Page 1

PB

ESCALAPB

COR

ESCALACOR

Produto: ESTADO - ESPECIAL - 1 - 17/04/09

CYANMAGENTAAMARELOPRETO

H1 -

%HermesFileInfo:H-1:20090417:

H1

SEXTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2009

ALEX SILVA/AE

O ESTADO DE S. PAULO

Ecoeficiente Com consumidores cada vez mais exigentes, o mercado busca novas práticas para preservar o Planeta, adaptando desde a construção civil até games

7 8 9 10 11 12

Reforma ecológica ganha espaço

No tabuleiro, decisões sobre o futuro

Consumidor verde muda os negócios

Universo da construção começa a planejar obras com cuidado ambiental

Jogos trazem para o universo dos jovens o conceito de sustentabilidade

Tendências de consumo consciente avançam e já criam nova atitude das empresas

PÁGs. H4 e H5

PÁG. H6

PÁG. H7


-

ESCALAPB

-

ESCALACOR

Produto: ESTADO - ESPECIAL - 2 - 17/04/09

CYANMAGENTAAMARELOPRETO

H2 -

%HermesFileInfo:H-2:20090417:

H2 ESPECIAL

SEXTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2009 O ESTADO DE S.PAULO

SUSTENTABILIDADE

Notas TECNOLOGIA

Mostra e conferência do Instituto Ethos A Conferência Internacional de 2009 do Instituto Ethos, que será realizada no Hotel Transamérica, em São Paulo, entre os dias 15 e 18 de junho, terá também a Mostra de Tecnologias Sustentáveis da entidade. A exposição, promovida em parceria com o Movimento Nossa São Paulo, o Instituto Akatu, a Rede Brasileira de Pacto Global da ONU e a São Paulo Turismo, vai mostrar ao visitante o funcionamento de tecnologias com foco em sustentabilidade, desenvolvidas por empresas,

universidades, ONGs e pesquisadores. Já a Conferência Internacional da instituição se tornou referência em Responsabilidade Social Empresarial na América Latina. O debate central em 2009 será pautado pela crise financeira, discutindo ações para o futuro. “Rumo a uma Nova Economia Global: a Transformação das Pessoas, das Empresas e da Sociedade” é o tema esse ano. A inscrição custa a partir do R$ 1.320 para associados ao Instituto Ethos. Mais informações no site (www.ethos.org.br).

ZEROLUX/ SOSMA/ DIVULGAÇÃO

PRESERVAÇÃO

REUTERS

MICK TSIKAS/REUTERS

O Parque do Ibirapuera, em São Paulo, vai sediar, entre os dias 22 e 24, das 9 às 18 horas, a 5.ª edição do Viva a Mata, promovida pela Fundação SOS Mata Atlântica. A iniciativa, em comemoração ao Dia Nacional da Mata Atlântica, 27 de maio, conta com uma programação gratuita de palestras, exposições, oficinas e peças de teatro, além dos estandes. No ano passado (foto), o evento reuniu cerca de 75 mil pessoas. Para este ano, pela primeira vez será apresentada junto com

IMPACTOS - Elevação da temperatura da Terra pode desestruturar os suprimentos de água e alimentos, extinguir milhares de espécies de corais (foto acima) e elevar o nível dos mares, provocando inundações e desabrigando parte da população de vários países

Metacontra aquecimento nãoseráatingida Especialistas apontam que é mais provável que a temperatura da Terra se eleve em até 4˚C a 5˚C David Adam THE GUARDIAN

Quase 9 em cada 10 cientistas não acreditam que os esforços políticos para limitar o aquecimento global a 2˚C vão funcionar, segundo uma sondagem divulgada esta semana. Um aumento médio de 4˚C a 5˚C até o fim do século é mais provável, dizem eles. Uma mudança dessa magnitude poderia desestruturar os suprimentos de água e alimentos, exterminar milhares de espécies de plantas e animais e desencadear elevações maciças do nível dos mares, provocando a inundação das casas de centenas de milhões de pessoas. A pesquisa com pessoas que acompanham o aquecimento global mais de perto expõe um abismo crescente entre a retórica política e as opiniões científicas sobre as mudanças climáticas. Enquanto formuladores de políticas e militantes se concentram numa meta de 2˚C, 86% dos especialistas consideraram essa meta inatingível. Eles advertiram que um foco contínuo na meta irrealista de 2˚C, que a União Europeia define como perigosa,poderiaatésolaparesforços fundamentais de adaptação aaumentosmaioresdetemperatura nas próximas décadas. A pesquisafoi feita após uma

