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8 Pensar

A GAZETA Vitória (ES), sábado, 04 de junho de 2011

Fale com o editor: José Roberto Santos Neves - jrneves@redegazeta.com.br

ENTREVISTA. Coordenadores do espaço querem investir em projetos

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de arte e educação e em oficinas de capacitação para artistas locais

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Formação de plateia é um dos desafios do Cais ROMERO MENDONÇA/SECOM

Dayse Lemos é coordenadora do Comitê Gestor do Cais das Artes.

Maurício Silva é gerente de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. CONSTRUÇÃO. A conclusão das obras está prevista para o primeiro semestre de 2012

Entrevista concedida a José Roberto Santos Neves jrneves@redegazeta. com.br

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Caderno Pensar levou questões levantadas por artistas capixabas para a coordenadoradoComitêGestordeAcompanhamento do Cais das Artes, Dayse Lemos,eogerentedeAçãoCultural da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Maurício Silva, membros da equipe que coordena o projeto de construção do complexo cultural e a sua futura gestão artística. Confira: Em que estágio se encontram as obras do Cais das Artes?

Maurício Silva: A construção foi iniciada em 5 de abril de 2010 e hoje temos em torno de 40% das obras concluídas. O teatro está com 44%, o museu tem 55%, e a praça, 4%. Dayse Lemos: A fundação – etapa mais complexa da construção – já foi vencida. As pilastras do teatro estão dentro do mar e aquilo foi um grande desafio para a engenharia.

Qual a previsão de entrega?

Dayse Lemos: A obra estará concluída no primeiro semestre de 2012 e depois haverá um tempo para fazer a implantação. Como será o direcionamento artístico do Cais das Artes?

Dayse Lemos: Para isso foi contratatada a Fundação Getúlio Vargas. Eles têm uma diretoria de projetos com pessoas experientes em implantarinstituiçõescomooMuseu da Língua Portuguesa (SP) e o Museu da Pampulha (BH). O conselho de curadores definirá a identidade do museu e o perfil da sua coleção. Do Espírito Santo, fazem parteaAlmerindaLopeseoRonaldo Barbosa. Também temos o Moacir dos Anjos, diretor do MAM de Recife e curador da última Bienal de São Paulo; Carlos Martins, um dos curadores da Pinacoteca de São Paulo; Laymert

dos Santos, professor de sociologia; e Ana Helena Curti, produtora quefezinúmerasediçõesdaBienal de São Paulo. O Marcelo Araújo, diretor da Pinacoteca, ficou com a parte de museologia; e o Luiz Guilherme Vergara, que já esteve aqui com a exposição do Andy Warhol, no Maes, está encarregado do programa de arte e educação. Umaparceladeartistascapixabas teme que o Cais das Artes não abra espaço para a produção local, priorizando atrações nacionais. Existe razão para essa inquietação?

Maurício Silva: A Orquestra Filarmônica vai se hospedar lá e toda a sua programação será desenvolvida nolocal.Nossasproduçõesdeópera tambémocuparãooCaisdasArtese haverá um fosso de orquestra para facilitaressaprodução.Acreditoque asproduçõesdeteatroedança,principalmente a dança, irão se utilizar

muito do Cais. Há o sonho na categoriadadançadesecriaroCorpode Baile, o que também é mercado para o artista capixaba. A música vai naturalmente ocupar o espaço por causa da tecnologia de luz, de sonorização, a acústica de nível internacional. É um palco maior. O Teatro Carlos Gomes tem 8 metros de boca de cena, o Teatro da Ufes tem 10 metros, e o Cais terá 16 metros. Dayse Lemos: A ideia é que o Cais das Artes seja um catalizador e irradiadordaculturanoEstado.Seráum espaço para os capixabas estabelecerem uma relação de troca com pessoas de várias partes do mundo. Um dos grandes desafios para a evolução da cena cultural no Estado é a formação de plateia. Essa é uma das pautas do Cais das Artes?

Dayse Lemos: Sim, por isso o programa de arte e educação será voltado para todas as idades, todas as classes sociais, todas as preferências artísticas, exatamente para que a gente consiga fazer com que esse espaço seja bem democrático e para minimizar a contraposição entre o erudito e o popular.

Outroreceiodaclasseartísticaé sobre uma possível elitização do Cais das Artes. O que será gratuito e o que será pago?

Dayse Lemos: Quando você estabelece um diálogo entre o erudito e o popular você começa a entender melhor para onde vai o mundo do século XXI. Caberá música erudita, folclore, jazz, samba; a ideia é contemplar os mais variados públicos. Quanto aos ingressos, a FGV está fazendoumplanodenegócios.Será definida qual a porcentagem de shows locais, de música, teatro; a porcentagem de ingresso livre, de ingresso popular e de ingresso para o poder aquisitivo mais alto. Tudo isso está sendo acompanhado pelo comitêdegestãoquereúneaSecretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e a Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Haverá um projeto de capacitação para os artistas locais?

Maurício Silva: Teremos salas para receber artistas em processo de residência, com espaço para cursos, oficinas, atelier, cenografia, figurino, além de sonorização e iluminação cênica de última geração para facilitar a elaboração de projetos mais ousados.

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