eu sei que você tem time de futebol. Eu poderia assistir a sua prática depois da escola. Podemos sair depois. — Eu tenho que fazer algumas coisas depois do treino. — Um pouco da tarefa que Chuy me deu e Nikki não precisa saber. — Mas eu vou encontrá-la mais tarde. — Tudo bem — diz ela, balançando a cabeça. Eu não consigo dizer se ela acreditou ou não. Andamos de volta pra casa. Todo mundo, infelizmente, ainda está aqui. E, infelizmente, todos os olhos estão sobre nós.

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— Eu vou levar Nikki até o carro — eu anuncio à minha família. Eu entrego Paco para o meu irmão. — Tchau — diz Nikki, sorrindo timidamente quando ela dá uma tchau geral e nervoso para todos na sala. Ela caminha até mi'amá. — Foi muito bom vê-la novamente, Sra. Fuentes. — Obrigada — mi'amá responde educadamente. — Mande lembranças a seus pais. Lembranças a seus pais? De repente mi'amá se transformou em uma socialite bem-educada. Ela está figindo que é assim para o Oficial Reyes? Seja o que for, estou grato. Nikki e eu andamos até o carro estacionado em frente. Ela se inclina contra a porta do carro antes de abri-la. — Ei. — ela diz, então morde o lábio inferior nervosamente. — Ei. — Você sabe que essa é a nossa rotina, certo? — Diz ela. — Você sempre diz 'Ei' para mim e eu digo 'Ei' de volta. Ou eu digo 'Ei' para você e você o diz de volta para mim. Eu sorrio. Ela iria prestar atenção em algo assim. Eu olho para aqueles lábios doces, e estou morrendo de vontade de provar novamente. — Ei — eu sussurro, quando me inclino para beijá-la. — Ei — ela sussurra suavemente contra os meus lábios. Ela coloca a mão no meu peito. — Hum, antes de ir em frente e fazer... Eu acho que você deveria saber que sua família está nos observando. Eu olho de volta para a casa. As luzes estão subitamente desligadas e eu posso ver as sombras da minha família espiando pela janela da frente. — Isso é constrangedor — murmuro. — Ligue mais tarde — diz ela, enquanto abre a porta do carro. — Espere, não vamos beijar? — Sério, agora que eu tenho uma namorada, vou colher os benefícios. Inferno, a forma como a minha semana foi passando, acho que ficar com a boca lacrada com ela vai me manter são.

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Ela me dá um beijinho. — Não. — Os beijos estúpidos da minha prima Elena são melhores do que isso, Nik. Vamos, mi chava, me dê uma ajudinha. — Eu disse a você, temos uma audiência — diz ela. Eu dou de ombros. — Eu não me importo. Vamos dar-lhes algo que vale a pena assistir. Minhas costas estão de frente para eles, então eles não vão ver muita coisa. Ela envolve seus braços em volta do meu pescoço. Eu gemo, amando a sensação de seu corpo inclinando-se contra o meu. Está escuro e silencioso aqui fora, apenas com os postes de luz dando um brilho amarelo. Nikki sabe como conseguir se despedir com um simples toque de seus lábios e ela usa isso em sua vantagem. Seus lábios macios escovam contra os meus mais e mais. Começamos a nos beijar mais intenso. Ainda bem que minhas costas estão escondendo nosso abraço quente. Um carro passando buzina várias vezes e para ao lado do seu carro, estragando o momento. — Tendo sorte, Fuentes? — Uma voz familiar grita pela janela. É Marco. Nikki congela e em seguida enterra o rosto no meu peito, na tentativa de esconder a sua identidade. Não adianta, porém, porque seu carro a entrega. Minhas mãos estão apoiadas contra o carro, protegendo-a, embora eu saiba que é inútil. — Que está fazendo, Delgado? — Eu pergunto. Ele enfia a cabeça para fora da janela. — Obviamente, não tanto quanto você e Nikki. Apenas uma dica:. Ela gosta quando você lambe atrás da sua orelha. — Obrigado pelo conselho, homem, mas eu acho que eu posso descobrir isso por conta própria — digo a ele. — Agora dê o fora daqui.

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A risada de Marco perdura enquanto ele grita e desaparece no mesmo quarteirão. — Será que ele se foi? — Ela pergunta, com a voz abafada, porque ainda está com a cabeça enterrada no peito. — Sim. Não se preocupe. Vou dizer a Marco para sumir. — Eu pego seu queixo para que eu possa ficar perdido em seus olhos expressivos novamente. — Meu objetivo é fazer você esquecer que ele foi seu namorado. Eu me inclino para beijá-la novamente, mas ela se afasta. — Eu só, sabe, preciso dizer algo antes de ir embora. Eu não quero me preocupar com isso a noite toda. — Manda. — Eu não vou transar com você — ela deixa escapar. As palavras dela bateram na minha libido como um balde de água sobre uma chama cheia de testosterona. Eu acho que meu pau só se contraiu em protesto. — Como, nunca? — Eu pergunto. — Eu só não quero que a nossa relação seja sobre sexo e nada mais — diz ela. — Se removermos a expectativa de sexo agora, vai ser melhor. Melhor para quem? — Eu não quero que sejamos tudo sobre sexo, mas Nik eu tenho que ser honesto... Eu estava esperando que isso fizesse parte em algum momento. Ela olha para a esquerda e direita, como se ela quisesse ter certeza que ninguém mais vai ouvir nossa conversa. — Eu simplesmente não posso. Muitas complicações, você sabe. Não, eu não sei. Eu ainda quero saber? Merda. É sobre Marco? Ou isso é tudo sobre mim? — Eu vou entender se a coisa sem sexo for quebra de acordo para você — diz ela timidamente.

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Eu não vou mentir. Basta olhar para Nikki para me excitar, mas é mais que isso. Eu gosto dela. Muito. O suficiente para querer chamá-la de minha namorada. Eu gosto apenas de estar com ela e falar. O resto virá quando ela estiver pronta. — Tudo bem — eu digo a ela. — Eu estou bem com a regra de não sexo. Mas, uh, podemos manter a opção aberta para falar sobre isso no futuro? Você sabe, apenas no caso de você mudar de ideia. — Sim — ela diz, levemente me beijando nos lábios. — Mas não espere por algo que não vai acontecer. No entanto nós podemos fazer outras coisas. Eu levanto as minhas sobrancelhas, interessado. — Como o quê? — Eu vou mostrar a você mais tarde. — Ela cobre a boca quando um sorriso atravessa seu rosto. — Eu não posso falar sobre isso quando sua mãe está assistindo. Vejo você amanhã. Ela entra em seu carro e se afasta assim quando mi'amá abre nossa porta. — Há algo que você precisa me dizer? — Ela pergunta antes que eu entre em casa e encare o resto da família. — Sim. Eu tenho uma namorada. — Você não acha que uma namorada vai complicar a sua vida? — Sí, Mamá. Ela vai complicar a minha vida. — Mas não da mesma forma como ela pensa. O Sangue Latino é uma nuvem negra sobre a minha cabeça. Eu gostaria de descobrir porque Chuy me quer antes de ser apanhado no Sangue. Mas não sei. — Tudo vai dar certo. — A faculdade é mais importante — diz ela. — Mais importante do que as garotas. Não deixe que nada te desvie dos seus objetivos, Luis. Você vai se arrepender pelo resto de sua vida. Agora meu objetivo é fazer com que amanhã, após a prática de futebol, chegue, quando eu vou entrar em Evanston. É a minha primeira missão para Chuy e uma outra maneira de provar que eu estou disposto a assumir riscos para o Sangue. Eu estaria mentindo se não admitisse que uma parte minha estava ansioso para o desafio.

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28 Nikki Na parte da manhã, eu acordei e liguei imediatamente o telefone, na esperança de ter um texto de Luis. Aparecem borboletas no meu estômago me perguntando se ele poderia ter pensado em mim quando acordei esta manhã. Um texto aparece na tela. É de Luis. Eu não posso deixar de sorrir quando li sua mensagem perfeitamente pensada. Luis: Ei A mensagem foi enviada há vinte minutos. Eu rapidamente digito a única resposta apropriada e clico em enviar. Eu: Ei Corro para o banheiro, mas levo meu telefone comigo apenas no caso dele me mandar texto de volta. Enquanto eu estou escovando meus dentes, eu ouço o toque no meu telefone. Outro texto. Corro para terminar a escovação, em seguida, pego meu telefone. Luis: tudo ok? Eu: Sobre o quê? Luis: Nós. Eu. Eu: sim. Por quê?

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Luis: apenas verificando. Na escola, Luis e eu sentamos no chão na frente do meu armário antes da campainha tocar. — Eu não fiz meu dever de matemática ontem à noite — eu digo a ele que pega a folha que Sr. Gasper deu a nossa classe. — Depois que eu cheguei em casa não conseguia me concentrar. Eu quase não entendo isso de qualquer maneira. Meu cérebro não computa cálculo. Eu nem sei por que temos que aprender. Não é como se eu fosse usar isso na vida real. — Depende do que você for fazer para viver. — Luis desliza a folha para o seu colo e estuda. — Vamos lá, temos dez minutos antes da campainha tocar. Eu vou ajudá-la a terminar isso. Eu tento muito me concentrar em outra pessoa, a não ser nele. Eu passo a minha mão sobre a dele e desenho círculos invisíveis na parte de trás de sua mão com os dedos. — Você está me distraindo — diz ele. — Eu sei. Ele ri, então puxa sua mão. — Você não quer o crédito pela lição de casa, mi chava? Eu o beijo. — Sim, mas eu prefiro ficar com você. — Eu não quero que minha namorada reprove em matemática e ter que assumi-la na escola de verão. Foco. — ele me diz. — Ok, ok. — Eu coloquei meu lápis sobre o papel, pronta para trabalhar. — Estou focada. Trabalhamos até um minuto antes da campainha tocar. Tudo o que sei é que Luis tem a paciência de um santo. Ele foi capaz de explicar coisas para mim, para o meu nível, em vez do jeito do Sr. Gasper, que é muito confuso. — Obrigada. — eu digo quando guardo a folha na minha pasta. — Sente-se comigo na hora do almoço de hoje. — diz ele. — Com seus amigos?

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— Sim. — Ele atou seus dedos nos meus. — Eu realmente não me dou bem com eles. Eles me odeiam. — Vai ficar bem, eu prometo. Kendall e Derek vem andando pelo corredor. — Eu acho que vocês dois se entenderam ontem à noite, hein? — Diz Kendall. Eu aperto a mão de Luis. — Sim. Luis e eu partimos quando a campainha toca. Eu sei que não vou vê-lo até o almoço, mas vejo Marco. Ele está na minha aula de ginástica. Eu costumo ignorá-lo e ele me ignora. Hoje eu não tenho tanta sorte. — Então, você finalmente encontrou um outro cara para ficar obcecada? — Marco pergunta quando corremos ao redor da pista em volta do campo de futebol. Eu corro mais rápido, mas ele se mantém comigo. Sr. Harris, nosso professor de ginástica, está segurando um cronômetro. — Mantenha o bom ritmo — ele grita quando passamos por ele. — Essa coisa com você e Luis não vai durar, você sabe. — diz Marco. Ele para de falar quando um casal de corredores nos passa. — Quando ele dispensar você, você vai fazê-lo se sentir como lixo e virar todos do lado norte contra ele, como você fez para mim? Eu não virei qualquer pessoa contra Marco. Nós terminamos ao mesmo tempo em que ele se juntou ao Sangue Latino. Vindo para a escola com tatuagens de gangue realmente não ajudou na sua popularidade com as pessoas com que eu saía. Eu sei que quase todos no lado norte ignoraram Marco depois que terminamos. Eu só acho que não tinha nada a ver com a separação e tudo a ver com ele exibindo sua filiação na gangue. Eu continuo correndo e ignorando cada palavra que sai da boca de Marco. Eu gostaria de ter fones de ouvidos para bloqueá-lo completamente.

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— Se você disser a Luis o que eu disse, vou repassar pra todos a foto nua que eu tirei de você no meu celular. — Ele se inclina para perto. — Quando eu disse que deletei, eu menti. Lágrimas ameaçam arder meus olhos, mas eu as seguro. Como ginásio é longe, eu corro para o vestiário e oro para que Marco esteja blefando. Na hora do almoço, vejo Luis no refeitório quando nós dois estamos entrando. — Ei. — ele diz. — Hey. Vou almoçar na biblioteca. — digo a ele. — Eu tenho que estudar e eu não posso fazer isso quando todos estão ao redor. Vejo você em química, ok? — Eu preciso ficar longe de Marco e suas ameaças. Ele começa a me seguir. — Eu vou com você até a biblioteca. — Não. Você é a maior distração para mim agora. Preciso me concentrar. — Sério? — Luis pergunta convencido. — Sério. — Eu o beijo, amando a sensação de seus lábios quentes nos meus que me fazem esquecer a ameaça de Marco no momento. Estar com Luis me faz acreditar que tudo vai ficar bem no final. — Ei, vocês dois. No PDA. — um professor chama. Oh, não. É a Sra. Peterson. Ela nos toca em nossos ombros. — Parem com isso. Sra. Peterson espera nos separarmos, então cruza os braços. — Nikki, eu vou falar para o Dr. Aguirre mandar pra casa com outro manual do aluno de Fairfield High. Você, obviamente, não memorizou as regras. Se você quiser ficar depois da escola e lermos ele juntos, eu posso te ajudar. — Ela levanta uma sobrancelha para Luis. — Isso vale para você também, Sr. Fuentes. — Você nunca quebrou as regras, a Sra. P.? — Luis pergunta a ela. — Não. — ela responde, mas depois pensa mais nisso. — Bem, não foi desta vez na escola... — Sua voz some. — Não importa. Eu não

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quero pegar vocês dois se beijando no corredor novamente. Eu não inventei a regra, mas eu tenho que aplicá-la. Choque. Sra. Peterson simplesmente admitiu que já quebrou uma regra. E talvez ela ainda não concorde com algumas regras. Luis parece muito satisfeito consigo mesmo que ela chegou a admitir isso. — Eu te vejo mais tarde. — eu digo quando vou para a biblioteca. — Vai comer com seus amigos. Sento-me em uma das mesas de estudo privado e retiro meu almoço e um livro da seção de ficção que eu peguei das prateleiras. Eu realmente não tenho que estudar. Eu só não sei como dizer Luis que eu não posso sair com seus amigos.

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29 Luis Em química, Peterson nos observa como um falcão. Droga, talvez essa mulher não tenha feito as regras, mas com certeza ela não deixar de aplicá-las. Hoje Peterson está dando palestras pra toda classe. Eu olho para Nikki e a encontro olhando direto para mim. Ela sorri. Eu sou o cara mais sortudo do mundo. Vou odiar deixá-la depois do treino de hoje. O sinal finalmente toca. Nikki e eu andamos para nossos armários juntos. — Eu vou encontrá-la no campo. — eu digo a ela, em seguida, a puxo para perto. Ela me empurra. — Você ouviu o que a Sra. Peterson disse. Sem PDA nos corredores. — Ela não está olhando. Além disso, a escola acabou. Ela sacode o dedo para mim. — Você está vivendo no limite, Sr. Fuentes. — diz ela, imitando a Sra. P. — Prometa-me que você não vai ter outra detenção. — Eu não posso fazer isso, mi chava. No vestiário, Dougan vem até mim enquanto eu coloco minha camisa de futebol.

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— Ninguém gosta da ideia de você e Nikki juntos. — diz ele. — Bem, além de Kendall e Derek. — Eu realmente não dou a mínima para o que os outros pensam. — digo a ele. Sento-me no banco e pego minhas chuteiras, esperando que Dougan apenas desapareça. Ele não faz. Ele se senta ao meu lado. — Você sabe que seus pais vão ter um ataque quando descobrirem que ela está namorando um cara na SL. Eu sei que você é um deles... não precisa negar isso. Só para você saber, eu vou estar lá para confortar Nikki quando ela perceber que você é apenas mais um babaca mexicano. Eu termino de colocar uma chuteira e coloco outra. Eu não quero ninguém, especialmente Dougan, interferindo na minha relação com Nikki. Sei que Alex e Brittany tiveram problemas semelhantes. Todos os seus amigos tentaram avisá-los que o relacionamento iria acabar em desastre, mas, no fim, não importou o que ninguém pensava. É assim que eu quero que seja comigo e Nik - nós dois descobrindo isso, sem a interferência de ninguém. — Você não sabe de nada, Dougan. — Eu sei mais do que você pensa. Eu termino de amarrar outra chuteira e examino a área para me certificar de que estamos sozinhos. — Yo, Dougan. Se você disser a Nikki alguma coisa, eu juro que o SL vai estar com tudo na sua bunda. — Sem esperar pela resposta dele eu vou para o campo, onde o treinador está com a equipe dando voltas para o aquecimento. Nikki está sentada na arquibancada com Kendall, nos observando, com um monte de outras garotas. Marco corre ao meu lado. — O que há, Fuentes? — Ele acena para as arquibancadas. — Eu vejo que você tem uma fã. — Se você tem alguma opinião sobre a minha namorada, mantenha isso para si mesmo. — Eu digo a ele. — Sério, pare de dar sua merda ou você vai ter que responder a mim.

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— O que você é, seu guarda-costas ou namorado? — Brinca. — Ambos. — Eu olho para as arquibancadas. Nikki não parece muito feliz que eu estou falando com Marco. — Eu acho que é divertido que você e Nikki tem uma coisinha acontecendo. — diz Marco, em seguida, dá um tapinha minhas costas. — Boa sorte com isso, mano... enquanto durar. Ele aumenta a velocidade ao lado do campo para conversar com o treinador antes que eu possa dizer alguma coisa de volta. Derek é um meio-campista que pode chutar a bola mais longe e com mais precisão do que eu já vi. Marco e eu estamos à frente e lemos o jogo como se fôssemos uma só mente. Instintivamente, sabemos o que esperar um do outro e que nós dois estamos pensando. A única distração que eu tenho é Nikki. Cada vez que a bola vai para fora dos limites, eu me encontro procurando por ela nas arquibancadas. — Fuentes, o que você está fazendo? — Técnico grita. — Sal apenas jogou a bola dentro do campo para você e você estava olhando para o La-La Land. — Desculpe, treinador. — eu digo. — Saia do meu campo até que sua cabeça esteja de volta ao jogo. — ele grita, então chama outro jogador para me substituir. Eu corro pra fora do campo e paro na estação de água. Eu esguicho água na minha boca, em seguida, jogo na minha cabeça para me refrescar. — Estou distraindo você, não estou? — Pergunta Nikki. Eu me viro e a vejo encostada na cerca de arame. O sol está brilhando em seu cabelo escuro, mostrando mechas que se destacam em vermelhos naturais. Será que ela está me distraindo? Diabos, sim. — Eu perdi a bola porque eu estava olhando para você.

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— Não faça isso. — diz ela. — Você quer que eu vá embora? Não é um grande negócio. Eu não quero chatear o seu treinador. Eu piscou para ela. — Você sabe que eu não quero que você vá. — Nikki Cruz, pare de distrair o meu jogador ou eu vou fazer disso um treino fechado e chutá-la para fora! — O técnico grita. — Vai fazer um gol para acalmar o pobre homem. — ela me diz. — Vou fazer. O resto do treino, eu me mantenho focado nos treinos e não em Nikki. Após o treino, Marco e eu estamos conversando sobre a estratégia quando saímos do vestiário. Nikki está esperando por mim no corredor. — Ei. — ela diz. — Ei. — Eu bato nas costas de Marco. — Eu vou encontrá-lo no carro. Ele suspira. — Tudo bem. Mas não demore muito. Precisamos ir, mano. Coloquei meus braços em volta de Nikki e inclino a cabeça para beijá-la, mas ela se afasta. — Você tem planos com Marco? — Sim. — Eu dou de ombros. — Ele quer que eu o ajude com alguma coisa. — Por que você não me contou? — Porque eu não queria que você soubesse, tudo bem? Ouça, você tem problemas com o cara e eu não queria te chatear. Eu volto logo depois, eu juro. — Sinto muito. Eu não quero questionar você. — Ela puxa minha cabeça para baixo e me beija. — Eu tenho problemas com confiança. — Eu sei. Eu estou em uma missão para curá-la disso. Eu coloquei meu braço em volta dela e caminhamos para o estacionamento. Marco está esperando lá na frente do seu carro. Ele

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buzina quando me vê. — Vamos lá, pendejo. — ele grita com impaciência para fora da janela. — Eu te vejo mais tarde. — eu digo para Nikki, em seguida, a beijo mais uma vez antes de correr para o carro de Marco. Poucos minutos depois do carro andar, Marco faz movimentos indicando o porta-luvas. — Abra-o. Quando eu faço, cinco pequenos pacotes de pó branco embalados em papel celofane azul olham de volta para mim. — Chuy quer que descarregar essa merda por setenta e cinco dólares cada um. Temos que manter vinte e cinco. Eu bato, fechamento do compartimento. — Cara, isso é yeyo. Você sabe, pelas coisas que eu quase fui preso o fim de semana. — Diga-me algo que eu não sei. Aqui. — diz ele, puxando uma folha de papel com um endereço rabiscado nele: 2416 Newberry Drive. Evanston. — Chuy disse que poderia descarregá-lo, vendendo-o a este culero. Nós dirigimos em Sheridan Road por Fairfield, terminando a arborizada estrada curvas até chegarmos Evanston. Fico em silêncio o tempo todo, olhando pela janela para os pedestres e se perguntando o que eles pensam de nós. Eles veem dois mexicanos em um carro e imediatamente pensam que somos traficantes de drogas? Hoje eles estariam certos. Não é uma grande carregamento que poderia nos colocar na cadeia por dez anos, mas é o suficiente para nos levar presos. A ameaça de Chuy corre pela minha cabeça. Ou você está conosco ou contra nós. Você quer manter a sua família segura, não é? Sim, eu quero manter minha família segura. Eu tenho que fazer isso pelos meus irmãos, meu sobrinho, minha cunhada e mi'amá. Fazer tráfico de droga para o SL é uma obrigação, tanto quanto é uma maneira de descobrir informações privilegiadas. Tenho certeza de que Alex fez isso, eu sei que Carlos fez isso... agora é a minha vez.

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Ainda está claro lá fora, por isso não é difícil encontrar o endereço. Chegamos na casa. — Este lugar é um lixo. — eu digo, olhando para as peças aleatórias de sucata e patins de madeira empilhados no pátio. — Eu vou esperar no carro. — diz Marco. Enfio os cinco pacotes nos meus bolsos. Eu nunca fiz nada parecido como isso antes e me sinto completamente influenciavel. — Por que você não faz isso? — Pergunto a Marco. — Você é o veterano. — Chuy me disse para fazer isso. Algo sobre você provar a si mesmo. — Ele verifica o seu espelho retrovisor. — Olha, eu não ficaria surpreso se esse cara for um dos amigos de Chuy checando, para se certificar de que você está seguindo adiante. Merda. — Você tem minhas costas? — É... Sim, eu tenho as costas. — Marco está agindo calmamente, como se ele tivesse feito isso milhares de vezes e não fosse um grande negócio. — Vá em frente já. Pare de enrolar. Eu alcanço a pequena mochila que escondi no carro do Marco, esta manhã antes da escola e retiro a Glock. Eu a enfio na minha cintura, em seguida, caminho até a porta da frente. Tem um adesivo que diz NENHUMA SOLICITAÇÃO. Estou prestes a vender drogas. É que solicitação? Eu provavelmente poderia fazer um ensaio muito legal sobre o tema, fazendo um argumento a favor e contra isso. Ok, eu estou parando. Você pode fazer isso, eu digo a mim mesmo quando meu coração está batendo forte e rápido. Eu toco a campainha e ouço passos de alguém que vem até a porta. Ela abre. Um cara com a cabeça raspada, que se assemelha a um lutador de MMA que uma vez vi na TV está de pé na minha frente. Eu vou acho que ele não tomou banho em uma semana, porque ele cheira a merda. — Quem diabos é você? — Pergunta o homens. Umm... o que eu posso dizer? Não é fácil pensar com essa coisa em cima em tempo real. — Umm... Eu acho que tenho algumas coisas que você quer. Eu pareço um idiota.

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— Que tipo de coisas? — O cara pergunta, imperturbável em quão estúpida soa essa conversa. Eu começo a puxar um dos pacotes do meu bolso quando o cara pega na minha camisa e me puxa pra sua casa. — Nunca mais faça isso de novo, você ouviu. A polícia dirige por essas bandas à procura de caras como você. Se ele tiver um flash dessa coca, você e eu iremos presos. Tudo bem... — Ele fareja algumas vezes e suas mãos estão tremendo em antecipação. — Mostre-me o que você tem. Eu retiro os cinco pacotes. — Setenta e cinco dólares cada. Trezentos e setenta e cinco pelos cinco. — Eu sempre fui bom em matemática. — Pode ser trezentos e cinqüenta. — ele faz uma contraposta. Sério, você ainda estaá autorizados a contrapropor em uma transação de drogas? Ele obviamente pensa que eu sou um novato. Eu sou, mas se Chuy está monitorando isso, é melhor eu não deixar cair. Se eu não fizer isso, a minha lealdade será interrogada. — Que porra você acha que eu sou, um revendedor? — Eu digo em tom chateado, deslizando sobre o papel de membro de gangue duro, facilmente. — Três sete e cinco ou eu estou fora. — Ouve, enquanto eu estou aqui, arriscando tudo, eu poderia muito bem receber o valor integral. — Eu tenho mais de dez caras que me dão quatrocentos por esta merda pura. Ou você pega, ou não. Tomei AP17 de economia - o modelo de oferta e demanda é uma coisa poderosa. Se esse cara pensar que a oferta é baixa e a demanda é alta, as chances são grandes de que ele vai jogar o jogo do meu jeito. Ele hesita por uma fração de segundos. Eu me arrisco e vou para o blefe, indo para a porta. — Ok, tudo bem. — ele grita. — Eu estarei de volta com o dinheiro. Apenas... apenas espere aí mesmo.

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AP ou Advanced Placement é um termo que descreve cursos conducentes a exames em seu último ano.

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Eu seguro os pacotes em uma mão e alcanço a Glock com a outra. Se esse cara estiver prestes a atirar em mim, é melhor eu estar pronto para disparar de volta ou dar o fora. Merda, no que eu me transformei? Um traficante de drogas de gangue tentando ser um fodão. Como foi fácil pra mim dar uma volta de 180 graus na vida. A única coisa que me mantém aqui é o fato de que, se eu não fizer isso, eu não sei o que Chuy tem na manga. É algo que me envolve. Eu sei, com certeza. Eu não posso ir para a polícia. Os olhos e ouvidos do Chuy vigiam todas as ruas e até mesmo deu a entender que ele tem alguns dos policiais em Fairfield em sua folha de pagamento. Pela primeira vez na minha vida, eu não posso fazer a coisa certa. O pensamento de que este pendejo prestes a comprar drogas de mim pode ser um policial disfarçado entra em minha mente, mas a maneira como ele olhou ansiosamente para o yeyo e começou a cheirar, sobre a perspectiva de ter o material ao alcance me faz esquecer esse pensamento. O cara volta à sala com um monte de notas na mão. — Aqui. — diz ele, me dando o dinheiro. Eu conto-o agora, antes de sair, ou seja, considerado isso? Eu não sei o protocolo aqui, então estou fazendo essa merda indo junto. Eu olho brevemente para baixo para o dinheiro, em seguida, entregar o yeyo. Quando ando de volta para o carro meu coração ainda está acelerado. Esta adrenalina me dá uma elevação natural que faz me sentir invencível, como senti quando eu fazia um solo livre em Boulder. A chance de eu ser mordido por uma cobra aqui é rara, mas mentir para Nikki e minha família pode ter consequências piores. — Vamos sair daqui. — eu digo a Marco quando deslizo para o banco do passageiro. Eu recebo um texto quando aceleramos para longe da casa. Nikki: Ei, o que vc vai fazer? Eu não respondo.

