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Mais além, estava o mar enevoado e roxo, com seu murmúrio incessante e irreal. O oeste era uma glória de cores que se misturavam suavemente, e o lago refletia todas aquelas cores em matizes ainda mais suaves. Anne sentiu um arrepio no coração com a beleza de tudo aquilo e abriu as portas da sua alma com gratidão. – Querido velho mundo – murmurou –, você é maravilhoso e eu estou contente de estar viva em você. Um rapaz alto apareceu assobiando de um portão que ficava na metade da colina, antes da fazenda dos Blythe. Era Gilbert, e o assobio morreu nos seus lábios quando reconheceu Anne. Ele tirou o boné cortesmente, e teria continuado seu caminho em silêncio se Anne não tivesse parado e estendido a mão. – Gilbert – disse, com as faces ruborizadas –, eu queria agradecê-lo por ter desistido da escola por minha causa. Foi muita bondade sua... e eu quero que saiba o quanto apreciei seu gesto. Gilbert segurou a mão que estava sendo oferecida para ele com avidez. – Não foi bondade nenhuma da minha parte, Anne. Eu fiquei contente por poder prestar esse pequeno serviço a você. Vamos ser amigos depois disso? Você realmente me perdoou pelo meu velho erro? Anne riu e tentou puxar a mão, em vão. – Eu perdoei você naquele dia, no atracadouro do lago, embora não o soubesse até então. Que mula teimosa eu era... tenho sido... ora, vou confessar tudo de uma vez... eu só tenho me lamentado desde aquele episódio. – Vamos ser os melhores amigos, Anne – respondeu Gilbert, jubilante. – Nós nascemos para ser bons amigos um do outro. Você já lutou contra o destino o suficiente. Eu sei que podemos ajudar um ao outro de várias maneiras. Você vai continuar os estudos, não vai? Eu também. Vamos, eu a acompanho até sua casa. Marilla olhou para Anne com curiosidade quando ela entrou 470

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Anne de Green Gables  

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