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que, ao contrário dos caracóis, caminhavam com passos ligeiros e com determinação a caminho da escola; e era excelente estar de volta e sentar ao lado de Diana na pequena carteira marrom, com Ruby Gillis balançando a cabeça na primeira fila, Carrie Sloane mandando bilhetinhos e Julia Bell passando um “chicle” de goma lá de trás. Anne inspirou profundamente de felicidade enquanto apontava o lápis e arrumava seus cartões de imagens em cima da carteira. A vida era muito interessante, sem dúvida. Ela encontrou na nova professora mais uma amiga verdadeira e prestativa. A srta. Stacy era uma moça inteligente e compreensiva, que tinha o dom alegre de angariar e manter as afeições dos seus alunos, extraindo deles o que tinham de melhor, tanto moral como mentalmente. Anne desabrochou como uma flor sob essa influência saudável e levou para casa, para um Matthew admirado e uma Marilla crítica, relatos brilhantes dos trabalhos e objetivos escolares. – Amo a srta. Stacy de todo coração, Marilla. Ela é tão elegante, e sua voz é tão doce. Quando ela diz meu nome, eu sinto instintivamente que ela o pronuncia com um e. Hoje à tarde recitamos. Você deveria estar lá para me ouvir declamar “Mary, rainha dos escoceses12”. Eu coloquei toda minha alma no texto. Quando voltamos para casa, Ruby Gillis disse que a frase “Agora para os braços do meu pai, meu coração de mulher se despede” gelou o sangue nas suas veias, foi o que ela disse. – Bem, ora, um desses dias você poderá recitar o texto para mim lá no celeiro – sugeriu Matthew. – Claro que vou – respondeu Anne pensativa –, mas não recitarei muito bem, eu sei que não. Não será tão excitante quanto recitar para um monte de alunos diante de você, que prende a respiração enquanto você fala. Eu sei que não vou conseguir gelar o 12 Do poema “Mary, queen o’ scots” [Mary, rainha dos escoceses], publicado em 1877. (N. T.) 294

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Anne de Green Gables  

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