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Poderia ser chamado de verde, se a cor fosse deste planeta: um verde estranho, meio bronzeado, sem brilho, com algumas mechas do ruivo original aqui e ali para acentuar o efeito pavoroso. Marilla nunca havia visto algo tão grotesco em toda sua vida como o cabelo de Anne naquele instante. – É, está verde – gemeu Anne. – Eu achava que nada podia ser pior do que cabelo ruivo. Mas agora sei que cabelo verde é dez vezes pior. Oh, Marilla, você não pode imaginar como estou infeliz. – Eu não posso imaginar é como você se meteu nessa enrascada, mas pretendo descobrir – respondeu Marilla. – Desça imediatamente para a cozinha, aqui está muito frio, e me conte exatamente o que aconteceu. Já faz algum tempo que eu desconfiava de que algo esquisito ia acontecer. Você não se mete em nenhuma confusão há mais de dois meses, e eu tinha certeza de que era tempo de acontecer uma. Bom, então, o que fez com seu cabelo? – Pintei. – Pintou! Você pintou o cabelo! Anne Shirley, você não sabia que estava fazendo uma coisa terrivelmente errada? – Sabia... sabia que era um pouco errado – admitiu Anne. – Mas eu pensei que valia a pena errar terrivelmente um pouco e me livrar do cabelo ruivo. Eu sabia que pagaria por isso, Marilla. Eu prometo que serei boa em dobro no resto para compensar isso. – Ora – respondeu Marilla, muito sarcástica –, se eu tivesse decidido que valia a pena pintar meu cabelo pelo menos o teria pintado de uma cor decente. Eu não o teria pintado de verde. – Mas eu não quis pintá-lo de verde, Marilla – protestou Anne desanimada. – Se errei, é porque tinha a intenção de errar por algum motivo. Ele disse que meu cabelo ia ficar lindo, de um preto brilhante maravilhoso!... Ele realmente garantiu que ficaria. Como eu podia duvidar da sua palavra, Marilla? Eu sei como uma pessoa se sente quando duvidam da sua palavra. E a sra. Allan disse que nós nunca devemos desconfiar que uma pessoa não está dizendo 333

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Anne de Green Gables  

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