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30 Nikki Digo a Luis para me encontrar no abrigo de animais. Quando ele estaciona em uma motocicleta, eu olho e olho de novo. Ele tira o capacete e caminha até mim. — Essa moto é sua? — Eu lhe pergunto. — É do meu primo Enrique. Ele me emprestou. Ele disse que eu poderia trabalhar em sua oficina alguns dias por semana, uma vez que ele soube que perdi meu emprego em Brickstone e o negócio começou a pegar. — Ele coloca os braços em volta de mim e me sustenta por muito tempo. — Eu senti sua falta, mesmo estando com cheiro de cachorro molhado. — Eu dei banho na Granny. — Granny? — Ela é o meu cão favorito aqui. Você quer conhecê-la? — Definitivamente. — Vamos lá. — Depois de apresentá-lo ao pessoal, eu o levo de volta para a gaiola de Granny. — Ela não é adorável? — Eu pergunto enquanto me abaixar para pegá-la. — Ela é cega, mas ela pode ouvi-lo perfeitamente.

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Luis pega-a de mim. — Yo, vovó, o que está acontecendo? — Ela fuça o nariz na sua camisa como se fosse seu animal de estimação. — Você quer levá-la para casa, não é? — Ele me pergunta. — Como você sabe? — Pela maneira como você olha para ela. — Meus pais não querem que eu tenha um cachorro, mas eu estou tentando convencê-los. Acho que eles vão ceder em breve. Eu mesma pedi que viessem conhecê-la. — Eu olho para longe. — Eu acho que eles estão com medo que eu vá surtar quando ela morrer. — Você vai? Eu acaricio Granny atrás da orelha. — Sim, provavelmente. — Quanto tempo resta pra Granny? — Quanto tempo resta pra qualquer um de nós? — Pergunto a ele, recebendo um sorriso pensativo de Luis em troca. Eu o apresento a mais cães e aponto todas as suas histórias e peculiaridades. Jake, o beagle, não para de uivar, Hannah, a mistura de pastor que fica em uma gaiola um pouco pequena. Os filhotes que vieram hoje serão provavelmente adotados até o meio-dia. — Todo mundo adora os filhotinhos. — Exceto você. Você ama os patéticos, como Granny. Eu o empurro brincando. — Ela não é patética. Ela é carente. — Eu fiz psicologia ano passado. Se eu fosse um psicólogo, provavelmente diagnosticaria como uma pessoa que gosta de se sentir necessária. — Isso é uma suposição justa. — eu admito. É melhor do que ser carente. — E você, Sr. Fuentes? Você está carente? — Eu posso ser, se você quiser que eu seja. — diz isso, que me faz rir. Eu mostro o estúdio improvisado que montei para tirar fotos dos cães, para postar no site adoção que criei. Eu pego a câmera e mostrarlhe as fotos que tirei de todos os cães no abrigo.

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— Maggie dorme muito, então eu a coloquei num travesseiro baixo e tive que mentir sobre isso. — eu explico. — E Buster adora brincar de pegar, então eu tirei esta com três bolas na boca para que as pessoas saibam que ele é um cara brincalhão. Tento mostrar a personalidade de cada cão nas fotos. — Estou impressionado. — diz ele, me olhando com admiração enquanto ele passa pelas imagens. — Estas são boas. Eu consigo vê-las em um livro. — Meu objetivo é arrumar quem os adote. — digo a ele. — Você é uma santa. Eu penso na foto que Marco disse que não excluiu. — Estou longe disso. Eu fiz algumas coisas realmente estúpidas no passado. — Todos nós fizemos. — Ele estende a mão. — Lembra essas cicatrizes? Eu não estava mentindo quando disse que fui mordido por uma cobra e caí de um penhasco pouco antes do casamento do meu irmão. Eu não usava equipamento de segurança. — Por que não? — Porque eu gosto de viver no limite, às vezes. Você não gosta? — Não. Não mais, pelo menos. — Ele continua a folhear as fotos. A última da câmera é de Granny. Não faz-lhe justiça. — Espere aqui. — Pego Granny e a coloco em seus braços. — Sente-se ali com ela. Ele se senta sob a luz com Granny enquanto eu tiro as fotos. De repente ele a vira e coça a barriga enquanto ela está de cabeça para baixo e praticamente sorri para a câmera, eu sei que tenho a imagem perfeita. Granny pode ser cega e velha, mas ela vai ser o animal de estimação perfeito para mim. O fato de que Luis está sorrindo calorosamente enquanto ele brinca com ela, me faz querer imprimir uma cópia para colocar na parede em casa. Eu sinto que ela já é minha. — Sua vez. — diz ele, dando Granny para mim. Eu a seguro enquanto ele tira uma foto de nós em seu telefone celular.

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Minha mãe liga me dizendo que tenho que voltar para casa e ajudá-la a pendurar cortinas novas na nossa sala de estar. Ela está em padrões florais abstratos que a lembra de alguma artista chamada Georgia O'Keeffe ou algo assim. — Eu tenho que ir. — digo a ele. Luis e eu nos dirigimos para o estacionamento agora vazio. — Você acha que nós estamos correndo com as coisas? — Pergunto a ele. — Não se estresse sobre o assunto, mi chava. Está tudo bem. — Ele desliza o capacete na cabeça e liga sua moto. — Não se mate montando essa coisa! — Eu grito. Ele me dá um polegar para cima, então espera até eu chegar no meu carro antes de acelerar para fora do estacionamento. Chego à conclusão de que meu namorado é um viciado em adrenalina. Posso ficar com ele? 197


31 Luis Jogos de futebol do ensino médio geralmente não têm seguranças e polícia, exceto quando Fremont joga contra Fairfield. Nossa equipe está pressionando no sábado de manhã, quando nós jogamos contra Fremont. Somos escolas rivais e cidades rivais com gangues rivais. Eu acho que depois de um incidente em que um jogador de Fremont foi esfaqueado por um jogador Fairfield no ano passado, eles decidiram contratar policiais para patrulhar as arquibancadas e nos bastidores apenas no caso disso explodir. No final, ganhamos 5-4. Alex, Brittany, Carlos e Paco ficaram depois do jogo para conversar com alguns velhos amigos de Fairfield. Estou segurando Paco quando Mariana e um monte de amigos dela andam até mim. — Garoto bonito. — diz ela. Paco é um imã completo de garotas. Ele dá-lhes todos os high five e até chama Mariana de ‗chica’ como Alex chama Brittany. Na verdade, soa como cha-cha e as garotas acham hilário. Homem, o garoto já sabe como flertar com as garotas. Meu sobrinho está avançado nesse departamento, mas eu não esperaria nada menos de um Fuentes. Carlos está de pé ao meu lado, apertando as mãos com esse cara que eu nunca vi antes. — Diga a sua irmã que eu disse oi. — ele diz ao cara. — Quem era? — Pergunto depois que o cara vai embora.

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— O irmão de Destiny. Destiny. Sua ex. Eu não sei se ele viu ou falou com ela desde que se separaram anos atrás. Eu sei que Carlos estava obcecado com a garota e tinha fotos dela gravadas em cima da sua cama. Eu sei que Carlos estava chateado quando ela terminou com ele e teria feito qualquer coisa para recuperá-la. Isso foi antes de Kiara estar na foto, no entanto. Eu olho em volta para Nikki. Ela está em pé na arquibancada conversando com um casal de amigos dela. — Ei, Nik! — Eu grito para ela. Ela olha para mim, então desvia o olhar. Mas que diabos? Eu ainda estou segurando meu sobrinho quando ando até ela. — O que está acontecendo? Seus amigos dizem um rápido Olá e depois se dispersam. Nikki cruza os braços sobre o peito, sua atitude latina arranhando seu caminho para a superfície. — Para ser honesta, eu estava meio que tipo com ciúmes do seu bate papo com Mariana. — Sério, você estava com ciúmes? — Eu pergunto, me divertindo. — Isso é legal. — Isso significa que ela se preocupa. — Não é engraçado. Você estava flertando com ela. — Eu não estava. Paco estava. No entanto, eu não sei se você poderia culpar um garoto que não tem nem dois anos de idade. — Eu inclino minha cabeça para o lado e mudo de assunto. — Você viu os dois gols que eu fiz para você? — Para mim? — Você não viu me apontar para você depois que eu fiz? — Você estava apontando para o céu, Luis. Para Deus. — É a mesma coisa.

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— Não era e você sabe disso. — Ela pega Paco de mim. Meu sobrinho brinca com o cabelo dela e de repente eu sou o único que está com ciúmes. — Por que você estava brincando com isso? — Ela pergunta. — Porque é estúpido, Nik. Não há sequer espaço no meu dia para pensar em alguém. — Paco começa a dar beijos grandes, desleixados e molhados em sua bochecha. — Ele está chupando até você. — Pelo menos alguém está. — Você está tentando brigar comigo? Antes de responder, devo avisá-la que eu acho isso ridiculamente sexy, quando você tem atitude. — Eu só... esqueci isso. — diz ela. — Se você não reconhece que você é um flerte, é inútil falar sobre isso. Meus irmãos riem quando a veem me dando um gelo. — Oh, cara. — diz Carlos. — Acho que nosso irmãozinho está em apuros. Carlos coloca seus braços em volta de nós dois. — Beije e se decidam, vocês dois. Kiara está chegando aqui em menos de uma hora e eu tenho uma tarefa para vocês. Você também, Alex. — Que tipo de tarefa? — Eu pergunto. — Eu preciso que você cave a caixa de joias de mi'amá. Oh, não. Não desta vez. Quando Carlos era mais jovem, ele pensou que seria brilhante fingir que era um pirata esconder seu tesouro. Caixa de joias de Mi'amá se tornou seu saque. Acabou que não era uma ideia tão brilhante porque Carlos esqueceu onde ele escondeu a caixa. Anel de casamento do Mi'amá e cada pedaço de joias que ela possuía estava lá dentro. Durante anos, nós cavamos na que pequena área arborizada perto da nossa casa e viemos de mãos vazias. — Eu não acho que Nikki vai querer ir à caça ao tesouro. — eu digo. — Eu não me importo. — diz ela. — Onde ela está? — Essa é uma boa pergunta. Eu escondi no barranco perto da nossa casa. — Carlos esfrega a parte superior de seu cabelo cortado à escovinha e estremece. — Eu meio que preciso muito mesmo. Kiara

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está chegando e, bem, eu só preciso encontrar essa maldita coisa. Eu tentei procurar esta manhã, mas minha perna maldita não deixou. Quando Carlos saiu para pegar Kiara no aeroporto, o resto de nós fomos para o barranco com pás. Nikki tinha pego o pastor alemão chamado Hank do abrigo para que ele pudesse ajudar na procura, porque ela jura que pode dizer que ele foi treinado em algum momento da sua vida em situação irregular. Na mata acima do barranco, Alex divide o lugar. Alex, Brittany e eu não estamos otimistas. Mas Nikki e Hank têm otimismo e energia suficientes por todos nós. Hank fareja o ar e vai até as madeiras e folhas quando ele e Nikki se direcionam para sua seção designada. Brittany faz ondas no ar com a pequena pá de jardim, como se estivesse levantando a mão. — Qual a profundidade que temos de escavar. — ela grita. — Eu não sei. — Alex diz a ela. — Eu não acho que muito fundo porque Carlos era um garoto que odiava suar a camisa. Eu começo a cavar, o espaço entre os meus buracos são cerca de dez centímetros de distância em um padrão de grade para que eu não perca nada. A caixa de joias era branca, por isso deve ser fácil de encontrar. Olho para Nikki. Ela está falando com o cachorro e instruindo-o a ‗ir encontrá-la!‘ Sério, um cão deve saber o que isso significa? Eu ri quando Hank fareja longe. No momento que ele para em um lugar, Nikki começa a cavar. Ela está tão concentrada em sua tarefa que não olhou para cima. O que significa que eu posso vê-la. Eu sei o que ela está pensando. Em sua mente, Carlos precisa dela. Ele está desesperado para encontrar a caixa de joias e eu sei que ela está mais do que motivada para encontrar para ele. Eu não ficaria surpreso se ela cavasse cada ponto que Hank fareja até a noite cair. Minha garota está em uma missão. Eu não tenho o coração para dizerlhe que Hank pode estar cheirando um lugar para merda, não porque ele está realmente seguindo um perfume. Eu me pergunto o que ela diria se eu lhe dissesse que preciso dela, também.

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Depois de 20 minutos e cerca de cinco alarmes falsos, eu ouço Nikki gritando — Eu acho que Hank encontrou! Levanto minha cabeça e vejo Nikki de joelhos, agitando os braços para trás e para frente, para que possamos vê-la. Com certeza, quando eu a alcanço e vejo que ela cavou até uma pequena parte do que parece ser uma caixa de joias. Hank está latindo agora, loucamente animado. — Esse cão é um gênio, Nikki. — diz Alex, levando a pá e cavando o resto. Momentos mais tarde, eu o ajuda a cavar. — Estou mandando mensagem para Carlos dizendo que achei. — eu digo quando Alex ergue com alavanca a parte superior que apodreceu. Nikki tem um enorme sorriso quando ela elogia Hank e lhe dá um tratamento que escondeu no bolso. Eu ainda estou em estado de choque e não posso acreditar que o cão tinha algo a ver com isso. Talvez foi simplesmente sorte, mas, novamente, quando eu olho para o cão acho que ele tem um sorriso de orgulhoso no rosto. Alex tira o anel de noivado de mi'amá e o levanta até a luz que brilha através das árvores. O diamante brilha na luz. De volta para casa, Nikki anuncia a boa notícia para mi'amá. Mi'amá abre a caixa e tira a aliança de casamento e anel de noivado. Ela os desliza quando lágrimas correrem pelo rosto. — Foi há tanto tempo. — diz ela, sufocando as palavras. Paco pergunta se ela tem um dodói porque ela está chorando. — Sim. — ela diz a ele. — Eu tenho um dodói. Ma coloca os anéis de volta na caixa suja, assim que Carlos e Kiara entram pela porta. Kiara está gritando com Carlos por carregar sua bagagem para dentro de casa quando ele não está totalmente curado, mas ele acabou ignorando seus protestos. Kiara já deveria saber que ele é um filho da puta teimoso. Eles irão ficar em um hotel nas proximidades, mais tarde, mas ele não queria deixar sua bagagem cara no carro enquanto ele estava estacionado em frente da casa. — Vocês dois estão brigando de verdade? — Alex pergunta. — Vocês não viram um ao outro em mais de um ano.

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— Nós gostamos de discutir. — Carlos diz a ele. — É uma das duas coisas que fazemos melhor. Certo, mamacita? Kiara revira os olhos. apaixonada por você de novo?

Lembre-mm-me

porque

eu

sou

Carlos dá a ela um sorriso travesso quando ele a puxa para perto. — Eu vou mostrar a você mais tarde. Kiara parece satisfeita com essa resposta enquanto ela abraça Brittany, Alex e eu. — Esta é a minha namorada, Nikki. — eu digo a ela, em seguida, aponto para o cão sujo ofegante no chão. — E isso é Hank, o órfão. Nikki não está preparada para Kiara abraçá-la como uma irmã há muito perdida, e, em seguida, vai para Hank, que rola de costas para a exposição total. Brittany e Alex saem para pegar Shelley, irmã de Brittany. Ela vive em uma instalação de cuidados para as pessoas com deficiência, mas passa a maioria dos fins de semana na casa de Alex e Brit. Paco adora andar na cadeira de rodas e não tem ideia de que ela está desativada. Nikki e Shelley, obviamente, se conhecem de interações anteriores e, quando Shelly chega, começam imediatamente a conversar sobre cães e abrigo. Nikki promete levar Shelley para o abrigo um dia, que faz com que Shelley grite de felicidade e Brittany sorri em gratidão. No jantar, quando toda a nossa família está reunida, isso realmente me bate, Nikki e eu somos um casal. Meu braço repousa sobre as costas da cadeira de Nikki e ela se inclina para mim. Eu odeio admitir que estou caindo duro e rápido. Apenas o pensamento de perdê-la por causa do meu envolvimento com o SL me estressa. Especialmente quando eu recebo um texto de Marco para vê-lo mais tarde, hoje à noite no armazém. Pego a mão de Nikki e aperto debaixo da mesa. Ela aperta de volta, em seguida, olha para mim. — Você está bem? — Ela pergunta silenciosamente enquanto o resto da minha família está se empanturrando. — Você está cada vez mais quieto desde que chegamos aqui.

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— Eu só estava pensando. — Sobre o quê? Eu me inclino para perto e sussurro em seu ouvido. — Renegociar os termos de nosso relacionamento. Seu rosto fica roxo e ela sussurra de volta: — Vamos discutir isso mais tarde. — Só para você saber, eu tenho um A em debate. — digo a ela. Ela olha para mim com um sorriso nos lábios rubi sensuais. — Assim como eu.

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32 Nikki Na segunda-feira Luis me surpreende vindo para minha casa depois do treino de futebol. — Você poderia ter me mandado uma mensagem. — Eu digo a ele. Ele encolhe os ombros. — Sim, bem, eu pensei que você poderia me usar como um tutor em cálculo. Eu estou oferecendo meus serviços. — diz ele, em seguida, adiciona com uma pequena pitada de arrogância. — De graça. Oh, cara, eu estou em apuros. Quanto mais tempo passo com Luis, mais eu quero ficar com ele. Eu me forço para ficar distante e me dizer que eu não vou deixá-lo chegar muito perto. Eu gostaria, apesar de tudo. Quando ele coloca os braços em volta de mim, me sinto protegida e segura. Minha mente me diz que é uma falsa sensação de segurança. Eu estou constantemente tentando determinar qual das minhas emoções é centrada na realidade. Eu tenho a mesma sensação quando ele diz que vai trabalhar na oficina do seu primo, acho que está realmente fazendo alguma outra coisa. Eu estou provavelmente sendo paranoica. Eu disse a ele para ser honesto comigo e quero confiar nele. Mas tenho minhas dúvidas. No entanto, é fácil empurrar todas as dúvidas para o fundo da minha cabeça quando estou com ele. — Eu preciso de alguma ajuda em cálculo. — eu admito.

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— Oi, Luis. — Mamãe diz quando eu o levo para a mesa da cozinha, onde meus livros estão espalhados. — Olá, Sra. Cruz. — diz Luis educadamente. — Vocês dois têm passado muito tempo juntos ultimamente. — diz ela, afirmando o óbvio. Luis concorda. — Sim, senhora. — Bem, eu espero que não seja muito sério. Nikki tem que se concentrar em suas aplicações da faculdade e manter suas notas altas. Eu tremo. — Mãe, não me envergonhe. — Está tudo bem, Nik. — Luis me diz. — Minha mãe disse a mesma coisa. Estou tentando provar aos dois que não comprometerei meu futuro, simplesmente por estarmos juntos. — Luis pode comer, mãe? — Eu digo, mudando de assunto antes que ela peça suas credenciais de namoro. Eu sei que ela se preocupa comigo e não quer a repetição do que aconteceu entre Marco e eu. Ambos os meus pais têm me falado muito, sobre qualquer garoto que eu comente. O que eles não sabem é que todas as amizades que tive com os caras após Marco eram apenas isso - amizades. Essa coisa com Luis... é muito mais. Mas eu disse aos meus pais que éramos apenas amigos para que eles não surtem. — Estamos pedindo chinês, Luis. — diz a mãe. — Você gosta de comida chinesa? Ele encolhe os ombros. — Eu posso comer qualquer coisa. — Você é mais que bem-vindo para se juntar a nós para o jantar. — Ela diz sem um sorriso no rosto, como se ela estivesse dizendo apenas por educação. Eu espero que Luis não perceba. Ela olha para os nossos livros escolares espalhados sobre a mesa da cozinha. — Melhor vocês começarem a fazer a lição de casa. Luis e eu sentamos na mesa da cozinha. Ele me ajuda com o meu cálculo, em seguida, se inclina sobre a mesa para começar sua lição de casa. Eu estou trabalhando em um poema de linguagem artística.

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Nosso professor disse que deveríamos escrever sobre alguém que teve um impacto sobre nossas vidas, bom ou ruim. Quero escrever sobre o Luis, porque ele me faz querer mudar... ele me faz querer amar novamente. Eu ainda estou me segurando, mas para ser honesta, eu não quero. Eu olho para Luis em busca de inspiração. Eu o pego me olhando, ao mesmo tempo. Nervosas borboletas vibram no meu estômago enquanto eu fantasio sobre como seria se estivéssemos sozinhos. Eu espero que ele desvie o olhar, mas ele não faz. — Por que você está me olhando? — Eu ia te perguntar a mesma coisa. — diz ele. — Faça o seu trabalho. — digo-lhe, tentando não deixar transparecer que estou tentada a sentar em seu colo e colocar meus braços em volta de seu pescoço. Ele olha para a sua pasta de estudos sociais. — Eu posso sentir seus olhos em mim. — diz ele depois de um minuto. — Sinto muito. — Eu fico olhando para a página em branco e começo o meu poema. Minha primeira tentativa é sobre um herói que veio para me salvar, antes que meu coração se transformasse completamente em gelo e rachasse em um milhão de pedaços pequenos que nunca mais seriam curados. Não, isso soa muito paranormal. Espero que eu o que eu tenho com Luis seja real, mas depois do meu mau julgamento no passado, eu não confio nos meus instintos. — Quer ir pra minha casa no domingo? — Ele me pergunta. — Mi'amá vai estar no trabalho, e meus irmãos vão fazer churrasco. — Parece ótimo. — No entando, eu vou avisá-la. Eles já conversaram sobre o jogo Panty Discus. — Ele ri quando vê a minha expressão. — Não é o que você pensa. É um jogo com uma bola de tênis e meias... do tipo que as mulheres usam. Você tem que ver para realmente apreciar isso.

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— Eu tenho certeza. — eu digo, não convencida. — Seus irmãos são competitivos? — Vamos apenas dizer que suspeito que Carlos começou a treinar meses atrás, quando ele estava prostrado no exterior. Alex sempre venceu, mas agora que vamos jogar em pares eu acho que temos uma boa chance de ganhar a coisa toda. Brittany é uma espécie peso leve quando se trata de força. — O que você quer ganhar? — Os direitos de me gabar. — Ele encolhe os ombros. — Isso é uma espécie de grande negócio da minha família. Quando minha mãe vai pegar a comida chinesa, eu mordo meu lábio perguntando se eu deveria começar ‗o debate‘. Eu olho para Luis e sei que vou ter dificuldade em manter a minhas condições originais. — Umm... você não vai me desafiar para um debate ou algo parecido da outra noite? Sua cabeça vira para cima. — Sim. Estou pronto. Eu rio. — Para quê? — O debate, ou, você sabe... qualquer coisa que você esteja pronta... Eu estou dentro. — Iste não é o World Series of Poker18. — Eu sei o que é, chica. Eu rodo meu cabelo no meu dedo nervoso. — Eu tenho que admitir que estive pensando em estar com você, muito. — Eu também. Venha aqui. — Ele puxa a cadeira para fora e me direciona para sentar em seu colo. Esperando que a minha mãe não venha, me sento em seu colo e coloco meus braços em volta de seu pescoço. Olho para baixo em seus olhos escuros e hipnotizantes. — Nik, eu não vou te machucar. Eu não vou abandonar você depois. — Eu sei. É muito difícil para mim... e eu estou com medo.

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É o mais famoso campeonato de pôquer, realizado anualmente em Las Vegas.

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— De quê? — Ele esfrega minhas costas carinhosamente. — Fale comigo. Eu não digo o que está realmente em minha mente. Marco. O aborto. A traição. Os segredos de Luis. Tenho medo de me tornar vulnerável. Eu enterro meu rosto em seu pescoço e aperto firmemente. Apesar de todas as minhas inibições e todas as minhas suspeitas, eu estou me apaixonando por Luis. Ser capaz de resistir fisicamente está começando a ficar impossível. — Só para você saber... Eu não tomo pílula ou qualquer coisa. — eu digo baixinho. — Eu tenho preservativos. — ele diz e sorri timidamente. — Não comigo, é claro. Eu não sou um daqueles pendejos que carregam sempre, caso precise. Quem melhor para acabar com o passado do que alguém com que eu quero estar, com alguém... que eu estou começando a me apaixonar. Eu me inclino e sussurro em seu ouvido: — Eu estou nervosa. Ele se aproxima e coloca as mãos no meu rosto. — Você precisa confiar em mim. — Eu não sei se posso.

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33 Luis Eu não tenho certeza se pedir pra Nikki vir no domingo foi a melhor ideia, especialmente quando Carlos decide encher o saco da minha namorada e constranger a merda fora de mim. — Então, Nikki. — Carlos diz no momento que ela entra na casa. — Você sabia que Luis olha para uma foto sua e algum cão no seu telefone por uma hora antes de ir dormir? Juro que ele leva para o banheiro também, mas eu não sei o que diabos ele fica fazendo lá dentro com isso. Carlos nunca foi de ouvir as direções. Eu disse a ele esta manhã para não falar merda para Nikki. Eu deveria saber que não ia acontecer. — Não dê ouvidos a ele, Nik. — eu digo a ela. — Eu ajudo nisso. — diz Kiara, dando a Carlos uma olhada feia. Ela o golpeia no estômago. — Não o constranja, Carlos. — Eu acho que ela deveria se sentir lisonjeada de saber quanto meu irmãozinho gosta dela. — diz ele inocentemente. — É tipo uma coincidência. — diz Nikki, imperturbável. — Porque eu olho para a foto de Luis o tempo todo, também. — Ela me olha e pisca. A casa inteira fica em silêncio. Droga. Eu não sabia que minha novia conseguia se segurar contra Carlos.

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Ela olha para mim com adoração. — Grandes mentes pensam da mesma forma. Certo, Luis? Exato. Eu pisco para ela e pego sua mão na minha. — Definitivamente. Seus olhos brilham e quando a luz do sol brilha através da janela da frente e batem neles, percebo que seus olhos castanhos tem partículas de ouro no interior. Nikki inclina a cabeça para o lado e pergunta a Carlos. — Então, quando é que você e Kiara ficam noivos? Luis me disse que vocês dois estão namorando há muito tempo. Vai, Nikki! Minha garota pode pegar pega a pedra e atirar de volta. Isso vai ensinar o meu irmão a não enfiar o nariz onde não é chamado. Alex, que acabou de vir da cozinha, não conseguiu segurar sua risada. — Então, mano. — Sim, Carlos? — Kiara entra na conversa. — Quando f-f-fficaremos noivos? Carlos pigarreia. E geme de derrota. — Podemos conversar sobre isso depois? — Ele pergunta, em seguida, aperta os olhos ironicamente a Nikki. — Já aviso que a próxima vez ficarei à vontade para envergonhá-la e meu irmão. Nikki dá-lhe um polegar para cima. — Tenho certeza. Depois que comemos, Alex está com a meia-calça de mi'amá e diz. — Hora da competição. Eu fico olhando para as meias. Alex vai estar muito longe, de volta à sua casa, quando mi'amá perceber que dois pares de meias estão completamente cortados na parte superior da perna. Não tenho dúvidas que ela vai perceber. Não é uma questão de se, mas quando. E eu vou estar aqui para enfrentar as consequências. O problema com os meus irmãos, além do óbvio, é que nós somos competitivos. Não é a rivalidade normal entre irmãos. Se há uma competição, é guerra total. O vencedor ganha o direito de se gabar para

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sempre e o perdedor ganha o direito de ser zuado pra sempre. É como uma espécie de tradição religiosa. As competições no passado não foram justas, porque eu era mais jovem do que os meus irmãos. Mas agora estamos quase na mesma altura e mesma força, de modo que qualquer competição vai ser feroz. — Vamos seguir para o parque. — diz Alex, em seguida, retira uma bola de tênis do armário da frente. Paco parece estar muito animado para jogar. Brittany põe a mão na testa. — Ele está ansioso pra isso toda a semana. Eu não acho que há um jeito de impedi-lo. — Ela aponta para Alex. — Eu estou falando do meu marido, não do meu filho. — Eu tenho uma desvantagem por causa da minha perna! — Carlos grita, em seguida, grita uma espécie de grito de guerra que ele provavelmente aprendeu no exército, mas soa ridículo, ecoando pela casa. Se Reyes ouviu, provavelmente vai chutar a nossa porta da frente para baixo com sua arma com o pensamento ardente que estamos sendo roubados. — Você não está em desvantagem. — Alex diz ele. — Seu braço não está danificado. — Eu concordo. — acrescento eu. — Cara, vocês são brutais. — diz Carlos, mas ele sabe muito bem que, se eu ou Alex tivéssemos quaisquer ferimentos, ele não estaria nos dando uma vantagem. Nikki para. — Tudo bem, eu acho que Panty Discus precisa ser explicado. Parece uma pancada nas mulheres, para ser honesta. — Ela põe as mãos nos quadris e tudo o que posso pensar é ver os quadris, sem as roupas cobrindo-os. — Não é uma pancada de mulheres. — digo a ela. — Eu não ficaria surpreso se um dia virar um esporte olímpico. Ela ri. — Eu não penso assim. Estamos todos seguindo para uma enorme área gramada vazia do parque.

