Page 1

1


2


3

L

illy Sanderson tem um segredo, e não é que esteja

superapaixonada pelo belo Brody, quem faz com que seu coração bata descontroladamente rápido. O amor não correspondido já é o suficientemente difícil quando você é uma adolescente normal, mas quando você é metade humana, metade sereia, como Lilly, não existe tal coisa como a simples paixão. A identidade como sereia de Lilly é um segredo que não pode sair à tona, ela é uma princesa Thalassina que tem vivido na terra e freqüentando a Escola Secundaria Seaview, esperando encontrar aonde ela verdadeiramente pertence. Claro, a vida sobre a Terra tem reveses, como seu insuportável vizinho motoqueiro, Quince, mas tem uma grande vantagem: Brody. O problema é; as sereias não são realmente de saídas temporáriasquando elas se “casam”, é para toda vida. Quando a tentativa de Lilly em conseguir a atenção amorosa de Brody conduz a um caso de confusão de identidade do tamanho de um Tsunami, ela estará dentro de onda de drama no que se refere a relacionamentos, e descobrirá rápido como as batidas de uma barbatana, que o “E viveram felizes para sempre”; nunca parte tão suavemente como tem planejado.


4

L

illy Sanderson, de dezesseis anos de idade; metade Sereia e

metade humana tĂŞm vivido na Terra e freqĂźentando a uma Escola Secundaria onde o romance parece progredir com um garoto, mas dĂĄlhe medo contar a ele sobre seu verdadeiro destino como a governante do Reino submarino de Thalassinia.


5

A

água me tranquiliza. É como o chocolate ou o chá quente ou o doce

de leite. Depois de um péssimo dia, fecho a porta do banheiro, encho a velha banheira da Tia Raquel, com água quente e sais de banho, para logo mergulhar em um mundo onde todos os meus problemas se desvanecem. Em alguns dias isso não é suficiente. ― Perguntou-lhe? Segurando o telefone contra meu ombro, pego um punhado de bolhas e assopro sobre meu estômago. Posso optar por ignorar a pergunta, certo? Especialmente por que ninguém vai gostar da resposta. ― Lilly... ― Shannen insiste. Quando as bolhas batem na água e se dissolvem na película espumante, eu suspiro. O ponto deste banho era fazer-me esquecer do meu desastroso dia, incluindo o tema da pergunta de Shannen, mas isso parece impossível. Se bem que, sinto-me ligeiramente mais suave do que quando deslizei dentro da água vinte minutos atrás, nada pode remover completamente essa recordação. Sais de banho demais não podem mudar o passado. ― Não. ― admito com um gemido frustrado. ― Não lhe perguntei. ― Pensei que havíamos concordado. ― ela disse, soando exasperada. ― Você ia lhe perguntar em trigonometria quando Kingsley trocaria suas anotações. ― Nós concordamos. ― admito. ― Mas... ― Mas o que, Lilly? ― ela interrompe. ― Est| acabando o seu tempo. ― Eu j| sei. ― cara, eu j| sabia disso. A areia em meu relógio de contagem regressiva estava reduzindo-se rapidamente; a formatura estava virando a esquina. Encostando minha cabeça sobre a borda arredondada da banheira, deixei que meu cabelo caísse até o chão. Uma grande desordem loira que desafia todas as tentativas de controle. Pode ser também que tenha uma esponja do mar em minha cabeça, já que nenhuma quantidade de condicionador ou anti-frizz conseguia dominar os efeitos da umidade da Flórida.


6

― Mas Kingsley não fez a troca normal. ― eu lhe explico. Ele não fez a entrega no corredor. Shannen geme, e eu posso imaginar o olhar de repugnância em seu rosto. ― Odeio quando ele vai ao seu estúdio de desenvolvimento profissional. ― ela disse. ― Ele sempre volta e testa algo novo que nunca funciona. ― Eu sei. ― eu concordo, ajustando-me a esse monte divergente de pensamentos, na vã esperança de que ela, e eu também, pudéssemos nos esquecer do nosso assunto original. Não estou acima das táticas de evasão. Estou plenamente de acordo com jogar Kingsley sob o ônibus para salvar a mim mesmo de outra conferência sobre como salvar o dia. ― Foi um fracasso total. ― sinto-me um pouco mais para cima, ganhando confiança em minha distração. ― Os gêmeos Danfield trocaram de lugar, e a maior parte da classe terminou qualificando suas próprias redações. Kingsley nos parabenizou pelas nossas altas notas. Altas notas, que eram coisas raras para mim. Shannen estava indo para a faculdade, responsável pelo discurso de despedida e tentando me ajudar, mas é evidente que eu não posso aprender nada por Osmose 1 ou associação ou qualquer outra coisa. Poderia ajudar se todos os cursos fossem em meu idioma? Meu cérebro não era adequado para os estudos acadêmicos. A única aula que estava certa de ser aprovada era arte, e apenas porque da Sra. Ferraro, eu gostava. Todos os outros são para mim superavançados, como física nuclear. Além disso, ultimamente nosso único foco tem sido o próximo baile “Spring Fling” e não na tarefa da próxima semana. Com o baile a apenas uns dias (tipo em três), que parece muito mais urgente do que um ensaio de inglês sobre a Fazenda Animal. Nesta noite porem, eu prefiro falar da tarefa. Ou dos cosméticos. Ou enxames de medusas assassinas. Qualquer coisa além do que ela esta me perguntando. Analiso o plano..., outra vez. A última coisa que preciso agora mesmo é Shannen me dizendo mais uma vez isso: Você é uma covarde, Lilly Sanderson. ... Sou covarde. Filha de um peixe espada. Dou uma palmadinha em minha nadadeira, espirrando os sais de banho ao longo dos meus ombros. Essa é a mesma afirmação que tenho ouvido a cada semana pelos três anos passados. Pensará que já estou cansada de ouvir isso, que isso afasta minha coragem, e que devo acabar com isso de uma vez por todas. Mas o problema é que..., ela tem razão. Sou uma covarde.

1

A osmose é a modalidade de transporte passivo, na qual, o solvente é transportando do meio de maior concentração para o meio menos concentrado.


7

Especialmente quando se refere a Brody Bennett. Nós; as Sereias; somos um bando de covardes. Mantendo nossa existência em total segredo, isso faz da covardia uma necessidade. Se não fugíssemos suficientemente rápido ante o primeiro sinal de um barco que esteja passando, poderíamos terminar na capa de algum livro na semana seguinte. Somos aqueles que preferem um “escape-agora-pergunte-depois” entre todos os espécimes. Mas com Brody é como se tivesse tomado um voo com um novo destino e um nível inteiramente novo de covardia. Posso fazer todos os planos do mundo, posso estar plenamente pronta para continuar adiante, mas depois, sai à vista, e isso faz com que eu feche completamente a boca. Tenho sorte se posso respirar, mas não posso dizer-lhe o que sinto. Os hormônios são cruéis. No entanto, a constante lembrança de sua covardia pode levar uma garota para a borda. Por um segundo, meio segundo na verdade, considero em meu íntimo se devo ou não expressar impulsivamente a única coisa que me permitirá uma experiência permanentemente. Mas tenho ouvido as histórias. Eu sei o que acontece quando um humano fica sabendo que uma Sereia é uma Sereia. Amava Shannen como a uma irmã, mas não poderia correr esse risco. Não posso colocar minha família, nem a mim mesma, nem ao meu Reino inteiro em perigo no interesse de evitar uma conversa desagradável. Não importava a vontade que tinha de confessar a verdade, meu dever estava à frente da nossa amizade. Shannen entenderia. Então, em vez de expressar impulsivamente meu pequeno e sujo segredo, na verdade, não tão sujo no momento, já que minhas nadadeiras atualmente estão brilhantemente verdes e douradas devido ao sal; recorro à verdade patética. ― Eu tentei Shan. ― minha cabeça cai para trás contra a banheira de porcelana, fazendo um merecido ruído seco. ― Realmente eu o fiz. Desta vez estive super, super perto. Respirei profundamente, e depois disse seu nome, e..., e... ― E o que? ― Quince Fletcher jogou um monte de papeis diante de mim. Isso havia bastado para me levar à última gota de autocontrole, pouco depois o sinal de saída tocou, evitando que eu saltasse do meu lugar, me desculpei com Brody enquanto saltava sobre ele, e bati com os punhos em Quince, querendo transformá-lo em salada de alga marinha. Os Tritões2 são pessoas tranquilas, mas

2

Equivalente ao masculino de Sereias.


8

esse garoto me fazia desejar ser livre do Reinado e do Tridente de meu pai por cinco minutos. Algumas vezes fantasiava maneiras bastante criativas de bater-lhe. ― Esse cachorro. ― disse Shannen. ― Eu acho que sua missão autonomeada é fazer a sua vida miserável. ― Eu sei Ok? ― esfrego minhas escamas distraidamente. ― Porque ele me irrita? Digo, é como se seus passatempos favoritos fossem sua motocicleta e me atormentar. O negócio é que, ainda não sei por que ele se dedica a me incomodar constantemente. Não é como se eu lhe tivesse feito algo, além de me mudar para a casa ao lado. No princípio éramos quase amigos, até que ele começou a me tratar como inimiga. Os garotos não eram tão complicados no oceano. ― Ele precisa... ― um beep interrompe a resposta de Shannen. ―... Diversificar. ― Espere. ― me movi para uma nova posição meio sentada. ― H| outra chamada. Tia Raquel já tinha se cansado dos meus banhos de água quente que fritavam os circuitos telefônicos do andar de cima, onde há três telefones. A última substituição não tinha um identificador de chamadas e ela havia me jurado que este é o ultimo telefone. Se eu arruinasse este, já não haveria mais telefones na banheira. Portanto devo ter muito cuidado para não fazer este cair, o seguro mais que eu possa e pressiono o botão. ― Alô? ― Você deveria verificar as cortinas antes de tomar um banho, princesa. ― uma voz profunda e brincalhona disse. ― O que? ― eu meio que grito, enquanto tento me esconder atr|s da banheira. A toalha mais próxima está dobrada ordenadamente sobre o vaso sanitário, e há outra do outro lado do cômodo. Com uma poderosa barbatana me jogo de lado, caindo sobre o frio piso de ladrilhos, e vou diretamente até a toalha. Estou apenas girando sobre minhas nadadeiras quando ouço um estalo de riso vindo do aparelho receptor. Franzindo o cenho, levanto-me do piso. ― Princesa. ― ele rugiu, ainda rindo. ― Você sempre me diverte princesa. Aaarrgh! Bato o telefone contra o piso, esperando que os fortes golpes lhe ferissem o tímpano.


9

― Por quê?!? ― meu ritmo acelera e minha nadadeira peitoral volta a sua normalidade enquanto a olho fixamente, depois para o telefone que havia sofrido alguns choques devido ao meu momento de fúria, então para as cortinas que cobrem perfeitamente a janela do banheiro. Parando o telefone contra meu ouvido e ignorando a risada que ainda continuava soando através do fone, eu pergunto. ― Por que você gosta tanto de me torturar? ― Por que... ― Quince consegue dizer entre risos. ― Você torna isso tão f|cil. Agarrando o canto da toalha que agora esta muito molhada, a jogo contra a parede junto à porta e observo como lentamente desliza na cesta. O gato da tia Raquel, Prithi, mia melancolicamente de sua posição atrás da porta. ― Você... ― digo enquanto me jogo na beira da banheira. ― Você é malvado... ― para logo me afundar de novo na morna |gua. ― Repugnante..., que se sente divino..., e estúpido, miserável, verme. Prendo o telefone contra meu ouvido antes de enfiar minhas mãos sob a água para induzir-lhe a me esquentar até que fumegasse. Ele ri uma vez mais antes de responder. ― Esses são novos. ― Tenho dúzias mais de onde veio isso. ― eu lhe asseguro e bato minhas costas com a parede da banheira, enquanto fecho meus olhos. ― Te interessa ouvir um pouco mais? ― a |gua salgada me envolve, acalmando meus nervos eletrizados. Ligeiramente. ― Algum dia. ― ele disse. ― Pode ser que aceite a sua oferta. ― Fraidy pez3. ― murmuro, fechando os olhos e imaginando que estou de volta em casa, nas correntes quentes da Corrente do Golfo, formando redemoinhos ao meu redor enquanto nado em meu lugar favorito do oceano, o banco pouco profundo ao leste de Thalassinia em uma floresta de periquitos do mar e corais de chifres que me dão a camuflagem que preciso para poder permanecer por horas, observando o colorido dos barcos pesqueiros passando por cima. Esse lugar era minha felicidade. Nunca tinha levado alguém ali, nem sequer ao papai. Estava o guardando para alguém especial. Estava o guardando para Brody. Quando me sentia nostálgica, simplesmente me imaginava lá, junto a ele. ― Admita princesa. ― disse Quince enquanto imagino sua voz brincalhona. ― Você estaria aborrecida sem mim. ― Sem você. ― lhe respondo, esperando que tivesse mais que quatorze metros e duas lâminas de vidro de cristal separando-me do meu vizinho. ― Haveria conseguido um encontro para Spring Fling.

3

Peixe Medroso.


10

Silêncio repentino. E sinto pontadas em meu pescoço. ― Um encontro? ― ele pergunta. Meus olhos se abrem subitamente. Não tinha a intenção de que esta informação fosse me escapar. A água quente me relaxava muito. Não posso baixar minha guarda nem por um segundo, sobretudo quando falo com Quince. ― Você ainda baba pelo bobo Benson, certo? ― Bennett. ― murmuro antes de poder me segurar. E depois digo. ― Não sei do que você fala. ― Eu acho que sim. ― De fato. ― digo decisivamente. ― Não sei por que ainda continuo falando com você. ― Você est| falando comigo. ― ele disse antes que eu possa apertar o click e estar de volta com Shannen. ― Porque posso te ajudar a encontrar o seu amor. ― Ha. ― eu digo brilhantemente. E depois, continuo rindo nervosamente. Como se o flagelo da minha existência pudesse me ajudar. Como se ele pudesse fazê-lo. ― Boa tentativa, Quince. ― Estupendo. ― ele fala, como se eu tivesse feito uma escolha ruim. ― Quando você estiver pronta para a minha ajuda, já sabe onde me encontrar. Sim, na casa ao lado, espiando-me em meu banheiro. ― Espero não fazê-lo. ― digo-lhe. ― Hey! De qualquer forma, como você sabe que estou no banho? ― o bip na linha apenas d| lugar ao silêncio. ― Alô? Droga! Desta vez queria ser eu quem terminasse a ligação. O telefone emite um bip, me deixando saber que Shannen ainda está esperando na linha. Devia ter imaginado que ela não ia se render. Ainda não tínhamos terminado com o assunto de perguntar-ao-Brody-sobre-o-baile. Ela nunca perdia uma oportunidade de me fazer saber que tinha deixado tudo a perder e de como posso melhorar para a próxima vez. Pergunto-me internamente, por que ainda continuo falando com ela, o fato era que ela era minha melhor amiga humana. Pressiono o click. ― Estou de volta. ― Quem era? ― Ninguém. ― lhe respondo, porque queria escondê-lo.


11

― Quince. ― não é uma pergunta. ― Que seja. ― digo, colando distraidamente minha nadadeira contra a distante parede da banheira. ― Simplesmente continue me castigando, assim posso ir para a cama. Shannen ignora meu coment|rio. ― O que ele queria? ― O que é que ele sempre quer? Irritar-me. Não estou a ponto de contar a ela sobre sua oferta e sobre sua espionagem em meu banheiro. Depois de três anos de vivência ao lado do pervertido, deixei de implorar a minha tia que devíamos nos mudar. Em poucas semanas ia estar de volta a Thalassinia para completar minha educação, aprendendo a governar ao lado de meu pai. Nunca ia ter que vê-lo ou ouvi-lo outra vez. Ele não existiria. Apenas seria uma lembrança distante, um pesadelo. ― Ele deve ter querido algo em particular. Não estava com humor para falar de Quince, então fui de volta ao tema que, sabia que ela queria falar. ― Acho que perguntarei a Brody antes da escola, amanhã. Ela muda em um instante. ― Mas se apresse. ― me adverte. ― O tempo esta acabando. O baile é sexta-feira. ― Sim, eu... ― Estamos h| três dias disso. ― Eu j| sei. ― sento-me, girando e deslizando contra a porcelana enquanto retiro a tampa do ralo. ― Mas ele acaba de terminar o relacionamento com Courtney, não acho que ele tenha tempo para pescar ou ir atrás de uma substituta. Praticamente posso sentir seu profundo suspiro. ― Estou muito cansada para discutir com seus palavreados de pesca. ― ela disse. ― J| decidiu do que você ir|? A água forma redemoinhos lentamente enquanto desce pelo ralo, deixando uma fina película de sabão grudado em minha pele e escamas enquanto vai desaparecendo. ― Não. ― respondo enquanto jogo um pouco de |gua sobre meu peito para me enxaguar completamente. ― J| te disse, não irei com um disfarce. É estúpido. E eu não sou uma est... Paro, porque ela me impede de falar. ― Lebistes reticulatus.4 ― ela disse. Mesmo depois de três anos é difícil aprender a linguagem de rua. ― Não sou uma pirralha.

4

Peixes - Nome vulgar: Barrigudinho, Guppy, Lebistes. Nome científico: Lebistes reticulatus (Peters). Origem: Trinidad e Norte da América do Sul.


12

― Você tem que ser. ― Shannen insiste. ― É um baile a fantasia. Uma tradição com vista para o mar. ― Pensarei em algo. ― eu digo, apenas para acalm|-la. A água borbulha enquanto começa a desaparecer pelo ralo. ― Você tem que encaixar bem com o tema de “Sob o mar”. ― Não, é sério? ― Eu j| sei. ― Shannen grita; a excitação tilintando em sua voz. ― J| sei exatamente o que você deveria ser. ― Sério? ― pergunto distraidamente, pegando a toalha que esta sobre a beira da banheira e tiro as rodelas de espuma do sabão para longe das minhas escamas. ― O que? ― Deveríamos ir como... ― ela faz uma pausa dramaticamente. ― Uma Sereia. Deixo o telefone cair. Então rapidamente engatinho para levantá-lo e afastálo antes que a água chegue aos circuitos. Tia Raquel nunca compraria outro. ― Não. ― eu digo enquanto a água goteja do telefone e eu ouço o som característico de eletricidade. ― Não, não funcionaria. ― Pense. Nós duas poderíamos ir como Sereias. ― ela disse. ― Conversaremos no almoço amanhã. Coloco o telefone pingando na base, seus fios esticados por sob a porta do banheiro vindo do vestíbulo, e me jogo de volta contra a banheira vazia. Esquecendo Shannen, Quince e Brody. Ok, eu nunca poderia esquecer Brody por completo, me foco em minha transfiguração. Na maioria das vezes, eu mudava de forma sem pensar muito. Mas quando estou longe do mar, uso cada vez menos meus poderes. Reaquecendo minha água de banho. Esfriando minha essência matutina. Transfigurando-me para o banho umas poucas vezes na semana. Nada como estar em casa. Às vezes fazia me sentir mais próxima de casa apenas focando minha atenção em sentir a transição. Baseando-me nos poderes mágicos de meu povo, que foram concedidos pela Ninfa do Mar Capheira de Poseidon, nosso antigo ancestral, eu imagino minhas escamas coloridas dissolvendo-se completamente para dar lugar a uma pele rosada e pálida. Por que não tive a sorte de ter nascido com um bronzeado? Ainda assim, é bom recuperar minhas pernas. Depois de ter passado os primeiros quatorze anos de minha vida com minhas barbatanas, é espantoso o quão confortável estou em minha forma-humana. Três anos na terra e tenho a impressão que nasci para isto. Suponho que isso é porque Mamãe era humana.


13

Pergunto-me o que ela pensaria de mim, deitada aqui na banheira de sua irmã, sonhando com o garoto que eu amo. Estaria orgulhosa? Decepcionada? Contente por abraçar minha metade humana? Suponho que nunca saberei. Enquanto minha cauda verde oliva se transforma em dedos, ouço um assobio e um forte estalo, momentos antes que as luzes se apaguem. Prithi mia. ― Lily. ― tia Raquel grita do vestíbulo. ― Você est| usando o telefone na banheira de novo? Cobrindo meu rosto com minhas mãos, eu me pergunto se nunca deveria ter deixado o mar em primeiro lugar. A escola secundária parecia ser genial para os humanos, ali, não havia lugar para uma Sereia.


14

N

ada escapava do escrutínio de um espelho de banheiro. Especialmente

debaixo do brilho das lâmpadas fluorescentes compacta de tia Raquel. A bruta iluminação deixou minha pele pálida, tornando as sardas em meu nariz e ombros destacadas pelo contraste. Meu cabelo loiro esponja do mar mais parecido com um ralo de pelo amarelo de algodão doce. Puxei a gaveta de maquiagem, fazendo as bandejas e tubos dos compactos irem para frente. A aplicação de maquiagem era uma coisa que as meninas humanas aprendem no jardim de infância, porque depois de três anos de prática, o único produto que controlo de alguma forma é o brilho labial. Embora nem sempre vá de acordo com o plano. Retiro a tampa do meu brilho rosa pálido e o passo sobre meus lábios. — Lily. — tia Raquel grita escada abaixo. — Tem uma mensagem do seu pai. Assustada, perco o controle do meu brilho, marcando uma linha rosa e pegajosa através da minha bochecha antes de deixar cair o brilho sobre minha camiseta e sobre as costas peludas de Prithi. Estupendo. Duas horas escolhendo a roupa perfeita de "vai-ao-bailecomigo", e agora tinha que voltar a me trocar. — Já desço. — respondi aos gritos, limpando o pelo de Prithi e enxaguando na pia. Felizmente, a maior parte do gloss havia espalhado na minha camiseta, assim ela não estava tão manchada. Depois de uma olhada rápida para a janela coberta com uma cortina, talvez devesse grampear as cortinas, tirei minha camiseta azul marinho pela cabeça. Caminhei através do quarto para uma substituição tardia. Fui saltando escada abaixo ouvi minha tia Raquel que disse. — Bom dia, Quince. O que te trás aqui? Congelei. O que ele está fazendo aqui? Quando passei perto da porta da cozinha, escutei. — O entregador de jornal errou o tiro outra vez. Dei uma olhada para dentro e o vi dando a tia Raquel seu Seaview Times. O qual normalmente; não compramos. Não é muito agradável. Provavelmente ele apenas estava aqui com algum novo e grande plano para me humilhar. Prithi me alcançou e começou a fazer oitos em meus tornozelos. Ok, eu não estava disposta a permanecer escondida como "Lily a Covarde Peixe Leão". Endireitando meus


15

ombros, dei um passo passando a porta e entrando na cozinha. — Bom dia, tia Raquel. — lhe dei um sorriso enquanto ela atravessava o balcão e me servia de um copo de suco de laranja. A caixa estava fora da geladeira por um tempo, assim que envolvi minha mão ao redor do copo e esfriei o conteúdo. Até aonde me importa, Quince nem sequer esta na habitação. — Quince trouxe nosso jornal. — ela explicou. — Foi entregue acidentalmente em sua porta de novo. Eu soltei um grunhido. Quince provavelmente o havia pego fora em nossa varanda e apenas fingiu entregar. Para disfarçar suas verdadeiras intenções. Isso era algo mais como ele. — Quer café da manhã, Quince? — ela ofereceu, desdobrando o jornal e começando sua leitura de cada manhã. — Lily, porque não serve um segundo copo de suco? Estava a ponto de dizer aonde poderia enfiar o copo de suco quando ele disse — Já comi Sra. Hale. E por pouco, quase derrubo meu copo de suco. Era tão incomum ele deixar passar uma oportunidade para me aborrecer por um período prolongado de tempo. Quando me virei para averiguar o porquê, ele estava parado em frente a mim. — Mas. — continuou, me observando com seus olhos azuis irritantemente caribenhos — Adoraria um copo de suco. Porque ele de todas as pessoas tinha que ter os olhos da mesma cor das águas de Thalassinia? Com os dentes apertados, me virei rapidamente e enchi um copo de suco. E lhe dei um empurrão. — Toma. — Obrigado. — ele pegou o copo, aparentemente sem se dar conta que acidentalmente o esfriei até congelar, sem apoio. Bastou descer o suco gelado e colocou sobre a mesa com um ruído curto e apagado. Deu-me um sorriso arrogante. — Só o que eu precisava. — Bem. — lhe disse irritada. — Então pode...? Minha sugestão de que saísse rapidamente por minha porta morreu em minha garganta quando seu olhar fixo deslizava até minha boca. Seu sorriso se transformou em algo mais que um sorriso afetado enquanto, ele lentamente colocou uma de suas mãos em minha bochecha. Eu congelei. Que diabo estava acontecendo? O roçar da ponta de seus dedos através da minha pele, para depois mantêlos no alto e revisar. — Parece que perdeu seu batom, princesa.


16

Tomando sua mão, ele me mostra uma mancha de gloss rosa cintilante que acaba de limpar do meu rosto. — Aaargh! — grunhi de frustração, e o afastei com um empurrão tão forte como pude. Claro, ouvi completamente o copo de suco que ainda estava em minha mão derramar todo o suco sobre ambos. Ele apenas inclinou sua cabeça para trás e riu. Prithi grunhiu para Quince. Boa menina. — Lily. — tia Raquel me repreendendo. — No que você estava pensando? Antes que pudesse me defender, que qualquer um que escutasse minha versão dos fatos justificando minhas ações, ele disse. — Foi minha culpa, Sra. Hale. — piscando-me um olho. — Eu merecia. Depois, se virou para Tia Raquel, e disse, — Mamãe queria que lhe agradecesse pelas barras orgânicas de limão. Estavam deliciosas, como sempre. — ele sorriu abertamente. — As comemos em um dia. Tia Raquel se ruborizou. — Tenho que fazer algumas mais. Ela sempre envia coisas como biscoitos e caçarolas para Quince e sua mãe. Uma vez lhe perguntei o porquê, e ela meio que me deu uma resposta critica de "os vizinhos ajudam os vizinhos", o que eventualmente descobri que queria dizer "A mãe de Quince luta para pagar as contas com seu trabalho na fábrica e seu salário mínimo". Era o retrato de uma família com uma mãe e um pai que fugia de pagar a pensão alimentícia de seus filhos. A tia Raquel não estava indo muito bem com suas cerâmicas, mas ela gostava de compartilhar sua generosidade. — Não iria mudar sua opinião, senhora. — seu sorriso se voltou doce, farsante malvado. — Nos vemos na escola, princesa. Deixando tia Raquel radiante, e a mim com o cenho franzido, ele caminhou saindo pela porta traseira. Como podia fazer isso, todo o tempo? Acabei me sentindo como uma idiota, e ele parecia ser um perfeito anjo. — É um bom garoto. — murmurou tia Raquel, voltando a seu jornal. — Estranho, mas agradável. Esses eram exatamente os meus pensamentos. Apenas que no lugar de agradável, diria muito malvado. A umidade pegajosa do suco de laranja finalmente filtrou através da minha roupa. — Uf, eu tenho que me trocar. — passei um olhar pelo meu traje. — Outra vez. Comecei a me virar quando tia Raquel disse, — Não ouviu a mensagem do seu pai.


17

Certo. A mensagem do papai. Eu tinha esquecido devido a todo o assunto de Quince e o suco e... — Espera. — murmurei enquanto uma ideia nasceu em minha mente. — Quince não viu o..., uh... — fiz um gesto para o pergaminho impermeável feito de cera e pasta de alga marinha, posto sobre a mesa da cozinha. — O que? — tia Raquel olhou com atenção ao redor do jornal, parecendo confusa. Um momento depois seus olhos se abrem de par em par. — Oh. Não, ele não o fez. A gaivota mensageira desapareceu antes de ele chegar. Bem, ao menos isso estava bem, e não era um completo desastre. Não é como se exatamente poderia explicar o que fazia uma gaivota em nossa cozinha com uma mensagem presa a sua perna. Especialmente quando essa mensagem estava selada com o emblema real do rei de Thalassinia. E, felizmente, o fato de Prithi ter ficado grudada obsessivamente em mim no momento que apareceu, nós não tivemos que lidar com garras e plumas na cozinha. Pego a mensagem e a coloco no meu sutiã antes de me apressar para cima para encontrar minha roupa de apoio número três. Talvez minha boa raia quente continue com o plano de Brody.

— Bom dia, Brody, — eu disse, tentando agir como se não estivesse esperando por 20 minutos, sabendo que ele estaria na escola antes de verificar os equipamentos com os quais filmamos ontem. Ele desliza calmamente na cadeira ao meu lado, junto à cabine de edição. Sem levantar o olhar da tela que está reproduzindo o filme virgem de seu último boletim, ele diz: — Ei, Lil. Meu coração se estremece. Toda vez que ouço a voz dele, eu tenho a impressão que uma enguia elétrica me tocou. Algumas faíscas causam formigamento ao longo de cada nervo, dando-lhes uma sacudida. E isso pode ser a explicação do porque eu perder toda a capacidade de formar pensamentos coerentes, muito menos um compreensível discurso real. Com sua atenção totalmente focada na tela de edição, desfruto de alguns segundos de culto inadvertido de observação. Após três anos, sabia todas as características dele. A curva de seus lábios que orgulhariam ao Cupido, sempre o fazia parecer eu-sou-o-rei-do-mundo-do-sorriso. O cabelo deliciosamente encaracolado com uma cor negra Extra Hershey´s, a maioria do tempo o mantinha


18

úmido devido ao costume de nadar na parte da manhã. Seus olhos eram como nunca tinha visto antes, uma cor pálida dourada que brilhava quando ele olhava para você. O que geralmente não ocorria comigo. Mas isso vai mudar. Porque eu tenho um plano. E uma pergunta de extrema importância para fazer. Agora mesmo. — O filme parece ser bom — eu ofereço, na esperança de obter a sua atenção para longe da tela por um segundo. — Sim é... — ele disse, não soava muito feliz. Ele pega um fone e o sustenta no alto ao lado de seu ouvido como um cantor em um estúdio de gravação. Meu coração tropeça de novo. — Porque minha voz soa tão metálica? Ele ainda não me olhou. — Oh! — digo com uma voz tão segura como posso engenhar, também conhecida como "não posso estar muito próxima do Brody". — Talvez tenha a ver com os novos microfones. Ferret os arrumará. — Estupendo. — ele disse enquanto joga o fone na mesa e se vira para me enfrentar. Seu sorriso me faz enjoar de uma boa maneira. Sei que isto é amor. O que mais poderia me fazer suar e sorrir e desmaiar ao mesmo tempo? Se apenas ele percebesse isso. Claro, isso nunca acontecerá se não faço a pergunta. Agora mesmo. — Assim é que... — começo gaguejando. — Iria ao...? — Tem uns olhos bonitos, Lil. — ele inclina sua cabeça para o lado como se tentasse obter uma vista melhor. Ou como simplesmente fosse a primeira vez que notava que eu tinha olhos. Sinto o rubor queimando minhas pálidas bochechas, embora ainda não saiba como mostrar meu entusiasmo por isso. Brody sempre faz comentários como esse o tempo todo. No começo pensei que ele gostava de mim, mas ele fazia isso com todo mundo. Era parte do seu charme. Parecendo um palhaço de bochechas vermelhas, traguei o nó que tinha se formado em minha garganta, para poder continuar. — Sei que você e Courtney terminaram. — comecei de novo. — Mas, me perguntava se... — Sim, finalmente. — ele se reclina na cadeira, dobra seus braços atrás de seu pescoço, e olha para o teto. — Estava cansado dela se queixando continuamente. Sempre insistindo com que lhe compre flores ou que me cortasse o cabelo ou trocar minha roupa. Não posso acreditar que aguentei por dois anos.


19

Eu tampouco. No entanto, eu havia sido uma das pessoas que tinha escutado suas queixas nos últimos vinte dois meses. Nunca consegui entender porque ele saía com ela em primeiro lugar. Ela teve que levá-lo na piscina em seu primeiro encontro. Ele pagou oitenta dólares e ela terminou a noite o esbofeteando. (Apenas porque ele não saiu para lhe acompanhar até sua porta.) Mas agora era diferente. Eles haviam terminado. Era meu turno. Agora mesmo! Não tenho desculpas, e Spring Fling era a oportunidade perfeita. Não muito formal ou muito como um compromisso social, como um baile de formatura. Simplesmente dois amigos (éramos amigos?) saindo para dançar, e bebendo uma limonada. Nada intimidador certo? Então porque minhas mãos estão tremendo como um leque do mar púrpura5 em um furacão? Finalmente, drenando das profundidades minhas últimas gotas restantes de coragem, perguntei. — Quer ir ao baile comigo? — Bem, bem, bem. — uma voz profunda chamou da porta. — Vocês dois pombinhos apenas deveriam aceitar e já. Toda essa tensão está me dando urticária. Minhas bochechas estavam em chamas. — Bem feito, Fletcher. — Brody disso, sorrindo. Ele me cutuca nas costelas como quando Quince o fazia, sem uma de suas piadas divertidas. — Como se Lil pudesse ter interesse em um mulherengo como eu. Quince está na porta, tem os braços cruzados sobre seu peito como um herói de ação musculoso. E, penso que com um pouco de orgulho, usa uma camisa diferente da que tinha esta manhã. Olha-me com seus olhos fixos, suas sobrancelhas loiras prateadas, silenciosamente me desafiando para que diga algo. Afasto meu olhar dele. — Sim. — digo, forçando um meio sorriso. — Como se... Enquanto Quince e eu tentamos evitar nos olhar, esquecendo por completo Brody, o sinal da escola toca. — Tenho que ir. — Brody pega sua mochila e logo a coloca nas costas e se dirige para a porta. No último segundo ele se vira e pergunta. — O que ia me perguntar Lil? A boca de Quince, pouco a pouco vai se elevando em um pequeno sorriso. Mas para meu desconcerto ele não disse uma só palavra do que esta pensando. Ele Leque de mar púrpura/Gorgonia:http://herramientas.educa.madrid.org/animalandia/ficha.php?id=3804 Trata-se de corais com crescimento vertical em forma de palma. Assemelham-se a plantas, mas na verdade são uma colônia de pequenos animais (pólipos) que ficam expostos capturando diminutos animais flutuantes e outros materiais orgânicos particulados dos quais alimentam-se. Seu esqueleto é bastante achatado e constituído de material orgânico que permanece firmemente aderido às rochas. Possuem reprodução sexuada e assexuada mediante o crescimento de um pedaço da planta. 5


20

apenas me olha fixamente, me desafiando que proponha a Brody o convite em frente a ele. Uma audiência é o último que preciso. Apenas posso imaginar a humilhação que depois me traria. Especialmente se Brody me dissesse que não. O qual provavelmente ele ia dizer. Quero dizer, ele apenas me vê como uma amiga. Uma companheira de equipe jornalística e gerente. Talvez a equipe de natação tenha se dado conta que eu sou uma garota já que não estava completamente desprovida da parte superior6 mas estava certa que nunca tinha pensado em mim dessa maneira. Como uma garota que poderia estar interessada em um garoto como ele. Ele provavelmente ia rir na minha cara. Se ia me rechaçar, preferia fazer isto livre de audiência. Relutante de tirar meus olhos do olhar fixo de Quince, respondi Brody sem afastar o olhar. — Eu, uh, te pergunto mais tarde. — Claro; — disse. — Nos vemos Fletcher. — Sim. — disse Quince, sorridente. — Mais tarde. — e depois piscou para mim. Esta foi à última gota. Enquanto Brody saía pela porta se dirigindo para sua aula do primeiro período, Economia, cujo minha cadeira gostaria de usar para atacar Quince com um grito de frustração. — Aaargh! — tento lhe golpear com os punhos, mas ele sujeita meus pulsos e facilmente me detém. — Por quê? — grito. — Porque desfruta arruinando minha vida? Continuo gritando com Quince, lutando contra seu agarre sólido. Trabalhar com motocicletas lhe havia desenvolvido músculos, por que não estava se esforçando muito para me manter distante dele. Eu juro, eu nunca sou violenta. As Sereias são sempre um pouco mais apaixonadas em terra, mas cada vez que estava perto dele, apenas queria quebrar coisas. Começando com seu nariz. — Se acalme princesa. — ele disse com essa voz irritantemente tranquila. — Acabo de te salvar de cometer um enorme erro. Isso recebeu minha atenção. — Perdão? — Pedir ao Benson que vá ao baile com você, agora.

6

Seios.


21

— Bennett. — o corrigi automaticamente. — Apenas haveria recebido um grande e enorme NÃO. Mantenho minha fúria por três segundos antes que desapareça. Genial. Era muito mal saber que o garoto de seus sonhos não te queria, mas pior ouvir alguém dizê-lo, isso realmente fedia a algas marinhas. Ok, talvez eu não fosse uma graciosa líder de torcida como Courtney. Meu nariz um pouco largo e minha pele pálida nunca teriam um bronzeado, nunca havia me exposto ao sol, dentro do mar escuro e azul. Meu cabelo era, lamentavelmente, um desastre. Não era carente de curvas, mas não eram dignas de um catálogo de lingerie. Tinha muitas sardas, meus olhos eram muito grandes, e tinha a coordenação de um polvo gigante. Talvez Quince estivesse certo. Eu nunca poderia... — Não o faça. — ele disse, como se ele pudesse ler meus pensamentos, sua voz era mais suave. — Não retorça minhas palavras. — O que se supõe que isso significa? — Eu simplesmente te dizia que não tem oportunidade com ele. — ele finalmente soltou meus pulsos e deu um passo para trás. — É muito boa para um perdedor como ele. — Então, o que... — tentei dizer, ignorando seu segundo comentário — Está me dizendo? — Convidá-lo para o baile não é a forma de atrair sua atenção. — Oh, verdade? — murmurei. — O que você sabe do assunto? — Simplesmente sei. — ele disse, sentando-se casualmente em uma das cadeiras de editor. — Ele não está procurando um compromisso. — E como sabe isso? — Courtney. — Correto. — caio em minha cadeira. — Porque ela ia contar qualquer coisa? Ele estendeu suas pernas largas, cobertas por uma calça jeans, colocou uma bota de motoqueiro sobre a outra. — Algumas garotas na verdade desfrutam falar comigo. — Apenas as que têm uma medusa no lugar do cérebro. — resmungo. — De qualquer maneira. — ele continua — Quando Bens... Quando começo a corrigi-lo, ele levanta uma mão e continua. — Quando Bennet terminou a relação com ela, ele disse que gostaria de ficar sozinho por um bom tempo, provar os frutos da liberdade e toda essa


22

porcaria. Ele vai se juntar com alguns garotos para o baile. Ponho meus olhos em branco. Como se eu fosse acreditar nessa lesma do mar. — Então, se não acredita em mim, vá e pergunte a ele. — ele disse. — O farei. — Não diga que não te avisei. Coloquei-me de pé, pegando minha mochila a joguei por cima do meu ombro. — Não o farei. O último toque de advertência rezou. Demônios! Se chegasse atrasada de novo, ia ter problemas. Outra coisa a mais que posso culpar Quince Fletcher.


23

V

| agora! ― Shannen me empurra fora da fila do almoço. ― Antes que

os valentões peguem suas mesas por trás de nós. Olhando por cima do meu ombro, vejo que ela tem razão. O pelotão de Brody; a equipe de natação e as líderes de torcida estavam na fila atrás de Shannen, atrás do lugar que eu ocupava. Fora da cafeteria, Brody estava sentado só em sua mesa. Se eu vou perguntar-lhe, tem que ser agora. É minha melhor oportunidade. Com uma respiração profunda, deixo minha comida com Shannen, faço meu caminho através da multidão, e abro caminho até a mesa de Brody. Não percebe quando me aproximo, então pigarreio. Olho para cima e todas as palavras chapinham em minha mente. Ele é como a maré alta, despejava meus pensamentos com tanta facilidade como pedaços de madeira na praia. Por um momento, voltei à primeira vez que o vi. Era tarde, depois do meu primeiro dia em Seaview High. Os nervos, o temor e a nostalgia haviam chegado até mim. Eu era uma Sereia, uma garota do mar, o que estava fazendo? Vindo para a terráquea escola secundária. Nunca sobreviveria. Então deixei um bilhete para tia Rachel e me dirigi para a praia. Deixando minha roupa debaixo do cais, deslizo para debaixo da água tentando nadar para casa. E aí foi quando algo salpicou na minha frente, e quando as bolhas clarearam, vi que era um garoto deslizando sob as ondas. Ele era claramente humano, mas nadava como se pertencesse à água. Como se ele fosse a água. Esse foi o momento que eu soube. Se o garoto terráqueo pode sentir na água a sua casa, certamente eu poderia sobreviver alguns meses na terra. Afinal, eu era meio humana. E eu queria saber mais sobre o mundo de minha mãe. Esse foi o momento também que me apaixonei por Brody. Ele foi a razão para que eu passasse toda a secundária em Seaview High, em vez do ano que eu tinha planejado originariamente. Ele era meu futuro Tritão. Claro que, quando eu era pequena, nunca me imaginei trazendo um garoto humano para casa para conhecer papai, mas estou bastante certa que papai verá que Brody está destinado à água. Eu pressentia.


24

Sorrindo, ele diz. ― Ei, Lil. ― e mete um pedaço de bolo na boca. ― O que está acontecendo? ―Hm. ― digo minha voz tremendo, repentinamente como uma enguia elétrica. ― Sobre o que eu ia te perguntar esta manhã. ― Sim. ― traga sua comida e mete outro pedaço. ― Dispara. ― Bom, eu só... ― Ei, é sobre essa reportagem especial do aumento de preços nas m|quinas de comidas das escolas? ― suas sobrancelhas fazem sombras em seus olhos café dourados. ― Verifiquei meus números com três distribuidores de comidas independentes. Adorava que fosse tão dedicado ao seu trabalho e entusiasmado em expô-lo, mas o que era uma moeda a mais por uma barra de chocolate em um aumento de preços? ― Na verdade, é sobre o baile de primavera. ― digo, bruscamente. ― J| que Courtney e você terminaram, eu me perguntava se você gostaria... Minha pergunta se desvanece quando vejo que seus olhos se abrandam com algo que parecia perigosamente com simpatia. Não, não, não. Não é um bom sinal. Olha para seu garfo e se levanta. ― Oh, Lil. ― diz, em um tom triste. ― Sabe que gosto de você, mas... Nenhuma frase na história da civilização que começa com “gosto de você, mas...” terminava bem. ― Certo. ― digo rapidamente, ansiosa por passar por minha humilhação de uma vez. ― Não tem problema. ― as l|grimas fazem cócegas na parte de trás dos meus olhos. ― Esqueça que perguntei. Ia começar a sair correndo, mas Brody agarra meu braço. ― Escuta. ― diz, atraindo-me para ele. ― Preciso de um pouco de tempo para mim neste momento. Para saber o que realmente quero, pela primeira vez em dois anos. Não seria justo para você, ou para qualquer outra garota, se digo que sim. Tanto faz. Era muito bom para dizer que nem em um milhão de anos sairia com alguém como eu. ― É claro. ― digo, fungando, e esperando que as l|grimas não saíssem além do ponto de tensão superficial. ― Entendo completamente. E totalmente necessitava sair daqui. Começar a chorar na cafeteria da escola só levava a uma coisa: fofoca. A maior parte da escola já acha que sou louca. Não preciso alimentar a agitação. ― Ei. ― diz, pegando em meu queixo e inclinando minha cabeça para cima. ― Guarde-me uma dança.


25

Sorrio, fracamente. ― Prometo. ― digo, lampejando seu sorriso mais encantador. Assenti. Depois a mesa se vê rodeada de esportistas e animadoras. Aproveitando a multidão, me dirijo para o banheiro mais próximo. Não sei o que é pior: que Brody dissesse que não, ou que Quince disse que ele faria isso? Por que sempre tem que estar certo? Como era hora do almoço, os corredores estavam vazios e chego ao banheiro das garotas sem ser vista. No cubículo, sucumbo há vários minutos de pranto. Sentia-me como alguém que tinham tirado o coração, pisoteado com botas sujas de motociclistas, e houvesse posto novamente. Todos os temores que eu tinha mantido escondido durante três longos anos, foram conhecidos publicamente. Brody nunca me amaria. A razão por que fiquei na terra se evaporou como espuma do mar sobre a areia. Eventualmente, minhas lágrimas pararam. Meus olhos estavam vermelhos e inchados. No entanto, nenhuma quantidade de salpicos de água fria me fez voltar para a normalidade. Eram como um sinal de neon gritando: “Ela chorou estendida no banheiro!” Estive prestes a chorar novamente quando percebi que todo mundo ia me perguntar por que eu estava mal. Todos que não tinham escutado os contos sobre minha humilhação, quer dizer. Então, algo me ocorre. Shannen usava lentes de contato. Devia ter gotas para os olhos em sua ficha. Secando a água do meu rosto, me dirijo em direção do arquivo. E caminho dolorosamente para Quince Fletcher. ― Acredita em mim agora? ― pergunta. Estava apoiado casualmente na parede fora do banheiro das garotas. Pelo olhar arrogante em seu rosto, posso adivinhar que estava esperando por mim para poder regozijar-se. ― Se manda. Tento caminhar ao redor dele, mas fica de lado e fecha meu caminho. ― Mova-se! ― Eu fiz uma pergunta para você. ― E eu escolhi não responder. ― vou para a direita e ele me imita, vou para a esquerda e ele me segue. Por que não me deixa só? O que eu fiz para merecer sua odiosa atenção? Suponho que minhas lágrimas não se secaram, afinal. Eu estava tão triste e ameaçavam se derramar se Quince não me deixasse ir.


26

― Admita. ― insiste. ― Eu estava certo. ― Não... ― fungo. ― Estava errado. ― fungo. ― Só estou chorando... ― fungo. ― Por que estou muito feliz. ― minhas l|grimas consideraram minha mentira como um sinal para começar a correr por minhas bochechas. ― Vamos, princesa. ― diz. ― Não tem que chorar por este perdedor. Isso só me faz chorar mais forte. Nós dois sabíamos quem era a perdedora neste cenário. Com uma maldição entre dentes, Quince envolve seus braços ao redor de mim. Senti como um abraço notavelmente amável. ― Não chore. ― sussurra em meu ouvido. ― Por favor. Não sei se tratava de suas palavras suaves ou o fato de que meu rosto estava escondido em seu amplo peito, mas me deixei ir. Três anos de ânsia e amor a distancia haviam me quebrado, e eu solto tudo em sua camiseta do West Coast Choppers. ― Shhh. ― me tranquiliza. ― Não vale { pena. Soluço, soluço, soluço. Não consigo parar. Perdi completamente o controle de minhas emoções. Tudo em que pensava era que, Brody me odeia e eu estou buscando consolo em meu pior inimigo. Minha vida se afundou definitivamente em um poço. Fracamente, amortecida pelo peito de Quince e o som de minhas lágrimas, escuto uma campainha. Esta registrava só vagamente o final do almoço. Quince xinga; e o próximo que sei é que estou agindo contra minha vontade, e estou novamente em um banheiro, em um espaço pequeno e fechado. Através do inchaço de meus olhos e das manchas de minhas lágrimas vejo que estamos em um cubículo do banheiro. O som de risadas ressoando sobre as lajotas brancas uma fração de segundos antes que Quince se sente no sanitário e me puxe para seu colo. ― Levanta os pés! ― sussurra com urgência. Eu, obedientemente, coloco a sola de meus pés contra a porta. Dois pares de sapato de salto alto caminham, ressoando com força contra o chão de lajotas. ― Você a viu correr para fora da cafeteria? ― pergunta uma das garotas com a voz alegre. ― Aposto que colocou em seu lugar, cabelos cacheados. Meu estômago se revolve.


27

Talvez estivessem falando de outra garota que tinha cabelos cacheados e que foi humilhada no almoço hoje. Seaview High era uma escola grande. Certamente alguma outra... ― Como se um monstro como ela pudesse tentar Brody Bennet. Nop. Era eu. As lágrimas me surpreenderam, momentaneamente, já que se mantiveram afastadas de se derramar por minhas bochechas. ― Ela precisa aprender a se manter longe do homem de outra garota. ― diz a primeira voz. Suspiro. ― É Court... Quince põe sua mão em minha boca. Seu outro braço se envolve ao redor de minha cintura e o utiliza para manter minhas costas apertadas contra seu peito. ― Shhh. ― sussurra em uma voz superbaixa em meu ouvido. Concordo, perguntando-me como tinha me metido nesta posição e esperando que meu acordo com Quince faça com que me deixe livre. Não é assim. ― Ela tem o sentido de moda de uma palmeira. ― diz a outra garota. ― Oh, vamos. ― Courtney, a ex de Brody responde. Eu pensei que era para me defender. ― Uma palmeira, pelo menos, tem coordenação de cores. Através de uma falta de definição, dou uma olhada em minhas roupas. Não vejo nada de errado com minha pálida camiseta amarela e saia turquesa com babados. E minhas sandálias rosa brilhante combinam com o coração em minha camiseta. É claro, este era meu plano C para o dia, mas eu não acreditava que fosse tão ruim. ― Rosa e amarelo? ― Courtney continua. ― Quem pensa que é? Uma loja de doces ambulante? A outra garota, provavelmente a companheira constante de Courtney, Tiffany, ri. ― Pelo menos, ela faz um esforço. Isso é mais do que se pode dizer de sua amiga. ― Alguém deveria lhe dizer que venda sua roupa suja para a caridade. E isso foi suficiente. Estiro-me para frente, agarrando a trava e prestes a pousar os pés no chão. Mas Quince tem reflexos rápidos. Antes que meus dedos entrem em contato com o metal, ele agarra meus braços e se aperta novamente contra mim. Suas pernas tiroteiam, enrolando-se ao redor de meus tornozelos para voltar a cair em seu lugar para que qualquer pessoa que procurasse no cubículo só visse suas calças jeans e botas.


