Page 97

– Não, você vai me chamar simplesmente de Marilla. Não estou acostumada a ser chamada de srta. Cuthbert, e isso me deixaria nervosa. – Parece um desrespeito horrível dizer simplesmente Marilla – protestou Anne. – Acho que não haverá nenhum desrespeito nisso se você tomar o cuidado de dizê-lo com respeito. Em Avonlea, todo mundo, não importa a idade, me chama de Marilla, a não ser o pastor. Ele diz srta. Cuthbert... quando se lembra. – Eu adoraria chamá-la de tia Marilla – desejou Anne. – Nunca tive uma tia, nem parentes... nem mesmo uma avó. Isso me faria sentir como se eu realmente fosse sua. Não posso mesmo chamá-la de tia Marilla? – Não. Eu não sou sua tia e não acredito nessa história de chamar as pessoas por nomes que elas não têm. – Mas poderíamos imaginar que você é minha tia. – Eu não conseguiria – disse Marilla, franzindo o cenho. – A senhorita nunca imagina que as coisas são diferentes do que são? – perguntou Anne, de olhos arregalados. – Não. – Oh! – Anne inspirou profundamente. – Oh, senhorita... Marilla, não sabe o que está perdendo! – Não acredito nessa história de imaginar as coisas diferentes do que são na verdade – respondeu Marilla. – Quando o Senhor nos coloca em certas situações, Ele não quer que imaginemos que elas não existem. O que me faz lembrar... Vá à sala de estar, Anne... Tome o cuidado de limpar os pés, e não deixe entrar nenhuma mosca... Traga-me o cartão ilustrado que está sobre o consolo da lareira. Ali você encontrará o Pai-Nosso e dedicará todo o seu tempo livre desta tarde a decorá-lo. Não quero mais ouvir preces como aquela de ontem à noite. – Imagino que fui um desastre – disse Anne, em tom de 97

Profile for lucasportop2

Anne de Green Gables  

Anne de Green Gables  

Advertisement