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— Estamos jogando em equipes. — diz Alex. — Casais contra casais. — Eu não vou jogar algo que é chamado Panty Discus. — Brittany exclama. — Eu sei que você explicou o que queria dizer, mas ainda soa sujo. — Ela tampa os ouvidos de Paco. — E eu realmente não quero Paco dizendo isso. Carlos revira os olhos. — Brit, começa a sair dessa sua bunda rica, por favor, chupe isso. Você está jogando. E quando o meu sobrinho for velho o suficiente, ele vai não só estar dizendo isso, ele estará jogando também. É uma tradição Fuentes. A boca de Brittany se abre em estado de choque. — Carlos, eu estava preocupada com o meu filho ouvir sobre Panty Discus. — diz ela, sussurrando as palavras ofensivas. — Você realmente acha que eu quero que ele ouça palavrões voando da sua boca? — Posso pelo menos escrevê-las? — Carlos pergunta. Eu acho que ele não está brincando. Alex fica no meio deles. — Tudo bem. Brit, se você não quer jogar, você não precisa. Paco pode ficar no seu lugar, mas para ser honesto, ele provavelmente vai matar a minha sequência de vitórias. Brittany caminha até Alex e aponta o dedo em seu peito. — Eu vou fazer isso, mas só porque eu sou sua esposa e eu te amo. Kiara observa Alex e Brittany com um olhar de saudade, então olha para o meu irmão Carlos alheio. Nikki estava apenas brincando com ela em casa, mas tenho a sensação de que Kiara está esperando por um anel do meu irmão. Eu não sei por que ele está enrolando, porque todos nós sabemos que vai acontecer. — Eu estou no jogo. — Kiara diz com um suspiro. Eu olho para Nikki. Eu mal posso esperar para acabar com isso, para que eu possa ficar sozinho com ela. — E você, Nik? — Eu pergunto. — Eu estou no jogo, também. — diz ela, dando-me o olhar que tem o meu coração disparado. — Apenas me diga o que fazer.

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— O que o vencedor ganha? — Pergunta Brittany. — Os direitos de se gabar. — explica Carlos. — Que nesta família vale mais do que dinheiro. — Ele se vira para Kiara. — É melhor ganhar, mamacita. Alex define uma vara como linha de partida e mostra a todos o Panty Discus caseiro - que é apenas uma perna cortada de uma meiacalça de mulher com uma bola presa no final do dedo do pé e um nó na outra extremidade. — O objetivo é lançar o Panty Discus o mais longe que puder. O lance mais distante combinados ganha. — Os mais velhos jogam primeiro. — digo a ele. — Funciona para mim. — Alex está na linha de partida e começa girando a bola sobre a cabeça mais e mais rápido, antes que ele liberala. Ela voa alto e longe no ar. Quando cai, ele está pensando muito convencido de que ninguém pode fazer melhor que ele. Ele coloca uma pedra no lugar. — Brit, sua vez. Eu vejo quando Brittany tenta a mesma técnica, girando a bola por cima da cabeça. Ele fica ao lado dela, incentivando, enquanto Paco faz um jogo de tentar dar um tapinha no meu cabelo espetado. — Vamos lá, Brit, eu tenho total confiança em você para atirar isso. — diz Alex à Brittany. — Gire mais rápido agora. Droga, garota, você está gostosa fazendo isso. Ok, solte! Ela faz, mas o Panty Discus é liberado quando a bola está destinado para o lado e voa para fora de sua mão, indo diretamente para a direita e não para a frente. Ele cai cerca de 5 metros para o lado da linha de partida. — O que. No. Inferno. Foi. Isso? — Alex pergunta, sugando a respiração. Brittany bufa e grita: — Você disse que eu parecia quente e totalmente me desconcentrou. Não é minha culpa. Eu nunca joguei isso antes, Alex. Da próxima vez, cale-se e me deixe atirar sem os seus comentários.

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— Chica, foi embaraçoso. Você precisa de alguma instrução de Panty Discus intensivo. — Ele brinca e a pega e leva para onde estamos sentados. — Quando chegarmos em casa... — Minha vez! — Carlos diz, esfregando as mãos alegremente. — Olhe e aprenda com o especialista, pessoal. — Ele manca até a linha de partida e faz círculos em uma extremidade da meia acima da cabeça. — Você quer tomar notas, Kiara? — Estou muito ocupada assistindo seus músculos flexionarem. — diz ela. Ele abana as sobrancelhas para ela, então chicoteia o Panty Discus com tudo e ele cai em uma área mais ou menos longe do lance do Alex. Carlos solta um outro grito de guerra e beija seus músculos do exército recém-descobertos. — Exército forte. — Você é louco. — eu digo a ele quando ele coloca um pedaço de pau para marcar o lugar de seu lançamento e entrega o Panty Discus a Kiara. Kiara imita o movimento estilo helicóptero de Carlos e faz um trabalho muito bom chicoteando a meia na frente dela. Ele não vai tão longe quanto o seu, mas pelo menos é em linha reta. Carlos acena com a cabeça, impressionado com seu lance. — Eu acho que nós temos isso na mala, Kiara. — ele diz a ela e marca seu lugar. Minha vez. — Espere! — Nikki diz antes que eu vá até a linha de partida. Ela corre até mim e esmaga minha boca para a dela. — Boa sorte. — Mmm, eu gosto de beijos de boa sorte. Devemos ter torneios Panty Discus o tempo todo. — eu digo. Ela fica de lado enquanto eu respiro fundo e canalizo toda a minha energia para conseguir essa coisa passando a marcação de Carlos. Eu rodo a meia, em seguida, com todas as minhas forças chicoteio no ar. Ela voa alto e eu tenho certeza que eu tenho a altura, mas temo que eu tenha faltando distância até que cai há poucos centímetros do pau de Carlos. — De jeito nenhum! — Diz Carlos.

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Eu beijo meus músculos, zombando dele. — Não critique o nadador! Mesmo fora da temporada podemos chutar o traseiro. Eu pego Nikki em torno da cintura e puxo-a contra mim. — Como foi isso? — Perfeito. — Sua vez. Deixe-me orgulhoso, chica. Nikki vai até a linha de partida, determinação e foco delineados em sua expressão tensa. Ela saca a bola em volta da cabeça como um guerreiro com um taco de guerra, então libera a coisa no ar com um grunhido alto que ecoa em todo o parque. Ele aterra da mais longe do o que da Kiara está. Somando-se as distâncias combinadas, nós ganhamos. Eu aponto para Nikki. — Essa é minha garota. Ela salta para cima e para baixo, levantando as mãos no ar como se acabasse de ganhar uma viagem para o Havaí. — Nós fizemos isso! Quando estamos comemorando, um carro passa com um bando de garotas no interior. O carro para e uma garota sai. Ela tem um sorriso enorme no rosto e está andando com um balanço de seus quadris enquanto ela faz o caminho mais curto direto para Carlos. — Carlos. — ela diz com entusiasmo. — Eu não posso acreditar que é você! Meu irmão me disse que você estava de volta, mas... bem, minhas amigas e eu estávamos prestes a ir para a cidade, mas eu as fiz desviar. Eu tinha que verificar por mim mesma, para ver se era verdade. É Destiny, ex do meu irmão no colégio. Os olhos do meu irmão ficam arregalados com o choque. — Puta m-e-r-d-a, Des. Faz tanto tempo. Por onde no i-n-f-e-r-n-o você anda? — Ele aponta para Paco. — Tenho que observar minha linguagem perto do meu sobrinho. Ela ri. — Por aí. Indo para a escola de enfermagem. E quanto a você? — Estou no exército. Postado no Oriente Médio, mas estou de licença.

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— Uau. — Ela faz questão de lamber os lábios, enquanto o examina. — Tú eres guapo. — Você está ótima também. O mesmo que eu me lembro. — Você ainda está solteiro? Ele levanta sua mão esquerda e aponta seu dedo anelar. — Sim. Ainda solteiro. — Incrível. — Uma de suas amigas chama por ela. — Eu tenho que ir, mas foi ótimo vê-lo. — Ela pega um cartão de sua bolsa. — Ligue-me qualquer hora. Meu número está na parte de trás. Eu adoraria me atualizar. — Legal. — diz ele, empurrando o cartão no bolso de trás. Todos nós assistimos quando a ex-namorada do meu irmão envolve seus braços em volta dele e o abraça com força. Existem alguns tipos de abraços. Um abraço curto, impessoal e ‗obrigatório‘. Um abraço médio tipo ‗é bom ver você‘ e depois há o tipo de abraço que Destiny está dando meu irmão. É um abraço combinado com aperto persistente, tipo ‗eu quero ser mais do que amigos‘.. Olho para Kiara, de pé ao lado de Brittany, absolutamente consciente do tipo de abraço que Destiny está dando meu irmão. — Sério, me ligue. — ela grita enquanto ela volta para suas amigas. Quando Carlos finalmente se vira e nos enfrenta, ele deve ver o olhar de choque em nossos rostos. Acho que ninguém quer falar em primeiro lugar, porque não sabemos o que dizer. Kiara, finalmente, começa a conversa. Ela levanta a mão esquerda e mostra o dedo ‗sem anel‘. — Ainda é um solteiro! — Diz ela com sarcasmo, imitando-o. — Você está brincando comigo? — O quê? — Diz ele, sem noção. — É a verdade. O que você quer que eu faça, minta para ela?

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— Não, eu quero que você agarre seus corpos juntos e aperte um contra o outro como você estava fazendo. — Eu não me apertei contra ela. Era um inocente abraço de adeus. — I-I-Inocente? Querido, aquele abraço não foi nada inocente. — Kiara, você está exagerando. Você quer discutir, e o que é isso tudo? Porque eu vou embora em breve e nós não nos veremos por pelo menos mais seis meses. A última coisa que eu preciso é que você faça drama. — Não, eu não quero discutir. E eu não estou fazendo drama, Carlos. Você está. — As narinas de Kiara estão em fúria e noto os olhos ficando molhados. Mas ela não fala alto com ele ou começa a berrar. Ao contrário, ela apenas diz: — Talvez você deveria voltar com Destiny. Eu acho que ela gostaria disso. — É isso que você quer? — Parece que é isso que você quer. Por que não pega o cartão e liga para ela? — Talvez faça isso. — ele grita, furioso agora. — Ótimo. Enquanto você está nisso, por que não a pede para casar com você. Você, obviamente, não quer se casar comigo. — diz ela, em seguida, caminha de volta para nossa casa. — Carlos, eu te amo, mas você pode ser o maior idiota, às vezes. — Fala Brittany e em seguida, segue Kiara. Nikki dá passos para trás e diz: — Eu vou com as garotas. — e corre para longe de nós. Alex e eu olhamos para Carlos. Carlos levanta as mãos. — O quê? — Ele pergunta defensivo e completamente alheio. — Você simplesmente humilhou Kiara na frente de Destiny. — diz Alex.

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— Eu não humilhei. — Ele se inclina e sussurra: — Eu queria ter certeza de que ela não tinha uma pista que vou propor a ela. — Você poderia ter, pelo menos, a apresentado como sua namorada. Carlos recupera o disco e diz: — Alex, a última coisa que ela quer fazer é conhecer Destiny. — Ele não entende. — murmuro. Alex coloca os braços sobre os ombros de Carlos. — Destiny sabe que você tem uma namorada? — Por que diabos isso importa? — Porque, Carlos, ela estava flertando com você o tempo todo. — Então o quê? Garotas flertam comigo o tempo todo. Isso não significa que eu traia Kiara. Ela sabe que não vou trai-la. — Outras garotas não são sua ex, idiota. — diz Alex. — Agora vá se desculpar com Kiara e corrigir isso. Implore, se for preciso. — Ela acha que você não quer se casar com ela. — acrescento eu. — Merda. — diz Carlos. — Eu pedi a todos para procurar a caixa de joias da Mamá por causa dela, e finalmente eu poderia dar a Kiara o anel que Papá deu a Mamá. Está no joalheiro sendo limpo. Eu ia levá-la para Ravinia amanhã e propor durante o intervalo. — Ele esfrega a parte de trás do pescoço e solta um suspiro longo e lento. — Eu tenho que arrumar isso. De volta à casa, as garotas estão em pé no jardim da frente. Kiara faz cara de brava, mas é óbvio que ela está chorando. — Você me disse que não sabia mais de D-Destiny. — Kiara diz a Carlos. — Mas isso não é obviamente verdadeiro. Eu estou v-v-de voltando para Colorado hoje. Eu estou cansada de ficar esperando por aa-algo que nunca vai acontecer. — Eu não queria mais nada com Destiny no momento que você colocou aqueles imãs estúpidos de cookies no meu armário na escola. — Carlos diz ela.

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— Eu n-não acredito em você. — Eu queria fazer isso especial para você, mas o que diabos... Eu poderia muito bem fazer isso agora. — Carlos toma uma respiração profunda. — Case-se comigo, Kiara. — ele deixa escapar na frente de todos. — Por quê? — Ela pergunta, desafiando-o. — Porque eu te amo. — diz ele, andando até ela e abaixando em um joelho, enquanto ele pega a mão dela na sua. — E eu quero dormir com você todas as noites e acordar vendo o seu rosto todas as manhãs, eu quero que você seja a mãe dos meus filhos, eu quero consertar carros com você e comer seus horríveis tacos de tofu que você acha que são mexicanos. Eu quero escalar montanhas com você e ser desafiado por você, eu quero discutir com você, para fazemos sexo louco e quente. Case-se comigo, porque sem você eu estaria há sete palmos... e porque eu amo a sua família como se eles fossem a minha própria... e porque você é minha melhor amiga e eu quero envelhecer com você. — Ele começa a chorar e é chocante, porque eu nunca o vi chorar. — Case-se comigo, Kiara Westford, porque quando eu levei um tiro, a única coisa que eu estava pensando era voltar aqui e fazer de você minha esposa. Diga sim, chica. Kiara está chorando agora. — Sim. — ela diz. Todos nós damos parabéns e conversamos com um casal de vizinhos do outro lado da rua, que testemunhou a cena, mas quando eu olho ao redor percebo que Nikki desapareceu. — Onde está a Nik? — Pergunto a Brittany. Brittany aponta para a casa. — Pedi-lhe para ir no seu armário e pegar uma das suas blusas de zíper. Eu estou congelando. Meu armário? Oh, inferno. Eu corro para o meu quarto e encontro Nikki procurando uma blusa pendurada no meu armário. Se ela ver a Glock... — Ei. — eu disse, em pé na frente dela. Eu começo a fechar as portas, impedindo-a de ver meu terno. Está no mesmo local que deixei? Será que ela encontrou? Que diabos é que eu vou dizer se ela me

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perguntar sobre isso? Eu poderia me fazer de bobo, mas eu nunca fui capaz de fazer isso com sucesso. — Ei. — diz ela de volta. — Brittany me disse para vir aqui e pegar um casaco para ela. — Eu vou pegar. — eu digo, conduzindo-a para longe do meu armário. Nikki olha para mim, confusa. — O que há de errado? Eu tenho uma arma escondida no meu armário. — Nada. — Você tem certeza? Você parece agitado. — Eu estou. — Eu quero bater minha cabeça contra a parede, porque ela está em mim. — Eu queria dizer uma coisa. — O quê? Agora eu tenho que criar algo certeiro. — Estou apaixonado por você. — eu deixo escapar. Oh, merda. Será que isso realmente saiu da minha boca? Eu nunca disse para uma garota antes e prometi a mim mesmo que eu nunca diria se não sentisse isso. A parte mais assustadora é que eu sentia.

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34 Nikki Depois que Luis disse que a palavra A, fingi que eu ouvi Brittany chamando meu nome e praticamente corri para fora de seu quarto. Eu ignorei o fato de que ele disse isso e ele não trouxe-o novamente. Na quarta-feira, eu decidi ir trabalhar com ele, porque nós meio que precisávamos falar sobre domingo. Eu não queria fazer uma grande coisa sobre isso, mas eu não quero ficar perto da palavra A como Marco e eu fizemos. Luis agora trabalha para seu primo. Oficina do Enrique está localizada no lado sul de Fairfield, na esquina da Washington Street e Main Street. É em um cruzamento onde membros de gangues costumava sair. Esta parte específica do Fairfield era famosa por tiroteios semanais quando eu estava na escola. Mesmo que houvesse um artigo de primeira página no jornal local um tempo atrás sobre a ausência de atividade de gangues nos últimos anos, eu tenho uma sensação estranha estando aqui. — É isso. — diz Luis quando para em um das três vagas de estacionamento em frente. Meu olhos passam pelo buraco de bala, antigas marcas aleatórias no lado do edifício quando Luis me leva para dentro. Um cara com tatuagens correndo para cima e para baixo com os braços dobrados sobre o motor de um carro. Ele está vestindo uma

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camiseta suja e calças que precisam de uma boa lavagem. — Ei, ese. — diz o cara. Luis aponta pra mim. — Esta é Nikki. — Encantado de conocerte, Nikki. Soy Enrique, el primo de Luis. — Ela não fala espanhol, Enrique. — diz Luis. Enrique ri. — Sinto muito. Você parece mexicana. — Nem todos os mexicanos falam espanhol. — Eu me oponho. — Todos os mexicanos que eu conheço. — diz ele. — Inferno, a maioria dos mexicanos nem sabem falar Inglês. — Meu pai achava que era mais importante aperfeiçoar o seu Inglês. Nós não falamos espanhol em casa. Enrique balança a cabeça, como se a teoria do meu pai não caísse bem pra ele. — Cada um com seu cada um. Luis se aproxima e olha sob o capô do carro que Enrique estava trabalhando. — Tem um vazamento na junta? — Ele pergunta a Enrique. — Sí. Ela precisa de um tune-up e... Enrique congela quando uma garota entra na loja. Parece que ela está na casa dos vinte, e ela obviamente conhece Luis, porque ela corre para ele e lhe dá um grande abraço no segundo que o vê. — Você parece um homem, Luis. — diz ela, depois esfrega a barba em seu rosto. — A última vez que te vi, você tinha penugem igual a um pêssego. Luis passa o rosto na mão dela. envergonhando na frente de mi novia, Isa.

Obrigado

por

me

— Alex não me disse que tinha uma namorada. — diz ela. Ela olha surpresa ao me ver em pé há poucos metros de distância dele. — Oh, eu não vi você aí. Sou Isabel, uma velha amiga do irmão de Luis. Eu sorrio de volta. — Prazer em conhecê-la.

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Enrique, que tem estado em silêncio desde que Isa entrou, limpa as mãos em suas calças. Eu o vejo engolir algumas vezes, como se estivesse nervoso. — Oi, Isa. — diz ele com um grande sorriso no rosto. — Estou feliz por você estar aqui. Sério. Eu quase nunca a vejo. — Eu estive ocupada, trabalhando. — ela diz a ele. — Eu sei. Eu queria que você viesse mais. Isa morde o lábio nervosamente. — Meu carro está aquecendo quando eu pressiono o acelerador, mas isso não acontecia. Achei que você poderia dar uma olhada. — Absolutamente. — Enrique diz com entusiasmo. — Dê-me suas chaves. Vou dar uma olhada nisso agora. Luis, dirija-se ao estacionamento de novo. Eu alinhei carros que precisam trocar o óleo. Luis me diz para esperar por ele, enquanto ele coloca seu macacão de trabalho. Eu converso com Isabel por alguns minutos, até que Luis volta. — Isso é definitivamente uma sinal de moda. — eu brinco, com seus macacões azuis enormes que o cobrem do pescoço ao tornozelo. Ele aponta o dedo para a sala atrás. — Você quer usar um? Se você gostar tanto deles, eu tenho um sobressalente na parte de trás. — Não, obrigada. Ele puxa uma caixa de ferramentas de uma das prateleiras e faz movimentos para segui-lo. O sol está brilhando no céu e hoje está quente, embora com a queda do clima em Chicago, você nunca sabe se cada dia vai ser assim. Sento-me no chão em frente ao carro que Luis está trabalhando e levanto o rosto para o sol. — Enrique é de uma gangue? — Pergunto para que só ele possa me ouvir. — Eu vi suas tatuagens. — Ele é um OG - um Gangster Original... mas não está em atividade. — O que significa isso?

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Ele encolhe os ombros. — Isso significa que ele é um veterano, não um soldado. OGs como Enrique só são chamados quando há algo grande acontecendo. Ele fica muito bem sozinho, mas... você sabe... a lealdade é mais profunda. — Ele gosta de Isabel. — digo a ele. — Eu sei. — Ele se senta em um daqueles carrinhos de rolamento e puxa ferramentas da caixa de ferramentas. — Mas ele disse que ela o recusou cada vez que ele pediu a ela. Ela está meio irremediavelmente ansiando um cara que ela estava apaixonada na escola. Uma pontada de pesar do tempo que passei irremediavelmente em luto pelo meu relacionamento condenado com Marco aparece dentro de mim. Foi um desperdício e eu nunca teria esse tempo de volta. — Foi um rompimento ruim? Ele fica quieto. — Eles realmente não terminaram. Ele morreu. — Isso é tão horrível. Luis não olha para mim. — Ele era o melhor amigo de Alex. — Como ele morreu? — Ele levou um tiro. Perguntas começam a girar na minha cabeça. — Por uma gangue rival? — Não. Por sua própria gangue. — Ele parece triste quando se senta no carro esteira19 e olha para o chão. — Eu não entendo, Luis. Por que alguém iria mesmo participar de uma gangue? — Algumas pessoas não têm uma escolha. — diz ele antes de se deitar sobre o carro esteira e rolar sua parte superior do corpo debaixo do carro. Eu toco sua perna. Ele desliza de volta e olha para mim. 19

Carrinho de madeira que mecânico usa para deitar e entrar embaixo do carro.

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— Há sempre uma escolha. Você não se juntou a uma gangue igual aos seus irmãos. — Eu me inclino e o beijo. — Você não foi pelo caminho mais fácil. Eu te amo por isso. Ele levanta uma sobrancelha quando a palavra A escapa dos meus lábios. Opa. Isso não deveria acontecer. — Eu não quis dizer o amor como o tipo de ‗eu te amo‘. — Eu sou rápida em apontar, em seguida, bato a mão sobre meu rosto para esconder o meu embaraço. Ele se levanta e empurra delicadamente minha mão para baixo. — Não se preocupe, mi chava. — diz ele, em seguida, pisca para mim. — Eu sei o que você quis dizer. Ouça, você não sabe o que os meus irmãos e eu passamos. Eles fizeram o que precisavam fazer. Não o julgue. Você não sabe o que é ser como nós... sermos pobres e viver no meio de uma guerra de rua. Você nunca teve que conviver com tiroteios e assistir seu melhor amigo morrer em seus braços. É uma merda. — Você está certo, eu não posso imaginar como é. Estou feliz por você não é parte dela. Ele balança a cabeça, em seguida, passa o tempo trabalhando, enquanto eu assisto. — Posso ajudá-lo? — Eu pergunto. — Eu me sinto mal aqui sentada enquanto você está trabalhando. Sua mão aparece debaixo de um dos carros. — Dê-me a chave do filtro de óleo. Eu olho para as ferramentas dispostas. Umm... elas parecem todas iguais para mim. Eu olho de volta pra sua mão esperando. — Você está me deixando sem graça. Eu o ouço rir. — Sinto muito. É a única coisa que se parece com uma garra com cabo vermelho de borracha. Considerando que só há uma coisa com borracha no cabo vermelho, eu tenho uma boa ideia de qual é. Eu a pego e coloco na sua mão que está esperando.

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Quando ele terminou, ele desliza de volta. — Você me faz lembrar da minha cunhada. Ela não sabe nada sobre carros, exceto como colocar a chave na ignição. Eu levanto minha mão. — Eu sei como fazer isso. — Por favor, diga-me que seu pai, pelo menos ensinou como trocar um pneu. — Eu não tenho que saber como trocar um pneu. — Eu alcanço na minha bolsa e retiro o cartão que sempre carrego comigo para esses tipos de situações de emergência. — Meu pai me fez uma adesão no Triple A20 para isso. Ele revira os olhos. — Você deve saber como trocar um pneu. Lembre-me de ensiná-la um dia. Passamos o resto do tempo conversando. Foi assustador. Quanto mais eu sabia sobre Luis, mais eu gostava dele. Éramos totalmente diferentes, mas eu gostava disso. Nós nunca ficamos sem coisas para falar e até mesmo quando tivemos uma pausa na conversa, não foi estranho. — Será que você nunca considerou a aplicação de Purdue. — ele me pergunta quando está debaixo do quarto carro para uma troca de óleo. Ele já me disse que é a sua primeira escolha de faculdades. — Eu não sei. Ele não estava na minha lista dos dez melhores. Por quê? — Eu pensei que talvez, você sabe, se você e eu ainda estivermos... — Sua voz cai. — Esqueça isso, Nik. Eu acho que cheirei muito vapor de óleo. Se ainda estivermos juntos até o final do ano, seria ótimo se pudéssemos ir para a mesma faculdade. Eu me sinto tão perto de Luis agora, e estamos ficando cada dia mais próximos. Eu preciso me lembrar pra não me envolver muito. Eu preciso lhe dizer como me sinto. 20

AAA (pronuncia-se — triple A — ), American Automobile Association, é uma federação de clubes automóveis em toda a América do Norte. AAA é uma organização de membros com serviços sem fins lucrativos, em 2010, tinha 51 milhões de membros. AAA presta serviços a seus membros, incluindo assistência em estrada e outros..

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Eu bato no seu joelho. — Acho que estamos ficando muito sérios. — Você é pessimista. — diz ele, rolando para fora do carro novamente. — Tenha um pouco de fé. — Ele me puxa para baixo com ele e acaricia minhas costas. Eu posso sentir o calor de suas mãos penetrando pela minha camisa. — Eu estou com as mãos sujas. — diz ele. — Sua camisa está provavelmente arruinada. O som de passos vindo na nossa direção nos separa. — Qual é, cara. — diz Marco. Ele está com um cara enorme de aparência assustadora. Aperto os bíceps de Luis firmemente. — Você vai me apresentar à sua amiga? — O cara assustador pergunta. Eu posso sentir os bíceps de Luis bíceps flexionarem. — Nikki, este é Chuy. Ele é um amigo meu. Chuy coloca um charuto no canto da boca e olha para mim por muito tempo e severo. Me faz sentir como se estivesse avaliando o meu valor. — Você vai para Fairfield High? — Sim. — Eu nunca te vi aqui antes. — Ela mora do outro lado da cidade. — Marco entra na conversa. — Certo, Nik? Concordo com a cabeça. — Olha, gente. — diz Luis. Sinto que ele está deliberadamente tirando o foco de cima de mim. — Se vocês estão à procura de Enrique, a última vez que o vi, ele estava na garagem. — Eu não estou procurando por Enrique. — diz Chuy. — Eu estava procurando por você, Fuentes. Eu tenho uma tarefa para você. Eu sinto meu coração parar de bater quando percebo o que está acontecendo. Luis foi recrutado para a SL.

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35 Luis O rosto chocado de Nikki quando Chuy disse que ele estava procurando por mim diz que entendeu a visita do Chuy. Ela pega sua mochila e bolsa do chão. — Eu preciso ir para casa. Agora. — Por que você está com pressa? — Pergunta Chuy. — Você tem problema que eu fale com o seu namorado? — Não, ela não tem. Vamos conversar lá dentro. — digo a ele. Droga. A última coisa que eu quero é que Nikki comece a fazer perguntas novamente. Chuy leva o seu tempo quando desaparece na loja. Marco o segue. Dirijo-me a Nikki. — Eu já volto. — eu digo a ela. — Não é o que você pensa. Ela está olhando para mim como se eu fosse um estranho, não o namorado dela. — Eu quero ir para casa. — Vou levá-la em um minuto. Apenas... fique aqui. — eu digo. — Por favor. Eu ando pra dentro, ansioso para me livrar de Chuy e Marco. — Pra onde Chuy foi? — Pergunto a Enrique. Isa ainda está aqui, conversando com ele enquanto ele trabalha em seu carro.