28

― Não. ― sussurra em meu ouvido quase em silêncio. ― Não vale { pena. Considero por um segundo, e decido que provavelmente estava certo sem importar que eu odiasse admitir que Courtney provavelmente ainda estivesse irritada com Brody por deixá-la antes do baile. Mas isso não lhe dava direito para dizer esses comentários horríveis. Então, fui relaxando um pouco e ficando em repentino silêncio, algo inquietante estava ocorrendo. Começo a notar coisas. Curiosas, coisas inquietantes. Como quão quente se sente o peito de Quince contra minhas costas, e como seu hálito me faz cócegas na orelha, enviando calafrios por minha espinha dorsal, e como seu braço em repouso está justamente debaixo do meu peito. O silêncio total joga ruins pensamentos em minha mente, por que por um segundo, por meio segundo, na realidade, quase acreditei que seu toque fosse bom. Seu braço se pressiona rápido e notável, ao redor do meu ventre. ― Uungh. ― eu suspiro. Por que diabo eu fiz isso? ― Eca. ― Courtney queixa-se. Oh, ótimo. Agora estou mais que humilhada..., estou resfriada. Felizmente, antes que as coisas pudessem ficar piores, não posso imaginar como, mas estou certa que poderiam o timbre das aulas finalmente toca, e os saltos ressoam pelo chão, em rumo da porta. Mas ainda assim, ouço Tiffany dizer. ― Você viu as botas no cubículo? ― Sim. ― Courtney zomba, e levanta a voz. ― Deve ser a garota machona da equipe de futebol. Ela não tem mãe? Deus, Courtney era uma bruxa do mar. Suas vozes se desvanecem pouco a pouco, e Quince e eu ficamos em silêncio no banheiro vazio. No entanto, ele não me deixa em liberdade. Talvez esteja irritado pelo que tenham dito de suas botas. Embora, pensando bem não podia entender por que, me senti obrigada a fazê-lo se sentir melhor. ― Suas botas não são tão ruins. Elas achavam que você era... Antes que consiga terminar, ele começa a rir quase me sacudindo sobre suas pernas e derrubando-me sobre o chão asqueroso do banheiro. ― O que...? ― gritou, enquanto caiu para a esquerda. Seus braços voltam a me pressionar, assegurando-me em meu lugar. Depois de uns segundos mais de haver tentando salvar nossas vidas, Quince se entrega a uma grande gargalhada em minhas costas, e finalmente me libera e me ajuda a levantar.


29

― Sinto muito, princesa. ― diz, sentado no sanit|rio. ― Isso foi muito gracioso. Girando no estreito espaço, observo-lhe. ― Bom, alegro-me que você consiga encontrar humor em sua humilhação. Normalmente, não se deve desfrutar de ser ridicularizado e... ― Ai, vamos. ― ele zomba, um sorriso irritante brilhava em seu rosto bronzeado. Ele tinha um desses rostos que se podia transformar completamente com um sorriso. Escuro e ameaçador em um segundo, divertido e brincalhão no outro segundo. ― Não conseguiu notar? Devo parecer confusa, e estou, mas ele explica. ― Ela est| com ciúmes. ― Claro. ― digo, pensando em voltar para a cafeteria. ― Estou tirando-lhe Brody justamente de debaixo de seu perfeito nariz esculpido. Pressionando a parede, tendo abrir a porta do cubículo. Tinha que escapar, sair para campo aberto, longe dele. O espaço é tão pequeno e Quince toma tanto espaço que não consigo abrir enquanto está sentado no sanitário. ― Levante-se. Ele se levanta e se mantém na frente da porta. E ao se levantar, diz: — Por difícil que seja acreditar, não vou dizer, ‘eu te disse’, sobre o baile. Sim, como não. ― Na verdade. ― diz, inclinando-se sobre mim para pousar seu antebraço na parede por cima da minha cabeça. ― Eu vou te ajudar. Por um momento, ajudar-me incluiria sair deste lugar no banheiro. Quince estava enchendo meu espaço pessoal e começava a sentir-me estranhamente claustrofóbica. As paredes cobertas de grafite estavam se fechando. Começavam a formar gotas de suor em minha testa. ― Deixe-me sair! ― exijo, fazendo caso omisso de sua oferta de ajuda. ― Fede aqui dentro. Dou-lhe um olhar que implica – você é a fonte do odor – apesar de que ele cheirava a couro e pasta de dentes de menta. Ele não se ofende como um cara normal. Não, ele me brinda com esse sorriso arrogante e se aproxima mais. Justamente quando penso que vai pressionar seu corpo contra o meu, ele escapole para um lado, ao lado do sanitário, e longe do caminho da porta. Abrindo a porta, me afasto do cubículo e tomo um bocado de ar livre de Quince. ― Como ia dizendo. ― continua, seguindo-me para fora do cubículo. ― Vou ajudar você a caçar seu peixe grande no baile.


30

― Mas... ― eu tento levar oxigênio para o meu cérebro. ― Ele não quer. ― Ele não sabe o que quer. Recostando-me para trás, contra a borda da pia, cruzo os braços sobre o peito e assinto para mostrar que estou escutando. Apesar de que tudo que estava pensando estava aliviada por estar fora deste lugar e vários centímetros de distância de Quince. ― Para conseguir Ben. ― pigarreia. ― Sua atenção completa, você tem que fazer algo especial. Surpreendente. ― sorri. ― Impactante. ― E o que? ― pergunto cética. ― O que sugere? Mete as mãos nos bolsos traseiros das calças, sua camiseta apertada se estende sobre seu peito. De um ponto de vista puramente objetivo, admito que ele tem um peito bem formado. Provavelmente esculpido em todas essas horas tentando manter sua motocicleta em execução e seu trabalho de meio período em um armazém de madeiras. E ele tem o cabelo loiro escuro e esses deliciosos olhos grandes e azuis que me lembravam de casa. Se não fosse tão odioso e imbecil, Quince poderia ser um garoto atraente. ― Eu te direi... ― diz. ― No estacionamento depois da escola. Logo, sem explicação alguma, gira sobre suas botas de motociclista e sai do banheiro. Que diabos significava isso? Ainda estou franzindo o cenho e tentando descobrir o que acabava de acontecer. Não estava admirando seu peito, ou estava? Ele me olha novamente, jogando sua cabeça para trás. — Quer saber por que eu pensei que era engraçado quando Courtney falou de minhas botas? Dou de ombros, esperando, mas sabia que íamos saber depois da escola, também. Se eu me encontrasse com ele, claro. Não espero sua resposta. Mas Quince não é nada se não, inesperado. ― Ela me comprou estas botas. Ele sorri, rapidamente, para depois ir. E tenho o resto do dia para dizer se posso correr o risco de aceitar sua oferta de ajuda. Em três horas, levanto meu pulso para olhar a hora. ― Mocinha! Você esta quinze minutos atrasada para arte. ― era Shannen provavelmente preocupada comigo. Afasto-me do corredor, perguntando-me se eu realmente ia me encontrar com Quince no estacionamento. A senhora Ferraro provavelmente nem sequer notou que eu não estava ali.


31

E

le fez o que? — Shannen gritou enquanto ela recortava uma foto do

Brad Pitt para colar em sua colagem. — Silêncio, — eu vociferei. Eu não precisava que a sala de artes inteira ficasse sabendo o que aconteceu no banheiro. Já era ruim o suficiente que eles já sabiam o que tinha acontecido na cafeteria. Shannen abaixou sua voz para o mais próximo de um sussurro que ela conseguiu dar. — Ele te prendeu na tenda? — Sim. — resgate era mais certo, embora eu não fosse admitir isso em voz alta. Eu encontrei uma imagem de um golfinho no National Geographic e rapidamente recortei a p|gina. Nós duas est|vamos fazendo uma “colagem biogr|fica” usando revistas e cat|logos. Até o momento, eu tinha pegado um fundo marinho, um par de peixes palhaços e uma tiara Swarovski 7 do Neiman Marcus. Felizmente, Sra. Ferraro era toda expressão abstrata. Ela não iria questionar a estranheza da minha colagem, contanto que eu tivesse uma razão convincente. — Você sabe... — Shannen murmurou, olhando atentamente para sua foto. — Quince meio que parece com o Brad. Cabelos castanhos escuros, linha da mandíbula larga, penetrantes olhos azuis. Eu não me importaria em ficar presa em uma tenda com ele durante uma hora ou duas. Eu me recusei a responder isso. Quince Fletcher está tão longe do Brad Pitt assim como um pepino do mar é de se tornar rei de Thalassinia. — Ele sempre usa aquelas camisas apertado de motoqueiro8, e suas calças jeans são gastos em apenas alguns lugares — Já chega! — coloquei um pouco de cola atrás da foto do golfinho e o grudei na minha colagem. — Nós não estamos falando sobre ele. Tudo bem? — Tudo bem. — Shannen disse lentamente, colocando uma mecha de seus cabelos castanhos atrás de sua orelha. — Por que você colou aquele golfinho de cabeça para baixo? Ok, eu estava um pouco distraída. — Ele esta fazendo um nado de costas.

7 8

É uma marca de luxo de cristais e pedras... É aquelas camisas tipo essa: http://www.choiceshirts.com/images/a1/01/a10101a-lg-b.jpg


32

Shannen encolheu os ombros e voltou para sua colagem. Eu tenho certeza que não tinha ouvido a última coisa. Ela não era exatamente o tipo que deixa-issopassar. Mas minha mente estava menos em Quince e mais na sua oferta. Eu não tinha me sentido tão em dúvida desde que papai me perguntou se eu queria morar com tia Rachel por um tempo. Naquele tempo eu sabia há apenas alguns dias sobre mamãe ser uma terráquea. De repente houve todo esse outro lado de mim que eu nem mesmo sabia sobre. Então papai me disse que mamãe tinha uma irmã que vivia no continente, fora da borda ocidental do nosso reino. Tia Rachel sabia tudo a respeito de nós, a meu respeito e quando papai foi falar com ela sobre me ensinar a verdade sobre a mamãe, ela sugeriu que eu poderia gostar de ir para a escola. A mesma escola que mamãe havia frequentado. Ele me perguntou o que eu queria fazer, e eu honestamente não sabia a resposta. Parte de mim realmente queria descobrir tudo que eu pudesse sobre mamãe. Ela morreu muito antes que eu pudesse me lembrar, e a chance de aprender mais sobre ela era realmente atraente. Outra parte de mim estava morrendo de medo com a ideia de me mudar para um mundo completamente estranho. Eu sou uma Sereia – mer9, como no mar. Eu pertencia ao oceano. No fim, a curiosidade venceu o meu medo. Minhas emoções estavam girando tão descontroladamente agora. Com a oferta bizarra de Quince na minha cabeça, eu não estava pensando exatamente muito bem depois de toda coisa Eu te amo. Eu suspirei enquanto recortei a imagem de uma menina com loucos cabelos loiros. — Então. — Shannen disse depois de colar toneladas de coraçõezinhos rosa de um anuncio de perfume em volta da cabeça de Brad. — Você vai encontrar com ele? — Encontrar quem? — desde que eu estava bloqueando Quince dos meus pensamentos, eu não imaginava de quem ela estava falando. Ou pelo menos eu estava tentando bloquear ele dos meus pensamentos. Ela me lançou um olhar de não brinque comigo eu sou sua melhor amiga e eu te conheço melhor do que parece. Meus ombros caíram. — Eu não sei. — Vamos considerar suas escolhas. — ela largou sua tesoura e empurrou sua colagem para o lado para que ela pudesse inclinar mais perto. — Opção A: Você faz as coisas do seu jeito, como faz o jantar e termina com os mesmos velhos resultados. Mer, mar para Francês, é usado para expressar sereias, Tritão, merwoman (mulher do mar), merbabies (bebês do mar) e assim por diante... 9


33

Estremecendo, eu balancei minha cabeça. Eu iria passar uma repetição daquele momento, muito obrigada. Claramente eu não poderia pegar Brody sozinha. — Certo. — ela disse. — Opção B: Você dá uma chance para Quince, que presumivelmente tem um cromossomo Y em seu DNA e acontece de ter informações privilegiadas da ex-namorada do seu alvo, que realmente pode te ajudar. Eu passei uma mão no meu cabelo. Meus dedos ficaram trancados na confusão de mechas, e eu tive que mexer para libertá-los. — Isso me deixa com duas perguntas. — eu distraidamente colei o peixe palhaço assim eles estavam nadando na barriga do golfinho. — Um, ele realmente irá me ajudar ou é apenas mais um de seus truques para me atormentar? E dois, se ele realmente quer ajudar... Por quê? Shannen sorriu secamente. — Existe apenas um jeito de descobrir ambas de suas questões. Nossos olhos se encontraram meus olhos resignados e os dela triunfantes. Nós duas dissemos. — Encontrar com ele. Meu estômago estava cheio de peixe-borboleta que eu nem mesmo ri quando Shannen disse, — Má sorte. Eu estava colocando minha fé em Quince Fletcher. Eu já estava amaldiçoada. Nos quinze minutos que eu passei esperando por Quince no estacionamento, minha imaginação tentava encontrar uma ideia sobre o que poderia implicar o plano dele. Talvez ele fosse pagar Brody para sair comigo. Altamente improvável, desde que Quince e sua mãe não tinham dinheiro sobrando. Ou talvez ele fosse sugerir que eu pague Brody para sair comigo. Má ideia por tantas razões, não mesmo do fato que eu tinha ainda menos dinheiro do que Quince. Você exatamente não podia ir a um trabalho depois da escola com o número do seguro social da Thalassinia10. Ooh, talvez Quince fosse me ajudar a sequestrar Brody e mantê-lo amarrado em nosso porão até ele perceber que me ama. Improvável. Essa ideia tinha duas grandes falhas. Primeiro isso apenas funcionava nos velhos romances que tia Rachel lia. Segundo, nós não tínhamos um porão. Ok, essa espera era ridícula. Eu estava dando para ele uma chance de ele aparecer em vinte minutos, então eu iria sair daqui.

10

Thalassinia Social Security Number.


34

Quince rugiu em sua moto quando deu dezessete minutos. Eu deveria ter saído depois dos dez. Um saco plástico veio voando através do ar e me acertou no peito. Instintivamente, eu agarrei antes de deixar cair. Era leve e mole. Oh, não. Era uma corda e um capuz, não era? Ele realmente iria sequestrar Brody. Eu dei uma arfada profunda e dominei minha imaginação. Eu fiz uma carranca para Quince. Se ele não tivesse me deixado esperando por tanto tempo, eu nunca teria imagino essa ideia ridícula. — O que é isso? — perguntei, procurando por alguma etiqueta de loja na mochila e apenas encontrei OBRIGADA POR FAZER COMPRA CONOSCO. Quince sorriu. — Seu traje. — Desculpa? — saí da calçada e me aproximei de sua moto com cautela. Eu tinha ouvido histórias de terror sobre partes voando desse pedaço de lixo. — Meu traje? — Para a dança. — ele pegou a mochila de volta e a abriu, puxando para fora um blusa branca com babados e uma saia colorida e com varias tirinhas. — Um bailarino espanhol? — zombei, realmente não tenho nada contra a ideia a não ser que ela é do Quince. Ele piscou para mim. —Não. — ele explicou. — Uma prostituta pirata. — O que... — Eu consegui isso de uma fonte muito confiável. — ele continuou. — Que Bennett vai de pirata. Essa é a primeira parte da Operação Surpresa e Chocante. O surpreendendo por ir com sua fantasia feminina. — ele segurou o traje. — Uma prostituta pirata para um pirata... — Legal! — peguei a roupa de volta. Poderia ser pior. Shannen iria aprovar desde que isso coubesse sob o tema Mar. Enquanto eu metia isso dentro da minha mochila, eu perguntei. — E se isso não couber? O sorriso arrogante retornou. — “Que ri da”. — ele falou pausadamente. — Eu te tive em meu colo por dez preciosos minutos hoje. Caberá. Eu estava tentando bloquear aquela memória da minha mente por toda à tarde. Não que eu consegui. O cheiro de couro e pasta de dente de hortelã me seguiu por toda a parte. O cheiro de Quince. Minha bochecha queimou, mas eu estava determinada a não o deixar me crepitar. — Qual é a parte dois do plano? — Mmm. — ele esfregou suas mãos juntos. — Choque. Essa é a melhor parte. Eu não acho que iria gostar da segunda parte.


35

— Às nove e meia, Brody vai receber um bilhete falando para ele encontrar Courtney na livraria para que ela possa devolver o anel da turma. Oh, eu sei que eu não iria gostar da segunda parte. — Apenas não irá ser Courtney esperando por ele. Vai ser você. Eu odiei a segunda parte. — Então você vai beijar ele. Chocante, não? Não, eu odiava Quince. Eu amei a segunda parte. Não a parte do beijo, que tipo de Sereia ele achava que eu era? Mas eu podia ver as possibilidades. Eu e Brody. Sozinhos. Na biblioteca escura. Talvez eu finalmente fosse capaz de encontrar a coragem de dizer para ele como eu me sinto. E talvez, se ele mostrar um pouco de interesse em retorno, eu irei dizer para ele ainda mais. Para Brody eu iria dizer tudo. —Eu..., eu..., eu... — isso não estava saindo certo. — Como eu posso ter certeza se irá... — Confie em mim. — ele chutou sua moto para a vida. — Só esteja na biblioteca às nove e meia. Eu irei cuidar do resto. Então ele murmurou alguma coisa que eu não consegui ouvir, mas eu peguei as palavras; “idiota” e “lição". Eu estava tão empolgada que nem me importei. Levantando sua bota do chão, Quince torceu o acelerador e guinchou para fora do estacionamento. As emoções dentro de mim estavam uma bagunça. Tudo o que eu poderia pensar era sobre os Se’s. E se tudo isso era uma armadilha? E se não fosse? E se Brody me odiar? E se ele não me odiar? E se tudo ocorrer de acordo com o plano e eu confessar tudo para Brody na biblioteca amanhã à noite às nove e meia? Isso era o mais assustador de tudo. Antes que eu pudesse ir por esse caminho, pensando sobre o que poderia significar para meu futuro, para nosso futuro, Quince rugiu de volta no estacionamento e guinchou para uma parada na minha frente. Por que ele só não ia embora e ficava longe como uma pessoa normal? — A propósito. — ele perguntou, mantendo seus olhos treinados em mim. — Você sempre mantém recados em seu..., bolso privado? — No meu...


36

Ele agitou seu olhar para meu peito e de volta para meus olhos. Eu suspirei e coloquei meu fichário na minha frente. Na loucura da manhã, eu totalmente tinha esquecido o recado de papai. — Pervertido! Ele só piscou e então rugiu de volta para a rua. Foi um pequeno corado que eu vi nas suas bochechas? Duvidoso. Quince nunca teve vergonha de nada. Quando ele estava fora da vista e eu não podia mais ouvir o rugido de sua moto, eu coloquei minha mochila no chão e alcancei meu sutiã. Enquanto eu começava a caminhar para casa, quebrei o selo Real e abri a carta.

DO ESCRITÓRIO DO REI WHELK11 DA THALASSINIA Querida Lily, O aniversário de dezesseis anos de sua prima Dosinia irá ser celebrado esse fim de semana. Eu tenho certeza que ela iria adorar ter sua presença. Também, eu sinto sua falta. Por que não vem para casa por alguns dias? Seu Papai.

Nem em sonhos. Eu quero dizer, eu amo Dosinia… principalmente (ela pode ser um garotinho louco e uma espécie de moleque) e totalmente amo meu pai. Mas felizmente, se tudo funcionar amanhã à noite, eu iria passar meu final de semana com o garoto que eu amo. Nenhuma festa de aniversário em nenhum dos sete mares poderia parar isso.

11

Whelk é esse bicho: http://www.stanford.edu/~bhackett/monterey-2004-12-11/images/kellets-whelk.jpg


37

V

ocê perguntou a ele? — Peri pergunta antes que eu mesma tivesse

a oportunidade de transfigurar nas águas sombrias abaixo de Seaview Píer. Quando eu deixei Thalassinia, nós concordamos em nos reunir uma vez por semana entre aqui e casa. Mas o calendário dos Sereianos e dos humanos não combinam muito bem, ela nada até a costa para se encontrar comigo na tarde de quinta-feira, o equivalente a sexta-feira no mar. Ela é minha conexão com o mundo do oceano quando eu não tenho tempo de visitar a casa, o que eu não tenho feito há quase três meses. Além disso, Peri me conhece melhor que ninguém. Ela é como minha terapeuta pessoal. Virando ao som da sua voz, eu digo, — Sim, eu perguntei a ele. —Parab... —E ele virou-me para baixo. —Oh, querida. — ela diz, nadando em vista. — Eu sinto muito. Vendo seu rosto supersimpático, sua boca apertada em uma triste sombra de um sorriso, seus olhos suaves e gentis, eu quebrei novamente. As lágrimas voltam, desaparecendo no mar salgado, e eu levo apenas um pouco de consolo no pensamento de que, nas sombras do cais acima, Peri não seria capaz de ver meus olhos brilhando. Permito-me um segundo para reviver a minha dor com a rejeição de Brody. Apenas um breve momento quando eu deixei a dor passar através de mim, lembrando-me da minha esperança tola, antes de eu empurrar isso para o fundo da minha mente. Não é sobre isso que eu preciso falar com ela. A coisa de convidar, Brodypara-dançar acabou, e agora eu tenho uma outra razão para buscar seu conselho. — Eu não quero falar sobre isso. — eu digo. — Eu preciso falar sobre o que vem agora. Ela toma minhas mãos nas dela, me dando um apertão tranquilizador. — Diga-me tudo. E eu digo.


38

À medida que começamos a nadar no mar, deixando a densa praia humana para a segurança da barreira de corais a poucos quilômetros náuticos fora, eu digo a ela todos os últimos detalhes patéticos sobre o incidente do maço de papéis e, finalmente, o convite para Brody de almoço e meu completo e total colapso depois e como Quince Fletcher. Quince Fletcher, de todas as pessoas! Veio em meu auxílio. Peri sabe a minha história turbulenta com o baiacu, por isso ela está tão chocada como eu sobre seu comportamento. — E então. — eu exclamo, parando na borda ocidental do recife. — Ele se ofereceu para ajudar! Ele tem esse plano onde eu vou esperar na biblioteca durante a dança e ele vai levar Brody lá para que eu possa beijá-lo. — Beijá-lo? — Peri suspira. — Você não vai realmente beijá-lo, não é? — Não, claro que não. — eu a tranquilizo. — Eu não sou estúpida. Mas vai estar escuro, e eu poderia ter a coragem de finalmente dizer a Brody como eu me sinto sobre ele. Peri parece além de aliviada por eu não beijar um desavisado e relutante Brody. Eu posso ser uma menina apaixonada, mas não sou desonesta. Eu nunca iria enganar alguém para isso. — Isso soa como um bom plano. — ela diz. — O que há para não gostar? Eu não pergunto como ela sabe que eu não gosto disso, depois de mais de uma dúzia de anos de melhor amizade, ela pode praticamente ler minha mente. —É Quince. — eu explico. — Eu não confio nele. —Isso não é nada novo. —Eu sei. — corro minhas mãos através de um pequeno grupo verde de cabelo de Sereia, deixando a seda de algas deslizarem pelos meus dedos. — Mas o problema é..., eu quero confiar nele desta vez. Peri nada ao redor de mim e começa a trançar meu cabelo distraidamente. É agradável, porque na terra meu cabelo não pode ser persuadido a nada além de um halo loiro. E quando eu volto para Seaview, sua trança vai secar muito apertada para eu deixá-la solta. Momentos como estes são meus únicos longe do frizz. — Então você está com medo. — ela diz. — Porque ele está oferecendo para ajudar com o que você mais quer, e ele pode estar preparando você para a maior queda de todas. — Exatamente! Eu não havia colocado nessas palavras, mas esse é meu medo. Ela circula a ponta dos dedos sobre um ponto logo abaixo do meu pescoço, e eu sei que ela está traçando minha marca marinha, o design tatuado, com qual todo o povo marinho era nascido, para marcá-los como filhos do mar. Eu desenhei o projeto, um círculo de ondas em torno de uma estilizada alga marinha, verde-limão


39

para combinar com minhas escamas. A de Peri, eu sei por experiência, é cobre. A de papai é azul Royal. Quando uma Sereia está em forma térrea, a marca é a única coisa que a distingue de um humano. — Eu não vejo como. — terminada com minha trança, Peri nada ao redor para me encarar. — Tudo o que você estará fazendo é esperar em uma biblioteca, certo? Eu aceno. — Então eu não vejo nenhuma maneira de ele fazer qualquer coisa diferente do que é. — ela inclina a bonita cabeça morena para o lado. Mesmo quando ela está em terra, seu longos, cabelos de seda castanha caem em ondas elegantes pelas costas, sortuda Sereia. — Você vê? — Não. — eu balancei minha cabeça lentamente. — E isso me deixa nervosa. Porque não seria a primeira vez que Quince faz algo que eu não tenha nem mesmo remotamente antecipado. Mas ela está certa. Neste ponto eu realmente não tenho nada a perder. — Eu quase me esqueci. — Peri guincha, tomando minha mão na dela. — Eu tenho algo para lhe mostrar. Ela me puxa ao longo da borda do recife, descendo mais perto do fundo do mar onde a luz solar acima começa a desaparecer. Quando chegamos ao fundo de areia, Peri puxa-me para uma abertura de uma pequena caverna que se parece com nada mais do que um buraco de caranguejo. Sem outra palavra, ela solta minha mão e entra no buraco. Ela desaparece no recife. Eu não estou surpresa. Peri gosta de encontrar locais secretos, especialmente aqueles que são totalmente escondidos da vista. Nadando depois dela, eu vou para o buraco e encontro-me em um túnel muito estreito. Boa coisa eu não ser claustrofóbica, ou, você sabe, ter medo de afogamento. Após cerca de três metros, o túnel se abre em uma grande caverna. —Uau. — eu digo com indisfarçável espanto. É lindo. Mesmo a caverna sendo completamente cercado por recifes, todo o espaço está cheio de luz. Eu flutuo até o topo. O teto é de fato uma camada fina de coral que parece recife sólido de cima, mas ainda deixa a abundância do sol. Assim como uma claraboia. — Confira as paredes. — diz Peri, chamando minha atenção para longe do quase transparente teto.


40

Eu me torço para baixo, estudando as superfícies laterais da caverna. Elas são cobertas com um arco-íris de estrelas do mar. Laranjas, vermelhas e amarelas estrelas se sobrepõem fazendo um papel de parede colorido como o por do sol nas paredes de coral. — Eu quero isso totalmente nas paredes do meu quarto. — eu digo. Peri sorri, nadando até a superfície coberta de estrelas do mar e passando as pontas dos dedos sobre suas costas espinhosas. — Eu pensei que você ia gostar. Rapaz, eu sinto falta dela. Sem nossas reuniões uma vez por semana, eu não acho que eu conseguiria passar através do meu tempo na terra. Felizmente, isso não vai durar para sempre. — Assim que eu voltar. — eu digo, tentando pensar positivamente sobre o futuro vamos decorar o meu quarto em chamas de estrelas do mar. — Soa como um plano. — ela responde. — Agora você só precisa se apressar e fisgar seu garoto humano para que você possa voltar para casa. — ela soa toda provocante e piadista, mas eu sei que ela está secretamente séria. Ela tem saudades de mim tanto quanto eu tenho saudades dela. — Eu prometo. — eu digo a ela. E a mim mesma. Quero voltar a viver como planejado, também. Amanhã à noite no baile, eu vou fazer isso acontecer.


41

T

ia Rachel se programou para pegar o que se sente em 238 fotos antes

de eu sair para dançar, e eu acho que Prithi miou em cerca de duzentos e trinta delas. Estou animada também, mas acho que a primeira cem capturavam todos os últimos detalhes para a posteridade. — Seu pai vai adorar essas. — ela diz, tirando um par mais. Olhando-me no espelho do corredor da frente, eu não tenho tanta certeza. Depois de puxar a saia e blusa da bolsa customizada de Quince, eu encontrei alguns acessórios no fundo do saco. Enormes aros de ouro se penduravam como brincos. Uma bandana vermelha na cabeça. E uma coisa parecido com um cinto de couro marrom que acabou por ser mais um corselete com laços na frente. Se papai me visse assim, ele bateria seu tridente no fundo do mar com força suficiente para iniciar uma pequena tsunami, com certeza. Essa idéia de que as Sereias nadam por ai de topless. Totalmente falso. É por isso que inventamos o top do biquíni. Eu tinha desatado a blusa para fora da calça e puxei-a alguns centímetros, a fim de passar no teste de supervisão da tia Raquel. De jeito nenhum ela me deixaria sair fora de casa com a minhas cha-chas12, para todo mundo ver. — Você parece uma princesa pirata. — ela diz, estabelecendo a câmera e aproximando-se. Ela ficou com aquele olhar triste em seus olhos, e eu sei que ela está pensando em mamãe novamente. Eu nunca conheci minha mãe, mas eu já vi fotos. Eu sei que eu tenho os cabelos loiros dela, apesar dos dela nunca parecerem frizados. Eu sei que ela estava sempre sorrindo. Sempre na praia ou na piscina. E eu sei que, até três anos atrás, eu achava que ela era uma Sereia. Quando eu descobri que ela era humana, era como se todo o meu mundo se quebrasse contra a costa. Imagine descobrir aos quatorze anos que você foi adotada e que seus verdadeiros pais eram o Rei e a Rainha da França. (Eu sei que a França não tem mais uma monarquia, mas esta é uma imaginação hipotética). É assim que eu estava espantada, assustada, confusa e animada. Alguns Tritões odeiam os terraquíos. Eles acham que os humanos são uma praga sobre os mares, que deviam ser banidos das águas que eles tantas vezes abusavam. Mas não para mim. E não para papai, obviamente, desde que ele se apaixonou por um. Eu sempre fui um pouco intrigada com o homem e sua cultura, 12

Peitos.


42

como se A Pequena Sereia dentro de mim, soubesse, mas quando eu descobri que era metade humana, então o meu interesse se tornou mais pessoal. Quanto mais eu vivia entre eles, mais conectada me tornava. Eu nem sequer pensava neles como terraquíos (termo para os humano) não mais. Essa conexão que eu sinto nunca ia embora. Eu pertenço ao mar, mas sair para terra tem suas vantagens (Brody, tia Rachel, Shannen, e, você sabe, gloss). Além disso, ela me faz sentir mais perto de minha mãe. O olhar nos olhos de tia Raquel agora é o mesmo que teve quando eu apareci pela primeira vez em sua porta da frente. Triste alegria. — Obrigada. — eu digo baixinho. — Com essa maquiagem, você parece ter 25. — seus olhos, verdes como o meu, se enchem de lágrimas, mas ela sorriu como se estivesse tentando escondelos. — Você parece exatamente como sua mãe. Antes que ela pudesse explodir em soluços, eu envolvi meus braços em torno dela e apertei. Mesmo pensando que isso a fazia triste, algumas vezes, me ter por perto porque eu lhe lembrava de mamãe, acho que ambas estavam contentes de ter uma nova maneira de se conectar com ela. Para tia Rachel, eu sou o patrimônio vivo de sua irmã. Para mim, minha tia é a página de recados da vida da mamãe. Nós permanecemos lá por alguns minutos antes de ouvir uma buzina lá fora. — É Shannen. — eu digo, recuando. — Eu tenho que ir. — Divirta-se hoje à noite, Lily. — Eu vou. — eu digo com um sorriso. — Esta noite vai ser especial, eu sei disso. Suas sobrancelhas se uniram em careta de preocupação. — Você não vai fazer qualquer coisa irresponsável, não é? — os olhos dela buscaram o meu rosto. — Você tem que ter cuidado. Você não é como as outras meninas. — Eu sei disso. A buzina soou novamente. — Eu prometo. — digo. — Nada imprudente. — embora as nossas definições de irresponsável podiam não corresponder perfeitamente. Antes que ela pudesse dizer mais, eu pressionei um beijo rápido na bochecha e corri até a porta. — Vou vê-la quando eu chegar em casa. Prithi miou em protesto a minha partida. Buzina, buzina.


43

— Não se precipite em nada. — tia Rachel disse enquanto eu desçia os degraus da frente. Não se precipite em nada? Eu ri, correndo pela calçada. Eu tive de esperar três anos por esta noite. Essa conversa é lenta para uma lesma do mar. — Bela fantasia. — Shannen fala quando me aproximo de seu carro. Através da janela do passageiro, eu posso ver que ela está vestida como, você adivinhou, uma Sereia. — Onde você conseguiu isso? — Na verdade, eu... — De mim. Meu corpo todo ficou tenso. Falando de lesmas do mar. Eu deveria ter sabido que ele não iria deixar a oportunidade de me humilhar passar. Eu girei ao redor no sentido de sua voz. Na luz do por do sol, eu não o vi em primeiro lugar. Então ele se moveu e eu o vi encostado em sua varanda, a poucos metros de distância, aquele sorriso arrogante de um lado só, o fez parecer um baiacu arrogante. O que ele era. Mas Shannen, Peri e eu, todas concordamos que eu deveria deixá-lo me ajudar, o que seja que isso signifique. — Sim. — eu cuspo fora. — De Quince. — Você dá uma bela moça pirata, princesa. Abro a boca para responder, mas então eu percebo..., que poderia ter sido um elogio. Pelo menos o mais próximo que já obtive de Quince. A coisa educada a se fazer seria agradecer-lhe. Virei-me e abri a porta do carro. — Você sabe. — ele diz, sua voz aveludada. — Você poderia ir ao baile comigo. Ciúmes iria chamar a atenção de Benson. Estou tão chocada com a sugestão que eu nem sequer corrigi o nome de Brody. Eu estava congelada, a mão na maçaneta da porta. Então eu sinto o calor nas minhas costas, e eu sei que ele está bem atrás de mim. Minha pele se arrepia. Esta noite ele ainda tinha cheiro de creme dental de menta, mas em vez de couro o outro cheiro era algo..., terrestre. Como o jardim de tia Raquel após uma chuva.


44

—Hum, não. — eu gaguejo. — Não, obrigada. Eu vou ficar com o plano original. Eu sinto algo escovar atrás do meu pescoço. — Sua perda princesa. — ele sussurra no meu ouvido. O calor desaparece, e eu sei que ele se foi. Meu corpo entra em arrepios devido ao súbito frio. Sem me virar para olhar, eu abro a porta e escorrego para o banco do passageiro. — Vamos embora. — minha voz soava sem fôlego. Quando Shannen não liguou o carro imediatamente, eu olhei para cima. Ela estava olhando para mim. Aconteceu alguma coisa com minha maquiagem? Eu realmente consegui, com a ajuda da tia Raquel, aplicar com sucesso um pouco de rímel. Mas talvez tenha manchado durante as fotos ou algo assim. Eu abaixei o visor para fazer uma verificação. Não, tudo continua no lugar. Talvez ela simplesmente não fosse acostumada a me ver com o rosto pintado... —O que. — ela pergunta. — Foi isso? Oh. Isso. Desde que eu não sabia o que aquilo fosse, eu não podia responder exatamente. Eu acho que Quince apenas gosta de brincar com a minha sanidade mental. Ele é muito além da compreensão. —Nada. — eu lhe asseguro. — Ele só queria me deixar nervosa. Ela me olha mais alguns segundos antes de encolher e nós levar para fora, na rua. Ela sabia que Quince desafia explicação. Todo o caminho para a escola, minhas entranhas tremiam e agitavam como o mar agitado em uma rajada. Eu não sei se eu vou fazer isso durante a noite. Então, quando nós entramos no estacionamento, vejo Brody sair de seu Camaro vestido, justamente como Quince me disse, como um pirata. Pela primeira vez em três anos, realmente vê-lo acalmava os meus nervos, em vez de agitá-los. Isso é quando eu sei que tudo vai ficar bem. Brody é o meu mermate13, e hoje é o começo do nosso futuro. Nada vai ficar no meu caminho.

13

Mermate – Ela quer dizer que ele é o par ideal para ela, como se fosse sua outra metade.


45

A

biblioteca está escura e vazia quando eu deslizo pelas portas duplas

de vidro às nove e quinze. Eu sei que estou adiantada, mas eu quero um tempinho pra me acalmar, pra me preparar. Pela última hora, eu estive dançando e conversando com meus amigos, tentando ter um momento agradável, apesar da minha iminente nomeação. Em apenas 15 minutos, eu estarei confessando meus sentimentos para o garoto que eu tenho estado seriamente apaixonada pelo que parece ser desde sempre. Uma garota precisa de tempo para refletir. Por três anos, eu tenho observado Brody de longe. O amava mesmo quando ele passava direto por mim a maior parte das vezes. Ocasionalmente, eu perguntava por que, exatamente, eu o amava tanto. Quero dizer, nós nunca nem mesmo dividimos uma conversa significativa que não girasse em torno da natação ou das novidades da equipe. Talvez esse seja o charme dele. No meu primeiro dia em Seaview, eu caminhei nervosamente pela cafeteria com as pernas terrestres bambas sem uma alma com quem sentar. Enquanto observava o ambiente desconhecido procurando por um lugar vazio para comer, eu perdi o equilíbrio e deixei cair à bandeja de enchilhadas14 no colo do Brody. Ao invés de enlouquecer ou gritar ou me humilhar (como alguns garotos), ele riu e me ajudou a limpar a bagunça. Ele é um destes caras que podem fazer qualquer um, até uma Sereia desastrada no seu primeiro dia em uma escola humana, se sentir especial. Ou talvez seja como ele parece confortável em qualquer situação. Não importa onde ele está no momento, Brody sempre se adapta, e de acordo com uma humana que veio do mundo do mar, eu acho que essa deve ser uma chave de caráter. E o fato dele se mostrar tão em casa na água é um bônus maior na potencial categoria mermate de uma Sereia. Qualquer que seja a razão, meu coração palpita toda vez que eu o vejo e eu não posso negar isso. Eu não quero. Meu corpo e meu coração sabem de coisas que meu cérebro necessariamente não entende. http://translate.google.com/translate?hl=ptBR&sl=en&u=http://en.wikipedia.org/wiki/Enchilada&ei=JGiqTe7zGYeI0QH28D5CA&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CBwQ7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Denchilhada s%26hl%3Dpt-BR%26rls%3Dig%26biw%3D1366%26bih%3D635%26prmd%3Divns 14


46

Os 15 minutos passaram. Antes que eu soubesse, estou olhando para o relógio enquanto ele bate nove e meia. Nove e trinta e cinco. Nove e quarenta. As nove e quarenta e cinco eu decido que ele não virá. Ao invés de enlouquecer, eu tento racionalizar. Talvez isso seja uma coisa boa. Depois de tudo, ele pensou que fosse encontrar com a Courtney. Claramente, ele não quer vê-la nem por tempo suficiente para pegar seu anel de volta. O que deve significar que ele já a superou. Certo? Então, quando eu já estava aceitando o meu argumento, uma sombra apareceu na porta. Meu coração bate uma vez contra o meu peito, congela por uns bons 10 segundos, então começa a bater mais rápido do que nunca. Ele está aqui. Ele realmente está aqui. Eu não ligo se ele está aqui pra encontrar com Courtney— ele está aqui e eu estou a ponto de ter a maior chance da minha vida. Na penumbra do corredor eu posso entrever a bandana vermelha amarrada na cabeça dele. Eu observo, em reverência, enquanto ele caminha pela biblioteca, ondulando pelo mar de mesas, indo diretamente para o meu canto escondido. Ele se move como uma corrente marítima profunda, suave e potente. É como se eu estivesse vendo-o andar pela primeira vez. Então, ele está bem em frente a mim. Eu só posso discernir seu contorno, mas tenho a impressão que ele está olhando diretamente nos meus olhos. Diga a ele! É por isso que você está aqui. Abra a sua boca, forme as palavras e... As mãos dele encontraram a minha nuca, e antes que eu pudesse pensar, ele se abaixa e nossas bocas se encontram. Por um segundo eu me preocupo com o fato de ele achar que está beijando Courtney. Mas no instante em que o calor da boca macia dele passa para a minha, todos os pensamentos se dissolvem. A única coisa que resta é só puro sentimento. Uma pequena corrente elétrica espalha faísca pela minha circulação, fazendo todos os meus nervos se focarem naquela boca incrível. Instinto tomou conta e eu levanto meus braços para envolver o pescoço, trazendo-o mais para perto. Meus dedos passam pelo rosto dele, sentindo a barba áspera por fazer. Um rugido de explosões descontroladas cresce dentro de mim e eu o puxo mais para perto. Ele se inclina um pouco para o lado, abre a boca, passa a língua nos meus lábios, e então... Pula para trás


47

Minha mente gira. Meus pulmões lutam por oxigênio. Eu me sinto começar a mudar, meu corpo reage como se eu estivesse na água e precisasse das minhas brânquias. Sacudindo minha cabeça, eu retomo um pequeno controle e paro a mudança. Minhas emoções estão enlouquecendo também. Não só eu sinto minha alegria e minha paixão em fúria, mas devido à conexão que nós acabamos de formar, eu posso sentir um pouco do que ele sente também. —Wow. — eu suspiro — Isso foi... Eu não consigo achar as palavras. Ele consegue. — Incrível. Meus olhos se abrem e eu estou instantaneamente em alerta. Essa não é a voz do Brody. Isso parece mais... — Bet Benson nunca poderia te beijar daquele jeito. — Como foi à noite, querida? — tia Rachel pergunta quando eu piso na casa. — Boa. — eu atiro, batendo a porta atrás de mim. — Apenas perfeita. Eu ignoro o abafado “Ai!” seguido do barulho da batida. — Lily. — ele grita. — Me deixa entrar. Tia Rachel olha para mim. — Alguma coisa está errada? —Não. — eu respondo docemente. — Claro que não. Bang, bang. — Me deixa explicar. — Esse é Quince? — Eu não sei. — eu digo, e começo a subir as escadas para o meu quarto. Bang, bang. — Eu nunca planejei te beijar. Eu congelo um pé para acima do degrau seguinte, meu coração batendo no meu peito. Eu posso sentir o olhar penetrante de tia Rachel se concentrando em mim. — Oh! Lily. — ela suspira. — Você não fez isso. Eu giro. — Não. — eu deixo escapar, lágrimas flutuando logo abaixo da superfície. — Eu não. — desço as escadas, ando até a porta, e a arremesso aberta. Um dedo, chacoalhando com fúria, e aponto para o pesadelo de pirata parado na nossa varanda da frente. — Ele fez! O pesadelo, aparentemente pensa que a porta aberta é um convite e dá um passo para frente. Eu bato a porta com força. — Ai!


48

Eu espero que o nariz dele esteja quebrado. — Wily. — ele diz em uma voz que parece que está apertando o nariz. Vitória! — Só me deixe explicar Eu lanço o parafuso que não funciona. — Eu vou estar no meu quarto. — eu anuncio, e sigo para as escadas de novo. — Oh, não, você não vai. — tia Rachel diz, me agarrando pelo braço enquanto eu tento ir. — Você tem algumas explicações para dar, garota. Por um segundo eu sou uma rocha, totalmente sem emoção e pronta para dizer a tia Rachel para me deixar sozinha. No próximo, toda a emoção e loucura da última meia hora, do momento que eu dei uma joelhada na lula de Quince até eu bater a porta na cara dele pela segunda vez, apenas sobem como bolhas para a superfície e eu explodo. Eu giro para encará-la. — Ia ser perfeito. Eu ia contar para Brody o quanto eu o amo, e ele ia perceber o quanto somos perfeitos um para o outro, e nós iríamos começar nossa vida juntos. — suspiro pelo nó na minha garganta. — Perfeito. — Minha doce, inocente menina. — tia Rachel sussurra, gentilmente limpando uma lágrima do meu rosto. Ela balança sua cabeça como se estivesse desapontada comigo, o que é completamente injusto, desde que não fui eu quem causou essa bagunça. Eu sou a vítima dessa situação. — Perfeito. — repito com um piscar de olhos, espantando o olhar triste do rosto dela. — Até ele bagunçar tudo. Ele apareceu no lugar de Brody. Ele me beijou e fez minhas barbatanas ondularem. Ele. — eu gritei alto o suficiente para ser ouvida do outro lado da porta. — Arruinou minha vida inteira. Então, antes que tia Rachel pudesse dizer o que estava por trás do olhar chocado em seus olhos, eu solto meu braço livre e corro para meu quarto. É isso, eu estou por aqui com essa vida humana. Vou voltar para o mar. Onde eu pertenço. A vida humana é complicada demais, e humanos, um em particular, não é confiável. (Exceto tia Rachel, claro. E Shannen. E Brody. E talvez meu professor de artes.) Eu não sei o que me fez pensar que eu poderia lidar com esse mundo. Caindo de joelhos, eu procuro atrás da grossa saia da minha cama um saco para arrumar minhas coisas. Sem saco. Então, eu me levanto em um pulo, batendo com a cabeça na cabeceira, mandando minha luminária de palmeira para o chão, e surpreendendo Prithi de sua soneca na minha cama coberta com bichos de pelúcia. Que seja. Eu não preciso de uma bolsa. Eu não tenho nada para levar.


49

Claro, meu quarto está cheio de coisas que eu colecionei ao longo desses três últimos anos, mas eu não vou precisar de nada disso em Thalassinia. A água é corrosível para objetos produzidos na terra. Além disso, tudo que eu quero fazer é esquecer que o mundo humano existe. Bem, tudo, menos Brody... — Lily. O que ele está fazendo aqui? Tia Rachel. Ela deve tê-lo deixado entrar... A fechadura começa a girar, mas eu mergulho e a tranco a tempo. — Lily. — ele repete. Sua voz soa desapontadoramente livre do efeito nariz quebrado. — Por favor. — só me deixe explicar o que aconteceu. —Não! — pego um golfinho de pelúcia da minha cama, mandando Prithi pulando para o chão, e arremessando-o na minha porta. Ele mal faz um barulho suave antes de cair no chão, mas eu me sinto melhor. — Vá embora. Meow. — Eu realmente planejava ajudar você a pendurar Ben. — ele limpa sua garganta. — Nett. — sua voz cai para um murmúrio. — Eu imaginei que se você passasse mais de 10 minutos com ele, você iria perceber que ele é um total... — Eu não estou ouvindo você. — eu grito. E jogo um Shamú de pelúcia contra a porta. E um boneco de lagosta. E um de cavalo marinho. Prithi achando que é um jogo; segura depois a minha artilharia. Ele toma posse do cavalo marinho e o põe embaixo da minha cama. — O que eu quero dizer é, eu dei o bilhete para ele. Ele deveria estar lá. — ele limpa a garganta de novo. — Então eu..., ah-hem..., o vi dançando com..., ahhem..., Kiran Siman..., ah-hem..., e pensei que eu deveria..., ah-hem..., checar você. Droga, minha garganta está seca. Ele começa um ataque de pigarro que logo vira tosse. Ótimo. Garganta seca. Eu aperto meus olhos fechados, embora não possa fazê-lo partir. A mudança já acontecendo. — De qualquer forma. — ele diz quando é atravessado pela tosse por um momento. — Você parecia tão..., esperançosa esperando lá no escuro. — a voz dele soava triste, mas talvez fosse só a mudança também. — Como se você estivesse esperando o melhor momento da sua vida. Cough, cough, cough.


50

Eu olho para a triste pilha de bonecos marinhos agrupados pela porta. Ele está certo, é claro. Eu estava esperando pelo momento mais perfeito da minha vida. Então ele arruinou isso. Eu jogo mais uma rodada de bichinhos da vida marinha na porta. — Eu não estava. — estrela marinha. — Esperando. — grande tubarão branco. — Por você. Minha cama agora está vazia de bichos de pelúcia. Eu estou prestes a pegar um travesseiro quando ouço um plunk contra a porta pelo lado de fora. Parece como uma testa batendo contra a madeira. — Eu sei. — ele geme. Ele tosse algumas vezes antes de adicionar. — Eu não podia ajudar nisso. Há um som de desespero na voz dele quando começa a tossir de novo, eu me acho pressionando uma mão na porta, como se isso fosse curá-lo. Só que eu sei que isso não vai ajudar, porque ele não está doente. Ele está mudando. Eu não posso fugir disso. Ou dele. Mesmo Prithi sai e mia suavemente para a porta. — Água. — eu digo baixinho. Há uma longa, silenciosa pausa antes de ele perguntar, — O que? — Água. — eu repito. — Você precisa beber água. — É só uma tosse. — ele insiste. —Lily, quero que você entenda porque eu... — Vá pedir a tia Rachel um copo de água. — Eu já estou aqui, querida. — tia Rachel oferece. Ótimo, uma testemunha para a minha humilhação. — Me ouça, por favor. — ele pede sua voz áspera como uma lixa. Se ele não bebesse alguma água logo, muita água, ele iria perdê-la completamente. Não que eu esteja interessada em ouvi-lo, mas uma pequena parte de mim quer saber por que ele, o cara que vive para me atormentar, me beijou. — Tia Rachel. — eu digo, ignorando o argumento dele — Dê a Quince um copo de água. — É claro. — diz ela, e pelo tom impositivo, posso dizer que ela sabe que isso é sério. Eu suspiro. — E coloque sal. — Certo. — ela diz. Então eu a ouço descer as escadas. — Sal? — Quince pergunta. — Por que diabo eu deveria beber água salgada? — É uma longa história.


51

Prithi mia simpaticamente. Uma pausa pesada paira entre nós. — Por que eu acho. — ele diz. — Que quando você diz isso, é uma grande subestimação? — Ouça. — eu digo, inclinando minha testa contra porta. — Beba a água. Vá para casa e tome um banho de banheira. Um banho salgado. Você irá se sentir melhor. — Não. — ele argumenta. — Eu não vou sair até você me deixar expli... Ele cai num grande acesso de tosse que o impede de terminar de explicar. — Eu não estou pronta para isso agora. — eu digo, e eu posso ouvir o cansaço na minha voz. Esse foi um dia emocionante, e ele tem sorte por eu não estar preparada para fatiá-lo vivo; agora. — Tudo bem. — ele diz calmamente. — Contanto que você prometa que nós conversaremos amanhã. Oh, nós conversaremos amanhã. Quando ele pressionou os lábios nos meus, ele se tornou mais do que esperava. Pode não ser o que ele quer ouvir, mas vamos conversar. Porque ao invés de desfazer o que ele começou, eu tenho que apresentálo ao Tribunal Real de Thalassinia. Ou seja, meu pai. — Eu prometo. — quando ele começa a tossir de novo, eu acrescento. — Apenas vá para casa e tome um banho. Por que eu sempre me coloco em confusão? E como eu nunca me safo? Parece que eu vou para casa durante o final de semana depois de tudo.


52

E

ncontre-me no Seaview Beach Park às três.

Colocar esse bilhete debaixo da porta da frente da casa do Quince foi à primeira coisa que eu fiz pela manhã antes de dar uma escapada. Passar a noite em claro não me ajudou a colocar a cabeça no lugar e eu precisava de um dia inteiro para pensar em como explicar..., bem, tudo..., para ele. Quando o sol estava a pino, eu me sentei e olhei para o horizonte. Eu ainda não tinha certeza de como deveria agir. Como você diz para um cara que você é uma Sereia? E que ele está se transformando num Tritão? Eu passei três anos fantasiando sobre contar isso para o Brody, mas isso era diferente. Quince era a diferença. Ele não disse nada quando chegou por trás de mim, mas eu o senti. Na terra, no ar. Em todo lugar. Por um minuto eu deixei a tensão, ou talvez fosse a ligação, eu ainda não podia acreditar que eu estava ligada ao Quince Fletcher, queimar entre nós. Eu sempre ouvi que a ligação parecia causar certa dependência. Eu nunca imaginei esse tipo de conexão física que eu estava sentindo. Eu me pergunto se ele sente isso também. — Você acredita em outros mundos? — eu finalmente perguntei. — O que? — ele sorriu levemente. — Tipo alienígenas de outros planetas? — Não, mundos bem aqui na terra. — eu expliquei. — Mundos que você não pode ver. Mundos que você nunca conheceu, mas que sempre existiram. Ele se sentou na areia ao meu lado com os braços em volta dos joelhos flexionados. — Aonde quer chegar, princesa? Uma onda quebrou bem na nossa frente. Princesa. Isso quase me fez sorrir. E chorar. — Olhe para a areia. — eu apontei para perto dos nossos pés. — Você vê todas essas conchas? — Sim. — Elas são coquinas15.

