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com ela, nós a levaremos ou a mandaremos para a senhora amanhã à noite. Se não fizermos isso, a senhora saberá que ela ficará conosco. Está bem assim, sra. Blewett? – Imagino que não tenho escolha – disse a sra. Blewett, com indelicadeza. Enquanto Marilla falava, o sol parecia ir renascendo no rosto de Anne. Primeiro, o olhar de desespero foi se apagando; depois, veio um rápido rubor de esperança; os olhos tornaram-se vívidos e brilhantes como as estrelas da alvorada. A criança transfigurou-se completamente e, um instante depois, quando a sra. Spencer e a sra. Blewett saíram em busca de uma receita que esta viera pedir emprestada, ela ficou de pé num salto e, correndo, atravessou a sala até onde estava Marilla. – Oh, srta. Cuthbert, a senhorita disse mesmo que talvez me deixasse ficar em Green Gables? – ela perguntou, num sussurro ofegante, como se pudesse destruir aquela possibilidade magnífica se falasse em voz alta. – Disse realmente? Ou foi só minha imaginação? – Creio que é melhor você aprender a controlar essa sua imaginação, Anne, se já não consegue distinguir o que é real do que não é – disse Marilla, irritada. – Sim, você me ouviu dizer isso mesmo, e nada mais. Nenhuma decisão foi tomada e talvez resolvamos deixar a sra. Blewett ficar com você. Não há dúvida de que ela precisa de você mais do que eu. – Prefiro voltar para o orfanato a morar com ela – disse Anne, com ardor. – Ela parece uma... uma broca. Marilla abafou um sorriso sob a convicção de que Anne precisava ser repreendida por falar daquela maneira. – Uma garotinha como você deveria se envergonhar de falar desse jeito de uma senhora que mal conhece – ela disse, com severidade. – Vá se sentar quietinha, fique de bico calado e comporte-se como uma boa menina. 81

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Anne de Green Gables  

Anne de Green Gables  

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