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— No meu escritório. — diz Enrique. Ele não pode dizer nada contra Chuy por causa de sua inabalável lealdade e honra que prometeu ao Sangue Latino há muito tempo. Chuy está sentado à mesa de Enrique, como se fosse sua. Marco está de pé ao lado dele como um guarda-costas. Eu fecho a porta para o caso de Nikki decidir ouvir nossa conversa. — Tudo bem, o que está acontecendo? Chuy bate a cinza direto na mesa de Enrique. — Esse cara me deve cinco Gs. Eu preciso de você e Marco para coletá-lo. Hoje à noite. Ele enfia a mão no bolso e tira um pedaço de papel. Eu examino o endereço. Augusta Lane. — Isso é no meio do território do Fremont 5. — digo a ele. — Sim. Tudo o que posso pensar é no olhar de traição no rosto de Nikki quando a deixei no carro do lado de fora. — Eu não posso entrar no território F5 sem ter minha cabeça estourada. — eu deixo escapar. — Sim, você pode. E sim, você vai. — Ele aponta para a porta. — Essa doçura de vocês lá fora, parece muito legal. Eu poderia usar uma gostosa como essa para vender para mim sobre DePaul. Os rapazes universitários gostam de comprar de garotas bonitas. Isso não é certo, Marco? Marco concorda. — Isso é verdade. Mariana está fazendo uma matança por lá. Isso é besteira. — Nikki está fora dos limites. — eu digo alto e claro para que não haja dúvidas de que ela nunca mais será vista como um trunfo para a SL. Eu serei amaldiçoado se eu arrastar Nikki na SL. — É hora de contar um pequeno segredo. — diz Chuy, sentandose agora. — Há um cofre de aluguel bancário no Chicago Community Bank com o seu nome. Uma vez que você completar dezoito anos, você terá acesso a ele. Eu tenho a chave. — Ele pega uma chave de prata do bolso e a desliza para mim. — Depois de seu aniversário você vai me dar tudo o que estiver na caixa. Você volta do F5 esta noite e me mostre

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que você pode lidar com a situação. Lealdade, Luis. Você tem que ganhá-la, então você colherá os benefícios. Eu pego a chave e a coloco no bolso de trás. — Quem colocou em meu nome? — Isso não é importante. O que é importante é você provar sua lealdade. — Ele solta um jato de fumaça. — Você pode fazer isso e você vai ver mais dinheiro do que você jamais sonhou, garoto. Marco segue Chuy fora do escritório. Eu passo na frente dele antes que chegue à porta. — O que você tem a ver com isso, Marco? — Pergunto a ele. — Eu só segui as regras. — Isso é o que você quer ser, um seguidor? — Eu não tenho outra escolha e nem você. Isto é grande, Luis. Eu sei disso. Chuy sabe disso. É hora de você começar com o programa. — Ele me empurra, passando. — Quanto mais cedo você romper com Nikki, melhor. Ela só vai complicar as coisas. Eu vou encontrá-lo no armazém em uma hora. Depois que ele sai, eu examino o pedaço de papel com o endereço nele mais uma vez. Meus nervos estão a ponto de explodir. Nikki está me esperando na garagem, falando com Isa. Eu não quero mentir para ela mais do que eu já tenho, mas não quero correr o risco de perdê-la. — Ei. — eu digo quando ando até ela. — Leve-me para casa, Luis. — ela ordena. — Eu deveria saber que você não era confiável.

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36 Nikki Confie. Ele pediu a minha confiança, quando o tempo todo ele estava afiliado com o Sangue Latino... com Marco. Meu coração não está derretendo. Ele está quebrando. Eu rapidamente saio pra fora e fico na traseira de sua motocicleta. — Deixe-me explicar. — diz Luis. Eu balanço minha cabeça, não querendo ouvir. Minhas suspeitas estavam certas o tempo todo. — Não é o que você pensa. Amor. É apenas uma palavra garotos usam para manipular as garotas? — Eu não quero ouvir qualquer coisa que você tenha a dizer. — eu digo a ele. — Se você não vai me levar para casa, eu vou a pé. Eu começo a descer da motocicleta. Ele amaldiçoa em voz baixa, em seguida, diz: — Você não tem que andar. Vou levá-la para casa. Subo na moto novamente e seguro na traseira em vez de me prender a ele. Se eu tocá-lo, poderia perder minha raiva e deixá-lo explicar por que tudo aponta como ele sendo da Sangue Latino. Eu tenho medo de acreditar nele, porque eu quero acreditar nele. Não é o que você pensa, ele disse. Ele vira para minha garagem. — Nik. — diz ele assim que desço e sigo para a porta. — Nik!

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Eu paro, mas não me viro. — Você vem de família rica e vive neste bairro rico. Eu não. Caras como Marco e Chuy... eles são o meu povo. — Eu sou o seu povo também. — murmuro baixinho. — Não da mesma forma. — Eu sinto suas mãos sobre meus ombros. — Eu não sou do Sangue Latino, Nikki. — Ele me vira e mantém os braços. — Veja, eu não estou marcado. Eu não vou dizer que eu não estou saindo com o Sangue, mas eu não sou um deles. — Eu não quero que você ande com eles. — Isso é o mesmo que eu dizer para você não ficar com Kendall. Ele está certo, mesmo eu não querendo que esteja. O Sangue Latino está presente no lado sul de Fairfield onde ele vive. — Eu não sei, Luis. — eu digo, me afastando dele para que eu possa pensar com clareza. — Tenho a sensação de que você não está me contando toda a verdade. Eu preciso de você e tenho medo de que você já seja um Sangue. — Eu estou apenas saindo com eles, isso é tudo. — Já ouvi isso antes. De Marco. Todos sabemos no que deu. — Nikki, eu não sou Marco. Eu não estou no Sangue. E eu não vou te deixar. Eu olho nos olhos dele e tudo que eu vejo é a sinceridade. Sem engano. — É melhor você não estar vendendo drogas ou nós terminamos. — Eu não vou vender drogas. — diz ele. — Eu prometo.

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37 Luis Alley Boxcar fica no pior bairro dos subúrbios ocidentais de Chicago. As casas estão estabelecidas com um pano de fundo de um cemitério de vagão de carga, prontos para o tráfico de drogas sujo e sem-teto viciados. Sem tempo a perder, pego a arma do meu armário e dirijo de volta para Enrique. Ele vai me dar conselhos sem contar para o resto da minha família. Isso está mantido pelo Código de Silêncio, mesmo quando outros caras estragaram tudo da Sangue Latino. Eu disse a Nikki que eu não faria tráfico de drogas. Odeio mentir para ela. Se fazer tráfico de drogas for uma maneira de ganhar a confiança de Chuy e proteger a minha família, que escolha eu tenho? Eu não quero fazer o trabalho sujo de Chuy mais do que ela quer, mas tenho que fazer. Eu estava sendo honesto quando eu disse que não era um Sangue Latino. Mesmo que Chuy me considere um, eu não sou. Eu só estou jogando o seu jogo para que eu possa descobrir o que o SL tem planejado. Eu tenho que ser estratégico ou isso não vai funcionar. Enrique olha para mim do outro lado da mesa. — Droga, primo. Alley Boxcar é um lugar difícil para estar. Isso é território inimigo. — Marco vai comigo. — digo a ele. — Para apoiar. — Quer que eu vá com você? O problema é que eles me conhecem e se alguns OGs da Fremont me virem, vai ficar difícil.

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— Eu não preciso deles me retaliando nesse lugar, ou você. — Tudo bem. Você simplesmente fique de olho em volta o tempo todo, Luis. Pegue o meu Mustang. Pelo menos você vai ter uma chance de escapar se os pendejos de Fremont 5 inicarem a confusão. A maioria dos seus jovens idiotas tem uma mira de merda. — Ele dá um tapinha nas costas da minha camisa. — Você tem uma arma? Concordo com a cabeça. — Só você e eu sabemos disso e não vou usá-la. — Não de um tiro acidental em você. — Ele me olha nos olhos e diz: — Se for você ou eles, que seja neles. Eu encontro Marco no armazém. Nós aceleramos todo o caminho até Alley Boxcar, pela cidade que estão em situação pior que a minha. Eu coloquei um capuz preto e óculos de sol, por isso espero que ninguém note que não pertenço a este bairro. Marco obviamente esteve aqui antes, porque depois de estacionar, ele diz para segui-lo. Passamos por uma loja de bebidas com um bêbado na frente falando sozinho. Caras andando na rua, indo em direção a nós, estão definitivamente procurando por alguma ação ou uma briga. Nós mergulhamos em uma farmácia e ficamos fora de sua linha de visão até que eles passem. Estou confiante de que poderíamos fazer uma boa exibição em uma luta contra três ou quatro caras, mas quando se trata de dez contra dois, eu não apostaria em nós. Avançamos dando voltas pelas ruas atrás dos vagões. Eu só levanto minha cabeça quando preciso. Marco pavoneia até a casa, como se recolhesse em território F5 todo dia. — Você não quer conferir o lugar primeiro? — Pergunto a ele. — Ou tem um plano? Marco acena com a mão, descartando a minha preocupação. — Não, isso está bem. Um cara atende a porta. — O que você quer? — Ele pergunta bruscamente. — Dinheiro. E se você não nos der, hoje será o seu maior pesadelo do caralho. — Marco late entredentes. Seus olhos estão bem

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abertos, como se ele fosse um filho da puta louco. Eu acho que é apenas uma cena, até que Marco saca uma arma e aponta direto na cabeça do cara. — Me dá os cinco Gs ou ter sua cabeça arrancada. Qual é? — Yo, Marco. — eu digo. — Calma, certo? — É legal. Fique aqui e vigie. Não deixe ninguém na casa. O cara tem as mãos para cima e volta pra dentro com Marco atrás. Eu não sei o que diabos fazer. Marco está, obviamente, em uma viagem de poder. Merda. Se ele começar a atirar nas pessoas... eu começo a pensar em minha vida atrás das grades. Isso não era suposto acontecer. Era para eu voltar a Fairfield, me formar, ir para a faculdade, em seguida, aplicar para o programa espacial da NASA – a série de eventos no cronograma da linha do tempo da minha vida. Eu tinha todos os aspectos da minha vida perfeitamente planejados. Como parece agora, o único lugar que merecia ir, é a prisão. Eu olho para o céu escuro. Estou prestes a perder tudo... incluindo Nikki. Poucos minutos depois, quando estou prestes a bater na porta e dizer Marco eu estou farto com as ordens de merda de Chuy, ele sai. — Você conseguiu o dinheiro? — Pergunto a ele. — Sim. — Então está tudo bem? — Umm... eu acho que devemos ir, rápido. Temos pressa pelo labirinto que é Alley Boxcar. Eu olho para trás e percebo que um monte de caras estão no nosso rabo. Eles estão agitando armas e nós estamos tentando perdê-los no cemitério superlotado de vagões antigos. Não está funcionando. Nos escondemos atrás de um dos vagões. Marco espreita a cabeça para fora, e uma bala voa perto da sua cabeça.

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— Nós precisamos sair daqui. Estamos ferrados se ficarmos em um só lugar. — diz ele. Eu nunca estive em um tiroteio, mas eu testemunhei. Eu retiro a minha arma, mas a mantenho ao meu lado, parcialmente escondida. Marco faz o mesmo. — Nosso carro está logo ali. Vê? — Eu digo, minha adrenalina a toda velocidade. Ele acena com a cabeça. — Nós vamos correr em direção a ele e ir embora sem olhar para trás. — digo a ele. — Entendi. — Se eles atirarem, comece a descarregar nos vagões, para assustá-los. Espero que eles se escondam, pelo menos até que possamos chegar ao carro. Não há tempo para traçar estratégias de um plano B, porque os caras estão prestes a nos cercar. Se não o fizermos agora, estamos fodidos. — Agora! — Eu grito e nós corremos para Mustang de Enrique. Meu pulso corre quando um tiro ressoa. Em seguida, outro. E outro. Eu salto para dentro do carro e olho para Marco. Ele enfia a arma para fora da janela da frente e descarrega a câmara quando eu ligo o carro. Eu grito a distância, sabendo que quase não consegui sair vivo. — Coloque as armas no porta-luvas. — digo-lhe, entregando a minha para ele. Eu verifico o espelho retrovisor procurando policiais, mas não vejo nenhum. O som da nossa respiração pesada enche o carro. — Essa foi por pouco. — diz Marco, inclinando a cabeça para trás no banco. Um segundo depois, ele diz: — Puta merda. Luis? — O quê?

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— Cara, você levou um tiro. Olhei para meu bíceps. O sangue está correndo pelo meu braço e manchando o banco do carro, assim tiro meu casaco e digo para Marco amarrar a manga em volta do meu braço. — Eu estou bem. — digo a ele. — Foi de raspão. — Raspão não jorra sangue, Luis. Tem certeza que está bem? Eu posso apenas imaginar o rosto de mi'amá quando ela ver que estou sangrando. — Eu vou para o Enrique e passo a noite. Ele saberá o que fazer. — Você tem sorte que conseguiu sair vivo. — diz Enrique quando eu apareço na sua casa meia hora mais tarde. — Seu braço... — Eu meio que corri de uma bala em Fremont 5. — digo a ele. Ele acena com a cabeça. — Sua mãe vai falar merda duas vezes, em seguida, ela vai te matar. Chuy é um filho da puta, mandando as crianças para o território F5. — Fale-me sobre isso. Eu tomo um banho no apartamento de Enrique em cima da garagem. A bala saiu, mas deixou um corte de duas polegadas, e agora que eu estou sentado olhando para a ferida carnuda, dói como uma cadela. Não vai ser difícil de esconder, mesmo com uma bandagem. Vou usar uma blusa e camisas de manga longa até que se cure. — Pra one Marco fugiu? — Enrique me pergunta depois que fecha a garagem e me encontra no apartamento. — O armazém. — Eu coloquei em uma camisa que Enrique me empresta depois que ele liga pra mi'amá e diz a ela que vou ser ficar na sua casa esta noite. — O que você sabe sobre eu ser abençoado? — Pergunto ao meu primo enquanto ele pega uma cerveja de sua geladeira. — Eu não sei nada sobre isso. — diz ele, quando me dá um olhar intenso. — E se eu soubesse, eu provavelmente não seria capaz de dizer. ¿Comprende?

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Ele sabe de algo. Concordo com a cabeça. Não adianta tentar conseguir alguma informação dele. Se ele tinha jurado segredo, isso vai para o túmulo com ele. O Código de Silêncio do Sangue Latino. É um código que eu não quebrei ainda, mas pretendo quebrar mais cedo ou mais tarde.

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38 Nikki Duas semanas depois de Luis me prometer que não está no SL, é o seu décimo oitavo aniversário. Eu sei que meus pais estão em algum jantar na cidade e meu irmão está em algum torneio de jogos em Wisconsin, então eu convido Luis para um jantar de aniversário privado. Eu não sou uma chef, mas sei como seguir uma receita. Eu peguei um livro de culinária mexicana da livraria. Nós não temos a autêntica comida mexicana, muitas vezes, e a maioria das receitas são estranhas para mim. Além do café da manhã, meus pais costumam pedir ou comer em Brickstone. Se a mamãe cozinhar, será praticamente um prato de massa simples ou algo do mercado de carne, especialmente pré-embalados e marinados, por isso, tudo que temos que fazer é jogar as coisas no forno. Luis chega às seis, na hora certa, com um ramo de narcisos amarelos na mão. As hastes estão embalados juntamente com uma fita amarela grande. — Ei. — ele diz. — Ei. — eu digo volta. Ele olha meu vestido justo preto que abraça cada uma das minhas curvas. — Droga, Nik. Você está maravilhosa. — Ele olha para baixo, calça jeans e se encolhe. — Desculpe por não estar vestindo melhor.

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— Eu não preciso de você vestido. Você se parece bem gostoso do jeito que está. — Eu pego as flores. — Você não tem que me trazer flores. É seu aniversário, não meu. — Eu queria trazer-lhe alguma coisa. — diz ele. Quando eu coloquei as flores para meu nariz para sentir o cheiro delas, Luis pareceu nervoso. — Eu não sei se você gosta. Carlos me disse para lhe trazer rosas vermelhas, mas achei que você gostaria de amarelo. Elas me fazem lembrar de você. Eles iluminam uma sala... assim como você. Eu o alcancei e toquei a barba em seu rosto, me perguntando como alguma vez pensei que ele era parecido com Marco. Seu terno olhar penetra meu coração. — Eu as amei. Entre. Eu fiz o jantar. — eu digo com orgulho. — O que é isso? — Pergunta ele, enquanto seus olhos se fixam em uma caixa embrulhada sobre a mesa. — Seu presente de aniversário. — Você não tem que me dar nada. — Eu sei. Eu queria. Vá em frente, abra. — Quando ele faz, eu prendo a respiração. Ele pega o que parece ser uma pedra de ferro preto torcido, mas eu sei que não é apenas uma pedra. Ele rola pela em torno de sua mão, estudando-a. Será que ele sabe o que é? Espero que ele não ache que é um peso de papel barato. — É um meteorito. — eu explico rapidamente. — Da Argentina. Dentro da caixa estão os papéis de autenticidade, explicando onde e como ele foi encontrado. Ele olha para mim sobre o meteorito com uma expressão atordoada no rosto. — Eu sei o que é. Eu os vi em museus. E em livros. Mas eu nunca peguei um. Ou possuí uma. — Ele examina todos os lados em reverência, sentindo cada curva e fenda com a ponta dos dedos. — Eu não posso acreditar que isso estava no espaço. É tão legal... surreal. — É seu. — eu digo.

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— Eu não sei o que dizer. Deve ter custado uma fortuna. Eu só... wow. Eu imploro para você devolver isso e pegar seu dinheiro de volta, mas eu não quero me separar disso. Eu o beijo na bochecha. — Está tudo bem. Eu não preciso do fundo da faculdade, de qualquer maneira. — Ele levanta uma sobrancelha, e eu sorrio maliciosamente. — Eu estou apenas brincando. Eu tinha dinheiro guardado de babás e aniversários. — Com o meu dedo indicador, eu corro um caminho na frente de sua camisa. — Além disso, você vale a pena. — Isso é discutível, mi chava. — Ele acalma a minha mão. — É o presente mais legal que alguém já me deu. — Bom. Missão cumprida. — Ainda não. — Ele põe o meteorito suavemente de volta na caixa e me beija apaixonadamente até que eu estou querendo mais e minhas entranhas estão derretendo. Estou sem fôlego e nunca quero parar. Sabendo que estamos sozinhos e eu tenho um outro presente planejado pra ele, me faz querer pular o jantar completo. — Obrigado pelo presente. — diz ele contra os meus lábios. — O prazer é meu. — Aturdida agora, eu dou um passo longe dele e gesticulo para ir para sala de jantar, onde tudo está arrumado. — Eu fiz uma autêntica refeição mexicana. — Receitas passadas de sua abuelita? — Não realmente. Tentei um livro que comprei ontem no shopping. Ele ri. — Da próxima vez que você quiser fazer uma autêntica refeição mexicana, ligue para mim primeiro. Mi'amá ensinou a mim e meus irmãos a cozinhar quando éramos crianças. Depois de lhe servir um prato de enchiladas de frango e guacamole, percebi que eu deveria ter seguido a receita e misturado o abacate com a mão em vez de misturá-lo em um mixer. Estava como uma sopa e gosto não era nada bom. Eu fiz um flan de sobremesa, mas caiu em pedaços gelatinosos grossos quando servi a ele.

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— Você fez um trabalho incrível. — diz ele quando pesca o flan escorregadio escapando da colher. — Você está mentindo. Que saco. Enfrente a realidade, Luis. Eu deveria ter pedido para viagem. Se você fosse a Sra. Peterson, você me daria um D menos nessa refeição. Ele ri. — Um A mais, pelo esforço. As tortillas estavam incríveis. — Isso é porque eu comprei prontas no supermercado mexicano em Wheeling. — eu digo. Quando terminamos, ele me ajuda a limpar a mesa e colocar os pratos na máquina de lavar. Depois, eu o vejo encostado no balcão da cozinha, me olhando. — Você tem um plano para o resto da noite, ou vamos improvisar? Tomo sua mão e enrosco seus dedos nos meus. — Eu tenho um outro presente de aniversário para você. — O que é? Inclino-me perto de seu ouvido e sussurro: — Eu. — Ele engole em seco, duro. Eu vejo as congtrações do músculo da sua mandíbula. — Quer ir lá para cima... para o meu quarto? Ele balança a cabeça lentamente. — Eu não achei que você poderia me dar algo melhor que o meteorito, mas você acabou de fazer. Pego sua mão e o levo para o meu quarto. Meu coração está correndo o tempo todo, porque me preparei para isso. Digo a mim mesma que está tudo bem, porque quero isso tanto quanto Luis. Eu estou no controle aqui. Eu só tenho que me manter sob controle e não deixar minhas emoções à solta. Luis caminha pelo meu quarto, estudando as fotos na minha parede. A maioria delas são minhas e meus amigos. Alguns são de cães do abrigo. Ele para quando seus olhos se concentraram em uma dele comigo no casamento de Alex e Brittany dois verões atrás. Nós dois não tínhamos ideia que o fotógrafo pegou o momento em câmera. Ele aponta para ela. — Como você conseguiu isso? — Brittany trouxe quando veio jantar na minha casa uma noite.

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Ele aponta para a expressão no meu rosto. — Você estava tão chateada. Olhe para mim, com aquele sorriso arrogante e estúpido. Eu pensei que era a merda naquela época. — Ele balança a cabeça, em seguida, verifica o resto das fotos. Enquanto ele está de costas para mim, eu chego perto dele e, lentamente, vou abrindo meu vestido. — Você é merda, Luis. — eu digo em voz provocante. — Não, eu sou... Ele para no meio da frase quando olha para mim e registra que estou abrindo meu vestido. Minha boca está seca quando deslizo as alças para baixo dos meus ombros lentamente até que ele cai no chão em uma poça aos meus pés. Seus olhos nunca me deixando. Os meus nunca o deixando. — O que você estava dizendo? — Eu pergunto. — Eu esqueci. — Seu olhar percorre ao longo do meu corpo. Estou vestida com calcinha de renda rosa e um sutiã combinando, preparada para que fiquemos juntos esta noite. — Mi chava... — Ele dá um passo em minha direção. — Eu não achava que você pudesse parecer mais bonita do que quando abriu a porta esta noite. Mas o que você está. Prendo a respiração na expectativa e desejo, quando seus dedos roçam levemente sobre meus ombros antes de deslizar suavemente minhas alças do sutiã de lado. Isso é bom, eu digo a mim mesma. Eu posso apreciar isso e ficar emocionalmente como quero. Seus lábios substituem os dedos. Ele beija um ombro, depois desliza suavemente os lábios quentes em todo o meu pescoço e beija o outro. Eu me agarro a ele para apoiar, e seu hálito quente roçando minha pele me deixando tonta. Eu quero ele aqui comigo, quero que ele... mas isto é sexo. Tem que ser apenas sexo. Eu o agarro sobre suas calças, em seguida, abro o zíper do seus jeans.

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— Calma, garota. — disse ele divertido. Ele coloca o braço em volta de mim, me segurando firme, quando se inclina para me beijar. Não é qualquer beijo. Seus lábios se movem lentamente sobre os meus, roçando-os antes que sua língua alcance. Eu sinto sua respiração quente se misturando com a minha enquanto nossas línguas deslizam uma sobre a outra em um ritmo lento, que deixa minha pele quente e suada. Suas mãos se movem lentamente para cima e para baixo na curva das minhas costas no mesmo ritmo que o nosso beijo. A verdade é que estar com Luis me faz querer largar toda a minha autoconsciência e ceder a todas as tentações. Ele puxa a camisa sobre a cabeça, em seguida, a joga de lado. Ele tem uma grande cicatriz em seu braço. — O que aconteceu? — Pergunto, traçando em volta dela. — Só tem um corte trabalhando na garagem. — diz ele, descartando-a. — O que você estava fazendo? Ele hesita por tempo suficiente para me questionar se o que está prestes a me dizer é verdade. — Isso não é importante. — Ele me beija de novo, tentando me fazer esquecer o machucado misterioso. Ele trabalha para o momento. Nos despimos e passamos para a cama. Em vez de saltar os ossos um do outro, ele leva o seu tempo doce passando as mãos sobre cada centímetro do meu corpo como se estivesse memorizando para fazer uma pintura mais tarde. Eu sigo o seu exemplo, deslizando a palma da mão através de sua pele quente em um padrão torturantemente lento até que ele fica ofegante. Eu me inclino sobre ele e uso meus lábios e língua, explorando cada centímetro. Ele agarra os lençois tão forte que os nós dos dedos ficam brancos. Faz-me sentir como se eu tivesse no poder, e não o contrário. Até que seja sua vez de explorar. Eu tento manter a calma. Mas é difícil. Eu me preparo para isso acontecer a qualquer momento. Ele

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gentilmente empurra o cabelo do meu rosto quando olha nos meus olhos. — Eu estou vivendo a minha fantasia. — diz ele. — Que fantasia é essa? — Eu pergunto. — Estar sozinho com a garota que eu amo. Eu te amo, Nikki. Você sabe disso, certo? Umm... — Sim. Eu também. — eu digo em silêncio, tentando bloquear a onda de emoções que ameaçavam à superfície. Seu polegar traça meus lábios e eu juro que os olhos estão ficando vidrados. — Eu nunca me senti assim com outra garota antes. — ele sussurra. Não. Eu não quero continuar ouvindo palavras de amor. Luis é perigoso e tem a capacidade de me consumir se eu deixá-lo. Eu não posso deixar isso acontecer. Ele tem segredos. Eu tenho segredos. Nós não podemos compartilhá-los, mas podemos compartilhar nossos corpos. — Vamos fazer sexo. — eu deixo escapar. Eu estendo a mão para abrir a minha gaveta da mesa lateral. Pego um preservativo da caixa que comprei no fim de semana e entrego a ele. — Aqui. — Lo Único Que quiero hacerte es el amor, mi vida. — Eu olho para ele com um olhar vazio. Acho que ele esqueceu que o espanhol saiu de sua boca automaticamente. — Quero fazer amor com você, Nikki. Mais do que qualquer coisa. Mas você disse... — Esqueça o que eu disse. Vamos fazer isso. — Ele se inclina para me beijar de novo, mas eu coloco a mão no seu peito e o empurro para longe. — Coloque o preservativo. — Agora? — Sim, agora. Ele parece um pouco frustrado que eu estou apressando isso, mas ele rasga o pacote e coloca o preservativo. Se fizermos isso rápido, serei

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capaz de me manter livre de emoção, isso vai ficar bem. Hoje à noite vai acabar com as más lembranças de mim e Marco. Ele está posicionado em cima de mim agora, com as mãos apoiadas em ambos os lados da minha cabeça. Eu observava a sua luz da sua pele marrom contra a minha. — Vamos lá. — eu digo, instandoo junto. Seus lábios estão alguns centímetros de distância dos meus. — Eu tenho que ser honesto, Nik. Isto não é como eu imaginava. — Está tudo bem. Vamos fazer isso. Apresse-se. Eu aperto meus olhos fechados. Eu não posso olhar para ele. Não agora, quando estou determinada a ficar sem emoção. Ele hesita, então amaldiçoa baixinho e se afasta de mim. O ar frio corre debaixo do cobertor enquanto ele se senta na beira da cama. — O que há de errado? — Eu pergunto. — Por que você parou? Ele tira a camisinha e a joga no lixo. — Isso não está funcionando para mim. — Por que não? Ele olha para mim, irritado. — Merda, Nik, você está agindo como se isto fosse um caso de uma noite entre estranhos. Eu estou tentando fazer amor com você e seus olhos estão fechados tão malditamente apertados que parecia que você estava desejando que eu fosse outra pessoa. — Eu não sou... eu não estava. — Esqueça isso. — Ele pega sua cueca e a coloca. — Da próxima vez que o seu namorado diz que te ama, você pode querer confirmar isso com mais do que um sim, eu também. — Eu não quero que você me ame. — eu atiro. — Tarde demais, mi chava. Sento-me. — Eu não posso fazer coisas de amor, Luis.