conferência científica realizadanomêspassadoemCopenhague, na Dinamarca, onde diversos estudos foram apresentadossugerindoqueoaquecimento global poderia ser mais forte e mais rápido que o percebido. Todasas1.756pessoasinscritas para a conferência foram contatadas e perguntadas sobre o curso provável do aquecimento global. Dos 261 especialistas que responderam, 200 eram pesquisadores em ciências climáticas e campos afins. Os demais provinham da indústria ou trabalhavam em áreas comoeconomiaeciênciaspolíticas e sociais. Os 261 especialistas representavam 26 países e incluíam dezenas de figuras de destaque, incluindodiretores delaboratórios, chefes de departamentos universitáriose autores dorelatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A sondagem perguntou aos especialistas se a meta de 2˚C poderia ser alcançada, e se eles achavam que ela seria atingida: 60%dosqueresponderamargumentaram que, em teoria, aindaeratecnicamentee economicamente possível atingir a meta, que representa um aquecimento global médio de 2˚C desde a Revolução Industrial. O mundo já se aqueceu cerca de

PROTOCOLO DE KYOTO ● Acordo que resultou da 3.ª

Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas realizada em 1997 na cidade de Kyoto, no Japão. Nele, os países do chamado Anexo-1 concordaram em reduzir, até 2012, as emissões de gases-estufa em 5,2% sobre os níveis existentes em 1990 ● Entra em vigor em 2005,

quando a maior parte dos países signatários o ratificou ● Em 2007, um novo acordo

começa a ser desenhado em Bali (Indonésia), para substituir o Protocolo de Kyoto após 2012. Cerca de 190 nações aprovaram o chamado Mapa do Caminho de Bali, calendário de negociações do que seria o novo acordo global ● Em 2009, a ONU acelera as

negociações sobre o novo acordo nos meses que antecedem reunião decisiva de dezembro

0,8˚C desde então, e outro 0,5˚C aproximadamente é inevitável nas próximas décadas em razão das emissões de gases causadores do efeito estufa. Mas 39% disseram que a meta de 2˚C era impossível. Apesquisa surgeno momen-

to em que se aceleram as negociações na Organização das Nações Unidas para costurar um novo acordo global para regular as emissões de carbono nos meses que antecedem uma reunião decisiva em Copenhague, em dezembro. As autoridades tentarão tecer um acordo que suceda ao Protocolo de Kyoto, cuja primeira fase expira em 2012. É improvável que a meta de2˚Cfigureemumnovotratado,masa maioriadasreduções de carbono propostas por países ricos se baseia nela. Bob Watson, principal cientista do Departamento para Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais daGrã-Bretanha(Defra),dissenoanopassado queomundo precisava se concentrar na meta de 2˚C, mas também devia se preparar para umpossível aumento de 4˚C. Perguntados que aumento de temperatura era mais provável, 84 dos 182 especialistas (46%) que responderam à pergunta disseram que ela provavelmente atingiria 3˚C a 4˚C,enquanto um punhado disse 6˚C ou mais. Enquanto 24 especialistas previramum aumentocatastrófico de 4˚C a 5˚C, apenas 18acharamqueela permaneceria em 2˚C ou menos. Alguns pesquisados que consideraram que a meta de 2˚C seria alcançada confessaram que o fizeram mais por esperança que por crença. “Como mãe de filhos pequenos, optei por acreditar nisso e trabalhar duro para isso”, disse uma cientista. “Esse otimismo não se deve principalmente a fatos científicos, mas a esperança”, disse outro cientista. Alguns consideraram que medidas de geoengenharia, comosemear o oceano com ferro para estimular o crescimento de plânctons, ajudariam a atingir a meta. Muitos especialistas ressaltaramqueaimpossibilidade de atingir a meta de 2˚C não significa que os esforços para lidar com o aquecimento global devem ser abandonados, mas que a ênfase agora é a limitação dos danos. ●

o evento a Semana da Mata Atlântica, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. A programação prevê a presença do ministro Carlos Minc. A entidade também lança durante a feira o A Mata Atlântica é Aqui, projeto itinerante que vai passar por mais de 40 cidades brasileiras. Outra atração em 2009 é a Usina de Triagem, em que intervenções teatrais informarão aos visitantes sobre a reutilização e a reciclagem de materiais. Mais informações no site (www.sosmatatlantica.org.br).

