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na cozinha. – Quem era aquela pessoa que subiu a ladeira com você, Anne? – Gilbert Blythe – respondeu Anne, encabulada porque percebeu que estava ficando toda vermelha. – Cruzei com ele na colina dos Barry. – Eu não pensava que você e Gilbert Blythe fossem tão bons amigos para você ficar parada no portão durante meia hora conversando com ele – disse Marilla, com um sorrisinho. – Nós não éramos... nós éramos bons inimigos. Mas decidimos que seria muito mais sensato se fossemos bons amigos no futuro. Ficamos meia hora ali mesmo? Eu tive a impressão de que foram apenas alguns minutos. Mas, sabe, Marilla, nós temos cinco anos de conversa atrasada para pôr em dia. Naquela noite, Anne ficou muito tempo sentada na janela na companhia de um contentamento feliz. O vento ronronava suavemente nos galhos da cerejeira, e as respirações das hortelãs chegavam até ela. As estrelas cintilavam por cima dos espruces pontudos, e a luz na casa de Diana brilhava através da velha abertura. Os horizontes de Anne haviam encolhido desde aquela noite que sentou ali depois que voltou para casa do Queen’s Academy; mas, se o caminho que havia sido colocado diante dos seus pés teria que ser estreito, ela sabia que as flores de uma felicidade tranquila brotariam ao seu redor. A alegria das boas amizades, de um trabalho sincero e de uma aspiração de valor lhe pertenceriam; e nada poderia tirar dela aquilo que era seu por direito de nascença: a imaginação ou seu mundo ideal de sonhos. E sempre haveria aquela curva na estrada! – “Deus está no Céu, tudo está em paz no mundo”29 – murmurou baixinho.

29 Trecho de “Pippa passes” [Pippa passa], poema dramático de Robert Browning. (N. T.)

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Anne de Green Gables  

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