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— Então você quer apenas um parceiro de foda, é isso? — Ele presiona, então enfia as pernas dentro de suas calças. — Teria sido legal que você me dissesse que iríamos somente foder, então eu não faria papel de bobo derramando meus sentimentos. — Você não faz papel de bobo. Não fique bravo. Eu só não quero me machucar novamente. Não vou repetir o que eu fiz com... — Marco. — diz ele, terminando a frase. — Estou farto e cansado de sempre voltar para você e Marco. Você ainda está apaixonada por ele? — Eu não estou... não. Você não tem ideia do que eu passei. — Eu não posso dizer as palavras. — Diga-me, então. Diga-me, para que você possa, finalmente, seguir em frente. — Eu não posso. Ele pega sua camisa no chão e olha para mim com uma expressão séria no rosto. — Você me ama? Aperto meu cobertor no meu peito e dou a única resposta que posso. — Não.

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39 Luis Eu quero destruir algo, qualquer coisa. Saí da casa de Nikki essa noite sabendo uma coisa - que acabou. Eu fui um idiota pensando que ela sentia por mim o mesmo que eu sentia por ela. Eu queria acreditar que ela estava se segurando porque ela estava com medo... mas na realidade ela estava apenas me usando para superar alguém. Em vez de ir para casa, eu dirijo para o armazém da SL. No caminho, noto um carro no retrovisor que eu vi algumas vezes antes. Estou sendo seguido? Eu aumento a velocidade pelos locais mais movimentadas da cidade e os perco. No armazém, Marco está sentado com um monte de caras. Alguns estão bebendo cerveja, alguns são fumando maconha. É a cena que mi'amá queria me esconder, provavelmente porque ela sabia que eu seria atraído por ela em algum momento. Cheguei a esse ponto. — Ei, amigo. — diz Marco. Eu posso dizer pelos seus olhos injetados de sangue que ele está completamente perdido. — Eu pensei que você estivesse saindo com sua novia hoje à noite. — Ela não é minha novia mais. — Eu pego uma cerveja e bebo. É um material barato, mas eu estou supondo que isso vai fazer o trabalho.

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— Parabéns. Você finalmente largou a cadela. — Ele segura sua própria lata de cerveja em uma saudação de felicitações. — Para uma maior e melhor. — Certo. — Eu esmago a primeira lata na mão e alcanço outra. Em seguida, outra. Até o momento eu estou na minha quinta cerveja, estou me sentindo muito bem. Quando não dou a mínima para ninguém, especialmente Nikki. Eu preciso lhe dizer que esta noite foi um erro e isso nunca vai acontecer de novo. Eu não vou lhe dar a satisfação de deixá-la pensar que me machucou. Pego meu celular e ligo para ela. — Ei, Nik. — eu digo quando ela responde. — Eu estou com o Marco. — Eu coloquei meu braço em volta do meu mano e digo: — Nós estávamos apenas trocando histórias sobre você. Não é mesmo, amigo? Marco ri. Eu sei que ela pode ouvi-lo. Eu estou sendo um pendejo completo e eu estou fazendo isso, avançando, mas no meu estado de embriaguez não tenho um filtro. Ela poderia muito bem ter me esfaqueado no coração. — Estou desligando. — avisa. — Não! — Eu grito para o receptor. — Eu preciso de dizer mais uma coisa. — O quê? — Ela pergunta. Hora de ser o idiota que ela pensa que sou. Eu me concentro em não enrolar as minhas palavras, mas não sei se eu sou bem sucedido. — Estou terminando com você. Ela desliga na minha cara. Minhas palavras a machucaram. Eu sei que vou me arrepender dessa ligação pela manhã, mas agora eu estou voando alto e não dou a mínima. Eu tropeço para o refrigerador e pego outra cerveja. No momento que eu a termino, estou vendo em dobro e eu sou completamente incapaz de pensar... sobre qualquer coisa. Eu nem me lembro o que eu disse a Nikki, ou até mesmo se eu realmente liguei ou se apenas pensei que liguei para ela.

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— Ei, Luis. — diz Mariana, que vem até mim. — Você está perdido. — Diga-me algo que eu não sei. — Há problemas no paraíso? Eu balanço minha cabeça e seguro a lata de cerveja. — Este é o meu paraíso. — Eu sei o que vai tirar Nikki da sua cabeça. — O quê? — Eu. — Ela me beija, e eu estou muito fraco e muito estupidamente bêbado para pensar em me afastar dela. Ela não é o que eu quero. Ela sabe disso, mas ela não se importa. Eu poderia fechar os olhos e fingir que ela é Nikki... e realmente provar que eu sou um idiota. Mariana me leva a uma sala ao lado. Sento-me em um velho sofá surrado e ela se escarrancha em mim, mas meu corpo não vai cooperar - como se ele soubesse o que quer e Mariana não é isso. — Estou apaixonado por ela. — eu digo, parando Mariana antes isso vá mais longe. — Por quê? — Mariana pergunta, irritada. — Ela é meu anjo. Mariana desliza de cima de mim e se dirige para a porta. — Você não sabe o que está perdendo, Luis. Sim, eu sei. Eu tive uma noite só antes... elas são todos iguais. Com Nikki é importante... é por isso que hoje dói pra caralho. — Desculpe. — eu digo a Mariana. Ela não responde. Em vez disso, ela sai e bate a porta atrás dela. No início da manhã, eu acordo e percebo que adormeci no armazém. Todo mundo se foi exceto para os poucos SLs que chamam essa merda de casa.

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Minha cabeça está girando, mesmo antes de eu conseguir me levantar em uma posição sentada. Eu me pergunto se eu pareço tão merda como me sinto. Olhando para baixo, para as latas vazias de cerveja ao meu lado, faz com que meu estômago revire. Vou vomitar. Eu tropeço saindo e atiro até que não há mais nada. Estou tão fraco que mal consigo ficar de pé. — Noite difícil? — Pergunta Chuy, chegando ao meu lado. — Sí. — Eu costumava ficar fodido assim quando eu tinha a sua idade. Momentos de diversão, certo? — Eu não estou me divertindo agora. — eu digo a ele quando outra onda de náusea me atinge. Ele ri enquanto vomito as tripas para fora novamente. — Você ainda tem a chave que lhe dei? — Eu não tive a chance de ir para o banco. — digo a ele. — Além disso, eu acho que estou sendo seguido. Ele ri cinicamente. — Estou seguindo você, Luis. Você é importante para mim, e para o Sangue. Eu preciso prestar atenção ainda mais ao meu redor agora, caramba. Chuy dá um tapinha nas minhas costas, com força suficiente para sacudir meu estômago sensível. — Tudo bem, amigo. Você tem mais uma semana e então eu vou colocar pressão. Considere isso um aviso. Vá para casa. — ele ordena. — Alex e Carlos estão lá, mas não diga a eles que você esteve aqui. — Como você sabe onde eles estão? — Você não percebeu até agora, Luis? — Diz Chuy. — Eu tenho olhos e ouvidos em todos os lugares. Inferno, mesmo quando eu estava preso eu conhecia cada movimento seu. Quando você estava no Colorado, eu tinha meus caras o rastreando. — Por que eu?

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— Quando você estiver pronto para saber, vou te dizer. Agora tire sua bunda daqui. Eu caminho até a porta da minha casa, mas não posso fazer isso até o banheiro antes que eu corra de volta para vomitar nos arbustos. Eu ignoro os olhares da minha família quando tropeço até a casa e indo direto para o meu quarto. Dormir. Tudo que eu preciso é o sono. Eu caio de bruços no meu colchão. — Luis. — Mi'amá diz da porta. Ela está chateada e eu não estou com disposição para ouvi-la gritar comigo. — Onde você estava? Liguei durante toda a noite, sem uma resposta. Qual é a utilidade de ter um telefone celular, se você se recusar a responder sua própria mãe? — Ela estreita os olhos para mim. — O que há de errado com você? Você está usando drogas, Luis? Com o canto do meu olho eu acho que só a vi cruzar-se. Se ela começar a acender as velas do memorial e começar a rezar para Papá, estou seriamente pensando em sumir. — Eu estava bêbado. — digo a ela. — E agora estou de ressaca. Respondendo a chamada teria matado o zumbido, então eu ignorei. Eu a ouço chupar em uma respiração chocada, então eu sinto algo me bater no fundo da minha cabeça. Seu sapato. — Isso não é abuso infantil? — Eu pergunto. — Seria, se você fosse uma criança. Você tem dezoito anos, Luis. Você é um homem agora. Aja como um! Ela bate a porta fechada. O som é como uma britadeira batendo contra minha cabeça, que eu tenho certeza que é exatamente o que ela pretendia. Mi'amá não é sutil, isso é certeza absoluta. O quarto é, finalmente, um santuário, e eu fecho meus olhos. Minha paz é de curta duração, porque ouvi a porta ranger quando alguém abre. — Você vai me bater com seu outro sapato? — Murmuro contra o travesseiro.

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— Nah. — a voz de Alex ecoa na minha cabeça. — Mi'amá e Carlos disseram para vir aqui para me certificar de que você não está morto, o que foi praticamente o que ela pensou quando você não atendeu o celular ontem à noite. Alex e Carlos – a equipe do inferno. Eles são as últimas pessoas que eu preciso ouvir merda agora. Se eles decidirem me arrastar, também, eu vou ter uma comitiva inteira. — Eu estou bem. — Então sente-se e converse com a gente. — Tudo bem, nesse caso, eu não estou bem. Vá-se embora. — Eu lamento. — A menos que você queira que eu vomite em cima de você. — O que aconteceu com você e Nikki na noite passada? — Pergunta Alex. — Nada. Nós somos história. Carlos ri. — Sim, certo. Acredite em mim, eu estive na mesma situação que você está, mano. Conseguindo cara de merda por causa de uma garota não é uma solução. Converse com ela e trabalhe nisso. — Eu não estou falando sobre isso. Abro um olho e vejo Alex agachado ao lado da cama. — Eu não vou deixar você estragar tudo, como fizemos. — Encare os fatos, Alex. Eu já estou fodido e eu não pretendo mudar esse fato tão cedo.

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40 Nikki Tudo mudou em um piscar de olhos. Luis, eu... nós. Passei o resto da noite de sábado chorando na cama, pensando em como tudo saiu do controle. A ligação de Luis no meio da noite não ajudou. Deus, como meu coração disparou quando eu vi o seu número aparecer. Eu esperava que ele me dissesse que esperaria por mim para abrir meu coração para ele, que não importa quanto tempo demorasse. Se ele realmente me amava... Oh, não importa. Ele disse que tinha acabado. O problema eram os sentimentos que eu tinha por ele, e ainda tenho, são tão intensos que me assusta. Eu queria fazer amor com ele, de corpo e alma, mas o meu medo me fez recuar. No final, tudo o que eu poderia dar a ele era o meu corpo. Isso não era bom o bastante. Na segunda-feira eu tentei o meu melhor para evitar ver Luis na escola, mas cada vez que abro meus olhos eu o avistava, sendo no seu armário ou andando pelo corredor com os amigos. Ele não faz contato visual comigo, mesmo em química, quando estávamos em frente um do outro nas mesas de laboratório. — Você vem assistir ao jogo de futebol comigo depois da escola? — Kendall pergunta depois de química na terça-feira. — Não. Definitivamente, não. — eu digo a ela. Ela para e me dá um olhar de compaixão. — Por que você não me conta o que aconteceu no sábado à noite?

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— Luis e eu terminamos. — — Eu conheço essa parte. Quer compartilhar por quê? — Quando estiver pronta. Eu não estou pronta agora. Ela suspira. — Tudo bem. Eu estou aqui para você. — Você está sempre aqui por mim. É hora de você arrumar uma outra melhor amiga que não carregue tanta bagagem. — Não vai acontecer. — Ela me dá um sorriso caloroso. — Você é minha inspiração. — Para quê? A rainha do drama? — Não. Você percebe quantos cães você ajudou a resgatar? Você é a garota que não desiste de um perdedor. — Eu sinto que eu sou a azarona. — Então, você nunca sabe desistir de si mesma. Você é mais forte do que você pensa que é, Nikki. Cada minuto de cada dia fico tentada a mandar um texto ‗ei‘ para Luis. Ou ligar, só para ouvir sua voz. Na quarta-feira, Mariana e Luis estão conversando em seu armário. Eles se sentam um ao lado do outro na hora do almoço. Em química, ele faz uma piada e ela ri tanto que pensei que seus pulmões fossem explodir. Na quinta-feira depois da escola, estou grata que sou escalada para trabalhar no abrigo. Estar com os cães vai me ajudar a conseguir tirar minha mente de Luis. Eu faço o check-in na recepção, então volto para as gaiolas. Meu coração salta uma batida quando a gaiola de Granny está vazia e o cartão de identificação rosa está faltando na entrada em sua porta da gaiola. Ela morreu no meio da noite, sozinha e com medo? Ou ela esta tão magra de não comer que tiveram que levá-la ao veterinário? Corro até Sue em pânico completo.

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— O que aconteceu com Grannu? — Eu pergunto. — Ela foi adotada. — O telefone toca. — Eu pensei que você soubesse disso. — diz ela antes de atender a chamada. Como eu poderia saber? Eu não fiz a papelada dela. Eu abro o livro de registro adoção e examino as candidaturas aprovadas. Quando eu li o nome Granny no topo da mais recente adoção meu coração se enche de felicidade que ela finalmente tem uma casa. Até eu olhar para a parte de baixo da página, para o nome da pessoa que a adotou. Luis Fuentes. Eu suspiro. — Ele não fez. — Seu amigo veio antes de fecharmos ontem à noite e a adotou. — um dos outros voluntários me diz. Luis sabia que eu queria. Como ele se atreve vir e roubá-la. Ele pegou Granny apenas para me irritar. Oh, como eu poderia ter pensado que eu queria estar com alguém que adotaria um cão apenas para se vingar? Minha mente está em uma raiva que eu gasto meu tempo atribuído, limpando gaiolas e passeando com os cães. Depois que cumpro o horário, eu pego meu carro e corro para a casa de Luis. Eu bato na porta. Nenhuma resposta. Eu bato na porta. Ainda sem resposta. Eu coloquei meu ouvido na porta e ouço a televisão, por isso sei que alguém está em casa. Eu remexo pelo espaço entre os arbustos e a janela da frente. Eu vejo Luis sentado no sofá com Granny no seu colo, em seguida, bato no vidro para chamar sua atenção. Ele olha para mim, e eu dou língua de sinais universal para ‗abrir a maldita porta‘ ao apontar para ela.

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No momento que volto para a varanda da frente, ele abre a porta. — Eu vomitei nos arbustos há poucos dias. Você pode querer tomar cuidado onde pisa. Eca. Tenho cuidado para não pisar em qualquer coisa não identificável, mas desde que os arbustos estão no caminho, não adianta. — Eu não posso acreditar que você roubou meu cão. — Eu não roubaria um cão, Nik. Quanto cruel você acha que eu sou? — Eu quis dizer a Granny e você sabe disso. — Como eu posso roubar um cão que adotei oficialmente em um abrigo? Eu estreito meus olhos para ele. — Você sabia que eu queria. — Sim e daí? Você conhece o ditado... você cochila, você perde. Você quer ouvi-lo em espanhol? Ele está fazendo o seu melhor para me chatear e isso está funcionando. — Não. Você não queria nem um cão. — Eu quero agora. Granny e eu estamos ligados. — Ele cruza os dedos. — Nós somos assim. — Essa coisa toda adotando não é realmente sobre Granny. Trata-se de nós. — Não há mais 'nós', lembra? Suas palavras doem. — Então, você rouba o cão do abrigo que você sabe que eu tenho um apego especial, apenas para me irritar e chatear? — Oh, por favor. Você estava sufocando a coitada. Eu não a levaria por alguma retaliação contra você. Houve alguns assaltos no bairro e precisamos de um bom cão de guarda. — Ela é cega, Luis! — Eu grito. — Ela não pode ver nada. Eu nem acho que ela pode latir. A Granny tem um pé na cova. Ele finge que minhas palavras são um insulto para ele e seu cão. — Shh, não a deixe ouvir você dizer isso.

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— Você está brincando, certo? Ele encolhe os ombros. — Olha, a senhora no abrigo aprovou meu pedido. Se você tem um problema com isso, converse com o abrigo. Eu não dou a mínima para o que você pensa mais. Se eu fosse um desenho animado, um grande grande rajada de vapor estaria saindo dos meus ouvidos agora. — E quanto à noite de sábado, Luis? Você me disse que me amava. — Não é o que os caras devem dizer antes de foder a sua namorada? Eu pensei que fosse um pré-requisito. — Você não quer dizer isso. — O que você quer que eu diga, que eu quero voltar com você só assim você poderia pensar em outro cara enquanto estamos juntos na cama? Não, obrigado. Granny requebra em direção a porta da frente. Luis se abaixa e a pega. Ao vê-lo segurando-a tão gentilmente nos braços mostra o lado quente e carinhoso que ele está tentando esconder de mim. — Você não sabe o que eu penso sobre isso, Luis. E não me diga que você não estava guardando segredos de mim. Você estava obviamente fazendo algo sombrio para esse cara Chuy. Eu sei que ele não estava recrutando você para se juntar aos escoteiros. Optei por ignorar todos os sinais de alerta e confiar em você. Você mentiu para mim, não é? Você mantém mais segredos do que o Pentágono. — Eu minto para todos. Não é grande coisa. — É um grande negócio para mim. — Eu aponto para o braço. — Isso não aconteceu na garagem. Você estava em uma briga de faca. — Errado. Tente tiroteio. — Ele coloca Granny na grama para que ela possa requebar ao redor e ele segura as mãos para cima. — Tudo bem, tudo bem. Você me pegou. Você está olhando para o mais novo recruta de Sangue Latino, baby. Tenho lidado com drogas e gangues rivais com Marco me dando cobertura. Esse é o meu segredo. Qual é o seu?

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Eu engulo e me preparo para revelar a verdade. Não importa mais, então por que as lágrimas estão escorrendo pelo meu rosto? Eu gostaria de poder segurá-las, mas eu não posso. Eu estou com raiva, eu estou machucada, estou triste... Ele é apenas como Marco. Eu tentei negar, mas a verdade me dá um tapa na cara. — Eu estava grávida de Marco no dia em que ele terminou comigo. — Luis recua, choque estampado em seu rosto. — Eu perdi o bebê logo depois que deixei o casamento de Alex e eu quase morri. Essa coisa que vem entre nós não era sobre mim e Marco! — Eu grito, irritando-me agora. — Era uma questão de confiança. E no fundo da minha minha mente, eu sabia que você estava mentindo para mim sobre o Sangue. Não me culpe por me segurar, Luis. Eu estava quase pronta para deixar ir e tentar confiar novamente. Levei um tempo e eu não era realmente boa no que fazer, mas pelo menos eu estava tentando, que é mais do que eu posso dizer de você. Foi você quem estava segurando o tempo todo. — Eu puxo o meteorito da minha bolsa. — Talvez eu não podieria dizer isso ainda, mas eu tentei te mostrar o quanto eu me importava. — As lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto eu lanço o meteorito para a rua. Eu espero que ele vá correr atrás dele, mas ele não faz. Seus olhos estão fixos em mim. — Por que você não me contou? — Diz ele em voz baixa. Ele estende a mão para mim. Eu bato sua mão. — Não se atreva a me tocar nunca mais!

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41 Luis Uma semana mais tarde, como eu subo na minha moto no estacionamento da biblioteca, depois de trabalhar no meu ensaio para a aplicação de Purdue, um carro que eu tenho notado se arrastando nas duas últimas semanas para na minha frente e bloqueia o meu caminho. Um cara sai do carro. Eu o vi no armazém algumas vezes, mas eu nunca falei com ele. Ele é um OG. — Chuy quer falar com você. — Mais tarde. — eu lhes digo. — Não, você não entende. — Um grande cara sai da parte de trás. — Ele quer falar com você agora. Deixo a moto no estacionamento e entro no banco de trás. Tenho evitado este encontro. A chave que Chuy me deu era como um peso na minha consciência. Chuy está sentado no banco de trás, esperando por mim. Estamos conduzido aleatoriamente pela cidade. Eu pego a chave da minha carteira. — Eu não posso fazer isso. Eu pensei que poderia, mas eu não posso. — A maneira que Nikki me olhou, com ódio completo e absoluto quando tentei consolá-la depois que ela me disse que esteve grávida de Marco me fez perceber que isso realmente acabou para sempre . Ela odiava Marco, odiava a SL e agora ela me colocou na mesma categoria porque a traí, assim como Marco. A

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semana inteira eu tentei sondá-lo para ver se ele sabia sobre a gravidez, mas ele não tomou a isca. Ou ele não sabia sobre isso, ou ele está determinado a manter segredo. — Eu sei que você sente uma atração pela SL. — diz Chuy. — Mas não sabe por quê. Eu fico em silêncio. Cada palavra que ele falou é a verdade. Eu não vou admitir isso, porque tenho vergonha disso. — Não há necessidade de esconder seus verdadeiros sentimentos. Tu papá queria que você fosse Sangue, Luis. Ele fez questão que você fosse vigiado e protegido. Ele o trouxe para o armazém uma semana depois que você nasceu, para ser abençoado com SL escrito em sua testa em seu próprio sangue... um verdadeiro Sangue Latino. De jeito nenhum. — Meu pai morreu antes de eu nascer. — eu digo. — Alex me disse que ele estava lá, ele viu o nosso papá levar um tiro... o que você está dizendo não faz sentido, a menos que... — Seu pai não era um Fuentes. — diz Chuy, interrompendo a minha confusão. Ele tira uma foto do bolso do terno e mostra para mim. — Eu estava lá. Eu olho para a imagem de Hector Martinez, com um enorme sorriso em seu rosto enquanto segura um bebê no ar como um rei apresentando seu bebê recém-nascido para o povo. O príncipe. No meio da testa do bebê, escrito com sangue, são as letras SL - Sangue Latino. — É você. — diz Chuy. — E o seu papá. Seu pai verdadeiro. Assim que as palavras deixam a boca de Chuy, um sentimento terrível arrasta em mim. Não pode ser verdade. Mas tem havido sinais. Eu nunca vi minha certidão de nascimento. Quando Alex foi baleado Carlos doou sangue, mas mi familia nunca se aproximou de mim para fazer o mesmo. Isso sempre me intrigou. Eles estavam preocupados que eu descobrisse que Alex e eu não fôssemos irmãos, ou que, eu de alguma forma descobrisse que éramos apenas meio-irmãos? Chuy disse que fui abençoado no Sangue Latino, mas mi papá morreu antes de eu nascer. Eu não poderia ter sido abençoado, a menos que o meu pai era um membro da SL na época.

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Eu preciso de respostas, e eu preciso delas agora. Será que mi'amá me protege da vida de gangue, porque não queria que eu descobrisse a verdade? Eu costumava saber onde minha lealdade se encontrava. Agora não tenho tanta certeza. — Leve-me de volta para a biblioteca. — eu digo para o cara que está dirigindo. — Eu preciso sair daqui. O cara olha para a direção de Chuy. Chuy acena com a aprovação. Mesmo quando eles me param na biblioteca e me deixam sair do carro, eu me sinto preso. Ele sabe onde me encontrar, como me atrair de volta com ameaças que não posso ignorar. Deixei a imagem no carro de Chuy, na esperança de deixar a imagem de Hector orgulhosamente segurando o bebê - eu - para trás. Encontro-me dirigindo para o apartamento de Alex. Eu bato na porta, esperando que ele esteja em casa. Eu preciso de respostas e ele é a única pessoa que pode me dar. Alex chega à porta. — Luis, o que há de errado? — Diz ele. — É meu irmão? — Pergunto puro e simples. — Claro que eu sou seu irmão. — diz ele, confuso. — Deixe-me ser mais específico, então. Eu sou o seu meio-irmão? Ele não responde. Ele olha para mim, com aquelas tatuagens de Sangue Latino em seu próprio peito e braços zombando de mim. — Foda-se, Alex! — O que está acontecendo? — Disse Brittany, ficando à vista com Paco em seus braços. — Luis, você está doente. Eu espero que você não pegou gripe do Paco. Você está bem? — Weese! — Paco grita, batendo palmas e animado em me ver. — Não, eu não estou bem. — Eu olho para Alex com desprezo. — Será que Brit sabe? Alex acena com a cabeça lentamente.

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— Não sei o quê? — Brittany diz inocente quando ela envolve Paco apertado em um cobertor. — O que está acontecendo entre vocês dois? — Alex estava apenas confirmando que não sou seu irmão. — eu digo. Alex está na minha frente, cara-a-cara. — Você é meu irmão, caramba. — Sim, meio. Qual é o outro meio, hein? Diga-me. — Eu não sei o que você ouviu, mas... — Hector Martinez é meu pai, não é? Eu olho para o ombro de Alex, onde Hector atirou nele, não muito tempo depois de ter matado Paco. — Não é? — Eu digo novamente. — Sí, Luis. — diz Alex, derrotado. — Hector Martinez era o seu pai.

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Brittany coloca uma mão reconfortante no meu ombro, mas eu desvio. — O Carlos sabe, ou não sou apenas a ovelha negra da família, mas também o último a saber quem é a porra do meu pai. Alex não quer me contar. Ele prefere me manter ignorante e inocente, mas isso está tudo no passado. Eu não sou mais uma criança. Longe disso. — Diga-me. — eu grito com ele. Meu corpo inteiro está tenso e eu suprimo a raiva viciosa que está borbulhando dentro de mim. — Acalme-se. — Não me diga para me acalmar. Não diga outra palavra para mim, exceto a verdade absoluta. — Ok. — Alex escova os dedos pelos cabelos. — Ele suspeita. Ele trouxe isso uma vez, cerca de dez anos atrás e eu deixei pra lá. Eu disse-lhe para nunca mais falar isso de novo e ele não fez.


— Bem, um viva para os segredos de família Fuentes. — Parece que eu tenho um caroço do tamanho de uma bola de basquete na minha garganta enquanto pergunto: — Será que ele estuprou a nossa mãe? Eu sou o resultado de um estupro? — Não. — Ela traiu? — Não exatamente. Por que não o levo para casa, e você pode perguntar pra ela. — Eu não tenho casa, Alex. — Não seja estúpido, Luis. Sua casa é onde a sua família está. Mamá fez coisas que ela pensou que nos manteria seguros. — Então, ela se prostituiu. Ótimo. Alex me empurra, com os olhos brilhando como louco. — Não fale de mi'amá assim. Ela fez o que precisava ser feito, ponto final. Não a julgue quando você não sabe o que aconteceu. Todo esse tempo eu fui tão estúpido. A prova estava bem na frente do meu rosto e eu nunca juntei os pedaços. Eu tinha essa ilusão ridícula de que eu era o garoto de ouro, porque eu estava na barriga da minha mãe quando o meu suposto pai foi baleado e morto - o último presente que meu pai deu-lhe: eu. Mas, na realidade eu nunca fui a criança dourada. Eu fui a ovelha negra... eu me chamava de Fuentes e eu nunca fui um. Eu recuo. — Adios, mano. — O que é que isso quer dizer? — Isso significa que eu estou fora. Para o bem. — Você não vai a lugar nenhum. — Você não tem nenhum poder sobre mim, Alex. Inferno, nós nem sequer compartilhamos o mesmo pai. — Eu penso em todas as vezes que eu me senti mal por Carlos porque ele parecia um estranho no ninho. Ele não tem o cérebro ou até mesmo temperamento que Alex e eu nascemos.