COMUNICAÇÃO

Fórum debate Carta da Terra em SP A cidade de São Paulo recebe, no Palácio das Convenções do Anhembi, nos dias 6 e 7 de maio, a 2.ª edição do Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade. O evento vai discutir questões relacionadas à Carta da Terra, documento criado em 2000 que prevê a preservação ambiental, o fim de todos os preconceitos e a união e harmonia entre os povos. Além, claro, da sustentabilidade. Convidados ilustres já estão confirmados para debater o tema durante o fórum. Até alguns

ganhadores do Prêmio Nobel estarão presentes. É o caso de Edmund Phelps, Nobel de Economia em 2006, e de Mohan Munasinghe, Nobel da Paz em 2007. A programação ainda inclui outros nomes como o do escritor Leonardo Boff, o da pacifista Monja Coen e o de Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil. A participação é gratuita. Mas a vagas são limitadas. Inscrições podem ser feitas por meio do site www.comunicacaoesustentabilidade.com

NA CONTRAMÃO

Combustível fóssil cresce mais em 2008 O Brasil aumentou o consumo de energia de origem fóssil em 2008, de acordo com os dados preliminares do Balanço Energético Nacional (BEN 2009), anobase 2008, divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Os combustíveis não renováveis representam 54,7% da matriz energética do Brasil, enquanto a participação das fontes renováveis ficou em 45,3% – menor, portanto, que os 45,9% em 2007. O consumo de petróleo e derivados cresceu 3,7% em relação a 2007. O gás natural, também de origem fóssil – embora menos poluente – foi o combustível cujo consumo mais avançou em 2008: expansão de 16,9% em comparação com 2007. O uso de carvão mineral teve expan-

FABIO MOTTA/AE-31/5/2003

NASA

Semana inteira para a mata atlântica

são de 9,5% no período. O avanço dos fósseis foi movido principalmente pela geração de energia por meio de termoelétricas, cuja atividade cresceu 37,9%. Entre as fontes de energia renováveis, o destaque foi para o aumento do consumo de etanol, cujo consumo cresceu 17,7%. A participação da energia hidrelétrica diminuiu 1,7% em comparação com 2007.

INTERCÂMBIO

Americanos vêm estudar ambiente Entre os dias 20 de maio e 3 de julho, os câmpus de São Paulo e de Piracicaba da Universidade Metodista recebem intercambistas americanos do Green Mountain College, que vêm ao Brasil para estudar questões ambientais. Os estudantes vão intercalar pesquisas sobre biocombustíveis, reciclagem e florestas tropicais, por exemplo, com viagens a pontos turísticos brasileiros. Depois, poderão publicar os trabalhos nos Estados Unidos.

Clique agora

Leia mais reportagens sobre sustentabilidade Veja mais infográficos sobre ambiente Acesse o blog da repórter Andrea Vialli www.estadao.com.br/h/h4

EXPEDIENTE Coordenação e edição: Luciana Constantino Fechamento: Ricardo Muniz Diretor de arte: Fabio Sales Coordenação de arte: Andrea Pahim Diagramação: Claudio Gaspar Editor de fotografia: Juca Varella Tratamento de imagens: Alexandre Godinho, Carla Monfilier, Edmundo Pereira e Fernando P. Correa


-

ESCALAPB

-

ESCALACOR

Produto: ESTADO - ESPECIAL - 6 - 17/04/09

CYANMAGENTAAMARELOPRETO

H6 -

%HermesFileInfo:H-6:20090417:

H6 ESPECIAL

SEXTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2009 O ESTADO DE S.PAULO

SUSTENTABILIDADE

Diversãoafavordoambiente Cada vez mais jogos de tabuleiro e games na internet conscientizam de forma divertida sobre preservação EVELSON DE FREITAS/AE

GAMES NA REDE

Lucas Frasão

● www.greenpeaceweather.com.br

Os jogadores se tornam ciberativistas e, aliados a outros, precisam salvar o mundo das crises ambientais, em no máximo 16 rodadas. Premiado com Leão de Bronze, em Cannes. Português.

