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na varanda até o carro esporte desaparecer na estrada. Depois, deu um suspiro e voltou para o interior da mansão. Sem aquelas vidas jovens e frescas a casa parecia solitária. Para dizer a verdade, a srta. Barry era uma velha senhora muito egoísta que nunca se importava muito com ninguém além dela mesma. Ela dava valor às pessoas apenas quando lhe eram de alguma utilidade ou quando as divertiam. Anne a divertira e, por conseguinte, estava lá no topo das boas graças da velha senhora. No entanto, a srta. Barry percebeu que pensava menos no seu jeito esquisito de falar e mais no frescor dos seus entusiasmos, nas suas emoções transparentes, no seu jeitinho de conquistar as pessoas e na beleza da sua boca e dos seus olhos. – Quando soube que Marilla Cuthbert havia adotado uma menina de um asilo para órfãos achei que ela não passava de uma velha tola – disse para si mesma –, mas parece que no final das contas ela não cometeu nenhum erro. Se eu tivesse uma criança como Anne em casa o tempo todo eu seria uma mulher melhor e mais feliz. Anne e Diana acharam a viagem de volta tão agradável quanto a ida – até mais agradável, porque estavam alegremente conscientes da casa que as esperava na outra ponta. Entardecia, e as colinas escuras de Avonlea contrastavam contra o céu cor de açafrão. Atrás delas, a lua surgia no mar, que se transfigurava e se tornava radiante sob sua luminosidade. Cada pequena enseada ao longo da estrada sinuosa era uma maravilha de ondulações que dançavam. Lá em baixo, as ondas quebravam nas pedras com um bramido suave, e o cheiro salgado do mar permeava o ar penetrante e fresco. – Oh, mas como é bom estar viva e voltar para casa – suspirou Anne. E quando atravessou a ponte de troncos que passava por cima do riacho, a luz da cozinha de Green Gables piscou para ela num sinal de boas-vindas amigável, enquanto pela porta aberta o fogo aceso da lareira mandava seu brilho vermelho caloroso para todos 363

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Anne de Green Gables  

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