15

Coquinas – É um molusco. A casca é castanho-claro com leve faixas coloridas.


53

— Certo, elas vêm nas ondas... — Isso é o que todo mundo pensa. — balancei minha cabeça. — Olhe mais de perto. Uma onda quebrou, deixando um rastro de coquinas multicoloridas. Enquanto nós olhávamos, elas rapidamente se enterraram na areia. — Opa! — Quince se debruçou e apanhou um punhado de areia com as mãos. Ele examinou o punhado como um garotinho cavando a areia à procura de lesmas marinhas. — Elas não vêm nas ondas. — eu expliquei. — Elas vivem debaixo da areia. Uma leve onda veio, mas leve demais para mover à areia acima das coquinas escondidas. — Olhe para a água. — as ondas estavam retornando ao mar. — Você vê todas essas ondas? Quince tirou os olhos de sua mão cheia de areia e prestou atenção na maré retrocedendo. — As coquinas são a causa das ondas. — outra onda quebrou, expondo várias conchas coloridas. — Mesmo estando escondidas, elas ainda afetam o mundo visível. — Uau. — Quince disse; sua voz cheia de respeito. — Isso é incrível. Um mundo inteiro, escondido, mas que causam as ondas no mundo que a gente conhece. O mundo que a gente vê. Sem nem mesmo olhar, eu podia dizer que Quince estava olhando para areia como se ela pudesse ganhar vida. O que era muita coisa. Isto era um bom sinal, eu acho. Pelo menos ele não tinha dito “tanto faz” ou “e daí”. O que j| era um incentivo para minha revelação. Certo? Eu espero. — É disso. — eu disse, engolindo em seco de nervosismo. — Que Thalassinia é feita. Ele se virou pra olhar pra mim. — Thala o que? — Thalassinia. — eu desviei o olhar do oceano para encontrar o olhar dele. — Meu Reino. Para crédito dele, ele piscou apenas três vezes antes de readquirir a habilidade de falar. — Seu Reino? — ele disse. — O que exatamente você... — Eu não sou uma simples garota do ensino médio. — encarei seu olhar confuso sem me acovardar. — Eu sou uma... — agora que o momento de contar a verdade para alguém sobre quem eu era tinha finalmente chegado, era mais difícil do que eu imaginava.


54

O sigilo é algo muito apreciado no mundo Sereiano. Tendo em vista, o instinto de fugir ao menor sinal de humanos, nós mantemos nosso mundo cuidadosamente escondido. Com poucas exceções, tais como a Estrada Bimini e aqueles templos submarinos fora da costa do Japão, nossas construções pareciam formadas por fenômenos naturais. Nós até tínhamos a habilidade, em casos extremos, de alterar a memória de algum humano indigno de confiança que por um acaso tivesse visto o nosso mundo. Isso não era muito divertido, mas era um preço que valia a pena pagar para manter Thalassinia e os outros Reinos Sereianos a salvo e em segredo. Se os humanos soubessem que nós existimos de verdade, se eles acreditassem que nós somos algo mais do que criaturas místicas de mitos antigos, nós estaríamos em apuros. Cientistas, Jornalistas. Agências do governo com o poder para fazer reinos inteiros desaparecerem. Todos eles bateriam na nossa porta, melhor dizendo, nadariam na nossa praia, em um piscar de olhos. Nosso mundo tranquilo viraria uma bagunça, e a paz que nós temos cultivado por anos desapareceria. Isso não é bem o sonho de todo Sereiano. Todos os instintos e leis Sereianas que me foram ensinadas desde que eu nasci me dizem para manter segredo dos humanos a todo custo, mas eu realmente não tenho escolha. Aquele beijo tornou esse momento inevitável. Se fosse o Brody, seria muito mais fácil. Eu tenho esperado por três longos anos para contar a verdade para ele. Mas para Quince? Não se pode dizer que eu estivesse preparada. Suas sobrancelhas se arquearam. Ele parecia estar se concentrando muuuito. E as coisas começaram a fazer sentido na cabeça dele. — Sabe. — ele disse, soando cético. — Aquele banho de água salgada me fez sentir mil vezes melhor ontem à noite. — Fez? — E beber água salgada não me desidratou. Na verdade. — ele revirou os olhos. — Me fez sentir super-hidratado. — Ah, que bom. Por que eu tinha a sensação de que eu não teria que descobrir como contar a ele? Talvez a ligação nos desse algumas sacadas. — Vamos examinar isso por um momento. — ele adicionou. — Você parece tomar longos banhos regularmente. — Hey. — eu disse esquecendo por uns segundos minha preocupação devido ao embaraço. — Você é bem pervert... — Lily. — a voz dele assumiu um tom sério incomum. — Há algo mais que você queira me contar?


55

— Bem, na verdade. — eu respondi incapaz de olhar nos olhos dele por mais tempo. — Há uma coisa... Quando ele viu que eu hesitei, ele disse. — E isso seria...? Eu abaixei minha cabeça e murmurei em direção ao meu peito. Pelo amor de Poseidon, isso é mais difícil do que eu imaginei. — O que é? — ele perguntou, segurando meu queixo e me fazendo encontrar seu olhar questionador. — Não vou conseguir entender se você continuar falando com a areia. — Eu disse. — eu me desvencilhei das mãos dele e o encarei da forma mais convincente que eu pude. — Que eu sou uma Sereia. Ele ficou meio que de boca aberta. Eu me peguei olhando para os lábios dele, os mesmos lábios que haviam me beijado noite passada. Eles tinham um formato legal. Eu nunca tinha parado para olhar antes, haja vista que eles eram normalmente utilizados para tirar sarro de mim, mas eles eram legais e tinham volume, sem serem macios demais. Eram do tipo, como Shannen diria estilo Brad Pitt. Nunca imaginei que eles seriam assim. Santa casquinha de siri, qual o meu problema? Por que eu de repente estava fantasiando. Não. Não, não, não. Eu não estava fantasiando com os lábios do meu arquirrival! Eu não iria me render. Eu tinha coisas muito mais urgentes para lidar no momento. — Humm. — Quince disse como se acabasse de ter visto um macaco pegando carona com um golfinho ou algo do tipo. Então ele sorriu. — Isso explica essa sua obsessão bizarra por terminologia marinha. Mais gargalhadas. Eu franzi o cenho. Não havia nada de divertido naquela situação. — Bem, não é apenas isso, cara. — eu dei um tapa nele, fazendo-o cair de costas na areia. — Você está se transformando em um também. Ele começou a sorrir ainda mais. — O que é tão engraçado? — Que diabos Lily. — ele disse. — Isso é irônico para caramba. — eu franzi mais o cenho. Ele era muito lunático. Talvez eu devesse apenas deixá-lo aqui para morrer de desidratação. — Eu nem ao menos sei nadar. Ótimo. Eu enfiei as minhas duas mãos no cabelo e balancei minha cabeça. Por que eu estou surpresa? Nada no Quince tornava minha vida mais fácil. Thalassinia fica a 45 pés de distância a leste e o baiacu aqui não sabia nadar. O sol estava quase se pondo. Não havia tempo a perder.


56

— Bem, você vai ter que aprender. — eu disse ficando de pé em um pulo. — E rápido. — Espera ai princesa. — ele parou de sorrir e ficou de pé. — Eu e a água não somos muito amigos. Eu prefiro transporte que tenha rodas. — Isso não importa agora. — eu disse andando em direção ao mar e me livrando dos meus sapatos. — O diabo que não importa. — ele grunhiu. — Olha só. — eu me virei para ele com as mãos no meu quadril. — Nós estamos trabalhando em uma escala apertada aqui. Nós não queremos ser pegos em mar aberto depois que escurecer. Quando o sol se põe, o oceano vira uma zona de guerra. Todas as piores criaturas surgem e algumas delas têm certo apetite para Sereias. Nadar no mar à noite sem uma escolta é querer ser isca para tubarão. Ele cruzou os braços. — O que exatamente está acontecendo? Eu pude perceber que não iria a lugar nenhum com ele antes de explicar algumas coisinhas. — Quando você me beijou noite passada, uma ligação foi criada e você está se transformando num Tritão. Seu corpo criou uma forma para ficar imerso em água salgada, elevando os níveis de sal da sua pele para compensar, é por isso que o banho salgado faz bem. As glândulas salivares na sua garganta se transformarão em guelras e dessa forma você ser| capaz de respirar debaixo d’|gua. — Espera um segundo... — O funcionamento do seu sistema linfático sofrerá alterações de forma a poder regular sua flutuação. — tentei não sorrir ao pensar em Quince flutuando ao longo da superfície enquanto eu tentava arrastar ele e a sua autopiedade no caminho em direção à Thalassinia. — Quanto à flutuação tudo bem, mas... — Ah, e a ligação? — eu disse antes que as coisas fossem de mal a pior. — É um tipo de conexão-emocional-quimica-hormonal que turva os seus sentidos. Sendo assim, não fique todo romântico para cima de mim. Nós não estamos realmente apaixonados, mesmo que a gente ache que está. Este era um bom conselho para mim também. Eu não podia nem imaginar algo ainda pior do que estar apaixonada pelo Quince. Eu ficaria tão envergonhada que nunca deixaria o mar de novo. — Okay... Mas e sobre... — Não temos tempo. — eu interrompi mais uma vez, era bom finalmente ter a última palavra. — Eu posso dar mais detalhes depois. Mas primeiro, eu tenho


57

que te levar até a Realeza de Thalassinia para que o Rei possa fazer uma espécie de ritual de separação. Agora, mexa-se. Ele pareceu espantado. Completamente espantado. Eu nunca pensei que veria o dia em que eu fosse espantar Quince Fletcher. E agora aqui estávamos, e eu não tinha tempo para aproveitar o momento. Eu tinha que desfazer essa ligação antes que essa coisa emocional começasse a bagunçar o meu juízo, antes que suas marcas de Tritão começassem a se formar no início do próximo ciclo lunar e o processo se tornasse irreversível. Tique-taque, tique-taque... — Me deixa entender isso direito. — ele disse, voltando a si. — Eu estou me tornando uma Sereia porque eu beijei você? — Eu não me lembro de ter pedido para você me beijar. — eu rebati. Ele franziu o cenho e eu me arrependi da minha excelente observação. Ele também não tinha pedido por nada daquilo. Não tinha como ele saber no que estava se metendo. — Tecnicamente. — eu expliquei. — Você está se transformando em um Tritão. Ele me olhou de forma a deixar bem claro que ele não estava nem um pouco interessado em questões técnicas no momento. — Olha. — eu disse. — Será que a gente pode esquecer os últimos dias e nos focar no que a gente precisa fazer agora? Ele deu de ombros, ainda meio emburrado, com aquela feição carrancuda. Mas nós não tínhamos tempo para ficar fazendo manha. Longe disso, nós tínhamos que nadar de Seaview até Thalassinia dentro de duas horas. Com um ciclista me atrasando, eu nos consideraria sortudos só em chegar à costa antes do sol se pôr em algumas horas. — Nós não queremos viajar quando o sol se pôr. Eu achei que nós teríamos tempo mais que suficiente, já que eu não sabia que você não sabia nadar — eu me virei e fui em direção ao mar, desabotoando meus shorts enquanto andava. — Sigame. Quando a água estava mais ou menos na altura da minha cintura, eu tirei meus shorts e o joguei na areia próximo aos meus sapatos, próximo a um Quince de boca aberta que não tinha nem se mexido do lugar. — Mexa essa bunda. — eu gritei. Embora lentamente, Quince finalmente começou a andar. E foi abrindo o cós da calça. — Uh-uh. — eu exclamei. — Você pode ficar com a cueca. — Mas você...


58

— Eu mudarei de forma. — eu disse. — Terei barbatanas. Você ainda não é um Tritão completo. Você pode respirar e falar debaixo da água, mas você não vai se transformar em um Tritão. E uma vez que o ritual de separação fosse concluído, ele nunca se transformaria. — Oh! — ele disse, os olhos levemente vidrados como se não tivesse entendido muito bem. Depois haveria muito tempo para falar. — Mas tire a camisa. — eu disse. — Ela só irá adicionar mais peso e nos retardar. Sem questionar, Quince pegou a bainha da camisa e tirou por cima da cabeça. Sua pele brilhava sob a luz do sol enquanto ele jogava a camiseta pra longe, a qual parou bem em cima dos meus shorts. Minha santa lagosta, ele tinha um peito bonito. Ele não tinha aquele porte musculoso, mas obviamente ele devia malhar. Eu fiquei pensando nele conseguindo aqueles músculos em um depósito de madeira, levantando madeira compensada e placas com tamanho 2 por 4 para esculpir aquele perfeito peitoral. — Apreciando a vista? Meus olhos estreitaram. Fui pega olhando para o “pote de biscoitos”. Pelo calor dos olhos dele, ele não parecia querer me punir por isso. Eu balancei minha cabeça lentamente, nem um pouco convincente. É a ligação. Tinha que ser a ligação. O que mais seria... Ele deu um passo à frente. — Não! — eu grunhi. — Nós temos que, huh, continuar. Ele parou e ainda teve o atrevimento de sorrir. A ligação estava mexendo com os meus pensamentos. Se eu não tirasse a gente daqui e desse um jeito de completar a separação, eu iria me meter em um grande. Okay, enoooooorme, problema. Eu rapidamente tiro a calcinha e a joguei junto aos meus shorts e sapatos na praia. Tudo o que eu estava usando era a minha camiseta regata, a qual era tudo de que eu precisaria uma vez que estivesse transformada. Quince parou na minha frente, enquanto tentava ver abaixo da superfície, além da distorção da água. — Olhe para cima, cara. Em um movimento lento, preguiçoso, seus olhos foram até a minha camiseta molhada, pairando sobre um dos meus se-seios, e finalmente subindo até encontrar o meu olhar zangado.


59

Eu senti minhas bochechas corarem. — Se nós tivéssemos tempo, — eu avisei. — Eu te faria pagar por isso. — Você não me assusta, princesa. — ele respondeu com um sorriso de orelha a orelha. Decidida que ignorar o comentário dele era a melhor maneira de agir, eu perguntei. — Daria para você trancar as nossas coisas na sua bicicleta? — a última coisa que eu queria era voltar mais tarde e não encontrar minhas roupas e ter que pegar carona de volta para casa em um biquíni. (Me transformar com a parte de baixo do biquíni seria ótimo, bem mais prático, pois me escanchar na moto seria bastante complicado com meus shorts normais, imagina me aventurar a fazer isso com o meu traseiro coberto de escamas escorregadias.) Normalmente eu enterraria as minhas coisas na areia debaixo do píer, mas eu preferia não atravessar a praia sob o olhar atento do Quince. Ele levantou a sobrancelha. —Você dá conta de trancar as nossas coisas na sua bicicleta, né? — eu brinquei. Ele me olhou como se estivesse prestes a fazer mais um daqueles comentários engraçadinhos, mas depois ele simplesmente deu de ombros e carregou nossa pilha de roupas pelo estacionamento lotado. Ele voltou alguns segundos depois, colocando as chaves dentro do bolso de velcro da sua calça. Isso deveria mantê-las em segurança. Hora de voltar ao trabalho. — O primeiro passo é a respiração aquática. — eu disse enquanto ele se aproximava. — E isso seria...? — Respirar debaixo da água. A sobrancelha castanha clara dele franziu-se em direção aos seus irritados olhos azuis. Ele não estava acreditando. Mas quem acreditaria? Não é como se respirar líquido fosse a coisa mais corriqueira para um ser humano. Na verdade, isso era tão anormal que os cérebros deles normalmente os faziam evitar inalar a água, mesmo quando eles estavam lutando para sobreviver. Literalmente falando. — Siga-me. — eu desapareci em meio às ondas, deixando minhas barbatanas aparecerem, escamas verde-limão e douradas cobriam meu corpo da cintura para baixo. Minhas guelras surgiram na minha garganta e eu respirei profundamente. Quince não veio atrás de mim. Eu retornei à superfície. — Qual o problema? — Beije-me.


60

— O que?!? — Beije-me. — ele repetiu, chegando mais perto. — Eu acredito em você, mas tipo, como eu posso saber? Se esse for meu último minuto, eu espero aproveitá-lo bem. E então, antes que eu pudesse reagir ou discutir, ou fugir, ele deslizou o braço ao redor da minha cintura, me puxando para mais perto, e pressionou a boca dele na minha. Instintivamente, meus braços enlaçaram o pescoço dele, ansiando pelo que viria a seguir. Foi como no beijo da outra noite, mas dessa vez eu sabia quem eu estava beijando. E dessa vez a ligação ampliava e melhorava minhas emoções. Eu não conseguia pensar em mais nada além dos lábios dele se movendo nos meus e em como queria ficar para sempre em seus braços. Felizmente, ele não se sentiu tão afetado pela ligação quanto eu. Ele provavelmente era mais experiente do que no setor amoroso. Dificilmente ele não seria mais experiente do que eu, né? Ele deu um passo atrás, deixando-me ofegante. — Okay. — ele disse a voz um pouco alta demais. — Estou pronto para ir. Enquanto ele mergulhava, eu me recompus o suficiente para dizer. — A primeira respiração é a mais difícil.


61

V

ocê tem que respirar.

Quince nega com a cabeça, sua boca esta fechada. — Se não o fizer. — argumento. — Vai morrer. Encolhe os ombros. Como se preferisse morrer antes de respirar na água. Bom, eu não ia deixar que ele esticasse as botas; separado. Tenho ouvido historias sobre Tritões que perderam seus companheiros em condições de servidão. Sentem a conexão para sempre, sabendo que nunca verão aos seus companheiros de novo. Sem a intervenção mágica, com o tempo alguns se tornam loucos. Não estava disposta a enlouquecer por Quince Fletcher. Ele começa a empurrar-se de novo para cima na superfície. Antes que possa reagir, me lanço atrás dele e evolvo meus braços ao redor de seu estômago. — Sinto muito. — digo-lhe. — Mas esta é a única maneira. Então, antes que possa lutar o aperto com cada grama de minha força. A última parte do ar de seus pulmões se vai, em um grupo de bolhas até a superfície. Ele começa a lutar, contorcendo-se e tentando afastar-se de meus braços. Aperto mais forte. Ele se contorce. Por meio segundo penso que é o espanto. — Respira. — ordeno-lhe. Relaxando um pouco meu aperto para assim poder nadar em frente dele. Esta com os olhos muito abertos. Tentando tirar proveito de meu aperto frouxo, tomando impulso se lança para a superfície. No último momento volto a agarrar-lhe, empurrando-lhe contra a areia que esta no fundo do mar. — Sei que isto é difícil. — digo-lhe. Mesmo que eu realmente não o saiba. Sempre fui capaz de respirar sob a água. Mas imagino que é bastante duro para seu cérebro. Olho fixamente para seus olhos. — Confie em mim. Ele pisca uma vez para depois concordar lentamente. Observo como sua boca se abre, a dúvida o inunda por um segundo, mas depois ele bebe um bocado de mar. Seu olhar de incerteza se afasta enquanto a água passa por suas novas guelras pela primeira vez. Segura a respiração uma vez, para logo voltar a fazê-lo. Depois outra vez. E outra. — Perfeito. — eu lhe digo. — Você está respirando como um profissional.


62

Ele me devolve o sorriso, um sorriso de garoto feliz por estar vivo. Sua boca se move como se estivesse tentando dizer algo. — Ah! Eu me esqueci disso. — lhe digo. — Não podemos falar normalmente sob a água. Ele parecia confuso. E tentou falar de novo. — O som não é o mesmo através das guelras. Você tem que usar um nível diferente de suas cordas vocais. — aponto o lugar, bem encima do pomo de adão 16. — Superior. Ele apenas me olha, com um olhar confuso. — Faz como se falasse como garota. “De nenhuma maneira”, gesticulou, sacudindo sua cabeça. Estúpido ego masculino. — Não vai soar como garota. — lhe asseguro. — Devido a que, o som viaja mais lento. O registro das mudanças de tom são mais baixo. Você apenas elevará o tom. — Assim? — disse com uma voz super esganiçada. — Talvez um pouco mais baixo. — lhe sugiro. — Assim? — pergunta soando como o mesmo. Sorrio-lhe. — Perfeito. Por um instante eu me pergunto como tudo isto poderia ter ido, correção, irá com Brody. Tão logo como explique toda essa bagunça a papai e consiga nossa separação, ia voltar e confessar tudo a Brody. E podem apostar que não hesitarei nesse momento. Ele continua sendo meu verdadeiro amor. Aposto que darei menos explicações. — Sabe. — disse Quince com um tom muito doce na voz. — Você está com uma posição bastante comprometedora. Neste momento me dou conta que ainda estou deitada sobre ele, apoiando-o contra a areia para que não possa fugir para a superfície. Sinto sua mão ao redor da minha cintura e para baixo. Com um bater rápido de suas barbatanas, eu me afasto para fora de seu alcance. — Uh-uh, garoto. — eu dou risada. — Não podemos fazer nada divertido. Temos que chegar a Thalassinia imediatamente.

16

A proeminência laríngea, popularmente conhecida como pomo-de-adão ou maçã-de-adão ou ainda gogó.


63

— Está bem. — ele disse enquanto se senta. Parece estar aceitando as coisas realmente bem. — Como chegamos lá? Viro-me em torno de meu estomago e com um movimento de minha mão, chamo-lhe e mostro minhas costas. — Agarre-se. — Você tem que estar... — Posso viajar a mais de vinte quilômetros náuticos por hora. Quase tão rápido quanto um golfinho a toda velocidade. E você? Ele grunhiu algo sobre estar no banco do motorista, mas me agarra por ambos os lados da cintura. — Agarre-se firme. — lhe indico. — E tente manter-se o mais ágil possível. — Não estou acostumada a nadar enquanto arrasto algo do tamanho de um humano em minhas costas. Provavelmente vou ter que reduzir minha velocidade pela metade. O que significa que chegaremos em casa antes do anoitecer. Com um impulso sólido, me coloco a caminho para oeste, em direção a Bahamas. Agora tenho quarenta e cinco quilômetros náuticos que devo nadar e não preciso me preocupar pelo que papai vai dizer quando vir meu passageiro. Eu tinha bastante certeza de que não iria ser “Bem vindo à família.” Para os olhos humanos, Thalassinia parece como uma extensão dos recifes de coral e formações vulcânicas. Não há linhas retas ou formas geométricas para dar a pensar que as estruturas são na verdade Mermade. Entendem? Mermade. Como as Sereias, mas..., oh, não importa. Graças a Deus, nosso Reino é grande o suficiente para os aficionados pelo mar de coral e as algas terem crescido em todos os nossos edifícios, camuflando ainda mais nossas construções perante os olhos humanos. Acrescenta as estrelas do mar situadas estrategicamente, ouriços do mar e anêmonas17, e somos praticamente invisíveis. A menos que saiba onde procurar. Há um padrão rítmico nas formas orgânicas. O esplendor bio florescente que ilumina o Reino a noite que se desprende um milhão de metros de distancia. Se focar sua atenção na formação maior ao centro do vale, você pode fazer que o padrão da Bandeira Thalassinia, seja notado, já que esta formada por um campo de mar azul, chicotes e esponjas verdes de algas que cobrem o Palácio Real. Minha casa. Por muito que estou temendo o encontro com papai, quase posso escutarlhe dizendo. “O que você estava pensando?” 17

http://www.fotolog.com.br/vitor_jf/7953899


64

Mas ainda assim, não posso evitar me sentir emocionada por estar em casa. Não a tenho visitado desde as férias de inverno. Quase três meses. Muito, muito longo para uma filha do mar. — Ai esta. — digo-lhe, subindo à medida que a crista da colina que domina o vale vai aparecendo e me dando passagem. — Esta é Thalassinia. Quince libera minha cintura e nada ao meu lado. Tento ignorar o frio que me percorre pela perda do calor de seu corpo; as profundezas são frias, isso é tudo. Rodopio minhas mãos para estender a energia na água que nos rodeia para elevar a temperatura. Antes de hoje, nos três anos passados, desde o momento em que me tornei sua vizinha, nunca fui capaz de ver algo como choque no rosto de Quince. Mas, agora, quando olha para meu Reino pela primeira vez, seus olhos se abrem com uma merecida sensação de assombro. — Vamos. — digo-lhe, nadando em frente a ele para que possa segurar-se. — Quanto antes chegarmos ali embaixo, mais rápido poderei me desfazer de você. — Porque princesa? — ele disse enquanto escorregava seus fortes braços ao redor da minha cintura. — Estou começando a ter a impressão de que eu não te agrado muito. — Esta apenas imaginando. — murmuro enquanto volto a dar impulso para frente. E parece que ele esta a ponto de ficar em silêncio, como fez durante todo o caminho até aqui, até que ele disse: — Deve ter sido bom. — O que? — Ter crescido aqui. — disse. — Deve ter sido bom. Realmente nunca pensei nisso. Não era como se tivesse uma opção de onde crescer. Ou pelo menos, nunca pensei que tinha uma opção. Mas, sim, acho que foi bom de um monte de maneiras. O mar é minha casa e sempre estou impressionada por sua beleza. E adoro meu pai mais que tudo, mas minha infância nem sempre foi ideal. Meu pai não era só meu pai, ele era também o Rei. Ao crescer como filha única do Rei, única herdeira, isso significava ser protegida e resguardada e praticamente prisioneira..., sob meu consentimento, é claro. Significava ser pressionada pelo tempo que podia nadar e agir como uma princesa perfeita, para encontrar meu Tritão antes de completar os dezoito anos ou perder meu lugar na sucessão, enquanto que papai afugentava a todos os garotos dentro de dez Reinos, insistindo em que, nenhum era suficientemente bom para sua filha. Amo meu papai e meu Reino e meu futuro real, mas tinha vezes que eu apenas queria nadar e nunca olhar para trás.


65

Talvez por isso eu tenha me apressado em aproveitar a oportunidade de ir e viver com tia Raquel por um tempo. Provavelmente por isso papai me sugeriu que eu fosse dando-me um pouco de liberdade antes de eu ir por decisão própria. — Você está bem, princesa? Quase me esqueço da dor nas barbatanas das costas. — Estou bem. — digo-lhe. — Só estou tentando lembrar o caminho. Ele não precisa saber que as Sereias têm um sentido de navegação nato, quase como o das mariposas. Posso encontrar o caminho para minha casa, com os olhos vendados e dentro de um bote no meio do oceano. Entrando pela borda superior do Reino, a Corrente do Golfo havia nos empurrado um pouco mais ao norte do que havia planejado, nado para os subúrbios, os bairros de grama com casas de corais idênticas com a grama de alga caulerpa18perfeitamente cuidadas, jogos de anéis no pátio traseiro e um familiar cavalinho do mar na garagem. Depois dos subúrbios temos que passar por cima das zonas comerciais e industriais. Resisto à tentação de olhar minha barraca favorita, “Bolhas e Bolas”, onde vendem a bijuteria de concha mais ador|vel e deliciosa, em todos os sabonetes naturais. Posso ir a qualquer momento. Depois da separação. Mais próximo do centro estão os antigos bairros mais consolidados. Muitos dos residentes daquela obra circular e íntima faziam parte do circulo do Palácio. Peri e sua família vivem lá, fora do complexo real, em uma casa de três andares com o sino de um barco na parte superior. Seu dormitório está na planta superior, e a janela de sua mina de faces através do pátio do Palácio. Usávamos enviar-nos mensagens de bolhas muito tempo depois de que se achava que devíamos estar dormindo. Quando Quince e eu chegamos à orla do Complexo Real, tento reduzir minha velocidade. Meu ritmo cardíaco começa a gritar como se estivesse no meio de um ataque de tubarão. Estou quase tão nervosa, em dizer ao papai o que tinha acontecido, como quando estive no dia em que ia pedir a Brody que me levasse ao baile. Quase. — Está é sua casa? — Quince pergunta. — É muito luxuosa. O Complexo do Rei era realmente impressionante. Imagina-se que devia ser. Uma cerca de recifes baixos circula o recinto, que é mais um indicador de que uma barreira, já que qualquer um poderia nadar por cima. Thalassinia e os outros Reinos Mer estão em paz há anos, e meu pai tem uma política de Palácio aberto, pelo qual não há razão para manter as pessoas fora dele.

18

http://www.biological-vietnam-seafoods.com/tag/caulerpa-lentillifera/


66

A porta principal é um par de torres de coral coberta com chicotes do mar e esponjas de algas, os quais marcam o final da Grande Via Thalassinia. Os seres humanos o conhecem como o Caminho Bimini. Os caçadores de tesouros e os caçadores de mitos pensam que poderiam ser os restos da Atlântida. Não, na verdade é um desagrad|vel “corredor real”. Meu tatara-tatara-tatara-tatara avô tinha uma espécie de ego super alto e queria obrigar a todo o povo Mer, que deviam nadar um quilometro náutico para chegar ao seu trono. Inclusive seus guardas. O que explica como chegou a ser devorado por uma Lula gigante quando seus guardas ainda estavam a meio quilometro náutico de distância. Felizmente, nossa capacidade de liderança melhorou desde então. Um pouco além da porta estão os jardins reais, uma grande paisagem marinha de algas com a cor do arco-íris, algas marinhas, esponjas, gorgônias e anêmonas. Meu quarto na torre dá para os jardins e eu adorava observar como mudavam ao longo das estações. Bem agora é primavera, portanto são brilhantes aspectos mais destacados de rosa e amarelo entre o azul constante, verde e marrom. Você não pode deixar de sentir a energia da primavera com um campo de pétalas de anêmonas magenta sob a janela. No centro de tudo está o Palácio; uma maciça e vaga formação vulcânica em forma de estrela com cinco torres de coral nas pontas. Por costume, lancei um olhar para a janela que esta na torre sudoeste. E me surpreende muito ver que a luz está acesa. O pessoal da limpeza limpa minha sala, no caso de eu decidir vir em casa. — Com certeza. — digo-lhe enquanto nos aproximamos das portas. — Há algo que você precisa saber antes de entrar. — por mais que eu gostasse de conservar meu título real em segredo, não ia conseguir que Quince não chegasse, a saber. Talvez se fosse eu que lhe dissesse primeiro, ele manteria sua boca fechada quando chegássemos e entrássemos no Palácio. — O que é princesa? — Eu não sou uma Sereia qualquer. — explico. — Sou... — Princesa Waterlily! Engulo um gemido de frustração enquanto um dos guardas do lugar se aproxima vindo da torre direita, tentando chamar minha atenção. Tem três dedos estendidos para frente em sinal de saudação. — Capitão Barnacle. — grita sobre seu ombro. — A Princesa está em casa! — Boa noite Cid. — respondo; escondendo meu desgosto como uma Princesa próspera e saudando de modo que ele possa relaxar. Não é que ele o faça. Está muito excitando. Suponho que era muito esperar aparecer no Palácio e passar despercebidos, obter a separação e voltar para casa, mas papai teria que saber. — Como tem passado?


67

Com quase noventa anos, Cidaris esta perto da idade da aposentadoria, os Tritões tem uma, extremamente longa vida, mas papai nunca pediria que ele se aposentasse. É mais como uma família de guarda real. — Maravilhoso; obrigado Princesa. — responde ainda em posição de sentido. — Sua visita é uma surpresa inesperada. Para você e para mim Cid. Barney surge da torre, endireitando o pescoço de sua jaqueta de uniforme enquanto ele se apressa ao lado de Cid. — Informarei ao Palácio. — anuncia. Mas acho que Cid não escutava uma palavra do que Barney tinha dito, porque finalmente viram o que trago em minhas costas. Seus olhos se abrem um pouco devido ao espanto e depois sorriem. Como se tivesse ganhado na loteria. — Oh, Princesa. — disse. Amolece e se lança para me dar um abraço, agarrando Quince em seu abraço também. — Estou muito feliz por você. Seu pai ficará encantado. Claro que ficará. Quando eu lhe disser que quero uma separação. Se ele não esteve de acordo com qualquer um dos Tritões que tinham vindo à corte, muitos deles Príncipes Mer, definitivamente ia ficar encantado por me separar de Quince. — Oh! — disse Barney. — Oh meu, oh meu, oh meu. — então se joga de novo para a torre, provavelmente para dar ao Palácio a mensagem de minha chegada, e minha surpresa. Porque tudo tem que ser um espetáculo gigante? Em meu tempo como humana, sendo quase invisível, uma garota normal, felizmente tinha esquecido como cada pequeno detalhe da minha vida – aqui embaixo – era sempre uma fofoca. Não era uma boa notícia. Era um erro. Má sorte. Nada em especial. Quince era apenas um garoto normal. Um rude, garoto odioso, que normalmente me atormentava. É aí quando ele se inclina e me sussurra no ouvido: — Era isso que você queria me dizer? — fez uma pausa, seus lábios são suaves e quentes em meu ouvido e enviam calafrios por todas as partes, antes de acrescentar: — Princesa? Nunca vou ouvir o final disto. Margarita, a ama das chaves do Palácio nos recebe na porta. Em vez de nos levar ao escritório de papai, onde ele passa quase cada hora do dia e ocasionalmente os domingos, nos leva para a sala de baile. Ela é brilhante como um peixe lanterna. Para a rainha das fofocas do Palácio, Quince e eu devemos se o melhor presente que ela nunca teve, O Reino inteiro saberá em questão de minutos. Bom, pelo menos eu não estarei aqui para enfrentar a limpeza. Nós íamos falar com papai, correção, eu ia falar com papai. Não confio em Quince para abrir a


68

boca e muito menos quando há um tridente ameaçando-o por abrir a boca. Porque acho que isto foi uma má ideia? De qualquer modo, quando papai ouvir as circunstâncias, vai me conceder a separação em um bater do coração e o garoto motoqueiro será escoltado de volta ao Continente antes do amanhecer. E se os Deuses do mar fossem me favorecer, Quince teria um olho roxo por seus esforços. — Lily! Viro-me completamente para ver papai nadar por debaixo do segundo andar. Eu não tinha percebido o quanto ele me fazia falta até agora. Por um segundo, apenas o olho. Ele parece bem, como sempre, com seu cabelo cinza cortado, mais curto do que a ultima vez que estive em casa. Nesta noite estava vestido com seu traje azul marinho Thalassiniano, seu uniforme de jaqueta azul pálido decorado com botões de perola e uma variedade de fitas e emblemas, parecendo como o grande e poderoso Rei que é. Com exceção do sorriso que aparece em seu rosto quando me vê. — Papai. — assobio e vou ao seu encontro. Seus braços me envolvem como se estivesse em uma forte carapaça de proteção. Apoio minha bochecha contra seu pescoço, enquanto ele esfrega a parte de cima de minha cabeça. Sempre me sentia muito segura entre seus braços. Nada poderia me fazer mal ali. — Senti sua falta. — murmurou contra meu cabelo. — Você não deve permanecer longe tanto tempo. — Eu também senti saudades papai. — respondo-lhe, indo para trás para poder olhar seu lindo rosto. As linhas da idade ao redor dos olhos fazem seu olhar mais profundo que da ultima vez. — Estou tão ocupada com a escola e a equipe de notícias que mal tenho tempo para dormir. — Mas agora você está aqui. — ele me solta e sorri. Parecendo mais jovem. De costas para as portas, Quince limpa a garganta. Muito alto. Fecho os olhos e aperto os dentes. Eu sabia que ele não podia manter sua boca fechada. — Papai esse é... Meu pai vai até ele, rapidamente antes que eu possa terminar, Apresso-me em ir atrás dele para evitar que possa matar Quince antes que eu consiga uma oportunidade de lhe explicar. Em um minuto ele já está diante de Quince. Oh! Não, ele vai estrangulá-lo antes de romper o matrimônio... — Papai, não. — grito tentando intervir. — Ele não está... Meu queixo cai. Papai não está estrangulando-o. Está abraçando-o!


69

Eu me aproximo deles, olhando em completo choque enquanto meu pai abraça a perdição da minha existência, que chama minha atenção por sobre o ombro de papai e me lança alguns grunhidos. Ok se papai não ia estrangulá-lo, eu ia fazê-lo. — Como se chama rapaz? — papai pergunta, liberando Quince de seu grande abraço e tentando impor-lhe seu poder de Rei. — Fletcher, Senhor. — responde. — Quince Fletcher. Deixe que o baiacu pareça educado e respeitoso. — Bem, Quince Fletcher. — papai lança um abraço por sobre os dois ombros de Quince e o outro ao redor dos meus, apertando-nos juntos — Bem vindo à família.


70

N

ão posso acreditar que ele disse isso. — resmunguei pela

quadragésima vez. — Não posso acreditar que ele disse isso. Não posso acreditar que ele... — Eu captei. — Peri me interrompeu. — Esta descrente. Podemos simplesmente estipular o ponto e avançar? Suponho que sei qual é a palavra legal do vocabulário de Peri esta semana. — Mas Peri. — me queixei. — Papai gosta dele. Através do salão de baile abarrotado vejo Papai apresentando Quince aos membros do Conselho Real, os dez Tritões mais poderosos em Thalassinia fora o Rei. Todos eles estão sorrindo e rindo e assentindo como se nunca houvessem sido mais felizes. Eu nunca havia sido mais miserável. Nada em torno das últimas 24 horas haviam sido de acordo ao plano. Primeiro, o baiacu me atrai na biblioteca, como se aceitasse a coisa completa de Brody-Está-Muito-Ocupado-dançando. Então ele me beija. Logo nem sequer pode nadar! Agora ele está convencendo ao meu papai e a completa Corte Real Thalassiniana: A COMPLETA CORTE! Que ele é meu perfeito companheiro marinho. — Porque não disse ao seu pai que foi um acidente? — Peri pergunta. — Eu tentei. — disse, voltando a viver esses confusos momentos no corredor. — Mas antes que pudesse dizer algo, ele abriu aos golpes a porta do salão de baile e... — cubro minha cara com minhas mãos. — Bom, escutou o anúncio. — Quem não o fez? — Minha filha se uniu! — ele gritou para a corte completa reunida para o baile de décimo sexto aniversário da minha prima Dosinia. Havia me esquecido completamente da festa. Poderia ser algum momento pior? (Oh, espera, é minha vida de que estamos falando, assim claramente que não). A alegria do povo deveria ter sido registrada em sistemas de alerta de tsunami em ambos os lados do Atlântico. Então antes que pudesse piscar, estávamos sendo presenteados ao redor do quanto, conseguindo abraços e felicitações de todo mundo. Quando o tio Portunus agarrou Quince em um abraço de urso gigante, fiz


71

minha escapada para a mesa do Buffet. Peri me seguiu desde trás das torres de morangos mergulhados em ameixas-doce e areia da praia. Para minha surpresa, ninguém na festa veio atrás de mim. Todos eles pareciam focar-se em conhecer Quince. — Depois da festa. — disse. — Explicarei tudo tão logo a festa de Dosinia acabe. — Como é considerada. — uma voz fria disse atrás de mim. — Deveria ganhar o prêmio de prima do ano. Voltei-me para encontrar com Dosinia flutuando debaixo de umas flâmulas de serpentinas de alga marinha, os braços cruzados sobre seus bem apresentáveis peitos, talvez melhorados com esponjas e me fulminando com o olhar. Ela pode ser, vinte meses mais nova do que eu, mas sempre tem atuado com superioridade. É muito odiosa. Como se meu principal propósito na vida é fazê-la miserável, quando é mais ao inverso. — Pena que você não esperou para aparecer depois da minha festa. — ela pressionou. — Eu sinto muito, Doe. — digo, embora saiba que ela não aceitará uma desculpa. — Não pretendia arruinar sua festa. Inclusive esqueci completamente o que ocorria esta noite. Sei que lhe disse algo mal, quando seus penetrantes olhos azuis rodados por um delineador anil grosso de tinta espessa se estreitaram ameaçadoramente. — Não quis dizer qu... — É lindo saber que meu principal marco se classifica tão altamente em seu calendário social. — ela pressionou. —Assegure-me de devolver o favor em seu próximo aniversário. Com um movimento de sua nadadeira, ela gira sobre mim e Peri, enviando uma taça de coquetel de camarão ao redor de nós. Não é apenas o meu dia. Ou semana. Ou talvez minha vida. Não, tristemente, esta é minha vida. — Não se preocupe com Dosinia. — Peri disse, tentando me acalmar como um melhor amigo faz. — Ela tem sido uma bruxa marinha a semana toda. Minha mãe quase lhe disse que outra pessoa fizesse seu vestido. E você sabe a paciência que tem minha mãe antes de se enfurecer. A mamãe da Peri era quase uma santa, mas Doe poderia fazer qualquer um perder a paciência do mesmo modo que Old Man River19* — Doe tem boas intenções. — disse principalmente tentando confortar a mim mesma. Como minha única prima mulher, ela deveria ser como uma irmã. — 19

Assim é como muitos americanos conhecem ao Rio Mississipi.


72

Esta noite é uma grande noite para ela. E eu a arruinei totalmente. Sinto pena por ela. Supunha-se que este era seu grande debut, sua introdução oficial a Corte Real e um convite aos elegíveis homens Tritões para começar a cortejá-la, não é que Doe não tem tido encontro por anos, mas agora era oficial. Os pretendentes se alinhariam para cortejá-la, isso estava garantido. Primeiro porque ela é sobrinha do Rei. Considerando como papai afugenta a todos os meus pretendentes em potencial, isso é tão próximo do trono dele que a maioria dos jovens homens Tritões poderia chegar. E segundo, ela é linda. Com seu longo cabelo loiro caramelado, ardentes nadadeiras rosadas e púrpuras, reluzentes lábios cheios e olhos que poderiam hipnotizar a um garoto em menos de vinte segundos, ela vai escolher o que quiser no reino. Esta noite deveria ter se tratado dela, não do garoto baiacu motociclista com ombros amplos e um sorriso encantador e... — Logo a arrastei para dentro da casinha e a sentei sobre meu colo. — Quince disse alto o suficiente para que eu pudesse escutar do outro lado do salão. A assembleia inteira, escutando com absorta atenção; começaram a rir. Incluindo Papai. — Vou matá-lo. — disse para Peri enquanto me coloco a caminho para o grupo. Enquanto nado, ele está dizendo. — Então ela estava, praticamente com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto, mas ainda pronta para... — Aí está você! — gritei por cima do que ele estava a ponto de dizer. Cruzei a nado até seu lado e envolvi um braço ao redor da sua cintura, apertando forte e cravando minhas unhas na carne da sua caixa torácica. — Porque não deixamos que os membros do Conselho, vão felicitar a Dosinia em seu debut? Pode dizer suas histórias depois. Dei-lhe um olhar que dizia claramente que esse “depois”, queria dizer “nunca”. Não é que ele leve a sério alguma das minhas indiretas. Ele põe esse sorriso seguro-de-si-mesmo em sua cara, desliza um forte braço ao redor dos meus ombros, e aperta de volta. Seus olhos mantêm os meus cativos enquanto ele diz: — O que queira... Princesa. Sorrio através dos dentes apertados, esperando que sua plateia vá para longe assim posso dizer exatamente o que estou pensando. Embora aposto que ele pode adivinhar. Quando estamos sozinhos digo. — Não me envergonhe na frente da minha gente. Sou membro da família Real e não espalhe minhas fofocas sujas através dos sete mares. Seus olhos se suavizam e toda sua aborrecida arrogância se desfaz. — Não estava tentando...


73

— Bem, o estava. — insisto. — E enquanto você nunca terá que ver essas pessoas outra vez, eu tenho que viver o resto da minha vida aqui, e não os quero rindo dissimuladamente pelas minhas costas ou duvidando do meu juízo. — Sinto muito. — disse, soando sincero. — Não voltará a acontecer. — Bom. Não estou certa de como tratar com um Quince que se desculpa. Especialmente quando algo em meu intestino me diz que seu remorso é real. Este conhecimento me deixa estupefata por um segundo, inclusive sabendo que a união está criando essa conexão, se sente tão..., natural. — O resto da sua vida, eh? — ele pergunta, quebrando minha concentração. — O que? — Está voltando para cá permanentemente. — disse suas emoções agora estão cuidadosamente protegidas. — Quando? Depois da formatura? — Provavelmente... — Ali está o feliz casal! — papai cruza nadando, seus dois assessores mais próximos o seguem. Eu ainda não consigo superar o quão feliz ele se vê. Não chego a compreendê-lo. Cada garoto aquático que inclusive não obteve um segundo olhar e as ameaças de deportação as Fossas Marianas 20, o equivalente do mundo marinho de minas Siberianas de sal. Mas Quince aparece; este humano idiota aborrecido e papai esta praticamente fazendo uma parada. Porque desta vez é diferente? Desta vez iria quebrar seu coração quando se intere que tudo isto é um enorme erro. Melhor esclarecer as coisas agora, antes que se apegue demais. — Papai, preciso lhe dizer... — Existem algumas papeladas para preencher. — ele interrompeu. — Algumas formas e renuncias que você e Quince. — deu um sorriso orgulhoso para Quince. — Devem preencher antes da cerimônia de casamento. — Mas papai... — Não há razão para adiar. — ele continuou. — Meus assessores vão preparar os documentos. — Papai... — Não levará mais que alguns minutos. — Pa... Fossas Marianas: é a parte mais profunda do mundo oceânico e a elevação mais baixa da superfície da correnteza da Terra. Está localizado no oeste do Oceano Pacifico, ao leste das Ilhas Marianas. 20


74

— Podemos ir ao meu escritório agora mesmo e... — Foi um erro! — gritei, muito mais forte do que desejava, mas ele simplesmente não estava escutando. O que mais se supõe que devia ter feito? Além disso, funcionou. Papai deixou de falar. Deixou de sorrir, também. De fato, ele tem uma espécie de carranca, não, faz com que seu rosto se enrugue. Isso é quando percebo que o baile inteiro está em silêncio ao nosso redor. Nem sequer a corrente se move enquanto sinto toda a atenção sobre mim. Aperto meus olhos fechados. A assembleia inteira apenas escuta meu arrebatamento..., e agora estão aguardando ansiosamente o seguinte movimento. — Meu escritório. — papai ruge. — Agora! Ele se vira completamente, esperando ser seguido. Olho furiosamente para Quince, porque inclusive se ele não sabia no que estava se metendo, tudo isso era sua culpa. Graysby e Grouper pegaram Quince, um em cada braço e o levaram para a porta e fora do vestíbulo. Deixando-me completamente sozinha em um quarto cheio de pessoas me olhando. Enquanto começo a entender, pego o olhar de Peri através do quarto. Ela me dá um sorriso compassivo, sabendo que estou em algum tipo de encrenca. Depois, sem olhar algumas das outras dúzias de pares de olhos observando-me, troco minha direção para a porta e me encaminho para a torre do escritório de papai. Estava completamente preparada para negociar com um pai furioso quando cheguei a casa. Apenas não estava preparada para enfrentar a um que estava furioso porque estava me unindo a um humano. Talvez seja a lua cheia que esta fazendo toda essas coisas e todo mundo ande completamente confusos. Não posso pensar em algo que concebivelmente poderia fazer esta situação pior. Papai estava andando sobre um redemoinho quando nadei dentro de seu escritório. Quince estava sentado em uma das duas cadeiras encarando o enorme escritório de Papai. Ainda que os Tritões não necessitem de cadeiras. Quem necessita se sentar quando pode flutuar? É uma relíquia cerimonial do tribunal de Poseidon. Enquanto nado ao redor para sentar na outra cadeira, Quince me dá um sorriso de desculpas. Minha raiva para ele se definha um pouco. (Sempre é mais difícil agarrar-se a minha irritação debaixo da água.) Ele está tentando levar isso como qualquer outro, mas posso sentir que ele se sente mal por me colocar em problemas. Genial, a união está transmitindo totalmente suas emoções. A seguinte coisa que sei, é que estarei lendo seus pensamentos também. Precisamos separar esta coisa antes que a linha entre o que é real e o que é a união se convertam em total escuridão.


75

— Papai. — comecei. — Eu... — Silêncio! Eu afundo na cadeira ao lado de Quince. Sendo a filha do Rei, aprendi faz muito tempo a manter minha boca fechada quando ele está raivoso. Papai tomou algumas inalações profundas, e isso pareceu acalmá-lo. Depois, com uma expressão mais suave em seu rosto, se acomodou na ornamentada cadeira atrás de sua mesa. Suas mãos apertaram os curvados braços tão apertadamente que seus nódulos se voltaram brancos, mas seu rosto está completamente calmo. Está tentando atuar como um pai, mas posso dizer que Sua Alteza Real Rei Whelk está simplesmente escondido debaixo da superfície. — Por favor, explique como é que isto. — ele gesticulou para mim e Quince — É um “erro”. — Bom, Papai, este garoto... — Não. — ele interrompeu. Sinalizando para Quince, disse. — Gostaria que ele me dissesse o que aconteceu. Quince se inclinou para frente em seu assento e assentiu como se entendesse o que está acontecendo aqui. Bem, isso o faz um de nós. Deve ser uma coisa de caras. — Foi minha culpa, senhor. — ele disse, soando respeitoso. — Sua filha estava esperando encontrar outro jovem, mas quando ele foi incapaz de fazer o convite, eu o fiz. Olhei boquiaberta para Quince. Quem é este cara sentado no escritório do meu pai? E o que ele fez com o odioso garoto motociclista que trouxe a Thalassinia? Este cara é todo grande em palavras, respeito e reverência. Nada como o Quince que conheço na terra. Talvez a água o esteja amolecendo, muito. — E o beijo? — papai grunhiu. Faço uma careta. Tem alguma tortura maior que se sentar ali escutando como seu primeiro beijo; ainda não pode acreditar que pelo resto da minha vida, meu primeiro beijo sempre haverá sido de Quince Fletcher, havia se convertido em sua pior experiência? Os humanos deveriam sentir-se agradecidos porque podem conservar o seu segredo. — Minhas desculpas, senhor. — disse Quince. — Não me sinto a vontade discutindo os detalhes de um momento muito particular. Mas posso lhe assegurar que estou assumindo completamente a culpa pela situação. Lily não podia ter suspeitado que eu fosse beijá-la.