● www.gamesforchange.org

A entidade sugere opções de jogos ‘sérios’, agrupados em temas como meio ambiente, economia e direitos humanos. Em inglês. NATUREZA – Cristiano, Mateus e João se preparam para um partida de Banco Imobiliário Sustentável no condomínio onde moram, em SP

tor de software para jogos cresceu 31% de 2007 para 2008. No mundo, segundo a Entertainment Software Association, o faturamentocomjogoseletrônicos em 2007 foi de aproximadamente US$ 9,5 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões). Não existem dados sobre gamesrelacionadosàsustentabilidade, mas eles podem abocanhar um “grande nicho de mercado”, segundo Luiz Carlos Petry, doutor em Semiótica e Comunicação e professor de Jogos Digitais na PUC de SP. “Um jogo conhecido que esbarranasustentabilidadeéoSimCity, no qual se pode administrar uma cidade. Mas, no geral, há outros menores, sem apelo comercial”, diz Gonzalo Frasca, doutor em Investigação de Jogos pela Universidade IT de Copenhague e diretor criativo doPowerfulRobotGames,estúdio sediado no Uruguai. “O desafio de fazer um game nesse área é grande por causa dos fatores econômicos”, explica Ben Sawyer, cofundador da Digital Mill, consultoria em tecnologia para usos alternativos de games, baseada em Maine, nos Estados Unidos, e cofundador do projeto Serious Games (www.seriousgames.org). “Apesar disso, há cada vez mais jogos que cumprem o papel de ajudar pessoas a entender o desenvolvimento sustentável.” Prova desse crescimento é a instituição Games for Change (www.gamesforchange.org), que existe desde 2004 e, sob o slogan“gamesglobais reais,impactos globais reais”, consegue

Experimente o jogo Zelador SS ●●● Em um futuro não muito distante, qualquer construção da cidade deverá ser sustentável. E, para livrar os moradores de um antigo prédio antiecológico, o Zelador Super Sustentável corre contra o tempo, resolvendo problemas. Eis o desafio desse game, criado pela reportagem do ‘Estado’ e do estadao.com, com a ajuda de Eloise Amado, diretora de sustentabilidade da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura. Antes de jogar, leia os textos nas págs. H4 e H5, que podem ajudar na resposta de algumas questões. Depois, teste sua coordenação motora no Jogo da Reciclagem. Aproveite ainda para conhecer outros games no link ao lado.

reunir diversos exemplos de jogos “sérios” com alto nível de conteúdo educativo. A entidadeorganiza umconcursoanual, quetambémjápremiou osgarotosdo CityRain. A6ª edição,em 2009, será realizada no fim de maio em Nova York. TABULEIROS

Os jogos sustentáveis não estão só na internet e nos consoles de videogames. Estão também nos tabuleiros, como mostram algumas iniciativas no Brasil. UmexemplocomercialéaEstrela, que lançou pouco antes do Dia das Crianças, em 2008, dois jogos com a temática da sustentabilidade. Um deles é o

PEDRO BOTTINO/AE

Geradores eólicos, placas solares,termelétricas.Fábricas,escolas, casas, punhados de entulho. Tudo “chove” do céu, como no Tetris, e precisa ser encaixado de maneira a construir uma cidade sustentável, cujo gráfico lembra o SimCity. Eis o cenário de apenas um de muitos games quemisturamfantasiaerealidade para sair do simples entretenimento e ensinar sustentabilidade. Jogos com esse perfil, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, são ainda recentes e têm pouca tradição comercial. Mas, em tempos de alarde sobre as mudanças climáticas, eles não param de aparecer. Uma das melhores referências é o City Rain (www.cityrainbs.com), descrito acima, em que o jogador precisa montar uma cidade com peças que “chovem” do céu. Se priorizar indústrias e esquecer das áreas verdes, por exemplo, vai ter de se virar para alocar montanhas de entulho enviadas das nuvens. O game começou a ser desenvolvido em 2007 por estudantes brasileiros da Unesp de Bauru, que queriam se inscreveremdoisconcursosdaMicrosoft. Eles pesquisaram dados sobre sustentabilidade em sites da Organização das Nações Unidase,depois,aplicaramojogoemumaescoladeBauru,anotando sugestões das crianças. O resultado foi a medalha de prata no XNA Challenge em 2008, ano em que o concurso foi criado no Brasil, e o primeiro lugar na categoria de games do Imagine Cup, com direito a premiaçãoem Paris.Ambososconcursos, exclusivos para estudantes, tinham como tema a sustentabilidade. Os estudantes de Bauru voltaram da França com ideias e dinheiro suficiente para abrir uma empresa, a Mother Gaia Studio,queacabadeserinaugurada. O game completo começou a ser vendido no mês passado, por US$ 9,95, em inglês, no circuito internacional. No Brasil, o Bradesco comprou a proposta, mas mudou o nome para Cidade Sustentável. “Queríamos fazer algo inovador”, diz Túlio Soria, de 21 anos, um dos integrantes da equipe. “Com temas sustentáveis, os estudantes pensam de maneira mais criativa”, diz Amintas Neto, gerente-geral de programas acadêmicos da Microsoft Brasil. A empresa organiza o XNA Challenge, cujo tema, em 2009, é inspirado nas Metas do Milênio da ONU. Novos talentos e games serão revelados na final desse ano, que ocorre sexta-feira que vem, em São Paulo. O sucesso de eventos como esseétambémreflexodocrescimento da indústria brasileira de games. De acordo com um estudo realizado pela Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames),o mercado nacional movimentou cerca de R$ 87,5 milhões em 2008. Só o se-

