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farani cinco três: claro escuro / sombra e luz. iluminar o que há de ser. com lanternas, palavras, o corpo, a voz. farani cinco três: sai do vago e se firma. um grupo de ação poética. uma luz no fim do breu. o silêncio da palavra ecoando no barulho. farani cinco três com vocês! Ch


Girando [Paulo Maciel] Girando, girando, girando Colisão e movimento A natureza da matéria A deformação constante As coisas deslizam Simetria é uma idéia inconsistente O inevitável movimento circular Aglutina a poeria cósmica Forma a forma das coisas E as coisas que não tem forma. E as coisas que não tem forma.


Na medida [Carol Leal] àquela caneca que me servia Tododia Tododia ela se enchia do café amargo que respigava no papel Enchia-se de mate para acelerar erva doce para acalmar água para diluir até mesmo chocolate em barra com guaraná em pó e café com leite sei lá por quê não fique vazia não fique vazia lembre-se às segundas-feiras em horário comercial é proibido se encher de ar tánahora ar tánahora ar ...

Queria mesmo era se encher de uísque sem que ninguém pressentisse aquela bebida etílica a fazer redemoinhos e correntezas acorrentadas sobre a mesa do escritório Ela se enchia Ela se enchia (É proibido transbordar) Ela se enchia Ela se enchia tanto que numa manhã chuvosa sem poder partir partiu-se


Frágil Conteúdo [Paulo Maciel] Em grande parte inútil E improdutivo Sujeito a defeitos de fabricação e vícios imediatamente perceptíveis ou ocultos de funcionamento imprevisível e descontrolado insuperável em competições e disputas violentas o manual de instruções não acompanha o modelo e em hipótese alguma serão aceitas devoluções.


Cadeira [Thadeu C. Santos] estafado estofado marcado pelas costas o caminho da coluna cervical nada mal para que pés joelho e braço dobrem sobre o aço e formem com ela um esquema parado jogado acomodado encostado assiste... não é na cama que se dorme acordado é quando se rouba o sinal da televisão


Souza Cruz [Bruno Borja] Poderia dizer-te: caixa-preta! Mas, na verdade, és branca. Traz na fronte o nome Que é tua marca Já no verso, as dores Da tua chaga Violo-te sem pena e sedento Consumo uma a uma As vinte doses do teu veneno.


Xadrezinho [Silvia Castro] Vermelho e Branco Frutinha, suquinho, pãozinho, goiabada cascão Ela e Ele O Vento Sopra formigas saúvas por sobre as coisas O Sol Pinta a pele, deixa tudo quente O olhar deles é mais doce do que cuca de banana E S T A M P I D O O Xadrez se tinge de vermelho depois que Ela tomba As árvores, o céu, os passos, as cutias emudecem naquele sábado Em pleno Campo de Santana Amanhã sai no jornal


Leque [Débora Carneiro da Cunha] Liteira de lese conduz o ar.. Planos que se abrem e unidos se articulam.. feminino, o leque veste-se como quer.. fitas e sândalo, madriperola, pano plumas, papel.. dobradura dócil encobre e revela.. feminino, o leque sabe as linhas com que cose alfaia filigranada hálito de vento... move o ar.


Leveza da infância [Dorly Neto] Sigamos leves, pois a brisa do encontro se encontra aonde a curva faz o encanto. Sigamos breves, pois a urgência do mundo é saber o sabor da sabedoria de não ser. Tudo que é cheio tem o seu limite. O vazio é maior e eterno. Sendo assim, ser leve é não ser explicação. Arranca-se do fundo a pureza retida na infância. O tom da força é determinado pela vibração do pleno; depois da curva, nosso mar é infinito.


Árvore Bonecológica [Luís Turiba] Impávido como Bin Laden na hora do tiro fatídico o vendedor de bonecos ventila em ares tranquilos seus inventivos ventríloquos mantendo a espinha ereta coraçâo que bate em quilo testa de paralelepípedo cabelos de espiga de milho olhar brilhos em vítreo (bonecos se movimentam) No ir e vir da calçada expõe ele a familhada primo irmão avô ou neto quem sabe, o tio canhestro de bonecos como o próprio palhaços ecos pinóquios de panos pau cordas trecos peças tão humanológicas armadas naquele circo de bonecos como o mestre e seus ecos ecos ecos de uma esquina do Catete de uma árvore bonecológica de um vendedor de bonecos e seus ecos ecos ecos que se não sem repetecos ecos ecos ecos ecos ecos até o eterno silêncio


Jacarepaguá [Adiron Marcos] O barão da Taquara era tãããão grande que ainda hoje tem gente chegando na terra dele. Foi isso: Nas antiguanças eram os índios que moravam nela, achavam grandes os jacarés mas os jantavam assim mesmo. Depois vieram os portugueses e jantaram os índios, ainda usaram os jacarés pra palitar os dentes. Depois depois de uns bons balalões veio por fim "seu" barão: Com bigodeira barbanças medalhas do Paraguai e virou mini-donatário_______ O criouléu nunca mais atravessou o Samba. Os jacarés? Fizeram as malas, foram pra Barra, Recreio: viraram gente, têm sido vistos nos shoppings, tomando sol nos jardináceos bacanas. JacareMor, jacarenorme, jacaré paguááááá......


Manual de Instruções [G] Fechado, um tijolo de pedra. Aberto, um leque de páginas. Papel, papel, papel em peso sobre papel de papel, papelão, um livro: é um convite robusto ao pingo nos is ou à floresta negra das virgens letras, desbravada sem a força de um Machado? Preto no branco, notas eruditas de rodapé, manual de partitura, amarelinha pra bola-de-gude, os olhos: ambiciosos, rolam as centenas de folhas numeradas, salivando a mais gloriosa firma, a pirotecnia da visão, radiantes microondas invisíveis que se espalham, uh! (Esses raios obscuros saem da massa cinzenta do papel ou da cabeça de leitura?) - Cuidado, amigo! Janelas retangulares de face (o)culta recairão sobre a contracapa, fatais. "Versus" inevitáveis, mas não se preocupe. Tem fogo? Vai um cigarrinho? Há pedra, papel... tesoura... E ontem, hoje e amanhã, os olhos escolhem o melhor: papel, papel, papel! Todos assinados pelo Excelentíssimo Sr. Pronome Pessoal do Caso Reto Isso basta.


Col [Fe chão liz -de PE InF Solte Cam ER iro Cam ada RE g IR a Bra da ros A] Dei nca -gros sa sa Con tável Pre fortá Com ench vel E e mo ida E f spum la Co m o r r a d a Est tec a Com amp ido Co r u m a d o No ação me (so io. litá rio )


Cabide [Ana Schlimovich] Numa hora a gente se joga se agarra se amarra se enrola se olha se gosta se pega se engole se mexe se entrosa se reconhece se reflete se provoca se desafia se asfixia se desencanta se descontenta se enjoa se magoa se joga fora e vai embora


A Pira [Alice Souto] Espelhos não mentem Espalham silentes Mil faces partidas O globo te olha Não pára na nóia Repara que mira Enquanto isso Reflete a menina A festa gira Vê se não pira! Mas a festa gira Não pira, não pira Vê se acende A luz de cima Todos dizem: Não pira, não pira Acende a luz de cima


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Farani Cinco Tres N2  

Faranzine do coletivo Farani Cinco Tres - poesia + performance. Para apresentação no CEP20000 de 29 de junho de 2011. Coordenação: Chacal. R...

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