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Marilla. – Pronto, agora sim. Reze e vá dormir. – Eu nunca rezei – anunciou Anne. Marilla ficou pasma e horrorizada. - Ora, Anne, como assim? Nunca lhe ensinaram a rezar? É a vontade de Deus que as garotinhas rezem. Você não sabe quem é Deus, Anne? – Deus é um espírito infinito, eterno e imutável em Sua existência, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade – respondeu a menina, com presteza e desembaraço. Marilla ficou bastante aliviada. – Então, alguma coisa você sabe, graças a Deus! Você não é de todo pagã. Onde aprendeu isso? – Ah, na escola dominical do orfanato. Fizeram-nos aprender o catecismo inteiro. Eu gostava bastante. Algumas palavras têm um quê de magnífico: “infinito, eterno e imutável”. Não é grandioso? Existe aí uma cadência... como a música de um órgão. Imagino que não poderíamos exatamente chamar isso de poesia, mas lembra bastante, não é? – Não estamos falando de poesia, Anne. Estamos falando da necessidade de rezar. Você não sabia que é uma coisa perversa e terrível não rezar todas as noites? Receio que você seja uma garotinha muito má. – Se fosse ruiva, a senhorita veria que é muito mais fácil ser má do que boa – censurou Anne. – Quem não é ruivo não sabe como é complicado. A sra. Thomas disse-me que Deus me fez ruiva de propósito e, desde então, nunca me importei com Ele. E, de qualquer maneira, à noite eu estava sempre cansada demais para rezar. Não se pode esperar que uma pessoa obrigada a cuidar de gêmeos faça suas preces. Sinceramente, a senhorita acha possível? Marilla decidiu que era preciso dar início à educação religiosa de Anne naquele instante. Não havia tempo a perder. – Enquanto estiver sob meu teto, você terá de rezar, Anne. 88

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Anne de Green Gables  

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