76

Minha respiração saiu rapidamente em um aliviado suspiro. Terei que agradecer a Quince por este pequeno favor. Embora, se estou sendo sincera, me pergunto o que teria pensado Quince do beijo? Minhas barbatanas reviraram, porque pensei que ele era Brody, mas e para ele? Foi simplesmente outro beijo? Papai não falou, simplesmente assentiu. Os cotovelos sobre os braços da sua cadeira, ele colocou seus dedos juntos debaixo de seu queixo. Seus tempestuosos olhos cinza têm um olhar distante e posso dizer que ele está tentando imaginar o que fazer. Bom, posso dizer o que fazer. Realizar o ritual de separação assim Quince e eu podemos ir para casa e voltar a nossas vidas normais. Não é que eu diga algo. — Bem, concederei a separação. — papai finalmente disse. Então, antes que possa pular de alegria. Não é que esperava que ele fizesse algo, adicionou — Amanhã à noite. O olhei estupidamente. — O que? — Pode ficar toda a noite sem complicações? — pergunta para Quince, ignorando meu arrebatamento. Quince assentiu. — Sim, senhor. — Pode se retirar. — papai disse, fazendo gestos para que Quince saísse. — Gostaria de falar com minha filha em particular. Quince empurra para trás a cadeira e trata de remar através do quarto para a porta. Mas, como ele disse muito antes, não pode nadar. Assim que ele simplesmente flutua lentamente através da habitação, impulsionado pelo seu empurrão contra a cadeira. É penoso de observar. Quando já não posso aguentar, salto da minha cadeira e nado ao seu lado. — Tem que cavar a água. — explico. — Desta forma. Demonstro um simples golpe de tração. Ele me copia, mas a água simplesmente desliza entre seus dedos. — Mantenha seus dedos unidos. — pego sua mão, moldando-a a prova de filtrações assim realmente pode conseguir algum propulsor para se mover. — Agora tenta. Desta vez quando ele jogou se moveu, em um círculo, porque só puxou uma mão, mas ainda assim é um progresso. Ele tentou de novo com ambas as mãos, enviando a si mesmo flutuando para a porta. Olhou para trás sobre seu ombro enquanto dava braçadas para fora, dando um sorriso inescrutável. — Obrigado, princesa. Não estou certa de como posso dizê-lo, mas não acredito que ele estivesse zoando do meu título. O observei até que ele conseguiu atravessar a porta, aonde Grays e Grouper trataram de carregá-lo outra vez. A última coisa que vi antes que a


77

porta se fechasse foi Quince encolhendo os ombros e dizendo-lhes. — Já sei como fazê-lo. Não percebo até que me volto para meu Pai que estou sorrindo. Minha cara imediatamente se volta em branco. — Papai, realmente não pode esperar que ele... — Isto não se trata do jovem. — ele disse, nadando fora de sua cadeira até mim dando-me um abraço. — Logo que realize a separação, voltará precipitadamente a superfície. Gostaria que passássemos algum tempo juntos antes que se vá. Deixo que papai diga a única coisa sentimental que faz me sentir bem com sua decisão. Sua petição apenas me lembra de quanto tempo estou fora, quanto tenho sentido saudades do mar. Se apenas houvesse sido Brody na biblioteca, então poderíamos ficar permanentemente. Pergunto-me rapidamente qual será a reação de papai quando finalmente traga Brody para casa. Vai ser apenas tão surpreendente entusiasmado como ficou ao tratar com Quince? — Me diga algo. — descansei, a curiosidade atrapalha o melhor de mim. — Qualquer coisa. — disse automaticamente. — Porque ele te agrada? — tenho muita fé no julgamento de papai, assim que é um total mistério porque ele está tratando Quince como seu filho perdido há muito tempo. Uma pequena e preocupante dúvida atrás da minha mente se perguntou se talvez papai visse algo nele que eu não tenha visto. — Porque o aceitou de braços abertos quando trabalhou tão duro em afugentar cada garoto do mar? Papai se aproximou enquanto colocava de lado uma mecha do meu cabelo loiro que flutuava entre meus olhos. — Porque pensei que o havia escolhido. — ele disse. — Todos esses tontos garotos aquáticos que te acossavam, assim que nunca pude estar seguro das suas intenções. Mas trouxe este garoto, um terrestre que não poderia ter nenhum conhecimento real da sua posição em nossa sociedade. Ele não poderia ser simplesmente outro perseguidor do titulo. — Oh! — disse silenciosamente. Não sei por que uma parte de mim está decepcionada. Não é como se quisesse que ele me dissesse que Quince era algum tipo de casal magicamente marinho perfeito ou algo assim. Além disso, estas são boas notícias, porque a situação será o mesmo com Brody. Deveria me sentir aliviada. Não, me sinto aliviada. Isto é genial. O baiacu e eu ficaremos para a noite, conseguirei permanecer com papai por algum tempo. Depois posso voltar a ver o mar sabendo quando finalmente trouxer para casa Brody, ele terá uma celebração de boas vindas.


78

Enquanto me aconchego contra o pescoço de papai; pergunto. — Me levará ao Bubbles and Baubles21*? Ele soltou um suspiro, mas sei que é simplesmente irritação fictícia. Papai ama me mimar cada vez que estou em casa. — Apenas se prometer deixar algumas coisas na tenda desta vez. — disse. — Possivelmente não pode levar tudo de volta para casa da sua tia. — Isso está bem. — brinquei. — Apenas deixarei algo que não possa levar aqui no meu quarto. Papai clareou sua garganta e retrocedeu. — Sim, precisamos discutir sobre seu quarto. Meu quarto? O que tem para discutir? — Com todos os convidados na cidade para o baile de Dosinia, temos tido que... — ele fez uma pausa, como se estivesse buscando as palavras certas. — Que ser criativos em nossos alojamentos. — O quão criativo, exatamente? — perguntei, não gostando do som disto. — Depois de algumas reacomodações necessárias; e convidados de última hora, todos menos um dos nossos quartos de hóspedes estão cheios. Quince obviamente terá que ficar no quarto disponível. Infelizmente. — ele disse. — Não terá o seu para você.

21

Bubbles and Baubles: uma loja no mundo marinho de Lily, traduzido quer dizer Bolhas e Bolas.


79

D

eixe-me ficar com você. — rogo para Peri. — Podemos ter uma

festa de pijamas como quando éramos guppies22*. — Não posso. — diz. — Toda a família está na cidade por causa do baile. Estou compartilhando meu quarto com três de meus primos. Viro-me e enterro minha cabeça nas anêmonas rosa do mar, uma variedade especial sem buracos cultivada pelo artista marinho real exclusivamente para os jardins do Palácio. Não tem cheiro, mas suas pétalas suaves e aveludadas sentemse como cetim contra minha bochecha. Estou desesperadamente necessitada de algo zen urgente. Justo quando pensava que meu fim de semana não pudesse piorar. — Ela vai me matar enquanto durmo. — queixo-me. — Não, não fará isso. — Você não sabe Peri. — insisto. — Ela me odeia. Esta é a oportunidade que esteve esperando por toda a sua vida. — Você é da Realeza. — Peri diz, como se isso fizesse tudo melhor. — Dosinia sabe que te matar seria alta traição. Ela pode pintar o seu cabelo de roxo, mas não vai te matar. Deixo que Peri seja toda lógica em uma situação como essa. Compartilhar meu quarto, meu quarto, com Dosinia é como viver com um grande tubarão branco que tem um gosto por Sereias. Dosinia e eu deveríamos ser próximas. Ao crescer, deveríamos ser mais unidas, como nossos primos masculinos. Kit e Nevis o eram (continuam sendo) um pesadelo total, colocando caranguejos aranhas em nossas camas e medusas em nossas comidas. Inclusive eram mais maliciosos com Doe, sempre gostaram mais dela do que eu. Jogava com eles ao invés de comigo. Nunca entendi por que. — Talvez eu possa dormir aqui, nos jardins. — sugiro. — Nós já fizemos isso antes. — Um pouco de seriedade, Lily. — Peri pega uma folha de caulerpa23* e a desliza por trás da minha orelha. — Com a corrente de primavera tão forte como a de agora, você estará nas Bermudas pela manhã.

22 23

Guppies: É um peixe ovíparo de água doce. Caulerpa é um gênero de algas marinhas.


80

— Isso é tão injusto. — sei que estou choramingando, mas não me importa. — É meu quarto. — Deixa de choramingar. — Peri empurra minha cabeça para fora das anêmonas. — Ainda não me contou todos os detalhes divertidos de sua carga terráquea. — ela olha a porta do Palácio, onde Cid e Barney estão mostrando a Quince como conduzir um wakemaker (é como um carrinho de golfe, mas com propulsão de água.). — Ele é lindo. Eu salto para cima. — Ele não é lindo. Peri me dá uma olhada que diz: Tem que estar brincando. — Está bem. — franzo o cenho para ela e em parte para ele. — Ele não é feio. Ela levanta uma sobrancelha, elegantemente curvada, de cor marrom. — Ele é... — entrecerro meu olhar em sua direção quando o wakemaker acelera, movendo-se com um rápido movimento através da água. No lugar de demonstrar, mal-estar ou dor, Quince sorri abertamente. Seu grande sorriso brilhante resplandece naturalmente, iluminando todo o jardim. Quando ele me pega olhando para ele, eleva dois polegares para cima, como se fosse à coisa mais legal. — Tem algo. — eu finalmente digo. E de muita, muita má vontade, concedo. — Ele tem um belo sorriso. Não é tão bonito como o de Brody, é claro. — O garoto é um pedaço certificado. — diz Peri, dimensionando Quince como uma fatia de bolo de baios de águas marinhas. Logo ela se vira para mim, cravando seu olhar cinza-verde. — Mas a última coisa que eu soube é que você estava completamente amarrada em Brody, o nadador maravilha... Como você terminou junto de seu vizinho? Eu lhe dou um breve resumo do jogo-por-jogo, evitando a parte em que minhas barbatanas se enroscaram nele e o bom e quente que eram seus lábios ou como me fez beijá-lo antes de baixar sob a água ou a forma em que assumiu toda a culpa por mim. Quando termino, ela não diz uma palavra. Só arranca outra folha, rodando sobre suas costas, e a deixa voltear com a corrente. — Bem? — pressiono-lhe. — Bem, o quê? — ela responde. — Não acredita que fede como ovos podres de peixe? — por que minha melhor amiga não me apoiava com o terrível que era esta situação? Ela não deveria estar indignada com o comportamento de Quince e concordar comigo que deveríamos conseguir um par de golfinhos e deixá-lo no Ártico? Saio das anêmonas e giro ao redor, flutuando na frente dela. — Já te contei as histórias. Como na vez em que passou uma semana seguindo-me na escola em sua motocicleta e nunca


81

disse uma palavra, só retumbava ao longo de três metros por trás de mim por todo o caminho. E que ele bate em meu armário toda vez que passa junto de mim. E como sempre consegue arruinar cada possível momento de progresso que eu conseguia com Brody. Quer dizer, você não acha que ele é pior do que a lama do fundo do oceano? É tão grosseiro e medíocre e... — Está flutuando atrás de você. — diz Peri, sem afastar seu olhar de sua anêmona. Fico paralisada. Talvez ela só esteja brincando comigo. Ou ela está errada. Ou... — Falando de mim, princesa? É claro. Fecho os olhos e tomo uma respiração profunda antes de me virar. — Quince, eu... — Não há dano, não há delito. — ele diz, rechaçando minhas desculpas. Tomando isto como se não fosse importante, mas vejo algo em seus olhos, tenho a sensação de que ele, me oculta algo que não é capaz de dizer na minha frente. Percebo. Ele não cede, no entanto. — Esse Wakemaker é uma peça de poder. — faz um gesto para a porta, onde Barney e Cid estão tentando meter o wakemaker em uma garagem na torre. — Sim. — estou de acordo, tentando compensá-lo por agir como uma bruxa do mar sendo extra-agradável. — Necessita de um pouco de tempo para se acostumar. O truque está em soltar a embreagem muito devagar. Ele me lança outro sorriso brilhante. — Vou lembrar-me da próxima vez. Peri faz um som realmente forte de bocejo por trás de mim. — É hora de ir para casa — diz. — Tenho que fazer com que meus priminhos se metam na cama. — Tem que ir agora? — viro para ela, suplicando com meus olhos para que fique. Para que não me deixe só com Quince. — Sim. — ela me dá uma olhada significativa, uma que diz: não posso te salvar todo o tempo. — Além disso, entra a festa de Doe e você... — dá de ombros para Quince. — Estou aniquilada. Vou dormir antes que flutue pela porta. Então, antes que eu possa discutir ou rogar ou ameaçar com chantagem, ela me deseja boa noite e nada, afastando-se. Vejo-a desaparecer pelas portas. Não é como se nunca tivesse estado só com Quince antes, mas agora parece diferente. Agora que sabe a verdade sobre mim, toda a verdade da Realeza, eu estou muito mais nervosa na sua frente. Finalmente, me viro. — Eu...


82

— Estou cansado, também. — diz, antes que eu consiga dar algum sentido verbal aos meus pensamentos, salvando-me de dizer algo estúpido. — Seu pai me disse que você tinha que me mostrar à sala de estrelas do mar? — Claro. — digo, meu estômago se afunda um pouco. Não estou certa de por que me sinto mal de que ele esteja me dando uma saída fácil para a noite. Quero dizer, não quero passar um tempo com ele. Certo? — É um andar abaixo do meu quarto na torre sudoeste. Nadamos em silêncio até a entrada principal do palácio. É lento por que ele está tentando nadar por sua conta, mas está melhorando. Descobriu como combinar uma simples braçada de peito com uma patada de golfinho. Ainda assim era mais lento que minha velocidade normal, mas bastante impressionante para um ser humano que não sabia nadar esta manhã. Tenho a sensação de que ele está tentando tirar o melhor desta situação. O que faz com que eu me sinta pior por ter fofocado sobre ele com Peri. — Sabe, eu não queria dizer o que disse. — explico, enchendo o silêncio à medida que nos movemos através da sala principal para minha torre. — Não acho realmente que você seja mal-educado. Bom, tampouco medíocre, de qualquer forma. Pode ser um pouco grosseiro, mas isso não é desculpa para... — Lily. Não estou certa do que deteve minhas balbuciantes desculpas, poderia ser seu tom autoritário ou o fato que ele utilizou meu nome verdadeiro, por uma vez. De qualquer forma, minha boca se fechou. — Está bem. — ele não me olha enquanto fala o que me faz sentir menos do que uma babosa do mar. — Sério. Sei que você não pediu por essa situação mais do que eu. Não vou utilizar suas emoções contra você. — Eu... — não posso acreditar no que ele acabou de dizer. É tão agradável. — Obrigada. Eu realmente sinto muito, no entanto. Só quero conseguir passar por amanhã, conseguir a separação e logo voltar a nossa vida normal. — Voltar para Brody. — Sim. — digo, fazendo caso omisso da frieza em sua voz, a tensão repentina em seu corpo. — Voltar para Brody. Voltar para Seaview. Voltar para tudo que é normal antes do baile na noite anterior. Não se trata de você. — explicolhe. Nem tudo é sobre ele, de qualquer forma. — Se trata de mim. Isso é tudo. Quince deixa de nadar e me olha diretamente nos olhos. — Eu entendo princesa. Realmente entendo. — um dos lados da sua boca se eleva em um sorriso brincalhão. — Eu queria voltar para a normalidade também. Havia alguns matizes graves em sua última declaração, só não estou certa de quais eram.


83

Durante vários segundos nos olhamos um ao outro, como se os dois estivessem tentando descobrir o que realmente estava acontecendo. Pela primeira vez, realmente estava tentando aproveitar-me do vínculo, para alcançar e ler o que ele estava sentindo. Centro-me em Quince e abro minha mente para ele. Fui surpreendida por uma repentina sensação de nostalgia que era muito mais forte que nada do que eu estava sentindo. Tão mal se sentia por querer voltar para casa? E isso me fez sentir ainda pior por estar tão irritada com ele. Tudo o que ele fez foi beijar a garota errada, e em um instante sua vida na terra ficou fora de seu alcance. O mínimo que eu podia fazer era ajudar-lhe a passar um bom momento enquanto estava aqui. — Onde está essa sala de estrelas do mar? — ele pergunta, rompendo nossa intensa bolha. Sem dizer nenhuma palavra me viro e nado para a torre, sabendo que Quince me seguia. — Aqui está. — digo. Um rápido giro da maçaneta, e empurro para dentro do que sempre foi uma de minhas salas favoritas no palácio. Tenho uma espécie de obsessão pelas estrelas do mar de qualquer tipo, provavelmente por que não podemos ver as estrelas verdadeiras do fundo do oceano. Tem que nadar até a superfície para vê-las tilintando acima. Além de contar com os previsíveis acessórios em forma de estrela do mar, a sala de estrelas do mar tem um teto bioiluminado pintado de estrelas. Enquanto flutuo dentro da sala, viro sobre minhas costas e olho para a superfície estrelar. Isto, às vezes, me deixa um pouco nostálgica e me faz sentir falta da terra. Mas, agora que sei, não estou tão triste, nem de perto como está Quince. — Isto é uma sala? — Quince pergunta, flutuando por trás de mim. — Onde está a cama? — Ali. — aponto para uma peça em forma de concha no centro da sala. — Okay... — ele nada e olha a cama com ceticismo. Não é a típica cama com dossel, certamente, mas se ele costumava dormir sobre um colchonete plano, ele podia passar uma noite em uma concha curva. Então, enquanto ele torpemente se vira para inspecionar a sala, seu olhar pousa-se na escultura no canto. — Whoa. — É bonito, não? — pergunto-lhe. Ambos nadamos até a coluna tridimensional, feita de todas as variedades de casca azul, encontradas no mar. Meus favoritos são os ouriços de areia, salpicando o redemoinho de azul escuro com manchas brilhantes, quase cor azul céu. Quince passa a mão vacilante sob as curvas, como se ele pudesse acidentalmente dispersar todas as conchas na corrente. Mas depois, contenho minha respiração quando seus dedos se mantém sobre um ouriço de areia.


84

— Alucinante luz azul. — ele diz. — Nunca tinha visto esta cor. Tento ignorar o fato de que estava se fixando na minha parte favorita da escultura. Em seu lugar, me concentro em ser educada. — Os ouriços de areia são naturalmente muito coloridos. — explico. — Mas quando eles morrem, gradualmente empalidecem até virarem a sombra branca que vemos na terra. — Então todos estão... — ele toca em um, gentilmente. — Vivos? — Não. — o pensamento de uma escultura viva me faz sorrir. É uma ideia muito genial, mas manter as criaturas crustáceas com vida e em um lugar seria um grande esforço. — O artista as trata recém-mortas para manter a cor. É uma técnica de congelamento de flash que pode preservar qualquer coisa, desde conchas até estrelas do mar; os estaleiros de cor do arco-íris e algas marinhas. — É incrível. — diz, virando o olhar cheio de assombro para mim. — Você é incrível. Não, eu acho que só sou uma metade Sereia. Mas ele me olhava como se eu fosse incrível e eu quase me sentia dessa maneira. — Dorme até tão tarde quanto quiser. — digo, abruptamente, incômoda com a repentina comodidade da situação. Quanto mais tempo dormir, menos tempo tenho que passar tentando descobrir o que lhe dizer e menor era a possibilidade de lhe dizer algo ruim e estúpido. — Nos encontraremos antes da cerimônia amanhã à noite. Até então, dorme profundamente e... — Espera. — interrompe. — Acha que vou passar o dia todo deitado no seu quarto para convidados? De maneira nenhuma. E se eu só tiver uma oportunidade na minha vida para explorar o Reino das Sereias, não perderei a oportunidade. Quero..., ver tudo. — Um pouco de seriedade, Quince. — tento raciocinar com ele. — Não pode simplesmente nadar ao redor de Thalassinia, olhando nas casas e... — Eu sei. — Quince nada perto, tão perto que posso sentir seu calor corporal na água. — Pode mostrar-me os arredores. — Uh-uh. — nego com a cabeça. A última coisa que quero fazer é passar mais tempo em sua companhia. Especialmente com o assunto de sentir suas emoções como as minhas. Na realidade, agora mesmo eu já estava me abrandando com ele, apesar de saber que era só parte do vínculo. — Vamos, princesa. — murmura, flutuando mais perto ainda. — Eu fui muito bom com respeito a todas essas coisas de Sereia. Acho que ganhei um tour pessoal. Meus ombros se fundem. Ele me tinha com isto. Estava levando tudo isto realmente muito bem. Nenhuma reclamação ou temor e inclusive incredulidade. E


85

se eu tivesse estado em seus sapatos, ou melhor, em suas botas de motociclista; teria querido dar uma olhada ao redor, também. — Está bem. — cedi. — Vou te dar o Tour Real. Ele sorri, e tenho que conscientemente deter a mim mesma de sorrir em resposta. Não é bom formar uma conexão ainda mais forte com Quince. — Me reunirei contigo na sala de café da manhã. — sugiro. — Podemos começar de lá. Afasto-me antes que seu sorriso me infecte. Eu estava quase na porta quando ele diz: — Boa noite, princesa. Sem virar-me, digo. — Boa noite, Quince. Enquanto nado para meu quarto, me pergunto quando aconteceu de Quince e eu termos começado a ser civilizado um com o outro. É evidente que o vínculo poderia fazer com que milagres acontecessem. Dosinia estava flutuando fora de meu quarto, nosso quarto, recordo com um gemido, quando subo as escadas, como se ela tivesse esperando por mim. — Dando um beijo de boa-noite em seu garoto-vínculo? — ela cruza os braços sob seu peito e chuta uma cadeira de lado. — Ele tem boa aparência, suponho. Se você gosta de terráqueos. — Deixe-o, Doe. — digo, empurrando-a ao passar para entrar no quarto. — Não estou para isto agora. — Oooh, problemas no paraíso? — ela se precipita para trás de mim, flutuando enquanto eu nado até minha cômoda e abro a gaveta de baixo, em busca de uma camisa para dormir. A gaveta estava cheia de lantejoulas, pérolas e tudo coberto por geadas. Definitivamente não era meu estilo. — Onde está minha roupa? — exijo. Sacudindo abertas as três gavetas, encontro-as todas igualmente cheias de babados e partes do guarda-roupa de Dosinia. A garota não entende o conceito de eufemismo. — Sinto muito. — ela cantarola, nadando até a cama e flutuando sobre o colchão esponjoso. — Tinha que colocar minha roupa em algum lugar. Franzindo o cenho, repito. — Onde? Aponta para baús enormes debaixo da minha janela. Os quais tinham sido presentes de papai para meus doze anos. Ele tinha salvado um tronco de um velho naufrágio e o tinha restaurado e impermeabilizado, pelo que não se veria abaixo. Eu abro as fechaduras de ouro brilhante e empurro para cima a tampa, só para descobrir todo o conteúdo de meu armário jogado no baú em uma pilha suja


86

gigante. Não tinha energia para uma briga, assim que só peguei um top e fui tomar banho. Doe me segue. — Ele não é seu tipo usual. — diz pela porta aberta. — Você normalmente prefere os bagunceiros, os intocáveis garotos populares. Este parece que saberia onde encontrar problemas sem procurar muito. Ela soa..., intrigada. Isso é o último que preciso. — Deixe assim, Doe. — peço. Meto-me atrás da cortina do banheiro, e tiro a parte de cima. — Ele está aqui só por um dia. Não vale a pena jogar suas iscas. — Se você está dizendo. Quando saio, ela não esta à vista. Uma olhada rápida no quarto, e a vejo fechando meu baú de um golpe. Ela age como um guppy. — Por que você teve que voltar esta noite? Não posso ver seus olhos por que está de costas para mim, mas posso dizer pelo tom de sua voz que está à beira das lágrimas. Quando uma Sereia chora debaixo da água, não é como na terra. Suas lágrimas só se dissolvem na água ao redor dela, mesclando suas gotas salgadas no mar salgado. A única indicação que está chorando são seus olhos. Não importa de que cor são suas íris normalmente, quando choram se transformam em um tom brilhante que coincide com suas escamas. Sei por experiência que os meus se tornam cor ouro. E os de Dosinia de cor rosa brilhante. Igual ao campo de anêmonas no jardim abaixo. — Não tinha outra opção. — explico, nadando atrás dela. — Tive que trazêlo aqui o mais rápido possível para poder conseguir a separação e continuar com minha vida. É só..., má sorte que aconteceu esta noite. — coloco uma mão em seu ombro, perto da sua marca de Sereia de cor fúcsia. — Não era minha intenção arruinar sua festa. Ela ri e dá de ombros tirando minha mão. — Arruinar? — pergunta como se fosse uma palavra ridícula. — Está brincando? Era o acontecimento social do ano. Ela se vira e me olha nos olhos por uma fração de segundos antes de saltar sobre a cama e sentar-se no que sempre foi meu lado. Mas ao invés de discutir, sobre a cama ou a festa, eu silenciosamente pego o outro lado e deito ali. Além disso, como se discute com uma garota cujos olhos estavam cintilando mais brilhantes que a lua?


87

Q

uince olhou o Buffet do almoço no salão principal de jantar como se

isso pudesse levantar e nadar para longe. Eu não sei qual é o problema dele. A disseminação parece incrível. Há vários ovos mexidos com enguia, sea-fans 24 tostadas, tiras de alga marinha em conserva, e uma variedade de frutos locais misturadas com alguns frutos da terra, o Reino tinha um acordo tradicional com alguns humanos mercantes que capturava as conchas gigantes e outras conchas que poderiam nos fornecer. E, se você ama sushi, eu te desafio a me dizer o nome de uma Sereia que não goste de sushi, nós temos todos os tipos de variedades de nigiri, maki e inari que você pode sonhar. Agarrando um prato, eu comecei a pegar as iguarias Thalassinia. — Se importa em me apresenta o menu; princesa? Eu fiz uma carranca para Quince, pronta para desviar qualquer insulto que ele estava pronto para lançar, mas ele parecia genuinamente preocupado com o Buffet. — Você não come sushi, come? — eu supus. — Não se eu puder evitar. Rolando meus olhos, eu apontei para os ovos mexidos com enguia e sea-fan tostadas. — Pegue algum daqueles. — eu peguei uma colher cheia de frutos e coloquei em seu prato. — Isso deve ser o bastante para passar o dia sem recorrer ao peixe cru. Ele me deu um olhar de alívio e então fez um prato cheio com a minha recomendação. Eu não tinha o coração para dizer o que eles realmente eram. Ele provavelmente iria devolvê-los. Uma vez que estávamos na mesa ele aprendeu como se usava os seasticks, que são os palitinhos marinhos iguais os palitinhos para comida chinesa, ele perguntou. — O que está na agenda? Eu encolhi os ombros, mergulhando meu maki de atum picante no molho grosso de gengibre antes de colocá-lo na minha boca. Meus olhos se fecharam automaticamente, focando na sensação picante e ácida na minha língua. O continente têm mercado com vários restaurantes de sushi, e muitos deles são

É desses tipos de corais em forma de leque. http://www.museumsinthesea.com/_images/sanpedro/pics/bio20.jpg 24


88

bastante aceitáveis. Mas nada comparado ao mestre real de sushi. Eu senti meu corpo cantarolar com prazer gastronômico. — É bom, huh? Meus olhos se abriram. No meu êxtase eu tinha completamente esquecido de Quince, sobre tudo exceto a pura alegria de sushi. Eu mastiguei e engoli rapidamente. Sabendo que minhas bochechas devem estar um vermelho brilhante, eu mantive minha cabeça baixa e peguei outro pedaço de seasticks. — Sim. — eu disse meramente. Eu senti Quince se mexer perto de mim. — Então eu tenho que tentar um. Surpresa, eu olhei para ele. Ele parecia serio. — Hey, qualquer coisa que dá a uma menina aquele tipo de prazer. — ele disse com um piscar de olhos. — Deve valer a pena tentar. Agora minhas bochechas estavam praticamente pegando fogo. Ele me assistia com um tipo de intensidade inquietante enquanto eu pegava o gengibre e molhava o pedaço que eu estava preste a comer e o segurei para ele. Para Quince. Nunca tirando seus olhos de mim, ele se inclinou para frente e abriu sua boca. O atum picante desapareceu entre seus lábios carnudos e dentes brancos. Meus olhos lançaram para cima, ansiosos para ler as suas reações. Uma matriz de emoções cruzou através de seus olhos. Incerteza. Contemplação. Intriga. Finalmente, em um movimento fluido, ele engoliu e então me deu um leve sorriso forçado. — Não foi. — seu sorriso vacilou. — A pior coisa que já comi. — Oh! — eu disse, não tendo certeza porque eu me sentia aliviada. — Bom. — Mas eu acho que irei ficar com os ovos e o tostado. Nós terminamos a comida em silêncio. Eu assisti nervosamente Quince de canto de olho, esperando ele perceber que o “ketchup” que ele estava colocando em seus ovos é na verdade geleia de pepino do mar, mas ele estava comendo comida do mar como se fosse seu hambúrguer favorito e suas batatas fritas. Dosinia nos assistia com atenção através da mesa, tentando agir completamente desinteressada, enquanto todo mundo na família Real, de papai até Cid e Barry, nos assistia com uma sincera fascinação. Eu me senti como um peixe-dourado em um aquário, e eu estava completamente preparada para encarar esse tipo de reação uma vez que eu finalmente estivesse ligada. Só que eu estava presa no aquário com o humano errado. Incapaz de forçar outra mordida na enguia e nos ovos de salmão quando dezenas de olhos na sala estavam observando todos os meus movimentos, eu sai da mesa.


89

— Você está pronto para ir? — perguntei sem esperar Quince responder eu o puxei para longe da última mordida nas bolinhas de sargassum 25 deixado em seu prato. Na terra ele poderia ganhar de mim, como, três para um, mas em baixo da água eu tinha uma definida vantagem de uma cauda pesada e forte e anos de experiências de como usá-las efetivamente. Eu o tinha fora da sala de jantar antes que ele pudesse protestar. — Na pressa, princesa? — Desculpa. — eu não queria dizer isso, mas já que eu o arrastei para fora à força do café da manhã, eu provavelmente deveria. — Eu apenas não conseguia ficar lá enquanto todos assistiam cada pequena coisa que fazíamos. Eu não faço o papel muito bem estando no centro das atenções. — Você não está acostumada a isso? — ele perguntou. — Eu quero dizer, você é a princesa deles. Eles nunca te assistiram assim? Nós passamos pela frente do salão, e eu finalmente soltei Quince para ele nadar por ele mesmo. — Não como isso. — expliquei. — Eles todos estão super ansiosos por causa da ligação. Inconscientemente eu passei meus dedos pelos meus cabelos. E, desde que não é ar, eles passara facilmente. — Por que isso faria alguma diferença? — ele perguntou. — Eu quero dizer, não é como se isso fosse o seu primeiro beijo. Todo o meu corpo da cintura para cima congelou. Eu ainda estava chutando, ainda movendo em direção a porta, mas fiquei imóvel. — Bem, inferno. Isso me congelou completamente. Eu fechei meus olhos, como se isso fosse fazer toda a situação desaparecer. Como se eu pudesse fingir por um minuto que eu apenas tinha vindo para casa por uma boa visita, sem uma ligação com Quince no reboque. Como se eu pudesse desligar o sentimento de choque e (irritante) orgulho que estavam derramando dele. — Eu não tinha ideia, Lily. Se eu soubesse, eu teria... — Esqueça. — vociferei, voltando a me movimentar. Eu não posso aguentar muito mais esse agradável Quince. Um Quince grosseiro e detestável eu poderia lidar, mas isso estava além da minha experiência. — Isso acabou. Feito. Nós não podemos mudar o que aconteceu. — então, sob minha respiração, eu murmurei. — Não importa o quanto nós queremos. Quince ficou em silêncio por um tempo, felizmente chocado pela minha explosão, mas com minha sorte ele estava apenas acumulando vapor. Enquanto

25

Veja imagem em: http://sites.google.com/site/correiamiguel25/sargassum123.jpg


90

nós chegávamos à entrada, ele envolveu meu braço com uma mão quente e me puxou para uma parada. — Por que a ligação os faz observar você mais atentamente? — ele perguntou. Talvez por não ter nenhum traço de ironia na sua pergunta, ou talvez por lidar com esse gentil e cavalheiro Quince estava jogando para longe do meu jogo, ou porque a ligação não era apenas para ampliar as nossas emoções entre nós, mas também todas as sensações físicas e a sensação de sua mão em meu braço era muito, muito bom. Espere, onde eu estava? Oh certo. Sua pergunta. Por qualquer razão, eu o dei uma resposta inteiramente honesta. — Porque nesse mundo, uma ligação é equivalente a um casamento. — eu estava impressionada que ele não traiu nenhuma emoção nem em seu rosto nem através da nossa ligação mágica. — E porque eu sou uma Princesa e a herdeira do trono. Um dia eu serei a Rainha. Eles acham que eu o escolhi para ser o futuro Rei deles, e eles estão tentando decidir se eu estou louca ou apaixonada ou apenas estúpida. Um pequeno músculo ao longo da linha de sua mandíbula contraiu, e tinha uma intensidade protetora em seus olhos que me puxava para dentro. Eu queria nadar dentro daquelas piscinas da cor do Caribe e nunca mais voltar. Aquilo me assustou. Foi por isso que eu saí de seu aperto e me virei para longe. Enquanto eu abria a porta, eu o ouvi dizer. — E você queria Brody para estar ao seu lado. Agora por que todo meu corpo tremeu quando eu percebi que Quince parecia com ciúmes? Isso poderia ser medo..., ou arrepio (o que me assustava ainda mais). Felizmente eu fui salva de responder. — Princesa Waterlily! — Cid veio às pressas através do corredor em nossa direção. — Espere! Seu pai pediu para se juntar a ele na corte hoje. — ele falou com uma respiração ofegante. Merda, eu tinha esquecido sobre papai esperando para sairmos. — Oh, Bem, eu apenas estava indo mostrar as coisas para Quince. — eu disse. — Ele queria— — Não se preocupe. — Quince disse. — Eu me divirto sozinho. Saia com seu pai. Apesar de isso poder ter soado como descontraído, um tipo de resposta legal, não tinha nada de descontraído sobre a tensão constante que girava ao redor dele. Eu acho que não tinha nada a ver comigo ficar com papai e tinha tudo a ver


91

com a última declaração sobre Brody. Seu ciúme mascarado puxou um pouco de simpatia de mim. — Sua alteza arranjou uma alternativa, Mestre Quince. — Cid disse. — A prima da Princesa se voluntariou para te levar em um passeio. Na sugestão, Doe apareceu no corredor e nadou para Quince, lançando seus braços ao redor dele e me olhando diretamente nos olhos enquanto ela disse. — Seria meu prazer. — Parece legal. — Quince disse, virando sua atenção para Dosinia com um sorriso encantador. Filho de um peixe-agulha, o que eu estou fazendo? Sentindo simpatia pelo ciúme de Quince como se eu achasse que isso fosse verdadeiro? Era a ligação. A última coisa que Quince Fletcher iria ter era ciúmes de mim. Enquanto eles desapareciam pela porta, eu ignorei os sentimentos amargos no meu estômago. Depois de hoje à noite, Quince iria ser de novo nada mais do que dor na minha cauda. Dosinia podia ficar com ele. A sala do trono Thalassinia é um espetáculo para ser visto. É uma sala cavernosa em formato de cúpula com tochas cor de âmbar (na verdade algas bioluminescentes em bolas de vidro âmbar) que lançava um brilho quente em todos os lugares. O teto era coberto com complexas esculturas de corais, de monstros marinhos, deuses antigos, e pessoas do mar acentuado com folhas de ouro fino aplicado e sombreamento de carvão. Sob o brilho da tocha, o ouro brilhava e as sombras escureciam, fazendo as esculturas parecer mais profundas. O chão abaixo era um lindo mosaico de azulejos perolados que retrataram a fundação de Thalassinia. No centro, Poseidon dava seu tridente para Capheira assim ela podia tatuar seus descendentes com a marca do mer, dando a habilidade para se transfigurar na forma humana. Ela, em retorno estendeu as suas mãos para seu povo, que aparecia ao redor dela em vários estágios de transfiguração, alguns na forma de terráquea, outros inteiramente mer, e outros ainda como terráqueos cobertos de escamas finkinis no lugar. Um dos mermen, meu tatara-tatara-muitasvezes-avô, é mostrado com uma mão chegando de volta ao seu povo, o outro pressionando o fundo do mar. Aquele ponto que ele estava tocando é o ponto exato em que o palácio foi construído. O centro exato da sala do trono. Isso sempre me dava um pouco de arrepio sentir aquela conexão com o antigo passado e a nossa origem mitológica. — Eu senti sua falta, filha. — papai disse enquanto ele tomava seu lugar no trono. Ele me convidou para sentar na menor cadeira em sua direita. — Você esteve fora muito tempo. — Desculpe papai. — eu nadei até ele, mas não sentei no lugar que ele ofereceu. Ao invés eu flutuei para seu pé, como eu fazia quando eu era uma pequena Sereia. — Vida na terra pode te deixar muito ocupada. É como se o tempo estivesse a super velocidade em relação ao ritmo suave e lento de Thalassinia.


92

Ele arrastou seus dedos sobre o braço dourado de seu trono. — Eu me lembro bem da urgência perpétua no mundo terráqueo. Talvez porque suas vidas são menores que as nossas. Eles sentem a necessidade de viver muito mais em seu tempo. — Talvez. — meditei, mas eu não necessariamente concordei. Humanos poderiam viver em um ritmo mais lento se eles quiserem. Com nossa esperança de vida prolongada, eles provavelmente fazem as coisas em seus ritmos mais rápidos. É a sintonia do mundo que eles construíram. — O que você tem na sua agenda para hoje? — perguntei. Embora fosse domingo no continente, em Thalassinia era equivalente a Segunda-feira. Nosso calendário era baseado no ciclo lunar, E nas Sextas-feiras de lua cheia, e dois dias de cada lado, teria sido nosso final de semana. As segundas feiras de papai eram bastante ocupadas. — Eu tenho uma audição sobre a disputa dos direitos de pastagem das lagostas essa manhã. — ele explicou. – Mas depois minha agenda está limpa. Talvez possamos ir as comprar à tarde. — Oh. Eu deveria ir me divertir e então voltar após a audição? — eu perguntei. Eu não estava muito animada com a ideia de escutar a briga entre duas lagostas agricultoras sobre quem deve receber a pastagem para seu rebanho no Horseshoe Crab Hill. — Não. — o tom sério de papai me fez olhar para cima. — Eu gostaria que participasse. Um dia você irá dirigir esses processos. Você precisa de experiência. Pânico me varreu. Eu não estava pronta para isso. Eu quero dizer, eu sabia minha vida inteira que meu destino era tomar o trono, governar Thalassinia como as gerações da minha família sempre fez antes. Mas eu não estava pronta para isso hoje. — Por favor. — papai me convidou para a cadeira em sua direita. — Tome o trono da Rainha. Meu coração batia forte e meu pânico se esvai substituído pelo vazio total. — Eu. — olhei para papai e então para a menor versão de seu trono. Um feito para a mulher do monarca. Um feito para minha mãe. Eu não podia sentar lá. Não novamente. Um dia, quando eu tinha oito anos, papai me deixou brincar na sala do trono enquanto ele se reuniu com seu conselho na sala de conferências do Palácio. Depois de explorar cada pedaço da escultura do teto e do chão de mosaico, eu recolhi minhas bonecas oceanistas, a Sereia equivalente a Barbie, e sentei no trono da Rainha para brincar de desfile de moda. Quando papai retornou e me encontrou


93

lá, ele ficou com um olhar triste em seu rosto, e seus olhos brilhavam um azul real que combinava com suas barbatanas. Eu ainda não tinha esquecido aquele olhar em seus olhos quando ele me encontrou, anos antes, isso tinha sido o trono da minha mãe. Eu nunca mais o toquei desde então. Ele me olhava hesitantemente, me esperando tomar o lugar ao seu lado. Eu acho que nós dois sabíamos por que eu estava colada no meu lugar. — Eu na..., não posso. — finalmente eu disse. O rosto de papai amoleceu. — Ela iria querer que você sentasse. — ele sorriu como se ele estivesse lembrando de uma memória feliz. — Ela iria ficar orgulhosa de te ver tomar o trono. Se nós estivéssemos na terra, eu provavelmente iria ficar com raiva. Furiosa por ele ter memórias dela que o faziam sorrir. Um sorriso secreto que eu nunca poderia compartilhar. Na terra, meu temperamento não era acalmado pelo poder calmante da água. Eu era muito mais..., volátil. Em baixo da água, minha raiva saia como uma flecha. — Como ela se parecia? — perguntei. — Ela era... — seu sorriso cresceu, e eu o vi flutuar inteiramente de volta as memórias. — Contagiosa. Sempre sorrindo, sempre rindo. Você não conseguia estar perto dela e não ser pego por sua alegria. Eu desejava que eu tivesse herdado isso dela. Ou talvez isso fosse algo que você não se poderia herdar, você aprende assistindo. Eu nunca tive a chance de ver minha mãe sorrindo. — Ela era uma mulher notável. — Você faria isso tudo novamente? — perguntei. — Sabendo como isso iria acabar você ainda iria escolher ela? Papai pegou minhas mãos de seus joelhos e me puxou para seu colo. Eu senti como se eu fosse uma Sereia com oito anos de idade novamente, brincando de Oceanistas no trono. Ele me abraçou com seus braços enormes e me comprimiu contra seu peito. — Sem hesitação. — ele disse suavemente. — E eu sei que sua mãe iria dizer o mesmo. Mesmo embora eu não pudesse sentir as lágrimas, eu sabia que estava chorando. — Você sente falta dela? — perguntei. — Você ainda sente a ligação, mesmo que ela já se foi? — Sim, eu sinto falta dela. — ele disse me dando um aperto nos meus ombros. — Eu dei a ela um pedaço do meu coração e ela o levou com ela. — ele me


94

segurou de volta, me fazendo olhar em seus olhos. — Não por causa da ligação. Sua mãe e eu nunca fomos ligados. Eu fui para trás. — O que? Por que não? — A situação era complicada. — ele explicou. — Primeiro, eu não disse a verdade. Como Rei, eu tinha que ser extremamente cauteloso em minha escolha de companheira, especialmente se ela fosse uma terráquea. Eu não iria forçá-la a entrar em uma vida tão estranha para ela. Então, com o tempo eu soube que ela era minha verdadeira companheira e disse-lhe a verdade, sua avó tinha ficado extremamente doente. Rachel estava em Peace Corps no tempo, então os cuidados de sua avó ficou por conta de sua mãe. O pensamento de mamãe colocando sua vida para cuidar de sua mãe morrendo trouxe lágrimas frescas para meus olhos. Ela era uma pessoa altruísta. Eu nunca poderia viver com aquilo. — Nesse meio tempo, você nasceu. — Papai! — Bem, só porque nós não estávamos oficialmente ligados não significa que nós não estávamos entregues e atraídos um pelo outro. Nós éramos jovens e apaixonados. — ele explicou. — Não precisa se escandalizar. Oh, mas eu estava escandalizada. Isso acidentalmente me fez ficar em segundo na escala de escândalo por beijar Quince. — De qualquer jeito. — ele continuou. — Logo após seu nascimento, sua avó morreu. — ele olhou para longe da sala do trono, um olhar vazio em seus olhos. — Nós tínhamos tudo planejado. Depois do funeral, sua mãe teria trazido você para a praia. Ela e eu forjamos a ligação, e então..., bem, nós nunca nos ligamos. Essa parte da história eu já sabia. No caminho do funeral da vovó, mamãe foi acertada por um motorista bêbado. Algum idiota que saiu fora sem nenhum arranhão, enquanto minha mãe voou através do para-brisa e no trajeto de um carro que se aproximava. Eu estava salva com o cinto de segurança em um assento para bebê no banco de trás. Mamãe foi à única ferida na batida de cinco carros. — De certa forma. — papai disse, voltando para o presente. — Eu estou feliz que nunca nos ligamos. É um pequeno privilégio que minha dor nunca foi agravada por uma ligação não cumprida. Através da sala, uma das pesadas portas douradas se abriu, e Mangrove, o secretário real do papai, apareceu. — Sua alteza. — ele disse reverencialmente abaixando seus olhos. Papai não é tipo que exige esse tipo de comportamento, mas Mangrove é um tipo que é obcecado por protocolo. — Eles estão aqui. — Nos dê um momento, Mangrove.


95

— É claro, sua alteza. Quando Mangrove fechou a porta atrás dele, Papai sacudiu a sua cabeça. — O homem é determinado a agir como um cidadão de segunda classe. — Bem, você pode ser bem intimidador. — respondi. — E você carrega um tridente bem grande. Nós dois rimos um pouco, e isso quebrou a opressão na sala. Então papai disse. — Por favor. Tome seu trono, Lily. Nadando para fora do colo de papai, eu flutuei na frente do trono de mamãe. Ninguém havia sentado nessa almofada esponjosa há anos. De alguma forma, enquanto eu me lembrada de tudo o que papai disse sobre a natureza altruísta de mamãe, parecia pior ver o seu trono abandonado do que sentir como se eu estivesse usurpando seu lugar por direito. Enquanto eu me virava e afundava lentamente em seu assento, eu pensei isso é por você mamãe. Papai apertou minha mãe antes de gritar. — Mangrove! Mande-os entrar! Eu enquadrei meus ombros e me aprontei para ter minha primeira sessão como governanta em formação. Se esse é meu futuro, eu poderia muito bem começar agora.


96

O

problema com os agricultores de lagosta, especialmente se você é um

humano e nem sabe que existe tal coisa, é que eles cheiram como lagostas. Se você só quer ver lagostas cozidas e prontas para comer ou em um daqueles pequenos tanques em um restaurante de frutos do mar, com suas garras de borrachasunidas, então você não tem ideia do quão ruim o cheiro de lagosta pode ser. Elas fazem um curral de gado parecer um jardim de rosas. Então, depois de passar a maior parte do dia ouvindo os dois agricultores discutir pelos direitos de pastagem justos e se um tivesse remarcado algumas das do outro rebanho, tudo na sala do trono cheira a lagosta, incluindo papai, Mangrove e eu. Felizmente, Margarite chamou o pessoal da limpeza, que desencadeou uma pequena escola de surgeonfish, distante parentes daqueles peixes que comem algas de aquários, e eles conseguiram neutralizar o cheiro em apenas alguns minutos. Tenho certeza que meu cabelo ainda tem um pouco de água de lagosta, mas não é como eu fosse deixar o surgeonfish grudar na minha cabeça. Até o momento a sala do trono está limpa, está se aproximando da noite. Se aproximando da hora para a separação, e Quince e Dosinia ainda não estão de volta. Quando a noite cai e a luz se filtrando para baixo da distante superfície é substituída com o brilho bio-luminescente do sistema de iluminação do Palácio, eu começo a me preocupar. Não sobre ir para casa no escuro; nós teremos uma escolta Real dos guardas do Palácio para nos manter seguros. Mas temos que estar na escola amanhã, ainda temos um mergulho de três horas para chegar a casa, apesar da capacidade de nadar do Quince ter melhorado, ele não pode me acompanhar e ainda assim temos que passar pela cerimônia de separação, que inclui uma obrigatória sessão de aconselhamento de casais. É uma formalidade, mas ainda leva tempo. E lembra quando eu disse que a vida de Sereia tem um ritmo bem suave? Bem, isso vai para cerimônias, também. Eu começo a nadar em círculos ao redor do trono. E se eles não voltarem? E se Dosinia está mantendo Quince como refém como vingança por colidir com seu partido? E se Quince foi comido por um tubarão? E se... — Relaxe, filha. — papai diz. — Eles estarão de volta em breve. Não há nada que você possa fazer para apressar o seu regresso.


97

— Eu sei; — eu atiro. — Mas amanhã eu tenho um grande teste de trigonometria. E eu ainda não estudei! — Seu tempo com os terráqueos te fez suscetível às tendências de stress deles. — ele se inclina para trás em seu trono, tão casualmente como se estivesse assistindo a uma partida de finball.26 — Relaxe. Se eles não retornarem em uma hora, vou enviar a guarda. — Uma hora? — isso parecia ser para sempre a partir de agora. — Nós não podemos esperar tanto tempo! Temos de... As portas da sala do trono se abrem, e Mangrove anuncia. — Lady Dosinia e Mestre Quince retornaram. — Finalmente! Pulando, eu atravesso a sala como um jato, atingindo as portas quando Quince e Dosinia nadam para dentro Eles estão rindo e de mãos dadas. — Depois ela gritou e cuspiu meio-mastigada água-viva por toda a mesa! — Dosinia diz. Ambos estouraram em gargalhadas. Mais uma história embaraçosa sobre mim. Pois bem, dois podem jogar naquele jogo. — Não fique contando histórias, Doe. — eu digo, nadando até ela e estreitando meu olhar. — Ou eu poderia ter que compartilhar sobre o tempo que você pensava que o Monstro do Lago Ness estava escondido em seu armário. Quince, ainda rindo tão forte que provavelmente estava chorando só que eu não posso dizer por que olhos humanos não brilham diz. — Relaxa princesa. Foi tudo em boa diversão. Eu prendo meu olhar em Dosinia. — Yeah. Eu tenho certeza. Como se Dosinia alguma visse ou fizesse qualquer coisa por uma boa diversão. Ela ainda está furiosa por eu não tê-la convidado para a minha festa do pijama de doze anos. Os rancores eram sua especialidade. — Não pode rir de si mesma Lily? — ela pergunta em tom de zombaria. — Que triste. — Tanto faz. — dirijo-me para longe dela e agarro a mão de Quince. É hora de parar de delongas. — Nós temos uma separação para assistir. À medida que nadamos em direção ao trono, Quince atira sobre seu ombro — Obrigado por me mostrar ao redor hoje, Doe. Minha mão aperta mais sobre a dele. Como ele ousa usar o apelido dela, como se eles fossem amigos? Ou..., mais. — A qualquer hora. — Doe responde. — Da próxima vez que você beijar uma Sereia, talvez você possa ficar mais tempo. 26

Partida de taco.