FOTOS: REPRODUÇÃO

ESPECIAL PARA O ESTADO

www.estadao.com.br/e/h6

tradicional Banco Imobiliário, que, na versão sustentável, ganhou caixa em papel reciclado, peças de plástico feito a partir da cana-de-açúcar e nova concepçãodesignificados.Aunidade monetária foi substituída porcréditosdecarbonoeascartas de propriedade agora indicam reservas naturais brasileiras, como a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Outro jogo é o Novo Mundo, cujoobjetivoédespoluiroplaneta. Para isso, é preciso percorrer o tabuleiro respondendo a 170 questões elaboradas sobre o meio ambiente. De acordo com o diretor de marketing da Estrela, Aires

Apresentação de jogo foi num sábado às 8h

O

si Miliam, de 14 anos, e João dos Santos Pereira, de 15, mecanicamente entregaram a quantia ao sortudo do carbono. Depois, continuaram a partida como se a conhecessem há tempos. No entanto, jogavam a versão sustentável pela primeira vez, observados pela reportagem. Às vezes, não sabiam localizar as reservas naturais que aparecem no tabuleiro. No fim, Mateus opinou que a versão “podia ser melhor”, porque não muda a ma-

AULA LÚDICA – Negócio Sustentável será usado em curso da USP

neira de jogar. Para João, o competidor “acaba aprendendo mesmo sem perceber”. Reações, vale dizer, pouco entusiasmadas se comparadas às do pessoal que compareceu

ao lançamento de Negócio Sustentável, na USP, em 28 de março. Um sábado em que todos chegaram às 8 horas para ouvir as complexas explicações sobre o jogo, que utili-

● www.electrocity.co.nz

Criado como projeto educacional na Nova Zelândia, desafia a criar uma cidade sustentável em 150 rodadas. Você pode salvar o jogo e continuar depois. Em inglês.

● www.food-force.com

Do Programa Alimentar Mundial, da ONU, desafia o internauta a acabar com uma crise de fome em uma ilha de Sheylan, no Oceano Índico. Disponível em português.

● www.planetgreengame.com

LUCAS FRASÃO/AE

Regracomplicada nãotirainteresse estudante Cristiano Alves, de 15 anos, lançou primeiro os dados e avançou, logo de início, 11 casas no tabuleiro do Banco Imobiliário Sustentável. Tirou uma carta de sorte com os seguintes dizeres: “Você abriu uma ONG de proteção ambiental. Receba 50 mil créditos de carbono de cada jogador.” Ao ouvir o comunicado, Mateus Galis-

