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mas, eu sei que não posso, então nem vou tentar. Você será recompensada por isso, Anne. Quando o boato de que Anne Shirley desistira de ir para Redmond correu em Avonlea, e que pretendia ficar em casa e ensinar ali, houve muita discussão a respeito. A maioria da boa gente, que ignorava o problema dos olhos de Marilla, achou que ela estava sendo boba. A sra. Allan não achava. E o disse para Anne com palavras tão aprovadoras que os olhos da menina se encheram de lágrimas. E nem a boa sra. Lynde achava. Uma tarde, ela passou em Green Gables e encontrou Anne e Marilla sentadas na porta da entrada no entardecer quente e perfumado. Elas gostavam de sentar ali quando o pôr do sol começava a cair, as mariposas esvoaçavam pelo jardim e o cheiro de hortelã enchia o ar orvalhado. A sra. Rachel depositou sua pessoa vultosa em cima do banco de pedra ao lado da porta, atrás do qual crescia uma fileira de azevinhos compridos, rosas e amarelos, e expirou longamente numa mistura de cansaço e alívio. – Puxa, como estou contente de poder sentar. Fiquei em pé o dia inteiro e noventa quilos são um pouco demais para dois pés ficarem carregando por aí. Ser magra é uma grande bênção, Marilla. Eu espero que valorize isso. Bem, Anne, eu soube que desistiu da ideia de ir para Redmond. Fiquei muito contente quando me contaram. Você já tem educação suficiente para qualquer mulher se sentir confortável com ela. Eu não acredito que as meninas tenham de ir à faculdade com os rapazes, e encher suas cabeças de latim e grego e todas aquelas bobagens. – Mas eu vou continuar estudando latim e grego, sra. Lynde – respondeu Anne, rindo. – Vou seguir meu curso de Letras bem aqui, em Green Gables, e estudar tudo o que eu estudaria na faculdade. A sra. Lynde ergueu as mãos para o céu num horror sacrossanto. – Anne Shirley, você vai acabar se matando. 467

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Anne de Green Gables  

Anne de Green Gables  

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