98

Ele ri. Ela ri. Eu o empurro mais rápido para o trono. Fedelha. Ela sabe que separar um humano do vínculo é uma coisa permanente. Ele vai ficar imune a todas as Sereias, não só eu. Não que eu planeje beijar Quince acidentalmente de novo, mas pelo menos eu sei que não há nenhuma maneira de ele acabar no tribunal ou qualquer outra coisa. — Não haverá uma próxima vez. — murmuro baixinho. Então, para papai, eu digo. — Vamos acabar com isso. Ele tem o seu ilegível rosto de rei-do-oceano, então eu não posso dizer o que ele está pensando. Eu só espero que ele esteja pensando em fazer isso tão rapidamente quanto possível. — Lily e Quince. — ele olha para cada um de nós, em seguida, sobre as nossas cabeças para Dosinia, ainda pairando perto da porta. Ela provavelmente quer tripudiar sobre o fiasco da minha ligação acidental. Quando meu pai olha de volta para mim, fico com uma sensação ruim no estômago. Ele tem um pouco daquele olhar distante de mais cedo, quando estávamos conversando sobre a mamãe. — Sinto muito. — ele diz, calmamente mais com firmeza. — Eu não posso conceder esta separação. Ao meu lado, Quince franze a testa. Como se ele não entendesse o que acabou de acontecer. Isso faz dois de nós. — Papai! — eu grito. Eu sei que eu deveria estar me dirigindo a ele como o Rei agora, mas ele está agindo como um pai, então eu vou tratá-lo como tal. — O que você está fazendo? Você não pode nos deixar ligados para sempre. Você não pode fazê-lo ser o meu Rei. De repente isso faz sentido. Eu flutuo para frente, e sussurro. — Isso é sobre o meu aniversário? Você não pode me amarrar a ele só para eu não perder meu lugar na corte. Eu posso encontrar um companheiro melhor. Na verdade, eu já tenho um na fila. — Não é sobre isso Lily. — ele responde. Seu olhar voa de Quince para Dosinia e de volta novamente. Caso contrário, é como se estivéssemos sozinhos no aposento. Isso é só entre papai e eu. — Nossa conversa sobre sua mãe. — ele diz. — Me lembrou da gravidade de uma ligação. Uma ligação é um dom uma conexão que não tem igual em todos os sete mares e além. Eu não posso simplesmente dissolver uma ligação sem causa. Especialmente quando você obviamente— — Sem causa? — eu começo a nadar em um redemoinho. — Há muita causa, eu nem consigo começar a listar tudo. Você sabia que ele joga maços de papel em


99

mim? E me espia da janela de seu banheiro? E no ano passado, ele passou uma semana me seguindo para a escola em sua motocicleta, ooh, ele dirige uma moto, que é muito mais perigosa do que um wakeboard27. E ele... — Basta! O grito Real do papai ecoou através da sala. As testemunhas da minha humilhação congelaram de medo que o Rei todo-poderoso fizesse uma aparência. — Minha decisão foi tomada. — ele afirma em um tom que não tolera argumento embora eu esteja pronta para lhe dar um. — Vocês devem retornar ao mar em uma semana e vocês terão uma oportunidade para provar que não devem ser ligados pela vida. Se eu estiver satisfeito de que vocês são inadequados, então farei a separação naquele momento. — Mas, papai. — eu lamentei. — Você não pode... — Eu posso. — ele diz. — E eu estou. — então, seu rosto ameniza, e eu sei que é meu pai falando, não meu Rei. — Eu quero que você esteja 100% certa sobre o que você... — Mas eu estou certa. — eu insisto. — Quince e eu praticamente nos odiamos. Ele não quer ser ligado a mim mais do que eu quero ser presa a ele. Olho para o garoto em questão. Por que ele está tão quieto a respeito de tudo? Ele não deveria estar falando a favor da separação? Talvez ele esteja muito nublado pela ligação. — Eu sei que você acredita que conhece sua mente. — papai diz. — Mas eu tenho dúvidas. Preocupa-me que você esteja deixando outras emoções interferirem com a clareza da ligação. Eu não vou fazer a separação até que eu esteja satisfeito que você realmente sabe o que quer. — ele me dá um olhar Real. — Você dará ao vinculo uma semana. E é isso. Eu sei que ele tem boas intenções. Quero dizer, ele é meu pai. É tipo o seu trabalho tomar decisões que eu odeio porque ele acha que elas são do meu interesse. Isso não me faz gostar. Mas, enquanto estamos separados antes do próximo ciclo lunar começar, eu suponho que uma semana não vai fazer uma diferença enorme na minha vida. Não em longo prazo. Não quando eu tenho que passar a eternidade com o Real garoto dos meus sonhos. — Uma semana. — eu concordo. — Por você. — e acrescento em silêncio, pela mamãe. Então, antes que alguém, eu provavelmente, ficasse todo choroso, viro-me, agarro Quince e sigo para as portas. 27

Moto aquática.


100

Quando nadamos por Dosinia, ela acena. — Vejo você na próxima semana, Quince. Quando eu vejo que ele começa a sorrir, eu dou um chute poderoso e nós estamos fora de alcance antes que ele possa responder. — Cuidado princesa. — ele diz quando imergimos nos jardins. — Alguém pode pensar que você está com ciúmes. — Seu desejo. — eu atiro. A última pessoa por qual eu ficaria com ciúmes é Quince Fletcher. Eu não posso acreditar que eu tenho que passar uma semana inteira ligada a esse tubarão. Até o momento que Quince guincha sua moto em sua garagem, meu cabelo secou em um frenesi crespo. A seção abaixo do capacete está praticamente colada na minha cabeça, enquanto o resto soprou em todas as direções. Eu pareço um experimento de arte louca que deu errado. Vai levar uma hora só para arrastar uma escova por tudo isso. Sua moto chocalha em silêncio. Eu desembrulho meus braços de seu tronco, salto do banco, e enfio o capacete em seu peito, pronta para me retirar para minha casa e enterrar a cabeça debaixo dos travesseiros. Mas Quince não está prestes a me deixar ir embora assim tão fácil. Ele envolve uma mão forte no meu pulso, acorrentando-me no local. — Não tão rápido; princesa. — ele diz, puxando-me mais perto. Revirando os olhos para o céu, percebo a posição da lua. É tarde. Muito tarde para eu me defender. Dou-lhe um olhar. — Eu nem mesmo mereço um 'boa noite'? — Quince pergunta quando eu solto meu pulso. — Eu acho que já recebi. Eu congelo. Como ele sempre sabe o que dizer para me desligar totalmente? Quero dizer, é como se ele tivesse um dom especial para empurrar os meus botões. Pena que não é uma habilidade comerciável. Tenho certeza que não ajuda o meu temperamento ter ressurgido porque estávamos de volta em terra ou porque eu tive algumas horas de natação em silêncio para construir a minha ira sobre toda a situação. Mesmo sabendo que nada disso é tecnicamente culpa dele, ele é a saída mais próxima disponível. — Ha! — eu digo, tentando e falhando em manter a minha frustração presa. — Como, exatamente, você j| ganhou um; “boa noite”? Ao me beijar sem ser convidado? Duas vezes! Ou por deixar toda a assembleia na festa de estreia da minha prima acreditar que éramos um casal...


101

— Ei, eu estava apenas seguindo a sua liderança sobre isso. — ele desce da moto e se junta a mim. — Ou, espere. — eu digo, ignorando seu comentário e a aglomeração de vapor. — Talvez seja gastando todo o dia paquerando e segurando as mãos com a minha prima louca enquanto eu estava presa no Palácio cheirando a lagosta. — eu empurro as palmas das minhas mãos contra seu peito. Forte. — Você está certo. Boa. — outro empurrão. — Boa noite! Viro-me e vou para longe, revelando a minha saída dramática. Estou quase nos degraus da frente quando ele me para com uma gargalhada. — Você realmente está com ciúmes, não é? Ciúmes? Ciúmes? Como se fosse. Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi. Eu não estou nem mesmo indo dignificar isso com uma reviravolta. Suas botas de motociclista batem na calçada atrás de mim e meus ombros endurecem. Se ele me tocar... — Eu não estou interessado na sua prima, princesa. — ele sussurra próximo a minha orelha. — Ela é uma criança. Diversão com quem sair um dia, talvez, mas eu prefiro um pouco mais de..., profundidade. Por alguma razão, a maior parte do meu temperamento derrete. Eu não estava com ciúmes, pelo amor de Poseidon, eu não quero a atenção de Quince, mas alguma coisa sobre a sua confiança me acalma. — A ligação. — eu murmuro. Entre a confusão emocional se movendo entre nós e o decreto de papai e eu desmorono sim, admito, algum ciúme de Dosinia induzido pelo vínculo, não admira que eu me sinta como se estivesse em uma montanha russa de humores extremos. Pela primeira vez, eu não tenho certeza se eu prefiro cair em um temporário acordo de paz ou reavivar nossa tensão normal. Seja qual for o motivo, talvez porque tinha sido um fim de semana muito longo, para esta noite eu apenas deixei isso passar. — Você precisa beber muita água salgada. — eu digo baixinho. — Provavelmente alguns copos por dia. Um breve silêncio zune entre nós. — Mais alguma coisa? Eu resisto ao impulso de me inclinar para trás, para ele. A memória de quão agradável, forte e seguro são seus braços. Pare! É o vínculo. O vínculo, o vínculo, o vínculo. — Tome banhos. — eu digo. — Todas as noites. — então, porque não estou acostumada a ser legal com ele, eu acrescento. — Banhos gelados.


102

— Gelados? — pergunta ele, sua voz cheia daquele sempre presente humor. — Bem, talvez temperatura ambiente. — Eu posso fazer isso. — Isso vai levá-lo ao longo da semana. Outro silêncio. — Obrigado. Sem me virar, eu ando os quatro degraus até a minha varanda. Quando meu pé toca as tábuas pintadas de branco do chão da varanda, Quince diz, — Boa noite Lily! Suas botas pesadas rangem pela grama entre nossas casas. Quando eu tenho certeza que ele está fora de alcance, eu sussurro. — Boa noite Quince!


103

N

o que se refere às segundas- feiras, hoje era um dia como todos os

outros. Acordei tarde só para encontrar Prithi lambendo minha orelha, eu manchei gloss em três camisas diferentes antes de lavar tudo isso e eu acidentalmente congelei meu suco de laranja em um sólido bloco. Então, no momento em que Shannen me encontrou em meu armário antes do primeiro período, eu estava pronta para bater a cabeça na porta. — O que aconteceu com você? — ela exige. Fecho com força o meu armário e em seguida, fecho o zíper da mochila aberta e a jogo em meu ombro, jogando metade do conteúdo voando pelo corredor. Meus ombros caem. Depois de reunir os meus livros e pastas, eu digo. — O que não aconteceu? — Quero dizer no baile — Shannen diz. — Você foi ao encontro de Brody na biblioteca e nunca mais voltou. O que aconteceu? Como foi? Como você chegou em casa? Tentei ligar, mas sua tia disse que você ia ficar com seu pai no fim de semana. Nós nos movemos para nosso caminho para a aula. — Quince me deu uma carona. — eu admito. — Quince? — Shannen correu na minha frente e se virou de modo que ela está andando para trás. — Quince Fletcher? Como se houvesse algum outro Quince por perto. — Uh-huh. — Em sua motocicleta? — Uh-huh. — Quince. — ela repete incrédula. — Fletcher? — Sim, Shannen. — eu disse exasperada. — Quince. Eu. Motocicleta. — O que você... — Lily! Falando do malvado peixe. Um gemido escoa de mim. Eu sei que ignorá-lo não fará com que ele vá embora, na verdade, eu estava começando a pensar que só o incentiva, mas eu simplesmente não conseguia formular uma resposta. Eu não estava tão preparada


104

para lidar com as questões inevitáveis de Shannen. Especialmente não depois da manhã que eu tive. — Espere. — ele nos chama. Shannen continua a andar para trás, olha por cima do meu ombro, presumivelmente para Quince, correndo para nos alcançar. — O que está acontecendo? — ela fala. Como se eu pudesse explicar. Eu apenas meio que rolei meus olhos e abanei a cabeça. — Ei. — ele diz assim que chega ao meu lado. — Você partiu antes que eu pudesse lhe dar uma carona para a escola. — Eu prefiro andar. — eu respondo, evitando uma Shannen de olhos arregalados, questionando com o olhar. — Um monociclo seria mais seguro do que a armadilha da morte. — ok, talvez eu não devesse ter insultado o seu bebê. Ele ama aquela moto mais do que qualquer coisa. Ainda assim, penso que subestimei suas habilidades de retaliação. — Você não me pareceu imaginar a armadilha da morte na noite passada. — ele disse suavemente, com uma pitada de insinuações que eu sei que não passaria despercebido por Shannen. Eu paro no meio do corredor, fora da minha sala de aula de governo americano. Uma Shannen atordoada tropeça alguns passos para trás antes de se manter, em seguida, assisti de queixo caído, enquanto eu me virava para Quince. — Você quer alguma coisa? — exijo. — Ou você está tentando fazer a minha manhã ainda pior? Uma faísca de alguma coisa, dor? Ou talvez simpatia? Piscou em seus olhos. Quando ele abriu a boca, de alguma forma eu sabia que ele iria se desculpar. Maldita ligação, esta ligação está me fazendo demais em sintonia com seus sentimentos. — Esqueça. — interrompo antes que ele possa falar. — Estou tendo uma manhã ruim. Eu não tive a intenção de descontar em você. Shannen faz uma espécie de som de asfixia. Quince deu passos mais para perto e em voz baixa que não iria além de nós dois, disse. — Desculpe-me. — (viu, eu estava certa.) — Eu sei que toda essa confusão não muda as coisas entre nós. Ele olha para baixo, suas pálpebras baixando até que seus longos cílios loiros escuro pularam de seus belos olhos. — Mas eu continuo tendo essa vontade de ficar perto. Para protegê-la, ou algo assim.


105

— Eu sei. — eu sussurro. — É a ligação. Magia. — então, eu me lembrei de Shannen assistindo a poucos metros de distância, eu me apresso a acrescentar: — Podemos conversar depois da escola. Eu raramente olho em seus olhos quando eu não estou furiosa com ele. Eu sinto a força de suas emoções misturando-se com as minhas e se ampliando pela ligação. É hipnotizante. Especialmente quando ele parece tão envolvido quanto. Felizmente, seu olhar deslocou sobre o meu ombro para Shannen, e quando ele olhou para mim, ele teve um pouco daquela atitude registrada dele, no lugar. Ele sacode a cabeça. — Almoço? Despreparada para discutir, eu aceno. Ele dá uns passos para trás e desaparece no corredor lotado. Eu ainda podia senti-lo, no entanto. Grande tubarão branco, eu preciso dessa separação antes de ficar totalmente sentimental. — Me desculpe? — Shannen fala, intensificando ao meu lado. — Perdi alguma coisa? O que aconteceu na noite de sexta-feira? Algo deu errado com Brody na biblioteca? — Não. — eu insisto. Não ansiosa para que a escola inteira ouvisse esta historia, eu arrasto Shannen para nossa sala de aula. — Não, ele nunca apareceu. Quince sim. — E... Eu virei para a minha mesa, deixando cair minha bolsa no chão com um derrotado thump. — E ele me beijou. — O quê? — ela grita, caindo em sua mesa do outro lado do corredor. — Oh meu Deus, como foi? Foi bom? Aposto que ele é bom. Ele parece ser bom, como ele sabe... — Shh! — eu me inclino mais próximo a ela, deixando uma pista para abaixar o volume. — Isso foi como foi. Eu prefiro esquecê-lo. — Então o que foi aquilo no corredor agora? — ela pergunta, observadora como sempre. — E por que você estava em sua moto na noite passada? — É complicado. — eu digo. Como diabo eu poderia explicar a situação, sem contar o meu segredo a Shannen? Eu deveria ter pensado sobre isso na natação para casa ontem à noite, mas eu estava muito mudada e dei meia volta para pensar em muita coisa. — O quê? — ela se inclina para os lados tão longe, eu estava com medo que ela iria tombar da cadeira. — Vocês dois estão namorando agora? Eu quase grito. — Não! Oh Meu Deus, você está louca?


106

Mas então eu penso, que outra forma eu podia explicar a situação? E as coisas só iriam piorar nos próximos dias. A ligação vai continuar puxando mais forte a cada dia. Já que não posso apenas dizer: Quando ele me beijou, fomos imediatamente unidos por um laço mágico Sereiano que Capheira criou para incentivar a fidelidade das Sereias e afastar a solidão do frio e vasto oceano. Esta poderia ser a única explicação lógica que eu poderia oferecer. Quince apenas terá que ir à onda. Assim, tanto quanto isso vai contra o meu princípio de odiar Quince, eu penduro a minha cabeça e murmuro: — É tipo isso. Fui salva de mais explicação pelo sinal, um questionário, anotações sobre uma intensa palestra sobre o Bill of Rights28. Mas o instante em que o sinal de dispensa tocou Shannen já tinha sua bolsa em seu ombro e as perguntas prontas. — Como isso aconteceu? — ela pede quando chegamos ao corredor. — Foi fofo? Você teve um encontro ontem à noite? Isso significa que você já superou Brody? — Não! — digo. — Não, não. Claro que não. Em vez de tomar notas durante a aula, me concentrei em preparar minhas respostas às perguntas que ela obrigatoriamente iria me pedir. Não era bom para o meu fraco GPA29*, mas um sacrifício digno. Eu tinha minha história toda pronta. — Foi uma espécie de mal-entendido. Depois de ele me beijar. — eu ignoro o suspiro de inveja de Shannen. — Eu estava tão assustada, eu meio que aceitei. Eu nem percebi que ele me pediu para sair até que ele me deixou em casa e disse que iria me pegar às sete. — Mas então você disse a ele, certo? — ela engata a bolsa mais para cima em seu ombro. — Por que ele continua agindo todo possessivo, se você lhe disse que era um erro? — Porque eu, hum, não disse. — eu não tinha considerado totalmente a lógica da questão. Nossa isso está ficando mais complicado a cada segundo. Agora me lembrei de porque geralmente nunca minto. — Então o quê? — ela exige. — Você, então, na verdade, saiu com ele? Não havia saída fácil para isso, então eu bem que poderia pular dentro. — Bem, mais ou menos. Declaração de Direitos, também conhecido como Bill of Rights, é uma lista de direitos considerados importantes ou essenciais a um grupo de pessoas. Com ele, a população teria a liberdade de expressão (podiam dizer qualquer coisa sem que isso atinja de alguma maneira alguma pessoa), teriam também a liberdade política (podiam votar em quem quiser), e a tolerância religiosa (podiam crer em qualquer religião, sem desrespeitar a outra). 28

GPA – Média de pontos das aulas. As aulas são medidas, padronizadas de diferentes níveis de compreensão dentro de uma área temática. Utilizados pelos alunos para ingressar na faculdade. 29


107

Ao olhar chocado de Shannen, eu acrescentei. — Por pouco tempo. — então, lembrando o que Quince disse na noite de sexta antes de irmos para o baile, eu tive uma ideia. — Posso fazer Brody ficar com ciúme. Olhos castanhos de Shannen se estreitaram. — Você está usando Quince? — Não faça isso soar tão horrível. — então, porque a ideia de usar alguém assim, mesmo alguém que eu despreze no geral, me fez sentir um pouco enjoada, mas eu acrescento: — Além disso, ele está meio que a par. Foi ideia dele. — não era uma mentira. — Oh! — Shannen soava decepcionada. Eu não tenho certeza se é porque eu estou usando Quince, ou porque eu realmente não estou saindo com ele. Ela pergunta: — Quanto tempo vocês dois planejam manter esta fachada? — Uma semana. — digo. — Apenas uma semana. Então nós vamos romper e estar de volta ao normal. Quince e eu podemos nós comportar por uma semana, certo? Eu só precisava lhe explicar porque esta historia disfarçada era necessário. Ele irá entender. Eu espero.

— Absolutamente não. — eu digo a Quince, no dia seguinte após a escola. — Eu estou indo para a natação com Shannen. Você não está convidado. Eu bato meu armário fechado e me afasto do olhar tempestuoso em seu rosto. — É um país livre. — ele diz acompanhando o passo, ao meu lado. — Eu posso ir se eu quiser. Dou de ombros, como se eu não me importasse, quando a última coisa que eu queria era Quince na natação. Este é o meu tempo com Brody e eu não queria o vínculo turvando o meu pensamento. — Além disso. — diz ele, enfiando as mãos nos bolsos de trás, sua jaqueta de couro se abrindo e mostrando sua camiseta apertada sobre o peito, não que eu notei, nem nada. — Se nós estamos pretendendo fingir um lance, eu não posso simplesmente te deixar desmaiar por outro cara por algumas horas. — desmaiar? Ha! Eu não desmaio. Ficar ansiosa e com a língua presa? Sim. Mas eu superei toda a coisa de desmaiar-ao-sinal-dele anos atrás. No mês passado, eu acho.


108

— Eu não vou desmaiar. — eu insisto. — Eu sou a líder da equipe. Tenho deveres oficiais, como a apresentação do plantel, registrar os tempos, certificandose de que todos iniciem a partida na hora certa. — Certo. — Quince diz com insinceridade completa. — Então, eu vou estar lá para apoiá-la na sua capacidade oficial. Nós nos empurramos pela saída e saímos para o sol de fim de tarde. O carro de Shannen estava na fila da frente e eu posso ver que ela não está nele ainda. Desde que eu estava esperando por ela dirigir e somos como óleo e água..., literalmente, eu me viro para Quince. — Ouça. — eu largo minha mochila e cruzo meus braços sobre o peito. — Essa coisa toda de namoro falso é um disfarce, para explicar coisas que nós simplesmente não conseguimos explicar. Não é real. Eu não sou sua namorada, fingindo ou não. Você não tem o direito de agir todo ciumento e possessivo. Quince chega mais perto. — Pode ser uma atuação. — ele diz sua voz baixa. Como ele consegue ainda ter cheiro de pasta de dente de menta ao final do dia? — Mas, tanto quanto a maioria dos alunos, Seaview está preocupado, isso é um negócio real. Eu não vou bancar o otário da escola, enquanto a minha suposta namorada baba por outro cara. Eu posso sentir o seu orgulho masculino em torno de mim, me envolvendo em uma nuvem de posse. Mesmo que ambos soubéssemos que isto é fingimento, a ligação mágica está fazendo as falsas emoções parecerem reais. Claramente Quince não pode dizer a diferença. Quem eu estou enganando? Eu não posso dizer a diferença e eu estive toda a minha vida envolta nessa magia. Como o lapso louco de lógica me levou alguma vez a acreditar que poderíamos conseguir isso sem problemas? Nada nunca vai ser suave. Especialmente quando magia e mentirinhas estão envolvidas. E, claramente, Quince está usando isso como uma oportunidade para tornar minha vida miserável. A porta em que acabamos de sair se abre, e do canto do meu olho eu vejo Courtney e dois de seus tietes emergirem. Antes que eu sequer pudesse gemer, sinto os braços de Quince se embrulhar em volta da minha cintura e me puxar apertado. — Que... Sua boca estava na minha antes que eu pudesse terminar minha assustada pergunta. Estava muito chocada para reagir, então eu apenas me pendurei lá como uma medusa mole em seus braços. Quando Courtney e sua equipe passam, eu ouço-a dizer. — PDA tanto?


109

As tietes riem com a sugestão. Por que todos os momentos mais embaraçosos da minha vida têm que vir com testemunhas? Quince me libera, me dá um sorriso arrogante e em seguida diz: — Vejo você na piscina. Então ele se vira e passeia em direção a sua motocicleta. Eu estava olhando para a sua retirada, para as costas com roupas de couro quando Shannen emerge. — Você e Quince estavam se..., beijando? — Sim. — eu digo, querendo pisar meus pés em sua obnoxiousness. — Aquele simples selinho. — Sim... — a voz de Shannen soa sonhadora. — Simples. — Vamos. — pego minha mochila e parto em direção ao carro de Shannen. — Vamos comer. —Esta certamente, vai ser uma semana interessante. — ela diz, destrancando o carro com o controle remoto. Nós duas arremessamos nossas malas no banco de trás e depois subimos na frente. Pena que ela nunca poderia saber o quão interessante. Assistir Brody nadar borboleta é como assistir música em movimento. Uma forte puxada pela água. Cabeça elevada para uma profunda respiração. Braços voando em frente ao conjunto. Mergulhando sua cabeça em frente como um chute poderoso. Eu podia vê-lo nadar para sempre. Eu ri ao pensar que, uma vez que fizer essa coisa com Quince se resolver, eu farei com que as coisas funcionem com Brody, esperançosamente eu espero observá-lo nadar para sempre. — O que é tão engraçado, princesa? Meu momento de felicidade desaparece. Minha coluna se endurece e aperto minha mandíbula. Não só Quince apareceu no encontro, mas ele estava sentado atrás de mim na arquibancada. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se mantém de pé toda vez que sinto seu movimento. Como se eu esperasse que ele me agarrasse ou beijasse meu pescoço ou algo assim. — Nada. — eu coloquei para fora. Eu olho para o painel de avaliação, para pegar o tempo de cinquenta jardas de Brody. Rapidamente anotando o tempo no livro de registro, volto minha atenção para a piscina.


110

Brody tem a liderança em pelo menos um comprimento do corpo. Claro, Brody sempre tem a liderança. Nos meus três anos como líder da equipe, eu nunca o vi perder uma corrida. Mesmo nas competições estaduais. Shannen inclina-se perto a minha esquerda e sussurra: — Courtney há três horas. Deixando meus pés na cadeira em frente a mim, eu torço minha cabeça para a direita e vejo a ex de Brody sentar com as suas tietes poucos metros abaixo de nós. Por que ela está aqui? Ela e Brody se separaram. Ela não deveria estar em qualquer lugar perto da equipe de natação. Enquanto Brody faz sua volta final na corrida, Courtney salta para os pés e aplaude. — Vai, Brody! Ela não é a única, claro. Todo mundo na arquibancada estava gritando agora, toda vez que ele respirava. Gritando: — Vai! Vai! Vai! — sempre há uma chance de que ele possa ouvi-los. Ainda assim, estou surpresa que Courtney está a aplaudi-lo. — Parece que ela não está pronta para deixar seu homem ir. — diz Quince, não se incomodando em sussurrar. Atiro-lhe uma carranca. Então eu me lembro de que eu estou fingindo que ele não está aqui e me concentro na corrida. Brody toca a primeira parede. Quando sua hora pisca no placar, eu rabisco no livro de registro. Virando a página com o seu melhor tempo, eu comparo o seu mais recente resultado. É o mais rápido de suas 100 voltas por dois décimos de segundo. A este ritmo ele é capaz de quebrar o recorde estadual. Eu não tive tempo de me entusiasmar ante ao seu sucesso, porque a corrida de 500m livre está prestes a começar. Eu verifico a lista contra as pistas para confirmar que os nossos nadadores estão nas faixas dois e sete. Sobem para os blocos, o nosso treinador levanta a buzina de partida, e depois a buzina estridente ecoa pelo Parque Aquático. Por que os humanos precisam de uma palavra tão longa para uma piscina coberta? E os nadadores decolar. Eu estou fazendo as anotações sobre o início lento de Jeff Fetzer, quando sinto alguém parado na minha frente. Eu olho para cima para ver Brody, água clorada escorrendo de seus cachos escuros e uma toalha enrolada na cintura, sorrindo para mim com expectativa. O cheiro de cloro me dá náuseas, é tóxico, mas não fatal para Tritões, então eu tento manter distância da água da piscina, mas eu posso lidar com uma dorzinha de barriga por Brody. — Então? Eu emito. — Seu melhor tempo. Por dois décimos.


111

— Impressionante. — Brody responde com um grande sorriso, ainda ofegante da corrida. Borboleta é o mais desgastante de todas as modalidades. Tentei nadar na minha forma terráquea uma vez e quase me afoguei. Bem, em sentido figurado. Enfim, o peito ainda estava subindo e descendo a cada respiração ofegante e suas bochechas estavam vermelhas com o aumento do fluxo sanguíneo. Levará vários minutos para os sinais vitais de Brody voltar ao normal. E eu gosto de ver cada segundo de sua recuperação. Sua atenção se desloca sobre meu ombro e meu sangue gela. Ele vê Quince às minhas costas. Este é um momento importante. Desde que eu vim com a história de falso ciúme para Shannen, a ideia foi crescendo em mim. Se eu estou presa com Quince, assim eu poderia tentar tirar algo disso. Estou prestes a descobrir se isso iria funcionar. Qual será a reação de Brody em ver Quince comigo? Será que ele vai ficar feliz por mim? (Mal.) ou ambivalente? (Também não é bom.) Se eu tiver sorte, ele vai ficar com raiva ou arrogante ou possessivo. (Todos os potenciais sinais de ciúme, muito, muito bom.) Ele não tem a chance de reagir perante o que o Baiacu diz. — Bela nadada, Bennett. Brody sorri aparentemente não tão confuso como eu estava pelo elogio de Quince. — Obrigado. Então, antes que eu possa analisar o que está acontecendo, eu sinto a jaqueta de couro menos os braços, nu até as mangas da camiseta que abraçavam os músculos de Quince, se enrolarem em volta do meu peito e ombros. Por instinto, minhas mãos agarram em seu antebraço, pronto para retirá-los, quando ele diz: — Você tem sorte que eu não sou o tipo ciumento, por toda a atenção que Lily gasta em você e na equipe. Eu posso sentir o sorriso na voz de Quince, mas também o tom de navalha. Ele estava alertando Brody para cair fora. — Quince... — eu começo a discutir, mas Brody me corta. — Lil é uma grande treinadora. — ele diz com um sorriso muito amigável. Então seus olhos caem para mim, e há algo..., apreciação em seu olhar. Como se ele estivesse me vendo de uma maneira nova. — Temos sorte de tê-la. Como uma experiência, eu alívio minhas mãos que estavam prontos para puxar Quince de cima de mim e em vez disso eu o abraço apertado. Os olhos de Brody se estreitam, um pouquinho. Quando eu inclino minha cabeça contra Quince e Brody aperta a mandíbula, eu sei que estou no caminho certo. Vendo-me com Quince o deixava com ciúmes! Estou tão animada com a ideia que eu relaxo no peito de Quince. — Eu preciso me abastecer para a minha próxima corrida. — Brody disse, parecendo irritado. (Por minhas ações? Yay!) — Eu te vejo mais tarde.


112

— Mais tarde. — diz Quince com desdém. Enquanto Brody caminha em direção ao vestiário após um furioso olhar para Courtney e gangue, eu me viro para Quince. — Você viu isso? — Ver o quê? — Quince diz, olhando por cima da minha cabeça para a corrida de longa distância ainda na sua primeira centena. Eu franzo o cenho. — Qual é o seu problema? Dirijo-me a Shannen. — Você viu isso? Brody estava morrendo de ciúmes! — Sim. — ela diz não tão entusiasmada quanto eu esperava. — Isso é ótimo. Ah, bem. Talvez ela só se sinta estranha na frente de Quince. Vamos fofocar mais tarde. Voltando-me para a corrida, percebo que perdi as duas primeiras parciais para os dois de nossos nadadores, mas, não posso parar de sorrir. Não é até que a corrida de seis minutos acabe que eu percebo que ainda estou inclinada contra Quince, que estava com os braços em volta de mim. Por alguma razão, estou dizendo a mim mesma que é porque ele é mais confortável do que o encosto da arquibancada, eu não sai de seu abraço. Além disso, quanto melhor o show que apresentarmos mais Brody irá ver que ele tem sentimentos por mim. É ganhar ou ganhar.


113

E

parabéns ao time de natação pela sua vitória na noite passada em

Parkcrest. O veterano Brody Bennett quebrou dois recordes escolares e trouxe para casa quatro fitas azuis. Venha e apoie as Tartarugas Marinhas na próxima quinta feira no Campeonato Municipal! Enquanto os anúncios continuavam, minha mente congelava na imagem de Brody segurando suas fitas azuis em frente a placa SEM CORRIDA OU BRINCADEIRAS IDIOTAS. Eu ainda não posso acreditar que Brody ficou com ciúmes de Quince. Eu quero dizer, você não pode sentir ciúmes de uma garota pela qual não está interessado, certo? Eu nunca me senti tão esperançosa sobre meu futuro com Brody, e eu só estou ligeiramente irritada que isso é graças a interferência de Quince. Algum dia, quando eu e Brody formos um velho casal ligado no mar, eu até poderei agradecer ao baiacu. — Terra para Lily. — diz Shannen, ondulando sua mão em frente ao meu rosto confuso. — Nós precisamos conversar sobre nosso projeto de história. — Certo. — eu digo tentando me trazer de volta ao momento, na sala de estudo. Então o novo comercial de Brody vem e eu sintonizo em tudo novamente. Eu sei cada palavra de cor, porque eu editei a cena, mas ainda me dá uma emoção toda vez que eu ouço sua voz. — Os anuários estarão à venda na próxima semana. — ele segura uma amostra do anuário feita pela produção do livro, folheando as páginas de fotos que documentam nosso ano escolar. — Você pode fazer seu pedido durante o almoço e na sua sala de estudo até a próxima sexta. Certifique-se de reservar seu pedaço da história antes que seja tarde demais. Enquanto ele segura o livro aberto na página com o time de natação, eu suspiro de volta ao meu assento. Eu nunca ficarei cansada de ouvir Brody. Ou olhar para ele. Ou pensar sobre ele... — Lily! — Shannen joga um livro de história na minha mesa, me tirando do meu devaneio. Com o coração acelerado, eu olho para ela e depois para o livro. — Certo. — eu digo, sentando reta e abrindo o livro no capítulo sobre o Crescente Fértil. — Projeto de história. Eu estou nisso.


114

Shannen rola os olhos, mas vira sua mesa para mim, então nós podemos trabalhar. Eu estou orgulhosa de mim mesma por focar no nosso projeto, que é um relatório, análise e recriação de uma das leis de Hammurabi 30, pelo resto da aula de estudo. Ela só tem que me chamar atenção uma vez. Ou talvez duas. Quando o sinal nos tirou da sala de estudo, nós nos dirigimos para o fundo do corredor para o ginásio. Eu odeio educação física. Depois de passar a maior parte da minha vida na água, a coordenação motora em terra não chega tão fácil assim até mim. De fato, é um ótimo dia quando eu não tenho que sair do ginásio com algum tipo de lesão relacionada a esporte, como manchas vermelhas no meu braço causadas pelo vôlei, joelhos esfolados por causa da pista, um caroço na minha cabeça da raquete de tênis. Mas o ponto brilhante da educação física é que essa é uma das aulas que eu tenho com Brody. Claro, isso não me mostra em minha melhor forma, como no time de natação e também na aula de trigonometria, se vem ao caso, mas eu aproveitarei cada minuto que eu passar com ele. Ainda mais que Quince não está aqui para ficar no meu caminho. — Eu acho que nós vamos começar uma nova unidade hoje. — Shannen diz enquanto empurramos a porta do vestiário. — Isso só pode ser uma coisa boa. — respondo. — Eu não acho que sobreviveria a outra semana de futebol. Nós nos trocamos para nossos uniformes de educação física hediondo, short azul marinho que coçam e camiseta branca folgada com SEAVIEW em letras grandes azuis no peito. Algumas garotas, aquelas com mais curvas que eu e menos gordura infantil que Shannen usam tops apertados SEAVIEW ao invés de camisetas largas. Se eu vestisse um desses, só ressaltaria os meus menos, que transbordantes recursos. — Eu não vejo nenhum material. — Shannen sussurra enquanto saímos para o ginásio fedorento. Ela está certa. O ginásio parece inatualmente plano. A arquibancada que normalmente preenche os lados da quadra de basquete foi recolhida contra as paredes. As redes de basquete estão no lugar, mas não há nenhuma prateleira com bolas ao lado do nosso treinador, que está em pé no centro da quadra com seu apito pronto. As poucas crianças que chegaram antes de nós ao ginásio estão embromando nas linhas laterais, parecendo tão confusas quanto nós. Eu e Shannen nos dirigimos para a parede acolchoada no final da quadra e deslizamos para o chão. — Talvez a aula seja lá fora? — ela sugere. — Normalmente, quando fazemos isso. — digo. — Um dos nossos treinadores está lá fora esperando. 30

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hammurabi


115

Mas não hoje. Ambos os nossos treinadores, o de tênis, Sra. Bailey, que está sempre ultra-alegre e um dos treinadores de baseball, Técnico Pittman, que é o completo oposto de alegre que estão no ginásio, observando-nos passar suavemente através das portas. A campainha toca e os últimos retardatários, inclusive Brody, entram no ginásio. Treinador Pittman golpeia seu apito, enquanto Sra. Bailey bate palmas, gritando. — Forme um círculo, todo mundo. Eu e Shannen nos levantamos relutantemente e vamos para o centro da quadra, junto com o resto. Eu nos guio para o mais próximo possível de Brody, sem tornar isso tão óbvio. — Hoje nós vamos iniciar a unidade de jogos de playground. — sra. Bailey diz animadamente, como se o entusiasmo dela fosse nos contagiar. Ela ignora o fato de que cada um de nós geme, eu não sei dos outros, mas eu gemo porque eu sou ignorante. — Para nosso primeiro jogo, as regras são simples. Treinador Pittman e eu vamos selecionar um de vocês para ser... Estátua. — treinador Pittman diz sobre as instruções da Sra. Bailey. Ele olha para a multidão por um segundo antes de apontar a mim e a Brody. — Sanderson e Bennett, são vocês. Então ele apita e todos os egoístas fogem. Crianças correm para os quatro cantos da quadra. Eu estou nisso? Eu estou nisso? O que isso significa? — Nós temos que fazer isso, Lil. — Brody diz. — Temos o que? — olho em volta impotente. — Eu nem sei o que nós estamos fazendo. — Você não sabe jogar estátua? — ele pergunta incrédulo. Quando eu balanço minha cabeça, ele me dá uma lição rápida. — Quando você toca alguém, eles congelam. Só alguém que não está congelado pode descongelá-los. Se você congelar todo mundo na aula, nós ganhamos. —Oh! — eu não entendo isso. — Ok. Brody, aparentemente vê que minha confusão continua. — Só tente e toque o máximo de pessoas que você puder. Em seguida, ele corre, me deixando em pé no centro da quadra ainda sem nenhuma real dica sobre o jogo. Eu vejo como ele persegue um grupo de calouras que só riem ao invés de correr. Quando ele toca cada uma delas, elas congelam no lugar. Outra garota, uma do segundo ano, eu acho, corre e as toca, trazendo-as de volta para vida. Mas antes que elas possam fugir, Brody recongela as calouras e pega a do segundo ano também.


116

— Mexa-se, Sanderson. — treinador Pittman grita. — Ou você não terá uma nota de esforço para o dia. Isso me coloca para correr. Minhas notas estão ruins o suficiente sem levar bomba em educação física. Em uma completa falta de estratégia, eu corro para os corpos mais próximos. Eles são rápidos, porém e fogem para o outro lado do ginásio, usando algumas das vítimas de Brody como escudo, Mas enquanto eu estou tentando achar uma maneira de contornar, ou passar através das garotas congeladas, Brody passa por trás e congela minha presa. — Bom trabalho em equipe, Lil. — ele diz com um uma piscadela. E então ele sacode a cabeça para minha direita. Eu viro e identifico Shannen e a caloura com quem nós saímos na aula de educação física algumas vezes. Estou começando a pegar gosto pelo jogo. — Não se mova, Shannen. — eu digo, andando lentamente em direção a elas enquanto elas andam para trás. — Isso não será doloroso. Eu prometo. — De jeito nenhum. — ela começa a virar e correr, mas dá de cara com Brody, que tinha dado a volta rapidamente. — Desculpe meninas. — ele sorri enquanto as toca no ombro. Para mim, ele diz, — Vamos pegar os caras do canto. Nós partimos depois do resto da turma. De alguma forma, eu sinto como se estivéssemos nos conectado mais que só no jogo. Nós estamos ligados uma ligação não mágica, mas ainda incrível. Eu nunca soube que as aulas de educação física poderiam ser tão boas. Brody alcança a mim e Shannen quando estamos saindo do ginásio, nos direcionando para a ala de ciência (eu tenho ciência da terra e Shannen tem física AP). Eu ainda estou um pouco corada de todo o esforço de caçar meus colegas pelo ginásio quando Brody corre, joga um braço em volta dos meus ombros (minha mochila, na verdade) e diz — Nós formamos um bom time, Lil. Eu troco um olhar de oh-meu-deus com Shannen. — Yeah. — eu digo, maravilhada de ser capaz de formar palavras. Eu quero dizer, Brody está praticamente me abraçando! — Um ótimo time. Ele me aperta ao seu lado como se eu fosse um dos seus companheiros do time de natação, mas eu sinto faíscas em todos os lugares em que nossos corpos se conectam. — Devemos ser parceiros mais vezes. Ninguém teria chance. Ele provavelmente está esquecendo o meu incidente com a corda de pular e os narizes sangrentos (plural), mas não sou eu quem irá lembrá-lo. — Totalmente. — estou tentando ficar tranquila com isso, uma coisa na qual eu tenho zero experiência, porque eu aprendo a minha lição sobre parecer


117

desesperada quando eu o chamei para dançar na última semana. Veja como (não) acabou bem. Quando nós viramos a esquina para o corredor de ciência, eu deslizei meu braço em volta dele para completar o abraço companheiro/companheiro que nós estávamos tendo. Só, no segundo em que eu vejo Quince, no segundo em que ele nos vê, eu sei que nós não parecemos companheiro/companheiro para ele. Sua fúria me atinge como uma onde de maré emocional. Seus olhos se tornam brilhantes como chamas, e os músculos de sua mandíbula se apertam tão forte, que eu acho que ele pode estar correndo o risco de quebrar os dentes. Eu espero que ele tenha um bom dentista. — Lily. — ele diz sem soltar a mandíbula. Ele disse meu nome, mas seus olhos ardentes estão presos em Brody. — Bennett. Isso deveria ter sido um cumprimento, mas há dois sinais que Quince está emitindo um aviso. Primeiro, ele chamou Brody pelo seu sobrenome. Segundo, ele disse o nome dele como se fosse um rosnado. — Oi, Quince. — Shannen diz, como se não houvesse nenhuma tensão mortal no ar. — Shannen. — Quince acena na direção dela, mas não tira os olhos de Brody. Brody, claramente não tão cego quanto Shannen, diz — É melhor eu ir para aula. Winslow vai baixar a minha nota se eu me atrasar de novo e o treinador vai me matar se eu perder a minha elegibilidade. Então acredito que ele pode ter secretamente vontade de morrer, ele pisca para mim antes de desaparecer no corredor. — Lil. Eu não o deixo terminar antes de eu me lançar contra ele. Jogando meu corpo inteiro nele, eu o lanço contra os armários. Ele pisca muito rápido, como se ele não estivesse certo do que aconteceu. — O que tem de errado com você? — pergunto. — Você não conseguiu ver que eu finalmente estava avançando com... — Lily! — Shannen suspira. — O que? — respondo, virando minha cabeça para encará-la. Ela levanta as sobrancelhas e contrai a cabeça para baixo no corredor. Eu vejo o Diretor Adjunto Lopez falando com o professor de física de Shannen a duas portas de distância. Santo Deus, o que eu estou fazendo? O tipo de violência que eu estou exibindo não é somente totalmente fora do comum, mas também é motivo de suspensão imediata, com certeza. Eu ainda estou espremendo Quince contra os


118

armários com os meus antebraços no seu peito (sim, eu sei que só estou segurando ele porque ele está deixando). Essa montanha russa de emoções ou hormônios ou humor induzido por ligação mágica está me desgastando. De repente, esmagada pela situação e pelo sigilo e pela emoção fluindo por mim, eu deixo minha cabeça cair para apoiar no peito de Quince. Por alguma razão, a ligação, eu me sinto melhor tocando-o. Como se toda a minha raiva escoasse para fora de mim. Quince inclina a cabeça para baixo, perto da minha e sussurra. — Relaxe, princesa. Isso é tudo parte do jogo, lembra? Eu balanço a minha cabeça. Isso é um jogo? Está ficando difícil lembrar as regras. — Você deveria contar para Shannen. Eu o empurro para trás. — Contar a Shannen o que? — Me contar o que? — Shannen pergunta ao mesmo tempo. Ele olha direto para os meus olhos enquanto diz — A verdade. — Eu não posso. — pânico me atinge. Ele não pode estar falando Da Verdade. A única verdade que eu tenho escondido da minha melhor amiga humana. Eu tento transmitir pelos olhos e pelo vínculo o quanto me dói manter esse segredo para Shannen, especialmente quando Quince, de todas as pessoas, sabe da verdade. Balanço minha cabeça veementemente. Será que ele não percebe o quão importante esse segredo é? Claro que não. Esse não é um segredo dele. — Então conte para ela. — ele diz. — Não! — Me contar o que? — Lily está... — Não! — Somente fingindo que está saindo comigo. — ele me dá um sorriso irônico. — Mas eu não estou. Eu estou tentando convencê-la a me escolher no lugar daquele idiota. — eu me dobro contra ele aliviada. Por um segundo eu tive tanta certeza que ele fosse revelar meu segredo todo no meio do corredor, onde toda a escola poderia ouvir. Eu nunca tive tanto medo em toda a minha vida. Nem quando um grupo de tubarões assassinos escorregou pelas barreiras defensivas de Thalassinia. Agora, com meus medos acalmados, eu tenho sentimento de saudade. As palavras dele afundam em mim. Isso é parte do jogo também? — Oh, isso? — Shannen ondula para ele. — Eu sabia disso. Ela sabia disso?


119

O sinal toca, mandando Shannen correndo para a aula de física dela, me deixando totalmente atordoada no lugar. — Você sabe que eu nunca poderia revelar o seu segredo. — ele diz suavemente, mais como o Quince gentil que eu vi em Thalassinia. — Nunca. Ele é sincero. Eu posso sentir isso. E ele está um pouco machucado por eu ter duvidado dele. Talvez ele esteja certo. Ele pode ser rude e antipático e uma grande dor na minha barbatana caudal, mas ele é honrável também. Ele nunca trairia meu reino. Eu deveria sentir um grande alívio sobre isso e eu faço, realmente faço. Mas..., lá está uma pequena, minúscula parte (de culpa) de mim que secretamente deseja que ele tivesse feito isso, contado a Shannen a verdade sobre mim. Porque então não haveria uma parede invisível entre mim e minha melhor amiga humana e eu poderia culpar alguém se desse errado. Eu não posso me obrigar a agradecer a ele por alguma coisa que eu quase desejei que ele tivesse feito. Ao contrário, eu foco no que me levou a este momento Brody e eu caí para alguma coisa mais confortável com Quince: raiva. — Por que você tem que arruinar todo bom momento que eu tenho com ele? — empurro para longe dele, colocando alguma distância entre nós. — Eu não gosto de ver você com ele. — ele diz, parecendo irritado da nossa conversa ter voltado ao Brody. — Isso faz meu sangue ferver só de pensar nisso. — Isso é a ligação. — eu insisto. Talvez Quince ainda estivesse em choque quando contei a ele sobre o que a mágica se tratava. Eu ainda lembro-me da primeira vez em que meu pai teve, a conversa, comigo sobre a ligação. Ele estava todo estranho e desconfortável, sobre hormônios e empenho e não deixar qualquer Tritão falar comigo sobre beijar antes que eu estivesse pronta. Depois de um tempo, meus olhos se cruzaram e eu tenho certeza que eu me desliguei da última metade da conversa. Então, não é um pouco estranho pensar que os detalhes poderiam estar um pouco obscuros para Quince, considerando que tudo foi jogado em cima dele de uma vez. — Isso é o que te faz ter ciúmes de Brody. — eu explico. — A ligação nos conecta e amplifica nossas reações emocionais. Isso foi projetado para fazer com que o povo Mer se ame mais. Eu não posso deixar de rir sobre eu e Quince nos amando. Isso é tão ridículo que eu não posso nem imaginar um mundo em que isso pudesse acontecer. — Eu não acredito nisso. — Quince diz com absoluta certeza. — Eu não acredito que nada mágico pode fazer alguém amar outra pessoa mais.


120

Ele coloca as mãos nos bolsos do jeans e apoia as costas contra um armário, levantando uma pesada bota de motociclista para bater na porta de metal cinza. Ele me olha direto nos olhos e diz. — Amor ainda é a magia mais forte no mundo. Uma onda de riso sai direto de mim. É óbvio que ele verdadeiramente acredita nisso. Ele acredita no onipotente amor natural. Eu nunca soube que ele era tão romântico. Mais ele não conhece o meu mundo. Existem forças mágicas que ele nunca poderia entender e amor não está no topo da lista. — Quince e Lily. — Mr. Lopez diz, andando para nós. — Vocês dois precisam ir para sala. — Sim, senhor. — Quince responde, mas não se move dos armários. Agradecida pela interrupção, eu me viro e corro para a aula de ciências terrestres. Eu estou tão perdida em pensamentos sobre Quince que eu mau registro quando meu professor diz. — Você está atrasada, Lily. Você vai precisar de duas folhas de papel do seu caderno para um questionário. Minha mente ainda está lá fora no corredor com uma inesperada versão romântica de Quince. Onde ele esteve escondido nesses últimos três anos?


121

P

eri estava esperando por mim no farol a quase dois quilômetros 31 de

distância do píer. Pela cara dela, ela estava ansiosa para ouvir todos os detalhes excitantes da minha primeira semana como uma Sereia que foi, ligada, a alguém. Ela não iria gostar. — Hey. — ela disse, nadando até onde eu estava. — Como você... — Eu acho que perdi o juízo. — Por quê? — as elegantes sobrancelhas castanhas dela se levantaram. — O que aconteceu? — O Quince tem sido legal comigo. Ela sorriu antes que conseguisse se conter. — E o que tem isso? — Ele nunca foi legal comigo. — eu resmunguei. — Rude, sim. Odioso, sempre. Mas nunca legal. — Isso não pode ser verdade. — ela disse enquanto nadávamos em direção ao fundo do oceano. — O cara é obviamente louco por você. — Você está parcialmente correta. — eu murmurei enquanto eu deslizava minha mão pela areia, observando ociosamente como a areia se movia e deixava descobertas partes antes escondida. — Ele definitivamente é louco. Peri virou e parou, colocou seus longos cachos castanhos por cima dos ombros. Com movimentos ágeis e elegantes, ela habilmente desembaraçou seus cachos e os transformou em uma trança. — Eu acho que você não está vendo muito bem, garota. — ela disse bastante convencida. — Ele foi perfeitamente agradável semana passada. — Deve ter sido por causa da ligação. — passei a mão pelo meu cabelo loiro e cheio de frizz, que felizmente havia se tornado sedoso no mar e comecei a trançálos. — Isso mexe com os seus sentimentos. Eu me sinto como se estivesse no meio de um tsunami de emoções. E com ele não é melhor. Ele praticamente arrancou a minha cabeça por estar caminhando com o Brody ontem. — Você estava passeando com o Brody? No original “one nautical mile”. Uma milha marítima equivale a 1852 metros. Preferi arredondar pra soar mais natural, pois dificilmente alguém calcularia essa distância com exatidão. 31


122

— Sim. — por que eu estava falando do Quince quando eu tinha novidades sobre o Brody? — O treinador Pittman nos fez brincar de pega-pega; e nós pegamos todo mundo da turma e depois disso... Na minha empolgação, minhas mãos embaraçaram meu cabelo. Peri nadou em minha direção, empurrou minha mão e começou ela própria a trançar meu cabelo. — E depois disso ele me abraçou e disse que nós formávamos um belo time. Eu me virei para olhar para ela, tirando meu cabelo de suas mãos. Ignorando seu olhar chateado eu disse: — Isso não é ótimo? Isso deve ser um bom sinal. Certo? — Eu suponho que sim. — ela disse, agarrando meus ombros e me virando de forma que ela pudesse terminar de arrumar meu cabelo. — Mas garotos terráqueos não são tão fáceis de entender como garotos Tritões. — Falando nisso... — meu pensamento me levou de volta àquela tarde do encontro. — Quero dizer, em um minuto Quince e eu estávamos discutindo e de repente ele estava me beijando porque a ex do Brody estava passando por perto. Então, naquele dia do encontro na praia ele ficou me abraçando e sussurrando no meu ouvido como se fossemos alma gêmea ou algo do tipo. Peri estava realmente quieta atrás de mim. Ela pegou minha trança agora perfeita e a colocou cuidadosamente por cima do meu ombro. Eu me virei pra descobrir porque ela tinha se calado de repente e então, eu vi. Uma caravela portuguesa32 estava passando a apenas alguns metros à frente. Nós convivíamos pacificamente com a maioria das criaturas do mar, mas havia algumas claras exceções, conhecidas como tubarões, águas-vivas venenosas e orcas assassinas (elas não eram tão grandes quanto às Shamu 33). Nós não somos mais resistentes às ferroadas das águas-vivas do que os humanos são, talvez até fossemos menos resistentes graças à nossa pele delicada. Sem dizer uma palavra, eu envolvi minha mão em volta da cintura da Peri e nadei o mais sorrateiramente possível na direção contrária. Caravelas não eram predadores inteligentes, mas o movimento da água em volta delas poderia fazer seus tentáculos mexerem-se de forma mortal.

