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a velha casa estava silenciosa e tranquila. Matthew Cuthbert estava deitado dentro do caixão na sala de visitas, com o longo cabelo grisalho emoldurando o rosto plácido, no qual se via um pequeno sorriso bondoso, como se estivesse dormindo e sonhando sonhos agradáveis. Havia flores ao seu redor – flores à moda antiga, lindas, que sua mãe havia plantado no jardim da fazenda nos seus dias de recém-casada, e pelas quais Matthew sempre sentiu um amor oculto e silencioso. Anne colheu as flores e as levou para ele, os olhos angustiados e sem lágrimas ardendo no rosto pálido. Era a última coisa que podia fazer por ele. Os Barry e a sra. Lynde passaram a noite com eles. Diana foi até a frontão leste, onde Anne estava parada em pé na janela, e disse suavemente: – Anne, minha querida, quer que eu fique com você hoje à noite? – Muito obrigada, Diana. – Muito séria, Anne olhou para o rosto da amiga. – Acho que você não vai entender quando eu disser que prefiro ficar sozinha. Não estou com medo. Eu ainda não fiquei sozinha um minuto desde que aconteceu, e eu preciso ficar. Quero ficar em silêncio e quieta, para tentar entender o que aconteceu. Eu não consigo acreditar no que aconteceu. Metade do tempo, tenho a impressão de que Matthew não morreu; na outra metade, parece que ele morreu há muito tempo e, desde então, sinto essa dor abafada. Diana não entendeu muito bem. Ela entendia melhor a dor veemente de Marilla, que com uma explosão tempestuosa rompeu todos os limites de uma reserva natural e de um hábito de toda uma vida, do que o sofrimento sem lágrimas de Anne. Mas ela foi embora gentilmente, deixando Anne sozinha na sua primeira vigília dolorosa. Anne esperava que as lágrimas viessem com a solidão. Para ela, o fato de não poder derramar uma única lágrima por Matthew era algo horrível. Matthew, a quem ela amou tanto e que foi tão 453 453

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Anne de Green Gables  

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