Leal Fernandes, a empresa faz pesquisas para ouvir crianças e sabertemasquepodemserinteressantes. “A sustentabilidade é um tema muito recorrente nesses encontros”, diz ele. Outro tabuleiro é o do Negócio Sustentável, desenvolvido pelaconsultoraderiquezasGlória Maria Garcia Pereira, autora de livros como As Personalidades do Dinheiro (2005) e A Energia do Dinheiro (2003). Para chegar à edição atual, o jogo já incorporou palpites de pessoas em 35 diferentes países e promete uma quebra de paradigmas. Uma ideia central é que não há perdedores, por exemplo, mas há aqueles que “ganham menos”. Isso porque o jogo funciona com objetivos individuais e coletivos. E, às vezes, é preciso se unir para resolver um problema comum. “É uma ferramenta que pode serusadaemcorporações,escolas, famílias. O jogo cria condições para o cérebro criar insights”, explica Glória. Apesar de ainda não haver previsão para ser vendido em lojas, o Negócio Sustentável tem conquistado importantes avanços. Deverá, por exemplo, integrar a grade acadêmica da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, na USP, a partir de 2010. “Será uma disciplina alternativa chamada Jogo Negócio Sustentável. Os alunos jogam e, no final, preparam artigos para discutir propostas para o século 21”, explica o professor José Roberto Kassai, responsável pela implantação do jogo. ●

za cinco recursos indispensáveis ao planeta: os naturais, os pessoais, o dinheiro, o conhecimento e a tecnologia. Claudia Orsini, de 21 anos, e André Pereira de Godoy, de 22, estudantes de Biologia na USP, aguardaram até quase o horário do almoço para começar a brincar. Gostaram, mesmo com a complexidade das rodadas e, às vezes, a falta de regras mais claras. Tiveram que sair antes do fim, mas queriam ter ficado. “Nem reparei nas minhas peças, mas se todos alcançavam os objetivos”, disse Claudia. “O jogo mostra a importância da interação com os outros participantes”, comentou André. ● Lucas Frasão SÃO PAULO

Parceria da Global Green USA com a Starbucks, propõe explorar a cidade fictícia de Evergreen, reduzindo a emissão de gás carbônico. Pontua mais quem optar por medidas mais limpas. Inglês.

● http://honoloko.eea.europa.eu/

Honoloko.html O jogador responde questões na Ilha de Honoloko. As decisões afetam habitantes e ambiente. Em português de Portugal.


PB

ESCALAPB

COR

ESCALACOR

Produto: ESTADO - ESPECIAL - 7 - 17/04/09

CYANMAGENTAAMARELOPRETO

H7 -

%HermesFileInfo:H-7:20090417:

SEXTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2009 O ESTADO DE S. PAULO

ESPECIAL H7 ESPECIAL H7

SUSTENTABILIDADE Entrevista

Cresceoconsumoverde Consumidor com consciência socioambiental pressiona mercado a adotar novas práticas

‘Empresasse esforçampara parecer sustentáveis’

VIVI ZANATTA/AE

O professor Ismael Rocha, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), há anos estuda a relação entre consumo e sustentabilidade. Ele explica por que o consumidor de maior poder aquisitivo se tornou o grande disseminador do conceito do consumo sustentável. Qual é a relação entre o consumo de alta renda e sustentabilidade? O que o consumidor de alta renda ou de luxo busca é a sensação de exclusividade. Ou seja, de que ele está sendo tratado de uma forma única, de que as coisas que ele está comprando são ‘para poucos’. Com a Revolução Industrial, a produção em massa fez com que o produto artesanal perdesse espaço. Agora, esse apelo artesanal volta a ganhar força. Assim, produzir uma peça de algodão cru orgânico tem um quê de exclusivo, que agrada esse consumidor. Esse é o ponto de contato entre o luxo e o produto feito sob critérios de sustentabilidade.

APOSTA – O empresário Jorge Yammine criou uma marca de roupas 100% orgânicas apoiando a capacitação de 300 famílias de produtores de algodão

Andrea Vialli

O avanço do chamado consumidor “verde” – atento às questõessocioambientais e disposto a mudar seus hábitos de consumo – é motivo de preocupação para empresas no mundo todo. Sua importância está crescendo a um ritmo inesperado, como mostra o estudo Riscos Estratégicos aos Negócios 2009: Os Dez Maiores Riscos às Empresas, realizado pela consultoriaErnst & Young,que avaliaas dez maiores ameaças para os negócios na atualidade. Neste ano, o “radical greening” – a adoção extrema de hábitosverdespor partedoconsumidor – aparece na 4ª posição entre os maiores riscos às empresas. A militância dos consumidores só perde para a crise de crédito, o endurecimento das leis e o agravamento da recessão. Na pesquisa de 2008, o riscodo“radicalgreening”estava em 9º lugar. “O peso desse fatorcresceu,mesmoemumcenário de crise econômica quando,em tese, as empresas teriam outras prioridades” avalia Joel Bastos, diretor da Ernst & Young. O resultado não é fruto do acaso. A crise colocou sombras sobre o estilo de vida consumis-

lugar é a posição do consumidor ‘verde’ na lista das maiores preocupações das grandes empresas, segundo estudo internacional