Do original “Portuguese man-of-wars”, diz respeito a uma colônia de seres marinhos que vistos rapidamente se parecem muito com uma água-viva. Estes seres são incapazes de sobreviverem de forma isolada que não em uma colônia. Não possuem força propulsora para nadar, dependendo exclusivamente de fatores tais como vento ou maré para se locomoverem. O nome “caravela portuguesa”, utilizado para design|-las, é uma referência a um navio português do século XVI. 32

Shamu é o nome da orca-símbolo do parque de diversões SeaWorld, nos EUA. Shamu, na realidade é um nome-padrão para todas as orcas em idade de se apresentar que são adestradas para realizarem shows aquáticos junto aos seus treinadores. 33


123

Eu sabia a razão pela qual a Peri estava petrificada. Quando ela tinha seis anos, o irmão mais novo dela foi morto pelo ataque de uma caravela que a deixou com uma cicatriz feia e a beira da morte. Foi necessária toda a equipe médica do Palácio para curá-la. Todavia, eles nunca conseguiram curar as cicatrizes ou acabar com os pesadelos. Quando nós estávamos fora de alcance, eu coloquei minhas mãos no rosto dela. — Estamos bem. — eu disse confiantemente. — Nós estamos a salvo agora. Os olhos dela estavam arregalados e vagos. — Peri. — eu coloquei meu rosto na frente do dela. — Peri, volte para mim. Vagarosa e gradualmente, eu a vi retornando ao presente. Eu já estive com ela durante essas visões antes. Eu não sabia aonde ela ia quando ficava com aquele olhar vago, mas eu sempre conseguia fazê-la voltar a si. — Eu..., eu... — Está tudo bem. — eu disse, abraçando-a e me forçando a não me encolher devido à sensação das cicatrizes que se entremeavam pelos ombros dela. Eu as vi na minha mente tão claramente como eu já as tinha visto com meus próprios olhos umas mil vezes. Dúzias de linhas finas, branco pérolas, quase translúcidas que ia a todas as direções a partir da marca cor de cobre abaixo do pescoço dela. Eu sempre me senti orgulhosa por ela não as esconder. Eu não tenho certeza se conseguiria fazer o mesmo. Quando ela me abraçou de volta, eu percebia que ela estava bem. — Des..., desculpe. — ela gaguejou. — Eu não queria ter ficado tão apavorada como eu fiquei. Tipo, não me ajudaria em nada ficar lá petrificada bem no meio do caminho dela. — Bem. — eu disse, tentando descontrair. — Nós só temos que nos assegurar de que você nunca tenha que enfrentar uma sozinha. É só eu estar sempre com você. Quando ela se acalmou, os olhos dela brilharam com uma leve sombra cor de cobre, igual a das suas escamas. — Você sabe que isso não é possível. — ela disse, mexendo na trança que ainda cobria o meu ombro. — Mas fico grata pela sua preocupação. — ela meio que ficou olhando para o nada novamente, mas apenas por um segundo. — Você é uma Sereia bastante gentil, Lily. Você merece alguém que a ame tanto quanto você ama os seus amigos. Eu sorri. Não pude evitar. Levando em consideração a bagunça da minha vida amorosa, era melhor sorrir que chorar. E se eu fosse para casa com os olhos


124

inchados e vermelhos, brilhando ou não, tia Rachel saberia que havia algo errado, sendo assim, eu cai na gargalhada. — Eu estou trabalhando nisso. — eu disse. — Tão logo o meu pai me separe daquele motociclista maluco, eu direi tudo ao Brody. Os olhos dela, que brilhavam um pouquinho menos agora, faiscaram. — Tudo mesmo? — ela perguntou para se certificar. Eu realmente ainda não tinha pensado nisso até aquele momento, mas essa era a única opção. Meu aniversário era dentro de cinco semanas e já que ele era a minha alma gêmea, ele teria que saber a verdade. Eu assenti. — Lily, você não pode fazer isso. — Peri me advertiu. — Se você contar a um humano e ele não se transformar em um ser aquático, quer dizer... — Eu sei. — haveria um risco caso o Brody não se transformasse. Eu suspirei, pensando em Brody com os braços ao meu redor, flutuando pelo mar, como se ele tivesse nascido para isso, sorrindo para mim na nossa sala de TV toda segunda, quarta e sexta. Cada pensamento que eu tinha sobre o Brody era melhor do que o outro. — Mas ele vale à pena. Peri não parecia completamente satisfeita, mas ela não discutiu. Ela sabia mais do que ninguém, exceto talvez pela Shannen, há quanto tempo eu gostava do Brody. Se o Quince não tivesse jogado tudo por água abaixo, o Brody já seria meu. — Eu preciso ir para casa. — eu disse pensando na pilha de dever de casa que eu tinha pra amanhã e na Peri tendo que retornar à Thalassinia com o sol fraco. — Tudo bem em você voltar sozinha? — Eu ficarei bem. — ela enfatizou. Eu a abracei mais uma vez, só por garantia. — Vejo você amanhã à noite. Felizmente, daqui a vinte e quatro horas, minha ligação com o Quince seria apenas uma mera lembrança. Brody seria meu antes mesmo da segunda-feira.


125

J

á estou em casa, tia Raquel. — grito enquanto entro pela porta da

cozinha, depois da escola, na sexta-feira. — Só deixarei minha mochila e depois Quince e eu iremos para... Paro na metade da frase porque vejo que uma gaivota mensageira esta sobre nossa geladeira. Prithi está localizado diante da geladeira, enquanto mexe sua cauda de um lado para o outro, silenciosamente esperando que a gaivota deixe seu lugar. Tia Raquel entra pela porta principal. Cumprimenta a gaivota e diz. — Está aqui há duas horas, não me deixa pegar a mensagem. Faço meus olhos girarem. A nota não é particular, já que se fosse o papel enrolado sem sua perna seria de cor rosa claro em vez de verde. As gaivotas mensageiras são o nosso meio de comunicação principal com a terra e com as pessoas que temos lá, mas não são sempre as mais confiáveis. Esta por exemplo entendeu mal o sinal e acha que é uma mensagem ultra secreta. — Hey Lily. — disse Quince, entrando atrás de mim sem se preocupar em chamar na porta. — Tive que colocar gasolina no caminho para casa, mas já estou pronto para irmos. — ele parou ao ver a gaivota. — É uma gaivota que está sobre sua geladeira? — É uma gaivota mensageira. — especifico, me aproximando para pegar a mensagem da perna da gaivota. Prithi finalmente percebe que estou no cômodo e começa seu ritual movendo-se ao redor dos meus tornozelos. — Boa tarde Quince. — disse tia Raquel. — Você quer alguma coisa para comer antes de ir? — Não, obrigado senhora. — ele disse, usando um encanto totalmente desnecessário. — Minha mãe sempre me diz que não vá nadar com o estômago cheio. Eles riem por causa de uma piada humana ou pelo menos eu acho, enquanto desenrolo o papel. Meu coração para. E não posso evitar deixar sair um pequeno gritinho de alegria. — O que foi? — pergunta Quince enquanto se aproxima para o meu lado e lê a nota por cima do meu ombro. — Venha a Hideway. O que é Hideway?


126

— É meu restaurante favorito no mundo todo! Papai parece desejar nos levar para um ultimo jantar de celebração antes da separação. Estou tão nervosa que estou tentando abraçar a gaivota mensageira, a que só grasna e agita suas amplas asas para me manter afastada. Isto atrai a atenção de Prithi e ela tenta capturar a ave. Enquanto vejo como tia Raquel e Quince tentam separá-los, jogando a gaivota pela janela e Prithi para a sala de estar, eu apenas sorrio. Esta noite ia ser um grande alivio.

— Você vai adorar. — digo-lhe enquanto entramos pela porta do Hideway. — Por que diz isso? — Quince pergunta. — Por que... — abro a grande porta de madeira maciça, incapaz de esconder meu sorriso. —... Não servem apenas sushi. — Graças aos céus. — ele ri enquanto diz isso. A primeira vez que papai me levou ao Hideway, foi pelo meu décimo segundo aniversario, ainda me lembro de quando entrei por estas portas pela primeira vez, flutuando dentro de um pedacinho do mundo humano sob o mar. É o paraíso dos salva-vidas. As paredes estão cobertas com brilhante madeira da cobertura de um galeão espanhol34. Todas as mesas e cadeiras estão feitas com retalhos cortados de uma escuna pirata35. Aqui colocam nas mesas, talheres de verdade e não apenas um jogo de varas de mar a vista. Mas minha parte favorita sem dúvida é a grande coluna de cristal que esta no centro do restaurante. Dentro dessa coluna há um pedaço de terra de verdade, um terraço completo com grama, um pequeno pinheiro e a melhor parte de tudo isso, é um casal de Cardeais 36. Não tenho certeza de como funciona, ou de como eles conseguem ar fresco e luz do sol, mas é uma façanha incrível de tecnologia marinha. Enquanto nadávamos até a mesa da recepcionista, Quince parece totalmente aterrorizado. — Bonito. — ele disse. — De onde tiram todas estas coisas? — Do fundo do mar. — encolho os ombros. — Por séculos os humanos veem o mar como se fosse um lixão. http://www.hobbymodelismo.com.br/detalhe.asp?cod=CNSB80823 http://www.canasvieiras.com.br/perolanegra/ 36 http://www.mascotasyperros.com/images/stories/aves/cardenales1.jpg 34 35


127

— Alguns ainda o fazem. — disse Quince e isso é verdade. — Nós apenas limpamos o desastre que eles deixam para trás. Antes que possamos entrar em uma espécie de discussão sobre o meio ambiente, a anfitriã nada até nós. — Princesa Lily! — ela exclama, seu cabelo é azul, curto, enquanto um peixe papagaio nada ao redor de sua cabeça como uma auréola. — Que agradável voltar a vê-la! — Olá Tang. — respondo-lhe. — Meu pai já esta aqui? — Ele está nas instalações do capitão. — Obrigada. — as instalações do capitão é um pequeno reservado na parte traseira. Suas paredes estão cobertas por gotas de cristal de inumeráveis lustres dos transatlânticos, que dão a impressão que você esta comendo dentro de um diamante ou de um enorme Geode37 — Venha. — eu digo a Quince, enquanto me dirijo até o reservado. — Vamos terminar com isto. No momento em que passamos pela cortina de pedras de vidro que cobrem a porta das instalações do capitão, sei que alguma coisa está acontecendo. Papai não esta sozinho na enorme mesa. Graysby e Grouper estão ao seu lado e Calliope Ebbsworth está do outro lado. — Oh, não. — respiro. — O que? — pergunta Quince, aproximando-se mais a mim. — Alguma coisa ruim? Agito minha cabeça porque não quero me aventurar até estar certa em 1000% do que vai acontecer. Mas eu sei. Papai não vai se conformar com o aconselhamento de casais. Ele prefere o desafio, um processo antigo de três provas para provar incompatibilidade de um casal. De outra forma Calliope e seus conselheiros não teriam que estar aqui. — Lily. — disse papai com um grande sorriso. E ainda sorrindo disse. — Quince. — O que está acontecendo papai? — pergunto, tentando soar tranquila. Como se pudesse sentir meu mal estar interior, Quince coloca sua mão em minhas costas. Eu sei que ele só tenta acalmar minhas emoções, devido à união, mas ainda assim, estou grata por este gesto. — Eu pedi a Graysby, Grouper e a Calliope que nos acompanhassem no jantar. — disse papai como se não acontecesse nada. — Saudações Princesa. — disse Graysby. Geode - É uma cavidade rochosa, normalmente fechada, em que tem cristalizado minerais que são conduzidos até ela,dissolvidos na água subterrânea e cujos cristais são de grande tamanho devido a pouca pressão que produzem. 37


128

Grouper sorri. — Amo Quince. Quince os saúda assentindo com a cabeça. — Calliope... — explico a Quince, porque sei que todos os demais no cômodo sabem o que está acontecendo. —... É a mediadora de uniões em Thalassinia. — A o que? Fecho meus olhos e respiro fundo. — Ela é uma conselheira de casais. — É apenas questão de protocolo. — disse papai enquanto o garçom limpa a mesa. — Segundo a lei de Thalassinia deve-se demonstrar a devida solicitude em sua relação antes que se possa declarar a separação. — Isto é uma supervalorização dos aspectos técnicos e você sabe disso. — eu replico. — Ninguém tem feito cumprir a solicitude durante décadas. Vejo a mudança do rosto de meu pai, em seus olhos, muito antes que ele fale. Ele não gosta que questione seu julgamento ou autoridade diante de seus súditos. — Independentemente do que tenha acontecido no passado. — ele disse com sua voz real. — Eu decido aplicá-la agora. Você é a Princesa de Thalassinia, portanto você está sujeita a observação maior do que seus cidadãos. — Mas papai... — Você não está por cima da lei, filha. — seus olhos se abrandaram e ele acrescentou. — E não é que você tenha muito tempo. — Tudo isso se trata apenas disso? — levanto-me da mesa. — Você acha que eu não me unirei a ninguém até meu aniversario? É por isso que temos que passar por tudo isso? — Passar pelo o que? — pergunta Quince. Papai não responde a ele. — Em parte. — Eu te digo desde agora. — vocifero enquanto nado ao redor da mesa. — Eu escolhi um companheiro. Se este cabeça de peixe bola não tivesse estragado as coisas me beijando, então Brody e eu poderíamos estar já... — Basta! — o grito ecoante de meu pai me fez calar. Em seu tom de nãoestou-de-acordo, ele disse. — Independentemente da situação na terra, o fato é que você está ligada a este rapaz. — ele olha para Quince, concordando. — Você está sujeita a lei e as minhas regras. Passará pelo desafio antes que eu permita sua separação. — então para evitar mal entendidos ele acrescenta. — Presumindo que você prove que é incompatível com esta união. — E o que acontece com Quince? — pergunto, agarrando-me a qualquer coisa que possa me tirar desta encrenca. — Ele não pode simplesmente


129

desaparecer durante um fim de semana inteiro. Quero dizer, o fim de semana passado já foi bastante ruim e foi apenas um dia... — Já enviei uma gaivota mensageira para Raquel, pedindo-lhe que de uma explicação para sua mãe. — papai me dirigiu um olhar severo. — Você não se livrará deste desafio. — Desafio? — pergunta Quince. — Que desafio? Finalmente Calliope fala. — Na verdade é terrivelmente romântico. — disse colocando os olhos sonhadores. — Você e a Princesa serão enviados a uma ilha deserta durante os próximos dois dias, só um com o outro e algumas curtas visitas de amigos e familiares para que lhes façam companhia. — Deserta? — repetiu Quince. — Como deserta? — Você e eu e uma palmeira. — eu digo. — Nem sequer um macaco na ilha? — ele pergunta com um sorriso. Eu lhe devolvo o sorriso apesar da minha irritação. — Talvez uma ou duas gaivotas. — Isto é sério Lily. — disse papai. — Calliope te visitará para avaliar a situação e eu também. Solto um enorme suspiro enquanto me afundo em minha cadeira. — Eu sei. Se Quince e eu não pudermos demonstrar que somos um casal incompatível, Calliope tem o mesmo poder que meu pai para negar a separação. Não estou certa do porque papai esta fazendo isso, mas está claro que não vamos escapar disto. Agora começou e eu só quero terminar isto de uma vez por todas. — Quando começaremos? — pergunto. Calliope esclarece. — Imediatamente. — ela pega sua grande bolsa do chão. — Ficarei encantada em mostrar-lhes a ilha e explicar-lhes as regras. Concordo. — Façamos.


130

A

“ilha” é na realidade um minúsculo atol, um anel de recifes cobertos

de areia que sai através da superfície. Pelo menos a areia é suficientemente profunda para apoiar algumas ervas, arbustos e uma triste palmeira que cresce a uns cinco graus do angulo da terra. O centro do anel são uns buracos azuis, iguais a uma piscina particular. — As regras do Desafio são simples. — disse Calliope. — Nos próximos dois dias não podem deixar o limite da ilha. Se precisarem de hidratação ou salinização, utilizem o lago azul. — E o que acontece com a comida? — Quince perguntou. Tinha que ser um garoto que apenas pensa em comida. Acaba de comer! — Todo o sustento necessário será proporcionado. Pode escolher a habitação em terra, mas eu recomendaria a piscina. — Calliope parecia muito entusiasmada com isto. Eu não acho que ela chegue a desempenhar muitas vezes sua função plenamente. Especialmente no caso da “união”. Os seres humanos em Thalassinia não são totalmente desconhecidos, temos alguns poucos a cada ano. Mas geralmente eles são tão inegavelmente apaixonados por sua Sereia, que uma separação era impensável. Minha situação é única, pode se dizer isso ao menos. — Três provas serão apresentadas. — disse ela, positivamente radiante de entusiasmo. — É possível que não saibam que estão à frente de uma prova no mesmo momento, mas ainda assim, seu rendimento será avaliado. — Genial. — murmurei. Quince perguntou: — Assim que se passamos nas provas, então a separação acontecerá? — Não é aprovado ou reprovado. — explicou. — Seu desempenho no Desafio é avaliado por sua alteza e eu. No final das quarenta e oito horas, farei minha recomendação, mas o rei tomará a decisão final. — Genial. — chutei a areia. — Comecemos. Calliope zomba de mim, na realidade gralha. — Os deixo então. Sua primeira prova será administrada pela manhã.


131

Dá a volta e mergulha no mar, transfigurando e deixando a vista seu biquíni enquanto navegava pelo mar. Genial. Deixei-me cair sobre a areia. O último que queria neste fim de semana era ser abandonada em uma estúpida ilha com Quince. Presume-se que já tínhamos que estar separados. Eu já havia feito planos: depois da separação, iríamos jantar, e talvez, comessemos tortas congeladas de sobremesa. Mas não tinha nada entre meus planos, como o fato de que íamos passar dois dias juntos em uma estúpida ilha. Tinha que voltar com Brody. Quince se sentou na areia, próximo a mim. — Sei que está com raiva. — disse, olhando o horizonte do oceano. — Eu posso sentir. Mas vamos sair disto, e então tudo terá terminado. Não soava tão ansioso pela separação como eu me sentia, mas algo em seu interior me inquietava, podia senti-lo; talvez fosse apenas sua vontade de voltar a sua vida normal. Um fim de semana em uma ilha deserta não estava precisamente em seus planos, tão pouco. — Apesar de que em parte é culpa sua. — lhe disse, ainda que não tenha uma grade quantidade de acusação atrás das minhas palavras. — Não tinha ideia da confusão que estava se metendo com aquele beijo. — sinto que todo esse problema é um grande peso. Meu pai estava tomando de forma desproporcionada, seriamente. — Não é nada. — disse encolhendo os ombros. — Quer dizer, nem todos os dias um homem chega a apaixonar-se por uma formosa garota e é arrastado a um reino mágico rodeado de formosas Sereias. Inclinou-se para mim, me empurrando com o ombro. Como se eu fosse um garoto. Sim, claro. Formosa? Eu não era. Ela olhou para ele e pensou: — Vá, Lily Sanderson é uma garota formosa. É meu dia de sorte, sou linda. Mas isto segue sendo um desastre. — Está sendo dura com você mesma, certo? — Quince perguntou. — O que quer dizer? — Não sei ao certo. — disse, esfregando os pulsos nos joelhos. — Apenas tenho a sensação de que está pensando negativamente de você mesma. Sei que soa ridículo. — Não. — o interrompi. — Não é assim. A conexão emocional do vinculo se faz mais forte quanto mais tempo se passa. — Oh! — se virou para me olhar. — Então está sendo dura com você mesma?


132

E na verdade, não veio nenhum motivo para mentir. — Presumo que sim. — Por quê? — Apenas sei. — me sinto um pouco ridícula falando com ele, de todas as pessoas do mundo, tinha que ser ele. Com um vinculo conectando-nos, provavelmente não havia ninguém no mundo que me entenderia melhor que ele. — Sei que não sou bonita. Na água me sinto quase bonita, mas na terra... — puxo meu cabelo crespo como prova. — Me sinto como um desastre. — Não acredita que é bonita? — sua voz baixa e sem inflexões. — Eu sei que não sou. — respondo. — Não como Courtney ou Dosinia. Inclusive Peri tem um estilo elegante e bonito. Eu apenas sou..., eu. Eu, com sardas, pernas finas e lábios grandes iguais aos olhos. Quem poderia me achar atraente? Sou como uma avestruz. — Não deve fazer suposições sobre como os demais podem te ver, Lily. — soava sincero, não pude afastar o olhar dele, quando adicionou: — Algumas pessoas encontram a beleza no caos. Sem esperar uma resposta, ele se levanta e vai. Fixo o olhar em suas costas, e pergunto: — Hey, de onde você tirou isso de um poema ou algo assim? Pouco antes de pular na piscina, ele disse: — Algo assim. Sento-me na praia o olhando e me perguntando que tipo de coisas está acontecendo, até que o frio da tarde me golpeia. Com o sol descendo se fundindo com o horizonte, a temperatura superficial descendo uma dúzia de graus. Tempo para entregar a noite, pelo menos posso me esquentar na água da piscina em uma temperatura decente. Pela manhã seriam as provas. Tão logo meu pai e Calliope se deem conta de que Quince e eu somos o pior casal da história de Merworld, nos separar e voltar para casa antes de poder dizer “Algumas pessoas encontram beleza no caos". Porque a frase me perfurou assim?

— Bom dia, dorminhocos! A voz penetrou a névoa profunda do meu sonho. O que Peri está fazendo no meu quarto? Ela nunca tinha estado na casa da tia Raquel. — Não é acolhedor esse lugar? Parece como um par de pérolas em uma concha. Virei-me em posição vertical com o som dos comentários brincalhões de


133

Dosinia. Então me dou conta que não estou em meu quarto, ela odeia o mundo humano e sei que não é capaz de por seus pés em terra. A primeira coisa que lembro é que não estou em meu quarto. Estou no azul e profundo buraco da ilha, aonde Calliope nos deixou, para o desafio. E a segunda coisa é que fiquei adormecida junto a Quince por que minha regularização de temperatura poderia mantê-lo aquecido. E não sei em que momento da noite havíamos nos movido, de dormir separados a dormir amontoados, e juntos. Despertado de seu sonho devido aos meus movimentos, ele esticou os braços e bocejou tão forte, que praticamente parecia estar rugindo. — Bom dia, princesa. Peri clareou a garganta com um forte — Aham. Quince finalmente abriu os olhos. Seu amplo sorriso não mostra nenhuma vergonha, não é que tenhamos nada do que nos envergonhar. — Bom dia, senhorita. O que a traz a nossa formosa ilha? — O desafio. — Peri respondeu com um sorriso. — Estou administrando uma de suas provas. Com um forte chute se ajeitou ao meu lado. Dou a Dosinia um olhar cético, e pergunto: — E porque ela está aqui? Deu de ombros e franziu os lábios brilhantes. — Meu tio me pediu para ajudar. Obrigada, papai. A essas horas da manhã, sei que dou medo, e tento domar meus cachos passando meus dedos pelo cabelo. É tão injusto que Quince ao despertar se veja exatamente igual, como fez quando foi dormir, apenas tinha os olhos sonolentos e as bochechas rosadas. — Qual é a prova? — pergunto a Peri, tentando ignorar como Dosinia passeia seu olhar sobre o peito desnudo de Quince. Talvez devesse lhe dizer para por sua camiseta. — Vai ser super legal. — exclama Peri. — Cada um vai fazer um presente para o outro. — Um presente? — repito. — Sim. — ela aplaude. — Ficarei na piscina e te ajudarei a criar seu presente. Dosinia ira com Quince a superfície para fazer o seu. — Tem algum requisito? — Quince pergunta, demonstrando que está realmente desperto e prestando atenção.


134

— Não, — Peri nega com a cabeça. — Apenas que tem que ser feito à mão. E que tem que pensar em Lily. Isso parece bobagem. Como saberei que presente fazer para Quince? Isto é uma prova da nossa falta de adequação? Ele não parecia confuso. — Então vamos. Com um forte impulso me levantou do que havia sido nossa cama, disparou para a superfície. Dosinia e sua boa aparência, disse: — Isto deve ser divertido. Então sorri e Quince a segue. — Poderia ser mais odiosa? — digo uma vez que ela saiu para a superfície. — Provavelmente. — disse Peri distraída. — Então, o que quer fazer? Olho ao redor do orifício. Tudo o que vejo é uma parede de corais salpicados de cores brilhantes, anêmonas, estrelas do mar e outras espécies marinhas. Se este presente se presume que é para Quince, não posso usar nada que pareça como anêmonas ou algas. Em terra, acabariam apodrecendo em um dia ou dois e fariam que seu quarto fedesse pior do que provavelmente já o faz. — Não tenho nem ideia, Peri. — reclamo. — O orifício não tem muito que oferecer. — Porque não exploramos? — sugere. — Eu subo e você desce. Dou de ombros de acordo. À medida que vou até a parte superior do orifício, eu nado para baixo. Isto é estúpido. Nunca vou encontrar algo para Quince. Mas antes de terminar meu gemido mental, o vejo. Um dólar de areia38 azul perfeito, ao redor de uma polegada e meia de largura. Quince estava fascinado pela escultura na sala de estrelas do mar, assim que talvez fosse gostar disso. Aviso Peri que encontrei algo. Sua sombra se move até mim enquanto se aproxima para inspecionar meu achado. Talvez esteja equivocada. — Ele vai odiar. — grunhi. — Não sei nada do que gosta. Olha, é totalmente inadequado. — Nunca se sabe. — disse Peri, admirando o dólar de areia. — Talvez o vá encantar. Eu dou de ombros me desligando de sua sugestão. Não importa. Não é como se fosse passar o dia todo fazendo um presente estúpido para uma prova de tontos, porque sei que meu pai concederá a estúpida separação. Rapidamente começo a trançar uma cadeia improvisada, que sei que secará com o golpe do ar. Em alguns minutos, terei acabado o colar e colocado o dólar de Um dólar de areia: Ouriço do mar fóssil, caracóis, turritélidos, dentes de peixe, vértebras, etc. É a forma de uma moeda de cinco poros dispostos em uma pétala. 38


135

areia no centro. Para vedar a cor azul, eu seguro o dólar de areia na palma da minha mão e o faço congelar. — O que pensa? — pergunto, levantando no ar para que Peri o veja. Na realidade estou muito orgulhosa da minha criação. — Acredito... — ela disse, olhando o colar e logo para mim — O que não entendo é porque o odeia tanto. Franzi o cenho. Da onde vem isso? Ato o colar ao redor do meu pescoço, assim não vou perdê-lo. — Eu não odeio. — reconheço. — Na realidade não. Às vezes penso que não, mas ele não é realmente uma tremenda ajuda. — Então o que? — Peri nada para cima estudando meu rosto. — Porque se libertar de um vinculo perfeito? Um vínculo perfeito. Não estou certa do que está acontecendo aqui. Quero dizer, Peri está do meu lado. Não está? Ela sabe o que sinto por Brody. Porque ela me anima para continuar com Quince? Como se fosse manter o vinculo de todos os modos. — Sabe por quê? — digo minha frustração, a água revelando meu desconforto. — Brody. — disse em tom decepcionado. — Sim. — respondo. — Brody. O tipo do qual tenho estado apaixonada durante três anos. O garoto com que tenho que estar. — Não se ponha na defensiva. — Peri faz ondas com sua cauda em um gesto nervoso. — Simplesmente não entendo porque Brody é muito mais atrativo que Quince. Teria que me explicar. — Quince é... — eu rodeio, tentando reunir meus pensamentos. — É tudo o que não quero. É grosseiro, prepotente e ama me incomodar em cada oportunidade. Ele é um amante da terra. — deixo de girar e tento enfrentar Peri, mas o mundo seguiu dando voltas ao meu redor durante vários segundos. — Sabia que inclusive não podia nadar antes do fim de semana passado? — E? — Peri pergunta. — Agora pode. — Não o entendo. — reclamo. — Eu sou parte da água. Brody também pertence aqui. — Tomo ar, imaginando Brody nadando em estilo borboleta. E então imagino Quince em sua motocicleta. — Quince pertence a terra. — Peri estuda meu rosto, meus olhos, como se estivesse tentando ler meus pensamentos mais profundos. Se alguém pode, sei que é ela. Mas parece não me compreender. Enfim ela me dedica um sorriso amável. — Estou certa que tudo sairá como se presume que deve sair.


136

Sim, comigo e Brody juntos debaixo no mar, enquanto Quince na terra, seco e seguro, no mundo ao qual pertence. — Espero que sim. — digo ao começar nossa elevação. — Espero desesperadamente. À medida que saímos à superfície, não vejo Quince nem a Dosinia em lugar nenhum. O que é preocupante, porque Calliope disse que não podíamos sair dos limites da ilha. Se Dosinia enganou Quince para quebrar as regras, vou estrangulála. O último que preciso é que este desafio seja anulado porque teríamos que começar de novo ou algo assim. Então escuto riso ao longe, atrás dos montes de arbustos no lado norte da ilha. — É muito bom com as mãos. — Doe disse com sua sensual voz de caçagarotos. — Não posso pensar em uma Sereia em Thalassinia com esse tipo de habilidade. Quince com uma risada baixa, a responde, embora não possa ouvir sua resposta. Com um grunhido, me jogo na areia, transfigurando meu biquíni enquanto me dirijo para o lugar. Ela não gosta dos seres humanos. Tem que paquerar com todos os garotos que tem pulso? Quero dizer, ela também deveria saber que esta é uma espécie de situação delicada. Não pode apenas por em pausa sem paquerar? Não, não acredito que possa. — Dosinia! — Grito, enquanto piso na erva em direção da sua voz. — O que está fazendo? Mas quando chego à areia plana, estou aturdida e sem palavras pelo que vejo. Quince e Dosinia estão sentados lado a lado, ombro a ombro, de frente a praia. Ambos olhando para mim. Dosinia vai contra suas costas e o abraça pela cintura. E ele nem sequer reage. — Peguei um pouco do seu tempo. — disse com um sorriso brincalhão. — Quince o fez muito rápido. E tenho estado..., distraindo-o. — Quince? Elevo minhas sobrancelhas..., e então as franzo. Antes de saber o que estou fazendo, Peri me agarra pelo braço, enquanto eu empurro Dosinia na areia. — Fora daqui! — lhe dou um empurrão para a água. — Não é parte desta prova. Ninguém no Palácio te escolheria para ajudar neste desafio. Vai para sua casa. — Quince, que se colocou de pé parece confuso, enquanto Peri tropeça por tentar me segurar. — Que diabos, Lily? — exige.


137

Sinto as lágrimas em meus olhos, e nem sequer sei por quê. A união joga muito com minhas emoções, que não posso pensar com claridade. Dosinia, que nunca se rende, ridiculariza e diz: — Se o quer, então porque não aceita essa união? — O que? — reflito sobre isso. — Não se trata dele. — insisto. — Trata-se de você. Em como sempre se alegra em fazer minha vida miserável. — dou a volta, e tento me afastar o mais rápido possível, mas logo volto atrás. — Sabe o que? Os dois têm isso em comum. Então corro pela erva para o outro lado da ilha. Sei que não é longe o suficiente. Logo que deixo a erva, caio na areia. Envolvo meus braços ao redor dos meus joelhos, deixo cair minha cabeça e tento utilizar a respiração profunda para conter minhas lágrimas. Qual é o problema comigo? Não costumava ser assim tão emocional. Nunca perco as estribeiras ou grito com alguém, bom, sim, com Quince. Agora me sinto como se o mundo estivesse contra mim. A erva atrás de mim ressoou, devido aos passos de alguém. Desejo que seja Peri, minha melhor amiga; vindo me acalmar. Ninguém me conhece o suficientemente bem como ela. Mas os pés que vejo através das minhas lágrimas borradas não tem nada de Peri pés dourados. Estes são grandes, nus, pés masculinos. Deixo escapar um suspiro. — Isso foi um pouco duro. — disse enquanto se senta ao meu lado. Olho para o céu. — Eu sei. — Ela esta com ciúmes de você. — Quem? — pergunto com o cenho franzido. — Dosinia? Quince faz um ruído que soa meio como uma risada e meio com um grunhido. — Às vezes pode ser tão cega quando se trata das pessoas ao seu redor, princesa. — Do que ela ia estar com ciúmes? — exijo. — Ela é mais bonita. O paquerador número um, a que os garotos sempre perseguem. Ele me deu um meio sorriso. — Nem todos os garotos. — Não tenha ilusões. — lhe disse. — Ela tem sido meu pesadelo, muito antes de você chegar. — Lily. — disse com um tom grave — Você é a Princesa. A menina de ouro. O Reino será para você no futuro. Ela é somente..., sua prima pequena. A segunda corda. Nunca havia pensado dessa forma. Tudo que sabia era quanto ciumenta


138

estava dela, de seu anonimato, sua forma simples com os garotos e sua beleza clássica. Ela é tudo o que eu não sou. Nunca pensei que poderia ter algo que me invejar também. Nunca pensei que eu fosse algo que valeria a pena. — Somente pare e pense. — disse Quince, colocando-se de pé. Estende sua mão e me convida a pegá-la. — Agora vamos voltar à troca de presentes para que possamos chegar à seguinte parte do desafio. Deslizo minha mão pequena, cheia de sardas em sua mão pálida, tão grande, me pergunto para onde foi aquele garoto que sempre me fazia à vida tão miserável, e agora podia me fazer tão tranquila. Pela primeira vez, comecei a pensar que Quince e eu poderíamos terminar sendo amigos. Muito tempo depois que Peri e Dosinia haviam ido, Quince e eu nos sentamos na praia aonde trocamos os presentes. Parecia muito feliz com o colar, o sorriso que me deu pode ter sido o primeiro verdadeiro que temos compartilhado, mas não era nada comparado com seu presente para mim. — Não posso acreditar que tenha tido tempo suficiente para fazer tudo isso. — repito, mais uma vez como um disco arranhado. É um pequeno milagre. Balanço a cabeça. — Como aprendeu a fazer isso? Na praia que temos a nossa frente, mais além do alcance da maré alta, um castelo de areia massiva. Mas este não é qualquer castelo de areia com paredes irregulares e em forma de torres. Não, este é uma réplica perfeita em pequena escala, do Palácio Real de Thalassinia. Que, até tem as cortinas na janela do meu quarto. Quince dá de ombros como se não fosse grande coisa, mas posso sentir seu orgulho pelo meu evidente prazer. — Meu Pai me levava muito à praia. Eu gostava de construir castelos de areia, assim tenho muita prática. Não sei muito sobre o pai de Quince. Acredito que Quince o vê uma vez por ano. Não pude imaginar ter um pai vivo e não ser parte de sua vida. Mas talvez seja melhor que nada. — Seu pai. — começo, de repente interessada em aprender mais sobre a vida de Quince. — Está aonde? — O colar é grande. — Quince disse de repente, como se esse é o seguinte momento lógico em nossa conversa, e não uma tática de trocar o tema, o que é óbvio que é. Quase lhe pergunto, mas bem posso obrigá-lo a, pelo menos escutar minha pergunta. Até que vejo o olhar distante em seus olhos..., e sinto sua dor subjacente. Não sou tão cruel. — Em comparação ao seu castelo. — digo ao invés — Meu colar parece uma barata bugiganga turística.


139

— Não. — Quince insiste, seu estado de ânimo troca rapidamente. Levanta o dólar de areia de seu peito e estuda o desenho de cinco folhas. — É perfeito. Único em sua espécie. Nunca poderá encontrar igual. — Tenho uma fotografia mental. — dou-lhe um sorriso rápido. — Vou lembrá-lo quando for Rainha. Quando digo isso, seu olhar muda e passeia ao longo do oceano para o horizonte, como se pudesse ver todo o caminho de volta ao continente. O ar fica em silêncio, sinto uma estranha tristeza, se é sua ou minha, eu não estou certa. Espero que diga algo, não estou certa de que, ainda estou quase ansiosa de escutá-lo, mas ele apenas suspira e me dá um sorriso torto. Algo me impulsiona a quebrar o silêncio. — Sabe... — Aí estão queridos. — a voz de Calliope interrompe. — Pensei que já haviam ido. Ambos a observamos caminhar para nós, desde o outro lado da ilha. — Não, senhora. — Quince disse cortesmente, colocando-se de pé e mantendo uma mão em mim. — Não queremos violar as regras. A julgar pelo olhar satisfeito em sua cara, pude ver o que tem a dizer. — Excelente, muito bem, Excelente. Coloco-me de pé e sacudi a areia da parte de trás do meu biquíni. — Como foram na primeira prova? — pergunta. Em seguida, ao ver a escultura de areia atrás de nós, disse: — Oh. Lily é uma réplica perfeita do seu Palácio. Que presente maravilhoso para Quince! — Na realidade, senhora. — Quince disse, inclinando a cabeça, enquanto suas bochechas são preenchidas com um tom escuro de rosa adorável. — Esse foi meu presente para Lily. — Oh! — ela disse os olhos muito abertos. — Oh! Senti-me fora de lugar e totalmente eclipsada pelo presente de Quince, então, deslizei minha mão sobre o dólar de areia e disse: — Este foi o meu presente. Calliope se aproximou mais, e se inclinou para inspecionar. — É lindo, querida. — ela sorriu para mim. — Simplesmente lindo. — Sim. — concordou Quince. — É mesmo. Calliope da uns passos para trás e nos estuda por um momento. Tenho um mau pressentimento sobre o aspecto suspeito em seus olhos. Mas então ela sorri e diz: — Hora da seguinte prova. Iremos a Cisjordânia para poder ver o por do sol. Um minuto mais tarde, estamos sentados sobre a areia, Quince e eu com as pernas cruzadas e de frente um ao outro, com Calliope de lado entre nós.


140

— Permita-me explicar as regras da prova. — tira uma prancheta da bolsa que traz com ela, muda para uma página especifica, e logo lê em voz alta. — Durante a execução da prova, os participantes devem seguir de frente um ao outro, devem manter contato visual enquanto o administrador considere que o desafio terminou. — ela levanta os olhos da página em tempo suficiente para perguntar: — Entendido? Os dois inclinam a cabeça, embora esteja certa de que Quince está tão perdido quanto eu. — Excelente. – ela guarda a prancheta. – Agora isto é o que vamos fazer. Em primeiro lugar, gostaria que cada um de vocês pudesse dizer três coisas positivas sobre o outro. Pode ser um elogio ou um estimulo ou simplesmente algo que goste ou admire. O pânico se aperta ao redor da minha garganta. Estou bastante segura de que é porque temo que não tenha nenhuma coisa boa que dizer sobre Quince. Mas uma pequena parte de mim me diz que é porque me preocupo de que ele não tenha coisas boas a dizer sobre mim. Sempre tenho sido muito desagradável para ele. — Agora, vamos ver. — Calliope nos estuda uma vez mais. — Quem deve ir primeiro? Não eu, não eu, não eu, não... — Lily. — Calliope, finalmente decide. — Porque não começa? Diga algo positivo sobre Quince. — Eu, uh... — as palavras não chegam. Meu cérebro congela. Olho o olho de Quince, e me bloqueio por antecipação, tenho a sensação do que esta sentindo. Odeio estar neste aperto, embora sejam dois pares de olhos esperando meu próximo movimento. Por último, e com desespero, digo a primeira coisa que me vem à mente. — Tem olhos bonitos. Esses lindos olhos enrugados nos cantos me olham com aprovação, então, exalo um suspiro de alivio. Sim ele esta sorrindo, então é que havia dito algo bom. — Muito bem, Lily. – Calliope disse. — Mas gostaria que usasse seu nome ao realizar a declaração. Não o chame por um nome genérico. Isso soa um pouco como bobagens psicológicas, mas quando olho para trás e digo: — Quince tem bonitos olhos. — sinto-o em minhas entranhas. A psicologia boba de Calliope tem alguns dentes. — Maravilhoso. — disse. Logo, olha para Quince. — Sua vez. Quince não duvida nem um segundo. — Lily é extremamente leal. Dou um pequeno pulo, surpreendida. Eu sou? Suponho que nunca havia


141

pensado nisso. Eu não podia me defender todo tempo, mas iria contra qualquer um que falasse uma palavra contra Peri ou Shannen, ou papai ou a tia Raquel. Estou muito surpresa de que Quince o notasse. — Perfeito. — Calliope assente com a cabeça para mim. — Sua vez. Ainda agitada por seu comentário, tento me concentrar o suficiente para chegar a algo menos..., superficial que o primeiro. Por alguma razão, penso no momento em que nos fechamos no banheiro, me impedindo que vá atrás de Courtney por ofender Shannen. Quando me abraçou e me tranquilizou. Respiro fundo e tento de não pensar antes de dizer. — Quince pode ser muito sensível. Dá-me uma olhada. Logo, antes que Calliope posse dizer que é sua vez, ele diz. — Lily não tem senso de moda. — Hey. — grito. — Se supõe que deve dizer algo bonito. — Não discuta Lily. — Calliope repreende. — Isto não é um diálogo. Mas Quince não faz caso, ele mantém seu olhar fixo em mim, e diz: — Isso é algo lindo. Não posso suportar as caçadoras de tendências e aspirantes a top model. Gosto das garotas que são únicas e inovadoras. Individuais. Igual a você. Chamar alguém de único nem sempre é positivo, mas pela maneira que Quince disse, o fez soar como um grande elogio. Gosto um pouco da ideia de ser única e inovadora. Faz-me soar como uma flor exótica. Imagino a mim mesma como uma ave do paraíso quando Calliope disse: — Sua vez, Lily. Ah, certo. Tocava-me. A prova, Lily, a prova. Trato de controlar minha fantasia floral e volto à tarefa de averiguar o que gosto em Quince. Ninguém parece apressado, e não me apressam, assim que tenho tempo para compor meus pensamentos. Tento me ajustar à situação e o olho com olhos novos e únicos. Está sentado ali, olhando-me, como se estivéssemos sozinho na ilha. Calliope poderia estar no Pacifico Sul e não importaria. Isso me dava uma ideia. Dei uma profunda respiração antes de finalmente dizer: — Quince não se importa com o que os outros pensam dele. Esse é o maior elogio que posso dar a alguém. Quero dizer, eu não deixo de me preocupar pelo que os outros pensam de mim. Gostaria de ter esse tipo de confiança sem preocupações. Parece que quer responder, dizer algo sobre meu elogio. Posso sentir uma emoção conflituosa nele. Uma mistura de orgulho, frustração e enjoo. Estou confusa. Porque meu comentário provoca seu enjoo?


142

Parece que quer se defender, então digo: — Apenas quis dizer que... — Eu me cuido. – a ira esta ali, em um tom da sua voz. Na intensidade de seus olhos. — Às vezes penso que me importo muito. Seu olhar baixa, desenhando a terra entre nós enquanto arrasta um dedo e faz um redemoinho através da areia. — Contato nos olhos. — Calliope repreende. — Quince, é sua vez. Ele não responde imediatamente. Durante vários segundos continua fazendo desenhos em espiral com o dedo. Quando levanta o olhar, a ira havia ido, se afastado de suas grossas sobrancelhas. — Lily não pensa antes de falar. Grrr. Pensava que esse tipo de coisas não deveriam se dizer em voz alta. — Maravilhoso. — Calliope diz, fazendo notas em sua prancheta. — Agora continuemos. — Hey. — reclamo. — Supunha-se que diríamos coisas positivas. Aceitei o “não tem sentido de moda”, mas o que há com o último elogio? — Lily, não se deve julgar. — Não tem um filtro. — Quince interrompe. — É sincera, às vezes até o exagero, e direta. Muita gente não diz o que pensa e o que os demais querem escutar. Com o cenho franzido, ainda não estou certa de se esse é um elogio. Mas ao que parece, Calliope não tem duvidas. — Excelente. — ela está praticamente aplaudindo. — Vamos passar a segunda parte deste exercício. — a primeira parte foi genial, quase não posso esperar pela segunda. — Agora que estabelecemos as coisas que admiram em ambos. — ela disse; — É o momento de abordar o outro lado. Gostaria que cada um de vocês compartilhasse uma coisa que desejaria mudar na outra pessoa. Tentem fazer uma critica positiva em vez de um ataque. Se o desejam, também podem dizer como podem ajudar a fazer essa mudança. Bom, ao menos isto será fácil. Tenho uma lista tão longa como a Estrada Bimini das coisas que gostaria de mudar em Quince. — Quince. — ela diz. — Por que não vai primeiro desta vez? Todos os pelos da minha nuca se colocam de pé. Se todas suas “felicitações” soavam suspeitosamente a criticas, tenho quase medo de ouvir uma critica real. — Se pudesse mudar uma coisa em Lily. — começa. Seguido por um silêncio de vários segundos de duração, como se estivesse pensando muito duramente no que devia dizer. Logo quando estou debatendo se isto é porque ele tem muitas coisas para escolher, ou porque não lhe ocorre nada que queira mudar ele diz. — Eu quero que ela veja por baixo da superfície das pessoas ao seu redor.


143

O que ele que dizer com isso? O que sabe como vejo as outras pessoas? Vejo todo o caminho até suas profundidades. De Shannen. E Brod... Oh. Assim era isso. Tudo isso se trata de Brody. — Se trata de Brody? — exijo, esperando a resposta. Calliope me cala. — Explique-nos, Quince. — disse. — Porque acredita que tem que mudar isso? Ele lança alguns gemidos antes de dizer: — Às vezes penso que Lily se autoimplica muito..., para ver mais. — Perdão? — Apenas vê o que quer ver. — Autoimplica? Autoimplica?!? — movo meus pés, incapaz de ficar quieta. Coloco-me de pé. — Deixa-me falar de se autoenvolver, Sr. Beija Garotas Confinadas nas Bibliotecas. — Lily, por favor. — Calliope disse. — Sente-se para que possamos discutir isso de maneira racional. — Eu não queria dizer isso, Lily. — Quince disse, e não acredito que ele usa meu nome real vá me acalmar desta vez. Ele se coloca de frente a mim. — É que você tem estado encantada com Brody durante tanto tempo e... — ele passa seus dedos cheios de areia por seu cabelo. — Realmente não o conhece. Esta apaixonada por uma imagem. E honestamente, é um pouco... Meu corpo relaxa. Tem algo inquietante na foram em que meu enjoo desaparece. E honestamente, não estou pronta para isto. — O que, Quince? — exijo. — É um pouco, o que? Ele geme de novo, enfia suas mãos nos bolsos e se vira antes de olhar fixamente nos meus olhos, ele disse. — Superficial. Por uns dez segundos minha mente fica completamente em branco. Não há forma de pensamentos coerentes, é como uma revolta de palavras e sentimentos... e dor. Isso é o que vem na sequencia, uma dor assustadora. Isto é pior, inclusive, do que quando Brody me rejeitou para o baile. Mil vezes pior. — Lily... — Não. — digo, parando a desculpa que sei que virá. Não quero ouvi-lo. — Está bem. Calliope esclarece a garganta. — Lily?


144

— Quer saber a única coisa que mudaria em Quince? — uma sensação de vazio passa através de mim. — Nossa união. Não sei se ele sente a mesma dor que me infligiram suas palavras. Deveria estar feliz por isso, pelo que disse. Mas em vez disso não sinto..., nada. Calliope se levanta muito séria, começa a recolher seus pertences. — Acredito que vi o suficiente. Bom. Espero que ela tenha visto como somos totalmente inadequados. — Há uma cesta de alimentos para o jantar na piscina azul. — disse enquanto enfia seus papeis, notas e livros de anotações em sua pasta. — Acredito que seu pai virá amanhã pela tarde para administrar a prova final. — Está bem. — lhe digo. Apesar de que não tenho feito outra coisa do que fazer um colar e falar sobre Quince o dia de hoje, sinto-me completamente esgotada. (Ele tem esse efeito nas pessoas.) Mais que fisicamente. Emocionalmente. — Boa noite! — ela diz, saudando-nos antes de se virar e enfiar-se no mar. Por vários minutos depois que ela havia ido, fico ali parada, em silêncio, enquanto o sol se funde no horizonte. O qual está bom para mim. No que acredito não haja nada a dizer. Quince aparentemente não está de acordo. — Posso explicar? — Não acredito que haja nada que explicar. — respondo. — Mas há. — insiste, dando um passo em minha linha de visão. — Sei que o que disse lhe fez mal, e isso é o último que quero. — Então, por quê? — sinto as lágrimas ameaçando em meus olhos, mas rapidamente as prendo. — Não estou certo. — diz, não é que isso me tranquiliza. — É apenas que..., há tantas coisas que gosto em você. Tem um grande coração, o sorriso torto e milhares e milhares de sardas. — levanta a mão, como se quisesse tocar essas sardas, mas a deixa cair. — Como sempre cheira a limão e coco. A lista poderia continuar para sempre. O que quero dizer..., é que isso é a única coisa que quero mudar em você. Há cinco minutos não pensava que existisse uma coisa no mundo que me fizesse mudar como me sinto sobre Quince. Mas o fiz. Ainda tenho uma lista interminável de coisas que haveria mudado, ele tem uma lista interminável de coisas que gosta em mim. E apenas uma coisa que não é assim.