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A piada sou eu. Eu nem sequer tenho o mesmo sangue. — Você acha em matéria de DNA? — Ele pergunta. — Isso não acontece. Você era meu irmão, assim que saiu da barriga de Mamá e eu o segurei quando você tinha menos de uma hora de idade. Você era meu irmão quando Mamá trabalhou e eu limpei sua bunda e troquei suas fraldas. E você vai ser meu irmão até eu ter o meu último suspiro! ¿Comprende? — Você me negou minha história... minha herança! — Não neguei nada, Luis. Seu pai biológico era... — Ele hesita. — Vá em frente e diga. Vamos, Alex, não se detenha agora. — Hector Martinez era um manipulador imbecil que ameaçou as pessoas com suas vidas para que eles fizessem o que ele queria. Ele era um assassino e traficante de drogas. Fizemos-lhe um favor, não dizendo que metade de seus genes eram de um homem sem escrúpulos ou uma consciência. — É melhor você ter cuidado, Alex. — Eu o empurro de volta, pronto para uma briga. — Esse é o meu sangue que você está falando. Minhas palavras devem ter ardido, porque Alex inflou o peito. — Acorde, Luis. Você está olhando para seu sangue. Eu sou seu sangue. Eu o olho com nojo. — Tudo o que vejo na minha frente é um exSangue Latino. Um traidor do meu povo. — Isso é besteira. — Preste atenção a sua volta, mano. Você nunca sabe quem é da família... e quem é o inimigo. Eu saio rapidamente para longe dele, bloqueando as demandas de Alex para voltar, misturados com apelos de Brittany para não sair. Ela diz que podemos que trabalhar com isso. E vou fazer as coisas funcionarem. Chuy estava certo. Ser um Sangue Latino é o meu destino, o meu direito de primogenitura. Eu disse a mim mesmo que eu queria chegar perto de Chuy para ganhar informações privilegiadas sobre o SL. Eu

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estava mentindo para mim mesmo. O tempo todo eu queria estar nisso, fazer parte dos negócios de droga e de perigo. Eu ando no armazém SL com uma coisa em minha mente - fazer jus ao legado do meu pai. Chuy está sentado em seu escritório improvisado conversando com alguns OGs. Um olhar para mim e Chuy manda todo mundo sair da sala - exceto um cara chamado Tiny, que não é pequeno. — Eu vou para o banco e ver o que está na caixa do depósito de segurança. — eu digo. — Mas eu tenho condições. Seu sempre presente charuto está pendurado em sua boca. Ele o tira e sopra fumaça no ar. Eu vejo quando ela permanece acima de sua cabeça antes de desaparecer na sala cheia de fumaça. — Condições? — Sí. Em primeiro lugar, você nunca ameaçará a família de Alex, Carlos ou mi'amá novamente. Em segundo lugar, você me inicia como todo mundo. — No mais, passei pela linha. Eu escolhi o meu lado e eu não quero ninguém me confundindo com alguma coisa que eu não sou e nunca fui destinado a ser. — Fico feliz que você veio, Fuentes. — Não me chame assim. — eu digo mais ou menos. — Eu não sou um Fuentes e você sabe disso, assim pare com essa besteira. Você concorda com meus termos ou não? Nós olhamos um ao outro. — Claro. Hector previu que seria um lutador. — diz ele com orgulho, lembrando-me da imagem de Hector me segurando quando eu era recém-nascido. Ele acena para conseguir os outros OGs de volta à sala. — Luis aqui quer solidificar o seu lugar na família SL, garotos. — ele grita quando eles acumulam em volta — O problema é que Luis, você já foi abençoado. Não há necessidade de uma iniciação. — Eu quero isso. Começar como um novo recruta. Ele ri. — O que você quer que a gente chute a merda fora de você? — Eu quero ser iniciado como Alex. Eu não estou tomando o caminho mais fácil. Eu posso lidar com isso. — Vou mostrar a eles que não precisavam ter me protegido da verdade. Só posso ouvir Hector

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Martinez da sepultura me guiando, me desafiando a provar a todos esses caras que eu sou tão forte como ele era. Ele levanta uma sobrancelha. — Você pode lidar com isso, certo? — Eu sou filho do meu pai. — eu digo estoicamente. — Traga-o. — Mi placer. — diz ele, divertido. — Yo, Rico. — ele grita. — Reúna alguns outros e dêem ao Luis aqui treze segundos de boas vindas ao Sangue Latino. Vou participar também. — Ele estala os dedos, um por um. — Eu vou aproveitar isso.

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42 Nikki Kendall pensa que eu sou uma sobrevivente, mas agora eu não me sinto como tal. Tudo o que sinto vontade de fazer é ir até a casa de Luis para que ele possa me abraçar e me dizer que está tudo bem entre nós. Eu estou sonhando. Não está tudo bem entre nós e nunca estará. — Pai. — eu digo, me sentando com ele enquanto ele assiste a um jogo de futebol na televisão. — Por que você e mamãe nunca nos levaram para o México? Ele encolhe os ombros. — Nós viajamos muito, Nikki. Você foi para o Brasil com a gente há dois anos. E Argentina, quando eu falava na conferência lá. Você praticamente devorou todo gelato na Itália. — Mas por que não o México? Ele sopra um suspiro longo e lento. — Eu acho que se nós formos, eu sinto que teria que mostrar onde eu cresci. Eu não quero olhar para trás, Nikki. Sua mãe não quer. — Um monte de crianças mexicanas na escola têm pais que nem sequer falam Inglês. — No lado sul. — diz ele. — Sim. — Estamos tentando criar você e seu irmão sem ter o que nós... a mentalidade deles e o ressentimento entre os ricos e pobres, e eu tenho

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um medo galopante do lado sul. Sua mãe e eu discutimos muito antes de você nascer. — É como se fôssemos brancos. Eu não como comida mexicana e nenhuma das crianças com quem eu cresci eram mexicanos. — Nós não estamos tentando assimilamos. Isso é tão horrível?

ser

brancos,

Nikki.

Nós

— Eu me sinto como no processo de querer me encaixar muito, você e mamãe têm negligenciado a nos fazer sentir orgulhosos de nossa herança. Eu amo ser americana. Mas quando eu olho para as crianças do lado sul... como a família Fuentes... eu fico com ciúmes. — O que há para sentir ciúmes, querida? Você tem tudo que precisa, e a maioria das coisas que você deseja. Estamos vivendo o sonho americano. Eu sei que a mentalidade da maioria das famílias mexicanas no lado sul de Fairfield: trabalhar como um cão, mandar dinheiro de volta para parentes, no México, e não ter grandes expectativas porque elas nunca vão ser cumpridas. Não se espera que crianças mexicanas no lado sul da Fairfield vá para a faculdade. Depois do ensino médio são esperados para ajudar seus pais a sustentar a família, e proteger o que eles chamam de bairro. Essa não é a nossa mentalidade. — Eu sei. — Eu quero dizer a ele o que está me incomodando nos últimos dois meses, desde que eu estava com Luis no barco de Derek. — Eu quero que você me conte sobre sua infância, pai. Não agora, mas quando você e mamãe estiverem prontos. É realmente importante para mim. Ser mexicana é importante para mim. — Será que isso tem alguma coisa a ver com você passar tanto tempo com Luis? — Talvez. Nós terminamos e eu sinto falta de sua família e estar rodeada por pessoas que mostravam ser mexicanos como se fosse um distintivo de honra. Eu sei que é idiota, mas eu realmente gostei disso. — Eu também sinto muita falta de Luis, eu sofro por ele e já chorei até dormir todas as noites desde o seu aniversário. — Se você quer ir para o México, eu vou falar com sua mãe. Nós não temos planos para este verão, com você indo para a faculdade no

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outono. — Ele dá um tapinha no meu joelho. — Eu acho que você está certa. Precisamos olhar para trás e perceber que, por vezes, o passado nos ensinou a apreciar o nosso futuro. É verdade. Eu preciso voltar para o meu próprio passado, para que eu possa curar e olhar para o futuro. Marco é a chave. Eu saio da sala e vou para fora para ligar para Marco. Quando ele não respondeu, eu mando um texto pra ele. Eu: podemos conversar? Marco: não. Estou ajudando Luis conseguir entrar 

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43 Luis Chuy está de pé na minha frente, no meio de um círculo de cerca de quinze homens. Meu primo Enrique não está aqui, mas Marco está. E alguns outros caras da escola. Ele também está ao redor de alguns dos caras que estavam por perto quando Alex estava no Sangue. — Aqui está o que vai acontecer, Luis. — explica Chuy. — Mis vatos e eu vamos levá-lo na sala de trás e chutar a merda fora de você por treze segundos. Quando isso acabar, você está dentro. — Posso lutar? — Eu pergunto. — Não. Se você mesmo tentar, os nossos golpes serão mais fortes. — diz ele, sem perder uma batida. — Isso é para te derrubar antes de construí-lo maior, mais forte e mais resistente. Como um garanhão, ese. Quando estiver pronto, você será um Sangue Latino. — Vamos acabar com isso. — Caramba, você é como Hector. Aquele filho da puta louco estava tão impaciente quanto você. — diz Chuy. Todos eles me levaram para uma sala sem janelas. Eu observo as manchas de sangue seco no chão. Eu deveria estar com medo, mas eu não estou. Marco me chama a atenção. Ele está animado, com o meu salto, elevará sua posição no Sangue. Alguns dos OGs ficam atrás de mim, provavelmente pra ter certeza que eu não fique nervoso na última hora e escape.

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— Você está pronto? — Pergunta Chuy. Concordo com a cabeça. Uma profunda raiva ferve dentro de mim, desesperada para ser liberada. Eu não sei quanto tempo mais eu posso segurá-la de volta. Chuy pega meu queixo, seus dedos cavando minha pele. — Seu rosto me faz lembrar de Alex. — diz ele. — Eu gostei de trazê-lo de joelhos quando ele pulou fora. Que doce vingança isto vai ser. Eu me puxo para fora do seu alcance, mas no segundo que estou livre, o aperto de ferro do punho de Chuy voa na minha cara. Ele deve ter um anel, porque alguma coisa afiada cortou minha bochecha. — Um. — diz ele, exultante sobre o dano evidente. — Dois. — eu o ouço gritar. O resto dos caras começam a fechar e eu rapidamente protejo o rosto com as mãos e braços. É até difícil mantê-los quando, golpe após golpe, meu corpo dói e quer amassar no chão. — Três. Um duro golpe para o meu lado me faz querer gritar, mas eu não grito. Eu prendo isso dentro. Eu posso lidar com qualquer coisa, até mesmo isso. Eu quero lutar, mas as palavras de Chuy estão na parte de trás da minha cabeça. Os golpes serão mais fortes. — Quatro. Marco me bate na mandíbula quando eu passo minhas mãos por uma fração de segundo. Eu provo o sangue, mas não tenho tempo para me debruçar sobre isso quando eu me esforço para ficar em pé. Estou esperando para ouvir o número treze. Vai demorar até o treze anos. — Cinco. Um dos caras chuta forte a parte de trás do meu joelho. Eu tropeço no chão. Estou em minhas mãos e joelhos agora. Estou tentando ficar de pé, mas não consigo. Recebo um chute forte no estômago. — Seis.

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Eu consigo ficar em pé. Cada golpe alimenta o fogo inquieto dentro de mim. Eu posso lidar com isso. Eu posso lidar com qualquer coisa. — Sete. Tenho minhas mãos cobrindo a cabeça de novo, mas eu não acho que isso faz bem. Um chute nas minhas costas me faz estremecer. Eu estou perdendo rapidamente a energia. — Oito. Bloqueie isso, Luis. Bloqueie a dor e pense em outra coisa. Pense em Nikki, a garota que roubou seu coração e fugiu com ele. — Nove. No entanto esses caras lutam como profissionais. Eles lutam duro e áspero como Alex e Carlos. Se Nikki estivesse aqui se importaria que eu estava sendo espancado? — Dez. Eu acho que está quase pronto. Eu não sei. Estou tentando ficar forte, mas os golpes constantes e chutes estão ameaçando me derrubar, assim como Chuy avisou. Meu corpo foi atingido tão duro, eu acho que um desses caras ou deve usar sapatos com ponta de aço ou que tenha sido especialmente treinado para chutar. Não. Eu não vou deixá-los ganhar. Eu estou no comando do meu destino, não eles. — Onze. Por favor, deixe isso acabar logo. Eu sinto meu corpo ficando mole e eu não posso segurar minha raiva por mais tempo. Eu não ouço o número doze. Chuy parou a contagem. O desgraçado está apenas em pé, prolongando a surra. O fato de que a cada golpe estou mais perto de entrar na SL e saindo da vida de Nikki pra sempre é demais para tomar. Foda-se jogar este jogo de Chuy. Eu começo a balançar, pronto para derrubar qualquer um que se atreva a chegar perto de mim. — Merda. — eu ouço alguém gritar depois que eu o soco.

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Eu trago mais dois para baixo, enquanto alguns OGs estão tentando me fixar no chão. Chuy está de pé ao lado, gostando disso. Ele tem um sorriso arrogante no rosto que precisa ser apagado, agora. Eu derrubo mais dois caras e me contorço saindo do alcance dos OGs e vou atrás de Chuy. Eu não quero nada mais agora do libertar a minha fúria nele. Ele move em mim, mas eu sou mais rápido. Meu punho se conecta com o lado de sua mandíbula. Ele voa para trás, e eu fico com uma breve satisfação enquanto quatro dos OGs pegam minhas mãos e as viram nas minhas costas. Chuy está sangrando do lado de sua boca. Ele não se incomoda de limpar isso... ao invés disso, ele lambe como um vampiro sugador de sangue. Eu posso não sair dessa vida, mas neste momento eu não dou a mínima. — Nós temos um pouco de falta de comunicação, pequeña mierda. Você parece pensar que você está executando este show. Talvez você se esqueceu de que eu sou o chefe aqui. Não você. Você acha que poderia me substituir? — Sim. — murmuro. Ele me dá um soco no estômago e eu me dobro, mas os caras segurando meus braços como um vício maldito me endireitam de volta. — Resposta errada. Vou perguntar de novo. Você acha que poderia me substituir? Eu respiro fundo, me forço a ignorar a dor penetrante do meu corpo, e olho para cima. — Sim. — eu digo. Ele dá um soco em meu rosto, desta vez mais forte - se isso fosse mesmo possível. Minha cabeça rola na dor. — Resposta errada. Vou perguntar de novo. Você acha que poderia me substituir? Eu tento abrir os olhos mais amplos, mas não consigo. Eu faço o melhor que posso, porém, através da neblina. — Sim. Ele me dá um soco no estômago de novo. Ele poderia ter quebrado uma costela, porque eu senti algo estalando.

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— Resposta errada. Vou perguntar de novo. Você acha que poderia me substituir? Isso está feito. Perdi Nikki. Perdi NASA. Eu perdi todos os outros. A única coisa que me resta é o legado do meu pai como um idiota severo que nunca recuou até que ele estava morto e enterrado. Eu vou ficar com esse legado, enquanto eu puder. — Sí. — Delgado, me dá um barbeador elétrico. — ordena Chuy. — E uma chave de fenda... uma afiada. — Por quê? — Marco pergunta. — Somente faça, seu merdinha estúpido. Se você não quer acabar como este pendejo, faça isso. O próximo golpe de Chuy na minha cabeça é a última coisa que me lembro antes de desmaiar. Quando eu acordo, estou deitado no chão de cimento. — ¡Felicitaciones! — Diz Chuy quando se agacha ao meu lado. Avisto os anéis de ouro nos dedos. — Você é um de nós agora. Eu só quero estar de volta aqui no chão e dormir até que meu corpo pare de gritar de dor.

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44 Nikki Marco finalmente responde a minha chamada depois de uma hora que fico tentando sem parar. — Onde está o Luis? — Eu pergunto. — Eu o deixei em casa minutos atrás. — A voz de Marco ecoa através do receptor. Ele ri, o som zombando de mim. — Ele está em má forma, mas vai sobreviver. Ele é um filho da puta duro. Não sabia que ele tinha tanto para lutar por si, mas Chuy o trouxe de joelhos. Meu coração bate no meu peito. — Você poderia ter parado. — Você está delirando. Luis queria... ele pediu. Tire sua cabeça fora de sua bunda e encare o fato, Nik. Você não tem mais poder sobre ele. O SL tem. — Por que você escolheu o SL e não eu, Marco? Diga-me a verdade. — O dinheiro, status e a fraternidade. Você e eu nunca teríamos durado, e eu sabia disso. Você era uma distração temporária dos meus objetivos. A distração temporária. A verdade definitivamente dói, mas é uma dor surda em vez de dor real. Estou acima dele, de nós, do que aconteceu como resultado do nosso relacionamento.

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— Eu estava grávida no dia em que terminamos. — digo, em seguida, olho para a foto de Luis e eu dançando no casamento de Alex e Brittany, ainda na minha parede. De alguma forma, vendo o sorriso bobo de Luis quando ele tentou me fazer sorrir me dá a esperança e a força para passar por essa conversa. — Eu já carregava a culpa por não lhe dizer há mais de dois anos. Eu tive um aborto espontâneo, e nossa separação - combinado com a perda de nosso filho - me deixou confusa por um longo tempo. Eu paro de falar e espero por sua reação. Eu não sei o que eu quero lhe dizer, ou o que eu esperava que ele dissesse. — Como você sabe que a criança era minha? — Diz ele em um tom arrogante. Ele sabia que eu era o sua primeira e ele era o meu. Não havia mais ninguém. Sua pergunta é tão ofensiva que não merece uma resposta. Eu desligo na cara dele, então ligo para Kendall. — Luis entrou no Sangue Latino hoje à noite. — eu digo a ela. — Eu estou indo à casa dele para me certificar de que ele está bem. — Eu vou com você. — diz ela. Eu ouço a voz abafada de Derek quando ela diz a ele o que está acontecendo. — Derek irá também. Estaremos em sua casa em cinco minutos. — Depressa. — digo a ela. *** Eu bato na porta da frente da casa de Luis, mas não há resposta. A porta está ligeiramente aberta, então entro. — Luis. — eu chamo. Ninguém responde. Eu vou para o quarto dele, sabendo que ele está aqui... sentindo sua presença em algum lugar da casa. — Vou verificar os quartos. — Diz Derek. — Vocês duas fiquem na porta da frente. Se vocês precisarem sair daqui rápido, basta ir. Derek abre a porta do quarto de Luis. Eu aperto o braço de Kendall, com medo do que ele vai encontrar... qualquer coisa.

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— Que diabos aconteceu com você, cara? — Pergunta Derek. — Por que você está aqui? — Eu ouço Luis responder. — Ele está aqui. — sussurro a Kendall. — Nikki queria ter certeza de que você estava bem. — Derek me chama com as mãos. — Eu, uh, estou aqui do lado de fora da porta, se precisar de alguma coisa... como um hospital. Eu suspiro quando vejo Luis sentado em sua cama com as costas contra a parede. Sua cabeça está apoiada nas mãos. Há sangue por todo o rosto. Sua cabeça está raspada, e sua camisa completamente ensanguentada em pedaços no chão. Granny está sentada ao lado dele, com a cabeça sobre a coxa. Ela sabe que ele está sofrendo. Corro até ele, com medo de tocar o rosto, com medo que vá machucá-lo. — O que eles fizeram com você? — Eu pergunto baixinho, tentando conter a inundação de emoção ameaçando sair correndo de mim. Eu tenho que ficar forte para Luis. — Vá embora. — ele geme. — Eu não vou sair enquanto você estiver assim. — eu sussurro. — Eu não preciso de você aqui, e eu com certeza não quero você aqui. Estamos terminados, lembra? Eu não sou seu caso de caridade. — Bem, você parece um agora. Abandone o ego e me deixe ajudálo. Eles rasparam seu cabelo bonito que era sua assinatura. Será que o seguraram, ou ele abaixou a cabeça em submissão e de bom grado em tê-lo raspado? De qualquer forma, eles não foram gentis. Ele tem cortes em todo o couro cabeludo. — Eles rasparam sua cabeça. Eu não percebi isso antes, mas seu cabelo espetado, era um símbolo de sua inocência e individualidade. Agora, ele parece tão duro... tão Sangue Latino. Eu levanto o queixo e o incito a olhar para mim. Quando ele faz, eu quase chupo uma respiração. Seus lábios são

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presos para cima, seus olhos estão semicerrados, porque suas pálpebras estão inchadas... e ele tem cortes vermelhos desagradáveis misturados com hematomas por todo o rosto, costas e peito. Quando eu olho em seus olhos, eles têm um buraco vazio neles. Isso me assusta. Será que ele vai mudar e se tornar como Marco? — Que parte do ‗fique longe de mim você não entendeu‘? — Ele pergunta. Quando ele coloca as mãos no rosto, vejo um vislumbre das letras L e B escavados em seu bíceps. — Você precisa ir a um hospital. — digo a ele. — Eu não posso. Eles vão me perguntar o que olha para mim. — Estou vinculado por um código sabe o que eu preciso, Nik? Drogas. Coisas ilegais. verdade. E me certifique que há o suficiente para eu um tempo.

aconteceu. — Ele de silêncio. Você Muitas delas, na não sair dela por

— Pare de falar estúpido. — Sento-me na cama e dou uma olhada, muito dura para ele. — Aqui está o que vai acontecer. Você vai me deixar te limpar. Depois disso, você pode me dizer para sair. — Você não me ouviu? A menos que você tenha remédios para dor, eu não quero você perto de mim. — É uma pena. Kendall e Derek me ajudam a molhar algumas toalhas de papel com peróxido de hidrogênio. Eu me ajoelho na frente de Luis e coloco delicadamente uma das toalhas de papel ao lado de um corte de sua sobrancelha. — O que aconteceu com o rapaz que disse que me amava? — Eu pergunto. — Ele morreu. — diz ele secamente. — Eu o queria empurrá-lo para longe. — digo a ele. — É o meu mecanismo de defesa. — Parabéns, Nikki. — diz ele. — Você ganhou.

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Ele empurra a cabeça longe de mim, mas eu faço ele me encarar enquanto limpo o queixo e um corte feio na bochecha. Quando eu passo para limpar a ferida em seu bíceps, as letras iradas arrancadas de sua pele que vai deixar cicatrizes permanentes olham de volta para mim. Ele segura meu pulso com os dedos fortes e para minha mão, que está prestes a limpar o sangue ainda escorrendo da ferida. — Não me ajude. — diz ele. — Eu preciso que você vá. — Por quê? Nós tivemos uma conexão, Luis. Eu quero esquecê-lo, mas não consigo. Seus inesquecíveis olhos vêem através de mim. — Não minta para si mesma e acho que o que tínhamos não era nada diferente do que você tinha com o Marco. — Eu não acredito nisso. — eu digo, balançando a cabeça. — Talvez nós não temos a chance de um futuro, mas eu sei do fundo do meu coração que o que temos é muito mais profundo do que qualquer coisa que eu tinha com o Marco. — Você está errada. — Ele pega minha mão com mais força, me impede de tocá-lo. — Yo, Derek. — ele grita. Derek enfia a cabeça na porta. — Sim? — Leve-a daqui, antes que eu faça algo estúpido. Derek toca meu ombro. — Nik... você precisa deixá-lo. Eu engoli o caroço do tamanho de uma bola de basquete na minha garganta. — Eu amo você, Luis. Luis aperta os olhos fechados. — Derek... tire-a! Eu me afasto dele e tomo uma respiração profunda. Eu não posso chegar até ele. Ele foi para o outro lado e me deixou para trás.

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45 Luis Menos de uma hora depois de Nikki e companhia sair da minha casa, eu recebo uma visita surpresa de Alex e Carlos. As palavra obviamente se espalharam para eles que eu entrei, porque não olham surpresos ao me ver todo arrebentado. — Vá tomar um banho. — diz Alex, me jogando uma toalha. — Você está imundo. — Não demore muito. — diz Carlos, me batendo na perna. — Porque o jantar estará pronto em 45 minutos. Ele pega Granny, que não saiu do meu lado. — Eu não quero jantar. — digo a ele. — E devolva o meu cão. — Você vai querer comer quando descobrir o que estou fazendo. Eu olho para os meus meio-irmãos. Espero que eles me deem merda, mas eles não o fazem. Eles estão apenas... aqui. — Seu cão está deprimido, assim como você. — diz Carlos, quando coloca Granny no chão. Eu tomo um banho e deixo a água quente lavar o sangue seco da minha pele, mas isso não vai apagar o fato de que sou um verdadeiro Sangue Latino. Ou o fato de que empurrei pra longe Nikki para sempre, o que dói muito mais do que Chuy arrancando as letras SL da minha pele com a chave de fenda.

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Eu a perdi. No entanto, é uma coisa boa. Eu tinha acabado de ser decepcionante pra ela, e eu não quero magoá-la mais do que já fiz. Quando saio do banheiro, meus irmãos estão sentados à mesa da cozinha. Eles estão falando em voz baixa, obviamente, discutindo como vão lidar comigo. Quando não me junto a eles, eles trazem seus pratos para o meu quarto e se encostam na parede, enquanto eles comem. O cheiro de carne e especiarias me dá água na boca, mas eu não quero enfrentá-los agora... ou comer com eles. — O que vocês dois estão fazendo? — Eu pergunto. Alex e Carlos olham para a comida e dão de ombros. — Comendo, mano. — diz Alex. — O que você acha que parece que estamos fazendo? Eu aponto a porta do meu quarto. — Temos uma cozinha, você sabe. Vai comer lá. — Estou bem. — diz Carlos. — E quanto a você, Alex? Alex leva uma garfada da carne guisada, que ambos sabem é o meu favorito. — Eu estou bem, também. — diz ele enquanto ele faz um grande negócio de empurrar a comida na boca e gemer de prazer como se a carne guisada fosse o céu. Depois do jantar, Carlos se deita em um colchão reserva no chão no meu quarto. — Você não está hospedado no hotel com Kiara? — Eu pergunto. — Não hoje à noite. Ou amanhã. Você fodeu o plano. — Não me culpe. — digo a ele. — Vá para o hotel. Eu quero que você vá. Quando a dor começa e vou até ao banheiro, noto Alex acampado no sofá da sala. — Vá para casa ficar com sua esposa e filho. — digo a ele. — Eu vou ficar aqui durante a semana. Mi'amá vai ficar com Brit e Paco, em caso de você perguntar. — Eu não preciso que você e Carlos cuidem de mim. Eu estou bem.

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Uma vez que tomo um monte de Tylenol, eu vou ficar bem. Ele ri quando olha para mim. — Sim, certo. Você está bem, cara. Vá para a cama e deixe seu corpo começar a reparar sozinho. — Quando é que o sermão vem? — Eu pergunto. Eu não sou estúpido o suficiente para pensar que eu sou fora do gancho de Alex e Carlos me darem merda. — Eu não vou dar sermão em você. — diz Alex. — Eu também não. — diz Carlos. — Você notou que sou um SL, certo? — Eu digo só para ter certeza que estamos todos na mesma página. — Eu não fui assaltado hoje... Eu entrei. — Afirmando o óbvio, mano. — diz Carlos em um tom aborrecido. Alex pega o controle remoto e assiste televisão. Eles estão fingindo que não se importam nem um pouco que sou parte do Sangue Latino, mas eu não sou um idiota. Eles estão jogando comigo. Mas por quê? — Então, vocês estão bem com isso? — Eu pergunto. — Eu não iria tão longe. — diz Alex. — Mas nós entendemos. — E nós vamos dar-lhe tempo para sair disso. — diz Carlos. Eu seguro minhas costelas machucadas quando manco de volta para o meu quarto. — Vamos, Ganny. — eu digo. Meu cão solavanca a cabeça na parede e eu quero dizer que eu sinto a sua dor - literalmente. — Ah, e por falar nisso. — Alex grita da sala de estar. — Enrique está dando a você uma semana de folga do trabalho. Eu me abaixo lentamente na minha cama, tentando ignorar cada dor. Eu não conseguiria trabalhar, mesmo se quisesse. — Ah, mais uma coisa. — Alex chama. — Sua professora de química está chegando pra ser tutora esta semana, enquanto você se cura. Se você for para a escola parece que Aguirre vai chamar a polícia. — Por favor, me diga que você está brincando sobre Peterson vir aqui.

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— Não é brincadeira, cara. Ela está realmente ansiosa por isso. — diz Alex.

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46 Nikki Luis não voltou para a escola durante toda a semana. Liguei para Brittany, que me disse que Alex e Carlos estavam tomando conta dele. Alex diz que ele está se curando rápido. Kendall, Derek e Hunter me convidaram para jogar golfe em Brickstone. Eu não quero ir, mas eu preciso para conseguir tirar Luis da minha cabeça. Eu não posso dizer quantas vezes eu fiquei tentada a ir até a casa de Luis. Seis vezes eu entrei no meu carro e comecei a dirigir, mas eu sempre parei antes de atravessar a linha férrea para o lado sul. — Estou feliz que você veio. — diz Hunter quando coloco meus tacos de golfe no carrinho de golfe. Dou-lhe um pequeno sorriso. — Eu também. — Eu três21. — diz Derek, então cutuca Kendall. — Eu quatro. — diz ela, embora ela é menos entusiasmada. No oitavo buraco, enquanto Derek está ensinando Kendall sobre como fazer um chip shot para conseguir tirar a bola da armadilha de areia, Hunter senta ao meu lado no carrinho de golfe. — Você vai ao baile comigo. — diz ele. — Isso foi uma pergunta ou uma afirmação? — Eu pergunto.

