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declamadora. Ela não está linda? Marilla emitiu um som entre uma fungada e um grunhido. – Ela parece arrumada e respeitável. Gostei de como arrumou o cabelo. Mas eu acho que ela vai estragar esse vestido lá no meio daquela mistura de orvalho e poeira, e ele parece ser fino demais para essas noites úmidas. De qualquer forma, o organdi é o material menos prático que há no mundo, e foi o que eu disse para Matthew quando ele comprou o tecido. Ora, dizer alguma coisa para Matthew hoje em dia não adianta nada. Já se foi o tempo em que ele seguia meus conselhos, agora ele compra coisas para Anne sem me perguntar nada, e o pessoal que o atende em Carmody sabe que pode impingir qualquer coisa a ele. É só dizer que é bonito e que está na moda que Matthew abre a carteira e tira o dinheiro para pagar. Tenha cuidado, Anne, mantenha a saia longe da roda do carro e coloque seu casaco de lã. Depois, Marilla desceu silenciosamente pela escada, pensando orgulhosa como Anne estava bonita, com aquele raio de luar da testa até o cimo da cabeça22 ... e lamentando não poder ir ao concerto para ouvir sua menina declamar. – Será que não está muito úmido para este vestido? – perguntou Anne ansiosa. – Nem um pouco – respondeu Diana, abrindo a veneziana. – A noite está perfeita, e não cairá nenhum orvalho. Veja o luar. – Estou tão contente porque minha janela dá para o leste, em direção ao nascer do sol – disse Anne, aproximando-se de Diana. – É tão esplêndido ver a manhã surgindo por cima daquelas colinas compridas e brilhando através dos topos dos espruces pontudos. Tudo é sempre novo a cada manhã, e eu me sinto como se tivesse lavado minha alma naquele banho de primeiro sol da manhã. Oh, Diana, eu amo tanto este quartinho. Eu não sei como conseguirei 22 Trecho de “Fourth book” [Quarto livro], da poeta inglesa Elizabeth Barrett Browning (18061861). (N. T.)

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Anne de Green Gables  

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