60%

desse público é feminino

20%

é quanto os consumidores aceitam pagar a mais por produtos e serviços sustentáveis

ta dos países desenvolvidos e já estálevandoamudançasnomodo como as pessoas gastam seu dinheiro. “Talvez se a economia estivesse indo bem, as questões socioambientais não fossem tão levadas em consideração. O mote é: já que vamos ter de consumir menos, então vamos consumir melhor.” PERFIL

Atenta a essas mudanças de postura, a empresa de pesquisas de mercado The Marketing Insider traçou o perfil do público verde nos EUA e o chamou

de Lohas (Estilos de Vida de Saúdee Sustentabilidade,na sigla em inglês). Os resultados apontam que o público Lohas é 60% feminino, de alta escolaridade e não é preocupado com preço – baliza suas opções de consumo com base em critérios de sustentabilidade e aceita pagar até 20% a mais por isso. Quando vão às compras, os Lohasadquiremprodutosdealimentação e de beleza orgânicos. Dão preferência a produtosde limpeza biodegradáveis e usam lâmpadas de baixo consumo de energia. Ao viajar, optam por roteiros de ecoturismo e buscam companhias aéreas que neutralizem as emissões de CO2. Mais: estão atentos à toda tentativadegreenwash (discurso ambiental sem ações concretas) por parte da indústria. Trata-se de um segmento em expansão: a empresa de pesquisas estimaqueaolongo dos próximos dez anos, 38% dos consumidores americanos devem migrar para esse perfil. O Brasil não segue alheio ao movimento. “A sustentabilidade é uma das tendências mais fortes no varejo na atualidade”, diz Iara Jatene, sócia da A6, escritório de design e arquitetura que faz projetos para o varejo. Segundoela,abuscapeloconsu-

midor verde tem feito as lojas repensarem da arquitetura à disposição das mercadorias. “O consumidor verde existe, está se educando e possui grande força, que começa a ser percebida pelas empresas”, afirma Ismael Rocha, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Segundo ele,muitascompanhiasjácomeçam a inovar seus modelos de negócios com o objetivo de fisgar esse consumidor endinheirado e bem-informado. ‘SLOW FASHION’

Na indústria da moda, já existem grifes atentas à tendência que busca melhorar os aspectos sociais e ambientais da cadeiaprodutivae valorizar aprodução artesanal – e que já foi batizada de slow fashion - um contraponto ao fast fashion, onde toda a cadeia de produção de roupas é terceirizada e não há controle dos processos. Um exemplo é a Osklen, que temdesenvolvidomatérias-primas menos agressivas ao ambiente e que gerem oportunidades de renda para comunidades e pequenos produtores. “Atualmente utilizamos mais de 20 diferentes categoriasdemateriaisdeorigemreciclada, orgânica, natural e arte-

sanal,edesenvolvidasporcomunidades e cooperativas”, explica Oskar Metsavaht, criador da Osklen. Nessa coleção, a grife produziu acessórios com juta de Castanhal, no Pará – forma de gerar renda no local e evitar o êxodo dos povos ribeirinhos. Em São Paulo, a marca Éden Organic Style, instalada na Vila Madalena, também apostou no desenvolvimento dos próprios fornecedores de algodão orgânico para dar sustentação à coleçãoderoupas,que étodacertificadacomoselo do Instituto Biodinâmico (IBD). “Foi um trabalho que durou quatro anos. Começamos com 15 famílias de agricultores, que se dispuseram a produzir de forma orgânica. Hoje são 300”, diz Jorge Yammine, idealizador da marca e cuja família está há 40 anos no ramo têxtil. Outra frente de batalha é o uso de produtos químicos alternativos – o açúcar, por exemplo, entra como substituto do cloro na lavagem do índigo. “Não precisamos ter uma moda predatória para as pessoas e o meio ambiente. Precisamos de uma moda justa”, comenta Yammine. ●

