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viver sem ele quando me mudar para a cidade no mês que vem. – Não fale em ir embora hoje à noite – implorou Diana. – Não quero pensar nisso, porque me deixa muito infeliz, e hoje à noite eu quero me divertir. O que vai declamar, Anne? Está nervosa? – Nem um pouco. Já recitei tantas vezes em público que agora não me importo mais. Decidi declamar “O juramento da donzela”. É tão comovente. Laura Spencer vai declamar um trecho cômico, mas eu prefiro fazer as pessoas chorarem a rirem. – E o que vai declamar se pedirem bis? – Eles não vão nem sonhar em pedir bis – zombou Anne, que tinha suas esperanças secretas que o fariam, e já se vira contando para Matthew tudo a respeito na mesa do desjejum da manhã seguinte. – Billy e Jane estão chegando... estou ouvindo o barulho do carro. Vamos. Billy Andrews insistiu para Anne sentar na frente, ao seu lado, e ela subiu no carro de má vontade. Ela teria preferido muito mais sentar atrás com as meninas para poder rir e falar à vontade. Não havia muito riso nem tagarelice em Billy. Ele era um rapaz de vinte anos, pachorrento, grande e gordo, com um rosto redondo inexpressivo e uma ausência dolorosa de um dom para o diálogo. Mas ele admirava muitíssimo Anne e inflou-se de orgulho com a perspectiva de dirigir até White Sands com aquela pessoa magra e ereta ao seu lado. Apesar de tudo, de tanto conversar com as meninas por cima do ombro e de vez em quando trocar um naco de civilidade com Billy – que sorria e dava risadinhas, e nunca conseguia dar uma resposta até ser tarde demais –, Anne conseguiu aproveitar a viagem. Era uma noite de divertimento. A estrada estava repleta de carros esportivos, todos indo em direção ao hotel, e os risos límpidos e prateados ecoavam e reecoavam ao longo dela. Quando chegaram no hotel, o prédio era uma chama de luz de cima até embaixo. Elas foram recebidas pelas 413

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Anne de Green Gables  

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