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cabelo. Ela gostava daquela fragrância leve e deliciosa flutuando por cima dela cada vez que se mexia, como se fosse uma bênção aérea. – Doutor Spencer esteve aqui, enquanto você não estava – informou Marilla. – Ele disse que o especialista estará na cidade amanhã e insistiu que eu vá lá para que ele examine meus olhos. Eu acho que é melhor ir e acabar logo com isso. Ficarei muito agradecida se o homem receitar as lentes certas para meus olhos. Você não vai se importar de ficar sozinha aqui enquanto eu estiver fora, vai? Martin vai ter de me levar de carro, e tem roupa para passar e bolo para assar. – Eu vou ficar bem. Diana virá me fazer companhia. Eu vou cuidar muito bem das roupas e dos doces; e não precisa ficar com medo, eu não vou engomar os lenços nem colocar linimento no bolo. Marilla riu. – Naqueles dias você era uma garota danada para cometer erros, Anne. Você estava sempre se metendo em trapalhadas. Eu achava que você estava possuída. Lembra quando pintou o cabelo? – E como. Nunca vou esquecer – disse Anne, sorrindo e tocando a trança pesada que rodeava sua bela cabeça. – Quando penso como meu cabelo me preocupava, eu começo a rir –, mas não rio muito porque, naquela época, era um problema muito real. Como eu sofri por causa do meu cabelo e das minhas sardas. As sardas sumiram por completo; e as pessoas são muito gentis e, agora, dizem que meu cabelo está castanho-avermelhado; todas as pessoas, menos Josie Pye. Ontem ela me garantiu que ele estava vermelho como nunca ou que, pelo menos, meu vestido preto o fazia parecer mais ruivo, e me perguntou se as pessoas que tinham cabelo ruivo conseguiam se habituar a ele. Marilla, eu estou quase decidida a desistir de gostar de Josie Pye. Eu fiz de tudo para gostar dela – o que há um tempo eu chamava de um esforço heróico –, mas Josie Pye não se deixa gostar. – Josie é uma Pye – respondeu Marilla secamente –, portanto 458

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Anne de Green Gables  

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