145

Como posso fazer-me passar de estar tão enjoada com ele que poderia respirar fogo, a me fazer sentir completamente podre, inclusive para pensar nisso? Embora, há outra coisa dele que me desconcerta por completo. — Vamos comer. — lhe digo, porque estou morta de fome e de repente uma cesta de alimentos é muito mais atraente que continuar com essa conversa. — Claro. — Quince diz incerto, mas tentando soar amável. — Tenho tanta fome, que poderia comer sushi. Sorrio. Parte pela sua piada, mas em parte pelo ridículo que é esta situação. Quero dizer, como eu uma Princesa de Thalassinia tem o vinculo com um garoto da terra que não sabe nadar e odeia sushi? Se alguma vez houve um casal mais inadequado, não acredito ter conhecido. Papai tem que se dar conta disso, e se os dois primeiros resultados da prova não o convencessem, então eu terei que fazer a terceira o faça. Sigo Quince até nossa mesa. Amanhã há esta hora, estaremos de volta a Seaview com toda esta experiência em nossas costas.


146

D

epois que nós terminamos a comida da cesta-jantar, que tinha frutas

marinhas e sushi unagi para mim, e files de atum grelhado para Quince, eu não estava cansada, afinal. O sushi tinha me reavivado, e de algum modo clareado minha mente. O suficiente como para saber que eu não queria falar de todas essas coisas que Quince havia dito. O suficiente para reconhecer um sujeito perigoso quando ouvia um. Em vez de me afundar até o fundo do buraco azul em uma tentativa de dormir, nado até a superfície e fico fora na areia, olhando para o céu noturno. Tantos pontos cintilantes de luz. Toda a tecnologia Sereia do mar não podia recriar sua delicada beleza. Quince me seguiu, e se deitou ao meu lado com seus braços cruzados por trás de sua cabeça. Durante vários minutos, ninguém disse nada. Como se só estivéssemos contentes por estarmos deitados um ao lado do outro, e olhando as estrelas. Então, antes que soubesse que ia fazê-lo, rompo o silêncio. — Todas as coisas que você disse que gostava em mim... Como você sabia tudo isso? Sinto-o tenso. Cada músculo de seu corpo tenso, como uma resposta evasiva, antes de ele mesmo se esforçar a relaxar. Era o vínculo, eu sabia, dando-me o instinto. Isso não fazia menos atraente para poder aproveitar as emoções de outra pessoa. — Não sei. — diz por fim em uma grande exalação. — Suponho que estava prestando atenção. — Eu... — o que dizer ante uma confissão como essa? — Eu não sabia. — Bom, eu tampouco queria que você soubesse... — ele muda de posição, rodando sobre um lado para olhar-me no rosto. —... Ou você não queria saber. Luto com o impulso de rodar sobre o meu lado, o que nos levaria a incomodamente ficar cara a cara, e digo. — O que deveria significar isso? — Significa que você esteve muito presa na perseguição do seu garoto dos sonhos para ver algo mais.


147

— Isso não é justo. — rodo para o meu lado antes de pensar se queria isso. — Amo Brody. Por que deveria me dar conta que meu perverso vizinho do lado estava olhando para mim? Não deveria a pessoa que ama vir antes do que todo o resto? Os olhos de Quince olham acusadoramente os meus. — Você só pensa que ama Brody. Ele começa a cavar com uma de suas mãos, na areia, entre nós, como se necessitasse uma saída física. — O amor não é obsessão. O amor é..., conexão. — Obsessão? — ofego. — Não estou obcecada. Quero dizer, não mais do que qualquer outra garota apaixonada. — Certo. — diz enquanto roda para longe de mim, sobre suas costas. — Além disso. — digo, aproximando-me rapidamente dele para assim poder empurrar seu ombro. — O que você sabe do amor? Quando ele ri, com uma espécie de risada autozombadora, sei que vou estar em um grande problema. — Oh, Lily. — diz, movendo sua cabeça. — Sei sobre o amor. Sei sobre querer e desejar e sonhar com cada pedaço de sua alma. Sei o suficiente como para reconhecer a diferença entre as partes que são reais e as partes que são somente fantasias. Ele vira um pouco a cabeça para mim, e encontro a mim mesma, dizendo: — C..., como o quê? — Como quando ela chora e meu coração chora por dentro e se faz em pequenos pedaços, e tudo que posso pensar é em fazê-la esquecer da fonte de sua tristeza. — seu rosto estava em branco, sem emoções. Suas palavras e a emoção subjacente me bombardearam pelo vínculo, mais que compensando. — Isso é real. Minha voz é apenas um sussurro quando pergunto: — E a fantasia? — Achar que ela alguma vez possa sentir o mesmo. Quando ele se senta, tenho que deter a mim mesma para não alcançá-lo. Minha mão arde por envolver-se ao redor de seus bíceps e puxar ele para trás e..., não sei. Mas isso me levaria a uma corrente completamente diferente, uma com a qual não estou disposta a ir à deriva. Acosto-me ali, olhando suas costas arqueadas, apenas visíveis sob a luz das estrelas. — Acho que dormirei na terra, esta noite. — diz, levantando-se. Sinto-me impotente sob o chão, incapaz sequer de me mover ou falar ou fazer algo. Ele faz uma pausa, como se estivesse esperando que eu respondesse.


148

Então, quando não faço, ele acrescenta, — Vou estar sob a palmeira se precisar de mim. — Quince. — eu lhe chamo. Não estou certa sobre o que queria dizer, mas tenho que dizer algo. Luto com os meus pés enquanto reúno alguma coragem. — Por que nunca disse para ela? Para esta garota que ama. Por que não disse como se sente? Seus ombros se contraem e logo se relaxam. Ele costuma fazer muito isso. Permite que a tensão assuma o controle e logo a libera. Essa deve ser a forma com que ele sempre se mantém tranquilo, por que nunca consigo tirar-lhe do sério como ele faz comigo. Ele não luta contra a emoção, ele só a processa. — Por que. — sua voz é forte e com uma espécie de resignada tristeza. — Ela não quer saber. Este é o momento que sei, com muita certeza, que ele está falando de mim. Eu poderia haver especulado e questionado e imaginado, mas quando ele disse isso, soube com inquebrant|vel certeza que “ela” de quem estava falando, era eu. E me sinto como a maior covarde da história por deixar ele se afastar. Em algum momento, justo antes do amanhecer, consigo pegar no sono. Passei horas agitando-me e girando e girando nas quietas águas do buraco azul antes de finalmente sucumbir ao esgotamento e as palavras que Quince e eu havíamos compartilhado na noite anterior. Assim que só havia dormido uma hora ou duas ao todo quando senti que alguém me sacudia, para me despertar. — Lily. — diz Quince, sua voz em um sussurro cheio de tensão. — Acorda. Pisco ante a luz do amanhecer que se filtrava pela água. — O que? — Shh! — ele sustenta um dedo sobre meus lábios, então rapidamente faz um gesto de perigo para mim, antes de nadar até o fundo do buraco. Ainda atordoada pelo sono, o sigo. Quando chego ao fundo, pergunto: — O que está acontecendo...? Mas ele envolve uma mão em minha boca antes que eu possa terminar. Então, antes que eu tenha coragem suficiente para mordê-lo, uma sombra passa por cima. Uma sombra humana. — Oh, não. — sussurro. — O que estão fazendo aqui? — Pesca. — ele diz. — Seu motor me acordou. Os observei o suficiente para ver que se estabeleciam com uma equipe de pesca, não de mergulho. Deveríamos estar seguros aqui embaixo. — ele levanta a vista, nervosamente. — Pelo menos até que o sol se mova diretamente no alto. Ele tinha razão. Enquanto a luz do sol entrava através da água em um ângulo determinado, haveria sombras para nos esconder. Mas ao meio-dia


149

estaríamos diretamente à vista através da cristalina água para qualquer um que olhasse. — Talvez sejam pescadores matutinos. — digo. — É melhor que vão embora logo. Além disso, não é como se o buraco azul estivesse cheio de peixes. A maioria das formas de vida marinha é suficientemente inteligente para saber que um poço com água contida não é um lugar seguro para passar um tempo. E o isolamento significa que poderiam entrar na piscina só durante as marés extremamente altas e fortes tempestades. — Suponho que estamos presos aqui por um tempo. — diz Quince, próximo a parede. — Sim, acho que sim. — algo se aproxima de sua distância emocional e física e me traz recordações da noite anterior. — Olha Quince, sobre a noite passada... — Esqueça. — diz antes que eu possa terminar. — Ambos dissemos muitas coisas que normalmente não diríamos. Só tivemos um longo e emocional dia. Está bem? — Oh! — não estou certa do por que estou decepcionada. — Está bem. Tento dizer a mim mesma que é por causa do vínculo, que as emoções de afeto que sinto para Quince não são mais do que um truque de magia. Mas parecem muito reais. Ia ter que resolver..., logo que nós estivéssemos fora do perigo de sermos descobertos. Nós nos acomodamos na parede, esperando que as sombras acima desaparecessem. Duas horas mais tarde, estou começando a ficar nervosa. Quero dizer, e se eles não forem até o meio-dia? E se eles nos vissem? Já seria bem difícil explicar, com uma nadadeira de cor verde dourada na parte inferior do meu corpo, mas o que aconteceria com um garoto humano que esteve debaixo da água durante duas horas? Esse definitivamente é um problema maior. Como se houvesse lido meus pensamentos, Quince diz: — Temos que fazer algo. Não podemos simplesmente sentar aqui esperando que as últimas polegadas de sombra desapareçam. — Ok. — digo. — Mas como? — Não estou certo. — esfrega suas têmporas, como se estivesse pensando arduamente sem resultados. — Temos que chamar sua atenção para longe do buraco, mas não sei como fazer se estamos presos aqui dentro. — Se pudéssemos chegar ao mar. — digo. — Poderíamos criar uma espécie de distração para fazer com que eles queiram ir.


150

— Mas vão nos ver. — ele diz. — Não é como se pudéssemos simplesmente aparecer na superfície. Está claro como o dia lá em cima. — Precisamos mascarar sua visão durante uns segundos. — tento imaginar o que pode nos ocultar de sua visão. — Só o suficiente para fugirmos. — Sim. — Quince diz com uma gargalhada. — Poderíamos usar um banco de névoa espessa agora. Névoa espessa. Isso me recorda algo que meu pai me ensinou quando eu era uma criança, um mecanismo de defesa só em casos de situações como esta. — Você é um gênio! — grito, lançando meus braços ao redor de seu pescoço. — Um banco de névoa. — O que? — pergunta, inclinando-se para trás. — Você tem algum informe sobre o tempo que deseja compartilhar? — Não, tonto. — pela primeira vez em muito tempo, sinto que tenho a vantagem entre nós. — Eu sou o informante do tempo. — ele franze o cenho, confuso, mas não tenho tempo para explicar. O sol está ascendendo rapidamente e afastando as sombras, rápido. — Escuta, posso alterar a temperatura da superfície da água o suficiente para criar uma névoa espessa. Não durará muito tempo. Dez segundos, talvez quinze. — Está bem. — ele diz. — Isso é um montão de tempo. Mas depois nós fazemos o que? — Bom, acho que a única coisa que afastará os pescadores, para que vão procurar novas águas para pesca. — explico — É a promessa de um peixe grande. — E esse peixe seria...? — Eu. — Absolutamente não. — responde. — Não vou correr o risco de que te vejam ou Deus não permita... — ele estremece. —... Que te peguem. Vejo o verdadeiro terror em seus olhos. Sua calma implacável finalmente desapareceu e estou muito enfocada em aliviar seus temores para desfrutar do momento. Eu brinquei com pescadores dezenas de vezes antes. Provavelmente eles estão cegos pelo sol e meio bêbados. Colocando a palma de minha mão contra sua bochecha, faço meu maior esforço para tranquilizá-lo. — Nunca verão nada mais do que minha nadadeira. Ele luta por um minuto, dividido em o que acho que seja sua confiança em mim e seu desejo de me proteger. Dá medo a forma que estou compreendendo suas emoções. Pena que a percepção terminará com a separação. Finalmente, cobre minha mão com a sua. — Diga-me o que fazer.


151

— Fique aqui. — Está brincando? — exige. — Não vou deixar você sair por aí sozinha enquanto arrisca sua vida... — Serei cuidadosa. — insisto. Quando parece que vai protestar muito mais, acrescento: — Só não se meta em MEU caminho. Sei que o comentário o fere. Ele gosta de ser o salvador, o cavalheiro branco. A ideia de estar indefeso deve ser completamente alheia para um cara tão capaz quanto Quince. Mas esta é uma situação em que ele tem que deixar que outra pessoa salve o dia. Quando ele imediatamente não está de acordo, pergunto: — Confia em mim? Ele toma uma respiração profunda e assente com a cabeça. Então, antes de dizer mais ou mudar de opinião, nado até a margem da sombra e me centro na superfície da água. Se puder esfriá-la debaixo do ponto de orvalho, isto poderia criar um banco de nevoa repentino por cima do poço que se estenderia ao longo da ilha. Mas como eu havia dito isto não iria durar muito. Mas deveria ser suficiente. Canalizo toda a minha energia em esfriar a água. Quando a luz do sol passa de raios claros e dourados para uma luz manchada e cinza, é quando faço meu seguinte movimento. Subo para a superfície em minha forma terráquea do lado oposto dos pescadores, e ouço um deles dizer. — De onde diabo veio isso? Não paro até chegar à costa, mergulhando e mudando simultaneamente. Então, nado tão rápido quanto minhas nadadeiras podem se mover, por que estou certa que uma vez que a névoa tenha desaparecido, estarão olhando para o buraco e talvez visualizando um contorno de uma forma humana na parte inferior. Nado até seu barco. Estes são os mais longos trinta segundos da minha vida. Passo ao redor da proa do barco e vejo-os de pé na dissipada névoa e começando a caminhar para o buraco. Bato minha nadadeira contra a água, fazendo um barulho o suficiente forte para ser ouvido por toda a ilha. Isto funciona. Os homens, ridiculamente vestidos com calças frouxas e brilhantes camisas floridas (e Courtney pensa que eu não tenho senso de moda!), giram em direção do som. Nado suficientemente longe de seu barco antes de me virar e mergulhar, agitando minha nadadeira dorsal sobre a superfície enquanto me afasto. Logo que me afundo até o fundo, congelo. Amortecido pela água, ouço um homem dizer: — Viu isso?


152

— De nenhuma maneira. — o outro aclama. — Isso é um recorde batido com certeza. Nado, até que me afasto um pouco mais e faço com que minhas nadadeiras chapinhem ao submergir novamente. Um grande chapinhar mais, e escuto seu motor arrancar. Funcionou! Enquanto seu barco vem em minha direção, nado rapidamente, adequando um par de imersões como parte do espetáculo. Então, quando estou convencida que está o suficientemente longe da ilha, para nossa segurança, me afundo até o fundo e os vejo ir embora. Espero durante uns minutos, só para me assegurar que não atraí atenção de novo nesta direção, antes de voltar para a ilha. Nado enquanto me afasto, pondo tanta grama e mato entre eu e o barco de pesca quanto é possível. Agora que a ameaça se foi, fico com as sequelas de um ataque de adrenalina e pensamentos acelerados do que poderia ter acontecido. Quando chego a terra, minhas pernas tremem com tanta força, que mal consigo me manter na posição vertical. Na margem do poço, caio mais do que mergulho. Os braços de Quince estão ao meu redor antes que eu possa me transformar completamente. — Está bem? — ele exige. — Não te viram? —Não. — consigo dizer em meio ao terror induzido. — Tudo saiu perfeitamente. Como se ele não se conformasse em confiar em minha decisão, Quince me solta e me checa. Assegurando-se que não há um gancho em minha nadadeira ou algo assim. — Eu consegui. — suspiro, ainda atordoada pela emoção e o medo. — Eu realmente... A boca de Quince está sobre a minha em um instante. Seus braços estão ao redor da minha cintura, as minhas mãos ao redor de seu pescoço. É o medo, sei que é o medo. E o vínculo. E a adrenalina. Tudo isto era uma resposta emocional porque estive perto da morte e estava real..., real..., realmente alegre de estar viva. A ansiedade e o alívio e a alegria se lotou entre nós até que eu não pude dizer quais lábios eram seus e quais eram meus. Não podia acreditar que estava beijando-lhe, justo agora. A urgência de seu beijo me diz que ele sente o mesmo. Mas antes que meu corpo possa começar a se acalmar, outra sombra se move por cima de nós.


153

E fica. Meu coração quase explode em meu peito. — Bem, bem, bem. — diz a voz de papai de cima. — Acho que este desafio terminou. Oh, não! Retrocedo rapidamente e olho com os olhos arregalados para Quince. Sua boca está tão vermelha e inchada como a minha provavelmente está. Nem sequer posso esperar que papai não tivesse visto o que acabou de acontecer, por que a evidência é ainda visível. E tudo que posso pensar é, oh, não! — Papai. — ofego, pondo a maior distância entre eu e Quince como fosse possível. —Pensei que não viria até esta tarde. Ele nivela uma olhada indecifrável para mim. — É à tarde. — Oh! — articulo. Papai volta seu olhar para Quince que nem sequer teve a decência de parecer envergonhado. Em seu lugar, Quince apruma suas costas e diz: — Minhas desculpas, senhor. Sua Alteza. Uma espécie de condescendente olhar masculino passa entre eles, e sinto uma vontade enorme de jogar um caracol gigante na cabeça dele. Na cabeça de ambos. — Foi um erro. — me apresso a explicar. — Olha, havia um barco de pesca, e estávamos presos, e eu fiz a névoa, assim como você me ensinou, e logo voltei correndo, e minhas pernas estavam esgotadas e cederam, e então Quince estava ali. — lanço um olhar acusador em sua direção, certamente ele era o culpado de alguma maneira. Uma lenta e profunda respiração leva meu balbucio demente a uma parada. — Nossas emoções estavam intensificadas pela perspectiva que nos descobrissem. Era o pânico. — ambos estavam olhando-me com rostos idênticos em branco. — Nada mais. Deus sabe que eu não beijaria com conhecimento de causa Quince por qualquer outra razão. Não? Tenho a sensação que este último pensamento se lê como o dia em meu rosto por que Quince deixa cair seu olhar e logo nada para a superfície. Não deveria me sentir mal, tudo que eu disse era verdade, mas parte de mim queria ir atrás dele e pedir desculpas. Sinto-me podre por fazer-lhe mal. — Lily. — diz papai, que está nadando para mim. Viro minhas costas para a superfície para olhá-lo. Assim como um barco salva-vidas desinflado, sinto toda a necessidade e ímpeto de sair correndo. — Foi um erro, papai. — explico com calma. — Só um erro. — foi?


154

— Foi? — papai pergunta, fazendo eco da minha própria pergunta. Mas no lugar de soar régio e autoritário, soa tão confuso como eu. — Tudo foi realmente um erro, Lily? Tudo? — É claro. — digo. Mas é um protesto em voz baixa. — No início, pensei que talvez... — move a cabeça, mostrando uma incerteza inusitada. — Mas agora, depois deste fim de semana..., e o passado... — Não mudou nada, papai. — nado mais perto, tentando alegar com meus olhos. — Prometo para você. — Eu sei. É que não posso deixar de sentir que você não está vendo as coisas com claridade. Todos os sinais estão aí e... — então, como se acabasse de perceber que todo esse assunto era engraçado, ele ri. Ele me aperta em um suave abraço. — Oh, como eu queria que sua mãe estivesse aqui! — diz. — Ela estava muito melhor equipada com o tema de relacionamentos. Embora eu quisesse insistir que minha mãe acharia este vínculo ridículo, uma pequena parte de mim se nega a falar por ela. Eu nunca a conheci. Como eu poderia saber o que ela diria? — Dê-me uns minutos para falar com Quince. — ele diz. — Ele deveria ter voz em tudo isto também. Enquanto papai nada até a superfície, para pedir a Quince sua opinião, genial, agora me sinto culpada por não ter levado isto em conta, flutuo por cima do poço. Só posso imaginar o que estão dizendo. Papai perguntará a Quince sua opinião, e Quince lhe confessará algum tipo de ridículo sentimento eterno por mim, e papai declarará nosso vínculo como um partido feito no céu. Mas quem sabe? Talvez só tenha uma elevada opinião de mim mesma. Talvez Quince não queira estar preso a uma Sereia, de qualquer modo. Talvez não queira ser condenado a passar o resto de sua vida em qualquer forma que estou manifestando na atualidade, que logo será quase exclusivamente Sereia, que é o que ocorrerá se o vínculo se formalizar. Contei esse pequeno problema? Não, por que nunca pensei que seria um problema. Nunca pensei que estaríamos em uma posição onde o vínculo seria permanente, era ainda uma possibilidade remota. Bom, agora precisava dizer o que poderia acontecer e ao que teria que renunciar. Energizada, nado até a superfície. Enquanto irrompo violentamente no ar, mudando no caminho e esperando persuadir Quince com meus argumentos, mas ouço papai dizer: — Uma semana, filho. Dou-te uma semana para mudar de opinião. — Não! — grito aterrorizada com os pés sobre a areia e correndo para eles. — Não, devemos contar a Quince sobre compartilhar a forma, de como se o vínculo não for cortado, ele e eu sempre teremos que está na mesma forma física, e uma


155

vez que eu volte a ocupar meu lugar na corte, raras vezes usarei minha forma terráquea. — Eu sei. — O que? — giro minha cabeça para Quince. — Sabe o que? — Sobre as regras. — diz com indiferença. — Sobre estar preso no mar sempre que você estiver. — Vê; “preso”. Ele não quer ser um Tritão. Então por que não terminar agora? — Exijo, empurrando contra seu ombro com todas as minhas forças. — Está louco? Ele me olha com uma intensidade inquebrantável. — Provavelmente. — Papai, você tem que explicar... — Uma semana. — diz papai. —Sei que pode esperar uma semana mais. Quero que esteja absolutamente seguro do que quer. Nesse momento, me dará sua decisão final, o qual eu acatarei. — ele não parece feliz por isso. — Se optar se separar, eu desempenharei a cerimônia na lua nova do próximo fim de semana. Esse tempo fará a ruptura mais limpa, em qualquer caso. Então, fico ali, com minha boca aberta e incapaz de compreender como isto poderia está acontecendo novamente. Papai me dá um abraço, beijos na parte superior da minha cabeça, e logo desaparece no mar. Demora vários minutos para que meu assombro se torne ira. Em ira crua. Para Quince. —Você. — rujo. — Eu..., isto..., nós. — quando as palavras não vêm, não tenho outra opção que gritar. — Aaaaargh! Isto não podia está acontecendo.


156

E

u não falei com Quince na volta para Seaview. Ou na viagem de volta

para nossa rua. Ou quando eu o deixei em sua garagem. Mas quando ele me seguiu para a cozinha, todos os pensamentos, palavras e acusações que borbulhavam dentro de mim finalmente explodiram. — O que você disse para ele? — exigi. — Lily... — Você disse para ele que você era um peixe-lua sobre mim, não é? — eu acusei. — Que você me amava há mais de três anos e não conseguia suportar a ideia de ser separado? — Agora, isso não é justo... — Lily. — tia Rachel chamou lá de cima. — É você, querida? — Sim! — gritei. Então, para Quince. — O que você disse para ele? Ele parecia furioso, parado ali na frente do refrigerador com sua mandíbula cerrando e soltando, suas mãos em forma de punho em seu lado, seus bíceps indo para frente e para trás. Eu quase ri. Era a primeira vez que eu realmente o tinha visto com raiva de verdade. Isso me fazia sentir meio que tonta. — Eu disse para ele a verdade. — ele disse simplesmente. Eu cruzei meus braços sobre meu peito. — E o que é exatamente a verdade? — retruquei. — Esta ficando muito difícil manter tudo isso em linha reta. — Eu o disse. — Quince disse, andando na minha direção — Que você não podia ficar comigo. Por que isso fazia meu coração revirar pela segunda vez? Talvez porque não era realmente verdade. E não realmente honesto. Mas eu não estava preparada para admitir nenhuma das coisas. Merda de bolos de caranguejos, essa coisa de ligação era confusa e complicada. Eu incitei. — E... — E que eu... — Como foi à viagem? — tia Rachel andou para dentro da sala, logo atrás de Prithi, que tomou a posição aos meus pés. — A separação vai bem?


157

Eu quase gritei em frustração. Não porque Quince estava preste a fazer a primeira real confissão de seus sentimentos verdadeiros. — Eu não me importava com isso, se lembra? — mas por que..., bem, só por que. — Não iria a todos. — Eu não entendo. — ela disse, puxando uma das cadeiras da mesa e sentando. — Eu pensei que você estava indo romper uma ligação? — É uma longa história tia Rachel. — muito longa para mim agora. Uma dor de cabeça repentina socou contra minha testa, entre meus olhos. Eu apertei a ponte do meu nariz entre meus dedos, esperando que isso fosse embora. Prithi ronronou contra meu tornozelo, como se estivesse tentando ajudar. — Eu não consigo mais lidar com isso hoje à noite. Não que Quince pegou a sugestão. — Lily, Eu... — Vou tomar banho. — anunciei. — Eu gostaria que não estivesse aqui quando eu voltar. Eu não queria esperar para ver se ele parecia machucado, chateado, irritado ou com raiva. Eu estava com tudo isso, então ele poderia ficar também. Pelo menos um banho de sal fresco de limão iria facilitar para afastar algumas das minhas raivas. A água estava quase pronta, com bolhas brancas empilhadas até a borda da banheira, quando tia Rachel bateu na porta. — Você está bem, querida? — ela perguntou naquela voz maternal quando ela ficava preocupada comigo. Eu sempre imaginava se era a mesma voz que minha mãe iria usar. — Eu estou bem, yia Rachel. — sentei no canto da banheira e inclinei para afundar minha mão na água, deixando sua energia calmante absorver dentro da minha pele. — É apenas..., foi uma semana difícil. A porta se abriu, e Prithi se apressou antes de tia Rachel colocar sua cabeça através da porta aberta. Enquanto Prithi enfiava sua língua felpuda no meu dedão, tia Rachel andou para dentro e se inclinou contra a batente da porta. — Quer falar sobre isso? — perguntou. — Não. — eu disse, mas não consegui não acrescentar. — Eu apenas estou confusa. Eu quero dizer, eu amei Brody por..., sempre, quase tanto tempo quanto eu odiei Quince. E eu pensava que o baiacu me odiava também. Mas agora parece que ele parece que talvez não me odeie talvez ele possa até. — tentei não silenciar nessas palavras. — Me amar. Isso nunca daria certo, eu sei disto. Mas ele não iria aceitar isso. Ele convenceu papai a dar mais uma semana, embora papai estivesse pouco indeciso de qualquer forma porque ele quer que eu descubra quem eu realmente quero. — como se eu não soubesse. — E agora eu estou presa nessa


158

ligação com Quince até a próxima semana, quando eu irei ter apenas cinco semanas até meu aniversário. Apenas cinco semanas deixadas para fazer Brody se apaixonar o suficiente por mim para se comprometer com a ligação, ou perder meu direito ao trono permanentemente. Lá. Eu tinha tido tudo. Tudo. Eu respiro profundamente e salto-o, sentindo minha ansiedade sibilar com minha respiração pesada. De alguma forma, mesmo embora eu não tenha feito nada apenas desabafar, eu me sentia um milhão de vezes melhor. Como se eu estivesse dado metade da minha sobrecarga para tia Rachel. Eu esperava que ela não se importasse. Ela sorriu e colocou seus braços ao redor de sua cintura, sua saia camponesa em tons de arco-íris caia nela como um bolo de babados. — Parece que você sabe o que você quer. — Eu sei. — insisti. — Eu quero que passe essa semana, passar pela separação, e me ligar com Brody tão rápido quanto possível. — isso parecia tão simples. Três passos fáceis. — Então eu terei que falar com Quince novamente. — É isso o que você realmente quer? Eu nem mesmo hesitei. — É claro. Então a dúvida surgiu. As memórias dos momentos ao longo dos últimos dias, onde Quince era quase suportável. (Ok, mais do que suportável.) Quando ele era gentil, pensativo, preocupado e até mesmo agradável. Quando ele não agia como se sua missão fosse me fazer furiosa. Quando ele parecia que podia ser um bom amigo. Essas memórias, embora, foram muito longe. Tarde demais. — Bem, então. — tia Rachel disse, se afastando e falando em um tom que parecia que ele poderia estar achando graça de mim. — Então espero que consiga o que quer. Eu também, eu pensei quando ela me deixou sozinha em meu banho. Eu também. — Meow. — Prithi disse. Pelo menos ela concordava comigo. Eu rapidamente me despi e afundei na banheira. Eu estava terminando de me transfigurar quando o telefone tocou. — Eu atendo! — gritei. — Provavelmente é Shannen. — eu disse que estaria em casa Domingo a noite, então provavelmente ela esta me ligando para descobrir como minha visita ao papai foi. É claro, ela pensa que meu pai mora em Fort Lauderdale.


159

— Hey, Shan, — Eu disse, tocando o telefone no berço do meu pescoço. — Eu estava indo... — Não é Shannen. Oh meu deus. Ohmeudeusohmeudeusohmeudeus. Meu coração explodiu em uma velocidade que nem sal de limão com água iria me acalmar. — Brody? — Hey, Lily. — ele disse sua voz aquela textura de mel suave que eu não ouvia desde sexta-feira. — Você tem um minuto? Eu tenho todo o tempo do mundo. Ok, eu não disse isso. Eu nem mesmo pensei em falar isso. Mas eu senti isso. — Claro. — eu disse, tentando agir calma, como se mesmo isso fosse uma possibilidade remota para mim. — E ai? Além da minha frequência cardíaca. — Eu tenho uma dúvida sobre a nossa tarefa de trigonometria. — ele riu nervosamente. Brody? Nervoso? — Na verdade. — ele disse. — Essa foi a minha desculpa para te ligar. Eu apenas queria falar com você. Esse era o maior milagre, e por causa do cabo de ferro que eu tenho no telefone, eu não derrubei o aparelho na água. Meu primeiro pensamento era por quê? Por que, depois de todos esses anos, ele repentinamente está me ligando? Mas então eu deixei de lado as dúvidas. Quem era eu para questionar minha grande sorte, especialmente depois da semana que eu tive? Especialmente quando Quince estava por ai para bagunçar as coisas. Se acalme, Lily. Só porque ele quer conversar contigo não significa que ele quer conversar contigo. Fique calma. — Oh! — eu disse, ondulando minha cauda indiferentemente. — Sobre o que? Ele hesitou antes de falar. — Sobre a dança da última semana. Sobre você me perguntando e eu..., dizendo não. — Oh? — eu não era capaz de mais nada do que apenas sibilar aquela única palavra neste momento. — Eu apenas queria que você soubesse que..., bip bip... Eu me arrependo. De dizer não, eu quero dizer. Bip Bip.


160

— Humm. — eu falei. — Você pode aguardar um minuto? Eu tenho outra ligação. Bip Bip. — Claro. Eu cliquei agradecida pelo tempo para reunir meus pensamentos e sabendo que Shannen iria me ajudar a me acalmar e descobrir o que dizer nessa situação. — Hey, Shan. — eu disse. — Você não vai adivinhar... — Não é Shannen. Filho de um peixe-agulha. Por que isso está acontecendo comigo? Eu quero dizer, toda vez que eu estou para chegar a algum lugar com Brody, toda vez! Ele tem que vir e meter seu grande nariz no meio. Bem, você sabe o que eu quero dizer. — O que? — vociferei. — Eu não posso falar com você agora. Eu tenho... — Eu só queria me desculpar. — ele interrompeu. — Eu me desculpo por como as coisas se despejaram. — Legal. — eu disse ansiosa para desligar. — Você está desculpado. Tchau. — Espere! — foi o desespero em sua voz que me fez parar e não clicar de volta para Brody. Ele esperou o suficiente para ver que eu ainda estava ali antes de dizer. — Eu desejo que as coisas não tenham ido para esse lado. Eu gostaria de ter feito a coisa certa. Desde o começo. Eu suspirei e afundei contra a banheira. — Eu também. — então, porque eu não estava completamente tomada por seu charme. — Mas isso não é exatamente uma opinião nesse ponto. — Eu sei. — Escute, eu estou com o Brody na outra linha. — era o som de seus dentes moendo? — Nós podemos falar amanhã, ok? — Ok. — ele pareceu resignado. Até ele acrescentar. — Você sabe Lily, eu não acho que ele é bom o suficiente para você. — E você é? — eu vociferei de volta. — Não. — ele disse. — Eu não sou. Então a linha caiu. Por que eu nunca tenho a última palavra? Tanto faz. Isso não importava de qualquer jeito. Eu tinha Brody. Meu real futuro, esperando na outra linha. Eu não me importava o que um motoqueiro, amante da estrada, garoto motociclista vestido em couro tem a dizer sobre a situação. Eu cliquei de volta. — Hey, Brody. — eu disse. — Desculpa por ter demorado, Eu...


161

O som de uma linha telefônica morta cortou minhas desculpas. Eu bati o telefone de volta em sua base, pensando, mais uma vez, como Quince consegue arruinar tudo. Em trigonometria na segunda-feira, Mr. Kingsley nos arrumou em pares para trabalhar com tangentes. Em uma grande sorte ou do destino, ou ambas, meu par foi Brody. Quince ficou preso com Tiffany (também conhecida como Courtney em formação). Finalmente, um período de aula inteira sem interrupção, exceto pelas palestras e repreensão de Kingsley, tempo de um a um para mim e Brody. — Desculpa pelo... — Desculpe, eu tive que... Nós rimos juntos já que falamos ao mesmo tempo. Ele sorriu e disse. — Você primeiro. — Eu só queria dizer desculpa por eu ter ficado na outra ligação por tanto tempo na outra noite. — olhei para o interruptor ofendida, Que, embora se curvasse sobre o livro com Tiffany e parecia estar trabalhando em seu dever, estava de alguma forme me assistindo sem olhar para mim. Ele estava lendo sobre tangentes, mas eu sabia que ele estava focado em mim. Obrigada, ligação. — Eu não consegui me livrar da pessoa na outra linha. — É engraçado. — Brody disse, inclinando sobre nossa mesa. Seu braço direito encostou contra o meu. — Eu estava indo me desculpar por ter desligado. Eu tive que ir ajudar com os pratos ou papai iria me enterrar por um mês. Eu forcei uma risada, mas tudo o que eu realmente podia pensar era sobre o jeito suave e crespo de seus cabelos dos braços estava fazendo cócegas na minha pele. Esse era o toque mais íntimo que nos já havíamos compartilhado, para ter certeza. Uma sensação de calor me inundou do meu coração para fora. Minhas bochechas esquentando e eu senti... Eu olhei para cima e encontrei os olhos de Quince queimando um buracão em mim. Ele iria. Ele iria estragar esse momento para mim só de não fazer nada além de olhar para mim. Tá legal. Eu posso jogar sujo também. — Então, Brody. — eu disse, me inclinando mais perto, tendo certeza de Quince me ver descansar o dedo no pulso de Brody. — O que mais você iria dizer ontem à noite?


162

Eu tive que reprimi minha satisfação quando eu vi os músculos de Quince apertarem, um por um, começando com sua mandíbula e movendo sobre seus ombros e para baixo, para seus braços. Isso me fez sentir poderosa em saber que eu poderia o fazer tão..., enciumado. Ha! Durante todo esse tempo, eu tinha estado usando Quince para fazer Brody sentir ciúmes e isso mudou, eu estava fazendo Quince com ciúmes no processo. Bônus. — Eu queria te perguntar uma coisa. — Brody disse. — Me pergunte agora. Seus lindos olhos castanho-dourados me olharam diretamente nos meus olhos, e ele me perguntou. — Você e Fletcher são realmente uma coisa? — Nós somos... — minha mandíbula se apertou. Eu não queria estar falando de Quince agora. Não quando finalmente eu e Brody estávamos tendo um momento prorrogado. Então, melhor do que criar uma grande confusão de coisas, eu simplesmente disse. — Não, nós não somos. Essa charada estava definitivamente acabada. Eu estava cansada de brincar de falsa pretendente a namorada. Brody se inclinou para trás, longe de mim, e sorriu. — Bom. — ele dobrou seus braços atrás da sua cabeça. — Porque você não deveria perder seu tempo com aquele perdedor. Meus olhos piscaram quando ele disse perdedor, que estava decididamente fingindo estar focado em seu trabalho. Ênfase na parte “fingindo”. Eu não tenho certeza porque, mas o comentário de Brody me irritou. Quince poderia ser várias coisas, Baiacu, garoto motociclista, grosso, desagradável, arrogante, mas ele não era perdedor. Só porque ele não era uma ancora do telejornal ou uma estrela da natação não o fazia ser o pior membro do corpo docente. Espere um segundo. Por que eu estava sentada aqui defendendo Quince? (Mesmo se isso fosse apenas mentalmente.) — É melhor nós começarmos a trabalhar. — eu disse, tirando o texto e abrindo a nossa pagina atribuída. — Nós perdemos metade da aula. Enquanto nos começamos a perder a outra metade se apressando para terminar todos nossos problemas do trabalho, minha mente não conseguia focar em matemática, como se mesmo pudesse, eu continuava pensando sobre Brody. E também não os habituais pensamentos fantasiosos de namoro que vira verdadeiro. Não, eu ficava me perguntando por que ele de repente estava mostrando um interesse. Por que agora, depois de todo esse tempo? É porque me vendo com Quince o fez perceber que ele tem sentimentos por mim? Ou isso não é por causa


163

de mim? Quando o sino finalmente tocou, Brody se apressou, falando que ele iria me ver depois da escola. Eu estava ainda fechando minha mochila quando eu senti a presença dele do meu lado. Eu fingi que ele não estava ali. — Você e seu parceiro terminaram seu trabalho? — ele perguntou. A pergunta era simples, mas o seu tom não era. — Sim. — eu disse, atirando minha mochila em cima dos meus ombros e empurrando para meus pés. Quince estava parado ali na frente, então eu acabei cara a cara; ou, desde que ele era alguns centímetros mais alto que eu, face a peito. — Saia. — eu insisti, acompanhado de um empurrão. — O que? — ele perguntou sua voz uma breve zombaria. — Problema no paraíso? — Não. — vociferei. — Tudo está perfeito. Eu empurrei mais forte, finalmente o movendo do caminho. Mas antes que eu pudesse chegar à porta, ele moveu na minha frente, bloqueando minha saída. Ao invés de desperdiçar meu fôlego, eu fiz uma carranca. — Você é uma idiota, você sabe. — ele disse, soando todo superior e condescendente. — Você não é o tipo dele. — Oh, sim? — eu tentei soar divertida, mas ele definitivamente bateu em um ponto sensível. Como eu tinha me preocupado exatamente com essa coisa pelos últimos três anos. — Então como ele me ligou ontem à noite? Por que ele estava me dando atenção e flertando comigo? Embora parte de mim queria jogar isso na cara de Quince, outra (cética) parte de mim queria ver se ele confirmava minhas dúvidas sobre a repentina reviravolta de Brody. — Por que. — Quince disse, se inclinando para frente até eu dar um passo para trás. — Ele é um menininho que não gosta de outras pessoas brincando com seus bonequinhos. — Seus bonequinhos? — eu arfei. Eu nunca quis dar um tapa em ninguém mais na minha vida. — Como você se atreve? Eu não sou seu bonequinho! Quince bufou. — Você pode muito bem ter sido. E agora que eu estou no campo, ele tem que ter sua participação no jogo então ele não vai te perder para mim. — Me perder para. — senti meu controle frágil se dissolver e apertei meu punho para conter a onda de fúria. Eu precisaria de um banho muito longo hoje à


164

noite para amenizar essa raiva. — Você acha que isso é sobre você? Eu nunca pensei que você fosse tão autocentrado. Você está apenas com ciúmes. Ele não negou minha afirmação. Ele não disse nada enquanto ele olhava para mim com um tipo de olhar de dúvida em seus olhos. Então, quando eu quase não aguentava mais, ele finalmente disse. — Ele nunca vai aceitá-la. Não depois de você dizer a verdade para ele. — Você está errado. — insisti, mantendo minha voz para ninguém ouvir. — Ele irá. Quando ele aprender que eu pertenço à água assim como ele. — Deus! — Quince rugiu. — Você é tão delirante! Ele é superficial, cabeça pequena, um idiota obcecado por popularidade que irá vê-la como uma esquisita ao invés de um tesouro. Eu senti cada palavra depreciativa como um tapa na cara. — Você está errado. — repeti através dos dentes cerrado, tanto para mim mesmo quanto para Quince. — Ele tem profundidade que você nunca poderia imaginar. Tão logo que eu dizer a verdade, iremos... — Por que não? Eu pisquei em sua interrupção. — O que? — Por que você ainda não lhe disse? — ele deu um passo para trás, finalmente me dando um espaço para respirar, e colocou suas mãos dentro de seus bolsos. — Se você o amava tanto assim pelos últimos três anos, por que você não disse para ele? — Porque eu... — Porque você sabe a verdade. — ele disse de novo não me deixando terminar. — Você não disse para ele, sobre você e seus sentimentos, porque lá no fundo da sua alma você sabe que isso significa que vai acabar com suas fantasias. Ele se virou para ir embora, fora da sala de aula e para dentro do corredor, mas a fúria brotou em mim com sua rajada de afirmação ridícula. — Você verá! Eu irei dizer para ele e ele vai cair de ponta cabeça e iremos nos ligar antes que papai possa finalizar a última linha do ritual de separação! Ele não parou, não olhou para trás, apenas balançou sua cabeça por cima dos seus ombros e disse. — Irei acreditar quando eu vir. Aaargh! Ele me deixava tão furiosa. Irei mostrar para ele. Irei dizer para Brody e ele achara que é a coisa mais legal, e ele irá confessar os seus sentimentos secretos para mim também. Irei ter terminado com Quince e pronta para continuar com meu futuro. Com Brody. Em Thalassinia. Irei dizer para ele. Após o campeonato da cidade na quinta-feira à noite. O que poderia ser mais perfeito?


165

A

semana que eu pensei que iria se arrastar indefinidamente, como o

tempo que Peri e eu sentamos fora do escritório do papai esperando por nosso castigo por fugirmos para passar um dia na Ilha Paraíso, na verdade, passou mais rápido do que pude imaginar. Antes que eu soubesse, eu estava sentada na arquibancada do ginásio, com o livro de registro da equipe de natação aberto no meu colo, vendo Brody nadar pelo campeonato da cidade. Eu ainda estou comprometida com a ideia de contar para Brody, como a adrenalina correndo através das minhas veias pode atestar. Estou tanto aterrorizada quanto apavorada e, para ser honesta totalmente nauseada. Mas não há tempo como o presente, e não que eu fosse admitir isso para ele, Quince estava certo. Eu não iria adiar indo atrás do meu sonho por muito mais tempo. — Você parece meio estressada. — Shannen diz. —Algo errado? Incapaz de olhar para longe da piscina, eu começo a dizer. — Não, eu... — Mas algo me para. Estou prestes a dizer a Brody toda a verdade, mas o que dizer sobre Shannen? Ela é minha melhor amiga humana. Parece um pouco errado dizer a Brody quando ela não sabe. Se eu não posso dizer a minha melhor amiga, então, como na terra posso dizer ao meu futuro Tritão? Além disso, vai ser uma boa prática. Entregando o livro de registro para a caloura da toalha, eu levanto. — Podemos conversar lá fora por um segundo? Shannen parece confusa, mas me segue com um encolher de ombros. Deslocamo-nos pela porta traseira, passando por Quince, que está ocupado se escondendo na fileira de trás da arquibancada, para os degraus com vista para o estacionamento. O ar da noite é frio com a brisa do oceano passando através das palmeiras acima. Eu tomo uma profunda, calmante respiração. — Shannen, eu tenho algo a lhe dizer. — desço para o estacionamento, passando meus braços firmemente em torno da minha cintura, para que eu não gaste toda a confissão inquieta. Shannen se afunda no degrau final, e eu ando e sento ao lado dela para que eu possa sussurrar. — É algo que eu nunca disse para outra alma. — então eu tenho um estremecimento mental. — Com exceção de Quince. Mas isso quase não conta, porque eu realmente não tive escolha.


166

— Ok... — ela parece um pouco duvidosa, como se talvez eu fosse muito livro aberto para ter segredos picantes. Rapaz, ela vai se surpreender. — Antes de vir para Seaview. — eu explico, apertando mais meus braços em torno da minha cintura. — Eu não vivia em Fort Lauderdale. Tia Rachel e eu viemos com essa história quando eu fui morar com ela. Pensamos que seria mais fácil usar algo tão próximo da verdade quanto possível, e nós não poderíamos dizer que papai estava morto, porque, bem, antes de tudo, isso apenas parece errado, mas também porque eu poderia deixar escorregar que eu estava indo visitá-lo ou algo assim, e isso seria muito estranho de explicar. — Oh! — ela diz. Então, fica com um olhar horrorizado em seu rosto. — Você não é da divisa39, não é? Uma pequena risada escapa. — Não, eu não sou da divisa. — tomo uma profunda respiração, fecho os olhos, e digo. — Eu sou de Thalassinia. — Onde fica isso? — ela pergunta. — Geórgia? — É a quarenta e cinco milhas a leste daqui. — Leste? — ela repete confusa. Eu posso dizer pelo seu tom de voz que isso não faz sentido. — Mas a única coisa a quarenta e cinco milhas a leste de Seaview é... — O oceano. — preparada para lidar com o choque dela, eu viro para ela e digo, — Thalassinia é um Reino de Sereias. Eu sou uma Sereia. Ela olha sobre o estacionamento, olhos apertados como se estivesse colocando as peças de um quebra-cabeça juntas em sua cabeça. Shannen é um gênio, então eu posso apostar que ela está fazendo um retrato bastante completo. Franzindo seus lábios em consideração, ela diz. — Você é uma Sereia. — Uh-huh. Então seus olhos castanhos se viram para mim, avaliando-me dos pés à cabeça como se ela pudesse ter perdido algumas escamas, brânquias ou algo assim. — Bem, isso faz sentido. — ela diz finalmente. — Você tem uma obsessão com a terminologia relacionada ao oceano. Embora eu esteja surpresa com sua afinidade com o sushi. Eu pensei que as Sereias deveriam ser amigas dos peixes. — Somente em filmes de animação. — eu digo com uma risada. Deixe isso para Shannen intelectualizar o fato de eu ser uma criatura mítica. Ela fica em silêncio, estudando o pavimento. É quando a preocupação me acerta. E se ela estiver pirando? E se ela achar que eu sou algum tipo de aberração da natureza e que nunca quer falar comigo de novo? Eu poderia ter perdido a 39

No original está panhandle que seria uma divisa entre estados.


167

minha melhor amiga humana por dizer a ela a verdade sobre mim. E se Shannen que tem sido como uma irmã por três anos, não puder ver o meu lado Sereia, então como na terra Brody verá? E se Quince estiver certo, e Brody nunca irá. — Você não confiou em mim. — ela diz, finalmente, parando a minha bola de neve mental. — Claro que eu confiei. — eu insisto. — Eu confio! É por isso que eu lhe disse. — Mas você não contou. — ela responde. — Não até hoje à noite. — o olhar de mágoa em seus olhos quentes me faz querer chorar. — Por quê? Por que você não me contou? E por que você me contou agora? — Eu queria Shan. — eu insisto. —Oh, como eu queria. Mas temos que ser muito cuidadosos ao nos revelarmos aos seres humanos. As leis são incrivelmente rígidas. Houve alguns incidentes, no século XVIII, quando o mar estava cheio de piratas. Nosso mundo quase fez manchetes de primeira página. — peguei a mão dela e lhe dei um apertão tranquilizador. — Eu confio em você, mas a segurança de todo o meu Reino vem em primeiro lugar. — Então porque você está me dizendo agora? — ela pergunta. — Por que..., eu tinha que te dizer antes de... — o medo se arrasta até minha garganta novamente, mas eu o engulo. Por que eu estou, de repente, após três anos esperando por essa noite, tão cheia de dúvidas e medos? — Antes de eu contar a Brody. — Você vai contar a ele? — ela engasga. — Hoje à noite? Eu aceno, esperando que ela grite com empolgação. Para se orgulhar de mim por finalmente; finalmente, agir. Em vez disso, ela parece preocupada. — Você tem certeza? — ela pergunta. — Você confia nele tanto assim? Você confia nele com a segurança do seu Reino? Todo o ar vaza fora de meus pulmões. Ela apenas dá voz às mesmas dúvidas chatas que eu estou tentando ignorar. Eu confio nele? Parte de mim, a parte que está vagueando atrás dele por três anos, está gritando Sim. O resto de mim, a parte que sabe tudo que aconteceu a distancia com muita limitada experiência pessoal, calmamente sussurra Não. E não é como se eu pudesse tomar a confissão de volta, pelo menos, não sem um ritual desagradável de lavagem cerebral. — Talvez. — eu digo, expressando minha confusão. — Talvez você esteja certa. Eu não posso deixar Quince me incitar a fazer algo estúpido. Isso é mais importante do que mostrá-lo. Não vou dizer a Brody que sou uma Sereia, mas vou dizer que o amo.