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Brincadeira com o som das palavras em inglês Me too. (pronuncia parecida com two-dois). Me three (eu três)

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— Considerando que eu não quero que você sequer cogite dizer não, eu diria que foi uma declaração. — Ele coloca o braço em volta de mim. — Você sabe que eu sempre quis namorar com você. — Mentiroso. Você queria me adicionar à sua estante de troféus. — Verdade. Então, como seria? Eu olho para seus sapatos verdes de golfe personalizados com desenhos de ouro brilhantes em cima. Suas iniciais estão gravadas no ouro. Luis não usaria nem morto um desses. — Eu não posso ir ao baile com você, Hunter. — É por causa dos meus sapatos? — Não. É porque eu estou apaixonada por outra pessoa. — Será que ele sabe sobre isso? — Sim. Mas ele não acredita em mim. Quando Marco e eu terminamos e eu o vi com Mariana, eu não lutei por ele. Eu desisti e deixei a vitória para SL. Com Luis é diferente. Eu percebi que não vou desistir de nós e vou lutar para recuperá-lo. Eu o amo mais profundo do que apenas com meu coração... Eu o amo com todas partes internas da minha alma, como se fosse ele uma parte de mim. Já está na hora de ele saber isso.

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47 Luis Enquanto Alex está fora e Carlos está assistindo televisão, eu caio fora pela janela do meu quarto com a minha mochila e vou para o banco com a chave da caixa de depósito de segurança. Eu tenho certeza que é muito esperar que voltarei antes que eles percebam que saí. Eu tenho que saber o que está no banco, para que eu possa decidir o que fazer. Eu me esgueiro pelos becos pra ter certeza que não estou sendo seguido. No banco, eu dou a minha identidade e assino um pedaço de papel, declarando que eu sou o dono da caixa. Depois disso, sou direcionado para um cofre trancado. Os funcionários do banco me deixaram no cofre sozinho enquanto abro a caixa e examino o conteúdo. Pilhas de notas de cem dólares olham de volta para mim. Aposto que há pelo menos dez ou quinze mil dólares aqui. Meu coração começa a acelerar. Eu não olho com medo que há uma câmera de vídeo observando cada movimento meu. Ver esse dinheiro me deixa nervoso. Em que era suposto ser utilizado? Por que Hector colocou meu nome na caixa, em primeiro lugar? Eu não sei se vou conseguir as respostas. Há também um pedaço de papel com um monte de números sobre ele e abaixo deles as letras CODEOFSILENCE - todas as letras maiúsculas, sem espaços.

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Sob o dinheiro está outro pedaço de papel, estampado em relevo e original - a minha certidão de nascimento. Luis Salvatore Martinez Fuentes. Eu fico olhando para os dois últimos nomes... mi'amá reconheceu Hector como meu pai na minha certidão de nascimento. Ela me deu o seu sobrenome, mas nunca me disse. Na parte inferior do certificado, onde diz pai, Hector Martinez aparece – e o bastardo assinou o documento. Apesar de tudo, eu não me sinto como um Martinez. Não é uma parte minha e eu não vou adotá-lo como meu. Eu anoto os números na palma da mão com uma caneta, dobro a certidão de nascimento e coloco no bolso, em seguida, coloco a caixa de volta em seu lugar. Desde que coloquei meus olhos no dinheiro, estou tentado a me convencer a levá-lo - é meu, não é? Mi'amá precisa dele, Alex precisa dele... ele poderia ajudar Carlos e Kiara a começar suas vidas juntos. Mas se isso for dinheiro de Sangue, ou de dinheiro da droga? Merda, eu sou um Sangue Latino com uma merda de consciência. Não é uma boa combinação. Eu rapidamente encho minha mochila com o dinheiro, em seguida, pego o ônibus para a biblioteca local, esperando que não esteja sendo monitorado. Se Chuy sabe que eu fui para o banco, então ele sabe que vi o que tem na caixa. Será que ele está me esperando para apenas entregar o dinheiro e dar os números no papel? Se eu não lhes der a ele, ele vai me matar? Se eu dou a ele, por que ele precisaria de mim então? Melhor aposta é estou fodido de uma ou outra maneira. Se Nikki e eu estivéssemos juntos, ela estaria em perigo. Estou feliz que terminei com ela, embora isso esteja me matando por dentro. Eu não posso dizer a Alex e Carlos o que está acontecendo. Eles já estão envolvidos mais do que deveriam. Eu juro que não me deixaram fora da suas vistas nem por um minuto desde que voltei para casa. Se Carlos se envolve e algo dá errado e ele for preso, provavelmente vai ser exonerado do exército. Alex poderia perder sua bolsa de estudos, sua

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família... se ele estiver na cadeia, vai perder o nascimento de seu segundo filho. Eu nunca vou deixar qualquer um deles se envolver. Eu posso ser um Martinez, mas eu ainda me sinto como um Fuentes. Eu olho para trás e percebo que estou sendo seguido por um Camaro preto. O motorista parece suspeito como o pendejo que abriu a porta daquela casa que Marco e eu fomos no território do F5 coletar as cinco Gs. Felizmente eu conheço Fairfield como a palma da minha mão. Eu ando em direção à delegacia de polícia, que está bem atrás da biblioteca. Eu entro no lobby da estação e espero enquanto o carro passa, em seguida, vou atrás da estação e sigo para a porta dos fundos da biblioteca. Uma vez dentro, eu me inscrevo para uma hora de uso do computador. Abro o Google e digito o conjunto de números que encontrei na caixa de depósito de segurança, mas nada vem à tona. O que Hector queria dizer com os números? Provavelmente não é um número de telefone, mas o número começa com zeros duplos. Deduzo que ela quer algum tipo de código, uma senha ou um número de conta. A conta bancária, talvez. Mas o banco? Há provavelmente milhares de bancos. Como diabos eu vou descobrir qual deles? Ou talvez não seja uma conta bancária, e os números não signifiquem nada. Não adianta. Minha hora está acabando e eu ainda não tenho a menor ideia o que os números significam. Eu olho para trás e vejo alguém esperando para usar o computador. Droga. Eu preciso de mais tempo. Em casa, entro pela minha janela quando avisto Reyes fumando um cigarro em sua varanda dos fundos. Ele está sem camisa e de costas para mim. Claro como o dia, eu vejo uma tatuagem entre as omoplatas. F5. Reyes é um bandido posando como um policial? Puta merda. O que ele estava fazendo, me espionando como os outros? Foi tudo isso planejado? Chuy disse que está me observando o tempo todo, mesmo

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quando eu estava no Colorado. Poderia Chuy secretamente estar brincando comigo? Eu estou tão confuso que parece que minha cabeça está prestes a explodir. Não querendo que Reyes saiba que o vi, me esgueiro para a frente da casa. Quando entro pela porta, Peterson está sentada na mesa da cozinha olhando para mim por cima dos óculos. — Não era suposto você já ter dado a luz? — Eu pergunto. Ela toca a barriga saliente. — Qualquer dia agora. Estou em licença maternidade, assim você terá uma pausa de mim por alguns meses. Não seja muito triste com isso. — Eu não fico. — Você quase perdeu nossa sessão de tutoria. — diz ela, em seguida, olha para o relógio. Considerando que minhas chances de sobreviver as próximas semanas são escassas, ela não precisa perder o seu tempo. — Olha, Sra. P. eu sei que meus irmãos tipo a coagiram para estar aqui, mas é um desperdício do seu tempo. — Eu não vou desistir de você. — diz ela, dando um tapinha na cadeira ao lado dela. — Eu faria isso. — Eu não desisti de Alex e eu não vou desistir de você. Alex tinha todos os motivos para jogar tudo fora, mas ele não o fez. Alex nunca teve a conexão com o SL que eu tenho. — Mostre-me a sua lição de matemática. — ela ordena em uma voz sem brincadeiras. — Não quero ser desrespeitoso, Sra. P., mas aposto que sou melhor em matemática do que você. — Meus irmãos devem ter achado meu livro e pastas no meu quarto e ‗amavelmente‘ os deixaram sobre a mesa para mim. Eu retiro a folha de matemática que terminei em cinco segundos.

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— Sr. Gasper me deu uma nova planilha. Fiz uma cópia dela. Aposto que consigo terminar a planilha mais rápido do que você. — Quanto? Ela pega a carteira, abre, em seguida, coloca uma nota de cinco dólares para fora. Anexada ao lado de sua carteira estão seus cheques... com uma linha de números na parte inferior. Os primeiros dois números são zeros. — Que números são esses? — Eu pergunto, apontando para a parte inferior do cheque. — O número do banco, o número da conta bancária. Por quê? Eu olho para a minha mão com os números escritos nela, e adrenalina bomba em minhas veias. É isso aí. O número do banco e conta bancária. — Nenhuma razão. Eu nunca tive cheques. — digo a ela. Sra. P. leva dez minutos para explicar como trabalhar com cheques e até mesmo puxa uma folha dela de sua carteira e me faz preencher. — Assine seu nome aqui. — diz ela, apontando para o canto inferior direito. — Esta é uma habilidade de vida que você deve conhecer, Luis. — Eu tenho outras habilidades para a vida. — digo a ela. — Sim, bem, eu não considero xingar uma habilidade de vida. Ou lutar. — Eu considero. São necessários. Ela balança a cabeça e suspira de frustração. — Vou lhe dar essa informação importante sobre cheques. — Ela escreve a palavra NULO em grandes letras em negrito na parte da frente do cheque que ela me disse para preencher. — Que esta seja a última vez que você escreve seu nome no cheque de outra pessoa. Se você forjar o nome de alguém em um cheque, é crime. Você vai para a cadeia. Tome boas decisões, Luis. Concentre-se em matemática e ciências e vá bem na escola.

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Aquilo que irá ajudá-lo. A luta não vai. — Ela coloca uma planilha de Gasper na minha frente. — Você está pronto para o desafio? Eu pego um lápis. — Você é a Sra. P. Mas tenho que avisá-la, eu sou um cara de números. — Bom. — diz ela, me dando um tapinha na mão. — Essa habilidade irá atendê-lo bem na faculdade e quando você estiver no espaço. É mais provável que eu vou acabar no inferno antes do céu ou do espaço.

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48 Nikki Eu dei a Derek um bilhete para entregar a Luis. Ele me mandou uma mensagem que entregou. Agora eu estou esperando. Se ele não vir pra mim, eu vou pra ele. Debati o que vestir e agora estou duvidando de mim mesma. E se ele não se lembrar deste vestido, era o que eu usava na noite em que o conheci? E se ele não se lembrar da sala que estávamos quando pela primeira vez um colocou os olhos no outro? Mas o cenário não importa. O que importa é que Luis saiba que eu o amo, e eu não vou desistir de nós, vou tentar fazer isso funcionar. Sei que ele é um Sangue Latino agora, mas se ele perceber que o que temos é mais forte do que qualquer vínculo que ele poderia ter para uma gangue, tudo vai dar certo. Eu tenho que acreditar que ele realmente não quer estar na SL e vai encontrar uma maneira de sair. Eu olho para o meu celular. Nenhum telefonema de Luis, nenhum texto e são nove horas. Eu disse a ele no bilhete para me encontrar aqui às nove. Cada segundo que passa me deixa nervosa que ele talvez não vá aparecer, mas eu não desisto da esperança. Mesmo sendo nove e quinze quando não tenho nenhum sinal dele, eu ainda tenho fé que ele virá. Eu me sinto como aquele filme onde a garota está em pé sobre o monte do lançador, esperando que o cara. Quando toda a esperança está perdida, o herói vem correndo pelo campo e vivem felizes para sempre.

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Luis é meu herói, mesmo que ele não saiba ainda. Ele vai saber hoje à noite... se ele aparecer. Eu verifico o meu relógio novamente pela centésima vez. Nove e meia. Quando liguei para a área privada, onde Brittany e Alex se casaram, a senhora ao telefone me disse que eu tinha que ligar para seu escritório de gestão para perguntar sobre a locação diária. Para minha surpresa, Hunter atendeu o telefone. Por fim sua família é proprietária do imóvel e ele me disse que a casa estaria desocupada por dois dias, para que eu pudesse ficar lá de graça. Quando eu disse a ele que ele pode mudar de ideia sobre me deixar usar o lugar, porque eu ia ficar com outro cara, tudo que ele disse foi: — Cara de sorte. Espero que ele valha a pena. — Ele vale. — digo a ele. Às dez, estou perdendo a esperança. Eu pego a chave da minha bolsa, pronta para fechar a casa, quando a porta se abre. Luis está na porta. — Ei. — ele diz. — Ei. — Derek me deu seu bilhete. Desculpe o atraso. Houve um pequeno acidente com o meu cão. — O que aconteceu com Granny? — Ela meio que se perdeu, mas eu a encontrei. Por que você queria que eu viesse até aqui? — Você não foi na escola. — Dou passos mais perto dele. — Eu senti sua falta. — Você está usando o mesmo vestido que usava quando nos conhecemos. — Você se lembrou. — Como eu poderia esquecer. Pensei que fosse um anjo do céu. — Eu ainda sou o seu anjo, Luis.

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— Nós não podemos fazer isso. — Ele olha ao redor da sala. — Você me empurrou naquela noite na sua casa... Você estava certa. — Não. Eu estava com medo, Luis. No segundo que coloquei os olhos em você, eu sabia que você era perigoso... porque eu senti uma conexão. — O mesmo que você sentiu com Marco. — diz ele com um tom de tristeza em sua voz. — Não. Muito diferente. Muito, muito diferente. Você é um gênio na aula de química, Luis. Explique a eletricidade na sala agora. Isso está fluindo entre nós... mesmo que você não possa controlar isso. — É a luxúria. — Eu acho que é outra coisa. Siga-me. — eu digo, em seguida, deslizo por ele e caminho para pista de dança. — Você era uma dançarina de merda naquela época. — diz ele, olhando para mim quando eu coloco a música para tocar. Eu já tinha criado a playlist no iPod. Eu sorrio timidamente. — Eu ainda sou uma dançarina de merda. — Eu não sou quem você pensa que sou, ou quem eu pensava que era. Eu descobri que meu pai era Hector Martinez, chefe do Sangue Latino. Estou seguindo seus passos. Estou chocada, mas tudo faz mais sentido agora. — Por que seguir os seus passos? — Porque eu tenho, Nik. É o meu legado. Eu nasci Sangue Latino. — diz ele. — E eu vou morrer um. — Esta noite não, você não é. — Eu pego seus braços e os colocoos em volta de mim e balanço ao som da música. Eu envolvo meus braços ao redor do seu pescoço enquanto uma canção de amor lenta toca ao fundo. — Eu te amo, Luis... incondicionalmente. — Nik, não faça isso. — ele sussurra. Eu o seguro com mais força. — Eu não estou me segurando mais. Luis, me diga que você me ama também.

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— Eu nunca deixei de te amar, mi chava. — Eu o ouvi praguejar baixinho. — Mas eu não posso te arrastar para baixo comigo. Isso não pode acontecer entre nós, porque você sabe que vou ter que deixá-la. Pego sua mão e o levo para a praia e em uma das muitas estações de salva-vidas abandonadas. Bruxuleantes velas estão em recipientes de vidro que cercam o espaço apertado - velas que acendi há mais de uma hora atrás. Ele está contra a parede, observando cada movimento meu. — Da última vez estávamos a sós eu me segurei. — digo a ele. — Eu sei. Você não confia em mim, o que foi uma jogada inteligente. Você disse que você não me ama. — Eu menti. — Eu corro meus dedos levemente sobre a sua cabeça raspada e ele fecha os olhos. — Você parece tão mau. — Eu não me sinto tão mau. — Ele abre os olhos. Eles brilham com cada centelha de luz das velas que os atinge. Issoé bonito, hipnotizando os olhos que perfuram minha alma. — Você não deve me amar. Eu não mereço isso. Eu seguro seu rosto em minhas mãos. — Luis, eu admiro o fato de que você sabe o que quer, e vai em frente mesmo quando as probabilidades estão contra você. Você me ensinou a ter orgulho da minha herança mexicana. Estou admirada de como você é inteligente, e que você me afastou para me proteger do Sangue Latino. Eu acho adorável quando você olha para o céu e, em vez de admirar, você quer ir até lá e explorá-lo. Eu te amo porque você é a única pessoa que eu quero fazer amor sem quaisquer condições e... E eu amo que você precise de mim. — Eu preciso de você, Nik. Mas ainda não te mereço. Basta saber que ele está aqui comigo, é o suficiente. — Nós merecemos um ao outro, Luis... e eu preciso de você tanto quanto você precisa de mim. Me abrace. Ele dá um passo mais perto, mas hesita. — Se eu fizer isso, mi chava, não posso prometer que vou ser capaz de soltá-la.

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— Bom. Ele envolve seus braços ao meu redor e eu ao redor dele. Está silencioso, exceto pelo som da nossa respiração e as ondas suaves quebrando contra a costa. Ficamos em pé, abraçados, o que parece uma eternidade. Isto é o que é suposto ser. — Quer que eu liste todas as razões do por que amo você? — Ele me pergunta. — Eu escrevi um poema sobre isso para aula de Inglês... Eu te chamei minha para sempre e sempre. Ouvir suas palavras me faz sorrir, e eu digo-lhe o que estou sentindo no fundo do meu coração. — Nós vamos fazer isso. — As chances estão contra nós, Nik. — Desde quando probabilidades más impediram seu objetivo? — Pergunto em seguida, levanto sua camisa e beijo seu abdômen. Sigo a linha do pelos do seu umbigo para baixo até chegar ao cós da calça jeans. — Beije-me. — diz ele, me levantando, então estamos cara a cara. Começamos fazendo isso devagar, mas logo que ele abre a boca e desliza sua língua contra a minha, nada nos detém. Nossos corpos derretem uns contra os outros e eu sinto sua dureza através de seus jeans. Eu não estou me segurando neste momento. Eu não podia nem mesmo se quisesse... isso é muito intenso. — Sua pele é tão malditamente suave. — diz ele, enquanto suas mãos alcançam debaixo do meu vestido e ele puxa minha calcinha até eu sair delas. Eu o empurro contra a parede. — Fique aí. Não se mova. — eu ordeno, então abro a calça e deslizo para baixo com sua boxer. — Nik... — Ele geme enquanto eu toco tudo nele até que eu sei que ele está prestes a perder o controle. — Mmm... — Eu vou... — Ele não consegue deixar sair o resto de sua sentença.

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— Faça amor comigo, Luis. — Eu quero, baby, mas não tenho um preservativo. Eu não posso arriscar a deixar... Eu coloquei um dedo sobre seus lindos lábios. — Está tudo bem. Estou tomando a pílula agora. Eu estou segura. — Eu também... Eu quero dizer, você sabe, eu não tenho nenhuma DST. — diz ele. — Estou pronta, e eu não estou recurando neste momento. Você quer isso tanto quanto eu? — Mais do que você imagina. — Ele arranca as calças e a boxer, em seguida, cobre o chão com a roupa antes de me abaixar no chão. — Você realmente tem certeza que está pronta para isso? — Pergunta ele, com o rosto cheio de vulnerabilidade e emoção. Concordo com a cabeça. — Eu te amo, mi chava. — ele sussurra no meu ouvido à medida que avançamos juntos como um só. — Eu sempre vou te amar, não importa o que aconteça, ok? — Ele tira o cabelo do meu rosto. A intensa alma dos seus olhos fixam nos meus enquanto nos agarramos desesperadamente um ao outro. Ele para. — Se eu morrer amanhã, siga em frente. Prometa-me que vai seguir em frente. As lágrimas dos meus olhos ardem. — Eu não vou deixar você morrer, Luis. — Prometa-me, Nik. Para mim. Vamos lá, se você me ama... Ele sabe que sua vida está em perigo. Eu posso sentir sua tensão, sua dor... sua tristeza. Eu tento segurar as lágrimas, mas elas não vão parar. Eu me agarro a ele, o segurando comigo... sentindo o amor fluir entre nós... um vínculo que sempre desafiará a explicação. Depois disso, rimos juntos e observamos o caminho das ondas no luar da noite. Eu não quero dormir, mas eu me enrolo no seu calor e minhas pálpebras ficam pesadas.

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— Você pode mudar o seu destino, Luis. — digo antes de adormecer. — Se alguém pode fazer isso, é você. *** Eu não acordo até que o sol brilhe pelas ripas de madeira do telhado. Luis está escrevendo algo com a cera da vela na parede ao meu lado. É um coração com as iniciais dentro: LF + NC. — Ei. — eu digo. Ele olha para mim e sorri. — Ei. Você dormiu bem? — Realmente bem. Eu gosto de dormir em seus braços. — Seus pais sabem que você estava comigo? Eu balancei minha cabeça. — Não. Ele suspira pesadamente. — Eles não querem você com alguém como eu. Eles estão certos, você sabe. Eu não sou inocente, Nikki. E eu estou com medo de que estou muito profundo para sair. — Ele se agacha ao meu lado e toca suavemente meu rosto com os dedos. — Meu Deus, como eu queria que ontem à noite durasse para sempre. Mas não pode. — Você está falando como se fosse o fim. — Pode ser. Trata-se de um monte de dinheiro e eu estou no meio disso. Pessoas morreram por menos dinheiro. — Eu não vou deixar você morrer. — digo a ele. Eu vou encontrar uma maneira de ajudá-lo. — Eu queria que fosse assim tão simples. — Ele aperta os olhos fechados. — Eu tenho que ir. Eu não posso protelar por mais tempo. Coloquei todas as minhas roupas e fiquei em pé. — Eu vou com você, então. Estamos nisso juntos. Ele sorri. — Eu não vou deixar. Você sabe disso. Não vou colocar você em perigo. Eu não posso chamar a polícia, eu não posso dizer aos meus irmãos... Eu estou sozinho aqui.

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Lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto chego até ele e beijo seu rosto, as pálpebras os lábios quentes. — Eu tenho toda fé em você e eu te amo, não importa o quê. Lembre-se disso, ok? Ele acena com a cabeça. — Você me faz acreditar no impossível. Nos abraçamos por um longo tempo, até que ele me disse que teria que ir. Quando o vejo ir embora, eu sei o que preciso fazer. Ele pode pensar que não posso ajudá-lo, mas preciso tentar. Eu dirijo até a casa de Marco, na esperança de seja cedo suficiente para que ele esteja em casa. Ele atende a porta, surpreso ao me ver. — O que você quer? — Eu preciso de você para ajudar Luis. — Chuy mandou que todos fiquem longe do armazém, quando ele se encontrar com Luis. Isso normalmente significa que ele não quer testemunhas. Eu não posso fazer nada para mudar isso. Eu agarro sua camisa quando ele começa a fechar a porta em mim. — Você não pode apenas se sentar e deixar que Luis se machuque. Ele dá de ombros se livrando das minhas mãos. — Não está nas minhas mãos, Nik. — Então você não vai ajudá-lo? — Eu valorizo minha vida, Nik. Se eu for contra Chuy, estou morto. Eu estou jogando em ambos os lados, esperando alguém cair. Se os F5 ficarem de pé no final, estou com eles. Se Chuy ficar, eu estou com o SL. Eu o esbofeteei. — Você não passa de um covarde. Como você pode esperar, sabendo que a vida do seu amigo está em perigo? — É simples. Eu estou olhando para o número um, baby. Eu.

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49 Luis Granny não tinha se afastado na noite passada. Eu estava atrasado para encontrar Nikki, porque eu estava na casa de Derek. Depois que ele me deu a carta de Nikki, eu lhe perguntei se poderia usar a Internet na sua casa. Foi uma coisa boa, meus irmãos não me questionariam. Em 45 minutos, eu tinha a resposta que estava procurando. Os números que eu tive escrito na minha mão e memorizado eram o número do banco e número da conta. O banco onde Hector escondeu o dinheiro está nas Ilhas Grand Cayman. No segundo que digitei a senha e CODEOFSILENCE o montante foi exibido na tela, eu quase caí da cadeira. Seis milhões, trezentos mil. Dólares. Eu tive que atualizar a tela um monte de vezes para me certificar de que estava certo. E, em seguida, olhei para o nome da conta apenas para me certificar de que li certo. Luis Salvatore Martinez Fuentes. Se eu dou a Chuy o dinheiro ou se recuso, a minha vida está em perigo. Depois que saí da casa de Derek, fui para Nikki. Eu não tinha intenção de fazer amor com ela na noite passada. Eu fui na esperança de convencê-la de que eu tinha dado a ela a chance. Eu queria ser um estúpido, fazendo isso mais fácil para ela seguir em frente e me esquecer. Eu ia dizer a ela que estava com Mariana, mas a mentira não conseguia sair da minha boca.

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Porque eu amo a garota. Esta manhã eu estava tentado a pedir-lhe para fugir comigo e nunca olhar para trás. Mas eu não posso. Eu tive que deixar Nikki. Sua mãe acha que não sou bom o suficiente. Eu não quero provar que ela está certa. Eu vou para o armazém SL, pronto para enfrentar Chuy. Eu posso não ser o cara que Nikki merece, mas eu tenho certeza como o inferno não sou o cara que Chuy quer que eu seja... Eu não sou Hector, e nunca serei. Eu sou Luis Fuentes. Nikki tinha plena fé em mim que eu poderia corrigir isso. Eu ainda sou cético, mas acho que minhas chances são melhores se eu tiver a oportunidade de confiar a única pessoa que pode ser o inimigo. Pego meu celular e disco o número do Oficial Reyes. — Aqui é Reyes. — ele responde. Eu tomo uma respiração profunda. — É Luis Fuentes. Eu sei que você quer acabar com Chuy Soto e eu posso ajudá-lo. Antes de que eu diga, preciso saber se você quer arruiná-lo porque você é um policial ou porque é Fremont 5. — Que diabos você está falando? — Ele pergunta. A tensão carrega em sua voz na linha. — Reyes, eu sei que mi'amá confia em você. Mas eu vi suas tatuagens F5, e eu preciso saber se você está jogando conosco. Você está apenas um policial disfarçado, para que possa fornecer informações para dentro de sua equipe? — Luis, eu não estou escondendo nada de ninguém. Eu costumava ficar ao redor do F5 no colégio. Eu estava na merda profunda. — Ele faz uma pausa, com a voz inundando com raiva. — Até o meu melhor amigo ser morto por um viciado em crack em um beco sujo na cidade, em um negócio de droga que correu mal. Sua vida valia muito mais do que o pagamento do dia da quadrilha. Naquele dia, prometi a mim mesmo que iria encontrar uma maneira de sair... e quando eu fiz, me tornei um policial para que eu pudesse evitar que outras crianças cometessem os mesmos erros que eu e meus amigos.

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Tentei derrubar Soto, mas ele sabe como cobrir seus rastros. Venha para a estação e você pode me dizer o que sabe. Eu não posso ter certeza se ele está me dizendo a verdade, mas meu instinto me diz para confiar no cara. Sua história atinge perto de casa. — Eu não posso ir para a estação, porque alguma coisa está acontecendo agora mesmo. — digo a ele. — Só grave a conversa que eu estou prestes a ter e você terá toda a sujeira para colocá-lo fora por muito tempo. — Não faça nada estúpido. — Reyes começa a dizer, mas eu desligo o som e mantenho o telefone no bolso de trás. Eu tenho uma mochila cheia de dinheiro. Ninguém está guardando a porta do armazém, então eu entro direto. — Já era hora. — diz Chuy. — Eu estava esperando por você. Você conseguiu se livrar dos meus garotos ontem à noite. Onde você estava? — Se eu pensasse que era da sua conta, eu não teria me livrado deles. — A última coisa que eu faria é deixar Chuy ou Marco saberem que eu estava com Nikki. O Sangue e Nikki são duas partes distintas da minha vida, e eu vou fazer tudo ao meu alcance para manter isso assim. — Você é um sabichão. — diz Chuy. — E você não provou que pode ser confiável. — Ele acena para a mochila. — Ou você tem? Eu lanço a mochila pra ele. Assim quando ele abre e escava dentro, meus irmãos invadem a sala como uma equipe da SWAT. Alex e Carlos estão aqui, prontos para lutar. Não é uma boa ideia. Eu tenho tudo planejado, e tê-los aqui vai estragar tudo. Se chegarmos a ficar presos, balas vão voar, eu preciso de meus irmãos fora daqui. — Bem, bem... é uma reunião de família Fuentes. — diz Chuy. — Que bom que vocês se juntaram a nós. Não, não era. Que diabos está acontecendo? Como eles sabiam que eu estaria aqui, a menos que Reyes avisou? Dirijo-me aos meus irmãos e digo: — Alex, dê o fora daqui... e leve Carlos com você. Eu não preciso de vocês aqui.