E a partir de que momento o consumidor de luxo se sente atraído pelo produto sustentável? Dentro desse universo do produto “para poucos”, a indústria agregou tecnologia e deu um tratamento mais fashion, mais sofisticado. E isso está criando demanda no topo da pirâmide – onde estão os consumidores mais bem-informados, mais atentos a tendências. Esse é o pano de fundo para essa onda de consumo sustentável. Então o consumo sustentável deve ficar restrito a nichos de consumo das classes A/B? O consumidor mais rico tende a assimilar melhor o conceito de sustentabilidade do que o de nível mediano. Eles decodificam melhor esse universo e também identificam a aura de exclusividade. Quem cria novas culturas de consumo são os formadores de opinião, e com a sustentabilidade não é diferente. Claro que existe um pouco de modismo também. As empresas estão atentas a isso? Hoje existe um esforço enorme das empresas em parecerem sustentáveis. Você tem uma grife de jeanswear que lança uma linha feita a partir de algodão orgânico e já se posiciona como “verde”. Ou seja, ela lançou 1% de produtos sustentáveis, enquanto os outros 99% não o são. Por outro lado, há uma tendência de grifes de roupas que se dedicam de fato a produzir com menor impacto social e ambiental, e estão criando sob esse novo paradigma. E essa é uma atitude corajosa, pois o crescimento dessas empresas fica muito restrito. ● A.V.

SERGIO CASTRO/AE

NA CONTRAMÃO - A chef Anayde Lima é adepta do movimento slow food e dá preferência a alimentos orgânicos, regionais e da estação

Uma volta às origens na cozinha Movimento slow food mostra que comida pode ser saborosa e sustentável

A

tendência do slow food na gastronomia aos poucos começa a ficar conhecida no Brasil. O movimento, que surgiu

na Itália ainda na década de 1980 com o objetivo de fazer oposição ao fast food e à comida industrializada, além de resgatar o prazer de comer

bem e sem pressa, também começa a seduzir por seu apelo sustentável. Entre os preceitos do movimento, hoje já presente em

150 países, estão o resgate dos alimentos frescos, de preferência orgânicos, livres de pesticidas e hormônios. Ele preconiza também o respeito

à sazonalidade do alimento: consumir morango em época de morango, por exemplo. E a valorização da culinária e dos ingredientes regionais. Na prática, cozinhar com o que se tem localmente, não apenas com ingredientes que viajam quilômetros para chegar à mesa e assim geram emissões de CO2 na atmosfera. Uma espécie de “desglobalização” da gastronomia. “O slow food é uma volta às origens, quando comíamos os alimentos na época certa, o frescor era valorizado e não havia um universo de produtos químicos para dar sabor à comida”, afirma a chef Anayde Lima, que comanda o Julia Gastronomia, restaurante que abraçou a causa slow food e é um dos seguidores do movimento na capital paulista. A jornada rumo a uma alimentação mais sustentável começou em casa. Anayde sempre procurou cozinhar buscando ingredientes cultivados sob os princípios da agricultura biodinâmica. No ramo da gastronomia há 15 anos, sentia-se impotente por não conseguir aplicar esses princípios aos negócios culinários. “Com a chegada do movimento slow food ao Brasil, ficou

mais fácil. A oferta de orgânicos também cresceu muito”, diz. Quando abriu o Julia Gastronomia, há um ano, Anayde tentou cozinhar só com orgânicos, mas não encontrou muitos fornecedores. Hoje , são os produtores que batem à porta do restaurante para oferecer os ingredientes. “Muitos vêm diretamente da roça e trazem mel, pupunha, brotos. Eles sabem que temos essa filosofia por meio do boca a boca”, diz. Assim, a chef coloca em prática outro princípio do slow food: valorizar o trabalho dos pequenos produtores e da agricultura familiar. E dar de ombros à grande indústria alimentícia, que soma produtos químicos e subtrai a vitalidade dos alimentos. “Estamos totalmente na contramão.” A filosofia caiu no gosto dos clientes. “Muitas pessoas buscavam alimentos industrializados por comodismo e agora estão percebendo as vantagens de comer de uma forma mais integrada com a natureza.” ● Andrea Vialli SÃO PAULO

Sustentabilidade 3  

Caderno especial Vida& Sustentabilidade publicado no jornal O Estado de S. Paulo no dia 17/04/2009.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you