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negligenciado seus deveres. Aborrecida, Marilla lavou e guardou a louça. Depois, como queria acender uma vela para iluminar o caminho até a despensa, subiu até o frontão leste para buscar a que geralmente ficava em cima da mesa de Anne. Depois que a acendeu, Marilla voltou-se e se deparou com a própria Anne deitada em cima da cama, com a cabeça enfiada debaixo dos travesseiros. – Misericórdia! – exclamou Marilla espantada. – Você estava dormindo, Anne? – Não – veio a resposta abafada. – Está doente? – perguntou Marilla ansiosa, aproximando-se da cama. Anne enfiou-se ainda mais debaixo dos travesseiros, como se quisesse se esconder para sempre dos olhos dos mortais. – Não. Por favor, Marilla, vá embora, não olhe para mim. Eu estou nas profundezas do desespero, e não me importo se alguém passar na minha frente na classe, ou escrever a melhor composição, ou cantar no coro da escola dominical. Essas coisinhas não têm mais a menor importância agora, porque eu acho que nunca mais vou poder ir a lugar nenhum. Minha carreira chegou ao fim. Por favor, Marilla, vá embora, e não olhe para mim. – Onde já se ouviu uma coisa dessas? – quis saber uma Marilla que não estava entendendo nada. – Anne Shirley, o que está acontecendo com você? O que você fez? Saia dessa cama já e me conte! Eu disse já! - Pronto, e então, o que foi? Anne escorregou da cama para o chão num silêncio desesperador. – Olhe para meu cabelo, Marilla – murmurou. Marilla atendeu ao seu pedido, levantou a vela para o alto e olhou para o cabelo de Anne, que caía solto e grosso pelas suas costas. Ele certamente estava esquisito. – Anne Shirley, o que fez com seu cabelo? Ora, ele está verde! 332

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Anne de Green Gables  

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