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Carlos manca para dentro da sala até que ele está de pé ao meu lado. — O que, você acha que nós permitiríamos que você encontrasse Chuy sozinho? De jeito nenhum. Merda. — Isto não é como deveria ser. Chuy saca uma arma e aponta para Alex. — Talvez fosse. — diz ele, imperturbável. — Este é o meu dia de sorte. Eu começo a matar toda a família Fuentes. — Você esquece que eu tenho milhões que posso entregar para a polícia, ou dar para você. — digo a ele. — Eu sei. — diz Chuy. — É por isso que eu vou te matar por último, enquanto você está assistindo seus irmãos morrerem. Ou você pode salvar a si mesmo e me dar a informação que eu preciso. Eu sou Deus em Fairfield. Você não acredita em mim, basta perguntar ao seu primo Enrique... Oh, sim, você não pode. Eu acabei com ele esta manhã, quando ele não quis me dizer onde você estava. Fidelidade, rapazes. Você não é leal, você morre. Regras. Lealdade à SL vem antes de lealdade à família. Não. Não Enrique. Meu estômago dá uma guinada. Com a mão livre, Chuy puxa uma foto em seu telefone... de Enrique deitado no chão de sua oficina com sangue acumulado em volta da sua cabeça. — Enrique não sabia onde eu estava. — eu grito. — Ele era o Sangue mais leal que você já tinha, você pendejo.. Alex saca uma arma e aponta para Chuy. — Abaixa a arma ou eu vou te matar. Chuy ri. — Você não faria isso, Alex. Eu sei que não. Você não tem isso em você pra matar alguém. Além disso, eu tenho uma chica chamada Nikki, que está implorando por sua vida agora mesmo. O quê! Eu sinto que ele me deu um soco na barriga e o ar foi nocauteado de mim. Ele poderia ter me esfaqueado e que iria doer menos. — Se você ferir Nikki e eu juro que vou matá-lo com minhas próprias mãos. — Eu rosno.

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Chuy dá de ombros. — Abaixa a arma, Alex, ou daqui a pouco a namorada de Luis terá um trágico acidente. Se eu não ligar para meus rapazes e eles souberem que já garanti o dinheiro, ela vai se encontrar no rio Des Plaines... amarrada a uma grande pedra que afundará todo o caminho, até o fundo. Alex coloca lentamente a arma no chão e a chuta para ele. Chuy olha para Carlos. — Você pode muito bem me dar a sua também. Um muito puto Carlos pega uma arma debaixo da camisa e a joga na mesa de Chuy. — E a sua? — Chuy me pergunta. — A que eu lhe dei. — Deixei ela em casa. — digo a ele. — Prove. Levante a camisa e se vire bem devagar. — Depois que eu fiz isso, ele diz. — Hora de me dar os números. — Vamos lá irmão. — digo a ele. — Isso é entre eu e você. — Não. — diz Chuy. — Isso é entre eu e todos vocês. Você está junto nessa tanto quanto eu. Isso não está acontecendo. Apesar de todo o risco que eu corri para mantê-los seguros, eu consegui colocar em risco a vida dos meus irmãos e Nikki. — Se eu lhe der os códigos, você tem que prometer deixar os meus irmãos e Nikki fora disso. — Eu estava blefando sobre Nikki. — Chuy ri. — Eu acho que deveria jogar mais poker, hein? A primeira lição no campo de batalha é conhecer a fraqueza de seus inimigos. Nikki é a sua fraqueza, Luis. Você não deve ter derramado a verdade a Marco sobre o quanto você se preocupava com a garota. Eu vou te dar uma dica... ele não é realmente seu amigo. Ele chegou perto de você porque eu disse a ele para fazer isso. — Eu sei qual é a sua fraqueza. — digo a ele. — O que é?

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— Dinheiro. Você quer isso e eu tenho. Se você ferir meus irmãos, você nunca vai ver um centavo. Chuy levanta a arma e aponta para Alex. — Eu vou chamar isso de blefe. Prendo a respiração enquanto Alex segura a mão dele, eu e Carlos corremos para ficar frente dele. Ele sabe que nós vamos fazer isso, nós vamos levar um tiro e morrer por ele. Alex fica parado, olhando para o cano da arma de Chuy. Um tiro ecoa. Merda. Não! Mas espere, Alex ainda está de pé. Mesmo que ele pareça surpreso quando ele olha para Chuy com uma mancha vermelha em sua camisa que está ficando cada vez maior. Chuy foi baleado e agarra seu ombro enquanto cai. Eu olho para Carlos, com certeza ele tinha outra arma escondida em suas calças. Mas ele está apenas olhando para Chuy, atordoado. Ele não tem uma arma nas mãos. Eu olho atrás de mim. O atirador está de pé na porta, com a arma fumegante tremendo em sua mão. Nikki. Ela deixa cair a arma. Ela está hiperventilando quando eu a puxo em meus braços. — Eu não podia deixar ele te machucar... Eu tive que... — ela grita. — Ele ainda está vivo. — diz Alex, deslizando a arma da mão de Chuy. Ouço sirenes da polícia e puxo Nikki perto, dizendo que tudo ficará bem, mesmo que eu esteja tremendo tão forte quanto ela. Reyes invade, com sua arma em punho. O cara está suando e respira um suspiro de alívio quando olha a cena. Alguns outros oficiais cercam Chuy e chamam uma ambulância. — Merda, Luis. O que diabos você estava pensando? — Reyes grita depois de estabilizar Chuy e levá-lo em uma maca. — Você poderia ter sido morto. — Ele aponta agressivamente para Alex. — Eu

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lhe disse para me dar o endereço deste lugar, então, ficar quieto. O que porra você está fazendo aqui? Alex dá de ombros. — Ouça, Reyes, uma vez que percebemos o que estava acontecendo, não deixaríamos nosso irmão com Chuy sozinho. — Ele é o nosso sangue. — explica Carlos, então me dá um tapinha nas costas. — A intenção que importa. — Precisamos descobrir se Enrique está bem. — eu digo. — Ou se... — Eu já enviei uma viatura para verificar a oficina de Enrique. — diz Reyes. Ele hesita. — Não é uma boa notícia. Eu aperto meus olhos fechando-os, imaginando que a violência nunca vai parar. Às vezes acho que Ben está certo, que o mundo da fantasia é melhor, porque a realidade é uma merda... mas então eu olho para Nikki e eu acredito que podemos vencer as adversidades. Reyes nos faz ir até a delegacia para dar nossas depoimentos e somos liberados pelos nossos pais, e depois o promotor será chamado para ouvir a conversa telefônica gravada. Nenhuma acusação é movida contra nós, e o dinheiro da mochila e da conta secreta são entregues à polícia. Nikki explicou que a arma era do Marco... quando eles estavam juntos, ele tinha mostrado a ela o lugar pelos trilhos onde o SL escondiam suas armas. Marco tinha dito a Nikki que ele estava lá quando Enrique morreu e ele sabia o que Chuy tinha planejado no armazém. Ele foi chamado para a estação e acusado como cúmplice de assassinato. *** — Você está tremendo. — digo a Nikki quando a abraço duas semanas depois. Estamos sentados no sofá da sala de sua casa, enquanto sua mãe nos verifica periodicamente. Ela não está animada ainda que estamos juntos, mas ela está aceitando lentamente a ideia. Ben nos disse que já tem um novo jogo que está trabalhando... com a gente como os personagens principais.

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— Estou tão feliz que você está aqui. — diz Nikki, envolvendo os braços em volta de mim e me apertando firme. — Eu tenho um segredo que eu não contei. — Ela olha para mim, os olhos expressivos cor chocolate, uma janela para sua alma Latina. Eu não conseguia desviar o olhar, mesmo que quisesse. — Eu me apliquei à Purdue há uma semana. — Sério? — Eu pergunto, sorrindo pela primeira vez desde deixei na praia. — Sim. Quem mais além de mim, vai mantê-lo longe de problemas? Esta garota é meu anjo. Desde o primeiro momento em que coloquei os olhos nela eu me lembro de pensar que Deus a mandou para a terra só para mim. Ela acreditou em mim quando nem eu mesmo acreditava. — Nik, eu te amo. — Eu sei. — diz ela, em seguida, toca o seu coração com os dedos. — Eu sinto aqui. Eu não preciso de palavras para provar o que você já me mostrou. Eu faria tudo por você, você sabe. O bom e o mau... tudo vale a pena. — Eu faria tudo, também... mas se isso nunca acontecer, se segure de me dar joelhadas nas bolas. Tenho certeza de que nossos futuros filhos vão apreciar isso. Ela se inclina para longe de mim e as sobrancelhas sobem. — Nossos futuros filhos? Luis, não seja tão convencido. — Por que não? — Eu pergunto. — A ideia de se casar comigo não dá uma descarga de adrenalina? — Sim. — ela diz, me beijando. — Sim, é verdade. Você me disse uma vez que eu vou fazer você acreditar no impossível. Você me faz acreditar no amor, que eu tinha desistido. Obrigado por me mostrar que não é apenas um conto de fadas.

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50 Nikki Sete meses depois do tiroteio, três semanas, até me formar, eu olho para Luis em nossa mesa de química. Derek está falando com ele, mas ele não está ouvindo. Eu sei disso porque ele só me deu uma piscadela / sorriso combinando, que me lembra da primeira vez que o conheci. Eu sabia que o garoto era arrogante. O que eu não sabia é que eu me apaixonaria por ele. — Nikki, você está prestando atenção? — Sra. Peterson, agora a mãe de uma garota, diz e acena a mão em frente dos meus olhos. — O quê? Luis ri. — O que é tão engraçado, Sr. Fuentes? Estamos trabalhando com ácido. Prestar atenção é crucial. Por favor, mantenha seu relacionamento fora da minha sala de aula. — Desculpe, Sra. P. — Luis murmura quando se concentra com a tarefa da mão. Mariana e eu pegamos um recipiente e seguimos as instruções. — Eu não posso acreditar que vocês dois ainda estão juntos. — ela resmunga. — Isso não vai durar, você sabe.

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— Eu não apostaria contra nós, se eu fosse você. — eu digo a ela e pego um conta-gotas e coloco uma pequena gota de ácido em um pedaço de papel e examino o que acontece. Eu sinto os olhos de Luis em mim, então eu olho para cima. Ele lambe os lábios sugestivamente. Eu rolaria meus olhos, mas em vez disso decido dar-lhe uma piscadela / sorriso de volta e lamber os meus próprios lábios para jogá-lo fora de equilíbrio. — Cara! — Derek grita. — Você derramou ácido em seu braço! Meus olhos se arregalam quando Luis suga a respiração, então maldiçoa em espanhol e corre para o chuveiro de emergência na parte de trás da sala de aula. Eu corro atrás dele em pânico. — Você está bem? — Eu pergunto. Ele está sob o chuveiro, lavando o ácido. — Chica, você me distrai. — Sinto muito. Eu não queria. — Ele sorri fracamente. — Sim, você queria. Eu vou ficar bem. Eu respiro um suspiro de alívio. — Eu nunca poderia me perdoar se você ficasse permanentemente marcado. Sra. Peterson aparece ao meu lado. — Eu preciso chamar uma ambulância? — Ela pergunta, examinando o braço e o inchaço vermelho formado pelo ácido onde tocou sua pele. — Não. — diz Luis. — Eu estou bem agora. Era apenas uma gota. — Eu estou proibindo você desta experiência, ao invés disso atribuindo um trabalho com vinte e cinco páginas sobre o ácido. — Ela aponta para mim. — Você também, mocinha. E eu estou mudando seus lugares para vocês dois não ficarem perto um do outro. Quando vocês dois vão parar de ficar em apuros? Em breve, espero. É uma coisa boa que eu já tive meu bebê, ou você teria apenas me assustado o suficiente para me deixar em trabalho de parto. Ela corre para fora da sala. — Venha aqui. — diz Luis, apontando para me juntar a ele sob o jato do chuveiro.

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Eu delizo para o chuveiro e, em segundos, eu estou tão encharcada quanto ele. — E se a Sra. P. voltar aqui e nos pegar? — Eu pergunto a ele que inclina a cabeça para me beijar. — Você conhece a sua política de tolerância zero. Está no manual de política de escola, você sabe. Ele me beija, sob os jatos de água. — Eu tenho conhecimento de informação privilegiada sobre a política de tolerância zero. — diz ele contra os meus lábios. — O que é isso? — Eu sussurro, quando ouço a campainha final tocar. — Ela está blefando. — diz ele. — Ela faz de tudo para nós nos formarmos. Estou prestes a perguntar-lhe de onde ele teve o conhecimento de informação privilegiada quando a Sra. Peterson aparece na porta. — Vocês dois estão ainda aqui? — Ela pergunta, revirando os olhos com a nossa visão. Ela ergue uma sobrancelha. — Você está testando minha paciência a sério. Luis, seque com a toalha na prateleira e vá ao escritório da enfermeira ter seu braço checado. Nikki... — Ela suspira. — O que você está fazendo aqui com ele? — Essa é uma pergunta muito boa. — eu digo. — Ela estava me ajudando. — diz Luis. — Com o quê? — Sra. Peterson pergunta impaciente, em seguida, levanta as mãos. — Pensando bem, não responda isso. — Ela sacode o dedo para Luis. — Vocês garotos Fuentes são nada além de uma dor no meu traseiro. Se você e seus irmãos tiverem mais filhos, se certifique que vão para outra escola. — Fairfield é nossa casa. — Luis diz a ela com um sorriso arrogante. — É o melhor lugar para se criar uma família. Eu não ficaria surpreso se todas as nossas crianças vierem para a Fairfield High. Admita isso, Sra. P. Você sabe que adoraria isso. — Sim, mas... — A Sra. Peterson olha para o teto e coloca as palmas das mãos juntas como se estivesse rezando.

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— Não há necessidade de insistir sobre isso agora. — Luis diz a ela. — Você tem cerca de 16 anos antes de você ter o meu sobrinho, Paco, na sua classe. — Quais são as chances de que ele vai estar mais interessado na minha aula de química do que nas garotas? — ela reage. — Remota. — Luis responde quando coloca o braço em volta de mim. — Ele é um Fuentes, depois de tudo.

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Epílogo Vinte e seis anos depois Luis e Nikki não estavam prontos quando o médico de fertilidade deu a notícia de que Nikki estava grávida de trigêmeos. Ficaram ainda mais chocados quando descobriram que eles teriam três garotos. A vida tem sido agitada para eles ao longo dos últimos 18 anos, com trigêmeos, que são muito diferentes um do outro. Seu filho Enrique está tão envolvido em tocar violino e querendo ser o mais novo membro da Orquestra Sinfônica de Chicago, que ele não tem tempo para entrar em apuros. Então há Juan, que é como o tio Ben. Juan é um jogador e um ávido leitor, preferindo viver suas aventuras em mundos de fantasia criadas por designers de jogos. O maior desafio de Nikki agora é Luis Jr. - ou Júnior, como todos o chamam. Ele é competitivo e de temperamento quente, que lembra de Carlos para Luis. Júnior é um garoto carismático e de boa aparência. Quando ele entra em uma sala, viram cabeças - lembrando a Luis de Alex. Infelizmente, Junior também é muito inteligente e arrogante para seu próprio bem, que lembra Luis de si mesmo aos dezoito anos. Júnior também é um atleta incrível. Com a idade de cinco anos, ele implorou para seus pais o levarem para o hóquei de patins depois de assistir o Chicago Blackhawks ganhar a Copa Stanley. Com a idade de dez anos, ele estava jogando como goleiro para o time de hóquei de viagens AAA. Agora, em seu último ano do ensino médio, a equipe de Júnior fez todo o caminho para o campeonato estadual. No dia do jogo do campeonato, Junior estava nervoso, mais nervoso do que ele tinha sido quando seu pai passou quatro meses na estação espacial internacional há dois anos. Júnior quer muito ganhar

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este jogo. Ele sabe que olheiros universitários estarão presentes, e ele desesperadamente espera jogar hóquei na faculdade e, eventualmente, ser convocado para a NHL. Júnior veio para a pista mais cedo hoje para que ele possa executar treinos antes que os outros jogadores assumissem o gelo. Ele se senta no banco do vestiário depois tirando a roupa de rua. Este vai ser o jogo mais importante de sua carreira de hóquei. Ele sabe disso, e sua família sabe disso. Todos os seus tios e primos estão vindo para o jogo... mesmo Tio Carlos e tia Kiara voaram com seus primos do Colorado para assistir o jogo. Vai ser um inferno de uma noite, acabando ela celebrando sua bunda com uma vitória ou deprimido como o inferno com uma derrota. Junior enfia a mão na bolsa de hockey para retirar seu equipamento apenas quando uma garota desliza para o vestiário - sem bater. Se Junior estivesse autoconsciente ou inseguro, ele provavelmente já teria tirado sua camisa e segurado sobre sua cueca. Mas ele não está. A mamacita quente em pé na porta tem cabelos longos, lisos que caem em seu rosto e lábios grossos, carnudos que pertencem a uma estrela de cinema. Ele aposta que ela é uma groupie do goleiro de primeira cadeia dos Giants, Dale Jacoby, que se gabava do número de garotas que ele namorou e fodeu nos vestiários de várias pistas de todo o país. Junior tinha jogado no mesmo time com Jacoby quando eles eram crianças. Agora eles eram adversários de escolas rivais do ensino médio que estavam prestes a jogar um contra o outro no campeonato estadual. Jacoby foi notícia recentemente porque foi escolhido a dedo pelo treinador de hóquei olímpico para tentar entrar para a equipe olímpica dos EUA. Junior não tinha ciúmes. Pelo menos é o que ele dizia a si mesmo quando ouviu a notícia. Obviamente, a oportunista em pé na porta pensa que isto é banheiro das garotas ou um lugar para conhecer Jacoby para uma rapidinha antes do jogo.

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— Os vestiários são apenas para os jogadores. — Junior diz a oportunista, irritado. — Duh. — diz ela, com a atitude, andando para dentro do vestiário. Junior olha para cima e percebe que ela está carregando um saco de hockey e tem almofadas de goleiro pendurada em seu ombro. — Não é possível Jacoby carregar seu próprio equipamento? — Junior pergunta a ela. A garota estabelece o saco e almofadas no meio do vestiário, na frente dele. — Tenho certeza de que ele poderia, se ele não tivesse quebrado a perna em uma festa na noite passada. O quê? Jacoby quebrou a perna? Junior não tinha ouvido uma palavra sobre isso. Ele sabia menos do que nada sobre o novo goleiro segunda- serie do Giants, que ele nunca tinha jogado contra. — Então, quem está jogando no lugar dele? A garota abre o zíper do saco e tira um guarda pescoço e protetor de peito. — Você está olhando para ela. Júnior não pode evitar a risada que escapa de sua boca. — Você é uma garota. Ela rapidamente olha para a protuberância em sua cueca. — E você é um garoto. Agora que nós estamos acertados, vou deixar você saber que eu usaria o vestiário das garotas, mas eles não têm um nesta pista. E o outro vestiário está sendo limpo pela próxima meia hora... Eu acho que houve um concurso de xixi lá dentro quando a liga Pee Wee jogou esta manhã. Disseram-me para me vestir aqui. Apenas mantenha seus olhos para si mesmo. Junior olha para ela, atordoado. — Não, os Giants têm um goleiro segunda-serie chamado Frankie Yates, não? — Já ouviu falar de jogadores de hóquei do sexo feminino? — Ela pergunta a ele, claramente irritada. — Ou você viveu em uma caverna a sua vida inteira? Meu nome é Franchesca Yates... Frankie é mais curto. — Eu não tenho vivido em uma caverna, chica. — Junior diz a ela. — Eu sei tudo sobre jogadores de hóquei femininas, especialmente as tão quentes como você.

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Seu rosto enruga, como se estivesse cheirando algo realmente ruim. — Você está... me paquerando? Ela caminha até ele, então, de pé frente a frente. Ela não é tão alta ou musculosa como ele, mas ela definitivamente estava em linha reta e confiante. Ele gostava de confiança em uma garota, mas esta precisa ser derrubada como uma estaca. Parte de jogar hóquei é mexer com o psicológico dos seus adversários antes do jogo e falar besteira durante o jogo. É tradição. Só porque Frankie Yates é uma garota não significa que ela é isenta do mesmo tratamento que ele daria para Jacoby. Ele tinha acabado de fazer isso de uma maneira diferente, porque ela é uma garota. — O que me diz de nos encontramos depois do jogo? — Junior diz a ela e estende a mão e os dedos em uma mecha de seu cabelo. Ele sabe que a está afetando exatamente como ele afeta um monte de garotas... ele pode dizer pelo jeito que sua respiração para enquanto seus dedos escovam acidentalmente contra sua bochecha. — Eu posso, você sabe, consolá-la quando você perder. Antes que ele tenha tempo de piscar, a garota o acerta. Suas punho aterra solidamente em seu lábio. Ela, obviamente, tem irmãos que lhe ensinaram como lutar. — Que diabos... — diz ele, deslizando pelo lábio machucado agora, as costas da mão e vendo o sangue. Ela se afasta e dá de ombros. — Não mexa comigo, Fuentes. E se você acha que terá uma vitória fácil, pense novamente. Eu vi você jogar antes, e eu não fiquei impressionada. — Bem, eu nunca te vi jogar, então obviamente você não está acostumado a jogar com os garotos grandes. Ela ri em tom zombeteiro. — Eu sou uma estudante transferida de Minnesota, Fuentes. Minnesota. Você sabe, aquele estado que gera jogadores da NHL. Hockey está em nosso sangue. Eu joguei com garotas que podem patinar círculos em volta de você, por isso é você quem vai precisar ser consolado esta noite. Eu só estou supondo que ser abatido por uma garota, vai esmagar o ego exagerado de vocês.

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— Faça isso. — diz Júnior, em seguida, coloca seu equipamento e sai. Quem era ela, afinal? Ele nunca tinha visto o seu jogo, então o quão boa ela poderia ser? O pai de Junior pai e seus tios estão do lado de fora do vestiário, esperando por ele. — O que aconteceu com o seu lábio? — Seu tio Alex pergunta a ele. — Ele está sangrando. Tio Carlos ri. — Eu pensei que os jogadores de hóquei brigassem no gelo, não fora dele. Antes que Junior pudesse responder, Yates sai do vestiário em pleno funcionamento. — Boa sorte, Junior. Você vai precisar disso. — diz ela, em seguida, bate em sua bunda com o equipamento acolchoado com o bastão de goleiro enquanto passa por ele. Junior aponta pra ela. — Você acredita que eu tenho que jogar contra aquela vadia? — O que você fez com ela? — Seu pai pergunta, olhando o lábio sangrando. — Nada. — Quando seu pai, obviamente, não acredita nele, Junior acrescenta: — Ok, eu acho que eu estava falando merda... e talvez eu toquei seus cabelos. — Acho que ela lhe ensinou uma lição, certo? — Diz o pai. A lição. A última coisa que Junior quer é receber uma lição pelo goleiro de sua equipe rival. Junior a olha por muito tempo, rabo de cavalo loiro balançando para trás e para frente contra o nome YATES na parte de trás de sua camisa quando ela some pelo corredor até o gelo. Ele nunca tinha pensado que era possível deslizar no hóquei de patins, mas Yates com certeza faz... e faz bem. Depois que Luis e seus irmãos trocam olhares entendendo, eles riem. Luis conheceu Nikki quando tinha quinze anos, se apaixonou por ela quando tinha dezoito anos, e casou com ela quando tinha vinte e três anos. A primeira vez que se encontraram, ela deu uma joelhada no

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saco. De olho no lábio inchado de seu filho e da intensa reação que Junior teve com a garota é um indício de que há algo mais, mas seu filho não está ciente ainda. Relações apaixonadas, intensas são comuns em sua família e os Fuentes mais velhos sabem disso. Assim quando Junior converte o gelo, Alex dá em Luis pancadinhas no ombro. — Você sabe o que está prestes a acontecer, não é? Luis concorda. — Olhe para o lado positivo. — diz Carlos. — Ela tem um baita de um gancho de direita. Com ela em sua equipe, sua família é obrigada a vencer o torneio anual de Panty Discus. Os três irmãos Fuentes caminham para as arquibancadas, pais orgulhosos e maridos que dedicaram suas vidas às suas famílias. Eles não têm ideia de sua mãe, sentada ao lado de seu padrasto, Cesar, rasga cada vez que seus garotos e suas famílias se reúnem. Há muito tempo que ela tinha perdido a esperança de que seus filhos viveriam felizes para sempre. Seu conturbado e doloroso passado ficou atrás deles por um tempo, e agora... ... O futuro da família Fuentes parece mais brilhante do que nunca.

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AGRADECIMENTOS Obrigado a Emily Easton e toda a equipe Walker Books for Young Readers por me deixar escrever sobre os três irmãos Fuentes. Química perfeita, Regras da Atração e Reação em Cadeia são os livros do meu coração e eles significam o mundo para mim. Um grande grito de agradecimento vai para o meu agente, Kristin Nelson, que me manteve sã ao longo dos últimos nove meses. Quero expressar a minha sincera gratidão e agradecimento a José Ibarra e Josh Arroyo por me deixarem em suas casas e suas vidas, enquanto eu estava fazendo uma pesquisa, e Mia Searles, que me apresentou aos dois. Marc Leavitt, um amigo e detetive da homicídios de gangues e sexo da divisão de crimes no Departamento de Polícia de Chicago, me equipado com um colete à prova de balas e me levando para os bairros mais perigosos em Chicago. Foi uma experiência de abrir os olhos que eu nunca vou esquecer. Marc, você é o cara mais duro que eu conheço e um verdadeiro herói! Meu bom amigo Ed Sanchez que passou muito tempo comigo no espanhol neste livro. Eu levo todo o crédito por quaisquer erros que eu tive, pois eles são apenas o meu, mas eu espero que eu tenha feito você se sentir orgulhoso! Como sempre, obrigado a Ruth Kaufman, Karen Harris, e Erika Danou-Hasan para a leitura de projeto após projeto e por me ouvir chorar e lamentar quando Luis e Nikki não faziam o que eu queria. Outros amigos e familiares que eu preciso agradecer por me aturar são Marilyn Brant, Sara Daniel, Lisa Laing, Amy Kahn, Randi Sak, Marianne, Jonathan Freed, Liane Freed, Michelle Movitz, Brandon Sak, Lori Cooper, Adina Adelman, Pam Adelman, Nanci Martinez, Kevin Martinez, Wendy Wilk, e Meko Miller.

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Um especial grito para a minha assistente incrível, Melissa Hermann, que me ajuda a muitas maneiras de falar. Devo-lhe um dia de SPA! Alexander F. Rodriguez e Giancarlo Vidrio jogado Alex e Carlos nos meus reboques livro... obrigado a ambos muito para fazer meus heróis ganham vida! Quero agradecer a Moshe, Samantha, Brett, e Fran... Eu sei que esta viagem não foi e eu agradeço a sua compreensão enquanto eu estive trabalhando dia e noite sobre este livro. Meus fãs porque eu continuo escrevendo romances, e eu adoro ouvir o que vem deles. Mantenham as cartas de fãs chegando! Visiteme no Facebook e no meu site em www.simoneelkeles.net.

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Tradução GRUPO CEL 322

Resvisão GRUPO TAD


Simone Elkeles SĂŠrie Perfect Chemistry

01-Perfect Chemistry 02- Rules of Attraction 03- Chain Reaction

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03 simone elkeles chain reaction  
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