168

Mas..., nem sequer isso soou certo. Não parece certo chamar o que eu sinto por Brody de amor. Isso é apenas muito... — De maldito jeito nenhum, Lil. Você é uma Sereia? Oh, não! Eu sinto meus olhos saltar ao som da voz de Brody. Eu não ouvi a porta abrir atrás de nós, eu estava muito focada em Shannen e suas profundas perguntas. — Ohmeudeus. — ela sussurra tão baixinho que eu quase não ouço. Dou-lhe um suplicante, olhar apavorado, mas tudo que ela pode oferecer em troca é um arregalado olhar de simpatia. — Eu acho. — ela diz, se levantando. — Que vou deixar vocês dois a sós por um minuto. Eu pulo aos meus pés para o lado dela, implorando para que ela não vá. Ela se inclina e sussurra. — Eu vou estar logo aqui dentro se você precisar de mim. — então, ela corre os degraus e desaparece através da cinza porta de metal. Meu estômago toma um mergulho em direção a meus pés. Foi neste instante, neste momento de total medo, que eu percebi como eu estava errada sobre Brody. Como; Quince estava certo, delirante eu estive. Eu tenho vivido em um mundo de fantasia, onde Brody foi removido com segurança da realidade. Só na minha imaginação ele era o companheiro perfeito para mim. Se essa fantasia fosse real, eu não estaria tão completamente aterrorizada agora. — Brody, eu... — Essa é a melhor coisa de todas. — ele exclama, olhando o meu corpo enquanto ele desce ao nível do solo. Seu olhar paira sobre o meu colo. — Você usa cascas de coco? Minha primeira reação é de repulsa. Quero dizer, claro, há Sereias que usam coisas como pequenos biquínis de cascas, tosse, Dosinia, tosse, mas isso não é exatamente um traje de bom gosto. Minha segunda reação é de extrema decepção. Ele me ouviu confessar meus sentimentos, ou pelo menos; o que eu acreditava ser meus sentimentos, e ele obviamente, não se preocupa com nada disso. Ele não se preocupa comigo. E agora ele sabe o segredo do meu Reino. Eu tenho que cuidar dele. (Não, não de uma forma mafiosa, lembre-se, Tritões são pessoas pacíficas.) E se eu puder fazer isso sem recorrer a um ritual de lavagem cerebral, então melhor ainda. Porque, sério, a última coisa que eu preciso agora é de uma assassina enxaqueca de uma semana. Esquecendo o meu espanto, constrangimento e humilhação, eu explodi rindo, tentando brincar. — Você pensou que eu estava falando sério? — eu rio


169

como se isso fosse a coisa mais engraçada do mundo. — Eu estava brincando. Eu estava brincando com Shannen. No começo Brody parece confuso, como se ele não tivesse certeza de como ele poderia ter interpretado errada a situação. Então ele abana a cabeça com um sorriso. — Boa tentativa, Lil. — ele diz, cruzando os braços sobre o peito. — Você não iria brincar com a sua melhor amiga assim. Você é muito boa. É incrível o quanto sua vida pode mudar em um instante. Uma hora atrás, eu teria morrido para estar nesta posição com Brody, perto o suficiente para senti-lo respirar, e com sua atenção totalmente focada em mim e ele finalmente conhecendo todos os meus segredos. Mas agora? Eu nunca estive tão assustada; por mim, pelo meu Reino, em toda minha vida. Nem quando eu tive que seduzir aqueles pescadores para longe de Quince. Quince! Minha mente voa de volta ao momento na praia quando eu lhe disse a verdade, quando ele jogou a cabeça para trás e riu. Não houve medo, sem humilhação, apenas um pouco de alívio por finalmente dizer a alguém o meu segredo. Quem teria pensado duas semanas atrás que eu estaria apavorada porque Brody descobriu, mas bem por Quince saber? Meu subconsciente devia saber que ele era digno de confiança o tempo todo. Como se eu o tivesse conjurado com magia, a porta acima se abre e Quince está enchendo a porta com sua jaqueta de couro. Eu praticamente vergo com alívio..., até que eu sinto a fúria impetuosa através de seu sangue. Ele sentiu o meu medo e agora ele está aqui para me proteger. De qualquer maneira. Isso não pode acabar bem para ninguém. — Alguma coisa está acontecendo que eu deveria saber? — ele demanda, não se deslocando. Apesar de Quince não fazer nenhum movimento, Brody vai para trás. — Você está incomodando minha garota, Bennett? — Sua garota? — Brody ecoa. — Não de acordo com ela. — Eu menti. Eu sou dele. — eu digo desesperada para manter esta terrível situação de ir como um tsunami até mim. Então, olhando para Quince, eu digo. — E ele é meu. Mesmo que eu nunca tenha pensado nisso antes, no momento em que eu digo, eu sei que é verdade. Tem estado construindo e borbulhando desde a primeira noite em que ele me beijou. Talvez antes. — Ele sabe que você é meio peixe? — Brody me pergunta. Depois, voltandose para Quince, ele diz. — Você sabe que sua garota é uma... Ele não tem tempo de terminar antes que o punho de Quince se conecte com sua mandíbula. Eu não sei como Quince desceu as escadas, tão rápido. Deus sabe


170

bem que ele tem um canto no mercado de descontraído/preguiçoso, mas em um segundo ele estava na porta, e no seguinte ele está esmurrando Brody no pavimento. Luzes brilhantes balançam através da cena. Freios guincham contra o asfalto. O carro de Shannen para na frente da briga, e a porta do passageiro voa aberta. — Vamos, Lily! — ela grita. — Vamos sair daqui. Encaro Quince, que tem Brody preso ao chão e mantido imóvel sob seus joelhos. Quince olha para mim e acena. — Vá para casa. — ele bate a cabeça de Brody contra o concreto. — Eu vou te encontrar lá mais tarde. Estou tentada a acenar, a deixar Quince bater violentamente em Brody, então eu não teria de lidar com as consequências da minha revelação acidental. Mas se todo esse fiasco do vínculo me ensinou alguma coisa, é que eu preciso começar a assumir o controle da minha vida. Tenho quase dezoito anos, quase uma adulta no meu mundo e nesse. Eu não posso deixar alguém resolver meus problemas por mim. — Não! — grito, mergulhando nas costas de Quince. — Isso não vai resolver nada! Quince me deixa puxá-lo para longe de Brody. — Com certeza está me fazendo sentir um inferno muito melhor. — Eu sei. — porque eu senti sua pressa de satisfação quando seu punho conectou com o rosto de Brody. — Mas a menos que você esteja pensando em matá-lo... — Eu posso. Eu solto meu aperto sobre seus ombros. — Não, você não vai. — Ele não deveria saber. — diz Quince. Brody, que está gemendo em uma posição sentada e limpando o rastro de sangue escorrendo do canto da boca, resmunga. — Droga, Fletcher. Qual o seu problema? Quince o ignorou. — Ele não pode ser confiável para manter o seu segredo. Meu coração aperta quando ele diz seu segredo. Como se não fosse o segredo dele também. Mas eu não tenho tempo para explorar esse sentimento agora. — Eu sei. — repito. — Pulverizar ele não vai mudar isso. — embora eu saiba que ele odeia se sentir impotente tenho de acrescentar. — Nada que você possa fazer irá fazê-lo esquecer.


171

Quince encolhe os ombros de sua jaqueta de volta no lugar. Então, como se minhas palavras finalmente batessem em casa, ele pergunta baixinho. — Mas você pode? Quando eu aceno, suas sobrancelhas caem em uma carranca preocupada. Eu me sinto compelida a tranquiliza-lo. — Eu nunca usaria isso em você. — eu explico. — Eu não preciso. Porque eu confio em você. Eu não tenho de ler a mente dele para saber que ele entendeu o meu subtexto. — Você precisa ficar bem primeiro. — eu digo. As coisas vão ser bem difíceis de explicar sem os punhos sangrentos de Quince levantarem mais questões. — Eu ficarei bem. Quince acena, andando ao redor de Brody e passando por Shannen ainda com o carro ligado, para onde sua moto está estacionada ao lado da parede do Parque Aquático. Segundos depois, sua moto ganha vida com um barulho que está se tornando um dos meus sons favoritos. — Brody. — eu começo quando o barulho desaparece na distância. — Precisamos conversar... — Acho que ele deslocou meu queixo. — diz Brody, cuidadosamente movendo seu maxilar de lado a lado. — Vou exigir maquiagem redobrada para a nova equipe na próxima semana. — Nós precisamos conversar. — eu me curvo à sua frente, tentando não esmagar meus dentes em frustração ao seu foco superficial. Acho que é outra coisa sobre a qual Quince estava certo. Vou adicionar a lista. — Primeiro, vamos levantálo. Ele resmunga, mas estende o braço, convidando-me a ajudá-lo. Uma vez que ele está de pé e pressionando repetidamente o canto de sua boca, como se estivesse fascinado com a sensação de um lábio sangrando, eu coloco minhas mãos sobre seus ombros. — Brody. — eu digo com confiança. — Olhe para mim. Eu nunca tinha realizado uma lavagem cerebral antes, eu nunca tive. Mas a cada Sereia no mar é necessário memorizar o ritual, apenas no caso de algo como isso acontecer. O primeiro passo é estabelecer contato visual, criando e mantendo a conexão visual. Quando os olhos castanho-dourados de Brody encontram os meus, capturado pelo hipnótico brilho do meu foco mágico, respiro fundo e recito as palavras na minha mente.


172

O que se viu agora está esquecido, o que foi aprendido agora é desconhecido. Memórias feitas são tudo menos podres, novas substituições devem ser indicadas. Assim que eu termino o último pensamento, Brody pisca rapidamente e sacode a cabeça. Confusão enche sua face, fazendo-o parecer completamente perdido. Eu quase me sinto mal. Brody, o garoto que parece sempre a vontade em todas as situações, parece totalmente desorientado..., por minha causa. Bem, não é como se eu tivesse uma escolha. Eu não podia deixá-lo saber exatamente o segredo. Eu não tenho ideia o que ele faria com essa informação. Por tudo que sei meu Reino e eu nos tornaríamos sua próxima exposição de novidades na equipe. — Lily? Respirando fundo, eu mergulho em uma história para explicar a situação. — Você está bem, Brody? — eu pergunto, fingindo preocupação. — Você levou um duro tombo das escadas. Ele olha para trás por cima do meu ombro, olhando para os degraus em questão e tentando juntar as peças em sua mente. Tentando preencher as lacunas que eu fiz em suas memórias. — Eu caí? — Sim. — Shannen diz, saindo de seu carro e vindo ao meu auxílio, amo ela! — Você veio aqui para perguntar algo a Lily sobre a sua próxima corrida e... —... Tomou um capote para o estacionamento. — eu termino. Enquanto Brody balança a cabeça, Shannen e eu compartilhamos um olhar. Ela parece totalmente orgulhosa de si mesma..., e de mim. Estou muito orgulhosa de mim também. — Deixe-me ajudá-lo a entrar. — ofereço, escorregando para o seu lado e envolvendo um braço em volta de sua cintura para apoio. — O treinador vai saber o que fazer. —Ah. Ok. — Brody resmunga. — Yeah. O treinador pode ajudar. Quando eu escolto Brody aos degraus, eu olho por cima do meu ombro e digo a Shannen. — Eu já volto. Eu já posso sentir a enxaqueca começando logo acima do meu olho esquerdo. Se eu tentar esticar isso pelo resto do encontro, eu vou ficar incapacitada por uma semana. Não, eu vou colocar Brody nas mãos do treinador, então ir para casa para uma dose dupla de aspirina e uma longa soneca em um quarto escuro. Quince terá que esperar até amanhã.


173

A enxaqueca ainda está furiosa na manhã seguinte, então eu falto à escola. Pela tarde, porém, é dissipada para uma dor incômoda, e sabendo que hoje à noite é a noite que voltamos a Thalassinia, estou sentada no meu degrau da frente esperando por Quince quando ouço sua motocicleta rugir a distância. Sacudo meus pensamentos melancólicos nos quais tenho lutado por todo o dia e coloco um sorriso feliz. Quando ele estaciona sua moto na calçada entre nossas casas, eu acho que realmente consegui conjurar alguma felicidade. Claramente, Quince não é tolo. — Você não estava na escola. — ele diz enquanto sobe os degraus para se sentar ao meu lado. — Você está bem? — Claro. — eu digo, fingindo que é verdade. Ele vira seus olhos brilhantes para mim. — Sério Lily. Você está bem? Sua sinceridade quebra minha fachada. Eu não estou bem, eu quero gritar. Estou tão longe de bem que eu consigo, porque eu estou triste, confusa e sem saber o que fazer. Mas essa é a emoção falando, ou pensando. A realidade é um pouco mais complicada. — Estou decepcionada comigo mesma. — digo finalmente. — Todos estes anos desperdiçados amando Brody..., e foi tudo uma fantasia. Assim como você disse. — Sim, bem, você tinha que perceber isso por si mesma. — Quince coloca um braço em volta dos meus ombros e me abraça a seu lado. E mesmo que ele seja a coisa mais confusa na minha vida neste momento, eu deixei. Pelo menos ele não est| dizendo "eu avisei”. Eu digo em vez disso. — Você me avisou. — eu admito. — Você me disse que a minha imagem de Brody não era real, e você estava certo. Eu estava cega demais para ver. Ele ri um pouco. — Você estava cega demais para ver um monte de coisas, princesa. É reconfortante quando ele me chama de princesa, como oposição a Princesa ou, pior, Lily. Um parece muito zombaria, o outro muito íntimo. Seu apelido irônico parece seguro. Eu olho para baixo, para longe, e vejo sua mão esquerda machucada, juntas feridas agora; apoiada na frente do degrau. Grande tubarão branco, como eu tinha esquecido a briga? Muito envolvida em meus próprios problemas, eu acho. — Você quebrou alguma coisa?


174

Ele olha para mim com as sobrancelhas levantadas, e quando eu aceno para sua mão machucada, ele franze a testa. — Não. O idiota pode precisar de uma bolsa de gelo ou duas, mas nada necessitando de atenção médica. Eu não posso me impedir. Começo a rir por Quince pensar que eu estava perguntando sobre Brody. Eu me apoio em seu corpo e levanto sua mão para inspeção. Enquanto eu corro as pontas dos meus dedos sobre sua pele machucada, com cuidado para não causar mais dor, eu digo. — Eu quis dizer você, baiacu. Seus ossos. Sua mão treme um pouco na minha. De alguma forma, isso me chacoalha mais do que qualquer outra coisa. Eu posso lidar com a perda da minha fantasia por Brody mais do que com o muito real, trêmulo Quince. — Não. — ele sussurra. — Eu puxei meus socos. — então, com algum do seu habitual humor, ele acrescenta. — Diretor Brown já pensa que eu estou a um passo do reformatório. Não preciso me colocar lá. Eu olho para cima, disposta a discutir, quando uma mancha irregular na sua camisa cinza me chama a atenção. Levantando meus dedos para o local logo abaixo de sua clavícula, estou surpresa e não por sentir um objeto de areia em forma de dólar. Meu olhar continua a viajar até o dele. — Você ainda está usando. Ambos sabemos que não é uma questão, assim como parecemos ter perdido a capacidade de respirar. Um mar de emoções atravessa por seus olhos; medo, raiva, dor, confiança, amor. Amor. É quando vejo essa última que eu fecho meus olhos. Ele sussurra. — Sempre. É o que eu temia. Minha confusão corre de volta, empurrando todos os outros pensamentos de lado. Eu me afasto, olhando para minhas mãos dobradas em meu colo. Eu não estou pronta para isso, não estou pronta para ele. Eu não posso estar. — Quince, eu... — Eu entendo Lily. — ele diz meu nome dando mais peso às suas palavras. — Realmente, eu entendo. Você tem passado por muita coisa nas últimas duas semanas. Eu sei que você precisa de algum tempo para processar. Sinto como se alívio devesse cair por mim, mas isso não acontece. Ainda assim, eu digo. — Obrigada. — Mas. — ele diz sua voz mudando de volta para o forte, poderoso Quince, — Isso não muda como eu me sinto. Como eu sempre me senti. Eu me importo com você, Lily. Eu...


175

— Pare! — eu não posso ouvir as palavras que ele está prestes a dizer. Minha mente já está enlameada o suficiente, sem seus sentimentos entrarem em jogo. Mas quando imagino a dor em seus olhos; olhos em quais eu não posso olhar agora, eu acrescento. — Me desculpe. — Está tudo bem. — ele insiste. — Eu não tenho que dizer as palavras. Você sabe. Sim, eu sei. E isso só torna tudo um milhão de vezes pior. — Você está pronto para voltar a Thalassinia? — pergunto, precisando tomar alguma ação para fazer essa confusão, essa dor em meu peito, ir embora. Agora finalmente eu olho para ele, e ele está me estudando. Ele tem seus pensamentos cuidadosamente mascarados, embora, então não posso adivinhar o que ele vai fazer até que diz. — Claro. Apenas deixe-me dizer à mamãe que eu vou embora. Enquanto eu o vejo caminhar pelo gramado entre nossas casas, eu acho que deveria me sentir mais aliviada. A bagunça do vínculo, a mistura de magia, emoções e expectativas reais, está finalmente acabando. Esperançosamente, no momento em que chegarmos a Thalassinia, eu decidirei o que fazer.


176

Q

uando chegamos na periferia de Thalassinia, eu escorreguei em modo

de atraso. Eu ainda não tomei minha decisão, e eu preciso de um tempinho extra para pensar. Embora, com as emoções envolvidas, não é como pensar que vai ser uma grande ajuda, mas não custa nada tentar. Então eu faço algo que eu nunca tinha feito antes. Eu levo alguém ao meu lugar secreto. Estamos ficando cada vez mais perto do verão, por isso ainda há abundância de sol, filtrado através das ondas à medida que nado para meu retiro sagrado. Meu refúgio pessoal. Quince parece sentir a natureza imponente do lugar, porque ele não diz uma palavra, apenas olha em volta para a generosidade de cores, texturas e contrastes que enchem o meu lugar. Então, como se ele soubesse como eu gastava meu tempo aqui, ele dá um espiral de costas e olha ansiosamente para o céu. Para o mundo acima da superfície. O mundo onde ele pertence. E eu não. Flutuo até próximo a ele, ponderando o que pensar. É algo que eu sempre acreditei, mesmo depois que descobri que mamãe era humana e tinha uma família no continente. Eu sou uma Princesa Thalassinia, e meu lugar é no fundo do mar. Abaixo da superfície. Um barco de pesca pequeno passa em cima, seu brilhante casco vermelho brilha como um sinal de pare na luz refletida abaixo do recife. Eu sinto Quince tenso, provavelmente pensando no último encontro com um barco de pesca, mas eu coloco uma mão tranqüilizadora em seu braço. — Está tudo bem. — eu digo. — Um monte de barcos de pesca viaja nesta rota entre Bimini e Nassau. Eles não pararam para jogar a rede. — Oh! — ele diz a palavra de alguma forma cheia de zombaria de si mesmo. Como se ele se sentisse tolo por se preocupar. — Mas é sempre melhor estar em alerta. — eu digo, principalmente para que ele se sinta melhor. — Você nunca sabe quando a corrente vai mudar. Nós flutuamos em silêncio, observando como o barco vermelho passava fora de vista e um amarelo seguiu logo depois, em seguida, magenta, turquesa e verde-claro, brilhante. Um desfile de arco-íris.


177

— Há tantas cores no mar. — ele diz, sua voz cheia de admiração. — Faz-me sentir meio fora de lugar com a minha calça cargo cinza. Algo sobre essa afirmação torceu meu coração em um nó, mas eu ignoro esse sentimento ameaçador. — Seus olhos. — eu digo, retratando-os de memória. — Eles são da cor do mar. Eles sempre me fazem lembrar de casa. Eles são a única parte dele que parece pertencer aqui. Todo o resto, do loiro terrestre de seus cabelos até os músculos impressionantes e os galos áspera que ele ganhou através de horas de trabalho em sua motocicleta e na serraria, gritava terra. Ele..., eu começei a piscar muito rápido, é feito da terra. — O que há de errado? — ele pergunta, como se instantaneamente ciente dos meus pensamentos. — Nada. — eu insisto. — Eu só.. Ele flutua para cima para que possa olhar para o meu rosto. — Seus olhos. — ele diz, sua voz temerosa. — Eles são brilhantes. Brilhante como se pintados com pequenos diamantes dourados. Oh, não. Bem, eu não posso limpar a lágrima inexistente, assim eu mudo de assunto. — Este é o meu lugar secreto. — obrigo-me a parar de piscar muito rápido. — É o meu lugar favorito em toda a Thalassinia. Em todos os mares. Quince franze o cenho por um segundo, como se ele não estivesse comprando a minha distração, mas, aparentemente, decide me deixar tê-lo. Virando para trás em direção ao céu, ele diz. — Eu posso imaginar o porquê. É lindo. Então, eu não sei porque eu disse isso, nem penso nas minhas palavras antes de derramar da minha boca, mas eu digo: — Eu nunca tinha mostrado este lugar para ninguém. Quince congela, ainda olhando para a superfície. — Ninguém? Eu balancei minha cabeça, mesmo que ele não pudesse ser capaz de me ver. — Eu estou ... — sinto o prazer dele antes dele dizer. —... Honrado. É um momento tão dolorosamente doce que eu quase não consigo suportar a acabar com ele. Se pudéssemos ficar aqui, neste mundo entre os mundos, sem obrigações reais, motos, ou más recordações. Mas eu não posso. Está tudo acabando. — Eu estou contente que você aprecie isso. — eu digo baixinho. — Porque depois de hoje à noite, você nunca será capaz de vir aqui novamente. E com isso, eu selei o nosso destino. Minha decisão está tomada.


178

Apesar dos meus sentimentos confusos por Quince, não que eu possa confiar nos meus sentimentos ultimamente, e seus sentimentos cada vez mais óbvios por mim, estou indo para a separação. Eu acho que não tenho outra escolha. — Pense no que você está fazendo, Lily. — defende Quince. Estamos sentados em frente ao gabinete do papai, à espera de sua equipe para preparar o ritual. A cara de papai caiu quando eu disse a ele minha decisão, mas ele não discutiu. Talvez ele pudesse dizer que eu não estava prestes a ser convencida. Quince, por outro lado, ainda achava que podia mudar minha mente. — Você sabe como me sinto sobre você. — ele diz. — E eu acho que você está começando a sentir o mesmo por mim. — Isso não importa. — eu insisto. — O inferno que isso não importa. — ele fecha o punho contra o banco polido e está, provavelmente, decepcionado quando a água abafa o efeito. — Lily, eu te amo. — Não. — Eu sei que você não quer ouvir isso, mas eu quero. — ele nada desajeitado na minha frente, pegando meus ombros com as mãos, como se só me fazendo olhar para ele, eu fosse ver o quão tola eu estava sendo. Mas olhando em seus olhos só tornava mais fácil a minha decisão. Porque seus olhos estão cheios de uma certeza que eu não tenho, certeza que nunca vou ter. Ontem eu estava arrastando uma nadadeira para Brody, e olhar o quão bem que acabou. Eu tinha me enganado ao acreditar que uma paixão era amor verdadeiro. Eu estava pronta para me comprometer com uma vida inteira com um menino que eu mal conhecia. Como posso ter certeza de que esses sentimentos que estão surgindo por Quince é mais real? Qualquer coisa menos imaginária? Eles podem ser reais. Ou eles podem ser sintomas do vínculo ou uma reação à Brody ou apenas um resultado de passar tanto tempo juntos. E como, se eles forem verdadeiros e reais, eu poderia permitir que ele sacrifique tudo o que sabe; seus amigos, sua família, sua moto, o seu futuro, passar a maior parte do resto de sua vida no oceano? — Lily, você não pode simplesmente jogar isso.. — Eu tenho. — eu cortei. — Nós temos. Seja lógico, Quince. Se não nos separamos, então no proximo ciclo lunar a ligação irá finalizar e você vai virar


179

totalmente Tritão. Sua forma terráquea; suas pernas, seriam permanentemente ligadas a mim. — Eu sei disso. Sua prima explicou a coisa toda. — ele revirou os olhos. — Provavelmente pensando que iria me assustar. — Você nunca mais vai andar na terra sem mim. —Então... — Quando eu tomar o meu lugar no tribunal, eu vou ter que estar em Thalassinia quase o tempo todo. — eu explico, tentando acertar esta parte para ele. — Pense nisso. Pense que você estará preso ao oceano a maior parte de sua vida. Não ser capaz de montar sua motocicleta sempre que quiser. Não sendo capaz de correr, dançar ou subir um... — Eu não danço. — ele ainda não está pegando isso. — Lily, eu passei os últimos três anos, louco por você. Eu não quero deixar escapar esta chance. Especialmente agora que eu vi que as coisas poderiam ser assim conosco. — aaah! Ele está sendo obtuso. — E sua mãe? — eu digo. — Quem vai ao supermercado para ela ou retirar seu lixo ou consertar seu carro quando ela está atrasada para o trabalho? — todas as coisas que eu sei que Quince faz. Acho que eu estive prestando atenção. O pensamento de ter que abandonar a sua mãe realmente lhe dá uma pausa. Bom! Ele precisa pensar sobre coisas assim. Mas então ele balança a cabeça. — Podemos resolver isso mais tarde. Estou disposto a fazer esses sacrifícios. Por que você não consegue ver isso? — Pode estar. — eu grito minhas emoções à tona. — Mas eu não estou. — Eu não... Eu tenho que dizer alguma coisa para fazê-lo entender. A verdade não vai funcionar. Eu não posso lhe dizer que odeio a ideia dele sacrificar tudo em sua vida para estar comigo..., só para lamentar o sacrifício mais tarde. Se eu lhe disser que, embora, possa perceber que meus sentimentos por ele estão crescendo e ele irá usar isso como a âncora em seu argumento. Se ele souber que mesmo pensando que eu poderia estar me apaixonando por ele; e se eu estiver tão errada sobre esses sentimentos como eu estava com Brody? Ele nunca vai deixar isso. E eu não poderia viver com isso. Somos de dois mundos diferentes. Ele pertence ao dele. Eu pertenço ao meu. Então eu digo a única coisa que eu sei que vai fazê-lo desistir. — Eu não estou disposta a dar-lhe o resto da minha vida. — eu tiro suas mãos dos meus ombros e cruzo meus braços. — Eu não quero você aqui. — eu vejo


180

a dor em seus olhos por um instante antes dele se fechar. Seus olhos, todo seu rosto, ficaram em branco. Ele não falou só meio que flutuou para longe. A porta do escritório de papai abre e Mangrove nada para fora. — Sua alteza está pronto para começar. Quince segue-o para o escritório, deixando-me sozinha na sala. Eu pego um momento para me equilibrar, ter uma respiração profunda e prensando o desejo de chorar. É o que tem de ser feito. E a razão pela qual eu tenho que fazer é a mesma razão que faz com que seja muito, muito dificil. — Você tem certeza? — papai pergunta. A questão se supoe ser para nós dois, mas Quince não responde. Ambos sabemos que papai realmente só está perguntando para mim. Eu aceno e não confiando na minha voz. Do olhar triste no rosto de papai, posso dizer que meus olhos estão brilhando. Eu não posso mais evitar isso. Papai movimenta seus guardas para a frente, e eles tomam posição em ambos os lados do marmelo. — Então, pelo poder investido em mim pelo mar Grande Deus Poseidon. — diz ele, segurando seu tridente na mão direita. — Eu declaro este vínculo..., irreversivelmente rompido. Eu sinto uma faísca de eletricidade formigar a minha pele. De repente, parece que cada passado de minhas emoções drena do meu corpo. Cid, na esquerda de Quince, agarra-o pelo braço e diz: — Tome uma respiração profunda, filho. Papai movimenta seus guardas para frente, e eles tomam posição em ambos os lados de Quince. Ele faz; seu último suspiro de água, e Cid e Barney se lança pela janela atrás da mesa de papai, agora com o corpo totalmente humano de Quince se arrastando entre eles. Uma vez que eles passaram pelo quadro, corro para a janela e permaneço, observando, vazia, quando eles se apressam com Quince à superfície. Como a sensação de decisão certa pode ser ao mesmo tempo, tão errada? — Não é tarde demais. — diz papai. — Até que ele atinja a superfície, posso chamá-lo de volta. — Não. — eu sussurro; minha garganta apertada. Não seria justo. Eu não vou deixar que egoístas, e pouco confiáveis, emoções tomassem o seu futuro. — Você é tão forte, filha. — ele diz, puxando-me em seus braços.


181

Descanso minha cabeça em seu ombro, eu não me sinto forte. Sinto-me como oposto de forte que você possa imaginar. Eu me sinto como uma covarde.


182

P

róximo. — papai grita para os manguezais.

Sua secretaria vai à procura dos próximos que buscavam uma audiência com o Rei. Enquanto papai se aproxima e aperta a minha mão, de Princesa. — Estou muito feliz de que tenha decidido voltar para casa. — disse pela milionésima vez, desde que eu havia voltado definitivamente no início desta semana. — Senti mais saudade do que consigo dizer. Forcei um sorriso e ignorei a parte de mim que queria não ter dito adeus a tia Raquel no fim de semana passado. Tinha estado em terra por apenas algumas poucas horas após a separação; antes que ficasse muito claro que eu não podia ficar. Estando tão próxima de Quince, enquanto que eu o sentia há um oceano de distância, esse simples fato me doía, depois de tudo o que havia acontecido. Faz apenas quatro dias, mas eu sentia como se tivesse sido há muito tempo. Antes de dar alguma resposta a papai, os manguezais anunciam os próximos visitantes, uma dupla de cavalos do mar que tinham uma disputa sobre a fronteira entre suas propriedades. Tinha que deixá-lo40. Depois da separação, era óbvio que eu não podia voltar a Seaview. Não importava quanto eu sentisse saudades da tia Raquel e Shannen, era demais o que me esperava lá. Muita emoção. Muita dor. Também..., muita... Além do mais, eu continuava no mar, no trono, porque perder tempo brincando na terra? Só estava retardando meu objetivo na vida. Tinha que permanecer em Thalassinia, encontrar um adequado Tritão não humano, para meu aniversario que é em três semanas a partir de agora, e me preparar para meu futuro como Rainha. Era meu dever. — Muito bem, gentlemermen41. — papai disse. — Não espero ouvir mais destas artimanhas mesquinhas por apenas uma polegada de paisagem marítima. Entendido?

No original: I zone out, que significa deixar mentalmente deixar uma situação especifica. Gentlemermen, derivado de Gentlemen, que traduz algo do tipo cavalheiro, aristocrata, homem gentil, senhor; mas neste caso, em vez de Men(homem) utiliza-se Mermen(Tritão). 40 41


183

Os dois homens concordaram com entusiasmo e saíram nadando do salão Real. Papai era muito bom nisto. Esteve a maior parte de sua vida fazendo isto, mas de alguma forma, eu não me acreditava capaz de ser tão boa governante. E não ajudava que, apesar de eu estar sentada no trono da Rainha, o trono de minha mãe, e olhar ao longo da luxuosa sala, tudo o que eu via era a terra. Tudo em Thalassinia me lembrava de alguma coisa da terra. De Quince. Eu estava esperando nesta mesma sala, aqui mesmo, sentada no trono de mamãe, quando Quince chegou de sua volta com Dosinia. Nadando de mãos dadas e rindo, fiquei tão louca, que eu poderia ter lhes estrangulado. Presumo que é isso que chamam de ciúmes. Senti a cócega das lágrimas no canto dos meus olhos. Tinha que sair daqui antes de começar a chorar. Papai pensava que eu estava muito feliz de estar aqui, em casa e ao seu lado. Eu não queria desiludi-lo. Não queria que soubesse que eu estava apenas tentando esquecer. E que apenas me lembrava a cada dia mais. É como se o vínculo ainda permanecesse esperando por Quince. — Posso ser dispensada? — pedi-lhe; da maneira mais formal do que o normal, devido ao cenário. Pisquei rapidamente para deter as lágrimas, não esperei que papai me desse sua permissão. Tão logo o vi começar a assentir, me joguei para a porta. Sem entrar em qualquer lugar em particular, nadei pela sala e para fora das portas do Palácio. Enquanto cruzava os jardins, me lembrei de Quince tentando montar um Wakemaker, com pouco êxito. A emoção em seu rosto o fez parecer como uma criança na manhã de Natal. Em minha memória, ele me olhava, em um abrir e fechar de seus olhos azul mar, ele sorria. Meus olhos provavelmente brilhavam como o sol a estas alturas. Evitei a porta do Palácio e o olhar inquiridor dos guardas. Nadei para a parede lateral, para a relativa intimidade de vida além dos limites do Palácio. Porque a escolha certa se mostrava ser tão difícil? Uma vez que o vínculo foi cortado, isso estabelecia que Quince fosse livre em sua vida terrestre, eu deveria ser capaz de voltar à normalidade ou algo parecido, pelo menos a normalidade. Será que a separação não funcionou? Talvez nós ainda estejamos conectados por arte de magia, e por isso eu não podia deixar de pensar nele. Não podia deixar de senti-lo e sentir sua essência. Antes de perceber para onde eu ia, estava batendo na porta da frente de Peri. Sua mãe atendeu; olhou-me e me puxou para um abraço. — Pobre querida! — Desculpe. — respirei pelo nariz. — Sra. Wentletrap. — respirei pelo nariz novamente. — Eu não sabia mais para onde ir.


184

— Não se preocupe. — ela disse, me acalmando. Virando sua cabeça para o andar de cima, gritou. — Peri, Lily esta aqui! Eu ainda estava chorando nos ombros da Sra. Wentletrap quando Peri flutuou para baixo. — Hey, Lily, eu... Eu podia imaginar quão confusa eu parecia. Olhos brilhantes com lágrimas, abraçando sua mãe desesperadamente, fungando como um Guppy (peixinho de aquário) doente. Era um testemunho do meu estado lamentável, que nem sequer pude me sentir envergonhada por meu completo e total fracasso. — Oh! Lily. — disse ela, flutuando para perto e passando uma mão consoladora em minhas costas. — O que aconteceu? Levantei os olhos para ela, me sentindo sombria, desesperada, e muito, muito triste. — É o vínculo. — choraminguei. — Papai não o rompeu corretamente. Isto tem que ser por esse motivo, certo? Este tem que ser o porquê de eu não conseguir tirar Quince da minha mente, apesar de estarmos separados há vários dias. Porque eu ainda sinto uma parte dele em meu coração? — Querida. — disse Peri, toda simpática. — Não é o vínculo. Respiro pelo nariz. — Foi isso o que Quince disse. — Mamãe, pode trazer uma fatia de pudim de plumas para Lily? — então, dirigindo-se a mim acrescentou. — Vamos conversar na sala de visita. Ela me escolta enquanto sua mãe nada até a cozinha. O pudim de plumas era o equivalente submarinho de chocolate. Sabia que nem sequer uma montanha de plumas poderia fazer com que esta dor desaparecesse. Quando sua mãe ficou fora de alcance para ouvir, Peri me disse. — Diga-me que não o ama. — O que? — olhei para cima, surpresa. Que tipo de pergunta era essa? Bem, não uma pergunta, mas sim um estranho pedido. — Lily. — ela colocou sua mão sobre a minha. — Eu te conheço a mais tempo do que qualquer pessoa. — concordei e funguei. Tínhamos sido amigas desde sempre. — Portanto isso significa que eu te conheço melhor do que ninguém. — provavelmente também era correto. — Presta atenção em tudo o que vou te dizer. — ela disse. — Eu nunca te vi tão excitada sobre algo como esta por causa de Quince. — Apenas porque ele gosta de me empurrar até a beira. — eu disse defensivamente. Sabia que era um argumento fraco. Peri revirou os olhos. — Você não é a garota mais proativa do mar. — disse. — Você evita as pessoas quando talvez não deva, não faz nada contrário a criar um


185

potencial incidente. Pega o caminho mais seguro. Quero dizer, você cobiçou esse tipo, Brody durante quanto tempo sem fazer nada a respeito? — Eu estava... — comecei a me defender, eu queria dizer a ela que só estava esperando pelo momento certo, mas então, me lembrei de que isso já não importava. Brody tinha sido apenas uma fantasia. — Quince pode te empurrar até a beira de suas emoções. — disse. — Mas quando esta ao seu redor..., eu não sei; você tem um fogo em seu interior. Você o enfrenta, quando os demais te aterrorizam. Você não renuncia a ele. Pensei nisso. Definitivamente era verdade, eu não aceitava nenhum tipo de crítica de Quince. Nunca. Ele empurrava e eu empurrava para trás. Eu não era assim o resto da minha vida. Não era uma “empurrona”, na verdade, é apenas que eu não via o benefício de transformar algo em um confronto maçante. Com Quince, sempre sentia a picada da briga. Sempre pensei que era apenas um capricho de personalidade que saia quando estava longe dos efeitos calmantes da água, mas quem sabe, era mais do que isso. Ou melhor, era Quince quem trazia minhas emoções a fervura. Mas isso era algo bom? — O que significa isso, Peri? — neguei com a cabeça. — Que ele arranca o pior de mim? Ela mexeu a cabeça lentamente, sorrindo. — Acho que ele arranca o melhor de você. O melhor de mim? Isso não podia estar certo. O que era bom em ser uma pessoa agressiva e conflitante? Preferia flutuar de lado que nadar de frente e no centro. Devia evitar os conflitos de todas as formas possíveis. Mas talvez isso fosse uma coisa ruim. Pensei em papai, ele lidava com destreza nas rinhas dos cavalos marinhos, com a autoridade e força suficiente para fazê-los repensar, colocando seus argumentos de Rei sobre eles. Isso era o que o transformava em um líder poderoso. Eu não era assim. Pelo menos, não com ninguém mais do que Quince. Aí foi quando eu percebi. Peri tinha razão, em parte. Quince fazia manifestar um fogo em mim que queimava apenas para lhe enfrentar. Com Brody, antes de me dar conta que não era nada mais que uma imaginaria perfeição, eu tinha medo de fazer algo errado, algo que o faria rir de mim ou algo ridículo. Com Quince, nunca tinha existido este medo. Com Quince, eu não me sentia como um ser menor... Sentia-me como igual.


186

Com Quince, eu não tinha que tentar ser alguém que na verdade, eu não era. Ele me fazia ser alegre. Era isso que o fazia: meu perfeito Tritão. Bem, isso e o fato de que eu o amava. — Peri, eu... — Eu já sei. — ela disse, dando-me um leve empurrão. — Você tem que ir. — Nós nos veremos logo. — insisti. — Promessas, promessas. — ela disse enquanto eu desaparecia pela porta principal. Estava muito ocupada me preocupando com o que papai diria quando eu lhe dissesse que voltaria a Seaview. Provavelmente ficaria muito decepcionado.

— Eu me pergunto quanto tempo você irá demorar em lhe dizer. — papai refletia enquanto estudava o calendário em seu escritório. — Aposto dez dólares de estrela do mangue, que será em um prazo de mais dois dias. — O que? — eu esperava um pouco mais de raiva real, que ele fechasse seus punhos uma ou duas vezes. Talvez até um decreto Real. Definitivamente não tinha esperado uma aposta. — Lily. — ele disse, me olhando com todo o amor que sempre havia me demonstrado. — Não sou cego. Posso ver o tanto que você ama esse garoto. — Eu... — no principio senti um pouco de vergonha de confessar a meu pai, mas depois percebi que isso não tinha sentido. Principalmente porque era por isso que eu estava aqui em seu escritório em primeiro lugar. — Sim papai. — admiti. — Eu o amo. — É isso o que você nunca percebeu sobre o vínculo. — ele disse. — Ele não força sentimentos que não estejam aí. Pode descobrir emoções que não esta disposta a admitir, mas não pode fazer com que alguém se apaixone. Isso é algo que você já tinha. — Porque você não me disse nada? — queixei-me. — Poderia ter me poupado muito tempo e dores de cabeça. — Teria servido de algo? — ele me perguntou sabiamente. — Você não estava disposta a ouvir a verdade, de mim ou de Quince. — sorriu. — Além do mais, eu queria que você percebesse por si mesma, o que você queria. No amor e em sua vida. Vida. Sim, minha vida, sem dúvida ia mudar. Sim, eu ia voltar com Quince, então estaria diante de um futuro muito diferente do que eu sempre tinha


187

imaginado. Com a imunidade da união em seu lugar, ele nunca poderia se transformar em Mer. E não é como se um ser humano pudesse solicitar um passe para Thalassinia. Ele já não podia viver no mar. O que significava que eu também não. O que significava que eu não ia tomar meu lugar na corte de papai ou me preparar para ter êxito no trono. E Thalassinia não podia ter a Coroa da Princesa ausente, em sua corte. Curiosamente, a ideia não me fez sentir tão triste como havia pensado. De fato, eu me sentia um pouco aliviada... — Papai, eu..., eu voltei para ficar. — Eu sei. — balançou a cabeça e sorriu com tristeza. — Eu gostaria que você tivesse percebido isso antes de levarmos a separação adiante. — então soltou uma risadinha. — Embora eu ache que sempre soube que seus sonhos vão muito além deste Palácio. Você nunca pertenceu plenamente ao mar, certo? — Talvez não. — disse, mesmo sendo raro dizê-lo. Era estranho perceber que o lugar que sempre considerou sua casa, poderia não estar onde supunha que terminaria. — Você sempre teve mais de sua mãe. — disse. — Ela tentou me convencer em ir para a terra. Disse que não acreditava que algum dia se sentisse totalmente em casa, em um mundo onde poderia flutuar a noite. — E você queria? — perguntei. — Mudar-se, eu quero dizer. — Claro. Eu amava sua mãe mais do que tudo neste mundo, até que te vi. Isso era uma declaração tão doce que nadei por cima da mesa do escritório e me agarrei a seu peito. — Mas no momento em que nos conhecemos, seu avô já havia morrido e eu já tinha subido ao Trono. — apertou-me mais perto. — Deixar o Reino não era uma opção. Seu deter antes de seu coração. E eu estava prestes a tomar a decisão contraria? — E eu? — perguntei-lhe. — Thalassinia perderá sua herdeira se eu não me unir a alguém para meu aniversário. E não é como se eu pudesse unir-me a outra pessoa, sabendo que amava Quince. — Em primeiro lugar. — papai disse. — Meu plano é viver um bom tempo, portanto Thalassinia tem um monte de tempo para encontrar um novo sucessor, se esta é a sua decisão final. E pode ser que sejamos capazes de encontrar um resquício legal sobre a união até o seu décimo oitavo aniversário.


188

Sorri. Sempre fiquei infeliz com a ideia de que ia tomar a Coroa de papai quando ele morresse. Sentia-me como se a estivesse roubando. Mas eu nunca me permitia pensar no que faria se eu não fosse a Princesa Real. Talvez estivesse destinada a algo mais. — Em segundo lugar. — ele continuou; felizmente inconsciente de meus tristes pensamentos. — Nem sua mãe e nem eu quisemos que colocasse seu dever Real acima de algo tão pessoal como o amor. Queremos mais para você. É por isso que sempre o senti mais como um pai que um Rei. Que filha Real poderia me perguntar? — Eu te amo papai. — Eu também te amo filha. — deu-me um ultimo apertão antes de nos separar. — Agora, você poderia ir já atrás de Quince? Tive mais lágrimas do que um Tritão pode lidar. Da próxima vez em que te ver, quero te ver tão feliz como possa. Isso sim que era um decreto Real que com muito prazer, eu cumpriria.


189

Q

uando o barulho da moto do Quince ecoou pela vizinhança eu estava

sentada na varanda dele. Tia Rachel provavelmente estava me espiando pela janela da sala de estar, eu nunca a tinha visto tão animada como quando eu entrei pela cozinha. Após um período de sorrisos, abraços e lágrimas de felicidade e Prithi todo alegre lambendo meus sapatos eu contei a ela porque eu decidi voltar. Ela rapidamente me empurrou pela porta da frente e me disse para esperar o Quince voltar da escola. Eu a amava, mas às vezes ela era muito intrometida. Quince ainda não tinha me visto quando ele virou a moto em direção à entrada da varanda. Quando ele estava de costas para a porta, ele se virou e me olhou com os olhos arregalados. Mas ele não freou a moto. Então, quando me dei conta, eu não estava mais vendo ele e eu ouvi o barulho de uma motocicleta se chocando com alguma coisa provavelmente as duas lixeiras de metal nas quais Prithi amava tanto fuçar. Eu fiquei de pé em um pulo, mas antes que conseguisse chegar lá e me certificar de que estava bem, ele já estava de pé, bem na minha frente, e tudo o que eu pude fazer foi jogar meus braços ao redor do pescoço dele e beijá-lo igual uma menininha. O olhar irritado dele me trouxe de volta à realidade. — Lily? — ele perguntou como se quase não acreditasse. Só tinha passado uma semana. Mas eu entendi o que ele quis dizer. Eu percebi que tinha que falar alguma coisa. Então, usando toda a minha criatividade eu acenei feito uma babaca e disse: — Oi. Nossa, brilhante, Lily. Realmente brilhante. — O que você. — ele balançou a cabeça. — Eu pensei que você fosse ficar. Sua tia disse... — Eu voltei. — eu não conseguia parar de olhar para ele, ou de tocar nele. Todas as partes de mim que pareciam ocas há alguns dias de repente foram preenchidas por ele. Pela sua força, seu orgulho e seus grandes olhos azuis que sempre me lembravam da minha casa. — Eu decidi voltar. Ele não parecia animado. Ele parecia…, desconfiado. — Por quê? — Por quê? — repeti.


190

— Por que você voltou? — os olhos dele estavam indecifráveis. — O que te fez mudar de ideia? É isso, eu pensei. O momento da verdade. Literalmente. Todavia, a verdade era algo assustador. Especialmente quando ela te deixava completamente vulnerável. — Eu perdi meu brilho labial. — eu provoquei. Tão logo terminei de falar, percebi que essa foi a coisa errada a se dizer. Não era hora para piadas. Percebi isso não pela sensação estranha que senti, mas pelo olhar do Quince, que se tornou mais distante. Eu não ia deixá-lo escapar. — Isso é mentira. — eu confessei. Ele levantou as sobrancelhas, claramente confuso. — Por você. — eu admiti; cada músculo do meu coração entrando em pânico com essa revelação. — Eu voltei por sua causa. — Mesmo? — ele perguntou; seu olhar confuso se dissolvendo em um sorriso. Torcendo para não desmaiar antes de dizer tudo, eu disse. — Eu amo você, Quince. Eu não queria ficar longe de você. Eu não suportaria. — Aeeeeeee. — ele disse, diminuindo a distância entre nós, e me erguendo em seus braços, nos fazendo girar. — Eu sabia! Antes que eu pudesse responder com descrença, o que ele obviamente não esperava, ele me colocou no chão e colocou meu rosto entre suas mãos. Os lábios dele estavam a centímetros do meu quando de repente se afastou. — Ei, eu não estou prestes a começar outra ligação mágica maluca novamente, estou? Então, como se ele de repente tivesse se dado conta de algo, disse: — Não que eu esteja me opondo ou algo do tipo. Eu só quero saber no que eu estou me metendo. — Não. — eu disse, tentando balançar minha cabeça. — Sem mais ligações. Você é imune a isso agora. — Ok. — ele disse. E então ele terminou o que tinha começado. Os lábios dele nos meus eram tão delicados e quentes e..., perfeitos. Sem me esconder atrás da mágica da ligação e com meus próprios sentimentos a flor da pele, eu podia sentir a verdadeira magia do nosso beijo. Quince disse uma vez que o amor é a força mágica mais forte do mundo. Agora eu sabia que ele tinha razão. Quando ele recuou, os olhos dele cintilavam com o amor que eu sabia que ele estava sentindo por dentro. Eu tinha certeza que os meus olhos estavam brilhando tanto quanto, porque eu podia sentir as lágrimas de alegria deslizando pela minha bochecha.


191

Por longos minutos nós ficamos apenas sorrindo um para o outro. Eu estava certa de que nós parecíamos com aqueles adolescentes apaixonados idiotas, para minha tia Rachel e para quem quer que fosse que estivesse nos observando, mas nós sabíamos a verdade. Não havia nada de idiota nisso. — Agora que você está de volta. — Quince disse, jogando um dos braços por cima do meu ombro e me levando em direção à moto. — Eu vou te ensinar a guiar a Princesa. — Princesa? — Minha moto. Eu sorri. — Você deu o nome de Princesa para a sua moto? — Que eu posso dizer? — ele brincou. — Eu chamo todas as coisas de que eu mais gosto de Princesa. Eu dei uma olhada na Princesa, jogada ao lado das duas lixeiras, com um monte de lixo empilhado ao redor dela, toda retorcida. — Se você acha que eu vou propositadamente direto para a morte. — eu disse. — Você só pode estar doido. — Ela é muito mais segura do que um wakemaker daqueles de corrida. — ele replicou. Ponto para ele. — Ok. — eu disse tentando ser diplomática. — Eu aprendo guiar a Princesa com uma condição. — Manda ai. — Eu quero usar um capacete rosa. Ele gemeu, como se essa fosse uma condição totalmente inaceitável. Finalmente ele disse. — Ok, mas nada de listras no guidão. Ela nunca poderia sobreviver a esse constrangimento. — Fechado. — eu disse enquanto soltava a minha mão da dele e nós começávamos a tirá-la do meio de toda aquela bagunça. Eu aposto que eu poderia fazê-lo mudar de ideia quanto às listras, depois.


192

Dosinia Sanderson deslizou pela porta aberta até o escritório do Rei, seu coração palpitava fortemente, ainda sabendo que os guardas do Palácio haviam se retirado quando seu tio Whelk havia ido para a cama, há algumas horas. No entanto, a emoção do perigo atravessou seu interior. Não era o medo de ser pega, ela enfrentaria qualquer castigo que o Rei lhe desse; mas sim a emoção pela que estava prestes a fazer. Já havia tido um montão de loucas e audazes façanhas em seus dezesseis anos, mas isto era muito mais ousado. Tendo sido uma visita relutante diversas vezes, não se preocupou em bisbilhotar. Os mudos pergaminhos de papel e os retratos de seus antepassados eram quase tão excitantes quanto a areia. E não tão úteis. Em vez disso, ela se dirigiu diretamente até o seu prêmio. Sentado atrás da mesa do Rei, como uma hidra esperando que a agitação do mar lhe leve rapidamente a uma nova casa, estava o tridente do Rei. Parecia comum; inútil. Mas nas mãos de uma Sereia de linhagem Real, era poderoso, e tornava invencível a quem o usasse. Isso apenas se Doe fosse uma Sereia de linhagem Real. Enquanto envolvia seus dedos ao redor do tridente, sentiu um pequeno choque de eletricidade que a estremeceu, e passou através de seus pulsos e seu antebraço. Magia antiga. Finalmente, ela pensou que já era hora de sair da mesma forma como a que havia entrado, e que devia se vingar sobre dos responsáveis pelas mortes de seus pais: Humanos.

Fim...


193

Quando Lily Sanderson completa seus dezoito anos, se transformará em uma simples garota, que continuará sendo uma garota Mer, verdadeira, mesmo que tenha que assinar alguns papéis onde renunciará ser a Princesa Waterlily de Thalassinia para sempre. Deixando claro que Lily viverá na terra, com o garoto que ama e que tentará dominar o assunto de ser humana de uma vez por todas. Agora que Lily e Quince estão juntos, com a união ou sem ela, Lily esta quase feliz em ceder seu lugar na sucessão Real de Thalassinia. Mas justo quando ela acredita que tem tudo planejado, o pai de Lily envia-lhe sua irritada e agitada prima para que fique com ela, na terra. O que Doe fez para ser tirada de Thalassinia, e permaneça em sua forma terráquea, quando todo mundo sabe que ela odeia os humanos? E por que..., por que..., por que..., ela esta paquerando o examor de Lily, Brody? A tempestade marítima chega quando, um garoto Mer do passado de Lily aparece. Tellin pede a Lily que olhe para mais além do horizonte. E o que ela vê é seu futuro com Quince na terra, sua lealdade para com seu reino do mar, e para com ela em meio daquela tormenta. Poderá ela, encontrar a forma de reconciliar seu amor, seu dever e seus sonhos?


194


195


196

01 forgive my fins